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UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU

UNIDADE CURRICULAR SAÚDE ÚNICA

ANA CAROLINA OLIVEIRA RA:820137159


BARBARA DIAS DE SOUZA RA:820113430
CAMILLA GABRIELA MARTIN SANTOS RA:820126926
EDSON GALDINO DE SOUZA JUNIOR RA:820149312
GABRIELA URSINI BRITO RA:820130335
GIOVANNI FERRETTI RODRIGUES RA:820149310
ISABELLE SANTOYO RA:820150632
IVONETE SANTOS CRUZ RA:820149615
PABLO VELASK DIAS RA:820150398
SAMANTHA PICARO ROSSETO RA:820146822

SINDEMIA GLOBAL

SÃO PAULO
2020
Sindemia Global
Sindemia é o conjunto de três problemas de saúde interligados no contexto
socioeconômico e que ocorrem de forma simultânea, com isso nesse trabalho
iremos abordar o trio de pandemias: obesidade, desnutrição e mudanças
climáticas. As complexas interações dessas crises geram uma Sindemia
Global, na qual são consideradas um dos principais problemas de saúde
pública no mundo. Entre si, possuem a tendência de se agravar cada vez mais,
por causa de interesses comerciais que orientam o modelo hegemônico do
sistema agroalimentar globais, pela falta de vontade das lideranças políticas e
pela frágil e insuficiente ação da sociedade em geral causando efeitos que
potencializam umas as outras. Por apresentarem diversos determinantes
comuns, devem ser combatidas de maneira abrangente, integrada e global
impondo a necessidade urgente da reformulação de nossos sistemas de
alimentação, agropecuária, transporte, desenho urbano e uso do solo.
As mudanças climáticas podem ser vistas como uma pandemia (ou seja, uma
epidemia global) devido ao seu rápido aumento e aos extensos danos
causados para a saúde do planeta. Por exemplo, vão aumentar os índices de
desnutrição por resultarem em maior insegurança alimentar devido a eventos
climáticos extremos, secas e mudanças na agricultura. Similarmente, a
desnutrição fetal e infantil aumenta o risco de obesidade na vida adulta. O ideal
seria implantar medidas que tragam mudanças para os sistemas existentes
(como políticas de agricultura voltadas para saúde e sustentabilidade) ou para
a governança (como o redirecionamento de tributos e subsídios) são
necessárias para enfrentar a Sindemia Global.
Os sistemas alimentares atuais além de potencializar as pandemias de
obesidade e desnutrição, refletem diretamente sobre as mudanças climáticas.
Cerca de 25 a 30% das emissões de gases do efeito estufa (GEE), provem da
produção de gado, sistemas de transporte que privilegiam automóveis
promovendo o sedentarismo e geram de 14 a 25% dos GEE. Os sistemas de
governança política deficitários afetam a busca desenfreada pelo aumento dos
lucros e a poderosa engenharia comercial do consumismo, que são fatores
comuns que trazem impactos negativos ao meio ambiente.
O relatório da comissão do Lancet demonstra que os avanços alcançados na
saúde nos últimos 50 anos com o desenvolvimento econômico global podem
ser revertidos nos próximos 50 anos em consequência das mudanças
climáticas. Outros retrocessos, como a perda de vidas humanas, a
desigualdade e a ruptura social, os danos ao ambiente e a perda de
biodiversidade, são gigantescos e superam os custos econômicos. O ônus que
a sindemia global causa à sociedade é extenso e atinge principalmente países
ainda em desenvolvimento e grupos populacionais mais vulneráveis.
A obesidade e o sobrepeso é um problema de saúde pública e vêm
crescendo de maneira infrene principalmente em países desenvolvidos ou em
desenvolvimento. A obesidade (CID 10 E66.0) é o acúmulo excessivo de
gordura corporal e pode ser causado por diversos fatores como predisposição
genética potencializada por fatores ambientais, que embora varie de estudo
para estudo, 30% a 40% da variação no IMC pode ser atribuída à genética e
60% a 70% ao meio ambiente. Outro fator é o declínio do gasto de energia, que
acarreta uma ingestão desproporcional em relação a energia gasta, causada
pela falta de prática de exercícios físicos. O aumento do consumo de alimentos
que causam prejuízos a nossa saúde se interliga com a escassez de exercícios
físicos, pois contém um déficit nutricional, e até mesmo a diminuição de
consumação de fibras. Tal problema resulta no impacto negativo a saúde,
podendo levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, doenças do coração,
pressão alta, artrite, apneia e derrame.
Segundo a OMS, de acordo com a análise de dados de 188 países, o
excesso de peso corporal afeta mais de 2 bilhões de pessoas, equivalente a
mais de 25% da população mundial e causa aproximadamente 4 milhões de
mortes por ano. No Brasil, existem mais de 20 milhões de indivíduos obesos.
Na população adulta, 12,5% dos homens e 16,9 % das mulheres apresentam
obesidade e cerca de 50% têm excesso de peso (sobrepeso). Nos Estados
Unidos a situação é ainda mais grave: 64,5% da população adulta estão acima
do peso, sendo que quase a metade é considerada obesa. O Diagnóstico é
feito por meio do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), que avalia a
relação entre o peso e a altura. Quando o IMC é maior do que 30, a pessoa é
considerada obesa. Exemplos:
Abaixo do peso: IMC abaixo de 18,5
Peso normal: IMC entre 18,5 e 24,9
Sobrepeso: IMC entre 25 e 29,9
Obesidade Grau I: IMC entre 30 e 34,9
Obesidade Grau II: IMC entre 35 e 39,9
Obesidade Grau III: IMC acima de 40.
A relação entre a oferta e a procura por meio de mecanismos de mercado
corresponde de maneira eficiente aos suprimentos de alimentos com os
desejos e necessidades dos consumidores e sua capacidade de pagamento.
No entanto, os próprios consumidores têm vulnerabilidades biológicas,
psicológicas, sociais e econômicas que a indústria explora por meio de
ambientes alimentares que influenciam as preferências das pessoas, o que
aumenta a demanda por alimentos e bebidas com alta densidade energética e
pobre em nutrientes, aumentando, assim, a oferta. Sendo assim, algumas
medidas foram impostas pelo governo, tais como: incluir as regulamentações
para a comercialização de produtos alimentícios e bebidas não saudáveis para
crianças, rótulos com advertências frontais, políticas fiscais como tributação de
refrigerantes e leis de proteção ao consumidor que podem ajudar a restringir
esse consumo impulsionado pela oferta de alimentos não saudáveis.
Os atuais sistemas alimentares estão prejudicando o meio ambiente além da
capacidade dos ecossistemas naturais se recuperarem. As forças de extração
excessiva e poluição de ambientes naturais não são equilibradas por restrições
embutidas nas atividades comerciais ou de consumo que prejudicam o meio
ambiente por meio de emissões de gases de efeito estufa, poluição de cursos
d’água, desmatamento, redução de a biodiversidade, extração de água,
degradação do solo e degradação ou desperdício de alimentos.
Embora sejam produzidos alimentos suficientes para atender às
necessidades energéticas da população global, a desnutrição e as deficiências
de micronutrientes ainda afetam mais de um terço da população mundial. Os
sistemas agrícolas tendem a favorecer a produção de alimentos básicos ricos
em energia, sem atenção suficiente aos alimentos ricos em nutrientes. Em
muitas regiões, vegetais, frutas e alimentos de origem animal são
frequentemente caros ou inacessíveis, resultando em dietas sem variedade,
com baixa qualidade nutricional.
Uma em cada nove pessoas no mundo não têm comida suficiente para levar
uma vida saudável e ativa, segundo dados da FAO (Food and Agriculture
Organization of the United Nations), essas pessoas estão envolvidas em
fatores socioeconômicos, já que em sua grande maioria são pessoas de baixa
renda que não tem condições de uma alimentação com fontes nutricionais.
A desnutrição é uma condição que ocorre em decorrência de uma deficiência
alimentar, e em um consumo pobre de nutrientes. Continua a ser uma das
causas de morbidade e mortalidade mais comuns entre crianças de todo o
mundo, comprometendo todos os órgãos da criança, e caso se torne crônica,
pode levar a óbito, caso não seja tratada adequadamente. Pode começar
precocemente na vida intrauterina (baixo peso ao nascer) e frequentemente
cedo na infância, em decorrência da interrupção precoce do aleitamento
materno exclusivo e da alimentação complementar inadequada nos primeiros 2
anos de vida, associada, muitas vezes, à privação alimentar ao longo da vida e
à ocorrência de repetidos episódios de doenças infecciosas (diarreias e
respiratórias). Outros fatores de risco na gênese da desnutrição incluem
problemas familiares relacionados com a situação socioeconômica, precário
conhecimento das mães sobre os cuidados com a criança pequena
(alimentação, higiene e cuidados com a saúde de modo geral) e o fraco vínculo
mãe e filho.
A nutrição inadequada, incluindo desnutrição, obesidade e outros fatores de
risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) relativos à
alimentação, é, de longe, a principal causa (19%) de problemas de saúde e
mortes prematuras no mundo. O SOFI mostra que, em 2017, a fome mundial
aumentou pelo terceiro ano consecutivo. O número de pessoas desnutridas
aumentou de cerca de 804 milhões em 2016 para quase 821 milhões em 2017.
Esse aumento da fome também pode ser associado ao crescente número de
conflitos, particularmente na África Subsaariana. Esforços para combater a
fome devem, portanto, estar alinhados com a construção da paz.
No Brasil, embora a prevalência da desnutrição na infância tenha caído nas
últimas décadas, o percentual de óbitos por desnutrição grave em nível
hospitalar, se mantém em torno de 20%, muito acima dos valores
recomendados pela OMS (inferiores a 5%), ou seja, sendo uma doença de
natureza clínico-social multifatorial cujas raízes se encontram na pobreza. A
desnutrição consta de 4 a 11% do PIB da Ásia e da África. Em 2017, 155
milhões de crianças estavam com a altura abaixo do recomendado para a
idade e 52 milhões tinham o peso abaixo do esperado com base em sua altura.
Dois bilhões de pessoas têm deficiências de micronutrientes e 815 milhões
estão cronicamente desnutridas.
Vale ressaltar que o direito humano à alimentação adequada está
contemplado no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de
1948, na qual consiste no acesso físico e econômico de todas as pessoas aos
alimentos e aos recursos, como emprego ou terra, para garantir esse acesso
de modo contínuo. Esse direito inclui a água e as diversas formas de acesso à
água na sua compreensão e realização. Ao afirmar que a alimentação deve ser
adequada entende-se que ela seja adequada ao contexto e às condições
culturais, sociais, econômicas, climáticas e ecológicas de cada pessoa, etnia,
cultura ou grupo social.
Entretanto, é possível analisar que em todos esses problemas dessa
sindemia existe um conjunto de fatores que interfere na produção de tais
doenças, como as diferenças de escolaridade, distribuição de renda que leva a
uma pobreza extrema e consequentemente uma alimentação inadequada, o
local de moradia, as condições de trabalho e os serviços sociais de saúde,
esses atingem de forma muito relevante nas condições socioeconômicas,
qualidade de vida e consequência nas condições de saúde, podendo até
reduzir o tempo de vida do indivíduo. Cabe ao governo e a população civil
proporcionar uma melhoria de estilo de vida para os indivíduos e otimização
dos DSS (Determinantes Sociais de Saúde).
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https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/obesidade_desnutricao.pdf.
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