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JEAN MAISONNEUVE

A Dinâmica dos Grupos


TRADUÇÃO DE

OLIVEIRA FIGUEIREDO

LIVROS DO BRASIL - LISBOA

Rua dos CactanoS, 22


Título da edição original:

I. A MUQUE DE$ GROUPES

CAPA DE INFANTE DO CARMO


,R~,vados todoa 08 direitos pela Iffielaçáo em vigor
@) 1967, Prmes Univmitaim de France

(001- «Q« mis-ic?», n-- 13o6)


INDICE
Introdução: ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

PRIMEIRA PARTE

OS PRINCIPAIS ASSUNTOS DE INVESTIGAÇÃO EM DINÂMICA DE GRUPOS

SEGUNDA PARTE

APLICAÇÕES DA DINÂMICA DOS GRUPOS


INTRODUÇÃO

Embora relativamente recente « (1), o termo «grupo> tornou-se uma das mais
correntes do vocabulário de qualquer idioma.
Esta opinião tem um sentido aparentemente brando e uma larga aceitação.
Envolve-se, com conjuntos de variadíssima grandeza e estrutura, das classes
até aos bandos mais efêmeros. O único traço comum - a todos estes consiste
na pluralidade de Indivíduos e na sua solidariedade Implícita, aliás, mas ou
menos sólida. A este propósito, a linguagem comum é assaz significativa: o
termo Membros, aplicado espontaneamente aos Indivíduos que compõem um
grupo, evoca a Imagem de um «corpo» do qual eles seriam, as partes, ao
mesmo tempo dependentes e independentes; evoca, ainda, o fato de pessoas
distintas poderem ter algo em comum e constituírem um conjunto. Por outro
lado, o grupo está associado à Idéia de Força: a expressão «agrupar-se»
exprime a intenção de reforço mútuo de indivíduos que, Isoladamente, se
sentem Impotentes; todavia, este poder coletivo provoca reações ambíguas:
nivela e ameaça; conforme o seu caráter do individuo deseja o acolhimento e o
apoio do grupo ou teme ser esmagado, despossuído, devorado por ele.
Identifica ambivalência se verifica no modo como a situação de proximidade
pode ser experimentada no seio do grupo, procuramos aproximar-nos do outro,
e integrarmo-nos num grupo para comunicar, para de algum modo nos
reconfortarmos; mas a experiência ensina também que não basta encontrar-se
com outros para participar e compartilhar e que é freqüente experimentar,
mesmo no meio da multidão, um intenso sentimento de solidão.

(1) A palavra grupo, de etimologia incerta, não adquire sentido social senão no início do século XVIII.
Estes apontamentos chamam desde logo a atenção sobre a complexidade da
natureza e da noção de grupo. A própria extensão do termo é causa da sua
Imprecisão, assim como das palavras que freqüentemente se empregam como
sinônimos: massa, multidão, comunidade, organismo, categoria social... Quando
se quer precisar com exatidão a natureza, de qualquer grupo, convém ter em
conta numerosos critérios: particularmente o seu grau de organização e da sua
função, os modos de interação, existentes entre os seus membros e a
distribuição dos seus fins; Igualmente o modo como é vivida a situação de
grupo, o «ser em conjunto». Assim se vislumbra, para além de uma conclusão
superficial e com definições mais precisas, a presença das dimensões
estrutural, funcional e psicológica.

Por outro lado, os grupos não são objetos estáticos! Nascem, desenvolvem-se,
mantêm-se ou dispersam-se; em resumo, possuem uma história. Cada um
deles exprime mais ou menos um projeto, uma empresa, ou seja, uma aventura
para e entre os seus atores. Estes processos podem ser convertidos pelos
Investigadores, numa série de perguntas mais objetivas: Onde? Com quem?
Porquê? Como se formou o grupo? Aliás, é duvidoso, como veremos, que os
atores desta história sejam sempre claramente conscientes de tudo quanto
fazem e de tudo quanto buscam, ou que os observadores possam conhecer
verdadeiramente o «sentido» dos processos coletivos se forem totalmente
estranhos ou ficarem de fora. Assim que, em nível de uma investigação
científica, se apresentam problemas de atitude e de método.

Qualquer que ele seja, todo o fenômeno de grupo aparece ligado a um processo
que implica uma espécie de vida, de força específica. E é precisamente isto
que, para empregar a linguagem dos físicos, queremos dizer com, clinâmica de
grupos. A maneira da expressão de que mais adiante indicaremos na história
parece nos resultar da conjugação de uma experiência imediata e uma
conclusão de ordem
científica; ao peso da primeira junta-se o prestígio da segunda- Pode-se-lhe acrescentar ainda um terceiro ingrediente mais oculto: o
de uma nova energia que vem reforçar o poder-o no~ poder-sobre o destino dos grupos, unra espécie de esperança demiúrgica
evoluindo entre a inovação e a manipulação.

Devemos perguntar-nos ainda porque é que os problemas de grupo estão actualmente na ordem do dia. Este problema conduz
directamente a uma perspectiva so~gica. Desde há mais de um século, principalmente desde há duas décadas, as organizações e os
sistemas de valor e, correlativamente@ o quadro e o estilo da vida quotidiana transformaram-se proffiundamentk--. Tais mudanças
técnicas, econô~, demográficas utectam não só as relaçóes do homem com os objectos
- particularmente a natureza de trabalho e do hobttat -,

mas também as relações dos homens entre si, em conacquência do desenvolvimento crescente da urbanizagLo e dos organismos
tecnoburoerã ticos. A evolução dos quadros e doS processos de comunicação (massificação, mass media), bem

como a transformação dos modos tradicionais de autoridade tanto familiar como profissional, suscitam a procura de novos equilíbrios
e de nova& Mrmulas de integração paicossoclad-e, por conseguinte, um novo arranjo dos grupos,e das relações nos grupos. A tal
respeito, é excitante acompanhar a carreira da noção de equipa. A equipa é uma velha palavra ligada, na sua origem, à ideia de
embarque (a equipagem de um navio) e de trabalho em grupo. Evoca imagens de ligação, de esforço colectivo, de solidariedade. Ora,
de há uns vinte anos a esta parte, embord o termo ficasse con-

finado ao domínio do trabalho material (equipa de operãxlos’) ou de certos jogos colectivos, tende a ser aplicada a um

grande número de sectores sociais e soe mais dive~ níveis

de responsabilidade. Fala-se também de «equipa de ligação»

II
nas colectividades industriais ou administrativas, de «equipa de Investigação» nos laboratórios privados ou públicos, de «equipa de
tratamento» nos centros hospitalares, ou aincia, de «equipa pedagógica», «equipa de reeducação»...

Ora bem, se se observa o fenómeno mais de perto, verifica-se que, em geral, as «bages» eram já constituídas tradicionalmente por um
trabalho de equipa efectiva reunindo os indivíduos, iguais em principio, em redor de um chefe com uma autoridade quase absoluta
(oficina, escritório, classe escolar). Igualmente ‘certas esferas superiores apresentam um carácter colegial, por vezes mais aparente do
que real (conselhos, conselhos de direcção, de administração, ete.). Mas o mais recente, o que verdadeiramente é novidade é, por um
lado, a crise de~ grupos tradicionais ei@ que a

~eira autoritária de ~dar é contestada e, por outro lado, o aparecimento d,e equipas intersticiais entre a base e

o topo; reuniões de trabalho entre chefes de sectores, de departamentos, de@ especialistas, etc., que tendem, por sua vez, a reunir os
seus subordinados-ou delegados.

Muitas vezes, porém, o sistema de equipa não passa de uma aspiração, de um Ideal, ou seja como que uma Invo-

cação quase mágica a partir da própria palavra e fica sempre no condicional: poderia, deveria, diz-se, promover-se «um

verdadeiro trabalho de equipa». E isto por causa da crise das estruturas tradicionalmente acostumadas a um tal tra-

balho ou por via das resistências ou de uma certa ambiva-

lência da criação de novas equipaa.

Pode-se afirmar que, em larga medida, o desenvolvimento e a aceitação da dinámwa dos grupoe resultam das mudanças e das
aspirações que acabamos de expor. Amimada por um duplo objectivo, de busca e de intervenção, propõe-se elucidar sobre os
mecanismos complexos do funcionamento dos grupos e de tirar daí um certo número de aplicações a nível da vida profissional ou-
quotidiana. 0 propósito desta

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obra é apresentar certos aspectos mais n(>tãveis deste recente movimento, tendo em conta o seu duplo objectivo.

Sem pretendermos ser exaustivos, anotamos os assuntos mai.-V desenvolvidos ou mais significativos. Apresentaxemos tanto métodos
e resultados corno problemas e reservas críticas. Porque a dinãmica de. grupos, fruto de unia urgéneta, é também o resultado de um
certo entusiasmo em que se misturam motivações bastante confusas; ligada à acção dos homens por definição, ela não revelà apenas
dimensões psíquicas e sociais, mas também opções axiológicas, de si»te~ de valores explícitos ou . latentes que Importa estremar e
apreciar (1).

(@) A presente obra constitui um prolongarnento teórico e aplicado do nosso trabalho mais geral sobre A psicologia. soclial, publi«do na mescoleeçào.
@ PRIMEIRA PARTE

OS PRINCIPAIS ASSUNTOS DE INVESTIOAÇAO


EM DINAMICA DF, GRUPOS
CAPITULO 1

CORRENTES DE INVESTIGAÇÃO

E NOÇOES DE-BASE

Ser-se-la demasiado simplista julgando que o 1ntere&%, pelos fenõmenos de grupo, sobretudo pelos «pequenos grupoe», remonta ao
último quarto do século e consiste exclusivamente numa contribuição americana- ambição, capital ou

moda passageira, segundo como se conceba.

Já na República, de Platãx>, ou em A Política, de Arístó"e.s, se encontra, um conjunto de hipó~ e de »ãlMw de grande agudeza sobre
os fenómenos colectivos, ou= ~turas e transformaç~. Sem embargo, não há dúvida que o estudo dos grupos e das relaç5es humanas só
adquiriram. um carácter positivo e experimental nos começos ~te século. Até esta época, as obras dedicadas ao ~unto revest~ quer um
carácter de «modelos teõricos» quer de «uto~ imaginãrias». Uns apresentam uma fonna racionalistà o

rigida; o~ são ins~ peio, d~jo e pêla faabmlú., com predominantes sexuais ou sentimentais, a"xquistas ou

comunitários. A n~ comum é evocar uma mudança, pr~tar um idoal, ainda mesmo que os s@-_us ú;utores se ref~ a uma experiência
por vezes longa e lúcida da «natureza humana».

A psicologia dos grupos restritos é devedora, não obstante, dos grandes pioneiros europeus das ciências humanas, nomea,damente
DuTkheim e Freud. 0 primeiro - embora seja apresentado, geralmente, como o par-adigma de uma soclologia aliada ao primado da
«sociedade glo"», Interessou-se também, consíderàvelmente, por grupos específicos: a familia, a escola, o siadicato. Os seus conceitoe
e teorIao a respeito da so,11daj@ie~, significados, símbolos ~ o, contri-

2 - ENCICL. 41

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buiram largamente para a interpretação dos proee~s colcetivos -a qualquer nível; Durkheim, aliás, cria a e@xpressão
«dinâmica social». Exerceu enorme influência sobre os Investigadores americanos mais eminentes, os quais, sem, se alie-

n~ à corrente da dinâmica de grupos, se interessarani

dí~ta~t,@-, pelbs problemas da mudança: assim o ~logo Menton. e o psicólogo Sherif.

Quanto a Freud, uma parte dos seus trabalhos é expreasamente consagrada à psicologia colectiva. Os conceitos o os modelos
~analíticos foram transpostos (com ou sem retoque) na descrição e na explicação da maior parte dos.fenómenos de relações, tanto
estruturais como afectivos. A sua ,influência sobre o pensamento de Lewin-apesar das coatribuições originais e decisivas deste autor-é
considerável, Foi precisamente Kurt LewIn quem criou o termo «dinâmica dos'grupos» e promoveu a corrente de investigação que
tem

ainda o seu nome.

A expr~o «Group Dynamics» (em inglês no original) apareceu pela primeira vez em 1944 num artigo de, Lewla consagrado às
relações entre a teoria e a prática em psicologia social e donde se pode extrair esta passagem significativa: «No terreno da dinâmica de
grupos, mais do que em qualquer outro terreno psicológico, a teoria e a prática estão ligadas metodológicamente. Se for correctamente
garantida, esta ligação pode fornecer respostas aos problemas teóricos e pode, ao mesmo tempo, refo@çar esta aproximação racional
dos nossos problemas sociais práticos que é urna das exigênci,as fundamentais da sua resolução>

A ideia e a expressão fizeram carreira e Inspiraram a criação de um organismo de estudos, o «Research Center of Group Dynamics»,
alguns anos mais tarde (1948) integrado no «Institute for Social Research@@ no âmbito da Universi~

Ann Arbor, de Michigam.

Na verdade, hoje deve distinguir-se um sentido lato e


outro restrito da dinãmica de grupos; no sentido lato, e con-

forme,ãertas ideias mestras de Lewin, envolve um vasto con-

junto de trabalhos consagrados aos grupos restritos, mas nem todos referentes aos conceitos e aos modelos lewinianos.

0 seu traço comum consiste em considerar a vida dos grupos como o resultado de forças (ou processos) múltiplos e impulsionantes
que se devem identificar e, quanto possível, medir com precisão. As outras duas implicações da dinâmica lewiniana que todas as
correntes de investigação mais ou menos aceitam são as seguint”:

- a investigação e a interven~ devem estar estreitamente

associadas; ---a mudança e a resistência à mudânça constituem um &spectó essencial da vida dos grupos.

Ao longo desta obra, tomaremos a expressão «dinámica de grupos» no seu sentido mais vasto, reservando a expressão «corrente
dinamista» aos trabalhos e aos investigadores que

se referem directamente aos conceitos de Lewin.

Indicaremos quais sejam as principais correntes de investIgação, evocando, sumàriamente, as suas noções. Chave, modelos, atitudes
metodológicas e seus campos de investigações preferidos.

1. A corrente dinamista (ou lewinia~

Não seríamos capazes de desenvolver aqui, ou mesmo resumir, os conceitos de conjunto de Iewin, psicólogo alemão emigrado para os
Estados Unidos em 1934 e que esteve no centro dos principais movimentos psicológicos e científicos da sua época antes de promover
as suas próprias teorias e

de fundar a dinâmica do@s grupos. Importa, todavia, sublinhar

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quanto o espírito, os modelos e, até, os conceitos das ciências físicas influenciaram este pensamento. A Introdução decisiva daquilo a
que ele chama «o espírito de Galileu» na psicologia contemporânea consiste em associar estreitamente a Investigaç&o da lei no
exame da situação em que a mesma Intervêm. 4,A validade geral da lei e o carácter concreto do caso individual não são, de modo
algum, contraditórios; a referéncia à Integralidade da situação concreta deve substituir uma referência a uma colecção de casos
históricos, por mais vasta que seja, reputados frequentes.»

A finalidade da dinãmIca, quer em psicologia quer em física, é sempre @,<referIr o objecto à situação», abordar o

comportamento de um indivíduo ou de um grupo no seu «terreno». Tal terreno ou «èspaço vital» compreende a pessoa -- ou o grupo -
e a, circunstância psicológica «tal como ela é para eles». Quanto ao grupo, define-se não pela símples proximidade ou reunião dos
seus membros, mas como num conjunto de pessoas in~endentes. n neste sentido que ele constitui, realmente, um organismo e não um
agregado, uma colecção de indivíduos. A trama desta organização é o campo

psicológico do grupo englobando não sómente os membros, de alguma forma os suportes materiais, mas os seus fina, acções, origens,
normas, etc. No seio deste grupo em situação -desenvolve-se um sistema de «tensões» ora positivas, ora negativas, correspondentes
ao jogo dos desejos e das defesas; o comportamento do grupo consistirá numa série de operaçôe-s que v~m ~Ver e~ tensões e a resa
belecer o

equilíbrio mais ou menos estável.

Assim se compreende o esforço de ljewin para definir conceptualmente um conjunto de variáveis rigorosas e arti-

culadas, em função das quais o investigador pode desenvolver hípóte~ que, em ~ida, convém confirmar para uma experiênCia
planificada, toda a corrente dinamista foi profundaincute influenciada por esta atitude experimental; e perce-

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be-se que foi orientada mais fàcilmente para o laboratório do que para o terreno, na medida em que a verificação e a manipulação das
variáveis são, ali, muito simples. Foi todavia no vaivém entre o terreno e o laboratório que uma teoria

«explicativa» dos fenõmenos grupais conseguiu progredir: o primeiro sugere, com efeito, os factores e as hipóteses que o segundo se
encarrega de refinar e de verificar ou invalidar; e o regresso ulterior ao terreno permite uma extensão das precedentes teorias
conduzindo à elaboraçã o de novos pla,nos experimentais.

Os Investigaidores que seguem inteira ou parcialmente os conceitos de Lewin são, sem dúvida, os mais numerosos e os mais
produtivos; formam numerosas equipas cujos trabalhos mais salientes foram reunidos num simpósio intitulado Group Dlinamics.

2.'A corrente interaccionista,

Podem e lassificar-se nesta corrente diversos investigadores que adoptam inicialmente uma posição imprevista e descritiva,
destacando os seus conceitos e hipóteses através de uma espécie de progressivos tenteios.

R. F. Bales, nomeadamente, quer fundar a investigação sobre uma observação sistemática dos dados imediatos. ou seja, dos processos
de interacção entre indivíduos, sem ir

buscar nada, em princípio, ao vocabulário físico matemático; assim definiu claramente, em que é que a sua atitude metodológica
difere. da dos lewlnianos: «Um falso conceito consiste em supor que todo o progresso científico se faz em

termos de uma estratégia dedutiva de sentido único.» Tal estratégia supõe, indirectamente, a construção de hipóteses teóricas gerais;
em seguida, a formulação de@ definições operacionais para cada uma das variáveis dadas pela hipótese.

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Por definições operacionais deve entender-se os aspectos tangíveis segundo os quais a variável se presta a uma manipulação do
investigador (por exemplo, para uma variável como, a coesão, o inventário das atitudes para com o grupo, as simpatias mútuas, a
capacidade colectiva, etc.). Em geral, toda a variável se presta a diversas definições operacionais entre as quais o investigador pode
escolher e que ele mesmo cria, frequentemente com o auxílio de consignas %Imples debitadas aos sujeitos da experiência de
validação são positivos, nota Bales, tem-se a tendência a supor, ao mesmo tempo, que as definições operacionais são satisfatórias e
que as hipóteses se verificaranL Pelo contrário, se os resultaáos são negativos, não se saberá se as definições teriam sido mal
escolhidas ou se as hipóteses não têm fundamento. Tende-se, então, a lamentar a diligência operacional, mas, ao mesmo tempo, a
guardar as hipóteses. Em resumo, o esquema teórico está protegido de modo demasiado excessivo nesta estratégia. Há poucas
oportunidades de que os dados possam corrigir e melhorar as ‘hipóteses de base,

0 remédio que Bales propõe consiste num regresso aos

dados, à ajuda da «observação, armada», nomeadamente a métodos de reposição wntínua e sistemática dos processos naturais que se
desenvolvem nos grupos. -

Sem afirmar que Bales, no plano experimental, substitui uma espécie de «pesca em águas turvas», parece que a sua perspectiva é
bastante limitada, tanto mais que as siÍtuaçôes colectivas que ele encara são quase exclusivamente discussões e que o seu âmbito de
análise é um sistema'de categorias de origem indutiva, é certo, mas rígido. Mesmo que se lhe introduzam «mudanças experimentais»
determinadas para medir a incidê ncia sobre os processos, não se pode ir além do nível das correlações entre variáveis. Enfim, as
ideias de totalidade e interdependéncia que desempenham um papel considerável para Lewin parecein, se não ausentes, pelo menos

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secundãjii,w no ínteraccionismo que se arrisca, diotante, a reduzir a dimensão prèpriamente colectiva do grupo à tela ou à soma de
relações interpessoais. Os principais trabalhos

da corrente interaccionista estão reunidos num volume inti-

tulado Small Groups.

3. A corrente psicanalítica

Freud, como já indicámos, interessou-se directamente pela psicologia colectiva; mas, ulteriormente, os conceitos e

os Modelos analíticos exerceram uma influência decisiva sobre

gTande número de clínicos orientados para a psieos~logia. Isto expIica-se,fàcilmei@-te, por um lado porque o flretidí,~o constitui o
tipo de uma aproximação dinãmica da conduta e, por outro, em razão do desenvolvimento de terapia de grupo que levaria os
psiquiatras a confrontarem-se nos pro-

cessos colectivos.

Com frequência opõe-se à tendência experimental a tendência clínica, sublinhando que a segunda sé refere a situações vividas que ela
analisa em termos de psdeologia individual (motivações, ansiedade, defesas, decisões, etc.), enquanto a primeira se debruça sobre
situações construídas, artifí~, com o auxílio de conceitos tirados das ciências físicas (equillibrios de forças, cadeias, valéncias, etc.).
Todavia, encontram-se diversas analogias «psicanalistas» na lingúagem do próprio Freud; mas sobretudo notam-se certos termos e
processos comuns e transespecíficos, nomeadamente os de tensão, resistência, conflito cujo acento tanto é individual como colectivo,
psicológico como sociológico.

Uma real o~ção apenas subsiste porque certos Investigadores pretendem reduzir o, mecanismo dos grupos aos niodelos freudíanos da
família (nomeadamente à relação

entre pai e filho e entre irmãos) e recusar qualquer interpre-

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tação em termos estranhos ao sistema da pergonalidad,@ (sobretudo os de desejo, de Identificação, de frustração), ou

seja, a recusar a influência de normas especIficamente colectivas sobre os comportamentos (reduzindo, por e@emplo, a

pressão Interna de um grupo sobre os seus membros a um

jogo de Identificação interindividual).

De facto, ai reside um dos pontos-chave da dinâmica d@,

grupos, as acções e as percepções dos membros são únicamente os elementos de uma estrutura complexa, não redutível àqueles
mesmos elementos.

Os principais representantes da corrente psicanalítica são, sem dúvida, os clínicos ingleses, adictos da terapia de grupo (Bion), à
formação (Blallnt) ou à intervenção (Jacques). Os trabalhos de Bion-cuja pr@pcipal obra, Experiences in Group, foi traduzIda, em
francês -contribuíram grandemente para esclarecer os aspectos Inconscientes da vida colectiva

Geralmente, todos os investigadores que se interessam

pela vida afectiva dos grupos e pelo papel que nela representa a imaginação e todos os especialistas que se dedicam

à formação psico ssociológica-nomeadamente os responsáveis pelos seminários de Bethel nos Estados Unidos-tiraram uma parte dos
seus conceitos e métodos do arsenal psicanalítico. Mas a maioria esforça-se por associar-lhe outros recursos extraídos de Le'win ou de
Rogers.

Espe~ atenção deve prestar-se a este último. Embora se separe expressamente da psicanálise e se tenha ocupado essencialmente da
terapia individual, os seus contributos originais, têm prolongamento6 na psicologia dos grupos. A <@compreensão enfática» (que
caracteriza a atitude « não directiva») exerceu enorme influência no domínio da,formação, ao mesmo tempo como desejo de abertura
a outro e meio de@ facilitar certas evoluções. Estas ideias estão, aliás, bastante, espalhadas em França nos mais diversos melos, a tal
ponto que se chega, por vezes, a querer semelhar até à sinonímia,
24
não directivismo e dinâmica de grupos! Este fen6meno, entre outros, Ilustra, ao mMa alto nível de informação, os riscos de
simplificação e de confusão apontados acima ao nível d<? sentido comum.

4. Conceitos fundamentais

Para terminar o capitulo, interessa precisar um certo número de definições e de dimensões de aproximação.

A dinâmica de grupos, tomada no seu sentido mais vasto,_ interessa-se pelos componentes e pelos processos que intervém na vida dos
grupos - mas singulaxmente dos grupos «face a face,>, ou seja, aqueles em que todos os membros existem psicológicamente uns para
os outros e se encontram

em situação de interdependència, e de interacção potencial. Não se poderia falar de «,-rupo,> a partir sómente de factores de
proximidade, de conjunto e de inter-relações; tais factores

não têm um sentido colectivo senão no interior de uma estrutura - ora antecedente ora consequente -- que regula o jogo dos
Interacções e Implica, a um nível mais ou menos conaciente, uma finalidade, um quadro de referência ou um viver

comuns.

Apesar de tentativas múltiplas, ainda não foi estàbelecida, nenhuma classificação exaustiva dos grupos. Para se orientar no meio da
sua variedade e numa’ perspectiva de investigação, é possível assentar num certo número de cri-

térios decisivos.

A propósito, e para se ater aos grupos face a face, podem considerar-se quatro critérios fundamentais: a relação corn a organização
social, com m normas aceitas. com os fins colectivos e com o próprio projecto colectivo
(1) Aproveitamo-nos, neste ponto, de um pertinente esquema de J.-C. Fillonx em EncycIopédie, de Ia Psy~logie (.Nathan).

25
Como lugar e assento da interac~ o grupo pode depender directamente da organização social ou províT , da con-

junção de um conjunto de projectos particulares. No pr@Ineiro ~ falar-se-á de grupos institu-cionois, no segundo de grupos
espontâneos.

As regras implícita ou expressamente seguidas pelos membros podem existir antes do grupo ou emergir, progressívamente, das
interacções.

Falar-se-á, então, segundo o caso, de grupo formal ou informal.

0 grupo pode ser considerado pelos seus membros ou principalmente como um meio. Quando se trata essencialmente de «estar
juntos», os membros «concentram-se sobre

o gTupo» e os factores afectivos predominam: pode-se faIaX de grupo de base. Quando se trata de realizar uma acção, um esforço ou
de tomar uma decisão, os membros «concentram-se sobre a finalidade>; absorvem-nos os factores operatórios: pode-se falar de grupo
de trabalho. Enfim, e é o

caso mais frequente, a existência do grupo pode ser perfeitamente independente de projecto científico ou, pelo contrário, os sujeitos
podem estar reunidos no quadro e na finalidade

de uma experiência; aos grupos naturais opõem-se, assim, os grupos de laboratório - e é contestável caracterizá-los

como puramente ‘,artificiais. ]@ conveniente, por outro lado, acentuar que estas ~inções não são radicais e não implicam
contradições: um grupo de trabalho institucional, por exemplo, pode comportar impoIrtantes dimensões afectivas e ser a base de
relações informais; um grupo espontâneo pode organizar-se ràpidamente, tornar-se rígido, fechado, ou seja, uma espécie de «grupo,
de Vanquender». Centrado sobre o poder ou o sucesso.

0 estudo dos pequenos grupos, que se situa, de alguma forma, na fronteira do psicológico e do sociológico, proporciolia um duplo
recurso. PoT um lado, permite descrever e

26
analisar sobre o vivo os processos dinàmicos de interacção social; por outro lado, fornece um conjunto de hipóteses e de
ínterpretaçôes de carácter mais geral, susceptíveis de serem confrontados posteriormente à escala de colectividades mais
repre@àentadas.

A fim de atingir a maior variedade possível de campos sociais e de evitar as extrapolações peremptórias, este estudo abrange tudo sem
perder a noção dos limites (2).

Vamos apresentar nos capítulos seguintes os temas e os

resultados mais salientes.

@”) Neste ponto subscrevemos inteiramente as reservas formuladas por G. de Montrno'ilin: «0 vocabulário utilizado em @certos) trabalhos con-

sagrados aos pequenos grupos pode iludir e entranhar urna concepção transcendente e revit&lizadora do grupo; concepção que pode transformar-se em

mistificação quando Dela vulgarização e A prática é admitida sem critica

na vida real.» (Reflexões sobre o estudo e a utilização dos pequenos grupos, no Bullctin du C. E. R. P., 1959, t. S, n.O 4.)

27
CAPITULO II

0 PROBLEMA DA COESÀO, COINIFORMISMO

E DESVIACIONISMO

A noção de coesão é absolutamente central para o estudo

dos grupos restritos, especialmente para os investigadores da corrente lewiniana. Nu seu sentido físico originário designa, a força que
mantém juntas as moléculas de um corpo -dai, por metáfora, a ligação dos indivíduos,num grupo. Por outro lado está aparent-ada com
um conjunto de noçõ es anteriores que exprimem a mesma ideia, nomeadamente a linguagem da física: pressão, tensão, valência, etc.

Embora nurneroosas, todas as definições da coesão, se referem aos mesmos temas: trata-se da «tatalidade do campo, de forças tendo
por efeito manter em conjunto os membros de um grupo e resistir às forças de desintegração» (Fectinger, Schachter); «atracção,
global do grupo para todos os seus inembros» (Kelley, Thiband); o acento pode colocar-se ora sobre o aspecto funcional de
verificação, de normalização, de «pressão, para a um,fornúdade», ora sobre o aspecto emocional de espontaneidade colectiva e o de
Integração que orientou a filosofia social de Spencer, e a de solidariedade,

apoio da sociologia -- e da moral - de Durlchein.

0 termo <,,coesão» oferece diversas vantagens: por um

lado, é neutro no que se refere ao velho, conflito entre psicólogo e sociólogo sobre o primado do indivíduo ou do grupo e pode
englobar quer factores colect~ quer interindíviduaiís. Por outro, presta-se, como veremos, a uma aproximação experimental em
ligação com outras noções conexas, também com frequéneta tomadas do sentimento de « nós» do

«estar jun~"t@e».

0 conceito de coesão toma, mtão, unia importância sin-

29
tética, e unificadora; permite passar de ciais e sem nexo a um estudo slstemã enos «grupais». Igualmente o inventário dos
fa~ dó. coesão que vamos observar constituem os principais de -Investigação em dinâmica de grupos, aos quais serão emeagrados
Oada um dos seguintes capítulos:

I --os factores da 00~

Ainda que sejam concordantes e complementáriassa precedentes definições, reflectem, ‘em todo o caso, a multiplicidade e a
complexidade das fontes de coesão. Podem-se distinguir, de um moí@do geral, factores extrínsecos - anteríorwq

à formação de tais grupos paiticulares ou registados iffiediataraente antes da instalação do grupo - e factores intrín-

secos, próprios do grupo como tal. Entre os primeiros, convêm notar, desde já, os que intervém em todos os grupos institucionais: por
um lado, a í nfiuència dos contrÓles sociais (que vão desde as formas legais do constrangimento até à pi,tw!5são da opinião pública;
por outro lado, a dependência hierãrquica ou funcional de um tal grupo num conjunto mais vasto (num escritório, numa empresa, por
exemplo). Enfim, certos factores são comuns à maior parte dos grupo.,: a dis-posição material que regula as redes de comunicação, a
se-melhança ou -a diferença dos status sociais e dos quadros de referéncla próprios dos indivíduos reun~.

Gompreende-se perfe"n-rente que um grupo reduzido em que todos os membros ~o colocados de modo que podem integrar
fàcilmente (umas poucas pests«as ao redor de uma mesa) e que possuem em comum d!Íversas camete~tew (idade, sexo, profi,~,
ideologia), comuni~ mais rápida- ~te e mais int~vamente que os participantes de uma re=ião numerosa e dhversificada. Teremos
ocasião de voltar

30
sobre o assunto a propósito do estudo das discussões d,@ grupo; mas desde já se pode sublinhar que a proximidade sob

todas as suas formas - espacial, social, cultural - constituÉ

um poderoso meio de facilitação.

Qua,nto aos factores intrínsecos da coesão, repartem-se segundo'duas grandes categorias usadas pela-,; definições precedentes:

- Factores de ordem socto-áfectiva que conferem ao grupo

o que os investigadores lewinianos chamam a sua, «valência» (ou estractívidade) e que englobam certas motivações, emoções e
valores comuns. Preeisemos que o termo de «valor> não deve aquí ser tomado numa acepção, particularmente idealista, mas no
sentido mais geral de urgên-

cia “ntida..

Factores de ordem operatória e funcional que atingem a própria organização do grupo, permitindo-líbe (ao Menos parcialmente)
satisfazer as suas necessidades e seguir os

seus fins.

i. os factores socio-afectt’~

C<>mpreendem e~cialmente:

0 atractivo de um fim comum-Este fim pode ser maj,,3 ou menos claro segundo a idade e a natureeza, do grupo. Vivido como um
projecto por vezes emátante nos grupos espontâneos em via de formação, é percebido, com frequência, de modo mais ritualista e mais
prosalco nos grupos institucionaâS o~ pode miesmo estacionar, não seni risco para a coesão. A sua fk>rça atractiva depende
não,apenas dak sua pureza. más também da guaadequaçã@o ao nivel médio ~ aspira~ dos membros <1O grupo.

31
0 atra~o da

seja o meio de

mesma um motivo de

p«ra o fim constituí uma tívos, exigindo por ~to 1

o atractivo, da pertença ao. gr


3á está pr~nte no desejo de um ~Orço a~ e,s precedentes, quer se trate de promeguk rIn~ materiaJ, de uma
discussão ou de um jogo. Oombina dtv«~ afectos em que pode dominar, Segundo os c~ um ~ti-

mento de ~r (grupos em expansão, grupos de pr”~). de orgulho (grupos de prestígio) ou de seguranç 1a (o c~ de to~ os grupos bem
estabelecidos). 1

2 certo, porém, que para além de todos estes afectos o MObil fundamental é o de comunicar, de se, unir, de algum modo, aos outros,
fugindo à ansiedade da solidão. A expe~ riência clínica da vida afectiva dos grupos, como dos Indíviduos, Inclina-nos a esta
interpretação. .n o conjunto destes factores que determina o pro~ de Identificação dos membros com o seu grupo e a Intenfil-

dade (variável) do sentimento do «nós>,@. No seu mais alto

nível este sentimento voga a situar o grupo como um valor

transcendente e absoluto em relação aos seus membros e a qualquer outro valor exterior, ao mesmo tempo. Assim se explicam os
sacrifícios pessoais de que são capazes certos sujeitos, o oa fenómeno6 de fanatismo.

Esta identificação tende a identificar-se por expressões simbólicas tangíveis: nomes específicos, cantos, ritos, ceriinõnias, e todos os
sistemas « figurativos».

Outros factores se vêm juntar a estes afectos prõpria-

mente colectivos:

0 jogo de altn~s tnterp"soaig-A filiação de uma pessoa num grupo pode, com efeito, ~nder, em grande

32
parte, das simpatias electivas para com lestes ou aqveiel@ membros comos quais esta pessoa estabeleceu--ov ;procuiNa estabelecer
-Mações de amizade. Vimos como a CQ~tA!, de Investigação soclométr” se ocupou especialmente em deslindar as,redes a-fectivas
espontânes4 presentes 9EU t0~ os grupos e que ~, segundo oo casos, reforçar ou a~çar gravemente o papel das estruturas formads-

A satwfaç” de certas nwe,,@stdades pesso~ -

dúvida de que a participação num grupo -e geralmente a qualquer situa~ colectiva - pode consentir ao inAivídVo a satwfa~ cio c~ necessidades que
eidgem a pre«iça 0C outro. Nesta perspextiva, o grupo aprewnta-oe n~ -COMO meio do que como fim. Entre e~ necesoLdades, cu;ia ~eusIdade v~
considerãvelmente &--gundo ao sujeatos, ~~ =~ nomeada~te: as pol~ de domínio ou de 40pen- ~cia; os impulsos a~vos, Q desejo de prestigiQ ou, AI~
simplesmente, o desejo de ser reconhecido, ~te; mn@ftml aquelas que a, p~ ~~ como necesat~es <~_ g~, que vão do ~ples desejo de
M«Ue~ os 0~ tâmentos ~te de outrem ao de ~ tom~ em A9D8~ ração, e a o~ formw acentuadas dee@db"~o ~UVO-

Importa precioar que e,stes dois tipos de factorea tatuem ao mesmo tempo um reforço e uma am~ “ coesão. Um grupo que não lhe desse nenhum lugar
poucao p~b~des t~ de sub~. Pelo contràrio’ <@O sr~ em que os liames de Intimidade Privados pasoam A $~ dos liame& colectÀLvos verão
comprometida a sua un~; e, o mesmo acontece quando os membros fazem eagenc@~te do grupo o meto de satís~ as cuao tendêrxd~ Pu res~ Pessoais.

3 - RNCICT--- 41

33
2. Oá@ fartores 3ocfo-àperató~

re~ d~ conid~*:

dk~ao e à art~do dos p~ - Dep~ ao n*~ &~ dw ned~ que oe Prebm~ e, dm aptidó% ~. &~~ n~roú no concezm~ M~O ós C~.

txftv~ 4b"l aM subgT~ afec~ POr uma ldé~

f~~, apremnta um m~ ex~ b~ho, em c~ n^ e~a ft~1~ =na ~~ - ~bozia al e~ já u~

a a~ P~~te conabe~ n~ ou tr~ à sé~ -, e = m~ ~kal tiuc e~ ~r~ de ~ ou <]e, ~.

9~ de f~~ &PW«~ Pr~~ de &rêw*~ é & ktwbw~ que mrrewp«~ à


9~ Progl~ de urn~riã & papêm

é wbm~. Po~ a~, tg~ âft~ quando td de Pw~ fib t~ i~ pm% dá@ futt~.

lè@ Sóbo6~, ~ 0~ dm dbmm~ h~ V~ & tatra~ e ck ProgTa~ Pr~bid~ qm ~ea@ ou ~ Pr~ ~ db*rv~ O~M e Bistemãttea daquêlee
probe~, ou ~ & <ws ex~entar, de óÉi vi~ brter"~te, no quadro de ofttm’ dtua~ dc I<M"Çãô.

~port&mento do grupo C’ o modo de ~~aQ~ faça ou não ~ álg^ o PmPo ~Porta~ na em que e)e se- n~; mm o e~ dm 9~, for~
ou kitamat% ~Ia que ~ wn dos nMn~ ex«m uma ^êtucta ^~ em IUtets~ e em qmfidade, mbre ~ compwtam~. oxnpre~-m pe~ta-

34
~ qüê ~um Oper~ de p~v~ (nia~l @yu lúbdeot~) m ~ «ecttw *m wn paped P~~tie de úin ~ ou de um ~gente do
grupo. Mm a ~ção do ~-os a~ nwn~ deve ser apow^ num p~- ~a & “il! 1 po~ não db~ ~dVw~ só da at~ do exlgên~
~~ da witu~- toto@ (ftn ~vo, preten~ e ttceoo&d~ nlffm~, ~çãio do gruw no am~te qm o ro~ X~ sén~ o papèl do c~e está m~ Rg~ à
r~ de’ m= pe^ qm à qualkkde de ftm~ de ówrde~ ‘e & e~0, a ~ança, qut a~ em

obj~ de dWU4~ ou & trua^- ~M~ o é~ qw ~te, o ~ t~ p~ r~é p~ & de~ mno tw~ para à a~ um

paple& &- teat~~, emn ~ a fac~ a t«a^ de ~~ cbk~ A~, a fun~ de ~onça, we~ os e~ cânM~~ h*~~ na pe~a à-- d~ m gè dffvn&;
<ré a~ M~, no ~o <2O g~ ~, e~, a um c~ de auto-re~~.

11 - Cb~lamo- ei deá~orã

Á co~ manif~~ por um ~unto de e&np~m~ mêe~que ~ não 9~ os sem, @@útm=, n= const~ tmn~, por fà nwwnvia, fac~

um Om~de circ~; 0~dm dk~ni~ de uim es~ & pr@--s~ trbema, fix^te a

~ a S~AO eolwtlva, ta@b Omport~” contut@t,,buem para rer~ ~ pre~ e catah~ o grupo.

Três &- c@itm elw ~ part@mdannente notó~ e

ser eotud~ quam experirr^talmente nos gm” cin

de ~~ção: são o conffiorniAmm, a re~êncla às d~- ~’e: a agTesstvklide potendW para coni o ext~.

35
1. 0 conformismo - Traduz~ pela pr~ça - ou

gé=a-<1@e n~ e die n~o coi~vos à m~ que se ~, belece, uni Wbstema de cbmunko,~ e

de ~ações entre mu*m pm~, mánúNwbaan~ ~bém

c~ ~- ormidades nos ~, omáport~~, oph~, WnOntos, na ptópria linguagem. Nos grupos moUtucí~ aquêles m~los tom= a forma de
costumes ~ q~ os quke ~gam de novo devem subm~r-m mais Qu mença espontânca~te paza se ~gru~ no grupo. wata-se de
uma ~regna~ do que de ujrn oons~gim~. Nk>s grupos espontãneos em formaçãQ oboerva-sk- a aparição pro~va de normãs colectivas
e de prüe@-_~ de Oontow~

A f~o colectiva do conformismo ment@e as zonas operat~ e afflwt@i~ da ~ uma Vez que pmy~ ao grupo proeurar os seus fino e -
~ter-w c~ tal. Por outro 1~, é inútil perguntar-se oe ek i~

os «fiw> ou Igu~Cnibe 0~ os <n~ Qv~ 8w- ~os ~ffitos ~ a e~a dos meios,é p~ e” põon em ~ o oIstema de Val~ 0u1~. MM ú~,
amAyLç^ o oQnfonn ~ concerne “ val~ tomados no sen-

vasto que i~nos ~ acUnta, o das urgê~ ~das.

2. Os comportaw~ de8vkwioni&taa-TodQ o comportarnento quie se afasta das normas pode ~ con191~ num mn~, como uma desv~
deáde o de um fanh asi ao

de uni cz=mow. Mas oon~ de fw” detern~ ~ estritamente o oem^ dc> die@õni^ e ~~ qije, em p~logwa o~ se chania um 44es~ ~no to~
dQ inglês di~e).

Os d~<» não se r~em wÉnipl~entie a qualq~ çàx? oompoitm~, mas ãs varia~ qkw se 0~ fora do c~ doo comportunientos tolet~
co^temente

36
p@--lo gTupo, por tal ou tal norma. A látitude é tanto ~

~Ita, quanto çté ira% de problemas Iniporba~ e urgentes para os membros do grupo. Pior exemplo, nas oficInas os operáffios ~ptam
normas t"tas de ~~ . comportando urna oerta margem (aquêle que procura sempre trabia~ o

Menhs pomívfel é m=derado um preguiq~ e pouco estimado; mas no outro extremo, o que é exct~an~ rã~ ~à hostili~ e até banido porque não respeita, o
ritmo

m~rudo pelh quãl gw%lmente se manff~ -a ~riedade

dos tmbal~res). Elin g*eml, quanto matis Ísobido é o grupo,

mais ~pIes, estreitas e rígidas são as normas que adbpta. Ao Invés, o cos~litísmo @entr~ um dies~0e e ~ Iroprocisilo das no~ em razão da interferèú ciá,
de m~

A alienação e a delinquêwi(a oonstitu~ c~ extremos de des~o em r~o às normas mentais e moraJls da

oaciedade glVbal; mas o termo «d~~> parocê que deve ser T@e~ado.com mais frequência aos agrupamentos mais r@&strítw. Por outra, o delinquente,
membro de uma pandilha ou de um bando, ~ e deNe ~omffir-ãe às normas daqueles grupois que ~ até particularmente. severos para ~ os que as transg~
0 allenado, por seu turno, é muito gvalmente tolerado sogundo ao culturas e os meios; certos, 0~ ele tem, se não o seu papel, pêlo n~os ó’ seu e~.to.

Em r~mo, o desviado pode detitar@sie ~ aquele bro de um grupo determinado que, só ou em companhiá. de x~ wünoriã, escoEw ~ ou menos
deliberadamente tramz-

gTedir ou transformar as normas desse grupo no ter~ prático ou no ter~ ~lógico, provocando ~tra ele rewções ~ ou menos vIolentás da ma&oria
oonfom@@.

A r~tê>tcia às de~es oonstitui, w«In1@ o e~Tko do confórmismo. Apresenta-se como uni as .~

do tenõ~o mais gem1 da remstência à Tn~ç« (de. que 0&

37
tratar4 no capítulo miguinte); mas o seu vigor e efIcácIa dependem não sóniente dos tad»~ lnhmi~ dQ mas tam~ das pre~ do
ambBente. “ndo e~ nulas ou dó~, oboerva-se um esforço ~ente e prolong~ dos COnfoM~ para trazOr os dêav~ a uma
nomia oon~, ~t~, e~tula~te, c~ ~proniL~. Sê os deavíados rejeá~ qualquer conoe~, ~ isola~ cao~ e@ ftü4~te, ex1~. Tal prommo, que
“ verifi~ expeIlh~0 ~ em grUpOs wtift~, não é, “av@@ Ineludível em t~ os c~~ cult

Ft&nçdo colectiva do de&~~o-Tal f~ apremuita~ nO caso. de uma madapta~ patenté 4m m~los doettan~ às ~ações a~ coxênesa ou d~ de nIor 1~
face a u~ trânsforma~ do am~te e C2dgên~. 2 Oerto qUe a corrente reforn~ra. é, por vezes, couMUe~a c~
dêsvIackmIsmo pelos Inavfd~ aX4~ às ~~ mos ~à ~ ou m~ ràpt~~ dQ conform~o da ru~ na nio~a em.qijk- procura X~~ às urg~
crescettes.

Tal fenó~o pode produzir-m ao nile~ tempQ a nível

da ~tod~ global, no 0~ de unia transfo~ éQ do n~ tk-~ (noftx~4y~ no e~ de ~t~ de umoL e&v*Zação,coMbm~te ~os evoluída coni
outra ~ deocq-

ou no 0~ de tam «~u~ dais t~ Indust~); e a nível ~ grupos mais requ~ (00ncre~nte no» ~ e nos m~ das relaçóes famillares).

Eui tddás os casos, não ob~te, os nxó~ da mu~ pr<>vèm nãõ só de teu~ internas entre a opl~ ~ Indivíduos me~Os idos grupos, mas de
pre~ extornas ligadas a unia evolução socioló~ geral, o qne leva a Oonsk~ o pilo~a e a dtnãmlca da múd=ç@a numa pers~va multo
mais v~ que a do d~,~~o.

38
1~açdo e narm~ação - Qua~ o 4e9~ ftca nho, é ~caz -e, fina~te, nícutra1~, exp~ x>u INUIdado. Os mitos, a h~da e
a expel@l"cia 0~ de 00~
40brie este ponto. Elé tem de in~ num mom~ e, num

em que ~ ~cx@ptfveI de ^~ a» menos uma comenhe nvkiork^ ao r~ de %.

A luflUência 4ewAIa~@ dep~, U~, em gT~ me~ da ~ão; aõ uma ~~Mação Mifio~te ^quCkp~ OMr~noter a
P~Ção confórmista P Provmw uma deocr~~ das normas e dos val~s ~~. Dito, de outri f~, o d~~ ~Vo não é s~ Um
Pere~r ima~IVO, mas um 9UjC«» mais ~v»l do que,00 ou,~ a 0~ urgé~ 1~ de mt*~. N~ Oentido @ele d~-aie ~or ~
Oeu p~ 0~ 4o qUe

-Upo de pWomaUda&_. o nwxi~ dè~,vo é aquele em q,@e o dew~


1~, em “ o reprq~ se torna refonnador. ~ a dUI&Uca conUnua: o inoVador não pode wançar Oem lu% a~,mento, de
p«rtidã~ que ~rem com ~d~ tana~ aos ~ pm~, os quais oe W~em., «~, @ko no=~zar-9e @e gle~m também um
novo coufor~. W peoce~ u~so, t~ c@n ma~a de ~ e de tIêneta o~ em ma~ poilUca. Cbnipoita~ntos conform~,
e.O~ctonj~ náio aMudes cotáticamente pola~ xn@!W em ~npI,e@@dade dibAn-40a.

3. «In Group> o <Out Group> - Pa-r~wa con~

o recumo a ~ termosanglo~~ porqLW ~ expi~ numa forma c~deTada e ou~va, um jogo dioM~de ,atitudes Inerontês
a um g~ núr^ de situaç~ ~
0 cOn@UntO dos factows e ~ Pro00mos CV00ados *nw~ ~nte ~licam oboca~ e ~bxí~ do, gMPO PC” ~M ~niibros,
e a to~ os uí~ -da nação ao clube x>u ao ban4o-, o que se desdigna, por vezeo, um

39
tdl ~new jamais se pr~ num vazio 4"1, twe o~ g~s que são Igualmente asoonto de -Penôm~ análogos.
Em multús oasos pôde apIfficar-sile a pilo- ~to, dás c~1~ ~ «nós@>, a céI~OrTnUla. de A~.& B*an a propósito do
IndivMUO, do ~.>: «sítUaISC quando, *, opõL-->. A oo~ não ,*-, refbrça, sómente no ~o do grupo qUando, ~ ale
sente aiirí«aç@adó pelo exte~ «@a ~h unlão», mas, ~ qualquer amea<.@a, o grupo pode tender ~tãbtw~te a
exprimir a sua solida~~ ata- ~dor os ~m vizinhos ou procur~ oltuações de coMpetiçãb. N~ sentido, o estudo, dos
grupos Instittici~s ou o dos: gTupos em ~ de forni~ re~ uma. agrffistv~e potencW para com o exterior, uma ~ de
co~^ ebtre o reforçar da coesáo intragrupo e a vírtuá~l- de tm~ Intergrupos.

As rei~ Iútêrgrupos, por certo, não aW"ent@am semP1rO um carãeter agress~ nem mesmo ~eorr@en%; Como
mffi~ M. Sherff, depe=lwn,e@~nel~nte db tipo de contaj@ctos sb~ p~iwnient@e estabolecIdos, que tendeM a

t,alizar-se nrum ~junto de atítudes e~tivas que se ~ rnitem ~ trádição, a lingua, um conjunto de IMagens e de fórm~
estm%Up~ que so~ivie~ às dmmatân~ ,co~s que as orlgtnaram.

Às ~~ específicas entr@e os dw~ grupos vo21=, ~ segundo o seu grau, numa ~ala de «bútân~ ~ais> e o tipb de
comportamento (posítivo, neutro ou negat~ gera~te ~te. Em linhas gerais, parece que esta .d~dã depionde
directamelite do grau de ~w~ça ou de disparidade e~te entre as características dos ffivC1~

grupos Mas =no ~ são muffiplas e funda~ não apenas nos estatutos ou em categorlas (Idade, etniá, PT«~, ~ ~.), mas
também nos Interesses e nas phete~ a=~, mim &equênem, que grupos multo próxImos e -10emb-

»ffi~ se e~rwn em situação de conflito vIlolento. Por

40
o~ pãb~, «a hon^la> como atracçãh dos a~~- “ nAo c~de, forçbsanienth ^ <@«e@ndoffila> como llg'aÇão únJcar~t@ aos ~bros do
«nós>.

E@n ~q~ owrrência, ~c que a ~~ção e o valor do ti,& group são po~ em que~o por um comportaniento, quálquer de um out grup
qual~ que eleseja, d~n. vlolvw-Nm-se os pracessos de ten~ sob fon-na def~va ou ag,r~a. C~ acentua S~-de quem r"uni~ as

notã~ inv~açõ% exp~entais -, memm - sob as for-

~ p~ ~le~, aquel@ea pr@om~s são i~utívela a ~-

po~ent<x9 de desviação: vs n~ibros do in group, é C~, emn frequência se compmtwn wc~ente de Tn~ totalnl»nt@e Wer~ para com
os n~n~ do out group e para

os ~s ~npanhelms, mas trata~, piedm~te, de umia de to,~ e de confo"ffimm.

111 - As investigações experbnentaís

Embom êm,~ se~, tMos os estudos 0~~tes pr~~ de ~ tragam um ~~ção pa~ ao probl^ da c~ão, wn e~ üún~ deles abor~no mads
directawn~ e ~ngue m~ pcio rigor do seu pl~ exper~ial.

A m~ parte d~ são estudos de labarat” f~ peloâ le*h~= (L. ~ilngler, S. Schachter, M. DlentOck norwjea~t@e) (1). Aq~ iúve«tigadores
foram le~ ncmOsàrta~t,e@ a oon~er a noção, de co~ ~ ~om operacioúaits> 9~ptívieis de ~d«-, tPaka-w q~ de flw~ ownpmtan-@e~
~áve@s: gram de par~~ numa ocupa~, de res~ck, de inteá@.acçãó emn ob PWICe~;

Os brffitirmis trábalhos f~ ~Icados úvro In~’> Groupr dvnainíew, ifteúrch &&d them (IVOO.

41
4uer de Indices psicológ~ I`Z @o fa~ expoe~ em reo~ a 1W@ é” e

d~b-IU~ 1~ COO~ problemas met~~~ quo- o emp~ ou de «mu~ levanta, é du~ k~ Poa~
exprimir ~Piletamente, Cotá «-, de que con«UtUem, por dd~, a

Já que os trabaJ@ios pr~dentes ten~ a g~ de i~ o contacto ext~r,

é neocá~ ~~ eistuídaLr Qs pro~',de cOe~ em relação com oa fienómenos de ten~ &*Wg~. F@Qt e~ per~va qW M. S~ adQ~ nwm@
de eXPIrim~taçõe* sobre o terreno onde a di~a 91~ é aproci~ w» m~ao te~ ao~ 43bei~ e sob a forMa de c~flUO8
cOlect~ â WWft@ca~ eu't~.

C:OM elíminar tanto qugnto ~vel a Influ~ <je ft~% ex~~ anterí~ à c~t~ do$ 9~, ,%er& e os seu¥ OóI*k~@ formaram Unia
pequ~ xita de vi~ e q~ ra~ de e~ so~ ba*~ lionio ~, h~ ~~0~ Uns d106 ~ c 10~ de qu~ ~b~ de

X^ primeira c~ de três *as em qv@e to~,<>s rapaws 0~ reuni~ no nlè~ acampanientio, d~-00 4e0e9 volver uma, primeira rede de ~~
que ~am COM 0
4uxiMo de ~lbhlét~.

Numa àpe~ etapo@ r~ Os ZaPa^ em ~ grUPOS,

aloternãtatan"ft “os 00

chminar to~ as ~Ç~ iniciais dos Proce~ oúrni~ ~rv~ ~a gTupo vive, doravante, nO OM rCO~Vo a<:ãmpwnento, d~volvendo, ~vi~
C~ vas aut~ni”.’ 09 ~~ tê@n, ~ oportunidade dO me~r j@e- conhec~, de 4@e ajustaxWn una”~ 0~, 4C ro~ Qs .~ entre el” e de oe
atwI4@uWem esta”;

42
ao nómen00 ac~ na e~tuição de vex~x*çw grupos com ffl= C~~ SO~Op~~ e ~~1-

e o OMUm~ vtvídk> de um «zióa> o~tivq. N~ PerW0 com cMto@ n~~ cm ~ grupo Inum~ ât'nWs dê co~; grX= de ~v~ão, c~b
txlh@U, ~1@xúção espont~ de uni nome comum: o de Red Devíls e o dê Rua -Dogs. Maa o s~ria ~ sigmM,~ 6 n~ de o~
OQcl~étn@Oa: é a ltvc~ dais esc~ preferen~ num n~ Ooelog~ em que as e~~ oão qu~ `excluotVamente dllrlg~ ~ M~~ do p~ ape~
dIEW ~~ afinid~. A ~ encl~ dó- @n group )~~ uma tendência às ~pam~ de 0~ cQmpOUtlvk>; <W rap~ ~ o %e_u «nós> aw,> «os
outr~ e.~~ «acontros d~vos entre @os ~ grulpos.
- Umá ~Íra ~ (d~ di” t~ oe mo~a qú~ o Wu d~» de ft~~ A001~-Oe, então, @ao apared~ de um dimia de
t~ão e à de compOitam0~ ag%~~ de, cop” e~ os ~ grupos: ofe~ Injú~, PX0V00~, cn'f&@~n@Qs

PrQduz~-se, distorçõ« pe~,v” chocantes, nQmo~mente no grupo- ~0 na o~~, em tudo vê con~ ~Cavorá~ Inju~ e twa~~; ra~,~

e nia»&~ a ~ ftlLst~ por de~os <>u or*m ~. Ao~ são formo~ C8tercOt~ a~ dqs quaág d^v~ os mem~ do Qutro grupo ~ c~ g~ 0 ~J~
daqu~ atit~4epo~ oe ln~ tÃo f)õiklwriont@,- que se muito dd"l exUrpá-b@s ou acquer a"uá-”.

Foi a m~ que 8~ oe ~^gqu po dem~ de nw” e~ê~. F»ram ou~vam~ ensalados tr@.Ns m~ pam r"izir as t~es
intergrupQs e,<xs eoteOeMpoo agres~: Prim~, pr~av a r~a<> ~ e^~ de t~ ~tra um terceiro grupo tq~ c~ 4dVe~do

43
~,um@@ aquelã nw^ pode ter uma e@I~ provi~ mas não faz ‘, de quial~ modo, ~Ao ~gar o ten~ mtergrupos. Um. segundo método
eoüã~ em prov~ cotta~ entre os doís grupos em shu~ ag~~s para ambos (sê~ recréativas, mIerendas ~uns, etc.); revelou-se porém,
muito d~ionante porque os membros dos ~ grupos fn~aTn~ s@bpamdaTn~ nos lu~ comuns e procuram só tr~r alguns ~os ou In~tIvas. A
ún” situação que pode jogar um papel doe~ consiste em provooax uma Intérácção entre os grupos por ni~ de uin. emproendiniênto urgente que ~apo^ os
reCursos dos dolo grupos toirffi~ i,,40ladamiente (s-uperc>rdinate goaU). Asisis~, então, a =a evolução das atAu~ e a um ~tabe~mento progressivo de
um e~ de comunica~ e de

mopm~ entre os grupos.

evolUção é confirmada pelos Pesul~ d-- um novo

teste, socióm~o f~ -4~ o ~junto da wlónIa qu@c revela m= proporção wp~ável de ~~ (cerca de 30 %) entre os, n@embros do out grup, enqu~o os =tos
-agressívos e oo e«Uere~ tendem a atenilar~ notàve~te.

Em,~~, pode-se ~depar que as experlên~ de Sherkf aprecen~ um tilpMte Intereáse:

D~~, prh~, a em~râvel Influêncla do quadro gr~ sobre as oc~ iiiteTpeo~ e a k~nda do fenónieno colmtIvo da ewdofiliia. M~am, seguídam~e, que qu~o
dois grupos dot~ de co~ são in=t~ ao m~ tempo num e~ de

,segi,ke~o e de. ten~ a desenvolver ~ções de h~dade treocente, aparentemente, sob a Influênda de =delos tt~ de e~ concorrên~ e ~peto~ ~
ponto é nmfto innio~tê- porque tr~, por Wn ~, a p~tência dos n~os glio~ ao nível doá g~ ~M de forniação teCente e por 0~, que

44
m passa como se o progresso d£@ coesdo i*&tra@Lrupo fosse acompan~ de um risco de tensão: inter^pos. A ú~ parbe dia expo-
riência de S~ sug,-i@, 1~ uma linha die bitervenção quie pemute tugír a e~ de fatalidade ~oow~: a m«gênc4a de finac de aspira~
oon~ aos adver~ que se pr@ete-n& ver munffim é a ú~ w~1M de oer,eficaz. Mas quo~ @n&o é po=vel provmw tais situm~ não se ~
o~ o r~g%ln~ dos wv>d~ oom~~. ~ penoar-« que ~ se repo~ a,outra oca~ e em m~ wsta

~ala, uma ~ que a comuni~ enem~ wn Aovo,

45
GIAPITULO iii

MVDA,-TÇ@AZ E REl@T&MNCTA AS M-UDANÇÀS

l@ SábI& como a Introc~ de simP» pro~ dê In~ko-le~tam Inffld@@ m,.~ ~ por v~ co~eráveio Tal se ~ca traté
de ftw~ mtm hãb~ quobdh~ (de h~ ho~ ou âft~tar, por e*~) qmr de ~h,~ no~ mé~ de
69o~ é de ol-g=~ Qtmk~ que se@a a @nfi-U&2Ck

eve~ de ^ cor~ &-jvb£tmbta, a tr~^ n~- “~ «mlrpm dw” ,

Á qti-- sé ~ e~ fmótnmo tão ger@dh da, te~ à m~a? ~ a sua mg@ffl~o PSIC~0~,
Cbkrxp@~ k ImportáwIla, d~ que~ n=rft é~ emW~1~ pi* de m~a @Ê«n to~ os &n~ é. áci0*~ m~ ~w t~ rtop=~ »» ~ ~ de
t~ -con~~ ~6~ e cin ~~ exa-

int~ i= tontrOy~ expwrbnen~ n~ oa*~ da emedm

n~ n*~ t@-- fvrh do qire@ rm^ das J~~ ~ prbp~~ ~ - é re~ pior um

to*m~, de h&~ e de n~os ~ afé~ q~ o m~ & ãe- at~tar e de m v~ q~ o & trah~ ou de sé- db~, à& se ti~ ou, até, de e~~ r~ to
outros V A r1e@@ à mudança po&, a~ do mxã~ cü~vo que fr@equen%n~te rev~ «^ mi*~; o Madão, o um^, o trab~r v"n-i@e
constr=g*” a ~= op~~ ~n tei~

(1) Acerca, dá lufluénela dos inodelos cultumis sobre os nossos coini>ortamentos e as nomas; relações, consultar P8YChotogíe
Sociale, deste niesmo autor, na colecção «Que Sais-je?».

47
g~, tulorma~ nem co~ta~ Tém a impoe~ de que um poder sui~ toma dec~ “r-- tu~ em cono~ão o moldo COMO.~ se
ad04A4~ ãs~ rior nem as sug«~ que ~ eventualm~e Ogidaliam ter apr"ent~. ~,um fenómeno -de Inértila e de ten4e

mü~ uma mwa a entor~ Q esforço ne~rio para adapta.~; a pro~to, é ~ quC a i~ Ou 0 cwb~ de

ta~ reforçam a aprelen, ~à prov~ Pela JW~0a. Modos ac~ de ~o~ento ~ o resaltiado de uma apre~agem.e de um ajustam~ ao ~iO f~
Ou 0~; toda a posta, em ca~ de tal ~na. !ap@~ d~ C

aFe)e~.~oe~ não só às oQn~êw~ & um novo miodo q~órí@Q, mlas ~~ à e~U0~ dc Un-4 peoda de pMstigliõ can C~ ‘de fralc~ Ou
UIOMP de mè~ rendim@ento. 0 I"V~ sênte,um ~ 4E@ ~Valúriz~, t~ em r~ aos out~ e^ em relaçã9 à knagem que

tean de s@

FÂnifini, a r~clia. 4 M~ÇU <kP~ 4~ len4n~m de s~anedade e Ó-- Pr~o ~eúva já *fe~ AP capk~ PO~~ eu~ nós nos ~forn~~ aios m~ o
grupo a~a-nos e p~gc-n@w; se om~ tentia~ a O»q~ê,1úS@ vq>m»-nco imodtatammte 4 *~~ w nãQ As mnç~ dios no~ =nP~00-0
qMO'aOmtltl@ a n@ossa p~ repugnA~ a nos de~~ de ~dar~ com o gTuipo. D~ forma se vê ~M OC Man~, 0 C~t@er protuoda~te
wcio-«tectivo da r~êocia 4 m~94-

1. In~tigações sobre a inudança dos hábitQs aZb~@%res -L~ e os 0~ COlabOv84^ abOzda~ 0 ~1~ da nu»dança desde o angulo dos
hábitoo a»~~ C nO

oQn~ de grupos nab~. Aqu~ COh~ congtz^ alo me^ ~po ^ ~no que pmw^ ~êwta na m~IN

48
e um exemplo típico de investigação activa, pois se tratou, efectivamente.- de responder a uma questãjo tirgentP.

Certos liábitos respeitantes ao consumo da carne foram

considerados inoportunos do ponto de vista econónü@co quando os Estados Unidos, em 1943, entraram nu guerra: tratava~ de levar
os Americanos a consumir mais as miudezas-alí-

miento pouco aprecíadú e difícil de conservar-para evitar o racionamento das outras partes dos animais.

Solicitado pelos serviços oficiais, Lewín teve a ideia de comparar dois nieios de intervenção a favor do cow~k> das miudezas, no
qualdro de clubes femininos em que se reuniam as donas de casa de pequenas cidades: por um lado, conferéncías sobre as qualidades
nutTItiv”, das miúdezas e ~^ os pro~s culinários de melhorar a sua pT@_-paz~ e apresentação, e por outro, exposições; seguidas de
dlocu~ ~ que, após uma informaçã o brevissima, as senhoras e~ emvida~ a apresentar questões e a discutirentre elas as possiveis
ç»Iuções sob -a orientação de um animador.

Verificou-se que os efeitossobre o aumento Ido consumo foram dez vezes superiores com o segundo n~ (30 contra 3 %).

Aqueles resultados foram contirmadoe por outros estudos concernentes, desta feita, à compara~ entre 06 e-feitos de in,struções
dietéticas da~ individualmente por médicos e o

efeito das tomadas de decisão efectuadas por pequenos grupos sob a orientação dos mesmos médicos: tratava~ de cOnvencer as
jovens mamã s, num hospital rural, a darem precocemente aos -seus bebés óleo de fígado de bacalhau e sumos de frutas, em vez de os
manter longos períodos (como o forâm

elas, próprias) num regime exclu~amente lácteo. A@s ~Icações ulteriores revelaram que ais mães que oe tinham deci- ^ a adoptar
aquele novo regIme, em resu~ de, uma díse~ praticaPam-no efectívair~ numa proporção de
85 a 100 c/c, enquanto aqUelas que t ~m rece~ In truçõeS
4 - ENCIM. 41

49 ‘
tn&vid~ não o praticavam senão numa proporção de
40 a 50

C~ explicar esta incontestáw1 vantagem da ‘dwussão de grupo e das decisões colectivas?

Em primeiro lugur, a grande implicaçã@>, o compromi~ das Pe~às conv@da~, a'urn@a digeussão é ~a intenso que o daquelas que se
contentam ooni ler um folheto ou escutar

conferência; oe membros,de um grupo de,d~w~ ~ts aetivos, sentem-se ~ directamente atingidos e sobretudo ~ profun~lente ~promle~
quando tor~ uma decisão colectiva. Por outro ~, aorno podem manifestar-se Mam U~Mente, rnais espontâneamente, o an~or tonheo-

~or as re,0~, os obstáculos, as @U-Ver~ dificu~s que surgem em fac@e id” suasproposições oudas suas informaçóes, ~dõ-lhe
possivel tè-Ias em conta.

Enquanto oe~h individual ou a propaganda de m~ ~~ o Indivíduo numa, situação solitária, sózú~, com ais .suas hesitações e dúvidas,
a d-twu~ é capaz de suscitar um movimento colectivo de evolução d« atitudes; as senhoras, d~ de c~ ou jovens mães, puseram pro~as
dentro <Iasua própria perspectiva, em função das suas eonvenién~ e no se@u modo de falar; em seguida, unxa minoria ao m~ -de
donas decasa declarou-se disl~ a fazer uma experiênc@a a favor das miu~as, a d~r-se em ~ ~; quanto às jovens mã@N% foi g~ente
por unaramidade que se mostraram d~josas de nvelhorar o crescimento do seu bebé com ,um,reg~ mais eciéetioo.

Interpr~ão teórica-Fol a ~ nivel de an~ que


1~ se ape~beu do nó do probl~a: uma das princi~ Iontes de resistência à mudança está no medo de fugir às no~ do grupo. Eis porque>
con~ 1~ é maia fác-d @~ificar os hdbito8 de um grupo que os de um indMduo to~o ísot~mente, m~ quando não se trate de

50
decisão reapeitante a um fim comuni, mas de uma ~ão emoernente aOS comportamentos individuais num quadro

I~La induziu des@te conjunto de investigações unia interessaute teoria a respeito doo equílíb~ sociais e 9~ transformações. Quer se
traU de há bitos alimentares ou profissionais, de formas de mudar de clima social ou de nível de

~utivIdade, eziwntraxno-~-,qalvo em perfodos de crises ~cas - em presença de equilíbrios quase estacionários. Se se pretende
introduzir umamt~a, é preciso conseguir niõddi,e” este equilíb~ nwn sentido deliberado. ~mos, então, de dots métodos: ou aumentar
aA pres-

no sentido da mudança, ou ~uzw as resiçjténc~ para com &que@la mmma mudanço- Praticar exclusiva~te o prlmelro método>
conduz quase sempre a ten~, c@onffitos m~ ou menos vivos. É precisoaosocr -lhe osiegundo ni~.

Como uma das princí pais fontes da resistência é o medo de fugIr às normas tradwcion@ai-<;k, se os membros dos grupos w
convenciem, em conjunto, em pôr em questão aqu~ normas, o processo de evolução é factUtado,

Lewln complieta a sua teoria sublinhando que aqueles

fenómenos de ~ ência e de evolução devem ser conside- ~ no contexto social adequado em que os me~os se

man~tarn. 1~ exige uma análise cuidadosa das situações concretas nas quais se d~ja praticar uma intervenç-@ío. Fm~ no~~ente,
determinar os Idiversos grupos que ~ atingidos diTe@cta ou índirectamente no caw de tal ou qual mu~a, e a sttuaç;l:o e o papel das
divemas pessoas no Interior dos grupos. Todo a processo social supõe unia rede de comuWeaç~ e uma série de operaçõeo; determin~
Pegi~ daquela rede repr~ntam uni papel partivularm~ Importãnte; Lewln p~ que soeJam charn~ portas. t a nIvel daquelas portas e dos
seus «porte~ que w

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situam as opções decisivas, depois dos momentog de hesitação OU, Por Vezes, de conflitos e de provas.

Por exemplo, em matéria. de alimentaçãI3 a principal «porta> situa-se, ao nível da operação de compra no mercaf _10, quando a
cliente hesíta entre a qualtdade e o preço, ou mtre os seus gostos e os do marido, ou entre o hábito e a. fa~

Extensões - Vê-se, assim, como a concepção lewInJa,@ia da mudança social desemboca numa perspectíva de intervenção p~ficada e
gteneralizãvel, que oonsisteem efect~ um

inventário exaustivo da situaçÃo, @qeiguidamentIe a agíT sobre pontos estratégicos ~do em jogo normar, de grupo @% enfirín,
e~lidando as novas normas por unia organização p-rá,%” pertinente.

Não obstante, se para a escolha ~ afimentos ou do regime dos bebés a identifitaçâo ~ «porteirm> foiJ fãe11, a~ como o proc~enth de,
intervenção, não ~ntece sempre da mema forma. Surgem outras situações niruito, muIs cornple~, seja porque não implicam ap~
c~w~@ mas também certas regras institucionais, seja, porque requerem o conetwso e a Interacção de muiUs pe~ ou de agrupamentos
mais ou menos numerosos e coerentes. ~ por exemplo, com os processos de orientação. e~lar, de atitudes pedagógtc” ou dle métodos
profisatoüaís. Dm ~ casos, nenhuma intervenção pega se n&o se esbPia, ao ~eço, sobre determinadas t@en~ ou pressões- latentes
existentes no PTISprio Mio da colectividade em causa. 0 p0114r-6logo ~ka apa@rece , assim, menos e~o um promotor de mudança. e~tUalmente
convocado por um poder ou unia competência exte~ (de ordem económica ou por exemplo) do que ~ um ftcilitador, um catalisador. ]Pode contri~ nown~- ~te para localizar
as ~stênc~ e elucidar a ~ 0ignifica,gã» no quadro de reuniões em que se exprimem dâveiloas tendê~. Em qualquer ocorré-ncia, o processo de dMc

52
lização dos modelos postos em questão serã tanto mais rápida quanto a tendência inovadora for capaz de propor um programa
compreendido como suficientemente operatório-, ~im as exigências funciodais vêm necessàriamente conjugar-se com &s tensões
afectivas ou com a simples « desafecção> provocadas pelo desuso dos si,4tem” estabelecidos.

2. Investigações sobre a mudança dos métodos de trabalho -- Tún@@aremo<s como exemplo um estudo efectuado num meio
Industrial por dois inwstigadores da corrente lewiniana, Coch e Prench (1), porque tem um duplo interesse, positivo e crítleo;
metodológicamente constitui, gra ças ao seu esquemQ@ r1g@oroso, uma espécie de experimentação sobre o terreno em que se
manipulam variáveis bem definidas em vez de se limitar, como em muitos inquéritos, a distinguir as correlações entre determinàdos
factores. Quanto à sua im~ncia, porém,'levanta, certas críticas de ordem sociológica e leva a

pôr mais exaustivamente o problema da participação na mudança.

0 objectivo de estudo cons@stia e-m apreciar a importância dos factores psicossociais no decorrer da, introdução progre,Miva ‘de
novas máquinas numa fábrica têxtil.

0'esquema. experimental comportava três grupos de trabalho que tinham a mesma produtividade antes da mudança das máquinas.

No grupo G,, chamado de contrôle, procede-se como de costume na empresa: ou seja, no dia indicado limitam-se a explicar aos
operários o emprego dás máquinas, Incitando-os a faze-rem o melhor que puderem, comunicando-lhes que novas normas serão
estabelecidas pelos serviços competentes.

No grupo experimental G, depois de lhes terem exposto as ~es da mudança técnica, convidam os trabalhadores a
(*1) Qtereo@ning resistance to change.

53
designar delegados para participarem com os Serviços de Métodos na fixa~ das normas após uma fase de ~o.

No grupo Q., foi o grupo inteiro convidado a coisborar

no estabelecimento das normas.

Seguem-se, pois, três níveis de participação -na mudança: nulo, Indirecto e directo. Observe-se o que se passa durante os dias
seguintes à iiitroduç” das novas máquinas e sobretudo o grau de descida temporária da produção e o processo de recuperação.

Quanto ao rendimento, ~ie@a-se, desde logo, uni brusco desfasamento em todos os grupos durante os primeiros dias; mas só o
grupo G., que não teve qualquer participação, não consegue sequer, em seguida, reencontrax a no= anterior, enquanto os outros dois
grupos (sobretudo o G,) reencontram e ultrapassam depressa aquela norma.

Quanto ao moral, regista-se no grupo de contrôle um vivo descontentamento, traduzido pelo abandono de dois oplerários e por
inúmeras reclamàçõe@s. No grupo experimental G, o moral é assaz satisfatório apesar de certas Inquietações e discussões. No grupo
G. o moral é excelente e não se produz nenhum problema.

Pode-se, pois, concluir quais s4o verdadeiramente os métodos de introdução da mudança: informação e partklpação oferecidas ou
ausentes, que provocam uma diferença sígnfflcativa das atitudes e dos comportamentos profissionais.

3. Valor e limites ~tas experiéncias. o problema da participação - Em definitivo os trabalhos dos dinfaímistas

deslindaram, de modo decisivo, importantes factores psicossociais da resistência à mudança e certos “meios de a reduzir. Existem,
porém, ou tras fontes de resistência que escapam à análise e que -atingem ora os prõpr-los objectos da mudança, ora a participação
colectiva. Se não forem tonradas em conta, a interpretação fica truncada e a intervenção é aleatória.

54
Quanto ao obJecto da mudança, pode suscitar de-fwa8 por vez” ~nscientes’ ligadas a imagens simbólicas
e a fixa~ ~tivas rewlando uma o~ mola @que não é r-onfo=~. P.eto~do o exemplo das atitudes
alimentares tratadas, por Lewij2, a mJeição das miudezas pelas do~ de ~ estáva, )Ig4da, a um obscuro
desagrado pelos alIni~ cuja CMsistência e o~ lembram o sexo, os excreMentos ou, maiO genéricamente
ainda, o «vivo>, numa cultura que procura distínguír@se o mos possível pela témíca. Ao poderem
wanif~r-se livre,~te, aquele ~grado póde ser se não vencido, pelo menos destacado das vísceras nas quaio
estava fixo, graças à atitude de compreensão dIo anim~r das reuniões, contribuindo para transformar uma
«,coisa, mã» numa colsa que, se não é «boa», ao menos foi oeutralIzada. e se tornou susceptível de
emprego.'No capítulo vi valtaremós sobre a importância de tais fantasmas afectivos.

Quanto à participação colect iva, w suas implJca~ e atitudes a seu respeito são de lacto, multo mais
complexas do que postulam os kwinianos.

É certo que, em numerosos casos, o reforço da informação e a proposta de certas formas de participação
clondtam a a~o e correspondem às esperanças e até a ped~ explicitos, mas nem s@enipre acontece a~; a
situa~ é muito mais complexa uma vez que implica deterr~I das

mudanças das, estruturas e dos modelos institucionais a um nível própriaraente sociológico.

Desde logo, tais mudanças são raramente propostas espontâncamente e incondicionalmente pelos
detentores da informação e do poder, que teriam de abandonar uma e~be de zona reservada susceptivel
de t~ormar ~s ou mmos o própho sisterna do poder (poT exemplo, os trabal~~ convídados a cooperax
podern sentir@se inclinados a pôr em questão não só os métodos de trahalho, mas a própria política da
empresa)
Pbr outro ~, por motivos simétricos, os próprios trabalhadores não estão automàticarnente dispostos a aderir à -t<>a,a não importa
qual proposta de participação. Como sublinha M. Grozier (1), existe um duplo postulado entre os teór~ do movin-Éento americano de
relações humanas e da dinámlca de grupo: aifimlox, por uma parte, que é evidente que. os homens tém sempre o desejo de participar,
não inter~ em que condIções; afirmar, por outra parte, que se os ,detent«es da autoridúdeadoptam métodos mais cooperativo, e mais
permisãivos os subordinados estão sempre prontos a correspaud,er.

Os izivest1Xadore@a mais recentes mostram que o problema é mads ambíguo: -a partícipa~, é certo, exerce sempre um certo
@atract1vo mas, por outro lado, os subordinados temem, com fmqu-'--ncía, -perder unia certa -autonomia face à direcção, ge ‘,á~CM,
e ainda o expor-se a urna espécie de contrôle horizontal da parte dos co-participantes.

Práticamonte, é mais fãcil conservar urna margem de lndo~dênci@a quando -se fica à margem das de-cisões ou das

.simples modalidades de aplicação, do que quando se participa na sua elabora~. Quando se discute está-se metido na acção coleotiva
e, por conseguinte, mais vulner&vel perante as pressões dbs superiores e até dos colegas, Por isso os membros de uma org@anizaçãjo
raramente aceitam cooperar sem obter compensações; ou, por outra, procuram em geral negociar a sua participação ou a diferi-Ia se as
bases da negociação sã o nulas ou incertas. Em tal caso o indivíduo ou o grupo podem preferir outra s atitudes diferentes da
participação, sobretudo se existir a suspeita de que a cooperação pro~ é parcial e pode ocultar uma forma subtil de manipulação-

Tais atitudes foram bem caracterizadas pelo sociólogo

(3) Le phên&mène bureaueratiqw,.

56
americano R. K. Merton nas suas investigações sobre os modos de adaptação às estruturas burocráticas (elementos de teorias e de
métodos sociológicos). São:

- a retirada, que consiste em ligar o menos possível a sua

~, à orgaffização onde se trabalha;


- o rituaZismo, que se aferra aos pormenores da ordem esta-

belécida para evitar os inconvenientes Ida mudança - con-

tanto de desfrutar de todas as vantagens adquiridas;


- a rebelião, que põe em causa o conjunto do sistema; mani-

fe@st,a-se parcialmente nas greves, mas, nia medida em que e~ são institucionalmente ãdmítidlas, deixa também transparecer as duas
atitudes precedentes.

A retirada, como acentua Crozier, é particularmente satisfatõria numa sociedade em que manifestar a própria indeplendêncla é
considerado como um valor em si mesmo @ o que é o caso, precisamente, dia sociedade francesa -- pelo menos dumate o tempo em
que a partíclpaçã» -proposta não garanta um direito de contróle pessoal tido pelo Indivíduo, como ba~te.

Em resumo, as concepções lewinianas sobre a mudança têm maior Interesse, mas devem ser marginalmente completadas: por uma
contribuiçã o psicanalítica no concernente ao papel das resisténcías inconsclentes, e por unia contribuíçáo sociológica no respeitante
ao jogo dos conflitos e da negocilação.

57
CAPITULO IV

PROCESSOS DE INTERACÇÃO

A noção de interacção surge entre os pioneiros da psicologia social. A m@ais fecunda contribuição foi de E. Eubanck, que definiu a
interacção como <,ka força interna da acção colectiva vista da parte daqueles que nela participani» e diatinguia, dois grandes tipos: as
interac~s por oposiçã o (mnflito e competição) e as interacÇõe-s por aconiúdação (combinação e f~) cujos efeitos examina
discursivamente quanto,ao grau de proximidade, de igualdade e de semelhianÇa entre os agentes e quanto à estabilidade do grupo
tomado no seu conjunto. Deste modo, Eubanck destrinçou as grandes linhas segundo as qu@ads iriam desenvolver-se múlltiplas
Investigações.

0 desenvolvimento das exigências cientifwas e das técni-

cas experimentais deveria, seguidamente, conduzir os investíg,adores a uma definição operacional e a um inventário

sistemático dos processos de interacção: a interacção v~ica-se quando uma unidadede acção produzida por uni sujeito A age como
estímulo de uma unidade resposta no sujeito B e více-ver%á. Logo a interacção constitui uni processo circular. Pode, aliás, produzir-
se não só entre dóis indivíduos, mas entre um indivíduo e um grupo ou entre dois grupos.

Esta definição implica a determinação das unidades de acção a considerar e a elaboração'de um quadro de referência que permite
identificá-las, classificá-las e relacioná-las.

A tsa problema correspondem diversos sistemas de análise, dos quais tomaremos um dos mais bem elaborados e mais válidos, o de R.
F. Bales.

59
I --A anãlise. sistemãtica das interac~

1. As categorias de Bales (1) - o que Bales pretende é transpor para o terreno psicossocial o que mui” pensadores fazem no terreno
filosófico ou simplesmente raciortal: criar um sistema de ‘cate_qorías e conhecer-lhes as normas. Mas aqui trata-0e de encontrar
categorias que ordenem o conteúdo empírico das relações humanas a partir desse mesmo conteúdo. Foi assim que Bales conseguiu,
progressivamente, reduzir o seu número a uma dúzia. Por outro lado, a dináritica das relações provoca uma passagem continua,
var@ada mas

orientada, de uma categoria a outra. Ele, porém, prefere ao

termo «c'onteúdo» o de «análisede processo». Procura separar e~, normas processuais quase constlant”, distinguindo diversos tipos
de situações e de populações grupais. As doze categorias que s@e aplicam essencialmente aos processos surgiram no decorrerde
discussões colectivas e são as seguintes:

Ãrea socio-afectiva positiva.

1. Dar provas de solidariedade


2. Mostrar-se ligado
3. Aprovar

Ãrea dos funções socio-operatórias:

4. Dar uma direcção, uma sugestão


5. Dar uma opinião
6. Dar uma Informação, um resumo
7. Pedir unia informação S. Pedir uma opinião
9. Pedir tinia direcção

(1) Cf. R. Bales, 1,@iteraetioi procesa analyais, e Lévy, na bibliografia citada.

6o
Arca socio-afectiva negativa:

10. Desaprovar
11. Manifestar uma tensão, pena
12. Manifestar agressividade

Tais categorias, como podernoà observar, correspondem-se duas a duas a partir do centro em função de seis problemas: a) informaçáo
(6 e 7)@; b) avaliação (5 e 8); c) cOntró@e (4 e 9); d) deci&í-o (3 e 10); e) tensão (2 e 11); f) integração (1 e 12).

As se;s categorias extremas correspondem à &nm meio-

-afectíva positiva (1, 2 e 3) e negativa (10, 11 e 12); as seis categorias centrais à área socio~vatom da função compreendendo as
participações ou as respostas (4, 5 e 6) e as perguntas ou questões (7, 8 e 9). @

A hipótese geral é quetodo o grupo que procura rewlver um problema tende a passur sucessivaímente por tais fases e que existem,
portanto, normas processuais. Para efectuar tais an~s - que, note-se, não influem sobre o conteúdo síotemãtico das mudanças mas
sobre o tipo de interacção entre os sujeltos -, Bales emprega um engenhoso dispiositivo de experimentação e de notação: os membros
do grupo (em que nenhum líder foi de-qignadõ) têm de resolver Ve@rbalmente um problema colectivo que comporta uma decisão.
São ob~va~ por um inquiridor cuja presença é co ~ida, mas não está visível. Este esforça@se por se meter, alternativamente, na pele
de cada membro adoptando «o ponto de vista genePalizado do outro>. Classifica as interac~ que surgem num quadro especial- que
contém as dk>ze categorias indic~ e

se desenrolam sob um cilindro móvel (interact” recardor).

A) Após numerosos inquéri” feitos com 91UPOs ‘dlf~tes (cla~ famíli”, clubes, grupos in£OT~)
variadas situações (jogos, discussões, organização de trabalho de equipa, grupos terapêuticos, ete.), B~ considera válidas tais normas
empíricas. E@m determinadas condições mare-antes todo o problema de grupo tende para um processa-tipo de resolução.

Tais norinas coásistem em passar sucessivamente de uma faíse de informação a uma fase de avaliação, em seguida a uma fase de
infliuéncia e de busca d?@ contróle e, enfim, de ~são (ou de fracasso e de di~lução). Mas tal processo

não se dá s@-náo através de uma série de tensões e de reso-

luções de conflitos eventuais que permitem a passagem de uma fase à outra. Por exemplo, no decorrer da fase de ava-

líação, o conflito das opiniões pode ser prolongado; o domínio do grupo implica a aparição mais ou menos laboriosa de uma liderança
eficaz. As fontes de tensões são, então, múltiplas e quando o grupo não consegue elíminá-las torna-se pouco produtivo e não resolve o
problema. A análise mostra como a elaboração de uma decisão colectiva implica uma combinação Intinia de tentativas operatórias e
de processos afectIvos e ideolõgicos.

De facto, o equHíbrio temporal das diferentes fases varia notàvelmente conforme a composição e a natureza dos grupos. Assim, por
exemplo, um grupo de crianças está acima dos limites médios para as categorias de solidariedade e de aaitagonismo e abaixo do que
conceme a troca de opiniões, enquanto um grupo de cientistas sociais, ao estabelecer um plano de investigaçáo, estará dentro dos
limites exigidos para todas as categorias.

B) Podem ainda obsenrar-se outros fenómenos significativos na distribuição das inter~es ao nív@-_l dos sujeitos.
0 quadro dos perfis de interacções mostra uma acentuada desigual~ quantitativa a qualitativa, ao mesmo tempo, ou oela, quanto ao
número e quanto ao tipo de interacções produz~, e recebidas por cada um. 0 exame destes perfis

62
Permite, por Isso, extrair noções mais sintéticas do que as da Interacçáo.

a) Por um lado a de estrutura de influência de centra- ~&o: Bales estabelece matrizes de interacção, -em que cada sujeito aparece tanto
como emissor ciorno recept;or, zonside- ~do os propósitos atribuídos ao grupo no seu ~junto. Ora, o exame atento de taís matrizes
revela os seguintes Pontos

Opera-se entre os sujeitos uma diferenciação muito clara (,eorz"pondmte aqui ao seu númeiro ãe interacções),
- 0 sujeito com maior número de intervenções em reliação

aos indivíduos é taxnbém o que se dirige mais vezes ao grupo em geiral.


- 0 sujeito que emite mais é ligualmente que>m mais recebe.
- Para t~. os sujeitos (salvo o mais Influente) as e~, -

~S dirigem-se, primeiro, aos rnembros mais activos e

em seguida ao grupo em geral.

Por outro lado, a observação comparada mostra que quanto mais aumenta o tamanho do grupo, mais se acuisam aqu 1~ diferenciações
reforçando a cientralização.

b) Por outro lado, as noções de papel e de estilo de pa,peZ-N” Intervêm nitidamente senão no sujeito central que se pode classificar
como líder, mas cujo estilo de influência pode variar qualitativamente segundo, procedia ou sobretudo por incitação e avalia~ (-11~-
@dIrectivo,) ou mais por e30ka~into e coordenação (líder não dIr@ectivo).

A este r~ito, Ba” descobriu a existência de unia c~ -

plementarídade oignifícativa entre o papel do líder e o dos

outr@os membros do grupo (tomado no seu conjunto), conforme o tipo de liderança exereldo-e aceite: se o líder Intervém multo, na
orientação das fun~ (cutegorias 4, e 5), o grupo em si mesmo produz rel@ativaxnente, pouco; e vice-
-versa: o grupo é mais produtivo e mais Implicado quando o líder intervém sômente ou sobretudo a nível da inforniação e da
explicação (categoria 6) e manifesta, uma @atttude de compreens41,o (categoria 3).

Tais ~ta;dos vêm confirmar experímentalmente e no

terreno das interacções colectivas as concepções clínicas de Rogers respeitantes à di~ca interpessoai no decorrer de um tratamento
terapêutico- e acentuadamente os efeitos da atitude não direetiva (2).

2. A teoria e a sua importOwia - Oonio sublinhámos ao

apresentar a corrente interaccionista, não vamos tratax aqui de um plano experimêntal comportando hipõte~ a exanúnar e a
manipulação de vaxiáveis, mas da Interpretaçãode reaultados de uma o1bserva@ção sistemãti@,,a e contínua, a qual oe ProPõe
integrar as Interacções num quadro único de referência ~. que os conceitos categóricos não são uma,espécie de entidades
psicológicas, ~’ directamente extr@aIdos do

exame clínico dos fenónienos racionais.

A teoria postula s~iite-pretendendo, prová-lo emplricamo)nte-que a ordem temporal das Interac~ pzt~ de um determinado esquenia
geral; que a noção de «sequên-ia>, priücípalmente, não é nem um acidenhe, nem um puro modelo IõgIco, mas corres~ efectivamente
a ~lemas ,uncionais precisos que surgem em todos os grupoo. Notênios que n~ perspectiva o ritmo funeional de interacção ae
exerce, se não independentemente, ao menos através do i~ as estruturas grupais. i@ a partir de nom~ funelb~ que se cowtroem, ce~
variaçõew significativas correspoÚdentes a situações ou gér~ de grupos distintos de que se podêrã eatabel~ ulteriorniente, uma
tipologia.

outra descoberta importante comerne à es~um da


(2) Sobre e~ aspectos cf. H. Pages, L'orícntation non 6rective (Dunod, 1965).

64
influência e da centralização ao redor de um líder cujo ~lo pode ser mais ou menos directivo. Este ponto, que- Inbieresoa
directamente, à dixecçã o Idas diseussões, tem, como veile~ uma grande importância em matéria de trabalho em grupo e de treino
para e~ trabalho.

Uma tal'teoria resulta tão limitada, pelo seu campo como pela sua técnica. Aplica-se quase excluaiv=ente a ÊLtUações verbais de
discussão livre nos grupos cujo ~Ivo não pode exceder unia dúzia de pessOas e onde cada uni pode efectivamente ooinunicar com
quem quiser e, em princípIlo, com t~ Ora, esta é uma situação polvilegiada. Na maiorla dos gl~ reais que são prèvíamente
organizados, htera@tqulzados e rammente facea face, o sistema materta das emnun$caç~ representa um papel consIderãv@e1 (~,
ância espacial «Icia-9e hierarquia>, rede telefónica, etc.). 0 estudo das redes impostas de comunicação e dos seús diversos efeitos tem
uma enorme importância teórica e práUca (1).

Aliás, mesmo no seu próprio quadro, o sísitema de Bales não é exaustivo. Atendo~ únJeamente às Interac~ explícitas . e
Individualizadas, negligencia o~ formas lat~ e coloctivas de processos de grupo, noni~tamente na ãrm emocional, e os, perfis não
bastam para perceber a natureza es~fica dos díversos papéis assumi, dos no selo do grupo. A snãliõ@e, dos processos exige também,
paralelamente, o recurso a outras achegás de carácter experImental ou clínico.

II -A “ega clínIca dos papéis

Os estudos clínicos concernentes à emerg*nela dos pá~ nas situações coloctivas são, múltiplos, mas oltuon~, em

(1) Para -te estudo que pude~ abordar aqui conculte-se a obra sintética de C. Flarnent, Ré8caum d4 ~municati~ ct strwtures de groupe
(Dunod).

6 - ENCICL. 41 65
geral, nos confins da investig~ e da intervenção. Mai@; ptecIsamente, são em geral os autoreT comprometidos no

domínio da formação psioossocial ou da psicoterapla colectiva que se inclinam a estabelecer um inventário dos papéis que ~gem à
~,da da evoluçã o dos grupos, -a extrair a sua Inte"tação e a sua compleniêntaxidade.

A este ~ito, o estudo original do qual todos os investi~~ neste dornínio ia” ~ ou menos de~r” e o de Uenne e Sheats, pubh~ em 1948
(@).

De~ de ter sublinhado que e~ por vezes demasiada tendência a isolar o papel do líder ido ~ outros e a consíderã-lo um atributo do
lúdIvíduo mais do que uma função do grupo, eventualmente assumido por muitas pessoas (sue~víamente ou até simultânean-iente),
Benne e Sheats distinguem três grandes categorias de papéis no selo do grupo:

a) Os papéis relativos à função, ou sela, os que visam a fw~) e a coordenar o esforço do grupo quanto à definiçAo dos a~ objectivos e
aos ~ de os atingir. Em tal c~ ~se claran~ distinguir o que «dá id~ o coordmador, o critico, o Inform~r, o inquiridor, o secretário,

b) Os papéis rélativo6 à manutenção da vida colectiva. TWs papéis compreendem, por um 1~,.os que ~ lev~ por lntere~
soclo-«fectivos a mãnter o moral do grupo, reduzir os confflt@w int~soais, garantir a expressão e a segurânça de cada um: a~, há o
egtimulador, o mediador, o

protector. De outro lado, os que e~ animadvs pelo inter~ do valor do grupo (o caso daquele que propõe <ní~ de 1a0pit~ e ~ Èmter~ de
unia lnterprkta~ dos fen6menos colmltlvos (o caso do «observador-comentador»;

c) Os papéis snd~uau. Esta ú»rga ~gor,$a não se

(1) In Jour*al of Socica Ismea (vol. LV. n.- 2, Sprinz., 1148). No nosw entender. este estudo nrw recebeu ainda as honras que me~ da
parte dos próprios que nele se inspiram truncanda-o ou refinando-o.

66
refere, na verdade, a papéis de «membros>, mas à satisfação de neceasádades individuais própri@as. EIsta satisfação consegue-sie em
d~--nto da produtiVidade, ou do cli@ma colectivos, mas e~tui um aspecto por vezes importante dos comportamentos de certos
sujeitos.

Podem dísttaguir-se quatro casos principais:’

- o dominador, queprocura impor-se, demonstrar a sua supe-

riotIdade independentemente das exigêncías da situação;


- o dependente, que procura incessantemente provocar sim-

patiã e ajT@p«ro ~a estar »_-guro;


- o amante do prestígio, que visa fazer-se valer e chamar

tas atenções por todos os meios, com frequência muito susceptível às críticas;
- «o homem considerado,>, que se aproveita da situação

colectiva para expressar os seus sentinientos, ~as, história pessoal, sem qualquer relação com os proble~ actuais do gTupo.

Benne e Sheats juntam-lhes ainda mais dois ~ o do <oadvogaklo dos interesses particulares>, que fala em nome do
«p@equenoe,nipregado>, dos «não, dIpliom~ do «técnico,@>, etc., ou seja, de um este~tipo, com o qual oe identítftea; o do play-boy,
enfim, “ mêsmo tempo despreocupado e cínico,

demionB&anido uíma perfeita indiferença para com os lute-

r~ alh~

Inipor*ta sublinhar que, com excepção dos papéis individuais (que traduzem exclusivamente ne~idades singulares), tràta-s@e de f"ç~ exercídas no
grupo por unia ou ~ pe~, as quais podem, aliãs, alternativamente, repreoentar diversos papéis compatíveis com as recursos da sua personalidade.

Por outro lado, se voltannos ao problema da lideranço,

67
noita-se que, nesta perspectiva, a função de contrôle abre-se, de algum modo, em muitas dimen~, das quais umas dizem respefto ao
cumprimento da tarefa (sugestão, coordenação de contribuições) e outras à manutenção da vida do grupo (mediação, estímulo,
lnt@erpretaçáo).

Msta análise clíni-,Ia tão penetrante é, tod@avi!a,.niais um inventário de papéis do que uma teoria interpretativa, na medida em
que'ela não evoca senão evasivamente, os Processos de regulação que ~s teve o mérito de descobrir.

Convém, portanto, tentar uma integração da achega experlinental das interacções e da achega clínica 1~ papéis; a primeira, estudando
os sístemas estruturaís em função da natureza das tarefas e das redes d~ív~; a segundo, atlendo -se à compatIbIlidade da aceitação dos
papéis, tanto com as situações colectivas como com os recursos e as nOMIssidades das personalidades em jogo.

Todavia, uma teoria exaustiva dos processos de grupo deve também. ter em conta 0.s fenómeDos afectivos de nlatu-

reza colectiva. Os trabalhos anteriores, preocupados princApalmente com o funcionamento operatóilo dos grupos, pouca atenção pr~
a estes fenómenos, estando, aliás, mal preparados concêptuaknente para os abordar.

Uma contribwção fundamental neste domínio provém dos trabajhos de inspiração psicanalítica e das Investigações sobre os grupos de
discuosã o livre que expo~nos no 0apl-

tulo vi.

68
CAPITULO V

LIDERANÇA E INF%UÈNCIA SOCIAL

Já nois encontrámos uma porção de vezes com a noção de chefe, de líder, e a função de direcção, de liderança. Para al,éin de evidèncias por vezes
confusas, trata-se de conceitos e de pr~@@oos difíceis de defirtir e de explorar. o emprego que faze~ de palavras anglo-Êaxónicas (1) não é por moda
mas para recorrer a v(ycábulos mais brajidos; de tonalidade menos tradíciofialmente autoritárfa do que os termos nativos

de chefe e de mando.

Por outra parte, determinadas observações capitais se Impõem desde o princípio:

- A autoridade, o poder, concernem ao mesmo tempo a'uma

acção, uma operação do líder, e a umá relação daquele com o grupo que- dirige.
- 0 exercício prático da autoridade depende simultànea-

mente de normas colectivas ambilentes, de situações concretas em causa e da própriã personalidade do chefe. Um exame exaustivo destes problemas
implicaria uma trIplice perspectiva: a de liderança como função no grupo, considerando nomeadamente as suas condições de emergência através de um
jogo de influências; a da liderança como relação, podendo apresentar-sè muitos tipos cujos efeitos sobre o clíma e -a produçã o do grupo reclamam
atenção; enfim, a da liderança como apti~ individual, o que vulgarmente se chama xo ascendente pessoal», que toca a problemas caracteriais e, deve
igualmente ser referida a circunstâncias e géneros de funções diversas.

(1) 0 autor usa os termo8 «leader» e <deadership», Dor cxcniPIO, Qu* nós 1>reierirnos aportuguesar na tradução. (N. do T.)
Como não podemos abordar aqui todas e~ questões, limitar-nos-emos às que concernern mais dl~amente à dinânuca de g~. Quanto às
definições, veremos aparecer as mais significativas à medida que avançamos, poIs o número

considerável de trabalhos que foilam inteira ou parcialmente dedicwados à liderança não contêm menos de uma centena de fórmulas...
(1).

1-A liderança corno função

Em qualquer grupo institucional (família, empresa, sindiclato, etc.) a autoridade depende de urna costrutura prévia e a sua zona de
exercício depende da posiçã», do estatuto ocupado pelo indivíduo nesta cotrutura (por exemplo do seu lugar nun, organigrama
hierárquico). Em todos os easos-, e aí está uma primeira definição - para o líder trata-se de e~ habilitado paxa exercer um poder determinável sobre o
comportamento de um grupo de pessoas determin~ .

Mas não basta definira autoridade pelo poder estütutãrlo db emissor, porque é um facto que certas direetívas nunca chegam -ou não chegam
completamente -a ser executadas. Ao carácter quase jurídico do ordem deve acr~ntar-se um carácter opeilacional de eficácia, de influência efectiva. É
por isso que muitos autores &àto Inclinados a definira autoridade pela sua aceitabilidade da ~ do receptor. Segundo C. Barna.Vd, psicólogo americano
especializado no estudo das organizações, por exemplo, a autoridade é «o carácter de uma tal comunicação que é aceite, por aquele que a ~be,

como devendo reger o seu comportam@ento>. Esta segunda

(-’) Para uma elassificaçâo destas definições, e mais genèrieamente

para o estudo experimental da autoridade, consuLar o artigo de R. Lambert no TraiU de Psvohologie expérimentale.

70
definição apoiada sobre os processos de influência, tem a

vantagern de poder aplicar-se igualmente à liderança nos grupos informais e nos grupos em vias de formação em que o líder aparece
como o membro que exerce a ~ forte

ínfluència. Nesta perspectiva a liderança já não será ~deráda desde uma perspectiva, estática e estritamente Indi-

vidualizada, mas como um sistema de comportamento exigido para e pelo fun~an@ento do grupo, como uma condição e uma
qualidade dinãrnica da, sua estruturação.

Convém ainda examinar a trama deste processo funcional; ou, por outras palavras, precisar melhor os proe~mtos implicados no
exercício da liderança.

Muitos estudos americanos se têm esforçado por pormenorizar as funções cumpridas pelo líder, quer numa õptica mais ou menos
normativa, quer a partir de análises clíniCas do comportamento de chefes eficazes, quer aindaa paztlr de testernunhos de membros de
grupos formais ou informais. Uns referem-se a situações profissionais ou a taretas específicas, outros a grupos de dise ~à .

A análise que prhpornos r@eflecte os traços tantes que são comummente observados por estes estudos e refere-se a uma longa
experiência pessoal de grupos de formação. C~risa também os resultadosdacorrente lewl~a

sobre os factores de coesão e os da corrente Interacelionista

sobre os processos de cornunícação.

Como para os factores de coesão, na função de lide-rança pode distinguir-se um duplo aspecto: opemtórto e afectivo.
1. Aspecto socio-operatório-Concerne à busca dos fina e à realização das tarefas próprias dos gnrpos. A a= natureia, evidentemente, é variável (produção materia, géstão
administrativa, investigação, etc.), mas em todos os Oasos, é possível precisax as operações que permitem atingir aqu~

fins. Trata-se:

71
A) De operagões concernentes à informaÇão e ao'método

de trabaZho.

- expor claramente o objectivo: tarefa a cumprir ou pro-

blemia a resolver;
- apresentar as etapas da tarefa ou as dimensões do pro-

blema ao est belecer um plano de trabalho;


- fornecer, ao principio, as indicações necessárias , e depoi@@

as que se'julguem úteis posteriormente;


- dar sugestões em 0~ de dificuldade.

8) De operações conceni!entes à coorde@iaç(lo das achegas e dos esforços:

- de~dar o piapel de cada um em relação com o dos outros:


- assegurar e controlar esta articulação dos papéis no

decorrer do processo;
- explicitar o ponto nas diferentes etapas de trabalho.

0) De operaç~ concernentes às tom~ de deci&ão. E~ dèc~ podem incídir sobre os fins, os meios ou ambos. Na óptica do autoritarísmo
tradicional, considera-se que cabe ao Uder de~1, sózInhoe que essa é a essis-ncia do seu papel. Veremos que não é tal e que se trata
apenas, aqui, de um tipo powível de liderança entre outros. Em, toda a ocorrência as tom~ de decisão situlam-s@e nos gonzos do
aspecto operatório doo prot~os de grupo-pois permite continuare do aspecto afectivo-poís implica um acordo, tácito o4 expresso, do
conjunto dos participantes.

2. Aspecto socio-afectivo - A manutenção de uma activivi~ eficaz não depende sómente de factores técnicos e

metodológicos, mss também do clima psicológico que reina no seio do grupo, do seu «moral», e este depende, por sua
VC7, do
grau de motivação e de interesse pela tarefa, assim como das, relações que se criam entre os,diferentes membros
-c0m@preendídÓ o próprio chefe hierárquico -quando se

trata de uma organização.

A este respeito, aliderança implica outras Iniclativas, Rgadas a esta função de «manutenção», bem claras, como o viram Benne e
Sheats, e que atingem não os actos, mas as aUtudes, os valores, os sentimentos conscientes ou incona, cientes. Aqui também,
conforme o tipo de liderança adoptado, as intervenções que vamos indicar são mais ou menos acusa~

e às, vezes nem se veríficam.

Não abordaremos, de momento, senão os líames com ma1@s frequência inconscientes que unem o líder e os membros e que
implicam processos de identificação e eventualmente de amor ou de ódio. Trataremos deles no capitulo seguinte. Nunca -se trata,
também, quer de uma parte quer da outra, dé iniciativas delib@eradas.

A) Intervenções que visam a estimukçâo e a manutenção@São dominantes nos grupos formais em que a hierarquia é mais ou menos
autoritária e onde quer que o líder represente um papel de figura central e procure acentuar a Identifica~ do grupo com a sua própria
pessoa. Pode-se verificar a seguinte ordem:

incitação aos membros a participarem ao máximo na

tarefa faZendo jogar um sistema explicito ou latente de gratificações e de sanções (vantagens imediatas, proTr~as, elogios, ameaças
ou castigois); a seguridade-que completa a Iniciativa precedentenos casos em que se manifestam ansted~ ou tensões

individuais ou co-1*,ctivas.

B) Intervenções que visam a facilitação social - Trata-se

de restabelecer ou de reforçar os processos de comunicação

73
entre os paxticipantes, nomeadamente pela busca de uma linguagem comum, pela -expressão de Interesses, desejos, pontos de vista.
concernentes à actividade Ido grupo.

0) Eventu~te, intervenções que visem a elucidação dos processos do grupo e do conjunto dos. factores precedentes à médida, que se
manifestam.

Mas, de faeto, este papel só ‘excepcionalmente ou e~carnente é @assumído nos grupos naturais e não for~mente pelo lider, mas às
vezes por um sujeito propensO à obgervação ou ainda por um «caroia>. Aliãs, em certos grupos em formação, a elucidação é a
principal funçfw do monItOr (1) .

Apesar dest função não ser explicitamente curnp~ é certo que nenhum líder se pode assentar sem um mínimO de elucidação, que
permita nomead-amente:

apreciar a evolução dos niveis de satisfação ou de inSatisfação individUais ou colectivos; em caso de conflito ou de preocupação,
buscar as causas e facilitar as soluções.

È necessário sublinhar que estes dois processos (operatório eafectivo, com assuas modalidades internas) Interferem sem cessar no
decorrer da actividade colectiva e iffi~ solidàriamente todos os membros do grupo e não só o If~

formal ou infornial. Uma dificuldade operatória, por C~Plb, a insuficiènciã ou a disparidade das informações durante o

estudo de um problema, entranha imediatamente um mal-estar e o afastamento de alguns participantes. Inv~mente, a aparição de
conflitos interpes~ não deixa de provocar algumas distorções perceptivas ou pr~~ de intenção que alteram o trabalho do grupo.
i0) Cf. Capítulo VIII, «0 grupo de diagnóstico».

74
Se acontece que o líder é, em geral, o mais consciente destes problemas e o animador principal destas funções, o próprio ~@èúdo- das
análises precedentes demonstra que ele não os pode ~umir s<)zinho e de modo ritualista, mas que

é essencialmente um catalisador das necessídades e doe, recur-

sos do grupo.

II-Os tipos de liderança e os seus efeitos

Numero~ autores propuseram uma tipologia, de chefes, inspirada pela, fil~ia ,@ocÍàl, a sociologia ou a psicanálíse. Cite~
xfomeadamente -a de Weber (1), que distingue três grandes típos: o chefe carismático, considerado como infalível e quase sagrado
que Se envolve num mistério distanciador; o chefe tradicional, no mesmo tempo autorítãrio e protector; enftm, o chefe democrático
cuja autorídade a~ta

em b~ co~trvas e racionais.

Numa outra perspectiva, ReM, que considera o líder c~

a pessoa central sobre a qual incidem a emoção e a atenção

de tódos, distingue dez tipos de tais pers^gens que agrupa em três catego~ conforme sejam objectos de identificaçfw colectiva e de
amor, objectos de ataques agressivos ou de suportes do «Eu> de cada um.

Num espírito sintético e tendo essencialmente em conta

os comportamentos do líder face aos membros de um grupo,

propomos a seguinte classificação:

a) 0 tipo autoritário que visa influenciar outrem directamente e por pressão externa. Este género contém, a~ duas espécies: o chefe
autocrítico que se impõe pela intíMidação ou por sanções, sem se importar com as r~ç~ dos outros; o chefe paternalista, de aspectos
os rftais
14) cf. uvy. Textos eacolhidos.
porque deseja ao mesmo tempo ser obedecido, re~de e, até, amado.

b) 0 tipo cooperativo, consistindo em associar outros se não à tomada de decisões, ao menos à sua p~ação e suas aplicações. Aqui, a
distância entre o líder e os outros é ainda multo-menos acentuada. Assim como o grau de e~çã;o varia no modo -autoritário, o grau de
«permissívidade> pode variar no m~ cooperativo.

c) 0 tipo manobrador, que consiste em influenciar os outros indirectamente e, se possível, sem que o s;albam. Esta atitude dá-se com
frequência, a seguir aos fracassos prévios

do e~ autoritário.

A margem destes três tipos maiores convém referir:

0 tipo clucidador, que visa colocar o grupo em situação de decidir colectivamente depois de uma conselencialização dos seus
problemas e processos. Esta atitude, que não é própriamente dita uma liderança, exerce uma espécie de influência catalltíca ao facilitar
a p~ em marcha dos rec@i,rsos internos do grupo. Atém-se -estreitamente à atitudechamada «não directiva> preconizada em
psicoterapia por C. Rogers.
0 tipo do «deixa, correr>, que consiste numa espécie de demissão da autoridade por um chefe provido de um estatuto nominal que se
desinteressa da actividade do grupo ou -deixa dominar por ele.

Todavia, não se deve exagerar a Importância das tipologias, consideradas ‘de maneira estática ou mesmo dinâmica.

0 impacto, de um chefe está ligado à compatibilidade entre a

satisfação das suas necessidades pessoais, das dos outros e das exigências, aliás volúveis, da acção colectiva e de todo o contexto
social. Nesse sentido, a adaptabilidade adquire

76
uma grande Importância 18 uma das definições irWs pertínentes é ainda aquela que formularam os membros de um dos no~ grupos:
«0 chefe é o homem da situaçáo.>

IU--As investiga~ experimentais

Desde há uns vinte e cinco anos são inúmeras as Inves-

tigações sobre a liderança e fizeram-se simultâneam~ em laboratórios e sobre o terreno. 0 interesse foi progressivamente deslo~ do
estudo das caractETIsticas pes~ dos líderes paxa o de uma medida op4erací<mal da sua influ~ no seio do grupo. Esfor~se,aliás, por
estabelecer as variações desta influência, por um lado em função da ta~ ou do problema a resolver e, por outro, dos estilos de,
liderança e do «cli~> colectiva que daí resulta.

Na Impossibilidade de evocar aqui os procedimentos experimentais - com ftequêncila tão engenhosos como rigorosos -

emprega~ por e~ in~ga~, limitar-nos-emos a indicar algumas di~ç~ e contribuições mais impo~bees:

1) Quanto à medida, da @nf1,uência, podem distinguir-me dois grupos de trabalhos: uns referem-se a uma avallação perceptiva da
Influência quer da parte de observadores exteriores (sLgt~ categorial de Bales, nomeadamente), qu&r da parte dos próprios membros
do grupo (com o auxílio de um

questionário ~~étrico para a designação de um chefe ou de um parceiro preferído). Outros trabalhos visam ~belecer a influência
efectiva dos diversos membros de um grupo med~ as vaidaç6es do resultado em função do afastamento alternado de cada um dos
membros. Um estudo francês bem

repr~tatívo de~método é -o de R. 1~bert, que é também o autor de um axtigo sintétim sobre a experh~nta~ em matéria de authridade e
de Influência social (1).

(1) in Traité de paychoio&iie expér~ale.

77
2) Quanto aos efeitos comparados dos diferentes modos de liderança sobreo rendimento e o «clima> cole~. Devem cIkar-s@eas
primeiras experiéncias de Lawin, LlWt e_ Whyte, (’). que foram posteriormente retomadas e aperfeigoadas, em diversos contêxtos ~”.

3) Quanto à influência das redes impostas de comunicação e do programa de trabalho sobre a emèrg%cla do líder e a pertinência do
seu estilo. “ @e domínio foi o objecto de numerosos trabalhos americanos que foram reton-iados e desenvolvidos em França por C.
Flament (1).

Apesar do seu rigor, não há dúvida de que o conjunto destes trabalhos não deixa escapar algumas vanãveis e

nomêadamente a influèncIa dos modelos rultu~. Por outro

~, é difícil pensar que só os facto~ operacionais intervêm sem que represente também um papel uma interacção singular entre o
chefe e o grupo-bendo em conta a própria natureza dás situa,~ vivi~ e as ~as. Os reoultádJos experimentais ob~ apresentam, portanto,
algumás limitações, tanto no concernente à sua Importftncia sociológica, como ao nível da anãhse clínica dos; processos.
M In P8PCh,010gie dy«mique. (’) R486"X de communicat"s et structureo de groupe (Dunad).
CAPITULO VI

AFEMIVIDADE E LIAMES COLECTIMOS

Sublinhámos já, diversas vezes, a importância da afectividade na vida dos grupos, quer quando tratámos da coesão, quer das atitudes
frente a mudança, das 1ntei@ac~ dos individuos ou da 1 iderança. Neste capítulo ptopiorno-nos explorar rnelhor esta díme~ afeictiva
para lhe ~llar~ o slignificado, as implicações -e, £c for posisível, as relações obscuras com -a dime~ funcional e operatória que até
aqui não fizemos senáo justapor-Ih@e_. A,%sim poderemos tentar interp~r ~ profundiarnente a natureza dos Iaços colectivos que
unem m membros de urn grupo.

I -As contribuições psIcanalíticais

1. As indicações de Freud e de M. Klein

A) Segundo FYeud, a quem sieguir%m, neatie ponto, a ma~ dos p~analistas, não have-ria nenhuma diferença de niatureza, mas
sórnênte de ní vel, entre psicollogia individual e p~lbg*ta colectiva. A@qs1m, a história do sujeito nãose desenvolve senão através de
uma rede de ilelaçôw interpessioam de que as rela^,3 da criança com o pai e a mãe constituem o ~ótil)o. Não haverla, portanto, lugar
para ftwr intervir o~ inecanismos psíquw<>9 - neim outros conc@1tos: - piara explicar os fenómenos de grupo alikn da anMoe do
«eu>. ^ nome@adaxn~ Invocar aquele «Inistinto gregájio> que a

maior plarte dos contemporâneos dê F-Mud adm~ ~no

uma eviidênclã.

Tioda a i,@--l@ação com outroo é de naturiezia es~clãlmente a~va e pr~de de d~ dinamim~ frequentemente comblu~: o desejo e a
identificaçã o. 0 ~jo - que envolve

79
todas as formas de «i@p-m-querer>, desde o atractivo sexual até ao amor ~i espiritua~o@consI;ste em procurar o

objecto complementário, tendendo espontânes2~1% à sua posse ‘exclusiva, manifestá-se inicialmente no 8~ à ~. A Identificação ou-
melhor-as idettificaç<3,,-s são Processos mais complexos mas igualmente primitivos. Concernem ao «sujeito> do eu e não a uma
relação de objecto: o que OB quereria ser e não o que se quereria ter como no c~ do desejo. Conduzem assim, prog"Ivamente, à
interiorização de um «m~lo> que constítul o que Preud chama «o ideal do ~ e que se substitui parcialmente ao, apego primário e
narcisista do sujeito a si mesmo. Para a criança, o mo~ inicial é, na maioria dos ca~, o progfnitor do m,~o sexo cujo lugar junto do
progenitor do sexo opôstio- ela querib, tomar. Esta relação de Identifica~ reveste, frequenteniente, um carãá_le-r hostil ou pelo menos
ambivalente. 0 mesmo, se diga das relaçóes fraternas: o mais velho sente, ao princípio, ciúmes pela Intronú,~ de um rival no amor dos
pais antes que um sentimento de comunidade se desenvolva entre os filhos.

Existe, com efelto, um outro modo de identíficação, que pode aparecer cada vez que uma pessoa descobre ~ si um traço ou uma
sJtüaçáx> comuns com um outro. E este laço torna-se tanto mais forte quanto mais n~crosos são os traços ou esta situação maIs
sIgnificativa.

19 prec~mte uma combinação destes veículo% ~Ivos que, segundo FWud, constitui a trama dos Mames gr~, quer se trate de
multidões, de grupos espontâneos, e restritos ou de agrupamentos ~os, organizados como a 1~ ou o exército. Por um lado,, o chefe
que se julga amar IguaL,~

t~ os membros - como o pai ama. os seus fíU~ - 6 ao

me~ tempo objecto de de2ejo e de. ide@atific~, ~ enquanto modelo, incarna «o Ideal do eu>. Por outro lado, o laço que une os
membros do grupo paxa arém, ~ rilvalidádM

8o
~jo~o pria~ ao n~ tempo da pwv~ dm ~1e2*~ c do seu ~ljzn a~ w ch@--ffie. ~vr~de~ q~to, Oegrundo Fr.CUC@ os iaçüe co»&du. ~
~bíg~ e =no a nd~ça ocupa o ~ «N~. gegundO = 3~ Pr~as ~v~: «0 laço o~ ma~ Sobre t t14amofbi~ de um jjêrIt~to pztnl«tv%a~ ~H
nUM 04),Ogo pO~, que no fundo não é *~ um ~tif~~>, nl"tlkb POü repartiç&o <de um niy&~ w~ wm o me^ obl~ .
Se Se introduz u~ ~ n~ w~, Se- surgô ^ du~ qu~ à so»citude do 0” p~ brOs, 0 9'tuPO tMOdtataMentC, wneaça
d~~Ar~,

B) 0~ 1ndiOa~ de Preud foram o~le~ e acelltm~ ~ poimda~ tugIema MeWnk ~(,), D~ POlyLtIM kOtk@lrC~M
Pwt~~ente à afee*v~ ook~a.

0 P~M dLz r«Op~ à ambivaUncía dos ar~ ou XCIN qlW um Tnfflm obj~-p~a ou g~-po& gw altexuada~abe ou
incomo almuX&n~ente <bwn> e ~.

A O= M~ ~~ ao perl~ da Infâvda ou à pwwa~ dC um e~ de 0~^ a tan el~ de prtv~ ‘qut t~ a o~tar tdao~ ugi*c~@
nonreadam~ ~

a niãe e 00 8~ cutdados. 0 tad» de que ao pftw~

de amor ~he~s pejo ~ o t~ U~ em que ao p~ ~&~ um prioVOM~A = M~M tempo satk~ão e ftu~ão, lmp~ o~ t~ as
suaO ~Ç~ pwter~. Nlo g~, as a~ ~ 0= o chefe tulo p~ é alheir~Vam~ do pr~ e de U~, ~ ~uftdwr~ ambimeã~ e 0~ ~
a~ ou -@N admú~ e a h~I'Wlade )àtentE@ ou n=ú ~.

o ~mdo Ponto Ugudo ~ ao pr~dento @22 ~~ à a»~tia e am fantm~s que ela en~ por fwntwm= deve entender-se uni
~ de Ima~ ou seja om&rlb@ M~ a um m~ de d~»o, do or«~ e de me~ d@ã 0~

0 - ENCICL. 4 1
bü~: Ionge de wer uma ~les tk~ que a re~ fàcam~ di~axt%@ t~~ de u~ pro~ con~~ e roMo~e qoe se Int~ entre o m~ e o wo~m~.

X E3c@n tn~u nam~~ sobre aú rtj@@

Ci dos fanft~~ prb~~ de inut»a~ d@> 0~


0 U@ dOv~~ Msta Pode ~ mLetiv~ na sítumão do g~ a*bretudo quando é sof~ ~ omr~ e anón1~. A Ident~ do ou corTe o rí~ de ser
p~ em cousa ~ ~Iduo que sente moão dB se poi~ e <i@,- se, d~ver, de@ certa inwwl^ nos outros.

L 0 desejo o a kna~ão, n« grup” - D, An~

mo0~, num ed^ recente, que os ftatas~ pene~ pa~dwn~ na vida ínte~ de todos @oo grupoo eW~o OU Ofeb~ 4^ ~M
mas 1~~ cútre, e~ grupos In@@ n~ o~ os knpu~ do que eobre as a~4~ «*~ãcr@ l*n pm~o chwante, cútre o grupo e
o 8onho.

Pr*~ muitoa 4M d~ l~eitos na ~ prWada >Va~ adIc@@ gI@up'os: W é@ por ezmupl<>, o pspel drk tb»~> ~ o
ado~~, ou de cé~ clubeN cenã c~ ou 0~ ~ o aduItb@ ~ grupos Oe ~)en~ pro- @N desco~a dio0 ~mb~ da ~

que Ousp«Mwn P2,4t1~, m~ a OAL»~ aub-rep~ de ~jos ~b~ ~ outro lado, es d~Jos roaOzados em grupo ou em
0~ fmq^t@&mehte ~JOS de wtuwj@a r”~^ se aos 0~ j~ as c~ç” knitam as acUvld~ dbo ad~, ~bém se dá o Inv~
noniea~~ nos grupos de lazer e ~ rem~ &nidgá~ em que os adultos tomwn a ser ~çw a nível de comportamentos
do posturm ou vc~.

Enfim, muitm das acções o~vas são deolocações ou

súub~çbm do d~jo 0 cllrra de grupo tende a suscitar


(1) «Fstudo paicanalítico dos grupoR reala» (artigo em Lea t~ ~,ames, 1968, n.- 242).

82
ou resaue~ determin~ -aos f~10aldios Por m~as ínconset~ que <I~M~M em 000~Çõffl Utiá~ ou em ~m~ efectivas, mas todm
nímbadas d@-- krw4~o e de símbolo,%: a procura do To~ de 0~ ou do G~, Pro- )~, conqub~ d~be~... Segundo o p~PaUsta, esta prc~
do cobjecto ou do lugar ~to o maravilh~ v%~ a» ~wa~ da mão cujo tabu de In~ deopo~du a Criança-

Atuda que se possa mio~ que a p~ ~aiae se cozrn~ na sua p~a mitologia, nã1o hÁ dúvida de, que ela apresenta um complem~ ou um
aprofundan*at@o nê'eè@ ~ a ~~ção p~lóffioa. já o V~ a ~-

0~ afiti~ UMMentares- Igua~te,0a PO& a ~to de numer~ ao~ da krw.9@ POPular-

An~n ~ a e~ re~, o exemplo 4& mul^ de que se diz ao~temente que é mulher, o~booo, ~vel, omtknmtaL.. sompre prmtà a eu~-oo ao
~ro que
4pa~... Q"e é ondulante como o mar... qtre deivom os honwn.,9... que grita. b@e@ se cora~ oe> amkm.> INon~ à “r@a, e~ mo~~
emb~-Se ~ preomça out>ya oente de ~~ parenta!ia. «Ao meismo tempo, o con~ rW~ para os perigos r~tantes da m~to adquille sen- ~:
enqua~, fazer n~ d~p~r a mu~ é ~t@r sobre a imagem mate~ a oup~~ da âne~ pate~ (a)

3, As Mpóteses de B"-Ajs conoepções do psíqutatra inglês W. R. Mon fundam-se numa experiê~ int~va de grupos te11a1~~ Consis~
ean tro~ livre^ sem oOdem

C> Só assim é que a célebre obra de Le Bon sobre a Psk~ dAM multWes tem sentido e eco: ensaio nem valor científico cheio de
pretensões nor~tivas. reflecte, todavia. com graça, esta i-aginação popular op” aos seus produtores.
do dIa nimn Iffier ~g~ Eb*~ se 1~ brgm~te ~ P~d e M. Klein, Mot de~i*c um con~ &’~~ e de cisq~ de ~r~
~mlft~entb oo~m (e emeezw ~ ãe sm~es de grupo.

Te~o apre~tar <w e~oS case~la de una con~* por vezes obacum.

A ~ de um grupo, qualquer que eZe seje, promm~

a ~ ní~.,
Um nível nmnff~, rav~ ooe»e~, o das tao~, em rel~ dL~ oom a r~Made@ objocUva, ~ chum a n~ <g~ de trab~ (acreaoent~
frequent«w#--nte ~la2~. A acd~ ~ uma aprondíza~ e é n<>niialni~ t«cUftada por uma ~^ km,~~ )e diveroma oWte~ de contr~ iao~
p~ nwn~ que ~peram ~mUdá^te. Um nível ~lf~, lrm@c$on«4 g~m@mte tw50b~ e

blim~ ~~ por ftn~m. A ~~ n~ d~ <g~ de b~» é «lú~t~ e Inis~Va>. Mo

form~ nwn &~ r@ai, ~ ú~~e tk~ arado da quk~ pam ex~ a <Uo~~ «9~~ doe b~t~ pam em~ C~Mação com o
r~ do

grupo o oO@r os want~08 e o seu Cb~tw~to own aqxdlo que ~ ‘<ft*~ ao «hIpó~ de ba»&>. OT», e~ PrOOffi~ V&n pertu~
ou ~08 üèrL@ a coopemÇão ~~ duffiante o ~po

qm peftr4nm~m por duc~ ou “ n~ em n*otr~,

0 te~ «hipót~ de b~> ~gl= m atft~ ou, me~, os egqum~ ~talts colect~ (group m~~). Apõs un-ra ~ de pem~ ~ “ ~a d~gutr três coqu~ e~
os qu” meit^ a vIda m~onal dm grupos e que o~tuie-Tri, a sou ver, ou «Instrw~t~ apro-

84
Pr~ Pam de~nbar~ o niateTW cobtioo que ~ no db00~ dM Oc~ de g~.

A) A ~mdê~ - Q~do um g~ 9~ tn~aCiênt~ ~ ~~, co~rta-se como m úni~enibe IN~ssie 0” Mr prote~ Por Wn& pemoa, ou w«a ~ Ou
um a~010 ~ «funÇãlo é gUrantir a Oeg-uMnça de um organisMo Imatur», de lhe «forne~ um ok~to mWá-rW e e~~>. EL,4.e e~b não
se n~ém se o líder não acei-

tar comp~~,w~te, o papi&l, ~,p~te e protector que se lhe procura con ti.

Todavki, num tã1 cago, o Oentizu~ de shguwanj@a wtá ligadoo, para, muitos mem~ a uM seatknento de lx@@a e & fruwtr~, e nã»
só entre os <ambicio~ n~ tãm~ entre to~ aquele@s que aspíram a f~~ o~ sem o~ en~ em o~tição com o chefe. Alguns oco~ até, ou~
na ni^ em que têm a lmpre~ de e~r multo

e ~ pouco.

8) A luta-fuga (fight-flilght) - o grupo oompofta-se CO~ se não pU~ subsistir aem h~ contra um p~ d&~,ou fugir ^ 0 líder corr~dente
a coquo,4ma é aciu~ CUI” IntenreinçõM oferecem predo~thB,~ rnemb~ om&~ de@ fuga ou de agr~. Reosino~ ois
fantaisMas liga~ à ~~ do pal terrí"l. E~ par & &ti~ pode ~ d~do, tanto contra um líder que re@@~ g@ar«tira segurança do esquema
de de~ênck@, c~ contra tal n~nbro ou tal oubgrupo que f~ consiõexudo dew~ ou tral~ A~ se exprium a meapaeldade@ actixa do
g~ para c«npMmdff e piara amar.’

C) A pa~de (pa~ ) - Maqu~ ao em~ U~ ao ~~ antertor estavarn no plano da cólera e do ~ aq@È ~, 4a ordem do amor e da coperança.
E~ at»~em

85
nog grupos nasce~, oegimxlo B~, a~qysnhada e

simbolizada pela fb~çãlo de ~ e de de tr~dade r@o ~ do gruplo. ImpUcax@a a @expect;wtdva de um «.'w- ~ que viria a na~,
capaz de trandon~ o grupo, de o arrancar da de~ção e do desesporo. Um os~ ~ não poderfa sub«~ ~ão na me~ em que não ae ~a ~R~
p~ a espeiranç a, neam e^ cés~Ita. E~ dew» de par~, de afizMade a~ntarita em ukwm anã~ ~nos àobT@C 0 Inter~ de proertaçâo, de
pmduçãjo, do que sobre a bu~ Jhq@uketA de @kftn ~pler~tc>. ~ «~ as hipótes;m de b~ não coúoW.^ po^ Bion o ul~ fundamento, da
vida aXectíva dos grupoA são sobretudo r~~ v»xt~ c a~adas àa anotod~ e aos d~M ~ p~t~ i~adm ~ gÉtuação, de grupo. Cbrm ao
longo da sua hio~ In~U1, o»,~,vfãuo@s encontram-0e. face a obje~ ambivale~ e wn pã~, aItmI2@Me. gilatOs ouaincaçad~, acdft~res
ou devorantw; quê se trata de de uf~ ou de de~ A r~rg~ de fanta~as m~ d~ ex~ên<@tas c~tui o r~ obot~o paila um ajuobazr~
ão ~ da~ da Oitu~ O~Uva e o o~be~m~ de ^ vierdadetra coo~ãio.

EWbe pionto levs,-,~ ao probkma d= grupo de baoe e g~ de trab~ ou, ~ preck4amente, e~ os

pl~ afoortivo @e rad~ da vida de gTupo.


0 próprio da aMude rac~t é procurar aprm~ e comPre60~, ao om~o ~ ati@Lt~ e~vw cara~~ ~ rocuma da w~ência e ia tendêncta m
~se à eff~ da ~. Dal re~ urna tensão entro os ~ planos, te~ tanto ~ Morosa quanto, os sul~ «%ix~ m

co~ m q~ lutwn> e sã@o a orl~ de envo~ ~L~ “ esquern~ ment a oo@ec~ que dmomvw^

A. Oolu~ d~ ten~ e a pro~o, da a~ ~o-

86
nal não são pomí~ ~* pela eilu@ o a taterpretâ~ ~ proce~ Ufoc~ Oub~tes que vo @Ouj~ d~ apr@en~ progros~anwnt@o a
~tffxw e a ~, em swyuL,

cOm os q~ de~ fani~la~ Quando um 11~ (pai, ch^ monthor, ~tdatra ... ) o~gue ~2zair w «ff~ ansoctadas ~ “tre~ de bwe Mn w^~ a
OOUx~ ~11on@al do grupo - gva~ à qual o IbffivMuo ~ salvaguwxW a sua pierwwaldade continuancib u oer nwmbro do
9!r,tpo - ~h~~ um ~ho equMbrio e o g~ é <»pez de coo~ @et~cnte.

VaW da te~ - Os traba»= de ^ r"r~n~ actualm~, ~n dú~ alginno, a ~li ~,e mw& ~da contn”^ e~a A ~ are~a dos grupos. A o= j~_ cta “
con^rã~ no dam"o da pwkobem~ dem gmpo * da'tOal,~ P.4C009~169109. Als Suas hipõ~ ffio oontIL de wn g~d*- número de r~
OolectIvos - boajis ou hkibõr~ - ffiactonaln~ l~pr~~ por ex-~ q*a alguno grupos PO~M por vezos Proc^ tiõ~ pam os conduzÊr ~ aos
linútes da quo *c Inci~ ~tâú~~te U» o~ rwlg~ (no ~ 1*0~ Wen~) do seu chefe.

lúâ~do. lpor o~ b;do, 9obre o p«Vel dos fauffia~ que lnbw.v&n qu&% oon~teft~lbe na r@o@ação do g~ ~ ~ membros eM de~bra um
ad~ gra~~ Wno~. por t~ as o~ to~ dâmm~ ni~» a

da L~,n. Sie o grupo - p~ uma ma~de ~~ ~~ ‘C I~Utivel à 8~ dos lhavi~ nveni~ no

ciampo p~lógIco d~ tn&vffluos o grupo é vi~ wn ~a ntedUa, de um m~ knãg,$nãrio. ~ fenõn~ tmduz-9e ~~lanvente por um ~J~ de
~~ de ~tos e de Imputa~ de tonialM~'<per~~ ooncmw~ soos outros, e sobret~ ao líder: oentimentou de der ObOBr-’ ~o ~peitado
Manipu~ rejoit~ dív^ q=
~w~ Offião ocasibu~nte cem a roan~ du ata~ de@ o~ n~ quie, co~ o ~é~ trr~v@4 da

BWhi4 o pro~ dãs ~ç~ entra ‘o ní~ ~tilvo e

r%e~ e o das T~, da coope~o pai400em Oer os ~ ~t~ Atingim«s aqui os ftwdlm=nt@m e «e~ =mo

do ~e eolwttm ~ exame vwnm Mbomar.

11 - 0 problema do Baine colectivo

A h~ de Bton Pa~ i!rnpU~ um dualismo ~nido e

q~ m~queista entre o grupo de baw, ou zo«a ~tiV%, e o g~ de trabalho, ou zona ~ônal, Só ~ úx~ perxnft*t& o ace80o a,uma
coloperação activa que seria tnoessan

w~~ pela h~aK> lnoM~@ent@-- ,0 ignPuboO afecti~ TôdaVia, a @mtm----m do próp~ laço o~Vo é aqui ba~te oboouro, po~
pw~ envolver ~ ir~ de coop~ão: um, «,refie~ e oMan~; MIU*0, <~~ e ~e~he, a uma espécie de combi~ão c,liffiM. Será ~vel ~lar~r
~hor e~ pr~~a?

I. A hip~c do liame p~ivo - 0 p~ - e a pmferênc@& - qw ~ dá àa atítudes ~nWe já foMm coritiM~_ Sie~ M. Pla~ (1), é ~ in”~ a
peM~va@ Z 0 ~ Se Pa~ ao nível da ~a e da ~mo~ que coe^i o ~ freq~b@ obstá~ à ~~ção@ uma, recum A ~beJr o fetómeno a~iVo ~
pr~ do grupo: o

4e um 4agio ~~,

IL, no momento em que ~ tomam conaci~ da


4ixUl~ da sua. diferença e da sua, in~fi~ de ~nunk« de um rn~ aboolutarr~ 9atig@fàt~ clw os

cNota nobre a vida afwtíva dos gm~», artigo no B«uctiw do

Sorbonne. n., 214,1963.


Men~ de um gr~ experimentam um 1~ qm o~vive «’ t~ M OUas expe~~ j:@Cg«~ e ~ ~ba oem

os n~.

M~ oerha co~tivo a UMa angú~ o~ de abandono, de Oe~ão, de,0^ tal 00M0 @bi d~ta Por m~ tMo~ extqbM)Ci ~. Cor~pon~ à
únjlna experiência, de ~ solWão parti~da, =Cluíria t~ a ambkival~ e ce ~,^ só ~ defeaa objectim oontra

“,~ de b~.

Q~to às affividados da zona, ro~M e às 0~uraz

fonnado doís grupos, el« t~ também umia. funÇãõ d~siva, mua ~undáxM, Oontra, ao em~aldes ptovo~ ~ copre~ça e a p~ rela~ Vioa~
a~tuax Os emO ç~ qij@-- lhe edtão hg~ (d~jo, ~ v"ènéiia...). Impli-
0~ a~ nunier~ el~tos fantamm'96~: mito da competênota, da ~ipltia, da ‘,efi~ da planl~ção que ná» deixam de 4M@ot~,a ~~o do
grupo no p~ da reaffidade empírIm. Em n~emsos Ca~ as CútMturo-8 jnfór~ ~ mWO ompeilatJivals do que m,e«trutu~ ofl~. A origem
d@ ~pc~ nã» reslffirta, 0~ p~ ~. em

qualquer m~a~ «speieMica: d~jo de aprenditagebi, atitude ~tffim... tais ~os não têm a forÇa da exPell~ o~va in@~ do ~e ~tivo.
EnMn, é ~oo nã o con~ e~ )aço com M mábille~ eakr~ «de5 rito de grupo> que «oormq3ondem, a um ~ de b~urldade> e p~u~
também wm mitolog@a. (d~açãõ do grupo, procl~ã» de votos, de dacffií~ ~,). ~ Oend~ niL@o~ e 0~~ do M~ ~-OUVO é ~ma. ni”
levanta, por oua vez, ~tw T~Yao. ~ um ~, ce psWan@ nã» ~arâo de «Ltop~r çp» deb~ da pa~ação da “dAo e da dU~OL Oe@& uni
s~leo modó de l~ftaçÃo julvela~ Ca e~ T~O o~ ownelba~), OeJa um ~o OlubUI & I&PrOPr~ dO,
grupo por st m~no (5). Não oe d”, mtâô, v~ramente Inter~bib 00o~tivo.

Pd~o9 atada P«Kt~-nlm 0&, PO&Lllt~, o 1~

colo~ hão uftwa~ará wna exp«rlê@idia co=ma da ~raçáo @e de ~ entr4aajuda oo~ a &~«, para umia v@Brd~a ~nunhão---~ coqu~,
de pu~, a knpo~clã ~ ~tos i@agrtadã~> do eopfrft» de grupo, ~ 00 aspo~ k~~ do «trabaJh@ar em omnums.

A ~ r~to, as ~e~ de ~o lhi@,ist«rn contra a opv~ boulânâ. ~re ~Ao o rad~lidadb do que o=” toda a plurak~ doa <íngm&ent@m> que
o~tuem o n~ coMo~ Maio ~~ente, par~m% tiátar-9e4a não de lüv~ a âua td@erw@qlulâ,, m= de pro~ o~ é quê 1~4~ ou Me om~, na
~ ~ 9~. m esquie~ atoatWm de ebe@>ntr<> e de, lntlhúdadé o vs eoq~ ~, pr~~ do tm~ e db Pilog~ Bá~á ~- ~ar ~ últknos e~ uma «~ de p~~
é~u, de evn*r@ato? Não terâô,^ tw~ um tub~nlbo eispontaneo c'puda~ ~^ o «n60> é c~lvd cmn o ~ de @d p~, aq~ mai*ch~ ao qual, dIz F~, 0 hm~ ~0
~ r@m@?

2. Pam um plura~ coerente - E~ quw~ 1~ -nm a dewe~l~ a n~ prôpr@á cmüe~ do 1~ 00@Octkvo. Po~ tenter o=~~ o ~tido de~ laço ou wn
funçã o de niotivaç~ de bo#a ou a nIv& do proo~m de mla~ oormgp@onde~ àq~ 1~a~ e ãs vlvèmi” ~ ou menos- oo~~. A experi~
kwMm-nos p@am uma aÂlt~ plura~

A) 0 «qu~ do encontro -Não Ofm~ dÜvlda que 0

Râma O~Vo últ~ a Pm~ução e, por vezeo, a

(3) Cf. JAL Pontallo, em Avrè* Fre»d: «Cada um renuncla a Oer tale Própr1% mam reopelta-oe o grupo.»

90
ft~ de um desejo dê, encontro ton~ no -geu ~ V~ ~tido, @e com t~ as w= aniblvalênclfaz-ou soa, apmxImar~ do outro para e~ com
ela -ou contm ~ -, ~

não só: «ter um ~ com ele (aqui ,4egiú~ M. P%«ft). Trata-se de um esquerna. muito g~ que envolve t~ m prelúdb= e to~ os aNratares
evoo~ aínterlo~te, «ngústla p~ria, da separação; anslê~ perante a prSprta relação que é temida e d~jada; b~ de semelhanga, de
protecção ou de domitiação, no~dade de amar e ser 4~, ~zação de si Me~ no e pelo gMPO.

Quanto ~ prooe~ de r~ãó ~Y~d~ ftr~ ák== pont~im~:

- As Oná~ pve~tm ~ram, sobretudo w~ ao emo- ~ doIbm~ da anguotila, ou de ten~ ~ Int~

Deve re~mer-^ po~, no v~ põk 0, os ewt~ »,gradáveiL% por ve:= qu~ org~ que tonvam a ftrma de Júbilo afi~o, de ~t~ 1~ ou ai~
xIe fe~ ruffido~ e t~aíb.

Não @§e trata, é ~, de pro~er uma tme, ~ «)ptlMt3tw , nIM t,>.Imez nvaís ~va. A W ~~ o qut frequent~ente sr- dmi,~g pelo
mrak-- de bendên~ ou de proce~ «lo f~ túr=~ a~ ~ confl=.

<0 -4er em conjunto> ~ttvo, o NõS:

Quando ek foga ao conflito ou a eote e~ n~ e anõn~ bíorri expr~ pelo pron~ r~o SE e que 9e nota n= ~te~ de Bion (4) -par~ ~~ dois

aen~ bem da,~:

(1) Cf. Lã Po~Looio SeciWe.

gi
- tão &-paleom se trata de prow~ de ConiuNcia colCetiva dc natureza nar~,- ta, no ftndo; c~ da oom~ê@icia mútua em que o
«n<5e> não pa~ de u@l ~ f~ag ~ de pro~ e de Ident~~; é a fUite- deate
de e~ cujo vimos e~ fechado em 81 jn~o e vírtuaimente agr~vo para corn o exterlor. oaXoo~á-lo como «ímaturo> ~ muda aO

m~ un~ate;
- como sê trata de procemos emnunrt~, entendetdo por

comunhão nãO ~s os ~ degraUS da luteUs~ ~e~ n= um «nós> cujos membros comunicam e áe

u~ sem, se confundírem.

o aceoso a ~ modo de intercâmbio e de lútinú’~ é

o~~~ peib te@gtio@munho ten~oló~ dos sujeftos e pe~ o~rtamentos de oompr~~ mútua expre~ por muitm regi~ (palavras, siilêne”, mímica). ~ UM
é, então, conhecido-amado ou a~t~-na ~ exk,@~a e

M seu. vallor ~~. Dêtern~ús Pa~ u~a 0~ eot~ doscawem-no@g ha ~,te ~: «,%nt~ em que ~da ~ agrupwnos e nos comPl~«E@> ou, ainda, «]@ u~ e~e
de Megria que mo tira a ltw~>; ~mos )untos r~ ~tlnuwnioe m~ e ba~.

Não deve~ exta-,dar-nos perante o 1~ vilv<@n~ nem

pmc~r â sua e@icantaÇàõo- fanta=agórioa,; n~ c~m ve~ece@ a wa e~ncj!a à mar~ doa prooe~ coni%t~

E~ ~ proc~m de con-ivêncla e emiu ~,, de ft~. PO~alternar e e~s incUna~ a Pen~ que co mOMêntm P~~ de i@ntercÂmb” e=um~s se aPOIãm nwn
aueexce, de conivência naxlc@s~ ~o na vffla dm 9~ c~ na ~ c~ (1) .

(,w> Cf- a cate prop"tx>. a no~ P*w~o de* *$Yi»~, (P. U. F.).
B) o esquema do trabaiho - era t~ahos preo~tes p~ não ~areõwieftn o~nt@en=t@e o sontido d~ ~ mola do liamê oc>lsàcUvto q@ue
nós chámã ~ o lnhw~ @pelo trabaZb» e ~ progi*~.

Quer se ~ de gTupos e~a ou «émo~, tom~ ou lnfó~@ ~t~ sobre a ta~ ou mbr-e si pr~, que a ~ção ~va ‘sleja ~ida com @entusb~ ou

r~va, Oo~to, quL@ sub~ã - ~ túter~ ~ Pr~bl- .


2 pi~lárm~ ~ívd nos grupos ~ ~ de fmlr@gão e nos grupos de ffiorn~ própMa~te ditos e ~~ 0

expill~ mutto bem um ~hte~ @@ <pre~ a~ EWte Inter~é ~~ por todos os ntemb~ do grupo, compi~~ o lffiw e -o rno~, é um 4m fim
db Uame

que manté@ra as ~ em ~unto atm~ dan <nl= ou

das fa~ de ~ez pró~ de todo o de~o Colla~.

Pode~ expl~ porque a parte db tro~bo tão depre~ é exa~ e^ nü~~: é po~ oe consl~ ora o a~ «MOtn*h@O @am o a~ defensivo@ uT=
vm qúe elês se alternam conrus~te o~orme @a ~~ *ro~

dos grupos. ~ «<4to todo o prol~ pa~lpa ~ ou menos de do@és m~ de «a~.’ Há um ~ de ~to oonatrdngente ou ~p~vk) que é o ~ d~^ ^
OM ~ênda, dá a lhipile~ de pr~ de pile~ «êxter«~:

es~ tem 0obretudo, um função pr~ e@ra @e,Ox~sadora- Num p~ ~ gen~. pode~ afi@rn~ qua o homem tende a cmoolãr-@ON de
^ fefie~ hupod~ ou precãrlá, ~ c~ das óbras, dos podwm e dm pr~~ o que o trab ~, e os su~ ~ os da 0~, uma fuga. Mas t~
não ~ o se^ pot-que t~ o

~rço traduz d;esejo de agir o de empreender que IA tranopa~ no da c~ga e que c~tu4 uma ~vação tão fundamental como a de
amar o ser amado. n ~ ~jo que se exp~ «través de, um outm m~ de e~

‘93
d& tenál~ ~ lívi-k-, e InvíenUva ao, qual o a~ chega rara~N não há dúvi<1% do que a c~ÇÊL quanto à orga~ão rwi@ona@
ela não é n~ do que o ~ PrOIOngam~ quando o grupo pr~& à,elucJdaçã@o, das ffl~, condi- ~ 4& exerefoo e corr~ade, to p~ da
(acÇãb, à faminari~01 das emo~ no pl~ affiectivo’

0) 0 íntercdmbio criador - E~ ~ esque~ do enooutro e do trabalho, intervém ~untan~te pára ~ítar ou ~ter o ~ ocalwUvo cujas b~
fundamentais ~ tít~ A oboervação dos g~ naLo~” re~ c3ar@ew~O ~a ~~ão ~ as ~ ~es de ~~ os do ora, estéril ora produtivo, e as do
encontro em qm I~Terem o dooeijo. dE@ poder e o d~jo dê aZei~, o atrextivo e o ~elo do outro, fnter~e constr~ e Inteiro~
a~ Iút@rh"dm, afton~ e@. por ~ omftm^» numa experí~La

er~em e comunItáx@a.

N~ pe~iva comproende~ que a cooper~ Ia~ w~ãnea e definítiva. mm oonffiorme, e vub~vlel. Não é, & f~ m= a m~festação ao m~no
tempo objectiva e ~ do IáÇo, @OokctIVO, Cbn.«ul, Offitw~ a ~ VOOiUv@% - oom tudo o que e~ terno ~ca de e~utivO, o Míame
colectivo, po~, não se reduz a esta dbnè~ ~tiva. Per~~ como qualquer o 1~ f uúdanientalMentC turva

e poliv&~ que ,4,. p~ eOCIaM_Cer sCIn Purifi~.

Sie o ~alIMno dos esquemas e das a~ dim~ comporta uma forn-@a de tx%n,~êncila, não é na extstênc@& de um fio previo, mas em
deternúnadaa experiências últ~: é o pos~ ao~ à intun~e colectiva que pode gww (no sen~ exacto da palavra) aIegria e trabalho e~
quando um grupo, no decorrer de certos perío~, se acha animado por um desejo e ipo~ de crtação. E@2tão@ par~ c~dir o «~ em
conjunto> e o «fazer em ~junto>. E as tomadas

94
de c~~, que ~ o a)Im@de d~ ac^ Plar~aM também dao ~ zonas, afoctiva e ria~ Não ~~ numia tri« ~se ~lectual, n~ numa ffi~ de
~ãncia din~I da VIvên~ do g~. Nleste se^ ~ ~mente, ao nw~ teir”, Ju~mbio e PrOgr~0.

95
SEGUNDA PARTE
APLICAÇOES DA DINAMICA DOS GRUPOS

7 - ENCWL. 41
Notas preliminares sobre a intervenção

Se é verdade que as exigências pragmáticas e afectivas contribuíra,m fortemeate para orientar as pesquisas fundamentaIs em
psicossociologia, não é menos certo que as «aplimç&s> nãó podem merecer este -nome se não se apoiarem, com suficiente rigor,
sobre trabalhos anímados de espírito científico. Tal é o sentido exacto da «pesquisa activa> que lntegTa um duplo objectivo: teórico e
prático.

Ora, em, dinâmica dos grupos é precish reeonhe@cer que aob, o efeito das uriências, do desejo de intercãmbio e até de

uma, corta
penetração nos meios profissionais e em vastos se,etores da opinião, a parte de lmp~Lgação e de aproximação é ailnda
considerável.

Por outro lado, os problemas em causa, como os da pr~ médica, não são apenas de ordem metodológica, mais também de ordem
deontológica, pois trata-se de intervir sobre p~~ e sobre grupos e, com frequência, de pôr em causa siístemas de equilíbrio ede valores.

Toda a «aplicação», quaisquer que swE@jam as suas bases ex~mentW,s, levanta um conjunto de opções de carácter quaise filosófico
que não poderemos tr~aqui a fundo nem

enumerar exaustivamiente. Mesmo quando a iniotativa, é estritamente operacional, ao nível da orgunização do trabalho in~al,
pere@obe-m a eXiL§téncia de oertIm opções implícitas de ordem. ~al ou moral.

Em linhm gerais, há meio século para cá, pa^-,4e de Taffior (1) a Whyte (1), de uni opdni~, t~~, a um ass~ de inquietude humanista. A
atitude met~lógica da corrente lewini~, é experimental, a da corrente welotempêutica é clínica. Mas tanto uma como outra eOtão
anim~
(1) L'0r~sation seientífique des usines. (2) L'H~me de Vorganisation (PIon).
de uma certa fé democrática, cujos limites j& vimos a propósito Ido problema da participação.

Intervenção e formação-Entre as aplícações p~íveis da d,,inãmica dos grupos, umas visam intervirsobre a própria regulamentação de
uma socie~ global (ou de um dos seus

sectores importantes), outras vi,s«m formar, apeilfeiç~ as

pessoaci que pertencem ou nãb a um deitermi,~ grupo.

Na verdade, a distinção entTe intervenção e formação não é <Lqs mais fãeícis. Por um lado, toda a f ormokão visa promover uma
evolução dos comportamentos entre os participantes após o regr~ ao seu quadro pr~~1. Cêrtas formas de.estãgto podem ter lugar na
pi,6pria empresa para além, é certo, do trabalho quotidilano. Por olutrIo lado, m~ i,uter~~ comportam, entre as suas ini~Vas, op@e@
de sensibílização psicosooícial, recorrendo nomead~ ãs disci~ em grupo. Enfim, forniaçáo e 00hrot~ Intervenção não adquire,
gerak~te, oentido sem que sejam englobadas nma ~ele de «p~if@a aeüva>, que permita ao mesmo templo esclarecer os objectivos,
inelhorar c@a métodos, elucidar e avaltar as atitudês. Eshe- é também o 0~ das experiêncilas pioneiras de Lewlü vi~do a rnodifi~ de
hábitos alárnentares, ou o e~ dos grupos terapêuticos de que Dion tirou as suas hipóteses de base, ou aà~ dos seminários médicos
inaugurados por Balint e dos quais trútã~oo mais aMante.

Os dois critérios da intervenção prbprkmiontie dilha que nós parecem solidárilainente ~ífi~ são o f~ de que ela se
desenvo1:v@e no pró~ seio da co~vl~ em eu= e admite no começo a eventdai~ de mudan~ que incidem, não só sobre as atitu~ e as
relações, mas também sobre determinados as~oe própriamente estruturais da organizaçdo. ~im, deve ~tinguAr-9e ao mesmo tempo
das reper-

100
eussões indirectas que pode entranhar uma formação pertinente, e de certas iniciativas pretensamente psicológicas mas, na r"l~,
puramente verbais e até mistificadoras.

Aqui nós visamos algurnas fórmulas de «relações humanas> que consistem em esconder ou mesmo mascarar todos os problemas de
estrutura.

AO insiiútir sobre estas distinções e implicações, não se trata, para nós, de apresentar a príari uma ordemde importáneia ou de
causalidade (1), porque toda a transformação efectiva incide conjuntamente sobre -as estruturas e as atitudes.

A sua solidariedade manifesta-se logo na origem da intervenção, porque ela é sempre desligada por perturbações ou dificuldades na
vida da organização queatínge, ao menos em alguns dos seus membros, um nível de consciênciacrítica. Crítica no duplo sentido da
palavra, porque se torna quase insuportãvel. e leva a duvidar do valor do sistema. Este momento de tomada de consciéncia é, portanto,
decisivo, e o papel da intervenção vai conãistir precisamente em desen-

volver o seu poder dinãmico para procurar progressivamente as condições de um novo equilíbrio.

Todavia, a intervenção não possui um poder de choque a todos os níveis, não se reduz a uma simples diversão intelectuial nem
mesmo a um «parêntese catártico». Nem pode provocar uma primeira fiwura estrutural senão pondo em

causIa o estado de facto, nas situações de encontro colectivo que selam a um tempo novas e «integráveis», isto é, que mesmo
atacando as modelos costumeitos, eles continuam susceptiveis de voltar eficazmente sobre si. Em suma, os riscos
(3 1 A alternativa lancinante entre um sociolog.ismo Que não visse nas

atitudes senão um simples produto das estruturas, e UM psicologismo que subentendesse uma relação de causalidade inversa o Ufi"te@«t p,"e-nos, na ocorrê ncia, bastante estéril.
de inadequação de uma forma de intervenção são duplos: tanto dizem respeito à sua carência de impacto, ao seu carãeter superficial
ou artificial, como à sua influêncía@ ambígua, mais perturbadores do que estimulantes.

0 risco de esterilidade. provém, com frequência, de uma tendência a explorar de maneira demasiado sistemática ou imprópria o
arsenal já clássico do «formador»: reunião, dis- cussão de casos, painéis, jogos de papéis, etc. Uma confusão preguiçosa entre
intervenção e formação pode conduzir quer ao emprego de fórmulas r!g@das e estandardizadas (com pretensões de panaceias) e que
não saberiam responder à pluralidade das situações locais, quer à adopção de um eclectismo amorfo que deixa uma larga margem à
improvisação, mas corre o risco de voltar ao principio ou de acentuar as incertezas iniciais. Vamos pelo segundo risco. -

0 risco de nocividade aumenta quando se introduzem prematuramente, e sem dispor de uma margem de tempo suficiente,
determinados métodos clínicos susceptíveis de rea-

vivar as tensões latentes sem estar à altura de as controlar

ou de manobrar as suas soluções. Como nos casos precedentes, verifica-se sobretudo quando a situação de base não foi prèvÍamente e
sériamente explorada. Se se manifestam processos de destruição, seja ao nível do grupo inteiro seja,ao nível de alguns sectores-chave
sem que seja possível chegar a uma fase de reconstrução, os riscos de perturbação ultilapassam de longe as oportunidades de evolução
positiva.

Gs possíveis campos de intervenção, amplos ou restritos, são múltiplos. Podem ser: organismos profissionais (empresas ou grupos
de,empresas), privados ou públicos; colectividades universitárias ou hospitalares, religiosas ou militares; sindicatos, associações,
comunidades ou agrupamentos diversos.
0 seu volume e grau de complexidade variam de forma con-

siderável conforme os casos.

Como toda a intervenção é necessàriamente situada, aqui

102
e agora - mesmo quando perdura - não se poderá definir nenhum esquema susceptível de ser transferido s;ist@màt1camente. A
singularidade da intervenção opõe-se à polivalência, ao menos parcial, das fórmulas de formação. Certo& esquemas aprovados
noutros lugares podém conservar todo ou quase todo o seu interesse logo que as estruturas e os problemas de uma colectividade
apresentem semelhanças com os de uma outra (1).

Só nos parece possível indicar muito sucintamente al~ princípios de acção concerne-ntes simultâneamente a um método e a uma
deontologia, uma vez que, coinforme, acentuãmos acima, não se pode fugir aqui a uma certa atítude normativa-mesmo que não se
«manipule nem aconselhe».

Neste sentido, toda a forma ‘de intervenção poic<>Iágica parece-nos implicar uma condição e uma opção fundamentais:

A condição é de se apoiar directamente sobre a estrutura, os papéds e as percepções iniciais dos membros da cóleCtividade a que
concernem; A opção é de fazer da evolução (espentãnea) destas percepções a mola de um projecto colectivo de reordenaÇão
orgãnica.

Para tal, o consultor deve tirar partido dos próprios dados do estado inicial e do próprío siste@ma da colectivídade, com os seus
recursos, conflitos e carências. Em todos os casos a intervenção deve ser precedida de exploração e de

sondagens susceptíveis de revelar ao menos a parte explícita desses dados. São estas indicações que vão inspirar tanto a ordem das
iniciativas como a composição e a articulação dos grupos de trabalho. Os procedimentos devem ser ba~te

(4) Cf., a este respeito, o nosso artigo .«Um esquema de intervençisociológica», na Revue française de sociologie. VI, 1965.

103
~veis pam permitir. pouco a pouco nestes grupos a mistura ou a concentração dos membros de diversos estatutos. uma
confrontação de opiniões, uma elucidação dos males e

das aspirações, e para chegar, finalmente, se a evolução das @ÂtU~ o pe=Itir, às se~ preliminares, em que os rea-

justamento3 perceptivos po~ gerar um programa deacção concreta.

Nada ~ante, em princípio, que um tal processo seja sempre possível. Nunca se tem a certeza de que as diversas ~ncias da
colectividade consigam resolver as sum Incertezás e os s~,C~,itos, a redefinír determind os fins comuns,

a oonciliar os seus intei@e~se, eventualmente, as suas Ideologias. Mas julgamos que o consultor não poderá comprometer-Se numa.
intervençã o se não tiver fortes razões para p1ensar que leste prognóstico é verosímil. Precisemos, enfim, que'não existe outro
objectivo senão o de ajudar a colectividade a decídir por si niesmado seu futuro e a realizá-lo em

função do conjunto dos factores que se apresentem no

dedorrer dos s~ trabalhos.

]@ neste sentido que se pode aceitar aqui a expressão, por vezes menosprezada, de papel não directivo-tendo o cuidado, todavia, de
precisar que o consultor pode ser levado com mais ou menos frequência a apresentar métodos, técnicas, dos quadros conceptuais
susceptíveis de favorecer a

progressão de trabalho comum e a recorrer, fora e dentro da

colectívidade, a algurnias inkiativas de formação.

n essenciálmente, à apresentação das fórmulas e das técnicas ~ salientes da formação psicológica que será consagrada a segunda parte
desta obra (1).

(1) Para as aplicações das situações de grupo aos diagnósticos indi-


viduais (manifestaçÃo das aptidões, selecção), que não abordaremos aqui, consulte-se C. Lévy-Leboyer: Comportsme-nt 8ocial et caractéristiques indiwiduelles (C. N. R. S.,
1963).

104
CAPITULO VII

A FORMAÇÁO PSICOSSOCIOLõGICA.

SEU SENTIDO E SEUS NIVEIS

Não se trata de formação profissional, estritamente técnica, cujo d@senvolvimento recente é, aliás, considerável (estáglos de gestão
axlministratíva, de pesquisa operacional, de simplificação, do trabalho, etc.). Tão-poueo se trata de mera

,informação de carácter didáctico sobre os a;spectos psico16gicos e sociais da vida profissional ou sobre o problema do mando. A
forrntaçáo que se inspira nos esquemas e nos resultados da dinâmica dos grupos pretende ser essencialmente

tanto uma sensibilização directa aos processos racionais como um treino para a prática e a ortentação das discussões de grupo. Este
dominio, de aplicações designa-se geralmente pelo nome,de «Pelações humanas», mas nós rejeitamos esta expressão porque @>e
presta a omissões ou a interpretações tendenciosas: uns consideram ditas relações. como um sector excluoi,vaniente psleológico, leia-
se sentimental, com suas necessidad@-_s específicas que basta alimentar; outros julgam que se trata de uma inovação astuciosa
destinada a suavizar os

Oondiclonalismos de determinado sistema socib-económico.

Ora. na verdade, assistimos, desde há uns quinze anos

com um certo desfasamento entre os Estados Unidos e a Europa -, ao desenvolvimento de um novo fenómeno que apresenta uma dimensão cultural: em quase todos os meios
sociais, compreendidos os mais tradicionais e hierarquizados (como a Igreja.e o exército), relvindica-ge mais ou menos vivamente a constituição de equipas de trabalho.

Entre os numerosos domínios em que já funclõnaxn, tivamente, grupos de trabalho, citemos as «~,niões> na Indústria e na adralínistra~; grupo e as equipas de tratamentos nos gw
‘”
as equipas de reeducação nos centros psicep~gico@s; alguns «departamentos» <1a investigação científica.

Mas assaz frequentemente, como o noUrnos nia introdução, o espfflto de equilYa permanece sobretudo como uma

aspiração, ou seja, um alibi, por causa dIAS reticéncias ou

das ambivalências frente a uma verdadeira acção colectiva. Esta a razão por que as fórmulas de treinamento prévio apaxecem, como
um dos meios mais eficazes para reduzir estas ~stências. E é assim que nos próprios sectores -mas mais frequentemente fora das
colectividwIes de trabalho -se

multiplicam as gruM de formação. Sob diversos noffies:. encontros, colóquios, reuniões, estágios, seminários - sendo

este último termo o mais « significativo porque evoca semente e renovação - trata-se sempre de uma certa sensibilização u@ús
processos de grupo.

Antes de observar os métodos empregados para esta formação devem conhecer-se quais são as fontes e os sIgnificados profundos
destes novos fenômenos.

I - Significado e funções da formação

As necessidades às quais procura responder a formação psí,cossocial existiam já, em estúdo latente, há muitas décIadas, mas
tornaram-se cada vez mais agudas e conscientes.

Tendem a uma evolução e transformação profunda das nossas sociedades, em todos os planos.

Mudanças sociotécnicas, primeiro: o considerável crescimento do tamanho das grandes empresas, a complexidade das estruturas, a
insistência da especialização criain uma necessidade de articulação e de sintese. A divisão,dosae~es ou. dos serviços entranha a
disparidade e, ao fim e.ao cabõ, a anarquia e a asfixia. Parece então indispensável - ao

mesmo tempo segundo um eixo vertical e outro horizontal -

io6
instaurar processos de informação e de coordenação. i9,@ sobretudo ao nível da preparação das decisões que implicam o

diagnóstico de uma situação global e um prognósti@co pertinente, que o recurso ao trabalho de equipa se afigura urgente. Tem de considerar-se, com
efeito, um conjunto de dados que um só chefe, por muito dotado que seja, não pode apreciar e dominar na totalidade, pois arrisca-se a tomar decisões
inoportunas ou aberrantes ou que tem de modificar,ao correr do tempo.

Assim se explica, nomeadamente na gr indústria, a importância das reuniões e das interligaçõesa dive~ níveis.
0 mesmo acontece em qualquer estabelecimento ou organismo, por pequeno que seja, desde que a sua estrutura comporte redes de comunicaçã o por
circuitos distintos. Em resumo, do ponto de vista técnico, a promoção do trabalho em grupo responde, portanto, a uma aspiração de eficácia

e de coordenação.

Correlativamente, no plano sociocultural e ideológico, o das relações de poder, processa-se, há já um século, uma evolução d@@ formas de autoridade,
que se acentuou ainda mais nas últimas décadas. Pode-se falar de uma espécie dê revolta em cadela dos «mineiros>, de várias categoriás: greves e
sindicalismo operãrios nos fins do século XIX; movimento feminista no começo do século xx; processos de descolonização na Ãfrica e na Á sia, nos
nossos dias; agitação e reivindicações dos «jovlens» nas próprias sociedades. Em todos os casos trata-se de modificar um estatuto de estreita
dependência, de protestar contra o que se considera uma forma de alienação.

Aliás, este fenómeno é bilateral porque se traduz súnultãneamente pela reivindicação de uns e pela dúvida-diga-se consciência malévola-de outros, face
a uma meramente autocritica ou paternalista. Manife~I -se em. ti, Mw

os planos: não sómente profissional, mas t-am~.,.


Notemos, porém, que à diferença da mudança técnica, %ta mudança cultural não suscita, por si mesma, novas equipas, mas
transforma o estilo das relações preexistentes nos

grupos tradicionais. Esta mudança é que está na origem do estado de crise mais ou menos viva apontado mais -acima:

Que pretende ele? Em geral, certamente, a substítuição de um estilo autoritário por um estilo cooperativo, mas o

estaboleciirnezito de-,«@te novo equilíbrio está ainda longe de ser

geral e harmoniosamente realizado. o des~bro aparent@-mente Irreversivel da forma autoritãría, entranha, consequ-; temente, um
estado de incerteza em que as mssurgências antigo modelo alternam com as sequências do «deixa andarp ou tentativas de manobra.

Não se poderá afirmar que, actualmente, os problemas da,autoridade e da participação já estão resolvídos. De qualquer modo, esta,
dupla evoluçã o técnica e i~lógica leva-nos

a uar a impo, -cia, a s os n um Pa a o colé-etivo e cooperativo, e a discussão aparece@nos ~o o

meio demanter a coesão dos grupos onde a ccntestaç@ko do autorítarismo sé tornou origem de subprodução e de desa-

fecto. n pu@CcÍs~,ente para facilitar intercâmbios colectivos efi~ que se aplica a formação psico~lal, com o auxilio

de seminãrios de trabalho em grupo. Esta é a sua função manifesta e proclamada. Mas junta-s@e-lhe uma outra funçao latente que é
extremamente revelladota a um tempo da enfermidade das sociedades técnicas e do papel ambíguo da formação.

Esta função latente é de ordem afectiva. Oorresponde umpouco à função de uma «janela>, de @m,«parêntIese> para os mèmb~ de
empresas e de organismos em que reinam a

impersoúalidade, a separação, as tensões de toda a espécie, uma contè_s@tação mais ou menos clara da autoridade. Esta imagem da
janela Justifíca-se pelo facto de que a situação que se apresenta,aos participantes na maioria dos s@eminários

108
e dos estãgios de formação é vivida como aberta, prometedora, em todo o c~ mais livre do que a do trabalho quotí~o.
Taxnbém a nossa própria experiêncta de ~inár” nos mais variados cont extos pr<>f~õnais nos conven~ que existem. entre a maioria
dos participantes esperanças conf ~1.

Além do interesoe explícito de aperfeiçoamento expresoo em termos de «maaor eficácia> ou de «melhor compreensão do outro>
percebe~ um desejo mais ou menos conscl~e e ardente de comunicação, de encontro.

Assim, poderta dlizer-,se que a socledade tecnoerãtica segrega, de alguina forma, de tais semiziártos, m~ búvez para aí elaborar novos
rn~os de tra~o do que pe^ realizar um retorno às fontes afectivas profundas nos grupos restritos que e~jiam à altura da per~ão e
da,afeição humanas: quer dizer, grupos em que o índíVIduo não se encontre nem solitário nem perffio numa massa muito densa.

Deste modo levado a uma intexpre~ ao menos paretal dia formação em termos de compensação, de liberação aXectiva e
talvez a uma Interrogação ~ @_-xige_nte sobre a s” imp~nc@a.

Em determ~ as~, com efeito, os grupos de diseussào, e mais geralmente qualquer sèctor paraprofiosionã1 da f~ação moo~-se como
um ~o de rem~trar

alguns lugares de comunicação mterpe~, sem comprometer cUTeetamkmlbe o equilUbrLo ~oburocrático. ~u*la-se que as evúluç~ de
atitudes Induzidas pela formaçáo se transferem, de segulda, par~ e progressivamente ao terreno quotidiano. Com efefto, tal não é
possível se não oferecer unia corta p~ci~ e a pi~ça vIrtual de a~ «~>. No ~o coútràrio, não se faria senão reforçar a dLspa~de de dum
situa~ e as peo~ atidas a encon~ um quadro prof~~ Intangivel, con»e@~o a ncio~ da inthnIdade e da cooperação, seríam, lev~ a
contraste antes desconhecido. Um problema grave porque atmge o próprio valor da experiência de formação.

De facto, o mais frequente é a rcálidade situar-se entre os- dots, ou seja: que ft~ apresenta rigidez absoluta nem malleabilidade
considerável. Urna vez que apresenta flexibIli- ~, subsiste uma oportunidade de inovação e a formação

pode, assim, representar o seu papel de fermento.

II-Os níveis da formação

1. Aspectos gerais -Toda a formação psicossocial, dizíamos acima, se esforça por sensibilizar os participantes, gTaças a determinadas
experiências colectivas, ãos múMplos aspectos ~ p~~ racionais. 0om efeito, quando estamos di~tamente a~berbados com as urgéncias
ou as rotinas da vida quotidiana não podemos ver ~ão confusamente o

jog*o das atitudeLs, Idos papéis, dos sentimentos e as suas reper-

cus~ sobre os comportânicintos profissionais. Ou então limitamo-nos a reagir como «r~pt^> à pemepção de tais fenómenos quando a
atitude de out~ nos frustra ou nos

inq~a. Mas é raro que delmos,&tençáo ia nós próprios como «~@goreis> para os outro@s. 0 grande int~~ dís'sÍtuações de formação,
que constituem uma ~ele de «,parênteses> em que os participantes são progre~mente subtraidos ao ~strangimenta de trabalho
corrente, é de permitir-lhes tomar melhor co~lência dIostes ~tos psico~iais e de os educ~ em ~junto por umá. donfrontação das
percepções

de cada uni.

Mas esta formulação ficarta gravemente in~pleta se não evoca~ mais cio que uma demoberta e uma análise de ordem ~Icctual. 0 fim,
explícito ou implícito, de toda a

formação e promover uma certa evolução considerada como ~tiva, na aconência de favorecer o ajustamento das pes-

II0
soas às rela~s de grupo e mais geralmente ainda reforçar ia sua aptidão para comunicar e cooperar. Ora, o próprIo de uma stItuação
face a face, e nomeadamente da discussão de

é suscitar IneviUvelmente processos de confrontação, de tens4o, de desequilíbrio, que reclamarão, para s@e resolVeI@em, esforços
de adaptação e de elucidação.

Assim sedescobrem os traços comuns a toda a iniciativa de formação -em p@equenos grupos. Trata-se sempre de levar
os.partiáp`antes a viver, a compreender e a dominar os proble~ afeotivos e funcionais po~ em jogo pela oituação ~ que estão
comprometídos. Mss os suportes desta situação o os procedimentos empr@gados podem variar em função do nível espocífico dos
objectos propostos.

2. Aspectos diferenciais -A dIctermiziação dos objectivos espocíficos do semináfto ou do estágio de formação é muito importante
porqw implica uma congruêncla siufici@&nte entre a oferta dos «formadores» e a procura ou o que se espera, dos particípantes. Por
conseguinte, levanta probleniãs que s&6 ao mesmo tempo metodõlógÍÍcos e deontológicos. Sem que se pretendá, conseginr uma
cliassifioaç&o rígida nem exaustiva, podem distinguir-se, em todo o caso, três niveis de objectivos:

A) Treino para efectuar e, eventualmente, orientar o trabalho em grupo-Trata-se, em tal caso, de t~os participantes sensíveis ao
funcionamento e aos recursos da diocussão de grupo, nomeadamenté- a r~ão que vise quer unia tomada de decisão colectiva quer o
estudo das atitudes em face de um problema.

B) Experiência intensiva dos processos relacionaisPazWeIaffiente a um trabalho, trata-s@e de cml~r ao vivo as ^ul~ da
comuiúcação para lhes procurar as e~-

e M ~~ Vendo em conta t~ os níveis aos quaffis os proOemos se desenrolam: coloctivo Int~~, tndi~
C) Formação de foi-madores - Embora ~~, -er4~temente, a experiêneta dos do” precedontes, e~ objelcUlvo contínua específico na
rnewda em que rec~ unia aprendizagem, muito mais prrlon~ e determina~ f~ de contrôle. Pbr outro lado, ~ma a atenÇão Para w 0~1”
oocibprofimimats às quais os diferentes gi@au@s de f011~

ou menos egpwlfkwn~ de@8t~ a práUco,,da díwu~ de gxupos é su~vel de interemar t~ 08 «qua-

~ no mais V~ octitido da ~vra, 1~ é, q~~ que seja o seu po~ Me~co ou o seu melo de lntm*~Çã» (pr«L-41~, s~, grupos de lazer, etc.) .
~0 ão expériên~ Intensi~ ~oemem aobretudo ~ *,ct~ ~ que as r~~ conotituem o renó~ ~, pelquÊatrais. &M~,es; maio geral~ t~&
quaft” oe po~ considerar ~o «~~tes 50~, s~ COMO

0~ qu~ CnOarregadm de it@Mbd~ C0I@mente ~ii~, talia ~o os ~” de P0~ 0@’ Os

aervi” de orlonta~. A fortiori se compr~e que t~ aqu~ que nibitst^= uma formação em 9~, qu51quet que
9e@ja a fórmula, não d~ expor ó6 ~0 Pa~i~ à Oorte das suas Impro~~.

S. Os Procèdimentos dê formaÇão - CORIO Mu~ Ou~

que~, a fomia~ polõo~d@oló~ unia vez que não é uma ~ação, ~ ~aç~ por du” ten~ 0P0~ ‘a

da ro~ e a da n~. A r~ oon~ em aPIdOara06 ni~ dive~ c~ fórb~ bem rod~ é 0~, n~ i~mente e~adoo paTi,,,, d~u~ Sítua~ oow*dkn~ em
se~ como tron~wíftom. Para dar w~ com um exemp(bo, citetmos o reourso oláw~ ao <m~ dm
0~. A rnocla, ^ ~r*Tib 0M~Tia em dMden~ das fórmUIM om&de~ ~m~ ou ouperf~ para rWorrer exe~v~te a tõon~ n~ ro~es e n~ Inte~ Por
certo, mas “ @ev~n, em d~mta~

112
díliculdades de ordem t~ea e deontológica. Citemos aqui o

exemplo dos seminários de >grupos -de base ou grupos de díagnóstico.

Chegamos ao ponto -,rucilal da ~olha dos procedimentos de forniação. Assim como não existem panaceias uni~~, também não
existem modos excluoíVos e decisivos de proceder. 0 verdadeiro método não se confunde com o empreg,0 de qualquor técnica-
cliave, mas sim na apropriação de fórmulas de formação aos objectivos pretendidos o às situações locais.

Convém, poi@g, considerar as ~ln~,preeexkntes, relativas aos objectivos, para tentar a~lhes, as téc~, mws pertinentes em função de
níveis.

Níote-se bem que não se trata do nível das pessoas participa~, mas; do grau de intensidade da exp~ncia psicossocial proposta; e
sobretudo do grau de e@dèseonW~ame~> provocado ~ situação de 1~ ção.

Este descondiciõnam~ - que constitui um poderoso factor de tensão e de evolução potèn~ -de~ di~mente do grau de estrutuPação
própria da situa^ da qual se partê. Esta apresenta, ~tívw~te, uma gama b”~ vasta, que vai da mais estruturada quanto ao &-,u
conteúdio e procedimento:

- apresentação de um pro@bIema a r~Iver em que t~ os

dá~ e~ disponíveís;
- ~~ão de um director de grupo que adopta expliei-

tamente uma ~ <* de direc~ determinada, até à situação menos estruturada:


- nenhum *problema colocadlo ao pri-aapio;
- nenhum líder prè~ente ~gm~.

N~rnos, não ob,-Otan%, que qualquer que seja a fõnnulã, existe sempre, nos grupôs de forn~ uma estrutum

min~ conotítuída nIonicadamente por:

8 - ENCICL. 41 113
- o próprIo objectivo da formação, apesar da imprecisão dos conteúdos iníciais;
- as próprias espèranças dos participantes, mais ou meno,3

conformes com o objectivo;


- apr@esençà de um monitor ligado à prossecução do objecà

tivo e possuindo uma larga competéncia técnica (1).

Se o objectivo é tornar os paiticipantes sensíveis ás modalidades da discussão de grupo e à orientação da reunião,


* fórmula de trabalho ficará relativamente estruturada tanto
* nível do conteúdo como do prociedimento. Os suportes inicliais idos intercâmbios poderão consistir em «~> ou em ~,as>
profissionais propostos pelo monitor e que ele tratará de estudar ou de rMobrer.

Um grau mais débil de estrutuilação poderá convir a grupos departicipantes prilofissio~Lente muito hornogéneos. Pbr exemplo, a-
busca de temas de Inter~es comuns destinados a construir o programa das &~sões de grupo, ot o exame cólectivo de casos vivi~,
directamente apresentados por este ou aquele membro. Esta última fórimula, que perimite passar, em poucos momentos, da an~ das
atitudes e .das,relações de uma pessoa com o seu ambiente profi~ nal à análise destes pro~ no interior do próprio grupo de trabalho,
pode ser particularmente fecunda (2).

Em todos estes casios, as discussões são íniclalmente oriêntadas pelo animador conforme técnicas de que tirará p«~ para o modo
operatório. Após várias sessões, a direc-

do grupo pôde ser confiada a um dos membros. E cada -4~ terminará com uma avaliação durante a qual serão exanunados não apenas
os problemas de procedanentos, mas

(1) Nomeadamente os grupos de diagnóotico, cujo procedimento exa-

minaremos mais adiante.

(2) É a esta fórmula que se atêm os xGroupes de formatiou de médí- @c!ns» inaugurados pelo psiquiatra Balint.

114
tain,bém os processos de natureza soelo-afectivâ: atítud@@, ~~Ao de papéis, graus de participação, etc. , Quando se trata de
objectivos mais especificamente - ou,

até, exclusivamente - psicosoociais, pode ser pertinente recorr@er a proc@Offimentos de formação menos estruturãdos. o descondicionamento
psicológico intenso que implicam favorece a tornazIa de consciência e a evolução das atitudes. Tal é a fórmula do grupo de diagnóstico (ou grupo de
b»e).

Antes de voltar de modo mais pormenorizado a estes di,f~te@s métodos, ~rdemos o que dizíamos msds acinia: a formação para o trabalho em
grupo em princípio é una. ~ os suportes da sítuaç” colectiva, os níveis e os procedir~os de análise que podem variax. Trata-se de op~ aju~as e
de nenhum modo de um eclectismo arbitrário -tão de criticar corno o dognia de uma técnica exclusiva.

115
CAPITULO VIII

OS M2TODOS DE FORMAÇÁO

I - Estágios de treino para a orientação de reuniões

Estes estágios destinam-se, geralmente, a «quadros» de toda:sas ordens (industriais, administrativos, comerciais, sin-

dicaJs, etc.) cuja função comporta unia parte mais ou menos grande-e por vezes consíderável-de trabalho em pequenos grupos
(reuniões, conferèncias, comissões, etc.). Tudo que concerne à'participação em discus@sões colectivas, e sobretudo

a sua orientação, reveste-se do maior interesse.

1. Os objectívos-A maior parte das discussões profissionais comportam quer o estudo de um problema, quer a sua resolução, quer as
duas coisas sucessivamente.

- 0 objectivo da exploração (estudo) manifesta-se essen-

cialmente a propósito do estudo de um projecto ou da preparação de urna decisão. 0 mes@mú se diga quando se trata de conhecer as
reacções provocadas por uma*proposição ou uma inovação. Estes casos podem aprescntar-s@e quer no interior de uma colectividade,
de qualquer empresa, quer junto de um público actual ou potencial no quadro de um estudo de mercado ou de motivação de compra.
- 0 objectivo de resolução consiste em tratar e resolver, um

problema com vista a uma decisão colectiva. Pode apre- .sentar-se igualmente nas mais variadas situações, onde quer que um
responsável deseje associar os seus adjuntos ou os seus parceiros à dirlecçã:ó dos trabalhos, por exemplo, na hora de escolher e de
experimentar. novos métodos. N., caso de comissões consultivas trata-se sómente seguir um acordo sobre determinadas Pr~O«

à instância que tem o submetidas, seguidamente,.


decidir. Mas o processo de discussão é, análogo. Compreiende-se que estes dois objectivos se possam suceder em função da
maturação dos problemas em- suspenso e no quadro de uma liderança de tipo cooperativo.

2. As técnicas -Qual é o papel do que promove uma reunião, a partir do momento em que o grupo é convi~ a discutir um problema?
Paila responder a esta pergunta devemos terem conta, ao mesmo tempo, o própr@o functonamento -de toda a discussão, as diversas
maneiras segundo as qm3ds o orientador pode influenciar ou facilitar este funcionam@Onto e, enfi@-n, o procedimento que se
apresentá como mais pe-rtinente em relação ao que se preb--nde.

0 esquema que vamos apresentar inspira-se est~mente nos conceitos e nas pesquisas da dinâmica, dos grupos apresentada na primeira
parte.

Exista ou não um director designado, duas funções os~ciais se conjugam logo que se estabe,1~ a discussão: a, de produção, que
consiste em desenvolver idelas, conteúdos verbais, e a de regulação, queconsiste em estruturur ú conjunto dos intercãmbios, ou seja,
os conteúdos produzidos -e as pessoas que os produzem. Se faltar uma certa congruência e

uma certa progressão, a situação será a de clàs~~, de confusão ou de estagnação e imediatamente de dispe~ dos membros do grupo.

Esta função de regulaçáo envolve igualmente as* duas

zonas várias vezes apontadas: a dos fenómenos operatórios, da organização, do procedimento de trabalho, e a dos fenõ-

menos afectivos, ou mais geralmente dos processos relacionais, porque as interacções implicam símultâneamente afectos e acções,
desempenho de papéis e influência. o problema da direcção das reuniões está no grau e no estilo de intervenção -ou de não
intervenção -do orientador, com vista a facilitar a prossecução do objectivo.

TIB
Esquemãticamente são possíveis três técnicas:

A) A técnica que se pode qualificar como directíva quanto ao procedimento -segundo a qual o Grientador conOentra.as suas intervenções sobre «a o-
rga@áízação>, a fim de

facilitar a produtividade do grupo e eventualmente o encontro

de uma solução comum. Deve, pois, contribuir intensiva-

mente:

- para a planificação do problema;


- para a estruturação dos intercámbios;
- para a coordenação das achegas.

Em matéria de «produção», a sua contribuição 1"tar-se-á exclusívamente a fornecer informações, porquê s@e ela se estende directamente à expressão dos seus próprios deseJ,Nq,
cai imediatamente da situação de discussão numa . reuniá<@

de mera transmissão de ordens.

B) A técnica de “pírito não directivo, assim chamada por se inspirar nas ideias e nas atitudes de C. Rógers (1), é essencialmente «catalitica»: p~reve toda a influência sobre o
grupo tanto a nivel da sua produção como do seu pmoedimento, para lhe permitir exprimir-se «tal como che- é>.

Com esta finalidade, o director concentra exclusivamente

as suas intervenções sobre:

- o esclarecimento e a coordenação das achegas;


- a clucidação dos processos de relação.

Esforça-se por facilitar ao gTupo a tom~ cia do que t-1e faz e vive ao m~, te~ niões, das atitudes e das relações processos afectivos). Fala-se com

(1) Cf. Le déveloz,pement de 16 im@


de «eopélho>, termos equívocos na medida em que correm o

r~ de serem tomados num sentido passivo e ropetitivo


4u9.a@do -se trata de fidelidade e de lucidez selectivas, atendo-se o director a destrinçar o que se mostra importante. significativo, do ponto de vista do
grupo (ou seja o ponto em si meomo e não segundo o que ele julga àer).

Como se vê, a influênc@ta do orientador não directivo exerce-se não ao nível da acção, mas da percepção - que

pode, evidentemente, reagir sobre a primeira. Concentra-se essencíalrnente sobre a relação do grupo com o problema tratado, mas não sobra o problema
em si mesmo.

C@ Técnicas mistas - Se o oríentador participasse, ainda que parcialmente, em todas as operações como outro membro qualquer, não se compreende
como se poderia falar de «direcçãó de reurLião>. Por outro lado, o seu papel, aos olhos dos participantes, seria ambíguo, porque seria,ao, mesmo tempo
«n~bilo» e «ditoctor>. Neste sentido, uma orientação integralmente cooperativa aprosenta-se senão insustentável (pode r~ar-se), ao menos desprovida de
critérios «técnicos». Ao contrário, se se distingue, no decorrer de uma discussão concentrada ãobre o estudo ou a solução de um determinado problema,
uma fase consagrada à busca das dimensões dest,-problema e de um plano de estudo, e uma fase destinada à

confrontação das opiniões e das sugestões, podem aperceber-se duas modalidades «mistas» implicando uma cooperação do oilientador no decurso da
primeira fase, enquanto na segunda ele põde: ou adoptar um comportamento directivo sobre o procedimento (ou .seja, velar enèrgicamente pelo resp~,
ao plano pree-stabelec,ffio) ou adoptar uma técnica não di,rectiva, deixaÊdo ao grupo liberdade para manter ou não o seu programa, encarregando-se,
todavia, de dilucidar os motiVos que porventura terão provocado modificações ou meandros imprevistos.

120
3. ‘A adaptação das técnicas aos objectivos -No caso

de um objectivo de estudo, quer se trate da apreciação de uma situação actual ou da reacção a um projecto de reforma, o
oríentador pode escolher entre a técnica não directiva e a técnica mista que é a que mais se aproxima, A opção depende
esse@ncialmente da natureza do problema em suspenso e da

situação em que se encontra o grupo que o aborda (composição, recursos, nível de experiências, momento, etc.). Em ~ o caso, não
parece que nenhuma das outras duas técnicas seria aconselhável na medida em que qualquer intervenção directiva, a não ser no modo
de abordar o problema, corre c,

r*^ de falsear a priori todo o projecto de estrita «exploração>.

- Inversamente, no caso de um objectivo de resolução, de

tomada colectiva de decisão mais ou menos urgente, e.

orientador pode escolher entre uma técnica directiva sobr,@ o procedimento ou a técnica mista mais próxima. Em tal caso, uma
orientação não directiva apresenta-se inútilmente longa e, até, aleatória.

No decorrer da sessão de formação convirá aproveitar todas as oportunidades para realizar e, alternativamente. orientar as discussões
segundo estas diferentes técnicas. Os esteios são em geral fornecidos pelos «casos» tirados de experiências profissionais concretas e
que possuem, conforme o

oarãcter homogéneo ou heterogéneo dos gTupos de trabalho, um signifícad<) específico ou transespecífico. n igualmente possível
discutir sobre casos,apresentados pelos participantes ou elaborados em comum por alguns deles.

Cada sessão de discussão é seguida de uma avaltaÇ-ãQ,, que comporta a auto e a intereritica do orientadOr,:, participantes. Para
efectuar esta !análise pode wrJ@ rir@se a um esquema das operações concr~ às principais funções assumidas no decur00,
FUNÇõES ASSUMIDAS NO DECORRER DAS DISCUSSOES

FUNÇõES DE REGULAÇAO

A) ORGANIZAÇÃO (Procedimento relativo ao conteúdo)

a) Fixação e planificação do problema

1. Apresentar o objectivo, o tema ou o pro-

blerna.
2. Apresentar as dimensões do problema, um

quadro, um método, um plano (conseguir a adesão a estas propostas).


2 bis. Contribuir, com o grupo, a deslindar.

os precedentes.
3. Manter o grupo no quadro fixado.

b) Estimular os intercâmbios

4. Apresentar as questões relativas ao pro-

blema (um relanço a partir das achegas precedentes).


5. Facilitar a participação de cada um.
6. Estar «presente» no grupo.

c) Esclarecimento e coordenação

das achegas

7. Reformular, resumir algumas intervenções. S. Confrontar, interligar as achegas (des-

trinçando os pontos de acordo ou de desacordo).


9. Efectuar um balanço progressivo (ao ve-

rificar estes pontos).

B) DILUCIDAÇÃO (Dos processos de relação) lo. Catalisar a análise e a interpretação dos

processos (papéis, sentimentos, etc.). li. Provocar com questões aquelas operações.
12. Formular análises e interpretações.

FUNÇA0 DE PR0Dl@ÇA0

m Fornecer informações, definições, comèn-

tários.
14. Emitir opiniões, avaliações, críticas.
15. Fornecer uma sugestão, uma. direcção,

uma solução para o problema.

(1) DP = directiva sobre procedimento; CD = cooperativa-directiva; eND = cooperativa não directiva; ND = não directiva.

DP

C D@

MIS

GNI) N D TAS
X

X
X

1 @,

11

X
X

X
X
X

X
.X

X
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X
X

“< i

X
X

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1X

X @

X
X
0 esquema proposto na página anterior não é nem exaustivo nem exclusivo. É o resultado de análises de conteúdo de
um grande número de discussões orientadas conforme as técnicas anteriormente evocadas. Quer dizer que constitui uma espécie de
compromisso entre. uma formalização normativa e experiências várias e comparadas. Fruto de uma elaboração e de uma reflexão
crítica progressiva, não pretende .§er, em todo o caso, um modelo fixo. Por outro lado, interessa buscar ali o que se pode, chamar o
«tronco comuni» das diversas técnicas. Corresponde a um determinado número dIe

iniciátivas essenciais toma@das pelo orientador e que to~ simultãneamente na zona operatória e na zona afectiva:

- apresentar o objectivo, o tema ou o problema;


- estar presente no grupo;
- esclarecer e coordenar -as achegas.

Veremos como estas operações se encontram até nas fórmulas menos estruturadas ao princípio, corno as do grupo

de diagnóstico.

11 -Os seminários de grupo de base (ou grupo

de diagnõstíco)

Como já indicámos, estes seminários co

de formação que apresenta o mais fraco 9~, e, correlativamente, o máximo d,.e-.,,se@e-o^ndi@C tuam-se fora do quadro profissional-
WN quadro urbano. Fazem-se em reginie,<'W’ bros que os compõem não tiverajn,,, prévios entre si ou, pelo menos, dência ou de
familiaridade. Enco mente, numa Situação de ~,êMi~

IÉ2, 1.
a determinadas evoluções no dominio das atitudes e das relações.

A maior parte destes seminários é consagrada a sessões

de discussão livre, sem ordem do dia nem problen@a especifico a resolver, devendo, não obstante, expor-se claramente o objectivo:
viver uma experiência de comunicaç” esforçando-ge por dilucidar os processos, as suas dificuldades e soluções.

Conforme a duração do seminário (que pode ir de cinco a ‘dez dias), intercalam-se algumas sessões entre as precedentes,
nomeadamente algumas exposições teóricas ou algum» reuniões plenárias quando muitos grupos de base fun-

cioniam símultâneamente.

. Convém, então, que o conteádo das primeiras e a orien-

taQáo das segundas contribuam efectivamente para a integração da experiência de base, evitando os riscos de confusão ou de
dispersão.

0 próprio termo de «grupo de b"e», de inspiração bioniana, tem diversos equivalentes: «grupo de dJagnóstico@@, «grupo,
concentrado sobre o grupo», ou em franèo-inglês T group - abreviação de Training group inaugurado eni

Bethèl, Estados Unidos, pela equipa de dinamicis@tas formadores dos National training laboratories e autores de um recente
simpósio.

1. Sentido e camínho da experiência-O que caracteriza a situação inicial em comparação com os da vida corrente é, em suma, um
colocar «face a face» sem a existência de

urna regra de jogo nem uma estrutura prévia. o potencial formador de uma tal situação é levar os participantes a construir
progressivamente um sístema de comunicação e de contrôle e a descobrir e resolver uma série de problemas tanto afectivos como
funcionais. Assim se compreende, também, em que medida esta situação -que pode parecer artificial

124
ou sobretudo experimental - é eminentemente concreta e

carregadia: porque «exist@e>, cada um nela se encontra embare-adb,e tem de reagir de qualquer modo; suscita uni conjunto de
sentimentos, de questões, de comportarnentos que vai ser preciso, tentar esclarecer, hitlercambiar, ajustar para «ènc<)ntrar uma
salda>, «fazer qualquer coisa em conjunto>, «tornar-se um grupo>. Neste sentido apresenta-se mais urgente e colectiva que qualquer outra e
nomeadamente do que a diseussão de um c~ exterior -e individual ou do que a representação de um papel imaginário; a sua natureza é própria-

mente exiotencilal.

Ta@mbém é difícil concèptualizar os traços e as fa~ da aventura que é todo o grupo de base. Uma vasta literatura foi publicada sobre este assunto a partir ‘da experlència directa e
da análise dos conteúdos (registadós) dê múltiplos grupos. Porque eata fórmulã de fo~ão constitui paralelamente um m~ de pesquisla activa, nomeadamente po^ a afectividade
coléc-tiva -e pw% os proo~ de gestação dos grupos, a contribuíção clínioa fornecida pela terapia de grupo que aqui se liga com as diferenças sobre as quais voltax@enios, é
i~mente Importante, corno se viu a propósito dos ira-

balhos de Bion.

Apésar de p~erências e, até, de interpi4taçõe9 díver~


- que forazn largamente, expostas no prece~te capítu lo-

os cl”~ em geral estão de acordo nos seguintes pontos:

- a presença inhelal de um chma confuso, de aziMedade, de

Incerteza e de esperança;
- o caráioter sobretudo defensivo dos esforços de produ~

de proeêd~to ou de manipula~ a que se entrOgaM numerosos partic,1pãútes;


- a repressão qu~ absoluta dos sentimentos experÈrn~-’.”@”

dos quer em relação aos companheiros quer em.


ao monitor’ e da própria situação -o que entranha uma acumulação de tensões intra e interpe~ais; a emergência progressiva, mas
sinuosa, de um sistema de papéis e de um estado de interdependènc,@a.

0 estabelecimento de uma cooperação orgânica e eficaz não é possível senão após ter ultrapassado e dilucidado os avatares pr~entes,
aceitando nomeadamente comunicar os sk-,n,ti'-rne-ntos e tratar os conflitos subjacentes.

A interpenetração, dos factores emocionais e operatórios

~festa-se, assim, a todos os momentos e a todos os níveis.

A ~I inicial, processual e de manobra é, por sua vez, uma m,~ira de assumiT, provisàriamente, certas ansiedades e de Eoe prevenir
contra a arbitrariedade ao tentar restaurar certos mdMos mais habituais. Quanto à ~ de cooperação, nunca é espontânea mas posterior:
não se verifica senão quando os participantes tenham experimentado e reconhecido que as estratégias individuais e fraccionárias se
revelam p~ãr-ias, penosas e incongruentes. A constituição e o consensus de um grupo supõem a experiência e a elucidaçãú prévia de
prooessos defensivos e de conflito, « a familiaridade» das pessoas, a ordenação e o ajustamento dos seus papéis.

Um tal caminho implica aquele duplo motivo que já havíamos observado a propósito do liame colectivo: o modelo

de trabalho e o desejo de encontro.

Os participantes pa~, deste modo, de projectos operatórios abortados ao tbmarem consciência de obstáculos e

de tensões afectivas, para chegarem, enfim, a relações mais harmoniosas em que se conciliam o espírito de empreendimento e o clima
de intimidade, ou seja, em que se pode a um tempo intercambiair em conjunto. Meemo assim, este estado continua exposto quase
permanentemente ao risco de peilodos regressivos. Se o trabalho formal pode constituir um

126
alibi à situação de face a face, ou de se degradar em agitaÇão, compensatória, o prazer de se unir e de se sentir em conjunto adquire
por vezes um tom de complacência comum deoprovido de verdadeiro intercâmbio. Em resumo, diríamos que no melhor dos casos a
evolução do grupo de base permite aos participantes estabelecer entre eles uma rudimentar experiência. cooperativa e comunitária
sobre um fundo de coni-

véncia narcisista.

2. 0 papel do monitor-Face às incertezas iniciais, animados por um duplo interesse de produzir e de se reunirem contando já com os
obstáculos e os riscos, os participantes voltãrn-se para o monitor.

Este representa, ao menos durante um tempo, o papel de figura central face àquilo que o grupo sente numa reiaçáo de dependència-e
logo de ambivalência-na medida em que o monitor não, dá qualquer espécie da ajuda ou do con-

~, o que a ~or parte espera dele. Esta relação subsiste até que o grupo tenha verdadeiramente conhecido e aceitado,

o sentidb das suas intervenções em relação ao pr6prio, objectivo de sensibilização psicossoclal.

De harmonia-com o esquema apresentado na página 122, o papel do monitor corresponde essencialmente à função de di1u@_r-
ídação e de treino progressivo de cada um para esta função. Ao fazer isto não há dúvida de que o monitor não ckerce indução. Sem ele
estas tomadas de consciência poucas opoitUni~es teriam de se produzir. Mas importa acentuar a diferença entre estal indução que
resulta do sentido dos proc~ espontâneos (mais ainda >subconscientes ou reprimidos) e certa nwnipulação que co~ iria em contrariar
um

fenãmeno emergente ou em provocá-lo artificialmente. Pelo ~trário, qu a manipulação está oculta e é feita à mar-

gem dos participantes, sem que ao menos a sintam e a con-

sintam, a elucidação é sempre exph@eita. Embora as inter-

127
venções do monitor sejam vãlidas para alguns sujeitos, estes são livres de reaffir ou não; podem rejeitã-Ias e, se as aceitam, medem o
seu sentido e o seu pese.

Chegamos aos fundamentos não apenas técni~ mas

também axiológicos, da que se chama «formação>, Estos fun~entos consistem precisamente, a no~ ver, no valor da elucidação com o
fonte de livre evolução e de rejel~ de todo o procedimento de manobra, quaisquer que sejoxn os motivos em que se apoia e os
aspectos que reveste.

A este propósito, importa notar quanto o monítor se encontra exposto a tentações demiúrgicas que lhe podem agradar. As 9~ origens
são múltiplas: curío~ («@experiênciás para ver> ... ), deoejo,de.dominar ou de ~ção, exibicionísmo psicológico, ãnsia de prestígio,
~j~o pie~.

Contra e~ impu~ ele deve e~ a~ e preparado por meio de suficiente- asm@ge, porque entran~ani para os grupos uma situação de
alienação que es~ nos antípodas de uma acção, formatdva. Por outro ]ado, o mo~ dle~ ab~~ de adoptax um estilo de tauniaturgo ao
qual o

poderiani levar determina@ situações. A sobriedade de aitítudes e de palavras deve ser para ele uma regra de oiro. Quanto a este
último ponto prevalecerão princtp10 de se apoiar exclusívwnente no material semãntico do grupo, evitando substituí-lo pela sua
própria “,guagem. 0~ cont~, correr-se-ta o risco da manipulação tanto mais iw»~ quanto- o seu próprio agente disso não tvesse clara
oonsoiên@cia.

0 que pede e deve fazer o monitor para deseni~ar tão difícil papel perante o grupo? Como vive ek a sua própria oÉtu~? ~m verificar-
se dois comportamentos extremos que serlam ou uma obsiervação impassível ou unia Inier-

são total no seio, dos a£ectm cokIetivos.

A atitude que permite fugir a eota alternativa con~

numa espécie de impNcação contro~ que garante 4 inKUs-

128
pensável «presença> do monitor no grupo, ao niesmo tempo que o afasta um pouco dele.

Sem implIcaÇão o monitor não cotaria no e com o grupo. Não pode interpretar con~entemente o que aí se passa sem participar'e
reagir a todas os ~tos dia vida colectiva._ Mas se lhe faltasse o contrôle, o motiltor não seria,capaz dê uma percepção lúcida, arirscar-
se-ia até a pe~r -a c~ênela do seu próprio papel, quer se nietesse, por exemplo, a dar achegas'zia zona das tarefas ou dos procedlm~
. para apoiar o esforço comum, quer prIo>,-tasse os seus próprios ~Umentossobre o grupo ou fo~ alienado pelios'af~a de outrem. Este
contrôle, estã claro, não deve entender-se no sentido de uma esquiva ou defesa, mas de domínio adqUir@@, em principio, durante
uma longa aprendizagem antezíor,aflãs oempre pexfectív@el.

Sem embargo, ao mesmo tempo que ge mantém parcialmente distinto dos outros participantes, o monitor partilha fundamentalmente,
ao longo de ~ o semInárto, do mesmo ~tino que eles, pois também ele se entregou ao esf~ de facilitar a elucidação e -ao desejo de i-
ntinu~@e, unia vez que ajuda os outros a reunir-se (ca juntar-sèe-lhe).

Conviria também que cada monitor se inteTr<>g~,2@obre as motiva~ profundas que o animam na escolha e no desempenho do,seu
papel.

3. Valor do método e problemas deontológicos - Não há

dúvida, de que a experiência do grupo de b~ constítul tima fontw-> partAculaxrniente rica de sezi ‘,btlízação psicooo~ e de potencial
evolução das atitudes e das relã~.

AS quest~ que ela 1~ cada um a propor-,se a um níVel «de urgência vivida» envolvem uma triplice, dâme~: vi~, , ínterpe~l e
colectiva. Entre e~ que~ p~ citar-se as seguintes: são as mi ~I
o~ no grupo ? Qual é o papel ‘que eu al quem

9 - ENCICL. 41
penhar? Aonde é que pretendo chegar? Que esperam. os outí@os de mim? Como é que eles me consideram? Quais sã<-,

as minhas atitudes ém relação à autoridade? E em face das

emoções de outrem? E, paralelamente. no plano do grupo: donde procede o põdIere como é que ele se desenvolve’ Como se chega a
tomar decisões? Em que condições as mesmas são eficazes? De que modo intervém as afinidades e as tensões? Quais são as relações
entre a afectividade e a produtIvIdade? 0 desenvolvimento do grupo de base, sob o efeitü conjugado do oompromissoe da elucidação
em co muni, Pode proporcionar elementos de resposta a estas m últiplas perguntas.

Todavia convém evitar, desde já, um risco de confusão

que consideraríamós grave: os seminários de grupo de h~ têm um objectivo de formação psicossoctal e não de terapia,

própriamente dita. Certo é que, na medida em que a experiência pode.proceder das evoluções das atitudes, pode afirmar-se que
elasexercém, num ~tido lato, uma determinada

acção terapêutICa, p~ facilitam a comunicação com outrem e consigo mesmo. Mas daí não se conclui que o trabalho do monitor seja
comparável a uma espécie, de opsicanálise de g~ ou de gterapia para pessoas normais> (1).

Quaisquer que sejam as precauções ton-@adas-contactos prévios com os futuros participantes, grande experiência clinic a dos
monItOP@s-, esta fórmula pode entranhar algumas perturbações psicológicas, não sómente nas pessoas cujas estruturas mentais são
demasiado rígídas ou multo frágeis. MaS também naquelas que se cucontram passageiramente numa situação deequilíbrio instável.
Embora estes incidêntes sejam raros, não se devem menospre7ar, tanto mais que os
(1@ Cf. o nosso artigo «Quelques problèmes majeures concernant les zre-upes de diagnostic», na revista Socíologie du travail, 1965, n.o 1.

130
grupos deste gênero destinam-se especialmente a indivíduos cap~ de experiências e emoções colectivas intensas. Aqueles devem ser
orientados principalmente para seminários de outro tipo, ou para grupos mai@ duradouros, aptos a propor-

cionar4hes um amparo terapêutico por largos, períodos, e com o s@eu acordo explícito.

n mats prudente e razoável limitar este risco àqw-1es que têm razões pes soais e profissionais para se exporem. Pensamos justamente
nos mestres própriamente psicológicos: psicólogos, psiquiatras, formadóres, educadores e, na generalidade, todos quantos se @”s`am
considerar assistentes sociais. FN~rnos também em oe~ quadros com responoabi~dos colectivas específicas, nomeadamente os
serviços de pessoal e os serviços de orientação. Todas estas pessoas, com efeito,

tomam. numa escala mais ou menos elevada, decisões de

importância psicossocial que implicam riscos para os outros.

]Para melhor os enfrentarem, é conveniente que elas próprias suportem uma experiência intensiva.

III-Os cicios de evolução profissional (ou «grupos

de B~t»)

Merece espect-A atenção o gênero de formação iniciado pelo psiquiatra inglês Balint. Trata-se, cora efeito, de unia fórmula,
intermediária, na sua -estrutura e métodos, entre as

Mocussões de casos de tipo clássico, recorrendo a ajudas por vezes exte~es ao grupo, e o grupo de base debruçado exclusivamente
sobre si m~o. Além dísso, oferece certos ele-

meutos de resposta io problema dos limites entre a terapia

e a formação. É pena, pois, que as ideias e as realizações de Balint (clínico aliás dotado de urna 9obriedade de estilo e de

IP
uma dose de humor muito raras) s@ejam pouco conhecidas em França .0 típico desta formação é destínar-se a grupos
profissionalmente homogéneos e qualit~s, mas não estritamente especializados, nomeadamente a mêfflcos de clínica geral e a

asststentes sociais com os quais Balint colaborou muito tempo * cuja história ele conta no seu livro 0 Médico, o Doente e

* Doença. Evidentemente, é possível transferir estia fórmula para qualquer sector prcr~;onal em que as «relações face a

face> d~mpenham um papel Importante.

Com respeiltoaos m"cos, o objectivo consistiaem lêvá-los a recuar um pomo em relação ao seu modo habitual de

contacto com os pacIêntes e permitir-lhes um contróle das suas tentativas pslc~apêuticas.

Parale@amente@ iriam ser feitas numerosas deocohe-rtas iTnp~onantes sobre a natureza dasdo-enças cham~ «funcionais> e a
pertinéncia da ~ observação e tratamento.

Com esta fina~, os médicos de clínica geral reuluram-se uma vez por ~ana, durante nove meses, c~ um ou dois monitores psiquiatras
para discutir em conjunto as ilnpll@,,ações psicolõgicas do seu trabalho diàrio, a partir de casos concretos actuais laiprewntad<)s por
cada um deles. Tratava-se de ajudar os médicos a «aumentax a sua sensibili~ ao que se passa consciente ou inconzcieut~nte no
espírito dos pacientes - e no seu próprio espírito - quando estáo juntos>; e a <aprender a ouvir o outro» para saber o que nos diz de
s@jgnificatIvo. o processo implicava ao mewno tempo o- ahandono de qualquer'tentaç” didáctica por parte do monitor

e a recusa de todo o material escrito: os partícipantes die~, n

apresentar livrem"te as suas experiências, com o cliente, de


(1) 0 MéTodo, de Balint está a ser Praticado activamente por um grupo de psiquiatras fioneses, nomead~mte pelo Prof. J. Guyotat e a

Dr.- P. Reyss@Brlon.

132
modo a projectar no relato os seus próprios modelos de per-. cepção e de avaliaçáD, com a marca da sua personalIdade intima e que
constitui o que se chama em termos analíticos a contratransferéncia do médico,

A,wsência da formação hã-de, consistir, assim, em tomar consciência, progressivamente, dos «esque~> quase automáticos que
Intervém nã;o sbmente no paciente ao influenciar Ibrtemente a sua atitude para com a dõença e para com o médico, mias também
neste último a respeito do seu cliente, Uma reflexão sobre a interacçãio destas, duas Últudes permitirá apreciar a pertinêncla ou a
incongruência da relação médica.

Por certo que não é fácil distinguir as disparidades entre Q seu comportamento real, as suas intenções e as suas crengas, mas a
situação colectiva oferece um recurso considerável: o indivíduo ~ enfrentar mais fàcilmente o reconheci-

mento dos seuserros. quando sente que o grupo o compreende, ge,pode identificar com elee vê que não foi o único a cometê-los -cada
um «aguenta -a sua ‘própria estupidez>.

«0 método do monitor>, escreve Balint, «assenta sobre o mesmo modo de escutar que nós aconselhámos os médicos a ,adquirir e em
seguida a praticarcom os seus pacientes. Permitindo a cada um ser como é, exprimir-se à sua maneira e

a seu tempo-Isto é, não falar senão quando se espera alguma coisa dele e expondo o seu» ponto de vista de forrna que, em lugar de
prescrever’ a técnica boa, abra aos assi-s-

tentes -a possibilidade de por eles próprios descobrirem umo das técnicas boas para tratar os problemas do paciente, o monitor pode,
na situaçã o hie et nune, ensinar claramente o

que pretende.» A semelhança com a atitude não directiva preconizada por Rogers é evidente.

Balint, porém, esclarece em quê e de que modo esta formação em grupo para a psicoterapia. não é, sem embargo. um grupo
terapêutico. 0 monitor esforça-se por «se confundir

133
com o grupo», evitando orientá-lo para a análise das emoções peswais e íntimas, e especialmente a das transferências que se efectuam ao
redor da sua própria pessoa. Percebem@cKs: @al, também, uma diferença maior face ao comportamento d” grupos de base que é centralizada, como
vimos, exclusivamente sobre o grupo e coloca o acento, pelo menos ao principio, sobre a dependência do monitor. Aqui, o conteúdo é a

relação «médico/do@ente», nomeadamente a contratransferência-do médico. E o acento é posto sobre o contraste entre métodos individuais de um
participante e os dos seus colegas no grupo. Balint, parafraseando uma célebre metáfora freudiana, escreve: «Símplificando, pode-se ‘afirmar que esta
técnica emprega mais a horda dos irmão@ do que o pai primitivo.»

Em função das oportunidades, estas atitudes diferenciais serão postas em relação com determinados comportamêntb5 actuais no seio do grupo de
trabalho, à custa de certas «crises> inevitáveis: processos de tensão e de «síngularização» que o monitor ajudará os membros a resolver e sem

os quais o seminário não poderia avançar. Assim, ao mesmo tempo que um refinamento clínico, pode-se reduzir esta «,mudança de personalidade
considerável mas limitada» que permitirá ao médico sentir-se mais livre e mais lúcido perante si próprio e perante os outros. Os processos dê
confrontação devem desembocar finalmente, como os outros tipos de formação, numa melhoria dos comportamentos profíssionais.

Concluiremos este capítulo e esta segunda parte sublinhando o interesse da forma dos ciclos que oferecem uma densidade e uma segurança temporais
grandemente desejáv@e@@ para toda a iniciativa , de formação. Indispensável palla os grupos de evolução profissional de tipo «Balint>, é igualmente
apta para os grupos de base segundo um ritmo a estudar, que pode ser hebdomadárío (uma longa sessão ~anal) ou mensal (duas ou três jornadas por
mês). ig impressibiiante

134
è3mo muitos organismos de formação estão a encaminhar-se

para tais fórmulas.

Em todo o caso, a formação dos formadores reclama

uma fórmula cíclica e até mesmo crónica.

Além da participação inicial pelo menos em dois grupos de base (como membro e depois como observador), ela supõe um treino para
orientação de reuniões debruçadas sobre as tarefas e ganha sobretudo se se prolongar por grupos de reflexão e de confrontação
profissionais, em que cada um pode pôr em cheque as suas experiéncias formadoras. Pensamos que só ‘esta continuidade permite o
contrôle mútuo e progressivo, não sbmente das pessoas em causa mas também dos próprios @nétodos da formação e do seu valor.

135
CONQLUSA0

Serão muito breves as nossas conclusões, uma vez que. ao longo do caminho e no momento próprio, apontámos a

Importãnela, as perspectivas e também os limites dadinãmica

dos grupos, ao pórem causa a sua problemática e axiologia.

Repetiremos sómente dois pontos cruciaís, aliás estreitamonte ligados: a relação do pequeno grupo - ou do seminãrlo - com o seu
ambiente sociocultural e o problema da mudança.

n específico dos grupos pequenos situar-se de algum modo à cabeça do psicológico e do sociológico, permitindo a um tempo
conhecer e interpretar uma vivêncía colectiva e observar experimentalmente os comportamentos e as produções. Deste modo, o seu
estudo permite apreender o conjunto dos processos dinámicos de uma interacção social e elaborar

hipóteses gerais susceptíveis de serem ulteriormente confrontadas a estala mais vasta.

Cwa, o proce~ que actualmente se impõe a todos os

níveis como facto ou urgência mais imperiosa parece ser o

da mudança. Aqui atingimos as fontes e os linútes da pesquísa activa: lugar privilegiado de uma evolução interna, pois ostá em
situação de «ilhota cultural>, será ou poderá o grupo tornar-se o agente de transformações mais vastas? ljewin julga resolver o
problema por umaescolha «estratégieá> dos «porteiros> Individuais e colectivos que, tendo eles própri” evoluído, desempenharão
seguidamente o papel de fermento.

Esta tentativa choca, todavia, com dois obstáculos: por um lado, existe em toda a sociedade uma pluralidade de subculturas dispares
ou incompatíveis que representarão o papel de ilhotas de resistência. Objecção que não é decisiva,. é certo, pois quando certos
modelos tradicionais começ am a ser abalados em largas áreas sociais, pode-se pensar que os

137
,c.squernas dinâmicos saídos dos seminários terão oportunidade de se difundir. Na linha das imagens. lewinianas diríamos que tudo depende, então, dos equilíbrios dos
altos fundos que se encontram com as ondas concêntricas que se propagam a partir ‘de turbilhões inovadores...

0 outro obstáculo, descoberto ao mesmo tempo 1>elos estudos experimentais e pelos estudos clínicos do liame colectivo’ é que toda a coesão interna tende a ser acompanhada
por uma hostilidade potencial para com o exterior, hostilidade que ultrapa~ largamente os esforços construtivos sus-

c-!ta@dos por certas competições ou até por certos conflitos., A única saída consiste no aparecimento ou na descoberta de fins comuns que ultrapassem as possibilidades de
unia só equipa e exijam a sua coordenação. Mas -assim corno nem sempre é fácil promover tais situações, também não se eliminam as ressurgêncías conflituosas, mesmo nos
próprios meios que se dedicam a resolvê-las... (entre escolas terapêu-, ticas ou psicológic@as!).

Num plano prospectivo, somos levados a pensar que é urgente reduzir os modos específicos de inseguridade, de allenação, e de isolamento que caracterizam a nossa época. Na
prática, porém, os múltiplos projectos de «cooperação> e de

@<participação> dificilmente passam do campo da utopia ao

da pesquisa activa.

Mas não subscrevemos nem um pessimismo nem uma ataraxia «justificatórias». Pensamos que a pesquisa, a intervenção e a formação em dinâmica dos grupos podem contribuir
para uma evolução positiva das pessoas e das socle-

dades. Ali encontramos implicações e opções axiológica"s muitas vezes referidas: desde logo, convém afirmá-lo, o lugar atribuído ao papel de facilitação desempenhado por todo
o

-investiga4or, monitor ou consultor. Esse papel, como vimos, não consiste num simples amparo nem num conselho ou

orientação inspirada. Os seus fundamentos assentam sobre o

. 138
valor da elucidaÇão como fonte de livre evolução, e na recusa de qualquer procedimento manipulatório. Nesse sentido a

nossa atitude já não é totalmente neutra, porque manifesta uma recus@a em aceitar o jogo mecãnico das disfunções crescent es de
uma cultura tecnoburocrática que parece ser, notemos, o acerbo comum de regimes políticos bem diferentes.

Ela critica, por outro lado, a noção de adaptação tomada -no sentido exclusivamente «ortopédico> de um ajustamento dos homens ao
seu ambiente, uma vez que se trata, frequentemente, de remodelar este em fungào das necessidades emer-

gentes. Enfim, esta atitude é uma aposta lúcida sobre o progresso de uma cooperação cujos obstãeulos e avatares o

dinamicista não pode ignorar.


0 PRÓXIMO VOLUME 1
1

A População
POR

ALFRED SAUVY
NúMERO 42 DA COLECÇÃO

-LB-L ENCICLOPÉDIA
Um dos mais reputados especialistas franceses de assun-

tos dernográficos ingressa na colecção «Encíclapédia LI3L> por intermêdio do volume intitulado A População. Trata-
se de uma obra de divulgação que figura em todas as

bibliotecas básicas, visto que nos abre perspectivas para uma questão fundamental no mundo dos nossos dias.

Saber quantos sornas. corno nos repartimos pelo planeta, onde moram os mais novos e onde se localizam os mais
velhos,eis o que não pode ser indiferente a nenhum homem

moderno que preteryda ter uma consciência clara do mundo em que habitamos,

Para que. o volume A População se revista de um

valor particular para o leitor português, o Autor, por sugestão da Editorial Li-,Tos do Brasil, actualizou as
referências

estatísticas que nele se ~têm. A edição portuguesa de A População é, por isso mesmo, a mais actutdizada de todas as
que este volume já obteve anteriormente. E, se disser mos que A População acaba de alcançar a 1 1.a. ed@i_

ção, teremos colocado perante o leitor um indicador objectivo do interesse e do valor desta obra, assinada por um

sábio tão eminente como Alfred Sauvy. 1 11

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