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INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA RIACHO FUNDO

LICENCIATURA EM LETRAS LÍNGUA INGLESA


DISCIPLINA: Literaturas de Língua Inglesa I
PROFESSORA: Isabella Mundim
TURMA: VB3
ALUNA: Paola Cristina Ribeiro Marcellos

Literaturas de língua inglesa I

ESTUDO DIRIGIDO

EMERSON, Ralf Waldo. The American Scholar. In: Essays. New York: Charles E. Merrill
Co., 1907.

1. Emerson abre e fecha sua fala/texto com declarações inflamadas acerca da situação da
intelectualidade e do intelectual americanos na primeira metade do século XIX. Qual é seu
diagnóstico? E que ―remédio‖ ele receita para ―curar‖ intelectualidade e intelectual do que os
acomete?
Emerson inicia o texto dando ao intelectual e à intelectualidade americanos o
diagnóstico de que têm embasado suas produções em obras estrangeiras. Para isso, Emerson
elenca práticas, criações e descobertas de homens de outras partes do mundo — em especial
da Europa — que a América não estava conseguindo acompanhar à época. Isso denota, para o
autor, carência de uma produção legitimamente americana e a ausência de produção de novos
conhecimentos e nova cultura. Em outras palavras, a América padece de uma falta de
originalidade generalizada.
Nos parágrafos finais, Emerson retoma o diagnóstico de sua contemporaneidade,
afirmando que o foco da humanidade, naquele tempo, passara a ser o indivíduo. E esse
indivíduo, muitas vezes promissor em sua juventude, não via nos objetivos inferiores da
sociedade estímulo para dar vazão a suas próprias ideias potencialmente criadoras. Para o
autor, o remédio para esse diagnóstico de intelectual e intelectualidade encontra-se em o
homem individual seguir seus instintos, mergulhar em si próprio e, a partir daí, criar. O
remédio dado por ele remete, pois, à doutrina do Transcendentalismo, segundo a qual há, em
cada um de nós, uma fagulha do divino, uma verdade imanente e única.

2. Emerson propõe distinção entre ―mere thinker‖ e ―Man Thinking‖. Que atributos ele
confere a um (mere thinker) e a outro (Man Thinking)?

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O mero intelectual (mere thinker) é alguém que, estando no que Emerson chama de
estado degenerado, apenas reproduz coisas a partir do que já existe, isto é, não cria nada
inédito. Carece da originalidade e criatividade atingidas pelo contato profundo consigo
mesmo.
Já o Homem Pensante (Man Thinking) se encontra no que o autor denomina de estado
certo, em que é o intelecto delegado e não um refém da função que ocupa na sociedade.
Utiliza-se de instrumentos — como natureza, livros, ações — mas não se subordina a eles. E,
desse modo, é capaz de criar coisas inéditas.

3. Segundo Emerson, o intelectual interage com a natureza de modo compatível com suas
crenças. Como se dá essa sua atuação?
Para Emerson, dentre as influências que o Letrado recebe, a primeira é a da Natureza.
O letrado é o homem que mais se atrai pelos encantos e fenômenos da natureza. Ela tem o
poder de fazê-lo voltar-se a si mesmo; e essa introspecção leva o letrado a criar coisas
inéditas. Esse contato entre o letrado e a natureza também ocasiona a percepção de que a
beleza e as leis da natureza são a beleza e as leis da mente. Por fim, Emerson recomenda ao
letrado o preceito moderno ―Estudai a Natureza‖, que se torna uno ao preceito antigo
―Conhecei-vos a vós mesmos‖: estudar a natureza e conhecer a si mesmo são, pode-se dizer,
as duas faces de uma mesma moeda.

4. Livros configuram fator importante na formação e/ou deformação do intelectual


emersoniano. Isto posto, qual prática de leitura verifica-se benéfica? A qual atividade tal
prática deve – idealmente - conduzir?
Para Emerson, os livros atuam na formação do intelectual quando lidos com
criticidade e como estímulo para a criação de coisas inéditas. O homem não deve se
subordinar a instrumentos, devendo, ao contrário, dominá-los e usá-los a seu favor. Emerson
afirma que, se é possível apreender de Deus diretamente o que é necessário para criar coisas
novas, não é preciso buscar em livros inspiração para esse fim. Uma leitura acrítica e que leva
o intelectual a imitar o que lê representa uma deformação do intelectual emersoniano.
Emerson cita como exemplo de deformação da intelectualidade a constante imitação do poeta
e dramaturgo inglês William Shakespeare, que, à época do discurso ―The American Scholar‖,
já era copiado por outros autores há mais de duzentos anos.

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5. Para Emerson, ação/experiência deve servir a propósitos específicos. Explicar esse seu
entendimento relativamente à formação do intelectual.
Para Emerson, a ação/experiência é condição para o amadurecimento do pensamento.
Ação/experiência permite que o ser se expanda e é matéria-prima para que o intelecto crie.
Seu valor é, assim como o livro, o de um instrumento. Pensar e agir, agir e pensar, são atos recíprocos,
correlatos, paralelos.

6. A seguir, Emerson descreve as obrigações que cabem ao intelectual. Apontá-las e comentá-


las, com foco no que Emerson diz sobre autoconfiança e individualismo.
Emerson afirma que os deveres do intelectual sintetizados na autoconfiança. Suas obrigações
consistem em estimular, incitar e guiar os homens, mostrando-lhes a verdade que se esconde
através das coisas. O letrado deve observar os mecanismos e mistérios da mente, negando à
notoriedade e fama imediatas. Deve hesitar; aceitar a pobreza e a solidão; assumir os desafios de
abrir seu próprio caminho; ser livre e bravo.
Por ter esses deveres, o intelectual deve ter total confiança em si mesmo e nunca se submeter
ao clamor das massas. Emerson propõe a noção individualista de que o letrado, em sua introspeção
criativa, apoie-se em si próprio.

7. A declaração intelectual de independência (de que a fala/texto é expressão) assinala e


anuncia mudanças na literatura da época. Relacioná-las às exortações, endereçadas ao
público, presentes no último parágrafo.
Entre as principais mudanças na literatura da época encontra-se a de que temas vulgares,
comuns, antes relegados, passaram a ser retratados com destaques. Temáticas envolvendo, por
exemplo, protagonista americano comum, com ações ocorridas nos Estados Unidos — em campos,
tribos indígenas, estradas rurais, e não mais apenas nas metrópoles glamorosas. Conforme anuncia
Emerson ao final do ensaio ―The American Scholar‖, a literatura de seu tempo passou por mudanças
importantes: temas relacionados ao sublime e ao belo foram substituídos por temas próximos,
vulgares, comuns. O foco daquela nova época, como enuncia o autor, passa a ser o indivíduo. Este
passa, portanto, a ser retratado em suas peculiaridades e idiossincrasias e, portanto, conforme defende
Emerson, de modo original, inédito, legitimamente americano.