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Direito Tributário

1) Na opinião do grupo, confecções de bulas, rótulos, etiquetas e material de embalagem que integram
produtos industrializados (ex: farmacêuticos) são operações de industrialização oneradas pelo IPI e pelo
ICMS. Isso se deve ao fato de que as embalagens têm função técnica na industrialização, ao permitirem
a conservação das propriedades físicoquímicas dos produtos, bem como o transporte, o manuseio e o
armazenamento dos produtos. Por força da legislação, tais embalagens podem ainda exibir informações
relevantes aos consumidores e a quaisquer pessoas que com ela terão contato. Ou seja, trata-se de
típico insumo. O fato de haver a encomenda da industrialização é insuficiente para ensejar a incidência
do ISS, pois, diante da sempre crescente complexidade técnica das atividades econômicas e da
legislação regulatória, não é razoável esperar que todos os tipos de invólucro sejam produzidos de
antemão e postos, indistintamente, à disposição das partes interessadas para eventual aquisição. O
objeto principal do contrato é a produção e a entrega de embalagens. Por certo que as embalagens
devem ter tais ou quais características e que sua produção seja feita sob encomenda, para
acondicionamento dos produtos do contratante, contendo a impressão da marca e demais informações
necessárias ou úteis, mas o objetivo final é a produção e a circulação das embalagens como um todo,
em grande número, para utilização pela contratante em seu próprio processo produtivo.

2) O fato gerador do ISS enquadra-se no conceito constitucional de serviço tributável que, nas
palavras de Aires Barreto, abrange: "a) as obrigações de fazer e nenhuma outra; b) os serviços
submetidos ao regime de direito privado não incluindo, portanto, o serviço público (porque este, além
de sujeito ao regime de direito público, é imune a imposto, conforme o art. 150, VI, "a",
da  Constituição); c) que revelam conteúdo econômico, realizados em caráter negocial - o que afasta,
desde logo, aqueles prestados a si mesmo, ou em regime familiar ou desinteressadamente (afetivo,
caritativo, etc.); d) prestados sem relação de emprego – como definida pela legislação própria -
excluído, pois, o trabalho efetuado em regime de subordinação (funcional ou empregatício) por não
estar in comércio.” (BARRETO, Aires F. ISS - Não incidência sobre Franquia. Revista de Direito
Tributário, n. 64, p.216, 221). A franquia, no entanto, não se amoldaria a tal conceito, por ser
contrato que envolve prestações recíprocas de natureza variada. Ambas as partes assumem
obrigações de dar e de fazer, indivisíveis porquanto partes de um todo, a cessão de um modelo de
negócio. O contrato de franquia tem como atividade-fim a cessão de um modelo de negócio, para o
qual concorrem uma multiplicidade de atividades de ambas as partes. Desmembrá-lo para fins
tributários pode ser tido como violação da distinção entre atividade-meio e atividade-fim e da
intributabilidade da atividade-meio no âmbito do ISSQN, consagrada na jurisprudência dos tribunais
superiores. Desse modo, o simples fato de estar contida na lista de serviços anexa à LC 116/03 não a
constitui como “serviço de qualquer natureza”.

3) A progressividade do ITBI foi tida como inconstitucional em 2003, com a edição da Súmula 656 do STF
com a lógica de não se aplicar aos impostos reais o princípio da capacidade contributiva - “Súmula 656
STF - é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão "inter
vivos" de bens imóveis – ITBI, com base no valor venal do imóvel. Contudo, o STF, em recente julgado
sobre o ITCMD (RE 562045/RS), alterou a interpretação do artigo 145, parágrafo 1º, da Constituição
Federal e dispôs que a capacidade contributiva é aplicável a todos os impostos, sejam pessoais ou reais,
pois é possível aferir a capacidade econômica do contribuinte, de modo que não há motivos para
impedir a progressividade dos impostos reais.

A redação dada traria duas proposições distintas no referido artigo I) que os impostos deverão sempre
que possível ter caráter pessoal e II) os impostos deverão ser graduados segundo a capacidade
contributiva (todos eles). Para o então Ministro Eros Grau, ainda, em voto vencedor “o § 1º do artigo
145 da Constituição determina como devem ser os impostos, todos eles. Não somente como devem ser
alguns deles. Não apenas como devem ser os impostos dotados de caráter pessoal. Isso é nítido. Nítido
como a luz solar passando através de um cristal, bem polido”. Portanto, conclui-se que, embora ainda
aplicável a Súmula 656 do STF ao ITBI, a mudança do entendimento do STF acerca da aplicação do
princípio da capacidade contributiva a todos os impostos, torna a progressividade dos impostos reais
constitucional, de modo que o objeto e redação da Súmula restam prejudicados.

4) Nos termos do artigo 173, I, do CTN, a decadência para constituição do crédito tributário só
começa a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia
ter sido efetuado. Em caso de discordância do fisco municipal acerca da aplicação da imunidade
prevista no art. 156, parágrafo 2º, I, da CF, o termo inicial do prazo decadencial para efeito de
constituição do crédito tributário pela via do lançamento é o primeiro do exercício seguinte da
averiguação da preponderância das atividades do contribuinte.

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