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A Matemática da Música

Karina Esmero Alves Tobia1

Resumo
Este artigo tem por objetivo apresentar a música e a musicalização como
elementos contribuintes para o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático
bem como encontrar o prazer de lidar com os números. Explica como a música pode
contribuir com a aprendizagem, influenciando física e mentalmente, de maneira a
facilitar a integração e a harmonia pessoal do educando.

Palavra chave: música, musicalização, matemática, prazer, construção.

Ouvimos música desde antes de nascermos. Ela faz parte da vida do ser
humano com uma linguagem universal, sem fronteiras. Desde o útero materno, o
pequeno nenê entra em contato com um dos elementos fundamentais da música
através da pulsação do coração de sua mãe, o ritmo. Ao nascer, sua relação com a
música é imediata e seu conhecimento musical vai sendo construído.

Ao longo da história, a música desempenhou significativo papel, como na


Renascença, onde a capacidade de cantar ou tocar um instrumento era socialmente
indispensável, e qualquer artista ou pensador deveria ter conhecimentos de teoria
musical. Significativos filósofos como o francês Jean-Jacques Rosseau (1712-78),
se interessou pela música ao longo de toda a sua vida. Sucessores de Rosseau,
realçaram também o valor da música na educação como Pestalozzi e Froebel, que
sustentava que a música ajudava a harmonizar o caráter.

Hoje em dia, em nossa atual sociedade, estudos têm revelado não somente
benefícios sociais, mas também na educação e na saúde, como por exemplo,
estimulante da aprendizagem, criatividade, memorização, concentração, percepção
sonora, percepção espacial, coordenação, raciocínio lógico-matemático e humor,
acalmando-o ou ativando-o dependendo do ritmo musical, além disso, tem sido
utilizada em tratamento através da musicoterapia.

1
Professora de Musicalização no Colégio Adventista de Indaial/SC. Formada em Conservatório Musical e
Musicalização. Em formação Música/FURB.
Em sua definição mais simples, a música é ritmo e som, ou seja, uma
combinação de sons executados em uma determinada cadência. A interação entre
essas áreas torna-se fortemente manifesta a partir da necessidade de equacionar e
solucionar problemas da consonância, no sentido de buscar fundamentos científicos
capazes de justificar tal conceito. Os primeiros sinais de casamento entre a
matemática e a música surgem no século VI a.C. quando Pitágoras através de
experiências com sons do monocórdio efetua uma de suas mais belas descobertas:
o som através de frações.

Os sons utilizados para produção de música possuem determinadas


características físicas, no que se refere às suas oscilações. A determinação das sete
notas musicais "naturais" que são Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si tem uma história muito
longa, e uma enorme influência da Matemática. Uma corda esticada, como num
violão pode vibrar livremente com determinado valor de oscilações por segundo. Se
a nota musical que a corda produz ao vibrar livremente for um Dó, quando
reduzimos seu comprimento à metade, mantendo sobre ela a mesma tensão, ela
passará a vibrar com o dobro das oscilações, o que corresponderá à nota Dó
seguinte, o que em termos musicais afirmamos que esta nota estará uma oitava
acima da original. Se reduzirmos o comprimento para 2/3 do original, teremos então
a nota Sol. E se reduzirmos o comprimento para 3/4 do original, teremos a nota Fá.
Como podemos perceber, usando determinadas frações do tamanho original de uma
corda, podemos obter as notas naturais da escala musical.

Atuando como professora de musicalização, tenho consciência da importância


que as atividades rítmicas propiciam à criança, mas fico intrigada ao perceber as
dificuldades dos alunos quando relacionadas ao ritmo. Noto que quando a atividade
é rítmica com melodia os alunos alcançam os objetivos, conseguindo fazer as
atividades propostas brincando, mas, quando é tirada a melodia e apenas a leitura
rítmica é feita, a turma se atrapalha. Após algum tempo observando esta dificuldade,
compreendi que ela existia porque a matemática se faz presente, principalmente, as
frações. Como uma professora de musicalização poderia estimular estes alunos na
disciplina de matemática utilizando a música como recurso, fazendo-os entender que
até mesmo na música a matemática se faz presente?
A matemática ao longo dos anos tem sido vista como a disciplina que vem
proporcionando o maior índice de reprovação nas escolas, causando ansiedade e
temor nas crianças, muitas vezes também em jovens ou adultos. Mas porque tantos
alunos demonstram pavor ao falar na disciplina matemática? Para alguns alunos, os
números são divertidos, traduzindo pensamentos lógicos esperando que os enigmas
sejam resolvidos. No entanto, este número é pequeno quando comparado com um
grupo que ainda não conseguiu descobrir o prazer de lidar com números. O encanto
de lidar com números devem vir desde as series iniciais de maneira a mudar a idéia
de que a matemática é enfadonha e difícil.

O fato é que o saber ler e escrever se tornou primordial, a vergonha em dizer


que não sabe ler ou escrever é incabível em nossa sociedade, mas o mesmo não
acontece quando se fala em não saber realizar contas de cabeça ou que é uma
negação na matemática. Alguns alunos demonstram talentos naturais com números,
mas isso não significa que outros não podem ser estimulados, já que a matemática
os acompanhará em toda a sua trajetória de vida, aliás, a matemática tem estado
presente desde os tempos mais remotos na contagem das coisas.

Focalizando este problema, o Colégio Adventista de Indaial com os


educandos do 1° ano ao 5º ano do Ensino Fundamental, realizaram o projeto “A
Matemática da Música”, destacando a necessidade de realizar uma reflexão e
conscientização para a busca de uma solução permanente, descobrindo os
encantos dos números através da música.

Através do projeto desenvolvido, objetivou-se apresentar os números que a


música possui, utilizando a construção de instrumentos para a investigação e
criação de diferentes tipos de sons e ritmos que são ouvidos diariamente sem
comprometer a audição, enfatizando o raciocínio lógico-matemático na construção
destes sons. Buscar através do mesmo, desenvolver habilidades rítmicas, acuidade
auditiva e construção de instrumentos musicais recicláveis, de forma a contribuir
com elementos no desenvolvimento da inteligência e a integração do ser no
processo ensino-aprendizagem, além do conhecimento de toda a trajetória musical
em conjunto com a matemática.

Neste primeiro momento, realizaram uma discussão acerca da relação entre


matemática e música. Os alunos indagaram a origem do som e para tanto,
continuamos a reflexão, observando os tipos de sons que estão na natureza e o
Criador de tudo, buscando compreender o plano de Deus para todo o meio
ambiente, analisando também, os efeitos causados ao homem e ao meio ambiente
pela degradação desta criação.

A princípio, as crianças se interessaram pela história, em saber como tudo


começou na percepção dos sons: o que é o som, como se propaga, o que é onda
sonora, como ouvimos, qual a diferença entre som e ruído, como sabemos quando é
grave ou agudo, entre outras dúvidas. Para solucioná-las, fomos até a sala de
musicalização. Utilizamos muitos instrumentos e realizamos algumas experiências
com água, toca-disco, bateria, violão, piano, entre outros. O encanto girou em torno
do velho toca-disco, a maioria das crianças nunca haviam visto um “CD grande” e se
maravilharam quando viram que ele funcionava. Ainda vimos um vídeo de como
funciona o ouvido humano e os cuidados que devemos ter com ele. Uma variedade
de sons foi mostrada de maneira a trabalhar a qualidade sonora.

A construção de instrumentos é algo que fascina os alunos, este recurso foi


utilizado para trabalhar a matemática de forma prática, de maneira que percebam
que na música há números. Foi explicado aos pais o objetivo do projeto e com a
ajuda deles, os alunos foram trazendo materiais como latas de alumínio ou plástico,
chaves, garrafas peti, tampas de plástico e metal, tubos de papelão, couro, bambus,
garrafas de vidro, canos de ferro e pvc, garrafões de água, entre outros. Desta
forma, visualizaram que muitos dos instrumentos seriam construídos com
recicláveis, concebendo assim que a mesma pode ser uma aliada à música,
levando-os a perceber a sua contribuição para a preservação ambiental.

Foram construídos tambores de latas e garrafões de água; chocalhos de


potes plásticos, latinhas de refrigerante ou ainda de madeiras e tampas de garrafas
de alumínio; reco-reco com garrafas peti ou de bambu; chapéu de chaves ou de
ferros em diferentes tamanhos; som do vento com mangueira flexível de condutor de
fio; hidrofólio com garrafas de vidros em diferentes quantidades de água; também
foram usadas garrafas de vidro para soprar como recurso melódico; flautas de
bambus; xinelofone de cano de pvc; guiso de metal ou carrilhão feito de variados
pedaços de metal; pau-de-chuva com tubos de papelão; cachoeira com tampas de
garrafas plásticas; violão de lata e nylon; cascas de coco; ocarina; castanhola; cuíca
de lata e barbante, bateria de lata e muitos outros.

Com a construção dos instrumentos, trabalhamos a matemática de forma


prática como a multiplicação, soma, diminuição, fração, tabuada, já que alguns
instrumentos precisavam ser medidos em comprimento e largura ou em volume para
que se obtivesse a afinação correta, enfim, a princípio a reclamação foi quase geral:
“Professora, até aqui vamos usar fração?” ou ainda “Vou ter que utilizar a tabuada!”,
Foram falas que chamaram a atenção, pois demonstravam a insegurança diante dos
números. Foi um desafio trabalhar a música em conjunto com a matemática,
principalmente no uso de fórmulas, mas obtive ajuda do professor de matemática,
Rubén Rueda, quando em dúvidas, ele me auxiliava prontamente.

Outras dúvidas apareceram, como por exemplo: “como eles descobriram tudo
isso? Foi uma pessoa só que descobriu?” Entre tantas perguntas, a mesma não
poderia ficar sem ser contada e pesquisada. Então, iniciamos uma pesquisa em
grupo, com a ajuda da internet, para se obter o conhecimento da biografia de
algumas pessoas que se destacaram como Pitágoras, Andreas Werkmeister,
Johann Sebastian Bach que contribuíram com a música que ouvimos atualmente,
criando uma escala de doze notas a partir de intervalos ou frações acusticamente
perfeitos, mas posteriormente ajustadas matematicamente, de tal forma que permitiu
ampliar o alcance da música a horizontes que antes eram verdadeiramente
impossível, o que deixou as crianças maravilhadas. Muitos não acreditaram que a
primeira experiência matemática foi feita com a música...

A construção dos instrumentos com os alunos foi extremamente prazerosa,


observar o cuidado com que os alunos montavam seus instrumentos, as perguntas
constantes e muitas ao mesmo tempo: “Professora, vê se o meu está ficando
certo!”... “É assim esta medida?”... “É deste tamanho, medi certo?”... “Será que o
som vai sair exato?”... “Não estou conseguindo fazer, preciso da sua ajuda!”...
“Professora, me ajuda!”... Todos queriam que seu instrumento estivesse primoroso,
feito com muito cuidado, zelo e atenção para ser o mais próximo das medidas
matemáticas e o som de seu instrumento perfeito... Eles estavam realizando contas,
frações, medindo ângulos, dividindo, somando, diminuindo e o mais interessante,
aprendendo se divertindo. A essa consideração Katsch e Merle-Fishman apud
Bréscia (2003, p.60) afirmam que: “[...] a música pode melhorar o desempenho e a
concentração, além de ter um impacto positivo na aprendizagem de matemática,
leitura e outras habilidades lingüísticas nas crianças”.

Mas não houve somente experiência positiva, houve também a negativa, a


frustração. Nosso primeiro instrumento a ser construído foi a Ocarina, uma espécie
de apito feito com argila, com aproximadamente oito cm de diâmetro, sendo que
deveria ser dividida em duas bolas de argila. Depois fazer esferas, formando duas
conchas, uni-las, realizar os orifícios para a saída do som, um destes furos deveria
ser com aproximadamente 45º, depois colocar para secar e finalmente, pintar.
Depois de seca, fomos ver se o som estava saindo e a frustração foi geral ao
perceberem que não soava nenhum som, tentei animá-los, pois eles haviam se
esforçado muito. Temi que desanimassem ao continuar o projeto, mas a resposta
que eles me deram foi uma só: “Professora, erramos na medida matemática,
teremos que prestar mais atenção ao construir os próximos”. Eles haviam entendido
a essência do projeto. Apesar de ficar triste com situação em vê-los levar para casa
algo que saiu errado, fiquei feliz ao mesmo tempo em ver como eles lidaram com a
frustração de forma positiva, não desistindo no primeiro obstáculo, e sim utilizando
como lição de maneira que os próximos eles deveriam ser feitos com mais atenção...

O próximo instrumento foi construído foi a Garrafofone, percebi a ansiedade


das equipes. A sala foi dividida em oito equipes, cada equipe ficou com uma garrafa
e uma nota onde deveria ser afinada com a flauta soprando ou batendo com um
pedaço de metal, trabalhando desta forma a percepção auditiva. Depois iríamos
medir matematicamente o volume posto em cada garrafa, utilizando a fórmula
matemática V=  r2h (r: raio da base da garrafa; h: altura do volume da garrafa;
sendo que  é igual a 3,14). A ansiedade era geral, mas desta vez, deu certo! Eles
ficaram muito contentes e passaram a ter mais confiança em si próprio. Os outros
instrumentos foram tomando forma e atenção especial, o zelo relacionado ao
número com o som eram evidentes.

Após a construção dos instrumentos, foram desenvolvidas atividades de


cânones, experiências sonoras e rítmicas, jogos musicais de identificação dos sons,
caminhadas em cima da linha e ao mesmo tempo cantar, ritmos com o corpo e com
os instrumentos, histórias sonoras, entre outras.
As brincadeiras rítmicas foram essenciais, pois para tal brincadeira faríamos
estudar os compassos musicais e consequentemente ritmos e matemática.
Conforme observou Mário de Andrade (1953.), o homem possui o ritmo por si
mesmo, pois a pulsação do coração, o ato de respirar e os passos já são elementos
rítmicos (a maioria das crianças, por exemplo, já têm percepção instintiva da
periodicidade de ritmo). Isso certamente influenciou o encadeamento das notas
musicais em cadências de tempo, da mesma forma que as sílabas numa poesia.
Sendo a contagem do tempo por si só uma concepção essencialmente matemática,
não é difícil imaginar o quanto o ritmo está intimamente associado à Matemática. Na
Música, entretanto, o ritmo não se limita apenas à contagem de tempo, ou a uma
batida constante de pulsos de igual intensidade. Na verdade, os ritmos musicais
possuem batidos com intensidades diferentes, que chamamos de acentuações,
repetindo dentro de algum padrão, e é isso que permite classificar as diversas
variedades de ritmos existentes na música.

Para os pequenos era muito difícil aprender todos os termos musicais, foi
inventada então a brincadeira da fazenda. Nesta brincadeira existiam os cercados
que em termo musical, seriam os compassos, que são pequenos pedaços contendo
o mesmo número de tempos. Nesta fazenda existiam três fazendeiros o binário, o
ternário e quaternário, sendo representados pelo número 2, 3 e 4. Faltavam os
animais, que seriam em termos musicais as figuras de notas e pausas, foram
utilizadas somente 3 figuras (semibreve, mínima e semínima), cada uma valendo um
determinado valor, de acordo com o denominador 4, então a semibreve que era a
ovelha, valia 4 tempos, a mínima que era a vaca valia 2 tempos e a semínima que
era o cavalo, valia 1 tempo e a partir de então realizamos a brincadeira onde o
objetivo era a equipe que acertar todos os tempos. A escrita das mesmas foi
utilizada em termos musicais apenas a história evidenciava que era uma fazenda.
Combinamos que no primeiro tempo de cada compasso ou pedaço da fazenda, ele
deveria ser tocado mais forte, como no exemplo abaixo, que mostra alguns dos tipos
de marcação do tempo de uma música, os tempos fortes estão em negrito,
denominados de compasso: compasso binário: 1 2 1 2 1 2 1 2, compasso ternário: 1
2 3 1 2 31 2 3, compasso quaternário: 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 .

Para os maiores, 4º e 5º ano, a história não foi necessária, já que possuem


uma percepção musical maior através do instrumento de flauta. As crianças
aprenderam muito rápido a essência de ritmo, por exemplo, em uma música que
utilize compasso binário, os pedaços (compassos) contêm sempre 2 tempos, com
isso, a soma e a subtração foram bastante utilizadas.

Depois que eles já estavam bem familiarizados com o tema, dei sugestão
para escrevermos o ritmo de uma música que eles conheciam, a música escolhida
pela turma foi a de Ludwig Van Beethoven, Ode a alegria em compasso quaternário.
Foi uma festa depois de pronto, eu toquei a melodia e as crianças me
acompanharam no ritmo com seus instrumentos construídos.

Além das atividades mencionadas acima, no decorrer da construção


desenvolveu-se acuidade auditiva, relaxamento, concentração, noções da caixa de
ressonância e mecanismos de propagação sonora, acústica de materiais, sopro,
melodias, interpretações, criatividade, improvisação, reciclagem e principalmente a
matemática. Foi observado como as crianças entendiam muito bem as frações na
música, mas quando se passavam estas mesmas frações para o papel, a dúvida era
inevitável... A princípio fiquei frustrada, porque eles só entendiam a matemática
quando utilizada de forma prática, na construção dos instrumentos, mas ao passar a
mesma matemática para o papel ou para a leitura rítmica, estas mesmas frações
trabalhadas antes, eram esquecidas. Mas aos poucos, a essência foi sendo
compreendida e com muita paciência o silêncio tornava-se som, os números ou
frações se tornavam simples e sucatas se tornavam instrumentos.

Para aguçar ainda mais o interesse das crianças, demos de presente pelo seu
esforço um passeio ao Museu da Música em Timbó/SC o que deixou as crianças
satisfeitas. Todos gostaram muito, encantando-se com os novos sons criados por
seus colegas, além de conscientizarem-se quanto ao som ouvido. A comparação
entre os instrumentos construídos por eles e os comprados prontos foi inevitável e é
claro, na opinião deles, o melhor foi construir do que obter o pronto.

A avaliação ocorreu durante todo o projeto, desde o processo que levou a


construção dos instrumentos, a conscientização acerca da poluição sonora e da
reciclagem até a preservação do meio ambiente quanto ao lixo, envolvendo também,
criatividade, interesse e participação integral durante o mesmo. As pesquisas, a
consciência na formação dos grupos de trabalho; a criatividade na organização e
ornamentação dos instrumentos também foi avaliada. Mas principalmente, o
processo de construção de instrumentos relacionada à matemática, bem como o
ritmo. Como resultado, de certa forma, alcançou que as crianças conscientizassem
sobre a qualidade de vida e a auto-estima em construir algo por si própria, além de
perceber que os números podem ser prazerosos. Visualizaram o “lixo” de maneira a
reaproveitá-lo, entendo que este pode e deve servir como estímulo e recurso
pedagógico. Presenciou-se uma conscientização efetiva dos educandos através do
diálogo e reflexão que mudaram suas atitudes e hábitos em relação à poluição
sonora e do meio ambiente. Trabalhou-se sua acuidade auditiva e um olhar crítico
relacionado às escolhas dos sons que ouvem diariamente, envolvendo ou não
outras pessoas.

O mais importante de todo o processo avaliativo, foi a auto-avaliação que era


realizada após o término de cada atividade, pois como a avaliação é um processo
contínuo, não houve somente pontos positivos, mas também negativos e a princípio
alguns alunos ficaram tristes por haver não só aspectos bons em nossa folha
avaliativa foram explicado que os pontos negativos são bons na verdade porque são
eles que nos fazem melhorarmos e crescermos para o próximo projeto que
executarmos, desta forma, eles aceitaram a idéia. Houve demonstração da
satisfação pessoal, favorecendo assim a sua auto-estima ao perceberem que
haviam conseguido construir e tocar algo por elas mesmas, o tocar livremente,
percebendo que a música é simples e deleitosa. Quando a criança realiza esse feito,
está trabalhando a essência do som.

Como um dos aspectos positivos da auto-avaliação mais significativo, foi o


relato que eles fizeram a respeito se si próprios que “quando queremos e os
professores nos ajudam, conseguimos!”, em outras palavras, eles perceberam que é
possível aprender conteúdos que antes achavam complicados para aprender em
forma de brincadeira, com a motivação do educador. Como aspecto negativo, o
principal mencionado foi o fato de haver apenas uma aula semanal para o
desenvolvimento do mesmo. Gostaria de estar dando continuidade ao projeto sob
duas maneiras: a primeira, uma feira na cidade com os educando, a fim de
conscientizar a sociedade quanto a importância da reciclagem para o meio ambiente
e também acerca dos problemas fisiológicos e psicológicos da poluição sonora,
mostrando todos os instrumentos que foram construídos com o “lixo” e a segunda,
sabendo das dificuldades que os alunos sentem na aprendizagem de matemática,
montar uma oficina de instrumentos musicais recicláveis, formando uma banda, de
maneira a trabalhar a matemática de forma prática e prazerosa facilitando assim o
processo ensino-aprendizagem, minimizando as dificuldades, estimulando os alunos
a superar de forma prática os medos, angústias e ansiedades, conscientes de que é
possível estudar matemática “brincando” favorecendo desta forma não só os
educandos, mas também a sociedade que os envolve.

Não sou especializada em matemática, mas como professora fico preocupada


diante do futuro. Como um aluno que está entrando no 1º ano do ensino
fundamental hoje se relacionará com a matemática ao fim do seu estudo
fundamental? Não gostaria que esta relação fosse de medo ou angústia, mas sim de
entusiasmo. Para que tal situação seja uma realidade, devemos como educadores
oferecer uma nova estratégia pedagógica baseada na construção de atividades que
levem o aluno a pesquisar, a criar novas situações através de sua pesquisa, para
construir atividades que envolvam o cálculo matemático, promovendo um ensino
voltado para a interdisciplinaridade e práticas que facilitem o processo ensino
aprendizagem como forma de motivar o aluno a aprender. Não devemos esperar
mudanças nos livros ou na sociedade, esta mudança tem que partir particular de
cada educador, avaliando sua técnica, método ou postura, pois só assim teremos
uma educação totalmente prazerosa.

A Música relaciona-se com outras áreas chave da educação e formação da


humanidade, como por exemplo, a Matemática; a Ciência; a Física; a Social; a Arte
e Linguagem, tendo sido veículo de importantes permutas culturais e suporte
essencial de tantas outras artes como a poesia, a dança, o teatro, o cinema, etc.
Desta forma e pelo ensinamento que a história e a atualidade nos dão seria um
desperdício, quase uma falta imperdoável, não proporcionarmos hoje aos nossos
educandos o ensino da música, algo tão sublime e de linguagem universal.

Musicalização ou a música não é mero passatempo ou uma brincadeira de


ficar cantando nas escolas. Também não é uma arte destinada apenas para os
grandes gênios, pois, segundo afirma ALMEIDA (2001), se pensarmos em
instrumentos e partituras, a música pode ser algo muito distante de nós, porém, não
podemos nos esquecer de que temos a voz e outros recursos de maneira a levar a
música para dentro de nossas escolas e proporcionar conhecimento para os alunos.
SILVA (1992) lembra que é aconselhável (...) que a música seja apresentada por
meio de histórias, dramatizações, jogos e brincadeiras que motivem a participação.
A música poderá ser usada como rota secundária para ajudar no desenvolvimento
de outras inteligências como o raciocínio lógico-matemático, linguistico, espacial,
intrapessoal, interpessoal, naturalista e fisico-cinestésica.

Ouvir é uma ação importante, assim como enxergar, no entanto, não é o


ouvido que ouve e sim a mente, o corpo. O que ouvimos nos completa e portanto, é
alvo do ensino. Só conhecendo o ser humano em sua natureza própria, nas relações
entre seus membros característicos é que poderemos nos aproximar da criança. O
entendimento dessas modificações determinará por certo interesse e dedicação de
nossa parte, pois quando uma criança é convidada a fazer, ela é chamada a pensar
e assim, ela aprende mesmo!

Referências Bibliográficas

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