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UNIVERSIDADE DA AMAZONIA

CURSO DE ENGENHARIA

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA

UNIDADE – 02

1- O ENGENHEIRO E A COMUNICAÇÃO:

Todo o Conhecimento e Técnicas adquiridos no curso de engenharia não são suficientes para ser um
excelente profissional. Para que o profissional seja completo é preciso que saiba utilizar além da memória e
raciocínio, a capacidade de se expressar com clareza em suas Ideias e Soluções para os problemas.

Desenvolver bem o trabalho e se comunicar com eficácia em sua área de atuação é um objetivo a ser
alcançado pelo engenheiro bem sucedido, embora alguns estudantes coloquem em segundo plano a importância
da comunicação escrita e falada na engenharia.

Na linguagem técnica é bom evitar o emprego de Prosopopeia. É uma figura de linguagem que atribui
características humanas (vida), personificando assim seres ou coisas inanimadas. ou seja, emprestar atributos
que dão vida, ação, movimento e voz a coisas inanimadas. Exemplo: O morte mostrou sua face mais sinistra.

Expressões como: "a equação A diz que" — pois as equações não falam. "Os dados apontam para" - pois os
dados não apontam, devem ser evitadas. Por outro lado, já é de uso comum, na linguagem do dia-a-dia das
pessoas, o emprego deste tipo de figura, o que torna em muitos casos quase inevitável o seu emprego.

A forma mais importante de comunicação é a Escrita, mas outras formas são: Oral, Gráfica ou através de
Modelos Icônicos. Na Engenharia todas elas têm o seu uso. Para escrever ou se preparar para uma
apresentação oral, o engenheiro deve levar em conta três passos:

• Seleção do Tema: que pode ser livre ou direcionado.

• Pesquisa: revistas técnicas, anais de conferências, livros, internet, artigos, relatórios governamentais,
estatísticas, resumos, catálogos de bibliotecas, patentes, etc.

• Organização: conhecer sua audiência e planejar o que irá apresentar. Como engenheiro você precisará fazer
propostas a clientes, explicar ao chefe os resultados de uma determinada análise, entre outras coisas.

1.1-Segundo Holtzapple; Reece (2006), as apresentações Orais se dividem em:

• Introdução: é aqui que você cativa ou não sua audiência, conectando os ouvintes ao seu mundo;

• Corpo: é o coração da apresentação. Use capítulos para que o público se situe quando você mudar os tópicos;

• Conclusão: você deve fechar a apresentação com pontos importantes. Pense em qual mensagem você quer
deixar para o público;
• Recursos Visuais: busque a simplicidade sempre. Os mais usados são quadros de palavras, tabelas, gráficos,
fotografias, esquemas, mapas e slides;

• Ansiedade de falar em Público: suor, pernas bambas, gastrite, aumento dos batimentos cardíacos e da
respiração são sinais típicos da ansiedade antes da apresentação. Para dominar esses sintomas treine, pratique,
fique bem preparado.

Permita-se cometer erros, se exercite horas antes para que o corpo esteja bem relaxado e se entregue
ao público.

• Estilo: olhe nos olhos do seu público, fale com a voz alta e confiante, não se fixe nos slides, não se distraia com
seu relógio, anel ou moedas no bolso.

Esteja bem arrumado para mostrar respeito pela audiência e seja otimista.

1.2-A Comunicação Escrita é essencial ao trabalho do Engenheiro.

Expedir pedidos ou ordens aos funcionários da empresa, preparar memorandos, elaborar relatórios técnicos
para clientes ou diretores, redigir cartas comerciais ou propostas e escrever artigos em revistas técnicas são
alguns exemplos. O Engenheiro precisa escrever de forma Precisa, Breve, Clara e Fácil de entender, pois o
objetivo maior é Expressar e não Impressionar.

A boa Escrita exige editoração, nada de improvisação e sempre se colocar no lugar de quem irá ler (público-alvo)
aquele texto.

Eis algumas Dicas de Holtzapple; Reece (2006):

• Evite frases fragmentadas e frases muito longas;

• Prefira voz ativa; • Evite palavras vagas, com duplo sentido;

• Elimine redundâncias;

• Use menos preposições;

• Use referências claras e pronomes;

• Evite infinitivos modificados por advérbios;

• Evite a linguagem burocrática, prefira frases com poucas palavras;

• Evite linguagem informal;

• Evite linguagem muito rebuscada, pomposa.

2- A LINGUAGEM TÉCNICA:

A linguagem técnica deve ser Clara e Objetiva, sem dar margem a outras interpretações. Ao usarmos
essa linguagem temos que levar em conta o público-alvo para usarmos uma terminologia adequada para que o
público seja atingido sem ruído na comunicação. Ler com frequência e consultar dicionários enriquece o
vocabulário técnico.
Segundo Bazzo; Pereira (2008) um texto técnico deve ser:

• Impessoal: redigido na terceira pessoa;

• Objetivo: sem ressalvas;

• Modesto e Cortês: sem engrandecer o próprio trabalho;

• Claro: Preciso Para o engenheiro o desenho é um instrumento de muita utilidade, pois permite visualizar os
sistemas espacialmente, ou seja, ele é capaz de executar a visão espacial.

3- MODOS DE UM TEXTO TÉCNICO:

a) IMPESSOAL:

O Formato Técnico atualmente mais aceito é prepararmos textos em linguagem Impessoal. Dessa forma, os
textos devem ser redigidos na terceira pessoa, evitando expressões como: "meu trabalho", "minhas conclusões".
Ao invés destas expressões, devemos usar, por exemplo: "o presente trabalho", "conclui-se que".

Esta orientação é contestada por alguns autores, sob a alegação de que, em assim escrevendo, parece que
estamos tentando nos isentar da responsabilidade do que afirmamos. No entanto, em se tratando de Textos
Técnicos, julgamos ser esta uma boa forma de comunicação, tornando-os inclusive mais precisos. E corno esta
característica é altamente desejável em uma redação técnica, justifica-se o seu emprego. Mas isso não é regra
absoluta, e desde que saibamos usar outras orientações com coerência e qualidade, podemos fazê-lo sem
nenhum constrangimento.

b) OBJETIVO:

A Linguagem Técnica deve ser Objetiva e Precisa, evitando o uso exagerado de expressões de reserva
ou ressalva. Expressões do tipo "é provável que" ou "possivelmente" devem ser usadas comedidamente, e
apenas onde for extremamente necessário, pois elas podem ser traduzidas, por quem as lê, como pontos de
dúvida do escritor. Neste caso, é melhor apontar para a necessidade de trabalhos complementares.

Na verdade, a própria Linguagem Impessoal tende a afastar expressões subjetivas tais como " eu penso",
“parece-me", induzindo o emprego de afirmações mais objetivas.

O seguinte Exemplo Comparativo reforça a importância desta característica:

Objetiva Subjetiva

A sala mede 6 metros de largura por 15 metros de comprimento.

Comparação entre dois tipos de linguagem


c) MODESTO e CORTÊS:

Apontar Erros e Incoerências em trabalhos de outros não é uma atitude condenável. Mas não devemos
usar esse recurso para engrandecer o nosso próprio trabalho. Se o que fazemos é bom, tem qualidade, ele se
impõe por si mesmo, sem a necessidade de menosprezar outro para fortalecê-lo.

Um pouco de Modéstia, inclusive, nos ajuda a ocupar espaços com mais solidez, e evita contra-ataques
daqueles que se sentirem prejudicados com as críticas. Mas além de Modesto, devemos ser Corteses.

O texto deve ser escrito para registrar Resultados e Análises dentro do contexto em que foi realizado o
trabalho, e não para impressionar o leitor com colocações prepotentes que alimentem o ego do autor.

d) CLARO.

A Clareza também é uma característica importante na linguagem técnica, bem como a precisão. A
Clareza de Ideias é um grande facilitador da comunicação.

Se o objetivo do registro é Comunicar, o preparo de um Relatório deve ser feito tendo isso em mente.
Portanto, antes de escrever o texto final, é imprescindível que tenhamos clareza em relação às ideias que vamos
registrar. Se um assunto está bem Claro na nossa mente, já temos um excelente ponto de partida para o seu
registro. Se não conhecemos o assunto que vamos relatar, escrever vai ser um tormento, e o resultado final
talvez não seja nem proveitoso nem prazeroso.

Para aperfeiçoar o vocabulário técnico, devemos desenvolver o habito de ler com frequência e consultar
dicionários e informações especializadas. Tanto para captar quanto para registrar ideias numa área de
conhecimento, urna boa compreensão dos termos técnicos é imprescindível. Em suma, a Linguagem Técnica
deve ser Clara, Objetiva, Precisa e Simples, no que diz respeito ao vocabulário e à construção das frases.

Deve também estar baseada com dados objetivos e verificados, a partir dos quais Analisa, Sintetiza, Argumenta
e Conclui.

Bibliografia:

- Introdução à Engenharia - Autores: Walter António Bazzo e Luiz Teixeira do Vale Pereira

- Introdução à Engenharia - Autor: Eduardo Batman Júnior

- Holtzapple; Reece (2006),

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