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ANO LETIVO 2019/2020

GENOCÍDIO DO RUANDA
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 2
1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO RUANDA .................................................... 3
2. CONTEXTUALIZAÇÃO ................................................................................................. 6
2.1 ANTECEDENTES DO CONFLITO………………………………………………………………………….6
2.2 GENOCÍDIO DO RUANDA………………………………………………………………………………….8
2.3 FIM DO CONFLITO…………………………………………………………………………….…………….11
3. PAPEL DA ATUAÇÃO DE PAÍSES E ORGANISMOS EM RUANDA E A DENÚNCIA DE
PROBLEMAS AOS DIREITOS HUMANOS ........................................................................ 12
4. ATUALIDADE DO PAÍS ............................................................................................. 18
5. HOMENAGEM ......................................................................................................... 19
5.1 EXCERTOS ................................................................................................................. 20
Umas das falas do locutor da rádio RTLM no filme Hotel Ruanda ................................. 21
Entrevista ao General Augustin Bizimungu no filme Hotel Ruanda ............................... 21
Pat Archer relata a atrocidade que vivenciou a Paul no filme Hotel Ruanda ................ 21
CONCLUSÃO ................................................................................................................... 23
WEBGRAFIA .................................................................................................................... 24

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INTRODUÇÃO

No âmbito da disciplina de Geografia C, realizámos um trabalho integrado nos Direitos


Humanos, mais precisamente o Genocídio no Ruanda. Esta atrocidade vivida em Ruanda,
marcada por um banho de sangue, é, infelizmente, pouco conhecida.
Devido a este facto, achámos pertinente fazer o trabalho abordando esta temática,
para aprofundamos mais os nossos conhecimentos e para dar uma visualização maior a
esta barbaridade com o intuito de refletirmos sobre a mesma.
Por fim, a metodologia utilizada para a construção deste trabalho foi baseada tanto em
pesquisas da internet como em livros e no filme Hotel Ruanda.

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1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO RUANDA
O Ruanda, um dos países mais pobres do
mundo, é um Estado da África Central e
encontra-se localizado na Região dos Grandes
Lagos da África e é confinado a Norte com o
Uganda, a Este com a Tanzânia, a Sul com o
Burundi e a Oeste com a República Democrática
do Congo. A capital deste país é Kigali, a única
cidade importante deste Estado.
Ademais, este país goza de um clima tropical
temperado, com chuvas abundantes e a
temperatura média anual ronda os 20 °C. O [http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/entenda-por-
que-o-mundo-nao-impediu-o-genocidio-de-ruanda.html]

mesmo é influenciado pela altitude mais do que Figura 1: Localização do Ruanda

pela latitude e devido a este fator, o Norte e o


Oeste são regiões mais frias do que o Leste, pois a variação do clima deve-se à
morfologia, às massas de águas lacustres e à vegetação.
Neste país predomina o habitat rural com paisagens pertencentes ao tipo tropical
montanhoso bem como é constituído por um extenso planalto que se eleva do lago Kivu
em direção a uma grande cadeia montanhosa designada por Karisimbi (4.507 m). Para
além disso, boa parte do território é tributário do rio Kagera e do lago Tanganhica.

[https://www.mountnyiragongo.com/information/mount-karisimbi/]

Figura 2: Monte Karisimbi


Como foi mencionado inicialmente, o Ruanda é um dos países mais pobres do mundo
e, por conseguinte, depende de forma total das ajudas do estrangeiro para a sua

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sobrevivência, provenientes, por exemplo, da União Europeia e de organismos
internacionais operantes entre países africanos.
Devido à guerra civil, as culturas comerciais foram vertiginosamente afetadas e as
culturas de subsistência, sobretudo os cereais, demonstram-se insuficientes para cobrir as
necessidades alimentares internas.
Todavia, a exploração florestal assim como a criação do gado, como, por exemplo,
bovinos, ovinos e caprinos obtêm resultados significativos, graças às vastas pradarias de
que dispõem e à limitada difusão de glossina, a tão perniciosa mosca tsé-tsé,
respondendo, satisfatoriamente, às necessidades da população.

Florestas (m2) [Geografia Universal: África Central e Meridional]

Madeira 7 836 000


Figura 3: Exploração florestal

Pecuária (1 000 cabeças) Geografia Universal: África Central e Meridional]

Bovinos 815
Suínos 180
Ovinos 260
Caprinos 760
Aves 1 200
Figura 4: Criação de gado

Os ruandeses cultivam, essencialmente, batatas, mandioca, batata-doce, feijões secos,


sorgo, taro, milho, arroz, soja, ervilhas secas, chá, trigo, café, amendoins, cana-de-açúcar
e tabaco.

Agricultura (1 000t) [Geografia Universal: África Central e Meridional]

Trigo 15,3
Milho 78,9
Arroz 27,9
Sorgo 171,6
Mandioca 1 003,1
Batatas 1 099,5
Batatas-doces 868,2
Taro 138,8
Feijões secos 239,4
Ervilhas Secas 17,7
Amendoins 10,3
Soja 19,9

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Café 13,8
Chá 15,5
Cana-de-açúcar 40
Tabaco 3,8
Figura 5: Culturas

Relativamente à atividade mineira, iniciada durante o domínio belga, esta está pouco
desenvolvida, devido à falta de investimentos e de infraestruturas inadequadas, entre as
quais, por exemplo, uma rede ferroviária e limita-se à exploração de algumas jazidas de
cassiterite, berílio, estanho, tântalo, tungsténio, columbite, volfrâmio, ouro e, por fim, gás
natural, na qual as suas reservas, que se situam na área do lago Kivu são consideradas
entre as mais consistentes do mundo.
Quanto ao setor hidroelétrico, este é deveras importante, assegurando a quase
totalidade das necessidades do país, contrariamente à indústria que é muito débil e
abrange pequenos estabelecimentos metalúrgicos, têxtil, alimentar (farinhas, azeite e
açúcar) e saboeira.
O Ruanda importa maquinaria, veículos, combustíveis, produtos industriais e
alimentícios, exporta café, estanho, volfrâmio, chá, peles e píretro e os seus principais
mercados são a China, a Alemanha e os Estados
Unidos da América, porém, evidentemente, a sua
Religião
balança comercial é extremamente deficitária.
Católicos
As línguas oficiais são o francês, o inglês e o
1%
kynia ruanda e a religião mais praticada é a Animistas/Crenças
9% Tradicionais
católica (65%), seguida dos cultos animistas 25% [PERC Protestantes
ENTA
(25%), da protestante (9%) e, por último, da
GEM]
Muçulmanos
muçulmana (1%).
Ademais, apesar da atrocidade vivenciada no [Geografia Universal: África Central e Meridional]

Figura 6: Religião da população do Ruanda


país, o turismo está cada vez mais próspero,
tendo-se verificado, no início do século XXI, um grande desenvolvimento, pois o Ruanda é
cada vez mais considerado internacionalmente como um destino seguro.

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2. CONTEXTUALIZAÇÃO

2.1 ANTECEDENTES DO CONFLITO


Devido às favoráveis condições climáticas e
População - Etnias
ambientais do Ruanda antes referidas foi possível
determinar as alterações relativas ao povoamento
do seu território. Inicialmente, era habitado por
pigmóides, também conhecidos por Batuas (Batwa)
1%
ou Twa, que eram nómadas caçadores-recoletores
das florestas. Seguidamente, após uma imigração
19%
maciça de agricultores bantos, estabeleceram-se os
Hutus, nas áreas mais abertas do planalto e da
bacia de lago Kivu.
80%
No século XIII, devido ao clima adequado para a

Geografia Universal: África Central e Meridional]


criação do gado, os Tutsis, um povo de pastores
proveniente talvez da Etiópia ou do Sudão
Meridional e culturalmente mais desenvolvido,
instalou-se no planalto e logo conseguiu impor-se
aos mais numerosos Hutus, enquanto os Batuas
continuaram confinados às áreas mais inóspitas da Hutus Tutsis Batua ou Twa

floresta. Figura 7:Etnias no Ruanda [

Para além disso, os Tutsis criaram diversos pequenos


Estados, como, por exemplo, o de Buguesera, do qual derivou o
[https://en.wikipedia.org/wiki/Kigeli_IV_Rwabugiri]

Ruanda. A política expansionista deste país foi realizada do


centro para Este e Oeste por vários reis, desde Ruganza Bwimba
(1458-1482), o primeiro rei do Ruanda, até ao reinado de
Rwabugrii (1744-1768).

Figura 8: Rei Rwabugrii

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Na época deste último, chegaram ao país os primeiros árabes e,

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustav_Adolf_von_G%C3%B6tzen]
em 1894, o primeiro europeu, o explorador e conde Gustav Adolf Von
Götzen, mais tarde governador da África Oriental Alemã.
Posteriormente, em 1885, na Conferência de Berlim, o Ruanda-
Urundi foi introduzido na África Oriental Alemã e, depois, em 1899, a
Alemanha declarou o seu protetorado sobre o Ruanda e o Urundi e,
Figura 9: Conde Gustav
simultaneamente, introduziu o cristianismo e o desenvolvimento Adolf Von Götzen

urbano. Depois do fim da I Guerra Mundial, a Alemanha perdeu todas


as suas colónias e, devido a este facto, em 1919, tornou-se mais uma província da Bélgica.
A administração belga no país desencadeou a rivalidade entre as duas etnias, visto que
consolidaram a supremacia, a nível civil e militar, da etnia Tutsi sobre a maioria Hutu,
classificando as etnias dos ruandeses de forma absurda e desqualificada, isto é,
consoante a aparência.
Posteriormente, em 1946, o Ruanda tornou-se um território fideicomisso e,
seguidamente, na década de 1950, os Hutus formaram os primeiros partidos
nacionalistas, como, por exemplo, o Partido do Movimento para a Emancipação do Povo
Hutu, o PARMEHUTU. Ainda nesta época, perante a perspetiva de ter de conceder a
independência do território, os belgas deixaram de favorecer os Tutsis e apoiaram a
maioria Hutu.
Neste contexto, em 1959, com a morte do rei Mutara III (1931-1959), intensificaram-se
as tensões entre os Hutus e os dominadores Tutsis, provocando, assim, o exílio do filho do
soberano, Kigeri V, e o refúgio de mais de 45.000 Tutsis no vizinho Burundi.
https://www.newsweek.com/who-was-kigeli-v-last-king-rwanda-510814]
[https://alchetron.com/Mutara-III-Rudahigwa]

Figura 9: Rei Mutara III Figura 10: Kigeri V

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Com a abolição da monarquia, a 1 de julho de 1962, e o fim da união com o território
do Burundi proclamou-se uma república independente no Ruanda sob a presidência do
Hutu Grégoire Kayibanda, líder do PARMEHUTU.

2.2 GENOCÍDIO DO RUANDA


Todavia, mesmo após a subida do poder Hutu e a independência do Ruanda, os Hutus
começaram a desafogar o ressentimento que já existiria há séculos em relação aos Tutsis,
iniciando assim um novo massacre sobre a etnia em minoria. Esta chacina obrigou mais
de 150.000 Tutsis, a refugiarem-se no Burundi e Uganda, criando um grande atrito com o
Burundi até à sua independência em 1966.
Entre 1963 a 1966, em diversas ocasiões, os Tutsis entraram no território com o intuito
de recuperá-lo, porém não conseguiram alcançar o pretendido, registando-se mais
massacres de Tutsis no interior do país.
Paralelamente, em julho de 1973, o presidente Kayibanda é derrubado por um golpe
de Estado do general Hutu Juvénal Habyarimana e, em 1975, este general e ao mesmo
tempo o novo presidente, lidera um partido único, centralizado no Movimento
Revolucionário Nacional para o Desenvolvimento (MRND) que procura estabelecer a
relação interétnica e decretar uma nova Constituição.
Mais tarde, a 1 de outubro de 1990, Habyarimana, incutido pelos protestos dos grupos
da oposição, inicia um processo de reforma de instituições políticas, estagnado por causa
da invasão, tanto na capital como nas regiões do nordeste, pela Frente Patriótica
Ruandesa (FPR) formada pelos rebeldes Tutsis.
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Juv%C3%A9nal_Habyarimana]
https://www.motivation.africa/top-10-quotes-of-
gregoire-kayibanda.html]

Figura 11: Presidente


Kayibanda [
Figura 12: Presidente
Kabyarimana

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Um ano depois, é determinada uma
nova Constituição pondo em prática o

[https://www.dw.com/pt-002/ruanda-democracia-ou-repress%C3%A3o/a-48906681]
multipartidarismo e o reconhecimento das
principais liberdades civis e políticas, de
forma a acabar com as lutas étnicas.
Contudo, no dia 6 de abril de 1994,
ocorreu uma catástrofe que se tornou
numa das páginas mais negras da História
do Ruanda e da Humanidade, ou seja, o
avião em que viajavam o presidente Figura 13: Quedo do avião que matou o presidente de Ruanda e
Burundi
ruandês Habyarimana e o presidente do
Burundi é abatido perto da escala de Kigali por um míssil de origem desconhecida. Este
incidente originou o então conhecido genocídio de Ruanda.
Em primeiro lugar, é necessário entender o significado da palavra genocídio, ou seja, a
política sistemática de extermínio de um determinado grupo ou nação com base na raça
ou na origem ética.
Deste modo, apesar de inicialmente a ONU não concordar, a monstruosidade vivida
neste país é classificada como genocídio, pois em 1993, na cidade de Arusha, é negociado
um acordo de tréguas entre os Hutus e os Tutsis e a criação de um governo formado por
ministros de ambas as etnias, porém, não é posto em prática devido ao acidente
anteriormente mencionado.
Neste segmento, em agosto de 1994, a guarda presidencial inicia uma árdua
investigação à procura do culpado, contra os opositores do falecido presidente, e a
figuras do clero tal como aos membros da ONU e, essencialmente, à minoria Tutsi.
Devido a este facto, ao sinal: Cortem as árvores altas.
Cortem as árvores altas agora! dito pelo locutor da rádio
RTLM, a guerra civil reacendeu-se, porque, segundo os
Hutus, os Tustis eram os culpados pela morte de ambos os [https://observador.pt/2016/04/07/ruanda-22-
imagens-mundo-nao-deve-esquecer/]

presidentes do Ruanda e Burundi.


Figura 15: Vítimas do genocídio de Ruanda
em 1994

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Como o Ruanda é um país extremamente
controlado e organizado, o então atual partido

[https://www.terra.com.br/noticias/mundo/africa/tpi-para-ruanda-confirma-pena-
governante, MRND, criou a mais importante das
milícias armadas composta maioritariamente pela

exercito,a2f24b504cce6410VgnCLD200000b2bf46d0RCRD.html]
etnia Hutu designada por Interahamwe, que tinha
como um dos líderes o general Augustin Bizimungu e
cujo objetivo era matar os Tutsis. É notável referir

de-ex-comandante-de-
que, de início, mais precisamente antes da morte dos
presidentes, o general Augustin Bizimungu negou
qualquer envolvimento com a Interahamwe após uma Figura 16: General Augustin Bizimungu

acusação por parte da ONU.


Ademais, os extremistas Hutus eram auxiliados pelas estações de rádio, onde era
ouvida a lista dos Tutsis mortos ou a serem mortos, bem como jornais que transmitiam
propaganda de ódio persuadindo a matança da etnia Tutsi.
Este país tornou-se, assim, um palco de medo, insegurança, infelicidade, incerteza e de
inúmeras mortes: vizinhos mataram vizinhos, maridos assassinaram as suas mulheres e
vice-versa assim como a população mais idosa foi igualmente chacinada sem qualquer
piedade.
Para além disso, incalculáveis mulheres Tutsis foram mantidas como escravas sexuais e
quem ousasse ajudar ou recusar a matar alguém da etnia Tutsi, independentemente se
era Hutu ou Tutsi, era morto.
Segundo a UNICEF, estima-se que foram mortas cerca de 300 mil crianças, a maioria
mutilada ou espancada até à morte pelos Hutus, pois faziam-no com o intuito de eliminar
a próxima geração Tutsi.
[https://observador.pt/2016/04/07/ruanda-22-imagens-mundo-
Além disso, na ocasião, na carteira de nao-deve-esquecer/]

identidade era identificado o grupo étnico


das pessoas e devido a este facto a
Interhamwe colocou bloqueios nas
estradas para impedir a fuga dos Tutsis e
Figura 17: Uma menina ruandesa chora no campo de apoio em
para matá-los. Gisenyi.

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2.3 FIM DO CONFLITO
Calcula-se que tenham morrido entre 800 mil a 1 milhão de pessoas e com mais de 2
milhões de exilados durante 100 dias entre 7 de abril e 15 de julho de 1994, tendo
acabado apenas no momento em que as milícias tutsis, sob liderança de Paul Kagame,
tomaram o controlo da capital ruandesa, Kigali.
[https://observador.pt/2016/04/07/ruanda-22-imagens-mundo-nao-deve-esquecer/]
[https://www.dw.com/pt-002/ruanda-democracia-ou-repress%C3%A3o/a-48906681]

Figura 18: Fluxo de refugiados Figura 19: Refugiados ruandeses esperam por comida no
campo de ajuda de Benako, fugindo da guerra entre os
rebeldes da Frente Patriótica Ruandesa e os soldados do
governo.

Após o fim do genocídio do Ruanda, em 1995 é promulgada uma nova Constituição,


parlamentar e multipartidária assim como iniciam uma difícil reconstrução com a
tentativa da reconciliação entre ambas as etnias.
Em 1998, ocorrem novamente episódios de violências e ameaças por parte dos Hutus
impedindo, durante algum tempo, o regresso ao Ruanda dos fugitivos ruandeses.
Posteriormente, em 2000, Paul Kagame assume a presidência da
República, sendo o primeiro Tutsi a ocupar o cargo mais elevado do https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Kagame]

Estado e, em 2003, foi aprovada uma nova Constituição que


proclamava o fim da discriminação política por razões étnicas e a
reeleição de Paul Kagame como presidente da República e chefe do
Governo.
Figura 20: Paul Kagame

Por último, em março de 2005, as Forças Democráticas


de Libertação do Ruanda (FDLR), principal guerrilha Hutu,
anunciam o afastamento das armas e da luta e a sua
[https://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7as_Democr%C3%A1ticas_pela_Liberta%C3%A7%C3%A3o_de_Ruanda]

Figura 21: Bandeira FDLR


reconversão a um partido político.

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3. PAPEL DA ATUAÇÃO DE PAÍSES E ORGANISMOS NO
RUANDA E A DENÚNCIA DE PROBLEMAS COM OS DIREITOS
HUMANOS
Como deixaram que isto acontecesse? Alguém ou algum Estado ou Organização tentou
impedir esta tragédia? Estas são algumas das perguntas colocadas em causa na época do
genocídio do Ruanda e nos dias de hoje.
Efetivamente, temos uns prós e contras, pois, verdadeiramente, houve, por exemplo,
organizações não-governamentais (ONG), que auxiliaram as vítimas desta atrocidade,
mais precisamente os Tutsis. Porém, houve, também, alguns meios de comunicação
social, que induziam o fim da etnia Tutsi.
Assim, destaca-se, negativamente, a Rádio Ruanda e a RTLM (Rádio Télévision des
Milles Collines) que transmitiram propagandas de ódio aos Tutsis.
Inicialmente, a Rádio Ruanda era a estação de rádio oficial do governo e, devido ao
Acordo de Arusha, foi proibida de continuar a disseminar esta propaganda de rancor
sobre a etnia em minoria.
Devido a este facto, o presidente Habyarimana e a sua esposa fundaram a estação de
rádio privada, a RTLM, popular pela música pop e pela cobertura desportiva e ainda pelas
identificações dos Tutsis ou das suas áreas específicas onde poderiam ser encontrados,
incentivando ao seu assassinato, ao genocídio e a congratular quem o fizesse.
Estima-se que, entre 8 de julho de 1993 a 31 de julho de 1994, as transmissões tenham
aumentado a violência, ocupando 9% das mortes, ou seja, 45.000 Tutsis.

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[https://www.dw.com/pt-002/ruanda-democracia-ou-repress%C3%A3o/a-48906681]

Figura 22: RTLM

Paralelamente, na capital do Ruanda, Hassan Ngeze criou o


jornal Kangura, que, em 1990, publicou “Dez mandamentos

[https://www.newsmuseum.pt/pt/na-frente/genocidio-com-
Hutus”. De uma forma geral, representam o racismo anti Tutsi,
isto é, denunciavam as uniões interétnicas, responsáveis pelo
contágio da “pureza Hutu” e apelavam para o fim dos
“demoníacos Tutsis”.

embargo]
Para além disso, a história de um dos piores crimes do mundo
não estava a ter destaque na cobertura televisiva bem como a Figura 23: Jornal Kangura

informação relatada, muitas vezes, não era verídica e as imagens


eram escassas e maioritariamente censuradas.
Assim sendo, a 11 de abril, apenas quatro dias depois do início do massacre, o The
New York Times escrevia que a violência “parecia abrandar” e o Le Monde publicou, no
dia seguinte, que a chacina tinha “reduzido em intensidade”. Também as estimativas
quanto ao número de vítimas avançadas pelas publicações eram incorretas.
Contudo, nem todos os meios de comunicação transmitiam informação desapropriada.
Um dos exemplos é Rui Araújo, um jornalista da RTP, que estava presente no Ruanda na
altura do genocídio, tendo assistido de perto às atrocidades como explicitou no Diário de
Notícias a 28 de maio de 1994: “As pernas de um homem foram comidas pelos cães
depois de ter sido morto (…) Uma jovem ficou com a cabeça feita em bocados por uma
catana.”

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A revista Time, outro exemplo que apresentava conteúdos verdadeiros, a 1 de agosto
de 1994, divulgou uma capa onde se lia: Este é o início dos dias finais. Isto é o apocalipse.

[https://www.newsmuseum.pt/pt/na-frente/genocidio-com-
https://www.newsmuseum.pt/pt/na-frente/genocidio-
com-embargo]

embargo]
Figura 24: Jornalista Rui Araújo [ Figura 25: Capa da revista
Time

É também possível identificar outros organismos que tiveram também um papel


negativo no genocídio de Ruanda, ou seja, a França, a ONU, os EUA e a Comunidade
Internacional.
Relativamente à França, o Ruanda acusou-a, tradicional aliada dos Hutus, de ser
cúmplice da matança à etnia Tutsi. A França reconheceu erros no seu envolvimento no
Ruanda, porém descartou as acusações de que preparou as milícias para o massacre.
Os dois países, em 2006, romperam relações diplomáticas depois de um juiz de Paris
acusar Paul Kagame e nove assessores do acidente que matou o presidente ruandês
Habyarimana e o presidente do Burundi. No entanto, reestabeleceram as relações em
2009 e, mais tarde, durante uma visita ao Ruanda, em 2010, o então presidente francês,
Nicolas Sarkozy, admitiu os erros que a França cometeu na altura.
Posteriormente, o atual presidente francês Emmanuel Macron nomeou uma equipa
para levar a cabo uma investigação ao
longo de dois anos composta por nove
membros que vai ter acesso a arquivos
presidenciais, diplomáticos, militares e
dos serviços secretos para investigar o
papel do exército francês no genocídio
do Ruanda. Também o tribunal francês
que investiga os casos de genocídio no
[https://www.dw.com/pt-002/ruanda-democracia-ou-repress%C3%A3o/a-48906681]

Ruanda vai receber recursos adicionais Figura 26: Presidentes de Ruanda e França

para acelerar os processos judiciais.

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A mais recente acusação foi a 16 de maio de 2020, ao residente francês Félicien
Kabuga de 84 anos que, em 1994, fazia parte do círculo próximo ao então presidente
ruandês porque uma das suas filhas era casada com um filho de Habyarimana. Este é
acusado de ter criado a milícia Interahamwe e o Fundo de Defesa Nacional (FDN) que
arranjava ajudas para financiar a logística e as armas da milícia Interahamwe bem como
de presidir a RTLM.

[https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/05/16/felicien-kabuga-um-dos-acusados-do-genocidio-de-ruanda-e-
detido-na-franca.ghtml]
Figura 27: Jornal de 12 de junho de 2002 de Nairóbi, no Quênia, traz foto de Félicien Kabuga

No que diz respeito à ONU, esta tinha um pequeno contingente militar no Ruanda, nos
meses que antecederam aos massacres, mas apesar dos alertas e denúncias
relativamente ao genocídio, nada foi feito para proteger a população. Devido a este fator,
em 2000, a ONU admitiu as responsabilidades, por não ter intervindo após o início da
matança de 1994.

[https://news.un.org/pt/story/2019/04/1667391]

Figura 28: Soldado da paz segura uma vela em memória das vítimas do genocídio de Ruanda

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Quanto os Estados Unidos da América, recusaram a interferência no Ruanda, pois não
pretendiam envolver-se noutra guerra africana, após a morte de soldados norte-
americanos no conflito da Somália.
Todavia, o principal motivo para a indignação da opinião pública mundial, para além
do horror causado pelo massacre e a falta de ajuda por parte dos organismos
anteriormente referidos, é a desigualdade, preconceito, discriminação e o oportunismo
por parte da Humanidade.
Para compreender melhor esta afirmação, tomemos em consideração a aposição entre
negro e preto bem como condição económica do Ruanda. Evidentemente, uma grande
parte da população mundial julga, incorretamente, que é mais certo chamar negro do que
preto a um africano. A palavra negro está associada à escravatura sendo ainda conotada
com características deveras negativas como, por exemplo, aquele que recebe a luz e não
a reflete, escuro e sombrio.
Por outro lado, a palavra preto aparece meramente relacionada com a cor, por isso é
considerada por pessoas, por exemplo, africanas, o mais correto, visto que é a sua cor de
pele.
Os países africanos, incluindo o Ruanda, são muito deficitários, já que não usufruem de
muitas riquezas. Neste sentido, vimos, essencialmente por parte da comunidade
internacional, que assistiu criminosamente impotente, a insensibilidade e insignificância
perante o Ruanda, pois era um país africano e não era um centro de poder mundial assim
como estava afastado das superpotências da época.
Além disso, assistimos também à hipocrisia da
[https://www.icrc.org/pt/doc/resources/documents/feature/2014/01-04-rwanda-20-

comunidade internacional porque a única


intervenção no genocídio de Ruanda foi para
resgatar os estrangeiros, isto é, franceses, belgas,
ingleses e americanos, que eram as atuais
potências mundiais. Contudo, a Cruz Vermelha
year-anniversary-genocide.htm]

Internacional teve um papel positivo nesta


atrocidade. Através do filme Hotel Ruanda,
evidenciamos a sua ajuda essencialmente às
Figura 29: Feridos tratados no hospital do CICV em
crianças, porém auxiliou, independentemente da Kigali

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etnia, outras idades.
Em 8 de novembro de 1994, foi criado o Tribunal Penal Internacional para o Ruanda
(TPIR) pelo Conselho de Segurança da ONU com sede em Arusha, na Tanzânia. Este
tribunal foi criado como o intuito de contribuir para o processo de reconciliação
interétnica no Ruanda e para julgar os responsáveis pelo genocídio e violações dos
direitos humanos cometidos no próprio país e nos países vizinhos entre 1 de janeiro e 31
de dezembro de 1994.
A condenação, em 2002, do general Augustin Bizimungu, que foi capturado em Angola
e julgado por crimes de guerra tal como a sentença de George Rutaganda, membro da
Interahamwe, a prisão perpétua são alguns exemplos do trabalho realizado pelo TPIR.

[https://canalcienciascriminais.com.br/tribunal-
penal-internacional-para-ruanda/]

[https://canalcienciascriminais.com.br/tribunal-penal-internacional-para-ruanda/]

Figura 30: Tribunal Internacional Penal para o Ruanda

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4. ATUALIDADE DO PAÍS
Atualmente, o presidente de Ruanda é Paul Kagame, que tem vencido as eleições
presidenciais desde 2003 com mais de 90% dos votos tal como a FPR continua a ser o
partido mais representado no parlamento ruandês.
Paralelamente, o país tem trabalhado com instituições como o Fundo Monetário
Internacional e o Banco Mundial para executar, de forma sustentada, reformas
económicas e estruturais para o desenvolvimento económico e de redução da pobreza.
Este crescimento a nível económico foi acompanhado pela melhoria a nível social, isto
é, elevados padrões de vida, queda da mortalidade infantil e aumento do acesso ao
ensino primário.
Para além disso, assistimos a um aumento da representatividade e da igualdade de
género em Ruanda, ocupando, em 2019, a sexta posição dos países com maior igualdade
de género. Um dos exemplos visíveis relativos à paridade neste país é a política, onde as
mulheres ocupam 67% dos lugares no parlamento, a maior participação feminina no
mundo.
Por fim, este país procura distanciar-se cada vez mais dos eventos e do cenário de
violência implementando leis como a proibição da terminologia étnica.

[https://www.brasildefato.com.br/2019/04/17/por-que-ruanda-e-o-pais-com-mais-
mulheres-na-politica-e-o-6o-em-igualdade-de-genero]
Figura 31: Ranking dos países com mais mulheres na política (esquerda) e com maior igualdade de género (direita)

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5. HOMENAGEM

Hotel des Milles Colines

No ponto de vista do grupo, achamos pertinente redigir uma homenagem


acerca do herói da vida real do filme Hotel Ruanda. O herói referido é o Hutu Paul
Rusesabagina que, antes e durante o genocídio, foi o gerente do Hotel des Milles
Colines em Kigali.
Posteriormente, tornou-se uma personalidade reconhecida internacionalmente
graças à intervenção humanitária, durante o genocídio do Ruanda, em 1994. Este,
independentemente da etnia, abrigou no hotel inúmeros refugiados e, por meio de
negociações com os Hutus, salvou a vida de 1.268 pessoas.
Devido ao seu feito, Paul, sem dúvida, que é um exemplo de ser humano, uma
pessoa digna de ser chamada de herói, pois, apesar das constantes ameaças à sua
vida e das miseráveis condições a que foi sujeito, protegeu e auxiliou Hutus, Tutsis,
crianças, adultos e velhos como podia. Um episódio que serviu de inspiração para o
filme Hotel Ruanda e, como aparece escrito no livro O Rapaz do Caixote de
Madeira que igualmente retrata uma parte negra da História da Humanidade, isto
é, o Holocausto, é a prova “…que uma pessoa pode levantar-se contra o mal e fazer
a diferença.”.

Paul Rusesabagina (esquerda) e (direita) o ator que o interpretou no filme Hotel


Ruanda
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5.1 EXCERTOS
Para uma melhor compreensão deste catastrófico genocídio, assistimos ao filme Hotel
Ruanda, onde encontrámos excertos que sobressaíram-se pelo seu importante conteúdo
e, por vezes, pela transmissão da vivacidade do nojo e rivalidade que existia entre ambas
as etnias e que marcará para sempre o Ruanda e o seu povo. Eis os excertos:

Sr. Daglish (Jornalista): Mas afinal qual é a diferença entre um Hutu e um Tutsi?

Benedict (Jornalista): Os colonos belgas achavam os Tutsis mais altos e elegantes. Foram
eles a criar a divisão.

Sr. Daglish: Como?

Benedict: Selecionando os de nariz mais fino, pele mais clara. Mediam a largura das
narinas. Os belgas governaram o país apoiados pelos Tutsis, mas ao irem-se, deixaram o
poder com os Hutus que, claro, vingaram-se dos anos de repressão nas elites Tutsi.

Conversa entre os jornalistas Sr. Daglish e Benedict sobre o genocídio de Ruanda no filme Hotel de Ruanda

Sr. Daglish (Jornalista): Desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta? É Hutu ou
Tustsi?

Chloe (Hóspede do Hotel des Milles Collines): Sou Tutsi.

Sr. Daglish: E a sua amiga também?

Amiga da Chloe (Hóspede do Hotel des Milles Collines: Eu sou Hutu.

Sr. Daglish para Benecict (Jornalista): Podiam ser gêmeas.

Conversa entre o jornalista Sr. Daglish e duas hóspedes do Hotel des Milles Collines sobre a etnia delas no filme Hotel de Ruanda

Locutor da RTLM (Radio Télévision Libre des Mille Collines): Quando perguntam-me,
ouvintes, “Porque é que eu odeio todos os Tutsis?”, responde-lhes: “Leiam a história deste
país.”. Os Tutsis colaboraram com os colonos belgas, roubaram-nos as terras Hutu,
chacinaram-nos. E agora estão de volta, esses rebeldes Tutsis. Eles são como insetos. São
assassinos. O Ruanda é nosso e terra Hutu, somos a maioria, eles uma minoria de

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traidores e invasores. Havemos de eliminar a praga, acabaremos com os rebeldes FPR.
Ouvem a RTLM, a estação do poder Hutu. Mantenham-se atentos, vigiem o vosso vizinho.

Umas das falas do locutor da rádio RTLM no filme Hotel Ruanda

Locutor da RTLM (Radio Télévision Libre des Mille Collines): Ouvem a RTLM, a estação
do Poder Hutu. Tenho uma mensagem para o nosso Presidente. Cuidado, não confie nos
rebeldes Tutsis, não aperte a mão em que o apunhará, o enganará…

Umas das falas do locutor da rádio RTLM no filme Hotel Ruanda

Locutor da RTLM (Radio Télévision Libre des Mille Collines): O nosso grande presidente
foi assassinado por insetos Tutsis! Levaram-no a assinar o falso Acordo de Paz deles e
depois abateram o avião em que viajava. É a hora de limpar a savana, bons Hutus do
Ruanda. […] Ao trabalho, leais Hutus.

Umas das falas do locutor da rádio RTLM no filme Hotel Ruanda

Locutor da RTLM (Radio Télévision Libre des Mille Collines): Vamos, bons Hutus, ainda
há campas para encher.

Uma das falas do locutor da rádio RTLM no filme Hotel Ruanda

Jornalista: Funcionários da ONU afirmam que o exército ruandes treina e arma em


segredo a milícia Hutu chamada Interhamwe. Faço a pergunta ao chefe das Forças
Armadas, General Augustin Bizimungu.

General Augustin Bizimungu: Não temos treinado a milícia, a ONU engana-se nessa
acusação.

Entrevista ao General Augustin Bizimungu no filme Hotel Ruanda

Pat Archer (Membro da Cruz Vermelha): Quando cheguei ao orfanato, os Interhamwe


estavam lá. Já tinham começado a matar crianças…Obrigaram-me a ver. Uma miúda
tinha a irmã mais nova colocada nas costas. Quando se preparavam para cortá-la ao meio
gritou: “Por favor, não deixe que me matem, prometo deixar de ser Tutsi.”

Pat Archer relata a atrocidade que vivenciou a Paul no filme Hotel Ruanda

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Coronel Oliver (Membro da ONU): Vocês são pó. Para nós não passam de pó.

Paul Rusesabagina (Gerente Hotel des Milles Collines): Para nós, quem?

Coronel Oliver: O Ocidente, as superpotências, tudo em que acreditas. Acham-no


estrume, sem importância.

Conversa entre o Coronel Oliver e Paul Rusesabagina no filme Hotel de Ruanda

Coronel Oliver (Membro da ONU): Podia ser dono deste hotel, se não fosse um pormenor.
Ser negro. Nem sequer é preto. É africano.

Conversa entre o Coronel Oliver e Paul Rusesabagina no filme Hotel de Ruanda

Sr. Tillens (Presidente da Saberna): […] o Ruanda para eles não vale um único voto. Para
os franceses, ingleses, americanos…

Conversa entre o Sr. Tillens e Paul Rusesabagina no filme Hotel de Ruanda

Comunidade Internacional: Ruandeses não, só estrangeiros.

Fala da Comunidade Internacional no filme Hotel de Ruanda

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CONCLUSÃO
Ao longo do tempo, fomos realizando inúmeros trabalhos a diversas disciplinas, porém
este foi sem dúvida um dos trabalhos mais árduos e, simultaneamente, dos mais
cativantes.
No que diz respeito ao genocídio do Ruanda, ao estudá-lo sentimos como se fôssemos
um ruandês, mais precisamente um Tutsi, mergulhado no medo, desespero e na incerteza
do amanhã. Podemos afirmar que foi um enorme privilégio aprender mais
aprofundadamente sobre este tema, repleto de aprendizagem e verdadeira reflexão
sobre o nosso mundo e o futuro do mesmo.
Para além disso, a História da Humanidade está carregada de capítulos trágicos de
ódio, falta de ação e indiferença que contribuiu para a extrema violência como, por
exemplo, o Genocídio do Ruanda.
Deste modo, devíamos ter como exemplo esta monstruosidade assim como a situação
que estamos a ultrapassar atualmente, ou seja, a pandemia “…para construir um futuro
de dignidade, tolerância e direitos humanos para todos nós.”, como António Guterres,
secretário-geral da ONU, disse no dia 7 de abril, Dia internacional de Reflexão sobre o
Genocídio de 1994 no Ruanda, uma vez que, como aparece mencionado na música We
are the world composta por grandes artistas com o intuito de ajudar África, “o mundo
precisa de ser um só”.

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WEBGRAFIA
 https://www.newsmuseum.pt/pt/na-frente/genocidio-com-embargo
 https://www.icrc.org/pt/doc/resources/documents/feature/2014/01-04-rwanda-20-
year-anniversary-genocide.htm
 http://www.genocidearchiverwanda.org.rw/index.php/Radio_T%C3%A9l%C3%A9visi
on_Libre_des_Mille_Collines
 https://books.google.pt/books?id=WmjTCgAAQBAJ&pg=PT307&lpg=PT307&dq=jornal+kang
ura+dez+mandamentos+hutus+1990&source=bl&ots=ezQku43CWQ&sig=ACfU3U0kkf62Fj8To
6uw9FfRUUwflMrnUg&hl=pt-
PT&sa=X&ved=2ahUKEwi2_KrGqbnpAhXa8OAKHS7oCE0Q6AEwAHoECAoQAQ#v=onepage&q
=jornal%20kangura%20dez%20mandamentos%20hutus%201990&f=false
 https://ensina.rtp.pt/artigo/o-genocidio-no-ruanda/
 https://observador.pt/2019/04/07/25-anos-de-genocidio-do-ruanda-as-fotografias-de-uma-
matanca-silenciosa/
 https://news.un.org/pt/story/2019/04/1667391
 https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/04/140407_ruanda_genocidio_ms
 https://www.rtp.pt/noticias/mundo/genocidio-do-ruanda-foi-ha-25-anos_v1139850
 https://www.dn.pt/mundo/ruanda-olha-para-o-futuro-25-anos-depois-do-genocidio-
10766839.html
Bibliografia
Linhas da História 12, História A – 12º Ano P1, Alexandra Fortes, Fátima Freitas Gomes, José
Fortes, Colaboração de António Luís Catarino; Página 147;
Geografia Universal: África Central e Meridional, Marcello Sacco.
Filmografia
Hotel Rwanda (Hotel Ruanda).
Imagens da capa
 https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/05/album/1554460759_554970.html
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Ruanda
 https://observador.pt/2016/04/07/ruanda-22-imagens-mundo-nao-deve-esquecer/
Imagens da homenagem
 https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%B4tel_des_Mille_Collines
 https://www.illinoistimes.com/springfield/hero-of-hotel-rwanda-campaigns-for-truth-
about-genocide/Content?oid=11451616

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