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WBA0152_V1.

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Saneamento Ambiental
e Saúde Pública
Saneamento Ambiental e Saúde Pública
Autoria: Profa. Chennyfer Dobbins Paes da Rosa
Como citar este documento: ROSA, Chennyfer Dobbins Paes da. Saneamento Ambiental e Saúde
Pública. Valinhos: 2015.

Sumário
Apresentação da Disciplina 03
Unidade 1: Saneamento Ambiental e Suas Conexões 07
Assista a suas aulas 31
Unidade 2: Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade 39
Assista a suas aulas 57
Unidade 3: Saneamento Básico e Saúde 66
Assista a suas aulas 83
Unidade 4: Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais 91
Assista a suas aulas 125
Unidade 5: Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde 134
Assista a suas aulas 156

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Saneamento Ambiental e Saúde Pública
Autoria: Profa. Chennyfer Dobbins Paes da Rosa
Como citar este documento: ROSA, Chennyfer Dobbins Paes da. Saneamento Ambiental e Saúde
Pública. Valinhos: 2015.

Sumário
Unidade 6: Resiliência Ambiental e Social 165
Assista a suas aulas 176
Unidade 7: Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva 180
Assista a suas aulas 202
Unidade 8: Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras 207
Assista a suas aulas 223

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Apresentação da Disciplina
A preocupação com a preservação A preservação ambiental e o controle da
ambiental é tema de grande destaque emissão de poluentes são fundamentais
no Brasil, introduzido principalmente para a saúde pública, pois visa, entre
após a Conferência sobre Meio Ambiente outras coisas, a melhorar a qualidade de
da Organização das Nações Unidas em vida da população e garantir a todas as
Estocolmo, em 1972. comunidades a oportunidade de vivenciar
Diretrizes começaram a ser traçadas uma saúde livre de doenças e agravos
a partir da década de 1980, visando à associados à poluição ambiental.
preservação ambiental e à exploração
Um dos objetivos orientadores da saúde
controlada dos recursos naturais. A
pública, na qual se inserem os programas
poluição ambiental em Cubatão, por
exemplo, tornou-se notícia nessa época e e políticas de saneamento ambiental,
foi associada como referência de poluição é respeitar as regras e a normas que
ambiental. Nesse caso, constatou-se a sociedade lhe impõe, mobilizando a
a elevada concentração de chumbo e sociedade a se envolver nos movimentos
mercúrio no sangue da população que se de luta e reivindicações pela saúde.
alimentava dos peixes da região, o que No Brasil, a saúde pública orienta suas
se perpetuou por vários anos, somente ações de acordo com as doutrinas e
melhorando após a implantação do princípios do Sistema Único de Saúde (SUS),
programa de controle ambiental em 1984.
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com o intuito de monitorar o saneamento Em 2011, foi desenvolvido o Plano
adequado do meio ambiente, o controle Integrado de Ações Estratégicas no
de infecções, o acesso à assistência à combate às doenças negligenciadas e
saúde, o diagnóstico e tratamento precoce outras relacionadas à pobreza (OPAS:
e a prevenção de doenças e agravos à CD49. R19/2009), ações que buscavam
saúde e assegurar a cada um, dentro da a eliminação da esquistossomose e
comunidade, condições para manutenção geohelmintíases até 2015.
e qualidade de vida. Portanto, dentre os objetivos desta
Pode-se citar como exemplo, o controle das disciplina, cabe:
parasitoses humanas, uma vez que ainda
a) entender a dinâmica da
existe uma alta prevalência dessas doenças
sistematização de políticas públicas
no Brasil, como a esquistossomose.
voltadas para o estabelecimento
Dados do Ministério da Saúde estimaram
do modelo atual de saneamento
que, em 2014, 25 milhões de pessoas
foram expostas aos riscos de adquirir ambiental;
esquistossomose e 6 milhões efetivamente b) compreender a epidemiologia e as
foram infestadas, principalmente pela falta doenças relacionadas ao inadequado
ou precariedade de saneamento básico em ou à falta de saneamento ambiental
várias regiões endêmicas. no Brasil;
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c) entender os instrumentos e vias de
atuação que podem contribuir para
uma sociedade sustentável, que
concilia métodos de conservação
ambiental e de saúde.

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Unidade 1
Saneamento Ambiental e Suas Conexões

Objetivos

1. Compreender os conceitos
relacionados ao tema saneamento
ambiental;
2. entender a dinâmica da
sistematização das políticas públicas
voltadas para o estabelecimento
do modelo atual de saneamento
ambiental.

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Introdução

Segundo a Organização Mundial de Saúde II. O acondicionamento, a coleta,


(OMS), saneamento é o controle de todos o transporte, o tratamento e a
os fatores relacionados ao ambiente em disposição adequada e segura dos
que o ser humano vive e que exerçam ou resíduos líquidos, como de esgotos
possam exercer efeitos nocivos sobre o seu sanitários, substâncias industriais
bem-estar biológico, social e/ou mental. e/ou agrícolas, resíduos de saúde,
Logo, o saneamento caracteriza o conjunto resíduos sólidos (incluindo os
de ações socioeconômicas cujo objetivo é rejeitos provenientes das atividades
alcançar a salubridade ambiental. doméstica, comercial, industrial e de
O saneamento associa sistemas serviços), dentre outros, que causam
constituídos por infraestrutura física, risco à saúde humana, animal e
educacional, legal e institucional que ambiental.
engloba:
1. Resíduos de Serviços de
I. O abastecimento de água adequado Saúde (RSS)
para as populações. Entende-se
adequado por água de qualidade e em Define-se por geradores de Resíduos de
quantidade suficiente para a garantia Serviços de Saúde (RSS) todo e qualquer
de condições básicas de saúde.
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serviço que desenvolve assistência à saúde g) estabelecimentos de ensino e
humana ou animal, o que inclui: pesquisa na área de saúde (ex.:
a) assistência domiciliar; laboratórios e centros de pesquisa);

b) hospitais, clínicas, laboratórios h) centros de controle de zoonoses;


clínicos e serviços ambulatoriais i) distribuidores, importadores e
humanos e veterinários; produtores de materiais e produtos
c) laboratórios de anatomia patológica farmacêuticos;
(anatomopatológico); j) ambulâncias para transporte de
d) serviços de diagnóstico por imagem e pacientes;
diagnóstico in vitro; k) serviços de tatuagem, salão de
e) necrotérios, funerárias, serviços beleza, dentre outros.
de atividades de embalsamento e Todos os estabelecimentos geradores
medicina legal; de RSS são obrigados a se enquadrar na
f) drogarias e farmácias, inclusive legislação vigente da Vigilância Sanitária
aquelas de serviço de manipulação; (VISA), Resolução da Diretoria Colegiada
– RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004,

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que aprova o Regulamento Técnico para o o coordenador do PGRSS) integrante do
Gerenciamento de Resíduos de Serviços de processo de licenciamento ambiental.
Saúde. Esse PGRSS consiste em um conjunto de
procedimentos planejados, organizados
Para saber mais e implementados para a gestão dos
Quer saber mais sobre o assunto? Acesse a RDC- resíduos, tendo como embasamento as
306 no link: <http://portal.anvisa.gov.br/wps/ normas técnicas e legais (como a RDC
wcm/connect/10d6dd00474597439fb- – 306). Pode ser representado como um
6df3fbc4c6735/RDC+N%C2%BA+306,+- manual de normas e procedimentos, que
DE+7+DE+DEZEMBRO+DE+2004.pdf?MO- descreve as ações relativas a cada etapa do
D=AJPERES> manejo dos resíduos desde a segregação
na fonte, o acondicionamento, a coleta,
O estabelecimento que desenvolve alguma o armazenamento, o transporte interno
das atividades descritas acima deve ter um e externo até as possibilidades de reuso e
Plano de Gerenciamento de Resíduos de reciclagem e a destinação e o tratamento
Serviços de Saúde (PGRSS) descrito por de cada tipo de resíduo. Conta também
meio de documento (impresso e assinado com as orientações pertinentes para as
pelo responsável legal da instituição e pelo equipes e trabalhadores, pois todos devem
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ser envolvidos, uma vez que participam 2 Outros Sistemas de Controle
desses processos, seja produzindo o resíduo
ou manipulando-o em alguma das etapas Além dos sistemas de controle e manejo de
do gerenciamento. Esse plano deverá RSS, temos outros sistemas relacionados à
conter também a descrição de medidas saúde e ao saneamento, tais como:
utilizadas para não gerar ou minimizar a) coleta de águas pluviais e controle
a geração de resíduos e a previsão de da qualidade da água, controle de
melhoria contínua dos processos por meio empoçamentos e inundações;
de indicadores, mensurações, avaliações
e monitoramentos constantes. Poderá ser b) controle de vetores de doenças
eleito um representante de cada área para transmissíveis (ex.: insetos, moluscos,
atuar como multiplicador e monitor do roedores e outros mamíferos, entre
processo naquele local. outros);
c) saneamento dos alimentos, meios
transportes, habitação e postos de
trabalho,
d) planejamento da ocupação territorial
e da preservação ambiental;
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e) projetos de educação da população para hábitos e estilos de vida que respeitam a saúde
ambiental;
f) controle da poluição acústica, visual, da água, do ar e do solo.
Figura 1 – Retrato da poluição ambiental: as chaminés das industrias

Fonte: <http://www.zun.com.br/imagem/500x338/cache/fotos/2011/08/
Polui%C3%A7%C3%A3o-ambiental-e-suas-consequ%C3%AAncias.jpg>

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3 Política Nacional do Meio ser necessariamente assegurado
Ambiente e protegido, tendo em vista o uso
coletivo;
A Política Nacional do Meio Ambiente b) a racionalização do uso do solo, do
passou a vigorar por meio da Lei subsolo, da água e do ar;
6.938/1981. Dentre vários aspectos,
ela destaca no art. 2º que o objetivo é c) a planejamento e a fiscalização do
a preservação, melhoria e recuperação uso dos recursos ambientais;
da qualidade ambiental propícia à d) a proteção dos ecossistemas, com a
vida e assegurar as condições de preservação de áreas representativas;
desenvolvimento socioeconômico, os
e) o controle e zoneamento das
interesses da segurança nacional e a
atividades potencial ou efetivamente
proteção da dignidade da vida humana.
poluidoras;
Essa política tem por princípios:
f) o incentivo aos estudos e às
a) a ação governamental na pesquisas de tecnologias orientadas
manutenção do equilíbrio ecológico, para o uso racional e a proteção dos
considerando o meio ambiente recursos ambientais;
como um patrimônio público a
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g) o acompanhamento do estado da alteração adversa das características do
qualidade ambiental; meio ambiente; com a poluição resultante
h) a recuperação de áreas degradadas; de atividades que direta ou indiretamente
possam prejudicar a saúde, a segurança e o
i) a proteção de áreas ameaçadas de bem-estar da população; com a resultante
degradação; e em condições adversas às atividades
j) a educação ambiental em todos os sociais e econômicas; e com ações que
níveis de ensino, inclusive a educação possam afetar desfavoravelmente a biota
da comunidade, objetivando e as condições estéticas ou sanitárias do
capacitá-la para participação ativa meio ambiente.
na defesa do meio ambiente. Essa política também se atenta ao controle
No art. 3º, a política descreve o meio da dispensação de matérias ou energia
ambiente como o conjunto de condições, no meio ambiente, em desacordo com os
leis, influências e interações de ordem padrões ambientais estabelecidos, por
física, química e biológica, que permite, empresas do ramo industrial.
abriga e rege a vida em todas as suas
formas. Logo, atribui preocupação com
a degradação da qualidade ambiental, a
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riscos e evitar males à saúde e ao bem-
Para saber mais estar público.
Quer saber mais sobre essa lei? Acesse o link e Atualmente, existem outras leis que
leia o conteúdo completo: tratam dos resíduos sólidos, dentre
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
elas a Política Nacional de Resíduos
L6938.htm>.
Sólidos (Lei 12.305/2010) e o Decreto
7.404/2010, que a regulamenta. Essas
4 Política Nacional de Resíduos leis preveem que as fontes geradoras de
Sólidos resíduos devam se responsabilizar pela
coleta, armazenamento e tratamento
No Brasil, a legislação ambiental evolui de seus resíduos, o que inclui a logística
desde a década de 1950, tendo como reversa de produtos que gerem resíduos
marco a discussão do manejo de resíduos potencial ou efetivamente perigosos, como
sólidos a partir da Lei 2.312/54. Essa lei as indústrias que produzem de pilhas,
decretou, no seu artigo 12, que a coleta, o baterias, lâmpadas de mercúrio e flúor,
transporte e o destino final do lixo devem óleos lubrificantes e derivados e pneus.
ser realizados de modo a não expor a saúde
humana, animal ou do meio ambiente a
15/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões
Para saber mais
Acesse o link: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm,
e leia o conteúdo da Lei 12.305/2010 na íntegra. E o link: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7404.htm> para conhecer o Decreto 7.404/2010.

Figura 2 – Política Nacional de Resíduos Sólidos

Fonte: <http://sincapr.com.br/wp-content/uploads/2013/11/imagem_noticias_politica_residuos_solidos.png>

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Seguindo um percurso histórico, a Constituição Federal (CF) em 1988 contemplou a proteção
ambiental em vários aspectos. O capítulo VI descreve mais especificamente sobre o meio
ambiente. O seu artigo 225 esclarece que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente
equilibrado, um bem de uso comum, do povo e essencial à qualidade de vida. E impõe ao Poder
Público e à sociedade civil o dever de defender e preservar o meio ambiente para que as presentes
e futuras gerações possam desfrutá-lo de forma saudável. Leiamos abaixo:

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo


ecológico das espécies e ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e


fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus


componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
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IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de
impacto ambiental, a que se dará publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos


e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio
ambiente;

VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a


conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que


coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou
submetam os animais a crueldade.

§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio


ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público
competente, na forma da lei.

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§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão
os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal


Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-
se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio
ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por


ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização
definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas (BRASIL,
CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988).

19/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões


Nesse sentido, a redação final dada pela Figura 3 – O direito ambiental

Lei nº 7.804 de 1989 estabelece que


devemos priorizar os cuidados com os
recursos ambientais, a atmosfera, as águas
interiores, superficiais e subterrâneas,
os estuários, o mar territorial, o solo, o
subsolo e os elementos da biosfera.

5 Direito Ambiental e Política


Todos esses avanços na legislação
brasileira de proteção ambiental (assim
como internacionalmente) fazem surgir Fonte: <https://unieducar.org.br/sites/default/files/
cursos/imagens/direito-ambiental_0.jpg>
e ganhar destaque no Brasil, um ramo do
direito, o direito ambiental (ou direito
ecológico ou direito do ambiente). Entre os
princípios que regem tal ramo, destacam-
se os princípios da prevenção, da
precaução e do poluidor-pagador.
20/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões
No entanto, a Política Nacional do Meio
Para saber mais Ambiente entende que, mesmo quando
não há culpa, o poluidor está obrigado a
Quer saber mais? Assista ao vídeo: <https://
indenizar ou reparar os danos causados
www.youtube.com/watch?v=_AAh4Mitz6s>.
ao meio ambiente e a terceiros em
decorrência de sua atividade.
O artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais
(Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998)
prevê como crime causar poluição que
Para saber mais
Quer conhecer mais o conteúdo da Lei de Crimes
possa prejudicar a saúde de humanos
Ambientais? Acesse o link: <http://www.
ou provocar doenças ou agravos ao
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htm>.
ser humano e aos animais ou mesmo a
destruição da flora. Nesse sentido, só
comete crime a pessoa ou instituição Por sua vez, a precaução com o meio
que, ciente da exigência das autoridades ambiente é constantemente reafirmada
competentes, deixa de adotar medidas de nas conferências da ONU, tanto nas
precaução para evitar danos ambientais Conferências das Nações Unidas sobre
graves ou irreversíveis. Meio Ambiente e Desenvolvimento
21/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões
(Eco-92), quanto nas Conferências das Figura 4 – A busca pela preservação do

Nações Unidadas sobre Desenvolvimento planeta é uma demanda de todos

Sustentável (Rio+20), que buscam o


desenvolvimento de ações de proteção
ambiental e o compromisso com uma
agenda cada vez mais incisiva no que se
refere ao desenvolvimento sustentável, um
desenvolvimento que esteja alinhado ao
convívio responsável do ser humano com o
planeta.

Fonte: <http://blog.duratexpaineis.com.br/wp-
content/uploads/2013/04/12580809_s.jpg>

Há várias décadas, os estudos científicos


vêm buscando entender a relação entre o
ser vivo e o meio ambiente e as implicações

22/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões


dessa interação para a saúde do ser
humano. Uma das áreas de pesquisa, a
epidemiologia ambiental, tem fornecido
Para saber mais
Gostou desse tema e quer saber um pouco
dados para o estudo e a interpretação
mais? Leia o artigo Considerações sobre o uso da
das relações entre o ambiente e a saúde
epidemiologia nos estudos em saúde ambiental
nas populações. Entre elas, observam-
no link: <http://www.scielo.br/pdf/rbepid/
se os comportamentos humanos, como
v6n2/04>.
os loteamentos e a ampliação das
construções e pavimentações que invadem
as matas e as reduzem, cada vez mais, Ao mesmo tempo, as questões
a pequenos corredores ou ilhas verdes relacionadas à saúde preocupam todos
encrustadas na imensidão cinzenta do os países do mundo, provocando tanto
asfalto e do concreto. Além disso, as a Organização das Nações Unidas (ONU)
explorações dos recursos naturais também quanto a OMS a estabelecer políticas com
agem como geradores de impactos vistas à melhoria das condições de saúde
ambientais, alterando os ecossistemas das populações, o que engloba medidas de
e, por consequência, influenciando a saneamento ambiental.
propagação de doenças.

23/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões


Figura 5 – O homem e o lixo: reflexos da poluição ambiental

Fonte: <http://4.bp.blogspot.com/-nyfA8mxtK2U/T8OruB94vMI/AAAAAAAAAIs/aNV9dqfCMzc/s320/Untitled.jpg>

24/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões


ao risco de adquirir doenças. A falta de
Para saber mais investimentos públicos em saneamento,
aliada à ineficiência do Estado em
Assista aos vídeos nos links listados abaixo:
combater essas patologias, causa sérios
<https://www.youtube.com/watch?v=dCO- prejuízos à saúde da população.
-aCTbNi4>

<https://www.youtube.com/watch?v=XAQ_
adRi9lo>

<https://www.youtube.com/watch?v=-
JBho8yocIIY>

Uma dessas políticas é a implementação


do saneamento básico, uma vez que sua
ausência prejudica, principalmente, as
comunidades carentes que vivem em
ambientes sem infraestrutura adequada e
insalubres, tornando-as mais vulneráveis

25/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões


Glossário
Poluidor: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou
indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental (art. 3º, inc. IV, Lei
6.938/1981).
Meio ambiente: é um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema
natural, e incluem toda a vegetação, animais, microrganismos, solo, rochas, atmosfera e
fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. Meio ambiente também compreende
recursos e fenômenos físicos como ar, água e clima, assim como energia, radiação, descarga
elétrica, e magnetismo.
Ecossistema: eco sistema que inclui os seres vivos e o ambiente, com suas características
físico-químicas e as inter-relações entre ambos; biogeocenose, biossistema.

26/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões


?
Questão
para
reflexão
A questão ambiental ocupa hoje um importante
espaço político, trazendo os movimentos sociais
para o debate e os fazendo exigir a participação de
todos os indivíduos, mas, principalmente, do Estado
na preservação do meio ambiente. O direito ao meio
ambiente é um direito humano fundamental. A
participação sociopolítica deve abrir possibilidades
para que todas as classes e estratos diversos da
sociedade participem na tomada de decisões políticas
relacionadas ao meio ambiente. Reflita sobre a real
participação da população brasileira nas ações
voltadas ao meio ambiente. Será mesmo que estamos
preocupados com o controle e saneamento ambiental?
27/231
Considerações Finais (1/2)

O processo saúde-doença sofre influências diretas dos fatores sociais,


econômicos e culturais, como: alimentação, condições de moradia,
saneamento ambiental, trabalho, hábitos e estilo de vida. Essas influências
têm reflexo fundamental tanto na esfera da vida individual quanto na esfera
coletiva. Doenças parasitárias, por exemplo, são efeitos da miséria, das más
condições de habitação e saneamento e das deficiências na educação da
população e geram consequências graves, como a desnutrição.
As parasitoses intestinais, mesmo que tenham reduzido o número de
casos quando comparamos, em termos percentuais, os dias atuais com a
realidade de cinco décadas atrás, ainda possuem altas taxas de incidência
na população geral.
As condições precárias de saneamento são, em grande parte, responsáveis
pela proliferação de parasitas e o aumento no número de casos de pessoas
contaminadas. Ao observar o número de casos e cruzar essa informação
com o nível socioeconômico da população, observa-se que as parasitoses
28/231
Considerações Finais (2/2)
são significativamente mais frequentes nas camadas de baixo nível
socioeconômico. Da mesma forma, são mais prevalentes em crianças de
3 a 6 anos. Assim, pode-se concluir que essas infestações ocorrem devido
ao desconhecimento de uma higiene básica e à maior exposição aos
agentes etiológicos (parasitas). Portanto, essas patologias representam um
grave problema de saúde pública, mesmo que preveníveis e tratáveis. As
crianças afetadas podem desenvolver problemas físicos e mentais e estar
mais propensas à instalação de outras doenças e evoluir ao óbito, seja por
desnutrição, rebaixamento da imunidade, anemia ou diarreia.
Além disso, ainda nos deparamos com uma realidade de aproximadamente
49% da população urbana brasileira convivendo com esgoto ao céu aberto e
cerca de 15 milhões de pessoas sem acesso à agua tratada em seus domicílios.
Essas questões afetam diretamente a dinâmica das políticas públicas,
inviabilizando estabelecimento de um modelo mais atual de saneamento
ambiental.
29/231
Referências

CAMPONOGARA, Silviamar; RAMOS, Flavia Regina Souza; KIRCHHOF, Ana Lucia Cardoso. Um
olhar sobre a interface trabalho hospitalar e os problemas ambientais. Rev. Gaúcha Enferm.,
Porto Alegre, v. 30, n. 4, dez. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1983-14472009000400020&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 29 Março 2016.

MESQUITA, Maria Elisabeth Alves. Geografia da Saúde: um estudo sobre clima e saúde. In: Anais
do X Encontro de Geógrafos da América Latina, São Paulo, Universidade de São Paulo, 20-26 mar.
2005, p. 9398-9408.
SALDANHA, Pedro Mallmann. Due Diligence: Aspectos Relativos ao Passivo Ambiental. 2009.
30f. (Trabalho de Conclusão de Curso). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual de direito ambiental. São Paulo: Saraiva, 2003.
WASCHECK, Carla de Camargo; FERREIRA, Odesson Alves; ALENCAR, Patrícia Melo de. A história
do acidente radioativo de Goiânia. Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, 2007. Disponível em:
<http://www.cesio137goiania.go.gov.br/index.php?idEditoria=3823>. Acesso em: 29 de Março
de 2016.

30/231 Unidade 1 • Saneamento Ambiental e Suas Conexões


Assista a suas aulas

Aula 1 - Tema: Saneamento Ambiental e suas Aula 1 - Tema: Saneamento Ambiental e suas
Conexões - Bloco I Conexões - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/52a-
e1b6ed445e8a76eee86cf701f6de5ab2>. c0e764992badba22b07f920d5cba5>.

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Questão 1
1. Sobre saneamento ambiental, assinale a alternativa INCORRETA:

a) A educação em saúde pública e ambiental é fundamental para garantir o controle de


vetores e de reservatórios de doenças transmissíveis.
b) O saneamento ambiental restringe-se às atividades de abastecimento de água,
esgotamento sanitário e drenagem urbana.
c) Para a sociedade, a falta de saneamento ambiental gera reflexos econômicos.
d) A coleta e a destinação final adequada dos resíduos sólidos também é peça fundamental
no controle de vetores e de reservatórios de doenças transmissíveis.
e) O saneamento ambiental abrange o saneamento da habitação, dos alimentos, dos
locais de trabalho e recreação, no processo de planejamento territorial, em situações de
emergência etc.

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Questão 2
2. Define-se por geradores de resíduos de serviços de saúde:

a) qualquer atividade industrial ou hospitalar que gere resíduos sólidos.


b) apenas a atividade da indústria farmacêutica que gere resíduos líquidos potencialmente
infectados.
c) apenas ambientes hospitalares.
d) apenas serviços relacionados à assistência à saúde humana.
e) todo e qualquer serviço relacionado à assistência à saúde humana ou animal.

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Questão 3
3. O que é previsto como crime no artigo 54 da Lei de Crimes
Ambientais?

a) Causar poluição que possa prejudicar a saúde de humanos ou animais ou destruição


ambiental.
b) A fabricação industrial de produtos tóxicos e potencialmente nocivos à saúde humana ou
animal.
c) Deixar de adotar medidas de precaução contra doenças relacionadas ao saneamento
ambiental.
d) Causar dano ambiental intencional que provoque dano permanente ao meio ambiente;
logo, se não houver culpa não há responsabilidade de quem causou o dano.
e) Desmatar as florestas tropicais.

34/231
Questão 4
4. A saúde humana relacionada ao saneamento ambiental sofre a
influência direta de vários fatores. Entre as alternativas abaixo, qual
apresenta esses fatores?

a) Físicos, psicológicos, mentais e espirituais.


b) Fatores biopsicossociais, como: alimentação, lazer e hábitos sexuais.
c) Fatores sociais e econômicos, como as condições de moradia e alimentação.
d) Fatores relacionados à qualidade de vida, como: lazer, esportes, alimentação, cultura,
estresse e sobrecarga.
e) Fatores psicológicos e mentais, tais como: satisfação, nível de estresse, trânsito, distúrbios
alimentares, álcool e outras drogas.

35/231
Questão 5
5. Dentre as principais doenças que envolvem o saneamento básico,
pode-se destacar:

a) Doenças infecciosas.
b) Doenças parasitárias.
c) Doenças bacterianas.
d) Doenças virais.
e) Infecções sexualmente transmissíveis.

36/231
Gabarito
1. Resposta: B. 3. Resposta: A.
O saneamento ambiental não compreende A Lei de Crimes Ambientais prevê como
apenas as atividades de abastecimento de crime no artigo 54 causar poluição que
água, esgotamento sanitário e drenagem possa prejudicar a saúde de humanos
urbana. O saneamento ambiental é mais ou provocar doenças ou agravos ao ser
amplo, controla todos os fatores do meio humano e aos animais ou dano ambiental.
físico do homem, que exercem ou podem Também destaca que comete crime
exercer efeitos nocivos sobre o bem-estar quem deixar de adotar, quando assim o
físico, mental e social. exigir a autoridade competente, medidas
de precaução em caso de risco de dano
2. Resposta: E. ambiental grave ou irreversível.

Define-se por geradores de resíduos de


4. Resposta: C.
serviços de saúde todo e qualquer serviço
relacionado à assistência à saúde humana O processo saúde-doença sofre influência
ou animal, inclusive a assistência domiciliar direta dos fatores sociais, econômicos e
e hospitalar, as clínicas, os laboratórios culturais, como alimentação, condições de
clínicos, entre outros.
37/231
Gabarito
moradia, saneamento ambiental, trabalho,
hábitos e estilo de vida.

5. Resposta: B.

As doenças parasitárias são efeito da


miséria, das más condições de habitação,
de saneamento e das deficiências na
educação da população.

38/231
Unidade 2
Saneamento: a Importância da Água Para a Humanidade

Objetivos

1. Aprender sobre as interfaces entre


saneamento e saúde.
2. entender sobre o papel do Estado em
relação à água, ao esgoto e à saúde.

39/231
Introdução

A interface entre saúde e ambiente, sob nº 687 MS/GM, de 30 de março de 2006,


a ótica da sustentabilidade, compreende aponta diretrizes e estratégias para
esforços de diversos setores (saneamento, organização das ações de promoção da
habitação, educação, cultura, dentre saúde nos três níveis de gestão (Federal –
outros) para estimular a promoção da União, estados e municípios) do Sistema
saúde e bem-estar e da qualidade de vida. Único de Saúde (SUS), que visam garantir a
A promoção da saúde tem estreita integralidade do cuidado em saúde.
relação com a vigilância em saúde e tem
a finalidade de identificar as medidas de Para saber mais
prevenção e controle dos fatores de risco
Quer saber ainda mais sobre essa política?
ambientais relacionados às doenças ou a
Acesse o link: <http://bvsms.saude.gov.
outros agravos à saúde.
br/bvs/publicacoes/politica_nacional_
promocao_saude_3ed.pdf>.
1 Política Nacional de Promoção
da Saúde
A promoção da saúde é uma das
A Política Nacional de Promoção da estratégias utilizadas na área da saúde
Saúde (PNPS), aprovada pela Portaria para buscar a melhoria da qualidade
40/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
de vida da população. Firmada c) tabagismo;
pela PNPS, seu objetivo é conduzir d) álcool e outras drogas;
uma gestão compartilhada entre a
população, os movimentos sociais e e) acidentes de trânsito;
os trabalhadores de diversos setores f) cultura de paz; e
com autonomia e corresponsabilidade
g) desenvolvimento sustentável.
para promover a qualidade de vida e
reduzir vulnerabilidades e riscos à saúde A importância do saneamento e sua
relacionados aos seus determinantes e associação com a saúde humana é algo
condicionantes, tais como: estilo de vida, antigo. O saneamento desenvolveu-se
condições de trabalho e habitação, meio de acordo com a evolução das diversas
ambiente, educação, lazer, cultura e o civilizações, ora retrocedendo com a queda
acesso a bens e serviços essenciais. delas, ora renascendo com o aparecimento
de outras.
Para alcançar esse objetivo geral, a PNPS
está organizada nos seguintes eixos:
a) alimentação saudável;
b) práticas corporais/atividade física;

41/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade


Figura 6 – Condições insalubres e saúde exemplo o abastecimento de água, a rede
de esgotos, a limpeza pública e a coleta de
lixo.
No passado, a ausência ou ineficiência
de conhecimentos sobre saúde por parte
da população, relacionadas à educação
pública de baixa qualidade e à falta de
meios de divulgação de informações e
comunicação, impossibilitavam as ações de
saúde coletiva. Não é necessário retroceder
muito no tempo para se dar conta de que
Fonte: <http://www.ambientelegal.com.br/
o acesso a informações de qualidade era
wp-content/uploads/saneamento1.jpg> privilégio de uma parcela muito pequena
Vale lembrar que o saneamento básico da população, mesmo que já existisse uma
compreende um conjunto de medidas difusa preocupação com o meio ambiente,
que têm importância fundamental na a higiene básica e o saneamento, tanto no
conservação do meio ambiente e na Brasil como no mundo.
qualidade de vida da população, por
42/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
Relatos de 2000 a.C. revelam tradições causada pelo Acarus scabiei ou Sarcoptes
médicas com recomendações quanto à scabiei, popularmente conhecida por
água, que devia ser purificada pela fervura sarna). Também se notava que os poços
sobre o fogo, pelo aquecimento no sol, para abastecimento de água eram
submergir ferro em brasa dentro d’água ou mantidos tampados, limpos e longe de
ser purificada por filtração em areia e/ou possíveis fontes de contaminação.
cascalho. Posteriomente, na Roma Antiga, surgiram
Também encontramos referências a os primeiros sistemas de aquedutos
práticas sanitárias na Bíblia. Ainda que urbanos, os banhos públicos, as termas
não existisse um conhecimento científico e os esgotos romanos. Os aquedutos
sistematizado sobre a existência de romanos para abastecimento de água
microrganismo e os mecanismos de tinham extensões que variavam de 16
transmissão de doenças, os povos judeus a 80km e seção transversal de 0,65 a
utilizavam a água (o que não era comum) 4,65m2, provendo uma vazão de 221,9m3
para limpeza das roupas sujas quando de água. Essa estrutura era suficiente
havia suspeita de transmissão de doenças para abastecer uma cidade de 600.000
pela troca de peças de roupa, como a habitantes naquela época, tendo em vista
escabiose (doença de pele contagiosa, que as práticas sanitárias e os hábitos de
43/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
vida e higiene eram diferentes dos atuais. climáticas não são favoráveis).
Na Idade Média, por exemplo, o consumo A partir do último século, também
per capita de algumas cidades europeias começou-se a dispensar maior atenção
girava em torno de um litro de água por à proteção e ao controle da qualidade da
habitante/dia. água, desde sua captação até o consumo.
Nos últimos séculos, as mudanças nas Isso ocorre não somente pela descoberta
práticas sanitárias e os consensos sobre dos microrganismos patogênicos
a importância da água para a saúde (causadores de doenças) que a água pode
transformaram a qualidade de vida das armazenar e transmitir, mas também
pessoas, bem como o seu padrão de pela ocorrência de falta de água e seca
consumo de água. Ao mesmo tempo, com em determinadas regiões, tanto no Brasil
a crescente demanda por água e com como no mundo.
maior acesso da população a esse recurso,
hoje nos deparamos com padrões de
consumo abusivos, tanto pela população
em geral como pela indústria e agricultura,
resultando em desperdícios e situações
por vezes caóticas (quando as condições
44/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
Figura 7 – Padrão de consumo de água e o desperdício De acordo com o último censo, em 2010,
o Brasil possuía uma população de
190,7 milhões de habitantes, sendo que
84% desses viviam em áreas urbanas e
apenas 16% em áreas rurais. Do total de
habitantes, 83% dos habitantes tinham
acesso a uma rede de abastecimento
de água por meio de sistemas coletivos
(públicos). Esses números podem ser
maiores atualmente.
Por sua vez, estatísticas do Ministério
da Saúde revelam que um pouco mais
de 90% da população urbana brasileira
Fonte: <http://2.bp.blogspot.com/-XhY0CYECa8Y/
TyYD_EYwm4I/AAAAAAAAAAk/kleMYQgJBTY/
é abastecida com água potável, sendo
s1600/desperdicio_de_agua.jpg> que o déficit existente está localizado,
basicamente, nos bolsões de pobreza
(favelas e periferias das cidades) e nas
zonas rurais.
45/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
Segundo a Associação Brasileira de Além disso, o índice de perda é muito
Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) elevado, principalmente em função de
e o Instituto Brasileiro de Geografia e vazamentos e desperdícios.
Estatística (IBGE), ainda hoje persistem as Também persistem outros problemas,
más condições de moradia e a qualidade como o esgotamento sanitário. Em 1995,
ruim da água, o que mantém uma grande apenas 30% da população brasileira
parcela da população exposta ao risco. Em dispunham de uma rede coletora. Em 2015,
2015, foi estimado que mais de 35 milhões estima-se que 48,6% da população tinham
de brasileiros estavam sem acesso ao acesso à coleta de esgoto, ou seja, mais de
abastecimento de água tratada. 100 milhões de brasileiros não têm acesso
Observam-se problemas recorrentes em a este serviço.
relação ao saneamento devido ao não As deficiências na coleta de lixo e/ou
cumprimento dos padrões de potabilidade disposição inadequada é outro grande
da água distribuída e à ocorrência problema ambiental e de saúde pública.
de interrupções no abastecimento, É possível observar que uma quantidade
comprometendo a quantidade e a significativa de lixo é lançada ao céu aberto
qualidade da água distribuída à população. nas áreas urbanas ou despejada em rios,
córregos e lagos. Essa quantidade absurda
46/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
de lixo aliada à ineficiência dos serviços de drenagem urbana e escoamento das águas das chuvas
submetem diversos municípios a enchentes e inundações periódicas. Além disso, provocam
o acúmulo de água e, por consequência, problemas no controle de vetores, que provocam
frequuentes endemias, como a dengue, a chikungunya, a zika, a leptospirose, entre outras.
Figura 8 – Boas práticas no cuidado ambiental: a atuação da sociedade

Fonte: <http://www.anacosta.com.br/portals/0/dengue02.jpg>
47/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
2 Sistema de Informação de
Vigilância da Qualidade da
Água Para Consumo Humano
(SISÁGUA)
Para saber mais
Assista aos vídeos dos links abaixo e aprofunde O SISÁGUA foi estruturado visando
seus conhecimentos: fornecer informações sobre a qualidade da
<https://www.youtube.com/watch?v=-
água para consumo humano proveniente
J4hkDhz61kk>
dos sistemas públicos e privados e de
soluções alternativas de abastecimento.
<https://www.youtube.com/watch?v=sQX- Tem por objetivo coletar, transmitir e
2-5AO2ow> disseminar dados gerados rotineiramente
<https://www.youtube.com/watch?- para a produção de informações
v=WeNPB2wbb24> necessárias à vigilância da qualidade da
água destinada ao consumo humano.
É responsabilidade das Secretarias
Municipais e dos Estados, em cumprimento
à Portaria MS/GM no 518/2004, avaliar
48/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
a qualidade da água distribuída pelos
sistemas públicos de abastecimento e
definir estratégias para prevenir e controlar
Para saber mais
os processos de sua deterioração e a Assista aos vídeos dos links abaixo.
transmissão de enfermidades. 1 – <https://www.youtube.com/
A existência de um sistema público de watch?v=QsortC0vkUk>
abastecimento de água eficiente propicia 2 – <https://www.youtube.com/
conforto, bem-estar e segurança para a watch?v=MPqQCLDSvUg>
população urbana e o desenvolvimento
econômico, pois estimula a instalação 3 – <https://www.youtube.com/
de indústrias, o maior progresso das watch?v=HhWnwfpYYgg>
comunidades e do turismo. Esse sistema 4 – <https://www.youtube.com/
engloba as atividades de retirada da água watch?v=zy9PH4XyKPs>
das fontes naturais, a adequação de sua
qualidade (tratamento), o transporte até os 5 – <https://www.youtube.com/
aglomerados humanos e o fornecimento watch?v=8YsdaY6Q-10>
para a população e atividades da indústria 6 – <https://www.youtube.com/
e do comércio em quantidade compatível watch?v=P2ShcHsEGts>
com suas necessidades.
49/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade
O SISÁGUA é alimentado pelos técnicos
das Secretarias de Estado e Municipais
de Saúde, responsáveis pela vigilância da
qualidade da água destinada ao consumo
humano.

50/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade


Glossário
Saneamento: sanear quer dizer tornar são, sadio, saudável. Pode-se concluir, portanto, que
saneamento equivale à saúde.
Promoção de saúde: ações voltadas à educação em saúde, buscando melhoria e qualidade de
vida.
Risco ambiental: definido como a presença de uma atividade ou empreendimento humano
que possua impacto potencial de dano significativo, num local de considerável vulnerabilidade
natural.
Vulnerabilidade: estar em estado de fragilidade.

51/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade


?
Questão
para
reflexão

A Lei nº 8080, de 19 de setembro de 1990, apresenta os


princípios que fundamentam as ações do SUS. Essa lei regula,
em todo território nacional, as ações e serviços de saúde e
dispõe sobre as condições para a proteção e recuperação
da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços.
Analisando as ações de proteção à saúde, reflita, a partir do
conteúdo aprendido nesta aula, que ações de saneamento
ambiental falta na sua cidade.

52/231
Considerações Finais (1/2)

Saneamento é saúde, e o aprofundamento na compreensão dessa


relação é necessário para melhoria da qualidade e expectativa de vida
da população. No entanto, as relações entre esses dois setores públicos,
saneamento e saúde, carecem de uma aproximação mais estreita para
ampliar a eficácia de suas ações e reforçar a necessidade da aplicação de
modelos que visem eliminar ou diminuir o impacto de contaminantes no
ambiente.
A preocupação com a água, por exemplo, é um dos pontos cruciais nas
atividades de saneamento ambiental. Não apenas na perspectiva da
qualidade, mas também de educação ambiental, estimulando que a
população tenha responsabilidade para um consumo consciente. Isso
porque, embora o planeta seja composto de cerca de 70% por água, a
água é um recurso esgotável, pois apenas 2,5% são constituídos por
água doce.

53/231
Considerações Finais (2/2)
O desafio está em percebermos o poder que a população tem em cuidar
e administrar o meio ambiente; o gesto de cada um gera benefícios ou
prejuízos para todo o planeta.

54/231
Para saber mais
Quer saber mais sobre o tema? Assista aos vídeos
indicados nos links abaixo:

<https://www.youtube.com/
watch?v=GlPlFYvmXWo>

<https://www.youtube.com/
watch?v=ux5WCKjPZlA>

<https://www.youtube.com/
watch?v=Gmt3rodAvo0>

<https://www.youtube.com/
watch?v=Pn4Lm1pswTA>

55/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade


Referências

LEGGE, D. Health in the post-2015 development agenda. Third World Resurgence, Penang,
Malaysia, n. 283/284, p. 45-48, 2014.
UNITED NATIONS. The Millennium Development Goals report. Disponível em: <http://www.un.org/
millenniumgoals/2014%20MDG%20report/MDG%202014%20English%20web.pdf>. Acesso em:
01 out. 2015.

56/231 Unidade 2 • Saneamento. A Importância da Água Para a Humanidade


Assista a suas aulas

Aula 2 - Tema: A Importância da Água - Bloco I Aula 2 - Tema: A Importância da Água - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
1d/17a2b7e33cf05b341399ae0950724678>. 1d/8a8adbd4d555fd048d09fa28509c37de>.

57/231
Questão 1
1. Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) sobre as questões dos sistemas
públicos de abastecimento de água e sua importância social, econômica e
sanitária:

( ) Os sistemas públicos de abastecimento de água também têm a função de controlar e


prevenir doenças.
( ) Esse sistema não aumenta a vida média da população, apesar de reduzir a taxa de
mortalidade infantil.
( ) Os sistemas públicos de abastecimento de água não possuem nenhuma relação com a
limpeza pública.
( ) Esses sistemas podem ser instalados tanto para pequenas como grandes povoações, na
zona rural ou urbana.

58/231
Questão 1
Selecione a alternativa correta:
a) a) V, V, V, F.
b) b) V, F, F, V.
c) c) F, F, F, V.
d) d) V, F, V, F.
e) e) F, F, F, F.

59/231
Questão 2
2. Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) sobre as questões:

( ) Esses sistemas propiciam desenvolvimento econômico, pois facilitam a instalação de


indústrias, e o maior progresso das comunidades e do turismo, em geral.
( ) Esse sistema engloba a retirada da água da natureza, a adequação de sua qualidade
(tratamento), o transporte até os aglomerados humanos e o fornecimento às população em
quantidade compatível com suas necessidades.
( ) O abastecimento público de água propicia conforto, bem-estar e segurança para a
população urbana.
Selecione a alternativa correta que corresponde a sequência de V e F indicada nos parênteses
acima.
a) V, F, V.
b) F, F, F.
c) V, V, V.
d) V, F, F.
e) F, V, V.
60/231
Questão 3
3. O SISÁgua foi estruturado visando:

a) fornecer informações sobre a qualidade da água para consumo humano;


b) prover os sistemas públicos, especificamente na questão do abastecimento;
c) garantir o controle de inspeção do saneamento básico;
d) controlar os indicadores de abastecimento de água;
e) direcionar água e esgoto canalizados para os meios de manejo.

61/231
Questão 4
4. Em relação aos problemas de saneamento, pode-se destacar:

a) A coleta e a disposição adequada do lixo urbano.


b) Não enfrentamos mais problemas relacionados ao lixo lançado a céu aberto.
c) A falta de área de drenagem urbana, submetendo diversos municípios a periódicas
enchentes e inundações.
d) O saneamento básico, ao longo dos anos, possibilitou a erradicação total de vetores que
transmite doenças, tanto para o homem como para os animais.
e) Endemias como dengue e leptospirose não são caracterizadas como relevantes em relação
ao saneamento.

62/231
Questão 5
5. A promoção da saúde é uma das estratégias utilizadas na área da saúde
para buscar a melhoria da qualidade de vida da população. Qual o objetivo
firmado pela Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS)?

a) Promover a qualidade de vida e reduzir vulnerabilidades e riscos à saúde relacionados aos


seus determinantes e condicionantes.
b) Conduzir uma gestão centralizada no governo federal e nas instâncias superiores, a fim de
manter a responsabilidade em órgãos oficiais e garantir maior eficácia.
c) Promover programas que visam medidas de tratamento e reabilitação de pessoas
infectadas por doenças transmitidas por vetores.
d) Possibilitar que todos os cidadãos tenham acesso à água, pois, independente da forma
como é realizada a distribuição de água, ter acesso a esse recurso produz saúde.
e) Corrigir problemas de saúde relacionados às doenças e agravos transmissíveis com vistas
ao combate massivo aos vetores de doenças endêmicas.

63/231
Gabarito
1. Resposta: B. a instalação de indústrias, e o maior
progresso das comunidades e do turismo,
V, F, F, V. Os sistemas públicos de em geral, além de englobar a retirada da
abastecimento de água também têm a água da natureza, a adequação de sua
função de controlar e prevenir doenças. qualidade (tratamento), o transporte até os
Esse sistema aumenta a vida média da aglomerados humanos e o fornecimento
população, apesar de reduzir a taxa de à população em quantidade compatível
mortalidade infantil. Os sistemas públicos com suas necessidades. O abastecimento
de abastecimento de água não possuem público de água propicia conforto, bem-
nenhuma relação com a limpeza pública. estar e segurança para a população urbana.
Esses sistemas podem ser instalados tanto
para pequenas como grandes povoações,
3. Resposta: A.
na zona rural ou urbana.
O SISÁGUA foi estruturado visando
2. Resposta: C. fornecer informações sobre a qualidade da
água para consumo humano proveniente
V, V, V. Os sistemas públicos de
dos sistemas públicos e privados e de
abastecimento de água propiciam
soluções alternativas de abastecimento.
desenvolvimento econômico, pois facilitam
64/231
Gabarito
4. Resposta: C. com autonomia e corresponsabilidade
para promover a qualidade de vida e
As deficiências na coleta e a disposição reduzir vulnerabilidades e riscos à saúde
inadequada do lixo, que ainda é lançado relacionados aos seus determinantes e
a céu aberto na maioria das cidades, é condicionantes.
outro grande problema ambiental e de
saúde pública; outra questão é a falta de
área de drenagem urbana, submetendo
diversos municípios a periódicas enchentes
e inundações, além de problemas na
área de controle de vetores, os quais vêm
provocando a ocorrências frequentes de
endemias como dengue, leptospirose.

5. Resposta: A.

Conduzir uma gestão compartilhada


entre a população, os movimentos sociais
e os trabalhadores de diversos setores
65/231
Unidade 3
Saneamento Básico e Saúde

Objetivos

1. Entender o que é saneamento básico;


e
2. fazer uma análise sobre saneamento
básico e saúde por meio de
indicadores.

66/231
Introdução

A saúde que o saneamento proporciona negativas causadas por atividades


difere daquela que se procura nos econômicas, incluindo-se entre as formas
hospitais. Para esses estabelecimentos, de corrigir tais perdas a internalização dos
são encaminhadas as pessoas que custos da degradação nas estruturas de
já estão efetivamente doentes ou, produção e consumo.
no mínimo, presumem que estejam,
enquanto o saneamento busca promover 1 Saneamento e Promoção à
a saúde pública preventiva, reduzindo a Saúde
necessidade de procura aos hospitais e
postos de saúde, porque elimina a chance O conceito de Promoção de Saúde proposto
de contágio por diversas moléstias. Isso pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
significa dizer que, onde há saneamento, desde a Conferência de Ottawa, em 1986, é
são maiores as possibilidades de uma vida visto como o princípio orientador das ações
mais saudável e os índices de mortalidade de saúde em todo o mundo. Assim sendo,
– principalmente infantil – permanecem parte- se do pressuposto de que um dos
nos mais baixos patamares. mais importantes fatores determinantes da
saúde são as condições ambientais.
Perdas de bem-estar social podem ser
geradas por externalidades ambientais
67/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde
Hoje, além das ações de prevenção intrinsecamente relacionada com o meio
e assistência, considera-se cada vez ambiente. Um exemplo disso é a diarreia
mais importante atuar sobre os fatores que, com mais de quatro bilhões de casos
determinantes da saúde. É esse o propósito por ano, é uma das doenças que mais
da promoção da saúde, que constitui aflige a humanidade (causa de 30% das
o elemento principal das propostas da mortes de crianças com menos de um ano
Organização Mundial de Saúde e da de idade). Entre as causas dessa doença,
Organização Pan-Americana de Saúde destacam-se as condições inadequadas de
(Opas). saneamento.
A utilização do saneamento como Mais de um bilhão dos habitantes da Terra
instrumento de promoção da saúde não têm acesso à habitação segura e a
pressupõe a superação dos entraves serviços básicos, embora todo ser humano
tecnológicos políticos e gerenciais que têm tenha direito a uma vida saudável e
dificultado a extensão dos benefícios aos produtiva, em harmonia com a natureza.
residentes em áreas rurais, municípios e Investir em saneamento é a única forma
localidades de pequeno porte. de se reverter a prevalência de doenças
A maioria dos problemas sanitários decorrentes da precariedade dele. Dados
que afetam a população mundial está divulgados pelo Ministério da Saúde
68/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde
afirmam que, para cada R$1,00 investido Para isso, é necessário que se construa um
no setor de saneamento, economizam- novo modelo de desenvolvimento em que
se R$ 4,00 na área de medicina curativa. se harmonizem a melhoria da qualidade de
Entretanto, é preciso que se veja o outro vida das suas populações, a preservação
lado da moeda, pois o homem não pode ver do meio ambiente e a busca de soluções
a natureza como uma fonte inesgotável de criativas para atender aos anseios de seus
recursos, que pode ser depredada em ritmo cidadãos de ter acesso a certos confortos
ascendente para bancar necessidades de da sociedade moderna.
consumo que poderiam ser atendidas de
maneira racional, evitando a devastação
da fauna, da flora, da água e de fontes
preciosas de matérias-primas.
Pode-se construir um mundo em que
o homem aprenda a conviver com
seu hábitat numa relação harmônica
e equilibrada, que permita garantir
alimentos a todos sem transformar as
áreas agricultáveis em futuros desertos.
69/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde
Figura 9 – Reduzir, Reutilizar e Reciclar: medidas
para sustentabilidade e proteção ambiental 2 Saneamento, Saúde e
Desigualdades Sociais

A ocorrência e distribuição de doenças,


agravos e mortes se relacionam às
condições de vida e ao modelo de
desenvolvimento das populações, ou seja,
é o resultado da interação de diversos
fatores interdependentes, como os modos
de produção econômica e de reprodução
humana de uma população que, em sua
interação, determinam sua estrutura
econômica e demográfica (fertilidade,
Fonte: <http://sustentabilidade.esobre.com/wp- mortalidade e migração). Além disso,
content/uploads/2012/07/protecao-ambiental.jpg>
fatores ambientais e socioculturais
devem ser considerados, não sendo
possível, portanto, separar o nível de

70/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


morbimortalidade da estrutura e de sua relação com fatores históricos, socioeconômicos,
demográficos e ambientais.
A diversidade de doenças e problemas de saúde que compõem o atual cenário de saúde
brasileiro caracteriza a complexidade da situação, pois engloba uma multiplicidade de fatores
determinantes, perfis e fatores de risco, doenças e agravos que afetam os distintos grupos
populacionais, de diferentes maneiras.
Figura 10 – Desigualdades sociais pelo mundo e as desigualdades de acesso às condições mínimas de saúde

Fonte: <http://n.i.uol.com.br/noticia/2011/03/31/refugiados-da-costa-do-marfim-permanecem-
dias-ou-mesmo-semanas-em-aldeias-da-liberia-1301615273617_615x300.jpg>
71/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde
O saneamento básico é fundamental na do saneamento a drenagem das águas
prevenção de doenças. A conservação da das chuvas, prevenção de enchentes e
limpeza dos ambientes, evitando resíduos cuidados com as águas subterrâneas.
sólidos em locais inadequados, condições
adequadas de higiene e hábitos de vida
auxiliam na mitigação e/ou redução da
Para saber mais
proliferação de vetores de doenças. Assista aos vídeos nos links abaixo.

Saneamento significa higiene e limpeza; <https://www.youtube.com/watch?v=_6-


dentre as atividades de saneamento, 4cgx3BR4>
cabem a coleta e o tratamento de resíduos <https://www.youtube.com/
das atividades humanas tanto sólidos watch?v=Ie4A1oUF4l8>
quanto líquidos (lixo e esgoto), prevenir
<https://www.youtube.com/
a poluição das águas de rios, mares e
watch?v=KujlJMZBKV8>
outros mananciais, garantir a qualidade
da água utilizada pelas populações para
consumo, bem como seu fornecimento de Nesse contexto, observa-se a necessidade
qualidade, além do controle de vetores. do conhecimento mais aprofundado
Incluem-se ainda no campo de atuação da situação de saúde, que engloba

72/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


o conhecimento das características e tem por objetivo a identificação dos
demográficas e sociais do estado de problemas e a orientação para ajustar
saúde da população, bem como da e redirecionar políticas e programas
organização dos serviços de saúde, a de saúde para minimizar ou resolver os
fim de proporcionar uma visão global da problemas existentes.
situação de saúde da população. Para Figura 11 – Desigualdades sociais e os desafios
tanto, a epidemiologia é uma ferramenta para o acesso universal à saúde

importante, contribuindo para a realização


do diagnóstico de saúde, detectando
a presença, natureza e distribuição
dos danos à saúde relevantes para o
planejamento das ações de saúde.
A análise da situação de saúde consiste
no processo de identificação, formulação,
priorização e explicação de problemas de
saúde da população de um determinado
Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/_
território, destacando a dimensão e a tLKRvf6cMuU/THh6KZAz__I/AAAAAAAAACM/
distribuição das desigualdades em saúde, hkwK2-2Lu7o/S1600-R/as.jpg>

73/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


3 Saneamento Básico e Os indicadores de saúde são instrumentos
Indicadores De Saúde de mensuração da realidade, fundamentais
para o planejamento, sendo que a
Para analisar a situação de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS)
população, é necessário explorar, em propôs o monitoramento constante
sua máxima potencialidade, os dados sob as condições de saneamento,
originados dos sistemas nacionais de habitação, escolaridade, entendidas como
informações em saúde – Sistema de Determinantes Sociais da Saúde (DSSs),
Informação sobre Mortalidade (SIM), visto que as características sociais e
Sistema de Informação sobre Nascidos econômicas refletem no tipo de agravo que
Vivos (Sinasc), Sinan (Sistema de aquela população terá, sendo essenciais à
Informação de Agravos de Notificação), promoção de saúde.
além das pesquisas populacionais Indicador é uma medida objetiva e definida
nacionais em saúde (Vigitel, VIVA, PENSE, daquilo que se pretende conhecer. Permite,
Suplemento de Saúde da PNAD 2008, entre por meio de seus resultados, evidenciar
outras) e demais bases de dados por meio problemas e facilitar o encontro de
de indicadores, produzidos nos serviços e soluções às situações encontradas; são
para os serviços de saúde. variáveis que medem quantitativamente as
74/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde
mudanças no comportamento dos critérios O indicador traz os resultados alcançados
de qualidade previamente estabelecidos. e as metas trazem os resultados almejados.
Devem permitir a comparação: em Por esse motivo, eles são ferramentas
diferentes tempos, no mesmo local e/ou de apoio no processo de auditoria da
em diferentes locais, no mesmo período de qualidade, pois é através deles que
tempo. o auditor identifica a performance
Quando mencionamos o termo medidas profissional e institucional.
quantitativas, é importante ressaltar Os indicadores são ferramentas
que servem como um guia de avaliação importantes na gestão da qualidade,
da qualidade dos cuidados importantes pois permitem mensurar e avaliar o
ao paciente. Essas medidas servem de desempenho de determinado serviço,
sinalizadores, pontuando problemas atividade, profissional, dentre outros
específicos através de números, que são aspectos.
dados reais, possibilitando as propostas Um bom indicador deve contemplar:
de ações quando esses números são
caracterizados como pontos a serem a) identificador, nome indicador;
melhorados. b) descrição;

75/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


c) unidade de medida; e inconsistências, o armazenamento,
d) critério/fórmula de cálculo; a manutenção, a recuperação e a
disponibilização dos dados. Além disso,
e) frequência de cálculo; alguns critérios podem ser adotados para o
f) responsável; uso coerente e adequado dos dados, como:
g) fontes dos dados – coleta de dados: a) disponibilidade: dados existem;
registros devem ser padronizados; b) confiabilidade: dados são fidedignos;
h) lista de destinatários; c) validade: função do fenômeno
i) valor atual; medido;

j) valores anteriores; e d) simplicidade: facilidade de obtenção


e entendimento;
k) objetivo final a atingir.
e) discriminatoriedade: permite
Outras questões na sua formulação comparar diferentes realidades;
também devem ser contempladas. O
f) densibilidade: detecta as variações
processamento dos dados deve contemplar
de comportamento do fenômeno ao
a recepção, a codificação, tabulação,
longo do tempo. Exemplo: infecção
os cálculos básicos, o controle de erros
hospitalar;
76/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde
g) abrangência: síntese de várias
condições. Exemplo: permanência
hospitalar;
h) utilidade: deve apoiar a tomada de
decisão e sinalizar situações que
possam ser alteradas; e
i) critérios éticos: a produção e
disseminação de informações deve
manter o sigilo ético sobre os dados
obtidos, evitando-se a divulgação de
informações e nomes que possam
expor pessoas/instituições; tratar
apenas as informações demandadas.

77/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


Glossário
Saúde: é considerado um estado de completo bem-estar físico, mental e social que engloba
vários determinantes, inclusive o acesso ao lazer, aos esportes, à cultura e à habitação. Nesse
sentido, os problemas sanitários não podem ser observados apenas por meio da relação direta
com o estado de saúde/doença da população. O saneamento ambiental é mais um desses
fatores determinantes, que age e interage com os demais para determinar as condições de
saúde da população.
Condições ambientais: são fatores que influenciam a saúde da população.
Prevenção em Saúde: conjunto de ações que visa reduzir e/ou mitigar o risco de doenças/
agravos de saúde individual ou coletiva.

78/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


?
Questão
para
reflexão

A necessidade de proteger a natureza e de preservar


o equilíbrio ecológico tornou-se imprescindível para
a manutenção da vida; não há como pensar em saúde
sem pensar no meio ambiente. Refletindo que saúde
e meio ambiente são direitos e deveres do homem,
sendo que o saneamento básico é um deles, analise
a partir da aula, quais aspectos relacionados ao
saneamento básico a sociedade deve prover.

79/231
Considerações Finais

É inegável a importância dos serviços de saneamento básico, tanto na


prevenção de doenças quanto na preservação do meio ambiente. A
incorporação de aspectos ambientais nas ações de saneamento representa
um avanço significativo, mas ainda é preciso criar condições para que
os serviços de saneamento sejam implementados em maior escala e
estejam acessíveis a todos. O direito do cidadão ao acesso aos serviços de
saneamento é denominado universalização dos serviços, princípio maior do
marco regulatório do saneamento básico no Brasil, Lei 11.445/2007.
É necessário que se estabeleça um equilíbrio entre os aspectos ecológicos,
econômicos e sociais, de tal forma que as necessidades materiais básicas de
cada indivíduo possam ser satisfeitas, sem consumismo ou desperdícios, e
que todos tenham oportunidades iguais de desenvolvimento de seus próprios
potenciais e tenham consciência de sua corresponsabilidade na preservação
dos recursos naturais e na prevenção de doenças.

80/231
Referências

ARAÚJO, Ubiracy. Notas sobre a política nacional do meio ambiente. Revista de Direito Ambiental,
São Paulo, Revista dos Tribunais, ano 2, n. 7, p. 119–131, jul./set. 1997.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 8. ed. São Paulo: Malheiros Editores
Ltda, 1999.
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Municipal Brasileiro. 14. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2006.
­­­
MILARÉ, Edis. Direito do ambiente. A Gestão Ambiental em foco. Doutrina. Jurisprudência.
Glossário. 5.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007.
MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 4. ed. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2005.
PIOVESAN, Flávia. Temas de Direitos Humanos. São Paulo: Max Limonad, 1998.
REIS, Jorge Renato dos; LEAL, Rogério Gesta (Org.). Direitos Sociais e Políticas Públicas desafios
contemporâneos. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2006.
RIBEIRO, Ana Cândido de Paula; CAMPOS, Arruda. O desenvolvimento sustentável como diretriz
da atividade econômica. Revista de Direito Ambiental, São Paulo, Revista dos Tribunais, ano 7, n.
26, p. 77-91, abr./jun. 2002.

81/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


RODRIGUES, Marcelo Abelha. Elementos de direito ambiental: parte geral. 2. ed. rev., atual. e
ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005.
RODRIGUES, José Eduardo Ramos; SALLES, Cíntia Philippi; JR, Arlindo Philippi. Agenda 21 –
Estágio do compromisso brasileiro para o desenvolvimento sustentável do país. Revista de
Direito Ambiental, São Paulo, Revista dos Tribunais, ano 6, n. 23, p. 283-299, jul./set. 2001.

82/231 Unidade 3 • Saneamento Básico e Saúde


Assista a suas aulas

Aula 3 - Tema: Saneamento Básico - Bloco I Aula 3 - Tema: Saneamento Básico - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
f3450a983c401b068021633b7b0f9c4b>. c505eb3cbf5be36781d26bb6e1a592ad>.

83/231
Questão 1
1. Com relação à Política Nacional do Meio Ambiente, assinale verdadeiro
(V) ou falso (F):

“Perdas de bem-estar social podem ser geradas por externalidades ambientais negativas
causadas por atividades econômicas, incluindo-se entre as formas de corrigir tais perdas a
internalização dos custos da degradação nas estruturas de produção e consumo”.
( ) Verdadeiro
( ) Falso

84/231
Questão 2
2. O saneamento pode ser instrumento de promoção da saúde devido a:

a) pressupor a igualdade de diretitos;


b) pressupor questões políticas e gerenciais para benefícios sanitários;
c) pressupor políticas de saúde coletiva;
d) pressupor a superação dos entraves que têm dificultado a extensão dos benefícios a todos;
e) pressupor o aumento na quantidade de entraves tecnológicos para com isso melhorar os
benefícios em áreas rurais.

85/231
Questão 3
3. Um bom Indicador deve contemplar:

a) simplicidade; fidedignidade; pontualidade; dados; fórmulas; conversão; valores externos e


internos e unidades de medida;
b) identificador, nome indicador; descrição; unidade de medida; critério/fórmula de cálculo;
frequência de cálculo; responsável; fontes dos dados; lista de destinatários; valor atual;
valores anteriores; e objetivo final a atingir;
c) critério/fórmula de cálculo; nome; texto; formula; destinatário; objetivo secundário;
conversão; análise; nível de complexidade; características definidoras; valores reais e
virtuais; números de casos; e hipótese;
d) identificador; nome indicador; simplicidade; dados de valor interno; números de ocorrência
e frequência; responsável; lista de destinatários; valor atual; valores anteriores; e objetivo
final a atingir;
e) coleta de dados; registros; análise; categorização; confiabilidade; ocasião; nível de
complexidade; e ferramentas.

86/231
Questão 4
4. Dentre as questões de formulação de indicadores, também devem ser
contemplados:

a) recepção, codificação, tabulação, cálculos básicos, controle de erros e inconsistências,


armazenamento, manutenção, recuperação e a disponibilização dos dados;
b) nome, recepção, tabulação, cálculos básicos, controle de erros e inconsistências,
armazenamento, recuperação e a disponibilização dos dados.
c) tabulação, numeração, cálculos básicos, armazenamento, manutenção, recuperação e a
disponibilização dos dados;
d) recepção, codificação, tabulação, cálculos básicos, controle de erros e inconsistências,
disponibilização dos dados, simplicidade, naturalidade;
e) recepção, codificação, tabulação, manutenção, recuperação e a disponibilização dos
dados, disseminação.

87/231
Questão 5
5. A análise da situação de saúde consiste:

a) no processo de investigação e vistoria;


b) no processo de observação, interrogatório, formulação;
c) na orientação de ajustes sanitários para provimento de água e esgoto tratados e
adequação da captação de água e nascentes não contaminadas;
d) na orientação de direcionamento de programas de saúde coletiva com vistas à divulgação
de resultados e as propostas de melhoria para a próxima década;
e) no processo de identificação, formulação, priorização e explicação de problemas de saúde
da população de um determinado território.

88/231
Gabarito
1. Resposta: Verdadeiro. 3. Resposta: B.
Com relação à Política Nacional do Meio Um bom indicador deve contemplar:
Ambiente, as perdas de bem-estar social identificador, nome indicador; descrição;
podem ser geradas por externalidades unidade de medida; critério/fórmula de
ambientais negativas causadas por cálculo; frequência de cálculo; responsável;
atividades econômicas, incluindo-se fontes dos dados – coleta de dados:
entre as formas de corrigir tais perdas a registros devem ser padronizados; lista
internalização dos custos da degradação de destinatários; valor atual; valores
nas estruturas de produção e consumo. anteriores; objetivo final a atingir.

2. Resposta: D.
4. Resposta: A.
A utilização do saneamento como
instrumento de promoção da saúde Na formulação, também devem ser
pressupõe a superação dos entraves contempladas: Processamento dos dados:
tecnológicos políticos e gerenciais que têm deve contemplar a recepção, codificação,
dificultado a extensão dos benefícios aos tabulação, cálculos básicos, controle de
residentes em áreas rurais, municípios e erros e inconsistências, armazenamento,
localidades de pequeno porte.
89/231
Gabarito
manutenção, recuperação e a
disponibilização dos dados.

5. Resposta: E.

A análise da situação de saúde consiste


no processo de identificação, formulação,
priorização e explicação de problemas de
saúde da população de um determinado
território, destacando a dimensão e a
distribuição das desigualdades em saúde
e tem por objetivo a identificação dos
problemas e a orientação para ajustar
e redirecionar políticas e programas
de saúde para minimizar ou resolver os
problemas existentes.

90/231
Unidade 4
Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais

Objetivos

1. Apresentar as principais doenças


relacionadas às más condições de
saneamento; e
2. análisar os riscos oferecidos pelo
ambiente, contribuindo para a
qualidade de vida e bem-estar.

91/231
Introdução

Quando pensamos em doença, é Os impactos do ambiente sobre a saúde


necessário que se defina o caso para a humana são os riscos tradicionais
uniformização do conceito, com o objetivo associados ao subdesenvolvimento,
de possibilitar a comparação entre sua como falta de acesso à água potável,
ocorrência em diferentes áreas geográficas saneamento inadequado das habitações
e épocas. e comunidade, destino inadequado de
Cuidar desse aspecto é importante resíduos sólidos, acidentes ocupacionais
para as questões sociais e econômicas. etc. E também os riscos modernos
O saneamento adequado diminui os associados ao desenvolvimento não
custos para a sociedade em geral, por sustentável, como poluição urbana,
exemplo, diminuição do número de leitos poluição industrial, geração de resíduos
hospitalares (taxa de ocupação reduzida sólidos perigosos, riscos químicos e
para esse tipo de patologia), menor radioativos, desflorestamento, degradação
índice de faltas no trabalho, aumento do solo, mudanças climáticas.
da qualidade de vida em geral, menores Por isso, cabe um adequado sistema
gastos com remediação de passivos de abastecimento público de água,
ambientais. que nada mais é que um conjunto de
obras, instalações e serviços, destinados
92/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
a produzir e distribuir água a uma hidrográfica, principalmente das
comunidade, em quantidade e qualidade formas de uso e ocupação do solo, e
compatíveis com as necessidades das características naturais da região,
da população, para fins de consumo trazendo fatores de riscos associados
doméstico, serviços públicos, consumo ao abastecimento de água (riscos
industrial e outros usos, dentre eles o uso relacionados com a ingestão de água
múltiplo dos recursos hídricos em função contaminada por agentes biológicos
de cada uso para o qual se destina o (bactérias, vírus, e parasitos), pelo contato
recurso hídrico, tendo sempre os requisitos direto, ou por meio de insetos vetores que
de qualidade necessários para evitar necessitam da água em seu ciclo biológico,
patologias. e riscos derivados de poluentes químicos
Portanto, quando falamos de doenças e radioativos, geralmente efluentes de
relacionadas à precariedade do esgotos industriais, ou causados por
saneamento ambiental, cabe destacar acidentes ambientais).
a qualidade da água em uma bacia A definição de “caso” ideal é aquela que
hidrográfica, por exemplo, pois é o é sensível, suficientemente, para não
resultado da superposição dos cenários perder qualquer ocorrência, e específica o
distintos que ocorrem em uma bacia bastante para não permitir que casos falso-
93/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
positivos permaneçam no sistema. Eles capacidade de identificar um alerta
podem ser assim classificados em casos epidemiológico – em função do nível
suspeitos, confirmados e descartado (leia de desenvolvimento do sistema local
mais no glossário). de vigilância em saúde pública (quando
Refletindo sobre as doenças sob as más investigar?); e 2 – sua capacidade de
condições de saneamento ambiental, resposta epidemiológica, em função do
cabe destacar a importância sobre a nível de organização da equipe local para
investigação de surtos e epidemias. A aplicar uma abordagem sistemática do
investigação de um surto em curso é, em problema (como investigar?).
geral, um trabalho que demanda uma É importante que qualquer suspeita surgida
atuação rápida e uma resposta correta da em nível local, relacionada a possível
equipe local de saúde, a fim de mitigar e ocorrência de um surto na comunidade,
suprimir oportunamente os efeitos dele deva ser comunicada sem atraso ao
sobre a população. nível sanitário imediatamente superior,
A capacidade local de atuar perante um seja o nível local de vigilância em saúde
surto, incluindo a investigação dele, está pública ou o próprio nível intermediário
relacionada diretamente a dois aspectos do sistema de saúde. Tal precaução se
gerais da equipe local de saúde: 1 – sua justifica diante do risco para a saúde da
94/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
comunidade, ou seja, a comunicação de 1 Conglomerados, Surtos e
um surto é importante pelas seguintes Epidemias
questões: a) o possível surto diante do
qual nos encontramos pode ser a primeira Um aspecto fundamental para a
manifestação de uma epidemia de investigação epidemiológica de campo
amplas dimensões que pode superar o é a adoção de conceitos e definições
nível local; b) o possível surto diante do padronizadas que possibilitem a
qual nos encontramos pode ser a primeira abordagem sistemática dos problemas
manifestação de um surto que está
de saúde inesperados na população.
efetivamente ocorrendo em outro lugar;
Os termos “conglomerado”, “surto”
c) é possível que medidas de controle
e “epidemia”, entre outros, têm
para tal surto já estejam disponíveis em
habitualmente conotações diversas,
instâncias superiores e seja necessária
a implementação de tais medidas nessa principalmente quando são empregados
comunidade (que comunicou o surto); fora do âmbito técnico. Em epidemiologia,
e d) é possível receber assessoramento contudo, é importante fazer a diferença
epidemiológico dos níveis superiores, entre eles. Essa diferença tem a ver,
incluindo recursos para a investigação basicamente, com sua posição relativa
epidemiológica de campo. em uma escala hierárquica de magnitude

95/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


populacional do problema. Assim, esses mais precoce de identificar um surto.
três termos estão associados à transmissão Na prática, a busca de conglomerados,
da doença na população, ao tempo de usualmente a partir de rumores locais,
evolução do problema e também ao tipo de pode ser uma forma de vigiar a ocorrência
evidência geradora. Eles também orientam de possíveis surtos subsequentes na
a magnitude da resposta, em investigação população.
e controle, diante do problema. Um surto é uma situação epidêmica
Um conglomerado é um agrupamento limitada a um espaço localizado. Como
de casos de um evento relativamente situação epidêmica, portanto, um surto
pouco comum em um espaço ou um é o aparecimento súbito e representa um
tempo definidos em uma quantidade aumento não esperado na incidência de
que se acredita ou se supõe ser maior uma doença. Como situação limitada,
a que caberia esperar aleatoriamente. um surto implica a ocorrência num
Teoricamente, um conglomerado (espacial espaço especificamente localizado e
ou temporal) poderia ser a expressão inicial geograficamente restrito, como, por
de um surto e, portanto, a identificação exemplo, uma comunidade, um povoado,
de um conglomerado, após a respectiva um barco, uma instituição fechada (escola,
confirmação dos casos, seria a maneira hospital, quartel, mosteiro).
96/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
Um surto baseia-se em evidência Uma epidemia é, essencialmente, um
sistematicamente coletada, em geral a problema de saúde pública, de grande
partir dos dados de vigilância em saúde escala, relacionado à ocorrência e
pública e eventualmente seguida de propagação de uma doença ou evento de
uma investigação epidemiológica que saúde claramente superior à expectativa
sugere uma relação causal comum entre normal e que usualmente transcende
os casos. Em teoria, um surto seria a os limites geográficos e populacionais
expressão inicial de uma epidemia e, próprios de um surto. Em geral, uma
portanto, a identificação oportuna de um epidemia pode ser considerada como
surto seria a maneira mais precoce de a agregação simultânea de múltiplos
prevenir uma epidemia subsequente. Na surtos em uma ampla zona geográfica e
prática, a identificação de surtos é uma usualmente implica a ocorrência de um
atividade básica dos sistemas de vigilância grande número de casos novos em pouco
e a investigação de surtos, um requisito tempo, claramente maior do que o número
importante para a implementação esperado. Todavia, pela sua conotação de
de medidas de prevenção e controle “situação de crise”, em função das metas
oportunas e efetivas no nível local. e dos objetivos em saúde pública, uma
epidemia não necessariamente é definida

97/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


por um grande número de casos. Por exemplo, no cenário de erradicação da poliomielite aguda
por poliovírus selvagem nas Américas, a ocorrência de um só caso confirmado define-se como
epidemia.
Figura 12 – Epidemias: doenças reemergentes assustam, causam pânico e morte

Fonte: <http://noticias.r7.com/blogs/portugues-de-brasileiro/files/2014/11/EPIDEMIA3.jpg>

O número de casos que indicam a presença de uma epidemia varia conforme o agente, o
tamanho e o tipo de população exposta, sua experiência prévia ou ausência de exposição à
doença, e o lugar e tempo de ocorrência.
98/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
Os conceitos de conglomerado, surto e doença é atribuído à existência de um
epidemia têm em comum a descrição de conjunto de causas comuns entre os casos,
uma alteração do comportamento de uma e não a outra razão (daí a necessidade de
doença na população, ou seja, são gerados investigar um surto). É importante destacar
por comparação entre o observado e isso, posto que é possível observar um
o esperado: a incidência observada de aumento da incidência, maior do que a
uma doença é maior do que a incidência esperada, sem que estejamos diante de
esperada dessa doença em um lugar e uma situação epidêmica.
tempo específicos. O aumento da incidência de uma doença
pode ocorrer por mudanças súbitas em
LEMBRE-SE... seu numerador ou seu denominador. Por
exemplo, mudanças na definição de caso,
Um aspecto fundamental nessa
nos procedimentos de notificação, no tipo
característica comum é que tal alteração
de vigilância (principalmente quando se
do comportamento da doença inesperada
decide passar de um sistema de vigilância
refere-se implicitamente a um aumento
passiva a um de vigilância ativa), ou no
na transmissão da doença, ou seja, que
acesso aos serviços de saúde ou melhoras
o aumento observado da incidência da
nos procedimentos diagnósticos, podem
99/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
provocar um “excesso” súbito de casos. imediatamente, após a notificação.
Outro aspecto-chave a ser considerado Seus objetivos principais são:
diante de possíveis situações epidêmicas
é que tal alteração do comportamento a) Identificar fonte e modo de
observado da incidência de doença não se transmissão.
refere exclusivamente à frequência dela, b) Identificar grupos expostos a maior
mas também à sua distribuição. risco.
Prestar atenção somente ao número total c) Identificar fatores determinantes.
de casos observados ou incidência geral
d) Confirmar o diagnóstico.
observada na população e constatar que
se encontra nos limites esperados pode ser e) Determinar as principais
insuficiente para garantir que não se está características epidemiológicas.
diante de um surto. O seu propósito final é orientar medidas de
Assim, a investigação de surtos e controle e impedir a ocorrência de novos
epidemias é um trabalho de campo casos.
realizado a partir de casos notificados A investigação epidemiológica deve ser
(clinicamente declarados ou suspeitos) e realizada para esclarecimento de casos,
de seus contatos, que deve ser iniciada,
100/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
de óbitos, de surtos ou de epidemias e Se a doença é uma das indicadas na lista de
constitui atividade obrigatória do Sistema Doenças de Notificação Compulsória (DNC)
de Vigilância Epidemiológica (SVE). do sistema de saúde, por exemplo, devido
A investigação epidemiológica deve ser ao seu alto potencial de transmissão,
realizada sempre que ocorrer as seguintes cada caso deverá ser investigado sem
situações: considerar qualquer outro critério. As
listas de DNC, geralmente, baseiam-se
2 Quando a Doença é Prioritária em critérios epidemiológicos nacional e
internacionalmente estabelecidos e em
Em algumas ocasiões, as autoridades função do alcance das medidas de controle
sanitárias estabelecem as doenças da doença, em especial, aquelas que estão
prioritárias e, portanto, dão a instrução sob planos de erradicação e eliminação,
de investigar todo caso notificado. Em tal bem como as de declaração obrigatória
situação, o requerimento para efetivar uma internacional e aquelas definidas como
investigação de surtos deriva dos objetivos reemergentes.
gerais do sistema de saúde relacionado ao
controle de doenças e o reconhecimento
do perigo real ou potencial epidêmico para
a população.
101/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
3 Quando a Doença Excede sua vigilância, é possível suspeitar ou detectar
Ocorrência Usual possíveis mudanças nos determinantes
habituais da doença numa população e
É necessário efetivar uma investigação tempo específicos. Isso, contudo, está
quando a incidência de uma doença numa subordinado em certa medida à operação
população específica, num determinado de sistemas de vigilância de fatores de
período de tempo e área geográfica, risco, condutas de risco e estilos de vida
excede sua ocorrência habitual. Em um específicos.
sentido amplo, a ocorrência de doença A identificação do excesso de incidência
envolve frequência, distribuição e observada em relação à esperada exige
determinantes. Em geral, é recomendável um exercício contínuo de comparação
investigar uma situação na qual a doença no tempo, que forma parte das funções
excede sua frequência usual, ou seja, o do sistema de vigilância em saúde
número de casos ou a incidência observada pública. Especificamente, a construção
de uma doença supera a frequência e a manutenção de canais endêmicos
esperada, considerando sua distribuição. para cada doença sob vigilância e
Em algumas ocasiões e dependendo do o acompanhamento de sua curva
nível de desenvolvimento do sistema de epidêmica facilitam identificar quando é
102/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
recomendável realizar uma investigação 4 Quando a Doença Parece ter
epidemiológica de campo. Uma Fonte Comum
A identificação de conglomerados
temporais, ou, em outras palavras, o A suspeita de uma doença ou problema
agrupamento de casos num período de saúde inusitado originado por uma
curto de tempo, pode ser de particular fonte comum para dois ou mais casos
importância para determinar se existe é, geralmente, razão suficiente para
ou não uma mudança aparente na iniciar um estudo. A investigação dos
ocorrência usual da doença e, portanto, primeiros casos descobertos (chamados
definir a necessidade de investigar tais casos-índice) pode permitir identificar e
conglomerados. Em certas ocasiões, foi corrigir previamente o problema e, com
possível identificar um surto previamente, isso, evitar a ocorrência de um surto
ao investigar um grupo de casos agrupados de maiores proporções, especialmente
no tempo, inclusive quando esses pareciam no caso de doenças transmissíveis por
não estar relacionados entre si. água ou alimentos, assim como daquelas
associadas à exposição a substâncias
tóxicas ambientais.

103/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


A suspeita de uma fonte comum pode identificar a fonte comum de um
surgir assim por meio de: surto;
a) notificação por parte de um ou c) presença de conglomerados
mais médicos ou qualquer outro espaciais, ou seja, o agrupamento
profissional de saúde da ocorrência inusitado de casos em um espaço
inusitada e recente de “alguns” territorial muito circunscrito, ao
ou “vários” casos de uma doença, mapear sistematicamente os dados
possivelmente a mesma, entre os da notificação de casos;
quais provavelmente exista alguma d) rumores gerados na comunidade,
relação; em particular sobre a possível
b) descoberta de uma relação aparente presença de uma doença após à
entre casos em termos de sexo, idade, celebração de um determinado
lugar de residência ou trabalho, evento social (festas, reuniões cívicas,
sobrenomes, data de início etc. após comemorações religiosas, velórios,
a revisão e a análise dos relatórios enterros etc.).
de notificação ou morbidade. A data
de início de uma doença costuma
constituir um dado muito útil para
104/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
5 Doenças Relacionadas à Falta tecidos de seus hospedeiros intermediários
de Saneamento Básico (suínos e bovinos). O cisticerco da T. solium
é encontrado no tecido subcutâneo,
5.1 Teníase e cisticercose muscular, cardíaco, cerebral e no olho
de suínos, enquanto que o cisticerco da
A teníase (conhecida como “solitária”) e T. saginata é encontrada nos tecidos dos
a cisticercose doenças relacionadas as bovinos. Porém, as larvas de T. solium
fases de vida de uma mesma espécie, no também podem ser encontradas em
entanto, distinguem-se pelos tecidos alvos, hospedeiros intermediários anômalos,
onde são encontrados e os hospedeiros como o homem e o cão, nesse caso, o
predominantes. A teníase é a doença homem desenvolve a cisticercose (doença
ocasionada pela forma adulta dos vermes grave que pode atingir inclusive o tecido
(parasitas) platelmintos Taenia solium cerebral, neurocisticercose).
e Taenia saginata, que se hospedam no
Características:
intestino delgado do homem.
a) Transmissão da teníase: ingestão de
Por sua vez, a cisticercose é a doença
carne (bovina ou suína) contaminada
ocasionada pelo cisticerco, uma alteração
crua ou malcozida.
da larva (“canjiquinha”), presente nos

105/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


b) Transmissão da cisticercose: ingestão em uma plantação de alfaces, que
acidental de ovos viáveis (expelidos não passa por uma higienização
nas fezes humanas) da Taenia solium correta e é ingerida durante uma
por meio de contaminação oro-fecal, refeição); e 3 – mais raramente, existe
como por exemplo: 1 – autoinfecção a possibilidade de autoinfecção
externa (pela falta de higiene das interna por retroperistaltismo ou
mãos, o indivíduo leva os ovos até durante o vômito, porém esses casos
a boca, autoinfectando-se); 2 – não se relacionam ao saneamento
heteroinfecção (de outra pessoa) ambiental, mas sim à questões
patológicas.
por meio de sexo oral-anal ou pela
ingestão de água contaminada c) Sintomas: a teníase pode causar
(foças sépticas construídas em áreas alergia, inflamações, hemorragia,
que tenham ligação com lençóis anemia, perda de peso. A cisticercose
freáticos, dos quais pessoas se pode causar alteração visual até
utilizam; ex.: poços artesianos) ou cegueira, lesões graves, dores
alimentos contaminados que não abdominais, anorexia, alterações
foram higienizados corretamente cardiovasculares, convulsões,
aumento da pressão intracerebral e o
(ex.: indivíduo contaminado defeca
óbito do indivíduo.
106/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
d) Profilaxia: saneamento básico,
higiene e educação como: não Para saber mais
evacuar ao ar livre; lavar as mãos Quer saber mais sobre isso? Assista ao video
antes e após utilização do sanitário; sobre teníase, acessando o link: <https://www.
antes de se alimentar ou preparar as youtube.com/watch?v=2xcQgtncWV4>
refeições; lavar as frutas, verduras
e legumes adequadamente antes
de consumi-las; beber apenas 5.2 Ascaridíase
água tratada; não ingerir carne
crua ou malcozida. Na agricultura, É uma geohelmintose (parasitose) causada
é importante não utilizar fezes pelo verme helminto Ascaris lumbricoides
humanas, nem esgoto como adubo; (no intestino delgado do homem),
não irrigar horta com água de rio; bastante conhecidade como “lombriga”.
impedir o acesso dos porcos às fezes. A principal causa da disseminação dessa
doença é falta de saneamento básico
adequado, principalmente, nas grandes
concentrações populacionais, onde os
indivíduos vivem em condições precárias
de higiene (ex.: presídios).
107/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
Características: urticária, convulsões); ação
a) Transmissão: via fecal-oral, quando expoliadora (os vermes subtraem
o indivíduo leva à mão contaminada grande quantidade de proteínas,
com ovos do parasita à boca carboidratos, lipídeos e vitaminas
(eliminados nas próprias fezes ou de A e C do hospedeiro, levando-o
terceiros); por meio da ingestão de a subnutrição); e ação mecânica,
alimentos ou água contaminados ou que causa irritação na parede
por meio de insetos vetores (moscas, intestinal e obstruções. O catarro
baratas e outros). pode conter larvas do helminto e
ser sanguinolento, podendo ocorrer
b) Sintomas: alguns indivíduos são vômitos com a presença do parasita
assintomáticos (infecções de pela boca e narinas. Situações graves:
baixa intensidade), outros podem apendicite cecal, canal colédoco,
apresentar lesões hepáticas obstrução do canal colédoco;
(provocando focos hemorrágicos, pancreatite aguda.
necrose); lesões pulmonares
(pneumonia); ação tóxica (entre os
antígenos do parasita e anticorpos
do organismo, causando edema,
108/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
Figura 13 – O ciclo da contaminação fecal-oral da ascaridíase.

Fonte: <http://www.ciencias.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/3/137ascaridiase1.jpg>

c) Profilaxia: educação sanitária; construção de fossas sépticas; lavagem de mãos adequada


sempre antes de comer ou manipular alimentos; não colocar mão na boca; proteção de
alimentos contra os insetos.
109/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
5.3 Esquistossomose Figura 14 – Esquistossomose: barriga-d’água.

A esquistossomose, conhecida como


xistose ou barriga-d’água, é uma
doença crônica, endêmica e considerada
negligenciada. Ela é causada por vermes
(parasitas) platelmintos do gênero
Schistosoma (classe trematoda, da família
Schistosomatidae), que apresentam sexos
separados e parasitam os vasos sanguíneos
de mamíferos e aves. Esse gênero possui
três espécies principais: S. haematobium,
causador da esquistossomose vesical;
S. japonicum e o Schistossoma mansoni,
causador da esquistossomose intestinal ou
Fonte: <http://www.jornallivre.com.br/images_
mansônica, tipo mais comum no Brasil. enviadas/o-que-sao-parasitoses-intestin.jpg>

110/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Características: contaminadas (conhecidas como
a) Transmissão: a condição fundamental “lagoas de coceira”), as cercárias
para o estabelecimento de um penetram ativamente através da pele
foco de transmissão é o indivíduo e das mucosas e atingem os sitemas
humano já contaminado com a linfático e sanguíneo. Durante o
doença contaminar um criadouro de percurso pelo organismo, a cercária
caramujos (do gênero Biomphalaria) termina sua maturação e, por sua vez,
com fezes contendo ovos viáveis do o parasita adulto se aloja no sistema
Schistosoma. Esses ovos eclodem, porta-hepático (vasos mesentéricos
liberando os miracídios (larvas do fígado), onde irá se reproduzir
do parasita) que vão invadir os e desenvolver o quadro clínico
caramujos e se desenvolver, denominado esquistossomose.
tornando-se cercárias. Após esse A proliferação dessa doença no
estágio de desenvolvimento, a Brasil se relaciona ao seu modo
cercária deixa o corpo do caramujo de transmissão, à extensa rede
e permanece na água em busca hidrográfica brasileira (grandes
de um novo hospedeiro. Quando o quantidades de criadouros de
indivíduo humano entra nessas áreas moluscos) e às altas temperaturas e a

111/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


luminosidade, que colaboram para o e lesões discretas no fígado. Fase
crescimento de microalgas (alimento aguda – febre; sudorese; calafrios;
para os caramujos). As concentrações emagrecimento; fenômenos
de chuvas nos territórios brasileiros alérgicos; diarreias; cólicas;
também apresentam efeitos variáveis hepatoesplenomegalia discreta
sobre a doença, ora aumentando (aumento de fígado e baço); e
o número de criadouros, ora leucocitose (aumento no número de
varrendo os caramujos e diminuindo leucócitos – células de defesa – no
a densidade destes em áreas sangue acima dos níveis normais).
endêmicas. Fase crônica – dores abdominais;
b) Sintomas: Fase inicial – dermatite, diarreia mucosanguinolenta;
caracterizada por sensação de tenesmo (espasmo doloroso de
“comichão”, erupções urticariforme esfíncter anal ou vesical com desejo
e, em seguida, dentro de 24 horas, urgente de defecar ou urinar); fibrose
por eritema; edema; pequenas da alça retossigmoide (lesões com
pápulas e dor; lesões pulmonares acúmulo de fibrina em estrutura do
durante a migração do parasita instestino) levando à diminuição do
pelo corpo; falta de ferro e glicose; peristaltismo (movimento intestinal)

112/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


e constipação constante; hipertensão da doença e o cuidado com as
portal, o que causa alterações como atividades recreativas em águas
hepatomegalia, varizes esofágicas naturais.
e ascite (acúmulo de líquido no
peritônio, “barriga-d’água”). Se o 5.4 Amebíase
quadro não for revertido, pode levar o
indivíduo ao óbito. O agente infeccioso é a Entamoeba
histolytica, que tem três espécies
c) Profilaxia: evitar entrar em contato
causadoras da patologia no animal (E.
com água que contenha cercárias.
coli; E. hartmanni, E. gingivalis) e uma
Saneamento básico com esgotos espécie que causa a doença no homem
e água tratados; erradicação dos (E. histolystica), infecção intestinal. Tem
caramujos que são hospedeiros a forma resistente e a infectante (cistos).
intermediários da doença Age de forma invasora ou pode não causar
(aterramento do ou a canalização malefícios. Mais prevalente em países
do criadouro); proteção dos pés e tropicais e subtropicais, aproximadamente
pernas com botas de borracha com meio milhão de pessoas em todo o mundo
solado antiderrapante; e informar a são infectadas, associado às condições
população das medidas profiláticas socioeconômicas.
113/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
Figura15 – O ciclo de contaminação oro-fecal da amebíase

Fonte: <https://lh5.googleusercontent.com/-IxNPlspQfek/UBvW4hc73YI/AAAAAAAAB7g/wX7naWQQhUI/s535/ciclo-amebiase.gif>

114/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Características: b) Transmissão: a falta de condições
a) Sintomas: desconforto abdominal de higiene adequadas é o principal
de leve a moderado, hematoquezia fator responsável pela contaminação
(a presença de sangue com cor e disseminação da doença. A via de
vermelha viva misturado com as transmisão é fecal-oral, ingestão
fezes), tenesmo e/ou diarreia (duas de cistos eliminados nas fezes. Os
a quatro evacuações por dia); colite cistos são levados até os alimentos
disentérica acompanhada de cólica por meio de manipuladores de
intestinal, febre moderada, tremores. alimentos (ex.: cozinheiros) e de
Existe um tipo raro e grave da moscas, baratas e outros insetos
doença, conhecida como amebíase (tanto pelas patas das moscas como
extraintestinal, na qual se formam pela digestão extracorpórea, a mosca
abcessos no fígado, pulmões, cérebro regurgita uma secreção que digere
e na região perianal, além de dor, o alimento; nesse momento, um
febre e hepamegalia (aumento do cisto também pode ser regurgitado).
fígado). Os assintomáticos são os principais
disseminadores da doença.

115/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Figura 16 – Contaminação e retro-contaminação na amebíase

Fonte: <https://lh3.googleusercontent.com/-ErzS0yE1bbI/UBvW4WnuIsI/AAAAAAAAB7c/JjrJLnNI2vI/s500/ameb%25C3%25ADase.jpg>

c) Profilaxia: saneamento básico; educação sanitária; combate aos insetos; lavar os


alimentos com permanganato de potássio, iodo.

116/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Glossário
Caso suspeito: pessoa cuja história clínica e epidemiológica, sintomas e possível exposição a
uma fonte de infecção/contaminação sugerem estar desenvolvendo ou em vias de desenvolver
alguma doença.
Caso confirmado: pessoa ou animal de quem foi isolado e identificado o agente etiológico
ou de quem foram obtidas outras evidências epidemiológicas ou laboratoriais da presença
do agente etiológico. A confirmação do caso está condicionada, sempre, à observância dos
critérios estabelecidos, para a sua definição, pelo sistema de vigilância.
Caso descartado: pessoa que não preenche os critérios de confirmação e compatibilidade; ou
para a qual é diagnosticada outra patologia que não aquela que se está apurando.
Vigilância passiva: notificações voluntárias e espontâneas que ocorrem na rotina do serviço de
saúde.

117/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Glossário
Vigilância ativa: utilizada na rotina das atividades de investigação epidemiológica quando
da busca ativa de casos secundários de doenças de notificação compulsória e outros agravos
inusitados, caso primário ou índice, casos coprimários, na busca ativa de faltosos, por exemplo.
Também utilizada em situações alarmantes ou em programas de erradicação e/ou controle
prioritários. Ex.: HIV/Aids; rubéola; dengue; erradicação da poliomielite; eliminação do sarampo.
Vigilância sindrômica: trata-se da vigilância de um grupo de doenças que apresentam sinais,
sintomas e fisiopatologia comuns a etiologias diversas. Essa estratégia apresenta definições de
casos simples e de fácil notificação, possibilita a captura de grande volume de dados e facilita
a análise e a redução da sobrecarga dos serviços de saúde. Ex.: síndrome diarreica aguda;
síndrome ictérica aguda; síndrome febril icterohemorrágica aguda; síndrome respiratória
aguda; síndrome neurológica aguda; síndrome da Insuficiência renal aguda e outras. A
vigilância sindrômica pode ser aplicada, com êxito, utilizando um sistema sensível de vigilância
epidemiológica que permita intervenções rápidas, para evitar a ocorrência de surtos/epidemias.

118/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Glossário
Fonte sentinela: é a seleção de um ou mais estabelecimentos de saúde, onde se concentram os
esforços para a obtenção das informações epidemiológicas desejadas; estratégia indicada para
situações que exigem preocupação especial ou, simplesmente, para complementar o sistema
rotineiro de informações. A fonte sentinela pode ser constituída de profissionais de saúde, em
lugar de estabelecimentos. Assim, os profissionais que lidam, de forma direta, com as doenças
notificáveis são convidados a registrá-las, regularmente, e enviá-las, periodicamente, às
autoridades sanitárias. Ex.: HIV; doenças sexualmente transmissíveis; doenças ocupacionais.

119/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


?
Questão
para
reflexão

A maioria das doenças estudadas nesta unidade é de


fácil prevenção, entretanto causam muitas mortes e
ainda são muito prevalentes no Brasil, como o caso da
diarreia entre crianças menores de 5 anos no Brasil.
O que impede a prevenção dessas, já que, conforme
estudamos, trata-se de algo bastante simples?

120/231
Considerações Finais (1/2)

Doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado (DRSAI)


infelizmente ainda são prevalentes, principalmente em países em
desenvolvimento devido às más condições de saneamento ambiental,
sendo associadas ao abastecimento de água deficiente e/ou de má
qualidade, precária ou ausência de esgotamento sanitário, além de possíveis
contaminações da água, solo por patógenos, além das doenças causadas por
resíduos sólidos com descarte inadequado além das condições precárias de
moradia.
Infelizmente, existem inúmeras doenças e agravos à saúde vinculados à
falta de saneamento, sendo que é notória a falta de qualidade de vida da
população. Os índices de mortalidade infantil brasileiros e também de outros
países em desenvolvimento associam-se ao acesso inadequado dos serviços
de água, esgoto e destino dos resíduos.

121/231
Considerações Finais (2/2)

Essas patologias são transmitidas via contato de pele e/ou ingestão de água
contaminada, solo e lixo contaminados. O esgoto, água parada, resíduos
sólidos, rios poluídos contribuem significativamente para o aparecimento dos
vetores destas doenças.
Para reduzir os casos dessas doenças, é fundamental que a população tenha
acesso a água com qualidade, tratamento adequado de esgoto, destinação
e tratamento do lixo, drenagem urbana, instalações sanitárias adequadas e
promoção da educação sanitária (incluindo hábitos de higiene), entre outras
ações de prevenção e erradicação delas.

122/231
Referências

BUEHLER, J. W. Surveillance. In: ROTHMAN; K. J.; GREENLAND, S. Modern Epidemiology. 2. ed.


Lippincott-Raven Publishers; Philadelphia, 1998.
BUSS, P. M.; IGNARA, R. M. Promoção da Saúde: um novo paradigma mundial para a saúde.
Brasilia; 1996.
CARVALHO, A. I. Da saúde pública às políticas saudáveis – saúde e cidadania na pós-
modernidade. In: ____________. Ciências & Saÿde Coluna 1, 1996. Coopmed/ACE/Abrasco; 1992.
CENTRO NACIONAL DE EPIDEMIOLOGIA/FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Seleção de
doenças de notificação compulsória: critérios e recomendações para as três esferas de governo.
Documento final. Brasília, junho de 1998.
CENTRO PARA O CONTROLE DE DOENÇAS. Diretrizes para avaliação de Sistemas de Vigilância
Epidemiológica. MMWR, 1988, Suplemento-5. Trad. da Divisão Nacional de Doenças
Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 1989.
CHOI, B. C. K. Perspectives on epidemiologic surveillance in the 21st century. Chronic Diseases in
Canada, Ottawa, v. 19, n. 4, p.145-51, 1998.
DECLICH, S.; CARTER, A. O. Public health surveillance: historical origins, methods and
evaluation. Bulletin of the World Health Organization, Geneva, vol. 72, n. 2, p. 285-304, 1994.

123/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


EYLENBOSCH, W. J.; NOAH, N. D. (orgs.). Surveillance in health and disease. Commission of the
European Communities. Oxford: Oxford University Press, 1988.
FOX, J. P.; HALL, C. E. ELVEBACK, L. R. Epidemiology: man and disease. McMillan, Co.; London,
1970.
GARCIA, D. Vigilância à Saúde. Publicação da Secretaria de Saúde de Campina Grande – PB.
Disponível em: <http://www.aids.gov.br/udtv/expediente.htm>. Acesso em: 22 nov. 2015.
GOLDBAUM, M. Vigilância à Saúde. Mesa Redonda: Vigilância à Saúde. In: Anais de Seminário
Nacional de Vigilância Epidemiológica, Cenepi/MS, 1992.
TMAN, M. Elaboración de corredores o canales endémicos mediante planillas de cálculo.
PanAmerican Journal of Public Health, Denvers, v. 5, n. 1, p. 1- 8, 1999.

124/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Assista a suas aulas

Aula 4 - Tema: Saneamento e Doenças - Bloco I Aula 4 - Tema: Saneamento e Doenças - Bloco II
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0936157d439d4da972db7318aa90c104>. ce28ad1aa8822dd9877893ead939>.

125/231
Questão 1
1. As protozoonoses são mais frequentes em países subdesenvolvidos e,
independente do verme, os sintomas principais são desnutrição, falta de
vitaminas, distúrbios gástricos e/ou intestinais, convulsão, retardo mental.

( ) Verdadeiro
( ) Falso

126/231
Questão 2
2. Relacione a primeira coluna (A, B e C) com a segunda, indicando entre
parênteses as letras que correspondem as suas definições:

A. Um conjunto de obras, instalações e serviços, destinados a produzir e distribuir água a uma


comunidade, em quantidade e qualidade compatíveis com as necessidades da população, para
fins de consumo doméstico, serviços públicos, consumo industrial e outros usos.
B. A água deve atender aos padrões de qualidade, seguindo requisitos mínimos, que são
diferentes em função do uso para o qual o recurso hídrico se destina.
C. Relacionados com a ingestão de água contaminada por agentes biológicos (bactérias, vírus
e parasitas) por meio do contato direto ou por meio de insetos vetores que necessitam da água
em seu ciclo biológico.
( ) Riscos associados ao abastecimento de água.
( ) Sistema de abastecimento público de água.
( ) Usos múltiplos dos recursos hídricos.

127/231
Questão 3
3. Relacione a primeira coluna (A, B e C) com a segunda, indicando entre
parênteses as letras que correspondem as suas definições:

A. Diminuição de custos para a sociedade em geral (diminuição do número de leitos


hospitalares, menor índice de faltas no trabalho, aumento da qualidade de vida em geral,
menores gastos com remediação de passivos ambientais).
B. Riscos tradicionais: associados ao subdesenvolvimento, como falta de acesso à água potável,
saneamento inadequado das habitações e comunidade, destino inadequado de resíduos
sólidos, acidentes ocupacionais etc. Riscos modernos: associados ao desenvolvimento não
sustentável, como poluição urbana, poluição industrial, geração de resíduos sólidos perigosos,
riscos químicos e radioativos, desflorestamento, degradação do solo, mudanças climáticas.
C. Resultado da superposição dos cenários distintos que ocorrem em uma bacia hidrográfica,
principalmente das formas de uso e ocupação do solo e das característicais naturais da região.
( ) Importância social e econômica do saneamento.
( ) Qualidade da água em uma Bacia Hidrográfica.
( ) Impactos do ambiente sobre a saúde humana.

128/231
Questão 4
4. Em relação aos mecanismos de transmissão/contaminação, relacione a
primeira coluna (1, 2, 3 e 4) com a respectiva doença:

1. Ingestão de carne (bovina ou suína) contaminada crua ou malcozida contaminada.


2. Acometem indivíduos que estiveram em áreas de criadouro de caramujos contaminados,
a larva cercária penetra a pele e as mucosas.
3. Ingestão acidental de ovos viáveis da Taenia solium que foram eliminados por si próprio ou
por outro indivíduo contaminado.
4. A contaminação ocorre via fecal-oral, quando o indivíduo leva à mão contaminada com
ovos do parasita A. lumbricoides à boca.
( ) Cisticercose.
( ) Esquistossomose.
( ) Teníase.
( ) Ascaridíase.

129/231
Questão 5
5. A esquistossomose é uma doença crônica, popularmente conhecida
como xistose ou barriga-d’água. Os sintomas principais dessa doença
são a ação tóxica do parasita ao organismo, a ação expoliadora (que
causa a subnutrição) e a ação mecânica, que causa irritação na parede
intestinal e obstruções.

( ) Verdadeiro
( ) Falso

130/231
Gabarito
1. Resposta: Falso. consumo industrial e outros usos. A água
deve atender aos padrões de qualidade,
As helmintoses são as frequentes em seguindo requisitos mínimos, que são
países subdesenvolvidos e independente diferentes em função do uso para o
do verme os sintomas principais são qual o recurso hídrico se destina Riscos
desnutrição, falta de vitaminas, distúrbios associados ao abastecimento de água
gástricos e/ou intestinais, convulsão, são riscos relacionados com a ingestão de
retardo mental. água contaminada por agentes biológicos
(bactérias, vírus e parasitas) por meio do
2. Resposta: C, A, B. contato direto ou por meio de insetos
vetores que necessitam da água em seu
Sistema de abastecimento público de ciclo biológico.
água é um conjunto de obras, instalações
e serviços, destinados a produzir e 3. Resposta: A, C, B.
distribuir água a uma comunidade, em
quantidade e qualidade compatíveis com Importância social e econômica do
as necessidades da população, para fins saneamento é a diminuição de custos
de consumo doméstico, serviços públicos, para a sociedade em geral (diminuição

131/231
Gabarito
do número de leitos hospitalares, menor associados ao desenvolvimento não
índice de faltas no trabalho, aumento sustentável, como poluição urbana,
da qualidade de vida em geral, menores poluição industrial, geração de resíduos
gastos com remediação de passivos sólidos perigosos, riscos químicos e
ambientais). Qualidade da água em radioativos, desflorestamento, degradação
uma bacia hidrográfica é o resultado do solo, mudanças climáticas.
da superposição dos cenários distintos
que ocorrem em uma bacia hidrográfica, 4. Resposta: 3, 2, 1, 4.
principalmente das formas de uso e
ocupação do solo, e das característicais A cisticercose se dá pela ingestão acidental
naturais da região. Impactos do de ovos viáveis do Taenia solium. Sexo
ambiente sobre a saúde humana são anal também pode fornecer disseminação
os riscos tradicionais: associados ao da cisticercose (contaminação fecal).
subdesenvolvimento, como falta de acesso A esquistossomose é doença causada
à água potável, saneamento inadequado pela penetração ativa da larva cercária
das habitações e comunidade, destino do Schistosoma pela pele e mucosas de
inadequado de resíduos sólidos, acidentes indivíduos que estiveram em áreas de
ocupacionais etc. Riscos modernos: criadouro de caramujos (Biomphalaria)

132/231
Gabarito
contaminados (“lagoas de coceira”). por sensação de comichão e erupções
A teníase pode ser adquirida por urticariformes seguidas de eritema, edema,
meio da ingestão de carne (bovina ou pequenas pápulas e dor.
suína) contaminada crua ou malcozida
contaminada. A ascaridíase é transmitida
por via oral pela mão infectada na boca,
podendo ocorrer através da ingestão de
alimentos ou água contaminados com
ovos contendo a larva infectante. Poeira e
insetos vetores.

5. Resposta: Falso.

Ação tóxica, expoliadora e mecânica


são sintomas de ascaridíase (parasita
Ascaris Lumbricoides). Os sintomas iniciais
da esquistossomose (Schistossoma
mansoni) são a dermatite, caracterizada

133/231
Unidade 5
Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde

Objetivos

1. Compreender o que é epidemiologia;


2. reconhecer processos em um
ecossistema e a influência na
epidemiologia das doenças.

134/231
Introdução

Pensando na Epidemiologia e a Vigilância em Saúde, a Constituição Federal de 1988 implantou


no país o Sistema Único de Saúde, regulamentado dois anos depois pelas Leis nº 8.080, de 19
de setembro de 1990, e nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990.
No título VIII Da Ordem Social, Seção II, referente à Saúde, o art. 196 define que:

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante


políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e
de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços
para sua promoção, proteção e recuperação.
As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada, e
constituem o Sistema Único em Saúde, sendo organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I. descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II. atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos
serviços assistenciais;
III. participação da comunidade [...]

135/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


O texto constitucional demonstra 1 Vigilância em Saúde
claramente que a concepção do SUS
baseia-se na formulação de um modelo Em 1990, o SUS foi regulamentado pela
de saúde voltado para as necessidades Lei nº 8.080, a qual define o modelo
da população, procurando resgatar o operacional, propondo a sua forma de
compromisso do Estado para com o bem- organização e de funcionamento. No art.
estar social, especialmente no que refere à 3º, reafirma-se o conceito amplo de saúde:
saúde coletiva.
Assim, foram definidos como princípios
doutrinários do SUS: universalidade,
integralidade e equidade.

Para saber mais


Assista ao video sobre a construção do SUS,
clicando no link: <https://www.youtube.com/
watch?v=SP8FJc7YTa0>.

136/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros,
a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o
trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens
e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a
organização social e econômica do País.
Nesse contexto, desenvolve-se o conceito de Vigilância em Saúde, entendido tanto como
modelo de atenção, como proposta de gestão de práticas sanitárias.
Figura 17 – Vigilância em Saúde.

Fonte: <http://www.anchieta.es.gov.br/upload/imgOrig/%7BCBD183A1-DEDE-C74D-CB1B-D4AAE335B68B%7D.jpg>

137/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


Na concepção abrangente da vigilância em vigilância em saúde pode ser entendida
saúde, o objeto das ações são os agravos, como a prática das seguintes ações:
os riscos e os fatores determinantes e a) da integração intrainstitucional
condicionantes da saúde. A forma de entre as vigilâncias epidemiológica,
organização desse modelo privilegia a sanitária, ambiental e saúde do
construção de políticas públicas, a atuação trabalhador;
intersetorial, assim como as intervenções
particulares e integradas de promoção, b) da análise da situação de saúde de
prevenção e recuperação, em torno grupos populacionais.
de problemas e grupos populacionais c) da identificação e gerenciamento
específicos, tendo por base para o dos riscos dos diversos ambientes do
planejamento das ações as análises de convívio humano;
situações de saúde nas áreas geográficas
d) do planejamento em saúde com
municipais. Estrategicamente, a vigilância
enfoque estratégico-situacional;
em saúde é um dos pilares de sustentação
do princípio da integralidade da atenção. e) da organização tecnológica do
trabalho em saúde, estruturada por
Dessa forma, avaliada do ponto de vista
práticas articuladas de prevenção
tecnológico e operacional, a ação de
138/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde
de doenças e agravos, bem como de a) intervenção sobre problemas
promoção, recuperação e reabilitação de saúde – danos, riscos e/ou
da saúde de grupos populacionais, determinantes;
em suas dimensões coletiva e b) ênfase em problemas que requerem
individual. atenção e acompanhamento
A proposta de vigilância em saúde contínuos;
transcende os espaços institucionalizados c) articulação de ações promocionais,
do sistema de serviços de saúde, expande- de proteção e de prevenção;
se a outros setores e órgãos de ação
governamental e não governamental d) atuação intersetorial;
e envolve uma complexa interação de e) ações sobre o território;
entidades representativas dos interesses
f) intervenção sob forma de operações.
de diversos grupos sociais.
Convém observar que a evolução do
Em síntese, a vigilância em saúde
conceito de “vigilância” vem ocorrendo
apresenta as seguintes características
dentro de um processo maior de
básicas:
consolidação da epidemiologia moderna
como disciplina básica da saúde pública.

139/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


Nesse contexto, o objeto de estudo da que vivem em determinados territórios,
vigilância epidemiológica ampliou-se garantindo a integralidade da atenção, o
das doenças transmissíveis às não- que inclui tanto a abordagem individual
transmissíveis, aos fatores de risco e a quanto coletiva dos problemas de saúde.
outras condições de interesse para a saúde Assim, a vigilância em saúde constitui-
pública. Assim, dentro do atual modelo se de ações de promoção da saúde da
de determinantes da saúde, considera-se população, vigilância, proteção, prevenção
que o termo “vigilância em saúde pública” e controle das doenças e agravos à saúde,
reflete mais apropriadamente a visão abrangendo as seguintes atividades:
integral necessária para pôr em prática a
epidemiologia nos serviços locais de saúde. a) vigilância epidemiológica: vigilância
e controle de doenças transmissíveis,
De acordo com a Portaria nº 3252, de 22 de não transmissíveis e agravos,
dezembro de 2009, a vigilância em saúde como um conjunto de ações que
tem como objetivo a análise permanente proporcionam o conhecimento, a
da situação de saúde da população, detecção ou a prevenção de qualquer
articulando-se num conjunto de ações que mudança nos fatores determinantes
se destinam a controlar determinantes, e condicionantes da saúde individual
riscos e danos à saúde de populações e coletiva, com a finalidade de
140/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde
recomendar e adotar as medidas de para um planejamento de saúde mais
prevenção e de controle das doenças abrangente;
e dos agravos; d) vigilância em saúde ambiental:
b) promoção da saúde: conjunto de conjunto de ações que propiciam
intervenções individuais, coletivas o conhecimento e a detecção de
e ambientais responsáveis pela mudanças nos fatores determinantes
atuação sobre os determinantes e condicionantes do meio ambiente
sociais da saúde; que interferem na saúde humana,
c) vigilância da situação de saúde: com a finalidade de identificar as
ações de monitoramento contínuo medidas de prevenção e de controle
do País, estado, região, município dos fatores de risco ambientais
ou áreas de abrangência de equipes relacionados às doenças ou a outros
de atenção à saúde, por estudos agravos à saúde;
e análises que identifiquem e e) vigilância da saúde do trabalhador:
expliquem os problemas de saúde promoção da saúde e redução da
e o comportamento dos principais morbimortalidade da população
indicadores de saúde, contribuindo trabalhadora, por meio da integração
de ações que intervenham nos
141/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde
agravos e seus determinantes 2 Sistema Nacional de
decorrentes dos modelos de Vigilância em Saúde
desenvolvimento e processo
produtivos; O Sistema Nacional de Vigilância em Saúde
f) vigilância sanitária: conjunto de é coordenado pela SVS/MS no âmbito
ações capazes de eliminar, diminuir nacional e é assim integrado.
ou prevenir riscos à saúde e de a) Subsistema Nacional de Vigilância
intervir nos problemas sanitários Epidemiológica, de doenças
decorrentes do meio ambiente, da
transmissíveis e de agravos e
produção e da circulação de bens e
doenças não transmissíveis;
da prestação de serviços do interesse
da saúde, abrangendo o controle b) Subsistema Nacional de Vigilância em
de bens de consumo que, direta ou Saúde Ambiental, incluindo ambiente
indiretamente, se relacionem com de trabalho;
a saúde, compreendidas todas as
c) Sistema Nacional de Laboratórios
etapas e todos os processos, da
de Saúde Pública, nos aspectos
produção ao consumo e o controle
pertinentes à Vigilância em Saúde;
da prestação de serviços que se
relacionam com a saúde.
142/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde
d) Sistemas de Informação de Vigilância c) Vigilâncias Sanitárias municipais;
em Saúde. d) Sistema Nacional de Laboratórios
e) programas de prevenção e controle de Saúde Pública, nos aspectos
de doenças de relevância em saúde pertinentes à vigilância sanitária;
pública, incluindo o Programa e) Sistemas de Informação de Vigilância
Nacional de Imunizações; Sanitária.
f) Política Nacional de Saúde do Vigilância em Saúde Pública tem como
Trabalhador; objetivos: a) detectar mudanças agudas
g) Política Nacional de Promoção da na ocorrência e na distribuição das
Saúde. doenças; b) identificar, quantificar e
O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária monitorar as tendências e os padrões do
é coordenado pela Agência Nacional de processo saúde-doença nas populações;
Vigilância Sanitária (ANVISA) no âmbito c) observar as mudanças nos padrões de
nacional e é assim integrado: ocorrência dos agentes e hospedeiros; d)
detectar mudanças nas práticas de saúde;
a) ANVISA; e) investigar e controlar as doenças; e f)
b) Vigilâncias Sanitárias estaduais; avaliar as medidas de prevenção e controle.

143/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


3 Sistema Nacional de garantir o acesso à saúde do consumidor,
Vigilância Sanitária do trabalhador e da população.
Figura 18 – Vigilância Sanitária
Sistema Nacional de Vigilância Sanitária
compreende um conjunto de ações
capazes de eliminar, diminuir ou prevenir
riscos à saúde e de intervir nos problemas
sanitários decorrentes do meio ambiente,
da produção e circulação de bens e da
prestação de serviços de interesse da
saúde, abrangendo: o controle de bens de
consumo que, direta ou indiretamente, se
relacionam com a saúde, compreendidas
todas as etapas e todos os processos, da
produção ao consumo; e o controle da
Fonte: <http://www.eparaguacu.sp.gov.br/
prestação de serviços que se relacionam, painel/imagens/img_noticias/visaa.jpg>
direta ou indiretamente, com a saúde.
O seu objetivo é promover, proteger e

144/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


De acordo com a Instrução Normativa contaminantes ambientais e substâncias
nº 1, de 7 de março de 2005, que químicas; desastres naturais; acidentes
regulamenta a Portaria nº 1.172/2004/ com produtos perigosos; fatores físicos; e
GM, o Subsistema Nacional de Vigilância ambiente de trabalho.
em Saúde Ambiental (SINVSA) compreende
o conjunto de ações e serviços prestados 4 Vigilância Epidemiológica
por órgãos e entidades públicas e privadas,
relativos à vigilância em saúde ambiental, Epidemiologia é um termo de origem
visando ao conhecimento e à detecção grega que significa epi = sobre, demo =
ou prevenção de qualquer mudança nos população e logia = estudo. Os principais
fatores determinantes e condicionantes do objetivos da epidemiologia são: descrever a
meio ambiente que interferem na saúde distribuição e a magnitude dos problemas
humana, com a finalidade de recomendar de saúde das populações humanas;
e adotar medidas de promoção da saúde proporcionar dados essenciais para o
ambiental, prevenção e controle dos planejamento, a execução e a avaliação das
fatores de riscos relacionados às doenças ações de prevenção, controle e tratamento
e outros agravos à saúde, em especial: das doenças, bem como para estabelecer
água para consumo humano; ar; solo; prioridades; e identificar fatores etiológicos

145/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


na gênese das enfermidades. A partir quantificar a população e suas
de seus objetivos, a epidemiologia pode características. São eles: número
ser conceituada como uma ciência que de habitantes; faixa etária; área
estuda o processo saúde-doença na de residência; condições de
sociedade, analisando a distribuição e saneamento; fatores climáticos,
fatores determinantes das doenças, danos ecológicos, habitacionais e culturais.
à saúde e eventos associados à saúde Esses dados podem ser obtidos a
coletiva, propondo medidas específicas partir dos dados censitários, de
de prevenção, controle ou erradicação de registros de cartórios, de estimativas
doenças e fornecendo indicadores que por amostragem;
sirvam de suporte ao planejamento, à b) dados de morbidade: permitem
administração e à avaliação das ações de descrever os agravos, identificar
saúde. causas, tendências e comportamento
São utilizadas diversas fontes de dados por meio de diversos atributos, como:
utilizados pela vigilância epidemiológica, idade; gênero; profissão, entre outros.
provenientes de diferentes fontes: São obtidos por meio de formulários
a) dados demográficos, ambientais próprios, como os do Sinan, além
e socioeconômicos: permitem de outros provenientes dos serviços
146/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde
de saúde de todos os níveis de estatísticas hospitalares, no SIH e por
complexidade, de laboratórios, de inquéritos especiais;
escolas e de outras instituições. Ex.: d) dados de ações de controle de
Sistema de Informação Hospitalar doenças e de serviços de saúde: são
(SIH); inquéritos; levantamentos dados obtidos na operacionalização e
especiais; na execução de medidas de controle,
c) dados de mortalidade: são dados incluindo, por exemplo, número de
obtidos nas declarações de óbitos, doses de vacinas aplicadas [Programa
permitindo o estudo das causas Nacional de Imunização (PNI)], índice
de morte, da avaliação do risco de de infestação predial (Programa
morrer por determinadas causas e Nacional de Controle de Dengue),
da expectativa de vida. O Sistema de percentual de residências visitadas e
Informações de Mortalidade (SIM) outros. Esses dados são provenientes
constitui a fonte privilegiada desses dos serviços de saúde e de órgãos que
dados. Os dados de mortalidade fornecem informações de interesse
também podem ser obtidos por para a vigilância epidemiológica;
intermédio de investigações e) dados de laboratório: por serem
epidemiológicas, no Sinan; em locais de confirmação diagnóstica,
147/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde
os laboratórios constituem informações rotineiras sobre a
recursos valiosos para detectar morbidade. Há vários níveis em que
doenças sujeitas a notificação. Sua podem ser buscadas informações
participação deve ser estimulada sobre a aquisição do produto,
como fonte de notificação e vigilância sua distribuição ou utilização
laboratorial, porque, muitas vezes, as pela população. Um aumento,
doenças que não foram detectadas por exemplo, do consumo de
pelo sistema formal de notificação medicamentos para tratamento
podem sê-lo mediante o recebimento de doenças pulmonares pode estar
de amostras e de notificação de relacionado à elevação das taxas
resultados laboratoriais; de morbidade e mortalidade por
f) dados de uso de produtos afecções respiratórias;
biológicos, farmacológicos, químicos h) rumores vindos da comunidade,
(intoxicações exógenas); notícias de jornais e outros meios
g) a coleta de dados sobre o uso de comunicação – muitas vezes,
de certos produtos, como os jornais, a televisão, o rádio ou
medicamentos, vacinas, soros, as pessoas da comunidade são os
agrotóxicos, podem complementar primeiros a tomar conhecimento
148/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde
e alertar as autoridades sanitárias
sobre a possível ocorrência de casos
e epidemias. Essas notícias devem
ser levadas em consideração pelos
profissionais de saúde, pois, se
investigadas, são valiosas para a
identificação de problemas.

149/231 Unidade 5 • Epidemiologia das Doenças e Vigilância em Saúde


?
Questão
para
reflexão

A população deve fazer parte do controle social


não apenas dos determinantes de saúde, mas do
financiamento como um todo. Você como cidadão
participa das ações de vigilância em saúde? Reflita
sobre o envolvimento da população e a transparência
da participação popular!

150/231
Considerações Finais (1/4)

A identificação de uma grande variação – para mais ou para menos – no


número de casos ocorridos de determinada doença, em um curto período de
tempo, como no caso de surtos de doenças transmitidas por alimentos, pode
ser identificada rapidamente. Quase sempre, as mudanças na incidência
das doenças não são suficientemente nítidas para serem percebidas,
sem um acompanhamento contínuo de seu comportamento. A vigilância
epidemiológica tem a finalidade de conhecer a ocorrência de doenças
e outros agravos considerados prioritários, seus fatores de risco e suas
tendências, além de planejar, executar e avaliar medidas de prevenção e de
controle.
Na Lei Federal nº 6.259, de 30 de outubro de 1975, que cria o Sistema
Nacional de Vigilância Epidemiológica, destacam-se os seguintes artigos.

151/231
Considerações Finais (2/4)

Art. 8º – É dever de todo cidadão comunicar à autoridade


sanitária local a ocorrência de fato, comprovado ou presumível,
de caso de doença transmissível, sendo obrigatória a médicos
e outros profissionais de saúde, no exercício da profissão, bem
como aos responsáveis por organizações e estabelecimentos
públicos e particulares de saúde e ensino, a notificação de
casos suspeitos ou confirmados de doenças e agravos.
Art. 9º – É obrigatório proceder a investigação epidemiológica
pertinente à elucidação do diagnóstico e tomar medidas de
controle cabíveis, no caso das doenças do elenco de Doenças
de Notificação Compulsória (DNC).

152/231
Considerações Finais (3/4)

Art. 14 – A inobservância da presente lei constitui infração,


sujeitando o infrator a penalidades previstas na Lei no 6.437, de
20/8/1977, artigo 10, itens VI e VII.
O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica é um
subsistema do Sistema Único de Saúde (SUS), baseado na
informação-decisão-controle de doenças e agravos específicos.
Seus principais objetivos são elaborar, recomendar e avaliar as
medidas de controle e o planejamento.
As atividades desenvolvidas pela vigilância epidemiológica são:
a) coleta;
b) investigação epidemiológica;
c) interpretação de dados e análise de informação;
153/231
Considerações Finais (4/4)

d) recomendação e adoção de medidas de controle;


e) avaliação do sistema de vigilância epidemiológica;
f) retroalimentação e divulgação de informações; e
g) consolidação de dados.
Essas atividades ocorrem em todos os níveis de atuação do sistema de saúde.
A força e o valor da informação (dado trabalhado) dependem da qualidade e
da fidedignidade com que os dados são gerados e coletados, bem como da
sua representatividade em relação ao problema existente.

154/231
Referências

ROUQUAYROL, M. Z. Epidemiologia & Saúde. 4. ed. Rio de Janeiro: Medsi; 1994. p. TEIXEIRA, C. F.;
PAIM, J. S.; VILASBOAS, A. L. SUS: modelos assistências e vigilância de saúde.
TEIXEIRA, M. G.; PENNA, G. O.; RISI, J. B.; PENNA, M. L.; ALVIM, M. F.; MORAES, J. C. et al. Seleção
das doenças de notificação compulsória: critérios e recomendações para as três esferas de
governo. Informes Epidemiológicos do SUS, 1998; VII(1).
WALDMAN, E. A. Vigilância epidemiológica como prática de saúde pública. 1991. Tese – Faculdade
de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1991.

155/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Assista a suas aulas

Aula 5 - Tema: Epidemiologia das Doenças - Aula 5 - Tema: Epidemiologia das Doenças - Bloco
Bloco I II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/1f-
c502dd849ca534c70c96e21d298b07a5>. 641479cbb7203ff36ae256bf5dbd83>.

156/231
Questão 1
1. As ações da Vigilância em Saúde compreendem as seguintes práticas:

I – A integração entre as vigilâncias epidemiológica, sanitária, ambiental e saúde do


trabalhador.
II – A análise da situação de saúde de grupos populacionais.
III – A identificação e gerenciamento dos riscos dos diversos ambientes do convívio humano.
IV – O planejamento em saúde com enfoque estratégico-situacional.
V – A organização tecnológica do trabalho em saúde.
Estão corretas as afirmações:
a) Apenas I.
b) Apenas I e III.
c) I, II, III, IV e V.
d) Apenas IV e V.
e) Apenas II, III e IV.

157/231
Questão 2
2. Dentre as atividades desenvolvidas pela vigilância epidemiológica, é
correto afirmar:

a) Coleta e investigação secundária.


b) Coleta, investigação epidemiologica, interpretação de dados e análise de informação.
c) Erradicação de infecções hospitalares e controle de doenças relacionadas às bactérias
multirresistentes.
d) Avaliação dos agentes sanitários através de programas de qualidade.
e) Apenas alimentam dados que servirão de indicadores para os gestores de saúde ao nível
federal.

158/231
Questão 3
3. Dentre os sistemas que integram o Sistema Nacional de Vigilância em
Saúde, pode-se afirmar que está correta a alternativa:

a) Sistema de Mortalidade Infantil.


b) Sistema de Qualidade de Vida do Idoso.
c) Sistema Nacional de Nascidos Vivos.
d) Sistema de controle de doenças infecto contagiosas.
e) Programas de prevenção e controle de doenças de relevância em saúde pública, incluindo o
Programa Nacional de Imunizações.

159/231
Questão 4
4. A Lei Federal nº 6.259, de 30 de outubro de 1975 cria o Sistema
Nacional de Vigilância Epidemiológica. Essa lei regulamenta a
atividade do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e também
dispõe sobre os direitos e deveres dos cidadãos e das instituições/
organizaçãoes de saúde, entre eles:

a) É dever de todo cidadão comunicar à autoridade sanitária local a ocorrência de fato,


comprovado ou presumível, de caso de doença transmissível.
b) É obrigatória aos enfermeiros, exceto aos responsáveis por organizações e estabelecimentos
particulares de saúde, a notificação de casos suspeitos ou confirmados de doenças e agravos.
c) É obrigatoório o controle de notificações compulsórias, exceto em serviços hospitalares.
d) É obrigatório o controle de notificações compulsórias, exceto em serviços de atenção
domiciliar.
e) É dever de toda instituição de serviço de saúde, tanto da rede pública, como particular,
comunicar aos usuários a ocorrência de fato, comprovado ou presumível, de caso de doença
sexualmente transmissível.
160/231
Questão 5
5. Assinale a alternativa correta. O que se entende por Vigilância
Sanitária?

a) Órgão de atuação ao nível federal que tem por objetivo realizar o controle da produção, do
transporte, da importação e exportação de todos os produtos que integram a economia
nacional a fim de evitar problemas relacionados a escassez ou excesso de tais produtos no
mercado.
b) Órgão regulatório que atua em todas as esferas governamentais, seguindo uma relação
hierárquica e promove o controle da qualidade (satisfação, eficiência, eficácia e economia)
na prestação de serviços que se relacionam diretamente à saúde.
c) Um conjunto de ações planejadas, desenvolvidas e implementadas em regiões onde haja
maior concentração de pessoas em vulnerabilidade social, com o objetivo de promover
melhorias nas condições de trabalho, saúde, lazer e segurança dessa população.
d) Um conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde.
e) Conjunto de obras, estruturas e processos que atuam eliminando todos os problemas
sanitários decorrentes do meio ambiente, sendo que as condições de saúde de uma
população dependem exclusivamente da atuação dessa instiruição.
161/231
Gabarito
1. Resposta: C. populacionais, em suas dimensões coletiva
e individual.
Dessa forma, avaliada do ponto de vista
tecnológico e operacional, as açaões 2. Resposta: B.
de vigilância em saúde podem ser
entendidas como a prática das seguintes As atividades desenvolvidas pela vigilância
ações: a) integração entre as vigilâncias epidemiológica são: coleta, investigação
epidemiológica, sanitária, ambiental e epidemiológica, interpretação de dados e
saúde do trabalhador; b) a análise da análise de informação, recomendação e
situação de saúde de grupos populacionais; adoção de medidas de controle, avaliação
c) a identificação e gerenciamento dos do sistema de vigilância epidemiológica,
riscos dos diversos ambientes do convívio retroalimentação e divulgação de
humano; d) o planejamento em saúde com informações e consolidação de dados.
enfoque estratégico-situacional; e e) a
organização tecnológica do trabalho em
saúde, estruturada por práticas articuladas
3. Resposta: E.
de prevenção de doenças e agravos,
O Sistema Nacional de Vigilância em Saúde
bem como de promoção, recuperação
é integrado com I. Subsistema Nacional
e reabilitação da saúde de grupos
de Vigilância Epidemiológica, de doenças
162/231
Gabarito
transmissíveis e de agravos e doenças não Vigilância Epidemiológica, destacam-se
transmissíveis. II. Subsistema Nacional de os seguintes artigos. Art. 8º – É dever de
Vigilância em Saúde Ambiental, incluindo todo cidadão comunicar à autoridade
ambiente de trabalho. III. Sistema Nacional sanitária local a ocorrência de fato,
de Laboratórios de Saúde Pública, nos comprovado ou presumível, de caso de
aspectos pertinentes à Vigilância em Saúde. doença transmissível, sendo obrigatória a
IV. Sistemas de informação de Vigilância médicos e outros profissionais de saúde,
em Saúde. V. programas de prevenção e no exercício da profissão, bem como
controle de doenças de relevância em saúde aos responsáveis por organizações e
pública, incluindo o Programa Nacional de estabelecimentos públicos e particulares
Imunizações. VI. Política Nacional de Saúde de saúde e ensino, a notificação de casos
do Trabalhador. VII. Política Nacional de suspeitos ou confirmados de doenças e
Promoção da Saúde. agravos.

4. Resposta: A. 5. Resposta: D.

Na Lei Federal nº 6.259, de 30 de outubro Entende-se por vigilância sanitária um


de 1975, que cria o Sistema Nacional de conjunto de ações capazes de eliminar,

163/231
Gabarito
diminuir ou prevenir riscos à saúde e
de intervir nos problemas sanitários
decorrentes do meio ambiente, da
produção e circulação de bens e da
prestação de serviços de interesse da
saúde, abrangendo: o controle de bens de
consumo que, direta ou indiretamente, se
relacionam com a saúde, compreendidas
todas as etapas e todos os processos,
da produção ao consumo; o controle da
prestação de serviços que se relacionam,
direta ou indiretamente, com a saúde.

164/231
Unidade 6
Resiliência Ambiental e Social

Objetivos

1. Entender o que é resiliência e a


importância do instrumento de
planejamento participativo para
desenvolvimento sustentável do país.

165/231
Introdução

Resiliência significa voltar ao estado graças ao trabalho do famoso ecologista


normal, e é um termo oriundo do latim canadiano C. S. Holling. Os ecossistemas
resiliens. Resiliência possui diversos naturais tornam-se degradados quando
significados para a área da psicologia, perdem sua capacidade de recuperação
administração, ecologia e física. Resiliência natural após distúrbio, ou seja, perdem sua
é a capacidade de voltar ao seu estado resiliência.
natural, principalmente após alguma Para entender de uma forma simples o
situação crítica e fora do comum. que é resiliência, vamos imaginar uma
borrachinha de banco, destas de guardar
1 Resiliência Ambiental dinheiro. Enquanto você não rebenta a
borrachinha, a gente puxa a borrachinha,
No contexto da ecologia, a resiliência é a
ela cede bastante porque é elástica, mas
aptidão de um determinado sistema que
volta ao normal inicial. Até que a gente
lhe permite recuperar o equilíbrio depois de
rebenta a borrachinha. Aí ela não volta
ter sofrido uma perturbação. Esse conceito
mais ao normal, sofre o que se chama
remete para a capacidade de restauração
ruptura. Assim é o ecossistema. Enquanto
de um sistema. A noção de resiliência
ele não foi totalmente degradado, tem
ambiental ficou conhecida a partir de 1970,
condições de se recuperar sozinho,
166/231 Unidade 6 • Resiliência Ambiental e Social
ainda que em muito tempo. Quando o limite de resiliência ou autorrecuperação ou limite de
elasticidade do sistema ou ponto de ruptura é atingido, o ecossistema não se recupera mais
sozinho nem em muito tempo, precisando da ajuda antrópica.
Figura 19 – Resiliência ambiental

Fonte: <http://sociedadeverde.org/br/wp-content/uploads/2012/04/resiliencia.jpg>

167/231 Unidade 6 • Resiliência Ambiental e Social


Dependendo da intensidade do distúrbio, fatores essenciais para a manutenção da resiliência,
como banco de plântulas e de sementes no solo, capacidade de rebrota das espécies, chuvas de
sementes e outros, podem ser perdidos. Isso dificulta o processo de regeneração natural que se
torna ainda mais lento.

Para saber mais


Assista aos vídeos nos links abaixo e entenda um pouco mais de resiliência e biodiversidade.
<https://www.youtube.com/watch?v=JFD-_XY8CLs>
<https://www.youtube.com/watch?v=MWpBCCNpWrw>
<https://www.youtube.com/watch?v=iAey0D_Fgh4>
<https://www.youtube.com/watch?v=ftoz--PCO0A>
<https://www.youtube.com/watch?v=VAoV4BwROfc>

As matas-galeria (florestas ciliares) protegem os cursos de água contra a ação da erosão e


mantêm o equilíbrio dos sistemas de dinâmica fluvial, sendo que são muito suscetíveis à perda
de resiliência.
168/231 Unidade 6 • Resiliência Ambiental e Social
Figura 20 – Floresta climática em equilíbrio:

Para saber mais degradação e recuperação

Quer saber mais? Assista aos vídeos nos links


abaixo e entenda mais sobre as matas ciliares:
<https://www.youtube.com/
watch?v=UPULoJRbxJA>
<https://www.youtube.com/
watch?v=tFFy3WzQBXM>

Uma floresta ciliar está sujeita a distúrbios


naturais, como queda de árvores, Fonte: <https://ecoplantar.files.wordpress.
com/2011/03/mata-ciliar.jpg>
deslizamentos de terra, raios etc. Isso
tudo resulta na abertura de clareiras, Distúrbios provocados por atividades
ou seja, abertura de dossel, que são humanas têm, na maioria das vezes, maior
cicatrizados através da colonização por intensidade e causam maior impacto
espécies pioneiras, seguidas por espécies ambiental negativo do que fenômenos
secundárias, até atingir naturalmente o naturais. Isto compromete muito o
estágio de espécies climáticas. equilíbrio das florestas de matas ciliares.
169/231 Unidade 6 • Resiliência Ambiental e Social
As principais causas de degradação das matas ciliares são o desmatamento indiscriminado
para extensão da área cultivada nas propriedades rurais, o desmatamento para expansão
das áreas urbanas e para obtenção de madeira, os incêndios, a extração de areia nos rios, os
empreendimentos turísticos mal planejados, dentre outros.
Figura 21 – A degradação ambiental: o desmatamento e corte de árvores a uma velocidade maior do que a floreta consegue se recuperar

Fonte: <http://www.blogdogusmao.com.br/v1/wp-content/uploads/desmatamento-amazonia-20110608112219.jpg>

170/231 Unidade 6 • Resiliência Ambiental e Social


Em muitas áreas ciliares, o processo de produzem enchentes, fazem com que a
degradação já é antigo, tendo iniciado com água penetre em solos ressecados de cotas
o desmatamento para transformação da topográficas mais elevadas e diminuem a
área em campo de cultivo ou pastagem. quantidade de água nos cursos de água.
Com o passar do tempo e dependendo da A menor unidade de estudo, geralmente
intensidade do uso, a degradação pode ser adotada em estudos ambientais, é a
agravada através da redução da fertilidade microbacia hidrográfica, definida como
do solo pela exportação de nutrientes aquela cuja área é tão pequena que a
pelas culturas, ou pela prática de queima sensibilidade a chuvas de alta intensidade
de restos vegetais e de pastagens, na e às diferenças de uso dos solos não são
compactação e erosão dos solos pelo suprimidas pelas características das redes
pisoteio de gado e trânsito de máquinas de drenagem (que nada mais são do que
agrícolas. os pontos de elevação topográfica mais
O conhecimento dos aspectos baixos, por onde escoam as águas).
hidrológicos da área é muito importante É possível identificar a extensão das áreas
para a recuperação das matas ciliares. que são inundadas periodicamente pelo
Os solapamentos de encostas e regime de cheias dos rios e a duração
assoreamentos dos cursos de água
171/231 Unidade 6 • Resiliência Ambiental e Social
do período de inundação no nível de
microbacias hidrográficas.
Faz-se necessário identificar a seleção
das espécies vegetais a serem usadas
na recuperação das áreas degradadas,
pois algumas espécies de plantas não se
adaptam a solos encharcados e outras só
sobrevivem nessas condições.
As espécies vegetais, juntamente com
clima e outros fatores, serão determinantes
do tipo de recuperação a ser obtida e
da melhoria da qualidade ambiental e
qualidade de vida das populações da
região.

172/231 Unidade 6 • Resiliência Ambiental e Social


?
Questão
para
reflexão
Pensando que a resiliência faz parte do processo de mudança
de uma população, deve-se sempre ter em mente o que uma
comunidade deve se retirar ou ser reconstruída, quem decide e
quando os esforços de recuperação a curto prazo devem mudar
para o planejamento e reconstrução a longo prazo; logo, reflita
como e de que maneira os proprietários do setor privado podem
contar com a infraestrutura pública? Como o setor público
justifica realizar mais investimentos para proteger uma área
comprovadamente vulnerável? Como os indivíduos justificam
esses mesmos investimentos? Que papel os locatários e bairros
de baixa renda têm no processo de reconstrução? Como o
balanço de múltiplos interesses locais, regionais, nacionais e até
internacionais afetam as respostas a estas perguntas?
173/231
Considerações Finais
A resiliência na administração faz parte dos processos de gestão de
mudanças. Para as pessoas que trabalham nas organizações, elas devem
ter um grande equilíbrio emocional, principalmente, para saber lidar com os
problemas relacionados com o trabalho, quando as situações não ocorrem
como elas esperavam. Além disso, a resiliência diz respeito à capacidade de
tomar medidas que minimizam os problemas que surgem no contexto laboral.
Questões de planejamento e desenvolvimento encontradas por profissionais
que trabalham para integrar os princípios de design sustentável em esforços
de reconstrução são necessárias.
A reconstrução sempre proporcionou a oportunidade para melhorar e
reconstruir de uma forma melhor. Mas os aumentos esperados na intensidade
e frequência das catástrofes levantam novas questões, ao mesmo tempo que
os riscos para obter as respostas certas ficam maiores.
Embora o clima, a geografia e as relações sociais se difiram em cada cidade,
há temas e questões comuns que se aplicam globalmente.
174/231
Referências

BAHIA, L. COSTA, N. STRALEN, C. A saúde na agenda pública: convergências e lacunas nas


pautas de debate e programas de trabalho das instituições governamentais e movimentos
sociais. Ciência & Saúde Coletiva, v. 12, n. sup. p. 1791-1818, nov. 2007.
BUSS, P. M.; IGNARA, R. M. Promoção da Saúde: um novo paradigma mundial para a saúde.
Brasília, 1996.
CARVALHO, A. I. Da saúde pública às políticas saudáveis – saúde e cidadania na pós-
modernidade. In: ________ Ciências & Saÿde Coluna 1, 1996. Coopmed/ACE/Abrasco, 1992.
GARCIA, D. Vigilância à Saúde. Publicação da Secretaria de Saúde de Campina Grande – PB.
Disponível em: <http://www.aids.gov.br/udtv/expediente.html>. Acesso em: 1 out. 2015.
MAESTRO, A. et al. Metodologia de análise e melhoria de processos: AMP da Embrapa. Versão 5.
Brasília: Embrapa, SGE, 2004.
TMAN, M. Elaboración de corredores o canales endémicos mediante planillas de cálculo.
PanAmerican Journal of Public Health, Denvers, vol. 5, n. 1, p. 1-8, 1999.
URIBE RIVERA, Francisco Javier. A gestão situacional (em saúde) e a organização comunicante.
Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, set. 1996. Disponível em: <http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1996000300009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em:
07 maio 2015.
175/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais
Assista a suas aulas

Aula 6 - Tema: Resiliência Ambiental e Social - Aula 6 - Tema: Resiliência Ambiental e Social -
Bloco I Bloco II
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82298c58ab955c158974328e68af3d63>. 01ebe20208c03c70b81abd3e05eafb>.

176/231
Questão 1
1. Resiliência significa:

a) a capacidade de voltar ao seu estado antes da doença, independente de vivenciá-la;


b) a capacidade de voltar ao seu estado normal, com situação crítica e comum;
c) a capacidade de voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica
e fora do comum;
d) voltar ao estado saúde doença;
e) voltar ao estado sobre natural.

177/231
Questão 2
2. Leia e analise a afirmação abaixo:

Resiliência Ambiental é a aptidão de um determinado sistema que lhe permite recuperar o


equilíbrio depois de ter sofrido uma perturbação. Esse conceito remete para a capacidade de
restauração de um sistema.
Trata-se de uma afirmação:
( ) Verdadeira.
( ) Falsa.

178/231
Questão 3
3. As principais causas de degradação das matas ciliares são:

a) a atividade predatória dos índios;


b) o desmatamento indiscriminado para extensão da área cultivada nas propriedades rurais;
c) o desmatamento para expansão das áreas urbanas em larga escala, principalmente para o
cultivo e plantio de monoculturas;
d) a extração de areia para melhorar as encostas dos rios;
e) os empreendimentos turísticos planejados.

179/231
Questão 4
4. Leia e analise a afirmação abaixo:

Uma floresta ciliar está sujeita a distúrbios naturais, como queda de árvores, deslizamentos
de terra; deve-se, entre outras questões, à abertura de dossel que são cicatrizados através da
colonização por espécies pioneiras.
Trata-se de uma afirmação:
( ) Verdadeira.
( ) Falsa.

180/231
Questão 5
5. A microbacia hidrográfica é definida como:

a) área extensa, porém com grande sensibilidade às chuvas de baixa densidade;


b) área de oscilações nas drenagens de chuvas devido ao solo ser arenoso e haver
plantio indiscriminado de plantas/árvores que não apresentam raízes que fixam o solo
corretamente;
c) área tão pequena que a sensibilidade às chuvas de alta intensidade e às diferenças de uso
dos solos não são suprimidas pelas características das redes de drenagem;
d) nada mais do que os pontos de elevação topográfica elevados, por onde não escoam as
águas;
e) relevos pluviais baixos onde possível identificar a extensão das áreas que são inundadas em
todos os períodos do ano.

181/231
Gabarito
1. Resposta: C. 3. Resposta: B.

Resiliência significa voltar ao estado As principais causas de degradação


normal, e é um termo oriundo do latim das matas ciliares são o desmatamento
resiliens. Resiliência possui diversos indiscriminado para extensão da área
significados para a área da psicologia, cultivada nas propriedades rurais, o
administração, ecologia e física. É a desmatamento para expansão das áreas
capacidade de voltar ao seu estado natural, urbanas e para obtenção de madeira,
principalmente após alguma situação os incêndios, a extração de areia nos
crítica e fora do comum. rios, os empreendimentos turísticos mal
planejados, dentre outros.
2. Resposta: Verdadeiro.
4. Resposta: Verdadeira.
A resiliência é a aptidão de um
determinado sistema que lhe permite Uma floresta ciliar está sujeita a distúrbios
recuperar o equilíbrio depois de ter sofrido naturais, como queda de árvores,
uma perturbação. Esse conceito remete deslizamentos de terra, raios etc. Isso
para a capacidade de restauração de um tudo resulta na abertura de clareiras,
sistema.
182/231
Gabarito
ou seja, abertura de dossel, que são regime de cheias dos rios e a duração
cicatrizados através da colonização por do período de inundação no nível de
espécies pioneiras, seguidas por espécies microbacias hidrográficas.
secundárias, até atingir naturalmente o
estágio de espécies climáticas.

5. Resposta: C.
A microbacia hidrográfica é definida como
aquela cuja área é tão pequena que a
sensibilidade às chuvas de alta intensidade
e às diferenças de uso dos solos não são
suprimidas pelas características das redes
de drenagem (que nada mais são do que
os pontos de elevação topográfica mais
baixos, por onde escoam as águas). É
possível identificar a extensão das áreas
que são inundadas periodicamente pelo

183/231
Unidade 7
Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva

Objetivos

1. Compreender o processo
de intervenção humana no
gerenciamento do risco relacionado
aos aspectos ambientais e a saúde
coletiva.

184/231
Introdução

Saneamento ambiental é o conjunto de O saneamento ambiental é de extrema


investimentos públicos em políticas de importância, mas, infelizmente, ainda
controle ambiental que busca resolver existem muitas cidades e até países que
os graves problemas gerados na não contam com esse tipo de serviço.
infraestrutura das cidades, contribuindo
para uma melhor qualidade de vida da 1 Gestão Ambiental
população.
Gestão ambiental é o gerenciamento, a
Segundo a Organização Mundial de Saúde
administração e condução das atividades
(OMS), “saneamento é o controle de todos
econômicas e sociais das empresas visando
os fatores ambientais que podem exercer
o desenvolvimento sustentável e o uso
efeitos nocivos sobre o bem-estar, físico,
racional de matérias-primas e dos recursos
mental e social dos indivíduos”, tais como
naturais, portanto a gestão ambiental
poluição do ar (emissão de gases), do solo
é a busca constante por melhoria das
(lixo urbano) e das águas (dejetos lançados
atividades econômicas, dos serviços,
nos rios, represas etc.), poluição sonora
produtos e do meio ambiente de trabalho,
e visual, ocupação desordenada do solo
estimulando a redução do desperdício de
(margens de rios, morros etc.), o esgoto a
materiais, energia, água etc. e consequente
céu aberto, enchentes etc.
185/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva
redução de custos, levando em conta a influenciadas pelo déficit desse serviço,
sustentabilidade. pois as crianças são mais vulneráveis às
O saneamento ambiental é de extrema doenças originadas pela ausência de água
importância na prevenção de doenças, tratada e coleta de esgoto.
como a hepatite A, febre tifoide, febre No aspecto ambiental, a ausência de
amarela, diarreia, cólera, amebíase e saneamento intensifica a poluição hídrica,
malária, visto que essas enfermidades além de causar fortes odores.
podem ser provocadas pelo contato com
o esgoto (parasitas presentes em dejetos
humanos), consumo de alimentos ou água
contaminada, conforme visto na unidade 4.
Estima-se que cerca de 6% de todas as
doenças no mundo sejam causadas pela
falta de saneamento, o que provoca a
morte de mais de 15 milhões de pessoas
anualmente por doenças infecciosas. As
taxas de mortalidade infantil também são

186/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva


Figura 22 – Esgoto não tratado, lançado em rios
e corrégos que percorrem várias regiões
moradia. Os governos, alegando elevados
gastos para implantação desse serviço,
não conseguem estruturar a cidade
de acordo com o ritmo de crescimento
populacional. Contudo, é importante
ressaltar que os gastos com saneamento
ambiental são extremamente vantajosos,
pois proporcionam a redução de casos
de doenças infecciosas e da taxa de
mortalidade infantil e diminui os impactos
ambientais, além de oferecer ambientes
saudáveis para a população, garantindo,
assim, maior qualidade de vida.
Fonte: <http://www.escolakids.com/public/upload/
image/poluicao%20da%20agua%20kids2.jpg> Uma geração de empreendedores começou
A expansão urbana sem o devido a pensar nos riscos à saúde, bem-estar
planejamento torna esse problema ainda e qualidade de vida que o problema
mais complexo, ocorrendo a ocupação de de saneamento ambiental propicia à
áreas sem infraestrutura adequada para a população, e, devido ao déficit de solução
187/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva
pelos governantes em geral, por falta de
verba e recursos humanos, o mercado abriu
um leque de oportunidades para pequenas
e grandes empresas no que tange a
soluções de sustentabilidade ambiental,
Para saber mais
Quer saber mais? Assista aos vídeos sobre
nos diversos setores (saúde, educação,
gerenciamento de risco ambiental nos links abaixo:
nutrição, habitação, saneamento,
agricultura, energia, dentre outros). <https://www.youtube.com/
watch?v=WmX0vK_pvKs
Logo, cabe uma discussão sobre o processo
de intervenção humana no gerenciamento <https://www.youtube.com/
do risco relacionado aos aspectos watch?v=DaRrgKdg4Lo
ambientais e à saúde coletiva. <https://www.youtube.com/
watch?v=m1Td3MODx50

188/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva


2 Gestão de Risco

Entrende-se por risco, o conceito de possibilidade medida ou estimada de dano, doença ou


morte causada por uma fonte de perigo em um indivíduo a esse exposto.
Figura 23 – Gestão de risco: proteger, prevenir e prever

Fonte: http://br.monografias.com/trabalhos3/percepcao-desastres-ambientais-climaticos-jaragua/image002.jpg

Existem dois tipos de risco:


a) risco real: é o estatisticamente medido e calculado, caso se disponha de todos os dados
que conduzem a ocorrência de determinado evento indesejado. Também é denominado
risco objetivo;
189/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva
b) risco percebido: é o percebido pelo Figura 24 – Organização de risco: gerenciamento e avaliação

indivíduo, independente ou não dos


valores encontrados pela análise
científica.
Na saúde, as questões que definem
os riscos são norteadas pelo grau do
dano que o risco pode ocasionar e
pelas possibilidades de ocorrências. As
consequências podem ser amenizadas,
entretanto na saúde não tem como ser
questionado o nível de risco, se tolerável
ou aceitável, pois os serviços prestados
são diretamente ligados à saúde e doença, Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/-y2BT3oD6G88/
UgpWxka4QuI/AAAAAAAAa0Y/ib0cm0vNwFs/
sendo que, se aceitável, pode-se ocasionar s640/analiserisco_componentes_01.png>
danos irreparáveis. A gestão do risco é um processo interativo
aplicado durante todo o ciclo de vida
do projeto, desde a proposta inicial até
o seu encerramento, acompanhando
190/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva
a sua evolução de modo a verificar a Esse tipo de auditoria deve relacionar
implementação das ações e as respostas saúde, segurança assistencial e
aos riscos. Esse conceito é usado na operacional com gerenciamento de
atualidade como fator de diferenciação recursos.
entre sucesso e fracasso de uma Pensando na segurança operacional, as
organização. organizações de saúde enfrentam uma
O gerenciamento de risco deve ser um série de riscos que podem afetar seus
ciclo contínuo. A primeira etapa consiste objetivos, desde iniciativas estratégicas
em identificar a fonte de perigo e fazer a até suas operações, refletindo diretamente
análise dos riscos, propondo medidas de nos resultados não só financeiros, mas à
controle e avaliação de desempenho. sociedade, família, paciente.
A monitoria por si só não garante o sucesso Saber quais os objetivos da instituição é
da operação; cabe ao auditor a influência fundamental para a estratégia a ser usada
sobre os profissionais de aceitarem esse pelo gestor de riscos. Suas metas devem
novo conceito dentro das organizações de estar alinhadas com as da organização.
saúde.

191/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva


3 Regulamento Sanitário interferências desnecessárias ao tráfego e
Internacional ao comércio internacionais. Em 2005, um
novo RSI foi proposto, tendo como base o
O Regulamento Sanitário Internacional fortalecimento da capacidade de vigilância
(RSI) representa um instrumento de e a resposta às emergências em saúde,
acordo entre países, com a finalidade considerando a avaliação do risco em
de prevenir e controlar a propagação saúde pública.
de doenças. A versão anterior, adotada Nesse sentido, foram estabelecidos quatro
em 1969, aplicava-se somente a três critérios para a definição de um evento
doenças infecciosas: cólera, peste e febre como emergência em saúde pública de
amarela. Com o passar dos anos, diante relevância internacional:
das intensas transformações mundiais a) gravidade e repercussão em saúde
(ex.: crescimento demográfico, alterações pública;
ambientais, globalização, entre outros),
b) evento inesperado ou raro;
foi necessária a discussão de uma nova
abordagem que considerasse o conceito c) risco de propagação internacional;
de risco em saúde pública e capacidade de d) risco de imposição de restrição a
resposta proporcional e restrita, evitando viagens ou comércio.

192/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva


Todos os países-membros, inclusive
o Brasil, comprometeram-se com
o fortalecimento da vigilância em
Para saber mais
saúde, assumindo o compromisso de Quer saber mais sobre a Secretaria de Vigilância
cumprimento de metas. em Saúde (SVS)? Acesse o site: <http://www.
saude.gov.br/svs>.
De acordo com o RSI-2005, cada país deve
estabelecer um Centro Nacional de Enlace
(CNE), com a finalidade de garantir um ágil 4 Sistema Nacional de
intercâmbio de informações relevantes Laboratórios de Saúde Pública
entre a Organização Mundial da Saúde e
os demais países. No Brasil, o Centro de O Sistema Nacional de Laboratórios de
Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde Pública (SISLAB) foi instituído pela
Saúde (CIEVS) da Secretaria de Vigilância Portaria no 2.031, de 23 de setembro de
em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde é a 2004, com o objetivo de atender com
referência para o RSI. maior eficácia as ações de vigilância. A
Portaria nº 2.031/2004 define o SISLAB
como conjunto de redes nacionais de
laboratórios, organizadas em sub-redes

193/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva


por agravos ou programas, de forma sobre as técnicas de coleta, procedimentos
hierarquizada por grau de complexidade de conservação e transporte de amostras
das análises relacionadas à vigilância estão descritas em manuais que
epidemiológica, vigilância ambiental em padronizam e orientam essas atividades,
saúde, vigilância sanitária e assistência contribuindo para minimizar o percentual
médica de alta complexidade. de amostras impróprias para análise.
Para que as ações de vigilância Outra questão que ocorre, prejudicando
epidemiológica sejam eficazes, é o diagnóstico etiológico, é o extravio
essencial a participação do laboratório de amostra. Para evitá-lo, deve-se
na investigação do patógeno, ou de seus estabelecer um controle sistemático
produtos encontrados em tecidos ou de todo procedimento de envio de
fluídos biológicos do hospedeiro. Para que amostras e recebimento de resultados,
isso seja possível, são necessários cuidados com preenchimento correto dos dados
especiais no procedimento de coleta, pessoais, clínicos e epidemiológicos a
conservação e transporte das amostras, serem enviados. A prática correta de tais
sensibilidade dos métodos utilizados e procedimentos é fundamental para o
implantação efetiva de um programa de sucesso das investigações.
vigilância laboratorial. As informações
194/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva
A monitorização e investigação laboratorial d) Rede Nacional de Laboratórios
dos casos se fazem necessários, pois, de Assistência Médica de Alta
quando se trata de saúde coletiva é preciso Complexidade.
realizar a busca ativa e monitoramento As redes de laboratórios de vigilância
dos casos para trata-los e evitar maior epidemiológica e saúde ambiental são
disseminação que atinja outros indivíduos. coordenadas pela Coordenação Geral de
Somente dessa maneira é possível uma Laboratórios de Saúde Pública – CGLAB,
gestão do risco ambiental/saúde adequada. da Secretaria de Vigilância em Saúde,
A Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Ministério da Saúde.
Pública está dividida em quatro redes Suas diretrizes, descritas na Portaria nº
macros: 2.031/2004, compreendem o diagnóstico
a) Rede Nacional de Laboratórios de de doenças de notificação compulsória;
Vigilância Epidemiológica; a vigilância de doenças transmissíveis e
b) Rede Nacional de Laboratórios de não transmissíveis; o monitoramento de
Vigilância em Saúde Ambiental; resistência antimicrobiana e a definição
da padronização dos kits diagnósticos a
c) Rede Nacional de Laboratórios de serem utilizados na rede; a vigilância da
Vigilância Sanitária; e qualidade da água para consumo humano;
195/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva
a vigilância da qualidade do ar; a vigilância
da qualidade do solo; a vigilância de fatores
ambientais físicos e químicos; a vigilância
de fatores ambientais biológicos (vetores,
hospedeiros, reservatórios e animais
peçonhentos); e o monitoramento de
populações humanas expostas aos fatores
ambientais biológicos, químicos e físicos.

196/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva


Glossário
Monitorização: acompanhar e avaliar ou controlar mediante acompanhamento. Ele é utilizado
em textos técnicos da área da Saúde com o mesmo significado da palavra inglesa monitoring,
ou seja, controlar e, às vezes, ajustar programas ou olhar atentamente, observar ou controlar
com propósito especial.
Investigação laboratorial ou vigilância laboratorial: toda e qualquer atividade de vigilância
epidemiológica cuja tomada de decisão ou informação dependa de resultados laboratoriais.

197/231 Unidade 7 • Saneamento Ambiental e Saúde Coletiva


?
Questão
para
reflexão
Os riscos ambientais são analisados segundo raciocínios
probabilísticos sobre a interação do organismo humano com
fatores externos, e a vigilância ambiental em saúde aparece
como componente a ser incorporado em políticas ambientais.
No campo das ciências sociais, diferentes autores trabalham
com a noção de vulnerabilidade dos grupos humanos aos
riscos ambientais. A engenharia utiliza as análises de riscos
para estabelecer probabilidades de ocorrências com potencial
negativo, buscando reduzir suas possíveis conseqüências.
Com base na hipótese de um colapso no abastecimento de
água, reflita sobre as medidas de gerenciamento de risco
ambiental que podem ser adotadas para esse problema.
198/231
Considerações Finais

Apesar de todos esses transtornos gerados pela falta de saneamento


ambiental, cerca de 2,584 bilhões de pessoas não contam com esse serviço
em suas residências, sendo que 1,6 bilhão são de países da África e da Ásia,
conforme dados divulgados em 2010 pelo Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (PNUMA). No Brasil, aproximadamente 37,5% das
residências não contam com saneamento.
O impacto das ações de controle adotadas na ocorrência de novos casos
pode ser avaliado relacionando-se a medida dessas ocorrências com alguns
parâmetros, que variam com as ações desenvolvidas.
É necessário realizar medidas de gerenciamento de risco ambiental,
favorecendo as condições para a gestão da saúde, sempre com foco nos
determinantes de saúde.

199/231
Referências

ABNT NBR ISO 31000. Gestão de riscos – Princípios e diretrizes, 2009.


BUEHLER, J. W. Surveillance. In: ROTHMAN; K. J.; GREENLAND, S. Modern Epidemiology. 2. ed.
Philadelphia: Lippincott-Raven Publishers, 1998, p. 435-58.
BUSS, P. M.; IGNARA, R. M. Promoção da Saúde: um novo paradigma mundial para a saúde.
Brasília, 1996.
CARVALHO, A. I. Da saúde pública às políticas saudáveis – saúde e cidadania na pós-
modernidade. In: ______________ Ciências & Saÿde Coluna 1, 1996. Coopmed/ACE/Abrasco;
1992.
CENTRO NACIONAL DE EPIDEMIOLOGIA/FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Seleção de
doenças de notificação compulsória: critéris e recomendações para as três esferas de governo.
Documento final. Brasília, junho de 1998.
CENTRO PARA O CONTROLE DE DOENÇAS. Diretrizes para avaliação de Sistemas de Vigilância
Epidemiológica. MMWR, 1988, Suplemento-5. Trad. da Divisão Nacional de Doenças
Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde; 1989.
FELDMAN, Liliane Bauer et al. Gestão de Risco e Segurança Hospitalar. 2. ed. São Paulo: Martinari,
2009.

200/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


MOTTA, Ana Letícia Carnevalli. Auditoria Médica no Sistema Privado: abordagem prática para
organização de saúde. São Paulo: Iátria, 2005.
PELLEGRINI, Giuseppina. Auditoria em Saúde – 100 perguntas e respostas sobre auditoria de
contas médicas. São Paulo: Farol do Forte, 2011.
TMAN, M. Elaboración de corredores o canales endémicos mediante planillas de cálculo.
PanAmerican Journal of Public Health, Denvers, vol. 5, n.1, p. 1- 8, 1999

201/231 Unidade 4 • Doenças Relacionadas às Más Condições de Saneamentos Ambientais


Assista a suas aulas

Aula 7 - Tema: Saúde Coletiva - Bloco I Aula 7 - Tema: Saúde Coletiva - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/be-
409f774a41ce83ced2bb6deb53e4b7d8>. 486b120e71a254f3adcde37650d632>.

202/231
Questão 1
1. Saneamento ambiental é:

a) o conjunto de investimentos privados em políticas de controle ambiental;


b) as ações graves geradas devido à infraestrutura das cidades;
c) a análise da qualidade de vida da população;
d) o conjunto de investimentos públicos em políticas de controle ambiental;
e) resolução de agravos aos problemas gerados por doenças na vida rural.

203/231
Questão 2
2. A Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública está dividida em
quatro redes macros. São elas:

I – Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Epidemiológica.


II – Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância em Saúde Ambiental.
III – Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Sanitária.
IV – Rede Nacional de Controle de Mortalidade.
Estão corretas as afirmações:
a) Apenas III.
b) Apenas IV.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I, II, III.
e) Apenas IV.

204/231
Questão 3
3. Leia e analise a afirmativa abaixo:

Para que as ações de vigilância epidemiológica sejam eficazes, é essencial a participação do


laboratório na investigação do patógeno, ou de seus produtos encontrados em tecidos ou
fluidos biológicos do hospedeiro.
Essa afirmativa é:
( ) Verdadeira.
( ) Falsa.

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Questão 4
4. O gerenciamento de risco deve ser:

a) um ciclo contínuo; a primeira etapa consiste em identificar a fonte de perigo;


b) um ciclo intermitente, propondo medidas de controle e avaliação de desempenho apenas
nas situações pontuais;
c) cíclico, em que a análise dos componentes deve ser feita gradativamente;
d) um ciclo contínuo, em que a primeira etapa é a análise de medidas de prevenção;
e) um ciclo intermitente, com medidas e monitoramento pontuais para o problema.

206/231
Questão 5
5. Leia a afirmação abaixo:

A monitorização e investigação laboratorial se fazem necessários apenas quando se trata de


patalogia que incide na saúde individual (ou seja, de um indivíduo). Isso porque não é possível
fazer uma gestão do risco ambiental/ saúde com foco coletivo.
Essa afirmação é:
( ) Verdadeira.
( ) Falsa.

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Gabarito
1. Resposta: D. Laboratórios de Assistência Médica de Alta
Complexidade.
Saneamento ambiental é o conjunto de
investimentos públicos em políticas de 3. Resposta: Verdadeira.
controle ambiental que busca resolver
os graves problemas gerados na Para que as ações de vigilância
infraestrutura das cidades, contribuindo epidemiológica sejam eficazes, é
para uma melhor qualidade de vida da essencial a participação do laboratório
população. na investigação do patógeno, ou de seus
produtos encontrados em tecidos ou
2. Resposta: D. fluídos biológicos do hospedeiro.

A Rede Nacional de Laboratórios de Saúde 4. Resposta: A.


Pública está dividida em quatro redes
macros. Rede Nacional de Laboratórios de O gerenciamento de risco deve ser um
Vigilância Epidemiológica; Rede Nacional ciclo contínuo. A primeira etapa consiste
de Laboratórios de Vigilância em Saúde em identificar a fonte de perigo e fazer a
Ambiental; Rede Nacional de Laboratórios análise dos riscos, propondo medidas de
de Vigilância Sanitária; e Rede Nacional de controle e avaliação de desempenho.
208/231
Gabarito
5. Resposta: Falsa.

A monitorização e investigação
laboratorial dos casos se fazem
necessários, pois, quando se trata de saúde
coletiva é preciso realizar a busca ativa e
monitoramento dos casos para trata-los
e evitar maior disseminação que atinja
outros indivíduos. Somente dessa maneira
é possível uma gestão do risco ambiental/
saúde adequada.

209/231
Unidade 8
Confecção de Projetos para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras

Objetivos

1. Compreender a linguagem e os
modelos de arcabouço utilizados na
construção de projetos para solicitar
auxílio financeiro aos órgãos de
fomento e às agências financiadoras.

210/231
Introdução

Saneamento e saúde pública têm incluindo a definição da carteira de


figurado como uma importante linha de projetos da empresa, a definição de
pesquisa, uma vez que o tema é inovador prioridades, a tomada de decisão, o
e socialmente relevante. Pesquisas nessa planejamento do projeto e a elaboração do
área buscam conhecimentos que possam documento para o pedido de fomento.
contribuir com a melhoria na utilização de Para uma agência de fomento, projeto é
recursos ambientais, que são esgotáveis e o conjunto de informações que definem a
cada vez mais escassos. alocação de recursos para uma atividade
O sucesso de um projeto é a obtenção ou empreendimento e que permitam a
de recursos para desenvolvê-lo de forma avaliação da conveniência da participação
adequada. Em sua grande maioria, financeira da agência nessas atividades.
a quantidade de ideias e projetos é O processo de captação de recursos em
maior do que a quantidade de recursos fontes de fomento deve fazer parte da
disponíveis. Por isso, faz-se necessário estratégia da empresa, como uma forma de
que o profissional de gestão ambiental viabilizar a execução de projetos na área de
compreenda os aspectos e os modelos gestão ambiental.
utilizados para a construção de projetos,
no intuito de obtenção de apoio financeiro,
211/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras
1 Pesquisa e Desenvolvimento

É importante ressaltar que toda pesquisa, principalmente na área de saneamento


ambiental, sustentabilidade, deve ser uma atividade da empresa que buscará o seu próprio
desenvolvimento, o que é chamado de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), visto que é voltada
à produção de um novo produto ou aprimorar um produto que já é comercializado, bem como
criar ou aprimorar um processo produtivo.
Figura 25 – Pesquisa e Desenvolvimento.

Fonte: <http://www.ambienteenergia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/PD_destaque_noticia.jpg>

212/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras


Os projetos devem estar alinhados com os organização ou da necessidade de superar
objetivos estratégicos da empresa, com problemas a suas atividades.
foco na identificação de necessidades No caso de fomentos governamentais,
e oportunidades de desenvolvimento e deve-se analisar os editais disponíveis
sustentabilidade. e se contemplam o objeto do estudo.
Definido o projeto a ser trabalhado, Busque informações sobre a instituição de
cabe realizar um orçamento e a busca fomento que está em busca, como a missão
de fomento para executá-lo. Quando se da instituição, o seu âmbito de atuação
trata de sustentabilidade e melhoria nas (nacional, internacional, regional ou local),
condições ambientais, recursos externos, seus valores e cultura, diretrizes atuais para
como de empresas do mesmo ramo, saber se o projeto está alinhado com as
esferas de governo e população em geral prioridades da fonte de fomento, tipos de
(ONGs, sindicatos), podem ser envolvidos, projetos que foram apoiados no passado e
visto que o objetivo final é a melhoria e as linhas de financiamento disponíveis.
bem-estar da população, evitando ou A análise da aderência a um edital ou linha
mitigando doenças e agravos à saúde. de financiamento é importante, pois ela
O projeto é formulado como resultado lhe dará um norte sobre a pergunta a ser
do surgimento de oportunidades para a respondida no projeto.
213/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras
Atenção 2 Da Documentação
Um dos pontos mais críticos na É importante que não se esqueça de
apresentação de projetos está no analisar qual documentação está sendo
enquadramento do projeto ao objetivo exigida para envio da proposta. Lembre-se
do edital ou linha de financiamento. A de fazer um check list e verificar se todos os
maioria dos editais é específica. Se o documentos exigidos estão contemplados,
objetivo do projeto não estiver alinhado bem como as assinaturas.
ao tema do edital, não existe chance de
aprovação. Os prazos do edital, as contrapartidas
exigidas para os participantes do
As linhas de financiamento para apoio à projeto (tipo e percentual) e os critérios
inovação nas empresas são mais flexíveis de avaliação das propostas também
e permitem a apresentação de propostas precisam ser analisados rigorosamente
para temas diversos, desde que bem e contemplados na proposta. Cumprir
caracterizadas a inovação, o alinhamento corretamente todas essas etapas evitará
do projeto, a estratégia da empresa e o seu que se desprenda tempo em vão.
potencial.
Na construção de um projeto, não se
esqueça de contemplar a introdução,
214/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras
objetivo, justificativa, método, cronograma, 3 Roteiro para Construção de
escopo, orçamento (aquisições e parcerias) Um Projeto
e contribuição prática da pesquisa, quem
são os pesquisadores e quais as funções de A elaboração de projetos é um trabalho de
cada um. Todos esses itens são essenciais equipe, tendo um coordenador responsável
para a construção do projeto. por direcionar as atividades e consolidar as
informações, bem como liderar a equipe.
Durante o processo de planejamento,
Para saber mais algumas perguntas podem ajudar no
detalhamento do projeto:
Quer saber mais sobre o assunto? Assista aos
vídeos listados abaixo e saiba mais.
a) O que precisa ser feito para entregar
o produto do projeto?
<https://www.youtube.com/watch?v=rYha-
J0gM0nE>
b) Quais entregas parciais serão feitas e
quando?
<https://www.youtube.com/watch?v=Bd-
GRGUn_XNM>
c) O objetivo e escopo estão claros para
todos?

215/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras


d) Qual o diferencial tecnológico a ser l) Quais são os riscos do projeto?
desenvolvido pelo projeto? m) Que parcerias podem ser realizadas?
e) O que deve ser feito internamente e o O escopo indica o alcance do projeto. De
que pode ser terceirizado? onde ele parte e até onde vai, o que está
f) Todos os recursos necessários foram contido nele. Não esquecer que o objetivo
identificados? é a finalidade do projeto, enquanto a
g) Os recursos necessários estão justificativa é o motivo.
disponíveis? Na justificativa, devem ser contemplados
h) As estimativas de tempo e custo são os benefícios que o projeto deverá
viáveis? proporcionar e os ganhos que representa
para quem investe. Devem-se também
i) É possível reduzir o tempo e o custo mencionar os ganhos que traz para a
do projeto? sociedade. São eles que justificam o projeto
j) Que atividades podem ser realizadas perante o poder público representado
paralelamente? por órgãos como agências de fomento,
agências reguladoras, órgãos ambientais e
k) O que pode impedir o sucesso do
outros.
projeto?
216/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras
Um projeto se justifica com base em h) a caracterização de uma demanda de
informações sobre: mercado.
a) o grau de inovação tecnológica; Outros aspectos importantes: analisar a
b) o impacto do produto no mercado; existência de algum estudo similar, ou seja,
se a proposta é realmente original e visa
c) a importância estratégica para a o preenchimento de alguma lacuna no
sociedade; conhecimento; identificar quais avanços
d) a capacidade técnica da equipe tecnológicos e o corpo de conhecimento já
executora; existente sobre o assunto (considerando as
pesquisas científicas publicadas – “estado
e) a experiência acumulada da empresa
da arte”); apontar que problema o projeto
f) a necessidade de implantação do se propõe a tratar, qual sua relevância, seja
projeto para a competitividade da social, política ou econômica e quais os
empresa; impactos espera-se gerar com o estudo. Ou
g) o alinhamento do projeto com seja, deve-se explicar qual a situação atual,
o planejamento estratégico da quais os avanços e melhorias poderão ser
empresa; e alcançados com a pesquisa.

217/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras


Para saber mais
Para saber mais sobre construção de projetos,
acesse nossa biblioteca e os sites:

<www.finep.gov.br>.

<www.bndes.gov.br>.

<www.cnpq.br>.

218/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras


Glossário
Contrapartida financeira: investimentos feitos diretamente no projeto pelas instuições
envolvidas, adquirindo produtos ou serviços de terceiros, comprováveis por meio de notas
fiscais e recibos.
Contrapartida não financeira ou econômica: recursos materiais e humanos próprios das
instuições que são disponibilizados para o projeto, comprováveis através de termos de uso,
cessão, transferência.

219/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras


?
Questão
para
reflexão

Diante de todo o contexto apresentado, reflita sobre


possíveis projetos na área de saneamento ambiental
e saúde pública que você poderia construir na região
onde você vive e/ou na empresa em que trabalha.

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Considerações Finais

Conhecer a linguagem e os modelos de arcabouço utilizados na construção


de projetos com finalidade de solicitação de auxílio financeiro para órgãos de
fomento e agências financiadoras é importante para o profissional que atua na
área de saneamento ambiental.
Além de saber elaborar um projeto que tenha foco em uma linha de pesquisa, que
busque responder adequadamente à pergunta de pesquisa com embasamento
cientificamente, é importante que o profissional pesquise questões que possam
trazer ganhos para a atuação prática. Pois os órgãos e empresas têm buscado o
fomento de estudos que não só se alinhem aquilo que desejam, mas que também
beneficiem à população como um todo.
Buscar fomento para a pesquisa científica não é algo fácil, entretanto não é
impossível. Cabe ao profissional ter direcionamento, coerência e uma justificativa
plausível.

221/231
Referências

CORAL, Eliza. Gestão da inovação na indústria de bens de capital: passo a passo da preparação de
um pleito de fomento à inovação. Florianópolis, 2011.
GASNIER, D. G. Guia prático de gerenciamento de projetos. São Paulo: IMAM, 2006.
MINISTÉRIO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO. Projetos aprovados pela FINEP e CNPQ.
Disponível em: <http://www.mct.gov.br/index. php/content/view/725.html>. Acesso em: 01 nov.
2011.
WEISZ, Joel. Projetos de Inovação Tecnológica: Planejamento, Formulação, Avaliação, Tomada de
Decisões. Brasília: IEL, 2009.

222/231 Unidade 8 • Confecção de Projetos Para Órgãos de Fomento e Agências Financiadoras


Assista a suas aulas

Aula 8 - Tema: Projetos - Bloco I Aula 8 - Tema: Projetos - Bloco II


Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/df-
e6affe65a741251139bad61c8728841d>. 9c5a03b73d2592f18f61c94a851436>.

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Questão 1
1. Leia a afirmação abaixo:

O sucesso de um projeto é a obtenção de recursos para desenvolvê-lo de forma adequada. Em


sua grande maioria, a quantidade de ideias e projetos é maior do que a quantidade de recursos
disponíveis.
Essa afirmação é:
( ) Verdadeira.
( ) Falsa.

224/231
Questão 2
2. Dentre os itens que compõem um projeto, cabe descrever os motivos
que embasam a necessidade de realizar a pesquisa no(a):

a) introdução
b) objetivo
c) justificativa
d) método
e) recurso financeiro

225/231
Questão 3
3. O objetivo de um projeto é a parte que deve contemplar:

a) o marco referencial.
b) os custos.
c) as etapas do projeto.
d) a metodologia utilizada para a análise dos dados.
e) a finalidade do projeto.

226/231
Questão 4
4. O projeto para busca de inovação e fomento de pesquisas é:

a) um conjunto de critérios que definem a alocação de recursos para uma atividade;


b) o conjunto de informações que descrevem os critérios para avaliar se uma pesquisa deve
ser divulga em periódicos, revistas e jornais da área;
c) um conjunto de conhecimentos relacionados à área da saúde que tem compromisso com o
desenvolvimento tecnológico;
d) descrição pormenorizada de ações de saneamento básico;
e) um conjunto de informações que definem a alocação de recursos para melhoria de
processos operacionais em saneamento básico.

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Questão 5
5. No caso de fomentos governamentais, deve-se analisar os editais
disponíveis e se contemplam o objeto do estudo que pretende propor.
Isso irá auxiliar o pesquisador:

a) na busca de informações sobre a instituição de fomento e na atribuição de


responsabilidades legais entre o pesquisador e a instituiçãio
b) na identificação dos tipos de projetos que foram apoiados no passado e as linhas de
financiamento disponíveis por meio daquela instituição.
c) a propor um cronograma de atividades da pesquisa que contemple todas as etapas do
projeto.
d) a estipular um orçamento mais próximo possível do real, apresentando de forma detalhada
todos os gastos, custos essenciais, custos dispensáveis e o lucro do pesquisador.
e) na identificação de propostas que receberam maior quantidade de verbas e no tipo de
metodologia a ser utilizado no projeto.

228/231
Gabarito
1. Resposta: Verdadeira. 3. Resposta: E.

O sucesso de um projeto é a obtenção O objetivo é a finalidade para qual o projeto


de recursos para desenvolvê-lo de forma se destina, ou seja, a demanda que irá
adequada. Em sua grande maioria, a orientar o projeto.
quantidade de ideias e projetos é maior do
que a quantidade de recursos disponíveis. 4. Resposta: A.

2. Resposta: C. O projeto é o conjunto de informações


que definem a alocação de recursos para
Na justificativa, cabe descrever o uma atividade ou empreendimento e que
motivo pelo qual se propõe o projeto, permitam a avaliação da conveniência da
argumentando e convencendo o órgão participação financeira da agência nessas
de fomento ou a instituição financiadora atividades.
de que o projeto é inovador e trará
contribuições significativas.

229/231
Gabarito
5. Resposta: C.

É necessário buscar informações sobre


a instituição de fomento, como a missão
da instituição, o seu âmbito de atuação
(nacional, internacional, regional ou local),
seus valores e cultura e diretrizes atuais
para saber se o projeto está alinhado
com as prioridades da fonte de fomento,
os tipos de projetos que foram apoiados
no passado e as linhas de financiamento
disponíveis. A análise da aderência a
um edital ou linha de financiamento é
importante, pois ela lhe dará um norte
sobre a pergunta a ser respondida no
projeto.

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