Você está na página 1de 2

TIPO E TIPICIDADE

Fases da evolução da teoria do tipo


. A elaboração do conceito de tipo proposto por Beling revolucionou completamente
o Direito Penal, constituindo um marco a partir do qual se reelaborou todo o conceito
analítico de crime. Com efeito, o maior mérito de Beling foi tornar a tipicidade
independente da antijuridicidade e da culpabilidade, contrariando o sentido originário
do Tatbestand inquisitorial que não fazia essa distinção;
1) Fase da independência: o tipo penal, na concepção inicial de Beling, esgota-se
na descrição da imagem externa de uma ação determinada, ou seja, tinha uma
função meramente descritiva, competindo à norma a valoração da conduta. Por
isso, uma ação pode ser típica e nao ser antijurídica (contrária à norma), ante a
existência de uma causa de justificação. Beling distinguiu, em síntese, dentro do
injusto objetivo, a tipicidade da antijuridicidade. Assim, a proibição era de causar o
resultado típico, e a antijuridicidade representava a contradição entre causação
desse resultado com a ordem jurídica, que se comprovava com a ausência de causa
justificadora;
2) Fase da ratio cognoscendi da antijuridicidade: a segunda fase da teoria da
tipicidade surge com o Tratado de Direito Penal, de Mayer, publicado em 1915. Para
Mayer, a tipicidade não tem simplesmente função descritiva de caráter objetivo, mas
constitui indício da antijuridicidade. Mayer mantém a independência entre tipicidade
e antijuridicidade, mas sustenta que o fato de uma conduta ser típica já representa
um indício de sua antijuridicidade. Seguindo a colocação de Mayer, quem realiza o
tipo já antecipa que, provavelmente, também infringiu o Direito, embora esse indício
não se insira na proibição {Juarez Tavares diz, “o tipo tem, antes de tudo, um
caráter formal, não sendo mais do que um objeto, composto de caracteres
conceituais objetivo-descritivos do delito, sobre o qual, posteriormente (na
antijuridicidade), incidirá um juízo de valor, deduzido das normas jurídicas em sua
totalidade”};
3) Fase da ratio essendi da antijuridicidade: em 1931 Mazger traz a público seu
famoso Tratado de Direito Penal, por meio do qual é difundida a estrutura bipartida
do delito. Na sua definição de delito, visando combater a “neutralidade valorativa” do
conceito de tipo de Beling, Mezger inclui a tipicidade na antijuridicidade, de forma
que crime, para ele, é a “ação tipicamente antijurídica e culpável”. Para Mezger, a
tipicidade é muito mais que início, muito mais que ratio cognoscendi da
antijuridicidade, constituindo, na realidade, a base desta, isto é, a sua ratio essendi.
Assim, tipicidade e antijuridicidade aparecem vinculadas de tal forma que a primeira
é a razão de ser da segunda. Por essa doutrina de Mezger, passa-se a ter “ação
típica, antijuridicidade típica, culpabilidade típica”. Concluem os doutrinadores que a
concepção de Mayer, definindo a tipicidade como ratio cognoscendi da
antijuridicidade, é a que melhor se adapta ao Direito Penal> praticado um fato típico,
presume-se antijurídico até prova em contrário; em tese, todo fato típico é também
antijurídico, desde que não concorra uma causa de justificação;
4) Fase defensiva: Beling ressaltou na fase inicial de sua elaboração conceitual a
importância do princípio da legalidade. Mas o extraordinário de sua obra foi a forma
que deu à construção da figura delitiva, qual seja, uma pluralidade de elementos
(tipicidade, antijuridicidade e culpabilidade) independentes e harmônicos, formando
um todo unitário;
5) Fase do finalismo: tipicidade complexa. O tipo, na visão finalista, passa a ser uma
realidade complexa, formada por uma parte objetiva- tipo objetivo-, composta pela
descrição legal, e outra parte subjetiva- tipo subjetivo-, constituída pela vontade
reitora, com dolo ou culpa, acompanhados de quaisquer outras características
subjetivas.