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Lista de exercícios

Análise e Otimização de Processos Químicos


Curso de Graduação em Engenharia Química
Universidade Federal de Uberlândia
Faculdade de Engenharia Química (FEQUI)
Prof. Adilson J. de Assis

Cap. 0 - REVISÃO DE BALANÇOS DE MASSA E ENERGIA

1 Exercícios
1. (Concurso da PETROBRÁS/Prova de AOPQ 2004) Diversos processos industriais, tais como o
de produção de amônia, o de fabricação de metanol, o Fisher-Tropsch e o OXO, usam uma mistura de
monóxido de carbono e hidrogênio largamente conhecida como gás de síntese. Uma das rotas de obtenção
do gás de síntese é pela reforma do gás natural (mistura de hidrocarbonetos saturados leves, essencialmente
metano, etano e compostos de enxofre, principalmente H2 S) com vapor de água em regime contínuo. Nesse
processo, que opera a pressão constante e de forma contínua, em regime permanente, conforme ilustrado
na gura a seguir, o gás natural (que, para simplicar, será aqui considerado uma mistura de apenas
metano e H2 S) passa inicialmente em um reator contendo um leito xo de óxido de zinco aquecido (reator
de dessulfurização), onde o composto de enxofre é completamente eliminado da corrente, ocorrendo a
retenção do enxofre no leito. O metano entra e sai desse reator a uma temperatura de 400 ◦ C, que é
idêntica àquela do leito de catalisador. Cada mol de metano, completamente dessulfurizado, é misturado
com 3,5 mols de vapor de água, e essa nova mistura é aquecida até 800 ◦ C. Então, essa mistura passa
em um reator contendo um leito xo de Ni suportado (reator de reforma), o qual é mantido a uma
temperatura constante de 800 ◦ C, em que o monóxido de carbono é formado com 90% de rendimento, com
uma variação de entalpia de ∆H = + 52 kcal.mol−1 . Na saída desse reator, tem-se uma mistura gasosa,
a uma temperatura de 800 ◦ C, composta pelo monóxido de carbono e gás hidrogênio produzidos e pelo
metano e vapor de água residuais.
Com base no texto acima e da Figura 1, que mostra o diagrama do processo de produção de gás de
síntese, julgue os itens a seguir como (V)erdadeiros ou (F)alsos, relativos ao processo de obtenção do gás
de síntese.

Figura 1: Esquema do processo de produção de gás de síntese.

[ ] O balanço total de massa do processo, incluindo-se os dois reatores, pode ser calculado, exatamente,
pela diferença entre as massas que saem do processo (soma das massas de 0,1 mol de metano; 0,9
mols de CO; 2,7 mols de H2 ; e 2,6 mols de água) e as que entram no reator (massa de 1 mol de
metano e massa de 3,5 mols de água), a qual será igual a zero.
[ ] O balanço total de massa do reator de reforma pode ser calculado, exatamente, como sendo a diferença
entre as massas que saem do processo (soma das massas de 0,1 mol de metano; 0,9 mols de CO; 2,7
mols de H2; e 2,6 mols de água) e as que entram no reator (massa de 1 mol de metano e massa de
3,5 mols de água), a qual será igual a zero.
[ ] A diferença de energia entre a corrente gasosa que entra no reator de reforma e a que sai desse reator
é igual a zero, um vez que ambas estão na mesma temperatura.
[ ] Como o número de mols da mistura que deixa o reator é maior que o que entra, a densidade da
mistura que sai desse reator é maior que a que entra.

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[ ] O volume da mistura que sai do reator de reforma é 1,8 vez superior ao que entra nesse reator.
[ ] O uxo de massa, em kg.s−1 , que passa pelo reator de reforma é constante;
[ ] Se o uxo de metano que entra no reator de reforma for igual a 16 kg.s−1 , o uxo de saída de gás
hidrogênio será de 5,4 kg.s−1 .
[ ] Se a corrente de vapor de água contiver 30 mol% de gás argônio, o qual permanece inerte durante a
reação, o teor desse gás na corrente que sai do reator de reforma continuará sendo de 30 mol%.
[ ] O uxo de massa, em kg.s−1 , que sai do reator de dessulfurização é menor que o uxo de massa que
entra nesse reator.
[ ] Como a mistura entra a 800 ◦ C no reator de reforma e, portanto, não há troca térmica, não é
necessário fornecer calor para manter o leito de níquel nessa temperatura.

2. (Concurso da PETROBRÁS 2006) Uma água contendo 125 ppb de fenol apresenta a seguinte fração
mássica de fenol:

(A) 1,25×10−4 %
(B) 1,25×10−5 %
(C) 1,25×10−6 %
(D) 1,25×10−7 %
(E) 1,25×10−8 %

3. (Concurso da PETROBRÁS 2006) Ar e água líquida estão em equilíbrio em um recipiente fechado a


75 o C e 760 mmHg. Sabendo que a pressão de vapor da água (75 o C e 760 mmHg) = 289 mmHg, calcule
a composição molar da fase gasosa. (Resposta: 62% de ar e 38% de água)

4. (Concurso da PETROBRÁS 2006) A combustão completa de 5 litros de octano é processada. Con-


siderando que foi utilizado oxigênio em quantidade estequiométrica e que a massa especíca do octano =
0,70 g/mL, a soma das massas de gases liberados é, em kg, aproximadamente, igual a: (A) 6 (B) 16 (C)
26 (D) 36 (E) 46

5. (Concurso da PETROBRÁS 2006) O propano é desidrogenado para formar propileno em um reator


catalítico, segundo a reação: C3 H8 −→ C3 H6 + H2 . O processo precisa ser projetado para uma conversão
de 95% de propano. Os produtos da reação são separados em duas correntes: a primeira, que deixa o
reator, contém H2 , propileno e propano; a segunda, que contém o resto do propano não reagido e propileno,
é reciclada para o reator. A composição molar do propileno, no produto, é:

(A) 2,6%
(B) 48,7%
(C) 55,5%
(D) 75%
(E) 95%

6. (Concurso da PETROBRÁS 2006) O etano é misturado com oxigênio, obtendo-se uma mistura cuja
composição é de 80% de etano e 20% de oxigênio (base molar). Esta mistura é queimada com 200% de
excesso de ar. Sabendo que 80% do etano é convertido em CO2, 10%, em CO e 10% não é queimado, a
relação molar entre CO2 e CO, nos fumos, é: (A) 4 (B) 5 (C) 6 (D) 7 (E) 8

7. (Concurso da PETROBRÁS 2006)

∆Ho (CO2 ) = -393 kJ/mol; Cp(CO2 ) = 47 J.mol−1 .K−1


∆Ho (C3 H8 ) = -104 kJ/mol; Cp(N2 ) = 29 J.mol−1 .K−1
∆Ho (H2 O g) = -242 kJ/mol; Cp(H2 O g) = 103 J.mol−1 .K−1

Considerando os dados acima, a máxima temperatura de chama possível, em K, para a combustão de


propano com ar atmosférico (20% O2 e 80% N2 ) deve ser estimada em: (Resposta: 1800 K)

8. Uma corrente gasosa de um processo deve ser enviada para ser queimada. A corrente contém CO a 473 K
e deve ser queimada a 1 atm com ar a 373 K, em um forno. Sua vazão é de 1000 gmol/h. A combustão é
completa e usa-se 90% de ar em excesso. O gás da chaminé sai a 1273 K. Calcular o calor que é removido
do forno. (Resposta: Q = -125411 kJ/h ou -34837 W)

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9. Como se calcula o Cp de uma mistura?
10. O metanol pode ser produzido pela reação de dióxido de carbono e hidrogênio:

CO2 + 3H2 −→ CH3 OH + H2 O

A alimentação virgem do processo contém hidrogênio, dióxido de carbono e 0,400% molar de inertes. O
euente do reator passa a um condensador, que retira essencialmente todo o metanol e a água formados e
nenhum dos reagentes ou inertes. Estas substâncias são recicladas para o reator. Para evitar o acúmulo
de inertes no sistema, uma corrente de purga é retirada do reciclo.
A alimentação do reator (não a alimentação virgem do processo) contém 28,0% molar de CO2 , 70,0%
molar de H2 e 2,00% molar de inertes. A conversão no reator é de 60,0%.
(a) Faça um diagrama de blocos representativo do processo descrito e numere todas as correntes;
(b) Calcule as vazões e as composições molares da alimentação virgem, da alimentação total do reator,
da corrente de reciclo e da corrente de purga para uma produção de metanol de 155 kmol CH3 OH/h.
(Resposta parcial: alimentação virgem = 681 kmol/h, com 25,6% de CO2 e 74,0% de H2 ; vazão
da purga = 59,9 kmol/h e com 31,8% de CO2 .)
DICA: como a composição de alimentação do reator foi especicada, começe o balanço por aí,
adotando inicialmente uma base de cálculo de 100 mol entrando no reator e posteriormente corrigindo
todas as vazões assim calculadas para atender à demanda de de metanol.
11. O metano é oxidado com ar para produzir formaldeído em um reator contínuo. Uma reação paralela que
compete pelos reagentes é a combustão do metano para formar CO2

CH4 (g) + O2 −→ HCHO(g) + H2 O

CH4 (g) + 2O2 −→ CO2 (g) + 2H2 O


Um uxograma do processo para uma base admitida de 100 moles de metano na entrada do reator é
mostrado a seguir. Estime Q. (Resposta: Q = -15300 kJ)

12. A desidrogenação do etanol para formar acetaldeído

C2 H5 OH(v) −→ CH3 CHO(v) + H2 (g)

é conduzida com uma alimentação a 300 o C. A alimentação contém 90,0% molar de etanol e o resto de
acetaldeído, e entra no reator com uma vazão de 150 mol/s. Para evitar que a temperatura caia demais
e, portanto, diminua a taxa de reação até um nível inaceitavelmente baixo, transfere-se calor ao reator.
Quando a taxa de adição de calor é 2440 kW, a temperatura de saída é 253 o C. Calcule a conversão
fracional do etanol atingida no reator. (Resposta: x = 0,319)
13. Um gás natural contém 85% de metano e 15% de etano em volume. Os calores de combustão do metano
e do etano a 25 o C e 1 atm com água vapor como produto admitido da combustão são dados abaixo:
b co = −802 kJ/mol
CH4 (g) + 2O2 (g) −→ CO2 (g) + 2H2 O(v) : ∆H
7 b co = −1428 kJ/mol
C2 H6 (g) + O2 (g) −→ 2CO2 (v) + 3H2 O(v) : ∆H
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Calcule o maior valor de aquecimento1 (kJ/g) do gás natural. (Resposta: HHV = 54,7 kJ/g)

1 O valor de aquecimento de um material combustível é o negativo do calor padrão de combustão. O maior valor de
aquecimento (HHV) (ou valor total de aquecimento ou valor bruto de aquecimento) é −∆Hb o com H2 O(l) como produto de
c
combustão, e o menor valor de aquecimento (LHV) (ou valor líquido de aquecimento) é o valor baseado em H2 O(v) como
produto. Pode-se mostrar que: HHV = LHV + n.∆H b v , onde n é a quantia em moles de água quando se queima um mol
de combustível. ∆H b v (H2 O, 25o C) = 44,013 kJ/mol. Para uma mistura de combustíveis: HV = P xi (HV )i , onde x é a fração
mássica ou molar, dependendo da unidade de HV. Os maiores valores de aquecimento para combustíveis comuns aparecem tabelados
no Perry's Chemical Engineers' Handbook na sua seção 27.