Você está na página 1de 53

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3

2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE O PAPEL DA PSICOPEDAGOGIA 4

3 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA ........................................................... 6

4 CARACTERIZAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ............ 9

5 DIAGNÓSTICO DO DISTÚRBIO DE APRENDIZAGEM .......................... 10

6 PROBLEMATIZAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ....... 13

6.1 Dislexia ............................................................................................... 18

6.2 Dislexia como fracasso inesperado .................................................... 19

6.3 Disgrafia ............................................................................................. 22

6.4 Disortografia ....................................................................................... 23

6.5 Discalculia .......................................................................................... 25

7 RECURSOS A SEREM USADOS NO DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO


PSICOPEDAGÓGICA ............................................................................................... 27

8 ETAPAS DO DIAGNÓSTICO ................................................................... 28

9 ENTREVISTA FAMILIAR EXPLORATÓRIO SITUACIONAL (E.F.E.S.) ... 29

10 ENTREVISTA DE ANAMNESE ............................................................. 29

11 SESSÕES LÚDICAS CENTRADAS NA APRENDIZAGEM (PARA


CRIANÇAS)............................................................................................................... 31

11.1 Área Psicomotora............................................................................ 32

11.2 Área Pedagógica ............................................................................. 33

11.3 Área Social ...................................................................................... 34

12 PROVAS E TESTES ............................................................................. 35

13 EOCA .................................................................................................... 37

14 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ................................................. 39


1
15 SÍNTESE DIAGNÓSTICA ...................................................................... 44

16 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO E ENCAMINHAMENTO .................... 44

17 AS CONTRIBUIÇÕES DA NEUROCIÊNCIA PARA A EDUCAÇÃO ..... 46

18 CONSIDERAÇõES FINAIS.................................................................... 49

19 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ........................................................... 51

20 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS.......................................................... 52

2
1 INTRODUÇÃO

Prezado aluno!
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável -
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma
pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão
a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as
perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão
respondidas em tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da
semana e a hora que lhe convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser
seguida e prazos definidos para as atividades.

Bons estudos!

3
2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE O PAPEL DA PSICOPEDAGOGIA

Fonte: jottaclub.com

A psicopedagogia é um campo de conhecimento e atuação que lida com os


problemas de aprendizagem nos seus padrões normais ou patológicos,
considerando a influência da família, da escola e da sociedade no seu
desenvolvimento. É uma ciência que estuda o processo de aprendizagem humana e
suas características. O papel inicial da psicopedagogia é focado no estudo do
processo de aprendizagem, diagnóstico e tratamento dos seus obstáculos. O
psicopedagogo irá fazer uma análise da situação do aluno para poder diagnosticar
os problemas e suas causas. Ele levanta hipóteses através da análise de sintomas
que o indivíduo apresenta, ouvindo a sua queixa, a queixa da família e da escola.
Para isso, torna-se necessário conhecer o sujeito em seus aspectos
neurofisiológicos, afetivos, cognitivos e social, bem como entender a modalidade de
aprendizagem do sujeito e o vínculo que o indivíduo estabelece com o objeto de
aprendizagem, consigo mesmo e com o outro. O psicopedagogo procura, portanto,
compreender o indivíduo em suas várias dimensões para ajudá-lo a reencontrar seu
caminho, superar as dificuldades que impeçam um desenvolvimento harmônico e
que estejam se constituindo num bloqueio da comunicação dele com o meio que o
cerca.
Cada psicopedagogo possui um estilo de fazer a intervenção
psicopedagógico. Por diferentes razões, cada qual busca um caminho por onde

4
possa transitar com mais conforto diante dos desafios que a prática psicopedagógico
impõe à dupla ensinante/aprendentes. O psicopedagogo também pesquisa as
condições para que se produza a aprendizagem do conteúdo escolar, identificando
quais são os obstáculos e os elementos que facilitam, quando se trata de uma
abordagem preventiva. Alguns elementos facilitadores e obstáculos são
condicionados a diferentes fatores, fazendo com que cada situação seja única e
particular. Esse trabalho irá requerer do psicopedagogo uma atitude de investigação
e intervenção no que está prejudicando o indivíduo.
Assim a psicopedagogia tem como foco de estudo a aprendizagem, nasceu
da necessidade de compreender melhor o ser humano aprendente e as respectivas
dificuldades e fatores que influenciam ou interferem nesse processo. É uma área
que estuda o processo de aprendizagem humana.

Aprendizagem é um processo que envolve vínculos individuais e coletivos


que resultam das interações do sujeito com o meio, da ação do cuidador e
das articulações entre o saber e o não saber. É um processo permeado, no
caso do ser humano, por um clima e um tom socioafetivo, que produz
instrumentos para mudar a si e ao mundo e vice-versa. É um movimento
que envolve o mundo íntimo, a subjetividade, o desejo e, também, o
contexto no qual se dá. É o processo de conhecer, o processo de vida que
se dá por articulações possíveis e que amplia os domínios cognitivos para
conexões cada vez mais complexas. (SERAFINI, 2011, apud SCHNEIDER,
2016, p.2).

Buscando entender como surgiu a Psicopedagogia, pode se dizer que seu


surgimento se deu devido à necessidade de compreender os problemas de
aprendizagens e sua relação com o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e afetivo,
implícitas nas situações de aprendizagem. Nesse enfoque, a Psicopedagogia ao
longo da sua trajetória histórica busca a compreensão do ser que aprende, do
processo de ensino/aprendizagem e das dificuldades e transtornos que podem
emergir.

Psicopedagogia tem por objeto de estudo a aprendizagem do ser humano


que na sua essência é social, emocional e cognitivo- o ser cognoscente, um
sujeito que para aprender pensa, sente e age em uma atmosfera, que ao
mesmo tempo é objetiva e subjetiva, individual e coletiva, de sensações e
de conhecimentos, de ser e vir a ser, de não saber e de saber. Essa ciência
estuda o sujeito na sua singularidade, a partir do seu contexto social e de
todas as redes relacionais a que ele consegue pertencer [...]. (PORTILHO,
2003, apud SCHNEIDER, 2016, p.2).

5
O psicopedagogo também busca possibilitar o florescimento de novas
necessidades, de modo a provocar o desejo de aprender e não somente uma
melhora no rendimento escolar. A psicopedagogia ao estudar o ato de aprender,
considera as realidades externas e internas da aprendizagem, buscando
compreender a construção de conhecimentos em toda a sua complexidade.

3 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

Fonte: avaliacao-psicopedagogica-passo-a-passo

A aprendizagem é um processo que está sempre em busca de novos


conhecimentos, que necessita de um aprendiz capaz de conhecer o mundo que o
rodeia e a si próprio. Envolve as experiências individuais, resultando numa mudança
de comportamento. É uma interação entre os aspectos biológicos, afetivos,
intelectuais e culturais, que levam ao processo educativo. Estamos sempre em
processo de aprendizagem, pois continuamos a aprender por toda nossa vida.

[...] "para a aprendizagem ocorrer, é necessário que haja uma interação ou


troca de experiências do indivíduo com o seu meio ambiente ou
comunidade educativa"(LAKOMY, 2008, apud ESPÍNDOLA, 2016, p. 3).

A avaliação psicopedagógico é um dos componentes críticos da intervenção


psicopedagógico, pois nela se fundamenta as decisões voltadas à prevenção e
solução das possíveis dificuldades dos alunos, promovendo melhores condições
para o seu desenvolvimento.

6
Ela é um processo compartilhado de coleta e análise de informações
relevantes acerca dos vários elementos que intervêm no processo de ensino e
aprendizagem, visando identificar as necessidades educativas de determinados
alunos ou alunas que apresentem dificuldades em seu desenvolvimento pessoal ou
desajustes com respeito ao currículo escolar por causas diversas, e a fundamentar
as decisões a respeito da proposta curricular e do tipo de suportes necessários para
avançar no desenvolvimento das várias capacidades e para o desenvolvimento da
instituição .

[...] "o processo de aprendizagem é complexo e delicado, porém é saudável


que haja dúvidas, dificuldades para assimilar e acomodar novos
conhecimentos”. (LEAL,2011, apud ESPÍNDOLA, 2016, p. 3).

A avaliação psicopedagógico envolve:


a) a identificação dos principais fatores responsáveis pelas dificuldades da
criança. Precisamos determinar se tratasse de um distúrbio de aprendizagem ou de
uma dificuldade provocada por outros fatores (emocionais, cognitivos, sociais...). Isto
requerer que sejam coletados dados referentes à natureza da dificuldade
apresentada pela criança, bem como que se investigue a existência de quadros
neuropsiquiátricos, condições familiares, ambiente escolar e oportunidades de
estimulação oferecidas pelo meio a que a criança pertence;
b) o levantamento do repertório infantil relativo às habilidades acadêmicas e
cognitivas relevantes para a dificuldade de aprendizagem apresentada, o que inclui:
conhecimento, pelo profissional, do conteúdo acadêmico e da proposta pedagógica,
à qual a criança está submetida; investigação de repertórios relevantes para a
aprendizagem, como a atenção, hábitos de estudos, solução de problemas,
desenvolvimento psicomotor, linguístico, etc.; avaliação de pré-requisitos e/ou
condições que facilitem a aprendizagem dos conteúdos; identificação de padrões de
raciocínio utilizados pela criança ao abordar situações e tarefas acadêmicas, bem
como déficits e preferências nas modalidades percentuais etc.;
c) a identificação de características emocionais da criança, estímulos e
esquemas de reforçamento aos quais responde e sua interação com as exigências
escolares propriamente ditas.
Ela deve ser um processo dinâmico, pois é nela que são tomadas decisões
sobre a necessidade ou não de intervenção psicopedagógico. Ela é a investigação
7
do processo de aprendizagem do indivíduo visando entender a origem da dificuldade
e/ou distúrbio apresentado. Inclui entrevista inicial com os pais ou responsáveis pela
criança, análise do material escolar, aplicação de diferentes modalidades de
atividades e uso de testes para avaliação do desenvolvimento, áreas de
competência e dificuldades apresentadas. Durante a avaliação podem ser realizadas
atividades matemáticas, provas de avaliação do nível de pensamento e outras
funções cognitivas, leitura, escrita, desenhos e jogos.
Inicialmente, deve-se perceber na consulta inicial, que a queixa apontada
pelos pais como motivo do encaminhamento para avaliação, muitas vezes pode não
só descrever o “sintoma”, mas também traz consigo indícios que indicam o caminho
para início da investigação.

“A versão que os pais transmitem sobre a problemática e principalmente a


forma de descrever o sintoma, dão-nos importantes chaves para nos
aproximarmos do significado que a dificuldade de aprender tem na família”
(FERNÁNDEZ, 1991, apud MORAIS, 2010, p.4).

Avaliar as aprendizagens de um aluno equivale a especificar até que ponto


ele desenvolveu determinadas capacidades contempladas nos objetivos gerais da
etapa. Para que o aluno possa atribuir sentido às novas aprendizagens propostas, é
necessária a identificação de seus conhecimentos prévios, finalidade a que se
orienta a avaliação das competências curriculares.
Dentre os instrumentos de avaliação também podemos destacar: escrita livre
e dirigida, visando avaliar a grafia, ortografia e produção textual (forma e conteúdo);
leitura (decodificação e compreensão); provas de avaliação do nível de pensamento
e outras funções cognitivas; cálculos; jogos simbólicos e jogos com regras; desenho
e análise do grafismo.
A avaliação psicopedagógica irá fornecer informações importantes em relação
às necessidades dos seus alunos, bem como de seu contexto escolar, familiar e
social, e ainda irá justificar se há ou não necessidade de introduzir mudanças na
oferta educacional.
Depois de coletadas informações que considera importante para a avaliação,
o psicopedagogo irá intervir visando à solução de problemas de aprendizagem em
seus devidos espaços, uma vez que a avaliação visa reorganizar a vida escolar e
doméstica da criança e, somente neste foco ela deve ser encaminhada, vale dizer

8
que fica vazio o pedido de avaliação apenas para justificar um processo que está
descomprometido com o aluno e com a sua aprendizagem. De fato, em termos bem
objetivos, a avaliação nada mais é do que localizar necessidades e se comprometer
com sua superação.

4 CARACTERIZAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Fonte: neurosaber.com.br

A aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e


espontâneos do ser humano que desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar,
pensar, garantindo assim, a sua sobrevivência. A aprendizagem escolar também é
considerada um processo natural, que resulta de uma complexa atividade mental, na
qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a motricidade e os
conhecimentos prévios estão envolvidos e onde a criança deva sentir o prazer em
aprender. O estudo do processo de aprendizagem humana e suas dificuldades são
desenvolvidos pela Psicopedagogia, levando-se em consideração as realidades
interna e externa, utilizando-se de vários campos do conhecimento, integrando-os e
sintetizando-os. Procurando compreender de forma global e integrada os processos
cognitivos, emocionais, orgânicos, familiares, sociais e pedagógicos que determinam
à condição do sujeito e interferem no processo de aprendizagem, possibilitando
situações que resgatem a aprendizagem em sua totalidade de maneira prazerosa.

9
5 DIAGNÓSTICO DO DISTÚRBIO DE APRENDIZAGEM

Investigação é um termo utilizado por Rubinstein (1987), e que definem a


psicopedagogia. O profissional desta área deve analisar o modo de como ela se
expressa, seus gestos, a entonação da voz, tudo. O psicopedagogo deve também
enxergar não só o que essa criança mostra, mas saber perceber que ela pode ter
algum problema imperceptível que está dificultando sua aprendizagem e saber
conduzi-la para um outro profissional, como: psicólogos, fonoaudiólogos,
neurologistas, etc., isso significa saber investigar os múltiplos fatores que levam está
criança a não conseguir aprender.

O psicopedagogo é como um detetive que busca pistas, procurando


solucioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a
sua meta 6 fundamentalmente é investigar todo o processo de
aprendizagem levando em consideração a totalidade dos fatores nele
envolvidos, para valendo-se desta investigação, entender a constituição da
dificuldade de aprendizagem (RUBINSTEIN, 1987, apud MORAIS, 2010, p.
6).

Diagnosticar um distúrbio de aprendizagem é uma tarefa difícil e para fazê-lo


de modo preciso e eficiente há que se ter a participação de equipe interdisciplinar e
utilização de diferentes instrumentos para avaliação. O diagnóstico, para o
terapeuta, deve ter a mesma função que a rede para um equilibrista. É ele, portanto,
a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento
necessário. É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses
provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo, para
isso, a conhecimentos práticos e teóricos.
Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de
intervenções e da escuta psicopedagógica para que se possa decifrar os processos
que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção. Diagnosticar nada mais é
do que a constatação de que a criança possui algum tipo de dificuldade na
aprendizagem, fato que normalmente só é detectado quando ela é inserida no
ensino formal. Porém, uma vez realizada essa constatação, cabe à equipe investigar
a sua causa e, para tanto, deve-se lançar mãos de todos os instrumentos
diagnósticos necessários para esse fim.
O diagnóstico psicopedagógico abre possibilidades de intervenção e dá início
a um processo de superação das dificuldades. O foco do diagnóstico é o obstáculo
10
no processo de aprendizagem. É um processo no qual analisa-se a situação do
aluno com dificuldade dentro do contexto da escola, da sala de aula, da família; ou
seja, é uma exploração problemática do aluno frente à produção acadêmica.
Durante o diagnóstico psicopedagógico, o discurso, a postura, a atitude do paciente
e dos envolvidos são pistas importantes que ajudam a chegar nas questões a serem
desvendadas. É através do desenvolvimento do olhar e da escuta psicopedagógica,
trabalhados e incorporados pelo profissional que poderão ser lançadas as primeiras
hipóteses acerca do indivíduo. Esse olhar e essa escuta ultrapassam os dados reais
relatados e buscam as entrelinhas, a emoção, a elaboração do discurso inconsciente
que o atendido traz.
O objetivo do diagnóstico é obter uma compreensão global da sua forma de
aprender e dos desvios que estão ocorrendo neste processo que leve a um
prognóstico e encaminhamento para o problema de aprendizagem. Procura-se
organizar os dados obtidos em relação aos diferentes aspectos envolvidos no
processo de aprendizagem de forma particular. Ele envolve interdisciplinaridade em
pelo menos três áreas: neurologia, psicopedagogia e psicologia, para possibilitar a
eliminação de fatores que não são relevantes e a identificação da causa real do
problema. É nesse momento que o psicopedagogo irá interagir com o cliente (aluno),
com a família e a escola, partes envolvidas na dinâmica do processo de ensino-
aprendizagem.
Também é importante ressaltar que o diagnóstico possui uma grande
relevância tanto quanto o tratamento, por isso ele deve ser feito com muito cuidado,
observando o comportamento e mudanças que isto pode acarretar no sujeito. O
diagnóstico psicopedagógico é visto como um momento de transição, um passaporte
para a intervenção, devendo seguir alguns princípios, tais como: análise do contexto
e leitura do sintoma; explicações das causas que coexistem temporalmente com o
sintoma; obstáculo de ordem de conhecimento, de ordem da interação, da ordem do
funcionamento e de ordem estrutural; explicações da origem do sintoma e das
causas históricas; análise do distanciamento do fenômeno em relação aos
parâmetros considerados aceitáveis, levantamento de hipótese sobre a configuração
futura do fenômeno atual e, indicações e encaminhamentos.
O diagnóstico não pode ser considerado como um momento estático, pois é
uma avaliação do aluno que envolve tanto os seus níveis atuais de desenvolvimento,

11
quanto as suas capacidades e possibilidades de aprendizagem futura. Por muitos
anos, era uma tarefa exclusiva dos especialistas, que analisavam algumas
informações dos alunos, obtidas através da família e às vezes da escola, e logo
após devolviam um laudo diagnóstico, quase sempre com termos técnicos
incompreensíveis.
A distância existente no relacionamento entre os especialistas, a família e a
escola impediam o desenvolvimento de um trabalho eficiente com o aluno. A
proposta atual é que o diagnóstico seja um trabalho conjunto onde todas as pessoas
que estão envolvidas com o aluno devem participar, e não atuar como meros
coadjuvantes desse processo. Ele não é um estudo das manifestações aparentes
que ocorrem no dia-a-dia escolar, é uma investigação profunda, na qual são
identificadas as causas que interferem no desenvolvimento do aluno, sugerindo
atividades adequadas para correção e/ou compensação das dificuldades,
considerando as características de cada aluno. O diagnóstico não deverá somente
fundamentar uma deficiência, mas apontar as potencialidades do indivíduo. Não é
simplesmente o que este tem, mas o que pode ser e como poderá se desenvolver.

É de extrema relevância detectarmos, através do diagnóstico, o momento


da vida da criança em que se iniciam os problemas de aprendizagem. Do
ponto de vista da intervenção, faz muita diferença constatarmos que as
dificuldades de aprendizagem se iniciam com o ingresso na escola, pois
pode ser um forte indício de que a problemática tinha como causa fatores
intra-escolares (BOSSA, 2000, apud MORAIS, 2010, p. 8).

Ao se instrumentalizar um diagnóstico, é necessário que o profissional atente


para o significado do sintoma a nível familiar e escolar e não o veja apenas em um
recorte, como uma deficiência do sujeito. Que o psicopedagogo, através do
diagnóstico acredite numa aprendizagem que possibilite transformar, sair do lugar
estagnado e construir. Que ele seja o fio condutor que norteará a intervenção
psicopedagógica.

12
6 PROBLEMATIZAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Fonte: professoraelena.com.br

A área da educação nem sempre é cercada por sucesso e aprovações.


Muitas vezes, no decorrer do ensino, nos deparamos com problemas que deixam os
alunos paralisados diante do processo de aprendizagem. Assim são rotulados, pela
própria família, professores e colegas os que não conseguem aprender, não vão
bem na escola, não sabe ler/escrever.
O termo dificuldade de aprendizagem sempre foi muito debatido entre os
profissionais envolvidos na área da educação. Qual é a razão de alunos que não
apresentam deficiência mental estarem constantemente experimentando o
insucesso escolar, especialmente nas áreas acadêmicas como a leitura, escrita e
cálculo matemático?
É importante destacar, aqui, que dificuldade de aprendizagem não é sinônimo
de deficiência mental. A imprecisão do conceito de deficiência mental trouxe
consequências para se esclarecer o atendimento a essa situação nas escolas
comuns e especiais. Muitos professores, ao lidar com alunos com dificuldades de
aprendizagem mais acentuadas, confundem essas manifestações com deficiência
mental. Essa confusão, muitas vezes, é utilizada pelo professor para justificar as
próprias dificuldades e inabilidades em atender as diferenças significativas entre os
alunos.

13
Todavia, é importante reforçar que deficiência mental e dificuldade de
aprendizagem são distintas e requerem avaliações adequadas que propiciem
intervenções educacionais direcionadas. A ideia de que toda criança deve ter
oportunidade de aprender, independentemente de sua dificuldade e diferença, está
firmemente enraizada em nossas políticas educacionais, as quais garantem o
acesso de todas as crianças à escola.
Porém crianças com dificuldades de aprendizagem, não estão tendo
oportunidades e possibilidades objetivas e adequadas de aprender os conteúdos
acadêmicos. Muitas não têm sua aprendizagem garantida e chegam à idade adulta
sem conseguir ler e compreender o que está escrito. Geralmente, o que tem sido
oferecido a elas é um currículo estabelecido pelo sistema escolar, sem a
preocupação de desenvolver estratégias de flexibilização, práticas pedagógicas
alternativas e adaptação curricular.
Assim os alunos que não conseguem acompanhar o currículo são rotulados
como deficientes mentais, emocionalmente desequilibrados, ou simplesmente como
alunos fracos. Portanto, evitando rótulos e buscando atender às necessidades
individuais do educando será possível prevenir, ou minimizar dificuldades de
aprendizagem. Quando se está diante de uma criança com dificuldades de
aprendizagem, não significa que essa criança não aprenda, mas sim que seu
processo de aprendizagem se encontra desequilibrado e que as aprendizagens são
realizadas de maneira diferenciada da esperada.
A assimilação e a acomodação atuam no modo como o sujeito aprende e
como isso pode ser sintomatizado, tendo assim características de excesso ou
escassez de um desses movimentos, afetando o resultado final. As dificuldades de
aprendizagem podem estar relacionadas a uma hiperatuação de uma dessas
formas, somada a uma hipoatuação da outra, gerando as modalidades de
aprendizagem sintomáticas.
A aprendizagem normal pressupõe que os movimentos de assimilação e
acomodação estão em equilíbrio. O que caracteriza a sintomatização no aprender é
predomínio de um movimento sobre o outro. Quando há o predomínio da
assimilação, as dificuldades de aprendizagem são da ordem da não resignação, o
que leva o sujeito a interpretar os objetos de modo subjetivo, não internalizando as
características próprias do objeto.

14
Quando a acomodação predomina, o sujeito não empresta sentido subjetivo
aos objetos, antes, resigna-se sem criticidade. O sistema educativo pode produzir
sujeito muito acomodados se a reprodução dos padrões for mais valorizada que o
desenvolvimento da autonomia e da criatividade. Um sujeito que apresente uma
sintomatização na modalidade hiperacomodativa/hipoassimilativa pode não ser visto
como tendo problemas de aprendizagem, pois consegue reproduzir os modelos com
precisão.
O aluno com dificuldade de aprendizagem pode apresentar um conjunto de
problemas cognitivos, de linguagem, socioemocionais, acadêmicos que vão dificultar
o seu processamento de informação, o seu processo de aprendizagem. O aluno,
uma vez inserido nesse contexto educacional, ao perceber que apresenta
dificuldades em sua aprendizagem e não encontra respostas a elas, muitas vezes
começa a apresentar desinteresse, desatenção, irresponsabilidade, agressividade,
porém essas respostas são inadequadas, são um sinal de descompensação.
Como se sabe, as dificuldades podem decorrer de fatores orgânicos,
intrínsecos ao indivíduo e extrínsecos, ou seja, contextuais ou mesmo emocionais,
bem como pela combinação destes. É importante que sejam descobertos o quanto
antes, a fim de auxiliar o desenvolvimento no processo educativo.
É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos
a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem ao longo do
tempo. É importante que pais, professores e outros profissionais que estejam
envolvidos com o aluno dispensem atenção à consciência afetiva que o aluno
experimenta, pois, o controle das emoções é fator essencial para o desenvolvimento
da racionalidade e cognição do indivíduo. Além disso, a afetividade pode aumentar a
capacidade de pensar, de analisar realisticamente os problemas da vida, de fazer
planos e executar ações com mais acertos, prazer e competência.
As crianças com dificuldades de aprendizagem têm disfunções em
habilidades necessárias para haver aprendizagem efetiva, apresentando problemas
na compreensão da leitura, organização e retenção da informação e na
interpretação de textos. Geralmente são lentas ao processar informações,
apresentam estratégias pobres para escrever, problemas de organização espacial e
muita distração o que acarreta dificuldade de comunicação e hábitos ineficientes de
estudo.

15
Alguns psicólogos elucidam o conceito de dificuldades de aprendizagem
como uma inabilidade para a aprendizagem numa ou mais áreas acadêmicas, não
tendo nada a ver com o potencial intelectual (inteligência) que, geralmente se situa
na média ou acima da média. Porém, alunos com potencial intelectual abaixo da
média não apresentam dificuldade de aprendizagem, mas deficiência mental
generalizando suas dificuldades de aprendizagem, embora a façam adequadamente
em relação ao seu potencial.
Uma afirmação sobre essa diferença foi publicada pela Learning Disabilitties
Association of Ontário, Canadá, “As dificuldades de aprendizagem são
discapacidades específicas e não discapacidades globais e, como tal, são distintas
da deficiência mental”. A preocupação de saber diferenciar dificuldade de
aprendizagem e deficiência mental é evidente, uma vez que estas duas categorias
apresentam características bem diferentes, portanto exigem programações
educacionais individualizadas muito distintas.
Sabe-se que há alunos que, devido às desordens neurológicas apresentam
uma desorganização no momento da recepção, integração e expressão da
informação, refletindo numa “discapacidade” para aprendizagem da leitura, da
escrita e cálculo matemático, se não forem amparados, apoiados por serviços de
apoio especializados, abandonam a escola por causa de experiências de insucesso
acadêmico.
Os maiores percentuais de fracasso na produção escolar, de alunos
encaminhados para a avaliação, encontram-se no âmbito do problema de
aprendizagem reativo, produzido e incrementado pelo próprio ambiente escolar. Em
“Os Idiomas do Aprendente” de Alicia Fernandes, encontra-se a diferença entre
fracasso escolar e dificuldade de aprendizagem. A autora define dificuldades de
aprendizagem como uma situação que provém de causas que se referem à estrutura
individual da criança, tornando-se necessária uma intervenção psicopedagógica
mais direcionada.

Fracasso escolar afeta o aprender do sujeito em suas manifestações sem


chegar a aprisionar a inteligência: muitas vezes surge do choque entre o
aprendente e a instituição educativa que funciona de forma segregadora.
“Para entendê-lo e abordá-lo, devemos apelar para a situação promotora do
bloqueio (FERNANDEZ, 2001, apud SANTOS, 2009, p. 9).

16
Muitas terminologias têm sido utilizadas para definir o que vem a ser o
insucesso acadêmico, a não aprendizagem, o fracasso escolar, que se manifestam
no contexto da escola, pela incapacidade de o aluno apropriar-se de um
determinado conhecimento e/ou conteúdo, esperado para sua idade/série. Para
compreender essa incapacidade de o aluno apropriar-se de certos conteúdos,
buscamos explicações nos postulados de Piaget, as quais nos elucidam que a
aquisição do conhecimento depende tanto das estruturas cognitivas do sujeito como
de sua relação com o objeto.
Portanto, o professor deve estar atento às fases do desenvolvimento da
criança para que ele possa intervir adequadamente, proporcionando situações
educativas que vão ao encontro do seu nível de compreensão e abstração dela para
que haja uma aprendizagem efetiva. Seria uma troca de meios para que esse
desenvolvimento ocorra, fatores internos e externos intercalando-se. Porém,
dependendo do nível intelectual da constituição mental, pode não haver um
potencial para as novas acomodações.
A partir disso pode-se entender que uma criança é tida com dificuldades de
aprendizagem, quando apresenta desvios em relação à expectativa de
comportamento do grupo etário a que pertence, ou seja, quando ela não está
ajustada aos padrões da maioria desse grupo e, portanto, seu comportamento é
perturbado, diferente dos demais. Como consequência da dificuldade de
aprendizagem, os alunos podem apresentar baixos níveis de autoestima e de
autoconfiança, o que pode conduzir à falta de motivação, afastamento, crises de
ansiedades e estresse e até mesmo depressão.
A dificuldade que mais é encontrada na atualidade é a dislexia. Porém, é
necessário estarmos atentos a outros sérios problemas como: disgrafia,
disortografia, discalculia, dislalia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e
Hiperatividade).

17
6.1 Dislexia

Fonte: ayudartepsicologia.com

Dislexia: (origem grega, da contração das palavras dis= difícil, prejudicada, e


lexis= palavra). Caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, escrita e
soletração. Portanto, dislexia é a dificuldade que aparece na leitura, impedindo o
aluno de ser fluente, pois faz trocas e omissões de letras, inverte sílabas, apresenta
leitura lenta, silabada, dá pulos de linhas ao ler um texto, etc. Estudiosos afirmam
que suas causas têm origem de fatores genéticos, porém ainda nada foi
comprovado pela medicina.

Falha no processamento da habilidade da leitura e escrita durante o


desenvolvimento. A dislexia como um atraso do desenvolvimento ou a
diminuição em traduzir sons em símbolos gráficos e compreender qualquer
material escrito é o mais incidente dos distúrbios específicos da
aprendizagem, com cifras girando em torno a 15% da população com
distúrbios da aprendizagem, sendo dividida em três tipos: visual, mediada
pelo lóbulo occipital, fonológica mediada pelo lóbulo temporal, e mista com
mediação das áreas frontal, occipital, temporal e pré-frontal.( SIASCA, 2005,
apud SANTOS, 2009, p.11).

A dislexia costuma ser identificada nas salas de alfabetização por ser mais
frequentemente caracterizada pela dificuldade na aprendizagem da decodificação
das palavras, na leitura precisa e fluente e na fala, sendo comum provocar uma
defasagem inicial de aprendizado. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na
associação do som à letra (o princípio do alfabeto); também costumam trocar letras,
b com d, ou mesmo escrevê-las na ordem inversa, "ovóv" para vovó.
18
A dislexia, contudo, não é um problema visual; envolve o processamento da
fala e escrita no cérebro, sendo comum também confundir a direita com a esquerda
no sentido espacial. Esses sintomas podem coexistir ou mesmo confundirem-se com
características de vários outros fatores de dificuldade de aprendizagem, tais como o
déficit de atenção/hiperatividade, dispraxia, discalculia ou disgrafia. Contudo a
dislexia e as desordens do déficit de atenção e hiperatividade não estão
correlacionadas com problemas de desenvolvimento.

6.2 Dislexia como fracasso inesperado

A dislexia é uma síndrome estudada no âmbito da Dislexiologia, um dos


ramos da Psicolinguística Educacional. A Dislexiologia, definida como ciência da
dislexia, é um termo criado, referindo-se aos estudos e pesquisas, no campo da
Psicolinguística, que tratam das dificuldades de aprendizagem relacionadas com a
linguagem escrita (dislexia, disgrafia e Disortografia).
A dislexia, é um defeito de aprendizagem da leitura caracterizado por
dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às vezes mal
reconhecidos, e fonemas, muitas vezes, mal identificados. À dislexia, segundo o
linguista, interessa de modo preponderante tanto a discriminação dos signos
fonéticos quanto o reconhecimento dos signos gráficos ou a transformação dos
escritos em signos verbais.
A dislexia, para a Linguística, não é uma doença, mas um fracasso
inesperado (defeito) na aprendizagem da leitura, sendo, pois, uma síndrome de
origem linguística. As causas ou a etiologia da síndrome disléxica são várias e
dependem do enfoque ou da análise do investigador.
Muitas das causas da dislexia foram identificadas a partir de estudos
comparativos entre disléxicos e bons leitores. Podemos indicar as seguintes:
a) Hipótese de déficit perceptivo;
b) Hipótese de déficit fonológico, e
c) Hipótese de déficit na memória.
Atualmente, os investigadores da área de Psicolinguística aplicada à
educação escolar apresentam a hipótese de déficit fonológico como a que
justificaria, por exemplo, o aparecimento de disléxicos com confusão espacial e

19
articulatória. Desse modo, são considerados sintomas da dislexia relativos à leitura e
escrita os seguintes erros:
Erros por confusões na proximidade especial:
a) Confusão de letras simétricas;
b) Confusão por rotação e
c) Inversão de sílabas.
d) Confusões por proximidade articulatória e sequelas de distúrbios de
fala:
e) Confusões por proximidade articulatória;
f) Omissões de grafemas, e
g) Omissões de sílabas.
As características linguísticas mais marcantes das crianças disléxicas,
envolvendo as habilidades de leitura e escrita, são:
a) A acumulação e persistência de erros de soletração, ao ler, e de
ortografia, ao escrever; Confusão entre letras, sílabas ou palavras com
diferenças sutis de grafia: a-o; co; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n; v-u; etc;
Confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com
diferente orientação no espaço: b-d; b-p; d-b; d-p; d-q; n-u; w-m; a-e;
b) Confusão entre letras que possuem um ponto de articulação comum, e,
cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x;c-g;m-b-p; v-f;
Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me-em; sol-los;
som-mos; sal-las; pal-pla.
Outras perturbações da aprendizagem podem acompanhar os disléxicos:
Alterações na memória
Alterações na memória de séries e sequências
Orientação direita-esquerda
Linguagem escrita
Dificuldades em matemática
Confusão com relação às tarefas escolares
Pobreza de vocabulário
Escassez de conhecimentos prévios (memória de longo prazo)
Alguns fatores de ordem pedagógico linguística podem favorecer a aparição
das dislexias, como, por exemplo, a atuação de docente não qualificado para o

20
ensino da língua materna (um professor ou professora sem formação superior na
área de magistério escolar ou sem formação pedagógica, em nível médio, que
desconheça a fonologia aplicada à alfabetização ou sem conhecimentos linguísticos
e metalinguísticos aplicados aos processos de leitura e escrita).
 Crianças com tendência à inversão
 Crianças com deficiência de memória de curto prazo
 Crianças com dificuldades na discriminação de fonemas (vogais e
consoantes)
 Vocabulário pobre
 Alterações na relação figura-fundo
 Conflitos emocionais
 O meio social
 As crianças com dislalia
 Crianças com lesão cerebral
No caso da criança em idade escolar, a psicolinguística define a dislexia
como um fracasso inesperado na aprendizagem da leitura (dislexia), da escrita
(disgrafia) e da ortografia (disortografia) na idade prevista em que essas habilidades
já devem ser automatizadas. É o que se denomina de dislexia de desenvolvimento.
No caso de adulto, quando ocorrem tais dificuldades, depois de um acidente
vascular cerebral (AVC) ou traumatismo cerebral, dizemos que se trata de dislexia
adquirida.
A dislexia, como dificuldade de aprendizagem, verificada na educação
escolar, é um distúrbio de leitura e de escrita que ocorre no início da alfabetização.
Em geral, a criança tem dificuldade em aprender a ler e escrever e, especialmente,
em escrever corretamente sem erros de ortografia, mesmo tendo o Quociente de
Inteligência (QI) acima da média. Devem ser excluídas do diagnóstico do transtorno
da leitura as crianças com deficiência mental, com escolarização escassa ou
inadequada e com déficits auditivos ou visuais.

21
6.3 Disgrafia

Fonte: educamais.com

A disgrafia é um transtorno da psicomotricidade, que afeta como uma criança


associa a grafia da letra, bem como quão claramente a criança utilizará a linguagem
escrita para expressar suas ideias e pensamentos. Assim, manifesta-se tanto em
relação à caligrafia quanto em relação à coerência.
A palavra “disgrafia”, de origem grega, vem dos termos “graph”, que se
refere à função da mão em escrever e às letras formadas pela mão, o prefixo “dys”,
que indica a existência de um prejuízo, e o sufixo “ia” que faz referência a ter uma
condição. Assim, disgrafia seria uma condição de prejuízo em formar letras pela
mão, ou seja, indica deficiência em caligrafia e às vezes também em ortografia. O
prejuízo na caligrafia pode interferir na aprendizagem ortográfica e para soletrar
letras no processo de escrita. Apesar de raro, em alguns casos a criança apresenta
dificuldades na ortografia, mas não na caligrafia e leitura.
De uma forma geral, essas são as características principais de cada tipo de
Disgrafia:
a) Na Disgrafia Disléxica a escrita espontânea de um texto é ilegível,
especialmente quando o texto é complexo. A soletração oral é pobre,
mas a cópia de texto e o desenho são relativamente normais. A
velocidade de digitação com o dedo indicador, uma medida de
velocidade motora fina, é normal;

22
b) Na Disgrafia Motora, tanto a escrita espontânea quanto a cópia de um
texto pode ser ilegível, a soletração oral é normal e o desenho
frequentemente é problemático. A velocidade de digitação com o dedo
indicador é anormalmente lenta;
c) Já na Disgrafia Espacial a escrita é ilegível, seja espontânea ou na
cópia. A soletração oral e a velocidade de digitação com o dedo
indicador são normais, mas o desenho é problemático.
Normalmente vem associada à dislexia, porque se o aluno faz trocas e
inversão de letras consequentemente apresenta dificuldade na escrita. Além disso,
está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e
desorganização ao produzir um texto. A habilidade de escrita está abaixo do nível
esperado para idade cronológica, escolaridade e inteligência, associada ou não ao
transtorno de leitura.

[...] falha na aquisição da escrita; implica uma inabilidade ou diminuição no


desenvolvimento da escrita. Atinge 5 a 10% da população escolar e pode
ser dos seguintes tipos: disgrafia do pré-escolar: construção de frases:
ortográfica e gramatical: caligrafia e espacialidade. (SIASCA, 2005, apud
SANTOS, 2009, p.15).

6.4 Disortografia

Fonte: madridlogopedia.com

É a dificuldade da linguagem escrita e também pode acontecer como


consequência da dislexia. É um quadro, muitas vezes, descrito como característico
23
da disgrafia. Esse transtorno da escrita apresenta-se como uma persistência de
trocas de natureza ortográfica (como ch por x, ou s por z, e vice-versa), aglutinações
(de repente/derepente, tem que/temque), fragmentações (em baraçar); inversões
(in/ni, es/se) e omissões (beijo/bejo), após a 2ª série do Ensino Fundamental ou
equivalente. Estas alterações devem ser observadas com determinada frequência, e
em vocabulário conhecido pelo aluno.

“Perturbação que afeta as aptidões da escrita e que se traduz por


dificuldades persistentes e recorrentes na capacidade da criança em
compor textos escritos. As dificuldades centram-se na organização,
estruturação e composição de textos escritos; a construção frásica é pobre
e geralmente curta, observa-se a presença de múltiplos erros ortográficos e
[por vezes] má qualidade gráfica. ” (Pereira, 2009, apud COELLHO, 2012 p.
10).

Uma criança com disortografia demonstra, geralmente, falta de vontade para


escrever e os seus textos são reduzidos, com uma organização pobre e pontuação
inadequada. A sua escrita evidencia numerosos erros ortográficos de natureza muito
diversa:
Erros de caráter linguístico-perceptivo - omissões, adições e inversões de
letras, de sílabas ou de palavras; - troca de símbolos linguísticos que se parecem
sonoramente (“faca”/“vaca”).
Erros de caráter visoespacial - substitui letras que se diferenciam pela sua
posição no espaço (“b”/“d”); - confunde-se com fonemas que apresentam dupla
grafia (“ch”/“x”); - omite a letra “h”, por não ter correspondência fonêmica.
Erros de caráter visoanalítico - não faz sínteses e/ou associações entre
fonemas e grafemas, trocando letras sem qualquer sentido. Erros relativos ao
conteúdo - não separa sequências gráficas pertencentes a uma dada sucessão
fónica, ou seja, une palavras (“ocarro” em vez de “o carro”), junta sílabas
pertencentes a duas palavras (“no diaseguinte”) ou separa palavras incorretamente.
Erros referentes às regras de ortografia - não coloca “m” antes de “b” ou “p”; -
ignora as regras de pontuação; - esquece-se de iniciar as frases com letra
maiúscula; - desconhece a forma correta de separação das palavras na mudança de
linha, a sua divisão silábica, a utilização do hífen. De uma forma geral, a
caraterística mais comum nas crianças com disortografia é, sem dúvida, a ocorrência
de erros ortográficos, sejam estes de caráter linguístico-perceptivo, visoespacial,
visoanalítico, de conteúdo ou referentes às regras de ortografia. No entanto, quando
24
intervimos junto destes indivíduos, devemos ter a noção de que outros aspetos
estão envolvidos no ato da escrita e, consequentemente, importa trabalhá-los.

6.5 Discalculia

Fonte: neurosaber.com.br

É a dificuldade em lidar com cálculos, numerais e quantidades, prejudicando


as atividades de vida diária que envolvem essas habilidades e conceitos. De acordo
com o DSM (Manual de diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais), em
indivíduos com transtornos da Matemática, a capacidade para a realização de
operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático encontra-se
substancialmente inferior à média esperada para sua idade cronológica, capacidade
intelectual e nível de escolaridade.

[...] discalculia é uma falha na aquisição da capacidade e na habilidade de


lidar com conceitos e símbolos matemáticos. Basicamente, a dificuldade
está no reconhecimento do número e do raciocínio matemático. Atinge de 5
a 6% da população com dificuldade de aprendizagem e envolve dificuldade
na percepção, memória, abstração, leitura, funcionamento motor; combina
atividades dos dois hemisférios. (SIASCA, 2005, apud SANTOS, 2009,
p.15).

As crianças com discalculia apresentam, em testes de inteligência,


desempenhos superiores nas funções verbais comparativamente às funções não
verbais, isto é, um QI verbal superior ao QI não verbal/realização. São crianças que
revelam um ritmo de trabalho muito lento usando, muitas vezes, os dedos para
25
contar. São ansiosas, desmotivadas e têm receio de fracassar, consequência do
menosprezo ou repressão por parte dos colegas de turma, professores e/ou
pais/familiares.
Uma criança discalcúlica apresenta dificuldades a vários níveis:
a) Na compreensão e memorização de conceitos matemáticos, regras
e/ou fórmulas;
b) Na sequenciação de números (antecessor e sucessor) ou em dizer
qual de dois é o maior;
c) Na diferenciação de esquerda/direita e de direções (norte, sul, este,
oeste);
d) Na compreensão de unidades de medida; - em tarefas que impliquem a
passagem de tempo (ver as horas em relógios analógicos); - em
tarefas que implicam lidar com dinheiro;
e) Na resolução de operações matemáticas através de um problema
proposto (podem compreender “3+2=5”, mas incapazes de resolver “A
Maria tem três bolas e o João tem duas; quantas bolas têm no total? ”);
f) Na correspondência um a um/correspondência recíproca;
g) Na conservação de quantidades; - na utilização do compasso ou até
mesmo da calculadora (reconhecimento dos dígitos e símbolos
matemáticos).
Estas dificuldades podem conduzir, em casos extremos, a uma fobia à
matemática.
Enfim, sabe-se que no cotidiano escolar pode se encontrar uma multiplicidade
de alunos com dificuldades de aprendizagem, mas que, na maioria das vezes, não
são identificadas a eles não são atendidos em suas reais necessidades.
Talvez a maioria das dificuldades não tenha causas orgânicas e não esteja
relacionada às atividades cognitivas da criança, mas seja resultado de problemas
educativos ou ambientais. Estratégias de ensino ineficientes podem prejudicar o
nível de sucesso das crianças na realização de tarefas, gerando problemas como
falta de autoconfiança e efeitos negativos sobre a aprendizagem comprometendo
aspectos como a atenção, concentração, memória, coordenação motora e outros.
Verificamos que a maioria dos professores não recebeu formação docente, para
atuar junto a alunos com dificuldades de aprendizagem, decorrentes dos problemas

26
apresentados. Muitas vezes utilizam práticas pedagógicas incompatíveis com as
necessidades educacionais especiais dos referidos alunos, que, por consequência,
não alcançam os resultados esperados em seu processo de aprendizagem.

7 RECURSOS A SEREM USADOS NO DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO


PSICOPEDAGÓGICA

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

O Código de Ética da Psicopedagogia, em seu Capítulo I – Dos Princípios –


Artigo 1º afirma que o psicopedagogo pode utilizar procedimentos próprios da
Psicopedagogia, procedimentos próprios de sua área de atuação.
O psicopedagogo pode usar como recursos a entrevista com a família;
investigar o motivo da consulta; conhecer a história de vida da criança, realizando a
anamnese; entrevistar o aluno; fazer contato com a escola e outros profissionais que
atendam a criança; manter os pais informados do estado da criança e da
intervenção que está sendo realizada; realizar encaminhamentos para outros
profissionais, quando necessário.
Outros recursos, também podem ser utilizados como as Provas de
Inteligência (WISC); Testes Projetivos; Avaliação perceptomotora (Teste de Bender);
Teste de Apercepção Infantil (CAT.); Teste de Apercepção Temática (TAT.); Provas
de nível de pensamento (Piaget); Avaliação do nível pedagógico (nível de
escolaridade); Desenho da família; Desenho da figura humana; Teste HTP (casa,
27
árvore e pessoa); Testes psicomotores; Lateralidade; Estruturas rítmicas... no
entanto, vale ressaltar que alguns destes testes (Wisc, Teste de Bênder, CAT, TAT,
Testes Projetivos), aqui no Brasil, são considerados de uso exclusivo de psicólogos.
Para evitar atritos, o psicopedagogo pode ser criativo e desenvolver atividades que
possibilitem fazer as mesmas observações que tais testes.
Ele também pode organizar uma equipe multidisciplinar, de maneira a que se
faça uma avaliação de todos os aspectos sobre os quais recai nossa hipótese
diagnóstica inicial. Exemplos: teste de inteligência (psicólogos); testes de audição e
de linguagem (fonoaudiólogos). Os pedagogos especialistas em psicopedagogia,
podem usar testes como o TDE, Metropolitano, ABC, Provas Piagetianas, provas
pedagógicas, etc.
O uso de jogos também é sugerido como recurso, considerando que o sujeito
através deles pode manifestar, sem mecanismos de defesas, os desejos contidos
em seu inconsciente. Além do mais, no enfoque psicopedagógico os jogos
representam situações-problemas a serem resolvidos, pois envolvem regras,
apresentam desafios e possibilita observar como o sujeito age frente a eles, qual sua
estrutura de pensamento, como reage diante de dificuldades.

8 ETAPAS DO DIAGNÓSTICO

O diagnóstico psicopedagógico é composto de várias etapas que se


distinguem pelo objetivo da investigação. Desta forma, temos a anamnese só com
os pais ou com toda a família para a compreensão das relações familiares e sua
relação com o modelo de aprendizagem do sujeito; a avaliação da produção escolar
e dos vínculos com os objetivos de aprendizagem escolar; a avaliação de
desempenho em teste de inteligência e viso-motores; a análise dos aspectos
emocionais por meio de testes e sessões lúdicas, entrevistas com a escola ou outra
instituição em que o sujeito faça parte; etc. Esses momentos podem ser estruturados
dentro de uma sequência diagnóstica estabelecida.
Existem diferentes modelos de sequência diagnóstica. As etapas que
compõem o modelo e o caracterizam:
1) Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E.F.E.S.);
2) Entrevista de anamnese;
28
3) Sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças);
4) Provas e Testes (quando necessário);
5) Síntese diagnóstica – Prognóstico;
6) Entrevista de Devolução e Encaminhamento. Estas etapas podem ser
modificadas quanto a sua sequência e maneira de aplicá-las, de acordo com cada
prática psicopedagógico.

9 ENTREVISTA FAMILIAR EXPLORATÓRIO SITUACIONAL (E.F.E.S.)

Visa a compreensão da queixa nas dimensões da escola e da família, a


captação das relações e expectativas familiares centradas na aprendizagem escolar,
a expectativa em relação ao psicopedagogo, a aceitação e o engajamento do
paciente e de seus pais no processo diagnóstico e o esclarecimento do que é um
diagnóstico psicopedagógico. Nesta entrevista, pode-se reunir os pais e a criança. É
importante que nessa entrevista sejam colhidos dados relevantes para a
organização de um sistema consistente de hipóteses que servirá de guia para a
investigação na próxima sessão.

10 ENTREVISTA DE ANAMNESE

É uma entrevista, com foco mais específico, considerada como um dos


pontos cruciais de um bom diagnóstico, visando colher dados significativos sobre a
história do sujeito na família, integrando passado, presente e projeções para o
futuro, permitindo perceber a inserção deste na sua família e a influência das
gerações passadas neste núcleo e no próprio.
Na anamnese, são levantados dados das primeiras aprendizagens, evolução
geral do sujeito, história clínica, história da família nuclear, história das famílias
materna e paterna e história escolar. O psicopedagogo deverá deixá-los à vontade

“[...]para que todos se sintam com liberdade de expor seus pensamentos e


sentimentos sobre a criança para que possam compreender os pontos
nevrálgicos ligada à aprendizagem. ” (WEISS, 1992, apud UHLMANN
2018, p. 227).

29
A história vital permitirá detectar o grau de individualização que a criança tem com
relação à mãe e a conservação de sua história nela. É importante iniciar a entrevista
falando sobre a gravidez, pré-natal, concepção. A história do paciente tem início no
momento da concepção e vêm reforçar a importância desses momentos na vida do
indivíduo e, de algum modo, nos aspectos inconscientes de aprendizagem.
Algumas circunstâncias do parto como falta de dilatação, circular de cordão,
emprego de fórceps, adiamento de intervenção de cesárea, costuma ser causa da
destruição de células nervosas que não se reproduzem e também de posteriores
transtornos, especialmente no nível de adequação perceptivo motriz.
É interessante perguntar se foi uma gravidez desejada ou não, se foi aceito
pela família ou rejeitado. Estes pontos poderão determinar aspectos afetivos dos
pais em relação ao filho. Posteriormente é importante saber sobre as primeiras
aprendizagens não escolares ou informais, tais como: como aprendeu a usar a
mamadeira, o copo, a colher, como e quando aprendeu a engatinhar, a andar, a
andar de velocípede, a controlar os esfíncteres, etc. A intenção é descobrir em que
medida a família possibilita o desenvolvimento cognitivo da criança – facilitando a
construção de esquemas e deixando desenvolver o equilíbrio entre assimilação e
acomodação.
Também é interessante saber sobre a evolução geral da criança, como
ocorreram seus controles, aquisição de hábitos, aquisição da fala, alimentação,
sono; se ocorreram na faixa normal de desenvolvimento ou se houve defasagens.
Se a mãe não permite que a criança faça as coisas por si só, não permite também
que haja o equilíbrio entre assimilação e acomodação. Alguns pais retardam este
desenvolvimento privando a criança de, por exemplo, comer sozinha para não se
lambuzar, é o chamado de hipoassimilação, ou seja, os esquemas de objeto
permanecem empobrecidos, bem como a capacidade de coordená-los.
Por outro lado, há casos de internalização prematura dos esquemas, é o
chamado de Hiperassimilação, pais que forçam a criança a fazer determinadas
coisas das quais ela ainda não está preparada para assimilar, pois seu organismo
ainda está imaturo, o que acaba influenciando negativamente o pensamento da
criança. É interessante saber se as aquisições foram feitas pela criança no momento
esperado ou se foram retardadas ou precoces.

30
Saber sobre a história clínica, quais doenças, como foram tratadas, suas
consequências, diferentes laudos, sequelas também é de grande relevância, bem
como a história escolar, quando começou a frequentar a escola, sua adaptação,
primeiro dia de aula, possíveis rejeições, entusiasmo, porque escolheram aquela
escola, trocas de escola, enfim, os aspetos positivos e negativos e as
consequências na aprendizagem.
Todas estas informações essenciais da anamnese devem ser registradas
para que se possa fazer um bom diagnóstico.

11 SESSÕES LÚDICAS CENTRADAS NA APRENDIZAGEM (PARA CRIANÇAS)

São fundamentais para a compreensão dos processos cognitivos, afetivos e


sociais, e sua relação com o modelo de aprendizagem do sujeito. A atividade lúdica
fornece informações sobre os esquemas do sujeito.
Neste tipo de sessão, observa-se a conduta do sujeito como um todo,
colocando também um foco sobre o nível pedagógico, contudo deve-se ter como
postulado que sempre estarão implicados o seu funcionamento cognitivo e suas
emoções ligadas ao significado dos conteúdos e ações. Pode-se avaliar através do
desenho, a capacidade do pensamento para construir uma organização coerente e
harmoniosa e elaborar a emoção.

[...] o brinquedo exerce enorme influência na promoção do desenvolvimento


infantil, apesar de não ser o aspecto predominante na infância. [...] o termo
brinquedo refere-se essencialmente ao ato de brincar, à atividade.
(VYGOTSKY, 2007, apud UHLMANN 2018, p. 228).

O lúdico como instrumento de aprendizagem na atuação do psicopedagogo,


tem a importância de se compreender as dificuldades de aprendizagem, observando
individualmente na sessão diagnóstica e por meio de orientação correta fornecer o
desenvolvimento em relação a essa dificuldade apresentada onde o sujeito estará
naturalmente desenvolvendo a coordenação motora, a atenção, a expressão
corporal, estimulando a iniciativa, trabalhando a oralidade, o raciocínio lógico, dentre
outros aspectos. O momento em que a criança esteja em contato com o lúdico,
torna-se precioso, pois expõe suas aptidões, mantém a concentração e
produtividade. Mesmo que não se obtenha resultado final esperado, é por meio da

31
forma como a criança brinca que o psicopedagogo estará analisando-a, conhecendo
o comportamento e interagindo com a mesma.

“[...] o lúdico privilegia a criatividade e a imaginação, por sua própria ligação


com os fundamentos do prazer. Não comporta regras preestabelecidas,
nem velhos caminhos já trilhados, abre novos caminhos, vislumbrando
outros possíveis”. (ALVES, 1987, apud UHLMANN 2018, p. 228).

A atividade lúdica mostrará o que se sabe de forma descontraída, sem a


necessidade de comandos com aplicação de atividades adequadas à idade do
sujeito objetivando a exposição das dificuldades relatadas, ou evidenciando que
talvez não existam, faltando apenas estímulo ou forma correta para se trabalhar com
a aplicação dos processos de aprendizagem. É na sessão lúdica que se observa a
conduta do sujeito como um todo, colocando também um foco sobre o nível
pedagógico e trabalhando as questões que precisam ser desenvolvidas para a
autonomia do sujeito. O brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal na
criança, aquilo que na vida real passa despercebido por ser natural, torna-se regra
quando trazido para a brincadeira. Baseados nisso pode-se perceber o quanto a
ludicidade que abrange os jogos, os brinquedos e as brincadeiras, tem relevância
em função de serem tão característicos à infância e em função disto devem ser de
atuação do psicopedagogo tanto nas atividades avaliativas como nas interventivas.

11.1 Área Psicomotora

A área psicomotora avalia os aspectos psicomotores e o desenvolvimento


físico do indivíduo. Cada pessoa tem suas próprias características, que são únicas
para cada indivíduo, as pessoas agem de acordo com sua vivência desde o
nascimento.
É de fundamental importância, os sentimentos e emoções durante a fase de
desenvolvimento do seu esquema corporal, para não refletir na possível falta de
coordenação motora, agressividade, mau humor, apatia, que poderão ser
manifestados em seu comportamento, podendo prejudicar a aprendizagem, o
funcionamento cognitivo.

32
Os aspectos psicomotores revelam a importância de um trabalho educativo
para a organização da personalidade. É importante ressaltar que as atividades
devem ser determinadas de acordo com a faixa etária das crianças.

[...] "a avaliação psicomotora possibilita ao professor verificar se os


conhecimentos e as atividades propostas estão adequados e cumprindo
suas funções". (MARINHO, 2007, apud ESPÍNDOLA, 2016, p. 12).

Na avaliação psicopedagógica clínica é necessário investigar vários aspectos


como coordenação motora fina; coordenação motora global; equilíbrio estático;
equilíbrio dinâmico; lateralidade; esquema corporal; orientação espacial; orientação
temporal; tonicidade e todas as percepções que são visuais, auditivas, tátil, olfativa,
motora e espacial.

11.2 Área Pedagógica

A área pedagógica avalia o nível pedagógico, principalmente no âmbito da


leitura, escrita e cálculo matemático. Deve-se fazer uma análise detalhada do
material escolar do aluno. O caderno do aluno dá muitas dicas do tamanho da letra,
orientação espacial e uso da força para a escrita.
De acordo com as atividades que o psicopedagogo irá proporcionar, deverá
situar o nível em que se encontra o sujeito, que são: pré-silábico, silábico, silábico-
alfabético e alfabético.
Existem várias atividades investigativas para esta área, citadas a seguir.
Prova do realismo nominal, que tem como objetivo perceber se o educando
vê a palavra como característica do objeto ou como representação da escrita do
objeto, observando a quantidade de caracteres, momento da relação entre números
e letras, características do texto lido, distinção entre letras e sinais gráficos,
orientação espacial da leitura, leitura com imagens, palavras e orações, leitura sem
imagens e leitura de orações.
Na observação de leitura tem que analisar a fluência, o reconhecimento de
palavras, a reação diante de palavras desconhecidas, utilização do contexto, uso da
voz e hábitos de postura. Na leitura compreensiva investigar como o sujeito
compreende e interpreta o texto.

33
O ditado topológico pode também ser feito com gravuras, ordenação de
figuras e o ditado propriamente dito.
Na amostra da linguagem oral, através de gravuras e suas consignas, deve-
se observar durante a oralidade, sua pronúncia, vocabulário e sintaxe oral.
Desempenho lógico-matemático, onde serão observados a disponibilidade
para a atividade, facilidades e dificuldades para operações e situações problemas e
as próprias atividades do conteúdo escolar do sujeito.

11.3 Área Social

A área social está vinculada com as demais áreas, principalmente com a área
afetiva, engloba vários dados do sujeito, as dificuldades que o levam a não
aprendizagem e como a família encara estas dificuldades de aprendizagem.
Ainda faltam alguns aspectos para serem analisados para que se chegue ao
diagnóstico de uma avaliação psicopedagógica clínica.
Como o Teste de Audibilização, onde será avaliado a discriminação fonética,
memória, conceituação e identificação de palavras e situações, organização sintático
semântica e compreensão do vocabulário. A Orientação Temporal observa como o
sujeito se situa perante o tempo.
A Informação Social avalia aspectos gerais como nome e idade dos
familiares, endereço, suas brincadeiras, hábitos alimentares, programas de televisão
preferidos, amigos, seus gostos e pessoas do seu convívio.
Teste de Snellen é o teste do "E" Mágico, onde será observada a postura do
sujeito às mudanças de posição da letra E, como também, se apresentou algum
sintoma físico, comportamental, reclamações e a postura do indivíduo quando está
olhando para objetos distantes e quando está lendo. A Anamnese também faz parte
desta área social.
Na Avaliação das capacidades básicas para aprendizagem, pode-se fazer um
apanhado geral para a análise de informações como exercícios prontos para finalizar
esta avaliação, que podem ser referentes a coordenação motora fina, noção de
causalidade, orientação espacial, lateralidade, orientação temporal, discriminação
visual, discriminação auditiva, noção de tamanho, de distância, de quantidade,
percepção, análise e síntese.

34
Nos jogos diversos poderão ser avaliadas todas as áreas através da
aplicação destes jogos. Atividades complementares para confirmação das hipóteses
levantadas também podem ser usadas.

12 PROVAS E TESTES

Fonte: escolaterrafirme.com.br

As provas e testes podem ser usadas, se necessário, para especificar o nível


pedagógico, estrutura cognitiva e/ou emocional do sujeito. O uso de provas e testes
não é indispensável em um diagnóstico psicopedagógico, representa um recurso a
mais a ser utilizado quando necessário. É uma complementação que funciona com
situações estimuladoras que provocam reações variadas.
Existem diversos testes e provas que podem ser utilizados num diagnóstico,
como as provas de inteligência (WISC é o mais conhecido, porém de uso exclusivo
de psicólogos, CIA, RAVEN); provas de nível de pensamento (Piaget); avaliação do
nível pedagógico (atividades com base no nível de escolaridade, E.O.C.A.);
avaliação perceptomotora (Teste de Bender, que tem por objetivo avaliar o grau de
maturidade visomotora do sujeito); testes projetivos (CAT, TAT, Desenho da família;
Desenho da figura humana; Casa, árvore e pessoa - HTP, também são de uso de
psicólogos); testes psicomotores e jogos psicopedagógicos.
As provas operatórias têm como objetivo principal determinar o grau de
aquisição de algumas noções-chave do desenvolvimento cognitivo, detectando o
nível de pensamento alcançado pela criança.

35
A área cognitiva avalia o processo de desenvolvimento cognitivo do indivíduo.
Deve-se estar atento para concentração, atenção, memória, autonomia e percepção.
Busca entender o processo de lógica, ou seja, o raciocínio lógico deste sujeito, se o
pensamento equivale com a faixa etária do avaliando.

"as estruturas cognitivas evoluem à medida que a criança cresce,


permitindo novas aprendizagens e possibilitando a ela adquirir os conteúdos
formais”. (NOGUEIRA, 2011, apud ESPÍNDOLA, 2016, p. 10).

Para o uso da análise da área cognitiva, recomenda-se o uso das provas


operatórias criadas por Jean Piaget, que são as provas de conservação,
classificação e seleção. Através destas provas pode-se ter uma visão do diagnóstico
operatório, mas jamais rotular o avaliando. Com elas podemos perceber se o sujeito
tem noção de identidade, compensação, reversibilidade, causalidade, quantificação,
raciocínio lógico, estrutura do pensamento, tempo e espaço.
Estas provas dão a percepção do funcionamento e desenvolvimento das
funções lógicas do sujeito.
As provas de conservação são divididas em provas de conservação de
pequenos conjuntos discretos de elementos; prova de conservação das quantidades
de líquidos (transvasamento); prova de conservação da quantidade de matéria;
prova de conservação do comprimento; prova de conservação do peso e prova de
conservação do volume.
Já as provas de classificação são divididas em prova de mudança de critério
(dicotomia); prova de quantificação da inclusão de classes e prova de intersecção de
classes.
A prova de seriação de palitos analisa a capacidade de a criança seriar. Para
as crianças com 12 anos ou mais pode-se usar a prova de combinações de duplas
para pensamento formal e prova de permutações possíveis com um conjunto
determinado de fichas. Não é necessário a aplicação de todas as provas, somente
as que o psicopedagogo julgar imprescindíveis para o caso que está avaliando.
Para cada prova devem ser usadas as suas próprias consignas, suas
transformações, argumentações, contra argumentações, justificativas e retorno
empírico.
As respostas argumentadas por critérios de identidade ocorrem quando o
sujeito consegue perceber que nada foi acrescentado ao material da prova. Os
36
critérios de identidade subjetiva ocorrem quando o sujeito tem a percepção de que
continua a mesma quantidade de material. A reversibilidade é quando o sujeito
questiona o retorno empírico. A compensação é quando o sujeito consegue perceber
e argumentar compensando as formas apresentadas, ou seja, se está mais esticado,
se achata ou divide.
Estas provas são avaliadas por três níveis. O nível 1 de não-conservação,
que estabelece a identidade inicial, quando o sujeito não consegue responder as
perguntas corretamente, ou seja, dando respostas não conservadoras. O nível 2 de
transição ou intermediário, oscila entre as respostas de conservação e não-
conservação. O nível 3 de conservação, dá respostas conservadoras, apresentando
raciocínio de identidade, ou seja, percebe que nada foi acrescentado ou retirado. A
reversibilidade, quando percebe que mesmo após as transformações, o material é o
mesmo. E a compensação quando tem a noção que houve o processo de
compensar.
Com estas provas, o psicopedagogo investiga a dificuldade do sujeito e pode
retomar o processo partindo da constatação da dificuldade, portanto é fundamental o
olhar psicopedagógico.

13 EOCA

EOCA é a Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem, elaborada por


Jorge Visca, aplicada aos sujeitos em processo de aprendizagem. É o primeiro
momento do psicopedagogo com o avaliando que traz a queixa, com o objetivo de
observação e das reações do sujeito frente à aprendizagem. O profissional precisa
conhecer melhor a maneira como a criança aprende a fazer o que lhe ensinam.
Os materiais são deixados sobre uma mesa, que podem ser: lápis de cor, giz
de cera, massa de modelar, caneta hidrocor, régua, barbante, palitos de sorvete,
borracha, tesoura, cola, papel pautado, papel sulfite, papel colorido, revistas, gibis,
livros de acordo com a faixa etária do avaliando, jogos, lápis grafite sem ponta, para
que se possa observar a iniciativa do sujeito. Utilizar materiais que sejam coerentes
com o ambiente do sujeito.
Diante da mesa com todos os materiais já dispostos segue para a aplicação
da EOCA, deve-se seguir as seguintes consignas.
37
Consigna de abertura ou inicial, "Gostaria que você me mostrasse o que sabe
fazer, o que lhe ensinaram e o que você aprendeu". Caso o sujeito não se manifeste,
parte para a consignação múltipla.
Consigna múltipla, "Você pode ler, escrever, pintar, desenhar, recortar,
calcular, pode fazer o que quiser". Esta será uma opção, caso ele não responda a
consigna de abertura, onde você irá mostrar várias opções de acordo com os
materiais presentes na mesa.
Consigna fechada, "Gostaria que você me mostrasse algo diferente do que já
fez". Fazer algo diferente e observar a iniciativa da criança.
Consigna direta, "Gostaria que me mostrasse algo de leitura, escrita ou
matemática". Esta consigna será determinada de acordo com a queixa.
Consigna de pesquisa, "Para que serve isto, o que você fez, que horas são,
que cor você está utilizando, etc." Esta consigna questiona vários materiais
expostos, para investigar o conhecimento do sujeito.
Deve-se anotar tudo o que for falado e feito pelo avaliando, inclusive suas
reações. Isto é um trabalho de muita observação e sensibilidade do psicopedagogo,
respondendo somente o que lhe for perguntado e estritamente o essencial, sem
qualquer tipo de demonstração satisfatória ou insatisfatória. Deixar o avaliando se
manifestar livremente.
Alguns fatores devem ser observados, como a temática, ou seja, todas as
falas do indivíduo. A dinâmica são todas as manifestações não verbais, como
postura, manuseio do material, postura corporal, etc. O produto é aquilo que o
sujeito realmente produziu durante a EOCA. A dimensão afetiva manifestada através
do comportamento do avaliando como medos, frustrações, fugas, distração,
resistência, ansiedade, choro, etc.
A dimensão cognitiva também deve ser observada através da utilização dos
materiais, estratégias utilizadas durante a atividade, organização, planejamento, a
construção da sua produção e suas relações durante o pensamento para execução
da tarefa.
Se o sujeito não quis produzir nada, deverá ser rigidamente analisado o
motivo desta fuga.

38
14 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Fonte: acritica.com

Quando a criança se desenvolve de uma forma muito diferente das outras


crianças da mesma idade e/ou não consegue aprender, a família e profissionais da
educação da instituição onde ela está inserida podem supor que ela tenha
alguma deficiência, déficit, transtorno, distúrbio, altas habilidades ou atraso em seu
desenvolvimento. Na maioria das vezes as crianças se encontram com alguma
dificuldade de aprendizagem que de maneira adequada com atividades, avaliações
e intervenções podem superar essa barreira e conseguir se desenvolver de acordo
com as demais crianças de sua idade. Por isso é essencial e importante um
profissional na área da psicopedagogia na escola para pesquisar, estudar e
identificar o que realmente cada criança tem quando apontada pelos profissionais da
educação ou familiares, um de seus objetivos, é ajudar a família, professores e
alunos orientando em suas atividades educativas e compreendendo o quadro que
aquela criança se encontra, com suas dificuldades, anseios, sintomas e com isso a
adaptação das atitudes de todos a ela, bem como entender a intervenção adequada
para cada um em sua dificuldade e especificidade para que ocorra o
desenvolvimento dela no processo de aprendizagem.
As dificuldades enfrentadas pelos sistemas de ensino em suas tentativas de
viabilizar a educação de qualidade e igualitária para todos, deixam claro que ainda
não é possível, especialmente nas escolas públicas.Para enfrentar e superar a

39
maioria das dificuldades existentes nas instituições, é necessário e importante saber
utilizar estratégias educacionais na prática educativa que favoreçam o
desenvolvimento do aluno. A aprendizagem acontece quando são estabelecidas
conexões do novo conteúdo com o conhecimento que o aluno já possui esta
interação e não uma simples associação é o que irá modificar o conhecimento já
existente transformando-o pelo aluno.

[...] podemos conceber a inteligência como o desenvolvimento de uma


atividade assimiladora cujas leis funcionais são dadas desde a vida
orgânica e cujas estruturas sucessivas que lhes servem de órgãos se
elaboram por interação entre ela e o meio exterior. (MAURI 2010, apud
DIÓGENES, 2018, p. 21).

Um grupo heterogêneo de desordens que impedem a percepção, a


compreensão e a aquisição de saberes caracteriza-se por dificuldades de
aprendizagem. Podem ser de natureza cognitiva, neurológica, motora, emocional ou
social, elas deixam o aluno fragilizado, com baixa autoestima, sem confiança
trazendo angustias e outros transtornos emocionais afetando diretamente em seu
desenvolvimento e no processo de aprendizagem distanciando das outras crianças
da sua mesma idade.
Os profissionais da educação devem vencer uma serie de preconceitos e
resistências de que alguns alunos são mais inteligentes ou mais bem-dotados que
outros, de que o fracasso escolar é uma fatalidade, é preciso diferenciar, encontrar
estratégias para trabalhar com os alunos mais difíceis, com dificuldades, aceitar o
desafio de tentar conhecer o aluno e buscar soluções.
A criança de acordo com seu desenvolvimento e estágio que se encontra,
estará voltada para o interior ou seu exterior numa relação contínua de
internalização e externalização, esse movimento de dentro e fora do eu, do seu
interior com o meio exterior é que vai permitir sua construção, seu desenvolvimento,
sua aprendizagem, sua autonominação. As etapas dos estágios: emocional,
personalismo e adolescência são essencialmente afetivas, precisa de algo que
estimule que atraia a atenção, percepção, através do mediador e/ou professor, a
atenção necessária para a assimilação e poder fazer sua elaboração íntima, a sua
edificação, sua relação com o outro ocasionando o aprendizado.
Aprender a ler, escrever e matemática são uma das metas mais desejadas
pelas famílias e pelos educandos, sejam eles deficientes ou não, pois por meio
40
destas habilidades eles terão acesso aos conhecimentos, habilidades e valores
científicos considerados relevantes no contexto social em que vivemos. Vivemos em
uma sociedade letrada, são necessários que todos inseridos nela saibam interpretar
textos orais e escritos, expressar ideias, pensamentos, sentimentos utilizando a
linguagem adequada a cada situação com autonomia e adequação. Mas, as
dificuldades de aprendizagem estão presentes diariamente na vida dessas famílias e
crianças experimentando o insucesso escolar, especialmente nas áreas acadêmicas
como a leitura, escritas e cálculo matemático.
Porém essas crianças não estão tendo oportunidades e possibilidades
objetivas e adequadas de aprender os conteúdos acadêmicos, geralmente o que
tem sido oferecido a elas é um currículo estabelecido pelo sistema escolar, sem a
preocupação de desenvolver estratégias de flexibilização, práticas pedagógicas
alternativas e adaptação curricular, os alunos que não conseguem acompanhar o
currículo são rotulados como deficientes mentais, emocionalmente desequilibrados,
ou simplesmente como alunos fracos nas escolas públicas do Brasil.
Portanto, evitando rótulos e buscando atender as necessidades individuais
dos educandos será possível prevenir, diagnosticar, intervir e orientar aos
professores da instituição com um profissional especializado em psicopedagogia
onde o objetivo dele é conduzir a criança, adolescente ou adulto a instituição e
reinserir-se, reciclar-se numa escolaridade normal e saudável, de acordo com as
possibilidades e interesses dela.

A origem das Não Aprendizagens pode estar relacionada à falta de


interesse por parte dos aprendizes, baixa autoestima, falta de pré-requisitos
necessários à aprendizagem, o que ocasiona a apatia ao estudo. Inclui-se,
também, fatores, como propostas curriculares desajustadas à atualidade,
metodologias desinteressantes, desorganização do espaço escolar e/ou
postura inadequada de profissionais de aprendizagem com relação aos
aprendizes, entre outros aspectos. (MALUF,2016, apud DIÓGENES, 2018,
p. 23).

Trata-se de dificuldades quando um aprendente apresenta em si de maneira


significativa prejudicando o seu desenvolvimento de suas habilidades, esse
transtorno não se explica nem pela presença de uma deficiência mental, nem por
escolarização insuficiente, nem por déficit visual ou auditivo, nem por alteração
neurológica, classifica como alterações relevantes no rendimento acadêmico ou nas
atividades da vida cotidiana. O professor que se atém ao comprimento do estudante

41
e o rotula acaba tendo uma atitude prejudicial. O agressivo e conservado sempre
tende a ser visto dessa maneira. Assim como o atencioso e comportado.
A aprendizagem representa a capacidade de processar e armazenar as
informações adquiridas e, ainda, relacioná-las ou evocá-las de acordo com nossa
necessidade, sendo, assim, indispensável para o desenvolvimento e aprimoramento
intelectual do ser humano. O aprendizado é um processo complexo, dinâmico,
estruturado a partir de um ato motor e perceptivo, que, elaborado cordialmente, dá
origem à cognição. Nunca na escola se discutiu tanto, quanto hoje, assuntos como a
desmotivação dos alunos e as dificuldades no processo ensino-aprendizagem da
grande maioria.
Nunca se observou tantos professores cansados, estressados e, muitas
vezes, doentes física e mentalmente. Nunca os sentimentos de impotência e
frustração estiveram tão marcantemente e presentes na vida escolar. Por essa
razão, dentro das escolas as discussões que procuram compreender esse quadro
tão complexo e, muitas vezes, caótico, no qual a educação se encontra mergulhada,
são cada vez mais frequentes. Professores debatem formas de tentar superar todas
essas dificuldades, pois percebem que se nada for feito em breve não se conseguirá
mais ensinar com qualidade e equidade aos alunos da sala de aula.
Cada ser é diferente, heterogêneos, mas na sociedade as diferenças não são
aceitas, criam-se como devem ser as pessoas, seus comportamentos, aqueles que
não se enquadrarem serão discriminados, deixados de lado, excluídos. Na
instituição não é diferente, aqueles que não se desenvolve no processo de
aprendizagem como os demais da sua mesma idade são diferentes, aqueles que
são indisciplinados também são diferentes.
A sociedade e a escola junto com os professores na sala de aula devem-se
preparar, buscar informações, pesquisas, estudos, especialização para poder tratar
e conviver com a diferença. Isto diz que a escola deve ter um profissional
especializado na área da psicopedagogia ou ter seus professores se especializando
nessa área para permitir uma solução adequada para seus alunos. Qualquer aluno
que apresenta dificuldade deve sentir acolhido, valorizado, importante, incluído e
percebendo o seu avanço no processo de aprendizagem.
Alguns professores e/ou a grande maioria parecem buscar na organização
familiar contemporânea o motivo para o insucesso escolar das crianças, o motivo

42
pelo qual elas não aprendem ou não conseguem avançar no processo de
aprendizagem. Os professores acreditam e defendem que a família é essencial para
que o aluno aprenda e participação dela na escola e no acompanhamento das
crianças na vida escolar causa o insucesso escolar, mas por outro lado quando se
observa, analisa, e se busca conhecer a criança com dificuldades de aprendizagem
em seu todo, no seu contexto, no seu meio, percebe-se que essas dificuldades se
originam de problemas emocionais, psicológicos, familiares, patológicos, etc.
A escola precisa e deve dar conta do que acontece no espaço de sua
responsabilidade, se é na sala de aula ou no pátio, em qualquer ambiente, se o
aluno não aprende, é indisciplinado, agressivo, e outros problemas que geram o
baixo rendimento escolar, é nela que deve ser resolvido. Significa dizer que os
gestores, professores, demais funcionários, busquem soluções em conjunto, são
eles os especialistas em educação, o papel do professor como especialista da
educação é preocupar em estudar formas mais originais e adequadas de integração
dos pais, alunos e toda a comunidade escolar, e um psicopedagogo na instituição
vem ser de grande importância para orientar, diagnosticar, intervir, integrar todos
nesse contexto.
Tanto a escola quanto a família são instituições educativas. A ela delega-se a
função de atender a criança em suas necessidades físicas, emocionais e
intelectuais, tendo que entender e compreender que as pessoas aprendem dentro
de suas especificidades: afetivas, sociais e cognitivas. Na grande maioria ou em
quase toda a sua totalidade das escolas públicas e das famílias, elas não estão
preparadas, falta àquele especialista em psicopedagogia para dar suporte,
esclarecer através do diagnóstico e outros meios o que se deve fazer, qual caminho
a percorrer, por onde começar. O ser humano necessita de condições favoráveis
para seu desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.

43
15 SÍNTESE DIAGNÓSTICA

Uma vez recolhida toda a informação é necessária avaliar o peso de cada


fator na ocorrência do transtorno da aprendizagem. A síntese diagnóstica é o
momento em que é preciso formular uma única hipótese a partir da análise de todos
os dados colhidos no diagnóstico e suas relações de implicância, que por sua vez
aponta um prognóstico e uma indicação. Essa etapa é muito importante para que a
entrevista de devolução seja consciente e eficaz.
É a resposta mais direta à questão levantada na queixa. Faz-se uma síntese
de todas as informações levantadas nas diferentes áreas. É uma visão condicional
baseada no que poderá acontecer a partir das recomendações e indicações.

16 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO E ENCAMINHAMENTO

É o momento que marca o encerramento do processo diagnóstico. Talvez o


momento mais importante desta aprendizagem seja a entrevista dedicada à
devolução do diagnóstico, entrevista que se realiza primeiramente com o sujeito e
depois com os pais. É um encontro entre sujeito, psicopedagogo e família, visando
relatar os resultados do diagnóstico, analisando todos os aspectos da situação
apresentados, seguindo de uma síntese integradora e um encaminhamento. É uma
etapa do diagnóstico muito esperada pela família e pelo sujeito e que deve ser bem
conduzida de forma que haja participação de todos, procurando eliminar as dúvidas,
afastando rótulos e fantasmas que geralmente estão presentes em um processo
diagnóstico. Não é suficiente apresentar apenas as conclusões. É necessário
aproveitar esse espaço para que os pais assumam o problema em todas as suas
dimensões.
Deve-se organizar os dados sobre o paciente em três áreas: pedagógica,
cognitiva e afetivo-social, e posteriormente reorganizar a sequência dos assuntos a
serem abordados, a que ponto dará mais ênfase. É necessário haver um roteiro para
que o psicopedagogo não se perca e os pais não fiquem confusos. Tudo deve ser
feito com muito afeto e seriedade, passando segurança. Os pais, assim, muitas
vezes acabam revelando algo neste momento que surpreende e acaba
complementando o diagnóstico.
44
É importante que se toque inicialmente nos aspectos mais positivos do
paciente para que o mesmo se sinta valorizado. Muitas vezes a criança já se
encontra com sua autoestima tão baixa que as revelações apenas dos aspectos
negativos acabam perturbando-o ainda mais, o que acaba por inviabilizar a
possibilidade para novas conquistas. Depois, deverão ser mencionados os pontos
causadores dos problemas de aprendizagem.
Posterior a esta conduta deverá ser mencionada as recomendações como
troca de escola ou de turma, amenizar a superproteção dos pais, estimular a leitura
em casa etc.; e as indicações que são os atendimentos que se julgue necessário
como fonoaudiólogo, psicólogo, neurologista etc.
É o momento em que o psicopedagogo irá relatar o motivo da avaliação
(encaminhamento), período e número de sessões, instrumentos utilizados, descritivo
das dimensões do sujeito, síntese dos resultados que concluiu, articulando as
queixas, os sintomas, os obstáculos e as possíveis causas bem como o prognóstico,
ou seja, as indicações. É perfeitamente normal que esse momento seja norteado por
muita ansiedade dos envolvidos, ou seja, o psicopedagogo, o paciente e os pais e
que deve ser bem conduzida para que haja efetiva participação de todos na
eliminação das dúvidas, não se deve ater somente a apresentação das conclusões,
é necessário sensibilizar os pais para que tomem todas as rédeas e assumam o
problema em todas as suas dimensões, procurando afastar rótulos e fantasmas.
Inicialmente o ideal é que se toque nos aspectos mais positivos do paciente,
para que o mesmo se sinta valorizado e somente depois deverão ser mencionados
os pontos causadores dos problemas de aprendizagem. Deve-se organizar os dados
sobre o paciente em três áreas: pedagógica, cognitiva e afetivo-social, com um
roteiro, para que o psicopedagogo não se perca e não deixe os pais confusos. A
atitude do psicopedagogo deve ser compreensiva e acolhedora com os pais,
promovendo a articulação e a integração coerente dos dados e de seus significados.
A devolutiva deve fazer com que a visão dos pais, em relação ás suas práticas
educativas se ampliem. Posteriormente o psicopedagogo menciona as
recomendações como estimular leitura em casa, amenizar superproteção dos pais
ou responsáveis, aumento das responsabilidades a criança ou até a troca da escola
ou turma e indicar os atendimentos que julgue necessários como psicólogo,
fonoaudiólogo, neurologista, etc. Além disso, o psicopedagogo também deve fazer a

45
devolutiva na escola, e traçar com a equipe pedagógica as estratégias necessárias
para sanar as dificuldades. Dessa forma a integração entre escola, família, sujeito e
profissionais caminharão em conjunto.

Cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo de


aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa,
favorecendo integração, promovendo orientações metodológicas de acordo
com as características e particularidades, dos indivíduos do grupo,
realizando processos de orientação (BOSSA, 2000, apud UHLMANN 2018,
p. 230).

Todo processo de aprendizagem é composto por três elementos: em primeiro


lugar há a pessoa que aprende, que traz consigo os órgãos dos sentidos, seu
sistema nervoso, seu sistema muscular e também o conjunto de habilidades e
capacidades que adquiriu anteriormente. Em segundo lugar, existe a situação
estimuladora, compreendendo o conjunto de fatores que estimulam os órgãos dos
sentidos como a família, a escola e a sociedade que a pessoa está inserida e
finalmente, há a ação ou resposta que resulta da estimulação e da atividade nervosa
subsequente.
O primeiro elemento corresponde à condição interna e o segundo, à condição
externa, graças aos quais, o terceiro elemento se manifesta, ou seja, a resposta. As
dificuldades de aprendizagem interferem consideravelmente na vida do cidadão,
dessa forma quanto mais precocemente forem observadas melhor será o seu
diagnóstico e tratamento, dando importância e atenção devida que o compreende.

17 AS CONTRIBUIÇÕES DA NEUROCIÊNCIA PARA A EDUCAÇÃO

Sabemos que o cérebro é a fonte biológica da aprendizagem, a ele cabe todo


o processamento, conservação e expressão das informações. Assim, pode-se
afirmar que, sem uma organização cerebral integrada, não é possível uma
aprendizagem normal. O sistema nervoso é responsável por regular os mecanismos
que garantem nossa sobrevivência (respiração, digestão, liberação de hormônios,
regulação da pressão arterial, etc.), nossa movimentação voluntária, nossas
sensações e nossos comportamentos (pensamento, imaginação, emoção, etc.).
Assim, não é de se esperar que o estudo da Neurociência seja algo simples, não

46
somente pela complexidade de cada uma dessas funções, mas principalmente pelo
fato delas ocorrerem na maior parte das vezes simultaneamente.
A Neurociência busca compreender o funcionamento do sistema nervoso, na
simultaneidade de suas diversas funções (movimento, sensação, emoção,
pensamento). Sabe-se que o sistema nervoso é plástico, ou seja, é capaz de se
modificar sob a ação de estímulos ambientais. Esse processo, denominado de
plasticidade do sistema nervoso, ocorre graças à formação de novos circuitos
neurais, à reconfiguração da árvore dendrítica e à alteração na atividade sináptica
de um determinado circuito ou grupo de neurônios. É essa característica de
constante transformação do sistema nervoso que nos permite adquirir novas
habilidades motoras, cognitivas e emocionais, e aperfeiçoar as já existentes. A
Neurociência busca ainda estudar a complexidade do assunto, analisa o papel das
diferentes regiões do cérebro em situação de aprendizagem.

O primeiro bloco funcional, que inclui o tronco cerebral e o sistema límbico,


garante os tônus adequado às funções de atenção e vigilância e o controle
da informação proprioceptiva: O segundo bloco funcional, que inclui as
partes posteriores dos hemisférios cerebrais, garante as funções receptivas
e de armazenamento da informação exteroceptiva e proprioceptiva (visão,
audição e tatiquinestésica) a que corresponde às funções elementares do
processo cognitivo. O terceiro bloco funcional, que inclui as partes
anteriores dos hemisférios cerebrais, garante a programação, regulação e
controle das ações humanas, além das funções eferentes que permitem a
execução dos comportamentos de acordo com os fins e motivos
conscientizados. (SIASCA, 2005, apud FONSECA, 1995, p.154).

Do exposto conclui-se então, que é no cérebro que se processa a


aprendizagem. Conhecer como o cérebro funciona não é a mesma coisa que saber
qual é a melhor maneira de ajudar os alunos a aprender. A aprendizagem e a
educação estão intimamente ligadas ao desenvolvimento do cérebro, o qual é
moldável aos estímulos do ambiente, os quais levam os neurônios a formar novas
sinapses.
Assim, a aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos
do ambiente, ativando sinapses, tornando-as mais “intensas”. Como consequência,
estas formam circuitos que processam as informações, com capacidade de
armazenamento molecular. O estudo da aprendizagem une a neurociência com a
educação, portanto, a neurociência contribui investigando o processo de como o
cérebro aprende. O ensino bem-sucedido provoca alteração na taxa de conexão
sináptica, afetando a função cerebral. Por certo, isto também depende da natureza
47
do currículo, da capacidade do professor, do método de ensino, do contexto da sala
de aula e da família e comunidade.
A neurociência cognitiva utiliza vários métodos de a fim de estabelecer
relações entre cérebro e cognição em áreas relevantes para a educação. Essa
abordagem permitirá o diagnóstico precoce de transtornos de aprendizagem,
levando a utilização de métodos especiais de educação. Também identifica estilos
individuais de aprendizagem e permite a descoberta da melhor maneira de introduzir
informação nova no contexto escolar.

[...] é importante ter a noção de que a aquisição deste sistema de


comunicação humana é extremamente complexa e envolve todas as áreas
cerebrais para que se desenvolva. Não existe nada mais inteligente e
intrincado para o cérebro do que capacitar-se na leitura e escrita. Assim,
qualquer defeito ou desarranjo no sistema nervoso e, às vezes, até fora
dele, pode determinar dificuldades de aprendizagem. Não é necessário
existir grande lesão cerebral para justificar dificuldades no aprender a ler e
escrever. Frequentemente deparamos com crianças incapacitadas no
alfabetizar-se, sem encontrarmos qualquer alteração no exame neurológico,
eletroencefalograma, mapeamento cerebral, tomografia computadorizada,
ou mesmo na ressonância magnética encefálica. (ASSENCIO, 2005, apud
SANTOS, 2009, p.18).

Pesquisadores em educação têm uma postura otimista de que as descobertas


em neurociências contribuirão para a teoria e práticas educacionais. Uma infinidade
de artigos, em jornais, revistas de divulgação e mesmo periódicos científicos, tem
mostrado os benefícios dessa contribuição.
A neurociência oferece um grande potencial para nortear a pesquisa
educacional e futura aplicação em sala de aula. A plasticidade cerebral, ou seja, o
conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar,
até a senilidade ou à morte também altera nossa visão de aprendizagem e
educação. Ela faz rever os fracassos, as dificuldades de aprendizagem, pois existem
inúmeras possibilidades de aprendizagem para o ser humano. A Neurociência é e
será um poderoso auxiliar na compreensão do que é comum a todos os cérebros e
poderá nos próximos anos dar respostas confiáveis a importantes questões sobre a
aprendizagem humana.
O conhecimento das descobertas da Neurociência permite que elas sejam
utilizadas nas práticas educativas. Para a sala de aula, para a educação a
Neurociência é e será uma grande aliada por identificar cada ser humano, como
único e para descobrirmos a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um,
48
E traz para a sala de aula o conhecimento sobre a memória, o esquecimento, o
tempo, o sono, a atenção, o medo, o humor, a afetividade, o movimento, os
sentidos, a linguagem, as interpretações das imagens que fazemos mentalmente, o
como o conhecimento é incorporado em representações dispositivas, às imagens
que formam o pensamento, o próprio desenvolvimento infantil e diferenças básicas
nos processos cerebrais da infância.
Tudo isto se torna subsídio interessante e imprescindível para a compreensão
e ação pedagógica. Por fim, a escola tem um importante desafio, que é o de
aproveitar o potencial de inteligência de seus alunos para conquista do sucesso no
processo de aprendizagem. Os professores são os principais agentes, por meio do
desenvolvimento de projetos de interesse para a realidade do ensino e
aprendizagem. Quando compreendem que aprendizagem envolve cérebro, corpo e
sentimentos adotam uma ação mais competente, levando em conta a influência das
emoções para o desenvolvimento na construção do conhecimento.

18 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todo processo de aprendizagem é composto por três elementos: em primeiro


lugar há a pessoa que aprende, que traz consigo os órgãos dos sentidos, seu
sistema nervoso, seu sistema muscular e também o conjunto de habilidades e
capacidades que adquiriu anteriormente.
Em segundo lugar, existe a situação estimuladora, compreendendo o conjunto
de fatores que estimulam os órgãos dos sentidos como a família, a escola e a
sociedade que a pessoa está inserida e finalmente, há a ação ou resposta que
resulta da estimulação e da atividade nervosa subsequente. O primeiro elemento
corresponde à condição interna e o segundo, à condição externa, graças aos quais,
o terceiro elemento se manifesta, ou seja, a resposta.
As dificuldades de aprendizagem interferem consideravelmente na vida do
cidadão, dessa forma quanto mais precocemente forem observadas melhor será o
seu diagnóstico e tratamento, dando importância e atenção devida que o
compreende. Sabe-se que o déficit de aprendizagem pode ter causas das mais
diversas, como um simples elo afetivo, um suporte pedagógico precário, além de
distúrbios de ordem fisiomotora do sujeito, o importante é que o psicopedagogo
49
saiba introduzir os meios para um diagnóstico cuidadoso, evitando rotular ou
marginalizar o sujeito aprendiz. Cabe, portanto, ao psicopedagogo diante das
dificuldades apresentadas, ser capaz de ouvir, falar, propor, intervir diagnosticar e
encaminhar corretamente o sujeito á profissionais especialistas quando realmente
necessário, envolvendo nesse trabalho todos os que se relacionam diretamente ou
indiretamente com o indivíduo, ou seja, a família, escola, amigos, etc.
Dessa forma o trabalho do mesmo deverá ser um trabalho de dedicação, de
atenção, acolhimento e sensibilidade para redescobrir o indivíduo, aprimorar e
transformar sua vida, através do respeito a si próprio e ao próximo, tornando – o
ativo, capaz e único dentro da sociedade onde vive.

50
19 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ALLIENDE, F; CONDEMARÍN, M. Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento.


Tradução de José Claudio de Almeida Abreu. Porto Alegre: Artes Médicas. 1987.
ALVES, R. Conversas com quem gosta de ensinar. 19ª ed. São Paulo: Cortez,
1987.
ARROYO, M. Ofício de Mestre: Imagens e Auto-Imagens. Petrópolis, RJ: Vozes,
2000.
ASSENCIO-FERREIRA, V. J. O que todo professore precisa saber sobre
neurologia. São José dos campos, SP. 2005.
BOSSA, N. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto
Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
BOSSA, N. A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 2.
Ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
CIASCA, S. M. - Distúrbio de Aprendizagem - Uma questão de Nomenclatura. IN
Revista SINPRO. Rio de Janeiro. 2005.
COLL, C; MARCHESI, Á. e PALÁCIOS, J. Desenvolvimento Psicológico e
Educação- Transtornos do Desenvolvimento e Necessidades Educativas
Especiais. Trad. Fátima Murad- 2 Ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
COLL, C; MARTÍN, E. O construtivismo na sala de aula. 6. Ed. Itapecerica: Editora
Ática, 2006.
CORREIA, L. de M. Problematização das Dificuldades de Aprendizagem nas
Necessidades Educativas Especiais. IN Instituto de estudos da criança,
universidade do Moinho, 2004.
DIÓGENES, C. T. C. A importância do diagnóstico e intervenção
psicopedagógica. Revista PLUS FRJ: Revista Multidisciplinar em Educação e
Saúde, CE. 2018.
FERNÁNDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada. 2. ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1991.
GUIMARÃES, I. E; RODRIGUES, S. D.; CIASCA, S. M. Diagnóstico do distúrbio
de aprendizagem. In: CIASCA, S. M. (Org). Distúrbios de aprendizagem:
proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.
São Paulo: Cortez, 1999.
MALUF, A. C. M. Alternativas pedagógicas: propostas para ensinar e intervir em
espaços de aprendizagem. Rio de Janeiro, Wak Editora, 2016.

51
MARCHESI, Á; PALACIOS, J. Desenvolvimento psicológico e educação:
transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. 2. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2007.
PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4. ed.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
RUBINSTEIN, E. A Especificidade do diagnóstico Psicopedagógico. In: Atuação
Psicopedagógica e Aprendizagem Escolar. Petrópolis: Vozes, 1996.
RUBINSTEIN, E. A psicopedagogia e a Associação Estadual de
Psicopedagogia, São Paulo. In SCOZ, B. J. L. (et al). Psicopedagogia: o caráter
interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Medicas,
1987.
RUBINSTEIN, E. Psicopedagogia: o caráter interdisciplinar na formação e
atuação profissional. A psicopedagogia e a Associação Estadual de
Psicopedagogia de São Paulo. In SCOZ, Beatriz Judith Lima (et al). Porto Alegre:
Artes Médicas, 1987, cap. 1.
VASCONCELLOS, C. Avaliação da aprendizagem: construindo umas práxis. In:
Temas em educação – 1º Livro da Jornadas de 2002. Futuro Eventos.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos
psicológicos superiores. 3ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
VYGOTSKY, L.S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de
aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
WINNICOTT, Donald Woods. O brincar e a realidade. Rio de janeiro: Imago Edit,
1975.

20 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.


São Paulo: Paz e Terra, 2009.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas
de aprendizagem escolar. 14ª ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012.

52