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IBET- INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS

Maria Aparecida Teixeira Mendes

MÓDULO III
SEMINÁRIO III

DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA

UBERLÂNDIA-MG

2020
IBET- INSTITUTO MÓDULO III - Seminário II

SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, MANDADO DE

SEGURANÇA E LIMINARES

Questões
1. No art. 151 do CTN, que significa o termo “exigibilidade”? Quando
surge essa “exigibilidade”? E qual o efeito da suspensão da
exigibilidade? Impede-se (i) o lançamento, (ii) a inscrição na dívida
ativa, (iii) a execução fiscal; (iv) todos estes atos? (vide anexo I a IV).

Conforme disposto no art.151 do CTN, exigibilidade significa o


poder que o Fisco detém, de tomar as providências cabíveis para cobrar o
crédito tributário, que se dá em espaço de tempo posterior ao vencimento da
obrigação tributária.
O efeito da suspensão da exigibilidade do crédito tributário se
dá ante a suspensão de poder de exigi-lo e de interpor medidas executórias,
etc.

Entendo que o lançamento não pode ser obstaculizado pela


suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sob risco de perder o direito de
constituir a obrigação tributária pelo decurso do prazo decadencial.

Nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário


em momento anterior a inscrição em Dívida Ativa e do ajuizamento da
execução fiscal, a suspensão fica obstada, já que que configura meio de se
perquirir o crédito tributário.
Se inscrito o Débito em Dívida Ativa e já tiver sido ajuizada a
execução fiscal, acontecendo causas de suspensão da exigibilidade do crédito
tributário como nas hipóteses de parcelamento, o contribuinte detém o direito
de emitir Certidão Positiva com Efeitos de Certidão Negativa.

2. Em que sentido a expressão “crédito tributário” foi utilizada no art. 151


do CTN? Essa expressão congrega também liames decorrentes da
prática de atos ilícitos (e.g. multa por desrespeito aos deveres
instrumentais)?

A terminologia empregada no art. 151 do CTN foi no tocante a


constatação da hipótese de incidência descrita nas normas de Direito
Tributário.

Analisando também o artigo 142 do CTN dispõe: “Art. 142.


Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito
tributário pelo lançamento, que nada mais é que o procedimento administrativo
tendente a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação
correspondente, determinando a matéria tributável, calculando o montante do
tributo devido, identificando o sujeito passivo e, sendo caso, promover a
aplicação da penalidade cabível. ”
Desta forma fica cristalino que pela redação do art. 142 do
CTN, a aplicação da regra-matriz de incidência tributária (crédito tributário) e o
vínculo, decorrentes da prática de atos ilícitos estão ligados .

3.As hipóteses de “suspensão da exigibilidade do crédito tributário”


previstas no art.151 do CTN são taxativas? (vide anexo V). Considerando
que não houve alteração nos art. 151 do CTN, pergunta-se:

Sim. Entendo que as hipóteses de “suspensão da exigibilidade


do crédito tributário” previstas no art. 151 do CTN são taxativas, por força do
art. 111 do CTN, o qual dispõe que deve se interpretar literalmente a
legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito
tributário.

a) A equiparação, prescrita pelo §2º do art. 835 do CPC/15, a dinheiro da


fiança bancária e do seguro garantia, tem o condão de consagrar a
hipótese de suspensão do crédito tributário prevista no art. 151, II, do
CTN?

Entendo, levando em análise o já disposto pelo STJ, em razão da


taxatividade do art. 151 do CTN, a fiança bancária e o seguro garantia não são
equiparáveis ao depósito integral do débito, em razão até mesmo da Súmula
112 do STJ que expressamente dispõe que “o depósito somente suspende a
exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”.

b) As espécies de tutela provisória previstas no CPC/15 se aplicam ao


Processo Tributário? Tais medidas têm o condão de suspender a
exigibilidade do crédito tributário?
Sim. Entendo que as espécies de tutela provisória previstas no
CPC/15 se aplicam ao Processo Tributário, permitindo a suspensão da
exigibilidade do crédito tributário, por se enquadrar no art. 151, V, do CTN.

4.Sobre o depósito judicial efetuado nos autos de uma ação declaratória


proposta antes da constituição do crédito tributário, pergunta-se: trata-
se de faculdade do contribuinte? Há distinção entre depósito judicial
para fins do art. 151, II do CTN e prestação de caução? O levantamento
do depósito judicial pelo contribuinte vincula-se ao êxito (com trânsito
em julgado) da ação pelo contribuinte ou o juiz pode a qualquer tempo
autorizar o levantamento do depósito? (vide anexo VI).

O depósito judicial realizado nos autos de uma ação


declaratória distribuída antes da constituição do crédito tributário é sim uma
faculdade do contribuinte, não havendo que se falar em autorização judicial.
Análisando o art.151 do CTN observa-se que o depósito é uma
das causas de suspensão exigibilidade, nada se falando expressamente
sobre a necessidade de autorização do juiz para isso. Por óbvio deduz-se
que a suspensão advém do simples ato da efetivação do depósito e não da
decisão judicial que a tenha autorizado.

Na questão apresentada, não se deu ainda a constituição do


crédito tributário, continuando dessa forma a ser o depósito uma faculdade
do contribuinte, não podendo o Poder Judiciário afastar a apreciação de
lesão ou ameaça a direito, em consonância com o art. 5º da CF. Outro tópico
a ser analisado é no tocante a distinção entre depósito judicial e prestação
de caução.
A caução tem a finalidade de garantia se antecipando a
possibilidade de uma futura execução (contracautela) almejando a emissão
de Certidões Negativas com Efeito de Positiva obstando a automática
suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 206 do CTN.

No tocante ao levantamento do valor, entende-se que somente


poderá ser levantado após o trânsito em julgado, no caso de decisão
favorável ao contribuinte, já que o Fisco não pode promover a execução
fiscal no momento da suspensão; portanto, não restaria prejudicado o
levantamento do valor pelo contribuinte.

5. A partir da vigência do CPC/15 foi instituído um novo fundamento para


a concessão de tutela provisória, a evidência do direito, tal como
preveem os arts. 294 e 311. Pergunta-se:
a) Identifique a diferença entre tutela antecipada e tutela cautelar. É
possível a concessão de tutela provisória antecipada em mandado de
segurança? Ou em mandado de segurança tão somente é admissível
medidas provisórias de natureza cautelar?

A maior diferença existente entre tutela cautelar e tutela


antecipada é de que esta tem a função de antecipar os resultados que só
seriam conseguidos no final do processo, enquanto a cautelar tem a função
de assegurar os resultados até o final do processo, de modo a evitar que se
aquele resultado almejado no fim do processo se tornasse inócuo.

Sim, entendo ser é possível a concessão de tutela provisória


antecipada em mandado de segurança ante das inovações do CPC de 2015,
já que é permitido pela Lei do Mandado de Segurança a concessão de
liminar quando for verificada a “a plausibilidade do direito invocado e a
urgência na concessão da medida”.

b)É cabível o requerimento de liminar em mandado de segurança


fundada na evidência do direito a partir da vigência do CPC/15? Ou
diante das disposições da Lei Federal n. 12.016/09, apenas é cabível o
requerimento de liminares fundadas em urgência, a outra espécie de
tutela provisória prevista no CPC/15?

Entendo que sim, ante a possibilidade de deferimento do


pedido da tutela de evidência em mandado de segurança, existindo já um
Enunciado nº 422 no Fórum Permanente de Processualistas Civis: “A tutela
de evidência é compatível com os Procedimentos especiais.
(Grupo:Tuteladeurgênciaetuteladeevidência)Https://www.tjdft.jus.br/consultas
/jurisprudencia/jurisprudencia-em-temas/novo-codigo-de-processo-
civil/tutela-provisoria-da-evidencia).

6. Dado o seguinte caso concreto: Gênesis Waves Ltda. obteve liminar em


Mandado de Segurança para suspender a exigibilidade do crédito
tributário que posteriormente foi “cassada” pela sentença de denegação
da segurança. Pergunta-se:
a) na hipótese de a empresa apelar da sentença que “cassou” a liminar,
o recebimento de sua apelação, nos efeitos suspensivo e devolutivo,
tem o condão de afastar os efeitos da sentença e reconstituir os efeitos
da liminar? Responder a pergunta considerando as disposições do
CPC/15 a respeito dos efeitos da apelação (vide anexo VII).

Sim, na hipótese de ser recebimento do recurso com efeito


suspensivo, reconstitui-se os efeitos da liminar anteriormente concedida.

b)Há incidência de multa e juros moratórios em relação ao período em


que o crédito tributário esteve com sua exigibilidade suspensa, por
força de liminar concedida em Mandado de Segurança, posteriormente
cassada por ocasião da sentença? E se a liminar foi concedida depois
de vencido o prazo para pagamento do tributo? (vide anexos VIII e IX).

Não incidira juros e multa em relação ao período em que o


crédito esteve suspenso, haja vista que a suspensão atinge também a
suspensão de aplicação de multa e juros de mora.

A suspensão da incidência de juros e moras no período que o


crédito esteve com a exigibilidade suspenda tem o condão de evitar
enriquecimento ilícito do Fisco. Não obstante concordar com o entendimento
retro mencionado, necessário pontuar que existe divergência jurisprudencial
neste ponto, onde existe entendimento favorável ao cabimento da
pertinência de cobrança de juros e multa na hipótese de liminar cassada
sobre o período da vigência da liminar.

7.Primeiramente distinga tutela antecipada e tutela cautelar. Fixados


esses conceitos, responda à seguinte pergunta: diante do novo cenário
das tutelas provisórias do código de processo civil de 2015, a ordem
judicial suspensiva da exigibilidade da obrigação tributária, tenha
fundamento na urgência ou na evidência, assume natureza antecipada ou
cautelar?

A maior diferença existente entre tutela cautelar e tutela


antecipada é de que esta tem a função de antecipar os resultados que só
seriam conseguidos no final do processo, enquanto a cautelar tem a função
de assegurar os resultados até o final do processo, de modo a evitar que se
aquele resultado almejado no fim do processo se tornasse inócuo.

Entendo que a ordem judicial suspensiva da exigibilidade da


obrigação tributária, que tenha fundamento na tutela de urgência ou na
tutela evidência assume natureza cautelar pois almeja assegurar os
resultado pretendido pela parte até o final do processo, de modo a evitar que
se aquele resultado almejado no fim do processo se tornasse inócuo.