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Nunca falem sobre livros que foram feitos por nós

para autoras, digam que leram no original.

Prestigiem sempre os autores comprando seus livros,

afinal eles dependem disso não é mesmo?


A presente tradução foi efetuada pelo grupo WICKED LADY,
de modo a proporcionar ao leitor o acesso à obra. Incentivando à
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O objetivo do grupo é selecionar livros sem previsão de


publicação no Brasil, traduzindo-os e disponibilizando-os ao
leitor, sem qualquer forma de obter lucro, seja ele direto ou
indireto. Levamos como objetivo sério, o incentivo para o leitor
adquirir as obras, dando a conhecer os autores que, de outro
modo, não poderiam, a não ser no idioma original,
impossibilitando o conhecimento de muitos autores
desconhecidos no Brasil. A fim de preservar os direitos autorais e
contratuais de autores e editoras, o grupo WICKED LADY poderá,
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acesso aos livros e retirar o link de disponibilização dos mesmos,
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coparticipação em eventual delito cometido por presente obra
literária para obtenção de lucro direto ou indireto, nos termos do
art. 184 do código penal e lei 9.610/1998.
O início do meu segundo ano na faculdade teve um começo difícil.

No primeiro dia de orientação, tive uma briga com um britânico


irritante dentro do banheiro do campus.

(O banheiro das mulheres estava com problemas. Então, usei o


banheiro dos homens. Não julgue.)

Cheguei em casa mais tarde naquela noite e percebi que o estudante


estrangeiro que esperávamos alugar um quarto na casa dos meus pais,
era alérgico ao nosso gato.

Então, o quarto de hóspedes foi para outra pessoa: Caleb – o


britânico do banheiro masculino.

E assim começou... minha história de amor e ódio com Caleb Yates.


Ou era ódio-amor nessa ordem?

O cara sabia como apertar cada um dos meus botões.

Às vezes, eu enviava um e-mail para ele para expressar meu


desagrado e desdém.

E ele realmente reescrevia minhas próprias palavras e as enviava de


volta para mim.

Esse era o tipo de pessoa irritante que Caleb era.

Frustrante.

E…

Às vezes, incrivelmente engraçado e carinhosamente doce.

E quente.

Ele finalmente cresceu em mim, e Caleb logo se

tornou um dos meus melhores amigos naquele ano.


Você já teve um daqueles dias em que tudo parece dar errado
a partir do momento em que você acorda? Como se alguém lá em
cima decidisse que esse seria um dia ruim para você, e não importa
para onde você vá ou o que faça, você não consegue evitar
problemas? Hoje foi esse tipo de dia para mim. Era o dia de
orientação do segundo ano na Northern University, e tudo o que
podia dar errado hoje, deu.

Primeiro, fui informada de que não entrei na aula de química


que eu queria. Eles aceitaram inscrições demais e precisaram tirar
as últimas pessoas que se inscreveram. Em vez disso, eu teria que
sofrer com a física, que eu acho chata e fácil, porque era a única
coisa que se encaixava na minha agenda.

Então eu descobri que o pedido da Maura, de ter um


estudante internacional morando conosco durante o ano, foi aceito.
A universidade tinha escassez de moradias e dava subsídios às
pessoas que moravam nas proximidades que estavam dispostas a
abrigar alguns dos estudantes. Minha madrasta havia solicitado
especificamente um estudante internacional porque queria ensinar
minha irmãzinha sobre uma cultura estrangeira. Receberíamos um
cara da China. Descobrir que estávamos prestes a ter um estranho
morando conosco colocou outra trava na minha tarde. Eu
realmente não tinha vontade de estar na minha própria casa.

Mas, essa notícia não foi nada comparada à pior parte do meu
dia: minha situação atual enquanto corria em busca de um
banheiro. Eu tinha menstruado inesperadamente enquanto visitava
um dos edifícios escolares recém-construído. Enquanto eu me
afastava do laboratório de ciências, o som dos meus sapatos
batendo no chão ecoou nos corredores.

Quando finalmente encontrei um banheiro feminino, uma


placa na porta dizia: FORA DE SERVIÇO.

Claro!

Como não podia perder tempo procurando outro banheiro,


tomei a decisão precipitada de usar o banheiro masculino
adjacente. Colocando meu ouvido na porta, eu não ouvi nenhuma
atividade lá dentro. Felizmente estava vazio quando entrei.

Havia dois mictórios em uma parede e duas cabines na outra.


A primeira cabine em que entrei parecia que o banheiro estava
prestes a transbordar, então, eu abri a segunda. O fedor mais
horrível que eu já senti na minha vida emanava dele, mas parecia,
pelo menos, estar funcionando. E agora eu não tinha escolha a não
ser usá-lo. Segurando meu nariz, tentei tirar um tampão da bolsa
com a mão que sobrou. Curvando-me sem tocar no assento do vaso
sanitário, eu fiz o que precisava o mais rápido possível — mas não
antes de alguém entrar.

A porta rangeu quando se abriu. Ótimo. Apenas ótimo.

"Espere!" Eu disse por atrás da porta da cabine enquanto


corria para puxar meu shorts. “Não tire as calças ainda. Eu estou
saindo.”

Ainda não tire as calças? Eu me encolhi com a minha escolha


de palavras.

"Eu sinto muito?" Uma voz disse.

Eu saí da cabine. "O banheiro das mulheres está fora de


serviço e eu realmente precisava usar o banheiro."

Ele cheirou. "Evidentemente."

Merda! Ele acha que sou responsável pelo cheiro.

Não faça isso. O reconhecimento fará com que você pareça


culpada.

Mas não pude evitar.

“Eu só quero que você saiba – o cheiro... não fui eu. Estava
assim quando entrei.”

Para piorar a situação, esse cara tinha uma aparência incrível,


não a pessoa ideal para me pegar no banheiro masculino. Havia
realmente uma pessoa ideal?

Meu coração batia mais rápido enquanto lavava minhas mãos.


"Hmm... Curioso, se você me perguntar," ele murmurou com
seu sotaque britânico.

"Curioso? O que isso significa?"

Ele sorriu. “A coisa toda é curiosa. Você não deveria estar


aqui. Você parece culpada. E cheira como se alguém tivesse
morrido. Suspeito. Mas não é da minha conta.”

Sacudi minhas mãos e peguei um pedaço de papel toalha,


rasgando-o com força. "Você não pode estar falando sério."

Ele me olhou de cima a baixo. "É surpreendente uma coisinha


como você ter criado um fedor tão grande."

Meu coração disparou. "Não fui eu."

Eu sabia que quanto mais eu negava, pior me fazia parecer.


Eu precisava sair daqui.

Ele riu. "Relaxa. Estou brincando."

Ele está? Eu corri por ele. "Tenha um bom dia."

"Cheiro você mais tarde, amor," ele chamou atrás de mim.

Eu atravessei por aquela porta e pelo corredor como um


morcego fora do inferno.
Minha família morava cerca de dez minutos do campus
principal da Northern, em Boston, na cidade do Brookline. Nossa
casa é uma grande, antiga casa vitoriana, com móveis de madeira
escura e uma escada em espiral. Vintage era a melhor maneira de
descrevê-la – roxo brilhante por fora com uma porta vermelha.
Parecia algo que pertencia a um livro infantil.

Por mais bonitos que os quartos fossem, quando eu fiz dezoito


anos no ano passado, meu pai me permitiu descer para o andar de
baixo. O sótão tinha seu próprio quartinho e um banheiro
adjacente. No meu aniversário, em vez de festejar ou sair para
resgatar minha bebida de cortesia no Starbucks, passei o dia inteiro
movendo meus pertences. Meu quarto agora tinha sua própria
porta que dava para o jardim. Isso tornou fácil para escapar quando
eu precisei. Eu gostava de ir e vir como quisesse sem precisar falar
com meu pai, Maura, ou minha meia-irmã de doze anos, Shelley.
Não é que eu odiava estar perto deles. Eu só precisava do meu
espaço. Mas não fazia sentido pagar pela moradia na universidade
quando morávamos tão perto. Então o sótão era meu compromisso.

Como tínhamos muito espaço e morávamos tão perto da


faculdade, Maura costumava oferecer um de nossos quartos para
várias pessoas que viajavam pela cidade, ou estudantes que
precisavam alugar um quarto. Ter estranhos em minha casa nunca
me incomodou quando eu era mais jovem. Mas agora que eu
frequentaria a faculdade com esse último aluno internacional, seria
estranho tê-lo por perto.
"Você está atrasada," disse minha madrasta quando entrei na
cozinha naquela tarde.

“Sim. A orientação foi estressante. Eu assisti a um filme


depois que saí da faculdade para me distrair.”

O cinema Syd, a pequena casa de cinema independente da


minha cidade, estava praticamente vazia durante os dias da
semana. Minha madrasta estava convencida de que as pessoas
erradas espreitavam lá em períodos de baixo movimento — como o
meio do dia –, mas era exatamente quando eu gostava de ir, quando
eu estava sozinha, ou quase sozinha no local.

Ela fez uma careta. "Eu disse para você parar de ir para lá."

“Está bem. Ninguém nunca me incomodou. Na verdade, eu era


a única lá hoje. Ninguém pode incomodar se você estiver sozinho.
Além do piso ser pegajoso, é inofensivo.”

“Deus sabe o que está no chão que faz dele todo pegajoso. E
você estava sozinha? É exatamente o que eu quero dizer. Você é um
alvo fácil. Eu tenho um mau pressentimento sobre esse lugar.”

Mudei de assunto porque não precisava mais ter essa


discussão idiota. "O estudante de intercâmbio chegou?"

Batendo uma colher de metal contra a panela que ela estava


mexendo, ela disse: “Houve uma mudança nos planos. Bo Cheng,
da China, não vai mais morar conosco.”

"Por que não?"


“Acontece que ele é altamente alérgico a gatos. Ele apareceu
mais cedo com todas as suas coisas e não conseguia parar de
espirrar. Ele voltou para a faculdade e solicitou uma transferência.”

Minhas esperanças aumentaram. "Então, ninguém se mudará


para cá?"

“Eles conseguiram achar outro aluno disposto a trocar com


Bo. Então agora ele está vindo. Ele deve chegar hoje à noite. Acho
que ele está arrumando suas coisas.”

Suspirei. "O que ele faz?"

“Eles não disseram. Será como desembrulhar um presente,”


ela brincou.

Sentindo a ansiedade borbulhar no meu peito novamente, fui


para o meu quarto e deitei na minha cama, olhando para o teto,
mais uma vez apreciando o santuário que era meu próprio espaço.
A porta de tela que dava para o meu quintal deixava entrar uma
brisa fresca. Ouvindo o farfalhar das folhas, adormeci.

A voz da minha irmã me acordou algum tempo depois. "Suba e


conheça Caleb!"
Grogue, esfregando meus olhos, eu murmurei: "Quem?"

“Caleb. O cara que vai morar com a gente!”

Ugh.

Ela caiu na minha cama. “Ele é muito legal. Ele já consertou


minha bicicleta. Ele descobriu como afrouxar o assento preso.”

"Ele está aqui há um tempo?"

“Cerca de uma hora e meia. Ele está lá em cima colocando as


coisas dele no quarto, mas mamãe chamou todos para jantar.
Estamos prestes a começar a comer. Ela fez espaguete.”

Olhei para o relógio. Jesus. Eram quase oito da noite.

Depois que minha irmã subiu as escadas, forcei-me a sair da


cama e fui até o espelho. Amarrei meus longos cabelos castanhos
claros em um nó. Eu não usava meu cabelo solto há anos e
maquiagem não era minha coisa. Bom o bastante. Eu não estava
tentando impressionar ninguém, de qualquer maneira.

Lentamente, subi as escadas. Quando cheguei ao topo, um


sotaque britânico começou a ser registrado. Parei um pouco antes
da sala de jantar e permaneci na curva antes de entrar. Por que sua
voz soa tão familiar?

Inclinei minha cabeça para dar uma espiada na sala.

Não!

Apenas não!
Por quê?

Foi o rosto esculpido do cara que me julgou no banheiro


masculino hoje. Meu estômago afundou.

Não o Britânico do banheiro!

Qualquer um menos ele.

Ele era nosso novo inquilino?

Meu pai me viu, frustrando minha tentativa de me esconder.


“Teagan! Que gentil da sua parte se juntar a nós.”

Dei alguns passos relutantes para dentro da sala de jantar.

Caleb se virou para encontrar meus olhos chocados. Sua boca


se abriu antes de se curvar em um sorriso divertido.

Maura nos apresentou. "Teagan, este é Caleb." Ela sorriu.


"Caleb, esta é nossa filha, Teagan."

"Prazer em conhecê-lo," forcei para fora.

Ele sorriu. "Na verdade... Já nos conhecemos antes, não é?"

Maura olhou entre nós. "Vocês se conhecem?"

Caleb assentiu. "Nós nos encontramos hoje na orientação."

Eu estreitei meus olhos para ele. “Oh, está certo. Eu


reconheço você agora.”

"Foi breve... mas memorável." Ele piscou. "Não foi?"


Eu queria dar um tapa nele do outro lado da mesa. Mas, em
vez disso, sentei-me, prometendo não dizer mais nada para ele.

Durante o jantar, brinquei com meu macarrão e evitei fazer


contato visual.

Maura empurrou a travessa para mais perto dele, um


encorajamento silencioso para comer. “Então, Caleb, o que o traz
aos Estados Unidos? Quero dizer, eu sei que você está estudando
na Northern, mas por que você decidiu fazer essa mudança?”

Ele tomou um gole de água. “Bem, tirei alguns anos de folga


depois do ensino médio. Eu não tinha certeza em que eu queria me
formar. É por isso que, aos 22 anos, sou um pouco velho para um
calouro. Minha universidade na Inglaterra tem uma parceria com a
Northern. Tive a opção de passar um ano aqui. Então, eu escolhi o
primeiro ano. Eu pensei, quando em minha vida terei uma
oportunidade dessa?”

"Esta é a sua primeira vez nos EUA?"

Ele limpou a boca e assentiu. "Sim."

"O que você acha até agora?" Ela perguntou.

"Estou amando. Mas, definitivamente estou percebendo


algumas diferenças.”

Maura se inclinou. “Oh? Gostaríamos muito de saber mais.”


Ela se virou para minha irmã. “Shelley, preste atenção. Isso é bom
para você aprender.”
"Bem, por um lado, os tamanhos das porções aqui são mais
adequados para um gorila."

Todos, menos eu, riram muito disso.

"Não que eu esteja reclamando..." ele acrescentou. “Eu acho


ótimo. Nós simplesmente não recebemos tanta comida em casa.”

Sorrindo, meu pai cruzou os braços e recostou-se na cadeira.


"O que mais?"

“Bem, até agora estou descobrindo que existem dois tipos de


pessoas aqui. Existem pessoas extremamente amigáveis que
começam a conversar com você no metrô sem motivo algum. E
depois há pessoas que parecem incapazes de brincar ou rir das
coisas.” Ele se virou e olhou diretamente para mim. "Sinto que os
britânicos estão em algum lugar entre os dois – mais neutros, na
verdade."

Maura encheu seu copo com mais água. “Isso é tão


interessante. Então, nossas personalidades são mais extremas.”

"Possivelmente." Ele sorriu para mim.

Minha madrasta continuou interrogando Caleb durante a


sobremesa. Ele parecia mais do que feliz em responder às
perguntas dela. Enquanto isso, eu queria escapar, mas fiquei
porque não queria parecer mais rude do que ele aparentemente
pensava que eu era.
Depois do jantar, Caleb nos ajudou a limpar, apesar da
insistência de Maura de que ele não precisava. Ele definitivamente
tinha boas maneiras. Eu daria isso a ele.

Já era tarde quando tudo foi guardado. Para minha alegria,


Caleb se retirou para seu quarto.

O alívio tomou conta de mim, já que eu não tinha mais que


evitar olhá-lo. Eu poderia momentaneamente esquecer que ele
estava morando na minha casa.

Na manhã seguinte, enquanto eu estava na cozinha servindo


café, senti a vibração de sua voz nas minhas costas.

"Bom dia, colega de quarto."

Eu pulei e, ainda de costas para ele, consegui dizer olá.

“Você sabe, se vamos morar juntos, é melhor você aprender a


olhar para mim. Eu posso imaginar que é muito mais trabalhoso
evitar o contato visual. É como jogar queimada com os olhos.”

Isso me fez rir um pouco. Eu me virei para encará-lo. “Nós não


começamos exatamente com o pé direito. Acho que ainda estou
tentando aceitar que você está aqui sob o nosso teto, dada a forma
como fomos apresentados.”

"Você deve ter quase cagado quando me viu."

Revirei os olhos enquanto sua boca se abriu em um sorriso


malicioso, seus dentes brancos quase me cegando. Ele era
dolorosamente bonito, e eu odiava. Seu cabelo grosso e lindo
também era uma bela bagunça pela manhã. Garoto bonito idiota.

“Sim. Era para ser Bo Cheng, não você,” falei.

Os olhos dele se estreitaram. "Bo Cheng?"

“O cara que você substituiu. Esse é o nome dele.”

“Ah. Aquele cara. Eu o conheci brevemente quando estava


saindo de outro lugar. Seus olhos estavam todos inchados.”

“Sim. Ele era alérgico a Catlin Jenner.”

"Quem?"

"Catlin Jenner, a gata."

"Ah, esse é o nome dela?"

"Sim. Shelley nomeou-a após o pai das Kardashian, que agora


é mulher – Catlin Jenner. Exceto que a nossa é Cat-lin Jenner.
Entendeu?"

“Ela é inteligente, sua irmã. E isso faz sentido sobre as


alergias. Aquele gato certamente não tem falta de pelo.”
"Ela é persa."

“Ela é linda. Dormimos juntos ontem à noite, na verdade.”

Eu tinha certeza de que não era a primeira vez que ele dizia
isso. “Seja cuidadoso. Ela arranha às vezes.”

"Arranhões não me assustam."

Por que cada palavra que saiu de sua boca colocou minha
mente na sarjeta?

Ele pegou uma caneca do armário. "Então, tenho que


agradecer à Catlin Jenner pelo fato de agora estar morando nesta
casa incrível?"

"Você está sendo sarcástico?"

Caleb fechou o gabinete um pouco forte demais. “Você está de


brincadeira? Este lugar é brilhante. Eu nunca comi tão bem, dormi
tão bem. Eu amo isso aqui. Eu me sinto mais em casa do que
minha própria casa na Inglaterra.”

“Oh. Eu não sabia dizer se você estava brincando.”

"Você não sente o mesmo?" Ele perguntou.

“É diferente quando algo não é novidade. Acho que eu—”

"Não reconhece o valor disso?"

Suspirei. "Talvez um pouco. Sim."


Olhei para os meus sapatos – qualquer coisa para evitar
contato com aqueles ardentes olhos verdes.

"Então... você teria olhado Bo Cheng nos olhos?"

"Provavelmente," eu disse, ainda me recusando a olhar para


cima.

“Devemos trazê-lo de volta, dar-lhe algum medicamento para


alergia? Acabar com seu sofrimento?”

“Isso não é necessário. De qualquer maneira, não nos veremos


além dos horários das refeições.”

“Oh, está certo. Você se esconde no porão, mal presta atenção


à sua irmã...”

O quê?

Como ele ousa!

"Quem disse isso?"

"Shelley parece pensar que você a evita."

Agora ele está conspirando com minha família contra mim?

A raiva correu por minhas veias. “Ela te contou isso? Isso é


ridículo! O que você está fazendo falando com minha irmã sobre
mim?”

“Eu não estava falando com ela sobre você. Ela ofereceu a
informação. Perguntei-lhe como vocês se dão, e ela me informou
que você não parece ter tempo para ela.”
Isso dói. Eu não sabia o que me incomodava mais – o que ela
disse ou que estava falando com ele sobre isso. Ou, talvez isso me
incomodasse porque era verdade. Não evitei tanto minha irmã,
como minha família, em um todo. Eu poderia fazer um trabalho
melhor em me relacionar com todo mundo, mas me irritava que ele
estivesse interferindo quando nem me conhecia. Ele morava nesta
casa há menos de vinte e quatro horas.

"Estou sempre aqui se ela precisar de mim, e ela sabe disso."

“Realmente? Quando foi a última vez que você tomou a


iniciativa para passar um tempo com ela, ajudou-a com a lição de
casa?”

Eu não tive uma resposta. E isso me fez sentir uma porcaria.


No ano passado, eu havia me retirado muito para o meu próprio
mundo. Eu fui uma irmã de merda. Não havia como negar. Eu
simplesmente não gostei de um estranho entrando na minha vida e
me chamando a atenção para isso.

Pela primeira vez, eu realmente olhei Caleb nos olhos. "Eu não
sei quem você pensa que é, mas meu relacionamento com minha
irmã não é da sua conta."

Ele tomou o último gole de café antes de colocar a caneca na


máquina de lavar louça. "Muito bem então." Ele assentiu.
"Felicidades. Boa conversa."

Então o bastardo crítico saiu da sala.


Que audácia dele.

As aulas ainda não começaram, então eu não tinha nada


melhor para fazer com o resto da minha manhã do que julgar
Caleb. Ele não me conhecia nem nada sobre os problemas que tive
com minha família.

Então a culpa pelo que ele disse começou a se estabelecer.

Maldito seja, Caleb, por entrar na minha cabeça.

Eventualmente, fui com Maura à loja, mas quando minha


amiga Kai apareceu no início da tarde, ela viu que eu ainda estava
chateada com alguma coisa.

"O que está acontecendo?" Ela perguntou.

Kai morava algumas portas ao lado da minha casa. Ela era um


ano mais velha que eu e foi para a Universidade de Suffolk.

"Você lembra quando eu te disse que receberíamos um


estudante de intercâmbio para morar conosco?"

“Sim. O cara da China...”


“Não. Esse é o Bo Cheng. Eu gostaria que fosse ele morando
conosco. Ele teve que se mudar porque é alérgico a Catlin Jenner.”

“Oh, que chatice. Ok... Então... Qual é o problema?”

"A universidade enviou outra pessoa, um cara irritante


chamado Caleb Yates da Inglaterra."

Eu comecei a contar a ela a história de como conheci Caleb no


banheiro masculino.

Ela caiu na gargalhada. "Puta merda."

Revirei os olhos. "Sim, literalmente."

“Ok, então qual é o problema? A vida fez uma brincadeirinha


com você. Supere isso.”

“Eu totalmente posso superar a maneira como nos


conhecemos. De verdade. Isso não é meu problema. Meu problema
é que ele decidiu me abordar na cozinha hoje de manhã.”

Ela franziu as sobrancelhas. "Parece emocionante."

“Nada emocionante sobre isso. Desculpe. Ele começou a me


perguntar por que eu evito Shelley. Você pode acreditar nisso?
Quero dizer, sério? Você está morando na minha casa por alguns
segundos e está questionando meu relacionamento com minha
irmã? Tipo... quem é você?”

Ela aprofundou o olhar. "Você, de fato, evita Shelley."


Eu soltei um suspiro frustrado. “Et tu1, Kai? Não é disso que
se trata.”

"Tudo bem, tudo bem. Eu entendo que não é esse o ponto


aqui. A questão é, o que você faz, ou como se comporta não é da
conta dele. O que você disse para ele?"

"Eu disse a ele exatamente isso – que não era da conta dele."

"O que ele disse?"

"Ele foi embora."

Ela assentiu. "E isso incomodou você ainda mais."

"Bem, sim, porque ir embora não é a pior coisa que você pode
fazer quando está no meio de uma discussão com alguém?"

"Na verdade, é provavelmente a coisa mais inteligente a se


fazer às vezes."

Soltando um suspiro frustrado, abracei um dos meus


travesseiros. Eu precisava que ela fosse minha amiga e concordasse
comigo hoje, mesmo que eu não estivesse certa. Parte de mim sabia
que estava exagerando. Mas não podia evitar de me sentir assim.

Suspirei. “Eu não sei por que estou deixando-o ficar sob
minha pele assim. Eu realmente não sei.”

"Como esse cara se parece?"

Puxei meu rabo de cavalo. Eu digo a ela?

1
Famosa expressão latina. “Até tu, Brutus?”
Minhas palavras saíram rapidamente. “Ele é irritantemente
bonito e cheira muito bem. É irritante.”

“A-ha! Você sabe que usou a palavra irritante duas vezes para
descrevê-lo.” Ela riu. “De qualquer forma, eu sabia que tinha que
haver algo alimentando essa reação. Ele é bonito, acima de tudo, e
isso está tornando tudo ainda mais estranho para você.”

"Minha reação seria a mesma, independentemente."

“Não, não seria. Você não se importaria tanto se ele não


tivesse outro tipo de efeito em você – o efeito que você está sempre
tentando evitar quando se trata de homens.”

“Não vá lá, ok? Estamos falando sobre ele, não sobre mim.”

“Certo, bem, você sabe o que deve fazer? Envie algo para ele
por escrito, como um e-mail. Corte isso pela raiz. Diga a ele que,
embora aprecie a preocupação dele, não gosta que ele enfie o nariz
onde não pertence quando se trata de assuntos pessoais.”

Eu levantei minha sobrancelha. "Você realmente acha que isso


vai ajudar?"

“Os sentimentos por escritos são mais formais e mostram um


certo nível de seriedade. Se você reservar um tempo para escrevê-lo,
deve realmente dizer a verdade.”
Depois de muita consideração, decidi fazer o que Kai disse.
Peguei um papel amarelo e comecei a escrever meus pensamentos.
Depois de ir e voltar e rasurar as coisas, finalmente determinei qual
seria minha mensagem para Caleb.

Fui procurar Maura para ver se ela tinha o endereço de e-mail


de Caleb com as informações que recebera da universidade. Como
esperado, ela perguntou por que eu escreveria para ele quando ele
estava logo ali em cima, mas ela me deu sem bisbilhotar demais.

Voltei para o meu quarto e digitei cuidadosamente minha


mensagem.

Assunto: Conselho não solicitado.

Prezado Caleb,

Embora aprecie sua preocupação com a minha falta de


interação com minha irmã, acho que o fato de você estar se
inserindo em nossos negócios é muito intrusivo e impróprio de
alguém que não me conhece.

Você não conhece todos os detalhes da minha vida ou da


minha história com minha família. Na verdade, você não me
conhece.
Então, eu agradeceria muito se você não oferecesse
conselhos não solicitados sobre assuntos que não entende.

Saudações,

Teagan.

Eu li algumas vezes e pressionei enviar antes que eu pudesse


mudar de ideia. Garoto, isso foi bom.

Eu mantive meu computador aberto enquanto dobrava


algumas roupas durante os próximos minutos.

Então, eu ouvi o aviso de notificação do meu e-mail.

Uma mensagem em negrito mostrou uma resposta de Caleb.

De: Caleb Yates

Para: Teagan Carroll

RE: Conselho não solicitado

Prezada Teagan,

Editei seu e-mail. Eu acredito que isto é o que você quis


dizer:
Querido Caleb,

Não gosto de ser apontada pelo meu comportamento


horrível, porque isso me faz ter que parar e me olhar no
espelho. Não gosto do fato de que, mesmo que você não
conheça os detalhes da minha vida, ainda foi capaz de
reconhecer algo sobre mim que eu não gosto em mim mesma –
portanto, a atitude que lhe dei. Eu quero mudar, para melhorar,
mas não sei como. Veja bem, eu fico muito envolvida em minha
própria cabeça ultimamente.

Se eu não tivesse te forçado a se afastar de nossa


discussão, talvez eu descobrisse que você só tinha em mente os
melhores interesses para Shelley e eu. Mas como eu estava com
a minha cabeça enfiada na minha bunda no momento, eu
escolhi acreditar que você é um idiota e escrevi esse bilhete
para você, mesmo que você esteja lá em cima.

Foda-se,

Teagan

Oh meu Deus.

Oh. Meu. Deus.

Meu sangue ferveu.


Você está brincando comigo?

Dessa vez, comecei a escrever sem pensar primeiro. Eu bati


nas teclas com raiva.

De: Teagan Carroll

Para: Caleb Yates

RE: Conselho não solicitado

Prezado Caleb,

Você está falando sério???

Enviar.

Dez segundos depois, um novo e-mail chegou. O fato de ele


estar esperando pelo computador a minha resposta me incomodou
ainda mais.

De: Caleb Yates

Para: Teagan Carroll

RE: Conselho não solicitado


Prezada Teagan,

Você perguntou se eu estava falando sério. Vou assumir


que é uma pergunta retórica, e que você realmente não quer
que eu responda. Deixe-me saber se estou enganado.

Caleb

Novamente, digitei sem pensar.

De: Teagan Carroll

Para: Caleb Yates

RE: Conselho não solicitado

Não, não era retórico. Perguntei se você estava falando


sério porque achei sua atitude inacreditável. Eu realmente
quero saber por que você acha que está ok analisar alguém que
você nem conhece. Sério!
Expirando minha frustração, disse a mim mesma que essa
tentativa infrutífera de comunicação estava concluída – até que
meu computador apitou novamente.

Eu cliquei na sua resposta.

De: Caleb Yates

Para: Teagan Carroll

RE: Conselho não solicitado

Parece que você seriamente tem um problema sério


comigo e um uso excessivo da palavra sério.

O quê?

Eu digitei.

De: Teagan Carroll

Para: Caleb Yates

RE: Conselho não solicitado

Não faz sentido continuar essa troca de e-mail.


Quase imediatamente, ele respondeu.

De: Caleb Yates

Para: Teagan Carroll

RE: Conselho não solicitado

Ding! Ding! Ding! Ela finalmente entende. Nunca houve


motivo para essa troca de e-mail. Isso nunca deveria ter
acontecido. Quer adivinhar o porquê?

Eu bati no meu teclado enquanto respondia.

De: Teagan Carroll

Para: Caleb Yates

RE: Conselho não solicitado

Do que você está falando?


Mais uma vez, sua resposta foi imediata.

De: Caleb Yates

Para: Teagan Carroll

RE: Conselho não solicitado

Nunca houve motivo para essa troca de e-mails porquê...


DRUMROLL2... Estou no andar de cima.

À direita no andar de cima, Teagan.

Por que você me enviou um e-mail em vez de vir falar


comigo?

(Sério!)

Bati meu laptop com força. Eu terminei. Terminei.

No entanto, ao longo dos próximos minutos, enquanto


continuava a guardar minhas roupas, não fiz nada além de ficar
obcecada. Por que eu estava deixando ele chegar até mim? Eu não
queria reagir dessa maneira. Ele explodiu a coisa toda fora de
proporção. O e-mail foi uma tentativa para ele entender meu ponto

2
Som de tambores.
de vista sem precisar vê-lo, mas talvez eu tivesse que fazer isso cara
a cara, afinal.

Subi as escadas correndo e fui direto para o meu antigo quarto


– o quarto dele. Mas, quando cheguei ao topo da escada, engoli as
palavras que eu estava preparada para soltar. A visão inesperada
do Caleb fazendo flexões me pegou. Ele usou uma barra fixada no
topo da porta para se levantar. Ele usava uma camiseta que subia
cada vez que se levantava. Seus abdominais duros estavam agora
olhando para mim, ondulações de músculos esculpidos. Ele usava
braceletes pretos. Ele transformou meu antigo quarto em uma
academia em casa.

Ele era um bastardo – mas não havia como negar que ele era
bonito.

Eu limpei minha garganta. "Meu pai lhe deu permissão para


colocar essa coisa na porta?"

A casa tremeu quando ele caiu de pé. “Bem, olá, Teagan.


Incrível como é fácil subir as escadas, não é?” Ele pegou uma toalha
e limpou o suor da testa. "E sim, de fato, seu pai me deu permissão
para colocar a barra."

Eu saí dessa. “Você acha que sabe tudo, não é? Quem é você?”

Ele olhou para mim. “Quem sou eu? Bem, foi gentil da sua
parte perguntar, Teagan.” Ele jogou a toalha sobre a mesa. “Você
não teve interesse em me conhecer desde o momento em que entrei
pela porta. Mas, desde que você finalmente fez a pergunta... Oi, eu
sou Caleb Yates. Feliz por estar aqui. Não tenho ideia do que estou
fazendo da minha vida e tenho uma situação de família um tanto
ruim na Inglaterra. Então, eu vim para um país estranho pela
primeira vez para fugir um pouco. Sinto falta da minha mãe, mas a
boa notícia é que acabei de me mudar para uma casa onde todo
mundo é cordial, exceto a moça irritada no porão.”

Uau.

"Isso é um pouco duro, você não acha?"

Ele chegou mais perto, e o cheiro de sua colônia misturada ao


suor era... interessante. Não poderia dizer que era uma coisa ruim,
com certeza.

“Você não precisava me escrever um e-mail arrogante, Teagan.


Você pode vir falar comigo se eu fizer algo para te irritar. Se você me
escrever e-mails assim quando eu estiver bem aqui em cima, esse é
o tipo de resposta que você receberá, sempre.”

Ele tinha um ponto. O e-mail foi um pouco covarde da minha


parte. Ainda assim, eu tentei me convencer de que era uma boa
ideia. Ele estava certo. Qualquer coisa que eu precisasse dizer a ele,
seria capaz de dizer na sua cara. Sinceramente, o benefício disso
também era olhar seu rosto – olhar para ele, quero dizer. Acabou
que olhar para ele era muito mais divertido do que evitar o contato
visual. Graças a Deus ele não pode ler minha mente agora.

Ver que ele realmente parecia zangado ao invés de divertido


me fez mudar minha música – isso e talvez o cheiro dele fosse direto
para a minha cabeça enquanto seguia minha mente direto para a
sarjeta.

Ele estendeu a mão. "Dê-me isto."

Eu olhei para minhas mãos vazias. "Te dar o quê?"

“O pau na sua bunda. Retire e dê para mim.”

Eu enruguei minha testa. "O quê?"

Ele mexeu os dedos. "Vamos. Entregue.”

Genuinamente curiosa para saber onde ele estava indo com


isso, gesticulei com a mão, fingindo remover o bastão imaginário do
meu traseiro e jogando-o sobre ele.

Ele fingiu pegá-lo e depois fingiu pesá-lo. "É maior do que eu


pensava." Olhando em volta, ele disse: “Vou encontrar um espaço
para isso. Espere."

Eu ri, contra o meu melhor julgamento. Ele enfiou o bastão


imaginário embaixo da cama e limpou a poeira falsa das mãos.

"Agora que isso está fora do caminho, por que não começamos
de novo?"

Eu realmente tenho uma escolha? Esse cara vai morar conosco


por um ano. Seria mais fácil nos darmos bem do que continuar no
caminho rochoso que começamos – o caminho rochoso que eu
esculpi. Por mais irritante que Caleb fosse, ele conseguiu me
encantar apenas o suficiente. Eu decidi tentar deixar minha raiva
ir.
"Ok, Caleb."

Ele ficou muito divertido com a minha mudança de atitude.


“Uau. Não achei que seria assim tão fácil.”

"Bem, ocorreu-me que você não vai a lugar nenhum."

“Ah. Então, eu sou como uma doença incurável.”

"Ou uma alergia." Eu ri.

“Rápido. Alguém diz a esse camarada Bo Cheng que fique


longe de mim.”

“Bom e velho Bo Cheng. Ele não percebe que se esquivou de


uma bala com a garota rabugenta no porão,” eu rachei.

Eu estou realmente indo na onda aqui? Que tipo de feitiço esse


cara colocou em mim?

"Por que você está no porão?" Ele perguntou. “Esta é uma casa
tão bonita. E como estou agora no seu antigo quarto e posso atestar
pessoalmente como é bom, não consigo imaginar por que você
desistiu desse espaço para aquele quartinho lá embaixo.”

Seu comentário disparou um alarme em mim. "Você viu meu


quarto no porão?"

“Sim. Eu saqueei quando você estava fora. E o que eu descobri


explica muito.”

Sua risada sufocada o denunciou.

"Não, você não fez!"


“Relaxe. Seu pai me deu uma visita adequada à propriedade
enquanto você estava na loja mais cedo. Ele me levou para o porão
e me mostrou onde está a máquina de lavar. Por acaso vi seu
quarto enquanto estava lá.”

"Eu vejo."

"A propósito, achei muito estranho."

"Meu quarto?"

“Não. A máquina de lavar no porão. Na Inglaterra, lavamos


roupas na cozinha.”

“Oh, isso é estranho. E a secadora?”

“Nós não temos uma. Minha mãe apenas pendura as roupas


do lado de fora.”

"Eu não posso imaginar isso."

"O que, você não pode imaginar suas calcinhas voando ao


vento para todo o mundo ver?"

Eu rio. "Praticamente."

Ele coçou o queixo. "Você é muito conservadora, não é?"

Eu provavelmente deveria ter respondido à sua pergunta. Em


vez disso, deixei meus olhos viajarem por seu peito, notando como
sua camisa se agarrava aos músculos suados. Eu me senti longe de
ser conservadora agora.

Eu balancei minha cabeça. "Por que você diz isso?"


“A maneira como você se veste – sempre se cobre muito bem
da cabeça aos pés. Além disso, a maneira como você reagiu quando
nos encontramos no banheiro masculino da universidade. Você
ficou mortificada com a perspectiva de eu pensar que você era
responsável pelo cheiro.”

“Não vamos falar disso, por favor. Estamos indo tão bem.”

Ele riu e caminhou até a estante de livros, que abrigavam


dezenas dos meus livros antigos. Eu não me incomodei em movê-los
para o andar de baixo porque não tinha muito espaço.

Passando o dedo indicador por alguns livros, ele disse: "Bela


coleção, por sinal."

Minha testa franziu. “Isso é sarcasmo? Não sei dizer.”

“Não. Você tem alguns livros interessantes aqui. Eckhart Tolle.


Deepak Chopra. É como uma central de autoajuda. Presumo que
todos te... ajudaram? Totalmente zen? Sem problemas?”

"Não exatamente."

Ele escolheu um da estante. “Dez segredos. Esse é sobre o


quê?”

"É um livro de autoajuda," eu brinquei.

"Não diga."

“A essência é que todo mundo está escondendo pelo menos dez


segredos que os impedem de realmente progredir na vida."
"Dez? Isso está certo?"

“Sim. Às vezes, nem estamos cientes de que estamos


suprimindo-os.”

Ele olhou para a capa e depois para mim. “Eu tenho pelo
menos um, mas não tenho certeza sobre os dez. Você?”

“Claro. Todos temos segredos, coisas que apodrecem.”

Ele folheou o livro. "Diga-me um dos seus."

"Se eu te dissesse, não seria um segredo."

Ele apontou para as páginas. "Sim, mas de acordo com este


livro, seus segredos estão prendendo você."

"Eu vou viver com o risco."

Caleb riu. "Eu tenho um segredo que você estaria interessada


em conhecer, um que pertence a você."

Meu coração acelerou. "Realmente?"

"Sim." Ele levantou o queixo. "Quer saber o que é?"

"Sim, eu quero, se isso pertence a mim."

Caleb colocou o livro de volta na prateleira e esfregou as


mãos. "Meu segredo é..."

Ele fez uma pausa.

Quando não aguentava mais, disse: "O que é?"


"Você definitivamente vai querer ouvir isso," ele murmurou.

Eu rio. "Ok... Então me diga."

Ele deu alguns passos em minha direção e se inclinou perto do


meu ouvido. Calafrios passaram por mim enquanto ele disse: "Eu
sei que não foi você quem fez aquele cheiro no banheiro,"

Eu olhei nos olhos dele. "Como?"

"Porque eu estive no banheiro masculino mais cedo naquela


manhã e cheirava exatamente o mesmo."

"Por que você não disse isso na hora?"

"Porque foi muito divertido ver você se contorcer." Ele piscou.


“Ainda bem que estou morando aqui. Vou ter muito mais chances
de fazer isso.”
Mais tarde naquele dia, eu quase caí da cadeira em que estava
na cozinha quando Caleb apareceu atrás de mim.

"Precisa de alguma ajuda?"

Tremi enquanto descia lentamente. Por alguma razão, eu


assumi que ele tinha saído de casa.

Já era tarde. Meu pai ainda estava no trabalho, e Maura e


Shelley foram para o treino de torcida da minha irmã. As aulas não
começariam no Northern até a segunda-feira seguinte, então,
aparentemente, Caleb não tinha nada melhor para fazer do que
ficar por aqui. Suponho que isso não deveria ter me irritado desde
que ele morava aqui agora, mas o fez.

Com Maura fora de casa, imaginei que essa era minha


oportunidade de invadir a prateleira de doces. Eu a tinha visto
escondendo alguns sacos no outro dia. Ela estava reprimindo
recentemente os hábitos alimentares de Shelley e meu pai, então eu
assumi que ela estava escondendo os doces na prateleira mais alta
da cozinha. Mas, como nossos tetos eram muito altos e nossos
armários, lá em cima, eu subestimei a capacidade dessa cadeira de
chegar lá. Caleb apareceu no meio do meu esforço mal feito.

"Tentando alcançar alguma coisa?"

"Sim, na verdade." Eu podia me sentir suando.

Ele empurrou a cadeira de volta para a mesa e coçou o queixo


enquanto olhava para cima. Tão alto quanto Caleb é, ele também
não conseguiria alcançar o armário.

Para minha surpresa, ele se ajoelhou na frente do balcão e


apontou para os ombros.

"Suba."

"O quê?"

"Vou te dar uma carona para conseguir o que você precisa."

Ele quer que eu fique nos ombros dele? "Tudo bem."

Ele insistiu. "Pule."

Engoli em seco e fiz o que ele disse, sentando-me em seus


ombros e envolvendo minhas pernas em volta do seu pescoço. A
sensação de seus músculos duros pressionando contra meu clitóris
era interessante, para dizer o mínimo – tenho certeza que essa foi a
derradeira emoção barata. Ele se levantou devagar e, quando
alcançou sua altura máxima, eu estava exatamente onde precisava
estar para abrir o armário proibido no topo.
Foi difícil me concentrar no que eu vim aqui para recuperar,
no entanto. Não havia luz dentro do armário e, confesso, eu não
estava prestando muita atenção. Tudo o que foi registrado foi o
calor do seu corpo e a sensação de suas mãos fortes segurando
cada uma das minhas pernas. E daqui de cima, seu cheiro
almiscarado foi amplificado. Meu coração estava disparando um
quilometro por minuto enquanto agarrava qualquer coisa.

"Peguei," eu disse, assumindo que havia encontrado algum


tipo de doce azedo ou chocolate.

Qualquer coisa serviria para satisfazer o meu desejo por


doce. O maior problema agora era o fato de meus mamilos estarem
duros. Eu precisava descer dos ombros do Caleb porque ele seria
capaz de ler a reação do meu corpo se eu continuasse com a parte
de trás da cabeça dele entre as minhas pernas por mais tempo.

Somente meu corpo carente poderia desfrutar de um passeio


no ombro.

Ele se abaixou no chão e eu desci. "Obrigada."

Seus olhos caíram no saco de doces na minha mão. Ele


apertou os olhos. "Escolha interessante."

"O quê…"

Eu olhei para o pacote. Que diabos, Maura? "Hum... Isso... Eu


nem sei o que é isso."
Ele quase bufou. "Você passou por todo esse problema por
doces de pênis?"

O saco estava cheio de doces azedos cor de arco-íris em forma


de paus.

Eu queria matar minha madrasta. Então lembrei que ela


estava planejando um chá de panela para sua amiga Darlene.
Provavelmente ela os comprara como favores e os escondeu de
Shelley.

“Ok, revelação completa: eu estava tentando satisfazer um


desejo por doce e realmente não estava prestando atenção no que
peguei. Eu só queria algo açucarado. Eu não tinha ideia de que
Maura estava escondendo isso lá em cima. Tenho certeza de que
são para um chá de panela que ela está planejando para a amiga.”

Ele parecia confuso. "Chá de panela?"

“Sim. É uma festa que você faz para uma mulher que está
prestes a se casar.”

“Ah. Como uma despedida.”

"Despedida?"

“Sim. Uma despedida de solteiro. É assim que chamam lá em


casa quando levam a garota para fora antes do casamento.”

Eu assenti. "Despedida de solteira – sim, algo assim."

Ele sorriu. “Então é isso que vocês mulheres fazem nessas


coisas? Sentam-se por aí comendo balas de pênis?”
"Nem sempre." Eu balancei minha cabeça. "Deixa pra lá."

Caleb pediu a sacola. Eu entreguei a ele, e ele examinou.


Então ele pegou uma cadeira para poder devolver o doce ao
armário.

Depois de alguns segundos, ele anunciou: "Bem, está


confirmado."

"O quê?"

“Definitivamente, há uma festa de pau acontecendo. Um


enorme Piñata3 de pênis recheado na parte de trás aqui.”

Eu não pude deixar de rir. "Merda.”

“Oh, espere. Estou errado. Não é apenas uma festa do pênis.


Também há alguns pirulitos de boceta aqui.” Ele bufou. “Essa
sacola já está aberta. O que isso significa?”

Que eu estou mortificada. Apenas mortificada.

"Você se importa apenas de... Descer, por favor?"

"Claro, amor."

Ele fechou o armário e desceu da cadeira.

Ele não desceu de mãos vazias, no entanto. “Você acha que


Maura se importaria se soubesse que eu roubei um pirulito de
boceta de pêssego? Era um pacote de cem.”

3
Jogo em que, de olhos vendados, se deve quebrar um recipiente cheio de doces.
Meu rosto deve estar tão vermelho agora.

Ele puxou a embalagem e lambeu-a com um golpe longo. Isso


enviou um arrepio indesejável ao longo da minha espinha que foi
direto para o meu ventre. Ele colocou na boca.

"Seu rosto nesse momento?" Ele riu enquanto chupava.


"Impagável."

Quando se tratava desse cara, eu tinha que ser amaldiçoada.


"Eu só queria um pedaço de doce," murmurei.

Ele puxou o pirulito da boca e o entregou para mim. "Bem,


aqui está."

Ele piscou e apertou meu ombro antes de subir as escadas.

Fui para o meu quarto sentindo-me embaraçosamente


excitada.

Deitei-me na minha cama e chupei o pirulito de boceta,


dolorosamente consciente de que ainda estava molhada de sua boca
e com nojo de mim mesma por estar tão excitada com isso.

Depois que as aulas começaram, eu evitei Caleb quando o vi


pelo campus. Eu não tinha muita certeza de porque era tão
estranho encontrá-lo lá, em todos os lugares. Ele levantava a mão e
acenava do outro lado do grêmio estudantil ou se esforçava para
dizer olá se passássemos um pelo outro. Eu, por outro lado, andava
para o outro lado, se ele não tivesse me visto ainda.

As coisas com ele haviam melhorado em casa, no entanto. Não


há mais argumentos ou encontros embaraçosos para falar. Ele
comia conosco algumas vezes por semana – sempre uma adição
divertida para os nossos jantares e, na maioria das vezes, o centro
de nossas conversas. O choque inicial dele estar aqui havia
diminuído. No geral, ter Caleb morando conosco era muito diferente
do que eu imaginava que seria. Ele não passou as noites me
provocando ou tentando me conhecer melhor. Com o passar dos
dias, ele se manteve para si mesmo cada vez mais.

E isso foi bom, certo? Quero dizer, eu não precisava da


complicação de ter que fazer amizade com ele, além de tudo o que
estava acontecendo: adaptando-me às minhas aulas e iniciando
meu novo estágio no New England Aquarium. Como graduanda em
biologia marinha, fiquei empolgada com a experiência prática que
me ajudaria a ter uma carreira como pesquisadora bióloga.

Portanto, dado esse ritmo cordial que Caleb e eu descobrimos,


não deveria ter me incomodado quando uma garota que reconheci
da minha aula de biologia apareceu em casa no sábado. E, no
entanto, um ciúme visceral indesejado me atingiu como uma
tonelada de tijolos.
Eu sabia que o nome dela era Veronica. Ela era alta, com
longos cabelos castanhos e um rosto lindo. Ela ainda não havia
batido, mas eu a vi se aproximando pela janela da cozinha. Eu só
podia assumir que ela estava aqui por Caleb.

"Oi. E aí?" Eu disse quando abri a porta.

Ela pulou para trás, surpresa. "Oh, desculpe," disse ela. “Ele
disse que estava vindo me encontrar. Eu não ia incomodá-la. Estou
aqui para ver Caleb.”

Grande surpresa.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o som de Caleb


pulando os degraus foi registrado.

"Ei, Veronica." Ele se virou para mim. “Desculpe. Não queria


que você tivesse que atender a porta, Teagan. Veronica me mandou
uma mensagem de que ela estava aqui.”

Dei de ombros. “Oh, não se preocupe. Eu estava perto da porta


de qualquer maneira.”

"Você já conheceu minha pseudo-irmã Teagan antes?" Ele


perguntou a ela.

Pseudo-irmã?

“Não oficialmente. Embora...” ela apertou os olhos. “Eu acho


que você está em biologia comigo, certo?”

“Sim. É, eu te reconheço agora.”


Meus olhos pousaram em sua mão quando tocou as costas
dela, enviando outra pontada de ciúme através de mim.

Eu limpei minha garganta. "Onde vocês estão indo?"

“Na verdade, vamos conferir o cinema na esquina – o sombrio


que sua madrasta mencionou durante o jantar. Syd, não é? Fiquei
curiosamente mórbido sobre isso.”

Doeu um pouco que eles estavam indo para lá. Não sei por
quê.

"Oh." Eu assenti. "Bem, divirtam-se."

"Obrigada." Veronica sorriu. "Nós vamos."

Indo para o cinema em um dia sombrio soava muito bom. Mas


eu poderia ter feito isso sozinha, se eu quisesse. Eu estava
oficialmente me irritando. Caleb era um cara bonito, mas havia
muitos caras bonitos. Eu acreditava que tinha algum tipo de direito
territorial nele porque ele morava aqui?

Observei enquanto eles se afastavam. Qualquer dúvida


patética que eu pudesse ter sobre se eles teriam alguma coisa saiu
pela janela quando o vi puxá-la para perto da calçada e plantar um
longo beijo em seus lábios. Meu estômago revirou enquanto eu os
observava até que eles finalmente desapareceram de vista.

Shelley desceu correndo as escadas, tirando-me dos meus


pensamentos. "Você viu que Caleb tem uma namorada?"
"Como você sabe que ela é namorada dele?" Eu perguntei,
ainda olhando para fora.

"Bem, eu não sei, mas eu os vi se beijando da janela do andar


de cima."

"Você deveria cuidar de seus próprios negócios, em vez de


espionar Caleb."

Eu estava prestes a me virar e descer as escadas quando me


contive. Era típico de mim ter esse tipo de breves interações com
minha irmã e depois me retirar imediatamente para o meu quarto.
Quer eu quisesse admitir ou não, Caleb percebendo meu
comportamento em relação a Shelley meio que me atingiu onde
doía. E eu realmente queria ser melhor, mesmo que meu
relacionamento com minha família sempre tenha sido desafiador.

Eu forcei as palavras. “Você gostaria de ir a Coolidge Corner?


Comer alguma coisa?”

Ela enrugou a testa. “Você acabou de me dizer para cuidar do


meu próprio negócio. Agora você quer me levar para sair?”

“Eu sei. Sinto muito por dizer isso. É natural ser curioso.” Eu
sorri. “Enfim... Eu apenas pensei que talvez devesse passar mais
tempo com você. Quer ir?"

“Caramba, sim, eu quero ir! Preciso de dinheiro?”

“Não. Eu tenho.”
Às vezes, você precisa se forçar a fazer o que é certo, mesmo
que não pareça natural. Talvez, eventualmente, ficasse mais fácil.
Faça de conta até dar certo. Eu precisava trabalhar nas coisas com
minha irmã – e minha família, nesse sentido. Mas um passo de
cada vez.

Shelley e eu acabamos nos divertindo muito naquela tarde.


Fomos comer comida japonesa. Shelley optou pelo hibachi
enquanto eu pedi alguns maki rolls diferentes. O restaurante era
um dos meus favoritos. Eles tinham a melhor sopa de missô e
shumai. Também aconteceu de ser na mesma rua do cinema. Não
pude deixar de me perguntar qual filme Caleb e Veronica haviam
escolhido. Também me perguntei se eles estavam assistindo o filme.

Enquanto comíamos as fatias de laranja que a garçonete


trouxe à nossa mesa junto com a conta, minha irmã disse algo que
me deixou completamente chocada.

"Você sabia que a irmã de Caleb morreu?"

Eu parei de mastigar. "O quê?"

“Sim. Perguntei-lhe se ele tinha algum irmão e ele me disse


que tinha uma irmã que morreu quando eram mais jovens.”
A laranja parecia voltar quando meu coração afundou. “Oh
meu Deus. Isso é terrível. Eu não fazia ideia. Ele disse como
aconteceu?”

"Não."

Nesse momento, ocorreu-me por que ele poderia ter se sentido


tão compelido a me lembrar de não tomar minha irmã como
garantida – ele não tinha mais a dele.

O resto daquele sábado, meu peito estava pesado. Era


impossível pensar em qualquer outra coisa.

Na noite seguinte, eu estava lendo lá embaixo no meu quarto


quando Caleb apareceu na porta.

“Maldita Mensa4, Teagan? Como você pôde esconder isso de


mim?”

Sentindo minhas bochechas esquentarem, fechei meu


livro. "Quem te contou sobre isso?"

"Shelley." Ele entrou e se sentou na beira da minha cama.


“Então é verdade? Você é um gênio?"

4
Mensa : sociedade de mesa redonda onde o critério de elegibilidade é ter um Q.I. alto.
Eu balancei minha cabeça. "Não é grande coisa."

"Não é grande coisa que você é um gênio – a porra de um


gênio?"

Alguns anos atrás, eu tinha feito um teste que me qualificou


na particular sociedade de QI alto. Aqueles que obtiverem
pontuação igual ou superior a noventa e oito percentil nos testes de
inteligência aprovados pela Mensa são membros.

“Não é nada de especial. Significa apenas que posso passar em


um teste.”

“Puta merda. Você não percebe o quão impressionante isso é?”

Dei de ombros. “Quero dizer... Eu nunca penso nisso. Eu...”

“Deixe-me dizer, então. É realmente impressionante.”

"OK. Se você diz…"

O sangue parecia correr para a minha cabeça. Eu não estava


acostumada a elogios, aparentemente.

Ele deitou-se horizontalmente no final da cama, colocando as


mãos atrás da cabeça e olhando para o teto. "Eu sabia que você era
mais do que apenas um rato doméstico."

"Um rato doméstico?" Eu perguntei. "O que é isso?"

Ele riu. “Eu nem tenho certeza. É apenas o primeiro termo que
veio à mente. Talvez seja como, uma criatura que hiberna no porão,
roendo queijo ocasionalmente. Pelo menos agora eu sei que você
está fazendo coisas brilhantes aqui embaixo. Eu daria tudo para ser
capaz de ser bom nos testes.”

"Você me parece alguém muito inteligente."

Ele continuou olhando para o teto enquanto confessava: “Eu


sou esperto, não necessariamente inteligente. Tenho potencial para
ser inteligente, mas me distraio com muita facilidade. Essa é a
minha ruína.”

No momento, eu estava distraída com seu corpo longo e magro


espalhado na minha cama, e com seu cheiro intoxicante, agora
saturando o ar no meu quarto e fazendo minhas pernas parecerem
fracas. Meu santuário silencioso foi dominado por sua energia
masculina.

"Distraído pelo quê?" Eu perguntei.

“Tudo. O cheiro de bacon. Uma menina bonita. Uma mosca na


parede. Canções na minha cabeça. Pensamentos aleatórios.
Anúncios de medicamentos às duas da manhã. Imagens
pornográficas. Você escolhe, isso me distrai.”

"Então, como TDA?"

“Não é como TDA. TODA real. Eu sempre lutei com minha


atenção.”

"Oh, ok."

“Sim. Então, a escola sempre foi um desafio para mim. Levei


alguns anos para reunir coragem para começar a universidade. É
parte do motivo pelo qual estou atrasado no jogo. Sinto como se
fosse oficialmente o calouro mais velho do Northern.”

Como ele era calouro e eu era veterana, às vezes esquecia que


Caleb – aos 22 anos – era três anos mais velho que eu.

Lamento que ele tenha lutado na escola. Era difícil para mim
imaginar, porque os estudos sempre foram tão fáceis para mim. Eu
percebi que tive sorte.

Sugeri algo que esperava não me arrepender. “Bem, se você


quiser estudar junto comigo, avise-me. Posso fazer um teste ou
manter sua responsabilidade, para garantir que você não esteja
brincando.”

O rosto de Caleb se iluminou quando ele se levantou. "Você


está falando sério sobre isso?"

Um pouco insegura no que eu estava me metendo, eu disse:


"Eu não teria oferecido se não estivesse falando sério."

“Eu sei, mas às vezes as pessoas oferecem coisas esperando


que a pessoa realmente não as aceite. Como quando você vê alguém
que não vê há um tempo e diz: 'Deveríamos nos encontrar algum
dia'. Na metade das vezes, você sabe que isso não vai acontecer e
provavelmente nunca mais os verá depois que se afastar. Sou o tipo
de pessoa que, se você me convidar para jantar, estou lhe
mandando uma mensagem imediatamente para marcar uma data.”

"Isso é um pouco chato." Eu ri.


“É chamado de comprometimento. Mais pessoas deveriam se
comprometer com as coisas da vida em vez de apenas falar sobre
elas. Se a vida não passasse de promessas vazias, onde nós
estaríamos?”

"Oh, isso é tão profundo," brinquei.

"Isto é." Ele me deu uma olhada. “Então, de qualquer maneira,


se você fala sério sobre estudar juntos, eu vou aceitar isso. Eu acho
que apenas ter alguém fisicamente lá que também está estudando
pode ajudar minha mente distraída.”

"Sim claro. Por que não? Você sabe onde me encontrar."

"Na sua masmorra." Ele piscou quando colocou a mão


brevemente no meu braço.

Esse único toque enviou uma corrente elétrica através de


mim. Caramba, eu precisava transar.

Suspirei. "Você vai parar de fazer minha necessidade de


privacidade parecer um filme de terror?"

“Você sabe que eu estou brincando, certo? Eu só gosto de


provocar você, porque toda vez que o faço, seu rosto fica vermelho.
Se você não tivesse essa reação, não seria divertido, e eu
provavelmente não faria isso.”

"O que a trouxe para minha masmorra hoje à noite


novamente?"
"Eu descobri que você é um gênio e tive que informá-la,
lembra?"

“Oh, está certo. Minha irmãzinha gosta de conversar, não


gosta?”

“Ela é uma ótima criança. Ela não quer causar mal nenhum.”
Ele sorriu. "Ela me disse que você a levou para sair ontem."

“Sim. Tivemos um bom almoço no restaurante japonês.”

"Significou mais para ela do que você imagina."

O fato de Caleb ter perdido sua irmã ainda estava fortemente


em minha mente. Eu não tinha certeza se deveria perguntar a ele
sobre isso... suponho que ele teria mencionado se quisesse discutir.

Eu mudei para outro assunto. "Como foi o filme ontem... com


Veronica?"

Ele encolheu os ombros. “Foi tudo ok. Era italiano com


legendas. Mas Maura estava certa sobre aquele lugar. Havia
algumas pessoas mal encaradas lá, e isso em uma tarde de sábado
com muitas pessoas de aparência normal por perto.”

“Você já parou para pensar que eu poderia gostar de qualquer


pessoa potencialmente louca que encontrar no cinema? Ou que eu
possa ser um deles?”

"Você levanta um bom argumento." Ele piscou.

Depois de um momento de silêncio constrangedor, eu disse:


"Então... Você e Veronica... Vocês estão namorando..."
Obrigada, capitão Óbvio.

Ele hesitou. "Sim. É novo."

Uma onda de ciúme me atingiu novamente. "Ela é realmente


bonita."

"Sim. De fato, ela é.” Ele sorriu. "E você? Você está com
alguém?"

“Não, não no momento. Meu último relacionamento terminou


alguns meses atrás.”

Eu namorei um cara chamado Thad por alguns meses.


Enquanto ele era muito gentil, eu não queria fazer sexo com ele,
então terminei.

"O que aconteceu?"

"Eu simplesmente não vi sentido em continuar."

Ele riu. “Acho que isso pode ser motivo suficiente. Você não
gostava dele?”

“Ele era legal. Nós nos demos muito bem. Mas eu não estava
tão atraída por ele fisicamente.”

Ele assentiu. "Sim. Atração física é importante. As pessoas


com quem você não se sente fisicamente atraído são chamadas de
amigos.”

Eu ri. "Isso é verdade."

Ele bateu palmas. "Então, quando vamos estudar juntos?"


Eu acho que ele não esqueceu.

"Quando quiser."

“Bem. Às oito amanhã à noite, depois do jantar, parece bom


para mim.”
Shelley enfiou a cabeça no meu quarto na tarde de segunda-
feira depois que eu voltei da aula. Eu tinha acabado de começar
uma série de braço quando ela me interrompeu.

"Quer ver algo engraçado, Caleb?"

Eu abaixei meus pesos. "Fala aí?"

Ela pegou algo em seu telefone.

"O que é isso?"

“É um aplicativo de karaokê onde as pessoas podem cantar e


gravar músicas. Se eles tornarem isso público, estranhos podem
cantar a mesma música e se juntar à sua performance. Então o
aplicativo reúne tudo como um dueto.”

Limpei minha testa com uma toalha. “Isso parece perverso.


Você gosta disso, hein?”

Ela balançou a cabeça. “Não. Mas veja quem é.” Shelley riu
quando me entregou o telefone.
Eu apertei play no vídeo. Levei alguns segundos para perceber
que eu estava assistindo... Teagan. Teagan cantando! Teagan
cantando "Someone Like You", de Adele.

Eu fiquei chocado. Apenas quando você acha que descobriu


sobre a pessoa... A voz dela não era perfeita, mas se expor assim
era impressionante. Anotei mentalmente o nome de usuário dela:
teagirl888.

“Obrigado por compartilhar. Melhor não dizer a ela que eu sei,


no entanto. OK?”

Meu telefone tocou naquele momento, interrompendo a


conversa.

“É melhor eu atender isso. É a minha mãe.” Eu pisquei.

Shelley saiu da sala para me dar um pouco de privacidade.

Eu atendi a ligação. "Ei, mãe."

"Como está meu bebê?"

“Bem. Está tudo bem em casa?” Abri um pacote de Hot


Cheetos. Eu era viciado neles desde que cheguei aqui.

“Sim. Eu só queria verificar você. Não tenho notícias suas há


um tempo.”

“Eu sei. Eu sinto muito. Está corrido aqui. Consegui um


emprego, no entanto.”

"Oh?"
"Sim, eu vou servir mesas em um pub na rua da
universidade."

“Muito bom. Quando começa?”

“Neste fim de semana eles vão me treinar. Também terei


turnos durante a semana.”

“Isso é excelente. E você ainda está gostando da casa em que


vive?”

Coloquei um dos Cheetos na minha boca. “É imensamente


incrível. Meu quarto é maior que a metade do nosso apartamento
em casa.”

“Brilhante. E as pessoas?”

“Os Carrolls são uma família muito legal. O pai, Lorne, é um


homem de verdade, sabe? Como papai. Ele gosta de assistir futebol
americano. Ele é professor. A mãe, Maura, é muito doce. E Shelley,
sua filha de doze anos, é hilária.”

"Você disse que a filha mais velha vai para a faculdade com
você, certo?"

"Sim..." Eu suspirei. “Teagan. No começo, ela era um pouco


irritante comigo, mas estamos nos dando bem agora.”

Mamãe riu. "Por que ela era irritante?"

“Eu não tenho certeza. Eu acho que ela me achou intrusivo.


Ainda não a desvendei. Ela é parte genial, parte extrovertida depois
que você a conhece, aparentemente. Mas devemos estudar juntos
mais tarde. Então, acho que vou conhecê-la.”

“Isso deveria ser... divertido? Parece que ela é muito diferente


da irmã.”

“Teagan não é filha de Maura, na verdade. Ninguém fez


menção à mãe de Teagan, além de Shelley dizendo que ela não está
mais por perto.”

"Significando que ela está morta?"

"Não, ela está viva, eu acho, apenas não acessível."

“Oh isso é interessante. Gostaria de saber qual é a história


nisso. Pobrezinha. Uma garota, especialmente nessa idade, precisa
da mãe.”

“Sim, isso pode explicar por que ela é um pouco vigiada. Eu


gosto dela, no entanto. Parece uma boa pessoa.”

"Sua tia me disse que viu uma foto sua com uma garota no
Instagram – disse que ela era bonita."

Ótimo. Eu tinha esquecido que minha tia intrometida me


vigiava lá.

"Essa é a Veronica."

"Você gosta dela?"

“Apenas começamos a sair. É novo.”


"Bem, tenha cuidado." A voz da minha mãe ficou severa. "Você
sabe o que eu quero dizer."

Revirei os olhos. "Sim, mãe, eu sei."

“Bem, tudo bem então. Eu não vou segurar você.”

Antes que ela desligasse, eu perguntei. "Ei, como está o


papai?"

"Ele está bem. Ocupado como sempre. Você sabe como é."

Suspirei, de repente me sentindo deprimido. "Sim."

Sempre foi minha mãe ligando, nunca meu pai. Nem uma vez
ele telefonou para me checar desde que me mudei para os Estados
Unidos.

“Amo você, meu garoto. Cuide-se.”

“Também te amo, mãe. Eu me cuido.”

Bati em um ritmo alto na porta de Teagan, que estava meio


aberta.

Ela pulou e colocou a mão sobre o peito. "Você me assustou."


"Você não esqueceu nosso encontro para estudar, não é?"

Tirando os fones de ouvido, ela disse: "Não, eu não esqueci."

Dei alguns passos para dentro. "Você não estava no jantar,


então eu pensei que talvez você estivesse me dando um bolo hoje à
noite." Sentei-me em frente a ela na cadeira ao lado de sua mesa.

"Sim, meu estágio no aquário atrasou, então eu comi alguma


coisa no caminho de casa."

"Como está indo?"

“Está tudo bem – perfeito para alguém como eu, que gosta
mais de peixe do que de pessoas. Eu sou estranha assim.”

“Eu gosto disso em você, que você é um pouco estranha. Não


foi muito fácil de descobrir, de qualquer jeito. Isso a torna
interessante – e é melhor ficar com o peixe do que fingir gostar de
pessoas de uma maneira falsa.”

Ela corou, e isso me fez rir. Eu me pergunto se ela estava


perturbada quando entrei porque interrompi uma de suas
apresentações no aplicativo de karaokê.

Teagan correu para abrir seu laptop. “Vamos começar a


estudar. Caso contrário, conversar anula o propósito de estarmos
aqui.”

Hmmm... no momento que você voltou a atenção para Teagan,


ela tentou mudar a atenção para outra coisa.
"Sim, senhora." Eu disse. “Uma disciplinadora. Eu gosto
disso.”

Passamos a hora seguinte alternando entre estudar em


silêncio e Teagan me interrogando sobre algumas questões de
história. Ela também me ajudou a esboçar um ensaio que eu tinha
que fazer para a minha aula de literatura. Algumas pessoas eram
melhores em matemática e ciências, enquanto outras se
destacavam por escrito. Teagan parecia inteligente em tudo.

Voltamos a estudar por um tempo, mas, sendo o mestre da


distração que eu era, minha mente começou a vagar. Bem, na
verdade meus olhos começaram a vagar. Enquanto ela olhava para
o laptop, levei algum tempo para examinar o rosto de Teagan sem
que ela soubesse. É perfeito, de verdade. Ela tinha olhos grandes e
lábios carnudos. Algumas sardas pontilhavam seu nariz pequeno,
que tinha uma pequena protuberância no meio. Seu cabelo estava
em algum lugar entre a cor da areia e de caramelo. Ela
normalmente usava um nó enorme, mas imaginei como poderia
parecer solto. E eu sabia que, por baixo das camadas de roupa que
ela usava como armadura, deve haver um corpo bonito também.
Mas ela tentava como o inferno esconder tudo. Eu me perguntava o
porquê.

Ela, de repente, olhou para cima. "O que você está fazendo?"

Merda. "Estudando…"

“Não, você não está. Você está olhando para mim.”


“OK. Eu estava estudando você.”

Ela virou a cabeça. "Não faça isso."

"Por que não?"

"Porque eu não gosto quando as pessoas olham para mim."


Seus olhos dispararam para o lado, como se ela não quisesse lidar
com a minha reação.

“Eu sei. É por isso que eu estava tentando fazê-lo quando você
não estava prestando atenção.”

"Esquisito."

Na tentativa de não parecer um esquisito, para garantir a ela


que não estava secando-a, acrescentei: “Você é como uma
irmãzinha que eu amo irritar."

Um olhar cruzou seu rosto que parecia um pouco... Decepção.


Será que meu comentário de irmã a aborreceu?

"Bem, pare de ser irritante e volte a estudar," ela exigiu. "Seu


próximo teste é em aproximadamente vinte minutos."

"Merda."

Ela me deu uma olhada e tratou dos seus negócios. Eu tentei


voltar ao que deveria estar fazendo.

Após cerca de dez minutos de trabalho duro, percebi que


talvez a fome fosse a razão pela qual eu estava tendo tantos
problemas para me concentrar. Eu decidi mandar uma mensagem
para ela, mesmo que ela estivesse do meu lado – só para mexer com
ela.

Caleb: O que você está fazendo?

Teagan: Tentando estudar, que é o que VOCÊ deveria estar


fazendo.

Caleb: Eu sinto que já fizemos o suficiente hoje à noite. Não é?


Daria tudo por um lanche.

Teagan: Tudo?

Caleb: Sim.

Teagan: Mas tudo mesmo? LOL

Caleb: Não. Isso só significa que eu estou com muita vontade de


comer algo.
Teagan: Bem, aqui significa outra coisa. Como querer fazer você
me dar.

Eu rio enquanto digitava.

Caleb: Eu definitivamente fiz algumas garotas me darem.

Seus olhos se arregalaram quando ela olhou para mim.

Eu bufei com a reação dela.

Teagan: OMG. Você é nojento.

Caleb: LOL. Você entrou nessa.

Teagan: Então, você está querendo que tipo de lanche?

Caleb: Bem, não um pirulito de boceta ou um doce de pênis.

Teagan: Graças a Deus. LOL.


Caleb: ;)

Teagan: Se você quiser terminar de estudar, podemos parar.

Caleb: Que tal eu subir e fazer alguma coisa para nós? Então
podemos continuar.

Ela fechou o laptop e disse: “Eu gostaria de comer. Eu jantei


muito cedo.”

“Há algo que eu estou com vontade de tentar. Eu nunca tinha


ouvido falar disso antes de vir aqui.”

"O quê?"

"Chama-se s'mores5?"

Ela começou a rir.

"Você está rindo de mim, Teagan?"

“Sim. Do jeito que você disse... Como se não soubesse se


estava dizendo corretamente.”

"Eu não fiz."

5
É um petisco tradicional para fogueiras noturnas, popular nos Estados Unidos e no Canadá, consistindo em
um marshmallow assado no fogo e uma camada de chocolate entre duas fatias de biscoito
"Eles não fazem s’mores na Inglaterra?"

"Se o fazem, nunca ouvi falar."

"Bem, eu duvido que tenhamos as coisas para fazer s’mores


agora”.

Eu pulei do meu lugar. "Vamos à loja então."

“Você não pode simplesmente fazer s’mores. Você precisa


acender uma fogueira. Não é um lanche. É uma experiência.”

"Então, vamos acender uma."

"Você chama isso de uma rápida pausa no estudo?" Ela riu.


“Isso se chama acampar. É muita coisa envolvida.”

“Bem, então, nós temos um problema. Porque uma vez que eu


anseio por algo, não consigo tirá-lo da minha cabeça. Literalmente.
Então, agora temos que fazer isso.”

Teagan levantou-se da cama e colocou o laptop na mesa ao


lado do meu antes de pegar a jaqueta. Surpreendeu-me que ela
estava indo para isso. Eu não havia a considerado uma pessoa
espontânea.

Chegamos a uma loja 24 horas na rua que, felizmente, tinha


todos os ingredientes: marshmallows, chocolate e biscoitos. A data
de vencimento dos biscoitos passou, mas eles teriam que servir.

Trouxemos tudo de volta ao quintal dos Carroll e juntamos


algumas varas para fazer uma fogueira.
Depois que acendemos as chamas, perguntei-me se a irmã
dela poderia querer se juntar a nós. “Shelley está dormindo?” Eu
perguntei.

"Sim. Ela tem escola amanhã. Ela geralmente está na cama às


dez durante a semana.”

"Eu me sinto meio culpado por fazer isso sem ela."

"Sim," disse Teagan. "Tenho certeza que ela adoraria."

"Podemos fazer isso novamente com ela algum dia."

Nesse momento, Maura saiu para o quintal.

Ela puxou o suéter para perto e estremeceu. “Oh, eu não


percebi o que diabos vocês estavam fazendo. Vi chamas da janela e
surtei.”

"Desculpe, Maura," eu disse. "Nós provavelmente deveríamos


ter lhe dito que estávamos fazendo s'mores, para que você não
achasse que houve um incêndio na floresta no seu quintal."

"Ele nunca teve s'mores antes," explicou Teagan.

"Eu não quis interromper." Ela sorriu, olhando entre nós. "Fico
feliz em ver vocês dois se dando bem."

Eu levantei minha bengala. "Você quer ficar e ter algumas


s'mores conosco?"

“Não, obrigada. Vocês se divirtam. Meu livro e um chá quente


estão esperando por mim no fogão a lenha.”
Depois que ela voltou para dentro, joguei mais lenha nas
chamas e virei para Teagan. "Maura parece surpresa que estamos
nos dando bem?" Eu arqueei minha sobrancelha. "Algum motivo em
particular que a surpreenderia?"

"Eu poderia ter falado um pouco sobre você quando você se


mudou."

Ah.

"Eu julguei você, pensando que você estava sendo... Juiz,"


disse ela. "Eu não me sinto mais assim, nem acho que suas
intenções eram ruins."

"Estou feliz que você possa ver isso agora."

Depois que Teagan me ensinou sobre os passos para fazer


s'mores, eu rasguei o saco de marshmallows e coloquei um na
minha boca. Enfiei um graveto no próximo e entreguei a ela.
Passamos os próximos minutos observando silenciosamente a
transformação de nossos marshmallows de branco para marrom
tostado.

Eu levantei o meu. "Parece pronto, sim?"

“Mais do que isso, e vai queimar. Então, sim, isso é perfeito.”

Coloquei o marshmallow sobre um quadrado liso de chocolate


e joguei-o entre dois biscoitos.

Dando uma mordida, suspirei antes de falar com a boca cheia.


“Porra, isso é bom. É a mistura perfeita de sabores.”
Teagan gemeu quando devorou o seu. Foi o som mais
entusiasmado que eu já ouvi sair dela. E isso me excitou um pouco.
Foi a primeira vez que meu corpo reagiu a ela assim, e me pegou de
surpresa.

Eu dei a última mordida. "Então, quantos deles são


permitidos?"

"Quantos você quiser."

"Eu vou continuar fazendo-os, a menos que você me pare, você


sabe."

Ela sorriu. "Vá em frente. É a sua primeira experiência


s'mores. Entendi."

Depois que eu consumi cinco sanduíches consecutivos,


Teagan olhou para mim do outro lado das chamas. "Não vamos
mais estudar hoje à noite, não é?"

"Já que estou prestes a me transformar em um marshmallow e


entrar em combustão, provavelmente não."

O fogo estalou quando nos sentamos em silêncio. Era tão


pacífico e sereno que eu poderia ter adormecido aqui. O leve frio no
ar era o complemento perfeito para o fogo. Algumas folhas das
árvores caíram ao nosso redor quando o vento as soprou. O bairro
dos Carrolls era calmo à noite – definitivamente diferente do que eu
estava acostumado na minha casa.
Minha curiosidade sobre Teagan aumentava a cada minuto
que passava com ela. Decidi fazer uma pergunta que esperava que
não a chateasse. Eu só queria realmente entendê-la.

"O que aconteceu com sua mãe?"

Seus olhos se arregalaram quando encontraram os meus


através do fogo, mas ela não disse nada. Segundos se passaram
enquanto as chamas continuavam crepitando. Eu comecei a me
arrepender da pergunta quando ela finalmente começou a falar.

"Sinceramente, não sei," disse ela, "além do fato de ter saído


logo após o meu nascimento". Ela engoliu, parecendo
desconfortável.

Agora eu definitivamente me arrependi de perguntar.

“Você não precisa falar sobre isso. Eu sei que não é da minha
conta. Eu só fiquei muito curioso. Eu comecei a me sentir bem
perto de todos vocês muito rápido. Minha observação é que Maura,
Lorne e Shelley são como uma família feliz, e você é mais ou menos
isso, mas distante, esse mistério. Parece que falta uma peça de
quebra-cabeça em algum lugar.”

Teagan assentiu e olhou como se estivesse ponderando


minhas palavras. Eu suspeitava que ela estivesse se preparando
para se abrir, então fiquei quieto.

"Minha mãe era uma stripper," ela anunciou de repente. "Você


estava esperando que eu dissesse algo diferente?"
Eu rio, meus olhos arregalados. "Possivelmente."
Não sei por que me abrir com Caleb pareceu natural de
repente. Mas seus olhos permaneceram tão intensamente focados
em mim que eu decidi que ele era apenas uma pessoa
genuinamente curiosa, não julgadora como eu pensava. Talvez
minha atitude tenha mudado por causa do que Shelley me contou
sobre ele perder a irmã. Eu não tinha certeza.

"É tão estranho admitir a coisa de stripper em voz alta, mas é


uma das poucas coisas que sei sobre ela," eu disse. “Eu acho
fascinante, em certo sentido. Mas a parte da stripper é apenas o
começo de uma longa e fodida história, para a qual você
provavelmente não tem tempo.”

A luz do fogo fez os olhos verdes de Caleb brilharem. "Olha,"


disse ele. “Eu me transformei em um marshmallow. Não vou a lugar
nenhum por um tempo. Então, eu tenho tempo, se você quiser falar
sobre isso.” Ele se moveu do outro lado do fogo para o meu lado.
Essa simples mudança de posição foi provavelmente a diferença em
tentar sair dessa conversa, ou seguir adiante. Algo sobre a
proximidade dele, aquela demonstração silenciosa de apoio, foi
suficiente para me fazer apertar o gatilho.
"Eu realmente não falo sobre ela, mas provavelmente eu
deveria falar algumas vezes."

“Eu tenho coisas assim na minha vida. Coisas sobre as quais


eu deveria falar, mas não falo,” ele murmurou. "Acredite em mim."

Eu me perguntei se ele estava se referindo à sua irmã. Fiz uma


pausa, pensando que ele poderia elaborar, mas quando não o fez,
comecei a contar minha história.

"Você sabe que meu pai é professor, obviamente."

"Sim. Claro."

“Bem, anos atrás, quando ele começou, ele se apaixonou por


uma de suas alunas. O nome dela era Ariadne Mellencamp.”

"Nome bonito. Sua mãe?"

"Sim."

"Certo."

"De qualquer forma, eles tiveram um caso de amor muito


proibido e intenso."

Os olhos dele se arregalaram. “Espere, caso? Ele não era


casado com Maura, ou era?”

“Ah não. Isso foi antes de ele conhecer Maura. Meu pai tinha
apenas alguns anos de carreira na época. Ele tinha trinta e poucos
anos e Ariadne tinha apenas vinte anos.”

"OK…"
“Como eu mencionei, ela era uma dançarina exótica. Foi assim
que ela pagou pela faculdade. Meu pai achou que ela era a coisa
mais linda que ele já tinha visto. Ele meio que ficou obcecado por
ela. Quando ele descobriu onde ela trabalhava, foi vê-la dançar uma
noite sem que ela soubesse. Ele ficou no canto onde ela não podia
vê-lo.”

Caleb riu um pouco. "Jesus, Lorne era um perseguidor?"

"Sim." Eu ri. “Eventualmente, eles começaram a se esgueirar


juntos. Ele a mudou para sua casa e cuidou dela. O relacionamento
deles era muito... Sexual.”

Caleb soltou um suspiro. “Estou tão fodidamente intrigado


com essa história que nem é engraçado. Continue.”

Eu nunca disse isso a ninguém antes.

Eu respirei fundo. “Bem, a melhor parte já acabou. Ariadne


era manipuladora. Ela convenceu meu pai a deixar o emprego e
viajar com ela – ele pagando a conta, é claro. Então eles viajaram
pelo mundo por dois anos. Um dos lugares que eles visitaram foi a
Inglaterra, na verdade.”

"Parece uma vida agradável."

"Sim, exceto que ela ficou grávida de mim, e isso meio que
prejudicou o estilo de vida deles."

Sua expressão ficou séria. "Ah... entendo."


“Minha suposta mãe não me queria. Ela queria um aborto.
Mas meu pai implorou para que ela não fizesse. Ele a amava tanto,
e o bebê era uma extensão disso.” Eu brinquei com um pouco de
grama. “Eles conversaram muito sobre isso e, em algum momento,
era tarde demais para abortar a gravidez. Então, ela passou por
esses meses enquanto meu pai cuidava dela.”

Caleb olhou para mim. "E depois que você nasceu?"

“Ela ficou tempo suficiente para me dar à luz. E então ela fez
as malas e foi embora.”

"Bem desse jeito?"

"Sim," eu sussurrei. “Meu pai ficou arrasado por alguns anos


depois disso. De alguma forma, ele conseguiu voltar a ensinar. Ele
encontrou uma creche para mim. Ele funcionava, mas seu coração
estava quebrado. Ele realmente amava Ariadne. E ela era
basicamente apenas egoísta. Ela não queria nada com a própria
filha.” Eu fingi rir. "Mas ela se importava o suficiente para não me
abortar, suponho."

Caleb olhou para o fogo. "Então, depois que ela saiu, seu pai
fez o melhor que pôde..."

"Sim, com o passar do tempo, o efeito que ela teve na vida dele
diminuiu, embora ele nunca pudesse realmente esquecê-la."

"Para onde ela foi quando saiu?"


“Ele não sabe. Ela simplesmente desapareceu. Dezenove anos
depois, ainda não sabemos onde diabos ela está.”

"Você nunca tentou encontrá-la?"

"Para quê?" Joguei os pedaços de grama que reuni no chão.


“Ela não me queria. E vê-la novamente provavelmente machucaria
meu pai. Ela sabe onde encontrá-lo, nós, e nunca tentou.”

Seus olhos se encheram de simpatia. "Justo."

“De qualquer forma, aqueles primeiros anos de me criar


sozinho não foram fáceis para o meu pai. Um dia, ele percebeu que
seria mais econômico encontrar uma babá do que pagar pela creche
onde ele me colocara. Então ele contratou uma mulher em tempo
integral para cuidar de mim.”

"Como isso funcionou?"

Eu sorri. "O nome dela era Maura."

“Realmente... Uau. Sua madrasta.”

"Sim."

“OK. Faz sentido, suponho.”

"Eu sei."

"Acho que sei para onde esta história está indo agora," disse
ele.

“Sim. Então foi isso. Meu pai fez uma vida com Maura. E
mesmo que ela seja a única mãe que eu já conheci, ainda não lhe
dei o respeito que ela merece – chamando-a de mãe. Não sei por que
é tão difícil para mim. Comecei a chamá-la de Maura quando tinha
quatro anos, e ela sempre foi Maura. Mesmo nessa idade, eu sabia
a diferença entre Maura e uma mãe biológica. Talvez se ela tivesse
me criado desde que eu era bebê, as coisas poderiam ter sido
diferentes. Mas na verdade, me lembro da época em que éramos
apenas eu e meu pai – antes de Maura. Eu sabia que ela era minha
babá desde o início, então sempre foi difícil vê-la como minha mãe.
Então, quando Shelley apareceu, observando o relacionamento
mãe-filha, a proximidade delas – é apenas natural. A diferença está
clara para mim. Maura não é minha mãe. Eu não tenho mãe.”

Caleb piscou várias vezes. "É natural com Maura e Shelley, ou


é apenas o fato de você sempre se colocar um escudo e não permitir
que ela seja sua mãe?"

Eu levei um momento para pensar sobre isso. Muito disso foi


minha culpa. "Talvez seja um pouco dos dois."

Ele assentiu. “E seu pai? Como está seu relacionamento com


ele? Eu não fui capaz de entender isso.” Ele colocou a mão no meu
joelho. “Desculpe-me se isso parece uma inquisição. Você não
precisa entrar em detalhes.”

O breve contato de seu toque foi bom.

"Está tudo bem," eu disse. “Eu tenho um relacionamento


muito estranho com meu pai. Ele me ama, mas eu estou sempre
com medo que ele a veja em mim. Ele nunca me disse exatamente
que sou um lembrete doloroso de Ariadne, mas acho que ainda me
preocupo que tudo o que ele vê quando olha para mim seja ela.”

"Você se parece com ela?"

“Eu pareço exatamente com ela. Ele me mostrou uma foto dela
uma vez. Quando eu tinha treze anos, ameacei fugir se ele não me
dissesse a verdade honesta sobre minha mãe e o que aconteceu
entre eles. Ele tinha sido tão insistente em não me dizer até aquele
momento. Todas as informações que tenho hoje vieram basicamente
de uma conversa muito longa.”

"Uma e acabou."

"Sim." Eu ri. “Então, porque eu pareço muito com ela, eu sei


que meu pai deve ver Ariadne sempre que ele olha para mim. E isso
me deixa triste. Eu não quero isso.”

Caleb olhou para o céu noturno. “Você acha que é por isso que
você está meio... Distante da sua família? É como se você estivesse
tentando se esconder de alguma maneira.”

Caleb percebeu as coisas de uma maneira que me


surpreendeu. Esconder era uma boa maneira de descrever o que fiz
quando se tratava da minha família. De muitas maneiras, eu me
sentia uma estranha.

“Eu acho que, de certa forma, eu me sinto uma extensão de


Ariadne, mesmo que eu não a conheça – especialmente porque
agora eu tenho praticamente a idade que ela tinha quando meu pai
a conheceu. É estranho, porque, por mais que ela não me quisesse,
sinto essa estranha conexão com ela – uma conexão com sua
necessidade de fugir. Só não tenho coragem de sair.” Eu sabia que
poderia ter divulgado mais do que deveria. Balançando a cabeça, eu
disse: "Acabei de lhe dizer demais."

“Estou realmente fascinado, Teagan. Obrigado por


compartilhar a história comigo. Honestamente, isso explica muito.”

Eu sorri "Isso conta para o meu primeiro segredo de dez?"

“O fato de você se esconder de tudo porque se sente como um


reflexo de sua mãe que a abandonou? Sim, eu diria que isso conta
para um grande segredo.”

"Sim," eu sussurrei.

Sentamo-nos em um silêncio confortável. Então Caleb me


assustou quando pulou.

"Puta merda, Teagan!"

"O quê?"

"Há um último marshmallow no pacote." Ele sorriu de orelha a


orelha.

Ele tinha um sorriso tão lindo.

"Você me assustou."

“Eu pensei que nós tínhamos terminado com eles. Vou


queimar esse agora, a menos que você queira?”

"Não. Eu estou bem."


Depois de alguns minutos observando-o assar o último
marshmallow, percebi que meus lábios estavam virados para cima.
E eu não sabia quanto tempo eu estava sorrindo. De alguma forma,
ele conseguiu colocar um sorriso no meu rosto hoje à noite, mesmo
que eu tivesse revelado meu segredo mais sombrio.

“Tudo bem, Caleb. Sua vez. Agora você tem que me contar seu
primeiro segredo das dez.”

"Eu já te contei meu primeiro segredo, lembra?"

Eu apertei os olhos. "Não."

“Com certeza. Você sabe que você não foi o responsável pelo
cheiro no banheiro.”

“Ah. Bem, isso é uma espécie de desperdício de segredo.”

"Ainda conta." Ele olhou para as chamas um pouco antes de


se virar para mim, seu olhar mais incendiário que o fogo. “Teagan,
eu tenho segredos, e o meu maior é algo que é muito difícil para eu
dizer em voz alta. Mas talvez com o tempo eu possa falar sobre isso
com você. OK?”

Calafrios percorreram meu corpo. "OK."

Minha mente começou a correr. É sobre a irmã dele? Ele já


havia dito à Shelley que sua irmã morreu, então seu maior segredo
tinha que ser outra coisa.

Percebi naquele momento que meu pseudo-irmão espirituoso e


feliz era muito mais complexo do que eu pensava. Talvez eu não
fosse mais a única nesta casa com problemas. Esse conhecimento
realmente trouxe algum conforto para mim.

Depois que Caleb terminou o marshmallow, ele falou com a


boca cheia. “Isso foi divertido. Como muito, muito divertido.
Obrigado por concordar com isso.”

"Eu não quero que você tenha a ideia de que eu vou deixar
você ficar à toa assim o tempo todo quando você deveria estar
estudando," eu provoquei.

"Entendido."

"Vou ter que começar a estalar o chicote."

Ele sorriu maliciosamente. “Bem, eu não sabia que você


gostava de BDSM. Mas tudo bem... ”

Mesmo no escuro, ele deve ter notado minhas bochechas


ficando vermelhas.

Oh, as imagens que eu conjurei.


Veronica e eu passamos pelo campus em direção à plataforma
do bonde para podermos almoçar na Kenmore Square depois que
nossas aulas do dia terminaram.

Ela parecia ansiosa e não tinha muito a dizer, mas finalmente


se virou para mim. "Então, não me mate."

"Uh..." Eu balancei minha cabeça. "Eu não tenho nenhuma


intenção de fazer isso."

"Você pode, depois de ouvir o que estou prestes a dizer."

Eu parei de andar por um momento. "O que é?"

“Meus pais decidiram viajar por alguns dias. Eles estão aqui.
Meu pai realmente queria ver mais de Boston, então eles decidiram
matar dois coelhos com uma cajadada só – Vieram me ver e fazer
coisas turísticas.”

Continuamos em direção à plataforma. "Isso é brilhante. O que


há de errado nisso?”
“Quando chegarmos ao restaurante, eles estarão lá. Vamos
encontrá-los para o almoço.”

Ugh. Agora eu vi onde isso estava indo. "Oh."

“Eu sei que é muito cedo para conhecer meus pais. Mas eles
viram minha foto com você no Instagram e estão curiosos sobre
com quem estou passando meu tempo.”

Paramos na plataforma para esperar o bonde. Foi uma


emboscada.

Olhando para meus jeans rasgados e capuz preto, eu disse:


"Eu teria me vestido melhor, ou algo assim, se soubesse que
conheceria seus pais hoje.”

Ela colocou a mão no meu peito. “Você parece bem. Apenas


seja seu eu habitual charmoso.”

Minha mente correu durante o passeio de bonde, que foi


apenas uma estação. Eu não tinha ideia do que Veronica havia dito
a seus pais sobre mim. Também nunca discutimos exclusividade,
apesar de eu não namorar mais ninguém desde que cheguei em
Boston. Eles achavam que eu era o namorado dela? Eu era o
namorado dela? Como eu vou me apresentar?

Veronica e eu estávamos nos divertindo, transando e saindo.


Mas eu não estava nem perto do ponto de encontro com os pais.
Quando chegamos ao restaurante, Veronica acenou para um
casal mais velho, que já estavam sentados. Os dois se levantaram
ao mesmo tempo.

"Mamãe e papai, este é Caleb." Ela se virou para mim,


parecendo quase tão nervosa quanto eu. "Caleb, esses são meus
pais, Lawrence e Virginia McCabe."

Estendi minha mão para cada um deles. "Prazer em conhecê-


lo, Sr. e Sra. McCabe."

A mãe dela sorriu. "Eu simplesmente amo seu sotaque."

Essa foi provavelmente a coisa que eu mais ouvi desde que me


mudei para cá. Estava ficando um pouco chato.

"Obrigado."

Sentamos e tudo ficou quieto enquanto os pais dela esperavam


que examinássemos o cardápio. Depois que pedimos, a inquisição
que eu temia começou.

McCabe cruzou os braços. "Então, Caleb, qual é o seu


diploma?"

Tomei um gole da minha água. “Neste momento, eu estou em


estudos gerais. Ainda não descobri o que quero fazer da minha
vida.”

Ele levou um momento para deixar isso entrar. "Você está


relutante em se comprometer."

Aqui vamos nós. "Eu suponho que sim."


"Às vezes na vida, filho, você tem que fazer uma escolha e
agarrar-se a isso."

Eu me endireitei na minha cadeira. “Sim eu entendo isso. A


vida é feita de escolhas. Mas estou relutante em tomar uma decisão
sobre minha carreira agora. Então, eu estou tentando encontrar
minha paixão para que eu possa realmente me concentrar nisso na
pós-graduação. Espero que isso chegue até mim em breve.”

"O que fez você decidir vir à faculdade nos Estados Unidos do
que fazer uma em casa?" A senhora McCabe perguntou.

“Bem, minha universidade tem uma parceria com a Northern,


então eu podia estudar por um ano aqui. Assim, os outros três anos
terminarei em casa.”

Ela pareceu surpresa. "Oh, você não vai ficar aqui pelos quatro
anos?"

“Não senhora. O plano é voltar para casa depois deste ano.”

Veronica ficou tensa. "Você tem a opção de ficar além deste


ano, se quiser?"

Eu não tinha certeza da resposta para isso, mas queria que


Veronica não tivesse me colocado nessa situação. Nós não tínhamos
discutido isso antes, e a primeira vez não deveria ser na frente dos
seus pais.
“Eu realmente não perguntei, mas meu plano sempre foi voltar
para casa. Acho que minha mãe teria minha bunda se eu ficasse
mais de um ano.”

A mãe de Veronica se dirigiu a ela. "Você está preparada para


Caleb sair?" Ela se virou para mim. "Por que você não está levando
nossa filha para a Inglaterra."

Ela disse isso de brincadeira, mas eu sabia que ela estava


falando sério.

Depois que a comida chegou, fiz o meu melhor para enterrar


meu rosto nas minhas fajitas, esperando que o interrogatório
tivesse parado. Eu até fantasiei ir ao banheiro masculino e sair pela
janela.

Depois que os pais dela se foram para visitar o Fenway Park,


dei um grande suspiro de alívio e imediatamente pedi uma cerveja,
agradecendo a Deus que eu tinha idade legal para fazê-lo agora.

Veronica se encolheu. "Sinto muito, eles foram muito difíceis."

Levei cerca de um minuto para responder, minha frustração


aumentando a cada segundo. “O que fez você pensar que era uma
boa ideia me trazer aqui para conhecê-los? Certamente você sabia
como seus pais reagiriam a mim.”

"Eu nunca pensei que seria assim tão estranho."


"Seu pai pensa que eu sou um idiota, porque não tenho
carreira, e sua mãe espera que eu me mude para cá
permanentemente, se eu quiser continuar vendo você."

Veronica parecia que estava prestes a chorar. Eu não quis


aborrecê-la. Eu fiquei perplexo com o comportamento dela.

Tomei um longo gole da minha cerveja. “Vamos esquecer, ok?


Sinto muito por ficar chateado.”

Ela sentou e observou enquanto eu continuava a beber minha


bebida. Por mais que eu insistisse para que ela esquecesse, eu
ainda estava fervendo enquanto olhava pela janela para a agitação
da Kenmore Square. O Sr. McCabe me lembrou muito meu próprio
pai – sua natureza crítica. Talvez fosse por isso que eu estava
passando por um momento tão difícil.

Permaneci em um estado contemplativo até meu telefone


tocar, sinalizando que um texto havia chegado. Provavelmente era a
última coisa que eu esperava: uma mensagem de Maura.

Maura: Teagan está bem. Mas ela foi atacada no cinema Syd
hoje. Ela parou o cara antes que algo terrível acontecesse. Não
acredito que meu pior medo se tornou realidade.

O quê?
Eu me levantei do meu lugar. “Eu tenho que sair. Algo
aconteceu em casa. Não há tempo para explicar. Eu vou te mandar
uma mensagem em breve.” Eu nem sequer fiz contato visual com
Veronica enquanto me afastava.

Meu pulso disparou quando eu saí do restaurante e corri pela


Beacon Street em direção ao Brookline. Eu teria pulado em um
bonde, mas não havia nenhum se aproximando que eu pudesse ver.
Então, nesse ponto, o caminho mais rápido para casa era correr.

Quando cheguei em casa, todos haviam cercado Teagan na


sala de estar. Além de uma contusão no rosto, ela parecia bem –
fisicamente, pelo menos.

Eu ofeguei por causa da minha corrida. "Você está bem?"

Em vez de responder, Teagan perguntou: "Você correu para


casa?"

"Sim. Ouvi dizer que você estava machucada, então cheguei


aqui o mais rápido que pude.”

Maura sorriu para mim com simpatia. Lorne parecia mais


irritado do que eu já tinha visto, e Shelley parecia completamente
assustada.

Eu queria perguntar à Teagan exatamente o que havia


acontecido, mas não tinha certeza de que ela gostaria de repetir o
momento novamente. Em vez disso, sentei-me ao seu lado e não
disse nada. Ela deve ter visto as muitas perguntas escritas em todo
o meu rosto, porque ela começou a falar.
“Então, eu estava sentada no meu lugar de sempre. Eu pensei
que estava sozinha. Mas, aparentemente, havia um homem em
algum lugar do cinema. Ou ele me viu do lado de fora e me seguiu,
ou ele já estava lá. Ele veio ao meu lado e colocou a mão na minha
boca. Comecei a chutar e gritar, mas minha voz estava abafada. Ele
disse que tinha uma faca, mas estava escuro demais para dizer se
ele realmente tinha. Felizmente, eu tinha o botão de pânico que
sempre mantenho comigo. Aquilo emite um som alto. Eu fui capaz
de enfiar a mão no bolso e pega-lo. Quando o ativei, um funcionário
entrou no cinema e o homem me soltou.”

Meu coração estava palpitando. Teagan e eu não nos


conhecíamos há muito tempo, mas cresceu em mim um sentimento
forte de cuidado com ela e com todos os outros nesta casa. O
pensamento de alguém tentando machucá-la trouxe uma raiva
protetora em mim.

"Quando ele fugiu, eu corri atrás dele," continuou ela. "Tudo o


que eu conseguia pensar era que, se não o pegasse, ele faria isso
com outras pessoas." Ela olhou para a irmã. "Pensei em Shelley."

Ela correu atrás dele?

“Então eu corri o mais rápido que pude, e o funcionário do


cinema correu comigo. Quando o alcançamos, conseguimos
imobilizar o cara no chão até a polícia chegar.”

“Puta merda, Teagan. Você o pegou?”


Ela conseguiu dar um leve sorriso. “Eles me levaram à
delegacia para interrogatório. E agora ele está sob custódia.
Aparentemente, ele é um criminoso sexual registrado.”

Teagan tinha chegado tão perto de ser estuprada naquele


cinema. E em vez de fugir quando teve a chance, ela correu na
direção dele. A coragem dela me impressionou. Eu estava tão
orgulhoso dela.

"Eu farei pessoalmente o que for preciso para que ele fique
atrás das grades," disse Lorne.

"Obrigada, pai," ela sussurrou.

"Posso pegar alguma coisa para você?" Maura perguntou a ela.

"Não. Estou bem. Talvez eu ainda esteja em choque. Eu não


sei."

Shelley abraçou a irmã. Foi bom ver que em um momento


como esse, Teagan não estava empurrando sua família para longe.
Mas eu sabia que sua tolerância era limitada para ser sufocada.

Depois de vários minutos sentados com todos em choque, ela


pediu licença para seu quarto.

Juntei-me ao resto da família, dando-lhe espaço, mas não


consegui me concentrar em nada pelo resto da tarde.

Mais tarde, Teagan não quis subir para jantar, então todo
mundo comeu em silêncio. Eu tinha certeza de que todas as
pessoas na mesa estavam revivendo os eventos dessa tarde em suas
mentes.

Em uma tentativa contínua de deixar Teagan descansar, voltei


ao meu quarto depois do jantar. Fiquei chocado quando ela me
enviou uma mensagem.

Teagan: Não se esqueça, hoje é a nossa sessão de estudo às 8.

O quê? Ela está falando sério?

Caleb: Eu assumi que você não estaria bem para isso.

Teagan: Qualquer coisa para sair dessa, hein, Yates?

Caleb: Você me pegou. Sempre o preguiçoso. Eu vou descer em


dez.

Não se passou nem dez minutos antes de eu descer as


escadas. Teagan claramente não esperava por mim tão cedo, porque
quando eu estava na porta, eu a encontrei enxugando lágrimas dos
olhos. Talvez eu tivesse entrado quando finalmente o que aconteceu
hoje a atingiu.

Quando ela me viu, ela enxugou os olhos novamente e fungou.


"Desculpa."

“Porra, Teagan. Não peça desculpas.” Eu me mexi para sentar


na beira da sua cama, colocando meu laptop ao meu lado. Meu
peito estava apertado, e as palavras certas não saíam.

Ela falou antes que eu tivesse a chance de descobrir o que


dizer. "Você sabe do que eu estou mais chateada?"

"O quê?"

“O fato de Maura estar certa. Você sabe quanto tempo eu


defendi aquele lugar maldito, argumentei que era seguro?”

"Eu disse a você que achei perigoso, mas também nunca


imaginei que algo assim acontecesse."

Ela olhou para a colcha por um tempo e depois olhou para


mim. “Você me pegou chorando... Porque eu deixei minha mente ir
para aquele lugar 'e se' por um momento, mas eu não posso fazer
isso. O pior não aconteceu. Eu só preciso ser grata.”

“Você foi esperta por ter esse botão de pânico no bolso. Você se
salvou.”

“Eu tive sorte. Não importa quão inteligente você seja, quão
rico ou pobre, como você se parece, se alguém está atacando você,
você depende da sua força física – sua vontade de arriscar sua vida
para fugir.” Ela balançou a cabeça, como se para impedir-se de
pensar muito sobre isso. "De qualquer forma, vamos ao trabalho."

Estudar no momento não parecia certo. "Você tem certeza que


quer estudar hoje à noite?" Eu perguntei. “Podemos apenas
conversar ou sair. Você teve um dia e tanto.”

"Na verdade, acho que estudar me ajudará a tirar as coisas da


cabeça."

"Certo. Bom o bastante."

Nós nos concentramos direto em nossa lição de casa. E eu fiz o


meu melhor para me concentrar. Como sempre, ela parou em um
determinado momento para me interrogar. Dessa vez, eu me
arrepiei, mas não queria admitir que era porque também não
conseguia parar de me perguntar sobre os 'e se' de hoje – a mesma
coisa que eu disse a ela para não fazer.

"Desculpa. Estou particularmente mau essa noite, não estou?”


Eu finalmente disse.

“Está bem. Acho que podemos jogar fora esse dia”. Ela fechou
o laptop. “Você sabe o que mais é realmente uma merda? Eu
adorava ir àquele cinema idiota. Era o meu lugar. Agora, acho que
não posso voltar sem pensar no que aconteceu hoje.”

O fato de ela considerar voltar para lá me deixou perplexo.


Mas se houvesse algum lugar que eu adorasse ir e alguém tivesse
tirado isso de mim, eu poderia ter me sentido da mesma maneira.
"Você pode ser capaz de voltar um dia."

Ela exalou. "Onde você estava hoje quando Maura te mandou


uma mensagem sobre mim?"

Eu ri um pouco, lembrando-me do meu encontro miserável


com os pais de Veronica. Foi a primeira vez que pensei nisso desde
que cheguei em casa.

Revirei os olhos. "Oh, isso é uma história para outro dia."

"Não. Conte-me."

Suspirei. “Bem, Veronica e eu tínhamos planos de almoço na


Kenmore Square, só que ela não me disse que incluía conhecer os
pais dela. Foi uma espécie de emboscada.”

Teagan estreitou os olhos. "Eu não sabia que vocês estavam


tão sérios."

“Não estamos. Quero dizer, acho que não estamos vendo


outras pessoas, mas, na minha opinião, conhecer os pais foi
prematuro.”

"Como eles eram?"

“Como meu maior pesadelo. O pai dela questionou minha


decisão de me formar em estudos gerais, e sua mãe basicamente
disse que eu poderia terminar com a filha agora se planejasse voltar
para a Inglaterra.”

"Ai."
“Sim. Eles acabaram saindo para passear. Então pedi uma
cerveja e bebi um pouco antes de receber o texto de Maura sobre
você. Então eu saí e deixei Veronica sentada lá.”

Os olhos dela se arregalaram. “Você contou a ela o que


aconteceu? Por que você foi embora?”

“Não. Só que algo aconteceu em casa. Eu enviei uma


mensagem para ela mais tarde para explicar e me desculpar por
sair repentinamente de lá.”

"Você correu da Kenmore Square?"

“Claro. Eu estava enlouquecendo, pensando que você estava


machucada.”

O que eu deixei de mencionar foi o quão irritada Veronica


estava depois que eu a deixei no restaurante. Ela não entendeu
minha reação. Eu não esperava que ela entendesse também,
considerando que ela e eu nunca discutimos minha amizade com
Teagan.

Teagan piscou. "Obrigada por se importar tanto."

“Claro. Vocês são como uma segunda família para mim. Não
podia imaginar nada acontecendo com você, Teagan.”

Eu queria dizer isso. Teagan não tinha ideia dos problemas


com os quais lidei em casa. Estar aqui com os Carrolls era como
uma lufada de ar fresco.
Ela olhou para fora. Novamente, sua mente parecia deslizar
para um lugar contemplativo. Supus que quando você
experimentou um evento traumático, a realização vinha em ondas.

"Faço tudo ao meu alcance para esconder sexualidade," ela


finalmente disse. “E, no entanto, apenas sendo mulher, sou um
alvo. É tão assustador.”

“Mesmo se você estivesse exibindo sua sexualidade, não teria


sido sua culpa. Nunca é culpa de alguém que uma pessoa doente
decide atacá-la.”

Ficamos em silêncio por um tempo.

"Posso te contar um segredo?" Eu finalmente disse.

"Este seria o seu segundo segredo de dez, portanto, certifique-


se de que seja bom." Ela sorriu.

É bom vê-la sorrir.

“Ok, então eu devo esclarecer que não é oficialmente um


segredo, porque eu meio que insinuei isso antes, principalmente
quando falamos sobre sua inteligência, mas hoje isso se aplica mais
ao seu caráter geral. Não tenho certeza se alguém lhe contou isso,
mas você deveria saber.”

"O quê?"

"Você é fodona, Teagan."

“Esse é o seu segredo? Que eu sou durona?”


"Sim."

Sua boca se curvou em outro sorriso. "Bem, obrigada."

"Você realmente é. E acho que precisamos celebrar esse fato


hoje à noite.”

"Como vamos fazer exatamente isso?"

"Spoiler: não estudando."

"Bem, isso é obvio."

“Vou te dar uma dica do que eu gostaria de fazer para


comemorar seu momento de durona. Começa com um S e rima com
floors6.”

Ela levou um segundo para refletir. "Você quer comemorar


com s'mores."

"Eu pensei que você nunca perguntaria."

"Nós não fizemos s'mores na outra noite?"

“Eu não posso evitar. Eu acho que sou viciado em s'mores e


Hot Cheetos. Duas coisas que não tenho em casa. Eu preciso me
encher enquanto estou aqui.”

"Você pode fazer s'mores em casa."

6
Floors (piso em inglês)
“Eu suponho. Embora eu não me veja acendendo uma
fogueira do lado de fora do nosso apartamento sem ter realmente
um quintal. Certamente isso não é permitido.”

"Sim, isso provavelmente não vai funcionar."

Eu fiquei de pé. "O que você diz?"

"Eu digo que você é louco." Ela encolheu os ombros. "Mas


vamos fazer isso."
Uma semana depois, eu estava no meu quarto quando percebi
que havia deixado passar uma notificação de que alguém havia
participado de uma de minhas apresentações no aplicativo de
cantar. Isso raramente acontecia comigo.

Eu o abri e vi o nome do usuário: S'moresDude.

Meu coração acelerou quando eu cliquei nele e vi o rosto


sorridente de Caleb na pré-visualização.

Oh meu Deus!

Não, ele não fez.

Como ele soube disso? Tinha que ser Shelley. Ela costumava
furtar meu telefone antes de conseguir o seu próprio. Eu vou matá-
la!

Depois de pressionar o play, não pude deixar de rir como uma


tola enquanto assistia nosso dueto, uma tela dividida de Caleb e eu
cantando "Someone Like You" de Adele. Nossas vozes se
misturaram bem, seu barítono profundo complementando minha
soprano. Foi meio legal, na verdade.
A expressão exageradamente séria em seu rosto enquanto ele
cantava me quebrou, e a voz de Caleb era muito boa. Eu não era
profissional, mas podia cantar uma música, e aparentemente ele
também. Atrevo-me a dizer que sua voz era melhor que a minha. Eu
sempre fazia isso por diversão, para me soltar, não porque achava
que tinha algo a oferecer no departamento de canto.
Estranhamente, embora eu tendesse a me sentir desconfortável por
me expressar em torno de pessoas que conhecia, não tive
problemas em interagir com estranhos. Ninguém me conhecia no
aplicativo – até agora. Era um lugar onde eu podia deixar minhas
inibições irem e não serem julgadas ou reconhecidas. Ou assim eu
pensei.

Saí do aplicativo e cliquei no ícone do meu texto.

Teagan: Eu nem vou perguntar como você descobriu o aplicativo


de canto.

Os pontos dançaram quando ele digitou uma resposta.

Caleb: Você demorou demais! Eu estava morrendo de


curiosidade para saber sua reação há dois dias.
Teagan: Você é louco. E eu te odeio por fazer isso. Mas isso me
fez rachar de rir.

Caleb: Eu acho que somos uma ameaça para a carreira do


Shawn Mendes e da Camila Cabello, não é?

Teagan: Eu não desistiria do seu trabalho ainda, S'moresDude.

Eu ainda estava sorrindo de orelha a orelha quando Kai veio


visitar um pouco mais tarde.

Estávamos curtindo no meu quarto. Eu escolhi não contar à


Kai sobre o ataque no cinema porque não queria lidar com a reação
dela. Eu esperava que ela não tivesse visto a história no noticiário,
embora meu nome não tenha sido mencionado. Entre conversar
com a polícia na semana passada e repetir tudo com a minha
família, eu não queria revivê-lo novamente. Então, estávamos
fazendo o que fazem duas garotas sem nada demais para discutir:
passar tempo em nossos telefones e ignorar uma à outra.

“Vi Caleb beijando Veronica na Coolidge Corner ontem. Ele a


prendeu contra a parede de um prédio de tijolos. Acho que eles
ainda estão fortes.”

Levantei os olhos do meu telefone. "Por que você está me


contando isso?" Meu tom era definitivamente defensivo.
“Eu não sei. Estou apenas fofocando, eu acho. Normalmente
você gosta disso.”

"Sim, bem, eu não preciso saber sobre Caleb."

Ela estreitou os olhos. "Você está... A fim dele agora ou algo


assim?"

“Claro que não. Por que você diria isso? Ele é basicamente
como meu irmão neste momento,” eu menti.

Não havia nada em Caleb que o fazia parecer um irmão. Mas


fingir era minha maneira de esconder qualquer sentimento que eu
pudesse ter por ele.

"Por que eu diria isso?" Ela perguntou. "Porque você acabou de


gritar por dizer algo que eu observei."

"Entendo que foi apenas uma observação, mas é sobre a qual


não preciso ser informada."

Kai olhou para mim por alguns segundos. "Porque você gosta
dele."

Meu pulso começou a acelerar. "Não."

"Por que mais isso te incomodaria tanto?"

"Isso não me incomoda."

“Olha, eu entendi. Ele é super gostoso, e de tudo o que posso


dizer, muito doce e gentil. Você me disse que vocês estão se dando
bem ultimamente. Por que você não ficaria com ciúmes?”
“Isso não é novidade. Eu sei que ele está com Veronica. Eu sei
que ele faz sexo com ela. O fato de que eles estavam se beijando é
apenas... Nenhuma novidade.”

Kai olhou para mim e sorriu. "Há quanto tempo você está
apaixonada pelo Caleb?"

Comecei a sentir minha testa suar. Eu instintivamente limpei.


"Eu não estou apaixonada por ele." Percebendo que minha reação
física poderia estar me denunciando, decidi conceder. "Mas estou
começando a ter carinho por dele."

"Defina carinho por ele."

Levantei-me e fui até a janela para esconder meu rosto


dela. "Não importa. Ele tem uma namorada."

"E se ele não tivesse?"

"Então, eu ainda manteria meus sentimentos para mim,


porque ele vai voltar para Londres no final do ano letivo, e nada de
bom poderia vir se eu me apegar." Eu me virei para encará-la. “Mas,
aqui está porque, realmente, não deveríamos ter essa conversa:
Caleb não gosta de mim dessa maneira. Ele me chama de 'pseudo-
irmã' e, embora ele goste de estar ao meu redor e possa ser um
pouco protetor, ele não estaria interessado em mim.”

“Bem, você não faz nada para sugerir que pode estar aberta a
qualquer coisa. Quando foi a última vez que você soltou o cabelo ou
vestiu algo feminino?”
“Feminino não é meu estilo. Eu sou uma garota de jeans e
camiseta. Você sabe disso."

“Você é linda, Teagan. E a única razão pela qual você não está
com alguém agora é porque você escolheu não estar.”

"Eu fiquei com Thad por três meses."

Ela inclinou a cabeça. "E como isso acabou?"

"Eu terminei porque não estava sexualmente atraída por ele."

“Ok, mas você sabia que não havia química sexual antes de
começarem a namorar. Eu acho que você escolhe intencionalmente
pessoas pelas quais não é sexualmente atraída, porque não quer se
preocupar com sexo, ou com todos os sentimentos que o
acompanham.”

“Eu tive sexo.”

"Uma vez na escola, 'apenas para terminar', como você diz,


realmente não conta, Teagan."

"Claro que sim."

"Você teve um orgasmo?"

"Não."

“Sexo sem orgasmo é como uma vela sem fogo. Sem utilidade.
Realmente não conta.”
No dia seguinte, eu estava saindo do campus quando Caleb
veio correndo pelo gramado.

"Teagan, espere." Ele estava um pouco sem fôlego quando


chegou a mim. "Ei!"

Eu sorri "Oi."

Ele deu um sorriso largo quando se juntou a minha


caminhada. "Você está voltando para casa?"

"Sim."

"Eu também."

"Eu pensei que você trabalhava às quartas-feiras depois da


aula," eu disse.

“Troquei com um amigo. Em vez disso, trabalharei no último


turno.”

"Acabei de ver Veronica subir no Bonde."

"Sim," ele disse. "Ela vai fazer compras na Newbury Street com
alguns amigos."

“Oh. Chique.”

"Ela gosta de gastar dinheiro."


"Ela vem de berço de ouro, não é?"

“Os pais dela são ricos, sim. Então, naturalmente, eles adoram
o fato de que ela está perdendo seu tempo namorando um
vagabundo que está deixando o país em menos de um ano.”

Eu odiei que ele disse isso. Pessoalmente, eu senti que


Veronica era a garota mais sortuda do campus – talvez do mundo –
por estar com Caleb.

"Ela poderia escolher quase qualquer cara aqui," eu disse.


“Mas ela escolheu você. Você é carismático e interessante em
comparação com as opções dos caras monótonos. Então,
obviamente, ela não concorda que estar com você é uma perda de
tempo.”

“Você está tentando me fazer sentir melhor comigo mesmo,


Teagan? Você deveria estar esvaziando o meu ego, não o tornando
maior.” Ele piscou.

"Por mais agradável que seja lançar insultos em você, também


tenho que ser honesta, às vezes."

Ele cutucou seu ombro no meu. “Bem, obrigado por esse


elogio. De verdade."

Sentindo-me corada, mudei de assunto, lembrando-me de


uma história que queria contar a ele. “Oh meu Deus. Você nunca
vai acreditar em quem eu encontrei hoje.”

"Mark Wahlberg."
"O que?" Eu ri. "Não! Por que você pensou nele?”

"Porque ouvi dizer que ele estava na área filmando um filme."

"Sério? Droga. Eu não me importaria de encontrá-lo, mas


não.”

"Você gosta de Marky Mark, hein?"

"Sim. Mas, infelizmente, não foi ele que encontrei. Foi Bo


Cheng.”

“Ah, o bom e velho Bo Cheng. Como está meu parceiro?”

“Imagine isso... eu estava na frente desse cara na fila de


saladas do restaurante no grêmio estudantil. E ele começou a
espirrar repetidamente. Você sabe como quando alguém espirra,
você diz 'Deus te abençoe'?”

"Sim."

“Bem, eu tive que continuar dizendo isso repetidas vezes, até


que era idiota continuar, porque ele estava espirrando muito. Então
eles chamaram o nome dele para atender seu pedido. Era Bo. E
percebi que era o Bo Cheng.”

"O mito, a lenda!"

“Sim. Não apenas isso, mas me ocorreu que o motivo pelo qual
ele estava espirrando era eu!”

Caleb riu. “Você é uma reação alérgica ambulante, Teagan.


Comédia, porra. Você disse a ele quem você era?”
“Não. Não tinha por quê. Mas devo ter germes de gatos por
toda a minha camisa, o que faz sentido desde que eu estava
aconchegando-me com Catlin Jenner esta manhã.”

Praticamente chorando, ele enxugou os olhos. "Esse foi o


acontecimento mais engraçado do dia."

Eu estava ansiosa para contar a Caleb isso desde que


aconteceu. Sua reação foi ainda melhor do que eu esperava.

Caleb se elevava sobre mim enquanto caminhávamos pela


Beacon Street. Eu não tinha certeza se alguma vez percebi o quanto
ele era mais alto que eu. Era raro andar com ele assim.
Normalmente estávamos sentados um em frente ao outro.

Estávamos prestes a passar pelo cinema – o meu agora


proibido lugar favorito. E caramba, eles estavam passando um filme
que eu realmente queria ver. Caleb provavelmente assumiu que o
olhar no meu rosto quando vi o anúncio era devido ao ataque. Mas
não foi.

"Você está bem?" Ele perguntou.

"Sim. Isso me irrita. Eu quero ver esse filme.”

Ele parou de andar. “Realmente? Foda-se, então. Vamos


assistir. Eu não acho que você deveria ir lá sozinha, mas eu estarei
com você.”

Eu hesitei. "Eu não quero fazer você perder tempo apenas para
me proteger."
"Você está de brincadeira? Eu amo filmes sobre...” Ele fez uma
pausa e olhou para a placa. "Amor em Praga."

“Não é esse que eu quero ver. O assassinato.”

"Tanto faz." Ele sorriu e gesticulou com a cabeça. "Vamos."

Um sentimento desconfortável tomou conta de mim enquanto


eu seguia Caleb para o cinema. Mas, a cada segundo que passava,
esse sentimento era substituído pelo poder. Eu me acomodei no
assento ao lado dele, e era bom estar de volta e ter meu amigo
comigo. Foi o melhor dos dois mundos: poder apreciar o filme e,
também me sentir segura. As chances de ser atacada duas vezes
aqui eram provavelmente bem pequenas, mas, de forma nenhuma
eu estaria me arriscando.

Eu também não me importei de ter a oportunidade de me


sentar com Caleb por algumas horas. Quando estudamos juntos,
nunca chegamos tão perto. Mas ele sempre cheirava tão bem, e
quanto mais perto eu estava, melhor para sentir. Pensei em entrar
furtivamente em seu quarto quando ele não estava em casa para
ver que perfume ele usava. Eu poderia comprá-lo e ainda conseguir
senti-lo depois que ele voltar para a Inglaterra. Eu nunca admitiria
isso para ninguém, é claro. Eu me odiava por pensar assim. Nada
de bom viria da minha atração por Caleb. Mesmo se ele não
estivesse saindo, ele estava completamente fora do meu alcance. Eu
só precisava agradecer que ele era doce o suficiente para me
acompanhar aqui hoje.

O filme começou e ele pareceu gostar.


No meio do filme, notei que a linguagem corporal de Caleb
havia mudado. Durante uma cena em que a heroína foi sequestrada
e enfiada no porta-malas de um carro, Caleb começou a se mexer, e
sua mão, que estava apoiada no braço da cadeira, tremeu um
pouco. Sua respiração ficou irregular quando o personagem do
filme começou a gritar por sua vida.

"Eu preciso sair," ele disse de repente.

O que está acontecendo?

Sem questionar, eu o segui para fora do cinema.

Caleb ofegou quando fizemos o nosso caminho para a calçada.


Ele se sentou no chão e não disse nada enquanto eu me sentava ao
lado dele.

Essa cena aparentemente desencadeou essa terrível reação, e


eu não conseguia entender o porquê. Eu suspeitava que tivesse algo
a ver com o grande segredo que ele disse que poderia me contar um
dia. Caleb tinha sido abusado? Alguém já tentou sequestrá-lo e
colocá-lo em um porta malas?

“Eu não vou fazer você falar sobre o que aconteceu lá. Mas se
você quiser, eu estou aqui. Eu não vou deixar você. Seja o que for,
você está bem. Tudo vai ficar bem."

Ele soltou um suspiro e assentiu, ainda tentando ganhar a


compostura.
Então ele pegou minha mão e enlaçou seus dedos com os
meus. Não era um gesto romântico. Eu sabia. Ele me procurou por
apoio, porque eu estava lá. Mas também porque ele confiava em
mim, como eu confiava nele.

Ficamos lá na calçada por um tempo indeterminado, Caleb


descansando a cabeça contra a parede de tijolos do cinema e eu
alternando entre observá-lo e distribuir olhares maldosos aos
espectadores por torcerem o nariz para nós por estarmos no
chão. Eu tinha certeza de que alguns pensavam que estávamos
prestes a pedir esmola.

Caleb finalmente se virou para mim. "Eu acho que essa merda
de cinema é amaldiçoado."

Ele conseguiu rir, então eu segui o exemplo. Ainda estávamos


de mãos dadas quando ele se levantou e me puxou junto com ele.
Só então ele me soltou. Por mais que o que aconteceu tenha sido
horrível, eu certamente gostei do seu toque.

"Vamos para casa," disse ele.

Eu assenti.

Caminhamos juntos em silêncio enquanto as folhas de outono


trituravam sob nossos pés na calçada.

Uma vez de volta em casa, Caleb foi direto para o quarto dele,
e eu passei o resto da tarde no meu quarto, incapaz de parar de
pensar em seu surto. Doeu-me saber que algo o havia
traumatizado.
Caleb não estava no jantar naquela noite, o que não me
surpreendeu, já que ele me disse que tinha que trabalhar até fechar
o restaurante.

Mais tarde, depois das 23 horas, ele apareceu na porta externa


que dava para o meu quarto. Em vez de entrar em casa pela frente
com a chave, ele escolheu passar pelo quintal. Ele nunca havia
entrado por aquela porta antes.

Levantei-me para deixá-lo entrar.

"Eu acordei você?" Ele perguntou.

Voltando para a cama, eu disse: “Não, de jeito nenhum. Eu


estava apenas assistindo um programa no meu laptop.”

Ele começou a deitar ao meu lado na cama – outra primeira


vez. Ele encostou a cabeça na cabeceira da cama e fechou os olhos.

Depois de um minuto, ele se virou para mim. “Sinto muito por


hoje, Teagan. Era tudo que eu conseguia pensar hoje à noite no
trabalho. Eu deveria estar apoiando você e estraguei tudo.”

Eu me mudei para encará-lo. "Você está de brincadeira? Você


não me deve um pedido de desculpas. Claramente o filme provocou
uma memória ruim para você. Eu entendi aquilo. Você não pôde
evitar.”

“Você que deveria ser a pessoa traumatizada por causa do


cinema, não eu. Sinto-me um pouco envergonhado pela forma como
reagi. Desculpa.”

“Caleb, sério. Por favor, pare de se desculpar. Você não tem


nada para se envergonhar."

“Mas eu faço, Teagan. Realmente tenho, e você nem sabe a


metade disso.”

Quando ele olhou para mim de novo, a dor em seus olhos era
tão palpável que eu praticamente podia senti-la apertando meu
peito.

"Fiz uma coisa terrível," disse ele.

Meu coração afundou, mas, por alguma razão, nada disso me


assustou. Eu sabia pela expressão de dor em seu rosto que ele não
poderia ter intencionalmente feito nada terrível. O que quer que
fosse, claramente o encheu de tristeza e arrependimento.

“Você pode me dizer. Eu prometo que não vou julgá-lo. Eu não


ligo para o que é”. Quando ele ficou calado, eu disse: "Eu também
fiz coisas terríveis.”

Ele olhou para mim enquanto eu vomitava a primeira coisa


que me veio à mente.
“Uma vez, quando Maura estava comendo uma asa de frango,
desejei que ela se engasgasse. Eu realmente não quis dizer isso.
Mas eu tive o pensamento, no entanto.”

Ele abriu um leve sorriso, e isso por si só fez a minha ridícula


confissão valer a pena. Aquele breve alívio de sua dor, no entanto,
não fez nada para me preparar para o que ele disse a seguir. Nada
poderia ter.

"Teagan..." Ele fez uma pausa. "Eu matei minha irmã."


Eu nunca pronunciei essas palavras em voz alta. Eu não tinha
planejado admitir isso para ninguém aqui, muito menos para
Teagan. Mas, depois do que aconteceu hoje, senti que lhe devia
uma explicação. Uma parte de mim queria contar a ela, não apenas
para explicar as coisas, mas porque sua própria honestidade havia
me inspirado a querer me abrir para ela também. Isso
simplesmente não aconteceu tão organicamente quanto eu
esperava. O que aconteceu no cinema me roubou essa
oportunidade, não me deixando outra opção senão forçá-lo a sair.

"Tudo bem," disse ela depois de um momento. “A propósito,


ainda não estou julgando você. Só para você saber.”

Eu a amava por dizer isso, porque me deu coragem para


continuar falando.

“É difícil falar sobre isso, porque falar me obriga a pensar


sobre isso. E quando penso nisso, eu desligo.”

"Tudo bem se isso acontecer," disse ela. "Não há pressa."


Respirei fundo e exalei até que não houvesse mais ar em mim.
“O nome da minha irmãzinha era Emma. Ela e eu, éramos unha e
carne quando crianças. Nós só tínhamos um ano de diferença.
Embora mal me lembro dela, tenho pequenos vislumbres — o
suficiente para saber que ela estava realmente lá e eu realmente a
amava.”

Apesar do aperto no meu peito, eu continuei. “Em uma tarde,


meus pais nos deixaram com uma babá. Tínhamos quatro e três
anos na época. Nós dois éramos crianças fáceis de vigiar. Nós
tínhamos um ao outro, então apenas brincávamos juntos.”

Teagan se agarrou a cada palavra, um olhar de antecipação


temerosa em seu rosto. Ela assentiu em silêncio.

"Tínhamos esse baú de brinquedos, uma grande caixa de


madeira que minha mãe herdara da sua avó." Fechei os olhos
brevemente. “Eu pensei que seria engraçado se eu esvaziasse todos
os brinquedos e minha irmã entrasse enquanto eu fechava a
tampa. Então ela poderia pular como um macaco da caixa. E nós
rimos disso. Tínhamos tantos brinquedos dentro que o baú sempre
ficava aberto.”

Teagan piscou mais rápido enquanto parecia entender para


onde isso poderia estar indo.

"Supus que seria capaz de abri-lo e deixá-la sair depois de


alguns segundos." Engoli. "Mas uma vez que ela entrou, o baú
pesado trancou e eu não consegui abri-lo."
Teagan agarrou meu braço quando eu fechei meus olhos. Não
havia como voltar agora. Eu tive que contar o resto.

Minha voz falhou. "Minha irmã estava chutando e gritando, e


não havia nada que eu pudesse fazer porque estava apenas...
Trancado."

Teagan apertou meu braço.

“Entrei em pânico – corri para encontrar a babá. Porque


supostamente deveríamos estar cochilando, a babá tinha saído para
um cigarro. Eu gritei e gritei até que ela finalmente me ouviu e
voltou.” Eu parei. “Corremos de volta para o andar de cima, e ela
também não conseguiu abrir o baú. Naquele momento, minha irmã
havia parado...” minhas palavras sumiram.

Ela apertou meu braço novamente. "Você não precisa dizer


isso."

Sentindo-me exausto, assenti, aceitando sua permissão para


não continuar.

Ficamos um pouco em silêncio até que eu disse: “Não há como


prever quando algo vai acionar a memória. Essa cena no filme
obviamente fez isso. Mas já vi coisas semelhantes antes e não tive
problemas. Por alguma razão, não pude controlar minha reação
hoje.”

"Eu entendo completamente agora."


“Eu tento muito bloquear isso e não pensar sobre. Mesmo
depois de anos de terapia, não é algo que eu possa superar.”

Teagan olhou nos meus olhos. "Eu sei que, em algum nível,
você sabe disso... Mas não foi sua culpa."

Eu já tinha ouvido isso antes, mas nunca consegui aceitar.

“Eu fechei a tampa. Eu disse a ela para entrar. Mesmo não


pretendendo que ela morresse, eu causei isso. Foi ideia minha e, de
fato, foi minha culpa, Teagan. Não era minha intenção, mas sempre
será minha culpa.”

Ela parecia perdida. Como alguém poderia argumentar? Não


podia culpá-los por tentar, mas o fato de eu ter causado a morte de
minha irmã não estava para debate.

"Durante muito tempo, quando criança, não fui capaz de ver


fotos de Emma," disse a ela. “Parte da minha terapia foi aprender a
tolerar. Eu me sentava lá, chorava e sofria a cada segundo
agonizante de ter que olhar para o seu lindo sorriso, percebendo
que eu tinha causado o fim dela. Eu nunca fui capaz de lidar com
isso fora do consultório do terapeuta. Eventualmente, minha mãe
cedeu e tirou a maioria das fotos. Só espero que onde quer que
Emma esteja agora, ela possa me perdoar.”

"Você parou a terapia?"

“Eu fui desde os cinco aos doze anos. Acabou por ser muito
caro. Mas estou começando a pensar que voltar pode me fazer
bem.”
“Não é algo que você supere, eu imagino. Apenas algo que você
aprende a conviver,” disse ela.

Eu assenti. “Não é apenas a perda da pessoa, sabe? Mas os


efeitos duradouros sobre aqueles deixados para trás. Meu pai se
ressente de mim, se ele percebe isso ou não. Ele sempre me tratou
terrivelmente, e acredito que é porque, em algum nível, ele não pode
me perdoar. Ele sabe que não era minha intenção machucar minha
irmã, mas ele não pode ver além do que eu fiz. Se eu não tivesse
tomado essa decisão estúpida, ela ainda estaria viva. E ele não pode
deixar isso ir. Nem eu posso."

"Lamento ouvir isso sobre o seu pai."

“Passei minha vida inteira tentando fazer as pazes com ele,


mas nunca é bom o suficiente, porque nada que eu faça pode trazer
minha irmã de volta. Ele me evita na maioria das vezes, distanciou-
se da minha mãe e de mim, no geral.”

"Você e sua mãe são próximos?"

“Sim. Minha mãe é ótima.”

"Ela deve sentir sua falta."

“Ela sente. Mas ela verifica muitas vezes. Vir aqui era tanto
para escapar da situação com meu pai quanto para experimentar
um novo lugar. Aqui, eu me sinto desejado. Por mais que minha
mãe me ame, eu simplesmente não me sinto desejado em casa por
causa de meu pai.”
Teagan continuou a olhar para mim, absorvendo tudo isso.
Abençoada seja por ser uma boa ouvinte e por lidar com essa
porcaria hoje à noite.

Eu forcei um sorriso. “Vê? Você pensou que era a única com


problemas, Teagan. Você estava tão errada.”

"Não acho que haja comparação..."

"Exatamente. Estou muito mais fodido do que você.”

Ela balançou a cabeça. "Não foi isso que eu quis dizer, apenas
que estamos fodidos de maneiras diferentes."

“Bem-vindo ao clube dos ferrados pelos pais. Pegue um lugar.


Fique um pouco." Eu sorri e olhei nos olhos dela. "Obrigado por
ouvir."

“Claro. Eu estava super preocupada com você o dia todo. Fico


feliz que você veio falar comigo.”

Eu definitivamente me senti melhor agora que eu deixei sair.


"Eu também."

Ela hesitou. "Veronica sabe?"

“Não. Eu disse a ela que minha irmã morreu em um acidente,


mas não contei as circunstâncias. Eu realmente não queria ir a este
lugar na frente dela. Não sei por quê. Eu acho que estou mais
confortável em alguns aspectos ao seu redor. Não sinto que você
julga.”

Ela assentiu. "Eu sou mais defensora do que uma juíza."


Eu levantei minha sobrancelha. "Possivelmente."

“Mas, falando sério, Caleb, você nunca terá que se preocupar


comigo, julgando você por isso. Nunca. OK?”

Eu não merecia a aceitação dela, mas aceitei. "Obrigado,


Teagan."

Eu olhei para a hora. Era tarde. No entanto, eu não estava


com vontade de me mover desse lugar. Mas, mesmo que eu me fiz
confortável na cama de Teagan, não era legal para mim ficar aqui
indefinidamente.

Forçando-me, eu disse: "De qualquer forma, eu vou deixar


você dormir."

"Você não precisa ir," ela respondeu.

Eu não quero ir. Mas eu preciso.

"É melhor eu ir. Está tarde."

Ela se levantou da cama também. "OK…"

Nós nos encaramos por mais de alguns segundos, e eu tive a


súbita vontade de abraçá-la. Parecia a coisa natural a se fazer
depois que ela me deixou derramar minha alma.

Então eu fiz.

No momento em que me inclinei, ela caiu nos meus braços,


acolhendo isso. Seus seios macios pressionaram contra o meu
torso. O não julgamento de que falou se manifestou através de seu
toque. Nos braços dela, eu me senti verdadeiramente aceito. Eu me
senti tão bem. Bem demais. Tão bem como ‘mais que um amigo’.
‘Mais que um amigo’, ótimo, de fato. Portanto, perigoso.

Seu coração batia contra mim, e eu tinha certeza que ela podia
sentir o meu também. O topo da cabeça dela estava bem contra o
meu peito. Tomei um longo suspiro do cabelo dela e me forcei a
voltar.

Olhamo-nos por mais alguns segundos antes de eu acenar e


sair do quarto.

Quando subi, meu coração continuou disparado.


Mesmo depois de alguns dias, eu não conseguia tirar da mente
a admissão de Caleb. Foi provavelmente a coisa mais comovente
que eu poderia ter imaginado.

Então minha mente vagou para o abraço que ele me deu.


Embora fosse inocente, o calor de seu peito pressionado contra o
meu acendeu um fogo dentro de mim, um que ainda parecia estar
fervendo. Uma coisa tão simples, e meu corpo saiu completamente
de contexto. Eu me perguntei se ele havia notado como meu
coração estava batendo fora de controle. Minha reação foi
completamente inadequada, dadas as tristes circunstâncias, mas
eu não pude evitar o quão atraída eu estava por ele. Apesar de não
querer me apaixonar por Caleb, isso parecia exatamente o que
estava acontecendo.

Eu esperava esbarrar nele, mas ele não estava por aqui


ultimamente. Subi para ver o que conseguia descobrir.

"Caleb está em casa?" Eu perguntei à Maura.


Ela balançou a cabeça. “Eu o peguei quando ele estava indo
para a casa de Veronica. Ele disse que ia passar a noite lá. Ele
queria me dizer para não me preocupar. Ele é tão atencioso.”

Meu estômago afundou quando tentei parecer indiferente. “Oh.


OK. Ele normalmente não faz isso – passa a noite lá.”

“Eu sei. As coisas devem estar ficando sérias entre eles.”


Maura inclinou a cabeça. "Como você se sente sobre isso?"

"Como eu deveria me sentir?" Eu respondi defensivamente.


"Por que eu sentiria algo sobre isso?"

“Você e ele parecem se dar muito bem. Só me perguntei se


talvez você...”

Quando ela hesitou, terminei sua frase. "Se eu tenho


sentimentos por ele?"

“Bem, sim. Quero dizer, ele é obviamente um cara muito


bonito. E eu não sei... Desde aquela noite em que saí e encontrei
vocês dois fazendo besteiras, pensei que poderia haver... alguma
coisa lá.”

Minha boca se fechou. Eu, com certeza, não queria admitir


para Maura que eu tinha uma queda por Caleb. Mas eu temia que
negar isso, de alguma forma, tornaria tudo ainda mais óbvio. Então
eu não disse nada. Eu era muito boa nisso.

"Você sempre resistiu em se abrir para mim," disse ela. “Não


há muito que eu possa fazer para mudar isso, porque quanto mais
eu tento, mais você se retrai. Mas quero lembrá-la novamente que
estou do seu lado. Você pode me dizer qualquer coisa, e eu vou
ouvir, Teagan. Não trouxe Caleb ao assunto para te envergonhar.
Eu apenas sinto algo entre vocês e pensei que talvez você gostaria
de falar sobre isso. Eu sei que não é da minha conta. Você tem
dezenove anos agora – uma adulta. Pelo menos, se você não me
deixa ser sua mãe, deixe-me ser sua amiga.”

Não havia razão para eu continuar colocando Maura para


fora. Eu simplesmente não sabia como deixá-la entrar.

“Sinto muito, Maura. Sou eu, não você.”

"Eu estou preocupada com você," ela admitiu.

Por causa de Caleb? "Por quê?"

“Eu sinto que você pode estar escondendo suas emoções desde
o ataque. Tem certeza de que não quer que eu te encontre um
terapeuta?”

Oh “Se eu fosse a um terapeuta, provavelmente já deveria ter


ido há muito tempo por outras razões além do que aconteceu no
cinema. Eu realmente estou bem.”

Não entendi por que não fiquei mais traumatizada pelo ataque.
Eu tive um bom momento para chorar naquela noite – a noite em
que Caleb entrou e me viu chorando – mas eu não tinha
experimentado nada assim desde então. Ultimamente, eu estava
pensando em Caleb, imaginando se ele estava bem, porque ele
parecia estar me evitando desde a noite em que me contou sobre
sua irmã. Ele cancelou nossa última sessão de estudo sem motivo
real. Eu sentia falta de sair com ele, mas também reconheci que
meus sentimentos eram perigosos.

Eu precisava terminar essa conversa. “Obrigada por sempre


estar lá, Maura. Eu sei que você quer meu bem. E me desculpe se
parece que eu não aprecio.”

“Eu só quero que você seja feliz, Teagan. Você está em uma
idade difícil. Contanto que você saiba que pode me procurar sobre
qualquer coisa...”

"Eu sei. Obrigada."

Mais tarde naquela noite, Caleb mandou uma mensagem, o


que foi estranho, considerando que ele estava dormindo na casa de
Veronica.

Caleb: Então, quando você imaginou Maura engasgando-se com


um osso de galinha, era de um churrasco ou frango frito?

Oh meu Deus.
Teagan: Eu esperava que você não se lembrasse dessa
admissão.

Caleb: Eu me lembro de tudo. Então você está sem sorte.

Teagan: Ótimo.

Caleb: Então foi frito? Talvez um pouco de queijo azul ao lado?

Teagan: Teriyaki. LOL.

Alguns segundos depois, ele respondeu.

Caleb: Desculpe por não estar por perto para estudar


ultimamente.

Teagan: Desculpas. Desculpas.


Caleb: Voltarei aos trilhos na próxima semana.

Meu estômago deu um pequeno mergulho com a perspectiva.

Teagan: O que você está fazendo agora?

Caleb: Veronica está dormindo e estou entediado. Achei que eu


poderia provocar você.

Teagan: Por que você não está dormindo?

Caleb: Por que você não está dormindo?

Teagan: Tomei duas xícaras de café depois do jantar.

Caleb: Eu só estou acordado sem motivo.

Ele mandou uma mensagem novamente antes que eu tivesse a


chance de responder.
Caleb: Eu também queria agradecer por ouvir na outra noite.

Teagan: Eu estava preocupada que talvez você estivesse me


evitando porque se sentia envergonhado ou algo assim.

Caleb: Não é isso. Acho que só precisava de um tempo. Sei que,


assim que olhar para você, começarei a sentir algumas dessas
emoções novamente. Porque agora você sabe, e não há como
esconder isso. É complicado, eu acho. Eu precisei de alguns dias.

A confirmação de que ele estava intencionalmente longe me


deixou um pouco triste, mas eu entendi.

Teagan: Entendi.

Caleb: Eu senti falta de estudar com você.

Eu queria dar um tapa na minha cara por sentir um


formigamento. Eu gostei de ouvir isso. Mais uma vez a prova de que
eu não conseguia controlar meus sentimentos – sobre um cara que
me via como uma irmã. Então eu comecei a analisar demais.
Ocorreu-me que talvez ele gostasse de mim porque eu o lembrei de
como teria sido se sua irmã estivesse viva. Ela era mais nova que
ele. Eu também.

Eu gostaria de poder vê-lo como um irmão. Isso tornaria as


coisas muito menos complicadas. Eu odiava sentir ciúmes por ele
dormir no Veronica. Mas não pude evitar.

Caleb: Como está indo o estágio?

Teagan: Eu tenho uma nova tarefa no aquário, mas estou


relutante em falar sobre isso com você.

Caleb: Por quê?

Teagan: Porque você vai rir de mim.

Caleb: Eu prometo que não vou. Conte-me.

Apenas digitar as palavras me fez rir.


Teagan: Eu tenho que me vestir de golfinho e distribuir
ingressos para o show de golfinhos.

Ele não respondeu imediatamente. Então eu digitei


novamente.

Teagan: Pare de rir. Você disse que não faria.

Os pontinhos dançavam ao redor enquanto eu esperava sua


resposta.

Caleb: Acontece que rir é involuntário.

Teagan: Suspiro.

Caleb: Eu devo ir para ver isso.

Teagan: Por favor, não.

Caleb: Você leva de boa isso.


Teagan: Eu não tive escolha!

Caleb: Você poderia ter lutado contra isso. Mas tenho certeza
que você foi com o fluxo.

Fui acusada de esconder minha feminilidade. Mas agora eu


sabia que nada faz você se sentir menos feminina do que uma
roupa de golfinho peluda. Eu definitivamente não precisava me
preocupar com alguém dando em cima de mim no trabalho agora.

Decidi enviar a ele uma foto que meu colega de trabalho havia
tirado de mim na fantasia.

Teagan: Pensei em poupar a viagem.

Cerca de um minuto se passou. Então ele respondeu.

Caleb: Eu acho que quase acordei Veronica. Isso está muito


divertido.

Teagan: Ainda bem que pude fazer você sorrir.


Caleb: Você sempre me faz sorrir, mesmo quando não está
vestida com uma fantasia ridícula.

Eu queria estrangular meu coração por bater tão rápido.


Minha própria opinião sobre mim não se alinhava com isso.

Teagan: Por que eu faço você sorrir? Em geral, sou uma pessoa
bastante infeliz.

Eu esperei para sempre por sua resposta.

Caleb: Eu não compro isso. Você gosta de guardar para si


mesma, mas isso não te faz uma pessoa infeliz. Quando você sorri, é
genuíno. Um sorriso genuíno vale mais do que mil sorrisos falsos.
Você não é capaz de ser falsa.

Ele claramente viu algo em mim que eu não vi.

Teagan: E você? Com que frequência seus sorrisos são reais?


Quantas vezes você finge?
Caleb: Eu fingi menos desde que cheguei aqui.

Caleb: E eu nunca fingi ao seu redor.

Meu coração acelerou.

Teagan: Estou feliz.

Caleb: Não tenho certeza se quero voltar para casa, mas sei que
preciso. Minha mente não vagueia tanto por lugares escuros aqui.

Ele só estava aqui há alguns meses, mas a ideia de Caleb


partir já me deixou ansiosa. Ele me fez sentir menos sozinha, como
se finalmente houvesse alguém nesta casa que me entendesse um
pouco.

Teagan: Minha mente também vagueia por lugares escuros.

Após vários segundos de vazio, ele respondeu novamente.


Caleb: Diga-me o seu pensamento mais sombrio, e eu direi o
meu. As águas turvas são menos assustadoras para navegar
quando não estamos sozinhos.

Eu não tive que pensar sobre isso. Meu pensamento mais


sombrio foi recorrente.

Teagan: Meu pensamento mais sombrio é que minha mãe


estava certa – que ela não deveria ter me tido. Sempre que me sinto
deslocada ou desapegada de tudo ao meu redor, acho que talvez
seja porque não deveria estar aqui.

Pude ver que ele estava digitando alguma coisa.

Caleb: Nossos pensamentos mais sombrios têm um tema


semelhante. O meu é que eu desejo com todo o meu coração e alma
que tivesse sido eu a subir naquele baú em vez de Emma. Então,
você e eu somos duas pessoas que se perguntam se pertencemos
aqui. Nós temos isso em comum.

Uau. Eu acho que sim.


Teagan: Eu definitivamente me sinto menos sozinha desde que
você chegou.

Eu não tinha a intenção de ser tão sincera. Eu gostaria de


poder voltar atrás até sua resposta.

Caleb: Você não é a única, Teagan.


Era sete da noite, pouco antes do jantar. Eu estava ansioso
para passar minha primeira noite de volta à casa em alguns dias e
retomar minhas sessões de estudo com Teagan hoje à noite.

A campainha tocou e Maura foi atender. Então ouvi meu nome


ser chamado por alguém com sotaque britânico. Desci as escadas
para verificar as coisas, e a visão do meu amigo do Reino Unido
parado na porta quase tirou o ar dos meus pulmões.

O que diabos ele está fazendo aqui?

Archie me viu no topo da escada e estendeu as mãos.


"Surpresa!"

Desci correndo as escadas. “O que está acontecendo? Por que


você está aqui?"

"É bom ver você também, parceiro."

Maura sorriu largamente, provavelmente pensando que era


uma surpresa agradável. Realmente não era. Isso foi estranho.

“Estou apenas chocado. Você não me disse que estava vindo.”


"Eu sei. Era para ser uma surpresa. Sua mãe me deu o
endereço. Eu me inscrevi para um trabalho de três meses aqui nos
Estados Unidos e não tinha certeza se conseguiria. Finalmente
recebi a confirmação há algumas semanas. E aqui estou eu."

"Quem é esse adorável jovem, Caleb?" Maura perguntou.

Ele respondeu antes que eu tivesse a chance. "Eu sou o


melhor amigo de Caleb, Archie."

Melhor amigo? Isso foi um pouco exagerado. Archie e eu nos


conhecíamos desde a infância, sim. Mas eu nunca me referi a ele
como meu melhor amigo. Eu tinha um amigo em casa chamado
Charlie, a quem eu dei a posição. Archie era mais uma pessoa que
sempre ficava próxima, uma da qual eu não conseguia me livrar —
como uma verruga.

"Você deve ficar para o jantar," disse Maura.

Archie olhou entre Maura e eu. "Você tem certeza? Não quero
me intrometer.”

Claro que não.


Todos se reuniram à mesa para o famoso espaguete e
almôndegas de Maura.

Acabei de entrar na sala de jantar com Archie depois de


mostrar a ele meu quarto e o resto da casa.

"Prazer em conhecê-lo, Archie," disse Shelley antes que eu


tivesse a chance de apresentá-lo a alguém.

"Quem é essa adorável dama?" Ele perguntou.

"Esta é minha pseudo-irmã, Shelley," eu disse antes de olhar


para Teagan, que já estava sentada. "E esta é... Teagan." Eu não
sabia o que Teagan era para mim no momento, apenas que ela
significava muito mais do que quando tinha me mudado.

Teagan assentiu e sorriu, mas não se incomodou em levantar


ou estender a mão. Típico de Teagan – guardada e distante,
exatamente do mesmo jeito que eu comecei a gostar dela.
Especialmente agora. Eu estava perfeitamente bem com ela
mantendo a guarda em torno desse cara. Eu não queria Archie em
qualquer lugar perto dela.

Quando estávamos sentados em nossos assentos, Maura


começou a fazer perguntas. A inquisição amigável me lembrou um
pouco da minha primeira noite aqui.

"Então me conte sobre o que a traz a Boston, Archie."

“Eu me formei na universidade no ano passado e consegui um


emprego para uma empresa biomédica. Temos um cliente aqui em
Boston. É uma tarefa de três meses para ajudá-los no design de um
novo produto.” Ele olhou para mim. "Eu realmente esperava
conseguir, pois sabia que meu amigo estava aqui."

Lorne falou com a boca cheia de macarrão. "Onde você vai


ficar?"

“Bem, minha empresa me deu uma bolsa, mas ainda estou


tentando resolver isso. Não é fácil encontrar algo por apenas alguns
meses. Eu tinha combinado alugar um quarto de uma garota em
Dorchester, mas ela está com problemas para tirar o ocupante
anterior.”

Maura balançou a cabeça. “Absurdo. Temos um quarto extra


no andar de cima. Está apenas sem uso como minha sala de
costura. Você pode ficar livre de taxa e ficar com a bolsa.”

Eu amava Maura, mas agora eu meio que queria matá-la —


com um osso de galinha, talvez.

Archie parecia uma criança na manhã de Natal. "Você tem


certeza?"

"Você é amigo de Caleb, então você vem pré-aprovado, certo?"

Ele se virou para mim. "Tudo bem para você, Caleb?"

O que eu devo falar? "Sim, é claro," eu ofereci com relutância.

Ele olhou de volta para Maura. “Isso é incrível. Não posso


agradecer o suficiente.”
Eu suspirei internamente. Estar nos Estados Unidos foi minha
fuga de casa e de todas as pessoas de lá. Archie explodiu aqui como
uma tempestade indesejada. Ele roubou um pouco da paz que eu
não poderia pegar de volta.

"Há quanto tempo vocês são amigos?" Shelley perguntou.

"Nós crescemos na mesma rua," respondeu Archie. "Moramos


perto um do outro a vida toda."

Foi exatamente por isso que eu não precisava morar com ele
agora. Eu respirei fundo. Não que eu visse Archie como um inimigo.
Mas ele sempre foi competitivo, constantemente tentando me
superar. Se minha mãe me inscrevesse em um esporte, ele fazia sua
mãe o inscrever para o mesmo time e depois me superava. Parecia
que em qualquer lugar que eu fosse, eu não poderia escapar dele. E
a situação atual não foi diferente.

"Então eu aposto que você poderia nos contar algumas


histórias divertidas sobre o nosso garoto Caleb." Maura piscou.

"Tirei algumas fotos de nossa infância com as quais


certamente poderia chantagear Caleb, principalmente nossos dias
de sapateado."

Ótimo. Aqui vamos nós.

Teagan abriu um sorriso. Imaginei que ela voltaria com esse


assunto depois.
Eu senti a necessidade de explicar. “A mãe de Archie era
instrutora de dança. Ela sempre reclamava que não havia meninos
suficientes matriculados nas aulas de sapateado. Ela perguntou à
minha mãe se eu estaria interessado em aulas gratuitas. Minha
mãe achou que era uma ideia brilhante, então ela me registrou. A
mãe de Archie também o matriculou. Então aí está.”

Os olhos de Shelley quase saltaram de sua cabeça. “Você


dançou? Eu tenho que ver isso.”

Archie piscou. "Isso pode ser arranjado."

Teagan, ainda quieta, parecia mais divertida do que nunca.

Archie notou que ela amoleceu e tomou como sugestão para


começar a falar com ela. "Teagan, onde você estuda?"

"Eu vou para o Northern com Caleb."

“Ah. OK. Então, obviamente, você escolheu não ir para muito


longe para ir à universidade.”

"Pensei em me mudar para a faculdade, mas no final, Boston


tem tantas opções excelentes e não precisar me preocupar em pagar
pela moradia – essa situação fazia mais sentido."

Os olhos de Archie desceram para os seus seios e meu pulso


disparou. Teagan usava uma camisa xadrez aberta com uma blusa
preta por baixo. Uma pequena quantidade de decote aparecia
através do topo. Um sinal que estava bem entre seus seios entrou
na minha percepção pela primeira vez. De todas as noites para ela
mostrar o máximo de pele que eu já vi, tinha que ser hoje à noite?

"Eu adoraria que você me mostrasse a cidade um dia... Desde


que você cresceu aqui," disse Archie. "Você provavelmente sabe
onde está a ação melhor que meu amigo aqui."

Eu senti minha pressão arterial subir. Ele certamente não


estava perdendo tempo para tentar entrar nas calças de Teagan.

Ela fez uma pausa, parecendo incerta sobre concordar. Então


ela deu de ombros. "Certo."

Archie olhou para Maura. "Mais uma vez, não posso agradecer
o suficiente pela oferta para ficar aqui."

"Minha mãe gosta de alugar quartos para estrangeiros," disse


Shelley.

“Não interprete isso mal,” disse Maura rindo. “Eles sempre são
cuidadosamente examinados. Mas se tivermos espaço, por que não?
Esta cidade está cheia de estudantes internacionais e pessoas que
precisam de um lugar para ficar.” Ela sorriu. "De qualquer forma,
você não é um estranho como algumas das pessoas que alugaram
um quarto aqui."

“Costumava ser gatos perdidos. Agora são pessoas perdidas,”


Lorne rachou.

Archie sorriu. "Miau?"

Todo mundo riu, exceto eu.


O nível de conforto que encontrei aqui, a sensação de que de
alguma forma pisei em um oásis longe da Inglaterra, acabou. Mas
minhas mãos estavam atadas. O que eu deveria contar para
Maura? Para renegar sua oferta, porque, embora Archie e eu
fôssemos amigos, ele me irrita? Eu não poderia colocá-la nessa
posição. Ela já havia oferecido a ele um quarto. Ele já tinha
aceitado. Então agora meu trabalho era garantir que ele não
colocasse as mãos em Teagan.

Naquela noite, quando fui ao quarto de Teagan para nossa


sessão de estudo, ela imediatamente perguntou: "Então, qual é o
problema com você e Archie?"

"O que você quer dizer?" Eu perguntei quando me sentei na


cadeira dela.

"Você parece desconfortável com ele ficar aqui."

Aqui eu estava pensando que tinha feito um bom trabalho de


escondê-lo. Não queria pintar uma pessoa terrível de Archie, esse
era um problema mais sobre mim do que sobre ele.

“Isso me pegou de surpresa. Eu estava aproveitando a folga de


casa – e todas as coisas que a acompanham.”
"E você se seniu como em casa quando ele entrou pela nossa
porta hoje à noite."

"Sim." Recostei-me no meu assento e chutei minhas pernas no


final da cama dela.

"Isso também me irritaria."

Foi um alívio que ela entendeu para onde eu estava indo.


Suponho que se alguém pudesse se relacionar com a necessidade
de espaço, era Teagan.

"Onde ele está agora?" Ela perguntou.

"Ele foi conhecer alguns de seus colegas para tomar um


drinque no centro.” Abri meu laptop. “De qualquer forma, chega
dele. Estamos atrasados em nossos estudos, graças a mim.”

"Isso é porque você está passando mais noites na Veronica


ultimamente."

Sua voz continha uma pitada de desdém. Ou talvez fosse


minha imaginação.

"Isso te incomoda?" Eu perguntei.

“Não. Por que isso me incomodaria? Ela é sua namorada. Eu


estava apenas apontando. Se você está lá, não pode estar aqui, daí
a falta de estudo.”

Apesar de sua afirmação, seu rosto ficou vermelho.

"Claro," eu disse.
Teagan levantou-se logo depois e abriu a janela do quarto,
embora estivesse congelando. Achei isso um pouco bizarro e me
perguntei se ela estava mentindo para mim.

Felizmente, depois de alguns minutos estranhos, voltamos ao


normal. Teagan me interrogou sobre minhas perguntas de história,
e as coisas pareciam tão confortáveis quanto costumávamos ser. No
entanto, no fundo, eu ainda estava fixado em quão vermelha ela
tinha ficado antes. Teagan tinha sentimentos por mim que foram
além da nossa amizade? Eu senti uma emoção desconfortável. Eu
sabia que nada poderia acontecer, mas o pensamento de estar com
alguém inatingível estava despertando o seu próprio caminho
proibido.

Conseguimos manter o nariz nos livros por um tempo. Em


seguida, dei respostas incorretas a quase metade das perguntas da
segunda rodada de perguntas.

"Você está fora do seu jogo esta noite, Yates."

"Eu sinto muito. Farei melhor da próxima vez. Este dia me


tirou do eixo.”

"Bem, seu exame é amanhã e, infelizmente, isso não se


importa com o tipo de dia que você teve."

"Posso emprestar seu cérebro?" Eu perguntei. "Eu prometo


que vou cuidar bem disso."
“Hummm. Não sei se ele quer passar o dia inteiro na sua
cabeça. Eu posso acabar tendo diversão demais e ter problemas por
ser muito irritante ou algo assim.”

"Muito engraçada, Golfinha." Amassei um pedaço de papel e


joguei para ela.

"Oh, esse é o meu nome?"

“Agora é sim. Na verdade, acho que posso ter um desejo


incontrolável de ir ao show dos golfinhos nesta sexta-feira, para
poder vê-la nesse traje. Esse é o dia em que você distribui os
ingressos, sim?”

"Sim. Entrego para pessoas reais que querem assistir ao show,


não para amigos irritantes que querem tirar sarro de mim em
minha fantasia.”

"Quanto dinheiro eu teria que pagar para que você me


deixasse levá-la para jantar no North End vestida com sua fantasia
de golfinho?"

Ela riu. “Seriamente? Eu posso ser comprada.”

Eu levantei meu queixo. "Quanto?"

Ela coçou a cabeça. "Mil dólares."

"Realmente?"

Teagan mordeu o lábio inferior e sorriu. "Sim."

"Isso é um pouco manejável, pelo menos."


"Você não está falando sério, está?"

"Eu não sei. Eu posso estar."

Ela balançou a cabeça e voltou sua atenção para a tela do


computador. "Você é louco."

Se ela soubesse de todas as maneiras que eu estava


planejando conseguir esse dinheiro.
Eu não tinha a intenção de passar a tarde de sábado com
Archie.

Quando acordei esta manhã, percebi que Caleb havia passado


mais uma noite de sexta-feira na casa da Veronica. Archie estava
tomando café na cozinha sozinho quando entrei. Ele me perguntou
se eu tinha vontade de mostrar os arredores a ele. Sem saber como
sair disso, eu concordei.

Levei-o a todos os lugares típicos: o Jardim Público, o Museu


de Belas Artes, a Praça Copley. Enquanto conversava com ele,
percebi que ele era tão carismático quanto Caleb. Talvez houvesse
algo na água onde eles crescessem que os tornasse assim. Archie
me fez rir muito. Sem mencionar, ele e Caleb eram igualmente
lindos – Archie de uma maneira um pouco mais sombria e
misteriosa.

A única diferença, suponho, era que não confiava em Archie


do jeito que confiava em Caleb. Quero dizer, claro, acabamos de nos
conhecer, mas era mais do que isso. Eu não conseguia entender o
porquê. Às vezes é apenas uma sensação que você tem.
Estranhamente, passar o dia inteiro com seu amigo me fez sentir
falta de Caleb.

Quando voltamos para casa, já era tarde.

"Obrigado por concordar em ser minha guia," disse Archie.

"Sem problemas. A qualquer momento."

Ele passou a mão pela espessa juba de cabelo preto. “Sim? Eu


adoraria sair novamente algum dia então.”

Ele está me convidando para sair?

Sem saber o que dizer, respondi: "Talvez sim." Eu me virei


para ir embora. "Bem, é melhor eu ir verificar o meu... Quarto."

Meu quarto? Acabei de dizer meu quarto?

“Ah sim. O quarto pode estar muito carente,” Ele sorriu.

Eu sorri e desci as escadas, sentindo-me uma idiota total.

Na manhã seguinte, eu sabia que meu pai, Maura e Shelley


tinham ido a um culto na igreja. Minha família não era
particularmente religiosa, mas alguns anos atrás, Maura começou a
se voluntariar em uma igreja congregacional liberal e começaram a
frequentar cultos lá também. Meu pai e Shelley foram junto com
ela.

Os domingos eram, portanto, tipicamente calmos pela manhã.


Eu estava prestes a subir as escadas para tomar um café da manhã
quando ouvi duas vozes na cozinha – duas vozes britânicas. Caleb
deve ter chegado do dormitório da Veronica, tarde da noite ou no
início desta manhã.

"Não esperava vê-lo esta manhã..." ouvi Archie dizer.

O tom de Caleb era amargo. "Por que não? Eu moro aqui."

“Você passou as últimas noites na casa da namorada. Não


sabia que você voltou para casa ontem à noite.”

“Sim, bem, eu fiz. Era tarde.”

“Eu devia estar dormindo. Fiquei exausto depois de um longo


dia de passeios turísticos.”

"Turismo com quem?"

"Teagan me mostrou alguns lugares por Boston."

Eu me preparei para sua resposta, mas ela não veio


imediatamente.

"Ela fez..." Caleb finalmente disse.

“Sim. Ela me levou para alguns dos lugares turísticos. Foi um


tempo muito bom. Ela é uma ótima garota.”
Caleb não disse nada sobre isso, e sem ver seu rosto, era difícil
supor se ele estava com raiva ou não era afetado.

"Como é que eu não conheci sua namorada?" Archie


perguntou. "Você está escondendo-a de mim, ou algo assim?"

“Não. Eu simplesmente não a trago para casa. Não trago


amigos aqui.”

Não tenho certeza se Archie entendeu o sarcasmo, mas eu


certamente entendi.

"Deveríamos sair um dia," disse Archie. "Eu adoraria conhecê-


la."

“Oh sim? Você gosta de ser a pessoa sobrando?” Caleb


provocou.

“Não. Vou perguntar a Teagan se ela quer ir junto.”

Mais uma vez, outra pausa.

"Não tenho tanta certeza de que seja uma boa ideia," disse
Caleb.

Oh?

"Importa-se em me dizer por quê?"

"Teagan não é seu tipo."

O que diabos isso significa?

"Não é meu tipo?"


"Isso mesmo."

“Ela é linda e doce. Por que esse não é o meu tipo?” Archie
perguntou.

Antes que Caleb pudesse responder, ouvi o som de vozes


adicionais. Minha família voltou da igreja, interrompendo a
conversa.

Droga!

Por que eu não era o tipo de Archie? Eu não era bonita o


suficiente... sexy o suficiente? Por que eu não era namorável?

Durante toda a tarde, fiquei obcecada com a resposta à


pergunta de Archie. Eu não podia perguntar exatamente a Caleb o
que ele quis dizer quando eu não deveria ter ouvido a conversa
deles.

Mas eu estava machucada. Fiquei magoada por ele ter


desencorajado seu amigo de me convidar para sair – não porque eu
queria sair com Archie, mas porque eu me importava com o que
Caleb sentia por mim. E se eu não era o tipo de pessoa digna de ser
convidada para sair, que tipo eu era? O tipo de pessoa que você faz
amizade, mas não cobiça, não respeita, não ama? O que ele quis
dizer?

Kai bateu na porta do lado de fora do meu quarto enquanto eu


estava quase sendo engolida por minha própria ansiedade.

Ela franziu a testa quando eu abri a porta. "O que diabos está
acontecendo, Teagan?"

Depois que contei a ela a história do que ouvira, ela pareceu


inflexível de que havia apenas um próximo passo.

"Se Archie te convidar para sair, você vai."

“Mas eu não gosto dele assim. Ele é bonito, mas...”

“Não importa se você gosta dele ou não. Você precisa provar


que Caleb está errado. Você é o tipo de pessoa que Archie gostaria
de namorar.”

Quanto mais ela falava, mais ansiosa eu ficava. Eu nunca me


importei muito com o que as pessoas pensavam de mim. Mas, por
alguma razão, eu me importava com o que Caleb pensava. Ele
realmente me via como alguém para não namorar?

"E quem exatamente é o tipo de pessoa que Archie gostaria de


namorar?" Eu perguntei.

Kai enrolou seus longos cabelos pretos. “Oh, eu não sei. Talvez
alguém que solte o cabelo de vez em quando, alguém que não
esconda o corpo. Alguém com apelo sexual?”
Acenei minha mão com desdém. “Você sabe que isso não sou
eu. Isso não é quem eu sou.”

“Estou bastante ciente disso. Mas isso não é sobre o seu


normal. Trata-se de sair da sua zona de conforto e provar um ponto
ao mesmo tempo. Qualquer cara teria sorte em namorar você.
Quem diz o contrário é um idiota.”

Kai tinha me irritado. Eu nunca admiti a verdadeira razão


para esconder minha sexualidade para ela. Ela não sabia quão
profundamente enraizados meus problemas eram e o quanto eu
sempre tentei não parecer com minha mãe biológica que me
abandonou.

Não era que eu não quisesse experimentar minha sexualidade.


Mesmo que nada estivesse acontecendo entre Caleb e eu, apenas tê-
lo por perto me fez sentir mais conectado ao meu lado feminino – o
lado sexual. Sua presença significava que havia uma energia sexual
na minha vida, gostasse ou não. E gostei principalmente. Ok, eu
adorei – isso é, quando não estava chateada com ele por me
insultar.

Olhando no espelho, eu me perguntei se talvez pudesse


brincar um pouco sobre isso. Eu soltei meu cabelo e o escovei. Era
muito grosso – longo e reto, marrom claro com reflexos loiros
naturais. Eu provavelmente poderia contar com minhas mãos o
número de vezes que o usei solto desde os meus quinze anos.

E não havia nada no meu guarda-roupa que pudesse ser


considerado sexy ou revelador. Isso foi intencional – embora alguns
itens sejam mais atraentes que outros. Minha roupa típica consistia
em camisetas espaçosas, jeans e tênis Converse. Peguei uma das
poucas camisas justas que eu possuía antes de tirar minha
camiseta e me trocar. Os seios amplos que eu tentava esconder
estavam agora completamente delineados pelo tecido fino e
pegajoso. Trocando o jeans, substituí-o por um par de leggings
pretas que abraçavam as curvas. Tirando meu tênis, coloquei um
par de sapatilhas pretas que Maura havia me comprado em um
Natal, provavelmente esperando que eu entendesse a dica. Mas,
infelizmente, a caixa nunca havia sido aberta até agora.

Olhando-me no espelho, inclinei minha cabeça. “Bem, o que


você acha? Ela parece bonita.”

Lembrando que eu tinha maquiagem velha no meu banheiro,


entrei e abri a gaveta, sentindo-me sem noção. O que fazer. O que
fazer. Depois de um momento, percebi que não sabia como aplicar o
delineador. Então, liguei um desses tutoriais do YouTube e observei
uma garota com mais de dois milhões de visualizações aplicar a
maquiagem dos olhos até me sentir confiante o suficiente para
experimentar sua técnica. Demorou cerca de vinte minutos e
algumas tentativas e erros, mas meus olhos estavam agora
totalmente delineados e meus lábios inchados com uma cor malva.
O toque final foi um pouco de blush nas minhas bochechas.
Inicialmente, passei demais e tive que limpar um pouco. Quando
terminei, consegui alcançar o que sempre tentara evitar: parecia-me
ainda mais com Ariadne.

Pensando bem, hesitei antes de subir para o jantar de


domingo. Mas não ia ficar mais fácil, então me dei uma cutucada
mental e subi as escadas.

Quando entrei na sala de jantar, todas as cabeças se viraram


na minha direção. O tempo pareceu parar enquanto eles me
recebiam. Isso foi tão drástico?

Meu pai parecia atordoado, provavelmente ao ver a imagem


cuspida da mulher que havia partido seu coração. Maura parecia
quase orgulhosa, como se estivesse dizendo para si mesma
finalmente. Shelley parecia invejosa, e eu assumi que ela estaria
vasculhando meu quarto o mais rápido possível, procurando a
maquiagem. E Archie e Caleb? Bem, digamos que, se houvesse uma
competição por cair o queixo, não tenho certeza de qual cara teria
vencido.
Cristo.

O que ela fez para si mesma?

Seus olhos, lábios, seios — tudo foi ampliado. Ela parecia


diferente, mas absolutamente linda. Eu sempre reconheci a beleza
natural de Teagan, mesmo quando ela se esforçava ao máximo para
escondê-la. Mas agora ela estava exibindo. E eu não sabia o que
fazer com isso, exceto que suspeitava que tivesse algo a ver com
Archie. Isso me irritou por muitas razões.

Os olhos de Shelley estavam arregalados. "Você está linda,


irmã."

"Obrigada." Teagan golpeou os cílios e olhou para os pés.

Sem palavras, eu não conseguia parar de encará-la.

"O que fez você ficar toda arrumada?" Maura perguntou.

"Eu senti que precisava de uma mudança."

Você podia ver o orgulho na expressão de Lorne. "Você está


linda, querida."
"Eu concordo com isso," disse Archie.

Claro que você faz.

Eu era o único que não tinha dito nada, principalmente


porque estava sem palavras. As bochechas de Teagan ficaram mais
vermelhas, e não era a maquiagem. Ela claramente não estava
acostumada a ser bombardeada com tantos elogios ao mesmo
tempo.

Deus, ela realmente estava linda. Era como se ela tivesse ido
para o quarto como uma garota e subido como uma mulher. Eu
nunca tinha percebido quanto cabelo ela tinha também. Ela
normalmente o mantinha amarrado em um rabo de cavalo ou em
um nó. A maquiagem que ela usava destacou o verde em seus
olhos. E era difícil não notar seu amplo conjunto de seios naquela
camisa justa.

Nas últimas semanas, eu comecei a vê-la de uma maneira


sexual – por mais que tentasse não fazer isso. Ela sempre se
escondia atrás de suas roupas, mas ver o esforço que fazia hoje à
noite me assustou. Na verdade, eu precisava me preocupar com ela
e Archie, e isso não caiu bem no meu estômago. Agora eu podia ver
como meus sentimentos por Teagan eram complicados. Eu
simplesmente não sabia o que fazer com essa realização.

Ela finalmente se sentou, e a atenção de todos foi dela para a


comida na frente deles. Além de continuar olhando para ela, o
jantar foi como sempre, até Archie falar.
"Teagan, isso pode ser uma pergunta idiota, mas você tem um
toque de recolher?"

Meus punhos se apertaram.

"Eu tenho dezenove. O toque de recolher terminou quando eu


completei dezoito anos.”

“Ah. Ótimo. Lembra-se do boliche que você estava me


contando ontem, aquele que fica aberto até tarde?”

"Sim?"

Ele inclinou a cabeça para o lado. "Você gostaria de ir hoje à


noite?"

A baguete de pão que eu estava segurando estalou na minha


mão.

“Certo. Parece divertido,” ela disse.

Limpando a garganta, perguntei: "Como esse lugar é


chamado?"

"Wonder Bowl," ela respondeu. “Fica aberto até muito tarde.


Depois das dez da noite, o boliche fica pela metade do preço. E eles
têm jarras de cerveja a seis dólares”. Ela olhou para o pai. "Para
quem tem idade para beber, é claro."

"Quando ela estava me mostrando a cidade, Teagan disse que


se sentia meio idiota por gostar de jogar boliche," explicou Archie.
"Eu disse a ela que estive, por um tempo, em uma liga em casa."
Revirei os olhos. Claro que ele esteve.

De jeito nenhum eu a deixaria sair sozinha com ele esta noite.

Eu olhei para ele. “Parece divertido. Vou perguntar à Veronica


se ela quer se juntar a nós. Todos nós podemos ir.”

Archie forçou um sorriso. "Brilhante, então."

Ele definitivamente sabia qual era a minha. Mas eu não me


importei. Cuidar de Teagan era minha prioridade.

Pedimos emprestado o carro do Lorne para dirigir até a pista


de boliche.

Veronica não estava empolgada. Aparentemente, ela nunca


jogou boliche em sua vida e não tinha interesse em vir. Mas fiz
parecer que eu realmente queria ir e, eventualmente, ela cedeu e
concordou.

Enquanto esperávamos na fila por aqueles sapatos


desagradáveis de boliche, Veronica conversou um pouco com
Teagan. Pareceu forçado. Suspeitei que Veronica ainda guardasse
rancor por eu tê-la deixado no restaurante para checar Teagan no
dia do ataque.
Veronica a olhou de cima a baixo. "Eu quase não te reconheci
quando te vi hoje à noite."

Teagan olhou para os pés dela. "Eu estava apenas brincando


com o cabelo e maquiagem."

"Você está bonita."

Ela sorriu timidamente. "Obrigada."

Chegamos à nossa pista e nos instalamos no boliche. Toda vez


que Teagan se inclinava para lançar sua bola de boliche, os olhos
de Archie pousavam em seu traseiro. Eu o assisti tanto que não
consegui me concentrar no maldito jogo na minha vez.

Minha pontuação foi patética. Continuei fazendo jogadas ruins


uma depois da outra, o que nunca tinha acontecido comigo antes.
Naturalmente, Archie me superava, como costumava fazer em
situações competitivas.

Veronica deixou bem óbvio que nunca havia jogado boliche


antes. Toda vez que ela subia à pista, ela segurava a bola com as
duas mãos, descia e passava a bola entre as pernas. Levou tudo em
mim para evitar cair na gargalhada todas as vezes que ela jogava.
Teagan fez contato visual comigo sempre que Veronica se levantava
para jogar, e eu sabia que ela estava pensando o que eu também
pensava: que a técnica de boliche de Veronica era absolutamente
ridícula.

A certa altura, Teagan se inclinou e sussurrou: “Uma ótima


tacada de vovó.”
Ao sentir sua respiração, eu sabia que minha atração por ela
era muito mais do que mental.

Então veio a parte da noite que realmente me testou. Teagan


fez um strike, e Archie correu e a levantou, ela envolveu as pernas
em volta da cintura dele enquanto as mãos dele pousaram em sua
bunda. Ele a girou, e parecia que minha cabeça estava girando ao
mesmo tempo.

"Eles formam um casal fofo, hein?" Veronica disse. "Ele


definitivamente mudou por ela."

“Mudou? O que você quer dizer com isso?"

“Olha para ela. Ela normalmente se veste como um cara. Eu


quase não a reconheci esta noite. Ela está trabalhando duro para
impressioná-lo.”

Engoli. "Sim, eu suponho."

Foi a minha vez jogar, e desta vez meu estresse foi bem
aproveitado. Aparentemente, tudo que eu precisava fazer era
imaginar que a bola fosse a cabeça de Archie. Eu fiz três strikes
seguidos.

O que mais me incomodou com a minha reação hoje à noite foi


o fato de eu não ter motivos para isso. Não havia razão para que
Archie e Teagan não pudessem, ou não devessem namorar. Meus
sentimentos eram meu próprio problema, e eu teria que lidar com
eles.
Eventualmente, nós quatro paramos de jogar por um tempo e
nos sentamos. Archie trouxe uma pizza e uma jarra de cerveja para
a mesa.

"A que horas esse lugar fecha?" Veronica perguntou.

"Meia-noite," respondeu Archie.

Teagan soprou sua fatia de pizza. “É tão legal que eles


permanecem abertos. Não me lembro da última vez que saí tão
tarde, o que é bastante patético.” Ela riu. "Talvez eu não devesse
admitir isso."

"Bem, isso é inaceitável," Archie falou. “Precisamos levá-la


para fora mais vezes, Teagan. Eu me ofereço como tributo.”

Quando ele começou a derramar cerveja na caneca de Teagan,


eu estendi minha mão. "Ei. O que você está fazendo?"

Archie momentaneamente parou de derramar. "O que você


quer dizer?"

“Ela não pode beber. Ela é menor de idade,” eu repreendi.

“Você está brincando comigo, certo? Não bebemos desde os


quinze anos?”

“Isso não importa. Se alguém aparecer e pedir a identidade


dela, ela poderá ter problemas.”

Teagan deu de ombros para a coisa toda. "Está bem. Eu não


sou uma grande bebedora de qualquer maneira.” Ela deslizou o
copo de volta para ele.
Archie olhou para mim incrédulo.

Veronica deu um tapa na minha perna. “Desde quando você se


tornou um disciplinador, Caleb? Você não diz um ai quando eu
bebo e eu sou menor de idade. Você até compra para mim.”

Merda. Ela está certa. Eu sou um hipócrita.

A verdade é que eu não queria que Teagan bebesse, porque


sabia que isso mexeria com suas inibições. Eu deveria passar a
noite na casa de Veronica, enquanto Teagan voltaria para casa com
Archie. Eu sabia que ele tentaria abrir caminho para o quarto dela.
Ainda assim, eu precisava encontrar uma resposta para o meu
comportamento que Veronica acharia adequado.

“Sinto-me responsável por ela, porque seus pais foram muito


bons comigo. Ela pode fazer o que quiser, mas é estúpido dar
bebida a alguém menor de idade em um local público.”

"É para isso que servem as identidades falsas." Veronica


piscou. "Então você nunca precisa se preocupar com isso."

"É desconcertante o quão bonzinho você se tornou, Caleb."


Archie riu. “Eu poderia contar muitas histórias sobre os problemas
que Caleb nos meteu.”

Veronica sorriu. “Eu adoraria ouvir algumas delas. Eu só vejo


o lado menino mau dele na cama.”
Poderia ter sido minha imaginação, mas Teagan, de repente,
pareceu um pouco desconfortável. Todo esse passeio foi muito
desconfortável para mim também.

"Você vai para casa no Natal?" Archie me perguntou de


repente. "Tenho certeza que sua mãe sente sua falta."

O Natal chegaria em algumas semanas e eu não tinha planos


de deixar Boston.

Eu balancei minha cabeça. "Não."

"Por que não?"

"Os meus recursos estão um pouco apertados no momento."

Embora o dinheiro fosse uma questão parcial, não era por isso
que eu não iria para casa. Este seria o primeiro Natal que eu
passaria longe dos meus pais, e tudo bem para mim. O Natal era
provavelmente a época mais dolorosa do ano. Minha mãe sempre
pendurava as meias de Emma na cornija de lareira ao lado da
minha. Meu pai se fechava dentro de si mesmo ainda mais do que o
normal. E minha mãe sempre insistia em embrulhar um presente
para minha irmã morta, que seria apropriada para a idade se ela
ainda estivesse viva. Então, uma vez que ela abrisse, doaria para
caridade.

O Natal não era apenas triste, era torturante. E este ano foi a
primeira oportunidade de renunciar a essa dor.
"Vou emprestar-lhe o dinheiro para comprar sua passagem, se
você quiser ir para casa," disse Archie.

É claro que ele usaria essa oportunidade para parecer um


mártir, para exibir o fato de ter um emprego de período integral e
dinheiro.

“Obrigado. Mas estou realmente ansioso para experimentar o


Natal aqui em Boston. Será a minha única oportunidade de fazer
isso.”

Veronica pareceu desapontada. "Eu pensei que você tinha dito


que pensaria em vir comigo para casa em Minnesota."

A última coisa que eu queria era outra inquisição dos pais


dela, dessa vez durando uma semana inteira ou mais.

"Acho melhor você passar um tempo com sua família sozinha,"


eu disse.

Quando ela não disse mais nada, eu sabia que isso surgiria
mais tarde e se transformar em uma discussão sobre como ela
acreditava que eu planejava abandoná-la. Eu nunca disse à
Veronica, de uma forma ou de outra, quais seriam meus planos
para nós quando o ano letivo acabasse. Mas não era óbvio? Voltar
para a Inglaterra, é claro, implicava que estaríamos nos separando.
No entanto, ela ainda parecia tratar as coisas como se fôssemos
sérios. Querendo que eu me junte a ela em Minnesota no Natal
como algo certo. No final, eu acredito que estava planejando
abandoná-la. Mas ela parecia determinada a me fazer mudar de
ideia sobre sair ou que poderíamos funcionar a longa distância.

"O lugar vai fechar em quinze minutos," disse Teagan. "É


melhor irmos."

Teagan dirigiu o carro de Lorne no caminho de volta. Eu sabia


que todo mundo na casa provavelmente estaria dormindo, e Archie
e Teagan estariam sozinhos quando chegassem lá.

A primeira parada seria no dormitório de Veronica. Depois que


eu disse o caminho para Teagan até lá, meu instinto me levou a
tomar uma decisão em uma fração de segundo.

Quando Veronica estava prestes a sair do carro, em vez de


segui-la, eu disse: "Acho que vou voltar para casa hoje à noite.”

Ela fez beicinho. "Você disse que passaria a noite na minha


casa..."

"Sim, eu disse. Mas lembrei que disse à Shelley que


consertaria sua bicicleta novamente para que ela pudesse levá-la
para a escola amanhã. É o mesmo problema que continua
acontecendo, e eu sou o único que sabe como corrigi-lo. Eu esqueci
totalmente."

Isso não era uma mentira completa. Eu disse à Shelley que


consertaria a bicicleta dela "em algum momento desta semana".
Isso mudou para hoje à noite agora, porque eu realmente queria
ficar de olho em Archie. Ele me deu a impressão de que ele não
estava nem perto de terminar com Teagan esta noite.
"Ok, tanto faz," Veronica bufou enquanto se afastava.

Eu pagaria por isso amanhã, mas não conseguiria dormir se


deixasse Teagan voltar para casa sozinha com Archie.

Ao mesmo tempo, isso foi um pouco louco. Ele ficaria aqui por
três meses. Eu seria capaz de interceptar todas as oportunidades
que ele tinha para ficar sozinho com Teagan? Provavelmente não.
Se ela gostasse dele, eu teria que aceitar isso. Mas eu o conhecia.
Archie gostava de usar garotas para fazer sexo e seguir em frente
quando ele se entediava. E eu estaria condenado se ele fizesse
Teagan só mais uma na sua lista. Maldito seja.

As coisas ficaram quietas pelo resto do caminho de volta para


casa. A tensão definitivamente permaneceu no ar – houve meu
adeus levemente volátil com Veronica, e eu também tinha certeza
de que Archie estava começando a pegar meus sentimentos sobre
essa situação.

Ele tentaria ainda mais conquistar Teagan se sentisse que


estava em algum tipo de competição comigo. Eu tenho que andar
com cuidado, ficar de olho nela sem que ele pensasse que eu
também tinha sentimentos por ela. Eu teria que voltar a usar o
cartão de pseudo-irmã. Eu estava tentando impedir que ela fosse
machucada por ele. Meus sentimentos complicados eram apenas
uma parte extra que eu teria que esconder.

Quando nós três entramos na casa pela porta principal,


minhas suspeitas foram confirmadas.
"Gostaria de continuar a noite, Teagan?" Archie perguntou.

Eu endureci.

Antes que ela pudesse abrir a boca para responder, eu disse:


“Ótimo. O que vamos fazer?"

Os olhos de Archie dispararam para os meus. "Eu estava


pensando... Apenas Teagan e eu, na verdade."

"Isso não vai acontecer."

Ele apertou os olhos. "Qual é o seu problema?"

Ele disse isso em voz alta, e eu temia que ele acordasse toda a
família.

"Abaixe sua voz," eu exigi.

"Então vamos lá fora."

Teagan parecia chateada e nos seguiu de volta para a porta.

Archie e eu nos encaramos no gramado da frente.

"Agora que estamos aqui, me diga qual é o seu problema,


Caleb."

“Meu problema é que você está aqui há apenas um minuto e já


está com os seus jogos.”

"Jogos? Que diabos você está falando?"

Teagan interrompeu: “Com licença. Eu não tenho uma palavra


a dizer nisso?”
Nós dois nós viramos para ela.

Ela cruzou os braços e olhou diretamente para mim. “Se eu


quiser passar um tempo com Archie, se eu quiser convidá-lo para o
meu quarto, a escolha é minha. Não sua.”

Ela estava certa, mas só de ouvi-la mencionar ele no seu


quarto me deixou mal do estômago. Eu balancei a cabeça
lentamente enquanto Archie sorria.

"Mas você sabe o quê?" Ela adicionou. “Estou cansada e vou


para a cama. Então, eu não vou sair com ninguém hoje à noite. Eu
sugiro que vocês façam o mesmo – especialmente você, Caleb,
porque você tem aula de manhã e a bicicleta da minha irmã para
consertar, caso você tenha esquecido.” Ela se virou para Archie.
"Boa noite. Obrigada por um ótimo tempo. Foi muito divertido."

Não dissemos nada quando Teagan entrou na casa. Então


éramos apenas nós dois deixados na grama gelada.

Archie balançou a cabeça. "De onde isso veio?" Um sopro de ar


frio saiu por sua boca. “Você tem uma queda por ela, ou algo
assim? Porque se você tem, isso é realmente lamentável para sua
namorada.”

Eu olhei para os meus pés. “Eu sou protetor com ela. Não
preciso ter algo por ela para me importar com ela e não quero que
ela se torne apenas mais uma de suas conquistas.”

“Você já teve muitas conquistas também. Isso não significa


que eu saio por aí avisando sua nova garota para não confiar em
você. Pessoas mudam. Amadurecem. Querem coisas diferentes do
que poderiam querer alguns anos atrás.”

"Você está tentando me convencer de que não está pensando


em foder Teagan enquanto estiver aqui?"

“Eu realmente gosto dela. Ela é tão doce e inteligente quanto


atraente.”

Essa admissão me incomodou tanto quanto o pensamento dele


tentando dormir com ela.

"Você está saindo em três meses, então por que se preocupar?"

“Bem, eu poderia perguntar o mesmo de você sobre Veronica.


Como é que isso é diferente?"

Passei a mão pelo cabelo. Eu entrei direto nessa e não tive


resposta, porque não havia nenhuma. Não havia diferença. Eu
estava passando o tempo com Veronica sem nenhum plano futuro a
longo prazo, admitindo-o ou não. Mas, na minha opinião, Teagan
era diferente. Veronica me superaria em pouco tempo, passaria
para outra pessoa. Mas Teagan? Ela era vulnerável, especial, e ela
merecia estar com alguém que ficaria por perto. Talvez Archie
tivesse amadurecido nos últimos dois anos, mas eu não podia
confiar que ele não a machucaria.

Caminhando de volta para a porta, murmurei: “Foi um longo


dia. Vamos pôr um ponto final nisso.”

"Imagino que você não tem resposta para mim."


Eu virei minha cabeça. "Eu não lhe devo respostas."

"Legal. Muito legal. Boa discussão, Caleb.” Ele balançou sua


cabeça. "O que diabos deu em você?"

Eu esperei na cozinha até Archie finalmente subir as escadas


para o quarto dele. Eu não confiava que ele não desviaria para o
porão. Mas quando voltei para o meu quarto, não consegui dormir
de jeito nenhum.

Quando acordei de manhã, verifiquei meu telefone para


encontrar um e-mail de Teagan. Ela escreveu há alguns minutos.
Faz um tempo desde que ela me enviou um e-mail. Provavelmente
isso não foi bom.

De: Teagan Carroll

Para: Caleb Yates

Assunto: Você tem coragem.

Caleb,
Quanto mais eu penso sobre isso, mais não consigo
segurar. Estou realmente confusa sobre o porquê de você estar
agindo dessa maneira. Você tem zero direito de ditar quem eu
posso e com quem não posso passar tempo. Se eu queria passar
um tempo com Archie na noite passada, essa escolha era minha
e não seu lugar para intervir. Quem você pensa que é?

Não foi a primeira vez que ela me fez essa pergunta. Agora, eu
era um bastardo ciumento.

Eu deveria ter me desculpado, mas fiz o contrário.


Alguns minutos depois que enviei o e-mail para o Caleb, que
eu sabia que era o meio de comunicação menos favorito dele,
verifiquei meu telefone para descobrir que ele havia respondido.

Isso foi rápido.

Meu coração bateu forte quando eu cliquei em sua mensagem.

De: Caleb Yates

Para: Teagan Carroll

RE: Você tem coragem.

Querida Teagan,

Como você está claramente enganada sobre minhas


intenções na noite passada, eu reescreverei sua mensagem.
Querido Caleb,

Quanto mais eu penso sobre isso, mais percebo que suas


ações na noite passada foram para o meu próprio bem. No
começo, fiquei confusa sobre o porquê de você ter agido dessa
maneira. Pensei que talvez você achasse que tinha o direito de
ditar com quem eu poderia ou não gastar tempo. Mas então eu
decidi que, se você estava agindo tão beligerante com seu
próprio amigo, deve saber algo que eu não sei. Você deve estar
fazendo isso para me proteger. Você deve ter um BOM MOTIVO.
Originalmente, eu perguntava: "Quem você pensa que é?" Mas
eu sei quem você é: um bom amigo, que só está cuidando de
mim.

Minha pressão arterial aumentou. Ele voltou a isso de novo?

Eu queria tanto escrevê-lo de volta, mas não tive tempo


suficiente para encontrar a resposta certa, pois já estava atrasada
para a aula. Então, em vez disso, peguei minha mochila e saí pela
porta, eu fiquei obcecada por todo o caminho para a faculdade.
Antes de nossa irritante troca de e-mails esta manhã, Caleb e
eu tínhamos uma sessão de estudo agendada para hoje à noite.
Dada a situação de Archie, eu não tinha certeza agora se nossos
planos ainda estavam intactos.

Nem Archie, nem Caleb estavam no jantar. Archie


aparentemente teve um jantar de negócios com alguns colegas, e
Caleb havia dito a Maura que ele havia pego um turno no
restaurante.

Dado isso, fiquei chocada quando ele apareceu na porta do


meu quarto às 20:00 em ponto.

Meu coração bate mais rápido. "Eu não estava esperando você
hoje à noite."

Ele entrou e sentou-se em seu lugar de sempre na mesa em


frente à minha cama. “Por que não? Nós precisamos estudar.” Seu
tom era um pouco irritado.

"Sim, mas dado o nosso desentendimento esta manhã, eu


apenas pensei... "

“Não foi uma briga. Foi um esclarecimento.”

“Bem, deixe-me esclarecer uma coisa, então. Não aprecio


quando você torce minhas palavras e as envia de volta para mim.”

O rosto dele ficou bravo. "Você se lembra o que eu disse a


você, no primeiro dia que eu me mudei, sobre escrever para mim,
em vez de falar comigo, quando estou em casa?"
“Era cedo. Ainda não tinha certeza se você estava acordado e
não queria acordá-lo. Eu precisava tirar isso do meu peito.”

Quando eu disse peito, seus olhos caíram nos meus seios


brevemente. Eu vestia uma camisa semelhante à que eu usava no
boliche, que abraçava minhas curvas. Eu também continuava
usando meu cabelo solto e usava um pouco de maquiagem, embora
não tanto quanto na primeira noite. Minha necessidade de fazer
Caleb comer seu coração havia superado meu medo de parecer
Ariadne, ao que parecia. E eu estava repensando esse medo de
qualquer maneira, pois meu pai não parecia incomodado com o
meu novo visual. Ele foi apenas positivo e solidário. Então, talvez
minhas preocupações em provocar más lembranças para ele
tivessem sido apenas isso – minhas preocupações.

“Teagan, espero que seja a última vez que eu tenha que


lembrá-la que, se você tem algo a dizer para mim, diga, para que
possamos conversar sobre isso. Eu não jogo o jogo por e-mail.”

Ok então. Eu vou dizer isso.

"Por que você disse a Archie que eu não era o tipo dele?" Eu
soltei.

A testa de Caleb enrugou em confusão. "Do que você está


falando?"

“Eu ouvi você conversando na cozinha um dia depois que eu o


levei para passear ao redor da cidade. Ele manifestou interesse em
me convidar para sair. Você não avisou a ele para não mexer
comigo. Em vez disso, você disse que eu não era o tipo dele. Você
nunca esclareceu o que isso significava. E fiquei pensando.”

O lábio de Caleb se contraiu. Ele finalmente soltou um suspiro


profundo. "Eu não sabia que você estava ouvindo."

"Claramente," eu bufei.

“Honestamente? Eu nem sei o que eu quis dizer com isso,


Teagan. Eu teria dito qualquer coisa naquele momento para
desencorajá-lo de persegui-la. Dizer que você não era o tipo dele foi
a minha maneira de despistá-lo ao invés de dizer a ele que não
achava que ele era digno de você. Não foi uma provocação para
você, se é isso que você pensou. Exatamente o oposto.”

Eu olhei para ele por um momento, ainda perplexa. Mesmo se


ele estivesse tentando me proteger, ele não tinha o direito de
intervir.

"E se eu quisesse que ele me perseguisse?"

O rosto de Caleb ficou vermelho. “Eu não posso impedi-lo de


fazer qualquer coisa. Ele é meu amigo, mas trata as mulheres como
lixo.”

"Ele parece pensar que você era da mesma maneira na


Inglaterra."

"Eu era," disse ele sem hesitar.

"E você não é mais?"

"Eu estou um pouco mais velho e mais sábio."


"Então por que você não pode dizer o mesmo sobre Archie?"

“Só estou arriscando meu melhor palpite, com base na


experiência passada, de que Archie não é adequado para você. Você
quer se envolver com alguém que vai embora em menos de três
meses?”

“Você não ficará aqui por muito mais tempo do que isso. Por
que você não está se preocupando pela Veronica também?”

Caleb inclinou a cabeça para trás e exalou. “Archie me


perguntou a mesma coisa ontem à noite, e eu não tinha uma
resposta para ele. Eu ainda não tenho.”

“Você está sendo hipócrita. Essa é a resposta.”

“Talvez. Mas não me importo, se isso significa proteger você.”


Ele esfregou as têmporas. Olha... eu só não quero que você se
machuque. É tudo o que se resume. Se você quer namorar com
Archie, não posso impedi-la. Eu te avisei. É tudo o que posso
fazer. Não vou mais interferir.”

Eu não tinha intenção de namorar Archie. Não vale a pena —


não apenas porque Archie estava saindo em breve, mas porque eu
sabia que isso perturbaria Caleb. Ele era meu amigo, e eu nunca
faria nada para machucá-lo. Agora, para irritá-lo um pouco? Talvez.
Mas estava na hora de deixar tudo limpo.

“Quando você disse que eu não era o tipo dele, isso me irritou.
Eu me perguntei se você quis dizer que eu não era... sexy o
suficiente, desejável o suficiente. Foi quando comecei a testar com
meu o cabelo e a maquiagem. Eu me sinto idiota, mesmo admitindo
isso para você.”

Os olhos de Caleb se arregalaram. “Eu assumi que você estava


fazendo isso para impressioná-lo. Eu nunca imaginei que tivesse
algo a ver com algo que eu disse.” Ele fechou os olhos por um
momento. “Porra, Teagan. Você não precisa dessa lama no seu
rosto. Você está dez vezes mais bonita agora do que na noite
passada.”

Ele imediatamente desviou o olhar. Eu me perguntei se ele se


arrependia de ter dito isso. Mas era tarde demais. Essas palavras
ficariam para sempre alegremente arraigadas em minha memória.

"Eu concordo com a maquiagem." Eu sorri. “Mas eu gosto do


meu cabelo solto. Talvez eu os deixe assim.”

"Você tem um cabelo bonito," ele sussurrou, quase como se


não quisesse que eu ouvisse.

Eu me senti esquentando lá embaixo. "Obrigada."

O que estava acontecendo entre nós agora? Sinceramente, não


sabia. Nada havia mudado. Caleb ainda tinha uma namorada. E eu
ainda era a garota estranha no porão. No entanto, a vibração, de
alguma forma, parecia diferente do que antes.

"Teagan," disse ele. “Nem todo mundo teria admitido o que


você acabou de fazer – que eu fiz você se sentir insegura. Eu amo
como você é honesta. Há muito poucas pessoas neste mundo em
que posso contar por ser honesto. É por isso que me deixa tão
bravo quando você me envia um e-mail quando está chateada. Eu
sei que você é capaz de muito mais. Nós dois somos." Ele olhou
para o teto. “Eu realmente cheguei a valorizá-la como amiga. E meu
comportamento nos últimos dias tem tudo a ver com isso. Eu não
quero que você se machuque. Isso é tudo." Seus olhos encontraram
os meus novamente. "Eu me preocupo muito com você."

Ele parecia em conflito.

Eu não sabia o que dizer. Meu corpo vibrou com uma energia
excitante, provavelmente alimentada por alguma esperança insana
de que seus sentimentos por mim fossem além da amizade.

Por mais que tivéssemos acabado de nos abrir um para o


outro, eu não sentia que foi o fim. Ele estava sendo mais honesto do
que eu. Meus sentimentos por ele haviam passado de um ponto
inocente. Mas eu não vi o bem que seria admitir isso. Além do fato
de ele ter uma namorada, eu não tinha ideia se seus sentimentos
por mim eram realmente platônicos ou não. Ele cuidou de mim
como uma irmã ou estava começando a sentir mais? Fiquei com
medo de perguntar diretamente. Eu não estava preparada para a
resposta, não importava qual fosse.

Eu decidi mudar de assunto completamente. "Então, você vai


ficar aqui no Natal?"

"Sim. Espero que esteja tudo bem.”


“Fiquei feliz em ouvir isso, embora eu ache que sua mãe possa
estar chateada. Seus pais não podem realmente levá-lo para casa,
ou simplesmente não quer ir?”

Sua mandíbula apertou. “Não queria entrar nesse assunto no


boliche, mas há mais nisso do que apenas o custo. O Natal é uma
época difícil do ano para minha família. Minha irmã morreu no
Natal, por isso o fato de ela ter ido só faz ser pior. Estou me dando
um tempo sobre isso este ano.”

Eu assenti, não surpresa com a explicação dele. “Bem, espero


que você se divirta aqui. Maura faz um ótimo trabalho tornando
tudo festivo. Temos uma festa na véspera de Natal, e ela convida
todo o bairro. A casa fica tão fria da porta abrindo e fechando
constantemente com as pessoas indo e vindo.”

"Haverá uma piñata de pênis?"

"Felizmente, não." Eu rio.

Caleb sorriu. "Mal posso esperar."

“Minha situação não é nada comparada à sua, mas também


fico mais deprimida nos feriados. É engraçado como isso funciona.
Deveria ser um momento tão alegre e, no entanto, para muitas
pessoas, é o contrário. É uma sensação estranha.”

"Bem, podemos nos sentir estranhos juntos este ano." Ele


piscou.
Eu sorri largamente. A ideia de tê-lo aqui no Natal me deixou
tão feliz – inebriada até, a antítese total de como eu normalmente
me sentia quando os feriados se aproximavam. Caleb mudou minha
visão da vida. O fato de ele ter sofrido tanta dor e ainda ter a
capacidade de rir, de encantar as pessoas, de sangrar carisma, fez-
me perceber, mesmo que às vezes, você se sinta morto por dentro,
você pode viver. Você pode fingir até conseguir. Você não precisa
viver como se estivesse morto.

Eu não queria pensar em como me sentiria quando chegasse a


hora de Caleb partir. Eu só sabia que este ano com ele era algo que
eu nunca esqueceria.
Na tarde seguinte, Archie entrou na cozinha com uma mala
enquanto eu fazia um lanche. "Posso falar com você por um
segundo, parceiro?"

Eu olhei para a bagagem dele. "O que está acontecendo?"

Ele deixou a mala no canto. “Olha, eu não senti que você me


queria aqui desde o momento em que entrei na porta. No começo,
pensei que minha aparição repentina tinha acabado de pegá-lo de
surpresa, mas depois percebi que era algo mais do que isso.”

Fechei os olhos brevemente. "Você está certo. Mas é meu


problema mais do que qualquer coisa. Desculpe-me se eu...”

“Não se preocupe em explicar. Um amigo de verdade não


ficaria por perto se isso o deixasse desconfortável,
independentemente do motivo. Nossa amizade pode não ser
perfeita, mas eu valorizo demais para estragar tudo por um quarto
livre. Você claramente quer seu espaço. E você me quer longe de
Teagan. Seja qual for o seu motivo, preciso respeitar isso.”
Esta deveria ter sido a parte em que eu dissesse a ele que ele
estava errado, que eu estava arrependido e pedia para ele ficar. Mas
eu não fiz. Eu fiquei aliviado.

Evitando especificamente a parte de Teagan de seu


comentário, perguntei: "Onde você vai ficar?"

Sua boca se curvou em um sorriso. “Aquela garota em


Dorchester finalmente tirou seu inquilino. Fui hoje para verificar o
quarto, o que é brilhante.” Ele piscou. "E acontece que ela também."

Ah. Bem, certamente não demorou muito para seguir em frente.

"Você está saindo porque a garota em Dorchester é quente?"

Ele riu. “Essa não é a única razão. Eu perturbei sua paz aqui.
E eu não pretendia fazer isso.” Ele encolheu os ombros. “Aconteceu
que a quarto ficou vago ao mesmo tempo em que eu percebi. Eu
ainda estarei na cidade. Você ainda vai me ver, mas não
exatamente debaixo do seu nariz.”

"Você disse à Maura?"

“Sim. Agradeci profundamente por sua hospitalidade. Ela é


uma ótima dama. Você ganhou na loteria com este lugar.”

Soltei um longo suspiro. "Sinto muito pela maneira como agi."

"Posso te dar um conselho?" Ele perguntou.

"Certo. O que é?"


“Salve-se do problema mais tarde. Termine com essa sua
garota. Não vai a lugar nenhum mesmo. Ela não faz seu rosto se
iluminar como Teagan. Isso me ocorreu depois que nos separamos
naquela noite – o que realmente estava acontecendo, o quanto você
gosta dela. Você percebe que é Teagan que você quer, certo? Porque
se você não vê agora, acabará vendo”. Ele sorriu. "Vou ligar para
você em breve."

Enquanto eu não disse nada, ele me deu um tapinha no


ombro, puxou a mala e saiu pela porta.

Alguns dias depois, meu estômago estava em um nó enquanto


eu assisti Veronica fazer as malas para sua viagem para casa em
Minnesota, para o feriado.

Se havia um benefício na recente passagem de Archie na casa,


foi que ele me empurrou para fazer algo que eu sabia que precisava.
Eu estava prestes a terminar as coisas com Veronica – não para
começar algo com Teagan, mas porque não queria mais lidar com
Veronica. Estar com Teagan não era uma opção. Eu ainda sairia no
final do primeiro ano, e não era sensato me envolver com alguém
neste momento, muito menos Teagan, independentemente de
quaisquer sentimentos inegáveis que eu pudesse ter.
Veronica fechou a mala de mão. "Eu vou sentir saudades de
você."

Essa foi a minha sugestão para arrancar o Band-Aid. Saber o


que estava para acontecer enquanto ela parecia não ter ideia era
excruciante. Meu coração bateu forte. Eu me importava por ela. Eu
simplesmente não estava me apaixonando por ela e nunca pensei
que iria. Ela merecia melhor.

Esfregando as palmas das mãos suadas, eu deixei sair:


"Precisamos conversar, Veronica."

Ela tinha acabado de abrir uma gaveta quando congelou e


olhou para mim. “Eu não gosto do som disso. Também não gosto do
seu rosto.”

Desembucha. “Eu não quero te machucar. Você foi tão boa


comigo. E estar com você tem sido um dos destaques da minha
vida. Mas tenho que ser honesto e não vejo isso funcionando a
longo prazo.”

Ela colocou a mão no peito. "Oh meu Deus. O que você está
dizendo? Eu sabia que você ia fazer isso comigo!”

Sua reação apenas tornou as coisas mais difíceis. “Estou


voltando para Londres no final do ano letivo e não vai dar certo
entre nós. Eu acho que é melhor se terminarmos as coisas agora.
Só vai doer quanto mais estivermos juntos.”

“Então é isso? Você está terminando comigo antes do Natal?


Você sabia o tempo todo que esse era o nosso destino?”
"Não é desse jeito. Só recentemente percebi que isso precisava
acontecer. Minha intenção não é estragar o seu Natal. Achei que
esse era o melhor momento para nos separar. Você terá sua família
ao seu redor como uma distração e, quando voltar, o novo semestre
será como um novo começo.”

"Que gentileza da sua parte," disse ela graciosamente. "Então


você se divertiu comigo este semestre, fodeu comigo várias vezes, e
este é o meu presente de Natal?"

Às vezes, você precisava saber quando calar a boca. Essa


pergunta não foi feita para ser respondida. Eu não poderia culpá-la
por estar chateada.

“Eu sei que isso é péssimo. Sinto muito, Veronica.”

"Sim eu também." Ela começou a jogar um monte de suas


roupas na mala. “Saia. Apenas vá. Não há mais nada a dizer aqui.”

Eu não encheria ela com besteira, como nós devemos manter


contato ou permanecer amigos. Eu sabia melhor. Isso não
beneficiaria nenhum de nós.

"Cuide-se," eu disse antes de sair.

Apesar de me sentir uma porcaria por machucá-la, eu


caminhei do seu dormitório para casa com uma sensação de
liberdade que não tinha experimentado desde que aterrissara em
Boston.

Alívio.
Veronica e eu começamos a namorar assim que cheguei.
Enquanto eu sempre olharia com carinho para o meu tempo com
ela, foi muito cedo.

Respirando o ar frio do inverno, eu me senti eufórico pela


primeira vez em muito tempo, completamente inseguro do futuro e
perfeitamente bem com isso.

Archie pode ter deixado a residência Carroll, mas ele não foi
em silêncio.

Aquele idiota.

Quando cheguei em casa depois de sair do apartamento da


Veronica, colada na porta do meu quarto havia uma foto de Archie e
eu tirada quando tínhamos cerca de dez anos. Usávamos fantasia
de marinheiro combinando e tínhamos os nossos sapatos de
sapateado. Nossas mãos estavam esticadas na mesma pose.

Shelley riu atrás de mim.

Arranquei a foto da porta. "Você colocou isso aqui?"

“Archie me deu isso antes dele sair. Ele disse que eu poderia
fazer o que quisesse com isso. Vocês eram tão fofos.”
Teagan chamou do pé da escada. "O que é tão engraçado?"

Ótimo.

"Nada," eu gritei.

Shelley gritou. "Você tem que ver isso, Teagan!"

Teagan se apressou e avistou a foto na minha mão. "Oh meu


Deus. Você e Archie?”

"Receio que sim."

“Você era adorável. Vocês dois."

“Acho que tenho que ser dono disso agora, não é? Eu era
muito bom, na verdade. Provavelmente o sapateado foi a área em
que superei Archie, mesmo que tecnicamente não fosse uma
competição.”

Teagan arqueou a sobrancelha. “Então, se eu fosse sair hoje e


comprar um par de sapatos de sapateado, você poderia sapatear?
Como Fred Astaire?”

Minha testa franziu. "Isso é um desafio, Srta. Carroll?"

Shelley bateu palmas e pulou. "Faça! Faça!"

Uma ideia brilhante veio a mim naquele momento. "Eu te direi


uma coisa. Eu estaria disposto a mostrar minhas habilidades de
sapateado publicamente pelas ruas de Boston, se você renunciar à
sua exigência de mil dólares e jantar fora comigo vestida com sua
fantasia de golfinho.”
A boca de Teagan ficou aberta.

Eu pensei que ela nunca faria isso, mas então ela disse: "Oh...
Isso é tentador."

"Pense nisso."

“Na verdade, eu não preciso. Desde que eles me deixem trazer


a roupa para casa comigo nesta sexta-feira, você tem um acordo
para jantar no sábado à noite. A menos que você tenha planos?”

"Nada mais importante do que vê-la passear pela cidade como


um golfinho." Eu sorri. "É melhor encontrar sapatilhas masculinas
tamanho 44 antes disso."

Shelley esticou o lábio inferior em um beicinho. "Eu posso ir?"

"Claro," eu disse. "Quanto maior o público, melhor."

Foi mais engraçado do que eu esperava. Teagan parecia


absolutamente ridícula quando descíamos a Hanover Street. Ela
deveria ser um golfinho, mas também poderia ter se passado como
uma gigantesca banana azul.

Ela se virou para mim. "De novo, por que estou fazendo isso?"
Eu amei quando ela se virou para olhar para mim, porque ela
teve que virar todo o seu corpo. Isso era hilário. O rosto de Teagan
era a única parte dela não coberta completamente de pelo azul. Ela
estava continuamente espiando por um buraco.

As crianças nos paravam ocasionalmente para tirar fotos, e eu


também tinha minha câmera pronta.

A coisa toda era louca, mas talvez a melhor parte fosse ver
Teagan e Shelley se unindo ao ridículo. Eu nunca as vi rindo tanto
juntas do que hoje. Só isso fez valer a pena.

Decidimos que íamos ao restaurante mais exclusivo de todo o


North End. O jantar foi por minha conta, é claro. Uma refeição de
duzentos dólares era muito mais barata que os mil dólares que essa
experiência originalmente custaria.

Meus sapatos de sapateado, que pude alugar de uma escola de


dança local, estavam em uma bolsa preta que eu pendurava por
cima do ombro. Nosso plano era jantar e depois visitar uma das
famosas pastelarias italianas para a sobremesa antes de terminar a
noite com uma coreografia de sapateado em algum lugar nas ruas
de Boston. Eu não sapateava a mais de uma década, então não
tinha certeza se os passos voltariam para mim.

Shuffle, ball change7. Era tudo o que eu conseguia lembrar.

Quando chegamos ao restaurante, a anfitriã não parecia muito


divertida.

7
Tipos de coreografia de sapateado
Ela deu olhou Teagan de cima a baixo. "Posso ajudar?"

"Eu tenho uma reserva," eu disse no meu tom mais sério.

"O nome?"

"Dolphina".

Teagan riu.

A anfitriã procurou nosso nome no computador. "Hum... Eu


não tenho certeza se ela pode vir aqui assim."

"Por que não?"

"Não é óbvio?"

Eu tive que parar de rir. “Você a está discriminando?


Golfinhos são mamíferos. Somos todos mamíferos. Qual é o
problema?"

Teagan bufou e Shelley estava praticamente chorando.

A anfitriã sempre educada, sem senso de humor, revirou os


olhos e hesitantemente pegou alguns menus. "Sigam-me."

Uma vez sentados, a garçonete foi muito mais gentil do que a


anfitriã, parecendo pegar a graça.

Depois da explicação que coloquei Teagan nisso como parte de


uma aposta, a garçonete disse: “Eu também poderia fazer qualquer
coisa que você me pedisse.” Ela piscou.
OK. Eu não esperava isso – ou a porra do olhar que
acompanhou isso.

O olhar sujo que Teagan mostrou a ela era impagável, mesmo


que a garçonete não tivesse notado. O rostinho de Teagan espiando
pela abertura era dez vezes mais bonito quando exibia uma careta.

Acabei pedindo bife, enquanto Shelley pegava um hambúrguer


abastecido. Teagan insistiu em manter o que os golfinhos comem,
então ela pediu cavala – um peixe. Eu também peguei uma cerveja,
esperando que isso me ajudasse a relaxar um pouco antes da
minha apresentação de dança mais tarde.

Divertimo-nos rindo de todos os olhares estranhos que Teagan


recebeu, e quando a comida chegou, foi fenomenal. Eu sabia que
cada pedaço do meu prato seria devidamente destruído.

Um pouco mais tarde, a garçonete voltou e colocou outra


cerveja na minha frente.

Eu olhei para cima. "Oh, eu não pedi outra."

"Eu sei." Ela sorriu paquerando. "É por conta da casa."

Ela parecia esperar que eu desse a ela pelo menos uma boa
gorjeta, possivelmente mais.

Até Shelley percebeu. “Eu acho que ela gosta de você. Pena
que você tem uma namorada”.
Esse comentário me deu uma pausa. Eu ainda não tinha
anunciado que tinha terminado as coisas com Veronica. Agora ela
me dera uma boa oportunidade de abordar isso.

Eu limpei minha garganta. "Na verdade, eu não tenho mais."


Meus olhos foram imediatamente para Teagan, que encontrei
olhando para a cavala.

Ela levantou a cabeça. A boca dela estava cheia. "O quê?"

"Sim... Nós terminamos."

"Ela terminou com você?" Shelley perguntou.

Talvez tenha sido um erro trazer isso à tona. Não queria entrar
em detalhes na frente de Shelley. Mas os olhos de Teagan estavam
fixos nos meus agora, aguardando minha resposta, então eu tive
que explicar mais.

"Na verdade, fui eu quem terminou as coisas."

Shelley parecia quase triste. "Você partiu o coração dela?"

Como devo responder isso? “Espero que não esteja totalmente


quebrado. Mas foi a decisão certa, considerando tudo.”

“Uau. Eu não estava esperando isso.” Teagan disse, o olhar em


seu rosto contradizendo a tolice de seu traje. "Você está bem?"

"Sim. Eu estou."

Voltamos a jantar, mas ao longo dos próximos minutos, o


rosto de Teagan ficou mais vermelho do que eu já tinha visto.
"Você está bem?" Eu perguntei a ela.

“Honestamente, acho que preciso sair de todo esse pelo. Estou


queimando.”

“Bem, você mais do que pagou sua dívida. Você deveria ter dito
algo antes. Tire essa coisa.”

Ela levantou-se da cadeira. "Eu volto já."

Shelley e eu conversamos um pouco, mas minha mente estava


preocupada. Fiquei olhando para os banheiros; Teagan estava
demorando muito tempo. Começou a me preocupar um pouco,
então eu disse a Shelley que voltaria logo, que iria verificar a irmã
dela.

Bati na porta do banheiro feminino. "Teagan, você está bem?"

"Sim."

Por alguma razão, eu não confiava nisso.

"Você está sozinha?" Eu perguntei.

"Sim."

Abri e entrei no banheiro, onde ela estava na pia, jogando


água no rosto.

"Você não pode entrar aqui," disse ela.

“Está vazio. Além disso, você está esquecendo como nos


conhecemos?”
Sua respiração estava pesada. "Bom ponto."

Ela pendurou a fantasia no gancho de uma cabine aberta.

“Dê-me essa coisa. Vou levar de volta para a mesa.”

Ela me entregou antes de abrir a torneira novamente e


derramar mais água no rosto. Ela olhou no espelho por alguns
segundos antes de se virar para me encarar.

"Por que você nunca me disse que terminou com Veronica?"

“Isso aconteceu há alguns dias. Você e eu não tínhamos saído


até hoje. Eu ia lhe contar.”

Ela ainda parecia corada. Eu dei um passo à frente e coloquei


minha mão em sua testa. “Parece que você está queimando. Tem
certeza de que está bem?”

"Sim. Eu só estou quente por causa de todo o pelo. Eu vou


ficar bem."

Examinei seu rosto por alguns segundos e decidi dar-lhe


espaço. "OK. Eu voltarei para Shelley então. Só queria ter certeza de
que você estava bem.”

"Obrigada."

Voltei para a nossa mesa, mas ainda me perguntava se havia


mais na reação de Teagan do que o calor do traje.
Você pensaria que as notícias de Caleb teriam me trazido
alívio, ao invés disso me causou pânico. Mas eu acho que o
relacionamento dele com a Veronica havia significado que eu não
precisava enfrentar meus sentimentos por ele, ou me perguntar
como ele se sentia por mim. A perspectiva de ele estar livre para
namorar quem ele quisesse era um pouco assustadora. Em vez de
uma garota, poderia haver muitas. Tão ciumenta, quanto seu
relacionamento com Veronica me deixou, havia uma certa
estabilidade e segurança – e isso se foi.

O que acontece agora? Acho que estava prestes a descobrir.


Depois de espirrar um pouco de água no meu rosto, voltei para a
sala de jantar e recostei-me no meu lugar.

Um olhar de preocupação cruzou o rosto de Caleb. Ele enfiou


minha roupa gigantesca no quarto assento da nossa mesa.

"Sentindo-se revigorada?"

"Sim." Eu respirei. "Eu estou bem." Bebi o copo de água na


minha frente, que a garçonete deve ter enchido novamente
enquanto eu estava no banheiro – provavelmente outra desculpa
para voltar e dar em cima do Caleb.

Felizmente, consegui terminar meu jantar sem incidentes e,


quando saímos do restaurante e voltamos ao ar frio, senti-me dez
vezes melhor. Talvez o calor por causa da fantasia realmente tivesse
subido à minha cabeça, afetando minha reação às notícias de
Caleb.

Fomos até a pastelaria do Mike para seus famosos cannoli,


com Caleb carregando minha roupa enorme. Entrei e esperei na
fila, depois trouxe os doces para Caleb e Shelley. Nós os devoramos
do lado de fora da loja antes de descermos a rua para encontrar um
lugar apropriado para a performance de sapateado de Caleb. A
vertigem passou por mim com a perspectiva de vê-lo dançar.

Finalmente, encontramos um homem com longos dreadlocks;


ele estava sentado na calçada, tocando uma guitarra elétrica e
tocando "No Woman, No Cry" de Bob Marley.

A música e o estilo da música eram completamente


inapropriados para o sapateado. No entanto, Caleb parou ao lado
do cara e passou a calçar seus sapatos pretos brilhantes.

Depois que o músico de rua terminou sua versão da música,


Caleb sussurrou algo no ouvido do homem e passou um pouco de
dinheiro para ele. O cara assentiu.

O homem começou a tocar uma música de reggae que eu não


reconheci, e Caleb começou a sapatear bem ao lado dele. As batidas
dos seus sapatos na calçada fizeram pedestres confusos pararem
para assistir. O ritmo das batidas foi um pouco rápido demais e não
combinava com o ritmo da música.

A parte mais engraçada foi o sorriso pateta no rosto de Caleb.


O músico continuou tocando e cantando, parecendo ignorar as
palhaçadas de Caleb. A coisa toda era bizarra Shelley e eu
morremos de rir.

Caleb era muito bom, apenas um pouco descoordenado e


definitivamente digno de se apresentar em, digamos, em um recital
de dança do ensino médio. O sapateado e o reggae certamente não
combinavam, mas foi exatamente isso que o tornou tão divertido.

Passamos tantos dias em nossas vidas que não nos


lembramos. Mas esse dia eu sabia que ficaria comigo. Eu não tinha
apenas me conectado com Caleb, mas também com minha irmã. E
isso, para mim, era o que importava.

Alguns dias após o nosso passeio no North End, era véspera


de Natal. Maura tinha toda a casa decorada para a nossa festa de
porta aberta da vizinhança. Ela passou a semana preparando o
lugar – almofadas xadrez no sofá da sala de estar, guirlandas
pendurada no topo das janelas e, é claro, a árvore completamente
decorada e iluminada. O fogão a lenha estava a todo vapor porque
estava congelando, e havia rumores de que poderíamos ter alguns
flocos de neve hoje à noite.

Como sempre, Maura e meu pai convidaram todos os vizinhos


a aparecerem naquela noite. A única coisa que Maura pediu foi que
eles trouxessem um item de comida ou bebida para compartilhar.
Sempre terminávamos com mais do que sabíamos o que fazer.
Geralmente comemos sobras por uma semana ou até mais.

Enquanto muitas pessoas esperavam até a manhã de Natal


para abrir presentes, minha família abria os nossos na véspera de
Natal. Portanto, sempre havia algo para se esperar depois que os
convidados saíssem – embora Shelley frequentemente começasse a
abrir os dela no início da noite.

Caleb parecia realmente feliz por estar aqui. Ele passou o dia
inteiro pendurando luzes dentro e fora da casa e ajudando a
decorar. Ele disse que seus pais nunca se incomodaram com
muitas decorações de Natal, então essa foi uma nova experiência
para ele. Ele parecia ainda mais bonito com linhas de luzes de Natal
espalhadas por seu corpo.

Essa é uma árvore de Natal que eu não me importaria de subir.

Caleb me encontrou na cozinha pouco antes das pessoas


começarem a chegar. Eu estava mexendo um pouco a sidra de
maçã quente, a bebida da estação, quando o peguei me olhando.

Uau.
Ele parecia bem – cheirava bem também. E ele fez algo
diferente em seus cabelos. Estava repartido para um lado,
parecendo mais formal, talvez. Um suéter marrom com uma faixa
verde no peito abraçou seus músculos e me fez querer me enrolar
nele. De repente, esqueci o que deveria estar fazendo. Eu parei de
mexer a cidra.

"Você está bonito," eu disse.

Ele sorriu. "Você também."

Eu tive que olhar para baixo para me lembrar do que estava


vestindo: leggings pretas, uma camisa vermelha justa e aquelas
sapatilhas pretas que Maura havia me comprado. Mais uma vez, eu
estava com o cabelo solto.

Caleb espiou dentro da panela de cidra. "Posso ajudar?"

Voltei a mexer. "Não, eu tenho isso."

Quando ele sorriu para mim novamente, senti meu pulso


reagir. Este foi o melhor Natal de que me lembro em muito tempo.

Quando os convidados começaram a chegar, pensei em engolir


essas palavras. Por um tempo, fiquei ocupada na cozinha, ajudando
Maura a cortar legumes para a travessa de legumes e queijo.
Quando finalmente voltei para a sala, vi Caleb conversando com
Bethany Grillo, uma das filhas do nosso vizinho, que estava na
faculdade. Ela era muito atraente, e sua linguagem corporal era
paqueradora.
Eu fiquei em um canto observando-os. Tudo o que eu
conseguia pensar era: está acontecendo. Isso não demorou muito.
Ele acabaria tendo um caso com ela no feriado, o que marcaria o
início oficial de sua nova era de liberdade.

Meu pai interrompeu meus pensamentos quando ele veio por


trás de mim.

"Oi, querida."

Eu forcei meus olhos para longe de Caleb e Bethany. "Olá,


pai."

"Por que você está aqui sozinha no canto?"

Bem, não vou admitir estar espiando a conversa de Caleb.

"Só relaxando um pouco."

Ele sorriu. "Você está bonita esta noite."

"Obrigada."

Seu elogio me deu sentimentos confusos. Eu nunca tinha


discutido minha conversa sobre parecer Ariadne com ele. Mas
talvez agora fosse a hora. "Sabe, eu sempre pensei que se eu usasse
meu cabelo solto ou me vestisse de uma certa maneira, isso iria
incomodá-lo."

Papai assentiu e parecia saber exatamente o que eu quis dizer.


"Porque você se parece com ela?"

"Sim."
Ele suspirou. "A semelhança é estranha. Ela era linda, como
você. Mas olhar para você nunca poderia me deixar chateado. Você
não é ela. Você tem um bom coração e um espírito puro. Fico feliz
que Ariadne tenha lhe dado uma boa qualidade: sua aparência.
Mas fora isso, você não é como ela.”

Ouvir isso me trouxe algum conforto, apesar de eu ainda não


ter certeza de que de alguma maneira eu não era parecida com ela.

"Tenho certeza que a maioria das minhas outras partes boas


veio de você," eu disse.

"Eu não vou discutir com isso." Ele piscou.

Eu sorri e olhei na direção de Caleb. Alguns segundos depois,


seus olhos encontraram os meus. Em vez de continuar a conversa
com Bethany, ele imediatamente se desculpou e veio direto até
mim. De repente, tudo estava certo novamente no mundo.

“Aí está você. Fiquei imaginando o que aconteceu com você,”


ele disse.

Meu pai colocou a mão no meu ombro. "Vou ver se Maura


precisa de alguma coisa."

Enquanto meu pai se afastava, eu me virei para Caleb. "Você


não precisava ter deixado sua conversa."

"Eh." Ele encolheu os ombros. "Eu estava procurando uma


desculpa."

Alívio tomou conta de mim. "Eu estou surpresa."


Ele inclinou a cabeça para o lado. "Por que diz isso?"

“Ela é realmente bonita. Eu pensei que talvez você estivesse a


fim dela.”

“Não. Não é meu tipo. Garota legal, no entanto. Parece


realmente inteligente. Mas não tão inteligente, quanto outra pessoa
que conheço.” Ele piscou.

Eu olhei para seu copo vermelho de plástico. "O que você está
bebendo?"

“Gemada com álcool. Você quer um pouco?”

"Eu pensei que você era contra menores de idade beber."

Ele se inclinou e seu hálito quente roçou minha bochecha.


"Não estamos em público hoje à noite."

Senti um formigamento descendo por minhas costas. "Eu sei.


Estou apenas brincando. Na verdade, Maura e meu pai não se
importam se eu tomo alguns drinques, desde que eu esteja em
casa, onde eles possam ficar de olho em mim.”

"Seus pais são muito legais," disse ele. “Eu espero que você
saiba disso. Você tem sorte de tê-los.”

"Eu sei disso." Eu sorri. "Falando em pais, você ligou para sua
mãe hoje à noite?"

Ele olhou para dentro do copo. “Sim... É tarde lá agora. Então


eu liguei para ela antes da festa começar. Desejei a meus pais um
feliz Natal. Até conversei com meu pai pela primeira vez em muito
tempo.”

"Como foi isso?"

“A conversa tensa usual de sempre. Obrigatória,


principalmente.”

Isso me deixou triste. "Eu sinto muito."

Seu humor sempre mudava quando ele mencionava seu pai.

Eu mudei de assunto. "A propósito, há algo errado com o seu


telefone?"

"Por que você pergunta?"

“Antes, quando você estava fora e me mandou uma


mensagem, perguntando se eu precisava de alguma coisa da loja,
ele me enviou a mesma pergunta umas vinte e cinco vezes. Não
parava.”

Ele estreitou os olhos. "Merda. Isso não é bom. Vou ter que
desligar”. Ele pegou o telefone do bolso e apertou o botão de
desligar. "Pronto. Vamos ver se isso ajuda.”

“Sim, foi meio engraçado. Até que não.”

"Isso pode ser irritante."

Nossa atenção voltou-se para Shelley, que começou a abrir


alguns de seus presentes. Ela ainda recebeu toneladas de
presentes, e Maura marcou todos eles de "Papai Noel," apesar de
Shelley ter descoberto a verdade há alguns anos.

Quando ela abriu seu último pacote, havia um cartão de


presente da Target e uma foto emoldurada. Ela correu para Caleb e
deu-lhe um abraço enorme. Então ela me mostrou a foto.

"Olha, Teagan."

Ela me entregou a moldura e eu examinei a imagem. Éramos


nós três, tirada quando eu vesti minha fantasia de golfinho pela
primeira vez na outra noite. Realmente era uma foto fantástica.
Caleb tornou-se parte da nossa família. Honestamente, desde a sua
chegada, eu também. Eu nunca passei tanto tempo com minha
irmã, ou mesmo com Maura e meu pai. Por causa de sua própria
perda, Caleb apreciava as coisas que eu sempre tive como
garantido. E ele me ensinou a apreciar mais minha família. Sua
estadia aqui deixaria uma marca na minha vida.

Depois que Shelley voltou ao seu lugar no sofá, Caleb parecia


estranhamente nervoso. "Posso te dar seu presente?" Ele
perguntou.

"Você não precisava ter me comprado nada," eu disse. “Eu


tenho seu presente lá embaixo. Eu embrulhei todos os meus
presentes, mas ainda não tive a chance de trazê-los.”

"Eu gostaria de lhe dar o seu em particular," disse ele. "Só


porque eu quero explicar sem que todos escutem."

Agora ele me deixou intrigada. "Podemos descer," sugeri.


"Deixe-me subir as escadas e pegá-lo, e eu te encontro lá
embaixo," disse ele.

Ao me aventurar no meu quarto, senti meus nervos


formigarem.

Poucos minutos depois, Caleb desceu segurando uma pequena


sacola de presente vermelha e verde. "Para você." Ele sorriu quando
me entregou.

Depois de levantar o papel de seda e colocá-lo de lado, tirei um


pequeno golfinho de pelúcia. Eu sorri. Tão fofo e atencioso. Então
notei uma corrente de prata pendurada nela. Anexado, havia um
pingente.

Após uma inspeção mais detalhada, percebi que era um


pequeno caracol espreitando de sua concha.

Eu olhei para ele. "Isso é tão fofo."

"Você provavelmente está se perguntando... Por que um


caracol?" Ele riu. “Vi isso e queria comprá-lo para você, porque você
realmente saiu da sua concha desde que eu te conheci, como um
caracol. Isso me lembrou de você. Espero que quando você o usar,
depois que eu for embora, você lembre de mim.”

Eu duvidava que precisaria de um lembrete dele depois que ele


se fosse. “Eu não sei o que dizer. Esta é a coisa mais significativa
que alguém já me deu.”

"Estou feliz que você gostou."


Ele ficou inquieto. Caleb parecia quase... tímido com a coisa
toda.

"Você estava nervoso em me dar isso?"

"Um pouco. Eu nem tenho certeza do porquê.”

Olhando para ele, sorri. “Eu realmente amei isso. Obrigada."

"De nada."

"Meu presente para você não é tão bom quando o seu," eu


avisei.

Andando até a minha mesa, peguei o presente de Caleb da


pilha.

Com um enorme sorriso no rosto, ele rasgou o jornal. Seu


sorriso só cresceu quando ele percebeu o que era.

"Você está brincando comigo? É brilhante! Eu nem sabia que


isso existia.”

Eu havia comprado para o Caleb um eletrodoméstico de aço


inoxidável que fazia s’mores. Apresentava um aquecedor elétrico
sem chama para os marshmallows no meio e uma bandeja ao redor
para os biscoitos e outros acompanhamentos.

“Imaginei que você poderia usá-lo quando voltar para casa.


Você mencionou que não podia acender fogueiras lá fora, onde
mora. Dessa forma, você pode fazer s’mores sempre que quiser.
Pode ser um saco para levar na mala embora.”
“Vou encontrar uma maneira de caber, não se preocupe. Esta
é a melhor coisa que você poderia me dar.” Ele olhou para mim.
"Obrigado."

"De nada."

Ele examinou meu rosto. "O que você está pensando agora?
Você parece triste."

Eu decidi ser honesta. “Estou triste, um pouco. Este ano letivo


já está pela metade. Antes que você perceba, estará fazendo as
malas e indo para casa. Eu me acostumei a ter você por perto. E eu
só... Vou sentir sua falta.”

Ele balançou sua cabeça. “Eu realmente não suporto pensar


em sair. Aqui me sinto como em casa agora. O tempo aqui está
passando muito rápido.”

Eu desviei o olhar, mas senti a mão de Caleb no meu queixo,


levantando-o para encontrar seus olhos antes de soltar. Meu corpo
se arrepiou.

"Com quem eu vou estudar?" Ele perguntou. "Quem eu vou


provocar?"

Minha respiração acelerou. "Tenho certeza que você


encontrará alguém."

"Não será o mesmo," ele sussurrou.

“Não há chance de você ficar, certo? Até mesmo mais um


ano?”
Eu imediatamente quis me dar um tapa por perguntar.

Ele soltou um longo suspiro. "Acho que não. Eu não perguntei,


mas o programa de intercâmbio deve durar apenas um ano. Mas
mesmo que eles me deixassem ficar, eu me sentiria um pouco
culpado por deixar minha mãe. A situação com meu pai não é boa.
Prometi a ela que voltaria.”

"Sim. Eu sinto muito. Foi uma pergunta estúpida.”

“Não, não foi. Isso passou pela minha cabeça muitas vezes.”
Seu tom era insistente. “E não é que eu não queira. Eu daria tudo
para ficar.”

Tomando o colar que ele me deu em minhas mãos, perguntei:


"Você vai colocar isso em mim?"

Ele sorriu. "Claro."

Eu levantei meu cabelo e virei as costas para ele. O calor de


suas mãos quando ele colocou o colar fez meu corpo formigar com
uma excitação que eu tentei não sentir.

Eu me virei para ele e esfreguei meus dedos sobre o pingente.

"Parece bonito em você," disse ele.

"Obrigada novamente."

“Agradeço a você novamente pela minha máquina de s'mores.


Não se surpreenda se eu o incluir na nossa sessão de estudos.”

“Oh Deus. O que eu comecei?”


Nós dois estávamos rindo quando Maura espiou a cabeça na
minha porta parcialmente aberta. Por alguma razão, pulei ao vê-la
— como se ela tivesse nos pego fazendo algo errado. Definitivamente
parecia que estávamos nos escondendo de todos aqui embaixo.

"Ah, aí está você." Ela fez uma pausa. "Nós... Temos alguns
presentes para vocês abrirem no andar de cima."

Caleb assentiu. “Desculpe, Maura. Acabamos de vir aqui para


trocar nossos presentes.” Ele foi em direção à escada e saiu sem
dizer mais uma palavra.

Os olhos de Maura permaneceram nos meus, uma mistura de


suspeita e diversão em suas profundezas. Ela podia ser a única
nesta casa que realmente sabia sobre meus sentimentos por Caleb.
O mês seguinte ao Natal passou. As coisas estavam mais
movimentadas do que nunca. Eu passei horas extras servindo
mesas no restaurante, e o novo semestre estava me chutando na
bunda.

Como resultado, eu tinha certeza de que o resto do meu tempo


aqui evaporaria antes que eu percebesse. Ainda havia tanta coisa
que eu queria fazer e ver em Boston, que mal sabia o que fazer
comigo mesmo. Eu não aguentava pensar nisso.

Mas o pensamento de deixar os Carrolls me deixava ainda


mais ansioso. Eu não estava pronto para esse alívio da vida real
acabar. Foi realmente incrível ver isso com bondade e respeito, em
vez de ressentimento.

Mas o que mais mexeu com minha cabeça foram meus


sentimentos por Teagan, que estavam evoluindo em uma queima
lenta e não conseguia descobrir como extinguir. Desde que terminei
com Veronica, eu não namorei mais ninguém. Eu jurei não cometer
o mesmo erro novamente – levando alguém, apenas para dar a
notícia de que não poderia ir a lugar algum porque eu estava
saindo.

Entre o trabalho e a faculdade, eu passava algum tempo livre


estudando com Teagan ou, ocasionalmente saindo com Archie, cuja
companhia eu podia desfrutar agora que ele não estava morando
sob nosso teto. Ele começou a namorar Angela, a garota com quem
ele morava em Dorchester. Ele também passava muito tempo
imaginando o que aconteceria quando o tempo nos Estados Unidos
acabasse. Mas Archie tinha mais liberdade do que eu para mudar.
Ele terminou a faculdade e não tinha uma mãe dependente dele
para o seu bem-estar mental.

Eu não dei à Teagan nenhuma ideia de que meus sentimentos


por ela haviam ultrapassado a linha além da amizade, mas isso não
me impediu de pensar nela quando me deitei na cama à noite ou
enquanto tomava banho. Isso não me impediu de querê-
la. Basicamente, sempre que eu tinha um momento para respirar,
minha mente vagava para pensamentos proibidos sobre Teagan, e
como seria tê-la apenas uma vez.

Meu pequeno problema tornou-se impossível de ignorar uma


noite quando Teagan pulou o jantar. Isso não era tão incomum. Ela
nem sempre estava nas refeições da família, eu também não. Mas
nessa noite em particular, a razão por trás de sua ausência chamou
minha atenção.

"Teagan está em um encontro," anunciou Shelley.

Parei de mastigar meu frango e, talvez com muita urgência,


perguntei: "Como você sabe?"

“Eu a vi se preparando para sair. Ela não me disse para onde


estava indo, então fiquei desconfiada. Olhei pela janela e a vi entrar
em um carro com um cara.”

Um cara?

"Interessante," disse Maura.

"Sim, interessante," eu murmurei.

Lorne suspirou. “Bem, Teagan não precisa nos contar tudo. Só


espero que ela não esteja entrando em carros com as pessoas
erradas.”

Maura me deu um olhar um pouco compreensivo. Suspeitei


que ela percebeu meus sentimentos por sua enteada há algum
tempo.

Que eu saiba, Teagan não esteve em um encontro pelo tempo


que eu a conhecia, além da noite de boliche com Archie – se isso
contava. Não deveria ter me surpreendido que ela tivesse saído.
Você sabe, por toda a coisa dela saindo da casca dela e tudo mais.
Isso certamente saiu pela culatra, não foi? Enfim, eu precisava
superar isso.

Minha cadeira derrapou no chão de madeira quando me


levantei. “O jantar estava delicioso. Obrigado, Maura,” eu disse
antes de me desculpar.

No meu quarto, fiz várias repetições de flexões para tentar


gastar minha energia nervosa – qualquer coisa, em vez de ter que
lidar com meus sentimentos.

Meu telefone tocou, interrompendo meu treino. Era minha


mãe.

Limpei o suor da testa com uma toalha enquanto pegava o


telefone. “Ei mãe. É tarde aí. Está tudo bem?”

Houve um pequeno atraso em sua resposta.

Comecei a entrar em pânico. "Mãe?"

"Oi, querido," ela finalmente disse.

"O que está acontecendo?"

Depois de outro pequeno atraso, ela disse: “Seu pai voltou a


beber.”

Meu estômago parecia ter levado um soco. Meu pai estava


sóbrio nos últimos dez anos. Ele começou a beber depois da morte
de Emma, e o problema piorou progressivamente até que minha
mãe e seus irmãos fizeram uma intervenção. Todos na família
haviam economizado dinheiro para mandá-lo para a reabilitação e,
por algum milagre, depois de alguns meses, ele parecia ter deixado
a bebida para trás por todos esses anos.

"Como você descobriu?"

“Ele estava ficando na rua muito mais do que o habitual, e


hoje à noite ele chegou em casa cheirando à cerveja e enrolando
suas palavras. Foi a primeira vez que notei, mas tenho certeza de
que já dura algum tempo.”

Sentado na minha cama, descansei a cabeça na mão. “Sinto


muito, mãe. O que eu posso fazer? Você precisa que eu volte para
casa?”

“Não se atreva. Eu vou lidar com isso daqui. Não estou lhe
dizendo isso para interromper nada. Você voltará para casa antes
que perceba. Eu só precisava que você soubesse.”

“Se as coisas derem errado, você tem que me dizer. Preciso que
você me mantenha atualizado.”

“Bem, agora, ele está dormindo. Portanto, nada está fora de


controle ainda. Mas imagino que vou ter que descobrir uma
maneira de colocá-lo de volta em um programa.”

"Eu vou lhe enviar dinheiro."

"Não," ela insistiu. "Vou ver se seus tios podem ajudar."

Quando o problema com a bebida de papai surgiu, eu era


obviamente jovem demais para ganhar a vida. Mas lembro-me de
me sentir impotente, porque acreditava que tudo era minha culpa.
Se Emma não tivesse morrido, meu pai não teria começado a beber.
Agora que eu era mais velho, eu tinha que encontrar uma maneira
de ajudar a pagar por isso.

“Não ligo para o que você diz, mãe. Vou pedir mais horas ou
conseguir outro emprego para que eu possa lhe enviar alguma
coisa.”

“Você precisa pagar pela faculdade. Seus empréstimos já são


grandes o suficiente. Vamos dar um jeito.”

Eu não sabia mais o que dizer, exceto: "Sinto muito.”

Ela sabia que minhas desculpas tinham mais de um


significado.

“Caleb, eu não quero que isso te tire dos trilhos. Não é por isso
que estou lhe dizendo. Por favor, mantenha o foco na faculdade. É
assim que você pode ajudar – mantenha o foco, para não me
preocupar com os meus dois meninos ao mesmo tempo. OK?"

"Ok," eu disse com relutância.

Depois que desliguei com minha mãe, não consegui me livrar


do terrível sentimento que suas notícias me trouxeram. Eu queria
que Teagan estivesse em casa. Mas é claro que ela estava em um
encontro – onde deveria estar. Emoções correram através de mim:
ciúme, culpa por meu pai. No momento, eu não queria sentir nada.
Mas recorrer ao álcool não era uma opção. Minha mãe também não
precisava que eu desenvolvesse um problema com a bebida.
Finalmente tomei um banho para acalmar meus nervos, e
depois me aventurei no quarto de Teagan para ver se, por um
acaso, ela havia retornado de seu encontro. Ela não tinha. Soltando
um longo suspiro, deitei-me na cama dela e chutei meus pés para
cima. Eu ansiava pela companhia dela. Eu sabia que ela teria dito
algo para me fazer sentir melhor, pelo menos por um momento.

Agarrando seu travesseiro, respirei fundo seu perfume — uma


mistura de chuva e alguma coisa dela mesma.

Fiquei ali por vários minutos, desejando uma garota que


nunca poderia ter.

Patético, Caleb.

Peguei meu telefone e rolei para o número de uma colega de


trabalho, uma garçonete chamada Simone. Ela era mais velha, com
mais de vinte anos, e havia deixado claro para mim uma noite
depois do meu turno que ela estava interessada. Eu disse a ela que
não queria me envolver com ninguém enquanto estava aqui nos
Estados Unidos, e ela insistiu que se envolver também não era algo
que ela queria. Basicamente, ela queria transar, e ela me convidou
para sua casa. Na época, eu dei de ombros para sua proposta,
fazendo algum tipo de piada, embora eu soubesse que ela estava
falando sério. Ela então decidiu inserir seu número no meu
telefone. Até esse momento, eu não tinha pensado em usá-lo.

Eu mandei uma mensagem para ela.


Caleb: Me perguntando se você está livre hoje à noite.

Ela respondeu quase imediatamente, alguns segundos depois.

Simone: Que surpresa. E para você sim.

Caleb: Você está em casa?

Simone: Sim. Quer passar por aqui?

Embora não parecesse certo, digitei as palavras de qualquer


maneira.

Caleb: Sim. Envie-me seu endereço.


Fiquei aliviada por estar em casa. Jacob me levou para comer
sushi e um filme – não do tipo assustador e desolado que eu
normalmente gosto, mas do tipo comercializável em massa e no
cinema lotado. Foi uma noite agradável, mas não senti nada além
de amizade por Jacob. Essa foi provavelmente a razão pela qual eu
concordei em sair com ele. Como Kai havia apontado, esse era o
meu modus operandi. Ele estava seguro e não exigia nenhum
trabalho emocional – ou trabalho sexual, para esse assunto.

Eu só queria tanto tirar Caleb da minha cabeça. Quanto mais


cedo eu fizer isso, melhor. Então eu tive que fazer um esforço para
me colocar lá fora. Não parecia natural, mas eu tentei. Ainda assim,
eu não conseguia parar de pensar em Caleb. Talvez ele precisasse ir
embora para que isso acontecesse. Eu odiava o fato de que sair com
Jacob só me deixou mais focada em Caleb. Eu estava a caminho de
ser esmagada quando ele saísse para voltar para a Inglaterra.

Tirando os sapatos, deitei-me na cama e me enrolei no


travesseiro. Meu batimento cardíaco acelerou quando percebi que
estava respirando seu perfume, forte e masculino. Tão Caleb.
Espera.

Caleb?

Caleb esteve na minha cama?

Acabei de mudar meus lençóis na noite anterior. Portanto, não


havia como isso ser residual em uma de nossas sessões de estudo.
Abraçando o travesseiro com mais força, continuei a enterrar o
nariz nele, dominada pelo desejo e pela confusão. O que ele estava
fazendo na minha cama? Ele veio aqui para me procurar?

Peguei meu telefone e mandei uma mensagem para ele.

Teagan: Você está em casa?

Vários minutos se passaram e não houve resposta. Decidi


subir as escadas para ver se ele estava em seu quarto.

Maura estava na sala, assistindo a um de seus programas.

Ela me pegou antes que eu tivesse a chance de subir as


escadas. "Ei! Como foi seu encontro?"

Eu parei logo antes do primeiro passo. "Como você sabia que


eu estava em um encontro?"

Ela abaixou o volume na TV. “Acho que não sabia. Eu apenas


aceitei a palavra da Shelley. Ela mencionou ter visto você entrar em
um carro com um cara.”
Suspirei. “O nome dele é Jacob. Ele trabalha no aquário
comigo. Nós apenas fomos para sushi e um filme. Foi tudo bem.
Nada sobre o que falar.” Olhei para as escadas e depois para ela.
"Você viu Caleb?"

"Ele não está aqui. Eu o vi sair há um tempo.”

Meu coração afundou. "Ele disse para onde estava indo?"

“Não. Ele meio que saiu às pressas daqui, na verdade.”

"Droga," eu murmurei.

Um olhar de preocupação cruzou seu rosto. "Está tudo bem?"

“Sim. Eu só precisava perguntar uma coisa a ele.”

Ela fez uma pausa. “Você deveria saber que Caleb estava na
mesa de jantar quando Shelley anunciou que você estava com um
cara. Eu não tinha certeza se você estava escondendo isso dele
intencionalmente ou não. Ele não parecia saber.”

Merda.

Não era que eu tivesse planejado mentir para Caleb se ele me


perguntasse para onde eu fui hoje à noite. Eu simplesmente escolhi
não anunciar. Eu sabia que ficaria com ciúmes se os papéis fossem
revertidos.

Desejei boa noite à Maura e voltei para o meu quarto.

Ainda não recebi resposta de Caleb, e eu suspeitei que ele


estivesse com uma garota. Isso me deu uma dor de estômago.
Um pouco mais tarde, chequei meu telefone novamente. Uma
hora se passou desde que eu mandei uma mensagem para ele. Não
era normal ele não responder. Eu estava desesperada para saber
onde ele estava, para perguntar por que ele estava na minha cama,
mas enviar-lhe outro texto teria sido insistente. Eu sabia que não
lhe devia uma explicação pelo meu paradeiro. Mas normalmente
contávamos nossos planos se um de nós não estivesse em casa à
noite.

Com o passar do tempo, percebi que Caleb talvez não estivesse


voltando para casa. Eu estava prestes a desligar as luzes e me
arrumar para dormir quando houve uma batida na porta do lado de
fora do meu quarto.

Eu pulei. "Quem está aí?"

Sua voz era baixa. "É Caleb."

Quando abri a porta, ele parecia cansado, e seu cabelo estava


um pouco desgrenhado. Ele ainda estava bonito como sempre, só
um pouco cansado.

"Você está bem?"

Ele balançou sua cabeça. "Na verdade, não."

Eu segui meu instinto e o puxei para um abraço. Ele me


agarrou com força, quase como se estivesse me segurando pela
vida. Estar em seus braços assim, poder segurá-lo assim, era tão
diferente dos abraços casuais que tivemos no passado. Seu coração
batia tão rápido na minha bochecha. O calor de seus músculos
duros me consumiu, e eu não queria nada além de ficar assim a
noite toda.

Mesmo com medo, perguntei: "Onde você estava?"

Ele se afastou de mim para olhar meu rosto. "Como foi seu
encontro?" Havia uma pitada de desdém em seu tom.

"Foi tudo bem." Engoli.

"Você costuma me contar seus planos se não planeja ficar em


casa." Seus olhos permaneceram nos meus por alguns segundos.
"Mas eu entendo por que você não fez desta vez."

Ele fez? "Você entende?"

Após um longo silêncio, ele disse: "Nosso relacionamento é


complicado, não é, Teagan?"

Suspirei. "Por que você estava na minha cama hoje à noite?"

Sua sobrancelha se levantou. "Como você sabia que eu estive


na sua cama?"

"Eu posso sentir seu cheiro por todos os meus lençóis."

Em vez de responder, Caleb subiu na minha cama e colocou a


cabeça no travesseiro. Eu estava tentada demais para não me
juntar a ele. Deitamo-nos em cima da colcha da cama de frente
para o outro. Ele descansou a cabeça na mão enquanto continuava
a olhar para mim.
"Eu estava preocupada com você hoje à noite," eu disse. "Por
que você não respondeu minha mensagem?"

“Eu não recebi imediatamente. E quando eu recebi, decidi


voltar para casa.” Ele soltou um suspiro que senti em minhas
bochechas. “Você perguntou por que eu estava na sua cama. Eu
precisava falar com você, e desci para ver se por algum motivo você
chegaria em casa mais cedo. Eu sabia que era um tiro no escuro.
Quando percebi que você ainda não tinha voltado, fiquei deitado por
um tempo.”

"Sobre o que você precisava falar comigo?"

"Eu estava chateado depois de conversar com minha mãe." Ele


exalou. “Acho que nunca te contei, mas meu pai é um alcoólatra em
recuperação. Ele não bebia há mais de uma década.” Caleb
suspirou. "Mas ele teve uma recaída."

Apertei a mão dele. “Ah não. Sinto muito por não estar aqui.”

“Não é sua responsabilidade estar à minha disposição. Eu só


precisava conversar. Foi um momento e passou.”

"Sua mãe está bem?"

“Parece que ela acha que pode lidar com isso. Mas não tenho
tanta certeza. Ela vai precisar dos irmãos do meu pai como apoio.
Se eu estivesse em casa, seria diferente, mesmo que ela insista que
minha volta mais cedo não ajude.”
A dor em seus olhos era transparente. Caleb se culpa por tudo
isso, e isso me matou. Tudo voltava para o que havia acontecido
com sua irmã.

Ele brincou com algum fiapo no meu edredom. “Enfim... Eu


realmente não quero entrar nesse assunto agora. Já pensei muito
sobre isso hoje à noite, e minha necessidade de conversar já
passou. Mas é por isso que eu estava na sua cama.”

“Bem, mesmo que eu não deva me desculpar, eu realmente


sinto muito por não estar aqui. Eu preferiria estar aqui hoje à
noite.”

Minhas emoções borbulharam dentro de mim e senti meus


olhos começarem a lacrimejar. Isso não foi bom. Eu apenas sentia
muito por ele agora. Não só por causa de sua dor, mas porque meu
encontro com Jacob esta noite não tinha sido como nada que era
com Caleb. Aquilo me assustou.

"Quem era esse cara, e para onde ele levou você?" Caleb
perguntou.

“O nome dele é Jacob. Eu o conheci no aquário. Ele trabalha


na loja de presentes. Ele me levou para comer sushi e ver um filme.
Foi bom... Mas não havia nada lá. Tenho certeza que sabia disso
antes de aceitar o encontro. Mas eu fui assim mesmo, porque eu
realmente queria... Tirar minha mente das coisas.”
Minhas palavras me colocaram contra a parede. Eu estava
dividida entre querer contar a Caleb como me sentia sobre ele e
querer manter para mim.

Ele inclinou a cabeça para o lado. "Tirar sua mente de que


coisas?"

Eu levei um momento para procurar as palavras. “Sinto que


posso falar com você sobre qualquer coisa... Exceto meus
sentimentos por você. Eu me sinto idiota por deixar isso chegar a
esse ponto.”

Isso foi demais. Agora ele está olhando para mim como se não
soubesse como responder – até que ele fez. E suas palavras me
abalaram completamente.

“Você me perguntou onde eu estava hoje à noite, e a razão pela


qual hesitei em lhe dizer é que, para explicar adequadamente, tenho
que falar sobre meus sentimentos por você. E como você, não é fácil
para eu fazer isso... Porque nunca quero fazer ou dizer algo que
possa mudar o que temos, que é o tipo de amizade rara.”

Minhas mãos ficaram suadas enquanto ele continuava.

“Quando Shelley disse que você estava em um encontro, fiquei


extremamente ciumento – e um pouco zangado. Eu sei que isso é
ridículo. Mas, no entanto, é difícil controlar suas emoções. No
começo, subi para o meu quarto e malhei para gastar um pouco
dessa energia negativa. Mas nada estava ajudando. Então minha
mãe ligou e me deu a notícia sobre a recaída de meu pai. Foi
quando desci para ver se você estava em casa.”

Enquanto ouvir que ele estava com ciúmes fez meu coração
cantar, eu não pude apreciá-lo completamente, porque estava com
medo do que ele diria a seguir.

Eu me preparei. "E depois? Onde você foi?"

“Eu não queria ficar sozinho, então eu... Mandei uma


mensagem para essa garota com quem trabalho. Ela deixou claro
que queria transar, sem compromisso.”

Suas palavras cortaram através de mim, e eu empurrei um


pouco para trás.

Ele fodeu com alguém hoje à noite?

“Teagan, tudo o que importava hoje à noite era esquecer tudo:


meu ciúme irracional por você, a recaída de meu pai e a culpa que
eu coloquei em mim mesmo – tudo isso. Então fui ao apartamento
daquela garota... Esperando... Esquecer.”

“Você não precisa me contar o resto. Eu realmente...”

"Sim, eu sei," disse ele. Ele respirou fundo. "Uma coisa levou à
outra. Essa garota estava praticamente me atacando – arrancando
minhas roupas, cravando as unhas em mim – e, em vez de me
sentir excitado, senti o contrário. Eu me sinto doente. Eu não
conseguia nem ficar duro. Foi a experiência quase sexual mais
bizarra da minha vida.”
Quase?

"Você não transou com ela?"

Ele balançou sua cabeça. "Não. Eu só queria voltar para casa.


E é isso que eu fiz. Vi o seu texto no meu caminho de volta e decidi
que, em vez de responder, precisava vê-la. Então aqui estou."

Estendi a mão e passei os dedos pelos cabelos sedosos dele.


Foi a primeira vez que eu o toquei, e era ainda mais suave e mais
espesso do que eu imaginava. Observar o modo como sua
respiração mudou enquanto eu fazia isso me deu uma sensação de
poder. Esse movimento simples pode ter sido a coisa mais
descarada que eu já fiz na minha vida.

Caleb fechou os olhos e eu continuei massageando seus


cabelos – até que ele adormeceu na minha cama. E foi ali que ele
ficou.
A vibração entre Teagan e eu definitivamente mudou depois da
noite que passei na cama dela. E eu não sabia como lidar com isso.

Nós não ficamos sozinhos desde então, mas a única vez que
nós dois estávamos no jantar, Teagan me pegou olhando para ela.
Em vez de desviar o olhar, ela manteve os olhos nos meus e sorriu.
Eu sorri de volta e amaldiçoei interiormente por ser tão
transparente. Eu estava fantasiando sobre o gosto de seus lábios
durante toda a refeição.

Foi bom dormir ao lado dela, embora nunca tivéssemos


conversado sobre isso. Na manhã seguinte, ela ainda estava
dormindo quando eu saí da cama.

Esta noite seria a nossa primeira sessão de estudo desde


então. Por mais que eu desejasse repetir – deitar-me ao lado dela
novamente – planejava repetir meu mantra: protegê-la era mais
importante do que quaisquer desejos egoístas que eu tivesse.

Boa sorte com isso.


Mais tarde, tudo parecia normal lá embaixo no quarto de
Teagan – pelo menos a princípio. Não houve menção de nossa noite
juntos, nenhuma discussão sobre o que isso significava, ou se o
faríamos novamente. Em vez disso, concentramo-nos em nossa
lição de casa. Escrevi algumas fórmulas matemáticas enquanto
Teagan estudava para seu teste de fisiologia.

A certa altura, ergui os olhos para dar uma olhada nela. E eu


a encontrei já olhando para mim. Devemos parar de nos encontrar
assim, Teagan. Gostaria de saber quanto tempo seus olhos estavam
em mim e não em seu computador.

"Você está atraído por mim?" Ela perguntou.

Ela disse tão baixo que mal se registrou.

Eu ouvi isso certo? Engoli em seco e tentei ganhar algum


tempo. "Hmm?"

Ela fechou os olhos, balançando a cabeça. "Deixa pra lá." Ela


enterrou o rosto no computador novamente, as bochechas ficando
vermelhas.

Porra. Como eu poderia ignorar essa pergunta? Eu precisava


admitir que ouvi na primeira vez.

"Você perguntou se eu estava atraído por você..."


Ela levantou a cabeça. "Então você me ouviu."

"Demorou um momento para processar."

"Ou você tinha que pensar em como me decepcionar com


facilidade."

Ela está brincando? Eu não tinha conseguido me concentrar


em nada além da minha atração por ela ultimamente. “Foda-se,
não, Teagan. Você entendeu errado.”

O rosto dela ficou ainda mais vermelho. “Esquece que eu


perguntei. Por favor. Isso foi um erro.”

Coloquei meu caderno de lado e fui até a cama dela, sentada


na beira – perto, mas longe o suficiente para estar fora de alcance
em segurança. Ela cruzou as pernas e lambeu os lábios
nervosamente. Meu pau estremeceu. Porra. Eu era uma causa
perdida.

A verdade era perigosa. Mas eu estava cansado de negar as


coisas. Tinha sido tanto trabalho maldito por tanto tempo.

"Vamos ser reais por alguns minutos," eu disse. “Vou te contar


meus pensamentos e você me conta os seus. Seja brutalmente
honesta. OK?"

O peito dela arfava. "OK…"

"Estou extremamente atraído por você, Teagan," eu disse


suavemente. "Essa é a verdade." Soltei um suspiro trêmulo. “Não foi
instantaneamente tão forte como é agora. Quando nos conhecemos,
eu definitivamente olhei para você de forma mais platônica. Mas
algo mudou ao longo do caminho. E agora sonho constantemente
em como seria estar com você.”

Ela lambeu os lábios novamente, e meu pau endureceu ainda


mais.

“Mas você sabe por que eu não fiz nada sobre isso, certo? Só
existe um motivo, e não quero machucá-la quando partir.”

"Entendi." Ela se mexeu na cama. “Ultimamente eu tenho pego


você me encarando. Também não posso deixar de encará-lo. Eu
sempre tive uma queda por você, mas recentemente também não
consigo parar de pensar em como seria.”

Frustrado, peguei a folha de papel. Ela deixou sua posição


clara, mas eu ainda precisava confirmar exatamente o que ela
queria dizer.

“Você quer dizer, você não pode parar de pensar sobre o que
seria como estar comigo... Sexualmente?”

Ela mordeu o lábio e assentiu. Eu estava prestes a me


desfazer.

Teagan parecia atormentada. "Não gosto de me sentir assim —


muito fora de controle," disse ela. “Sempre que você está perto de
mim, meu corpo reage. Às vezes sinto que vou explodir se você não
me tocar.” Ela fechou os olhos. "Oh meu Deus. Não acredito que
acabei de dizer isso.”
Meu coração disparou, e levou tudo em mim para não pular
para frente e pegar seus lábios. Ainda assim, consegui força de
vontade suficiente para me impedir. Eu queria saber algo que não
conseguia descobrir sem perguntar diretamente a ela.

“Posso te perguntar uma pergunta pessoal? E sinta-se livre


para me dizer para me foder.”

"Sim, ok."

"Você já fez sexo antes?"

Ela assentiu.

Por alguma razão, pensei que ela pudesse ser virgem. Agora
que eu sabia que ela não era, fiquei muito curioso sobre as
circunstâncias.

"Apenas uma vez," ela esclareceu. “Eu fiz sexo na minha noite
de formatura. Eu basicamente planejei perder minha virgindade –
acabar logo com isso. Foi estúpido, e eu nem... Gostei.”

Gostei. "Você não gozou..."

Ela balançou a cabeça. "Não. Isso machuca. E foi rápido e


terminou antes que eu percebesse. Ele basicamente rompeu meu
hímen, e foi isso.”

Sua terminologia me fez rir. "O rompedor de hímen tinha um


nome?"

"Zach."
“Zach é péssimo. Um idiota de duas estocadas.”

Ela riu. "Não tenho certeza se isso realmente contava."

"Não conta," eu insisti.

“Com quantas garotas você dormiu?”

Soltando um suspiro exasperado, fechei os olhos,


genuinamente tentando me lembrar. “Não ria. Mas esta é minha
melhor estimativa.”

"OK…"

"Quinze."

Os olhos dela se arregalaram. "Wow."

“Aproximadamente duas por ano desde o ensino médio.


Algumas eram namoradas. A maioria era apenas de uma noite, no
entanto. E eu usava camisinha toda vez, mesmo com minhas
namoradas, porque não confio em ninguém.”

"Bom saber." Ela sorriu. "Acho que ainda tenho um longo


caminho a percorrer."

"Não, não, não, não, você não tem." O pensamento dela "me
alcançando" me deixou doente. "Mas estou curioso para saber por
que nunca houve mais ninguém depois do rompedor de hímen."

Teagan ficou olhando. “Eu tenho a tendência de escolher


pessoas que eu sei que não vou perder a cabeça. Isso garante que
eu realmente nunca me machuque. Mas, por sua vez, não sou
atraída o suficiente para dormir com ele. É um resultado fodido dos
meus antecedentes – de alguma forma, não quero ser como minha
mãe depravada, ou pior, acabar machucada como meu pai. Eu
estraguei todo relacionamento normal que eu já tive porque não
estava atraída pela pessoa. E sempre me esquivei de pessoas pelas
quais sou sexualmente atraída.” Ela piscou algumas vezes. "Caras
como você."

Merda. Eu tentei acalmar, apesar de estar enlouquecendo por


dentro. "Torno difícil me evitar."

“Essa é a diferença. Eu não quero te evitar. Você me faz sentir


segura, Caleb – como se eu pudesse me deixar ir com você, como se
você não me julgasse se eu tivesse essa chance e estragasse tudo.”
Teagan revirou os olhos para o teto. "Não acredito que estou
admitindo tudo isso."

Seus segredos eram como uma droga. Ela me deu uma


coisinha e eu queria mais. Precisava de mais.

Minha voz estava rouca. “Não tenha medo de me dizer o que


você está pensando. Quero saber tudo, mesmo que não possa fazer
nada a respeito.” Inclinei-me para mais perto dela na cama. “Adoro
quando você se abre para mim, conta coisas que não conta a mais
ninguém. Contamos alguns segredos importantes. E acho que
nossa atração mútua pode ser o maior segredo que mantemos um
do outro.”

Ela assentiu. “Estou perdendo a cabeça um pouco quando se


trata de você, Caleb. Essa é a verdade. Você me faz sentir todas as
coisas que eu tento não fazer. Coisas emocionais. Coisas sexuais.
Eu só sinto muito. É algo que sempre trabalhei duro para evitar.”

Eu deixei meus pensamentos me escaparem. “Eu também


sinto isso, Teagan. Toda a maldita coisa.”

"Então, o que agora?" Ela perguntou. "O que fazemos com


isso?"

Essa é a questão. "Eu não sei."

A tristeza tomou conta de seu rosto e ela desviou o olhar.

"Olhe para mim," insisti. "Deixe-me explicar." Eu parei. “Com


você... É muito mais que uma atração sexual. Eu te admiro e tenho
muito respeito por você. Eu sei como é raro você se abrir para
alguém, dar seu coração. Não consigo imaginar deixar você me dar
qualquer parte de você para mim, porque vou embora daqui a
alguns meses – não seu coração ou seu corpo. Não é justo. Então,
senti que precisava resistir ao que está acontecendo entre nós com
todas as minhas forças.” Meu controle estava desaparecendo. “O
problema é que não sei se isso é realista. Porque tão rapidamente
quanto três meses passam, também é uma eternidade quando cada
segundo que eu não posso beijar você parece uma tortura.”

O peito dela subiu e desceu. A próxima coisa que eu soube foi


que ela se inclinou e seus lábios estavam nos meus – lábios
úmidos, carnudos e bonitos que tinham um sabor mais doce que o
açúcar, os lábios que eu fantasiava por tanto tempo. E agora suas
mãos estavam passeando pelo meu cabelo.
Gemendo em sua boca, eu deixei ir, consumindo cada pedaço
de seu gosto, não me importando com mais com nada além deste
momento. Por outro lado, eu teria dito a mim mesmo qualquer coisa
apenas para poder continuar. Contanto que você não a foda, Caleb,
tudo ficará bem. Que mal fará beijá-la? Beijar nunca matou ninguém.
Qual é o perigo de tocá-la, prová-la? Eu estava mentindo para mim
mesmo, mas não dava a mínima agora. Nem um pouco, agora que
eu sabia como era.

Empurrando minha língua mais fundo em sua boca, eu não


conseguia o suficiente. Eu precisava provar cada centímetro dela.
Esse pensamento me preocupou que sua família pudesse nos
encontrar. Mas isso não era motivo suficiente para recuar.

Passando as mãos pelo cabelo dela, percebi em primeira mão o


quanto disso ela tinha. Eu queria enterrar meu rosto nele. Eu
queria enterrar meu rosto em muitos lugares agora. Sempre que eu
diminuía o ritmo do nosso beijo, Teagan gemia e acelerava, como se
dissesse que é melhor eu não parar. Então eu a beijava mais rápido
e empurrei minha língua com mais força. Fiz com a minha boca o
que desejava poder fazer com o meu corpo. Isso teria que ser o
limite.

Assim que eu tive esse pensamento, eu me encontrei em cima


dela, prendendo-a embaixo de mim enquanto nosso beijo se tornou
ainda mais profundo, mais intenso. Meu pau estava tão duro que
parecia que poderia quebrar ao meio. Os gemidos de prazer de
Teagan estavam me fazendo perder a cabeça.
Então a perna dela acidentalmente bateu na mesa. O barulho
me assustou muito, porque por um segundo, pensei que alguém
tivesse entrado. Isso foi o suficiente para me forçar a trancar a
porta. Não sei como explicaríamos a porta trancada se alguém
viesse aqui embaixo, mas era melhor do que ser pego.

Quando voltei para a cama, meu pau estava enfiado duro nas
minhas calças de moletom cinza, ainda mais duro do que uma
porra de pedra. Os olhos de Teagan estavam fixos firmemente na
minha virilha, e isso certamente não estava ajudando a situação. O
que quer que fôssemos fazer, eu estava determinado a manter meu
pau nas calças – onde pertencia até eu voltar para a Inglaterra.

Teagan ofegou, parecendo faminta por mim. Por mais que eu


quisesse retomar a devorar os lábios dela – e passar para outras
coisas – esse quase acidente foi um alerta. E se tivesse sido Maura?
Ela e o marido tinham sido tão bons comigo, abrindo a casa deles e
me fazendo sentir parte da família deles. E era assim que eu
agradecia? Brincando com a filha deles? Eu precisava dar um passo
atrás.

Voltei para a cama, recostando-me na cabeceira da cama


antes de me virar para ela. "Nós cruzamos uma linha perigosa."

A expressão de Teagan sangrou decepção. “Eu sou uma garota


grande. Eu dou conta disso."

Passando as mãos pelos cabelos, eu disse: “Sim. Bem, não


tenho certeza se posso.”
Os olhos dela estavam cheios de confusão. "O que você está
dizendo?"

"Só que precisamos ter cuidado." Puxei meu cabelo. “Eu nem
sei o que isso significa. Só não quero estragar tudo levando as
coisas longe demais.”

Parecia que ela poderia chorar. Eu estava fazendo um trabalho


horrível explicando isso.

“Teagan, você é a melhor amiga que eu já tive. Eu nunca te


disse isso, mas agora você sabe. E está prestes a haver um oceano
entre nós. Não posso complicar sua vida e depois sair. Eu não vou
fazer isso com você. Você significa muito para mim.”

Essa foi a afirmação mais ridícula que eu já pronunciei,


porque isso já estava complicado.

O rosto dela enrugou em tormento. "O que fazemos com o


tempo que nos resta?"

“Eu não sei. Estou muito confuso. Só precisamos ter cuidado.”

"O que isso significa?" Ela repetiu.

Foda-se, se eu soubesse. "Talvez estudar no andar de cima, em


vez de aqui embaixo," eu disse, embora isso me matasse. Nossas
sessões de estudo eram minha parte favorita da semana.

Mesmo quando eu disse isso, minha mão viajou para tocar seu
cabelo. Passei minhas mãos pelos fios quando ela fechou os olhos.
Isso me lembrou o que ela fez na noite em que dormi em sua cama.
Eu adormeci quando ela massageou meu cabelo.

Eu queria puxá-la para mim e reivindicar sua boca


novamente, mas em vez disso me inclinei e dei um único beijo em
sua testa antes de me forçar a sair da cama. Pode ter sido a decisão
mais madura que eu já tomei.

"Eu deveria ir lá para cima."

Ela não olhou para mim quando disse: "Ok.”

Teagan parecia completamente arrasada, e não havia ninguém


para culpar por isso, exceto eu. Eu a beijei, provoquei-a e disse a
ela que não havia chance para nós.

Bom trabalho, idiota.


Acredito que a única coisa boa de evitar ficar sozinha com
Caleb era que estávamos fazendo questão de sair mais juntos fora
de casa. Ele me encontrava no aquário depois do meu estágio e
caminhávamos pelo centro da cidade, navegando pelas lojas ou
comprando algo para comer.

Quanto às nossas sessões de estudo, transferimos para o


andar de cima para a sala de estar, um espaço que ninguém jamais
usou porque não havia televisão ali. Finalmente teve um uso —
como bloqueador de pênis.

Caleb também estava pegando horas extras no restaurante.


Ele não disse o porquê, mas eu suspeitei que fosse para enviar
dinheiro à sua mãe. Eu sabia que ele sentia que precisava ajudar
com os custos de reabilitação de seu pai. Pelo que ele me disse, sua
mãe estava tendo problemas para convencer seu pai a obter ajuda
dessa vez, então ele ainda não havia entrado em um programa.

Em uma tarde de sábado, pensei que Caleb estava no


trabalho, mas ele veio me encontrar lá embaixo. Ele ficou no espaço
seguro da porta e perguntou: “Tem algum interesse em ir a Harvard
Square hoje à tarde? Eu tenho o dia de folga. Archie e Ângela
querem se encontrar lá.”

Eu não tive que pensar sobre isso. Com os dias até a partida
de Caleb diminuindo, eu aproveitava a oportunidade para sair com
ele, especialmente fora da casa onde as coisas estavam "seguras".

“Sim. Isso parece incrível. Não estive lá em algum um tempo.”

"Legal. Vamos sair às três, então?”

"Parece bom."

Uma excitação vertiginosa tomava conta de mim sempre que


eu sabia que estaria passando um tempo com ele. Embora
tivéssemos discutido estabelecer um limite claro entre nós, sair
juntos sempre parecia um encontro – sem o contato físico.

Ultimamente, vi-me muito passiva agressiva. Eu usava roupas


grudadas no meu corpo, colocava um pouco de maquiagem nos
olhos e fazia o cabelo para que ficasse longo e elegante. Eu joguei
com a minha sexualidade, porque, por mais que eu soubesse que
ele estava indo embora, ainda queria que ele me quisesse, e ainda
tinha esperança de que ele me beijasse novamente. Essa era uma
maneira imatura e egoísta de pensar, mas eu não pude evitar. Eu
estava completamente apaixonada. Fiquei tentada a dizer que o
queria de qualquer maneira, mesmo que ele estivesse indo embora.
Faria me parecer barata admitir uma coisa dessas? Talvez eu
estivesse me enganando, pensando que seria capaz de sobreviver ao
resultado disso.
Os olhos de Caleb se arregalaram quando ele entrou no
saguão onde eu estava esperando às 15:00.

"Você está realmente linda," disse ele.

Um calafrio percorreu minha espinha. "Obrigada."

Seu olhar aquecido percorreu meu corpo, depois subiu


novamente e permaneceu nos meus olhos. "Podemos ir?"

"Sim."

Mesmo andando ao lado dele fez meu corpo reagir. Durante


todo o caminho até a parada do bonde, tive o desejo de agarrar sua
mão. Mas eu não fiz. Independentemente de como eu estava me
sentindo, nunca faria o primeiro movimento novamente. Afinal, fui
eu quem o beijou naquela noite. Tecnicamente, ele nunca havia
iniciado nada.

Estava mais frio do que eu esperava. Previa-se que as


temperaturas estivessem mais quentes do lado de fora, mas
aparentemente não eram quentes o suficiente para ficar sem uma
jaqueta. Eu não usava uma porque não queria estragar o visual que
eu tinha trabalhado tão duro para conseguir – você sabe, o visual
que eu estupidamente esperava que fizesse Caleb perder o controle.
Enquanto esperávamos na plataforma do bonde, ele tirou seu
moletom e o colocou em volta dos meus ombros.

"Você não precisa fazer isso."

“Você está tremendo. Claro que eu faço.”


"Mas agora você vai sentir frio."

“Vou comprar algo em um desses estandes de Cambridge.


Talvez uma camiseta que diga Harvard, para que as pessoas
pensem que eu sou Ivy Leaguer.”

Devo contar a ele? "Entrei para Harvard."

Ele balançou a cabeça com um sorriso. “Isso não me


surpreende nem um pouco. Você é um gênio. Por que você não foi?”

“O programa de biologia marinha no Norte foi mais adequado


para mim. Além disso, eu não recebi nenhuma ajuda financeira e
teria que morar lá. Era muito caro. No final, tomei a decisão mais
prática.”

"Ainda é impressionante poder dizer que você entrou." Ele


puxou os cordões do capuz que eu estava usando agora. “Uma das
coisas que eu admiro em você é que você sabe o que quer e não
toma decisões apenas porque elas parecem corretas no papel. Você
vai com seu instinto e sua paixão. Você sempre soube que queria
ser uma bióloga marinha, mesmo que isso não seja uma escolha
comum. Eu invejo isso.”

Vou com meu instinto. Suas palavras foram irônicas, porque


me lembraram o que eu sentia por ele. Ele estava saindo, e não
estava certo para mim no papel, mas cada momento que eu estava
com ele parecia certo, apesar das probabilidades contra nós.
"Você vai descobrir o que quer fazer," eu disse a ele. "Muitas
pessoas mudam de ideia depois da faculdade e muitas não acabam
usando seus diplomas para a carreira escolhida."

Ele riu. “Você sempre tem um jeito de me fazer sentir melhor


quando estou me sentindo uma merda. Como você faz isso?”

Eu balancei minha cabeça. “Você não é uma merda. Antes de


você vir, eu mal saía do meu quarto. Você me fez querer sair e viver.
Eu diria que você é uma boa influência.”

“Não posso dizer que já fui chamado de uma boa influência


antes. Geralmente é o contrário.” Ele olhou para mim intensamente
por um tempo. "Eu preciso de mais tempo aqui," ele sussurrou.
"Mas se eu tivesse isso, seria apenas mais difícil de ir embora."

Eu entendi isso no meu âmago.

O bonde chegou, interrompendo nossa conversa. Não havia


assentos e estava bastante lotado, o que fazia sentido, pois era um
dia ensolarado. Isso significava que mais pessoas estariam viajando
pela cidade para aproveitar o clima agradável.

Enquanto estávamos juntos em um canto do bonde, lembrei-


me novamente do meu plano de comprar a colônia dele depois que
ele fosse embora e borrifa-la nos meus lençóis. A certa altura, o
bonde parou, enviando-me direto para o peito dele. Ele me segurou
lá por um momento, colocando a mão firmemente nas minhas
costas, por cima da alça do meu sutiã. Aqueles segundos em seus
braços pareceram incríveis. Eu olhei para cima e ele olhou para
mim. A tensão sexual entre nós era particularmente alta hoje.

Por favor, beije-me.

Mas ele não fez.

Depois que ele me soltou, mesmo que o momento tivesse


passado, a dor do desejo permaneceu no meu peito.

Quando chegamos a Harvard Square, Caleb fez o que havia


prometido, comprando um moletom com capuz de Harvard, embora
aparentemente não fosse para ele, foi para mim.

“Você é quem deveria estar vestindo isso com orgulho. A


garota que recusou Harvard. Fodona.”

Embora eu tenha apreciado o gesto, relutei em me separar do


meu casaco com capuz com cheiro de Caleb atual. Mas quando ele
me entregou, coloquei o novo branco e bordô com o logotipo de
Harvard.

Ele fechou, seus dedos longos e lindos roçando meu peito


como choques elétricos.

"Parece bom para você," disse ele.


Encontramo-nos com Archie e Angela em um restaurante
chinês na Harvard Square. Eu sabia que Archie estava chegando ao
fim de sua estadia de três meses em Boston e, dado meu interesse
em tais assuntos, fiquei curiosa sobre o que a partida dele poderia
significar para eles.

Archie e Caleb compartilharam uma Scorpion bowl8 e eu tomei


uma Coca-Cola. Angela tomou um copo de vinho branco.

Enquanto esperávamos nossa comida, finalmente reuni


coragem para perguntar a ela. “Então, eu sei que Archie vai embora
em breve. O que vocês dois vão fazer?”

Angela escovou os longos cabelos negros para o lado e pareceu


encolher os ombros. “Vamos deixar rolar. Não sabemos se vai
funcionar à longa distância, mas gostaria de tentar.” Ela olhou para
Caleb e de volta para mim. "E vocês dois?"

Eu me senti corada. "Oh... Não estamos juntos." Eu olhei para


Caleb nervosamente.

"Você está de brincadeira?" Ela se virou para Archie. "Eu


pensei que você disse que eles estavam namorando."

"Não, eu disse que Caleb a queria."

Juro que ouvi um som de guinchar.

Ela se encolheu. “Desculpe. Vocês são tão fofos juntos. E a


maneira como vocês se olham... eu assumi...”

8
Uma bebida típica da cultura Tiki
Eu não tinha certeza se era o álcool subindo para sua cabeça
ou o quê, mas em vez de ignorar o comentário dela, Caleb decidiu
abordá-la de frente.

“Você está certa, Angela. Não escondi meus sentimentos em


relação à Teagan. A cada momento que estamos juntos, estou me
esforçando mais para não a querer. Mas tomei a decisão de não
fazer nada sobre isso, porque vou embora em breve. Ela está ciente
disso.”

Eu estava formulando minha resposta quando ele


acrescentou: "Mas muitos dias – especialmente hoje – eu sinto
vontade de dizer foda-se, porque..." Ele se virou para encontrar meu
olhar. "Bem, olhe para ela."

Meu corpo inteiro se encheu de calor quando eu olhei em seus


olhos, querendo-o.

Ela suspirou. “Uau. Sentimentos reprimidos são tão quentes.


Eu colocaria meu dinheiro em você perdendo a batalha, Caleb.”

Coloquei minha mão embaixo da mesa e encontrei a dele. Ele


enlaçou seus dedos com os meus e apertou. Ficamos de mãos
dadas pelo resto do tempo no restaurante.

Eu não sabia se a admissão de Caleb mudou alguma coisa,


mas enquanto caminhávamos pela Harvard Square naquela noite,
eu estava meio que atordoada, ainda pensando no que ele havia
dito no restaurante.
Era perto das onze horas quando Caleb e eu pegamos o trem e
depois mudamos para o bonde que nos levaria para casa.

Havia muitos assentos, mas Caleb escolheu ficar no canto,


então eu fiquei na frente dele, em vez de me sentar. Nós nos
encaramos mais descaradamente do que o normal. Seus olhos
pareciam quase doloridos, exibindo o conflito girando em sua
mente.

"Eu quero te beijar tanto agora," ele finalmente sussurrou.

Agarrei a camisa dele quando nos balançamos com o


movimento do trem. Quando olhei para ele, implorei
silenciosamente que ele cedesse à sua necessidade. Ele se inclinou
e soltou um suspiro frustrado antes de tomar minha boca com a
dele. Agarrando sua camisa para me equilibrar, senti minhas
pernas enfraquecerem quando sucumbi aos seus lábios. Nossas
línguas colidiram e nossos corpos se pressionaram juntos. Suas
mãos estavam enterradas no meu cabelo, o que provavelmente era
a única coisa que me impedia de cair como um mingau no chão do
Bonde.

Suas mãos deixaram meu cabelo e deslizaram pelas minhas


costas, pousando na minha bunda. Os músculos entre minhas
pernas pulsaram quando senti sua ereção pressionada contra mim
através de seu jeans. Eu nunca estive mais excitada na minha vida.
Minha calcinha já estava molhada. A maneira como ele trabalhou a
língua em volta da minha boca me fez pensar no que mais ele
poderia fazer com ela. E isso só me deixou mais molhada.
"Você está me deixando louco, Teagan," ele falou nos meus
lábios.

Eu empurrei minha boca contra a dele, ansiosa para provar


ainda mais dele, se isso fosse possível. O calor de sua respiração, a
sensação de seu corpo contra o meu era quase demais para
suportar.

Meia hora deve ter passado antes de percebermos que


perdemos completamente nossa parada. Acabamos no final da linha
do bonde, exatamente quando o condutor anunciava que era o
último carro da noite. Portanto, não poderíamos nem voltar atrás.

"Eu levei as coisas longe demais em mais de uma maneira hoje


à noite," disse Caleb com uma risada.

Depois que descemos do bonde, eu nem tinha certeza de onde


estávamos. Sentamo-nos juntos em um banco do parque próximo e
de mãos dadas, olhando para as estrelas.

Maura mandou uma mensagem para ter certeza de que eu


estava bem, e eu disse a ela que estava segura com Caleb. Ela não
perguntou nada mais do que isso.

Caleb me notou olhando para o meu telefone. "Era Maura?"

“Sim. Eu disse a ela que estava com você e estava a salvo.”

Ele balançou a cabeça no céu noturno. "Ela vai me odiar."

"Isso não é verdade. Ela ama você." Eu também poderia te


amar.
Eu me mudei para montá-lo no banco, e ele se ajustou para
que não estivesse mais pressionando em mim. Mas eu ainda podia
sentir o quão duro ele estava entre as minhas pernas.

Ele enterrou o rosto no meu pescoço e sussurrou sobre a


minha pele: "Eu nunca me senti assim por alguém, Teagan."

Suas palavras tocaram meu coração. "Nem eu," eu ofeguei,


beijando seu pescoço.

Ele me empurrou um pouco para trás para poder olhar para


mim. “Estou aterrorizado com as próximas semanas. Eu tentei
tanto não me apaixonar por você. Mas quanto mais eu tento evitá-
la, pior é.”

Eu me afastei dele, optando por me sentar ao lado dele, e


coloquei minha cabeça em seu ombro.

"Sinto falta de ficar sozinha com você," eu disse. “Estudando


com você no meu quarto, bate-papo tarde da noite – tudo porque
você está evitando a possibilidade de atravessarmos a linha. Mas,
enquanto isso, estamos perdendo um tempo precioso juntos antes
de você ir.” Eu me virei para ele e coloquei minhas mãos em seu
rosto, trazendo seus olhos para os meus. “Eu não vou quebrar, você
sabe. Mesmo se perdermos o controle, eu ficarei bem.”

Ele colocou as mãos sobre as minhas, abaixando-as no seu


colo. “Como você pode dizer isso? Você é realmente tão forte?
Porque eu sei que, porra, não vou ficar bem, Teagan.”
Eu me sinto doente. “Neste ponto, eu já vou ser esmagada
quando você sair. Estou apaixonada por você há muito tempo,
mesmo quando você estava com Veronica.”

"Sim?" Ele sorriu, parecendo um pouco surpreso.

"Sim."

“Nunca pensei em ficar por ela. Mas para você, eu quero ficar
para sempre. Antes de minha mãe me contar sobre a recaída de
meu pai, fui à faculdade para ver se havia uma maneira de
prolongar minha estadia. Mas eles me disseram que não era
possível, que o programa deveria durar apenas um ano. Eles
confirmaram que tenho que voltar.”

"Eu não sabia que você fez isso."

“Bem, mesmo que eles me dissessem que eu poderia ficar,


provavelmente teria que voltar agora. Não posso deixar minha mãe
para lidar com isso sozinha.” Ele soltou um longo suspiro. "É
apenas uma merda."

Colocando minha cabeça em seu ombro novamente, eu disse:


"Sim."

“Eu quero ficar aqui. Por favor, entenda isso.”

"Eu sei," eu sussurrei.

“Eu não quero mais ficar longe de você. Mas não podemos
dormir juntos. Tudo bem? Eu tenho que desenhar uma linha em
algum lugar. Mas eu cansei de evitar você. Quero passar todo o
tempo livre que me resta com você. E quero beijar você em todas as
chances que tiver.”

Eu olhei para ele e sorri. "É um acordo."

Caímos em outro beijo naquele banco do parque e ficamos lá


por pelo menos uma hora. Finalmente ligamos para um Uber para
nos levar para casa.

Eu não entendia completamente que diferença faria se


tivéssemos relações sexuais a essa altura. Meu coração já estava
tão fundo que estava partindo. Não importava se Caleb estivesse
fisicamente dentro de mim. Ele já estava dentro do meu coração e
alma.
Todo dia eu me sentia mais apegado à Teagan, e mesmo que
estivéssemos gastando cada momento que pudéssemos encontrar,
beijando e tocando, eu não tinha ousado me aventurar abaixo da
cintura. Havia muita coisa que poderíamos fazer no quarto dela de
qualquer maneira com a família lá em cima. Consequentemente,
meu pau estava tão duro na maioria das vezes que eu tinha certeza
de que iria entrar em combustão. Eu tinha que suportar e
continuava me convencendo de que estava fazendo a coisa certa,
mas a cada momento que passávamos juntos, parar parecia cada
vez menos natural.

Eu passava mais horas no restaurante, mas hoje eu tive uma


rara noite de sexta-feira de folga. E eu realmente queria gastá-lo
com Teagan.

Ela normalmente voltava do estágio por volta das cinco e meia


nas noites de sexta-feira. Eram cinco e quarenta e cinco, então
desci para o quarto dela. Estava vazio, então eu me deitei na cama
dela e liguei para ela.

"Ei," ela respondeu.


"Onde você está?"

“Eu tenho que ficar até tarde esta noite – até as sete. Eu tenho
que ajudar a limpar alguns tanques.”

"Só você ficaria animada em limpar a merda dos peixes."

"Eu nunca disse que isso me excita, mas você me conhece tão
bem."

"De fato eu faço." Suspirei, imaginando o jeito que ela


provavelmente estava sorrindo agora. “Então você volta por volta
das sete e meia? Sinto falta do seu rosto.”

"Sim, mais algumas horas."

"Merda. Bem. Acho que posso esperar aqui em sua cama.”

"Você está no meu quarto?"

"Sim. É como eu soube que você não estava aqui.”

"Não vá fuçar nas minhas gavetas ou qualquer coisa."

“Bem, agora que você disse isso, me deixou curioso. Por favor,
diga-me que você tem um vibrador ou pornô aqui em algum lugar.”

“De que outra forma você acha que eu lido com a minha
constante frustração sexual reprimida? Tem que ser liberada de
alguma forma.”

Cristo. Eu não estava falando sério, mas agora eu poderia


andar duro a noite toda.
"Eu tenho que ir," disse ela.

"Você não pode simplesmente dizer algo assim e desligar." Eu


ri.

"Adeus, Caleb."

Inquieto e pensando em nada além de Teagan se


masturbando, não tinha vontade de esperar que ela voltasse para
casa. Então eu peguei o trem para o aquário para surpreendê-la.
Imaginei que talvez pudéssemos comer algo no centro depois do seu
turno.

Quando entrei no prédio, fiquei surpreso ao vê-la parada no


balcão da loja de presentes. Um cara que eu assumi que fosse
Jacob, o cara que a levou uma vez para sair, inclinou-se para ela,
chegando muito perto para o meu conforto.

Uma onda de adrenalina percorreu minhas veias, embora ela


estivesse apenas conversando com ele. Num piscar de olhos, vi o
futuro em que eu não estaria por perto para Teagan, um futuro em
que ela namoraria outros caras, apaixonar-se-ia e faria muito sexo
– não comigo. Eu não conseguia controlar nada disso de um oceano
distante.
Ela ainda não tinha me visto. Talvez eu devesse me virar e ir
para casa. Mas isso não parecia certo. O que parecia certo foi
interrompido.

"Você está fazendo hora extra não remunerada?" Eu perguntei


quando me aproximei.

Teagan se virou ao som da minha voz. "Caleb."

O sorriso em seu rosto tirou muito do meu desconforto. Ela


parecia feliz em me ver.

"Oi," eu disse, mudando para encarar Jacob.

"Jacob, este é Caleb."

"Ei," disse ele, parecendo que eu tinha arruinado o seu


negócio.

Talvez eu tenha estragado isso para ele. De qualquer maneira,


foi um prazer.

"Oi," eu murmurei antes de voltar para ela. "Você terminou?"

"Sim. Terminou mais cedo. Deixe-me pegar minhas coisas.”

Enquanto eu esperava por ela, Jacob e eu nos entreolhamos.


Isso alimentou as chamas do meu ciúme.

Quando Teagan se juntou a mim, peguei a mão dela e dei a


Jacob um olhar convencido antes de sairmos. Não foi o meu
momento mais maduro, mas eu não estava pensando claramente.
Esperei até que estivéssemos do lado de fora para fazer o que
realmente queria. Apoiei Teagan contra a parede do prédio e devorei
sua boca, empurrando minha língua para dentro de maneira não
tão graciosa, mais possessiva. Ela não questionou, no entanto. Em
vez disso, ela se abriu e me deixou ter o caminho com ela. Ela
puxou meu cabelo e gemeu na minha boca. E agora, finalmente, eu
tinha o que precisava para acalmar meus malditos nervos.

Depois de alguns minutos, eu relutantemente me afastei.

Ela cobriu a boca. "Para o que foi aquilo?"

Eu cerrei os dentes. "Isso foi eu sendo ciumento como o


inferno."

"Você sabe que eu não gosto de Jacob."

“Não é realmente ele que está me incomodando – mais a ideia


dele, futuros caras dos quais não poderei protegê-la, porque não
estarei aqui.” Fechei os olhos na tentativa de me orientar. “Você
merece o mundo, Teagan. Alguém que aprecia o quão incrivelmente
inteligente, engraçada, espirituosa e carinhosa você é. Você vai fazer
alguém tão feliz algum dia.”

Eu não esperava dizer isso, e não gostei do gosto amargo que


essas palavras deixaram em mim. Não era natural dizê-las, porque
eu não a queria com mais ninguém. Eu a queria comigo.

Seus olhos brilhavam com lágrimas e ela ecoou exatamente o


que eu estava sentindo por dentro. “Não quero mais ninguém. Eu
quero você.”
O que eu deveria dizer sobre isso? Desculpe? Você não pode me
ter?

Eu a queria tanto agora, em todos os sentidos.

"Eu só queria que pudéssemos ir a algum lugar agora," disse


ela.

Eu tirei um cabelo do rosto dela. "Algum lugar?"

“Em algum lugar longe de todos. Em algum lugar que


poderíamos ficar sozinhos.”

Meu coração batia mais rápido a cada segundo, porque eu


sabia que estava me preparando para dar a ela o que ela queria. “Se
estivéssemos totalmente sozinhos, isso seria muito ruim. Você sabe
disso, certo?”

"Sim, eu sei," ela respondeu imediatamente.

A fome sexual bruta em seus olhos provavelmente espelhava a


minha. Às vezes, tratava Teagan como uma garota inocente quando
ela era muito mulher – pelo menos, naquele momento, ela parecia
ser. Ela precisava de mim tanto quanto eu precisava dela.

Puxando-a pelos cabelos suavemente em minha direção, eu


rosnei sobre seus lábios. “Você quer isso, não é? Você quer que eu
perca o controle.”

Os sons da cidade desapareceram.

"Sim. Muitíssimo." Teagan tremeu.


Esfreguei minhas mãos sobre seus braços. “Jesus. Você está
tremendo.”

“Você está com tanto medo de me tocar, Caleb. Estou com


medo de nunca saber como é estar com você, que sempre vou me
perguntar. Estamos ficando sem tempo e não consigo me
concentrar em mais nada. Sinto como se estivesse ficando louca.”

Tomando o rosto dela em minhas mãos, eu trouxe sua boca à


minha novamente quando meu coração bateu contra o meu peito.
Quando nossas línguas colidiram, eu sabia que finalmente cheguei
ao meu ponto de ruptura. Pela primeira vez desde que eu desenvolvi
sentimentos por ela, deixar ir era a única escolha.

Quando soltei seus lábios, peguei sua mão. "Vamos."

"Onde estamos indo?"

"Você verá," eu disse.

Ela me seguiu pela rua, nosso ritmo apressado. Foi apenas


uma curta caminhada até o Marriott Long Wharf Hotel.

Quando chegamos, empurrei as portas giratórias em uma


névoa. Meu coração bateu no peito quando nos aproximamos da
recepção. Meus ouvidos batiam junto com ele.

"Você tem um quarto disponível?"

Agora era para o destino decidir. Se eles não tivessem um


quarto, isso seria um sinal do universo de que tudo isso era um
erro.
O funcionário clicou em algumas teclas. "Apenas uma noite?"

Thump.

Thump.

Thump.

Essa era minha cabeça ou meus ouvidos?

Eu limpei minha garganta. "Sim. Uma noite."

"Uma cama ou duas?"

Eu olhei para Teagan. "Uma."

Quando ela sorriu para mim, eu me acalmei um pouco.

Ele bateu mais um pouco no computador e depois olhou para


cima. "Cartão e identificação, por favor."

Está acontecendo.

Apertei a mão de Teagan, ainda incapaz de acreditar no quão


imprudentes estávamos sendo agora. Como a vida era. Em um
momento, eu estava pegando Teagan para talvez um jantar rápido
ou um filme, e no próximo estávamos prestes a ir para um quarto
de hotel e transar. Parecia terrivelmente errado – mas
estranhamente certo ao mesmo tempo. Não havia como voltar
agora.

"Aqui está, senhor." Ele me entregou um cartão-chave e falou


sobre uma senha de WiFi e outras coisas que estavam entrando
completamente em um ouvido e saindo pelo outro. Quem poderia se
concentrar em informações sem sentido em um momento como
este?

"Obrigado," eu disse enquanto nos afastávamos.

Meu sangue vibrou no meu corpo. Você pensaria que eu


estava prestes a mergulhar em um trampolim nas Olimpíadas.

Jesus. Por que eu estava tão nervoso? Eu já fiz sexo várias


vezes. Mas nunca tinha importado da maneira que parecia importar
agora. Nunca tinha importado antes.

Teagan me seguiu até o elevador, que estava vazio. Quando as


portas se fecharam e estávamos sozinhos, eu sussurrei em seu
ouvido. "Você tem certeza de que quer fazer isso?"

Tão nervoso quanto eu estava, implorei silenciosamente que


ela dissesse sim.

Ela me olhou diretamente nos olhos. "Tenho certeza, Caleb."

Apertei sua mão.

Bem, parece que finalmente perdemos o controle.

Mas pelo menos nós tínhamos perdido isso juntos.

Eu sempre carregava dois preservativos na minha carteira. Eu


nunca tive que usá-los tão inesperadamente, mas agradeci a Deus
por tê-los comigo agora.

Quando as portas do elevador se abriram no nosso andar,


Teagan pegou minha mão enquanto descíamos o corredor. Duas
crianças enroladas em toalhas passaram por nós, voltando da
piscina. O tapete laranja brilhante com desenhos azuis quase
parecia psicodélico no meu nevoeiro contínuo. Talvez todos os meus
sentidos elevados estivessem causando uma distorção.

Pressionei o cartão chave na porta e a abri. Teagan estava tão


perto, praticamente presa nas minhas costas quando entramos. A
pesada porta do hotel trancou-se atrás de nós. Então, tudo
aconteceu em rápida sucessão.

Caímos juntos na cama, uma confusão de hormônios que deu


errado. Nunca estive mais excitado em toda a minha vida, eu estava
tão duro que pensei que poderia explodir no meu jeans.

"Faça o que você quiser comigo..." Ela falou nos meus lábios.
"Só não pare."

A necessidade bruta em sua voz me levou ainda mais a um


frenesi. Teagan estava em cima de mim enquanto eu trabalhava
para puxar a blusa dela por cima da cabeça, o que não é tarefa fácil
quando duas pessoas se recusam a quebrar o beijo por um
milissegundo. Minha língua estava tão profunda em sua garganta,
eu esperava não estar sufocando-a.

Teagan estava moendo sua boceta sobre meu pau com tanta
força que eu fiquei com medo de gozar só por esse atrito. Eu
precisava estar dentro dela antes que isso acontecesse.

Levantando sua blusa, eu não queria nada mais do que sentir


seus belos seios pressionados contra a minha pele nua. Seus olhos
caíram no meu peito, e eu amei o jeito que ela olhou para mim,
como se quisesse me devorar.

Soltando o sutiã, joguei-o pelo quarto. Então eu desabotoei


suas calças. Eu usei meus pés para deslizá-las para baixo antes de
arrancar sua calcinha. Ela estava encharcada.

“Você está tão molhada,” eu murmurei. "Eu mal posso esperar


para sentir essa linda boceta em volta do meu pau."

Eu precisava colocar a camisinha antes de ser tentado a


deslizar dentro dela sem nada.

Alcançando o bolso de trás, tirei os pacotes de preservativos


antes de soltar o cinto e jogá-lo de lado. Tirei minha calça e deslizei
minha boxer para baixo. Meu pau balançou para frente, e a
próxima coisa que eu soube, eu podia sentir sua boceta molhada
sobre o meu eixo latejante. Rasguei o pacote de camisinha com os
dentes.

Comecei a rolá-lo sobre meu pau, mas Teagan terminou o


trabalho, deslizando seus dedinhos pelo meu eixo. Era surreal
senti-la me tocando.

"Eu preciso de você, Teagan."

"Por favor," ela ofegou antes de me montar.

Alguém gosta disso por cima.

Em segundos, eu empurrei profundamente dentro dela, sua


boceta tão quente e molhada – acolhedora. Ela se inclinou para me
beijar, e nós continuamos presos nos lábios um do outro quando eu
comecei a fodê-la. Eu não pretendia ser tão agressivo, mas não
conseguia controlar meu ritmo quando me sentia tão bem. E ela
não parecia se importar.

Alguém me acorda desse sonho em que Teagan está em cima de


mim enquanto eu estou dentro dela. Então ela interrompeu o beijo,
passando para a posição vertical. Ela começou a me montar.
Teagan está me montando. Ela me montou como se não houvesse
amanhã, enquanto seus lindos seios cheios balançavam. Eu
poderia ter morrido neste momento e estava perfeitamente bem.

Ela estava completamente desinibida, o oposto do que eu


esperava com base em sua falta de experiência. Eu olhei para ela
enquanto ela empurrava seus quadris, e era quase impossível me
impedir de gozar. Por algum milagre, eu fui capaz de controlá-lo.

"Você é tão bonita," murmurei, olhando-a com reverência. Eu,


porra, amava-a no comando. Provavelmente foi, de fato, a melhor
coisa que já me aconteceu.

Não, foi definitivamente a melhor coisa que já me aconteceu.

Ela acelerou seus movimentos, e eu quase gozei.

“Porra, Teagan. Calma, baby.”

Minhas mãos foram para cada lado dela, tentando diminuir o


ritmo para que eu não gozasse antes dela. Então a coisa mais
incrível aconteceu. Os olhos de Teagan começaram a rolar para trás
quase no mesmo momento em que pude sentir os músculos entre
as pernas dela apertarem em volta do meu pau. Eu podia sentir o
orgasmo dela em mim. Era tão intenso que não havia dúvida do que
estava acontecendo. E eu simultaneamente me deixei ir, gozando
com tanta força no preservativo que me perguntei se a borracha
poderia conter tudo.

Quando Teagan entrou em colapso em mim, sua respiração


estava irregular. Nós dois estávamos completamente sem fôlego.

"Eu não posso acreditar que isso aconteceu," disse ela contra o
meu pescoço.

Eu a puxei contra mim. "Você é tão linda quando goza,


Teagan."

“Eu nunca gozei assim. Foi incrível.”

Ouvir isso absolutamente me emocionou.

Apertei sua bunda grande possessivamente. "Para alguém que


evitou sexo, você definitivamente parece saber o que está fazendo,
amor."

"Você é a primeira pessoa que já me fez querer deixar ir


assim."

Eu segurei seu rosto. "Obrigado por confiar em mim o


suficiente para deixar ir."

Depois que eu saí cuidadosamente dela, levantei-me para


descartar a camisinha. Eu tomei um momento para olhar para o
seu belo corpo nu espalhado na cama enquanto ela esperava que eu
voltasse. Seus longos cabelos praticamente cobriam metade dela.
Ela parecia uma obra de arte exibida no melhor museu –
maravilhosamente cheio de curvas, elegante.

"Você é surpreendentemente linda nua."

Seus olhos vagaram pelo meu corpo, imediatamente me


deixando duro novamente. “Você é tão sexy, Caleb. Eu sempre quis
você. Eu sonhei com esse corpo. Eu me sinto tão feliz agora.”

E com isso, meu pau estava oficialmente pronto novamente.

Eu me arrastei até ela e beijei seus lábios. "E agora? Diga-me o


que você quer."

"Eu quero você de novo," disse ela corando.

"Desta vez eu quero você debaixo de mim." De quatro, eu a


prendi embaixo de mim enquanto posicionava minha ereção.

Fodemos várias vezes naquele quarto de hotel. A certa altura,


tive que correr para o balcão da portaria no térreo, que felizmente
vendia preservativos. Pedimos serviço de quarto e conversamos a
noite toda – sobre nossos medos e sonhos, misturados com um
pouco de bobagem. Eu sempre me senti perto de Teagan, mas agora
ela se infiltrou em minha alma de uma maneira que era irreversível.
Foi o pior momento possível para ele me enviar uma
mensagem.

Caleb: Eu quero comer sua boceta novamente.

Caleb: Eu quero comer sua boceta novamente.

Caleb: Eu quero comer sua boceta novamente.

Os textos não paravam de chegar. A parte horrível? Eu estava


na igreja com meus pais e Shelley. Era Páscoa, a única vez que eu
vinha com eles. O telefone de Caleb estava fazendo aquela coisa
onde ele enviava o mesmo texto repetidamente, mesmo que ele
tivesse enviado apenas uma vez. Graças a Deus eu tinha protegido
a tela quando chequei pela primeira vez. Dado onde eu estava, eu
senti que deveria ter acendido em chamas ou algo assim.

Depois de nossa noite no hotel na cidade, Caleb e eu


continuamos a fazer sexo, embora mais silenciosamente por causa
da necessidade de nos esgueirarmos pelo meu quarto. Fazia
algumas semanas agora. Nós dois decidimos que era melhor
aproveitar o tempo que nos restava, em vez de nos afastarmos um
do outro. E nós estávamos viciados. Eu sabia que as chances de me
machucar eram muito maiores dessa maneira, mas eu gostava
muito dele para parar. Nós gostamos um do outro. Foi o mais feliz
que eu já estive na minha vida.

Caleb entrava furtivamente no meu quarto quase todas as


noites e voltava para o quarto dele antes que alguém acordasse de
manhã. Havia uma chance de sermos pegos, mas eu não tinha
certeza de que meus pais se importariam se soubessem – melhor
Caleb do que alguém que eles não conheciam e não confiavam. Não
é como se eu não estivesse fazendo sexo se estivesse morando no
dormitório.

Mas isso era muito mais que sexo.

Caleb lentamente saiu de mim.

No segundo em que eu não o sentia mais, uma frieza tomou


conta de mim. De repente, senti as últimas semanas desabando
sobre nós, enquanto estávamos deitados na minha cama naquela
noite.
Ele deve ter visto que eu estava saindo da minha névoa. Ele
me puxou em sua direção e sussurrou sobre meus lábios. "Fale
comigo, Teagan."

Olhando nos olhos dele, balancei minha cabeça. "Eu só... Não
sei o que estamos fazendo."

Ele assentiu, como se isso não fosse surpresa para ele. "Você
está começando a se arrepender."

"Arrepender não é a palavra certa."

Caleb balançou a cabeça. "Eu sabia que isso poderia


acontecer. Não foi o suficiente para impedir que ficássemos juntos,
mas eu sabia que a realidade se instalaria. Era inevitável.”

“Você tem pouco mais de um mês. Eu pensei que poderia fazer


isso com você até o fim, mas sinto que estou me aprofundando
demais. Talvez seja hora de parar.”

Ele parecia magoado. “Não quero deixar você, Teagan. Espero


que você perceba isso.”

"Eu sei que você não." Eu considerei uma proposta de última


hora que eu sabia que provavelmente me arrependeria. Saiu antes
que eu pudesse mudar de ideia sobre a proposta.

"Ainda não há como você ficar, certo?"

Caleb enterrou o rosto na dobra do meu pescoço e falou sobre


a minha pele. “Eu quero... Tanto. Eu só me preocupo com minha
mãe. Suponho que poderia desistir e encontrar uma maneira de
obter um visto de trabalho ou algo assim – ou talvez tentar me
inscrever em outro programa em outro lugar. Mas não tenho certeza
absoluta de que posso fazer isso, ou que seria capaz de fazer isso
acontecer a tempo.”

O fato de ele estar pensando em ficar me encheu com o que


provavelmente era uma falsa esperança. "Temos outras opções?"

"Eu deveria ter a resposta, mas não tenho," disse ele.

"Eu simplesmente não consigo imaginar nunca mais te ver,"


eu chorei.

"Às vezes sinto que preciso fazer algo drástico para não termos
que nos separar, mas..." Suas palavras sumiram.

Meu coração bateu mais rápido enquanto eu continuei sua


declaração por ele. "Mas?"

"Quanto mais eu penso sobre isso, mais inseguro fico que...


Estar comigo seria a melhor decisão para você agora."

Meu estômago se encheu de pavor. "A decisão certa para


mim?"

Ele colocou a mão do meu lado e apertou. “Você é tão jovem,


Teagan. Nós dois somos. E se virarmos nossas vidas de cabeça para
baixo e descobrirmos que foi um erro?”

O que eu estava pensando?

Eu realmente me arrependi de ter proposto que ele ficasse.


Caleb não voltar para a Inglaterra era uma fantasia. Ele tinha
muita responsabilidade em casa e nós dois precisávamos terminar
a faculdade. Isso sempre foi claro para mim. Acabara de ficar
nublado pelos meus sentimentos crescentes.

“Isso não precisa ser o fim para nós, Teagan. Precisamos levá-
lo um dia de cada vez. Talvez você possa fazer uma viagem à
Inglaterra ou eu possa voltar e visitar.”

Visitar?

O pensamento de apenas vê-lo para visitas curtas parecia


miserável. Já era difícil o suficiente quando ele simplesmente
voltava para casa tarde do restaurante. Eu sabia no fundo que
nunca poderia lidar com um relacionamento de longa distância. Eu
não queria colocar esse fardo em nenhum de nós. Isso é péssimo.

"Se duas pessoas estão destinadas a ficarem juntas, elas


encontram uma maneira de ficar juntas," disse ele. “Mesmo que não
imediatamente. Mas não acho prudente que nenhum de nós faça
promessas.”

Eu senti meu coração partir. Ele não parecia confiante de que


iríamos dar certo. Eu sabia que precisava tomar uma decisão
madura antes de me machucar.

"Talvez precisemos diminuir isso agora, então."

Ele engoliu em seco. "Você quer dizer, parar de dormir


juntos?"

"Tudo."
Enquanto ele parecia desapontado, Caleb assentiu. "Se você
acha que é melhor."

“Não é o que eu quero, Caleb. Mas estamos em um beco sem


saída. Se você sabe que não há chance de você ficar por aqui,
devemos começar a nos afastar um do outro.”

"Porra." Ele se virou para encarar o teto. “Isso soa doloroso.


Mas entendi. Eu nunca quis te machucar, e eu tenho medo que eu
já tenha. Então, se eu posso evitar causar mais danos, é o que
preciso fazer.”

Eu virei o rosto dele para o meu. “Eu não quero que você
pense que eu vou me arrepender de ter experimentado tudo com
você. Eu absolutamente não vou. Teria me assombrado se não
tivéssemos esse tempo juntos.”

"Eu precisava ouvir isso." Ele se inclinou para beijar a nuca do


meu pescoço. "Este último mês vai ser difícil."

“Vamos levá-lo dia após dia, ok? Tentaremos passar por isso
sem machucar um ao outro.”

Sua voz estava tensa. "Eu não quero nunca machucar você."

Eu forcei um sorriso patético. "Eu sei."

A sobrancelha de Caleb se levantou. "Suponho que isso


significa que vou para o meu quarto."

Eu assenti tristemente. "Sim. Eu acho que é melhor se você


for.”
Caleb roubou um beijo casto final antes de se levantar da
cama. Mesmo que meu coração estivesse partido, eu sabia que isso
estava certo.

Depois que ele saiu, eu não consegui dormir.

Eu estava devastada.

Maura me pegou na cozinha depois que subi para tomar café


na manhã seguinte. "Você tem um segundo?"

Abrindo a geladeira, eu disse: “Claro. E aí?"

“Eu estava pensando em planejar algo para a despedida do


Caleb. Talvez uma festa ou um jantar fora? O que você acha?”

Fiz uma pausa no caminho para a caixa de leite. Algo sobre a


palavra adeus me atingiu com força. Eu sabia que ele estava
saindo, é claro, mas ouvir essa palavra real me fez chorar.

Eu só queria que isso não tivesse acontecido na frente de


Maura. Ela já vinha me observando, e agora não havia como negar
o que estava acontecendo.

Eu limpei meus olhos. "Tanto faz."


"Teagan, eu sei que você está dormindo com ele."

Fechei os olhos e continuei a limpar o rosto.

"Eu o ouço saindo do seu quarto de manhã cedo, quando ele


pensa que estamos dormindo."

Não sei por que senti vontade de ser sincera de repente. Talvez
porque não fazia sentido negar algo tão óbvio. Mas eu também
precisava divulgar para alguém.

“Nós não estamos... Fazendo mais isso. Decidimos parar, para


que nenhum de nós se machuque mais do que precisamos quando
ele sair.”

"Vocês se importam um com o outro." Ela sorriu com simpatia.


"Eu sempre soube disso."

“Eu me importo com ele. Muito. Mas estamos tentando ser


maduros. Ele tem que voltar para a Inglaterra. Esse é o fim da
história.”

Ela se sentou e apontou para a cadeira na frente dela. Por


mais que eu realmente não quisesse, sentei-me.

"Eu sei que ele não quer voltar," disse ela.

“Ele não quer, mas isso não vai mudar nada. Ele precisa. As
coisas não estão ótimas em casa. A mãe dele precisa dele, e ele têm
motivos para se sentir responsável.”

De jeito nenhum eu violaria a confiança de Caleb, contando a


ela sobre sua vida em casa. Mas eu queria que ela entendesse.
"Eu sempre suspeitei que houvesse algo na casa dele que não
estava certo."

“De qualquer forma, não pretendo deixar de lado sua ideia


sobre uma festa de despedida. Só não sei se consigo lidar com isso.”

Ela olhou para a mesa. “Talvez seu pai e eu o levemos para um


bom jantar. Dessa forma, pode ser discreto e você pode decidir se
deseja vir. Nenhuma grande festa de despedida.”

Havia aquela palavra novamente. Despedida. Cortou como


uma faca.

Eu balancei a cabeça, mas duvidava que eu fosse capaz de


participar de qualquer tipo de evento que comemorasse sua partida.

"Você sabe..." ela disse. “Quando eu tinha mais ou menos a


sua idade, antes de conhecer seu pai, eu tive um namorado que
precisava se mudar para o exterior para um emprego. O nome dele
era Alvin.”

"Nome interessante."

"Sim. Ele também era um cara interessante”. Ela sorriu. “De


qualquer forma, tentamos fazê-lo funcionar, mas acabou se
tornando muito difícil. Foi difícil perdê-lo. Lembro-me de sentir
como se ele tivesse escolhido o emprego em vez de mim e, em
última análise, esse ressentimento foi o que nos levou a terminar.”
Ela suspirou. "Ele foi meu primeiro amor, então eu posso entender
com o que você deve estar sentindo."
Eu queria estar irritada com Maura agora por bisbilhotar, mas
suas palavras tiveram um efeito calmante. Seu relacionamento com
esse cara havia terminado e, eventualmente, ela conheceu meu pai,
por quem eu sabia que ela estava apaixonada. Não precisa ser o fim
do mundo quando um relacionamento termina.

"Obrigada por compartilhar isso comigo."

Ainda assim, eu me recusei a me abrir mais. Meus


sentimentos eram tão crus. Eu me apaixonei por Caleb e não pude
deixar de sentir que sua partida foi um abandono, mesmo que isso
não fosse justo e eu soubesse melhor.

Caleb: Esse negócio de ficar longe é muito difícil. (E eu também.)

Caleb e eu estávamos fazendo um ótimo trabalho nos


distanciando. Então, eu não tinha certeza de como responder ao
seu texto aleatório sem dizer a ele como eu estava triste. Eu escolhi
não responder nada.

Então ele mandou uma mensagem novamente.


Caleb: Eu sinto sua falta, Teagan. Nem responda, está bem? Eu
sei que isso não está ajudando. Mas estou me sentindo muito fraco
agora, porque estou aqui em cima e não posso te ver, te tocar, te
beijar, estar dentro de você. Então, como não posso fazer essas
coisas, aqui estou enviando uma mensagem para você. Que eu odeio.
Porque eu não consigo parar de pensar em você. Se você pode tirar
algo do nosso tempo juntos, quero que saiba disso: você, Teagan
Carroll, é a pessoa mais inteligente, engraçada e única que já
conheci. As semanas em que deixamos de lado nossos medos e nos
permitimos experimentar um ao outro ao máximo foram as melhores
semanas da minha vida. Quero que você saiba o quanto significa que
você se entregou a mim. Me desculpe que eu tenho que ir embora.
Você não tem ideia de quanto.

O texto dele machucou meu coração. Porque por mais bonitas


que fossem suas palavras, elas não mudaram o fato de que ele
estava saindo. Quanto mais minutos se passavam, porém, mais
antinatural era não devolver seus sentimentos, então eu cedi.

Eu larguei tudo. As comportas se abriram.

Teagan: Essa é a parte em que eu fico brava com você por


escrever seus sentimentos ao invés de falar comigo quando estou
aqui embaixo? Você não me disse para nunca fazer isso?
(Brincadeira.) Estou feliz que você não veio aqui, porque eu não seria
capaz de me controlar. E nós sabemos como isso teria terminado.
Não sei o que dizer para suas amáveis palavras, exceto que o prazer
de conhecê-lo e experimentar estar com você foi todo meu. Não me
arrependo de nada, Caleb. Nada.

Alguns minutos depois, ele enviou mais uma mensagem de


texto.

Caleb: <3 <3 <3


Meus últimos dias passaram em um borrão. Muito rápido.
Com apenas mais três noites, os Carrolls deveriam me levar para
jantar. Eu sabia que Teagan estava trabalhando até tarde no
aquário e não planejava se juntar a nós. E eu estava bem com isso.
Ou, pelo menos, eu disse a mim mesmo que estava. Porque eu
sabia que seria difícil para ela.

Cerca de uma hora antes de sairmos para o restaurante,


Maura me pegou olhando fixamente pela janela da sala.

Ela veio atrás de mim. "Como você está indo?"

Eu me virei e forcei um sorriso, certo de que ela podia ver


através de mim. Então eu apenas admiti a verdade. "Nada bem."

Maura colocou a mão no meu braço. “Eu sinto muito. Eu sei.


Sua partida será difícil para todos nós. Eu realmente gostaria que
houvesse uma maneira de você ficar.”

Lorne correu para a loja com Shelley, e eu sempre fui tentado


a me abrir com Maura sobre o meu passado. Parecíamos estar em
casa sozinhos no momento, então talvez agora fosse uma boa hora
para fazer isso. Provavelmente seria minha última chance.

Preparando-me para as emoções que eu sabia que se


seguiriam, eu disse: "Não falo sobre isso com muita frequência, e
presumo que Teagan nunca tenha lhe contado como minha irmã
morreu?"

"Não," ela respondeu, com o rosto gentil. “Ela nunca diria nada
se você dissesse a ela para não mencionar. Ela é muito protetora
para você.”

Fomos para o sofá e nos sentamos em frente um do outro.


Com a cabeça nas mãos metade do tempo, passei vários minutos
contando à Maura o que havia acontecido com minha irmã e como
isso se referia ao meu relacionamento com meu pai.

"Isso explica muito," disse ela, colocando a mão no meu joelho.


"Entendo melhor agora por que você não quer voltar para casa, mas
também por que sente que precisa."

"Durante toda a minha vida, senti uma dívida com minha


família pelo que fiz."

Os olhos de Maura estavam úmidos. “Sinto muito, Caleb. É


devastador ouvir isso.”

Soltei um suspiro exasperado. "Enfim, eu apenas... Acho que


estou lhe dizendo, porque preciso que você saiba o quanto isso
significa me sentir amado e respeitado aqui."
Maura enxugou os olhos. "Nada do que você me disse muda o
que sinto por você – nem um pouco."

"Você soa como Teagan."

“Bem, ela se importa muito com você. E você também se


importa com ela, não é?”

"Eu a amo."

Essas palavras saíram tão facilmente, sem sequer pensar


nelas. Eu senti essas palavras tentando explodir de mim por muito
tempo.

Maura parecia atordoada. Mas era a verdade. Eu me apaixonei


por Teagan.

"Por favor, não diga a ela que eu disse isso," acrescentei. “Isso
só vai piorar a partida. Eu não disse essas palavras para ela
porque, por mais que sejam verdadeiras, não sinto que sou a
pessoa certa para ela neste momento. Tenho muitos problemas que
preciso resolver dentro de mim e da minha família. Eu já tenho
muita bagagem agora.”

“Tenho certeza de que ela tem sentimentos fortes por você.


Uma coisa a ter em mente, quando alguém te ama, leva cada parte
de você, bagagem e tudo.”

Eu lutei em aceitar sua declaração. “Mas também sinto que às


vezes uma pessoa precisa respeitar a pessoa com quem se importa
o suficiente para deixá-la ir, para não a trazer ao sofrimento. Eu
preciso trabalhar muito antes que eu possa ser a pessoa que
Teagan merece.” Eu olhei pela janela. “Ela é incrivelmente
inteligente, especial e única em todos os aspectos. Teagan precisa
de alguém com suas coisas juntos. E ainda não sou essa pessoa,
Maura.”

"Eu realmente espero que as coisas te surpreendam quando


você chegar em casa," disse ela depois de um momento.

Eu sabia melhor. As coisas em casa seriam tão ruins quanto


sempre foram, talvez até piores.

"Obrigado por ouvir," eu disse.

“A qualquer momento. E espero que você volte e nos visite.


Sempre haverá um lugar para você nesta família.”

Pouco tempo depois, Lorne, Maura, Shelley e eu nos


empilhamos no Subaru e dirigimos até o jantar. O restaurante
Harbourside, no centro, era o mais elegante possível. Havia tanques
de peixes por toda parte, e cheirava a frutos do mar – frutos do mar
frescos, mas, no entanto, era picante. O restaurante tinha vista
para o porto de Boston.
Eu usava as calças mais bonitas que possuía, mas ainda me
sentia mal vestido.

Eu pedi a lagosta porque, bem, quando se está em Roma...

Shelley, que não era uma grande amante de frutos do mar,


pediu bife, enquanto Lorne e Maura pediram o alabote recheado.

A comida ainda não havia chegado, e eu estava passando


manteiga em um pedaço de pão, quando olhei para cima e a vi
parada ali. Ela parecia corada, mas linda. Absolutamente linda.

Teagan.

"Você veio!" Shelley gritou.

Teagan deu um sorriso trêmulo. "Sim, eu não poderia faltar."

Nós olhamos nos olhos um do outro e senti meu coração


apertar. O fato de ela aparecer, mesmo sabendo que era doloroso
para ela, significava muito para mim. Talvez eu não tenha percebido
o quanto até que aconteceu.

Teagan assumiu a cadeira ao meu lado. Era como se


tivéssemos guardando para ela, mesmo que estivesse claro pelo
olhar de todo mundo que ninguém esperava que ela aparecesse.

"É bom que tenha conseguido vir, querida," disse Lorne.

Ela olhou para mim. "Trouxe uma muda de roupa para o


aquário para o caso de conseguir sair a tempo."
Maura sinalizou para a garçonete trazer um cardápio para
Teagan. Assim como ela fez quando fomos jantar no North End, ela
pediu a cavala, que eu achei louco, porque mais uma vez era isso
que os golfinhos comem.

"Minha golfinha," eu murmurei.

Ela sorriu e estendeu a mão por baixo da mesa para pegar


minha mão. Liguei meus dedos com os dela. Era tão incrivelmente
bom tocá-la novamente depois de vários dias de distância —
doloroso, mas bom.

Quando a comida chegou, fomos forçados a nos soltar.


Suponho que teria sido difícil separar uma lagosta com uma mão
só, mas eu estava disposto a tentar.

Durante a refeição, todo mundo comeu em silêncio.

Então, enquanto esperava a sobremesa, Lorne perguntou:


"Então, pode haver até uma pequena parte de você feliz em voltar
para casa, Caleb?"

Dei de ombros. “Sinto falta da minha mãe. Vai ser bom vê-la.
E eu sei que ela está ansiosa para me receber de volta. Mas não
sinto falta de casa e não estou ansioso para voltar.”

"Qual tem sido sua parte favorita de Boston?" Shelley


perguntou.

Essa seria sua irmã. “Essa é uma pergunta difícil, porque tem
havido muitas coisas. Mas vocês definitivamente foram a melhor
parte do meu tempo aqui. Seus jantares em família, sua
hospitalidade geral – não esquecerei nada disso.”

Para meu choque total, Shelley começou a chorar. Levantei-me


da cadeira e dei-lhe um abraço. Ela era uma garota tão doce, e eu
realmente a amava. Aparentemente, ela também me amava.

Teagan parecia que estava segurando lágrimas.

Felizmente, a sobremesa chegou naquele momento.

Depois que saímos do restaurante, todos passeamos pelo rio


Charles. Eu mal podia acreditar que estava a poucos dias de deixar
minha nova família para trás.

Na noite seguinte, com mais duas noites sobrando, decidi me


certificar de que estava tudo empacotado. Eu não pensei que teria
energia mental para lidar com a organização de última hora no meu
último dia, então eu precisava arrumar tudo antes disso.

Eu queria uma memória que me lembrasse de Teagan, então


peguei o livro Dez Segredos dela e coloquei na minha mala. Eu não
tinha trazido muito comigo, mas estava voltando com uma mala
extra, cheia de coisas que havia comprado aqui. O aparelho de fazer
s’mores que Teagan havia me comprado para o Natal também foi
embalado com segurança.

Eu sabia que Teagan estava em casa hoje à noite e não queria


nada além de sair com ela, mas estava aterrorizado com o que
aconteceria se o fizéssemos – que poderíamos desfazer qualquer
progresso que pudéssemos ter feito, evitando um ao outro
recentemente.

Então a ideia perfeita me atingiu, uma maneira de estarmos


juntos em um ambiente menos íntimo.

Meia hora depois, depois de voltar da loja, aventurei-me ao


quarto de Teagan, parando antes de entrar.

Ela estava lendo um livro e o fechou quando me notou.

Eu levantei o saco de papel que estava segurando. "É a minha


penúltima noite, e não há como sair sem fazer s’mores mais uma
vez com você."

Eu nunca esperei que ela começasse a chorar. Ela conseguiu


manter a compostura – na minha frente, pelo menos – até esse
momento. Meu coração estava pesado. Larguei a bolsa e passei
meus braços em volta dela.

Eu a segurei e sussurrei: "Vou sentir tanto a sua falta."

Depois de alguns segundos, ela se afastou e enxugou os olhos.


"Vamos fazer isso."

"Sim?"
"Sim." Ela forçou um sorriso. "Vamos assar a merda desses
s'mores."

Querendo que durasse cada segundo desta noite, levei um


tempo para acender o fogo no quintal. Teagan estava quieta
enquanto eu acendia a madeira e preparava as varas. Uma vez que
o fogo começou, quase sempre nos olhamos através das chamas
enquanto assávamos os marshmallows.

Ela foi a primeira a falar. "Parece que ontem nós estávamos


aqui fazendo isso pela primeira vez."

Entreguei a ela um dos palitos de marshmallow. “Essa foi a


primeira noite que você se abriu para mim. Muita coisa mudou
desde então. Eu nunca imaginei que parte importante da minha
vida você se tornaria.”

Ela desviou um pouco. "Qual é a primeira coisa que você fará


quando chegar em casa?"

Eu olhei para o fogo e sorri. “Abraçar minha mãe. Dependendo


de como estou cansado, posso levá-la para um jantar ou café da
manhã tarde da noite, contar todas as coisas incríveis que
experimentei em Boston. Então eu vou para o meu quarto quebrar,
sem dúvida, pensando em você e desejando estar de volta aqui.”

“Eu quero manter contato, ok? Eu sei que não estaremos


juntos, mas eu sempre vou me importar com você. Eu sempre vou
querer saber que você está bem, mesmo que seja difícil. Acho que
não deixei isso claro.”

Eu sorri, embora parte de mim se sentisse triste. “Não consigo


imaginar um mundo em que nunca mais falaria com você, Teagan.
Eu preciso saber que você também está bem. Ok? Pode ser doloroso
conversar o tempo todo, mas vamos prometer nunca perder o
contato.”

Com esse compromisso viria a inevitabilidade de vê-la seguir


em frente sem mim. Eu não conseguia pensar nisso agora.

Apesar de fazer o primeiro s'more e devorá-lo, eu não tinha


apetite por mais. Quando comecei a preparar outro, meu estômago
azedou ao pensar em minha partida iminente. Puro e simples, estar
aqui fora era sobre passar meus momentos finais com Teagan; não
era sobre os malditos s’mores.

Deixando de lado a minha merda, eu me movi para envolver


meus braços em volta dela enquanto ela inclinava as costas contra
o meu peito. Eu beijei o topo de sua cabeça e a respirei. Eu me
perguntava se algum dia sentiria essa paz com mais alguém – e me
perguntei se, por algum milagre, Teagan e eu poderíamos encontrar
o caminho de volta um ao outro um dia.
A noite antes da partida de Caleb parecia um pesadelo.

Eu queria passar a última noite com ele, mas seria prejudicial


ir para aquele lugar arriscado, sabendo que ele iria embora
amanhã? Independentemente disso, eu continuava desejando que
ele viesse ao meu quarto. Ele nunca fez. Ao mesmo tempo, eu
poderia ter subido facilmente. Mas eu não fiz.

Tínhamos feito um trabalho incrível, sem cruzar a linha.


Quando fizemos s’mores ontem à noite, ele tinha me abraçado.
Depois fomos para os nossos quartos separados. Mas o fato é que
eu só tinha essa noite. Eu talvez nunca mais veja Caleb Yates
depois de amanhã. Eu estava perdendo a oportunidade de
experimentar mais um momento com ele? Devo arriscar me
machucar mais para estar com ele mais uma vez?

Quanto mais eu me sentava na cama, mais a urgência no meu


peito aumentava. No final, eu sabia que não iria embora, a menos
que eu fosse até ele. Já passava da 1 da manhã e eu não tinha ideia
se ele estava acordado.
Agarrando um robe, subi as escadas na ponta dos pés,
desejando ficar em silêncio para não alertar minha família. Meu
coração quase parou quando entrei na cozinha. Uma sombra se
moveu, mas eu olhei novamente e percebi que era Caleb. Nós nos
encontramos no topo da escada. Aparentemente, ele estava vindo
me ver assim que eu quebrei e decidi ir até ele.

Nós colidimos um com o outro simultaneamente. Não havia


palavras, apenas uma onda de emoções que eu podia sentir
emanando dele: saudade, tristeza. Nossos sentimentos se
derramaram de cada um de nós para o outro.

Caleb colocou as mãos em volta do meu rosto e pegou minha


boca na dele. Nossas respirações eram frenéticas, desesperadas.
Parecia diferente de qualquer outro beijo que eu tinha
experimentado com ele. De repente, ele me levantou e me embalou
em seus braços. Então, ele me levou de volta pelas escadas para o
meu quarto.

Quando ele me colocou na minha cama, ele pairou sobre mim.


"Eu realmente tentei ficar longe, Teagan."

Praticamente incapaz de falar, assenti. "Eu preciso de você


esta noite."

Ele enterrou a boca no meu pescoço, beijando-me com tanta


força que eu sabia que haveria marcas amanhã. Meus dedos
percorreram suas costas musculosas. Ele devorou meu pescoço
antes de arrancar minha camisa e chupar com força cada um dos
meus seios até meus mamilos ficarem doloridos.
Desesperada por tê-lo dentro de mim, moí meu corpo sobre o
calor de seu pênis inchado.

Sua respiração ficou irregular antes de ele agarrar meu shorts


e puxá-lo para baixo. Eu trabalhei para deslizá-los completamente
das minhas pernas. Ele puxou minha calcinha com tanta força que
pensei que ela poderia ter rasgado. Ele as tirou antes de inserir dois
dedos profundamente dentro de mim.

Caleb mordeu meu lábio inferior. Eu estava tão excitada que


quase esqueci o quão miserável eu deveria estar. Ele estava mais
áspero do que o normal, mas eu me deleitei com a necessidade dele
de reivindicar meu corpo. Fiquei dolorosamente triste que esta
poderia ser a nossa última vez. Isso significava que esta noite
precisava importar.

"Por favor, Caleb," implorei.

Ele olhou para mim, seus olhos drogados de luxúria.

“Eu preciso te foder duro, Teagan. Está tudo bem?”

Agarrando sua bunda, eu o empurrei contra mim. "Sim. Por


favor."

Ele abaixou as calças e, em segundos, senti seu pau quente e


escorregadio contra a minha perna. Estava molhado na ponta e
minhas pernas tremiam com a necessidade de senti-lo dentro de
mim.
"Você mencionou uma vez que toma pílula, apesar de sempre
usarmos proteção?" Ele sussurrou.

Eu ofeguei. "Sim."

"Posso ter você sem camisinha hoje à noite?"

O calor passou por mim e eu assenti, abrindo minhas pernas


quando ele entrou em mim quase imediatamente. O contato pele a
pele me deixou sem fôlego quando ele me encheu.

“Teagan... Você... Isso é tão incrível. Cristo. Estar dentro de


você assim – é a sensação mais incrível de todas.”

Engolindo suas palavras com meu beijo, eu gemi sobre sua


boca quando ele entrou e saiu de mim. Eu sabia que estávamos
muito barulhentos. Felizmente, minha cama não chiou muito, mas
alguém poderia facilmente nos ouvir se chegasse à cozinha. Eu teria
que esperar que isso não acontecesse. Estar com ele hoje à noite
valia o risco de ser pego.

"Eu nunca quero esquecer como é isso," eu respirei.

Sua voz estava trêmula. "Por que diabos não fizemos isso mais
cedo?"

Eu empurrei meus quadris, encontrando seus impulsos.


"Porque somos estúpidos?"

Nós rimos pelos lábios um do outro, e ele me bateu com mais


força, como se nos punisse por perder qualquer oportunidade de
fazer sexo incrível como esse.
"Porra, Teagan... Eu estou perdendo," ele gemeu.

Eu balancei a cabeça vigorosamente, deixando-o saber que eu


estava pronta também. Quase imediatamente, senti seu corpo
tremer e o calor de seu esperma me enchendo. Nossos corpos
balançavam para frente e para trás juntos até descermos do alto.

Ainda dentro de mim, Caleb regou meu pescoço e seios com


beijos. Eu nunca me senti mais amada por ninguém na minha vida,
embora soubesse que o amor não poderia ser o que isso foi. Isso
apenas me enganou no momento.

Quando ele finalmente saiu, eu forcei meu aperto nele. "Por


favor, não me deixe hoje à noite."

“Eu não vou, amor. Eu prometo. Ficarei aqui a noite toda.”

Puxando seu cabelo, comecei a beijá-lo novamente e, durante


os próximos minutos, pude sentir sua ereção crescendo por uma
segunda rodada. Os músculos entre as minhas pernas se
contraíram, imediatamente o querendo novamente.

E assim fizemos amor a noite toda. Era quase manhã quando


adormecemos.
Quando a luz entrou pela minha janela no dia seguinte,
parecia intrusiva. Hoje era o dia em que eu perderia Caleb, e o sol
era uma visão indesejável.

Caleb se mexeu e se virou para mim. Ele me beijou


apaixonadamente antes de perguntar: "Você está bem?"

"Não,” eu disse.

"Nem eu. E essa foi a pergunta mais idiota de todos os tempos,


não foi?" Ele suspirou. "Podemos ficar neste local para sempre?"

Meu peito apertou. "Eu gostaria."

Ficamos juntos até o relógio ditar que precisávamos nos


levantar.

Para minha surpresa, quando nos aventuramos no andar de


cima até a cozinha, ela estava vazia.

Suspeitei que Maura soubesse que talvez precisássemos de


alguma privacidade e providenciou que todos saíssem de casa por
um tempo. Minhas suspeitas foram confirmadas quando ela me
enviou uma mensagem.

Maura: Apenas para sua informação, fomos à cidade para o


mercado dos fazendeiros. Não voltaremos até pelo menos dez. Amo
você.
"Alguém mandou uma mensagem?" Caleb perguntou.

“Maura. Ela disse que eles não voltarão antes das dez.”

Ele pareceu surpreso. "Realmente..."

"Sim."

Alguns minutos depois, enquanto eu passava manteiga em um


pedaço de torrada no balcão, senti Caleb aparecer atrás de mim.
Ele beijou meu pescoço suavemente, e os cabelos da minha pele
subiram pela atenção.

Sua ereção pressionou contra a minha bunda, e senti a


necessidade dele novamente entre as minhas pernas.

A próxima coisa que soube foi que ele levantou minha camisa
e mudou minha calcinha para o lado. Ele entrou em mim em
movimentos ásperos. Eu ofeguei com a sensação dele dentro de
mim, e com as duas mãos segurando o balcão, fechei os olhos em
êxtase quando Caleb me levou por trás. Nós tiraríamos o melhor
proveito desses últimos minutos juntos. Em vez de chafurdar,
saímos com um estrondo.
É claro que todas as coisas boas devem terminar e as nossas
chegaram.

As coisas ficaram quietas e sombrias no resto da manhã,


quando minha família reapareceu e Caleb juntou as últimas coisas
e as guardou no Subaru de meu pai. Toda a família levaria Caleb ao
aeroporto de Logan. Por mais que eu não quisesse me despedir na
frente deles, também achei que seria menos doloroso se eu não
perdesse totalmente a cabeça. Então, seria melhor que eles
estivessem lá. Eu teria que me manter sob controle.

A viagem parecia surreal. Caleb e eu provavelmente nunca


dissemos menos um ao outro, mas simplesmente não havia
palavras para descrever como nos sentíamos.

Quando chegamos ao aeroporto, Maura disse: “Por que todos


não nos despedimos de Caleb na calçada? E então, Teagan, você
pode levá-lo para dentro.”

Tanto por usar minha família como escudo.

Saí do carro e vi Maura abraçar Caleb com força. Lágrimas


escorriam por suas bochechas. Meu pai deu um tapinha nas costas
de Caleb. Caleb parecia quase entorpecido, como se ele estivesse
apenas passando pelo movimento de dizer adeus a eles. Por último,
Shelley, que começou a berrar enquanto ele a pegou nos braços e a
levantou. Eu senti minha primeira lágrima cair. Os olhos de Caleb
se fecharam, mas ele não chorou.
Eu o segui até a estação do lado de fora, onde ele checou sua
bagagem, e então entramos nas portas de vidro deslizantes do
aeroporto. De mãos dadas, andamos até chegarmos ao ponto em
que eu não podia mais acompanhá-lo.

Ficamos de frente um para o outro enquanto ele tirava o


cabelo do meu rosto.

Ele engoliu em seco. "Este é um dos momentos mais difíceis


da minha vida."

Fechei os olhos e comecei a chorar.

Ele enxugou minhas lágrimas com os polegares. “Teagan, olhe


para mim por um momento. Eu preciso que você saiba uma coisa.”

Minhas lágrimas borraram minha visão quando eu olhei para


ele.

“Nunca acredite que você não é digna. Você é, sem exceção, o


ser humano mais incrível que eu já conheci. Preciso que você
entenda que minha partida não tem nada a ver com você não ser
suficiente para me manter aqui. Exatamente o oposto. Eu não sou o
suficiente para você agora. Eu tenho tantos pedaços quebrados. Por
favor, nunca duvide que você não foi o suficiente para me fazer
ficar. Ok?”

Eu assenti através das minhas lágrimas. “Eu sei que sua vida
em casa é complicada. Eu entendo por que você tem que sair. Eu só
espero que você saiba que pode contar comigo se precisar de mim.
Sentirei sua falta todos os dias e nunca esquecerei todas as coisas
que você fez por mim – ensinando-me a importância de apreciar
minha família, fez-me sentir bonita, ajudou-me a sair da minha
concha. Eu cresci muito só por estar perto de você, Caleb. Você
pode pensar que está quebrado, mas ajudou a me recompor.”

E aí estava. A primeira lágrima caiu de seus olhos, prova de


quão difícil foi para ele e talvez a minha maior prova – embora tarde
demais – de quanto ele se importava comigo.

Limpando a bochecha, ele falou com uma voz tensa. "Cuide-se,


Teagan." Ele colocou mais um beijo longo, duro e torturante nos
meus lábios antes de se afastar e ir em direção à escada rolante.

Eu fiquei no mesmo lugar observando-o até que ele alcançou o


topo. Ele se virou uma última vez e me saudou com um beijo. Então
ele se foi.
Três meses depois

Embora ainda estivesse quente e verão em Boston, o novo ano


letivo havia começado e era estranho não ter mais meu estágio no
aquário. Eu estava atualmente solicitando um novo no próximo
semestre. Ouvi falar de uma vaga em um projeto de pesquisa que
envolvia gerenciar um banco de dados ambientais e criar um
catálogo de fotos para vários tipos de baleias e outras formas de
vida marinha – não o show mais emocionante, mas seria algo a
acrescentar ao meu currículo.

Eu estava passando uma tarde típica de volta ao meu quarto


depois da aula, quando Kai veio para passar o tempo, como
costumava fazer quando chegava da escola.

"Você teve notícias de Caleb?"

Por que ela tem que trazê-lo à tona?

"Não."

"Realmente?"
"Não. Nós não falamos muito.”

Minha raiva explodiu. Ela não percebeu que esse era um


assunto delicado? Caleb e eu não deveríamos estar em contato
regular um com o outro. Esse nunca foi o plano. Deveríamos não
perder o contato e fazer check-in de tempos em tempos.

"Você não acha isso estranho?" Ela perguntou.

“Na verdade, não. Não estamos juntos,” falei defensivamente.


“Decidimos que seria melhor não sofrer um relacionamento de
longa distância. Eu acho que se estivéssemos conversando todos os
dias e coisas assim, isso seria estranho.”

Ela não parecia comprar isso. “Então é isso? Ele saiu da sua
vida?”

Suspirei. Enquanto eu sabia que as coisas tinham que ser do


jeito que eram, Caleb e eu seguiríamos em frente com nossas vidas,
todos os dias que eu não ouvia falar dele, doía. E eu odiava me
sentir assim. Mas eu entendi. Eu entendi por que ele estava me
dando espaço – e porque eu também tive que dar espaço a ele. Além
das duas primeiras semanas depois que ele deixou Boston, eu só
tinha falado com ele algumas vezes. Ele sempre parecia meio triste
quando conversávamos, como se isso o deixasse triste ou algo
assim. Então eu parei de tentar iniciá-lo.

"É o melhor," eu disse.

Ela inclinou a cabeça, estudando-me. "Você está apenas


dizendo isso ou está falando sério?"
"O que isso importa? É assim que tem que ser. Sua partida
doeu? Sim. Mas ele se foi. Não há nada que eu possa fazer sobre
isso. Então eu tenho que tentar encontrar uma maneira de seguir
em frente.”

Um sorriso travesso se espalhou por seu rosto. "Eu acho que


posso ter exatamente a coisa, na verdade."

“Uh-oh. O quê?”

“O irmão de Luke voltou a morar em casa. Ele se formou no


ano passado e fica com os pais por um tempo até encontrar seu
próprio lugar. Ele é realmente fofo e solteiro.”

Luke era um cara com quem Kai namorou há alguns meses.


Esta foi a primeira vez que ouvi dizer que ele tinha um irmão.

"Qual o nome dele?"

"Ethan."

“OK. Bom nome,” falei, ainda desinteressada.

"Por que nós quatro não saímos neste fim de semana?"

Eu sabia que isso provavelmente seria bom para mim, mas


hesitei. "Não tenho certeza."

"Por que a relutância?"

"Só não tenho certeza se estou pronta para começar a ver


alguém."

"Ok, mas você está perdendo tempo."


"Eu não quero me apressar em nada."

“Você só é jovem uma vez. Você não pode se prender em um


cara que partiu para a Inglaterra e nunca mais vai voltar.”

“Eu nunca disse que estava presa a Caleb. O que te faz pensar
isso?”

“São seus olhos. Você não vê, mas sempre que eu o menciono,
eles mudam. Não sei explicar, exceto para dizer que posso ver sua
tristeza.”

Soltando um longo suspiro, percebi que poderia ter sido mais


transparente do que pensei. O nome de Caleb parecia uma faca no
meu coração, um lembrete de que ele estava lá fora em algum
lugar, não fazia mais parte da minha vida, e eu nunca mais o veria.
Depois que ele saiu, eu percebi ainda mais o quanto eu me
importava com ele.

Ela pulou da cadeira. “Tenho que correr. Atrasada para o


trabalho. Mas pense neste fim de semana, ok? Vou enviar um link
para o perfil de Ethan para que você possa ver as fotos dele e me
dizer o que pensa.”

De jeito nenhum.

Revirei os olhos e fingi jogar junto. "OK."


Não sei o que me fez checar o Instagram de Archie naquela
noite. O amigo de Caleb também estava de volta à Inglaterra agora.
Meu entendimento era que nunca havia acontecido nada sobre o
relacionamento dele com Angela, de Boston. Eles apenas cortaram
os laços, aparentemente.

Ok, eu sei por que verifiquei o Instagram de Archie.

Kai ter trazido Caleb mais cedo havia aberto algum tipo de
ferida emocional. Passei o resto do dia pensando nele – mais do que
o habitual. Eu sabia que Caleb nunca postou muito em suas
próprias contas, além de memes estúpidos. Eu provavelmente veria
algo sobre Caleb através da página de Archie. Eu já tinha verificado
lá antes, e na maioria das vezes, havia apenas fotos de Archie na
cidade ou várias refeições que ele desfrutara. Mas quando eu
chequei hoje à noite, eu achei o que estava procurando.

Comecei a tremer enquanto olhava para a foto mais recente


que ele havia postado. Meu coração. Deus, meu coração. Parecia
que poderia sair do meu peito. Ou talvez estivesse quebrando. Meus
olhos ardiam de lágrimas. Limpei-os para poder examinar a foto. Ao
lado do meu Caleb havia uma morena linda com o braço em volta
dele. Ela beijou sua bochecha quando ele deu um sorriso malicioso.
Não havia nada de hesitante ou arrependido em sua expressão. Ele
não parecia se importar com o mundo. Archie havia legendado: pelo
menos alguém está recebendo alguma coisa hoje à noite.
Ciúme misturado com dor, misturada com ódio agitou dentro
de mim ok, não foi muito ódio – porque, você pode odiar alguém se
ainda os ama? Três meses. Foi só um verão e foi tempo suficiente
para lamentar nosso relacionamento? Senti tudo subindo em mim e
mal cheguei ao banheiro a tempo de vomitar o que parecia ser
minha alma inteira.

Depois que puxei o ar, notei que meu telefone ainda estava
aberto para a foto. Saindo do Instagram o mais rápido que pude,
joguei meu telefone do outro lado da sala. Minhas mãos tremiam.
Era uma estranha sensação de desespero, porque no fundo da
minha mente eu também sabia que não tinha o direito de ficar
chateada. Caleb e eu nunca concordamos em manter nosso
relacionamento. Ele era cem por cento livre para perseguir quem
quisesse, fazer o que quisesse ou com quem quisesse – e, no
entanto, eu esperava que ele ansiasse por me perder um pouco
mais. Eu certamente continuaria ansiando por ele.

Mas isso parou agora, quer eu quisesse ou não.


Dois meses depois

"Você está bem, querida?"

Ethan e eu estávamos brincando na minha cama. Ainda não


tínhamos feito sexo, mas tínhamos feito todo o resto. Ao contrário
de outros caras que eu namorei antes de Caleb, eu realmente achei
Ethan atraente. Tivemos um tempo maravilhoso juntos, na maior
parte. Ethan trabalhou como programador de computadores em
Cambridge. Ele se mudara da casa de seus pais para seu próprio
apartamento, perto do trabalho, mas muitas vezes vinha a
Brookline sair comigo quando eu tinha que acordar cedo e não
tinha vontade de me aventurar no lado dele da cidade. Ele não era
apenas charmoso e engraçado, mas super paciente. Ele tinha tudo
sob controle, e eu realmente gostei dele.

Mais uma vez, porém, tive que explicar a ele por que me tornei
fechada quando parecia natural fazer sexo.

“Eu sinto muito. Não sei por que..., mas não estou pronta.”
Ele parecia preocupado. "Você sabe que eu nunca vou
pressioná-la, certo?"

"Essa é uma das coisas que eu aprecio em você." Suspirei. “Eu


quero que você saiba que não é você, ok? O último relacionamento
em que estive me machucou bastante, então sinto que preciso ir
devagar dessa vez.”

Eu contei a Ethan tudo sobre Caleb, então ele sabia


exatamente a quem eu estava me referindo. Mesmo que Caleb
seguisse em frente, eu ainda não podia. Ethan provavelmente
desejou poder estrangular Caleb.

Eu tive que dar meu reconhecimento a ele, no entanto. Ethan


sempre foi ótimo em seguir em frente com minhas rejeições
embaraçosas.

Ele mudou de assunto. “Ei, eu queria falar com você sobre


uma coisa. Luke e eu estávamos pensando em ir acampar em New
Hampshire. O que você acha? Apenas Luke, Kai, você e eu.”

"Tipo em tendas ou um trailer?"

“O trailer do meu pai. É velho, mas tem um quarto na parte de


trás, e nós quatro podemos brigar por isso. Há muito espaço para
se aventurar na área principal, no entanto. O que você diz?”

Eu não conseguia pensar em um motivo para dizer não. “Isso


parece super divertido. Sim. Vamos fazer isso."
"Legal." Ele sorriu. "Vamos tomar muita bebida, e podemos
comprar coisas para fazer s'mores no fogo."

Assim que ele disse s'mores, eu perdi totalmente minha linha


de pensamento. O rosto de Caleb sorrindo através das chamas
enquanto fazíamos s'mores no meu quintal nadou diante dos meus
olhos.

Maldito seja, Caleb, e seu lindo sorriso ainda me assombrando.

Jesus. Eu senti como se pudesse chorar. O que estava errado


comigo?

"Volto já," eu disse enquanto escapava para o meu banheiro,


fechando a porta e me encostando nela. Eu me permiti dar um bom
choro quando os sentimentos que eu estava suprimindo surgiram
por um momento. Peguei meu telefone na pia e fiz algo que sabia
que me arrependeria. Procurei no Instagram de Caleb. Mas quando
digitei o nome do perfil dele, nada apareceu. O pânico começou.
Caleb havia excluído sua conta do Instagram? Ou ele me bloqueou
de alguma forma? Por quê?

Também verifiquei o Facebook, a única outra conta de mídia


social que ele tinha. Essa página também desapareceu totalmente.
O que está acontecendo? Por que ele excluiria suas contas de mídia
social?

Se eu não saísse do banheiro logo, Ethan pensaria que algo


estava errado. Então voltei para a cama e me deitei ao seu lado.
Quando ele adormeceu, eu me virei, obcecada com o
desaparecimento de Caleb e sentindo como se estivesse perdendo a
cabeça.

No dia seguinte, tive que me certificar de que Caleb estava


bem. Então eu disquei o número dele. Quando não houve resposta,
deixei uma mensagem.

“Ei... Uh... é Teagan. Muito tempo sem nos falarmos, certo?


Pode me chamar de louca, mas preciso saber que você está bem. Eu
estava no Insta e notei que sua conta havia sumido. Seu Facebook
também. Só queria ter certeza de que tudo estava bem. Você pode
me ligar ou mandar uma mensagem para me avisar? Enfim, espero
que esteja tudo bem. Tchau.”

Meu estômago revirou enquanto falava, mas depois que


desliguei, eu me senti muito melhor. Pelo menos eu havia iniciado o
contato.
Quando dois dias se passaram e Caleb não me ligou de volta,
fiquei um pouco desesperada. Eu também tentei enviar um e-mail
para ele, mas a única conta que eu tinha era o e-mail da
universidade, e ele pode não ter verificado isso. Eu não queria
entrar em contato com Archie, mas enviei a ele um DM no
Instagram de qualquer maneira.

Ei, Archie! É Teagan de Boston. Pergunta rápida - eu


queria saber se está tudo bem com Caleb. Ele não está
atendendo o telefone e notei que ele derrubou suas páginas de
mídia social. Só queria saber se você tem notícias
dele. Obrigado! Espero que esteja tudo bem!

Depois de alguns dias, minha mensagem para Archie


permaneceu não lida. Eu não tinha certeza se ele checou suas
mensagens e percebi que nem sabia o sobrenome dele, então não
consegui procurá-lo em nenhum outro lugar para alcançá-lo.

Chegara ao ponto em que eu não conseguia comer, nem


dormir. Como um esforço de última hora, pesquisei o nome da mãe
de Caleb e o endereço que eu tinha dele na Inglaterra.

Eu sabia que o nome de sua mãe era Poppy e seu pai era
Lionel. Encontrei uma lista de Poppy Yates no endereço que Caleb
me dera antes de sair.

É isso aí.
Meu coração bateu forte quando eu disquei. No terceiro toque,
um homem com um sotaque inglês profundo atendeu.

"Olá?"

Meu corpo se endireitou e meu coração começou a acelerar.


“Oi... Esse é o Sr. Yates? Lionel?”

"Sim. Quem é?"

Eu limpei minha garganta. “Aqui é Teagan Carroll. Sou amiga


de Caleb. Ele ficou com a nossa família quando ele estava nos
Estados Unidos. Fiquei imaginando se você poderia me dizer como
entrar em contato com ele.”

“Caleb não está aqui. Ele está fora para o fim de semana.”

Uma mistura de alívio e confusão tomou conta de mim.

OK. Ele está vivo. Ele está bem. Isso é tudo que eu precisava
saber.

“Ah, entendo. Você sabe se ele tem um novo número de


telefone?”

“Não. Ele tem o mesmo telefone, tanto quanto eu sei.”

O pai de Caleb não foi muito sincero. Baseado em como Caleb


o descreveu, isso não foi um choque.

"Entendo." Sentindo-me impotente, puxei meu cabelo. “Ok...


Bem, você se importaria de dizer a ele que Teagan ligou? Pedir que
ele me ligue de volta quando tiver uma chance?”
"Tudo bem," disse ele após uma pausa.

“Ok... Bem... Obrigada. Espero que você tenha um bom dia.”

Quando ele não disse mais nada, eu desliguei. Ele não era a
pessoa mais amigável, mas pelo menos eu sabia que Caleb estava
vivo e respirando. Essa foi a coisa mais importante, certo? E ele não
havia mudado seu número de telefone, então isso significava... Ele
escolheu não responder para mim?

Kai abriu uma cerveja enquanto Ethan trabalhava para


acender uma fogueira.

Era uma linda noite de outono e perfeita para acampar.


Passamos boa parte do dia admirando a natureza; era época alta
para isso em New Hampshire. Felizmente, o nosso trailer estava
aquecido e tinha WiFi, então estávamos definitivamente em um
acampamento de luxo. Essa era a maneira de fazer isso, se você me
perguntasse.

"Então, quem vai ficar no quarto?" Kai perguntou.

"Eu digo que jogamos uma moeda," respondeu Luke.


“Eu digo que Teagan e eu temos isso, considerando que sou eu
quem vai te levar para casa amanhã. Isso significa que preciso de
uma melhor noite de sono.”

"De qualquer forma, eu não acho que dormir é o que você tem
em mente," Luke rachou.

As bochechas de Ethan realmente ficaram um pouco


vermelhas. Eu percebi que ele pode não ter dito a Luke que ainda
não tínhamos feito sexo. Provavelmente não era bom para seu ego
admitir que sua namorada estava adiando dormir com ele. Kai
sabia o acordo, no entanto, e rapidamente mudou de assunto para
o casamento de sua irmã Andrea, que aconteceria em algumas
semanas. Eu ajudaria na cerimônia. Ethan iria como meu par.

Depois que Ethan acendeu a fogueira, fiquei muito orgulhosa


de mim mesma por me manter no lugar enquanto construía meu
s'more. Eu aceitei que Caleb estava escolhendo não responder para
mim e, portanto, decidi não o considerar com o sentimentalismo
que já tive. De qualquer forma, fiquei feliz em apreciar os s'mores
em vez de chorar neles. Pequenas vitórias.

No final, Ethan e eu ganhamos o quarto no trailer naquela


noite. Acabei dando-lhe uma massagem com as minhas mãos e
fazendo-o gozar antes que ele pudesse tentar fazer sexo comigo. Eu
me senti terrível com a coisa toda. Eu estava começando a me odiar
por tratá-lo dessa maneira. Um homem aguentava tanto. Mas a
grande questão era: por quê? Por que eu não estava pronta? Ele me
deu tempo mais que suficiente. Mas eu não poderia fazer isso
acontecer. Eu só esperava não perder um cara legal nesse meio
tempo.
Apesar de ter ficado mais confortável em expressar meu lado
feminino, eu ainda odiava ter que colocar maquiagem completa.
Mas Kai me pediu especificamente para usá-lo nas fotos do
casamento de sua irmã Andrea. Andrea me pediu para distribuir
programas, o que significava que eu teria que sorrir e acenar muito.
Esta noite inteira estaria fora da minha zona de conforto. Não só
permiti que Kai fizesse meu cabelo com cachos grandes e soltos que
não eram o meu estilo, mas também vesti um dos vestidos
extravagantes de Maura. Não conseguia me lembrar da última vez
que me vesti de verdade.

Abri a gaveta onde mantinha minha maquiagem antiga e meu


coração quase parou. Havia um envelope amarelo em meio à
bagunça de batons e outras porcarias. Na frente, dizia: Golfinha.

Há quanto tempo isso está aqui? Eu nunca abri minha gaveta


de maquiagem. Eu mantive alguns gloss labiais e um delineador em
cima da pia, mas imaginei que não tinha feito nada além disso
desde que Caleb saiu.
Meu coração batia forte quando eu cuidadosamente abri o
envelope e li o que havia dentro.

Minha linda, Teagan,

Primeiro, olá novamente. Você provavelmente está se


perguntando por que deixei isso na sua gaveta de maquiagem, que
você nunca abre. Acho que imaginei que isso permitiria tempo
suficiente antes que você descobrisse esta nota. Talvez você já tenha
superado minha partida agora, e é por isso que é o momento
apropriado para lembrá-la de que não importa onde eu esteja, não
importa quantos dias, meses ou anos se passaram, posso garantir
que não te esqueci. Também posso garantir que ainda penso em você
o tempo todo.

Se eu fiz algo para fazer você pensar o contrário, tire isso da


cabeça. Espero que, quando você estiver lendo isso, você se afaste de
mim, da tristeza que minha partida lhe causou. Mas, se por algum
motivo você não tiver, pegue esta carta e coloque-a perto do seu
coração. Feche os olhos e me sinta com você. Saiba que enquanto
escrevo isso, sinto muito em meu coração por você. E não ouso dizer
essa palavra de quatro letras, apenas porque não é justo. Isso não
significa que eu não sinto isso.

Estou confiante de que, não importa onde esteja ou quantos


meses ou anos se passem, o que sinto por você não mudará. Nossas
vidas podem mudar, mas eu sempre carregarei esses sentimentos
em meu coração. Se você abriu essa gaveta para a maquiagem,
talvez esteja indo a algum lugar especial, ou para sair à noite na
cidade. Seja o que for, por favor, faça uma coisa para mim: nunca se
acomode, Teagan. NUNCA se acomode. Você merece o mundo. Espero
que você esteja lendo isso, e não tenha me odiado por sair ou não.
Espero que você se lembre de mim de uma maneira positiva. Seja
qual for o caso, saiba que onde quer que eu esteja, uma parte de você
está comigo.

Com carinho,

Caleb

PS: Você realmente não precisa de maquiagem.

Apertei a carta no meu peito, mais uma vez sentindo o que ele
havia me dito para sentir. Ele. ISTO – era assim que deveria se
sentir. Caleb me disse para não me acomodar. Eu estava tentando
descobrir por que não conseguia dormir com Ethan. Puro e simples,
estar com Caleb – sabendo como era dar não apenas seu corpo,
mas seu coração e alma a alguém – tornara impossível para mim
aceitar algo menos.

Mesmo se eu não pudesse estar com Caleb, esta carta me


lembrou como deveria querer alguém de verdade em todos os
sentidos. Só de ler suas palavras havia feito minha alma reviver.
Não era certo continuar amarrando Ethan. Se eu não gostava
dele o suficiente ou ainda amava Caleb, eu não conseguia
determinar. Mas, de qualquer forma, Caleb estava certo. Eu não
deveria me acomodar. Não foi justo comigo ou Ethan.

Obviamente, eu não falei no casamento da irmã de Kai e, nos


dias que se seguiram, adiei falar sobre meus sentimentos com meu
namorado. Fiz quase tudo o que pude para me distrair de ter que
lidar com o inevitável. Não me pergunte por que uma dessas
distrações incluía pesquisar minha mãe biológica no Google. Eu
nunca pensei em procurá-la, e certamente não me importei em
conhecê-la. Mas de repente fiquei curiosa. Não havia dúvida de que
desde que Caleb partiu, eu me senti muito perdida. Talvez procurar
informações sobre ela fosse uma tentativa de encontrar minha
orientação? Não tinha certeza, mas digitei "Ariadne Mellencamp" na
barra de pesquisa.

Meu pai disse que me apoiaria se eu decidisse encontrar


Ariadne. Eu não estava esperando conhecê-la, no entanto, apenas
para obter mais detalhes sobre sua vida. Mas o que eu faria com
essa informação? Se eu soubesse que ela estava viva ou onde
morava, como isso mudaria minha vida? Eu não tinha certeza, mas
apertei o botão de pesquisa de qualquer maneira.
Surgiram vários endereços associados a Ariadne: Miami,
Flórida, até Los Angeles, Califórnia, para Londres, Inglaterra.
Parecia haver apenas uma lista para o nome dela – mesma pessoa,
apenas localidades diferentes. Ela era única, tudo bem, e não quero
dizer isso de uma maneira boa.

Uma pesquisa de imagens tirou uma foto dela há seis anos.


Aparentemente, ela fazia parte de uma trupe de dança adulta em
Los Angeles. Ela parecia mais abatida do que eu pensaria para
alguém na casa dos trinta na época. Ela tinha algumas rugas ao
redor dos olhos. Talvez fosse apenas uma foto pouco lisonjeira – ou
talvez ela não se importasse mais com ela do que com sua filha
abandonada. Meu pai também mencionou que ela adorava fumar.
De qualquer forma, vê-la ainda era como olhar para o futuro.

Eu pensei que ver o rosto dela depois de todos esses anos


poderia ter provocado alguma emoção em mim. Mas tudo que vi
quando olhei para a foto dela foi uma pessoa egocêntrica que
parecia morta por dentro. Talvez ela tenha vivido com muito
arrependimento. Ou, talvez a ideia de ela ter um coração de verdade
fosse apenas uma fantasia que eu criei.

O único sentimento que surgiu ao olhar para esta foto foi o


amor – não pela mulher na foto, mas pela mulher que pegou todas
as peças que Ariadne quebrou e deixou para trás.

Fechando meu laptop, subi correndo à procura dela. Maura


estava sentada na sala, escrevendo algumas notas na mesa do
canto. Parei na frente dela e ela olhou para cima.
"O que há, Teagan?"

Sem dizer uma palavra, inclinei-me e puxei-a para o abraço


mais apertado.

"Oh meu..." ela disse, claramente pega de surpresa.

"Sinto muito, Maura."

"Por quê?"

"Por ser um idiota nos últimos quinze anos."

Ela me apertou mais forte. “Oh querida. Eu nunca pensei


isso.”

"Apenas me atingiu."

"O quê?"

Eu olhei nos olhos dela. “Que você é minha mãe. Você sempre
foi minha mãe. Eu resisti porque estava muito ocupada sentindo
pena de mim mesma para apreciar o fato de que quando minha
mãe biológica foi embora, Deus me enviou alguém melhor.”

A boca dela caiu. "Teagan," disse ela. "Eu te amo muito."

Eu respondi da única maneira que finalmente parecia natural.


"Eu também te amo, mãe."
Meu quarto estava completamente escuro e a janela aberta,
deixando entrar uma brisa fresca. Eu arruinei uma noite
perfeitamente calma abrindo uma lata de vermes que
provavelmente nunca seria capaz de fechar. Por que eu decidi
procurá-la? Foi o maior erro que eu poderia ter cometido esta noite.

Fazia tanto tempo desde que nos falamos. Eu precisava


explicar as coisas para Teagan. Mas antes que eu a alcançasse
novamente, eu queria checar o terreno. Eu esperava ver um
vislumbre de um sorriso, alguma garantia de que ela estava bem,
que estava feliz. Eu recebi muito mais do que esperava.

Eu fiquei olhando para a foto. Teagan tinha sido marcada por


sua amiga Kai em uma série de fotos tiradas em algum tipo de
acampamento. Ela se sentou entre as pernas de um sujeito alto, a
quem eu consideraria bonito, mas não o suficiente para ela. Ela
estava sorrindo e parecia bastante contente, recostando-se no peito
dele. Para adicionar sal ao meu ferimento, em uma das fotos, eles
estavam fazendo s’mores.

Uau.
Por mais difícil que tenha sido ver essas fotos, uma pequena
parte de mim ficou aliviada por Teagan ter seguido em frente.
Infelizmente, uma parte maior foi abalada ao ver a prova. É
exatamente por isso que eu nunca deveria estar online. Você
pensaria que depois de não ter mídias sociais por dois meses, eu
teria percebido que não havia nenhum benefício nisso. Minha vida
tinha sido muito melhor sem ela. E certamente teria ficado melhor
se nunca tivesse voltado.

Continuei olhando o lindo rosto de Teagan no escuro até


minha mãe interromper meus pensamentos da porta.

“Fiz sopa de batata e alho-poró. Quer se juntar a mim para um


pouco?”

Suas palavras mal foram registradas.

"Caleb?" Ela disse depois de um momento. "Está tudo bem?"

Com minha cabeça ainda basicamente na minha bunda, eu


murmurei, "Hmm?"

"Por que você está sentado no escuro?"

Fechando o laptop, olhei para as luzes da rua. “Eu pretendia


acender a luz. Mas fiquei um pouco distraído e fiquei no escuro.”

Ela foi até o pé da minha cama. "Tudo certo?"

Eu olhei para ela. "Na verdade, não."

"Você quer falar sobre isso?"


Soltando um longo suspiro, debati. Eu nunca disse à minha
mãe o quão perto eu e Teagan estávamos. Eu não queria que
mamãe se sentisse culpada por eu ter que deixar os EUA. No
momento, porém, os sentimentos que perfuravam meu peito
precisavam sair de alguma forma.

"Lembra da garota mais velha da família com quem eu morava


em Boston?"

"Certo." Mamãe piscou. "Teagan era o nome dela, certo?"

"Sim."

"Está tudo bem com ela?"

"Ela está indo muito bem, aparentemente." Suspirei. "Sou eu


quem não estou tão legal agora."

"Aconteceu alguma coisa entre você e ela, enquanto você


estava lá?"

Eu assenti. "Nós... Estávamos bastante sérios no final."

Mesmo no escuro, eu pude ver a surpresa no rosto de minha


mãe. “Você nunca mencionou isso. Por quê?”

“Qual seria o sentido de lhe contar? Não queria que você se


preocupasse ou se sentisse ressentida por eu ter que voltar para
casa.”

“Lembro-me de você dizendo que ela não se deu muito bem


quando você se mudou para lá. Engraçado como as coisas podem
mudar.” Ela sorriu.
“Nós nos tornamos muito próximos. Pela primeira vez na
minha vida, tive uma conexão com alguém que era muito mais
profundo do que físico. Ela e eu nos sentimos muito parecidos com
o nosso lugar no mundo. Fomos capazes de ajudar um ao outro
através das coisas.” Recostei-me na cabeceira da cama eu cruzei os
braços. "Confiei nela sobre Emma."

"Realmente?" Os olhos da minha mãe se arregalaram. “Bem,


agora eu sei que você confiava nela. Isso não é algo que você abre
muito facilmente.”

Eu assenti. "Sim."

“Bem, eu não tinha ideia, Caleb. Desculpe-me, você teve que


terminar as coisas com alguém de quem gostava. Ela não conseguiu
vir para a Inglaterra, nem para uma visita?”

Eu sempre me perguntava o que Teagan poderia ter dito, se eu


pedisse que ela viesse para o Reino Unido. Mas, finalmente, eu
sabia por que não tinha.

Eu balancei minha cabeça. “Você conhece o espaço mental em


que eu estava quando cheguei em casa. Pedir a ela para abandonar
sua vida e vir aqui comigo quando eu estava uma bagunça – isso
não teria sido justo.”

“Justo para quem? Aposto que ela teria ido a qualquer lugar
que você perguntasse, se lhe dissesse que estava apaixonado por
ela.” Ela inclinou a cabeça. “É isso que estou entendendo? Que você
se apaixonou?”
Em silêncio, assenti.

"Oh, Caleb." Ela suspirou. "O que você achou online hoje à
noite?"

Eu exalei um longo suspiro. “Vi algumas fotos de Teagan


parecendo feliz com um cara. Parece que ela seguiu em frente. É o
que eu esperava que acontecesse e que nunca acontecesse ao
mesmo tempo.”

"Se você está chateado, por que você não liga para ela?"

Eu ri quase com raiva. “Não ousarei fazer isso agora. Eu a


deixei em frangalhos. Ela merece felicidade.”

"Ela está apenas com ele porque você foi embora."

"Exatamente. Eu saí. Nos olhos dela, eu escolhi deixá-la. Isso


não é algo que ela deveria esquecer.”

“Muita coisa aconteceu nos meses desde que você esteve em


casa, filho. Você deveria contar a ela.”

"Dizer a ela não vai me tornar mais atraente para ela,


exatamente o oposto."

“Mas vai explicar por que você perdeu o contato, por que ela
não teve notícias suas. Você realmente acha que é tão substituível?
Ela provavelmente supõe que a falta de comunicação significa que
você não se importava com ela, quando esse não é o caso.”

“Qual é o objetivo? Não é como se pudéssemos ficar juntos. É


provável que não seja mais capaz de obter aprovação para ir aos
EUA. Ela teria que largar esse novo cara e deixar tudo o que ela
conhece para me seguir – um cara que já a abandonou – do outro
lado do mar. Como isso faz sentido?"

Minha mãe colocou a mão no meu braço. “O amor não faz


sentido, meu garoto. As pessoas fizeram coisas mais loucas por
amor do que atravessar o oceano.”

Pressão construiu no meu peito. Por um lado, eu sabia que ela


estava certa e precisava lutar. Mas as sementes da dúvida, da auto
preservação, estavam crescendo. "Eu sinto falta dela."

"Você a ama?"

Fechei os olhos e assenti. "Sim."

"Você nunca disse a ela?"

"Não com essas palavras, não."

Minha mãe parecia magoada. “Você passou boa parte da sua


vida tentando se punir pelo que aconteceu com Emma. Está na
hora de você parar de se sabotar. Se você está apaixonado por
Teagan, deve contar a ela e deixá-la tomar uma decisão sobre se ela
gostaria de tentar fazer as coisas funcionarem. É provável que ela
nunca tenha sugerido vir para a Inglaterra porque você nunca deu
a ela a opção, estou certa?”

"Você está certa."

"Por que uma garota se ofereceria para se mudar por alguém


que nunca disse que a ama?"
Eu não tive uma resposta. Eu sempre disse a mim mesmo que
encontraria meu caminho de volta para Teagan. Mas vê-la feliz com
outra pessoa me fez adivinhar tudo. Independentemente do que eu
quisesse, ou do que minha mãe acreditasse, eu sabia que entrar em
contato com Teagan agora e atrapalhar sua felicidade não era a
decisão certa.

Então eu não faria.


Enquanto olhava para as luzes da árvore, mal podia acreditar
que fazia um ano desde o Natal passado. Parecia ontem que Caleb e
eu estávamos trocando presentes no meu quarto. Brincando com o
colar de caracol no meu pescoço, eu me perguntei o que ele estaria
fazendo hoje à noite. Onde quer que Caleb estivesse, eu esperava
que ele estivesse feliz.

Eu sabia que o Natal era difícil para ele. Eu estava mais


tentada hoje à noite do que nunca em contatá-lo novamente –
especialmente desde que suas páginas de mídia social estavam de
volta. O que o levou a removê-los permaneceu um mistério. A coisa
toda parecia bizarra, mas ele tomou a decisão de cortar os laços, e
eu tive que confiar que ele tinha um bom motivo.

Desde que terminei meu relacionamento com Ethan, eu não


namorava mais ninguém. Eu sabia agora que realmente não deveria
me acomodar. Por mais difícil que fosse deixar um cara decente, eu
sabia que era a melhor decisão para mim e para ele também. Ethan
merecia uma namorada que pudesse dar tudo a ele, algo que eu
não estava disposta a fazer.
Meu pai estava sentado ao meu lado no sofá enquanto
esperávamos os vizinhos chegarem para a nossa festa anual de
véspera de Natal.

Com uma gemada na mão, ele perguntou: "Como está minha


garota?"

"Olá pai."

Ele inclinou a cabeça. "Você parece para baixo."

"Estou bem. Só pensando em coisas.”

"As coisas teriam um álter ego chamado Caleb Yates?"

Meu pai era definitivamente mais astuto do que eu acreditava.

"Ele passou pela minha cabeça hoje à noite, sim."

"Maura me disse que você não tem notícias dele há muito


tempo."

“Sim. No começo, pensei que poderia haver algo errado, mas


liguei para a casa dele. Seu pai disse que ele estava ausente no fim
de semana. Então todas as páginas de mídia social que ele
derrubou reapareceram. Ele ainda não se incomodou em entrar em
contato comigo, então acho que ele se sentiu melhor em cortar
laços.”

"É difícil quando alguém de quem você gosta faz isso."

Ah sim. Meu pai poderia se relacionar com esse sentimento.


"Eu sei que você entende como é isso."
"Sim." Ele suspirou. “Mas você sabe, uma coisa maravilhosa
saiu de Ariadne desaparecendo. Ela não apenas me deixou com o
presente mais bonito, você, mas também deixou a porta aberta para
eu conhecer o verdadeiro amor da minha vida.”

Eu sorri. "Isso é verdade, não é?"

"E é claro, Shelley se tornou o outro resultado maravilhoso


dessa situação."

“É difícil imaginar a vida sem essa ratinha.” Eu ri.

"Sim." Ele sorriu. “As coisas vão funcionar como deveriam.


Você tem que confiar nisso.”

Eu realmente queria acreditar. “Obrigada pai. Vou tentar.”

Por mais que eu soubesse que a coisa certa era ficar no andar
de cima e me misturar com todos os convidados que chegavam, me
vi voltando para o meu quarto por um tempo, apesar de ter dito a
mim mesma que iria me juntar a eles mais tarde.

Deitada na minha cama, fechei os olhos e tentei limpar minha


mente, que tinha sido focada em Caleb a noite toda. Acariciando o
colar de caracol, acabei cochilando.

Eu não tinha ideia de quanto tempo eu estava dormindo


quando meu telefone tocou, me acordando.

O número na tela era um que eu não reconhecia.


Normalmente, eu não teria respondido, exceto que esse número era
único: era um número do Reino Unido. Quando isso afundou, meu
coração quase pulou uma batida quando eu atendi.

"Alô?"

Sua voz era baixa e grave. "Teagan..."

Demorou alguns segundos para se registrar. Ele apenas


pronunciou meu nome, mas era o som mais bonito.

"Caleb?" Saiu em um sussurro. Minha voz estava fraca, meu


corpo estava fraco – tudo parecia fraco.

"Sim, sou eu."

“Oh meu Deus. É tão bom ouvir sua voz.”

“É bom ouvir a sua também. Feliz Natal.”

"Feliz Natal." Eu coloco minha mão sobre o meu coração.


“Estou sonhando? É realmente você? Eu estive tão preocupada.”

"Você tem?"

“Sim, claro. Como eu não poderia? Você desapareceu... exceto


que não. Eu sabia que você estava bem, então imaginei que você
não queria falar comigo. Mas eu ainda estava preocupada. Eu até
liguei para sua casa e...”

"Você ligou para minha casa?"

"Sim."

"Quando?" Sua voz tomou uma ponta.


"Várias semanas atrás."

"O que aconteceu quando você ligou?"

“Seu pai atendeu. Ele disse que você estava ausente no fim de
semana.”

Caleb soltou um longo suspiro. “Porra. Eu sinto muito. Há


tanta coisa que tenho para lhe dizer, Teagan.”

Minha voz falhou. “Por que você não retornou minha ligação
para o seu celular? Foi por isso que liguei para a casa dos seus
pais.”

"Eu não recebi sua ligação, amor."

"Não?"

“Não. Meu telefone foi perdido depois de uma noite muito


bêbado. Eu nunca recebi de volta. Eu nunca soube que você me
ligou e meu pai nunca me disse que você ligou para casa.” Eu podia
sentir sua frustração acima da linha. “Teagan, sinto muito que você
estivesse preocupada comigo. Você tem algum tempo para
conversar? Eu sei que sua festa de natal deve estar acontecendo.”

Era ridículo pensar que eu abandonaria esse telefonema para


a festa – ou qualquer outra coisa no mundo.

“Caleb, não há nada mais importante agora do que falar com


você. Por favor, diga-me o que aconteceu.”

"Bem." Ele fez uma pausa. “Quando voltei para o Reino Unido,
eu estava em um lugar ruim. Não só estava sentindo sua falta, mas
a bebida de meu pai estava fora de controle. Nós brigamos
constantemente. Eu lidei com isso saindo de casa, saindo todas as
noites, ficando embriagado e tentando esquecer o que estava
acontecendo em casa.”

Meu estômago afundou. "Ah não."

"Foi a pior coisa possível que eu poderia ter feito, e tão


irresponsável."

Em silêncio, eu o deixei continuar.

“Numa daquelas noites, cheguei em casa e encontrei meu pai


agredindo fisicamente minha mãe. Eu perdi minha cabeça e intervi.
Os vizinhos chamaram a polícia e meu pai me acusou de agressão.
Minha mãe se recusou a contar à polícia que meu pai a estava
atacando porque ela não queria que ele fosse preso. Então, ela disse
que ele e eu tínhamos discutido que era um problema de família.”

"Merda."

“As coisas só pioraram depois disso. Eu não poderia viver sob


o mesmo teto com ele. Eu estava uma bagunça, e meu próprio
consumo de álcool ficou fora de controle, tenho vergonha de dizer.
Acabei brigando com alguém de um dos clubes daqui. Fui preso e
mantido por alguns dias até minha mãe me resgatar. Esse foi o
ponto mais baixo. Percebi então que precisava de ajuda – não
apenas por beber, mas para todos os problemas que levaram a
isso.”

“Espera. Você foi preso?”


“Sim. Mas, em vez de ser preso por agressão, fui sentenciado
ao serviço comunitário e a um período de reabilitação. Passei dois
meses em uma instalação que não apenas trata o abuso de
substâncias, mas também seus problemas subjacentes. Quando
você chega lá, eles pegam seu telefone. Acabei de substituir o antigo
quando eles levaram o novo. Eles não querem que você tenha
distrações externas. Desativei minhas contas de mídia social para
facilitar as coisas durante esse período. Tudo aconteceu tão rápido.
Como não queria que você se preocupasse, decidi não contar nada
do que estava acontecendo. Mas eu esqueci de considerar que você
poderia perceber que minhas contas sumiram. Eu não sabia que
você estava alarmada. Sinto muito, Teagan.”

Puta merda. Ele estava certo que eu teria ficado preocupada,


mas aqui estava eu pensando que ele estava tendo o tempo de sua
vida e optou por não entrar em contato comigo.

“Oh meu Deus, Caleb. Isso explica tudo. Tudo faz sentido
agora. Eu pensei que você não queria nenhum contato comigo
porque seguiu em frente. Eu vi uma foto sua na página de Archie.
Uma garota estava beijando você, e eu apenas pensei...”

“O quê? Porra. Teagan, isso não significou nada. Aquela era


apenas uma garota no pub. Eu nem sei quem ela era. Eu juro, nada
aconteceu. Estávamos fora, e ela estava pendurada em cima de
mim. Archie deve ter tirado uma foto. Eu estava bêbado, mas não
muito bêbado para perceber onde estava e o que estava fazendo. Eu
não estive com ninguém sexualmente desde você, nunca levei as
coisas tão longe.”
Ele não dormiu com ninguém?

Parecia que eu tinha deixado escapar um suspiro que estava


segurando desde que nossa conversa começou. Eu podia sentir as
lágrimas se formando nos meus olhos – uma mistura de alívio e
tristeza total por tudo o que ele passou.

"Uau."

"É tão bom ouvir sua voz, Teagan."

Eu queria pular o telefone. Minha pele se arrepiou com uma


intensa necessidade de vê-lo.

“Você está melhor agora? O programa ajudou?” Eu perguntei.

“Estou sóbrio, sim. E os terapeutas de lá mergulharam muito


no meu passado, em meus problemas com meu pai. Eu não diria
que estou consertado, mas conversar sobre coisas com um
profissional regularmente ajudou definitivamente. Ainda tenho
trabalho a fazer, no entanto.”

"Estou tão orgulhosa de você."

"Enfim... Minha terapia está relacionada ao motivo pelo qual


estou ligando."

Meu coração disparou. "Ok…"

“Eu precisava trabalhar em mim mesmo antes que eu pudesse


realmente me entregar a alguém. Parte do motivo pelo qual não
lutei mais por nós, antes de partir, foi porque não sentia que
merecia ser feliz, ou que merecia você.” Eu o ouvi respirar fundo.
“Você está feliz, Teagan? Seja honesta. Eu sei que você está com
alguém.”

Com alguém?

“Eu não estou... Com ninguém. O que fez você dizer isso?”

"Você não está?"

"Não."

“Mas você estava. Eu vi uma foto online.”

“Por alguns meses, sim. Mas eu terminei com ele depois que
encontrei sua carta na gaveta de maquiagem, e isso me lembrou
que eu nunca deveria me acomodar. Ele era meu namorado por um
tempo, mas nunca fizemos sexo,” acrescentei.

“Uau. Eu apenas assumi...” Caleb suspirou. "Então, deixe-me


ver se entendi... O cara nas fotos que Kai postou no acampamento –
você não está mais com ele?"

"Eu terminei com ele."

"Você está solteira."

"Sim."

"Espere um segundo."

Houve alguma confusão, e então ouvi Caleb gritando para


longe do telefone. "Sim!" Pareceu ecoar. Ele fez isso de novo. "Foda-
se sim!"
"Oh meu Deus. Você acabou de gritar lá fora? Eu ouvi o eco.”

“Absolutamente, Teagan. Se você dissesse que estava feliz com


outro cara, talvez eu não estaria a ponto de dizer o que estou
prestes a dizer. Eu poderia ter mantido dentro para sempre. E isso
poderia ter me matado. Mas a verdade é que agora posso dizer e
tenho muito a dizer.”

Eu funguei. “Diga, Caleb. Por favor, diga.”

“Eu relutei em entrar em contato com você porque, quando


entrei em minhas contas e vi você etiquetada nessas fotos, achei
que estava feliz. Não queria atrapalhar sua vida, porque isso não
teria sido justo. Então eu me controlei para não ligar para você.
Mas não a procurar tem lentamente me devorado. Pedi ao universo
que me desse um sinal de que eu deveria arriscar. Eu nunca pensei
que conseguiria, mas finalmente consegui.”

"O que foi isso?"

“Bem, resumindo tudo. Meu pai se mudou. Que foi só uma


questão de tempo. Ele está morando com um de seus irmãos agora,
mas isso é uma história para outro dia. De qualquer forma,
recentemente confessei à minha mãe o quão miserável eu sempre
estive durante os anos no Natal. Este ano, éramos apenas nós dois,
e decidimos fazer algo que nunca fizemos: dirigir até Nottingham e
ficar em outro lugar, talvez fazer uma viagem e apreciar a
companhia um do outro longe de casa e todas as más lembranças
existentes. Estou ligando para você agora de Nottingham, na
verdade.”
Isso me fez sorrir. "Sua mãe está com você?"

“Ela está lá em cima na sala. Estou do lado de fora do hotel no


momento. Eu vim aqui para ligar para você. De qualquer forma,
durante todo o dia eu estive pensando no último Natal, como foi
incrível gastá-lo com você e sua família. O dia inteiro eu queria ligar
para você. Mas eu ainda hesitei.”

"O que finalmente fez você fazer isso?"

“Minha mãe e eu começamos a olhar para a lista de


restaurantes próximos do hotel, e muitos deles nem estavam
abertos hoje à noite, mas havia um lugar chinês que era: o Bo
Cheng's. Bo. Fodido. Cheng's, Teagan! Eu juro.”

"Oh meu Deus." Eu ri histericamente. “Oh meu Deus! Como


isso é possível?”

“Naquele momento, eu sabia que tinha recebido o sinal de que


precisava e tive, que ligar para você, mesmo que isso significasse
atrapalhar sua felicidade. Porque há muito que preciso dizer.” Ele
exalou. “Primeiro de tudo, eu te amo. Eu te amo muito. Eu nunca
disse isso porque estava com medo, mas eu te amo há muito
tempo.”

Fechei os olhos e deixei que isso afundasse. Minha voz falhou.


"Eu também te amo."

“Escute, provavelmente estou preso aqui na Inglaterra por


causa do meu registro de prisão. Agora vai ser muito difícil
conseguir um visto para os EUA. Então, eu tenho que fazer uma
pergunta.”

"OK…"

“Você estaria disposta a vir aqui? Seja depois do ano letivo,


depois de se formar ou sempre que puder – assumindo que eu não
posso chegar aí –, não me importo. Vou encontrar uma maneira de
pagar sua passagem.”

Emoções inundaram-me, mas não tive dúvidas sobre a minha


resposta.

"Sim! Sim, eu vou. Claro."

"Você quer dizer isso?"

"Sim. Tudo que você tinha a fazer era perguntar. Nem preciso
pensar nisso. Nós vamos descobrir algo.”

Nós estaríamos juntos novamente. E lá estava: o melhor


maldito presente de Natal que eu poderia ter recebido.

Agora que sabia que Caleb me queria na Inglaterra, não


consegui chegar lá rápido o suficiente. No dia seguinte ao nosso
telefonema, contei à Maura e a papai tudo o que Caleb havia me
dito e meus planos de viajar para Londres no final do ano letivo.

Na semana seguinte, fui ao escritório de serviços estudantis


para perguntar sobre a transferência do meu último ano para a
universidade parceira em Londres. Eu definitivamente teria que
terminar meu primeiro ano aqui, mas eles disseram que
procurariam por mim. Basicamente, seria o oposto do que Caleb
havia feito. Se não fosse possível, eu tiraria uma folga ou
descobriria outra coisa. Não importava, desde que pudéssemos ficar
juntos. Não havia nada que eu quisesse mais do que estar com
Caleb.

Caleb queria pagar para eu chegar lá, mas ele e sua mãe
haviam esgotado seus fundos pagando pela reabilitação. Eu não
queria que ele tivesse que vender sua alma pela minha passagem.
De qualquer forma, eu precisava não apenas de dinheiro para
viajar, mas de um meio para ficar na Inglaterra. E eu estava
determinada a conseguir os dois. A partir de agora, eu poderia
permanecer no Reino Unido por até seis meses sem qualquer tipo
de visto especial. Teríamos que descobrir as coisas além disso. Eu
tinha algumas economias, mas isso nem sequer cobriria o custo da
minha passagem de avião. Eu comecei a gastar meu tempo livre
pesquisando possibilidades de trabalho on-line no Reino Unido.

Maura veio me encontrar no meu quarto depois que voltei da


faculdade.
“Ei. Eu vim para uma atualização,” ela disse. "Você teve
alguma sorte em conversar com o Northern sobre a transferência no
próximo ano?"

“Eles disseram que precisavam conversar com algumas


pessoas da universidade na Inglaterra, para ver se isso seria uma
possibilidade. Então eu tenho que esperar.”

"Você acha que vai embora mesmo que não possa se


transferir?"

“Sim. Eu sei disso de fato. Eu só tenho um ano, e sempre


posso voltar e terminar mais tarde ou descobrir outra coisa. Não
posso durar mais um ano longe dele, agora que sei que ele me quer
lá.”

"Isso é muito romântico." Maura sorriu. "E há algo que eu


gostaria de lhe dar, Teagan, para tornar isso mais fácil."

Sentei-me ao lado dela. "OK…"

"Planejei esperar até que você ficasse um pouco mais velha,


mas sinto que é a hora certa."

Maura puxou uma pequena caixa do bolso do suéter. “Antes


de mostrar para você, eu deveria começar isso dizendo que acho
que seu pai ficou completamente louco quando ele comprou isso.
Mas tudo funciona por uma razão.”

"O que é isso?"


Maura abriu a caixa, revelando um grande diamante quadrado
que parecia adequado para uma rainha. Tinha diamantes menores
ao redor da pedra central. Foi de tirar o fôlego.

"Meu pai comprou isso para você?"

Ela balançou a cabeça e riu. "Não."

"Não?" Minha testa enrugou em confusão.

"Ele comprou para a Ariadne."

Meu queixo caiu. "O quê?"

"Sim. Foi um esforço de última hora para fazê-la ficar. Ela


usou por um tempo, mas devolveu a ele antes de sair. Pelo menos
ela teve a decência de fazer isso. Até hoje, ainda estou chocada que
ela não tenha guardado.”

Minha boca caiu. “Você quer me dar isso? Não tenho certeza
se posso ter isso.”

"Oh, sim, você pode." Ela olhou para o anel. “Ouça, depois que
seu pai e eu estávamos apaixonados, ele me mostrou esse anel e me
disse que o venderíamos e escolheríamos outra coisa. Naquela
época, tínhamos acabado de nos levantarmos financeiramente,
então não fazia sentido gastar esse dinheiro comigo mesma. Ainda
assim, também não parecia correto trocá-lo por dinheiro. Por isso,
perguntei-lhe se tudo estaria bem se eu o guardasse – para você, ou
para um dia necessário, se a família precisar.”

"Ele estava bem com isso?"


“Você conhece seu pai. Enquanto eu estivesse feliz... Ele me
deixou ficar com ele. Eu sempre soube em meu coração que daria a
você porque foi a última coisa que Ariadne deixou para você – a
única coisa que ela deixou. Esse anel nunca pareceu meu. Na
minha cabeça, sempre foi seu.”

Eu olhei para o diamante brilhante. "Uau."

Ela sorriu. “Então, o que eu gostaria que você fizesse é vendê-


lo e usar o dinheiro para pagar sua passagem para a Inglaterra e as
despesas de vida enquanto o dinheiro durar. Um anel como este
deve representar amor. Ao vendê-lo, você poderá estar com quem
você ama e ter dinheiro para se sustentar por um tempo.”

Tão cheia de emoção, eu mal conseguia falar. "Você tem


certeza?"

"Não há nada que eu tenha mais certeza."

Peguei o diamante e segurei-o entre o polegar e o indicador. As


luzes do teto refletiram na pedra. Foi lindo. Mas foi tão... louco. Tão
louco. Eu precisava desse dinheiro e não lutaria contra isso. Eu
devo muito à Maura.

Eu passei meus braços em volta dela. "Eu nunca serei capaz


de pagar você por isso."

“Não há necessidade. Como eu disse, isso sempre foi seu de


qualquer maneira. Saber que você estará com Caleb, deixa-me
muito feliz. Vale mais do que esse anel jamais poderia valer.”
Embora Caleb e eu conversássemos ao telefone quase todos os
dias agora, não era o mesmo que estar com ele. O restante do ano
letivo progrediu lento e dolorosamente. O que nos fez passar por ele
foi saber que a cada dia que passava nos aproximava mais de
estarmos juntos. Mas isso finalmente acabou.

Eu não consegui entrar em um programa de intercâmbio pela


Northern University, então decidi tirar o próximo ano para descobrir
minha vida. Isso começou pulando no primeiro avião para o Reino
Unido quando as aulas terminaram.

"Você pode me levar na sua mala?" Shelley perguntou.

Faltavam dois dias para eu partir para a Inglaterra e eu ainda


tinha um longo caminho a percorrer com minhas malas.

Eu sorri. "Sabe, eu nunca pensei em dizer isso, mas eu


realmente queria poder."

Às vezes você não aprecia algo até estar prestes a perdê-lo.


Minha irmã e eu ficamos muito mais próximas no ano passado. Ela
veio ao meu quarto para conversar sobre garotos por quem estava
apaixonada. Eu a ajudei com a lição de casa. Às vezes, ela e eu
conversávamos sobre coisas aleatórias. Mas fazíamos parte da vida
uma da outra. E agora, depois que finalmente encontramos um
ritmo, eu estava me mudando para a Inglaterra por, pelo menos,
seis meses.

"Eu vou sentir muito a sua falta." Shelley tentou enfiar alguma
coisa na minha bagagem de mão.

"O que você acabou de colocar dentro da minha bolsa?" Eu


perguntei a ela.

"Era para ser uma surpresa." Ela pescou e entregou para mim.

Era uma pulseira de prata que dizia irmã e tinha um pingente


de dois corações entrelaçados. Meu coração inchou.

“Você sabe, deveria ser eu te dando um presente, não o


contrário. Muitas vezes você tem sido uma irmã melhor do que eu.”
Eu disse a ela. "Devo-lhe muito tempo perdido e agora estou indo
embora."

Ela me abraçou. “Está tudo bem, Teagan. Apenas me envie


fotos e doces especiais que não podemos encontrar aqui, ou algo
assim.”

Apertei-a e ri. "Isso deveria compensar anos de ser uma irmã


mais velha ruim?"

Ela encolheu os ombros. "Você vai voltar?"


“Acredito que sim. Mas não sei o que a vida tem reservado
agora. Eu só vou ver o que acontece.”

Meu voo era um voo noturno, então estava chegando na hora


de dormir de todos quando entramos no carro para ir ao aeroporto.
Meus pais tinham sido incrivelmente solidários, então me
surpreendeu quando meu pai parecia nervoso no caminho.

"Não acredito que estou apoiando minha filha a abandonar a


faculdade," disse ele. "Eu devo estar louco."

Maura colocou a mão no joelho dele enquanto ele dirigia. “Não.


Você não é louco, apenas um velho romântico.”

"Eu prometo terminar a faculdade, pai," eu disse no banco de


trás. "Eu só preciso fazer isso agora."

"Você me promete que se as coisas não estiverem indo bem lá,


você voltará logo?" Ele perguntou.

“Sim. Claro. Não vou ficar em nenhum lugar que esteja infeliz.”

Eu não tinha ideia de como as coisas seriam no território do


Caleb. Meus pais proporcionaram um ambiente seguro e amoroso,
sem fator de estresse. Em Londres, eu moraria com Caleb e sua
mãe. Eu não tinha ideia se ela iria gostar de mim. Eu só falei
brevemente com Poppy Yates por telefone. Havia tantas incógnitas.
Mas essa viagem faria Caleb e eu dar certo ou não.

Quando chegamos ao aeroporto, meus pais e irmã saíram do


carro para se despedir de mim da plataforma de desembarque.

"Você dá um grande abraço em Caleb por nós, ok?" Maura


disse, lágrimas enchendo seus olhos.

"Eu vou. Obrigado por tudo, mãe. Eu te amo."

Ela me apertou com força. "Eu também te amo."

Em seguida, meu pai me abraçou. “Querida, lembre-se de que


estou a apenas um telefonema de distância. Você entra no próximo
avião para casa, se você for qualquer coisa menos que a lua lá.
OK?"

“Ok pai. Prometo que não hesitarei em voltar.”

Shelley estava chorando quando nos abraçamos. "Eu te amo,


Teagan."

"Eu também te amo, Shell Belle."

Durante o nosso abraço, enfiei a mão no bolso e peguei algo


que havia comprado para ela. Era a mesma pulseira que ela me
deu, exceto em seu metal favorito, o ouro.

"Agora temos as mesmas pulseiras para sempre olhar para


baixo e pensar uma na outra."
Ela a colocou no pulso. “Obrigada, Teagan. Queria comprar
uma para mim quando consegui a sua, mas não podia pagar.”

Eu toquei o pingente na minha pulseira correspondente.


“Obrigada pela minha. Vou usar o tempo todo.”

"Eu também," disse ela quando nos abraçamos novamente.

Eu soprei para minha família um último beijo antes de


atravessar as portas de vidro deslizantes. Enquanto eu subia a
escada rolante até o portão, borboletas enxameavam na minha
barriga. Era só eu agora. Uau. Estou realmente fazendo isso.

Depois de passar pela alfândega em Heathrow, procurei


freneticamente sinais de Caleb.

Quando finalmente o encontrei, ele estava segurando um


buquê de... eu não tinha certeza. O que é isso?

Corremos para frente como se estivéssemos em uma corrida


para nos encontrarmos.

Caleb passou os braços em volta de mim antes que eu pudesse


descobrir o que ele estava segurando. Não que isso importasse. Eu
queria estar envolvida nele assim para sempre. Seu cheiro familiar
me envolveu, e ele me apertou com tanta força que pensei que
poderia quebrar. Era tão bom estar em seus braços novamente.

"Sinto como se estivesse prendendo a respiração por um ano,"


disse ele contra o meu ouvido.

Quando ele finalmente me soltou, dei uma olhada no que ele


estava segurando.

Eu cobri minha boca. "Ó meu Deus. O que você fez?"

"É um buquê de marshmallow carbonizado." Ele deu um


sorriso torto.

Ele enrolou uma fita roxa em torno de um monte de


marshmallows torrados em palitos.

"Essa deve ser a coisa mais criativa que já vi há muito tempo."

"Apenas o melhor para você, meu amor."

Ele me entregou o buquê antes de me puxar para um beijo


profundo. Ficamos por um período indeterminado no meio do
aeroporto lotado, chupando o rosto um do outro, completamente
alheio à multidão de pessoas ao nosso redor.

"Posso te dizer uma coisa?" Ele sussurrou.

"Sim?"

"Eu estou tão fodidamente nervoso."

"Por quê?"
"Porque quero que as coisas sejam absolutamente perfeitas
para você aqui, e sei que não serão."

"O que você quer dizer?"

“Quero que você se sinta confortável. Nosso apartamento é


pequeno, Teagan. Não é nada como sua casa nos EUA.”

“Por favor, não se preocupe com isso. Você sabe que isso não
importa para mim.”

“Eu sei. Só não tenho certeza de que você percebe como as


coisas serão diferentes.”

Sem saber como convencê-lo, falei mais alto. “Eu não ligo para
isso, Caleb. Eu vim aqui por você, não pelo teto sobre minha
cabeça, ou qualquer outra coisa. Não quero nada além de você.”

Ele soltou um longo suspiro antes de estender a mão para


colocar mais um beijo nos meus lábios. Eu pensei que nunca mais
estaria com ele assim. Isso parecia insondável agora.

O bairro de Caleb em Stratford era realmente fofo. Era uma


cidade mercantil com mais de oitocentos anos de história e era onde
William Shakespeare nasceu. Aparentemente, era fácil ir e vir de
Londres de onde ele morava. A desvantagem foi que não era a área
mais segura à noite. Caleb deixou claro que não confiaria em mim
andando sozinha depois do anoitecer. Eu queria dizer a ele que
suas preocupações provavelmente eram injustificadas, mas,
novamente, eu não ouvi Maura quando ela me avisou sobre o
cinema Syd e veja o que aconteceu.

O apartamento do segundo andar de Caleb e Poppy ficava


dentro de uma casa estreita de tijolos. Meu coração batia forte
quando Caleb me ajudou a carregar minhas malas pelas escadas
até o lugar deles.

Assim que a porta se abriu, a mãe de Caleb veio correndo em


nossa direção.

“Meu Deus, você voltou mais rápido do que eu pensava. Eu


queria botar um pouco de maquiagem.” Ela estendeu a mão para
mim. "Teagan, bem-vinda."

Quando nos abraçamos, eu disse: "É tão incrível finalmente


conhecê-la, senhora Yates."

"Por favor, me chame de Poppy," disse ela.

Caleb parecia um pouco nervoso enquanto ele estava com as


mãos nos bolsos, observando minha interação com sua mãe.

Alguns momentos de silêncio constrangedor se seguiram


quando a mãe dele me levou. Eu não sabia o que ela estava
pensando.
Garota americana estúpida?

Rapaz, eu acho que meu filho poderia fazer melhor?

Então, essa é a garota que queria roubar meu filho e mantê-lo


nos EUA?

Então ela finalmente disse: “Posso ver por que meu filho está
tão apaixonado por você. Você é absolutamente adorável.”

Caleb sorriu para mim. Eu não sabia o que dizer, mas o alívio
me inundou.

"O sentimento é mútuo," eu disse. "E você é adorável também."

"Eu fiz comida, se você estiver com fome," disse ela.

A única coisa que eu realmente estava com fome neste


momento era Caleb. Mas como agora estávamos em casa com a
mãe dele, eu não fazia ideia de quando poderíamos nos reunir
adequadamente. Mas eu sabia que deveria comer e não havia como
recusar a oferta dela.

"O almoço parece maravilhoso."

Eu segui Caleb e sua mãe até a pequena cozinha. Uma panela


grande de algo estava fervendo no fogão. Através de uma janela que
dava para uma escada de incêndio, eu podia ver uma linha de
roupas com vários shorts e camisas ao vento. Depois, ao lado da
pia, estava a lavadora.

“Aqui, a famosa máquina de lavar roupa na cozinha que eu


ouvi tanto falar.”
A mãe dele parecia confusa. "O que é isso?"

“Mãe, você acreditaria que nos Estados Unidos eles têm um


quarto designado para lavar roupa? É brilhante.”

Ela riu. "Espero que estar aqui não seja um despertar rude
para você, Teagan."

“Seu lugar é aconchegante e íntimo. Eu passo a maior parte do


meu tempo no quarto do porão em casa, então essa é apenas a
minha coisa.”

Caleb parecia incapaz de parar de me encarar. É claro que


notei isso porque não conseguia parar de encará-lo.

Quando sua mãe se virou para cuidar da sopa, ele murmurou:


“Eu quero você.”

Ele parecia pronto para me devorar, o que causou um rebuliço


no meu corpo.

"Eu também quero você," eu sussurrei, certa de que meu rosto


devia ter ficado cinquenta tons de vermelho com a sua mãe ali.

Ela interrompeu nosso flerte quando se aproximou da mesa


segurando duas tigelas fumegantes.

"Cheira delicioso."

"É a famosa sopa de batata e alho-poró da minha mãe."

"Mal posso esperar para experimentar."


Depois que terminamos a sopa maravilhosa, a mãe de Caleb
ferveu um pouco de chá e colocou biscoitos. Ela estava fazendo
tudo ao seu alcance para me fazer sentir confortável, o que eu
apreciei.

O assunto da conversa ficou sério durante o chá.

“Você percorreu um longo caminho, Teagan — arriscou muito.


Isso é uma prova de quanto você realmente se importa com o meu
filho.”

"Não há lugar que eu preferiria estar," eu disse a ela. “Caleb


causou uma grande impressão na minha vida em pouco tempo —
não apenas no que ele me ensinou sobre apreciar o que tenho, mas
na maneira como ele perseverou em muitas coisas difíceis, sempre
sorrindo quando sei que nem sempre é fácil para ele."

A mãe dele assentiu. “Foi um ano difícil nesta casa. Meu


marido e eu estamos separados pela primeira vez em anos, e Caleb
ir à reabilitação não era algo que vimos chegando. Tem sido muito
difícil. Mas ver o olhar dele quando descobriu que você estava vindo
para a Inglaterra – é algo que nunca esquecerei.”

Peguei a mão de Caleb debaixo da mesa. “Obrigada por


compartilhar isso. Apenas solidifica para mim que estar aqui é
certo. Tudo o que ele precisava fazer era pedir, honestamente.”

Eu não esperava me sentir tão em casa aqui, e devo ter ficado


mais relaxada do que percebi quando um enorme bocejo me tomou.

"Você deve estar cansada da viagem," observou Poppy.


"Sim, eu definitivamente estou."

Eu não tinha ideia de onde eu iria dormir. Caleb e eu não


tínhamos discutido isso. O apartamento era pequeno, então não
havia muitas opções.

Eu decidi arrancar o band-aid. "Onde eu vou dormir?"

Caleb olhou para sua mãe e de volta para mim. "Comigo."

"Não temos muito espaço," acrescentou Poppy. "E eu não nasci


ontem pra pensar que Caleb dormindo no sofá mudará tudo o que
vai acontecer quando eu não estou aqui." Ela sorriu. "Apenas tenha
cuidado e segure meu garoto à noite, se ele tiver um pesadelo."

Uau. "Eu prometo que vou."

Quando comecei a limpar, Poppy me enxotou.

“Você vai descansar. Eu tenho isso. Você terá tempo de sobra


para ajudar nos próximos seis meses.” Ela piscou.

Caleb me pegou pela mão e me levou para o quarto dele, que


felizmente estava do lado oposto da casa do quarto de sua mãe. Isso
tornaria as coisas um pouco menos estranhas.

A decoração do quarto de Caleb era simples e estava limpa.


Como em seu quarto em Boston, ele tinha equipamentos de
ginástica por aí. A janela que dava para a rua estava aberta. A cama
era grande, com um cobertor cinza em cima e um tapete cor de
vinho no chão.
Caleb sentou-se em sua cama e gesticulou para eu ir em sua
direção. Ele enterrou o rosto no meu abdômen, beijando
suavemente sobre a minha blusa antes de tirá-la de mim e voltar
com sua boca para a pele nua do meu estômago.

"Eu senti tanto a falta deste corpo." A sensação de suas


palavras vibrando contra a minha pele enviou ondas de choque
através de mim.

Olhando para a protuberância massiva em seu jeans, senti os


músculos entre minhas pernas se contorcerem em antecipação. Eu
mal podia esperar para senti-lo dentro de mim novamente.

Caleb continuou a me despir lentamente, levando seu tempo


tanto quanto eu queria que ele se apressasse.

"Precisamos ficar muito quietos," ele sussurrou.

A última coisa que eu queria era a mãe dele nos ouvir fazer
sexo. Já era ruim o suficiente ela saber muito bem o que estava
acontecendo aqui. Mas nada poderia ter me impedido de tê-lo
agora.

Quando Caleb abaixou minhas calças, ele notou minha


calcinha rendada. Ele nunca me viu em algo assim, mas eu as
comprei caso acabasse nessa mesma situação quando chegasse.

“Porra, Teagan. Você está tentando me matar aqui e agora com


essas calcinhas?”
Ele se sentou na beira da cama e soltou suas calças antes de
tirá-las, junto com sua roupa de baixo. Seu belo e duro pênis saltou
livre. Brilhava na ponta, tão pronto. Eu tinha vontade de lambê-lo,
então me ajoelhei e o peguei em minha boca.

Caleb soltou o som da fome sendo satisfeito, um gemido baixo


e sexy. "Porraaaa," ele acrescentou depois de um momento. "Você
precisa parar com isso."

Eu sabia que se continuasse, ele ia gozar, então eu o deixei ir,


porque eu realmente precisava dele dentro de mim.

Fiquei maravilhada com seu corpo perfeito, que estava ainda


mais esculpido do que antes. Eu ainda não conseguia acreditar que
ele era meu. Quando eu conheci Caleb, ele parecia tão fora do meu
alcance, a ideia de estar com ele era como um sonho.

Ele me virou e descansou seu peso sobre mim. Tínhamos feito


sexo de várias maneiras diferentes no passado, mas Caleb parecia
gostar de ser dominante, o que tornou essa a minha posição
favorita também.

Ele abriu minhas pernas e empurrou dentro de mim


lentamente até que ele estava profundamente dentro de mim, até as
bolas.

O som que eu fiz deve ter sido um pouco alto demais, porque
ele colocou a boca sobre a minha. “Shh, querida. Shhh.”

"Desculpe," eu sussurrei.
Caleb começou a se mover lentamente. Era intenso, e eu
poderia dizer que ele queria se mover mais rápido e mais forte, mas
a cama definitivamente faria muito barulho. Ter que segurar era
torturante. Com cada impulso em mim, eu o queria mais e mais,
mais duro e mais duro. Depois que comecei a moer meus quadris
de uma certa maneira, Caleb perdeu o controle.

"Merda," ele gemeu, e senti seu esperma quente derramar


dentro de mim. "Cristo. Eu te amo, Teagan. Eu te amo muito."

"Eu também te amo," eu disse quando um orgasmo rasgou


através de mim.

Foi a primeira vez que ele me disse que me amava


pessoalmente, e com isso, eu sabia que estava exatamente onde
precisava estar.
Acordar com a visão de Teagan na minha cama era
definitivamente estranho – mas de um jeito bom. Ela estava
absolutamente exausta ontem à noite, então levantei-me em
silêncio sem acordá-la para deixá-la dormir.

Minha mãe estava na cozinha, bebendo chá quando entrei.

"Bom dia, mãe." Eu cocei abaixo do meu queixo.

Ela colocou a xícara para baixo. "Como estão as coisas?" Sua


expressão continha um sorriso.

Definitivamente, era estranho como ela sabia que Teagan e eu


estávamos transando lá na noite passada. Mas suponho que quanto
antes nos acostumarmos com esse arranjo, melhor.

Ainda assim, eu não conseguia fazer contato visual. "As coisas


estão bem."

“Ela é muito gentil. Estou ansiosa para conhecê-la melhor –


sem sufocá-la. Não se preocupe. Lembro-me do que você disse
sobre ela precisar de espaço. Deus sabe que não temos muito disso.
Vou deixá-la vir até mim.”
"Obrigado," eu disse. "Eu aprecio isso."

Sentei-me, peguei um dos biscoitos de café da manhã que


minha mãe tinha assado e servi um pouco de chá do bule sobre a
mesa.

Por mais feliz que eu estivesse por Teagan estar aqui,


tínhamos muito a resolver. Eu estava pronto para me reinscrever
nas aulas neste outono, e ela precisava encontrar trabalho, ou pelo
menos algo para mantê-la ocupada enquanto ela estava aqui.

Um dos meus tios era dono de uma loja de flores e prometera


um emprego para ela. Isso estava longe de ser emocionante, mas
pelo menos seria alguma coisa. Rezei para que ela não se
ressentisse do fato de eu estar voltando para a faculdade enquanto
ela não podia agora. Ela essencialmente desligou sua vida por um
tempo para estar comigo, e eu esperava que ela não se
arrependesse disso.

Havia também algo mais me incomodando, algo que eu estava


escondendo dela. Eu não sabia quando seria o momento certo para
divulgá-lo. Agora era muito cedo. Ela nem tinha se acostumado a
estar aqui ainda. Ao mesmo tempo, não podia esperar muito tempo.

"Você está estressado?" Minha mãe perguntou. “Apenas tome


um dia de cada vez. Ela veio atrás de você, não por qualquer outro
motivo.”

"Eu ainda luto algumas vezes, mãe – sentindo que não mereço
ser feliz."
Ela assentiu. “É difícil abandonar o hábito do pensamento
destrutivo. Talvez você precise parar de se preocupar se merece algo
e apenas aceitar isso como um presente.”

"E se eu escorregar de novo?"

"Você quer dizer começar a beber?"

“Qualquer coisa... afastá-la, começar a beber novamente,


apenas atrapalhar de alguma forma as coisas. Ela veio até aqui.
Não quero estragar tudo.”

"Você percebe que as perguntas que começam com e se são


fúteis, não é?"

Eu soltei um suspiro. "Sim."

Minha mãe estava tão solidária. Eu sabia que não era fácil
para ela viver longe do meu pai depois de todos esses anos, e me
perguntei se seria apenas uma questão de tempo até que ele
voltasse para casa novamente. Definitivamente, isso não era algo
que eu queria enquanto Teagan morava conosco.

"Você acha que você e meu pai vão resolver as coisas?"

Minha mãe desviou o olhar. “Nos últimos meses, aprendi que é


possível amar alguém e não ser capaz de tê-lo em sua vida. As
coisas ficaram tóxicas por tanto tempo, e eu simplesmente aceitei
isso. No fundo, seu pai tem um bom coração, mas ele não sabe
como lidar com seu próprio filho. E, para ser franca, você é mais
importante para mim do que ele.” Ela suspirou. “Há muitas outras
coisas que tornaram impossível viver com ele também – como a
maneira como ele me tratou. Então, agora, acho melhor se as coisas
continuarem do jeito que estão.”

A felicidade de minha mãe importava para mim mais do que a


minha, mais do que tudo. Se ela estava mais feliz com meu pai não
morando aqui, eu precisava aceitar isso – e talvez ser grato por isso.

"É uma nova era para nós, Caleb." Minha mãe agarrou minha
mão do outro lado da mesa. “Você sabe que está tudo bem se você
não é perfeito, certo? Mesmo que você lide com as coisas erradas de
vez em quando, contanto que trate as pessoas que ama com
respeito, na maioria das vezes elas não vão embora se o amam de
volta. Seu pai parou de me respeitar. E foi por isso que tive que
deixá-lo.”

Eu assenti. "Entendido."

Deixou-me orgulhoso que minha mãe tivesse coragem de


enfrentá-lo.

Depois de tomar meu chá, voltei ao meu quarto para ver se


Teagan ainda estava dormindo. Para minha surpresa, ela estava
parada no meio do corredor, enrolada em uma toalha depois de
aparentemente ter saído do chuveiro. Gotas de água escorriam por
seus braços e seus cabelos estavam úmidos. Eu queria arrancar a
toalha dela, mas isso não teria sido sábio.

Ela estava de pé na frente de uma foto de Emma e eu tirada


quando éramos crianças. Minha mãe tirou a maioria das fotos de
Emma ao longo dos anos para não me chatear. Mas, como parte da
minha terapia mais recente, fomos aconselhados a colocar um
pouco de volta.

Teagan manteve a toalha fechada sobre os seios enquanto


continuava olhando a foto. "Eu nunca tinha a visto antes."

Coloquei minhas mãos em seus ombros enquanto estava atrás


dela.

Exalando um longo suspiro, eu disse: "Essa é minha linda


irmã, Emma Louise."

Ela estendeu a mão para tocar minha mão.

Minha mãe veio pelo corredor para chegar ao quarto e nos viu
ali.

"Você encontrou minha Emma," disse mamãe. "Ela é o nosso


anjinho, sempre nos guiando."

Teagan virou-se para minha mãe. "Ela era tão bonita."

Engoli em seco, sentindo a dor subir pela minha garganta para


me sufocar. Eu tentei o meu melhor para me manter forte.

“Caleb normalmente se recusa a olhar para qualquer foto dela.


Acho que você estar aqui está lhe dando força, Teagan.”

Minha mãe me deu um tapinha nas costas antes de continuar


em direção ao seu quarto.
Segurando a mão de Teagan, eu a conduzi para o nosso
quarto. Nosso quarto. Isso ainda parecia estranho.

Fechando a porta, pedi que ela se deitasse ao meu lado. Ainda


enrolada na toalha, ela se enrolou nos meus braços.

“Durante anos, não conseguimos ter as fotos de Emma pela


casa. Era demais para mim. Mas recentemente as colocamos de
volta, e eu tenho lidado com isso, mas, na verdade, não olhei para o
rosto dela, até agora.” Eu beijei o topo da cabeça dela. “Minha mãe
está certa. Tê-la aqui é tão bom para mim. É o mais feliz que já
estive há muito tempo.”

Ela descansou a cabeça no meu peito. “Parece tão surreal


estar na Inglaterra com você. Eu sempre tive essa ideia na minha
cabeça sobre como era aqui, a dinâmica entre você e sua mãe. Eu
sei que as coisas são muito diferentes agora que seu pai está fora,
mas há uma serenidade que eu não esperava. Também há muito
amor aqui – e muita dor que persiste. Eu posso sentir tudo, tudo o
que está dentro dessas paredes. Estou tão feliz por estar aqui, por
ter a oportunidade de experimentar uma nova vida, novas
aventuras. Mas, sério, não importa onde eu esteja, contanto que eu
possa estar com você.”

Essa garota – essa linda mulher – respirava vida dentro de


mim a cada segundo que estávamos juntos. Eu precisava encontrar
uma maneira de ficarmos juntos por mais do que apenas nos
próximos seis meses. Eu precisava dela para sempre.
Uma semana após a chegada de Teagan, a informação que eu
estava escondendo dela se tornou difícil de conter.

Nos meses que antecederam a mudança de Teagan, gastamos


muito tempo no telefone. Ela me disse que decidiu procurar no
Google sua mãe biológica, Ariadne. Ela explicou como isso a levou a
perceber o quão importante Maura era em sua vida. Adorei ouvir
que ela finalmente dera à Maura o crédito que merecia.

Ela também me disse que, de acordo com os endereços


listados, Ariadne viveu por um tempo aqui no Reino Unido. Isso não
foi uma surpresa, pois Teagan sempre descreveu sua mãe biológica
como uma andarilha e viajante do mundo. Lembrei-me dela me
dizendo que Ariadne havia convencido Lorne a deixar o emprego por
um tempo e viajar com ela todos esses anos atrás.

Eu não tinha pensado muito na conexão Ariadne-Reino Unido


até uma noite em que visitei meu tio. Frederick é um policial, e eu
sabia que ele tinha acesso a determinadas informações além do que
uma pesquisa geral no Google proporcionaria. Entre risadinhas e
conversa fiada, eu lhe dei o nome Ariadne Mellencamp e perguntei o
que ele poderia descobrir sobre o tempo dela aqui na Inglaterra.

Uma lista em Brighton apareceu. Isso foi um pouco menos de


três horas daqui. Mais notável foi a informação que veio junto: os
nomes de outras pessoas naquela residência. Eles estavam
conectados à Teagan também? Eu imediatamente me arrependi de
procurar essas informações, porque agora tinha que compartilhá-
las com Teagan.
Uma semana depois do meu novo emprego na loja de flores do
tio de Caleb, eu senti como se estivesse me adaptando. Demorei um
pouco para descobrir a diferença entre gerânios, cravos e outras
flores, mas depois que eu estabeleci um sistema de rotulagem,
comecei a pegar o jeito nisso. Trabalhando sob a tutela da tia
Noreen de Caleb, levei meu tempo para fazer os vários arranjos. Era
um trabalho pacífico, em geral; não muito apressado e perfeito para
alguém ainda aprendendo as coisas.

A loja não estava muito longe de onde morávamos. Minha


parte favorita do dia era quando Caleb aparecia para me
acompanhar até em casa depois que as aulas de verão terminavam.
Eu definitivamente estava com inveja, mas decidi me concentrar em
outros tipos de aprendizado durante esse período. Caleb e o mundo
ao nosso redor tinham muito a me ensinar, eu sabia.

A campainha tocou quando ele entrou na loja. Noreen me


deixou sozinha pela última meia hora do meu turno.

"Olá, baby." Corri de trás do balcão para envolver meus braços


em volta do pescoço de Caleb. "Como foi o seu dia?"
"Bom." Seu sorriso parecia forçado e um pouco... Fora.

Meu coração bateu forte. "Está tudo bem?"

“Sim. Mas há algo sobre o qual quero falar com você. Mamãe
está trabalhando até tarde, para que possamos ficar sozinhos um
pouco. Vamos para casa, está bem?”

Uma onda de adrenalina me atingiu. "É algo ruim?"

“Não. Por favor, não se preocupe. É apenas algo que preciso


falar com você.”

A caminhada para casa foi estranha, para dizer o mínimo.


Caleb olhou para a calçada o tempo todo, e eu me senti enjoada. As
coisas estavam indo tão bem aqui. Eu deveria saber que o pior ia
chegar.

Uma vez dentro do apartamento, Caleb sentou-se no sofá e eu


me plantei ao lado dele. Suas pernas saltaram para cima e para
baixo.

"O quê?" Eu insisti, incapaz de aguentar mais.

"Eu fiz uma coisa estúpida."

Meus nervos fizeram minha garganta secar. "Certo... O quê?"

"Minha curiosidade tomou conta de mim e investiguei algo que


não tinha o direito de fazer." Depois de uma longa pausa, ele
continuou. “Quando você me disse que sua mãe biológica morara
aqui uma vez, pedi ao meu tio, que é policial, que investigasse
melhor. Ele encontrou o endereço onde ela morava e algumas
outras informações.”

Eu senti meus olhos se arregalarem.

“Eu sei... foi estúpido da minha parte. Eu nunca pensei que


algo resultaria disso.”

Eu respirei fundo. “Resultaria disso? O que você achou?”

“Um homem chamado Stuart Erickson e uma garota chamada


Emma Erickson foram listadas no mesmo endereço que Ariadne.
Claro, isso naturalmente me deu calafrios porque Emma era o
nome da minha irmã. Stuart foi listado como quarenta e quatro
anos e Emma como dez.”

O choque me consumiu quando eu não disse nada.

“Não precisamos fazer nada com essa informação, Teagan.


Pesquisar o nome dela foi estúpido. E agora descobri algo que não
precisa significar nada, se você não quiser.”

O que eu deveria dizer? Eu respirei outra vez. "Eu concordo


que era desnecessário você procurar o nome dela."

“Claro. Eu sei. Foi apenas uma curiosidade idiota. Eu nunca


quis te machucar. Por favor, diga-me que não me odeia por isso.”

Claro que eu não poderia odiá-lo por isso. Ele procurou


impulsivamente o nome dela e encontrou informações inesperadas
que não deveriam ser prejudiciais. Mas agora que eu sabia disso,
não era algo que eu pudesse apagar, nem sabia como lidar com
isso.

Eu exalei. “Eu não te odeio. Estou apenas um pouco


perplexa... E sem saber o que fazer com isso.”

"Não precisamos fazer nada com isso." Ele examinou meu


rosto. “Ou, se você quiser, eu posso pegar o carro da mamãe
quando ela chegar em casa, e podemos dar uma volta lá, dar uma
olhada. Brighton fica a apenas algumas horas daqui.”

Agora minha curiosidade começou a se agitar também. Quem


eram Stuart e Emma? Ariadne ainda estava morando na Inglaterra?
Com base no número de endereços que eu encontrei listados para
ela ao longo dos anos, meu instinto dizia que ela se foi há muito
tempo. Mas eu era tão impulsiva, quanto Caleb.

Quando chegamos ao endereço em Brighton e batemos à


porta, ninguém estava em casa. Era uma pequena casa de pedra e
impossível de ver por dentro, porque as persianas estavam
abaixadas.
"Parece que não tem ninguém aqui," disse Caleb. “Vamos
embora. Não era para ser.” Eu poderia dizer que ele se sentia
culpado por me arrastar para isso.

Assim que voltamos para dentro do nosso carro, luzes se


aproximaram à distância.

Nós congelamos, esperando para ver o que aconteceria.

Meu pulso disparou quando vi um homem e uma garota


saírem do carro que havia estacionado na calçada bem na nossa
frente. Ao ver seu rosto, percebi que ela não apenas se parecia com
Ariadne, mas também comigo.

Eu soube imediatamente.

Eu me virei para Caleb. "Ela é minha irmã."

Eram quase 20 horas e Caleb e eu ainda estávamos


estacionados do lado de fora da casa, sem saber o que fazer.

"Olhe para mim," ele finalmente disse. “Precisamos tomar uma


decisão. Você não precisa entrar. Mas se você fizer, eu estarei bem
aqui ao seu lado. Esta é sua escolha. Você não precisa fazer nada
que não queira.”
“Eu tenho certeza que se eu me virar e sair agora, isso vai me
assombrar. Eu tenho que confirmar.”

“Então você tem sua resposta. Nós devemos entrar.”

Soltando um suspiro trêmulo, abri a porta do lado do


passageiro. Caleb seguiu e subimos o pequeno lance de escada até
a porta da frente. Com a mão trêmula, toquei a campainha.

O homem abriu. "Posso ajudar?" Ele tinha cabelos castanhos


grisalhos nas laterais.

"Oi... Uh... Eu estou procurando por Ariadne Mellencamp."

Sua expressão mudou e seus olhos se estreitaram lentamente.


"Quem é você?"

“Meu nome é Teagan Carroll. Estou visitando dos Estados


Unidos. Ariadne é minha mãe biológica, embora nunca a tenha
conhecido. Entendo que ela possa morar neste endereço?”

Eu sabia que ela não estava aqui. Se ela estivesse, eu


provavelmente não teria chegado à porta. Esta visita não foi sobre
Ariadne. Era sobre a garotinha.

Levou alguns segundos para responder. "Quantos anos você


tem?"

"Vinte."

Caleb pegou minha mão e a apertou.

O homem saiu do caminho para nos deixar passar. "Entre."


O cheiro de algo torrando foi registrado. Normalmente, isso
teria me deixado com fome, mas eu estava muito nervosa.

A garota apareceu atrás dele. "Quem é você?"

Seus olhos verdes eram os mesmos que os meus. Seu cabelo


castanho claro e grosso – também o mesmo que o meu – estava
preso em um rabo de cavalo lateral.

“Meu nome é Teagan. Prazer em conhecê-la.”

"Esse é um bonito nome."

"Qual o seu nome?" Eu perguntei.

"Emma".

Engoli. "Olá Emma."

O pai dela virou-se para ela. "Emma, você pode ir para o seu
quarto por um momento?"

Ela protestou. "Por quê?"

"Eu preciso discutir algo com nossos convidados."

"Mas..."

“Emma, faça o que eu pedi. Por favor.”

Depois que ela relutantemente desapareceu em seu quarto,


Stuart nos levou até o sofá na sala de estar. Caleb se sentou ao
meu lado e segurou minha mão enquanto o homem se sentava à
nossa frente.
"Você está procurando por Ariadne?" Ele perguntou.

"Não realmente," eu disse a ele. “Acidentalmente, tropecei


neste endereço como uma de suas residências anteriores. Quando
vi que havia uma criança morando aqui, fiquei curiosa e vim vê-la.
Não tenho nenhum interesse em encontrar Ariadne.”

Ele assentiu. “Ariadne não mora aqui há muito tempo. Não a


vemos há anos.”

Essa história parecia familiar. Um sentimento de pavor


cresceu no meu peito. Quando ele parecia hesitar em continuar, eu
decidi contar a ele a minha história.

“Meu pai era professor universitário de Ariadne há duas


décadas. Ele se apaixonou por ela. Ela o convenceu a viajar pelo
mundo com ela, pagando por tudo. Ela ficou grávida de mim e
queria terminar, mas meu pai a convenceu a ficar tempo suficiente
para ter o bebê. Ela saiu logo depois que eu nasci e nunca a
conheci. Não que eu me importe.”

Stuart olhou para mim por um momento. "Você se parece com


ela."

"Eu sei. Eu também pareço como a Emma. Ela é... "

“Sim. Ariadne é a mãe dela.”

Meu coração inchou no meu peito. Emma era minha irmã.


Minha irmã. Eu tinha outra irmã e não fazia ideia o tempo todo.

Eu me preparei. "O que aconteceu?"


Ele balançou a cabeça e riu um pouco. “Bem, como seu pai,
fui atraído por seu charme, seu mistério, sua beleza. Ariadne estava
viajando sozinha quando a conheci em um banco do parque.
Naquela noite, eu a levei para casa comigo e moramos juntos por
dois anos. Abrimos um café que vendia chá orgânico, café e lanches
no caminho. Ficamos felizes até ela engravidar. Ela admitiu naquele
momento que não estava pronta para se acalmar. E, como seu pai,
aparentemente, eu fiz tudo ao meu alcance para convencê-la a ficar
com o bebê, a ficar e criá-lo comigo.”

Sentindo uma mistura de nojo e tristeza, eu disse: “Eu sei


para onde esta história vai.”

“Você sabe. Porque você a viveu, minha querida.”

"Ela saiu depois que Emma nasceu?"

“Logo depois, sim. Acordei uma manhã para encontrar uma


nota dela. Ela pediu desculpas por ter que sair, dizendo que Emma
seria melhor sem ela em nossas vidas.”

"Foi a última vez que a viu?"

Ele assentiu. “Eu não me incomodei em persegui-la. Ela sabia


onde nos encontrar se mudasse de ideia, mas nunca mais voltou.”

O horror correu através de mim quando pensei em outra


garotinha experimentando o mesmo abandono que eu, nas mãos da
mesma pessoa.

"O que Emma sabe sobre sua mãe?" Caleb perguntou.


"Eu nunca tive coragem de dizer a ela que sua mãe escolheu
sair."

“Meu pai se sentiu da mesma maneira por um longo tempo.


Nunca quis me machucar,” falei. "Como você explicou isso a ela?"

“Eu disse a ela que Ariadne estava doente e teve que sair para
melhorar. Tecnicamente, essa é a verdade. Eu acredito que a
mulher é doente mental de alguma forma.”

"Você vai contar a história toda, um dia?" Eu perguntei.

Ele parecia em conflito. “Sim. Acho que sim. Eu só estava


esperando a hora certa. Mas nunca parece certo colocar isso sobre
ela.”

"Compreendo. Meu pai escolheu me contar a verdade quando


eu era um pouco mais velha que Emma. Eu definitivamente
apreciei sua honestidade, e isso ajudou a explicar muito. Tive a
sorte de ter uma madrasta realmente solidária.”

“Essa é a única coisa que definitivamente estamos perdendo


aqui. Já tive mulheres indo e vindo, mas ninguém disposto a
assumir a responsabilidade de cuidar da minha filha.” Ele suspirou.
“A partida de Ariadne também nos deixou em ruínas financeiras.
Sem ela por perto para ajudar com o café, ele inevitavelmente
fechou. Eu tive que encontrar outro trabalho e uma creche para
Emma. Foram dez anos difíceis, mas não me arrependo de um
segundo. Minha filha é a melhor coisa que já aconteceu comigo.”

Eu não pude deixar de sorrir com isso. "Você parece meu pai."
“Ele e eu certamente temos mais em comum do que sabemos.
E devo dizer que não te conheço muito bem, mas está claro que ele
e sua madrasta fizeram um trabalho maravilhoso.”

"Obrigada." Eu sorrio com orgulho.

Ele se virou para Caleb. "Eu sinto muito. Nós estamos


ignorando você.”

"Não precisa se desculpar. Estou feliz por termos tido a


oportunidade de conhecê-lo. Minha garota viveu muito tempo
sentindo que estava sozinha em sua situação. Acredito que
estávamos destinados a encontrar vocês. É engraçado como as
coisas funcionam às vezes.” Caleb virou-se para olhar para mim.
“Eu pensei que a vinda de Teagan para o Reino Unido fosse apenas
para me beneficiar, mas agora vejo que é maior que isso. O destino
tinha outros planos.”

Stuart esfregou a mão no rosto. “Eu adoraria que você


conhecesse Emma, mas não tenho certeza do que quero dizer sobre
quem você é ainda. Talvez pudéssemos ir levando isso por um
tempo até eu descobrir. Eu gostaria de contar a verdade sobre a
mãe dela antes de explicarmos sua relação com ela, se estiver tudo
bem.”

Eu sorri, esperando que ele soubesse que não havia


ressentimentos sobre essa decisão. “Claro. Não há pressa. Contanto
que ela possa descobrir a verdade em algum momento, eu estou
bem com isso.”
"Há quanto tempo você está aqui na Inglaterra?"

Essa pergunta me deu ansiedade. Mas eu respondi com o que


sabia.

“Estou aqui há algumas semanas. Meu plano é ficar nos seis


meses que me são permitidos e depois descobrir a partir daí. Eu
vim para ficar com Caleb. Ainda tenho mais um ano de faculdade
para terminar, mas estar com ele por enquanto é mais importante.”

"O amor jovem é definitivamente poderoso." Ele sorriu.

"Talvez possamos vir aqui nos fins de semana – ou em todos os


outros – se você permitir," sugeriu Caleb. "Poderíamos pegar Emma
para tomar sorvete, ou nós quatro podíamos sair de vez em
quando."

Uma voz veio atrás de nós. "Posso sair agora?"

Stuart olhou para ela. "Com certeza meu amor."

Ela apontou para Caleb. "Eu sei que ela é Teagan, mas qual é
o seu nome?"

“Caleb. Prazer em conhecê-la, querida.”

"Quem são vocês?"

Caleb riu. "Somos novos amigos do seu pai."

"Teagan pode ser alguém que possa cuidar de você quando eu


tiver negócios para cuidar de tempos em tempos," acrescentou
Stuart. "Como você se sentiria sobre isso?"
Os olhos dela se arregalaram. "Como uma nova babá?"

"Sim. Ocasionalmente."

Em vez de responder, Emma se aproximou e passou as mãos


em volta das minhas bochechas. "Você é tão bonita."

Eu pensei que poderia quebrar. Ela não tinha ideia de quem


eu era, mas com base em como ela estava olhando para mim, talvez
houvesse algum tipo de conexão inata. Era como se olhar no
espelho – não apenas por causa de nossa aparência, mas por causa
de nossas experiências compartilhadas.

Eu finalmente encontrei as palavras. "Você é muito bonita


também."

Naquele momento, eu sabia que recebera outro objetivo na


vida: garantir que Emma se sentisse menos sozinha – amada – para
entender que ela não era culpada por sua mãe partir.

Crescendo, eu sempre desejei uma irmã mais velha. Deus sabe


que eu fiz um trabalho de merda com a irmãzinha que tive por
tantos anos. Mas eu mudei. Aqui estava minha chance de ser a
irmã mais velha que eu sempre quis. Eu nunca tomaria a família
como garantida novamente – nenhum deles.
Eram nove da manhã quando o telefone tocou. Caleb e eu
tivemos o dia de folga das aulas e do trabalho, então dormimos.
Surpreendida pelo toque, eu o peguei.

"Olá?"

“Olá... Teagan? É o Stuart.”

O pai de Emma não tinha me contatado desde a nossa visita


há mais de uma semana. Minha família ficou pasma quando contei
a eles sobre Emma. Meu pai ficou particularmente emocionado com
a história se repetindo, com Ariadne abandonando outra filha. Mas,
no geral, eles pareciam felizes por eu ter encontrado minha irmã há
muito perdida. Eu ainda não tinha certeza se celebraria a
descoberta, pois Stuart não deixara claro quando planejava contar
a verdade a Emma. Pelo que eu sabia, isso poderia levar anos.

Sentei-me contra a cabeceira da cama. “Oh, olá. Como estão


as coisas?"

“Bom. Bem. Eu queria que você soubesse que falei com


Emma.”
“Falou com ela? Você quer dizer sobre Ariadne?”

“Sim. Tomei cuidado para não contar que sua mãe a


abandonara por si só, mas expliquei que havia descoberto
recentemente que sua mãe teve uma filha há vinte anos. Então ela
sabe que tem uma irmã.”

Peguei os lençóis. "Qual foi a reação dela?"

“Ela chorou, na verdade. Ela disse que nunca sonhou que


teria uma irmã.”

Fechei os olhos. Então os abriu. “Espere, você disse a ela que


era eu? A garota que ela conheceu semana passada?”

"Sim! Eu disse a ela que era você. Ela sabe, Teagan. Essa
percepção a deixou ainda mais feliz.”

Calor tomou conta de mim. "Estou tão feliz que ela se sentiu
assim."

"Quando você pode vir aqui de novo?"

"Quando você me quiser," respondi.

"Este fim de semana?"

Caleb começou a se mexer ao meu lado.

"Espere um segundo." Eu sussurrei, "Caleb... Alguma razão


para não podermos ir a Brighton neste fim de semana?"

Ele piscou os olhos abertos. "Não há uma razão que eu possa


pensar."
Voltei para o telefone. "Nós podemos ir!"

“Brilhante então. Te vejo em breve.”

Emma estava sentada na cama lendo um livro quando Caleb e


eu nos aproximamos do quarto dela no fim de semana seguinte.

Bati na porta. "Ei, Emma."

Ela largou o livro e olhou para cima. "Você é realmente minha


irmã?"

Assentindo, sentei-me na beira da cama dela. "Eu sou."

Caleb sorriu e sentou-se no chão no canto do quarto para nos


dar algum espaço.

"Por que você não me contou antes?" Emma perguntou.

“Porque pensamos que seria melhor você me conhecer


primeiro e depois conversar com seu pai. Espero que esteja tudo
bem.”

Ela encolheu os ombros. "Tudo bem." Então um sorriso


iluminou seu rosto, e tudo parecia certo no mundo. Essa garota era
essencialmente eu, uma década atrás. Mas ela não tinha uma
figura materna como eu. Isso me agradeceu mais uma vez por
Maura.

Pegando algum fiapo na colcha, perguntei: "Você tem alguma


pergunta para mim?"

"Caleb é seu namorado?"

Eu olhei para ele e ri.

“Sim, ele é. É por isso que estou aqui na Inglaterra. Eu estou


visitando-o.”

A expressão dela diminuiu. "Você está saindo?"

"Talvez eu precise por um tempo, mas voltarei."

Algo sobre o olhar em seu rosto me disse que ela tinha pouca
confiança nisso. Afinal, como eu, essa era uma garota treinada por
Ariadne para esperar o abandono.

"Como sei que você voltará?" Ela perguntou. "Minha mãe saiu
e nunca mais voltou."

Apertei a mão dela, sem saber o que dizer.

Quando Caleb percebeu minha luta para responder, ele entrou


na conversa. “Teagan é uma mulher de palavra, Emma. Ela me
disse que viria me visitar, e ela o fez. Ela nunca diria nada que não
quis dizer. Ela não é sua mãe. Ela é sua irmã. E ela entende mais
do que ninguém neste mundo como é não ter sua mãe por perto.
Você pode confiar nela, ok?”
Ela sorriu para ele e depois para mim. "OK."

Eu a trouxe para um abraço. "Venha aqui."

Ao longo dos anos, eu nunca fui uma pessoa de abraços. Eu


podia contar com meus dedos o número de vezes que iniciei esse
contato com minha família. Mas quando se tratava dessa menina,
parecia certo.

"Não acredito que tenho uma irmã mais velha." Quando a


soltei, ela perguntou: "Você tem outras irmãs e irmãos?"

"Eu tenho uma irmã. Ela é filha do meu pai e da minha


madrasta. Ela é muito legal e vai querer reivindicar você como sua.
Eu acho que você vai se tornar a nova favorita dela.”

"Qual é o nome dela?"

"Shelley."

Sua próxima pergunta me pegou de surpresa. "Você sabe por


que nossa mãe foi embora?"

Eu balancei minha cabeça tristemente. "Não, querida, eu não."

"Papai diz que ela está doente, mas eu não sei se ele está
apenas dizendo isso."

“Existem todos os tipos de doenças, Emma. Eu sinto que


nossa mãe está doente na cabeça. E foi por isso que ela foi embora.
Ao longo dos anos, aprendi a não levar para o lado pessoal. Mas é
difícil. Eu sei. Eu sei exatamente o que você está passando.”
Caleb se levantou e caminhou até a cama. Ele se sentou ao
meu lado. “Emma, quando conheci sua irmã, ela estava lutando
com os mesmos pensamentos e sentimentos que você. Vocês duas
têm muita sorte de ter uma a outra agora. Porque uma experiência
compartilhada é sempre mais fácil do que passar por ela sozinha.
Não importa onde esteja Teagan, você nunca mais precisará se
sentir sozinha.”

Emma sorriu timidamente. "Estou tão feliz que ela me


encontrou."

"Na verdade..." eu corrigi. "Caleb encontrou você."

Os olhos dela se arregalaram quando ela se virou para ele.


"Você fez?"

"Sim." Ele olhou para mim e sorriu.

"Como?"

“A Internet mágica, querida. Estou tão feliz que deu certo.”

"Obrigada, Caleb, por me encontrar."

Ele parecia um pouco engasgado. "Claro."

Eu peguei a mão dele. “Você tem muita sorte de ter um bom


pai também, Emma. Assim como eu fiz. Nós duas temos sorte.”

"Qual é o nome do seu pai?" Ela perguntou.

"Lorne."
“Esse é um nome engraçado. Teagan também é um pouco,
embora eu goste.”

"Bem, Emma é um nome bonito."

Eu olhei para Caleb.

"O nome da minha irmã era Emma," ele disse a ela. "Ela
morreu quando éramos pequenos."

"Realmente? Isso é tão triste."

"Sim. Eu sinto muito a falta dela." Ele respirou fundo e disse:


"Você e sua irmã têm muita sorte de ter uma a outra."

"Eu posso ser sua nova irmã Emma, se você quiser."

Meu coração derreteu, e Caleb sorriu de orelha a orelha. "Eu


adoraria isso." Ele olhou para mim. “Nós três podemos ser como
uma família. Seu pai incluído, é claro.”

“Você não é como uma família. Você é minha família,” ela


disse, estendendo a mão para mim.

Eu a segurei por um longo tempo. “Sabe o que mais, Emma?


Algum dia você encontrará alguém, como eu fiz com Caleb, e o fato
de nossa mãe não estar por perto significa menos ainda. Porque
essa pessoa vai te amar o suficiente para compensar tudo.
Enquanto isso, você terá a nós para compensar isso para você, ok?
Não mais passar por isso sozinha. Somos uma equipe agora.”

"Você gosta de s'mores?" Caleb perguntou.


Emma torceu o nariz. "O que são s'mores?"

"Ah, eu esqueci... você é inglesa como eu," ele disse com uma
risada.

"S'mores são um deleite incrível," expliquei. "As pessoas


acendem um fogo lá fora e as fazem."

Caleb nunca perdeu uma oportunidade. “Por que não vou à


loja e compro as coisas para fazê-los agora? Vou verificar primeiro
com seu pai para ver se ele nos permitirá acender uma fogueira.”

E então, naquela noite, apresentamos minha irmãzinha aos


s'mores. Foi o começo do que eu sabia que se tornaria uma tradição
familiar, e o começo de um futuro inteiramente novo que eu nunca
poderia ter previsto.
Eu estava chegando no meio do caminho da minha estadia na
Inglaterra. Agora que o verão acabou, a realidade que meus dias
aqui estavam contados começou a aparecer. O início do semestre de
outono significava que o horário das aulas de Caleb era mais
pesado, então ele estava menos por perto. Isso só me deu mais
tempo para me preocupar com o futuro.

Caleb teve que ficar no Reino Unido para terminar a faculdade,


mas eu tinha algumas opções a fazer. Eu poderia voltar para os
EUA e terminar meu último ano de faculdade lá, ou poderia
descobrir uma maneira de voltar aqui mais cedo. De qualquer
forma, parecia haver um consenso de que eu voltaria aos Estados
Unidos, pelo menos por um tempo, após o término desta viagem.
Infelizmente, apesar de sentir falta dos meus pais e Shelley, isso
não era o que eu queria.

Eu adorava passar um tempo com Emma, e até o trabalho na


loja de flores estava começando a crescer em mim. Organizar
buquês teve um efeito meditativo que eu não esperava. Eu sentiria
falta disso.
Mas, acima de tudo, eu estava profundamente apaixonada por
Caleb e não podia imaginar ter que me separar dele. Eu me sentia
em casa aqui com ele e Poppy. Sua mãe se tornou uma das minhas
pessoas favoritas. Caleb frequentemente precisava estudar, então
sua mãe e eu nos sentávamos na cozinha e conversávamos ou nos
aventurávamos a fazer compras juntos. Ela me ensinou a cozinhar
algumas coisas que Caleb amava. Por mais que eu odiasse ficar
longe da minha própria família, Caleb e Poppy se tornaram minha
família também. O pensamento de deixá-los – e especialmente
agora, Emma – deixou-me em pânico.

Mas Caleb e eu estávamos lidando com o desconhecido da


minha partida iminente, muito como lidamos com as coisas por um
tempo antes de ele deixar os EUA. Estávamos fazendo muito sexo e
não conversando sobre nada perturbador, como se o inevitável não
estivesse se aproximando. Enquanto isso nos ajudou a aproveitar
cada momento, não nos preparou para o desgosto de outra
separação.

Um dia, Caleb me surpreendeu com uma viagem a


Nottingham, um lugar que ele sempre disse que queria me mostrar
antes de eu sair.

Passamos o dia andando pelo castelo de Nottingham e pela


grande catedral. Também visitamos a Cidade das Cavernas, um tipo
de submundo histórico sob a cidade.
Então Caleb parou na frente do Bo Cheng's, o restaurante que
ele me ligou no último Natal, aquele que o sinalizou para finalmente
me alcançar de novo.

"Eu esqueci completamente deste lugar," eu disse quando


saímos do carro para um almoço tardio.

"Nós não poderíamos ir a Nottingham sem comer no Bo


Cheng's, amor."

Caleb e eu entramos e saboreamos a comida chinesa mais


deliciosamente decadente que comi há muito tempo.

Quando estávamos pagando a conta, ele anunciou: "Tenho


uma surpresa para você.”

Eu me animei. "O quê?"

Ele estendeu a mão sobre a mesa para minhas mãos. "Nós não
vamos para casa hoje à noite."

"Não vamos?"

“Reservei uma noite em uma casa de campo local. Eu tenho


um bom negócio.”

"Oh meu Deus. Realmente?" Ficaríamos sozinhos à noite pela


primeira vez desde a minha chegada. "Nós podemos gritar tão alto
quanto queremos!"

Ele torceu as sobrancelhas. "Muito certo."


Chegamos à cabana, vinte minutos depois. Era apenas uma
curta distância do centro da cidade e superou totalmente minhas
expectativas. A pequena estrutura vitoriana tinha um charme do
velho mundo por fora e apresentava um encantador pátio nos
fundos, mas era mais moderno por dentro. A sala era iluminada e
convidativa, com paredes amarelas e móveis aconchegantes.

Caleb não perdeu tempo e acendeu a lareira, a casa logo ficou


quente e íntima. Parecia um sonho ficar neste oásis com ele
durante a noite. Além de nossa noite no hotel em Boston, nunca
estávamos totalmente sozinhos.

Nós nos plantamos no chão em frente às chamas.

Descansando minha cabeça no peito de Caleb, deixei escapar


os pensamentos que estavam em minha mente o dia todo. "Estou
com tanto medo de deixar você."

Eu me virei para avaliar sua reação.

Ele parecia realmente... tenso, como se algo estivesse em sua


mente.

Levou quase um minuto inteiro para ele responder. "Eu... Acho


que devemos nos casar."

"O quê?"

“Acho que devemos nos casar em breve. Em seguida, podemos


começar a papelada para mudar seu status para um visto conjugal.
É a única maneira de garantir que será fácil para nós.” Ele passou
as pernas em volta de mim enquanto olhava nos meus olhos. “Mas
aqui está a questão: eu gostaria de me casar com você, mesmo que
a distância não estivesse nos separando. Porque não há mais
ninguém com quem eu prefira passar minha vida. Você é tudo para
mim. Não quero te perder por causa de regras e regulamentos
estúpidos. A vida é muito curta. Fique comigo. Case comigo,
Teagan.”

Meu coração bateu tão forte. Ele não tinha ideia de que eu
tinha rezado para que ele chegasse a essa conclusão. Na minha
cabeça, parecia uma possibilidade extrema. Mas no meu coração,
eu sabia que era a única maneira de termos uma chance de ficar
juntos sem complicações. Eu apenas nunca pensei que ele iria fazer
isso tão cedo. Mas não havia parte de mim que não se sentisse
pronta para se comprometer com ele.

"Eu vou me casar com você."

Ele sorriu. "Sim?"

"Eu posso dizer que você estava nervoso em me perguntar,


mas eu estava esperando que você perguntasse."

Ele enfiou a mão no bolso de trás e pegou uma caixa de anel.


Sua proposta parecia tão impulsiva, mas aparentemente ele
planejara isso.

“Eu tinha medo de tirar isso. Eu senti que precisava sentir


você primeiro, para confirmar que você não achou minha sugestão
muito louca. Mas agora que sei que estamos na mesma página, sou
eu que vou descer em um joelho.”

Tecnicamente, desde que estávamos deitados no chão, ele se


levantou sobre um joelho. Sentei-me e coloquei minha mão sobre
meu coração.

“Teagan, você tornou minha vida mais brilhante desde o


momento em que você gritou comigo pelo seu teclado. E só foi
melhor a partir daí. Você é a melhor amiga e amante que alguém
poderia pedir.” Ele abriu a caixa e olhou para o diamante redondo e
brilhante colocado sobre o anel de ouro. “Esse anel era da minha
avó. Ela deu à minha mãe alguns anos atrás e pediu que ela me
desse apenas quando mamãe tivesse certeza de que eu encontrara a
escolhida. Minha mãe não hesitou em entregar isso quando
percebeu o quanto eu estava preocupada por você deixar a
Inglaterra. Ela me ajudou a chegar à conclusão de que eu deveria
correr o risco de pedir que você se casasse comigo, que o pior que
poderia acontecer era você dizer não.” Ele olhou para mim. "Teagan,
meu amor, mais uma vez, você será minha esposa?"

"Sim!"

Caímos em um longo beijo, rolando no tapete em êxtase.

"Quando isso vai acontecer?" Eu perguntei.

“Quanto antes melhor. Podemos marcar uma consulta no


Cartório amanhã para ver o que precisamos fazer. Se tudo correr
bem, podemos organizar tudo antes dos seis meses.”
A esperança me encheu. "E então eu nunca vou precisar sair?"

"Essa é a ideia."

Minha mente começou a girar. "Temos um pequeno casamento


para planejar!"

"Vai ser divertido. Emma pode ser sua garota das flores –
dama de honra, que seja. Vamos mantê-lo pequeno. Algum dia,
teremos um em Boston com toda a sua família e amigos. Talvez leve
a mamãe também.”

Meu coração pulou de alegria. "Isso soa como um plano. Eu


não preciso de um grande casamento. Prefiro usar o dinheiro para a
nossa futura casa, onde quer que seja. E eu meio que quero que
esteja aqui. Eu quero estar aqui para Emma, morando aqui.”

Caleb sorriu largamente. “Isso me deixa incrivelmente feliz.


Você sabe que eu não quero deixar minha mãe. Mas quero deixar
algo muito claro. Se você não quer ficar aqui para sempre, você vem
primeiro. Eu iria a qualquer lugar que você quisesse, porque não
posso viver sem você.”

Na manhã seguinte, tomando café da manhã e chá na adorável


cozinha da casa, Caleb teve uma ideia brilhante.
"Gostaria de saber se eu poderia ligar para Bo Cheng."

Eu ri. "Por que você gostaria de fazer isso?"

“Quero agradecer a ele. Se ele não tivesse desistido de seu


quarto em sua casa, eu não estaria feliz agora. Deus sabe onde eu
estaria sem você, Teagan.” Caleb me abraçou e beijou atrás da
minha orelha. "Você ainda tem acesso ao diretório de estudantes da
Northern?"

"Sim, desde que minha participação está em espera, ainda sou


considerado ativa."

Entrei no portal do aluno pelo telefone e procurei o nome de


Bo Cheng. Achei e recitei o número para Caleb quando ele o inseriu
no telefone. Ele colocou a ligação no viva-voz.

Alguém respondeu. "Olá?"

"Bo?"

"Sim."

"Bo Cheng?"

"Sim." Ele parecia que talvez o tivéssemos acordado de uma


soneca.

“Você não me conhece. Meu nome é Caleb Yates, mas lhe devo
um grande obrigado por... Bem, por suas alergias.”

Cobrindo minha boca, eu ri enquanto ele continuava.


“Se você não fosse muito alérgico à Catlin Jenner, eu nunca
conheceria minha garota, Teagan. Não estaríamos na Inglaterra
agora planejando um futuro juntos. Ela não teria encontrado sua
irmã há muito perdida, e eu nunca poderia ter provado s'mores ou
Hot Cheetos na minha vida. Você, Bo Cheng, e suas alergias são
mágicas, meu amigo. Você mudou o nosso mundo.”

A próxima coisa que ouvimos foi... um clique.

Minha boca caiu. "Bo Cheng acabou de desligar na nossa


cara?"

Caleb bufou. "Parece que ele fez."


Os Carroll se reuniram, em volta da tela do computador,
enquanto Shelley falava com Emma no Skype.

“Estou tentando fazer meus pais virem para a Inglaterra no


próximo verão. Então finalmente podemos nos encontrar!”

Maura se inclinou sobre o ombro e entrou na conversa. “Ainda


não está definido. Mas é muito provável, querida. Mal podemos
esperar para conhecê-la.”

Emma pulou para cima e para baixo em seu assento. "Yay! Eu


estou tão animada!"

Stuart espiou por trás de Emma ao fundo. "Adoraria ver todos


vocês aqui."

Não apenas a irmã mais nova da minha esposa ganhou uma


irmã mais velha, mas parecia que toda a família Carroll havia
aceitado Emma como um deles. Eles costumavam usar o Skype
com ela, mesmo quando não estavam conosco. E Emma parecia
muito feliz por ter uma família americana adotada.
Emma também passou bastante tempo em casa conosco, em
Stratford, sempre que Stuart tinha planos. Minha mãe realmente a
levou. Dado que ela tinha o nome da minha irmã, eu sabia que
passar um tempo com Emma também estava curando mamãe. Foi
tudo muito cósmico. Eu sempre soube que Teagan e eu fomos feitos
um para o outro, mas encontrar Emma fez parecer muito maior do
que isso – maior que nós – como se tudo isso acontecesse
exatamente da maneira que precisava.

Teagan e eu estávamos no meio da nossa primeira visita


juntos a Boston desde que nos casamos há quase um ano. Algumas
semanas após nosso noivado na casa de campo em Nottingham,
Teagan e eu tivemos uma pequena cerimônia civil com apenas
minha mãe, Stuart e Emma. Teagan usava uma única flor, em seus
longos cabelos esvoaçantes e um simples vestido branco. Eu peguei
emprestado um terno do meu tio, que por acaso se encaixava. Não
era o material mais extravagante, mas não precisava ser. Stuart
havia conectado os Carrolls ao vivo, via seu computador para que
eles pudessem assistir a coisa toda dos EUA.

Passamos as semanas após o casamento lidando com a


papelada que permitiria que Teagan ficasse no Reino Unido como
minha esposa. Entre encontrar Emma e se casar, o ano passado foi
um turbilhão da melhor maneira possível.

As coisas estavam melhores do que nunca, mas certamente


não perfeitas. Meu relacionamento com meu pai permaneceu
distante, embora quando eu trouxe Teagan para encontrá-lo, na
casa de meu tio, depois que nos casamos, ele tinha sido pelo menos
cordial com ela. Mamãe continuou forte e não pegou meu pai de
volta. Por enquanto, parecia que seu vício por bebida estava sobre
controle, mas sem viver sob o mesmo teto com ele, não tínhamos
certeza.

Eu estava indo bem desde meus dias na reabilitação, mas


reconheci minha necessidade de continuar a terapia. Então, voltei a
ver alguém a cada duas semanas. De fato, ter essa coerente saída e
ver todo o bem que era possível por causa disso, ajudou-me a
decidir sobre uma carreira. Eu mudei meu curso para psicologia e
esperava me tornar conselheiro.

Teagan finalmente começaria seu último ano de faculdade


assim que voltássemos para a Inglaterra. Seu plano era continuar
trabalhando na loja de flores enquanto ela terminava o curso de
biologia marinha na minha universidade. Apesar de ter ajudado
mamãe um pouco com o aluguel, ela não teve que gastar todo o
dinheiro do anel que Maura lhe deu, então ela colocou o restante no
banco para usar na faculdade. Com sorte, depois da formatura,
encontraria um emprego adequado razoavelmente perto de casa.
Sim, ainda morávamos com minha mãe, mas estávamos
economizando para o nosso próprio lugar. Como Teagan havia
proposto originalmente, optamos por renunciar ao grande
casamento em Boston para usar esse dinheiro em nossa futura
casa. Estávamos pensando em possivelmente nos estabelecermos
próximos de Brighton, perto de Emma e Stuart. Tantas decisões a
serem tomadas, mas nós as tomaríamos juntos.
Por mais agradável que tenha sido estar na casa dos Carroll
em Brookline, recebemos tanta atenção aqui que sentia falta do
meu tempo sozinho com Teagan. A família dela sentia tanto a falta
dela, que eles queriam passar cada minuto acordado conosco. De
volta para casa, minha mãe manteve distância, mesmo em nossa
pequena casa.

Depois que desligamos a ligação do Skype da família com


Emma, Maura anunciou: "O jantar é daqui a dez minutos, pessoal.”

Sussurrei no ouvido de Teagan: “Na verdade, temos dez


minutos sozinhos? Vamos escapar." Puxando-a pela mão, eu a
conduzi até o porão, onde estávamos dormindo.

"Dez minutos não são tanto tempo," disse ela.

"Garanto-lhe, dez minutos é tudo que preciso." Eu pisquei.


"Talvez cinco."

Sempre que Teagan e eu estávamos sozinhos juntos no andar


de baixo, isso me fazia sentir nostálgico. Nossas vidas mudaram
muito desde os dias em que estudamos juntos neste quarto. Se você
me perguntasse se eu acreditava que Teagan moraria na Inglaterra
comigo, eu pensaria que você era louco. Mas se você me
perguntasse se eu achava que acabaríamos juntos algum dia, de
alguma forma a resposta teria sido sim. Eu não sabia como isso iria
acontecer, mas quando eu deixei Boston, eu sabia no meu coração
que não era o fim.

E eu estava prestes a provar isso para ela.


"Se eu te dissesse que sempre soube que acabaríamos juntos,
você acreditaria em mim?"

"Você quer dizer a partir do momento que você me conheceu?"


Teagan passou a mão pelos cabelos do meu braço enquanto nos
deitávamos na cama.

“Não desde esse tempo. Mas quando eu deixei Boston para ir


para casa, eu sabia que estaríamos juntos novamente. Na época, eu
simplesmente não sabia como fazer isso acontecer.”

Ela enlaçou os dedos com os meus e olhou para os nossos


anéis de casamento. “Acho que não tive tanta fé quanto você. Mas
eu definitivamente estava apaixonada por você quando você saiu, e
isso não ia mudar.”

“Você disse que encontrou a carta que eu deixei na gaveta de


maquiagem. Presumo que você nunca encontrou a outra.”

Os olhos dela se arregalaram. "Havia outra?"

“Sim. Mas você não deveria encontrá-la.”

Levantei-me e fui até o canto da sala. Mudei o tapete e levantei


uma das tábuas do assoalho. Lá estava – a carta que eu escondi no
dia anterior à minha saída de Boston. Teagan estava tomando
banho quando eu enfiei a carta em seu esconderijo, mas passei a
semana anterior vasculhando a sala em busca de um local secreto.
Quando encontrei a tábua solta, achei que era minha melhor
aposta.
Acenei o envelope no ar.

"Oh meu Deus. Isso esteve aqui o tempo todo? Debaixo do


chão?"

"Sim. Acho que escolhi um bom lugar para isso, hein?”

Ela pulou e correu para mim. "O que diz?"

Abri o envelope e desdobrei o papel antes de ler o que eu havia


escrito.

Querida Teagan,

Se você está lendo isso, uma das duas coisas aconteceu. Ou


estamos juntos novamente e estou pessoalmente entregando esta
carta (que é minha esperança), ou por alguma reviravolta do destino
você a encontrou antes de eu chegar até você. Se for o último,
desculpe-me. Isso significa que eu não encontrei o meu caminho de
volta para você. Essa não era minha intenção.

É claro que sempre há a chance de meu plano ser frustrado -


talvez algo tenha acontecido comigo e alguém esteja descobrindo isso
anos depois, depois que você se mudar. Isso seria lamentável. Se
você está lendo isso e não é Teagan Carroll, verifique se ela consegue
receber isso, onde quer que esteja. Ela precisa saber que eu sempre a
amei e nunca pretendi que nos separássemos para sempre.

Se tiver a sorte de estar com você agora, Teagan, espero que


consiga ver esta carta como prova de que, mesmo quando eu estava
me preparando para partir seu coração e voltar para a Inglaterra, de
alguma forma eu sabia que estaríamos juntos novamente. Eu só
precisava consertar minhas partes bagunçadas antes que eu
pudesse te dar tudo de mim, porque você merece cada parte de mim.

Espero que você veja esta carta como prova de que sempre
acreditei em nós. E eu nunca vou parar.

Enquanto escrevo isso, posso estar prestes a me aventurar em


“casa”. Mas provavelmente desde o momento em que você segurou
minha mão enquanto eu enlouquecia naquele cinema desonesto, eu
sabia que o meu lar sempre estaria onde você estivesse.

Com amor, Caleb

PS Nada mal para uma história de amor que começou no


banheiro.
Eu me considero a garota mais sortuda do mundo por ter
leitores em todo o mundo que continuam a apoiar e promover meus
livros. Seu entusiasmo e desejo pelas minhas histórias é o que me
motiva todos os dias. E para todos os blogueiros que trabalham
incansavelmente para me apoiar, saiba o quanto eu aprecio vocês.

Para Vi – Para sempre minha parceira no crime. Espero que


você não se canse de eu cantar seus louvores. A cada ano nossa
amizade se torna mais valiosa para mim. Eu não poderia fazer nada
disso sem você. A melhor parte dessa carreira foram nossas
colaborações e o trabalho com minha amiga todos os dias.

Para Julie – meu cão de guarda tarde da noite. Obrigado por


sua amizade e por sempre me inspirar com sua incrível escrita e
atitude.

A Luna – Obrigado por estar lá todos os dias e especialmente


este ano por ser uma inspiração. O melhor está por vir.

A Erika – Obrigado por sempre alegrar meus dias com seus


check-ins diários e sorrisos virtuais. Será sempre uma coisa E!

Ao meu grupo de leitores do Facebook, Penelope's Peeps – eu


adoro todos vocês. Você é minha casa e lugar favorito para estar.
Ao meu agente extraordinário, Kimberly Brower – obrigado por
tudo o que faz e por acreditar em mim muito antes de ser meu
agente, quando você era blogueiro e eu era a primeira autora.

Para minha editora Jessica Royer Ocken – É sempre um


prazer trabalhar com você. Estou ansiosa para muitas outras
experiências por vir.

Para Elaine, da Allusion Book Formatting and Publishing –


Obrigado por ser a melhor revisora, formatadora e amiga que uma
garota poderia pedir.

Ao meu assistente Brooke – Obrigado pelo trabalho duro em


lidar com a Vi e meus lançamentos e muito mais. Agradecemos
muito a você!

To Letitia da RBA Designs – Minha incrível designer de capa.


Esta capa é uma das minhas favoritas que você criou. Obrigada por
sempre trabalhar comigo até o produto final ser exatamente
perfeito.

Ao meu marido – obrigado por sempre dedicar muito mais do


que deveria para que eu possa escrever. Eu te amo muito.

Para os melhores pais do mundo – tenho muita sorte de ter


vocês! Obrigada por tudo que vocês já fizeram por mim e por
sempre estarem lá.

As minhas melhores amigas: Allison, Angela, Tarah e Sonia –


Obrigada por aturar aquela amiga que de repente se tornou uma
escritora maluca.
Por último, mas não menos importante, para minha filha e
filho – mamãe ama você. Vocês são minha motivação e inspiração!
Penelope Ward é uma autora de best-sellers do New York
Times, USA Today e nº 1 do Wall Street Journal.

Ela cresceu em Boston com cinco irmãos mais velhos e passou


a maior parte dos seus vinte anos como âncora de notícias de
televisão. Penélope reside em Rhode Island com seu marido, filho e
linda filha com autismo.

Com mais de dois milhões de livros vendidos, ela é


21 vezes best-seller do New York Times e autora de mais de vinte
romances.

Os livros de Penelope foram traduzidos para mais de uma


dúzia de idiomas e podem ser encontrados nas livrarias de todo o
mundo.