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Cidadania e

UNIDADE 4
Responsabilidade Social
Cidadania e Responsabilidade Social Graduação | UNISUAM

Meio ambiente e
desenvolvimento
sustentável
Objetivo do estudo
- Ao final desse tópico você deverá ser capaz
de compreender a gênese e evolução da
sustentabilidade enquanto novo paradigma
e os cenários que se apresentam e discutir a
possibilidade do avanço tecnológico e econômico
sem esgotar os recursos naturais.

Desenvolvimento sustentável
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Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

4 T1 Desenvolvimento sustentável como novo


paradigma; Degradação ambiental; Consumo;
Críticas à modernidade
As questões ambientais e do trabalho vêm assumindo novas configurações com o
aprofundamento do processo de globalização, com a reestruturação produtiva e a adoção
das políticas econômicas de corte neoliberal. Constata-se um duplo movimento: a dissolução
das fronteiras políticas e econômicas ao desenvolvimento do capitalismo globalizado e
desregulamentado e a emergência de “novas” fronteiras ambientais que não podem ser
desconsideradas em longo prazo por este modo de produção.

Esta situação lança desafios à questão democrática, particularmente no caso brasileiro, que
foi um país que por muitos anos, no passado, foi profundamente marcado por uma cultura
política autoritária e excludente, que impediu a sedimentação de uma experiência democrática
e o exercício da cidadania de forma plena. Nesse momento você deve estar se perguntando:

- Como ocorrerá a participação da sociedade, a representação de interesses


e, particularmente, a governabilidade do espaço ambiental dadas as limitações
impostas por processos econômicos sem fronteiras?

- Como enfrentar a exclusão de amplos segmentos da população ocasionada


por novas formas de organização da produção e do trabalho que os impedem de
exercer plenamente seus direitos como trabalhadores e cidadãos?

- Que propostas de educação podem ser encaminhadas como contribuição para


a formulação de um projeto de desenvolvimento ancorado na “sustentabilidade
democrática”, no contexto atual do capitalismo internacionalizado?

Essas perguntas nortearão esse primeiro tópico de estudo. Para começarmos a entender
melhor os impactos provocados no meio ambiente iremos estudar o processo da gênese e
evolução da sustentabilidade.

A degradação ambiental e a crise da sociedade do trabalho e a consequente queda na


qualidade de vida e aumento da desigualdade/exclusão social, estão a exigir no nosso
entender uma discussão que aprofunde a articulação entre trabalho, meio ambiente e
desenvolvimento econômico, pois se questiona até que ponto os recursos naturais e a
humanidade suportarão o modelo hegemônico de produção, trabalho e consumo.

Antes de mais nada, é necessário definir Meio Ambiente.

pare e reflita
Será possível desenvolver-se economicamente sem
causar danos ao meio ambiente? Caso seja possível,
que caminhos seguir para utilizar os recursos naturais
sem degradar a natureza? Pense sobre isso!

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Meio Ambiente é onde estamos inseridos, nosso trabalho, nossa casa, nossa escola e
faculdade, nossa rua e nossa cidade. É tudo que nos cerca. São as diferentes interações
que formamos com os seres abióticos (sem vida, construções, pontes, terra, água e ar) e os
seres bióticos ou seres vivos (nós, as plantas e até mesmo as bactérias).

Desta forma, não estamos sós no cenário atual, e nossas relações com o ambiente afetam
e são afetadas pela economia, educação e saúde. Tudo está inter-relacionado.

Em uma conjuntura permeada por transformações econômicas, políticas, sociais, institucionais


e culturais intensificam-se as crises socioambientais e do mundo do trabalho.

Suas origens relacionam-se, por um lado, à desterritorialização da política, em que a soberania


do Estado é colocada em xeque pelos padrões de internacionalização do processo decisório e
de globalização das atividades políticas, provocando a crise dos sistemas democráticos e, por
outro, ao movimento crescente de desterritorialização de empresas e conglomerados industriais
em direção àqueles países com oferta de condições operacionais favoráveis, ou seja, melhores
preços da força de trabalho, economia de transportes e recursos de infraestrutura, além de
uma baixa preocupação em relação ao cumprimento das legislações trabalhista e ambientais.

Esta mobilidade das empresas decorre das novas formas de organização da produção, que
são muito mais flexíveis do que as baseadas no modelo fordista, pois permitem adaptações às
flutuações das demandas de produtos e serviços e um aproveitamento melhor das vantagens
comparativas em diferentes locais do mundo.

O aprofundamento do processo de globalização econômica traz novas demandas e exigências


às empresas que utilizam, como estratégias de busca de competitividade, o emprego maciço
de novas tecnologias e de novas formas de organização da produção e do trabalho. As novas
tecnologias, basicamente a microeletrônica, as biotecnologias e os novos materiais têm como
característica comum, sua aplicação universal, tanto no desenvolvimento de produtos, quanto
na organização da produção.

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Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

O uso das biotecnologias e dos novos materiais redefine a relação da produção industrial e
agrícola e dos seres humanos com a natureza, com implicações para o meio ambiente no
local de trabalho, comunidades/sociedade e em escala planetária.

Com as novas formas de gestão do trabalho no padrão da acumulação flexível surgem novas
tendências em relação ao trabalho: este se torna mais abstrato, intelectualizado, autônomo,
coletivo e complexo. Não somente nos setores onde vigoram os novos conceitos de produção, mas
em toda a estrutura produtiva são demandadas novas qualificações e competências profissionais
para os trabalhadores, dentre as quais se incluem as relacionadas à temática ambiental.

biotecnologias
Entretanto, se os processos de intensificação do uso de
novas tecnologias e de novas formas de organização da
produção flexíveis, enxutas e racionais trazem, por um lado,
a possibilidade de um trabalho revalorizado, mais qualificado,
acarreta, por outro lado, o desemprego e a exclusão de
trabalhadores, pela racionalização de custos e a otimização
da produtividade industrial e de serviços.

Os reflexos do processo de modernização capitalista têm


se revelado particularmente perversos em países como o
Brasil, onde a adoção de novos conceitos de produção está
associada a formas políticas e empresariais autoritárias,
levando à exclusão política e econômica das classes
populares, ao aumento do desnível das esferas econômica
e social e à degradação ambiental.

Com a globalização da produção observa-se, por um lado,


o aumento em alguns países da parcela dos incluídos no
consumo de massa (Extremo Oriente e Sudeste Asiático),
com hábitos importados do Ocidente e, por outro, o
crescimento do número de excluídos do mercado de trabalho
em escala nunca antes vista.

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Ambos os processos causam severos impactos ao meio ambiente: a incorporação ao


mercado consumidor mundial de um grande número de pessoas, além de contribuir para a
redução da diversidade cultural e, consequentemente, da diversidade biológica, reforça os
efeitos do consumismo (como o lançamento de gases na atmosfera/aquecimento global,
elevada e concentrada produção de resíduos sólidos e esgotos sanitários em áreas urbanas
densamente povoadas).

Com o início do século XVIII, surge a Era Industrial. A criação de vários produtos novos,
criou um novo modelo econômico nos países ocidentais, o Consumismo. Muitas vezes,
compramos por comprarmos, não sendo realmente uma necessidade efetiva, mais por ser
um item cobiçado pela maioria.

E o que fazer com o que não mais utilizamos? Jogamos fora? Criando um círculo vicioso de
geração de resíduos.

O resíduo sólido, o lixo urbano e industrial, é um problema mundial. Este gera além dos
incômodos conhecidos, o odor e ocupação de espaço, também é responsável pela geração
de dióxido de carbono. O dióxido de carbono ao se acumular na atmosfera, tem elevado a
temperatura global devido ao efeito estufa.

E o que fazer com o que


não mais utilizamos?

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Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

O efeito estufa é um processo físico, onde parte do calor que provem do Sol penetra a camada
de ozônio e não consegue sair da atmosfera, ficando parcialmente retido. Este calor mantém
a Terra aquecida. Sem ele nunca teríamos saído da Era Glacial (gelo). A Terra sem o efeito
estufa teria em sua superfície a temperatura média de – 15ºC. Isto impossibilitaria a vida na
Terra. Nenhuma planta, nossa base da cadeia alimentar, e nenhum animal seria capaz de
sobreviver a uma temperatura média dessas. Entretanto o aumento sucessivo de dióxido
de carbono vem primeiramente elevando a temperatura do planeta e posteriormente com a
destruição da camada de ozônio irá fazer com que a Terra retorne a uma Era Glacial.

Aliado a produção de lixo, resíduos sólidos, o desmatamento, o esgoto em “céu aberto” sem
tratamento adequado, vem também aumentando o nível de dióxido de carbono na atmosfera.

poluição Novas formas de tratamento de resíduos sólidos necessitam


ser criadas e a prática dos três “R” é necessária: Reduzir,
Reciclar e Reaproveitar.

aprofundando
https://www.youtube.com/watch?v=nKy3HHTrSj8

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Em 2007, um relatório do Pinel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), criado


pela Organização das Nações Unidas (ONU), demonstrou que o aquecimento global se devia
a: emissões de gás carbônico provocadas pelo ser humano (na própria respiração e com o
aumento da população mundial), na queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e seus
derivados por motores, industrias e usinas) e em menor grau, mas ainda importante, pelas
queimadas das florestas. O relatório prevê um aumento entre 1,8ºC a 6,4ºC na temperatura
global ainda neste século.

O aumento da temperatura pode provocar a elevação dos níveis dos oceanos e mares, devido
à expansão térmica da água e degelo de parte das calotas polares. Com isso, grandes áreas
do litoral podem ser inundadas. Ilhas podem ficar submersas. Pessoas ficaram desabrigadas.
A água que surgir devido ao degelo, modificará as correntes marítimas, modificando o
regime de ventos e chuvas. O clima de várias regiões será modificado. Verões e invernos
mais intensos. Estiagem de chuva e podendo haver seca prolongada em regiões que nunca
tiveram seca. Além disso, mudanças climáticas, afetam diretamente, a agricultura e o cultivo
de determinadas plantas. Também leva ao aumento de proliferação de insetos transmissores
de doenças, como a Dengue e a Malária, provocando um descontrole e desequilíbrio do
Ecossistema (Bioma). Além dos insetos causadores de doenças, muitas “pragas”, insetos que
destroem plantações, se reproduzem melhor em temperaturas mais elevadas. Finalmente a
mudança climática com elevação da temperatura global, o aquecimento global, poderá levar
a extinção de espécies.

Os países industrializados e ricos, são os principais atores que elevam a temperatura


provocando o Aquecimento Global. Eles vêm emitindo níveis elevados de gás carbônico
desde a Era Industrial (Revolução Industrial), e consomem muito mais energia e para tal
gastam muito mais combustíveis fósseis para gerá-la.

Em 2005 entrou em vigor o Protocolo de Kyoto, onde a


aprofundando maioria dos países se comprometia a reduzir os níveis de
emissão de gás carbônico. Utilizou-se como referência as
emissões mensuradas de 1990 a 2012. As cotas variam
https://www.youtube.com/watch?v=Q3YqeDSfdfk
entre 6% a 8% de redução. Para tal é necessário investir
em energias renováveis (Eólica, Solar, Maré Motriz,
Biomassa), melhorar a eficiência de produção de produtos
industrializados para que haja menos resíduos após
manipulação da matéria prima.

carbono

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Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Uma forma dos países ricos e mais industrializados tem de financiar este tipo de recurso,
chamado de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, é o financiamento de países em
desenvolvimento, como o Brasil, de projetos de biocombustíveis (motores que utilizam
biodiesel e etanol), melhorar a automação de industrias para evitar o desperdício e geração
de resíduos sólidos.

Uma outra alternativa é a criação dos Créditos de Carbono. Países não poluidores devem
aumentar sua eficácia em produção de energia, e continuarem sem poluir, sem emitir gás
carbônico e para tal recebem uma recompensa econômica. Em resumo, eu pago para que
você não polua e eu possa continuar a poluindo.

Um outro fato importante é, a marginalização socioeconômica


que implica em que um significativo contingente populacional
aprofundando passa a subsistir graças aos recursos naturais ou causando
grande impacto sobre o meio ambiente (extinção de espécies
vegetais e animais dos ecossistemas, corte e queima da
h t t p s : / / w w w. y o u t u b e . c o m /
watch?v=mJdiLSWyUEA vegetação para venda de carvão, entre outros). Importa
destacar, por um lado, que desigualdade social e degradação
ambiental sempre andaram juntas no Brasil, conformando
uma questão socioambiental e, por outro, que as agressões
ao meio ambiente afetam as pessoas que dele dependem
para viver e trabalhar, de modo desigual ou segundo sua
vinculação ao modo de produção hegemônico (como residir
próximo às indústrias poluidoras, lixões, margens dos cursos
d’água e áreas com elevada declividade), determinando que
grupos em piores condições socioeconômicas fiquem mais
expostos do que outros a riscos ambientais.

desigualdade social e
degradação ambiental
sempre andaram juntas
desigualdade social

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Frente a este quadro de crise social e ambiental de dimensão


planetária, verifica-se a formulação de diferentes propostas de
modelos de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis.
Entretanto, devemos estar atentos às concepções existentes
sobre desenvolvimento sustentável, pois estas estão
ancoradas em diferentes matrizes teóricas que informam a
intenção de efetivar distintos projetos políticos, segundo os
interesses em confronto, que se refletem nas abordagens e
práticas educacionais.

Isto nos esclarece porque distintas representações e valores vêm


sendo associados à noção de sustentabilidade: são discursos em
pare e reflita disputa pela expressão que se pretende a mais legítima. Pois a
sustentabilidade é uma noção a que se pode recorrer para tornar
objetivas diferentes representações e ideias.
O desenvolvimento sustentável seria um dado objetivo
que, no entanto, não se conseguiu ainda apreender,
será uma construção social? Uma primeira concepção de desenvolvimento sustentável
origina-se no interior do discurso desenvolvimentista e é
Poderá também compreender diferentes conteúdos defendida pelo Estado e empresariado. Foi proclamada
e práticas? pelo Relatório Brundtland (1987), produzido pela Comissão
Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU:

Desenvolvimento sustentável é aquele que atende


às necessidades do presente sem comprometer a
possibilidade das gerações futuras atenderem às suas
próprias necessidades, isto é, aquele que garante um
crescimento econômico vigoroso e, ao mesmo tempo, social
e ambientalmente sustentável.

Saiba mAIS Esta concepção de desenvolvimento sustentável é reiterada


pela Agenda 21, (criada na Eco- 92 em 1992 no Rio de janeiro)
que se inicia com a afirmação da primazia da economia como
Para saber mais sobre o Relatório Brundtland motor do desenvolvimento sustentável e aponta, em seus
(1987), Nosso Mundo Comum, clique acesse
vários capítulos, a necessidade de um ambiente econômico
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABIioAA/ e internacional ao mesmo tempo dinâmico e propício, de
relatorio-brundtland políticas econômicas internas saudáveis, da liberalização do
comércio e de uma distribuição ótima da produção mundial,
sobre a base das vantagens comparativas, na perspectiva
da lógica e da hegemonia do mercado.

Tanto a Comissão Brundtland (1987), quanto a Agenda


21(1992), propõem uma nova relação entre produção, meio
ambiente e desenvolvimento econômico inspirada em uma
noção de sustentabilidade pautada por uma visão econômica
dos sistemas biológicos, onde caberia ao desenvolvimento
econômico apropriar-se dos fluxos tidos como excedentes
da natureza sem, no entanto, comprometer o “capital
natural”. Sua estratégia conjuga crescimento econômico
com progresso técnico capaz de poupar recursos materiais,
mas sem restrição aos ritmos da acumulação capitalista.
O mercado é apresentado como “o ambiente institucional
mais favorável à consideração da natureza como capital”,
convertendo-se o desenvolvimento sustentável, nesta
concepção, em um ambientalismo de livre mercado.

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Na abordagem mercadológico-ambiental de desenvolvimento sustentável, a palavra-chave é a


eficiência, e as inovações tecnológicas devem garantir um melhor aproveitamento dos recursos
naturais e diminuir os efeitos nocivos das atividades produtivas. Embora se reconheça a
responsabilidade do atual padrão de produção e consumo pela crise ambiental, o que se propõe
é a relativa redução de consumo de matéria e energia a partir da maior eficiência tecnológica.

Desta forma “a noção de sociedade sustentável ancora-se na redução máxima do desperdício


ou poupança de recursos” e a racionalidade do sistema, em seu conjunto, implica considerar o
desperdício no quadro da produção socioeconômica, tendo como noção reguladora o princípio
da otimização de recursos ou poupança, ou da relação ótima custo-benefício, isto é, a eficiência.

http://ordemlivre.org/system/
posts/10671/images/normal/
ivst.jpg?1385411226

Esta concepção de desenvolvimento sustentável tem,


portanto, como princípio norteador, o crescimento econômico
e a eficiência na lógica do mercado, e seus pressupostos
estão ancorados na economia política clássica, no
liberalismo econômico de Adam Smith, e na sua atualização
contemporânea, o neoliberalismo de Friedrich August von
Hayek. O eixo da teoria de Smith (1985) é o crescimento
econômico e sua ideia central é a de que a riqueza das

Adam Smith
nações é determinada pelo aumento da produtividade
do trabalho, que tem origem em mudanças na divisão e
especialização do processo de trabalho.

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O crescimento da produtividade do trabalho, que produz um


excedente de valor sobre seu custo de reprodução, permite
o crescimento do estoque de capital (acumulação) e amplia

Saiba mAIS o tamanho dos mercados. Para assegurar a prosperidade


das nações é preciso que haja liberdade dos indivíduos
- compreendidos como agentes econômicos - para agir,
Conheça a biografia de Adam Smith . Acesse inspirando-se em seus próprios interesses, e essa ordenação
natural é mais capaz de favorecer a geração da riqueza do
http://www.suapesquisa.com/biografias/adam_ que as coordenações artificiais, como as exercidas pelo
smith.htm Estado, cujo papel deve ser reduzido ao mínimo. Para
Smith (1985), não há antagonismo, mas harmonia entre os
interesses individuais e o interesse geral, sendo a liberdade
na procura da riqueza a condição de todo o progresso.
Segundo Hayek (1985), o Estado regulador do mercado
destrói a liberdade dos cidadãos e a competição, sem as
quais não há prosperidade.

A análise dos pressupostos que norteiam a concepção de


desenvolvimento sustentável permite-nos compreender

PARE E REFLITA
a necessidade do aumento da competição, da maior
mobilidade de capital, dos processos de acumulação e de
alocação de capital, de busca cada vez maior de aumento
Refletindo o que estudamos Para aprimorar o da produtividade do trabalho pelo capital e de eficiência,
conhecimento adquirido nessa aula, sugerimos que na dinâmica capitalista de geração de valor. Permite-
você faça uma breve reflexão sobre a frase a seguir nos compreender, igualmente, que na concepção de
desenvolvimento sustentável centrada na lógica do capital,
“A reflexão sobre o meio ambiente, com o objetivo
o livre mercado é o instrumento da alocação eficiente dos
de se alcançar o desenvolvimento sustentável,
exige o estabelecimento de paradigmas que recursos planetários e, neste sentido, a relação trabalho e
alterem a relação homem/natureza verificada meio ambiente está subsumida à supremacia do capital, com
desde o período colonial. ” sérias consequências para o mundo do trabalho e para os
recursos naturais.

T2 Alternativas no tratamento dos problemas


dos recursos naturais, do meio ambiente:
Preservacionismo e Desenvolvimento
Sustentável.
Na aula anterior aprendemos sobre a origem e a evolução do termo sustentabilidade,
vamos dar continuidade nessa aula sobre as alternativas para solucionarmos os problemas
relacionados ao consumo excessivo dos recursos naturais.

Ao final do estudo desse tópico você deverá ser capaz de apresentar alternativas para lidar
com os problemas relacionados ao consumo dos recursos naturais e discutir a importância
de medidas preservacionista em busca de uma responsabilidade socioambiental.

Não se esqueça que a preservação é a saída para uma melhor qualidade de vida para as
gerações futuras. Antes de iniciarmos a nossa conversa, pense sobre a seguinte questão:

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Entretanto, o assunto sustentabilidade e diminuição de impactos ambientais deixaram de ser


específico a ambientalistas; passando a fazer parte da vida organizacional da empresa, pois
este conceito passou a representar nos dias de hoje pré-requisito para que organizações
alcancem a gestão da qualidade e venham a se manter no mercado de forma competitiva.
A gestão da qualidade representa o aperfeiçoamento contínuo de todas as organizações.

A industrialização mundial

A industrialização mundial foi o marco do desenvolvimento tecnológico e econômico na


utilização desenfreada de matérias-primas e energia. Todo esse desenvolvimento gerou rejeitos
resultantes de processos produtivos que passaram a ser parte do cenário ambiental, onde
seu acúmulo no meio ambiente excedeu a capacidade de absorção passando, então, a ser
considerado como fator poluente em caráter global afetando a qualidade e a saúde da sociedade.

Resíduo Impacto

Quando feitos à base de chumbo, mercúrio ou cádmio, e


Tintas, pigmentos e solventes
solventes orgânicos, descartados no lixo poluem a água e
os alimentos.

Sob a ação da chuva poluem o solo, as águas


Embalagens contento resíduos de pesticidas
superficiais e subterrâneas e introduzem-se na cadeia
alimentar.

Liberam metais pesados poluindo o solo, os cursos d’água e


Pilhas e aterias os lençóis freáticos, afetando a flora e a fauna das regiões
circunvizinhas e atingindo o homem pela cadeia alimentar.

Resíduos e seu impacto no meio ambiente Fonte: Eigenher, Emílio (2000)

O setor industrial, por ser o que mais provoca danos ao meio ambiente – seja devido ao seu
processo produtivo, seja pela fabricação de produtos poluentes e sua disposição final após
a utilização –, é considerado um dos maiores facilitadores da degradação ambiental, mas
nos dias atuais as indústrias também passaram a possibilitar maior eficiência na utilização
de recursos naturais e na substituição parcial de insumos no processo produtivo. Dessa
forma, quando o desenvolvimento tecnológico segue em direção a um padrão de produção
que não seja significativamente agressivo ao meio ambiente, passa a ser considerado uma
solução parcial do problema em questão.

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Em outras palavras: é necessário para a sociedade o


desenvolvimento tecnológico, por ser o condutor do
crescimento econômico, mas o desenvolvimento tecnológico

Saiba mAIS deve ser trabalhado de forma mais limpa, a fim de conseguir
sustentabilidade ambiental, pois se deve ter sempre em
mente que os recursos naturais devem servir às gerações
Leia sobre Tecnologia e despoluição acessando o site atuais e vindouras e que os níveis de poluição têm que ser
reduzidos, independentemente do aumento da produção.
http://www.sindipetro.org.br/extra/cartilha-
ut/17tecnologia.htm
Rejeitos Industriais

Os rejeitos industriais representam desperdício econômico,


por serem passíveis de reaproveitamento. Essa concepção
é firmada por vários ambientalistas, que também consideram
esses rejeitos como desperdício e um indício da ineficiência
dos processos produtivos realizados, o que na maioria
das vezes gera perda de matérias-primas e insumos. Na
industrialização, devido ao fato de os princípios da qualidade
e da eficiência inexistirem, a quantidade de rejeito é maior
por não se reaproveitar em outro processo produtivo e pelo
uso desenfreado da matéria-prima.

Quando esses princípios são considerados no processo de industrialização, a qualidade e a


eficiência resultam na diminuição desses rejeitos e na consciência da utilização de matéria-
prima. Reforçando essa ideia, Mello (2009) apresenta princípios a serem considerados no
processo produtivo e seus benefícios:

Foco no Cliente – Propicia a formulação de estratégias e políticas internas em relação ao


relacionamento com os clientes; se adéqua as necessidades do cliente e suas expectativas.

Liderança – Delega-se poder e envolve pessoas nos objetivos organizacionais e motiva e


capacita a força de trabalho.

Envolvimento das pessoas – contribui para a melhoria das estratégias e envolve os


funcionários em decisões e processos de melhoria.

Abordagem de processo – Melhora o uso das matérias-primas resultando num custo mais
baixo e previne erros.

Abordagem sistêmica – permiti uma visão da eficácia de processos identificando as causas


de problemas e possíveis ações de melhoria.

Melhoria contínua – Proporciona a melhoria dos processos, sistemas e produtos.

Abordagem para a tomada de decisão – Consolida as informações de forma a compreensão


dos processos e sistemas no intuito de orientar as melhorias e prevenir futuros problemas.

À medida que organizações vão aderindo aos princípios da qualidade, cria-se uma
convergência de interesses técnicos, econômicos e comerciais que fará com que organizações
reduzam a geração de poluentes, tornando-se mais eficientes.

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O desenvolvimento econômico atrelado à manutenção do meio ambiente está associado à


sustentabilidade, o que, nos tempos atuais, tornou-se fator competitivo entre as organizações,
devido à procura da população por produtos que satisfaçam sua necessidade mas que não
agridam o meio ambiente. Por isso é fundamental entender o comportamento do consumidor
e suas necessidades, para poder satisfazê-las.

Para que o crescimento econômico venha a ser contínuo, com distribuição igualitária dos
benefícios resultantes e para que siga em direção ao desenvolvimento sustentável, se faz
necessária uma mudança no atual padrão tecnológico, de forma a diminuir a degradação
existente. Isso não significa que devemos terminar com as indústrias e seu processo de
industrialização, mas primar por um desenvolvimento de forma sustentável, visto que esse
é o resultado dos elevados índices de consumismo criado pela sociedade, que se agravam
cada vez mais com o seu crescimento.

É importante lembrar!
Não há como atingir o desenvolvimento sustentável se os processos produtivos e o
consumismo por parte da sociedade não sofrerem modificações, pois consumidores que
não dão a devida importância ao consumo consciente representam enorme ameaça, por
provocarem um impacto significativo no meio ambiente. Atualmente, acredita-se que as
necessidades e expectativas da sociedade devem ser conjuntas, com forte campanha para
a mudança de conceitos.

À medida que a preocupação com a matéria-prima cresce,


ou seja, a partir do momento em que a preservação
do meio ambiente se tornou preocupação mundial,
Saiba mAIS consequentemente tornou-se também o diferencial entre
uma organização e outra; este diferencial passou a ser uma
oportunidade de negócio.
http://welcome.curupira.com/wp-content/
uploads/2015/04/consumo.sustent%C3%A1vel.
A procura por produtos que além de oferecer qualidade
global.jpg
sejam também provenientes de organizações que
estejam comprometidas com o meio ambiente aumentou.
No caso o preço do produto deixou de ser o único fator
estimulador da compra.

Motivação da compra Porcentagem

Investimento no meio ambiente 42%

Sem critério 30%

Promoções em ações sociais 28%

Tab. 2: Comprometimento dos consumidores Fonte: Tigueiro (2005)

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Como você pode observar, esta tabela mostra que há


aumento significativo na procura por produtos oriundos
de empresas que investem no meio ambiente e em ações
sociais. Essa concepção está recebendo a adesão de
algumas organizações que perceberam essa demanda no
atual mercado, não se preocupando somente com preço,
mas também com o bem-estar da sociedade como um
todo. Ou seja, a organização que se preocupa com o meio
saiba mais ambiente acredita que passa a reduzir seu potencial de
impacto, de forma a até mesmo levar em consideração a
forma omo é a colheita da matéria-prima utilizada.
https://www.youtube.com/watch?v=FDUXQTY3X9Y
Nesse caso, a utilização de processos, práticas e produtos
que proporcione a redução ou o controle da poluição
produzida pela organização resulta em um diferencial
competitivo em relação às demais. É extremamente vital
para as organizações nos dias de hoje reconhecer que a
gestão ambiental funciona como uma questão estratégica no
que depende da capacidade de responder às expectativas,
interesses e necessidades dos clientes e de outros
detentores de interesses.

Com a realização da Conferência das Nações Unidas em


Estocolmo, em 1972, a relação entre o meio ambiente e
as organizações empresariais tornou-se um tema político
e estratégico. Esta conferência propiciou a criação do
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma)
e a criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento. O relatório resultante desta comissão
consagrou a expressão desenvolvimento sustentável e

Gestão
estabeleceu o papel importante das empresas na gestão
ambiental. Estas, em particular as indústrias, revelaram-se
grandes propulsores da degradação ambiental na atualidade

ambiental é A gestão ambiental está diretamente voltada às organizações;


é definida como um conjunto de políticas, programas e
práticas administrativas e operacionais que levam em

um conjunto
consideração a saúde e a segurança das pessoas e a
proteção do meio ambiente, pela eliminação ou minimização
dos impactos e danos ambientais causados pelas empresas.

de medidas e Por isso, Valle (2002) nos apresenta a seguinte definição:


Gestão ambiental é um conjunto de medidas e métodos bem
alicerçados que, quando aplicados, promovem a redução e

métodos bem
o controle dos impactos produzidos por um empreendimento
sobre o meio ambiente, que levam em consideração a origem
e a forma com que se é providenciada a matéria-prima até
a eliminação efetiva dos resíduos gerados.

alicerçados Gestão ambiental é o reflexo do somatório de aspectos


da função social, econômica e ambiental, por arquitetar
a orientação da proteção física, psíquica, social e
econômica do ser humano, ou seja, harmoniza a
economia e o meio ambiente.

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Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

É importante lembrar!
A partir do momento que a gestão ambiental passou a ser mais bem entendida em decorrência
de seus resultados, passou-se a pensar mais em termos de ecossistemas e ecorregiões. O
ambiente passou a ser encarado de forma sistemática e a gestão ambiental passou a ser
vista como questão de natureza estratégica.

A gestão ambiental deve ter como pilar o comprometimento da alta direção da empresa, que
a definirá de forma clara e objetiva, norteando suas atividades em relação ao meio ambiente,
e se torna um compromisso assumido perante a sociedade, categorizando suas intenções
e princípios com relação ao seu desempenho ambiental.

Quando as empresas se dirigem para os mercados internacionais, reconhecem a importância


da gestão ambiental e a sustentabilidade envolvida nesse processo de aceitação, encontrando
formas de administrar essas questões e passando a definir os passos estratégicos para
chegar ao desenvolvimento sustentável.

1) Estratégia baseada em artifícios – a organização encerra suas atividades naquele local


e se instala em outra região em que o controle ambiental seja menos rigoroso.

2) Estratégia baseada em respostas – a organização responde aos incidentes e


regulamentações ambientais que venham a ser cobrados. Não possui nenhum programa
preventivo que administre ou que identifique as questões ambientais envolvidas; simplesmente
paga pelo dano causado.

3) Estratégia baseada na conformidade – a organização possui um programa que identifica


os requisitos regulatórios; implanta medidas que satisfaçam os requisitos regulatórios,
controlando os riscos e a responsabilidade de acordo com a lei.

4) Estratégia baseada na gestão ambiental – a organização mantém gerenciamento


sistemático de suas atividades em relação às questões ambientais, o que é encarado como
investimento e forma de reduzir o custo nas operações e aumentar sua receita.

5) Estratégia baseada na prevenção da poluição – em todas as atividades exercidas pela


empresa existe a preocupação com o fator poluidor e seu impacto.

6) Estratégia baseada no desenvolvimento sustentável – a organização se preocupa com


os impactos sociais, ambientais e econômicos ocasionados por suas atividades.

Podemos verificar, nesses seis passos estratégicos, que houve evolução nas atitudes
organizacionais em relação ao meio ambiente. As estratégias possuem um início de
despreocupação com a questão ambiental, seguindo para o conceito de que o ambiente
é um custo indesejável e culminando no conceito de que o ambiente passou a ser fonte
de renda e vantagem competitiva; as questões ambientais passaram a ser vistas como
responsabilidade social, moral e ética.

A implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) resultante da política ambiental


adotada pela organização deve ter como um de seus objetivos o aperfeiçoamento contínuo
de suas atividades em harmonia com o meio ambiente; este é o primeiro passo para a
certificação da organização nas normas da série ISO 14000.

Após essa discussão sobre as estratégias encontradas para melhor exploração dos recursos
ambientais, vale à pena parar e fazer uma reflexão sobre o efetivo cumprimento dessas propostas.

17
Cidadania e Responsabilidade Social Graduação | UNISUAM

saiba mais
As mediações entre o ambiental e a noção de
sustentabilidade

-www.espacoacademico.com.
br/029/29cruscheinsky.htm

Educação Ambiental e desenvolvimento sustentável

- www.ufmt.br/revista/arquivo/rev10/educacao_
ambiental_e_desenvolvim.html

T3 Ampliação do conceito de sustentabilidade:


sustentabilidade ambiental e social
Vamos começar esse tópico refletindo sobre algumas questões:

Qual a relação entre sustentabilidade ecológica e sustentabilidade social?


Que dificuldades podem existir para estabelecer a integração entre sustentabilidade
ambiental e social?

Enfim, após refletir sobre essas questões, damos início à nossa terceira aula; nela o conceito
de sustentabilidade será ampliado, contemplando os aspectos ambientais e sociais. A sua
dedicação e empenho na leitura serão fundamentais para o melhor entendimento dessa
relação. Para tornar mais didático esse processo, optamos por estabelecer a relação entre
uma região de floresta e a sociedade que atua sobre esse espaço.

Qualquer análise da sustentabilidade, seja qual for a perspectiva teórica, requer estabelecer
as inter-relações entre a sociedade humana e o mundo circundante. Um primeiro nível de
https://upload.wikimedia.org/ análise deve ser, então, a relação entre o espaço em estudo – com suas características físico-
wikipedia/commons/8/85/ naturais – e a sociedade que atua sobre tal espaço, com suas características econômicas,
Ba%C3%ADa_de_Antonina_vista_
da_Serra_do_Mar2.JPG demográficas e sociais.

18
Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Para facilitar essa relação, vamos analisar um ecossistema caracterizado por mata atlântica.
Esse ecossistema é de topografia variável, relevo montanhoso, planícies aluviais e bancos de
areia. Predominam os solos com baixa aptidão agrícola, devido às limitações topográficas,
à baixa fertilidade natural e ao encharcamento do solo característicos do litoral. O clima
predominante é o tropical, super úmido, com verões quentes, temperaturas médias anuais
de 22ºC e precipitações elevadas – média de 2.365mm anuais em 207 dias de chuva.

A vegetação é de floresta pluvial, densa, composta por várias espécies de árvores e arbustos.
Nessa região é significativa uma espécie de palmeira, pela grande dispersão e importância
econômica. Outras formações de importância econômica são os manguezais. Essa região,
porém, representa só 5% do que esse sistema era um século atrás. Ainda assim, permanece
relativamente isolada, se comparada com outras áreas da costa brasileira. E isso se deve
a uma simples razão: trata-se de uma zona sem praias, onde o mangue cobre a costa,
diferentemente de áreas onde as praias condicionaram a ocupação de tipo turístico.

Portanto, o isolamento se dá porque:

a) não há estrada totalmente asfaltada;

b) o transporte de mercadorias e pessoas predominou e ainda ocorre, em grande


medida, por via fluvial;

c) a densidade demográfica não tem justificado maiores investimentos em


infraestrutura.

A perspectiva comparativa entre regiões naturais deve ser sempre o ponto de partida da
análise da sustentabilidade, já que a ocupação de um ambiente é, por natureza, desigual e
relativa. Ao mesmo tempo, permite destacar os elementos e as restrições determinantes do
tipo de ocupação de outros, geralmente acessórios. Neste caso, por exemplo, as restrições
impostas pelas baías de mangue determinaram historicamente o tipo de ocupação.

Essa distinção não poderia ser percebida ao se analisar a região em si mesma. Por certo,
outros fatores naturais – como a topografia – ou de ordem histórico-política – como o atraso
relativo do desenvolvimento do capitalismo dessa região quando comparado com regiões
vizinhas – também explicam seu isolamento relativo. Mas a especificidade desse local aqui
estudado só pode ser explicada pela negativa: a inexistência de praias.

Em comparação, regiões com praias têm forte ocupação costeira, o que marca uma diferença
substancial. Após tecer essa comparação entre regiões, você deve estar se perguntando:

Que fatores são determinantes para a ocupação e consequente alteração no ambiente natural?

Indo um pouco além, podemos ainda questionar a relação entre o social e o ambiental, ou
seja, entre aspectos econômicos e culturais e a velocidade de ocupação e degradação de
uma dada região natural.

regiões com praias têm forte


ocupação costeira, o que marca
uma diferença substancial
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Analisadas essas condições naturais ou restrições (mangue e ausência de praias), todos os


outros determinantes da viabilidade da região estão marcados pela sustentabilidade social.
Aqui estamos utilizando o conceito de sustentabilidade social em sentido amplo, incluindo os
aspectos econômicos. Qualquer sistema de produção implica a combinação de uma forma de
organização social da produção, com um nível de desenvolvimento tecnológico determinado,
junto a uma base natural dada.

Neste caso, o primeiro elemento a se destacar é que na região o ecossistema de floresta


atlântica nunca foi arrasado, não se implantou um sistema de produção que, ao estilo da
indústria urbana ou agrícola mecanizada, transformasse na raiz as condições naturais. Ao
contrário, os diferentes sistemas de produção se incorporaram marginalmente em termos de
espaço ocupado e de impacto, ocasionando impactos significativos.

Toda aplicação de trabalho sobre o ecossistema tem como consequência a modificação


do grau de fertilidade do solo. Mas é necessário distinguir a fertilidade natural, resultado
dos nutrientes do solo, sua topografia, clima etc., da ‘’fertilidade’’ econômica. Nesta, além
dos fatores naturais, intervêm a tecnologia, a organização, a infraestrutura e a localização
frente aos mercados.

Na medida em que os investimentos de capital são cada vez mais significativos, a fertilidade
natural dá vez a que os investimentos de capital sejam determinantes do resultado econômico.
O atraso relativo dos investimentos em capital fez com que os sucessivos ciclos de produtos
– como cana-de- açúcar, arroz, café, banana e mandioca – não tivessem êxito, porque não
podem competir com outras regiões onde a fertilidade econômica – e não só a natural – é maior.

Uma vez contemplado o nível relativo de desenvolvimento da produtividade do trabalho, é


necessário determinar a forma de produção à qual a sustentabilidade se refere. Essa distinção
é da maior importância. Uma fábrica, por exemplo, pode dar lucro a seu dono e manter um
sistema de produção relativamente limpo, com pouca degradação do meio ambiente. Nesse
sentido, pode ser considerada sustentável tanto para – como por – seu dono e pela sociedade
em seu conjunto. Porém, é possível que os trabalhadores da dita fábrica não achem que
sua relação salarial seja sustentável; dessa maneira, a análise da sustentabilidade deve ser
explícita com relação ao sujeito do qual está tratando.

Insustentabilidade

A insustentabilidade de certa região não se dá, de


nenhuma maneira, por um problema ecológico, de baixa
fertibilidade natural, nem por dificuldades de acesso à
terra. Tampouco a causa pode ser atribuída exclusiva ou
majoritariamente à legislação ambiental e a seu impacto
nas práticas econômicas. Isso não significa negar o
papel da legislação, a qual tem importância como maior
regimento das questões ambientais.

A causa da insustentabilidade está no mercado, na


competitividade frente a outras regiões, para não falar da
competitividade dos mercados internacionais, que também
se fez sentir.

20
Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

O fato de que a causa da insustentabilidade esteja no mercado


leva-nos a refletir sobre a proposta desta aula, ou seja, a
relação entre sustentabilidade ambiental e sustentabilidade
social. É impossível pensar a sustentabilidade no nível local
diante de produtores integrados a um mercado que os torna
sujeitos a dinâmicas de preços regulados em nível regional
e até mundial.

No entanto, ao pensarmos em termos exclusivamente


naturais, vemos que a competitividade mercantil, cujos
elementos afetam diretamente a sustentabilidade social,
é a causa dos impactos ambientais que dificultam a
sustentabilidade do ecossistema. Isso é claro em vários
casos de produtos naturais, que passam a ser praticamente
o único produto com preço competitivo, razão pela qual os
habitantes de uma região eliminam sistematicamente as
árvores que os produzem; isso acontece claramente no
caso da banana, do gengibre ou de sistemas emergentes,
como o do palmito.

palmito

http://i.ytimg.com/vi/yr-zQY98-Ds/maxresdefault.jpg

A competitividade mercantil obriga à introdução de tecnologias que podem afetar a


sustentabilidade ecológica, como os herbicidas, que têm e poderão ter – na medida de seu
incremento – mais efeitos secundários, com impactos potenciais sobre os ecossistemas
aquáticos. O mesmo ocorre com os sistemas especulativos, como a criação de búfalos, que
causa comprovados impactos ao ecossistema (desflorestação) e ao solo (compactação/erosão).

De toda forma, no que se refere à sustentabilidade ambiental, cabem duas ressalvas


importantes.

21
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Duas ressalvas importantes.

1ª - com relação ao produto a ser explorado. Ainda que saibamos que o recurso é afetado, não
sabemos qual é o efeito sobre o sistema global (ecossistema de floresta atlântica, como no
nosso exemplo anterior). Este é claramente um caso de perda específica de biodiversidade.
Mas essa perda de biodiversidade é suficientemente importante para afetar o ecossistema
como um todo? Isto é difícil de estabelecer. Ademais, a perda de biodiversidade, seu nível e
seu impacto nos ecossistemas é ainda uma incerteza. Pare neste momento da aula e reflita
sobre essa questão.

2ª - quando se refere à área ocupada. Quando se analisa o impacto ambiental da agricultura


sobre a vegetação, observa-se que há alterações nessa paisagem natural. Além dessa
constatação, vale lembrar ser discutível que o desmate/queima em áreas agrícolas afete a
biodiversidade e, por conseguinte, o funcionamento dos ecossistemas. Ao contrário, há indícios
de que essa atividade, se adequadamente praticada, pode incrementar a biodiversidade e
contribuir para um maior grau de sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

Nesse sentido, os seres humanos estabelecem relações sociais e, por meio delas, atribuem
significados à natureza (econômico, estético, sagrado, lúdico, econômico-estético etc.).
Agindo sobre ela (a natureza), instituem práticas e, alterando suas propriedades, garantem
a reprodução social de sua existência. Essas relações (dos seres humanos entre si e com o
meio físico natural) ocorrem nas diferentes esferas da vida societária (econômica, política,
religiosa, científica, jurídica, afetiva, étnica etc.) e assumem características específicas
decorrentes do contexto social e histórico em que acontecem. Portanto, são as relações
sociais que explicam as múltiplas e diversificadas práticas de apropriação e uso dos recursos
ambientais (inclusive a atribuição de significado econômico).

A existência de determinado risco ou dano ambiental (poluição do ar, contaminação


hídrica, pesca predatória, aterramento de manguezais, emissões radiativas etc.), para ser
compreendida em sua totalidade, deve ser analisada a partir da inter-relação de aspectos
que qualificam as relações na sociedade (econômicas, sociais, políticas, éticas, afetivas,
culturais, jurídicas etc.) com os aspectos próprios do meio físico-natural. Tudo isso sem perder
de vista que outras ações sobre o meio físico natural podem gerar novas consequências
sobre o meio social.

Assim, as decisões tomadas no meio social é que definem as alterações do meio físico-
natural. Desse modo, a problemática ambiental coloca a questão do ato de conhecer como
fundamental para praticar a gestão ambiental. Por sua complexidade, a questão ambiental não
pode ser compreendida segundo a ótica de uma única ciência. A questão ambiental convoca
diversos campos do saber a depor. A questão ambiental, na verdade, diz respeito ao modo
como a sociedade se relaciona com a natureza. Nela estão implicadas as relações sociais e as
complexas relações entre o mundo físico-químico e orgânico. Nenhuma área do conhecimento
específico tem competência para decidir sobre ela, embora muitas tenham o que dizer.

A necessidade que a problemática ambiental coloca, de buscar um outro modo de conhecer,


que supere o olhar fragmentado sobre o mundo real, coloca também o desafio de se organizar
uma prática educativa em que o ato pedagógico seja um ato de construção do conhecimento
sobre este mundo, fundamentado na unidade dialética entre teoria e prática. Portanto, o
reconhecimento da complexidade do conhecer implica assumir a complexidade do aprender.

22
Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Historicamente, os seres humanos estabelecem relações sociais e, por meio delas, atribuem
significados à natureza. Agindo sobre o meio físico-natural, instituem práticas; alterando suas
propriedades, garantem a reprodução social de sua existência. Essas relações (dos seres
humanos entre si e com o meio físico-natural) ocorrem nas diferentes esferas da vida societária
(econômica, política, religiosa, jurídica, afetiva, étnica etc.) e assumem características
específicas decorrentes do contexto social e histórico em que acontecem. Portanto, são as
relações sociais que explicam as múltiplas e diversificadas práticas de apropriação e uso dos
recursos ambientais (inclusive a atribuição desse significado eminentemente econômico).

econômico Ambiental

social social
No Brasil, em virtude do estabelecido na Constituição Federal, cabe ao Poder Público ordenar
essas práticas, promovendo o que se denomina gestão ambiental pública. O Poder Público,
como principal mediador desse processo, é detentor de poderes estabelecidos na legislação
que lhe permitem promover desde o ordenamento e controle do uso dos recursos ambientais,
inclusive articulando instrumentos de comando e controle com instrumentos econômicos,
até a reparação e mesmo a prisão de indivíduos responsabilizados por práticas causadoras
de danos ambientais. Nesse sentido, o Poder Público estabelece padrões de qualidade
ambiental, avalia impactos ambientais, licencia e revisa atividades efetiva e potencialmente
poluidoras, disciplina a ocupação do território e o uso de recursos naturais, cria e gerencia
áreas protegidas, obriga a recuperação do dano ambiental pelo agente causador e promove o
monitoramento, a fiscalização, a pesquisa, a educação ambiental e outras ações necessárias
ao cumprimento da sua função mediadora.

Por outro lado, observa-se, no Brasil, que o poder de decidir e intervir para transformar o
ambiente, seja ele físico-natural ou construído, e os benefícios e custos dele decorrentes
estão distribuídos, social e geograficamente, de modo assimétrico. Por serem detentores de
poder econômico ou de poderes outorgados pela sociedade, determinados grupos sociais
possuem, por meio de suas ações, capacidade variada de influenciar direta ou indiretamente
na transformação (de modo positivo ou negativo) da qualidade do meio ambiente.

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aprofundando
A importância da Educação Ambiental
http://www.atitudessustentaveis.com.br/
conscientizacao/a-importancia-da-educacao-
ambiental- sustentabilidade/

Educação Ambiental www.peld.uem.br/


Relat2001/pdf/educacao_ambiental.PDF

T4 A Pratica da responsabilidade ambiental em


ambientes formais e não formais de ensino
Nos tópicos anteriores você estudou os aspectos relacionados à origem do termo sustenta-
bilidade. Neste último, veremos a proposta de uma educação pautada em questões
relacionadas aos problemas ambientais, com o objetivo de formar cidadãos mais preocupados
com essa problemática. Além disso, este trabalho visa conscientizar a sociedade de seu papel
na construção de um planeta mais saudável.

No final deste tópico, você perceberá que também é responsável pela formação desses
indivíduos e verá a importância dessa conscientização global.

Vamos começar?

Qualquer proposta de ação em meio ambiente precisa ser realizada por uma ótica
multidisciplinar, mas desenvolvendo um processo de trabalho interdisciplinar. Sabemos
que o desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades.
Ele contém dois conceitos-chave:
- conceito de necessidades, sobretudo as necessidades dos pobres do mundo, que
devem receber a máxima prioridade;

- a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe


ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras.

O processo de caminhar para um desenvolvimento sustentável subentende que é preciso


minimizar os impactos adversos sobre a qualidade do ar, da água e de outros elementos
naturais a fim de manter a integridade global do ecossistema. O desenvolvimento sustentável
também requer a promoção de valores que mantenham os padrões de consumo dentro do
limite das possibilidades ecológicas a que todos podem aspirar.

Esse tipo de desenvolvimento é mais do que crescimento. Ele exige uma mudança no
teor qualitativo do crescimento, a fim de torná-lo menos intensivo de matérias-primas e de
energia e mais equitativo em seu impacto. Os profissionais da área deverão saber lidar com
questões como o uso inteligente dos recursos naturais, a redução das infrações ambientais
e a destinação final adequada dos rejeitos.

24
Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

http://crystalenvironment.net/
wp-content/gallery/eco-friendly/
environmental.gif Eles também poderão estruturar e modular programas de educação ambiental para empresas
e comunidades, uma vez que a educação ambiental no trabalho pode se transformar num
programa educacional completo e pode ser dada com eficácia e ser adaptada, com baixo
custo, às necessidades de qualquer organização. A educação ambiental requer mudança de
comportamento e de atitudes em relação ao meio ambiente interno de qualquer organização
e externo a ela.

A Recomendação 96 da Conferência das Nações Unidas de Estocolmo, em junho de 1972,


já reconhecia o desenvolvimento da educação ambiental como elemento-chave para o
combate às crises ambientais no mundo. No plano nacional, desde 1981 a Lei Nº 6938, já
completando vinte anos no alvorecer do terceiro milênio, dispõe sobre os fins, mecanismos
de formulação e aplicação da Política Nacional de Meio Ambiente e consagra a educação
ambiental em todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade.

Como vimos nos estudos anteriores, vários documentos foram criados a partir da Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio 92, entre eles a
Agenda 21, que apresenta plano de ação para o desenvolvimento sustentável a ser adotado
pelos países a partir de uma nova perspectiva de cooperação internacional.

A educação ambiental é identificada como instrumento de


aprofundando revisão dos conceitos sobre o mundo e sobre a vida em
sociedade, conduzindo os seres humanos à construção
Você sabe o que foi a Rio + 20? de novos valores sociais, à aquisição de conhecimentos,
Para saber um pouco mais acesse: atitudes, competências e habilidades para a conquista e a
manutenção do direito ao meio ambiente equilibrado.
http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/
ciencia/2012/06/12/o-que-e-a-rio20-saiba-
mais.htm e http://www.rio20.gov.br/ O índice de sustentabilidade ambiental, lançado em
janeiro de 2000 como parte do encontro anual do Fórum
Vídeo: Econômico Mundial, é um valioso esforço para medir a
https://www.youtube.com/watch?v=dX- habilidade das economias para conseguir desenvolvimento
tu2ODL5g ambientalmente sustentável.

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Cidadania e Responsabilidade Social Graduação | UNISUAM

A evolução do conceito de educação ambiental acompanhou a evolução do conceito e da


percepção de ambiente. Evoluiu de um enfoque mais ecológico no sentido das ciências
biológicas para uma dimensão que incorpora as contribuições das ciências sociais fundamentais
para a melhoria do ambiente humano. Assim, pode-se pensar o ambiente e a educação ambiental
de forma a reduzi-los aos aspectos relativos a fauna, flora, ar, solo e água.

Fauna, flora, ar, solo e água

http://www.fecomerciomg.org.
br/wp-content/uploads/2014/09/ Pode-se, no entanto, ampliar o conceito e adotar o modelo que aborda os aspectos políticos,
gestao_socioambiental_
strong1.jpg éticos, sociais, científicos, econômicos, tecnológicos, culturais e ecológicos, por exemplo.
Todavia, compartilho de um pensamento no qual o ponto de partida é o ambiente interno de
cada ser humano. Não no sentido antropocêntrico, mas porque parto do princípio de que
o ambiente interno de cada ser humano está conectado com o planeta e com o cosmos. É
onde começa a compreensão do conceito de rede, de interconexão, de interdependência,
de teia da vida.

A Conferência de Tbilisi considera a educação ambiental como:

“um processo permanente no qual indivíduos tornam-se conscientes do seu


ambiente e adquirem conhecimento, valores, habilidades, experiências e a
determinação para agir individual e coletivamente, prevenindo e resolvendo
problemas presentes e futuros.” (Tbilisi, CEI, de 14 a 26 de outubro de 1977)

Assim como o ambiente precisa ser percebido na sua totalidade, a educação ambiental
também precisa ser vista e praticada na sua integralidade. É comum a prática de uma
educação ambiental voltada para o cuidado externo, com o oikos: nosso planeta-casa. No
entanto, a primeira casa habitada pelo ser humano é constituída pelo seu próprio ser, seu
próprio corpo. A visão do corpo como oikos é encontrada tanto na cultura oriental quanto
na tradição indígena ou cristã. Dessa forma, a educação ambiental precisa ser praticada
tanto nas diferentes dimensões do ambiente interno de cada um (físico, mental, emocional,
espiritual) quanto nas dimensões do ambiente externo (relacionamentos interpessoais e com
a as demais manifestações da natureza).

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Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Nestes tempos em que a informação assume papel cada vez


mais relevante, ciberespaço, multimídia, internet, educação
para a cidadania representam a possibilidade de motivar
e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas
formas de participação na defesa da qualidade de vida.
Nesse sentido, cabe destacar que a educação ambiental
assume cada vez mais uma função transformadora, na qual
a co-responsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo
essencial para promover um novo tipo de desenvolvimento
– o desenvolvimento sustentável.

Entende-se, portanto, que a educação ambiental é condição


necessária para modificar o quadro de crescente degradação
socioambiental. O educador tem a função de mediador na

O conceito de construção de referenciais ambientais e deve saber usá-los


como instrumentos para o desenvolvimento de uma prática
social centrada no conceito da natureza.

desenvolvimento Desenvolvimento sustentável


sustentável surge A problemática da sustentabilidade assume, neste novo

para enfrentar século, um papel central na reflexão sobre as dimensões


do desenvolvimento e das alternativas que se configuram.

a crise ecológica O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades


contemporâneas revela que o impacto dos humanos sobre
o meio ambiente tem tido consequências cada vez mais
complexas, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos.

O conceito de desenvolvimento sustentável surge para


enfrentar a crise ecológica; pelo menos duas correntes
alimentaram o processo: uma, centrada no trabalho do
Clube de Roma, reúne suas ideias, publicadas em 1972
sob o título de Limites do Crescimento; segundo elas, para
alcançar a estabilidade econômica e ecológica propõe-se
o congelamento do crescimento da população global e
do capital industrial, mostrando a realidade dos recursos
limitados e indicando forte viés para o controle demográfico.

A segunda está relacionada à crítica ambientalista ao modo


de vida contemporâneo, e se difundiu a partir da Conferência
de Estocolmo, também em 1972. Tem como pressuposto
a existência da sustentabilidade social, econômica e
ecológica. Essas dimensões explicitam a necessidade de
tornar compatível a melhoria nos níveis e qualidade de vida
com a preservação ambiental. Surgem para dar resposta
à necessidade de harmonizar os processos ambientais
com os socioeconômicos, maximizando a produção dos
ecos- sistemas para favorecer as necessidades humanas
presentes e futuras. A maior virtude dessa abordagem é que,
além da incorporação definitiva dos aspectos ecológicos no
plano teórico, enfatiza a necessidade de inverter a tendência
autodestrutiva dos processos de desenvolvimento no seu
abuso contra a natureza.

27
Cidadania e Responsabilidade Social Graduação | UNISUAM

O Relatório Brundtlandt, também conhecido como Nosso


futuro comum, defende, a partir de 1987, a ideia do
“desenvolvimento sustentável”, indicando um ponto de
inflexão no debate sobre os impactos do desenvolvimento.
Não só reforça as necessárias relações entre economia,
tecnologia, sociedade e política como chama atenção para
a necessidade do reforço de uma nova postura ética em
relação à preservação do meio ambiente, caracterizada pelo
desafio de responsabilidade tanto entre as gerações quanto
entre os integrantes da sociedade dos nossos tempos.

aprofundando Na Rio 92, o Tratado de Educação Ambiental para


Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global
colocou princípios e um plano de ação para educadores
h t t p s : / / w w w. y o u t u b e . c o m / ambientais, estabelecendo relação entre as políticas públicas
watch?v=qMKvDbnqZBw de educação ambiental e a sustentabilidade. Enfatizaram-se
os processos participativos na promoção do meio ambiente,
voltados para sua recuperação, conservação e melhoria, bem
como para a melhoria da qualidade de vida.

É importante ressaltar que, apesar das críticas a que tem


sido sujeito, o conceito de desenvolvimento sustentável
representa importante avanço, na medida em que a
Agenda 21 global, como plano abrangente de ação para
o desenvolvimento sustentável no século XXI, considera
a complexa relação entre o desenvolvimento e o meio
ambiente numa variedade de áreas, destacando sua
pluralidade, diversidade, multiplicidade e heterogeneidade.

As dimensões apontadas pelo conceito de desenvolvimento


sustentável contemplam cálculo econômico, aspecto
biofísico e o componente sociopolítico como referenciais para
a interpretação do mundo e para possibilitar interferências
na lógica predatória prevalecente. O desenvolvimento
sustentável não se refere especificamente a um problema
limitado de adequações ecológicas de um processo
social, mas a uma estratégia ou um modelo múltiplo para
a sociedade que deve levar em conta tanto a viabilidade
econômica como a ecológica.

Num sentido abrangente, a noção de desenvolvimento


sustentável reporta-se à necessária redefinição das relações
entre sociedade humana e natureza, e, portanto, a uma
mudança substancial do próprio processo civilizatório,
introduzindo o desafio de pensar a passagem do conceito
para a ação. Pode-se afirmar que ainda prevalece a
transcendência do enfoque sobre o desenvolvimento
sustentável radical mais na sua capacidade de ideia força,
nas suas repercussões intelectuais e no seu papel articulador
de discursos e de práticas otimizadas que, apesar desse
caráter, tem matriz única, originada na existência de uma
crise ambiental, econômica e social.

28
Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

O desenvolvimento sustentável somente pode ser entendido como um processo no qual,


de um lado, as restrições mais relevantes estão relacionadas à exploração dos recursos, à
orientação do desenvolvimento tecnológico e ao marco institucional. De outro, o crescimento
deve enfatizar os aspectos qualitativos, notadamente os relacionados à equidade, ao uso
de recursos – em particular da energia – e à geração de resíduos e contaminantes. Além
disso, a ênfase no desenvolvimento deve fixar-se na superação dos déficits sociais, nas
necessidades básicas e na alteração de padrões de consumo, principalmente nos países
desenvolvidos, para poder manter e aumentar os recursos-base, sobretudo os agrícolas,
energéticos, bióticos, minerais, ar e água.

Assim, a ideia de sustentabilidade implica a prevalência da premissa de que é preciso definir


limites às possibilidades de crescimento e delinear um conjunto de iniciativas que levem em
conta a existência de interlocutores e participantes sociais relevantes e ativos por meio de
práticas educativas e de um processo de diálogo informado, o que reforça um sentimento de
corresponsabilidade e de constituição de valores éticos. Isso também implica que uma política
de desenvolvimento para uma sociedade sustentável não pode ignorar nem as dimensões
culturais nem as relações de poder existentes, muito menos o reconhecimento das limitações
ecológicas, sob pena de apenas manter um padrão predatório de desenvolvimento.

A sociedade sustentável

Atualmente, o avanço para uma sociedade sustentável é permeado de obstáculos, na medida


em que existe restrita consciência na sociedade a respeito das implicações do modelo de
desenvolvimento em curso.

Pode-se afirmar que as causas básicas que provocam atividades ecologicamente predatórias
são atribuídas às instituições sociais, aos sistemas de informação e comunicação e aos
valores adotados pela sociedade.

Isso implica principalmente a necessidade de estimular a participação mais ativa da sociedade


no debate dos seus destinos, como uma forma de estabelecer um conjunto socialmente
identificado de problemas, objetivos e soluções.

O caminho a ser desenhado passa necessariamente por uma mudança no acesso à


informação e por transformações institucionais que garantam acessibilidade e transparência
na gestão. Existe um desafio essencial a ser enfrentado, e está centrado na possibilidade
de que os sistemas de informação e as instituições sociais se tornem facilitadores de um
processo que reforce os argumentos para a construção de uma sociedade sustentável.

Para tanto é preciso que se criem todas as condições para facilitar o processo, suprindo dados,
desenvolvendo e disseminando indicadores e tornando transparentes os procedimentos
por meio de práticas centradas na educação ambiental que garantam os meios de criar
novos estilos de vida e promovam uma consciência ética que questione o atual modelo
de desenvolvimento, marcado pelo caráter predatório e pelo reforço das desigualdades
socioambientais.

construção de uma
sociedade sustentável
29
Cidadania e Responsabilidade Social Graduação | UNISUAM

A sustentabilidade, como novo critério básico e integrador, precisa estimular permanentemente


as responsabilidades éticas, na medida em que a ênfase nos aspectos extra econômicos
serve para reconsiderar os aspectos relacionados com a equidade, a justiça social e a própria
ética dos seres vivos.

A noção de sustentabilidade implica, portanto, uma inter-relação necessária de justiça social,


qualidade de vida, equilíbrio ambiental e ruptura com o atual padrão de desenvolvimento.
Nesse contexto, a educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na
conscientização, na mudança de comportamento, no desenvolvimento de competências, na
capacidade de avaliação e na participação dos educandos. A educação ambiental propicia
aumento de conhecimentos, mudança de valores e aperfeiçoamento de habilidades, condições
básicas para estimular maior integração e harmonia dos indivíduos com o meio ambiente.

Nesse sentido, a relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume papel
cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender
processos sociais que se complexificam e riscos ambientais que se intensificam. As políticas
ambientais e os programas educativos relacionados à conscientização da crise ambiental
pedem cada vez mais novos enfoques integradores de uma realidade contraditória e geradora
de desigualdades e que transcendem a mera aplicação dos conhecimentos científicos e
tecnológicos disponíveis. O desafio é, pois, formular uma educação ambiental que seja crítica
e inovadora, em dois níveis: formal e não formal.

Assim, a educação ambiental deve ser acima de tudo um ato político voltado para a
transformação social. Seu enfoque deve buscar uma perspectiva holística de ação, que
relaciona o homem, a natureza e o universo, tendo em conta que os recursos naturais se
esgotam e que o principal responsável pela sua degradação é o homem.

Os grandes desafios para os educadores ambientais são: de um lado, o resgate e o


desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade,
compromisso, solidariedade e iniciativa); de outro, o estímulo a uma visão global e crítica das
questões ambientais e a promoção de um enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes.

Vale ressaltar que quando nos referimos à educação ambiental, situamo-la em contexto
mais amplo, o da educação para a cidadania, configurando-a como elemento determinante
para a consolidação de sujeitos cidadãos. O desafio do fortalecimento da cidadania para a
população como um todo – e não para um grupo restrito – concretiza- se pela possibilidade
de cada pessoa ser portadora de direitos e deveres e de se converter, portanto, em ator
corresponsável na defesa da qualidade de vida.

O principal eixo de atuação da educação ambiental deve buscar, acima de tudo, a


solidariedade, a igualdade e o respeito à diferença, com formas democráticas de atuação
baseadas em práticas interativas e dialógicas. Isso se consubstancia no objetivo de criar
novas atitudes e comportamentos diante do consumo na nossa sociedade e de estimular a
mudança de valores individuais e coletivos.

A educação ambiental é atravessada por vários campos de conhecimento, o que a situa como
uma abordagem multirreferencial; a complexidade ambiental reflete um tecido conceitual
heterogêneo, em que os campos de conhecimento, as noções e os conceitos podem ser
originários de várias áreas do saber. A dimensão ambiental representa a possibilidade de
lidar com conexões entre diferentes dimensões humanas, propiciando entrelaçamentos e
múltiplos trânsitos entre múltiplos saberes. A escola participa, então, dessa rede como uma
instituição dinâmica com capacidade de compreender e articular os processos cognitivos
com os contextos da vida. A educação insere-se na própria teia da aprendizagem e assume
papel estratégico nesse processo.

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Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Podemos dizer que a educação ambiental, na escola ou fora


dela, continuará a ser uma concepção radical de educação,
não porque prefere ser a tendência rebelde do pensamento

A educação
educacional contemporâneo, mas sim porque nossa época
e nossa herança histórica e ecológica exige alternativas
radicais, justas e pacíficas.

ambiental deve E o que dizer do meio ambiente na escola?

ser vista como


Você deve estar se fazendo essa pergunta. Pode-se dizer
que um processo de reconstrução interna (dos indivíduos)
ocorre partir da interação com uma ação externa (natureza,

um processo
reciclagem, efeito estufa, ecossistema, recursos hídricos,
desmatamento) na qual os indivíduos se constituem como
sujeitos pela internalização de significações que são

de permanente
construídas e reelaboradas no desenvolvimento de suas
relações sociais. A educação ambiental, como tantas outras
áreas de conhecimento, pode assumir, assim, parte ativa

aprendizagem
de um processo intelectual constantemente a serviço da
comunicação, do entendimento e da solução dos problemas.

Trata-se de um aprendizado social baseado no diálogo


e na interação em constante processo de recriação e
reinterpretação de informações, conceitos e significados
que podem se originar do aprendizado em sala de aula ou
da experiência pessoal do aluno.

Dessa forma, a escola pode transformar-se no espaço


em que o aluno terá condições de analisar a natureza
em um contexto entrelaçado de práticas sociais, parte
de uma realidade mais complexa e multifacetada. O
mais desafiador é evitar cair na simplificação de que a
educação ambiental poderá superar uma relação pouco
harmoniosa entre os indivíduos e o meio ambiente
mediante práticas localizadas e pontuais, muitas vezes
distantes da realidade social de cada aluno.

Cabe sempre enfatizar a historicidade da concepção de


natureza, o que possibilita a construção de uma visão mais
abrangente e que abra possibilidade para uma ação em
busca de alternativas e soluções.

E como educação ambiental se relaciona com cidadania?


Cidadania tem a ver com identidade e pertencimento a
uma coletividade. A educação ambiental, como formação
e exercício de cidadania, refere-se a uma nova forma de
encarar a relação do homem com a natureza, baseada numa
nova ética, que pressupõe outros valores morais e uma
maneira diferente de ver o mundo e os homens.

A educação ambiental deve ser vista como um processo de


permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas
de conhecimento e forma cidadãos com consciência local
e planetária.

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Cidadania e Responsabilidade Social Graduação | UNISUAM

O que tem sido feito em termos de educação ambiental?

A grande maioria das atividades é feita dentro de uma modalidade formal. Os temas
predominantes são lixo, proteção do verde, uso e degradação dos mananciais, ações para
conscientizar a população em relação à poluição do ar. A educação ambiental que tem
sido desenvolvida no país é muito diversa, e a presença dos órgãos governamentais como
articuladores, coordenadores e promotores de ações é ainda muito restrita.

No caso das grandes metrópoles, existe a necessidade de enfrentar os problemas da


poluição do ar, e o poder público deve assumir papel indutor do processo. A redução do
uso do automóvel estimula a corresponsabilidade social na preservação do meio ambiente,
chama a atenção das pessoas e as informa sobre os perigos gerados pela poluição do ar.
Mas isso implica a necessidade de romper com o estereótipo de que as responsabilidades
urbanas dependem em tudo da ação governamental, e os habitantes mantêm-se passivos
e aceitam a tutela.

O grande salto de qualidade tem sido feito pelas ONGs e organizações comunitárias,
que têm desenvolvido ações não formais centradas principalmente na população infantil
e juvenil. A lista de ações é interminável, e essas referências são indicativas de práticas
inovadoras preocupadas em incrementar a corresponsabilidade das pessoas em todas as
faixas etárias e grupos sociais quanto à importância de formar cidadãos cada vez mais
comprometidos com a defesa da vida.

A educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as


pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais caminhos de
dinamização da sociedade e de concretização de uma proposta de sociabilidade baseada
na educação para a participação.

O complexo processo de construção da cidadania no Brasil, num contexto de aumento das


desigualdades, é perpassado por um conjunto de questões que necessariamente implica
a superação das bases constitutivas das formas de dominação e de uma cultura política
calcada na tutela. O desafio da construção da cidadania ativa configura-se como elemento
determinante para constituição e fortalecimento de sujeitos cidadãos que, portadores de
direitos e deveres, assumam a importância da abertura de novos espaços de participação.

Atualmente, o desafio de fortalecer uma educação ambiental convergente e multirreferencial


é prioritário para viabilizar uma prática educativa que articule de forma incisiva a necessidade
de enfrentar concomitantemente a degradação ambiental e os problemas sociais. Assim, o
entendimento sobre os problemas ambientais se dá por uma visão do meio ambiente como
um campo de conhecimento e significados socialmente construído, que é perpassado pela
diversidade cultural e ideológica e pelos conflitos de interesse. O aluno precisa ser situado
nesse universo de complexidades; seus repertórios pedagógicos devem ser amplos e
interdependentes, visto que a questão ambiental é um problema híbrido, associado a diversas
dimensões humanas.

Os professores devem estar cada vez mais preparados para reelaborar as informações
que recebem, especialmente as ambientais, a fim de poder transmitir e decodificar para os
alunos a expressão dos significados sobre o meio ambiente e a ecologia nas suas múltiplas
determinações e interseções. A ênfase deve ser a capacitação para perceber as relações
entre as áreas e como um todo, enfatizando uma formação local/global, buscando marcar a
necessidade de enfrentar a lógica da exclusão e das desigualdades.

32
Unidade 04 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

Nesse contexto, a administração dos riscos socioambientais reforça cada vez mais a
necessidade de ampliar o envolvimento público por meio de iniciativas que possibilitem o
aumento do nível de consciência ambiental dos moradores, garantindo a informação e a
consolidação institucional de canais abertos para a participação numa perspectiva pluralista.
A educação ambiental deve destacar os problemas ambientais que decorrem da desordem
e da degradação da qualidade de vida nas cidades e suas regiões.

À medida que se observa cada vez mais dificuldade de manter a qualidade de vida, é preciso
fortalecer a importância de garantir padrões ambientais adequados e estimular uma crescente
consciência ambiental, centrada no exercício da cidadania e na reformulação de valores éticos e
morais, individuais e coletivos, numa perspectiva orientada para o desenvolvimento sustentável.

A educação ambiental, como componente de uma cidadania abrangente, está ligada a uma
nova forma de relação ser humano/natureza, e sua dimensão cotidiana leva a pensá-la como
somatório de práticas e, consequentemente, entendê-la na dimensão de sua potencialidade
de generalização para o conjunto da sociedade. Cremos que essa generalização de práticas
ambientais só será possível se estiver inserida no contexto de valores sociais, mesmo que
se refira a mudanças de hábitos cotidianos.

A problemática socioambiental, ao questionar ideologias teóricas e práticas, propõe a


participação democrática da sociedade na gestão dos seus recursos atuais e potenciais e
no processo de tomada de decisão para a escolha de novos estilos de vida e a construção
de futuros possíveis, sob a ótica da sustentabilidade ecológica e da equidade social.

Torna-se cada vez mais necessário consolidar novos paradigmas educativos, centrados na
preocupação de iluminar a realidade desde outros ângulos; isso supõe a formulação de novos
objetos de referência conceituais e principalmente a transformação de atitudes.

aprofundando
h t t p s : / / w w w. y o u t u b e . c o m /
watch?v=Go8BH9b0c-g

aprofundando
Para finalizar esta Unidade, propomos
que você faça um levantamento sobre no
mínimo três regiões do Brasil que sofreram
alterações em suas paisagens naturais
devido à implantação de alguma atividade
econômica. Essa pesquisa contribuirá para
enriquecer seus conhecimentos.

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Cidadania e Responsabilidade Social Graduação | UNISUAM

Referências
Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental aos Países Membros (Tbilisi,
CEI, de 14 a 26 de outubro de 1977); disponível em< http://www.meioambiente.pr.gov.br/
arquivos/File/coea/Tbilisi.pdf> acesso em março de 2015

EIGENHEER, Emílio Maciel (org.). Lixo Hospitalar: Ficção Legal ou Realidade Sanitária?
Rio de Janeiro, RJ: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, 2000.

HAYEK, F. A. [1973] Direito, Legislação e Liberdade. v. I, II e III. São Paulo: Editora Visão 1985.

IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (Intergovernmental Panel


on Climate Change): disponível em http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/content/
ipcc-painel-intergovernamental-sobre-mudanca-do-clima-intergovernmental-panel-climate-
change acesso em março de 2015

MELLO, C.H.P.; SILVA, C.E.S. da; TURRIONI, J.B.; SOUZA, L.G.M. de. ISO 9001:2008: Sistema
de gestão da qualidade para operações de produção e serviços. São Paulo: Atlas, 2009.

SMITH, A. A Riqueza das Nações: Investigação sobre sua Natureza e suas Causas. 2. ed.
São Paulo: Nova Cultural, 1985.

TRIGUEIRO, A. Mundo Sustentável: abrindo espaço na mídia para um planeta em


transformação Editora Globo, 2005

VALLE, C. E. Qualidade ambiental: ISO 14000. 4 ed. São Paulo: SENAC, 2002

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