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3 a 6 de novembro de 2009 - Londrina – Pr - ISSN 2175-960X

A IMPORTÃNCIA DO GUIA INTÉRPRETE PARA O ALUNO SURDOCEGO NO


PROCESSO DE INCLUSÃO NA ESCOLA DE ENSINO REGULAR.

FABRI, Rozi Terra1

LEME, Carolina Guerreiro²

GODOY, Shirley Alves³


Escola Estadual Profª Margarida de Barros Lisboa
SEED/Paraná

1-Introdução:
Nos dias de hoje a proposta inclusiva é o objetivo de todos aqueles comprometidos com a
educação. No entanto, a sua implementação depende de um processo contínuo de
conscientização em relação à aceitação das pessoas com necessidades educacionais especiais
no meio social e compreensão do seu direito a fazer uso pleno de sua cidadania.
A educação inclusiva tem como meta atender a todas as pessoas com necessidades
educacionais especiais e com distúrbios de aprendizagem na rede regular de ensino em todos
os graus de estudo.
Registros em relação a educação de surdocegos mencionam que pessoas conseguiram
aprender a ler e escrever bem como conseguiram conclusão de ensino superior. Entretanto,
os pareceres não são precisos quanto ao perfil e ao método utilizado na comunicação e no
processo de aprendizagem de surdocegos.
No Estado do Paraná, Núcleo Regional de Londrina não havia a função de guia intérprete,
diante da necessidade da aluna B. K. surdacega, pré-linguistica estar inserida na rede estadual
de ensino regular e de vir da rede municipal em que freqüentou o Ensino Fundamental 1ª à 4ª
série com acompanhamento de professor especializado.Mediante a situação surgida houve a
necessidade de se ter o professor guia-intérprete para a aluna na rede estadual de ensino.
O professor guia intérprete surdocegueira realiza atividades diversificadas na escola em
que se encontra o aluno matriculado com o intuito de proporcionar autonomia, aprendizagem
e interação social do mesmo em relação ao ambiente escolar e consequentemente com o
mundo.
Segundo Ross (2006) a educação inclusiva é aquela que favorece uma relação dialógica,
estimulando-os a considerar, analisar e argumentar com um pensamento ou idéia diferente de
seus pares e que há necessidade de promover alguma adaptação no material, ou mudança na
estratégia de explicação oferecida pelo professor. Neste caso cabe ao professor guia
intérprete realizar as adaptações de materiais para promover a aprendizagem do aluno.

1
Pedagoga especialista em Educação Especial – docente Guia Interprete Surdocegueira e do Centro de
Atendimento Especializado na área da Surdocegueira . E-mail: roziterra@hotmail.com
2
Pedagoga especializada em Educação Especial, docente do Centro de Atendimento Especializado na área da
Surdocegueira e Múltipla Deficiência Sensorial em processo de formação em Guia-intérprete. E-mail:
cgleme@hotmail.com.
³Pedagoga, especialista em Educação Especial e Psicopedagogia. Núcleo Regional de Educação de Londrina.
Responsável pela área da Surdocegueira. E-mail: shirley.alvesgodoy@gmail.com

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No momento presente existem várias leis e diretrizes que podem nos situar e serem
analisadas com o intuito de se determinar critérios que amparem a Surdocegueira em suas
especificidade entre elas.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) assegura o direito de todos à educação
pública gratuita e defende oportunidades educacionais e sociais para todos.. A Declaração de
Salamanca (Espanha, 1994) defende:“As pessoas com necessidades educacionais especiais
devem ter acesso às escolas comuns que deverão integrá-las numa pedagogia centralizada na
criança, capaz de atender a essas necessidades”. A Lei 9394/96- Diretrizes e Bases da
Educação Nacional preconiza no artigo 58, que a educação especial, na modalidade escolar
deverá ser ofertada para os educandos com necessidades educativas especiais,
preferencialmente na rede regular de ensino, assegurando o direito aos apoios e serviços que
essa clientela possa necessitar. O Estado do Paraná tem ofertado como apoio a Sala de
Recursos Multifuncionais, Classe Especial/CE, Professor de Apoio Permanente/PAP, Centro
de Atendimento Especializado/CAE, Professor Guia-intérprete entre outros.(CEE/PR 2003)
Com relação às pessoas surdocegas, a educação do Paraná se efetiva na rede regular no nível
fundamental em classe comum com apoio de professor guia-intérprete e Centro de
Atendimento Especializado na área da Surdocegueira ( CAE/Surdocegueira).
Entretanto, os serviços educacionais existentes ainda estão distantes de promover a real
inclusão com qualidade ao educando com surdocegueira no sistema regular de ensino, haja
vista que há inúmeras dificuldades encontradas no processo educativo, principalmente no que
concerne as adaptações no espaço e no tempo do contexto escolar e do currículo, na escassez
de recursos humanos capacitados para o atendimento. Quando os sentidos da audição e da
visão do aluno surdocego se encontram gravemente comprometidos, as dificuldades
relacionadas à aprendizagem e a adaptação ao meio ambiente se multiplicam. A falta desses
sentidos o limita, resultando na privação de sua motivação e na exploração do meio. Estes
educandos necessitam ser encorajados a desenvolver uma maneira própria de aprendizagem,
compensando suas dificuldades e estabelecendo alguma comunicação com o outro. Percebe-se
que os desafios estão sendo vistos naturalmente como uma forma de se quebrar os estigmas
em relação a inclusão para que a mesma aconteça dentro da legalidade e direito a cidadania
das pessoas envolvidas nesse processo.
Conceito de Surdocegueira: Considera-se a pessoa com uma perda fundamental da visão e da
audição ou seja, de dois canais sensoriais, vivencia uma combinação de privação de sentidos
que pode originar enormes dificuldades. Sendo assim, a surdocegueira não é somente a soma
das duas deficiências, e sim uma forma de deficiência com suas espeficidades e que há
necessidades de soluções voltadas para essas particularidades.
Há relativamente poucas pessoas que são totalmente cegas e completamente surdas.
Entretanto, encontraremos nesse universo pessoas cegas congênitas que perderam a
audição após a aquisição da fala, outras, surdas que perderam a visão após
aprenderem a língua de sinais e a leitura labial, outras ainda, que perderam a
audição e a visão após dominarem a linguagem oral; destas algumas possuem
resíduo auditivo ou visual.O conhecimento de todos esses antecedentes, além do
estágio da perda, é de fundamental importância para a definição das prioridades que
deverão constar nos planejamentos a serem elaborados especificamente para cada
indivíduo que venha a participar de Programas de Atendimento ao Surdocego.(
Monteiro, 1996)

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A definição de surdocegueira é bastante discutida pelos profissionais que atuam nesta área,
como também pelos órgãos que definem as políticas de atendimento. Dentre as definições
aceita pelos especialistas que lidam com a área podemos citar:
É uma deficiência singular que apresenta perdas auditivas e visuais
concomitantemente em diferentes graus. Levando a pessoa surdocega a desenvolver
diferentes formas de comunicação para entender e interagir com as pessoas e o
meio ambiente, proporcionando-lhes o acesso a informações, uma vida social
com qualidade, orientação, mobilidade, educação e trabalho. (GRUPO
BRASIL,2003)

Múltipla deficiência sensorial:

Considera-se uma criança com múltipla deficiência sensorial aquela que apresenta
deficiência visual e auditiva associadas a outras condições de comportamento e
comprometimentos, sejam eles na área física, intelectual ou emocional, e
dificuldades de aprendizagem. Quase sempre, os canais de visão e audição não são
os únicos afetados, mas também outros sistemas, como os sistemas tátil (toque),
vestibular (equilíbrio), proprioceptivo (posição corporal), olfativo (aromas e
odores) ou gustativo (sabor). Limitações em uma dessas áreas podem ter um efeito
singular no funcionamento, aprendizagem e desenvolvimento da criança (Perreault,
2002).

Tipos de surdocegueira: surdocegueira total;surdez profunda com resíduo visual; surdez


moderada ou leve com cegueira e surdez moderada com resíduo visual.
A surdocegueira é classificada em: Surdocegueira Pré-Linguistica é aquela acometida no
nascimento ou adquirida em tenra idade, antes da aquisição de uma língua, seja ela oral -
Língua Portuguesa ou visual espacial - Língua Brasileira de Sinais/Libras e Surdocegueira
Pós-Lingüística é quando crianças, jovens e adultos apresentam uma deficiência sensorial
primária (auditiva ou visual) e adquire a outra no decorrer da sua existência, após a aquisição
de uma língua (Língua Portuguesa ou Língua Brasileira de Sinais/Libras), podendo ocorrer a
aquisição da surdocegueira sem outros antecedentes.
Atendimentos ofertados pela Rede Pública do Estado do Paraná: O educando surdocego é
atendido em duas situações distintas, primeira, no Centro de Atendimento Especializado
destinado a área, CAE/Surdocegueira, com apoio do serviço itinerante ou Itinerância.
Segunda, na classe comum da Rede Regular de Ensino com apoio de um professor guia-
intérprete.
CAE/Surdocegueira: O Centro de Atendimento Especializado na área da Surdocegueira
consiste em:

Serviço de natureza pedagógica, desenvolvido por professor habilitado ou


especializado em educação especial ofertado a alunos com necessidades
educacionais especiais matriculados na educação básica. A finalidade desse serviço
será a de oferecer apoio à escolarização formal do aluno e/ou possibilitar o acesso
a línguas, linguagens e códigos aplicáveis, bem como a utilização de recursos
técnicos, tecnológicos e materiais, equipamentos específicos, com vistas a sua maior
inserção social. O atendimento nesse serviço tem início na faixa etária de zero a
seis anos e realiza-se em escolas, em salas adequadas, podendo estender-se a
alunos de escolas próximas, nas quais ainda não exista esse atendimento. Pode ser
realizado individualmente ou em pequenos grupos, para alunos que apresentem

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necessidades educacionais especiais semelhantes, em turno contrário, caso


freqüentem a classe comum. (Del. 02/03, PORTARIA N.º 22/00-CEE).

Serviço itinerante ou itinerância - Constitui uma modalidade especializada de apoio


pedagógico desenvolvida por profissional devidamente capacitado. Esse atendimento
caracteriza pela movimentação do professor, que se deslocará para as escolas de ensino
regular e também especial onde existirem alunos matriculados com deficiência para passarem
orientações ao docente que atende o aluno com surdocegueira na operacionalização dos
conteúdos curriculares, na realização das adaptações de materiais, na orientação quanto a
estimulação necessária para o pleno desenvolvimento do educando.

2-Métodos
As atividades foram desenvolvidas mediante a prática pedagógica educativa dos professores
regentes da série cursada pela aluna B. K. como: adaptações de materiais
didáticos/pedagógicos para melhor compreensão de conteúdos; fala ampliada na comunicação
oral (relatos de filmes, documentários, fotografias, paisagens,mapas...), ditar conteúdos
escritos no quadro-negro, embora a aluna tenha domínio da leitura e escrita em Braille a
mesma está começando a conhecer e aprender outra forma de se comunicar a qual ocorre
através de Sinais (LIBRAS) pela possibilidade de perda auditiva total; escrita e transcrição
em Braille de textos, letras de músicas, avaliações; organizar apostilas em Braille conforme
bimestre e conteúdo abordado pelo professor; propiciar materiais para atividades concretas na
sala de aula;chamar o professor regente para explicações individual quando surgem dúvidas
quanto ao conteúdo ministrado; adequar o local de permanência da aluna na sala de aula ou
em outro recinto da escola; orientar na locomoção dentro do ambiente escolar ou em
atividades extraclasse; sempre que necessário orientar nas execuções de atividades
pedagógicas conforme as orientações dadas pelo professor regente, propiciar momentos de
avaliações em determinados locais em que haja silêncio para melhor concentração da aluna
em relação a mesma, sendo um direito haja vista da necessidade de um tempo maior para a
realizações das avaliações; quando há necessidade explicar e relembrar conteúdos (dados
anteriormente pelo professor regente) para sanar dúvidas em relação determinadas palavras e
seus significados; proporcionar interação com colegas e demais funcionários da escola.
Deficiência auditiva (surdez): é a impossibilidade ou dificuldade de ouvir, podendo ter vários
fatores como causa, antes, durante ou após o nascimento. A deficiência auditiva pode
apresentar de um grau leve a profunda, isto é, o indivíduo pode não ouvir apenas os sons mais
baixos ou até mesmo não ouvir som algum.
A Língua Brasileira de Sinais - Libras - Método francês de educação dos surdos,
desenvolvido em meados do século XVIII considerada a linguagem gestual como a língua
natural dos surdos. Consiste numa forma de comunicação visomotora, construída no espaço
através de movimentos das mãos em diferentes configurações e pontos de contato no corpo.
Algumas pessoas creem que as línguas de Sinais estão intimamente ligadas a gestos que
explicam as línguas orais de determinado lugar, país.
Deficiência visual:
Sistema Braille - É um sistema de escrita e leitura tátil criado por Louis Braille, em 1824.
Conhecido mundialmente como código ou meio de leitura e escrita das pessoas cegas. Baseia-
se no arranjo de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três pontos, as diferentes
posições desses seis pontos faz com que seja possível sessenta e três combinações,
representações essas de todas as letras do alfabeto, numerais e diversos símbolos gráficos.

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Histórico da aluna - A menor B. nascida no ano de 1995, de parto prematuro. Em laudo


oftalmológico em janeiro de 2000, declara que a criança apresentava descolamento de retina
por retinopatia da prematuridade gra V e em laudo audiológico de 18/05/2001, apresentava
perda auditiva neurossensorial em ambas orelhas com classificação segundo Davis e
Silvermann (severa).
A aluna B. frequentou a educação infantil no ensino particular, e posteriormente ao ingressar
no ensino fundamental (1ª à 4ª série), a aluna frequentou o ensino municipal, onde recebeu
atendimento de profissional de apoio permanente em sala de aula durante os quatro anos.
Vale ressaltar que durante o período pré-escolar e ensino fundamental (1ª à 4ª série), a aluna
frequentou no período contraturno ao escolar apoio no Instituto Londrinense de Instrução e
Trabalho para Cegos (ILITC).
A dificuldade maior foi encontrada com a saída da aluna da Escola Municipal para a Escola
Estadual, já que o referido não contempla a função de apoio permanente para o aluno cego,
somente para o aluno deficiente físico/neuromotor.
Começou assim uma busca para se conseguir um profissional que pudesse atuar com a aluna
em sala de aula. Para que isso se concretizasse foi preciso que a aluna fosse transferida do
Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para cegos (ILITC), para o Centro de
Atendimento Especializado Surdocegueira e Múltiplos deficientes Sensoriais
(CAE/Surdocegueira), visto que a aluna é surdocega e não somente cega.
Com esta transferência foi possível que a representante do Setor (CAE/Surdocegueira) do
Núcleo Regional de Educação, sediado no Município de Londrina PR, abrisse um processo
para a demanda da função do professor Guia Intérprete para atuar com a aluna no ensino
regular.
Aberto a demanda, alguns critérios foram adotados para a seleção do professor Guia
Intérprete, que decorreu de um processo em que preferencialmente o professor deveria ser do
Quadro Próprio do Magistério (QPM) e ter experiência como docente na área da Educação
e/ou Educação Especial.
Em abril de 2009 a aluna B. passou a contar com o apoio da professora Guia Intérprete.
Decálogo do surdocego:
Declaração aprovada na IV Conferência Mundial Helen Keller, realizada em Estocolmo, em
setembro de 1989.
1- Todo país deve realizar o senso de sua população surdo-cega.
2- A surdez-cegueira é uma deficiência única e não a simples soma das duas deficiências
surdez e cegueira assim requerem serviços especializados.
3- É imprescindível a formação de profissionais altamente especializados em todos os países.
Quando, em algum país, não for possível formar esses especialistas, deverá ser solicitada a
ajuda de outras nações.
4- A comunicação é a maior barreira para o desenvolvimento pessoal e a educação do surdo-
cego, por este motivo o ensino de métodos de comunicação eficazes deverá ser priorizado.
5- Todo país deverá oferecer oportunidades para a educação do surdo-cego.
6- O surdo-cego pode ser alguém produtivo. Assim, devem ser criados programas de
integração profissional.
7- Deverá ser dada atenção à formação de intérpretes, profissionais imprescindíveis para a
independência do surdo-cego.
8- Devem ser criados sistemas residenciais alternativos, independentes, para o surdo-cego,
que atendam suas necessidades e aptidões.

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9- A sociedade tem obrigação de permitir ao surdo-cego a participação em atividades de lazer


e recreação, em interação com a comunidade.
10- É essencial que a sociedade tome conhecimento das possibilidades e necessidades do
surdo-cego para que possa exigir o apoio governamental e comunitário (Richard Kinney,
1977)
No Brasil a história da Surdocegueira no Brasil tem início com a criação do Instituto dos
Surdos Mudos ( hoje, Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES) na cidade do Rio de
Janeiro, por iniciativa do Governo Imperial, pelo professor Eduard Huet, recomendado pelo
Ministro da Instrução Pública da França à Corte Imperial Brasileira em 26 de setembro de
1857.O Instituto dos Surdos-Mudos pouco tempo depois de ter sido criado sofreu processo de
deterioração. Em 1953 com a visita de Helen Keller (surdacega) ao Brasil, sensibilizou a
educadora Nice Tonhozi Saraiva, que já trabalhando na Educação de cegos em São Paulo
dedicou-se também a Educação de Surdocegos a partir de 1962. Também em 1962, fundou a
SEADAV - Serviço de Atendimento ao Deficiente Audiovisual. Em 1963, por intervenção do
estado a SEADAV foi transferida de São Paulo para São Bernardo do Campo. Em 1968, a
SEADAV passou a se chamar ERDAV - Escola Residencial para Deficientes Audiovisuais.
Em 1977 passa a ser chamada de FUMAS - Fundação Municipal Anne Sullivan, que ficou
sendo a mantenedora da Escola de Educação Especial Anne Sullivan.
O professor guia intérprete é o mediador do aluno surdocego com o universo escolar, servindo
de ponte para interação entre os professores, alunos inseridos no âmbito escolar, funcionários
da escola entre outros. Tem que estar comprometido com a sua função e narrar com fidelidade
o que o aluno manifestar, respeitando a opinião do aluno com o cuidado de não impor a sua
opinião, ser neutro dentro da sala de aula voltado somente para a sua função.
Código de Ética do Intérprete:
O intérprete do surdocego deve ter consciência da importância de seu trabalho.
Deve ser uma pessoa preparada para transmitir mensagens faladas e sinalizadas, saber e
adaptar-se as distintas habilidades e capacidades de comunicação de cada pessoa surdocega,
para qual possuirá o domínio dos principais métodos de comunicação e saberá guiar com
segurança, quando a atividade a ser realizada requerer.
Deve também, ser muito consciente de que seu papel, não é de uma "irmã de caridade", sendo
que na prática pode ocorrer que tenha que realizar algumas coisas, que na intervenção, o
surdocego não pode realizar por si mesmo, a regra pela qual se conduzirá será de servir "de
olhos e ouvidos" da pessoa surdocega, sendo esta quem deve tomar a iniciativa e realizar as
ações de acordo com a informação que lhe é fornecida e o que pode fazer por si mesma.
O Intérprete não deve importar-se com a inevitável proximidade física para transmitir as
mensagens.
Idêntico aos intérpretes de surdos, devem seguir estas regras do código de ética, que são
como se segue:
1- Toda informação correspondente à interpretação, devem ser confidencial.
2- Expressar a mensagem com fidelidade e objetividade, sempre transmitindo o conteúdo e a
intenção como disse o interlocutor.
3- Não se deve manifestar a própria opinião, nem dar sugestões, nem fazer gestos de
estranheza ou exclamação durante a intervenção.
4- Na contratação do serviço devem ser consideradas as qualidades do intérprete, as
características do contrato e da pessoa que utiliza o serviço.
5- O pagamento pelo serviço realizado, deve requerer um contrato com base legal e
profissional.
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6- A conduta deve ser própria de um profissional.


7- Esforçar-se em ampliar conhecimentos profissionais, e em melhorar as habilidades para
realizar a intervenção por meio de reuniões e interação de outros intérpretes, mesas redondas,
e buscando a informação atualizada sobre o tema.
8- Tomar parte da organização de intérpretes e manter-se em contato com ela, se houver. Em
um serviço organizado, se poderia considerar a conveniência de alternar com outro intérprete
se o serviço requerido for de longas sessões. É importante também que o intérprete conheça
quem lhe contrata, antes de realizar a intervenção e assim poderá preparar-se de acordo com o
método e meio de comunicação, a situação mais confortável para a interpretação e os tempos
de descanso.
Todo guia-intérprete deve conhecer e utilizar o Código de Ética profissional. O serviço que
prestam às pessoas surdocegas é de vital importância e se pode sintetizar assim: "Ser seus
olhos e seus ouvidos para que possa atuar e integrar-se meio social e cultural".
É essencialmente importante entender que os intérpretes existem para que os Surdocegos
"Possam atuar por si mesmo".(retirado do Código de Ética de intérprete)

3-Resultado e Discussão
O governo do Estado do Paraná tem proporcionado condições efetivas para que a inclusão se
concretize dentro do contexto atual de respeito à diversidade. Hoje os professores podem
contar com cursos de capacitação que envolvem grupos de estudos presenciais, a distância,
entre outros, que visam a aquisição de novos conhecimentos , práticas educativas, técnicas,
que serão revertidos em profissionais aptos, seguros, motivados, comprometidos com a
educação e atuantes na sociedade.
A inclusão se faz presente em nossas escolas, porém, a nossa preocupação enquanto
profissionais responsáveis não é que ela aconteça, mas que aconteça da melhor forma, com
responsabilidade onde todos se beneficiem disso, professores, alunos inseridos no ensino
regular, corpo escolar e familiares, para que todos os envolvidos neste processo possam
aprender com essas interações existentes no universo escolar.

4-Conclusão
No contexto da educação inclusiva, o desafio de ser guia intérprete de aluno surdocego tem se
voltado para desenvolver estratégias das atividades ministradas pelo professor docente, com
qualidade no processo de ensino aprendizagem. Que envolva aluno, docentes da série cursada,
toda a equipe pedagógica e demais funcionários da escola, contemplando um universo de
reflexões sobre as orientações e decisões acerca da prática educativa sendo esta construída no
dia a dia . A aquisição de conteúdos pelo aluno surdocego tem sido significativa com o apoio
do professor guia intérprete, oportunizando momentos de interações e aprendizagens únicas,
respeitando sua especificidade e seu tempo para cada realização de atividades propostas.

Referências Bibliográficas:

AMARAL, L. A. Deficiência: questões conceituais e alguns de seus desdobramentos.


Cadernos de Psicologia. Minas Gerais, 1996.

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