Você está na página 1de 55

CETCC - CENTRO DE ESTUDOS EM TERAPIA COGNITIVO-

COMPORTAMENTAL

STELA CESAR DE BULHÕES

ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE A TERAPIA DO


ESQUEMA E A TERAPIA COMPORTAMENTAL DIALÉTICA
NO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

SÃO PAULO
2018
STELA CÉSAR DE BULHÕES

ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE A TERAPIA DO


ESQUEMA E A TERAPIA COMPORTAMENTAL DIALÉTICA
NO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

Trabalho de conclusão de curso Lato Sensu


Área de concentração: Terapia Cognitivo-
Comportamental
Orientador: Dr. Luiz Ricardo Vieira Gonzaga

SÃO PAULO
2018
FICHA CATALOGRÁFICA

Fica autorizada a reprodução e divulgação deste trabalho, desde que citada a fonte.

Bulhões, Stela C.
Análise Comparativa entre a Terapia do Esquema e a Terapia Comportamental
Dialética no Transtorno da Personalidade Borderline
Stela César de Bulhões

53f + CD-ROM

Trabalho de Conclusão de Cursos (especialização) – Centro de Estudos em


Terapia Cognitivo-Comportamental (CETCC).
Orientação: Prof. Luiz Ricardo Vieira Gonzaga

1.Terapia Cognitivo Comportamental, 2. Terapia do Esquema; 3.Transtorno de


Personalidade Borderline.
Stela César de Bulhões

Análise Comparativa entre a Terapia do Esquema e a Terapia Comportamental


Dialética no Transtorno da Personalidade Borderline.

Monografia apresentada ao Centro de


Estudos em Terapia Cognitivo-
Comportamental como parte das exigências
para obtenção do título de Especialista em
Terapia Cognitivo-Comportamental

BANCA EXAMINADORA

Parecer:________________________________________________________

Prof.___________________________________________________________

Parecer:________________________________________________________

Prof.___________________________________________________________

São Paulo, ____ de ____________ de _________


DEDICATÓRIA

Quero dedicar este trabalho pelos


ensinamentos de todos os professores e a
mim que mantive o foco para não desistir
dos meus ideais.
“O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos”
LaoTse
RESUMO

A avaliação do Transtorno da Personalidade Borderline significa um grande avanço


para a Psicologia, e ainda se observa a necessidade de se analisar uma forma
eficaz de tratamento para este tipo de transtorno. Dessa forma, o presente trabalho
objetivou uma análise comparativa entre a Terapia Comportamental Dialética de
Linehane a Terapia do Esquema de J. Young no Transtorno da Personalidade
Borderline. Utilizou-se o método da pesquisa bibliográfica. Para a realização da
revisão da literatura adotada para o presente estudo, utilizou-se as bases de dados
da Bireme, Scientific Eletronic Library Online (SCIELO) e Google Acadêmico. De
acordo com os critérios de inclusão foram selecionados 5 artigos que foram lidos na
íntegra. Concluiu-se que embora o tratamento dos pacientes Borderline seja repleto
de dificuldades, existe a possibilidade de uma mudança quanto paciente e terapeuta
trabalham em conjunto com paciência e perseverança.

Palavras-Chave: Terapia Comportamental. Terapia Comportamental Dialética.


Terapia de Esquema. Transtorno de Personalidade Borderline.
ABSTRACT

The evaluation of Borderline Personality Disorder represents a major advance for


Psychology, and we still need to analyze an effective form of treatment for this type
of disorder. Thus, the present work aimed at a comparative analysis between
Linehane Dialectic Behavior Therapy and J. Young Scheme Therapy in Borderline
Personality Disorder. The method of bibliographic research was used. For the review
of the literature adopted for the present study, the databases of Bireme, Scientific
Electronic Library Online (SCIELO), Google Academy. According to the inclusion
criteria, 5 articles were selected and read in their entirety. It was concluded that
although the treatment of Borderline patients is fraught with difficulties, there is the
possibility of a change as the patient and therapist work together with patience and
perseverance

Keywords: Behavioral Therapy. Therapeutic Behavioral Therapy. Scheme Therapy.


Borderline Personality Disorder.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Modelo evolutivo para os transtornos da personalidade .......................... 17


Figura 2 – Classificação dos transtornos .................................................................. 17
Figura 3 – Alvos secundários .................................................................................... 29
Figura 4 – Estratégias Terapêuticas .......................................................................... 30
Figura 5 – Elementos iniciais que constroem os esquemas do indivíduo ................. 32
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Esquemas iniciais desadaptativos ........................................................... 33


Tabela 2 – Distribuição das Bases de Dados e Artigos Selecionados ...................... 38
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 10
1.1 Conceito de Personalidade .............................................................................. 11
1.2 Surgimento do Transtorno Borderline .............................................................. 12
1.3 Conceito e características do Transtorno Borderline ....................................... 13
1.4 Principais sintomas do Transtorno Borderline ................................................. 15
1.5 Diagnóstico do Transtorno de Personalidade Bordeline - DSM-V ................... 18
1.6 Tratamento do paciente Borderline ................................................................. 19
1.7 Terapia comportamental para os transtornos da personalidade ...................... 23
1.8 Terapia Comportamental Dialética .................................................................. 25
1.9 Terapia do Esquema ....................................................................................... 31
1.9.1 Esquemas Desadaptativos Remotos ..................................................... 32
1.9.2 Estilos de Enfrentamento ....................................................................... 34
1.9.3 Os Cinco Domínios do Esquema ........................................................... 35

2 OBJETIVO GERAL ............................................................................................... 37


2.1 Objetivo específico .......................................................................................... 37

3 METODOLOGIA .................................................................................................... 38

4 RESULTADOS ...................................................................................................... 40

5 DISCUSSÃO.......................................................................................................... 42

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 46

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 48

ANEXOS ................................................................................................................... 53
10

1 INTRODUÇÃO

O Transtorno de Personalidade Borderline despertou interesse nos últimos


anos. Este interesse pode estar relacionado a dois fatores. Em primeiro plano, os
indivíduos que preenchem os critérios para o Transtorno de Personalidade
Borderline têm sido frequentemente tratados nos centros de saúde mental e mesmo
em consultórios particulares.
De acordo com Lopes e Cols (2002) há estimativa de que 11% de todos os
pacientes psiquiátricos ambulatoriais e 19% dos pacientes que se encontram
internados preencham os critérios para os Transtornos de Personalidade Borderline.
Segundo os autores, dos pacientes que possuem algum tipo de transtorno de
personalidade, 33% dos pacientes ambulatoriais e 63% dos internados parecem
preencher os critérios exigidos para um diagnóstico para o Transtorno de
Personalidade Borderline (LOPES; COLS, 2002).
O segundo ponto que merece destaque é que os tratamentos que têm
submetidos os pacientes têm sido entendidos como inadequados. Os estudos de
seguimento sugerem que a disfunção social de tais pacientes pode ser extrema, que
a melhoria é baixa, após muitos anos da avaliação inicial (LINEHAN, 2010).
Verifica-se assim, que, o interesse pelo Transtorno ora em estudo refere-se à
necessidade de se estudar este tipo de problema que acomete grande parte da
população, e verificar o tratamento mais eficaz para combater os sintomas de tal
transtorno.
De acordo com o autor acima citado ressalta em sua obra que os pacientes
são tão numerosos que a maioria dos profissionais atenderá pelo menos um em sua
prática. Eles apresentam problemas graves e sofrimentos intensos, sendo
considerados como difíceis de tratar (LINEHAN, 2010).
O interesse da Psicologia em geral é estudar acerca de todos os tratamentos
ofertados, o tipo de tratamento mais adequado e os resultados mais eficazes para o
transtorno borderline.
O interesse acadêmico para a sociedade pode ser voltado no sentido de que
é um transtorno que vêm causando sofrimento as pessoas acometidas e que
necessita ser estudado e esclarecido. Já o interesse da autora centra-se em sua
prática clínica em estar atendendo clientes com transtorno borderline.
Na presente pesquisa foram enfocados dois métodos, sendo esses a terapia
do esquema e a terapia dialética comportamental. No trabalho que se segue serão
11

estudados também os dois métodos com as suas similitudes e diversidades, para


que sejam comparados e apontados quais desses é o mais adequado para o
tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline.

1.1 Conceito de Personalidade

Reich (1995) refere que a personalidade de uma forma ampla pode ser
explicada como sendo o agrupamento de padrões de pensamentos, sentimentos e
comportamentos que uma pessoa apresenta ao longo de sua existência.
Para o autor é o resultado da interação dinâmica do que é herdado
geneticamente dos pais, como o temperamento, agregado com as experiências
vivenciadas ao longo da vida, formando o caráter (REICH, 1995). A carga genética é
indispensável para a formação da personalidade, contudo as vivências pessoais e
interpessoais e o ambiente em que o indivíduo está inserido interferem na formação
da personalidade de cada ser humano (SILVA, 2013).
Pode-se entender dessa forma que a personalidade é compreendida como o
conjunto de padrões de pensamentos, sentimentos e comportamentos. Desta forma,
a personalidade tem vinculação tanto com as vivências pessoais como a carga
genética (SILVA, 2013).
Beck (2017) define a personalidade como sendo uma organização
considerada relativamente estável, que é composta por sistemas de esquemas e
modos. Para Martins (2004), o conceito de personalidade é tido como o produto da
atividade individual condicionada pela totalidade social, sendo um processo
resultante de relações entre as condições objetivas e subjetivas do indivíduo dentro
da sociedade de forma singular e diferenciada a ponto de ser único.
Ainda de acordo com o autor este relaciona a personalidade como: “[...] à
ideia de pessoa, termo derivado do latim persona, que significa máscara
caracterizadora do personagem teatral, designa, na abrangência do termo, o homem
em suas relações com o mundo” (MARTINS, 2004, p. 83).
Desta forma, o conceito de personalidade compreende o plano do individuo,
do homem como ser social, que pensa e sente, assim sendo a ciência da
personalidade é da vida real dos indivíduos, pela qual constroem uma maneira
particular de funcionamento (MARTINS, 2004, p. 84).
12

Segundo Leontiev (1979), o conceito de personalidade não pode ser


compreendido fora do conceito de atividade, pois trata-se de uma exigência teórico-
metodológica, não sendo possível obter sua estrutura a partir de uma seleção de
peculiaridades psíquicas do homem, mas antes no sistema de atividades que
absorve essas habilidades e conhecimento.
Afirma o autor que a base real da personalidade do homem não advém de
programas genéticos nele inserido, mas no desenvolvimento da atividade, de seus
tipos e formas concretas e dos vínculos que os mesmos estabelecem (LEONTIEV,
1979).
No entanto, para se classificar os tipos de personalidade são verificados
comportamentos, ou seja, padrões de pensar, agir e sentir da mesma forma em
várias pessoas de forma considerada estaticamente relevante, passa-se a classificar
uma personalidade (SILVA, 2013).
Embora cada ser humano seja único em sua personalidade, há algumas
características que os tornam semelhantes a outros, que apresentam o mesmo
padrão de comportamento no que se refere ao funcionamento mental (SILVA, 2013).
Assim sendo de acordo com o exposto acima, há uma singularidade em cada
ser humano, mas a personalidade pode ser classificada quando em vários indivíduos
são observadas características e padrões de comportamento comuns.

1.2 Surgimento do Transtorno Borderline

Segundo a etimologia da palavra inglesa, o Transtorno da personalidade


Borderline refere-se a uma personalidade que pode ser entendida como estando em
um limite. Os pacientes com transtorno de personalidade Borderline encontram-se
sempre nos limites de suas emoções, com comportamentos extremos frequentes,
fortes e persistentes (SILVA, 2013).
De acordo com Carneiro (2004), a etimologia da palavra Bordeline refere-se à
limítrofe. O termo Borderline foi utilizado pela primeira vez no ano de 1938 pelo
psicanalista americano Adolf Stern, que o caracterizou no desempenho da
psicoterapia, e depois Robert Knight, outro psicanalista que constatou a presença de
tal transtorno em pacientes que se encontravam hospitalizados (CERUTTI; DUARTE
apud LINEHAN, 2010, p. 1).
13

Segundo Linenhan (2010), o termo Transtorno Borderline é utilizado há pouco


tempo no campo da psicopatologia. Segundo a autora, o termo não constava no
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, publicado pela Associação
Psiquiátrica Americana até a publicação do DSM III, no ano de 1980.
Para Sadi (2011), o termo Transtorno Borderline foi utilizado para pacientes
que não apresentavam melhora com o tratamento convencional e não preenchiam a
clássica divisão entre neurose e psicose.
Assim sendo, o termo Borderline passou a ser usado para classificar pessoas
que se encontravam na fronteira entre neuróticos e psicóticos. Tais pacientes
apresentavam sérios problemas de funcionamento e não respondiam ao tratamento
convencional.
Evidencia-se que o Transtorno Borderline é um Transtorno Psiquiátrico
Complexo, de diagnóstico difícil, por apresentar comorbidades com outros
transtornos de personalidade. Desta forma, para fechar um diagnóstico de um
paciente com Transtorno de Borderline pode levar um tempo, para que o padrão de
comportamento se torne latente devido a uma série de alterações (SADI, 2011).

1.3 Conceito e características do Transtorno Borderline

O conceito atual do Transtorno de Borderline no que tange o diagnóstico do


paciente Borderline foi elaborado em 1980 pelo DSM-III, deixando de ser um
conceito vago entre estados intermediários de neurose ou psicose para ser
classificado como um distúrbio de personalidade (CERUTTI; DUARTE apud VIDAL;
LOWENKRON, 2010, p. 23).
Ainda de acordo com os autores, o Transtorno de Personalidade Borderline
(TPB) pode ser compreendido como um transtorno mental grave e complexo,
acometendo cerca de 2% da população geral, sendo ainda considerado o mais
comum dos transtornos de personalidade no contexto clínico, chegando a
comprometer cerca de 10% dos indivíduos internados (CERUTTI; DUARTE apud
SCHESTATSKY, 2005, p. 25).
Segundo o DSM-IV refere-se ao transtorno de personalidade borderline como
um padrão de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, dos afetos e da
autoimagem, iniciado na infância e idade adulta e incisivo em vários contextos.
14

Silva (2013) elucida que a personalidade ora estudada é formada por


comportamentos disfuncionais que se apresentam frequentemente, persistente e
intensamente, configurando um padrão existencial repleto de dificuldades do
indivíduo com seu meio social.
O Transtorno da Personalidade Borderline, ao qual é utilizada a sigla TPB,
para referir-se ao transtorno é bastante comum, atingindo cerca de 1,1 % a 2,5% da
população adulta geral, sendo que cerca de 70% são mulheres, além de
compreender custos exorbitantes para a sociedade, quando comparado com a
esquizofrenia (BECK et al., 2017).
O Transtorno de Personalidade Borderline causa um impacto social
grandioso, tendo a taxa de suicídio alta, chegando a atingir 10% dos pacientes. É
considerado uma das desordens psiquiátricas associadas ao suicídio.
Mesmo se submetendo a tratamento psicossocial e sendo administrados
medicamentos, os pacientes, em sua grande maioria, apresentam desajustes no
trabalho, nas relações sociais, na satisfação global e no funcionamento geral
(CERUTTI; DUARTE apud CARNEIRO, 2004, p. 87).
Ainda de acordo com os autores, para que haja um controle dos pacientes
acometidos por tal transtorno, os resultados mais satisfatórios têm sido obtidos com
tratamento na psicoterapia, devendo ser destacada a relevante função da terapia
cognitiva comportamental dialética (CERUTTI; DUARTE apud CARNEIRO, 2004, p.
88).
O Transtorno de Personalidade Borderline é marcado por emoções intensas,
que possam gerar no paciente reações exacerbadas de raiva e agressividade contra
si ou contra outras pessoas.
Outro fator é que o paciente borderline quando exposto a estresse pós-
traumático pode apresentar reações ainda mais exacerbadas com relação ao
trauma, pois sempre lida com extrema dificuldade e adversidades, principalmente no
que concerne a rejeições.
Outrossim, a personalidade borderline é repleta de instabilidade,
incompletude, e constante conflito consigo mesmos. Por essa razão, busca-se
sempre se encaixar em algum estereótipo, para cessar tal incompletude.
São pessoas facilmente influenciáveis pelo ambiente em que vivem e pelas
pessoas ao seu redor. Tais pessoas costumam adquirir atitudes e comportamentos
das pessoas de sua convivência.
15

A insegurança e a adoção de comportamentos de outras pessoas faz com


que esses pacientes passem a desenvolver dificuldades para alcançar seus
objetivos pessoais e profissionais, pela instabilidade afetiva e a dificuldade de
autoimagem (SILVA, 2013).
O paciente Borderline possui ainda traços marcantes de impulsividade e
instabilidade. A última pode estar presente nos relacionamentos, que são intensos,
mas costumam findar de forma abrupta. A identidade é assinalada por uma crise de
instabilidade com relação à visão de si mesmo, ideais, planos para o futuro, bem
como valores morais.
No que concerne ao afeto, há reações emocionais intensas que
desencadeiam oscilações entre diversas emoções fortes e repentinas. A
impulsividade pode ser descrita como atividades potencialmente destrutivas, que
são consideradas gratificantes para o paciente em curto prazo, mas sempre
praticadas de maneira impulsiva, tais como: gastar, abusar de substâncias, comer e
fazer sexo, em explosões emocionais assinadas por dificuldades de controle de
raiva, com comportamentos suicidas e autodestrutivo (BECK et al., 2017).
O paciente também possui medo de abandono, com tentativas de impedir o
suposto abandono, sentimentos crônicos de vazio, experiências paranoides
relacionadas a estresse (BECK et al., 2017).

1.4 Principais sintomas do Transtorno Borderline

Os Transtornos de Personalidade, do qual o Transtorno da Personalidade


Borderline são formados por vários sintomas e fatos que acompanharam a vida do
paciente (BECK et al., 2017).
O paciente que possui o transtorno de personalidade borderline, segundo a
evolução e expansão dos conceitos além da clássica dicotomia freudiana que os
divide em neuróticos e psicóticos, é o indivíduo que apresenta sintomas neuróticos,
mas não se encaixa apenas em tal diagnóstico. Assim, seria o paciente borderline
uma fronteira entre o neurótico e o psicótico (SOUSA; VANDENBERGHE, 2003).
Tais transtornos são classificados pelo Manual Diagnóstico e Estatístico como
uma doença psiquiátrica desde sua primeira edição em 1952.
Contudo, foi a partir de 1980 que esse conceito foi aprimorado. Para que o
paciente seja diagnosticado como um paciente portador de um transtorno de
16

personalidade, o indivíduo terá que apresentar padrões de comportamento e


estados internos, tais como pensamentos, sentimentos e motivações, iniciados
precocemente, durante a adolescência ou início da fase adulta, e tais padrões terem
se mantido por longo tempo, seja rígido em diversos ambientes, vindo a causar
problemas notáveis (DALGALARRONDO, 2009).
Importante salientar que os padrões descritos acima devem estar fora dos
limites normativos da cultura do indivíduo. Ademais, o padrão descrito deve ser
apresentado em ao menos duas das quatro áreas possíveis, como interpretação de
experiências, sentimentos, funcionamento dos relacionamentos e controle de
impulsos (DALGALARRONDO, 2009).
Os transtornos analisados são divididos em dez grupos, sendo o transtorno
de personalidade borderline, pertencente ao grupo B, que é denominado de grupo
antissocial e também inclui o narcisista e o histriônico, sendo descrito como o grupo
dramático, emocional ou errático (BECK et al., 2017).
De acordo com Linenhan (1993 apud SOUZA, 2003), o indivíduo com
transtorno de personalidade borderline apresentam situações familiares de
ridicularizações e humilhações e punições decorrentes de situações e ideias
conflitantes entre os familiares e o indivíduo, o que torna o indivíduo sensível ao
humor e desejos dos outros.
Sousa e Vandenberghe (2003) apontam que há também a contribuição
genética para o transtorno sendo a genética e fatores na estória de vida uma
combinação para a formação da personalidade borderline.
Estratégias super desenvolvidas específicas estabelecem a base do
transtorno da personalidade e afetam as avaliações de risco e perda, aumentando a
vulnerabilidade a transtornos de ansiedade e afetivos. Com o desenvolvimento dos
transtornos sintomáticos, o conteúdo cognitivo pertencente aos esquema se
apresenta incutivo e saliente, solidificando a base cognitiva dos transtornos de
personalidade (BECK et al., 2017).
A figura a seguir demonstra o modelo evolutivo para o desenvolvimento dos
transtornos de personalidade e síndromes sintomáticas. Verifica-se que os esforços
adaptativos para satisfazer as metas básicas podem se desenvolver excessivamente
de formas diferentes ocasionando uma evolução desadaptativa em direção a vários
transtornos.
17

Figura 1 – Modelo evolutivo para os transtornos da personalidade

Fonte: Beck et al. (2017, p. 56).

Os transtornos podem ser classificados de acordo com seus recursos


principais, ou seja: interpessoal (onde o foco é para fora) ou individualista (onde o
foco é para dentro).
Os impulsos predominantes podem ser abarcados como competir, apegar-se,
atrair, proteger, controlar, defender e criticar. Os impulsos citados servem a uma das
funções básicas: expandir ou proteger recursos ou domínios pessoais, estando
ligados a estratégias inatas (BECK et al., 2017).
Tais estratégias são exclusivas e utilizadas como diagnóstico para analisar e
entender a função evolutiva pertencente a cada transtorno, conforme a figura abaixo
(BECK et al., 2017).

Figura 2 – Classificação dos transtornos

Fonte: Beck et al. (2017, p. 56).


18

O Transtorno da Personalidade Borderline apresenta vários de tais sintomas,


chegando a ser confundido com outros transtornos como já analisado anteriormente.

1.5 Diagnóstico do Transtorno de Personalidade Bordeline - DSM-V

Com relação ao diagnóstico devem estar presentes ao menos cinco ou mais


critérios para que seja considerado presente o Transtorno da Personalidade
Borderline.
Os critérios diagnósticos para os “Transtornos de personalidade” não
sofreram mudanças em relação aos apresentados no DSM-IV-TR.
De acordo com o capítulo apresentado na Seção II do novo manual continua
reunindo os mesmos transtornos divididos em três grupos:
1. Grupo A: Transtornos de personalidade paranoide, esquizoide e
esquizotípica;
2. Grupo B: Transtornos de personalidade antissocial, borderline, histriônica
e narcisista;
3. Grupo C: Transtornos de personalidade esquiva, dependente e obsessivo-
compulsiva.

De acordo com Campos (2010), a grande novidade no DSM-V é a inclusão de


um modelo alternativo para os “Transtornos de personalidade” que é apresentado na
Seção III do manual. Basicamente, o modelo apresenta uma concepção acerca do
funcionamento da personalidade e lista traços de personalidade patológica que
podem estar presentes em cada transtorno.
A Escala do Nível de Funcionamento da Personalidade (lpfs, pela sigla
inglesa), bem como os vinte e cinco traços de personalidade patológica, são
apresentados na mesma seção.
Para o autor, o objetivo do DSM-V ao apresentar os Transtornos de
personalidade é preservar o que é utilizado na prática clínica, mas também introduzir
uma nova abordagem que objetiva sanar diversas deficiências presentes no atual
modelo (CAMPOS, 2010).
Salienta que embora a Síndrome de Borderline é por vezes sub-diagnosticada
ou mal diagnosticada, tanto o psiquiatra como o psicólogo podem diagnosticar o
transtorno com base em uma entrevista completa e um exame médico abrangente
(CAMPOS, 2010).
19

Essa análise pode auxiliar a descartar outras prováveis doenças e


transtornos.
Assim têm-se que segundo o DSMV (2011) o paciente deve apresentar 5 dos
9 critérios abaixo descrito:
1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado;
2. Um padrão de relacionamento interpessoais instáveis e intensos
caracterizados pela alternância entre extremos de idealização e
desvalorização;
3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da
autoimagem ou percepção de si mesmo;
4. Impulsividade em pelo menos duas áreas autodestrutivas (p.exemplo,
gastos, sexo, abuso de substâncias, compulsão alimentar, etc);
5. Recorrência de comportamento, gestos ou ameças suicidas, ou de
comportamento automutilante;
6. Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor
(irritabilidade ou ansiedade intensa com duração geralmente de poucas
horas e raramente mais de alguns dias);
7. Sentimentos crônicos de vazio;
8. Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la;
9. Ideação paranóide transitória associada a estresse ou sintomas
dissociativos intensos (DSM-5, 2011).

Dessa forma, investigar sintomas e histórico médico pessoal e familiar,


incluindo histórico de doença na família, auxilia os profissionais a decidirem sobre o
melhor tratamento a ser seguido.

1.6 Tratamento do paciente Borderline

Um aspecto importante a ressaltar sobre o tratamento do Transtorno


Borderline é que há possibilidades de tratamentos viáveis e efetivos que tem como
finalidade impedir que o estigma prejudique o acesso dos pacientes às abordagens
terapêuticas disponibilizadas (STOFFERS et al., 2012).
Leichsenring et al. (2011) menciona a necessidade de envolvimento do
paciente para que tenha um papel ativo em seu tratamento e obtenha resultados
favoráveis.
20

Vinnars (2005) comenta que o campo de pesquisas com o Transtorno


Borderline evidencia que tanto os tratamentos farmacológicos como
psicoterapêuticos possuem benesses para os pacientes, em especial a psicoterapia.
Embora não existam medicamentos específicos recomendados para o
tratamento, há uma infinidade de medicações que contribuem para o controle de
sintomas nucleares e comorbidades presentes (STOFFERS et al., 2010).
No entanto, salienta-se que ambos os tratamentos são considerados de longo
prazo, em especial no caso da TP apresenta maior demanda por tratamento e
intervenções terapêuticas (MACEDO et al., 2014).
No que tange o tratamento, outro fator a ser considerado é o manejo de
crises, com controle de reações emocionais intensas, avaliação do risco de
autoagressão e comportamento suicida (LINEHAN, 2010).
Segundo o autor, além do acompanhamento médico, os pacientes devem ser
incentivados a desenvolver habilidades de enfrentamento de estresse, por meio da
identificação de recursos próprios frente as inúmeras situações, buscando apoio e
expressões emocionais menos destrutivas (LINEHAN, 2010).
Macedo et al. (2014) aduz sobre questões complexas, referindo que o
conhecimento dos profissionais envolvidos constitui um princípio fundamento para o
tratamento, uma vez que essa compreensão sobre os problemas comportamentais
favorece o manejo de respostas mais adequadas e terapêuticas.
Para Linehan (2010) a adesão e evolução do paciente pode ser melhorada e
o estresse também, se houver clareza dos profissionais sobre as dificuldades
enfrentadas, especialmente na relação médico\paciente.
Ainda de acordo com o autor, um fator primordial no tratamento de pacientes
com esse transtorno é a comunicação clara, objetiva e direta com a finalidade de
estabelecer limites, pautadas por um plano de atendimento que ofereça segurança e
estrutura para o paciente (LINEHAN, 2010).
Dessa forma é interessante que as consultas sejam pré-agendadas,
considerando questões relativas ao medo de abandono que faz parte da
psicopatologia desses pacientes (LINEHAN, 2010; MACEDO et al., 2014).
Zanarini (2008) acrescenta que nos serviços de saúde, é necessário manter
um ambiente estável, evitando mudanças de profissionais de referência e atenção
nas transições de equipes.
21

Linehan (2010) comenta que a forma ideal de tratamento deve ser


especializada e multiprofissional, incluindo: psicoterapeuta, psiquiatra e terapeuta de
grupo, além da inserção da família como rede de apoio integrada.
Macedo et al. (2014) descreve que o encaminhamento para tratamento
especializado embora seja difícil, devido a indisponibilidade de acesso a serviços e
profissionais de saúde mental, a resistência apresentada pelo paciente constitui uma
grave problemática.
Fonagy e Luylen (2009) referem que nesse especificadamente, o paciente
deve ser assegurado da manutenção do vínculo profissional, e quando possível os
profissionais de nível primário e especializado devem articular ações para um
cuidado integrado.
Stone (2000) recomenda que além desses fatores, um único profissional não
se responsabilize pelo tratamento do paciente, visto que o compartilhamento de
objetivos e orientações com outros membros da equipe e da família, permitem um
acompanhamento coerente e consistente.
Para o autor, além disso, o paciente deve ser estimulado a participar de forma
colaborativa, estabelecendo metas de mudança de curto prazo e que possam ser
viáveis (STONE, 2000).
Nesse contexto pode-se, por exemplo, definir como metas para o paciente:
tomar iniciativas para que o mesmo se sinta melhor, frente a situações de estresse
iniciar uma atividade que promova bem-estar, praticar atividade física ou participar
de grupos de autoajuda (STONE, 2000).
Linehan (2010) aborda que a psicoterapia é à base do tratamento e sua
eficácia é pautada pela boa aliança terapêutica, com participação ativa do terapeuta
e paciente.
Belino et al. (2011) menciona que várias técnicas psicoterapêuticas estão
sendo desenvolvidas ao longo do tempo, porém o modelo de uma abordagem
estruturada e direta apresenta melhores resultados, incluindo ainda o
desenvolvimento de habilidades, autoreflexão, mentalização, regulação emocional e
enfrentamento de estresse.
Observa-se que psicoeducação, terapia de grupo, terapia familiar e outras
abordagens psicossocias também representam recursos terapêuticos eficazes
(FRANKNBURG; ZANARINI, 2006).
22

Nesse contexto, a Terapia Comportamental Dialética (TCD) é tida como uma


das abordagens mais eficazes para o tratamento de TPB. Essa abordagem é
reconhecida por basear-se no treino de habilidades sociais e uso de metáforas para
enfrentamento de situações, aspectos importantes para regulação das disfunções
presentes nesse tipo de paciente (LINEHAN, 2010).
No que tange medicações especificas, Macedo et al. (2014) refere que
embora nenhuma seja aprovada diretamente para o tratamento do TPB, diversas
classes de psicofármacos podem ser úteis para manejo de sintomas e sua escolha
irá depender do objetivo definido para cada paciente.
DÍaz-Marsá (2008) complementa que entre as opções farmacológicas, os
antispicóticos e estabilizadores de humor são o de melhor escolha, além dos
antidepressivos que comumente auxiliam nos sintomas depressivos.
Em estudos apontados por Gabbard (2009) sugerem que a maior parte dos
pacientes com o diagnóstico de TPB (70%) recebem tratamento ao longo da vida,
com psicoterapia e uso contínuo de medicações.
Acrescenta que altas taxas de polifarmácia são relatadas, com 40% dos
pacientes tomando 3 ou mais medicações regulares, 20% tomando 4 ou mais e 10%
tomando mais de 5 tipos diferentes de medicação (GABBARD, 2009).
No entanto relata que alta incidência de abandono ou tratamento irregular,
com falhas de adesão e automedicação, bem como relatos de efeitos colaterais
(GABBARD, 2009).
Dessa forma, o potencial benéfico da prescrição de medicação deve ser
considerado junto aos riscos inerentes à utilização, devendo-se evitar a prescrição
de benzodiazepínicos, pelo potencial abusivo e efeito paradoxal com desinibição do
comportamento, reservando sua indicação para situações de crise com elevada
ansiedade e optando-se por benzodiazepínicos de meia-vida mais longa
(GABBARD, 2009).
Caspi et al. (2010) ressalta a importância de um adequado esquema de
receituário no acompanhamento desses pacientes para evitar que eles tenham
acesso a grande quantidade de medicamentos devido ao risco de abuso e
comportamento de suicídio dos mesmos.
Nesse sentido, deve-se também ter cuidado com a prescrição de
medicamentos com alto potencial de toxicidade, como antidepressivos tricíclicos e
lítio (CASPI et al., 2010).
23

1.7 Terapia comportamental para os transtornos da personalidade

A terapia cognitivo-comportamental foi empiricamente testada a princípio com


pacientes depressivos, em grupo com 20 participantes. Nota-se que esse tipo de
abordagem agia especialmente sobre o córtex pré-frontal, estimulando as reações
cognitivas.
Com a expansão dos estudos da TCC para as doenças psicológicas
complexas, como o transtorno de personalidade e esquizofrenia, a Terapia Cognitiva
de Beck ressalta os aspectos relativos ao monitoramento e mudanças das funções
cognitivas e sua relação com os diversos comportamento do indíviduo.
A cognição é uma peça chave para a compreensão dos mecanismos dessa
abordagem.
Segundo Beck e Alford (2000, p. 23), a cognição representa “a função que
envolve deduções sobre nossas experiências e sobre a ocorrência e o controle de
eventos futuros”.
Em comparação com a do lexicógrafo Ferreira (1993, p. 128), ela situa o
aspecto cognitivo como aquele “relativo ao conhecimento”. Essa perspectiva
demonstra que o homem desenvolveu aspectos cognitivos acerca de si mesmo, do
mundo e do futuro, os quais podem, desde o seu desenvolvimento cognitivo, tender
para o lado irracional (KNAPP; BECK, 2008).
Beck (1997) reflete que para entender de forma contundente a TCC, é preciso
levar em consideração a estrutura organizacional do pensamento humano e a
definição de cada esfera dessa estrutura.
Assim sendo, os pensamentos automáticos são mais superficiais e
manifestam fluxos da cognição por serem superficiais e rápidos, sendo facilmente
aceitos como verdadeiros e presentes a todo o momento, influenciando
sobremaneira nas emoções do ser.
Se a pessoa em questão não estiver sendo orientada para que os monitore,
esses pensamentos são capazes de passar de forma despercebida. No contexto da
terapia, os pensamentos automáticos alertam o terapeuta para investigar em busca
das crenças intermediárias e centrais (BECK, 1997).
De acordo com a autora, ainda situa as crenças intermediárias como uma
espécie de defesa para que a pessoa não entre em contato com suas crenças
nucleares, presentes em diversificados contextos da existência humana,
24

influenciando a forma como o homem pensa e sente, ou seja, as ideias mais


enraizadas e advindas do desenvolvimento pessoal denominadas de crenças
(BECK, 1997).
Observa-se que as mesmas se exprimem como constitutivas do sujeito,
influenciando de forma direta o estabelecimento do self, sendo difíceis de serem
atingidas e quando disfuncionais ocasionam prejuízos significativos na vida da
pessoa.
A meta principal da terapia é propor mudança das crenças inadequadas que
permeiam a vida da pessoa.
Duarte et al. (2008) ressalta a importância de se diferenciar crenças dos
esquemas presentes na estrutura cognitiva do ser, considerando que a redução dos
termos pode comprometer a compreensão sobre o fato, sendo necessário explicar
como cada termo é referenciado no decurso da TCC e como devem ser utilizados.
Beck (1997) acrescenta que as doenças psicológicas decorrem de
pensamentos irracionais, manifestando-se no comportamento expresso na
sociedade ou afetividade do individuo e que o mesmo ocorre com os pensamentos
considerados racionais.
Importante salientar que, para tal conjuntura, o ser humano não adoece em
decorrência dos pensamentos, mas esses são responsáveis pela manutenção de
um comportamento doentio.
Conforme anteriormente abordado, Beck consagrou-se como o primeiro a
realizar pesquisas na área TCC, com o desenvolvimento de estudos acerca da
depressão que comprovaram empiricamente a eficiência dessa abordagem.
Os experimentos realizados evidenciaram que pacientes com aspectos
depressivos tinham dificuldade em lidar com problemas, tendendo a visualizar
apenas os aspectos negativos de determinadas circunstâncias.
Pergher et al. (2013) relatam que esses pacientes apresentavam maior
dificuldade em imaginar seu futuro e desenvolver memórias autobiográficas
favoráveis, ficando comprovado que o sofrimento das pessoas advém não dos
eventos em si, mas da interpretação dada aos mesmos.
Ainda de acordo com os autores, constatou-se nesses estudos, a relação que
envolve a doença e a forma com que a pessoa depressiva vê o mundo, a si mesmo
e o futuro, surgindo a partir daí diversos estudos relativos a essa temática
(PERGHER et al., 2013).
25

Segundo Beck (1997), no modelo cognitivo-comportamental de intervenção,


os atendimentos podem ocorrer de maneira individual ou em grupo, sendo que o
intuito principal é que o processo terapêutico não perdure por longo tempo.
Para o autor, ao contrário do que ocorre em abordagens como a Psicanálise,
a TCC busca uma resolução rápida do problema, que dura em média 20 sessões
para transtornos considerados leves (BECK, 1997).
Salienta que esse modelo de abordagem psicoterapêutica já foi alvo de
críticas, por muitos compreenderem que o processo fica comprometido em razão da
temporalidade tida como pré-delimitada (BECK, 1997).
O que se sabe é que em casos graves, o número de sessões pode aumentar
consideravelmente, como acontece com os transtornos de personalidade, que
chegam a demorar de dois a três anos para apresentarem resultados significativos
(BECK, 1997).
Knapp e Beck (2008) acrescentam que esses transtornos devem ser
acompanhados por um período mais longo, entre eles os os Transtornos de
Personalidade Borderline.
Para Dalgalarrondo (2009), o transtorno de personalidade (TP) apresenta
aspectos como a constituição corporal, o temperamento e o caráter. As alterações
de tais aspectos dificilmente retornam à normalidade com o passar dos anos, pois a
personalidade constitui algo perpassado pelo desenvolvimento biopsicossocial do
sujeito.

1.8 Terapia Comportamental Dialética

A Terapia Comportamental Dialética é um dos programas Terapêuticos que


têm apresentado expressiva melhora nos pacientes do Transtorno de Personalidade
Borderline.
O termo dialética que é aplicado a terapia comportamental se refere tanto a
uma natureza fundamental da realidade quanto a um método e diálogo persuasivos
(WELLS, 1972 apud BARLOW, 2016, p. 41).
No que se refere a visão de mundo ou posição filosófica, a dialética orienta o
psicoterapeuta no desenvolvimento de hipóteses teóricas relevantes aos problemas
do paciente e tratamento.
26

Barlow (2016) menciona que como diálogo e relacionamento, a dialética se


refere à abordagem de tratamento ou as estratégias utilizadas para gerar mudança.
Desta feita, há uma série de estratégias terapêuticas dialéticas centrais à Terapia
Comportamental Dialética (BARLOW, 2016).
Ainda de acordo com o autor, a Terapia Comportamental Dialética é baseada
em uma visão de mundo dialética que têm como destaque a totalidade, a inter-
relação e o processo, que é a mudança como características fundamentais da
realidade (BARLOW, 2016).
Acrescenta que a primeira característica, o princípio da Inter-relação e
Totalidade, apresenta uma perspectiva que observa-se o sistema como um todo, e a
forma como os indivíduos se relacionam com ele, ao invés de enxergá-los como se
existissem isolados (BARLOW, 2016).
Da mesma forma que as teorias contextuais e de sistemas, uma visão
dialética afirma que a observância das partes de qualquer sistema têm valor
limitado, a menos que seja estabelecida uma relação inequívoca com o todo
(BARLOW, 2016).
A segunda característica é o Princípio da Polaridade que traduz que embora a
dialética se centre no todo, esta também destaca a complexidade de qualquer todo.
A dialética esclarece que a realidade não é passível de redução, ou seja, no interior
de cada coisa isolada ou sistema, não importa o quanto seja pequeno, existe uma
polaridade (BARLOW, 2016).
Como exemplo, cita-se que os físicos não possuem o conhecimento e poder
para reduzir nem mesmo as menores moléculas a uma coisa única. Em qualquer
local que existe uma matéria há uma antimatéria, os átomos são compostos de
prótons e elétrons, ou seja, um oposto polar sempre estará presente. As forças
opostas são denominadas de tese e antítese, e estão presentes em toda a
existência.
A teoria dialética sugere que a tese e a antítese evoluem para formar uma
síntese e em tal haverá um novo conjunto de forças opostas inerente a tal síntese. A
terceira característica se desenvolve a partir de tais forças opostas (BARLOW,
2016).
Tal característica da perspectiva dialética é descrita como denominada de
Princípio da Mudança Contínua. A mudança é realizada pela síntese constante de
tese e antítese, e estas forças opostas estão dentro da síntese, a mudança é
27

operada continuamente. Os princípios dialéticos são inerentes a cada aspecto da


Terapia Comportamental Dialética e propiciam um movimento contínuo durante o
processo terapêutico (BARLOW, 2016).
Com relação a diálogo e relacionamento, a dialética trata da mudança por
meio da persuasão e uso de oposições inerentes ao relacionamento terapêutico ao
invés da lógica formal impessoal.
Através de uma abordagem da oposição terapêutica de posições
contraditórias, o paciente e o terapeuta podem formar novos significados a partir dos
significados antigos, se aproximando cada vez mais da essência do tema em
questão. A dialética possui como uma premissa básica a nunca aceitação de uma
proposição como verdade absoluta, definitiva ou incontestável (BARLOW, 2016).
Para Sadi (2011), a Terapia Comportamental Dialética é uma proposta
terapêutica que possui como principal característica o destaque na dialética, ou seja,
na conciliação de um processo constante de sínteses.
O raciocínio dialético presente na Terapia Comportamental Dialética se
embasa na necessidade do terapeuta aceitar os clientes da forma como são,
contudo em um contexto ensiná-los a mudar (SADI, 2011).
A Terapia é focada na utilização de estratégias de aceitação e confrontação e
mudança propostas pelo terapeuta. Todas estas estratégias deverão ser realizadas
de forma equilibrada (SADI, 2011).
O terapeuta apresenta ao paciente um pensamento e ou condutas dialéticos
diante do pensamento e condutas não dialéticos, rígidos e dicotômicos do paciente
Borderline, necessitando manter-se dialético durante as sessões, ou seja, modelar e
reforçar estilos de respostas dialéticos em seus pacientes. Os extremos
comportamentais, quais sejam: respostas emocionais ou cognitivas, são
confrontadas simultaneamente a novas respostas, mais equilibradas são ensinadas
(SADI, 2011).
Segundo elucidam Abreu e Abreu (2016), a terapia comportamental dialética
pode ser entendida como um protocolo clínico que foi desenvolvido, anteriormente
para o tratamento de suicidas e para suicidas. Depois de algum tempo foram
incluídos neste tipo de tratamento algumas psicopatologias, sendo uma destas o
Transtorno de Borderline.
Barlow (2016) reforça que a terapia comportamental dialética evoluiu a partir
da terapia cognitivo comportamental como tratamento para transtorno da
28

personalidade borderline em especial para adultos com suicidalidade e gravemente


disfuncionais.
Segundo o autor, o tratamento está centrado em uma composição de três
teorias filosóficas: a ciência comportamental, a filosofia dialética e a prática zen. Na
abordagem da ciência comportamental, os princípios de mudança de
comportamento, deve ser sopesada pela aceitação do paciente, mediante as
técnicas oriundas do zen e também das práticas contemplativas ocidentais, sendo
ambos os polos equilibrados na estrutura dialética (BARLOW, 2016).
Complementa que a terapia comportamental dialética foi adotada em princípio
como descrição dessa ênfase de equilíbrio, destarte em pouco espaço de tempo foi
considerada princípio orientador que fez com que a terapia evoluísse em direções
que não estavam previstas (BARLOW, 2016).
A Terapia Comportamental Dialética possui sus bases na posição teórica
behavorista consistente. Destarte, os procedimentos concretos e as estratégias
coincidem em grande parte com as orientações terapêuticas alternativas e a
psicodinâmica, que possui como centro o paciente que está sendo tratado
estrategicamente e cognitivamente (BARLOW, 2016).
Com relação a eficácia no tratamento para o paciente Borderline, alguns
tratamentos têm demonstrado eficácia. Contudo, a terapia comportamental dialética
é o tratamento que têm mostrado uma maior eficácia, sendo de primeira escolha
para esse transtorno (BARLOW apud LINEHAN et al., 2006).
Em adultos diagnosticados com Transtorno da Personalidade Borderline e
com alto risco de suicídio, após um ano de tratamento foram observadas melhoras
significativamente mais expressivas no que concerne a surtos de raiva,
comportamento suicidas e hospitalização em comparação com tratamento usual,
terapia centrada no paciente e tratamento na comunidade por especialistas não
comportamentais (BARLOW apud LINENHAN et al., 2006).
Estudos apontaram que pacientes borderline tratados com terapia
comportamental dialética tiveram metade da probabilidade de comportamento
suicida, dessa forma foi verificado que a terapia comportamental dialética é eficaz
com relação a redução de comportamento suicida. No decorrer do ano do
tratamento, a depressão, a desesperança e conforme já ressaltado a ideação suicida
(LINENHAN et al., 1991; MCMAIN et al., 2009).
29

Segundo os autores á eficácia da terapia comportamental dialética foi


comprovada quando os participantes do grupo deste tipo de terapia foram
comparados com os controles que recebem terapia individual estável durante o
mesmo ano de tratamento (LINENHAN et al., 1991; MCMAIN et al., 2009).
Para Barlow (2016), esses estudos sugerem que a eficácia da terapia
cognitivo comportamental está centrada aos fatores específicos do tratamento, e não
está vinculada a fatores gerais ou mesmo a especialização dos terapeutas que
oferecem o tratamento.
Contudo, mesmo com a eficácia da terapia comportamental dialética vista
anteriormente, Linenhan (1993) menciona que há comportamentos padrões do
paciente que podem comprometer a terapia. Tais comportamentos são denominados
de dilemas dialéticos que também são chamados de alvos secundários.
Os alvos secundários ou dilemas dialéticos são representados pela figura
abaixo:

Figura 3 – Alvos secundários

Fonte: Barlow (2016, p. 414).

A figura acima traduz os comportamentos que podem prejudicar ou


comprometer a eficácia do tratamento e que devem ser abordados pelo terapeuta
em caso de ocorrência.
Barlow (2016) refere que o tratamento na Terapia Comportamental Dialética
para o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline possui as seguintes
funções: melhorar as capacidades comportamentais ampliando as possibilidades de
comportamentos habilidosos, melhorar a motivação para mudança ao reduzir o
30

reforço aos comportamentos disfuncionais e respostas de alta probabilidade, tais


como emoções, cognições, ações, que possam estar dificultando os
comportamentos eficazes, garantir que os novos comportamentos se expandam do
ambiente terapêutico ao ambiente natural, melhorar a motivação e as capacidades
do terapeuta de forma que seja aplicado um tratamento eficaz, estruturar o ambiente
para reforçar comportamentos eficazes em detrimento dos disfuncionais.
Ainda de acordo com o autor, em todos os tipos de tratamentos existem
metas a serem seguidas e alcançadas e na Terapia Comportamental dialética não é
diferente, sendo um conjunto de metas traçadas para compor o tratamento para o
paciente Borderline. As estratégias terapêuticas que compõem a Terapia
Comportamental Dialética se relacionam tanto a função do terapeuta como a um
conjunto coordenado de procedimentos que atuam para o alcance de objetivos
terapêuticos específicos (BARLOW, 2016).
A Terapia Comportamental Dialética emprega cinco conjuntos de estratégias
terapêuticas para o alcance das metas comportamentais já descritas, quais sejam:
estratégias dialéticas, estratégias centrais, estratégias estilísticas, estratégias de
manejos de casos e estratégias integradas.
As estratégias citadas acima serão utilizadas de acordo com a necessidade
de cada paciente e se houver necessidade no decorrer do tratamento (BARLOW,
2016).
Dessa forma a figura abaixo demonstrará as estratégias citadas:

Figura 4 – Estratégias Terapêuticas

Fonte: Linenhan (1993) citada por Barlow (2016, p. 429).


31

Devem ser salientadas as diferenças com relação à terapia comportamental


dialética da terapia cognitivo comportamental padrão, quais sejam: foco na aceitação
e validação do comportamento como ocorre no momento, ênfase em tratar
comportamentos que prejudiquem e ou interfiram no processo terapêutico, destaque
na relação terapêutica como fundamental ao tratamento, enfoque nos processos
dialéticos (LINENHAN, 2010).

1.9 Terapia do Esquema

Desenvolvida para tratar pacientes com problemas com problemas crônicos e


que não obtinham sucesso no tratamento com a TCC, a Terapia do Esquema
constitui uma abordagem sistemática que amplia a TCC clássica dando ênfase: A
investigação das origens infantis e adolescentes dos problemas psicológicos, às
técnicas emotivas, à relação terapeutapaciente e aos estilos desadaptativos de
enfrentamento” (YOUNG et al., 2008, p. 21).
Nesse aspecto, a Terapia do Esquema trata aspectos característicos dos
transtornos, adequando ao tratamento de vários Transtornos dos Eixos 1 e 2, desde
que diminuídos os sintomas psiquiátricos agudos.
Ainda de acordo com Young et al. (2008) dependendo do paciente, a terapia
pode ser breve, de mediou ou longo prazo e ser realizada em conjunto com outros
tratamento como: a terapia cognitiva e medicamentosa.
Nesse tipo de abordagem o terapeuta alia-se ao paciente para lutar contra
seus esquemas, utilizando estratégias cognitivas, comportamentais, afetivas e
interpessoais, confrontando-os de forma empática para mudanças (YOUNG, 2008).
No entanto, o progresso do paciente é paralelo ao desenvolvimento infantil,
pois psicologicamente, ele cresce na terapia e aos poucos se identifica com a
reparação parental limitada realizada pelo terapeuta, que cumpre o papel de bom pai
ou mãe, suprindo parcialmente as necessidades que não foram adequadas na
infância (YOUNG et al., 2008).
Wainer (2016) demonstra através de a figura a seguir os elementos iniciais
que constroem os esquemas iniciais do indivíduo:
32

Figura 5 – Elementos iniciais que constroem os esquemas do indivíduo

Fonte: Wainer (2016, p. 22).

1.9.1 Esquemas Desadaptativos Remotos

Young et al. (2008) mencionam que os padrões emocionais e cognitivos


autodestrutivos e derrotistas são iniciados desde cedo e vão sendo repetidos ao
longo da vida, estão associados a inúmeras psicopatologias.
Os esquemas nesse sentido lutam para sobreviver, pois são os que o
individuo reconhece e, embora causem sofrimento, lhe são familiar, confortável e o
fazem sentir bem.
Segundo os autores, uma das razões pelas quais os esquemas são difíceis
de mudar é que as pessoas se sentem atraídas por eventos que ativam os mesmos,
considerando-os verdades e influenciando sobremaneira a forma como sentem,
pensam, agem e se relacionam com os outros (YOUNG et al., 2008).
Tanto a perpetuação quanto a cura são operações fundamentais dos
esquemas, uma vez que todos os pensamentos, comportamentos, sentimentos ou
experiências de vida relevantes para os esquemas os tornam mais elaborados,
reforçando, perpetuando, enfraquecendo, ou curando o individuo.
Aqui apresentam-se três mecanismos básicos que perpetuam os esquemas:
33

1. As distorções cognitivas (percebe as situações equivocadamente de


forma a reforçar o esquema, seja acentuando a informação a qual o
confirma seja negando a informação que o contradiz);
2. Os padrões de vida autoderrotistas (inconscientemente, escolhe situações
e relacionamentos mantenedores dos esquemas e evita aqueles que
podem curá-los) e;
3. Os estilos de enfrentamento dos esquemas.

Assim sendo, percebe-se que o indivíduo repete padrões negativos oriundos


da infância e os recria de forma involuntária na vida adulta, perpetuando dessa
maneira os esquemas (YOUNG et al., 2008).
A finalidade da Terapia do Esquema é a cura dos esquemas, que muito
embora seja uma tarefa árdua e longa envolve a mudança comportamental, na
medida em que os pacientes aprendem a substituir estilos de enfrentamento
desadaptativos por padrões comportamentais adaptativos.
Entretanto, acrescentam os autores, que os esquemas nunca desaparecem
por completo, apenas ativam-se com menor freqüência e o sentimento associado
torna-se menos intenso. Os pacientes passam então há ter uma visão mais positiva
de si mesmos e escolhem relacionamentos mais afetivos e respondem aos
esquemas de forma mais saudável (YOUNG et al., 2008).
Wainer (2016) elucida através da tabela abaixo os domínios esquemáticos, as
tarefas evolutivas e os esquemas iniciais desadaptativos de cada domínio:

Tabela 1 – Esquemas iniciais desadaptativos

Fonte: Wainer (2016, p. 23).


34

1.9.2 Estilos de Enfrentamento

Segundo Young et al. (2008) diante de situações de ameaça existem


basicamente três respostas emitidas pelos organismos: a luta, a fuga e o
congelamento (freezing), aos quais na Terapia de Esquema correspondem aos
estilos de enfrentamento (copingstyles) hipercompensação, evitação e resignação.
Importante frisar que nessa teoria a ameaça é compreendida como uma falha
em atender algumas necessidades emocionais básicas para a criança e, além disso,
pode incluir o medo das emoções geradas pela ativação de um determinado
esquema.
Em síntese, frente às ameaças, a criança tende a responder com um dos três
estilos de enfrentamento que, em princípio, é adaptativo ao meio, mas com a
mudança de condições impostas pelo ambiente à medida que a criança cresce o
estilo de enfrentamento, perpetua e torna-se desadaptativo.
Observa-se que esses estilos e respostas de enfrentamento frente a
situações de ameaça são desenvolvidos desde a infância, como uma forma de
adaptação aos esquemas e sofrer menos com emoções intensas geradas pelos
mesmos (YOUNG et al., 2008).
Salienta-se que os esquemas compreendem: memórias, sensações corporais,
emoções e cognições, portanto, o comportamento não faz parte do esquema, mas
sim do estilo de enfrentamento.
Outrossim, os estilos de enfrentamento são ativados fora da consciência. No
caso de resignação a um esquema, o paciente considera esse como verdadeiro e
não luta nem tenta evitá-lo.
No entanto, como esses processos ocorrem de forma inconsciente, o paciente
perpetua o esquema sem perceber e repete esse estilo quando confrontado com
situações semelhantes à de sua infância.
No caso do estilo de enfrentamento como a evitação, o propósito é a fuga da
dor gerada pela ativação do esquema. Nota-se que os pacientes evitam o esquema
de forma automática, emitindo comportamento a fim de distrair-se como manter
comportamentos aditivos por meio do uso de substâncias psicoativas, por exemplo.
Na hipercompensação os pacientes enfrentam o esquema “pensando,
sentindo, comportando-se e relacionando-se como se o oposto do esquema fosse
verdadeiro” (YOUNG et al., 2008, p. 46).
35

Dessa maneira, as reações tendem a serem opostas as vivenciadas na


infância, o que pode ser considerado como uma tentativa positiva de ir contra o
esquema, porém, a característica dos hipercompensadores é contra-atacar,
utilizando-se de comportamentos exagerados, insensíveis e inadequados.

1.9.3 Os Cinco Domínios do Esquema

De acordo com Young et al. (2008), os Esquemas Desadaptativos Remotos


(EDR) foram agrupados em cinco categorias as quais correspondem às
necessidades emocionais não satisfeitas na infância.
No entanto, ressalta-se que outros fatores contribuem para o desenvolvimento
dos esquemas, vejamos:
 Domínio I – Desconexão Rejeição: pacientes com esquemas nesse
domínio caracterizam-se por incapacidade na formação de vínculos
seguros e de maneira satisfatória com outras pessoas. Em geral, esses
pacientes sofreram com experiências infantis traumáticas, pois as famílias
costumam apresentar características de instabilidade, abuso, frieza,
rejeição ou isolamento do mundo exterior. Esse domínio é formado pelos
seguintes EDR’s: abandono/instabilidade, desconfiança/abuso; privação
emocional; defectividade/vergonha e isolamento social/alienação.
 Domínio II – Autonomia e Desempenho Prejudicados: pacientes com
esquemas nesse domínio não conseguem se desenvolver com confiança,
porque geralmente são oriundos de famílias superprotetoras, que para
garantir a proteção da criança acabam prejudicando seu processo de
independização. Os esquemas pertencentes a esse domínio são:
dependência/incompetência, vulnerabilidade ao dano ou à doença,
emaranhamento/self subdesenvolvido e fracasso.
 Domínio III – Limites Prejudicados: indivíduos com esquemas nesse
domínio geralmente são oriundos de famílias demasiado permissivas,
onde a imposição de limites foi falha. Isso colabora para falta de limites no
cumprimento de regras, autodisciplina e respeito aos direitos alheios.
Como principais características esses indivíduos têm o egoísmo, a
irresponsabilidade e o narcisismo.
36

 Domínio IV – Direcionamento para o Outro: já nesse domínio, os


indivíduos tendem a manter uma postura de atender a todas as
necessidades dos outros em detrimento das suas, fazem isso no intuito
de receberem aprovação e evitarem retaliações. Em geral, suas famílias
estabeleceram relações condicionais, ou seja, só recebia aprovação e
atenção, caso a criança se comportasse da maneira desejada. Os pais
valorizavam muito mais as suas necessidades emocionais ou a
“aparência” do que as necessidades da criança. Nesse domínio estão
inclusos os esquemas: subjugação, auto-sacrifício e busca de
aprovação/busca de reconhecimento.
 Domínio V – Supervigilância e Inibição: pessoas com esquemas nesse
domínio reprimem seus sentimos e impulsos com a finalidade de cumprir
regras rígidas internalizadas, em prejuízo de sua própria felicidade, auto-
expressão, relacionamentos íntimos e boa saúde. Normalmente, as
famílias têm características rígidas e repressoras, onde os sentimentos
não podem ser expressos de maneira livre e o auto-controle e a negação
de si próprios predominam sobre outros aspectos (YOUNG et al., 2008).

Importante ressaltar que nesse tipo de domínio podemos observar os


seguintes esquemas: negativismo/pessimismo, inibição emocional, padrões
inflexíveis/postura crítica exagerada e postura punitiva.
37

2 OBJETIVO GERAL

 Analisar a Terapia mais efetiva para o Transtorno Borderline

2.1 Objetivo específico

 Abordar sobre o Transtorno de Personalidade Borderline


 Realizar um estudo comparativo entre a terapia do esquema e a terapia
comportamental dialética
 Pesquisar o tratamento mais eficaz para o paciente de transtorno de
personalidade borderline
38

3 METODOLOGIA

O presente estudo baseia-se em uma revisão bibliográfica de cunho


descritivo, que tem como escopo realizar uma “Análise Comparativa entre a Terapia
do Esquema e a Terapia Comportamental Dialética no Transtorno da Personalidade
Borderline.
De acordo com Fonseca (2002), todo trabalho científico tem como ponto de
partida a pesquisa bibliográfica, permitindo ao pesquisador verificar o que já foi
estudado sobre o tema escolhido, sendo possível a realização de pesquisas
científicas fundamentadas exclusivamente na pesquisa bibliográfica.
Os dados foram obtidos em documentos, publicações científicas, além de
consulta à literatura específica sobre esta temática.
Para a realização da revisão da literatura adotada para o presente estudo,
foram percorridos os seguintes passos: identificação do tema, amostragem ou busca
na literatura, extração dos estudos incluídos e sua avaliação, interpretação dos
resultados e síntese do conhecimento obtido.
Na seleção dos materiais incluídos na revisão, acessou-se a base de dados
da Bireme,Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico.Os
critérios de inclusão foram: materiais que reportassem, direta ou indiretamente, a
temática, publicados entre 2014 a 2018, no idioma português. Já os critérios de
exclusão foram materiais que não atendiam a temática proposta.
Inicialmente foram encontrados 19 artigos. Através dos critérios de inclusão
preestabelecidos, restaram 05 artigos que foram lidos na íntegra, como apresentado
na Tabela 2.

Tabela 2 – Distribuição das Bases de Dados e Artigos Selecionados


Bases de Dados Total de artigos Total de artigos Autor
Encontrados Selecionados
Google 06 02 Sanches R.F, Assunção S, Hetam L.A.N
Acadêmico (2005).
Tanesi, PH.V, Latife Y,, Fiore, M.L.M,
Pitta, J.C.N (2017).
Scielo 07 02 Nunes T.C, Silva-Fonsceca V.A, Ball.S,
Giardini J.L, Rollan SH. Thales MP
(2017).
Campezatto P.V.M, Serralta F.B,
Hagizang L.F (2017).
Bireme – 06 01 Costa M.B, Melnik.T (2016).
Biblioteca Virtual
em Saúde
Fonte: Próprio Autor
39

Os 05 artigos elegíveis segundo os critérios de inclusão estabelecidos para


esse estudo tiveram seus resultados apresentados e analisados a seguir.
40

4 RESULTADOS

Nos resultados apresentados, evidencia-se que o Transtorno da


Personalidade Borderline (TPB) é um transtorno mental grave e complexo. Acomete
cerca de 2% da população geral, e é o mais comum dos transtornos de
personalidade no contexto clínico, comprometendo cerca de 10% dos indivíduos
internados (SCHESTATSKY, 2005).
O impacto social desse transtorno é muito grande, a taxa de mortalidade
devida ao suicídio é alta, atingindo cerca de 10% dos pacientes. Trata-se, desta
forma, de uma das desordens psiquiátrica comumente associada ao suicídio
(SCHESTATSKY, 2005).
Dados apontam que tentativas recorrentes de suicídio são muito comuns em
pessoas com TPB, ocorrendo cerca de 8 a 10% dos indivíduos. Também sucedem
comportamentos autodestrutivos (p.ex. cortes, queimaduras) em 80% dos casos,
geralmente precipitados por ameaças de separação ou rejeição e até mesmo por
expectativas de que assumam maiores responsabilidades (APA, 2014).
Outra característica apresentada são perturbações com períodos de raiva,
pânico e desespero, que raramente são substituídas por períodos de bem estar ou
satisfação. Esses indivíduos podem ser incomodados por sentimentos crônicos de
vazio, ficam facilmente entediados e estão sempre procurando algo para fazer. Além
disso, podem exibir extremo sarcasmo, persistente amargura ou explosão verbal e
apresentam um comportamento de “boicote” consigo mesmos quando uma meta
está prestes a ser alcançada. Esses sintomas tendem a ser transitórios, durando
minutos ou horas (APA, 2014).
Outros dados apontam que a maioria dos pacientes, 75% é composta por
mulheres (PARIS, 1994, p. 24). Não há variações conhecidas em relação à raça. Em
relação a idade de início da patologia, 50% encontra-se no grupo etário entre dezoito
e vinte cinco anos (GUNDERSON, 2000).
Em termos da comorbidade com os transtornos psiquiátricos do eixo 1, as
patologias que mais encontramos nos pacientes com Transtorno de Personalidade
Borderline são: os Transtornos de Humor (Depressão 50% e Distimia 70%). Abuso
de substâncias (35%) e Transtorno do Estresse Pós-Traumático (30%), além dos
Transtornos Alimentares (25%) (GUNDERSON, 2000).
41

Mesmo recebendo medicamentos e tratamento psicossocial, os pacientes na


maioria dos casos, continuam com graves desajustes no trabalho, nas relações
sociais, na satisfação global e no funcionamento geral. Assim, para controlar
pacientes com este transtorno, os melhores resultados têm sido obtidos com
programas de psicoterapia, podendo ser citado o relevante papel da terapia
cognitiva comportamental, da terapia dialética comportamental e de esquema
(CARNEIRO, 2004).
Muito embora, existam diversas abordagens que apresentam efeitos
satisfatórios em pacientes borderline. Algumas são mais recomendadas que as
outras, enquanto alguns psicólogos preferem usar abordagens mistas que melhor se
adaptam às necessidades do paciente.
Nesse contexto, ressalta-se que a relação terapêutica é uma das principais
prioridades do tratamento de Transtorno de Personalidade Borderline sob a
perspectiva da TCD (BLENNERHASSETM; O’RAGHALLAIGH, 2005).
Essa abordagem é considerada um tipo de terapia cognitivo-comportamental
que emprega diversas estratégias baseadas em técnicas de aceitação, métodos e
conceitos da ciência comportamental, práticas incorporadas da prática zen e outros
métodos contemplativos, tais como mindfulness (MCMAIN et al., 2001), com o intuito
de viabilizar um tratamento mais efetivo para indivíduos com grave desregulação
emocional, como as observadas no diagnóstico de TPB (MCMAIN et al., 2001).
Desde então, pesquisas vêm sendo realizadas demonstrando sua eficácia
(KRÖGER et al., 2010; NEACSIU et al., 2010). A dialética fundamental nessa
abordagem é entre validação e aceitação dos pacientes como eles são, ao mesmo
tempo em que se auxilia na mudança do que se tornaram. O objetivo central é
ajudar na regulação emocional e no desenvolvimento de habilidades ensinadas na
terapia (BLENNERHASSETM; O’RAGHALLAIGH, 2005).
Devido às características do Transtorno de Personalidade Borderline, nota-se
que a relação terapêutica é permeada por particularidades que recebem especial
atenção dentro da abordagem da Terapia Cognitiva-Dialética (MELO; FAVA, 2012).
42

5 DISCUSSÃO

As discussões aqui apresentadas têm como enfoque preliminar, realizar um


estudo que compreenda as Terapias direcionadas ao paciente com Transtorno de
Personalidade Borderline,
Assim sendo, decorre-se sobre a dificuldade em realizar um diagnóstico
preciso e qual o melhor tipo de terapia indicada para esse paciente.
Segundo Sadi (2011) afirma que o Transtorno Borderline é um transtorno
psiquiátrico complexo, com um diagnóstico diferencial de difícil diagnóstico, visto que
apresenta comorbidades com outros transtornos de personalidade. Sendo assim, o
diagnóstico de um indivíduo com TPB poderá levar um tempo significativo para ser
realizado, pois o padrão de comportamento pode demorar a tornar-se patente devido
a uma série de alterações no funcionamento da pessoa.
Hegenberg (2007) se refere ao borderline algumas vezes, porém voltado à
constituição do indivíduo enquanto ser humano, ou seja, a formação do self. Em sua
opinião, o borderline se sente incompleto, ou seja, seu self ainda não está
constituído, consequentemente surgem as vivências de vazio e falta de sentido de
vida. Isso se dá pelo ambiente não suficientemente bom na infância.
Segundo Lowenkron (1999), desde o início da prática psicanalítica a questão
do diagnóstico já era pensada para se fazer o tratamento, embora acontecesse junto
a este ao longo da análise. Privilegia-se a escuta do sujeito, sua subjetividade em
relação à subjetividade do analista, ou seja, em um espaço intersubjetivo de
inconsciente para inconsciente.
Nesse contexto, a Terapia Cognitiva Dialética constitui, em sua maior parte, a
aplicação de uma ampla variedade de estratégias de terapia cognitiva e
comportamental aos problemas do Transtorno de Personalidade Borderline,
possuindo diversas características específicas que a definem. Sua principal
característica é a ênfase na “dialética”, a qual envolve a aceitação dos pacientes nas
suas atuais dificuldades, ao mesmo tempo, que faz uso das suas competências para
a modificação dos comportamentos desajustados, por meio de um componente
didático, análise metódica e interativa das cadeias comportamentais, entre outras
estratégias (NUNES-COSTA et al., 2009).
De acordo com Linehan (2010), diversos aspectos da TCD a diferenciam da
terapia cognitiva e comportamental “comum”:
43

1. O foco na aceitação e validação do comportamento como ocorre no


momento;
2. A ênfase em tratar comportamentos que interfiram na terapia;
3. A ênfase na relação terapêutica como essencial ao tratamento;
4. O foco nos processos dialéticos.

Para Sadi (2011) no entanto, não será possível haver muita evolução em uma
terapia com clientes Borderlines sem antes se estabelecer uma relação terapêutica
forte, confiável e colaborativa.
Ventura (2001) aponta que os objetivos da terapia dialética são claramente
estabelecidos de acordo com a seguinte ordem de importância: em primeiro lugar,
são abordados os comportamentos que ameaçam a vida ou a integridade física do
indivíduo. Em segundo lugar, são trabalhados os comportamentos que ameaçam o
processo de terapia. Em terceiro lugar, são tratados os problemas que inviabilizam
uma qualidade de vida razoável. Em seguida, vem a preocupação com a
estabilização das habilidades comportamentais desenvolvidas em resposta às
habilidades disfuncionais pré-existentes. Segue-se, então, o trabalho com o estresse
pós-traumático, finalizando com o objetivo de fazer o paciente desenvolver ampla
autovalidação e autorrespeito.
Em um estudo realizado por Clarkin et al. (2007) que examinou por 1 ano o
tratamento com a Terapia Comportamental Dialética para o Transtorno de
Personalidade Borderline. Noventa (90) pacientes diagnosticados com tal transtorno
foram aleatoriamente designados para a Terapia Comportamental Dialética e
receberam medicação quando indicado. Antes do tratamento e em 4 meses de
intervalo durante um período de 01 ano, os avaliadores cegos avaliaram os domínios
do comportamento suicida, agressividade, impulsividade, ansiedade, depressão e
ajustamento social.
A análise revelou que os pacientes mostraram uma mudança positiva
significativa na depressão, a ansiedade, o funcionamento global, e ajustamento
social em 1 ano de tratamento, bem como, a TCD foi significativamente associada
com a melhora no comportamento suicida, segundo os dados obtidos com o estudo
(CLARKIN et al., 2007).
De acordo com Beck et al. (2005) menciona que reações emocionais
inadequadas e o comportamento autoprejudicial e automutilante, são o principal alvo
44

de tratamento da TCD com pacientes que apresentam Transtorno de Personalidade


Borderline.
Basicamente, o tratamento do TPB com a TCD inclui o uso de técnicas de
validação e de resolução de problemas. O foco na validação exige que o terapeuta
procure o grão de sabedoria ou verdade inerente em cada uma das respostas do
paciente e comunique essa sabedoria a ele, bem como, envolve o reconhecimento
frequente e solidário do sentido de desespero emocional do paciente (LINEHAN,
2010).
No que tange a Terapia de Esquema, nota-se que Jeffrey Young por meio de
estudos, desenvolveu uma expansão da teoria inicial da TC de curto prazo, que
chamou de Teoria do Esquema. Esta teoria, embora recente, pois foi formulada nos
anos 90, conquistou reconhecimento por seu valor heurístico e utilidade clínica no
meio profissional, inclusive no Brasil, ainda é pouco disseminada (YOUNG, 2003).
A terapia focada no esquema compartilha os elementos que caracterizam a
terapia cognitiva, como um papel mais ativo para o terapeuta, o uso de técnicas de
mudança sistemáticas, ênfase nas tarefas de casa, relacionamento terapêutico
colaborativo e uso de uma abordagem empírica, onde a análise das evidências tem
papel importante na mudança de esquemas (YOUNG; KLOSKO, 1994).
O modelo desenvolvido por Young enfatiza a confrontação, a experiência
afetiva, o relacionamento terapêutico como um veículo de mudança, e a discussão
de experiências iniciais da vida, aproximando a TC da abordagem da Gestalt terapia
e da Psicanálise em alguns aspectos (BECK, 1997).
Dessa forma, o modelo de Young se revela importante para o refinamento de
uma abordagem psicoterápica (alternativa à Psicanálise) para abordar em
profundidade os processos inconscientes. A terapia focada em esquemas é mais
longa do que a TC, dedicando muito mais tempo para identificar e superar
a evitação cognitiva, afetiva e comportamental (YOUNG, 1994).
O apoio empírico para a Teoria do Esquema é proveniente de estudos que
utilizam a forma longa do Young Schema Questionnaire (Questionário de Esquemas
de Young) sendo de grande utilidade clínica e de pesquisa (YOUNG, 2003).
Investigações sobre as propriedades psicométricas do Questionário de
Esquemas revelaram coeficientes alfa para cada EID oscilando entre .83 a .96 e
coeficientes de teste-reteste de .50 a .82 em uma amostra de população não clínica.
As subescalas demonstraram alta confiabilidade teste-reteste e consistência interna,
45

além de boa validade discriminante em medidas de estresse psicológico, auto-


estima e sintomatologia de transtornos de personalidade (SCHMIDTH et al., 1995).
Outro fato, apontado refere-se ao tratamento do TPB, sendo imprescindível
fazer referência ao tratamento farmacológico, que aliado à terapia, ocasiona bons
resultados. Percebe-se que o uso crescente de medicamentos para tratamento
desta condição é evidenciado pelo fato de alterações neuroquímicas nos pacientes
(NETO; ELKIS, 2007).
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR,
2002) classifica adesão ao tratamento como uma das condições primordiais na
atenção clínica. Adesão é definida como um comportamento complexo que inclui
não só as características do paciente, mas também do clínico e das estratégias de
tratamento utilizadas (TANESI, 2007).
Assim sendo, quanto ao efeito das intervenções psicológicas em pacientes
com transtorno de personalidade borderline, observa-se que os problemas podem
ser aliviados por meio de tratamentos que envolvam conversa ou comportamentais,
medicamentosos. Porém todas as terapias ainda estão em fase experimental.
Os estudos são poucos e limitados para inspirar uma completa confiança em
seus resultados. Os achados requerem replicação em estudos maiores no "mundo
real".
46

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a realização da pesquisa, seguem abaixo algumas conclusões acerca


da temática proposta.
Primeiramente constata-se que o Transtorno da Personalidade Borderline é
uma personalidade que causa inúmeras aflições aos indivíduos portadores dessa
patologia.
Entre as principais características desse tipo de Personalidade, destacam-se:
a impulsividade, falta de limites, raiva excessiva, medo excessivo de abandono,
entre outros.
Esse tipo de personalidade com as características apontadas pode ter como
fatores externos a agressividade contra si e contra outrem que se reproduzem na
forma de autoextermínio, evoluindo para o suicídio e mesmo atos agressivos contra
outras pessoas, o que ocasiona grande sofrimento aos indivíduos.
Por se caracterizar como um transtorno de personalidade, a possibilidade de
mudança é lenta e gradual, sendo que o estilo de vida desse paciente é envolto pelo
sofrimento, necessitando de tratamento adequado.
No que tange o tratamento, importante frisar que o paciente Borderline
apresenta outros problemas, tais como: a própria dificuldade de continuidade do
tratamento, um diagnóstico preciso, visto que é confundido com outros transtornos e
crendice por parte de inúmeros profissionais de que não há um tratamento efetivo
para esse tipo de paciente.
Outra dificuldade no tratamento é a dificuldade em se estabelecer um vínculo
com o profissional, ou seja, com o terapeuta e passar a acreditar no tratamento
proposto e se comprometer em prol de melhorias em sua vida.
Diante das dificuldades para tratar o paciente Borderline, no presente trabalho
foram realizados ainda, estudos relativos a Terapia Comportamental Dialética e a
Terapia do Esquema para se chegar há uma análise de qual tipo de tratamento é
mais eficiente.
Observou-se que a Terapia Comportamental Dialética trata a mudança como
persuasão e o uso de oposições. A principal característica desse tipo de terapia é a
não aceitação de uma única proposição como verdade absoluta e ou incontestável.
No entanto, a Terapia do Esquema defende que o relacionamento entre o
indivíduo e seus pais ou cuidadores na primeira infância poderá gerar ampla
47

influência na vida adulta, causando benefícios se o relacionamento vivenciado foi


saudável ou prejuízo se foi conturbado, ou deficitário das necessidades básicas do
paciente.
Dessa forma concluí-se que entre os principais elementos que constituem
esses dois tipos de terapia, aponta-se que ambos podem apresentar resultados
satisfatórios para o paciente Borderline, sem chegar, no entanto, a uma conclusão
qual tratamento é mais indicado, devendo ser portanto observada a melhora do
paciente de acordo com cada caso concreto e terapia específica.
48

REFERÊNCIAS

ABREU, Paulo Roberto; ABREU, Juliana Helena dos Santos Silvério. Terapia
Comportamental Dialética: um protocolo comportamental ou cognitivo.
Disponível em: <http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/view/831/459>.
Acesso em: 18 out. 2017, às 13h05min.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, APA. Manual Diagnóstico e


Estatístico de Transtornos Mentais. DSM-IV-TR. (4ª ed. rev.). Porto Alegre:
Artmed, 2014.

BARLOW, David H. Manual clínico dos transtornos psicológicos: tratamento


passo a passo [recurso eletrônico]. 5. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2016

BECK, Aron T. Terapia cognitiva dos transtornos da personalidade [recurso


eletrônico] / Aaron T. Beck, Denise D. Davis, Arthur Freeman; tradução: Daniel
Bueno; revisão técnica: Cristiano Nabuco de Abreu. 3. ed. – Porto Alegre: Artmed,
2017.e-PUB.

BECK, Aaron Temkin; FREEMAN, Arthur; DAVIS, Denise. Terapia Cognitiva dos
Transtornos da Personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2005.

BECK, A. The past and future of cognitive therapy. Journal of Psychotherapy


Practice and Research. [S.1.], v. 6, n. 4, p. 276-284, 1997.

BECK, A. T.; ALFORD, B. A. O Poder integrador da terapia cognitiva. Porto


Alegre: Artes Médicas, 2000.

BELLINO, S.; RINALDI, C.; BOZZATELLO, P.; BOGETTO, F. Pharmacotherapy of


borderline personality disorder: a systematic review for publication purpose.
CurrMedChem, v. 18, p. 3322-3329, 2011.

BLENNERHASSETT, R. C.; O’RAGHALLAIGH. J. W. (2005). Dialectical behaviour


therapy in the treatment of Borderline Personality Disorder. British Journal of
Psychiatry, v. 186, p. 278-280, 2005. Disponível em: <http://bjp.rcpsych.org/
content/bjprcpsych/186/4/278.full.pdf>. Acesso em: 22 out. 2017

CARNEIRO, L. L. F. Borderline- no limite entre a loucura e a razão. 2004.


Disponível em: <http://www.cienciasecognicao.org/pdf/v03/cec_vol_3_m14420.pdf>.
Acesso em: 20 out. 2017, às 20h09min.

CASPI, A.; ROBERTS, B. W.; SHINER, R. L. Personality development: stability and


change. Ann RevPsychol., v. 56, p. 453-484, 2005.

CERUTTI, Priscila Sardi; DUARTE, Tomas Camargo. Transtorno da Personalidade


Borderline sob a perspectiva da terapia comportamental dialética. Disponível
em: <http://revistas.fw.uri.br/index.php/psicologiaemfoco/article/view/2466/2180>.
Acesso em: 15 out. 2017, às 09h47min.
49

CLARKIN, Jhon. et al. Avaliando três tratamentos para o transtorno de


personalidade borderline. Jornal Americano de Psiquiatria, v. 164, n. 6, p. 922-
928, 2007.

DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais.


Porto Alegre: Artes Médicas, 2009.

DÍAZ-MARSÁ, M.; GONZÁLEZ, B. S.; TAJIMA, K.; GARCÍA ALBEA, J.; NAVAS, M.;
CARRASCO, J. L. Psychopharmacologicaltreatment in borderline
personalitydisorder. ActasEsp Psiquiatr., v. 36, p. 39-49, 2008.

DUARTE, A. L.; NUNES, M. L.; KRISTENSEN, C. H. Esquemas desadaptativos:


revisão sistemática qualitativa. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de
Janeiro, v. 4, n. 1, p. 1-13, 2008

DSM-V, American Psychiatric Association. Manual de Diagnóstico e Estatístico de


Distúrbios Mentais. 5 ed. Edit. Artes Médicas, 2011.

DUBOVSKY, A. N.; KIEFER, M. M. Borderline personality disorder in the primary


care setting. Med Clin North Am., v. 98, p. 1049-1064, 2014.

FEURINO, L.; SILK, K. R. State of the art in the pharmacologic treatment of


borderline personality disorder. CurrPsychiatry Rep., v. 13, p. 69-75, 2011.

FERREIRA, A. B. H. Minidicionário da língua portuguesa. 3.ed. Rio de Janeiro:


Nova Fronteira, 1993.

FONAGY P, LUYTEN P. A developmental, mentalization-based approach to the


understanding and treatment of borderline personality disorder. Dev Psychopathol.,
v. 21, p. 1355-1381, 2009.

FRANKENBURG, F. R.; ZANARINI, M. C. Obesity and obesity-related illnesses in


borderline patients. J PersonalDisord., v. 20, p. 71-80, 2006.

GABBARD, G. O. A psicoterapia neurobiologicamente informada para transtorno da


personalidade borderline. RevBrasPsicoter., v. 11, p. 267-285, 2009.

HEGENBERG, M. Borderline. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2007.

KNAPP, P.; BECK, A. T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa


da terapia cognitiva. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 30, p. 54-64,
out. 2008.

LEICHSENRING, F.; LEIBING, E.; KRUSE, J.; NEW, A. S.; LEWEKE, F. Borderline
personalitydisorder. Lancet., v. 377, n. 9759, p. 74-84, 2011.

LEONTIEV, Alexis Nikolaevich. Atividade e consciência. Filosofia na URSS:


Problemas do materialismo-dialético. Moscou, 1979, p.180-2009. Disponível
em:https://www.marxists.org/portugues/leontiev/1972/mes/atividade.htm. Acesso em:
28 set. 2017, às 19 hs 45 min.
50

LINEHAN, Marscha. Terapia cognitivo-comportamental para transtorno


depersonalidade borderline [recurso eletrônico] / MarshaLinehan;tradução Ronaldo
CataldoCosta; revisão técnica Melanie Ogliare Pereira. – Dados eletrônicos. – Porto
Alegre: Artmed, 2010.

LOPES C. S.; COLS, D. Eventos de vida produtores de estresse e transtornos


mentais comuns: resultados do Estudo Pró-Saúde. Cadernos de Saúde Pública, v.
19, n. 6, p. 1713-1720, 2002.

LOWENKRON, T. S. Considerações sobre o diagnóstico em Psicanálise. Rev


Latinoam Psicop Fund., v. 02, n. 04, p. 52-61, 1999.

MACEDO, B. B. D.; VIANNA, C. K. S.; de MENEZES, C. N. B. A dor de ser


borderline: revisão bibliográfica com base na terapia cognitivo-comportamental. Rev.
Humanidades, Fortaleza, v. 29, 267-287, 2014.

MARTINS, Lígia Márcia. A natureza histórico-social da personalidade. Caderno


Cedes, Campinas, v. 24, n. 62, p. 82-99, 2004.

MCMAIN, S.; KORMAN, L. M.; DIMEFF, L. Dialectical behavior therapy and the
treatment of emotion dysregulation. Journal of Clinical Psychology, v. 57, n. 2, p.
183–196, 2001

MELO, W. V.; FAVA, D. C. Oito ou oitenta? In: C. B. Neufeld (Org.). Protagonistas


em psicoterapia cognitivo-comportamental: histórias de vida e de psicoterapia.
Porto Alegre: Sinopsys, p. 165-188, 2012.

NETO, Mario Rodrigues Louzã; ELKIS, Hélio. Psiquiatria Básica. 2.ed. Porto
Alegre: Artmed, 2007.

NUNES-COSTA, R. A. et al. Teoria e eficácia da terapia comportamental dialética na


bulimia nervosa e no transtorno da compulsão alimentar periódica. Revista
Brasileira de Psiquiatria, v. 58, n. 2, p. 122-127, 2009.

PERGHER, G. K.; STEIN, L. M.; WAINER, R. Estudos sobre a memória na


depressão: achados e implicações para a terapia cognitiva. Revista de Psiquiatria
Clínica, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 82-90. 2013.

REICH, W. Análise do Caráter. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

SADI, Hérika de Mesquita. Analise dos Comportamentos de Terapeuta e Cliente


em um Caso de Transtorno da Personalidade Borderline. Tese de Doutorado.
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2011.
Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-04112011-
115705/pt-br.php>. Acesso em: 16 out. 2017, às 21h07min.
51

SCHESTATSKY, S. Fatores ambientais e vulnerabilidade ao transtorno de


personalidade borderline: um estudo caso- controle de traumas psicológicos
precoces e vínculos parentais percebidos em uma amostra brasileira de
pacientes mulheres. Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do
Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas:
Psiquiatria, Porto Alegre, 2005.

SCHMIDT, N. B.; JOINER, T. E.; YOUNG, J. E. & TELCH, M. J. (1995). The Schema
Questionnaire: Investigation of psychometric properties and the hierarchical structure
of a measure of maladaptative schemata. Cognitive Therapy and Research, v. 19,
n. 3, 295-321.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Corações descontrolados [recurso eletrônico]:


ciúmes, raiva, impulsividade: o jeito borderline de ser - Rio de Janeiro: Objetiva,
2013.

SOUSA, Ana Carolina Aquino de. Transtorno da personalidade borderline sob


uma perspectiva analítico-funcional. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
55452003000200004>. Acesso em: 11 fev. 2018, às 13h10min.

SOUSA, Ana Carolina Aquino de; VANDENBERGHE, Luc. A emergência do


transtorno de personalidade borderline: uma visão comportamental. Disponível
em: <http://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/4778/3666>. Acesso em: 11 fev.
2018, às 14h37min.

STOFFERS, J. M.; VOLLM, B. A.; RUCKER, G.; TIMMER, A.; HUBAND, N.; LIEB, K.
Psychological therapies for people with borderline personality disorder. Cochrane
Database Syst Rev., v. 8, p. CD005652, 2012.

STOFFERS, J.; VOLLM, B. A.; RUCKER, G.; TIMMER, A.; HUBAND, N.; LIEB, K.
Pharmacological interventions for borderline personality disorder. Cochrane
Database Syst Rev. 2010; 6: CD005653.

STONE, M. H. Clinical guidelines for psychotherapy for patients with borderline


personality disorder. PsychiatrClin North Am., v. 23, p. 193-210, 2000.

TANESI, Patrícia Helena Vaz; YAZIGI, Latife; FIORE; Maria Luiza de Mattos; PITTA;
José Cássio do Nascimento. Adesão ao tratamento clínico no transtorno de
personalidade borderline. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/epsic/v12n1/a09v12n1>. Acesso em: 11 fev. 2018, às
11h46min.

VENTURA, P. Transtorno de personalidade limítrofe borderline. In: RANGÉ, B.


(Org.). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a
Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2001.
52

VINNARS, B.; BARBER, J. P.; NORÉN, K.; GALLOP, R.; WEINRYB, R. M.


Manualized supportive-expressive psychotherapy versus nonmanualized community-
delivered psychodynamic therapy for patients with personality disorders: bridging
efficacy and effectiveness. Am J Psychiatr., v. 162, p. 1933-1940, 2005.

WAINER, Ricardo. Terapia cognitiva focada em esquemas: integração em


Psicoterapia [recurso eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2016. e-PU B.

YOUNG, J. E.; KLOSKO; J. S.; WEISHAAR; M. E. Terapia do Esquema: Guia de


técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

YOUNG, J. E.; KLOSKO, J. Reinventing Your Life. New York: Plume, 1994.

YOUNG, J. E., KLOSKO, J. S. WEISHAAR. M. E. Schema Therapy: A


Practitioners Guide. New York: Guilford Press, 2003.

ZANARINI, M. C. Reasons for Change in Borderline Personality Disorder (and Other


Axis II Disorders). PsychiatrClin North Am., v. 31, p. 505–viii, 2008.
53

ANEXOS

Termo de Responsabilidade Autoral

Eu Stela Cesar de Bulhões afirmo que o presente trabalho e suas devidas


partes são de minha autoria e que fui devidamente informada da responsabilidade
autoral sobre seu conteúdo.
Responsabilizo-me pela monografia apresentada como Trabalho Conclusão
de Curso de Especialização em Terapia Comportamental, sob o título “Análise
Comparativa entre a Terapia do Esquema e a Terapia Comportamental Dialética
no Transtorno de Personalidade Borderline”, isentando mediante o presente
termo, o Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental (CETCC), meu
orientador e coorientador de quaisquer onus consequentes de ações atentatórias à
“Propriedade Intelectual”, por mim praticadas, assumindo, assim, as
responsabilidades civis e criminais decorrentes das ações realizadas para a
confecção da monografia.

São Paulo,_____ de_____________2018

__________________________________
Assinatura do (a) Aluno(a)

Você também pode gostar