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GRUPO EDUCACIONAL FAVENI

POS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DE SERVIÇO SOCIAL

ANGÉLICA KRAIING SAMPAIO

O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NO CENTRO DE REFERÊNCIA DE


ASSISTÊNCIA SOCIAL

CANOINHAS
2020
O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NO CENTRO DE REFERÊNCIA DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL

Angélica Kraiing Sampaio1,

Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o
mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja
parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e
corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de
investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação
aos direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços).

RESUMO- O presente artigo discorre sobre atuação do Assistente Social dentro do Centro de
Referência da Assistência Social (CRAS), pautado na relevância deste profissional, visto que a
maioria das demandas que chegam aos CRAS são destinadas a estes profissionais. A literatura
utilizada levou em conta as principais discussões sobre a trajetória histórica do Serviço Social, as
transformações no mundo do trabalho, bem como o resgate acerca da assistência social, tendo em
vista a problemática central em compreender as possibilidades e limites da atuação do assistente
social no que tange à efetivação/garantia de direitos sociais na área da assistência social. O CRAS,
também conhecido como Casa das Famílias, está inserido no Plano Nacional da Assistência Social,
no nível de proteção social básica, como unidade pública estatal responsável por executar os serviços
caracterizados neste grau de complexidade, e organizar a rede de serviços socioassistenciais no
âmbito local. Ao Serviço Social presente no CRAS, compete, articulado aos demais profissionais,
intervir nas demandas presentes em sua área de abrangência, superando as situações de risco
vulnerabilidade social, garantido assim, a oferta dos serviços assistenciais, contribuindo para a
efetivação dos encaminhamentos aos aparatos sociais como: saúde, educação, geração de
emprego/renda, empoderamento das famílias da proteção existente na área de abrangência próxima
aos usuários. Como principais resultados percebeu-se que há muitos limites para as possiblidades de
efetivação dos direitos sociais, preconizados na Política Nacional de Assistência, devido a vários
fatores: estrutura física precária, número insuficiente de funcionários trabalhando, a inexistência de
redes para viabilização das demandas etc.

PALAVRAS-CHAVE: CRAS. Assistência Social. Prática Profissional. Direito. Proteção Social.

1 INTRODUÇÃO

O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) tem papel crucial por


ser a porta de entrada do sistema, desencadeando mudanças fundamentais e
contribuindo de forma efetiva na coordenação e articulação das políticas sociais no
âmbito do território de sua abrangência, na inserção dos usuários dos serviços da
Assistência Social e demais políticas, e ainda na proposição de novos serviços e
programas. (GOMES, 2007 apud ORLOWSKI; SOUZA; NADAL, 2013).
A responsabilidade do assistente social dentro do CRAS, oportuniza dar
condições, estimular potencialidades à população assistida no território de
1
angelik.mws@hotmail.com
abrangência e identificar quais são as necessidades para desenvolvimento do seu
trabalho, procurando instigar esse profissional muito solicitado por usuários da
proteção básica, que buscam soluções para os problemas, dentro da localização na
qual ficam instalados os CRAS.
Todavia, há uma delimitação até onde o Assistente Social pode atuar na
esfera pública da assistência social, possibilitando um diagnóstico aprimorado que
busca solucionar as demandas e as melhorias das condições de vida dos usuários
pelo CRAS em situações de vulnerabilidade e riscos sociais, repensando a
qualidade hegemonia legal e apresentando propostas que encaminham às
mudanças no resgate da cidadania e dos direitos sociais a toda sociedade
efetivamente assistida pelas políticas públicas, cujo propósito é o de permitir a todos
uma vida digna. Este profissional configura-se no âmbito do Serviço Social numa
relação entre o Estado e a sociedade, partindo do processo de reprodução dos
interesses da classe. (EUGENIO; GONZAGA, 2019).
Deste modo, o propósito desta pesquisa é mostrar a importância do
Assistente Social dentro do CRAS, compreender o papel estratégico que a
instituição tem ocupado dentro da proteção social básica e identificar quais são as
políticas públicas oferecidas pela mesma. Além disso, a proposta desta pesquisa
visa analisar a atuação do profissional de serviço social, considerando a
precarização do mundo do trabalho na contemporaneidade e seus reflexos nesse
espaço sócio ocupacional.
Visando explorar o tema, a presente pesquisa, de base exploratória, se
organiza a partir de abordagem qualitativa, que de acordo com Marconi e Lakatos
(2011) a abordagem qualitativa se trata de uma pesquisa que tem como premissa
coletar dados a fim de poder elaborar o conjunto de conceitos, princípios e
significados, preocupa-se em analisar e interpretar aspectos mais profundos,
descrevendo a complexidade do comportamento humano.
O instrumento utilizado foi a pesquisa bibliográfica e a coleta de dados feita
através de um estudo realizado em artigos de periódicos e eventos nacionais e
internacionais, dissertações, teses, sites especializados e livros.
Marconi e Lakatos (2011, p. 43) afirmam que a pesquisa bibliográfica “trata-se
de levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas,
publicações avulsas e imprensa escrita, sua finalidade é colocar o pesquisador em
contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto”.
Desta forma, têm-se definidos os métodos utilizados para a elaboração deste
estudo, espera-se problematizar e desenvolver uma análise sobre o tema o trabalho
do assistente social no centro de referência de assistência social, de forma a
provocar pesquisas futuras que tragam para o cenário das discussões e das ações
práticas significativas voltadas diretamente sobre o papel do trabalho do assistente
social no centro de referência de assistência social.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Breve Trajetória da Assistência Social no Brasil: história e quadro atual


do serviço social brasileiro

É unânime na literatura que retrata a história do serviço social, que o seu


surgimento está ligado à origem da questão social.
De acordo com Ribeiro; Silva; Teixeira (2015), o serviço social não transforma
diretamente valor de uso em valor de troca, mas contribui para reproduzir a mão de
obra do trabalhador, e nos primórdios da institucionalização da profissão no Brasil, e
estava ligada, sobretudo, à Igreja Católica, isso nas décadas de 1920 e 1930, esta
reprodução era colocada em prática sem nenhum questionamento.
Até a década de 1930 no Brasil, as expressões da questão social eram
concebidas como “um caso de polícia”. A partir desse momento histórico o Estado
passa a incorporar ações de assistência aos trabalhadores em função da expansão
do capital. Neste período, o Estado atuava como um simples agente de apoio, e as
disfunções pessoais eram caminhadas para a internação dos indivíduos
considerados como frágeis e doentes, mostrando, assim, o caráter de ligação entre
a assistência e a saúde. Com o passar dos anos, o Estado passa a reconhecer sua
responsabilidade em solucionar a “questão social” de forma politizada. (IAMAMOTO;
CARVALHO, 2011).
Segundo Iamamoto e Carvalho (2011), o Conselho Nacional de Serviço Social
(CNSS) não chegou a ser um organismo atuante. Caracterizando-se mais pela
manipulação de verbas e subvenções, como mecanismo de clientelismo político.
Sua importância se revela apenas como marco de preocupação do Estado em
relação à centralização e organização das obras assistenciais públicas e privadas.
A primeira referência explícita na legião federal com respeito a serviços
sociais consta na carta constitucional de 1934, onde o Estado fica obrigado a
assegurar o amparo dos desvalidos e se fixa a destinação de 19 por cento das
rendas tributáveis à maternidade e à infância (IAMAMOTO; CARVALHO, 2011).
De acordo com Santos (2012), assim a assistência social enquanto política
social passa a se organizar melhor em 1942, durante o governo de Getúlio Vargas,
que buscava ganhar apoio da população para o “esforço da guerra”, ao mesmo
tempo em que procurava mostrar que esse “esforço” é de toda a sociedade, não
recaindo seu peso sobre nenhum seguimento em particular. É nesse momento de
engajamento do país para a guerra, que surge a primeira campanha assistencialista
de âmbito nacional, que tomará formas através da Legião Brasileira de Assistência
(LBA).
Dentre as iniciativas tomadas pela LBA, entre elas, e principalmente a
“assistência” voltada “às famílias dos convocados”, tem-se também como grande
importância, a implantação e institucionalização do Serviço Social, contribuindo em
diversos níveis para a organização, expansão e interiorização da rede de obras
assistenciais, incorporando ou solidificando nestas os princípios do serviço social.
(IAMAMOTO; CARVALHO, 2011).
Com a implantação da LBA, tem-se a impressão de que houve a expansão e
o aumento quantitativo do volume de assistência e do uso do serviço social para a
organização e distribuição dessa assistência de forma mais rentável política e
materialmente, não implicando, de imediato, mudança expressiva de sua qualidade
(SANTOS, 2012).
Em outubro de 1942 a LBA se torna uma sociedade civil de finalidades não
econômicas, voltadas para “congregar as organizações de boa vontade”. Aqui a
assistência social como ação social é ato de vontade e não direito de cidadania.
(SPOSATI, 2007).
Com o avanço e aprofundamento da industrialização ao longo das décadas
de 1940 e 1950, Ribeiro; Silva; Teixeira (2015), destacam que a Questão Social
começa a ser incorporada na agenda pública. Dois desdobramentos surgem desta
incorporação. Em primeiro lugar são criados novos espaços sócio-ocupacionais que
passaram a ser ocupados pelos Assistentes Sociais. Estes espaços se originaram
da implementação de políticas sociais. Em segundo lugar, a ocupação destes novos
espaços sócio-ocupacionais exigiu do Assistente Social um novo perfil profissional,
um perfil que não estivesse totalmente comprometido com as bases confessionais
do Serviço Social tradicional e que voltasse a sua atenção para uma atuação mais
tecnocrática, uma atuação capaz de atender às exigências do desenvolvimentismo.
É neste interim que o Serviço Social vai sofrer as influências da Escola de Serviço
Social Norte-Americana e acaba adotando os métodos do Serviço Social de Casos e
de Grupos e também o método do Serviço Social de Comunidades.
Castro (2000) menciona que o Serviço Social de Comunidades visou o
desenvolvimento do capitalismo na América Latina e assegurou a hegemonia norte-
americana no continente. Além disso, as políticas de desenvolvimento de
comunidade expuseram o Serviço Social à influência das teorias funcionalistas e ao
desenvolvimentismo.
Netto (2005) fala de três projetos: a perspectiva modernizadora, a
reatualização do conservadorismo e a intenção de ruptura (Movimento de
Reconceituação). Os dois primeiros projetos foram afirmados nos encontros de
teorização do Serviço Social brasileiro que ocorreram em Araxá, em 1967 e em
Teresópolis, em 1970.
Portanto, a década de 1980 foi muito fecunda para o Serviço Social, todas as
mudanças se inseriram no bojo das transformações marcadas pelo fim da ditadura e
pela ascensão dos movimentos democráticos, movimentos que tiveram suas
conquistas materializadas na Constituição Federal de 1988 (CF/88).
Até 1988, a assistência social no Brasil não era considerada direito de
cidadão e dever do Estado. Embora existisse desde o Brasil colônia, a sua ação era
ditada por valores e interesses que confundiam com dever moral, vocação religiosa,
sentimento de comiseração, ou, então, como práticas eleitoreiras, clientelistas e
populistas. Nessa época, predominava o que denominamos assistencialismo, isto é,
o uso distorcido e perverso da assistência ou – a desassistência, como prefiro
chamar –, porque a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos não
constituía o alvo dessas ações ditas assistenciais (POTYARA, 2007 apud SANTOS,
2012)
O artigo 194 da Constituição Federal de 1988, estabelece uma nova
concepção para a assistência social, incluindo-a na esfera da seguridade social, a
saber:
A seguridade social compreende um conjunto integrado de
ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade,
destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à
previdência e à assistência social. (BRASIL, 1988).

Das conquistas obtidas com a CF/88, podem ser assinaladas a expansão dos
direitos trabalhistas e o reconhecimento dos direitos sociais. Estes últimos ganham
corporeidade com o tripé da seguridade social: saúde, previdência e assistência
social. É neste contexto que são travadas as lutas pela consolidação do projeto
ético-político do Serviço Social. Alguns documentos importantes compõem o projeto
ético-político da profissão. Outros documentos se destacam: a lei 8.662 de 07 de
junho de 1993, lei que regulamenta a profissão e resguarda o exercício profissional e
as diretrizes curriculares de 1996. Estas diretrizes reafirmam o compromisso do
Serviço Social com uma formação fundamentada numa análise crítica da realidade
social (RIBEIRO; SILVA; TEIXEIRA, 2015).
Deste modo, observa-se que a Assistência Social, como um conjunto de
ações estatais e privadas para atender a necessidades sociais, no Brasil,
apresentou nas duas últimas décadas uma trajetória de avanços que a transportou,
da concepção de favor, da pulverização e dispersão, ao estatuto de Política Pública
e da ação focal e pontual à dimensão da universalidade.
Cabendo destacar que o Serviço Social no Brasil é hoje reconhecido como
área de conhecimento no campo de Ciências Sociais aplicadas por parte das
agências públicas oficiais de fomento à pesquisa e à inovação tecnológica,
conquista pioneira no Serviço Social latino-americano.

2.2 Papel do Assistente Social

A “questão social” é o principal instrumento de intervenção do assistente


social. Iamamoto (2001) conceitua questão social como:

[...] conjunto das desigualdades sociais engendradas na sociedade


capitalista madura, impensáveis sem a intermediação do Estado. Tem sua
gênese no caráter coletivo da produção contraposto a apropriação privada
da própria atividade humana- o trabalho-, das condições necessárias à sua
realização, assim como de seus frutos. É indissociável da emergência do
„trabalhador livre ‟, que depende da venda de sua força de trabalho com
meio de satisfação de suas necessidades vitais. A questão social expressa,
portanto, disparidades econômicas, políticas e culturais das classes sociais,
mediatizadas por relações de gênero, características étnico-raciais e
formações regionais, colocando em causa as relações entre amplos
segmentos da sociedade civil e o poder estatal. (IAMAMOTO, 2001:16, 17).

Assim, segundo Santos (2012), os assistentes sociais, por meio da prestação


de serviços sócio assistenciais – indissociáveis de uma dimensão educativa (ou
político-ideológica) – realizados nas instituições públicas e organizações privadas,
interferem nas relações sociais cotidianas, no atendimento às várias expressões da
questão social, tais como experimentadas pelos indivíduos sociais no trabalho, na
família, na luta por moradia e pela terra, na saúde, na assistência social pública,
entre outras dimensões.
As condições que circunscrevem o trabalho do assistente social expressam a
dinâmica das relações sociais vigentes na sociedade. O exercício profissional é
necessariamente polarizado pela trama das relações e interesses sociais e participa
tanto dos mecanismos de exploração e dominação quanto, ao mesmo tempo e pela
mesma atividade, de respostas institucionais e políticas às necessidades de
sobrevivência das classes trabalhadoras e da reprodução do antagonismo dos
interesses sociais (IAMAMOTO, 2014).
O exercício da profissão exige um sujeito profissional que tenha competência
para propor e negociar com a instituição os seus projetos, para defender o seu
campo de trabalho, suas qualificações e atribuições profissionais. Requer ir além
das rotinas institucionais para buscar apreender, no movimento da realidade e na
aproximação as forças vivas de nosso tempo, tendências e possibilidades aí
presentes passíveis de serem apropriadas pelo profissional e transformadas em
projetos de trabalho profissional (IAMAMOTO, 2014).
De acordo com Iamamoto (2014), os(as) assistentes sociais têm nas múltiplas
expressões da “questão social”, tais como vividas pelos indivíduos sociais, a
“matéria” sobre a qual incide o trabalho profissional. Ela é moldada tanto pelas
políticas públicas quanto pelas lutas sociais cotidianas de diferentes segmentos
subalternos que vêm à cena púbica para expressar interesses e buscar respostas às
suas necessidades.
Segundo a ABEPS (1996 apud ORLOWSKI; SOUZA; NADAL, 2013)
(Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço sócia) “compete ao
Assistente Social da política de Assistência Social, identificar, analisar e
compreender as demandas presentes na sociedade e seus significados, e formular
respostas às mesmas, para enfrentar as diversas expressões da questão social”.
[...] o perfil do/a assistente social para atuar na política de Assistência Social
deve afastar-se das abordagens tradicionais funcionalistas e pragmáticas,
que reforçam as práticas conservadoras que tratam as situações sociais
como problemas pessoais que devem ser resolvidos individualmente.” [...]
(CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 2011, p. 18).

Para Iamamoto (2014), o Estado, nos diversos níveis da federação, é hoje o


maior empregador dos assistentes sociais, e a atuação na órbita das políticas
públicas um espaço profissional privilegiado desse profissional.
De acordo com a NOB-RH/SUAS (BRASIL, 2006, p. 13), são princípios que
orientam a atuação dos profissionais da área de assistência social:
a) Defesa intransigente dos direitos socioassistenciais;
b) Compromisso em ofertar serviços, programas, projetos e benefícios de
qualidade que garantam a oportunidade de convívio para o fortalecimento
de laços familiares e sociais;
c) Promoção aos usuários do acesso à informação, garantindo conhecer o
nome e a credencial de quem os atende;
d) Proteção à privacidade dos usuários, observado o sigilo profissional,
preservando sua privacidade e opção e resgatando sua história de vida;
e) Compromisso em garantir atenção profissional direcionada para
construção de projetos pessoais e sociais para autonomia e
sustentabilidade;
f) Reconhecimento do direito dos usuários a ter acesso a benefícios e renda
e a programas de oportunidades para inserção profissional e social;
g) Incentivo aos usuários para que estes exerçam seu direito de participar de
fóruns, conselhos, movimentos sociais e cooperativas populares de
produção;
h) Garantia do acesso da população a política de assistência social sem
discriminação de qualquer natureza (gênero, raça/etnia, credo, orientação
sexual, classe social, ou outras), resguardados os critérios de elegibilidade
dos diferentes programas, projetos, serviços e benefícios;
i) Devolução das informações colhidas nos estudos e pesquisas aos
usuários, no sentido de que estes possam usá-las para o fortalecimento de
seus interesses;
j) Contribuição para a criação de mecanismos que venham desburocratizar a
relação com os usuários, no sentido de agilizar e melhorar os serviços
prestados.

Com base no documento, observamos que os princípios são fundamentais


para uma atuação de qualidade e efetiva dos profissionais, porém, devido as
condições existentes de trabalho, nem sempre consegue-se colocá-los em prática.
Diante disto, Orlowski; Souza e NADAL (2013), destacam a importância do
profissional ter clareza sobre seu objeto de intervenção, tendo como posse de
atuação o projeto ético-político profissional, para que não se atenha a problematizar
apenas as condições de trabalho, e sim sua prática profissional. Além de educação
e capacitação permanente para os profissionais, para que se supere as práticas
assistencialistas, paternalistas e preconceituosas.
Piana (2009 apud CAMPOS, 2019), por sua vez, destaca a importância da
definição de objetivos profissionais associados à determinada área de atuação, pois
promove a partir de uma relação dialética entre teoria e prática, um corpo de
conhecimentos e valores específico da profissão. Para ela:

O Serviço Social atua na área das relações sociais, mas sua especificidade
deve ser buscada nos objetivos profissionais tendo estes que serem
adequadamente formulados guardando estreita relação com objeto. Essa
formulação dos objetivos garante-nos, em parte, a especificidade de uma
profissão. Em consequência, um corpo de conhecimentos teóricos, método
de investigação e intervenção e um sistema de valores e concepções
ideológicas conformariam a especificidade e integridade de uma profissão.
(PIANA, 2009, p. 85).

Diante disto, Iamamoto (2009, p. 25) destaca que atualmente exige-se que
um profissional, “tenha competência para propor, para negociar com a instituição os
seus projetos, para defender o seu campo de trabalho, suas qualificações e
atribuições profissionais”. Portanto, apesar de obstáculos, é importante superá-los
para que se realiza as ações profissionais, e buscar as condições adequadas e
necessárias para o exercício profissional.
2.3 Serviço Social no Centro de Referência de Assistência Social

O Assistente Social é um profissional do Serviço Social que exerce um papel


fundamental no desenvolvimento das ações no CRAS. Seu trabalho é baseado nas
atividades dentro da instituição, dentre elas: a função interventiva junto às famílias e
comunidades por meio de metodologias próprias do Serviço Social e sistemática, no
processo de efetivação das políticas sociais, tendo esse profissional, o devido
discernimento dos objetivos propostos na política de efetivação dentro da realidade
atual no âmbito de suas atribuições e competências: artigo 04 e 05 da Lei 8.662/93
(EUGENIO; GONZAGA, 2019).
O CRAS tem como função principal ofertar o Programa de Atenção Integral
das Famílias (PAIF). O PAIF é o principal serviço de proteção social básica ao qual
todos os outros serviços desse nível de proteção devem articular-se, pois, confere a
primazia da ação do poder público na garantia do direito à convivência familiar e
assegurar a matricialidade sócio familiar no atendimento sócio assistencial, um dos
eixos estruturantes do SUAS (BRASIL, 2009).
De acordo com Orlowski; Souza e NADAL (2013), o CRAS contribui na vida
de seus usuários à medida em que trabalha com os mesmos, objetivando o
empoderamento das famílias. Que essas famílias superem a sua situação de
vulnerabilidade ou risco. Existem dificuldades, de instrumentos, técnicas, de pessoal,
e principalmente, quando a gestão municipal acaba não valorizando o trabalho
realizado pelo CRAS.

O CRAS é a unidade pública responsável pela oferta do programa de


atenção integral as famílias-PAIF e, dessa forma deve dispor de espaços
que possibilitem o desenvolvimento das ações previstas por este serviço [...]
O imóvel do CRAS, seja alugado, cedido ou público deve assegurar a
acessibilidade para as pessoas com deficiência e idosas. Constitui fator
relevante para a escolha do imóvel a possibilidade de adaptação de forma a
garantir o acesso a todos os seus usuários [...]. O CRAS deve ser uma
unidade de referência para as famílias que vivem em um território (BRASIL,
2009, p.48/49).

Segundo Orlowski; Souza e NADAL (2013), o Serviço Social no CRAS, tem


por finalidade acompanhar as famílias referenciadas a ele, realizar as articulações
com a rede socioassistencial presente no seu território de abrangência, bem como
realizar os encaminhamentos necessários a esta rede. O Serviço Social deve atuar
juntamente a outros profissionais, compondo uma equipe multiprofissional e
interdisciplinar.
Pelas difíceis realidades encontradas na contemporaneidade, é necessário
que o profissional de serviço social do CRAS trabalhe de modo a enfrentar e superar
duas grandes tendências no âmbito dos CRAS, que de acordo com o Conselho
Federal de Serviço Social (2011), são:

A primeira é de restringir a atuação aos atendimentos emergenciais a


indivíduos, grupos ou famílias, o que pode caracterizar os CRAS e a
atuação profissional como um “grande plantão de emergências”, ou um
serviço cartorial de registro e controle das famílias para acessos a
benefícios de transferência de renda. A segunda é de estabelecer uma
relação entre o público e o privado, onde poder público transforma-se em
mero repassador de recursos a organizações não governamentais, que
assumem a execução direta dos serviços socioassistenciais. Esse tipo de
relação incorre no risco de transformar o/a profissional em um/a mero/a
fiscalizador/a das ações realizadas pelas ONGs e esvazia sua
potencialidade de formulador/a e gestor/a público/a da política de
Assistência Social. (CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 2011).

Pode-se verificar que segundo Eugenio; Gonzaga (2019), o trabalho do


Assistente Social dentro do CRAS passa pelo planejamento com a equipe de
referência para orientarem sobre a execução dos serviços e as ações de acordo
com a tipificação nacional dos serviços sócio assistenciais por meio da busca ativa,
grupos de famílias, atendimento individualizado, encaminhamento, estudo social e
estudo de caso.
O Assistente Social tem como referência para desenvolver o trabalho dentro
dos CRAS o projeto ético político teórico e metodológico utilizando as leis e
regulamentos.

[..] as políticas sociais não se constituem em políticas propriamente ditas: ao


contrário, os planos, programas e estratégias governamentais são
resultados de situações historicamente determinadas, de revoluções e
crises econômicas e de reivindicações operarias, [...] resultado apenas do
desabrochar do espírito humano, a política social é uma maneira de
expressar as relações sociais (GUERRA, 2010, p.134).

O CRAS deve prestar serviço, potencializando as mudanças significativas


para a população, com vista a mudar suas condições efetivas e torná-las sujeito de
sua própria vida (BRAGA, 2011, p. 148).
De acordo com as orientações técnicas do CRAS (BRASIL, 2009) estes
espaços devem oferecer serviços de forma planejada, com conhecimento prévio do
território e das famílias que habitam nesta localização, observando as necessidades
e potencialidades, fazendo o mapeamento das situações e vulnerabilidades que o
cercam.

A interdisciplinaridade é um processo de trabalho específico que


proporciona um enriquecimento mútuo de diferentes saberes, que elege
uma plataforma de trabalho conjunto, por meio da escolha de princípios e
conceitos comuns. Esse processo integra, organiza e dinamiza a ação
cotidiana da equipe de trabalho e demanda uma coordenação a fim de
organizar as linhas de ação dos profissionais em termo de um projeto
comum (BRASIL CRAS, 2009, p. 65).

O trabalho feito em equipe não pode negligenciar as responsabilidade


individuais e a competências, devem buscar, identificar papeis, atribuições,
estabelecendo objetivando quem dentro da equipe interdisciplinar encarrega-se de
terminadas tarefas, os serviços de atendimento aos usuários precisam atender as
exigências do Sistema Único de Assistência Social, procurando melhorar as
condições de vida da população desenvolvendo atividades que visam a proteção
social básica das famílias.

3 CONCLUSÃO

Buscou-se neste artigo fazer uma pesquisa bibliográfica, contendo as


informações para construir uma reflexão sobre a atuação do Assistente Social dentro
do CRAS. Observou-se que o Assistente Social necessita de uma formação técnica,
operativa com base na teoria crítica social, pautada nos avanços propostos pela
legislação relativa à profissão, diante dos desafios encontrados no cotidiano. É vasta
a dimensão da atuação do Serviço Social na sociedade, o Assistente Social deve
estar em constante movimento de aprendizagem e não deve limitar-se apenas aos
conhecimentos acadêmicos, mas aos desafios no qual o profissional estar inserido,
fazendo uso dos seus conhecimentos ético político, teórico metodológico e técnico
operativo com intuito de buscar a efetivação do Estado aos direitos dos usuários.
O estudo evidencia que o trabalho do assistente social, embora tenha no
discurso o compromisso com a efetivação de direitos, ainda não superou uma
psicologização dos problemas sociais, atribuindo aos sujeitos a responsabilidade por
estes. Logo percebe-se ainda, uma forte tendência ao neoconservadorismo, pautado
em ações disciplinadoras, normatizadoras, fiscalizadoras, moralizantes, que se
efetivam, numa lógica de julgamento, culpabilização dos usuários.
Sendo necessário, investir na superação de práticas assistencialistas e
paternalistas, no sentido de propor práticas de fato propositivas, críticas, ancoradas
na análise da totalidade da realidade, que atue não só numa perspectiva operativa e
pragmática, mas recupere o potencial político do trabalho. Neste sentido é mister
resgatar o caráter teleológico do trabalho, bem como o compromisso assumido pela
categoria profissional pela luta intransigente dos direitos da classe trabalhadora.
Diante destes desafios e barreiras a serem enfrentadas é necessário a visão
sistemática do profissional com fim de ser criativo, proativo e propositivo para
conseguimos fazer a efetivação dos serviços da proteção social básica as famílias
atendidas pelo CRAS.
Assim, concluímos que o Serviço Social vem contribuindo muito no CRAS,
embora com limites postos pelo modo de enfrentar os desafios pelos profissionais,
cabe ao assistente social o lidar com estes desafios, construindo, a partir de seu
cotidiano profissional, perspectivas e possibilidades.

4 REFERÊNCIAS

BRAGA, Léa Lucia, Cecílio. O trabalho de Assistência Social no CRAS. In: O


Trabalho do Assistente Social no SUAS: Seminário Nacional/CFESS. Brasília: 2011.
148p.

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Acesso em: 05 fev. 2020.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria


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CRAS/ Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. – 1. ed. – Brasília:
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2009.

CAMPOS, Kátia Roberta de Assis Maciel. O trabalho dos assistentes sociais na


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CASTRO, M. M. História do Serviço Social na América Latina. 5 ed. São Paulo:


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CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Parâmetros para atuação dos


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