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As Rosas

Durante séculos,eu estive sozinho na face desta terra;desde quando eu conheci as


trevas nesta eterna morte,eu andei triste,acompanhado pela solidão.Cansado de lutas,de
guerras,de intrigas,de vitórias e derrotas,eu queria voltar a sentir algo humano,puro e forte;a
chama da vida,a chama do amor.
Há pouco tempo,eu conheci uma jovem bela,de olhos belos e verdes;parecia que ela
havia colocado algum tipo de feitiço em mim,pois eu estava hipnotizado pelo seus olhar
profundo;séculos de morte e,enfim eu havia sentido algo diferente.Eu a chamo de Rose,pois
ela adora flores e rosas,é e tão bonita quanto elas.Temos nos encontrado constantemente e
eu já tomei minha decisão:farei com que ela viva para sempre,que seja abençoada e
amaldiçoada pela eternidade,para eu poder olhar os seus olhos em todas as noites de minha
existência.E então,poderei ficar em paz e me esquecer do mundo a minha volta.Da última
vez que nos vimos,lhe dei uma rosa branca:
-Tome Rose,uma rosa para outra rosa.
-Eu adoro quando você me chama assim Adrian!Como ela é bonita!
-Ela representa a sua pureza;enquanto você estiver pura,esta rosa ficará branca.

Ela sorri e me abraça.Seu corpo quente me aquece como uma fogueira,e minha carcaça fria
não consegue a este calor;eu a abraço e me entrego a ela.Após me despedir dela,me dirigi
para o castelo do ser mais forte desta região;irei pedir autorização para transformar Rose
num ser eterno.Apesar de amá-la muito,as leis estão acima de tudo.Após ser recepcionado
pelos mordomos,aguardo a presença dele;então depois de um tempo,ele aparece.
-Diga Adrian,o que deseja?diz ele,muito direto como sempre.
-Venho pedir-lhe permissão para fazer uma cria.
-Mais uma?Esta é a oitava cria que você me pede!Nem mesmo eu tenho tantas!Já não
basta?
-Todas as outras foram destruídas,ou então eu mesmo as destruí por se rebelarem contra
mim.Peço mais esta cria apenas.
-Não!Já basta!Você ultrapassou todos os limites!Escolha as suas crias com mais
inteligência!Você não tem permissão para fazer tal cria!
-Peço-lhe mais uma vez...
-Basta!Não acredito que tirou-me dos meus deveres para falar sobre algo tão banal!Por hora
é isto.

Minha ira se acendeu.”Banal”,disse esse maldito?Quem ele pensa ser,chamando Rose de


algo banal?Apesar dessa minha ira,não ouso enfrentá-lo em combate;há rumores de que ele
é um ser letal,extremamente perigoso.Nunca o vi em ação,mas sua fama é gigante.Diante
destas coisas,me retiro de sua presença.Volto para meu refúgio,um pouco irado ainda e
reflito um pouco.Meu amor por Rose,é maior do que o poder desse ser insolente;talvez,eu
possa sair dessa região e leva-la comigo.Sim,a transformarei numa filha da noite e
então,sairemos da cidade;ninguém precisa saber da minha nova cria...
Noite seguinte.Eu a visito sem avisa-la com antecedência.Ela ficou surpresa.
-Adrian?Que surpresa!Você nunca veio duas vezes seguidas.Aconteceu alguma coisa?
-Não amor,nada demais;é que as vezes,a sua ausência é muito forte pra mim.Lembra-se da
rosa que lhe dei?
-Claro.Ela está ali.Porque?
-Por nada.Aqui está mais uma,agora vermelha.
-Hum,que lindo.Você disse que a rosa branca representava minha pureza;e esta,o que
representa?-pergunta ela,em sua inocência,sem saber que o vermelho significava o sangue
que ela iria derramar;pelo sangue iria morrer,pelo sangue iria viver dali em diante.
-Esta não tem significado_minto eu;-Ela é bela,e lembrei de você quando a vi;por isso a
trouxe para você.
-Sei.Venha,entre.Vou pegar algo algo bebermos.
-Certo.

Enquanto ela pega a bebida,me vejo em meio a conflitos;a lei ou o amor?O que devo
fazer?Desperdiçar sua beleza e amor seria algo monstruoso;por outro lado,infringir a lei
causaria um choque com aquele ser misterioso.Enquanto penso,ela se aproxima e senta ao
meu lado;seus olhos me fazem tomar a decisão.

-Rose,você quer viver para sempre comigo?


-Adrian...casamento?Só nos conhecemos faz alguns meses!
-Eu sei,eu sei...mas eu me decidi,e quero viver com você...eternamente.

Ela olha nos meus olhos e sorri.

-Sim,eu também quero viver com você para sempre!

Então abro um sorriso.Será agora;ela dormirá pra vida,e acordará pra morte.Aproximo-me
dela e efetuo a mordida em seu pescoço.Ela sofre com a perda de sangue,e logo está
pronta,entre a vida e a morte;coloco um pouco do meu sangue em sua boca.Pronto;está
feito.Agora,o tempo fará sua parte.Levo-a em minha carruagem para meu abrigo,já
preparando-me para partir.Em minha mansão,estamos seguros,pois ela fica longe de tudo e
poucos a conhecem.Poucos.
Ela ainda está dormindo;já se passaram quase duas horas.Tudo se encontra arrumado
para partirmos.Eu a coloco na carruagem e preparo-me para partir;quando subo no
cavalo,eu percebo que uma densa névoa toma a frente da minha mansão.Por um momento
não entendo o que possa ser aquilo,mas após uma rápida reflexão,eu concluo que só possa
ser ele.Então,as névoas se dissipam.Ele está ali,parado,olhando para mim.Desço do cavalo
e vou em sua direção,pois sei que é inútil fugir;até porque,nunca deixaria Rose
sozinha.Agora ela precisa de mim.
-Você me decepcionou,Adrian.Eu esperava mais de você.
-Pois saiba que é justamente isso que eu esperava de sua pessoa.
-O que quer que eu faça?Eu sou a lei aqui;minhas palavras são leis,minha vontade é a
própria lógica daqui.Você quebrou minhas palavras;por isso,seu nome será apagado da
história,ninguém nunca ouvirá seu nome e nem saberá desta luta.Sumirás do
espaço,esquecido serás no tempo.
-Basta.Tente colocar em prática suas fúteis palavras.
Imediatamente,tomamos a forma de grandes bestas;os monstros acordaram.A batalha
inicia-se com intensidade;nos atiramos um contra o outro com ódio e fúria.Depois de
alguns segundos,logo percebo sua superioridade;ele é mais ágil,mais forte,mais
poderoso;era verdade o que diziam.Logo,suas garras me atingem e atravessam minha
barriga,provocando um ferimento mortal.Sabendo ele da rápida regeneração que eu
possuía,tenta me atacar rapidamente;então,levanto vôo para afastar-me,o que logo se
mostraria uma tática inútil,pois ele voa em minha direção e me joga para dentro da
mansão;quebrando a janela,caio no quarto e fico no chão.Ferido e fraco,já não consigo me
levantar.Ele vem devagar,voando e olhando para mim.
-Acabou Adrian.Aceite sua derrota perante a minha força.Fique quieto,para eu aplicar o
último golpe.
Suas palavras me enfraquecem ainda mais;minha força e minha esperança vão me
abandonando,pouco a pouco...Desculpe Rose.Não consegui realizar nosso
sonho.Desculpe,desculpe...Deito minha cabeça no chão,e fecho os olhos.
-Muito bem.Foi uma honra destruir você.Adeus.

Diferente do que faz geralmente,ele não empala Adrian;ele o decapita com um só golpe e
leva sua cabeça para cima da casa,colocando-a na ponta da mansão;o corpo,ele o deixa
fora,para que o sol o engula.Então volta para a forma humana,quando ouve um barulho
dentro da carruagem.Ele vê uma bela jovem,com uma mordida no pescoço e com sangue na
boca;ele pega uma rosa negra do jardim de Adrian,e espera a jovem abrir os olhos.Quando
acorda,ela logo se assusta.
-Quem é você?Onde estou?Onde está Adrian?O que aconteceu?
-Calma minha jovem;todas as suas perguntas serão respondidas no tempo devido.Tome
essa rosa,ela representa você.
-Eu?O que você quer dizer?
-Esta rosa é bela,porém possui espinhos e é escura como as trevas.Assim é você jovem;és
bela,porém agora tu pertences as trevas;e viverá apoiada por outras vidas.
-Mas é uma rosa negra!Eu nunca vi uma assim antes.
-Assim como verás o que nunca tinhas visto,daqui em diante.

Ele olha nos olhos dela profundamente;por alguns segundos,ficam quietos,olhando-se.


-Qual seu nome?pergunta ele.
-Gosto que chamem de Rose.E o seu?
-Vlad.Vlad Teppes.