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PEDAGOGIA

ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR

JAGUARIAÍVA
2018
ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR

Trabalho individual interdisciplinar apresentado à


Universidade Norte do Paraná – UNOPAR,como
requisito parcial para obtenção de média do
2ºflex/3ºsemetre

Professores: Thiago Viana Camata Vilze Vidotte Costa;


Mari Clair Moro Nascimento; Jacqueline Rodrigues
Gonçalves; Natália Gomes dos Santos; Okçana Battini/
Renata de Souza F. D. Almeida.

JAGUARIAÍVA
2018
1 INTRODUÇÃO
A proposta de Produção Textual Interdisciplinar (PTI) terá como temática“A
escolarização de Jovens e Adultos”.
A Educação para adultos é evidente e relevante, pois a inevitalidade em
buscar caminhos que enriqueçam a sua prática especialmente na busca da melhoria
de qualidade de vida e saúde, que integre os indivíduos por completo, ampliando as
suas capacidades de movimentos, aumentando o controle, a força, o equilíbrio,
envolvidos na tarefa do aprender. Trabalhando tudo aquilo que deva ser útil para a
aprendizagem que muitas vezes é a alfabetização propriamente dita.
Como situações problemas o trabalho apresentará as seguintes questões:
- Quais são os fatores sociais e históricos que perpassam a Educação de
Jovens e Adultos na educação brasileira?
- Qual a função social da escola diante do processo de escolarização desse
público?
- Quais são as contribuições de Paulo Freire, a partir da educação
libertadora, que poderão ser utilizadas pelos professores em seu planejamento; com
vistas a alcançar êxito no trabalho em sala de aula?
Considerando que os alunos jovens e adultos não tiveram oportunidade de
aprendizagem escolar na sua época certa e que, mesmo procurando estudos em
sua vida adulta, são ocupados com outras funções, como: trabalho,
responsabilidades com suas famílias e outras dificuldades que se apresentam no
cotidiano, frequentar a escola torna-se muitas vezes cansativo. Sendo que essas
aulas devem trazer momentos de prazer, descontração e relaxamento para que
assim possam desenvolver suas capacidades físicas, mentais, psicológicas e
afetivas.
Para finalizar apresentação de uma proposta de trabalho a ser desenvolvida
em uma Associação de Moradores da Comunidade Vitória Régia,onde há um
número significativo de adultos não alfabetizados ou pouco alfabetizados.

2 DESENVOLVIMENTO
2.1 EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS

2.1.1 O Histórico, a função social e as contribuições de Paulo Freire

O processo histórico relacionado ao EJA teve um percurso de conquistas


bastante difícil, estando engajada em diversos problemas econômicos em que se
encontrava outrora o Brasil. Apesar de haver grande distanciamento da realidade do
ensino fundamental.

A preocupação política com o segmento social do analfabeto emerge em


meados do século XIX, tendo como intenção a superação da “ignorância”
daqueles que não sabiam ler e escrever; a missão era civilizar a população
analfabeta. Percebe-se que é desta forma, como “ignorante” que o
analfabeto era visto pela sociedade nessa época. Iniciam-se assim debates
para a gratuidade e obrigatoriedade do ensino, porém as dificuldades eram
grandes mediante a falta de condições tanto dos alunos como da falta de
estrutura na execução desse ensino. (SOUZA, 2007, p.25)

A educação popular sendo gratuita ganha destaque na EJA por influenciar a


mesma. Porém a carga horária era menor, pois foi adaptada às necessidades e
realidade do seu público alvo, os jovens e adultos que geralmente trabalhavam
durante o dia, sendo ofertado assim em período noturno.
A Lei Saraiva em 1882, que proíbe o voto do analfabeto”, a sociedade
começa a se preocupar mais com a escolarização deste, por estar ligado com a
política, questão de forte interesse no país. Havendo também a marginalização do
analfabeto e ainda o julgando como incapacitado. Em 1890, cerca de 85,21% da
população era iletrada, “o índice de analfabetismo era motivo de vergonha nacional,
e a educação passa a ser considerada necessária para a elevação cultural da
Nação” (SOUZA, 2007).
Foi aproximadamente nos “anos 1932 e 1937 que as vagas no ensino
supletivo aumentaram junto às unidades escolares isso foi um ponto positivo para a
EJA, pois logo após na década de 40 foi criado o Fundo de ensino primário (FNEP)
”. (SOUZA, 2007, p28)
A década de 40 é marcada por vários movimentos que destacavam a EJA,
“primeira Campanha de Educação de Adultos (CEA) ou Campanha de Adolescentes
e Adultos (CEAA) criada em 1947 e extinta em 1963”. Outra campanha, a
Campanha Nacional de Educação Rural - CNER, e 1952, foram uma das instituições
promotoras do processo de desenvolvimento de comunidades no meio rural
brasileiro incentivando a população rural a ingressar nos estudos. O processo de
urbanização e a migração do campo para a cidade exerceu grande influência na
criação de campanhas como essa que eram voltadas para o meio rural, mas elas
não adequavam o ensino às condições dessa população, a realidade era diferente
sendo que o material didático era o mesmo para todo o país, o que provocou o
fracasso dessa campanha. (SOUZA, 2007).
Em 1958, foi realizado o II Congresso Nacional de Educação de Adultos,
objetivando avaliar as ações realizadas na área e visando propor soluções
adequadas para a questão. Foram feitas críticas à precariedade dos prédios
escolares, à inadequação do material didático e à qualificação do professor.
Nesse congresso se destacou Paulo Freire que anuncia ‘’o princípio da
pedagogia dialógica freiriana, que na década de 1960 será aprofundada: a
valorização do ser humano que aprende como alguém que já traz uma bagagem de
experiências, e não como alguém ignorante’’ (SOUZA, 2007, p.33).
Em 1960 houve o Movimento de Cultura Popular (MCP) no Recife, seu
objetivo conforme era ‘’elevar o nível cultural das massas, conscientizando-as
paralelamente’’. Eram improvisados vários lugares da cidade como a Igreja,
entidades esportivas e salas de associações de bairro, pois não havia lugares para
construir escolas. Em 1967 foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização
(MOBRAL) a qual começou em Recife, Paraíba e Sergipe. Era uma instituição
independente financeiramente. Na década “de 1970, houve inserção do ensino
supletivo no sistema regular de ensino”, complementando a atuação do MOBRAL.
Sendo que “em 1985 o MOBRAL foi extinto e substituído pela Fundação Educar”,
sua função era criar programas para aqueles que eram excluídos e não tinham
acesso escolar (SOUZA, 2007, p.35).
Todos os movimentos direcionados a EJA até a LDB foram bastante
conturbados, os programas não tinham verba era tudo muito precário e faltava
estrutura, e sem leis voltadas a essa modalidade de ensino só agravava cada vez
mais a situação desta. É por esses motivos que nenhuma das Campanhas teve
sucesso e ainda quando eram do governo a situação não era diferente pois o
material não estava de acordo com realidade dos educandos, com a chegada da
LDB a EJA começa a caminhar lentamente, porém já era uma grande conquista.
“Observa-se que não há menção nessa LDB à necessidade de haver
professores especializados para EJA, o que pode incentivar a não qualificação dos
profissionais” (SOUZA, 2007, p.55).
A LDB deixa a desejar quando não exige para a EJA profissionais com
qualificação, se os alunos apresentam grandes diversidades de experiências e
conhecimentos, é necessário que haja um professor que também seja experiente
nessa modalidade. As leis mostram que ainda não estão de acordo com os
interesses dos alunos, a revisão destas seria conveniente para o progresso da EJA
que necessita de melhoras, é também mediante a isso que houve a criação de
movimentos, que ainda hoje acontecem para a modificação desse ensino.
(BRASIL,2002)
Brasil é signatário da Declaração Mundial de Educação para todos e do
Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem.
O educando segundo, a Declaração de Hamburgo, passa a dar mais
importância à educação, seja em qual for o ambiente, sendo a forma de melhorar de
vida. A educação faz parte da vida em todas as etapas, iniciando na infância e
continuando mediante o crescimento.
Paulo Freire foi de grande importância para a EJA por ter um olhar sempre
humano sobre os analfabetos, defendendo sempre a valorização do educando e
suas experiências, não o vendo como um incapaz que só precisa saber ler e
escrever se faz necessárias mais exigências na formação dos alunos. O aluno se
sente motivado ao poder contribuir na aula, e sendo assim firma novamente sua
identidade e se orgulha dela, e ainda descobre que ele possui conhecimentos que
muitos desconhecem inclusive o professor. A EJA não é apenas uma oportunidade
de desenvolvimento intelectual, mas também de formação e reconstrução como
indivíduo único, e esses são momentos em que o professor estará elevando a
autoestima desse aluno.
O jovem ou adulto chega à sala de aula com baixa autoestima, sentindo-se
incapacitado e se culpando pelo abandono dos estudos. É necessário um resgate
social desse aluno, sendo um trabalho gradativo, mediante o processo de
aprendizagem, de acordo com a realidade social. Se o aluno vai à busca dos
estudos é porque ele quer aprender, seja por necessidade, seja pelo trabalho ou por
outro motivo.
Diante desse histórico inserido e um contexto com muitos desafios e lutas
ainda em processo de desenvolvimento, observa-se a necessidade de levantar
dados para verificar se essa situação se modificou, obtendo a realidade dessa
modalidade de ensino e também observar como se encontra a questão do
analfabetismo, se há valorização do educando nos aspectos socioculturais e como
vêm se efetuando esse trabalho no ambiente escolar.
Tornar a sala de aula um ambiente onde o aluno possa compartilhar suas
experiências relativas à aula não só o valorizará como também irá tornar a
aprendizagem mais fácil e próxima da realidade. Isso gera até um excelente debate
elevando a aula para um novo patamar, abrindo horizontes e proporcionado espaços
para o posicionamento de cada um, permitindo que o educando forme seus próprios
conceitos havendo respeito à sua autonomia como ser pensante.

3 PROPOSTA DE TRABALHO DOCENTE


Identificação do local: Associação de Moradores da Comunidade Vitória Régia
Disciplinas: Português,Matemática e Artes
Período de realização: 08 horas aula
Professora: Édina da Silva Melo
Objetivo Geral: Proporcionar ao aluno momentos que incentive é contribuir para a
melhoria da aprendizagem através de atividades lúdicas a serem desenvolvidas,
como: jogos, brincadeiras, atividades de percepção e de estímulo ao raciocínio
lógico dos alunos. Desenvolver iniciativa, interesse, curiosidade, capacidade de
análise e reflexão, e melhor interação com o grupo de colegas.
Objetivos Específicos: Utilizar o lúdico em aulas de Português interdisciplinando
matemática e artes;
Conteúdos: Frases; medidas de capacidade e frações.
Cronograma de atividades: 2 horas aulas durante 4 dias;
Percurso metodológico:
Primeiro Dia:
Coloca-se as cadeiras em círculo e inicia-se uma conversa informal sobre as
preferências e gosto de cada um sobre as comidas. Em seguida le-se uma receita:
Receita para Ser Feliz. Após todos comentaram sobre ser feliz, o que realmente é a
felicidade para eles, deve ser um momento de desabafo para alguns. Continua-se a
explorar o texto fazendo indagações a respeito das expressões nele contidas como:
Cada dia é um Presente, A velhice é como uma conta bancária, e também fala-se
das dicas de como Ser Feliz, explícitas no texto. Em seguida cada aluno recebe um
caderno o qual seria para receitas e devem decorar conforme a criatividade de cada
um.
Segundo Dia:
Leva-se uma torta pronta e uma receita de Torta de Tomates e todos os ingredientes
para a realização da mesma, os alunos da 2ª etapa devem ler a receita para os
alunos da 1ª etapa que devem separar a quantia dos ingredientes e fazer a torta
conforme instruções, após assada a mesma trabalha-se frações e divisão. Ao final
da aula come-se as tortas.
Terceiro Dia:
Trabalha-se formação de frases com o nome de alguns ingredientes da receita,
descrição e construção de bilhete. Utiliza-se a receita de um chá que conforme
combinado previamente uma aluna levará, trabalha-se medidas de capacidade.
Quarto Dia:
Reflexão sobre o Texto trabalhado no primeiro dia:
1.Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência. Isso inclui
idade. peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago.
2. Dê preferência aos amigos alegres. O “baixo-astral” puxa você para baixo.
3. Continue aprendendo. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é
a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.
4. Ria sempre, muito alto. Ria até perder o fôlego.
5. Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. A única pessoa que
acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo. Esteja VIVO, enquanto você viver.
6. Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser família, animais,
lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio.
7. Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a. Se está
abaixo desse nível, peça ajuda.
8. Viaje sempre que puder evitando viagens ao passado.
9. Diga a quem você AMA, que você realmente o AMA, em todas as oportunidades.
E LEMBRE-SE SEMPRE QUE:
A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos
em que você perdeu o fôlego... de tanto rir... de surpresa... de êxtase... de felicidade!
Recursos:
Cópias individuais do Texto;Ingredientes utilizados para preparação do bolo;forno
elétrico para assar o bolo;Um caderno de linguagem para cada aluno;quadro de
giz,lápis,caderno,lápis de cor,tesoura,papéis coloridos.
Avaliação:
Participação e interesse demonstrado pelo aluno no decorrer das aulas;
Referências:
A Parábola da Idosa que Decidiu ser Feliz disponível em
http://conexoesdeesperanca.com.br/a-parabola-da-idosa-que-decidiu-ser-feliz/
acessado em Abril de 2018.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O lúdico como recurso educativo possibilita o desenvolvimento afetivo,
motor, cognitivo, social e moral e a aprendizagem de conceitos. Portanto, diante de
todas essas considerações pode-se concluir que a aprendizagem acontece sobe
vários aspectos e de diferentes maneiras, variando de indivíduo para indivíduo.
Diante de tudo o que foi pesquisado e comparado com a experiência
profissional, o uso de atividades dinâmicas, brincadeiras e jogos, pode-se afirmar
com convicção que além e garantir os resultados satisfatórios, promove um grande
inter-relacionamento entre alunos e professores, uma sensível mudança de
comportamento, sinais de amadurecimento afetivo e melhora grande na autoestima
dos mesmos, despertando principalmente, a motivação para a aprendizagem,
aceitando com mais segurança os desafios para as situações diárias na escola e na
sua vida diária.
Constatou-se pelos estudos e auxílios bibliográficos que a história da EJA
exerce grande influência nessa modalidade de ensino até hoje, através de
preconceito e discriminação, falta de acesso, desvalorização acarretando em
precariedade, o desconhecimento dos próprios educandos dos seus direitos, a falta
de qualificação dos professores e, fazer desta uma exigência da lei, são questões a
serem abordadas na aula por estar relacionado com a realidade desse ensino.
Sendo assim, o contexto histórico é vinculado com problemas sociais e econômicos
do país.

REFERENCIAS
BRASIL, 2002. Ministério da Educação e do Desporto. Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). DATAESCOLABRASIL. Disponível
em: http://www.dataescolabrasil.inep.gov.br/ acessado em abr. /2018.

BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Proposta


nacional de educação física para educação de jovens e adultos. Segundo
segmento do ensino fundamental: 5ª a 8ª série: Introdução, v. 1. Brasília, 2002.

SOUZA, Maria Antonia. Educação de Jovens e Adultos. Curitiba, 2003.