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Modelo de Intervenção em Saúde Pré-escolar

Almeida I.*, Corte A.**, Rato C.**,Silvestre A.**,Grande M.***, Gil G.***, Martins C.***
* Psiquiatra da Infância e da Adolescência no Hospital Nª Srª do Rosário,SA, Barreiro; ** Enfermeira; *** Educadora de Infância

RESUMO and the objectives of education for a pre-


Os autores desenvolvem neste trabalho um school health. They also reflect about an
modelo de intervenção em saúde escolar, intervention in children with special needs
reforçando a vantagem da realização dum of education.
exame global de saúde no final da idade pré-
escolar. Keywords: Health; School; Child, Family.

Foi feito um levantamento dos objectivos 0 - NOTA INTRODUTÓRIA


gerais pedagógicos definidos para a educação As atitudes, os comportamentos, os ambi-
pré-escolar, dos objectivos da Educação para entes e os estilos de vida da sociedade são
a Saúde Pré-Escolar e reflectiram sobre a determinantes fundamentais para a saúde.
intervenção adequada e articulada em crian- O cidadão e a sociedade são a razão de
ças com necessidades educativas especiais, existir do sistema de saúde. Perante esta
não só no que concerne a necessidades espe- perspectiva, as parcerias na saúde são uma
cíficas resultantes do tipo e grau de deficiên- filosofia indispensável para a promoção e
cia, mas também na prevenção de outra pro- protecção da saúde comunitária, incluindo
blemática emergente. a criação de ambientes mais saudáveis e
seguros (escolas, trabalho, cidade, lazer, etc).
Um desenvolvimento harmonioso apela à Assim esta abordagem revela-se de extrema
precocidade da intervenção educativa e à ne- utilidade no contexto da saúde escolar, pois a
cessidade de se realizar acções de educação equipa de saúde e os educadores/ professores
para a saúde no jardim de infância. desempenham papéis fundamentais na cria-
ção dos referidos ambientes saudáveis. Para
Palavras chave: Saúde, Escola, Criança, tal torna-se indispensável repensar as prá-
Família. ticas de saúde e educação, por forma a encon-
trar vias que permitam às crianças e jovens agir
ABSTRACT como sujeitos activos do seu próprio desen-
The authors develop in this work, a model for volvimento e assumir um protagonismo di-
intervention in school health, and reinforce recto na promoção da saúde das suas famílias
the benefits of a global medical examination e da comunidade onde vivem.
at the end of pre-school. As crianças serão elas ouvidas porventura,
relativamente aos conhecimentos que detêm
They had done a research of pedagogic gene- sobre saúde, ou a atitude mais comum dos
ral objectives defined to pre-school education próprios técnicos envolvidos não será a de se

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limitarem a entregar folhetos e efectuar ses- no mundo social no qual nos encontramos
sões de educação sem as adequarem aos co- imersos desde o nascimento.
nhecimentos que as crianças possuem? A família, guardiã do desenvolvimento huma-
Sem querermos ser então demasiado exaus- no, garante não só a sobrevivência física da
tivos e “megalómanos” deixamos aqui a nossa criança, como encerra os ingredientes básicos
perspectiva e contributo relativo a uma inter- para que se realizem as aprendizagens neces-
venção no pré-escolar criando um modelo de sárias à autonomia e à identidade.
articulação (MISE – Modelo Interventivo em
Saúde Escolar) entre os serviços educativos No entanto, existem outros factores, caracte-
e de saúde. rísticas inerentes à criança e contextos em
que se insere a sociabilização (jardim de
1– UMA ABORDAGEM ECOLÓGICA infância, escola, colegas e família), que
Os seres humanos desenvolvem-se e apren- têm influência sobre o desenvolvimento da
dem em interacção com o mundo que os mesma. Pode assim dizer-se, que junto com
rodeia. A criança, quando inicia a educação o património genético, existe uma herança
pré-escolar, já sabe muitas coisas sobre este cultural que condiciona o comportamento e
“mundo”. o desenvolvimento humano.
A área de Conhecimento do Mundo, englobada Se a linha natural do desenvolvimento está
nas Orientações Curriculares para a Educação vinculada aos processos maturativos, a linha
Pré-Escolar, enraíza-se no desejo da criança social e cultural relaciona-se com os proces-
saber e compreender porquê. Neste domínio sos de sociabilização e aculturação, e em es-
são abordados o seu desenvolvimento e os pecial, com a educação e o ensino.
aspectos que se relacionam com os processos
de aprender: a capacidade de observar, o A educação pré-escolar e a escola em geral,
desejo de experimentar, a curiosidade de encerram contextos de aprendizagem diferen-
saber e a atitude crítica. ciados dos da família, definidos por regras
Alguns dos temas transversais, enunciados de interacção, padrões de comportamento
na Área da Formação Pessoal e Social, como e códigos necessários à comunicação, de
por exemplo, a Educação para a Saúde e a forma, a que a criança ao integrá-los, possa
Educação Ambiental, relacionam-se directa- relacionar-se com o outro alcançando um
mente com o Conhecimento do Mundo. bem estar somatopsíquico e social.
Assim, para que a mensagem educativa seja
Uma das grandes metas do desenvolvimento interiorizada, o educador deve não só conhecer
humano é conseguir uma integração efectiva o processo evolutivo, suas leis e princípios

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gerais, como também particularidades refe- seguinte definição: “...é a capacidade de


rentes a aspectos cognitivo-emocionais, lin- cada Homem, Mulher ou Criança, para
guísticos e sociais. criar e lutar pelo seu próprio projecto de
vida, pessoal e original, em direcção ao
Os jardins de infância constituem uma bem-estar”. Todos de uma forma ou de
oportunidade valiosa para a avaliação do outra possuímos um estado de saúde que
perfil funcional da criança. No entanto, um utilizamos diariamente sem que disso nos
olhar atento às capacidades adaptativas, apercebamos; só na sua ausência é que
auto-estima, apreciação de experiências sen- tomamos consciência da sua necessidade e
soriais, compreensão, expressão e gestão de importância para a promoção do nosso bem
emoções, poderá sinalizar e prevenir des- estar global, apresentando-se-nos assim uma
contextualizações. É neste espaço privile- certa dificuldade para defini-la com relativa
giado, que a criança numa postura activa objectividade, pois a saúde tem dimensões
e exploratória do jogo, a par das relações subjectivas e objectivas, relativas a cada
afectivas, desenvolve uma atitude saudável e indivíduo.
adquire competências ao nível da autonomia,
da percepção de poder, da aprendizagem e Se entendermos por educar, ajudar a crescer,
o que significa, autonomizar, construir uma
compreensão. Nesta perspectiva, os adul-
identidade própria, adquirir competências,
tos envolvidos no processo educativo da
conseguimos perceber e interiorizar a im-
criança, devem constituir-se como parceiros
portância da educação pré- escolar. Júlia
de reciprocidade de relações, emoções, sen-
Formosinho2 refere que, “...Tornar-se pessoa
sações e de resolução de problemas.
é um processo lento de construção social
com raízes nas experiências de infância.
2 – EDUCAÇÃO E SAÚDE Tornar-se moral é um processo lento de
Actualmente, saúde não é só um estado de construção social que requer a colaboração
perfeito bem estar físico, psíquico e social, social...”.
mas um conceito alargado e dinâmico de bem-
estar global em equilíbrio com o ambiente; Paulo Moreira3 refere ainda “...O desenvol-
pressupõe-se assim que os indivíduos sejam vimento processa-se a partir das interacções
capazes de assumir progressivamente a sua do indivíduo com o meio. E a qualidade
própria mudança, numa perspectiva de de interacção que o indivíduo estabelece
saúde, com um sentido de responsabilidade com o meio depende da forma como ele
e através de investimentos quotidianos. O se organiza a nível emocional, cognitivo e
autor Chistosos Dejours1 remete-nos para a comportamental ...”.

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As capacidades crescentes das crianças para seu desenvolvimento social. A consciência


comunicar, discutir, negociar, dar a vez, da diversidade cultural implica também por
cooperar, exprimir preferências e razões parte do educador, e posteriormente dos
que estão por detrás das suas acções, aceitar professores, o interpretar correcto de compor-
compromissos e empatizar, desempenham tamentos, sentimentos e necessidades das
um papel importante na interacção social. crianças no sentido de promover a sua inte-
Experiências e interacções positivas propor- gração plena.
cionarão níveis adaptativos de organização
da experiência emocional, bem como, da Tal como a maior parte da aprendizagem feita
construção de uma identidade psicossocial durante os primeiros anos, os “skills” sociais,
adaptativa. são apreendidos e interiorizados através de
A Escola e toda a Comunidade Educativa bem processos interactivos. Assim, a natureza do
como o avanço dos conhecimentos, são ele- currículo na idade pré-escolar assume um
mentos que interagem no desenvolvimento papel importante no desenvolvimento socio-
da vulnerabilidade e resiliência do indivíduo. -emocional, linguístico, capacidade de con-
trolo da atenção, competências sensoriais e
Se o desenvolvimento se processa a partir perceptivas, psicomotor e pedagógico, contri-
buindo para a eficácia do seu funcionamento
da integração de experiências actuais na
cognitivo ao nível da compreensão, raciocínio
organização já existente, isso implica, a ne-
e memória.
cessidade de se intervir a nível não só das
fases mais precoces do desenvolvimento, mas Na transição entre a casa e um contexto de
também em situações de transição nomea- grupo que tem as suas próprias exigências e
damente na adolescência. rotinas, ajudar a criança a pensar, reflectir,
resolver os seus problemas, são responsabi-
A vivência intra-familiar, constitui uma das lidades do educador. É com este ou com
experiências mais importantes no desen- o adulto responsável pela criança, que ela
volvimento social da criança. No jardim de estabelece as primeiras relações importantes
infância, e uma vez que as crianças agem fora da família. No entanto, deve também ser
sobretudo num contexto grupal, os educa- dado à criança a oportunidade de lidar com a
dores assumem um papel importante na adversidade, usar o seu discernimento e bom
modulação das experiências das crianças senso num “timing” que lhe é próprio.
com os colegas. À medida que as crianças
se afastam da primeira infância, os colegas Os anos de educação no pré-escolar, contri-
têm um papel cada vez mais importante no buem para estabelecer um ciclo positivo nas

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suas relações sociais. Os educadores e a es- ção, o pensamento estático, a não reversi-
cola em geral, para além de definir padrões de bilidade, os pré-conceitos e já no final o pen-
interacção na sala, devem proporcionar um samento intuitivo. A criança revela uma in-
ambiente favorável ao processo de aquisição, capacidade de se descentrar, de pôr-se
compreensão e desenvolvimento das capaci- no lugar do outro. Tem uma apreensão
dades sociais. As necessidades, sentimentos, global das situações e associa numa lógica
predisposições e comportamento das crian- aparente elementos que não estão ligados.
ças variam, pelo que tratá-las todas da mes- Atribui à realidade características subjectivas
ma forma seria injusto. Um ambiente social (realismo), e atribui características de seres
saudável é aquele em que as diferenças e vivos a objectos (animismo). Ela raciocina
necessidades individuais das crianças rece- de maneira unidimensional e o pensamento
bem uma resposta que denota igual preocu- intuitivo existe ainda numa dependência das
pação e respeito. Olhar a criança, como percepções.
indivíduo, devolve-lhe o sentimento de ser
compreendida e respeitada. A linguagem, quer a capacidade verbal quer
a forma e o conteúdo como os pensamentos
2.1 - A CRIANÇA EM IDADE PRÉ-ESCOLAR são formulados, permitem à criança ser
A criança em idade pré-escolar encontra-se ouvida e compreendida pelo outro. A lingua-
no período pré-operatório que se inicia no gem e o seu desenvolvimento, jogam assim,
fim do segundo ano e termina por volta dos um papel importante na relação que a cri-
7-8 anos, segundo Jean Piaget 4 (1977). ança estabelece com o mundo à sua volta, o
As competências sociais, afectivas, psicomo- modo como organiza o pensamento e como
toras e linguísticas, interligam-se numa constrói as representações do corpo, aceden-
malha de progressiva complexidade e equilí- do à aprendizagem.
brio necessário à maturação cognitiva que
permitirá a escolarização. As crianças em idade pré-escolar experimen-
tam uma diversidade de dificuldades sociais
A grande conquista neste período é o aces- que podem ter inúmeras causas subjacentes.
so à função simbólica que a criança vai A criança, ainda em grande dependência
desenvolver através de diferentes condutas: a dos pais e adultos, conjuntamente com a
imitação diferida, o jogo simbólico, o desenho, dificuldade em expressar os seus sentimentos
as representações mentais e a linguagem. O e desejos, bem como as razões da suas prefe-
pensamento da criança nesta fase está mar- rências e /ou dos seus direitos, poderá tender
cado por limites: o egocentrismo, a centra- ao isolamento, ou incapaz de mentalizar con-

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flitos resultantes de estimulações exteriores, nimas nas vivências socio-afectivas da criança.


tenderá a agir. A falta de skills necessários ao Falar em prevenir é falar de movimento, de
estabelecimento de interacções satisfatórias desenvolvimento, evoluir num estadio face a
com os pares pode ser motivo para a neces- um estadio anterior e evoluir no seguinte em
sidade de uma intervenção junto da criança. função do actual.

Os anos do jardim de infância, do ponto de 2.2 - A EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR


vista da sociabilização, podem constituir O Ministério da Educação, 6 ,estabelece como
um espaço de eleição para trocas afectivas princípio geral que a “educação pré-escolar
gratificantes, estimular a relação da criança é a primeira etapa da educação básica no
que tem dificuldades interactivas ou ainda, processo de educação ao longo da vida,
detectar situações de risco inerentes à criança sendo complementar da acção educativa
ou à família, no sentido de ajudar a promover da família, com a qual deve estabelecer
respostas adaptativas aos vários desafios que estreita relação, favorecendo a formação e
se sucedem. o desenvolvimento equilibrado da criança,
tendo em vista a sua plena inserção na
Toda a intervenção junto da criança, exige da sociedade como ser autónomo, livre e
parte do educador uma atenção individual solidário”.
que respeite em cada momento a sua fase
de desenvolvimento, as suas características Deste princípio decorrem os objectivos gerais
individuais, as suas capacidades, competências pedagógicos definidos para a educação pré-
e os contextos em que se inserem5 (Dec. 240/ escolar, dos quais se destacam:
2001 de 30 de Agosto, anexo1). Este, deverá • Promover o desenvolvimento pessoal e
proporcionar experiências enriquecedoras e social da criança com base em experi-
motivadoras, facilitar o envolvimento e a auto- ências de vida democrática numa pers-
responsabilização, ajudar na resolução de pectiva de educação para a cidadania;
problemas no sentido não só de promover • Estimular o desenvolvimento global da
o desenvolvimento harmonioso da criança, criança no respeito pelas suas caracte-
como sinalizar e elaborar estratégias, que em rísticas individuais, incutindo compor-
articulação com a família e com a comunida- tamentos que favoreçam aprendizagens
de, possam conduzir ao crescimento, desen- significativas e diferenciadas;
volvimento e maturação. Qualquer decisão, • Proporcionar à criança ocasiões de bem
quer pedagógica, quer curricular, tomada estar e de segurança nomeadamente no
pelos professores deverá ter repercussões mí- âmbito da saúde individual e colectiva;

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• Proceder à despistagem de inadaptações, 2.3 - EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE NO PRÉ-


deficiências ou precocidades e promover ESCOLAR
a melhor orientação e encaminhamento • Objectivos
da criança; • Fomentar a capacidade de observação;
• Incentivar a participação das famílias no • Criar o desejo de experimentar;
processo educativo e estabelecer rela- • Despertar a curiosidade do saber;
ções de efectiva colaboração com a co- • Incentivar uma atitude crítica;
munidade. • Incentivar hábitos de sistematização, re-
gisto e avaliação.
Um desenvolvimento harmonioso apela à
precocidade da intervenção educativa e à
necessidade de se realizar acções de educação
para a saúde no jardim de infância.

• Conteúdos:
Conceitos Procedimentos Atitudes
Conhecimento do seu corpo Partir do que a criança Incentivar descobertas no próprio
e a importância do seu equi- conhece e sente para a desco- organismo e na natureza;
líbrio para o bom funciona- berta do seu organismo e do Relacionar conhecimentos que
mento. equilíbrio que ele estabelece já se têm com os conhecimentos
com o meio envolvente: acabados de adquirir;
vestuário, alimentação, higiene.
Motivar a criança à aquisição
de novos hábitos ou alteração
de hábitos anteriores.

• Necessidades: • alimentação
As necessidades das crianças em idade pré- • afecto
escolar no âmbito da saúde escolar prendem- • competência social
se sobretudo com as necessidades básicas de • segurança
qualquer ser humano: • higiene

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A alimentação é igualmente rotina do jardim tos, projecção por falta de cinto de segurança),
de infância, para que as crianças desde cedo será pois uma tarefa a ter em conta já que o
adquiram bons hábitos alimentares, impli- meio envolvente deverá ser facilitador de
cando estratégias e actividades cujo objectivo descobertas, mas muitas vezes é permissivo e
é: desatento à capacidade quase genial com que
• aquisição de regras sociais; a criança se expõe a situações de risco.
• conhecer os alimentos;
• promover hábitos alimentares saudáveis; No entanto, existem outras situações de risco
• ensinar a criança a beber água. não menos perigosas, mas que aparecem
É necessário facultar à criança saberes, que dissimuladas, para as quais é necessário
lhe permitam contactar e conviver diaria- alertá-los:
mente com condições adversas, sem que se • evitarem desconhecidos;
verifiquem prejuízos para a sua saúde ou • saírem de perto dos pais;
para o seu desenvolvimento. O equilíbrio que • deixarem mexer no seu corpo;
se desenha entre o papel activo que a criança • fazerem favores a desconhecidos;
desempenha na sua interacção com o meio A educação para a saúde e higiene fazem
e as condições favoráveis que o mesmo lhe parte do dia a dia do jardim de infância,
devolve, estabelece o binário necessário à onde a criança terá oportunidade de cuidar
aprendizagem e desenvolvimento. Também da sua higiene e saúde e de compreender as
aqui, e como vimos referindo, a experiência razões porque lava as mãos antes de comer,
social é decisiva. No conhecimento do se agasalha no Inverno, usa roupa mais
corpo, na construção do esquema corporal, leve quando está calor, porque deve comer
não bastam a maturação neurológica e a horas certas e porque não deve abusar de
sensorial. Na realidade, antes de passarmos determinados alimentos.
a conhecer o nosso corpo conhecemos o do Estas questões podem levar à mobilização de
outro. O desenvolvimento de habilidades determinados conhecimentos sobre:
motoras facilita a exploração do meio e das * o conhecimento do corpo e cuidados a ter
interacções que a criança estabelece com o com ele;
seu corpo. • funcionamento do corpo;
• higiene oral;
Sensibilizar a criança para situações conside- • peso e crescimento;
radas perigosas, tais como os acidentes do- • importância da vacinação;
mésticos (quedas, envenenamentos, queima- • características que distinguem os alimen-
duras) e acidentes rodoviários (atropelamen- tos.

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A educação ambiental relaciona-se com ‘Ataque aos Micróbios’


a educação para a saúde, bem estar e Criação de jogos que permitam à criança
qualidade de vida, incluindo os cuidados com identificar os pólos infecciosos, seguido de
a preservação do ambiente. Neste âmbito criação de atitudes adequadas, tais como:
trabalham-se regras como: higiene pessoal (lavar as mãos antes de
• manter a sala limpa; comer, depois de ir à casa de banho, tomar
• colocar o lixo no caixote; banho todos os dias, etc.).
• cuidados a ter na utilização do WC;
• cuidar do espaço exterior; ‘As Estações do Ano’
• reciclar. Conhecer como é que as várias mudanças de
• As crianças com necessidades educativas tempo influenciam o nosso dia-a-dia, através
especiais devem também ser alvo de da utilização de vestuário adequado, alimen-
uma intervenção adequada e articulada, tação e respectivos procedimentos realizando
não só no que concerne a necessidades trabalhos de grupo de pesquisa.
específicas resultantes do tipo e grau de
deficiência, como na prevenção de outra ‘Os Acidentes’
problemática emergente. Organizar jogos de identificação de acidentes
escolares, rodoviários e domésticos. Poderá
• Actividades ainda haver acções com o Centro de Saúde
local destinadas a adultos.
Desenvolvimento de Projectos, nomeada-
mente: ‘A Alimentação’
Através dos conhecimentos dos alimentos e
‘Já Fomos Bebés’ respectivas características, organizar sessões
Onde poderão ser realizadas actividades de culinárias temáticas, por exemplo se o jardim
pesquisa, com roupas, utensílios utilizados, de infância possui laranjeiras, organizar A
fotografias e relatos dos pais. Semana da Laranja, com venda de laranjas,
confecção de sumos, bolos, compotas, etc..
‘Como nós Crescemos’
Semelhante à anterior, no entanto, com a ‘O Lixo e a Poluição’
comparação entre pares, e estudo individual, Poderão realizar-se trabalhos de reciclagem,
através dos registos anteriores, registos organizando-se visitas de estudo a fábricas
feitos no Jardim de Infância ao longo do ano que utilizem este método, em simultâneo com
lectivo e ainda comparações com os pais das as acções de divulgação junto da comunida-
crianças. de, de selecção e reciclagem do lixo.

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3 - MODELO INTERVENTIVO EM SAÚ- as fronteiras do sistema, pois a família é


DE ESCOLAR (MISE) vista como um sistema sociocultural aberto
que mantém trocas com o exterior, num
A saúde escolar realiza-se na Escola com os equilíbrio dinâmico entre a sua tendência
profissionais de saúde e todos os interveni- para a transformação. Neste sentido, na saúde
entes no processo educativo. Requer uma per- escolar é desejável que todas as actividades
manente cooperação entre saúde, educação e sejam realizadas em colaboração e parceria
comunidade o que implica o desenvolvimento com os professores, os alunos (especialmente
de uma actividade de cooperação/envolvimen- os mais velhos em relação aos mais novos),
to regular e contínua. Só conhecendo bem a os pais e outras instituições pertinentes
Escola e o seu meio envolvente é que é possível da comunidade. O modelo a desenvolver
intervir de forma a melhorar a qualidade dos destina-se assim às escolas, às suas crianças
que aí actuam, educadores/professores, pais e jovens bem como às respectivas famílias,
e alunos. Nesta perspectiva, qualquer modelo uma vez que estas são o primeiro e principal
de intervenção em saúde escolar só poderá prestador de cuidados à criança.
ser viável se todos os intervenientes sentirem Consideramos fundamental a articulação com
e expressarem as mesmas necessidades/ outras estruturas comunitárias nomeadamen-
motivações. te nas suas formas de expressão organizada
e a mobilização e optimização dos seus
Para Stanhope7 (1999, pág. 503) o conceito recursos disponíveis. Para a viabilização de
de saúde e hábitos de saúde adquirem-se qualquer modelo, deverá então existir uma
no seio da família, pelo desenvolvimento do cooperação intersectorial e inter-institucional.
sistema de valores, crenças e atitudes face Na conceptualização deste modelo pressupõe-
à saúde e à doença, que são expressas e se a existência de várias equipas restritas de
demonstradas através dos comportamentos saúde escolar, dependendo o número destas
de saúde/doença dos seus membros. Na dos seguintes critérios:
elaboração deste modelo deu-se ênfase a - áreas geográficas de abrangência pelas
uma dinâmica de carácter local (Escola quais cada equipa restrita de saúde escolar
– Família - Comunidade), pois sem o apoio será responsável
e a colaboração da família e da comunidade, - densidade populacional escolar por cada
qualquer modelo intersectivo, por melhor que área
seja, arrasta consigo perigos de insucesso. - grau de risco da população escolar
A família é responsável pelo estilo de cada E, ainda, a existência de equipas denominadas
um dos seus membros, promovendo-o ou alargadas, devido à sua composição técnica di-
inibindo-o positivamente, regulando também ferenciada, como já anteriormente salientámos.

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Equipa restrita Equipa alargada


- médico - constituída por diversos técnicos de áreas diferenciadas no-
- enfermeiro meadamente pedopsiquiatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupa-
- professor/educador cional, terapeuta da fala ...
- psicólogo
- higienista oral
- assistente social

3.1 - FILOSOFIA / PRINCÍPIOS ORIENTA- de acção, baseado nas “guidelines” previa-


DORES mente definidas por uma comissão técnica e
A filosofia deste modelo assenta essencial- directiva da unidade de saúde escolar central.
mente em três pressupostos: Os profissionais envolvidos nas actividades
1. que não existem serviços de saúde na de saúde escolar pretendem investir na
Escola mas sim serviços de intervenção nas promoção e manutenção da saúde das cri-
áreas de prevenção da doença, promoção anças, para tal têm que desenvolver acções
da saúde e assistência à população escolar e pertinentes e de qualidade orientadas por
suas famílias. objectivos:
2. existência de equipas multidisciplinares - promover hábitos e comportamentos sau-
trabalhando intersectorialmente e intradisci- dáveis (alimentação adequada, prática de
plinarmente. exercício físico, gestão de “stress”, evitar
3. a Escola deverá ser entendida como local consumos nocivos, entre outros).
de aquisição de aprendizagens múltiplas e - promover a autonomia, responsabilidade e
como tal é um local privilegiado de actuação sentido crítico.
das equipas em parceria com as suas famílias, - prevenir acidentes.
elementos essenciais na implementação de - prevenir perturbações da relação pais/
qualquer plano de intervenção. Daí ser neces- filhos e das disfunções da esfera psico-
sário estar na Escola e vivenciar a sua reali- afectiva.
dade para em conjunto delinear estratégias - executar medidas de prevenção primária
interventivas pertinentes e de qualidade. (cumprimento do Programa Nacional de
Vacinação, prevenção de doenças infecto-
3.2 - OBJECTIVOS DO MODELO contagiosas, implementação do Programa
Cada equipa restrita de saúde escolar defi- de Saúde Oral, entre outros).
nirá a melhor estratégia de intervenção para - executar medidas de prevenção secundá-
atingir os objectivos propostos no seu plano ria através da detecção precoce/rastreios

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e encaminhamentos das situações patoló- outras formas de maus tratos.


gicas. - favorecer a autoestima da criança e de
- executar medidas de prevenção terciária todos os restantes intervenientes no pro-
contribuindo para a integração das cri- cesso educativo.
anças com necessidades de saúde especiais - realizar sessões de educação para a pro-
(NSE) e necessidades educativas especiais moção da saúde tendo em vista os cuidados
(NEE) nos estabelecimentos de educação e antecipatórios.
ensino, e apoio às respectivas famílias. - apoiar a função parental e promover o bem-
- promover e avaliar o crescimento e o de- estar familiar/escolar
senvolvimento físico, psíquico, motor sen- - promover o desenvolvimento da capacidade
sorial, comportamental e social, de forma de resiliência aquando do contacto e da
regular, repetida e prospectiva. convivência diária com múltiplos factores
- detectar precocemente, prestando apoio e de risco sem que se verifiquem prejuízos
orientação em situações de disfunção fa- para a saúde.
miliar, violência, abuso físico e sexual e/ou

FIG. 1 – ORGANIGRAMA DO SISTEMA DE SAÚDE ESCOLAR DO


MODELO INTERVENTIVO EM SAÚDE ESCOLAR (MISE)

ARS DGE

U.I.S.E.
(Unidades Interventivas em Saúde
Escolar/Equipas alargadas)

Centros de Equipas restritas de


saúde escolas Escolas
Saúde

COMUNIDADE

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3.3 – ÁREAS TEMÁTICAS – OBJECTIVOS social, educativo e de saúde preparado e


PEDAGÓGICOS formado para detectar problemas de saúde;
A – SAÚDE, EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE
Neste sentido, reveste-se de maior importância
B – PROMOÇÃO DA SAÚDE. EVOLUÇÃO DO a reflexão sobre a constituição das referidas
CONCEITO. ESTRATÉGIAS. equipas assim como a definição de linhas
orientadores da acção a desenvolver.
C – SAÚDE DA CRIANÇA
1. Alimentação 3.5 – OPERACIONALIZAÇÃO DO MISE
2. A Saúde Oral
3. Os Acidentes. Prevenção de acidentes. Ministério da Saúde / Ministério da Educação
Primeiros socorros Direcção-Geral da Saúde / Direcção-Geral da Educação

4. A prevenção de doenças transmissíveis.


O Plano Nacional de Vacinação ARS (Administração Regional de Saúde)
5. Factores de risco e protectores no cres-
cimento
Núcleo directivo / orientador / avaliador
6. Biometria e desenvolvimento
7. Mortalidade e morbilidade
8 A Criança diferente SUB-REGIÕES (Equipa Pluridisciplinar)
9. Sexualidade da criança (ANEXO I)
- Médico - Estomatologista / Higienista oral Composição
-Enfermeiro -Técnico de Serviço Social de equipa
-Psicólogo - Otorrinolaringologista técnica
3.4 - COMPOSIÇÃO DA EQUIPA TÉCNICA - Terapeuta da fala - Outros regional
(alargada)
DE INTERVENÇÃO NAS ESCOLAS NA ÁREA - Oftalmologista
DA SAÚDE DA CRIANÇA E FAMÍLIA
Partimos do principio que a intervenção ao
nível da saúde escolar passa pela constituição Encaminhamento
Casos Problemas
de equipas pluridisciplinares e pela definição Formação
Contínua
de alguns princípios orientadores nomeada-
Centro de Saúde
mente: (Equipa local)
- prevenir com a finalidade de evitar situações - Mécico
- Enfermeiro
de perigo ou risco; - Técnico de Serviço Social 35h Composição
- Docente semanais da Equipa
- antecipar os problemas; - Psicólogo técnica local
- Administrativo (restrita)
- intervir no contexto familiar; Sede nos Centros de Saúde (continuidade de Cuidados
- intervenção imediata por parte do sistema Feed-Back Médicos de Família (Equipa de Intervenção Precoce) (ANEXO II)

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3.6 - PAPEL DA EQUIPA DE SAÚDE - Sistematização/planificação das actividades


ESCOLAR a desenvolver anualmente;
- Diagnóstico da situação - Planeamento de recursos envolvidos (huma-
- Programação nos e materiais)/ suporte logístico;
Equipa multidisciplinar
- Implementação - Parcerias com outras entidades públicas e
- Avaliação privadas;
- Envolvimento activo de associação de pais
Ô Formação global - Técnica /educadores, nas actividades da promoção
- Relacional/Humana para a saúde;
que capacita para - Detecção precoce das famílias de risco;
- Dar continuidade ao acompanhamento das
Intervenção - Participação em: famílias de risco (Portage) intervenção pre-
coce;
- Formação de clubes sobre temáticas esco-
lhidas pelos alunos;
Indivíduos - Desenvolvimento de uma actividade abran-
gente a população escolar;
Funções dirigidas Grupos Escola
- Relatórios anuais por distrito.
Comunidade
4 - PRÁTICAS EDUCATIVAS E PRÁTICAS
Tipo de intervenção - Promoção DE SAÚDE
- Prevenção “Educação / promoção para a saúde, não ser-
- Reabilitação viços de saúde, é o papel adequado das equi-
e ainda a: pas de intervenção nas escolas”
Gestão de recursos Segundo DELORS8 (1999) a educação ao lon-
TODOS PARTICIPAM NUM ESFORÇO go da vida deve organizar-se à volta de quatro
CONJUNTO PARA O BEM ESTAR DA CRIANÇA aprendizagens que são consideradas pelo au-
tor como os pilares do conhecimento:
Para que a equipa de Saúde Escolar consiga - aprender a conhecer;
levar a bom porto as suas actividades é ne-
- aprender a fazer;
cessário:
- Diagnóstico da situação de saúde de cada - aprender a viver juntos;
área escolar; - aprender a ser.

46 • Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca


Modelo de Intervenção em Saúde Pré-escolar

Parece-nos que o fundamental de qualquer Como já vimos “contribuir para haver


sistema educativo, de qualquer reforma mais saúde na escola constitui, assim,
agora e no futuro, deverá pautar-se pelo reco- desde sempre, a qualidade última do
nhecimento de que a educação é global e trabalho de saúde escolar”.
atravessa a sociedade e o indivíduo em todas
Passamos a explicitar uma possível articula-
as direcções. Deverá ser concebida como um
ção entre os serviços de saúde e educativos por
todo e citando DELORS8 “os objectivos da
forma a atingir a meta acima referenciada.
educação serão a realização da pessoa, que
na sua totalidade, aprende a ser”. 4.1 - CONSIDERANDOS SOBRE UM PRO-
9
JECTO DE ARTICULAÇÃO ENTRE SERVIÇOS
Também NATÁRIO (1993) nos diz que
DE SAÚDE E EDUCATIVOS
“aprender sobre a saúde na escola deverá
possibilitar a aquisição pelos alunos, de um
conjunto, não só de conhecimentos (sabe- ESCOLA
SERVIÇO DE
SAÚDE
res), mas também de capacidades e compe-
tências (saber fazer e saber ser), que lhes
permitam realizar opções saudáveis e re- EQUIPA DE
SAÚDE
cusar comportamentos indesejados”. ESCOLAR

Pensamos que promover a saúde na escola


implica estar e trabalhar na Escola, para em Práticas de Práticas de
conjunto “conseguir o que faz falta” para Saúde Saúde

obter ganhos em saúde, esperando-se de cada


interveniente o contributo possível de acordo
com as suas possibilidades, competências e COMO ARTICULAR?
atribuições.
“É possível trabalhar em conjunto no sentido
Eis o nosso objectivo: contribuir para de que cada vez mais as nossas escolas consti-
que o trabalho na área da saúde seja tuam locais saudáveis, onde se goste de estar
desenvolvido de forma participada e con- e onde se adquiram competências básicas
tribua para o desenvolvimento global das para uma vida com sucesso” (NATÁRIO9).
crianças e jovens.
As respostas hoje encontradas no respeitante à
articulação de serviços e mais objectivamente
em relação aos serviços de saúde e educativos,
Saúde e educação – a mesma finalidade têm sido afectadas pelo esvaziamento de um

Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca • 47


Almeida I., Corte A., Rato C.,Silvestre A.,Grande M., Gil G., Martins C.

plano coordenador efectivo entre ambos os ção ao contexto analisando as suas caracte-
ministérios, o qual se concretize na aplica- rísticas de modo a aproximar sempre a Escola
bilidade do Programa de Saúde Escolar. e os Serviços de Saúde, UNINDO UM POUCO
Vive-se actualmente num momento de car- MAIS A COMUNIDADE NO ÂMBITO DA SAÚDE
ência de um modelo de intervenção que real- NA ESCOLA.
mente responda às necessidades de saúde
da nossa população em idade escolar. Sendo Quer as instituições de saúde, quer as
assim denota-se “um esgotar” da capacidade instituições educativas fazem parte de uma
interventiva dos moldes actuais, justificando- comunidade, não podendo estas trabalhar
se cada vez mais um repensar nas práticas de à margem dela. Há então que adoptar uma
saúde e educativas. posição de consciencialização da realidade
Decorrente desta necessidade e de um mo- numa perspectiva de saúde da comunidade
delo geral de intervenção em saúde escolar educativa. Reportamo-nos então a uma
em que estes dois serviços coexistam com mudança não só de práticas mas também
objectivos comuns, promovemos a geminação de atitudes de todos os membros da equipa
conceptual e metodológica DE UMA UNIDADE pluridisciplinar que actua nesta possível uni-
EM SAÚDE ESCOLAR, fundamentada num dade de saúde escolar. Todos em conjunto
conceito sistémico e pluridisciplinar de inter- com uma atitude mais positiva, utilizando
venção, exigindo uma grande proximidade os seus recursos favorecendo a autoestima, o
entre a equipa de saúde escolar e os sistemas autoconceito e o desenvolvimento pessoal da
próximos em que a criança e a sua família se população escolar.
enquadram - A Escola, o Centro de Saúde, a
Comunidade num sentido mais amplo. Assim No âmbito deste modelo, os diferentes ele-
antes demais há que fazer um diagnóstico de mentos da equipa de saúde escolar neces-
uma comunidade educativa, quais as suas sitam de estruturar e definir estratégias de
necessidades em termos de saúde, compre- intervenção de uma forma dinâmica, consi-
endendo o contexto institucional, quer o edu- derando-se que cada elemento é um recurso
cativo, quer o de saúde. complementar para um fim comum, isto é,
Quando se tenta percepcionar esta realidade, para atingir os objectivos do modelo. Para
nunca o poderemos fazer prescindindo do que haja complementaridade na intervenção
contexto comunitário em que estas institui- é indispensável a definição e articulação das
ções estão inseridas, dos seus problemas e actividades a desenvolver por cada um dos
recursos. Portanto o primeiro ponto de qual- intervenientes (serviços educativos, sociais
quer estratégia de articulação, é a aproxima- e da saúde).

48 • Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca


Modelo de Intervenção em Saúde Pré-escolar

Isto implica que a equipa técnica formalize têm de assumir juntos e em parceria o
por escrito linhas orientadores (GUIDELINES) trabalho no “comportamento quotidiano”
da acção a desenvolver: das nossas crianças e jovens. Este sim, é o
- Estabelecer uma rede entre os serviços de grande desafio para os serviços que servem
Saúde/ Jardins de Infância e a comunidade a comunidade educativa. Há efectivamente
para a implementação das actividades rela- uma necessidade de reorganização das
cionadas com a prevenção e promoção da estruturas que participam no processo de
saúde. implementação do programa de saúde esco-
- Definir os objectivos e respectivos critérios lar, não é uma necessidade formal, mas sim
de avaliação. uma necessidade real.
- Apoiar e supervisionar a implementação do Há que aprender a trabalhar juntos e há que
programa de saúde nas escolas. dar a todos e a todas as instituições a mesma
- Criar protocolos de actuação e normas de pro- responsabilidade e a mesma oportunidade
cedimento que facilitem a articulação entre na proposta de dar mais e melhor saúde nas
os vários intervenientes da equipa técnica, nossas escolas.
por forma a determinar a intervenção de
cada um, desde o planeamento passando 5 – CONCLUSÃO
pela execução e terminando na avaliação. A criança em idade pré-escolar tem um co-
- Criar um fluxo de informação eficaz entre a nhecimento amplo e articulado do mundo
criança/família/escola/equipa técnica. que é adquirido desde muito cedo em contacto
- Incrementar ligações protocolares com ser- com a rotina diária de actividades e a interac-
viços de saúde comunitários de forma co- ção permanente com os objectos e as pes-
ordenada e integrada e outras instituições e soas. A inserção da criança num mundo de
serviços implicados no processo de actuação experiências enriquecedoras, tal como conce-
da equipa. bemos o jardim de infância, contribuirá
- Definir um elemento da Comunidade para a eficácia das aprendizagens através da
Educativa que sirva de elo de ligação entre motivação, do envolvimento e da familiaridade
a criança, a família, a escola e a equipa com o material de aprendizagem, permitindo
técnica. através do conhecimento que o educador tem
- Elaborar projectos de intervenção espe- de cada criança, uma melhor “performance”
cíficos para os vários contextos educativos das suas competências.
abarcando a área de influência da equipa.
A melhoria da qualidade de vida das popu- Ainda assim, a criança dependente do seu
lações é uma tarefa de todos, e nunca acabada, meio envolvente, encontra-se sujeita a facto-
por isso serviços de saúde e de educação res de risco, que desencadeiam os mecanis-

Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca • 49


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mos de vulnerabilidade e resiliência, que ten- promover em parceria com os profissionais


dem a equilibrar a criança do ponto de vista de saúde “a melhoria da qualidade de vida
afectivo e emocional e na sua organização das nossas crianças e suas família”. É por-
interna. tanto imprescindível que cada vez mais os
profissionais de saúde se aproximem da
O olhar do educador perante a criança não Escola, pois só delineando um conjunto de
deve tão somente vê-la como um indivíduo, estratégias adequadas se poderá exercer uma
mas também na globalidade que encerra o influência positiva sobre comportamentos e
mundo que a rodeia, identificando factores estilos de vida. A educação para a saúde deve
de risco e elaborando medidas de protecção ser realizada de forma participada e direc-
que permitam desenhar estratégias preventi- cionada às necessidades sentidas e expressas
vas com alguma segurança. Conduzir à pelo grupo envolvido e sempre COM e NA
constituição de um ser equilibrado, física, ESCOLA.
mental e socialmente saudável, deverá ser
Reconhecendo que o que ficou por dizer, é
uma tarefa do educador, implicando não só
certamente bem mais vasto do que se disse,
uma avaliação do seu crescimento e matu-
devido a limitações do contexto académico,
ração biológica, como uma avaliação e inter-
não abrangemos de facto todos os aspectos
venção prevendo uma abordagem ecológica e
que desejaríamos, parece-nos no entanto,
multidisciplinar. Neste contexto ao pensar-
que atingimos os objectivos a que nos pro-
-se em prevenção, esta só é possível numa
pusemos. Estamos certos que a pesquisa efec-
perspectiva desenvolvimentista iniciando-se
tuada e a reflexão critica proporcionada pela
tão precocemente quanto possível.
concretização deste trabalho, contribuirá para
o enriquecimento do nosso conhecimento,
Qualquer estratégia preventiva que se pre-
conduzindo-nos à identificação e à compre-
tenda implementar deve ser capaz de in-
ensão dos fenómenos implicados no processo
troduzir mudanças não só a nível individual
de promoção/educação para a saúde, no con-
como da comunidade, respeitando a matriz
texto da actividade das equipas de saúde
socio-económica e cultural, e de acordo
escolar. Simultaneamente acreditamos que
com a fase de desenvolvimento da criança.
irá no seu todo reflectir-se na nossa postura
Estas estratégias devem prever a articulação
pessoal e profissional no enquadramento
em equipas multidisciplinares e estarem
– meio escolar.
integradas nos currículos escolares. É então
na Escola que as nossas crianças passam Não poderíamos terminar sem deixar de sa-
uma grande parte do seu dia, e como tal esta lientar um aspecto, pois hoje em dia e de
não pode demitir-se da responsabilidade de acordo com diversos autores a educação está

50 • Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca


Modelo de Intervenção em Saúde Pré-escolar

em plena mutação, e como este processo é 3 - MOREIRA, P. “Para uma prevenção que
um continuum na existência do homem, previna”. Coimbra. Quarteto Editora, 2001
serve para todos nós, (intervenientes no meio 4 - PIAGET J., ”Seis estudos de psicologia”,
escolar ) como máxima o seguinte: Lisboa, Publicações D. Quixote, 1977
Intervir na Escola de modo a assegurar 5 - Diário da República, Dec.-Lei n.º 240/2001
um espaço e um tempo privilegiados, de 30 de Agosto (anexo 1)
simultaneamente de Educação e de Pro- 6 - SILVA, I., “Orientações Curriculares para a
moção de Saúde será sem dúvida a Educação Pré-Escolar”, Lisboa, Ministério
finalidade da Saúde Escolar. É neces- da Educação, 1997
sário que cada vez mais todos nós con-
tribuamos para que: “as pessoas, desde a 7 - STANHOPE, M., LANCASTER, J. “Enferma-
infância até ao fim da vida possuam um gem Comunitária - Promoção da Saúde de
conhecimento dinâmico do mundo, dos Grupos, Famílias e Indivíduos”, Lisboa:
outros e de si mesmas”. Lusociência, 1226 p., 1999
8 - DELORS, J. et al. “Educação – um tesouro
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS a descobrir”. 5.ª Ed. Porto: Edições Asa,
1 - NAVARRO, F., “Modelos de Intervenção 77-78p., 1999
em Saúde na educação pré-escolar e nos 9 - NATÁRIO, Emília - A Escola promotora
ensinos básico e secundário. In simpósio: de saúde - conceito e princípios de inter-
”A educação para a saúde. O papel da venção. “Promover a Saúde Na Escola.
Educação Física na promoção de estilos de Texto de Apoio n.º 1”. Lisboa: Direcção-
vida saudáveis”. Lisboa. Escola Superior de Geral da Saúde, Direcção de Serviços de
Comunicação Social, 5 de Dezembro1995 Saúde Escolar e Ocupacional, Núcleo de
2 - FORMOSINHO, J.; KATZ , L.; MCCLELLAN, D.; Saúde Escolar, 1993, 14 p.
LINO, D. (2001) - “Educação Pré-Escolar - A
construção Social da Moralidade” - Lisboa
- 3ª Edição. Texto Editora, 2001.

Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca • 51


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ANEXOS
ANEXO I • conhecer as diferenças entre alimentação
individual e colectiva
ÁREAS TEMÁTICAS – • reconhecer a interacção da alimentação e
OBJECTIVOS PEDAGÓGICOS desenvolvimento emocional
• identificar os hábitos alimentares, a influ-
A – SAÚDE, EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE ência social e cultural
• reconhecer o papel da alimentação na saú-
• construir o conceito de saúde, educação e de. As escolhas, a influências dos mass
educação para a saúde media, pares e família
• definir os objectivos gerais da educação • reconhecer o interesse sobre a intervenção
para a saúde sobre as opções alimentares os processos
• explorar as vantagens da aprendizagem de produção e o ambiente.
participativa no contexto de educação para
a saúde. 2. A Saúde Oral
• conhecer a prevalência da cárie dentária
B – PROMOÇÃO DA SAÚDE. EVOLUÇÃO DO
em meio escolar no nosso país
CONCEITO. ESTRATÉGIAS
• reconhecer o papel das medidas de pre-
• clarificar a expressão “promoção da saúde” venção da cárie dentária
e as suas implicações. • conhecer o papel activo do educador na par-
• Clarificar a expressão Escola Promotora da ticipação no Programa de Saúde Oral na
Saúde e as suas possíveis implicações na DGS
educação para a saúde na escola • Treinar as competências para a adminis-
• Identificar medidas favoráveis à construção tração de flúor em meio escolar
de um clima favorável à promoção da saú- • Conhecer as recomendações e orientações
de. em saúde oral.
• Construir e avaliar programas de Educação
3. Os Acidentes. Prevenção de acidentes. Pri-
para a Saúde/Promoção da Saúde.
meiros socorros
• reconhecer a dimensão do problema dos
C – SAÚDE DA CRIANÇA
acidentes
1. Alimentação • identificar situações de risco de acidentes
• conhecer as bases da alimentação saudável domésticos, lazer, rodoviário e escolar
• conhecer as necessidades alimentares re- • desenvolver atitudes preventivas
comendadas • explorar os manuais de educação rodoviária

52 • Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca


Modelo de Intervenção em Saúde Pré-escolar

• treinar os futuros educadores educando • Reconhecer as diferenças individuais e va-


para a Segurança lorizá-las
• treinar os futuros educadores proporcio- • Reconhecer a continuidade/descontinuidade
nando-lhes competências básicas em pri- em desenvolvimento infantil.
meiros socorros.
7. Mortalidade e morbilidade
4. A prevenção de doenças transmissíveis. O
• conhecer os indicadores de Saúde no País e
Plano Nacional de Vacinação
diferentes regiões
• conhecer as doenças de evicção escolar
• conhecer o resultado dos indicadores de
• identificar os parceiros a contactar em situa-
saúde
ções de possíveis doenças transmissíveis
• conhecer a evolução dos principais indi-
e reconhecer o papel do educador nestas
cadores disponíveis em saúde infantil
situações
• promover a discussão/intervenção da edu-
• conhecer o actual PNV
cação na melhoria desses indicadores.
5. Factores de risco e protectores no cresci-
mento 8. A Criança diferente
• identificar diferentes factores de risco desde • conhecer medidas básicas em situações de
a gravidez até à idade adulta crise (doença crónica e aguda)
• conhecer a importância da interacção pre- • preparar os futuros educadores para integrar
coce, vinculação, separação/individualiza- crianças portadores com doenças infecto-
ção, autonomia e identidade contagiosas em meio escolar
• reconhecer o papel de autoestima, autocon- • desmontar tabus face às diferenças
ceito e auto-imagem favoráveis como facto- • conhecer possíveis sinais de alarme de crian-
res protectores no crescimento ças em risco de depressão e tentativa de sui-
• clarificar o significado de comportamento cídio.
assertivo
9. Sexualidade da criança
• criar e manter boas relações no seio dos
• O educador perante o desenvolvimento se-
grupos.
xual da criança
6. Biometria e desenvolvimento • Expansão subjectiva, atitude do educador
• Reconhecer as diferenças entre crescimento • A descoberta da realidade exterior, atitude
e desenvolvimento do educador
• Identificar algumas características do de- • Entrada na Escola primária/meio extra-fa-
senvolvimento “normal” miliar
• Possuir conhecimentos nas áreas de biome- • Treinar situações de resposta a perguntas
tria e desenvolvimento da criança das crianças.

Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca • 53


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ANEXO II CAMERON (1985), concluiu que os pais


das crianças com necessidades educativas
Teste de Portage especiais são de um modo geral os mais
competentes e colaboradores.
O método de Portage, é um modelo de edu-
Na base de qualquer programa Portage pode-
cação precoce domiciliário, dirigido aos pais
mos destacar, para além do suporte global às
das crianças com necessidades educativas
necessidades da família, quatro actividades
especiais.
específicas:
Iniciou-se em 1969, em Portage, Wisconsin
1. Visitas semanais domiciliárias, realizadas
- Estados Unidos da América, num projecto
por um profissional treinado;
que se destinava a desenvolver um modelo de
2. Actividades de ensino individualizadas,
atendimento precoce de crianças deficientes
definidas por escrito semanalmente para
numa área rural.
cada criança e respectivos pais;
Os autores David e Marsha Shearer, partindo 3. Ensino das actividades e correspondentes
de uma ideia básica simples, de que os pais registos realizados pelos pais;
quando devidamente acompanhados, podem 4. Supervisão semanal pelo visitador domi-
ensinar/educar/orientar os seus filhos, aju- ciliário. A este nível de avaliação e registo das
dando-os a desenvolver ao máximo as suas aprendizagens, o material Portage de suporte,
potencialidades, implementaram um modelo funciona como um auxiliar importante e
que rapidamente obteve grande sucesso. consta de:
O facto de ser dirigido aos pais, considerando- 1. Lista de verificação de comportamentos
os como parceiros dos técnicos e principais (“checklist”), que uma criança sem proble-
agentes de ensino junto dos seus filhos, foi mas, geralmente adquire entre os zero e
talvez uma das características mais inova- os seis anos, agrupados em cinco áreas do
doras e que mais têm contribuído para a sua desenvolvimento, nomeadamente, socializa-
emancipação. ção, linguagem, autonomia, cognição, desen-
No programa de Portage o foco da intervenção volvimento motor e, uma sexta área comple-
está centrado na família de uma forma global. mentar de estimulação;
O papel do técnico é o de perante as neces- 2. Cartões de ensino, que oferecem sugestões
sidades expressas pela família, ajudá-la a de actividades e de material a que se pode
recorrer às suas próprias capacidades para re- recorrer para aprendizagem de cada uma das
encontrar os recursos necessários que condu- competências listadas no “checklist”;
zam à resolução dos problemas. A família só 3. Folhas de registo de actividades, que per-
se empenhará em tarefas que resultem de mitem a delineação dos objectivos de ensino
necessidades por ela própria sentidas. semanais, assim como as condições e ajudas

54 • Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca


Modelo de Intervenção em Saúde Pré-escolar

definidas à partida para a criança os alcançar. 2. Um período em que o visitador domiciliário


Proporciona um processo de registo simples e os pais planificam as actividades informais,
das respostas diárias da criança às actividades que integrados na rotina familiar auxiliarão
de ensino. a criança a manter e a generalizar os com-
O programa Portage é concretizado através de portamentos adquiridos;
visitas domiciliárias semanais e, o facto de ser 3. Espaço dedicado a abordar as preocupações
desenvolvido na casa de cada criança e, sendo dos pais sobre aspectos, que directa ou indi-
este o meio mais natural tanto para si como rectamente, afectam a criança e a família.
para os seus pais, permite uma observação Equacionando com eles os recursos que
mais realista dos seus comportamentos e da deverão ser mobilizados para responder às
sua interacção com a família. suas necessidades. O suporte emocional que
O papel do visitador domiciliário, não se o visitador domiciliário vai proporcionar aos
limita única e exclusivamente à criança e à pais é fundamental para proporcionar uma
aplicação de estratégias de ensino mas, im- perspectiva mais clara da situação da criança e
plica também o lidar com a problemática da a encontrar novas formas de interacção, bem
família como um todo, encontrando-se numa como no apoio aos problemas e dificuldades
posição privilegiada para proporcionar o su- com os quais se deparam no dia-a-dia.
porte e o apoio necessário. O objectivo último do programa Portage, é
Embora não exista um esquema rígido na a total autonomia dos pais, guarnecendo-os
concretização da visita domiciliária, podem de uma maior competência e capacidade
considerar-se basicamente três momentos: de mobilização dos recursos para suprir as
1. O momento dedicado às actividades estru- necessidades e alcançar os objectivos deseja-
turadas definidas semanalmente. E este é o dos, quer para a criança, quer para todo o sis-
melhor momento para apoiar os pais no ensi- tema familiar.
no de competências aos seus filhos;

Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca • 55