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Exmº Senhor Juiz de Direito da sala das

Questões Criminais do Tribunal da


Comarca do Lubango

PROC. Nº 475 – B2 / 2019

A instância de defesa de Rosalina Kumbelembe chilombo Linhassa ‘’t.c.p


kembita’’, ré melhor identificada no processo à margem referenciado, pronunciada pela
pratica de um crime de corrupção activa, p.p. pelo artº 38º da lei 3/14 de 10 de
fevereiro; Vem perante este tribunal constituído apresentar a sua;

CONTESTAÇÃO

O que faz nos termos do artigo 382º do C.P.P. e com os fundamentos


seguintes:

1.º
Tanto a acusação como a pronuncia, reproduzem os factos tal qual se sucederam.

2.º
Desta feita a aqui Ré vem apenas aclarar o facto de que a mesma praticou o acto
‘’ corrupção activa’’ em função da solicitação feita pela co-ré Vineja, que conhecia e
sabia perfeitamente que o seu irmão o co-réu Paixão já praticava tais actos. Prova disto
são os inúmeros processos contra si ‘’n.º 1062/12, 2312/14, 4476/14 e 1452/15;

3.º

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O que nos leva a crer que a co-ré Rosalina é mais uma das vítimas do co-réu
Paixão, e deixou-se levar em praticar tais actos em função das promessas feitas por este,
por intermédio da sua irmã Vineja, e pela aflição que no momento passava;
4.º
Aclara ainda o facto de que sempre foi a co-ré Vineja que que contactou a co-ré
Rosalina para praticar tal acto, veja-se que até os 75.000,00 (setenta e cinco mil) aquela
foi a busca na casa desta, bem como os restantes 200.000,00 (duzentos mil Kwanzas),
que a co-ré Vineja, foi a busca na casa da co-ré Rosalina e com medo de ser burlada esta
última exigiu que se assina-se um termo de entrega de valores que já consta dos autos.
5.º
Importa referir ainda que concorrem a favor do réu, circunstanciais atenuantes
não constantes da pronúncia tais como;
1º (delinquente primário);

6º (o imperfeito conhecimento do mal do crime);

9º (A espontânea confissão do crime);

18º (A apresentação voluntaria as autoridades);

19º (A natureza reparável do dano causado);

20º (O descobrimento dos outros agentes, dos instrumentos do crime ou do corpo


de delito, sendo a revelação verdadeira e profícua à acção da justiça);

22º (Arrependimento);

23º (modesta condição social e económica e possuir encargos familiares);

Todas previstas no artigo 39º do C.P.


De ressaltar que a co-ré Rosalina, apresentou-se voluntariamente as autoridades,
ou seja, foi a mesma que prestou queixa, dai o afloramento das circunstâncias
atenuantes 6.ª, 9.ª e 18ª, ainda o facto de que a mesma tem cinco filhos menores é
desempregada, e têm na figura da mãe como provedor de alimentos;

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Privar a liberdade da ré, significa privar alimentos aos menores, é contribuir para
que cresça o número de crianças que mendigam em busca de sustento para as suas
famílias.

Esperamos que o tribunal tenha em atenção o princípio da conservação da
família e da protecção do interesse supremo dos menores, pois os danos de uma possível
condenação em pena privativa de liberdade vão além da privação de liberdade do réu;


Ademais dispõe o artigo 43.º, da lei 3/14 de 10 de fevereiro ‘’Dispensa ou
atenuação de pena’’
1. Nos artigos previstos na presente secção o agente é dispensado de pena sempre que:
a) Tiver denunciado o crime no prazo máximo de 90 dias após a prática do acto e
sempre antes da instauração de procedimento
criminal;
b) Antes da prática do facto, voluntariamente repudiar o oferecimento ou a promessa
que aceitara, ou restituir a vantagem, ou,
tratando-se de coisa fungível, o seu valor; ou
c) Antes da prática do facto, retirar a promessa ou recusar o oferecimento da vantagem
ou solicitar a sua restituição.
2. A pena é especialmente atenuada se o agente:
a) Até ao encerramento da audiência de julgamento em primeira instância, auxiliar
concretamente na obtenção ou produção das provas decisivas para a identificação ou a
captura de outros responsáveis; ou
b) Tiver praticado o acto à solicitação do funcionário, directamente ou por interposta
pessoa; ‘’foi o que se sucedeu quando a co-ré Vineja assegurou que tinha a
possibilidade de fazer ingressar a co-ré Rosalina no referido ministério, através do
seu irmão o co-réu Paixão’’
10º
Tudo dito, tendo em conta o número e valor sintomático das circunstâncias
atenuantes, bem como o que dispõe o artigo 43.º, da lei 3/14 de 10 de fevereiro, ainda o
grau de culpabilidade e comportamento moral do delinquente e como já dissemos as
circunstancias da infração, bem como o facto de a co-ré Rosalina não tiver sofrido ainda
condenação em pena de prisão, aconselha-se a aplicação de uma pena suspensa. Vide
artigos 91.º, 84.º e 88.º todos do código penal.

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11º
Relativamente ao crime de Burla por defraudação cometido pelo co-réu Paixão,
espera apenas a co-ré Rosalina que lhe sejam devolvidos os valores a aquele entregues.

Nestes termos e nos melhores de direito, espera confiadamente, a


arguida:

a) Atenuação especial da pena. E consequentemente;

b) A suspensão condicional da pena, art º 88 do C.P.

E.D.

O ADVOGADO
_________________________

JORGE PILARTES AGOSTINHO

CÉDULA PROFISSIONAL N. 2.958.

NIF 0007464037HA049

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