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Spielvan, o inesquecível guerreiro dimensional,

completa 30 anos

O segundo "Jaspion" contemplando o pôr-do-sol

Depois de um resultado mediano da série O Fantástico Jaspion (erroneamente


interpretado por algumas correntes no Brasil como "fracasso no Japão"), a Toei
resolveu investir numa releitura da trilogia dos Uchuu Keiji (Policiais do
Espaço - Gavan, Sharivan e Shaider) para tentar recuperar parte da audiência
perdida.

O ator Hiroshi Watari vivenciou mais uma vez um herói da linhagem dos Uchuu
Heroes (heróis do espaço). Outrora dublê da Japan Action Club (atual Japan
Action Enterprise), ator principal da série Sharivan interpretou também o
detetive Boomerman em alguns episódios de Jaspion. Com a retirada de pinos
em uma de suas pernas, devido um acidente de moto que sofreu em setembro
de 1984, Watari precisou se retirar da série. Seria talvez um herói secundário
fixo, só que sem uma suit de combate. Foi através de um convite do
produtor Susumu Yoshikawa, durante um passeio de esqui com dublês da JAC,
em dezembro de 1985, que Watari foi convidado para estrelar o novo herói
espacial da Toei no ano seguinte.

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da humanidade

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O projeto da série Jikku Senshi Spielvan (Guerreiro Dimensional


Spielban) nasceu de um plot de um antigo projeto para a série que se
candidatara a ocupar o horário das 19:30 das sextas-feiras da TV Asahi após o
final de Shaider, em 1985. Ginsei Ouji Big Bang (Príncipe da Estrela de Prata
Big Bang) - que seria apenas um Henshin Hero - contaria sobre um jovem
fugitivo de um planeta natal destruído por uma rainha do mal. Tais elementos
só foram usados em 1986.
O herói-título e sua parceira Diana são sobreviventes do Planeta Clin, que foi
dizimado pelo Império Water (Waller no original). Liderado por um espírito
guardião que dá o nome ao império e sub-comandado pela Rainha Pandora,
Water havia sequestrado o cientista Dr. Paul (Dr. Ben) e sua filha mais
nova Helen. Respectivamente, o pai e a irmã de Spielvan. Paul foi
transformado no Dr. Bio e passou a criar mechanoids para dominar qualquer
planeta que possua uma grande abundância de água. Viajando e adormecendo
durante um período na nave Defender (Grand Nasca), Speilvan e Diana (seus
respectivos nomes são claramente homenagens ao cineasta Steven
Spielberg e à falecida Princesa Diana de Gales) aprendem sobre a
humanidade e treinam com a missão de destruir Water sem misericórdia.

O Império Water

Spielvan herdou vários elementos dos Uchuu Keiji, mas era um herói que não
tinha um comandante. O clima da série era triste e carregado que os demais
antecessores da franquia Metal Hero. Não tão sombrio quanto Sharivan, mas
superando Jaspion. As lutas seguiam um padrão, mas era de se notar que a
Toei estava tentando inovar em sequencias de ação mais ousadas que as
séries anteriores da franquia. Arrisco a dizer que seu visual é o mais belo
dentre os Metal Heroes, a começar pelo seu capacete arrojado que lembra
uma nave espacial. Spielvan marcou também por lançar a primeira Metal
Heroine da franquia, Lady Diana (Diana Lady). Mais tarde um novo aliado
surgiria como o primeiro Metal Hero secundário (sem spoilers para quem ainda
não assistiu), ideia que naturalmente vingou com as aparições de outros ao
longo da franquia como Top Gunder (em Metalder), Eminin Emiha (em
Jiraiya), Gun Gibson (em Janperson), Gold-Platinum (em Blue SWAT), entre
outros.

Os primeiros episódios tiveram seus altos e baixos. Ponto positivo é a procura


angustiante de Spielvan por sua irmã que passou a ser controlada por Pandora
e se transforma em Herbaira (Helvira [lê-se: "hell váira" no original]), sem o
consentimento do herói. Algo que deixa qualquer espectador na ponta do sofá
ou mesmo quem assiste algum desses momentos sem compromisso. Ponto
negativo, de longe, é o núcleo do laboratório do "cientista" Daigorô Koyama.
Uma tentativa fracassada e de muito mal gosto se suceder Kojiro Ooyama (o
alívio cômico da trilogia Uchuu Keiji). A sua atuação mais patética foi no
segundo episódio quando Daigorô pensou ter criado uma fórmula para a
invisibilidade e quase fez um strip-tease (é sério!) na frente de crianças e
mulheres. Constrangedor. Felizmente ele saiu na metade da série e é um
personagem que jamais fez falta sequer por ser uma baita vergonha alheia.

Spielvan melhorou na segunda metade com a aparição do Imperador


Guillotine. Um homem vindo do ano 2201 que por algum motivo vivia como um
mendigo. Infelizmente a gênese do herói foi um grande furo de roteiro, mas por
incrível que pareça nem isso impediu a evolução de um vilão calculista que deu
trabalho. Outro vilão que marcou a série nos momentos finais foi
o Fantasman (Youki) e sua investida rendeu um clímax frenético jamais visto
até então nas séries Metal Hero. Coisa de deixar o telespectador na ponta do
sofá.

Com todo um conceito espacial formado em seus 44 episódios, Spielvan teve


um final decepcionante e com um grau nonsense acima da compreensão
humana. Pra se ter uma ideia, até hoje nem mesmo Watari conseguiu entender
o que realmente aconteceu. Pois a resolução criou um desconexo que serviu
de "caminho largo" para a Toei fechar com um final feliz e um sorriso
estampado de orelha à orelha. Seria melhor vê-lo na Terra ou partir para outro
planeta para combater algum outro ser espacial. Ainda assim, Spielven deve
ser visto, analisado, apreciado, e ver como a série cresceu com o tempo.
Apesar do nó deixado na cabeça de quem acompanhou até o final medonho.
Uma grande série como Spielvan merecia um final digno e respeitável.

Diana e Spielvan no clock-pit da nave Defender (Grand Nasca)

Jikku Senshi Spielvan teve grandes nomes no elenco. Destaco as participações


de Ichirô Mizuki, tanto como Paul quanto cantando os eletrizantes temas da
série; a lindíssima Naomi Morinaga como Helen; e a nossa saudosa Machiko
Soga como Pandora. Vale lembrar que Watari teve mais dois trabalhos em
comum com seus colegas. Ele voltou a contracenar com Makoto "Diana"
Sumikawa, nos episódios 25 e 26 de Metalder, série que sucedeu Spielvan (e
que serviu de "companhia" numa determinada versão nipo-americana de
tokusatsu). Em 2014, Watari e Morinaga retornaram como seus respectivos
personagens da trilogia Uchuu Keiji (Den Iga e Anne) na saga NEXT
GENERATION. E junto com Soga, Watari e Morinaga trabalharam no
jogo Uchuu Keiji Tamashii, onde a atriz consagrada à vilã voltaria a interpretar
Mitsubachi Doubler (de Gavan) e Dark Galaxy Queen. Aliás, esta foi sua última
personagem. A atriz morreu em 7 de maio de 2006 - 18 dias antes do
lançamento para PlayStation 2.

Spielvan é um tokusatsu que assisti desde sua estreia na Sessão Super-


Heróis, em 22 de abril de 1991, na extinta Rede Manchete, e que tive como um
dos favoritos depois de adulto e entender melhor o enredo. Seu lançamento
veio através da Everest Video (do sr. Toshihiko "Toshi" Egashira), junto
com Maskman e Kamen Rider Black. A estreia das três séries foram marcadas
também pelo retorno de Cybercop que trazia uma nova remessa de episódio
inéditos trazidos pela Sato Company (do sr. Nelson Sato). Infelizmente os
últimos quatro episódios não foram dublados devido a um problema
no traslado das fitas masters originais vindas do Japão. Queria muito ouvir a
dublagem e arrisco dizer um nome de um dublador que seria ideal para
substituir o saudoso Ézio Ramos. Mas isso é assunto para um outro post.

Esta é uma rara chamada exibida originalmente durante os últimos episódios


de Jaspion. Ao final do anúncio vemos sem película Spielvan e Diana no clock-
pit da nave Defender (Grand Nasca) e mais a reunião de parte do elenco
convidando os espectadores a acompanhar então nova série. A estreia
aconteceu no dia 7 de abril de 1986 e era exibido sempre às segundas-feiras
às sete da noite.

Trecho de um programa de variedades da TV Asahi em que anunciava as


atrações daquela segunda-feira - 1 de setembro de 1986 - na faixa das sete da
noite. Os previews do episódio 21 de Spielvan (19:00) e do episódio 19 do
anime Ginga: Nagareboshi Gin (19:30), este último se encontrava na reta final.
PS: Amanhã teremos no blog mais uma resnha especial de nostalgia com mais
um tokusatsu aniversariante, e que está hoje em exibição no Brasil. Dica? A
Sally vai. Esteja verde.

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