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Leitura e Produção de Texto – Profa.

Ana Madalena Fontoura – Aula 1

CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA


PRÓ-REITORIA DE ENSINO

DISCIPLINA Aula 1
LEITURA E TEXTO: VISÃO GERAL
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS DEFINIÇÃO E APRESENTAÇÃO DE TEXTOS
DE DIFERENTES CÓDIGOS

CÓDIGO CRÉDITOS TOTAL DE AULAS NO


GINS1007 04 SEMESTRE
80h/a

OBJETIVOS
 Conceituar leitura;
 Conceituar texto;
 Identificar os elementos que caracterizam o texto;
 O texto verbal e não verbal;
 Conceituar e identificar diferentes textos verbais e não verbais;
 Ler textos construídos por diferentes códigos.

CONTEÚDO

Conceito e reflexão sobre leitura. Conceito de texto. Leitura de textos de diferentes códigos:
pinturas, charges, cartuns, gráficos, quadrinhos, letras de músicas, publicidades etc.

Conceituação de texto verbal e não verbal. Leitura de textos de diferentes códigos. Relação de
conteúdo entre textos verbais e não-verbais: charges, cartuns, quadrinhos, poemas,
propagandas, quadros etc.

ESTRATÉGIA

 Exposição visual de textos de diferentes naturezas;


 Discussão dos diferentes sentidos apresentados a partir dos textos
selecionados;
BIBLIOGRAFIA MÌNIMA
PLATÃO E FIORIN. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2002.
__________. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2000.
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. São Paulo: Scipione, 1998.

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LER OU NÃO LER? EIS A QUESTÃO...

O brasileiro não lê porque o livro é caro? Errado. O brasileiro não lê porque não o
acostumaram a ler. O preço do CD é equivalente ao do livro e, no entanto, vendem-se CDs aos
milhões enquanto que uma edição de sucesso de uma obra literária, não ultrapassa, em média,
três mil exemplares. Não podemos esquecer também das bibliotecas onde um livro não custa
nada, basta retirá-lo, além dos "sebos", livrarias de livros usados, onde se pode adquirir raridades
por preço de banana.
Na verdade, a grande maioria dos brasileiros não lê porque na escola não o ensinaram a
ler, no sentido mais profundo da palavra, ou seja, apreender o que está escrito, refletir, questionar,
"viajar" com um texto. (...)
A indústria da educação brasileira ensina apenas para o aluno passar no vestibular. A
formação humanística, a compreensão do mundo através de sua história, não está em questão. A
questão é "passar ou passar", ou seja, competir e ganhar a corrida para a glória do canudo
universitário.
A leitura deveria ser passada para a criança e os adolescentes como uma busca, uma
ação lúdica e prazerosa, que pode perfeitamente substituir com igual grau de prazer uma ida ao
cinema, um dia na praia ou um churrasco no sítio, sem qualquer remorso.
Todos aqueles que já descobriram o prazer da leitura, o gosto de elaborar, ele mesmo, o
"seu" personagem, a "sua" paisagem, voltar a página e emocionar-se de novo com aquelas cenas
que mais os tocaram, jamais abrirão mão dessa "descoberta". É um vírus que, uma vez contraído,
não tem mais cura. É um não acabar mais de descobrir; uma leitura vai sempre remetendo a outra
e a vida torna-se tão curta para tanto livro a ser lido.
Só mesmo o portador desse vírus sabe avaliar a diferença entre a "viagem" da leitura e a
cena dada pronta, como a daquela via TV. Assistir TV é cômodo e chega a ser hipnótico. Não há
participação de quem está do lado de cá, o espectador é passivo, recebe o prato feito, não tem
possibilidade de criar, de imaginar, de "viajar". A cena que ele está vendo é só aquela cena, a
mesma cena que outros milhões de telespectadores também estão vendo. Ao passo que, no ato
de ler a mesma página de um livro, um mesmo poema que tantos outros já leram, entra em jogo o
nosso poder de imaginar, de recriar, próprio do ser humano e que os meios de comunicação de
massa encarregaram-se de destruir. (...)

(VERAS, Dalila Teles. Disponível em <www.terravista.pt/ancora/2367>. Acesso em 15 de janeiro


de 2007).

A noção ampla de texto

Em casa, na rua, na escola, no clube, no restaurante, todos nós, no dia a dia, circulamos
entre textos. O que é texto? Uma conversa telefônica informal entre amigos é um texto? A letra de
uma música que ouvimos pelo rádio é um texto? Um capítulo de novela, um outdoor, um letreiro
de ônibus, uma conta de telefone, um debate político, um anúncio publicitário, uma notícia de
jornal, uma bula de remédio, são textos? Quando falamos, também produzimos textos ou são
textos apenas os escritos? Para que servem os textos? O que diferencia um texto do outro?

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O texto escrito

A luta que os alunos enfrentam com relação à produção de textos escritos é muito especial. Em
geral, eles não apresentam dificuldades em se expressar através da fala coloquial. Os problemas
começam a surgir quando este aluno tem necessidade de se expressar formalmente e se
agravam no momento de produzir um texto escrito. Nesta última situação ele deve ter claro que há
diferenças marcantes entre falar e escrever.

Na linguagem oral o falante tem claro com quem fala e em que contexto. O conhecimento da
situação facilita a produção oral. Nela o interlocutor, presente fisicamente, é ativo, tendo
possibilidade de intervir, de pedir esclarecimentos, ou até de mudar o curso da conversação. O
falante pode ainda recorrer a recursos que não são propriamente lingüísticos, como gestos ou
expressões faciais. Na linguagem escrita a falta desses elementos extratextuais precisa ser
suprimida pelo texto, que se deve organizar de forma a garantir a sua inteligibilidade.

Escrever não é apenas traduzir a fala em sinais gráficos. O fato de um texto escrito não ser
satisfatório não significa que seu produtor tenha dificuldades quanto ao manejo da linguagem
cotidiana e sim que ele não domina os recursos específicos da modalidade escrita.

A escrita tem normas próprias, tais como regras de ortografia - que, evidentemente, não é
marcada na fala - de pontuação, de concordância, de uso de tempos verbais. Entretanto, a
simples utilização de tais regras e de outros recursos da norma culta não garante o sucesso de
um texto escrito. Não basta, também, saber que escrever é diferente de falar. É necessário
preocupar-se com a constituição de um discurso, entendido aqui como um ato de linguagem que
representa uma interação entre o produtor do texto e seu receptor; além disso, é preciso ter em
mente a figura do interlocutor e a finalidade para a qual o texto foi produzido.

Para que esse discurso seja bem sucedido deve constituir um todo significativo e não fragmentos
isolados justapostos. No interior de um texto devem existir elementos que estabeleçam uma
ligação entre as partes, isto é, elos significativos que confiram coesão ao discurso. Considera-se
coeso o texto em que as partes referem-se mutuamente, só fazendo sentido quando consideradas
em relação umas com as outras.

(Disponível em <http://www.juliobattisti.com.br/artigos/carreira/mercado.asp>. Acesso em 15/12/2006).

Vejamos os textos abaixo

CRIME
Tiro certeiro
Estado americano limita porte de armas.

No começo de 1981, um jovem de 25 anos chamado John Hincley Jr. Entrou numa loja de
armas em Dallas, no Texas, preencheu um formulário do governo com endereço falso e, poucos
minutos depois, saiu com Saturday Night Special – nome criado na década de 60 para chamar um
tipo de revólver pequeno, barato e de baixa qualidade. Foi com essa arma que Hinckley, no dia 30
de março daquele ano, acertou uma bala no pulmão do presidente Ronald Reagan e outra na
cabeça de seu porta-voz, James Brady. Reagan recuperou-se totalmente, mas Brady desde então
está preso a uma cadeira de rodas. (...)

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Seguramente, por trás da notícia, existe, como pressuposto, um pronunciamento contra o


risco de vender arma para qualquer pessoa, indiscriminadamente.
Para comprovar essa constatação, basta pensar que os fabricantes de revólveres, se
pudessem, não permitiriam a veiculação dessa notícia.
O exemplo escolhido deixa claro que qualquer texto, por mais objetivo e neutro que
pareça, manifesta sempre um posicionamento frente a uma questão qualquer posta em debate.
Ao final desta lição, devem ficar bem plantadas as seguintes conclusões:

a) Uma boa leitura não pode basear-se em fragmentos isolados do texto, já que o
significado das partes sempre é determinado pelo contexto dentro do qual se
encaixam.
b) Uma boa leitura nunca pode deixar de apreender o pronunciamento contido por
trás do texto, já que sempre se produz um texto para marcar posição frente a
uma questão qualquer.

TEXTO COMENTADO
Meu engraxate

É por causa do meu engraxate que ando agora em plena desolação. Meu engraxate me
deixou.
Passei duas vezes pela porta onde ele trabalhava e nada. Então me inquietei, não sei que
doenças mortíferas, que mudança pra outras portas se pensaram em mim, resolvi perguntar ao
menino que trabalhava na outra cadeira. O menino é um retalho de hungarês, cara de infeliz, não
dá simpatia alguma. E tímido o que torna instintivamente a gente muito combinado com o universo
no propósito de desgraçar esses desgraçados de nascença. “Está vendendo bilhete de loteria”,
respondeu antipático, me deixando numa perplexidade penosíssima: pronto! Estava sem
engraxate! Os olhos do menino chispeavam ávidos, porque sou dos que ficam fregueses e dão
gorjeta. Levei seguramente um minuto pra definir que tinha de continuar engraxando sapatos toda
vida minha e ali estava um menino que, a gente ensinando, podia ficar engraxate bom.

(ANDRADE, Mário de. Os filhos da Candinha. São Paulo: Martins, 1963, p. 167)

Para mostrar que, num texto, o significado de uma parte depende de sua relação com
outras partes, vamos tentar fazer uma interpretação isolada do primeiro parágrafo (linhas 1 e 2).
Tomada isoladamente, essa parte pode sugerir a interpretação de que o narrador está desolado
por ter perdido contato com um garoto ao qual se ligava por fortes laços afetivos. Essa
interpretação é inatacável se não confrontarmos essa passagem com outras do texto. Fazendo o
confronto, no entanto, essa leitura não tem validade dentro desse texto.
As frases “pronto! Estava sem engraxate!” definem a razão da perplexidade penosíssima,
da desolação e da inquietude do narrador: perdera os serviços do engraxate e não um amigo. As
observações que faz sobre o menino que lhe dá informações sobre o seu engraxate (“retalho de
hungarês”, “cara de infeliz”, “não dá simpatia nenhuma”, “tímido”, “propósito de desgraçar esses
desgraçados de nascença”) revelam que nenhum sentimento positivo o impele na direção de uma
relação amigável com o menino. As frases “tinha que continuar engraxando sapatos toda a vida
minha e ali estava um menino que, a gente ensinando, podia ficar engraxate bom” mostram que o
que define as relações interpessoais são os interesses: o narrador estava preocupado em
recuperar o serviço que lhe era prestado e não com a pessoa que lhe prestava o serviço. A atitude

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dos dois engraxates corrobora a interpretação de que a relação entre eles e o narrador era
determinada pelo interesse e não pela amizade: um abandonara o trabalho de engraxate para
vender bilhete de loteria, certamente um trabalho mais rentável; os olhos do outro “chispeavam
ávidos”, ao ver que o narrador procurava um engraxate, porque ele era dos que ficavam fregueses
e davam gorjeta.
Como se pode notar, o texto é um tecido, uma estrutura construída de tal modo que as
frases não têm significado autônomo: num texto, o sentido de uma frase é dado pela correlação
que ela mantém com as demais.
Desse texto, não se pode inferir, apesar da primeira impressão, que as relações
interpessoais sejam pautadas pela amizade ou pelo bem-querer.
Além disso, é preciso ressaltar que, por trás dessa história inventada, existe um
pronunciamento de quem produziu o texto: ao relatar a relação interesseira entre as pessoas, sem
dúvida, está desmascarando a hipocrisia e pondo à mostra o egoísmo que se esconde nos
sentimentos que umas pessoas dizem ter por outras. O que determina as relações sociais são os
interesses recíprocos e a troca de favores.

EXERCÍCIOS:

1. Vamos ler o texto abaixo com atenção:

QUEM PRECISA SABER ESCREVER?

Recebo e-mails de pessoas com idades e profissões diversas. Outro dia, chegou a
mensagem de um sujeito muito gentil, fazendo comentários elogiosos à coluna. Cometeu alguns
erros gramaticais comuns, como acontece com meio mundo, mas o que me surpreendeu foi que
ele se despediu dizendo: "Desculpe por não escrever o português corretamente, mas sabe como
é, sou engenheiro." O raciocínio era que se ele fosse escritor, jornalista ou professor, escrever
certo seria obrigatório, mas sendo engenheiro, estava liberado desta fatura.
Assim como ele, inúmeras pessoas acreditam que escrever não está na lista das cem
coisas que se deva aprender a fazer direito na vida. Antes de aprender a escrever bem, esforçam-
se em aprender a falar um inglês fluente, a jogar golfe e a utilizar o hashi num restaurante
japonês. Escrever bem? Não parece tão necessário, já que acabamos sendo igualmente
compreendidos. "Espero não lhe encomodar com este e-mail, é que fasso jornalismo e queria
umas dicas". O recado foi dado, quem vai negar?
É preciso dizer que não há ninguém que seja imune a erros. Todo mundo se engana,
todo mundo tem dúvidas. Não conheço um único escritor que não trabalhe com o dicionário ao
lado. De minha parte, sempre tenho uma consulta a fazer, nunca estou 100% segura, e mesmo
tomando todas as precauções, erro. Acidentes acontecem. O que não pode acontecer é a gente
se lixar para a aparência das nossas palavras.
Escrever bem - não estou falando de escrever com estilo, talento, criatividade, apenas de
escrever certo - deveria ser considerado um hábito tão fundamental quanto tomar banho ou
escovar os dentes. Um texto limpo também faz parte da higiene. Bilhetes, e-mails, cartões de
agradecimento, tudo isso diz quem a gente é. Se você não sai de casa com um botão faltando na
camisa, por que acharia natural escrever uma carta com as letras fora do lugar?
Trago este assunto à baila porque está acontecendo no Rio a XII Bienal do Livro, que até
domingo que vem seguirá colocando à disposição do público dezenas de estandes de editoras, e
mais palestras, sessões de autógrafos, debates, bochicho. Um programão. E uma oportunidade

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de adquirir bons títulos e desenferrujar o português. Sei que todos estão carecas de saber a
importância da leitura na vida de uma pessoa, mas não custa lembrar que quem não lê corre
muito mais riscos de dar vexame por escrito, e isso não é algo a ser desconsiderado só porque se
trabalha numa profissão que, aparentemente, não exige familiaridade com as palavras. Ninguém
precisa ser expert, mas ser cuidadoso não mata ninguém. Meu irmão, outro dia, me escreveu um
e-mail rápido para recomendar um disco e nunca vi meia dúzia de frases tão bem colocadas. Nem
parecia um engenheiro.

(MEDEIROS, Marta. Jornal Zero Hora, Caderno Donna, 24 de abril de 2005)

Discuta, com seus colegas, sobre as idéias lançadas pela autora no texto acima e dê sua
opinião sobre elas. Em que pontos concorda ou discorda das afirmativas feitas? Qual sua visão
sobre o assunto?

2. Sabe ler com eficiência é muito mais do que simplesmente passar os olhos pelo papel,
decodificando superficialmente símbolos gráficos. Ler bem é saber, antes de mais nada,
apreender em profundidade a mensagem contida no texto.
O exercício que se segue, para ser resolvido, exige que o leitor compreenda bem as
informações contidas nas “dicas” que são dadas, mesmo em suas entrelinhas. Só a partir de uma
leitura eficiente é que se torna possível apreender os dados que permitirão a resolução do
enigma. Para ajudar, segue, ao pé da página, o quadro a ser preenchido segundo as informações
fornecidas. O desafio está lançado!

HAPPY HOUR

Numa grande cidade, muita gente que trabalha durante o dia inteiro procura divertir-se um
pouco após o expediente, criando uma verdadeira “happy hour” antes de voltar para casa. Este é
o caso de Ângelo, Bernardo, Conrado, Daniel, Valter e o de suas mulheres.
Apesar de trabalharem em áreas totalmente diferentes, os cinco homens são amigos e há
anos freqüentam o mesmo bar, onde cada um deles procura diversão à sua maneira: dançar,
beber cerveja, cantar, conversar e tocar violão. No que se refere às mulheres, uma outra situação
acontece: as cinco trabalham juntas, no mesmo escritório, embora desempenhem cada qual sua
função.
Com base nas dicas e informações fornecidas abaixo, tente descobrir qual a profissão, a
diversão preferida de cada um dos homens e qual a função de cada uma das mulheres no
escritório onde trabalham, além de determinar quem é casado com quem.

 Ângelo, Daniel e Valter vão para o bar que freqüentam antes do vendedor e do
cozinheiro.
 Os maridos da digitadora e da auxiliar de contabilidade vão para o bar com o
objetivo de conversar e de beber cerveja (não necessariamente nesta ordem).
 O advogado, o engenheiro e o cozinheiro se dedicam à música nessa hora de lazer.
 A auxiliar de departamento pessoal e a digitadora são irmãs, sendo também muito
amigas das mulheres de Bernardo, Conrado e Valter.
 Enquanto Valter toca violão no conjunto que produz o som ao vivo no bar, o marido
da secretária e o engenheiro se divertem de maneira diversa: um deles canta no conjunto e o
outro sempre chama a mulher para dançar.

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 A mulher de Bernardo não é secretária.


 As duas irmãs são casadas um com o homem que gosta de dançar e a outra com
Daniel.
 O técnico químico não bebe, nem é casado com a recepcionista.

Nome do homem Profissão Forma de lazer Cargo da esposa


Ângelo
Bernardo
Conrado
Daniel
Valter

PARTE II:
APRESENTAÇÃO DE TEXTOS DE DIFERENTES CÓDIGOS
Leia esta tira, de Luís Fernando Veríssimo:

1- A tira cria o humor a partir de uma situação que retrata as novas formas de relacionamento
amoroso e familiar nos tempos de hoje. Que novidade existe no comunicado que a filha traz à
família?

2- A fala da moça provoca uma reação no namorado. O que ele faz e fala como reação ao que ela
disse?

3- Compare as falas do rapaz e do pai da moça ao se cumprimentarem. A fala do pai surpreende


e causa humor.

a- O que era esperado que o pai da moça dissesse nesse momento ?

b- Considerando que o namorado da filha vai morar com a família e que o apelido dele é Boca,
que sentido tem a fala do pai da moça nessa situação ?

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Conceituando...

Na situação retratada pela tira, as pessoas se comunicam e interagem entre si, ou seja, o
que uma pessoa diz acaba provocando uma reação na outra pessoa e vice-versa. O trocadilho
que o pai faz é responsável pelo humor da tira. Contrapondo Boca a bolso, o pai dá a entender
que vai ter de arcar com as despesas de mais uma boca, a do genro.

Entre a filha e o pai, ou entre o sogro e o genro, houve uma comunicação, pois, além de as
pessoas se compreenderem, ela também interagem, ou seja, o que uma pessoa diz interfere no
comportamento da outra.

Assim, a comunicação ocorre quando interagimos com outras pessoas utilizando


linguagem. Para se comunicar, as personagens da tira não utilizam apenas a linguagem verbal,
isto é, as palavras. Elas também gesticulam, se movimentam, fazem expressões corporais e
faciais. Tudo isso – palavras, gestos, movimentos, expressões corporais e faciais – é linguagem.

Linguagem é um processo comunicativo pelo qual as pessoas interagem entre si. Além da
linguagem verbal, cuja unidade básica é a palavra (falada ou escrita), existem também as
linguagens não verbais, como a música, a dança, a mímica, a pintura, a fotografia, a escultura etc.
Há ainda, as linguagens mistas, como as histórias em quadrinhos, o cinema, o teatro e os
programas de TV, que podem reunir diferentes linguagens, como o desenho, a palavra, o figurino,
a música, o cenário etc.

Veja outro exemplo de texto não-verbal:

Samuca - Diário de Pernambuco - (10/08/2007)

Agora, veja este exemplo de texto misto, que apresenta tanto linguagem verbal, quanto
não verbal:

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Orlandeli - A Charge Online - (10/07/07)

Na tira de Veríssimo que lemos, os participantes se inter-relacionam e interagem por meio


da linguagem. A filha, ao apresentar o namorado, provoca nele a reação de se apressar em
estender o braço e dizer seu apelido. Diante da fala do rapaz, o pai da moça também estende o
braço e, ironicamente, responde: Prazer. Bolso”. Assim, pode-se dizer que a comunicação nascida
da interação entre essas pessoas foi construída solidariamente por elas, que são interlocutores no
processo comunicativo.
Interlocutores são as pessoas que participam do processo de interação por meio da
linguagem. Aquele que produz a linguagem – aquele que fala, que pinta, que compõe uma
música, que dança – é chamado de locutor, e aquele que recebe a linguagem é chamado de
locutário. No processo de comunicação e interação, ambos são interlocutores.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

1. Vamos ler os textos que se seguem e fazer um levantamento de suas características, bem
como dos recursos expressivos que utilizam:

TEXTO I:
Agora só falta o obelisco

Passarela que ligava nada a coisa nenhuma é demolida em Ipanema

Sofia Cerqueira

No meio do caminho havia uma pedra. Ou melhor, um monte delas, que juntas formavam
uma estranha passarela, sem escadas nem rampas para que pudesse ser usada. Depois de treze
anos, para a alegria dos moradores do bairro, o Pórtico de Ipanema, no cruzamento da Rua
Visconde de Pirajá com a Avenida Henrique Dumont, foi derrubado no domingo (30). Tratava-se
de uma das promessas de campanha do prefeito Eduardo Paes. A operação levou sete horas e

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envolveu cerca de 120 pessoas. "Tiramos 140 toneladas de entulho e gastamos 36 508 reais",
contabiliza o subprefeito da Zona Sul, Bruno Ramos. A passarela e o obelisco, motivos de
chiadeira desde sua construção, foram incorporados à paisagem carioca em 1996 com a
remodelação do bairro, a cargo do arquiteto Paulo Casé. Houve quem não gostasse da
demolição. "Temo que ela abra precedente para que outros prefeitos destruam marcos urbanos a
seu bel-prazer", diz o arquiteto Luiz Fernando Janot, membro do conselho superior do Instituto
dos Arquitetos do Brasil (IAB). "Não quero entrar no mérito do gosto pessoal, mas pergunto: por
acaso o Arco do Triunfo tem utilidade?"

Depois da derrocada do pórtico, resta agora, ainda de pé, a haste de ferro galvanizado de
25 metros de altura, equivalente à de um prédio de oito andares. "O obelisco é um monumento ao
desperdício do dinheiro público", afirma a aposentada Gladys Nunes, que mora em frente ao
"pirulito". O ex-prefeito Cesar Maia defende a cria: "O obelisco nada tem a ver com a passarela,
que foi interrompida e ficou como decoração. Ele é um marco à memória de Ipanema". A
presidente da Associação de Moradores de Ipanema (Amipanema), Maria Amélia Loureiro,
pretende fazer uma pesquisa para saber o que a população quer que aconteça com o monumento
restante. O empresário Rui Campos, sócio da rede Livraria da Travessa, assistiu à demolição. "Foi
emocionante. O bairro ficou mais arejado", diz ele. "Quanto ao obelisco, acho até simpático.
Marca a chegada à Ipanema." A jornalista Danuza Leão, moradora do bairro, era radicalmente
contrária ao "conjunto da obra" até ver o obelisco sem o pórtico. "Quase bati palmas", conta.
"Sabe aquela história do bode na sala? Quando ele sai, tudo começa a parecer melhor."

http://vejabrasil.abril.com.br/rio-de-janeiro/editorial/m1415/agora-so-falta-o-obelisco

TEXTO II:

As sem-razões do amor (Carlos Drummond de Andrade)

Eu te amo porque te amo.


Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,


é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo


bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

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Amor é primo da morte,


e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

TEXTO III:

Hino Nacional Brasileiro


Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manoel da Silva

LEI N. 5.700 - DE 1o DE SETEMBRO DE 1971

Art. 6o O Hino Nacional é composto da música de Francisco Manoel da Silva e do poema de Joaquim
Osório Duque Estrada, de acordo com o que dispõem os Decretos n. 171, de 20 de janeiro de 1890, e n.
15.671, de 6 de setembro de 1922, conforme consta dos Anexos ns. 3, 4, 5, 6 e 7.

Parágrafo único. A marcha batida, de autoria do mestre de música Antão Fernandes, integrará as
instrumentações de orquestra e banda, nos casos de execução do Hino Nacional, mencionados no inciso I
do artigo 25 desta Lei, devendo ser mantida e adotada a adaptação vocal, em fá maior, do maestro Alberto
Nepomuceno.

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas


De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade


Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido


De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
À imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,


És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,

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Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !

Deitado eternamente em berço esplêndido,


Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida


Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo


O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,


Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !

Glossário:

COLOSSO: gigante, estátua monumental;


FLORÃO: enfeite, ornamento;
FÚLGIDO: que tem fulgor, brilhante, cintilante;
FULGURAR: brilhar, sobressair.
GARRIDA: vistosa, alegre, graciosa;
IMPÁVIDO: destemido;
LÁBARO: estandarte, bandeira.
PENHOR: garantia, prova;

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TEXTO IV:

LILA - Jornal da Paraíba - (04/06)

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PARTE III:
LINGUAGENS VERBAL E NÃO-VERBAL

1. Pintura

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Uma das obras mais famosas de Michelangelo, A criação do homem (1511-1512) está
pintada no teto da Capela Sistina, em Roma, e representa Deus criando Adão, que, segundo o
Cristianismo, foi o primeiro ser humano. Assim como outras obras renascentistas, o tema presente
é a questão religiosa, bem como o ideal humanista e o conhecimento científico.
Agora, observe as charges que se seguem:

Regis – Amazonas em Tempo – In Chargeonline – abril 2009

http://www.fazpensar.com/wp-content/uploads/2011/10/steve-jobs-charge-28.jpg

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Leitura e Produção de Texto – Profa. Ana Madalena Fontoura – Aula 1

1. Que pontos de contato há entre as três imagens?

2. Em sua opinião, o que os autores das charges pretendiam, quando se inspiraram na


pintura de Michelangelo? Que mensagem queriam passar aos leitores?

3. Se a pessoa nunca tivesse visto a pintura original, entenderia a mensagem das charges?

Este recurso de um texto citar ou, pelo menos, fazer referência a outro recebe o nome de
intertextualidade. É muito usado nos mais diversos tipos de textos, sejam eles verbais ou não
verbais, mas é preciso que o leitor conheça o texto citado, para que este recurso surta efeito.

2. CARTUM

Nas páginas anteriores, tomamos contato com um tipo de texto humorístico que faz uso da
linguagem não-verbal, ou seja, a charge, de que falaremos com mais detalhes a seguir. Outro tipo
de texto humorístico é o Cartum. Espécie de anedota gráfica sobre o comportamento humano, o
Cartum pode usar apenas linguagens não-verbal ou misturá-la com a verbal. Em geral, aborda
situações atemporais e universais, isto é, que poderiam acontecer em qualquer tempo ou lugar.
O nome Cartum veio de um fato ocorrido em 1841, em Londres: para redecorar o Palácio
de Westminster, o príncipe Albert promoveu um concurso de desenhos, feitos em grandes cartões
(cartoons, em inglês) que seriam colados às paredes. Para satirizar os desenhos oficiais, a revista
inglesa Punch, a primeira revista humorística do mundo, resolveu publicar seus próprios cartoons,
dando novo significado à palavra.

1. Leia estes exemplos de Cartum.

O Cartum é um texto humorístico que usa a linguagem não-verbal, combinada ou não com
a verbal. Normalmente, retrata situações universais e atemporais, satirizando os costumes
humanos.

Nos textos, o autor usou as linguagens verbal e não-verbal:

a) No primeiro Cartum, qual é o duplo sentido que ocorre na frase?

b) No segundo Cartum, pode-se dizer que o garçom interpretou o pedido do cliente ao


pé da letra? Por quê?

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c) No terceiro Cartum, que sentido a cliente atribuiu ao verbo rachar?

Este uso intencional do duplo sentido das palavras recebe o nome de ambigüidade e é
muito usado, principalmente, como recurso de humor.
Esses três cartuns vistos anteriormente são mistos, ou seja, utilizam tanto recursos
expressivos verbais (palavras) como não verbais (imagens). Vejamos agora um exemplo de
cartum não verbal, que faz também uso da intertextualidade.

3. CHARGE

Ao contrário do Cartum, que, como vimos, retrata situações genéricas, a charge satiriza um
fato específico, situado no tempo e no espaço. Outra diferença é que, enquanto os personagens
do Cartum costumam ser pessoas comuns, as da charge muitas vezes são personalidades
públicas – um político ou artista, por exemplo.

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Leitura e Produção de Texto – Profa. Ana Madalena Fontoura – Aula 1

Tanto o Cartum quanto a charge, porém, têm em comum o fato de poderem usar a
linguagem verbal, a não-verbal, ou as duas ao mesmo tempo. Finalmente, ambos costumam ser
publicados em veículos de comunicação de massa, como jornais ou revistas.
Em francês, a palavra charge significa “carga”: de fato, o chargista “vai à carga”, atacando
com ironia e mordacidade uma situação política ou social. Veja, por exemplo, esta charge:

Humberto – Jornal do Comércio – 21/06/09

Charge é um desenho humorístico, acompanhado ou não de texto verbal. Normalmente,


critica um fato ou acontecimento específico e aborda temas sociais, econômicos e, sobretudo,
políticos.

O chargista denuncia um problema político que tem sido combatido, mas que ainda
representa uma questão preocupante.
A. Relacione os elementos da charge ao contexto ao qual se refere.

B. Interprete a legenda da charge.

C. Observe a linguagem não-verbal e comente outras idéias expressas no texto.

A charge faz parte do material de opinião, isto é, aquela parte dos jornais e revistas em
que cada autor expressa seu ponto de vista sobre determinado assunto. Em geral, localiza-se na
página de editoriais, a página mais nobre da publicação.
A compreensão da crítica feita pelo chargista depende da cumplicidade estabelecida entre
autor e leitor. Por isso, o leitor precisa ter um conhecimento prévio do assunto abordado e

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Leitura e Produção de Texto – Profa. Ana Madalena Fontoura – Aula 1

conhecer as circunstâncias, os personagens e os fatos retratados. Assim, a charge pode perder


seu sentido se o acontecimento que a inspirou já tiver sido esquecido pelo público.
No caso desta charge e de vários outros textos que lemos, para serem totalmente
entendidos, se faz necessário que o leitor conheça os elementos aos quais eles se refere, o
chamado “contexto”.

Por definição, “contexto” é o universo maior de significados no qual um texto se insere. Um


leitor que não esteja a par da situação política brasileira, por exemplo, não entenderá a charge de
autoria de Humberto.

Que conhecimentos o leitor precisaria ter para entender a charge abaixo? A que contexto
ela poderia se referir?

4. HISTÓRIA EM QUADRINHOS

1. Leia a tira a seguir:

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Leitura e Produção de Texto – Profa. Ana Madalena Fontoura – Aula 1

A. Como o quadrinista conseguiu criar humor nessa tira?

B. O que se pode concluir quanto ao comportamento de Hagar?

O quadrinista pode nos transmitir mensagens importantes por meio da linguagem dos
quadrinhos, empregando também o humor. Leia os quadrinhos a seguir e observe.

1. No texto, os autores desenvolvem uma narrativa com diálogos colocados em balões da


fala.

a. Em que se baseia o humor nesses quadrinhos?

b. Qual foi a intenção dos quadrinistas na criação desse trabalho?

c. Que recursos os autores utilizaram para enfatizar a conduta errada do motorista?

Enquanto a charge costuma transmitir a sua mensagem em uma única imagem, as


histórias em quadrinhos podem ser definidas como arte seqüencial, pois são desenhos em
seqüência que narram uma história. A charge tem geralmente conteúdo humorístico, e as histórias
em quadrinhos podem ou não ter o humor como efeito de sentido.
Na arte seqüencial, a comunicação se faz por intermédio de imagens que o emissor e o
receptor identificam. Para “ler” uma história em quadrinhos, é preciso interpretar imagens,
relacionar estas com as palavras e perceber relações de causa e efeito.
Os quadrinhos estão por toda a parte. Servem para entreter, mas podem veicular uma
mensagem instrucional – podem ser usados para uma campanha de economia de água, para
alertar sobre riscos de doenças ou para transmitir informativos de trânsito, por exemplo.
A história em quadrinhos (HQ) em geral envolve várias técnicas narrativas através dos
canais: imagem e texto. Para compreender a mensagem, o leitor precisa relacionar os elementos
de imagem (icônicos) com os de texto (lingüísticos).

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Leitura e Produção de Texto – Profa. Ana Madalena Fontoura – Aula 1

O diálogo na HQ é apresentado na forma direta; no entanto, não é transcrito do mesmo


modo que, por exemplo, o diálogo em contos ou peças teatrais. As falas são indicadas, em geral,
por meio de balões, estabelecendo-se uma comunicação mais imediata entre os personagens e o
leitor, já que o texto é incorporado à imagem.

História em quadrinhos é uma narrativa visual que, normalmente, expressa a língua oral e
apresenta um enredo rápido, empregando somente imagem ou associando palavra e imagem.

Conheça alguns elementos das histórias em quadrinhos.

 Localização dos balões: indica a ordem em que se sucedem as falas (de cima pra baixo,
da esquerda para a direita).

 Contorno dos balões: varia conforme o desenhista; no entanto, alguns são comuns, como
os que apresentam linha contínua (fala pronunciada em tom normal); linhas interrompidas
(fala sussurrada); um ziguezague (um grito, uma fala de personagem falando alto, ou som
de rádio ou televisão); em forma de nuvem (pensamento).

- Exemplos de balões e símbolos usados nas histórias em quadrinhos:

 Sinais de pontuação: reforçam sentimentos e dão maior expressividade à voz do


personagem.

 Onomatopéias: conferem movimento à história, imitando sons do ambiente (crash para


uma batida, ou buuuum para uma explosão, por exemplo) ou produzidos por pessoas e
animais (zzzz, para sono, rrrrrr, para o rosnado de um cão, etc).

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5. O CARTAZ

Cartaz da 2 Pontos (MG) para Arcelor MIttal (conglomerado de siderúrgicas em atuação no Brasil)

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Leitura e Produção de Texto – Profa. Ana Madalena Fontoura – Aula 1

Texto da parte inferior do cartaz:

De acordo com a nova lei seca, quem for pego dirigindo após ingerir qualquer quantidade de
bebida alcoólica paga multa de R$ 955,00 e tem sua habilitação apreendida por 1 ano, além de
pegar de 6 meses a 3 anos de prisão, caso essa quantidade ultrapasse 6 decigramas por litro de
sangue.

Evite grandes dores de cabeça. Quando for sair para beber, o melhor é tomar um táxi.

1. O cartaz é um gênero textual que tem a finalidade de informar as pessoas, sensibilizá-las,


convencê-las ou conscientizá-las sobre determinado assunto.

a) Na sua opinião, para quem este cartaz é direcionado?


b)

c) Qual é sua finalidade?

2. Os cartazes são afixados em lugares públicos, geralmente em paredes ou murais, e têm por
finalidade ajudar a divulgar uma campanha. Considerando a finalidade do cartaz lido, levante
hipóteses: onde você acha que ele deve ter sido afixado?

3. Os cartazes geralmente apresentam linguagem verbal e não-verbal. No cartaz lido, o enunciado


principal faz um jogo de sentido com a imagem. Que sentido é esse?

4. O texto verbal dos cartazes normalmente é curto e em linguagem simples e direta. Observe a
linguagem empregada no texto verbal do cartaz em estudo. Em sua opinião, ela está adequada à
finalidade a que se destina? Por quê?

5. Conclua: Quais são as principais características do cartaz?

6. SÍMBOLOS CONVENCIONADOS

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Leitura e Produção de Texto – Profa. Ana Madalena Fontoura – Aula 1

DESAFIO DE LEITURA;

Partindo-se do princípio de que um texto é um todo organizado de sentido que passa uma
mensagem ao leitor, você diria que temos a seguir um texto?

Uma dica: este material tem autor (Avelino de Araújo) e seu título é “Apartheid”. E agora?
Que leitura você faz do material acima? Discuta com seus colegas e justifique sua resposta.

_____________________________________________

PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE TEXTO

Texto motivador 1:

Sebastião Salgado retrata escolas do mundo inteiro no livro O berço da desigualdade


Luiza Villaméa

Algumas são quase-escolas. Não têm teto, não têm parede, não têm quase nada. No meio
da adversidade, chama atenção o brilho nos olhares dos meninos e das meninas. São alunos de
escolas do mundo inteiro, retratado no livro O berço da desigualdade. Com fotografias em preto-e-
branco, registradas nas últimas três décadas por Sebastião Salgado e emolduradas por textos do
senador Cristovam Buarque, a obra é mais contundente do que qualquer estatística. Suas páginas
refletem em profundidade uma fórmula bombástica: a crise mundial da educação começa na
carência de cada dia e se aguça na desigualdade social. “Por causa do avanço técnico para
poucos, as crianças de hoje poderão ser os primeiros adultos de uma humanidade dividida”,
ponderam os autores. O livro, com textos em português, inglês, espanhol e francês, foi publicado
primeiro em Paris, em exposição sobre as atividades da Unesco no Brasil. Não por acaso, sua
capa reflete a imagem de uma escola em um assentamento do MST.

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Texto motivador 2:

O texto 1 usa como recurso expressivo as palavras. Nele o narrador relata a publicação de
uma obra do fotógrafo Sebastião Salgado, que focaliza a desigualdade social no mundo inteiro, ao
retratar escolas sem nenhuma estrutura. Trata-se de um texto em linguagem verbal.
O texto 2 é uma charge que, por meio da linguagem não-verbal e também da verbal,
aborda a questão da falta de recursos para a educação em nosso país. Para tanto, o chargista
mostra o estado precário tanto da sala de aula quanto dos recursos disponíveis, o que é percebido
até pelos próprios alunos.
Você observou que, na leitura de um texto, interpretam-se palavras e frases, enquanto na
de uma imagem existem estímulos visuais que devem ser interpretados. Se você vai produzir um
texto a partir de uma foto ou outra imagem, e de um poema ou outro texto, é importante ler e
interpretar, separadamente, a imagem e o texto. Depois você deve unir os dois para identificar o
tema comum, a idéia central, e só então elaborar seu texto.

Identifique o tema comum aos dois textos lidos e, a partir das informações contidas e/ou
sugeridas neles, elabore seu próprio texto, com pelo menos três parágrafos (introdução,
desenvolvimento e conclusão). Não se esqueça de criar um bom título para ele.

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