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Elementos básicos da comunicação visual. Por que usá-los?

A evolução da linguagem escrita começou com as imagens (pictografia), passou à representação das unidades
fonéticas (fonetismo) e finalmente ao alfabeto. Cada passo foi, sem dúvida, um avanço em direção a uma comunicação mais
eficiente. Mas o homem jamais se limitou aos desenhos simples do alfabeto. Pode-se afirmar que ele tem uma propensão à
informação visual.
Algumas das razões que a justificam são, principalmente, a proximidade com a experiência real e o caráter da
informação. Não necessitamos ser visualmente culto para emitir ou entender mensagens visuais. Estas capacidades são
intrínsecas ao homem. Todas as características da informação visual justificam sua importante aplicação na propaganda -
comunicação que prima pela velocidade.
Como a comunicação moderna, ultra-rápida, nos levou aos últimos limites da linguagem, sentiu-se a necessidade de
recuperar as formas visuais da comunicação, enfatizando os recursos visuais, que podem expressar funções e operações sem
recorrer a letras ou palavras. E todo esse processo de comunicação através de imagens pertence ao amplo campo de atuação do
design. A estrutura do trabalho visual determinará quais elementos visuais estão presentes e com que força.
Os elementos visuais constituem a substância básica do que vemos - são as matérias-primas de toda informação
visual. E para isso vamos citar, aqui, os principais aspectos que compõem uma boa comunicação visual.
O PONTO: é a unidade mais simples e irredutível da comunicação visual. Qualquer ponto tem uma força visual
grande de atração sobre o olho. Diversos pontos conectados são capazes de dirigir a visão. Quanto mais próximos entre si,
maior a capacidade de guiar o olho. Em grande quantidade e justapostos, criam a ilusão de tom ou cor.
A LINHA: Pode ser definida como uma cadeia de pontos tão próximos que não se pode distingui-los. Nas artes
visuais, a linha é o elemento visual por excelência. A linha pode adotar formas muito distintas para expressar intenções
diferentes. Pode ser indisciplinada, para aproveitar sua espontaneidade expressiva, delicada, ondulada, vacilante, indecisa,
nervosa, etc.
A linha vertical atrai o olhar para o alto; a horizontal provoca a impressão de repouso; já a linha curva nos dá a
sensação de movimento.
As linhas retas produzem uma sensação de tranqüilidade, de solidez, de serenidade;
As linhas curvas, de instabilidade, graciosidade, alegria; a fina produz impressão de delicadeza; a grossa, de energia; a
carregada, de resolução, violência; linha comprida dá sensação de vivacidade; linha curta, de firmeza.
DIREÇÃO: Os contornos básicos expressam três direções visuais significativas. O quadrado, as direções horizontal e
vertical; o triângulo, a diagonal; e o círculo, a curva. Cada uma dessas direções é uma valiosa ferramenta para a confecção de
mensagens visuais. A referência vertical-horizontal constitui a referência primária do homem. A diagonal, ao contrário, é a
força direcional mais instável e provocadora. As curvas têm significados associadas ao enquadramento, à repetição e ao calor.
TEXTURA: A textura pode ser percebida tanto pelo tato quanto pela visão. Mas é possível que uma textura não tenha
nenhuma qualidade tátil, somente ótica. Já quando há uma textura real, coexistem ambas as sensações. A maior parte da nossa
experiência com as texturas é visual, e a maioria dessas texturas não está realmente ali.
TRIDIMENSIONALIDADE: A representação de terceira dimensão depende da ilusão. Porque em nenhuma
representação bidimensional da realidade, sejam desenhos, pinturas, fotografias, emissões de televisão, existem um volume
real, ele está somente implícito. A ilusão se reforça de muitas maneiras, mas o artifício fundamental para simular a dimensão é
a convenção técnica da perspectiva.
TOM: A luz rodeia as coisas, reflete-se nas superfícies brilhantes, incide sobre objetos que já possuem uma claridade
ou obscuridade relativa. As variações de luz, ou seja, os tons, nos fazem distinguir o que está à nossa volta. Vemos o escuro
porque está próximo ou se sobrepõe ao claro, e vice-versa. O tom é um dos melhores instrumentos de que se dispõe para
indicar e expressar a tridimensionalidade dos objetos.
COR: é a mais eficiente dimensão de discriminação. É o elemento que tem mais afinidade com as emoções. Nas artes
visuais, a cor não é apenas um elemento decorativo ou estético, é o fundamento da expressão. Ela exerce uma ação tríplice
sobre o indivíduo que recebe a comunicação visual: ela impressiona a retina quando é vista; provoca uma emoção, é sentida; e
é construtiva, pois, tem um significado próprio, tem valor de símbolo e capacidade de construir uma linguagem que comunique
uma idéia.
FONTES: A importância da escolha correta das fontes em uma composição é devido, principalmente, ao fato de que
a sua aparência pode reforçar o conteúdo. A fontes podem fazer pelas idéias, o que as roupas fazem pelas pessoas. É a
adequação à ocasião que faz a diferença. A grande maioria dos leitores não é conhecedora, nem foi informada de nada a
respeito do uso de fontes. Mas é errado se supor que eles não irão responder ao uso adequado delas. Há diversos sistemas de
classificação dos tipos. E eles são baseados geralmente nas suas origens cronológicas e geográficas ao invés do seu caráter
visual. O mais importante é, então, um conceito global de design que desperte o interesse e sugira o valor do produto de um
modo criativo e original. Deve-se objetivar a projeção de uma imagem consistente desse produto através de cada elemento
gráfico que atinja o público. Agora, basta ter bom senso ao criar uma peça. Isso fará com que seu trabalho seja melhor
visualizado, entendido e valorizado.

Douglas Domingues
Design