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br - Informativo de Jurisprudência Nº 82 – Março/2016

Dr. Diogo Flávio Lyra Batista, Procurador


Supremo Tribunal Federal IPSEM – Campina Grande.

Selecionados a partir dos informativos 820 a 823 do STF publicado, faz exsurgir um dever de nomeação para a
própria Administração e um direito à nomeação titularizado
ADMINISTRATIVO pelo candidato aprovado dentro desse número de vagas.
Precedente do Plenário: RE 598.099 - RG, Relator Min.
01. Administrativo e previdenciário. Recurso extraordinário Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 03-10-2011. 3. O
com agravo. Servidor público em atividade após o Estado Democrático de Direito republicano impõe à
preenchimento dos requisitos para a concessão de Administração Pública que exerça sua discricionariedade
aposentadoria voluntária especial. Concessão do abono de entrincheirada não, apenas, pela sua avaliação unilateral a
permanência. Legitimidade. 1. É legítimo o pagamento do respeito da conveniência e oportunidade de um ato, mas,
abono de permanência previsto no art. 40, § 19, da sobretudo, pelos direitos fundamentais e demais normas
Constituição Federal ao servidor público que opte por constitucionais em um ambiente de perene diálogo com a
permanecer em atividade após o preenchimento dos sociedade. 4. O Poder Judiciário não deve atuar como
requisitos para a concessão da aposentadoria voluntária “Administrador Positivo”, de modo a aniquilar o espaço
especial (art. 40, § 4º, da Carta Magna). 2. Agravo decisório de titularidade do administrador para decidir sobre
conhecido para negar provimento ao recurso extraordinário, o que é melhor para a Administração: se a convocação dos
com o reconhecimento da repercussão geral do tema e a últimos colocados de concurso público na validade ou a
reafirmação da jurisprudência sobre a matéria. dos primeiros aprovados em um novo concurso.
(ARE- 954.408/Inf. 822). Inteiro teor do Essa escolha é legítima e, ressalvadas as
acórdão aqui. hipóteses de abuso, não encontra obstáculo
Prepare-se para o concurso em qualquer preceito constitucional. 5.
02. Recurso extraordinário. Constitucional da Advocacia Geral da União Consectariamente, é cediço que a
e administrativo. Repercussão geral com Administração Pública possui
reconhecida. Tema 784 do plenário discricionariedade para, observadas as
virtual. Controvérsia sobre o direito
subjetivo à nomeação de candidatos
aprovados além do número de vagas
previstas no edital de concurso público
GEAGU normas constitucionais, prover as vagas
da maneira que melhor convier para o
interesse da coletividade, como verbi
gratia, ocorre quando, em função de
Resolução de questões
no caso de surgimento de novas vagas razões orçamentárias, os cargos vagos
objetivas, peças, pareceres e só possam ser providos em um futuro
durante o prazo de validade do certame.
Mera expectativa de direito à nomeação. dissertações distante, ou, até mesmo, que sejam
Administração pública. Situações www.ebeji.com.br extintos, na hipótese de restar caracterizado
excepcionais. In casu, a abertura de novo que não mais serão necessários. 6. A
concurso público foi acompanhada da publicação de novo edital de concurso público ou o
demonstração inequívoca da necessidade premente e surgimento de novas vagas durante a validade de outro
inadiável de provimento dos cargos. Interpretação do art. 37, anteriormente realizado não caracteriza, por si só, a
iv, da constituição da república de 1988. Arbítrio. Preterição. necessidade de provimento imediato dos cargos. É que, a
Convolação excepcional da mera expectativa em direito despeito da vacância dos cargos e da publicação do novo
subjetivo à nomeação. Princípios da eficiência, boa-fé, edital durante a validade do concurso, podem surgir
moralidade, impessoalidade e da proteção da confiança. circunstâncias e legítimas razões de interesse público que
Força normativa do concurso público. Interesse da justifiquem a inocorrência da nomeação no curto prazo, de
sociedade. Respeito à ordem de aprovação. Acórdão modo a obstaculizar eventual pretensão de reconhecimento
recorrido em sintonia com a tese ora delimitada. Recurso do direito subjetivo à nomeação dos aprovados em
extraordinário a que se nega provimento. 1. O postulado do colocação além do número de vagas. Nesse contexto, a
concurso público traduz-se na necessidade essencial de Administração Pública detém a prerrogativa de realizar a
o Estado conferir efetividade a diversos princípios escolha entre a prorrogação de um concurso público que
constitucionais, corolários do merit system, dentre eles esteja na validade ou a realização de novo certame. 7.  A
o de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de tese objetiva assentada em sede desta repercussão
qualquer natureza (CRFB/88, art. 5º, caput). 2. O edital do geral é a de que o surgimento de novas vagas ou a
concurso com número específico de vagas, uma vez abertura de novo concurso para o mesmo cargo,
durante o prazo de validade do certame anterior, não

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gera automaticamente o direito à nomeação dos inscrição definitiva ou na data da posse. Pretendia-se que a
candidatos aprovados fora das vagas previstas no ausência de especificação de data certa no edital para o
edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária início da inscrição definitiva transferiria para a data da
e imotivada por parte da administração, caracterizadas nomeação a comprovação de tempo de prática forense. O
por comportamento tácito ou expresso do Poder Público Tribunal assinalou que a controvérsia fora dirimida na ADI
capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação 3.460/DF (DJe de 12.3.2015), oportunidade em que definido
do aprovado durante o período de validade do certame, como termo final para comprovação de atividade jurídica,
a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. nos termos da reforma empreendida pela EC 45/2004, a
Assim, a discricionariedade da Administração quanto à data de inscrição definitiva no concurso público. Isso porque
convocação de aprovados em concurso público fica é importante que todos os candidatos que adentrem na
reduzida ao patamar zero (Ermessensreduzierung auf disputa tenham condições para o exercício do cargo naquele
Null), fazendo exsurgir o direito subjetivo à nomeação, momento, inclusive para se evitar o óbice do certame em
verbi gratia, nas seguintes hipóteses excepcionais: i) razão de medidas judiciais precárias, voltadas a tratar de
Quando a aprovação ocorrer dentro do número de vagas excepcionalidades, ou mesmo para se prevenir a existência
dentro do edital (RE 598.099); ii) Quando houver de cargos vagos “sub judice” por período indeterminado.
preterição na nomeação por não observância da ordem Além disso, impende observar o princípio da isonomia.
de classificação (Súmula 15 do STF); iii) Quando Nesse sentido, o edital serve para orientar os potenciais
surgirem novas vagas, ou for aberto novo concurso candidatos sobre a possibilidade de serem aprovados, tendo
durante a validade do certame anterior, e ocorrer a em vista o preenchimento dos requisitos exigidos. Não se
preterição de candidatos aprovados fora das vagas de pode estimular, assim, aqueles que não atendem às
forma arbitrária e imotivada por parte da administração exigências a adentrar no certame, com a esperança de
nos termos acima. 8. In casu, reconhece-se, lograrem êxito judicialmente, tendo em vista que houvera
excepcionalmente, o direito subjetivo à nomeação aos outros que, nas mesmas condições, optaram por obedecer à
candidatos devidamente aprovados no concurso público, regra prescrita e não efetuaram inscrição. Ademais, definir a
pois houve, dentro da validade do processo seletivo e, data da posse como termo apresenta outro revés, pois
também, logo após expirado o referido prazo, manifestações privilegia aqueles com pior classificação no concurso, que
inequívocas da Administração piauiense acerca da teriam mais tempo para completar o triênio. No caso
existência de vagas e, sobretudo, da necessidade de concreto, entretanto, o Colegiado negou provimento ao
chamamento de novos Defensores Públicos para o Estado. recurso extraordinário da União. Na situação dos autos, o
9. Recurso Extraordinário a que se nega provimento. (RE- requerimento de inscrição definitiva da candidata no certame
837.311/Inf. 822). Inteiro teor do acórdão aqui. fora indeferido por ausência de comprovação do triênio até
aquela data. A Corte entendeu que se deveria assegurar a
CIVIL E PROCESSO CIVIL posse da recorrida porque, no edital do concurso, não
houvera especificidade quanto à data para comprovação do
01. Contagem de prazo recursal e intimação pessoal. Nos período de atividade jurídica. Além disso, a fase de inscrição
casos de intimação pessoal realizada por oficial de definitiva, em relação à candidata, estava sendo discutida
justiça, a contagem do prazo para a interposição de judicialmente e, nesse ínterim, o triênio transcorrera.
recursos ou a eventual certificação de trânsito em Vencidos, quanto à tese fixada em repercussão geral, os
julgado começa a partir da juntada aos autos do Ministros Luiz Fux (relator), Roberto Barroso e Marco
mandado devidamente cumprido. Com base nesse Aurélio, que entendiam que a exigência trazida pela EC
entendimento, a Segunda Turma, por maioria, proveu 45/2004 tem relação com o ingresso na carreira — que se
agravo regimental para afastar a intempestividade de dá com a posse — e não com a inscrição em concurso
recurso extraordinário. A Turma afirmou que a contagem do público. Por fim, o Plenário decidiu que a redação para o
prazo recursal a partir da juntada aos autos do mandado acórdão deve incumbir ao Ministro que encampa a tese
seria uma exigência do art. 241, II do CPC (“Art. 241. firmada. (RE-655265/Inf. 821). Ouça o áudio do julgamento
Começa a correr o prazo: … II – quando a citação ou e assista ao vídeo dos principais julgados da semana.
intimação for por oficial de justiça, da data de juntada aos
autos do mandado cumprido”). Vencido o Ministro Teori 02. Emenda parlamentar e aumento de despesa. É
Zavascki (relator), que negava provimento ao agravo. inconstitucional norma resultante de emenda
Pontuava que a intimação pessoal de que trata o art. 17 da parlamentar a projeto de lei de iniciativa exclusiva do
Lei 10.910/2004 não poderia ser confundida com a Chefe do Poder Executivo, na hipótese em que a
intimação por oficial de justiça referida no art. 241, II, do emenda apresentada acarrete aumento de despesa (CF,
CPC. Aquela independeria de mandado ou de intervenção art. 61, § 1º, II, “a” e art. 63, I). Esse o entendimento do
do oficial de justiça, se perfectibilizando por modos variados, Plenário, que, ao reafirmar a jurisprudência assentada na
previstos no CPC ou na praxe forense, como, por exemplo: matéria, confirmou medida cautelar (noticiada no Informativo
mediante a cientificação do intimado pelo próprio escrivão 299) e julgou procedente pedido formulado em ação direta
ou pelo chefe de secretaria (CPC, art. 237, I, e art. 238, de inconstitucionalidade ajuizada em face do art. 3º, “caput”
parte final). (ARE-892732/Inf. 820). Inteiro teor do acórdão e parágrafo único, da Lei 11.753/2002 do Estado do Rio
aqui. Grande do Sul. Tais preceitos, de iniciativa parlamentar,
dispõem sobre o realinhamento dos vencimentos de
CONSTITUCIONAL servidores do Instituto de Previdência do Estado do Rio
Grande do Sul (IPERGS). (ADI-2810/Inf. 822). Ouça o
01. Magistratura: triênio para ingresso na carreira e áudio do julgamento. Inteiro teor do acórdão aqui.
momento de comprovação. A comprovação do triênio de
atividade jurídica exigida para o ingresso no cargo de 03. Competência da União em telefonia. Compete à União
juiz substituto, nos termos do art. 93, I, da CF, deve explorar os serviços de telecomunicações, bem como
ocorrer no momento da inscrição definitiva no concurso legislar privativamente sobre essa matéria (CF, artigos
público. Essa a conclusão do Plenário, tomada por maioria 21, XI e 22, IV). Com base nessa orientação, o Plenário
de votos, em recurso extraordinário no qual se discutia o reafirmou sua reiterada jurisprudência sobre o tema e julgou
momento de comprovação de tal exigência: se no ato da procedente pedido formulado em ação direta de

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inconstitucionalidade ajuizada em face da Lei 12.239/2006 para fixar o cumprimento da pena em regime aberto e
do Estado de São Paulo. A norma estadual declarada reconhecer o direito à substituição da pena privativa de
inconstitucional dispõe sobre a instituição de cadastro com liberdade por restritiva de direitos. (HC-130411/inf. 821).
os números das linhas telefônicas dos assinantes do serviço
de telefonia interessados no sistema de venda por via 02. Tráfico de entorpecentes: fixação do regime e
telefônica. (ADI-3959/Inf. 822). Ouça o áudio do substituição da pena. Não sendo o paciente reincidente,
julgamento. Inteiro teor do acórdão aqui. nem tendo contra si circunstâncias judiciais
desfavoráveis (CP, art. 59), a gravidade em abstrato do
04. MS e perda de nacionalidade brasileira. A Primeira crime do art. 33, “caput”, da Lei 11.343/2006, não constitui
Turma, por maioria, denegou mandado de segurança em que motivação idônea para justificar a fixação do regime mais
se questionava ato do ministro da Justiça que declarara a gravoso. Com esse entendimento, a Segunda Turma, após
perda da nacionalidade brasileira da impetrante (CF, art. 12, § superar o óbice do Enunciado 691 da Súmula do STF,
4º, II), por ter adquirido outra nacionalidade (Lei 818/1949, concedeu “habeas corpus” de ofício para garantir ao paciente,
art.23). No caso, a impetrante, brasileira nata, obtivera a condenado à pena de um ano e oito meses de reclusão pela
nacionalidade norte-americana de forma livre e espontânea e, prática do delito de tráfico de drogas, a substituição da
posteriormente, fora acusada, nos Estados Unidos da reprimenda por duas penas restritivas de direitos, a serem
América, da prática de homicídio contra seu marido, nacional estabelecidas pelo juízo das execuções criminais, bem assim
daquele país. Diante disso, o governo norte-americano a fixação do regime inicial aberto. O Colegiado entendeu que
indiciara a impetrante e requerera às autoridades brasileiras a o paciente atende aos requisitos do art. 44 do CP, razão pela
prisão para fins de extradição. O Colegiado entendeu que o qual o juízo deve considerá-los ao estabelecer a reprimenda,
ato do ministro da Justiça de cassação da nacionalidade de acordo com o princípio constitucional da individualização
brasileira é legítimo, pois a impetrante perdera a da pena. (HC-133028/Inf. 821)
nacionalidade brasileira ao adquirir outra em situação que
não se enquadraria em qualquer das duas exceções 03. Prescrição: condenado com mais de 70 anos e sentença
constitucionalmente previstas: (i) tratar-se de mero condenatória. A prescrição da pretensão punitiva de
reconhecimento de outra nacionalidade originária, condenado com mais de 70 anos se consuma com a
considerada a natureza declaratória desse prolação da sentença e não com o trânsito em julgado,
reconhecimento (art. 12, § 4º, II, “a”); e (ii) ter sido a outra conforme estatui o art. 115 do CP [“Art. 115 - São
nacionalidade imposta pelo Estado estrangeiro como reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o
condição de permanência em seu território ou para o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e
exercício de direitos civis (art. 12, § 4º, II, “b”). Por fim, a um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta)
Turma revogou a liminar deferida pelo Superior Tribunal de anos”]. Com base nesse entendimento, a Primeira Turma
Justiça, que suspendera provisoriamente a eficácia da denegou a ordem de “habeas corpus” em que se discutia a
portaria ministerial de cassação da nacionalidade. Vencidos extinção da punibilidade de paciente que completara 70
os Ministros Edson Fachin e Marco Aurélio, que concediam a anos após a sentença condenatória, porém, antes do
segurança. O Ministro Edson Fachin assentava que o trânsito em julgado. (HC-129696/Inf. 822).
brasileiro nato não poderia ser extraditado pelo Brasil a
pedido de governo estrangeiro, porque se cuidaria de garantia 04. Sigilo bancário e nulidade. A Segunda Turma negou
fundamental que não comporta exceção. Salientava ainda provimento a recurso ordinário em “habeas corpus” no qual
que se a extradição não for concedida, legitimar-se-á ao se pleiteava a anulação de condenação criminal lastreada
Estado Brasileiro, mediante a aplicação extraterritorial de sua em prova produzida no âmbito da Receita Federal do Brasil
própria lei penal, fazer instaurar a persecução criminal. O por meio da obtenção de informações de instituições
Ministro Marco Aurélio reputava que, em se tratando de financeiras sem prévia autorização judicial de quebra do
mandado de segurança contra ato de ministro da Justiça, o sigilo bancário. A Turma reiterou o que decidido na ADI
órgão competente para julgamento é o Superior Tribunal de 2.390/DF (acórdão pendente de publicação, v.
Justiça. Além disso, concluía que o direito à condição de Informativos 814 e 815), no sentido de assentar a
brasileiro nato seria indisponível. (MS-33864/Inf. 822). constitucionalidade das normas que permitem o acesso
direto da Receita Federal à movimentação financeira dos
PENAL E PROCESSO PENAL contribuintes (LC 105/2001, artigos 5º e 6º; Decreto
3.724/2001; e Decreto 4.489/2002). (RHC-121429/Inf. 822).
01. Tráfico de entorpecentes: fixação do regime e
substituição da pena. Não se tratando de réu reincidente, 05. Homicídio e desnecessidade da oitiva de todas as
ficando a pena no patamar de quatro anos e sendo as vítimas. Não há direito absoluto à produção de prova. Em
circunstâncias judiciais positivas, cumpre observar o casos complexos, há que confiar no prudente arbítrio do
regime aberto e apreciar a possibilidade da substituição juiz da causa, mais próximo dos fatos, quanto à
da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos. avaliação da pertinência e relevância das provas
Com esse entendimento, a Primeira Turma, por maioria, requeridas pelas partes. Assim, a obrigatoriedade de
concedeu “habeas corpus” de ofício para garantir ao paciente, oitiva da vítima deve ser compreendida à luz da
condenado à pena de um ano e oito meses de reclusão pela razoabilidade e da utilidade prática da colheita da
prática do delito de tráfico de drogas, a fixação do regime referida prova. Com base nesse entendimento, a Primeira
inicial aberto, bem como a substituição da reprimenda por Turma não conheceu de “habeas corpus” em que se
duas penas restritivas de direito, a serem definidas pelo juízo pretendia a oitiva da totalidade das vítimas sobreviventes de
da execução criminal. O Colegiado ressaltou não haver incêndio ocorrido em boate. O Colegiado assentou que o
circunstâncias aptas a exasperar a pena. Vencidos os magistrado, em observância ao sistema da persuasão
Ministros Rosa Weber (relatora) e Marco Aurélio. Ambos racional, motivara a dispensa da oitiva de todas as vítimas
concediam a ordem de oficio, mas para efeitos distintos. A do homicídio tentado. Segundo o juiz de origem, a produção
relatora, para determinar que o magistrado de 1º grau dessa prova, diante da peculiaridade do caso concreto,
procedesse a nova avaliação quanto ao regime inicial de acarretaria, em síntese, a necessidade de mais de 954
cumprimento da pena e à substituição da pena privativa de horas de audiência para a tomada de declarações das 638
liberdade por restritiva de direitos. O Ministro Marco Aurélio, vítimas, a nova exposição delas ao cenário traumático em

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que os fatos teriam se desenvolvido e a repetição de relatos
que não auxiliariam no esclarecimento dos fatos. Além
disso, o paciente deixara de requerer, na resposta à
acusação, a oitiva de todas as vítimas. A Turma
acrescentou, ainda, que o rito especial do tribunal do júri
limita o número de testemunhas a serem inquiridas e, ao
contrário do procedimento comum, não exclui dessa
contagem as testemunhas que não prestam compromisso
legal. Anotou, também, que a inobservância do prazo
para o oferecimento da denúncia não contamina o
direito de apresentação do rol de testemunhas. A
exibição desse rol, tanto pela acusação quanto pela
defesa, não se submete a prazo preclusivo, visto que
referidas provas devem ser requeridas, por expressa
imposição legal, na denúncia e na defesa preliminar.
Desse modo, não há vinculação temporal à propositura
da prova, mas sim associação a um momento
processual. A aludida atuação se sujeita, na realidade, à
preclusão consumativa. Logo, por não vislumbrar
ilegalidade, não se concedeu a ordem de ofício. (HC-
131158/Inf. 823). Assista ao vídeo com os principais
julgados da semana.

TRIBUTÁRIO

01. Correção monetária e mora administrativa. A mora


injustificada ou irrazoável do Fisco em restituir o valor
devido ao contribuinte caracteriza a resistência ilegítima
autorizadora da incidência da correção monetária. Com
base nesse entendimento, o Plenário deu provimento a
embargos de divergência para determinar a aplicação de
correção monetária a valores a serem ressarcidos em
decorrência de crédito prêmio de IPI solicitado na esfera
administrativa, tendo em vista a indevida oposição do Fisco
na restituição. A Corte destacou, preliminarmente, que, de
fato, haveria divergência entre o acórdão embargado e os
paradigmas apontados pela parte embargante, nos termos
do art. 546, II, do CPC, e 330 do RISTF, devendo ser
conhecido o recurso. No mérito, afirmou que a orientação
do STF seria no sentido da existência do direito à
correção monetária dos créditos de IPI referentes a
valores não aproveitados na etapa seguinte da cadeia
produtiva, desde que ficasse comprovada a estrita
hipótese de resistência injustificada da Administração
em realizar o pagamento tempestivamente (AI 820.614
AgR/RS, DJe de 4.3.2011; AI 619.664 AgR/RS, DJe de
20.2.2009; RE 282.120/PR, DJU de 6.12.2002). Por outro
lado, eventual divergência em relação à tese adotada pelo
juízo “a quo”, em relação à ocorrência, em concreto, da
injustificada resistência do Fisco, demandaria o reexame de
fatos e provas, além da análise da legislação
infraconstitucional aplicável à espécie, de modo a inviabilizar
o processamento do recurso extraordinário. (RE-299605/Inf.
820). Ouça o áudio do julgamento e assista ao vídeo dos
principais julgados da semana.

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Superior Tribunal de Justiça IPSEM – Campina Grande.

Selecionados a partir dos informativos 577 e 578 do STJ último da Administração Pública. Essa ausência de
menção explícita certamente decorre da compreensão
ADMINISTRATIVO de que o ato ímprobo é, muitas vezes, um fenômeno
pluriofensivo, ou seja, ele pode atingir bens jurídicos
01. Direito administrativo. Caracterização de tortura como diversos. Ocorre que o ato que apenas atingir bem
ato de improbidade administrativa. A tortura de preso privado e individual jamais terá a qualificação de
custodiado em delegacia praticada por policial constitui ímprobo, nos termos do ordenamento em vigor. O
ato de improbidade administrativa que atenta contra os mesmo não ocorre, entretanto, com o ato que atingir
princípios da administração pública. O legislador bem/interesse privado e público ao mesmo tempo. Aqui,
estabeleceu premissa que deve orientar o agente público em sim, haverá potencial ocorrência de ato de improbidade. Por
toda a sua atividade, a saber: "Art. 4° Os agentes públicos isso, o primordial é verificar se, dentre todos os bens
de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela atingidos pela postura do agente, existe algum que seja
estrita observância dos princípios de legalidade, vinculado ao interesse e ao bem público. Se assim for, como
impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos consequência imediata, a Administração Pública será
assuntos que lhe são afetos". Em reforço, o art. 11, I, da vulnerada de forma concomitante. No caso em análise, trata-
mesma lei, reitera que configura improbidade a violação a se de discussão sobre séria arbitrariedade praticada por
quaisquer princípios da administração, bem como a policial, que, em tese, pode ter significado gravíssimo
deslealdade às instituições, notadamente a prática de ato atentado contra direitos humanos. Com efeito, o respeito aos
visando a fim proibido em lei ou regulamento. Tais direitos fundamentais, para além de mera acepção
disposições evidenciam que o legislador teve preocupação individual, é fundamento da nossa República, conforme o
redobrada em estabelecer que a grave desobediência - por art. 1º, III, da CF, e é objeto de preocupação permanente da
parte de agentes públicos - ao sistema normativo em vigor Administração Pública, de maneira geral. De tão importante,
pode significar ato de improbidade. Com base nessas a prevalência dos direitos humanos, na forma em que
premissas, a Segunda Turma já teve oportunidade de decidir disposta no inciso II do art. 4º da CF, é vetor de regência da
que "A Lei 8.429/1992 objetiva coibir, punir e afastar da República Federativa do Brasil nas suas relações
atividade pública todos os agentes que demonstraram pouco internacionais. Não por outra razão, inúmeros são os
apreço pelo princípio da juridicidade, denotando uma tratados e convenções assinados pelo nosso Estado a
degeneração de caráter incompatível com a natureza da respeito do tema. Dentre vários, lembra-se a Convenção
atividade desenvolvida" (REsp 1.297.021-PR, DJe Americana de Direito Humanos (promulgada pelo Decreto n.
20/11/2013). É certo que o STJ, em alguns momentos, 678/1992), que já no seu art. 1º, dispõe explicitamente que
mitiga a rigidez da interpretação literal dos dispositivos os Estados signatários são obrigados a respeitar as
acima, porque "não se pode confundir improbidade com liberdades públicas. E, de forma mais eloquente, os arts. 5º
simples ilegalidade. A improbidade é ilegalidade e 7º da referida convenção reforçam as suas disposições
tipificada e qualificada pelo elemento subjetivo da introdutórias ao prever, respectivamente, o "Direito à
conduta do agente. Por isso mesmo, a jurisprudência do integridade pessoal" e o "Direito à liberdade pessoal". A
STJ considera indispensável, para a caracterização de essas previsões, é oportuno ressaltar que o art. 144 da CF é
improbidade, que a conduta do agente seja dolosa, para taxativo sobre as atribuições gerais das forças de segurança
a tipificação das condutas descritas nos artigos 9º e 11 na missão de proteger os direitos e garantias acima citados.
da Lei 8.429/92, ou pelo menos eivada de culpa grave, Além do mais, é injustificável pretender que os atos mais
nas do artigo 10" (AIA 30-AM, Corte Especial, DJe gravosos à dignidade da pessoa humana e aos direitos
28/9/2011). A referida mitigação, entretanto, ocorre humanos, entre os quais a tortura, praticados por servidores
apenas naqueles casos sem gravidade, sem densidade públicos, mormente policiais armados, sejam punidos
jurídica relevante e sem demonstração do elemento apenas no âmbito disciplinar, civil e penal, afastando-se a
subjetivo. De qualquer maneira, a detida análise da Lei aplicação da Lei da Improbidade Administrativa. Essas
n. 8.429/1992 demonstra que o legislador, ao dispor práticas ofendem diretamente a Administração Pública,
sobre o assunto, não determinou expressamente quais porque o Estado brasileiro tem a obrigação de garantir a
seriam as vítimas mediatas ou imediatas da atividade integridade física, psíquica e moral de todos, sob pena
desonesta para fins de configuração do ato como de inúmeros reflexos jurídicos, inclusive na ordem
ímprobo. Impôs, sim, que o agente público respeite o internacional. Pondere-se que o agente público
sistema jurídico em vigor e o bem comum, que é o fim incumbido da missão de garantir o respeito à ordem

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pública, como é o caso do policial, ao descumprir com subjetivos. Nesse sentido, se a autoridade aduaneira
suas obrigações legais e constitucionais de forma pudesse classificar livremente os produtos importados, é
frontal, mais que atentar apenas contra um indivíduo, evidente que as alíquotas aplicadas seriam sempre as mais
atinge toda a coletividade e a própria corporação a que elevadas. Ressalta-se, por fim, que a autoridade aduaneira
pertence de forma imediata. Ademais, pertinente não é instância revisora da ANVISA. (REsp 1.555.004-
reforçar que o legislador, ao prever que constitui ato de SC/Inf. 577). Inteiro teor do acórdão aqui.
improbidade administrativa que atenta contra os
princípios da administração pública qualquer ação ou 03. Direito administrativo. Princípio da intranscendência das
omissão que viole os deveres de lealdade às sanções e entidade integrante de consórcio público com
instituições, findou por tornar de interesse público, e da pendência no CAUC. O fato de ente integrante de
própria Administração em si, a proteção da imagem e consórcio público possuir pendência no Serviço Auxiliar
das atribuições dos entes/entidades públicas. Disso de Informações para Transferências Voluntárias (CAUC)
resulta que qualquer atividade atentatória a esse bem não impede que o consórcio faça jus, após a celebração
por parte de agentes públicos tem a potencialidade de de convênio, à transferência voluntária a que se refere o
ser considerada como improbidade administrativa. Afora art. 25 da LC n. 101/2000. Nos moldes da Lei n.
isso, a tortura perpetrada por policiais contra presos 11.107/2005, é possível conceituar consórcio público como o
mantidos sob a sua custódia tem outro reflexo jurídico contrato administrativo multilateral, firmado entre entidades
imediato. Ao agir de tal forma, o agente público cria, de federativas, para persecução de objetivos comuns,
maneira praticamente automática, obrigação ao Estado, que resultando na criação de uma nova pessoa jurídica. A
é o dever de indenizar, nos termos do art. 37, § 6º, da CF. grande novidade dos consórcios públicos regidos por
Na hipótese em análise, o ato ímprobo caracteriza-se essa lei é que, atualmente, a celebração do contrato
quando se constata que a vítima foi torturada em instalação resulta na instituição de uma nova pessoa jurídica, com
pública, ou melhor, em delegacia de polícia. Por fim, personalidade distinta da personalidade das entidades
violência policial arbitrária não é ato apenas contra o consorciadas (art. 1º, § 1º, da Lei n. 11.107/2005). Nota-
particular-vítima, mas sim contra a própria Administração se, por oportuno, que o instrumento não modifica a natureza
Pública, ferindo suas bases de legitimidade e dos entes federativos que dele participam. Nesse passo,
respeitabilidade. Tanto é assim que essas condutas são segundo o princípio da intranscendência das sanções,
tipificadas, entre outros estatutos, no art. 322 do CP, que não podem as penalidades e as restrições de ordem
integra o Capítulo I ("Dos Crimes Praticados por Funcionário jurídica superar a dimensão estritamente pessoal do
Público contra a Administração Pública"), que por sua vez infrator, não podendo prejudicar os outros entes, sob
está inserido no Título XI ("Dos Crimes contra a pena de violação desse preceito normativo, consoante
Administração Pública"), e também nos arts. 3º e 4º da Lei n. entendimento já consolidado no STJ (AgRg no REsp
4.898/1965, que trata do abuso de autoridade. Em síntese, 1.087.465-SC, Segunda Turma, DJe 16/9/2009) e no STF
atentado à vida e à liberdade individual de particulares, (ACO 1.631-GO AgR, Tribunal Pleno, DJe 1º/7/2015; e
praticado por agentes públicos armados - incluindo ACO-MA 1.848 AgR, Tribunal Pleno, DJe 6/2/2015). Em
tortura, prisão ilegal e "justiciamento" -, afora relação aos consórcios públicos, se não adotada a tese
repercussões nas esferas penal, civil e disciplinar, pode da intranscendência, estar-se-á afirmando que a
configurar improbidade administrativa, porque, além de irregularidade de uma pessoa jurídica de direito público,
atingir a pessoa-vítima, alcança, simultaneamente, integrante da administração pública direta, seria capaz
interesses caros à Administração em geral, às de alcançar outra pessoa jurídica, integrante da
instituições de segurança pública em especial, e ao administração indireta (no caso, o consórcio público de
próprio Estado Democrático de Direito. Precedente Direito Público). Ressalte-se, ainda, que os consórcios
citado: REsp 1.081.743-MG, Segunda Turma, julgado em públicos possuem autonomia administrativa, financeira e
24/3/2015. (REsp 1.177.910-SE/Inf. 577). Inteiro teor do orçamentária, não havendo falar em exceção ao princípio da
acórdão aqui. intranscendência, cujo escopo é o de impedir que sanções e
restrições de ordem jurídica superem a dimensão
02. Direito administrativo. Atribuição para classificar como estritamente pessoal do infrator e atinjam outro ente
medicamento produto importado. Se a ANVISA classificou federativo. A personalidade jurídica própria dos consórcios
determinado produto importado como "cosmético", a permite razoável segurança jurídica em relação ao
autoridade aduaneira não poderá alterar essa cumprimento de suas obrigações. Além disso, não prevalece
classificação para defini-lo como "medicamento". Nos a tese de que o respeito à autonomia dos consórcios
termos do art. 8º da Lei n. 9.782/1999, incumbe à ANVISA públicos incentivaria a inadimplência dos entes
regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços consorciados, fraudando o sistema de normas que rege as
que envolvam a saúde pública. Logo, é da ANVISA a transferências voluntárias, uma vez que, na elaboração dos
atribuição de definir o que é medicamento e o que é contratos de Direito Público (assim como nos de Direito
cosmético. Convém recordar que, quando se confere a Comum), a boa-fé é presumida, enquanto que a má-fé
certo e determinado órgão administrativo alguma necessita ser provada. Ademais, a escolha das propostas
atribuição operacional, está-se, ipso facto, excluindo os e a celebração do contrato de repasse são decisões
demais órgãos administrativos do desempenho legítimo discricionárias do órgão do Poder Executivo
dessa mesma atribuição. Essa é uma das pilastras do competente, havendo um procedimento de aprovação
sistema organizativo e funcional estatal e abalá-la seria de plano de trabalho e de seleção da proposta
o mesmo que abrir a porta da Administração para a vencedora antes da formalização do contrato de
confusão, a celeuma e mesmo o caos. Assim, a repasse. Se a administração pública decidisse por não
distribuição de competências ou atribuições entre selecionar a proposta em razão da inadimplência de um
diferentes órgãos ou agentes da Administração atende dos entes consorciados, não haveria óbice algum. No
uma recomendação garantista aos administrados, entanto, se aprovado o plano de trabalho do consórcio
porquanto, na hipótese de cumulação de funções no público e selecionada a sua proposta, não há que se
mesmo agente, atribuir-se-ia a esse uma possível falar, em razão da pendência de alguns dos entes
potestade incontrolável, a qual poderia determinar consorciados, em irregularidade por parte do consórcio
situações arbitrárias e desrespeitosas a direitos público para firmar convênio, visto que possui

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personalidade jurídica própria e relações jurídicas intimação da decisão agravada (art. 525, I, do CPC). De
próprias. (REsp 1.463.921-PR/Inf. 577). Inteiro teor do fato, determina o art. 525, I, do CPC que o agravo de
acórdão aqui. instrumento deve ser instruído, "obrigatoriamente, com
cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva
04. Direito administrativo e processual civil. Prazo intimação e das procurações outorgadas aos advogados do
decadencial para impetrar mandado de segurança contra agravante e do agravado". A literalidade do artigo em testilha
redução de vantagem de servidor público. O prazo poderia levar à rápida conclusão de que a referida certidão,
decadencial para impetrar mandado de segurança como peça obrigatória na formação do instrumento do
contra redução do valor de vantagem integrante de recurso de agravo, seria requisito extrínseco sem o qual o
proventos ou de remuneração de servidor público recurso não ultrapassaria, sequer, a barreira da
renova-se mês a mês. A citada redução, ao revés da admissibilidade. Entretanto, a interpretação literal dos
supressão de vantagem, configura relação de trato dispositivos legais não é, em algumas ocasiões, a mais
sucessivo, pois não equivale à negação do próprio adequada, especialmente em se tratando de leis
fundo de direito. Assim, o prazo decadencial para se processuais, as quais têm a finalidade precípua de
impetrar a ação mandamental renova-se mês a mês. resguardar o regular exercício do direito das partes
Precedente citado: AgRg no REsp 1.211.840-MS, Segunda litigantes. Efetivamente, a interpretação das regras
Turma, DJe 6/2/2015. (EREsp 1.164.514-AM/Inf. 578). processuais, na linha do pensamento da moderna
Inteiro teor do acórdão aqui. doutrina processualista a respeito da necessidade de
primazia da finalidade das normas de procedimento, na
05. Direito administrativo e processual civil. Efeitos busca por uma prestação jurisdicional mais breve e
financeiros da concessão de ordem mandamental contra ato efetiva, deve levar em conta não apenas o cumprimento
de redução de vantagem de servidor público. Em mandado da norma em si mesma, mas seu escopo, seu objetivo,
de segurança impetrado contra redução do valor de sob pena de se privilegiar o formalismo em detrimento
vantagem integrante de proventos ou de remuneração do próprio direito material buscado pelo jurisdicionado.
de servidor público, os efeitos financeiros da concessão Assim, para que se decida a respeito da ocorrência ou
da ordem retroagem à data do ato impugnado. Não se não de excesso de formalismo, é preciso, na linha de
desconhece a orientação das Súmulas n. 269 e 271 do pensamento acima exposta, atentar para a
STF, à luz das quais caberia à parte impetrante, finalidade da exigência legal de
após o trânsito em julgado da sentença apresentação da aludida certidão de
mandamental concessiva, ajuizar nova Prepare-se para os concursos intimação que, frise-se, é a verificação
demanda de natureza condenatória para da Advocacia-Geral da União da tempestividade do agravo de
reivindicar os valores vencidos em data com instrumento. Dessa forma, sendo
anterior à impetração do mandado de possível verificar a referida
segurança. Essa exigência, contudo, não tempestividade por outro meio,
apresenta nenhuma utilidade prática e
atenta contra os princípios da justiça, da
efetividade processual, da celeridade e da
GEAGU atingindo-se, assim, a finalidade da
exigência formal, deve-se, em
atenção ao princípio da
razoável duração do processo. Ademais, Resolução de questões instrumentalidade das formas,
essa imposição estimula demandas objetivas, peças, pareceres e considerar atendido o pressuposto e
desnecessárias e que movimentam a dissertações conhecer-se do agravo de
máquina judiciária, de modo a consumir tempo www.ebeji.com.br instrumento. Ademais, os arts. 38 da LC
e recursos de forma completamente inútil, e n. 73/1993, 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n.
enseja inclusive a fixação de honorários 9.028/1995, 20 da Lei n. 11.033/2004 e 25 da
sucumbenciais, em ação que já se sabe destinada à Lei n. 6.830/1980 dispõem a respeito das formas de
procedência. Corroborando esse entendimento, o STJ intimação da União, inclusive, no tocante às execuções
firmou a orientação de que, nas hipóteses em que o fiscais, tendo a Fazenda Nacional a prerrogativa de ser
servidor público deixa de auferir seus vencimentos ou intimada das decisões, por meio da concessão de vista
parte deles em razão de ato ilegal ou abusivo do Poder pessoal dos autos. Em razão da mencionada prerrogativa, é
Público, os efeitos financeiros da concessão de ordem certo que o prazo para apresentação de recursos pela
mandamental devem retroagir à data do ato impugnado, Fazenda Nacional tem início a partir da data em que há a
violador do direito líquido e certo do impetrante. Isso concessão da referida vista pessoal. Por tal motivo, entende-
porque os efeitos patrimoniais são mera consequência se que, nos casos em que a Fazenda Nacional figura como
da anulação do ato impugnado que reduz o valor de agravante, pode a certidão de concessão de vistas dos
vantagem nos proventos ou remuneração do impetrante autos ser considerada como elemento suficiente da
(MS 12.397-DF, Terceira Seção, DJe 16/6/2008). demonstração da tempestividade do agravo de instrumento,
Precedentes citados: EDcl no REsp 1.236.588-SP, Segunda substituindo a certidão de intimação legalmente prevista.
Turma, DJe 10/5/2011; e AgRg no REsp 1.090.572-DF, Sob esse prisma, é preciso chamar a atenção para o fato
Quinta Turma, DJe 1º/6/2009. (EREsp 1.164.514-AM/Inf. de que tal tratamento não pode, via de regra, ser
578). Inteiro teor do acórdão aqui. automaticamente conferido aos litigantes que não
possuem a prerrogativa de intimação pessoal, sob pena
CIVIL E PROCESSO CIVIL de se admitir que o início do prazo seja determinado
pelo próprio recorrente, a partir da data de vista dos
01. Direito processual civil. Comprovação da tempestividade autos, a qual pode ser posterior ao efetivo termo inicial
do agravo de instrumento mediante apresentação de do prazo recursal que, geralmente, é a data da
certidão de vista pessoal da fazenda nacional. Recurso publicação da mesma decisão (EREsp 683.504-SC, Corte
repetitivo (art. 543-c do CPC e Res. STJ n. 8/2008). Tema Especial, DJe 1º/7/2013). A propósito, no precedente acima
651. O termo de abertura de vista e remessa dos autos à citado, afastou-se a aplicação do princípio da
Fazenda Nacional substitui, para efeito de demonstração instrumentalidade das formas, pois se considerou que a
da tempestividade do agravo de instrumento (art. 522 do aposição unilateral de ciente do advogado não goza de fé
CPC) por ela interposto, a apresentação de certidão de pública, sendo insuficiente para aferição da tempestividade

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do recurso. (REsp 1.383.500-SP/Inf. 577). Inteiro teor do simplesmente não teria direito ao ressarcimento
acórdão aqui. material representado pelo pensionamento, o que não
seria razoável. O direito à pensão mensal surge
exatamente da necessidade de reparação por dano material
decorrente da perda de ente familiar que contribuía com o
02. Direito civil. Direito ao reconhecimento de paternidade
sustento de quem era economicamente dependente até o
biológica. O filho tem direito de desconstituir a
momento do óbito. Nesse contexto, o fato de a vítima já ter
denominada "adoção à brasileira" para fazer constar o
ultrapassado a idade correspondente à expectativa
nome de seu pai biológico em seu registro de
média de vida do brasileiro, por si só, não é óbice ao
nascimento, ainda que preexista vínculo socioafetivo de
deferimento do benefício, pois muitos são os casos em
filiação com o pai registral. De fato, a jurisprudência do
que referida faixa etária é ultrapassada. Por isso, é
STJ entende que "Não há que se falar em erro ou falsidade
conveniente a utilização da tabela de sobrevida (Tábua
se o registro de nascimento de filho não biológico efetivou-
Completa de Mortalidade correspondente ao gênero da
se em decorrência do reconhecimento de paternidade, via
vítima) do IBGE em vigência na data do óbito para
escritura pública, de forma espontânea, quando inteirado o
melhor valorar a expectativa de vida da vítima e,
pretenso pai de que o menor não era seu filho; porém,
consequentemente, para fixar o termo final da pensão.
materializa-se sua vontade, em condições normais de
(REsp 1.311.402-SP/Inf. 578). Inteiro teor do acórdão
discernimento, movido pelo vínculo socioafetivo e
aqui.
sentimento de nobreza" (REsp 709.608-MS, Quarta Turma,
DJe 23/11/2009). Nada obstante, o reconhecimento do
CONSUMIDOR
estado biológico de filiação constitui direito personalíssimo,
indisponível e imprescritível, consubstanciado no princípio
01. SÚMULA N. 321 (CANCELADA). O Código de Defesa
constitucional da dignidade da pessoa humana (REsp
do Consumidor é aplicável à relação jurídica entre a
1.215.189-RJ, Quarta Turma, DJe 1º/2/2011; e AgRg no
entidade de previdência privada e seus participantes.
REsp 1.203.874-PB, Terceira Turma, DJe 18/8/2011).
Segunda Seção, cancelada em 24/2/2016, DJe 29/2/2016.
Ademais, há precedentes do STJ no sentido de que é
possível o desfazimento da "adoção à brasileira", mesmo no
02. SÚMULA N. 563. O Código de Defesa do Consumidor é
caso de vínculo socioafetivo, se assim opta o interessado.
aplicável às entidades abertas de previdência
Dessa forma, a paternidade socioafetiva em face do pai
complementar, não incidindo nos contratos previdenciários
registral não pode ser óbice à pretensão do filho de ver
celebrados com entidades fechadas. Segunda Seção,
alterado o seu registro para constar o nome de seu pai
aprovada em 24/2/2016, DJe 29/2/2016.
biológico, sob pena de ofensa ao art. 1.596 do CC, segundo
o qual "Os filhos, havidos ou não da relação de casamento,
03. SÚMULA N. 564. No caso de reintegração de posse em
ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações,
arrendamento mercantil financeiro, quando a soma da
proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à
importância antecipada a título de valor residual garantido
filiação". Precedentes citados: REsp 1.352.529-SP, Quarta
(VRG) com o valor da venda do bem ultrapassar o total do
Turma, DJe 13/4/2015; e REsp 1.256.025-RS, Terceira
VRG previsto contratualmente, o arrendatário terá direito de
Turma, DJe 19/3/2014. (REsp 1.417.598-CE/Inf. 577).
receber a respectiva diferença, cabendo, porém, se
Inteiro teor do acórdão aqui.
estipulado no contrato, o prévio desconto de outras
despesas ou encargos pactuados. Segunda Seção,
03. Direito civil. Termo final de pensão mensal por ato ilícito
aprovada em 24/2/2016, DJe 29/2/2016.
com resultado morte. O fato de a vítima de ato ilícito com
resultado morte possuir, na data do óbito, idade
04. SÚMULA N. 565. A pactuação das tarifas de abertura de
superior à expectativa média de vida do brasileiro não
crédito (TAC) e de emissão de carnê (TEC), ou outra
afasta o direito de seu dependente econômico ao
denominação para o mesmo fato gerador, é válida apenas
recebimento de pensão mensal, que será devida até a
nos contratos bancários anteriores ao início da vigência da
data em que a vítima atingiria a expectativa de vida
Resolução-CMN n. 3.518/2007, em 30/4/2008. Segunda
prevista na tabela de sobrevida (Tábua Completa de
Seção, julgado em 24/2/2016, DJe 29/2/2016.
Mortalidade) do IBGE vigente na data do óbito,
considerando-se, para os devidos fins, o gênero e a
05. SÚMULA N. 566. Nos contratos bancários posteriores ao
idade da vítima. Na jurisprudência nacional, é assente o
início da vigência da Resolução-CMN n. 3.518/2007, em
entendimento de que, nos casos em que há acidente com
30/4/2008, pode ser cobrada a tarifa de cadastro no início do
morte, cabe, como forma de reparar o dano material sofrido,
relacionamento entre o consumidor e a instituição financeira.
entre outras medidas, a fixação de pensão mensal a ser
Segunda Seção, julgado em 24/2/2016, DJe 29/2/2016.
paga ao dependente econômico da vítima. Nos casos em
que a vítima é jovem, a orientação do STJ é a de que
ECA
referida obrigação deve perdurar até a data em que a vítima
vier a atingir a idade correspondente à expectativa média de
01. Direito da criança e do adolescente e penal. Tipificação
vida do brasileiro na data do óbito (REsp 1.201.244-RJ,
das condutas de fotografar cena pornográfica e armazenar
Terceira Turma, DJe 13/5/2015; REsp 1.325.034-SP,
fotografias de conteúdo pornográfico envolvendo criança ou
Terceira Turma, DJe 11/5/2015; AgRg nos EDcl no AREsp
adolescente. Fotografar cena e armazenar fotografia de
119.035-RJ, Quarta Turma, DJe 19/2/2015; e AgRg nos
criança ou adolescente em poses nitidamente sensuais,
EDcl no REsp 1.351.679-PR, Quarta Turma, DJe
com enfoque em seus órgãos genitais, ainda que
16/10/2014). No entanto, este mesmo critério não pode
cobertos por peças de roupas, e incontroversa
ser utilizado como forma de obstar o direito daquele que
finalidade sexual e libidinosa, adequam-se,
é dependente econômico de vítima cuja idade era
respectivamente, aos tipos do art. 240 e 241-B do ECA.
superior à expectativa média de vida do brasileiro na
Configuram os crimes dos arts. 240 e 241-B do ECA quando
data do falecimento, na medida em que representaria a
subsiste incontroversa a finalidade sexual e libidinosa de
adoção do entendimento segundo o qual, quando a
fotografias produzidas e armazenadas pelo agente, com
vítima tivesse superado a expectativa média de vida do
enfoque nos órgãos genitais de adolescente - ainda que
brasileiro, o seu dependente econômico direto

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cobertos por peças de roupas -, e de poses nitidamente liquidação da dívida garantida. Por sua vez, o art. 19 confere
sensuais, em que explorada sua sexualidade com conotação ao credor fiduciário direitos e prerrogativas decorrentes da
obscena e pornográfica. O art. 241-E do ECA ("Para efeito cessão fiduciária que são exercitáveis imediatamente à
dos crimes previstos nesta Lei, a expressão 'cena de sexo contratação da garantia, independentemente de seu registro.
explícito ou pornográfica' compreende qualquer situação que Por outro lado, o posterior registro da garantia ao mútuo
envolva criança ou adolescente em atividades sexuais bancário destina-se a conferir publicidade a esse ajuste
explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos acessório, a radiar seus efeitos perante terceiros, função
genitais de uma criança ou adolescente para fins expressamente mencionada pela Lei n. 10.931/2004 ao
primordialmente sexuais") trouxe norma penal explicativa - dispor sobre Cédula de Crédito Bancário. Note-se que o
porém não completa - que contribui para a interpretação dos credor titular da posição de proprietário fiduciário sobre
tipos penais abertos criados pela Lei n. 11.829/2008. Nessa direitos creditícios não opõe essa garantia real aos
linha de intelecção, a definição de material pornográfico credores do recuperando, mas sim aos devedores do
acrescentada por esse dispositivo legal não restringe a recuperando (contra quem, efetivamente, far-se-á valer o
abrangência do termo pornografia infanto-juvenil e, por direito ao crédito, objeto da garantia), o que robustece a
conseguinte, deve ser interpretada com vistas à proteção da compreensão de que a garantia sob comento não diz
criança e do adolescente em condição peculiar de pessoas respeito à recuperação judicial. O direito de crédito
em desenvolvimento (art. 6º do ECA). Desse modo, o cedido não compõe o patrimônio da devedora fiduciante
conceito de pornografia infanto-juvenil pode abarcar (que sequer detém sobre ele qualquer ingerência),
hipóteses em que não haja a exibição explícita do órgão sendo, pois, inacessível aos seus demais credores e,
sexual da criança e do adolescente e, nesse sentido, há por conseguinte, sem qualquer repercussão na esfera
entendimento doutrinário. Portanto, configuram os crimes jurídica destes. Não se antevê, desse modo, qualquer
dos arts. 240 e 241-B do ECA quando subsiste frustração dos demais credores do recuperando que, sobre
incontroversa a finalidade sexual e libidinosa de o bem dado em garantia (fora dos efeitos da recuperação
fotografias produzidas e armazenadas pelo agente, com judicial), não guardam legítima expectativa. Aliás, sob o
enfoque nos órgãos genitais de adolescente - ainda que aspecto da boa-fé objetiva que deve permear as relações
cobertos por peças de roupas -, e de poses nitidamente negociais, tem-se que compreensão diversa permitiria que o
sensuais, em que explorada sua sexualidade com empresário devedor, naturalmente ciente da sua situação de
conotação obscena e pornográfica. (REsp 1.543.267- dificuldade financeira, ao eleger o momento de requerer sua
SC/Inf. 577). Inteiro teor do acórdão aqui. recuperação judicial, escolha, também, ao seu alvedrio,
quais dívidas contraídas seriam ou não submetidas à
EMPRESARIAL recuperação judicial. Por fim, descabido seria reputar
constituída a obrigação principal (mútuo bancário
01. Direito empresarial. Não sujeição a recuperação judicial representado por Cédula de Crédito Bancário emitida em
de direitos de crédito cedidos fiduciariamente. Não se favor de instituição financeira) e, ao mesmo tempo,
submetem aos efeitos da recuperação judicial do considerar pendente de formalização a indissociável
devedor os direitos de crédito cedidos fiduciariamente garantia àquela, condicionando a existência desta última ao
por ele em garantia de obrigação representada por posterior registro. Assim, e nos termos do art. 49, § 3º, da
Cédula de Crédito Bancário existentes na data do Lei n. 11.101/2005, uma vez caracterizada a condição de
pedido de recuperação, independentemente de a cessão credor titular da posição de proprietário do bem dado em
ter ou não sido registrada no Registro de Títulos e garantia, o correlato crédito não se sujeita aos efeitos da
Documentos do domicílio do devedor. É a partir da recuperação judicial, remanescendo incólumes os direitos de
contratação da cessão fiduciária, e não do registro, que há a propriedade sobre a coisa e as condições contratuais,
imediata transferência, sob condição resolutiva, da conforme dispõe a lei especial regente. (REsp 1.412.529-
titularidade dos direitos creditícios dados em garantia ao SP/Inf. 578). Inteiro teor do acórdão aqui.
credor fiduciário. Efetivamente, o CC limitou-se a disciplinar
a propriedade fiduciária sobre bens móveis infungíveis, PENAL E PROCESSO PENAL
esclarecendo que "as demais espécies de propriedade
fiduciária ou de titularidade fiduciária submetem-se à 01. SÚMULA N. 562. É possível a remição de parte do
disciplina específica das respectivas leis especiais, somente tempo de execução da pena quando o condenado, em
se aplicando as disposições deste Código naquilo que não regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade
for incompatível com a legislação especial" (art. 1.368-A). laborativa, ainda que extramuros. Terceira Seção, aprovada
Reconhece-se, portanto, a absoluta inaplicabilidade à em 24/2/2016, DJe 29/2/2016.
cessão fiduciária de títulos de crédito (bem móvel,
incorpóreo e fungível, por natureza) da disposição contida 02. SÚMULA N. 567. Sistema de vigilância realizado por
no § 1º do art. 1.361 do CC ("Constitui-se a propriedade monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no
fiduciária com o registro do contrato, celebrado por interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna
instrumento público ou particular, que lhe serve de título, no impossível a configuração do crime de furto. Terceira Seção,
Registro de Títulos e Documentos do domicílio do devedor, aprovada em 24/2/2016, DJe 29/2/2016.
ou, em se tratando de veículos, na repartição competente
para o licenciamento, fazendo-se a anotação no certificado 03. Direito penal. Uso indevido de informação privilegiada.
de registro"). Já no tratamento ofertado pela Lei n. Subsume-se à figura típica prevista no art. 27-D da Lei n.
4.728/1995 no § 3º do art. 66-B, não se faz presente a 6.385/1976 a conduta de quem, em função do cargo de
exigência de registro, para a constituição da propriedade alta relevância que exercia em sociedade empresária,
fiduciária, à cessão fiduciária de direitos sobre coisas móveis obteve informação sigilosa acerca da futura aquisição
ou de títulos de crédito. Além disso, o § 4º dispõe que se do controle acionário de uma companhia por outra
aplica à cessão fiduciária de direitos sobre coisas móveis ou (operação cujo estudo de viabilidade já se encontrava
sobre títulos de crédito o disposto nos arts. 18 a 20 da Lei n. em estágio avançado) - dado capaz de influir de modo
9.514/1997. Segundo o art. 18 da referida lei, o contrato de ponderável nas decisões dos investidores do mercado,
cessão fiduciária em garantia, em si, opera a transferência gerando apetência pela compra dos ativos da sociedade
ao credor da titularidade dos créditos cedidos até a que seria adquirida - e, em razão dessa notícia, adquiriu,

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no mesmo dia, antes da divulgação do referido dado no doutrinária, pode-se dizer que informação relevante é
mercado de capitais, ações desta sociedade, ainda que aquela que: "a) não foi tornada pública; b) é capaz de
antes da conclusão da operação de aquisição do influir de modo ponderável na cotação de títulos ou
controle acionário. O art. 27-D da Lei n. 6.385/1976 valores mobiliários (price sensitive); c) seja precisa ou
("Utilizar informação relevante ainda não divulgada ao concreta". (REsp 1.569.171-SP/Inf. 577). Inteiro teor do
mercado, de que tenha conhecimento e da qual deva manter acórdão aqui.
sigilo, capaz de propiciar, para si ou para outrem, vantagem
indevida, mediante negociação, em nome próprio ou de 04. Direito penal. Uso indevido de informação privilegiada e
terceiro, com valores mobiliários") foi editado para assegurar aumento de pena-base. Representa circunstância judicial
a todos os investidores o direito à equidade da informação, idônea a exasperar a pena-base do condenado pelo
condição inerente à garantia de confiabilidade do mercado crime de uso indevido de informação privilegiada (art.
de capitais, sem a qual ele perde a sua essência, 27-D da Lei n. 6.385/1976) o exercício de cargo de alta
notadamente a de atrair recursos para as grandes importância que possibilitou o acesso à "informação
companhias. A legislação penal brasileira não explicitou, relevante". Isso porque o crime em questão não exige
entretanto, o que venha a ser "informação relevante", que o sujeito ativo seja ocupante de determinado cargo.
fazendo com que o intérprete recorra a outras leis ou atos O referido tipo penal estabelece apenas que a pessoa,
normativos para saber o alcance da norma incriminadora. A relativamente à informação, "tenha conhecimento e da
par disso, convém destacar que, segundo doutrina, "insider qual deva manter sigilo". Desse modo, o exercício de
trading é, simplificadamente, a utilização de informações cargo de alta relevância que possibilitou o acesso à
relevantes sobre uma companhia, por parte das pessoas "informação privilegiada" demonstra maior
que, por força do exercício profissional, estão 'por dentro' de culpabilidade na ação perpetrada, situação que não se
seus negócios, para transacionar com suas ações antes que traduz em dupla punição pelo mesmo fato (bis in idem).
tais informações sejam de conhecimento do público". Assim, (REsp 1.569.171-SP/Inf. 577). Inteiro teor do acórdão
"o insider compra ou vende no mercado a preços que ainda aqui.
não estão refletindo o impacto de determinadas informações
sobre a companhia, que são de seu conhecimento 05. Direito processual penal. Complementação de denúncia
exclusivo". Cumpre esclarecer que as "informações" com rol de testemunhas. A intimação do Ministério
apenas terão relevância para a configuração do crime do Público para que indique as provas que pretende
art. 27-D da Lei n. 6.385/1976 se a sua utilização ocorrer produzir em Juízo e a juntada do rol de testemunhas
antes de serem divulgadas no mercado de capitais. Isso pela acusação, após a apresentação da denúncia, mas
porque os fatos com potencial de influência sobre as antes da formação da relação processual, não são
decisões dos investidores devem ser comunicados causas, por si sós, de nulidade absoluta. Isso porque, a
publicamente, conforme determinam os arts. 3º e 6º, despeito da previsão legal do momento processual
parágrafo único, da Instrução Normativa n. 358/2002 da adequado para o arrolamento das testemunhas tanto para a
CVM, bem como o art. 157, § 4º, da Lei n. 6.404/1976. Da acusação (art. 41 do CPP) quanto para a defesa (arts. 396 e
leitura dos referidos comandos normativos, conclui-se 396-A), aspectos procedimentais devem ser observados
que, quando o insider detiver informações relevantes pelas partes, devendo-se proceder a uma visão global do
sobre sua companhia, deverá informá-las ao mercado todo previsto, interpretando sistematicamente o CPP. E, nos
tão logo seja possível (arts. 3º da Instrução Normativa n. termos do art. 284 do CPC, aplicado subsidiariamente ao
358/2002 da CVM e 157, § 4º, da Lei n. 6.404/1976), ou, no processo penal, por força do art. 3º do Diploma Processual
caso em que não puder fazê-lo, por entender que sua Penal, "Verificando o juiz que a petição inicial não preenche
revelação colocará em risco interesse da empresa (art. os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que apresenta
6º da Instrução Normativa), deverá abster-se de negociar defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento
com os valores mobiliários referentes às informações de mérito, determinará que o autor a emende, ou a
privilegiadas, enquanto não forem divulgadas. Em complete, no prazo de 10 dias" e, acaso se mantenha inerte
termos gerais, pode-se encontrar a definição de "informação a parte autora, deverá o magistrado, aí sim, nos termos do
relevante" nos arts. 155, § 1º, da Lei n. 6.404/1976 e 2º da parágrafo único do art. 284 do CPC, indeferir a petição
Instrução n. 358/2002 da CVM. Registre-se, nesse contexto, inicial. Referida previsão legal foi aprimorada no Novo CPC,
que a Instrução Normativa n. 358/2002 da CVM, em seu art. o qual dispõe no seu art. 319 que o juiz tem o dever de, ao
2º, elenca 22 (vinte e duas) hipóteses como exemplos de verificar que a petição inicial não preenche os requisitos
fatos potencialmente relevantes, o que constitui, sem dúvida, legais dos arts. 319 e 320 ou que apresente defeitos e
importante fonte hermenêutica para a seara criminal, assim irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito,
como a Lei de Sociedade Anônimas. Entretanto, compete ao determinar ao autor que emende a inicial ou a complemente,
aplicador da lei a valoração em concreto da relevância da indicando com precisão o que deve ser corrigido ou
informação, conforme o momento e a realidade em que completado, quando, tão somente após, estará legitimado a
ocorreram, até porque o rol mencionado não é taxativo, mas indeferir a petição inicial, caso o vício não seja suprimido.
exemplificativo. De mais a mais, conforme entendimento Com efeito, o nosso sistema processual é informado pelo
doutrinário, "além desse critério de índole normativa, a princípio da cooperação, sendo pois, o processo, um
informação 'deve ter em relação à realidade que descreve produto da atividade cooperativa triangular entre o juiz e as
um mínimo de materialidade ou objetividade ou, noutros partes, no qual todos devem buscar a justa aplicação do
termos, a consciência mínima para permitir a sua utilização ordenamento jurídico no caso concreto, não podendo o
por um investidor médio', ou seja, a informação deve estar magistrado se limitar a ser mero fiscal de regras, devendo,
dotada de potencialidade para 'influir, de modo ponderável, ao contrário, quando constatar deficiências postulatórias das
na decisão dos investidores do mercado de vender ou partes, indicá-las, precisamente, a fim de evitar delongas
comprar valores mobiliários emitidos pela companhia, tal desnecessárias e a extinção do processo sem a análise de
como prevê o artigo 157, § 4º, da Lei n. 6.404/1976'". seu mérito. Assim, ainda que não observado o referido
Acrescenta-se, ainda, que, "para que se possa fazer um momento processual adequado para a indicação das
juízo de prognose relativamente à idoneidade da provas que pretendia produzir, o que, em tese, pode
informação", sugere-se fazer "uma comparação: 'se tal levar ao reconhecimento da preclusão na prática do
informação quando publicada fosse, num juízo de referido ato processual, o certo é que o magistrado,
previsibilidade reportado ao momento ex ante da

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verificando a irregularidade na denúncia que pode levar acusatório, jamais à defesa, e, portanto, não poderia ser por
ao seu indeferimento por ser inepta, tem o poder-dever esta invocado, porquanto, segundo o que dispõe o art. 565
de determinar a intimação da parte para que proceda à do CPP, "Nenhuma das partes poderá arguir nulidade [...]
correção da petição inicial, sob pena de não o fazendo, referente a formalidade cuja observância só à parte contrária
ter que reconhecer nulidade posterior, ensejando o interesse". De mais a mais, as modificações introduzidas
desnecessário ajuizamento de nova ação penal. Vale pela Lei n. 11.690/2008 ao art. 212 do CPP não retiraram do
observar, igualmente, que não se verifica violação do juiz a possibilidade de formular perguntas às testemunhas, a
sistema acusatório, pois, como já ressaltado anteriormente, fim de complementar a inquirição, na medida em que a
o juiz, no caso, verificando irregularidade na denúncia que própria legislação adjetiva lhe incumbe do dever de se
poderia ensejar o reconhecimento de sua inépcia por aproximar o máximo possível da realidade dos fatos
ausência de condição da ação, intimou o Parquet para que (princípio da verdade real e do impulso oficial), o que afasta
este esclarecesse sua pretensão de produzir provas em o argumento de violação ao sistema acusatório. Na hipótese
juízo, devendo indicá-las em caso positivo, não tendo, em em análise, a oitiva das testemunhas pelo magistrado, de
nenhum momento, indicado precisamente qual(is) prova(s) fato, obedeceu à exigência de complementaridade, nos
seria(m) esta(s). Logo, sua atividade foi de prevenção de termos do que determina o art. 212 do CPP, pois somente
extinção do processo sem julgamento de mérito e não de ocorreu após ter sido registrada a ausência do Parquet e
substituição da atividade probatória das partes. Ademais, o dada a palavra à defesa para a realização de seus
art. 563 do CPP determina que "Nenhum ato será declarado questionamentos. Vale ressaltar, ainda, que a jurisprudência
nulo, se da nulidade não resultar nenhum prejuízo para a do STJ se posiciona no sentido de que eventual
acusação ou para a defesa". E, no caso em análise, a inobservância ao disposto no art. 212 do CPP gera nulidade
determinação de correção da petição inicial acusatória pelo meramente relativa, sendo necessário, para seu
magistrado, sem a indicação das provas que deveriam ser reconhecimento, a alegação no momento oportuno e a
requeridas pelo Ministério Público, não ensejou qualquer comprovação do efetivo prejuízo (HC 186.397-SP, Quinta
prejuízo ao réu, pois, como já ressaltado, o juiz de primeiro Turma, DJe 28/6/2011; e HC 268.858-RS, Quinta Turma,
grau abriu vista ao Parquet antes mesmo da intimação e DJe 3/9/2013). Precedentes citados: AgRg no REsp
citação do acusado para o oferecimento de resposta à 1.491.961-RS, Quinta Turma, DJe 14/9/2015; e HC 312.668-
acusação, tendo a defesa amplas possibilidades de RS, Quinta Turma, DJe 7/5/2015. (REsp 1.348.978-SC/Inf.
contraditar os elementos probatórios até então requeridos, 577). Inteiro teor do acórdão aqui.
situação que demonstra a inexistência de violação dos
princípios do contraditório e da ampla defesa e de qualquer 07. Direito processual penal. Revisão criminal na hipótese
prejuízo ao réu. Vale observar especificamente quanto ao rol em que a questão atacada também tenha sido enfrentada
de testemunhas que, ainda que o Parquet não tivesse pelo STF em HC. O julgamento pelo STF de HC
indicado nenhuma testemunha, o juiz, nos termos do art. impetrado contra decisão proferida em recurso especial
209 do CPP, poderia determinar, a qualquer momento do não afasta, por si só, a competência do STJ para
processo, a oitiva daquelas que julgasse necessárias. Além processar e julgar posterior revisão criminal.
do mais, no sistema processual penal brasileiro, o órgão Inicialmente, destaca-se que não pode subsistir o recente
jurisdicional é o destinatário da prova produzida no posicionamento adotado pela Terceira Seção do STJ, no
processo, uma vez que será o competente para o processo sentido de ser inviável que o STJ, ao julgar revisão criminal,
e o julgamento do delito, nos termos preconizados pelo art. revise questão por ele decidida que também fora enfrentada
155. Entendimento em sentido diverso viola o próprio pelo STF em HC (AgRg na RvCr 2.253-RJ, DJe 28/4/2014).
princípio do impulso oficial, pois o magistrado, ainda que Isso porque a perpetuidade desse entendimento significaria
verifique alguma irregularidade em atos processuais obstáculo intransponível ao manejo de revisão criminal
praticados pelas partes, estaria impedido de determinar o nessas hipóteses. De fato, quando o STJ julga determinada
seu saneamento, só lhe restando, ao final, reconhecer a questão em recurso especial, afasta-se a competência do
nulidade do ato e provocar o desnecessário e evitável Tribunal de origem para o processamento e julgamento de
ajuizamento de nova ação penal. Por fim, ressalte-se que, revisão criminal quanto ao tema, competência que passa a
de modo distinto, a Sexta Turma entendeu, por maioria de ser exercida pelo Tribunal Superior. Ademais, compete ao
votos, nos autos do RHC 45.921-SP (DJe 29/5/2015), STF processar e julgar, originariamente, a revisão
reconheceu a impossibilidade do Juiz determinar a intimação criminal de seus julgados (art. 102, I, "j", da CF), sendo
do Parquet para que procedesse à inclusão das que, no Regimento Interno desse Tribunal, existe a
testemunhas quando verificado a ausência de indicação do previsão de se admitir a revisão criminal dos processos
respectivo rol e do protesto pela produção das provas na findos cuja condenação tenha sido proferida ou mantida
denúncia, sob pena de violação do sistema acusatório e de no julgamento de ação penal originária, recurso criminal
subversão das fases procedimentais previstas no Diploma ordinário (art. 263) ou, se o fundamento coincidir com a
Processual. Precedente citado do STJ: HC 320.771-RS, questão federal apreciada, recurso extraordinário (art.
Quinta Turma, DJe 30/9/2015. Precedente citado do STF: 263, § 1º). Assim, o STF não seria competente para o
RHC 86.793-CE, Primeira Turma, DJ 8/11/2005. (RHC julgamento de revisão criminal proposta contra julgado
37.587-SC/Inf. 577). Inteiro teor do acórdão aqui. proferido em HC. O que, aliás, já foi reconhecido pela
própria Suprema Corte, por ocasião da apreciação da RvC
06. Direito processual penal. Inquirição de testemunhas pelo 5.448-MG (DJe 2/10/2015) e da RvC 5.426-DF (DJe
magistrado e ausência do mp na audiência de instrução. 15/2/2011). Portanto, desde que observados os demais
Não gera nulidade do processo o fato de, em audiência requisitos, conclui-se que o fato de a questão haver sido
de instrução, o magistrado, após o registro da ausência julgada pelo STF em HC não afasta a possibilidade de que
do representante do MP (que, mesmo intimado, não seja apresentada no STJ a revisão criminal. (RvCr 2.877-
compareceu), complementar a inquirição das PE/Inf. 578). Inteiro teor do acórdão aqui.
testemunhas realizada pela defesa, sem que o defensor
tenha se insurgido no momento oportuno nem 08. Direito penal. Atipicidade penal do exercício da
demonstrado efetivo prejuízo. Destaca-se, inicialmente, acupuntura. O exercício da acupuntura não configura o
que a ausência do representante do Ministério Público ao delito previsto no art. 282 do CP (exercício ilegal da
ato, se prejuízo acarretasse, seria ao próprio órgão medicina, arte dentária ou farmacêutica). É cediço que o

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tipo penal descrito no art. 282 do CP é norma penal em


branco e, por isso, deve ser complementado por lei ou ato
normativo em geral, para que se discrimine e detalhe as
atividades exclusivas de médico, dentista ou farmacêutico.
Segundo doutrina, "A complementação do art. 282 há de ser
buscada na legislação federal que regulamenta as
profissões de médico, dentista ou farmacêutico. Dispõem
sobre o exercício da medicina a Lei n. 3.268, de 20.09.57 e
o Dec. n. 20.931, de 11.01.32". Das referidas leis federais,
observa-se que não há menção ao exercício da acupuntura.
Nesse passo, o STJ reconhece que não há
regulamentação da prática da acupuntura, sendo da
União a competência privativa para legislar sobre as
condições para o exercício das profissões, consoante
previsto no art. 22, XVI, da CF (RMS 11.272-RJ, Segunda
Turma, DJ 4/6/2001). Assim, ausente complementação
da norma penal em branco, o fato é atípico. (RHC 66.641-
SP/Inf. 578). Inteiro teor do acórdão aqui.

09. Direito penal. Complexidade do esquema criminoso


como circunstância negativa na dosimetria da pena do crime
de evasão de divisas. Na fixação da pena do crime de
evasão de divisas (art. 22, parágrafo único, da Lei n.
7.492/1986), o fato de o delito ter sido cometido por
organização criminosa complexa e bem estrutura pode
ser valorado de forma negativa a título de circunstâncias
do crime. Apesar de a Quinta Turma do STJ, no HC
123.760-SP (DJe 28/11/2011) ter decidido que a sofisticação
e a complexidade do esquema voltado à prática de
operações financeiras clandestinas não poderiam ser
consideradas circunstâncias judiciais desfavoráveis, pois
seriam ínsitas ao tipo penal, tal entendimento não deve
prosperar. Isso porque a evasão de divisas pode ser
praticada de diversas formas, desde meios muito
rudimentares - como a simples saída do país com porte de
dinheiro em valor superior a dez mil reais sem comunicação
às autoridades brasileiras - até a utilização de complexos
esquemas de remessas clandestinas. Assim, não parece
justo apenar da mesma forma condutas tão distintas como a
mera saída física com valores não declarados e um
sofisticado esquema de remessa ilícita, sendo correta, neste
último caso, a valoração negativa da vetorial das
circunstâncias do delito na fixação da pena-base do delito de
evasão de divisas. (REsp 1.535.956-RS/Inf. 578). Inteiro
teor do acórdão aqui.

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