Você está na página 1de 76

Exames Bioquímicos em Nutrição

Profa. Ms. Letícia Veríssimo Dutra


Disciplina Avaliação Nutricional
Nutricionista pode prescrever exames
bioquímicos?
SIM
Solicitação de exames laboratoriais pelo nutricionista
Solicitação de exames bioquímicos pelo profissional Parágrafo único. No contexto da responsabilidade que
Nutricionista e amparada pela Lei no 8.234/91, inciso decorre do disposto no caput deste artigo, o
VIII, do art. 4o, e pelas Resoluções CFN: no 306/03, nutricionista devera:
380/05 e 417/08.
I. considerar o cliente-paciente globalmente,
Resolução CFN no 306, de 24 de marco de 2003 respeitando suas condições clinicas, individuais,
(BRASIL, 2003, [s.p.]): socioeconômicas e religiosas, desenvolvendo a
• Art. 1º Compete ao nutricionista a solicitação de assistência integrada junto a equipe multiprofissional;
exames laboratoriais necessários a avaliação, a II. considerar diagnósticos, laudos e pareceres dos
prescrição e a evolução nutricional do demais membros da equipe multiprofissional,
cliente/paciente. definindo com estes, sempre que pertinente, outros
• Art. 2º O nutricionista, ao solicitar exames exames laboratoriais;
laboratoriais, deve avaliar adequadamente os III. atuar considerando o cliente-paciente globalmente,
critérios técnicos e científicos de sua conduta, desenvolvendo a assistência integrada a equipe
estando ciente de sua responsabilidade frente aos multidisciplinar;
questionamentos técnicos decorrentes. IV. respeitar os princípios da bioética;
V. solicitar exames laboratoriais cujos métodos e
técnicas tenham sido aprovados cientificamente.
Fluxograma
1. Consulta clínica (anamnese + queixas do paciente)
2. Indicação para efetuar exames
3. Procedimento: instrução ao paciente, coleta de material
4. Resultados de exames
5. Retorno: avaliação do paciente e dos exames
HEMOGRAMA
Plasma parte líquida do sangue, em
que as hemácias estão suspensas. É
Soro é o plasma sem os fatores composto por água, componentes
de coagulação e fibrinogênio. orgânicos, inorgânicos, lipídeos,
proteínas, fatores de coagulação e
fibrinogênio.
Características
• Para coleta ocorre uso do tubo com
anticoagulante ETDA: “ácido
etilenodiaminotetracético”

• Podemos verificar informações sobre


anemias, infecções inflamações,
leucemias e distúrbios de coagulação.
Elementos Constituintes do Sangue
• Série Vermelha: • Série Branca:
 Eritrócitos, Hemoglobina  Glóbulos brancos / Leucócitos
 Hematócrito
 Índices Hematimétricos • Plaquetas / Trombócitos
 Volume Corpuscular Médio
 Hemoglobina Corpuscular Média • Plasma ( soro + fatores de coagulação )

 Concentração da Hemoglobina
Corpuscular Média
Hematopoese:
Características Gerais
• Envolve a produção, diferenciação e maturação das células sanguíneas sob a
ação de várias citocinas denominadas fatores de crescimento hematopoiético.

• Generalidades: Os glóbulos brancos, vermelhos e as plaquetas tem a sua origem


após o nascimento na medular de todos os ossos. Nos adultos, apenas os ossos
chatos (esponjosos) compreendem órgão hematopoiético.

• A formação dos glóbulos é dinâmica. A hematopoese é permanente, iniciando-


se ao redor do 19º dia de vida intra uterina.
Hematopoese
• Célula tronco  As primeiras células que se formam recebem o
nome de Pluripotenciais, Totipotentes ou Stem cells (sinônimos)

• Stem cells dão origem as linhagens: brancas (leucócitos), vermelhas


(hemácias) e plaquetárias tem a capacidade de se reproduzir quando
necessário e dar início a um processo de diferenciação em múltiplas
linhagens celulares hematológicas.

Célula Progenitora

Elementos do sangue
Hemograma
• Dividido em:
• Eritrograma: estudo da série vermelha
• Leucograma: estudo da série branca
• Plaquetograma: contagem de plaquetas

• Associados:
• VHS (Velocidade de Hemossedimentação)
• Contagem de reticulócitos
• Eletroforese de Hemoglobina
Eritrócitos ou Hemácias

No Hemograma:
• Contagem total de glóbulos vermelhos.
• Dosagem de hemoglobina, hematócrito, morfologia e RDW.

• Valores normais:
• Homens: 4.500.000 a 6.000.000 células/mm3
• Mulheres: 4.000.000 a 5.500.000 células/mm3
• RN: 4.500.000 a 6.000.000 células/mm3
Eritrócitos
Anormalidade Descrição Doenças associadas

Anisocitose Variação anormal do diâmetro Qualquer anemia grave (ferropriva, hemolítica)


Poiquilocitose Variação anormal do formato Qualquer anemia grave (ferropriva, hemolítica,
megalobástica)

Microcitose Variação anormal do tamanho Anemia ferropriva, sideroblástica, talassêmica, e


celular por deficiência de B6
Macrocitose Aumento anormal do tamanho Anemia megaloblástica e hemolítica, alcoolismo,
celular; Diâmetro > 8µm hepatopatia e hipotireoidismo
Megalocitose Aumento anormal do tamanho Quimioterapia e anemia megaloblástica e
celular com forma oval; Diâmetro > perniciosa
9µm
Hipocromia Diminuição da coloração das Anemia Ferropria, sideroblástica, talassêmica, e
hemácias por redução da por diminuição da transferrina
hemoglobina
Eritrócitos
Valores de referências em diferentes faixas etárias
(MOLINA et al, 1995 e POEHLMAN et al 2003)
FAIXA ETÁRIA ERITRÓCITOS (MILHÕES/mm³)
Nascimento 3,9 – 5,5
1-7 dias 3,9 – 5,6
8-14 dias 3,6 – 6
15 dias – 1 mês 3 – 5,5
2 – 5 meses 3,1 – 4,5
6 – 11 meses 3,7 – 6
1 ano 3,7 – 6
2 anos 4,1 – 5,1
3 – 5 anos M: 4,1 – 5,3; F: 4,1 – 5,2
6 – 11 anos M: 4,2 – 5,1; F: 4,1 – 5,3
12 – 16 anos M: 4,4 – 5,5; F: 4,1 – 5,2
> 16 anos M: 4,3 – 5,7; F: 3,9 – 5
Hemoglobina
A hemoglobina é um proteína presente nos eritrócitos e é responsável pelo transporte de O2

Grupo
Globina heme

Ferro O2
Hemoglobina
Valores de referências em diferentes faixas etárias
(MOLINA et al, 1995 e POEHLMAN et al 2003)

FAIXA ETÁRIA HEMOGLOBINA (g/dL)


Nascimento 13,5 - 22
1-7 dias 13,5 - 22
8-14 dias 12,5 - 21
15 dias – 1 mês 10 - 20
2 – 5 meses 10 - 14
6 – 11 meses 10,5 – 13,5
1 ano 10,5 – 13,5
2 anos 11 – 14
3 – 5 anos M: 11 – 14,5; F: 12 – 15
6 – 11 anos M: 12 – 14; F: 12 – 14,5
12 – 16 anos M: 12,8 – 16; F: 12,2 – 14,8
> 16 anos M: 13,5 – 17,5; F: 12 – 15,5
Hematócrito - Ht (VOLUME GLOBULAR)
Indica a massa total das células sanguíneas por unidade de volume;
Depende do volume ocupado pelos eritrócitos, pois são mais numerosos que os
leucócitos e plaquetas;

Razão entre o volume de eritrócitos e o volume de sangue total.

Valores normais:
Homens: 40 a 50 %
Mulheres: 35 a 45 %
Crianças até 1 ano: 34 a 40 %
Recém nascidos: 50 a 60 %
Leitura do capilar em régua apropriada.
Índices Hematimétricos
• Esses índices definem o tamanho e o conteúdo de hemoglobina das hemácias;
• São utilizados para diferenciar os vários tipos de anemia;
• Não devem ser vistos de forma isolada (conjunto hemoglobina e hematócrito)

• Volume Corpuscular Médio (VCM) = representa tamanho individual das hemácias – é o melhor
índice para classificar as anemias;
• Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) = representa a média da hemoglobina por eritrócito,
pode estar reduzida na microcitose e aumentada na macrocitose;
• Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) = representa a concentração de
hemoglobina presente em 100ml de hemácias – avalia o grau de saturação de hemoglobina no
eritrócito;
Índices Hematimétricos
Volume corpuscular
médio
VCM = Ht X 10
78 a 94 mcr3 ou fL Núm. eritrócitos
Hemoglobina
Corpuscular média

HCM = Hb X 10
27 a 32 pcg Núm. eritrócitos
Concentração de
Hemoglobina
Corpuscular média

CHCM = Hb X 100
32 a 36 % Ht
RDW
Índice de Variação de Volume de Células Dentro da População de Eritrócitos

• Índice que indica a anisocitose (variação do tamanho) de


hemácias e representa a % de variação dos volumes obtidos;
• Índice fornecido por contadores automáticos.
• Valor normal: 12 a 14,5 %
• Indica a variação do volume das hemácias
Exames Bioquímicos Complementares
• Dosagem de Ferro: pouco valor como rotina, sendo > valia diagnóstico da sobrecarga de
ferro

• Capacidade Total de ligação do ferro (CTLF): medida indireta da concentração de


transferrina. Normalmente apresenta 30% de saturação, quando esses valores estiverem
↓15% - provável deficiência de ferro. Valores muito elevados = sobrecarga

• Dosagem de Ferritina: Melhor indicador de reservas de ferro no corpo. Em geral maior que
12 µg/L. Quadros de infecção podem ↑ ferritina no soro.

• Vitamina B12 e Ácido Fólico: valores de referência são de 5 a 15 mg/mL.


Exames Bioquímicos Complementares
• Transferrina: responsável pelo transporte do ferro para a medula óssea

• Indicação: Avaliação diagnóstica de anemia.

• Interpretação clínica: Está aumentada na deficiência crônica de ferro, podendo se alterar até
antes dos níveis séricos do ferro. Entretanto, sua sensibilidade é limitada, uma vez que de 30
a 40% dos pacientes com anemia ferropriva crônica, podem ter transferrina normal.

• Deve ser interpretada junto com a capacidade total de ligação do ferro e com o índice de
saturação da transferrina. Na anemia por deficiência de ferro aumenta a síntese da
transferrina assim como a sua capacidade de ligação (capacidade ferropéxica total- CFP) e a
saturação de transferrina calculada é baixa. Já na anemia por inflamação crônica há
diminuição da síntese de transferrina e a capacidade ferropéxica (CFP) é reduzida e o
percentual de saturação da transferrina é, geralmente, normal.
Outros Exames

• Contagem de Reticulócitos • Mielograma


• Pesquisa de parasitas nas • Biópsia de Medula Óssea
fezes (PPF) • Ferro medular (citoquímica)
• Pesquisa de Sangue Oculto • Eletroforese de Hemoglobina
nas Fezes
Citomorfologia dos Eritrócitos
Podemos encontrar as seguintes alterações:

Anisocitose

Alterações de tamanho dos eritrócitos


MACROCITOSE / MICROCITOSE
Citomorfologia dos Eritrócitos
Podemos encontrar as seguintes alterações:

Anisocromia

Alterações de cor dos eritrócitos


HIPOCROMIA / “HIPERCROMIA”
Citomorfologia dos Eritrócitos
Podemos encontrar as seguintes alterações:

Poiquilocitose

Alterações na forma dos eritrócitos


Esquizócitos / Drepanócitos
Citomorfologia dos Eritrócitos
Podemos encontrar as seguintes alterações:
Citomorfologia dos Eritrócitos
Podemos encontrar as seguintes alterações:

Inclusões e Outras Alterações

MALÁRIA
Anemia
Origem:
Primária - causas hematológicas Secundária a outras doenças

↓ eritrócitos e hemoglobina
↑ VCM ↓ eritrócitos
↓ Hb (homoglobina)
Eritrócitos (Homens: 4,3 – 5,7; Mulheres: 3,9 – 5milhões/mm³)
Hb (<10g/dL (qualquer faixa etária)
Ht (Homens: 40 a 50 %; Mulheres: 35 a 45 %)
VCM (referência 80 a 97 fL) < microcitose, > macrocitose
HCM (referência 27– 35 pg) < microcitose, > macrocitose
CHCM (referência 32–35 g/dL) < hipocromia, > hipercromia
RDW (referência 11,5% a 14,5% ) > macro/ < microcitose
Soares et al, 2002
Anemia ferropriva
Ferritina: Saturação da transferrina:
Valores de referência: Valores de referência:
Mulheres: 10-200 μg/L (10-200ng/mL) 20% a 50%
Homens 30-300μg/L (30-300ng/mL)

Ferro: Capacidade total de combinação de ferro


Valores de referência: (CTCF):
30-160 μg/dL (5,4 a 28,7 μmol/L) Valores de referência:
Importante para reposição medicamentosa, a Mulheres: 250 a 350 μg/ dL
fim de evitar intoxicação Homens: 300 a 400 μg/dL

Transferrina:
Valores de referência:
20% a 45% dos sítios de ligação do ferro

Duarte, 2007; Soares et al, 2002


Interpretação
A interpretação, segundo Duarte (2007), deve ser feita da seguinte forma:

1. Analisar [hemácias, Hb, Ht]


2. Interpretar o VCM, definindo se há anemia normocitica, microcitica ou macrocítica (anemia
megaloblástica).
3. Interpretar a CHCM, para saber se ha normocromia ou hipocromia. Hipercromia indica
alteração na forma da hemácia, como em casos de microesferocitose hereditária.
4. Interpretar o RDW, havendo duvida diante de um quadro de microcitose ou alteração na
estrutura da hemácia, como ocorre na talassemia.
5. Nomear a anemia seguindo a seguinte sequencia: primeiro, alterações do tamanho (VCM)
e, depois, da cor (CHCM). Exemplos: anemia normocitica, normocromica ou anemia
microcitica, hipocromica ou anemia megaloblastica.
Exemplo
Mulher, adulta
Valores de referência
Eritrócitos (Mulheres: 3,9 – 5milhões/mm³)
Hb >10g/dL
Ht (Mulheres: 35 a 45 %)
VCM (referência 80 a 97 fL) micro/macrocitose
HCM (referência 27– 35 pg) micro/macrocitose
CHCM (referência 32–35 g/dL) hipo/hipercromia
RDW (referência 11,5% a 14,5% ) micro/ macrocitose

Anemia microcítica e hipocrômica.

Eritrócitos = baixo VCM = microcítica


Hb = baixo CHCM = hipocrômica
Ht = baixo RDW = microcítica
Avaliação lipídica
Avaliação lipídica
• Fosfolipídios – formam estrutura
básica das membranas celulares;

• Colesterol total – precursor dos


hormônios esteroides, dos ácidos
biliares e vitamina D – atua também
na fluidez das membranas e na
ativação das enzimas;

• Triglicerídeos e ácidos graxos –


constituem uma das formas de
armazenamento energético mais
importantes do organismo;
Avaliação lipídica
Os exames mais solicitados em
casos de dislipidemias são:

Colesterol total frações (LDL e HDL)


e triglicérides (TG)

As dislipidemias são classificadas:


• primária – origem genética
• secundária – causadas por
outras doenças ou pelo uso de
determinados medicamentos
Lipoproteínas
• CT = DCV  frações do CT

• Lp  classificadas de acordo com a sua densidade:

• VLDL-c: Very Low Density Lipoprotein = colesterol da lipoproteina de muito baixa densidade.
• LDL-c: Low Density Lipoprotein = colesterol da lipoproteina de baixa densidade.
• HDL-c: High Density Lipoprotein = colesterol da lipoproteina de alta densidade.
• IDL-c: Intermediary Density Lipoprotein = colesterol da lipoproteina de densidade intermediaria. Esta
fração não é solicitada/realizada em exames de rotina; é mais utilizada em pesquisas.
Perfil lipídico
• O colesterol não HDL é estimado pela subtração do HDL-c
do CT.

• Associação [↑TG] [↑LDL] [↓HDL]

Interpretação do perfil lipídico no Brasil:


• Valores de referência – para CT, HDL-c e TG
• Categorias de risco: aterosclerose, doença renal, DM,
aneurisma abdominal, Escore de risco global (IAM, AVC e
IC): quanto > o risco de doença cardiovascular, < deverão
ser as [LDL-c e Não HDL-c] (FALUDI et al., 2017).
Valores de referência do perfil lipídico – adultos > 20 anos

(FALUDI et al., 2017)


Apolipoproteínas
• Apolipoproteinas (Apo) - é uma proteína que liga lipídeos, formando uma lipoproteína.

• ApoB e ApoA-I não são utilizadas nos exames de rotina, embora ambas tenham relação com partículas
aterogênicas  ESTUDOS INSUFICIENTES

• ApoB - VLDL, IDL, LDL e Lp(a), oriundas do fígado, e nos remanescentes da via exógena do metabolismo
Mensuração indireta de todas as partículas aterogênicas da corrente sanguínea, todavia, a falta de
consenso geral, relevância clinica como preditor de risco cardiovascular e o custo suplementar
limitam seu uso na pratica clinica de rotina

• ApoA-1 - HDL no plasma


Contraindicado seu uso rotineiro para detecção de risco cardiovascular

• Lp(a) - partícula de LDL com função pro-inflamatória e pro-trombótica, quando em concentrações


elevadas, e relacionada, independentemente, a risco de doenças cardiovasculares.
A solicitação desse exame só deve ser feita em indivíduos com histórico familiar de doença
aterosclerótica prematura e hipercolesterolemia familiar, não sendo usada em exames de rotina.
Classificação das dislipidemias
Valores de referência do perfil lipídico
Crianças e Adolescentes

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, MANUAL DE NUTROLOGIA (2015)


Valores de referência do perfil lipídico
Crianças e Adolescentes

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, MANUAL DE NUTROLOGIA (2015)


Diagnóstico Síndrome Metabólica
≥3 critérios – Diagnóstico SM

Critérios diagnósticos para síndrome metabólica

VI DIRETRIZ BRASILEIRA DE DISLIPIDEMIAS E PREVENÇÃO DA ATEROSCLEROSE (2015)


Avaliação hepática
Bilirrubina
• As bilirrubinas séricas são solicitadas para estudo do paciente com icterícia,
pesquisa de obstrução ao fluxo biliar e suspeita de lesão hepatocelular. Não é
necessário jejum ou preparo nutricional para a coleta de sangue. Os valores de
referencia são:

• Bilirrubina total ate 1,2 mg/dL, bilirrubina direta ate 0,4 mg/dL, bilirrubina indireta
ate 0,8 mg/dL (MUSSOI; SOUZA, 2014).

• Dosa-se a Bilirrubina total, Bilirrubina direta e indireta

• Um adulto produz cerca de 450 µmol/L dia


• Principal constituintes: sais biliares que estão envolvidos na digestão e na
absorção de gordura pelo intestino delgado (emulsificação de gordura).
Bilirrubina
Paciente ictérico, aumento dos níveis elevados de
bilirrubinas no sangue e sua deposição nos tecidos.

Patogenia:
a) Produção excessiva de bilirrubina;
b) Redução na captação pelo hepatócito;
c) Comprometimento da conjugação;
d) Redução da excreção intra-hepática e
comprometimento da excreção extra-hepática;
Bilirrubina sérica
Como é formada a bilirrubina?
Bilirrubina

Hemocaterese Globina=pool de aa
(eliminação das Degradação de Hb Heme=Fe
hemácias da circulação Biliverdina
no baço)
Biliverdina  Bilirrubina

Indireta: Bilirrubina recém-formada (Bilirrubina + albumina)

Urobilinogênio

Glicuronil transferase
Bilirrubina Ácido Bilirrubina
indireta glicurônico direta

Estercobilinogênio
Obstrução biliar extra-hepática/ Coletíase
Causa: Cálculos biliares

Exame: Esta obstrução fará a elevação da bili total


sendo 90% de bili direta.
Há o aumento da bili direta conjugada, não afetando
a bili indireta não conjugada.
Uma vez que a obstrução do ducto biliar impedira a
excreção da bili já conjugada no duodeno.
Obstrução intra-hépática do trato biliar
Causada por lesão hepatocelular.

Como?

As células lesadas podem obstruir pequenos canais


biliares entre grupos de células hepáticas.
Etiologia: Lesão hepatocelular por álcool, drogas,
hepatites virais, cirrose e Ca hepático
Como fica o diagnóstico no exame?
Aumento da bili direta e com o passar do tempo
indireta e assim a bilirrubina total.
O que ocorre na hepatite?
Destruição tóxica dos hepatócitos nas • Hepatite A
causas: • aguda = recuperação
Virais, químicas ou traumáticas, necrose • Hepatite B
focal, lesão celular onde causa um • 1% de necrose maciça
bloqueio da conjugação da bili e • 70% recuperação
assim: • 29% situação crônica (cura ou cirrose
podendo levar ao carcinoma)
Aumento da bili direta e indireta. • Hepatite C
Obs: Os níveis séricos variam com a • viral = < 1% (pode evoluir para cirrose ou
severidade e extensão da doença. carcinoma)
Obstrução do trato biliar

• A obstrução pós-hepática se refere ao bloqueio intra-hepático, extra-


hepático ou do ducto cístico havendo bloqueio da excreção de bili do
hepatócito nos canalículos.
• Colelitiase
• Colecistites (vesícula)
• Colangite (inflamação)
• Colangiolite (pequenos ductos biliares)
Aminotransferases
• Como se transforma um aa em outro?
Através da transferência de um grupo amina.

• Como se chama esta transformação?


Transaminação, sendo que as enzimas que catalisam estas
reações são as transaminases.
Aminotransferases
• TGO (transaminase glutâmica oxalacética) =
AST= Aspartato Aminotransferase
• TGP (transaminase glutâmica pirúvica) =
ALT=Alanino Aminotransferase

• Fígado: É rico nessas enzimas, sendo estas


enzimas biomarcadores de LESÃO HEPÁTICA.
Aminotransferases
• O que ocorre na lesão hepática?

• Estas enzimas que estão dentro da célula, caem na circulação.


Então, ocorre um aumento de TGO e TGP na circulação (quanto >
for o aumento, > é a lesão);
Aminotransferases
• Hepatites agudas: valores 20 e 50 vezes maior
• Cirrose hepática: valores 5 vezes maior
• Esteatose hepática: valores até 4 vezes maior
Aminotransferases
AST/TGO ALT/TGP
• ½ vida: 17 horas; • Presença de hepatopatias
• 80% encontra-se na • 80% encontra-se no citossol
mitocôndria
• Obs: Lesões mais graves.
Fosfatase alcalina
• Encontra-se: fígado, no epitélio do trato biliar e no
osso.
• Fosfatase de origem hepática: Ela é formada por
hepatócitos e por células da mucosa trato biliar.

• Quando se eleva o nível sérico?


• Hepatopatia ativa e em especial, sensível a obstrução
do trato biliar
Fosfatase alcalina
3 patologias principais:

a) Obstrução extra hepática;


b) Intra-hepática;
c) Lesões hepáticas invasivas (ex. tumor)

Fosfatase alcalina óssea: é uma fonte extra-hepática.


Crescimento ósseo, tumor metastático;
Na gravidez produzida pela placenta;
Gama GT= gamaglutamiltransferase
• Também encontra-se no fígado, porém em menores
quantidades quando comparadas a AST e ALT.
• Sua maior utilidade é na discriminação da origem de fosfa.
• Ex: Ambas aumentadas a origem deve vir do trato biliar.
• Alcóolatra; pessoas obesas devido hepatopatia ativa e
intoxicação medicamentosa
Tempo de protrombina (TP)
• Avalia função hepática; Velocidade que o sangue leva para coagular

Valores de referencia: 85% a 100%

Valores↑: deficiência de vitamina K na dieta (exemplo: alimentação intravenosa


prolongada ou anorexia), destruição de bactérias intestinais, absorção intestinal
prejudicada (exemplo: falta de sais biliares), utilização inadequada de vitamina K
(exemplo: destruição do parênquima hepático), sangue com hematócrito elevado,
hiperlipidemia grave, hepatopatias

Valores ↓: uso de drogas

Prolongamento do TP esta associado a disfunção hepática grave.


Ácido Úrico
• Produto final da oxidação do metabolismo das purinas (proteínas)

• A quantidade de urato  balanço entre a ingestão alimentar, síntese


endógena e taxa de excreção

• Hiperuricemia  inflamação lobular, esteatose hepática, Doença Hepática


Crônica (DHC), progressão e gravidade de lesões hepáticas e cirrose
hepática

• Hiperuricemia isolada  fator de risco para doença hepática gordurosa


não-alcoólica (DHGNA) e está associada ao aumento das enzimas
hepáticas com evolução para cirrose
Avaliação Glicídica
Glicose
Teste de Tolerância Oral - realizado quando:
Glicemia de jejum:
• Glicose plasmática de jejum > 100mg/dL e <
• 60-99 mg/dL (não diabéticos)
126mg/dL
• 100-126mg/dL (pré-diabéticos)
• Glicose plasmática < 100mg/dL na presença
• Diabéticos > 126mg/dL de dois ou mais fatores de risco para DM
acima de 45 anos (genética, excesso de
peso, aumento circunferência abdominal)

SBD
Avaliação Glicídica
Curva glicêmica: Prova oral de tolerância a glicose
Etapas:
1.
2.
Colher sangue em jejum (glicemia de jejum)
Administrar glicose* VIA ORAL
Teste de tolerância oral
3.
4.
Colher sangue após 1 hora da administração
Colher sangue após 2 horas da administração
à glicose (TOTG)
5. Colher sangue após 3 horas da administração
* Resultados e interpretações

Momento Glicemia Pontos


* Doses de glicose administrada: (mg/dL)
Wilkerson Glicose Jejum >110 1 ponto
Pessoas c/ até 50 Kg 2g glicose/Kg 1 hora ≥ 170 ½ ponto
Pessoas c/ mais de 50 Kg 100 g glicose 2 horas ≥120 ½ ponto
[ ] glicose na solução; 20% 3 horas ≥110 ½ ponto
Pontos 1 ou 1,5 = Provável Diabetes
Pontos 2 ou + = Diabetes
Diabetes
Os valores de glicose plasmática para diagnostico de diabetes mellitus (DM),
assim como seus estágios prá-clínicos são:

Para diagnóstico – empegados a medida de glicose no soro ou no plasma – após jejum de 8 as 12h;
Hb glicada (HbA1c)
• Reflete a média ponderada global das glicemias médias diárias nos últimos 120 dias.

• HbA1c  critério de diagnóstico para o DM


The Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus, 2009

• Avalia o grau de exposição a glicemia durante o tempo e os valores se mantém estáveis após
a coleta.

American Diabetes Association (ADA), 2010 (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2016):


• Diabetes: HbA1c ≥ 6,5% a ser confirmada em outra coleta e sua coleta é dispensável na
presença de sintomas de DM ou glicemia ≥ 200 mg
• Pessoas com alto risco para o desenvolvimento de diabetes: HbA1c entre 5,7 e 6,5%
Níveis de corte para uso da HbA1c no diagnóstico do diabetes

Glicemia média correspondente Glicemia média


Nível de A1c Nível de A1c
(mg/dL) correspondente (mg/dL)
5% 100 9% 240
6% 135 10% 275
7% 170 11% 310
8% 205 12% 345
Limitações

• Hemoglobinopatias
• Anemias hemolítica e ferropriva Desacordo entre glicemia e HbA1c
• Etnia (afrodescendentes e asiáticos apresentam concentrações maiores que
caucasianos)

HbA1c  2x/ano em pacientes DM


1x/trimestre em DM descompensados ou em adaptação
Avaliação Renal
Função renal
• A hipertensão e o DM  doenças renais crônicas
Creatinina Uréia
Valor de referência: valor de referência:
Mulheres: 0,5-1,2 mg/dL 15-45 mg/dL
Homens: 0,6-1,3 mg/dL

Outros: urina I, uréia, sódio, potássio, cálcio, fósforo, perfil lipídico e glicêmico

DRC
• Doença Renal Crônica (DRC) ↑ [ureia e creatinina]; sódio, potássio, cálcio e fósforo
se aproximam da normalidade até estagio avançado da DRC.
• Estágios avançados DRC ↑ [K, P, PTH] ↓ [25(OH)D e albumina] anemia
normocítica e normocrômica.
Parâmetros avaliação nutricional DRC

Cuppari et al, 2014


Obrigada!
Boa noite!!

Você também pode gostar