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Silagem de milho

Marcos Neves Pereira


GZO119
Atributos da boa silagem
• Adequada sanidade aos animais
• Alta digestibilidade do amido e da fibra
• Alta fibra fisicamente efetiva
• Baixa perda de matéria seca no
armazenamento e desensilagem
• Não deprime o consumo
• Alta estabilidade aeróbica
• Produzida e manejada sem acidentes
Porque silagem de milho ?
• Alta produção de matéria seca por unidade de área em baixa
frequência de cortes
• Possibilidade de produção de forragem de baixo custo por kg
de matéria seca
• Período de plantio relativamente longo (quando irrigado)
• Possibilidade de colheita para grão ou silagem
• Colheita sem perda significativa de folhas
• Bom padrão de fermentação no silo (MS ~35%, alto teor de
carboidratos não fibrosos, baixo poder tamponante)
• Facilidade de mecanização na ensilagem e na alimentação
• Alto conteúdo energético e boa palatabilidade. Possibilita alto
desempenho animal com baixo uso de alimentos
concentrados
Fatores determinantes de qualidade
• Escolha do híbrido
• Tratos culturais/Época de plantio
• Momento de colheita em torno de ½ da linha do leite
• Maquinário capaz de danificar o grão
• Enchimento rápido, compactação contínua, enchimento
horizontalizado em trincheiras
• Manutenção de vedação durante o período de utilização
• Descarregamento em corte de toda a face da massa ensilada
afetando ao mínimo a compactação do remanescente
• Descarregamento imediatamente antes do fornecimento aos
animais
• Sem acúmulo de restos de silagem e barro no silo
• Manejo de solo que compense a compactação e remoção de
toda a massa vegetal, inevitáveis no processo de ensilagem
do milho no período chuvoso do ano (plantio direto na
palha)
Degradação Ruminal da MS (%) Digestibilidade vs Produtividade
59
57
55
53
51
49
y = 53,7 + 0,0383x
47 R2 = 0.0013
45
9 12 15 18 21
Produção de Matéria Seca (t/hect)
Fonseca et al., 2002
Degradação Ruminal da MS (%) Digestibilidade vs Produtividade
59
57
55
53
51
49
y = 53,7 + 0,0383x
47 R2 = 0.0013
45
9 12 15 18 21
Produção de Matéria Seca (t/hect)
Fonseca et al., 2002
Degradação Ruminal da MS (%) Digestibilidade vs Produtividade
59
57
55
53
51
49
y = 53,7 + 0,0383x
47 R2 = 0.0013
45
9 12 15 18 21
Produção de Matéria Seca (t/hect)
Fonseca et al., 2002
Armazenamento por ensilagem
Silagem
Fase aeróbica (~1 dia)
Oxigênio na massa é consumido por respiração pela planta e
microorganismos. Meta é alcançar anaerobiose rapidamente

Fase lag (~1 dia)


Ocorre quebra das membranas celulares da planta, fazendo com
que o fluído celular se torne meio de cultura para bactérias

Fase fermentativa (~12 dias)


Bactérias anaeróbicas iniciam crescimento baseado em açúcares
da planta e produzem ácidos lático e acético, cujo acúmulo
reduz pH da silagem

Fase estável (até contactar oxigênio)


pH 3,8 a 5,0

Abertura
Deterioração aeróbica por leveduras e fungos
Silagem
Preservar material digestível para o animal
Processos biológicos após a colheita reduzem a
qualidade nutricional e a quantidade de alimento
Perdas não podem ser eliminadas,mas podem ser
minimizadas

Baixo pH (3,8 a 4,5) inibe crescimento microbiano e


atividade enzimática da planta

Princípio:
Excluir oxigênio da massa de forragem e reduzir o
pH rapidamente por fermentação bacteriana

Maior perda ocorre na estocagem e descarregamento


Normalmente perde o que é bom nutricionalmente
Inoculantes
Bactérias homofermentativas (Lactobacillus plantarum):
Ácido lático. Induzir queda mais rápida do pH e reduzir
perda fermentativa. $ da redução na perda por tonelada
(~ 1 a 2%) vs. $ do inoculante por tonelada

Bactérias heterofermentativas (L. buchneri):


Ácidos lático e acético. Inibem crescimento de fungos e
aumentam a estabilidade aeróbica. Aumentam a perda
fermentativa. Podem reduzir necessidade de frequência
de alimentações e descarregamentos por dia ($ mão-de-
obra)
Fatores da silagem danosos ao animal
• Microbiológicos: Clostridium botulinum, Bacillus
cereus, Listeria monocytogenes, Escherichia coli
produtora de toxina Shiga, Mycobacterium
bovis, várias espécies de fungos
• Toxinas de plantas
• Alkaloides produzidos por fungos nas plantas
• Fatores químicos
• Queiroz et al., 2018. J. Dairy Sci. 101:4132

• Solução: práticas adequadas de confecção da


silagem que promovam queda rápida e
suficiente no pH e evitem deterioração aeróbica
Recomendações

Silagem de Silagem de Silagem de Silagem de Silagem de


leguminosa leguminosa gramínea milho grão de
(< 30-35% MS) (45-55% MS) (25-35% MS) (30-40% MS) milho
(70-75% MS)
pH 4,3 – 4,5 4,7 – 5,0 4,3 – 4,7 3,7 – 4,0 4,0 – 4,5
Ácido lático, % 6–8 2–4 6 – 10 3–6 0,5 – 2
Ácido acético, % 2–3 0,5 – 2 1–3 1 -3 < 0,5
Ácido propiônico, % < 0,5 < 0,1 < 0,1 < 0,1 < 0,1
Ácido butírico, % < 0,5 0 < 0,5 - 1 0 0
Etanol, % 0,5 – 1 0,5 0,5 – 1 1 -3 0,2 – 2
N-NH3, % N total 10 -15 < 12 8 -12 5 -7 < 10

Kung Jr et al 2018. JDS 101:4020


Teor de fibra (FDN) e valor
nutricional da silagem
Degradação Ruminal da MS (%) Fibra vs Digestão
59
57
55
53
51
49
y = 79,5 -0.4614x
47 R2 = 0.54
45
44 47 50 53 56 59 62 65
Fibra em Detergente Neutro (% da MS)
Fonseca et al., 2002
40

Digestibilidade ao
redor de 90% 8
3
~15% da MS
4
Digestibilidade ao
redor de 40%

45

PB EE Cinzas FDN CNF


Textura do grão

Digestibilidade
Quebra mecânica
Janela de colheita
Pericarpo Endosperma Pedicelo Germe ou
(5%) (82%) (1%) Embrião (12%)
Endosperma dos grãos
• Endosperma: 75 a 80% do grão de milho
• Amido + proteínas
• Albuminas, globulinas, glutelinas e prolaminas
• Prolaminas são associadas ao amido
• Zeína (milho), gliadina (trigo), kafirina (sorgo)
• Zeína: 50 a 60% da proteína no grão de milho
• Rica no aminoácido prolina (hidrofóbico)
• Não solúveis em água ou fluído ruminal
• 4 tipos: α, β, γ, δ
• Aumenta com a maturação
Textura do grão

Duro ou Flint Macio ou (Dentado)


ou Vítreo ou Farináceo
Farináceo Vítreo
Digestibilidade vs Vitreosidade
90
Degradação ruminal do

80
Brasileiros
amido (%)

70
60
50
40
30 40 50 60 70 80
% de endosperma vítreo

Correa et al. (2002)


Ponto de colheita para silagem
Maturidade fisiológica

1/2 linha do leite


2/3 linha do leite
Linha prêta
Grãos - 62 a 65% de MS
Grão + sabugo - 55% de MS
Planta inteira - 32 a 36% de MS
Maioria das folhas superiores verdes
Folhas inferiores com graus variados de secagem
Proporção de partes da planta com
relação à matéria seca total

Parte da planta Dentado inicial Milho duro


Grão 33 42
Sabugo 8 9
Folha 22 19
Caule 29 24
Palha 8 6

Fonte: Iowa State University


Matéria seca colhida (%)

65
70
75
80
85
90
95
100

25
Imaturidade, efluente
e fermentação indesejável

30
35
Ótimo

40
Perdas no campo , pouca
compactação no silo,

45
muita sobra de cocho
50
55
Matéria seca da planta inteira (%)
60

Maturidade fisiológica
65
Maturidade versus M.S. Colhida
Composição química de silagens de milho
Dentado 1/4 linha 2/3 linha Linha
inicial de leite de leite prêta
MS (%) 30,1 32,4 35,1 42,0
PB (%) 7,5 7,3 7,1 7,0
FDN (%) 52,0 44,4 40,5 41,3
Amido (%) 18,2 28,7 37,2 37,4

Digestibilidade (33,5% de silagem nas dietas)


MO 65,2 64,9 63,8 60,4
FDA 45,7 38,3 33,6 29,4
Amido 94,1 92,9 92,2 87,7

Bal et al., 1997


Degradação ruminal de milho duro ou
macio em 3 estádios de maturação

41.1
86.2

45
100
73.3

40
Degradação em 24 horas

90 65.0

61.4

Resíduo de 72 horas
80 35
70 30

42.3
60 25

16.9
50
20
40 19.0
30 15

4.8
20 10

3.7
1.9

1.2
10 5
0
0
Dentado inicial 1/2 Linha do Linha prêta
Dentado inicial 1/2 Linha do Linha prêta
Leite
leite

Flint Dentado
Flint Dentado

P < 0,001 para interação entre textura e estádio Calestine et al., 2001
Textura do grão e janela de
colheita
♦ 1/2 linha do leite ■ linha preta ▲ maduro
65
Vitreosidade (% do endosperma)

60

55

50

45

40

35

30
130 140 150 160 170 180 190
Dias do plantio à colheita
Corrêa et al., 2002
Máquinas para ensilagem
Pericarpo do grão (Fibra)
Processamento da fibra e do
amido na silagem
8 mm
19 mm
Silagem de milho
Matéria natural < 8 mm
63,4%

35,0% 34,6%

21,5% 20,2%

10,1%

Barbosa. Não publicado


Barbosa. Não publicado
KPS
• Kernel Processing Score (Ferreira e
Mertens, 2005. JDS 88:4414)
• Escore de Processamento dos grãos

• % do amido não retido em peneira com


crivo retangular de 4,75 mm

• Meta: > 75%


• Ruim: < 50%

• Dosagem de amido e Ro-Tap shaker


Ro-Tap Shaker
Grãos inteiros na silagem

• Retidos na peneira de 8 mm do
Separador de Partículas da Penn State
• % da massa de silagem (400-500 g)
• Monitorar ensilagem (volume)
• Dureza do híbrido, estágio de
maturação, máquina
• Meta: < 10/500 g
Silagens de milho de 17 fazendas leiteiras do sul de
Minas usando máquina automotriz com processador
Fazenda Sistema1 Vacas Leite/Vaca MS FDN Amido > 19 mm 8-19 mm < 8 mm Inteiros Inteiros

kg/d % da MN % da MS % da MN N/400 g g/400 g

1 CB 240 32,1 30,0 37,0 35,1 22,5 60,9 16,6 3 1,0


2 FS 800 33,1 32,0 40,0 31,0 17,5 65,5 17,0 18 7,0
3 FS 310 36,1 31,0 39,6 32,9 14,4 67,0 18,6 2 0,6
4 FS 770 33,8 31,0 41,6 32,1 8,5 71,5 20,0 3 1,5
5 FS 330 33,3 31,0 39,4 33,5 8,0 71,7 20,3 1 0,3
6 FS 160 26,3 30,0 42,5 29,5 10,0 69,0 21,0 20 8,0
7 FS 550 30,0 34,0 42,0 30,7 16,0 63,0 21,0 5 2,5
8 SC 180 33,9 34,0 38,5 34,5 9,0 70,0 21,0 19 6,0
9 FS 135 31,1 38,0 39,4 33,5 15,1 63,3 21,6 5 2,0
10 SC 100 21,5 32,5 41,4 34,5 4,2 73,4 22,4 7 2,0
11 SC 90 24,4 30,0 45,0 28,5 4,1 73,4 22,5 20 7,0
12 SC 250 24,0 30,0 41,6 32,0 18,0 59,0 23,0 2 0,6
13 FS 130 32,3 40,0 37,5 35,5 11,0 66,0 23,0 7 3,0
14 SC 200 25,5 36,0 38,8 33,0 20,2 53,2 26,6 0 0
15 CB 215 30,7 40,0 42,0 33,0 22,5 50,7 26,8 0 0
16 CB 230 22,6 33,0 41,0 33,0 10,0 54,0 36,0 7 3,0
17 SC 120 20,0 37,0 34,5 40,0 2,8 59,7 37,5 8 2,5

Média 283 28,9 33,5 40,1 33,1 12,6 64,2 23,2 7,5 2,8
SC = Semiconfinamento
CB = Compost barn
FS = Free stall
Metas na ensilagem

• Propelida por trator


• < 30% da MN < 8 mm (25)

• Automotriz com cracker


• < 20% da MN < 8 mm (15)

• Sem grãos inteiros na caixa de 8 mm e sem


sabugos na caixa de 19 mm
Enchimento/Compactação
Vedação
Descarregamento
20 cm/d

Borreani et al 2018. JDS 101:3952


Borreani et al 2018. JDS 101:3952
Manejo de solo em área de
silagem de milho
Tipos de silagem de grão
• Silagem de grão úmido
– Grãos
– Grãos + Sabugo (Earlage)
– Espiga (Snaplage)

• Silagem de grão reidratado


(Milho ou sorgo)
54% FDN 33% FDN 15% FDN
23% Amido 48% Amido 67% Amido
>19 mm 8-19 mm <8 mm
8,9% da MS 39,4% da MS 51,7% da MS

Snaplage
MS: 47% da MN. FDN: 30% da MS.
Amido: 50% da MS. FDN>8mm: 26% da MS
Silagem de grão úmido

• Colheita no estágio de maturação de


linha negra (ideal 35 a 40% de
umidade do grão)
• Grãos colhidos mais cedo que maduro
• Não requer hidratação
• Moagem grosseira ou esmagamento
• Colheita com janela curta
Silagem de grão reidratado

• Colheita com maior janela e mais fácil


• Permite moagem fina
• Compra de milho em grão ou fubá
• Opção em milho úmido com pouca
umidade (hidratação parcial)
• Opção para sorgo
• Programável
Silagem de Milho Reidratado
• Incorporar àgua de forma uniforme para obter teor
de umidade acima de 30% da matéria natural (Ideal
35 a 38% de umidade) (>250 litros por tonelada de
grão)
• É recomendável usar inoculante bacteriano na
ensilagem
• Encher o silo rapidamente e compactar bem
• Retirar camadas de pelo menos 15 cm/dia ao
descarregar (Densidade ≈ 900 kg/m3). Estimar o
gasto diário para dimensionar os silos
• Manter a vedação e a compactação ao longo do uso
(ar é inimigo de silagem)
• A abertura do silo pode ser realizada poucos dias
após a ensilagem e com aumento no tempo de
armazenamento ocorre ganho na digestibilidade
Silo 1 x 1 m

20 cm
descarga/dia

Em torno de 200
kg de milho
reidratado
Duração do armazenamento e
digestibilidade do amido
Digestibilidade do amido (%)

Duração do armazenamento (dias)

Kung Jr et al 2018. JDS 101:4020