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A Escola como Organização - Noção de Organização: As organizações são unidades sociais (ou agrupamentos humanos)

intencionalmente construídos e reconstruídos, a fim de atingir objectivos específicos.

Elementos da Organização: 1. Composição - Conjunto de pessoas que a compõem (heterogénea - professores, alunos,
funcionários);  2. Finalidades - Pretende atingir objectivos específicos e diferentes organizações têm objectivos diferentes;
(finalidade comum) ocupam os elementos que a compõem, ocupam os filhos enquanto os pais trabalham, educar, transmitir
conhecimentos;  3. Diferenciação de Funções - Estão estruturadas internamente de modo a que os seus elementos tenham tarefas
diferentes (há grupos diferentes e diferentes especializações em termos de trabalho);  4. Coordenação Racional Intencional - É a
coordenação do funcionamento da organização; É racional, porque não é aleatória, tem um conjunto mínimo de estruturas de
coordenação e têm definidas intencionalmente diferentes estruturas;  5. Continuidade através do tempo – Implica continuidade e
perpetuação através do tempo; Algo que perdura que continua através do tempo;  6. Fronteiras - Necessita de saber quem
pertence ou não à organização; Na escola não é fácil definir as fronteiras geográficas da organização (com culturas próprias a cada
elemento);

Quatro razões fundamentais que levaram ao aparecimento da escola como instituição estatal: 1 - Primeira reforma
protestante (Lutero - "A bíblia deveria ser interpretada livremente"); maior desenvolvimento da escola (os países protestantes têm
muito menos analfabetismo); 2 - Iluminismo (idade moderna); Descartes - bom senso (Discurso do Método); Razão humana -
importância da reflexão interior, do pensamento pessoal - vem dar importância à escolarização; Despotismo absoluto - os reis
eram absolutos; 3 - Revolução Francesa - Momento importante da afirmação da igualdade, fraternidade, formação igualitária,
escola acessível a todos os cidadãos, oportunidades iguais; 4 - Revolução Industrial - reconheceu-se que os operários, todos os
indivíduos, tivessem uma formação mínima para o desempenho das suas funções; necessidade de ocupar os filhos enquanto os
pais exercem as suas funções.

Surge a Escola Estatal,  coordenada e dirigida pelo estado: escola obrigatória; escola gratuita; escola laica (independente das
escolhas religiosas); escola universal.

Criam-se escolas em todas as localidades. No séc. XVIII não fazia sentido falar-se em escolas privadas.

A importância das variáveis organizacionais na educação

O Movimento das Escolas Eficazes: Ensino à variáveis de tipo individual (psicologia), motivação das pessoas, seus interesses,
capacidades intelectuais;  Educaçãoà variáveis do tipo social (sociologia), situação sócio/económica, educação, cultura,
ambiente, família;  Sucesso/Insucesso à variáveis do tipo escolares/organizacionais (os problemas organizacionais são
relativamente recentes). 

Movimento das Escolas Eficazes - movimento contrário ao anterior. Num mesmo bairro, com iguais condições
sócio/económicas/culturais, escolas diferentes obtêm resultados diferentes nos alunos. Estes resultados dependem da organização
da escola.

Características básicas:  Liderança forte e esclarecida, do director em relação aos professores, funcionários;  Clima de
expectativas positivas  dos professores relativamente aos alunos (os professores acreditam que os alunos são capazes de obter
bons resultados), expectativas de que os alunos teriam sucesso; Atmosfera ordenada e tranquila, ambiente com ordem e
tranquilidade, sem ser um ambiente rígido ou opressivo;  Ênfase/enfoque nos aspectos instrucionais, estas escolas dão muita
importância às disciplinas clássicas (língua materna e matemática - ler, escrever e contar);  Orientação e avaliação regular
(frequente e sistemática) dos alunos, os professores vão regularmente acompanhando os alunos (tutores) e ajudando-os.  

Vantagens: reconhecer que há escolas melhores do que outras em determinados aspectos. Críticas: conservadorismo, i.e.,
acomodação a um modelo óptimo; excessivo culto da eficácia (razões económicas sobrepõem-se às pedagógicas); currículo
inflexível e uniforme para todos; pouca inovação; valorização das disciplinas tradicionais.

Variáveis organizacionais - organização da escola (anos 60)

Edmons - chegou à caracterização das escolas eficazes. Ainda hoje, vários autores se debruçam sobre as características das escolas
eficazes. Movimento com muitos seguidores e muitos críticos. Reconhecer a importância de vários aspectos e tentar transferi-las
para outras escolas - melhor sucesso.

Criticas ao modelo das Escolas Eficazes: Conservadorismo; tradicionalismo (é fácil mantê-las sem alteração); Currículo: não há
inovação/alteração aos currículos; Há um culto da eficácia: as razões económicas/administrativas e de racionalização sobrepõem-
se às pedagógicas; Currículo igual/ideal para todos: estabelece-se um currículo igual a nível do país, das regiões, é rígido, pouco
flexível; Escolas que privilegiam a tradição, pouco a mudança, esquecem os valores, solidariedade, capacidades de nível diferente
de saber ler, escrever, contar.
Imagens Organizacionais da Escola - Escola como: 1. empresa (teoria clássica de administração); 2. burocracia (anos 40); 3.
democracia (anos 30) - teoria das relações humanas; 4. arena política; 5. anarquia (anos 70/80); 6. cultura (anos 80). Teorias
criadas para as empresas - tecido empresarial; (escolas como: empresa, burocracia, democracia) e Teorias/Imagens que têm muitos
aspectos construídos e investigados nas escolas - adaptadas pelas empresas. São imagens com percurso histórico - progressão,
sequência, cronologia (escola como arena politica, anarquia, cultura.

A Escola como Empresa - Características principais da escola como empresa: 1. Estrutura organizacional hierárquica,
centralizada (com base na unidade comando) e devidamente formalizada (quando uma pessoa recebe ordens de uma só pessoa); 2.
Divisão do trabalho e especialização através da definição precisa dos cargos e das funções (cada funcionário tem uma só tarefa a
cumprir - e durante toda a vida, especializando-se numa determinada tarefa); 3. Ênfase na eficiência e na produtividade
organizacional (máximo rendimento pelo menor custo); 4. Planificação e identificação rigorosa e pormenorizada dos objectivos
a alcançar (a planificação das aulas está hoje a ser contestada); 5. Identificação da melhor maneira de executar cada tarefa e a
sua consequente padronização (a melhor maneira de dividir uma aula é de 50 min.); 6. Uniformização dos processos, métodos,
tecnologias, espaços e tempos (o Ministério é que definiu que as aulas deveriam ser de 50 min.); 7. Individualização do trabalho
(a cada indivíduo deve ser dada uma determinada tarefa própria de actividade; o grupo é menos eficiente) - valorização do
indivíduo e não do grupo. Pressupostos Teóricos: Taylor e Fayol deram valor à organização (gestão das empresas). Em 1911
Taylor publicou um livro "Princípios da Administração Cientifica" - tornar as empresas dos EUA rentáveis - "Alguém que pense o
trabalho" - de forma científica e racional - aparecem os especialistas em "administração científica do trabalho". Como se deve
pensar cientificamente sobre o trabalho: Análise das tarefas, identificá-las, quanto tempo demora, a melhor forma de as executar;
Procurar as soluções óptimas; depois de encontrada generalizá-la; Selecção dos trabalhadores para o desempenho das funções
específicas; Treino dos trabalhadores para o melhor desempenho das suas tarefas; Incentivos salariais.

Funções da Empresa (Fayol): Importância da administração das empresas. Princípios da Administração: Funções
administrativas; técnicas; financeiras; contáveis; segurança. Principios: Prever o futuro; antever o que vai acontecer; planear;
Organizar os vários sectores; Comandar/Dirigir; Coordenar os vários sectores; Controlar/Verificar.

A Escola como Burocracia - Características burocráticas da escola: Características Gerais: 1. Centralização das decisões nos
órgãos de cúpula dos ministérios da educação, traduzido na ausência de autonomia das escolas e no desenvolvimento de cadeias
administrativas hierárquicas (centralismo do poder - ministério da educação e falta de autonomia das escolas na tomada de
decisões); 2. Regulamentação pormenorizada de todas as actividades a partir de uma rigorosa e compartimentada divisão do
trabalho (tudo tem normas, tudo é regulamentado, tudo é previsto); 3. Previsibilidade do funcionamento com base numa
planificação minuciosa da organização (as coisas podem-se prever, em termos de futuro, acreditando que as coisas vão decorrer de
certa maneira, sem alterações ou com poucas alterações); 4. Formalização, hierarquização e centralização da estrutura
organizacional dos estabelecimentos de ensino (modelo piramidal); 5. a liderança que alguém pode fazer na prática, está escrita no
papel - liderança formal (legislada, formalizada por alguém), a burocracia autoriza a liderança formal; 6. Obsessão pelos
documentos escritos (duplicação, certificação, arquivomania); (só obedece a documentos escritos) importância da legislação para
a tomada de decisões, pormenores de certificação, inventário das escolas; 7. Actuação rotineira (comportamentos estandardizados)
com base no cumprimento de normas escritas e estáveis (os próprios professores estão contidos na rotina - a mudança de manuais
não é feita por decisão dos professores);8. Uniformidade e impessoalidade nas relações humanas (não há excepções nos
atendimentos e há austeridade dos funcionários); 9. Pedagogia uniforme: a mesma organização pedagógica, os mesmos conteúdos
disciplinares, as mesmas metodologias para todas as situações; 10. Concepção burocrática da função docente (os directores de
turma têm essencialmente uma função burocrática); Fundamentação Teórica - Max Weber: O modelo burocrático deve ser o
modelo das organizações modernas/sociedades modernas. Há três formas de autoridade que correspondem a três formas de
sociedade: Sociedade/Autoridade: 1. Autoridade Tradicional: por costume (reis - filho mais velho) hoje em dia não se deve aplicar
ao estado; 2. Autoridade Carismática: características especificas de um líder, partidos políticos; 3. Autoridade Legal/Racional: o
grande suporte da burocracia são as normas/as leis, verdadeira autoridade para Weber. Características Burocráticas da Escola:
Legalismo - exagero na quantidade de leis na escola - Conselho Directivo (deve ter conhecimento) - suporte legislativo das escolas
- organização, regulamentação; Uniformismo - currículo uniforme, uniformidade geral; não contemplam as diferenças regionais;
Impessoalidade - a relação pessoal entre professor e alunos deve ser indispensável - o que não se verifica; Formalismo;
Centralismo; Hierarquia.

A Escola como Democracia - Caracterização Geral da Escola como Democracia: 1. democracia implica participação e esta
pode ser directa, representativa, entre outras; 2. participação dos vários membros da associação na tomada de decisões, i e, as
decisões são partilhadas/participadas por todos - não restrito a um grupo ou a uma pessoa (os modelos anteriores eram
hierárquicos/centralizados). Características: decisão colegial e procura de consensos partilhados: colegial opõe-se a unipessoal
(quando a responsabilidade é só de uma pessoa); representantes de vários grupos - com o mesmo valor de voto para todos,
procura o consenso, não há imposição de ideias sobre outras, tenta-se chegar a acordo; valorização dos comportamentos, aspectos,
estruturas informais relativamente às estruturas formais: Informal (não vem escrito nos regulamentos); lideres informais com
maior influência; Estrutura Formal é o que está escrito no regulamento, é pré-definido, legislado, está no organograma; a
Estrutura Informal é mais importante, na organização, que a estrutura formal; investigações sobre o comportamento humano
(necessidades, motivação, satisfação, liderança): necessidades dos alunos na sala de aula; como se sentem motivados, o que fazer
para isso; necessidade de técnicos para a "correcção" dos desvios (psicólogos, assistentes sociais, terapeutas comportamentais):
aspectos psicologicos, comportamentais, atitudes das pessoas, emocionais (criação de creches, como dar um melhor ambiente nas
empresas – com interesses na produção); visão harmoniosa e consensual da organização: entre director e dirigido, patrão e
empregado; desenvolvimento de uma pedagogia personalizada. Fundamentação Teórica: A teoria das relações humanas -
Conclusões: 1.O nível de produção não depende da capacidade fisiológica do trabalhador, mas é estabelecido por normas sociais,
relacionais, humanas do grupo onde estão inseridas; 2.As recompensas e sanções não económicas (em particular as de tipo
simbólico, como por exemplo, o respeito e a afeição dos colegas) influenciam significativamente o comportamento dos
trabalhadores; 3.Os trabalhadores não agem ou reagem de forma isolada (como indivíduos) mas como membros de grupos (por
exemplo, é difícil que um indivíduo estabeleça por si mesmo a sua quota de produção); o grupo tenta encontrar o meio-termo de
produção (auto-controlo); 4.O reconhecimento do fenómeno da liderança, formal ou informal é visto como pressuposto básico
para o estabelecimento e imposição das normas do grupo; 5.A comunicação entre as diversas posições hierárquicas, a participação
nas decisões e a liderança democrática passaram a ser salientadas como processos essenciais de actuação no contexto
organizacional. Democracia na Escola - Características a nível da escola: Escola Democrática: John Dewey e António Sérgio,
defendiam uma escola democrática, onde os alunos participavam nas decisões. Educação Personalizada: (seguidores em Espanha,
até há pouco tempo). Na educação deve ter-se em atenção o indivíduo como "pessoa", com atenção aos seus
interesses/gostos/meio sócio-cultural; Escola como comunidade educativa: as escolas são pequenas comunidades (escola
municipal) - António Sérgio; a comunidade educativa é diferente da comunidade escolar, esta engloba as pessoas dentro da escola,
enquanto que a comunidade educativa sai fora das fronteiras da escola; Gestão Democrática das Escolas: (consenso, partilha,
participação) modelo de gestão (que existe desde o 25 de Abril) – conselho directivo e pedagógico - modelo de participação
significativa para os professores.

Escola como Arena Política - Caracterização geral: Todos os membros da organização devem participar nas decisões políticas.
As relações humanas são fundamentais nas negociações. Relações humanas, preocupações psicológicas, noção de grupo –
preocupações novas que anteriormente não eram tidas em conta.1. A escola é um sistema político em miniatura cujo
funcionamento é análogo ao das situações políticas existentes nos contextos macro-sociais; 2. Os estabelecimentos de ensino são
compostos por pluralidade e heterogeneidade de indivíduos e de grupos que dispõem os objectivos próprios, poderes e influências
diversas e posicionamentos hierárquicos diferenciados. As diferenças entre os alunos é cada vez maior, pluralidade de etnias/raças
com interesses e objectivos próprios que vão tentar impor, a harmonia é algo irreal; 3. A vida escolar desenrola-se com base
na conflitualidade de interesses e na consequente luta pelo poder; 4. Os interesses (de origem individual ou grupal) situam-se quer
no interior da própria escola, quer no seu exterior e influenciam toda a actividade organizacional. Interesses políticos por trás da
escolha de horários, entre professores, ou os próprios professores na luta do poder da escola; 5. As decisões escolares, tendo na
base a capacidade de poder e de influência dos diversos indivíduos e grupos, desenrolam-se e obtêm-se, basicamente, a partir de
processos de negociação, ao obter o poder, as decisões fazem parte de interesses próprios ou de negociações entre
grupos/membros; 6. Interesses, conflito, poder e negociação são palavras-chave no discurso utilizado por esta abordagem
organizacional;

Escola como anarquia - Caracterização geral - Início em 1972; Modelo muito ligado ao interior da escola - construído.
Modelos de incerteza: 1. A escola é complexa, heterogénea, problemática e ambígua; Não é uma organização simples (várias
pessoas, funções diferenciadas); 2. A escola dispõe de intenções e objectivos vagos, tecnologias pouco claras e participação fluída;
Não há objectivos bem definidos/pouco claros - não dizem objectivamente o que a escola quer; Aqui as tecnologias são as
metodologias/processos que o professor utiliza (modos/mecanismos)  cada professor utiliza a sua metodologia; Não há uma
uniformidade de metodologias usadas; a participação nos vários conselhos varia de pessoas; 3. A tomada de decisões surge de
forma desordenada, imprevisível e improvisada; As coisas/assuntos não são tratados com ordem de importância crescente; 4. Um
estabelecimento de ensino é constituído por uma sobreposição de diversos órgãos, estruturas, processos ou indivíduos
frouxamente unidos e fragmentados; Não há uma relação causa/efeito entre os órgãos; 5. As organizações escolares são
vulneráveis relativamente ao seu ambiente externo que, sendo turbulento e incerto, aumenta a incerteza e a ambiguidade
organizacional; Dependendo a estabilidade da escola (gestão e fundos) de factores externos; 6. Diversos processos desenvolvidos
pela escola assumem um caracter essencialmente simbólico; A avaliação e certificação, os projectos da escola - são procedimentos
simbólicos, "rituais fachada".

Escola como Cultura: A escola como cultura tem muita aceitação a nível organizacional, empresas. Características Gerais: 1.
As organizações são diferentes, cada escola é diferente de qualquer outra escola (heterogeneidade entre escolas); 2. A
especificidade própria de cada escola constitui a sua cultura que se traduz em diversas manifestações simbólicas tais como
valores, crenças, linguagem, heróis, rituais, cerimónias; 3. A qualidade de cada organização escolar depende do seu tipo de
cultura: as escolas bem sucedidas são as que têm uma cultura forte;

1.Teoria clássica: Existência de especialização de tarefas e dá ênfase nas tarefas e na estrutura duma organização formal para a
produção ou seja ela preocupa-se com a produção por divisão de trabalho. 2. Teoria das relações humanas: Surge em oposição a
teoria clássica dá mais ênfase as relações humanas entre as pessoas. Ela nega os aspectos de especialização nas tarefas, mas sim da
existência de divisão de trabalho. Exemplo da aplicação dessa teoria. Surgimento das 8h de trabalho por dia para os trabalhadores.
3. Teoria neoclássica: Admite que dentro da própria instituição deve existir relações humanas mas também deve haver
especialização de tarefas. 4. Teoria da burocracia: Deve existir especialização, mas seguindo determinadas regras ou normas
previamente estabelecidas na instituição. 5. Teoria estruturalista: As instituições devem trabalhar por sistemas ou divisão (ex.
sector administrativo, pedagógico, secretaria, recursos humanos, etc.) mas o importante é a soma de todas as partes. 6. Teoria
comportamental: Preocupada com os aspectos psicológicos, sobretudo na motivação ou satisfação do próprio homem. Ou seja,
para o homem desenvolver bem o trabalho depende da satisfação da sua família. 7. Teoria da matemática: a estatística dentro da
instituição apoiada em números ou percentagem.

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