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Clerio Jose Patrício

O sistema administrativo de tipo britânico

Trabalho de carácter avaliativo, pertencente a


cadeira de Direito Administrativo I, Curso de
Gestão de Recursos Humanos, 2º ano, regime
laboral, leccionada pelo docente: Santos
Domingo Janota

Universidade Licungo
Beira
2020
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Índice

Introdução.......................................................................................................................3
O sistema administrativo de tipo britânico.....................................................................4
Características do sistema administrativo tipo britânico:...............................................4
Conclusão ...................................................................................................................... 8
Bibliografia ....................................................................................................................9
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Introdução

O presente trabalho pretende identificar e analisar o dos três sistemas administrativos


nesse caso irei me focar no Sistema administrativo de tipo Britânico.
Este sistema é também conhecido como sistema de administração judiciária dado o
papel preponderante exercido pelos tribunais, que assenta na igualdade de todos
perante a lei e na sujeição da Administração Pública ao direito comum, definido e
aplicado pelos tribunais comuns.
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O sistema administrativo de tipo britânico

O sistema administrativo de tipo britânico teve a sua formação no período monárquico


com a Star Chember de 1641 que proibia o rei e os seus conselheiros de resolverem
por si só questões de natureza contenciosa e com o Act of Settlement de 1701 que
proibia sua majestade de dar ordens aos juízes.
Com a declaração de direitos (bill of Rights 1689) o direito passa a aplicar-se tanto ao
rei como ao súbdito dando origem ao Estado de Direito.
A administração tanto central como local encontra-se sujeita aos tribunais comuns
pelo que quando surja algum litígio entre a administração e o particular aquele é
resolvido em tribunais comuns e não em tribunais especiais.
A administração pública britânica apesar de ser descentralizada não pode por si só
utilizar meios coativos para o cumprimento da sua decisão e por isso tem de recorrer a
um tribunal comum.
Os particulares também podem recorrer a um tribunal em caso de decisão ilegal da
administração pública.
Assim sendo, em primeiro lugar, quanto ao sistema de administração judiciária,
também denominado de sistema Inglês, Britânico ou Anglo-Saxónico. Este sistema
vigora hoje na generalidade dos países anglo-saxónicos, e através dos EUA
influenciou países da América Latina, nomeadamente o Brasil, pelas semelhanças que
este país apresenta com os EUA.

Características do sistema administrativo tipo britânico:

 Separação de poderes - o Rei ficou impedido de resolver por si ou por conselhos


formados por funcionários da sua confiança, questões de natureza contenciosa,
por força da lei de abolição da Star Chamber (1641) e foi proibido de dar ordens
aos juízes, de transferi-los ou demiti-los, mediante Act of Settlement (1701)

 Estado de direito - os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos britânicos


foram consagrados no Bill of Rights (1689). O Rei ficou desde ai claramente
subordinado ao direito, em especial ao direito consuetudinário, resultante dos
costumes sancionados pelos tribunais (Common Law). O Bill of Rights
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determinou que o direito comum seria “aplicável a todos os ingleses – Rei súbdito,
servidor da coroa ou particular, militar ou civil de qualquer parte da Grã-Bretanha.
Seria a consagração do império do direito ou rule of law.

 Descentralização – em Inglaterra existe uma administração central (central


Government) e uma administração local (local government). As autarquias locais
têm gozado tradicionalmente de ampla autonomia face a uma intervenção central
diminuída. As autarquias locais foram encaradas como entidades independentes,
verdadeiros governos locais. Por outro lado, em Inglaterra nunca houve delegados
gerais do poder central nas circunscrições locais.
Não existe o conceito de Estado enquanto pessoa coletiva uma vez que a
Administração Pública não dispõe de poderes diferentes dos atribuídos aos
particulares.

 Sujeição da administração aos tribunais comuns – a Administração Publica


acha-se submetida ao controlo jurisdicional dos tribunais comuns (courts of law)
nenhuma autoridade pode invocar “privilégios ou imunidades visto haver um aso
medida de direitos para todos, uma só lei para funcionários, um só sistema para o
Estado e para os particulares” (Marcello Caetano). Os litígios que surjam entre as
entidades administrativas e os particulares não são em regra, da competência de
quaisquer tribunais especiais: entram na jurisdição normal dos tribunais comuns.
E como é dos remedies que resultam os rights, os tribunais comuns, aplicando os
mesmos meios processuais às relações dos particulares entre si e às relações da
Administração com os particulares, não são levados a procurar para os problemas
da Administração Publica soluções jurídicas diferentes das da vida privada.
A lei é igual para todos os cidadãos e não pode nenhuma autoridade invocar
privilégios e imunidades. Temos assim uma jurisdição única uma vez que não existem
tribunais encarregados de julgar especialmente a Administração. As questões
administrativas são julgadas pelos tribunais comuns pelo que não havia diferenciação
de matérias.

 Subordinação da administração ao direito comum – em consequência do rule


of law, tanto o Rei como os seus conselhos e funcionários se regem pelo mesmo
direito que os cidadãos anónimos (the common law of the land), tal como se
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sucede com as local authorithies. Todos os órgãos e agentes da Administração


publica estão submetidos ao direito comum, o que significa, regra geral que não
dispõem de privilégios ou de prerrogativas de autoridade pública. Se alguns
poderes de decisão unilateral lhes são conferidos por lei especial, esses poderes
são encarados como excepções ao princípio geral do Rule of law e não como
peças de um sistema de direito administrativo. Tanto o Rei como os outros órgãos
da administração central, municípios e os particulares estão subordinados ao
direito comum.

 Execução judicial das decisões administrativas - a Administração Publica não


pode executar as suas decisões por autoridade própria. Exemplo: se um órgão da
administração (central ou local) toma uma decisão desfavorável a um particular
(ex. expulsão ou ordem de demolição) e caso o particular não a acatar
voluntariamente, esse órgão não pode por si só empregar meios coactivos (ex.
policia) para impor o respeito da sua decisão: terá de ir a tribunal (tribunal
comum) e deste modo segundo o due processo of law, obter uma sentença que
torne imperativa aquela decisão. Ou seja, as decisões unilaterais da
Administração não tem em princípio força executória própria, não podem por isso
ser impostas pela coacção previamente à intervenção do poder judicial.
Assim, se o particular não cumprir o seu dever, terá a Administração de recorrer a um
tribunal com vista á obtenção de uma sentença, para garantir que o particular cumpra.
A intervenção dos tribunais só acontece quando o particular não cumpre
voluntariamente o que a Administração ordena unilateralmente. Podemos assim
constatar que a Administração atua sem dispor de auto-tutela visto que não pode por
si só empregar meios coativos, necessitando para tal de recorrer aos tribunais. Assim,
o sistema anglo-saxónico caracteriza-se pela hetero-tutela garantida pelos tribunais.

 Garantias jurídicas dos administrados – os particulares dispõem de um sistema


de garantias contra as ilegalidades e abusos da Administração Publica. Se as leis
conferem alguns poderes de autoridade publica às autoridades administrativas,
estas são consideradas como tribunais inferiores e se se excederem os seus
poderes (actuação ultra vires), o particular cujo os direitos tenham sido violados
pode recorrer a um tribunal superior normalmente – King´s Bench, solicitando
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um mandado ou uma ordem do tribunal à autoridade para que faça ou deixe de


fazer alguma coisa. Os tribunais comuns gozam de plena jurisdição face à
Administração Publica, o juiz não pode apenas anular as decisões ou eleições
ilegais, mas também ordenar as autoridades administrativas que cumpram a lei,
fazendo o que ela impõe ou abstendo-se de a violar. Os mandados são
normalmente acatados pela Administração.
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Conclusão

Ensuma dizer que o Sistema administrativo de tipo Britanico caracteriza-se por uma
constituição lenta, dá-se um grande relevo ao costume, sendo este uma fonte de
direito, são os tribunais que primeiramente definem o direito vigente, este sistema
pauta-se pela existência da regra do precedente, uma forte autonomia dos juízes e um
imenso prestígio do poder judicial.

Este sistema tem como características: a separação de poderes (o rei é proibido de dar
ordens aos juízes); Estado de direito (surge com a Magna Charta, o rei ficou
subordinado ao direito sobretudo ao direito consuetudinário e com o Bill of Rights
aplica-se o direito comum a todos os ingleses); descentralização (pauta-se pela
existência de uma administração central isto é os central governments e uma
administração local, os countries: que gozam de uma vasta autonomia, isto é, são
entidades independentes, verdadeiros governos locais); a sujeição da administração
aos tribunais comuns (a administração pública está submetida ao controlo
jurisdicional dos tribunais comuns, dos courts of law e como tal não lhes é permitido
invocar nenhum tipo de privilégios ou imunidades ); subordinação da administração
ao direito comum ( quer o rei, os seus conselheiros e funcionários estão submetidos ao
mesmo direito que os cidadão anónimos, também os órgãos e agentes da
administração Pública estão submetidos a este direito comum, pelo que não podem
invocar privilégios ou prerrogativas de autoridade pública, caso lhes sejam atribuídos
por poderes de decisão unilateral, estes tratam-se de excepções à rule of
law);execução judicial das decisões administrativas (a admistração não pode
executar as suas decisões por autoridade própria, caso esta decisão não seja cumprida,
este órgão não pode utilizar meios coactivos para impor a sua decisão, ou seja, as
decisões unilaterias da administração não têm em regra geral força executória própria
e como tal não podem ser impostas pela coacção previa à intervenção do poder
judicial); as garantias jurídicas dos administrados (os particulares tem à sua
disposição um sistema de garantias contra as ilegalidades e abusos da Administração
Pública).
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Bibliografia

ANDRADE, José Carlos Vieira, “A Justiça Administrativa”, Almedina 1998,


Coimbra.
CORREIA, Sérvulo, “Noções de Direito Administrativo” Vol. I, Danubio Lda,
Lisbooa, 1982;
PIETRO, Mª Sylvia Zanella, “Direito Administrativo” 18ª Edição, Jurídico Atlas S.A,
São Paulo, 2005;
Sousa, António Francisco, “Direito Administrativo”, Prefácio, 2009, Lisboa;
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