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442)

HABEAS CORPUS Nº 590860 - RJ (2020/0149059-5)

RELATOR : MINISTRO NEFI CORDEIRO


IMPETRANTE : MARCELO SEDLMAYER JORGE E OUTROS
ADVOGADOS : CLÁUDIO FIGUEIREDO COSTA - RJ001584B
MARTA BARBOSA LEÃO - RJ103833
ANA CAROLINA REIS MAGALHÃES - DF017700
MARCELO SEDLMAYER JORGE - DF025447

O
ANTENOR MAFRA PEREIRA LIMA - RJ188848
LUIS GUILHERME FERRANTE VIEIRA SCHERMA REIS -

AD
RJ210440
RAPHAEL THADEU CARVALHO DIAS GAUDIO - RJ224377
IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
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PACIENTE : LEANDRO BRAGA DE SOUSA (PRESO)


IC
CORRÉU : LISLE RACHEL DE MONROE CARVALHO
CORRÉU : LUIZ ROBERTO MARTINS
BL

CORRÉU : LUCIANO LEANDRO DEMARCHI


CORRÉU : CARLA DOS SANTOS BRAGA
INTERES. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PU

DECISÃO

Trata-se de habeas corpus impetrado em face de decisão que indeferiu pedido


O

liminar em writ na origem (fls. 47-53).


O paciente, que ocupava o cargo de administrador da empresa LP Farma


Comércio Importação e Exportação e Distribuidora de Produtos Hospitalares LTDA, foi
investigado na chamada Operação "Filhote de Cuco", que apura a desvio de
aproximadamente R$ 3,95 milhões em recursos públicos da saúde no Município de
Duque de Caxias, no período entre julho de 2016 até a data da denúncia.
A denúncia foi oferecida em 16/3/2020, pela prática dos delitos previstos no art.
2º, § 4º, II, da Lei nº 12.850/2013, art. 312, 2ª parte, c.c. o art. 29 e 30 (262 vezes), na
forma do art. 71 do Código Penal, e a prisão preventiva foi decretada em 15/5/2020.
A defesa busca a revogação da prisão preventiva ou a aplicação de medidas
cautelares diversas ou ainda o substituição da custódia por prisão domiciliar, aduzindo,
em suma, a ausência de fundamentos concretos e de contemporaneidade para a
decretação da prisão.
Alega que o paciente possui grave quadro de saúde, integrando o grupo de risco
elencado na Recomendação n. 62/2020 do CNJ e foi proibida a entrada no
estabelecimento prisional do aparelho nasal indispensável ao seu tratamento, o que pode

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lhe causar morte súbita.
Sustenta que não foi disponibilizada a cópia integral dos autos à defesa, bem
como que o paciente possui condições pessoais favoráveis, além de que houve a
concessão da ordem a corré em writ conexo.
Na origem, processo n. 0017495-91.2020.8.19.0021 encontra-se na fase inicial,
tendo havido a intimação para a apresentação da defesa em 19/6/2020, conforme
informações processuais eletrônicas extraídas do site do Tribunal a quo em 30/6/2020.
É o relatório.
DECIDO.
A teor do disposto no enunciado da Súmula n. 691 do Supremo Tribunal Federal
e plenamente adotada por esta Corte, em princípio, não se admite a utilização de habeas
corpus contra decisão negativa de liminar proferida em outro writ na instância de origem,
sob pena de indevida supressão de instância.

O
A despeito de tal óbice processual, tem-se entendido que tão somente em casos
excepcionais, quando evidenciada a presença de decisão teratológica ou desprovida de

AD
fundamentação, é possível a mitigação do referido enunciado.
Na origem, a liminar foi indeferida nos seguintes termos (fls. 52-53):
[...].A digna autoridade judicial apontada coatora justificou e bem, ao menos em tese, que um
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decreto prisional não somente se justifica diante de crimes cometidos com violência ou grave
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ameaça e bem contextualizou a contemporaneidade dos fatos porquanto ainda manteriam os
acusados relações contratuais com o Poder Público, sendo certo que este Relator verificou
que a Denúncia afirma que os fatos continuaram sendo praticados até a data da deflagração
BL

da ação penal.

Se isso é uma verdade ou não o é, não cabe qualquer afirmação ou conclusão nesta fase da
ação constitucional até mesmo porque a ação penal há pouco se iniciou.
PU

Por outro lado, sabe-se das dificuldades das defesas técnicas de acusados de crimes
associativos ou organizacionais de acesso ao material probatório que instrui a Denúncia,
mais ainda quando se está em momento de limitações do atuar forense em razão da pandemia
relacionada ao Covid-19.
O

No entanto, a digna autoridade judicial apontada como coatora na decisão impugnada,


esclareceu às defesas técnicas da paciente e corréus como procedeu para permitir à defesa

acesso a todo o processado, prontificando-se inclusive a contatos pessoais se forem


necessários.

Portanto, seja em razão da justa causa que norteou o recebimento da denúncia e a fundada,
ao menos em tese, decisão impugnada, razão não há por ora, para que se antecipe tutela
posto não se vislumbrar ilegalidade manifesta ou inexistência de suporte mínimo a
fundamentar a decisão atacada, a qual por ora é mantida, em sede de liminar.[...].

Ante o exposto, indefiro a antecipação de tutela.[...].

A prisão preventiva foi decretada sob os seguintes fundamentos (fls. 204-206):


[...]. A denúncia descreve de forma detalhada as quatro etapas da rotina criminosa,
evidenciando a conduta de cada um dos denunciados em relação ao crime de peculato-
desvio. As etapas foram assim discriminadas: 1ª -Emissão e encaminhamento de planilhas
com quantidades superfaturadas; 2ª - Emissão de notas superfaturadas; 3ª - Pagamento dos

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valores superfaturados e 4ª - Arrecadação dos valores desviados.

Nos termos descritos na denúncia, a 1ª etapa consistia na emissão e encaminhamento de


planilhas com quantidades superfaturadas. O denunciado LUIZ ROBERTO MARTINS
determinava a denunciada e Superintendente Administrativa e Financeira LISLE RACHEL
MONROE DE CARVALHO (diretamente ou por intermédio da Gerente Financeira Tamara
Felix Figueira dos Santos) a emissão a cada mês de planilhas indicando quantidades
superfaturadas das refeições fornecidas pela Empresa DORVILLE, as quais eram em seguida
encaminhadas pelo denunciado e Superintendente de Serviços de Saúde LUCIANO
LEANDRO DEMARCHI para a empresária e denunciada CARLA DOS SANTOS BRAGA.

Na 2ª etapa CARLA DOS SANTOS BRAGA, com o conhecimento e consentimento de


LUIZ ROBERTO MARTINS, emitia notas fiscais superfaturadas em nome de DORVILLE
REFEIÇÕES LTDA, indicando o fornecimento de refeições em quantidades superiores ao
serviço efetivamente prestado, conforme as planilhas preparadas por LISLE RACHEL
MONROE DE CARVALHO, e encaminhadas por LUCIANO LEANDRO DEMARCHI. Na

O
3ª etapa LUIZ ROBERTO MARTINS, ciente do superfaturamento nas notas fiscais emitidas
em nome da DORVILLE REFEIÇÕES LTDA., autorizava a realização dos pagamentos a
maior em favor da empresa de CARLA DOS SANTOS BRAGA.

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Na 4ª etapa CARLA DOS SANTOS BRAGA, com o conhecimento e consentimento de
LUIZ ROBERTO MARTINS e LUCIANO LEANDRO DEMARCHI, promovia o repasse
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dos valores recebidos a maior para o empresário e denunciado LEANDRO BRAGA DE


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SOUSA. Tal repasse poderia ocorrer mediante a entrega de dinheiro em espécie, sacado ́na
boca do caixa, ou mediante o pagamento de boletos repassados a CARLA DOS SANTOS
BRAGA por LEANDRO BRAGA DE SOUSA.
BL

Pontua o órgão ministerial que desde data que não se pode precisar, mas em estado de
permanência ininterrupto foi identificado a partir de março de 2016 até o oferecimento
da presente denúncia, primordialmente na cidade de Duque de Caxias(RJ), em
PU

comunhão de ações e desígnios e prévio acordo de vontades e divisão de tarefas


pormenorizadamente descritas, os denunciados na presente peça acusatória, associados
a terceiros ainda não identificados, constituíram e integraram, pessoalmente e de
maneira estável, organização criminosa preordenada a obter vantagens da
Administração Pública, com o fim específico de cometer crimes, e em especial o delito
O

de peculato, mediante desvio de recursos públicos geridos por organização social de


saúde [...].

No caso em tela, há fortes indícios, através do conjunto probatório, de que os acusados


com vontades livres e conscientes e mediante comunhão de ações e desígnios entre si e
com outros elementos não identificados, associaram-se para a prática do crime
estelionato-desvio, bem como de organização criminosa.

Cabe ressaltar, conforme destaca o órgão ministerial que a segregação da liberdade deve
pairar nos principais articuladores e executores de todo o esquema delituoso, vez que há
fortes indícios da existência de um complexo mecanismo criminoso, com a finalidade de
desviar verbas públicas e ocultar-lhes a origem e disponibilidade.

Verifica-se, portanto, que todo o modus operandi da organização criminosa, bem como
a descrição das funções desempenhadas individualmente por cada um dos denunciados
estão expostos nos autos, tratando-se de fatos gravíssimos, que envolvem o desvio de
milhões de reais da saúde, restando claro que a liberdade dos acusados coloca em risco
a ordem pública e a própria sociedade, que fica refém dos desvios de verbas públicas
que intensificam as dificuldades enfrentadas pelo Estado do Rio de Janeiro,

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acarretando um dano irreparável aos cofres públicos e em especial ao Sistema Único de
Saúde.

Por sua vez, há perigo de se manter os denunciados em liberdade, uma vez que a ausência de
acautelamento dos acusados pode causar prejuízos à instrução processual, com a possível
destruição de provas e coação de testemunhas.

Por fim, encontra-se presente o requisito previsto no inciso I do artigo 313 do Código de
Processo Penal, tendo em vista que os crimes indicados são graves e possuem penas
máximas superiores, em muito, a 4 anos.

Frise-se, ainda, que, analisando atentamente o rol das medidas cautelares diversas da prisão
constante do artigo 319 do Código de Processo Penal, não há, neste momento e neste caso,
qualquer medida a ser imposta com efetividade.

Compete ao Poder Judiciário velar pela solução dos conflitos e trazer a paz à sociedade, que
tanto é assolada pela prática das condutas descritas na peça acusatória, gerando uma série de

O
problemas à população do Estado, que enfrenta inúmeras dificuldades no acesso à saúde e,
nos tempos atuais, uma crise generalizada nos hospitais públicos, em função da pandemia

AD
causada pelo novo corona vírus.

Pelas razões alinhadas, DECRETO a prisão preventiva dos denunciados LUIZ ROBERTO
MARTINS, LUCIANOLEANDRO DEMARCHI, LISLE RACHEL DE MONROE
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CARVALHO, CARLA DOS SANTOS BRAGA eLEANDRO BRAGA DE SOUSA, na


IC
forma do art. 282, § 6º, c.c. artigos 312 e 313, I, todos do CPP. [...].
BL

Como se vê, a prisão preventiva foi justificada com esteio no fato de o paciente
fazer parte de organização criminosa acusada de desvio de vultuosos valores da Prefeitura
de Duque de Caxias/RJ, ao superfaturar compras referentes à aquisição de alimentos para
PU

o Município, pois todo o modus operandi da organização criminosa, bem como a descrição das
funções desempenhadas individualmente por cada um dos denunciados estão expostos nos autos,
tratando-se de fatos gravíssimos, que envolvem o desvio de milhões de reais da saúde, restando claro que
a liberdade dos acusados coloca em risco a ordem pública e a própria sociedade, que fica refém dos
desvios de verbas públicas que intensificam as dificuldades enfrentadas pelo Estado do Rio de Janeiro,
O

acarretando um dano irreparável aos cofres públicos e em especial ao Sistema Único de Saúde.
Com efeito, a crise mundial da Covid-19 trouxe uma realidade diferenciada de

preocupação com a saúde em nosso país e faz ver como ainda de maior risco o
aprisionamento — a concentração excessiva, a dificuldade de higiene e as deficiências de
alimentação naturais ao sistemas prisional acarretam seu enquadramento como pessoas
em condições de risco.
O Judiciário brasileiro permanece atuando, mas com redução de audiências e
suspensão dos prazos, assim prolongando a conclusão dos feitos, daí gerando também
maior risco pela demora das prisões cautelares. Nesse momento, configurada a
dificuldade de rápida solução ao mérito do processo e o gravíssimo risco à saúde, o
balanceamento dos riscos sociais frente ao cidadão acusado merece diferenciada
compreensão, para restringir a prisão cautelar.
Apenas crimes com violência. praticados por agentes reincidentes ou claramente
incapazes de permitir o regular desenvolvimento do processo. poderão justificar o
aprisionamento. Crimes eventuais e sem violência, mesmo com justificada motivação
legal, não permitem a geração do grave risco à saúde pela prisão.

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Esse é o sentido da Recomendação 62/2020 do CNJ, art. 4º:
CONSIDERANDO a declaração pública de situação de pandemia em relação ao novo
coronavírus pela Organização Mundial da Saúde — OMS em I I de março de 2020, assim
como a Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional da
Organização Mundial da Saúde, em 30 de janeiro de 2020, da mesma OMS, a Declaração de
Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional — ESPIN veiculada pela Portaria no
188/GM/MS, em 4 de fevereiro de 2020, e o previsto na Lei no 13.979, de 6 de fevereiro de
2020, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de
importância intemacional decorrente do novo coronavírus;

CONSIDERANDO que a manutenção da saúde das pessoas privadas de liberdade é essencial


à garantia da saúde coletiva e que um cenário de contaminação em grande escala nos
sistemas prisional e socioeducativo produz impactos significativos para a segurança e a
saúde pública de toda a população, extrapolando os limites internos dos estabelecimentos;

CONSIDERANDO a necessidade de estabelecer procedimentos e regras para fins de

O
prevenção à infecção e à propagação do novo coronavírus particularmente em espaços de
confinamento, de modo a reduzir os riscos epidemiológicos de transmissão do vírus e

AD
preservar a saúde de agentes públicos, pessoas privadas de liberdade e visitantes, evitando-se
contaminações de grande escala que possam sobrecarregar o sistema público
de saúde;
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CONSIDERANDO o alto índice de transmissibilidade do novo coronavírus e o agravamento


IC
significativo do risco de contágio em estabelecimentos prisionais e socioeducativos, tendo
em vista fatores como a aglomeração de pessoas, a insalubridade dessas unidades, as
dificuldades para garantia da observância dos procedimentos mínimos de higiene e
BL

isolamento rápido dos indivíduos sintomáticos, insuficiência de equipes de saúde, entre


outros, características inerentes ao "estado de coisas inconstitucional" do sistema
penitenciário brasileiro reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal na Arguição de
PU

Descumprimento de Preceito Fundamental no 347;

RESOLVE:

Art. 4º - Recomendar aos magistrados com competência para a fase de conhecimento


criminal que, com vistas à redução dos riscos epidemiológicos e em observância ao contexto
O

local de disseminação do

vírus, considerem as seguintes medidas:

I — a reavaliação das prisões provisórias, nos termos do art. 316, do Código de Processo
Penal, priorizando-se:

a) mulheres gestantes, lactantes, mães ou pessoas responsáveis por criança de até doze anos
ou por pessoa com deficiência, assim como idosos, indígenas, pessoas com deficiência ou
que se enquadrem no grupo de risco;

b) pessoas presas em estabelecimentos penais que estejam com ocupação superior à


capacidade, que não disponham de equipe de saúde lotada no estabelecimento, que estejam
sob ordem de interdição, com medidas cautelares determinadas por órgão do sistema de
jurisdição internacional, ou que disponham de instalações que favoreçam a propagação do
novo coronavírus;

c) prisões preventivas que tenham excedido o prazo de 90 (noventa) dias ou que estejam
relacionadas a crimes praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa;[...].

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(e-STJ Fl.447)
No caso, considerando que os delitos imputados ao paciente, que é primário, não
foram praticados com violência ou grave ameaça (art. 2º, § 4º, II, da Lei nº 12.850/2013 e
art. 312 do Código Penal) e diante da atual pandemia causada pela Covid-19, tem-se que
os riscos apontados não exigem tão gravosa cautelar como a prisão, mesmo tendo havido
dano grave ao erário.
Desse modo, para evitar o risco de reiteração delitiva, suficiente é a imposição
das seguintes medidas cautelares penais diversas da prisão processual: (a) Afastamento
do cargo de administrador e proibição de exercer qualquer atividade na empresa LP
Farma Comércio Importação e Exportação e Distribuidora de Produtos Hospitalares
LTDA; (b) Proibição de exercer função ou cargo público ou contratar com o Poder
Público; (c) apresentação a cada dois meses, para verificar a manutenção da inexistência
de riscos ao processo e à sociedade; (d) proibição de mudança de domicílio sem prévia
autorização judicial, vinculando o acusado ao processo; e (e) proibição de ter contato

O
pessoal com pessoas envolvidas com os delitos apurados na ação penal n. 0017495-
91.2020.8.19.0021/RJ, como garantia à instrução e proteção contra à reiteração

AD
criminosa; tudo isso sem prejuízo de eventual fixação de outras medidas cautelares pelo
Juízo de origem, desde que devidamente fundamentadas.
Ante o exposto, defiro a liminar para determinar a soltura do paciente,
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IC
LEANDRO BRAGA DE SOUSA, mediante o cumprimento das medidas cautelares
acima elencadas, até o julgamento do writ de origem, que não fica por esta decisão
prejudicado, o que não impede a fixação de outras medidas cautelares diversas da prisão,
BL

por decisão fundamentada.


Comunique-se.
Solicitem-se informações.
PU

Após, abra-se vista ao Ministério Público Federal.


Publique-se.
Intimem-se.
Brasília, 30 de junho de 2020.
O

MINISTRO NEFI CORDEIRO


Relator

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