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MÓDULO EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

Seminário VII
ICMS - Serviços
Miguel Tadeu Bertanha de Abreu

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO


TRIBUTÁRIO

Seminário VII

IMPOSTO SOBRE A RENDA


PESSOA JURÍDICA

Aluno: Miguel Tadeu Bertanha de Abreu


Telefone: (11) 94884-5853
E-mail: migueltbertanha@gmail.com
Site: https://migueltbertanha.jusbrasil.com.br/
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Miguel Tadeu Bertanha de Abreu

Questões

1. Pode-se depreender o conceito de renda diretamente da


Constituição Federal? Caso isso não seja possível, poderia então a lei
complementar fixar um conceito livre de renda ou atribuir ao legislador
ordinário a sua fixação? (Vide anexo I).

Resposta:

O conceito de renda não é extraído da Constituição Federal de 88, mas por meio
dela é dado ao legislador infraconstitucional a competência de indicar o objeto e os
limites desta competência de definição/conceituação, não podendo o mesmo
extrapolar seus limites da moldura imposta pelo constituinte.

Assim, o conceito de Renda está pressuposto na Constituição, mas não está


explícito nela, e, segundo José Artur Lima Gonçalvez, a Constituição trás elementos
como: faturamento, patrimônio, capital, lucro, ganho, resultado, etc, não podendo o
legislador ordinário livremente fixar uma conceituação se abstendo de levar em
consideração estes elementos.

2. Construir as regras matrizes do Imposto de Renda Pessoa


Jurídica.

Resposta:

Inicialmente, destaco as palavras da Il. Prof. Aurora Tomazini sobre a premissa para
estabelecer a regra-matriz:

“Todas as regras do sistema têm idêntica esquematização formal: uma proposição-


hipótese “H”, descritora de um fato (f) que, se verificado no campo da realidade
social, implicará como proposição-consequente “C”, uma relação jurídica entre dos
sujeitos (S’ R S’’), modalizada com um dos operadores deônticos (O, P, V).
Nenhuma norma foge a esta estrutura, seja civil, comercial, penal, tributária,
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administrativa, constitucional, processual, porque sem ela a mensagem prescritiva é


incompreensível.”

No que diz respeito à Regra Matriz de Incidência Tributária (RMIT), temos também o
conceito trazido por Ferragut:

“Regra-matriz de incidência tributária é norma jurídica, definida por nós como


sendo a significação organizada numa estrutura lógica hipotéti-co-condicional (juízo
implicacional), construída pelo intérprete a partir do direito positivo, seu suporte
físico. Tem por função regular condutas intersubjetivas.

Difere das demais normas existentes no direito positivo apenas em virtude de seu
conteúdo, que descreve um fato típico tributário e prescreve a relação obrigacional
que se estabelece entre os sujeitos ativo e passivo, tendo por objeto o pagamento
de uma prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nessa se possa
ex-primir, não decorrente de ato ilícito (tributo)”

Desta forma, a regra matriz leva em consideração alguns critérios no seu antecedente
para sua caracterização, sendo eles o (i) o critério material (ii) o critério espacial – local
onde se reputa ocorrido o fato social que enseja a relação jurídica obrigacional, (iii)
critério temporal (momento da ocorrência do evento, cuja certificação se dá por meio de
linguagem jurídica competente – vertido em fato jurídico – consoante descrito na hipótese
normativa).

No seu consequente, verificam-se, (iv) o critério pessoal (sujeitos ativo e passivo da


relação obrigacional, e o (v) o critério prestacional – conduta a ser cumprida.

Apenas para salientar, destaco que os critérios materiais de incidência dos tributos estão
inseridos na Constituição, podendo a lei complementar determinar outros critérios
formadores da hipótese de incidência tributária, como os critérios espaciais e temporais,
mas estará adstrito com critério material

Quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, verificamos que a sua regra


matriz está materializada no Art. 153, inciso III da CF, que assim dispõe:

“Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:


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III - renda e proventos de qualquer natureza;”

Desta forma, passemos a destrinchar a sua RMIT, que em seu antecedente temos:

(i) Critério material (Pessoa Jurídica) = pelo critério material, destaco


que o núcleo deste critério sempre será composto de um verbo que
representa a ação a ser realizada pelo contribuinte, seguido de seu
complemento, indicativo da peculiaridade da ação a ser realizada que
individualiza a obrigação tributária decorrente.

Conforme acima descrito, o imposto incide sobre a renda e os proveitos de


qualquer natureza, sendo que, cabe destacar o conceito de renda, que, em seu
conceito clássico o define como riqueza nova, ou seja, acréscimo patrimonial.

Para Adam Smith, o Capital seria a riqueza que se emprega com o intento de
produzir enquanto a renda é o que se gasta para satisfazer as necessidades dos
indivíduos para Malthus, capital é a riqueza acumulada a ser empregada na
produção para distribuição da riqueza futura.

No CTN, em seu artigo 43, há uma definição de renda e proveitos de qualquer


natureza, assim entendidos:

“Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de


qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade
econômica ou jurídica:

I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da


combinação de ambos;

II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos


patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. ”

Nas palavras de Brandão Machado:

“Ligeira leitura do texto mostra que há nele palavras que, na verdade, não
exercem nenhuma função definitória. É a expressão disponibilidade
econômica ou jurídica, que, efetivamente, está na definição, mas pode ser
retirada sem prejuízo para sua inteligência. Fica difícil explicar uma
disponibilidade econômica de acréscimo de direitos. Se o acréscimo é sempre
de direitos, não há como conceber que possam estar economicamente
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disponíveis. Todo acréscimo de direitos (reais ou pessoais e, portanto,


patrimoniais) estará necessariamente disponível, pelo fato singular de que os
direitos acrescem ao patrimônio. Aquela expressão é excrescente e tem uma
gênese que, afinal, pode encontrar-se na sistemática que o autor de seu
anteprojeto pretendia imprimir no Código Tributário, sob a inspiração do
direito tributário alemão, que dá maior relevo ao aspecto econômico do que
ao jurídico na conceituação da hipótese de aplicabilidade da norma tributária
e do vínculo entre a hipótese e o sujeito passivo.”

(ii) Critério Espacial = pelo critério espacial, Paulo de Barros diz tratar-se
do local em que a norma expressamente determina onde o fato deve
ocorrer, tratando-se de áreas, regiões e intervalos territoriais.

Neste viés, podemos definir que o Critério Espacial faz menção ao local para
ocorrência do fato típico, áreas específicas de ocorrência, hipóteses de critério
genérico em um determinado espaço geográfico, transformando o evento ocorrido
naquele determinado local em fato.

Sobre o IRPJ, seu critério espacial seria o território nacional, levando-se em conta
o critério material, podendo ocorrer ao auferir renda.

(iii) Critério Temporal = referido critério se aproxima do espacial, tendo


em vista tratar-se da informação contida na hipótese normativa que
nos permite identificar, com exatidão, o momento de ocorrência do
evento a ser promovido à categoria de fato jurídico. Contudo, são
critérios distintos, visto que a indicação do fator “ação” utilizado para
demarcar sua realização jurídica no tempo, com a sinalização da ação
em si, que apresenta mais complexa e sucessiva no tempo.

Neste caso do IRPJ, o critério temporal deste tributo aponta para o momento em
que o direito considera realizado o fato jurídico tributário e não para a ação núcleo
do acontecimento. Assim, critério temporal se dá no ultimo dia do período,
determinado por lei, para apuração do lucro

Por sua vez, no consequente da RMIT temos:

(iv) Critério Pessoal = São os sujeitos da relação jurídico tributária,


tratando-se do sujeito ativo, credor ou pretensor da satisfação do seu
crédito, e o sujeito passivo, que é conferido o dever de realizar a ação
tendente a satisfazer o crédito do sujeito ativo.
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Neste critério, destacamos que temos os seguintes sujeitos em relação ao IRPJ,


levando-se em consideração o Art. 153, inciso III da CF:

Sujeito Ativo = União


Sujeito Passivo = o contribuinte que realiza o fato gerador e possui relação
direta com o fato jurídico tributário ensejador da relação jurídica tributária.

(v) Critério Prestacional = Referido Critério também é chamado de


critério quantitativo e possui por finalidade identificar o objeto
prestacional, no qual determina o quantum será pago pelo sujeito
passivo e que poderá ser exigido pelo sujeito ativo, abrangendo a Base
de Cálculo e a Alíquota aplicável.

Por base de cálculo, trata-se de um critério abstrato que mede os fatos


tributários e determina o que servirá de alicerce para a quantificação do tributo.

No caso do IRPJ, temos que a sua base de cálculo determinada segundo a lei
vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real, presumido ou
arbitrado, correspondente ao período de apuração, integrando à base de cálculo
todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que
lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de
título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua
finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência
do imposto.

Por sua vez, quanto a alíquota aplicada temos que no IRPJ, será aplicada em
15% (quinze por cento). Além disso, deverá pagar também uma alíquota adicional
de 10% sobre o que exceder a R$ 240 mil Reais anuais.

3. 3. Quais as formas de apuração e de recolhimento do IRPJ


determinados pelo legislador ordinário? Diferencie-as. Há direito
subjetivo do contribuinte ao arbitramento do lucro, no caso de
imprestabilidade de sua contabilidade?

Resposta:

As formas de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica são realizadas com


base na forma de apuração de seus lucros, podendo ser com base no lucro real
(regra), lucro presumido ou lucro arbitrado.
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Com base no Lucro Real, são analisadas as receitas e as despesas, podendo a


empresa obter resultado negativo nas contas, havendo o prejuízo fiscal, sem
imposto a recolher. Assim, como o próprio nome diz, será verificado o real lucro
obtido e sobre ele será calculado o imposto devido, podendo optar pelo pagamento
do imposto em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a
aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de
dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pela art. 12 do Decreto-Lei no
1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das
devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos,
observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no
8.981, de 20 de janeiro de 19951.

Com base no lucro presumido, poderá ser aplicado um percentual sobre a


receita bruta auferida pela empresa, sendo em regra de 8%, não havendo
deduções, e o percentual é aplicado sobre toda a receita.

Com base no lucro arbitrado, o mesmo é utilizado quando é constatada alguma


irregularidade na apuração, quando a empresa deixa de cumprir obrigações
acessórias a ela inerente, em casos fraudes ou quando não for possível apurar
adequadamente o imposto com base no lucro real ou presumido.

Em caso de arbitramento do lucro, visto uma possível imprestabilidade dos


documentos contábeis da empresa, que demonstram ao Fisco que a irregularidade
pode ser individualizada e quantificada, o arbitramento é desnecessário. Contudo,
quando não é possível a individuação é possível o arbitramento que não é realizado
com base em orientações detalhadas para o arbitramento, pois a fixação desses
valores se dá caso a caso.

4. Qual o conceito jurídico de permuta? Ela pode ser equiparada ao


instituto da compra e venda? A permuta implica acréscimo patrimonial?
Há incidência do imposto sobre a renda nas operações de permuta? Quais
os impactos tributários sobre a operação de permuta trazidos pela Lei n.
12.973 de 2014? O regime de apuração (lucro real ou lucro presumido)
influencia no tratamento tributário a ser dispensado às permutas
imobiliárias para fins de incidência do IRPJ? (Vide Parecer COSIT/RFB n.
09/14 e Parecer PGFN n. 454/92).

Resposta:

1
Art. 2º da Lei º 9.430/96
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Considera-se permuta para fins jurídicos, toda e qualquer operação que tenha por
objeto a troca de uma ou mais unidades por outra ou outras, ainda que ocorra por
parte de um dos contratantes o pagamento de parcela complementar em dinheiro,
denominado este valor em espécie de “torna”.

Referida permuta, poderá ser equiparada como compra e venda em alguns pontos,
visto que o valor permutado integrará a receita bruta, mas trata-se de institutos
distintos e não representa um acréscimo patrimonial, conforme ensinamentos do
doutrinador Henry Tilbery, in verbis:

“No caso "No caso de permuta de um bem por uma pessoa jurídica que recebe em
troca outro bem do mesmo valor, não há diferença de valores a registrar: o novo bem
ingressa, no patrimônio da empresa com igual valor ao bem substituído. Portanto,
nesta hipótese não ocorreu na permuta nenhum ganho tributável. E esta opinião
defendida por José Luiz Bulhões Pedreira, aceita pelo Parecer Normativo CST 9
504/71 no caso de permuta de ações. Parecer este que expõe claramente a tese de a
pessoa jurídica que permutar ações por outras de valor equivalente ao de aquisição
das cedidas, por consequência não alterando quantitativamente o património social,
não estar sujeita à imposição de tributo, ressaltando outrossim que não é o valor das
ações negociadas a base de apuração, resultando na transação, e sim o valor de
aquisição das por ela cedidas, em confronto com o atribuído -as que receba na
permuta. No mesmo sentido também o Parecer Normativo CSR nº 213/73 que, no
caso de permuta de imóveis, estabelece o princípio que nenhum resultado irã apurar
se a pessoa jurídica, pelo bem alienado, receber dinheiro, direitos ou bens de igual
valor ao daquele, apurado em seus registros contáveis (custo histórico, mais correção
monetária, menos depreciações)”

Por meio da Lei nº 12.973/14, houve a alteração na hipótese de operações de


permuta envolvendo unidades imobiliárias, a parcela do lucro bruto decorrente da
avaliação a valor justo das unidades permutadas que será computada na
determinação do lucro real pelas pessoas jurídicas permutantes, quando o imóvel
recebido em permuta for alienado, inclusive como parte integrante do custo de
outras unidades imobiliárias ou realizado a qualquer título, ou quando, a qualquer
tempo, for classificada no ativo não circulante investimentos ou imobilizado.

Assim, visto que o regime de apuração das empresas pelo lucro presumido leva-se
em consideração a renda bruta obtida, haverá a incidência do IRPJ neste caso.
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Por sua vez, quando a empresa tributa o IRPJ sobre o lucro real, visto não haver
lucro na permuta, não incidirá referido imposto.

5. O que se entende por despesas operacionais para fins de


dedutibilidade do IRPJ?

Resposta:

O Decreto nº 3000/99, ao tratar da dedutibilidade das despesas na apuração do


IRPJ pelo lucro real, define no Art. 299 que:

“Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos,


necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte
produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).

§ 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das


transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de
1964, art. 47, § 1º).

§ 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de


transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art.
47, § 2º).

§ 3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos


empregados, seja qual for a designação que tiverem. ”

Assim, a definição encontra-se definida no artigo acima destacado.

Com relação às deduções, pergunta-se:

“Entradas” e “ingressos” são sinônimos de “receita”? As despesas


reembolsadas por clientes integram a receita bruta dos escritórios e
empresas que trabalham com bens e direitos de terceiros (como
escritórios de advocacia, contabilidade, empresas de cobrança, etc.) que
adotam o lucro presumido? Esses reembolsos podem ser tributados pelo
IRPJ? (Vide anexo II).

Resposta:
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Destaco que a receita é um tipo de entrada ou ingresso no patrimônio, mas nem


todo ingresso ou entrada é receita.

Nos termos do exposto pelo Il. Ricardo Mariz de Oliveira em Fundamentos do


Imposto de Renda, a “receita é um tipo de entrada ou ingresso no patrimônio da
pessoa Jurídica, sendo certo que nem todo ingresso ou entrada é receita; a receita
é um tipo de entrada ou ingresso que se integra ao patrimônio sem reserva,
condição ou compromisso no passivo, acrescendo-o como elemento novo e positivo;
a receita passa a pertencer à entidade com sentido de permanência; a receita
remunera a entidade, correspondendo ao benefício efetivamente resultante de
atividades suas; a receita provém de outro patrimônio, e se constitui em
propriedade da empresa pelo exercício das atividades que constituem as fontes do
seu resultado; a receita exprime a capacidade contributiva da entidade e a receita
modifica o patrimônio, incrementando-o.

Sobre os valores de reembolso e sua respectiva inclusão na base de cálculo do


IRPJ, quando apurado sob o lucro presumido, transcrevo o Art. 53 da Lei nº
9430/96, que dispõe:

Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas,


inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao
lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo
se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual
tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se
refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com
base no lucro presumido ou arbitrado.

Desta forma, caso o contribuinte comprove que não restou deduzido o valor em
período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no
lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de
tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, deverá ser incluído na BC.

5.1 O art. 1º, parágrafo único, da Lei n. 9.316/96 prevê a


impossibilidade de dedução do valor correspondente a CSLL para efeito da
determinação do lucro real, compondo, portanto, a base de cálculo do
IRPJ. A inclusão desse valor coaduna com o conceito constitucional de
renda? Esta disposição legal viola algum princípio constitucional
consentâneo ao imposto incidente sobre a renda? (Vide anexo III).

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5.2 Qual o conceito jurídico de operação de cobertura (hedge) e seus


requisitos essenciais? Eventuais perdas incorridas nestas operações são
passíveis de dedução da base de cálculo do IRPJ? Sendo a resposta
afirmativa, há limites para esta dedução? Fundamentar (Vide art. 71 da
IN/RFB n. 1.585 de 2015, Acórdão n. 1401.001.369 do CARF, anexo IV).

Resposta:

6. A legislação do imposto de renda prescreve que as compensações


dos prejuízos fiscais apurados são limitadas à denominada trava de 30%.
Por outro lado, regula ainda a forma com que o direito à compensação
subsiste, especialmente em face de eventos de cisão, incorporação ou
fusão de sociedades. Indaga-se: é cabível a denominada “incorporação
reversa” ou “incorporação às avessas”, isto é, a operação em que figura
como incorporadora a sociedade detentora de prejuízos fiscais, realizada
justamente para que estes não se percam? Dito de outra forma, essa
espécie de planejamento é lícita? (Vide anexos V e VI).

Resposta:

7. Empresa CTX que atua no ramo de importação e exportação,


situada no Estado de Santa Catarina se utilizou do Programa Pró-Emprego
e Regime Especial (do art. 148-A do Regulamento do ICMS/SC). De
acordo com esse regime os valores das importações ficam com tributação
efetiva de 3,45% no caso do programa Pró-Emprego e de 0,92% no caso
do Regime Especial. Em fiscalização realizada a autoridade autuante
afirma que os benefícios configuram subvenção corrente para custeio ou
operação, circunstância em que incide o IRPJ. (Arts. 392, 519 e 521 do
RIR/99 e art. 36 da IN SRF nº 93/97.) Contudo o contribuinte considerou
em sua escritura como subvenção de investimento, portanto, fora do
âmbito de incidência do IRPJ. Em razão disso foi lavrado Auto de Infração
com cobrança de IRPJ. Nesse contexto questiona-se (Vide anexo VII e
VIII):

7.1 No que consistem as subvenções para investimento e para


custeio?
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Resposta:

7.2 Os créditos presumidos de ICMS, outorgados pelos Estados a sues


contribuintes, podem ser considerados subvenções?

Resposta:

7.3 É possível identificar o intuito subvencionador do Estado de Santa


Catarina se para custeio ou investimento (Decreto 105 de 14 de março de
2007 e na Lei 13.992 de 15 de fevereiro de 2007 - Regime Especial Pró
Emprego - e do Artigo 148 A do Anexo II do RICMS)
Resposta:

7.4 A prática do Estado de Santa Catarina pode ser compreendida


como doação? Em caso positivo quais o efeito para o IRPJ do
contribuinte?

Resposta:

Bibliografia utilizada:

BRASIL. Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União,


Brasília, 05 out. 1988.

CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.