Você está na página 1de 23

Aplicações

Sejam E e V conjuntos não vazios. Uma aplicação de E em V é


uma correspondência que associa a cada elemento de E
um e um só elemento de V .
Seja f uma aplicação de E em V . Se w é um elemento de E ,
representamos por f (w ) o (único) elemento de V que lhe
corresponde através de f ; a f (w ) chamamos imagem de w por f .
Escrevemos,
f :E −→ V
w 7−→ f (w )
Nas condições anteriores, o conjunto E é o conjunto de partida ou
domı́nio de f e V é o conjunto de chegada de f . Chamamos
imagem de f ao subconjunto de V
Im f = { f (w ) : w ∈ E }
Nota: Dadas aplicações f : E −→ V e g : T −→ R, tem-se: f = g
se e só se E = T , V = R e f (w ) = g (w ), para todo o w ∈ E .
Seja f : E −→ V uma aplicação. Dizemos que:
I f é injectiva se, para quaisquer w , u ∈ E , se w 6= u, então
f (w ) 6= f (u).
I f é sobrejectiva se, para qualquer v ∈ V , existe w ∈ E tal
que f (w ) = v .
I f é bijectiva se f é injectiva e sobrejectiva.

Sejam f : A −→ B e g : B −→ C aplicações. Chamamos


composição de g com f , e denotamos por g ◦ f , à aplicação de
A em C definida por (g ◦ f )(x) = g (f (x)). Assim,

g ◦ f : A −→ C
x 7−→ g (f (x)).

Exemplo Considerem-se as aplicações f e g de R em R definidas


por f (x) = x 2 e g (x) = 2x. Por exemplo,

(g ◦ f )(2) = g (f (2)) = g (22 ) = g (4) = 8

(f ◦ g )(2) = f (g (2)) = f (4) = 42 = 16.


Aplicações lineares
m e n representam números naturais.

Dizemos que uma aplicação f : Rn −→ Rm é uma aplicação


linear ou uma transformação linear se as condições seguintes são
satisfeitas:
L1) f (u + w ) = f (u) + f (w ), para quaisquer u, w ∈ Rn ;
L2) f (a u) = a f (u), para qualquer a ∈ R e qualquer u ∈ Rn .
Exemplo Vamos verificar que a aplicação seguinte é linear.
f : R2 −→ R2
(v1 , v2 ) 7−→ (v1 − v2 , 2 v1 )
Sejam (u1 , u2 ), (w1 , w2 ) ∈ R2 e seja a ∈ R.
f ((u1 , u2 ) + (w1 , w2 )) = f (u1 + w1 , u2 + w2 )
= ((u1 + w1 ) − (u2 + w2 ), 2(u1 + w1 ))
= (u1 + w1 − u2 − w2 , 2u1 + 2w1 )
= ((u1 − u2 ) + (w1 − w2 ), 2u1 + 2w1 )
= (u1 − u2 , 2u1 ) + (w1 − w2 , 2w1 )
= f (u1 , u2 ) + f (w1 , w2 )
f (a (u1 , u2 )) = f (a u1 , a u2 )
= (a u1 − a u2 , 2 (a u1 ))
= (a (u1 − u2 ), a (2 u1 ))
= a (u1 − u2 , 2 u1 )
= a f (u1 , u2 )
Exemplo A aplicação

g : R2 −→ R2
(u1 , u2 ) 7−→ (u1 − u2 , 2 + u1 )

não é linear. Tem-se, por exemplo,

g ((2, 1) + (1, 0)) = g (3, 1) = (2, 5)

e
g (2, 1) + g (1, 0) = (1, 4) + (1, 3) = (2, 7)
Logo
g ((2, 1) + (1, 0)) 6= g (2, 1) + g (1, 0)
Nota: A aplicação

id : Rn −→ Rn
(v1 , . . . , vn ) 7−→ (v1 , . . . , vn )

é aplicação linear. Designamos esta aplicação por aplicação


identidade em Rn .

Também a aplicação nula

f : Rn −→ Rm
(v1 , . . . , vn ) 7−→ (0, . . . , 0)

é aplicação linear.
Proposição Se f : Rn −→ Rm é aplicação linear, então:

1. f (0n ) = 0m ;

2. f (−u) = −f (u), para qualquer u ∈ Rn ;

3. Para quaisquer a1 , a2 ∈ R e u1 , u2 ∈ Rn ,
f (a1 u1 + a2 u2 ) = a1 f (u1 ) + a2 f (u2 ).

Mais geralmente, para quaisquer a1 , . . . , at ∈ R e


u1 , . . . , ut ∈ Rn ,
f (a1 u1 + · · · + at ut ) = a1 f (u1 ) + · · · + at f (ut ).
Exemplo Suponhamos que f : R2 −→ R3 é aplicação linear, sendo
f (1, 0) = (2, 0, 1), f (0, 1) = (1, 1, −1).
Aplicando a proposição anterior, podemos calcular a imagem de
qualquer vector de R2 . Por exemplo:
f (3, 4) = f (3(1, 0) + 4(0, 1))
= 3f (1, 0) + 4f (0, 1)
= 3(2, 0, 1) + 4(1, 1, −1)
= (6, 0, 3) + (4, 4, −4)
= (10, 4, −1)
Mais geralmente, para qualquer elemento (a1 , a2 ) ∈ R2 , como
(a1 , a2 ) = a1 (1, 0) + a2 (0, 1),
temos, atendendo à proposição anterior,
f (a1 , a2 ) = a1 f (1, 0) + a2 f (0, 1)
= a1 (2, 0, 1) + a2 (1, 1, −1)
= (2 a1 + a2 , a2 , a1 − a2 )
Teorema da Extensão Linear Suponhamos que (e1 , . . . , en ) é
base de Rn e v1 , . . . , vn são vectores de Rm . Existe uma e uma só
aplicação linear f : Rn −→ Rm tal que

f (e1 ) = v1 , . . . , f (en ) = vn .
Matriz canónica de uma aplicação linear
Considere-se a aplicação linear f : R2 −→ R3 definida por

f (x1 , x2 ) = (2x1 − x2 , 3x1 , x2 )

Tem-se f (1, 0) = (2, 3, 0) e f (0, 1) = (−1, 0, 1).


 
2 −1
À matriz M(f ) =  3 0  chamamos matriz canónica de f.
0 1
Definição Seja f : Rn −→ Rm aplicação linear. Se
f (1, 0, . . . , 0) = (a11 , . . . , am1 ), f (0, 1, . . . , 0) = (a12 , . . . , am2 ),
. . . , f (0, 0, . . . , 1) = (a1n , . . . , amn ), chamamos matriz canónica
de f , e denotamos por M(f ), à matriz do tipo m × n:
 
a11 a12 · · · a1n
 a21 a22 · · · a2n 
M(f ) =  . ..  .
 
.. ..
 .. . . . 
am1 am2 · · · amn
Proposição Seja f : Rn −→ Rm aplicação linear e seja A = M(f ).
Seja (w1 , . . . , wn ) ∈ Rn .
   
w1 r1
Se A  ...  =  ... , então f (w1 , . . . , wn ) = (r1 , . . . , rm ).
   

wn rm

Exemplo Considere-se a aplicação linear f : R2 −→  R3 definida


 por
2 −1
f (x1 , x2 ) = (2x1 − x2 , 3x1 , x2 ). Vimos que M(f ) =  3 0 .
0 1
f (3, 5) = ?
Podemos aplicar a proposição anterior:
   
2 −1   1
 3 3
0  =  9 
5
0 1 5

Logo, f (3, 5) = (1, 9, 5).


Exemplo Suponhamos que g : R3 −→ R4 é uma aplicação linear
tal que  
2 0 1
 0 2 −2 
M(g ) =  1
.
0 2 
0 −1 1
g (y1 , y2 , y3 ) = ?
Tem-se:
   
2 0 1   2y1 + y3
 0 2 −2  y1  2y2 − 2y3 
   y2  =  .
 1 0 2   y1 + 2y3 
y3
0 −1 1 −y2 + y3

Logo, atendendo à proposição anterior,

g (y1 , y2 , y3 ) = (2y1 + y3 , 2y2 − 2y3 , y1 + 2y3 , −y2 + y3 ).

Proposição Se A é uma matriz do tipo m × n, existe uma e uma só


aplicação linear f : Rn −→ Rm tal que A = M(f ).
Proposição Se f : Rn −→ Rm e g : Rm −→ Rp são aplicações
lineares, então:

1. g ◦ f é aplicação linear;

2. M(g ◦ f ) = M(g ) M(f ).


Definição Seja f : Rn −→ Rm aplicação linear.
Chamamos Núcleo de f , e representamos por Nuc f , ao
subconjunto de Rn ,

Nuc f = { (y1 , . . . , yn ) ∈ Rn : f (y1 , . . . , yn ) = 0m }.

Exemplo Considere-se a aplicação linear f de R2 em R2 definida


por f (x1 , x2 ) = (x1 − x2 , 2 x1 ). Tem-se:

Nuc f = { (x1 , x2 ) ∈ R2 : f (x1 , x2 ) = (0, 0) }


= { (x1 , x2 ) ∈ R2 : (x1 − x2 , 2 x1 ) = (0, 0) }
= { (x1 , x2 ) ∈ R2 : x1 − x2 = 0 ∧ 2 x1 = 0 }
= { (x1 , x2 ) ∈ R2 : x1 = 0 ∧ x2 = 0 }
= {(0, 0)}.

Recorde-se que

Im f = { f (y1 , . . . , yn ) : (y1 , . . . , yn ) ∈ Rn }.
Proposição Seja f : Rn −→ Rm aplicação linear e seja A = M(f ).
Tem-se:
1. Nuc f = N(A);
2. Im f = C (A);
3. f é injectiva se e só se Nuc f = {0n }.

Atendendo à proposição anterior e a que, para qualquer matriz A


do tipo m × n, dim C (A) = r (A) e dim N(A) = n − r (A), temos:

Proposição Seja f : Rn −→ Rm aplicação linear e seja A = M(f )


(pelo que A é do tipo m × n). Tem-se:
1. Nuc f é subespaço de Rn ;
2. Im f é subespaço de Rm ;
3. dim(Nuc f ) = n − r (A);
4. dim(Im f ) = r (A).
Proposição Seja f : Rn −→ Rm aplicação linear. Tem-se:
1. Se n > m, então f não é injectiva
2. Se n < m, então f não é sobrejectiva
3. Se n = m, são equivalentes:
I f é injectiva
I f é sobrejectiva
I f é bijectiva
Proposição Se f : Rn −→ Rn é aplicação linear bijectiva, então
também f −1 : Rn −→ Rn é aplicação linear.

Proposição Se f : Rn −→ Rn é aplicação linear e A = M(f ), então

f é bijectiva se e só se A é invertı́vel.

Mais, se f é bijectiva (ou seja, se A é invertı́vel), então

A−1 = M(f −1 ).
Exemplo Seja f a aplicação linear de R2 em R2 definida por

f (x1 , x2 ) = (x1 − x2 , 2 x1 ).

Atendendo a que f (1, 0) = (1, 2) e f (0, 1) = (−1, 0), temos


 
1 −1
M(f ) = .
2 0

Como det(M(f )) = 2 6= 0, sabemos que M(f ) é invertı́vel. Pela


proposição anterior, podemos concluir que f é bijectiva e
 −1  
−1 −1 1 −1 0 1/2
M(f ) = (M(f )) = = .
2 0 −1 1/2
Transformação no plano — Reflexão axial

x0
     
1 0 x
= ×
y0 0 −1 y

x 00
     
−1 0 x
= ×
y 00 0 1 y
Transformação no plano — Rotação
Para cada ângulo α, seja Tα a aplicação de R2 em R2 definida
geometricamente como a rotação com amplitude α, em torno da
origem, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio.

Esta aplicação é linear. Vamos verificar que:


 0     
x cos α − sin α x
0 = ×
y sin α cos α y
Vamos calcular a matriz canónica de Tα . Tem-se:

Tα (1, 0) = (cos α, sin α), Tα (0, 1) = (− sin α, cos α);

pelo que  
cos α − sin α
M(Tα ) = .
sin α cos α
Transformação no plano — Homotetia
Para r ∈ R, a aplicação h : R2 −→ R2 definida por
h(v1 , v2 ) = r (v1 , v2 ) é linear. Esta aplicação é denominada
homotetia de razão r em R2 .

x0
     
r 0 x
= × (r positivo)
y0 0 r y

x 00
     
s 0 x
= × (s negativo)
y 00 0 s y
Transformação no espaço — Homotetia no espaço

Homotetia de centro O e razão r :

x0
     
r 0 0 x
 y 0  = 0 r 0 ×  y 
z0 0 0 r z

Você também pode gostar