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O DESLUMBRANTE RELATO DE UM

HOMEM SOBRE OS ÚLTIMOS DIAS

VISÕES
de
GLÓRIA

CONFORME RELATADAS A
JOHN PONTIUS
VISÕES DE GLÓRIA
Conforme Relatadas a John M. Pontius entre 2011 e 2012

Tradução não autorizada para a língua portuguesa, para uso pessoal


apenas. Cópias, reproduções ou reenvio só podem ser autorizados
pelo editor
Por Jesus Cristo, por toda boa coisa.

A Terri, minha melhor amiga e companheira de


jornada, que me ensinou a coisa mais importante
que eu conheço.

A Spencer, por uma vida de apego à “barra de ferro”.


Também de John M. Pontius

Following the Light of Christ into His Presence

Millennial Quest Series:


Spirit of Fire (formerly Angels in Coveralls)
Angels Among Us
Angles Forged in Fire
Angels and a Flaming Sword, Part 1
Angels and a Flaming Sword Part 2

We Three Kings
The Triumph of Zion

Outros livros, ensaios, e trilhas


sonoras de serões(NT-1) estão
disponíveis no site:

www.followndotheLuz.org
E no UnBlog
http://unblogmysoul.wordpress.com
John M. Pontius – Visões de Glória

Conteúdo
Prefácio 12
Meu Amigo Apostólico 19

Nota do Autor 23

Capítulo Um: Despertado pela Morte 25


Minha Primeira Experiência com a Norte 25
Minha Primeira Experiência Pós-Morte 27
Minha Vida Revista 32
Enfermeiras Angélicas 34
Meu amigo, o Valentão 40
Nossos Relacionamentos Vêm de Deus 42
Nossas Vidas Importam 44
Prioridade e Propósito da Dispensação 45
Visitando Minha Esposa em Espírito 46
Anjos entre Nós 47
O Ministério dos Anjos 53
O Poder da Queda 56
Explorando o Hospital 59
“Ouvindo” a Madeira e as Pedras 60
O Propósito das Coisas 61
Nossa Glória Pré-mortal 62
Um Clamor por Justiça 64
Retornando ao Meu Corpo 65
5
John M. Pontius – Visões de Glória

Muitas Diferentes Experiências de Morte 67


De Volta para Casa 68

Capítulo Dois: Paraíso Perdido 69


Reorganizando Minha Vida 69
Nunca Estamos Sós 71
Redirecionando Minha Vida 72
Taiti 74
O Diorama do Inferno 79
A Oração Intercessora 81
Amado Profeta 86

Capítulo Três: Visão do Salvador 91


Visão do Salvador 91
O Que Está Contido em um Nome? 94
Saber Realmente 96
Até que Ponto o Homem Decaiu 96
Tentando Fazer Sentido 97
Curar as Crianças 99
Camadas de Significados 100

Capítulo Quatro: Provações Agravando-se 102


À Espera da Morte 102
O Conselho do Apóstolo 104
Câncer 105

6
John M. Pontius – Visões de Glória

Cirurgia no México 107


Meu Belo Anjo 108
Você Não Vai Morrer 111
Estou Curado! 113

Capítulo Cinco: Cavernas, Chaves e Chamados 114


Três Visitantes 114
O Terceiro Visitante 115
Meu Anjo Guia 117
Cavernas e Grades 119
A Chave 122
O Significado dos Símbolos 123
Túnel de Luz 126
Dobrando o Universo 128
Pradaria e Lago 130
Infância Espiritual 135
Meu Quarto 137
A Biblioteca 141
Deus, o Tempo e a Lei 142
Voltando a Visitar o Meu Corpo 143

Capítulo Seis: Anjos e Demônios 145


Espíritos Malignos e Tentação 145
Na Casa Noturna 149
Na Corrida de Cavalos 152

7
John M. Pontius – Visões de Glória

Entretenimento 154
Dons Espirituais 155
As Correntes do Inferno 156
O Ministério de Anjos 156
Luz, Trevas, e a Terra 158
Voando através da America 160
A Próxima Primavera 161
Dois Meses mais Tarde 162
Tropas Estrangeiras 163

Capítulo Sete: Tribulação e Plenitude 165


Terremotos e Inundações 165
Uma Peste Devastadora 174
A Marca da Besta 181
Sinais da Segunda Vinda 182
Revivendo um Menino Morto 183
Plenitude do Sacerdócio 184
Conferência Geral 186
Joseph Smith 190
Adam-ondi-Ahman 191
O Filho de Deus 194
Transformados! 198

8
John M. Pontius – Visões de Glória

Capítulo Oito: a Jornada Começa 199


Preparando Nossa Caravana 199
Outras Caravanas 201
Nosso Enorme Caminhão 202
Dons do Espírito 206
Edificar Sião Onde Você Estiver 207
Mudanças na Terra 209
Sião no Canada 213
Conferência em Cardston 215
Esperando em Cardston 217
Uma Sociedade em Evolução 220
Deixando Cardston 228
A Primeira Vinheta 231
A Segunda Vinheta 236
A Terceira Vinheta 240
A Quarta Vinheta: o Templo 241

Capítulo Nove: O Dia Milenar 250


A Caverna 250
Sua chegada em Sião 260
"A Água da Vida" 261
Tornar-se Eterno 264
A Bênção de ser Simples 265
Colunas de Fogo 266

9
John M. Pontius – Visões de Glória

Expandindo Sião 266


Retorno das Dez Tribos 270
Os Portais entre nós 272
Dois Profetas 276
Lidando com a Guerra 277
Ensino com Poder 279
A Cidade de Enoque 281
Tecnologia Espiritual 282
Trasladado versus Milenar 286
O Dia Milenar 288
Os 144.000 290
A Segunda Vinda 294
O Planeta Vermelho 297
Um Novo Céu e uma Nova Terra 299

Epílogo 302

Apêndice 304
O Sonho de John Taylor (1877) 304
A Profecia de Cardston (1923) por Sols Caurdisto 308
Aviso para a América (1880)
Pelo Presidente Wilford Woodruff 316
Anjos Destruidores estão Ativos (1931)
Pelo Presidente Wilford Woodruff 317

10
John M. Pontius – Visões de Glória

Um Grande Teste Aproxima-se (1930)


por Heber C. Kimball 318
Um Exército de Élderes (1931) por Heber C. Kimball 318
Um Sonho (1894) Charles D. Evans 319
O Sonho de Pragas (1884) 325
Profecia de Orson Pratt (1866) 329

Notas do Tradutor (NT-1 a 23) 331

Sobre o Autor 336

11
John M. Pontius – Visões de Glória

PREFÁCIO

V
isões de glória: um deslumbrante relato dos últimos dias é
um relato das três experiências quase-morte de Spencer e
das visões, nos anos subsequentes, de sua futura jornada
nos últimos dias. Todos eles estão relatados aqui
conforme Spencer os ditou para mim em mais de cinquenta horas
de entrevistas. Todas as visões e experiências registradas aqui são
de Spencer, mas a maior parte da linguagem é um resultado do meu
esforço para colocar em palavras o que Spencer estava descrevendo
para mim na forma de narrativas. Eu tentei preservar sua escolha
de palavras e modo de falar, do começo ao fim.
Spencer jamais havia falado em voz alta da maioria dessas
visões, e as tem mantido para si, guardadas em seu coração. O que
significa que ele teve que cavoucar profundamente para encontrar
palavras para descrever as coisas que não têm paralelo na
experiência mortal.
Eu nunca conheci ninguém como Spencer. Ele é amoroso e
gentil, e o seu rosto literalmente brilha com o Espírito Santo
quando ele descreve suas experiências. Ele chora só de mencionar
o nome do Salvador, e ele é profundamente interessado em tudo o
que é espiritual. O seu comportamento é o de um verdadeiro Santo,
cuja vida é inteiramente dedicada a Cristo. Eu não encontrei
qualquer presunção ou arrogância nele, muito pelo contrário. Ele
parecia ignorar o quão precioso ele é, o quão profundamente
reveladoras são suas visões e o quão longe ele viu além dos limites
da visão humana.
Spencer tem sido membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos
dos Últimos Dias a vida inteira. Ele atualmente serve como
oficiante de ordenanças no templo e tem servido em bispados,
sumo-conselhos, cargos na estaca e muitas outras posições. Ele
12
John M. Pontius – Visões de Glória

atualmente serve no conselho consultivo geral para a Igreja e


possui três pós graduações.
Spencer morreu quatro vezes, inclusive foi considerado
natimorto. Spencer me disse uma vez, "Eu não sei por que razão o
Senhor me abençoou com essas visões, é como se os anjos que
trouxeram-me de volta à vida a cada vez, deixaram a porta do céu
entreaberta, e os anjos têm continuado a atravessá-la no decorrer
na minha vida desde então."
Três das visões de Spencer foram experiências quase-morte
clássicas. A primeira levou-o de volta ao seu passado pré-mortal. A
seguinte levou-o ao presente e futuro próximo. A terceira mostrou-
lhe o que iria acontecer no milênio e futuro distante. Muitas mais
foram visões que ocorreram enquanto desperto, tarde da noite, e
durante o sono. Não há de fato um padrão na distribuição de suas
experiências, mas há um rico padrão no conteúdo. Cada sucessiva
visão era construída sobre a anterior, dando continuidade ao
desenrolar da história da sua vida, bem como fornecia o necessário
discernimento e educação para prepará-lo para suportar os desafios
que iria enfrentar, muito tempo antes de acontecerem.
Grande parte das informações em suas visões tem sido difíceis
para ele interpretar, até recentemente. Esse foi outro motivo porque
ele disse tão pouco sobre suas experiências ao longo dos anos.
Por causa da natureza pessoal de cada uma dessas visões, e o
fato de que elas lidavam com o seu próprio caminho, isso tem
limitado sua perspectiva das coisas do porvir, a somente os locais e
eventos em que ele iria participar. Ele não viu o que vai acontecer
na Europa, América do Sul ou Ásia. Ele não sabe o que resultará de
guerras ou eventos no mundo. Ele não viu todas as grandes
destruições da terra e mar, profetizadas pelo livro do Apocalipse,
porque elas aparentemente não impactarão no futuro de Spencer.
Mas ele teve profundas visões sobre o futuro da América do
Norte e de grande eventos e devastações que purificarão e
reformularão este país e partes do Canadá. Elas incluem invasão
estrangeira, uma devastadora praga, inundações, sismos, a redivisão
continental, a divisão da América por um novo despenhadeiro, o
preenchimento do Golfo do México por uma nova extensão
13
John M. Pontius – Visões de Glória

territorial, mudanças de clima e das constelações do céu, o retorno


das Dez Tribos, o retorno milagroso dos Santos para construir a
Nova Jerusalém e o Templo, o encontro dos eleitos, os milagres do
Milênio, a missão e os prodigiosos poderes dos 144.000, e a final
celestialização da terra ao fim do milênio. Ele viu essas coisas, bem
como muitos outros eventos assombrosos profetizados nas
escrituras, mas nunca antes descritas em tão vívidos detalhes.
Spencer começou a ter visões em seus primeiros vinte anos e
tem sido constantemente admoestado pelo Espírito Santo para
manter a maioria dessas experiências sagradas e até secretas. As
poucas vezes que ele tentou relatar suas visões para os outros, isso
custou-lhe amizades e o expôs ao ridículo e à rejeição em alguns
casos.
Spencer, pediu que eu não use seu nome real por várias razões.
Em primeiro lugar, ele apoia o profeta vivo e seu chamado
preeminente para receber a revelação da palavra de Deus para a
Igreja. Essas visões foram dadas a Spencer para prepará-lo
pessoalmente para o que estava à frente em sua própria vida.
Ele nunca considerou que estas visões do futuro foram para ou
sobre a Igreja do Últimos Dias. Portanto, ele fica relutante em
divulgar essas visões de forma que elas possam parecer uma
tentativa de influenciar a Igreja de qualquer forma. Simplesmente
não é este o caso. Ocultar a sua própria identidade é uma maneira
eficaz de manter estas questões na ordem correta.
A segunda razão para Spencer pedir-me que eu não usasse o
nome dele é que ele não pretende se tornar o ponto focal das
perguntas das pessoas e da sua busca por respostas. Ele não quer ser
o guru de ninguém. Ele não quer dar serões(NT-1) ou falar em público
sobre suas experiências. De fato, ele obedientemente manteve suas
experiências para si mesmo, por quase quarenta anos, em parte para
evitar este resultado possível de deixar que essas visões fossem
publicadas.
Ele tentou falar neste livro de tudo o que o Espírito Santo lhe
desse palavras para descrever. As visões e acontecimentos que
foram apenas pessoais ou sagradas demais para compartilhar foram
retidas.
14
John M. Pontius – Visões de Glória

Fiz-lhe milhares de perguntas buscando detalhes sobre os


eventos que ele tinha compartilhado. No momento em que este livro
é publicado, Spencer terá esvaziado o seu “baú do tesouro” das
experiências visionárias que ele é capaz de compartilhar neste
momento, e ele não deseja ser solicitado por mais informações que
ele não tem ou não pode compartilhar.
Outra razão para a sua reticência é que Spencer é um orientador
profissional de crianças e mantém todas as certificações necessárias
para trabalhar neste campo. Justificadamente, ele considera o seu
trabalho com crianças com dificuldades a sua missão na vida, e ele
não quer que nenhuma forma de reconhecimento ou curiosidade
interrompam esse trabalho mais importante.
Encontrei-me com Spencer por meio de uma série de
circunstâncias improváveis; tanto assim que a possibilidade de que
seja uma coincidência é inconcebível.
Um querido amigo de Spencer, que conhecia pequenos trechos
de suas experiências, mudou-se para uma congregação com minha
doce e espiritualíssima filha e, com o passar do tempo, eles se
tornaram grandes amigos. Ao conversarem sobre influências
espirituais em suas vidas, a minha filha falou de mim, e este amigo
de Spencer falou dele. Eles decidiram, "devemos apresentar o John
ao Spencer!”.
Depois de algum tempo, minha filha me enviou um texto com o
nome de Spencer e a sugestão de que eu ligasse para ele. Ela achou
que iríamos “dar liga”, como ela fraseou. Eu geralmente não
correspondo a sugestões como essa porque elas criam situações
embaraçosas em que lutamos para encontrar pontos em comum para
poder "dar liga."
O amigo do Spencer fez o mesmo com ele, e Spencer ficou
igualmente relutante em me procurar pelas mesmas razões.
Numa certa tarde eu estava andando pela casa, e o Espírito
sussurrou, "ligue para o Spencer, agora." eu sabia que era o Espírito
Santo, então eu fui ao meu escritório e peguei meu telefone sem
saber o que esperar, mas eu sabia que precisava ligar naquele exato
momento.

15
John M. Pontius – Visões de Glória

Spencer atendeu e eu me apresentei. Spencer respondeu em um


tom mais alegre: "Sim, eu tenho estado ansioso por encontrar com
você! Quando seria a sua primeira oportunidade?" Suas palavras me
intrigaram porque eu ainda não sabia até então que ele também tinha
as minhas informações de contato. Eu pensei que eu estava ligando
sem ele saber de mim. Como nota adicional de interesse, durante os
muitos meses de entrevistas e redação, tentei ligar para o Spencer
dezenas de vezes e nunca consegui. A única vez em que ele
realmente atendeu o telefone foi na primeira chamada. Em todos os
outros casos, eu deixei uma mensagem e ele retornou minha ligação.
Encontrámo-nos na semana seguinte, e sem recorrer à hipérbole,
aquelas duas horas foram as mais espirituais da minha vida. Ele
começou a me contar um pouco de suas experiências, e eu fiquei
atordoado ao ouvir. O motivo foi simplesmente isto: eu tenho
estudado, procurado, orado, e obtido vislumbres do meu próprio
caminho através dos últimos dias, mas eu nunca tinha ouvido uma
outra pessoa viva falar exatamente dessas mesmas coisas. Naqueles
primeiros minutos, ele falou daquelas coisas de maneira factual. Eu
mal podia conter a minha curiosidade e a minha ansiedade por ouvir
mais. Enquanto eu tinha "aprendido" dessas coisas, ele as tinha
"visto", e eu estava curioso por ouvir tudo o que ele tinha visto
porque ele parecia estar descrevendo as peças do meu próprio
caminho, as quais eu nunca tinha dito a ninguém exceto minha
esposa.
Eu entendi quase tudo o que ele estava falando. Depois de um
tempo, senti o Espírito fortemente dizer que ele estava descrevendo
coisas que tinha visto, mas não as compreendia totalmente.
Perguntei finalmente, "Você sabe o que significam estas coisas?”.
Ele olhou inocente, e respondeu, "Não, não realmente. Não
todas."
Expliquei o pouco que entendi da visão em questão, e ele chorou
jubilosamente, confessando sem qualquer evidente orgulho ou
autoconsciência de que ele tinha buscado a maior parte da sua vida
pelo sentido dessa visão, o qual eu tinha apenas sugerido a ele. Nós
falamos pelo restante de nossas primeiras horas juntos sobre essas
coisas. A minha compreensão e suas visões se encaixavam como
16
John M. Pontius – Visões de Glória

uma luva, dando a cada um de nós um entendimento mais amplo.


Nós dois estávamos cheios do Espírito Santo em elevado grau, e ele
a recebia com admiração e espanto. Como eu disse anteriormente,
foram as duas horas mais espirituais da minha vida, e também as
mais reveladoras.
Como nosso tempo aproximava-se do fim, ele simplesmente
declarou, "Eu ainda não sei como avançar de onde estou hoje, para
o que agora compreendo ser o significado de minha visão futura."
O Espírito Santo inspirou-me logo que sai de minha casa a pegar
uma cópia de um dos meus livros, The Triumph of Zion (O
Triunfo de Sião). Eu tirei da minha maleta e entreguei a ele,
dizendo: "Eu me senti inspirado a trazer este livro a você. Pode ser
que você encontre algumas das suas respostas aqui."
Para Spencer, esta primeira reunião foi como tombar o primeiro
dominó. O meu papel de fornecer entendimento diminuiu com o
tempo, conforme o Espírito Santo rapidamente preenchia os espaços
em branco que suas visões não tinham revelado plenamente em sua
juventude, e eles já estavam se tornando mais claros para ele.
Nos abraçamos e, em seguida, planejamos nos reunir novamente
na semana seguinte.
Em algum momento durante o nosso segundo encontro, eu senti
um forte impulso de fazer anotações, mas ele tinha dito várias vezes
que ele estava me dizendo coisas que nunca tinha dito a ninguém. E
estava ouvindo coisas tão grandes e importantes que eu não ousaria
esquecer de nenhuma delas. As descrições de Spencer eram
detalhadas acerca tudo. Quando ele "viu" suas visões, ele não estava
percebia como se fossem um filme em movimento; ele era um
personagem participante da visão em todos os seus sentidos. Ele
tocara e cheirara as coisas, sentira o triunfo e a tragédia das pessoas
em torno dele, e experimentara o perigo e o medo exatamente como
se ele estivesse lá. Ele lembrava de tudo em profundos detalhes,
porque ele experimentara como se em sua própria carne.
Finalmente, fiquei arrasado ao pensar na potencial tragédia de
que todo esse conhecimento ficasse na cabeça de uma só pessoa e,
em seguida, acabando por se perder. Era como se estivesse a ouvir
a João o Amado ou a Moisés descrevendo eventos que o mundo tem
17
John M. Pontius – Visões de Glória

refletido por muito tempo, e eu estava ouvindo em maravilhosos


detalhes, datas, horários, locais, mesmo as cidades e os nomes das
ruas onde as coisas aconteceriam. As suas palavras transportaram-
me a lugares que eu podia ver em minha alma como ele descreveu.
Eu ansiava e doía interiormente, sentindo o quão trágico que essas
coisas nunca fossem transmitidas, para abençoar os outros assim
como elas estavam mesmo ali abençoando-me.
Ao levantarmos para partir pela segunda vez, eu disse algo
como: "Spencer, não pode ser só uma coincidência nos
encontrarmos. A sequência de eventos que nos aproximou,
incluindo minha mudança do Alasca, o seu amigo e a minha filha
mudando ao mesmo tempo para a mesma ala (congregação da
Igreja), e mil outros eventos alinhando-se."
"Eu sei que isso não foi uma coincidência," ele disse suavemente.
"Foi um milagre".
"Devo dizer, então, que o fato de que eu sou um escritor Santo
dos Últimos Dias não pode ser mera coincidência. Proponho que
você pergunte ao Pai, se eu poderia registrar essas visões que você
me está a descrever. Deveriam pelo menos ser escritas e não serem
perdidas para sempre, mesmo que você apenas as conserve e as
transmita em sua família. Mas desejaria que o Pai celestial possa
finalmente nos permitir publicá-los para o benefício de todo o
mundo. Estas coisas parecem demasiado preciosas para ficarem
escondidas com uma pessoa, em suas memórias. Eu acho que todo
o mundo cristão se alegraria em saber estas coisas."
Spencer ponderou isso com uma expressão de questionamento.
Ele me tinha informado que lhe fora várias vezes dito para não
divulgar qualquer destas coisas sagradas até que o Senhor lhe
dissesse que estava na hora. Finalmente, ele sorriu e disse: "Eu vou
pedir ao Pai encarecidamente, e estou muito interessado em sua
resposta."
Fiquei sem saber o que pensar, sem saber se eu tinha
ultrapassado algum limite sagrado linha mas ainda acreditando que
eu tinha dito a verdade, que tudo isto não deve ser perdido. Eu
também fora tocado pela sua resposta cheia de fé.

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John M. Pontius – Visões de Glória

Meu Amigo Apostólico


Nós nos reunimos em seu escritório uma semana mais tarde, e
ele me contou esta história: "todos esses anos eu me senti
dolorosamente só, por não poder falar das coisas que tenho visto em
visões. Elas tornaram-se uma parte importante de mim, de quem eu
sou, e do que eu estou fazendo com a minha vida, e eu sou obrigado
a silenciar-me.
"Até eu relatar essas coisas a você eu nem sequer me dava conta
de que elas poderiam vir a se realizar plenamente em minha vida -
principalmente considerando minha situação pessoal, falta de saúde,
e fraquezas. Sempre soube que são verdadeiras, mas só
recentemente eu passei a suspeitar que velas virão a se realizar. Fui
perseguido e rejeitado pelas poucas vezes em que me abri, mesmo
que só um pouquinho. Tenho estado muito sozinho com isso por um
longo período de tempo. Tem sido um dos aspetos mais difíceis da
minha jornada.
"Uma das minhas atribuições na Igreja por muitos anos envolvia
visitas mensais ao Edifício dos Escritórios da Igreja em Salt Lake
City. Encontro-me com várias autoridades gerais e passei a
conhecer e amá-los pessoalmente. Ao longo dos anos, me tornei um
bom amigo de um dos membros do Quórum dos Doze. Nos
tornamos amigos íntimos, e nós, como ele costumava dizer,
"partimos pão" juntos e passei momentos maravilhosos em sua
companhia em numerosas ocasiões.
“Uma noite, enquanto sozinho com ele, fui inspirado a contar-
lhe uma das minhas visões. Ele ouviu com muito interesse e, em
seguida, concluiu, dizendo-me que era de Deus e que eu deveria
entesourá-la em meu coração, transcrevê-la, e não falar dela até que
o Senhor me ordenasse. Ele também aconselhou-me a não tentar
interpretar o significado da mesma. Ele disse, "quando o Senhor
quiser que você entenda, ele irá enviar alguém, ou dar-lhe o
significado, mas, até então, é a vontade de Deus que você mantenha
estas coisas para si mesmo e não tente interpretá-las sem mais
revelação.”.

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John M. Pontius – Visões de Glória

"Meu amigo apóstolo tornou-se uma força e uma fonte de


grande conforto para mim. Ele se tornou uma fonte de segurança
neste véu de lágrimas e a minha fonte de paz de que o que eu via era
de Deus e não algo de que eu devesse ter vergonha ou medo.”.
Spencer olhou para baixo por alguns momentos antes de
continuar. Quando ele olhou para cima, ele estava quase em
lágrimas. "Quando o meu querido amigo morreu, chorei sua perda
tão profundamente como se ele fosse meu pai ou meu filho. Eu não
podia superar aquela dor por um longo período de tempo. Senti que
não só tinha perdido um amigo querido, um apóstolo do Senhor,
mas também a única pessoa na terra a quem me tinha sido dada
permissão pelo Senhor, para compartilhar minhas experiências.
"Eu chorei sua morte por meses. Às vezes eu não tinha vontade
de comer ou dormir. Achei difícil de funcionar corretamente. Eu
estava a afundar em depressão. Então uma noite eu fui despertado
por alguém ao lado do meu leito. Eram cerca de duas horas da
manhã, e eu fui repentinamente desperto. Sentou-me e percebi que
um mensageiro celeste estava de pé ao lado do meu leito. Este
mesmo mensageiro me tinha conduzido através de muitas
experiências visionárias, e ainda assim eu nunca soube o nome dele,
nem estava autorizado a perguntar-lhe. Movimentei-me como se
fosse sair da cama, e em vez de dar um passo atrás para permitir-me
fazê-lo, ele apenas sorriu para mim.
"Ele não mexia os lábios, mas ele falou comigo do jeito que eu
tinha me familiarizado nas visões, em que a informação apenas flui
em minha mente e no meu coração na voz do meu visitante. Eu sou
capaz de responder da mesma forma, mas a maioria das vezes me
esquecia e fazia minhas perguntas em voz alta.
"Ele disse, 'Spencer", e eu sabia porque ele tinha vindo desta
vez: porque o meu querido amigo, o Apóstolo, lhe tinha pedido. Ele
irradiava amor e interesse ao continuar, "Você não deve chorar o
passamento de seu amigo tão profundamente. Ele está incomodado
pela sua tristeza por ele e sabe que você entende que ele está muito
feliz, finalmente em paz e livre de dor e está indo em frente com o
seu trabalho. Ele ama a você e, portanto, pede que você deixe de
chorar por ele.”.
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John M. Pontius – Visões de Glória

"Eu me senti disposto a fazer tudo o que o anjo me pediu para


fazer, e senti aquela profunda sensação de perda e luto rapidamente
esvair-se. A paz substituiu a perda no meu coração. Mas eu tinha
mais uma pergunta para ele. Eu disse, 'não tenho mais ninguém a
quem o Senhor deu-me permissão para falar sobre minhas
experiências. Eu acho que eu era luto por essa perda também.”.
"O anjo sorriu e respondeu, "Eu compreendo, mas será apenas
por um pouco mais de tempo. O senhor vai enviar o John (João) pra
sua vida. Ele vai entender a você e às suas visões. Você pode dizer-
lhe tudo o que você já experimentou. Ele irá ajudar também você a
compreender. Basta ser paciente até lá."
Spencer disse-me que o anjo recolheu a luz à sua volta e
desapareceu. Spencer deitou-se de novo e, depois de um longo
tempo, caiu no sono.
Spencer me olhou de forma penetrante e acrescentou: "Quando
você primeiro me chamou e pediu para nos encontrarmos, foi então
que eu percebi que o seu primeiro nome é John (João). A partir
daquele dia passei a perguntar ao Pai fervorosamente se você era o
John a quem o anjo se referira."
E eu respondi, "Certamente ele estava falando de alguém mais
importante do que eu - como João, o Amado, ou João Batista, ou
talvez alguém da Cidade de Enoque!”.
Spencer sorriu e disse: "Não, ele estava falando de você. Você
é “o” John (João), que o anjo prometeu-me que estava para chegar.
Esperei oito anos para que a promessa fosse cumprida. Tenho
rogado ao Senhor, e ele me deu permissão para contar-lhe toda a
minha experiência e para permitir que você a escrever certas partes
dela para ser publicado."
Spencer disse que acredita que esta foi uma das razões porque
havíamos nos encontrado neste momento. "Espero que alguma coisa
que incluamos neste livro possa abençoar a alguma alma e possa dar
esperança e clareza na preparação para o que se avizinha."
O Espírito ardeu como fogo na minha alma, testemunhando ali
e ainda me afirmando hoje, de que é verdade. Marcamos um outro
encontro e, a partir daquele dia, nos encontramos pelo menos uma
vez por semana por um período de seis meses. Juntos, produzimos
21
John M. Pontius – Visões de Glória

um volume de anotações e mais de cinquenta horas de entrevistas


gravadas.
O que você está prestes a ler é, ao meu modo de pensar, o mais
completo e poderoso entendimento sobre os últimos dias que já
chegou a uma pessoa comum.
Não é a escritura e não deve ser considerado como tal. Não é
profecia para ninguém, mas a Spencer apenas. É simplesmente um
relato de como o Senhor tem preparado um homem humilde, meu
amigo Spencer, para sua missão nos últimos dias. Você e eu, somos
apenas afortunados como testemunhas casuais, por assim dizer.
Como já referi anteriormente, nada disto é ficção; tudo está de
acordo com o que me disse Spencer, que assume a responsabilidade
pelo seu conteúdo.
É algo que você nunca pode esquecer.

22
NOTA DO AUTOR

A
história de Spencer chegou aos meus ouvidos como uma
narrativa que, em espírito de oração, condensei em um
relato das viagens de Spencer além do véu. Desde os
primeiros dias de entrevistas e perguntas, Spencer, leu e
releu o que escrevi, e ele declarou que este livro é um relato
verdadeiro e rigoroso da sua experiência visionária.
Optei por escrever na voz do Spencer, porque todas estas coisas
vieram dele. De forma nenhuma eu inventei pessoas ou eventos para
dar substância ao relato – embora eu tenha interpretado muito de
sua narrativa a fim de torna-la clara, sequencial, e compreensível.
Eu também tentei preservar o seu modo peculiar de expressão e
personalidade.
Spencer e eu mudamos todos os nomes para proteger as
identidades e suprimimos a localização exata de alguns eventos. Em
alguns casos, atenuamos a descrição de alguns acontecimentos
terríveis para manter este livro legível pelo público em geral. Temos
removido tudo o que pudesse incitar medo ou pânico ao ser lido por
alguém incapaz de compreender pelo Espírito Santo a mensagem
maior de esperança e de libertação.
O apêndice no final deste livro contém outras notáveis
experiências visionárias semelhantes às de Spencer. Elas foram
reproduzidas aqui sem modificação e talvez sejam mais explícitas
do que seria adequado a leitores menores.
As Escrituras dizem-nos que os tempos de tribulação estão
próximos e que aqueles que estão no caminho da justiça – que têm
tomado o Espírito Santo como guia e que têm alinhado seus
corações e desejos com Cristo, regozijar-se-ão com as mudanças.
Quem participar nos cenários dos últimos dias em retidão, irá
John M. Pontius – Visões de Glória

crescer em força até que não haja medo, andando em grande poder
e revelações para realizar seus labores.

A escrituras dos Últimos Dias também ensinam-nos que, à


medida que o tempo se aproxima do retorno de Cristo, aqueles que
suportarem o dia irão erguer-se para a plena glória de Sião.
Transladação será comum entre nós, e aprenderemos a viver sem
doença ou morte. Vamos aprender a operar na plenitude do
sacerdócio, e reuniremos em Sião os eleitos do mundo. Ali lhes
ensinaremos, lhes administraremos as sagradas ordenanças e os
protegeremos enquanto eles percorrem seu próprio caminho à Sião
de Cristo nos últimos dias. Haverá anjos entre nós, mensageiros
celestiais, e os milagres ainda maiores do que aqueles que livraram
os filhos de Israel do Egito. E, no devido tempo, teremos o próprio
Senhor entre nós. A Igreja irá erguer-se à plena glória total de seu
chamado e vai ser a voz profética de orientação que todos
seguiremos ao concluir esta grande dispensação da plenitude dos
tempos.
Estes serão dias gloriosos – tempos para nunca mais serem
esquecidos – que serão canonizados nas escrituras e histórias e
canções que serão cantadas enquanto existirem descendentes de
Adão, a longo das eternidades que nos esperam.
-John M. Pontius

24
1 – Despertado pela Morte

Capítulo Um

DESPERTADO PELA
MORTE

Minha Primeira Experiência com a Morte

E
u nasci morto. Quando entrei neste mundo, a minha pele
era azul escura e preta. O médico lançou um olhar a mim
e me entregou a um dos quatro enfermeiros da sala de
operação. Eu era pequeno e pré-maturo, e a enfermeira
não encontrou pulso ou respiração. Ela envolveu meu corpo
inanimado em um jornal e me deitaram em uma pia de inox. A
minha mãe estava sangrando muito, e a enfermeira com pressa para
ajudar o médico. Eles disseram-lhe que eu fui natimorto e
continuaram a cirurgia para salvar a sua vida. Ela mesma nunca me
contou isso, mas eu descobri depois que ela sentira-se aliviada por
eu não ter sobrevivido pois ela não queria essa gravidez.
Segundo a minha mãe, quando a enfermeira voltou-se para
cuidar do meu corpo inanimado, enrolado em jornal, ela encontrou-
me lutando para respirar. Eles imediatamente me levaram para o
Hospital Infantil da Primária para ver se eu poderia pôr fim
sobreviver àquele sofrimento.
Mais tarde, depois que minha mãe tinha se recuperado um pouco
da cirurgia e haver uma pequena esperança de que eu poderia
sobreviver, eles informaram-lhe que seu bebê natimorto havia
"enrubescido um pouco."
Quando meu pai tinha dezoito anos, ele e alguns amigos saíram
para um passeio divertido. Eles estavam bebendo e dirigindo, e
atingiram um idoso do lado da estrada e o mataram. O meu pai foi
considerado culpado de homicídio veicular. Mas a Segunda Guerra
Mundial tinha recém irrompido, de modo que o juiz o "condenou"
25
John M. Pontius – Visões de Glória

a se juntar à Marinha. Ele serviu na Marinha até o fim da guerra. A


culpa, vergonha e remorso devido à morte trágica daquele homem
idoso atormentaram meu pai para o resto da sua vida, o que
contribuiu para o fim da sua filiação e interesse pela religião,
embora seus pais mantiveram-se sempre fiéis e continuaram a
envolvê-lo e a orar e se preocupar com ele.

Ele e mamãe casaram-se, para o desgosto dos pais de ambos, e


eles mantiveram um relacionamento escabroso e abusivo. Após seu
divórcio, minha mãe se recusou a falar sobre meu pai com quem
quer que fosse, para o resto de sua vida. Nunca me encontrei com
ele e sabia pouco mais sobre ele do que referências enfurecidas e
comentários de menosprezo de outros membros da família.
No momento do meu nascimento, meus pais haviam se separado
recentemente mas ainda não divorciado. Mãe ficara grávida pouco
antes da separação em uma última tentativa desesperada para salvar
o seu casamento. O divórcio resultou desagradável e verbalmente
abusivo. O meu pai foi embora e recusou-se a sustentá-la ou aos
meus irmãos mais velhos. Quando ela percebeu que ela estava
grávida, ela ficou inicialmente irritada, em seguida furiosa e depois,
deprimida e ressentida da sua situação e da pouca vida dentro dela.
Minha mãe voltou a trabalhar como enfermeira.
O pai de minha mãe era um ministro leigo Metodista. Quando
mamãe tinha casado com o meu pai, que era "Mórmon", seu pai lhe
havia repudiado e lhe disse que ela já não era uma cristã e que ela e
seus filhos iriam todos para o inferno. Quando percebeu que não
podia sustentar sua família, mamãe contatou a seus pais para pedir
ajuda. Seu pai reafirmou que ela não era bem-vinda em sua casa.
Ela nunca se sentira mais rejeitada, isolada e abandonada. Isso foi
sentido como mais uma rejeição e abandono na sequência de
rejeições que ela tinha vivido desde jovem até o tempo presente.
A mãe de meu pai, minha avó facilmente convenceu meu avô
de que precisavam acolher minha mãe e apoiá-la até que ela pudesse
se restabelecer. Então, neste momento de grande necessidade,
minha mãe e nós, crianças, fomos carinhosamente acolhidos na casa
de meus avós paternos. O meu avô era bispo no momento, e a minha

26
1 – Despertado pela Morte

avó era oficiante no templo local. Eles eram baluartes na Igreja e


eram pessoas amorosas. Na minha juventude minha avó tornou-se a
pessoa mais querida na minha vida.
Os meus avós foram uma influência tão amorosa e cheia de fé
sobre a minha mãe, que ela se juntou à Igreja cinco anos após o meu
nascimento. Eles foram a solidez na sua vida, e na minha. Eles
nunca nos falharam. Temos vivido uma vida abençoada e, por causa
da influência constante e sincera dos meus avós, de carinho e
generosidade, a minha mãe foi capaz de cuidar de nossas
necessidades financeiras. Muitas vezes eu passei sem as coisas que
eu queria como criança, mas eu nunca senti que éramos pobres. Eu
me senti seguro e amado.
No decurso de minha profissão como terapeuta infantil e
familiar, tenho visto muitas outras crianças cujas vidas e almas
foram dilaceradas pelas mães, que não se davam conta de que
estavam prejudicando a criança ainda por nascer, ao viverem vidas
de raiva e ressentimentos, pelas circunstâncias da concepção de sua
criança.
Eu tenho lutado com essas questões por toda minha vida e
provavelmente escolhi minha atual profissão para tentar curar
minhas feridas pré-natais. Não foi até 1983, quase trinta e três anos
mais tarde, que eu finalmente compreendi o que havia realmente
acontecido, e fui capaz de perdoar a ela e ao meu pai.
Esse entendimento veio mais dolorosa e inesperadamente na
segunda vez em que eu morri.

Minha Primeira Experiência Pós Morte


Era setembro de 1983, e eu estava tendo problemas de saúde
com infecções internas crônicas, especialmente em meus rins,
combatendo vários cálculos renais. Os médicos queriam saber se
meus rins tinham sido danificados pelos contínuos problemas
renais. O meu médico recomendou um raio-x com tintura de
contraste iodada para realçar qualquer dano que pudesse ter
ocorrido. Era supostamente um procedimento de rotina.

27
John M. Pontius – Visões de Glória

Eu tinha trinta e três anos e tinha terminado um duplo mestrado


e estava frequentando a escola para concluir o doutorado. Cada vez
que eu tinha este distúrbio renal, eu tinha que ficar em casa, perder
tempo no trabalho e atrasar meus estudos. O médico finalmente
mencionou que eu deveria simplesmente parar de beber
refrigerante, dizendo que, se não fosse pelos refrigerantes, ele
estaria desempregado. Fiquei impressionado com o quão simples
era solução e fiquei surpreso que ele não tinha mencionado isso anos
antes. Parei de beber refrigerante, e nunca tive problemas renais
desde então.
Eu estava muito bem casado com Lyn (não é seu nome
verdadeiro, é claro) a essas alturas. Tivemos cinco filhos e achei que
já tínhamos parado de fazer filhos. Ainda éramos dedicados
estudantes, embora eu estivesse trabalhando em tempo integral em
um hospital. Estávamos ansiosos para concluir o meu curso de
doutorado para que eu pudesse tornar-me um professor livre-
docente e começar a minha própria prática privada. Eu já estava em
diversas faculdades como professor e instrutor.
Chegamos na clínica um pouco mais cedo para preencher a
papelada. Eu tinha de vir em jejum. Nós nos sentamos na sala de
espera, escutei o meu nome ser chamado. Antes do processo ter
início, fui vestido em um avental de hospital. Fui escoltado para
uma estreita mesa de metal e orientado a deitar de costas. Haviam
tubos e frascos de líquido pendurados acima da minha cabeça.
As paredes do quarto eram verde hospital. Uma máquina de
raios x preta dominava a parede do fundo. O piso era de concreto
verde com uma borda preta. As paredes combinavam. Era uma
típica sala de procedimentos de hospital da década de 1970.
Eu estava sentindo medo do procedimento, mas achei que era
necessário, então aquiesci quando a enfermeira iniciou o intravenal.
Ela era jovem, loira e atraente. Eu achei que ela estava em seus trinta
e poucos. Eu gostei de sua simpatia, alegria e confiança.
Conversamos sobre o procedimento e possíveis complicações. Ela
explicou alguns dos possíveis sintomas de uma reação alérgica ao
corante que ela cuidadosamente injetava no meu braço.

28
1 – Despertado pela Morte

Ela disse, "Se você se sentir um fluxo..." E naquele exato


segundo comecei a sentir um fluxo.
Ela continuou, "Se você sentir a sua pele coçar..." E eu comecei
a sentir coceira severamente por todo o meu corpo.
Ela disse, "Se você sentir pressão no peito ou se sentir como se
não conseguisse respirar..." exatamente quando eu senti uma
sensação de horrível esmagamento no meu peito, como se um
elefante se sentasse sobre mim. Eu tentei dizer, "Eu não consigo
respirar!" Mas não consegui pronunciar as palavras. Coloquei o meu
braço e mão livres no meu pescoço e os passava rapidamente sobre
minha garganta, tentando fazer enfermeira entender que eu estava
em apuros. Eu peguei a minha garganta, gesticulando o que eu sabia
ser o sinal universal de asfixia.
Foi nesse momento que a enfermeira compreendeu os meus
toques e percebeu que algo estava seriamente errado. Ela correu
para a parede e apertou um grande botão vermelho. A campainha
tocou em alto e bom som, e uma voz gravada do alto falante da
clínica começou a repetir "código azul, quarto vinte e quatro!
Código azul, quarto vinte e quatro!" Tendo trabalhado no hospital
por muitos anos, eu tinha respondido a esse chamado muitas vezes,
nunca prevendo que um dia eu seria o objeto de um anúncio como
este.
A próxima coisa de que eu me lembro foi que meu espírito
estava afundando para baixo através da mesa. Eu estava de olhos
bem abertos, não querendo perder qualquer parte desta experiência,
e eu sentia meu espírito afundar até eu poder ver a parte inferior da
mesa. Não queria ficar embaixo da mesa, e em um instante eu me
encontrei ao lado da mesa de procedimento olhando para o meu
corpo inanimado estendido diante de mim.
O grande relógio preto e branco na parede à direita diante de
mim mostrava 09:20 hs.
A enfermeira tentou encontrar pulso e não conseguia. Ela
xingou e gritou com a sala de controle, "Estou perdendo ele! Estou
perdendo ele!” Um técnico apressou-se ao quarto.
Imediatamente as pessoas reuniram-se para tentar reanimar-me.
Um médico a quem eu não tinha visto antes correu para o quarto e,
29
John M. Pontius – Visões de Glória

por algum motivo, eu imediatamente soube que ele estava tendo um


caso com a enfermeira que começou o intravenal. Era uma grande
surpresa para mim que eu soubesse disso. Vi a minha mente cheia
de novas informações que vinham a mim mais do meu coração do
que dos meus sentidos habituais. Eu também sabia que essa
enfermeira recentemente se havia divorciado. Eu sabia o quanto ela
valorizava e também temia este relacionamento com o médico que
já estava trabalhando ao seu lado para salvar-me. Eu sabia o quanto
ela se esforçava para ser boa em sua profissão e, ainda assim, ser
uma boa mãe para seus dois filhos em casa. Eu sabia que ela tinha
terríveis problemas financeiros. Eu sabia tudo sobre ela, realmente
todos os detalhes de sua vida, e todas as suas decisões, medo,
esperança e ações que havia criado a sua vida. Eu podia ouvir a sua
mente gritando de medo. Ela estava a orar por ajuda, tentando
assumir o controle do seu medo e lembrar-se de seu treinamento.
Ela desesperadamente não queria que eu morresse.
Eu olhei para as outras pessoas na sala e foi com grande espanto
que eu podia ouvir seus pensamentos e conhecer os detalhes sobre
as suas vidas tão vividamente como a da enfermeira.
Há uma maior sensibilidade espiritual que vem de estar morto
que eu nunca houvera suposto ou ouvira falar antes. Eu sabia o que
cada um estava pensando. Na verdade, ela era mais do que apenas
saber o que eles estavam pensando. Eu também sabia de todos os
detalhes de suas vidas. Eu sabia se eles eram pessoas boas ou ruins,
se eles eram honestos ou corruptos, e eu sabia de todos os atos que
os tinham trazido ao seu atual estado. Não era algo que eu sentia ou
podia ver, era apenas o conhecimento que estava em mim.
O que foi ainda mais interessante a mim foi que eu não me senti
julgando a nenhum deles. Eu simplesmente sabia estas coisas. Era
como saber que uma rosa é vermelha; não é algo para julgar, é
apenas o jeito que a flor é.
O que me fez sentir, o que era totalmente novo para mim, foi
uma rica compaixão por eles e suas circunstâncias. Uma vez que eu
sabia tanto sobre eles, eu também sabia de suas dores e de sua
motivação para tudo o que tinham feito e que os tinha levado até
este momento. Também senti seu medo de me perder.
30
1 – Despertado pela Morte

As suas ações e as reações eram calculadas, forçando-os a


manter a calma. Somente no médico que trabalhava comigo senti
uma espécie de distanciamento que lhe permitiu agir com menos
emoção. Sentindo seu medo e o impacto total da sua vida fez-me
experimentar sua dor quase tão intensamente como eles a sentiam,
e eu tinha total compaixão por eles. Eu não sentira temor por mim
mesmo até então. Eu estava ocupado demais tentando entender
todas estas novas sensações.
Eu estava um pouco mais longe. Eu acho que eu tinha me
afastado um pouco para dar-lhes espaço para trabalhar no meu
corpo, porque eles estavam caminhando ou correr pelo mesmo
espaço onde eu tinha estado.
"Eu devo estar morto", lembrei-me de pensar. Eu tive de
repensar esse processo algumas vezes antes que realmente caísse a
ficha. Estou morto! finalmente me toquei, eu vi o meu corpo sobre
a mesa, e eu numa nova forma corporal pairando acima, com total
conforto e sem dor. Apenas há pouco tempo, eu estava na maior dor
que eu jamais sentira, e agora eu estava completamente livre de toda
dor e dos cuidados do tabernáculo de carne. Agora eles
desapareceram. Foi um alívio descobrir que estar morto não causa
qualquer grande angústia. Só aceitei que eu estava morto porque eu
estava olhando para o meu corpo ali em cima da mesa. Eu estava ali
em pé assistindo todas essas pessoas tentando reavivar-me. Eles
estavam a gritar comandos e pedidos e a injetar-me com muitas
substâncias para ressuscitação.
A próxima consciência que eu tive foi que eu era capaz de
compreender muitas coisas ao mesmo tempo. Eu não necessitava de
me concentrar em uma única coisa qualquer, porque todas elas eram
claras ao meu entendimento. Eu senti que eu podia compreender
infinitas quantidades de conhecimento e focar em um número
infinito de assuntos, dando a cada um a minha absoluta atenção. Isso
foi incrível para mim e tão diferente da minha experiência como um
esforçado pós-graduando, tentando memorizar volumes de
informação.

31
John M. Pontius – Visões de Glória

Minha Vida Revista


Neste momento, comecei a ter uma visão de toda a minha vida.
Por ter essa nova capacidade de compreender tantas coisas de uma
só vez, a visão era completamente envolvente, importante e curiosa
para mim, mas eu ainda tinha uma plena compreensão de cada
médico e enfermeiro em volta de mim e o que estava acontecendo
com o meu corpo.
A primeira coisa que vi foi a minha mãe que levando-me em seu
ventre. Eu não apenas a via, eu completamente compreendia a ela,
toda a sua vida, suas dores e tristezas, cada pensamento que ela teve,
cada decisão que ela tinha feito, cada emoção que ela sentiu. Eu
percebi que, em toda a minha vida, eu realmente não conhecia a
minha mãe em completamente. Eu sempre a vira da perspectiva de
uma criança, e eu nunca tinha sido capaz de desculpa-la totalmente
por não me querer. Ela me disse que a história de como o meu pai
biológico a tinha abandonado grávida, paupérrima e sem-teto. Ela
nunca havia falado indelicadamente do fato de que eu havia nascido.
No entanto, ela deixava claro por toda a minha vida que as crianças
eram um grande fardo para ela, e que ela foi deixada sozinha e sem
ajuda para levá-lo.
Eu agora a percebia de modo completamente diferente. Assisti
a minha própria concepção, e todas as emoções do momento. Com
tudo isto, não houve julgamento de mim ou de Deus. Eu me sentia
sem emoção sobre aquilo exceto maior compaixão por minha mãe.
Eu vi que ela tinha outros dois filhos, sendo eu o terceiro.
Observei-lhe cada suspiro, cada decisão, cada medo e lágrimas que
ela derramou. Eu vi muitas pessoas, na sua maioria profissionais
amigos, tentando convencê-la a abortar-me ou me dar para adopção.
Disseram-lhe que seria um lembrete constante do meu pai
incompetente e o que ele tinha feito para ela. Também vi outros,
seus amigos e líderes da Igreja, inclusive meus avós, tentando
convencê-la a manter-me e criar-me.
Vi e senti o processo decisório de minha mãe no processo de
decisão até a conclusão de me manter. Era como se ela tivesse
passado por esse processo tantas vezes que ela podia ver os
resultados desta escolha e como isso afetaria a ela e a mim para o
32
1 – Despertado pela Morte

resto de nossas vidas. Ela se sentia tão sozinha e rejeitada. Ela se


sentia como fracasso, e simplesmente incapaz de criar um outro
filho. No entanto, ela também era uma enfermeira que havia cuidado
de mulheres em situações semelhantes à dela própria, e ela sentia
que não deveria sujeitar o seu próprio filho ao processo de adoção.
Ela concluiu que doar-me para viver com outra família não traria
nada de bom para o bebê ou para si mesma. Ela tinha extrema
dificuldade com amor, confiança e relacionamentos. Ela estava
enfrentando sua própria depressão e sentimentos de perda, portanto
amor não foi uma grande parte da sua decisão. Ela pensava coisas
como, "dois erros não corrigem o erro anterior" e "Eu preciso limpar
os meus próprios erros." A sua decisão não foi baseada no amor. Ela
foi baseada na racionalização. Ela me manteve pelo dever e pela
responsabilidade.
Ela não tinha sido criada por pais amorosos. Seu pai era duro e
fisicamente abusivo. A mãe era uma inválida que ficava em sua
cama na maior parte do dia. Como eu já notara, ela tinha sido
repudiada por seus pais, e ela sabia como isso é horrível para uma
criança. Por isso, agora ela estava escolhendo fazer o que era certo,
não o que era conveniente. Sua depressão e perda levou o amor
materno para longe dela.
Percebi também que eu estivera envolvido na vida de minha
mãe antes de eu nascer. Eu tinha sido, de certo modo, um anjo
ministrador para ela, assistindo e protegendo-a suas através dos
momentos difíceis até meu nascimento. Era um entendimento
pacífico e reafirmador para mim. Eu queria nascer dela, mesmo em
circunstâncias difíceis, e ela havia tomado a difícil decisão de
manter-me. Eu experimentei o amor que eu tinha por ela antes de eu
nascer, e ele se manteve comigo desde sempre. Ele tem sido um
Bálsamo de Gileade à minha alma e me permitiu não só perdoá-la,
mas também plenamente compreendê-la como uma pessoa
completamente diferente, ela realmente me amara, muito antes que
ela ou eu tivéssemos nascido.
Eu vi todos os acontecimentos de sua vida levando até ela ir ao
hospital para parir-me. Eu sentia seu medo e raiva em cada passo do
caminho. Ela não era saudável nem física nem emocionalmente. O
33
John M. Pontius – Visões de Glória

As sombrias emoções daqueles dias minaram minha vida e


roubaram de meu corpo em gestação a vitalidade que precisava para
sobreviver.
Eu vi minha mãe em trabalho de parto e fui surpreendido ao ver
muitos anjos presentes no meu nascimento. Duas das enfermeiras
na sala de parto não eram mortais, mas eram anjos. Elas eram ou
seres transladados ou ressurretos, porque elas tinham corpos. Elas
agiam como os outros enfermeiros, mostrando emoções e recebendo
ordens. Mas eles estavam lá apenas para ajudar a mulher e o filho
que estava morrendo no momento do nascimento.
Minha mãe se sentiu tão sozinha. A sua principal emoção foi de
abandono e tristeza. Ela não sabia nada sobre esses anjos que ali
estavam ajudando-a, o que parece ser o caso da maioria das
intervenções angelicais. Temos ciência de muito pouco do que os
anjos fazem. Nas suas dores de parto nestas tristes circunstâncias,
ela não percebia que todos esses personagens espirituais estavam lá,
interferindo, protegendo e trazendo vida. Mesmo em seu desespero,
seres divinamente comissionados estavam ali dando-lhe força e
amorosamente ajudando-a, para que ela e eu pudéssemos ter uma
vida juntos.

Enfermeiras Angélicas
Como eu estava vendo o meu próprio nascimento, vi que o meu
pequeno corpo natimorto era, de fato, preto e azul escuro. Assisti a
enfermeira verificar batimento cardíaco com um estetoscópio.
Como não ouviu mais nada, ela envolveu-me em jornal porque eu
estava coberto de sangue e fluidos escuros. Eu até cheirava mal, e
ela não sujar as toalhas do hospital. Ela tristemente colocou-me na
pia e voltou para a operação.
As duas enfermeiras que foram designadas para cuidar do meu
corpo recém-nascido afastaram-se da minha mãe e começaram a
trabalhar comigo, apesar do fato de que eu estava morto. Percebi
que eram dois anjos, e elas foram assistidas por outros anjos
invisíveis diante de descendo dos portais do céu. Cheguei mais perto
deles. Eles tinham puxado o jornal para revelar o meu rostinho

34
1 – Despertado pela Morte

franzido. Ele estava preto, coberto de sangue, se eu estivesse no meu


eu mortal aquela imagem, sem dúvida alguma, me faria mal. Em
espírito, eu achei curioso e triste, e ainda mais interessante que essas
duas enfermeiras estavam movendo suas mãos para dentro e para
fora do meu corpo. Era quase como se estivessem fazendo
ressuscitação, mas suas mãos estavam efetivamente penetrando
meu corpinho. A cada passagem minha pele ficava um pouco mais
rosada, um pouco mais viva.
Eu podia ouvi-las falando espiritualmente uma com a outra,
coordenando e concentrando seus esforços para socorrer-me.
Grande parte de seu discurso era louvor e oração, pedindo a Deus
que abençoasse seus esforços e exaltando Seu poderoso desígnio.
Elas tinham urgência, mas nem um pouco temerosas ou
desanimadas. Eu que eles não conseguiam me ver, ou pelo menos
não deram sinal de que me viam assistir ansiosamente.
Eu vi o corpinho dentro da pia, o meu próprio corpo, ofegante,
lutando para viver. A enfermeira puxou o jornal abrindo um pouco
mais virou para o médico. Seu rosto era sereno, mas a sua voz era
de surpresa fingida. Ela gritou, "doutor! eu acho que esse bebê ainda
está vivo! Ele ficou corado!”.
Por esta altura o médico havia salvo minha mãe e estancado o
sangramento interno. Dirigiu-se ao redor, suas mãos
ensanguentadas erguidas à frente. O seu rosto era incrédulo; no
entanto, ele caminhou para a pia. Ele olhou para o relógio na parede,
preparando-se para anunciar o horário da morte do menino. Quando
ele me olhou, ele ordenou que as mesmas enfermeiras que
ressuscitaram-me me tirassem da pia e me aquecessem. Elas
viraram as costas, e carregaram para o mal assistido e mal operado
berçário. Fui imediatamente transferido para Hospital Infantil da
Primária onde eu lutei por semanas para permanecer vivo. Fui
colocado num velho respirador artificial de ferro até conseguir
respirar sozinho.
Quando alguém vê a sua “vida repassada”, que é como eu chamo
o processo, passa a ver tudo através da grande lente objetiva do amor
de Deus. Eu estava vendo todo o meu nascimento e a minha vida
adulta, pelos olhos de todos: da minha mãe, meus, dos meus irmãos,
35
John M. Pontius – Visões de Glória

dos meus avós e dos meus amigos e mesmo de pessoas com quem
eu só tinha interagido acidentalmente. O sentimento avassalador
para mim foi que esta experiência era como assistir ao meu próprio
funeral, era ver a sua vida contada por todos aqueles que te
conheciam - na verdade, todos em seu mundo. Cada pessoa teve a
experiência de você de forma única e diferente. Nem tudo era
lisonjeador ou correto, mas oh! que tesouro de informações foi
adquirido a partir desse singular ponto de vista!
Eu vi tudo de bom que fiz, todos o amor que eu dei, o serviço e
a bondade, mas também vi toda tristeza e dor que eu havia causado.
Eu vi todos os meus erros e como todos foram afetados por eles. Eu
vi alguns erros que não afetam somente a uma pessoa, mas seus
filhos, e os filhos deles e assim por diante. Eu vi todo o
encadeamento de ações através do tempo até que sua energia fosse
dissipada. Felizmente, eu era jovem, e eu havia tentado viver uma
vida correta mesmo na minha juventude, de modo que esta revisão
da vida não foi desagradável de ver. Algumas das coisas que eu vi
me deixaram satisfeito comigo mesmo. Senti-me como se eu fosse
a única pessoa que estava sendo condenatória sobre minha vida.
Eu compreendia tudo em detalhes perfeitos. Neste grande e
revelador detalhe, vi-me como cada pessoa me viu. Todos os da
sentença foi correta e na justiça. O bom e o mau, tudo era filtrado
pela luz de Cristo, e o seu julgamento era claro, justo e
misericordioso. Não podia haver disputa, porque a minha vida foi
registrada em perfeitos detalhes. Eu sabia que era verdade, e eu
sabia que era justo.
Eu ainda estou espantado com o quão objetiva foi a revisão da
minha vida. Não houve nenhum julgamento ou emoção sobre
minhas ações, quer de mim ou de Deus. Eu vi e percebi como minha
vida influenciou meus colegas de escola, minha mãe e meus irmãos.
Isso mudou a minha perspectiva sobre quase todas as pessoas da
minha vida. Na revisão, eu vivi minha vida através dos olhos dos
outros. Eu entendi com perfeita clareza como as minhas decisões os
afetaram, que emoções eles experimentaram por minha causa, e o
impacto que as minhas palavras atos tiveram sobre eles pelo resto
de suas vidas. Eu vi o que suas vidas foram, antes, durante e depois
36
1 – Despertado pela Morte

de eu ter cruzado com eles. Eu também vi o verdadeiro resultado


dos seus atos sobre mim, que por vezes era muito diferente do que
eu havia percebido no momento.
Quando eu o ponto de vista do meu pai biológico em relação a
estes acontecimentos, e abandonar e divorciar da minha mãe, eu
aprendi que não era só egoísmo, não era só narcisismo, como eu
havia suposto por toda minha vida. Quando ele percebeu que minha
mãe estava grávida, ele sabia, ou pensava que sabia, que eu ficaria
melhor sem ele. Isso pode não ter sido verdadeiro, mas que foi a sua
percepção. Ele sabia que suas escolhas na vida só poderiam
prejudicam-me. Ele não me abandonou por causa do egoísmo ou
apenas pelo alcoolismo, como eu tinha sido ensinado. Ele realmente
pensava que eu ficaria melhor sem ele.
Eu entendi a sua dor, sua infância, seus conflitos com seus pais,
e seu relacionamento com o pai. Eu entendi as coisas perfeitamente,
como nenhum mortal pode compreender, durante a vida mortal;
nem mesmo o meu pai entendia deste modo. Eu percebi pela
primeira vez que meu pai realmente amava muito a minha mãe. A
sua fraqueza e histórico bloqueavam sua capacidade de deixar que
o amor triunfasse em suas decisões. Eu também vi o amor de Cristo
e o amor do Pai Celeste por ele, não importa que erros que ele tinha
feito.
Este serviu para mudar completamente o meu julgamento sobre
meus pais, e a minha opinião sobre porque tinham feito o que
fizeram. Esta nova perspectiva criava um grande conflito em mim
porque ela mudou quase todo o julgamento e conclusão que eu tinha
feito durante a minha vida. Ela foi toda varrida numa fração de
segundo naquela perspectiva imortal. Eu vira coisas que agora me
forçavam a abandonar a minha ira e ressentimento. Literalmente
levou décadas desde então para conciliar aquilo que me ensinaram
quando criança com o que eu tinha visto realmente acontecer. Às
vezes minhas emoções e velhos pensamentos causavam um amargo
conflito dentro da minha mente e alma. Esse foi o conflito que levou
tanto tempo para resolver, pois eu sabia a verdade agora, mas o meu
homem natural lutou contra as visões espirituais adquiridos através
deste experiência não-terrena.
37
John M. Pontius – Visões de Glória

Não sei, é claro, se o conflito teria continuado se eu tivesse


realmente morrido. Talvez, teria sido resolvido no amor de Deus,
porque tudo isso veio a mim sem julgamento ou oposição.
Quando voltei ao meu corpo, em vez de morrer, e retomei a
minha vida, no entanto, era difícil conciliar a minha antiga crença
com tudo o que eu tinha visto em visão. Eu estava habituado a
pensar e considerar de uma forma, porém eu espiritualmente sabia
uma verdade maior, uma tal verdade a qual minhas emoções tinham
dificuldade de submeter-se, como um floco que permanece em uma
folha por todo verão, recusando-se a ceder ao calor do sol. Nem sei
dizer se hoje já terminei essa tarefa.
Um dos obstáculos para a reconciliação dessas emoções
conflitantes foi que meu pai já havia morrido a essa altura, e eu não
podia resolver tudo isso com ele. A minha mãe não tinha me
permitido nem mesmo ver o meu pai enquanto ele ainda estava vivo.
A sua forte convicção e suas conclusões e a raiva dominavam todas
as conversas que tivemos sobre o meu pai. Ela recusava-se a alterar
sua posição de justificado ressentimento que ela havia formado
dentro si. Isso a protegia da crueza de sua dor vir à superfície
novamente e ficando exposta. Eu nunca consegui falar na sua
presença as palavras amorosas que eu tinha guardado na minha
mente sobre ele. Finalmente tive de concluir que deixaria essas
conversas e ideias nas mãos amorosas de nosso Salvador para o
momento em que Ele sabia, na sua precisão impecável, que minha
mãe finalmente fosse capaz de entender através de suas ternas
misericórdias. Não foi até após a morte da minha mãe que fui capaz
de começar a reconciliar-me com ela através de várias experiências
espirituais com ela, além do véu.
Tenho tido experiências espirituais, não sonhos ou visões, mas
visitas tanto do meu pai como da mãe desde então, as quais me
ajudaram a trazer a paz para a minha alma e, eu acho, para a deles.
Em uma ocasião, ouvi a porta da sala de espera do meu
escritório abrir e fechar. Alguém entrou pela porta para a sala de
espera. Eu estava no meu escritório a escrever anotações de
pacientes logo após a minha sessão anterior. Eu disse sem olhar para
cima, "Por favor, sente-se. Já lhe atenderei." Eu ouvi, quem quer
38
1 – Despertado pela Morte

que fosse, sentar-se na poltrona. Quando eu acabei de escrever e abri


a porta, não havia nenhum humano ali. Tive a forte impressão de
que meu pai estava no meu escritório. Pela mesma voz interior eu
tinha ouvido durante a minha experiência quase-morte, ele me deu
uma data específica, que era o aniversário da sua morte. Eu percebi
que ele estava a pedir-me para ir ao templo, naquela data. Fi-lo com
todo o prazer, pensando que eu iria ver o meu pai. Mas eu passei
pela sessão sem vê-lo e sem mesmo sentir a sua presença.
Ao me vestir, eu novamente senti a sua presença, e a mensagem,
dada na mesma forma poderosa, foi a de que ele já era digno de
entrar no templo, e ele queria que eu fosse com ele. Era uma doce
mensagem. Ela expressou volumes que ele se havia preparado,
arrependeu e agora era digno de entrar no templo. Como resultado,
eu sabia que ele tinha aceitado e se beneficiado das nossas
ordenanças em seu nome. Isso foi e é um conforto para mim.
Um dos maravilhosos entendimentos eu ganhei de minha
primeira experiência quase-morte foi em relação a minha irmã mais
velha que engravidou aos dezesseis anos. Eu nunca tinha entendido
o poderoso efeito que isso teve sobre ela ou sobre o resto de minha
família. Enquanto eu estava vivendo aqueles momentos, eu tinha
somente a minha perspectiva. Eu era o terceiro filho e o meu auto
atribuído papel em nossa família foi o de pacificador. Eu tentava
manter a harmonia na nossa família, inserindo-me em tudo,
incluindo coisas que não eram da minha conta. Eu vi que o meu
juízo dela e de suas circunstâncias não era correto, embora eu
estivesse tentando manter a paz.
Eu vi o impacto que a gravidez teve no meu irmão mais velho.
Assisti ele ter uma longa caminhada de três a quatro horas. Eu
experimentei o que ele estava pensando e sentindo e que ele sentia
que tinha fracassado com ela e com o resto de nós, de alguma forma.
Eu percebi, pela primeira vez, que ele decidiu naquele momento e
lugar, a fazer mudanças em sua própria vida, de modo que ele jamais
nos desapontasse. Eu estava tão surpreso de ver como ele estava
preocupado com seus irmãos e irmãs, e assumiu responsabilidade
por nós. Eu ignorava a intensidade de seus sentimentos até que os

39
John M. Pontius – Visões de Glória

vi na revisão da minha vida. Isso deu-me grande empatia e respeito


por ele.
Também senti a dor da minha irmã e todos os motivos para a
sua dor. Eu não estava ciente, até ver naquela visão, que a minha
mãe e os pais do pai do bebê os tinha levado em um carro para Las
Vegas para casar os dois. Eu vi a dor e a tensão no carro enquanto
viajávamos. Eu vivi os acontecimentos com ela de uma forma que
nem mesmo os mortais presentes poderiam ter experimentado. Foi
a primeira vez que eu realmente entendi minha irmã e me condoí
por ela. Eu vi o meu jovem impacto sobre ela e como ela se sentiu
banida, rejeitada e julgada por mim e pela sua família. Tive grande
empatia por ela e isso gerou ternura na nossa relação pelos anos que
se seguiram.
Eu perguntei à minha mãe e irmã anos mais tarde para confirmar
aquilo que eu tinha visto. Minha mãe e irmã ambas reconheceram
que aquele havia sido de fato um casamento à ponta de espingarda.
Esta confirmação deu-me um rico senso de compaixão e
proximidade com a minha família. Foi uma ampla ilustração do
impacto da minha vida na deles e por que nossas vidas são hoje da
forma como são.

Meu Amigo, o Valentão


Eu tinha medo, em minha juventude, dos valentões da escola,
especialmente do Jake. Ele era um ano mais velho, maior, e
simplesmente malvado. Ele parecia ter prazer em me aterrorizar.
Pelo menos uma vez por semana, Jake me batia ou fazia algo
agressivo e malvado comigo. Eu ia para casa com muitos
machucados e olhos roxos por causa dele. Naqueles dias os adultos
achavam melhor que os meninos resolvessem seus próprios
problemas e aprendessem a defender-se sozinhos, e a minha mãe e
avós incentivaram-me a aprender a me defender em vez de
interferirem na minha vida. Até que, na quinta série, finalmente tive
a coragem de revidar. No repasse da minha vida, eu vi aquele dia.
Eu também vi minha recém descoberta coragem dessa perspectiva,
que incluía o horrível abuso que ele próprio recebia de seu pai.

40
1 – Despertado pela Morte

Quando enfrentei o Jake e revidei, ele mudou totalmente sua


forma de pensar sobre o seu mundo. Eu vi que ele se sentia
impotente e vítima dele próprio. O meu pequeno ato de coragem lhe
mostrou que ele não estava. Ele nunca mais me perseguiu nem a
qualquer outra pessoa novamente. Ele foi alterado por essa
experiência. Ele se tornou meu amigo porque eu tinha
inconscientemente lhe dado a chave para libertar-se da sua própria
tirania. A nossa nova amizade permitiu que Jake resolvesse os
conflitos de relacionamento lutas com o seu próprio pai. Ele ganhou
mais corajem para enfrentar seu pai por causa de minha ação. Assim
como Jake parou de me atacar, seu pai parou de abusar dele, quando
Jake se recusou-se a submeter-se, e o seu pai de fato foi embora
pouco tempo depois.
Perceber o impacto que a minha amizade causou nele, foi uma
revelação para mim. Eu nunca tinha suspeitado que houvesse
qualquer motivação para suas agressões exceto malvadeza. Após a
visão, eu entendi por que ele estava descontando sua frustração em
mim e em outros.
No repasse da minha vida eu aprendi que tudo isso foi
divinamente concebido, que ambos precisávamos desta estreita
relação, e ela tinha que começar com suas agressões, a fim de curá-
lo. Eu vi que eu tinha concordado em tudo isso antes de nosso
nascimento. Nossa amizade, divinamente pré-ordenada, teve um
impacto duradouro na sua cura, em seu relacionamento com a
família e sobre mim. Eu não teria aprendido essas coisas sem ele.
O que eu aprendi, vendo tudo isso foi que nosso relacionamento
foi projetado por Deus e teve um impacto significativo sobre nós
dois. Ambos mudamos. Parei de ter medo de valentões e da vida em
geral. Não só minhas ações iniciaram a cura do seu abuso, mas sua
parte na minha vida iniciou a minha cura também. Percebi que o
medo não era necessário e que eu podia me defender e, até mesmo,
fazer amigos por causa da minha coragem. Essa descoberta ainda
me influencia até hoje. Nosso relacionamento foi pré-ordenado e
projetado por Deus para nos salvar. Em meu pensamento hoje,
valeram a pena os poucos hematomas que me custou.

41
John M. Pontius – Visões de Glória

A última coisa que fizemos antes de Jake formar-se e mudar-se,


foi encenar o musical Oklahoma! Ele fez o Jud e eu fiz o Curly. No
musical, Jud e Curly estão apaixonados por Laurey. Curly confronta
Jud sobre sua malvadeza com os outros e eles ficam mais ou menos
amigos. Mas depois Laurey concorda em se casar com a minha
personagem, Curly, Jud invade o casamento e ameaça Curly com
uma faca. Na briga que se segue, Jud cai sobre sua faca e morre.
Curly, é claro, fica com a garota. A peça era uma metáfora do nosso
relacionamento, o que não se perdeu para nenhum de nós.
Muitas vezes tenho perguntado por que razão Deus permitiu-me
ver essa repassagem da minha vida, sabendo que eu não estava
realmente morrendo. Eu achava, antes desta experiência, que você
via a sua vida repassada apenas uma vez, quando você realmente
morre. Perguntei-me por muitos anos porque Deus me daria este
poderoso entendimento da minha própria vida e, em seguida,
enviar-me novamente à mortalidade.

Nossos Relacionamentos Vêm de Deus


A verdade é que ver estas coisas mudou a minha vida para
sempre, e me deu uma nova perspectiva sobre todos os meus
relacionamentos e o propósito da minha própria vida. Não acredito
que eu poderia ter feito tudo o que eu tinha prometido fazer sem
estas experiências. Na verdade, estou certo disso.
Agora sei que os relacionamentos não são apenas
acontecimentos causais ou coincidências. Todos esses eventos
acontecem para finalidades divinas. Eles ensinaram-me que Deus
realmente nos abençoa nos detalhes de nossas vidas. Essas
interações e relacionamentos, quem pode parecer aleatórios no
momento, são designados para abençoar e aperfeiçoar a nossa vida.
Desde essa intensa revisão da minha vida, tenho olhado para a
vida e os relacionamentos como se fossem um quebra-cabeças,
ciente de que todas as coisas e as relações têm impacto divino. A
minha pergunta desde então foi onde está o propósito divino deste
momento presente, deste evento, desta relação, ou dessa pessoa
entrando em minha vida? O que tenho para aprender com essas

42
1 – Despertado pela Morte

interações e essas pessoas que entram ou saem do palco da minha


experiência? Comecei a orar para que Deus revelasse estas coisas a
mim e que Ele me guiasse para abençoar essas pessoas, em vez de
deixar-me vaguear sem saber, através de suas vidas. A minha oração
tornou-se: "Deixa-me ser a tua voz, deixa-me ser as tuas mãos,
deixe-me estar conscientemente envolvido, para que eu possa ser
inspirado a fazer a tua obra em suas vidas." Eu tenho pessoalmente,
falhando nesse propósito às vezes, mas, conforme amadureci minha
capacidade aumentou gradualmente e minha resolução firmou-se.
Desta perspectiva da minha vida revista, alguns acontecimentos
da minha vida, que eu achava que eram simples ou banais,
resultaram ser significativas e propositadas aos olhos de Deus. Deus
realmente conta cada momento de nossas vidas, e se deixarmos que
Ele nos guie, esses momentos se tornam eternamente significativos.
É interessante para mim que o impacto negativo das minhas
ações sobre as pessoas não era o tema da revisão da minha vida. Ele
estava lá, e eu o vi, mas isso parecia menos importante do que o bem
que eu fiz e sua reação em cadeia nessas vidas. Quando eu vi as
partes negativas da minha vida, a mensagem para mim não era o
quão ruim eram, mas que se eu desse continuidade a esses
comportamentos, eles potencialmente teriam me afastado do
trabalho específico que o Senhor tinha para eu realizar em minha
vida. Não era condenatória, apenas instrutiva. Para alcançar o meu
potencial máximo eu precisava cumprir com os compromissos que
eu tinha feito na minha vida premortal ou eu não cumpriria com os
objetivos da minha vida. Tenho de lembrar-me de que Deus não
estava mostrando a revisão da vida rever a uma pessoa que estava
deixando a mortalidade, de modo que a minha experiência pode não
enfatizado meus erros mais para incentivar e ensinar-me. Tenho a
sensação de que se eu tivesse realmente morrido, não teria havido
propósito em me alertar e o peso dos meus atos negativos seriam de
maior consequência.
Descobrir os convênios que fizemos na premortalidade para
cumprir na terra é uma descoberta que se desdobra continuamente.
Às vezes só podemos ver um pequenino passo adiante, e outras
vezes somos abençoados com uma ampla visão do que nos
43
John M. Pontius – Visões de Glória

tornaremos e do que faremos. Eu estava sendo ensinado de que eu


tinha de escolher deliberadamente permanecer no caminho que
Deus colocava diante de mim, não importa como isso chegasse ao
meu conhecimento, fazendo tudo corretamente tanto quanto
soubesse fazer.
Já que eu não estava morrendo de fato, o grande efeito da
revisão da minha vida foi mostrar-me que eu tinha a escolha
fundamental da minha vida. Eu estava livre para escolher o que
quisesse; no entanto, minhas escolhas iriam ou levar-me para a luz
ou deixar-me na escuridão.
Aprendi também que as nossas vidas estão todas registradas em
algum lugar, detalhe a detalhe, sem falha. Tudo o que fazemos
interessa, nada é apenas trivial. Tudo é profundamente significativo,
a vida tem um sentido e é cheia de propósito.

Nossas Vidas Importam


Eu aprendi a não minimizar o que está acontecendo na minha
vida. Tento ver tudo o que faço como sendo de valor eterno. Eu
aprendi e me disciplinei, a acreditar que eu não sou apenas uma
simples pessoa com pouco valor ou impacto sobre o mundo. Tudo
o que fazemos tem importância, e Deus está envolvido nos detalhes
de nossas vidas. Eu acredito que se pode dizer até mesmo que Ele
está nos detalhes minuciosos de nossas vidas. Eu costumava pensar
que Deus era um pai divino e firme que nos enviou à terra apenas
dizendo: "Vá, e vamos ver como você se sai depois de morrer." Mas
a verdade é que para Ele, e seus anjos, nós somos mesmo a Sua obra
e a Sua glória. Somos o que Ele está fazendo. Somos o que Ele é.
Eu aprendi que a família, irmãos e irmãs, primos e tios e tias têm
propósito divino, as filiações e parentescos. Mesmo que seja mais
fácil criticar ou ignorar as pessoas, na verdade, esses parentescos
são cheios de propósito.
Eu aprendi que realmente existe um processo de “voltar e
relatar” na nossa vida presente, o qual não utilizamos corretamente.
Eu recomendo que nos habituemos a fazer isso nas nossas orações
diárias pessoais e em família e em nossos relacionamentos, que

44
1 – Despertado pela Morte

pratiquemos o voltar e relatar. "Isto é o que o Senhor me pediu que


fizesse hoje, isso foi o que eu fiz, e isso foi o que aconteceu" e, em
seguida, suplicar pela intervenção eterna nos detalhes.
Aprendi que toda a nossa existência é desse modo. Deus dá-nos
algum elemento necessário para a nossa jornada, mesmo antes de
nascermos, então Ele dá-nos tempo para explorar e experimentar a
vida, e, em seguida, Ele exige de nós um relatório. Agora, Ele nos
deu um corpo e uma experiência mortais, e todos nós seremos
requeridos a apresentar um relatório. A contabilidade das nossas
vidas vai ser nos muitos pormenores, pois nossos próprios corpos
contam a história das nossas vidas. Cada parte de nós tem escrito
sobre ela tudo o que fazemos, pensamos, e somos. O Senhor pode
ler tudo isso na sua totalidade. Ele pode e vai nos ler como um livro,
para Ele está tudo dentro de nós, escrito em nossos próprios ossos,
coração e nervos.

Prioridade e Propósito da Dispensação(NT-2)

Finalmente, aprendi que existe uma prioridade e propósito para


cada dispensação, por que estamos aqui neste momento. Não é
fortuito. Não é por acaso. É divinamente arquitetado. Quando nós
fizermos o nosso relatório final, vamos ver uma vez mais todas as
razões por que nós viemos para a terra agora, os propósitos
interativos e convênios que fizemos que destinaram cada um de nós
à terra no nosso momento e local específicos para fazer coisas
específicas. Para nós mortais, esta é uma noção nebulosa, mas a
Deus, ela é uma ciência exata, uma matemática divina por assim
dizer. Ele registra cada ato de nossas vidas, incluindo Sua constante
direção, que a maioria de nós ignora.
Nós gastamos tanto tempo nos divertindo e agradando a nós
mesmos que não percebemos plenamente o quão verdadeiramente
importante é para Deus cada momento e cada interação. A maioria
de nós está de tal maneira aprisionada em nossas próprias vidas de
negócios e lazer, que sequer sentimos a mão de Deus dirigindo

45
John M. Pontius – Visões de Glória

nossas vidas, tampouco conseguimos ouvir a sua voz, que está


constantemente orientando-nos.
Toda esta informação me veio muito rapidamente enquanto eu
estava ali assistindo os médicos tentando reanimar o meu corpo.
Todas essas coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo, e eu
poderia concentrar-me em todas elas.

Visitando Minha Esposa em Espírito


Tornei-me consciente de que minha esposa estava sentada na
sala de espera. Ela havia lido uma revista no momento em que o
sistema de alto-falantes começou a bradar "código azul! código
azul!" Lyn começou a se preocupar comigo, temendo ser eu que
estivesse em apuros. Eu sabia que ela estava preocupada da mesma
maneira que eu sabia tudo sobre as enfermeiras e médicos. Eu quis
estar perto dela, e eu instantaneamente apareci ao lado dela. Eu
aparentemente me movi à velocidade do pensamento. Não me
lembro de andar ou passar através das paredes, eu só apareci ali.
Toda a minha atenção foi para ela, mas isso não diminui o meu
entendimento ou total atenção ao que ainda estava acontecendo ao
seu redor no meu corpo. Eu sabia que tinha atravessado duas
paredes para estar na sala de espera com ela, mas eu não tive a
experiência de passar por elas.
Eu estava parado próximo a ela. Eu poderia descrever tudo sobre
ela. Eu sabia exatamente o que ela estava sentindo e pensando. Eu
sabia o que ela havia lido na revista que ela recém pusera no colo.
Ela estava preocupada e desejava que alguém viesse lhe dizer que
eu estava bem, que não era uma parada cardíaca.
Eu pensei, aqui estou. Estou morto e fora do meu corpo, e eu
não consigo sequer me comunicar com você. Eu senti empatia pelo
seu medo e dor, mas fui surpreendido com um dilema, até um pouco
engraçado. Eu podia vê-la e ouvir seus pensamentos, mas eu não
poderia falar com ela de uma forma que ela pudesse compreender.
Lembro-me de pensar, como é que eu vou fazer você saber que
eu estou muito bem, embora já não esteja vivo?

46
1 – Despertado pela Morte

Comecei a me perguntar se ela seria capaz de sentir-me, ou me


ouvir talvez, se eu passasse através dela. Pedi a ela na minha mente
se eu poderia ter a sua permissão para passar por ela. Mesmo ela
não estando consciente de mim, o espírito respondeu: "Sim." E eu
instintivamente sabia que tinha que ter a sua permissão para fazer
isso. Eu entendi isso, mas não tenho certeza por que ou como. Não
até então, mas depois eu comecei a entender que entrar no corpo de
outra pessoa é muito invasivo, e um espírito justo procura sempre
permissão se tiver necessidade. Maus espíritos esperam por
oportunidades quando estamos espiritualmente fracos ou depois de
nos ter tornado vulneráveis por desobediência às leis de Deus, e eles
entram em nós num ato de violência espiritual.
Após o seu espírito responder que eu podia, eu me movi através
dela, e imediatamente entendi a diferença entre seu corpo físico e o
seu corpo espiritual. O seu eu físico não tinha consciência de que eu
estava interagindo com ela. Sua pessoa espiritual, no entanto, estava
plenamente consciente de mim e do que eu estava a tentar fazer e
dizer. O problema foi que, como a maioria dos mortais, ela estava
apenas consciente do seu corpo físico – cativa a ele, por assim dizer,
e não estando em sintonia com o seu espírito nesse momento de sua
vida.
Eu percebi que mover-me através dela não adiantava nada em
minha tentativa de me comunicar com ela. Ao passar por ela, eu
aprendi muitas coisas sobre como sua experiência de mortalidade
tinha sido – como é que se sente como mulher, de ser amada, de ser
protegida, e agora de sentir receio pelo seu protetor. Eu entendi
completamente, incluindo como era ter os nossos filhos e filhas, e
como era difícil viver com as minhas doenças e dificuldades.

Anjos entre Nós


Lyn estava sentada em uma sala de espera lotada. Depois que
passei por ela sem ter efeito, comecei a olhar ao redor do quarto. Eu
podia ver que havia muitas pessoas espirituais no quarto junto com
os mortais que ali estavam.

47
John M. Pontius – Visões de Glória

Os mortais pareciam muito diferentes das pessoas em espírito.


Mortais tem um aspecto sólido e parecem estar completamente
inconscientes de tudo o que é espiritual acontecendo em torno deles,
fazendo-os parecer quase sem inteligência.
Espíritos de pessoas são semitransparentes. Eu podia ver através
deles de alguma forma, e eles pareciam estar cônscios de minha
presença e dos outros espíritos no quarto. Alguns não ficaram
felizes por eu poder vê-los, mas ainda assim continuavam
interagindo com os mortais e com outros espíritos, ao se ocuparem
de suas tarefas. Todos os espíritos pessoais que eu via estavam em
volta dos mortais, observando-os ou tentando ganhar sua atenção
para eles influenciá-los de alguma forma. Haviam outros espíritos
andando dentro e fora da sala de espera. Eu podia vê-los, e eles
podiam me ver. Eles por vezes reconheciam minha presença ou
andavam em torno de mim em vez de através de mim.
Há espíritos que ainda não percebem que já estão mortos, ou que
se recusaram a aceitar esse fato. Estes eram bastante peculiares para
mim, pois eles tentavam ao máximo agir como um mortal, apesar
de ser claro para mim e a todos os outros espíritos presentes que eles
estavam mortos. Eu podia compreender por que eles não sabiam que
estavam mortos. Estar morto e ser um espírito desencarnado é uma
existência real. Você continua a pensar como sempre o fez. Você
ainda ama e odeia tal como antes de sua morte. Você pode ver as
pessoas, espíritos e o seu próprio corpo. Você pode tocar as coisas
espirituais e os seres espirituais e senti-los. Portanto, é uma real e
concreta forma de existência, embora as coisas mortais, como no
caso de paredes e mobiliário, possam ser vistas e percebidas, elas
não podem ser manipuladas por espíritos.
Não tenho certeza se todo espírito tem a mesma percepção
espiritual que eu tinha, mas eu sabia suas novas vidas eram reais
para eles, ainda mais reais, de certa forma, porque eles podem vir e
ir para lugares muito rapidamente e caminhar através de paredes e
fazer as coisas que os mortais mal podem imaginar. Sendo recém-
desencarnado não eles sentiam a morte conforme haviam suposto
experimentar, em que você de repente ficava inconsciente e não

48
1 – Despertado pela Morte

existente para sempre. Assim, eles não estavam mortos de acordo


com o seu entendimento anterior do que constitui morte.
Esses espíritos estavam reunidos ao redor dos mortais,
conversando com eles, como que achando que os mortais pudessem
escutá-los. Mas os mortais eram completamente inconscientes deles
assim como minha esposa não me percebia. Esses espíritos
desencarnados estavam tentando obter a atenção dos mortais por
várias ações, incluindo gritar com elas.
Esses espíritos estavam vestidos como mortais. Eles tinham
pouca glória ao redor deles. Comecei a considerá-los "espíritos
recentemente desencarnados." Os espíritos que tinham falecido
recentemente mantinham a aparência, a maneira de vestir, e a forma
que tinham quando eram mortais porque eles pareciam ainda não
acreditar que estavam mortos.
Um espírito do sexo masculino estava falando a uma jovem que
parecia ser sua filha. Ele estava zangado sobre seus negócios, e
como ela os estava manejando. Ele estava gritando com ela, "Você
precisa me ouvir!" Só que ela não tinha ideia de que ele estava
mesmo ali. Ele agia como se ela o estivesse apenas ignorando, e isso
parecia enfurece-lo ainda mais. Ele era muito exigente de que ela
fizesse certas coisas com o seu negócio e a sua propriedade, e estava
perturbado porque ela estava fazendo tudo errado em sua opinião.
Haviam outros espíritos que tinham aceitado seu novo estado
alterado e tinham embarcado na obra de Deus para fazer o Seu
trabalho de acordo com a Sua vontade. Estes anjos tinham sido
enviados de volta por Deus para ajudar os seus entes queridos
através deste momento difícil. Eles tinham uma distinguível
luminescência ao redor deles, o que imediatamente me confirmou
que eles eram bons e que estavam a serviço de Deus.
Estes anjos estavam vestidos de forma diferente. Alguns anjos
usavam túnicas enquanto outros usavam roupas à moda antiga,
típicas de quando eles tinham vivido. Eles estavam ali para ajudar
os mortais com as coisas que estavam acontecendo. Alguns foram
enviados para auxiliar e preparar os mortais para sua própria morte.
Estavam falando palavras de conforto, dando instruções e
ensinamentos. Embora os mortais pareciam ignorar a seus
49
John M. Pontius – Visões de Glória

ajudantes, se eles estivessem a ouvir com o coração, eles eram


consolados, e começavam a iluminar-se da mesma forma que os
anjos que os estavam ajudando.
Alguns desses bons anjos estavam ali ministrando pelos
espíritos que não conseguiam aceitar a própria morte. Esses anjos
estavam vestidos em túnicas brancas e eram gloriosos à vista. Eles
acompanhavam os espíritos desencarnados e confusos, falando com
eles quando conseguiam sua atenção e os envolviam em sua glória.
Eles tinham alegria em seus trabalhos e na finalidade de suas ações.
Estavam ali comissionados por Jesus Cristo. Pelo que entendi, todos
estes anjos eram familiares daqueles a quem eles tinham sido
enviados. Alguns eram ancestrais próximos, tais como pais ou avós.
Outros eram de muito tempo atrás.
Eu era apenas um novato em observar espíritos, e desde essa
ocasião tenho aprendido muito mais sobre eles e como eles agem.
Já sei que existem classes de anjos e níveis da justiça entre eles. Isso
é visível a olho nu quando se está familiarizado com seres
espirituais. Assim como eu poderia dizer tudo sobre os médicos e
enfermeiros que estavam trabalhando no meu corpo, eu poderia
dizer tudo sobre cada um desses espíritos. Foi assim que eu soube
que eles eram membros da família. Eu aprendi que quando você
nasce, seu espírito toma a forma do corpo que é nascido e honra essa
forma que foi dada a eles por Deus. Embora eles possam mudar de
forma ou aparência se Deus assim o desejar, eles sempre voltam à
sua forma natural, que é a forma do seu antigo corpo.
Aprendi também que os maiores dos anjos, aqueles com mais
glória e maior poder, podem ocultar sua identidade, a fim de que
uma pessoa como eu, com pouca experiência, não consiga saber
qual a sua missão, quem eles eram, ou qualquer coisa sobre a sua
história. Encontrei-me com alguns destes anjos mais elevados na
sala de espera ao administrarem em seus encargos.
Também haviam maus espíritos no quarto. Eles estavam ali para
seduzir mortais, perturbar o trabalho dos anjos, e causar qualquer
dano que pudessem. Sentiam muito prazer em sua malignidade.
Esses espíritos não tinham luz ao seu redor, mas pareciam emanar
escuridão.
50
1 – Despertado pela Morte

A esses espíritos maus eu não podia ler. Eu sabia algumas coisas


sobre eles, mas não sua identidade e história. Eles me deram uma
má sensação mesmo de olhar para eles.
Eles pareciam ser capazes de alterar sua forma e assumir alguma
outra forma se desejado. Percebi que um espírito que nunca
foi mortal não tem forma espiritual definitiva. Eu vi alguns desses
maus espíritos aparecem como uma criança, outros como um
homem de terno ou como uma moça bonita. Tornou-se evidente
para mim que espíritos não nascidos podem optar por sua forma,
assim como Satanás fez no jardim do Éden, aparecendo na forma de
uma serpente. Esta foi a primeira vez que eu percebi que os espíritos
que nunca irão receber um corpo físico têm a capacidade de aparecer
em qualquer forma que escolherem. Eles podem assumir a aparência
de uma pessoa viva se isso os ajudar a enganar ou a cumprir as suas
atribuições. Eles poderiam aparecer na imagem de um avô, um
profeta morto, ou a esposa de alguém se isso ajudar em sua mentira.
Eles procuram fazer grandes danos, tanto quanto possível, e eles
não gostaram que eu podia vê-los. A maioria dos espíritos do mal
estavam ali numa missão. Eles estavam tentando criar medo,
confusão, e angústia, qualquer coisa que impedisse os mortais, a
quem foram designados, de ouvir as mensagens dos anjos de luz,
que também estavam ali. Eles não só falavam com os mortais para
afligi-los, mas eles riam e zombavam deles e se deliciavam com sua
dor e medo. Se eles pudessem convencer a um outro mortal a
levantar-se e torturar ou atormentar uma determinada vítima, eles
teriam feito isso num instante. Eles eram malignos além de qualquer
definição do mal eu tinha jamais concebera.
A maioria destes maus espíritos estavam ali por designação do
seu mestre. Eles não estavam apenas a vaguear pela terra, à procura
de maldade para fazer. Quando eles perceberam que eu podia vê-
los, eles se afastaram de mim, por vezes desaparecendo e
reaparecendo em uma parte diferente da sala. Percebi que poderia
comunicar-me com eles, mas eu tinha pouca vontade de fazê-lo, e
eles se recusaram a fazer mais do que olhar para mim antes de se
afastarem.

51
John M. Pontius – Visões de Glória

Os bons anjos, aqueles que refulgiam com luz, reconheciam-me


com um aceno ou sorriso e por vezes me permitiam breves
vislumbres daquilo que estavam fazendo ali na sala de espera, mas,
em seguida, eles rapidamente retornavam à sua atribuição. Eu sabia
que os maus espíritos podiam ver-me porque me evitavam. Mas os
espíritos desencarnados, os mortos que se recusavam a reconhecer
a sua própria morte, nem mesmo pareciam ver-me, nem tentavam
comunicar-se. Eu acredito que eles podiam me ver, porque vários
deles desviavam em torno de mim, mas eles não falavam comigo,
semelhante ao modo como as pessoas agem neste mundo, quando
perto uns dos outros.
Encontrei-me com espíritos naquela experiência, no hospital
naquele dia, que não tinham aprendido esta simples lição do valor
eterno da sua própria vida; eles ainda estavam tentando proteger
seus bens, companhias e contas bancárias, e garantir que as suas
"coisas" ainda eram deles. Eles ainda estavam cativos ao redor,
recusando-se a passar para a próxima parte da sua própria jornada
porque eles nunca tinham aprendido a confiar em Deus e sacrificar
as suas possessões mundanas em obediência à vontade de Deus para
eles. Eles não reconheciam nem falavam com os anjos enviados por
Deus para ajudá-las a avançar em suas novas vidas. Eles pareciam
nem mesmo vê-los, embora eu pudesse ver e ouvi-los claramente.
Eu pude ver que antes de sua morte, essas pessoas não tinham
aprendido a ouvir ou reconhecer a direção que Deus deu-lhes
enquanto eles estavam vivos, e depois da sua morte aquela surdez
para as orientações de Deus persistiu. A mesma cegueira, teimosia
e desobediência de mortalidade simplesmente os seguiu no mundo
dos espíritos.
Talvez devêssemos nos perguntar: temos feito aquilo que
viemos à terra para fazer? O outro lado está sempre intervindo para
nos ajudar a aprender o que é preciso aprender, para que possamos
realizar nossa missão na vida. Nós fomos enviados aqui para
realizar o nosso trabalho, para curar as feridas das gerações
passadas, e abençoar àqueles que nos seguem. Os espíritos malignos
estão constantemente a tentar sabotar nosso caminho designado.

52
1 – Despertado pela Morte

Durante todo esse tempo vendo e compreendendo os vários


espíritos na sala de espera, fiquei ciente do que estava acontecendo
com o meu corpo na sala de procedimentos. Os médicos e
enfermeiros ainda estavam trabalhando febrilmente sobre mim,
injetado meu coração com adrenalina, e o meu corpo começou a
reviver. Eu o podia sentir me chamando, exigindo que eu voltasse
para ele.
Eu deixei minha esposa e voltei andando pelo corredor que me
tinha levado a inicialmente. Uma voz diferente da minha me
informou que eu precisava voltar ao meu corpo rapidamente. Eu
disse para mim mesmo: "Eu preciso voltar para o meu corpo!" e
virei-me para caminhar através da parede para a sala de
procedimentos. Eles ainda estavam trabalhando em mim, tentando
reavivar-me.
Eu estava passando por um processo semelhante ao que senti
quando saí do meu corpo, mas ele não estava preparado, e eu achei
a experiência excruciante. Tentei continuar, mas era
assustadoramente doloroso. Abandonei o meu corpo da mesma
forma que antes, para fora da parte inferior da mesa e voltei-me
ficando em pé ao lado do meu corpo. Os médicos ainda estavam
fazendo ressuscitação e trabalhando em mim.

O Ministério dos Anjos


Eu olhei ao redor e vi três pessoas no quarto, em pé, de frente
para mim, do outro lado do meu corpo. Eles estavam olhando para
mim (não o meu corpo, mas diretamente para mim) com expressões
de grande interesse. Os dois à esquerda e à direita eram anjos que
outrora tinham sido mortais e que agora estavam acompanhando o
espírito entre eles que ainda não tinha nascido. Eu soube
instantaneamente que eles o estavam treinando.
O anjo da esquerda era magro com uma espécie de cavanhaque
cerca de três polegadas de comprimento, branco como a neve. Eu
sabia que ele vivera até mais de oitenta anos. Por causa da
capacidade que já expliquei, de saber tudo sobre outros espíritos e
mortais, enquanto naquele estado, eu sabia quem ele era.

53
John M. Pontius – Visões de Glória

O anjo da direita era um homem mais jovem. Ele tinha vivido


na terra mais tarde do que o primeiro anjo. Esses dois anjos foram
progenitores de mina. Eles não se identificam, mas eu sabia que eles
eram parentes sanguíneos. Eles estavam protegendo a vida de meu
corpo sobre a mesa de operação. Estes dois antigos anjos não
aparecem interessados e não mostrar muita emoção. Ambos tinham
cabelos brancos e a aura de sabedoria, luz e justiça.
O jovem do meio era uns 20 cm mais alto do que os outros dois
anjos. Ele era magro mas forte. Ele não tinha barba. O seu cabelo
era escuro. Tinha olhos castanhos penetrantes e uma aura de
brandura. Ele ainda não tinha nascido, mas eu senti seu profundo
amor por mim, que brotava dele para dentro de minha alma. Ele
estava muito preocupado comigo nessa situação de emergência e
não possuía a confiança e serenidade dos outros dois anjos.
Os três anjos falavam um com um outro não verbalmente. Eu
podia ouvi-los. Os anjos instrutores confortavam o mais jovem.
"Está bem. Está tudo bem. Não há necessidade de se preocupar.
Estamos aqui para garantir que Spencer retorne ao seu corpo. Tenha
fé." Todos os três homens manifestavam amor e preocupação por
mim. Eu sabia que eles estavam lá por mim, que eu era o seu
interesse e a sua ocupação, e que eu era família para eles.
Quando eu finalmente retornei ao meu corpo, não me foi
permitido lembrar de suas identidades. Mas penso ter identificado
todos os três indivíduos pelas fotos de família na genealogia em
minha posse. O anjo à minha esquerda era James Henry. Ele era o
meu trisavô. O anjo da direita foi seu filho Harold Henry, meu
bisavô. Eles pareciam exatamente como nas suas fotos antigas. O
espírito no centro ainda por nascer era o meu futuro filho, Spencer
Junior. Eu não fui capaz de identificar o meu filho Spencer até ele
chegar ao final de sua adolescência, e percebi um dia que ele se
parecia exatamente como anjo ao centro. Incluindo eu, haviam
quatro gerações da família naquele quarto.
Conforme eu olhava para eles foi-me dado a entender que é uma
responsabilidade familiar servir como anjos ministradores. Trata-se
de uma responsabilidade familiar curar, ensinar, ministrar, proteger
e preservar os parentes e relacionamentos em convênio no mundo
54
1 – Despertado pela Morte

espiritual e no mundo mortal. Esta é sua primeira responsabilidade


como espíritos falecidos. Até que o trabalho seja feito, até que as
relações familiares são preservadas e seladas, outras coisas devem
aguardar. Eles foram ao hospital para me ajudar porque o meu
trabalho na mortalidade ainda não terminara e, de uma forma que
eu só fui entender muito mais tarde na minha vida, a continuidade
da minha vida era importante para a nossa família e para eles
pessoalmente. O meu filho por nascer estava particularmente
envolvido na continuidade da minha mortalidade, mas havia muito
mais para ele se preocupar de que seu nascimento. Ele estava agindo
pelo seu amor ao Salvador e sob a Sua orientação ele estava ali
comigo num momento de necessidade.
No mundo dos espíritos dos falecidos, o ensino do evangelho
para as gerações passadas deve vir de almas justas que o receberam
durante suas vidas. Em outras palavras, você precisa receber o
evangelho aqui na terra antes de você pode ser um missionário e
ministro para aqueles que partiram antes de você que, por qualquer
motivo, não abraçaram o evangelho durante a sua existência mortal.
Esta é uma das razões pelas quais os justos que partem são acolhidos
com alegre recepção no céu, porque algumas destas gerações
anteriores têm esperado por um longo tempo até um descendente
deles abraçar o evangelho de Jesus Cristo.
Por isso, os espíritos dos mortos ficam entusiasmados quando
nós recebemos as ordenanças e a autoridade do evangelho e, em
seguida, completamos a nossa existência mortal e o retornamos para
que possamos ensinar-lhes e levar as bênçãos do evangelho para
eles do outro lado do véu.
Apesar de termos apenas pouca noção de como o evangelho
funciona do outro lado do véu, lá é quase uma imagem em espelho
de tudo o que fazemos aqui. Toda a ordenança que tentamos conferir
aqui tem uma ordenança correspondente no outro lado do véu.
Costumamos falar dos falecidos em termos de "aceitar ou rejeitar"
nossos trabalhos em seu nome. Sua aceitação constitui uma
ordenança em seu mundo. É uma das grandes urgências daquele
mundo ficar em dia com o trabalho aqui na mortalidade. O
calendário está evoluindo tão rapidamente que os justos mortos são
55
John M. Pontius – Visões de Glória

frequentemente em uma grande pressa para concluir suas tarefas, e


eles têm pouco tempo para prestar atenção às coisas menores.
No grande círculo das coisas, a maioria das bênçãos dadas aos
mortais também vêm de seus mortos justos. Quando oramos por
uma grande bênção, necessidade, ou cura, Jesus Cristo envia os
nossos ancestrais justos como anjos ministradores para dar a
benção. Se não temos nenhum antepassado justo, então as bênçãos
devem ser ministradas por outros obreiros justos de lá, os quais são
escassos. Quaisquer anjos que forem capazes de ministrar essas
bênçãos agem em primeiro lugar por suas próprias famílias e, em
seguida, são designados para abençoar outros. Isso significa que as
nossas bênçãos podem ser adiadas ou parecem chegar em cima da
hora. Eles estão muito ocupados trabalhando para estabelecer os
relacionamentos e para proteger e abençoar-nos.
Familiares falecidos estão assistindo, esperando e guiando-nos
no cumprimento dos nossos deveres mortais justos para que
possamos voltar e ensinar e abençoá-los. Aprendi também que é
uma grande bênção ter nascido em uma família na qual as pessoas
que morreram antes foram homens e mulheres justos e poderosos,
selados em relacionamentos por convênio, geração após geração.
Eles têm um poder maior para abençoar e guiar mortais.
Foi-me dito para tentar voltar para o meu corpo. Não tenho
certeza se foram os três anjos que instruíram ou o meu próprio
pensamento, mas levantei-me, tentei e, mais uma vez, vi-me
recusado da forma mais dolorosa. Estou certo de que se corpos
espirituais pudessem ser feridos, que experiência teria me causado
grande dano. Mas então, eu fiquei ileso e não houve dor persistente
exceto a memória dela. Mais uma vez eu me encontrei ao lado mesa
da enfermaria, olhando para o meu corpo.

O Poder da Queda
Uma das mais profundas descobertas que tive desta experiência
foi ver a diferença entre o meu corpo espiritual e aquele corpo
doente deitado ali em cima da mesa. Esta foi a primeira vez em que
eu tinha experimentado a justaposição entre o meu eu espiritual e o

56
1 – Despertado pela Morte

meu eu mortal. Eu estava ciente do crescimento de que meu corpo


mortal carecia a fim de alcançar o potencial do meu espírito. O meu
espírito era eterno, inteligente, perspicaz e poderoso. O meu corpo
estava danificado, sujeito à morte, mentalmente lento e, em
comparação com o meu espírito, ignorante de quase tudo espiritual
e fraco em todos os aspectos.
Foi então que comecei a perceber o quanto nós, mortais temos
caído. Eu aprendi que estamos diferentes de como éramos antes da
queda. Olhando para baixo sobre o meu corpo, eu sabia tudo sobre
ele, quanto tempo ainda falta, e quanto crescimento e exposição a
verdade são necessários a fim de ser "terminado" ou concluído, para
ser capaz de receber tudo o que o Pai tinha preparado para ele
receber. Isso ficou muito claro para mim. Eu entendi todas as
alterações que meu corpo precisava experimentar para tornar-se
apto a regressar à presença do pai, e parecia quase impossível de
realizar tudo isso na curta duração da mortalidade.
Esta primeira experiência fora do meu corpo criou a recordação
e refrescou minha memória de quem eu era e quem eu poderia
tornar-me através de escolhas obedientes. Então fiz um
compromisso, um convênio se preferir, entre mim como espírito e
o meu corpo, de que eu faria tudo o que eu tivesse que fazer, para
permitir que o meu corpo pudesse receber todas as alterações,
aperfeiçoamento e a santificação necessária a fim de retornar ao Pai
comigo dentro dele.
Enquanto apenas no meu espírito, eu era puro, completo,
conhecedor, e eu sabia exatamente quem eu era e de onde eu viera.
O meu espírito era à imagem de Deus e eu sabia disso claramente.
O espírito não tem um completo véu do esquecimento quando se
liberta do corpo. Eu sabia que vim do Pai e tinha todo o potencial
para me tornar como o Pai. Quando eu estava no meu espírito, eu
era todas essas coisas, e não houve qualquer questão ou dúvida
sobre qualquer coisa. O meu eu espiritual queria apenas fazer a
vontade de Deus e nada mais.
Mas no corpo, eu era prejudicado por cegueira espiritual e
fraqueza moral, e eu estava cego pelas imperiosas exigências da
carne. Eu era cheio de dúvidas, incertezas, orgulho, corrupção,
57
John M. Pontius – Visões de Glória

egoísmo e desejos maus. O pior de tudo é que eu não lembrava de


nada da minha vida prévia com o Pai; não fazia a menor ideia de
quem eu realmente era. A contradição entre as minhas duas
identidades era esmagadora e paralisante. Entendi que essa
disparidade era resultado da queda do homem e que eu tinha que
superar essas coisas pela obediência ao evangelho e leis de Cristo.
Na minha experiência seguinte fora do corpo, a qual relatarei
mais adiante neste livro, eu vi todos os sofrimentos, provações e
lutas que eu precisava enfrentar para refinar esse corpo mortal a fim
de realmente chegar ao estado que eu tinha prometido que eu
alcançaria. Com toda a honestidade, depois de ver todos os desafios
que eu iria enfrentar, eu não conseguia ver como eu poderia triunfar.
O meu ego ficou diluído porque eu imediatamente soube que eu não
poderia conseguir de qualquer forma exceto pela plena e eterna
graça de Cristo. Tinha que ser pelo milagre da Expiação, porque eu
sabia muito bem das minhas fraquezas para achar que eu, ou
qualquer mortal de fato, fosse forte o suficiente para fazê-lo
sozinho.
Finalmente, na minha última experiência fora-do-corpo, foi-me
mostrado o resultado final de tal caminho, quando e como eu iria
eventualmente triunfar sobre todas estas coisas, honrar todos os
meus convênios, obedecer todos os mandamentos e, finalmente,
trazer o meu corpo de volta à presença de Cristo, tendo superado a
queda, sendo resgatado por Cristo, então ele estava pronto para
cumprir nossa missão – "nossa" significando o meu espírito e o meu
corpo – nos últimos dias. Antes dessas experiências, eu não tinha
ideia de que havia uma distinta preparação para o meu corpo. Eu
pensei que "eu" era o meu corpo, e que eu estava crescendo através
das minhas experiências. Aprendi que "eu" sou de fato o meu
espírito, que já tem uma natureza divina e, ao invés de superar o
meu corpo, como que castigando-o até sua sujeição, minha luta foi
projetada para elevar o meu corpo para a estatura do meu espírito.
Retornarei a essas outras experiências posteriormente. Nesse
ponto, eu ainda estava fora do meu corpo no hospital, à espera que
o meu espírito entrasse novamente no meu corpo.

58
1 – Despertado pela Morte

Explorando o Hospital
Decidi que tinha pouco de tempo até que o meu corpo fosse
revivido. Eu esperava que ele fosse revivido, principalmente por
causa da confiança e palavras dos três anjos ali perto do meu corpo,
e porque eu não tinha sido chamado para fora do hospital. Eu não
tinha visto um túnel de luz ou um mensageiro celeste, o que na
verdade eu esperava ver. Por isso, concluí que o meu destino era
sobreviver de alguma forma e seguir a vida. Tempo para o espírito
se move de maneira diferente do que para um mortal, e mesmo que
tenha sido apenas uns poucos minutos mortais, tive tempo para
explorar esta incrível situação de estar fora do meu corpo.
Decidi experimentar e dar uma olhada em volta. Sei que pode
soar frívolo ou que eu não me importasse com a minha vida mortal.
A verdade é, eu amava a minha vida, a minha esposa e os meus
filhos, tudo isso, e eu não estava desejando morrer. Mas uma outra
verdade é que eu tinha estado doente e em sofrimento durante um
longo período de tempo, e estar fora do meu corpo era um grande
alívio. Senti uma grande paz e uma total ausência de medo. Cada
vez que eu tinha tentado voltar ao meu corpo, o senti
assustadoramente doloroso. Não existem palavras da língua inglesa
que expressar o quão excruciante foi aquilo. O meu corpo estava
muito, muito doente e ao mover-me adentro, eu podia sentir que a
doença e a dor começam a sufocavam-me novamente. Mas, ainda
mais do que isso, era tipo como se estivesse me espremendo através
de uma pequena abertura sob alta pressão. O processo de reinserção
no corpo já era agonizante por si só, e o fato de que ele estava doente
e em dor fez toda a experiência ser a mais desagradável de toda a
minha vida até então.
Portanto, com esta grande capacidade de perceber os
pensamentos, até mesmo sua história e futuro, e com uma mente
curiosa, naturalmente, eu pensei que eu poderia muito bem
aproveitar os poucos minutos que eu ainda poderia ter até o meu
corpo chamar por mim para entrar novamente. Até então, eu não
tinha nenhum plano para tentar fazê-lo da minha própria vontade.

59
John M. Pontius – Visões de Glória

Eu já tinha experimentado caminhar através das paredes e estava


curioso por experimentar novamente. Eu me senti confortável
fazendo isso, porque eu continuava completamente consciente de
que o meu corpo estava vivo não importa onde eu estivesse no
hospital.
Virei-me e caminhei até a parede mais próxima, pousei por um
momento, e depois atravessei para a sala ao lado. Eu encontrei-me
em um consultório médico, tendo caminhado através de uma mesa
de madeira, uma cadeira de madeira, e um sofá de couro.

“Ouvindo” a Madeira e as Pedras


Me detive por um momento para deixar o fluxo de informações
se fixar em minha mente. Ao passar através da mesa, eu percebi que
ela tinha sido feita a partir de três árvores. Eu vi cada árvore. Eu as
conhecia desde o momento em que sua semente germinou até o
momento em que foram colhidas, recortadas, e confeccionadas
nessa mesa. Não havia um órgão vivo na madeira. Ela era
inteligente, mas tinha pouca volição. Ela estava satisfeita por ser
madeira, e lhe agradava que alguém a tivesse escolhido para ser
moldada nesta mesa. Era tipo escrivaninha e muito bonita. Eu sabia
que a escrivaninha compreendia o amor que o artesão tinha
colocado em seu trabalho sobre a mesa. A escrivaninha também se
sentia pura e digna porque ele nunca tinha sido utilizado em
qualquer coisa que ofendesse a Deus.
Gostaria de dizer muito mais sobre este fenômeno, de
compreender as coisas materiais, mas me faltam as palavras. Eu
entendi a emoção e a motivação do homem que a cortara e sabia o
seu nome e de tudo mais sobre a sua vida, assim como de todos
aqueles que haviam tocado ou utilizado a mesa. Eu entendi tudo o
que há a saber sobre o algodão de enchimento no assento e o couro
do sofá. Tudo isso me acolhia e tinha prazer em me comunicar sua
vida e como ela tinha chegado a ser aquele sofá.
Eu entendi a vários animais cujas peles cobriam o sofá, assim como
as suas vidas e o seu sacrifício. Eles haviam deixado tudo o que as
informações em suas peles, mas o espírito da vaca foi em algum

60
1 – Despertado pela Morte

outro lugar, e não no couro, embora ainda satisfeita e contente com


os benefícios para a humanidade que a sua vida e sacrifício tinham
prestado. Ela estava feliz porque foi benéfica aos filhos de Adão.

O Propósito das Coisas


Eu poderia resumir desta maneira: todas as coisas sobre a face
da terra são aqui colocadas com o objetivo de trazer a efeito a
imortalidade e a vida eterna do homem. Algumas coisas estão aqui
para alimentar-nos, algumas para confortar-nos, algumas para criar
beleza, abrigo, até mesmo remédios. Há algumas coisas que estão
aqui para trazer oposição, dor e desconforto. Mas todas elas estão
aqui para criar este mundo que exalta o homem. Tudo é do plano de
Deus, e nenhuma parte é dispensável. Até mesmo os mosquitos e os
vírus são parte do plano. A minha experiência com todas essas
coisas não-humanos foi a de que elas estão satisfeitas que estão
cumprindo a medida da sua criação, e que a recompensa por isso é
aceitável e agradável a cada uma delas.
Foi impressionante perceber que a vida é muito mais complexa
do que podemos imaginar ou conceber enquanto neste corpo mortal.
Deus tem providenciado um sistema complexo e inspirado para
exaltar-nos. Uma grande parte disso é nos dar a oportunidade de
estar em um corpo, um corpo que deseja quase tudo ao contrário do
plano de Deus. Jesus Cristo nos expõe através do Espírito Santo, à
tudo o que é verdadeiro, falando para o nosso espírito a cada
momento, temos de escolher entre o bem e o mal. Então, quando
nós pecamos, podemos nos arrepender e obedecer suas leis para
permitir que a expiação opere por nós. Todo esse processo foi
projetado por Deus para trazer o nosso espírito com o nosso corpo
em conformidade com as leis de Deus, e para voltar corpo e alma,
inseparavelmente ligados, de volta à presença de Deus, para sermos
julgados e para prestar um relatório.

61
John M. Pontius – Visões de Glória

Nossa Glória Pré-mortal


Foi muito interessante para mim, ver que nossos espíritos
vieram para a terra em um estado quase divino. Eu acho que existem
alguns espíritos que vieram aqui com motivações e desejos impuros.
Mas eu descobri que o meu espírito só desejava o bem, apenas
desejava estar em harmonia com Deus.
Era o meu corpo que era escravo da mortalidade, desejando coisas
que eram contrárias ao plano de Deus para mim. Quando o meu
espírito foi colocado no meu corpo ao nascer, e perdeu todas as suas
memórias de minha longa e boa vida antes do nascimento, ele caiu,
ou se tornou sujeito à queda do homem, quando ele entrou em meu
corpo. Grande parte dos propósitos da mortalidade é sermos
afastados de Deus, sendo assim obrigados a aprender a escutar a voz
de Cristo e a superar os impulsos do nosso corpo mortal. No mesmo
processo, também estamos aprendendo a aperfeiçoá-lo, a ensiná-lo
perfeita obediência à vontade de Cristo, e ao fazê-lo, vencemos o
mundo e a queda.
Para mim, tão inexperiente nas coisas profundas e divinas do
mundo espiritual, tudo isso foi "delicioso" para mim. Eu estava
entusiasmado em experimentar estas coisas e sentir amor vindo de
tudo o que eu tocava, mesmo as pedras, couro e madeira. Me
encantava com o amor que eu senti fluindo de mim para eles.
Parecia que tudo o que havia sido criado por Deus tinha sua própria
história e tinha prazer por eu ser capaz de ouvi-los. Eu apenas ouvi
contentamento e o louvor a Deus vindo dessas coisas.
Eu descobri que os materiais feitos pelo homem, como aço e
plástico, eram mais difíceis de atravessar, e não tinham voz. Eu não
podia discernir sua estória ou sua história. Eles eram mortos para
mim no momento. Eu aprendi mais tarde que eles eram uma parte
da vida terra, mas não saiba até muito mais tarde como experimentar
a terra. Eu simplesmente não estava pronto para isso na época - e
muito pouco preparado quando isso aconteceu já bem adentro do
Milênio. Comungar com um pedaço de madeira, é meio como um
cachorrinho pisando nos dedos do seu pé, abanando a cauda, ao
recebê-lo com sua adorável almazinha e carinhosa personalidade.
Conversar com a Terra é como ter um planeta aterrissando em seu
62
1 – Despertado pela Morte

corpo, tendo o peso de uma grande, enorme inteligência com um


perfeito conhecimento e memória infalível de todo o bem e mal que
tem existido na sua face, dos clamores do sangue justo soando ao
longo dos séculos por justiça, da imensa tristeza, paciência divina,
e a mais jubilosa alegria na sua redenção final. É como ficar cara-a-
cara com um ser vivente, brilhantemente inteligente do tamanho de
um planeta, que ao mesmo tempo ama e se ira, é ansioso e paciente,
tendo sido verdadeiro e fiel em todas as coisas. Não é algo para o
qual se possa preparar exceto com grande experiência espiritual e
divina preparação.
Eu estava muito interessado nas rochas e pedra natural, cuja voz era
antiga, anterior à formação da terra. Ela lembrava-se de sua criação
e extasiava-se e regozijava-se em ser bela e útil para o homem.
Descobri que eu gostava das rochas. Todas elas magnificavam a
Cristo. Eu gostava de sua companhia, seu senso de paciência
ilimitada e sua adoração eterna a Cristo.
Pense nisso, se eu podia desfrutar as rochas, cuja inteligência e
arbítrio são tão limitados e menos divinos, quão mais profundo e
glorioso são os seres humanos, que são muito mais do que pedras,
no entanto, nós não os valorizamos exceto pelo que eles podem
fazer por nós. Cada pessoa que você encontra tem vivido desde a
eternidade! Eles são anteriores à criação terrestre e são deuses na
infância. Porém só conseguimos vê-los como funcionários,
médicos, amigos, familiares, ou até mesmo como um inimigo ou
uma fonte de nossas provações. Mas nós raramente os vemos como
eles são: deuses em potencial. Eu vi isso como um enorme obstáculo
para o nosso próprio crescimento. Mostra o quão baixo temos caído,
pois não faz muito muito tempo, no eterno âmbito das coisas,
quando compreendíamos o plano muito mais claramente e
compreendíamos o valor de cada alma, estávamos nós mesmos nos
tornando deuses (com “d” minúsculo).
Nesta vida, em um corpo mortal que não sabe nada do plano
d’Ele para nós, nós resistimos à Deus. Qual é o seu plano? É efetivar
a imortalidade e a vida eterna do homem. Assim, tudo o que
experimentamos é arquitetado para levar-nos mais adiante nessa
jornada.
63
John M. Pontius – Visões de Glória

Através desta experiência fora-do-corpo, toda esta informação


foi infundida no meu espírito. Desde então, o véu é mais fino para
mim em alguns aspetos. Posso não apenas lembrar o que Deus
revelou e ensinou-me em visão, mas tenho a sua voz reveladora para
ensinar-me a cada momento da minha vida, tal como a todos os
mortais através da luz de Cristo e a voz do Espírito Santo. Tendo
ambas as perspectivas sobre as obras de Deus, tem tornado o véu
mais fino de muitas maneiras.
Enquanto eu estava andando pelo hospital encontrei-me com
outros mortais. Alguns eram operários, outros eram médicos e
enfermeiros. Eu não vi muitos pacientes, eu parecia estar em uma
seção administrativa do hospital. As vidas de cada um desses
mortais eram completamente transparentes para mim, como se seu
próprio ser, todos os seus segredos, verdades e mentiras estivessem
sendo transmitidos por conta própria, para o mundo todo. Para mim,
tudo o era revelado e tudo era visível para mim. Achei que era
opressiva porque eu podia ver as dificuldades que haviam criado
para si mesmos. Eu podia ver cada erro, assim como cada boa ação
que haviam feito. Eu sentia uma profunda tristeza pela maioria delas
e mal conseguia suportar abordar outra pessoa depois de um tempo.
Achei muito mais agradável a experiência com a madeira e as
pedras do que com os seres humanos. Fiquei intrigado com sua
intrincada história, que cada uma delas mostrou a mim no momento
em que as toquei. Fui atraído pela sua boa energia e natureza eterna.

Um Clamor por Justiça


Achei alguns itens no hospital que estavam entristecidos pela
forma como eles tinham sido usados pelos seus proprietários.
Algumas coisas tinham sido usadas na prática de crimes ou para fins
violentos ou imorais, e a sua voz era um clamor por redenção e
justiça. Não se tratava de um som estridente, agudo ou desagradável
– mas ele era interminável, e levava nítidos detalhes da injustiça. Eu
sabia que o próprio objeto não foi diminuído ou condenado, mas ele
esperava com paciente expetativa pelo dia da redenção.

64
1 – Despertado pela Morte

Eu andei através de uma parede para um bonito consultório. Ele


era mais bem equipado do que os outros, com belos quadros nas
paredes e mobiliário em madeira ornamentada. Eu considerei sair
pela porta para ver de quem era, mas conforme eu andei através da
escrivaninha, fiquei aturdido com o que eu senti. Ela estava
ansiando por redenção. Dei-me conta de que, recentemente, uma
série de cartas de amor tinham sido escritas sobre essa escrivaninha,
promovendo um caso romântico que, em última análise, iria ferir
muitas pessoas. Eu sabia o conteúdo de cada letra e a verdadeira
emoção, a manipulação do escritor, bem como a reação do leitor.
Me afastei, não querendo ficar naquele fluxo de tórridos detalhes.
Passei pelo sofá, e ele, da mesma forma testificava do mesmo caso
e de eventos impuros que ocorreram aqui, alguns recentemente. Eu
não pude encontrar qualquer canto naquele belo consultório que não
estivesse triste ou ofendido ou chorando por redenção.

Retornando ao Meu Corpo


Eu estava prestes a sair quando, mais uma vez, senti a chamada
de meu corpo. Instantaneamente, eu encontrei-me novamente na
sala de procedimentos, olhando para o meu corpo. Em todas as
minhas experiências posteriores de deixar o meu corpo, eu me
levantara para fora dele. Mas, por razões que eu ainda não entendo,
eu reentrei em meu corpo por baixo durante essa experiência.
Eu de repente encontrei-me debaixo da mesa, subindo
rapidamente por ela e em meu corpo por baixo. Desta vez foi mais
doloroso do que qualquer das outras vezes. A dor estava sendo
vivida pelo meu corpo, mas como eu estava conectando-me a ele,
senti tudo. Eu ainda estava consciente de meu eu espiritual o qual,
como já expliquei, tem maior sensibilidade. Por um momento eu
podia sentir o meu espírito, sendo agitado e socado pela dor do meu
corpo e sentia a dor do meu corpo. O choque da dor de ambas as
fontes foi esmagador. Em seguida, um instante mais tarde, eu estava
apenas consciente do meu corpo.
Eu estava de volta para dentro. Eu não estava só acordando
como que de uma anestesia, mas estava totalmente consciente e

65
John M. Pontius – Visões de Glória

ciente de tudo. Eu estava doente e quase tão doente como um mortal


pode estar e ainda ficar vivo. Eu não tinha forças para sequer piscar
os olhos. Eu estava esmagadoramente nauseado, mas demasiado
fraco para vomitar. Meu pulso estava irregular, e eu podia sentir
indisposições de todos os medicamentos que tinham injetado em
mim. Eu não podia acreditar que esse era realmente o meu corpo;
ele parecia mais doente do que eu jamais havia sentido.
Eu me senti sobrecarregado pelo meu corpo, como se o meu
espírito quisesse voar para fora novamente, mas meu corpo estava
segurando-o com um enorme peso. Eu lutava para respirar. Eu podia
ouvir as enfermeiras e os médicos conversando ansiosamente entre
si e, em seguida, comigo.
Eu abri os meus olhos. A minha percepção de passagem do
tempo foi que eu tinha ficado fora do meu corpo por cinco ou seis
horas. Eu já tinha visto e experimentado tanto e tinha vagueado
pelos corredores do hospital sem qualquer sensação de pressa,
enfiando minha cabeça através das portas fechadas e caminhando
por todas as paredes que eu podia encontrar. No entanto, quando os
meus olhos finalmente centraram-se sobre o relógio na parede da
enfermaria, apenas vinte minutos haviam passado.
Isso não fez sentido para mim. Senti-me confuso. Eles me
levantaram e me serviram um suco de laranja. Senti-me mal, por
isso me disseram para deitar-me e descansar. O médico veio e me
disse o que havia acontecido. Ele falou de tudo casualmente, como
se isso acontecesse o tempo todo. Ele queria que eu viesse ao seu
consultório por um momento e descansasse para ter certeza de que
eu iria ficar bem.
Eu me senti muito fraco, mas recorreram a minha esposa, Lyn,
para incentivar-me. Ela levou-me em uma cadeira de rodas para o
consultório. Ela não sabia do que recém acontecera. Reconheci o
seu consultório como sendo aquele onde o caso de amor havia sido
promulgado, mas o mobiliário do escritório estava em silêncio, já
não falavam mais para o meu espírito, o qual agora, aparentemente,
estava fixo de volta no meu corpo.
Eu disse à enfermeira que ficou com a gente, "Eu estive morto”.

66
1 – Despertado pela Morte

Ela balançou a cabeça e respondeu: "Não, você apenas teve uma


terrível reação com o contraste, mas agora você está bem." Ela foi
reconfortante, mas a verdade é que ela não entendeu o que eu estava
a tentar dizer. Todos os que falaram conosco tentavam minimizar o
que acontecera. Eles não queriam ouvir tudo o que eu tinha para
dizer. Por cerca de meia hora, eles nos disseram que eu estava bem
e me mandaram para casa.

Muitas Diferentes Experiências de


Morte
Uma grande parte desta experiência foi que eu comecei a
entender o arbítrio e que as pessoas estão tendo várias experiências
após a morte. Isso é algo que eu certamente nunca supusera.
Algumas pessoas nem mesmo admitem que eles estavam
mortos. Outras pessoas, como eu, estavam apenas à espera de seus
corpos serem restaurados, de modo que pudessem reentrar. Estas
pessoas têm tido experiências de muitos tipos diferentes. A alguns
foi dada a opção de retornar à mortalidade. Não me pareceu que eu
tivesse escolha, fui simplesmente chamado de volta.
Alguns dos mortos eram recebidos por anjos de luz, que os
acompanharam fora do hospital, em uma coluna de luz. Naquele
momento, principalmente depois de tentar várias vezes reintroduzir-
me no meu corpo, eu os considerei mais abençoados.
Esta experiência fora-do-corpo por si só tem me dado décadas
de informação para processar e tentar compreender. Narrando este
livro é, na realidade, a primeira vez na minha vida que eu tentei
colocar todas estas experiências em palavras. Pus-me a pensar,
meditar e orava sobre elas pela maior parte da minha vida, mas esta
é a primeira vez que tentei descrevê-las em voz alta. É interessante
a mim, ver como é difícil, quão parcas são as palavras para
descrever o verdadeiro sentido da vida e o que realmente acontece
quando se morre.

67
John M. Pontius – Visões de Glória

De Volta para Casa


Alguns dias depois que cheguei em casa comecei a me sentir
melhor. Eu contei para a Lyn sobre minha experiência fora-do-
corpo e sobre a minha visita à sala de espera. Eu disse a ela que eu
tinha realmente morrido. Ela estava cética, embora lhe fosse
inexplicável que eu soubesse o artigo de revista que ela havia lido e
que eu pudesse lembrar-me até do ponto em que ela tinha parado de
ler quando os alto-falantes acionaram, "código azul, código azul!"
Eu disse a ela tudo, como ela olhou para cima e, em seguida,
levantou-se, como mexia com a revista de um lado, e tudo. Ela
confirmou-me que tudo o que eu disse era verdade, embora ela
própria não conseguia acreditar que eu tinha estado morto por vinte
minutos.
Ela solicitou uma consulta com o meu médico, e ambos
entraram. Ela exigiu saber a verdade do que tinha acontecido
naquele dia. O médico não queria admitir que eu tinha morrido. A
única coisa que o médico admitia era que "houve alguns momentos
assustadores quando seu coração parou. Você não estava
respirando, mas nós o reavivamos.” Ele completamente minimizou
a experiência e nos disse para não nos preocupar mais com aquilo.
Eu acho que o que ele realmente queria dizer era: "Por favor não
nos processe."

68
John M. Pontius – Visões de Glória

Capítulo Dois
PARAÍSO PERDIDO

Reorganizando Minha Vida

P
ensei sobre essas experiências todos os dias que se
seguiram, meditando sobre elas e no que elas
significavam. Havia muitas coisas que eram contrárias às
convicções que tive por toda a vida, especialmente sobre
o meu pai biológico e o meu nascimento. Eu cuidadosamente
registrei essas experiências no meu diário. Além disso, eu meditava
diariamente sobre como mudar a minha vida para estar em
conformidade com o que Deus tinha acabado de me mostrar.
Antes, a minha meta de vida era avançar na minha carreira, para
tornar-me um professor livre-docente e de me aposentar aos
cinquenta anos. O meu objetivo era o de tornar-me rico, bem
conhecido, escrever livros, e ficar famoso. Eu queria trabalhar na
Igreja, servindo em qualquer capacidade, e “ascender no
sacerdócio", como eu pensava naquela época, provando-me fiel e
diligente para a Igreja dos Últimos Dias.
Após esta experiência além do véu, eu passei os próximos dez
anos reorganizando minha vida de ego-centrada a centrada em
Cristo. Não foi uma transição fácil. Eu vim a perceber que quase
todos os meus objetivos estavam desalinhados com o plano de Deus
para mim. Eu tinha sido ensinado durante toda a minha vida a
ganhar dinheiro, criar uma família, ser conhecido por todo o mundo,

69
2 - Paraíso Perdido

e, em seguida, o Senhor poderia utilizá-lo de qualquer forma,


porque você estará qualificado, rico, e disponível.

Não tenho certeza se antes desta experiência eu tinha me


compromissado totalmente com este objetivo na vida, porém era o
que eu tinha sido ensinado durante toda a minha vida pelos líderes
e até mesmo pelos meus presidentes de missão. Isso nunca tinha
soado totalmente verdadeiro para mim, e agora eu sabia porquê.
Antes deste momento, eu tinha a mentalidade de que eu precisava
chegar a um lugar em minha vida onde Deus poderia conhecer-me
ver as minhas boas obras e a minha determinação e, então, Ele
saberia o que eu poderia fazer.

Depois dessa experiência, eu aprendi que Deus já me conhecia


em grande detalhe e muito melhor do que eu conhecia a mim
mesmo. O que ele estava me ensinando com esta experiência foi,
Spencer, você estava enganado. Você precisa aprender a ver a si
mesmo como Eu o vejo, e conhecer a si mesmo como Eu conheço a
você e não o contrário. Eu já sei tudo sobre você.
Estar fora do meu corpo e saber sem qualquer dúvida, com total
garantia, que existe um grande trabalho espiritual e um mundo
espiritual que não podemos ver, levou-me para fora de um círculo
que circunscrevia apenas Spencer, e ampliou o círculo de meu
entendimento, a incluir este mundo invisível de seres celestiais,
incluindo familiares, anjos e o próprio Jesus Cristo. Isso me
transformou para sempre.
Como já mencionei antes, me parecia como se os anjos
houvessem deixado a porta aberta para o céu. Eu passei a ver as
pessoas diferentemente. Eu podia vê-las em certa medida com os
olhos de Deus. Eu podia amá-las mais, e algumas vezes o Senhor
enviou-me para ajudá-las em formas que teria sido impossível de
outra maneira – meios milagrosos pode parecer, se não se percebe
que a mão de Deus está sempre trabalhando em nossas vidas.
Depois desta experiência que mudou minha vida, comecei a
obter informações de Deus para dar aos meus clientes. Às vezes eu
tinha de esperar que eles parassem de falar para que eu pudesse
70
John M. Pontius – Visões de Glória

dizer-lhes o que eu tinha acabado de aprender. Ao longo do tempo,


na medida em que me tornei mais sensível às coisas espirituais e
mais obediente em minha resposta a elas, o meu discernimento
melhorou. A minha percepção sobre suas vidas aumentou. Por vezes
o que eu tive visões das coisas que tinham acontecido com esses
clientes, e a minha compaixão e compreensão foi grande por eles.
Eu não podia evitar minha maior afinidade por eles.

Nunca Estamos Sós


Outro importante que eu aprendi foi que nunca estamos
sozinhos. Os anjos estão sempre presentes, tanto do bem como do
mal. Eu também percebi que pelo meu comportamento, humor, ou
pensamentos, eu estava no controle de quem estava no quarto
comigo. Eu costumava ter sentimentos ou emoções negativas e
sentir-me dominado por elas. Fiquei surpreso ao perceber que eu
estava lidando com espíritos das trevas que sobrepujavam-me
quando eu lhes dava permissão pelas minhas emoções. Percebi que
estava no controle, e eu trabalhava duro para manter-me positivo e
amoroso, para convidar seres divinos à minha vida, que elevavam a
mim e às pessoas em volta de mim. Trata-se de um princípio
fundamental da minha fé agora que, para o bem ou para o mal,
nunca estamos sozinhos.
Eu também percebi que nosso arbítrio é sempre respeitado, de
tal modo que, apesar de existirem bons anjos em torno de nós, ainda
temos de convidar sua intervenção. Os convidamos para nos ajudar
pela oração, por termos esperança, por sentirmos fé e crença. Até
mesmo as palavras que pensamos calmamente ou falamos conosco
mesmos, até estas valem. "Por favor, mostre-me como!" "Por favor
me ajude!" "Por favor, Deus, ajude-me a encontrar minhas chaves."
"Por favor Deus, salva os meus filhos!" Todas essas coisas acionam
forças poderosas do outro lado do véu. Elas se tornam ainda mais
potentes quando aprendemos a responder aos impulsos do Espírito
Santo porque, então, podemos receber as respostas para estas
urgentes preces mais rápida e profundamente.

71
2 - Paraíso Perdido

Todas as vezes que Deus envolve-se em nossas vidas, Ele está


ensinando e trazendo a efeito nossa vida eterna. Quando o Pai
responde às nossas orações, ele o faz por meio de anjos, pois assim
os anjos crescem também. Eles aprendem o que é ser "como" Deus,
servindo e comunicando as respostas de Deus para as orações de
seus filhos. Este processo é extremamente ordeiro e divinamente
orquestrado. Não existe acaso ou imprevisto no Seu trabalho. Os
bons anjos estão sujeitos ao Seu comando e são limitados ou
habilitados pela nossa fé. Não há momentos de “xii!” ao lidar com
Deus ou seus mensageiros. Orações nunca deixam de ser
respondidas corretamente devido a um erro do outro lado. Tudo
acontece como Deus orienta.

Redirecionando Minha Vida


Agora, todas essas ocupações mundanas que eu pensei que
deveria definir a minha vida foram levados. Foi-me mostrado que
muito do que eu estava tentando fazer era totalmente errado para
mim. Foi-me mostrado que ele era o objetivo errado – pare com isso.
Estou tentado a obedecer. Eu completei a minha educação e
estabeleci minha carreira porque eu tinha visto que era parte do
caminho certo para mim.
No meu trabalho, muitas vezes chamo ao Pai celestial para que
os anjos, que rodeiam a mim e meus clientes, intervenham. Faço-o
com total certeza de que Deus me ouve, e os anjos respondem.
Talvez eu tenha maior fé neste princípio do que a maioria dos
mortais porque eu tenho visto os anjos.
Anteriormente, eu havia trabalhado em um hospital de grande
porte com crianças que sofrem de câncer. Houve momentos em que
eu antevia com olhos espirituais uma intervenção angelical para
prolongar a vida da criança e sabia que ia acontecer. Essas ocasiões
resultaram em cura que só poderiam ser milagres de Deus. Certas
ocasiões, eu também percebia que a vida da criança estava no fim,
e que ela havia concluído seus labores mortais. A criança falecia
pouco tempo depois. Eu tinha então uma grande paz, sabendo que a

72
John M. Pontius – Visões de Glória

sua vida fora curta, mas completa, e tal conforto eu podia transmitir
para os pais e familiares.
Neste momento eu estava visitando, como mestre familiar, a
uma única irmã(NT-3) com três filhos. Esta irmã tinha câncer no
cérebro, e eu queria curá-la. Eu queria apelar ao sacerdócio para
curá-la. Ela pediu-me para dar-lhe uma bênção, mas quando eu
coloquei minhas mãos sobre a sua cabeça, foi-me mostrado em
visão que ela não iria viver um ano. Eu não queria dizer isso, então
eu dei-lhe uma bênção de conforto, mas não foi a bênção que eu
queria dar-lhe, nem tampouco foi a bênção que o Pai tinha me
mostrado ter em reserva para ela.
Ela virou-se para mim depois da bênção, com lágrimas correndo
no seu rosto, e perguntou-me: "Por que você não me disse o que
você viu? Por que você não me deu a benção que você viu?" Eu
perguntei a ela o que ela queria dizer.
Ela disse, "Eu vi a mesma visão que você viu. Não vou viver
muito mais do que um ano".
Eu disse a ela, "Eu estava com medo de dizer-lhe, com medo de
desencorajar a você e assustar aos seus filhos.”.
Ela respondeu, "sendo a vontade de Deus, Ele vai me ajudar a
aceitá-la. É o que eu precisava ver, e mesmo que você não diga isso
em voz alta, eu a vi com você, e eu sei que é verdade. Obrigado por
esta bênção."
Ela viveu cerca de onze meses e, em seguida, sucumbiu,
deixando os três filhos pequenos nas mãos de membros da família.
Essa foi apenas uma das muitas experiências poderosas onde minha
sensibilidade espiritual e meus sentimentos espirituais elevaram-se
grandemente. Infelizmente eu não estava forte o suficiente para
pronunciar as palavras corretamente, portanto, o Pai revelou a esta
jovem mãe a mesma visão que eu vi para ela. Eu aprendi muito
sobre a minha responsabilidade de fazer o Seu trabalho; embora o
medo tente me impedir de dizer o que deve ser dito, é sempre a coisa
certa a fazer. Eu tentei, desde então, não temer as emoções e
preocupações dos homens mais do que a vontade de Deus.

73
2 - Paraíso Perdido

Depois dessa experiência fora-do-corpo, minha vida passou por


uma longa e difícil evolução, especialmente quando você considera
que tais decisões não foram inteiramente minhas, porque elas eram
os sonhos da minha esposa e família também. Eu tinha instilado
meus sonhos neles durante anos, e agora eu era confrontado com a
tarefa de ensinar-lhes a razão pela qual eu tinha mudado a minha
vida e meus objetivos.
Estas alterações não foram realizadas sem resistência. Além
disso a minha família, quase todos os meus colegas, meus
professores e colegas em universidades, mesmo aqueles que foram
meus mentores e me avançado nas universidades, todos resistiram
às mudanças que eu estava fazendo. Alguns deles viam-me como
autodestrutivo, outros viam-me apenas como estúpido. Houve até
alguns que me disseram que eu tinha sofrido um colapso mental ou
emocional. Escutei a todas essas pessoas, mas decidi avançar com
determinação para fazer o que me tinha sido indicado a fazer. Eu
deixei algumas das minhas posições no hospital, aposentei-me de
diversas nomeações na universidade e foquei na minha clínica
particular.
Durante este tempo de mudança a minha saúde continuou a
degradar lentamente. O meu sistema imunitário foi comprometido
pela cirurgia e muitos problemas de saúde. Tive cirurgias em minha
vesícula, um apêndice suturado, e cirurgia no sinus pois eu tinha
frequentes infecções nos sinus.
Tive febre reumática duas vezes, um sopro cardíaco, todos os
resfriados e a gripes que chegavam na cidade. É minha presente
constatação de que eu me predisponho a essas doenças por persistir
nesse estado emocional doentio que adquiri desde a infância. Eu
ainda não tinha aprendido a evitar que essas perdas se
manifestassem como doenças físicas. Além disso, vinha
trabalhando demais e não estava comido bem. Não dormia o
suficiente. Quando eu me exercitava, eu forçava demais ou ignorava
os exercícios por longos períodos de tempo.
O último e o maior motivo de todos estes problemas de saúde
foi o de que eu era abençoado por ter tais crises de saúde de modo

74
John M. Pontius – Visões de Glória

a experimentar a morte física várias vezes e, por conseguinte, ter


essas visões. Já sei que antes de eu nascer, eu escolhi esse curso para
mim. Eu estava feliz em ser capaz de optar por este caminho para a
minha vida, e embora tenha sido difícil e penoso, e sempre
apavorante, eu ainda sinto que a minha vida tem sido muito
abençoada porque este processo que vivi. Eu não iria voltar e
escolher outro caminho, mesmo se eu pudesse.
Por esse período, Lyn teve cinco filhos. A minha esposa e as
crianças estavam indo muito bem durante estes tempos, embora
tivéssemos desafios comuns de jovens famílias.

Taiti
Depois de todos estes desafios médicos, alterações na carreira e
família aumentando, meu benzinho e eu decidimos aproveitar a tão
necessária pausa da vida e ir de férias ao Taiti em Março de 1995.
Havíamos planeado ir com os pais e seus irmãos de Lyn. Todos nós
deixamos os nossos filhos em casa e estávamos empolgados por dar
uma escapada. Lyn e eu esperávamos clarear as nossas relações, os
nossos sonhos, e meu estado de saúde através do total relaxamento
e descanso em um paraíso tropical.
Nós pegamos um voo para Los Angeles e, em seguida, a
Honolulu. De lá, voamos para Taiti. Uma das pragas que eu tenho
enfrentado por toda a minha vida é que não consigo adormecer no
avião. Eu cheguei no Taiti com carência de sono após vinte e quatro
horas de viagem. Chegamos na ilha de Papeete, onde o templo dos
Santos dos Últimos Dias está localizado.
Ele estava quente e bonito na ilha. Uma suave brisa tropical
estava soprando. Subimos num barco e viajamos para a ilha vizinha
de Moorea a uma pequena estância. Chegamos e descobrimos que
o hotel era uma série de encantadoras cabanas, cada uma
consistindo de um quarto grande com teto de sapê. As paredes eram
abertas com telas anti-insetos como paredes. Havia um único
banheiro mais na parte de trás do bangalô. Os quartos eram

75
2 - Paraíso Perdido

decorados com arte e pinturas típicas. Era absolutamente


encantador.
Era inverno em casa, então fomos dos montes de neve para essa
ilha paradisíaca. Lembro-me de comentar que aquilo era como deve
ter sido Bali Hai, no musical South Pacific. Haviam altas montanhas
vulcânicas roxas no centro da ilha em declives mergulhando na
exuberante vegetação até um belo parque, que terminava numa areia
perfeitamente branca e no intenso e cristalino azul esverdeado do
mar. Um recife de corais protegia a ilha das ondas e dos grandes
peixes e tubarões.
Os familiares da minha mulher e eu chegamos cansados da
longa viagem. Eram cerca de vinte e dois de nós. Cada casal tinha
seu próprio lindo bangalô na praia. Combinamos de tomar banho e
nos refrescar após a longa viagem e, em seguida, encontrar no
restaurante que foi conectado ao resort.
Percebi que estava muito cansado para ir jantar, e pedi a minha
esposa para me trazer alguma coisa do restaurante. Ela estava
preocupada comigo, mas partindo do princípio que era apenas
cansaço, ela concordou e saiu. Liguei o chuveiro e a água saiu do
chuveiro da cor de lama. Fiquei enojado e deixei a água correr até
ficar mais clara. Enquanto tomava banho, meu coração ficou
acelerado. Eu achava que era apenas a falta de sono. Me vesti, deitei
na cama, e comecei a suar profusamente. Eu sabia que algo estava
errado, mas não havia telefone no bangalô. Eu senti uma dor
esmagadora no meu peito, que foi piorando. Eu estava com
dificuldade para respirar e não tinha forças para pedir ajuda.
A próxima coisa que me lembro era que eu subi para fora do
meu corpo até o teto. Senti do mesmo jeito de quando eu tinha
morrido doze anos antes, com a reação ao contraste do raio x, exceto
que desta vez eu fui para cima do meu corpo em vez de sair para
baixo através do leito.
O meu primeiro pensamento foi, estou morrendo em uma terra
estrangeira! Fiquei preocupado sobre como minha esposa iria fazer
os trâmites para transportar o meu corpo de volta para a América, e
como as crianças ficariam arrasadas.

76
John M. Pontius – Visões de Glória

Também senti desejo de sair da cabana e explorar ao redor da


ilha, mas eu tinha um forte sentimento de que eu precisava para ficar
com o meu corpo. Bem neste momento minha esposa voltou para o
quarto. Eu quis me reintroduzir no meu corpo, e mergulhei do teto
novamente ao meu corpo. Eu consegui dizer a ela que estava muito
mal. Ela sentou-se na beira da cama e falou comigo por um tempo.
Eu disse a ela que eu achava que estava morrendo, porque eu mais
uma vez tive uma experiência fora-do-corpo.
Ela estava realmente preocupada e tomou meu pulso, que estava
muito rápido. Ela voltou ao restaurante para chamar seu pai e meu
cunhado. Eles me deram uma bênção do sacerdócio. Eu tentei ficar
em meu corpo o suficiente para receber a bênção, mas estava difícil.
Eu sentia como se estivesse flutuando para fora. A bênção do
sacerdócio mencionou que eu iria me recuperar e que eu tinha mais
trabalho a fazer nesta vida. Ela também disse que se algo precisava
ser feito clinicamente, que eu seria abençoado com suficientes
forças para aguardar até que voltamos para os Estados Unidos.
A irmã de Lyn é enfermeira profissional, e ela falou aventou
com o hotel sobre outras opções médicas na ilha. Havia um pequeno
ambulatório, do outro lado da ilha. A clínica tinha apenas um casal
de enfermeiros e um médico ocasional. Nós decidimos que a melhor
opção seria ficar onde eu estava em vez de tentar fazer a viagem
para a clínica.
Depois da bênção, deram-me aspirina, e eu decidi que iria
apenas ficar na cama e tentar me recuperar. Eu lhes disse que estava
indo dormir e garanti a todos que eu ficaria bem, apesar de suspeitar
fortemente que eu estava para deixar o meu corpo novamente. Eles
ficaram consolados e retornaram para o restaurante para terminar o
jantar.
Eu estava deitado na cama orando, pedindo ao Pai que, se ele
precisava que eu deixasse a mortalidade, que por favor esperasse até
a volta para os Estados Unidos, onde eu poderia morrer sem arruinar
as férias dessas pessoas. Eu também senti, por algum motivo, que
seria realmente lamentável deixar esta vida em terra estrangeira.

77
2 - Paraíso Perdido

Eu mais uma vez deixei o meu corpo e fui para a parte superior
do teto. Havia um grande ventilador no teto que estava ligado no
máximo. Eu encontrei-me acima do meu corpo e ao lado do
ventilador. Desta vez, a grande diferença foi que eu estava
totalmente sozinho. Não haviam outros espíritos para saudar-me ou
acompanhar-me. Esperei um longo tempo ao lado do ventilador
sentindo-me cada vez mais abandonado e carente de apoio. Foi
desconcertante para mim estar em um mundo que eu sabia que
estava cheio de seres espirituais e mesmo assim estar sozinho. Mais
uma vez roguei ao Pai que por favor enviasse um espírito justo para
ficar comigo, para que eu não morresse perdido e sozinho nesta terra
estrangeira.
Uma voz veio ao meu espírito, como se entrasse em meu peito,
dizendo que eu precisava passar por esta escuridão para
compreender o que estava para vir em minha vida. Não entendi o
que significava naquele momento, mas depois eu pude entender.
Significava que eu precisava compreender o sofrimento ao ver
o mal em sua forma mais sombria. Eu era ingênuo neste momento
da minha vida. Eu queria acreditar na inerente bondade das pessoas.
Eu estava prestes a ver em visão pessoas cujo único objetivo na vida
é fazer o mal. Eles preferiram o mal e o deboche do que todo o resto.
Eles deliciavam-se no sofrimento de outras pessoas e ficavam
entediados e deprimidos quando não estavam ferindo alguém. Eu
nem sabia que pessoas assim existiam, ainda menos que
constituíssem toda uma sociedade.
Eu tinha visto grande luz, visões de Deus e anjos e, a fim de
compreender mais verdade e mais luz, agora eu tinha que
compreender seu oposto, o lado somente maligno da equação.
Todas as coisas na mortalidade e na eternidade existem em polos
opostos. Para compreender mais e mais luz, eu tinha que
compreender mais as trevas. Até mesmo Jesus Cristo teve de descer
abaixo de todas as coisas antes que ele pudesse subir acima de todas
as coisas. O mesmo parece ser verdade para mim, embora de uma
forma muito menor do que para nosso Salvador. Ainda assim, as

78
John M. Pontius – Visões de Glória

leis divinas que regem estas bênçãos exigem a justaposição do bem


e do mal, e eu tinha que compreender por experiência pessoal.
Portanto, eu tinha que experimenta a sensação desta assustadora
solidão, essa separação de Deus. Eu nunca tinha experimentado isso
anteriormente. Eu aparentemente também precisavam saber o que
era sentir-se completamente desprovido do Espírito Santo a fim de
apreciar e compreender as maiores bênçãos que me tinham sido
mostradas poderiam ser minhas.
Era como se Deus estivesse dizendo: "Este é o momento
apontado para que você, Spencer, experimente essas coisas da
escuridão." Então, eu encontrei-me enfrentado uma visão que eu
nunca, jamais imaginara que pudesse ser verdade. Estar de férias
neste distante lugar, um lugar com uma história tenebrosa, onde o
meu trabalho e os meus filhos, familiares e esposa estavam
distraídos com outras coisas, tornou-se o cenário perfeito para este
capítulo negro da minha educação em coisas celestiais.
Enquanto eu estava flutuando próximo ao teto, minha esposa e
uma de suas irmãs entrou no quarto. Elas pensaram que eu estava
dormindo, tocaram no meu ombro e em seguida silenciosamente
saíram do quarto. Olharam uma para a outra e concordaram que eu
estava dormindo. Elas deixaram-me e sentaram-se na varanda
frontal do nosso bangalô. Eu não estava dormindo, mas estava fora
do meu corpo e vi tudo desde o teto. Eu não sabia se eu estava vivo
ou morto, porque me sentia muito diferente da minha experiência
doze anos atrás. Neste ponto, ainda não tinha capacidade de sair do
bangalô.

O Diorama do Inferno
O resto do que irei agora relatar, eu ainda não entendo muito
bem. Me foi apresentado como se fosse um diorama(NT-4) passando
em frente ao meu corpo espiritual. Era em três dimensões, mas eu
não estava nas cenas, eu estava olhando como um espetador. Me foi
mostrada a história das práticas espirituais e não-espirituais dos
antigos taitianos.
79
2 - Paraíso Perdido

Foi-me mostrado que inicialmente que eram um povo iluminado


e cheio do Espírito, até mesmo inocentes e imaculados. Eles sabiam
acerca de Jesus Cristo, seu papel e sua missão, que tinha vindo a
eles através de homens e mulheres santos que tinham estabelecido
a sua herança cultural. Eu vi que o seu entendimento se deteriorou
ao longo dos anos, à medida que seus fundadores morreram, e
aqueles que acreditavam ficaram em menor número. Eles se
afundaram nas mais brutas e gráficas formas de tortura humana,
deboche, perversões sexuais e escuridão espiritual que se pode
imaginar. Na verdade nada daquilo que era imaginável para mim,
eu só via e sentia asco. Na verdade, eu ainda me vejo horrorizado
pela memória daquilo. Entre muitas outras terríveis coisas, eles
estavam sacrificando jovens virgens e matando crianças e recém-
nascidos na mais terrível forma que se possa conceber. Foi horrível
para mim então, e ainda é apavorante para mim agora, porque eu vi
o que tinha acontecido, em grande detalhe. Eles estavam fazendo
isto em parte por causa da religião falsa, e em parte para se vingarem
de atrocidades semelhantes de seus inimigos. Suas mentes e
corações, e tudo o que fizeram, estavam saturados pela guerra,
vingança e cobiça por tudo o que é mau.
Eu podia ver e sentir cada pessoa envolvida em tais atrocidades.
Eu podia sentir o ódio, a raiva e o ressentimento daqueles que
estavam fazendo estes terríveis atos, bem como o medo e a angústia
de suas vítimas. Eu fui na verdade poupado de sentir suas dores,
mas eu as experimentei em um nível espiritual que na realidade não
era dor, mas um entendimento do quão horrível tinha sido para eles.
Eu podia também ouvir as orações das poucas pessoas entre eles
que ainda eram seguidores de Jesus Cristo, que tinham o Espírito
Santo e que ainda se apegavam à verdade. Estes raros fiéis eram
como pequenas chamas de verdade dispersas por estas ilhas. Eles
odiavam o que estava acontecendo com seu povo e choravam as
gerações que foram perdidos. Eles também foram forçados a
esconder profundamente suas convicções, pois os crentes eram
valorizados como vítimas.

80
John M. Pontius – Visões de Glória

Não somente eu via o sofrimento e dores horríveis de todos


aqueles que eram torturados, mas eu estava vendo espíritos maus
que estavam se divertindo com suas dores. Esses espíritos malignos
jactavam-se naquilo, e exortavam os mortais a fazer coisas piores e
piores, dando-lhes "inspiração" para prolongar o sofrimento de suas
vítimas.
Não creio que mortais poderiam sequer pensar em tais atos
malignos, e ainda formar uma sociedade e tradição de tal deboche,
sem os maus espíritos exortando-os e instruindo-os a não apenas
executar esses atos, mas em como também transformá-los em
religião ao longo de muitos anos para fazer com que aquilo se
tornasse tradicional e aceitável para toda a sua sociedade. Toda a
cena era de um hiper-frenesi maligno, tão insano que me horrorizou
além de qualquer coisa que eu jamais experimentara, antes ou desde
então. Eu tentei desviar-me, mas a visão não deixava os meus olhos.
Eu me senti como se estivesse sendo exposto às profundezas do
Inferno. Eu senti absoluta repugnância por essa visão, embora eu
soubesse que eu não estava sendo punido de forma alguma. Mas ela
persistiu por algum tempo, até que eu passei mal na minha alma e
pedi encarecidamente para que terminasse.
Na minha primeira experiência em 1983, não experimentara
nada disso. Não havia lado escuro ou horror naquela experiência.
Agora tudo isso foi derramado sobre mim em todos os seus matizes
infernais. Todo esse tempo fiquei implorando para Deus fechar essa
visão e pedindo-lhe, "Por que eu preciso ver isso? O que é que isso
tem a ver comigo?”.
Eu gritava, para não ver mais esse horror, com toda a força do
meu ser, e eu finalmente fui liberado da visão tenebrosa diante de
mim.

A Oração Intercessora
Em seguida me vi transportado para a Beehive House em Salt
Lake City. Isto pareceu-me muito estranho, logo após ver a obscura
história do Taiti naquela distância, eu estar ali mesmo em Salt Lake

81
2 - Paraíso Perdido

City. Eu já não estava mais tendo uma visão, mas me vi participando


no que estava acontecendo, na verdade estava vivendo-a com todos
os meus sentidos, não apenas vendo.
A primeira coisa que vi foi câmaras de televisão e outras pessoas
da mídia ao redor da Beehive House. Elas pareciam ter vindo de
todo o mundo. Haviam repórteres falando Japonês, Chinês, Francês,
e muitos outros idiomas, incluindo o inglês. Eu reconheci estações
de televisão e equipes locais.
Estes jornalistas estavam em pé, no lado oeste do edifício,
principalmente e no corredor entre o Edifício dos Escritórios da
Igreja e a Lion House. Eles estavam em torno de todo o conjunto de
edifícios.
Vendo-me liberto daquela horrível visão do Taiti e agora se
encontra no meio de equipes de jornalistas em Salt Lake City,
pensei, o que estou fazendo aqui? O que todas essas pessoas estão
fazendo por aqui? Eu estava fazendo a pergunta a Deus.
Neste momento lembro-me de começar a aceitar o fato de que
eu estava morto, e que o meu corpo ainda estava no Taiti. Eu me
senti triste por Lyn porque ela logo iria me encontrar morto. Eu
sabia que ela me amava e que aquilo iria ser um tremendo choque
para ela.
Comecei a sentir os poderes espirituais que me sentira antes, de
ir para onde eu quisesse e poder ler as pessoas, mentes e corações.
Eu já não me sentia perdido nas circunstâncias em torno de mim.
Então eu perguntei: "Por que estou aqui?”.
Não havia outros espíritos que eu pudesse ver. Eu só conseguia
ver os mortais ao meu redor. Eu novamente pedi a Deus, "o que está
acontecendo?" Ele respondeu, "Você não vai morrer no Taiti. No
entanto, vou mostrar o que certamente virá a passar."
Foi-me dito que esta visão era uma metáfora, uma "tipificação"
de coisas que em breve iriam acontecer, e não uma ocorrência real
que eu estava vendo, ou mesmo que viesse a acontecer exatamente
desta forma.
Naquele momento eu podia sentir os pensamentos e as emoções
de todos esses indivíduos esperando ao redor dos prédios. Eles

82
John M. Pontius – Visões de Glória

estavam empolgados, com grande expetativa por algum


acontecimento importante. Entre alguns deles, especialmente as
equipes locais de notícias, havia medo e tristeza. Eles tinham longos
mastros com os microfones de espuma na extremidade, como se
estivessem esperando um anúncio de algum tipo. Eu senti que eles
estavam aguardando o anúncio de que o atual profeta da Igreja havia
falecido. Isso causou-me tristeza porque o atual profeta era meu
amigo. No decurso do meu serviço, eu tinha tido em reuniões com
ele muitas vezes, e eu gostava muito dele.
Eu encontrei-me na parte de trás da Beehive House. Eu nunca
tinha estado ali antes. Haviam escadas de metal indo à parte um
andar acima na parte de trás com uma porta verde no topo. As
escadas pareciam uma saída de emergência em vez de parte da planta
original do prédio. Eu subia as escadas como uma pessoa normal,
passo a passo. Eu podia sentir e ouvir os meus passos, e eu podia
sentir o corrimão com minha mão esquerda. Isso era perfeitamente
vivo e verdadeiro para mim. Eu cheguei no topo e abri a porta que
era rígida e fria ao toque. Havia um guarda de segurança sentado em
uma mesa com um monitor de vídeo à direita por dentro da porta.
Ele estava a olhar para o monitor muito atentamente. Ele não me via
ou reconhecia. Perguntei novamente, "o que estou fazendo aqui?”.
A voz que tinha ouvido anteriormente respondeu, "Você tem
muito que aprender. Desça para o saguão".
Então, andei por um corredor longo, e na outra extremidade da
do saguão havia um outro guarda de segurança voltado para mim.
Ele estava sentado do lado de fora de uma porta à minha esquerda
sobre uma cadeira dobrável. Ele estava lendo as escrituras. Era foi
uma combinação tríplice(NT-5) com um nome em alto relevo na capa
que eu não tentei ler; eu apenas supus que eram as escrituras do
guarda.
Eu passei por ele e através da porta sem abri-la. Eu fiz isso
porque eu sabia que estava em espírito e não havia necessidade de
abrir a porta. Eu encontrei-me em uma sala quadrada, cerca de 4 x
4 metros, com teto alto e em ângulo. Havia uma cama grande cama
à minha esquerda com uma colcha de retalhos que era ornada e

83
2 - Paraíso Perdido

bonita. Parecia ser antiga. A mobília era antiga e bonita. O quarto


parecia ser um conjunto, como em um museu. Tinha um antigo
lavatório de cântaro e bacia de porcelana
Depois de eu ter percebido tudo isso, subitamente notei um
homem idoso ajoelhar-se sobre um antigo tapete de pano oval ao
lado da cama. Eu percebi na hora que era meu amigo apostólico de
muitos anos. Inicialmente, eu não conseguia ouvir o que ele estava
dizendo, e mesmo assim, eu me sentia como que me intrometendo.
Eu percebera que ele não podia ver ou ouvir-me. Como eu já disse,
esta visão era para me ensinar, e não um acontecimento real.
Perguntei novamente, "o que estou fazendo aqui?" porque eu sentia
como se não tivesse direito de estar ali.
Virei-me para sair da sala, e então eu comecei ouvir ele falar. A
voz do Espírito me disse: "Escute bem."
Pelo fato de eu e ele termos trabalhado juntos em diversos
projetos na Igreja, nos tornamos amigos pessoais. Eu virei para trás
para olhá-lo, ainda sentindo estar me intrometendo em assuntos
sagrados que eu não devia a ver ou ouvir.
Foi-me mostrado esse grande amigo e servo de Deus em uma oração
de intercessão ao Pai por ele mesmo e o que ele enfrentaria no
futuro. Ele estava implorando para a vontade do Pai prevalecer a
seu favor e de sua família, e que ele fosse capaz de suportar bem e
ser capaz de "beber o cálice amargo sem se tornar amargo." Estas
são palavras que ouvi ele falar quando ele derramou o seu coração
em oração.
Era confuso partir da depravação do passado Taitiano, para esta
cena sagrada de sofrimento e justa aceitação da vontade do Senhor.
Penso que o contraste gritante foi a ensinar-me como sofrimento
poderia realmente santificar e trazer exaltação quando o sofredor se
submete a Cristo e permite que o sofrimento purifique e complete
sua experiência mortal. Eu estava vendo o meu amigo começar a
sua jornada para este sofrimento. Ele não estava pedindo para ser
poupado, mas por força para suportar bem.
Aprendi com tudo isto que é através do sofrimento que os
mortais aprendem compaixão, perseverança e fidelidade, mas que

84
John M. Pontius – Visões de Glória

tem de haver também um grande desejo de ser purificado e elevado


desta forma. De certa forma eu também estava vendo o meu próprio
futuro. Pelo que entendi, eu poderia também ser chamado a sofrer
para que eu também pudesse ser purificado, completado e
assemelhar-me Cristo quando eu deixasse a mortalidade, e eu tinha
de submeter-me a este processo voluntariamente. Isso é o que o anjo
quis dizer quando ele me disse, "Eu vou mostrar a você o que
certamente virá a passar." Ele estava dizendo: "Você vai sofrer, e
você irá submeter-se com êxito e, assim, ser purificado." Levei
muitos anos para chegar a esse entendimento. Não acredito que eu
estava preparado para submeter-se a qualquer sofrimento mais do
que eu já vivia naquele período, estando morto no Taiti e tudo o que
isso implicava. O Senhor foi misericordioso, permitindo-me
aprender naquele momento, e então eu poderia mais assimilar
totalmente quando eu estava preparado muitos anos mais tarde.
Minha visão mudou. Eu vi que o meu amigo estava na mesma
posição, ao lado do mesmo leito. A única coisa que mudou foi que
o tapete sob seus joelhos pareciam ser pele de ovelha. Desta vez,
fiquei admirado ao perceber que ele estava defendendo-me, em meu
favor, e pelo que eu estava para enfrentar. Ele falava da mesma
forma que antes, mas desta vez implorando por mim. Ele estava
chorando. Ambas estas orações foram longas, demoradas, e
maravilhosamente articuladas para o Pai. Suas palavras me
aturdiram. Eu me senti uma profunda inquietação por eu estar de
alguma maneira criando esta dor e conflito ao meu amigo. Também
me atordoava e perturbava que ele tenha visto algo das minhas
provações futuras, que obviamente o faziam preocupar-se comigo.
Eu não tinha a menor ideia quais problemas futuros ela sabia que eu
teria.
I pediu ao Pai em poderosa oração, "Por favor, abençoe este
homem para que, se for possível, ele não tenha de suportar estas
coisas por minha causa," e eu supliquei para saber, "o que foi que
eu fiz? O que é que aconteceu comigo para que o meu amigo esteja
implorando em meu favor? Por que estou vendo isso? Por favor,
ajude-me a saber o que devo aprender com isso!”.

85
2 - Paraíso Perdido

Eu tinha medo que ele tivesse visto em meu futuro e que eu fosse
fazer algum grande erro ou desviar-me do caminho ordenado para
mim, que é algo que eu nunca esperava fazer. Me apavorava ao
refletir sobre estas possibilidades.

Amado Profeta
Naquele momento exato, eu virei e olhei para o lado direito da
cama, e eu vi o atual profeta da Igreja. Você irá lembrar-se de que
eu conhecia bem esse nobre servo de Deus e do meu serviço com
ele e com outros dos Doze. Lembrei-me também dos repórteres fora
do prédio à espera do anúncio de sua morte.
Ele estava sorrindo para mim. Disse-me ele sem mover a boca.
"Spencer, vai dar tudo certo".
Meu amigo Apóstolo ainda estava ajoelhado ali, e eu ainda me
senti como se estivesse me intrometendo em suas orações e súplicas.
Eu estava confuso ao ver o Profeta nesta metáfora em visão. Porque
este não foi um evento propriamente dito, eu entendi que o meu
amigo não podia ouvir nem ver a mim ou ao profeta.
O Profeta então começou a andar em minha direção. Que eu
soubesse, o profeta ainda estava vivo, mas aqui eu o estava vendo
em espírito. Também me perguntei porque é que eu, que não ia
morrer no Taiti em função daquilo que tinha acabado de me ser dito,
estava aqui neste quarto assistindo tudo isso. A última vez que eu
tinha visto o Profeta foi na dedicação de um templo dois meses
antes. Ele estava numa cadeira de rodas, fragilizado e parecia não
ter muito tempo sobre a terra.
Quando o vi no quarto, ele levantou-se num salto. Sua voz era
forte e clara. Ele era firme em seu espírito, e sorrindo de orelha a
orelha, ao caminhar em minha direção, nessa visão. Ele estava do
jeito que eu me lembrava de muito tempo, suave como veludo, mas
um verdadeiro leão do Senhor.
Ele me disse, "é hora de eu partir." Colocou seu braço em meu
braço direito e escoltou-me para fora da sala. Passamos pela porta

86
John M. Pontius – Visões de Glória

sem abri-la. Mas eu podia sentir o seu braço no meu como se


fôssemos ambos mortais.
Ele parou no corredor e me contou que estava ansioso rever o
meu avô e avó com quem ele tinha servido quando foi presidente de
estaca e meu avô era um bispo servindo abaixo dele. Ele, em
seguida, largou meu braço e virou-se, olhando para mim, e mais
uma vez disse, "tudo vai dar certo".
Eu não sei o que ele quis dizer. A minha mente estava
preocupada com o meu corpo no Taiti, com meu amigo apóstolo,
com ao motivo para eu ver o Profeta e com toda esta visão. Eu não
respondi, mas assimilava tudo com grande espanto e confusão.
O profeta continuou andando se afastando de mim pelo corredor
na direção de onde eu viera. Ele voltou-se para mim e exclamou,
"assim como o meu Salvador disse, está terminado!" eu sabia que
ele estava a falar da sua própria vida e da alegria que tinha agora por
ter triunfado. Ele acenou para o guarda e sorriu, ao chamar-lhe pelo
nome, "Ryan." O guarda acenou com a cabeça e respeitosamente
respondeu: "Presidente".
O profeta então andou através da porta fechada pelo guarda e
desapareceu da minha vista.
Eu fiquei surpreso ao ver o guarda reconhecer-lhe porque eu
achava que o guarda era mortal e não podia me ver, mas agora eu
percebi que ele era um anjo com um corpo real. Eu não sei dizer se
era ressuscitado ou transladado(NT-6), mas ele não era um espírito.
Eu senti que era o momento para eu sair também, e eu continuei
a seguir o Profeta através da porta. O guarda olhou para mim e me
chamou pelo nome. "Spencer, pode aguardar um segundo?”.
Eu parei na porta e voltei para trás. O guarda fechou as escrituras
que estavam lendo, fechou o zíper e, em seguida, entregou-as a
mim. Eu as tomei e notei o meu nome gravado em relevo na parte
inferior das escrituras. Tanto o livro como a capa eram verdes. Eu
nunca antes tinha visto as obras padrão em capa verde. Eu estava
contente em recebê-las e mesmerizado pelo simbolismo que
pressenti mas não pude entender.

87
2 - Paraíso Perdido

Agradeci-lhe calorosamente, tomei as escrituras, e saí por uma


andando através da porta. Eu nunca falei dessa experiência para a
minha esposa, mas no seguinte Natal ela me deu um volume das
escrituras com meu nome em relevo, exatamente como nesta visão.
A tenho conservado todos esses anos.
A partir de então concluo que ver o livro verde na visão e, em
seguida, receber o mesmo livro na carne era um testemunho de que
aquilo que eu vira em visão se manifestariam na carne no devido
tempo. Não foi uma conclusão reconfortante, mas eu também aceito
que o sofrimento que eu tinha visto na visão do Taiti e ouvido na
oração do Apóstolo em meu nome eram essenciais para o meu
crescimento. Eu também sabia que "vai dar tudo certo".
A minha próxima lembrança foi reintroduzir-me no meu corpo
no Taiti. Voltar para o meu corpo desta vez foi muito mais doloroso
do que em 1983 após a falha no procedimento médico. Depois de
um tempo eu me senti bem o suficiente para sentar-me à beira da
minha cama, certificando-me que o meu espírito estava mais uma
vez firmemente dentro o meu corpo. O meu corpo estava pesado,
então eu apenas sentei-me ali. Já estava no meio da noite. A minha
mulher estava dormindo atrás de mim na cama. Eu sentei-me ali um
longo tempo, pensando sobre a visão e o que isso poderia significar.
Há muitas coisas sobre ela que ainda hoje não estão claras para
mim.
Levou cerca de três dias para o meu corpo para recuperar
alguma força. Juntei-me à minha mulher e à sua família em férias,
mas movimentava-me lentamente e descansava muitas vezes pelas
várias semanas de nossa viagem até a hora de voltar para casa. Eu
compartilhei algumas de minhas experiências na visão com a minha
esposa. Ela acreditou no que eu disse a ela e expressou gratidão por
eu não ter morrido e ter ficado com ela. Ela foi afetuosa, e apreciei
a sua vontade de apenas acreditar em mim sem qualquer
possibilidade de prova.
Enquanto ainda estávamos no Taiti, ouvimos notícias que o
profeta havia falecido na noite que eu tinha saído do meu corpo e
tinha tido a visão com ele. Isso me fez refletir sobre e sobre o que

88
John M. Pontius – Visões de Glória

eu havia experimentado na visão, se era realmente ele ou apenas


uma visão. Repassei-a repetidas vezes em minha mente. Havia tanto
naquilo que eu não conseguia compreender! Em primeiro lugar e
acima de tudo, por isso me havia acontecido!
Minha mente voltou para as horríveis cenas da história do Taiti.
Parecia que eu tinha sido autorizado a ver o quanto a condição
humana pode deteriorar-se quando a luz de Cristo e a verdade são
suprimidos.
Parecia-me que o Espírito de Deus se retirara de todas, exceto
algumas, pessoas ali, e isso as deixou cativas a Satanás. Eu sentia
como se Satanás ainda estivesse rindo e se alegrando pela condição
à qual se haviam degenerado.
Tenho refletido sobre a razão de eu ter permissão para interagir
com o profeta, que tinha acabado de morrer nessa mesma noite. Ele
estava exuberante por estar fora de seu corpo. Eu vi o que ele tinha
enfrentado em sua vida e na sua própria experiência ao aproximar-
se da morte, e eu nunca tinha percebido. Nem mesmo percebi as
experiências que o nosso profeta tinha vivido em sua vida, que
criaram esse caráter de veludo-e-aço que foi necessário para
cumprir sua missão terrena. Eu vi como ele tinha sido forjado no
fogo do refino e como ele tinha resistido muito bem até o fim da sua
vida.
Ocorreu-me, então, que você não precisa ser um apóstolo ou
profeta para o Senhor busca-lo, e refiná-lo e purificá-lo para o seu
Eu mais elevado.
Passei a crer que o que me foi apresentado foram os extremos
da experiência humana, o tenebroso e o puro. A experiência é difícil
de comentar ainda agora. Ela traz de volta as memórias vivas eu
desejaria nunca ter visto, porém não consigo esquecer.
O voo de volta a Utah foi difícil para mim. Quando chegamos
em casa, eu fui ter com o meu médico cardiologista, para ver o que
ele pensava sobre a minha experiência e as horríveis dores que eu
tinha experimentado no meu peito. Ele fez um eletrocardiograma e
teste ergométrico. Eles descobriram que eu tinha uma válvula que
não estava funcionando bem. Penso que a causa da minha segunda

89
2 - Paraíso Perdido

experiência com a morte foi esta válvula defeituosa. Ele pretendia


inserir uma válvula de coração de porco em meu coração para
substituir a avariada. Recusei a cirurgia para substituí-a porque me
senti inspirado de que não seria necessária. Desde então, o meu
coração está completamente recuperado, e eu nunca mais tive um
episódio semelhante.

90
John M. Pontius – Visões de Glória

Capítulo Três

VISÃO DO SALVADOR

P
areceu-me que após estas experiências quase-morte, os anjos
deixaram as portas do céu entreabertas. Eu comecei a ver
muitas coisas do Espírito. Não acho que era algo exclusivo
que eu tivesse visões ou sonhos proféticos, mas eles vieram
para mim muitas vezes após estas primeiras dificuldades, e
continuavam. Às vezes eu sinto como se a porta do céu esteja bem
diante de mim e, se desejasse, eu poderia passar por ela, mas eu
nunca o fiz. A tentação para não voltar à mortalidade seria muito
grande, eu temo, e eu acabaria me desviando da minha rota mortal
designada e que agora vejo diante de mim.

Visão do Salvador
A seguinte visão é a primeira que experimentei sem ter que
morrer. Eu estava dormindo, mas não foi um sonho. Eu não a estava
"vendo" mas estava presente na visão, experimentando-a com os
meus cinco sentidos. A frase que Paulo usou para explicar tal
experiência foi, "se no corpo ou fora do corpo, não sei." Foi
exatamente assim para mim, e me foi igualmente difícil dizer se eu
estava mais uma vez fora do meu corpo ou vivendo-a na carne.

91
3 – Visão do Salvador

Eram cerca de 04:00 hs quando fui para a cama naquela noite.


Eu estava terminando alguns trabalhos importantes e perdi a noção
do tempo. Estava exausto, deitei-me depois de fazer a minha oração,
e eu caí em um sono profundo.

Minha primeira lembrança foi a de que eu estava me apressando


do estacionamento para a sede da Estaca(NT-7) onde eu havia sido
designado a falar. Era a capela onde eu frequentara todos os
domingos durante anos. Na minha mente eu estava atrasado para
uma reunião e liderança e, portanto, fui correndo para o prédio. Eu
estava no meio do caminho por trás da igreja, quando ouvi,
"Spencer."

A voz me era familiar, e me virei para ver quem tinha falado o


meu nome. Fiquei estarrecido ao ver Jesus Cristo no estacionamento
onde começa a calçada. Eu conhecia o seu rosto. Nunca tinha visto
a Ele na mortalidade, mas eu o reconheci. O Seu rosto é o mais
familiar do universo. O meu espírito instantaneamente o reconhecia,
lembrava d’Ele e o amava. Lembrei-me de tudo acerca d’Ele, tudo o
que Ele tem feito por mim.

Senti na minha alma como se eu estivesse vendo o meu mais


querido amigo pela primeira vez depois de décadas de ausência. Eu
sentia meu coração acelerar no meu peito. Ele não se apresentou
porque o reconheci imediatamente. Comunicou-se comigo
verbalmente, mas cada palavra que Ele falava era rica com verdades
não-verbais que penetravam minha alma muito mais rápido do que
as palavras.
Ele estava vestindo uma túnica vermelha vibrante que pendia de
seu ombro direito, e atada por uma fivela no seu ombro esquerdo.
Na cintura Ele usava uma faixa de tecido na mesma cor. O roupão
estendia-se aos tornozelos e mãos e tinha mangas compridas. Usava
sandálias antigas em seus pés.
Ele era alto, talvez um pouco mais de 1,83 m. Sua forma era
masculina. Era bem forte com grandes ombros e membros fortes. O
Seu rosto não era fino como é retratado em algumas pinturas, mas
92
John M. Pontius – Visões de Glória

cheio e com as maçãs do rosto altas. Ele tinha uma barba escura que
estava bem aparada. Seu cabelo era da cor de sua barba e era longo
o suficiente para tocar em seus ombros. Seus olhos eram do mais
belo e claro azul que se possa imaginar.
Sorriu para mim, e eu larguei minha maleta e corri para ele. Seus
braços envolveram-me. Não consigo encontrar palavras para
explicar o que senti ao ser abraçado por ele. Uma inundação de
memórias voltara do conforto de estar em seus braços muito tempo
antes. Senti o Seu amor por mim irradiando dele. Eu sabia por
instinto que ele sabia tudo sobre mim, mas ainda não havia sentido
de julgamento. Eu sentia d’Ele uma sensação completa de sua
confiança em mim e na minha capacidade. Foi incrível para mim,
porque eu nunca tive muita confiança em mim mesmo.
Eu não procurei pelas marcas em suas mãos e pés. Até hoje eu
não sei por que não olhei. Lembro-me de pensar mais tarde naquele
dia, por que não olhei? Talvez fosse porque eu não preciso de ver
as feridas para saber que era Ele. Eu estava tão tomado pelo Seu
amor, energia, radiação, capacidade ilimitada, vasto conhecimento
e perfeições que nem passou por minha mente olhar.
Seus pés não estavam no chão. Fiquei surpreso como Ele podia
abraçar-me com tal firmeza. Ele estava em pé e não flutuante – mas
ele não estava em pé no nosso mundo mortal. Ele não estava
ocupando o mesmo espaço que eu neste planeta. No espaço que ele
estava ocupando, tudo estava irradiando a partir dele, como se ele
fosse o sol e tudo girando ao redor e vindo dele.
O seu rosto era acolhedor, sorridente, feliz por estar comigo.
Parecia que tínhamos nos abraçado assim muitas vezes antes, o que
me surpreendeu. A minha família não é de abraçar e eu nunca tinha
aprendido a desfrutar de abraços longos ou afetuosos. No entanto,
este abraço eu queria que durasse para sempre. Depois de um tempo,
ele pôs as suas mãos sobre os meus ombros e me afastou
gentilmente ao comprimento do braço.
Ele olhou-me nos olhos e disse-me que estava satisfeito com a
minha vida até agora. Ele agradeceu-me insistentemente pelo meu
serviço em seu nome. Me disse que me amava e que daqui por diante

93
3 – Visão do Salvador

eu faria muita coisa boa para o Reino. Ele pausou por um segundo,
depois acrescentou que o justo desejo do meu coração seria
concedido. Eu sabia exatamente a que desejo se referia. Era o meu
grande desejo de que eu realmente conseguisse suportar minhas
provações futuras e, assim, ser purificado.
Mal sabia eu que havia muito mais para se desejar do que eu era
capaz de perceber naquele momento. Com o passar dos anos,
aprendi muito mais coisas que eu ardentemente desejava fazer, e
todas elas se tornaram os mais ricos anseios do meu coração, tudo
isso foi abrangido pela promessa que eu acabara de ouvir.

O Que Está Contido em um Nome?


Ele mais uma vez falou, "Spencer," e por um instante, vi-me
como Ele me vê e me conhecia como Ele me conhece. Como já
mencionara antes, para Deus e os anjos o nome de alguém é um
recipiente espiritual para tudo o que pode ser conhecido sobre uma
pessoa: passado, presente e futuro.
No momento em que Ele falou o meu nome me foi dado a ver e
sentir o pleno significado do meu nome para Ele. Aquilo derreteu
meu coração e ainda o faz até hoje cada vez que penso na forma
como Ele disse o meu nome. O amor que Ele me concedeu em uma
palavra não pode ser descrito por qualquer mortal.
Assim, quando eu leio Isaías ou Samuel, onde o Senhor fala seus
nomes, ou onde o Senhor chama Néfi ou Moisés pelo seu nome,
penso que sei o que eles sentiam. Quando eu leio sobre a Primeira
Visão(NT-) de Joseph Smith Jr. e ouço: "Joseph, este é o meu Filho
muito amado", queria que todos pudessem saber o que o jovem
Joseph experimentou quando ouviu o Senhor dizer seu nome.
Porque quando você ouve o seu nome da boca do nosso Salvador,
você nunca mais ouve o seu nome da mesma forma – para sempre.
Desde aquela época, quando as pessoas dizem o meu nome sem
realmente saber quem eu sou, sinto quase como se eles estivessem
pisando em algo sagrado.

94
John M. Pontius – Visões de Glória

Também me faz maravilhar-me com os muitos nomes que Jesus


Cristo tem nas escrituras, pois cada nome e título traz consigo
alguns uma indizível linguagem que contém o pleno e verdadeiro
significado daquela parte da glória e perfeições do Senhor.
Nos poucos e longos segundos em que Ele abraçou-me, Jesus
ensinou-me muitas coisas que penetraram minha alma, como uma
explosão de conhecimento puro. Essas coisas eram preciosas e
espiritualmente íntimas, tudo aquilo emocionou-me ao centro do
meu ser, mas não me foi permitido lembrar-me em detalhe após a
experiência terminar. Eu só me lembro de receber essas coisas e me
alegrar, mas os detalhes desvaneceram-se. Espero num dia futuro
ouvi-lo dizer tudo novamente.
Ele acenou em direção à sede da estaca e disse, "Precisam de
você. Você precisa ir à sua designação." dei um passo para trás,
ainda olhando para Ele, desejando não ter que sair, mas Ele tinha
me instruído a ir, então me virei, e dei uns poucos passos na
distância. Parei e voltei. Ele voltou a falar o meu nome, e eu estava
novamente mergulhado em amor e lágrimas. Enquanto eu olhava,
Ele começou a desaparecer lentamente, em seguida, Ele se foi.
Eu imediatamente tornei-me ciente da minha cama e quarto. Eu
estava chorando abertamente, com alegria, de uma forma que eu
nunca tinha experimentado antes. A alegria desta visão foi tão
sublime que eu estava rejuvenescido e o sono me deixou. Eu
imediatamente me levantei e escrevi tudo no meu diário. Quando a
manhã finalmente chegou, me vesti e prossegui com o meu dia, sem
qualquer vestígio de cansaço ou sonolência.
Eu leio o meu diário de vez em quando agora, e vejo a profunda
incapacidade eu tinha naquele momento de expressar essa
experiência em palavras. Mesmo nos dias de hoje, está claro que
nem mesmo existem palavras para expressar tal experiência.
Lembro-me de meditar no dia seguinte. Eu abri um hinário e li
as palavras "Eu sei que vive o meu Senhor." As palavras desse hino
expressam melhor o que eu experimentei do que minhas próprias
palavras poderiam no momento.

95
3 – Visão do Salvador

Saber Realmente
Realmente saber que Ele vive, que Ele é um amigo perfeito,
benevolente que me ama suficiente para deixar o céu, vir à terra e
tomar tempo para abraçar-me, para ter um relacionamento comigo
e com todos nós, que o procurarmos – este é o mais doce
conhecimento que eu jamais recebera. Saber que Ele conhece a você
muito melhor do que você conhece a si mesmo e, no entanto, Ele o
ama ainda mais e está disposto a mostrar-lhe quem você é aos Seus
olhos e do que você é capaz. É por isso que eu o amo, porque Ele
me amou primeiro.

Até que Ponto o Homem Decaiu


Uma das coisas que mais me impressionou, então e ainda hoje,
é até onde temos decaído. Já mencionei isto antes, mas continua
voltando nessas visões. Eu acreditava naquele momento da minha
vida que a queda foi mais para Adão e Eva e esta terra. Mas eu
continuo a ver que é ainda mais sobre a humanidade e quão
poderosamente a queda escureceu todos os nossos sentidos.
Perdemos a nossa memória não só de Deus mas, ainda mais triste,
de nós mesmos. Não compreendemos o nosso próprio valor. As
Escrituras ensinam-nos da glória de Deus, mas quase não
mencionam a glória que a humanidade deixou quando aceitamos o
desafio mortal.
Vim a descobrir que a queda teve um profundo efeito sobre nós.
A queda separou-nos da presença de Deus tão profundamente que
não se ouve a palavra do Senhor como poderíamos se nos
educássemos pela obediência a ele. Os nossos corações e as nossas
mentes estão nublados e incapacitados pela queda. Somos gente
com "necessidades especiais” espirituais, pessoas deficientes
literalmente e de todas as formas possíveis. Somos, do ponto de
vista de Deus, crianças mortais que nasceram cegas, deficientes
mentais e paralíticas.
Isso não é um exagero. Quando caímos na mortalidade, não
conseguimos mais ver existência tal como verdadeiramente é, cheia
96
John M. Pontius – Visões de Glória

de seres espirituais em incontáveis mundos. Caímos da inteligência


suficiente para entender imensas verdades. Participamos da criação
de mundos antes de nascermos, mas no momento do nascimento, a
nossa maior especialidade era a capacidade de sugar. Antes que nos
tornarmos mortais podíamos ir até lugares distantes em um piscar
de olhos para servir a Deus. Nosso quintal eram as grandes criações
de Deus, mas após o nascimento, a nossa maior capacidade física
foi a piscar e engolir. Deixamos a Deus capazes de ver galáxias
distantes e olhar para o passado e para o futuro, mas após o
nascimento mal podíamos nos concentrar no rosto da nossa mãe.
Este é o glorioso e indescritível poder de nosso Senhor e
Salvador, que Ele nos ofereça um meio para nos resgatar destas
trevas mortais e de volta à sua presença, onde todas essas limitações
divinamente concebidas serão varridas, e nos tornaremos muito
mais do que aquilo a que tínhamos sido antes. Ele quer que
tenhamos tudo o que tínhamos antes e muito mais, e Ele deu a sua
vida não só para nos fornecer o caminho para estas coisas gloriosas,
mas também para derramar sobre nós o poder de sua graça, a fim de
que sejamos santificados por Cristo. Em seguida, Ele nos muda para
sermos como Ele, não porque mereçamos mas porque Ele nos ama
e capacitou-nos a triunfar quando nós lhe obedecermos.

Tentando Fazer Sentido


Um difícil resultado desta experiência foi que eu fiquei me
perguntando, "o que é que eu vou fazer com essa informação?" eu
não sentia que deveria sair contando para todos os que conhecia. Eu
não sabia o que dizer ou como dizer. Não tinha palavras para
expressá-lo. Subitamente me senti isolado. Um dos aspetos mais
difíceis do obter tão vasto conhecimento, percebi eu, é não ter
ninguém para falar sobre ele, de não ter nenhum meio de expressá-
la, e nenhuma maneira de alegrar-me dela com com outro mortal.
Outro dilema que encontrei foi que eu não sabia como conciliar
a minha pessoa que eu conhecia ser, com a pessoa que eu poderia
ser com a natureza profunda que me foi mostrada. Eu sabia que não

97
3 – Visão do Salvador

a tinha alcançado, que eu não era bom o suficiente para a merecer.


Eu nem sabia como me tornar a pessoa que Cristo tinha me
mostrado que eu poderia tornar-me. Havia um abismo de trevas no
meu entendimento. Eu podia ver claramente quem eu era agora e,
em seguida, eu podia ver claramente quem eu poderia tornar-me,
mas eu não podia entender como fazer a transição entre os dois. Era
como uma lagarta a quem está sendo mostrado que ela iria um dia
se tornar uma borboleta. Era glorioso, mas eu simplesmente não
conseguia imaginar como isso poderia jamais acontecer.
Um dos aspetos mais difíceis do presente foi que me senti
compelido a "fazer sentido" dessas visões e experiências. Eu era um
homem bem instruído com três pós-graduações, e eu quis criar um
propósito, talvez ume chamado ou uma missão divina para mim de
todas estas coisas. Eu queria inventar ou criar um caminho para
chegar ao que eu tinha visto que poderia me tornar. Então eu fui
através do processo de raciocínio, "isso deve significar que..." E
então eu tentava fazer acontecer de acordo com minhas conclusões.
Este foi um erro terrível. Descobri que nenhuma das minhas lógicas
poderia penetrar esses mistérios, e nenhuma quantidade de
meditação ou dedução poderia mostrar-me como chegar de onde eu
estava para onde Cristo tinha me mostrado que eu poderia chegar.
Cerca de vinte anos mais tarde, meu amigo apóstolo finalmente
esclareceu aquilo para mim, durante uma reunião privada. Ele disse,
"Spencer, não cometa o erro de tentar ler o significado dessas
experiências. Apenas aceite-as como são. Não tente colocar a sua
interpretação sobre o assunto. Mantenha sua própria lógica fora
disso. Ela é o que é. Quando você tentar interpretar, ela o levará por
caminhos por onde você não deve ir. Mantenha a experiência pura.
Espere no Senhor para revelar o sentido a você. Espere no Senhor
para lhe dar a interpretação. Aguarde por mais luz e conhecimento
que o Senhor ainda tem para dar a você, para que você possa
concluir a sua missão."

98
John M. Pontius – Visões de Glória

Curar as Crianças
Nesta experiência aprendi também que eu tinha escolhido a
profissão certa. Eu sabia que meu trabalho com crianças
prejudicadas e mal tratadas era a minha missão neste momento. Eu
sentia grande paz em saber que eu seria capaz de, de alguma forma,
transmitir segurança e tranquilidade a essas crianças feridas. E, com
isso, eu estava me curando do abuso que sofri quando eu era criança,
porque Cristo estava fazendo por mim o que eu fiz
profissionalmente por estas crianças. Eu estava trazendo-as para
Cristo, onde toda a verdadeira cura ocorre. Somente Cristo pode
curar essas crianças, principalmente quando elas têm sido vítimas
de abuso emocional, sexual, ou físico.
Desde esse dia em diante eu podia entrar em uma sala, ou sentar-
me ao púlpito numa reunião sacramental na Igreja, e eu sabia quem
da congregação havia passado por essas experiências abusivas. Este
dom de discernimento em saber a quem eu deveria servir e como
servir-lhes tem sido a razão para todo o sucesso que tenho visto na
minha profissão.
Desde então, tenho várias vezes ido a eventos públicos, tais
como uma sinfonia ou uma atividade cívica, e enquanto sentado ali,
o Espírito me dizia claramente sobre algum estranho durante a
apresentação: "você vai trabalhar com essa criança." Em algumas
semanas, ou até mesmo um ano, essa pessoa e, muitas vezes, sua
família inteira iria entrar em terapia comigo. Trata-se de um
maravilhoso mas doloroso dom do Espírito.
Digo que é doloroso por esta capacidade inusitada que eu ganhei
de segui-los aos locais escuros e maus em seus corações, recuperá-
los, segurá-los algumas vezes ou conduzi-los, com a ajuda de Cristo,
das trevas para a luz. Eles experimentam um tipo de renascer.
Quando um adulto ou uma criança submete-se a este processo e
permitem-me agir como agente de Cristo, guiando-os através
daquilo, eles são curados daquele abuso, total e permanentemente –
assim como eu fui curado quando me encontrei com o Salvador pela
primeira vez.

99
3 – Visão do Salvador

Há um paralelo com essa cura que sou abençoado por


contemplar de vez em quando. Cristo teve de ser abusado, cuspido,
e cruelmente tratado como uma parte essencial para completar a
Expiação. Ele desceu abaixo de todas as coisas, de modo que Ele
pudesse superar todas as coisas. E quando Ele venceu todas as
coisas, então, ele estava preparado para levar-nos pela mão e nos
levantar acima de todas as coisas. De uma maneira muito menor,
isso é o que eu tento fazer com as crianças. Eu experimentei as
sombras do abuso na infância tanto no ventre materno como na vida,
e quando Cristo me curou, então eu estava habilitado, de alguma
forma que não compreendo totalmente, a ser uma parte da cura das
crianças.
De forma semelhante, cada um de nós experimenta provações e
coisas cruéis, mas se chegarmos a Cristo e deixarmos que Ele nos
cure, então podemos chegar e levar outros a Cristo para sua própria
cura. Fazer isso é um dom, mas temos que passar por nossas
próprias dores, para que possamos servir a Cristo em seu nome.

Camadas de Significados
A última coisa que eu gostaria de mencionar que eu aprendi com
essa experiência é que sempre que Cristo desce e fala com um
mortal, há tamanho peso no sentido que meras palavras não podem
expressar a plenitude das verdades. A mensagem é em camadas. Em
primeiro lugar são as palavras que Ele fala e, em seguida, há um
corpo de verdade muito maior que você recebe espiritualmente,
camada sobre camada, mais verdade do que você pode entender
pelos anos que seguirem. Um pequeno momento na presença do
Salvador pode durar pelo resto da vida.
Este é o motivo pelo qual as escrituras são tão poderosas, porque
eles contêm as palavras pronunciadas por Cristo, e essas verdades
estão ainda em camadas, espiritualmente entrelaçadas com aquelas
palavras. Leva uma vida de crescimento espiritual e de obediência
para ser capaz de receber as camadas mais profundas. Elas estão
realmente ali, e contêm os grandes mistérios e mais verdades que
100
John M. Pontius – Visões de Glória

Ele deseja que possamos adquirir e desfrutar em nossa vida. Para


qualquer problema que enfrentemos, as respostas são dadas nos
registros de experiências de pessoas que falaram com o Salvador.
Por transformadoras que essas primeiras experiências tenham
sido e por mais que tenha aprendido por estas coisas, elas foram
apenas os primeiros sons de uma grande sinfonia que ainda me
aguarda.
Foi-me mostrado e aprendi muitas coisas que eu ainda devo
realizar na mortalidade. Foi-me dada uma grande missão a cumprir
se eu for fiel e verdadeiro. Eu relatarei muito da minha missão futura
nos capítulos seguintes.

101
John M. Pontius – Visões de Glória

Capítulo Quatro

PROVAÇÕES
AGRAVANDO-SE

A
pós essa ocasião, tive quatro ou cinco grandes experiências
com visitações de anjos e visões. Não foram experiências
quase-morte mas ocorreram principalmente durante muitas
noites sem dormir. Cada uma destas experiências pareceu
real, com todos os meus sentidos totalmente alertas.

À Espera da Morte
As visões que tinha tido nunca saíram do meu pensamento,
especialmente quando eu fiquei bastante doente. Os próximos anos
foram cheios de medo e insegurança. Eu acreditava plenamente,
poderosamente nas coisas que eu já tinha visto, mas eu também
acreditava que tinha de estar vivo para realizá-las. O medo e a
incerteza surgiram a partir da consciência de que eu era nunca iria
recuperar e iria morrer não tendo feito a obra de toda uma vida.
Eu tinha uma dor contínua nos meus dentes e sinus. A minha
saúde e energia ficou cada vez pior. Tudo o que eu tinha visto na
experiência de meu amigo Apóstolo e o profeta aconteceu. Agora
102
4 – Provações Agravando-se

entendi porque meu amigo estava orando tão sinceramente por


mim.
Eu tinha infecções crônicas no sinus que não respondiam ao
tratamento. Meu seguro de saúde recusou a cobertura, o que foi um
golpe terrível porque a minha saúde estava titubeando, e eu estava
contando com o seguro para me amparar durante esse período.
Eu estava continuamente a tentar conciliar o que eu já tinha visto
nessas visões com o óbvio fato de que eu estava morrendo. Pareceu-
me inequívoco que se eu morresse eu não seria capaz de cumprir as
coisas que eu tinha visto. Morrer também parecia significar que eu
não tinha conseguido completar a minha missão na vida e que Deus
tinha me levado da terra por isso. Como você pode ver, eu estava no
“modo sobrevivência”, lutando para continuar, mas paralisado pela
péssima saúde, dúvidas e medos.
Foi por estes dias que fui desobrigado de conselheiro no bispado
devido à minha doença. Eu simplesmente não conseguiria cumprir
meu chamado como eu queria e como o Bispo precisava. Eu pedi
para ser desobrigado, mas foi uma decisão difícil e emocionalmente
danosa, porque ela parecia confirmar os meus receios de que eu não
iria ser capaz de fazer as coisas que eu tinha visto em visão.
Olhando para aquele momento da minha vida, desde a
perspectiva de vinte anos à frente, eu também posso ver que o meu
próprio medo piorou minha doença.
A minha vida tornou-se uma rotina de tentar descansar o
suficiente para trabalhar algumas horas e, em seguida, ir para a
cama, então lutar para trabalhar um pouco mais. Eu tinha
praticamente certeza de que minha vida estava no fim, e confesso
que estava com medo.
Eu estava convencido que meu problema era no coração. Mas
todos os médicos que visitei encontravam algo novo para
diagnosticar. Fiquei tão mal que eu realmente considerava que esse
era o fim da minha vida. Eu achava que apenas iria lentamente
piorar, piorar até falecer.
A experiência de ouvir o meu amigo suplicar pela minha vida
tornou-se realidade. Ele ainda estava vivo neste momento, é claro,

103
John M. Pontius – Visões de Glória

e veio à minha casa seis ou sete vezes para me dar bênçãos e


conforto para mim.

O Conselho do Apóstolo
Numa quinta-feira à tarde, após suas reuniões com o Quórum
dos Doze no templo, o meu amigo Apostólico veio visitar quando
eu estava doente demais para sair da cama. Eu estava feliz por sua
visita. O considerava um amigo e confidente querido. Me foi
permitido relatar-lhe muitas das minhas visões e experiências. Ele
me ajudou muitíssimo a entender algumas delas. As outras ele me
ensinou a aceitar que elas eram de origem divina e esperar no
Senhor por mais luz e conhecimento. Eu me apoiava em sua
sabedoria e provavelmente não conseguiria suportar esses
momentos e esse sofrimento sem ele.
Ele sentou-se na ponta da minha cama e literalmente ficamos
assim por quarenta e cinco minutos sem falar. Eu tentei iniciar
conversa, mas não consegui.
Eu finalmente disse: "Elder, eu sei que você está muito ocupado.
Deve haver um motivo pelo qual você veio. Você tem algo a me
dizer? Vou parar de falar e apenas ouvir."
Ele ficou calado por mais alguns minutos e, em seguida, disse:
"Spencer, você precisa aprender a se contentar com aquilo que o
Senhor tem designado para você”.
Para ser honesto, não era isso o que eu esperava ouvir. Não
soava como conselhos profundamente apostólicos ou uma promessa
de que eu ficaria bem. Eu senti como se ele não entendesse o quão
doente eu estava e o quão terrivelmente isso interferia com a missão
que eu tinha visto na minha visão. Mas nos dias e semanas
seguintes, comecei a perceber que aquela foi realmente uma
mensagem do Senhor. Fui consumido com meus estudos e com todo
o trabalho e o tempo que eu tinha gasto com a preparação para ser
capaz de fazer o que eu estava fazendo pelas crianças. Eu queria que
as coisas fossem do jeito que eu queria que fossem. Eu não estava
disposto, ou talvez apenas não tivesse consciência de como aceitar

104
4 – Provações Agravando-se

que o Senhor tinha um propósito e resolução diferente para minha


vida.
Senti-me semelhante ao pequeno chalé que C. S. Lewis
descreve. Eu só queria ser uma pequena cabana, mas o Senhor
queria reconstruir-me em uma mansão. Eu estava esperando uma
remodelação, uma pequena melhoria, uns tapetes novos. O senhor
estava pondo minha casa toda abaixo e à minha volta porque ela
tinha que dar lugar para o seu plano-mestre para a minha vida. Ele
não estava me remodelando, ele era reconstruir-me.
Não conseguia mais entender as visões pois eu já tinha acolhido
a ideia de que eu estava para morrer. Mas todas as outras
experiências e visões que eu tivera indicavam que eu iria viver
muito mais tempo e realizar muito mais. Eu tinha discutido com
frequência o evidente paradoxo da minha vida com meu amigo
apóstolo. Eu acho que o que ele estava me dizendo era para eu parar
de tentar traçar o rumo da minha vida e apenas confiar no Senhor
para me conduzir às coisas que minha fé dizia que eu seria capaz de
fazer. Ele estava tentando assegurar-me de que tudo o que me havia
sido prometido viria a passar mas que eu precisava parar de lutar
contra o processo que o Senhor tinha projetado para levar-me até
lá.
Foi difícil para eu ver na ocasião. Eu estava naquela condição
em que as árvores bloqueiam minha visão da floresta. Não sabia que
já estava na floresta. Eu via a floresta, longe, muito longe, e eu
estava lutando para sobreviver por tempo suficiente para batalhar o
meu caminho até lá. Eu estava retardando o processo ao insistir em
chegar lá nos meus próprios termos e, de preferência, sem
sofrimento e morte como parte do caminho.

Câncer
Um pouco mais tarde, eu fui a um cirurgião oral para descobrir
por que razão o meu rosto doía tanto do lado esquerdo. Tinha-se
tornado insuportável e nenhum analgésico fazia efeito. Parecia que
meu rosto estava em chamas. Eu não podia tocar em qualquer parte

105
John M. Pontius – Visões de Glória

do meu rosto sob meu olho esquerdo. Eu não podia dormir de lado
porque o travesseiro fazia meu rosto doer.
O cirurgião fez testes e encontrou uma área escura no raio-x,
que levou para o diagnóstico de osteomielite da mandíbula e ossos
orbitais. Ainda não havia sido descoberto o câncer, mas a área
infeccionada da minha cavidade sinusal e do maxilar tinha que ser
removida. Ele disse que partes da minha mandíbula e ossos faciais
tinham de ser substituídas por placas de titânio. Ele disse que eu iria
perder todos os dentes da arcada superior esquerda e que eu
precisava da cirurgia imediatamente. Eram notícias difíceis de
ouvir. Minha esposa e eu choramos e por muitas horas conversamos
sobre o que fazer.
Obtive três outras opiniões que só confirmaram o diagnóstico
do primeiro médico. Ao mesmo tempo, o meu cardiologista e
médico de rotina ambos acreditavam que eu não iria sobreviver à
cirurgia. Toda a minha equipe de médicos concluiu que eu deveria
apenas ir para casa e preparar-me para morrer.
Na minha curta vida até agora, eu tinha feito muitos bons
amigos, pessoas que eu amava e que me amavam. Isso incluía um
jovem advogado na vizinhança que me visitara muitas vezes e se
mantinha informado a meu respeito. Ele tinha um bom amigo
chamado Jason que tinha se recuperado de um câncer semelhante
ao meu. Jason era um homem justo que considerava que sua cura
tinha sido uma intervenção de Deus, e que ele tinha prometido a
Deus que ele iria utilizar todos seus meios para ajudar alguém que
o Senhor lhe mostrasse, particularmente em situações semelhantes
à sua. Posteriormente a sua promessa, Deus lhe havia dado
considerável riqueza para cumprir essa promessa.
O meu amigo advogado tinha apresentado o Jason para um
médico alemão que clinicava no México e que estava tendo grande
sucesso com a substituição de ossos doentes por coral marinho em
vez de titânio. Este procedimento causa menos trauma para os
tecidos corporais e faciais, e o coral não era atacado pelo sistema
imunológico como um corpo estranho, de modo que as chances de
sucesso eram muito maiores.

106
4 – Provações Agravando-se

Cirurgia no México
Quando Jason descobriu que eu não tinha seguro, nosso
misericordioso Salvador o tocou para cumprir sua promessa em meu
favor. Através do meu amigo advogado, Jason ofereceu-se para
pagar todas as minhas despesas para ir ao México para ter esse tipo
de cirurgia.
Minha esposa e eu oramos por orientação e o Espírito testificou-
me que isso era o que eu deveria fazer. Acabei indo ao México três
vezes para três cirurgias, duas cirurgias de grande porte e uma
menor. Jason pagou por todas, incluindo as viagens e despesas da
Lyn. O mais interessante é que o Jason não tinha me encontrado até
o momento. Encontrei-me com ele pela primeira vez, três ou quatro
anos após as cirurgias. Ele entrou em minha vida por um milagre, e
ele nunca me permitiu nem mesmo sugerir pagá-lo. Ele
humildemente assegurou-me que era um milagre e um privilégio ter
sido um instrumento nas mãos do Senhor. Continuo a louvar a Deus
por ele até o dia de hoje.
A segunda cirurgia foi a mais complicada e durou oito horas.
Eles removeram o meu seio canceroso e mandíbula superior e
colocaram coral marinho pulverizado em seu lugar. Mesmo assim,
voltei para casa três dias após a cirurgia.
Dois dias após chegar em casa eu, não sábio, concordei em dar
uma palestra no Centro de Justiça em Salt Lake City. Eu fiz isso
porque estávamos desesperados por dinheiro, e foi uma
oportunidade de recuperar algum rendimento perdido. Eu não me
sentia bem o suficiente para ir, e não sentia que deveria. Tenho
certeza de que o Espírito Santo ainda me advertiu contra isso, mas
o mundo mortal era muito alto e insistente, e atendi à sugestão
errada.
No início de minha apresentação, o meu coração começou a
acelerar. Eu comecei a queimar de febre. Sentei no chão no meio da
palestra. Um dos meus colegas me levou casa. Minha esposa
rapidamente levou-me para o meu consultório. Fui diagnosticado
com uma infecção no meu músculo cardíaco, que pode ocorrer
como resultado de cirurgia oral. Este tipo de infecção é
107
John M. Pontius – Visões de Glória

frequentemente fatal. Eu deveria ter tomado antibióticos antes e


depois do procedimento cirúrgico no México mas, por algum
motivo, isso foi negligenciado. O meu médico então administrou-
me uma enorme quantidade de antibióticos por via oral e me
mandou para casa. O médico disse que não ousaria enviar-me para
o hospital pelo risco de apanhar outra infecção. Eu cheguei em casa
e deteriorei bem rapidamente.
De todas as doenças que já tive, esse foi a pior. A cada momento
eu me sentia mais perto da morte. Por causa do extremo sofrimento
de meu corpo, e porque eu ainda estava lidando com toda a
recuperação pós-operatória das três cirurgias no México, estes
foram dias sombrios de dor e sofrimento.
Eu encontrei-me noite e dia tendo experiências com "o outro
lado." Espíritos entravam em minha casa e ficavam ao lado da
minha cama. Eu entrava e saia da consciência. Eu estava tão fraco
que nem tentei falar com eles. Apenas os via. Eles vieram duas ou
três vezes por dia e muitas vezes durante a noite.
Com toda franqueza, meu médico deveria ter me internado no
hospital, pois eu estava morrendo. Cada momento era uma agonia,
e a cada momento me sentia um pouco pior. A minha força
desapareceu por completo, e eu perdi toda vontade de viver.

Meu Belo Anjo


O meu aprofundamento na crise de saúde afetou meu padrão de
sono. Muitas vezes eu dormia durante o dia e, em seguida, ficava
acordado durante a noite. Tinha-se tornado meu hábito meditar e
orar durante essas longas noites de insónia. Uma noite, enquanto
minha esposa dormia junto comigo, eu estava orando quando eu vi
uma jovem mulher descendo o curto corredor fora do nosso quarto.
Ela virou-se e entrou pela porta aberta.
Eu não estava dormindo, nem estivera e não estava alucinante.
Já experimentei as alucinações e delírios da febre e da droga, e isto
não era nem uma coisa, nem outra. Eu estava naquele momento

108
4 – Provações Agravando-se

desperto, coerente e curioso. Eu senti o Espírito Santo aquecer a


minha alma, e todo o temor e dúvida evaporaram-se.
Seu cabelo era longo e escuro, quase preto. Ele era espesso e
levemente ondulado. Estendia-se até abaixo de seus ombros. Ele
não estava amarrado de forma alguma, mas caia livremente sobre
seus ombros. Ela tinha um belo rosto com as maçãs altas. Ela tinha
os mais belos e penetrantes olhos que eu já vi. Eles eram castanhos
com traços turquesa. Eu sei que soa estranho, mas é isso que eu vi.
Ela olhou para mim, como se tivesse vindo de uma época muitos
milhares de anos atrás. Ela não estava andando mas flutuando,
movendo-se em minha direção sem mexer seus pés. Ela usava um
vestido longo e de cor creme, sem costuras ou fechos visíveis.
Parecia ter sido tecido de uma só peça e só podia ter sido colocado
em puxando-o sobre a cabeça. Era foi muito bem feito, com um
delicado, mas intrincado padrão no tecido. Este lindo vestuário a
cobria do pescoço até os punhos e tornozelos.
A roupa não era branca brilhante, como eu já tinha visto em
outros anjos, mas de cor creme. O seu vestido era bordado da mesma
cor creme ao redor do seu pescoço, mangas, e barra. O vestido
parecia cintilar, como se fosse seda ao sol, movendo-se suavemente
na brisa. O rosto, as mãos e pés descalços reluziam um pouco mais
brilhantes do que o seu vestido.
Seu rosto era familiar para mim, como se eu a tivesse visto por
toda a minha vida, mas eu não sabia o seu nome, e ela nunca se
apresentou a mim ou mesmo falou com sua voz. Eu estava no meu
corpo e não tinha capacidade de saber tudo sobre ela, como eu tinha
no meu espírito. Ela era um mistério para mim. Ela então moveu-se
para o lado esquerdo da minha cama. Quando se aproximou mais,
eu podia ver a pele de seu rosto e mãos. Ela parecia humana, para
mim.
Sem falar verbalmente, ouvi sua voz na minha mente. "Eu tenho
sua permissão para fazer o que fui enviada a fazer aqui?”.
Ela não explicou o que pretendia fazer, nem eu percebia o que
era, até ela ter quase terminado. Eu já tinha aprendido que os
anjos de Deus sempre pedem permissão e, pela sua pergunta e pelo

109
John M. Pontius – Visões de Glória

ardor que senti no meu peito, eu sabia que ela estava lá para
abençoar-me de alguma forma.
Eu sabia que ela me amava como um irmão ou filho. Sua feição
parecia o sol quente sobre o meu rosto e tórax. Eu não senti nada
além de alegria e paz na sua presença. E, a partir do momento que
ela tinha chegado ao lado de minha cama, não senti mais dor física,
por isso eu estava ansioso para que ela permanecesse por mais
tempo possível. Todo o meu ser confiava nela implicitamente, e
meu coração respondeu antes que a minha mente pudesse formar
palavras. "Sim, por favor!”.
Quando minha mente enfim me alcançou, comecei a me
perguntar, "Por que Deus enviaria uma mulher para mim desta vez?"
A pergunta não era sobre sua capacidade; era apenas que todos os
anjos e guias das visitas anteriores foram homens. Decidi calar a
boca. "Pare de questionar e apenas desfrute esta experiência
enquanto dura."
Logo que eu pensei isso ela sorriu como se estiver satisfeita,
finalmente, com a minha autorização para que ela prosseguisse. Eu
sabia que ela ouviu cada palavra que eu pensava porque é o modo
de todos os seres divinamente comissionados. Eles sabem tudo o
que pode ser conhecido sobre nós.
Ela elevou-se no ar e posicionou-se deitada sobre o meu corpo.
Ela nunca tocou-me, embora seu rosto não estava a mais do que 30
cm do meu. Ela estava tão perto que eu podia ver as pequenas veias
e poros de sua pele. O seu vestuário e cabelo não eram afetados pela
gravidade, mas caiam em direção aos seus pés, do mesmo modo
como quando ela estava de pé.
Ela tinha uma aparência extremamente agradável em seu rosto.
Fechei meus olhos e me deliciei na completa ausência de dor e
doença. Tornei-me consciente de que ela estava tirando alguma
coisa de mim, provavelmente os meus sintomas físicos da dor e, ao
fazê-lo, ela estava limpando a minha mente para a mensagem que
ela foi comissionada a oferecer.
Lembrei-me de repente com grande clareza do meu encontro
com Jesus Cristo no estacionamento. Senti todas aquelas coisas

110
4 – Provações Agravando-se

novamente. Eu vi o seu rosto e senti o seu amor, e lembrei-me de


como me senti quando Ele falou meu nome. Todos esses detalhes
vieram em minha mente.
Eu subitamente compreendi a visão que eu tivera no Taiti com
um entendimento totalmente novo. Eu revi as experiências na
clínica, quando eu tinha morrido do contraste de raio-x, todos com
uma nova compreensão e uma nova clareza. O que eu lembrava
mais claramente destas experiências foi aquilo que os meus cinco
sentidos tinham gravado. Ela estava permitindo ou capacitando-me
a vê-las novamente a partir da perspectiva eterna que tive uma vez,
quando eu primeiro as vivenciei. Eu não tinha esquecido desses
eventos, mas havia mudado o meu entendimento nos últimos vinte
e seis anos para acomodar o que eu imaginava ser a minha iminente
morte. Ela não apenas permitiu-me recordar os acontecimentos, mas
entender mais uma vez o mais profundo significado dentro delas,
que suas promessas e profecias ainda eram verdade.

Você Não Vai Morrer


Eu tinha reproduzido esta mensagem na minha mente, repetidas
vezes, "vou morrer - logo." Eu estava perturbado porque minha vida
estava quase no fim, e a minha missão, como eu a vira em visão,
ainda não tinha acontecido. Aprendi com esta bela anjo sem nome
que eu ainda tinha muitas coisas a fazer, e tudo o que eu tinha visto
antes estava escrito por Deus na minha jornada mortal. Tudo isso
aconteceria. Esta foi sua mensagem para mim: "Você não vai morrer
neste momento." Ela literalmente me mandou parar de pensar em
mim como se eu fosse morrer. Ela ficou nessa posição, pairando
sobre mim, por um período de tempo indefinido. Poderiam ter sido
segundos ou horas, eu simplesmente não sei.
Foi a mesma mensagem que meu amigo Apóstolo tinha tentado
transmitir poucos dias antes.
Sem a dor do meu corpo para interferir, e com a profunda paz
da sua presença, adormeci. Quando acordei, ela estava de pé ao lado
do meu leito, olhando para mim. Ela instruiu-me a escrever tudo

111
John M. Pontius – Visões de Glória

aquilo que eu tinha aprendido na minha revisão e para lembrar-me


e nunca mais duvidar. Ela disse que tudo mais que eu precisava
saber e ver para poder continuar minha preparação para minha vida
de trabalho, viriam a mim em breve.
Ela também comunicou-me que a minha vida estava sendo
preservada, não por minha causa, mas por causa de outros, aqueles
a quem eu iria servir. Aprendi muitos anos mais tarde que as pessoas
a quem eu iria servir eram o seu povo.
Ela disse que eu tinha sido preparado antes da fundação da terra
para esta missão, e que eu nunca mais duvidasse, achando que
qualquer evento terreno, acidente, doença, ou até mesmo a morte
pudesse impedir o cumprimento.
Eu não me orgulho de dizer que eu não tinha grande fé naquele
momento para acreditar nas visões que Deus me tinha mostrado em
vez de acreditar em meu corpo, que eu achava estar obviamente
morrendo. É difícil, talvez desumanamente difícil, sentir o seu corpo
morrendo, fenecendo, a vida drenando-se de você, e ainda ter fé em
promessas de muito tempo atrás de um futuro que agora parecia
impossível; mas eu devia ter. Eu deveria ter apenas acreditado e
rejeitado as tentativas do meu corpo de morrer. Em seguida, a minha
fé em Deus, meu Salvador, me ergueriam. Estou certo disso. Ainda
assim, nesse momento de profunda fraqueza e necessidade, a sua
mensagem era profundamente reconfortante para mim. Ela tinha
vindo para interromper o meu declínio, para reparar meu modo de
pensar, realinhar os meus pés no verdadeiro caminho da minha vida.
Ela saiu da mesma maneira que entrou, através da porta aberta
do quarto e do corredor. Eu nunca mais a vi. Tenho pensado sobre
ela muitas vezes e me perguntei quem seria ela. A minha fé me disse
que ela era uma ancestral minha de muito tempo atrás. Estas pessoas
que ministram a nós de além do véu são quase sempre familiares.
Quando eu a ver novamente quero agradecer-lhe e perguntar seu
nome.
Fiquei deitado por algum tempo, totalmente esgotado e exausto.
Minha mente continuava repassando a experiência da sua visitação.

112
4 – Provações Agravando-se

Eu finalmente caí num sono tranquilo e não despertei até o final da


manhã.

Estou Curado!
Eu acordei com uma brilhante memória de tudo o que ela tinha
feito, e o meu coração gritou, "Eu estou curado!" Mas, quando
comecei a me mover, percebi que meu corpo estava tão doente como
antes. No entanto, minha atitude não era mais doente. Eu já não
pensava como uma pessoa doente ou contemplado a morte. Eu sabia
que já não iria morrer e parei de ficar apenas esperando para morrer,
desejando que viesse logo. O seu dom para mim foi de que, a partir
de então, eu tinha total esperança na minha recuperação, e comecei
melhorar imediatamente.
Eu estava animado quando eu disse à minha esposa sobre as
experiências da noite anterior. Ela não o recebeu bem, nem a
mensagem e nem como ela foi entregue. Ela não tinha dúvida do
que eu disse a ela, mas ela simplesmente não sabia como receber. O
que eu tinha esquecido, e pessoas mortalmente doentes geralmente
esquecem, era de que ela estava a sofrer junto comigo. Eu não ia
morrer sozinho; eu estava tomando um pedaço de seu coração, do
seu amor e da sua paz comigo. Ela aceitou a inevitabilidade da
minha morte e estava realmente a esperando para aquela mesma
noite. Era um processo de luto que tinha rasgado um pedaço da sua
alma, e ela não sabia como voltar a repô-lo apenas por causa de
palavras. Ela não sabia como ir do desespero à alegria tão
abruptamente. Mesmo tendo acreditado em minhas palavras e
aceitado a veracidade do que tinha acontecido, ela teve de esperar
um tempo para a sua mente e seu coração para desatarem. Também
penso que algum instinto primal lhe dizia para não expor-se a tal
esperança que podia ser despedaçada logo em seguida. Quando ela
viu que eu estava realmente me recuperando, ela começou a se
alegrar comigo.

113
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

Capítulo Cinco

CAVERNAS, CHAVES e
CHAMADOS

Três Visitantes

C
erca de uma semana depois, acordei de manhã com a
sensação de que eu receberia três visitantes nesse dia. Eu
gostava muito de ter visitas porque eu estava ainda me
recuperando da cirurgia e da infecção, e o tédio às vezes era
um problema. Também me pareceu engraçado porque Ebenezer
Scrooge(NT-9) tinha sido informado que teria três visitantes também,
e você já sabe o que aconteceu.
O primeiro visitante era um cavalheiro mais velho de nossa
Ala(NT-10). Ele entrou, sentou-se comigo e leu escrituras para mim.
Ele foi bondoso por fazer isso, mas ele ficou duas horas, o que
deixou-me muito cansado. Eu dormi por um longo tempo depois
que ele saiu.
O segundo visitante veio em cerca de 5:30 da tarde. Era um
irmão de nossa ala que apenas deu um pulinho a caminho de casa
vindo do trabalho. Ele disse que sentiu-se inspirado a vir falar
comigo. Ele ficou uma hora e disse que se sentiu tocado pelo
Espírito a me dizer algumas coisas.
A primeira foi que eu podia ser curado e que eu precisava
trabalhar no sentido de obter fé para ser curado. A segunda coisa foi
que eu tinha muitas coisas para fazer antes de morrer. Essas duas
coisas me pareceram muito interessantes. Eu acreditava que ele foi
inspirado a dizer-me essas coisas porque eu sabia que em algum
momento eu seria curado. Eu já tinha visto isso em visão várias
114
John M. Pontius – Visões de Glória

vezes. Eu já tinha me visto num corpo livre de doenças e fazendo


muito mais, mas com um alcance maior do que ele supunha. Eu me
senti como se tivesse a fé para obter a bênção e já estava me
movendo tão rapidamente como eu poderia obter. Eu não lhe disse
que há apenas uma semana um anjo entrou em meu quarto, me fez
lembrar das promessas e curou a minha mente do meu pensamento
de "Eu vou morrer". Eu aceitei sua inspiração para trazer essa
mensagem para mim. Tratava-se de outra testemunha do que eu já
sabia ser verdade.
Quando ele saiu eu estava completamente esgotado, e eu não
estava ansioso por um terceiro visitante porque os dois primeiros
me deixaram esgotado e não sobrou nenhuma energia para aumentar
minha tolerância ou alterar minhas circunstâncias. Eu não estava me
sendo ingrato por sua bondade, apenas cansado.
Naquela mesma noite eu não conseguia dormir por causa da
incessante dor no meu rosto e tórax. Eu já não tinha medo de morrer,
mas as cirurgias no México me tinham deixado com uma dor
enorme. Por causa da nossa condição financeira, eu não conseguia
pagar por remédios controlados contra a dor, e as únicas coisas que
eu tinha eram Tylenol e ibuprofeno. Eles simplesmente não eram
suficientes.

O Terceiro Visitante
Minha esposa e eu estávamos assistindo o noticiário da noite no
nosso quarto. Eram 22:15, eu ouvi uma batida forte na porta da
frente, que ficava a apenas poucos metros da nossa porta do quarto.
Perguntei a Lyn, "você ouviu alguém bater à porta?”.
Ela respondeu que ela não e perguntou se devia verificar a porta.
Percebi naquele momento que este era meu terceiro visitante e
que eu teria que ir com ele. Eu estava realmente pensando que era
outra pessoa da Ala, e eu não sei por que eu pensei que teria que ir a
algum lugar. Mas eu disse: "Não, não responda, por favor. Vou ter
que ir com eles, e eu estou cansado demais."

115
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

Ela me deu um olhar simpático, não porque eu estivesse


cansado, mas porque ela presumiu que eu estava ouvindo coisas
agora. Ela apagou as luzes, me beijou, e virou-se para dormir.
Eu não podia dormir porque minha dor e cansaço eram
insuportáveis. Eu sei que isto soa estranho, mas eu realmente estava
muito exausto para dormir. Ouvi outra série de batidas à porta.
Quem quer que estivesse à porta começava a bater a cada poucos
segundos, repetidamente. Eu, pensando, "Se eu levantar, vou ter de
ir com eles."
Finalmente eu comecei a perceber que podia ser um anjo vindo
me levar da mortalidade. Era aquela guerra contínua entre minha
percepção da minha condição física e o que a bela personagem
angélica tinha me ensinado com tanto poder que eu não iria morrer.
Até então, minha fé foi mais forte que o meu pensamento, mas nesta
noite em particular, eu encontrei-me mais uma vez vacilante. Eu
repreendi a mim mesmo e ancorei a minha fé mais uma vez.
Devo ter adormecido, pois despertei a 00:50 novamente com
batidas na porta da frente. Não se tratava de uma batida impaciente
mas apenas fazia o som de batida. Desta vez eu percebi que o
batimento estava na nossa porta do quarto, e não na porta da frente.
Eu sabia que não era um dos meus filhos, porque a percussão era
mais forte e mais em cima na porta. Me veio o pensamento de que
talvez isso fosse parte do processo de morrer, e eu teria que ir com
eles.
Percebi que eu estava encharcado de suor das poucas horas que
eu tinha dormido. Senti-me terrivelmente mal, tipo quando a gente
nem consegue levantar o braço ou a gritar por ajuda. Eu tinha uma
incrível dor no peito mais uma vez. Não obstante o que a bela
personagem angélica tinha me falado, eu sabia que não poderia
viver muito mais tempo sem um milagre - que eu não esperava, mas
ainda assim precisava receber. E ainda o bater na minha porta do
quarto continuou a ressoar com batidas intermitentes e insistentes.
Eu imediatamente deixei meu corpo. Acho que meu corpo
estava doente demais para segurar meu espírito dentro dele. Movi-
me para cima e para fora do meu corpo e para uma posição sentada

116
John M. Pontius – Visões de Glória

na minha cama. Olhei para o meu lado direito e pude ver o meu
rosto e ombros apoiados sobre um travesseiro. O meu rosto estava
pálido com um olhar de dor, e o meu corpo não estava respirando.
Eu me senti tão grato por estar fora dele. A dor havia parado, e eu
me sentia cheio de energia e vitalidade.
Você tem que lembrar, eu tinha morrido duas vezes antes e desta
vez o alívio que eu imediatamente senti por estar fora do corpo era
quase como o efeito de drogas. Ela infundiu-me de euforia e
libertação. Eu estava tão grato de estar fora do que daquele corpo
doente e dolorido. Eu me regozijava, e me senti muito mais do que
entusiasmado. Eu estava jubiloso, embora totalmente esperasse
retornar ao meu corpo e viver para completar minha missão. Eu não
podia duvidar as palavras do anjo mas, neste momento, eu estava
extasiado de gratidão por estar sem dor, mesmo que por um
momento.
Levantei-me sem fazer esforço e andei até a porta para atender.
Eu olhei para o meu corpo, que ainda estava deitado na cama ao
lado da minha esposa. Eu me senti ligado ao meu corpo, como se
um elástico divino estivesse conectando-nos. Eu sabia que esta era
a garantia espiritual que eu voltaria. Isso não era a morte, mas uma
outra oportunidade de aprender e de ver as coisas de Deus.

Meu Anjo Guia


Eu tentei abrir a porta e não consegui. Minha mão passava pela
maçaneta da porta. Por isso eu a atravessei. Eu encontrei-me diante
de um afável anjo masculino. Ele era um anjo de luz e tinha todo o
brilho dos outros anjos eu tinha visto que tinham vindo ministrar
pelos recém-mortos. Mas no momento em que olhei para ele, eu
sabia que ele não tinha vindo para me levar da terra. Ele não era o
"anjo da morte" por assim dizer. Ele tinha sido o meu guia em várias
outras experiências fora do corpo, de modo que o reconheci mesmo
que sem saber o nome dele. Foi um reconhecimento espiritual. Eu
confiava nele e estava pronto e disposto a ir com ele.

117
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

O anjo falou-me verbalmente, não ao meu espírito como em


outras instâncias. Ele tinha um corpo e não era só espírito. Eu
percebi que eu, agora em espírito, era menos material do que ele.
Segurou meu braço e disse: "você está pronto para ir?”.
Eu respondi com a maior gratidão, "sim!”
Ao contrário do que sucede com os outros anjos que tinham
apenas flutuado através de paredes e portas, ele abriu a minha porta,
girando a maçaneta e caminhou para fora. Já era dia fora. Nem
estranhei que no meu quarto era pouco antes de 01:00 e fora dele
era meio-dia. O que me fez concluir que eu estava agora em uma
visão, a sentisse verdadeira e tátil.
O anjo fechou a porta de minha casa. Nós caminhamos para a
frente e começamos a andar na calçada. Ele estava à minha direita,
com o seu braço no meu. Eu podia senti-lo e o calor do seu braço.
Era tão bom voltar a caminhar. Eu não tinha estado em pé
faziam semanas e tinha estado enfermo desde antes. A sensação era
maravilhosa de fazer tudo isso sem dor ou fadiga. Eu me senti como
se pudesse caminhar sem esforço por dias. Senti-me exuberante por
estar com ele, como uma criancinha querendo expressar sua
felicidade correndo, saltando e rindo. Não o fiz, claro. Eu queria
ficar com ele. Eu entendi que ele tinha algo a ensinar-me.
Continuamos caminhando uma longa distância. Passávamos por
companhias e casas. Carros passavam na rua e as pessoas andavam
perto de nós na calçada. Tenho certeza que eles não poderiam ver-
nos porque desviávamos para deixá-los passar. Era uma experiência
visionária, mas era realista. Havia uma ligeira brisa, e vi que a brisa
estava soprando o cabelo do anjo e movendo sua roupa. Eu olhei
abaixo em mim, e eu percebi que eu estava de pijama. Eu não me
senti nada constrangido, mas pude constatar que eu não podia sentir
a brisa, e que ela não movia minhas roupas.
Eu pensei, Que estranho! Aqui estou na presença de um anjo, e
ele é o único com um corpo e eu sou o espírito e estamos andando
pé, rumo às montanhas! Foi maravilhoso para mim. Eu queria lhe
fazer perguntas, mas senti que deveria aguardar.

118
John M. Pontius – Visões de Glória

Eu não senti esforço ou fadiga. Eu estava andando sem me


esforçar, o que para uma pessoa mortalmente enferma era como de
repente ganhar na loteria.
Então o anjo me disse: "a primeira coisa que irá ver irá explicar
para você por que você está vivendo sua vida da maneira como está
presentemente."
E eu respondi, "Ótimo! eu gostaria de saber a resposta a essa
pergunta."
Ele foi simpático e interessado em mim. A minha mente estava
girando com perguntas, e eu tenho certeza que ele estava ouvindo
tudo isso. Ele sorria com frequência, à medida que caminhávamos
em silêncio.
Eu me sentia que ele me conhecia melhor do que eu mesmo. Ele
estava totalmente envolvido neste evento de mostrar-me o que eu
precisava de saber. Mesmo que nós não estivéssemos conversando
ao prosseguir, eu sabia que havia propósito em tudo o que ele fazia.

Cavernas e Grades
Procedemos a um desfiladeiro onde eu havia estado muitas
vezes. Andamos um longo caminho para onde a estrada
pavimentada passou a ser de cascalho. Eu podia sentir a estrada sob
os meus pés, mas estávamos nos movendo mais rápido do que
velocidade de caminhada, como se caminhássemos numa esteira
rolante no aeroporto. Chegamos ao desfiladeiro rapidamente. A
cena era familiar para mim. Eu tinha estado ali muitas vezes em
piqueniques e passeios.
Ao pisarmos no cascalho, a cena mudou para diferentes
montanhas cinza-azuladas com altos penhascos, de frente para mim
três montanhas com imponentes picos projetando-se no céu acima
das falésias. O céu mudou para um tom mais pôr-do-sol embora
fosse meio-dia. Havia uma extensão de água entre o ponto onde
estávamos e a montanha, como se estivéssemos em alguma ilha em
numa enseada com vista para o continente. Eu podia sentir o cheiro
de ar marítimo e ouvir as ondas quebrando sobre a falésia.

119
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

Eu não sei para onde a visão me levava. Foi-me dado a entender


que eu estava agora olhando para o futuro, para qual seria o
propósito da minha vida. Cheguei à conclusão de que eu estava
vendo um tipo ou uma metáfora do fim da minha vida, não eventos
reais que aconteceriam exatamente da maneira como eu estava
vendo eles. Mas também percebi que a missão sugerida por esta
metáfora iria realmente acontecer, se não exatamente como eu
estava vendo-a agora.
Eu comecei a ver ao nosso redor através de olhos espirituais,
como o anjo via.
Ele me perguntou, "Você vê a montanha?”.
"Sim."
"O que você vê?”.
Eu andava mais perto. Haviam luzes no alto da montanha.
Finalmente, eu percebi que eles estavam vindo da boca de quatro
grandes cavernas feitas pelo homem. As cavernas eram cerca de
quatro metros de altura e cerca de cinquenta metros de largura na
entrada. As aberturas tinham barras, como se fossem as prisões. As
cavernas estendiam-se nas profundezas da montanha, com portas
que conduziam para além daquilo que eu podia ver. As quatro
cavernas ocupavam a maior parte da montanha.
E eu respondi, "Eu vejo quatro grandes câmaras escavadas no
monte, com grades. O que isso significa?”.
E ele respondeu, "precisamos nos aproximar."
A vista mudou instantaneamente. Encontrei-me bem na frente
das barras, em uma grande saliência entre as barras e a falésia.
Estávamos alto na montanha. Houve uma larga e íngreme estrada
descendo até o vale abaixo.
Eu olhei e vi milhares de pessoas nas câmaras. Havia salas
dentro, para grandes grupos, áreas para cozinhar, e enormes jardins
de flores e legumes. Nas profundezas da caverna eu poderia ver
portas fechadas ao longo da parte de trás das câmaras. Presumi que
eram os quartos, salas de armazenagem, e outras necessárias
acomodações. As pessoas não pareciam ver-me, embora algumas
delas estivessem tão perto que eu podia vê-las claramente. Elas

120
John M. Pontius – Visões de Glória

estavam bem vestidas e cuidando de suas vidas. Eles não pareciam


considerar-se prisioneiras, mas eram saudáveis e felizes. As
crianças de todas as idades brincavam e cumpriam tarefas
domésticas. Os observei sem entender. Toda a sua circunstância
parecia tão improvável para mim.
"Quem são essas pessoas, e por que é que eles estão aqui?" eu
perguntei.
O anjo chamou a atenção para as travas nas barras. As travas
estavam no interior. Eles tinham se trancado nas cavernas, e as
barras eram de sua própria edificação.
"O que isso significa?" eu perguntei ao anjo. "Por que razão eles
trancaram-se na montanha?”.
Ele sorriu e respondeu, "Está certo. Esses indivíduos trancaram-
se aqui por causa da perseguição, dos abusos e maus-tratos que
sofreram de organizações religiosas e do abuso dos governos e da
autoridade do mundo."
Percebido que isso era tanto bom como mau. Eles próprios se
haviam isolado do mundo, mas tinham também se isolado de luz e
verdade adicionais.
Eu perguntei: "Por que você está me mostrando isso? O que é
que isso tem a ver comigo?”.
Em seguida, ele me mostrou em detalhes vívidos as dores,
sofrimentos e abusos que essas pessoas sofreram enquanto viveram
sobre esta terra. Eles foram perseguidos e mortos por gerações antes
que eles encontrassem uma maneira de separar-se do mundo.
Ele disse, "Só a pessoas como você, que estiveram dispostos a
sofrer dor e abusos semelhantes aos dessas pessoas, é que elas irão
ouvir e confiar. Você deve continuar a beber deste cálice amargo
sem se tornar amargo você mesmo. Isso lhe dará a experiência e o
conhecimento que você precisa para que, quando você for chamado
para trabalhar com essas pessoas, elas irão confiar em você e
reconhecer em você companheiro de doença, expulsão e
perseguição. Estes sofrimentos e seu triunfo sobre eles serão
escritos sobre a sua própria alma e nos nervos do seu corpo, e eles
vão reconhecer e confiar em você."

121
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

Em seguida, ele disse algo que tenho refletido sobre por anos.
Ele acrescentou: "Eles vão ver que você também pertence à
"Comunhão dos Sofrimentos de Cristo."

A Chave
Enquanto eu estava tentando entender tudo isso, uma moça veio
ao nosso encontro com uma chave em ambas as mãos. Ela não se
parecia com as pessoas dentro das cavernas, mas era um anjo de luz,
como era o caso do meu acompanhante. Ela usava uma longa túnica
branca reluzente. Ela era linda e bem jovem.
Ele tomou a chave dela e entregou-a a mim com ambas as mãos,
com grande reverência e cuidado, como se fosse precioso e frágil.
A jovem anjo ficou olhando-me segurar a chave com grande
interesse. Analisei-a um pouco, maravilhando-me com a beleza do
artesanato. Eu virei-a em minhas mãos algumas vezes, admirando-
a. Era diferente de tudo que eu já tinha visto.
A chave tinha uns 30 cm, com a forma de uma chave moderna
com alça redonda e haste em serra, como saliências e sulcos ao lado.
Ela era pesada, como se feitos de metal sólido, como se feita de ouro
maciço. A sensação do metal era macia como veludo, não dura
como o Ouro. A alça tinha cerca de seis polegadas com pedras
preciosas incrustradas no metal. Parecia como se as joias haviam
sido fundidas no metal, porque eu não podia senti-las sobre a
superfície lisa da chave. Mas cada pedra era claramente visível e
brilhante dentro do metal, como se o metal fosse transparente sobre
as pedras. Cada joia parecia ter uma pequena fonte de luz, que
tornava a chave cintilante com brilhos como luz que vinham de
dentro da chave e não como um reflexo do sol.
A ponta era verde-esmeralda. A haste era vermelha como
sangue, e a alça era de um azul vivo. Ela parecia antiga, talvez
milhões de anos, porém não estava riscada, desgastada ou
danificada. Ela era tão intrincada e maravilhosa que eu lembrei da
Liahona(NT-11), que havia sido criada pelo próprio Deus. Estou certo
de que nenhum ser humano poderia ter feito essa chave.

122
John M. Pontius – Visões de Glória

Verifiquei que haviam símbolos da chave, que eu não sabia ler.

O Significado dos Símbolos


"O que significam os símbolos sobre a chave?" Meu
acompanhante perguntou-me. Eu imediatamente senti o significado
dos símbolos inserirem-se em meu espírito. A chave constituía-se,
em si mesma, numa missão para resgatar o povo a quem eu podia
ver atrás das grades. A chave representava a capacidade de
desbloquear as barras que as prendiam em sua prisão auto imposta.
As cores representavam as qualificações de quem Deus enviou para
realmente realizar o trabalho de destrancar as barras.
O vermelho representa o sacrifício, mas não da forma que eu
entendia sacrifício. O conhecimento que recebi incluiu um
entendimento mais completo da clemência e da expiação de Cristo,
mas também simboliza a vontade de também sacrificar-se como
Cristo, de estar preparado para esta missão. A fim de receber a chave
e a tarefa que ela representava, precisa estar preparado para
sacrificar sua vontade, seus bens terrenos, sua saúde se for
requerido, ou até mesmo a vida se necessário for, para seguir o
caminho que Deus ordenou de preparar a pessoa com caridade, fé,
pureza doutrinaria, clara compreensão e, acima de tudo, perfeita
obediência à vontade de Deus. Essa rota é a que Cristo apresentou-
me, no entanto o seu sofrimento foi muito maior e por toda a
humanidade. Este menor sofrimento por que passamos é para
preparar o indivíduo para a sua missão específica. Levou anos para
perceber que este é o motivo pelo qual o anjo chamou-o "Comunhão
dos Sofrimentos de Cristo".
Foi-me dado a entender que não havia outra maneira, e não há
outro caminho para este tipo de serviço. Era um caminho que
poderia exigir derramamento de sangue e sacrifícios de magnitude
semelhante. Quando um servo de Deus segue esse caminho até o
final, fica uma marca reconhecível neste servo, um brilho talvez, de
retidão. É a preparação que torna impossível falhar, a qual aqueles
a quem ele ou ela ministrem irão reconhecer e então seguir.

123
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

A alça azul representava a linhagem, que imediatamente eu


sabia ser o sacerdócio nos Últimos Dias. O qual também temos
ouvido ser chamado de "o santo sacerdócio segundo a ordem do
Filho de Deus." O azul representa três coisas: primeiro, a aceitação
e a justa magnificação do atual sacerdócio. Segundo, representa o
recebimento da "plenitude" desse mesmo sacerdócio quando o
merecimento e o plano de Deus o determinar. Terceiro, representa
uma preordenação para esta missão de libertar essas pessoas. Só
esse oficial especificamente ordenado no sacerdócio poderia
manipular a chave. A alça é a forma como ela é tomada e operada.
A ponta verde-esmeralda representa uma renovação e recriação
da vida. A ponta é a "finalidade" da chave. Ela entra primeiro na
fechadura, e deve estar perfeitamente alinhada com a fechadura para
que qualquer outra parte da chave possa operar. A ponta verde
assinala o pleno efeito do vermelho e do azul, do sacrifício e do
sacerdócio, que, conforme descrito no juramento e convênio do
Sacerdócio, traz uma renovação do corpo. É por essa razão que a
ponta verde foi intitulada "Renovação e Recriação da vida." Esta
renovação pode representar desde a prolongação da vida mortal até
a cura de todas as doenças e ser transladado, como foi João o amado
e a cidade de Enoque. Também representa a renovação pela qual
essas pessoas passam ao aceitarem Cristo como seu Salvador e já
não têm medo dele ou daqueles que o representam. Eles devem
aceitar as ordenanças do evangelho, que permitirão que cada um
deles seja renovado e finalmente liberto da sua prisão auto imposta.
A chave na minha visão é simbólica da chave que cada obreiro
de Sião nos Últimos Dias irá obter para a sua missão específica.
Provavelmente não irá ser entregue uma chave material a cada
indivíduo, mas eles vão passar por esse mesmo processo de
sacrifício, sacerdócio e renovação que foi mostrado a mim. Levou
muitos anos, até há pouco de fato, para eu identificar o significado
das partes da chave. Mesmo sabendo o que o anjo mostrou e
ensinou-me, minha alma requereu um longo tempo para perceber
como isso poderia de fato ocorrer comigo tornando-me um
construtor de Sião. Eu vim a perceber que, para completar a minha

124
John M. Pontius – Visões de Glória

missão na vida, eu tinha que receber esta chave na forma ordenada,


ao tornar-me um membro da "Comunhão dos Sofrimentos de
Cristo" e fazê-lo livremente, voluntariamente e até alegremente.
Agora compreendo que é uma jornada pessoal de grandes
consequências. Não é o caminho para quem busca conforto e
serviço eventual. Eu não sabia nem mesmo que eu estava nesse
caminho, ou que o meu sofrimento era parte integrante de qualquer
outro caminho além da minha rotina de vida. Nem jamais pensara
que eu era um daqueles cujo chamado pré-mortal incluía qualquer
serviço especial – até que o anjo me entregasse a chave.
Esta chave representa o roteiro completo e o chamado do
sacerdócio. Somente com todos esses três elementos podemos
reivindicar as bênçãos e a honra de servir em qualquer grande causa.
Quando fazemos isso, não estamos mais servindo à Igreja, às nossas
famílias ou mesmo a nós próprios, estamos servindo a Jesus Cristo
diretamente e fazendo a obra do Pai de preparar o mundo para o fim
dos tempos e a volta de Cristo.
Junto com toda essa informação veio a confirmação de que o
que eu estava vendo era real e não uma metáfora para ensinar-me
por que eu estava passando por dificuldades e sofrimentos que têm
sido uma grande parte da minha jornada mortal. Eu estava sendo
ensinado que por toda a minha vida eu estava sendo engajado neste
processo de preparação para atender às qualificações e atributos de
alguém que receberá uma chave para uma parte trabalho de
construir Sião nos Últimos Dias. Neste grandioso trabalho vamos
libertar as pessoas da suas auto impostas prisões, sejam elas reais
ou imaginárias, e trazê-las para Sião.
A chave não representa um chamado para presidir ou ser um
profeta nos Últimos Dias. Ele representa o processo de aquisição,
por meio da Expiação de Cristo, do grau de pureza e santificação
pessoal que qualifica o recebedor a servir neste grande trabalho.
Trata-se de um trabalho que, como você verá em visões futuras que
vou descrever, é totalmente organizado e realizado por esta Igreja
do Últimos Dias. Não se trata de um caminho que conduz fora da
Igreja, ou nem mesmo em uma rota paralela à Igreja, mas aquele

125
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

que o leva ao coração da missão designada à Igreja dos Últimos Dias


para preparar o mundo para o retorno de Cristo.
O único significado adicional que recebi foi mostrar-me que eu
realmente posso cumprir aquilo, que é realmente possível, e que eu
devo procurar completar minhas qualificações e assim terminar o
trabalho que o Senhor estava me mostrando ser meu. Eu devo
continuar a aceitar que o curso da minha vida não estava me
conduzindo para a morte física, mas sim à possibilidade de grande
serviço no cenário dos últimos dias.
Senti esta admoestação penetrar minha alma sem palavras,
"Spencer, você está fora do seu corpo, mas não está morto. Não
desista, porque essas coisas precisam ser seladas em seu coração e
mente. Estas são as coisas que você me prometeu que ia fazer. Não
desista. Estou a dar esta informação para sustentar sua coragem de
ir em frente e lutar para realizar essas coisas. Não fique desanimado
sobre voltar para o seu corpo. O seu corpo não vai impedi-lo de suas
preparações. Foi necessário traze-lo aqui para dar-lhe uma
significativa amostra do trabalho que você vai fazer e para prepara-
lo para o quanto lhe vai custar qualificar-se para fazê-lo."
Esta informação entrou na minha alma, rica de amor e empatia,
mas também com profundo poder. Eu sabia que não era o meu anjo-
escolta falando comigo. Eu estava apenas começando a entender, ali
em pé com esta pesada chave em minhas mãos, quando o anjo disse:
"O que você vê agora?”.

Túnel de Luz
Olhei em volta de mim e percebemos que já não estávamos
diante das câmaras com grades, e eu já não segurava a chave.
Estávamos em uma espécie de túnel, e eu tinha a sensação de mover-
me em grande velocidade.
Eu percebera que o túnel era "vivo." Talvez fosse mais correto
dizer, era uma parte do meu ser. Ele era "meu", e eu o tinha criado.
O meu acompanhante sorriu novamente, "Está certo. Trata-se de
um portal, que você criou. Somente você pode usá-lo."

126
John M. Pontius – Visões de Glória

Eu pensei sobre isso, e perguntei, "Então, cada pessoa cria seu


próprio portal antes de vir à terra?" Eu sentia o túnel como se fosse
parte de mim como a minha mão ou pé. Entendi que este portal foi
como eu vim a esta terra ao nascer e como iria voltar para Deus,
quando eu finalmente concluísse a mortalidade. Eu podia "sentir" o
túnel do mesmo jeito que se sente os braços ou dedos.
Ele parecia contente, "Sim, isso é correto. Cada um cria seu
próprio portal, que agora você percebe como um túnel de luz, mas
que é apenas a melhor forma de você entender o que se passa com
você. Trata-se de um poder divino que você aprendeu há muito
tempo, que permitiu-lhe vir à terra e, eventualmente, retornar a
Deus. Cada um deve criar o seu próprio."
Nos movíamos sem caminhar, mas isso parecia normal e
familiar. Eu sabia exatamente como me mover para frente no túnel.
Era um ato da minha mente, como querer que seus dedos fechem
em torno de algo. Não precisei tocar no túnel porque que foi apenas
como eu percebi essa forma de viajar enquanto ainda limitado pela
inteligência mortal. Eu estava movendo-me na velocidade do
pensamento.
A extremidade do túnel era profundamente brilhante. A luz não
era proveniente do fim do túnel, mas do próprio túnel, como se ela
ficasse mais divina quanto mais longe da terra evolvesse.
Assim que entramos no túnel, ou portal, me senti menos mortal,
com mais poder e mais divino. Eu podia falar com meu guia
verbalmente ou pelo pensamento, e ele me respondia apenas pelo
pensamento. Discutimos muitas coisas ao prosseguirmos através do
túnel. A cada pergunta que eu pensava, eu via o evento ou coisa com
detalhes perfeitos, incluindo a sua criação, existência e presente
glória. Era semelhante a quando eu passei através da escrivaninha e
do sofá de couro na minha primeira experiência. Essa informação
entrava na minha mente em explosões de entendimento. Eu não
tinha necessidade de meditar ou ponderar. Eu apenas recebia as
respostas para as minhas perguntas.

127
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

O que me lembro desta experiência hoje é que nós falamos de


muitas coisas e que eu aprendia rapidamente. Não fui autorizado a
reter na minha mente mortal a maior parte do que aprendi.

Dobrando o Universo
Eu perguntei, “a terra tem um túnel de luz?" As escrituras nos
informam que a terra é um ser vivo e inteligente.
Ele respondeu, "Sim. Deus providenciou um meio semelhante
para o movimento da terra para onde ela está agora."
Eu então experimentei, como se de fato eu estivesse lá, como a
terra "caiu" de onde ela foi criada, e transferida para o local onde
ela está posicionada agora. Eu tive a impressão de que ela levou
milhares de anos para chegar.
A imagem que vi pareceu-me um "dobrar" do universo. Parecia
que o universo dobrou-se em torno de si mesmo, como uma espessa
folha de papel ou tecido, de modo que o lugar onde a terra foi criada
e o lugar para onde ia estavam em cima um do outro. A terra foi
então transferida de onde ela surgiu e fisicamente "transferida" para
a sua nova posição. Este movimento da terra ocorreu durante todo
o processo criativo. Ao momento em que chegou, ela estava
preparada para o homem mortal.
Vi também que quando chegar a hora dela voltar ao seu local
original, o universo irá novamente dobrar-se e a terra voltará para o
local onde foi criada.
A imagem que vi revelou que, embora percebamos apenas um
plano de existência, há um número infinito de planos sobrepostos,
ou em camadas, no mesmo espaço. Estes níveis não são realmente
"universos" porque eles não são exatamente infinitas estrelas, sóis e
mundos, mas referem-se à organização e à exaltação de Deus a todas
as suas criações e sua imutável glória e leis para cada nível.
Linguagem humana não nos fornece palavras capazes de descrever
tais coisas, nem a inteligência humana dá-nos a capacidade de
compreender tais coisas a menos que nossas mentes sejam abertas
por um momento. Enquanto eu estava com o anjo, eu podia

128
John M. Pontius – Visões de Glória

compreender tudo isso claramente. Acho que me lembro a maior


parte que eu vi, porém agora tenho apenas um fragmento do
entendimento do significado ou por que princípio isso ocorre. O que
eu aprendi ali, e o que fui autorizado a reter, exigiu muitos anos para
adquirir as palavras para descrever, até para mim mesmo. Se você
considerar que esta é a única vez que eu já mencionei muitas destas
coisas em voz alta, você vai entender porque eu ainda me debato em
busca de palavras.
Percebi que a razão pela qual os universos eram "dobrados" era
por ser mais eficiente. A palavra "fácil" não se aplica porque Deus
tem todo o poder, e nada debilita o seu poder ou habilidade, era
apenas mais eficiente, e é a maneira como sempre foi feito.
Há uma aritmética celestial sobre esta visão que é espantosa aos
olhos. Percebi que este prodigioso dobrar o universo não era mágica
para Deus. Era mais como uma espetacular tecnologia espiritual. Eu
vi que Deus tem grandes leis, princípios e ciência, se pode entender,
de como fazer as coisas em sua compreensão e poder. Eram belas
de se contemplar, como uma dança divina tendo estrelas e planetas
como personagens. Quando os homens fazem matemática há
sempre a contaminação do erro e falhas. A aritmética de Deus é
sempre impecável, e eu vi que a totalidade de suas criações
recebiam sua perfeita e divina engenharia.
Cada um dos universos glorificados, notei, pertencia a uma das
três glórias: Celestial, Terrestrial ou Telestial(NT-18). Existem outros
universos, que não eram de glória. Esses eram lugares assombrosos
sem glória para onde eram finalmente enviados os seres que não
tinham se qualificado para uma recompensa de glória durante a sua
vida. Eram de todos os tipos, de todas as descrições, e foram criados
em resposta aos seus desejos. Não queriam mais nada com Deus ou
a sua intervenção em suas vidas, por isso Ele deu-lhes o que eles
queriam, o que quer que fosse, e aí ficarão por toda a eternidade,
sem poder jamais contestar a autoridade de Deus novamente.
Nossa Terra está atualmente na ordem Telestial, mas antes da
era do homem, a Terra veio de um nível Celestial. Não fora ainda
celestializada, mas ela foi criada lá. A transição de uma esfera

129
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

celeste para uma esfera mortal é o que constituiu a queda, e foi


realizada por esse processo de dobra.
Quando uma pessoa morre ou quando tem uma experiência fora-
do-corpo, como no meu caso, o próprio túnel os leva de volta para
seu lugar de origem e sua estrutura original - que são ambos de
natureza espiritual. Este poder de retorno a Deus é só percebido
como um túnel de luz. Não é físico e não é na verdade um túnel,
mas é o caminho seguro que Deus providenciou para nossos
espíritos retornarem a ele.
Quando completarmos essa experiência Telestial já não será
necessário este túnel entre a Terra e Deus. Vamos então ser capazes,
como espíritos e eventualmente como seres ressuscitados, a mover-
nos instantaneamente através de vastas distâncias pelo poder de
Deus que será inerente dentro de nós.
Precisamos do túnel de luz, porque um mortal imperfeito não
tem a capacidade de iniciar viagem como um espírito. É como
deixar uma corda pendurada sobre o barranco, para que possamos
subir de volta para cima, nós deixamos o túnel de luz como o nosso
meio seguro de voltar para casa depois de termos descartado esse
tabernáculo de carne.

Pradaria e Lago
Eu estava meditando sobre essas coisas ao chegarmos no final
do túnel. Eu encontrei-me no meio de um belo prado. Ao redor
haviam árvores crescidas de muitas variedades. Algumas estavam
em flor, enquanto outras eram pesadas com frutas. A uma curta
distância, um lago azul refletia o belo arranjo de árvores e arbustos
além. Não havia sol no céu, e eu entendi que a luz através da qual
eu percebia essas coisas era do Filho de Deus, não do sol.
Eu estava consciente de que haviam diversas variedades de
peixes no lago, bem como muitas outras variedades de plantas, mas
sem outros animais. O prado e o lago eram impressionantes, com
magníficos arranjos de flores e arbustos floridos de muitas
variedades.

130
John M. Pontius – Visões de Glória

Um estreito riacho fluía entre mim e o lago, e alimentava o lago


logo adiante.
Bem à minha direita eu vi uma cerca decorativa de cerca de um
metro de altura. Ela corria ao longo do riacho a uma distância, e
depois para o meu lado direito. Haviam bonitos bancos apoiados à
parede a cada poucos metros. A parede era curvada nos lugares onde
estavam os bancos formando um semicírculo para as pessoas
sentarem viradas uma para a outra para conversar.
Inicialmente, eu apenas andei ao redor olhando para a parede.
Eu nunca tinha visto uma coisa dessas antes. A parede era feita de
tijolos quadrados de pedra branca com uns 30 cm de lado.
Sentei-me ao longo da parede em uma das bancadas e a senti
dando me boas vindas, dando-me amor e louvando a Deus. Se eu
não tivesse provado deste aspeto da comunicação espiritual e
conexão com todas as coisas em visões anteriores, eu teria me
assustado. Mas eu me senti conectado a tudo o que eu podia ver. Em
experiências anteriores de caminhar através de mesas e paredes na
terra, também eu tinha entendido a história das coisas, cada evento
de sua existência. Com estas coisas, a parede e as árvores, não havia
história, ainda assim compreendi que essas coisas eram quase
eternas em sua existência. Este era um mundo espiritual e nada
mudava, envelhecia, estragava ou morria; nada era arrancado, ou
forçado pelo homem em alguma outra forma. Assim permaneciam
como Deus os tinha criado sem alteração, sem história.
Eu estava esperando o meu guia me alcançar e mostrar-me para
onde ir. Ele tinha chegado comigo, mas não me acompanhara até o
prado. Eu não sabia ao certo para onde ir sem ele, e aceitei que ele
estava me permitindo este intervalo para experimentar este lugar.
Eu não sabia onde eu estava, mas eu tampouco estava incomodado
ou preocupado. Tudo foi como deveria ser.
Levantei-me e caminhei até o final da parede, caminhei através
do regato, e andei sobre o lago. A água no riacho e lago era
cristalina. Eu podia ver facilmente o fundo do lago, o que eu nunca
tinha experimentado na mortalidade por causa da reflexão ou
impurezas na água. Eu podia ver os peixes nadando como se fossem

131
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

pássaros no ar. Tudo adorava a Deus e acolhia-me. Eu andei até a


borda da água e inclinei-me para mergulhar minha mão. Ela era fria,
mas quando a retirei, minha mão não estava molhada. Levantei-me
e pus o dedo do pé na água, mas não dentro. Eu senti como se já
tivesse feito isso antes. Eu apenas sabia que podia.
Eu pisei sobre a água e andei uns doze passos. Eu podia olhar
para baixo até o fundo o caminho inteiro. Deu-me a sensação de
voar, pois a água era tão clara. Quando eu me mexia os meus pés, a
água fazia marolas como na terra, mas o meu pé estava sobre uma
superfície sólida e não se molhava. Eu andei de volta para a beira e
para a grama, e desta vez decidi caminhar dentro da água.
Eu percebi que caminhar dento d’água era algo que eu havia
aprendido a fazer antes. Na Terra, a resposta natural da água é de
deixar você afundar. Aqui obviamente, a resposta natural é apoiar
você. Eu decidi tentar novamente.
Que eu pisei na água, enfiando meu dedo um pouco mais fundo.
A água veio para os meus tornozelos, e andei em um pequeno
círculo com a água no tornozelo. Quando cheguei uma vez mais à
margem, eu ainda estava bem seco. Eu tentei novamente, desta vez
até os meus joelhos, e novamente até minha cintura. Eu percebi que
eu estava realmente entrando na água, tanto quanto a minha crença
me permitiu. Eu finalmente decidi a caminhar dentro da água até
ficar totalmente imerso.
A água não resistiu ao meu desejo, e eu andei até a cintura dentro
d’água. Eu podia senti-la, mas eu não estava ficando molhado. Eu
respinguei um pouco sobre minhas roupas, e ela correu, deixando-
me seco. Eu andei mais fundo. Eu sabia que eu estava em espírito,
e meu corpo estava em algum lugar da terra, de modo que eu não
tinha medo de afogamento. Ainda assim, logo que pisei mais fundo
e afundei a cabeça, tranquei minha respiração. Esperei um longo
tempo antes até perceber que eu não senti falta de oxigênio. Eu
liberei lentamente o meu hálito e não vi bolhas virem da minha boca.
Eu cuidadosamente inalei e respirei ar, e percebi, ou tive o
entendimento de que eu estava lembrando da necessidade do meu
corpo por oxigênio. O espírito não tinha essa necessidade, e não

132
John M. Pontius – Visões de Glória

havia ar entrando e saindo do meu espírito, embora eu tivesse a


sensação de respirar. Eu andei em torno do fundo do lago por um
tempo. Não houve resistência à água. Eu apenas andei tão
livremente como em terra seca. O fundo do lago era como um jardim
com plantas flutuantes, com belas plantas e caminhos entre elas
feitos de areia. Eu tocava uns poucos peixes, que não fugiam mas
irradiavam seu pequeno amor por mim.
Quando eu estava satisfeito, eu andei para a margem e surgi
sobre a erva. Eu olhei para trás, para o lago, muito admirado com a
experiência até que eu percebi que o lago não era preenchido com
H2O mas era água em estado espiritual e tinha a aparência de água
mortal mas poucas propriedades da água.
O mais profundo aspeto da experiência até agora foi que tudo
estava louvando a Deus. O fato de não ter tido uma voz, como um
som humano, mas comunicava seu amor a Deus pelo seu espírito e
pela sua conexão com todas as coisas. Eu também percebi que o
momento em que chegámos a este novo lugar tudo me reconhecia.
Tudo sabia, reverenciava e respeitava o fato de que eu era à imagem
de Deus e que eu tinha vindo de um corpo mortal. Tudo sabia que
eu era um filho de Adão, e amava e me respeitava. Eu não sabia
nada sobre este lugar de qualquer memória minha, mas eu me senti
verdadeiramente conectado a ele.
Todas essas coisas, fosse a grama ou apedra ou os tijolos do
muro, estavam satisfeitos com a sua existência. Estavam contentes
em ser aquilo que eram. Mas também foi minha constatação de que
nenhuma dessas coisas tinha vontade. Eles não eram capazes de
"querer" ser qualquer outra coisa. Todo o local e tudo nele estava
consciente, cheio de louvor a Deus, mas não tinha uma
personalidade, arbítrio, ou vontade de ser qualquer outra coisa.
Como muitas vezes tenho observado, isto é difícil de descrever.
Não há nenhuma palavra poderosa, apaixonada, explosivamente
significativas para descrever tais coisas em qualquer idioma mortal,
por isso confesso que tropeço um pouco nesta explicação. Quando
você está em espírito, as palavras não são necessárias, e qualquer
coisa pode ser totalmente descrito por um pensamento único e

133
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

compreendidos em sua totalidade por quem quer que seja a quem


você se dirija.
Eu estava completamente consciente de que toda este campo e
tudo o que eu experimentava estava aqui porque a vontade de Deus
os tinha organizado para esta existência, nesta forma, neste lugar.
Aquilo fora feito para os propósitos de Deus e permaneceu
inalterado por mais tempo do que o homem tinha existido. Eles
tinham ouvido a voz de Deus chama-los a assumir essa forma, e
ainda ouviam seu comando. Seu propósito era como se estivessem
constantemente a perguntar, "Como posso servi-lo? Como posso ser
de valor para você? É por isso que estou aqui." Até mesmo as flores,
quando eu as dobrava, tocava ou o cheirava, estavam adorando a
Deus e expressando alegria em sua beleza só porque eu pensava
comigo quão gloriosas e belas eram, uma expressão que ouviram e
compreenderam.
É claro, eu não presumi ter qualquer autoridade para alterá-los e
não o teria tentado sob qualquer circunstância. Como eu poderia
melhorar algo que já é perfeito? Tudo estava no seu mais alto nível
de vida e vitalidade. Quando que eu pisei na grama, ela não foi
danificada, ela apenas "recebeu-me" e sentia prazer por eu usá-la.
As cores eram lindas, diferentes, e mais brilhantes do que as
cores de terra. Não eram as cores que eu não acredito que o olho
humano possa distinguir, mas que, se eu tivesse que nomear eram
malvas em pastéis com uma magnífica variedade.
Não me lembro também de ter visto outros animais que não os
peixes. Este lugar era como uma pintura em que o artista queria
peixes no lago e escolheu não pintar mais nada. Não era um reflexo
da mortalidade. Ele era um lugar que Deus havia criado para ser
exatamente o que ele era, para irradiar beleza para os sentidos para
os olhos.
Eu ainda estava olhando para o lago quando meu guia voltou.
Ele me perguntou se eu estava pronto para ir com ele agora. Em
todas as minhas interações com ele e outros anjos, sempre pediram
a minha permissão para continuar. Uma vez que eu a concedia, eles
muitas vezes dirigiam a minha atenção, ou faziam-me as perguntas,

134
John M. Pontius – Visões de Glória

mas era sempre minha escolha ir, ficar, ou continuar. Eu disse, "Sim,
eu estou pronto agora para continuar."

Infância Espiritual
Instantaneamente estávamos em outro lugar. Reconheci-o
imediatamente. Era minha casa, onde eu tinha passado toda a minha
infância espiritual.
O prédio diante de mim era imenso, estendendo-se para o meu
lado direito e esquerdo, até perder de vista. Era composto de muitas
belas peças. Verificaram-se imponentes arcos, altos muros, janelas
de todas as formas, arquitetura deslumbrante e gloriosa
ornamentação.
A estrutura era feita de material rochoso, de cor branca, mas
mais como pérola, com listras verticais de ouro e prata que pareciam
estar se movendo lentamente em torno de veios maiores de
esmeralda, como se tivessem ocorrido em pedra natural. Cada bloco
de pedra era alto como um homem.
Uma memória muito antiga surgiu em minha mente de ver o
Pai cria-lo. Tinha chegado a sua forma atual durante um longo
período - embora “tempo” era apenas a forma limitada da minha
mente compreender isso. Ela era apenas uma continuação do eterno
agora na minha memória. O edifício tinha tomado forma com
propósito. Deus queria um espaço para me ensinar, assim, o
edifício obedecia à Sua vontade. Ele amava colunas, e as
representações da beleza das suas criações terrenas perto do topo
das colunas ao longo do teto e sobre as portas, e tudo lhe obedecia.
Percebi que alguns quartos haviam sido "criados" para ensinar-me
as minhas primeiras lições de coisas que eu iria encontrar na terra.
Outros tinham sido moldados para permitir-me ver e tocar em
objetos para ensinar-me, tais como livros, arte, ferramentas e
muitas outras coisas necessárias para preparar-me para viver na
terra.
Mais do que um prédio, era um lugar divino que tinha assumido
a forma de um edifício terreno para minha educação. Ele poderia ter
qualquer forma concebida por Deus. Não exigia trabalho,
135
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

manufatura, ferramentas ou ofícios para o alterar. Ele simplesmente


fluía em jubilosa obediência, em qualquer forma que Ele quisesse.
O meu guia abriu uma grande porta que era feita com um único
pedaço de madeira. Não haviam emendas ou junções, como se Deus
tivesse solicitado uma única árvore para assumir a forma desta
elaborada porta. A madeira era pintada e lindamente esculpida com
as maravilhas naturais da terra: flores, animais, crianças, homens e
mulheres em momentos amorosos.
A sala mais além era uma passagem conhecida. Tudo o que eu
via irradiada um senso de vibrante entusiasmo por eu estar de volta.
As paredes e colunas eram da mesma pedra divina do lado de fora.
O teto abobadado descansava sobre quatro colunas caneladas, com
luz irradiando a partir tudo. O piso era mais escuro, como
um mármore natural escuro de um verde esmeralda. Havia uma
porta fechada à minha direita, um grande corredor diretamente
diante de mim, e uma outra porta fechada à minha esquerda.
O meu guia me levou para o corredor diante de nós. Era cerca
de vinte pés de comprimento e terminou em uma janela em arco que
parecia pérola. Parecia ser fluido, com cores branco-esfumaçadas
que dançavam. À medida que nos aproximávamos, se tornou claro
de modo que pude ver através dele. A sala grande para além, era
novamente familiar para mim.
Ele olhou para mim e perguntou-me: "Você conhece esse
lugar?”.
Eu disse com lágrimas de alegria descendo pelo meu rosto,
"estou de volta!" Na minha mente eu pensava, Este é o lugar onde
eu morava antes de nascer. Eu sabia que estava de volta ao mundo
espiritual, onde eu cresci como um espírito criança. Muitas
memórias e as cenas sagradas de minha infância espiritual fluíam
pela minha mente, o que eu prefiro não relatar aqui. Eu estava ali
por um longo tempo, nunca entrando mas assistindo e lembrando
meu passado.

136
John M. Pontius – Visões de Glória

Meu Quarto
Quando fiquei satisfeito e novamente pronto para prosseguir, o
meu guia levou-me de volta para a entrada e para a primeira porta
que tinha visto. A porta se abriu para mim ao me aproximar.
Reconheci-o como "meu quarto", quase como um quarto de uma
criança mortal, mas não havia nenhuma cama aqui. O quarto era
cerca de vinte metros quadrados, com teto alto e plano. As paredes
e o piso eram do mesmo material assim como o hall de entrada, mas
com cores um pouco diferentes, pendendo mais para azul e púrpura.
Eu amava esse quarto, e eu sentia como se tudo fosse "meu".
A única mobília da sala foi uma grande arca arredondada e posta
no meio do chão. Ela foi de cerca de 1 x 1,5 metros, com uma tampa
abobadada e cantos arredondados. A parte superior era um belo
vermelho, com destaques de laranja escuro. Ela era feita do mesmo
material do resto da casa, mas ela era mais fina e de cores vivas. As
laterais do baú eram um vívido amarelo canário. Eu sabia que tinha
escolhido essas cores e mudei-lhes muitas vezes para os adequar aos
meus caprichos infantis. A tampa podia ser aberta, mas não haviam
dobradiças visíveis.
Me aproximei, e depois de caminhar ao redor, olhei ao meu guia
interrogante. Ele sorriu, e eu lentamente levantei a tampa. A
substância deu à minha memória mortal a mensagem de que era
pesado, mas era levíssimo ao abrir. No interior haviam objetos
estranhos que eu nunca tinha visto na mortalidade. Eram utensílios
de formas estranhas e de diferentes tamanhos, trajes brancos e
ferramentas que eu tinha usado. Eu sabia exatamente o que era cada
ferramenta e objeto enquanto eu estava ali em espírito, mas ao voltar
à mortalidade essa informação não permaneceu comigo.
Eu percebi que eu era "dono" deles, mas também que tais coisas
eram comuns à nossa experiência pré-mortal. Ainda assim, a sua
ligação comigo tinham sido parte de minhas primeiras experiências.
Eu escolhi cada um, olhou para eles e lembrei do que eram. Cada
objeto na arca representava uma realização minha. Cada objeto
representava uma conquista, uma espécie de troféu, das lições
aprendidas, ordenações que eu tinha recebido, as fases de
137
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

desenvolvimento que eu tinha alcançado. Esses objetos


significavam minha dignidade e preparação para participar no
objeto da lição - não apenas neste mundo, mas no mundo mortal.
Estas coisas eram como certificados que me autorizavam a
realmente fazer essas coisas. Cada habilidade e autoridade foi
adquirida por um longo processo de qualificação e merecimento
dessa autoridade.
Eu tinha recebido esses objetos como símbolos de lições que
havia aprendido e qualificações que eu tinha alcançado. Alguns dos
objetos eram as ferramentas para ajudar-me naquela ação. Pelo que
me lembro destas coisas, elas pareciam ser tecnologia divina,
objetos dotados com o poder de Deus para permitir e ajudar-me a
fazer algum serviço ou ação necessário, como a Liahona que ajudou
a família de Leí(NT-12), ou o Urim e o Tumim que permitiram a
videntes verem o futuro. As roupas brancas estavam
cuidadosamente dobradas e era de natureza sagrada e cerimonial.
Tudo era uma parte da minha matrícula à maturidade espiritual.
Conforme eu os manuseava, a lição aprendida, o processo de
aprendizagem e a alegria que senti na realização retornavam a mim.
Eu entesourava cada objeto com todo o coração, meditava sobre eles
e então os colocava cuidadosamente de volta na arca. Não havia na
arca nenhum brinquedo ou objeto extravagante. Tudo tinha
profundo um sentido eterno para mim. Cada objeto me reconhecia
e ficava feliz em me ver e interagir comigo.
Não via nenhuma razão para pressa. O meu guia estava a
observar-me, sorrindo e curtindo minhas descobertas. Era como se
eu tivesse uma eternidade para examiná-los. Após manuseá-las e
compreendê-las, lembrei-me da natureza da sala. Eu percebi que eu
possuía a capacidade de mudar o quarto em tudo o que precisasse.
Se eu quisesse ler um livro que pertenceu a mortalidade, como
escrituras ou um pergaminho escrito por um profeta mortal, eu
simplesmente desejava e o quarto se alterava para prover tal coisa
para mim. Ele chegava no ambiente em que tinha sido utilizado,
fosse um palácio, caverna, ou sobre numa escrivaninha, esta é a
forma como me aparecia. Eu podia tocá-lo, segurá-lo e lê-lo. Eu

138
John M. Pontius – Visões de Glória

podia sentir e até mesmo o cheirar. Não era o objeto real trazido de
algum cofre de armazenagem eterno mas uma perfeita réplica ou
representação espiritual do objeto. Cada objeto era perfeitamente
igual ao original, incluindo todas as suas memórias e a história que
um espirito individual experimentaria do objeto original.
Se eu quisesse ver algo grande, como, por exemplo, o
nascimento de Cristo ou a criação da terra, esse evento me
circundaria. Eu poderia vê-lo, aprender com ele, interagir com ele,
e ver os anjos e seres divinos que havia promulgado os eventos
originais. Eu podia mover-me ao redor e vê-lo de todos os ângulos
com perfeita clareza e experimentar tudo e a todos os envolvidos no
evento inicial. Em suma, foi magnífico, e era a mais perfeita sala de
aula da eternidade e todos aqueles que desejassem tinham uma
como a minha.
Lembrei-me de como uma criança passando eternidades neste
quarto. Mais uma vez, não há tempo nesse mundo, e o conceito de
tempo, de existência linear, era difícil de compreender então. A
ideia de mudança, envelhecimento, decadência e oposição eram
conceitos difíceis. Ela era como uma água-viva tentando entender
de automóveis. Não houve experiências semelhantes na minha
infância até então, e lembro-me de meditar sobre todos estes
conceitos de mortalidade.
Dizer que eu passei muito "tempo" neste quarto seria incorreto.
Passei vastas porções da eternidade aqui. Eu nunca mudei. O quarto
nunca alterou, exceto quando eu desejava. Eu nunca ficava cansado,
ou sentia fome, ou me enfadava da aprendizagem. Eu estava
fascinado com tudo isso e não tinha vontade de fazer qualquer outra
coisa a não ser que o Pai, ou alguma necessidade, me interrompesse.
Quando eu tinha uma pergunta, eu não precisava ir ao Pai
pela resposta. A questão formava-se em minha mente, e o quarto
mudava para fornecer as coisas que eu precisava saber.
A minha educação não era aleatória; ela era programada,
sequencial e ordenada. Foi a mesma sequência de formação que
todos os filhos do Pai tiveram, embora eu estava ciente de que nem
todos os filhos de Pai, meus irmãos, eram curiosos sobre todas as

139
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

coisas ou prosseguiam sua educação com tanta devoção e


concentração como alguns de nós o faziam.
Como um menino em uma confeitaria grátis, eu fiquei nesta
sala, e interagi com essas coisas por um longo tempo (falando como
um mortal) até que o meu coração se contentasse.
O meu guia esperou por mim, desfrutando do meu prazer.
Quando eu estava pronto para ir, eu cuidadosamente dobrei de novo
e guardei de volta exatamente onde estivera. Eu lentamente e
reverentemente fechei o baú e fiquei ali com minhas mãos sobre sua
superfície lisa. Foi um longo adeus para mim. Eu senti a minha
própria alegria bem como a comunhão daqueles objetos no baú, e
todos louvavam a Deus, me amavam, e ansiavam por meu regresso.
Ao caminhar de volta para o vestíbulo, de repente me lembrei
de meus eternos irmãos, mãe e pai. Não lembrei de mim mesmo
como sendo um dentre bilhões. Lembrei-me de incontáveis irmãos,
todos amavam e eram amados, mas não me lembro de repartir Pai e
Mãe com eles. Eu só me lembro de ser individualmente e
singularmente amado e querido.
Lembro-me bem do Pai, seu poder e majestade, Seu rosto, Suas
mãos, Sua forma, Seu toque e cuidado amoroso. Até hoje me
lembro-me de brincar com ele, a deslizar os meus dedos nos pelos
macios do Seu braço, rindo com Ele, indo para a destinos divinos, a
provar futuras delícias terrenas, degustar coisas novas, ver divinos
eventos, ver galáxias e eternidades refulgirem à existência sob sua
mão. Pela minha memória, eu era o único presente em todas estas
vezes, cada um de nós sentindo-se individualmente apascentado na
infância. A maior parte da minha infância espiritual passei sob Seu
cuidado amoroso, nos Seus braços, no Seu colo, no Seu coração.
Lembrei-me da Mãe igualmente bem enquanto lá no meu lar
pré-mortal. Ela estava presente em todas as minhas memórias,
porém quase nada dessas memórias voltaram à mortalidade comigo.
O meu coração se lembra do Seu igualmente poderoso amor e
atenção pessoal para mim, mas não me lembro de um único evento
com ela, nem o seu rosto permanece na minha mente hoje. Não sei
a razão disto, mas parece ser coerente com a reverente proteção do

140
John M. Pontius – Visões de Glória

Pai a Ela em todo o Seu relacionamento com a humanidade. O


curioso é que parece-me correto que eu não me lembre. Por
poderoso que seja o amor d’Ela, como eu me lembro ser, estou
espiritualmente contente em saber apenas o que eu sei. Isso, de
alguma forma está certo.
Eu pedi ao meu guia para me mostrar o resto da casa. Ele
concordou alegremente e levou-me para o corredor que terminava
no vidro esfumaçado. Nós caminhamos lado a lado no grande
corredor e nos aproximamos do vidro. Não era transparente, mas de
aparência leitosa com cores que se moviam como a fumaça dentro
do vidro. Olhando para ela me deu a sensação de que o vidro
estendia-se a inúmeros lugares longínquos. Ele apenas continuou
andando, e eu a segui-lo diretamente dentro do vidro. Eu entendi,
ao atravessá-lo, que era um portal que ligava lugares distantes.
Parecia que ainda estávamos na minha "casa", mas já estávamos em
algum lugar muito distante.

A Biblioteca
Um segundo depois entramos em um quarto cheio de pessoas
trabalhando em escrivaninhas. Cada mesa tinha uma grande janela
à sua frente, com a mesma finalidade que o meu quarto. Eles
estavam estudando as imagens e objetos na tela. Como no meu
quarto, eles podiam manipular os objetos, vira-los, tocá-los, e
vivenciá-los de todas as formas possíveis. Os livros que desejassem
ver não precisam ser lidos. Era só tocar no livro e manuseá-lo, que
ele comunicava sua plena carga de informações a eles. Um toque
era suficiente, mas uma exposição prolongada era deliciosa pois
permitia experimentar o livro em maior profundidade e desfrutar
tudo sobre ele, inclusive a vida e os acontecimentos da vida do
autor. Se o tocassem prolongadamente eles podiam sentir cada
pessoa que o tinha tocado e tudo sobre elas. Lembrei-me de minhas
próprias experiência e sabia que havia um ponto onde a informação
não era edificante e o objeto era devolvido para a tela.

141
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

Penso que estas pessoas eram como eu, mortais recém chegados
que continuavam sua busca por luz e verdade. Eles estavam vestidos
em túnicas brancas esvoaçantes. Seus rostos brilhavam de
felicidade.
Haviam as pessoas transportando objetos pela sala, levando-os
às pessoas sentadas às escrivaninhas. Essas pessoas estavam todas
empenhadas e ocupadas, mas não apressadas. Havia uma sensação
de eternidade, mas também uma agradável vontade de aprender tão
rapidamente quanto possível. Eles estavam todos felizes. Esta
parecia ser uma biblioteca central ou núcleo de informação para as
pessoas aprenderem. Quando atingem algum nível de
aprendizagem, eles receberam símbolos idênticas de sua educação,
assim como aqueles que eu havia encontrado no meu baú. Eram
estes os objetos que os instrutores levavam pela sala para oferecer
aos alunos.
Ao andarmos pelo quarto, havia um círculo de luz que nos
precedia. As pessoas, em cada novo lugar, sabiam que estávamos
vindo, quem éramos e qual nossa finalidade e necessidades - de fato,
tudo sobre nós. As informações sobre o meu guia foram bloqueadas
a mim, mas não aos outros no quarto. Eu nunca fui autorizado a
saber quem era o meu guia nem de onde ele era.

Deus, o Tempo e a Lei


Me foi apresentado que Deus não habita em uma realidade
limitada por tempo ou distância. Ele existe fora do tempo e pode se
mover para frente ou para trás através do constructo do tempo. Ele
criou o que chamamos de "tempo" para a nossa percepção e a
progressão, mas Ele não está sujeito a isso. Em qualquer lugar em
suas criações, em qualquer "quando" em suas criações, Ele está lá.
Ele pode e deve agir no passado, presente e futuro, mas para Ele
tudo é "agora" e "aqui", diante dos seus olhos. Ele pode facilmente
acelerar o tempo para seus propósitos ou parar sua progressão, tudo
isso sem a nossa consciência. Uma vez que ele também pode ver o
resultado final eterno de todas as coisas e todas as pessoas, ele pode

142
John M. Pontius – Visões de Glória

influenciar ou alterar qualquer coisa, em qualquer lugar, e a


qualquer momento que Ele deseja abençoar o eterno resultado das
nossas vidas.
Todas as coisas que nós aceitamos como leis mortais, como a
gravidade, a física, a luz, o calor, ou a velocidade, são todas criações
de Deus. Somos sujeitos a elas na vida ou na morte, mas Ele não é.
Estas são "leis" que pertencem ao Telestial. Eles funcionam com o
Seu comando e como Ele os decretar, mas Ele não é um prisioneiro
da ordem Telestial e, portanto, Ele não está sujeito a essas "leis."
Quando eu vi pela primeira vez ao Salvador, Ele se encontrava de
pé acima da terra, mas estava firmemente ancorado no seu local
escolhido. Essas coisas não violam a "leis" da natureza, mas operam
acima delas em obediência às leis celestes. O Pai ordenou que o
tempo tal como percebido pelos mortais fosse apenas "para a
frente", mas ele mesmo não está sujeito a esse edital.
Conforme ainda relatarei neste livro, ao nos aproximarmos da
Segunda Vinda, depois de trabalharmos para servir a Deus por um
longo período e havendo adquirido uma medida maior do poder de
Deus operando em um mundo Milenar, nós começaremos a ter a
capacidade de trabalhar sem limitação de tempo ou distância. Foi a
única maneira de realmente terminar o trabalho que nos foi atribuído
antes da Sua vinda em glória.

Voltando a Visitar o Meu Corpo


A próxima coisa que percebi, foi estar de volta em meu quarto
ao pé da minha cama. O meu corpo ainda estava na cama. Olhei para
o relógio digital na mesa do meu quarto. Exatamente uma hora havia
passado, mas eu tinha a sensação de que tínhamos nos ausentado
por dias e dias.
Eu sabia que o meu corpo já estava morto segundo o cálculo do
mundo, mas eu estava tão entusiasmado com o que eu acabara de
experimentar que queria acordar minha esposa e dizer-lhe tudo o
que eu tinha aprendido.

143
5 – Cavernas, Chaves e Chamados

Sem linguagem verbal, o meu guia me disse que se eu queria


falar com a minha esposa, eu teria de voltar para o meu corpo, e esta
experiência seria concluída.
Eu percebi que havia mais que ele queria mostrar-me e que não
era hora de voltar para o meu corpo, mas que, por algum motivo, foi
necessário visita-lo, talvez para manter forte o vínculo entre meu
espírito e meu corpo, enquanto ele me levou a mais viagens em
espírito.
Eu disse a ele, "Se você tem mais a mostrar-me, vamos lá; eu
estou pronto!”

144
6 – Anjos e Demônios

Capítulo Seis
ANJOS E DEMÔNIOS

Espíritos Malignos e Tentação

N
ós não caminhamos pela porta; eu apenas encontrei-me em
um lugar diferente. Estivámos em um pequeno escritório
doméstico. Já era tarde da noite. Um jovem em roupas de
baixo entrou no quarto silenciosamente, olhando em volta
dele furtivamente ao entrar. Ele fechou a porta suavemente sem
acender a luz. Ele correu para o computador e ligou-o. Ao esperar o
computador aquecer, percebi um sentimento crescente de
entusiasmo vindo dele. Eu sabia que a sua esposa, os dois filhos e a
filha bebê estavam dormindo na casa, e que ele pretendia ver
pornografia. Eu entendi isso simplesmente por estar no quarto com
ele. Como em experiências anteriores, eu entendi tudo sobre ele, sua
vida, suas decisões, seus desejos, sua angústia. Pude ver que ele era
um homem bom, um missionário retornado, e que servia atualmente
na presidência do seu quórum.
O meu guia me disse, "Ele está aqui para ver pornografia."
Eu vi oito espíritos entrarem no quarto. Desses, quatro eram
espíritos maus que outrora tinham sido mortais, os outros quatro
eram demônios que nunca nasceram – lacaios de Satanás. Os
desencarnados pareciam humanos e usavam roupas típicas do
período em que eles haviam morrido. Os demônios tinham menos
substância, geralmente menores, com feições deformadas, o que
lhes conferia um aspeto ligeiramente não-humano. Eles estavam
agitados, ativos, pulando em frenesi, gritando seus comandos para
o jovem em vozes excitadas.

Os espíritos desencarnados pouco disseram no começo. Eles


tinham pouca capacidade de serem ouvidos pelo jovem. Tentavam
145
John M. Pontius – Visões de Glória

fazer alguma coisa para satisfazer a paixão sexual que tinham


desenvolvido durante a sua própria vida. Haviam espíritos de
homens e de mulheres. Seu vício sexual os tinha seguido no mundo
espiritual. O vício era incessante, doloroso e impossível de
satisfazer. Isso os assombrava. Eles estavam desesperados para
tentar satisfazê-lo incessantemente. Estavam contentes porque iriam
em breve experimentá-lo através desse jovem. Estavam
determinados, observando-o, incitando-o, embora ele não os
pudesse ouvir. Eles não estavam olhando para o pornô na tela do
computador; eles o estavam observando de perto, colocando seu
rosto no dele e gritando com ele, provocando e zombando dele. Eles
não se preocupavam com as imagens; eles se importavam em
partilhar da sensação física de gratificação sexual.
Já maus espíritos não-nascidos estavam ali para prendê-lo, atiçá-
lo e lembrá-lo da sensação que viria. Eles não se interessavam em
viver sua paixão. Eles nunca haviam tido um corpo e não eram
capazes de compreender a sensação; eles estavam ali para controla-
lo, para fazê-lo obedecer suas palavras, para mantê-lo sob seu
“feitiço” tanto quanto possível.
Eles se reuniram em torno dele, esperando ele ficar totalmente
envolvido no êxtase sexual que ele buscava nessas imagens. Os
malignos lembravam-no de alguns sites, urgindo-o a prosseguir,
sussurrando a ele como ia ser excitante. Indicaram-lhe que imagens
deveria ver e como ele devia se sentir com elas. Eles argumentavam
contra a sua consciência, dando-lhe muitas razões para ignorar a voz
da sua consciência e continuar. Colocavam suas mãos sobre ele vez
após vez, fazendo ele sentir excitação após excitação. Eles insistiam
com ele, enquanto clicava no computador, a procurar excitação, a
lembrar dela, a desejá-la mais do que qualquer outra coisa. Eles
estavam mais interessados em mantê-lo concentrado em seu próprio
corpo e na sua própria sensação tão efetivamente que ele não mais
pudesse sentir seu relacionamento com Cristo, com o Espírito
Santo, ou lembrar-se de seus familiares. Tudo o que ele conseguia
pensar era nele mesmo e na garantida gratificação a apenas um
clique de distância.

146
6 – Anjos e Demônios

Quanto mais excitado ele ficava, mais frenéticos os espíritos


maus se tornavam. Eles se tornavam mais agressivos, pulando nele,
batendo-lhe com as mãos e amaldiçoando. Foi uma visão
abominável.
Percebi de forma poderosa que todos os vícios são puramente
egoístas; eles garantem a gratificação instantânea da carne. Já os
relacionamentos não têm garantia, pois a gratificação e o retorno
positivo de um relacionamento exigem muito esforço e cuidados.
Essa é a razão por que as pessoas recorrem a vícios, pois eles são
instantâneos, requerem pouco esforço e os resultados são
garantidos. É também a razão por que o maligno os utiliza e os
promove com tanto empenho, pois eles afastam o usuário dos
relacionamentos significativos, especialmente com o divino.
Eu entendi que ele tinha sido despertado do seu sono por um
desses tentadores que tinham influenciando seus sonhos, urgindo-o
a despertar e querer o clímax sexual. Logo que ele fez a opção de
sair da cama e, de fato participar, os espíritos desencarnados
aderiram. Eles foram atraídos a ele, como uma mariposa busca luz
no céu escuro. Eles vieram de uma só vez. Ao aceitar a tentação e
decidir fazê-lo, ele lhes havia dado permissão para entrar nele e
sentir sua excitação sexual. Eu vi muitos espíritos desencarnados
competindo para entrar no pequeno quarto com ele. Os maus
espíritos ficaram só em quatro.
Quando ele tomou a decisão de participar, todas as suas boas
intenções e desejos foram imediatamente abafados pela paixão e
pelo controle dos espíritos do mal. Os bons espíritos que haviam
estado perto dele enquanto ele dormia foram forçados a distanciar-
se dele até ele não poder ouvi-los. Finalmente, partiram, afastados
por suas escolhas.
Quando ele atingiu o auge da luxúria em seu corpo, um rasgo ou
fresta negra surgiu na coroa de sua cabeça. No mesmo instante em
que os espíritos desencarnados começaram a atacar. Pareciam
jogadores de futebol americano pegando o cara com a bola. Eles
esperavam compartilhar um pouco das sensações e excitação dele.
Agiam como cães famintos atrás da mesma carcaça. Houve uma

147
John M. Pontius – Visões de Glória

forte competição entre eles para ficar mais tempo. Cada um lutava
para ser o próximo, gritando e maldizendo, empurrando uns aos
outros para entrar. Assim que um ou dois espíritos entrava, nenhum
mais podia entrar. Os espíritos maus gritavam e mergulhavam nele
repetidamente até que um mais fraco no interior fosse expulso e
tomassem seu lugar. Pareceu-me que aqueles que foram expulsos
estavam esgotadas, contorcendo-se no chão como se eles mesmos
estivessem em transe sexual, imitando as ações do jovem em frente
ao computador. Eu tentei virar o rosto de nojo, mas não podia. A
imagem ficava diante de mim não importa para que lado eu virasse.
Os malignos rapidamente recuperavam-se e voltavam à briga para
reentrar de novo e de novo.
A cobiça e o vício que estes espíritos desencarnados haviam
construído em si mesmos enquanto vivos e mortais ainda os
assombrava. Eles não conseguiam se livrar da luxúria porque não
voltavam-se para Jesus Cristo que poderia ter lhes curado mesmo
depois que sua existência mortal terminou. Sem a sua graça, não
podiam satisfazer a forte necessidade do vício. Eles não podiam
escapar. Sem qualquer forma de satisfazer o vício, que lhes causava
dor, e que eles caçam em todo o mundo por qualquer oportunidade
de experimentar a excitação novamente, e assim diminuir a dor
ainda que por um breve momento.
O meu guia comunicou-me que quando esses espíritos entravam
no corpo da vítima, eles não poderiam sentir plenamente o que ela
sentia. Era filtrado ou amortecido para eles. Era apenas
parcialmente satisfatório, e eles não podiam permanecer muito
tempo por causa da concorrência. Então eles atacaram uma vez após
a outra.
Os espíritos desencarnados eram cercados por trevas, e como
eles passaram por este homem, a escuridão eles possuíram entrou
nele. Ele poderia senti-la como as ondas do desejo obscuro, e ela lhe
incitava a intensificar sua busca por pornô mais excitante, imagens
mais duras e tenebrosas, instigando-o a seguir das imagens mais
suaves às mais violentas, até mesmo perversas e vis. Ele resistiu às
vezes, e eles gritaram com ele, atirando-se nele em frenesi.

148
6 – Anjos e Demônios

Quando o jovem tinha entrado no quarto, eu sabia pela luz que


veio dele que ele era um bom homem. Eu podia ver a luz que possuía
sendo diminuída quando ele sentou ali. Eu vi que havia muito mais
satisfação nos lacaios Satanás por ele quebrar seus convênios do que
por ver pornografia. Seu contentamento era maior por ele ser um
homem bom do que se fosse um cara qualquer da rua que fizesse
esse tipo de coisa sem precisar muita tentação. Seu triunfo foi
maior, sua conquista foi mais doce, e seu controle sobre ele era mais
precioso, devido ao fato de que este jovem tinha feito convênios de
evitar tais coisas. Eles se deleitavam na dor que isso causaria à sua
esposa e família, e que babavam pela oportunidade de finalmente
afligirem a esposa com todas as emoções tenebrosas que ela iria
sentir que a separariam do Espírito Santo.
Meu último vislumbre desse indivíduo foi ele inclinando-se à
tela, respirando pesadamente e, embora invisíveis para ele, os quatro
espíritos das trevas gritavam para ele continuar, e outra dúzia de
almas desencarnadas atiravam-se nele num ávido frenesi.
Um dos aspetos mais dramáticos desta cena foi que esses
espíritos do mundo invisível estavam oferecendo-lhe uma sensação
de falso relacionamento, dando-lhe a sensação de saciar-se e
satisfazer-se pela experiência. Ele estava começando a aceitar esses
visitantes invisíveis como companheiros, e ele estava começando a
gostar da companhia deles, recebendo sua influência para ajudar-
lhe a decidir participar mais uma vez no seu mundo secreto de
imundície.

Na Casa Noturna
A tragédia que senti por esse jovem foi rapidamente tirada de
minha mente ao encontrar-me na entrada de uma balada, olhando
para uma fila de jovens nos seus vinte anos perfilados para entrar.
Eu podia ouvir seus pensamentos. Estavam ansiosos pela excitação
que queriam encontrar lá dentro. Haviam mais espíritos malignos e
desencarnados do que humanos. Eles estavam perto dos mortais,

149
John M. Pontius – Visões de Glória

instigando-os a continuar aguardando, contando-lhes sobre a


excitação que os esperava.
Em seguida eu estava dentro. Havia muitas pessoas
amontoando-se na pista de dança, dançando juntos, bebendo e
fumando. Eu podia ouvir seus pensamentos, os quais foram um
contínuo fluxo de obscenidades, racionalização e desejos sexuais.
Muito de seu modo de pensar era mais vil e violento que suas ações.
Eles pareciam jovens normais em uma pista de dança. Se eles
pudessem ouvir os pensamentos uns dos outros, não teria havido
nenhum comedimento mas uma cena contínua de atos bestiais.
Fiquei intrigado e com repugnância. Eu não queria experimentar
esta escuridão. Eu nunca tinha ido a um lugar como esse e achei esta
experiência desagradável e perturbadora. O meu espírito guia
permaneceu ao lado, e me senti confortado pelo fato de que ele não
parecia afetado por essa cena.
Tal como fora na fila, aqui haviam mais espíritos desencarnados
e maus do que mortais. Tal como aconteceu com o jovem vendo
pornografia, os maus espíritos se concentravam em determinadas
pessoas, nos que estavam pensando e sentindo maior luxúria e ardor.
Tornaram-se mais agressivos, incitando-os a ter pensamentos mais
tenebrosos e a ter mais forte cobiça.
Os espíritos desencarnados estavam à espera de sensações
específicas que surgem no ser humano. Alguns buscavam fantasia
sexual, alguns a embriaguez, alguns a euforia induzida por drogas e
alguns violência e dominação. Quando os humanos chegavam a um
certo estado de transe ou quando eles abandonavam-se às instruções
do mal, a abertura aparecia perto da coroa de sua cabeça. Quando
abria, me parecia um rasgo negro no seu espírito, semelhante ao do
jovem em frente ao computador. O espírito mais próximo a eles
pulava nele, sendo sugado como fumaça num aspirador.
Os outros espíritos desencarnados corriam em frente,
empurrando e lutando para ser o próximo. Quando um espírito mau
entra em um ser humano, só se mantem por alguns segundos, ou
alguns minutos no máximo, dependendo da capacidade do espírito.
Quando eles eram finalmente expulsos, eles pareciam esguichar do
corpo em pontos aleatórios. Eles pareciam exaustos mas satisfeitos
150
6 – Anjos e Demônios

quando saíam. Eles saiam violentamente, imitando as ações dos


humanos. Quando eles percebiam que haviam sido expulsos,
gritavam e imediatamente pulavam de volta na briga entre espíritos
para ser o próximo.
Uma vez que estivessem dentro, eles não só sentiam uma
porção limitada do que seu hóspede estava sentindo, mas eles
podiam ser ouvidos. A sua paixão tenebrosa aumentava o barato do
seu hospedeiro. Instigavam os seus hospedeiros a fazer coisas, a
incrementar seu estado e a buscar mais agressivamente por maiores
sensações.
Eu vi outros espíritos desencarnados indo ao redor do salão. Eles
paravam para ouvir conversas, observando o comportamento das
pessoas, tentando encontrar alguém mais susceptível a alimentar
suas necessidades. Parecia evidente que não podiam ler os
pensamentos das pessoas, mas eles foram mestres em julgar e ler
suas intenções. Eles também ouviam os espíritos do mal e o que eles
estavam incitando. Se alguém estava conseguia resistir às sugestões
do mal, o desencarnado seguia adiante. Se alguém estava prestes a
"abrir", muitos espíritos desencarnados convergiam para ele.
Os espíritos desencarnados estavam à espera que os mortais
fossem abatidos pelos asseclas do mal. Eles estavam trabalhando
juntos. Os demônios queriam destruir espiritualmente os seus alvos,
para que pudessem obter controle permanente sobre eles e não se
preocupavam em nada com a experiência dos mortais. Já os
desencarnados deliciavam-se nas sensações físicas dos mortais, mas
não tinham vontade de dominar, apenas de prolongar a experiência.
Na ótica dos espíritos do mal, conseguir fazer um mortal
sujeitar-se às suas tentações dava-lhes poder sobre esses mortais. Se
eles sugeriam um ato, e o mortal fazia exatamente isso, eles
botavam seus anzóis um pouco mais profundos. Eles não
procuravam emoção; eles buscavam o domínio da alma e,
eventualmente, o controle por toda a sua vida. Eles sabiam que se
eles pudessem aliciar com tanta astúcia e engano que os humanos
respondessem, eles ganhariam um pouco mais controle. Este era o
seu método, mas o seu verdadeiro objetivo era ganhar controle

151
John M. Pontius – Visões de Glória

suficiente para impedir o Espírito Santo de ter qualquer influência


na vida da pessoa. Eles não estavam apenas tentando controlar o
comportamento; eles estavam tentando capturar a essas pessoas nas
correntes do inferno.
Eu vi que as pessoas que já tinham sido cativas por eles
dificilmente poderiam ouvir seus próprios pensamentos. A voz dos
malignos havia se tornado ainda mais poderosa do que sua própria
mente. Então fazem qualquer coisa mal ditada pelos controladores,
mesmo que pensando que eram ideias ou desejos seus próprios que
estavam seguindo. Uma vez que estes espíritos maus obtinham total
controle, eles então desejavam que o mortal se afastasse
rapidamente da mortalidade, para que seu domínio fosse
permanente. Eles então os instavam a comportamentos perigosos,
atos de violência, e até mesmo ao suicídio para apressar o dia da sua
morte.
Os espíritos desencarnado não estavam tentando prejudicar os
seres humanos mas sim partilhar da sua excitação física e seus
emoções e vícios. Eu vi espíritos que foram viciados em fumar
tentavam pegar o cigarro das mãos dos mortais, repetidas vezes,
como se não pudessem compreender por que razão não conseguiam
pegá-lo.
Por toda essa experiência, eu podia ver não apenas o que os
malignos e os desencarnada que estavam fazendo, mas eu também
sabia o que eles estavam pensando, tanto espíritos como mortais.
Era mais do que eu podia suportar, e o cenário mudou.

Na Corrida de Cavalos
Em seguida me vi numa corrida de cavalos. Bem, eu nunca fui
a uma corrida de cavalos, e não tinha a menor ideia de como era.
Assim que chegamos, todos os pensamentos, emoções e
experiências, de todos ali, entraram a minha mente com uma nitidez
perfeita. Era uma grande pista com grandes estandes e milhares de
pessoas. Havia a sensação de excitação no ar, que eu rapidamente
percebi estar sendo promovida por dezenas de milhares de espíritos
maus.

152
6 – Anjos e Demônios

Era quase a mesma coisa que acontecia na casa noturna. Os


demônios estavam trabalhando para melhorar seu controle sobre os
mortais através da criação desta grande distração. Embora as
corridas eram menos tenebrosas e promoviam muito menos luxúria
e sexualidade, ele ainda criava circunstâncias ideais para os espíritos
maus para instigar-lhes a impulsivas paixões, desejos e medos, com
picos de euforia e derrotas arrasadoras, que os mantinha longe do
Santo Espírito de Deus. Os bons anjos eram poucos aqui, mantidos
distantes pelos mortais que submetiam seu desejo ao mal.
Muitas das pessoas na pista estavam ali pela excitação dos jogos
de azar, que estava sendo altamente promovida pelos malignos.
Muitos das pessoas haviam mentido ou enganado para estar na pista
e expuseram-se aos malignos, ao fazer isso. Alguns estavam ali para
beber, para enganar, e para satisfazer seu vício de apostar. Estes
eram cercados por espíritos maus que os incentivavam e diziam-lhes
o que se sentir, exortando-os a apostar em alguns cavalos, dando-
lhes um certo sentimento de vitória, que também garantia uma
derrota arrasadora. Quando ganhavam ou perdiam, os espíritos
desencarnados saltavam neles para partilhar da sensação.
Neste hipódromo havia maior oportunidade para os bons anjos
intervirem. Nas duas experiências anteriores, as pessoas eram
totalmente sugadas ao mal do momento. Aqui, algumas pessoas
estavam orando. Alguns estavam orando para ganhar, alguns por
ajuda com seu vício, alguns estavam orando por ajuda para como
explicar a perda de muito dinheiro para sua esposa ou marido.
Mesmo um pensamento de Deus, uma oração, um pedido, uma
intenção de fazer o bem, um ato de arrependimento ou bondade,
trazia os anjos bons. Eles podiam então cercar a pessoa, protegendo-
a do mal, enquanto a atitude persistia.
Tinha que haver algum ato de livre vontade de convidar os bons
espíritos. Às vezes, anjos de luz sussurravam: "saia deste lugar". Às
vezes, era uma sugestão, como "Você precisa ligar para sua esposa".
Por vezes deram-lhes uma lembrança, talvez de uma promessa, ou
de um evento na vida dessa pessoa que os incentivava a fazer boas
escolhas. Daí, era o mortal que decidia. Se eles seguissem o aviso,

153
John M. Pontius – Visões de Glória

a lacaios de Satanás se transferiam para outra pessoa. Luz começava


a brilhar mais ao redor da pessoa, e os bons anjos falavam
encorajamento. Eles tinham a oportunidade de pensar com clareza
e escapar.

Entretenimento
O cenário mudou novamente para várias visões rápidas de
mortais que buscam vários entretenimentos. Eu vi salas de cinema
e casas onde as pessoas estavam assistindo televisão. Vi relances de
parques de diversões, cassinos e grandes eventos esportivos. Vi
pessoas a ouvir música de estéreos e fones de ouvido. Vi pessoas
rindo em festas e o tempo todo curtindo com os amigos. Eu pensei
ser isso coisas triviais sem nenhum significado espiritual.
"Por que vocês está me mostrando estas coisas?" eu perguntei.
"Qual é o significado?”.
Ele respondeu que essas eram todas as formas pelas quais as
pessoas inconscientemente afastam-se do Espírito do Senhor. Eu
percebi em cada uma dessas cenas que os bons anjos estavam
ausentes ou eram empurrados à certa distância. As pessoas, nessas
cenas, estavam tão envolvidas no entretenimento que não ouviam o
Espírito Santo. Eles não estavam fazendo algo maligno, mas eles
não estavam ouvindo a Deus, que era o que os demônios
trabalharam tão arduamente para conseguir com outros, mas estes
voluntariamente isolavam-se.
Vi também que demônios os incitavam a ver mais e mais
conteúdo sexual ou violento. Eles estavam incitando as pessoas a
ouvir a música de modo entrar em frenesi, dançar, agitar-se e
rodopiar para sentir euforia sexual ou física, a se concentrar em seus
corpos e beleza física – qualquer coisa, exceto Deus.
Eu vi as pessoas obcecadas com o comer, e com não comer, com
a dieta, com teatro, com dançar ou tocar, com moda e beleza, com
o esporte, com namoro, ou com a escola e nada disso era
inerentemente mal. Mas estavam tão focados nestas coisas que a voz
do Santo Espírito, que eu vi sendo proferida pelos bons anjos, foi
empurrada para bem longe.

154
6 – Anjos e Demônios

Uma vez que nós como mortais não podemos ver


frequentemente o mundo dos espíritos, seja o bom ou o ruim, nós
somos realmente ignorantes de quase tudo que acontece a nossa
volta. Isso requer alguma intuição espiritual, geralmente adquirida
ao custo de experiências negativas, para percebermos como a vida
funciona. A vida mortal é apenas a uma tênue realidade. Os anjos
vivem em um reino eterno, que é a mais brilhante e verdadeira
realidade. A vida mortal vai acabar; suas vidas não vão. Eles sabem
o quão imensamente importante é este pouco tempo na
mortalidade, e porque eles nos amam e estão ao serviço do seu
Deus, eles trabalham para ter a nossa atenção e conduzir-nos a uma
vida que terminará em glória.

Os Dons Espirituais
Foi-me mostrado como os dons espirituais operam. Há bons
dons, e há os maus dons. Escolhemos bons dons quando nos
sujeitamos ao Espírito Santo. Estes são os dons de amor, alegria,
paz, fé, curas, profecias, e muitos outros dons. Quando
consistentemente escolhemos obedecer àquilo que é bom, criamos
uma ligação espiritual com Jesus Cristo. Ele nos transforma na sua
semelhança espiritual, e aumentamos nosso brilho cada vez
mais nesse processo até que nos tornamos filhos da luz, e recebemos
nossa recompensa de nosso Salvador.
Escolhemos os maus dons obedecendo às tentações dos maus
espíritos, que é a mesma coisa que ceder a uma tentação de satanás.
Escolhemos maus dons ao ceder a uma luxúria para obter alguma
sensação ou êxtase. Quando nos submetemos a qualquer porção do
mal, estamos a criar uma ligação espiritual, como engatar vagões; e
quando permitimos que isso aconteça mais e mais, nos alteramos,
escurecemos e descemos, até que nos tornarmos servos das trevas,
e recebemos nosso salário do mestre das trevas.
Tenho observado que há muitas pessoas que são regidas pela
voz de Jesus Cristo, que são como lanternas levadas através das
trevas. Eles afastam as trevas ao se aproximarem, e os anjos da

155
John M. Pontius – Visões de Glória

escuridão têm que afastar-se. Seres malignos são impotentes para


penetrar, e são forçados a se afastar.
A mesma coisa acontece com as pessoas que são governadas
pelo mal. Elas se tornam lâmpadas de trevas a afastar a luz. Eles se
tornam uma força das trevas, mesmo ao andar no brilho espiritual
do dia. Todos aqueles que associam-se a eles são obscurecidos por
eles, e os bons anjos são impotentes para penetrar, até que essa
pessoa por um ato de livre vontade pede ajuda ou ora para obter
orientação.

As Correntes do Inferno
Eu vi que, quando qualquer pessoa manifesta até mesmo a
menor partícula de fé, mesmo que apenas um pensamento ou uma
ideia – qualquer coisa que o mova na direção da esperança, da
obediência à verdade e da fé em Jesus Cristo – a escuridão é
penetrada por uma pequena porção de luz e os anjos mais uma vez
falam as palavras de Cristo com a voz mansa e delicada. Se as
pessoas escolhem responder corretamente a essa voz, a escuridão
começa a ceder. Haverá ainda um longo caminho e muitas mais
escolhas corretas a fazer, mas o processo é iniciado.
As "correntes do inferno" são quando uma pessoa torna-se tão
encantada com a sua vida de trevas que ela já não pode sequer ouvir
a mansa e delicada voz dos anjos clamando verdade da distância
para onde foram afastados. Quando uma pessoa sujeita-se a esse
nível, ela perde a sua bússola moral e já não podem dizer a diferença
entre o bem e o mal, certo e errado, amor e luxúria e, eventualmente,
a misericórdia e o assassinato. O único "bem" que eles reconhecem
é tudo o que os aproxime mais rápido da satisfação da sua lascívia
e vícios, e nenhum preço lhes parece alto demais.

O Ministério dos Anjos


Eu vi os anjos de luz que são designados a nós. Eles são reais.
Eles têm acesso direto à orientação de Cristo e estão ansiosamente
engajados em nossas vidas. Eles permanecem conosco por toda a
nossa vida, se não escolhermos as trevas com os nossos
156
6 – Anjos e Demônios

pensamentos, atos ou palavras. Sua capacidade de dirigir,


influenciar e guiar-nos é totalmente controlada por nossas escolhas.
Há também mais poderosos anjos de luz que são designados por
Cristo a abençoar-nos em certos momentos de necessidade, como
quando eu estava morrendo no hospital. Estes anjos vêm em missão,
e estão em harmonia com nossos anjos designados, eles oferecem
as bênçãos que Jesus Cristo deseja que tenhamos.
Toda a vez que eu tive os meus olhos abertos para o mundo das
coisas espirituais, haviam mais seres espirituais no recinto do que
mortais. A maioria dos anjos divinos parecem ser nossos
antepassados, membros de nossa família, que nos amam e que foram
enviados para auxiliar-nos em ocasiões especiais.
Não temos este mais poderoso tipo de anjo conosco muitas
vezes. Eles vêm em designações especiais e quando há uma
necessidade premente ou bênção maior para conferir. Os
convidamos a nos ajudar ao rejeitar a tentação, clamar ao nome de
Deus e fazer o que é certo com a mente fixa na glória de Deus.
Esses anjos guias conhecem-nos bem porque estivemos associados
com eles por um longo tempo.
Nosso relacionamento familiar não começou com o nascimento
deles ou nosso. Senti esta eterna ligação enquanto eu estava vendo
o meu lar de infância pré-mortal. Nossos relacionamentos são
ordenados, e eles são de eterna significância. Nosso relacionamento
começou há muito tempo na família de Deus, antes do nosso
nascimento e antes da criação do mundo. Amamos um ao outro por
um longo tempo e servimos um ao outro em infinitas maneiras.
Também é verdade que, enquanto eles eram mortais, nós
amorosamente ministramos por eles. E agora eles estão ministrando
por nós no mesmo ofício.
Tudo o que Deus faz está de acordo com a lei e de acordo com
o arbítrio. Deus não nos dota com dons para aos quais não nos
qualificamos de alguma forma. Isso também é verdade para os
anjos. Alguns anjos têm maiores habilidades devido a sua maior
diligência e por causa da sua maior retidão enquanto eram mortais.

157
John M. Pontius – Visões de Glória

Alguns anjos estão aprendendo, enquanto outros são bastante


evoluídos. Alguns têm grande fé, enquanto outros têm menos fé.
Olhando para este fenômeno de uma perspectiva paternal, dá-
nos a capacidade de abençoar os nossos filhos e netos após deixar a
mortalidade. Estes dons e forças espirituais tornar-se a herança dos
nossos netos, porque quando eles escolherem a luz, estaremos
esperando ansiosamente para derramar sobre eles os dons que nós
próprios obtivemos na mortalidade.
Esta é também a razão por que a embriaguez, o abuso, o crime,
a guerra, máfia, e outros traços escuros que podem corromper o
poder político, vêm de família. Estas tendências tenebrosas são
transmitidas através dos séculos. Quando os nossos antepassados se
veem na próxima vida como seres espirituais infelizes que ainda são
almas viciadas, dolorosas e miseráveis eles procuram tornar os
outros tão infelizes como eles próprios. Quando os filhos e netos
seguem o seu exemplo, os "dons" obscuros são passados através das
gerações. Isto pode explicar a razão pela qual algumas famílias têm
sido realeza por centenas de anos, ou ricos e opressores desde o
início dos tempos, ou qualquer outra sombria caraterística familiar.
Isso também pode explicar por que os Profetas e Apóstolos tendem
a estar relacionados, e a grandeza segue as famílias.
Por último percebi que esta era a mensagem de toda essa
experiência, para ver como as trevas infestam a mortalidade através
dos "anjos" malignos, e como a luz é amplificada em nossas vidas
através da obediência a Deus e o ministério dos anjos de luz. Eu
comecei a ter vislumbres de como as escolhas das pessoas, fazem
isso acontecer.

Luz, Trevas e a Terra


Eu vi que a própria terra tinha sido criada perfeito e está
cumprindo a medida de sua criação. Tudo nela – seu
posicionamento no universo; a distância do sol; e a geração da vida,
frutos, e beleza – foi tudo criado e mantido pela constante presença
da luz de Cristo.

158
6 – Anjos e Demônios

As pessoas instituem governos, falsa religião, falsa ciência e


falsos preceitos. Eles constroem cidades onde o mal facilmente
prospera e criam universidades e escolas para promover tais coisas
– toda a coleção das “filosofias de homens", suas mentiras, suas
religiões, suas racionalizações e pecados. Como estes construtos e
corrupções dos homens espalham-se por todo o mundo, eles cobrem
o mundo de trevas, e a terra responde com agitação, devastações,
inundações, fome, peste e morte.
Tudo isto é como um manto de escuridão que se espalha em toda
a face da terra, escurecendo a luz de Cristo, que chega a terra. Isso
diminui a força que mantém a terra em ordem e uma morada própria
para a humanidade.
Há um processo pelo qual a terra se purifica. Quando o mal o
ultrapassa, catástrofes naturais, pragas, e revoluções começam em
lugares aleatórios. Quando o mal no mundo se torna tão grande que
a luz de Cristo é reduzida, ela produz erupções vulcânicas, variações
extremas de clima e temperatura, tempestades, inundações,
terremotos e outros eventos destrutivos. Existe uma correlação
direta entre as escolhas dos mortais e o estado da terra. É por isso
que haverá tantos desastres naturais e a morte causada por estes atos
de natureza nos últimos dias, porque a humanidade de então irá
cobrir a terra de escuridão.
Isso não quer dizer que um terremoto ou enchente mira nos
pecadores como um míssil, ou que os lugares onde catástrofes
acontecem precisavam mais da limpeza. Toda a humanidade sofre
quando reina a escuridão.
Enoque viu a terra chorar porque ela foi oprimida e coberta pelo
mal em seus dias. Ela queria se livrar do mal e descansar no dia
milenar.
Se ela estava cansada e doente nos dias de Enoque, imagine
quão fatigada está hoje.
Imediatamente após essa visão da terra e dos efeitos da luz
espiritual e da escuridão, a cena mudou mais uma vez.
Eu comecei vendo a terra passar pelas assolações profetizadas
para os últimos dias. A primeira coisa que vi foram os sinais da

159
John M. Pontius – Visões de Glória

Segunda Vinda sendo manifestados na terra. Esses sinais eram sob


a forma de eventos no céu e na terra. Os mais visíveis eram as
intermináveis catástrofes naturais. Outros sinais foram
erroneamente interpretados pelo homem como inesperados mas
normais convulsões da terra e eventos celestes entre os astros e
planetas.
Eu podia ver o mal crescer nos corações da humanidade. Vi que
a terra estava em grandes apuros. Ela estava sofrendo, morrendo,
perdendo a sua capacidade de sustentar a vida em sua face. Ela era
como uma flor tropical que tinha sido transferida para um porão sem
nenhuma luz e estava morrendo na escuridão. Não podia viver sem
a luz que dá vida a tudo e a tornava bela e útil para o homem. Todas
as partes da terra estavam em grande aflição.

Voando Pela América


Comecei a mover-me através do mundo, voando como se eu
estivesse num veloz helicóptero, perto da terra. Eu podia ver cada
detalhe abaixo de mim. Eu não estava em uma máquina, é claro mas
eu via a partir dessa perspectiva. O meu companheiro espiritual
estava comigo e guiava nosso voo. Entramos e saímos das cidades
em toda a América do Norte.
Eu vi que nessa época que me estava sendo mostrada, a estrutura
financeira do mundo tinha desabado completamente. Todos os
bancos tinham fechado e o dinheiro não tinha valor. As pessoas
estavam aprendendo a troca e o escambo. Indústria e produção
praticamente pararam. Não havia matérias-primas ou dinheiro para
pagar os trabalhadores. Fábricas e companhias globais fechavam da
noite para o dia.
Serviços públicos estavam no caos. As pessoas tentavam manter
o funcionamento dos serviços vitais, mas eles eram esporádicos e
quase sempre parados. Haviam apagões por todo lado, alguns deles
por vários meses. Quase toda a água era imprópria para beber por
causa de atos de guerra contra este país. O povo sofria em toda
parte.

160
6 – Anjos e Demônios

O meu voo em toda a América do Norte começou em Salt Lake


City. Tinha havido um enorme terremoto no outono daquele ano.
Tentei determinar que ano era, mesmo durante a visão, mas não
consegui. Procurei nas vitrines por um calendário ou data. Até
mesmo olhei nos relógios das pessoas para ver se eles mostravam o
ano. Não fui autorizado a saber quando essas coisas devem
acontecer. Tudo o que posso dizer é que na visão Salt Lake City
parecia muito como é hoje. Haviam modelos de automóveis que eu
não reconheci, e outras pequenas alterações, mas considerei como
ocorrendo não muito distante no futuro.
A falha existente ao longo do Wasatch Front havia se
movimentado drasticamente, causando enormes danos para as
cidades ao longo do Front. Na terceira parte desta experiência, que
relatarei no próximo capítulo, voltei para Salt Lake City e encontrei-
me em minha própria vida, em meu próprio corpo, vivendo estes
acontecimentos. Por isso, vou voltar para esses eventos quando
descrever a terceira parte da visão.

A Próxima Primavera
Eu vi que na próxima primavera depois da destruição em Utah,
houve outra devastadora série de terremotos que ocorreram ao longo
da costa oeste da América do Norte e do Sul. A costa oeste da
Califórnia, México, e todo o caminho até a ponta da América do
Sul, foi tão terrivelmente abalada que boa parte dela se separou do
continente e formou uma série de ilhas ao largo da costa. O mar
invadiu os cânions entre a terra e as ilhas. Grandes cidades foram
derrubadas e o interior sofreu menos danos. O mesmo tremor
estendeu-se até a costa do Canadá e continuou todo o caminho até
o Alasca. Eu não ver os efeitos dos terremotos ao norte dos Estados
Unidos, mas suponho que a destruição foi em igual medida.
Este terremoto enviado tsunamis por todo o mundo. Não me foi
mostrado o que aconteceu na América do Sul, Europa, Ásia ou
África. Mas suponho que foi uma catástrofe mundial. Pelos eventos
que relatarei no próximo capítulo, eu suponho que a Europa não foi

161
John M. Pontius – Visões de Glória

tão gravemente afetada por terremotos como a América do Norte,


porque esses países enviavam grandes quantidades de socorro e
suprimentos para a América após os terremotos.

Dois Meses mais Tarde


Cerca de dois meses depois, outro terremoto abriu uma garganta
aproximadamente onde hoje fica o Rio Mississipi, mas desviava
para leste onde o Rio Mississippi atualmente funde-se com o Rio
Ohio. Ela seguia o Ohio até os Grandes Lagos. O Rio Ohio e o
restante do Rio Mississipi desviaram para dento dessa garganta.
Criou-se um novo e imenso sistema de lago e rio perto de onde o
Rio Mississipi é agora. Essa garganta essencialmente dividiu o leste
do oeste dos Estados Unidos, isso figurou em intrigas internacionais
mais tarde.
Em seguida "voei" sobre a parte inferior da Califórnia rumo ao
Golfo do México. Quase toda a Califórnia estava em ruína, com
menos destruição longe do litoral. Eu vi que uma grande extensão
territorial emergiu no Golfo. Estendia-se desde o México até a
Florida, e consistia de um pequeno número de grandes ilhas que
substituíram parte do oceano no golfo. Não me lembrei de olhar para
Cuba. Em alguns lugares, a nova terra juntou-se ao México, Texas
e Flórida, mas houve também um grande mar separando da América
a maioria dessas novas terras.
Eu não vi de onde a terra veio. Ela se levantou do fundo do
Golfo, ou foi empurrada por terremotos do norte da América do Sul.
A terra não era toda desolada, mas grande parte dela tinha árvores e
vegetação. Algumas partes eram apenas ilhas lamacentas. Eu não
consigo explicar de onde ela veio.
Esta grande extensão territorial criou um tsunami provocando
imensa devastação em direção ao norte até Chicago.
Cerca de dois terços do Golfo era agora uma série de grandes
ilhas. Eu não vi o dano causado no resto do mundo, mas só posso
supor que foi extenso.
Eu então "voei" pela parte superior da Flórida e costa leste dos
Estados Unidos. Os abalos sísmicos não atingiram esta parte tão

162
6 – Anjos e Demônios

fortemente, de modo que a infraestrutura estava mais intacta. Mas


houve um ataque biológico, e havia mais morte no leste e nordeste
do país do que nas áreas afetadas pelo terremoto. Eu vi corpos
empilhados em praças da cidade e cidades abandonadas por causa
do cheiro da morte. Haviam gangues de saqueadores do povo
pilhando e roubando em todas as cidades. Estavam assassinando
todos que encontraram para preservar o que restava dos recursos
para si próprios. É como se os sobreviventes em um bote salva-vidas
lançando os mais fracos ao mar para sobrar mais comida e água para
os mais fortes. Foi uma cena horripilante.
O cenário era violento e repugnante. Ao escrever este livro, foi-
me mostrado o texto da visão do Presidente John Taylor de eventos
semelhantes, onde a fome e a morte estavam por toda parte. Fiquei
surpreso com as semelhanças, embora o sofrimento foi visto mais
graficamente na visão da Presidente Taylor. (Veja o Apêndice A
para o texto completo do sonho.)

Tropas Estrangeiras
Eu vi tropas estrangeiras desembarcando no litoral leste e oeste
da América. Houve dezenas de milhares delas. Eles vieram em
navios de grande porte, alguns deles antigos navios de cruzeiro sob
escolta. Eles desembarcaram com milhares de veículos, a maioria
deles carregados com suprimentos de socorro, mas também com
grandes tanques e lança-mísseis. Eles usavam capacetes azuis-
verdes, e presumi que eram as tropas internacionais de socorro. O
meu corpo mortal é daltônico, e eu não tenho certeza se vi
corretamente a cor dos capacetes na visão. Eu não vi muitas tropas
em grandes cidades como Boston, Chicago e Nova Iorque, pois não
havia quase ninguém lá para socorrer. Aqueles que não morreram
estavam marchando para o oeste, fugindo das cidades.
Na Califórnia, alguns americanos tentaram lutar contra as tropas
porque os consideravam invasores. Houveram algumas batalhas
onde a população local foi derrotada e subjugada. As tropas
estrangeiras não castigaram os sobreviventes; eles só pediram para

163
John M. Pontius – Visões de Glória

que eles cooperassem, os alimentou-os e os libertou. Isso aliciou as


mentes das pessoas. Vi também que as tropas estrangeiras vieram
com a expetativa de que eles teriam que matar os moradores,
embora os norte-americanos não estavam em condições de resistir-
lhes.

164
John M. Pontius – Visões de Glória

Capítulo Sete
TRIBULAÇÃO E PLENITUDE

Terremotos e Inundações

M
inha seguinte constatação era que eu estava no meu
corpo, em pé no estacionamento subterrâneo do Edifício
dos Escritórios da Igreja. “No meu corpo” quer dizer eu
não estava mais voando pelo continente, mas agora era
um participante na visão. Mais uma vez pareceu real para mim. Eu
tinha posse de todos os meus sentidos e percebi essas coisas em
detalhes perfeitos. Como na vida cotidiana, eu era sujeito aos
acontecimentos em minha volta.
Embora o que eu iria ver ainda não ocorreu, no entanto eu estava
ali vestindo um terno, carregando uma maleta, e caminhando por
este conhecido estacionamento subterrâneo. Eu estacionei ali
muitas vezes quando eu tinha participava de reuniões mensais do
meu chamado.
Na minha nova situação, lembrei-me que eu estava voltando de
um encontro com um membro do Quórum dos Doze. Eu estava
contente, com um cálido Espírito comigo. Cheguei no meu carro,
que era um modelo diferente do meu atual (em 2011). Acabara de
chegar à porta do carro quando o solo começou a tremer
violentamente.
Eu pensei, é um terremoto dos feios! não terei tempo para sair
da garagem com o meu carro! O prédio vai cair em cima de mim
antes de eu chegar!

Eu estava a alguns metros da saída, então larguei minha maleta


e corri para fora. O solo movia-se violentamente abaixo de mim.

165
7 – Tribulação e Plenitude

Caí várias vezes mas, quando me levantava, eu não estava ferido.


Cheguei à Avenida North Temple, então vi água jorrando da terra.

Faço uma pausa na minha narrativa um instante para dizer que


eu tenho estado doente toda a minha vida. Correr, mesmo que curta
distância iria normalmente me esgotar. Mas nessa visão, eu não
estava cansado, nem ferido pelas repetidas quedas, e nem
exatamente com medo. Percebi que eu estava diferente; meu corpo
tinha sido melhorado de alguma maneira indefinível. Embora tudo
isto parecesse verdadeiro, eu sabia que estava passando por uma
visão, e perguntei-me se o meu corpo aprimorado foi um efeito desta
visão. Eu não entendi o que eu estava sendo exibido até muito mais
tarde.
Agora, de volta à North Temple. O terremoto tinha arrebentado
as ruas e, das fissuras na estrada, água esguichava para o alto. Água
era também jorrava dos bueiros, bocas-de-lobo e de rachaduras na
terra. Jorrava para cima com tamanha força que espirrava por todo
lado, me deixando encharcado. Era água fresca,
surpreendentemente limpa e clara. Em toda parte onde eu podia ver,
gêiseres de água pulverizada com um ruído ensurdecedor no ar. Eu
me perguntava, "De onde vem essa água toda?" Só poderia
especular.
Eu virei para leste e subiu o morro. A água rugia da Temple
North abaixo, inundando e aumentando a cada momento. A água já
estava pelas minhas canelas, e corri para cima contra a corrente com
uma surpreendente energia. O lado leste de Salt Lake City fica
centenas de metros mais alto de onde fica o Templo, e eu corria para
o terreno alto.
O chão continuava a arfar, e caí muitas vezes, mas a cada vez
não me feria. Vi carros com pessoas sendo varridos rua abaixo
juntamente com mobílias, pedaços de casas, cadáveres e lixo de
todo o tipo. Foi uma cena pavorosa. Não havia nada que eu
pudesse fazer para ajudá-los. Cai mais uma vez e fui arrastado pela
enxurrada. Me segurei nos destroços e mantive minha cabeça acima
da água.

166
John M. Pontius – Visões de Glória

Todo esse tempo eu me perguntava de onde saiu toda essa água.


A água jorrava a uma altura de dois metros. Era espantoso.
Me encontrei flutuando para oeste, rumo à antiga estação
ferroviária Pacífic Union. Haviam pessoas de pé no alto da escada
observando a enchente correr ao redor do prédio, tentando ajudar
quem boiasse mais perto. Eu flutuava em direção a elas e alguém
puxou-me para as escadas, e outros me ajudaram a levantar.
Descobri que minhas calças tinham sido arrancadas de mim. Estava
descaço. Fiquei ali só de camisa, gravata, meias e roupa de baixo.
A estação de trem foi inundada por cerca de 30 cm de água, que
desceu a poucos centímetros com o passar das horas. Os
sobreviventes comigo incluíam mulheres, crianças e homens.
Assistimos o alagamento até que o sol começou a cair. Percebemos
que íamos passar a noite na estação e tentamos preparar um lugar
seco onde poderíamos dormir. Tentamos escorrer a água para fora
dos lugares em que ficaríamos, enfiamos cobertores sob as portas
para tentar segurar a água que ainda estava fluindo sobre a soleira.
Para mim, a estação ferroviária parecia um barco afundando prestes
a submergir. Ainda haviam alguns centímetros de água fluindo ao
longo dos túneis.
Encontramos lugares secos e nos sentamos sobre os bancos de
madeira tentando nos secar. Lembro-me de sentir frio e tentar
dormir nessas bancadas. Em uma das áreas de armazenagem,
encontramos alguns pequenos cobertores, provavelmente sobraram
da época dos três de passageiros. Encontramos também travesseiros
pequenos anteriormente usados para dormir no trem. Nos
aproximamos e tentamos nos cobrir com aquilo.
Alguém encontrou um depósito cheio de macacões de operários.
Eram azul-desbotado, feito uniforme de zelador. Estavam limpos,
mas não eram novos. Encontrei também um par de sapatos que
serviu quase justo.
Na manhã seguinte, descobrimos que a inundação tinha
baixado. Haviam muitas poças e uma variedade incrível de detritos
por todo lado, incluindo corpos e partes do corpo, o que era
perturbador.

167
7 – Tribulação e Plenitude

Me ocupei de ajudar as pessoas na estação de trem, tentando


prover por nossas necessidades imediatas. Alguém encontrou uma
cozinha e uma espécie de polenta, que misturamos com água e
comemos frio, com os dedos. Todos os serviços de telefones e
celulares estavam inoperantes. Não havia luz elétrica ou água
encanada, por isso estávamos realmente no escuro.
Cerca de 14:00 ou 15:00 naquela tarde, resolvi caminhar de
volta a casa. Teria levado metade de um dia de caminhada rápida,
mas a minha viagem durou três dias inteiros por causa da
devastação, ruptura de estradas, árvores e edifícios caídos. Tive que
fazer muitos desvios. Sempre que eu encontrava alguém em
necessidade, me unia a eles no seu trabalho. Eles me ofereciam
comida e assistência para meu caminho de volta para casa.
A devastação foi incrível e aterradora, mas não houve saques ou
egoísmo. A cidade havia mudado; velhos monumentos sumiram.
Fiquei desorientado pois os sinais, os edifícios e até mesmo árvores
que eu havia utilizado para guiar-me até em casa por muitos anos,
tinham sumido. Eu tinha que ficar sempre pedindo por informações
e procurando quais estradas ainda estavam abertas. Eu viajei ao sul
uma longa distância antes que eu pudesse outra vez virar para oeste
e, em seguida, ao norte para a minha casa. Eu provavelmente andei
32 km para cobrir oito.
Eu olhei para cima e vi que a montanha atrás da cidade tinha
desmoronado. Os cumes das montanhas tinham deslizado sobre as
partes superiores da cidade, enterrando a maioria dos casarões nos
flancos acima da cidade.
Quando eu finalmente alcancei minha vizinhança, eu andei até
a rua onde morava. Eu não conseguia ver gente em nenhum lugar.
Todos tinham abandonado seus lares. As casas foram arrastadas e
empurradas para fora de suas fundações. A minha casa estava tão
retorcida que do lado de fora eu podia olhar o porão abaixo. Eu
percebi que não estava mais habitável e seria perigoso entrar. Não
encontrei minha esposa ou qualquer dos membros da família. Voltei
mais tarde com ajuda, e desci ao porão para recuperar o nosso
armazenamento de comida e alguns objetos pessoais, mas eu nem

168
John M. Pontius – Visões de Glória

tentei subir à parte superior da minha casa. Simplesmente fui


embora.
Todo o terremoto durou apenas de seis a oito minutos, mas
pareceu horas. A enchente subiu por cerca de oito horas e, em
seguida, começou a recuar. Depois disso, a água permaneceu nas
ruas e empoçada em locais baixos por várias semanas. As poças de
água logo ficaram fétidas e podres. Havia água inundando Salt Lake
City da região de Bountiful. Não tenho certeza se um reservatório
se havia rompido, ou o que poderia ter causado isso. Houve
inundação vinda do sul, onde o Rio Jordan transbordara, presumo
que pelo Lago Utah que por sua vez fora inundado pela água de
reservatórios acima de Provo e outras áreas.
Toda esta água desaguava no grande Lago Salgado, deslocando
a água salgada para o deserto a noroeste do lago. O lago estava pelo
menos duas vezes o tamanho que é hoje, subiu cerca de quatro
metros de profundidade. Fazendas e residências nas planícies
sumiram. Em alguns lugares, a água cobria a rodovia I-15. Toda a
área do aeroporto foi inundada e levou meses até que aviões
militares pudessem pousar. Não acredito que linhas comerciais
foram jamais restauradas.
A maior parte dos habitantes da área em geral não acreditava
que este fosse um "sinal" da vinda de Cristo. Apenas consideravam-
na uma catástrofe natural. Um grupo central mais forte continuou a
ouvir o Espírito Santo e a crer e interpretar corretamente os "sinais"
que viam. Mas haviam muitos, tanto na Igreja como fora da Igreja,
que estavam irados, desalentados e sem esperança.
A liderança da Igreja foi atingida tão severamente quanto a
população em geral, e uma vez que toda a comunicação parou, levou
várias semanas até ouvirmos alguma coisa oficial da Igreja. Os
membros dos Doze e de outros quóruns que estiveram viajando em
designações e ficaram isolados pelo colapso da comunicação em
todo o mundo. A primeira coisa que soubemos da Igreja foi que
alguns dos alimentos que recebemos das tropas estrangeiras tinham
o logotipo da Igreja. Isso confortou-nos, mas ainda assim foram

169
7 – Tribulação e Plenitude

semanas até confirmarmos que a liderança da Igreja e a sua


organização local e internacional não havia desmantelado.
Não sabíamos se o profeta ou qualquer dos doze tinha
sobrevivido. Isso assustou muitas pessoas e levou alguns a se
levantar e tentar reorganizar a Igreja segundo suas próprias ideias.
Aqueles que tinham o Espírito sabiam que o processo de
reedificação da Igreja e restauração dos quóruns do sacerdócio
estava em andamento, mas não sabíamos quase nenhum detalhe. A
reestruturação da Igreja foi dificultada inicialmente por não se saber
quem havia sobrevivido em Salt Lake City e em todo o mundo.
Sem a voz do Profeta entre nós, um sentimento de discórdia e
contenda cresceu na Igreja. As pessoas se irritavam sobre quase
tudo, e alguns eram egoístas com os recursos restantes. No entanto,
muitos eram firmes e fiéis através de todas essas discórdias e
conflitos.
As igrejas de todas as denominações, incluindo as estacas e alas,
responderam bem aos eventos, organizando esforços de socorro
entre o seu povo, alojamento e alimentação às pessoas,
proporcionando conforto e segurança. A Igreja teve um papel
proeminente no esforço de reedificação, dado que a Igreja e o seu
povo eram tão bem preparados, mas as outras igrejas uniram-se em
um esforço conjunto. Eu estava entre aqueles que iam de porta em
porta, escavando sobreviventes e enterrando os mortos. Por vezes,
fomos movidos a dar bênçãos do sacerdócio, e aqueles que tinham
fé eram salvos, alguns com curas milagrosas. Mas, principalmente,
enterrados os mortos e levamos comida e água para os desprovidos.
Eu estava realmente admirado que muitos bons Santos dos
Últimos Dias tinham pouco ou nenhum alimento armazenado. Mas
não os julgamos. As pessoas com fé, que tinham guardado comida,
deram-no livremente e juntaram-se ao trabalho de salvar aqueles
que sofriam e de preparação para o inverno que se aproximava. Nós,
corremos para fechar em casas danificadas e para encontrar meios
de aquecer as casas. Pegamos materiais das casas danificadas para
reparar as antigas. Muitas famílias se juntavam em uma casa. Foi
um esforço hercúleo.

170
John M. Pontius – Visões de Glória

Nesse período, uma grande coluna de veículos militares chegou


na cidade. Eles tinham vindo para ajudar. Eles usavam capacetes
azuis e tinham insígnias internacionais em suas portas, capacetes e
uniformes. Nossos líderes cívicos locais já haviam tentado
organizar os esforços de socorro, mas esse esforço terminou quando
as tropas estrangeiras assumiram o comando. Somente a Igreja e
nossos amigos cristãos continuaram organizados e comprometidos.
As tropas estrangeiras eram de muitas nações. A maioria dos
grupos não falavam inglês. Haviam grupos que pareciam asiáticos.
Não os reconhecíamos por sua língua ou por seus uniformes porque
eles estavam todos vestidos iguais. Haviam tropas de países da
Europa também, mas não encontrei nenhum da Inglaterra.
Houve também membros norte-americanos, do que restou das
forças armadas americanas. Dependendo da sua posição, às vezes
eles eram líderes destas divisões; na maioria das vezes não eram.
Eles vieram em caminhões grandes, esquisitos – muito maiores
do que nossos veículos militares atuais. Alguns dos veículos tinham
quatro ou cinco eixos tracionados e eram demasiado grandes para
uma única faixa de uma autoestrada. Eles tinham vindo da costa
oeste da Califórnia e percorreram uma grande área de devastação.
Seus veículos estavam cobertos de lama e mostravam evidências de
utilização em condições extremas, mas pareciam resistentes e
confiáveis. Os caminhões estavam cheios com um grande
carregamento de alimentos, suprimentos médicos, combustível, e
outras necessidades.
Agradecemos ao vê-los chegar, mas era inquietante ao mesmo
jeito. Eles ocuparam várias escolas, como sua sede e utilizavam os
ginásios para armazenar suprimentos, que eram vigiados
atentamente. Também montaram hospitais com médicos de
verdade. Eles foram logo sobrecarregados com feridos.
Aqueles de nós que foram não feridos se apresentaram como
voluntários para ajudar no trabalho. Eles ficaram pela forma como
muitos vieram para ajudar. Eles nos deram luvas e casacos e nos
acolheram. Eles encontraram maquinário pesado e logo começaram
a cavar grandes valas comuns nos fundos das escolas.

171
7 – Tribulação e Plenitude

Haviam muitos ex-missionários entre nós e, assim, pudemos


mais ou menos nos comunicar com os visitantes. Eles informaram-
nos que grande parte da Europa, Ásia e África, tinham sido
poupados dos principais efeitos dos sismos e maremotos. A maior
parte da devastação ocorreu na América do Norte e do Sul. Eles
disseram que tinham chegado da Califórnia, em centenas de navios
e imediatamente se ocuparam com essas pessoas para estabilizar as
coisas, e, em seguida, eles tinham rumaram pra o leste. Disseram-
nos que um grande esforço de socorro tinha desembarcado na costa
leste e dirigiam-se para o oeste. Nós aprendemos que cada grande
cidade que eles visitaram estava devastada. Eles relataram que,
como eu tinha visto durante na minha visão “aérea”, o litoral da
Califórnia se tinha fragmentado em uma série de ilhas.
Eles também nos disseram que mais tropas e suprimentos
estavam a caminho vindos de todo o mundo. Disseram-nos: "a
América sempre foi generosa conosco em caso de catástrofe, e
agora é a nossa vez de responder." Eles pareciam verdadeiros no seu
desejo de ajudar, mas eu não podia ver luz no seu semblante, e
desconfiava profundamente dos seus objetivos a longo prazo. Creio
que a maioria de nós sentimos dessa maneira.
Não muitos dias depois que chegaram, começaram a limpar as
ruas dos escombros e removeram os carros para que os esforços de
socorro pudessem mover-se mais eficientemente para o sul. Eu
estava em um dos primeiros grandes caminhões quando fomos ao
sul para ver quão longe podemos ir além Salt Lake City, e que os
esforços de socorro seriam necessários.
Inicialmente, os estrangeiros, e especialmente os poucos
militares norte-americanos em suas fileiras, ficaram impressionados
com o que a Igreja tinha feito. Eles disseram que nenhuma outra
cidade que haviam encontrado até então havia feito tanto, ou estava
melhor preparada para uma catástrofe desta magnitude.
Essas novas tropas foram de grande valia para nós em nossos
esforços de recuperação. Eles não demoraram muito tempo para se
organizar e logo haviam equipes de socorro indo para cima e para
baixo das ruas, proporcionando assistência aos cidadãos. As tropas
também deixaram de Salt Lake City seguindo ao sul à área do Vale

172
John M. Pontius – Visões de Glória

de Utah, que também foi duramente atingida pelos terremotos, mas


tiveram apenas pequenas inundações onde os reservatórios
localizados haviam rompido.
Os trabalhadores de ajuda local uniram-se a vários grupos
dessas tropas estrangeiras. Nós trabalhamos com eles e andávamos
em seus veículos para nossas tarefas. Nós atuamos pelas ruas
vicinais, através de zonas residenciais, aproximando-nos do
Immigration Canyon. Fizemos uma parada em cada casa para ajudar
as pessoas, prometendo que outras equipes estavam logo atrás de
nós. Ainda estávamos em área residencial, a poucos quilómetros de
Point of the Mountain, quando eu percebi que a vista parecia errada.
Não se viam mais árvores ou postes de energia na direção ao sul.
Reduzimos e nos aproximamos com cautela. Nós não podíamos
acreditar em nossos olhos. Adiante de nós, o chão tinha cedido.
Eu andei até a borda e olhei abaixo para dentro do buraco.
Calculo que o solo tinha baixado uns 15 metros ou mais. A área
abaixo estava debaixo d'água, com destruição total. Dava para ver
que nada sobrevivera.
Ficamos ali meditando por um longo tempo até que o líder
militar disse-nos que era hora de partir. Voltamo-nos e saímos. O
sol estava se pondo no mais belo pôr-do-sol que eu já vira. A
atmosfera estava cheia de pó, o que criou os mais vivos vermelhos
e laranjas imagináveis. Estávamos nos afastando quando uma
hipótese formou-se em minha mente.
O terremoto não teve seu epicentro no meio de Salt Lake City,
mas aqui, onde esta terra tinha cedido. Aparentemente, ela
acobertara um enorme lago subterrâneo. Há uma grande falha que
corre bem ao longo da base da montanha, e menores falhas que saem
perpendiculares a essa. Aparentemente uma dessas fissuras leste-
oeste cedeu e derrubou esta extensão de terra para o lago
subterrâneo. Sem nenhum lugar para ir, exceto para cima, a água
tinha seguido as fissuras do terremoto para as galerias pluviais até
jorrarem para o alto dentro da cidade. Eu não tenho certeza se isso
é realmente o que aconteceu, mas é uma possível explicação para a
água proveniente do subsolo.

173
7 – Tribulação e Plenitude

Esta área que cedeu eventualmente formou um novo lago de


água doce que fluía para o Rio Jordan e, em seguida, ao Grande
Lago Salgado, que agora passou a ser de água fresca.
Levou um par semanas para a água escorrer para fora da cidade.
Continuamos a seguir as bordas de onde a água cedia, levando
socorro e enterrando os mortos. Quando pudemos finalmente ver o
Templo de Salt Lake e o Centro de Conferências, descobrimos que
o templo tinha sido inundado cerca de oito metros de altura, até às
janelas redondas. Ele ainda era majestoso e sólido. O
antigo Tabernáculo foi-se. Apenas o alicerce e umas poucas
madeiras ficaram. O Edifício Memorial Joseph Smith e o Edifício
dos Escritórios da Igreja continuavam de pé, mas haviam danos pela
água no piso inferior.
O Centro de Conferências sobreviveu com danos pouco mais do
que o alagamento nas áreas de estacionamento e nas salas menores.
O auditório principal inundou parcialmente, mas a maior parte foi
facilmente recuperado.
A inundação cedeu rápido o suficiente, para que ninguém
ficasse preso nos edifícios mais altos mais do que alguns dias.

Um Peste Devastadora
Por essa época, uma doença devastadora varreu a nação. Ela
veio em três ondas. Cada onda era mais virulenta, matando pessoas
mais saudáveis, e matando mais rápido. Elas varreram toda América
do Norte e do Sul e em todo o mundo, matando bilhões. Mas as
tropas que chegaram pareciam ser na sua maioria imunes a ela,
embora alguns deles morreram dela. Do total da população antes do
terremoto, estimei que 25 por cento morreram da praga. Eu soube
quando estava "voando" que a praga havia sido criada por homens,
e as tropas foram inoculadas contra ele, mas levou muitos meses até
que os sobreviventes da praga percebessem a verdadeira fonte. Vou
falar mais sobre este flagelo no próximo capítulo.
A anarquia começou a diminuir com os bandoleiros sendo
capturados e sumariamente executados pelas tropas. Eles não
tinham qualquer respeito pelos direitos civis, ou mesmo pelos

174
John M. Pontius – Visões de Glória

direitos humanos. Eles tinham um trabalho para fazer, e eles o


faziam isso com a força bruta e pouca empatia, o que pode ter sido
necessário nesse cenário, pelo menos no começo.
Quando as tropas chegaram a região de Salt Lake City, eles
elogiaram Igreja e surpreenderam-se com a extensão do socorro e
restauração alcançados. Mas com o passar das semanas eles
tornaram-se menos e menos tolerantes. Eles começaram tirando
proveito de qualquer caos existente. Por causa do colapso da
autoridade civil, a Igreja tornou-se o único grupo organizado
restante. A Igreja fora responsável por reconstruir e reorganizar e
não parou só porque os esforços de socorro tinham chegado. Esta foi
a primeira cidade onde as tropas haviam entrado que não abdicara
do controle dos assuntos civis em favor das tropas estrangeiras.
A organização da Igreja parecia frustrar os seus planos de
manter o controle. Em um curto espaço de tempo tornou-se evidente
que o seu principal objetivo foi o de estabelecer seu próprio governo
no lugar dos governos federal e local. Quando eles encontraram a
igreja organizada e funcionando como um governo genuíno, que
frustrava seus planos, e também criava uma cisão em suas fileiras,
em grande parte por origem nacional.
As poucas tropas dos EUA entre eles se recusaram a agir contra
a Igreja, assim como muitos da Europa. Alguns dos soldados que
resistiram eram membros da Igreja. As tropas da Ásia não
foram dissuadidas e a partir de então decidiram que a Igreja era um
inimigo e tinha que ser fechada ou destruída. Mas eles não podiam
simplesmente destruir a Igreja, por causa das tropas que
discordavam, e pelo fato de que quase todos os sobreviventes eram
membros da Igreja ou agradecidos a ela por suas vidas e bem-estar.
Uma quantidade considerável de propaganda impressa
começou a chegar do que parecia ser o que restou de nosso Governo
Federal. Eles anunciavam com grande alarde que este era o início
de uma "nova ordem mundial", alegaram que tudo tinha mudado no
mundo. Pela a primeira vez na memória, os Estados Unidos já não
eram capazes de atender às suas necessidades básicas, e o resto do
mundo estava acolhendo-nos para este novo mundo. A

175
7 – Tribulação e Plenitude

lógica utilizada foi: "Por que outra razão eles estariam aqui com
alimentos e medicamentos, em vez de com armas e bombas." O
nosso próprio governo parecia convidar todos os cidadãos norte-
americanos a sujeitar-se e aceitar as mudanças na autoridade civil.
Não demorou muito tempo para a maioria das pessoas concluir
que nosso Governo Federal deixara de existir e que essa propaganda
foi criada pelas tropas estrangeiras.
A atitude de quase todos mudou de alivio e aceitação para
desconfiança de que essas tropas estrangeiras eram um exército
invasor. Houve um enorme crescimento de locais de resistência e
desconfiança. Especialmente na área de Utah, as pessoas achavam
que eles vieram para destruir nossas liberdades e nossa Igreja – o
que resultou sendo verdade. Algumas pessoas começaram a
secretamente desobedecer às suas novas "leis." No entanto, quem
escutasse o Espírito Santo sabia que resistir a esses soldados não era
a vontade do Senhor. Ele tinha a sua própria agenda, e aqueles que
lhe deram ouvidos só observavam e esperavam no Senhor.
As tropas estrangeiras primeiramente travaram uma campanha
de propaganda, tentando destruir a confiança das pessoas na Igreja.
Eles fizeram isso, publicando mentiras e acusações. Eles se
infiltravam nas nossas reuniões locais ou pagavam pessoas para
obter informações sobre o que estava acontecendo nas alas e estacas
locais. Em seguida, criavam algum tipo de tumulto, apenas para ver
quem era fiel à Igreja e que seria fiel à autoridade estrangeira.
Eles passaram leis declarando que a Igreja não tinha autoridade
em assuntos civis. Em seguida, falsamente acusaram e prenderam
os líderes-chave por envolver-se em assuntos civis. Isso era crime
contra as novas leis. Alguns destes líderes foram executados
publicamente, o que drasticamente obscureceu o humor do povo
para com as tropas. Num curto período de tempo, eles efetivamente
baniram a Igreja de todas os assuntos civis. Uma vez que eles não
poderiam distinguir um "Mórmon" de outras pessoas apenas por
olhar por olhar para eles, eles tornaram ilegal a qualquer americano
ocupar uma posição de autoridade em matéria civil.
O humor de alguns dentre o povo tornou-se rebelde, e
juntamente com as tropas que haviam deserdado das forças
176
John M. Pontius – Visões de Glória

estrangeiras, fugiram de suas casas para as montanhas.


Eles tomaram armas e provisões com eles e periodicamente
atacavam as tropas estrangeiras. Os seus esforços foram pouco
inspirados, pois logo em seguida foram mortos ou capturados, ou
mesclaram-se novamente na sociedade. O resto das pessoas
silenciosamente voltou-se para a oração e a fé, e davam ouvidos
para a liderança da Igreja. A Igreja começou a funcionar em silêncio
para realizar a missão do Senhor e não tinha medo das tropas, mas
também não os provocava.
Eu nunca vi um grupo oficial do exército americano ou Guarda
Nacional. Descobri mais tarde que as armas nucleares foram
detonadas para destruir grandes instalações de defesa em todo o país
e em Utah. Houve um primeiro ataque contra os Estados Unidos, e
veio sem aviso prévio.
Nesse período, a mesma praga que devastou boa parte da costa
leste chegou em Utah ao se alastrar por todo o país. As tropas
estrangeiras trouxeram equipamentos para lidar com a
contaminação, como se estivessem esperando pela epidemia, e
poucos deles adoeceram. Como eu disse, descobrimos mais tarde
que essa peste foi criada por homens, e as tropas tinham sido
inoculadas contra o patógeno que causou a peste.
As tropas estrangeiras estavam preparadas em outras formas.
Eles tinham pôsteres impressos 1 que eles exigiam que todos
afixassem na porta da frente.

1
Quando Spencer descreveu esse cartaz da epidemia para mim, eu não
consegui imaginá-lo. Eu pedi-lhe para fazer um esboço do que e percebi que
ele estava desenhando um símbolo da ONU, e o círculo com a linha diagonal
foi um símbolo internacional para "não." Desenhei a imagem acima e
mostrei-a a Spencer. Ele disse, "onde você encontrou?" eu perguntei, "isto
está correto?" Ele respondeu, "é exatamente como me lembro dela! Onde
achou?” Já que aparentemente era essa mesma, achei que valeria a pena
incluir no livro. É também de grande interesse, que na visão do John Taylor,
gravado no Apêndice A, no final deste livro, ele descreve emblemas ou sinais
de luto em cada porta, "em toda a terra, e em todo lugar".
177
7 – Tribulação e Plenitude

O sinal era um círculo preto com uma linha diagonal no meio,


dentro de uma grinalda de louros. O sinal tinha a palavra "PRAGA"
em letras vermelhas impresso atrás a linha preta. Havia uma linha
de adesivos brancos, numerados na parte inferior do cartaz.
Haviam instruções no cartaz. Nós devíamos colocar um adesivo no
lado esquerdo do cartaz sobre a linha preta indicando quantas
pessoas estavam vivas na casa. Quando alguém morria,
marcávamos o número de mortos no lado direito do cartaz sobre a
linha. E então, mudávamos o número dos vivos. Os
adesivos podiam ser reutilizados sempre que necessário. Era um
momento de terrível aflição quando alguém tinha de mudar os
adesivos. Muitas vezes, as pessoas estavam em volta da porta da
frente, chorando e orando por forças apenas para mover os
adesivos.
Quando os soldados chegavam, eles passavam em cada casa e
apontavam uma pistola leitora no cartaz. A pistola estava ligada a
um computador portátil que recordar cada casa por sua posição no
GPS. Se os números haviam mudado, indicando uma outra morte,
puxado para a sua garagem.
Foram-nos dados sacos e fomos instruídos a colocar nossos
mortos na varanda de trás ou no quintal, e eles vinham recolhe-los
no fim da tarde. Quando a praga estava em sua fase mais mortal,
que levava dias, ou mesmo semanas, para os caminhões alcançarem
178
John M. Pontius – Visões de Glória

as ruas mais afastadas. Estavam mais preocupados em controlar o


centro da cidade e só deixaram a área quando todos os mortos
tinham sido recolhidos.
Quando uma pessoa contraia a peste, ela tinha muitas pústulas
na pele, semelhantes a cravos. Estas cresciam em tamanho e
quantidade até que quase todo o seu corpo estava coberto por elas.
Eles adoeciam muito rapidamente. O prurido e a dor eram intensos.
Pouco antes da morte, a pústula rebentava e escorria. Este
líquido era extremamente contagioso. Todos os que o tocavam
adoeciam.
Aprendemos tudo isso pela triste experiência. Muitas pessoas
que sabiam que iam morrer fechavam-se nos sacos para cadáveres
antes das pústulas abrirem, para poupar seus entes queridos de ter
de lidar com seus corpos. Estes foram dias tenebrosos. Os muito
jovens e muito velhos morriam primeiro. Aqueles que tentavam
ajudar os outros se contaminavam ao tocar o fluido, morriam em
seguida.
A praga, por fim, matou mais de metade daqueles que foram
expostos a ela. Algumas pessoas sobreviveram por alguma
imunidade natural ou intervenção divina. Assim que os sintomas
apareciam, a pessoa morria cerca de doze horas mais tarde. A
praga chegou em três ondas, cada uma delas atingindo o grupo mais
fraco de pessoas. Se você adoecia e, de alguma forma sobrevivia,
você ficava imune.
Os militares que atendiam os mortos vestiam trajes brancos
anticontaminação. Eles tiravam os corpos dos mortos para parques
ou estádios de futebol onde haviam cavado imensas valas. Os
mortos eram, em seguida, embebidos em combustível e cremados.
As tropas não falavam conosco, pois a maioria deles não falava
inglês. Eles eram frios e apáticos. Eles só tinham aquela tarefa
desagradável que eles estavam determinados a realizar sem
contaminar-se e sem enlouquecerem com tanta morte. Eles
também não nos perseguiam. Tudo era impessoal.
Quando eu tinha visto estas cenas enquanto "voava" sobre a
paisagem, eu vi cidade após cidade em toda a nação onde estes

179
7 – Tribulação e Plenitude

cartazes estavam nas portas. Não entendi o que significava até que
eu vi nesta última parte da visão onde eu estava em solo vivendo
como participante. Eu fiquei com a impressão de que entre o
terremoto e a praga, mais de metade da população tinha morrido,
mais no litoral e menos no interior.
A cena tornou-se mais e mais horrenda conforme eu assistia o
tempo passar. Em Utah, e outros lugares onde as pessoas tinham
dado ouvidos às advertências para armazenar alimentos e preparar-
se espiritualmente, havia esperança. Em outros lugares, as pessoas
perderam a esperança. Algumas pessoas intencionalmente
contaminaram-se com a peste depois de assistir seus entes queridos
morrerem. Em lugares onde as pessoas não tinham esperança, coisas
terríveis aconteceram que eu acho melhor nem contar. Basta dizer
que crimes hediondos eram comuns.
Em áreas densamente povoadas, a fome e a sede levaram as
pessoas a fazer o impensável, cumprindo muitas profecias destes
tempos a que Cristo se referia a como a "abominação da desolação."
A civilização estagnou, em expectativa pelo fim de toda a vida, e as
pessoas desesperavam-se em voz alta, dizendo que Jesus Cristo
estava atrasando sua vinda até depois do fim de toda a vida na terra.
Em tudo lugar onde a Igreja era prevalente, as pessoas se deram
muito melhor devido à preparação do povo e da Igreja. Alimentos e
água ainda estavam disponíveis. Grandes refeições foram
preparadas e servidas em locais públicos, que na maioria eram
igrejas. As pessoas tinham, pelo menos, uma boa refeição por dia.
Muitos vieram com mais alimentos do que consumiam, sustentando
o esforço de socorro e acalmando o medo. Ninguém se rebelava.
Nós dividíamos o que tínhamos com todos.
Conquanto a Igreja não participasse na vida cívica e decisões,
as tropas estrangeiras permitiam esses esforços e contribuíam para
que a comida fosse servida.
As Igrejas, SUD(NT-13) e outras, organizavam-se em famílias nos
alojamentos. As tropas traziam água em grandes caminhões-pipa.
Água era racionada, mas era abundante. A comida era simples. Eu
não via muita carne; a maioria eram alimentos armazenados da
população local e da Igreja.
180
John M. Pontius – Visões de Glória

Se alguém adoecia, havia um protocolo onde um médico ou


enfermeiro local se certificava de que era a praga e, em seguida, as
tropas estrangeiras o levavam para os hospitais maiores.
As tropas continuaram a exercer mais e mais controle, incluindo
a criação de lei marcial e a suspensão das liberdades civis. A
aplicação de suas leis novas se dava por um aviso, pela recusa de
comida e serviços complementares para sua família, ou pela pena
de morte. Eles não mantinham prisões.
Foi por este tempo que a praga atingiu a Europa, Ásia e África.
Não creio que tenha iniciado lá ou que houvesse intenção de que lá
chegasse, mas ela ficou fora de controle e cruzou os oceanos. A
devastação foi muito mais grave do que nas Américas. O
resultado ao longo do tempo foi um colapso total da sociedade.
Também ouvimos de grandes catástrofes naturais já em curso em
todo o mundo. Houve furacões, tornados, inundações, terremotos, e
doença. Este foi o período em que a massa de terra surgiu na região
do Golfo do México e a tsunami varreu tudo em direção norte.
Inicialmente, os Estados Unidos da América foram mais
duramente atingidos por tudo isso, mas quando as assolações
atingiram a nações que tinham lançado a praga e detonado as armas
nucleares, foi muito mais destrutivo sobre eles. Ruíram inteiramente
todos os seus governos, instituições financeiras e suas economias.
Tiveram fortes terremotos e movimentos continentais, e seus motins
e guerra eram muito mais devastadores do que na América. As
pessoas estavam tentando deixar os continentes m multidões. Como
eu vou explicar mais detalhadamente mais tarde, anjos e seres
transladados ministravam pelos dignos e fiéis e os protegia ao
encetarem sua jornada a Sião.

A Marca da Besta
Em todas as minhas visões, eu nunca vi alguma marca nas
pessoas, ou ouvi pessoas falando de serem obrigadas a receber uma
marca ou microchip para comprar e vender. Era verdade que cada
um de nós tinha um número no nosso nome, e esse número era

181
7 – Tribulação e Plenitude

necessário para qualquer transação de vulto, tal como a compra de


uma casa ou obter crédito. Isso pode ter sido parte da marca.
Mas o que eu vi foi que nós nos marcamos espiritualmente. Esta
marca começou talvez trinta anos antes da tribulação, quando a
contracultura do politicamente correto começou, e o ataque aos
valores e tradições cristãs começou. Em um primeiro momento,
parecia tão inofensiva que era ridícula, como uma doença a que
todos nós imunes. Em breve, no entanto, ganhou novas cores como
significando compaixão, lealdade, aceitação, tolerância e igualdade.
Daí, ela evoluiu em poder, com a capacidade de pegar qualquer
verdade e repintá-la como uma mentira, ou pegar qualquer mentira
e colocar-lhe uma nova etiqueta como verdade. Submeter-se a essa
linha de pensamento e sair de sintonia com Espírito Santo marca-
nos com trevas. É uma marca que colocamos na nossa própria alma.
Não era visível para outro homem, mas quem se havia marcado
desta forma não podia discernir o Espírito Santo, e eles
encontraram-se completamente dependentes das tropas
estrangeiras, que na verdade não tinham interesse a longo prazo na
sua sobrevivência.
Quando as tribulações começaram era quase impossível àqueles
que haviam recebido a marca da besta ver mão de Deus buscando
levá-los à segurança. Eles estavam cegos para a única coisa que
poderia socorrê-los, e muitos acabaram perdidos.

Sinais da Segunda Vinda


O inverno que chegava era ameno. O céu estava carregado de
cinzas, fumaça e vapor. O sol ainda parecia tão quente quanto antes,
mas o clima era ameno. Impressionantes poentes e nascentes
abundavam. Muitas vezes parávamos para e assistir, imaginando o
que significavam. A neve não aparecer naquele inverno, o que foi
causa de grande alívio e de maior sobrevida. A maioria das pessoas
não tinham meios eficazes de aquecer qualquer um dos edifícios em
que viviam.
A atmosfera da terra parecia diferente desde então. Um processo
de purificação estava ocorrendo. Embora estivéssemos enfrentando

182
John M. Pontius – Visões de Glória

grande devastação, a água ficou mais clara e limpa nos rios e lagos.
Você podia exergar a uma grande distância no fundo dos lagos. A
terra estava sendo aparentemente limpa e purificada. Muitas
pessoas comentavam e se admiravam dos grandes "sinais e
maravilhas" que se manifestavam sobre a terra e o céu.
Vimos diferenças nas constelações, o que nos fez indagar-nos se a
terra estava saindo de sua órbita normal. Isso causou pânico
mundial quando observado pela primeira vez, mas havia tanto medo
entre os Santos. Nós sabíamos que mão de Deus estava sobre nós e
que estes eram os "sinais da segunda vinda" que o mundo tinha
esperado tanto para ver.

Ressuscitando um Menino Morto


Uma das minhas lembranças favoritas daqueles momentos na
visão era de estar no porão de uma antiga Igreja SUD em Salt Lake
City. Estávamos cantando ao redor de um piano quando a esposa do
correu para o quarto e pediu a mim e a alguns outros para subir e
abençoar o bebê, que recém adoecera. Apressei-me ao andar de
cima e examinei o menino sem tocá-lo. Eu não vi os, agora
familiares, sinais da peste nele. Ele tinha cerca de dois anos de
idade, com cabelos loiros. Seus olhos azuis estavam abertos,
absortos. O seu corpo era magro pela dieta pobre. O seu rosto era
sarapintado, com veias transparecendo, como se ele estivesse
sufocado. Ele não estava respirando e não tinha pulso.
Ungimos a criança com óleo consagrado. Sua mãe pediu-me
para pronunciar a bênção. Vários outros irmãos juntaram-se a mim.
Depois de uma curta pausa para ter certeza de que estava a ouvir o
Espírito Santo corretamente, e para dar a minha coragem um
momento para alcançar a minha fé, eu disse: "Tommy, em nome de
Jesus Cristo, eu te ordeno que fique curado. Em nome de Jesus
Cristo, amém." Foi uma curta bênção, só aquelas poucas palavras.
O menininho instantaneamente despertou da morte, teve uma
inspiração profunda, e começou a chorar. Sua mãe chorou de alegria

183
7 – Tribulação e Plenitude

e tentava confortar seu filho. Sua aparência rapidamente se tornou


normal e em pouco tempo ele voltou a brincar.

Plenitude do Sacerdócio
Nós que tínhamos participado na ressuscitação do garotinho
conversamos por um longo tempo sobre isso, porque nós tínhamos
dado bênçãos de sacerdócio centenas de vezes desde que as
catástrofes começaram, e descobrimos que não tínhamos poder para
parar a praga, e só ocasionalmente pudemos levantar os mortos.
Tivemos maravilhoso sucesso contra algumas outras aflições, mas
nunca como um milagre como este. O Espírito Santo operou em
nós, e nós percebemos que agora tínhamos a plenitude do
sacerdócio. Nos regozijamos e rapidamente começamos a passar de
pessoa em pessoa na Igreja e comunidade, curando a maioria deles.
A alguns não tivemos permissão para curar, porque isso não era
plano do Senhor para eles. Não questionávamos porque dávamos as
bênçãos como o Espírito ditava, e seguíamos em frente. O Espírito
Santo dizia-nos para onde ir e a quem devíamos curar. Daí em
diante, 100 por cento das pessoas que administramos a foram
curadas ou retornaram da morte. Nenhuma palavra pode descrever
o alívio e a alegria que sentimos ao seguirmos de porta em porta.
Tínhamos certeza em nossos novos dons, e a nossa fé em Jesus
Cristo era profunda. Sabíamos que podíamos, e o fazíamos.
Trabalhamos dia e noite para administrar pelo povo, ao mesmo
tempo admoestando cada pessoa envolvida para evitar revelar essa
mudança para as tropas estrangeiras.
Outros grupos de portadores do sacerdócio descobriram a
mesma bênção, e uma grande restauração da saúde física e
emocional das pessoas rapidamente aconteceu.
Esse novo poder deu grande esperança e coragem entre os
Santos. Este foi um poderoso evento unificador entre nós. Fez-nos
fortemente coesos e unidos – unos de coração. A coragem e a fé não
foram apenas restauradas, mas elas foram amplificadas e eram
visíveis diante de todos. Nós já sabíamos, naquele momento, que

184
John M. Pontius – Visões de Glória

iríamos sobreviver, e que Deus estava começando a fazer milagres


para salvar-nos. O dia dos milagres tinha começado.
Neste momento, tivemos também um aumento no trabalho
missionário. As pessoas de outras religiões podiam ver com olhos
abertos pelo Espírito Santo que os milagres estavam acontecendo.
Curou a muitos deles e a seus filhos. Eles queriam saber o que
tínhamos que nos fazia diferentes. Nós lhes ensinamos, e muitos
deles com gratidão se juntaram a nós e começaram o seu próprio
ministério milagroso nos últimos dias.
Começamos a receber instruções e atualizações regulares da
Igreja. A lista de vítimas entre os Irmãos foi publicada e nós
choramos a perda substancial de nossos amados líderes. Eu me
lembro da maioria dos nomes dos mortos e dos sobreviventes, pois
as repetimos entre nós muitas vezes e oramos por suas famílias. Mas
optei por não revelar seus nomes.
A vida chegou a uma espécie de equilíbrio. A peste estava quase
no fim nesta parte do mundo, apesar de ainda acontecer noutros
países. Nós tivemos um certo grau de restauração da sociedade, e
tínhamos aquele maior poder do sacerdócio. O nosso coração
voltou-se para a reedificação, especialmente da Praça do Templo.
Andei até lá centenas de vezes para ajudar na limpeza. O Templo
tinha sido inundado cerca de oito metros, como já mencionei, e
apenas oficiantes dignos foram autorizados a entrar. O meu trabalho
dentro do templo era um doce prazer à minha alma.
Houve um senso de unidade e propósito entre aqueles que se
reuniram para reparar e recuperar os jardins do templo como eu
nunca sentira antes. Não houve desespero, nem discutições, nem
opiniões contrárias, apenas fraternidade e solidariedade.
Aqueles cujas vozes eram de fúria não juntaram-se a nós nesta parte
de nossa reedificação.
Já haviam passado vários meses desde a inundação, e perto de
outubro, mas não estava frio. O céu estava tão cheio de detritos que
não esfriava. Suponho que esta foi uma real mostra do aquecimento
global. Provavelmente ele salvou as nossas vidas. Temos trabalhado

185
7 – Tribulação e Plenitude

na lama e em edifícios encharcados o dia inteiro e, no entanto, não


sofríamos de frio.
Notei que eu tinha uma grande reserva de energia e mais força
física do que eu jamais tivera em minha vida. Eu tomava cuidado
para não exibir esses pontos fortes abertamente mas para trabalhar
constantemente e ajudar os outros a remover árvores ou estruturas
caídas, eu era capaz de fazer muito mais do que os outros percebiam.
Observei que muitos outros em nossos grupos tiveram habilidades
similares. Pelo menos metade deles eram mulheres. Nós
rapidamente aprendemos a reconhecer outras pessoas que estavam
começando a se transformar. Não havia brilho ou sinal exterior, mas
houve uma essência ou aparência em nós que outros como nós
podiam ver. Não falávamos um com o outro sobre o que se passava
conosco porque nenhum de nós realmente entendia.

Conferência Geral
Perto do fim do ano, a Igreja anunciou que haveria uma
conferência geral e um serviço fúnebre geral de todos os mortos,
inclusive Autoridades Gerais, no Centro de Conferências no
primeiro domingo de Outubro. Todos nos alegramos, mas também
choramos por nossos entes queridos.
Todos os meus filhos tinham-se mudado para outras partes do
país antes das tribulações começarem, e eu não tinha a menor ideia
sobre o seu bem-estar. Eu nunca vi a minha esposa novamente. Lyn
infelizmente pereceu no dilúvio ao primeiro dia, e eu sentia
profundas saudades. Mas cumpri meu luto por ela com uma
sensação de grande alívio. Ela não estava bem naquele momento.
Esta vida nova que tem sido demais para ela. Eu estava feliz por ela
não ter que passar por aquilo, e eu sabia que ela estava totalmente
envolvida em abençoar seus filhos em sua nova posição. Eu também
percebi que ela olhava por mim e que estava consciente das
mudanças que estavam acontecendo em mim. Ofereci-lhe um
comovido adeus, sabendo muito bem que não muito longe no futuro
eu iria abraçá-la novamente quando Cristo finalmente retornasse.

186
John M. Pontius – Visões de Glória

Os representantes da Igreja passaram pelos trabalhadores na


Praça do Templo, e em seguida, de rua em rua, distribuindo
ingressos para esta próxima conferência. Haveriam quatro sessões
da conferência. Os bilhetes eram tiras de papel rasgado. As
sessões foram distinguidas por bilhetes brancos, azuis, verdes e
vermelhos. Foi-me entregue um bilhete vermelho, o que indicia a
última sessão do dia.
No dia da conferência, já que ia na última sessão, subi as escadas
para o piso superior do Edifício Memorial Joseph Smith e encontrei
um lugar na janela onde está hoje o restaurante. Eu estava olhando
diretamente para o anjo Moroni e o jardim abaixo. Cada centímetro
da área abaixo estava cheio de gente. Eles tentaram vestir traje de
domingo, mas a água era escassa para lavar e suas roupas estavam
um pouco manchadas. Esta foi a primeira vez, desde a inundação,
que eu estava dentro de um prédio alto, e fiquei chocado com tanta
destruição ainda evidente, tanto quanto eu podia ver.
A Igreja colocou telões ao lado do templo e em outros prédios
para que as pessoas pudessem ver e ouvir a qualquer sessão de
conferência que quisessem. Havia gente demais para que todos
pudessem sentar dentro, mesmo com quatro sessões. O
povo espalhava-se nas ruas. Todos poderiam ouvir a transmissão em
alto-falantes, e a maioria podia ver os telões.
Grandes áreas foram reservadas para a preparação e serviço de
alimentação, uma vez que agora quase tudo era feito
comunitariamente. As tropas estrangeiras desocuparam a área para
dar espaço. Não havia necessidade de polícia porque a harmonia e
a unidade eram tão fortes que mesmo eles podiam sentir.
Não havia carros nas ruas. Nada se movia. A eletricidade não
tinha sido restaurada, mas eu podia ouvir os geradores funcionando
próximos aos telões, adiante do Centro de Conferências. No prédio
em que eu estava, havia eletricidade, mas a maioria das salas ficava
no escuro. O dia raiou claro e morno. As pessoas abaixo só
precisavam de paletós ou malhas.
A primeira sessão da conferência foi um serviço fúnebre. Todos
os nomes dos Autoridades Gerais que eram confirmados mortos

187
7 – Tribulação e Plenitude

foram lidos. Eu fiquei chocado com tantos nomes de conhecidos que


haviam perecido; alguns eram meus conhecidos e amigos de longa
data. No Centro de Conferências haviam dezoito caixões vazios
abaixo do suporte, representando os muitos mortos que haviam sido
enterrados semanas ou meses atrás.
Houve uma sensação quase elétrica do Espírito Santo no meio
de nós. Choramos pelos mortos fiéis, mas também sentimos que
algo maravilhoso iria acontecer nesta conferência. Não havia
nenhum medo, nenhuma discórdia, apenas um senso de antecipação
e poderosa união.
Quando a primeira sessão terminou, o próximo grupo de fiéis
entrou no Centro de Conferências, e uma sessão um pouco diferente
foi aberta. Os mortos foram mencionados, mas sem cerimonial.
Alto-falantes ensinaram poderosos princípios do evangelho e
instruíram-nos sobre planos para reconstruir e reagrupar.
A terceira sessão foi no final da tarde. Ela também era diferente
das sessões anteriores, bem como falou sobre o futuro da Igreja e o
futuro do mundo. Foi anunciado que a sessão final não seria
transmitida e convidaram as pessoas reunidas do lado de fora para
retornar a suas casas.
No momento em que a terceira sessão evacuou o Centro de
Conferências, o sol estava baixo no céu. Tomei o elevador para
baixo, no porão. Eu entrei através do túnel e cheguei bem ao lado
do batistério do templo. Eu saí pela porta junto ao mastro da
bandeira e entre o Templo e onde o Tabernáculo costumava ser.
Encontrei muitos outros com bilhetes vermelhos atravessando a rua.
Não havia nenhum tráfego, por isso, andamos em frente como a
frente de um exército. Estávamos todos vestidos de roupas de
domingo, mas a maioria de nós estavam um pouco sujos e
manchados pela falta de água e as condições nas ruas.
Eu entrei para o Centro de Conferências e apresentei o meu
bilhete. Irmãos às portas conduziram-me para a sessão e dirigiram-
me para o andar principal. Eu estava feliz por ocupar um lugar mais
próximo da frente no andar principal. O Centro de Conferências
cheirava úmido mas não mofo. Os pisos estavam secos, mas danos
pela água eram evidentes até uns três metros nas paredes.
188
John M. Pontius – Visões de Glória

As autoridades gerais já estavam no púlpito. Apenas um irmão


sentou-se nos três lugares reservados para a Primeira Presidência.
Eu reconheci todos dos Doze que permaneceram.
Eu continuei a olhar os bancos à minha direita do púlpito e
reconheci outros dos Doze, com muitas cadeiras vazias. Ao meu
lado esquerdo do púlpito sentaram-se muitos irmãos que eu não
reconheci imediatamente. Continuei a estudá-los com atenção. Pude
sentir o Espírito mais forte dentro de mim, e, de repente, percebi que
uma das pessoas no púlpito era Joseph Smith Jr., o profeta da
Restauração. Talvez os meus olhos chegaram a ele mais cedo
porque ele estava vestindo um terno de linho, camisa branca e uma
gravata cor de linho. Todos os outros usavam ternos escuros. Ele
parecia bastante diferente das pinturas e estátuas que eu tinha visto
dele, mas sua identidade veio para mim ardendo como um raio de
revelação. Eu simplesmente sabia quem ele era. Ele se assentou,
estudando o a congregação diante dele.
Acho que reconheci John Taylor e Brigham Young, mas eu não
estava inteiramente certo porque eles estavam mais jovens do que
pareciam nas fotos que eu tinha visto deles. Convenci-me de que
alguns dos outros no estande eram seres ressuscitados, embora eu
não soubesse os nomes deles.
A conferência começou como qualquer outra. O Apóstolo
sênior sobrevivente pôs-se em pé deu boas vindas e anunciou a
primeira parte da reunião. Sentados nas suas habituais poltronas
vermelhas estavam cerca de metade do Coro do Tabernáculo. Em
vez de se agrupar para a frente, eles se sentaram em seus lugares
habituais, deixando evidentes as lacunas entre eles em homenagem
aos que morreram. Eles se levantaram e cantaram. A oração seguiu-
se e o coro cantou novamente. A eletricidade falhou algumas vezes
durante o coro, fazendo o som de sua voz baixar, aumentar e baixar
de novo.
Após isso, eles nomearam os novos apóstolos que iriam
preencher os lugares vagos no Doze. Reconheci alguns destes
irmãos, mas não todos eles. Eles anunciaram a nova Primeira
Presidência, e os novos irmãos encaminharam-se para seus lugares.

189
7 – Tribulação e Plenitude

Foi-nos pedido o apoio para esses chamados, e o fizemos com


braços levantados e exclamando "sim!" O que eu nunca tinha antes
ouvido na conferência, mas foi espontâne e cheio de alegria.
A primeira pessoa que falou foi o meu amigo dos Doze, que já
tinha morrido há muitos anos. Emocionei-me de vê-lo mais uma vez
e chorei, pois o amava e tinha saudades, mas também porque ele
estava aqui, falando nesta conferência com outros dignitários do
passado. Foi um poderoso sinal desses grandes dias agora
alvorecendo. Ele falou do cumprimento de tudo o que os profetas
haviam predito. Ele testificou de Cristo em termos tão poderosos
que eu sabia e todos sabiam que ele tinha visto a Cristo e esteve nos
seus braços. Ele leu as escrituras sobre o cumprimento das
dispensações, mas ele mudou algumas palavras de modo que, em
vez de falar do futuro, eles testificavam de coisas presentes.

Joseph Smith Jr.


A autoridade presidente, em seguida, anunciou que tinha uma
pessoa especial que iria dirigir-se a nós. Então ele introduziu Joseph
Smith Jr., que se levantou e andou até o púlpito. Ele era mais alto e
de ombros mais largos do que eu tinha imaginado. Ele ficou em
silêncio por um momento, olhando para toda a vasta assembleia.
Quando ele falava, sua voz era leve, pura e inabalável. Sua voz
tinha o poder do conhecimento absoluto subjacente. Entendemos
que sua fé e conhecimento eram perfeitos. Ele tinha o domínio do
uso do idioma e era capaz de falar com cores e poder de descrição
que poucas pessoas possuem. Juntamente com o fato de que fomos
infusos com o Espírito Santo, você pode entender por que ficamos
tão enlevados por ele. Ele teceu as elocuções proféticas das
escrituras e seu próprio testemunho juntamente com tanta
eloquência que ninguém pôde duvidar ou negar a sua verdade e
poder. Além disso, estou certo de que cada alma presente já fluía
luz e a verdade, e o seu testemunho brilhou em nosso entendimento
e nos deu mais motivos para nos alegrar.
Estava tão silencioso no prédio que você poderia ouvir
alguém inalar. Eles não queriam sequer que o som do seu coração

190
John M. Pontius – Visões de Glória

os fizesse perder uma única palavra. Todos os olhos estavam


colados nele, cativos pela sua presença. Houve uma luminescência
de justiça sobre ele.
Ele nos deu boas vindas e deu seu testemunho do Salvador. Ele
virou-se e reconheceu as autoridades viventes e deu o nome de cada
um deles. Ele verificou que tinha sido chamado por Deus e que ele
não estava ali para assumir, ou ser o atual profeta. Ele disse que ele
teve sua própria designação em relação a edificação de Sião, que
iria nos ajudar na grande tarefa diante de nós, e que ele iria trabalhar
através do profeta ordenado e não por si mesmo.

Adam-ondi-Ahman
Joseph disse, "Eu gostaria de falar de um evento que aconteceu
há algumas semanas no vale de Adam-ondi-Ahman." Virou-se para
o recém-ordenado profeta em gesto afirmativo, como se buscando a
sua aprovação. O profeta fez gesto afirmativo. Joseph, então, falou
para cerca de noventa minutos, informando-nos sobre o grande
encontro de Adam-ondi-Ahman, que tinha acabado de ter lugar. Ele
ensaiou os acontecimentos em grande detalhe. Ele descreveu como
uma plataforma temporária tinha sido construído, e o único
assentado sobre ela foi Adão. O grupo era pequeno, portanto, não
houve necessidade de um sistema de alto-falantes. Ele mencionou
cada cabeça de dispensação, sua descrição física, o que ele tinha
dito, e que ele havia relatado.
Nunca antes, em tudo o que vivi, havia um mais poderoso
testemunho sido prestado entre os homens.
Joseph então disse que Adão recebeu o relatório de cada profeta,
Joseph relatou por último. Ele relatou-nos com grande emoção que
ele então virou-se para o Adão e testificou em nome de Jesus Cristo,
que o seu trabalho tinha sido cumprido, não tudo, mas a sua
designação fora cumprida.
No momento da reunião, Joseph relatou que Jesus Cristo, em
seguida, apareceu em glória ao lado de Adão. Adão ajoelhou-se e
relatou a Jesus Cristo que o trabalho já tinha sido cumprido. Jesus

191
7 – Tribulação e Plenitude

Cristo, em seguida, aceitou o seu relatório e pronunciou que era bom


e elogiou a sua fidelidade.
Em seguida, Joseph falou sobre a reunião dos Santos nestes dias.
Ele disse que havia uma coligação ocorrendo em Salt Lake City, e,
por causa dos recentes acontecimentos, que alguns dos fiéis seriam
inspirados em todo o mundo para vir a este lugar. Ele disse que
aqueles que chegaram até aqui viriam do estandarte sob o estandarte
de Deus, e que devemos receber e cuidar deles.
Ele nos informou que muitos outros lugares por todo o mundo
se tornariam "cidades de Sião" e lugares seguros de reunião para os
Santos. Ele disse que o "Local Central de Sião" que fora conhecido
como Missouri, atrairia aqueles ordenados para reunir-se ali, e
quando estivéssemos todos reunidos nesses lugares seguros, então
o trabalho do milénio começaria. Disse que quando todos os eleitos
estivessem reunidos com segurança em Sião, Jesus Cristo, ele
próprio, viria para governar e reinar sobre a terra.
Quando ele disse estas palavras, um grito espontâneo de
"Hosana!" levantou-se de nossos corações e lábios.
Joseph falou sobre a restauração de todas as coisas, que todas as
bênçãos e poderes que sempre houveram, desde o início dos tempos,
eram agora restauradas em sua plenitude neste momento. Ele
salientou que todos os dons como parte da plenitude do sacerdócio,
incluindo o poder da transladação, eram agora restaurados em maior
medida do que nunca antes nesta terra. Ele disse que até mesmo os
milagres que hoje estávamos começando a experimentar entre nós
parecerão pequenos quando comparados com o que ainda estava
por vir. Isso, disse ele, é o que se entende por "plenitude
dos tempos".
Ficamos extasiados porque estávamos pensando como podia ser
isso, que mais coisas poderiam acontecer do que as que aconteciam
neste momento? Estávamos aqui ouvindo um profeta ressuscitado e
olhando profetas ressuscitados no púlpito. Nós já tínhamos a
plenitude do sacerdócio, porém, reconhecíamos não saber o que isso
significava exatamente. Diariamente participamos de milagres.
Todos nós tínhamos visto anjos e estávamos em processo de
alteração física – não podíamos imaginar algo maior. Mas isso não
192
John M. Pontius – Visões de Glória

nos impediu de acreditar em suas palavras; apenas não podíamos


imaginar algo maior, e a força da sua afirmação ardeu com brilho
em nossas almas, iluminando nossas mentes e elevando as nossas
esperanças para além dos limites da crença humana.
Não havia um olho seco no recinto. Todos nós choramos
abertamente, de alegria e muita esperança. Eu chorava tão
profundamente pois percebi neste momento que tudo o que eu tinha
visto, e tudo o que me havia sido prometido, era realizado neste
momento. As promessas foram cumpridas. Estava feito. Minha
jornada, que eu julgara me trazer ao presente momento, foi alterada
na minha alma e minha verdadeira jornada tinha apenas começado.
Os dias e os anos da minha infância espiritual terminaram, e eu
estava preparado. O martelo de forja do refinador havia caído sobre
mim até que todas as impurezas e a escória finalmente desapareceu.
Eu não podia conter minhas lágrimas, alívio e assombro, porque
aqui estava eu, sentado em roupas enlameadas, em um edifício
danificado, com as luzes falhando, em um mundo devastado, onde
nada restava da sociedade. No entanto eu tinha finalmente chegado
ao início do caminho que por tanto tempo havia sido no meu
coração, mas até agora além da minha capacidade de reivindicação.
Agora neste momento inesperado, sentado antes seres ressuscitados
do passado as dispensas, eu tinha finalmente chegado ao início de
minha missão nos últimos dias.
Joseph pausou por um longo período até que houve silêncio
absoluto. Ele parecia estar lutando com suas emoções e lançava
olhares à direita. Por fim, ele moveu sua mão para a pessoa
sentada logo à direita da nova Primeira Presidência e clareou sua
garganta.
Eu não tinha ideia de quem era essa pessoa. Ele estava vestido
com um simples terno preto, camisa branca e gravata vermelha, que
ele poderia ter comprada na JCPenney antes da inundação. Sua
roupa estava tão amassada e manchada como de qualquer um de
nós. Eu imaginara que ele fosse um dos antigos cabeças de
dispensação. Eu sabia que ele era um ser ressurreto, e eu também

193
7 – Tribulação e Plenitude

sabia pelo trajar amarrotado que ele tinha ajudado no trabalho de


resgate e reedificação.

O Filho de Deus
Joseph disse em uma voz cheia de emoção, "tenho o grande
privilégio de apresentar Jesus Cristo, o Filho de Deus."
O homem apresentado pôs-se em pé e começou a refulgir em
glória. Seu rosto brilhava, como toda a sua pessoa. O seu vestuário
embranqueceu quando Sua glória dominou todas as cores perto
d’Ele.
Ele sentara-se ali por toda a reunião, que já estava bem na sua
terceira hora, e eu não o tinha reconhecido. Eu já tinha visto o Seu
rosto e foi abraçado por Ele várias vezes, mas eu não o reconheci
até que Joseph falou o seu nome. Então, foi como se um véu tivesse
sido tirado, e o reconheci instantaneamente e quase pulei do meu
banco para correr para Ele, mas não o fiz. Eu apenas engasguei em
deslumbre assim como todos os presentes.
Ele não caminhou para o púlpito, mas apenas estava ali como
todos os olhos foi transfixada por causa dele. Ele tornou-se o centro
do universo, e andar até o púlpito não mudaria isso. A luz
que provinha d’Ele aumentou de intensidade até iluminar todo o
Centro de Conferências. Era tão brilhante que preenchia todas as
sombras.
Percebi mais tarde que aquilo que acontecera durante este longo
momento em que vimos Sua glória se manifestar não foi que Ele
que se transformou – fomos nós. Estávamos sendo transfigurados
pelo Espírito Santo para sermos capaz de vê-lo em sua glória sem
ser consumidos por ele.
Todas as inquietações foram retiradas do meu coração e
substituído por esperança, alegria, caridade, amor, certeza e
conhecimento puro. Finalmente soube que eu completara esta vida
mortal.
Eu pensei sobre os de minha família que tinham morrido no
terremoto e senti total e completa paz. Eu sabia que eles estavam
felizes e engajados neste mesmo trabalho. Para as pessoas da minha

194
John M. Pontius – Visões de Glória

família que tinham sobrevivido, eu sabia exatamente o que eu


precisava fazer para fortalecer e ajuda-los.
Quando Cristo se levantou e transfigurou-se em Sua plena
glória, toda a experiência de estar ali, na presença do Cristo
transfigurado, começou a mudar-nos. Sabíamos que estávamos
sendo transfigurados, e alguns de nós estavam sendo transladados.
Tive uma viva lembrança em minha mente de uma sagrada
experiência que não contei ainda, na qual o me prometera que se eu
continuasse fiel e verdadeiro em meu chamado, tempo viria quando
eu seria transformado, como os antigos habitantes da Sião de
Enoque, para uma vida e o corpo imortais.
Quando nosso Salvador falou, a primeira palavra de seus lábios
era o meu nome! Fiquei muito alarmado, até perceber que cada
pessoa presente ouviu o seu nome. Enquanto ele falava, eu podia
ouvir e compreender as palavras que ele dizia para mim, mas eu
também estava vendo uma visão de sua descrição da minha futura
missão. Eu vi toda a minha vida daquele momento em diante, tudo
o que eu faria, em todos os lugares que eu ia, cada pessoa a quem
eu ministraria, e como tudo iria ser. Depois, falei com todos que
pude, e que estiveram neste glorioso evento, provavelmente várias
centenas de pessoas, e todas as pessoas com quem falei que tinham
ouvido o seu nome e a visão de sua própria vida.
A minha primeira emoção foi a de que tudo o que eu tinha visto
ao longo dos muitos anos, minhas muitas excursões para além da
morte, as muitas visões e coisas que eu já tinha visto, eram verdade.
Eu sempre acreditei que fossem verdadeiras, mas que eram, talvez,
mais uma metáfora do que uma visão de reais acontecimentos
futuros. Eu sempre fui fiel a esse conhecimento, mas agora eu sabia
que tinha sido mostrado eventos reais do meu futuro. Eu sabia, nada
duvidava e regozijava. As visões que tinha visto anos antes foram
para guiar-me a este momento. As visões eu via agora concluíam a
minha educação e me davam todas as peças que faltavam. Como eu
já disse muitas vezes, eu não entendi grande parte do que eu tinha
visto, e agora entendia tudo em doce clareza.

195
7 – Tribulação e Plenitude

A visão encerrou-se e Jesus Cristo pausou. Em tempo real, acho


que só uns poucos minutos tinham decorrido desde que Ele
levantou, mas as visões eu vi cobriam anos.
Jesus Cristo, em seguida, disse-nos que tinha foi ao Pai e relatou
sobre o trabalho que a família de Adão tinha concluído. O
Pai aceitou o trabalho. Em seguida, girou lentamente da esquerda
para a direita, silenciosamente abençoando a cada um na
congregação. Ele falou a cada um o coração ao mesmo tempo. Suas
palavras penetraram todos os corações e mentes completamente, de
forma íntima e individual. Eu sabia, e todos sabiam, que Ele lhes
falava pessoalmente.
Estar no Centro de Conferências e de ver o cumprimento de tudo
o que sempre esperamos, desejamos e acreditamos, agora se
realizando, tornou nossa esperança em realidade, e a nossa fé se fez
certeza. O nosso conhecimento de tudo o que os profetas tinham nos
dito-nos por gerações, vinham à plena consumação. Era imponente,
definitivo e conferia poder.
Vimos que o muito aguardado Salvador diante de nós e falar as
palavras que só tínhamos lido antes. Suas palavras brotaram dentro
de nós e penetraram as profundezas de nos nossos corações e
mentes. No entanto, agora que sabia com a maior certeza de que
tudo o que ele havia falado sobre esses dias e horários, tudo o que
ele tinha dito aos seus profetas durante milénios, já chegara a passar
e que tudo seja cumprido em nossas vidas, bem diante dos nossos
olhos. Ele era a nossa única realidade. Nós o vimos! Ouvimo-lo!
Vimos as visões e derramaram as lágrimas! Sabíamos! Nós,
estavam unidos, densa em conjunto com os mais profundos laços de
amor, para nunca mais serem separados dele.
Como encerramos a reunião, cantamos "Eu sei que vive meu
Redentor!" As palavras se tornaram extremamente pessoais e
imediatamente cumpridas por todos nós.
Eu sei que vive meu Redentor!
Que doce conforto essa frase dá!
Ele vive, Ele vive, quem uma vez esteve morto.
Ele vive, meu Senhor sempre vivente.
Ele vive para abençoar-me com seu amor.
Ele vive para interceder acima por mim.
196
John M. Pontius – Visões de Glória

Ele vive para minha alma faminta alimentar.


Ele vive para abençoar em tempo de necessidade.
Ele vive para conceder-me farto suprimento.
Ele vive para guiar-me com seus olhos.
Ele vive para me confortar quando esgotado.
Ele vive para ouvir a minha alma lamentar.
Ele vive para silenciar todos os meus receios.
Ele vive para enxugar minhas lágrimas.
Ele vive para acalmar meu coração
conturbado.
Ele vive para toda bênção conferir.

Ele vive, o meu bom, sábio e celeste Amigo.


Ele vive e ama-me até ao fim.
Ele vive, e enquanto Ele vive cantarei.
Ele vive, meu Profeta, Sacerdote e Rei.
Ele vive e me concede o fôlego diário.
Ele vive, e eu vencerei a morte.
Ele vive, a minha mansão preparar.
Ele vive para lá me levar em
segurança.

Ele vive! Toda a glória ao seu nome!


Ele vive, meu Salvador, ainda o mesmo.
Oh, doce a alegria, que esta frase dá:
"Eu sei que vive meu Redentor!"
Ele vive! Toda glória ao seu nome!
Ele vive, meu Salvador, ainda o mesmo.
Oh, doce a alegria, esta frase dá:
"Eu sei que vive meu Redentor!”
(Texto de Samuel Medley, hinário SUD 1835).

Ao cantarmos com Ele, lágrimas corriam por nossas faces e pela


d’Ele. Ele rejubilava-se conosco pois sua missão como nosso
Salvador finalmente atingia esse momento sublime.
Por muitos anos aqueles que tiveram o privilégio de estar
naquela inesquecível reunião de Santos, falaram de ver a Cristo,
cantar com Ele, trabalhar lado a lado com Ele, sem saber que era
Ele. Nós falamos do ardor em nossos corações quando Ele desceu

197
7 – Tribulação e Plenitude

para abençoar-nos e curar-nos em nosso momento de grande


necessidade nesta gloriosa dispensação da plenitude dos tempos.

Transformados!
A bênção que Ele derramou abundantemente sobre cada um de
nós foi a capacidade e a força para completar esta nova fase das
nossas vidas com honra e justiça. As poderosas promessas me
voltaram à mente, tanto as que eu tinha visto em visões ao longo dos
anos como as que eu recebi no templo. Estes e mil outros
entendimentos e verdades, varreram a minha alma. Eu sabia que eu
estava sendo alterado aqui e ali, em cumprimento às promessas. Pela
emoção e absorção da grande congregação ali – a poderosa paz e
reverência, e a constatação de que nós estávamos ouvindo o próprio
Cristo falar-nos e abençoar-nos individualmente, percebi que
estávamos todos tendo a mesma experiência.
QEstávamos sendo capacitados a completar a nossa missão, mas
creio que apenas uma pequena percentagem dos presentes
experimentou esta mudança adicional para o estado transladado.
Cheguei a essa conclusão numa visão posterior de Sião que vou
contar depois. Creio que todos os Doze foram igualmente alterados,
pois posteriormente fizeram coisas maravilhosas que nenhum
mortal sem mudança poderia ter feito. A título de exemplo, depois
deste evento, viajamos por quase um ano para chegar ao nosso
próximo destino e, quando chegamos, membros dos Doze
Apóstolos haviam chegado antes de nós. Fomos os primeiros a
chegar, e não haviam estradas, trens ou tráfego aéreo de qualquer
forma. Eles simplesmente iam e vinham pelo poder de Deus. É por
isso que eu creio que eles também foram alterados.
Ainda iria me levar anos para descobrir a extensão e o total
poder dessa mudança, e como a abençoar os outros por aquilo que
agora me era dado, mas a mudança foi completa em mim – naquele
momento. Minha educação quanto ao seu uso apenas começava.

198
John M. Pontius – Visões de Glória

Capítulo Oito

A JORNADA COMEÇA

Preparando Nossa Caravana

N
o início da primavera seguinte, fizemos preparativos para
seguir para as designações que recebêramos na última
grande conferência. Tínhamos visto quem estaria em nossa
expedição, onde nos reuniríamos, aonde teríamos que ir, e
amplos detalhes do que teríamos que fazer ao longo do caminho.
Não vimos como é que iriamos fazer tudo isso, mas já sabíamos,
não duvidando, que Deus iria nos dirigir e garantir nosso êxito,
porque vimos isso. Durante o inverno, tínhamos todos sido
designados pelas autoridades da Igreja para cumprir estas grandes
designações dos últimos dias para Cristo. Tudo ocorreu sob a
direção da Igreja. Embora que já tínhamos visto tudo isso, ainda
precisamos ser chamados e autorizados a administrar em nome de
Cristo.
Me reuni com os que foram chamados à minha caravana.
Reconhecemos uns aos outros e nos entusiasmamos por finalmente
nos reunir e juntar suprimentos para a viagem. Fui designado a um
grupo de cerca de 150 Santos, composto de homens e mulheres, sem
199
8 – A Jornada Começa

contar os muitos adolescentes, jovens, crianças e bebês. Fomos


designados para ir para norte a Cardston, no Canadá, para um local
de reunião perto do templo.
Nosso líder era um homem a quem o Senhor tinha designado
por visão e a quem a Igreja havia chamado e designado para esta
viagem. Segundo o padrão que havia sido mostrado, chamou dois
conselheiros e, em seguida, um conselho de doze, e outros para a
liderança, que consistia de homens e mulheres. Entre nós,
chamamos essas doze pessoas "o Conselho". Cada um desses
indivíduos tinha responsabilidades específicas e fixas. Conforme
eram inspirados, alguns deles chamavam conselhos adicionais que
consistiam de três a sete homens e mulheres. Alguns adolescentes
serviam nesses conselhos também. Essas pessoas serviram como
conselheiros para um dos doze, e como trabalhadores e
organizadores das diversas tarefas.

Não fui chamado para ser do conselho. Por esta altura, eu era
um homem muito mais velho, e me pediram para ser um conselheiro
espiritual de toda a caravana, tipo como um patriarca, ou talvez um
bispo, mas eu não tinha título e nenhuma autoridade. Nesta
condição, passei a maior parte do meu tempo em reuniões do
conselho e aconselhando indivíduos. Eu estava numa posição onde
eu só dava minha opinião sobre alguma coisa depois de ser movido
pelo Espírito Santo e se haviam perguntado a minha opinião. Se não,
eu não participava do assunto.
Nossa caravana operava por comum acordo. Nossos líderes
considerar algum problema ou necessidade e discutiam-no até
chegar a um consenso. Em seguida, eles oravam até que eles
soubessem a mente do Senhor. Eu esperava que eles me fizessem
uma pergunta antes de contribuir. E eu respondia conforme o
Espírito Santo me impressionasse, ou não lhes dava opinião. Após
esse processo, os líderes apresentaram a decisão a todo o grupo, e
eles foram convidados a apoiar a decisão. Depois disto, o conselho
e seus comitês passavam a trabalhar para realizar suas tarefas.
No início, essas decisões foram longas e muitas vezes
desafiadoras. Às vezes era difícil alinhar nosso pensamento mortal
com a vontade do Senhor, e tínhamos que descartar nossa ideia e
200
John M. Pontius – Visões de Glória

começar tudo de novo. Ao ganhar experiência neste processo, ele


tornou-se mais eficiente. Aprendemos a ouvir mais atentamente a
voz da revelação ao preparar o nosso plano e assim o processo de
confirmação já estava concluído. Sentíamos a inspiração
prontamente, e as pessoas sentiram a mesma inspiração ao apoiarem
o plano, e eram então inspirados na sua execução do trabalho.
Eu percebi no início de nossa viagem que eu era uma das duas
pessoas em nossa caravana que haviam sido transladadas, e eu era
apenas um dos vinte e tantos que tinha estado naquela gloriosa
conferência onde vimos e ouvimos a Jesus Cristo, e viu nossa
missão na visão. Eu percebi que eu tinha uma visão muito mais clara
do que era necessário fazer e ouvidos e coração mais sensíveis à
palavra do Senhor. Este processo, esta viagem, toda esta disposição
dos conselhos e apoios foi projetado para aperfeiçoar-nos e a erguer-
nos todos a conhecer nosso dever sem mais necessidade de discutir
ou planejar estratégias e planos.
Mas por hora, ao começarmos, este foi um plano inspirado e
todos nós tomamos nosso lugar, ansiosos por começar.

Outras Caravanas
Haviam cerca de cinquenta caravanas organizadas em várias
partes da cidade. Alguns iam para o México, outros para a
Califórnia e para quase todos os pontos cardeais. Cerca de um ano
depois, outros grupos foram enviadas para outros continentes, mas
agora não havia transporte comercial, e estávamos restritos ao que
restou do nosso mundo.
Cada caravana tinha a mesma tarefa: encontrar aqueles que
Deus nos mostrava, ajudá-los em suas necessidades, ensiná-los,
fortalecê-los e prepará-los para suas tarefas nos últimos-dias. Na
maioria dos casos, essas tarefas eram construir cidades de Sião em
seu próprio local, e não viajar para a Nova Jerusalém. Passaram-se
muitos anos e muitos ensinamentos e testemunhos até que a
população em geral da Igreja interiorizasse esta verdade. Como é

201
8 – A Jornada Começa

bem compreensível, todos queriam estar entre os "Santos" que


viriam marchando a Sião, após longo espera – até eu.
Nossa caravana reuniu tudo o que se sentiu inspirada a trazer:
roupas, roupas de cama, alimentos e suprimentos médicos. Algumas
pessoas trouxeram equipamento militar como armas e munições,
que nossos líderes decidiram não levar.

Nosso Enorme Caminhão


Dois dos nossos irmãos apareceram com um enorme veículo
militar e muitos tambores de combustível na parte de trás. Era um
dos veículos de grande porte que as tropas estrangeiras tinham
trazido com elas. Tinha uma cabine grande o suficiente
para transportar quatro soldados com todo equipamento, ou seis
pessoas em trajes simples. Ela tinha uma carroceria de cerca de oito
metros de comprimento coberta com uma capa de tecido presa em
aros de aço, que o assemelhava a um vagão coberto gigante. Ele
tinha quatro eixos tracionados e grandes pneus de alta flutuação. Os
dois eixos dianteiros viravam, e os dois de trás eram fixos. O
volante estava no lado direito da cabine. Acho que tinha sido feito
na Ásia, mas eu não me lembro de nenhuma insígnia do veículo
propriamente.
Uma caraterística interessante do caminhão era que ele tinha
um grande painel solar no teto da cabine. O painel solar podia
recarregar a bateria do veículo, ou alguma outra bateria. Ela também
tinha um inversor que produzia tensão normal, o qual utilizamos
para cozinhar, acender luzes no acampamento ou qualquer outro
dispositivo elétrico. Quando o caminhão estava funcionando, ele
acionava um grande gerador para gerar eletricidade à noite, mas
optamos por não utilizar muito para economizar combustível.
Até chegarmos ao fim da nossa viagem em Sião, este veículo
serviu-nos profundamente e salvou muitas vidas. Ele era realmente
um veículo de sobrevivência. Foi construído para enfrentar qualquer
coisa. O veículo foi feito de uma espécie de fibra de carbono, que é
leve e mais forte do que aço normal. As rodas foram concebidas de
tal modo que sempre mantiveram-se no chão, mesmo ao atravessar

202
John M. Pontius – Visões de Glória

um alto obstáculo, rochas, ou árvores caídas. O caminhão


era flexível e parecia torcer quando atravessava obstáculos, mas a
carroceria permanecia sempre plana e lisa.
Nossos líderes decidiram usá-lo, em grande parte porque ele
tinha seu próprio combustível e tinha capacidade de carregar quase
todos os nossos suprimentos. Nem sequer perguntamos como eles
tinham adquirido esta grande máquina, mas apenas a aceitamos
como um presente de Deus. Como nossa viagem progredia, ele
ocupou um lugar importante em nossa jornada e para o nosso
sucesso. Olhando para tudo o que aconteceu em nossa viagem, foi
o único veículo que não ficar irremediavelmente preso, pelo menos
uma vez, e a única que não quebrou. Descobrimos que ele seria
rodava com qualquer coisa de petróleo bruto, óleos vegetais e
gordura de cozinha gastos até vodca (embora não encontramos
muito desse último combustível). Fizemos pleno uso dessa
capacidade. Ele foi um dos poucos veículos que deixou Salt Lake
City, e de fato chegou ao Canadá e grande parte do caminho a
Missouri. Todos os outros ou quebraram ou foram descartados para
economizar combustível ao longo do caminho.
Descobrimos também que havia uma estação de purificação de
água integrada ao veículo. Poderíamos deitar água suja de uma poça
d'água, ou mesmo o anticongelante de um radiador de carro, dentro
dele, que saia água fresca para bebermos. Esta foi uma grande
bênção para a nossa viagem.
Lembro-me de quando descobrimos esse recurso. O
sistema estava perto do motor e não aparecia. Pelo fato da escrita
não ser inglês, não tínhamos certeza do que dizia. Assisti um dos
irmãos despejar água suja no funil quadrado. Fiquei ali duvidando
que era este o uso, ou que água potável seria o resultado. Cerca de
vinte minutos mais tarde, a mais pura e refrescante água começou a
escorrer em um grande recipiente de plástico na parte inferior do
veículo. Água suja era drenada para o solo. Lembro-me de degustar
e espantar-me. Eu nunca fui bom em mecânica, e isso parecia ser
um milagre para mim. Não foi até que eu estar trabalhando neste
livro que eu aprendi que os filtros com esta habilidade realmente

203
8 – A Jornada Começa

existem. Eu estava como uma criança assistindo algo que parecia


milagroso, mas que os outros da nossa caravana entendiam.
Também tínhamos vários veículos 4x4 tipo todo-terreno que
levavam de duas a quatro pessoas. Muitos deles rebocavam trailers.
Deixámos para trás jipes pequenos. Tínhamos algumas picapes 4x4
que puxavam grandes trailers para cavalos, para que pudéssemos
levar os animais rapidamente se necessário. Em outros tempos, os
trailers de cavalo serviam como abrigo da chuva e tempestade.
Partimos com cerca de uma dúzia de cavalos e inúmeros cães e
cabras. Não trouxemos vacas, galinhas, ou outros animais de
fazenda porque o Espírito nos disse para deixá-los para trás.
Nós trouxemos uma grande quantidade de alimentos e outras
coisas, como implementos agrícolas, peças sobressalentes, e outros
itens que o Espírito inspirou-nos a trazer. Todas essas coisas nos
possibilitaram permutar e negociar ao longo do caminho. Tudo isso
foi para nosso aprendizado, para ensinar-nos a confiar totalmente e
somente em Cristo. Foi uma dura lição para aprender, pois tínhamos
que reaprender em níveis cada vez mais elevados.
Deixamos Salt Lake City no final de Março em uma bela manhã
de primavera. As flores já começavam a brotar. Estava mais quente
que o esperado, e o capim estava verde por toda parte que
olhávamos. A primavera tinha sido bastante chuvosa, e o mundo das
plantas parecia explodir com flores e folhagens.
Partimos pela rodovia I-15 rumo ao norte. Nos movíamos num
ritmo lento porque a maior parte da nossa caravana ia a pé. Não
estávamos com pressa. Antes de sairmos naquela manhã, reunimo-
nos em conselho, e após discutirmos e orarmos, concordamos
quanto a rota e distância a percorrer. Não estávamos apenas indo a
Cardston, éramos o acampamento do Senhor, e estávamos felizes
em ir aonde o Senhor nos enviasse e em demorar tanto quanto
preciso.
Logo notamos que o grande caminhão e as picapes não podiam
viajar na velocidade da caminhada economicamente. Enviamos-
lhes à frente e cuidadosamente calculamos sua velocidade mais
econômica, que eles mantiveram durante o restante da nossa
viagem. Os avançávamos pela noite onde um acampamento já
204
John M. Pontius – Visões de Glória

estava sendo montado. Eu ia a pé, e muitas vezes ajudava a levar as


crianças ou quaisquer outras pessoas que precisassem. Estávamos
cheios de esperança, como nosso tradicional hino diz: "mas com fé
caminhai”.
Tivemos muitas vezes que deixar a rodovia para viajar em
estradas vicinais porque o terremoto arrasou longos trechos da
rodovia, ou abriu crateras de lado a lado. Por vezes em nossa
caminhada alcançamos os caminhões, enquanto pensavam em como
atravessar certos obstáculos. Muitos desses obstáculos eram
naturais, mas também haviam barricadas feitas e defendidas pelos
habitantes, assim como outras caravanas ao longo do caminho.
A primeira parte de nossa viagem não teve preocupações, exceto
pelo fato de que o Senhor nos enviou ao redor de uma área que havia
sido atingida por uma arma nuclear. A explosão não ocorrera por
ataque aéreo, mas por sabotagem de uma arma nuclear armazenada
no subsolo desse lugar. Creio que muitas das explosões nucleares
em todo o país foram resultado de sabotagem ao invés de ataques
com mísseis. Alguns dias depois, chegamos a Idaho, deixamos todas
as autoestradas e fomos pelo campo. Idaho tinha sido abalado por
diversas armas atómicas, todas em instalações militares,
provavelmente também devido à sabotagem. Estávamos
completamente sensíveis à voz do Senhor e fomos conduzidos ao
redor dessas áreas.
Aprendemos pela experiência que era nas rodovias e estradas
que tínhamos a maioria de nossos problemas. Se algum bando
armado fosse acossar as caravanas e as roubar, procuraria nas
rodovias. Se houvesse algum estrago intransitável, era na rodovia.
O nosso grande caminhão era perfeito fora-de-estrada. Ele rodava
por tudo, inclusive cercas, deixando para trás grandes trilhas para
veículos menores e caminhada. Quanto mais andamos, mais
valorizamos o grandalhão.
Também não seguimos em linha reta ao Canadá. Todas as
manhãs, o Conselho se reunia e orava ao planejar cada dia. Alguns
dias, recebíamos o nome de uma família, uma pessoa ou, por vezes,
uma ala ou cidade para ministrar. Por vezes, era apenas uma

205
8 – A Jornada Começa

inspiração para ir a uma fazenda ou cidade. Guiamos pelo Espírito,


muitos iam e saiam na parte da manhã levando com eles tudo o que
o Espírito indicasse. Às vezes levamos os itens de que as pessoas
que encontramos, de fato urgentemente careciam, e podíamos
permutar por mais combustível ou carne fresca ou legumes. Por
vezes os nossos mecânicos trocavam por peças. Por vezes, batíamos
à porta de uma fazenda, e as pessoas ali vivendo haviam sido
avisadas pelo Senhor, como Leí(NT-12), para estarem preparadas para
sair. Aparecíamos bem quando estavam saindo de casa. Tudo que
se possa imaginar aconteceu em nossa viajem, e aprendemos a
nunca temer, porque o Senhor estava sempre presente em nossa
jornada.

Dons do Espírito Santo


O poder do sacerdócio se manifestou muitas vezes em curas e
outros milagres. Nem todos tinham os mesmos dons. Vimos que
alguns tinham grande fé para curar e outros a profecia. Mesmo as
crianças e adolescentes tinham seus dons, e nós acolhíamos tudo o
que vinha de Deus. Haviam entre nós alguns com uma habilidade
que eu não tinha visto antes, que era a capacidade de falar e ensinar
com tanto poder que até mesmo nossos inimigos pacificavam-se, e
seus corações se aplacavam em relação a nós. Este poderoso dom
de persuasão não era simples oratória ou retórica. Suas palavras
eram ditas com suavidade, em sua maioria sem eloquência, mas o
que falavam não podia ser desacreditado quando seu dom se
manifestava. Descobrimos que este é um poderoso dom e o
reservamos para os momentos em que o Senhor sancionava o seu
uso, geralmente quando estávamos presos e sem outra maneira de
continuar a nossa viagem.
Meus dons cresceram junto com a maioria da nossa caravana.
Muitos de nós desenvolvemos a habilidade de ler o coração dos
homens. Muitas vezes encontramos com outras caravanas ou
pequenos grupos de pessoas indo a todos os sentidos. Eles nos
abordavam com muita cautela por causa do nosso caminhão militar.
Muitas vezes estive na equipe que saia para encontrar-se com esses

206
John M. Pontius – Visões de Glória

grupos viajantes. Percebemos que quando olhávamos para eles ao


nos aproximar, já sabíamos de suas intenções e necessidades.
Também sabíamos como responder quando eles mentiam para nós.
Ao sairmos para conversar com eles, muitas vezes foi dito pelo
Espírito o que levar conosco para trocar com eles. Por estarmos em
Idaho, muitas vezes estes eram bons Santos dos Últimos Dias
tentando fazer seu caminho para Salt Lake City ou algum outro
lugar. Muitas vezes, eles estavam indo encontrar suas famílias em
outras partes do país, ou até mesmo tentando a viagem a Missouri.
A estes, alimentamos e compartilhamos de nossas disposições, e às
vezes, os convidamos a se juntarem a nós. Por vezes, os advertimos
a retornar às suas casas e construir Sião aonde eles estavam. Eles
raramente seguiam nossos conselhos, e eu não sei o que aconteceu
com eles. Mas na maioria das vezes, estes encontros fortuitos não
eram com pessoas que fomos orientados a congregar. Fomos
enviados aos que congregamos. Íamos às suas casas, às suas cidades
e às suas fazendas sob orientação de Deus. Nós íamos a eles.

Edificar Sião Onde Você Estiver


Quando entrávamos pela primeira vez numa cidade, nos
dirigíamos aos líderes locais da Igreja em cada cidade. Muitas
vezes, os líderes pediam-nos para falar a seu povo, e
proclamávamos a palavra. Reuníamos essas pessoas fora da cidade,
fazíamos uma grande fogueira, e tínhamos um genuíno serão à luz
do fogo. Dizíamos-lhes o que tinha acontecido desde que o
terremoto em Salt Lake e como o Senhor avançava o trabalho dos
últimos dias. Todo mundo estava curioso sobre o que acontecera em
Salt Lake City, e rumores já circulavam tanto de coisas horríveis
como de coisas gloriosas. Tivemos o prazer de atualizar sua visão
do trabalho dos últimos dias e, assim, dar-lhes uma correta visão do
desenrolar a força do reino nos últimos dias.
Se o Espírito permitia, lhes dizíamos quem éramos e qual era
nossa missão. A força convincente de Deus moveu a alguns deles a
juntarem-se a nós, e nós, congratulou-se com eles. No entanto,

207
8 – A Jornada Começa

quase sempre os ensinávamos a continuar construindo Sião onde


eles estavam, e a prepararem-se espiritualmente para receber o
Senhor, quando Ele viesse.
Não quero dar a impressão de que todos os que mereciam eram
reunidos em nossa caravana. Não foi este o caso. Nós tínhamos sido
autorizados pelos irmãos a representar a Igreja onde quer que
fôssemos, e na maioria das vezes o Espírito levou-nos a aconselha-
los a permanecer onde eles estavam.
A maior parte dos líderes locais que conhecemos já entendia que
eles deveriam se reunir onde eles estavam e tornar santo o solo sobre
o qual eles presentemente estavam. Seu local de coligação era lá, ou
em algum lugar próximo. Nós geralmente encontramos os Santos
com bom ânimo, com forte esperança e, muitas vezes, mas nem
sempre, possuindo a plenitude do sacerdócio, tal como já tínhamos
obtido. Se lhes faltava, os aconselhávamos e admoestávamos a
arrepender-se e viver seu pleno potencial. Quase sem exceção, eles
recebiam nossas palavras com humildade e gratidão e começavam
sua jornada espiritual a Sião sem temer.
O povo da Igreja do Senhor não representava uma cena de
pessoas famintas refugiando-se em porões, em desesperada
expectativa. Os que sobreviveram foram escolhidos para estes
tempos antes que o mundo fosse criado, e eles levantaram-se com
muita fé e vontade de fazer a obra do Senhor. Eles não estavam
perdidos, eles estavam em casa. Às vezes tudo que precisávamos
fazer era mostrar pelo convincente poder do Espírito.
Houve também encontros com pessoas que não eram da Igreja
e que eram cheias do Espírito, fazendo a obra do Senhor,
aumentando sua fé e vivendo sem medo. Fomos levados a estes às
vezes. Nesses casos, os abençoamos e confortamos e as deixamos
nas mãos de Deus para continuar o seu trabalho. Estávamos certos
de vê-los um dia em Sião. Mas, antes, devíamos seguir nosso
caminho e construí-la, este foi o foco de nossas mentes e corações.
Enquanto entre os Santos, nós sempre permutávamos com eles.
Ocasionalmente, tínhamos exatamente o que eles precisavam, e eles
tinham coisas que nós necessitávamos. Uma coisa que sempre
procurávamos era combustível, e encontramos pessoas dispostas a
208
John M. Pontius – Visões de Glória

dá-lo em troca pois não se pode comer combustível e não haviam


estradas. Descobrimos que podíamos obter óleo lubrificante e óleo
de fritura queimados por quase nada, mas o nosso fiel caminhãozão
podia consumir tudo. Ele apenas soltava fumaça com cheiro de
batata frita. Sempre seguíamos nossa jornada com o suficiente para
nossas necessidades. Não me lembro de trocar dinheiro, ouro ou
prata. Estes eram relativamente inúteis. O que interessava era
comida e necessidades.
Durante esta etapa da nossa viagem, não me lembro de alguma
vez ver um milagre para prover pães e peixes ou combustível. Nós
tivemos o espírito de que o Senhor esperava que nós provêssemos o
que fosse necessário e Ele nos conduziria para obtê-lo.
Desenvolvemos fé completa em todo este processo. Aprendemos
bem mais tarde, no entanto, que esta é a lei menor, e que nós
estávamos realmente sendo levados a uma maior fé que nos
permitiria contar com Ele para tudo. Nós aprendemos isso em graus
maiores à medida que seguimos nossa jornada a Sião. Fomos
ensinados por muitas maneiras requeridas até tornar-se uma perfeita
e poderosa verdade – até que simplesmente não tínhamos mais nada
exceto Ele, e foi suficiente.

Mudanças na Terra
A terra tinha mudado drasticamente. A paisagem havia mudado.
As montanhas foram plainadas. Vales foram erguidos. Os rios
mudaram seus cursos e criaram novos lagos. As estradas que
levavam a uma cidade agora levavam a uma ravina ou a um lago. A
maioria das estradas não eram mais transitáveis e, por esse motivo,
a maioria dos carros e caminhões haviam sido abandonados. Os
cavalos se tornaram o padrão de transporte. Nas áreas devastadas,
se você tivesse um cavalo, um abrigo aquecido, e algo para comer,
você era rico.
Mas houve também áreas das regiões que atravessamos que
ficaram incólumes. Houveram cidades e as comunidades em locais
fora de rota que não tinham sido devastadas, onde serviços públicos
básicos tinham sido restaurados. Por vezes, fomos convidados a
209
8 – A Jornada Começa

entrar em casas para nos abrigar e em centros de estava às vezes


para tomar banho ou comer. As cidades menores conseguiram mais
rapidamente restabelecer a lei e a ordem do que as cidades maiores.
Todas chegaram ao ponto de guardar suas fronteiras dia e noite para
garantir a sua paz. Com facilidade convencíamos as sentinelas a
deixar-nos entrar. Eles nos acolhiam e nós os abençoávamos,
ensinávamos, dávamos notícias, comíamos com eles e daí os
deixávamos sem medo, aos cuidados do Senhor.
Achei interessante que muitas das pontes ainda estavam intatas.
As estradas que levam até elas foram muitas vezes rompidas, mas
muitas pontes de alguma forma sobreviveram. Passamos cerca de
40% do nosso tempo em estradas antigas, e o restante foi fora de
estrada. Nós encontramos a terra aberta mais fácil de navegar e com
menos interferência humana.
Nosso hábito era acampar muito fora das cidades ou vilas e
enviávamos um pequeno grupo desarmado até à cidade para
permutar ou para reunir pessoas. Prosseguimos com uma boa dose
de cautela, e não saímos até que tivéssemos obtido a palavra do
Senhor para nos guiar. As grandes cidades eram muito mais
perigosas para a abordar ou entrar.
Nossos grupos sempre voltavam com o que precisávamos.
Eles muitas vezes também voltaram com histórias de intervenções
milagrosas onde o Senhor os conservara e lhes provera com o objeto
de sua missão. Às vezes, eles voltavam com histórias de curas
maravilhosas e outras bênçãos que deixaram sobre o povo que tinha
sido gentil e receptivo.
Onde as pontes caíram, tivemos que desviar para bem longe até
algum lugar onde as barrancas fossem menos íngremes.
Ali podíamos descer ao vale, percorrer o rio e então voltar para o
topo. Houve ocasiões em que alguns dos nossos veículos atolaram
ou afundaram em rios. Às vezes, os guinchamos com o caminhão
grande, outras vezes, os deixamos para trás. Se um veículo quebrava
nossos mecânicos o consertavam com as peças que tínhamos, ou o
deixávamos para trás.
Passamos por muitos veículos abandonados. Havia pouco
combustível e cerca de metade da população de antes, assim
210
John M. Pontius – Visões de Glória

veículos em boas condições, de todos os tipos, eram largados


quando acabava o combustível. Ocasionalmente, deixávamos um
dos nossos veículos danificados por trás e pegávamos algum melhor
que encontramos abandonados nas estradas e campos.
Quando chegávamos a cidades maiores, ocasionalmente
topávamos com tropas estrangeiras. Então parávamos e os
deixávamos nos abordar. A maioria das vezes sabíamos antes do
início da viagem que iriamos encontrá-los. Tínhamos um “show”
preparado para eles. Agíamos como errantes levando pouco ou
nada, basicamente rumando para o norte sem um destino real. De
fato não éramos uma ameaça, e tornávamos isso óbvio. Não foi
difícil encenar isso. Parecíamos uma caravana com alguns fortes
líderes, levando bebés chorões, mulheres cansadas, adolescentes
resmungões e trôpegos idosos a um novo lar desconhecido. Na
verdade, o único pequeno ardil foi que sabíamos muito bem para
onde estávamos indo. O resto do que viam era verdade.
O curioso foi que eles nunca questionaram onde conseguimos o
nosso grande veículo. Eles até mesmo, ocasionalmente, o
revistavam, mas nunca lhes pareceu que fosse um dos seus próprios
veículos. Parecia quase invisível a eles. As tropas
estrangeiras checavam nossa identidade e procure por armas de
categoria militar. Eles eram ásperos e autoritários, mas não hostis
nesta fase. Eles não se importavam para onde estávamos indo,
contanto que não quebrássemos suas novas leis.
Tivemos algumas espingardas de caça, mas nós nunca as
escondemos. As tropas não se preocupavam com essas coisas.
Devo dizer que nunca disparamos essas armas em pessoas. Se
fôssemos abordados por um grupo hostil, vez por outra as
mostrávamos como demonstração de força, e eles nos deixavam em
paz. Mas eu não me lembro de jamais atirar, exceto se alguém o fez
para obter alimento. Com o passar do tempo, deixamos de caçar
para obter comida, porque já não era necessário.
Fomos através de Idaho em um ziguezague, seguindo a voz do
Espírito, reunindo aqueles que nos foram mostrados. O nosso grupo
foi crescendo em tamanho, com mais bocas para alimentar. Mas o

211
8 – A Jornada Começa

nosso grande esforço foi ensinar aqueles que se juntavam a nós.


Esses novos habitantes logo pegaram o espírito do nosso
acampamento e se tornaram um grande recurso para nossa caravana.
Todos tinham um encargo e todos trabalhavam abnegados. Até
mesmo os adolescentes e os jovens trabalhavam duro, às vezes
depois de algumas queixas, mas apenas sorríamos para eles, orando
silenciosamente, e eles então se juntavam voluntariamente.
As folhas estavam apenas começando a mudar de cor quando
passamos em Montana. Houveram muitos estragos nas cidades
aqui, mais do que já tínhamos visto em Idaho. Havia também muita
anarquia e caos. Várias gangues apossaram-se de regiões das
cidades e defendiam-nas, não permitindo que as pessoas entrassem
sem sua permissão, geralmente exigindo pagamento. As
estradas em várias partes da cidade eram fortemente vigiadas.
Havia uma economia rudimentar ali, e alguns serviços básicos
tinham sido restaurados. Esses bandos ou gangues prendiam as
pessoas, tomando parte de seus alimentos em troca de proteção
contra outros bandos.
Tivemos a devida cautela para evitar conflito com esses
bandos. Nós estávamos constantemente em guarda contra aqueles
que simulavam amizade ou necessidade, a fim de nos roubar.
Usamos o sacerdócio e confiamos no Senhor para nos dirigir à
segurança. Cada noite colocámos sentinelas e os trocávamos a cada
quatro horas.
Quando percebíamos pelos nossos dons espirituais que pessoas
vinham em paz, as alimentávamos e partilhávamos de nossos
suprimentos básicos. Nós raramente lhes dizíamos quem éramos ou
nosso destino final. Todos esses grupos tinham o seu próprio destino
e nos deixavam em poucos dias. Demos-lhes o que precisavam e, se
eles tivessem fé, os curávamos pelo sacerdócio. Se um grupo que
encontramos era SUD, e o Espírito nos indicava, divulgávamos
quem éramos, para onde estávamos indo e os convidávamos a
juntarem-se a nós. Mas na maior parte das vezes, eles também
seguiam seu próprio caminho.
Todos os dias somos cozidos grandes refeições comunitárias e
comíamos juntos. Era comida básica sem luxo, muitas vezes sem

212
John M. Pontius – Visões de Glória

carne, mas florescíamos pois estávamos sendo transformados,


embora a maioria de nossa caravana ainda não podia entender em
que estávamos sendo transformados.

Sião no Canadá
Levou-nos todo o verão e outono para chegar a Cardston, no
Canadá. Lembre-se de que embora eu estivesse experimentando
isso "in loco", ainda era uma experiência visionária. Eu não estava
realmente ali. O meu corpo estava deitado na minha cama esperando
o meu espírito voltar. Ao meu espírito estavam sendo mostradas
essas coisas em visão. O motivo de eu lembrar-lhes disso agora é
que o tempo foi comprimido para mim. No início, eu vi todos os
dias e a cada passo de nossa jornada. Quanto mais perto chegamos
do Canadá, mais eu via só os eventos importantes e locais
significativos. A visão passou a saltar para a frente, pulando
períodos de tempo. Isto me deixou sem uma clara noção de quanto
tempo havia decorrido. A passagem do tempo ficou ainda mais
confusa quando finalmente chegamos a Sião, mas vou deixar esses
detalhes para o lugar adequado na história.
Encontramos um grande agrupamento de Santos de Cardston,
não muito longe do templo. Estimo que haviam 20.000 pessoas já,
e muito mais foram chegando diariamente. Eles haviam construído
uma pequena cidade numa grande área a uma curta distância do
templo. Era tudo organizado e ordeiro. Havia muitas pessoas locais
que estavam esperando e que se prepararam para nos receber. A
terra em que nos estabelecemos tinha uns poucos edifícios
dispersos, galpões, instalações de armazenagem, e as casas na
propriedade. Estes tornaram-se partes da nova cidade, as lojas e
locais de reunião.
Este povoado não destinava-se a permanecer uma vila de
barracas, embora houvessem muitas tendas, trailers, motor-homes,
e todos os outros tipos imagináveis de acomodações no início. Os
irmãos seguiam um plano, construindo moradias permanentes e
outras estruturas. Haviam grandes reservas de comida e água. Um

213
8 – A Jornada Começa

rio limpo corria para o leste do nosso acampamento e fornecia-lhes


água. A cidade era iluminada por energia elétrica, com iluminação
nas ruas e em tendas e trailers. Eu sabia que a eletricidade estava
sendo produzida em algum lugar no acampamento, mas não me
lembro ouvir algum grande gerador funcionando. Não sei de onde
vinha a força e não me lembro dela piscar ou falhar. Havia hospitais,
escolas, refeitórios, e todos os outros serviços e instalações
necessárias.
Chegamos quase um ano após este agrupamento ter início, e as
coisas estavam mais permanente e ordenada que eles tinham sido há
um ano. A Igreja assumiu o comando e a cidade de tendas
rapidamente evoluiu a um local seguro e organizado com as
necessidades básicas preenchidas. Homens e mulheres trabalhavam
construindo uma cidade permanente aqui.
Não havia dinheiro e eles tinham todas as coisas em comum, e
estavam felizes. As pessoas acolheram-nos sem desconfiança. Eles
estiveram esperando nossa chegada por alguns dias. Fomos os
primeiros a chegar, mas outros grupos que saíram de Salt Lake City
ao mesmo tempo com outras designações começaram a chegar a
cada poucos dias. Eles partiram deixado em centenas e chegavam
em milhares de pessoas. Alguns vieram da Califórnia, Oregon e
Washington, trazendo relatos muito inspiradores e interessantes de
sua viagem. Os cumprimentamos quase como Alma e os filhos da
Mosias(NT-14). Caímos sobre os seus pescoços em júbilo,
glorificando o trabalho que nosso Deus realizara por suas mãos.
O campo era cercado por uma cerca, mas não uma barricada ou
fortaleza como as cidades que vimos em Montana. Aqui havia
segurança e paz. Os guardas no portão não portavam armas. Se
defesa fosse necessária, era por intervenção divina.
Eu sabia de que haviam outros locais de encontro como este em
todos os Estados Unidos, Europa, América do Sul, e em todo lugar
onde haviam estacas de Sião organizadas antes dos terremotos. O
poder de Deus tinha se derramado na Igreja, que erguera-se à sua
plena capacidade em todo o mundo. A Igreja tinha um sistema de
comunicação mundial funcionando, e nos guiava com conselhos
inspirados e nos mantinha informados dos eventos mundiais.

214
John M. Pontius – Visões de Glória

Nos mostraram um lugar para acampar e recebemos alimento e


locais para dormir. Não ficamos juntos como grupo, mas espalhados
por toda a cidade em diversas designações conforme as nossas
diferentes capacidades e habilidades. Eu fui convidado a ir com os
nossos "doze" dar relatório aos Irmãos de Cardston. Caminhamos
uma pequena distância para o templo, onde a liderança da Igreja
tinha escritórios. Ficamos surpresos, mas talvez não deveríamos ter
ficado, ao encontrarmos dois membros do quórum dos Doze
Apóstolos na sede da Igreja no Canadá. O que mais nos surpreendeu
foi que eles não haviam viajado com qualquer uma das caravanas, e
não existia tal coisa como transporte comercial nem qualquer
sistema rodoviário nos conectando. Eles chegaram meses à frente
de nós. Como eles tinham viajado até aqui era ninguém sabia exceto
eles próprios. Nunca nos foi explicado como eles chegaram à nossa
frente, embora anos mais tarde, quando finalmente chegamos em
Sião, tais coisas eram comuns e já não nos surpreendia.
Reportamos nossa jornada. Mantivemos registros de cada
cidade em que ministramos e cada pessoa que veio conosco, que
juntou-se a nós, que morreu no caminho e finalmente que chegou
conosco. Eles agradeceram-nos calorosamente e reconheceram, e
da forma como ouvimos de Adam-ondi-Ahman, eles aceitaram o
nosso relatório e nos disseram "está bem".

Conferência em Cardston
Ao final do outono, cada caravana esperada tinha chegado. Os
irmãos de Cardston anunciaram que iriamos desfrutar de uma outra
conferência naquele mês de outubro. Uma grande área gramada e
inclinada foi identificada para a conferência. Um púlpito temporário
foi erguido com luzes e um adequado sistema de alto-falantes. A
conferência foi literalmente "em pé", pois haviam poucas cadeiras.
As pessoas trouxeram cobertores para sentar-se sobre a encosta ou
ficaram em pé. Sentimos o sublime privilégio de estar lá, e não ouvi
ninguém reclamar.

215
8 – A Jornada Começa

Quando chegáramos no Canadá, nos rejubilamos como


caravana, e como amigos reunidos. Agora nos reunimos e
rejubilamos como cidade. Imagino que haviam 30.000 pessoas
reunidas naquele, e o espírito de unidade e de alegria era poderoso.
Houve luto pelos mortos, familiares que se foram nos sismos, e
sacrifícios ao trilhar para esta parte de Sião. Mas as nossas mentes
estavam voltadas para a alegria destes momentos que por tanto
tempo foram esperados, vistos em visão, e escritos nas escrituras.
Os nossos corações eram unos no pensamento "Finalmente ocorreu.
Finalmente aconteceu. Sobrevivemos! Sobrevivemos à purificação.
Sobrevivemos à jornada e estamos aqui!”
Sentimo-nos todos ansiosos por partir de Cardston e ir para
Missouri para edificar Sião, introduzir o milênio, e receber Cristo
quando Ele viesse. Grande parte da conversa e especulações antes
da conferência foi sobre quem iria e quão breve. Muitos achavam
que este arraial em, Cardston fosse temporário. Eu acho que todo
mundo lá esperava que continuar andando para a Nova Jerusalém.
A conferência começou com um grande coro cantando os hinos
de Sião. O membro sênior dos Doze ali em Cardston dirigiu. O
primeiro discurso nos ensinou que somente alguns de nós iriam
realmente para Missouri, e que este lugar seria desenvolvido em
uma cidade tão gloriosa e grande o Centro de Sião. Isso causou uma
certa decepção porque as pessoas perceberam que não seriam
enviadas a Sião. Soubemos mais tarde que alguns grupos estavam
sendo enviados para a Ásia, Europa e outros lugares distantes para
fortalecer o Santos e edificar cidades de Sião em todo o mundo.
Aprendemos nesta conferência que já havia um grupo que tinha
chegado em Sião, bem como alguns membros dos Doze Apóstolos,
e que edificação do templo já tinha começado.
Um dos apóstolos se levantou e informou sobre a grande
conferência em Salt Lake City e sobre as mudanças no mundo. Ele
falou sobre o dever de construir, embelezar e manter essas várias
novas "cidades de Sião" que mesmo agora estavam sendo
construídas.
Houve vários grupos que tinham chegado da América do Sul, e
eles se levantaram e relataram sobre a sua viagem. Eles não falavam
216
John M. Pontius – Visões de Glória

inglês, mas todo mundo os entendeu, e eles entenderam-nos, mas


eles insistissem que estavam falando e ouvindo sua própria língua,
embora os ouvíssemos falar inglês. Desde então, já não pensávamos
em idiomas da mesma forma. Aceitamos essa mudança como um
dos milagres dos dias finais e vital para nossa missão de
congregarmos de todo o mundo em Sião.
Os grupos que vieram pela Califórnia e outros caminhos
relataram brevemente sobre sua viagem e sobre os milagres da fé
que tinham desfrutado. Mencionaram também as vastas mudanças
na paisagem e mudanças radicais na sociedade. Não houve nenhuma
menção dos soldados estrangeiros ou do que eles estavam fazendo
porque era irrelevante e eles eram sujeitos os planos de Deus e não
a seus próprios.
A conferência durou todo o dia. Era aproximadamente outubro,
mas não estava frio. O clima estava ameno, até mesmo só com um
suéter ficava quente demais às vezes. Até mesmo as noites e
tardinhas eram amenas. Todos nós vimos e nos admiramos com
essas mudanças.
Após a conferência, os Santos foram fortalecidos. Obtivemos
uma perspectiva muito mais abrangente do que se estava ocorrendo
e o que iríamos fazer a seguir. A diferença em nós era como ler
histórias sobre o êxodo dos Filhos de Israel e, em seguida, ouvir a
mesma história de alguém que de fato esteve lá. Cada coração
passou a ver esses dias como o fim dos tempos, não apenas um
terremoto mundial.

Esperando em Cardston
Houve muita conversa sobre em quão breve seria a segunda
vinda. Foram tantas as mudanças visíveis na terra, no nosso
sacerdócio e nos nossos corpos, que as pessoas tinham dificuldade
em definir em que ponto estávamos do plano geral. Houve tantas
opiniões sobre como estes tempos estavam desenrolando-se que se
não conseguia conciliar com as nossas atuais circunstâncias. Como
eu disse, eu era quase sempre constrangido a não falar do esquema

217
8 – A Jornada Começa

que eu compreendia, porque não era meu papel "revelar" essas


coisas para outras pessoas.
Não se podia obter informações do jeito que obtemos agora. Já
não haviam computadores, TVs ou rádios. A Internet tinha
desaparecido. Não apenas tínhamos saudades das informações
destes tempos, mas também desejávamos saber o que estava
acontecendo no resto do mundo. Todos conhecíamos alguém, em
algum lugar, que estava perdido. A maioria de nós gostaria de saber
se os Estados Unidos tinham sobrevivido como uma nação, e o que
as tropas estrangeiras realmente pretendiam.
As pessoas foram juntando as peças, mas não necessariamente
na ordem correta. Algumas pessoas achavam que a Segunda Vinda
acontecera em Salt Lake City quando Cristo apareceu na
conferência. Dependendo da forma como a pessoa tenha estudado e
entendido a doutrina do sacerdócio, e dependendo do quão
poderosamente o Espírito tinha operado nela nos anos anteriores a
este dia, alguns do nosso grupo tinham a compreensão de um
bebê. As suas ideias não causavam discórdia, mas tornava difícil
para eles verem o seu próprio futuro desenrolando-se.
Muitos sermões e reuniões especiais foram realizados e
dedicados a esses temas. Os nossos líderes nos exortavam a não se
preocupar com estes tempos, eventos mundiais, intrigas nacionais
ou guerras, mas a esperar no Senhor e apenas seguir em frente.
Coisas importantes tinham acontecido no ano passado, não
havendo assim qualquer sentimento de dúvida de que nós estávamos
no auge da Segunda Vinda. Nós sabíamos que os tempos
avançavam rapidamente.
Durante a conferência, já havíamos recebido as nossas
designações e fomos divididos em caravanas. Estávamos ansiosos
para ir em frente e terminar nossas tarefas, criar a nossa parte de
Sião, para que a Segunda Vinda pudesse ocorrer. Já havíamos
recebido nossos comandos e, pelo menos por agora, era o suficiente
para nos preparar para sair tão logo recebêssemos a ordem de partir.
As autoridades civis no Canadá e as tropas estrangeiras ali
ficaram inicialmente contentes que estávamos cuidando de nós
mesmos e não drenávamos seus recursos. No entanto conforme
218
John M. Pontius – Visões de Glória

aumentávamos em número, ficaram preocupados que juntássemos


mais gente do que podíamos sustentar e começássemos a lhes pedir
alimentos ou recursos. O Canadá foi duramente atingido em
algumas áreas, especialmente ao longo das orlas marinhas, mas
Cardston teve muito menos danos. O templo tinha sofrido apenas
danos mínimos.
Consideramos Cardston uma colônia definitiva, mas as pessoas
locais nos consideravam temporários. Começaram a haver alguns
conflitos onde as populações locais tentaram roubar comida ou
começar brigas. Os nossos líderes liberavam aquelas pessoas depois
de dar-lhes comida e um convite a voltarem sempre para receber
mais. Consideramos que essas querelas foram encenadas para dar
motivo para as tropas estrangeiras entrarem em nosso povoado e
estabelecer lei marcial e também assumir o controle das nossas
reservas de alimentos. Eles queriam nós dispersar, e se não
tivéssemos comida, eles achavam que a maioria iria embora.
No entanto, eles nunca conseguiram achar motivo contra nós.
Nossos líderes foram inspirados em cada reação e tinham
planejando para este dia, há décadas. Plantamos árvores de frutos e
grãos em grandes glebas de terra, e animais que produziam leite e
queijo. Tínhamos uma grande força de trabalho e conseguíamos
realizar qualquer empreendimento em apenas alguns dias ou
semanas. Muitos prédios foram construídos. Não eram barracões de
tábuas, mas prédios permanentes com esmerado acabamento, de
madeira, tijolo e pedra.
Durante uma das reuniões, os Irmãos mostraram-nos uma série
de grandes mapas que tinham sido desenhados há muito tempo. Eles
mostravam Sião em Missouri como alvo central, com muitos anéis
concêntricos desenhados a partir do centro. Por toda a América do
Norte haviam cidades indicadas ao longo destas linhas e os anéis
desenhados ao redor das cidades indicando o seu tamanho
programado. O resultado final foi que todo o continente seria
coberto com cidades uniformemente espaçadas a partir da área
central de Sião. Toda a face do continente estava mais plana agora,
e as montanhas que restaram estavam mais para colinas do que

219
8 – A Jornada Começa

grandes obstáculos ao homem. Haviam apenas pequenas estradas


traçadas para conectar todas as cidades, uma a outra e a Sião, mas
sem grandes rodovias ou ferrovias. O plano de cada cidade incluía
fazendas, comércio, templos e outros imprescindíveis de uma
sociedade de Sião. Cada cidade poderia viver de forma
independente por este plano.
Fiquei curioso que não houvesse quase nenhum sinal de
indústrias no mapa e bem poucas estradas. Mas ao invés de omissão,
como inicialmente me indaguei, compreendi depois que na época
em que Cristo retornasse, e este plano fosse desenvolvido, não
haveria mais necessidade de indústrias ou estradas, porque o mundo
inteiro estaria vivendo em uma condição milenar. Não
haveria morte, nem doenças, nem necessidade que não pudesse ser
satisfeita por produção caseira ou pelo uso do poder de Deus.

Uma Sociedade em Evolução


A sociedade estava mudando; pelo menos aqui na "cidade de
Sião" de Cardston. O mundo lá fora continuava em grande
desordem. Em todos os lugares em que os governos se recuperaram,
eles começaram exercer controle, normalmente na forma de lei
marcial, o que levava a conflitos e à guerra civil. Em todo o mundo,
guerras começavam por qualquer motivo que se possa imaginar.
Ódios étnicos e tradicionais ainda se disseminavam, antigas
fronteiras e tratados deixaram de existir. Mesmo com mais da
metade da população mundial tendo morrido, essas guerras fora de
Sião acabaram reduzindo o restante da população humana pela
metade novamente.
Aqui na nossa pequena parte de Sião, nossos corações estavam
mudando, nossos corpos estavam mudando, e nosso QI espiritual
estava mudando. Tínhamos ainda a plenitude do sacerdócio, como
descobrimos logo antes da primeira grande conferência, e ainda
estávamos aprendendo a cada dia o que isso representava. Nos levou
anos para entender que nós tínhamos que evoluir para Sião, não
apenas de marchar para ela. Foi um processo que envolvia despojar-
se de tudo o que pertence ao mundo e substitui-lo por fé total em

220
John M. Pontius – Visões de Glória

Deus. Tivemos que aprender que não precisávamos de mais nada do


mundo telestial. Tudo o que era necessário era completa fé em
Cristo. Foi uma difícil transição, mas era um dos motivos porque
nosso caminho a Sião levou tantos anos. Não foi só para cobrir a
distância, mas para evoluir espiritualmente de modo a estar dignos
de estar em Sião quando pisássemos lá.
Como uma ilustração, lembrei-me de um acontecimento que
muito nos ensinou a todos. Na primeira etapa da nossa viagem, um
dos irmãos do conselho era diabético desde a infância. Ele pôde
encontrar e trazer com ele um suprimento de seu medicamento. Mas
depois de alguns meses, acabou. Ele ficava mais doente a cada dia
até não mais conseguir funcionar e só podia comer quantidades
muito pequenas ou o seu açúcar no sangue subia perigosamente. Ele
perdeu peso drasticamente e sofreu durante meses. Todos
começaram a achar que ele morreria logo.
Ele pedia e, naturalmente, recebia diversas bênçãos do
sacerdócio, mas ele ainda não melhorava. Nossa capacidade de
curar, se manifestava quase 100 por cento do tempo quando
clamávamos a Deus. Nós tínhamos visto muitos milagres do
sacerdócio e não podíamos compreender por que razão este irmão
fiel, que sabíamos ser um justo, não se curava imediatamente. Nós
tínhamos visto ele mesmo fazer milagres e sabíamos que era digno
das bênçãos que invocávamos sobre ele, mas ele não melhorava.
Então, um dia, ele se levantou da cama e anunciou que ele não
precisaria mais de qualquer medicação. Ele comeu um desjejum
normal e ficou bem após isso. Perguntamos-lhe o que havia mudado
– por que agora ele estava curado.
Ele respondeu, "Enquanto eu estava morrendo, tudo o que eu
conseguia pensar era: "Por que razão o Senhor não me providenciou
mais remédios para que eu pudesse continuar minha missão para
Ele?" Eu tive que piorar muito e quase morrer para perceber que eu
estava pedindo a bênção errada. Eu estive no Centro de
Conferências quando Jesus Cristo mostrou-nos as nossas futuras
tarefas em visão, e eu sabia que iria chegar em Sião com esta
caravana. Mas eu estava a tentando fazer com que o Senhor me

221
8 – A Jornada Começa

fizesse chegar à minha própria maneira – ou seja, meu remédio. Eu


me humilhei e disse ao Senhor que eu poderia ir a qualquer lugar
que Ele quisesse, para Sião ou para o céu, e gostaria de ir em Seus
termos."
E prosseguiu: "apenas veio ao meu coração, que eu já sabia que
iria chegar a Sião e se o Senhor ainda não tinha providenciado o
remédio, então é claro que não era necessário. Eu sabia que era
verdade. Eu senti a vitalidade voltar ao meu corpo, e saí da
cama. O poder de Deus e do seu sacerdócio manifestam-se em mim,
e eu estou perfeitamente bem agora. Eu tive que aprender que o
Senhor é a minha salvação, não um frasco de remédios."
Tínhamos o sacerdócio, mas não a maturidade espiritual e a
compreensão para usá-lo perfeitamente. Como este bom irmão, nós
tivemos que aprender a termos perfeita fé, e como nos libertar de
nosso apego a "coisas" como nossa salvação.
Houve outras lições que tivemos de aprender antes de
chegarmos a Sião. Se tivéssemos compreendido plenamente o que
possuíamos, nós poderíamos ter "viajado" para Sião num piscar de
olhos pelo poder de Deus. Esse conhecimento não foi nos revelado
porque tivemos que caminhar até lá e no processo nos despirmos de
tudo que tínhamos com exceção de alguns trapos de roupa até
aprendermos a confiar totalmente em Deus, e a usar o Seu
sacerdócio para obter coisas para as quais sempre contávamos com
a sociedade ou com o trabalho duro para obter. A lei do "com o suor
da tua fronte" tinha sido alterada, mas nos levou anos para
desenvolver esse afável conhecimento.
Nossa sociedade foi também estava evoluindo no sentido de que
não houve um plano para rodovias, aeroportos, ou comboios, pois
os Santos chegariam ao ponto de serem ensinados a viajar de um
lugar para outro pelo poder de Deus. Nós sabíamos que foi assim
que alguns dos apóstolos e outros líderes tinham vindo para o
Canadá para aquela conferência, mas nós ainda não sabíamos como
acessar essa bênção para nós.
Não havia também nenhum plano para eletrificação permanente
porque as cidades de Sião seriam iluminadas pelo poder de Deus. A
comunicação e a informação seriam implementadas através de um
222
John M. Pontius – Visões de Glória

Urim e Tumim(NT-15) que cada pessoa iria possuir. E corpos


milenares não têm sede, fome, ou produzem excreção e,
consequentemente, não houve necessidade de saneamento.
A sociedade foi também evoluindo para uma era quase pré-
industrial porque, com o tempo, na verdade muito tempo, nós
finalmente aprendemos que já não precisávamos mais fabricar nada.
Em nossa Sião em evolução, Cardston, construímos clínicas
médicas e serrarias e muitas outras pequenas indústrias para apoiar-
nos agora, o que alguns de nós sabíamos que eventualmente não
teriam mais nenhum uso prático para nós. Terei muito mais a dizer
sobre isso mais tarde.
Entrementes, estávamos apenas esperando ser informados de
que era hora de deixar Cardston. Esperei também, e servi no templo
ou em qualquer outro lugar que o Senhor me chamasse. Foi um
período maravilhoso para mim. Tendo estado adoentado durante
toda a minha vida, e agora tinha o poder de Deus e as mudanças no
meu corpo dando-me saúde e energia inesgotável; eu me sentia
como uma criança que estava aprendendo a caminhar. Foi uma
época de excitante descoberta para mim, e eu amei cada minuto.
Mais do que isso, eu amava o Senhor e fiquei profundamente
apegado às pessoas com quem servia.
Ficamos durante o inverno, ou talvez foram vários invernos.
Não tenho certeza. Mais uma vez, minha visão sobre essas coisas
começou a saltar maiores períodos de tempo mais frequentemente.
Eu entendia tudo isso claramente quando eu estava na visão, mas
quando eu voltei para a minha identidade mortal, era muito mais do
que minha mente mortal poderia conceber, e algumas dessas
complexidades foram perdidas para mim.
O inverno foi ameno, entre 10 e 15 graus sem nunca congelar.
A maioria das pessoas passava o tempo construindo e trabalhando
para o nosso bem comum. Todo o trabalho era organizado e as
pessoas rodavam de uma tarefa para outra a cada poucos dias, a
menos que eles tivessem uma especialidade como, por exemplo,
medicina ou alguma ciência. Por eu ser oficiante de ordenanças, eu
servia no templo dia e noite, trabalhando para completar muitos

223
8 – A Jornada Começa

milhares de ordenanças pelas pessoas que tinham chegado, tinham


sido ensinadas, e agora estavam preparadas.
Houve também muita conversa e curiosidade sobre quando e
onde retornariam as dez tribos “perdidas”. Sabíamos que algumas
caravanas tinham sido enviadas a países estrangeiros, e
especulamos que eles estavam reunindo esses grupos perdidos.
Quando nos reunimos para a conferência ou outros encontros,
tínhamos sede de aprender com essas outras caravanas. Com todo
este deslumbramento e deleitosa especulação, não houve dúvida de
que tudo iria acontecer conforme profetizado. Nós apenas
queríamos saber até onde as coisas tinham progredido.
Durante esse inverno, muitos pequenos grupos chegaram.
Haviam as caravanas da Europa e da Ásia, e de uma caravana grande
que veio através de uma nova ligação entre a Rússia e o Alasca e,
em seguida, para baixo, através do Alasca e do Canadá até Cardston.
Eles talvez não soubessem quem eram, mas suas bênçãos
patriarcais(NT-16) revelaram-nos como sendo membros das chamadas
tribos perdidas de Israel. Eles não estavam realmente perdidos; eles
simplesmente não sabiam quem eles eram até chegarem.
As pessoas que os levaram a Cardston eram literalmente anjos.
Aos refugiados, estes anjos foram apenas pessoas que vieram, os
ajuntaram, lhes ensinaram, batizaram e ordenaram a todos durante
os anos do êxodo. Apenas alguns líderes de retidão realmente
entenderam que os conduzira. Aos meus olhos, elas pessoas
transladadas, algumas de milhares de anos atrás e algumas eram dos
nossos dias. Ao chegarem, essas pessoas já tinham sido moldadas
pelo seu próprio crisol de refinamento, o qual todos nós tínhamos
experimentado em nossas viagens. Eles começaram em caminhões
e chegaram em trapos, mas literalmente reluziam de retidão e fé
quando chegaram.
Embora eu estivesse vendo isso na visão, digo-vos que estes
foram momentos que eu nunca vou esquecer. Fosse no corpo ou fora
dele, eu estava lá, e foi magnífico.
Perto de primeiro de abril, outra conferência foi realizada.
Recebemos nossas atribuições e destinos para várias "cidades de
Sião." recebemos um relatório detalhado sobre a Nova Jerusalém.
224
John M. Pontius – Visões de Glória

Ficamos impressionados com a quantidade de trabalho já tinha sido


feito em Sião e por quanto tempo a liderança da Igreja tinha
planejando e preparado para construir aonde costumávamos chamar
de Missouri.
Muitos foram surpreendidos com as suas atribuições, mas houve
um crescente espírito de justa disposição entre nós. Uma das
dificuldades foi a de que o conceito de "caminhar a Sião" em
Missouri havia sido de tal forma uma parte da cultura Mórmon e por
tanto tempo, que agora era difícil imaginar ir a qualquer outro lugar.
Eu não ouvi ninguém recusar-se ou reclamar de suas novas missões.
Eles apenas faziam preparativos para continuar.
Por eu ter estado na grande conferência em Salt Lake City, e
tido a visão de minha missão futura, assim como muitos outros ali,
eu sabia muito mais sobre a nossa viagem para além do Canadá do
que aqueles que não tiveram a experiência profética. Quando o
Espírito me tocava, eu compartilhava meu conhecimento, mas quase
sempre eu me senti restrito a manter silêncio.
Eu estava sempre atento e alerta para encontrar mais alguém que
estivera naquela Conferência. Durante as muitas conversas que
tive com aquelas pessoas abençoadas, verifiquei que todos tiveram
uma visão do seu próprio futuro. Nossas visões foram
personalizadas e diferentes uma da outra. Compartilhamos as nossas
histórias, e pela montagem em conjunto dos nossos diferentes
pontos de vista, pudemos discernir um quadro mais amplo do que
iria acontecer, e foi literalmente impressionante aos olhos.
Àqueles de nós que tiveram a real mudança física da
transladação foi um pouco diferente de outros. Nós tivemos mais
clareza sobre as coisas e mais dons espirituais. A menos que
estivéssemos falando com outro ser transladado ou como o Espírito
indicasse, mantivemos privada nossa condição de transladados, bem
como nossas visões.
Fomos aprendendo que pessoas transladadas não se cansavam
como pessoas normais. Tudo exigia menos esforço e fatigava
menos. Nos recuperávamos rapidamente e podíamos trabalhar
muito e duro, e logo nos recuperar em poucos minutos. Nós ainda

225
8 – A Jornada Começa

comíamos e dormíamos, mas conversamos entre nós, indagando-


nos se comer e dormir era mesmo necessário. Depois de um grande
dia de trabalho, eu sentia fome e cansaço, mas muito menos do que
na minha vida anterior. Eu escolhia comer, mas era diferente. Eu
precisava menos alimento, o sono era melhor e muito mais curto, e
me sentia absolutamente maravilhoso. Eu poderia despertar em um
segundo, mesmo depois de apenas alguns minutos de sono, e me
sentir perfeitamente desperto e pronto para prosseguir. No final do
dia, eu não estava mais cansado do que após dormir uma noite
inteira. Percebi que lesões, cortes e arranhões curavam tão rápido
quanto eu quisesse. Não havia dor, apenas a percepção do
ferimento. Se o ignorasse, ele curava em dias em vez de semanas.
Se eu quisesse eliminá-lo, orava ao Pai, e Ele o curaria em questão
de minutos. Eu esperava que com o tempo eu seria invulnerável a
ferimentos, mas por enquanto não.
Eu estava fisicamente mais forte no dia-a-dia. Minha mente
ficou mais clara e muito mais rápida. Coisas que antes poderiam ter
me exigido longo estudo agora vinham a mim em lampejos de
entendimento. Desenvolvi minha capacidade de compreender
situações complexas e podia instantaneamente dar respostas
complexas que eram completamente corretas e inspiradas. Minha
audição era agudamente sintonizada com a palavra do Senhor.
Revelações eram constantes e intermináveis. Eu já não sofria
tentações de qualquer espécie. Já não andava por nuvens de
escuridão. Não segurava na “barra de ferro” porque ela se tornou
uma parte de mim, uma parte da minha alma, do que eu era.
A minha capacidade de amar foi profundamente aprimorada,
que tornou encontros e despedidas ainda mais doces e mais difíceis.
Se há alguma coisa com o poder de fazer um ser transladado sentir
dor ou tristeza, é esta infusão da caridade, pois o meu coração queria
todos fossem abençoados, confortados e providos em cada
necessidade. Isso nem sempre foi possível, e as pessoas que eu
amava muitas vezes escolhiam transgredir, e isto causava profunda
tristeza às vezes.
Cada novo dom que eu tinha focava na nossa nova missão. A
constante companhia do Espírito Santo era uma realidade presente,

226
John M. Pontius – Visões de Glória

e nós sabíamos a mente e a vontade do Senhor. Não havia mais


enigma e nem medo.
Ciência e matemática e até mesmo minha formação profissional,
tudo parecia ser menos importante. Se você procura uma solução
que levaria cinco engenheiros com super computadores, e a resposta
vem à sua mente como revelação – não há necessidade de comparar
com a ciência mortal. Você já tem a resposta. Essa nova forma de
pensar não era uma turbinada no nosso QI; era o levantamento do
véu para mostrar quem éramos já. Alguns de nós tinham participado
na criação de mundos antes de nascermos, e aquelas ciências divinas
que entendíamos gradualmente perfuravam o véu, substituindo a
ciência mortal.
Foi fascinante ver nossa sociedade saltar à frente mas, ao mesmo
tempo, tornar-se mais simples, menos industrial e não-comercial,
sem a mentalidade do consumo.
Viríamos a descobrir a verdade de todas essas questões ao longo
do tempo. Por agora, era como abrir presentes na manhã de Natal,
devagar e desfrutando tanto o processo da descoberta como os
próprios presentes.
Aos meus olhos espirituais, pessoas transladadas pareciam
diferentes. Eu podia discerni-las de longe. Por isso, quando tive a
oportunidade de falar com outra pessoa recém-transladada, de vez
em quando discutíamos o que isso significava, e que experiências e
novos dons do sacerdócio tínhamos experimentado. Comparamos
as nossas experiências da grande conferência e tentamos compor um
panorama maior. Quanto mais eu aprendia, mais eu percebia que,
mesmo com essa grande visão da minha própria vida futura, eu sabia
apenas uma parte ínfima do todo. Foi uma descoberta que me tornou
humilde e com os pés no chão.
Também sabíamos que, embora o dom de transladação nos
havia sido plenamente conferido, ainda estávamos no processo de
nos tornar, de aprender os nossos deveres e habilidades e o momento
certo de utilizá-las. Quando encontrava com um transladado a mais
tempo, havia um poder e justa serenidade com eles que eu não
possuía. Ver e experimentar seu estado altamente desenvolvido me

227
8 – A Jornada Começa

motivava a ceder a qualquer que fosse o processo que eu precisava


enfrentar para me tornar totalmente evoluído no meu novo status.
Eu sabia que estava a mudar. Eu também sabia que iria levar anos
para que o processo fosse totalmente implementado.
Havia uma influência direta e constante do Espírito Santo nos
acampamentos que não podia ser negado. Era um fenômeno novo
entre os santos que tinha começado no dia do grande encontro.
Todos se ajustavam a esse novo nível de poder espiritual. Houve
muita conversa sobre se isto já seria o "milênio" ou se ele foi parte
do processo para a maior mudança de transladação.
Nesse período as viagens transoceânicas tornaram-se
novamente possíveis por navios. As diversas cidades de Sião em
todo o mundo tinham sido criadas e fortalecidas. Muitos grupos do
Canadá foram designados a viajar para estas cidades menores e para
reunir os eleitos ao longo do caminho. As caravanas também
partiram de Salt Lake City e de outras cidades de Sião para ir em
frente e reunir. Este trabalho foi todo dirigido pelos Apóstolos em
Salt Lake City. A Igreja tinha uma rede de telecomunicação
funcionando antes da tribulação começou, mas nós fomos aprender
a usar um sistema mais perfeito. Ela começou a funcionar porque o
poder de Deus manifestava-se em maior grau entre nós. Assim
como os dois apóstolos tinham chegado de Cardston por meios
divinos, os sistemas tecnológicos de comunicação lentamente
tornaram-se obsoletos.

Deixando Cardston
Preparamos nossa partida durante todo o inverno. Era março,
quando dissemos adeus às nossas novas casas e novos amigos. Nós
estávamos indo para o Local Central de Sião, antigamente Missouri,
e saímos com uma canção em nossos corações. Nossa caravana
estava menor, talvez três centenas de pessoas, incluindo famílias.
Pegamos nosso grande veículo militar carregado com suprimentos,
bem como algumas picapes. O combustível não era farto, mas no
Canadá haviam umas poucas refinarias ainda em funcionamento e
permutamos por combustível. Saímos nos sentindo destemidos. Nós

228
John M. Pontius – Visões de Glória

tínhamos visto tantos milagres que nós poderíamos imaginar nada,


senão o constante cuidado e proteção do Senhor. Não temíamos nem
homens nem exércitos, visível ou invisível.
Eu fui chamado, e sentei-me com um dos Apóstolos ainda em
Cardston. Ele cumprimentou-me calorosamente. Ele próprio era
uma alma recém-transladada, e nos cumprimentamos com um
abraço como irmãos de infância. Ele me designou para minha nova
atribuição no Templo da Nova Jerusalém. Esta foi a razão pela qual
eu estava naquela caravana e não indo para outro lugar. Eu sabia
todas as ordenanças para os vivos do meu serviço prévio em templos
antes da tribulação e enquanto estive no Canadá. Fui designado a
levar esse conhecimento para Missouri, estabelecer as ordenanças,
e treinar outros. Eu estava obviamente felicíssimo. Era uma parte da
minha jornada que eu não tinha previsto. Eu tinha visto na visão que
eu iria chegar a Sião, mas não o que eu iria fazer lá.
Assim como na primeira etapa do nosso caminho, começamos
com uma reunião do Conselho, que rapidamente nos deu a conhecer
a mente do Senhor e o destino do nosso primeiro dia de viagem.
Apresentamos ao nosso acampamento, e obtivemos seu apoio. Nos
ajoelhamos em oração, tomamos desjejum uma última vez em
Cardston e saímos pelo portão sul. Voltamos por Montana.
Os caminhões rodaram um pouco mais rápido e logo
desaparecemos de vista. Nós caminhamos, cantamos e nos
admiramos.
Esta etapa da nossa viagem parecia simplificada. Não fomos
designados a ajuntar tantas pessoas. Não tínhamos tantos
suprimentos e tínhamos menos seus pertences. Já havíamos
superado a fase da revelação tipo "pondere em sua mente e depois
pergunte se está certo". Acordamos todas as manhãs sabendo a
vontade do Senhor. Sabíamos o que fazer, como fazer e como
resultaria. Paramos de cometer erros. Sempre estávamos onde
precisávamos de estar, no momento certo, com as palavras certas e
o poder de realizar a vontade do Senhor.
Poderíamos nos aproximar de um total estranho e conhecer as
suas exatas circunstâncias e necessidades. Podíamos dizer: "Seu

229
8 – A Jornada Começa

marido está em casa morrendo. Seu filhinho morreu na noite


passada e o seu marido pediu-lhe para buscar ajuda. Você está
faminta, exausta e apavorada. Vamos ajudar-lhe, mas temos de ir a
sua casa, dar uma bênção e levantar o seu filho dos mortos. Você
pode nos levar lá?" Eles sentiam o amor e a fé em nossas vozes, e
milagres ocorriam.
Após passar por estes tipos de milagres dia após dia,
aguardávamos com expetativa a cada novo dia com alegria. Só
ficávamos pensando, "Eis a majestade do Senhor!" e fomos em
frente sem medo.
Para mim, havia uma dupla identidade. Eu estava nessa
caravana, participando nesses dias gloriosos, mas eu sabia no meu
coração que era uma visão. Rapaz, eu não queria voltar para o meu
corpo mortal! Eu queria ficar na caravana de Sião. Embora eu
percebia que estava vendo um acontecimento futuro, era tão real que
eu o estava vivendo, eu estava lá e era uma realidade. Foi tão real
que era difícil lembrar a minha verdadeira realidade, meu
verdadeiro eu que estava deitado em uma cama em Utah, enquanto
meu espírito estava vendo eventos futuros.
Aqueles de nós que foram transladados logo nos juntamos e
aproveitamos para falar das nossas bênçãos. A outra pessoa em
nossa caravana foi uma mulher em seus cinquenta e poucos. Vou
chamá-la Raquel. Na verdade, eu tinha conhecido Raquel desde a
sua juventude. A minha relação com ela era como pai e filha. Eu
estivera envolvido em sua juventude como um conselheiro e
confidente. Ambos estivemos na primeira grande conferência e
tínhamos ambos sido transladados naquele momento. Ela era
humilde com seu dom, mas teve algumas dificuldades em aceitar
que estava pronta ou que ela era a pessoa certa para estes dons. Ela
queria garantias e instruções de mim de como progredir, e eu não
tinha. Estávamos no mesmo barco, por assim dizer.
Ela acordava todas as manhãs quase achando que seus dons
desapareceram. Finalmente, percebeu que essas alterações eram
permanentes, e ela deixou de se preocupar.
Desde então, ela era inspirada, inteligente e organizada. Ela era
a líder das mulheres no nosso grupo. Era como uma Presidente da
230
John M. Pontius – Visões de Glória

Sociedade de Socorro, aconselhava as mulheres e dava designações


diárias. Ela também era uma líder espiritual. Lembro-me de
discursos que ela deu para a caravana toda. Houve momentos em
que suas palavras mobilizaram o grupo e deram-nos coragem a
todos para enfrentar obstáculos, dependendo inteiramente do
Senhor.
Ela era casada e seu marido foi com a gente. Ele foi um grande
homem, membro de nosso conselho. Sua responsabilidade era a
juventude da caravana. Ele era um homem de fé, mas ele não foi
transladado como sua esposa. Isso deu-lhe algumas dúvidas sobre a
sua própria retidão. Ele não era indolente nem incrédulo nem
descrente de forma alguma. Apenas questionava sua própria
capacidade e se perguntava por que ele não podia fazer o que queria
fazer. Ele sentia como se fosse de menor valor, o que de fato não
era verdade. A sua condição e seu chamado eram perfeitas para ele,
e foi toda projetado para abençoar e prepará-lo para a sua
investidura completa de poder. Ele veio de um histórico de sucesso
e autoconfiança, e sua jornada o conduzia à humildade e
dependência do Senhor. Sua esposa veio de um histórico de
humildade e dúvidas sobre o seu próprio valor, e sua jornada a
conduzia a ver-se através dos olhos de Deus e aceitar o seu próprio
valor.
Deste ponto em diante na visão, a jornada me foi mostrada
como uma série de cenas instantâneas. Eu não estava mais
participando dos eventos, mas os via à distância, como em um
telão. A visão ainda me mostrava as coisas que iriam acontecer,
mas eu já não era um ator, eu agora era um espectador. Cada uma
das seguintes vinhetas ocorreu desta forma.

A Primeira Vinheta
A primeira vinheta alcançou minha caravana a norte do
Wyoming. Não sei quanto tempo havia decorrido, mas deve ter sido
pelo menos alguns meses. Era mais para o final do ano.

231
8 – A Jornada Começa

Eu vi que eles tinham sido atacados várias vezes pelas tropas


estrangeiras com capacetes verde-azul. Eles estavam tentando parar
nossa jornada Missouri. Não sei qual era sua motivação. Talvez eles
também sabiam da cidade que estava crescendo rapidamente, e
temiam que iria tornar-se uma fonte de solidariedade política que
pudesse desafiar sua dominância. Não fui informado do motivo, eu
só vi que eles nos roubaram alimentos e combustíveis, mataram
alguns de nós, e tentaram intimidar-nos a voltar. Eles tinham até
explodido pontes para interromper nosso progresso, e ameaçaram
matar a todos nós, se não retrocedêssemos.
Foi nesse momento que nós também fomos atacados por
bandoleiros armados que tentaram assaltar-nos, mas não tínhamos
nada. Em vez disso, eles raptaram alguns dos nossos belos jovens.
Foi um momento horrível, apavorante, mas em vez de intimidar-
nos, foi o oposto.
As tropas estrangeiras estavam tentando assumir o governo da
nação e todos os governos locais. Os Santos dos Últimos Dias eram
a maior organização remanescente do velho mundo, e assim eles nos
viam como a sua maior ameaça, embora não lhes demos nenhum
motivo para terem medo. Sua missão era derrubar todos os grupos
organizados, incluindo todas as organizações religiosas. Os nossos
objetivos eram manifestamente não políticos, e eles sabiam disso.
Nós tínhamos sido instruídos que a não tomar parte em qualquer
processo político, ou professar fidelidade a qualquer entidade
governamental não importa qual fosse.
A nossa visão, ou a visão que o Senhor tinha inculcado em
nossas mentes, era a de que estávamos a preparar Sião para o retorno
de Jesus Cristo, e que ele iria em breve reinar como Rei dos Reis e
Senhor dos Senhores. Nós não estávamos tentando reconstruir a
nação, estávamos tentando construir o Reino de Deus. Sabíamos
que ele iria subjugar todos os inimigos debaixo de seus pés, quando
viesse, e não precisamos participar naquele processo. Estávamos
unidos em nosso grande consolo por causa disso. Nós estávamos
cansados do mundo e tudo o que deixamos atrás. O nosso único
desejo era que Cristo viesse e pusesse fim a este mundo telestial de
lágrimas.

232
John M. Pontius – Visões de Glória

As tropas estrangeiras sabiam que tínhamos um plano, e que o


estávamos executando. Eles perceberam que éramos organizados,
bem governados, e determinados a cumprir esse plano. Eles também
sabiam o nosso projeto tinha algo a ver com Missouri, de modo que
tomaram posição para deter-nos. Eles nem sequer sabiam por que
estávamos indo para lá, mas acreditavam que parar-nos significava
destruir-nos. Eles não percebiam que não era nosso plano, mas de
Deus, e eles eram impotentes para deter-nos.
A mim foi desconcertante ver a nossa caravana de Sião alegre e
poderosa subitamente reduzida a um bando de maltrapilhos e
batalhadores sobreviventes. A mudança aconteceu rapidamente. Eu
me vi entre o grupo, e eu já estava vendo-me nestas circunstâncias,
como se em um diorama 3D. Fazia todo o sentido na visão, mas é
um pouco difícil de explicar ou mesmo entender como um mortal.
A agressão das tropas estrangeiras confirmou nossa
desconfiança inicial de que eles realmente eram um inimigo, e eles
nos viam da mesma maneira. Envidamos grandes esforços para
evitá-los, não encontrar ou interagir com eles. Eles, por outro lado,
começaram a caçar-nos. Eles passaram de intimidar-nos e roubar-
nos até a criar emboscadas para destruir-nos completamente.
Além das tropas estrangeiras, haviam bandos armados de
homicidas. Estes bandidos eram geralmente desertores das tropas
estrangeiras ou eram assaltantes das redondezas. Eles estavam bem
supridos e fortemente armados. Eles haviam roubado muitas vezes
e raptaram alguns dos nossos jovens.
Estávamos lutando para continuar nossa jornada. Ao olhar para
minha pequena caravana à distância em visão, eu vi que essa
oposição teve o efeito oposto do que nossos inimigos esperavam. Vi
nossa força espiritual crescer e a nossa coragem e dependência em
Deus e no sacerdócio aumentar dramaticamente.
Vi que houveram grandes milagres na expedição. Um
minúsculo suprimento alimentava muitas pessoas, e que não
diminuíam com o uso. Encontrávamos água miraculosamente.
Fomos levados a áreas pelo Senhor que exatamente atendiam às

233
8 – A Jornada Começa

nossas necessidades do dia. Crescemos da coragem ao destemor,


apesar dos imensos obstáculos e perdas que enfrentamos.
Assim que deixamos de temer, acordávamos uma manhã para
um novo fenómeno. Havia um pilar de luz à frente do nosso
acampamento e outro em nossa retaguarda. A luz brilhante era um
pilar de cerca de trinta metros de altura. Era visível a nossos
inimigos também. Era literalmente uma luz, e era visível de dia e de
noite. Ela ia adiante de nós, e atrás de nós, e ela apavorava aos
nossos inimigos.
A luz não vinha do céu nem da terra. Ela era autocontida, como
se a força da luz fosse a própria luz.
No começo, não sabíamos qual era a sua função. Alguns na
nossa caravana se indagavam se ela iria tornar-nos mais visíveis aos
nossos inimigos, mas esse medo rapidamente se evaporou.
Poderíamos caminhar até a luz e tocá-la. Era confortador e curava.
Levávamos a ela todos os que estavam feridos, doentes, famintos ou
exaustos, os deixávamos dentro ou perto da luz, e eles eram
rapidamente curados. A luz também curava tristeza, medo e
confusão. Antes da luz começar, nós muitas vezes nos sentíamos
desanimados ou tristes pelas perdas. Agora, sentíamos grande
conforto e paz para seguir com o nosso destemor de antes.
Não mais reunimo-nos em conselho para decidir nossa jornada
diária porque sabíamos em nossas almas o caminho a seguir, e a luz
levava-nos ao caminho. Não seguíamos a luz, seguíamos a Jesus
Cristo. A luz era uma viva manifestação do seu amor e proteção.
Quando ela parava, nós parávamos. Quando ela movia, nós
movíamos. A luz nos conduziu através do deserto da nossa
necessidade. Nós milagrosamente salvamos aqueles que tinham
sido raptados; curamos-lhes corpo, mente e alma de seu recente
abuso; e nos alegramos com eles. Eles se tornaram alguns dos mais
fortes entre nós. Eles nunca falavam do seu cativeiro exceto em
termos gratos pela a experiência e posterior cura.
Os pilares de luz, eram brilhantes o suficiente para iluminar todo
o acampamento à noite. Já chegava o inverno, mas as luzes
irradiavam calor suficiente para não necessitarmos acender fogo.

234
John M. Pontius – Visões de Glória

Comíamos nossas pequenas porções de comida, em seguida


dormíamos dentro da luz e éramos abastecidos e renovados.
Eu nunca vou esquecer um evento que vi logo após os pilares de
luz se juntarem a nós. Nós estávamos caminhando para um vale
entre duas montanhas. Vimos um grupo de bandoleiros fortemente
armados estava bloqueando o vale pelo qual precisávamos passar.
Foi a mesma gangue que anteriormente tinham raptado alguns dos
nossos jovens. Houve um momento de pânico, especialmente por
aqueles que tinham sido raptados e abusados por eles e, em seguida,
milagrosamente salvos, mas o medo logo se foi. Nós sabíamos
demais do poder de Deus para ainda ter medo, e tínhamos
consagrado nossas vidas a Cristo, o que significava que não
temíamos o que o mundo poderia fazer ou como nossa vida fosse
acabar. Digo-lhes, não tínhamos medo.
Nosso inimigo podia ver os pilares de luz, mas eles pensaram
que era algum truque que estavam produzindo -nos. As colunas de
fogo pararam, e ajoelhamo-nos em oração. Os nossos líderes foram
conversar com eles. Eles disseram que apenas desejavam nossa
comida e suprimentos. Nós tentamos negociar com eles, mas não
pudemos satisfazer suas exigências. Conhecíamos seus corações.
Eles tencionavam matar-nos e retomar aqueles a quem eles tinham
sequestrado, não importa o que lhes déssemos.
A luz nos levou para frente e eles fincaram o pé, prontos para
disparar em nós e na luz. Logo que a luz se aproximou, eles
foram sobrepujados. Eles não podiam se mover ou agir. Eles foram
paralisados no lugar com um olhar de espanto em seus rostos. Seus
olhos estavam nos seguindo, mas eles não podiam mover seus
corpos ou membros para levantar ou acionar suas armas. Nós só
andamos em torno ou através deles e continuamos a viagem.
Não sei o que aconteceu com essas pessoas perversas que
tinham nos ameaçado tantas vezes, mas nunca mais os vi.
Esta experiência novamente solidificou nossa fé. Nós sabíamos
que os pilares de luz não estavam ali apenas para guiar-nos, mas eles
também estavam ali para nos proteger. Também começamos a
perceber que o poder da luz, a capacidade que ela tinha de nos

235
8 – A Jornada Começa

proteger, era inteiramente baseada na nossa fé e unicidade. Era


como a Liahona, que operava de acordo com a fé e diligência do
povo de Leí. Como a nossa fé e confiança em Deus crescia, a luz
tornou-se mais brilhante, mais alta e mais forte.
Eu fiquei pensando que minha fé não podia ficar mais forte.
Quando começamos a curar pessoas 100 por cento do tempo em
Utah, eu pensei que a minha fé fosse perfeita. Quando fomos
direcionados a obter tudo o que precisávamos na trilha, eu pensei
que a minha fé era perfeita e não podia ficar mais forte. Quando
vimos os milagres que nos pouparam ao longo da trilha, eu pensei
que a minha fé fosse perfeita e não poderia ficar mais forte. Quando
vimos os pilares de luz e recuperamos as pessoas que perdemos, era
tão forte que eu não via como poderia ficar mais forte. Ainda assim,
cada vez que um desafio ou perda despojava-nos de alguma coisa
que precisávamos, a nossa fé cresceu ainda mais, tornando aquela
coisa desnecessária. E ainda considerava a minha fé como perfeita
e maior impossível. Mas eu estava enganado em minha suposição.
Juntamente com a proteção dos pilares de luz, andamos na luz
da revelação. Ninguém jamais duvidou novamente. Até mesmo as
nossas crianças recebiam revelação tão frequentemente como
os adultos. Eles falavam as palavras de Cristo, e profetizavam. Eles
mudaram neste momento. Eles se tornaram uma bênção para o
campo em vez de um fardo. Ainda cuidávamos delas como crianças,
mas elas tinham um propósito de estar no acampamento, e
cumpriam esse propósito. Elas muitas vezes cantavam nos
momentos de provação e de ameaça, e as suas poucas vozes soavam
como anjos e de fato davam aos adultos maior fé e unidade, e
aterrorizavam aos nossos inimigos. Quando eles ouviam as crianças
cantar como anjos, eles sabiam que não tínhamos medo e que não
poderiam prevalecer.

A Segunda Vinheta
A minha seguinte consciência foi que tinha passado muito
tempo. Eu vi que durante esse tempo nossa caravana ficou quase
sem combustível, e que havia abandonado os nossos veículos,

236
John M. Pontius – Visões de Glória

exceto o veículo maior. Todos os outros veículos haviam sido


destruídos pelos nossos inimigos, quebrados ou abandonados
devido à falta de combustível. O nosso caminhãozão parecia
simplesmente não parar, com o ponteiro do combustível quase no
vazio. Ele apenas seguia em frente.
Quase toda a gente ia a pé, com trouxinhas nas costas. Até
mesmo as crianças transportavam sacolas com seus próprios
alimentos e roupas. Nós estávamos nos movendo lentamente agora.
Minha primeira visão foi de entrarmos numa passagem entre
montanhas. Não sei onde ele estava. À nossa direita haviam altos
penhascos. A rocha era escura, com árvores e arbustos brotando.
Nós estávamos de pé na relva com arbustos no fundo do penhasco.
Ao lado de uma colina à nossa esquerda, uma longa fila de veículos
militares surgia. Eles formavam uma emboscada. Tropas tomaram
posição em cima de entrada e na saída do cânion, aprisionando-nos
no interior. Haviam veículos com metralhadoras, vários enormes
tanques e uma meia dúzia de veículos lançadores de foguetes. Eles
estavam zombando e nos ameaçando, dizendo-nos que todos nós
seríamos mortos em poucos minutos. Insultavam a Deus e diziam
que, desta vez, nem mesmo Deus não poderia salvar-nos; eles eram
mais poderosos do que Deus.
Estas tropas eram de quase todas as nações que tinham
sobrevivido, Ásia, Rússia, Europa e África. O soldado que estava
afrontando-nos gritava num inglês ruim através de um grande
megafone.
Eles abriram fogo sobre nós. As pessoas de nossa caravana
começaram a cair.
Raquel, a única mulher que era transladada, se levantou da
carroceria do nosso grande veículo e gritou com uma poderosa voz
que poderia ser ouvida acima do rugido de foguetes e rajadas de
metralhadora, "Eis que a majestade do Senhor!”.
Os pilares de luz aumentaram seu brilho enquanto o inimigo
disparou todas as armas que tinha. O pilar de luz diante de nós
parecia arquear para trás para encontrar o pilar de trás. Os mísseis e
balas atirados em nós começaram a ricochetear para trás no inimigo.

237
8 – A Jornada Começa

Uma enorme explosão detonou o inimigo em uma bola de fogo, e,


em seguida, houve clamoroso silêncio e fumaça cinzenta na
encosta.
O pilar de luz voltou ao seu tamanho normal. Corremos aos
nossos mortos e feridos e imediatamente os curamos. Haviam
apenas duas pessoas que não curamos imediatamente. A
primeira foi uma mulher de meia idade que foi quase explodida ao
meio. Ela estava viva quando chegamos a ela. Deus não nos instruiu
a curá-la. A sua jornada finalmente era completa, e ela morreu
louvando a Deus. O segundo foi um jovem cujo quadril foi
arrancado por uma arma de grande calibre. Ele era filho da Raquel.
Ela correu para seu filho, chorando pela dor dele, mas com
grande fé. Todos do Conselho estavam lá, assim como eu. Eu sabia
que poderia curá-lo, mas eu não tive permissão do Senhor para fazê-
lo. Raquel olhou para mim e pediu que eu pedisse ao Senhor para
curar-lhe, em seguida, imediatamente percebemos pelo mesmo
Espírito que eu não era a pessoa certa para pedir. Ela olhou o
presidente de nosso Conselho. Ele sacudiu a cabeça e virou-se para
o marido de Raquel, o pai do rapaz.
Ele chamou-o pelo nome, "irmão Zacarias, que é a vontade do
Senhor que pode curar o seu filho."
Zacarias era um grande homem e um membro do Conselho, mas
ele duvidava de seus dons espirituais, em grande parte porque, como
eu já expliquei, ele não foi transladado como sua esposa. Ele
também sabia que sua esposa tinha maior poder com Deus do que
ele para curar seu filho.
No entanto, ele se ajoelhou e colocou suas mãos sobre o seu
filho adolescente. Em poucas palavras, ele invocou o sacerdócio e
mandou o seu filho ficar são, no nome de Jesus Cristo. Ele fez isso
com profunda humildade e até mesmo fé mais profunda. O Espírito
veio fulgurosamente sobre nós, e todos nós sentimos a energia.
Imediatamente a perna do jovem na perna começou a subir.
Parecia aos meus olhos como se estivesse inflando. Tudo o que eu
poderia pensar em dizer era "Louvor a Deus!" e acho que todo
mundo ali disse o mesmo. Em menos de um minuto, sua perna

238
John M. Pontius – Visões de Glória

estava completamente normal. A cor instantaneamente voltou ao


seu rosto, e ele abriu os olhos.
"Obrigado, Papai," disse ele. Em seguida, olhando para o céu,
ele disse: "Obrigado, Pai."
Nós ajudamos-lhe a ficar de pé no seu novo quadril e perna. As
calças foram quase completamente estraçalhadas com a explosão,
mas ele estava ali olhando para baixo em sua perna com uma
divertida expressão no seu rosto.
"O que está errado," Raquel perguntou com uma risada quase
cômica, nascida de um poderoso alívio e alegria.
"Mãe, eu posso sentir a minha perna, mas não consigo mandar
ela andar." Ele riu, e tentou dar um passo. Sua perna balançava por
debaixo dele, e que ele foi amparado por seus pais e por mim.
Depois de várias tentativas e muita surpresa, ele ainda não podia
caminhar, portanto, o carregamos no caminhão. Levou várias
semanas até que ele aprendesse a usar sua nova perna. Não sentia
dor e nem lhe faltavam forças, ele apenas parecia um bebê
aprendendo a engatinhar, em seguida cambalear, depois caminhar e
eventualmente correr. Seu pai estava constantemente ao seu lado,
incentivando-o e apoiando-o ao aprender a usar sua nova perna.
Raquel e eu conversamos em privado sobre este curioso evento.
Nunca tínhamos visto ou ouvido falar de tal coisa. Logo se tornou
evidente para todos o que estava acontecendo e por que isso tinha
acontecido. Irmão Zacarias estava sentindo a cura do seu filho em
câmera lenta, dando-lhe semanas para processar o que tinha
acontecido, ao ver a perna nova de seu filho repetidas vezes até que
ele não podia duvidar de que foi um milagre de grau profundo, e
que tinha ocorrido por sua própria mão e pela graça de Deus. Com
o tempo seu filho foi capaz de andar e correr, e Zacarias foi mudado.
Ele já não tinha dúvidas sobre sua capacidade espiritual com Deus.
A sua fé tinha alcançado seu corpo em sua jornada a Sião.
Alguns de nós subimos a colina onde as tropas estrangeiras
haviam estado. Tudo o que encontramos foi um quarteirão de solo
carbonizado. Tudo o que restava do inimigo era metal derretido e
um pó fino cinzento que outrora tinha sido soldados e armas.

239
8 – A Jornada Começa

Saímos daquele pequeno vale, e ao partirmos, a parede de rocha


à nossa direita despencou sobre o exército, enterrando todas as
provas da sua existência. Paramos do outro lado do vale, nos
ajoelhamos juntos, e enviamos orações ao céu, de gratidão e alegria.

A Terceira Vinheta
A cena mudou, e eu novamente me encontrei olhando para um
tempo distante. Nossa caravana estava a cerca de um dia de entrar
em Sião. Trilhamos um longo caminho. Deixáramos Cardston em
caminhões com bons suprimentos e confiança. Chegamos em Sião
a pé e em trapos. Todos os nossos veículos foram abandonados e os
suprimentos acabaram. Até mesmo nossos bolsos estavam vazios.
Havíamos sido despojados de tudo em que dependíamos, tudo o que
antes nos dera nossa confiança, até mesmo alimentos e roupas. Foi
este processo de sacrificar tudo o que é terreno que ensinou-nos a
total confiança em Deus, a ter absoluta confiança nele, em vez de
nas nossas "coisas." Chegamos com um pilar de fogo diante de nós,
e uma coluna de fogo atrás de nós, e mais nos faltava nada. Nós
tínhamos sido abatidos e, nesse processo, tínhamos sido elevados à
estatura de Sião.
Eu vi que estávamos cantando e alegrando-nos, mas nós
também ficamos cansados, fisicamente, emocionalmente e
espiritualmente. Regozijo foi a única emoção que sobrara.
No dia seguinte, uma caravana saiu de Sião e trouxe-nos
alimentos e roupas novas. Nós os abraçamos, rimos e louvamos a
Deus com eles. Passamos algum tempo lavar e vestir a roupa nova.
Mais tarde, nesse mesmo dia, entramos Sião em um longo desfile
com uma coluna de fogo e anjos liderando o caminho.
Encontramos a Nova Jerusalém assentada sobre um baixo platô
acima da curva em um novo rio, que se formara durante as
tribulações. Em toda a parte se observavam milhares de pessoas
felizes envolvidas na edificação de todos os tipos de edifícios. Toda
a cidade estava sendo construída de acordo com o padrão que
Joseph Smith tinha elaborado enquanto ele ainda estava vivo em
Nauvoo.

240
John M. Pontius – Visões de Glória

Havia cerca de 3.000 pessoas em Sião. Eles pararam para


acolher-nos e para expressar profuso amor. Aquele não era
um simples projeto de edificação. Vimos milagres, em toda a parte,
se viam. As mulheres estavam transportando grandes toras como se
fossem palitos, e os homens removiam terra com pazadas que caiam
em montes que pareciam cargas de caminhão. Tínhamos a certeza
de que muitos desses obreiros e obreiras eram seres transladados e
anjos.
Eles nos levaram para a fundação do novo templo, que já estava
erguido até o segundo andar. A edificação era de armação de metal,
como de um arranha-céu moderno. Eu não conseguia perceber o
formato ainda. Não era um típico edifício retangular. Parecia
circular no desenho. Eles estavam utilizando ferramentas elétricas
modernas, mas não haviam tratores ou terraplenagem. Eu vi um
grande guindaste movendo vigas de metal. Até o momento não
haviam trabalhos em pedra no templo
Encontrámo-nos com pessoas de quase todas as etnias.
Lançavam-se sobre nosso pescoço e beijavam -nos. Eles nos
haviam esperado com anseio e expetativa. Sem que soubéssemos, o
Senhor tinha incluído pessoas em nosso grupo com talentos
especiais necessários para completar partes do templo, e também
aqueles de nós que tinham autoridade para oficiar no templo.

A Quarta Vinheta: O Templo


Esta última vinheta pulou para frente no tempo após a estrutura
principal do templo ter sido concluída. Eu nunca vira um prédio
desse tipo. Tinha o formato redondo. A torre central era adornada e
bela. Estendendo-se do centro para fora haviam doze passarelas
cobertas, cada uma levando a doze templos exteriores que
conectavam-se a mais um anel externo de tempos, criando o formato
de uma roda. Os doze templos exteriores eram dedicados a cada
uma das doze tribos de Israel e tinham sido construídos
exclusivamente por essas pessoas. Cada templo exterior tinha um
acabamento um pouco diferente para representar as antigas origens

241
8 – A Jornada Começa

de cada uma das tribos de Israel. O templo pertencente a Efraim era


voltado exatamente a oriente, com outros pela ordem da herança
espiritual ao redor do aro externo.
Os templos mais externos eram escritórios, capelas e a salas de
ordenanças. Entre aqueles corredores que levavam à estrutura
central haviam jardins exuberantes, cada um com plantas nativas de
suas terras natais e maravilhosamente bem cuidados. O prédio
central continha o Santo dos Santos no seu centro, onde Jesus Cristo
ficava quando vinha ao seu templo. Havia uma série de escritórios
e salas de ordenanças que davam para o Santo dos Santos. Em torno
destes escritórios um corredor circular, com escritórios voltados
para fora em pátios. Tudo era magnificamente belo.
A estátua do anjo Moroni erguia-se sobre a ponta da flecha para
o oriente, mas a sua trombeta já não estava em seus lábios. A boca
da trombeta repousava sobre o dedo do pé direito, e o seu braço
estendido segurava o bocal. A trombeta não estava mais na sua boca
porque ela já havia soado.
Quando vi pela primeira vez essa visão, eu vi que dois dos doze
templos exteriores estavam ainda em edificação. Era uma estrutura
belíssima, divinamente inspirada, o único templo assim a ser
construído.
Haviam importado pedra de algum lugar no Canadá. Ela foi
trazida pelo poder de Deus de um veio de pedra branca que tinha
sido descoberta apenas pouco antes da tribulação começar. A
pedra cintilava como diamantes e brilhava como madrepérola. Era
foi uma pedra preciosa que anteriormente só era encontrada em
tamanho adequado para pequenas joias. Esse veio no Canadá tinha
uns cem metros de largura e trinta quilômetros de comprimento. A
pedra era quase tão dura como diamante, e era o mais belo material
sobre a terra. Ela só poderia ser cortada com eficiência pelo poder
de Deus.
Eu estava sentado no templo terminado. Por causa do meu
chamado no templo, eu tinha sido designado a um dos escritórios
que fica adjacente ao Santo dos Santos. O escritório era bem grande
e ligeiramente em forma de cunha com a extremidade mais estreita
medindo cinco metros. O cumprimento da sala era cerca de treze
242
John M. Pontius – Visões de Glória

metros, com a parede de trás com cerca de dez metros. A arquitetura


era elaborada, com altos tetos abobadados. Tudo o mais, incluindo
os pilares que sustentavam o teto, eram feitos da mesma pedra
branca, mas a pedra neste escritório tinha listras de prata que se
moviam lentamente dentro da pedra. Não tenho certeza se esse
material pode existir em um mundo mortal.
Eu estava em pé diante de uma janela em arco cerca de cinco
metros de altura e 1,7 de largura. A estrutura em arco branco era
larga e maravilhosamente bem construída, assim como as outras
partes da sala. À minha direita havia uma escrivaninha de tamanho
médio feita de uma linda madeira branca. A superfície da mesa era
madeira que refletia como vidro. Não havia nada sobre a mesa
exceto um conjunto aberto de escrituras de capa branca.
A janela não foi era de vidro e não era transparente. Se fosse
transparente, eu poderia olhar para dentro do Santo dos Santos, pois
ficava na parede que o separava do meu gabinete. A janela tinha a
aparência de uma lente, causando uma certa distorção no reflexo do
meu escritório, quando eu olhava para ela. Eu entendi que era um
Urim e Tumim, um "portal", como chamávamos. Ela trazia luz para
o quarto, além de ser indispensável agora para a maioria dos
trabalhos que o Senhor nos designou.
Ao meu lado esquerdo, ao lado do portal, uma porta branca em
arco ornamentado levava ao Santo dos Santos. Eu nunca tentei, mas
percebi que eu não podia abrir a porta do meu lado.
Atrás de mim estava uma longa mesa de conferência feita de
uma impressionante madeira escura. Ela parecia feita de uma única
árvore que tinha sido convidada por Deus a assumir a forma de uma
mesa. A superfície da mesa era madeira mas também refletia como
vidro. Havia quinze cadeiras confortáveis ao redor da mesa, três
atrás de mim, e seis de cada lado. Cadeiras do mesmo tipo
perfilavam-se às paredes de ambos os lados da sala. No outro
extremo da mesa havia uma grande porta dupla que se abria em um
corredor circular por onde eu transitava.
O portal pertencia a mim, e espiritualmente falando, era uma
parte de mim. Depois que eu aprendi a usar sua plena capacidade,

243
8 – A Jornada Começa

eu era capaz de ver tudo o que quisesse. Ele só podia ser usado para
fins inspirados e para cumprir as designações do Senhor.
Olhando para a superfície eu podia ver qualquer evento ou lugar
bastando querer. Em um primeiro momento, eu só conseguia ver as
coisas como elas são atualmente, mas com o passar do tempo,
aprendi a usá-lo para ver o passado e o futuro, no que dizia respeito
às minhas atribuições. Eu poderia também entrar em contato com
outras pessoas transladadas e vê-las através do portal. Se necessário,
eu poderia falar com elas e elas comigo. Se eu entrei pelo vidro, eu
seria instantaneamente levado a esse local. Podia entregar coisas a
eles e receber as coisas sem realmente ir lá pessoalmente.
Como as colunas de luz que nos haviam protegido no último
trecho da viagem, este portal também tinha a propriedade de curar
e rejuvenescer. Estar próximo a ele, ou especialmente passar por
ele, curaria alguém de corpo e alma que viesse comigo.
Este portal foi sintonizado para mim e que só respondia a mim,
embora ele podia mostrar a outras pessoas o que eu estava vendo se
eu os incluísse. Eu poderia também trazer outras pessoas e outras
coisas por meio do portal comigo se fosse a vontade do Senhor.
Tive a impressão de que ele era vivo - uma coisa viva, cheia de
verdade, compreensão e imenso poder. Não era uma pessoa, ou uma
alma, mas ele vivia da mesma maneira que a terra é viva. Ele
continha toda a história da obra de Deus e poderia mostrar a mim
quando meus pedidos fossem justos.
Eu também sabia que ele era de natureza eterna e tinha sido parte
da minha vida antes de eu nascer e que seria uma parte da minha
vida eternamente no porvir. Ele funcionava exatamente como o que
eu tinha visto na minha pré-mortal. Eu podia ver ou estudar algo que
eu quisesse simplesmente por indagar-me sobre aquilo. Se eu
precisasse manusear algo, uma sólida representação aquilo aparecia
para que eu pudesse manusear e operar.
Eu compreendi perfeitamente que aquilo era para a obra do
Senhor e não para o meu entretenimento, e que eu não poderia, e
nem jamais consideraria brincar com ele ou gratificar
minha curiosidade. A única limitação do portal era minha própria fé
e o meu entendimento de como usá-lo. Não importa quantas
244
John M. Pontius – Visões de Glória

maravilhas e dons de Deus tenhamos obtido, é necessário


experiência e inspiração para usá-los plenamente. Não me lembro
nunca receber algo de Deus e imediatamente ter pleno domínio
daquilo. Exigia diligência pessoal e esforço espiritual para
crescermos nestes dons.
Utilizei-o muitas vezes para sair em missão ao Senhor. Antes de
eu sair, eu me dedicava a estudar tudo e todos a quem ministraria,
incluindo a sua história. Esta informação chegou-me meramente por
pensar sobre o assunto. Eu absorvia com meus olhos e com minha
alma, enxurradas de informações. Quando preparado, eu andava
através da superfície do portal ele me levava instantaneamente. Eu
poderia completar a minha missão simplesmente por querer voltar.
Eu dava um passo e já estava no interior do meu escritório no
templo.
A visão lampejou à frente a um momento em que eu estava
sentado de costas para a mesa em frente ao portal com três outros
irmãos transladados, um à minha esquerda e um na minha direita.
Eu os conhecia, mas não me lembro de seus nomes. Estávamos à
espera de Jesus Cristo entrar para dar-nos uma designação. Recordo
claramente de esperar com entusiasmo, falando em suaves vozes um
ao outro e nos perguntando o que seria essa designação pois
geralmente recebemos as nossas atribuições sem uma aparição
pessoal de nosso Salvador. Eu já tinha visto a Ele no templo muitas
vezes, e cada experiência me mudou, fazendo-me sentir mais alegre
e mais impressionado com Seu amor e glória.
Um pouco mais tarde, a porta se abriu e Ele entrou no meu
gabinete. Ficamos em pé quando Ele entrou. Nossos corações se
ajoelharam diante d’Ele, mas Ele tinha pedido para não cair de
joelhos diante d'Ele pois nós éramos agora Seus amigos, bem como
Seus servos. Nós nos sentimos confortáveis e amamos Sua
presença. Ele estava vestido com um lindo manto branco em Seu
ombro direito e puxado para cima em seu lado esquerdo com uma
presilha. Ele estava em seu estado glorificado. Três homens
transladados o seguiram pela porta. Cristo não os apresentou. Eu

245
8 – A Jornada Começa

sabia exatamente quem eram na visão, mas como aconteceu muitas


vezes, não me é permitido lembrar agora.
Ele parou na frente do portal, a poucos metros de nós. Pausou
por um longo momento, sentimos Seu amor e glória. Nos disse que
o tempo tinha vindo para começar a abençoar outras pessoas em
Sião com o dom da transladação.
Inicialmente, Ele só o tinha dado a alguns outros além dos
Apóstolos na primeira grande conferência em Salt Lake City. Jesus
Cristo e os três com Ele impuseram as mãos sobre nós, um por um,
e fomos ordenados a este novo privilégio no sacerdócio. Em cada
caso, Cristo proferiu a ordenança. Este foi um dia que tínhamos há
muito aguardado e desejado, mas não esperávamos para tão breve.
Nós sabíamos que isso sinalizava uma grande aceleração na
coligação de Israel e na formação dos 144.000. Queríamos gritar de
alegria, mas não o fizemos. Cristo sabia da nossa alegria e nos sorriu
largamente.
Quando estávamos todos ordenados a esse novo poder, eles
pediram que nos sentássemos. Puseram-se entre nós e o portal. Cada
um deles adiantou-se e nos disse o porquê tínhamos, cada um,
recebido esta bênção no início da primeira grande conferência há
quatro anos. Eles mostraram-nos as nossas futuras missões em
visão. Vimos todos a quem ministraríamos. Nós não precisamos
escrever uma lista. Foi-nos impossível de esquecer.
Foi um momento comovente, com profunda humildade e
profundo regozijo. Foi um momento que eu nunca vou esquecer.
Nós estávamos em total êxtase por estar ali, neste grande templo dos
últimos dias, em Sião, falando com nosso Salvador vivente, sendo
ordenados a este ofício.
Depois dos três tinha falado, Cristo incumbiu-nos de ir a cada
um desses homens e mulheres, só tínhamos visto e ensinar-lhes o
que lhes faltava. Quando eles estivessem preparados, estávamos
autorizados a abençoá-los com este dom da transladação. Este foi
um dia grandioso porque, antes desse momento, toda pessoa
transladada pessoalmente ordenada por Jesus Cristo, em toda a
história. Deste dia em diante o poder da transladação foi confiado
aos mortais. Após sua transladação, a pessoa passaria em seguida
246
John M. Pontius – Visões de Glória

por um processo abreviado de aprendizagem semelhante ao que eu


tinha vivido durante a nossa longa jornada a Sião, para aprender a
extensão e o uso adequado de seus poderes.
Jesus Cristo e os seus três companheiros permaneceram
conosco, regozijando-se conosco. Eles não tinham pressa de sair.
Eles queriam ficar ali conosco até que nossa alegria e nossa
transformação fosse completa. Em toda a história do mundo, esse
tipo de encontro apenas raramente ocorrera, e eles esperaram
conosco. Visões nos rodearam, anjos apareceram e nos ensinaram.
Nós estávamos totalmente envoltos em glória.
Quando chegou a hora de partir, Jesus e cada um de seus
companheiros abraçaram-nos mais uma vez antes de voltar através
da mesma porta. Nós nos sentamos à mesa por um longo tempo,
extasiados, discutindo o que acontecera. Depois, o Espírito nos
indicou que já era suficiente. Oramos juntos e partimos a começar
o nosso trabalho.
Logo descobrimos que todos os nossos sentidos e sensibilidades
foram ampliados mais uma vez. Desde então, quando íamos àqueles
que devíamos abençoar, podíamos ver todo o processo de suas
vidas. Eu tinha apreciado este dom algumas vezes enquanto estive
fora do corpo, mas nunca como um mortal. Agora ele estava
conosco continuamente. Nós sabíamos como ministrar por essas
pessoas justas e como isso afetaria suas vidas. Era uma bela visão,
cheia de alegria e paz para eles, e rejubilamos por ser parte dela.
O amplificado dom de conhecer tão intimamente, funcionava
em todos, não apenas nos candidatos a transladação. Ser capaz de
compreender completamente as pessoas assim, é um dom que vem
com a transladação, e que cresce mais potente com a experiência e
bênçãos adicionais. Levou-nos muitos anos para compreender e
implementar esse novo dom.
Imediatamente começamos a cumprir nossa nova comissão,
procurando por aqueles a quem deveríamos ministrar com esse novo
dom. As primeiras pessoas abençoadas foram as que jornadearam
conosco de Utah a Cardston e, em seguida, a Sião. Estas pessoas
estavam totalmente preparadas e só precisavam ser ordenadas para

247
8 – A Jornada Começa

esse chamado. Zacarias era um bom exemplo de alguém totalmente


preparado e que imediatamente começou seu novo ministério como
uma pessoa transladada. Foram muitos a quem ministramos outras
caravanas que já estavam agora construindo cidades remotas de
Sião. Literalmente ordenamos milhares a este chamado. Nós não
precisávamos de uma lista. Nossos dons os tornavam impossíveis
de esquecer. Após os primeiros chamados, foram-nos apresentadas
muitas outras pessoas que estavam menos preparados, mas que
aprenderam rapidamente, porque eles tinham a nós para ensinar-
lhes aquilo que tínhamos aprendido por e às vezes dura experiência.
Nós e os outros comissionados para este mesmo trabalho
continuamos a tarefa através do uso de portais, por anos. Não
paramos até que o número alcançou de depois superou 144.000.
Todos tinham uma atribuição na Nova Jerusalém. Haviam os
responsáveis pelo vestuário, ou pela agricultura, ou por engenharia
e edificação. Com o passar dos anos, estas pessoas passaram a ser,
em sua maioria, seres transladados. O trabalho que faziam era
acelerado, inspirado e belo. Haviam grandes avanços tecnológicos
e científicos que abençoavam nossas vidas. Esses avanços eram
todos espirituais em natureza e dependiam de manifestações de fé
cada vez maiores para operá-los. Não houve avanços em eletrônica
ou qualquer outra coisa que o mundo tinha inventado antes.
Eletrônica e ciência terrena pareciam primitivas ferramentas
rupestres para nós. Estávamos intensamente interessados nos dons
de Deus, nas mudanças em nossos corações e corpos e no
sacerdócio. A velha noção de “autonomia pujante" agora parecia
barbárie. "Autonomia" parecia barbárie. Nós queríamos ser um com
Cristo. Nós queríamos explorar as profundezas de nossas bênçãos e
regozijar-nos com a abundância do nosso novo mundo espiritual.
As coisas que nos foram reveladas deram-nos dons muitíssimo
maiores do que qualquer coisa eletrônica, mecânica, ou científica,
como você irá entender.
O meu trabalho no templo era manter a pureza e a consistência
das ordenanças templárias. Depois de receber o treinamento inicial,
o que não ocupava muito do meu tempo, porque os nossos corações

248
John M. Pontius – Visões de Glória

e mentes das pessoas eram perfeitos, de modo que passei a maior


parte dele reunindo pessoas a Sião.
Reunir pessoas dependia completamente da inspiração. Eu
poderia receber por revelação o nome de uma pessoa, família ou
caravana que precisava de minha ajuda. Eu os estudava através do
portal até que fosse inspirado à forma perfeita de ajudá-los. Em
seguida, ia ajudá-los através do portal. Muitas vezes eu curava,
levantava seus mortos, e provia por suas necessidades. Às vezes eles
me viam como um estranho maravilhoso que simplesmente
apareceu para eles, e às vezes eles adivinhavam a minha verdadeira
natureza. Somente quanto estavam preparados que eu revelava por
que estava lá, e de onde eu era. Às vezes, eles nunca souberam de
onde eu vinha, e nunca souberam meu nome.
Levou anos, na maioria dos casos, para essas pessoas evoluírem.
Íamos a eles muitas vezes e ensinamos-lhes muitas vezes. Muitas
destas pessoas, talvez a maioria delas, não eram SUD,
especialmente porque quase todos eles tinham sido recolhidos pelas
primeiras caravanas de Salt Lake City logo após as tribulações
começarem.
Algumas das pessoas a quem eu agora ministrava estavam em
grupos, alguns em famílias ou indivíduos. Quando estavam
preparados, lhes mostrávamos como começar sua jornada a Sião, e
apontávamos o caminho. Eu muitas vezes voltava a eles em
momentos críticos para defendê-los e livrá-los pelo poder de Deus.
Mas eles tiveram que fazer o caminho a pé, assim como nós
tivemos.

249
John M. Pontius – Visões de Glória

Capítulo Nove

O DIA MILENAR

A Caverna

A
o encerrar esta cena, encontrei-me em pé, no litoral do
Pacífico. Um barco estava vindo a mim enquanto nascia o
sol, revelando-o um pouco de cada vez. Ele parecia ser um
barco de pesca de tamanho médio, com redes e boias
pendurados dos lados. Eu era o único na praia. O resto da minha
caravana estava no barco. Nossa caravana era constituída por mim
e dezoito outros, principalmente irmãos do sacerdócio com algumas
mulheres que haviam sido preparadas para levar o nosso próximo
grupo a Sião. Todos nós estávamos cientes de que eu era a única
pessoa transladada em nossa pequena caravana.
Meus companheiros tinham feito todos os preparativos,
incluindo o barco. Eu tinha recebido a designação de encontrá-los
aqui e vim através do portal apenas alguns dias antes. A maioria da
tripulação não eram de Sião e tinham sido enviados de diversas
cidades de Sião para fazer os preparativos, apanhar-me e me
acompanhar nesta missão. Eu estava na proa da embarcação,
levando-nos para frente porque eu tinha visto a rota durante a minha
preparação no portal.
Nós viajamos ao norte durante semanas, muito além dos Estados
Unidos, além do Canadá, em torno do Alasca, e até as regiões árticas
acima no Canadá. Passamos por muitas ilhas grandes e passamos
através de canais estreitos. Nós estávamos tão longe ao norte que
deveríamos estar no inóspito clima ártico, mas já não havia neve
sobre a terra, e a terra em que passamos mostrou relva nova e
250
9 – O Dia Milenar

arbustos que não estavam lá antes das tribulações. Como já


mencionei, o clima em todo o mundo tinha mudado. Os
invernos eram muito mais amenos, as calotas de gelo no extremo
norte haviam derretido quase todas, expondo terra que havia estado
congelada e coberta de gelo por milênios.
Eu estava vestindo um terno executivo cinza com camisa branca
e gravata. No meu estado atual, eu não sentiria nenhum frio ou calor.
Tudo era morno e agradável para mim. Embora fosse inverno de
acordo com o calendário, a temperatura ficava entre 10 e 20 graus
Celsius. Meus companheiros eram de lugares bem mais quentes e
não eram transladados, como foi o meu caso, por isso eles usavam
casacos e gorros e esperavam por mim na cabine.
Depois de muitas semanas, chegamos a um lugar onde o mar
batia em penhascos quase verticais. Haviam três picos rochosos de
pedra cinza azulada, que eu tinha visto através do portal. Tratava-se
de um claro marco de que estávamos no lugar certo. Uma estrada
feita pelo homem tinha sido esculpida na face do penhasco que
subia de uma praia rochosa para o meio dos três picos. Estávamos
bem atrás de umas ilhas grandes, e o mar estava manso ao
chegarmos. O barco passou pelos penhascos e deslizou até uma
estreita praia rochosa. Uma vez em terra, meus companheiros me
levaram um pouco ao interior onde a estrada tinha sido, há séculos,
trilhada pela areia por muitos pés e muitos veículos. Viramos à
esquerda e continuamos até a estrada que já tínhamos visto
esculpida no penhasco. Ela era larga e suave embora, obviamente,
de antiga origem.
Senti um ar primaveril, mas deve ter sido inverno subártico. Eu
também sabia que essa estrada, os três picos, e o local aonde íamos
estivera sob 30 metros de gelo por vários milênios. Somente depois
que a temperatura da terra tinha aquecido, e o gelo havia derretido,
este lugar tornou-se acessível novamente.
Paramos, quase no meio do pico central, que erguia-se acima de
nós. A estrada continuava subindo mas foi estreitando logo depois
de onde paramos. Os homens que acompanharam-me tinham
trazido pás e picaretas. Tiraram seus casacos e cavaram a pedra.

251
John M. Pontius – Visões de Glória

Não eram lascas de pedra natural, mas um tipo de concreto com um


lado habilmente colorido para combinar com o penhasco e que
ocultava a entrada de uma grande caverna.
A abertura para a caverna era do tamanho de uma rodovia de
quatro pistas, depois que a abrimos. Cheguei na entrada da caverna,
e embora eu já tinha visto tudo através do portal, era muito maior
na vida real que eu tinha interpretado. Havia uma fileira de luzes
amarelas à altura da cabeça correndo em ambos os lados do túnel.
O teto do túnel era arqueado, escavado em pedra natural, mas o chão
era plano e liso, aparentemente feito do mesmo material, só
tínhamos lascados longe da entrada. A entrada para o túnel não
estivera aberta ao mundo exterior por muitas gerações humanas.
A gruta seguia em suave declive por um longo caminho,
desaparecendo em uma aparentemente interminável fileira de luzes.
Meus acompanhantes largaram suas ferramentas, sacudiram o pó, e
seguiram-me na montanha. Eu parei para apreciar uma das luzes do
lado do túnel, o que parecia ser um tosco pedaço de vidro fundido.
Era do tamanho de uma bola de basquete e emitia uma luz constante
sem calor. Eu peguei uma e fiquei surpreso de como era leve.
Concluí que não ligada à caverna por fios ou qualquer fonte visível
de alimentação. Eu aprendi mais tarde que elas eram bem como as
pedras que o irmão de Jarede(NT-17) tinha pedido ao Senhor para
iluminar. Elas não eram elétricas, mas energizadas por Deus.
Caminhamos cerca de um quilômetro e meio, descendo
continuamente. O túnel foi-se tornando cada vez mais brilhante à
medida que nos aproximamos de uma enorme caverna na parte
inferior. A minha primeira impressão desta caverna foi vários
quilômetros de diâmetro. O teto era pontilhado pelas mesmas pedras
incandescentes, mas elas eram quase tão brilhantes como o sol,
nesta imensa caverna. O ar movia-se suavemente, e tinha um
agradável aroma de flores e plantas, como uma campina ensolarada
logo depois de um temporal.
Quando pude finalmente examinar a caverna, vi milhares de
pessoas reunindo-se juntamente. Elas estavam todas olhando para
além de mim, a um homem que estava sobre um parapeito esculpido
na parede de rocha. Ele estava pregando a eles com uma voz

252
9 – O Dia Milenar

naturalmente amplificada por toda a caverna. Ele falava uma língua


que eu nunca tinha escutado, mas que me soava como inglês com
sotaque irlandês ou escocês.
Haviam homens, mulheres e crianças reunidos diante de mim.
Logo antes de entrar nesta grande caverna, haviam várias rochas que
tinham caído durante os terremotos. Cheguei ao lado de uma delas
para ouvir e para orar por orientação.
O homem discursando a eles tinha longos cabelos brancos e uma
longa barba branca, que fluía alinhadamente ao seu peito. Ele
segurava em um braço um grande livro, para o qual gesticulava de
vez em quando. Estava ensinando-lhes sobre as mudanças que a
terra tinha sofrido recentemente. Ele folheava várias páginas e lia
profecias na sua escritura com relação a estes dias. As suas palavras
eram poderosas, e a linguagem era bela. Ele estava falando de coisas
que nós, eu e meus companheiros, recém tínhamos visto. Ele falou
com poder sobre a Nova Jerusalém, de onde tínhamos acabado de
chegar. Tudo o que ele disse era exatamente a verdade, e animou-
me o espírito.
Estava lendo em um estilo formal e poético, algo como Salmos,
falando sobre a fusão do gelo e das estradas que se projetariam do
abismo. Ele lia sobre as mudanças na terra, do crescimento de relva
e flores mais uma vez no desolado norte. Chegava a nossos ouvidos
como a mais bela poesia. Sua voz estava cantando mais do que
falando. Era magnífico, e choramos. Chorei porque era tão belo e
porque ela era uma terceira ou quarta testemunha do por que
estávamos lá. Eu já tinha tido visões dessas coisas, anos atrás.
Recentemente eu tinha ouvido as palavras que Cristo tinha falado
para mim em pessoa. Eu tinha estudado essas pessoas através do
portal. Finalmente, eu estava ouvindo um profeta, a quem nunca
tinha conhecido, ler Sagradas Escrituras das quais eu nunca tinha
ouvido falar, falando profeticamente do trabalho que eu estava ali
realizando, tudo vindo aos meus ouvidos pelo poder de Deus como
a mais puro e poético inglês.
As suas palavras eram lidas de escrituras de milhares de anos,
que nenhum homem, exceto estes poucos, jamais escutou, e ele

253
John M. Pontius – Visões de Glória

estava profetizando sobre a razão pela qual estávamos lá entre eles,


embora eles ainda não tinham percebido. Foi espantoso a todos nós.
O povo mantinha absoluta atenção nele. Seus rostos eram
limpos e claros. Eu imediatamente reconheci o brilho do Espírito
Santo sobre eles. Ele folheou perto do final do livro e leu-lhes uma
longa profecia da sua escritura, falando destes tempos, profetizando
que alguém iria chegar do mundo exterior que iria levá-los para a
Nova Jerusalém, a qual, acrescentou com grande ênfase, seria
"acima!" Ele quis dizer, sobre a face da terra. As pessoas riram e
choraram, alguns orando em voz alta, agradecendo a Deus. Outros
simplesmente abaixavam a cabeça e choravam. Toda a sua atitude
era de louvor a Deus, regozijando-se e chorando de alegria.
Silêncio veio sobre eles e o seu profeta começou a ensinar-lhes
as bênçãos que iriam receber em Sião. Ele enfatizou bênçãos
templárias, e o selamento das famílias para sempre. Ele prometeu-
lhes que, pouco tempo depois que elas chegassem em Sião, Jesus
Cristo iria retornar à Terra para limpá-la da maldade, mais uma vez
tornando possível que essas pessoas vivessem onde o Sol brilha,
onde as chuvas caem, e onde as estrelas são visíveis no céu noturno.
Depois de mais júbilo e aplausos, o profeta apontou diretamente
para o local onde eu estava, ao lado da grande pedra. Ele clamou, "e
aqui está o próprio mensageiro de Deus que as escrituras
testificaram que viria! Hoje, as Escrituras são cumpridas!" ele
gritou, lágrimas correndo por seu rosto, apontando diretamente para
mim.
Milhares de olhos voltaram-se para mim. Um suspiro de
admiração que se levantou e eu me afastei da rocha e dei um lento
passo em frente, ainda orando poderosamente sob minha respiração.
No meu coração, eu não tinha medo, mas eu estava profundamente
intimidado. Eu não tinha assistido o portal por tempo suficiente para
ver todas as coisas, e isto me surpreendeu.
As pessoas eram bonitas, com rostos angulosos e olhos verdes
ou castanhos com listras azul-turquesa. Eu já tinha visto olhos como
estes apenas uma vez antes, há muito tempo quando a bela
personagem angélica viera dizer-me que eu não iria morrer. No

254
9 – O Dia Milenar

mesmo instante percebi porque ela viera, porque estes eram o seu
povo, seus descendentes.
Seus cabelos eram escuros, quase pretos, com algumas pessoas
de cabelos castanho-médio, mas não haviam loiros ou ruivos. Sua
tez era jambo, um pouco como os judeus sabra de hoje. Os homens
tinham ombros largos e, em geral, um pouco mais baixos do que eu
com 1,83 de altura. A maioria tinha cabelos longos, presos atrás em
um rabo ou um nó.
As mulheres eram aproximadamente da mesma altura que os
homens e belas. Eles usavam seus cabelos longos, de vários estilos,
com muitos intricados tipos de tranças e penteados. Sua pele foi
impecável pelas gerações longe da luz solar. Seus olhos
eram brilhantes de entusiasmo e sem atitude condenatória. Meu
coração dilatou-se querendo abraçá-los com amor.
Todos eles usavam a mesma cor de roupa, cor de estanho. Ela
parecia desconfortável, mas descobri que era macia ao toque. Eles
tinham outras cores de roupas, mas esta era a seu traje formal que
usavam no Dia do Senhor e em ocasiões especiais. As
mulheres usavam vestidos ou túnicas deste material que vinham até
os seus joelhos. Eles eram lindamente bordados com desenhos
incluindo montanhas, pássaros e árvores, todas coisas que eles
nunca tinham visto na sua vida. Os homens usavam calças soltas
que eram coletados em seus tornozelos. Todos usavam sandálias
leves nos pés.
Ao virarem seus rostos em minha direção, tive a impressão de
que haviam cerca de 20.000 pessoas olhando para mim. Era como
estar no púlpito do Centro de Conferências, embora eu nunca tive
essa experiência, mas esse foi o número de muitos rostos que vi.
Eu tinha um pacote de livros pendendo do meu ombro, que me
tinha sido entregue pelo da Apóstolo presidente em Sião. Ele
continha todos as nossas escrituras dos últimos dias, um livro que
descrevia os templos e suas ordenanças, um conjunto de
documentos avulsos, e outro antigo livro que não foi me permitido
a recordar o conteúdo. Os livros eram presos por todos os lados por
uma tira de couro com uma alça de ombro para levá-los. Era uma

255
John M. Pontius – Visões de Glória

maneira incomum de prender livros. Mas quando eu finalmente tive


permissão para visualizar as suas escrituras, elas eram unidas da
mesma forma. Era um sinal para os seus olhos de que o que eu
trouxe era, de fato, escritura.
As pessoas se dividiram, e eu caminhava lentamente para a
frente. Era uma distância considerável de onde eu estava para a
plataforma onde o profeta estava falando, talvez uns 400 metros. O
povo me observava intensamente com lágrimas correndo no rosto.
Passei por hortas exuberantes com frutas e legumes, passei por
parquinhos com bancos, áreas comuns com lindas cadeiras em
madeira trabalhada, e playgrounds cheios de brinquedos. As
pessoas estavam em volta destes lugares, observando-me. Andei
por eles e sorri, embora eu queria correr para o parapeito.
Descobri que eles mantinham uma forma de doutrina do Velho
Testamento. Eles não tinham o Novo Testamento e não sabiam dos
acontecimentos da vida de Cristo. Eles falavam de Jeová, e
conheciam-no como Jesus Cristo; no entanto, eles não conhecem
muitos dos seus ensinamentos. Eles adoravam-no como seu Criador
e Salvador, mas não tinham a plenitude do evangelho. Eles não
tinham as ordenanças do templo ou uma compreensão de muitas
coisas sagradas.
Jesus Cristo tinha visitado seu mundo subterrâneo nos dias após
a sua ressurreição e prometera voltar. Ele prometeu que antes que
Ele viesse purificar o mundo na superfície, Ele iria enviar
mensageiros para ensinar-lhes a plenitude do evangelho e para livrá-
los de seu exílio voluntário.
Eles perceberam que este momento tão esperado tinha acabado
de chegar. Eles foram abençoados com uma longa série de profetas
que, por milhares de anos, haviam preservado a história sagrada e
secular e mantiveram sua doutrina pura. Tinham o Sacerdócio
Aarônico e suas ordenanças, mas apenas os seus profetas possuíam
o sacerdócio maior. Eles conheciam sobre as ordenanças do
templo mas não as realizavam. Haviam esperado por muitas
gerações por este grande dia, neste momento. Para eles, era meio
como quando Moisés veio no Egito para libertar-lhes de Faraó.

256
9 – O Dia Milenar

Volto a dizer: eu estava intimidado pelo enorme desafio diante


de mim. Cada uma dessas pessoas teve de aprender o evangelho, ser
batizada na Igreja dos últimos dias, ordenada ao sacerdócio e
preparada para o templo. Tudo isso em uma longa jornada a Nova
Jerusalém para receber as bênçãos do templo. Além disso, eles
tinham que ser ensinados os princípios de Sião e integrado na obra
dos últimos dias.
Ao andar em frente, eu estava orando com fervor para dizer e
fazer a coisa certa. Então, me lembrei de quem eu era, quem me
enviou, e de tudo o que eu tinha visto. O medo imediatamente
deixou-me, e eu caminhei rapidamente à frente e subi a uma estreita
escada de pedra para juntar me ao seu profeta. Fui falar com ele e,
antes de falar, entreguei-lhe o pacote que me havia sido confiado
para lhes entregar. Ele tomou-o e levantou-o ao alto, e gritou: "Aqui
tenho a plenitude do evangelho!" Então ele virou-se e abraçou-me.
Após o gozo dar lugar ao silêncio, ele me pediu para dirigir-me
ao seu povo, e deu um passo atrás com um gesto da sua mão. Não
havia balcão ou púlpito para me separar das pessoas. Meu coração
encheu-se de amor por eles ao dar um passo à frente, ainda não tinha
certeza sobre o que eu deveria dizer.
Ao abrir minha boca, eu sabia que eles iriam compreender
cada palavra minha. O Espírito Santo desceu sobre mim, e as
palavras começaram a fluir na acústica perfeita da imensa caverna,
e na perfeita inocência das suas almas.
Comecei a ensinar-lhes o que tinha acabou de acontecer na terra.
Contei-lhes do colapso da sociedade, dos terremotos e inundações.
Prestei poderoso testemunho de que o que acabaram de ouvir o
profeta dizer era verdade, porque eu tinha visto tudo o que ele lhes
disse, com os meus próprios olhos.
Eu falei sobre Jesus Cristo, sobre a sua vida e expiação. Eles
choraram e se alegraram. Sua forma de adoração era bem sonora em
comparação com a minha experiência, e eu tinha que parar
frequentemente para deixá-los gritar de alegria. Eu gostei de sua
expressão espontânea, pois era fruto da voz do Espírito.

257
John M. Pontius – Visões de Glória

Falei da Apostasia e, em seguida, de Joseph Smith e da


restauração da Igreja nos últimos dias. Eu disse a eles sobre a Bíblia
e segurei-a no alto. Falei longamente sobre o Livro de Mórmon e
segurando-o no alto. Falei da estatura atual da Igreja e disse-lhes das
centenas de templos e da grande coligação dos últimos-dias
atualmente em curso.
Por último, falei da edificação de Sião, e que ela não tinha sido
interrompida pelas recentes destruições, mas tinha acelerado por
causa delas. Disse-lhes da grande conferência em Salt Lake City e
de ver e ouvir Jesus Cristo falar a nós naquela reunião.
Eu disse a eles que eu tinha sido enviado por Jesus Cristo
pessoalmente, e pelo Igreja dos últimos-dias em Sião, a fim de
prepará-los para retornarem. Em seguida, abriu as escrituras que
tinha trazido e li para eles muitas escrituras e preguei-lhes com o
poder de Deus. Não sei quanto tempo eu falei, mas foram pelo
menos, várias horas.
Eles estavam empolgados até às lágrimas, chorando e louvando
a Deus. Alguns caíram de joelhos, suas forças exauridas pelo júbilo.
Eles sabiam que suas promessas estavam prestes a ser cumpridas.
Abri um livrinho que estava à frente no pacote que eu trouxera
para eles. O documento continha mapas e instruções sobre o que iria
acontecer em seguida e como encontrar seu caminho a Sião.
Também descrevia seus deveres e sua missão depois que chegassem
para terminar de preparar o mundo para o retorno de Cristo. Eu falei
da parte do templo que somente eles podiam construir, e eu tinha
até um desenho.
Eu esperei pelo silenciar desta grande assembleia. Então chamei
os outros dezoito que tinham me acompanhado. Apresentei cada um
pelo nome e disse-lhes qual era o chamado de cada um deles e como
eles iriam ajudá-los a retornar a Sião. Cada um dos dezoito prestou
um breve testemunho para o grupo.
Seu profeta veio e entregou-me uma cópia de suas escrituras e
genealogia com grande solenidade, quase cerimoniosamente. Ele
disse, "Eu confio estas coisas sagradas a vós. Cuidai bem delas e
levai-as de volta ao Profeta em Sião. Estas são as nossas únicas
cópias, escritas pelas mãos dos nossos profetas. Relatai a nossos
258
9 – O Dia Milenar

novos profetas, que somos filhos de Deus e temos ansiosamente


aguardado por este dia em que poderemos receber as bênçãos em
Sião e no templo. Estes são os registros das nossas gerações, e a
história do nosso povo. Queremos que nós e nossos antepassados
tenham o trabalho do templo feito, logo que estivermos preparados.
Dizei-lhes que estamos voltando."
Minha próxima percepção foi andar com eles até o largo túnel.
Eu estava saindo com eles para fora de sua caverna.
Eles caminharam com determinação em direção à luz que não
tinham visto por gerações, mas houve também olhares emocionados
para o seu lar atrás, por toda a viva memória, e muitas lágrimas por
diferentes motivos. À sua frente ia seu idoso profeta, seu rosto
brilhava do Espírito, e da luz do sol que estavam vendo pela
primeira vez em suas vidas. O último de seu povo tomou o vidro
incandescente das paredes da caverna e, após embrulhá-los em pano
com cuidado, colocou-os num carrinho de mão, deixando a grande
caverna na escuridão. Alguns obreiros ficaram para trás
temporariamente para vedar a caverna atrás deles.
Os outros membros do meu grupo trabalharam com o povo
dividindo-os em grupos. Eles tinham construído carrinhos de mão e
carrocinhas, mas não tinham animais para puxá-las. Agora eu já
sabia alguns dos seus nomes e já começara a amá-los muito.
Eles eram pessoas realmente agradáveis, inocentes e imaculadas
pelo mundo. Eles eram como crianças na sua fé e na sua
compreensão do mundo de fora de seu lar seguro dentro da terra.
Chorei ao pensar em deixá-los, mas eu sabia que teriam que fazer
sua própria jornada a Sião, para assim estarem preparados quando
chegassem.
Eu não ia com eles. Abracei muitos deles, recebi seus beijos em
minhas lágrimas, e andei a uma curta distância até sumir de vista, e
eu voltei a Sião por meio do portal. Quando eu cheguei, entreguei
os livros com sua genealogia e Sagradas Escrituras à Primeira
Presidência da Igreja, que a esta altura já se transferira para o que
fora antes conhecido como Missouri, mas não era mais. O
mundo agora a chamava de Sião, a Nova Jerusalém.

259
John M. Pontius – Visões de Glória

Sua Chegada em Sião


Minha próxima visão trouxe-me ao dia da chegada dos meus
amigos da caverna à Sião. Isso foi muitos anos mais tarde. Eu tinha
voltado a eles várias vezes para encorajar e ministrar por eles, mas
o maior trabalho já tinha sido feito pelos dezoito que tinham
caminhado com eles a Sião.
Nós sabíamos que eles vinham, e eu subi em fiquei em pé sobre
uma pequena colina na margem da cidade. Preparamos um banquete
para recebê-los e revigorá-los. Eles baixaram suas trouxas e
carrinhos de mão logo que nos viram e correram aos nossos braços.
Eu chorava ao abraça-los, pois tinha aprendido a ama-los.
Eles estavam cansados e maltrapilhos e haviam triunfado sobre
muita oposição. Seu número reduziu. Eles pagaram o preço de uma
jornada de retidão. O idoso profeta tinha sobrevivido à viagem e
estava andando à frente quando eles chegaram.
Joseph Smith juntou-se a nós para dar-lhes as boas-vindas. Ele
lhes ensinou sobre o seu papel na restauração do evangelho. Ele
disse-lhes de que tribo de Israel eles eram, e leu de suas próprias
escrituras para instruí-los. Eles ficaram muito felizes ao saber que
estavam olhando ao ressurreto Joseph Smith, mas eles não pareciam
surpresos. O nosso atual profeta falou-lhes, bem como os profetas
que tinham ministrado a eles em dispensações passadas. Estes eram
profetas de quem eu nunca tinha ouvido falar antes, mas eles eram
bem conhecidos dos que chegavam, e eles deslumbravam-se com
como cada antigo e amado profeta que era apresentado.
Quando essas pessoas foram alimentadas e preparadas
espiritualmente, os trouxemos para a cidade. Tinha uma longa mesa
perto do templo com milhares de copinhos de água sobre ela. Eles
se reuniram e o profeta explicou que eles iriam beber da Água da
Vida.

"A Água da Vida"


Durante a edificação do templo na Nova Jerusalém,
descobrimos uma nascente. Quando consultámos os planos, ela
realmente estava incluída nos desenhos, juntamente com projetos
260
9 – O Dia Milenar

para aproveitar a água que brotava. Quando o templo foi concluído,


a água escorreu por debaixo do templo e para fora em um belo
chafariz que chamamos de "Fonte de Águas da Vida" logo na saída
templo. Perto da fonte, uma grande e magnífica árvore erguia-se,
que se chamava "Árvore da Vida." Ela não nasceu ali, mas fora
transplantada, totalmente crescida, de uma esfera terrestrial(NT-18).
Tal árvore nunca tinha crescido na terra antes. Nós apenas a
observamos um dia e, como todos os outros seres vivos em Sião,
compreendemos sua história completa e tudo sobre ela. Até ser
transplantadas a Sião ela tinha sido, desde há muito tempo, um
adorno da cidade de Enoque.
A árvore dava doze tipos de frutos, que representavam as doze
tribos de Israel. Cada tipo de fruta tinha sua peculiar propriedade de
cura e santificação que usávamos de maneiras que eu já não me
lembro. Mas lembro-me de olhar a árvore por muitas horas,
admirado e maravilhando-me de que tão perfeito ser vivente
pudesse agora estar sobre a terra.
Mesmo as folhas tinham poder de cura. Se uma folha ou fruto
fosse arrancado da árvore, ele quase que imediatamente crescia
novamente. Uma única folha colocada na terra em outro lugar fazia
o solo curar e uma exuberante vegetação a crescer, e a área para
começar a mudança para o formato milenar. Um dos grandes
propósitos das folhas da árvore era curar a água da contaminação
resultante da guerra e da radiação. Pouco antes e após a vinda do
Senhor, levamos muitas folhas a distantes cidades de Sião, para
começar a sua transformação à forma milenar e, eventualmente, as
levamos a todo o mundo.
Comer uma fruta da árvore mudava a pessoa instantaneamente
um para a condição terrestrial ou milenar. A árvore não tinha
guardas porque ninguém indigno podia entrar em Sião ou de forma
alguma aproximar-se do templo e da Árvore da Vida indignamente.
Aqueles cujos olhos foram abertos para poder ver as coisas de Deus
e os anjos, viam poderosos anjos guardando a Árvore da Vida, tal
como o Pai havia ordenado no Jardim do Éden.

261
John M. Pontius – Visões de Glória

A árvore fulgurava com a glória de Jesus Cristo, noite e dia, e


era incrivelmente bela, muito mais perfeita do que qualquer árvore
previamente sobre a terra.
A água da fonte fluía ao redor da árvore e assim obtinha as
propriedades vivificantes da árvore. A água foi assim "curada" da
sua condição telestial tornando-se de natureza terrestrial.
Construímos um aqueduto aberto para levar a água ao centro de
cada rua de Sião, para que cada pessoa pudesse
livremente participar. A calha era ligeiramente levantada e foi
construída de pedra finamente esculpida e revestida de ouro.
Criamos pequenos regatos para levar a água para os jardins e
pomares no lado mais distante da cidade. Quando os fluxos de água
atingiam os limites de Sião, eles seguiam subterrâneos para nutrir a
terra.
Canalizamos um outro curso d’agua a partir da fonte para o novo
rio que fluía ao redor Sião. As margens do rio começaram a voltar
à vida, com exuberante vegetação, árvores de flores e plantas
crescendo espontaneamente nas margens do rio, movendo-se
lentamente para dentro através da desnuda paisagem. Recordo-lhe
que fazia pouco menos de dois anos, desde que o tsunami do Golfo
por aqui passara e matara quase tudo, inclusive salgando a terra, de
modo que mal podia sustentar vegetação.
A água era diferente da água normal. Era mais clara e deliciosa
e tinha uma propriedade de reflexão que a fazia cintilar ao sol.
Durante a noite, ela cintilava e reluzia. Nossos profetas leram as
profecias para nós relativas a fonte, cujo fragmento é encontrado no
último capítulo da Bíblia. Um regato similar foi eventualmente
encontrado na antiga Jerusalém. Deus provera essas águas pelo seu
poder para o aperfeiçoamento de Sião durante o Milénio.
Descobrimos logo que passando um pouco dessa água sobre
uma ferida, a curava em minutos. Beber uma vez curadas qualquer
doença que você tivesse. Bebendo-a várias vezes curava qualquer
doença e começava a transforma-lo. Bebê-la cerca de uma semana
permanentemente o transformava no estado “Milenar Condicional"
que era uma alteração semelhante à transladação, mas sem os dons
espirituais. A partir de então, seu corpo nunca mais envelhecia.
262
9 – O Dia Milenar

Você tornava-se invulnerável a males ou doenças. As lesões eram


curadas rapidamente. Com o tempo, o povo tornou-se impérvio à
lesão e dor. Pessoas idosas gradualmente ficaram com a aparência
de jovens, e os jovens paravam de envelhecer aos trinta anos
aproximadamente. Descobrir tudo isso era extremamente fascinante
e inspirava humildade. Nós participamos livremente, exultamos e
demos toda a glória a Jesus Cristo.
Começamos a chama-la de "Água da Vida", porque ela nos deu
vida. Também chamamos assim à fonte de onde ela vinha, pois
compreendíamos plenamente que ela vinha de Jesus Cristo, que é a
fonte da Água Viva. O título "Água da Vida" era um lembrete
constante para nós de que ela vinha de nosso Salvador.
Uma vez que plenamente transformados por beber a água,
literalmente nunca mais tivemos sede. Paramos de beber água
normal. Bebíamos da fonte todo dia, mas não era necessário após a
mudança ter efeito completo.
Depois que bebemos, já não tínhamos a sensação de fome.
Comíamos quando queríamos. Os não transladados ainda
precisavam comer, mas em muito menor quantidade e com
muitíssimo menos frequência.
Igualmente fascinante foi que em toda a parte que a água caia, a
relva, árvores e flores começaram a crescer e florescer em
espontânea abundância. O solo ficou rico, e até mesmo rochas e
pedras foram alteradas. Passar a água em concreto ou pedra os
modificava e tornava perfeitos, sem fissuras, desgastes ou
rachaduras. Ela simplesmente ficava perfeita, linda, e impermeável
a tudo telestial.
Começamos a regar pomares com ela e os frutos cresceram em
enorme tamanho. Uma vez eu vi dois homens transportando um
cacho de uvas atado a uma viga. Cada uva tinha o tamanho de uma
melancia. Os homens também foram alterados, por isso conseguiam
carregar a fruta gigante. Eles estavam transportando-a por alegria, e
para exibi-la para cima e para baixo pelas ruas, glorificando a Deus
e exultando em alta voz, convidando a todos a vir saborear o néctar
divino da graça de Deus.

263
John M. Pontius – Visões de Glória

Logo aprendemos a colher as frutas enquanto eram pequenas e


fáceis de comer, em vez de deixar que ficassem tão grandes.
Verificamos que após a colheita de frutas ou vegetais, logo crescia
outra, de forma que as árvores estavam constantemente carregadas
de frutas e plantas continuamente produzindo legumes. Nós quase
nunca realmente plantamos novas hortas. Elas produziram como se
estivessem explodindo de alegria.
Você pode comer um pequeno pedaço de fruta e ele saciaria sua
fome e sede por dias. Este alimento era totalmente absorvido pelo
nosso corpo e não produzia excreção. Ele fornecia tudo que nossos
corpos necessitavam para viver sem doença ou morte.
Verificamos que o fruto era vivo, e se você deixasse um fruto
em um armário ou mesa, ele permaneceria fresco e
delicioso indefinidamente. A comida também tinha propriedades
curativas. Comer um gomo de fruta podia curar uma moléstia
comum, e comer repetidamente o transformava ainda mais. Mas só
bebendo a água o transformava no estado do milenar.
Até mesmo a grama, as árvores e os animais se tornaram
"milenar." A água foi mudando tudo em torno de nós.

Tornar-se Eterno
As pessoas em Sião já não envelheciam, exceto as crianças. As
crianças amadureciam até aproximadamente trinta anos de idade,
em seguida, tornavam-se eternas. Não havia enfermidade, doença,
moléstias ou lesões que ameaçassem, e praticamente nenhuma dor.
Mas havia uma diferença visível entre os jovens e os idosos. Por
nossos olhos estarem abertos para as coisas espirituais e por causa
da constante presença do Espírito Santo, as pessoas mais velhas
possuíam uma aparência de sabedoria, conhecimento e experiência.
Eles falavam diferente e que possuíam conhecimentos de como usar
o sacerdócio, que os jovens não. Eles tinham uma maior
experiência, fé e sabedoria. Todos nós parecíamos na mesma faixa
etária ao longo do tempo, mas não havia uma diferença, que vinha
com a idade e que era venerada, honrada, e procurada.
As pessoas mais velhas também se lembravam de como era ser
mortal, velho, doente ou combalido. Os mais jovens não tinham
264
9 – O Dia Milenar

experimentado essas coisas. Não era incomum esses cidadãos mais


velhos de Sião serem solicitado para ensinar aos jovens o que a vida
mortal tinha sido e como que valorizavam suas bênçãos milenares.
Aprendemos a nos comunicar tanto pelo Espírito como com
nossas vozes, de modo que as gerações mais velhas foram capazes
de ensinar estas coisas com grande clareza, transferindo o
conhecimento destes princípios de mortalidade poderosamente e
claramente aos seus alunos.

A Bênção de ser simples


Após as águas vivas terem curado o solo e as pessoas, então
vieram os tempos a que me referi anteriormente, quando não havia
necessidade de empresas, lojas, serviços públicos, fábricas,
comércio, indústria, dinheiro, bancos, empréstimos contraídos ou
concedidos, e quase nenhuma outra convenção da
atual mortalidade. O estado milenar nos libertou de todos estes
artifícios de Babilônia. Tudo o que precisávamos era fornecido pelo
poder de Deus que foi inicialmente presente apenas em Sião, e mais
tarde, nas cidades de Sião. Estávamos livres para trabalhar
exclusivamente para Deus, e era exatamente o que fazíamos, era a
melhor de todas as maneiras de viver.
Não havia nenhum sistema monetário, e ouro, prata e pedras
preciosas só tinham valor como adornos de templos, igrejas, obras
de arte e na pavimentação de ruas. Todos nós tínhamos as coisas
em comum porque tínhamos todas as coisas que precisávamos.
Éramos todos ricos muito além do que qualquer rei mortal tenha
sido, e nada disso nos importava. Era mais fácil uma carga de
caminhão de diamantes ser espalhada na massa de concreto como
adorno a Sião do que aparecer na mão ou no pescoço de alguém. O
conceito de propriedade e aquisição de "coisas" como parte da
nossa identidade sumiu do nosso paradigma social.

265
John M. Pontius – Visões de Glória

Colunas de Fogo
Tudo isto foi ainda antes da Segunda Vinda. O Senhor
tinha ordenado que começássemos o dia milenar em Sião e as suas
cidades enquanto a guerra e o caos reinavam em todos os outros
lugares. Estávamos cercados pela guerra na nossa própria região.
Tropas estavam avançavam suas agendas, e nós os ignorávamos.
Eles não tinham nenhum poder sobre nós; embora eles tentassem
repetidamente entrar em Sião e exercer autoridade sobre nós, eles
eram sempre frustrados em seus objetivos. Nós não precisávamos
chamar fogo do céu sobre eles ou guardar nossas portas com armas
antitanques. Vivíamos na segurança do poder de Deus. Os
mesmos pilares de fogo que nos acompanharam por todos os
agrestes da América até Sião, agora refulgiam acima do templo, e
nos doze portões de Sião. Colunas de fogo eram frequentemente
vistas acima de casas ou outros locais onde as pessoas adoravam a
Deus, ensinando pelo poder de Deus, ou aprendendo em humilde
obediência.
Como as Águas Vivas mudaram tudo dentro dos muros de Sião,
a cidade começou a brilhar em glória interior. Edifícios refulgiam;
ruas refulgiam; e calçadas, gramados e flores refulgiam. A mais bela
visão de todas era o poderoso templo ali. A luz de toda a cidade
parecia ser atraída para o templo e projetada acima do templo, onde
penetrava o céu como um poderoso pilar de fogo e estendia-se no
céu além da visão do homem. Àqueles que não sabiam porque estas
coisas aconteciam, ou que a obstruíam, Sião era realmente terrível
como um grande "exército com estandartes", como previsto por
Isaías. No entanto, ela também era pacífica como uma pomba.

Expandindo Sião
Toda a nossa sociedade estava empenhada em expandir Sião, o
que significava que as terras em torno de nós tinham que ser
preparadas para se tornar Sião. Com o passar do tempo, se espalhou
a notícia por todas as Américas e, em seguida, em todo o mundo,
que em Sião havia paz, segurança e que se você não quiser estar em
guerra, você teria que pagar qualquer preço para vir a Sião e às suas
266
9 – O Dia Milenar

cidades. Nós já não chamávamos este lugar Missouri; ele foi se


tornando conhecido mundialmente como Sião, a Nova Jerusalém, a
cidade do Deus Vivente.
Como resultado, as pessoas chegavam às portas de Sião todos
os dias. Nós não podíamos admiti-los até que eles fossem
preparados. Na verdade, eles não conseguiam entrar por causa dos
pilares de fogo guardando Sião. O nosso Salvador nos visitava no
templo de Sião, e seres ressuscitados e transladados caminhavam
pelas ruas de Sião. Notáveis das gerações passadas eram vistos
todos os dias, e só os puros poderiam habitar lá sem serem
consumidos pelas colunas de fogo.
Jesus Cristo ainda não era visto fora do templo. Depois da
Segunda Vinda, nosso Salvador irá morar na Nova Jerusalém e não
será incomum vê-lo dentro da cidade. Ele iria visitar lares e famílias
e abençoá-los com a sua presença, amor e glória. Conforme esse dia
se aproximava, a dignidade requerida para ali habitar se tornava
muito mais celestial. Todos sabíamos disso e aceitávamos o padrão
de dignidade atualmente estabelecido como requisito mínimo.
Igualmente abraçamos as mudanças que ocorriam em nossa
santidade coletivamente, que iriam permitir que Cristo caminhasse
em nossas ruas, as quais amorosamente pavimentamos de ouro para
que fossem apropriadas para Seus santos pés.
Quando chegavam pessoas em Sião, tínhamos um grande
comitê designado a recebe-los, dar-lhes comida, e mostrar onde eles
poderiam acampar fora da cidade. Ninguém era rejeitado, mesmo
aqueles que sabíamos terem má intenção só de olhar para eles. Não
havia necessidade de recusar-lhes. Eles não podiam nos prejudicar,
e eles não podiam entrar em Sião. Nossa tarefa era amá-los e ensiná-
los, para que eles pudessem ter a oportunidade de ouvir o evangelho
ensinado à sua compreensão.
A única comida que havia era a que nós cultivamos, a qual
descrevi anteriormente. Mesmo uma pequena refeição desses
alimentos curava doenças de qualquer espécie. Uma dieta constante
fazia a saúde ser restaurada em poucos dias. Mas, descobrimos que
fora de Sião as mudanças adicionais não ocorriam para mudar sua

267
John M. Pontius – Visões de Glória

natureza para "milenar". Também ouvimos histórias de pessoas que


levavam os frutos de Sião até locais longínquos para tentar vendê-
los ou utilizá-los para tentar curar seus entes queridos. Quanto mais
longe os levassem, menos potentes, até o ponto de estragarem como
qualquer outra fruta, tornando-se inúteis a eles. O poder do fruto
não estava no fruto, mas em Sião.
Ainda assim, quando viam que as suas feridas eram rapidamente
curadas e os seus corpos rejuvenescidos, imediatamente indagavam
que tecnologia poderosa ou medicina milagrosa havia ali. Uma de
duas coisas acontecia: ou eles faziam planos para roubar a
tecnologia que eles imaginavam termos, ou eles imediatamente
sentiam o Espírito de Deus e faziam planos para juntar-se a nós.
Todos aqueles que quiseram juntar-se a nós foram ensinados e
batizados, e eles iniciaram a sua longa jornada a Sião enquanto
ainda acampados fora da cidade.
Mais além destes acampamentos de pessoas que buscavam
ajuda e cura pela proximidade a Sião, haviam outros grandes
acampamentos de pessoas que temiam Sião, e que haviam em algum
momento lutado contra nós e nos atacado durante nossa jornada a
Sião. Muitos dos membros destes campos vieram para a América
como tropas de ocupação, mas desiludiram-se com os invasores e
deserdaram. Eles ainda estavam temerosos e apavorados, porque
suas armas eram inúteis se decidíssemos atacá-los. Nunca o
faríamos, mas eles viviam desconfiados e com medo. Eles também
estavam aterrorizados de seus ex-companheiros, e eles viviam em
uma zona neutra entre os dois lados. No entanto, eles ficavam e
comiam do fruto de Sião, e não sabiam como sair ou como entrar.
O mundo estava inundado com os rumores de Sião, da nossa
longa vida e força física, e eles não ousam aproximar-se. Porém,
armavam acampamentos e arraiais perto de nós porque havia paz
aqui. Eles ainda estavam na esperança de desvendar ou roubar o
segredo do nosso poder e prosperidade. Alguns não conseguiam
acreditar que tivesse a ver com o poder de Deus. Com o tempo, eles
enviaram embaixadores a Sião formalmente pedindo que lhes
ensinássemos como viver em paz, saúde e prosperidade, mas que

268
9 – O Dia Milenar

não queriam nada com a nossa religião. Isso gerou algumas


interessantes situações de ensino.
Ali estava a peneira do trigo e do joio. Em todo o mundo,
guerras e abominações continuavam, comparáveis ao inferno ou à
perdição, onde o diabo reinava com sangue e horror. Tínhamos um
círculo exterior de acampamentos em torno de nós de pessoas que
nos viam como poderosos e terríveis, que ainda viviam pela espada,
mas que procuravam a paz na proximidade à Sião. Eles
rejeitavam qualquer coisa espiritual nossa, mas valorizavam os
poucos benefícios da sua proximidade a nós. Isso pode ser
comparado ao mundo telestial.
Havia também um círculo interno de acampamentos de pessoas
que estavam tentando entrar em Sião por meio da aprendizagem e
de penitência, que era algo como o reino terrestre, onde as pessoas
se beneficiavam do cura e poder espiritual de Sião.
Daí, havia o centro celestial chamado Sião, onde os anjos andam
normalmente pelas ruas, seres ressuscitados ensinam classes, e a
glória de Deus ilumina ruas pavimentadas com ouro.
As pessoas evoluíam ao sair de acampamentos exteriores e
buscar refúgio cada vez mais perto de Sião. Foi um processo
interessante. As pessoas temiam se aproximar do portão da cidade.
Enviávamos missionários a todos os acampamentos e ensinávamos
com poder àqueles que queriam participar. Organizávamos e
realizávamos reuniões sacramentais nos acampamentos mais
próximos quando tornou-se necessário. Foi a maior obra
missionária que o mundo jamais experimentara. Todos os que foram
chamados como missionários amavam suas designações e
produziam uma grande colheita entre essas pessoas.
Aqueles de nós que já estávamos dentro de Sião, levamos toda
uma vida para nos qualificar para estar lá, e as leis que regem a
retidão e a dignidade ainda estavam em vigor. Ninguém podia ser
admitido em Sião até que seus corações fossem puros e que
estivessem dignos de ver e participar de tudo o que acontecia a cada
hora em Sião. Sua grande vantagem era a de que eles estavam sendo
ensinados com grande poder, e eles podiam ver as colunas de fogo

269
John M. Pontius – Visões de Glória

e experimentar a cura de seus corpos. Aqueles cujo amor à verdade


e a Cristo ainda brilhavam fracamente em algum recesso da sua
alma, viram seu progresso reduzir-se de décadas para anos ou
meses, e sua conversão foi profunda e permanente. Algumas
pessoas chegavam totalmente arrependidas e cheias de fé, e sua
transição para Sião foi rápida.
Quando essas pessoas se juntavam a nós, a terra sobre a qual
eles tinham acampado era utilizada para ampliar as fronteiras de
Sião, mas desta vez, com eles dentro. Aqueles que não conseguiam
ser mudados eram obrigados a relocar-se para mais longe de nossas
fronteiras.
Para o nosso espanto, haviam muitas, muitas pessoas que
optaram por se opor a nós, ao invés de se juntar a nós. Foi duro
assistir, sabendo que os tempos de purificação pelo fogo estavam
chegando muito em breve, e essas pessoas tinham se definido como
aqueles que não poderiam sobreviver à vinda de Cristo em glória.

Retorno de Dez Tribos


Passei entender com o tempo que as Dez Tribos retornaram de
quatro maneiras distintas.
Em primeiro lugar, durante anos, as tribos de Efraim e Manassés
têm se coligado no evangelho dos últimos dias através do seu
próprio processo de conversão. Pessoas de todo o mundo se
reuniram unindo-se primeiro ao cristianismo e, finalmente, à Igreja
dos últimos dias. Esses eram os tempos da adoção espiritual onde
todos aqueles que alinhavam-se a Deus eram adotados às bênçãos
de Israel através da Igreja dos últimos dias.
Em segundo lugar, o trabalho de coligação acelerou
drasticamente através do uso dos portais após os primeiros dias de
Sião. Eu era parte dessa coligação e trabalhei durante muitos anos
junto com os anjos invisíveis, transladei pessoas, e a alguns até
mesmo ressuscitei os quais haviam sido designados para facilitar o
retorno de uma determinada tribo. Estes foram reunidos como
Jeremias previra: um de uma família, dois de uma cidade, para Sião.
Durante esta fase de retorno, nós ensinamos e reunidos todos

270
9 – O Dia Milenar

aqueles que tinham fé em Cristo, tanto dentro como fora da Igreja


dos últimos dias. Nós os levávamos a uma das muitas cidades de
Sião, onde prosperariam através das últimas tribulações até que
Cristo viesse livrar-nos a todos. Este processo foi concluído apenas
pouco antes da Segunda Vinda.
Terceiro, grupos de pessoas eram conduzidas por Deus, o que
equivale dizer, por Seus anjos, especificamente por nós de Sião, da
sua longa dispersão entre as nações, de volta a Nova Jerusalém e a
outras cidades de Sião em todo o mundo. Essas pessoas às vezes
tinham seus próprios profetas, as suas próprias escrituras, e as suas
próprias tradições. Nós lhes ensinamos durante a sua longa viagem,
as batizamos e as ordenamos ao sacerdócio conforme tornavam-se
dignas. Já me referi ao tremendo esforço de Sião para ensinar e
realizar ordenanças a essas multidões de pessoas que chegavam.
A maioria deles eram de locais espalhados como o Norte da
Europa, África, Ásia, Índia, Oriente Médio e das terras dos Eslavos
aonde eles tinham fugido para escapar, há milhares de anos. Mesmo
depois que chegaram, eles às vezes tinham que se esforçar para se
identificar com Sião. Mesmo tendo feito o deslocamento físico a
Missouri, eles lutavam para fazer a jornada espiritual a Sião.
Foi também um tremendo esforço ensiná-los e despojar-se de
suas tradições mundanas, vestuário, joalheria, piercings e assim por
diante. Eram como bebês espirituais recém-nascidos que tinham que
ser ensinados em cada ponto. Os Santos trabalhavam arduamente
para ensiná-los, mas foi uma transição difícil, e o tempo era curto.
Por exemplo, eles queriam enfeitar-se para celebrar a sua
conversão e nós ficávamos corrigindo-lhes o tempo todo. Criava
uma situação meio cômica porque eles reaproveitavam esses
costumes tradicionais para representar Sião, e nós tínhamos que
ensiná-los o contrário. Os Santos faziam toda sua própria roupa e
havia uma humilde simplicidade nelas. O vestuário era bonito, mas
não tinha nomes de marcas, e apenas adereços modestos. Quando
essas pessoas de outras áreas viam isso, eles muitas vezes tentavam
“emperiquitar” seu novo vestuário com as suas tradicionais joias e
marcas.

271
John M. Pontius – Visões de Glória

Quarta, houve grandes grupos de pessoas que peregrinaram a


Sião simplesmente para sobreviver. O reino de Satanás era tão
horrível, tão aviltante e terrivelmente conturbado, que mesmo
alguns que tinham inicialmente abraçado as guerras e intrigas
políticas, que tinham de boa vontade recebido a marca da besta e
que tinham por acaso ou astúcia sobrevivido às tribulações, estavam
começando a se arrepender. Eles podiam ver que os poderes das
trevas estavam sendo desafiados e derrubados. Como ratos pulando
de um navio naufragando, alguns deles correram para Sião.
Eles eram ensinados, mas era difícil para eles, e o tempo era curto.
A maioria deles não podia fazer a mudança de vida, abraçar o
evangelho, arrepender-se e purificar-se no tempo que restava.
Quando os tempos difíceis vieram, ou um teste vinha sobre eles,
muitas vezes não resistiam às provações e se afastavam. Era difícil
para eles e foi grande a mortalidade espiritual entre eles.
Esses grupos todos foram reunidos antes da segunda vinda, mas
todas essas pessoas constituíam apenas uma fração da população do
mundo. Haviam milhões a quem nós não ministrávamos e que ainda
não eram dignos de escapar do fogo da purificação na Sua vinda.
Mas sem a proteção de Sião, eles lutaram tragicamente até Ele vir.
Depois que Cristo veio, nossa atenção voltou-se a essas grandes
multidões de filhos perdidos de Deus. A eles levamos cura, a
mensagem do evangelho de Cristo e esperança. Levariam ainda mil
anos até a maioria deles abraçar seus privilégios milenares e
participar de toda a bondade de Deus. Mesmo quando o Milênio
estava quase no fim, depois que quase toda a terra havia recebido
sua glória milenar, haviam pequenos bolsões de pessoas boas mas
cujo arbítrio lhes permitia escolher não unir-se a Sião.

Os Portais Entre Nós


Estávamos ocupados em expandir Sião, reunindo os eleitos ao
redor de todo o mundo através dos portais. Então, cada pessoa
transladada possuía seu próprio portal, mas tinha uma curva de
aprendizado para utilizá-lo. A uma pessoa inexperiente, eles só
podiam viajar uma certa distância e tinham que caminhar ou obter

272
9 – O Dia Milenar

outro tipo de transporte para ir mais longe. Alguns recém-


transladados desviavam-se de suas missões e depois ficavam muito
abatidos por aquilo que viam e, com medo ou tristeza em seus
corações, não conseguiam regressar através dos portais e assim
poluírem Sião. Eles tinham de recomeçar suas jornadas para Sião a
pé, aguardando o momento em que pudessem recompor sua fé e
superar o medo para que seus portais pudessem trazê-los de volta.
Todos nós começamos a servir ao Senhor desta forma, com
pouco conhecimento do que estávamos a fazer. Todos nós fomos
para fora, ensinamos e abençoamos aqueles que nos foram
designados e, em seguida, os trazíamos para casa de barco, a pé, ou
por quaisquer meios disponíveis. Ao aprendermos quão poderosos
eram nossos dons e com maior fé e maior experiência em obedecer,
obtivemos pleno uso da transladação, sendo capazes de trazer os
puros dentre eles através dos portais diretamente a Sião. Aqueles a
quem trouxemos desta forma já eram perfeitamente puros de
coração antes de chegarmos a eles. Qualquer auto interesse ou
desejo impuro simplesmente impedia o portal de funcionar, e que
teríamos que deixá-los a encontrarem seu próprio caminho a Sião.
Mesmo a nós, os primeiros cidadãos de Sião, essa era nossa
jornada, a sistemática renúncia a tudo o que possuíamos, e tudo o
que considerávamos precisar para sobreviver. Foi esse processo que
nos purificara e ensinara quão magnífica é a vida com total
confiança em nosso amoroso Deus. Era a única maneira de aprender
essa sublime forma de pureza. Aqueles a quem encontramos
preparados para juntar-se a nós, os "eleitos" de Deus, submeteram-
se a esse processo de purificação já durante o curso de suas vidas, e
trazíamos a Sião em cânticos de alegria eterna.
Esses corações puros eram aqueles que Isaías anunciou que
traríamos de volta sobre os nossos ombros a Sião, cantando hinos
de alegria eterna. Estes não dormiriam nem pestanejariam, nem
viriam às pressas e nem desatariam seus sapatos. Chamámo-los
através dos portais, em júbilo, a Sião, mas eles eram uma raríssima
exceção.

273
John M. Pontius – Visões de Glória

Aprendemos também que o arbítrio sempre estava em vigor e


ser transladado não eliminava a possibilidade de utilizarmos nosso
arbítrio incorretamente. Não tenho conhecimento de qualquer
pessoa transladada virando-se para o mal e perdendo seu status e
sua salvação, mas eu ouvi de alguns que aprenderam pela dura
experiência que eles teriam que ter mais diligência em manter sua
estatura de retidão ou então seus dons e o portal deixariam de
funcionar.
Se nossa missão nos obrigava a assumir uma nova identidade,
passando através de um portal mudava nossa aparência. Nós quase
nunca chegamos ao nosso destino na nossa identidade de Sião. Eu
não me parecia nem falava como Spencer. Minhas roupas e minha
aparência eram alteradas. Eu tinha um pleno conhecimento de quem
era a minha nova persona e de como agir como essa pessoa,
incluindo história, memórias, e o idioma. Eu podia ser qualquer
coisa que o Senhor precisasse que eu fosse para realizar o trabalho.
Poderá parecer estranho que nós fôssemos alterados, mas a
história está cheia de histórias de anjos que aparecem em várias
formas, às vezes como homens velhos, mulheres jovens, ou até
mesmo como um amiguinho de uma criança. No entanto, sabemos
que os anjos são eternos e não velhos ou jovens, então eles
obviamente vêm a nós, na forma que mais nos abençoe. A única
diferença aqui é que agora nós éramos os anjos. Homens anjos
sempre aparecem como homem, e mulheres anjos sempre aparecem
como mulher, embora na aparência que fôssemos inspirados a
assumir.
Estudando cada missão previamente, eu era plenamente
consciente da minha próxima identidade, e eu estava preparado para
ministrar desta forma. Quando eu voltei para o meu gabinete no
templo, eu era eu novamente. Eu nunca tive de ir me trocar, me
banhar ou descansar.
Às vezes era enviado através pelo portal para um tempo anterior
a este momento em Sião. Voltei para atender a orações, cumprir
promessas, manter convênios, ou para ajustar algum acontecimento
passado nas vidas das pessoas a quem eu servia. Às vezes eu passava
longos períodos de tempo em uma missão, até mesmo meses e anos,

274
9 – O Dia Milenar

mas quando voltava a Sião, voltava poucos minutos mais tarde do


que quando saí. O que me refiro é que quando aprendemos a utilizar
o portal totalmente, seu poder era ilimitado. Dava-nos habilidades
divinas pois nós estávamos agindo em nome de Deus, e Ele investia
em nós o seu poder para cumprir a sua vontade expressa e comando.
Como tinha sido prometido, em muitas escrituras, estávamos
começando a receber todas as coisas que o Pai tem, e uma dessas
coisas foi o grande poder dos portais.
Outro resultado inesperado deste uso do tempo como uma
ferramenta foi que quando a minha visão destas coisas acabou, meu
mortal não podia conter a complexidade do que eu tinha visto, e me
esqueci de muitos detalhes. No entanto, durante a visão, foi simples
de compreender e executar. A companhia constante do Espírito
Santo tornava impossível esquecer algum detalhe, ou cometer um
erro ou omissão por esquecimento.
Como o portal nos deu um "novo" nome e identidade durante o
nosso ministério, quando as pessoas completavam sua jornada a
Sião, elas não me reconheciam. Muitas vezes fiquei íntimo das
pessoas a quem ministrei, até mesmo resgatei e ressuscitei dos
mortos, no entanto, elas não me reconheciam depois de eles
chegarem. Não me foi permitido correr a elas, abraçá-los e dar-lhes
boas-vindas ao Sião.
Em alguns casos, as pessoas pensaram que eu fosse Elias,
Moisés, ou algum outro profeta, e contavam essa história ao chegar
em Sião. Eu não me interesso em ser reconhecido pelo meu serviço,
mas era difícil vê-los novamente e ainda agir como se não os
conhecesse. Era ilícito revelar-lhes sobre o nosso serviço a não ser
que o Senhor o revelasse ele próprio, o que Ele ocasionalmente
fazia, apenas para nos dar mais alegria. Com o tempo, muito depois
da coligação, essas coisas não eram mais veladas, e nós sabíamos
tudo sobre todas as pessoas e tivemos mil anos para nos regozijar
com aqueles que havíamos reunido.
Havia três formas em que eu poderia receber uma designação de
utilizar o portal. A mais comum era do próprio Jesus Cristo. Meu
escritório ficava no templo, e apenas uma porta nos separava. Se Ele

275
John M. Pontius – Visões de Glória

precisasse de mim, Ele vinha por aquela porta. Eu sempre sabia


quando Ele estava chegando. Eu nunca fui de meu escritório para
dentro do Santo dos Santos. A segunda forma foi por um chamado
do Profeta ou um dos Apóstolos. Esses chamados eram de serviço
mais local, lidar com alguma necessidade na sua mordomia. Eles
poderiam ter ido, e muitas vezes foram por meio de seus próprios
portais, mas delegação é um princípio verdadeiro, e outros eram
muitas vezes enviados.
A terceira forma que eu poderia usar o portal foi por um impulso
do Espírito Santo. Em geral, isso acontecia quando eu estava
inicialmente enviado por Jesus Cristo para começar um trabalho. Eu
retornava a Sião, e o Espírito Santo avisava-me quando eu precisava
retornar a alguém para salva-los ou ajudá-los a continuar sua
jornada a Sião.
Como a minha maturidade espiritual crescia, notei que eu
precisava cada vez menos "ver" ou "prever" minha missão através
do portal. A minha fé e a minha capacidade de receber revelação e
de ser guiado no momento, se tornaram muito mais poderosos do
que a visão ou o conhecimento prévio. Eu comecei a amar esta
posterior e superior forma de servir. Eu andava pela fé, observando
os milagres resultantes conforme eu ministrava por essas pessoas.
Nunca me senti sozinho, perdido, ou incapaz de fazer aquilo que o
Senhor me houvera comissionado a fazer. Isso era realmente ter a
mente de Deus, ser um com Ele, e agir da mesma forma como se
Ele estivesse lá. Isso foi emocionante para mim e muito mais
poderoso do que ver previamente e saber o que fazer.

Dois Profetas
Foi nesse momento que dois profetas foram chamados em Sião
para ir e alterar o curso do povo judeu. Naquele momento eu sabia
quem eles eram, mas não retive essa memória. Eu acredito que eles
eram membros do Quórum dos Doze que até então serviam em Sião.
Sei que eles estudaram sua missão através do portal o templo, e
estavam preparados para a sua missão e sacrifício. Partiram com
grande coragem, sabendo que sua tarefa era crucial e que lhes
custaria suas vidas. Eles foram ordenados por Jesus Cristo para este
276
9 – O Dia Milenar

grande chamado diante de uma grande congregação no templo e, em


seguida, partiram de nossos olhos através do portal.

Lidando com a Guerra


Por esta altura, não havia guerra perto Sião ou nos acampados
em torno dela. Houve alguma violência em campos exteriores, mas
não as policiávamos de maneira alguma. A única vez que eu
realmente experimentei guerra total foi quando eu fui através do
portal numa designação. Nós muitas vezes nos encontramos sob
ataque ou sendo ameaçados pelos não redimidos. Ao longo dos anos
aprendemos a lidar com conflitos armados.
No começo, o poder de Deus não se mostrava completamente, e
operávamos milagres para ficar fora de visão e a sair da situação de
conflito. Com o passar do tempo, fomos autorizados a lidar com as
pessoas conforme o Espírito dirigia, muitas vezes em milagres que
todos podiam ver. Apenas por um pensamento, eu poderia mover as
pessoas para longe de mim. Elas encontraram-se em um novo lugar
completamente perdidas tentando entender.
Podíamos nos tornar invisíveis se necessário. Não se trata de
uma forma de invisibilidade onde a luz atravessa nossos corpos, era
tal que as pessoas olhavam para nós e simplesmente não podiam
compreender que estávamos ali. Uma foto digital provavelmente
teria capturado nossa presença, mas os seus sentidos foram cegados
à nossa presença. Muitas vezes nós andamos bem no meio das
pessoas que estavam a caçar-nos. Eles podiam até mesmo esbarrar
em um de nós e não compreender. Às vezes soldados passavam por
mim como se eu fosse um poste, desviando de mim mas não me
vendo. Eu estava totalmente protegido, assim como as pessoas que
estavam comigo.
Às vezes os nossos inimigos abordavam nosso grupo. Eu falava
com eles, mas eles não pareciam ver-me pois não respondiam e nem
me olhavam. Às vezes viam o grupo que eu estava levando, mas
nunca me viam. Eu lhes dizia algo como, "não há ninguém aqui,"
ou qualquer outra coisa que o Senhor me indicasse, e eles partiam.

277
John M. Pontius – Visões de Glória

Nunca passamos qualquer perigo, mas aqueles comigo tremiam


com medo porque eles ainda estavam na sua "jornada a Sião", que
requeria uma longa experiência para aprender total e absoluta
confiança no Senhor.
Eu poderia também criar uma ilusão se necessário. Se
estivéssemos em pé diante dos soldados, eu poderia fazer-lhes nos
"ver" virar e tentar fugir numa direção diferente. Eles atiravam e
tinham certeza de que fôramos eliminados. Após essa ilusão, já não
podiam ver-nos, e partiam. Eles não podiam sequer ouvir as nossas
vozes ou quaisquer ruídos da nossa partida. Essas coisas eram
sempre surpreendentes para mim, eu sempre glorificava a Deus no
meu coração e eu simplesmente dizia a essas pessoas o que havia
acontecido a fim de que pudessem melhorar sua fé na proteção e
amor de Cristo.
Havia uma lei que seguíamos. Não era uma regra, mas uma lei.
Quando um indivíduo ou um grupo nos ameaçava, nós conhecíamos
seus corações. Se houvesse alguma esperança, mesmo a mais ínfima
esperança de que eles pudessem ser salvos, mesmo que no sentido
mais telestial, não os feríamos. Quando fomos confrontados por
pessoas que estavam completamente maduras na iniquidade, e que
nunca iriam se arrepender, então estávamos livres para libertar-lhes
da mortalidade. A morte seria então uma bênção para eles, que já
não poderiam adicionar mais maldade à sua conta divina.
No início do nosso trabalho de coligação, com mais frequência
nos escondíamos atrás do poder de Deus. Já no final, mais
frequentemente recebíamos permissão para mostrar o poder de
Deus. Em vez de nos esconder deles, os iniciávamos em sua jornada
imortal. Quando agíamos desta forma, não era um banho de sangue
e raramente um consumo pelo fogo. Eles apenas caíam ao solo e
evadiam-se para a eternidade. Quando isso acontecia, nos sentíamos
felizes por eles serem libertos do tormento de seus próprios
delírios. Com Deus eles poderiam eventualmente enxergar com
clareza e optar por cessar de acumular condenação sobre suas almas.

278
9 – O Dia Milenar

Ensino com Poder


No começo da coligação, que foram enviados a pessoas que já
tinham se preparado, muitos dos quais eram Santos dos Últimos
Dias, mas também muitas pessoas honestas de coração de muitas
seitas cristãs. Cada pessoa que levamos a Sião, não importa sua
história de vida, tiveram que ser ensinadas e preparadas para entrar
nas partes sagradas de Sião. Elas tinham que ser mudadas.
Sua "jornada a Sião" não terminava quando chegavam, havia ainda
um grande caminho espiritual para completar.
Com este propósito, criamos escolas em Sião que qualquer um
poderia entrar. Eram bonitos edifícios com aulas especiais, salas de
reuniões que pareciam capelas e outras salas, incluindo fontes
batismais. Mais de metade dos atuais cidadãos de Sião trabalhavam
nestas escolas para ensinar àqueles que vinham a Sião. Eu não era
um professor. Eu era um coligador e um oficiante no templo.
Assim como numa universidade hoje, havia níveis de alunos. Os
novatos estavam lá porque tinham sido trazidos a Sião por milagres
e preservados pelos anjos que confessaram abertamente que Cristo
os tinha enviado. Esses novos habitantes queriam saber quem
éramos, e como fazíamos aquelas coisas. Eles podiam contemplar a
glória de Sião, a saúde perfeita e a beleza do nosso povo, e eles
queriam saber qual a razão e como se tornar uma parte disso.
Nossos professores nos ensinaram com poder, abrindo as
escrituras e falando a linguagem de Sião, na qual cada pessoa ouvia
em sua própria língua. Haviam poucos obstáculos para aceitar o que
estava sendo ensinado. O Espírito de Deus estava sobre todos nós,
e haviam pilares de fogo e a glória de Deus por toda Sião. Era o
chamado missionário dos sonhos.
Houve milhares de batismos e ordenanças todos os dias.
Limitávamos o tamanho das reuniões a centenas em vez de milhares
de pessoas, e as pessoas às vezes eram obrigadas a esperar para
serem ensinadas, e aguardar novamente para serem batizadas.
Conforme as pessoas evoluíam, tinham experiências cada vez mais
grandiosas. Com o tempo, anjos estavam presentes nas reuniões,

279
John M. Pontius – Visões de Glória

e transladados ensinavam as aulas. Seres ressuscitados mostravam


visões da verdadeira da história da terra e da sua própria vida.
Nenhuma ordenança era realizada antes do candidato
estar preparado. As bênçãos eram imediatamente conferidas.
Quando alguém era batizado e recebia o dom do Espírito Santo, elas
imediatamente recebiam a plena remissão dos pecados e o Espírito
Santo como seu companheiro constante, transformando-as
imediatamente pela expiação de Cristo. Gritos de alegria, elocuções
proféticas, visões e milagres imediatamente tornavam-se parte de
suas vidas. Quando alguém chegava a este ponto, a Água da Vida
começava a muda-los para o formato milenar.
Todo este esforço de ensino era extremamente organizado. Era
realmente uma escola de profetas, pois as pessoas emergiam desse
processo completamente dignas, com grandiosas visões do futuro.
Uma vez que as pessoas eram ensinadas e mudadas, as nossas
preocupações com elas cessavam. Eles eram verdadeiros para o
resto da eternidade. Fomos capazes de confiar-lhes as mais sagradas
designações, e eles podiam cumpri-las com inspiração e exatidão.
É importante notar aqui que houve um período de espera por
estas coisas, e essas modificações iniciais marcavam o início de sua
jornada. Houve um período de espera por seu crescimento espiritual
e não apenas por uma questão de regulamentos, mas de conceder-
lhes tempo para crescer em seus dons. Depois do baptismo, havia
um período antes que eles fossem ordenados ao sacerdócio. Houve
um período de espera antes de serem capazes de entrar no templo.
Houve um longo período de espera antes que pudessem entrar nas
partes santíssimas do templo e terem a plena investidura. Houve um
período adicional de crescimento e preparação para estarem na
presença de Deus.
Estes maiores e espiritualmente mais elevados dons de Deus
foram obtidos com grande custo antes da edificação de Sião. Mesmo
para os que já estavam em Sião, experimentando estes milagres, o
preço de admissão à presença de Deus continua o mesmo.
A experiência do templo era basicamente a mesma que acontece
hoje, mas com algumas modificações para adaptá-lo a Sião. Não
havia nenhum filme pois cada pessoa via a real criação e os
280
9 – O Dia Milenar

ensinamentos do Jardim do Éden em visão. Quando passamos de


um nível para outro, a sala transformava-se de telestial a terrestrial
e a celestial. E o véu do templo não era de tecido, mas o véu do céu
mesmo.

A Cidade de Enoque
Não sei quantos anos tinham passado neste momento. Ainda era
pré-Segunda Vinda. Em minhas visões destes tempos, não me foi
mostrado o retorno da Cidade de Enoque. Eu só sabia que eles
estavam entre nós e trabalhavam nas mesmas tarefas como nós.
A Cidade de Enoque agora ocupado alguns, ou a maioria, da
nova extensão territorial na região do Golfo. Os detalhes do seu
retorno da sua missão não foram revelados a mim. Haviam pessoas
dessa cidade entre nós, e Enoque era um visitante frequente em
Sião, totalmente envolvido no trabalho de preparar o mundo para a
segunda vinda. O povo da Sião de Enoque frequentemente trazia
distantes grupos para Sião. Considerávamos a Cidade de Enoque
como um dos grandes “cidades de Sião” dos últimos dias.
Por causa da maior espiritualidade que desfrutávamos, ao
encontrarmos com as pessoas nós sabíamos imediatamente de onde
eles estavam e se elas eram transladadas, ressuscitadas, ou mortais.
Nós não precisávamos perguntar ou discutir. Quando nos
encontrávamos com pessoas da cidade de Enoque, compreendíamos
sua experiência de vida e toda a sua jornada até aquele momento.
Nós sabíamos tudo sobre eles, e lhes tínhamos reverência.
Da mesma forma, eles sabiam tudo sobre nós, e nos honravam
por nossa obediência. Isso compunha uma bela sociedade, e um belo
modelo social, porque todos nós entendíamos, amávamos e
honrávamos um ao outro. Todos nós tínhamos histórias
interessantes e tínhamos pago um preço extraordinário por nossas
bênçãos, e nosso espírito de sacrifício era conhecido e respeitado
por todos que encontrávamos.
Quando falávamos aos mortais de nossas vidas e experiências,
eles muitas vezes viam em visão os eventos que descrevíamos.

281
John M. Pontius – Visões de Glória

Quando falávamos com uma pessoa madura espiritualmente


tínhamos também a capacidade de trocar informações sem usar
palavras, falar espírito-a-espírito, o que descobrimos ser
imensamente mais eficiente e muito mais rico do que a palavra
falada. Com o tempo, passamos a falar com os nossos lábios apenas
quando nos encontrámos com alguém que sabíamos não ter ainda
evoluído para além dessa limitação.

Tecnologia Espiritual
Quando chegaram meus amigos que estiveram escondidos por
milhares de anos na caverna ao Norte, trouxeram com eles muitos
artesãos. Devido ao seu longo confinamento sem tecnologia como
nós a entendemos, eles desenvolveram uma tecnologia mais
espiritual. É difícil de explicar sem o uso da visão e revelação. Mas
quando a tecnologia mortal começa a mudar alguma coisa, ela o faz
cortando, escavando, queimando, derretendo e golpeando as coisas
em um novo formato. Essas pessoas tinham desenvolvido uma
tecnologia exercida pelo justo mandato sobre o objeto que
desejavam alterar. Eles ainda moldavam com as mãos, mas não pela
força; era pelo amor e pelo mandato divinamente concedido sobre
aquele objeto. Eles sabiam que tinham obtido domínio sobre a terra,
que seus profetas lhes tinham ensinado, incluindo pedir a vários
objetos para assumirem uma nova forma ou propriedade. Então, a
sua tecnologia era de natureza espiritual.
Se precisassem transformar uma árvore numa cadeira, em
oração e gentilmente eles a moldavam na forma que desejassem.
Não ficavam cavacos nem pó de serragem. Não martelavam nem
colavam. Foram eles que criaram coisas maravilhosas, belas e
intricadas, gloriosas e inspiradas; pedindo à madeira, à pedra, e a
qualquer outra coisa que cedessem ao seu mandato. Assim como os
anjos sempre me consultavam antes de mostrar-me uma visão ou
dar-me uma bênção, estes tinham aprendido a pedir, e a receber, a
colaboração de todas as coisas da terra.
Esta é a forma como eles fizeram as pedras acenderem. Quando
eles chegaram a Sião, trouxeram toda essa tecnologia espiritual com

282
9 – O Dia Milenar

eles. Eles começaram a ensinar-nos, mas não era um princípio


simples de dominar. Estes artesãos haviam sido educados desde o
nascimento até saberem operar esses ofícios espirituais, e viram
exemplos por todo o redor deles desta obra e podiam ver seu mestre
artesão trabalhando desta maneira, e apenas faziam a mesma
coisa. Mesmo como um transladado, foi difícil à minha mente
compreender como pedir para uma árvore tornar-se uma cadeira ou
mesa, ou que uma pedra brilhasse. Eu nunca me tornei perito nestas
coisas. Além de ser uma energia espiritual muito difícil de dominar,
ela também requeria habilidades artísticas que não possuía. Nem
todo mundo consegue moldar um pedaço de barro em uma bela
escultura, e nem todo mundo consegue dar forma a uma árvore
perfeitamente submissa e uma graciosa cadeira.
Eles trouxeram suas poucas ferramentas e sua fé, juntamente
com a sua história de artesanato, e eles começaram a terminar o
templo dedicado à sua tribo, bem como para adicionar beleza ao
interior de todas as outras partes do templo. Se fossem esculpir uma
bela cena em uma parede ou arcadas do templo, eles estudavam o
projeto, passando os dedos sobre o papel, espiritualmente ingerindo
a inspiração do artista. Em seguida, eles ficavam em pé diante da
parede e colocavam suas mãos na parede, movendo-as lentamente
ao longo da superfície, aquecendo-a e comunicando-se com ela, em
oração pedindo-lhe que cedesse ao seu mandato.
Nas minhas experiências de morte anteriores, eu experimentara
comunicar-me com a madeira e pedra, por isso, compreendia bem o
que estavam a fazer. O que eles estavam também fazendo era falar
com Deus e buscar Sua permissão e o assentimento da pedra para
moldarem a parede diante deles. Era um uso terrestrial do poder
criativo de Deus, o mesmo poder que Ele usou para formar a terra e
os céus. Eles pediam em fé para Deus permitir-lhes adentrar neste
papel criativo e alterar algo que já existia. Assisti com grande
admiração a esses mestres espirituais trabalharem, e eu sempre
sentia o Espírito de Deus e observava o brilho do poder da retidão
onde suas mãos tocavam seus trabalhos.

283
John M. Pontius – Visões de Glória

Quando tudo estava certo, eles usavam as mãos nuas para


esculpir a superfície. Se uma linha ou a imagem era muito pequena
ou delicada para os dedos formarem, eles usavam ferramentas de
madeira com pontas em formas pontiagudas, curvas e quadradas.
Estas ferramentas eram antigas, escurecidas pelo uso e bonitas. Um
toque rápido de algumas polegadas de comprimento poderia
executar um traço ou linha muito mais longo do que o toque, como
lançar tinta numa tela. Uma vez preparados e ao começarem
realmente a trabalhar, eles o faziam rapidamente, terminando uma
cena, arabesco ou floral em uma questão de minutos.
Eles também produziram as pedras que acendiam – literalmente
milhares delas. Estes foram colocadas em cada sala do templo e nos
escritórios. Elas assentavam-se sobre belos candeeiros, castiçais, ou
nas luminárias do teto. Eles respondiam aos desejos das pessoas no
quarto, tornando-se mais ou menos brilhantes segundo nosso
desejo.
Estas pedras podiam ser solicitadas a flamejar com calor
suficiente para cozinhar, ou para aquecer ou resfriar um prédio, tudo
sem ofuscar e nem mesmo esquentar a superfície em que se apoiava.
Com o tempo, cada edifício e casa em Sião usava muitas dessas
pedras e não necessitavam de nenhuma eletricidade ou fogo.
Neste livro, já contei do meu quarto pré-mortal que era como
um Urim e Tumim gigante. Também mencionei que era meu, era
ligado a mim e uma parte de mim. Quando uma pessoa transladada
obtém uma dessas pedras, ela também começa a funcionar como um
Urim e Tumim. Ela exibe o mesmo poder que um portal, de mostrar-
nos tudo e de nos levar até lá.
De fato, o poder destas coisas não estava no próprio objeto, mas
em Cristo e na nossa fé. Ainda assim, esses objetos aumentavam a
nossa fé e serviam para fortalecer-nos. Mesmo sabendo a veracidade
dessas coisas todo mundo, incluindo eu, inicialmente viu-se melhor
capacitado a trabalhar com poder através dessas ferramentas
espirituais.
Nós aprendemos que estas pedras poderiam funcionar para
comunicar-se com alguém que também tivesse uma pedra, portanto,
não precisamos qualquer forma de dispositivos eletrônicos ou
284
9 – O Dia Milenar

sistemas de comunicação. Ao mesmo tempo, falando-lhes por meio


das pedras, tínhamos a mesma profunda percepção de quem
abordávamos. Podíamos entregar-lhes coisas ou ir até lá em um
instante, quando em harmonia com o plano de Deus. Quanto maior
a nossa justiça e quanto mais “Uno" fosse o nosso alinhamento com
o céu, mais amplitude tivemos no uso desses dons. O ponto no
início era o de trazer-nos à obediência infalível, perfeita confiança
e pureza espiritual. Isto realizado, o objetivo de tudo o que
recebíamos era habilitar-nos a servir a Deus e a embelezar e
enriquecer nossas vidas. Nunca houve uma era mais feliz para a
humanidade, e ainda nem havíamos entrado no Milênio, ou seja
apenas tocávamos a superfície desses nossos dons. Eu mais uma vez
me vi pensando que minha fé agora era perfeita e a vida não podia
ser melhor, e eu ainda estava errado nesta linha de pensamento.
Usando as pedras, podíamos visualizar qualquer evento
desenrolando-se a terra, e não apenas vê-lo, mas compreender as
profundas verdades do que estávamos vendo. Algumas pessoas
entre nós eram imensamente interessadas no que estava
acontecendo no mundo. Eles haviam estudado estes acontecimentos
atentamente e agora estavam envolvidas em querer vê-las
desdobrar-se. Alguns foram atribuídos a escrever aquilo que viram,
fazendo uma história precisa destes tempos. Para mim, eu estava tão
ocupado com as tarefas que o Senhor tinha me dado que houve
pouco tempo para curiosidade, e eu estava feliz por ser dessa forma.
Seres transladados ensinavam classes avançadas sobre estas
pedras, mas o funcionamento com poder dependia mais da fé do
indivíduo e de sua aprendizagem por esforço pessoal. Algumas
coisas que as pedras podiam fazer poderiam ser ensinadas, outras só
poderiam ser aprendidas por revelação e pela prática em retidão.
Haviam também dons espirituais que as pessoas ou tinham ou não
tinham. Algumas pessoas eram hábeis em usá-las para ver o futuro,
enquanto outras eram hábeis em ir de um lugar para outro pelo poder
de Deus. Outras ficavam satisfeitas em usá-las para iluminar suas
casas e cozinhar seus alimentos.

285
John M. Pontius – Visões de Glória

Essas ferramentas espirituais eram conhecidas entre nós como


"pedras videntes". Tal pedra tornava-se então personalizada para o
proprietário, e não podia ser usada por qualquer outra pessoa.
Homens e mulheres recebiam estas bênçãos igualmente. Atingir
este ponto no progresso, onde tínhamos nossa própria pedra vidente,
era visto como uma grande conquista. Era o cumprimento de
bênçãos prometidas na pré-mortalidade. Quando alguém avançava
a este ponto, havia muitas vezes celebração em família. Era visto
como um santo chamado, porque dava a essa pessoa poderes além
deste mundo mortal. Isso significava completa evolução da pessoa
para a estatura completa de Sião.
A pedra vidente era muito mais potente do que as pedras,
utilizadas para iluminar, aquecer e refrigerar nossos lares e o
templo. Pedras videntes funcionavam exatamente como um portal.
Quando utilizada em retidão, se podia ver o passado, o presente e o
futuro. Ela poderia ser utilizada como uma ajuda para aprender a ver
e participar em eventos importantes do ponto de vista histórico.
Comunicava-nos a mente e a vontade de Deus, eventualmente dava
poder àqueles que foram chamados a ir até outros mundos se suas
designações levavam-nos lá.
Aos que não sabiam sobre tais coisas, aqueles a quem
ministrávamos, essas coisas pareciam miraculosas. Éramos vistos
em muitos casos como anjos, e num sentido real, éramos.

Transladados versus Milenares


Tracei uma distinção entre aqueles que foram transladados, e
aqueles que se tornaram "milenares" por beber a Água da Vida, pois
havia uma diferença inicialmente. Mas com o passar dos anos e o
mundo todo evoluiu, a distinção se tornou menos vívida.
Especialmente após Cristo retornar e os dias do Milênio
transcorrerem, a diferença quase desapareceu. Todos tornaram-se
perfeitos em suas almas e na sua aplicação dos dons e poderes de
Deus. A única diferença era que as almas "milenares" eram
designadas a esta terra. Eles tinham trabalho para fazer aqui. Eles
geravam e educavam filhos aqui e trabalhavam para transformar o

286
9 – O Dia Milenar

mundo inteiro em Sião. Esse era o povo da promessa, aqueles que


tinham "herdado a terra," aqueles cujos filhos "cresciam sem pecado
para salvação."
Quando as pessoas chegavam a idade de uma árvore, o que
observamos era diferente para cada pessoa, sendo na faixa de
centenas de anos para a maioria das pessoas, um dia eles eram
simplesmente mudados "num piscar de olhos." Eles eram
ressuscitados onde estivessem, e os seus trabalhos sobre a terra
chegavam ao fim.
Ser ressuscitado desta forma não era um acontecimento
inesperado. Eles sabiam quando estava próximo e muitas vezes
reuniam seus entes queridos para compartilhar a experiência. Não
houve separação, nem perda ou luto, porque estas pessoas podiam
voltar ao mundo milenar quando desejassem. Mas agora as suas
labutas não eram mais ligadas à terra, mas expandiam-se vastidão
das criações de Deus. A terra deixou de ser o seu lar nesse momento,
e o seu lugar foi preparado para eles na presença de Deus. Era algo
glorioso de se contemplar.
Pessoas transladadas não tinham filhos e não eram ligados à
terra. Os seus trabalhos foram para um fim específico, a edificação
de Sião e o estabelecimento do Reino de Deus. Às vezes seu
trabalho incluía outros lugares, até mesmo outros planetas e outros
povos.
Quando seu ministério era concluído, e seu tempo expirava eles
oravam a Deus e terminavam seu ministério como transladados.
Eles eram ressuscitados instantaneamente e juntavam-se a todos os
outros homens no serviço de Deus. A eterna diferença era que ao
ser transladado era um dom maior do que qualquer outro roteiro
na mortalidade. Sua alegria era maior e, por causa de seu longo
serviço à Deus, e a sua recompensa eram as maiores que um mortal
pode desfrutar.

287
John M. Pontius – Visões de Glória

O Dia Milenar
Esses tempos eram o culminar de todas as promessas feitas
desde o início dos tempos. Era impressionante, arrebatador e
glorioso contemplar como o senhor podia trazer de volta todas as
coisas e todas as dispensações e os seus proféticos líderes e
escrituras juntamente. Foi fascinante, para dizer o mínimo, ver estas
coisas desenrolarem-se durante a restauração de Sião no que fora
Missouri, e as promessas do Senhor sobre este lugar. Mas ainda
mais glorioso foi ver a plenitude dos tempos descortinar-se diante
de meus olhos. Todo dom de Deus manifestou-se diante de nós e foi
usado a cada dia. Devo dizer que nunca ficou trivial, que nunca nos
enfadamos destas coisas e as víamos como uma maravilha
incessante.
Ver a Sião surgir na sua beleza, esta divinamente bela cidade,
erguendo-se deste agreste - foi algo profetas tinham visto em visão
e ansiavam por ela, e eu estava lá assistindo ao vivo! Este foi o mais
grandioso dia para esta terra, e praticamente sentia a Terra rejubilar-
se sob os meus pés.
As mudanças na terra eram extraordinárias ao olhar. Ela estava
mudando para algo como o Jardim do Éden. A terra já não negava
sua abundância. Plantávamos, e crescia rapidamente e em perfeito
esplendor. Ela produzia os mais belos frutos e cultivos que o homem
jamais colhera. Desde o primeiro dia que canalizamos a Água da
Vida para os cultivos, cada planta e árvore eram exuberantes e ricas
em frutas. Perdemos completamente a vontade de matar e comer
carne. Não me lembro de ser ordenado a parar de comer carne; nós
apenas não mais desejamos. Na verdade, era repugnante
comer carne. Os animais estavam se tornando "milenares" também
e viviam em harmonia em Sião. Não tínhamos nenhum leão em
Sião, mas eles realmente teriam deitado com o cordeiro e comido
erva como os bois.
O fruto de um tomate tinha mais nutrição e poder de cura do que
o corpo humano recebe ao longo de toda a sua vida comendo na
nossa experiência presente, e tal comida era abundante em toda a
Sião. Tínhamos pessoas que gostavam de lavrar e jardinar, mas a
agricultura era agora em harmonia com a terra e não significava
288
9 – O Dia Milenar

lutar contra os elementos. Não houve necessidade de irrigar, e não


havia ervas daninhas, pragas ou doenças. Frutos colhidos eram
rapidamente substituídos. Uma vez maduras, as frutas só cresciam
e nunca passavam nem estragavam. Aprendemos com o tempo a
trabalhar com as árvores e plantas da mesma forma como os
pedreiros trabalhavam as rochas do templo. Pedimos-lhes para
produzir de uma certa forma, em uma determinada cor ou forma, e
eles responderam ao nosso mandato sobre elas.
Mas de todas as mudanças de Sião, as mais profundas e belas
mudanças que ocorreram na humanidade. O que eu vi nessa visão
fez-me pasmar pela capacidade que temos, maior do que qualquer
mente humana pode imaginar. Ao mudarmos para a forma milenar,
tornamo-nos quase divinos em atributo. Nossos corpos foram
alterados e aprendemos a exercer a domínio sobre eles. Tudo foi
lindo, natural, e glorioso. Nós parecíamos deuses e deusas. Mesmo
as crianças e adolescentes foram perfeitos em corpo e atributos.
Todos atributos ímpios e não refinados do homem natural,
desapareceram por completo, e só pureza, força, beleza e imensa
sabedoria permaneceram.
Tudo mudou. As leis da "natureza" mudaram, de modo que mais
uma vez tínhamos mandato sobre a terra, e ela respondia à nossa
vontade. Embelezamos sua face e criamos gloriosos edifícios para
Deus. A natureza não mais desgastava as coisas. Edifícios
duravam para sempre. Coisas que caiam não quebravam. Materiais
de construção mudaram de madeira e pedra para gemas preciosas e
ouro. Uma montanha ou rochedo podia ser movido apenas pelo
convencimento pedindo-lhe para se deslocar. Haviam poucas ruas
pois não precisávamos delas. Nós viajámos de um lugar para outro
com poder de Deus e os portais. Se escolhêssemos caminhar ou
correr, chegávamos inteiros e revigorados. A "lei de oposição"
foi abreviada. As chamadas leis da física já não opunham
resistência à tudo ao que fazíamos. A física já não exigia uma reação
igual e oposta – as coisas que só reagiam ao nosso desejo justo.
Tudo o que fazíamos era inspirado e, por conseguinte, sempre bem
sucedido.

289
John M. Pontius – Visões de Glória

Todas as potências de Babilônia haviam silenciado. Notícias,


televisão, pornografia, filmes, governo, intrigas políticas,
politicagem internacional, corrupção local e internacional, compra,
venda, status social, riqueza, pobreza, doença, morte – tudo virou
passado. Nada disso permaneceu em Sião, embora ainda
persistissem no que restou do mundo. O povo de Sião ouvia apenas
a voz do Senhor. Nesse lugar, em Sião, entre nós os poucos
abençoados e coligados, Ele era verdadeiramente Senhor dos
Senhores e Rei de Reis – muito antes do Milênio global começar de
fato, e antes da Sua volta.
A esta altura, eu pensava e repensava, que maravilha é a
humanidade, como bela de rosto e forma, quão divina em atributo!
Nunca ouvimos um voto dissidente ou palavra irada. Não havia
nenhum egoísmo ou preguiça, ganância ou autopromoção. Não
havia nenhuma arrogância, falso orgulho ou superioridade. Fomos
todos recriados à imagem de nosso Deus, iguais em valor, beleza, e
refinamentos. Pelos padrões da humanidade antes dessa época,
ficamos mais ricos do que qualquer rei, porque nós tínhamos todas
as coisas que desejávamos, fosse na terra ou no céu, e todas as coisas
eram sujeitas ao nosso comando. Nós exultávamos em nossas vidas.
Todas aquelas coisas que tinham poluído o mundo mortal por tanto
tempo, estavam extintas.
Com o transcorrer dos anos, saímos da existência telestial do
homem e da terra e entramos na fase terrestrial. Por luxuosa e
gloriosa que fosse essa vida, nós sabíamos que depois de um longo
dia milenar, a Terra seria transformada em uma morada celestial, e
nós a herdaríamos. Era um tempo que víamos na visão e
ansiávamos.

Os 144.000
Os 144.000 consistiam de todos aqueles que foram chamados a
reunir os eleitos de Deus pelo uso dos portais e pedras videntes. Na
medida em que mais pessoas eram transladadas e ganhavam as
pedras videntes, elas tornaram-se membros dos 144.000. Não era
um chamado na Igreja, pois não implicava em presidência ou

290
9 – O Dia Milenar

mordomia. Era o resultado de uma vida de evolução espiritual. No


início, Cristo participou pessoalmente da transladação das pessoas.
Registrei aqui minha própria ordenação para passar este dom
terrestrial a outros e minha designação de fazê-lo. Com o tempo,
muitos milhares de pessoas foram habilitados a conferir esse dom a
almas dignas, e assim o fizeram, até que todo o mundo foi mudado.
Enoque e seu povo assumiram grande parte deste trabalho e da
coligação. Eles contribuíram com 12.000 coligadores ao nosso
número e trabalhavam com grande poder no mundo. Os víamos com
admiração, seguíamos seu exemplo e aprendemos com a utilização
de seus dons. Eles eram eminentes em estado transladado, e os
honrávamos.
Entre os 144.000 haviam homens e mulheres. Os nossos poderes
eram iguais. Não houve diferença. As mulheres eram Sumo-
Sacerdotisas, os homens eram Sumo-Sacerdotes e trabalhámos lado
a lado. Houve sempre um portador do sacerdócio que presidia sobre
tudo o que fizemos mas, na realidade, Cristo era o nosso cabeça, e
nós todos os seguíamos.
Éramos enviados conforme a necessidade, por vezes apenas um
de nós, muitas vezes dois, e ocasionalmente dezenas de nós éramos
enviados. Todos nós tivemos pedras videntes, e todos nós
entendíamos a ordem exata dos eventos e os resultados da missão.
Nós não chegávamos todos ao mesmo tempo ou no mesmo lugar,
mas todos chegavam quando necessário. Conhecíamos um ao outro,
mesmo quando estávamos em nossas novas personas.
As mulheres do nosso grupo a vezes faziam a maior parte da
fala e convencimento, especialmente quando a nossa missão era
para com famílias ou mulheres e crianças em dificuldades.
Às vezes, os irmãos eram chamados apenas a realizar
ordenanças quando a missão tinha alcançado esse estágio. Por
vezes, éramos disfarçados como parte dos refugiados, como marido
e mulher, ou outros papéis. Nunca era o mesmo.
Às vezes, éramos enviados a reunir crianças, nesses casos as
irmãs desempenhavam um papel importante de acalmá-las. Elas

291
John M. Pontius – Visões de Glória

eram tão cheias de amor e candura que as crianças confiavam


instantaneamente nelas, e facilmente cumpríamos nosso trabalho.
Era tão comum as irmãs realizarem milagres como os irmãos.
Não havia diferença entre nós a esse respeito. A única diferença foi
que os irmãos já tinham as chaves para realizar ordenanças ou para
presidir quando o Senhor guiasse.
Nossa dimensão transladada nos conferia sentidos grandemente
ampliados. Podíamos ver, visual ou espiritualmente, com grande
clareza e a longas distâncias. Nós podíamos ver todos os espíritos
em torno de nós, tanto bons como maus. Não só ouvíamos o que era
dito, mas sabíamos das suas intenções, seus corações e seus planos.
Nós sabíamos o que as pessoas iriam dizer ou perguntar antes
mesmo que falassem, e muito frequentemente respondíamos às suas
perguntas antes de as fazerem a fim de os abençoar e inspirar ainda
mais. Nós sabíamos como cada palavra poderia ser interpretada, e
como cada ato afetaria o futuro próximo. Não simplesmente
sabíamos pelo poder de Deus tudo o que precisávamos fazer.
Nossa inteligência também aumentara drasticamente. Como um
grande mestre de xadrez, podíamos discernir soluções complexas
para tudo que encontramos, e ver a cadeia de eventos muito antes
delas ocorrerem. Na verdade, esta foi para mim uma alegria; tendo
feito tanto esforço pela minha formação, percebi como eu amava
sentir meu intelecto aprimorado, absorvendo vastas verdades e
resolvendo mistérios impenetráveis. Com tudo isto, também
adorávamos receber revelações e confirmações de nosso Deus, de
que nossas conclusões eram corretas e com propósitos celestiais. Na
verdade, esta superinteligência humana era revelação a nós – era o
véu sendo erguido um pouquinho, revelando quem realmente
éramos.
Qualquer grande milagre do qual lemos nas Escrituras, que,
corretamente chamamos milagres, era reproduzido em grau muito
superior e com grande regularidade pelos cidadãos e ministros de
Sião. Milagres muito maiores do que dividir o Mar Vermelho eram
rotineiramente realizados. Nós sempre nos maravilhávamos, mas já
não ficávamos surpresos com tais coisas. Essas experiências eram
mais um motivo para essa época ser chamada de "plenitude dos

292
9 – O Dia Milenar

tempos", não só porque tínhamos todos esses dons e poderes de


Deus manifestando-se a toda hora entre nós, mas porque eles
manifestavam com mais poder e em um grau maior do que jamais
na história do mundo.
Alguns membros dos nossos 144.000 eram enviadas as a
designações que levavam anos como eles realmente andaram cada
passo do caminho com seus remidos a Sião. Isto foi particularmente
evidente na coligação de algumas “tribos perdidos". Alguns dos
meus queridos amigos servido precisamente desta forma, e seu
trabalho foi glorioso. Minhas missões pareciam ser mais curto-
prazo. Eu ia trabalhar com pessoas, voltava a Sião por um tempo e,
quando o Espírito Santo me tocava, e eu voltava para guiar e
encoraja-los.
Tempo era fluido para nós. Não havia prazos. Poder-se-ia ir a
qualquer agrupamento, mesmo em seu passado, a fim de prepará-
los, em seguida, avançar no tempo e visita-los novamente, ou fazer
qualquer outra coisa que o Senhor nos dirigisse a fazer, a fim de
realizar o nosso trabalho. Mas até mesmo entre os 144.000, nem
todos de nós aprendemos a usar o tempo da forma que acabei de
descrever. Tudo dependia do arbítrio e do nosso empenho em
aprender a usar os nossos dons, assim como sempre foi e sempre
será. Nem todos os transladados tinham os mesmos dons ou mesmo
os mesmos interesses. Crescíamos conforme nosso arbítrio e
inspiração guiava-nos até nós realmente chegar "à medida da
estatura da plenitude de Cristo".
Era verdade que todo o resto do mundo estava movendo-se a
frente no tempo, como é agora, e como continuou a ser por todo o
Milênio. Mas para mim e para os outros dos 144.000 se podia viajar
meses ou anos e, em seguida, chegar alguns minutos depois de ter
saído. Nunca nos cansávamos, e não precisávamos dormir nem
comer, podíamos continuar esse padrão de serviço sem fim, e nos
rejubilávamos nele. Não nos fatigávamos nem na mente, nem na
alma, nem no corpo. Cada dia era um Dia Santo para nós,
comungávamos com Deus e renovávamos nossos convênios em
cada suspiro. Nos reunimos muitas vezes, comungando com os

293
John M. Pontius – Visões de Glória

anjos e com nosso Salvador, mas eu não me lembro de participar de


uma reunião organizada de sacramento.
Foi só por causa desta capacidade de trabalhar com o tempo, ao
contrário de estarmos sujeitos a ele, que de fato completamos a
coligação antes da vinda do Mestre em glória.
Perto do final do nosso ministério de reunir-se os "eleitos",
houve um grande grupo de pessoas que tinham pedras videntes, e
que trabalhavam com a gente. Mas não acredito que foram
exatamente 144.000 de nós. Esse número evoluía diariamente e
devem ter mesmo excedido esse número perto do final. Os nossos
números eram grandes.

A Segunda Vinda
Como já mencionei, a minha percepção de tempo não era linear
como é agora. Um dia inteiro em Sião poderia somar anos de serviço
no outro lado do portal. Não me lembro de alguma ficar confuso
acerca do tempo em qualquer dos lados do portal, mas você deve
lembrar que eu não estava realmente em Sião, mas na visão em
minha casa, na minha cama. Após a visão terminar, e eu tinha
retornado ao meu corpo mortal, a sequência e os horários d as coisas
ficou muito mais difícil de decifrar.
Por esta razão, o momento exato da Segunda Vinda é
imperceptível para mim. Foi um pouco depois que chegamos em
Sião, talvez não mais do que três anos e meio. Nessa ocasião, Cristo
veio em glória, o trabalho de coligação tinha sido concluído.
Trabalhamos dia e noite por todos aqueles anos para concluir a obra.
Reunimos em Sião cada alma a qual Cristo enviou-nos em todo o
mundo. Não perdemos nenhuma alma. Quando Ele chegou,
estávamos ativamente à espera do dia.
Como já mencionei antes, haviam milhões de pessoas
terrestriais, os bons e honrados da terra, a quem não fomos enviados.
Eles suportariam o dia da sua vinda, mas eles não participam da
proteção e glória de Sião antes de sua vinda. Não trabalhamos entre
os belicosos e maus. Nós só reuníamos os eleitos, aqueles a quem o

294
9 – O Dia Milenar

Pai havia colocado sob o poder de Cristo, "os que são de Cristo, na
Sua vinda".
Cedo em uma manhã, vimos nuvens esvoaçantes atravessando
o céu de leste a oeste. Não dormíamos, de modo que muitas vezes
nos reunimos para ver o pôr-do-sol. Este foi diferente. Essas
nuvens eram branco-puro e esvoaçantes, o rolando em nossa direção
de cima para baixo como um pergaminho se abrindo. Não havia
vento ou relâmpagos, e as nuvens não tinham lado escuro.
Nós estivéramos ativamente em vigília pelo dia da sua vinda.
Mesmo minutos antes de vermos as nuvens a esvoaçar, nós não
sabíamos o dia nem a hora em que Ele iria voltar, mas no instante
em que vimos, nossos corações saltaram em nossas gargantas, e
clamamos em alta voz com alegria e alívio. "Ele está chegando! Ele
está chegando!" Clamávamos com toda a energia de nossas almas.
Cada alma em Sião e em todas as suas cidades sentiram a nossa
alegria e correram fora para ver este momento tão esperado. Todos
os habitantes de Sião e as suas cidades estavam assistindo quando
Ele veio.
Todos nós ouvimos uma voz falar a cada um de nós
individualmente. Eu ouvi o meu nome pronunciado com muita
ternura. Como antes, tudo o que eu sou foi contido dentro desse
som, incluindo tudo o que Cristo amava em mim. Emocionei-me
com alegria inefável. Todos ouviram falar seu próprio nome ao
mesmo tempo. Eu imediatamente reconheci como sendo a voz de
Jesus Cristo, bem como todos os meus concidadãos de Sião.
Os bons e honrados da terra, a quem não reunimos, sentiram a
grandiosidade espiritual desse momento e olharam para cima. Em
um instante, começaram a alegrar-se também, pulando em direção
ao céu com os seus braços erguidos, como se tentando finalmente
voar da terra aos seus braços.
Os ignaros do mundo perceberam o som como um poderoso
rugido e um som penetrante como se fosse um enorme vento
uivando ou como a roncar de um terremoto devastador em direção
a eles. Instantaneamente, houve um terror esmagador em seus
corações. Eles não sabiam que era Jesus Cristo voltando e não

295
John M. Pontius – Visões de Glória

teriam acreditado se alguém lhes dissesse. Eles pensavam que era


outra devastação chegando. Outros achavam que era um míssil ou
uma nova arma. Alguns dos inimigos de Sião achavam que
tínhamos finalmente lançado uma poderosa arma neles. Bem
quando a nuvem se aproximou, ficou claro que havia um homem
em pé na nuvem. Mesmo a mil km de distância, todos os olhos
viram-no aproximar-se nas nuvens do céu. Os homens maus caíram
de joelhos e choraram. Alguns tiraram suas próprias vidas. Os mais
empedernidos apontaram suas armas para Cristo vindo e abriram
fogo. Foi seu último ato de obstinação.
Nós em no Sião reconhecemos a sua voz, e ela era doce e
confortadora para nós. Sua voz nos disse para voltar ao templo
rapidamente. Nessa época, havia muitos templos em todo o mundo.
Alguns eram templos dos últimos-dias que haviam sido atualizados
à forma milenar. A maioria eram novos, construídos durante este
prelúdio ao Milênio. Cada grupo reuniu-se em seu templo, alguns
edifícios dedicados da Igreja, mesmo em lares que os moradores
tinham santificado e no Centro de Conferências em Salt Lake City.
Havia espaço suficiente para os que ouviram Sua voz.
Largamos tudo e saímos correndo. Nós não precisamos voltar
para reunir crianças ou famílias, todos eles ouviram seu chamado e
vieram no mesmo instante. Mesmo bebês ouviram e foram levados
por mãos amorosas.
Entramos no templo através do templo exterior que foi dedicado
a nossa tribo de Israel. Para mim, para a minha família e a maioria
dos meus amigos, foi o templo exterior de Efraim no lado leste do
templo.
Não tivemos tempo de trocar a roupa, mas cada um de nós
começou a brilhar com uma pureza que excedia o branco usual do
templo. Estávamos louvando e cantando, orando e se regozijando-
nos. O dia finalmente chegou, finalmente chegou, finalmente
chegou!
Nos reunimos no grande salão de assembleias onde os nossos
profetas começaram a falar conosco, lendo escrituras e rejubilando-
se em voz alta no que estava acontecendo. Estávamos todos
preparados, e que cantávamos hinos novos que nunca tínhamos
296
9 – O Dia Milenar

ouvido antes com poderoso fervor. Aos meus ouvidos, era o mais
belo som que seres humanos jamais produziram!
Brilho e glória nos circundavam, penetravam e purificavam
ainda mais. Ainda estávamos no templo, mas a cobertura e parte das
paredes se tornaram transparente, de modo que se podíamos ver o
céu. Podíamos ouvir os anjos cantando conosco e soprando
trombetas que abalavam a terra. Finalmente Jesus Cristo vindo do
oriente, rodeado por nuvens esvoaçando e numerosos anjos todos
cantando e louvando ao Pai.
Embora Ele ainda estivesse a centenas de quilômetros de
distância, podemos ver a sua face claramente. Ele estava vestido de
impecável branco com uma faixa vermelha em volta de sua cintura.
O Seu rosto não estava zangado, mas ele não estava sorrindo. Ele
estava vindo purificar a terra.
Ele se aproximou rapidamente e logo estava acima de nós.
O templo já não era visível para nós. Fomos arrebatados. Todos nós
sentimos a atração da gravidade começar a liberar-nos. Eu vi as
nuvens cada vez mais próximas, ao passo que minha alma expandia
vasta como o universo – então a visão encerrou-se.
Isso é tudo o que eu vi. Eu poderia dizer que eu gostaria que
fosse mais, mas na verdade, foi tudo o que eu pude absorver. Eu
estava completamente extasiado, repleto de profundo regozijo e
alegria. Qualquer coisa mais do que isso teria sido avassalador e
incompreensível no meu estado mortal, e eu não teria sido capaz de
reter a memória.

O Planeta Vermelho
Deste ponto em diante, minhas experiências com esta visão
passaram a ser pequenos vislumbres do futuro. Eu vi que Sião tinha
espalhado até encher toda a terra, e que os mil anos tinham quase
terminado. Eu vi que haviam pequenas "nações" por assim dizer,
que não tinham abraçado o evangelho, mas que haviam abraçado as
bênçãos do Milênio. Estes foram os que haviam solicitado para
serem ensinados a viver em paz, mas não queriam nada a ver com

297
John M. Pontius – Visões de Glória

nossa religião ou nosso Deus. Eles simplesmente não acreditavam


em Jesus Cristo. Eles não acreditavam que era Jesus Cristo quem
tinha retornado, mesmo o tendo visto. Estas eram pessoas que não
haviam sido consumidas pela sua vinda, mas que não podiam
abandonar as suas crenças culturais e tradições. Eles não
acreditavam que os moradores de Sião viviam tão longamente
quanto se dizia, ou que não sofríamos doença e morte. Achavam que
esse estado milenar era o resultado da evolução da terra, grandes
tecnologias e o cumprimento de profecias inerentes à sua religião
tradicional.
Por causa de seu arbítrio, eles eram livres para crer em tudo o
que quisessem. Eram pessoas honradas. Eles também foram
enganados. Quando pediam ajuda ou conhecimento, lhes dávamos
tanto quanto podiam absorver porque a maioria de nossa tecnologia
era espiritual, e não técnica. Sua experiência milenar foi
prejudicada pela sua falta de fé.
Eles nunca foram nossos inimigos, e continuavam não sendo,
mas eles viviam separados de nós, em uma sociedade que dependia
de produção primitiva, com uma ordem social baseada na economia.
Tivesse sua sociedade sido estabelecida antes do Milênio, o mundo
todo a teria considerado um paraíso. Mas a nós de Sião, parecia rude
e primitiva. Enviamos missionários a eles, mas seus corações
estavam rígidos. No momento desta visão eles ainda separados de
Sião.
Eu devia ainda estar trabalhando em Sião, ou talvez eu voltara
para testemunhar este evento. Não tenho certeza.
Vi-me com um importante grupo sobre uma colina fora da
Cidade Santa. Nós estávamos assistindo a um planeta passar perto
da terra. O céu escureceu quando este planeta apareceu.
Pudemos ver como as poucas pessoas fora do Sião estavam
reagindo através das pedras videntes que todos possuíamos. Nós não
precisávamos puxa-las dos nossos bolsos e olhar para elas, o
conhecimento era transferido para nossa consciência apenas por
indagar ou querer saber. Houve grande espanto entre aquelas
pessoas e um pensamento apocalíptico. Eles corriam ao redor em
desvairada alienação e resignação, preparando-se para a extinção
298
9 – O Dia Milenar

em massa. O que restou da sociedade pré-milenar desmoronou-se e


nunca foi restaurado.
Eu vi muitas pessoas morrerem de medo, mas também vi muitos
deles caírem sobre os seus joelhos e clamar a Cristo. Naturalmente,
Ele os consolou. Os cidadãos de Sião reuniram estes últimos e os
recolheram à segurança finalmente.
Nós, sobre o outeiro, estávamos em paz. Não havia medo,
apenas profundo interesse. O planeta estava perto, vermelho-
laranja, com crateras de impacto em toda a sua face. Ao passar, ele
ficou tão perto que podíamos ver suas montanhas vales, rios extintos
e detalhes finos em sua superfície. O planeta estava em repouso e
não tinha vida.
Ele preencheu cerca de um terço de todo o céu. Comentamos
entre nós o quão diferente era esse novo céu. As constelações eram
totalmente diferentes, e a velha lua desapareceu. O céu estava
absolutamente claro, e por causa da nossa transladação, nós o vimos
perfeitamente. Entendemos esse planeta, onde tinha estado, como
ele tinha servido a Deus, onde repousava agora e porque
passávamos por ele. Mas esse conhecimento não permaneceu
comigo.
Ela não causou nenhum dano à Terra e não teve efeito sobre nós.
Compreendemos que, naturalmente, era a terra que se movia, não
esse grande, velho e fiel planeta no nosso céu. Passou para além de
nós lentamente até já não estar mais visível.

Um Novo Céu e uma Nova Terra


A próxima breve visão que eu vi me levou a um tempo após o
Milênio. Eu estava vendo a Terra no espaço, como nós o
chamamos agora. A Terra tinha sido transferida a um novo local
muito além da galáxia chamada Via Látea. Isso já tinha sido feito
pelo mesmo processo de "dobra" que tinha colocado a Terra na sua
rotação mortal em torno do nosso sol.
Houve um novo céu aqui. Todas as estrelas eram diferentes.
Elas eram mais brilhantes e glorificadas. Havia um grande sol no

299
John M. Pontius – Visões de Glória

céu, o que eu entendi ser a maior de todas as criações de Deus, e


onde o Pai e o nosso Salvador habitavam. Eu estava olhando para a
nova Terra abaixo de mim. Ela era brilhante, quase tão
resplandecente como o sol. A terra tinha sido celestializada, e
atualmente não haviam pessoas na Terra, e nada restou da longa
presença do homem nela. Tudo aquilo de que o homem havia
construído havia desaparecido, assim como as árvores, grama
e flores. A massa era suave e clara como o vidro. Era, ela própria,
um gigantesco Urim e Tumim. A Terra tinha morrido no final do
milênio e já tinha sido "ressuscitada" por Deus. Ela estava
finalmente preparada para hospedar aqueles que outrora tinham
vivido como mortais sobre sua face e que, por fim, estavam
qualificados para habitar em sua ardente glória.
O dia do juízo final tinha acabado de ocorrer, e todos os ex-
habitantes da terra estavam agora morando em seus novos reinos,
exceto o Reino Celestial. A Terra já estava pronta para se tornar a
morada Celestial, faltando um detalhe de acabamento.
Eu estava com um grande grupo de pessoas que estavam
voltando para a Terra com uma grande cidade. Não estávamos na
cidade, mas ao lado dela, levando-a conosco. Nos movíamos através
do espaço num movimento acelerado, trazendo a primeira de muitas
cidades à Terra. Éramos uma grande congregação dos que
combateram o bom combate, completaram a carreira e guardaram a
fé. Qualquer um de nós poderia ter trazido esta cidade sozinho, mas
nós estávamos lá para partilhar este acontecimento eternamente
histórico, pois este era "nosso" lar celestial agora e para o resto da
eternidade.
A cidade ao meu lado era a mais bela estrutura já criada. O
próprio Deus a havia projetado, e que tínhamos sido enviados a
construí-la. Não só era incomparavelmente bela, mas ela era
gloriosa além da habilidade de qualquer mortal descrever. Pensei
então, e agora ao tentar descrever, que tal beleza só poderia ter saído
da mente de Deus. Era um único, glorioso edifício, mas tinha
tamanho de uma cidade, branco resplandecente com tons faiscantes
de cor. Nós o trouxemos da presença do Pai, para ser a primeira e a
maior estrutura da Terra. Tinha mais de dois quilômetros quadrados,

300
9 – O Dia Milenar

e dois de altura, e com as suas muitas torres, arcos e maravilhas


arquitetônicas, era aproximadamente piramidal em forma.
Esta seria a residência de nosso Salvador, que iria agora habitar
conosco para sempre.
Ao desacelerarmos para colocar a cidade no exato polo norte da
nova Terra, eu sabia que poderia alterar a Terra em qualquer
formato que desejasse. Poderíamos conclamar jardins, rios ou
montanhas em infinita variedade e maravilha, mas a era da erva
verde era passada, pois essas coisas pertenciam às ordens telestial e
terrestrial, e a Terra era agora celestial. Coisas que
antes considerávamos maravilhosas e belas, eventualmente nem
sequer vinham mais à mente, pois a maravilha e a glória diante de
nós ultrapassavam em muito todas as outras possíveis ordens de
existência.
Lembro-me de sentir absoluta e total alegria. Não foi só alegria
por nós mesmos, mas também pela terra, que tinha esperado
fielmente por tanto tempo para que o mal fosse eliminado de sua
face. Ela agora estava glorificada e aperfeiçoada e, finalmente,
descansava. E nós..., nós finalmente estávamos em casa. A viagem
finalmente terminara. “Um milhão de anos” de preparação, vida
mortal, provações e sofrimentos, mil anos de trabalho no Milênio e
o julgamento, estavam cumpridos, e nossas vidas estavam prestes a
começar.
Subitamente encontrei-me em meu corpo espiritual aos pés da
minha cama, olhando para o meu corpo morto. O meu guia estava
de pé perto de mim e olhando para mim. Olhei para o relógio digital
na minha cama e a terceira hora tinha passado.
Este é o fim da visão, ao ver-me voltando ao meu corpo frio e
doente. Também percebi com grande solenidade que aquilo era
apenas o início da minha viagem.

301
John M. Pontius – Visões de Glória

EPÍLOGO

T
endo escrito cerca de 100.000 palavras na voz de Spencer, a
partir de sua vasta experiência, penso que vale a pena dizer
algumas coisas no meu próprio.
Foi uma experiência incrível escrever Visões de Glória.
Eu a percebo como uma biografia autorizada da jornada de Spencer
visionária a Sião.
Se você me perguntar se eu acredito que suas visões são
"verdadeiras", eu respondo que eu senti o Espírito Santo
trabalhando em mim enquanto transcrevia suas palavras com as
minhas. Cada experiência que você acabou de ler, e todos os
principais detalhes, vieram dos lábios de Spencer.
Eu também confesso ter ficado intrigado pelo fato de que nada
do que Spencer relatou conflitava com o meu próprio ponto de vista
sobre os dias finais. O que ele descreveu a mim era congruente com
o meu entendimento espiritual e intelectual daqueles tempos. Para
mim, foi como ler um livro e ama-lo, e em seguida, ir ver o filme.
Suas experiências acrescentaram a profundidade visual que faltava
à “leitura” minha anterior.
Acredito que Spencer viu o que viu. Mas não creio que isso deva
ser sempre interpretado como literal, ou mesmo profético, a
ninguém exceto ao próprio Spencer. Qualquer pessoa que ler deve
interpretar como, ou mesmo se é que, se aplica a ela. Eu acho que
ele deve ser estudado em oração e comparados às escrituras, ao seu
próprio entendimento, e à sua fé. Em seguida, deixar que Jesus
Cristo revele a você a sua própria jornada a Sião.
Qualquer pessoa que tenha estudado sobre os últimos dias, a
Segunda Vinda ou a edificação de Sião nas escrituras, rapidamente
admite que é difícil de interpretar, e a maior parte é dada em forma
de metáfora ou tipificação de coisas que virão, ao invés de eventos
302
Apêndice

factuais e específicos para observar. Eu não esperaria que fosse


diferente com as visões de Spencer.
Minha resposta também seria que eu não sei o que isto significa
para você, ou para outro alguém que o ler. Spencer prontamente
admitiria que ele ainda não sabe o que é que cada parte significa
mesmo para ele. Algumas coisas que durante anos ele interpretou
como sendo literais, recentemente revelaram-se metafóricas, e vice-
versa. Tudo o que ele sabe é que por qualquer motivo, ele viu o que
viu, e o Senhor deu-lhe permissão depois de todos estes anos, de
compartilhar conosco.
Se você contemplar o tema geral dessas experiências, você vai
ver elementos da jornada de cada pessoa à Sião, quer seja para a
Sião que vamos construir no Missouri, ou a Sião espiritual que cada
um de nós deve construir em nossos corações. Em última instância,
os dois pontos de vista podem ser corretos no sentido de que,
quando alguém percorre sua jornada espiritual, a jornada física pode
também revelar-se diante de nós.
-John M. Pontius

303
John M. Pontius – Visões de Glória

APÊNDICE

O
s seguintes sonhos e visões apócrifos os são aqui incluídos
como uma ilustração de que muitos outros têm visto e
registrado visões semelhantes dos últimos dias como
Spencer. Também é interessante observar que alguns deles
não eram SUD, mesmo assim tiveram visões paralelas destes
tempos. Além destes poucos exemplos, eu tenho a certeza de que
outras existem em corações que são muito tímidos para revelá-las.
Tal foi o caso de Spencer até recentemente.
Depois Spencer tinham ditou-me este livro, lembrei-me de
alguns desses e os apontei a Spencer. Ele ficou surpreso de que eles
existissem e os leu com interesse.
Devo dizer também que algumas destas descrições são bastante
gráficas e devem ser lidas para crianças e almas tenras com
precaução.

O Sonho de John Taylor(NT-19) (1877)


Eu fui para a cama, como de costume cerca de 19:30. Estive
lendo uma revelação no idioma francês. Minha mente estava mais
calma, mais do que habitualmente, se possível, assim me preparei
para dormir, mas não conseguia. Tive uma sensação estranha sobre
mim e aparentemente fiquei parcialmente inconsciente. Mas eu não
estava dormindo, nem exatamente desperto, com uma sensação
sombria. A primeira coisa que reconheci foi que eu estava no
Tabernáculo de Ogden, Utah. Eu estava sentado na parte de trás do
edifício por medo que eles me chamassem para pregar, entretanto
eles me chamaram, pois depois de cantar pela segunda vez eles me
chamaram para o púlpito. Levantei-me para falar e disse que eu não
sabia se tinha alguma coisa especial para dizer, exceto prestar o meu
304
Apêndice

testemunho da obra dos últimos-dias, quando de repente parecia


como se estivesse sendo tirado para fora de mim mesmo e disse:
"Sim, eu tenho algo a dizer e é isto: alguns dos meus irmãos andam
perguntando, "o que será de nós? Que vento está soprando?"
Respondo-lhes aqui mesmo o que está chegando muito em breve."

Eu estava, então, em um sonho, imediatamente na cidade de Salt


Lake, passeando nas ruas e em todas as partes da cidade, e sobre as
portas das casas encontrei emblemas de luto e não pude encontrar
uma casa que não estivesse em luto. Passei na minha própria casa e
encontrei o mesmo sinal, e fiz a pergunta, "sou eu quem está
morto?" Alguém me deu a resposta: "Não, você irá passar por tudo
isso".
Pareceu-me estranho que eu não vi nenhuma pessoa nas ruas em
todo o meu vaguear pelo país. Eu parecia estar em suas casas com
os doentes, mas não vi procissão ou enterro, nem nada do género,
mas a cidade silenciosa como se as pessoas estivessem orando. E
parecia que eles haviam controlado a doença, mas que doença era,
eu não saiba; não me foi informado. Em seguida, olhei para o país,
ao norte, leste, sul e oeste, e o mesmo luto estava em todas as terras
e em todos os lugares.
A próxima coisa que eu sabia, foi que eu estava do lado de cá
de Omaha. Parecia que eu estava acima da Terra, e olhando para
baixo sobre ela. Ao passar ao longo indo na direção leste, eu vi a
estrada cheia de pessoas, na sua maioria mulheres, levando tudo o
que elas podiam em trouxas sobre suas costas, viajando para as
montanhas a pé. Eu me perguntava como sobreviveriam com uma
trouxinha nas costas. Foi notável a nós[?] que existissem tão poucos
homens entre elas. Não me parecia que os carros estavam
funcionando, os trilhos pareciam enferrujados e as estradas
abandonadas; eu não tenho nenhuma ideia de como eu viajava ao
olhar para baixo sobre o povo.
Continuei rumo leste, através de Omaha e Council Bluffs, que
estavam cheios de doenças. Haviam as mulheres de todos os
lugares. Os estados de Illinois e Missouri estavam em alvoroço, os

305
John M. Pontius – Visões de Glória

homens matando uns aos outros, as mulheres aderindo à luta,


família contra família, da forma mais horrenda.
Imaginei a seguir que eu estava em Washington e encontrei
desolação. A Casa Branca estava vazia e os corredores do
Congresso igualmente, e tudo em ruínas. O povo parecia ter deixado
a cidade e abandonou-a para si mesma.
Eu estava em Baltimore. Na praça onde o Monumento de 1812
encontra-se em frente ao Hotel Charles. Eu vi mortos empilhados o
quarteirão. Vi mães cortando a garganta de seus próprios filhos para
beber seu sangue. As vi sugar sua garganta para saciar sua própria
sede e, em seguida, deitarem-se e morrerem. A água da Baía de
Chesapeake estava estagnada, e o fedor que saia dela por causa dos
corpos nela jogados era tão terrível que o próprio cheiro levava
morte com ele. Não vi nenhum homem salvo os mortos ou
moribundos nas ruas e muito poucas mulheres. Aquelas que eu vi
estavam loucas e de aparência feia. Em todos os lugares que fui
contemplei as mesmas cenas, por toda a cidade; ela era
indescritivelmente terrível de se ver.
Pensei que isto era o final; mas não, eu estava aparentemente em
um instante na cidade de Filadélfia. Tudo era silêncio. Nenhuma
alma viva estava lá para me cumprimentar. Parecia que a cidade
inteira estava sem habitantes. Ao sul de Chestnut Street e, de fato,
em todos os lugares que fui, a putrefacção dos mortos causava um
fedor que era impossível para qualquer coisa viva respirar, também
não vi qualquer coisa viva na cidade.
Em seguida, eu encontrei-me na Broadway, na cidade de Nova
York, e lá parecia o povo tinha feito o melhor que podiam para
superar a doença, mas ao caminhar Broadway abaixo, eu vi os
corpos de belas mulheres no chão, algumas mortas e outras em um
estado moribundo, sobre as calçadas. Vi homens saírem de porões
e violentarem aquelas pessoas que ainda estavam vivas e, em
seguida, matá-las e roubar os seus corpos de todos os seus pertences
que tinham sobre eles. Em seguida, antes que pudessem voltar para
o porão, rolavam uma ou duas vezes e morriam em agonia. Em
algumas das ruas de trás eu os vi matar alguns de seus próprios
filhos e comer sua carne crua, e em poucos minutos morrerem. Em
306
Apêndice

todos os lugares que fui, vi a mesma cena de horror e destruição,


morte e latrocínio.
Nenhuma carruagem, carroça ou carro estavam rodando; mas
morte e destruição estavam por toda parte. Em seguida, vi incêndio
iniciar e bem naquele momento um poderoso vento Leste surgiu e
levou as chamas sobre a cidade e queimou-a até que não houve um
único prédio em pé, até a beira da água. Cais e ancoradouro tudo
parecia queimar e seguir em igual destruição onde a "grande cidade"
esteve há pouco tempo. O fedor dos corpos queimados foi tão
grande que chegava a uma grande distância através da Baía de
Hudson e levando morte e destruição por onde penetrasse. Não
posso descrever em palavras o horror que parecia cercar-me; foi
além da descrição humana.
Supus que isto foi o fim; mas não foi. Foi-me dado a entender
que o mesmo horror ocorria por todo o país, leste, oeste, norte e sul.
Alguns sobreviveram, ainda haviam alguns.
Imediatamente após eu parecia estar em pé na margem esquerda
do Rio Missouri, no lado oposto à cidade de Independence, mas não
havia nenhuma cidade. Eu vi em toda a área dos estados de Missouri
e Illinois, e todo o Iowa, um completo deserto com nenhum ser vivo.
A uma curta distância a pé do rio, eu vi doze homens vestidos em
trajes do templo, em pé em um quadrado ou quase isso (e eu entendi
que representavam as doze portas da Nova Jerusalém). Suas mãos
estavam erguidas em consagração da terra e lançamento da pedra
fundamental do templo. Eu vi miríades de anjos pairando sobre eles,
e vi também uma imensa coluna de nuvens sobre eles e ouvi os anjos
cantando a música mais celeste. As palavras eram "agora é
estabelecido o Reino de Deus e seu Cristo, que nunca mais será
abatido".
Eu vi as pessoas provenientes do rio e de lugares desertos muito
distantes para ajudar a construir o templo, e parecia que as hostes
dos anjos todos os ajudavam a obter material para construir com e
eu vi alguns deles, que usavam templo roupas vêm e construir o
templo e a cidade, e durante o tempo todo vi um grande pilar de
nuvens pairando sobre o local.

307
John M. Pontius – Visões de Glória

Instantaneamente, no entanto, eu encontrei-me novamente no


Tabernáculo de Ogden. No entanto, eu ainda podia ver o prédio
seguir adiante e fiquei bastante animado em chamar o povo ao
tabernáculo para ouvir a bela música, pois os anjos estavam
cantando a mesma música que eu tinha ouvido antes. "Agora é
estabelecido o Reino de Deus e seu Cristo, que nunca mais será
abatido".
Nisto, pareci cambalear para trás do púlpito e o irmão Francis
D. Richards e alguns outros seguraram meu braço e me impediram
de cair. Em seguida, eu terminei bem abruptamente. Mesmo assim,
eu não tinha desmaiado, mas estava simplesmente esgotado. Em
seguida, eu rolei na cama e acordei assim que o relógio da cidade
bateu doze horas.
(Diários de Wilford Woodruff, 15 de Junho de 1878, Escritório
do Historiador da Igreja, também cópia manuscrita do mesmo relato
copiado por Joseph F. Smith; Unpublished Revelations 78, p.119 -
123; veja também Visions of the Latter Days, p.103 -106.)

O Cardston Profecia (1923)


por Sols Caurdisto
A Profecia de Cardston, que reproduzi aqui, encontra-se no "
“Family File of Edward J. Wood”, e foi incluída no livro " The Life
of Edward J. Wood " por Melvin Tagg, páginas 148-153. O seguinte
é uma carta de Edward J. Wood, então presidente da Estaca
Cardston Alberta, sobre a autora de tal visão.
Cardston, Alberta Canadá
14 De Dezembro de 1933
Robert W. Smith, Esq. Salt Lake City, Utah

Querido Irmão Smith:

Tenho o maior prazer em responder a sua carta do dia 1º de


dezembro referente a carta de uma não-membro que escreveu sobre
"impressões" que recebeu durante a passagem pelo templo antes de
ele ser dedicado, a veracidade de cuja carta você me pediu para

308
Apêndice

verificar, o qual tenho o prazer de fazer. Ela era uma senhora Quaker
que escrevia para uma revista do leste do Canadá. Ela tem alguns
parentes em Lethbridge, a cerca de 60 km de Cardston; e ficou tão
profundamente impressionada em sua primeira visita, que pediu que
a trouxessem uma segunda vez. Desta vez eu estava servindo como
guia. Ela sentava-se em cada sala e nunca dizia uma palavra a
qualquer um no grupo, mas parecia estar em meditação profunda o
tempo todo.
Quando ela chegou em casa algumas semanas depois, ela
escreveu esta carta que tem causado tanto comentário por toda a
Igreja. Nunca fomos capazes de entender como é que ela parecia
saber tanto sobre a nossa fé, nossas crenças sobre a vida futura e
obras pós-morte. Eu nunca soube seu verdadeiro nome. Ela nos
visitou em 1921. Nunca ouvi falar dela desde então, mas a carta é
verdadeira, e de suas próprias "impressões!" recebidas no templo
durante as duas visitas que ela menciona.
Sinceramente vosso irmão,
0/S Elder J. Wood, Pres. Estaca Alberta

Esta é sua carta e visão nas suas próprias palavras:

Fomos ao templo erigido pela sua igreja onde serão realizados


ritos sagrados de acordo com a sua fé. Na primeira vez fui
fortemente impelida a descrever para você minhas impressões. Fiz
assim, mas antes da conclusão da carta, recebi uma notícia que
afetou-me de tal maneira que, agindo pelo impulso do momento,
destruí o documento totalmente.
A contínua sensação de insatisfação dentro de mim por algo que
deixei de fazer, juntamente com a vontade de parte dos membros de
minha família que não tinha visitado o templo, levou-nos a nossa
segunda visita a Cardston, em que você tão gentilmente consentiu
em acompanhar-nos, não obstante as intempéries e inconveniência
pessoal para si, por causa da viagem. Foi por causa desta e de muitas
outras evidências de sua amizade, que me concedi o privilégio de
ter a presunção de incomodá-lo com isso que, afinal, bem podem

309
John M. Pontius – Visões de Glória

ser absurdas fantasias de uma mentalidade demasiado


impressionável.
A mim, não me parece assim, pois nunca antes na minha vida,
tão fortes impressões foram infundidas na minha consciência
interior como durante a minha visita por meio do templo. Em
especial isto foi verdade na nossa segunda visita. As impressões da
nossa primeira visita foram repetidas com essa imensa intensidade
e variedade de detalhes que eu positivamente informar-vos de
minha experiência.
Parece-me um dever sagrado de minha parte fazer isso, e
sabendo, como sei, que os seus amigos vão ridicularizar aquilo que
para mim é uma questão pessoal, eu vou lhe passar em pormenores
a minha experiência com a esperança de que, se for bem, talvez seja
algo mais do que imaginação, que você e os outros da sua fé possam
sabiamente analisar e utilizar corretamente o que possa ser
adquirido através da presente carta.
Uma fortaleza no tempo da tempestade, foi o primeiro
pensamento que formou-se na minha mente na minha primeira visão
deste antigo, porém moderno templo; suavizado com o uso
espiritual de antiga civilização e costumes, porém alerta, viril, e
vigilante.
A grande e solene, forte, bonita, útil casa de progressão
espiritual! que parece ser a personificação da expressão
arquitetônica da antiga civilização e glórias subitamente
reencarnadas para uma futura e maior civilização do que a nossa
própria. Força e beleza sobrepunham-se às casas e edifícios mais
simples da cidade e davam um exemplo dolorosamente óbvio de
como a alma interior é expressa através do corpo material, seja do
indivíduo, de uma nação, ou de uma raça; seja no homem ou em
sua arquitetura. Por mais que eu tentasse eu não pude evitar a
sensação de que a cidade em si era inferior à essa última edificação,
tão nova e ao mesmo tempo tão antiga. Até mesmo as luzes elétricas
não conseguiam mudar esse pensamento, de que o templo e a cidade
representavam duas épocas diferentes do desenvolvimento
espiritual da humanidade expressas na arquitetura. A
cidade encarnou a presente época, ciência, arte, invenção aplicadas
310
Apêndice

apenas para o comércio, independentemente do desenvolvimento


passado ou futuro. O templo representa o conhecimento acumulado
do antigo mundo, combinado com invenções modernas da ciência e
inspiração como o caminho para um maior desenvolvimento futuro,
brevemente. Deixe-me expressar de outra forma.
Há um lugar chamado Cardston. Um templo ligando o passado
com o presente foi construído em Cardston e a cidade tornou-se uma
coleção de frágeis cabanas aninhada no sopé do templo que vai
continuar a funcionar para os fins espirituais aos quais ele foi
erigido.
Assim como as impressões exteriores comparam-se a épocas
presentes e futuras, também o interior reflete essa comparação. Nos
belos e artísticos efeitos eu não preciso delongar-me; escritores mais
hábeis poderiam melhor descrever o interior do templo deste ponto
de vista. Suficiente dizer que a forma do templo é uma cruz, que
cada apartamento é simbólico nos efeitos artísticos e estruturais de
alguma era do progresso da humanidade através dos séculos. Na
verdade, tudo o que era físico era um degrau para a progresso
espiritual como é tipificado naquelas cerimónias. Tudo isto nos foi
gentilmente e inteligentemente explicado pelo Sr. Duce em uma
ocasião, e pelo Sr. Wood na segunda visita; mas receio ter me
comportado muito indiferente e distraída em ambas as ocasiões,
pelo que ofereço minhas sinceras desculpas. Não tive nenhuma
intenção de ser grosseira ou indelicada, mas a partir do momento da
entrada no templo até sair, me vi na posição de ter que, por assim
dizer, ouvir e compreender duas narrativas por todo o tempo,
resultando que fiquei por vezes tão absorta que parecia desatenta, se
não positivamente estúpida.
Tenho afirmado que a minha impressão do exterior do edifício
foi de um lugar de espera por uma civilização superior à nossa atual.
Isto sugere uma condição de vazio, mas não é isso que eu quero
dizer. Um simples prédio recém-construído não tem nenhuma
atmosfera até que seja habitado por algum tempo; depois disso é que
tem, por assim dizer, uma atmosfera viva. O tipo de atmosfera
existente é, em grande medida, determinado pelo desenvolvimento
espiritual e o pensamento das pessoas usando e habitando o
311
John M. Pontius – Visões de Glória

prédio. Isto aplica-se especialmente aos locais de culto ou


consagração, e é muito perceptível a uma pessoa sensível. Às vezes,
uma atmosfera é agradável, edificante, e assim por diante; às vezes
muito pelo contrário, dependendo da sintonia espiritual ou sua
ausência, pelas pessoas sob esse domínio atmosférico; mas não era
dessa maneira relativamente ao exterior do templo.
Eu não podia compreender a descomunal cena de antiga
atmosfera que o prédio de fato possuía até nos seus blocos de
granito, embora eu soubesse que essas pedras tinham sido colocadas
poucos meses atrás, o sentimento de antiguidade predominava.
Desprezei aquele sentimento como pude, pensando que o lugar da
estrutura era o responsável pela sugestão de antiguidade, mas
quando entrei no templo, quão rapidamente percebi que não havia
nada a sugerir-me a presente atmosfera de que falei, mas estava
vazio? Decididamente não! Repetidas vezes, ouvi o orador
explicando alguma fase do prédio ou o seu significado, eu podia ver
além dele alguma ilustração de natureza caleidoscópica, retratando
o que ele estava descrevendo, só que de forma mais completa e com
mais vivacidade. As personagens eram tão evidentes para mim que
me exigiu todo o autocontrole para manter-me em silêncio entre
uma sala e outra. Isso continuou e só cessou quando estávamos fora,
no gelo e na neve mais uma vez.
Não havia nenhum plano definido ao apresentarem-se essas
figuras a mim. Parecia que quando eu pensava em alguma coisa
mentalmente, uma imagem instantaneamente se apresentava como
explicação a alguma palavra do condutor, que tinha o mesmo efeito.
Não tive medo, estava somente fascinada pela maravilha de tudo
isso e a temível e impressionante sensação do que eu recebia, que
parecia imbuir cada pequena cena detalhada em meu cérebro, a
partir da qual ele sempre irá lembrar e gravar; e vívidos como tudo
ali era, esses incidentes aqui relacionados são aqueles dos quais
recebi instruções.
As cenas que observei de caráter histórico pareciam ser
principalmente para verificar e completar a narrativa do orador da
história passada, e por isso não me sinto impressionada a registrar
essa parte, exceto para afirmar que os mesmos personagens
312
Apêndice

patriarcais que observei orientando e influenciando os primeiros


movimentos da Igreja, estiveram igualmente em todas as eras e
época, e ao avançarem as cenas para tempos mais modernos, eu vi
entre esses personagens e conselheiros espirituais, pessoas cujas
feições que eu já havia observado no corpo material em outras
ocasiões históricas. Parecia que o templo se encheu com os reais
corpos espirituais de líderes anteriores da sua igreja, cada um
parecendo ter o mesmo ofício de enquanto na carne. No templo vi
pessoas que eram líderes de sua igreja durante a sua marcha pelo
deserto americano, agora empenhados em ajudar esses grandes
patriarcas sob cujas ordens pareciam estar a trabalhar. Foram estes
últimos líderes espirituais, se é que posso usar esse termo, que
pareciam ter sido instruídos a mostrar-me as cenas aqui registradas.
Não posso fornecer a época dos acontecimentos, exceto que as
impressões que recebi foram do presente ou futuro imediato. Eu vi
primeiro uma breve mas completo esboço sobre o estado atual do
mundo, ou como vocês o chamariam, os Reinos Gentios. Cada país,
a seu turno foi mostrado, sua anarquia, fome, ambições,
desconfiança, atividades bélicas e assim por diante, e na minha
mente formaram-se, a partir de uma fonte, as palavras: "como é hoje
com os gentios."
Eu vi guerra internacional novamente irromper-se com o seu
centro sobre o Oceano Pacífico, mas varrendo e cercando todo o
globo. Eu vi que as forças de oposição estavam divididas, de um
lado o assim chamado cristianismo e do outro lado os chamados
seguidores de Maomé e Buda. Eu vi que a grande potência motriz
dentro destas chamadas nações cristãs era a Grande Apostasia de
Roma, em seus aspetos políticos, sociais e religiosos. Eu vi o
deslocamento e a devastação mundial da produção e mortandade de
pessoas ocorrerem mais rapidamente e em maior escala do que
nunca antes. Vi um antagonismo começar a manifestar-se das
chamadas nações cristãs contra o seu povo. Eu vi aqueles com uma
crença similar à sua no extremo oriente começam a olhar para a
Palestina por segurança.
Eu vi a guerra mundial automaticamente irromper, e revolução
nacional ocorrer em todos os países, e uma completa obra de caos e
313
John M. Pontius – Visões de Glória

desolação. Eu vi distúrbios geológicos ocorrerem, contribuindo esse


quadro, como se tivessem a intenção de fazê-lo. Eu vi o Templo
Cardston preservado de toda esta convulsão geológica. Eu vi a linha
de fronteira internacional desaparecer à medida que estes dois
governos caíram e dissolveram no caos. Vi arruaças no continente
americano em grande escala.
Eu vi fome e inanição no mundo; vi doença produzida pela
fome, conflitos e caos total no final da presente ordem ou época. Por
quanto tempo esses eventos transcorreram até seu auge, eu não sei,
mas a minha impressão foi que a partir da eclosão da guerra
internacional essas coisas desenrolaram-se em uma contínua
procissão, e quase corriam ao mesmo tempo, como se fosse uma
doença em que vários sintomas são evidentes ao mesmo tempo, mas
em diferentes estágios de desenvolvimento. Meu pensamento mais
intenso era "o que será da Igreja, se esse é o destino dos reinos da
terra? [Minha pergunta] foi imediatamente respondida por uma
declaração subconsciente. "Do jeito que é hoje na igreja," e eu vi
esses maiores seres espirituais por todo a expansão e largura dos
ares, conclamando suas forças espirituais, e concentrando-as sobre
os altos oficiais de sua igreja na terra.
Vi as forças espirituais trabalhando sobre esses agentes,
impressionando e movendo-os, influenciando e alertando-os. Vi as
forças espirituais começarem a desdobrar estas coisas nas mentes
dos seus Élderes e outros altos oficiais, especialmente durante a sua
adoração espiritual e deveres oficiais, e essas atividades que exaltam
a mente do indivíduo ou de grupos. Eu vi as impressões se fixarem
e inspirarem os mais receptivos e homens espirituais, até que tudo
o era claramente revelado a eles na forma como o patriarca espiritual
desejava.
Mais uma vez eu parecia ouvir-se a expressão, "como vai ser."
Vi altos oficiais em conselho, e sob orientação inspirada emitir
instruções para seu povo voltar e reconsagrar a sua vida e as suas
energias para a sua fé, disciplinarem-se voluntariamente, abstendo-
se de todas aquelas formas de indulgência que enfraquecem o corpo,
drenam a mente e mortificam o espírito, ou desperdiçam os
rendimentos.
314
Apêndice

Eu vi ainda, as instruções dadas pelas quais locais de refúgio


foram preparados calmamente mas com eficiência, inspirados pelos
Élderes. Eu vi Cardston e as montanhas circundantes, especialmente
do norte e do oeste, por milhas, sendo preparada como refúgio para
o seu povo, calmamente mas rapidamente.
Eu vi Élderes ainda sob orientação divina, aconselharem e
incentivarem o plantio em todos os lotes de solo disponíveis nesta
região, para que houvesse grande suprimento perto do refúgio. Eu
vi as propriedades da igreja sob intenso cultivo, não para venda ou
lucro, mas para o uso da população. Eu vi poços artesianos e outros
poços escavados em todo o território, para que quando as águas na
superfície estivessem poluídas e envenenadas o povo da igreja e seu
gado fossem supridos.
Eu vi os recursos de combustíveis do distrito desenvolver-se em
muitos lugares e enormes pilhas de carvão e a madeira armazenados
para uso futuro e construção. Eu vi o território cuidadosamente
analisado e mapeado, para o acampamento de um grande
contingente do povo da igreja. Eu vi preparativos também para um
grande afluxo de pessoas que inicialmente não pertenceriam à
igreja, mas que virão aqui reunir-se em sua tribulação.
Eu vi grandes quantidades de aparelhos cirúrgicos,
medicamentos, desinfetantes, e assim por diante, armazenado no
porão do templo. Eu vi inspiração dada aos Élderes pela qual a
quantidade, a qualidade e o tipo de coisas a serem armazenados
eram avaliadas, o que pode não ser viável a este território em tempo
de caos.
Eu vi os preparativos defensivos em operação com as
organizações dos acampamentos em mapas. Eu vi corredores de
mineração utilizados como locais de armazenamento no subsolo: eu
vi as colinas monitoradas e currais construídos em locais isolados
para bovinos, ovinos e assim por diante, silenciosamente e
rapidamente. Eu vi os planos para a organização dos rapazes e suas
funções, escoltas, guardas, enfermeiros, cozinheiros, mensageiros,
crianças, pastores, guardas do templo e assim por diante. Eu vi essas
coisas praticamente despercebidas pelo mundo gentio, com exceção
da Grande Apostasia, cujo conhecimento e o ódio tem grande
315
John M. Pontius – Visões de Glória

alcance neste dia de seu poder temporário. Isso prosseguia, parte por
parte, conforme os Élderes eram instruídos a fazer.
Eu vi os outros oficiais obedecendo as instruções inspiradas,
levando suas mensagens e exortando o povo a executar, de vez em
quando, as revelações a eles conferidas. Enquanto isso por todos ao
redor, em todo o mundo gentio, o caos desenvolvia-se em diferentes
fases, facção contra facção, nação contra nação, mas todas em
aberta ou velada hostilidade para com o seu povo e a sua fé. Eu vi o
seu povo cada vez mais unido, quando isso ficou mais tenso e
quando as forças espirituais advertiram-lhes através da boca dos
seus anciãos e seus outros diretores. Vi as forças espirituais
influenciando àqueles que se tinham afastado, reconduzindo-os ao
redil. Vi um maior dízimo do que nunca antes. Vi enormes
quantidades de provisões fornecidas por membros cujos olhos
espirituais foram abertos. Eu vi uma liquidação de propriedades e
bens descartados calmamente mas rapidamente pelos membros da
igreja, conforme a influência espiritual os dirigia.
Eu vi o chamado inspirado, enviado para toda a igreja se reunir
nos refúgios de Sião. Vi o fluxo do seu povo calmamente se
movendo na direção de seu refúgio. Vi as pessoas se movendo mais
rapidamente e em maior número até que todos os retardatários
foram alojados. Vi a mensagem relampejar de refúgio a refúgio de
em seus vários locais, de que tudo estava bem com eles e, em
seguida, as trevas do caos fecharem-se em torno do perímetro do
seu povo, e os dias finais da tribulação haviam começado.
-Sols Caurdisto

Aviso para a América (1880)


Pelo Presidente Wilford
Woodruff(NT-20)
Chamo a atenção dos historiadores do futuro para darem
credibilidade a minha história; pois meu testemunho é verdadeiro e
a verdade deste registro será manifesta no mundo que há de vir.
Todas as palavras do Senhor se cumprirão sobre as nações, que
estão escritas neste livro. A nação norte-americana será quebrada
316
Apêndice

em pedaços como um vaso de oleiro, e vai ser lançada no inferno se


não se arrependerem, e isso por causa de assassinatos, prostituição,
malícia e toda sorte de abominações, porque o Senhor falou isso.
(M. Cowley, Wilford Woodruff, History of His Life and Labors,
Bookcraft, P. 500.)

Anjos Destruidores estão Ativos (1931)


Pelo Presidente Wilford Woodruff
Refiro-me a essas coisas, porque eu não sei por quanto tempo
ainda poderei ter o privilégio de prestar meu testemunho do
evangelho de Jesus Cristo sobre a Terra. As revelações que estão na
Bíblia, as previsões dos patriarcas e profetas que viram em visão e
revelação a última dispensação e a plenitude dos tempos
claramente, dizem-nos o que está para acontecer. O 49ª capítulo de
Isaías está tendo o seu cumprimento. Eu já disse várias vezes no
meu ensino, se o mundo quer saber o que virá a ocorrer, que leiam
as revelações de João. Leiam os julgamentos de Deus que vão abater
o mundo na última dispensação. Leiam os jornais e vejam o que está
acontecendo em nossa nação e nas nações da terra, e o que é que
tudo isto significa? Isso significa o início do cumprimento de tudo
o que os profetas de Deus tinham previsto. Em toda a Doutrina e
Convênios(NT-21) há muitas revelações dadas pela boca do profeta de
Deus; tais revelações serão todas cumpridas, como vive o Senhor, e
nenhum poder pode impedi-lo. Em uma das revelações, o Senhor
disse a Joseph Smith: "Eis que, em verdade vos digo que, os anjos
estão clamando ao Senhor dia e noite, e estão prontos e aguardando
para serem enviados para ceifar os campos."
Quero dar testemunho a esta congregação, e aos céus e à terra,
que o dia virá quando os anjos são privilegiados para ir em frente e
começar seu trabalho. Eles estão trabalhando nos Estados Unidos
da América; eles são tão penosamente entre as nações [43] da terra;
e eles vão continuar. Não precisamos nos assombrar ou preocupar
com qualquer coisa que ocorre na terra. O mundo não compreende
as revelações de Deus. Não compreenderam nos dias dos judeus;
mas tudo o que os profetas haviam falado sobre eles foi o que
317
John M. Pontius – Visões de Glória

aconteceu. Assim, em nosso dia essas coisas hão de ocorrer. Ouvi o


Profeta Joseph Smith prestar seu testemunho destes eventos que
transpareceriam na terra.
Não podemos desenhar um véu sobre os eventos que esperam
por esta geração. Nenhum homem que é inspirado pelo Espírito
Santo e o poder de Deus pode fechar os ouvidos, os olhos ou os
lábios para estas coisas.
(Wilford Woodruff, Milennial Star 58:738-9.)

Um Grande Teste aproxima-se


(1930) por Heber C. Kimball(NT-22)
Os limites ocidentais do Estado de Missouri serão varridos tão
completamente de seus habitantes, que como Presidente Young nos
diz, quando voltamos para o lugar, não terá sobrado nem um
cachorro amarelo abanando a cauda. Até esse dia chegar, no
entanto, o Santos vai ser postos à prova que vai testar aos melhores
de todos eles. A pressão será tão grande que os justos entre nós vão
clamar ao Senhor dia e noite por livramento. Então, será o momento
de aguardar a grande peneira pois haverá uma grande triagem e
muitos irão cair. Esta igreja tem diante de si muitos lugares
fechados pelos quais terá de passar antes que o trabalho de Deus
seja coroado de glória. Você não pode suportar com luz emprestada.
Cada um terá de ser guiado pela luz dentro de si. Se você não tiver
um conhecimento de que Jesus é o Cristo, como poderá resistir?
Você acredita?
(Relatório da Conferência Geral de outubro 3-5, 1930, página
59.)

Um Exército de Élderes
(1931) por Heber C.Kimball
Um exército de Élderes serão enviados para os quatro cantos da
terra para procurar os justos e avisar o ímpio do que está para
chegar. Todos os tipos de religiões serão formados e milagres
realizados que enganariam até aos escolhidos se fosse possível.

318
Apêndice

Nossos filhos e filhas devem viver vidas puras de forma a estarem


preparados para o que está para vir.
Depois de um tempo os gentios se reunirão neste lugar aos
milhares, e Salt Lake City será qualificada entre as cidades iníquas
do mundo. O espírito de especulação e extravagância irão tomar
posse dos Santos, e o resultado será servidão financeiro.
Perseguição vem em seguida e todos os verdadeiros Santos dos
Últimos Dias serão testados até o limite. Muitos vão apostatar e
outros ficarão imóveis, não sabendo o que fazer. As trevas cobrirão
a terra, e a escuridão as mentes das pessoas. Os juízos de Deus serão
derramados sobre os ímpios, na medida em que os nossos Élderes
de longe e de perto vai ser chamado para casa, ou em outras
palavras, o evangelho será retirado dos gentios e, mais tarde, ser
levado aos Judeus.
Os limites ocidentais do Estado de Missouri serão varridos tão
completamente de seus habitantes, que como Presidente Young nos
diz, “quando voltamos para o lugar, não terá sobrado nem um
cachorro amarelo abanando a cauda”.
Até esse dia chegar, no entanto, o Santos vai ser postos à prova
que vai testar aos melhores de todos eles. A pressão será tão grande
que os justos entre nós vão clamar ao Senhor dia e noite por
livramento.
Em seguida, o profeta Joseph e outros farão sua aparição e
aqueles que permaneceram fiéis serão selecionados para retornar ao
Condado de Jackson, Missouri e participar na edificação da bela
cidade, a Nova Jerusalém.
(Heber C. Kimball, Deseret News, 23 de Maio de 1931.)

Um Sonho (1894) Charles D. Evans


Em Agosto de 1894, um artigo publicado em The Contributor,
(Vol. 15, Nº 20, pág. 638-647). The Contributor foi o precursor de
Improvement Era. O artigo foi intitulado “A Dream." No artigo, foi
dado um relato de uma visão ou sonho de Charles D. Evans, um
Patriarca vivendo em Springville, Utah, dos dias finais, abaixo
reproduzido:

319
John M. Pontius – Visões de Glória

Enquanto eu estava deitado meditando, em profunda solidão,


sobre os acontecimentos do meu presente, minha mente foi atraída
num devaneio como eu nunca tinha sentido antes. Uma grande
solicitude pelos perigos de meu país absolutamente excluía todos os
outros pensamentos e excitaram meus sentimentos a tal intensidade
que não achei possível suportar. Enquanto neste solene, profundo e
doloroso devaneio da mente, para a minha infinita surpresa, uma luz
apareceu no meu quarto que parecia ser suave e prateadas, como a
difundida da estrela do norte. No momento de sua aparição
aquele sentimento agudo que eu tinha experimentado
instantaneamente cedeu a uma calma tranquilidade.
Embora possa ter sido no horário da meia-noite e o lado do
planeta onde eu estava situado, estava excluído da luz solar, mas
tudo era luz e brilho e calor como uma paisagem italiana ao meio-
dia; mas o calor era mais suave e manso. Ao olhar para cima, vi
descendo pelo teto do meu quarto, com um suavemente movimento
deslizante, um personagem vestido em trajes brancos, cujo rosto era
suavemente sereno, suas caraterísticas normais, e o piscar dos seus
olhos parecia disparar centelhas, para usar uma comparação terrena,
fortemente assemelhando-se aos reflexos de um diamante
iluminado sob uma intensa luz elétrica, que encantava mas
não desnorteava. Seus grandes, profundos e imperscrutáveis olhos
no momento estavam fixos sobre os meus, quando instantaneamente
colocando suas mãos sobre a minha testa seu toque produziu uma
inexprimível serenidade e calma, uma calma não nasce da terra, mas
ao mesmo tempo pacífica, deslumbrante e celestial. Todo o meu ser
estava impregnado de uma alegria inefável. Todos os sentimentos
de tristeza instantaneamente desapareceram. As linhas e sombras
que os cuidados e a tristeza incutiam em nós foram afastados como
um nevoeiro profundo diante de um sol escaldante. Aos olhos do
meu visitante celeste, pois assim ele pareceu a mim, houve uma
espécie de elevada compaixão e ternura infinitamente mais forte do
que qualquer sentimento que eu jamais vira manifestar-se em
mortais comuns. Sua própria calma parecia como a calmaria de um
vasto oceano, de uma só vez sobrepujando toda a agitação
emocional.
320
Apêndice

Por intuição ou instinto, eu senti que ele tinha algo a comunicar


para aliviar minhas aflições e acalmar os meus temores. Então,
dirigindo-se a mim, ele disse:
"Filho, eu vejo tens graves preocupações sobre o estado precário
do teu país, que a tua alma sente profunda tristeza pelo seu futuro.
Vim, portanto, ao teu socorro e a dir-te-ei sobre as causas que
levaram a esse perigo. Ouvi-me atentamente. Setenta e um anos
atrás, depois de uma terrível apostasia dos séculos, em que todas as
nações foram envoltos em escuridão espiritual, quando os anjos
retiraram-se, a voz dos profetas silenciou, a luz de Urim e Tumim
não mais brilhou e a visão dos videntes foi fechada, enquanto o
próprio céu não derramava um só raio de alegria para clarear um
mundo obscuro, quando Babel governava, Satanás ria-se, a igreja e
sacerdócio haviam decolado para o alto e a voz das nações que
possuam os livros dos profetas Judeus [a Bíblia] havia decidido
contra visão e contra Urim, contra as outras visitas de anjos, e contra
a doutrina da Igreja dos apóstolos e dos profetas, tu sabes que, em
seguida, apareceu um poderoso anjo com o anúncio solene da hora
do juízo, o ónus de cujas prenúncios apontava a terríveis
calamidades sobre a geração presente. Esta, portanto, é a causa do
que tu vês e o final do ímpio vem depressa".
O meu olhar então foi expandido através de uma maneira
maravilhosa, e o valor das obras passadas pelos Élderes foi clara
para mim. Vi muita gente fugindo para o lugar de segurança nos
altos de nossas montanhas. A igreja foi estabelecida no deserto. Ao
mesmo tempo, a nação tinha alcançado uma prosperidade sem
precedentes, a fortuna transbordava, novo território foi adquirido, o
comércio ampliado, finanças reforçadas, a confiança foi mantida, e
os povos no estrangeiro apontado para ela como um modelo
nacional, o ideal do passado realizado e aperfeiçoado, a
personificação da liberdade cantada pelos poetas, e procurada pelos
sábios.
"Mas," continuou o mensageiro, "tu reparas uma mudança. A
confiança foi perdida. Ricos se arregimentam contra operários, e
operários contra os ricos, no entanto, a terra é abundante com uma
fartura de comida e vestes, e ouro e prata existem em abundância.
321
John M. Pontius – Visões de Glória

Vês também cartas escritas por um judeu que criaram grande


confusão nas finanças da nação que, juntamente com a política de
muitos ricos, tem produzido sofrimento e um presságio a mais dor."
As facções agora surgiam como que por magia. O capital tinha
se entrincheirado contra a mão-de-obra em todo o país; a mão-de-
obra era organizada contra o capital. A voz do sábio procurou
tranquilizar os dois poderosos fatores em vão. Excitadas multidões
corriam descontroladamente; greves aumentaram; a anarquia
ameaçava a face do governo regular. Neste momento eu vi uma
flâmula flutuar no ar contendo as palavras escritas, "falência, fome,
inundações, incêndios, ciclones, sangue, praga."
Loucos de fúria, homens e mulheres lançavam uns nos outros.
O sangue escorria pelas ruas das cidades como água. O demônio
do ódio sangrento entronizara-se na cidadela da razão; a sede de
sangue foi mais intensa do que a da língua sedenta por água.
Milhares corpos caiam sepultados pelas ruas. Homens e mulheres
caíam mortos de terror inspirado pelo medo. O descanso era o
precursor da obra sangrenta da manhã. Por todo o redor jazia o
pranto de um passado em ruínas. Monumentos erguidos para
perpetuar os nomes dos nobres e corajosos foram impiedosamente
destruídos pelos combustíveis. A voz agora soou, em voz alta, estas
palavras: "Mas, uma vez mais Eu abalo não só a terra, mas também
o céu. E esta palavra ainda outa uma vez significa a remoção das
coisas que são agitadas como das coisas que são feitas, para que as
coisas que não podem ser abaladas possam permanecer."
Terremotos rasgavam a terra em grandes abismos, que engoliam
multidões; terríveis gemidos e prantos enchiam o ar; os urros dos
padecentes eram indescritivelmente terríveis. Água furiosamente
invadia do tumultuoso oceano, cujo próprio roncar sob a fúria louca
do feroz ciclone, era insuportável de ouvir. As cidades foram
varridas em um instante, os mísseis eram lançados através da
atmosfera em terrível velocidade e as pessoas atiradas para cima só
para descer numa massa irreconhecível. Ilhas apareceram onde as
ondas do oceano antes impulsionavam os gigantes navios-vapor.
Em outras partes, chamas volumosas emanando de enormes
incêndios, alastravam-se com apavorante velocidade destruindo
322
Apêndice

vidas e propriedades em seu curso destrutivo. O selo da terrível


ameaça de desespero foi estampado em cada rosto humano; os
homens caiam exaustos, atônitos e a tremer. Cada elemento da
natureza era um demônio de enraivecida fúria. Nuvens densas, mais
enegrecidas que as trevas da meia-noite, cujos trovões reverberaram
com entonações que abalavam a terra, obscurecendo a luz do sol.
As trevas reinaram, incomparáveis e supremas.
Mais uma vez, a luz brilhou, revelando uma atmosfera tingida
com uma tonalidade chumbo que foi a precursora de uma
inigualável praga cujos primeiros sintomas foram reconhecidos por
uma mancha roxa que aparecia no rosto, ou no dorso da mão, e que,
invariavelmente ampliava até se alastrar por toda a superfície do
corpo, produzindo morte certa. As mães ao vê-la, deitavam fora os
seus filhos como se fossem répteis venenosos. A praga, em pessoas
crescidas, apodrecia os olhos em suas órbitas e consumida a língua
como um poderoso ácido ou um calor intenso. Os iníquos que
sofriam sob convulsiva agonia, amaldiçoavam a Deus e morriam,
ao porem-se em pé as aves de rapina avançavam em suas carcaças.
Eu vi no meu sonho o mensageiro novamente aparecer com um
frasco em sua mão direita, dirigindo-se a mim, disse: "sabes um
pouco da química ensinada nas escolas de aprendizagem humana,
eis aqui uma química forte o suficiente para alterar as águas do
mar”.
Em seguida, Ele derramou a sua taça no mar, e ela se tornou
pútrido, como o sangue de um homem morto, e aí toda a alma
vivente morreu. Outras pragas seguiram que eu evito registrar.
Uma potência estrangeira tinha invadido a nação e que, em toda
a aparência, parecia apoderar-se do governo e suplanta-lo com uma
monarquia. Fiquei tremendo pelo aspeto, quando eis que um poder
se levantou no oeste do país, que declarou-se a favor da Constituição
em sua forma original; a este poder que emergira subitamente os
amantes dos direitos e liberdades constitucionais em todo o país
deram seu apoio de coração. A luta foi asperamente contestada, mas
as Estrelas e Listras lançada ao vento flutuavam na brisa, desafiando
a toda a oposição, acenando com orgulho sobre a terra. Entre os
muitos estandartes que vi, havia um escrito assim: "governo com
323
John M. Pontius – Visões de Glória

base na Constituição, agora e para sempre;" no outro "Liberdade de


Consciência, social e religiosa e política."
A luz do evangelho que debilmente brilhava por causa das
abominações, agora agigantava-se com um brilho que encheu a
terra. Cidades surgiram em todas as direções, uma delas, no centro
do continente, era uma encarnação da ciência arquitetônica segundo
o padrão da perfeição eterna, cujas torres reluziam com um brilho
que refulgia de esmeraldas, rubis, diamantes e outras pedras
preciosas em um dossel de ouro, tão detalhada e habilmente
dispostas, que emanavam um fulgor encantador e fascinante aos
olhos, estimulava admiração e desenvolvia um gosto pela beleza
além de tudo o homem jamais havia concebido.
As fontes de águas cristalinas jorravam para cima os seus jatos
transparentes no sol brilhante, formando dez mil tonalidades de
arco-íris de uma só vez, deleitosos para os olhos. Jardins, cujas
perfeições de seus arranjos envergonharia quaisquer de nossas
presentes as tentativas ou genialidade. Eram decorados com flores
de diversas tonalidades para desenvolver e refinar o gosto, e reforçar
o amor para estes virtuosíssimos adornos da natureza.
Escolas e universidades foram erguidas para que todos tivessem
acesso. Nestas últimas, Urim foram colocados para o estudo do
passado, presente e futuro, e para obter o conhecimento dos corpos
celestes e a edificação de mundos e universos. As propriedades
intrínsecas da matéria, suas modalidades, leis [e] relações mútuas
foram reveladas e mais aclaramento do que a lição primeva de uma
criança. As teorias conflitantes de geólogos sobre a formação e a
idade da terra foram resolvidas para sempre. Todos os tipos de
aprendizagem foram baseados na certeza eterna. Os anjos traziam
tesouros do céu, que jazeram escondidos no ventre do mudo e
distante passado.
Os aparelhos para facilitar a aprendizagem ultrapassavam todas
as conjecturas. Química era extremamente simples pelo poder que
os Urim atribuíam ao homem de olhar para dentro e através dos
elementos de cada espécie; uma pedra não opunha mais obstrução à
visão humana do que o próprio ar. Não só foram os elementos e
todas as suas mudanças e transformações muito claramente
324
Apêndice

compreendidos, mas a edificação, as operações e as leis da mente


tornaram-se tão simples como as que regem os elementos mais
rudimentares.
Enquanto olhava pelos Urim e Tumim eu fiquei espantado com
a transformação, que mesmo agora para mim é maravilhosa além de
qualquer descrição, mostrando de forma clara a maneira pela qual
as partículas inorgânicas que compõem o reino da natureza são
elevadas para tornar-se parte das formas orgânicas. Outra
surpreendente revelação, muito claramente mostrada a mim foi toda
a circulação do sangue tanto no homem como nos animais. Depois
de ver estas coisas e olhando mais uma vez para a bela cidade, a
seguinte passagem da Escritura soou em meus ouvidos.
"De Sião sairá a perfeição da beleza, Deus resplandece."
Com isso, acordei para encontrar todos um sonho.
(Conforme registrado em: Larson, The Moon Shall Turn to
Blood, Crown Summit Books, p. 147-153.)

O Sonho das Pragas (1884)


O momento atual parece ser mais do que usualmente prolífico
de sonhos proféticos entre os Santos dos Últimos Dias. Em quase
todo povoado, as pessoas têm sido avisadas de acontecimentos que
logo ocorrerão; e visões da glória futura do Reino de Deus sobre a
face da terra tem passado como um panorama diante de muitas das
pessoas que amam a Deus e obedecem aos seus mandamentos. Há
cerca de dois ou três anos, eu tinha me recolhido para dormir,
quando, de repente, um glorioso mensageiro apareceu ao lado de
minha cama e despertou-me do meu sono. A luz da sua presença
encheu o quarto, de modo que os objetos eram discerníveis com toda
a clareza como ao meio-dia.
Ele me entregou um livro, dizendo: "Olhe, e veja o que está para
acontecer". Tomei o livro nas minhas mãos e, sentado na cama,
examinei-o cuidadosamente e li seu conteúdo. Em tamanho, este
livro tinha cerca de vinte a vinte e cinco centímetros, abrindo como
um caderno e encadernado em uma bela capa. Na frente ele gravado
em letras douradas o seu título, que era O Livro das Pragas. As

325
John M. Pontius – Visões de Glória

folhas foram impressas apenas na página da frente e foram


compostas de muito melhor qualidade de puro linho branco, em vez
de papel. A tipografia inteira era no melhor estilo da arte impressa.
Cada página foi composta de uma foto impressa em cores tão
naturais como arte pode copiar a natureza, ocupando a metade
superior do espaço, abaixo do qual estava a descrição impressa da
cena representada.
Sobre a primeira página havia a foto de uma festa em
andamento, com uma longa mesa posta sobre um belo gramado,
sobre o qual estavam intercalados tufos de arbustos e árvores
gigantescas. No plano de fundo através da folhagem, podia-se ver
uma imponente vila suburbana, adornada com todos os ornamentos
da arquitetura moderna. O cenário tinha a aparência de verão. O
céu, e de fato toda a atmosfera, parecia uma tonalidade bronzeada,
semelhante ao que pode ser observado quando o sol é totalmente
eclipsado, e o disco está apenas começando novamente a mostrar-
se. Em toda a atmosfera pequenas manchas brancas estavam
representadas, semelhante a queda dispersa de diminutos flocos de
neve no inverno.
Sobre a mesa um grupo de damas ricamente vestidas e
cavalheiros estavam sentados no ato de comer do rico banquete que
a enchia a mesa. Os floquinhos pequeninos acima foram caindo no
alimento aparentemente despercebidos por todos, pois uma
destruição súbita veio sobre eles. Muitos caiam para trás, nas
agonias de uma morte pavorosa; outros pendiam sobre a mesa, e
outros paralisavam-se com suas mãos ainda segurando o alimento
não ingerido, seus semblantes denotando um terrível espanto pela
peculiar e inesperada condição dos seus companheiros. A morte
estava na atmosfera; os juízos de Deus desciam sobre eles,
silenciosa e rapidamente como sobre o orgulhoso Senaqueribe e seu
exército de Assírios.
Em um canto da figura havia uma pequena vinheta circular,
mostrando a frente da loja de um distribuidor de carne de porco.
O calçadão era coberto por um toldo apoiado sobre mastros presos
na borda externa, e nesta calça foram mostrados barris de carne de
porco, longas cadeias de salsichas, porcos recém abatidos porcos,
326
Apêndice

pilhas de bacon defumado e mocotó. Ao longo da borda do passeio,


junto à loja, sob as janelas dianteiras, pendia um grande número de
pernas e os pedaços de carne, cobrindo toda a frente, exceto um
pequeno espaço na porta. Haviam doze dessas peças, e em cada peça
foi pintada uma letra grande, a fim de, em conjunto, compor a
palavra “abominações”.
Abaixo desta cena havia a descrição: “Uma festa entre os
gentios, o início da Praga." e em letras menores abaixo, uma nota
dizendo que as partículas de veneno, ainda representadas na
imagem, eram tão pequenas, que eram invisíveis a olho nu.
Na página seguinte havia outra foto. Era uma cena de rua
em uma grande cidade. No primeiro plano haviam residências dos
ricos mercadores da cidade. O caráter dos edifícios gradualmente
mudou; ao longo da vista e a distância foram mostrados os grandes
edifícios de comércio e indústria no coração de uma grande
metrópole. Sobre as calçadas pela longa vista, o movimentado,
pulsante corre-corre da multidão tinha sido cortado como a erva pela
ceifeira.
Mais uma vez, era uma cena de verão. Os mesmos átomos de
veneno caiam através do ar, mas o seu trabalho foi feito; a mesma
atmosfera enjoativa cor de bronze que parecia grossa com o odor
nauseabundo lançado sobre a terra, sem que nenhuma brisa agitasse
uma folha da vegetação. Sobre as varandas das residências
ricamente decoradas, através dos saguões das passagens abertas, ao
longo dos passeios e sobre as passagens, jaziam homens, mulheres
e crianças, que a poucos dias antes estavam desfrutando de todos os
prazeres da vida. Para além, os mortos estavam em toda parte. As
casas de negócio que tinham sido assediadas com clientes estavam
escancaradas franzindo sobre ruas cobertas de mortos. Entre os
saguões dos bancos jaziam os guardiães das riquezas, mas os
ladrões não foram lá para tirar os tesouros destrancados dentro. A
dispendiosa mercadoria de mil proprietários jazia intacta nos
balcões e prateleiras. No reluzir do meio dia do sol adoecido, nem
uma alma mostrou-se viva; ninguém havia sido deixado para
enterrar os mortos, todos tinham sido atingidos ou fugiram da morte
e peste da maldita cidade. Pela metade da rua, a uma horda faminta
327
John M. Pontius – Visões de Glória

daqueles horrivelmente feios porcos do matadouro, (que pode ser


visto nas canetas anexada dos abatedouros nojentos nas periferias
de muitas cidades), estavam dilacerando e devorando os mortos e
banqueteando-se nos cadáveres de ricos e pobres sem que ninguém
os molestasse.
Abaixo esta foto foi a descrição: "O progresso da Peste entre os
gentios. Uma cena de rua em uma grande cidade." Quase cinquenta
dessas fotos eu cuidadosamente observei, nas quais os apavorantes
efeitos desta e de outras pragas foram quase tão vividamente
retratadas como se eu tivesse realmente visto.
A última cena do livro foi descritiva da mesma praga como o
primeiro. Uma bela campina tipo parque era cercado por árvores
paineiras e álamos, área abrangia cerca de quatrocentos metros de
largura. No centro deste recinto havia uma tenda grande em forma
de cone e de uma brilhante cor púrpura, cerca de dez metros de
altura, por sete de diâmetro na base. A meia altura, esta tenda havia
um piso dividindo o interior em dois andares. Junto a esta tenda
havia outra tenda, esta de parede redonda, cerca de trinta metros de
diâmetro, e quase tão alta quanto a primeira. Esta era limpa e
branca. Deixando um espaço de cerca de cem metros das tendas
centrais haviam centenas de pequenas tendas retangulares
perfiladas, chegando até as árvores em seu redor, cada tenda era
limpa e branca, cada uma aparentando ser do um tamanho adequado
para uma família comum. Nenhum ser humano, animal, ave ou
veículo estava à vista. Nem um sopro de ar parecia mover-se. A
mesma atmosfera como nas fotos anteriores foi representada, com
os átomos do veneno, e ao mesmo horário e estação do ano.
Abaixo esta foto foi a descrição: “Um arraial dos Santos, que se
reuniram e estão vivendo sob revelações diárias de Deus, e são,
portanto, preservados da praga". Entendi que cada família estava na
sua tenda durante o horário do dia em que o veneno caia, e assim
foram preservados de respirar as partículas mortíferas.
Entregando o livro ao mensageiro, que durante todo este tempo
se manteve ao meu lado, ele desapareceu da minha vista como de
repente, do jeito que tinha aparecido. Eu acordei minha esposa, que
estava tranquilamente dormindo e comecei a relatar a ela o que eu
328
Apêndice

tinha recém vira. Depois de contar-lhe a descrição das duas imagens


no início do livro, e começando a descrevera a terceira, essa terceira
imagem e todas as seguintes até a última foi subitamente tomado de
minha memória, de forma que eu nunca fui capaz de recordá-las,
mas ainda me lembro que eram cenas sobre as pragas e julgamentos.
Nas revelações dadas ao Profeta Joseph, entre as muitas pragas
e julgamentos retratados, aqueles dados em Doutrina e Convênios
29:17-20, sempre me pareceu que coincidem perfeitamente com
aquilo que está relacionado no relato deste sonho. Mas se é esta
peste ou outra é indicada, não importa. Pragas virão, e o ímpio terá
de sofrer; mas os santos serão preservados pelo próprio princípio
que os ímpios perseguem, que é revelação atual do Todo-poderoso.
(Autor desconhecido, publicado no Contributor Volume 5,
1884 n° 112.2)

Profecia de Orson Pratt(NT-23) (1866)


Se for perguntado, por que razão a América deve sofrer assim?
A resposta é: porque eles rejeitaram o reino de Deus e um dos
maiores mensageiros divinos jamais enviados para o homem;
porque eles sancionaram o assassinato dos Santos, e o martírio dos
profetas do Senhor, e ter permitido que seu povo fosse expulso de
seu meio, e roubados de suas casas, edifícios, terras e milhões em
propriedades, e se recusaram a corrigir seus erros. Por esses grandes<