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EFICIÊNCIA COM

C
W W W. C ON S TR UIR . P T

ONSTRUIR
O JORNAL DE NEGÓCIOS DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

Quinzenário - sai à sexta-feira - 7.50 euros Director: Ricardo Batista 15 de Maio de 2020 Ano XVI Número 412

ARQUITECTURA ESPECIAL

Dossier: Eficiência
Energética
As empresas estão cada vez mais
despertas, nomeadamente por
via da exigência da própria
legislação, para a eficiência
energética e sustentabilidade.
Mas a aceleração deste caminho
está, cada vez mais, ligada a uma
maior exigência por parte dos
utilizadores e consumidores
PÁGS. 20-23
LISTA A - Uma Ordem Presente LISTA B - A Ordem És Tu
Daniel Fortuna do Couto Cláudia Costa Santos
ENGENHARIA
Bysteel com 80M€ de
novas obras em carteira
A empresa do universo dstgroup tem
uma carteira de obras avaliada em 80
M€, a maior de sempre. Presente em
vários mercados europeus a bysteel
atribui o seu sucesso à entrada na
construção de fachadas PÁGS. 11

IMOBILIÁRIO
“As crises
criam novas
LISTA C - Isto Só Lá Vai Com Todos LISTA D - Arquitectura Perto
Gonçalo Byrne Célia Gomes oportunidades”
A Web Conferência promovida
Em primeira mão, o CONSTRUIR pelo CONSTRUIR permitiu revelar

Arquitectos a votos entrevistou os quatro candidatos que no


próximo dia 26 de Junho vão disputar a
algumas pistas e que estão a
chamar a atenção dos investidores

para colocar a
liderança da Ordem. Encabeçam listas para os próximos meses. Opti-
que têm, desde logo, a missão de mismo e capacidade de adaptação
aproximar os arquitectos daquele são fundamentais no contexto de

Ordem em ordem organismo e colocar a arquitectura no


centro das decisões PÁGS. 12-19
recuperação do mercado, sabendo-
se que será lenta PÁGS. 20-22
www.construir.pt
Editorial

O que se diz...
Oportunidade
“Pandemia é a semente da regeneração e de um regresso
ao novo normal”
para ganharmos
Gilberto Jordan, presidente do conselho de administração do
Grupo André Jordan, 10 de Maio, Expresso Acredito que a oportunidade é de ouro.
Numa altura em que, basicamente, nos de-
“De facto, é um indicador que tem sido constante [referindo-se
paramos com a necessidade de reinventar,
à “má execução” do investimento público nos Orçamentos
do Estado]. Tem havido, de facto, menor execução da despesa praticamente, tudo o que conhecíamos até
destinada ao investimento público. Não fizemos uma análise então, desde os nossos comportamentos so-
detalhada das causas dessa má execução, mas seguramente

Foto: Hugo Gamboa


ciais, modos de vida, etc, tenho para mim
uma das razões prende-se com a taxa de execução média
[do Portugal 2020]“ que é um momento propício para a Arqui-
Vítor Caldeira, presidente do Tribunal de Contas, tectura procurar, desde as bases mais ele-
8 de Maio, Eco Online
mentares bases, o seu novo espaço e uma
“Isso é uma vossa [dos jornalistas] obsessão, a ideia de que as nova atitude. Esta disciplina, fundamental,
crises se vencem com austeridade. A austeridade já provou que Ricardo Batista
Director Editorial foi perdendo influência e é hoje pratica-
não é boa forma de tratar crises, e o que esta crise precisa não
é seguramente de austeridade” mente um formalismo legal, mais do que
António Costa, primeiro-ministro, 8 de Maio, uma voz activa e influente. A arquitectura, em grande parte por res-
Jornal Económico ponsabilidade própria, é um pouco aquele amigo a quem costumáva-
“Se queremos captar investimento, que é a única forma de mos convidar para todos os aniversários, bodas, baptizados, por ser
podermos crescer, vamos ter que ter condições competitivas parte intrínseca dessas iniciativas e das nossas vidas, mas que sempre
com os países com que nos comparamos”
apontava uma razão para se esquivar. Com o tempo e perante tantas
Vasco de Mello, presidente do grupo José de Mello
e CEO da Brisa, 7 de Maio, Jornal de Negócios “recusas”, os convites vão sendo menos, ao ponto de deixarem de ser
vistos como fundamentais. A arquitectura não é hoje, como devia ga-
“Sei que é impopular dizer isto, que há muitas queixas, mas
neste momento o sistema bancário no seu conjunto está a ajudar rantidamente ser, chamada à discussão dos planos estratégicos nacio-
a amortecer o impacto, o que não se verificou há 10 anos” nais, das políticas públicas de habitação, e isso tem tanto de
Pedro Siza Vieira, Ministro do Estado e da Economia, responsabilidade própria – desde logo pela forma como as prioridades
7 de Maio, Expresso
da classe são geridas – como não. Na edição que lhe preparámos, dedi-
camos um conjunto de trabalhos à apresentação das prioridades de
cada uma das quatro listas candidatas à sucessão de José Manuel Pe-
dreirinho na liderança da Ordem dos Arquitectos, num acto agendado
para 26 de Junho, assim como as linhas fortes dos programas que con-
Propriedade Publicidade
Workmedia - Comunicação SA Carmen Noronha – 211 318 725
templam, pela primeira vez, uma maior proximidade territorial, pelo
cnoronha@construir.pt, facto de passarem a ser eleitos representantes de sete secções regionais
Detentores de mais de 5% do Capital Cristina Rosa – 215 825 944
Francisco Pedro Fino crosa@construir.pt ao invés das, até agora, duas. Mas há muito para ler nesta edição do
Pedro Miguel Fino
Departamento de Venda de Informação CONSTRUIR
Graça Dias (assinaturas) – 215 825 426
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gdias@workmedia.pt
Francisco Pedro Fino
Pedro Fino Estudo Gráfico Paula Dias
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O que vai encontrar
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15 de Maio de 2020 | 03
Construção www.construir.pt

Inovação

A contratação
pública de
Inovação tem
ainda uma
reduzida
expressão
em Portugal.
Mas na Suécia,
por exemplo,
representou
17% do PIB
em 2018

da construção e da gestão de estra-


D.R.

das, mediante o intercâmbio e a


padronização de dados usando a
abordagem BIM (Building Infor-

Portugal terá Centro


mation Modeling). Este é um
exemplo de como funcionam as
CPI e de como estas podem ser um
importante catalisador de desen-
volvimento. A contratação pública

de Competências de de Inovação tem ainda uma redu-


zida expressão em Portugal. Mas
na Suécia, por exemplo, represen-
tou 17% do PIB em 2018, tendo

Compras Públicas
sido lançados nesse ano mais de
18,5 mil procedimentos. Um cená-
rio que a Agência Nacional de Ino-
vação (ANI) pretende contrariar,
tendo como compromisso contri-
buir para impulsionar a contrata-
ção pública de inovação em
Portugal terá, até 2021, um de dez Centros de Competências de Compras sectores de interesse estratégico,
Públicas de Inovação da Europa. A contratação pública de Inovação tem ainda no âmbito da Estratégia de Inova-
ção Tecnológica e Empresarial
uma reduzida expressão em Portugal. STCP é uma das primeiras empresas 2018-2030. Nesse sentido, a Agên-
públicas no país a estar envolvida num processo deste género cia formalizou, em 2018, um pro-
tocolo de colaboração com o
receberão outros tantos centros são compartilhados, o que preju- IMPIC - Instituto dos Mercados
Construir
www.construir.pt
nos próximos anos. Em fase de im- dica a eficiência na construção e na Públicos, do Imobiliário e da Cons-
plementação está a estrutura por- gestão dessas infra-estruturas. Por trução. A alicerçar o trabalho con-
tuguesa, a qual estará disponível exemplo, essas informações seriam junto das duas entidades estão as
ortugal vai passar a dispor de até 2021, e cujo desenvolvimento relevantes para o desenvolvimento actividades desenvolvidas no âm-
P um Centro de Competências
em Compras Públicas de Inovação
está entregue à ANI, que conta com
o Instituto dos Mercados Públicos,
de um sistema de gestão do trân-
sito com um controlo de semáforos
bito do Interreg Europe iBuy e do
Procure2Innovate (Horizonte
(CPI), juntando-se a países como do Imobiliário e da Construção no mais eficiente ou para a construção 2020), dois projectos internacio-
Espanha, Países Baixos, Alemanha, estudo e implementação deste pro- de uma ponte. nais em curso coordenados a nível
Polónia ou Suécia. jecto. Conscientes desta lacuna no sector, nacional pela ANI, com o acompa-
Tendo em conta a importância o Ministério de Infra-estruturas e nhamento próximo do IMPIC. A
deste instrumento para, por um Estradas Meio Ambiente da Holanda e a Au- contratação pública de inovação
lado, trazer às pessoas os serviços e infra-estruturas toridade de Gestão dos Transportes pretende centrar a procura e a
públicos mais inovadores, e, por A construção de estradas e outras da Suécia lançaram um concurso oferta, mas, simultaneamente, ser
outro, incentivar o desenvolvi- infra-estruturas envolve uma de Compras Públicas de Inovação um instrumento importante de in-
mento tecnológico nos países, Por- grande variedade de projectos e, (CPI) , com o objectivo de identifi- dução de inovação e actividades de
tugal, a par de Estónia, Grécia, portanto, um leque diversificado car um fornecedor de software de I&D, quer nas empresas quer nas
Irlanda e Itália serão os cinco de entidades. No entanto, os dados construção virtual (V-Con), que entidades públicas compradoras de
membros da União Europeia que que essas entidades produzem não melhorasse a eficiência e a eficácia produtos e serviços. ■

04 | 15 de Maio de 2020
www.construir.pt
Construção
Obras

Sp. Braga: ABB ganha segunda equipamentos, juntamente com


custos com projectistas e coorde-
nação e fiscalização da obra,

fase da Cidade Desportiva terão um custo adicional esti-


mado em 3 milhões de euros. A
ordem de trabalhos centrou-se
também na apresentação do Está-
Tendo sido consultadas várias empresas do mercado para apresentação de dio do Centenário, cujo projecto
propostas, a construção da 2.ª fase da Cidade Desportiva recaiu sobre a empresa foi também aprovado, bem como
os custos previsíveis com a obra,
ABB por 16,9 milhões de euros, correspondendo à melhor proposta apresentada que serão de cerca de 6 milhões
de euros. O arranque da sua exe-
Ricardo Batista cução foi deliberado, assim que a
rbatista@construir.pt SAD consulte o mercado para a ad-
judicação da obra até ao limite da
previsão de custos aprovada. A cons-

A Sociedade Desportiva do Sp.


Braga aprovou, em Assembleia
Geral, o projecto da 2.ª fase da Ci-
trução do Estádio do Centenário foi
apreciada favoravelmente com ne-
nhum voto contra e dois votos de
D.R.

dade Desportiva e a sua execução abstenção, o que resulta numa apro-


imediata, com arranque durante o vação por 99,999%.
mês de Maio e conclusão prevista ção de propostas, a construção da áreas desportivas – incluindo pavi-
para Dezembro de 2021. A obra e a 2.ª fase da Cidade Desportiva re- lhão multiusos e área de trabalho do Ambição
sua consecução, que será financei- caiu sobre a empresa ABB por 16,9 futebol profissional – e a aquisição Lançada em 2017, com um orça-
ramente suportada pela SAD, foi milhões de euros, correspondendo do equipamento necessário à área mento global de 20 milhões de
apreciada favoravelmente com ne- à melhor proposta apresentada. residencial (49 quartos), às áreas euros, a nova Cidade Desportiva
nhum voto contra e um voto de de restauração e de lazer, à loja está para comprovar esse cresci-
abstenção. Estádio em carteira do associado e à SC Braga Store, mento, ao ponto de o emblema diri-
Tendo sido consultadas várias em- À parte da construção da obra, bem como a todos os serviços e gido por António Salvador desafiar
presas do mercado para apresenta- acresce o equipamento das várias espaços administrativos. Estes a monopólio dos grandes. ■

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15 de Maio de 2020 | 05
Construção www.construir.pt

Opinião

Francisco Barroca
Diretor Geral da CERTIF –
Associação para
No pós-emergência
a Certificação
Terminado o período de emergência espera-se que a economia comece a mostrar sinais de alguma recuperação,
ao mesmo tempo que todos temos o dever de nos manter alerta e ser ainda mais cautelosos com as medidas nos
podem proteger. O país não suportaria o regresso a medidas de emergência que viriam a colocar a economia
num estado que não conseguimos de todo calcular.
Mesmo o estimar o que vai ser o retorno ao que se começou a chamar de “normalidade possível” se afigura ta-
refa difícil, e o que assistimos em termos de apresentação de cenários afigura-se, na maioria do que ouvimos a
muitos comentadores de serviço, não passa de meras opiniões baseadas na sensibilidade e não em dados efeti-
vos que não existem.
A confiança O que existe é um grande pessimismo e uma dúvida generalizada sobre a forma como as empresas que pararam
vão ter capacidade de retomar a atividade e como as que continuaram a laborar conseguirão retomar os seus
manifestada no clientes.
No entanto, preparava este texto enquanto assistia à excelente conferência web do Construir “O Futuro (Imediato)
setor do Investimento” e, confesso, que o meu sentimento de partida se foi alterando à medida que as intervenções se
sucediam e surgia um otimismo bem fundamentado dos vários intervenientes.
imobiliário A confiança manifestada no setor imobiliário e da construção, a que não é alheia a boa imagem que tem existido
e da nos vários mercados relativamente à forma como Portugal geriu esta crise, é um bom sinal.
Na nossa atividade acompanhamos empresas de vários setores, com predominância para os fabricantes de pro-
construção, dutos de construção ou produtos que, embora não classificados como tal, se destinam à construção, como sejam
muitos dos produtos elétricos, e são várias as situações, quer em Portugal quer nos vários países onde temos
a que não é clientes.
Depois de, em março, termos parado com a realização de auditorias, estamos hoje a voltar à atividade, desde que
alheia a boa auditor e auditado se sintam confortáveis com a situação e sejam encontradas soluções que não coloquem em
perigo os auditores e os colaboradores dos fabricantes contatados na ação.
imagem que Várias empresas encontram-se encerradas seja por motivo de lay-off, o menor número, seja pela existência de
tem existido casos positivos. Constamos que algumas empresas continuam a produzir embora aumentando os seus stocks,
mas numa perspetiva de manter a atividade e na esperança que o setor da construção possa continuar, na me-
nos vários dida em que não parou de trabalhar.
A Comissão Europeia, no seu recente Relatório da Primavera, aponta para uma recessão histórica na União em
mercados 2020, com uma queda de 7,7% no PIB, sendo a estimativa para Portugal de queda de 6,8%, com uma recupera-
ção de 5,8% no próximo ano. Estas previsões, ainda que menos pessimistas que as do FMI, não deixam de nos
relativamente à preocupar, até porque temos ainda na memória recente a última crise.
A leitura que nos chega do Banco de Portugal também não é animadora para as nossas exportações, porque é es-
forma como perada uma queda da venda de bens e serviços ao exterior de 12,1%, face a 2019. Ora, as exportações com uma
contribuição de 45% para o PIB foram o principal suporte da retoma da crise em 2011, mas o problema é que
Portugal geriu os países que são, tradicionalmente, os nossos principais parceiros estão, também eles, em dificuldade.
esta crise, é Seria, pois, importante que, a par das preocupações com os apoios gerais que têm sido dados às empresas, fosse
dada uma especial atenção às empresas exportadoras para não percam o músculo necessário para se manterem
um bom sinal preparadas para a retoma dos seus clientes. Mas, seria bom que se juntassem esforços para apoiar as empresas
que têm mercado e continuam a exportar ou encontraram oportunidades para exportar. Na nossa atividade con-
tinuamos a conceder certificações a produtos que se destinam à exportação, sendo gratificante o apoio técnico
que a esse nível damos, mas fica a sensação de que muito mais poderia ser feito com um apoio mais dirigido a
essas empresas

NOTA: O CONSTRUIR manteve a grafia do artigo

06 | 15 de Maio de 2020
Engenharia www.construir.pt

Empresa

Bysteel: 80 M€ de
obras em carteira
com foco na Europa
A empresa, do universo dos edifícios. Com esta nova aposta
dstgroup, tem uma resolvemos um problema recor-
rente da Construção: criámos um
carteira de obras interface entre as estruturas e as fa-
avaliada em 80 M€, chadas”, refere Jorge Carneiro.
o maior de sempre. Hoje os seus principais mercados
são a França, Reino Unido, Países
Presente em vários Baixos e Angola. “Desde o início
mercados europeus procurámos equilibrar o risco de
mercados mais rentáveis, com a es-
a bysteel atribui o seu tabilidade dos mercados mais ma-
sucesso à entrada na duros que, por sua vez, também
construção de Jorge Carneiro, director comercial da bysteel nos obrigam a manter os referen-
D.R.

ciais de qualidade em patamares


fachadas. muito elevados e de referência”,
justifica o responsável.
Manuela Sousa Guerreiro A empresa tem hoje uma carteira de
mguerreiro@construir.pt encomendas de 80 M€, “o valor mais
alto de sempre”. “Os nossos princi-
os últimos dois anos, a bysteel, pais clientes são as grandes constru-
N uma empresa do universo
dstgroup, ganhou uma nova dimen-
toras e promotores europeus, de
onde podemos destacar, dada a sua
são. A empresa, que tem a sua ori- dimensão, o grupo Bouygues, o
gem do departamento de grupo Vinci e o próprio Aeroporto
metalomecânica da dst, sofreu, em de Schiphol. Temos executado al-
2008, uma spin-off, surgindo for- guns projectos relevantes e, em de-
malmente como empresa de estru- Aeroporto de Lyon terminada medida, marcantes nas
turas metalomecânicas e adoptando paisagens onde se inserem, como é
a designação bysteel. Há apenas o caso da Expansão do Aeroporto de
dois anos, um investimento de 16 Saint-Exupéry em Lyon, desenhado
milhões de euros, a construção de pelos arquitectos Rogers Stirck Har-
uma nova unidade industrial de bour & Partners, o novo Pier do
7.000 m2 e a contratação de duas Aeroporto de Schiphol, em Ames-
centenas de novos funcionários, terdão, o novo Hipódromo de Long-
foram a rampa de lançamento da champs, em Paris, do arquitecto
bysteel fs, o braço da original bysteel Dominique Perrault, a Torre Trinity,
que se dedica em exclusivo às fa- em La Defense, também em Paris, e
chadas de grandes edifícios. o MAAT, Museu de Arte, Arquitec-
“A bysteel posiciona-se num pata- tura e Tecnologia, da EDP, em Lis-
mar muito técnico e de grande exi- boa”, enumera Jorge Carneiro.
gência, associado a obras de Aeroporto de Schiphol A qualidade do trabalho desenvol-
grande complexidade. Esta nova vido pela empresa foi reconhecido
aposta com a bysteel fs pretende, internacionalmente com a atribui-
na mesma linha de patamar téc- ção dos dois últimos prémios do
nico, complementar a oferta das “European Steel Design Awards”
estruturas metálicas, com a oferta em 2019 e 2017, por Portugal, com
das fachadas dos edifícios”, explica os projectos do Hipódromo de
Jorge Carneiro, Director Comercial Longchamps e do MAAT, respecti-
da bysteel. Uma evolução natural vamente.
que permitiu a entrada do grupo
“num negócio de grande valor Olhar o pós covid-19
acrescentado na construção de edi- com confiança
fícios, uma vez que as fachadas de- O mercado nacional vale cerca de
sempenham um factor decisivo na 5% do seu volume de facturação,
arquitectura e eficiência energética Hipódromo de Longchamp mas é um mercado onde a empresa

8 | 15 de Maio de 2020
www.construir.pt
Engenharia
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Empresa
“Procurámos
equilibrar o risco
de mercados
mais rentáveis,
com a
estabilidade dos
mercados mais
maduros que,
por sua vez,
também nos
obrigam a
manter os
referenciais de
qualidade”

faz questão de estar. “Olhamos


para Portugal com algumas reser-
vas. Se até agora o seu desenvolvi-
mento estava muito suportado pelo
sector turístico/hoteleiro, vamos
ver o que irá acontecer quando
forem restabelecidas as condições
anteriores à COVID-19”, afirma o
director comercial da bysteel.
Apesar do contexto de incerteza
dos mercados nacional e interna-
cional a empresa, e o grupo, olham
o futuro com confiança. Com uma
robusta carteira de encomendas
para os próximos dois anos, a em-
presa continua apostada na inova-
ção e desenvolvimento. “Temos em
curso diversos projectos inovado-
res, que estamos certos acabarão
por criar novas oportunidades de
negócio. Temos uma parte muito
considerável do nosso corpo de en-
genharia envolvidos e determina-
dos em conseguir transformar
“ideias brilhantes” em negócios de
sucesso para uma nova economia”,
garante o director comercial.
Desde o início desta pandemia que
tanto na bysteel, como no dstgroup
foi detalhado um plano de contin-
gência. “Privilegiamos o teletraba-
lho e adoptámos medidas de
confinamento e protecção nos sec-
tores onde tal não é possível, como
por exemplo nos sectores produti-
vos, onde aumentamos o número
de turnos, diminuindo o número
de trabalhadores em actividade si-
multânea. É com orgulho que
temos conseguido, apesar das res-
trições manter a actividade, evi-
tando não só qualquer forma de
lay-off, como inclusivamente
criado novos postos de trabalhos”,
afirma Jorge Carneiro. ■

15 de Maio de 2020 | 9
Engenharia www.construir.pt

Infraestrutura

Maior túnel submerso


do Mundo vai arrancar
A 1 de Janeiro de 2021, a Fermen A/S dará início à construção daquele que será o maior túnel submerso do
Mundo. A obra, que ligará a Dinamarca à Alemanha, constitui uma infra-estrutura essencial na ligação entre a
Europa central e os países nórdicos
D.R.

Manuela Sousa Guerreiro único proprietário e assumirá todo As suas quatro faixas de rodagem e túnel submerso do mundo para
mguerreiro@construir.pt o risco pelo financiamento deste duas linhas de comboio vão permitir transportes ferro e rodo viários, su-
túnel, bem como pela moderniza- que uma viagem de carro entre Co- perando o actual detentor do título
ção das conexões rodoviárias e fer- penhaga e Hamburgo seja realizada o túnel de Øresund. Dada a dimen-
Fermen A/S vai dar início à fase roviárias terrestres dinamarquesas em cerca de 2h30m, quando hoje são do projecto, os seus diferentes
A de construção do túnel de Feh-
marnbelt com a activação dos con-
("hinterland"). Mas se do lado di-
namarquês está tudo pronto para
são precisas quase 5 horas. A mesma
viagem feita de comboio passará a
componentes serão construídos
numa unidade fabril que será cons-
tractos com a Fermen Link arrancar, do lado alemão ainda se ter uma duração de 3 horas, sendo 1 truída de propósito para o efeito . A
Contractors, com efeito a 1 de Ja- aguarda luz verde, com dois pro- hora e 30 minutos mais curta. De des- fábrica terá o tamanho correspon-
neiro de 2021. O anúncio foi feito cessos agendados para os tribunais tacar que a Alemanha é o principal dente a 200 campos de futebol e será
em Abril pela empresa pública res- alemães, em Setembro e Outubro. parceiro comercial da Dinamarca, uma das maiores da Dinamarca. Na
ponsável pela construção de toda a Estima-se que a obra, na parte tanto no que toca a importações sua totalidade, as instalações de
infraestrutura costa a costa. Outra alemã, comece apenas em 2022. como exportações, seguida da Suécia, construção serão mesmo as maiores
empresa pública, a A/S Femern A ligação ferroviária fixa Fehmarn sendo que a construção do túnel per- do Norte Europeu. Localizada em
Landanlæg, será responsável pelas Belt é um elemento essencial para mitirá fortalecer relações comerciais. Rødbyhavn, a fábrica terá oito linhas
conexões dinamarquesas com o in- concluir a principal rota Norte-Sul Para o Governo dinamarquês, o de produção que serão configurados
terior. O anúncio surgiu depois de que liga a Europa central e os países anúncio não podia ter vindo em me- para que os elementos sejam produ-
em Março a Comissão Europeia ter nórdicos. Inclui um túnel subma- lhor altura. Numa altura em que a zidos como uma linha de monta-
concluído que o modelo de finan- rino entre Rødby, na ilha de Lolland, economia está a ser fortemente afec- gem. Um elemento será composto de
ciamento público da infra-estru- na Dinamarca, e Puttgarden, na Ale- tada pelo COVID-19, a decisão de nove segmentos e, em cada linha de
tura costa a costa do cinto manha. O túnel terá mais de 18 qui- iniciar os principais contractos de produção, um segmento será produ-
Fehmarn, estava está em confor- lómetros de extensão e consistirá construção vai permitir criar muitos zido a cada 7 a 8 dias. Segundo ex-
midade com as regras da UE em em uma ferrovia electrificada de postos de trabalho em Lolland, cru- plicou a construtora “quando um
matéria de auxílios estatais. duas vias e uma rodovia de quatro ciais para dinamizar a economia no segmento é lançado, ele será mo-
O projecto, que já está a ser discu- faixas. A obra, estimada em 52 mil que será um período difícil. Para vido de modo que o próximo possa
tido desde 2007, começa agora a milhões de coroas dinamarquesas muitas empresas europeias este ser produzido. Quando o elemento
ganhar forma, estando projectada (aproximadamente 6,9 mil milhões pode também significar uma opor- completo for lançado, ele será em-
para 2029 a abertura ao público. de euros), vai permitir ligar a Dina- tunidade acrescida. purrado para uma bacia e rebo-
Com base em um acordo intergo- marca à Alemanha e facilitar as des- cado para o túnel. Uma vez lá, ele
vernamental entre a Dinamarca e a locações entre o centro europeu e Construir em grande será baixado e conectado com os
Alemanha, a Dinamarca será o países como a Noruega e a Suécia. O túnel do Fehmarnbelt será maior outros elementos. ■

10 | 15 de Maio de 2020
Arquitectura www.construir.pt

Eleições Ordem dos Arquitectos

“A prioridade é a regulação
da profissão nos diferentes
modos de a praticar”
A Lista A – “Uma Ordem Presente” surge como um projecto que pretende dar continuidade ao
trabalho desenvolvido pela actual presidência. Nos últimos anos de mandato foi possível “uma maior
abertura da Ordem aos membros, à sociedade e a todo o território”, e é esse caminho que pretende
continuar a percorrer, a par de uma efectiva regulação da profissão com igualdade de acesso a
concursos e contratações

actuais presidentes das secções re- presentação e proximidade, junto


gionais, que já o assumiram, e aque- dos 308 municípios, a partir de ape-
les que gostariam de voltar ao nas duas secções regionais em Lis-
antigamente, não estão nesta lista. boa e Porto. A diversidade territorial
Estamos a meio de uma mudança e a divisão administrativa do país, a
histórica que é para cumprir, e o que par da natureza da nossa profissão,
nos interessa são os desafios que que se exerce sobre o território, im-
temos pela frente. Este é o momento plicam, da nossa parte, uma atenção
em que os arquitectos tem que esco- em proximidade que a OA, com a
lher: Querem abraçar este projecto sua orgânica actual, não consegue
de mudança, ou continuar mais 20 exercer. Essa ausência é evidente em
anos a dizer que “a Ordem não serve diversas situações, tais como os ins-
para nada”? trumentos de planeamento do terri-
tório a nível regional e concelhio, os
Apesar da 'continuidade' há ob- procedimentos de controlo prévio
jectivos e um programa a cumprir urbanístico, etc. É uma realidade
para os próximos três anos. Quais que tem que mudar.
os principais pontos?
O principal ponto é a regulação A Ordem é por vezes criticada
da profissão nos diferentes modos no que diz respeito ao papel do
de a praticar, e essa é a prioridade. arquitecto e a sua valorização.
Não podemos voltar ao passado da Como analisa esta situação?
divulgação estrita dos trabalhos de Tradicionalmente, a Ordem pau-
DR

alguns arquitectos, nem podemos tava o seu registo pela valorização


achar que a Ordem é uma central de de apenas alguns arquitectos, por-
Daniel Fortuna do Couto serviços e protocolos. Dou um tanto, é uma critica que tem sentido.
Candidato a Presidente do Conselho Directivo exemplo, os concursos e a contrata- Entretanto, muita coisa tem vindo a
Lista A – “UMA ORDEM PRESENTE” ção de arquitectura não são aceitá- mudar e neste mandato foi já possí-
veis. Tudo é permanentemente vel inverter essa tendência, com
desvirtuado, desde o modelo de con- uma maior participação dos arqui-
Cidália Lopes que importa manter? curso até aos preços propostos, pas- tectos na vida da Ordem. Um bom
clopes@construir.pt O actual Presidente não se recan- sando pelos prazos, com prejuízo exemplo é o programa de rádio
didata e os titulares dos órgãos estão para a nossa actividade. A Ordem “Exercício de Arquitectura”, que es-

E m entrevista ao CONSTRUIR,
Daniel Fortuna do Couto, que
encabeça a Lista “Uma Ordem Pre-
dispersos por várias listas, portanto,
este mandato gerou dinâmica e re-
presentou uma mudança de para-
não pode continuar ausente ou
complacente com estas situações. O
nosso programa é muito claro, que-
teve no ar durante o mandato, com
a colaboração e participação de cen-
tenas de arquitectos. Numa outra
sente”, apela “a um novo paradigma digma na Ordem dos Arquitectos remos Uma Ordem Presente. vertente, é possível reconhecer que
de contratação” que dê resposta às (OA). Maior abertura aos membros, a OA foi sempre muito ausente da
necessidades económicas, e que per- à sociedade e a todo o território. É Prevêem também um maior esfera pública e da vida política do
mita a incorporação das novas exi- isso que nos importa manter e me- número de secções regionais. País, causando uma sensação de
gências dos arquitectos: Uma lhorar. Não queremos, de forma al- Porquê? vazio, de falta de referência para os
mudança que têm que começar pelo guma, regressos ao passado, das Nós, arquitectos, temos como seus membros. Demos sinais claros
próprio Estado e pelos os promoto- figuras tutelares e dos amigos dos principais interlocutores, para além que não é isso que queremos, e mar-
res privados. amigos, de uma OA fechada sobre si dos clientes, as autarquias, que são camos as nossas posições publicas.
mesma. A Lista A transporta esse es- com quem temos que articular o Foi muito evidente e visível na cam-
A vossa candidatura pretende pírito de abertura, de ruptura com o nosso trabalho. Não é possível a OA panha “Arquitectura por Arquitec-
ser uma continuidade à actual passado. Aqueles que desejam que cumprir com o seu papel regulador, tos”, na luta contra o PL495/XIII,
presidência. Quais os aspectos tudo fique na mesma, e refiro-me às que tem fortes componentes de re- que iria permitir a milhares de en-

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genheiros elaborarem projectos de forma de fazer cidade e habitação.


arquitectura. A Lei 25/2018 não é do A dimensão das ruas, as cérceas e
nosso agrado, mas com a nossa luta volume do edificado, no urba-
conseguimos que apenas um nú- nismo. Os materiais, as áreas e a
mero residual (não chegará a uma compartimentação, o pé-direito dos
centena) o façam. pisos, o espaço dedicado a instala-
ções sanitárias, a dimensão da fe-
De que forma pode a Ordem nestração, na arquitectura. Esta
contrariar esta tendência (se é pandemia obrigou-nos de novo a
que a há)? repensar a habitação. Necessitamos
Um dos problemas que a Ordem de redesenhar espaços de transição
tem, é a forma de comunicar. Co- entre o dentro e o fora, de espaços
munica pouco para fora e quase de trabalho em casa que não sejam
sempre as mesmas temáticas. São meras adaptações, de novas infra-
praticas de muitos anos difíceis de estruturas. Devemos, todos, a co-
alterar. A nossa ambição é, num pri- meçar pelo Estado, que tem
meiro momento, tornar a comuni- falhado nestas matérias, dar uma
cação mais eficaz. Os meios que nova atenção às questões da habi-
herdamos estavam desfocados das tação. Os exemplos pré-pandemia
necessidades, principalmente pela não estavam a ser os melhores, com
aposta no digital, sem associar a di- construção acelerada, por via da
nâmica necessária. Na Lista A con- reabilitação, muito pouco reflec-
seguimos, com poucos meios e tida. O esmagamento dos preços e
muito empenho, implementar uma dos prazos dos projectos por parte
dinâmica muito boa e dar um sinal dos promotores, Estado incluído,
claro do que queremos, inclusive na não são um bom caminho. A arqui-
coesão e uniformização gráfica de tectura necessita de reflexão, e a re-
comunicação. flexão leva tempo e custa dinheiro,
mas é essencial para garantir a qua-
Tendo em conta o papel dos ar- lidade de vida das pessoas, e obras
quitectos na construção das cida- mais controladas, e mais baratas.
des quais serão os principais Ou seja, se soubermos aproveitar
desafios durante e depois do esta pausa para reequacionar-
Covid-19? mos algumas questões essen-
Os arquitectos responderam ciais, que é o que estamos a
prontamente ao que lhes foi so- fazer na Lista A, estaremos a
licitado em situação de Estado dar um bom contributo para
de Emergência, no sentido o que vem a seguir.
de adequar as instalações
hospitalares às necessida- Com a sua experiên-
des decorrentes desta pan- cia ao nível do am-
demia. Paralelamente, em biente hospitalar o
vários fóruns, foram realizadas re- que considera que poderá tam-
flexões diversas sobre a cidade, o ur- bém ser melhorado ou feito de
banismo e o espaço publico em forma diferente, tendo em conta
contexto de pandemia e pós Covid- as exigências actuais?
19. O que é necessário é que essas A arquitectura hospitalar pauta-
preocupações sejam incorporadas, se por normas e orientações espe-
juntamente com outras, como as de cificas relativas à organização e
desenvolvimento sustentável, nos caracterização do espaço. Doenças
novos projectos. Para isso, o Estado infectocontagiosas não são uma
e os promotores privados têm que coisa nova, e as necessidades cons-
alargar e diversificar a encomenda, trutivas que implicam estão muito
até para ajudar à retoma econó- padronizadas. O que é novo é as-
mica, e mudar os modos de contra- sistirmos a situações de excepção,
tação. O desafio é estabelecer um como é o caso desta pandemia.
novo paradigma na contratação que Nesse sentido, o que se verifica ser
dê resposta às necessidades econó- mais necessário é a flexibilidade,
micas e que permita aos arquitectos porque não podemos projetar para
incorporarem bem todas as novas situações de excepção. O que pode
exigências. e deve ser melhorado são as medi-
das necessárias para minorar as in-
Ao nível do parque edificado fecções em ambiente hospitalar,
que adaptações poderão ser ne- designadamente com ajustes nos
cessárias? dimensionamentos dos espaços de
A discussão sobre a habitação é circulação, com mais acerto nos
cada vez mais urgente e tem estado meios passivos de controlo am-
algo ausente das preocupações dos biental, para ter mais volume de ar
decisores, e por arrasto, também disponível e, sobretudo, com mais
dos arquitectos. As questões higie- utilização de tecnologias “touch-
nistas, sempre influenciaram a less”. ■

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“Assumimos como o tema


central do nosso mandato
o Direito à Habitação”
Apoio, inclusão e participação são as palavras chave do programa eleitoral da Lista B – “A Ordem és
Tu”, que pretende replicar a nível nacional o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nas secções
regionais nos últimos anos. Apoio ao exercício da profissão, mas também inclusão e participação de
todos os arquitectos são algumas das linhas orientadoras da “uniformização de procedimentos, valor
mínimo para actos de projecto ou incentivos fiscais à práctica profissional” são outros dos objectivos

todos os arquitectos: promovemos uma maior aproximação, mas não


espaços para divulgação da sua acti- da instituição na sua globalidade, é
vidade em feiras, disponibilizamos necessário o envolvimento de todos
os espaços da sede do Porto para os órgãos.
serem palco de diversas acções e É preciso alargar o trabalho das
reuniões dos arquitectos, reforça- secções regionais a todos os órgãos,
mos o apoio à prática profissional e trabalhando para concretizar mais
implementámos o apoio jurídico on- acções que os arquitectos sintam no
line, criamos um seguro de saúde seu quotidiano.
gratuito, implementámos o Portal Propomos a criação de um Fundo
dos Arquitectos, reprogramámos as de Pensões e a criação de Seguro de
formações segundo o que os arqui- Acidentes Pessoais, reforçar o apoio
tectos necessitavam, implementá- à práctica profissional, através dos
mos o sistema e-learning, o serviços online, a criação de Gabi-
orçamento participativo, a Cédula nete de Apoio às micro/pequenas
Profissional, a Caixa de Correio empresas, a Central de Compras de
Electrónico, o Centro de Estudos Software para os membros, o Repo-
Norte 41 °, fizemos diversas sessões sitório Digital de Projectos, a Produ-
de esclarecimento e debates descen- ção de Manuais e Guias Técnicos,
tralizados, etc. entre outros.
A abertura da instituição com in-
clusão e participação dos arquitec- Fala-se muito da importância
tos esteve sempre presente em todas do papel social da arquitectura
as medidas realizadas. Destaco o o na sociedade mas é comum
Plano Estratégico para o Sector da
Arquitectura no Norte de Portugal:
Cláudia Costa Santos 2018-2038 (PESA) que resultou do
Candidata a Presidente do Conselho Directivo maior envolvimento de arquitectos “Hoje o espaço
Lista B – “A ORDEM ÉS TU” que esta instituição já viu. O PESA é
o um reflexo da diversidade profis- habitacional
sional de todos os seus membros.
E é este o caminho que a Lista B
precisa ser
Cidália Lopes
clopes@construir.pt
tectos mais activa, mais virada
para o debate e inclusiva. De que
propõe no seu programa. Um pro-
grama com medidas e acções sus-
repensado, ainda
forma pretendem conseguir esta tentadas por uma estratégia que é o mais neste
C láudia Costa Santos, actual
presidente do conselho direc-
tivo da Secção Regional Norte da
mudança?
Somos uma equipa com um pen-
samento traduzido em acções, com-
resultado dos contributos de um
grande número de arquitectos, que
converge numa linha de acção
tempo de
Ordem, encabeça a Lista B "A posta por um grande número de comum. desenvolvimento
Ordem és tu". Tendo definido como colegas que, durante o último man-
tema para o seu mandado o Direito dato e a partir das Secções Regio- Concorda com a ideia de que a
tecnológico que
à Habitação, acredita que mais do
que nunca hoje o espaço habitacio-
nais, concretizou o programa com
que se candidatou. Com a Lista B –
Ordem vive de costas voltadas
para os arquitectos e vice-versa?
permitiu misturar
nal precisa ser repensado e que A Ordem És Tu, juntam-se muitos De que forma será possível apro- a função de
“deve ser o arquitecto a liderar este mais colegas, com a mesma vontade ximar mais a Ordem dos arqui-
debate” junto da sociedade civil. de actuar, de fazer diferente para tectos? habitar, trabalhar
que tenhamos um futuro melhor. Independentemente de essa ideia
Pelo que tive oportunidade de Estas equipas, nas Secções Regio- ser justa, existe essa percepção e não e aprender”
ler sobre o vosso programa pre- nais, redireccionaram todas as acti- podemos ficar alheios a ela. Por via
conizam uma Ordem dos Arqui- vidades e medidas da Ordem para das secções regionais tem havido

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ouvir os arquitectos dizerem que Tendo em conta o actual pa- ficados e pela promoção de um sis- Assumimos como o tema central
não são valorizados na tomada norama que vivemos quais os tema empresarial de escala, com do nosso mandato o Direito à Habi-
de decisões. De que forma é que principais desafios que se colo- trabalho digno e pela criação de tação. Esta pandemia e o conse-
se poderia contrariar esta forma cam aos arquitectos? condições para a promoção de acor- quente confinamento veio despertar
de proceder? Os principais desafios para o fu- dos colectivos de trabalho. a consciência da sociedade civil para
Através de uma pro-actividade turo dos arquitectos estão relacio- um problema há muito existente: as
acompanhada com propostas fun- nados com o sector económico. Dos Do ponto de vista conceptual e condições do espaço que habitamos,
damentadas e com premissas nego- vastos contributos dos nossos cole- de projecto poderá a arquitec- mas também como e por onde cir-
ciais, seja em matérias legislativas gas, concluímos que os principais tura ser influenciada – positiva culamos.
relacionadas com a regulação do desafios assentam em 3 questões ou negativamente – pela actual Se com o 25 de Abril e a demo-
exercício da profissão, com a orga- fulcrais que necessitam de respostas situação da pandemia no que diz cracia, o projecto SAAL e poste-
nização do território e da paisagem, concretas: a dignidade e viabilidade respeito à forma de pensar o edi- riormente os PER foram essenciais
seja no âmbito de dinâmicas econó- económica da profissão; a prática ficado? para resolver as graves carências
micas e laborais, seja no âmbito do profissional e a complexidade jurí- No momento actual todos tive- habitacionais que o país sofria (in-
tão essencial Direito à Habitação. dica de procedimen- mos que nos adap- compatíveis com o estatuto de um
Para isso, os nossos colegas especia- tos técnicos e tar a novas país desenvolvido), hoje o espaço
listas e os colégios, que têm de ter a administrativos; o re- condições por via da habitacional precisa ser repensado,
sua autonomia garantida são essen- forço do papel social pandemia da covid- ainda mais neste tempo de desen-
ciais. da Arquitectura e do 19. Mas se, por um volvimento tecnológico que permi-
Por via do trabalho das secções Arquitecto. lado há muitos cole- tiu misturar a função de habitar,
regionais, estamos prontos para ne- Por isso propomos gas nossos que tive- trabalhar e aprender.
gociar com os vários ministérios um conjunto de me- ram condições de Não compete aos Órgãos Sociais
temas como a Uniformização de didas e acções no sen- adaptação, muitos da Ordem dizer como serão ou de-
Procedimentos, Valor Mínimo para tido de proteger o nosso sector de outros, pela via de uma actividade veriam ser as Casas que precisa-
Actos de Projecto ou incentivos fis- uma possível degradação econó- mais virada para a obra de constru- mos, mas será sua obrigação
cais à Práctica profissional. Temos mica assente em baixos honorários, ção, não tiveram sequer essa possi- liderar este debate, com a socie-
um serviço educativo e formativo baixos salários, falsos recibos verdes bilidade. A ordem tem de conseguir dade civil e com o poder político.
validado pelo Ministério da Educa- e na redução de direitos laborais. E, responder a todos os arquitectos e Foi assim ao longo de todo o século
ção que prova essa nossa capaci- essa concretização conquista-se pela neste caso fazer garantir que todos XX, é o nosso compromisso para o
dade. valorização dos profissionais quali- trabalhem com segurança. século XXI. ■

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“Não podemos continuar


a cultivar enquadramentos
imobilistas”
“Isto só lá vai com todos” é o mote da Lista C, liderada por Gonçalo Byrne e, fazendo jus à
denominação escolhida, visa a construção de uma Ordem que, “à imagem da cidade, deve ser
aberta, diversa, inclusiva e incluidora”. Só assim, consideram, poderá ter “força e
representatividade” e “reafirmar-se perante a sociedade”
“Mundo da arquitectura” é tão im-
Cidália Lopes
clopes@construir.pt
portante quanto a “arquitectura do
Mundo”.
Encarar o próximo mandato

G onçalo Byrne encabeça a can-


didatura da Lista C e, em en-
trevista ao CONSTRUIR, aborda as
como uma oportunidade única e
preciosa para refundar a presença
da arquitectura no Mundo que se
propostas apresentada no seu pro- está a desenhar com a assinatura do
grama e considera que a “nova” tratado de Paris, de que Portugal foi
Ordem deverá ser diferente em signatário e se auto-vinculou. As
muitos aspectos, a começar por re- consequências e os compromissos
presentar “todos os arquitectos, assumidos têm enormes implica-
sem distinções”. Entre os vários de- ções sobre a arquitectura desse
talhes do seu programa, o arqui- outro Mundo de reacção à destrui-
tecto destaca, ainda, a importância ção do planeta.
da profissão no caminho para “um A crise do COVID-19 veio desta-
Mundo mais solidário, mais social par a “miragem” desse outro Mundo,
e mais ecológico” resultante da suspensão e paragem
temporária desses paradigmas. A
Tem sido uma voz crítica no crise sanitária é terrível e a econó-
que diz respeito ao rumo da mica devastadora. As transformações
Ordem. Em que aspectos? almejadas na sua saída já estavam na
Inês d'Orey

Pensamos que a nova Ordem dos mira e em progressiva aplicação


Arquitectos deverá ser, em muitos (como será a saída da crise).
aspectos, diferente. Ela deverá ten- A nova OA vai ter que gerir esse
Gonçalo Byrne der para representar o Mundo dos atravessamento muito atenta ao
Candidato a Presidente do Conselho Directivo arquitectos, e quando se diz todos papel incontornável da arquitectura,
Lista C – ISTO SÓ LÁ VAI COM TODOS são mesmo todos, sem distinções, num enquadramento de sustentabi-
sem clientelas preferidas sobre ou- lidade, pegada ecológica, aumento
tras. Não aceitamos distinções entre do ciclo de vida dos edifícios e ci-
consagrados ou não consagrados, dade mais abertas e inclusivas.
mais ou menos dos nossos, etc. É uma janela de oportunidade
Todos são mesmo todos. Ela deverá para a reafirmação da arquitectura e
reconhecer e repensar que o mundo dos arquitectos.
da arquitectura (à semelhança do
nosso próprio mundo) está em con- Concorda com a ideia de que a
tínua transformação. Não podemos Ordem vive de costas voltadas
“Calculamos que entre 4000 a continuar a cultivar enquadramen- para os arquitectos e vice-versa?
tos imobilistas e demissionários das A questão é outra, ou seja, quem
5000 arquitectos estarão na mais variadas presenças do arqui- são hoje os arquitectos, onde estão,
tecto e da arquitectura num Mundo o que fazem e como, para a Ordem
administração pública, em transformação, abrindo portas e se aproximar deles e assim os poder
derrubando muros entre nós, e representar. Para isso é preciso pro-
muitos deles fora da Ordem, entre nós e as outras formas de co- var que a Ordem diz e faz alguma
que não fez nada para deles nhecimento convocadas na trans-
formação do mundo da casa, às
coisa a todo esse universo cada vez
mais diversificado. Estamos longe
se aproximar” cidades, ao território e à paisagem. do arquipélago do arquitectos ape-
Nesta busca de partilha, temos o nas projectistas, desde o “atelier vão
dever de aprofundar e executar o de escada” até às poucas empresas
campo específico da Arquitectura. O já com ambição global.

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Embora esse sector seja domi- reafirmar-se perante a sociedade cluir pontos que não estariam do “pós-corona vírus”. É normal,
nante, calculamos que entre 4000 a civil, os promotores, as entidades previstos? embora à medida que o tempo de
5000 arquitectos estarão na admi- decisoras na polis e na civitas. A crise do COVID 19 está a ter, confinamento aumenta, como uma
nistração pública, muitos deles fora desde que se declarou, efeitos de- mola em compressão do retorno à
da Ordem que não fez nada para Uma das críticas que tem feito vastadores como se disse. No en- normalidade. E suspeito que a ero-
deles se aproximar, reconhecer e tem sido, também, relativamente tanto, ao contrário da crise sem fim são provocada por esta longa espera
apoiar a sua acção, por vezes tão di- à estrutura orgânica da organi- à vista de 2008/2009, que se arrastou vá reforçando o “bom que era antes
fícil e altamente meritória. Mas há zação. O que propõe a vossa can- por quase 10 anos, esta tem um fim da crise”.
muitos mais arquitectos “deserda- didatura? provável num horizonte muito curto Muito provavelmente não haverá
dos” da OA. Dos jovens explorados Esta questão é importante. Mas de 1.5 a 2 anos. “novos paraísos”, mas já não seria
na contratação dos seus serviços por diria de importância relativa. Muita Os ajustes introduzidos têm so- mau que se confirmassem e apro-
entidades públicas e privadas ou na coisa pode ser feita dentro da orgâ- bretudo a ver com como gerir essa fundassem as tendências de evolu-
precaridade de emprego, aos que nica existente. Mas também é ver- travessia temporal, certamente ção, em progressão mesmo lenta
estão na grande diáspora desenca- dade que não há orgânicas estáticas, muito difícil, e consequências muito durante a própria crise, porque afi-
deada pela crise, quer no estran- e menos definitivas, dentro dos ob- provavelmente duras, sobretudo nos nal, e como disse o Emilio Tuñon, “é
geiro, quer na silenciosa e difícil jectivos das Ordens. As ordens pro- sectores mais vulneráveis do uni- um vírus com ideologia, como já foi
diáspora interna e que nem sabem fissionais, e não só a dos arquitectos, verso heterogéneo dos arquitectos. o VIH. O corona vírus não vai ven-
que há uma ordem que os ignora. E têm muitos desafios de actualiza- O essencial dos programas apre- cer o capitalismo, apenas o vai
outros sectores se podiam nomear. ção, adaptação, ou mesmo recicla- sentados, quer nacional quer regio- transformar”. Mas a arquitectura
gem, e se não o fizerem, repito, cada nais, procuram apontar a mais cada vez mais enfrenta o mundo das
De que forma será possível vez mais se vão fechando em si mes- médio e longo prazo dado o enorme desigualdades, da concorrência des-
aproximar mais a Ordem dos ar- mas e em relação ao mundo que não desafio/ oportunidade que a abran- regulada, do câmbio climático, etc.
quitectos? espera por elas. gência desta candidatura apresenta. As transformações na cidade e na
Convocando, ouvindo, dialo- arquitectura são lentas e fruto da
gando. Auscultar estes outros secto- No tempo em que vivemos ac- Tendo em conta o papel dos convergência de muitos decisores.
res ausentes é apenas o início duma tualmente, que acabou por ditar arquitectos na construção das ci- Se conseguirmos contribuir na
Ordem que, à imagem da cidade, o adiamento das eleições da dades, como acha que estas parte que nos toca, para um mundo
deve ser aberta, diversa, inclusiva e Ordem, sentiram necessidade de serão depois do Coronavírus? mais solidário, mais social e mais
incluidora para poder ganhar força, fazer algum ajuste aos objectivos Sejamos realistas. Há muito “wis- ecológico, já evitamos o pior, mas
representatividade e, com todos, do programa ou até repensar/in- hful thinking” nos Mundos sonhados isto só lá vai com todos. ■

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Queremos “trazer a ecologia


para o debate da arquitectura”
‘Arquitectura Perto’, liderada por Célia Gomes mas que sublinha, com ênfase, a ideia de colectivo,
pretende ser “uma ruptura” com a forma da Ordem pensar a arquitectura e o exercício da profissão.
Mas não só. Outro aspecto fundamental da candidatura é trazer a “ecologia para o debate da
arquitectura, reforçando o seu papel na mudança do modelo de desenvolvimento humano”, uma
necessidade que se tornou agora mais evidente com a actual situação que vivemos de Pandemia

consciência ecológica do projecto de sirvam cabalmente os interesses e


arquitectura. necessidades dos membros da
Mas um programa é sempre um classe.
retrato de um tempo, de uma cons-
ciência, de uma urgência colectiva. De que forma será possível
Portanto, o nosso programa só aproximar mais a Ordem dos ar-
ganha plena pertinência quando o quitectos?
colocamos em discussão pública no O epítome da existência da OA é
Fórum Arquitectura Perto (ver servir a sociedade, assegurando a
https://arqperto.discourse.group). qualidade do exercício da profissão
Esta nossa mensagem é já de en- dando ainda a ver quanto isso im-
volvimento da classe, de participa- plica na qualidade de vida das pes-
ção. A discussão gerada influenciará soas. Para esse efeito, a OA precisa
directamente o nosso Programa defender e divulgar as boas práticas
Eleitoral, no decurso das eleições e e o seu enquadramento deontoló-
após as eleições. gico.
O programa do Colectivo Arqui- Todavia, para a OA se aproximar
tectura Perto decorre de uma comu- dos arquitectos e conseguir empatia
nidade participativa. necessita assumir o vínculo com
todos nós de maiores responsabili-
Uma das críticas que também dades na defesa de uma Melhor Ar-
tem sido feita prende-se com a quitectura, começando por
estrutura orgânica da AO, que se reposicionar a Arquitectura no cen-
torna pouco representativa. O tro dos debates públicos sobre a or-
que propõe a vossa candidatura ganização do espaço e do território.
neste aspecto?
Célia Gomes A aprovação recente do novo Re- A internacionalização, muitas
Candidata a Presidente do Conselho Directivo gulamento das Estruturas Regionais vezes procurada pelos arquitec-
Lista D – ARQUITECTURA PERTO e Locais da OA configura a criação tos, é um dos pontos do vosso
de mais secções regionais. Ao invés programa. Que tipo de apoios
de duas secções regionais, passarão estão previstos neste aspecto?
a coexistir sete secções regionais. A internacionalização é uma das
Cidália Lopes ler sobre o vosso programa pre- Esta transformação orgânica não grandes apostas do nosso programa
clopes@construir.pt conizam uma Ordem dos Arqui- assegura que, por si só, os arquitec- porque possibilita a expansão do
tectos onde o papel do tos passem a olhar para a OA com mercado e o aumento da enco-
ais do que um programa, arquitecto seja mais relevante do mais reconhecimento e interesse. menda para os arquitectos portu-
M uma candidatura, a Lista D -
Arquitectura Perto - assume-se
ponto de vista económico, social
e cultural. De que forma preten-
Aliás, o afastamento dos arquitec-
tos da OA deve-se menos a uma de-
gueses.
Prevemos duas vertentes de
como um Colectivo, uma comuni- dem passar esta mensagem? sadequação representativa e mais ao apoio, uma ao colectivo e outra in-
dade de arquitectos que pretende, Para que sejamos uma classe re- desajuste que os arquitectos consi- dividual, ao membro.
através do debate e da participação levante, temos de contribuir para deram existir entre aquilo que a OA A primeira, ao colectivo, corres-
em fóruns, dar voz a toda uma uma melhor sociedade, sermos tem sido capaz de fazer e as dificul- ponde à criação de uma marca "Ar-
classe, quer sejam do “público ou úteis, e só o conseguiremos com a dades e os problemas crescentes do quitectura Portuguesa" e à
do privado”. Na voz de Célia defesa duma boa prática profissio- exercício da profissão, que, de construção de um plano estratégico
Gomes, candidata à liderança do nal. Por conseguinte, este esforço de forma fatídica, têm aumentado a para a sua internacionalização. Este
Conselho Directivo Nacional, a de- recentrar o papel da Ordem dos Ar- cada ano que passa. Plano será delineado em articulação
sejada aproximação da OA aos ar- quitectos é fundamental. Acreditamos que a proximidade com o AICEP, Portugal Global, Rede
quitectos passa por “reposicionar a Fundamental também na nossa não se atinge com o aumento de es- Diplomática, Universidades e Câ-
arquitectura no centro dos debates proposta de programa em discussão truturas físicas mas passa por haver maras de Comércio, com consciên-
públicos sobre a organização do es- é trazer a ecologia para o debate da maior presença pública da OA, cia de que o serviço de Arquitectura
paço e do território”. arquitectura, reforçando o seu papel assim como pela criação de plata- não se vende em feiras e que a ar-
na mudança do modelo de desen- formas agregadoras de conteúdos e quitectura promove toda a indústria
Pelo que tive oportunidade de volvimento humano, ampliando a formas de participação activa que da construção, que em si é indicador

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económico de um País. A segunda criação de um fórum de debate que habitação, se desenvolverem em si- sociedade implicaram historica-
corresponde à criação de um depar- se pode dar apoio aos membros multâneo vivências do foro pessoal, mente transformações na arquitec-
tamento para apoio à internaciona- para actualização contínua das suas social e profissional, remete o de- tura. Será natural que na sequência
lização, cuja função será ajudar os competências. bate para a necessidade de o espaço das transformações sociais que es-
membros individualmente - apoio da habitação ter características que tamos a assistir, a arquitectura
jurídico, administrativo e burocrá- Tendo em conta o actual pano- possibilitem vivências com quali- venha a incorporar essas transfor-
tico. rama que vivemos re- dade, como resposta às mações na reflexão e no seu modo
lativamente à diferentes necessidades de operar. Transformações que po-
Ser arquitecto hoje não é se- Pandemia e onde se funcionais. Estamos derão ter resultados práticos ime-
guramente o mesmo que há al- fala cada vez mais da certos, de que o arqui- diatos, facilmente observáveis, ou,
guns anos com todas as importância de viver tecto enquanto ele- que poderão no entanto conduzir a
possibilidades que a tecnologia numa habitação ade- mento da sociedade outros níveis de reflexão em que as
permite. Quais os principais de- quada e preparada, que nas suas preocupa- utopias que até à data assumimos
safios com que os arquitectos se tanto em termos de ções incorpora compo- enquanto tal, adquirem forma. Es-
deparam? funcionalidade como nentes sociais, tamos a pensar em múltiplos facto-
O papel fundamental do arqui- de eficiência, anteci- humanísticas e técnicas res, de entre os quais nomeamos a
tecto é servir a sociedade, seja no pam alguma mudança terá a capacidade de titulo exemplificativo, a necessi-
seu papel de projectista, seja fiscal, naquilo que pode ser a casa nos produzir respostas de síntese, rein- dade premente de se pensar os ele-
seja investigador, seja formador, seja próximos anos? Ou terá aqui o ventando as qualidades da habita- mentos construídos a partir da
qualquer uma das múltiplas funções arquitecto um papel de alerta ção. perspectiva de ecologia e da susten-
que desempenha. A evolução tecno- dessa mesma importância? tabilidade com o intuito de incor-
lógica vem fornecer ferramentas O arquitecto deve estar no centro Ainda sobre as mudanças pós- porar quer no espaço público, quer
adicionais para a execução desse das preocupações de transforma- Pandemia (ou durante) há os es- no privado a possibilidade de vi-
serviço. É por isso que o nosso pro- ção do espaço da habitação. O tele- paços exteriores de usufruto vências em harmonia com os re-
grama de candidatura pretende pro- trabalho, uma das questões que comum, seja num edifício de tra- cursos do planeta. Questões que ao
mover a formação contínua, resulta da actual circunstância, mo- balho ou residencial, acaba tam- longo das últimas décadas têm sido
fomentar o aparecimento de novos difica o uso dos espaços privados, bém por ter que se repensado à fortemente debatidas, e que na se-
colégios de especialidade e dar re- nomeadamente a habitação, acu- luz das novas recomendações. quência do momento actual deve-
levo aos colégios que já existem. É mulando agora múltiplas funções; Será assim? rão ser colocadas no centro do
com uma aposta na formação e na esta necessidade de, no espaço da As grandes transformações da debate. ■

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15 de Maio de 2020 | 19
Imobiliário www.construir.pt

Web Conferência

Optimismo q.b., capacidade de adaptação, análise do mercado e procura de novas oportunidades são os fac-
tores chave que poderão ajudar o sector imobiliário a recuperar de uma crise inesperada. Em conversa com
alguns dos principais players em Portugal, a Web Conferência “O Futuro (imediato) do Investimento”, pro-
movida pelo CONSTRUIR, permitiu revelar algumas pistas e que estão a chamar a atenção dos investidores
para os próximos meses, ainda que se avizinhe uma recuperação lenta
D.R.

“As crises criam


dos pelo tempo que esta “normali-
zação” irá demorar. “Os mercados
não estão a funcionar. Os investi-
dores não estão cá e tudo isto le-
vará o seu tempo a retomar aos

novas oportunidades” níveis pré-crise. Olhando como


exemplo o mercado de escritórios,
nós demorámos 6 ou 7 anos a che-
gar aos níveis registados em Feve-
reiro e, de repente, fomos
Cidália Lopes crise que paralisou Portugal e o çalo Almeida, administrador do confrontados com uma travagem
clopes@construir.pt Mundo, e a eles junta-se agora uma grupo Vila Galé, José Luís Pinto brusca que nos fez parar e que
imagem positiva, de segurança, pela Basto, CEO the Edge Group e José trouxe insegurança e incerteza.
Manuela Sousa Guerreiro forma como as Autoridades respon- Gil Duarte, CEO da Essentia. Claramente teremos contracção na
mguerreiro@construir.pt deram à crise. Se, por um lado, o Com os hotéis fechados, os investi- procura de escritórios”. Esta con-
segmento hoteleiro pode demorar dores em casa e o País a meio gás, a tracção não irá significar uma di-
mais tempo a recuperar, há também imagem que se traça hoje não é po- minuição nos preços do metro
ortugal e a imagem do País saí- novas perspectivas de investimento sitiva mas esta não é uma crise igual quadrado mas irá ter impacto na
P ram reforçados pela forma como
esta crise foi gerida. A perspectiva
e, até, tendências ao nível da pro-
cura nos escritórios e na habitação
a outras. “Não estamos sozinhos. O
que se passa em Portugal passa-se
desaceleração na subida de preços,
em especial nas cidades de Lisboa
não nos ajuda a resolver os proble- que poderão acentuar-se durante noutros países e, ao contrário de ou- e Porto. Até porque, sublinhou o
mas imediatos, mas serve de alento esta fase. tras crises onde havia uma certa head of country da Savills, “conti-
para que os investidores, empresá- Estas foram algumas das conclu- aversão em investir em alguns mer- nua por resolver a enorme carência
rios e analistas olhem com con- sões da conferência organizada cados, isso hoje não se coloca. Tam- do lado da oferta”.
fiança, se não para o futuro pelo CONSTRUIR, que juntou, via bém temos uma noção de quando Já no mercado de habitação, em
imediato, pelo menos para o médio web, um painel de investidores e será o seu fim, pese embora a hipó- especial, poderemos assistir nos
e longo prazo. Pese embora as in- especialistas do qual fizeram parte tese de algum retrocesso e, depois, próximos tempos a um braço de
certezas e a retracção forçada na Paulo Silva, head of country da Sa- existe liquidez para investir e os in- ferro entre compradores e investi-
economia, os argumentos que servi- vills, José Cardoso Botelho, Execu- vestidores estão desejosos de o dores, com os primeiros à espera
ram para “vender” o turismo e o tive director da Vanguard fazer”, referiu Paulo Silva. que haja uma eventual correcção
imobiliário nos últimos anos estão Properties, Pedro Vicente, admi- O optimismo e a certeza de uma re- dos preços, “à semelhança, aliás,
vivos, não desapareceram com esta nistrador da Habitat Invest, Gon- cuperação no futuro são contraria- do que irá verificar-se noutros pal-

20 | 15 de Maio de 2020
Imobiliário www.construir.pt

Web Conferência

para a reabertura do mercado. “Há


aqui um espaço de actuação natu-
ral que está a ser equacionado,
onde estamos a avalisar algumas
oportunidades nesse sentido e
onde a correcção de preços poderá
permitir a entrada de investidores
qualificados e por esta via requali-
ficar a oferta e reposicioná-la”.

“Recuperação
será longa”
Com uma recuperação que se es-
pera longa, também Gonçalo Rebelo
de Almeida acredita que a economia
vai entrar numa “recessão que se irá
prolongar no tempo”. Com um ano
de 2020 “para esquecer” em que
“pela primeira vez na história do
Grupo” não registamos qualquer
facturação, Gonçalo Rebelo de Al-
meida destaca o facto de terem feito
um forte investimento no último ano
em diferentes produtos pelo que este
ano já não estavam previstos novos
D.R.

investimentos. Mas destaca que o


Grupo têm intenção de analisar novos
cos europeus”, e os segundos que “Claramente teremos contracção produtos e novas possibilidades de in-
irão resistir e querer manter os vestimento mas só para 2021.
seus níveis de rendabilidade. na procura de escritórios, o que
“Vamos sair desta crise
“Novas não irá significar uma diminuição mais fortes”
oportunidades” “Depois de um período mais calmo
Pese embora as incertezas e a re-
nos preços do metro quadrado. considero que vamos sair desta crise
tracção forçada na economia e, em
particular, no sector imobiliário, os
Contudo, irá ter impacto na mais fortes, até nos permitiu con-
cretizar dois importantes negócios
investidores e os promotores con- desaceleração na subida de preços, na Grande Lisboa, mantendo o
tinuam a trabalhar e a dar conti- nosso de produzir para portugue-
nuidade aos projectos que têm em em especial nas cidades de Lisboa ses”. Foi assim que Pedro Vicente,
carteira, mas é também é uma administrador da Habitat Invest en-
oportunidade para olhar para e Porto” (Paulo Silva) cara o actual período que a empresa
novos negócios, fruto de uma está a viver. A nível particular a pro-
adaptação natural ao mercado a motora garantiu a continuidade de
uma situação de pós-pandemia. todas as suas obras, tendo inclusive
“As crises também trazem momen- formações, nomeadamente um ros e José Gil Duarte destaca três dado início à segunda fase de co-
tos de reflexão, são transformadoras maior espaçamento nos espaços de aspectos: a forma como o Governo mercialização do Valrio, empreendi-
da sociedade, criam novas oportuni- trabalho e utilização alternada e o Presidente da República têm mento desenvolvido em conjunto
dades, ajudam a relembrar as regras entre escritórios e teletrabalho. vindo a tratar esta questão, a “res- com a Solyd, em plena quarentena e
fundamentais de uma boa gestão, posta cabal” por parte do SNS e o que consta já com “90% dos aparta-
como ter projectos em diferentes “Normalização facto de Portugal estar já a ser mentos reservados”. Além disso,
áreas e em diferentes ciclos de de- só em 2022” apontado como “um Pais mais se- realizaram dois novos negócios du-
senvolvimento”, afirmou José Luís Habituados a trabalhar com investi- guro e pacifico para ser visitado no rante este período. Trata-se de “ha-
Pinto Basto, CEO do The Edge dores orientados para a “criação de pós-pandemia”. bitação para os portugueses na
Group, que confirmou estarem a valor e de longo prazo”, José Gil José Gil Duarte indicou que estão a Grande Lisboa”, revelou ao CONS-
“olhar activamente para o mer- Duarte, CEO da Essentia, referiu olhar “de forma muito atenta” para TRUIR Pedro Vicente.
cado”. A ideia, confirma, passa por que “depois de uma primeira fase de a integração de pequenas cidades É um facto de que “provavelmente
se tornarem “parceiros em novos apreensão a tentativa é manter o ali- dentro da cidade, permitindo criar vamos continuar a privilegiar o tra-
projectos cujas estruturas estejam nhamento estratégico que já estava novos centros, em particular em balho a partir de casa e que irá
com o capital desequilibrado, even- previsto para os restantes projectos”. projectos de maior dimensão, “tanto haver a adaptação de alguns pro-
tualmente com excesso de financia- Se 2020 será um ano de reavalia- na sua dimensão habitacional, como dutos”. Mas será, também, “um
mento, e que irão necessitar de se ção da estratégia dos investidores na criação de espaços exteriores ou exercício interessante e desafiador
recapitalizar para fazer face a even- e, eventualmente, na procura de al- dentro da própria casa, onde seja de criatividade” a que vamos assis-
tuais atrasos nos projectos “. guma oportunidade, José Gil possível conjugar o trabalho”. tir nos próximos tempos. Quanto
Com vários anos de experiência ao Duarte considera que “2021 será A avaliação de oportunidades está às consequências da Pandemia,
nível da promoção de escritórios e um ano de recuperação lenta e em também a ser equacionado, avança Pedro Vicente acredita que só
na gestão de private offices e co- 2022 podemos voltar a uma certa José Gil Duarte que têm sentido “daqui a um ano” será possível ava-
working, José Luís Pinto Basto normalização pós-Covid”. por parte dos investidores um liar. E deixa a resposta para uma
considera que será necessário rea- E é neste caminho que se tem es- “forte interesse” em adquirir uni- nova conferência “onde seremos
valiar os produtos que se encon- tado a fazer para a “normalização” dades hoteleiras a preços mais nor- todos capazes de perceber o verda-
tram em carteira já que os que Portugal está a dar “sinais po- malizados para reinvestimento e deiro impacto de tudo isto”. Desa-
escritórios irão passar por trans- sitivos” aos investidores estrangei- reposicionamento e prepara-las fio aceite! ■

22 | 15 de Maio de 2020
Imobiliário www.construir.pt

Investimento

500 M€ para o desenvolvimento


da Herdade do Pinheirinho
serão na sua grande maioria man-
tidas também. Uma das grandes
vantagens da compra da Herdade
do Pinheirinho é precisamente o
estado bastante adiantado do pro-
jecto, o que permitirá que rapida-
mente possamos estar no
mercado”, sustenta Luís Gamboa.
A timeline de execução do projecto
ainda não está fechada e a promo-
tora prefere não fazer as coisas à
pressa, até porque as actuais cir-
cunstâncias de pandemia permi-
tem-lhe essa pausa. “O timeline
não está ainda fechado, já que
como referimos nesta primeira fase
vamos reavaliar o projecto. Con-
tudo, acredito que durante este ano
deveremos ter uma ideia muito
clara do mesmo e iniciar o seu de-
D.R.

senvolvimento. Não queremos per-


der tempo, mas também não
A VIC Properties juntou ao seu portfólio a Herdade fica o responsável. queremos fazer as coisas à pressa”.
do Pinheirinho. Ali irá nascer um novo conceito A aposta é numa “tendência cada Para Luís Gamboa, o desenvolvi-
vez mais forte sobre o que as pes- mento da Herdade do Pinheirinho
imobiliário menos “urbano” e mais “orgânico” soas vão querer no futuro, que vai “aumentar a oferta numa zona
passa por segundas habitações in- que necessita de projectos estrutu-
nho estimamos que o mesmo se seridas na natureza, com espaços rantes e que possam alargar a
Manuela Sousa Guerreiro
mguerreiro@construir.pt
situe entre os 450 e os 500 milhões ao ar livre, que permitam a prática oferta de serviços na região”.
de euros”, sublinha. de actividades de lazer e de des- “Temos a certeza de que a Herdade
A prioridade é a reavaliação dos es- porto”. Inserida num meio natural do Pinheirinho será um projecto de
epois do Prata Riverside Vil- tudos e usos existentes para a Her- , a Herdade do Pinheirinho dista a referência em Portugal, com um
D lage e do projecto da Matinha,
a Vic Properties reafirma a sua
dade do Pinheirinho, de forma a
poder melhorar um projecto de-
pouco mais de uma hora de Lisboa.
“Trata-se de uma zona com grande
forte impacto no panorama imobi-
liário nacional, assim como na eco-
aposta e investimento com a aqui- senvolvido inicialmente há mais de potencial com a qual a VIC Proper- nomia e na criação de emprego
sição da Herdade do Pinheiro. A 10 anos. “Na nossa opinião, o an- ties se identifica muito e na qual local”.
concretização do negócio foi feita terior projecto foi desenvolvido pretende concentrar esforços nos Esta aquisição “estratégica” da pro-
no início do mês. numa lógica de um loteamento próximos anos.” motora surge num contexto de
Situada em Melides, no concelho muito urbano. Por isso considera- crise, uma crise à qual Portugal
de Grândola, e com uma área de mos que este necessita de ser ava- Desenvolvimento “reagiu muito bem”, o que somado
implantação de aproximadamente liado. A prioridade da VIC do projecto até “a todas as outras qualidades am-
200 hectares com acesso directo à Properties é tornar o espaço menos final de 2020 plamente divulgadas pelo Mundo
praia, o projecto original inclui ho- “urbano” e mais “orgânico”. O Após terminar esta fase de defini- fora, fará com que o nosso país
téis, moradias, apartamentos, co- nosso objectivo é ter diferentes ção da estratégia para este novo de- continue a ser um destino muito
mércio e um campo de golfe. O conceitos dentro do mesmo pro- safio, a VIC Properties irá começar atractivo. Haverá, naturalmente,
activo fazia parte do portfólio imo- jecto para que se possa satisfazer o desenvolvimento do projecto o ainda alguns meses de menor acti-
biliário da família Espírito Santo, diferentes mercados, ter outras mais rapidamente possível. vidade, mas rapidamente esta reto-
herdado pelo Novo Banco por atracções que não seja apenas o “Naturalmente, que o golfe vai mará os níveis do início do ano”,
dação em cumprimento do crédito campo de golfe. Pretendemos dotar manter-se, já que é uma infra-es- defende.
concedido pelo antigo BES. a Herdade do Pinheirinho de vida trutura importante para o projecto Outra consequência desta pande-
Em entrevista ao CONSTRUIR própria para que se reduza a actual e para a região. As infra-estruturas mia está relacionada com a forma
Luís Gamboa, COO da VIC Proper- sazonalidade daquela zona”, justi- base que se encontram construídas como vivemos esta quarentena e
ties, não revela o valor da aquisição aquilo que será exigido no futuro.
mas afirma que o investimento a
realizar na Herdade da Matinha
“Pretendemos dotar a Herdade do “Será necessário um maior cui-
dado na concepção dos projectos,
poderá rondar entre 450 a 500 mi-
lhões de euros. “A VIC Properties
Pinheirinho de vida própria para que uma maior ênfase nos espaços ex-
teriores, nos layouts... Por outro
tem como política não divulgar pu- se reduza a actual sazonalidade lado, os clientes serão muito mais
blicamente os valores de aquisição criteriosos nas suas escolhas,
dos seus projectos. Em termos do daquela zona”, assegura Luís muito mais do que metros quadra-
investimento global previsto para o dos de casa vão-se vender concei-
projecto da Herdade do Pinheiri- Gamboa, COO da VIC Properties tos, experiências e serviços”. ■

24 | 15 de Maio de 2020
Materiais www.construir.pt

Inovação

Cruzfer e Warema promovem


estores exteriores extrudidos
De acordo com as
empresas, estes estores
Premium são
exclusivamente de
comando eléctrico e
permite que a superfície
das lâminas tenha um
acabamento anodizado
(CO) “tão do agrado de
arquitectos, e com uma
significativa capacidade
reflexiva”
D.R.

Ricardo Batista
rbatista@construir.pt
Os estores Premium da Warema movimento por dia é expectável
uma durabilidade de aproximada-
Cruzfer com lâmina extrudida de mente 15 anos. As empresas expli-

A Cruzfer, representante exclu-


siva em Portugal dos estores alumínio possuem características cam que a aplicação de sistemas de
protecção solar exteriores são hoje
exteriores Warema, está a promo-
ver um conjunto de soluções Pre-
de resistência ao vento acrescidas em dia “fundamentais para aumen-
tar de forma significativa a eficiên-
mium, nomeadamente um estore cia energética dos edifícios”. “Estes
exterior que tem a particularidade sistemas criam na pele do edifício
de as lâminas, de 80mm, não são uma eficaz barreira á passagem de
conformadas a partir de chapa de das lâminas além de poderem reco- Além disso, segundo a empresa, é energia para o interior, e ainda opti-
alumínio em “coil” mas sim extru- lher parcial ou totalmente para a possível que o estore seja fabricado mizar a passagem de luz. Cria-se
didas, de formato convexo, e com chamada caixa de recolha superior. na configuração "wind-stable", esta- assim condições para economizar
uma espessura de um milímetro. Em soluções mais comuns, trata-se bilidade ao vento. De notar que a ve- energia não só nas vertentes de
Segundo adianta a empresa, estes de dispositivos que possuem lâmi- locidade de vento suportada pelo aquecimento/ arrefecimento bem
estores Premium são exclusiva- nas de alumínio formadas a partir estore depende de uma análise cui- como na iluminação artificial dos
mente de comando eléctrico e per- de chapa de alumínio em "coil". A es- dada de diferentes factores como a espaços interiores”, assegura a em-
mite que a superfície das lâminas pessura das lâminas é de cerca de tipologia de montagem, altura, di- presa. A Cruzfer é filial em Portugal
tenha um acabamento anodizado 0,5mm, possuindo diferentes geo- mensões do estore, etc. Em relação do Grupo Alemão GU, que opera há
(CO) “tão do agrado de arquitectos, metrias e dimensões, sendo as mais aos estores Premium da Warema cerca de 30 anos no mercado nacio-
e com uma significativa capacidade utilizadas as de 80mm. Estas lâmi- Cruzfer são fornecidos de fábrica nal, fornecendo e instalando Siste-
reflexiva”. nas são possíveis de fornecer com com a marca CE, respondendo mas e equipamentos dos mais
De acordo com as empresas, esta cores RAL standard ou em cores ainda à Directiva Máquinas diversos para Protecção Solar, quer
aposta resulta do facto de os estores RAL não standard. 2006/42/EC. Em termos de durabili- exteriores quer interiores. Já a
exteriores de lâminas orientáveis e dade, estes estores foram concebi- alemã Warema tem sido o principal
de comando manual ou eléctrico, Resistência acrescida dos para serem especialmente parceiro da Cruzfer para o forneci-
serem dos recursos mais utilizados Os estores Premium da Warema duráveis atingindo a classe 3 de mento de um vasto número de solu-
por projectistas e utilizadores finais, Cruzfer com lâmina extrudida de acordo com a norma DIN EN 13659 ções de equipamentos de protecção
desde logo porque permitem, igual- alumínio possuem características de com 10.000 ciclos e 20.000 ciclos nas Solar incluindo toda a electrónica
mente, a regulação da orientação resistência ao vento acrescidas. lâminas. Assumindo dois ciclos de de comando dos mesmos. ■

Tabela de Dimensões
Tipo de Estores Largura Largura Altura Área Max. Largura da Peso Tipo Tipo de
Min. mm Max. mm Max. mm m2 Lamela mm Kg/m2 de guia comando
E 80 AF Premium 650 3500* 3500 12 80 5,5 Cabos Interruptor
E 80 AF A6 Premium 650 3500* 3500 12 80 5,5 Calhas Interruptor
E 80 AF A6 Premium 650 3500* 3500 12 80 5,5 Cabos e Interruptor
Wind-stable Guias
Notas: Na aplicação do estore Premium, ter em conta que até 2000mm de largura será necessário aplicar 2 cabos laterais, a partir de 2000mm de largura 3 cabos (1
central); As dimensões máximas e mínimas acima apresentadas dependem da altura. Para larguras inferiores a 1000mm, deve-se garantir que a altura não exceda a
proporção de tamanho de 1 a 4

26 | 15 de Maio de 2020
Eficiência Energética www.construir.pt

A diferença “já” está na


exigência de quem escolhe
Havendo uma tónica entre os especialistas consultados pelo CONSTRUIR, parece ser um dado adquirido
que os projectos que estão em marcha ou em carteira reflectem uma maior exigência do mercado na
adopção de soluções não só ambientalmente mais sustentáveis como energeticamente mais eficientes.
E a pensar nisso, as empresas concentram esforços para responder a esses desafios

mento, uma vez que não terão que


viver com os equipamentos e solu-
ções ao longo do ciclo de vida do
edifício”. Questionado sobre o fu-
turo das empresas, no que diz res-
peito ao desenvolvimento de
soluções que promovam a eficiên-
cia energética, Pedro Gouveia con-
sidera que “as empresas que
queiram subsistir no longo prazo
terão que desenvolver soluções que
vão ao encontro da expectativa da
sociedade do ponto de vista de pro-
tecção ambiental, quer na redução
do consumo energético, que na uti-
lização de fluídos com baixo po-
tencial de aquecimento global (
PAG)”. No entender do Strategic
Accounts Manager da Lennox, “a
tendência a que assistimos neste
momento é para o surgimento pau-
latino dos edifícios NZEB e para
D.R.

isso, se as soluções de climatização


não forem muito eficientes, a gera-
Ricardo Batista mais distribuído, e para mais Lennox ção de energia local terá que as
rbatista@construir.pt
agentes económicos. Ao CONS- Ao CONSTRUIR, o Strategic Ac- compensar. Isto será interessante,
TRUIR, a propósito de uma entre- counts Manager da Lennox EMEA uma vez que poupar de um lado,
vista que pode ler na íntegra na considera que “tendencialmente a forçosamente obrigará a gastar do
ortugal usou apenas 7,7% dos próxima edição, João Gavião, ar- consciência geral e legislação ob- outro, pelo que poderemos ter um
P fundos regionais e de coesão
para a acção climática, indica um
quitecto e fundador da Associação
Passivhaus Portugal explica que
riga a soluções cada vez mais efi-
cientes energeticamente”. Pedro
mercado menos focado no preço,
mas sim na relação custo / benefí-
relatório da responsabilidade do “neste período de pandemia esta- Gouveia recorda que brevemente cio dos equipamentos que se estão
projecto Life Unify, que junta uma mos todos mais alerta em relação teremos a entrada em vigor dos adquirir”. A Lennox lançou a pri-
dezena de organizações euro- a todos os aspectos que têm in- novos patamares de exigência da meira rooftop a R32 no mercado,
peias. O relatório “Climate and fluência na nossa saúde. Por outro Directiva Ecodesign a partir de com elevada eficiência e com um
energy transition: the untapped lado, passamos mais tempo em 2021. “Por outro lado, continua- fluído de baixo PAG. Antes disso ,
potencial of EU funds” (Transição casa e prestamos mais atenção à mos a sentir que há uma grande tinha lançado o primeiro chiller a
climática e energética: o potencial qualidade dos ambientes interio- pressão no mercado por muitos ac- R32 com compressores inverter no
inexplorado dos fundos da UE) in- res que habitamos”. “Para nós, tores pelo baixo custo de investi- mercado, pelo que a inovação tem
dica que os países da União Euro- esta é uma preocupação de sem-
peia (UE) pouco usam os fundos pre e pretendemos contribuir para
de desenvolvimento regional para que este tema seja discutido.
acelerar a transição para a neu- Nesta procura por ambientes in-
tralidade carbónica. Segundo o teriores mais saudáveis, a Passive
documento, é preciso que Portu- House dá uma resposta inigualá-
gal continue a apostar nas ener- vel”, diz, acrescentando que “se ti-
gias renováveis, na mobilidade vermos um parque edificado com
eléctrica, na adaptação às altera- melhor desempenho estamos ob-
ções climáticas e na economia cir- viamente a mitigar o efeito da po-
cular. Uma correcta aplicação dos breza energética. A energia em
fundos, até tendo em conta a crise Portugal continuaria a ser cara,
económica causada pelo novo co- mas já não seria tão necessária
Lennox

ronavírus, que provoca a doença para que as pessoas habitassem


Covid-19, pode gerar trabalho com conforto e Dignidade”.

28 | 15 de Maio de 2020
Eficiência Energética www.construir.pt

sido contínua. Neste momento, dis- “O incremento do


pomos de uma gama completa de
equipamentos, fluídos de baixo
custo da energia faz
PAG (R32, R513a, CO2, na gama de com que, cada vez
refrigeração) e estamos cada vez
mais empenhados em desenvolver mais, o utilizador
soluções customizadas em parceria final considere a
com os nossos clientes. Como for-
necedor de sistemas de AVAC & R sustentabilidade e a
temos a capacidade de integrar di- eficiência energética
versos sistemas de forma simples e
integrada, dando resposta às diver- como um factor de
sas solicitações e modelos de negó- decisão”
cio dos nossos parceiros.

Carlo Gavazzi
Já os responsáveis da Carlo Ga-
vazzi acreditam que “a conscien-
cialização da sociedade da
necessidade da eficiência energé- Entalpia e variáveis ambientais,
tica está cada vez mais presente, de permite o agregar dessa informa-
algum modo, essa necessidade é ção (datalogger) e ainda fazer o
transposta para os projectos de controlo, por exemplo de; climati-
forma a que estes reflictam mode- zação, iluminação e gestão de esta-
los mais sustentáveis e respeitosos cionamento, tudo no mesmo
com o meio ambiente com o com- dispositivo”.
promisso de uma redução do aque-
cimento global”. Pedro Botelho, TEV
Managing Director da companhia, Quem também está particular-
além da eficiência, há outro factor mente atenta ao mercado é a TEV.
determinante a ter em conta: o Ao CONSTRUIR, Benilde Maga-
custo. “O incremento do custo da lhães recorda que “existem evidên-
energia faz com que, cada vez cias que demonstram a redução da
mais, o utilizador final considere a factura energética nos edifícios que
sustentabilidade e a eficiência tem soluções de Domótica e Imó-
energética como um factor de de- tica implementadas”. A responsá-
D.R.

cisão, o que por sua vez requer que vel de Marketing e Comunicação
a oferta vá de encontro a este re- da companhia acrescenta que de-
quisito”, refere Botelho. O respon- a Carlo Gavazzi tem desenvolvido rias funções integradas como Web- pendendo das especialidades que
sável da Carlo Gavazzi acredita que vários equipamentos e soluções in- Server, WEB-services e Datalogger se pretende englobar, “consegui-
“o futuro passará pela conjugação tegradas nos últimos anos com e vários protocolos de comunica- mos uma redução na ordem dos
de várias tendências, no desenvol- vista ao desenvolvimento e melho- ção Modbus TCP/IP; Modbus Gate- 30% quando são consideradas no
vimento de produtos e serviços na ria da eficiência energética. “Desde way TCP/RTU, BACnet IP, DALI, projecto de domótica as especiali-
área da energia, nas smart cities e a monitorização, com contadores e HTTP, HTTPS, FTP, FTPS, SFTP, dades de iluminação e AVAC”. Se-
nas smart homes, com cada vez analisadores de energia, com os DP (Data Push), SMTP, NTP, Rest- gundo Benilde, “é possível dotar a
mais sistemas que ajudam à cons- mais variados protocolos de comu- API, MQTT e IoT com certificado instalação nova ou existente com
tante monitorização, com serviços nicação, como o simples Modbus Microsoft Azure e compatível com controlo de iluminação, estores
baseados em análises de dados passando por Ethernet e M-Bus, Amazon AWS”, sublinha Botelho, eléctricos, climatização, áudio, etc
com sistemas de big data, data ana- assim como ferramentas agregado- acrescentando que “a grande dife- e em qualquer momento, através
lytics, inteligência artificial e inter- ras de dados, como a nossa plata- renciação desta plataforma é que do smartphone ou tablet com IOS
net das coisa (IoT)”. A este forma UWP, uma Gateway de além monitorizar variadas variá- ou ANDROID, visualizar e contro-
respeito, Pedro Botelho revela que Monitorização e Controlo, com vá- veis tais como; Energia, Água, Gás, lar o estado dessas funcionalidades
na habitação ou edifício”. “A mo-
notorização dos consumos por di-
visões ou por especialidade,
permite fazer comparações históri-
cas e deste modo actuar mais inci-
sivamente sobre o que não é tão
eficiente. Existe de facto uma inte-
ractividade entre o utilizador e a
instalação eléctrica, dada a exis-
tência de sensores e de cenários ló-
© Gonçalo Miller / Associação Passivhaus Portugal

gicos”, considera. A TEV2, através


da marca DLOFT Home Automa-
tion, passou a disponibilizar para o
mercado, soluções de domótica
KNX com integração de comando
por voz. A DLOFT desenvolveu so-
luções que permitem integrar as
várias especialidades: iluminação,
climatização, estores, entre outros,
com a forma mais natural de co-
municação por voz. Esta solução é
compatível com os dispositivos da

30 | 15 de Maio de 2020
Eficiência Energética www.construir.pt

Apple, da Amazon e da Google.


Para além das soluções convencio-
nais conhecidas no mercado sob o
protocolo KNX, da qual somos
também associados, é nosso objec-
tivo fornecer ao cliente/utilizador
uma experiência intuitiva e funcio-
nal que agrega também esse con-
trolo por comando de voz.

Macolis
Atendendo a que “as empresas
terão de ser cada vez mais um pres-
tador de serviços aliado à venda de
produtos o mais eficientes possí-
vel”, João Bernardo, do Departa-
mento de Marketing da Macolis,
explica que “não será suficiente ter
o melhor preço mas a melhor solu-
ção energeticamente eficiente
aliada a um bom preço”. Bernardo
recorda, ao CONSTRUIR, que a
Macolis “tem no seu gene a presta-
ção de serviços aos seu parceiros
aliada à integração de produtos efi-
cientes”. A este respeito, João Ber-
nardo revela que, “como
Panasonic

diferenciador, temos a preocupa-


ção constante na procura de novos
produtos e desenvolvimento de so-
luções de interligação de forma efi-
ciente dos produtos das diversas “Continuamos a sentir que há uma Reynaers
marcas que comercializamos. Para Ao CONSTRUIR, a responsável de
respeitar as novas exigências ener- grande pressão no mercado por Marketing da Reynaers, explica
géticas não bastará ter o produto que “o consumidor/investidor está
mais eficiente mas conseguir inter-
muitos actores pelo baixo custo de cada vez mais consciente do im-
ligar os diversos produtos/equipa-
mentos de uma habitação de forma
investimento, uma vez que não terão pacto das suas escolhas no con-
forto dos utilizadores dos edifícios
a que esta seja eficiente no seu que viver com os equipamentos e e, também, na poupança que as so-
todo”. “Esta é um preocupação luções mais eficientes podem re-
constante do nosso departamento soluções ao longo do ciclo de vida do presentar ao longo do ciclo de vida
técnico, que nos diferencia dos de-
mais e que há largos anos vem tra-
edifício” do edifício”. A esse respeito, Marta
Ramos acredita que “há ainda um
balhando a linha de produtos longo caminho a percorrer, mas a
Controlmaco de forma a apresen- pelo Mercado de Bombas de Calor energia e sistemas de gestão inte- auto-consciencialização já é um
tar soluções, o mais integradas pos- Nacional da empresa, que acredita grados”, assegura Duarte Pestana. primeiro passo para a mudança do
sível”, assegura o responsável de que os novos projectos, fruto das O responsável pelo Mercado nacio- ‘mindset’. “A eficiência e a susten-
marketing da Macolis. medidas cada vez mais restritivas nal de Bombas de Calor revela ao tabilidade fazem parte do ADN da
quanto aos consumos máximos de CONSTRUIR que a Panasonic vai Reynaers praticamente desde a sua
Panasonic energia, ou mesmo a necessidade lançar este ano a nova gama de criação e são um premissa orienta-
Os responsáveis da Panasonic acre- de adoptar soluções de climatiza- Bombas de Calor Monobloco da dora do desenvolvimento de todas
ditam que a necessidade de pou- ção mais eficientes e ecológicas série J R32, assim como as novas as nossas soluções técnicas”, acres-
pança com o aumento da eficiência “forçam” os agentes de mercado a unidades interiores do modelo split centa Marta Ramos, recordando
energética, as preocupações com o reagir. No caso da Panasonic, a All-in-One Série J Compact R32, de que a Reynaers lançou, recente-
meio ambiente, nomeadamente o companhia tem adoptado medidas dimensões reduzidas mente, a MasterLine SoftTone,
aquecimento global, a camada de que visam diminuir o consumo (60x60x165cm) para poderem ser “uma solução totalmente revolu-
ozono e as graves consequências total de energia das suas fábricas, perfeitamente integradas num ar- cionária para arrefecimento e ven-
para o nosso Planeta, assim como nomeadamente através da Visão mário de cozinha, poupando es- tilação natural em ambientes
as restrições à utilização dos gases 2050, em que nos comprometemos paço enquanto proporcionam o urbanos”. “As janelas oscilo-para-
com HFC’s, norteiam uma evolução a produzir mais energia a partir de conforto necessário para a climati- lelas oferecem melhor prestação na
contínua, “não só no desenvolvi- fontes renováveis do que a energia zação e produção de água quente ventilação e arrefecimento. Por sua
mento e produção de equipamen- que consumimos para fazer chegar sanitária. A companhia vai igual- vez, os componentes de SoftTone
tos de climatização mais eficientes, ao mercado os nossos equipamen- mente apostar numa Unidade de filtram o ruído exterior. Assim, à
com recurso à utilização de ener- tos, até ao ano de 2050. “A Panaso- Ventilação com Recuperação de máxima eficiência da gama Mas-
gias renováveis para o seu fabrico, nic está também directamente Calor, que permite recuperar até terLine (com desempenhos que
como também a evolução dos siste- envolvida na concepção e desenvol- 84% do calor do ar interior transfe- atingem níveis Passive House) e ne-
mas de climatização hidráulicos, vimento das soluções para as Cida- rindo-o para o ar novo admitido no cessidade de ventilação natural, tão
que recorrem à água como meio de des do Futuro, mais sustentáveis, edifício, respondendo assim às Di- importante no conforto, juntámos
transmissão ou absorção de calor, mais eficientes e interconectadas, rectivas Europeias e à alteração do as melhores prestações de atenua-
para fazer face às limitações im- não só através das soluções de cli- REH que entra em vigor no pró- ção acústica com uma solução to-
postas para a utilização dos fluidos matização que desenvolve e pro- ximo dia 31 de Dezembro de 2020, talmente inovadora e sem
refrigerantes”. Essa é pelo menos a duz, como nas aplicações de relativa aos novos edifícios, nomea- comparação no mercado, o Sof-
ideia defendida ao CONSTRUIR consumo doméstico, automóvel, damente edifícios NZEB (Near Tone”, refere a Marketing Manager
por Duarte Pestana, responsável produção e armazenamento de Zero Energy Buildings). da Reynaers. ■

32 | 15 de Maio de 2020
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Eficiência Energética
Opinião

O Protocolo KNX e a
Estratégia de Longo Prazo
para a Renovação de
Edifícios (ELPRE) Rui Horta Carneiro
Associação KNX Portugal

A actual Pandemia de COVID-19, que alterou drasticamente os nossos hábitos de vida, veio confirmar o que já sa-
bíamos: temos de mudar o modo como vivemos e, portanto, os nossos edifícios e as nossas cidades. A sustentabi-
lidade do nosso planeta obriga-nos a rever processos e mesmo modelos de gestão. As alterações climáticas têm
acelerado essa necessidade de mudança e agora somos impelidos pela Pandemia da COVID-19 a mudar ainda Uma
mais depressa. Cada vez mais a inteligência é necessária para gerir as nossas vidas, o nosso trabalho, os nossos edi-
fícios e as nossas cidades. intervenção de
A Diretiva 2018/844, de 30 de maio de 2018, relativa ao desempenho energético dos edifícios (Diretiva EPBD), em
cujo processo de transposição a Associação KNX Portugal está a participar a convite da Direcção Geral de Ener- recuperação e
gia e Geologia (DGEG) e da ADENE, prevê no seu artigo 2.º-A, a elaboração, pelos Estados-Membros, da Estraté-
gia de Longo Prazo para a Renovação de Edifícios (ELPRE), incluindo um roteiro com medidas e metas indicativas renovação no
para 2030, 2040 e 2050, e a forma como estas contribuem para atingir os objetivos de eficiência energética da
União Europeia.
parque
A DGEG colocou agora em consulta pública o documento que contém a Estratégia de Longo Prazo para a Reno-
vação de Edifícios (ELPRE), que decorre até 18 de Maio. Trata-se duma grande oportunidade para definir como
edificado terá
recuperar seriamente o parque edificado em Portugal. Parque que está degradado, com grandes deficiências fun- por
cionais e energeticamente ineficiente.
Já no Plano Nacional Energia e Clima (PNEC) 2030 foi identificada a necessidade de “desenvolver e implementar consequência
uma estratégia de longo prazo que permita promover a renovação de edifícios, contribuindo para um aumento da
eficiência energética do parque edificado e alterando assim o paradigma das últimas décadas, centrado unica- também os
mente na construção nova, e assim contribuir para um aumento da qualidade do parque edificado existente, cada
vez mais necessitado de uma intervenção urgente que aumente os níveis de conforto das populações e gere ganhos
chamados
em termos de eficiência energética”.
A decisão de definir um quadro de orientação estratégica para a recuperação dos edifícios usados é da maior im-
“co-benefícios
portância, permitindo melhorar a qualidade de vida e a eficiência energética. da renovação
O estudo subjacente à ELPRE assenta sobre a informação contida em 240.650 certificados energéticos de edifícios
existentes e que tipifica 38 diferentes perfis de edifícios, considerando, entre outros, factores como a finalidade, a energética -
volumetria, os sistemas de construção, perfis de iluminação e de ocupação. É, sem dúvida, uma amostra repre-
sentativa da realidade. como por
Este estudo conclui que, após 2016, o parque de edifícios existentes proporciona desconforto térmico em mais de
95% das horas do ano. Verifica ainda que o desconforto térmico é mais acentuado no inverno, sendo as habitações exemplo,
mais antigas e localizadas em zonas com clima mais severo as mais afetadas onde se estima que, sem aquecimento
activo, as temperaturas mínimas interiores possam atingir com frequência valores abaixo dos 10 °C.
efeitos na
Este estudo conclui, pois, que temos ”um parque edificado envelhecido e com um fraco desempenho energético”.
De modo que uma intervenção de recuperação e renovação no parque edificado terá por consequência também os
saúde, na
chamados “co-benefícios da renovação energética - como por exemplo, efeitos na saúde, na produtividade laboral produtividade
e na valorização dos imóveis – cumulativamente com as poupanças energéticas”.
Ora, tal como na regulamentação para os edifícios novos, também na recuperação energética do parque edificado laboral e na
tendo em vista o cumprimento das metas europeias de eficiência energética e de redução da factura de CO2, devem
ser tidos em conta aspectos práticos cruciais para o sucesso desta Estratégia. Designadamente: valorização dos
- Serem introduzidos sistemas de Automação e Controlo baseados em protocolos estandardizados regidos por nor-
mas Europeias ou Internacionais;
imóveis –
- Os sistemas de Automação e Controlo a instalar devem ser sistemas abertos – não proprietários – e capazes de
comunicar e integrar com outros sistemas e protocolos;
cumulativa-
- Deve passar a considerar-se a potência total e não apenas a potência térmica do edifício (tanto mais importante mente com as
quanto estão aí a auto-geração de energia e a electromobilidade);
- Os sistemas de Automação e Controlo a instalar devem ser integrados ao nível da automação ou ao nível da ges- poupanças
tão (pirâmide da automação) e serem baseados em protocolos estandardizados que incluam normas Europeias ou
Internacionais de Segurança; energéticas”.
- A intervenção de técnicos e a programação de sistemas de automação e controlo deve ser realizada por técnicos
qualificados e devem ser previstos mecanismos de certificação e de fiscalização efectivos. ■

NOTA: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo

15 de Maio de 2020 | 33
Eficiência Energética www.construir.pt

Opinião

Como as ferramentas
digitais podem garantir a
continuidade do negócio
dos proprietários de
João Rodrigues
Country Manager, Schneider
Electric Portugal

edifícios em tempos difíceis


Muitos
edifícios já No momento de incerteza atual, os proprietários e operadores de edifícios enfrentam alguns desafios sem pre-
cedentes. Independentemente do tipo de edifício ou do seu setor, as equipas de facilities estão a lidar com obs-
beneficiam da táculos que em nada se parecem com a sua habitual atividade.
No caso dos edifícios que alojam operações críticas, manter tudo em funcionamento é absolutamente crucial,
transição dos tanto para a segurança dos ocupantes como das comunidades que suportam. Também em muitos outros edi-
fícios os operadores precisam de se adaptar e manter a funcionalidade das operações, de forma fiável e con-
controlos fortável, com uma equipa possivelmente reduzida aos colaboradores essenciais. E em qualquer caso, é
analógicos necessário fazer tudo isto em paralelo com um orçamento operacional controlado.
As ferramentas digitais podem ajudar a ultrapassar este desafio de manter a continuidade das instalações nas
para condições únicas que vivemos. Muitos edifícios já beneficiam da transição do controlo analógico para infra-
estruturas elétricas e AVAC conectadas e habilitadas para a IoT; são, assim, edifícios mais inteligentes e que per-
infraestruturas mitem mais visibilidade, controlo e suporte remoto.
Os proprietários e operadores dispõem, então, dos meios necessários para cumprir os objetivos de gestão e de
elétricas e manutenção dos edifícios, mesmo em circunstâncias excecionais. Alguns exemplos dos benefícios trazidos
pelas ferramentas digitais:
HVAC
conectadas e 1. Aumento da resiliência dos edifícios durante uma crise
Com operações essenciais a funcionar 24/7, é vital conseguir prever quaisquer riscos que possam pôr em causa
habilitadas o tempo de operacionalidade. Digitalizar os sistemas elétrico e AVAC permite receber informações e alertas au-
tomáticos nos dispositivos dos colaboradores, possibilitando a monitorização segundo as condições em tempo
para a IoT; são, real.
Com dispositivos inteligentes e conectados – como medidores de energia ou controladores de edifícios inteli-
assim, edifícios gentes, e também análises avançadas baseadas em software (seja de gestão integrada da energia ou de gestão
de edifícios) – é possível antecipar potenciais falhas no equipamento elétrico e AVAC mais relevante, dispondo
mais de poderosas ferramentas de diagnóstico para dar prioridade às condições de alarme e recomendar ações ime-
diatas.
inteligentes e Munidas destas orientações, as equipas de assistência podem garantir que as redes elétricas operam de forma
que permitem harmoniosa e que os fluxos de ar são otimizados para o conforto dos ocupantes do local, sem comprometer a
segurança.
mais 2. Controlo de custos durante períodos de menor ocupação
visibilidade e Naturalmente, quaisquer negócios – como por exemplo no setor hoteleiro – que estejam a atravessar períodos
de menor ocupação sentirão necessidade de implementar medidas urgentes de contenção de custos.
controlo e A digitalização dos sistemas ajuda a reduzir os custos operacionais pois permite a monitorização, ao nível do
edifício, do sistema elétrico e das suas cargas. Monitorizar os padrões de consumo de energia pode revelar
ainda suporte oportunidades de poupança, como equipamentos não-essenciais que podem ser desligados. Esta visibilidade
sobre as condições dos equipamentos também permite identificar necessidades urgentes de manutenção, o
remoto que levará a medidas mais eficientes por parte dos operadores no sentido de minimizar ou evitar disrupções.

34 | 15 de Maio de 2020
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Eficiência Energética
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3. Manutenção de operações, mesmo com acesso ou recursos limitados


As ferramentas digitais permitem a gestão remota de cerca de 70% das ope-
rações dos edifícios – o que é fundamental para a continuidade do negócio
durante uma crise. Em situações como a atual, as instalações cujo propósito
é essencial enfrentam desafios particulares, tanto pelo risco de indisponibi-
lidade dos colaboradores essenciais (por doença ou quarentena) como por
outros impactos que se façam sentir a longo prazo e que possam afetar a dis-
ponibilidade constante de operadores e equipamentos.
Numa crise, o acesso às instalações também pode ser severamente restrin-
gido, dificultando a manutenção e o suporte. Assim, é importante uma
grande eficiência e organização no trabalho de quem efetivamente possa ace-
der aos locais – as soluções de gestão de edifícios e de energia ajudam, ofe-
recendo a informação necessária, no momento certo, a quem dela necessita.
É possível fazer um diagnóstico profundo aos equipamentos antes das visi-
tas para realizar assistência: a equipa de manutenção pode analisar remota-
mente as condições das instalações, seguindo alarmes para identificar a
causa dos problemas e potenciais consequências. Isto pode ajudar a tomada
de decisões informadas, nomeadamente avaliando se a situação é suficien-
temente crítica para exigir a presença da equipa de assistência.
Uma vez no local, essa equipa estará também melhor preparada, dispondo de
um completo conjunto de informações de diagnóstico que vai permitir loca-
lizar rapidamente o equipamento em questão e assim minimizar o tempo
total de manutenção.
Nos dias que correm, as prioridades de negócio são variáveis, flutuando de
acordo com as circunstâncias – isto inclui, também, a redução de colabora-
dores. Uma infraestrutura digitalizada providencia plataformas de suporte
remoto, mesmo quando são menos os técnicos nas instalações, o que per-
mite que os edifícios continuem a operar de forma eficiente e por maiores pe-
ríodos de tempo, com menor necessidade de intervenção humana.
Os proprietários de edifícios devem consultar os seus parceiros de ener-
gia/AVAC, bem como os fornecedores das soluções de gestão de energia/edi-
fícios, para garantir que estão a maximizar as capacidades remotas. Com
equipas de assistência especializadas e ferramentas de análise baseadas na
Cloud, podem identificar, priorizar e coordenar, de forma proactiva, ações
de manutenção urgente. Bem vindos ao maravilhoso mundo dos edifícios in-
teligentes – que lhe permitem garantir a continuidade dos seus negócios de
forma fiável, eficiente e económica! ■

NOTA: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo

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