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EXCELENTÍSSIMO SR. DR.

JUIZ DO IV JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA COMARCA


DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,

GRERJ n. 128.34522.-34

ANDRÉ MEIRELES, brasileiro, solteiro, empresário, portador do CPF nº163.496.514-02 e RG


nº 24.511.085-0, residente e domiciliado na Rua das Palmeiras, 101, Botafogo, Rio de Janeiro,
vem, por meio de seu advogado que esta subscreve, (procuração com poderes especiais do art.
44 do CPP em anexo), com escritório profissional à Rua México, 380, Centro, Rio de Janeiro,
nos termos do artigo 41, 44 e 806 do Código de Processo Penal, interpor a presente

QUEIXA-CRIME

em face de BERNARDO POMPEU, brasileiro, divorciado, empresário, portador do CPF


nº172.456.522-03 e RG nº 17.599.181-4, residente e domiciliado na Rua Uruguai, 82, Tijuca, Rio
de Janeiro, CEP 22631102 e ANTÔNIO CARDOSO, brasileiro, casado, segurança, portador do
CPF nº144.087.265-07 e RG nº 20.309.805-2, residente e domiciliado na Rua Barão de
Mesquita, 200, Tijuca, Rio de Janeiro , CEP 20987141, pelos fatos e fundamentos a seguir
expostos.

I - DA TEMPESTIVIDADE

O fato ocorreu no dia 06 de abril do presente ano de 2018. Portanto, não resta dúvida
acerca da tempestividade da presente peça, de acordo com o artigo 38 do Código de
Processo Penal.

II - DOS FATOS

André Meireles, ora QUERELANTE, no ano de 2017, assinou uma nota promissória no valor
de R$50.000,00 (cinquenta mil reais) com vistas a obter tal valor em espécie, de seu amigo
Bernardo Pompeu, ora QUERELADO. Tal quantia tinha por objetivo viabilizar a inauguração
da academia de ginástica Deco Sport Center, localizada na Rua Ataulfo de Paiva, 173, no
bairro do Leblon, CEP 21123321, nesta cidade.

Porém, a academia não gerou os rendimentos planejados pelo QUERELANTE, que por sua
vez, acabou por ter dificuldades para arcar com o valor do título de crédito viabilizado pelo
QUERELADO. No entanto, importante frisar que o QUERELANTE sempre honrou com seus
compromissos, e não seria diferente dessa vez, pois havia se comprometido a saldar a
dívida existente num futuro breve.

Ocorre que o QUERELADO, no dia 05 de abril de 2018, numa ânsia desesperada para ver
o seu crédito satisfeito, invadiu, juntamente com seu segurança Antônio Carlos, este munido
de arma de fogo, a referida academia de ginástica. Na ocasião, retiraram do
estabelecimento quatro bicicletas ergométricas.

III - DO DIREITO

Tal conduta se encaixa perfeitamente no artigo 345 c/c artigo 29, ambos do Código Penal,
senão vejamos:

Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima,
salvo quando a lei o permite:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à
violência.

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um
sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido
previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Sobre o artigo supracitado, Cezar Roberto Bitencourt assevera que:


“A conduta incriminada consiste em fazer justiça com as próprias mãos, ou seja, valer-se de
qualquer meio de execução (violência física, ameaça, fraude, recursos não violentos,
subterfúgios, etc.) tendente à satisfação de uma pretensão (legítima ou ilegítima),
suscetível a apreciação pela autoridade judiciária”. (2014, p. 1522)

Portanto, a luz da dicção do artigo 345 do Código Penal e do comentário do professor


Bitencourt, depreende-se total ilegalidade presente na prática dos querelados.

Assim é também o entendimento da jurisprudência dominante em nosso Tribunal de Justiça do


Estado do Rio de Janeiro, senão vejamos:

0009158-45.2013.8.19.0026 - APELAÇÃO

Des(a). SUIMEI MEIRA CAVALIERI - Julgamento: 22/03/2018 - TERCEIRA CÂMARA CRIMINAL

APELAÇÃO CRIMINAL. FURTO QUALIFICADO. AUTORIA COMPROVADA. DOSIMETRIA CORRETA. 1.


Na espécie, o acusado e mais um comparsa confessaram que subtraíram a bolsa da vítima, como
forma de fazer justiça pelas próprias mãos, já que a vítima lhes devia dinheiro. Ocorre que não
há qualquer elemento nos autos que comprove a versão dos acusados, que furtaram todos os
pertences da vítima, um morador de rua sexagenário, fugindo logo em seguida do local. Assim,
mostra-se inviável acolher as teses defensivas de absolvição por fragilidade probatória e de
desclassificação para o delito de exercício arbitrário das próprias razões, devendo ser mantida a
condenação por furto qualificado pelo concurso de agentes. 2. A reprovabilidade do
comportamento e os maus antecedentes impedem a aplicação do princípio da insignificância.
Precedentes (STF - HC 133736 AgR; STJ - AgRg no AREsp 714.469/RS). 3. Dosimetria. 3.1. A
utilização de anotações definitivas como maus antecedentes, quando ultrapassado o período
depurador, obedece a regra de individualização da pena, de modo a justificar o reconhecimento
de uma maior culpabilidade do indivíduo que demonstra um comportamento reiterado contra o
ordenamento jurídico, a refletir-se sobre as circunstâncias judiciais. 3.2. A pena-base da figura
qualificada é de 02 anos de reclusão, tendo sido aumentada em 06 meses pelos maus
antecedentes, não se mostrando desarrazoado o aumento. Recurso desprovido.

IV - DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer:

a) O recebimento e autuação da presente queixa-crime


b) A citação dos querelados para, querendo, apresentarem defesa, nos termos da lei
c) A designação de audiência preliminar
d) A oitiva das testemunhas abaixo arroladas
e) A condenação dos querelados pela prática do crime de roubo, previsto no artigo 157,
caput, do Código Penal, contando ainda com presença das majorantes de ameaça
com emprego de arma e concurso de agentes, previstas nos incisos I e II do § 2º do
mesmo artigo.
f) A fixação de indenização, nos termos do artigo 387, IV, do Código de Processo
Penal.

Nestes Termos,
Pede Deferimento

Rio de Janeiro, 13 de abril de 2018

GUSTAVO DE ALMEIDA RIBEIRO

OAB 172.004/RJ

ROL DE TESTEMUNHAS

● LUCIA PIRES, brasileira, casada, professora, portadora do CPF nº166.726.508-03 e


RG nº 27.509.142-4, residente e domiciliada na Rua Mena Barreto, 22, Botafogo, Rio de
Janeiro - CEP 22611010

● CAROLINA MAIA, brasileira, solteira, médica, portadora do CPF nº 762.711.555-13 e


RG nº 21.308.122-3, residente e domiciliada na Rua Aperana, 16, Leblon, Rio de Janeiro
- CEP 20819910

● FÁBIO CRUZ, brasileiro, casado, advogado, portador do CPF nº 661.196.662-34 e RG


nº 16.800.321-1, residente e domiciliado na Avenida Lúcio Costa, 3800, Barra da Tijuca,
Rio de Janeiro - CEP 22630090
● CARLOS COSTA, brasileiro, solteiro, geógrafo, portador do CPF nº 109.888.560-03 e
RG nº 40.833.169-0, residente e domiciliado na Rua Lineu de Paula Machado, 45,
Jardim Botânico, Rio de Janeiro - CEP 22633098

● JOÃO CHAVEZ, brasileiro, divorciado, contador, portador do CPF nº 166.524.428-00 e


RG nº 20.881.126-3, residente e domiciliado na Rua Malaquias Cordeiro, 78, Engenho
de Dentro, Rio de Janeiro - CEP 29091515

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