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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E TECNOLÓGICAS CURSO DE ENGENHARIA

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E TECNOLÓGICAS CURSO DE ENGENHARIA AGRÍCOLA E AMBIENTAL

DANIELA DA COSTA LEITE COELHO

Dimensionamento de sistema para recebimento, armazenamento e tratamento de resíduos sólidos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, campus Mossoró-RN.

MOSSORÓ RN

2010

DANIELA DA COSTA LEITE COELHO

Dimensionamento de sistema para recebimento, armazenamento e tratamento de resíduos sólidos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, campus Mossoró-RN.

Monografia apresentada à Universidade Federal Rural do Semi-Árido UFERSA, Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas para a obtenção do título de Engenheiro Agrícola e Ambiental.

Orientador: Profª. Dra. Solange Aparecida Goularte Dombroski UFERSA. Co-orientador: Prof. Dr. Rafael Oliveira Batista UFERSA.

MOSSORÓ RN

2010

Ficha catalográfica preparada pelo setor de classificação e catalogação da Biblioteca “Orlando Teixeira” da UFERSA

C672d

Coelho, Daniela da Costa Leite. Dimensionamento de sistema para recebimento, armazenamento e tratamento de resíduos sólidos da

Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Campus Mossoró-RN / Daniela da Costa Leite Coelho. -- Mossoró,

2010.

72f. : il.

Monografia (Graduação em Engenharia Agrícola e Ambiental) Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Pró-Reitoria de Ensino e Graduação. Orientador: Prof. Dra. Solange Aparecida Goularte Dombroski. Co-orientador: Prof. Dr. Rafael Oliveira Batista.

1. Meio ambiente. 2.Resíduos sólidos. I.Título.

3.UFERSA.

CDD: 304

Bibliotecária: Keina Cristina Santos Sousa e Silva CRB15 120

DANIELA DA COSTA LEITE COELHO

Dimensionamento de sistema para recebimento, armazenamento e tratamento de resíduos sólidos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, campus Mossoró-RN.

Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Ambientais e Tecnológicas para a obtenção do título de Engenheiro Agrícola e Ambiental.

APROVADA EM:

/

/

BANCA EXAMINADORA

Profª. Dra. Solange Aparecida Goularte Dombroski UFERSA. Presidente

Profº. Dr. Rafael Oliveira Batista UFERSA. Primeiro Membro

Profº. Dr. Paulo César Moura da Silva UFERSA. Segundo Membro

OFEREÇO

À Deusdedith de Sousa Leite (in memorian), que foi meu avô e meu exemplo de pai, e que onde estiver deve estar muito orgulhoso por essa minha conquista.

À Maria Marques da Silva (in memorian), minha bisavó, com quem aprendi que devemos ter humildade no coração e fazermos sempre o bem ao próximo.

AGRADECIMENTOS

A Deus, pela oportunidade de viver, por todas as pessoas que encontrei nessa vida até hoje, e

por me dá sempre força e esperança para seguir em frente, aprendendo a cada obstáculo que

encontro pelo caminho.

À minha mãe, Deusieme da Costa Leite, pelo amor dedicado e todo esforço que fez para me

educar, me mostrando sempre o melhor caminho para que eu seguisse e me tornasse a pessoa

que sou hoje.

A todos meus familiares, por todo amor, carinho e atenção, e por estarem sempre presentes ao

meu lado em todos os momentos da minha vida.

À Ana Luíza Ferreira, Jurema Araújo, Lisabelle Rodrigues, Lidiane Vieira, Herison Alves,

Hélio Nogueira e Artênio Cabral, que foram mais que colegas de turma, me presenteando com

o nobre sentimento da amizade, e dividiram sempre comigo todas as emoções e momentos dessa importante etapa da minha vida.

Aos demais amigos que tive oportunidade de conhecer durante a vida acadêmica, em especial, Kassius Vinissius, Ricardo Bruno, Laércio Marques e Antônio Tomaz, por todas as alegrias que me proporcionaram e carinho demonstrado.

Às minhas amigas, Lidiane Moreira e Glícia Pinto, por me acompanharem por todos esses anos, desejarem sempre minha felicidade, e nunca terem deixado de me incentivar a lutar pelos meus objetivos.

À professora Solange Goularte e ao professor Rafael Batista, pelos conhecimentos repassados

e pela dedicação que tiveram ao me orientarem neste trabalho.

A todos os professores, por todo o aprendizado transmitido, em especial aos professores Paulo

César, Roberto Pordeus, Suedêmio de Lima, Nilson Sathler, Celsemy Maia e Nildo Dias, que além dos conhecimentos profissionais, dedicaram amizade e me orientaram nas mais diversas situações.

Às demais pessoas que não foram citadas, mas que em algum momento fizeram parte da minha vida e deixaram marcas importantes, meus sinceros agradecimentos.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em "entender". Viver ultrapassa todo o entendimento.

Clarice Lispector

RESUMO

Os resíduos sólidos e semi-sólidos despertam grande preocupação na sociedade moderna. Entre os estabelecimentos que nos dias atuais geram uma grande quantidade de resíduos encontram-se as universidades. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo atualizar e complementar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), campus Mossoró-RN. O estudo consistiu em quantificar e caracterizar os resíduos sólidos classe II gerados na instituição, levantar a quantidade necessária de recipientes para armazenagem temporária, dimensionar o abrigo dos referidos resíduos para armazenagem dos recipientes, e o pátio para resíduos compostáveis. A quantificação e caracterização dos componentes dos resíduos sólidos classe II foram realizadas através de amostragens e extrapolação dos dados. Com relação à quantidade, verificou-se que se produz em média 389 kg/dia, ocasionando uma taxa de produção per capita de 0,086 kg/hab.dia, onde os componentes mais produzidos foram restos de alimentos, papel, papelão, plástico rígido, plástico maleável, garrafa PET e outros 2. De acordo com o levantamento do número de recipientes, a instituição deve adquirir 59 e 88 recipientes para armazenamento temporário e externo, respectivamente. Com relação ao dimensionamento do abrigo de resíduos sólidos da UFERSA, reaproveitou-se a edificação do setor de suinocultura desativado, dividindo-o em ambientes de acordo com a destinação final dos componentes enquadrados nas classes de RECICLÁVEIS, COMPOSTÁVEIS e OUTROS. Verificou-se ainda que, posteriormente poder-se-á reaproveitar o restante da edificação, cuja utilização não foi prevista neste estudo, para expandir o abrigo, já que a UFERSA encontra-se em fase de expansão.

Palavras-chave: Meio ambiente, Resíduos sólidos, UFERSA.

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Codificação de alguns resíduos classificados como não

17

Tabela 2 Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de

24

Tabela 3 População da UFERSA, campus Mossoró-RN, no segundo semestre de

28

Tabela 4 Material utilizado para preparação das amostras de resíduos sólidos classe II

produzidos na UFERSA, campus

31

Tabela 5 Quantidade verificada de resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus

Mossoró, na primeira semana de estudo

40

Tabela 6 Quantidade verificada de resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus

40

Mossoró, na segunda semana de estudo

Tabela 7 Produção per capita de resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, campus

Mossoró-RN, na primeira semana de estudo

41

Tabela 8 Produção per capita de resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, campus

42

Mossoró-RN, na segunda semana de

Tabela 9 Pesagem das quatro amostras de 100 L coletadas por dia para caracterização física dos resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na primeira

44

semana de

Tabela 10 Pesagem das quatro amostras de 100 L coletadas por dia para caracterização

física dos resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na segunda

semana de

45

Tabela 11 Caracterização física, expressa em quilogramas, das amostras de resíduos sólidos

46

classe II (a) coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na primeira semana de

Tabela 12 Caracterização física, expressa em quilogramas, das amostras de resíduos sólidos

47

classe II (a) coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na segunda semana de

Tabela 13 Caracterização física referente à média respectiva de cada dia das duas semanas de estudo, expressa em quilogramas, das amostras de resíduos sólidos classe II (a) coletados na

Tabela 14 Extrapolação dos dados referentes às amostras diárias obtidas nos dois estudos

semanais para a produção total diária e semanal dos resíduos sólidos classe II (a) coletados na

UFERSA, campus Mossoró-RN

49

Tabela 15 Estimativa do volume médio diário de cada constituinte, em m 3 , dos resíduos

sólidos classe II (a) coletados na UFERSA, campus

50

Tabela 16 Composição gravimétrica referente à média respectiva de cada dia das duas

semanas de estudo dos resíduos sólidos classe II (a) coletados na UFERSA, campus Mossoró-

RN

51

Tabela 17 Quantidade necessária de recipientes de 200 L para armazenagem temporária dos

resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, Campus Oeste,

53

Tabela 18 Quantidade necessária de recipientes de 200 L para armazenagem temporária dos

resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, Campus Leste, Mossoró-RN

54

Tabela 19 Quantidade necessária total de recipientes de 200 L para armazenagem

temporária dos resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, campus

55

Tabela 20 Estimativa da quantidade média (kg) e respectivo volume médio (m 3 ) dos resíduos sólidos classe II (a) gerados na UFERSA, campus Mossoró-RN, para disposição no

aterro sanitário

56

Tabela 21 Estimativa da quantidade média (kg) e respectivo volume médio (m 3 ) dos

resíduos sólidos classe II (a) gerados na UFERSA, campus Mossoró-RN, para

56

Tabela 22 Estimativa da quantidade média (kg) e respectivo volume médio (m 3 ) dos resíduos sólidos classe II (a) gerados na UFERSA, campus Mossoró-RN, para compostagem

57

Tabela 23 Estimativa do número necessário de tambores (200 L) para armazenamento no

Abrigo de Resíduos dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA, campus Mossoró-RN,

até a coleta

58

Tabela 24 Estimativa da área necessária do Abrigo de Resíduos para disposição dos

tambores (c) utilizados para armazenamento dos resíduos sólidos classe II gerados na

UFERSA, campus Mossoró-RN, até a coleta

58

Tabela 25 Área necessária e área sugerida para os ambientes de RECICLÁVEIS, OUTROS e COMPOSTÁVEIS do Abrigo de Resíduos Sólidos classe II gerados na UFERSA, campus

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Localização da UFERSA, campus

27

Figura 2 Pesagem do veículo utilizado para coleta dos resíduos sólidos classe II na UFERSA, campus Mossoró-RN, utilizando a balança rodoviária localizada ao lado do

Laboratório de Sementes,

30

Figura 3 Fotografia dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA sendo descarregados para caracterização física, no local definido coberto por lona, após pesagem na balança rodoviária. Setor de suinocultura desativado Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

32

Figura 4 Fotografia do processo de rompimento dos receptáculos para homogeneização dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA. Setor de suinocultura desativado Campus

32

Leste da UFERSA, Mossoró,

Figura 5 Fotografia do processo de homogeneização dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA. Setor de suinocultura desativado Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

33

Figura 6 Fotografias de alguns dos materiais separados de acordo com as classes determinadas. Setor de suinocultura desativado Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

33

Figura 7 Recipiente (tambor) com capacidade para 200 L, utilizado para armazenamento temporário dos resíduos sólidos classe II, colocados na área externa das edificações da

36

Figura 8 Setor de Suinocultura desativado. Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

37

Figura 9 Composição gravimétrica (porcentagem em relação ao peso total) referente à média respectiva de cada dia das duas semanas de estudo dos resíduos sólidos classe II (a)

57

coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas

ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária

CNEN Comissão Nacional de Energia Nuclear

CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INMETRO Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Insdustrial

NBR Norma Brasileira

PET Politereftalato de Etileno

PGRS Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos

PNSB Pesquisa Nacional de Saneamento Básico

PROGRAD Pró-Reitoria de Graduação

PRORH Pró-Reitoria de Recursos Humanos

RDC Resolução da Diretoria Colegiada

SISNAMA Sistema Nacional do Meio Ambiente

SNVS Sistema Nacional de Vigilância Sanitária

SUASA Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária

UFERSA Universidade Federal Rural do Semi-Árido

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

13

2 REVISÃO DE LITERATURA

15

2.1 RESÍDUOS SÓLIDOS

15

2.2 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

15

2.2.1 Classificação dos resíduos sólidos quanto à origem

16

2.2.2 Classificação dos resíduos sólidos quanto à periculosidade

16

2.2.3 Classificação dos resíduos de serviços de saúde de acordo com a Agência Nacional

de Vigilância Sanitária (ANVISA)

18

2.3 ASPECTOS LEGAIS RELACIONADOS AOS RESÍDUOS SÓLIDOS

19

2.4 ARMAZENAMENTO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

21

2.5 DISPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS

23

2.6 PRODUÇÃO

NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

23

2.7 GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NAS UNIVERSIDADES

24

3

METODOLOGIA

27

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

27

3.2 PERÍODO DE ESTUDO

28

3.3 PROCEDIMENTO PARA QUANTIFICAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS

29

3.3.1 Procedimento usado para estimativa da produção per capita de resíduos sólidos

30

3.4 CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA,

classe II gerados na UFERSA

NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

CAMPUS MOSSORÓ-RN

30

3.4.1

Material utilizado para preparação das amostras

31

3.4.2

Procedimento utilizado para preparação das amostras

31

3.4.3

Caracterização por classes de materiais (tipos de componentes)

34

3.5

LEVANTAMENTO DA QUANTIDADE NECESSÁRIA DE RECIPIENTES DE

ARMAZENAGEM TEMPORÁRIA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA,

35

CAMPUS MOSSORÓ-RN

3.6 PROCEDIMENTO PARA DIMENSIONAMENTO DO ABRIGO DE RESÍDUOS

SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

37

4

RESULTADOS E DISCUSSÃO

40

4.1 RESULTADOS REFERENTES À QUANTIFICAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

40

4.1.1 Resultados observados da produção per capita de resíduos sólidos classe II gerados

na UFERSA

GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

41

4.2 RESULTADOS OBTIDOS DA CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS

43

SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

4.2.2

Resultados obtidos com relação à avaliação da produção média de cada

46

4.2.3 Resultados obtidos com relação à avaliação da massa específica aparente e

componente

estimativa do volume médio de cada componente

49

4.2.4

Resultados obtidos com relação à avaliação da composição gravimétrica

50

4.3

RESULTADOS RELACIONADOS AO LEVANTAMENTO DA QUANTIDADE

NECESSÁRIA DE RECIPIENTES DE ARMAZENAGEM TEMPORÁRIA DOS

RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

4.4 RESULTADOS REFERENTES AO DIMENSIONAMENTO DO ABRIGO DE

55

4.4.1 Elaboração da planta baixa do Abrigo de Resíduos da UFERSA, campus Mossoró-

RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

52

RN, com sugestões de adequação

59

5

CONCLUSÃO

63

REFERÊNCIAS

64

APÊNDICE

67

13

1

INTRODUÇÃO

Com o crescimento da população, vem-se aumentando o consumo dos recursos naturais, acarretando com isso, a depreciação cada vez mais acelerada desses bens, transformando-os em resíduos. Estes resíduos, sejam sólidos, líquidos, ou gasosos, são produtos resultantes dos diversos processos socioeconômicos e das múltiplas atividades realizadas pelo homem, sendo gerados de forma inevitável. Atualmente, os resíduos sólidos e semi-sólidos despertam grande preocupação na sociedade moderna, se apresentando em grandes quantidades, e que, ao serem jogados no meio ambiente, sem tratamento e disposição adequada, causam sérios problemas, tais como a geração de maus odores; poluição visual, do solo, hídrica e atmosférica; e a proliferação de vetores (insetos e roedores) responsáveis pela transmissão de doenças ao ser humano. Do ponto de vista socioeconômico, os resíduos sólidos também causam impactos negativos devido ao consumo de recursos naturais de forma exagerada; a necessidade de armazenar, tratar e dispor no ambiente de forma controlada, visando minimizar os impactos negativos e degradação deste; além da adoção de medidas de prevenção e combate a doenças que podem afetar diretamente o homem. Os resíduos sólidos, quando tratados e dispostos de forma planejada e controlada podem ser utilizados em outras atividades, como: matéria-prima para a construção civil; fabricação de produtos reciclados ou ainda, nas atividades agrícolas, como composição da matéria orgânica dos adubos. Neste sentido, torna-se necessária a adoção de políticas de gerenciamento dos resíduos sólidos, proporcionando com isso, um adequado tratamento e destinação final de acordo com a classificação dos mesmos, minimizando com esses tipos de medidas, a ocorrência de impactos negativos tanto ao meio ambiente como ao próprio ser humano. Entre os diversos tipos de estabelecimentos que nos dias atuais geram uma grande quantidade de resíduos encontram-se as universidades, devido ao fato da grande concentração de pessoas em constante circulação, realizando as mais diversas atividades. No ambiente das universidades, dependendo das áreas de atuação em ensino, pesquisa e extensão, os resíduos sólidos podem incluir tanto os resíduos do tipo doméstico como também, entulho de obras, resíduos de serviços de saúde, restos de poda, aparelhos e eletrodomésticos, pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes, resíduos de atividades agrícolas (embalagens de fertilizantes e de

14

defensivos agrícolas, rações, restos de colheitas, sementes e outros) e resíduos perigosos derivados de atividades laboratoriais. Sendo as universidades, instituições que visam à formação do indivíduo consciente das suas obrigações de cidadão, torna-se fundamental a implantação de programas de conscientização da preservação ambiental dentro do próprio planejamento de ensino e pesquisa. Algumas universidades, como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), já apresentam na sua gestão administrativa planos de gerenciamento de resíduos sólidos, os quais estabelecem normas e diretrizes, objetivando a diminuição da produção desses resíduos, como também a caracterização e disposição final dos mesmos. Atualmente, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), campus Mossoró-RN, encontra-se em fase de ajustes e implantação de seu Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS da UFERSA - Mossoró). Neste contexto, entende-se que o presente trabalho é de grande importância para atualização e complementação do PGRS da UFERSA - Mossoró, considerando que o mesmo tem como objetivo principal, dimensionar o sistema para recebimento, armazenamento e tratamento adequado dos resíduos sólidos classe II produzidos nesta instituição, além de quantificá-los e avaliar sua composição física.

15

2 REVISÃO DE LITERATURA

A seguir são apresentadas informações específicas sobre resíduos sólidos, incluindo definição, classificação, aspectos legais pertinentes ao tema, armazenagem e tratamento, disposição e seus impactos ambientais, produção nacional e gestão de resíduos sólidos em universidades. Vale ressaltar que em publicações sobre resíduos sólidos, em geral, os termos “lixo” e “resíduos sólidos” são utilizados indistintamente (MONTEIRO et al., 2001, p.25). Desta forma, na revisão da literatura deste trabalho, procurar-se-á apresentar os termos conforme apresentado pelo autor das publicações consultadas.

2.1 RESÍDUOS SÓLIDOS

De acordo com a NBR 10.004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2004, p. 1), que dispõe sobre resíduos sólidos, estes são definidos como:

Resíduos encontrados nos estados sólidos e semi-sólidos, os quais resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola e de serviços de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes dos sistemas de tratamento de água e aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004, p. 1)

Assim, segundo esta norma, são considerados resíduos sólidos não apenas material no estado sólido. São classificados como tal, certos resíduos no estado semi-sólido e até mesmo no estado líquido.

2.2 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Para um correto tratamento e disposição final dos resíduos sólidos, torna-se necessária a caracterização desses resíduos, tomando como base critérios pré-estabelecidos pela legislação ambiental. A seguir, são apresentadas as classes de resíduos em relação à origem e

16

à periculosidade, além da classificação específica para resíduos de serviços de saúde de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

2.2.1 Classificação dos resíduos sólidos quanto à origem

Para Monteiro et al. (2001, p. 26) a origem é o principal elemento para a caracterização dos resíduos sólidos. Segundo este critério, os diferentes tipos de lixo podem ser agrupados em cinco classes, a saber:

a) Lixo doméstico ou residencial;

b) Lixo comercial;

c) Lixo público;

d) Lixo domiciliar especial:

- Entulho de obras;

- Pilhas e baterias;

- Lâmpadas fluorescentes;

- Pneus.

e) Lixo de fontes especiais:

- Lixo industrial;

- Lixo radioativo;

- Lixo de portos, aeroportos e terminais rodoferroviários;

- Lixo agrícola;

- Resíduos de serviços de saúde.

2.2.2 Classificação dos resíduos sólidos quanto à periculosidade

No que diz respeito à classificação dos resíduos sólidos quando a periculosidade que estes apresentam, a NBR 10.004 (ABNT, 2004, p. 3) os classifica da seguinte forma:

a) Resíduos Classe I Perigosos: aqueles que apresentam características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade e que apresentam periculosidade em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas. Podem

17

apresentar: risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças ou

acentuando seus índices; risco ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de

forma inadequada.

b) Resíduos Classe II Não Perigosos: entre os resíduos desta classe estão os listados na

Tabela 1.

Resíduos Classe IIA Não Inertes: aqueles que não se enquadram nas classificações de

resíduos classe I Perigosos ou de resíduos classe IIB Inertes, nos termos da norma

citada. Os resíduos classe IIA Não Inertes podem ter propriedades tais como:

biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água.

Resíduos Classe IIB Inertes: quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma

representativa, segundo a ABNT NBR 10.007, e submetidos a um contato dinâmico e

estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente conforme a ABNT

NBR 10.006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações

superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez,

dureza e sabor, conforme o Anexo G da NBR 10.004.

Tabela 1 Codificação de alguns resíduos classificados como não perigosos.

Código de Identificação

Descrição do Resíduo

A001

Resíduo de restaurante (restos de alimentos)

A004

Sucata de metais ferrosos

A005

Sucata de metais não ferrosos (latão etc.)

A006

Resíduo de papel e papelão

A007

Resíduo de plástico polimerizado

A008

Resíduo de borracha

A009

Resíduo de madeira

A010

Resíduo de materiais têxteis

A011

Resíduo de materiais não metálicos

A016

Areia de fundição

A024

Bagaço de cana

A099

Outros resíduos não perigosos

Nota: Excluídos aqueles contaminados por substâncias constantes nos Anexos C, D ou E, e que apresentem características de periculosidade.

Fonte: Adaptado pela pesquisadora (ABNT, 2004, p. 71).

18

2.2.3 Classificação dos resíduos de serviços de saúde de acordo com a Agência Nacional

de Vigilância Sanitária (ANVISA)

Segundo a Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, RDC-ANVISA, n o 306/2004 (BRASIL, 2004), os resíduos de serviços de saúde são classificados em:

a) Grupo A: resíduos com possível presença de agentes biológicos que, por suas características podem apresentar risco de infecção. Tais resíduos estão subdivididos em 5 subgrupos (A1, A2, A3, A4 e A5).

b) Grupo B: resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade.

c) Grupo C: quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidade superiores aos limites de isenção especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista.

d) Grupo D: resíduos que não apresentem risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Para os resíduos do Grupo D, destinados à reciclagem ou reutilização, a identificação deve ser feita nos recipientes e nos abrigos de guarda de recipientes, usando códigos de cores e suas correspondentes nomeações baseados na Resolução do CONAMA n o 275/2001, e símbolos do tipo de material reciclável:

I azul PAPÉIS

II amarelo METAIS

III verde VIDROS

IV vermelho PLÁSTICOS

V marrom RESÍDUOS ORGÂNICOS

e) Grupo E: materiais perfurocortantes ou escarificantes, tais como: lâminas de barbear,

agulhas, escalpes, ampolas de vidro, brocas, limas endodônticas, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas, tubos capilares, micropipetas, lâminas e lamínulas, espátulas e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas, tubos de coleta sanguínea e placas de

Petri) e outros similares.

19

2.3 ASPECTOS LEGAIS RELACIONADOS AOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Com relação à Política Nacional de Resíduos Sólidos, a lei correspondente foi sancionada dia 2 de agosto de 2010, Lei nº 12.305 (BRASIL, 2010), a qual institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. De acordo com o Art. 4º da referida lei, a Política Nacional de Resíduos Sólidos reúne

o conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação com Estados, Distrito Federal, Municípios ou particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos. Alguns estados já possuem suas políticas estaduais de resíduos sólidos como (CUPERTINO, 2008, p. 4):

- Goiás - Lei nº 14.248/2002;

- Rio de Janeiro Lei nº 4.191/2003;

- Pernambuco Lei nº 12.008/2001;

- Santa Catarina Lei nº 13.557/2003;

- Ceará Lei nº 13.103/2001;

- Mato Grosso Lei nº 7.862/2002;

- São Paulo Lei nº 12.300/2006; Outros Estados encontram-se em vias de implementação. Quanto à elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos, ressalte-se que o Art. 2º da lei nº 12.305/2010 especifica quais geradores estão sujeitos à referida elaboração, quais sejam:

I - os geradores dos seguintes resíduos sólidos: (a) resíduos dos serviços públicos de

saneamento básico (os gerados nessas atividades), excetuados os resíduos domiciliares (originários de atividades domésticas em residências urbanas) e os resíduos de limpeza urbana

(originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana); (b) resíduos industriais (gerados nos processos produtivos e instalações industriais); (c) resíduos de serviços de saúde (gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA e do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária-SNVS) e (d) resíduos de mineração (gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios).

20

a) gerem resíduos perigosos; b) gerem resíduos que, mesmo caracterizados como não perigosos, por sua natureza, composição ou volume, não sejam equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal; III - as empresas de construção civil, nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas pelos órgãos do SISNAMA; IV - os responsáveis pelos terminais e instalações que gerem resíduos de serviços de transportes (originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira) e, nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas pelos órgãos do SISNAMA e, se couber, do SNVS, as empresas de transporte; V - os responsáveis por atividades agrossilvopastoris, se exigido pelo órgão competente do SISNAMA, do SNVS ou do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária- SUASA. Entre as normas brasileiras que tratam dos resíduos sólidos, as mais importantes são:

NBR 10.004 Resíduos Sólidos Classificação. Esta Norma classifica os resíduos

sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e as saúde publica, para que sejam

gerenciados adequadamente. Está vinculada à NBR 10.005 Lixiviação de resíduos, à NBR 10.006 Solubilização de resíduos, e a NBR 10.007 Amostra de resíduos;

NBR 10.005 Lixiviação de resíduos Procedimento. Esta norma fixa os requisitos

exigíveis para a obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos, visando diferenciar os

resíduos classificados como perigosos e não perigosos (inerte e não inerte);

NBR 10.006 Solubilização de resíduos Procedimento. Esta norma fixa os

requisitos exigíveis para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos, visando diferenciar os resíduos classificados como inertes e não inertes;

NBR 10.007 Amostra de resíduos Procedimento. Esta norma tem por objetivo

fixar as condições exigíveis para amostragem, preservação e estocagem de amostras de resíduos sólidos. Estabelece, também, procedimentos específicos para coleta de amostras representativas em tambores, caminhões-tanque, receptáculos contendo pó ou resíduos granulados, lagoas de resíduos, leitos de secagem, lagoas de evaporação secas, lagoas secas e solos contaminados, montes ou pilhas de resíduos e tanques de estocagem. Em todos esses tipos de acondicionamento de resíduos, o coletor deve possuir equipamentos de proteção individual adequados.

21

No que diz respeito às formas de armazenamento, transporte e disposição dos resíduos

sólidos, as seguintes normas e resoluções devem ser levadas em consideração:

NBR 11.174 Armazenamento de Resíduos;

NBR 11.174 - Armazenamento de Resíduos Classe II - Não Inertes e III - Inertes (Antiga NB-1.264);

NBR 13.221 - Transporte de Resíduos;

NBR 7.500 - Símbolos de Risco e Manuseio para o Transporte e Armazenagem de Materiais Simbologia;

Resolução CONAMA nº 308/2002 Dispõe sobre o Licenciamento Ambiental de

sistemas de disposição final dos resíduos sólidos urbanos gerados em municípios de pequeno porte.

A Resolução do CONAMA n o 275/2001, mencionada pela RDC-ANVISA n o

306/2004, estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na

identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva, qual seja (BRASIL, 2001):

- AZUL: papel/papelão;

- VERMELHO: plástico;

- VERDE: vidro;

- AMARELO: metal;

- PRETO: madeira;

- LARANJA: resíduos perigosos;

- BRANCO: resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde;

- ROXO: resíduos radioativos;

- MARROM: resíduos orgânicos;

- CINZA: resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado não passível de

separação.

2.4 ARMAZENAMENTO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Os resíduos sólidos podem ser armazenados de duas maneiras: armazenamento temporário e armazenamento externo.

22

Armazenamento temporário, segundo a RDC n o 306/2004 da ANVISA (BRASIL, 2004, p. 5):

Consiste na guarda temporária dos recipientes contendo os resíduos já acondicionados, em local próximo aos pontos de geração, visando agilizar a coleta dentro do estabelecimento e otimizar o deslocamento entre os pontos geradores e o ponto destinado à apresentação para coleta externa. Não poderá ser feito armazenamento temporário com disposição direta dos sacos sobre o piso, sendo obrigatória a conservação dos sacos em recipientes de acondicionamento (BRASIL, 2004, p. 5).

Já no que diz respeito ao armazenamento externo, encontram-se os Abrigos de Resíduos, que, de acordo com a mesma resolução, RDC n o 306/2004 da ANVISA (BRASIL, 2004), é a nomenclatura técnica utilizada para se referir à unidade de armazenamento externo. Esta consiste:

na guarda dos recipientes de resíduos até a realização da etapa de coleta externa, em ambiente exclusivo com acesso facilitado para os veículos coletores. No armazenamento externo não é permitida a manutenção dos sacos de resíduos fora dos recipientes ali estacionados (BRASIL, 2004, p. 6).

(

)

Além dos tipos de armazenamentos citados anteriormente, o tipo de tratamento empregado aos resíduos sólidos é um fator de grande importância para que esse seja menos impactante ao meio ambiente. Para a RDC n o 306/2004 da ANVISA (BRASIL, 2004, p. 6), tratamento:

Consiste na aplicação de método, técnica ou processo que modifique as características dos riscos inerentes aos resíduos, reduzindo ou eliminando o risco de contaminação, de acidentes ocupacionais ou de dano ao meio ambiente. O tratamento pode ser aplicado no próprio estabelecimento gerador ou em outro estabelecimento, observadas nestes casos, as condições de segurança para o transporte entre o estabelecimento gerador e o local do tratamento (BRASIL, 2004, p. 6).

Entre as formas de tratamento está a compostagem, a qual será empregada no PGRS da UFERSA, campus Mossoró/RN, está a compostagem, que, segundo Matos (2006, p. 90):

É o processo por meio do qual se obtém a decomposição biológica controlada de resíduos orgânicos transformando-os em material parcialmente humificado. Para

obtenção de sucesso e maior rapidez na compostagem, torna-se necessária a mistura

de

materiais de baixa relação C/N (carbono/nitrogênio) com os de alta relação C/N.

O

processo de compostagem ocorre em duas fases distintas. (

)

Na primeira,

ocorrem reações bioquímicas de oxidação mais intensas, predominantemente termofílicas (permanecendo a temperatura do material em compostagem na faixa de 40 a 65°C). Na segunda, ou fase de maturação, ocorre o processo de humificação.

23

2.5 DISPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS

Para Monteiro et al. (2001, p. 3):

O problema da disposição final assume uma magnitude alarmante. Considerando apenas os resíduos urbanos e públicos, o que se percebe é uma ação generalizada das administrações públicas locais ao longo dos anos em apenas afastar das zonas urbanas o lixo coletado, depositando-o por vezes em locais absolutamente inadequados, como encostas florestadas, manguezais, rios, baías e vales. Mais de 80% dos municípios vazam seus resíduos em locais a céu aberto, em cursos d'água ou em áreas ambientalmente protegidas, a maioria com a presença de catadores entre eles crianças , denunciando os problemas sociais que a má gestão do lixo acarreta.

Segundo Braga et al. (2005, p. 148):

Lançados em qualquer lugar ou inadequadamente tratados ou dispostos, os resíduos sólidos são uma fonte dificilmente igualável de proliferação de insetos e roedores, com os consequentes riscos para a saúde pública que daí derivam, além de ser causa também de incômodos estéticos e de mau cheiro.

Com relação aos impactos causados pela disposição final de resíduos sólidos no solo, os principais riscos estão relacionados com a salinização e a contaminação, tanto do solo quanto de plantas, disseminação de metais pesados, além da contaminação do ser humano e de animais com agentes patogênicos presentes nestes resíduos (MATOS, 2006, p. 67). O autor citado afirma ainda que:

caso não haja controle do escoamento superficial de águas pluviais ou da

irrigação, poderá causar poluição das águas superficiais e, no caso de solos de alta permeabilidade, de águas subterrâneas (MATOS, 2006, p. 67).

) (

2.6 PRODUÇÃO NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Com base nos resultados obtidos da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada em 2000, e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2002), pode-se verificar que eram produzidos no Brasil cerca de 125.281 toneladas de lixo ao dia, incluindo o lixo domiciliar e comercial, sendo que 47,1% deste total era destinado a aterros sanitários , 22,3 % a aterros controlados e apenas 30,5 % a lixões. Mostrando que mais de 69 % de todo o lixo coletado no Brasil estaria tendo um destino final adequado, em aterros sanitários e/ou controlados. Porém, levando em consideração o número de municípios,

24

o resultado não é tão favorável, onde 63,6 % utilizavam lixões e 32,2 %, aterros adequados

(13,8 % sanitários, 18,4 % aterros controlados), sendo que 5% não informou para onde vão

seus resíduos. Após dez anos da realização da pesquisa, conclui-se que ocorreu um aumento

significativo na produção de resíduos sólidos, fato decorrente do aumento populacional e do

maior consumo de embalagens e produtos descartáveis.

A pesquisa verificou ainda uma estimativa da quantidade de resíduos sólidos coletados

diariamente, onde, nas cidades com um número de até 200 mil habitantes, são recolhidos entre

450 a 700 gramas por habitante; e nas cidades com um número de habitantes maior que 200

mil, são recolhidos entre 800 e 1.200 gramas de resíduos por habitante, sendo coletadas no

total de 125.281 toneladas de lixo domiciliar por dia em todos os municípios do país.

A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB/2000) determinou ainda a

quantidade de domicílios que são atendidos com o serviço de limpeza urbana e coleta de lixo,

como verifica-se na Tabela 2. Do total de municípios brasileiros, somente 1.814 (33,13%)

possuem 100% de resíduos coletados. Já no Nordeste, esse número cai para 345 (19,5%) dos

municípios com aproveitamento de 100% na coleta. E por último, no Estado do Rio Grande

do Norte, esse número corresponde a 95 municípios (57,57%) com 100% dos resíduos

coletados.

Tabela 2 Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo.

Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo

 

Total

 

Percentual de domicílios com lixo coletado(%)

Até 50

50 a 70

70 a 80

80 a 90

90 a 99

100

Sem declaração e não sabe

Brasil

5.475

489

728

771

954

525

1.814

194

Nordeste

1.769

241

357

329

306

131

345

60

RN

165

-

3

19

30

18

95

-

Fonte: Adaptado pela pesquisadora (PNSB apud IBGE, 2000).

2.7 GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NAS UNIVERSIDADES

No que diz respeito à gestão de resíduos sólidos nas universidades, percebe-se que são

poucas as instituições de ensino superior que apresentam um plano de gestão e gerenciamento

em prática, onde muitas destas encontram-se ainda em fase de elaboração e/ou

implementação.

25

Isto se deve ao fato de que:

As universidades brasileiras, ainda encontram inúmeros obstáculos para incorporar a dimensão ambiental à formação de recursos humanos devido a vários fatores, como:

abordagem da questão ambiental de forma setorial e multidisciplinar, estudos de caráter técnico em detrimento dos aspectos epistemológicos e metodológicos (RODRIGUES et al., 2007).

Furiam e Gunther (2006, p. 7) afirmaram que os resíduos sólidos gerados em ambientes universitários englobam, além daqueles classificados com resíduos sólidos urbanos, alguns resíduos classificados como industriais e como resíduos de serviços de saúde.

Considerando que a escola deve ser um exemplo de Instituição que adota um comportamento ambientalmente responsável com atitudes voltadas para o desenvolvimento sustentável, surge a necessidade de se definir um destino final eficaz e economicamente viável para esses resíduos, que pode consistir na venda de materiais recicláveis, reaproveitamento e reciclagem de parte dos resíduos na própria escola e disposição adequada do refugo (VITORINO et al., 2005. p. 2).

Entre as universidade que apresentam nos dias atuais planos de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, pode-se citar a Universidade Federal de Viçosa (UFV), e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

No campus da UFV, a coleta seletiva ocorre da seguinte forma:

os materiais, potencialmente recicláveis, são separados seletivamente do restante dos resíduos sólidos pelos funcionários de limpeza de cada setor/prédio da UFV,

A coleta seletiva ocorre com

frequência diária em todo o campus a partir das 8:00h da manhã, com o uso de um

caminhão basculante. Os resíduos orgânicos são coletados diariamente, no turno da

) O papel é

separado em papel branco, colorido, misto, jornal e papelão. Os materiais plásticos em PET, plástico rígido, plástico filme, sacolas plásticas e copos descartáveis. Os metais em alumínio e metais ferrosos. Os vidros são separados pela cor branca e verde. Os papéis e papelão, os plásticos e os metais são prensados e estocados para posterior venda e comercialização. Os recursos obtidos com a comercialização dos materiais reciclados são destinados à Associação Beneficente de Auxílio a Estudantes e Funcionários da UFV, ASBEN. Lâmpadas, baterias e pilhas são coletadas também de forma seletiva no campus da UFV, existindo coletores especiais para a destinação desses resíduos especiais, que são levados ao galpão do Projeto Reciclar/ASBEN e, posteriormente, destinados ao aterro municipal de Viçosa (PUSCHMANN et al, 2004, p. 3)

colaboradores do Projeto Reciclar/ASBEN. (

(

)

)

tarde, e destinados à Usina de Triagem da UFV/Prefeitura de Viçosa. (

Na Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, a Pró-Reitoria de Administração preocupada com a questão do lixo gerado nas suas dependências desenvolveu, em 1996, um

26

Programa de Administração e Gerenciamento dos Resíduos Sólidos da UFMG (CINTRA et al., 1997, p. 2). Para a implantação de um plano de gestão de resíduos sólidos, são necessárias algumas atividades como:

a quantificação e a caracterização do lixo gerado nos diferentes setores da escola. Em seguida, deve ser promovido o envolvimento da comunidade escolar na definição e implantação do plano de gerenciamento dos resíduos. A educação ambiental surge como importante instrumento para o desenvolvimento do projeto, com a realização de atividades que promovam a divulgação do plano e sensibilizem os diversos setores envolvidos no processo para a importância da redução, reutilização e reciclagem do lixo gerado na instituição (VITORINO et al., 2005. p. 2).

(

)

27

3

METODOLOGIA

A seguir são apresentadas informações relativas às características da área estudada; ao período do estudo; ao procedimento utilizado para quantificação e caracterização de resíduos sólidos gerados na instituição; ao levantamento da quantidade necessária de recipientes de armazenagem temporária e ao dimensionamento do abrigo dos referidos resíduos.

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O presente estudo foi realizado na Universidade Federal Rural do Semi-Árido UFERSA, localizada na BR 110 km 47, Bairro Presidente Costa e Silva, CEP 59.625-900, no município de Mossoró-RN, e cujas coordenadas geográficas são 5º 02’ S, 37º 20’ W, altitude de 18 m.

Biblioteca Setor de Suinocultura Reitoria
Biblioteca
Setor de
Suinocultura
Reitoria

Fonte: Google Maps. Disponível em: < http://maps.google.com.br/maps>. Acesso em: 15 nov. 2010.

Figura 1 Localização da UFERSA, campus Mossoró-RN.

28

A UFERSA, campus Mossoró, oferece hoje 16 cursos de graduação (Administração,

Agronomia, Biotecnologia, Ciência e Tecnologia, Ciências Contábeis, Ciências da

Computação, Direito, Ecologia, Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia de Energia,

Engenharia de Pesca, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica, Licenciaturas,

Medicina Veterinária e Zootecnia), e 6 cursos de Pós-Graduação (Fitotecnia, Ciência do Solo,

Ciência Animal, Produção Animal, Irrigação e Drenagem, e Ciência da Computação).

De acordo com dados obtidos junto a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) e Pró-

Reitoria de Recursos Humanos (PRORH), a instituição conta no presente semestre, 2010.2,

com a seguinte população apresentada na Tabela 3.

Tabela 3 População da UFERSA, campus Mossoró-RN, no segundo semestre de 2010.

Classes/Setores

Número de pessoas

Professores Efetivos Professores Substitutos Técnicos Administrativos Alunos de graduação Alunos de pós-graduação Trabalhadores de empresa terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)

terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)
terceirizada Caixa Econômica Federal Restaurante Universitário Lanchonete (duas unidades) Fotocopiadora (três unidades)

257

21

246

3610

250

87

12

8

10

12

Total

4513

Fonte: Adaptado dos dados referentes à população da UFERSA obtidos junto a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) e informações disponíveis na página da internet da Pró-Reitoria de Recursos Humanos (PRORH).

3.2 PERÍODO DE ESTUDO

As atividades de campo foram desenvolvidas no segundo semestre de 2010. Foram

realizadas duas amostragens semanais dos resíduos sólidos classe II gerados na universidade

durante o período letivo de aulas, sendo estas realizadas nos seguintes dias:

a) Primeira amostragem:

- Terça-feira, 31/08;

- Quarta-feira, 01/09;

- Quinta-feira, 02/09;

- Sexta-feira, 03/09;

29

b) Segunda amostragem:

- Segunda-feira, 20/09;

- Terça-feira, 21/09;

- Quarta-feira, 22/09;

- Quinta-feira, 23/09;

- Sexta-feira, 24/09. Cada amostragem semanal foi programada para execução em dias consecutivos de uma semana. A primeira foi planejada para 30/08 a 03/09 e a segunda, para 20/09 a 24/09. Contudo, na primeira amostragem, devido à indisponibilidade de material necessário para as atividades, a amostra referente à segunda-feira, dia 30/08, foi transferida para a próxima segunda-feira regular em relação às atividades acadêmicas, ou seja, dia 13/09. Tal amostragem não foi realizada na segunda-feira referente à 06/09 por ter sido véspera do feriado de 07/09. Assim, avaliou-se que haveria uma produção atípica de resíduos sólidos, considerando que a proposta do presente trabalho é avaliar a produção de resíduos sólidos na UFERSA em período regular de aulas.

3.3 PROCEDIMENTO PARA QUANTIFICAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

Durante o período de estudo, foi verificada diariamente a produção de resíduos sólidos gerados na universidade pela pesagem dos mesmos. Em cada um dos dias de estudo, após toda a coleta em veículo da própria universidade, o mesmo foi pesado na balança rodoviária (ver Figura 2), localizada ao lado do Laboratório de Sementes. A referida balança rodoviária tem as seguintes características: fabricada por Filizola Fairbanks Mosse Balanças S/A, modelo 3117004 e capacidade máxima para 29.995 kg. Anualmente, a referida balança passa por processo de calibração pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), fato que já ocorreu no presento ano.

30

30 Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010). Figura 2 – Pesagem do veículo utilizado para coleta dos

Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010).

Figura 2 Pesagem do veículo utilizado para coleta dos resíduos sólidos classe II na UFERSA, campus Mossoró-RN, utilizando a balança rodoviária localizada ao lado do Laboratório de Sementes, 01/09/2010.

3.3.1 Procedimento usado para estimativa da produção per capita de resíduos sólidos

classe II gerados na UFERSA

A partir da quantificação total diária média dos resíduos sólidos classe II gerados na

UFERSA, e dos dados da população da instituição, foi possível estimar a produção per capita

dos mesmos. Os dados referentes à população da UFERSA foram obtidos junto a Pró-Reitoria

de Graduação (PROGRAD) e informações disponíveis na página da internet da Pró-Reitoria

conforme verificada na Tabela 3.

3.4 CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA

UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

A seguir são descritos o material e o procedimento utilizados para a preparação das

amostras.

31

3.4.1 Material utilizado para preparação das amostras

O material utilizado para preparação das amostras é apresentado na Tabela 4 e foi

definido com base em Consoni et al. (2000, p.33).

Tabela 4 Material utilizado para preparação das amostras de resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, campus Mossoró-RN.

Objetivo do uso

Descrição do material

Proteção dos trabalhadores

Material de segurança

Luvas de borracha com forro de algodão

Rompimento dos receptáculos; separação e revolvimento do material; formação de pilhas e coleta de amostras

 

Enxada

Ferramentas

Cobertura do pátio onde os resíduos foram descarregados

Lonas de aproximadamente (5 x 5)m

Pesagem

Balança com capacidade de 25 kg

Coleta de amostras

Tambores com capacidade de 100 L

Separação dos resíduos em 18 classes

Recipientes com capacidade de 100 L

Fonte: Adaptado pela pesquisadora (CONSONI et al.,2000, p.33).

3.4.2 Procedimento utilizado para preparação das amostras

O procedimento para preparação de amostras visando análise da composição física dos

resíduos sólidos da UFERSA foi definido a partir das recomendações apresentadas em

Consoni et al. (2000, p.34-35), e ilustrado nas Figuras 3, 4, 5 e 6. O procedimento consistiu

em:

a) Descarregar o veículo de coleta e transporte, após pesagem na balança rodoviária, no local

previamente definido, coberto com lona, na área do setor de suinocultura, atualmente

desativado;

b) Romper os receptáculos (sacos plásticos, caixas, etc);

c) Homogeneizar o máximo possível;

d) Retornar para o monte os materiais rolados (latas, vidros, etc);

e) Coletar quatro amostras de 100 L cada (utilizando tambores), três na base e laterais, e uma

no topo da pilha;

f) Pesar os resíduos coletados nas quatro amostras;

32

g) Dispor os resíduos coletados sobre uma lona. Este material constitui a amostra a ser

utilizada para a análise da composição física dos resíduos;

h) Separar os materiais da amostra nas classes indicadas no item 3.4.3, utilizando tambores

devidamente identificados, para cada classe;

i) Pesar cada classe de resíduos, previamente separada.

i) Pesar cada classe de resíduos, previamente separada. Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010). Figura 3 –

Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010).

Figura 3 Fotografia dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA sendo descarregados para caracterização física, no local definido coberto por lona, após pesagem na balança rodoviária. Setor de suinocultura desativado Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

31/08/2010.

– Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN, 31/08/2010. Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010). Figura 4 –

Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010).

Figura 4 Fotografia do processo de rompimento dos receptáculos para homogeneização dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA. Setor de suinocultura desativado Campus Leste da UFERSA, Mossoró, 31/08/2010.

33

33 Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010). Figura 5 – Fotografia do processo de homogeneização dos resíduos

Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010).

Figura 5 Fotografia do processo de homogeneização dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA. Setor de suinocultura desativado Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

31/08/2010.

– Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN, 31/08/2010. Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010). Figura 6 –

Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010).

Figura 6 Fotografias de alguns dos materiais separados de acordo com as classes determinadas. Setor de suinocultura desativado Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

34

Para a pesagem das amostras e dos componentes foi utilizada uma balança manual, tipo vara de ferro, com capacidade para 25 kg e precisão de 100 g. O cálculo para obtenção do volume de resíduos sólidos gerados foi baseado na quantidade produzida, em peso, e na massa específica aparente dos mesmos, de acordo com a seguinte fórmula:

Onde:

V = P/ρ

(1)

V volume de resíduos sólidos (m³); P peso da quantidade de resíduos sólidos produzidos (kg) e ρ massa específica aparente dos resíduos sólidos (kg/m³).

3.4.3 Caracterização por classes de materiais (tipos de componentes)

Após a coleta das quatro amostras de 100 L cada, e pesagem das mesmas, estas foram dispostas sobre uma lona, de onde foi realizada a separação e caracterização dos materiais de acordo com suas propriedades físicas, sua origem e destinação final adequada. Foram determinadas as seguintes classes:

- Borracha;

- Couro;

- Madeira;

- Restos de alimentos;

- Metais ferrosos;

- Metais não-ferrosos;

- Papel;

- Papelão;

- Plástico rígido (incluindo copos descartáveis);

- Plástico maleável;

- Garrafa PET;

- Trapos;

- Vidro;

- Ossos;

35

- Outros 1;

- Outros 2;

- Cerâmica;

- Material potencialmente perigoso. A classe referida como Outros 1 englobou os resíduos de isopor e embalagens revestidas interiormente com papel laminado, como caixas de suco e pacotes de biscoitos. Já a classe denominada Outros 2 foi utilizada para agrupar os resíduos referentes a mistura de pedaços relativamente pequenos de restos de alimentos (principalmente), plástico maleável, papel e papel higiênico.

3.5 LEVANTAMENTO DA QUANTIDADE NECESSÁRIA DE RECIPIENTES DE

ARMAZENAGEM TEMPORÁRIA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

Realizada a quantificação e caracterização dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA, campus Mossoró, levantou-se o número de recipientes, com capacidade para 200 L, necessários para armazenar temporariamente (armazenagem temporária prévia à coleta diária que encaminha esses recipientes para o abrigo) os resíduos de cada edificação da UFERSA. Um destes recipientes é mostrado na Figura 07.

36

36 Fonte: PGRS ( UFERSA, 2009, p. 49). Figura 7 – Recipiente (tambor) com capacidade para

Fonte: PGRS (UFERSA, 2009, p. 49).

Figura 7 Recipiente (tambor) com capacidade para 200 L, utilizado para armazenamento temporário dos resíduos sólidos classe II, colocados na área externa das edificações da instituição.

Estes recipientes foram quantificados e divididos em três tipos: recipientes para

RECICLÁVEIS, COMPOSTÁVEIS e OUTROS. Esta classificação simplificada foi definida

em função do destino definido aos resíduos da instituição: para reciclagem, compostagem e

para o aterro sanitário municipal, respectivamente.

Nesta etapa foi elaborada uma lista das edificações existentes atualmente na UFERSA,

campus Mossoró a partir de:

- Alguns dados fornecidos pela Superintendência de Infra-Estrutura da UFERSA em 29/07/09

para o PGRS-UFERSA;

- Do mapa da UFERSA atualizado em relação às novas edificações, elaborado no primeiro

semestre de 2010, pela Comissão do PGRS-UFERSA e,

- De visitas in loco, no segundo semestre de 2010.

37

3.6 PROCEDIMENTO PARA DIMENSIONAMENTO DO ABRIGO DE RESÍDUOS

SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

O Abrigo de Resíduos da UFERSA deverá ser utilizado para dispor os recipientes de

armazenagem temporária contendo os resíduos (ver Figura 7), até que o órgão municipal

execute a denominada coleta externa dos resíduos que serão dispostos no aterro sanitário

local, como também a empresa responsável pela coleta externa de material reciclável.

Por orientação da Pró-Reitoria de Planejamento e Administração (PROPLAD) da

UFERSA, o Abrigo de Resíduos da instituição deverá ser implantado no antigo setor de

suinocultura (ver Figura 8), atualmente, uma edificação desativada.

(ver Figura 8), atualmente, uma edificação desativada. Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010). Figura 8 – Setor

Fonte: Arquivo da pesquisadora (2010).

Figura 8 Setor de Suinocultura desativado. Campus Leste da UFERSA, Mossoró-RN,

31/08/2010.

Assim, para o dimensionamento do Abrigo de Resíduos da UFERSA, considerou-se o

aproveitamento e adequação da edificação que era utilizada como o setor de suinocultura na

instituição.

Além do dimensionamento do abrigo de recipientes para armazenamento externo,

tornou-se também importante e útil, a ideia de aproveitar a área vizinha aos ambientes de

armazenagem de recipientes para a compostagem dos resíduos orgânicos, determinados na

caracterização física, reaproveitando-os para atividades da própria universidade.

38

Basicamente, o procedimento utilizado para dimensionamento do Abrigo de Resíduos consistiu em:

- Visita in loco na edificação a ser utilizada para o referido abrigo (antigo setor de suinocultura) e medições de sua área construída;

- Cálculo do número de recipientes a serem colocados no Abrigo de Resíduos para

armazenamento dos resíduos sólidos identificados como OUTROS e RECICLÁVEIS. Esse

cálculo foi realizado a partir do volume gerado desses componentes, da capacidade (200 L) que cada recipiente apresenta e da frequência de coleta externa dos resíduos;

- Cálculo da área necessária para dispor os recipientes contendo os resíduos sólidos

identificados como OUTROS, ou seja, os resíduos não recicláveis e não compostáveis e que deverão ser dispostos no aterro sanitário de Mossoró. Assim, a classe OUTROS pode incluir papel higiênico, absorventes, isopor, embalagens revestidas interiormente com laminado como caixas de suco e pacotes de biscoitos, trapos, couro, borracha. Para este cálculo foram considerados os seguintes critérios e informações: (a) frequência da coleta externa realizada

pela prefeitura municipal de três vezes por semana, (b) volume estimado de geração diária dos referidos resíduos (OUTROS) e (c) área, em seção horizontal quadrada, ocupada por um recipiente de armazenagem externa;

- Cálculo da área necessária para dispor os recipientes contendo os resíduos identificados como RECICLÁVEIS, considerando: (a) frequência da coleta externa de uma vez por semana, (b) volume estimado de geração diária destes resíduos na UFERSA e (c) área, em seção horizontal quadrada, ocupada por um recipiente de armazenagem externa, como mencionado para OUTROS.

- Cálculo da área necessária para formar as pilhas para os resíduos identificados como

COMPOSTÁVEIS, considerando: (a) período de compostagem pelo método de pilhas com revolvimento manual e (b) volume estimado de geração diária de resíduos compostáveis na UFERSA. - Elaboração da planta baixa da edificação correspondente ao antigo setor de suinocultura que, após as adequações observadas, passará a funcionar como Abrigo de Resíduos Sólidos da UFERSA, campus Mossoró-RN. Apesar dos recipientes para armazenamento serem de forma cilíndrica, o cálculo das áreas necessárias para o armazenamento dos recipientes contendo os resíduos sólidos identificados como OUTROS e RECICLÁVEIS foi elaborado de acordo com a fórmula para cálculo do quadrado, já que ao serem dispostos não ficarão colados uns nos outros e as bordas das áreas que sobram das circunferências não serão aproveitadas. Portanto, a área

39

correspondente a cada recipiente foi obtida através do seu diâmetro (igual a 0,6 m) ao quadrado.

Onde:

A = d²

(2)

A

área da sessão quadrática do recipiente (m²), e

d

diâmetro do recipiente (m).

40

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A seguir são apresentados os resultados verificados em relação à quantificação e

caracterização dos resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA; número de recipientes

necessários para armazenagem temporária destes resíduos, além do dimensionamento e

projeto do Abrigo de Resíduos da instituição.

4.1 RESULTADOS REFERENTES À QUANTIFICAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

As Tabelas 5 e 6 apresentam os resultados referentes à produção média diária de

resíduos sólidos classe II na UFERSA, campus Mossoró, no segundo semestre de 2010.

Tabela 5 Quantidade verificada de resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus Mossoró, na primeira semana de estudo.

 

Data

Peso (kg/dia)

 

Bruto

Veículo

Líquido

31/08/2010

Terça-feira

1170

780

390

01/09/2010

Quarta-feira

1100

780

320

02/09/2010

Quinta-feira

1145

780

365

03/09/2010

Sexta-feira

1100

780

320

04/09/2010

Sábado

Não há coleta

-

-

13/09/2010

Segunda-feira

7650

6960

690

 

Média

-

-

417

Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

Tabela 6 Quantidade verificada de resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus Mossoró, na segunda semana de estudo

Peso (kg/dia)

Data

 

Bruto

Veículo

Líquido

20/09/2010

Segunda-feira

7370

6960

410

21/09/2010

Terça-feira

2780

1260

260

22/09/2010

Quarta-feira

2830

1260

310

23/09/2010

Quinta-feira

2960

1260

440

24/09/2010

Sexta-feira

7345

6960

385

25/09/2010

Sábado

Não há coleta

-

-

Média

-

-

361

Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

41

A partir dos resultados apresentados nas Tabelas 5 e 6, é possível observar que a

produção média diária de resíduos sólidos classe II variou em torno de 16% entre os dois

estudos semanais (417 e 361 kg/dia, respectivamente). O valor médio entre as médias

verificadas em cada estudo semanal resultou em 389 kg/dia.

O valor médio observado de 389 kg/dia foi inferior ao médio observado (570 kg/dia)

no mês de novembro de 2009, em um estudo semanal desenvolvido pela comissão

responsável pelo PGRS-UFERSA (UFERSA, 2009, p. 19). É possível que a maior produção

quantitativa de resíduos sólidos observada no estudo em 2009 (em torno de 32%) em relação

aos estudos realizados em 2010, tenha sido em função de uma produção relativamente alta de

restos de alimentos advindos de restos de experimentos com melancia realizados por

pesquisadores da instituição em 2009 (UFERSA, 2009, p. 16).

4.1.1 Resultados observados da produção per capita de resíduos sólidos classe II

gerados na UFERSA

Com base nos resultados referentes à produção média diária de resíduos sólidos classe

II da UFERSA, campus Mossoró, nas duas semanas do período de estudo (Tabelas 5 e 6), foi

possível estimar a produção per capita dos mesmos.

De acordo com dados obtidos junto a PROGRAD e PRORH, a instituição conta no

presente semestre, 2010.2, com a população de 4513 pessoas, conforme apresentada na

Tabela 3.

As estimativas da produção per capita de resíduos sólidos classe II na UFERSA,

campus Mossoró, referentes às duas semanas de estudo, são apresentadas nas Tabelas 7 e 8.

Tabela 7 Produção per capita de resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, campus Mossoró-RN, na primeira semana de estudo.

Data

Produção per capita (kg/hab.dia)

31/08/2010

Terça-feira

0,086

01/09/2010

Quarta-feira

0,071

02/09/2010

Quinta-feira

0,081

03/09/2010

Sexta-feira

0,071

04/09/2010

Sábado

Não há coleta

13/09/2010

Segunda-feira

0,153

 

Média

0,092

Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

42

Tabela 8 Produção per capita de resíduos sólidos classe II produzidos na UFERSA, campus Mossoró-RN, na segunda semana de estudo.

Data

Produção per capita (kg/hab.dia)

20/09/2010

Segunda-feira

0,091

21/09/2010

Terça-feira

0,058

22/09/2010

Quarta-feira

0,069

23/09/2010

Quinta-feira

0,097

24/09/2010

Sexta-feira

0,085

25/09/2010

Sábado

Não há coleta

Média

0,080

Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

É possível observar a partir dos resultados apresentados nas Tabelas 7 e 8 que, no

semestre letivo 2010.2, a produção per capita média de resíduos sólidos classe II na

UFERSA, campus Mossoró, variou em torno de 15% entre os dois estudos semanais (0,092 e

0,080 kg/hab.dia, respectivamente). O valor médio entre as médias verificadas em cada estudo

semanal resultou em 0,086 kg/hab.dia.

O valor médio observado de 0,086 kg/hab.dia foi inferior ao observado no mês de

novembro de 2009 (0,16 kg/hab.dia), no mesmo estudo semanal desenvolvido pela comissão

responsável pelo PGRS-UFERSA (UFERSA, 2009, p. 21).

Entre os fatores que podem ter contribuído para essa diminuição, está o crescimento

no número da população da UFERSA, campus Mossoró, que em 2009 contava com 3617

pessoas (UFERSA, 2009, p. 21), excluindo o setor do Restaurante Universitário (que ainda

não se encontrava em funcionamento), as lanchonetes e as fotocopiadoras. Além do fato

anteriormente mencionado, de que no mês de novembro de 2009 houve uma maior

contribuição para a produção quantitativa de resíduos sólidos devido à produção de restos de

alimentos utilizados em experimentos.

Comparando com a produção per capita informada pelos Indicadores de

Sustentabilidade para a região Nordeste do Brasil (BRASIL, 2008 apud Silva et al., 2010, p.

3), cujo valor é de 0,830 kg/hab.dia, a produção per capita média de resíduos sólidos da

UFERSA, campus Mossoró-RN, resultou cerca de 1/10 da produção para a região Nordeste.

Entende-se que, entre os fatores que justificam esse fato, está principalmente o tipo de infra-

estrutra da universidade e a dimensão geográfica da área urbana de Mossoró, que contribuem

para que funcionários e alunos permaneçam na instituição apenas durante a realização de suas

atividades, excetuando-se para os alunos que residem no campus.

43

4.2 RESULTADOS OBTIDOS DA CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS

SÓLIDOS GERADOS NA UFERSA, CAMPUS MOSSORÓ-RN

Neste item apresentam-se os resultados referentes às amostragens executadas, à quantidade e respectivo volume dos diferentes componentes dos resíduos sólidos e à composição gravimétrica dos resíduos gerados nas UFERSA, campus Mossoró-RN.

4.2.1 Resultados obtidos com a preparação das amostras

A seguir, pode-se observar nas Tabelas 9 e 10, os resultados obtidos com a pesagem das quatro amostras de 100 L coletadas durante as duas semanas de estudo para caracterização física dos resíduos sólidos classe II gerados na UFERSA, campus Mossoró-RN.

44

Tabela 9 Pesagem das quatro amostras de 100 L coletadas por dia para caracterização física dos resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na primeira semana de estudo.

Peso (kg)

 

Data

Amostra

Bruto

Tara do recipiente

Líquido

 

1ª amostra

8,20

3,80

4,40

31/08/2010

Terça-feira

2ª amostra

17,50

3,80

13,70

3ª amostra

18,20

3,80

14,40

 

4ª amostra

12,30

3,80

8,50

 

1ª amostra

21,30

3,80

17,50

01/09/2010

Quarta-feira

2ª amostra

18,80

3,80

15,00

 

3ª amostra

15,90

3,80

12,10

4ª amostra

10,70

3,80

6,90

 

1ª amostra

15,60

3,80

11,80

02/09/2010

Quinta-feira

2ª amostra

8,10

3,80

4,30

 

3ª amostra

6,50

3,80

2,70

4ª amostra

6,30

3,80

2,50

 

1ª amostra

13,60

3,80

9,80

03/09/2010

Sexta-feira

2ª amostra

11,00

3,80

7,20

 

3ª amostra

7,30

3,80

3,50

4ª amostra

10,80

3,80

7,00

 

- -

-

04/09/2010

Sábado

Não há coleta

- -

-

 

- -

-

- -

-

 

1ª amostra

10,00

3,80

6,20

13/09/2010

Segunda-feira

2ª amostra

11,50

3,80

7,70

 

3ª amostra

16,20

3,80

12,40

4ª amostra

12,30

3,80

8,50

 

Média (kg/dia)

12,61

3,80

8,81

Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

45

Tabela 10 Pesagem das quatro amostras de 100 L coletadas por dia para caracterização física dos resíduos sólidos classe II coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na segunda semana de estudo.

 

Data

Amostra

 

Peso (kg)

Bruto

Tara do recipiente

Líquido

 

1ª amostra

11,40

3,80

7,60

20/09/2010

Segunda-feira

2ª amostra

14,50

3,80

10,70

 

3ª amostra

25,40

3,80

21,60

4ª amostra

8,10

3,80

4,30

 

1ª amostra

9,70

3,80

5,90

21/09/2010

Terça-feira

2ª amostra

10,80

3,80

7,00

3ª amostra

12,90

3,80

9,10

 

4ª amostra

8,40

3,80

4,60

 

1ª amostra

9,90

3,80

6,10

22/09/2010

Quarta-feira

2ª amostra

13,10

3,80

9,30

 

3ª amostra

8,90

3,80

5,10

4ª amostra

7,40

3,80

3,60

 

1ª amostra

11,70

3,80

7,90

23/09/2010

Quinta-feira

2ª amostra

19,00

3,80

15,20

 

3ª amostra

8,20

3,80

4,40

4ª amostra

7,90

3,80

4,10

 

1ª amostra

12,10

3,80

8,30

24/09/2010

Sexta-feira

2ª amostra

17,90

3,80

14,10

 

3ª amostra

14,00

3,80

10,20

4ª amostra

9,10

3,80

5,30

 

-

-

-

-

-

-

25/09/2010

Sábado

Não há coleta

 

-

-

-

-

-

-

 

Média (kg/dia)

12,02

3,80

8,22

Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

Diante dos resultados observados nas tabelas anteriores, nota-se que as médias das

duas semanas do período de estudo foram bastante próximas, (8,81 e 8,22 kg,

respectivamente) sugerindo pouca alteração da massa específica aparente dos resíduos sólidos

produzidos na UFERSA além de padronização adequada para obtenção das amostras, cujo

procedimento foi apresentado no item 3.4.2.

46

4.2.2

componente

Resultados

obtidos

com

relação

à

avaliação

da

produção

média

de

cada

A seguir, nas Tabelas 11 e 12, são apresentados os resultados observados durante as

duas semanas de estudo em relação à composição física das amostras de resíduos sólidos

classe II produzidos na UFERSA, campus Mossoró, no segundo semestre de 2010.

Tabela 11 Caracterização física, expressa em quilogramas, das amostras de resíduos sólidos classe II (a) coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na primeira semana de estudo.

 

Peso (kg)

 

31/08/10

01/09/10

02/09/10

03/09/10

13/09/10

Média

Componente

Terça-

Quarta-

Quinta-

Sexta-

Segunda-

(kg/dia)

feira

feira

feira

feira

feira

Borracha

0,00

1,00

0,00

0,00

0,10

0,22

 

Couro

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

Madeira

0,00

6,00

0,00

0,00

0,00

1,20

Restos de alimentos

5,70

7,30

4,20

0,00

5,30

4,50

Metais ferrosos

0,08

0,15

0,10

1,10

0,10

0,31

Metais não-ferrosos

0,20

0,30

0,15

0,20

0,10

0,19

 

Papel

2,40

5,90

2,80

2,40

2,00

3,10

Papelão

1,80

2,20

2,00

3,80

2,30

2,42

Plástico rígido +

3,30

4,60

1,60

1,00

2,70

2,64

Copos

descartáveis

Plástico maleável

2,90

3,90

1,70

2,40

1,10

2,40

Garrafa PET

1,40

1,30

0,70

0,60

1,40

1,08

 

Trapos

0,10

0,50

0,40

0,10

0,05

0,23

 

Vidro

0,00

1,70

0,10

4,30

0,10

1,24

 

Ossos

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

Outros 1 (b)

0,90

0,70

0,40

0,70

0,70

0,68

Outros 2 (c)

16,10

12,60

5,50

8,20

12,20

10,92

Cerâmica

3,50

0,00

0,00

0,00

0,00

0,70

Material perigoso (d)

0,05

0,08

0,10

0,08

1,10

0,28

Total (componentes)

38,43

48,23

19,75

24,88

29,25

32,11

Total (amostras)

41,00

51,50

21,30

27,50

34,80

35,22

Notas:

(a) Observaram-se resíduos classificáveis como do Grupo B e do Grupo E, considerando a classificação da RDC-

ANVISA nº 306/2004, e como Classe I Perigoso, segundo a NBR 10.004/2004;

(b)

Isopor e embalagens revestidas interiormente com laminado, como caixas de suco e pacotes de biscoitos;

(c)

Mistura de pedaços relativamente pequenos de restos de alimentos (principalmente), plástico maleável, papel

e papel higiênico;

(d) Material com possibilidade de ser classificado como perigoso por ser de origem de serviço de atendimento à

saúde animal e de análises e exames laboratoriais relacionados a animal. Devido à presença desses materiais em todas as caracterizações, os mesmos foram devidamente quantificados. Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

47

Tabela 12 Caracterização física, expressa em quilogramas, das amostras de resíduos sólidos classe II (a) coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN, na segunda semana de estudo.

 

Peso (kg)

Componente

20/09/10

21/09/10

22/09/10

23/09/10

24/09/10

Média

Segunda-

Terça-

Quarta-

Quinta-

Sexta-

(kg/dia)

 

feira

feira

feira

feira

feira

Borracha

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

 

Couro

0,00

0,00

0,00

0,20

0,00

0,04

Madeira

0,00

0,00

0,00

0,00

1,90

0,38

Restos de alimentos

16,90

0,00

2,80

4,50

2,60

5,36

Metais ferrosos

0,40

0,50

0,00

3,50

0,40

0,96

Metais não-ferrosos

0,60

0,30

0,40

0,20

0,10

0,32

 

Papel

1,40

1,70

2,70

2,40

3,80

2,40

Papelão

1,50

1,40

3,90

1,90

3,40

2,42

Plástico rígido +

1,60

1,70

2,20

1,60

2,10

1,84

Copos

descartáveis

Plástico maleável

3,70

2,40

3,30

2,70

2,60

2,94

Garrafa PET

1,30

1,40

1,00

1,40

0,70

1,16

 

Trapos

0,30

0,00

0,15

0,05

0,60

0,22

 

Vidro

0,70

0,00

0,00

0,00

0,50

0,24

 

Ossos

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

Outros 1 (b)

1,50

0,70

0,80

1,30

0,70

1,00

Outros 2 (c)

13,70

15,80

5,90

9,70

17,90

12,60

Cerâmica

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

Material perigoso (d)

0,50

0,15

0,30

0,10

0,10

0,23

Total (componentes)

44,10

26,05

23,45

29,55

37,40

32,11

Total (amostras)

44,20

26,60

24,10

31,60

37,90

32,88

Notas (a), (b), (c) e (d): idem às notas da Tabela 11. Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

A partir dos resultados apresentados nas Tabelas 11 e 12, foi possível calcular a

produção média diária de cada componente dos resíduos sólidos classe II na UFERSA,

campus Mossoró, no segundo semestre de 2010, presentes nas amostras, como mostra a

Tabela 13.

48

Tabela 13 Caracterização física referente à média respectiva de cada dia das duas semanas de estudo, expressa em quilogramas, das amostras de resíduos sólidos classe II (a) coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN.

 

Peso (kg)

Média

(kg/dia)

Componente

Segunda-

Terça-

Quarta-

Quinta-

Sexta-

feira

feira

feira

feira

feira

Borracha

0,05

0,00

0,50

0,00

0,00

0,11

 

Couro

0,00

0,00

0,00

0,10

0,00

0,02

Madeira

0,00

0,00

3,00

0,00

0,95

0,79

Restos de alimentos

11,10

2,85

5,05

4,35

1,30

4,93

Metais ferrosos

0,25

0,29

0,08

1,80

0,75

0,63

Metais não-ferrosos

0,35

0,25

0,35

0,18

0,15

0,26

 

Papel

1,70

2,05

4,30

2,60

3,10

2,75

Papelão

1,90

1,60

3,05

1,95

3,60

2,42

Plástico rígido +

2,15

2,50

3,40

1,60

1,55

2,24

Copos

Descartáveis

Plástico maleável

2,40

2,65

3,60

2,20

2,50

2,67

Garrafa PET

1,35

1,40

1,15

1,05

0,65

1,12

 

Trapos

0,18

0,05

0,33

0,23

0,35

0,23

 

Vidro

0,40

0,00

0,85

0,05

2,40

0,74

 

Ossos

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

0,00

Outros 1 (b)

1,10

0,80

0,75

0,85

0,70

0,84

Outros 2 (c)

12,95

15,95

9,25

7,60

13,05

11,76

Cerâmica

0,00

1,75

0,00

0,00

0,00

0,35

Material perigoso (d)

0,80

0,10

0,19

0,10

0,09

0,26

Total (componentes)

36,68

32,24

35,84

24,65

31,14

32,11

Notas (a), (b), (c) e (d): idem às notas da Tabela 11. Fonte: Dados obtidos através da pesquisa (2010).

Com base na tabela anterior, observa-se que nas segundas-feiras ocorrem uma

produção média maior de resíduos sólidos classe II. Um dos fatos que podem contribuir para

este resultado é de que nos fins de semana, apesar de não serem dias letivos, a universidade

conta com estudantes que residem nas vilas acadêmicas, onde os mesmos geram diversos

tipos de resíduos, principalmente os componentes Restos de alimentos e Outros 2, e a coleta

desses materiais somente ocorre nas segundas-feiras.

Na Tabela 14, são mostrados os resultados obtidos com relação à extrapolação dos

dados obtidos de peso médio dos componentes das amostras diárias dos dois estudos

semanais, para a produção total diária e semanal.

49

Tabela 14 Extrapolação dos dados referentes às amostras diárias obtidas nos dois estudos semanais para a produção total diária e semanal dos resíduos sólidos classe II (a) coletados na UFERSA, campus Mossoró-RN.

Componente

Peso médio

das

amostras

(kg/dia)

Peso médio extrapolado para produção total diária (kg/dia)

Peso médio extrapolado para produção total diária (kg/dia)
Peso médio extrapolado para produção total diária (kg/dia)
Peso médio extrapolado para produção total diária (kg/dia)

Peso médio extrapolado para produção total semanal (kg/semana) (e)

Peso médio extrapolado para produção total semanal (kg/semana) ( e )
Peso médio extrapolado para produção total semanal (kg/semana) ( e )
Peso médio extrapolado para produção total semanal (kg/semana) ( e )

Borracha

0,11

1,33

6,66

Couro

0,02

0,24

1,21

Madeira

0,79

9,57

47,85

Restos de alimentos

4,93

59,73

298,63

Metais ferrosos

0,63

7,67