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Kaspar Hauser ou A Fabricação da Realidade – Izidoro Blikstein. 1990. 3ª Ed. Ed. Cultrix. São Paulo.

“Na linguística moderna, entretanto, a tendência dominante tem sido considerar como organizadora da estrutura conceitual do
universo” (Blikstein, 1990, p. 39-40)

“esse poder ‘interpretante’ da língua parece não abarcar os enigmas de Kaspar Hauser, cuja compreensão do mundo esbarra antes na
dimensão perceptivo-cognitiva” (Blikstein, 1990, p. 42)

“a frágil consciência da semiose não-verbal, embaciada pela modelagem linguística, leva-nos a aceitar como natural toda uma
estrutura de movimentos, espaços, distâncias, gestos, objetos, construída pela estereotipia da nossa percepção”. (Blikstein, 1990, p.
74)

“A nossa cognição estaria sujeita, portanto, a um processo ininterrupto de estereotipação, aponto de considerarmos real e natural todo
um universo de referentes e realidades fabricas”. (Blikstein, 1990, p. 82)

“a experiência perceptiva já é um processo (não-verbal) de cognição, de construção e ordenação do universo”. (Blikstein, 1990, p. 42)
– sobre a lógica kasperiana da maça

“a realidade se transforma em referente, por meio da percepção/cognição” (Blikstein, 1990, p. 46)

“Kaspar hauser descodifica de modo aberrante a significação do mundo”. (Blikstein, 1990, p. 55) – não só descodifica, mas
recodifica

“Sem práxis, sem estereótipos, a sua aproximação cognitiva da realidae é direta” (Blikstein, 1990, p. 76) – sobre Kaspar

“ ‘Cada um por si e Deus contra todos’ é um anti-refrão que embaralha logo de início a ótica tradicional, plantada no senso comum da
cultura ocidental” (Blikstein, 1990, p. 12)

“Ela [a linguagem] poderá também desenvolver uma ação dialética e criativa na medida em que desarranjar a práxis e os
corredores isotópicos e desmontar os estereótipos perceptuais. A linguagem deixa de ser fascista quando, subvertendo a si
mesma, subverte a percepção/cognição”. (Blikstein, 1990, p. 84-85)

“No conflito dialético com a práxis, a linguagem criativa e poética vai desmontando os corredores isotópicos e os estereótipos,
denunciando assim a fabricação da realidade”. (Blikstein, 1990, p. 86)

“a significação do mundo deve irromper antes mesmo da codificação linguística com que o recortamos: os significados já vão sendo
desenhados na própria percepção/cognição da realidade”. (Blikstein, 1990, p. 17)

“Seria na percepção-cognição, portanto, antes mesmo da própria linguagem, que se desenhariam as raízes da significação”. (Blikstein,
1990, p. 39)

“a percepção depende sobretudo de uma construção e de uma prática social”. (Blikstein, 1990, p. 52)

“sem práxis não há significação” (Blikstein, 1990, p. 54) – ou talvez outros vieses de significação

“a percepção e a linguagem é que estariam indissoluvelmente ligadas à práxis social, que é indefectível e vital para a existência de
qualquer comunidade”. (Blikstein, 1990, p. 54)

“a relação entre significado e significante não é natural, mas se estabelece por um consenso social”. (Blikstein, 1990, p. 20)

“há sempre algo atrás do signo, ‘extralinguístico’, que, situado na dimensão perceptivo-cognitiva, está na base da produção do evento
semântico”. (Blikstein, 1990, p. 38)

“a significação linguística é tributária do referente e que este, por sua vez, é construído pela dimensão perceptivo-cognitiva”.
(Blikstein, 1990, p. 45)

“esses padrões perceptivos ou ‘óculos sociais’ cosntituem, em última análise, os estereótipos de percepção”. (Blikstein, 1990, p. 61)

“fabricados pelos estereótipos, o referente se interpõe entre nós e a ‘realidade’, fingindo ser o ‘real’”. (Blikstein, 1990, p. 62)

“A natureza ata as suas espécies por uma rede, não por uma cadeia: mas os homens só podem seguir cadeias pois são incapazes de
apresentar várias coisas, ao mesmo tempo, em seu discurso” ( Haller apud Blikstein, 1990, p. 68)

“Deveríamos, portanto, ‘regenerar o poder do olhar humano’, como quer R. Magritte”. (Blikstein, 1990, p. 68)

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