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CURSO SEMIEXTENSIVO DATA: _____ / ____ /


2017
Professor: Gabriel de Paula Disciplina: História
01. (Uerj 2017) TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Um pensamento liberal moderno, em tudo oposto ao pesado
escravismo dos anos 1840, pode formular-se tanto entre políticos e
intelectuais das cidades mais importantes quanto junto a bacharéis egressos
das famílias nordestinas que pouco ou nada poderiam esperar do cativeiro
em declínio.
(BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 224)

04. (Puccamp 2017) Considere as seguintes proposições sobre a situação do


escravismo no Brasil Império, na segunda metade do século XIX,
I. A Lei Eusébio de Queiroz, ainda que tenha determinado o fim do
tráfico negreiro para o Brasil, não impediu o comércio interno de
escravos, ativo até o final do século.
II. Diversas rebeliões populares, algumas rurais, outras urbanas,
como a Balaiada, a Revolta dos Malês ou a Revolta de Manuel
Congo foram integradas por cativos e escravos foragidos,
O anúncio exemplifica uma prática que se tornou comum na imprensa causando ações repressivas virulentas por parte das elites.
III. A condenação moral da escravidão fez-se cada vez mais presente
brasileira no século XIX: a divulgação de oferta de recompensas por escravos
na imprensa, durante esse período no qual se fortaleceram os
fugidos. Tal prática possibilita situar a importância dessa mão de obra em
movimentos abolicionistas.
diversas atividades econômicas.
IV. A abolição da escravatura foi decretada com a Lei Áurea, que não
A partir das informações do anúncio, identifique duas características da
condição de vida dos escravos, no Brasil, naquele momento. Indique, garantiu o direito à cidadania aos libertos e previu o pagamento
de indenizações aos fazendeiros.
também, a principal transformação no mercado de compra e venda de
Está correto o que se afirma APENAS em
escravos ocorrida em 1850 que justifique o pagamento de uma recompensa.
a) I, II e IV. b) I e IV. c) II e III. d) I e III. e) II, III e IV.

02. (Uemg 2017) “As consequências da escravidão não atingiram apenas os TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
negros. Do ponto de vista da formação do cidadão, a escravidão afetou tanto
o escravo quanto o senhor. Se um estava abaixo da lei, o outro se considerava “A unidade básica de resistência no sistema escravista, seu aspecto
acima. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa típico, foram as fugas. (...) Fugas individuais ocorrem em reação a maus tratos
igualdade era afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje, apesar físicos ou morais, concretizados ou prometidos, por senhores ou prepostos
das leis, aos privilégios e à arrogância de poucos correspondem o mais violentos. Mas outras arbitrariedades, além da chibata, precisam ser
desfavorecimento e a humilhação de muitos.” computadas. Muitas fugas tinham por objetivo refazer laços afetivos
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 14ª ed. Rio rompidos pela venda de pais, esposas e filhos. (...) No Brasil, a condenação
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, p. 53. [da escravidão] só ganharia força na segunda metade do século, quando o
país independente, fortemente penetrado por ideias e práticas liberais, se
No século XIX, o combate à escravidão no Brasil relacionou-se à integra ao mercado internacional capitalista. (...) “Tirar cipó” – isto é, fugir
a) adesão dos proprietários rurais à plena concretização dos direitos para o mato – continuou durante muito tempo como sinônimo de evadir-se,
humanos. como aparece no romance A carne, de Júlio Ribeiro. Mas as fugas, como
b) elaboração da Constituição por pessoas comprometidas com a tendência, não se dirigem mais simplesmente para fora, como antes; se
justiça social. voltam para dentro, isto é, para o interior da própria sociedade escravista,
c) criação de leis emancipacionistas para a manutenção da Guerra do onde encontram, finalmente, a dimensão política de luta pela transformação
Paraguai. do sistema. “O não quero dos cativos”, nesse momento, desempenha papel
d) mobilização de diferentes grupos sociais em torno da campanha decisivo na liquidação do sistema, conforme analisou o abolicionista Rui
abolicionista. Barbosa”.
REIS, João José. SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no
Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 62-66-71.
03. (Unesp 2017) Leia o trecho do romance Dom Casmurro (1899), de
Machado de Assis (1839-1908), em que o personagem Bento apresenta ao
05. (Udesc 2017) De acordo com os autores do texto, João José Reis e
amigo Escobar os bens de sua família.
Eduardo Silva, assinale a alternativa incorreta.
– Não, agora não voltamos mais [a viver na fazenda]. Olhe, aquele
a) As fugas de escravos entre os séculos XVI e XIX tiveram motivações
preto que ali vai passando, é de lá. Tomás!
diversas, entre elas o tráfico interprovincial.
– Nhonhô!
b) Durante o século XIX, a luta dos escravos pela liberdade não se
Estávamos na horta da minha casa, e o preto andava em serviço;
dava somente pela fuga coletiva para a formação de quilombos.
chegou-se a nós e esperou.
c) As cidades, no século XIX, tornaram-se espaços significativos para
– É casado, disse eu para Escobar. Maria onde está?
as lutas pela abolição.
– Está socando milho, sim, senhor.
d) Os escravos foram agentes da história, e não apenas força de
[...]
trabalho.
– Bem, vá-se embora.
e) A naturalização do sistema escravista se manteve estável durante
Mostrei outro, mais outro, e ainda outro, este Pedro, aquele José,
o período colonial e o imperial.
aquele outro Damião...
– Todas as letras do alfabeto, interrompeu Escobar. 06. (Udesc 2017) Analise as proposições em relação à escravidão e à abolição
Com efeito, eram diferentes letras, [...] distinguindo-se por um apelido no Brasil.
ou da pessoa [...] ou de nação como Pedro Benguela, Antônio Moçambique. I. O Brasil foi o último país independente do continente americano
– E estão todos aqui em casa? perguntou ele. a abolir a escravidão, mantendo-a por praticamente todo o
– Não, alguns andam ganhando na rua, outros estão alugados. Não era período imperial.
possível ter todos em casa. Nem são todos os da roça: a maior parte ficou lá. II. Milhões de pessoas foram trazidas de diferentes regiões africanas
Dom Casmurro, 1994. para o Brasil e escravizadas ao longo de mais de três séculos.
Contudo, a mão de obra escrava, no Brasil, não foi
O enredo de Dom Casmurro transcorre na cidade do Rio de Janeiro, exclusivamente africana.
capital do Império brasileiro. A partir da análise do trecho, explicite a visão do III. A lei Eusébio de Queiróz, em 1850, cessou a compra e a venda de
proprietário sobre os seus escravos, as origens desses escravos e os tipos de escravos no Brasil, e a pressão inglesa foi significativa para a
exploração escravista na sociedade brasileira do século XIX. promulgação desta lei.

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V. O fim da escravidão, no Brasil, se deu com a promulgação da Lei 10. (Fgv 2016) O excerto a seguir faz parte do parecer de uma comissão da
Áurea em 13 de maio de 1888, não tendo os escravos participado Câmara dos Deputados sobre a lei de 1871, que discutia a escravidão no
do processo de abolição. Brasil.
V. Após a abolição, o estado brasileiro não ofereceu condições “Sem educação nem instrução, embebe-se nos vícios mais próprios do
adequadas para que os ex-escravos se integrassem no mercado homem não civilizado. Convivendo com gente de raça superior, inocula nela
de trabalho assalariado, tendo a imigração europeia sido os seus maus hábitos. Sem jus ao produto do trabalho, busca no roubo os
justificada, inclusive por teorias raciais. meios de satisfação dos apetites. Sem laços de família, procede como inimigo
Assinale a alternativa correta. ou estranho à sociedade, que o repele. Vaga Vênus arroja aos maiores
a) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras. excessos aquele ardente sangue líbico; e o concubinato em larga escala é
b) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras. tolerado, quando não animado, facultando-se assim aos jovens de ambos os
c) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras. sexos, para espetáculo doméstico, o mais torpe dos exemplos. Finalmente,
d) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. com as degradantes cenas da servidão, não pode a mais ilustrada das
e) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. sociedades deixar de corromper-se.”
(apud Sidney Chalhoub, Machado de Assis, historiador. 2003)
07. (G1 - ifsul 2016) A partir da segunda metade do século XIX, vários
intelectuais, escritores, jornalistas e políticos discutiam a relação existente No trecho, há um argumento
entre a utilização da mão de obra escrava e a questão do desenvolvimento a) político, que reconhece a importância da emancipação dos
nacional. Enquanto as nações europeias se industrializavam e buscavam escravos, ainda que de forma paulatina, para a construção de
formas de ampliar a exploração da mão de obra assalariada, o Brasil se novos elementos de cidadania social, condição mínima para o país
afastava desses modelos de civilidade ao preservar a escravidão como prática abandonar a violência cotidiana e sistemática contra a maioria da
rotineira. população.
Disponível em: http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas b) social, que assinala a inconsistência da defesa do fim da escravidão
A campanha abolicionista ganhou força nacional, mas ainda encontrava no país, em razão da incapacidade dos homens escravizados de
alguns obstáculos, tais como: participar das estruturas hierárquicas e culturais, estabelecidas ao
a) a falta de apoio de alguns setores sociais, como o intelectual e o longo dos séculos, durante os quais prevaleceu o trabalho
artístico. compulsório.
b) a noção de escravo como um bem, o que exigia a indenização para c) econômico, que distingue os cidadãos ativos dos passivos, estes
os proprietários de escravos. considerados um estorvo para as atividades produtivas, fossem na
c) a reação do proletariado urbano, pelo temor da concorrência da agricultora ou na procura de metais preciosos, por causa da
mão de obra escrava. desmotivação para o trabalho, elemento central para explicar a
d) o apoio dos senhores de engenho para a abolição, principalmente estagnação econômica do país.
do setor açucareiro, devido à mecanização da agricultura d) cultural, que se consubstancia na impossibilidade da convivência
nordestina. entre homens livres e homens libertos e tenderia a produzir
efeitos sociais devastadores, como tensões raciais violentas e
08. (Ufjf-pism 2 2016) Dentre os países do continente americano o Brasil foi o permanentes, a exemplo do que já ocorria no sul dos Estados
último país a acabar com a escravidão em seu território. Até a assinatura do Unidos.
último decreto que libertava definitivamente a escravidão todo um longo e) moral, que aponta para os malefícios que a experiência da
percurso foi trilhado, tanto do ponto de vista legal, como dos próprios escravidão provoca nos próprios escravos e que esses malefícios
movimentos sociais, interessados no fim do regime escravocrata. terminam por contaminar toda a sociedade, mostrando, em
Observe a sucessão das leis decretadas no século XIX: síntese, que os brancos eram muito prejudicados pela ordem
O século XIX e a questão da mão de obra escravocrata.
Leis Abolicionistas
1850 – Lei Eusébio de Queirós Gabarito:
1871 – Lei do Ventre Livre
1885 – Lei dos Sexagenários 01.
1888 – Lei Áurea A condição de vida dos escravos era muito precária, comprometendo a saúde,
Com base nessas informações e em seus conhecimentos, responda ao com escassez de alimentos e intensa jornada de trabalho. Mesmo com a
que se pede: independência do Brasil e a Constituição de 1824, os negros permaneceram
a) A Lei Eusébio de Queirós proibiu definitivamente o tráfico na condição de escravos, sem acesso à cidadania e exercendo as mais
atlântico de escravos. Com o fim da oferta de escravos africanos, diversas atividades econômicas. Em 1850, com a aprovação da Lei Eusébio de
proprietários escravistas no Brasil buscaram outras formas de Queirós, o comércio intercontinental de escravos foi proibido ocorrendo, a
reposição da mão de obra. Explique DUAS alternativas utilizadas partir desta data, um comércio interprovincial de escravos em geral saindo do
para dar continuidade à exploração escravista. Nordeste brasileiro (que estava em crise econômica) para o Sudeste em
b) A abolição da escravidão no Brasil foi o coroamento de uma função da expansão da lavoura cafeeira.
política de gabinete, ou seja, ela foi fruto da ação isolada de 02. D
deputados e senadores do Império do Brasil. Você concorda com A campanha abolicionista ganhou força no Brasil durante o Segundo Reinado,
essa afirmativa? Explique sua resposta: amparada, principalmente, na pressão da Inglaterra e na ascensão de
partidos liberais e republicanos no país.
09. (G1 - cftmg 2016) Em 1871 foi sancionada a Lei do Ventre Livre, também
03.
conhecida como Lei Rio Branco, que determinava que:
Fica claro que, para Bento, os escravos são propriedades, fazendo parte do
“Art. 1º - Os filhos de mulher escrava que nascerem no Império desde a
patrimônio familiar. O texto também deixa claro que os escravos são de
data desta lei serão considerados de condição livre.
origem africana e trabalham em 4 frentes: (1) lavoura/roça, (2) casa (escravos
§ 1º - Os ditos filhos menores ficarão em poder ou sob a autoridade dos
domésticos), (3) atividades urbanas remuneradas (escravos de ganho) e (4)
senhores de suas mães, os quais terão a obrigação de criá-los e tratá-los até a
cedidos a terceiros mediante pagamento (escravos de aluguel).
idade de oito anos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o
04. [D]
senhor da mãe, terá opção, ou de receber do Estado a indenização de
[II] Incorreto: porque das três revoltas citadas, apenas a de Manuel Congo
600$000, ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos
teve caráter antiescravista. A Balaiada e a Revolta dos Malês envolveram a
completos. No primeiro caso, o Governo receberá o menor e lhe dará destino,
participação negra, mas tinham objetivos políticos e religiosos,
em conformidade da presente lei.”
Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/lei_ventre_livre.htm>.
respectivamente.
[IV] Incorreto: porque a Lei Áurea era muito simples na sua formulação: §1º -
Considerando esse trecho, pode-se afirmar que a Lei do Ventre Livre está abolida a escravidão no Brasil; §2º - revogam-se as disposições em
a) emancipou os filhos de escravas maiores de 21 anos, pondo fim contrário. Logo, ela não previa o pagamento de indenização aos fazendeiros.
ao tráfico atlântico. 05. E
b) impossibilitou a utilização da mão de obra de filhos de escravas O trecho do texto que afirma que “(...) no Brasil, a condenação [da
após completarem 8 anos de idade. escravidão] só ganharia força na segunda metade do século, quando o país
c) isentou o governo brasileiro das responsabilidades sobre os filhos independente, fortemente penetrado por ideias e práticas liberais, se integra
de escravos libertados nesse contexto. ao mercado internacional capitalista. (...)” confirma o indicado na alternativa
d) representou a libertação dos filhos de escravas nascidos no Brasil, [E].
mas, na prática, muitos continuavam a servir aos proprietários de
suas mães.

2
06. B
[III] Falsa: a Lei Eusébio de Queiróz proibia o tráfico intercontinental de
escravos, mas não proibia a venda de escravos dentro do Império;
[IV] Falsa: a movimentação escrava também contribuiu para que o
movimento abolicionista ganhasse corpo no Brasil.
07. B
A questão aponta para um grande debate que se estabeleceu no Brasil ao
longo do século XIX. A discussão era sobre a utilização da mão de obra
escrava e o desenvolvimento econômico nacional. Muitos intelectuais e
políticos criticavam a escravidão associando-a ao atraso, porém entendiam a
relevância da escravidão para a economia do Brasil. O escravo era um bem,
uma propriedade, acabar com a escravidão poderia exigir indenização.
08.
Para dar continuidade à escravidão, duas estratégias foram adotadas: (1) o
tráfico interprovincial (de uma província para outra dentro do Brasil) e (2) o
tráfico ilegal pelo Atlântico (tentando burlar a fiscalização inglesa);
A abolição da escravatura no Brasil atendeu muito mais à pressão inglesa
(principal credora do Império) do que à vontade de deputados ou senadores
(que compunham a elite nacional e, logo, eram adeptos da escravatura).
Assim, a abolição foi uma ação isolada do governo imperial na figura de d.
Pedro II e sua filha, princesa Isabel, e não de deputados e senadores.
09. D
A questão remete a Lei do Ventre Livre ou Rio Branco, que concedia
“liberdade” para as crianças escravas nascidas a partir dela, 1871. Conforme
esclarece o artigo desta Lei, na prática, muitas crianças permaneciam
servindo a seus proprietários. A Lei foi aprovada para acalmar a forte
campanha abolicionista que crescia no Brasil.
10. E
Somente a proposição [E] está em consonância com o excerto elaborado por
uma Comissão da Câmara dos Deputados sobre a Lei de 1871, a lei do Ventre
Livre. No documento há um argumento moral que faz referência aos
malefícios que a experiência da escravidão provoca nos próprios escravos
contaminando toda a sociedade, inclusive os brancos eram prejudicados.