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THE SOUL OF MONEY

– A ALMA DO DINHEIRO –

LYNNE TWIST

Sobre a Lynne Twist: Captadora de recursos. Trabalhou com Madre Teresa na Índia, vivenciou processos de
imersão com Dalai Lama, esteve com Mandela no último dia do Apartheid. Experiências vivenciadas
principalmente à frente do Hunger Project, organização não governamental americana com foco na
erradicação da fome no mundo, de onde extraiu as lições que compartilha conosco.

Sobre esse material: Os conceitos deste documento fizeram parte dos estudos da frente “Novo Olhar” sobre
Lynne Twist, autora do livro “The Soul of Money” ( A Alma do Dinheiro). Os conteúdos a seguir foram
extraídos e transcritos do áudio-book da Lynne Twist, intitulado ”Unleashing the Soul of Money” e
apresentados no encontro de facilitadores do Programa Germinar em janeiro de 2015. Todo o conteúdo a
seguir não deve ser reproduzido e nem usado sem o devido reconhecimento da fonte e origem da
informação.
Ricos e Pobres
Antes costumava chamar as pessoas de pobres, particularmente as pessoas com as quais
convivi na Índia, Bangladesh e vários países na África. Mas depois de trabalhar com elas
durante tanto tempo e as tendo conhecido, descobri que não há nada de pobre sobre estas
pessoas e que elas são pessoas fortes, criativas, inovadoras e mais resilientes do que pessoas
de outros lugares do mundo. Na verdade, algumas destas pessoas que chamamos de pobres
demonstraram mais coragem para sobreviver por um dia do que nós precisaremos por toda a
nossa vida. Não há nada de pobre neles e chamá-los de pobres os diminui e nos diminui.
Aprendi sobre dinheiro também com as pessoas que chamava de ricos. Pessoas que tinham
recursos em excesso, que tinham muito mais dinheiro do que conseguiriam gastar nesta vida:
os milionários e bilionários. Usar o rótulo rico também os diminui, porque eles também são
pessoas inteiras e completas, vivendo no fluxo e refluxo de circunstâncias abundantes. Mas se
nós nos referirmos a eles como ricos e tratá-los assim, os deixamos confusos em relação ao
que eles realmente são... eles começam a pensar que eles são a sua casa na praia, o seu iate,
as suas ações na bolsa, seu jato particular e isso os diminui e nos diminui quando os
categorizamos desta forma.
Nestas viagens pelo mundo, constatei que todo ser humano é uma pessoa inteira e completa
vivendo sob a tirania de um mundo que valoriza mais o dinheiro que a vida.

Sobre dinheiro
Dinheiro é uma invenção humana que não nasce em árvores, não é parte do mundo natural e
que foi inventado para fazer com que a nossa vida fosse facilitada. O dinheiro foi inventado
para facilitar o processo de troca e compartilhamento de recursos, talentos, habilidades e bens.
Para que pudéssemos ajudar uns aos outros e adquirirmos aquilo que necessitamos. O
dinheiro se afastou deste propósito e saiu deste trilho há muito tempo e hoje é usado para
dominar, manipular, controlar e marginalizar.
Nós temos, portanto, uma relação distorcida e confusa com o dinheiro. Então, se você tem
ansiedade, se você se sente confuso, ferido, preocupado, se você se aborrece com questões
ligadas ao dinheiro, você é absolutamente normal e você não está sozinho. E mais do que isto,
esta relação de sofrimento, de ansiedade, de confusão, de mal-entendido é cultural e estamos
todos sob a mesma tempestade.
A fonte dessa cultura são as mentiras. É como se nós dormíssemos sobre uma cama de
mentiras. E essas mentiras são inconscientes, não examinadas e fazem parte de um conjunto
de suposições que não questionamos e aceitamos como verdades, sendo até cumplices
quando a reforçamos no mundo.
Nós inventamos o dinheiro e ele tem o significado que eu ou você damos a ele.
No mundo hoje é dado ao dinheiro mais importância que à vida humana, à natureza. Nós,
como uma cultura global, damos mais significado ao dinheiro que a nós mesmos. E nós
sabemos que isso não é verdade.

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O dinheiro não é mais importante que o seu relacionamento com os seus pais, com os seus
familiares, com os seus amigos, com os seus filhos, com as pessoas que você ama e nós
sabemos disso. Mas nos comportamos como se o dinheiro fosse mais importante que a vida
humana, mais importante que a natureza, mais importante que os nossos relacionamentos. E
isso nos confunde, visto que sabemos que isso não é verdade.

Cidadão X Consumidores
Permitimos que esta cultura nos reduza de cidadãos para consumidores.
Cidadãos: são responsáveis pelo Estado e pelo bem-estar dos outros.
Consumidores: tiram, consomem, diminuem. Este rótulo tem um impacto no nosso
entendimento psicológico sobre nós mesmos. O nosso valor fica, portanto, associado à nossa
capacidade de comprar, de consumir, de destruir. Este entendimento nos leva para um lugar
que não é o que somos e nos encoraja a participar de uma cultura de consumo que nos
desvaloriza e valoriza as coisas e os bens materiais. É confuso viver em uma cultura que
valoriza consumidores e não a vida.

A maior mentira de todas: a escassez


A maior mentira de todas é a mentira da escassez, que na verdade é uma condição. Ela
permeia tudo que a gente vê, tudo que sente, pensa, tudo que a gente pensa que sabe. É
como se fosse um par de óculos que não sabemos que estamos usando. Vivemos em um
entendimento que é baseado em um engano de que não há suficiente para todos nós. Nós
pensamos a partir de uma condição de escassez.

3 mitos tóxicos que sustentam a escassez


1º) O primeiro mito e mais óbvio: NÃO HÁ SUFICIENTE!
Não temos tempo, amor, sexo, dias de semana, finais de semana, horas do dia, férias, ...,
suficientes! Acordamos dizendo que não dormimos o suficiente, corremos o dia todo e quando
chega à noite, exaustos, ainda dizemos que não fizemos o suficiente.
Normalmente a gente preenche o nosso dia falando das coisas que a gente não tem suficiente
e esta é uma forma muito insatisfatória de viver a vida. E nadamos no não tenho suficiente
que, na maioria das vezes, está ligado ao dinheiro, ao tempo. Mas essa lente se espalha por
vários aspectos da nossa vida.
E aprendemos isso cedo na vida! Na construção da frase não há suficiente tem uma 2ª parte,
que é: “Não há suficiente para todo mundo e alguém, em algum lugar, será sempre deixado de
fora. É lamentável, mas é assim que a vida é!”
Então se a gente pensa que não há suficiente e que alguém em algum lugar vai ficar de fora,
então se justifica acumular muito mais do que eu preciso para assegurar que eu e os meus não
fiquem de fora, ou justifica se distanciar ao máximo possível desse que fica de fora. Então eu
penso que, quando eu tiver mais que o suficiente, bem mais que o suficiente, eu vou ajudar
estas pessoas desafortunadas e justifico um mundo de constante acumulação.

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Esta mentalidade do “não há suficiente”, “nós não temos suficiente”, “eu não tenho suficiente”,
entra na nossa alma e a gente começa a achar que não é suficiente e isso é devastador. Com
isso, as pessoas se sentem vazias por dentro, gerando inúmeras doenças e vícios do mundo
atual, como obesidade, elevado consumo de drogas e álcool, depressão, etc.

2º) O Segundo mito tóxico: MAIS É MELHOR


Mais de tudo, mais de qualquer coisa é melhor! Uma casa com mais espaço, um carro maior,
mais sexo, mais empresas, mais sapatos, mais blusas, mais tudo, uma busca indiscriminada
por mais.
E a gente, na nossa própria vida, continua acumulando mais daquilo que não precisamos. É
como se vivêssemos em um círculo vicioso em que a cultura do consumo nos diz
constantemente que a gente não é bonito suficiente, alto suficiente, magro suficiente, e que a
gente não tem isso ou aquilo suficiente e que temos que adquirir mais para nos sentirmos ok...
então a mensagem de que mais é melhor está em todos os lugares. Até mesmo os mais
conscientes de nós evitam pensar que mais é melhor, mas está sob o efeito do sistema
quando se sente envergonhado de querer mais.

3º) AS COISAS SÃO ASSIM MESMO!


Esta é a parte que nos fez desistir e nos render à essa cultura. Faz com que a gente se
entregue, se desencoraje e justifica comportamentos que sabemos ser incoerentes com o que
somos.
Tenho plena consciência que há muitos lugares no mundo onde não há suficiente dinheiro,
alimento, água, etc., mas nós não estamos falando destes lugares e destes contextos.
Estamos falando desta mentalidade inconsciente, não examinada, que faz com que eu e você
nos comportemos de uma forma completamente inconsistente com o que somos de verdade,
porque nos comportamos com base em uma premissa equivocada de que não há suficiente,
que temos que continuar acumulando, que mais é melhor e que é assim que as coisas são.
Estes três mitos se tornam maiores que nós, de forma que desistimos ou nos entregamos. Na
verdade, não precisamos nem nos entregar e nem desistir, mas sim observar em que
momentos estes mitos nos governam e aí podemos começar a exercer o nosso poder sobre
eles.

A grande descoberta da verdade radical


A verdade radical surpreendente sobre o dinheiro, que é a mesma da vida, é a suficiência.
Pode levar muitos anos, mas precisamos dar conta de que há suficiente para todos. Este
esquema mostra a forma de quebrar o paradigma da escassez.

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Esta suficiência não tem relação com quantidade, mas sim, como uma nova forma de ver e de
ser. O princípio mais essencial da suficiência é que ela é diferente de abundância. A
abundância é você ter mais e mais do que precisa, com medo de que não há suficiente. A
suficiência é exata. As nossas necessidades são atendidas precisamente pelo universo, nem
mais nem menos.
Quando você para de correr atrás daquilo que você não precisa, você libera energia para
aquilo que você já tem e faz diferença com o que você tem. Isso é estar na presença e na
distinção do suficiente.

Doação e gratidão
Portanto, o dinheiro é neutro, somos nós que damos sentido ao seu uso. Podemos usá-lo para
expressar os nossos mais elevados compromissos, para fazer o bem para o mundo. O dinheiro
não está separado do mundo espiritual, ele pode ser usado como um excelente condutor para
o bem e para a manifestação de sentimentos elevados. O dinheiro não é o que somos, mas
pode expressar o que somos e demonstrar os nossos mais elevados propósitos.
Quando apreciamos aquilo que temos e somos gratos por isso, experimentamos a taça da vida
que se enche, mas não transborda. Esta é a experiência da suficiência exata, que aprecia e
reconhece o que se tem e coloca o que se tem a serviço do mundo. Se ficamos nesse estado
de consciência e usamos daquilo que temos e recebemos, eventualmente transbordamos e
queremos dividir, compartilhar, servir e nos sentimos felizes em termos o outro para receber.
Qualquer um de nós pode viver transitando entre os dois estados: gratidão e doação. A
suficiência é o único caminho para a abundância real. A abundância não vem do ter mais, que
irá gerar falta e o desejo por mais e mais. A abundância não diz respeito à quantidade, mas à
outra abordagem para a vida.
Os momentos mais felizes da nossa vida são aqueles em que estamos colaborando,
participando com outras pessoas, quando estamos em comunhão com outras pessoas. A vida
nos dá aquilo que precisamos para nos tornarmos quem queremos nos tornar. Esta é a riqueza
da vida! A verdadeira riqueza da vida não vem do dinheiro - todos nós sabemos disso, mas às
vezes a gente esquece!

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O dinheiro, no entanto, é uma ferramenta, um caminho, um condutor muito útil e que pode
iluminar a nossa vida!

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