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MATEMÁTICA

APLICADA

(FINANCEIRA)

Para o curso de Gestão

Unidade Chácara Santo Antônio

1º. Semestre de 2009

Prof a . Sandra Kuka Prof. Felix Prof. Wanderley

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

1. Matemática Financeira

1.1. Introdução à Matemática Financeira

1.2. Importância da Matemática Financeira

1.2.1. Aplicações

1.2.2. A Matemática Financeira e a Inflação

1.3. Taxas: percentual, unitária

1.5.

Fluxo de caixa

1.6. Juros Simples

1.6.1. Fórmulas do Juro e do Montante

1.6.2. Taxas Equivalentes

1.6.3. Juro Exato e Juro Comercial

2.1. Juros Compostos

2.1.1. Fórmula do Montante Composto

1.1. Introdução à Matemática Financeira

A Matemática Financeira compreende um conjunto de técnicas e formulações extraídas da

Matemática, com o objetivo de resolver problemas relacionados às Finanças de um modo geral, e que, basicamente, consistem no estudo do valor do dinheiro no tempo. Por sua vez, o valor do dinheiro no tempo relaciona-se à idéia de que, ao longo do tempo, o valor do dinheiro muda, quer em função de ter-se a oportunidade de aplicá-lo, obtendo-se

assim, uma remuneração (juros) sobre a quantia envolvida, quer em função de sua desvalorização por causa da inflação.

O

indispensáveis ao desenvolvimento do estudo da Matemática Financeira.

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valor do dinheiro no tempo e a existência dos juros são elementos interligados e

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1.2. Importância da Matemática Financeira

1.2.1. Aplicações

A Matemática Financeira visa estudar o valor do dinheiro no tempo, nas aplicações e nos pagamentos de empréstimos. Tal definição é bem geral; o leitor terá oportunidade de verificar, ao longo do texto, que a Matemática Financeira fornece instrumentos para o estudo e avaliação das formas de aplicação de dinheiro bem como de pagamento de empréstimos.

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1.2.2. A Matemática Financeira e a Inflação

Os conceitos de Matemática Financeira são integralmente aplicáveis tanto nos fluxos de caixa sem inflação, expressos em moeda estável “forte”, como nos fluxos de caixa

com inflação, expressos em moeda “fraca”, que perdeu seu poder aquisitivo ao longo do tempo, em decorrência da inflação. Iniciaremos nossos estudos considerando a hipótese de moeda estável, isto é, assume-se que a moeda utilizada no fluxo de caixa mantém o mesmo poder aquisitivo ao longo do tempo. A seguir, veremos os reflexos da inflação na análise dos fluxos de caixa, segundo os Modelos Prefixado e Pós-Fixado.

A diferença básica existente nos dois modelos corresponde ao valor percentual da

taxa de juros a ser adotada em cada caso. É evidente que nenhum conceito de

Matemática Financeira sofre qualquer alteração pela mera variação do valor da taxa

de juros.

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1.3. Taxas: percentual, unitária

A taxa de juro é o valor produzido numa unidade de tempo.

A taxa de juro pode se apresentar na forma percentual (exemplo: 11%) ou na forma unitária

(exemplo: 0,11) e é simbolizada pela letra i.

Forma Percentual

Transformação

Forma Unitária

 

20

 

20% a.m.

100

0,20 a.m.

 

3

 

3% a.a.

100

0,03 a.a.

 

13,5

 

13,5% a.m.

100

0,135 a.m.

 

5

 

5% a.d.

100

0,05 a.d.

1.4. Capital, juro e montante

Chamamos de capital a qualquer valor monetário que uma pessoa (física ou jurídica) empresta para outra durante certo tempo. Tendo em vista que o emprestador se abstém de usar o valor emprestado, e ainda, em função da perda de poder aquisitivo do dinheiro pela

inflação e do risco de não pagamento, surge o conceito de juro, que pode ser definido como o custo do empréstimo (para o tomador) ou a remuneração pelo uso do capital (para o emprestador). Se o empréstimo for devolvido em um único pagamento, o tomador pagará, ao final do prazo combinado, a soma do capital com o juro, que é denominada montante. As operações de aplicação e empréstimos são geralmente realizadas por meio da intermediação de uma instituição financeira, que capta recursos de um lado e os empresta de outro. A captação é feita a uma taxa menor que a de empréstimo e a diferença é a remuneração da instituição. São várias as opções de aplicação (também chamadas de instrumentos) que um investidor tem a sua disposição: por exemplo, a Caderneta de Poupança, o CDB (Certificado de Depósito Bancário) e outros. Cada opção tem sua taxa em função do prazo da aplicação e dos riscos envolvidos. Analogamente, os tomadores de empréstimos têm as várias opções de financiamento (instrumentos) cujas taxas variam em função dos prazos de pagamento e das garantias oferecidas. De um modo geral, quando as taxas sobem, os aplicadores tendem a aumentar a oferta de capitais, mas os tomadores tendem a diminuir a demanda por crédito. Na determinação das taxas de juros, o Governo tem uma grande influência, quer seja regulamentando o funcionamento das instituições financeiras, comprando ou vendendo títulos públicos, cobrando impostos, etc. Os fundos de investimento e os fundos de pensão e previdência também têm um importante papel na intermediação financeira. O dinheiro dos investidores captado pelos fundos de investimentos é utilizado para a compra de títulos públicos e privados ou ações. Por meio destes ganhos oferecidos por estes papéis, o investidor é remunerado (quando um investidor aplica num fundo de investimentos ele adquire um certo número de cotas deste fundo, e a valorização da cota é decorrente da rentabilidade de seus papéis). Comportamento análogo ocorre com os fundos de previdência e pensão, no qual o aplicador visa o recebimento de uma renda por ocasião de sua aposentadoria.

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Simbologia: Capital C Juro J Montante M Taxa i Período n

1.5. Fluxo de caixa

O fluxo de caixa de uma operação é a representação esquemática muito útil na resolução de problemas. Basicamente, consta de um eixo horizontal no qual é marcado o tempo, a partir de um instante inicial (origem); a unidade de tempo pode ser ano, mês, dia, etc. As entradas de dinheiro num determinado instante são indicadas por setas perpendiculares ao eixo horizontal e orientadas para cima; as saídas de dinheiro são indicadas da mesma forma, só que a orientação das setas é para baixo.

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1.6. Juros Simples

No regime de juros simples, os juros de cada período são sempre calculados em função do capital inicial (principal) aplicado. Os juros do período não são somados ao capital para o cálculo de novos juros nos períodos seguintes. Os juros não são capitalizados e, conseqüentemente, não rendem juros. Assim, apenas o principal é que rende juros. 7

1.6.1. Fórmulas do Juro e do Montante

Juro J = C.i.n

Montante M = C + J

ou

M = C + (C.i.n)

M

= C.( 1 + i.n)

Observações:

1. Na fórmula dos juros e do montante, é necessário que i e n sejam expressos na mesma unidade (por exemplo, se i for taxa mensal, n deve ser expresso em meses).

2. Embora a fórmula tenha sido reduzida para n inteiro, ela é estendida para n fracionário.

Exemplo 1:

Um capital de R$ 5.000,00 foi aplicado a juros simples, durante três anos, à taxa de 12% a.a.

1. Obtenha os juros.

2. Obtenha o montante.

Exemplo 2:

Um capital de R$ 7.000,00 é aplicado a juros simples, durante um ano e meio, à taxa de 8% a.s. (ao semestre).

1. Obtenha os juros.

2. Obtenha o montante.

Exemplo 3:

Uma televisão e vendida à vista por R$ 1.500,00 ou, então, a prazo com R$ 300,00 de entrada mais uma parcela de R$ 1.308,00 após três meses. Qual a taxa mensal de juros simples do financiamento

1.6.2. Taxas Equivalentes

A taxa e o tempo devem ter sempre a mesma unidade de medida. Por exemplo, se i

for uma taxa diária, t deverá ser em dias; se a taxa for mensal, t deverá ser em meses,

e assim por diante.

Exemplo 1:

Em juros simples, qual a taxa anual equivalente a 1% a.m. ?

Exemplo 2:

Em juros simples, qual a taxa mensal equivalente a 9% a.t. ?

Assim, por exemplo:

• 4% a.b. (ao bimestre) é equivalente a 2% a.m.

• 6% a.t. (ao treimestre) é equivalente a 2% a.m.

• 12% a.s. (ao semestre) é equivalente a 2% a.m.

• 24% a.a. (ao ano) é equivalente a 2% a.m.

1.6.3. Juro Exato e Juro Comercial

O prazo de aplicação pode ser contado em dias, meses, bimestres, trimestres,

quadrimestres, semestres, anos, etc. e pode ser:

Prazo Exato:

É aquele que usa o ano civil de 365 dias ou 366 dias (ano bissexto), em que os dias

são contados pelo calendário. Assim, o mês pode ter:

? 28 ou 29 dias (anos bissextos) (fevereiro)

? 30 dias (abril, junho, setembro, novembro)

? 31 dias (janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro, dezembro)

Prazo Comercial:

É aquele que usa o ano comercial, no qual o mês tem sempre 30 dias e o ano, 360

dias.

Um capital de R$ 5.000,00 foi aplicado por 42 dias à taxa de 30% a.a. no regime de juros

simples.

1. Obtenha os juros exatos.

2. Obtenha os juros comerciais.

Exemplo 2:

Um capital de R$ 4.000,00 foi aplicado a juros simples por 72 dias; um outro capital de R$ 5.000,00 foi também aplicado a juros simples, à mesma taxa, durante 45 dias. Determine a taxa anual (convençâo de juros comerciais), sabendo-se que a diferença entre os juros da primeira aplicaçâo e da segunda sâo iguais a R$ 31,50.

EXERCÍCIOS - JUROS SIMPLES

1)

Uma pessoa aplicou R$ 3.000,00 à taxa de 2% ao mês durante 5 meses.

a)

Quanto receberá de juro se o regime for de juro simples?

b)

Que montante terá ao fim dessa aplicação?

2)

Um investidor aplicou R$ 15.000,00 à taxa de 30% ao ano. Qual será o juro obtido ao fim

de 80 dias, sob regime de juro simples?

3)

Determine o prazo em que duplica um capital aplicado à taxa de juro simples de 4% a.m.

4)

Qual é o juro simples que um capital de R$ 7.000,00 rende quando aplicado:

a)

durante 4 meses, a uma taxa de 2,5% a.m.?

b)

durante 1 ano, a uma taxa de 3% a.m.?

c)

durante 3 meses, a uma taxa de 0,15% a.d.?

5)

Calcule o capital que deve se empregar à taxa de 6% a.m., a juro simples, para obter

R$ 6.000,00 de juro em 4 meses.

6) Determine o montante simples obtido na aplicação de um capital de R$ 12.000,00, à taxa

de 1,5% ao mês, pelo prazo de 9 meses.

7) Deolindo aplicou R$ 1.000,00 à taxa de 50% ao ano. Qual será o juro acumulado ao fim

de 70 dias, sob regime de:

a)

juro simples comercial?

b)

juro simples exato?

8)

Um capital de R$ 8.000,00, aplicado durante 6 meses, resulta em um montante de

R$ 9.200,00. Determine a taxa mensal de juro simples dessa aplicação.

9) Uma loja oferece um computador e uma impressora por R$ 3.000,00 à vista, ou por 20% do valor à vista como entrada e mais um pagamento de R$ 2.760,00 após 5 meses. Qual é a taxa de juro simples cobrada?

10) Calcular o tempo que um capital de R$ 20.000,00 deve permanecer aplicado a uma taxa de juro simples de 25% ao mês, para render juro de R$ 15.000,00.

11) A que taxa mensal deve ser aplicado um capital de R$ 48.000,00 durante 3 meses e 20 dias para produzir R$ 440,00 de juro simples?

12) Em quanto tempo um capital de R$ 80.000,00, aplicado à taxa anual de 11%, produz R$ 4.400,00 de juro?

2.1. Juros Compostos 8

Juros compostos, acumulados ou capitalizados, são os que, no fim de cada período, são somados ao capital constituído no início, para produzirem novos juros no período seguinte. Seja, por exemplo, um capital de R$ 1.000,00 colocado a 20% a.a. durante 4 anos. i = 20% a.a. = 20 = 0,2 a.a.

100

Ano

Capital no início do ano

Juros correspondentes ao ano

Montante no final do ano

1

R$ 1.000,00

1.000,00 x 0,2 = 200

R$ 1.200,00

2

R$ 1.200,00

1.200,00 x 0,2 = 240

R$ 1.440,00

3

R$ 1.440,00

1.440,00 x 0,2 = 288

R$ 1.728,00

4

R$ 1.728,00

1.728,00 x 0,2 = 345,60

R$ 2.073,60

Comparando os juros compostos com os juros simples, verifica-se que os primeiros crescem em progressão geométrica, enquanto os juros simples são constantes em todos os períodos, pois são calculados sempre sobre o capital inicial. No problema citado os juros simples são iguais a 200 reais em todos os anos. Assim, o montante do capital de 1.00 reais, a juros simples de 20% a.a., cresce numa progressão

aritmética de razão 200, enquanto o montante a juros compostos cresce em progressão geométrica de razão 1,2. O quadro abaixo apresenta a evolução dos montantes a juros simples e compostos:

Anos

0

1

2

3

4

Montante Juros Simples

1.000

1.200

1.400

1.600

1.800,00

Montante Juros Compostos

1.000

1.200

1.440

1.728

2.073,60

2.1.1. Fórmula do Montante Composto: M = C.(1 + i) n

EXEMPLOS 9

1) Um capital de R$ 6.000,00 foi aplicado a juros compostos durante 3 meses, à taxa de 2% a.m. a) Qual o montante? b) Qual o total de juros efetuados?

2) Qual o capital que, aplicado a juros compostos à taxa de 2,5% a.m., produz um montante de R$ 3.500,00 após um ano?

3) Um capital de R$ 2.500,00 foi aplicado a juros compostos durante 4 meses, produzindo um montante de R$ 3.500,00. Qual a taxa mensal de juros?

1 A. L. Bruni e R. Famá em Matemática Financeira com HP 12C e Excel, p. 18.

2 A. L. Puccini em Matemática Financeira - objetiva e aplicada, p.1.

3 S. Hazzan e J. N. Pompeo em Matemática Financeira, 5ª. ed., p. 1.

4 A. L. Puccini em Matemática Financeira - objetiva e aplicada, p.4.

5 S. Hazzan e J. N. Pompeo em Matemática Financeira, 5ª. ed., p. 1-2.

6 Idem, p. 6.

7 A. L. Puccini em Matemática Financeira - objetiva e aplicada, p. 12.

8 W. De Franco em Matemática Financeira, 7ª. ed., p. 38-39; J. D. V. Sobrinho em Matemática Financeira, 7ª. ed., p. 35 e S. Hazzan e J. N. Pompeo em Matemática Financeira, 5ª. ed., p. 2.

9 S. Hazzan e J. N. Pompeo em Matemática Financeira, 5ª. ed., p. 30-33.