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Série Energia – Geração, Transmissão e Distribuição

ELETRICIDADE
VOLUME 2
Série Energia – Geração, Transmissão e Distribuição

ELETRICIDADE
VOLUME 2
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
Robson Braga de Andrade
Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
Série Energia – Geração, Transmissão e Distribuição

ELETRICIDADE
VOLUME 2
© 2017. SENAI – Departamento Nacional

© 2017. SENAI – Departamento Regional da Bahia

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Esta publicação foi elaborada pela Equipe de Inovação e Tecnologias Educacionais do


SENAI da Bahia, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada
por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional da Bahia


Inovação e Tecnologias Educacionais – ITED

FICHA CATALOGRÁFICA

S491e
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Eletricidade / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Departa-
mento Nacional, Departamento Regional da Bahia. - Brasília: SENAI/DN, 2017.
150 p.: il. - (Série Energia – Geração, Transmissão e Distribuição, v. 2).

ISBN 978-85-505-0269-4

1. Eletrotécnica. 2. Medidas elétricas. 3. Magnetismo e eletromagnetismo.


4. Corrente alternada. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
II. Departamento Nacional. III. Departamento Regional da Bahia. IV. Eletricidade.
V. Série Energia – Geração transmissão e distribuição.

CDU: 621.3

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
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Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de ilustrações
Figura 1 -  A bússola e a bobina ...................................................................................................................................19
Figura 2 -  Polos magnéticos no ímã...........................................................................................................................21
Figura 3 -  Polos magnéticos x polos geográficos..................................................................................................21
Figura 4 -  Interação entre ímãs.....................................................................................................................................22
Figura 5 -  Inseparabilidade dos ímãs.........................................................................................................................23
Figura 6 -  O campo magnético de um ímã..............................................................................................................23
Figura 7 -  Linhas de força magnéticas.......................................................................................................................24
Figura 8 -  Guindaste magnético..................................................................................................................................26
Figura 9 -  O campo magnético ao redor de um condutor.................................................................................27
Figura 10 -  A regra da mão direita...............................................................................................................................28
Figura 11 -  A regra da mão esquerda.........................................................................................................................29
Figura 12 -  Indução de corrente em um condutor................................................................................................30
Figura 13 -  Variação do fluxo magnético..................................................................................................................31
Figura 14 -  O campo magnético ao redor de um condutor...............................................................................32
Figura 15 -  Estrutura do capacitor...............................................................................................................................33
Figura 16 -  Capacitor de ar.............................................................................................................................................34
Figura 17 -  Capacitor a óleo..........................................................................................................................................35
Figura 18 -  Capacitor cerâmico....................................................................................................................................35
Figura 19 -  Capacitor eletrolítico.................................................................................................................................35
Figura 20 -  Placas do capacitor....................................................................................................................................36
Figura 21 -  Tensão e corrente no capacitor..............................................................................................................37
Figura 22 -  Circuito com capacitores em série........................................................................................................38
Figura 23 -  Circuito com capacitores em paralelo.................................................................................................39
Figura 24 -  Indutor............................................................................................................................................................40
Figura 25 -  Indutor com núcleo de ar........................................................................................................................41
Figura 26 -  Indutor com núcleo de ferro...................................................................................................................41
Figura 27 -  Indutor com núcleo de ferrite................................................................................................................41
Figura 28 -  Indutor toroidal...........................................................................................................................................42
Figura 29 -  Tensão e corrente no indutor.................................................................................................................42
Figura 30 -  Circuito com indutores em série...........................................................................................................44
Figura 31 -  Circuito com indutores em paralelo....................................................................................................45
Figura 32 -  Subestação . .................................................................................................................................................49
Figura 33 -  Gerador de tensão alternada..................................................................................................................50
Figura 34 -  Identificação do triângulo retângulo..................................................................................................55
Figura 35 -  Símbolo da impedância...........................................................................................................................63
Figura 36 -  Circuitos RL....................................................................................................................................................63
Figura 37 -  Circuito RL série...........................................................................................................................................64
Figura 38 -  Circuito RL paralelo....................................................................................................................................66
Figura 39 -  Circuitos RC...................................................................................................................................................68
Figura 40 -  Circuito RC série..........................................................................................................................................68
Figura 41 -  Circuito RC paralelo....................................................................................................................................70
Figura 42 -  Circuitos RLC.................................................................................................................................................73
Figura 43 -  Circuito RLC série........................................................................................................................................73
Figura 44 -  Circuito RLC paralelo..................................................................................................................................75
Figura 45 -  Triângulo das potências...........................................................................................................................78
Figura 46 -  Exemplo de circuito RLC...........................................................................................................................79
Figura 47 -  Transformador..............................................................................................................................................86
Figura 48 -  Transformador elevador ..........................................................................................................................87
Figura 49 -  Transformador abaixador .......................................................................................................................87
Figura 50 -  Medição na indústria . ..............................................................................................................................91
Figura 51 -  Instrumento ferro móvel..........................................................................................................................92
Figura 52 -  Instrumento bobina móvel.....................................................................................................................93
Figura 53 -  Instrumento eletrodinâmico..................................................................................................................93
Figura 54 -  Instrumento eletrodinâmico blindado...............................................................................................94
Figura 55 -  Instrumento ressonante...........................................................................................................................94
Figura 56 -  Representação do processo de conversão........................................................................................96
Figura 57 -  Displays de LED e LCD...............................................................................................................................97
Figura 58 -  Escala...............................................................................................................................................................97
Figura 59 -  Sensibilidade em um instrumento de medição..............................................................................98
Figura 60 -  Posições de instalação de medidores..................................................................................................99
Figura 61 -  Demonstrativo de posição dos instrumentos . ............................................................................ 100
Figura 62 -  Tensão de isolação................................................................................................................................... 100
Figura 63 -  Exemplo de simbologia de instrumentos....................................................................................... 101
Figura 64 -  Amperímetro . .......................................................................................................................................... 102
Figura 65 -  Voltímetro . ................................................................................................................................................ 102
Figura 66 -  Ohmímetro................................................................................................................................................. 103
Figura 67 -  Wattímetro................................................................................................................................................. 103
Figura 68 -  Frequencímetro analógico................................................................................................................... 104
Figura 69 -  Medidor de energia................................................................................................................................ 106
Figura 70 -  A eletrônica torna o mundo sem fronteiras .................................................................................. 111
Figura 71 -  Simbologia do diodo semicondutor................................................................................................. 112
Figura 72 -  Simbologia do diodo semicondutor em camadas ..................................................................... 113
Figura 73 -  Simbologia técnica do diodo semicondutor................................................................................. 113
Figura 74 -  Encapsulamento do diodo semicondutor...................................................................................... 113
Figura 75 -  Exemplo de polarização do diodo semicondutor ...................................................................... 114
Figura 76 -  Polarização direta do diodo semicondutor.................................................................................... 114
Figura 77 -  Exemplo de polarização inversa do diodo semicondutor........................................................ 115
Figura 78 -  Divisão do circuito retificador em blocos....................................................................................... 116
Figura 79 -  Circuito retificador meia onda............................................................................................................ 117
Figura 80 -  Formas de onda de um circuito retificador meia onda.............................................................. 117
Figura 81 -  Circuito retificador onda completa com center tap..................................................................... 119
Figura 82 -  Formas de onda para o circuito retificador onda completa com center tap.......................119
Figura 83 -  Circuito retificador onda completa em ponte............................................................................... 121
Figura 84 -  Formas de onda de um circuito retificador onda completa em ponte................................ 121
Figura 85 -  Circuito retificador trifásico onda completa.................................................................................. 123
Figura 86 -  Circuito retificador trifásico.................................................................................................................. 125
Figura 87 -  Simbologia técnica universal do diodo zener............................................................................... 127
Figura 88 -  Circuito estabilizador com diodo zener........................................................................................... 127
Figura 89 -  Fórmulas para dimensionar um circuito regulador zener......................................................... 128
Figura 90 -  Identificação dos elementos que compõem o LED.................................................................... 129
Figura 91 -  Estrutura do semicondutor LED......................................................................................................... 130
Figura 92 -  Diagrama em blocos de um circuito com filtro capacitivo....................................................... 131
Figura 93 -  Circuito retificador em ponte com filtro capacitivo.................................................................... 131
Figura 94 -  Momento de carga e descarga do capacitor................................................................................. 132
Figura 95 -  Circuito retificador em blocos com aplicação do regulador de tensão............................... 133
Figura 96 -  Circuito retificador com tensão de saída regulada...................................................................... 133
Figura 97 -  Circuito retificador com tensão de saída regulada com CI 78XX............................................ 134

Gráfico 1 -  Variação da tensão ao longo do tempo .............................................................................................51


Gráfico 2 -  Valores característicos . .............................................................................................................................52
Gráfico 3 -  Plano cartesiano complexo ....................................................................................................................53
Gráfico 4 -  Representações do ponto P.....................................................................................................................54
Gráfico 5 -  Tensão e corrente em fase........................................................................................................................59
Gráfico 6 -  Tensão e corrente em fase (vetores).....................................................................................................59
Gráfico 7 -  Corrente atrasada em 90º . ......................................................................................................................60
Gráfico 8 -  Corrente atrasada em 90º (vetores)......................................................................................................60
Gráfico 9 -  Tensão atrasada 90º ...................................................................................................................................61
Gráfico 10 -  Tensão atrasada 90º (vetores)...............................................................................................................61
Gráfico 11 -  Decomposição da impedância ...........................................................................................................62
Gráfico 12 -  Representação fasorial . .........................................................................................................................65
Gráfico 13 -  Representação fasorial 2........................................................................................................................67
Gráfico 14 -  Representação fasorial 3........................................................................................................................70
Gráfico 15 -  Representação fasorial 4........................................................................................................................72
Gráfico 16 -  Representação fasorial 5........................................................................................................................75
Gráfico 17 -  Representação fasorial 6........................................................................................................................77
Gráfico 18 -  Tensões nas três fases e os diodos em condução nas seis etapas........................................ 124
Gráfico 19 -  Forma de onda da saída de um retificador trifásico onda completa.................................. 125
Gráfico 20 -  Curva característica do diodo zener................................................................................................ 128
Quadro 1 - Equivalência entre circuito magnético e circuito elétrico.............................................................26
Quadro 2 - Simbologias para instrumentos de medidas.....................................................................................95
Quadro 3 - Precisão para instrumentos de medição.............................................................................................98
Quadro 4 - Fórmulas para dimensionar um retificador meia onda............................................................... 118
Quadro 5 - Fórmulas para dimensionar um retificador onda completa com tap central......................120
Quadro 6 - Fórmulas para dimensionar um retificador onda completa em ponte................................. 122
Quadro 7 - Expressões matemáticas para dimensionar uma ponte trifásica............................................ 126
Sumário
1 Introdução.........................................................................................................................................................................15

2 Magnetismo e eletromagnetismo............................................................................................................................19
2.1 Ferromagnetismo.........................................................................................................................................20
2.2 Campo magnético.......................................................................................................................................23
2.3 Eletromagnetismo.......................................................................................................................................27
2.4 Capacitância e indutância.........................................................................................................................32
2.4.1 Capacitores...................................................................................................................................33
2.4.2 Indutores.......................................................................................................................................40

3 Corrente alternada.........................................................................................................................................................49
3.1 Princípio de geração....................................................................................................................................50
3.2 Grandezas e valores característicos.......................................................................................................51
3.3 Análise fasorial de circuitos em corrente alternada com representação na
forma retangular e polar: resistivo, capacitivo e indutivo.............................................................53
3.4 Circuito RL.......................................................................................................................................................63
3.4.1 Circuito RL série..........................................................................................................................64
3.4.2 Circuito RL paralelo...................................................................................................................66
3.5 Circuito RC .....................................................................................................................................................68
3.5.1 Circuito RC série..........................................................................................................................68
3.5.2 Circuito RC paralelo...................................................................................................................70
3.6 Circuito RLC....................................................................................................................................................73
3.6.1 Circuito RLC série........................................................................................................................73
3.6.2 Circuito RLC paralelo.................................................................................................................75
3.7 Potência em corrente alternada..............................................................................................................78
3.7.1 Potência ativa (P)........................................................................................................................78
3.7.2 Potência reativa (Q)...................................................................................................................78
3.7.3 Potência aparente (S)................................................................................................................79
3.8 Fator de potência.........................................................................................................................................81

4 Medidas elétricas............................................................................................................................................................91
4.1 Princípio do funcionamento dos instrumentos de medida..........................................................92
4.1.1 Instrumentos analógicos.........................................................................................................92
4.1.2 Instrumentos digitais................................................................................................................95
4.2 Características básicas dos instrumentos de medida.....................................................................97
4.3 Instrumentos e grandezas...................................................................................................................... 102
4.4 padronização de tensões EBT, BT, MT, AT e EAT, medições em EBT......................................... 107

5 Princípios da eletrônica ............................................................................................................................................ 111


5.1 Diodo semicondutor................................................................................................................................ 112
5.2 Retificadores monofásicos..................................................................................................................... 116
5.2.1 Retificador meia onda........................................................................................................... 116
5.2.2 Retificador onda completa com derivação central..................................................... 118
5.2.3 Retificador onda completa em ponte............................................................................. 120
5.3 Retificadores trifásicos . .......................................................................................................................... 123
5.4 Diodo zener ................................................................................................................................................ 127
5.5 LED.................................................................................................................................................................. 129
5.6 Filtros capacitivos . ................................................................................................................................... 131
5.7 Reguladores de tensão............................................................................................................................ 132

Referências......................................................................................................................................................................... 137

Minicurrículo dos autores............................................................................................................................................ 139

Índice................................................................................................................................................................................... 141

Apêndice A........................................................................................................................................................................ 142

Apêndice B......................................................................................................................................................................... 145


Introdução

Prezado (a) aluno (a),


É com grande satisfação que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) traz o
livro didático de Eletricidade, volume 2.
Este livro tem como objetivo desenvolver fundamentos técnicos e científicos relativos às
grandezas e ao funcionamento de circuitos eletroeletrônicos, bem como capacidades sociais,
organizativas e metodológicas, de acordo com a atuação do técnico no mundo do trabalho.
O conteúdo está organizado em dois volumes. O volume 1 compreenderá: comunicação e
informação, dados e informações, trabalho em grupo e individual, matemática aplicada, fun-
damentos de eletricidade, circuitos elétricos, princípios de leis e teoremas e potência em cor-
rente contínua. Neste volume 2 abordaremos sobre magnetismo e eletromagnetismo, corren-
te alternada, medidas elétricas e princípios da eletrônica.
Atualmente, o mercado de trabalho busca profissionais qualificados e que consigam se des-
tacar entre as atividades que lhes são propostas em diversas áreas e não é diferente com a
eletricidade. É buscando atender as exigências do mercado que este volume apresenta os con-
teúdos de forma que desperte as suas habilidades tanto no desenvolvimento pessoal quanto
no desenvolvimento técnico.
ELETRICIDADE - VOLUME II
16

Ao final desta unidade curricular, você terá desenvolvido as seguintes capacidades:

CAPACIDADES SOCIAIS, ORGANIZATIVAS E METODOLÓGICAS

a) Cumprir normas e procedimentos;


b) Identificar diferentes alternativas de solução nas situações propostas;
c) Manter-se atualizado tecnicamente;
d) Ter capacidade de análise;
e) Ter senso crítico;
f) Ter senso investigativo;
g) Ter visão sistêmica;
h) Demonstrar organização nos próprios materiais e no desenvolvimento das atividades;
i) Estabelecer prioridades;
j) Integrar os princípios da qualidade às atividades sob a sua responsabilidade;
k) Ter cuidado com ferramentas, instrumentos e insumos colocados à sua disposição;
l) Comunicar-se com clareza;
m) Demonstrar atitudes éticas;
n) Demonstrar postura de cooperação;
o) Ter proatividade;
p) Ter responsabilidade;
q) Trabalhar em equipe.

CAPACIDADES TÉCNICAS

a) Aplicar princípios de química e física;


b) Aplicar princípios de trigonometria;
c) Efetuar a medição de grandezas elétricas;
d) Efetuar cálculos de operações fundamentais de matemática;
e) Identificar as ferramentas adequadas para realização dos testes de acordo com a classe de tensão;
f) Identificar as ferramentas, equipamentos e instrumentos de medição adequados para as medi-
ções e os testes;
g) Identificar ausência de tensão;
h) Identificar características elétricas de materiais, componentes, instrumentos e equipamentos;
i) Identificar e interpretar unidades de medidas elétricas;
1 INTRODUÇÃO
17

j) Identificar grandezas elétricas;


k) Identificar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos;
l) Identificar os instrumentos de medição;
m) Identificar princípios de funcionamento dos componentes e dos equipamentos;
n) Identificar terminologias técnicas;
o) Interpretar diagramas e esquemas elétricos;
p) Interpretar simbologia de componentes elétricos;
q) Reconhecer princípios da física (eletricidade, magnetismo, eletromagnetismo e mecânica);
r) Reconhecer princípios de química (reações químicas);
s) Reconhecer princípios de trigonometria;
t) Utilizar procedimentos e normas específicos de medição.

Lembre-se de que você é o principal responsável por sua formação e isso inclui ações proativas, como:
a) Consultar seu professor-tutor sempre que tiver dúvida;
b) Não deixar as dúvidas para depois;
c) Estabelecer um cronograma de estudo que você cumpra realmente;
d) Reservar um intervalo para quando o estudo se prolongar um pouco mais.

Aproveite bastante o seu livro e bons estudos!


Magnetismo e eletromagnetismo

Neste capítulo iremos tratar sobre o magnetismo e o eletromagnetismo. Vamos entender


melhor sobre o campo magnético, linhas de campo, fluxo e densidade magnética. Os ímãs
também serão abordados como uma fonte de campo magnético seja ele artificial ou natural. A
interação entre ímãs e as forças resultantes de atração e repulsão também serão apresentadas
a seguir.
O eletromagnetismo é o ramo da física responsável por estudar a relação entre o campo
magnético e a eletricidade. A indução elétrica desempenha um importante papel nesta relação
e por isto as Leis de Lenz e de Faraday1 serão fundamentais para compreender este fenômeno.
Ainda neste capítulo iremos estudar sobre os capacitores e indutores, que são dispositivos
comuns nos circuitos elétricos assim como os resistores que estudamos anteriormente. A in-
fluência destes dispositivos em um circuito de corrente contínua e o cálculo de associação em
série e em paralelo também serão abordados a seguir.

Polo Norte i i Polo Sul

Figura 1 -  A bússola e a bobina


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A imagem anterior nos mostra lado a lado um produto do magnetismo e do eletromagne-


tismo, de um lado a bússola que faz uso das propriedades magnéticas e que é um instrumento

1 Lei de Lenz e de Faraday: essas leis explicam a interação entre o campo magnético e a corrente elétrica.
ELETRICIDADE - VOLUME II
20

muito importante para a geografia e a navegação, do outro a bobina, o amplificador eletromagnético pre-
sente em transformadores, motores e aparelhos eletrônicos em geral.
Você sabe o que é ferromagnetismo? E um ímã? Vamos aprender mais sobre eles a seguir.

2.1 ferromagnetismo

O ferromagnetismo é a propriedade que faz com que substâncias apresentem uma magnetização es-
pontânea, mesmo estando fora do efeito de um campo magnético externo. Substâncias que possuem essa
propriedade dão origem aos ímãs.
Os ímãs podem ser classificados:
a) Quanto à origem:
-- Imã natural: materiais que apresentam o ferromagnetismo de maneira natural são chamados
de ímãs naturais, como a magnetita2 e a própria terra;
-- Imã artificial: objetos produzidos pela sociedade como, por exemplo, os ímãs de neodímio
presentes nos discos rígidos dos computadores.

b) Quanto à capacidade de manter as propriedades magnéticas:


-- Ímãs temporários: conseguem absorver a propriedade magnética e replicar o efeito como
acontece em um ímã comum, contudo, eles não conseguem manter a propriedade magnética
uma vez que cesse a exposição ao campo magnético. Exemplo: clipes de papel e pregos;
-- Ímãs permanentes: conseguem manter as propriedades magnéticas mesmo quando cessa
a ação de um campo magnético externo. Apesar disto, quando submetido a temperaturas
muito elevadas, este material perderá temporariamente as propriedades magnéticas. Exem-
plos: imãs de neodímio e ímãs de ferrite presentes em alto falantes.

Além dos materiais ferromagnéticos temos também os paramagnéticos e dia-


SAIBA magnéticos. Para conhecer mais sobre estes materiais, consulte: GUSSOW, Milton.
MAIS Eletricidade básica. Tradução José Lucimar do Nascimento. 2. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2009.

Os ímãs estão presentes no nosso dia a dia em diversos objetos como: bússola, microfone, disco rígido
(HD) além dos ímãs de geladeira. Os motores de corrente contínua representam uma grande parcela da
aplicação dos ímãs na indústria.

2 Magnetita: é um tipo de minério de ferro.


2 Magnetismo e eletromagnetismo
21

leis de atração e repulsão entre ímãs

Observando o ímã em barra mostrado na imagem a seguir, podemos ver a presença de dois polos que
estão localizados nas extremidades do ímã. Estes polos são denominados polo norte (N) e polo sul (S).

Figura 2 -  Polos magnéticos no ímã


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A denominação dos polos como norte e sul ocorre em função dos polos magnéticos do nosso planeta.
O polo norte magnético é mais próximo do polo sul geométrico assim como o polo sul magnético é mais
próximo do polo norte geométrico, por este motivo o polo norte de um ímã tende a apontar para o norte
magnético como acontece com as bússolas. Observe a imagem a seguir que apresenta a diferença entre os
polos magnéticos e geográficos.

Polo Norte geográfico


Polo Sul magnético

Equador magnético

Equador geográfico

Polo Sul geográfico Polo Norte magnético

Figura 3 -  Polos magnéticos x polos geográficos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
22

Interação entre ímãs

A partir do conceito de polos magnéticos, é possível compreender a interação que existe entre os polos
magnéticos, com os ímãs acontece da mesma forma: polos opostos se atraem e polos iguais se repelem.
Observe a imagem a seguir.

Figura 4 -  Interação entre ímãs


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A imagem anterior ilustra bem a interação entre os ímãs. Nas situações 1 e 2 temos dois polos diferentes
(um norte e um sul), esta interação tem como resultado uma força de atração fazendo com que os ímãs se
atraiam até se juntar. Nas situações 3 e 4 temos casos de polos iguais: sul e sul, em seguida, norte e norte;
neste caso, o resultado será uma força de repulsão fazendo com que os ímãs se afastem cada vez mais.

inseparabilidade dos ímãs

Nos ímãs mostrados nas imagens anteriores, é possível ver de maneira clara o polo norte e o polo sul
de cada ímã. O que aconteceria se um ímã fosse partido ao meio “separando” os polos? Esta ideia é fisica-
mente impossível, pois não conseguimos separar os polos de um ímã, toda vez que cortamos ou mesmo
quebramos um ímã ele se rearranja em dois novos ímãs com seus respectivos polos norte e polo sul.
2 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
23

N S

N S N S

Figura 5 - Inseparabilidade dos ímãs


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A imagem anterior ilustra a tentativa de separar os polos de um ímã, contudo quando o ímã é cortado
são produzidos dois novos ímãs. No ponto onde o ímã é dividido são formados polos opostos. Na seção a
seguir, iremos estudar sobre o efeito produzido pelos ímãs: o campo magnético.

2.2 CAMPO MAGNÉTICO

O campo magnético pode ser deinido como a região (espaço) na qual ocorrem as interações magnéti-
cas. Um exemplo prático pode ser observado na imagem a seguir.

Limalha de ferro

Ímã

Figura 6 - O campo magnético de um ímã


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Observe que a limalha de ferro se organiza ao redor do ímã em função do campo magnético gerado
por ele. Na região em volta do ímã é estabelecida uma força de atração entre ímã e limalha; quanto mais
ELETRICIDADE - VOLUME II
24

distante do ímã menor será a força de atração. Além disto, você observou que na região dos polos temos
mais material ferroso do que no restante do ímã? Isso pode ser justificado pela concentração de linhas de
forças magnéticas.

LINHAS DE FORÇAs MAGNéticas

As linhas de força magnética são linhas estabelecidas na região do campo magnético, entre o polo nor-
te e o polo sul de um ímã como você pode ver em detalhes na imagem a seguir.

N S

Figura 7 -  Linhas de força magnéticas


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A convenção adotada considera que as linhas partem do polo norte e chegam no polo sul, conforme
mostrado na imagem anterior. Pela presença de dois polos magnéticos, as linhas adquirem um formato
curvo sem nunca se cruzar.

Fluxo de indução MAGNÉTICA

Fluxo de indução magnética ou simplesmente fluxo magnético é o conjunto de todas as linhas do cam-
po magnético em uma região do espaço, por exemplo: as linhas que partem do polo norte de um ímã. O
fluxo de indução magnética é indicado pela letra grega φ (fi).

Densidade do fluxo magnético

A densidade do fluxo magnético é a razão entre o fluxo magnético e a área. Para cálculo da densidade
de fluxo magnético utilizamos a seguinte fórmula.
2 Magnetismo e eletromagnetismo
25

φ
B =
A

Sendo:
B = densidade de fluxo magnético em teslas (T);
φ = fluxo magnético em Webers (Wb);
A = área em metros quadrados (m²).

Para entender melhor, veja um exemplo de cálculo de densidade magnética:


Exemplo:
Um ímã emite um fluxo magnético de 500 µWb através de uma área de 0,001 m². Sabendo disto, vamos
calcular a densidade magnética.
1º Passo: conversão do fluxo magnético, o valor fornecido no texto do exemplo está em µWb. Para
podermos aplicar na fórmula, será necessário convertê-lo para Wb.

500 µWb = 500 . 10-6 Wb = 5 . 10-4 Wb

2º Passo: cálculo da densidade de campo, com o valor do fluxo em Webers. Podemos aplicar a fórmula
e calcular o campo magnético.
φ
B =
A

5 . 10-4
B =
0,001

B = 0,5 T

A densidade do campo magnético é de 0,5 Tesla.

Circuitos magnéticos

O objetivo na utilização de circuitos magnéticos é direcionar e concentrar o efeito magnético em um


determinado espaço. As grandezas presentes em um circuito magnético são bastante semelhantes às
grandezas presentes nos circuitos elétricos. O quadro a seguir mostra uma equivalência entre as grandezas
presentes nos dois tipos de circuito.
ELETRICIDADE - VOLUME II
26

circuito elétrico circuito magnético

Força eletromotriz Força magnetomotriz

Corrente elétrica Fluxo magnético

Resistência elétrica Relutância magnética

Condutividade Permeabilidade

Quadro 1 - Equivalência entre circuito magnético e circuito elétrico


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Com as informações fornecidas pelo quadro anterior, é possível escrever a Lei de Ohm para circuitos
magnéticos. Observe:
Fmm
φ =
R

Sendo:
φ = fluxo magnético;
Fmm = força magnetomotriz;
R = relutância magnética.

Um exemplo prático de circuito eletromagnético são os guindastes eletromagnéticos, que são utiliza-
dos para movimentação de contêineres metálicos em portos e de sucata metálica em ferros velhos.

Figura 8 -  Guindaste magnético


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.
2 Magnetismo e eletromagnetismo
27

A imagem anterior nos mostra um guindaste com um gancho eletromagnético que permite a movi-
mentação de sucatas metálicas em um ferro velho. Neste caso, o efeito magnético está sendo canalizado
para atrair materiais ferrosos e facilitar a movimentação deste tipo de carga.
Você viu a aplicação de um guindaste eletromagnético, mas você sabe o que é eletromagnetismo?
Confira a seção a seguir para mais informações sobre este fenômeno.

2.3 ELETROMAGNETISMO

O eletromagnetismo é o ramo da eletricidade que aborda a relação entre a corrente elétrica e o campo
magnético. Quando um condutor elétrico é percorrido por uma corrente elétrica, ao redor do condutor
será estabelecido um campo magnético.
A partir deste conhecimento, é possível replicar e principalmente poder desligar o efeito magnético
presente nos ímãs. Isso nos possibilita uma série de aplicações como o guindaste apresentado anterior-
mente. Chamamos de eletroímã o dispositivo formado por um núcleo de material ferroso envolvido por
uma bobina.
A principal vantagem de um eletroímã sobre um ímã convencional é a possibilidade de desligá-lo, pois,
como citado anteriormente, a propriedade magnética do eletroímã só é perceptível quando existe a cir-
culação de corrente elétrica. O campo magnético resultante irá depender da intensidade da corrente e da
amplificação magnética provocada pela bobina.

Campo magnético no condutor

A intensidade do campo está relacionada à intensidade da corrente no condutor. Observe a imagem a


seguir e veja a influência da corrente elétrica no campo magnético resultante.

Campo magnético de Campo magnético de


maior intensidade menor intensidade

Intensidade da corrente Intensidade da corrente


elétrica maior elétrica menor
Figura 9 -  O campo magnético ao redor de um condutor
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
28

Observando a imagem anterior, podemos perceber que, quanto maior a intensidade da corrente, maior
será a intensidade do campo magnético. Os motores elétricos de corrente alternada que são utilizados na
indústria para produzir movimento fazem bom uso desta relação, pois motores de maior potência, destina-
dos a movimentar cargas mais pesadas possuem maiores dimensões e maior corrente elétrica resultando
em um campo magnético de maior intensidade.

regra da mão direita

A regra da mão direita é um artifício prático que permite compreender a relação entre a corrente elé-
trica e o sentido das linhas de campo. A imagem a seguir ilustra o procedimento, que consiste em segurar
o fio com a mão direita, o dedo polegar deve estar no mesmo sentido do fio, enquanto os demais serão
fechados ao redor do fio. O polegar indica o sentido do fluxo da corrente, enquanto os demais dedos indi-
cam o sentido das linhas de campo em volta do condutor. Observe:

Corrente Corrente

Campo magnético

Mão direita

Figura 10 -  A regra da mão direita


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A aplicação desta regra permite determinar de maneira simples o sentido do campo magnético em um
condutor.

Força de Lorentz

Como vimos no decorrer deste estudo, o movimento das cargas elétricas gera um campo magnético;
esse campo, por usa vez, irá exercer uma força sobre as cargas em movimento chamada de força magnéti-
ca ou força de Lorentz. Independente da origem do campo magnético ser de um ímã ou de uma corrente
elétrica, a força magnética ou força de Lorentz exercida por ele pode ser calculada pela seguinte equação:
2 Magnetismo e eletromagnetismo
29

F = |q| . v . B . sen θ
Sendo:
F = força magnética;
q = intensidade da carga q;
v = velocidade da carga;
B = intensidade do campo magnético;
θ = ângulo formado entre as linhas de campo e a posição da carga.

Desta forma, a força de Lorentz tem a intensidade proporcional à velocidade e à carga; a direção per-
pendicular ao plano determinado por B e v; e o sentido determinado pela regra da mão esquerda que você
verá a seguir.

Regra da mão esquerda

A regra da mão esquerda permite determinar o sentido da força F. O dedo indicador deve estar no sen-
tido do campo magnético B e o dedo médio no sentido da velocidade v, assim o polegar irá determinar o
sentido da força.

Figura 11 -  A regra da mão esquerda


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
30

Uma carga elétrica puntiforme3 1 . 10 -5 C passa com a velocidade de 2,0 m/s na direção perpendicular
(90º) ao campo de indução magnética de 20 T. Observe como se calcula a força exercida na partícula.
1º Passo: Identificar as informações necessárias no texto do exemplo: carga, velocidade e campo mag-
nético.
F = |q| . v . B . sen θ

2º Passo: Substituir os valores na fórmula apresentada e calcular a força.

F = 1 . 10 -5 . 2 . 20 . sen 90
F = 3,54 . 10 -4 N ou 357 µN

Lei de Faraday

A Lei de Faraday estabelece que a variação do fluxo magnético que atravessa um circuito dá origem a
uma tensão e consequentemente a uma corrente. Esta tensão é chamada de força eletromotriz induzida.
Observe uma demonstração prática do enunciado pela Lei de Faraday na imagem a seguir.

Bobina feita com


fio de cobre
i i

Ímã

N S N S

i i i i

Multímetro
ajustado para
medição de
corrente
Figura 12 -  Indução de corrente em um condutor
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

3 Carga elétrica puntiforme: corpo eletrizado com dimensões desprezíveis quando comparado com as distâncias que o separam
de outros corpos.
2 Magnetismo e eletromagnetismo
31

Observando a imagem anterior, podemos ver dois conjuntos formados por uma espira4, um ímã e um
multímetro. O multímetro está ajustado para efetuar a medição de corrente; quando há a movimentação
do ímã passando pela bobina, uma tensão é induzida no condutor e o medidor consegue detectar uma
corrente assim como proposto por Faraday.

Além das contribuições para o entendimento dos fenômenos eletromag-


néticos, Michael Faraday inventou o voltímetro (aparelho utilizado para
CURIOSIDADES medição de tensão elétrica) enquanto pesquisava sobre eletrólise.
(Fonte: CRUZ, 2013).

Lei de Lenz

Heinrich Lenz percebeu que corrente elétrica induzida em um circuito possui um sentido e o campo
magnético gerado por ela se opõe à variação do fluxo que a originou. Se o fluxo magnético cresce, a cor-
rente induzida gera um campo magnético no sentido contrário se opondo ao fluxo original. Se o fluxo
magnético diminui, a corrente induzida gera um campo magnético no mesmo sentido se opondo à dimi-
nuição do fluxo original.
Observe a ilustração a seguir.

Situação A Situação B

N S N S

1 1

N S N S

2 2

Figura 13 -  Variação do fluxo magnético


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

4 Espira: pedaço de condutor enrolado em formato circular. Um conjunto de espiras forma uma bobina.
ELETRICIDADE - VOLUME II
32

Na situação A, ocorre o aumento do fluxo magnético: no tempo 1 a espira é atravessada por uma quan-
tidade menor de linhas de campo do que no tempo 2. A variação no fluxo magnético irá induzir uma
corrente na espira que, por sua vez, irá gerar um campo magnético; em função do fluxo ter aumentado, o
campo gerado pela corrente induzida assumirá o sentido oposto buscando neutralizar este aumento no
fluxo magnético original.
Na situação B, ocorre a diminuição do fluxo magnético: no tempo 1 a espira é atravessada por uma
quantidade maior de linhas de campo do que no tempo 2. A variação no fluxo magnético irá induzir uma
corrente na espira que, por sua vez, irá gerar um campo magnético; em função do fluxo ter diminuindo, o
campo gerado pela corrente induzida assumirá o sentido oposto, buscando neutralizar a redução no fluxo
magnético original.

Autoindução

A autoindução é um processo eletromagnético que acontece quando a corrente elétrica passa por um
condutor; ao percorrer o condutor, ela gera um campo magnético; se essa corrente for variável, o campo e
o fluxo magnético também serão, o que irá resultar em uma corrente induzida no próprio condutor. Neste
processo, o condutor induz a si mesmo.
A razão entre o fluxo magnético e a corrente elétrica recebe o nome de indutância ou coeficiente de
autoindução e varia de acordo com a forma e as dimensões do circuito. A indutância será uma propriedade
fundamental nos indutores, que estudaremos a seguir.

2.4 capacitância e indutância

A capacitância pode ser definida como a capacidade de um dispositivo em oferecer resistência à varia-
ção de tensão, ou ainda como a capacidade do dispositivo armazenar tensão elétrica. O dispositivo res-
ponsável por fornecer capacitância a um circuito é conhecido como capacitor, cujo símbolo é mostrado na
figura a seguir.

Símbolo de um capacitor Símbolo de um indutor

Figura 14 -  O campo magnético ao redor de um condutor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
2 Magnetismo e eletromagnetismo
33

A indutância, por sua vez, é a capacidade que um dispositivo tem de oferecer resistência à variação de
corrente. O dispositivo responsável por fornecer indutância a um circuito é conhecido como indutor, mos-
trado na figura anterior.
Vamos conhecer mais sobre capacitores e indutores a seguir.

2.4.1 CAPACITORES

Um capacitor é formado por duas placas condutoras de energia elétrica, separadas por um material
isolante que é chamado de dielétrico. Este material pode ser ar, vidro ou qualquer outro material isolante.
Observe a seguir a estrutura do capacitor.

Placas condutoras de eletricidade

Carga elétrica
Q+ Q-
+ -
+ -
+ -
+ -
+ -
+ -

Dielétrico
+ -

Fonte de tensão
Figura 15 -  Estrutura do capacitor
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Ele é utilizado em circuitos elétricos para armazenar energia em forma de tensão elétrica.

características

A capacitância pode ser calculada pela seguinte fórmula:


ELETRICIDADE - VOLUME II
34

Q
C =
V

Sendo:
C = a capacitância medida em Farads (F);
Q = a carga de uma das placas medida em Coulombs (C);
V = tensão entre as placas em Volts (V).

A unidade de capacitância é o Farad, contudo, é uma capacitância muito grande para a maioria das apli-
cações práticas. Por este motivo, é comum encontrarmos capacitores em microfarad (µF), nanofarad (nF),
ou picofarad(pF) que valem respectivamente 10-6 F, 10-9 F e 10-12 F. Além disto, a capacitância irá depender
da área, das placas do capacitor, da distância entre as placas e do material dielétrico.
Os capacitores podem ser classificados de acordo com o tipo de dielétrico que possuem, como:
a) Capacitor de ar: como o nome sugere, tem como dielétrico o ar; é utilizado em circuitos de sin-
tonia de rádio e podem possuir capacitância fixa ou variável.

Figura 16 -  Capacitor de ar
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

b) Capacitor a óleo: possui como dielétrico papel embebido em óleo e normalmente é aplicado
em circuitos de alta tensão;
2 Magnetismo e eletromagnetismo
35

(A ÓLEO)
22 µ FD

Figura 17 -  Capacitor a óleo


Fonte: SENAI DR BA,2017.

c) Capacitor de cerâmica: possui a cerâmica como dielétrico. São capacitores muito utilizados em
placas eletrônicas e possuem pequenas dimensões e pequena capacitância;

Figura 18 -  Capacitor cerâmico


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

d) Capacitor eletrolítico: este tipo de capacitor é uma evolução do capacitor a óleo, possuindo
como dielétrico um eletrólito líquido e consegue associar um alto valor de capacitância com um
tamanho menor;

Figura 19 -  Capacitor eletrolítico


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
36

Quando o capacitor está em repouso, suas placas estão equilibradas do ponto de vista eletrostático, ou
seja, sem carga elétrica resultante. Contudo, esta situação muda quando o capacitor é conectado a uma
fonte de tensão, pois, a partir deste instante, as placas começam a ser carregadas eletricamente.
Os elétrons localizados na placa A mostrados na imagem a seguir serão atraídos pelo polo positivo da
fonte e serão depositados na placa B. Ao final do processo, a placa A estará carregada positivamente en-
quanto a B estará carregada negativamente; o final do processo de carregamento é alcançado quando a
diferença de potencial da placa é igual a da fonte.

R
A
V
V
B

Figura 20 -  Placas do capacitor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

FIQUE Capacitores eletrolíticos possuem polaridade, ou seja, cada um dos dois terminais
deve ser conectado em um polo específico do circuito positivo ou negativo. Caso a
ALERTA ligação seja feita de maneira errada, o capacitor pode explodir.

comportamento em corrente contínua

O comportamento do capacitor em um circuito de corrente contínua é apresentado pelos gráficos a se-


guir, que mostra a corrente e a tensão em relação ao tempo. A corrente vai diminuindo conforme a tensão
aumenta. Quando o capacitor estiver completamente carregado, a tensão no capacitor será igual à tensão
da fonte e a corrente será praticamente nula; o dielétrico (isolante) irá dificultar/impedir a passagem da
corrente. O capacitor permanece carregado mesmo após ter sido retirada a bateria, só sendo descarregado
quando for estabelecido um contato entre as placas carregadas para que retornem ao equilíbrio eletros-
tático.
2 Magnetismo e eletromagnetismo
37

corrente tensão
Imáx Vmáx

tempo tempo
Curva da corrente e da tensão no capacitor

Figura 21 -  Tensão e corrente no capacitor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O tempo de carregamento de um capacitor pode ser calculado pela seguinte equação:

T = R.C
Sendo:
T = o tempo de carregamento em segundos;
R = a resistência do circuito em Ohms;
C = a capacitância do capacitor em Farad.

Assim como acontece nos circuitos contendo resistores, podemos ter mais de um capacitor em um
circuito e, de acordo com a relação entre eles no circuito, é possível associá-los para simplificar o circuito.

associação de capacitores
O cálculo de associação de capacitores é bastante semelhante à associação de resistores. Veja a seguir
como é feito o cálculo para associação em série e associação em paralelo.
a) Associação de capacitores em série: utiliza as mesmas fórmulas que a associação de resistores
em paralelo. Na sequência veremos a fórmula geral para o cálculo de capacitores em série.

1 1 1 1 1
= + + + ... +
Ceq C1 C2 C3 Cn

Sendo:
Ceq = a capacitância equivalente;
C1, C2, C3, Cn = as capacitâncias individuais.
ELETRICIDADE - VOLUME II
38

O método prático e o método para resistores iguais também podem ser aplicados aos capacitores. Já a
carga elétrica é igual para capacitores em série:

Qt = Q1 = Q2 = Q3 =...= Qn

No exemplo a seguir, iremos calcular a capacitância equivalente do circuito. Observe:

C1 C2 C3

100uF 50uF 300uF


V1
12 V

Figura 22 -  Circuito com capacitores em série


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Para a resolução deste circuito, iremos utilizar o método prático; desta forma, consideraremos C1 e C2
como CA, para calcular a capacitância equivalente parcial.

1º Passo: calcular a associação de C1 e C2.


C1 . C2
CA =
C1 + C2

100 . 50
CA =
100 + 50

5000
CA =
150

CA = 33,33 µF

2º Passo: calcular a capacitância equivalente considerando CA e C3.

CA . C3
Ceq =
CA + C3

33,33 . 300
Ceq =
33,33 + 300

9999
Ceq =
333,33

Ceq = 30 µF
2 Magnetismo e eletromagnetismo
39

b) Associação de capacitores em paralelo: utiliza a mesma fórmula que a associação de resistores


em série.
Ceq = C1 + C2 + C3 + ... Cn

Sendo:
Ceq = a capacitância equivalente;
C1, C2, C3, Cn = as capacitâncias individuais.

Já a carga elétrica se divide para capacitores em paralelo, sendo necessário somá-las para obter a carga
total:

Qt = Q1 + Q2 + Q3 + ... + Qt

Observe o cálculo da associação em série no circuito a seguir.

V1 C1 C2 C3
24 V 200uF 40uF 75uF

Figura 23 -  Circuito com capacitores em paralelo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O processo consiste em somar as capacitâncias para obter a capacitância equivalente. Observe:

Ceq = C1 + C2 + C3
Ceq = 200 + 40 + 75
Ceq =315 µF
ELETRICIDADE - VOLUME II
40

A capacitância equivalente do circuito é de 315 µF.

2.4.2 induTORES

O indutor é um dispositivo formado por um conjunto de espiras de um material condutor. Um exemplo


comum são as bobinas de cobre, como mostrado na figura a seguir, onde um condutor de cobre é enrola-
do em várias voltas com a menor distância possível entre elas, formando uma bobina. Possuir um núcleo
de um material ferromagnético aumenta a indutância deste dispositivo por concentrar as linhas de campo.

Figura 24 -  Indutor
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018.

caracterísicas

A indutância é representada pela letra L e medida em Henry. Diferente do capacitor, o indutor armazena
energia em forma de campo magnético. Como dito anteriormente, os indutores estão presentes na indús-
tria através das bobinas presentes nos transformadores e motores elétricos.

Tipos de indutores

Os indutores podem ser aplicados seguindo os princípios evidenciados pelas Leis de Faraday e Lenz
para induzir corrente em um condutor, ou ainda em forma de bobina funcionando como amplificador
magnético. Por este motivo, encontramos indutores com características diferentes de acordo com a sua
aplicação. Destas características, o número de voltas das bobinas e o material que compõe o núcleo do
indutor são as mais comuns. A seguir, você pode conferir a classificação de indutores considerando o ma-
terial que compõe o núcleo.
a) Núcleo de ar: consiste no condutor enrolado nele mesmo sem um material de suporte. É o tipo
mais simples de indutor;
2 Magnetismo e eletromagnetismo
41

Figura 25 -  Indutor com núcleo de ar


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018.

b) Núcleo de ferro: possui núcleo de ferro; normalmente é pesado e utilizado em altas tensões;

Figura 26 -  Indutor com núcleo de ferro


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018.

c) Núcleo de ferrite: possui ferrite no núcleo que é um dos microconstituintes do ferro; pode ser
considerado como um tipo de ferro puro, utilizado em circuitos de alta frequência como, por
exemplo, transmissores e receptores de rádio;

Figura 27 -  Indutor com núcleo de ferrite


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018.

d) Núcleo toroidal: indutores compactos sofrem menor influência de outros indutores e por isso
são chamados de indutores autoblindados.
ELETRICIDADE - VOLUME II
42

Figura 28 -  Indutor toroidal


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

comportamento em corrente contínua

A indutância se opõe à variação da corrente elétrica, por isso, quando temos um indutor em um circuito
de corrente contínua, os efeitos da indutância só podem ser observados quando o circuito é energizado ou
desenergizado. A figura a seguir mostra o comportamento da tensão e da corrente elétrica no indutor em
um circuito de corrente contínua.

Tensão Corrente
Vmáx Imáx

tempo tempo
Curva da tensão e da corrente no indutor

Figura 29 -  Tensão e corrente no indutor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

É possível perceber através da figura que quando o circuito é energizado a tensão elétrica diminui en-
quanto a corrente aumenta. No instante que o indutor é energizado, há uma variação na corrente e ocorre
a autoindução do condutor, gerando uma corrente contrária à que o induziu, conforme demonstrado an-
teriormente pela Lei de Lenz.
2 Magnetismo e eletromagnetismo
43

CASOS E RELATOS

O desafio de criar um protótipo com princípios magnéticos


Marcos e Ana são alunos do curso de eletrotécnica do primeiro semestre no SENAI Sergipe e, atual-
mente, estão estudando a disciplina eletricidade. Emílio, professor da disciplina, solicitou que seus
alunos formassem duplas para desenvolver um protótipo que fizesse o uso dos princípios magnéti-
cos ou eletromagnéticos estudados na disciplina.
Diante do desafio, Marcos e Ana começaram a pesquisar sobre experimentos. Após pesquisarem
sobre o tema, chegaram à conclusão de que fariam um protótipo de um caminhão com braço de
eletroímã. O projeto foi divido em três partes: o caminhão, o braço e o eletroímã. Ana conseguiu um
caminhão de madeira com a carroceria livre entre os brinquedos do seu irmão caçula. Marcos ficou
responsável por construir o braço para acoplar no caminhão e fez de madeira, pois trabalhava na
marcenaria da família. Com o braço articulado pronto e acoplado ao caminhão eles partiram para o
eletroímã.
Para a construção do eletroímã, eles compraram fio comum de cobre de 1 mm² em uma loja de
materiais elétricos e enrolaram para formar a bobina responsável por amplificar o campo magnético
(eles não sabiam que o fio utilizado em bobinas é esmaltado). Mesmo após diversas tentativas, refa-
zendo a bobina várias vezes, eles não conseguiram um resultado satisfatório.
Depois de tantas tentativas sem sucesso, eles começaram a pesquisar especificamente sobre bobi-
nas e analisaram o que haviam feito de errado. Chegaram à conclusão de que haviam comprado o
fio errado, pois, como visto anteriormente, o fio utilizado em bobinas é esmaltado, o que permite
que ele seja enrolado sem que a bobina seja curto-circuitada, diferente do que acontece com o fio
comum que eles haviam comprado.
Com o fio correto em mãos, eles conseguiram fazer o experimento funcionar e apresentaram o
protótipo ao professor Emílio que ficou extremamente satisfeito com o projeto desenvolvido por
Marcos e Ana pois, além de demonstrar os princípios estudados em sala de aula, eles conseguiram
representar uma aplicação prática através do seu protótipo.

O problema enfrentado por Marcos e Ana na história apresentada ocorreu pelo uso do fio de cobre co-
mum, encontrado em qualquer loja de materiais elétricos. Este tipo de condutor é bastante utilizado para
a alimentação de circuitos elétricos residenciais e industriais, porém o fio específico para bobina é um fio
de cobre esmaltado. O condutor é pintado com uma tinta isolante, pois, quando a bobina for construída,
não haverá contato elétrico entre as espiras; contudo, as extremidades da bobina que serão energizadas
devem ter o seu fio raspado para permitir a passagem da corrente elétrica.
Veja a seguir como é feito o cálculo de associação de indutores.
ELETRICIDADE - VOLUME II
44

Associação de indutores

Assim como acontece com os resistores e capacitores, podemos ter mais de um indutor em um circuito
e é possível associá-los para simplificar o circuito. Acompanhe o processo a seguir.
a) Associação de indutores em série: utiliza a mesma fórmula adotada no cálculo de resistores
associados em série.

Leq = L1 + L2 + L3 + ... Ln
Sendo:
Leq = a indutância equivalente;
L1, L2, L3, Ln = as indutâncias individuais.

No exemplo a seguir, observe como calcular a indutância equivalente do circuito:

L1
200 mH

V1 L2
6V 100 mH

L3
80 mH
Figura 30 -  Circuito com indutores em série
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Por ser um circuito em série, a indutância equivalente será a soma de todas as indutâncias presentes no
circuito.
Leq = L1 + L2 + L3
Leq = 200 + 100 + 80
Leq = 380 mH

b) Associação de indutores em paralelo: utiliza a mesma fórmula adotada no cálculo de resistores


associados em paralelo, conforme mostra a fórmula geral a seguir. São aplicados também aos
indutores em paralelo o método prático e o método usado no cálculo dos resistores iguais.
2 Magnetismo e eletromagnetismo
45

1 1 1 1 1
= + + + ... +
Leq L1 L2 L3 Ln

Sendo:
Leq = a indutância equivalente;
L1, L2, L3, Ln = as indutâncias individuais.

Observe o cálculo da associação dos indutores em paralelo no circuito a seguir.

L1
200 mH
L2
100 mH

V1 L3
6V 80 mH
L4
80 mH

Figura 31 -  Circuito com indutores em paralelo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

1º Passo: calcular a associação de L1 e L2. Para esta associação, iremos utilizar o método prático. Desta
forma, consideraremos L1 e L2 como LA, para calcular a indutância equivalente parcial.

L1 . L2
LA =
L1 + L2

200 . 100
LA =
200 + 100

20000
LA =
300

LA = 66,67 mH
ELETRICIDADE - VOLUME II
46

2º Passo: calcular a associação de L3 e L4. Chamaremos esta associação de LB, como L3 e L4 possuem a
mesma indutância, então podemos aplicar a fórmula para valores iguais, observe:

L
LB =
n

80
LB =
2

LB = 40 mH

3º Passo: calcular a indutância equivalente considerando LA e LB.

LA . LB
Leq =
LA + LB

66,67 . 40
Leq =
66,67 + 40

2666,8
Leq =
106,67

Leq = 25 mH

A indutância equivalente do circuito é de 25 mH.


2 Magnetismo e eletromagnetismo
47

RECAPITULANDO

Neste capítulo, estudamos sobre os ímãs e sua relação com os materiais ferromagnéticos, materiais
que sofrem uma força de atração quando expostos a um campo magnético. Os tipos de ímãs tempo-
rários e permanentes também foram abordados no seguimento do capítulo; enquanto os temporá-
rios apresentam as propriedades magnéticas por um determinado período, os permanentes conse-
guem manter tais propriedades. Inseparabilidade, polaridade e a relação entre os polos magnéticos
deram seguimento ao estudo, servindo como base para o entendimento do campo magnético.
O campo magnético também foi abordado, expondo as linhas de campo magnético e o fluxo de
indução magnética que relaciona a quantidade de linhas de força com a área que atravessam. Este
estudo serviu como base para conhecermos mais sobre o eletromagnetismo: as relações estabeleci-
das entre a corrente elétrica e o campo magnético. As Leis de Farad e o fenômeno da autoindução
nos ajudaram a entender a indução, que se manifesta quando um fluxo magnético variável faz surgir
uma corrente em um condutor; a Lei de Lenz, por sua vez, explica que essa corrente induzida irá se
opor ao efeito que a provocou.
Capacitores e indutores foram os últimos temas vistos neste capítulo, ambos são elementos pre-
sentes em circuitos elétricos, enquanto o capacitor armazena energia elétrica em forma de tensão
através do campo elétrico, o indutor armazena energia em forma de campo magnético. Este capítulo
encerra nossos estudos sobre os circuitos de corrente contínua. No capítulo a seguir, iremos dar iní-
cio ao estudo da corrente alternada. Continue estudando!
Corrente alternada

Neste capítulo, iremos estudar a corrente alternada (CA), conhecida também como (AC)
que, diferente da corrente contínua, possui variação de amplitude em relação ao tempo. Em
função desta variação, vamos conhecer como é gerada esta corrente e os valores característi-
cos que ela pode assumir como tensão de pico, tensão eficaz, frequência e o seu valor médio.
Estudaremos também o comportamento de indutores e capacitores, quando submetidos
a corrente alternada. Com os conhecimentos destes componentes, será possível avançar para
circuitos alternados compostos por resistores e indutores (RL), resistores e capacitores (RC) e os
circuitos mistos composto por resistores, indutor e capacitor (RLC).
Em circuitos de corrente alternada, o conceito de potência elétrica é expandido, pois a cor-
rente alternada possui outros tipos de potência. Ainda neste capítulo, vamos fazer o estudo da
potência ativa, reativa e aparente; o fator de potência também será um tema de nosso estudo,
assim como os impactos que um baixo fator de potência pode causar em uma instalação. Por
último, iremos conhecer mais um pouco sobre transformadores, que são máquinas de corrente
alternada utilizadas para manipular tensão e corrente elétrica.

Figura 32 -  Subestação
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
50

A imagem anterior nos mostra uma subestação, estrutura fundamental para o processo de transmissão
e distribuição de energia elétrica em corrente alternada. As subestações recebem as linhas de transmissão
de energia e, quando localizadas em perímetro urbano, abaixam o valor da tensão recebida para que esta
possa percorrer a cidade através da rede primária até chegar aos transformadores que mais uma vez rebai-
xam a tensão para a tensão nominal da cidade: 127 ou 220 V.

3.1 princípio de geração

O princípio de geração de corrente alternada consiste em induzir uma força eletromotriz em uma es-
pira. Isto acontece quando uma espira é colocada na presença de um campo magnético produzido por
um ímã permanente e, conforme a espira se movimenta, variando o fluxo magnético, será induzida uma
tensão nos seus terminais, conforme mostra a imagem a seguir.

Polo Campo magnético


norte (N)

Tensão alternada
S

Polo sul (S)

Figura 33 -  Gerador de tensão alternada


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

SAIBA Para conhecer mais detalhes sobre o processo de geração de corrente alternada,
consulte: SILVA FILHO, Matheus T. da. Fundamentos de eletricidade. Rio de Ja-
MAIS neiro: LTC, 2013.
3 Corrente alternada
51

3.2 grandezas e valores característicos

Os circuitos alimentados por corrente contínua têm como característica básica manter a polaridade dos
seus condutores, tendo sempre um condutor positivo e um negativo. A corrente alternada, por outro lado,
possui um condutor fase que alterna de sentido conforme o tempo como você pode conferir no gráfico a
seguir.

Semiciclo
positivo
+V

Valor Zero
Tempo (s)
0
t T

-V
Semiciclo
negativo
Gráfico 1 -  Variação da tensão ao longo do tempo
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Como você pôde observar no gráfico anterior, o comportamento da tensão em corrente alternada as-
sume a forma de uma senoide, em que a tensão oscila, admitindo valores positivos e negativos em função
do tempo. Este processo ocorre em ciclos que são divididos em duas etapas: o semiciclo positivo (indicado
pela cor verde), quando o valor de tensão parte do zero, alcança o valor máximo e retorna a zero; e o se-
miciclo negativo (indicado pela cor vermelha), que possui o mesmo comportamento apenas assumindo
valores negativos.

Além de defender a corrente alternada e inventar o gerador de corrente


alternada, Nikola Tesla também foi o inventor do rádio e do princípio da
CURIOSIDADES lâmpada fluorescente. Ele também contribuiu para o avanço nas pesqui-
sas com raios X e radar.

Ainda falando de corrente alternada, não podemos esquecer de mencionar sobre a frequência. Esta
grandeza é muito importante para garantir o funcionamento satisfatório das cargas elétricas. Aqui no Bra-
sil, a frequência padrão é de 60 hertz (hz), ou seja, a corrente completa 60 ciclos em um segundo.
Além da frequência, o período é um outro parâmetro importante na corrente alternada. Ele pode ser
definido como o tempo necessário para que um ciclo seja completado, ou seja, para que seja possível a
ELETRICIDADE - VOLUME II
52

corrente alternada passar de um semiciclo para outo. A frequência pode ser definida pela equação mate-
mática a seguir:
1
ƒ =
T

Sendo:
ƒ = a frequência em Hertz;
T = o período em segundos.

No gráfico Variação da tensão ao longo do tempo, você observou o comportamento de uma onda se-
noidal e, a partir desta observação, é possível extrair valores do gráfico como, por exemplo, a amplitude
ou valor de pico. Além dessas informações, existem outros valores que podem ser extraídos desse gráfico.
Observe o gráfico a seguir.

Valor de
Valor pico
Valor
rms
médio
Valor de
pico a pico
90o 180o 270o 360o

Gráfico 2 -  Valores característicos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

a) Valor de pico (VP): o valor de pico é o valor máximo que uma onda senoidal pode assumir. Este
valor pode ser positivo ou negativo;
b) Valor de pico a pico (VPP): o valor de pico a pico é o valor medido considerando o valor máximo
positivo e o valor máximo negativo, podendo ser determinado pela a equação abaixo

Vpp = 2 . Vp
3 Corrente alternada
53

c) Valor eficaz (Vrms): para entendermos o valor eficaz ou o Vrms (root Mean Square), precisamos lem-
brar que a cada instante em relação ao tempo a nossa onda senoidal vai mudando de valor, o que
a torna uma medida variante em relação ao tempo. O valor eficaz tem uma relação direta com
a potência de uma carga, representa a dissipação de potência de uma resistência, considerando
que esta resistência fosse alimentada em corrente contínua. Isso quer dizer que o valor eficaz da
tensão alternada indica uma quantidade de potência elétrica dissipada em uma resistência, caso a
mesma fosse alimentada por uma tensão contínua. A equação abaixo determina como podemos
encontrar o valor eficaz matematicamente.

Vp
Vrms =
√2

d) Valor médio (Vmed): o valor médio corresponde à média de todos os valores em uma onda senoi-
dal considerando apenas um semiciclo.

Vpp
Vmed =
π

O valor médio quando considerados dois semiciclos senoidais é nulo, devido ao fato de termos um se-
miciclo positivo e outro semiciclo negativo, fazendo com que as grandezas elétricas se anulem.

3.3 análise fasorial de circuitos em corrente alternada com representação na


forma retangular e polar: resistivo, capacitivo e indutivo

Para o estudo de circuitos de corrente alternada, iremos trabalhar com números complexos, que você
estudou no capítulo Matemática aplicada, lembra? Um número complexo pode ser representado de duas
formas, na forma polar e na forma retangular (algébrica). Graficamente, podemos representá-lo atribuindo
ao eixo horizontal a parte real (eixo real) e no eixo vertical a parte imaginária (eixo imaginário).

Eixo imaginário

Eixo real
0

Gráfico 3 -  Plano cartesiano complexo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
54

A imagem anterior nos mostra um plano cartesiano complexo formado por um eixo horizontal real e
um eixo vertical imaginário. Neste plano, temos um ponto P, podemos localizar este ponto de duas for-
mas, através de coordenadas cartesianas (x, y) ou através de um comprimento e uma inclinação. Observe
a seguir:

Eixo imaginário

b P

0
Eixo real
0 a
Gráfico 4 -  Representações do ponto P
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

De um modo prático, é possível marcar precisamente o ponto P no plano desde que os valores de a e b
sejam conhecidos, ou o valor do |Z| e do ângulo θ. A representação utilizando a e b é o que chamamos de
forma algébrica e é escrita da seguinte forma:
Z = a + bi

Onde, a e b são números reais e i compõe a unidade imaginária.


Contudo, no ramo de estudo da eletricidade, a unidade imaginária é representada pela letra j e normal-
mente colocada antes da parte real. Desta forma, temos:

Z = a + jb

A forma polar é composta pelo comprimento |Z| e o ângulo θ, onde |Z| é a intensidade e o θ indica o
argumento do ângulo considerado. Observe:
Z = |Z| θ
3 Corrente alternada
55

transformação da forma de representação dos números complexos

Incorporando as informações das duas formas de representação, é possível formar um triângulo retân-
gulo com a e b como catetos e |Z| como hipotenusa. Isto nos permite utilizar da trigonometria para efetuar
as conversões. Veja a figura a seguir:

Eixo imaginário

b P |Z|
|Z| b

θ θ
0 a a

Figura 34 -  Identificação do triângulo retângulo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Vamos ver a seguir como ocorre a transformação da forma algébrica para a forma polar.
a) Transformação da forma algébrica (retangular) para a forma polar
Para converter o número para a forma polar, será necessário calcular |Z| e o ângulo θ.
O |Z| pode ser obtido pelo teorema de Pitágoras:

|Z| = √a2 + b2

O ângulo θ pode ser obtido pelo arco tangente:

b
θ = arctg
a

Observe um exemplo numérico de conversão a seguir:

Z = 10 + j4
ELETRICIDADE - VOLUME II
56

1º Passo: calcular o |Z|; para isto, iremos utilizar o teorema de Pitágoras como apresentado anterior-
mente.
|Z| = √a2 + b2
|Z| = √102 + 42
|Z| = √100 + 16
|Z| = √116
|Z| = 10,770

2º Passo: calcular o ângulo θ; para isto, iremos utilizar a função arco tangente.

b
θ = arctg
a
4
θ = arctg
10

θ = 21,801°

Desta forma, o número complexo Z = 10 + j4 pode ser escrito como 10,770 21,801° .
Você pode conferir como realizar a transformação da forma algébrica para a forma polar utilizando a
calculadora. Veja o passo a passo disponível no apêndice desse livro.
Veja agora como ocorre a transformação da forma polar para a forma algébrica.

b) Transformação da forma polar para a forma algébrica (retangular)


Utilizando do mesmo triângulo apresentado na imagem anterior, podemos calcular a e b a partir da
hipotenusa e o ângulo fornecido.
A parcela a pode ser determinada utilizando o cosseno no ângulo θ.

a = |Z| . cosθ

A parcela b pode ser determinada utilizando o seno do ângulo θ.

b = |Z|. senθ
3 Corrente alternada
57

Observe um exemplo numérico de conversão a seguir:

10,770 21,801°

1º Passo: determinar a utilizando o cosseno.


a = |Z| . cosθ
a = 10,770 . cos 21,801°
a = 10
2ºPasso: determinar b utilizando o seno.
b = |Z| .senθ
b = 10,770 . sen 21,801°
b = 4

Desta forma, o número complexo 10,770 21,801° pode ser escrito como Z = 10 + j4.
Você pode conferir como realizar a transformação da forma polar para a forma algébrica através do
passo a passo de utilização da calculadora no apêndice disponibilizado no final do livro.

FIQUE Para que a conversão entre as formas polar e retangular seja executada corretamen-
te, é preciso se certificar que a sua calculadora esteja ajustada para graus, para isto,
ALERTA aperte a tecla mode duas vezes e em seguida tecle 1.

operações com números complexos

Para simplificar o processo de resolução de operações com números complexos utilizamos as seguintes
regras.
a) Soma e subtração: na soma e subtração de números complexos, utilizamos a forma algébrica,
tanto a soma quanto a subtração são realizadas separadamente, parte real com parte real e parte
imaginária com parte imaginária. Observe o exemplo a seguir.
Z1 = 6 + j2
Z2 = 3 + j8
Z3 = 5 - j5
ELETRICIDADE - VOLUME II
58

Operação: (Z1 + Z2) -Z3

1º Passo: montar a operação substituindo os valores de Z1, Z2 e Z3;

[(6 + j2) + (3 + j8)] -(5 - j5)

2º Passo: resolver primeiro a soma devido à presença dos parênteses. Para isto, iremos somar 6 e 3
(parte real) e 2 e 8 (parte imaginária);
(9 + j10) - (5 - j5)

3º Passo: após a soma, iremos realizar a subtração, mantendo o mesmo padrão: 9 e 5 (parte real) 10 e
-5 (parte imaginária).
(9 - 5) + j(10 -(-5))
4 + j15

b) Multiplicação e divisão: para a multiplicação e divisão, iremos utilizar a forma polar. Na multi-
plicação, as intensidades são multiplicadas e os ângulos somados; na divisão, as intensidades são
divididas e os ângulos subtraídos. Observe:

Z1 = 2 30°
Z2 = 5 -45°
Z3 = 10 13°

Operação: (Z1 / Z2) . Z3

1º Passo: montar a operação substituindo os valores de Z1, Z2 e Z3;

( 52 °30°
(
. (10 13° )
-45°

2º Passo: devido à presença dos parênteses, iremos realizar a divisão primeiro. Seguindo a regra apre-
sentada anteriormente, iremos dividir 2 por 5 (intensidade) e subtrair -45° de 30° (ângulo).

(0,4 75° ) . (10 13° )


3 Corrente alternada
59

3º Passo: efetuar a multiplicação, multiplicando as intensidades 0,4 e 10 e somando os ângulos 75° com 13°.
(0,4 . 10) < (75° + 13°)
(75° + 13°)
(4 < 88° )
88°

O efeito da indutância e da capacitância em circuitos de corrente alternada

Quando uma tensão alternada é aplicada em um circuito contendo apenas um resistor, a forma da onda
de corrente se comporta como a da tensão. Como você pode conferir na imagem a seguir, ambas partem
do mesmo ponto, atingem o máximo e o mínimo de amplitude juntas. Quando isto acontece, dizemos que
a corrente e a tensão estão em fase.

Tensão

Corrente

Gráfico 5 -  Tensão e corrente em fase


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O gráfico a seguir mostra a representação fasorial de um circuito em fase. Utilizando os vetores, é possí-
vel visualizar no plano cartesiano que não existe defasagem entre a tensão e a corrente. Observe:

Corrente Tensão

Gráfico 6 -  Tensão e corrente em fase (vetores)


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
60

Quando uma tensão alternada é aplicada em circuito contendo apenas um indutor, o comportamento
da tensão e da corrente serão diferentes, não haverá corrente até a tensão atingir seu valor máximo. Desta
forma, a corrente sempre estará atrasada em relação à tensão. Isto acontece, pois, a indutância se opõe à
variação de corrente que ocorre durante todo o tempo de operação em um circuito de corrente alternada.

90o

Tensão

Corrente

Gráfico 7 -  Corrente atrasada em 90º


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Verifique agora no gráfico a representação fasorial de um circuito em defasagem. Utilizando os vetores,


é possível visualizar no plano cartesiano a defasagem de 90° entre a tensão e a corrente. Observe:

Tensão

Corrente

Gráfico 8 -  Corrente atrasada em 90º (vetores)


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A oposição que a indutância oferece à variação de corrente é chamada de reatância indutiva e pode ser
calculada com a seguinte equação:
3 Corrente alternada
61

XL = 2 . π . ƒ . L
Sendo:
XL = a reatância indutiva;
ƒ = a frequência;
L = a indutância.

Agora, vamos observar o comportamento do circuito quando colocamos um capacitor:

90o

Tensão
Corrente

Gráfico 9 -  Tensão atrasada 90º


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Assim como a indutância, em um circuito de corrente alternada quando colocamos um capacitor no


circuito, os efeitos da capacitância são sentidos durante toda a operação do circuito. Neste caso, em função
da variação de tensão, a capacitância se opõe à variação de tensão. Por este motivo, em um circuito que
contenha apenas efeitos capacitivo puro e de resistência, a onda da corrente está adiantada em 90º em
relação à tensão, por isso dizemos que a tensão está atrasada em relação à corrente.

Corrente

Tensão
Gráfico 10 -  Tensão atrasada 90º (vetores)
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
62

Observando na imagem anterior a representação fasorial, é possível perceber os 90º graus de atraso
formados entre o vetor da tensão e o da corrente – o que evidencia o atraso da tensão.
A oposição que a capacitância oferece à variação de corrente é chamada de reatância capacitiva e pode
ser calculada com a seguinte equação:
1
XC =
2.π.ƒ.C

Sendo:
XC = a reatância capacitiva;
ƒ = a frequência;
C = a capacitância.

Circuitos de corrente alternada podem ser compostos por indutores, capacitores e resistores, onde cada
um destes dispositivos influencia o comportamento do circuito de uma maneira diferente: os indutores
pela reatância indutiva, os capacitores com a reatância capacitiva e os resistores com a resistência. A oposi-
ção total oferecida à passagem de uma corrente alternada é chamada de impedância, que é representada
pela letra Z e medida em Ohm (Ω).

Retância indutiva (XL)

Resistência (R)

Retância capacitiva (XC)

Gráfico 11 -  Decomposição da impedância


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Analisando a imagem anterior, é possível notar que a resistência ocupa o eixo horizontal do gráfico.
Enquanto as reatâncias ocupam o eixo vertical, a reatância indutiva fica na parte superior (90º) e a capaci-
tiva na inferior (-90º). Desta forma, a impedância do circuito irá depender tanto da resistência, quanto da
reatância resultante, ou seja, a relação entre as reatâncias visto que uma combate a outra.
3 Corrente alternada
63

Impedância

Assim como na corrente contínua temos a resistência, em corrente alternada temos a impedância, que
é a oposição à passagem da corrente quando submetida à tensão em corrente alternada. Portanto, fique
atento a esta diferença, pois vamos utilizar no desenvolvimento dos próximos capítulos.

Figura 35 -  Símbolo da impedância


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Veja a seguir os tipos de circuitos de corrente alternada contendo resistores, indutores e capacitores.

3.4 circuito rl

Um circuito RL é um circuito que possui resistência e indutância. A capacitância presente no circuito é


muito pequena e por isso é desprezada. A imagem a seguir nos mostra lado a lado um circuito RL em série
e um circuito RL em paralelo.

V R
V
120 Vrms 120 Vrms R L
60 Hz 200 Ω 60 Hz 150 mH
300 Ω
0º 0º
L
100 mH

Figura 36 -  Circuitos RL
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
64

3.4.1 circuito rl série

Como observamos na figura anterior, a forma de classificação dos circuitos em série e paralelo são as
mesmas utilizadas na corrente contínua, tendo como principal diferença a presença do indutor.
Para a resolução de circuitos RL em série alimentados por corrente alternada, é necessário calcular a
impedância do circuito, que geralmente é calculada através da seguinte equação:

Z = R + j(Xl - Xc)

Por ser um circuito RL, a capacitância é desconsiderada e então podemos simplificar a fórmula para:

Z = R + jXl

Veja o exemplo a seguir da resolução de um circuito RL.

R1
V1 500 Ω
80 Vrms
60 Hz

L1
250 mH

Figura 37 -  Circuito RL série


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Neste exemplo, iremos calcular a corrente total do circuito e fazer a representação fasorial no plano
cartesiano de tensão e corrente.

1º Passo: calcular a reatância indutiva do circuito;


XL = 2 . π . f . L
XL = 2 .π . 60 . 250 . 10-3
XL = 94,248 Ω
3 Corrente alternada
65

2º Passo: calcular a impedância do circuito;


Z = R + jXl
Z = 500 + j94,248

3º Passo: converter a impedância para a forma polar;

Z = 508,805 10,674°

4º Passo: calcular a corrente utilizando a Lei de Ohm;

V
i =
Z

80 0°
i =
508,805 < 10,674°
10,674°

-10,674° A
i = 0,157 <-10,674° A

5º Passo: representar os fatores no plano cartesiano.

0 = -10,647 V

i = 0,157A

Gráfico 12 -  Representação fasorial


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
66

3.4.2 circuito rl Paralelo

Assim como no circuito em série, necessitaremos do seu conhecimento em circuitos paralelo em cor-
rente contínua, pois utilizaremos a mesma dinâmica de cálculo.
Uma característica comum dos circuitos em paralelo é que a tensão em todos os elementos do circuito
é igual à tensão da fonte; no circuito RL em paralelo, a tensão é igual para o resistor e indutor, isso nos per-
mite calcular a corrente em cada ramo e somá-las para obter a corrente total. A corrente que flui no ramo
resistivo não possui atraso em relação à tensão da fonte; contudo, no ramo indutivo, a corrente sofre um
atraso de 90º em relação à tensão da fonte, devido à presença do indutor.
No exemplo a seguir, você verá o processo de cálculo da impedância e da corrente total em um circuito
RL paralelo.

V1
60 Vrms R1 L1
60 Hz 150 Ω 80 mH

Figura 38 -  Circuito RL paralelo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

1ºPasso: calcular a reatância indutiva do circuito;


XL = 2 . π . ƒ . L
XL = 2 . π . 60 . 80 . 10-3
XL = 30,159 Ω

2ºPasso: calcular a corrente no resistor;

V
iR =
R

60 < 0°

iR =
150 <0°

iR = 0,4 < 0°
0° A
A
3 Corrente alternada
67

3ºPasso: calcular a corrente no indutor;

V
iL =
Xl

60 <0°

iL =
30,159 < 90°
90°

iL = 1,989 <-90°
-90°AA

4ºPasso: somar as correntes;


it = iR + iL
it = 0,4 <0°0° + 1,989 <-90°
-90°
it = (0,4 + j0) + (0 - j1,989)
it = 0,4 - j1,989 A
it = 2,029 <-78,63°
-78,63°AA

0 = -78,63%

i = 2,029A

Gráfico 13 -  Representação fasorial 2


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

5º Passo: calcular a impedância.

V
Z =
i

60 <0°

Z =
2,029 <-78,63°
-78,63°

Z = 29,571 <78,63°
78,63°AA
ELETRICIDADE - VOLUME II
68

Lembre-se de que neste tipo de circuito, quando calculado na forma polar, o indutor tem defasagem
de 90°.

3.5 circuito rc

Assim como foi visto nos circuitos RL, o circuito RC possui resistência e capacitância presente no circuito.

V
120 Vrms V C
60 Hz R 120 Vrms
0º 60 Hz R 100 uF
10 k Ω 50 k Ω

C
80 uF

Figura 39 -  Circuitos RC
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

3.5.1 circuito rc série

Para os circuitos RC em série usamos da mesma dinâmica de cálculos dos circuitos em RL em série, de-
vido ao fato de ambos estarem em série.

V1 R1
127 Vrms 230 Ω
60 Hz

C1
20 uF

Figura 40 -  Circuito RC série


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
3 Corrente alternada
69

Vamos acompanhar um exemplo de como calcular a impedância e corrente do circuito, além de realizar
representação no plano cartesiano.

1º Passo: calcular a reatância capacitiva do circuito;

1
XC =
2.π.f.C

1
XC =
2 . π . 60 . 20 . 10-6

XC = 132,629 Ω

2º Passo: calcular a impedância do circuito;


Z = R - jXC
Z = 230 - j132,629

3º Passo: converter a impedância para a forma polar;

Z =265,5 <-29,97°
-29,97°

4º Passo: calcular a corrente utilizando a Lei de Ohm;

V
i =
Z

127 <0°

i =
265,5 <-29,97°
-29,97°

i = 0,478 <29,97°
29,97°AA
ELETRICIDADE - VOLUME II
70

5º Passo: representar os fatores no plano cartesiano.

i = 0,478A
V
0=29,97o

Gráfico 14 -  Representação fasorial 3


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

3.5.2 circuito rc Paralelo

O procedimento de resolução de um circuito RC em paralelo é bastante semelhante ao RL. Acompanhe


o processo a seguir.

V1
C1
50 Vrms 150 uF
60 Hz R1

40 Ω

Figura 41 -  Circuito RC paralelo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
3 Corrente alternada
71

1ºPasso: calcular a reatância capacitiva do circuito;

1
XC =
2 . π. ƒ . C

1
XC =
2 . π . 60 . 150-6

XC = 17,684 Ω

2ºPasso: calcular a corrente no resistor;

V
iR =
R

50 <0°0°
iR =
40 <0°0°

iR = 1,25 <0°
0°AA

3ºPasso: calcular a corrente no capacitor;

V
iC =
Xl

50 <0°

iC =
17,684 <-90°
-90°

iC = 2,827 <90°
90°AA

4ºPasso: somar as correntes;


it = iR + iC
it = 1,25 <0°
0° + 2,827 <90°
90°
it = (1,25 + j0) + (0 + j2,827)
it = 1,25 + j2,827 A
it = 3,091 < 66,15°
66,15° AA
ELETRICIDADE - VOLUME II
72

i = 3,091A

0=66,15o V

Gráfico 15 -  Representação fasorial 4


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

5º Passo: calcular a impedância.

V
Z =
i

40 <0°0°
Z =
3,091 <66,15°
66,15°

Z = 12,941 <-66,15°
-66,15°AA
3 Corrente alternada
73

3.6 circuito rlc

Nos circuitos RLC, teremos a oportunidade de reunir em um único circuito os componentes resistor,
indutor e capacitor. Ele também é representado por ligações em série e paralelo.

R
4k Ω
V V
120 Vrms 120 Vrms R L C
60 Hz L 60 Hz 350 mH 80 uF
300 mH 4k Ω
0º 0º

C
80 uF

Figura 42 -  Circuitos RLC


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

3.6.1 circuito rlc série

Vejamos abaixo um exemplo de um circuito RLC em série. Vamos utilizar este circuito para calcular a
impedância e sua corrente total, além de realizar representações no plano fasorial.

R1
120 Ω
V1
220 Vrms
50 Hz L1
30º 100 mH

C1
40 uF

Figura 43 -  Circuito RLC série


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
74

1º Passo: calcular a reatância indutiva;


XL = 2 . π . ƒ . L
XL = 2 . π . 50 . 100 . 10-3
XL = 31,416 Ω

2º Passo: calcular a reatância capacitiva;

1
XC =
2.π.ƒ.C

1
XC =
2 . π . 50 . 40 . 10-6

XC = 79,577 Ω

3º Passo: calcular a impedância;


Z = R + j( XL - XC)
Z = 120 + j(31,416 - 79,577)
Z = 120 - j(48,161)
Z = 129,304 <-21,87°
-21,87°ΩΩ

4º Passo: calcular a corrente total;


V
i =
Z

220 <30°
30°
i =
129,304 <-21,87°
-21,87°

i = 1,701 <51,87°
51,87°AA
3 Corrente alternada
75

5º Passo: elaborar diagrama fasorial.

i = 1,701A

V = 220 V
51,87o
30 o

Gráfico 16 -  Representação fasorial 5


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

3.6.2 circuito rlc Paralelo

Vejamos abaixo um exemplo de um circuito RLC em paralelo. Mais uma vez, vamos utilizar este circuito
para calcular a impedância e sua corrente total, além de realizar representações no plano fasorial.

V1

127 Vrms R1 L1 + C1
60 Hz 20 Ω 60 mH 160 uF

Figura 44 -  Circuito RLC paralelo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
76

1º Passo: calcular a reatância indutiva;


XL = 2 . π . ƒ . L
XL = 2 . π . 60 . 60 . 10-3
XL = 22,619 Ω
2º Passo: calcular a reatância capacitiva;

1
XC =
2.π.ƒ.C

1
XC =
2 . π . 60 . 160 . 10-6

XC = 16,579 Ω

3º Passo: cálculo da corrente no resistor;

V
iR =
R

127 <0°0°
iR =
20 <0°0°

iR = 6,35 <0°0°AA

4º Passo: cálculo da corrente no indutor. É importante lembrar que o indutor se encontra defasado em
90º;
V
iL =
L

127 <0°0°
iL =
22,619 <90°
90°

iL = 5,615 <-90°
-90°AA
3 Corrente alternada
77

5º Passo: cálculo da corrente no capacitor. É importante lembrar que o capacitor se encontra defasado
em -90º;

V
iC =
C

127 <0°0°
iC =
16,579 <-90°
-90°

iC = 7,66 <90°
90°AA

6º Passo: cálculo da corrente total;


it = iR + iL + iC
it = (6,35 <0°0°) + (5,615 <-90°
-90°) + (7,66 <90°
90°)
it = (6,35 + j0) + (0 - j5,615) +(0 + j7,66)
it = 6,35 + j2,045 A
it = 6,671 <17,85°
17,85°AA

7º Passo: elaborar o diagrama fasorial.

i = 6,671A
17,85 o
V

Gráfico 17 -  Representação fasorial 6


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Podemos visualizar nos circuitos apresentados sua semelhança aos cálculos de circuitos em corrente
contínua.
ELETRICIDADE - VOLUME II
78

3.7 potência em corrente alternada

Definimos potência como o trabalho realizado pela corrente elétrica em um determinado tempo. Este
conceito permite de modo prático e simples compreender o que é esta grandeza elétrica, contudo, em
circuitos de corrente alternada, a potência é dividida em três tipos: aparente, ativa e reativa.

Potência aparente (S)

Potência reativa (Q)

Potência ativa (P)

Figura 45 -  Triângulo das potências


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

As três potências juntas formam o triângulo das potências, onde a potência ativa e a potência reativa
representam os catetos e a potência aparente a hipotenusa. Veja a seguir o conceito e como calcular cada
potência.

3.7.1 Potência ativa (P)

É a potência utilizada para realizar trabalho. Em circuitos compostos apenas por resistores como, por
exemplo, o chuveiro elétrico, toda a potência é ativa. Como nos mostra a imagem Triângulo das potências,
a potência ativa está localizada no eixo horizontal. Ela é medida em Watts (W) e pode ser calculada pela
seguinte equação:
P = V . i . cos φ
Sendo:
V = a tensão elétrica;
i = a corrente elétrica;
φ = o ângulo formado entre a tensão e a corrente.

3.7.2 Potência reativa (Q)

Esta potência não realiza trabalho, ela é utilizada para gerar e manter campos magnéticos. Corresponde
ao eixo vertical no triângulo das potências, que é o eixo associado a resistores e indutores, elemento de
resistência imaginária. A potência reativa é medida em Volt-Ampère-reativo (VAR) e pode ser calculada
pela seguinte equação:
3 Corrente alternada
79

Q = V . i . sen φ
Sendo:
V = a tensão elétrica;
i = a corrente elétrica;
φ = o ângulo formado entre a tensão e a corrente.

3.7.3 Potência aparente (S)

A potência aparente é a soma vetorial entre a potência ativa e a potência reativa. A potência aparente é
medida em Volt-Ampère (VA) e pode ser calculada pela seguinte equação:

S = V.i
Sendo:
V = a tensão elétrica;
i = a corrente elétrica.

Como visto na figura Triângulo das potências, é possível aplicar o teorema de Pitágoras no triângulo das
potências e modelar a equação a seguir, que pode ser utilizada para o cálculo de uma das potências caso
outras duas sejam conhecidas:
S = √P2 + Q2

R1
V1 50 Ω
220 Vrms
60 Hz L1
30º 400 mH

+ C1
33 uF

Figura 46 -  Exemplo de circuito RLC


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
80

Veja a seguir um exemplo de cálculo das potências em um circuito de corrente alternada, tendo como
base as informações presentes na figura anterior.

1º Passo: cálculo da reatância indutiva;


XL = 2 . π . ƒ . L
XL = 2 . π . 60 . 400 . 10-3
XL = 150,80 Ω

2º Passo: cálculo da reatância capacitiva;


1
XC =
2.π.ƒ.C

1
XC =
2 . π . 60 . 33 . 10-6

XC = 80,38 Ω

3º Passo: calcular a impedância;


Z = R + j(XL - XC)
Z = 50 + j(150,80 - 80,38)
Z = 50 + j70,42
Z = 86,365 <54,62°
54,62°ΩΩ

4º Passo: cálculo da corrente total;


i = V/Z
220 < 30°
i =
86,365 <30°
54,62°
54,62°
i = 2,547 < -24,62° A
-24,62° A
5º Passo: cálculo da potência aparente;
S = V.i
S = 220 . 2,547
S = 560,34 VA
3 Corrente alternada
81

6º Passo: cálculo da potência ativa;


P = V . i . cos φ
P = 220 . 2,547 . cos 54,62°
P = 324,43 W

7º Passo: cálculo da potência reativa.


Q = V . i . sen φ
Q = 220 . 2,547 . sen 54,62°
Q = 456,86 VAR

3.8 fator de potência

O fator de potência expressa a relação entre a potência ativa e a potência aparente em um circuito de
corrente alternada. Ele é um valor absoluto admissional que pode ser expresso em números decimais ou
em forma de porcentagem. Matematicamente, podemos definir pela fórmula a seguir.

P
Fp = Cos φ =
S

Sendo:
φ = o ângulo de defasagem formado pela tensão e corrente;
P = a potência ativa;
S = a potência aparente.

Tomando como referência o exemplo anterior no qual calculamos as potências ativa, reativa e aparente,
podemos calcular o fator de potência do circuito apenas dividindo a potência ativa pela aparente. Observe
o cálculo a seguir.
P
Fp =
S

324,43
Fp =
560,34

Fp = 0,58

No Brasil, o fator de potência mínimo aceitável é de 0,92, sendo este definido pela Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL). As instalações elétricas, cujo fator de potência está abaixo de 0,92, estão sujeitas
ELETRICIDADE - VOLUME II
82

a serem multadas pelas concessionárias de energia elétrica. Em uma indústria o baixo fator de potência
indica a presença de muita potência reativa, o que aumenta o custo da conta de energia, além de deman-
dar mais corrente dos circuitos. Por estes motivos, a correção de fator de potência é um procedimento
bastante requisitado pelas indústrias.

Correção de fator de potência

O processo de correção de fator de potência se dá com a instalação de um capacitor ou um banco de


capacitores no sistema. O baixo fator de potência está associado à potência reativa e consequentemente à
presença de indutores nos circuitos. Por este motivo, a instalação de capacitores e a inserção de reatância
capacitiva no circuito combate a reatância indutiva reduzindo a potência reativa e consequentemente
aumentando o fator de potência.
A quantidade necessária de potência reativa a ser corrigida pode ser calculada através da seguinte
fórmula:
Qcap = P . (tan φ1 - tan φ2)
Sendo:
P = a potência ativa;
φ1 = o ângulo do fator de potência original;
φ2 = o ângulo do fator de potência corrigido.

Veja a seguir um exemplo de correção de fator de potência.


Um motor elétrico ligado a uma tensão de 220 V possui uma potência ativa de 3680 W e 2568,65 VAR
de potência reativa. Com essas informações, vamos calcular o fator de potência atual e a quantidade de
potência reativa que deve ser retirada do circuito para que ele passe a ter um fator de potência igual a 0,95.

1º Passo: calcular a potência aparente;


S = √P2 + Q2
S = √36802 + 2568,65²
S = √13542400 + 6597962,823
S = √20140362,82
S = 4487,80 VA
3 Corrente alternada
83

2º Passo: calcular o fator de potência;

P
Fp =
S

3680
Fp =
4487,80

Fp = 0,82

3º Passo: calcular o ângulo do fator de potência original e do fator de potência corrigido;

Fp = Cos φ1 = 0,82
φ1 = acos 0,82
φ1 = 34,91

Fp = Cos φ2 = 0,95
φ2 = acos 0,95
φ2 = 18,19°

Para encontrar um ângulo a partir de um valor de seno, cosseno ou tangente, é necessária a utilização
de uma tabela com as funções trigonométricas ou uma calculadora científica. No caso da utilização da
calculadora, observe o procedimento a ser feito: você deve apertar a tecla SHIFT, em seguida a tecla cos,
inserir o valor do cosseno e, por último, apertar a tecla =.

4º Passo: aplicar a fórmula para calcular a quantidade necessária de potência reativa a ser corrigida;

Qcap = P . (tan φ1 - tan φ2)


Qcap = 3680 . (tan 34,91° - tan 18,19°)
Qcap = 1358,95 VAR
ELETRICIDADE - VOLUME II
84

5º Passo: considerando que o capacitor seja instalado em paralelo para efetuar a correção do Fp, po-
demos calcular a capacitância necessária. Para isto, será necessário calcular a corrente que irá fluir por ele.
Observe a seguir:
Q
i =
V

1358,95
i =
220

i = 6,18 A

6º Passo: com o valor da corrente e da tensão, podemos calcular o valor da reatância capacitiva;

V
XC =
i

220
XC =
6,18

XC = 35,60 Ω

7º Passo: a capacitância pode ser calculada a partir da reatância capacitiva. Observe as operações a
seguir.

1
XC =
2.π.ƒ.C

1
C =
2 . π . ƒ . XC

1
C =
2 . π . 60 . 35,60

C = 74,51µF

Podemos observar com o exemplo anterior que o cálculo de fator de potência e correção de fator de
potência demandam conhecimentos dos circuitos elétricos vistos anteriormente como RL, RC, RLC tanto
em série quanto em paralelo, pois os circuitos nas indústrias são alimentados por cargas que podem ser
instaladas tanto em série quanto em paralelo.
3 Corrente alternada
85

CASOS E RELATOS

Conhecer a empresa e os processos é fundamental!


Caroline, técnica em eletrotécnica formada pelo SENAI Sergipe, atua no setor de manutenção elé-
trica da Azura Papéis, uma fábrica de papel higiênico e papel toalha situada em Aracaju – Sergipe. A
empresa está no mercado há 5 anos e rapidamente se tornou referência nessa área de atuação. Re-
centemente, a direção iniciou uma campanha de conscientização dos funcionários, visando reduzir
o consumo de energia elétrica e consequentemente a despesa com a conta de energia, pois desde
que a fábrica passou por uma ampliação, o valor da conta disparou.
Conhecendo o trabalho da empresa com a adição de motores de alta potência na última expansão,
Caroline desconfiou que o aumento no preço da conta não estaria relacionado apenas ao aumento
do consumo por conta da adição de novas máquinas, mas sim, com as multas referentes à queda no
fator de potência da empresa.
Caroline fez uma rápida análise das contas de energia e percebeu que a empresa estava sendo mul-
tada continuamente por baixo fator de potência. Com esta informação, ela conduziu um estudo
para instalação de um banco de capacitores na fábrica, visando corrigir o fator de potência para
0,92. Assim, evitaria a multa da concessionária de energia. Junto ao dimensionamento do banco
de capacitores, ela fez também um estudo de retorno de investimento. Pois o custo para instalação
e manutenção do banco de capacitores geraria despesas, com o estudo de retorno ela conseguiu
estimar que o investimento no banco iria se pagar em 6 meses.
Após reunião com a direção, Caroline apresentou o resultado do estudo que foi aprovado por todos
os membros devido ao rápido tempo de retorno do investimento. Conforme previsto por ela, após 6
meses de instalação do banco de capacitores, a economia provocada pela nova instalação pagou a
própria despesa para sua implantação.

Transformadores

Um transformador é uma máquina elétrica utilizada em circuitos de corrente alternada para manipular
grandezas elétricas, normalmente tensão ou corrente. O princípio de funcionamento dos transformadores
é baseado nas Leis de Lenz e de Faraday, e por isto utiliza de duas bobinas para a transferência de energia.
A bobina de entrada recebe o nome de primário e a bobina de saída recebe o nome de secundário. Obser-
ve a seguir um modelo de transformador.
ELETRICIDADE - VOLUME II
86

Figura 47 -  Transformador
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

O autotransformador é um tipo de transformador constituído de apenas


um enrolamento, a variação de tensão é obtida através de derivações
CURIOSIDADES feitas ao longo de suas espiras.
(Fonte: GUSSOW, 2009).

Classificação de dos transformadores

Podemos classificar os transformadores da seguinte forma:


a) Quanto à grandeza manipulada: podem ser de potencial ou de corrente:
-- Transformador de Potencial (TP): transformador utilizado para aumentar ou reduzir a tensão
elétrica, utilizado no sistema de distribuição elétrica para rebaixar a tensão de distribuição,
normalmente, no valor 13,8 kV para 127, 220 ou 380 V;
-- Transformador de Corrente (TC): transformador que manipula corrente elétrica, bastante
empregado em medidores para sistemas de alta corrente, atua reduzindo a corrente para um
nível que possa ser medido com a ajuda de um instrumento de medição.

b) Quanto à função: um transformador pode ser aplicado para aumentar ou diminuir a tensão.
Desta forma, são classificados em:
-- Transformador elevador: quando o número de espiras do secundário é maior que o número
de espiras no primário, neste caso a tensão de saída será maior que a tensão de entrada. Um
exemplo de aplicação deste tipo de transformador é nas usinas hidrelétricas; depois que a
3 Corrente alternada
87

energia é produzida em um nível de tensão, ela passa por um transformador para aumentar a
tensão e reduzir os custos de transporte de energia.

Primário Secundário

Figura 48 -  Transformador elevador


Fonte: SENAI DR BA,2017.

c) Transformador abaixador: quando o número de espiras do secundário é menor que o número


de espiras no primário, neste caso a tensão de saída será menor que a tensão de entrada. É co-
mum a aplicação deste tipo de transformador em circuitos eletrônicos, onde o primário recebe
uma tensão de 127 ou 220 V e o secundário fornece uma tensão de 24 ou 48 V.

Primário Secundário

Figura 49 -  Transformador abaixador


Fonte: SENAI DR BA,2017.

Como vimos anteriormente, o número de espiras está associado com a tensão do respectivo terminal.
Desta forma, é possível calcular a tensão no secundário, desde que seja conhecida a tensão no primário e
a quantidade de espiras. Observe a equação a seguir:

VP NP
=
Vs Ns
ELETRICIDADE - VOLUME II
88

Sendo:
VP = a tensão no primário;
Vs = a tensão no secundário;
NP = o número de espiras no primário;
NS = o número de espiras no secundário.

Para o estudo de transformadores, do ponto de vista acadêmico, não consideramos as perdas associa-
das a este dispositivo; esse transformador é conhecido como transformador ideal.
Veja o exemplo de cálculo de tensão no secundário de um transformador a seguir.
Um transformador está ligado a uma tensão de 127 V e possui 180 espiras no primário e 20 espiras no
secundário. Observe a seguir como ocorre o cálculo da tensão no secundário deste transformador.

1º Passo: montar a fórmula e substituir as informações obtidas no texto do exemplo;

VP NP
=
Vs Ns

127 180
=
VS 20

2º Passo: efetuar as operações e calcular o valor da tensão no secundário.

127 . 20
VS =
180

VS = 14,11 V

A corrente que passa nas espiras do transformador é inversamente proporcional à tensão. Matematica-
mente, podemos escrever a relação da seguinte forma:

VP IS
=
VS IP

Sendo:
IP = a corrente no primário;
IS = a corrente no secundário.
3 Corrente alternada
89

RECAPITULANDO

Neste capítulo, aprendemos sobre a corrente alternada, como ela é produzida, valores característicos
e o processo para extrair os valores de pico, pico a pico, e valor eficaz a partir de uma onda senoidal.
Observamos que a capacitância, que é a oposição que um capacitor oferece à variação de tensão, e a
indutância, que é a oposição que um indutor oferece à variação de corrente, estão presentes durante
todo o tempo de funcionamento em um circuito de corrente alternada.
Ainda neste capítulo, tratamos de impedância que, para um circuito de corrente alternada, pode ser
definida como a oposição total à passagem de corrente, causada por resistores, indutores e capaci-
tores. Esse conhecimento nos permitiu conhecer sobre os circuitos formados por estes elementos:
circuito RL, RC e RLC em série e em paralelo.
Por fim, estudamos a potência em corrente alternada que, como dito anteriormente, se comporta
diferente da corrente contínua. Em CA, temos: a potência ativa que é utilizada para gerar trabalho; a
potência reativa que é consumida para gerar e manter os campos magnéticos, e a potência aparen-
te, que pode ser definida como a potência total. Vimos também que transformadores são um tipo de
máquina elétrica que permite manipular tensão ou corrente, aumentando ou reduzindo seu valor.
Medidas elétricas

Este capítulo será dedicado especialmente à medição de grandezas elétricas e instrumen-


tos de medição. Mas, afinal, o que são medidas elétricas?
De acordo com Michaelis (2017), o ato de medir pode ser definido como “determinar a me-
dida ou a grandeza de algo utilizando um instrumento de medição; mensurar”. Este processo é
parte fundamental e constante nas atividades diárias de um técnico em eletrotécnica, seja em
uma simples constatação de ausência de tensão quando um circuito é desenergizado ou ainda
a medição e um sinal de corrente contínua para o ajuste de um processo industrial.

Figura 50 -  Medição na indústria


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Neste capítulo, iremos estudar também os instrumentos de medição de grandezas, como:


voltímetro, amperímetro, cossifímetro, frequencímetro, ohmímetro; medidor de energia; prin-
cípios de funcionamento dos aparelhos, características gerais, como: posição de montagem,
tensão de isolação, escala, precisão e sensibilidade.
ELETRICIDADE - VOLUME II
92

4.1 Princípio dO funcionamento dos instrumentos de medida

O funcionamento dos instrumentos de medida relaciona os dispositivos e princípios utilizados no ins-


trumento de medição para permitir a quantificação da grandeza física. Estes instrumentos podem ser divi-
didos entre analógicos e digitais.
A seguir, confira mais detalhes sobre esses instrumentos, sua composição e finalidade na medição.

4.1.1 INSTRUMENTOS ANALÓGICOS

Os instrumentos analógicos são equipamentos que funcionam utilizando os efeitos dos campos eletro-
magnéticos ou efeitos eletrostáticos que são bases para funcionamentos destes dispositivos, possui ainda
partes mecânicas e escalas representativas dos seus sinais de medição.
a) Ferro móvel
É um instrumento que possui o sistema de ferro móvel em seu interior. Na figura a seguir, vemos que
o instrumento é montado em uma peça de ferro e uma chapa móvel. Quando a bobina do instrumento é
percorrida por uma corrente elétrica, as chapas são magnetizadas fazendo com que o ponteiro do instru-
mento se mova. Existe ainda uma mola montada junto ao ponteiro que retorna à posição zero quando o
instrumento é desligado. Esse tipo de instrumento pode ser utilizado para realizar a medição da corrente
alternada ou em corrente contínua.

Instrumento de ferro móvel

Bobina

Chapa fixa
de ferro
Mola de
Chapa
compensação
móvel

Amortecimento

Figura 51 -  Instrumento ferro móvel


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

b) Bobina móvel
Este tipo de instrumento tem sua estrutura interna constituída de um ímã permanente e uma bobina
móvel que gira quando é percorrida por uma corrente elétrica fazendo com que o ponteiro se movimen-
te. Para instrumentos construídos com este sistema, o zero da escala pode estar posicionado no centro
4 Medidas elétricas
93

do visor ou nas extremidades. Este tipo de instrumento pode ser utilizado para medir tensão ou corrente
contínua.

Instrumento de bobina móvel

Ímã permanente

Núcleo de ferro

Bobina Sapata polar

Espiral
Figura 52 -  Instrumento bobina móvel
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

c) Eletrodinâmico
O eletrodinâmico possui em seu interior duas bobinas, sendo uma móvel e outra fixa. Quando uma cor-
rente elétrica percorre as bobinas, elas são polarizadas de modo a produzir uma força de repulsão, fazendo
com que o ponteiro se movimente. Este sistema pode ser empregado para voltímetros, amperímetros e
wattímetros, podendo ser aplicados em sistemas de corrente contínua ou corrente alternada. Na figura a
seguir, é possível visualizar um instrumento analógico que utiliza o sistema eletrodinâmico.

Instrumento eletrodinâmico

Bobina
móvel

Espiral

Bobina fixa

Figura 53 -  Instrumento eletrodinâmico


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
94

Uma variante do sistema eletrodinâmico é o eletrodinâmico blindado, que é aplicado quando existe
uma influência magnética no ambiente. Neste modelo, a bobina é envolta por uma camada de ferro que
promove a blindagem ao sistema.

Instrumento eletrodinâmico blindado

Enrolamento de campo

Núcleo de ferro

Bobina móvel
Figura 54 -  Instrumento eletrodinâmico blindado
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

d) Ressonante
Aparelhos construídos com o sistema ressonante. Parte-se do princípio da ressonância, ou seja, utili-
zam-se diversas lâminas e uma bobina, que quando conectada a uma corrente alternada, gera um campo
eletromagnético, fazendo com que as lâminas vibrem; por esta vibração, é possível determinar a frequên-
cia da corrente alternada submetida.

Frequencímetro de lâminas

50 60 70

Hz
Lâmina
vibrando

Bobina Lâminas

Figura 55 -  Instrumento ressonante


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
4 Medidas elétricas
95

Nas medições de eletricidade, trabalhamos com simbologia para representar alguns instrumentos. No
quadro abaixo, podemos verificar as simbologias aplicadas para os tipos de instrumentos utilizados.

Alimentação

Corrente contínua Corrente alternada Corrente contínua Corrente alternada


monofásica ou alternada trifásica

Bobina móvel

V
Com par Com circuito Com medidor
Geral Com retificador
termelétrico eletrônico de quociente

Ferro móvel Eletrodinâmico

Com lâmina Com núcleo de Com medidor


Geral Geral
bimetálica ferro de quociente
Demais simbologias

Instrumento Terminal de Botão de ajuste


ressoante aterramento do zero

Quadro 2 - Simbologias para instrumentos de medidas


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

SAIBA Para ampliar os seus conhecimentos sobre simbologias aplicadas aos instrumentos de
medição, consulte: MEDEIROS FILHO, Solon de. Fundamentos de medidas elétricas.
MAIS Curitiba: Guanabara, 1981.

4.1.2 Instrumentos Digitais

São equipamentos que atuam convertendo os sinais a serem medidos de analógicos para digitais, ne-
cessitam de circuito digital, pois atuam como conversor analógico digital, também conhecido como con-
versor ADC.
ELETRICIDADE - VOLUME II
96

Os instrumentos digitais têm seu funcionamento baseado na conversão do sinal analógico em digital.
Isso quer dizer que quando submetemos um instrumento digital a uma medição, como, por exemplo, a
tensão elétrica, esta tensão é convertida em sinal digital.
A figura a seguir demostra um esquema resumido do processo de conversão, a começar pela entrada
para a medida, que mostra a conexão com a ponta de prova do instrumento, seguindo pela chave seleto-
ra, que tem como papel selecionar os diversos níveis de entrada do sinal, ou seja, é onde selecionamos a
escala de trabalho do instrumento. Já o amplificado e conversor AC – DC, consiste em um circuito capaz de
realizar o aumento do nível de sinal capaz de ser entendido pelo circuito conversor AC-DC.
O conversor do sinal analógico para digital apresenta um circuito chamado de conversor Analógico
para Digital, comumente conhecido por conversor A/D. Cabe a este circuito o papel fundamental de con-
versão. Existem várias técnicas de conversão onde leva-se em conta a complexidade do circuito e o tempo
para ocorrer a conversão de sinal. Como exemplo temos: conversão com codificação paralela, aproxima-
ções sucessivas, dentre outros.

Entrada
para medida
Chave seletora
de medidas

R Amplificador Conversor Display do


de entrada e analógico cristal
conversor digital líquido
R AC - DC (ADC) (LCD)

Figura 56 -  Representação do processo de conversão


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Para finalizar o processo de conversão, é necessário que seja exibida uma informação. Essa exibição
chama-se IHM. No caso dos multímetros, é utilizado como IHM um display de cristal líquido, semelhante
aos utilizados em algumas televisões. Este tipo de display ou visor de LCD5 ou LED6 apresenta diversos for-
matos e formas de exibições das informações, dispensando a utilização de ponteiros. Os valores medidos
são exibidos neste visor. Veja na figura a seguir.

5 LCD: do inglês, visor de cristal líquido.


6 LED: do inglês, diodo emissor de luz.
4 Medidas elétricas
97

27.9ºC 6.99
0.0.0.
Display LCD Display LED

Figura 57 -  Displays de LED e LCD


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

4.2 Características básicas dos instrumentos de medida

Para escolher um instrumento de medida adequado à medição que será realizada, além da grandeza
correta é importante conhecer as principais características que definem o instrumento, como: escala pre-
cisão, sensibilidade, posição, etc. Confira a seguir as características básicas dos instrumentos de medida.

Escala

20 30
40
10 50
0

V
Figura 58 -  Escala
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Nos instrumentos analógicos, para que a medida faça sentido, é desenvolvida pelo fabricante a escala
que tem o papel fundamental de indicar a medida ao leitor, pois, como vimos anteriormente, nos princí-
pios dos instrumentos analógicos, o ponteiro será o componente que apresenta variação, cabendo à esca-
la o papel informativo. As escalas podem ter divisões iguais, como na imagem anterior, ou com diferenças,
como ocorre com os aparelhos do sistema eletrodinâmico.

É importante que o observador esteja sempre alinhado corretamente com o visor do


FIQUE medidor analógico para que ele não seja afetado pelo chamado erro de paralaxe, que
ALERTA acontece quando o valor mostrado pelo instrumento é lido em um ângulo desfavorá-
vel.
ELETRICIDADE - VOLUME II
98

Precisão

A precisão de um instrumento de medida indica a margem de erro percentual que pode ser obtida na
medição e uma grandeza utilizando o aparelho em questão. É importante ficar atento à necessidade de
precisão dos instrumentos para cada tipo de necessidade, pois um instrumento escolhido de forma errada
pode acarretar valores de medições que não refletem a realidade.
Vamos supor que você necessita medir uma fonte contínua que o fabricante garante que tenha 5 V.
Para que este fabricante possa garantir esta medição, certamente ele utilizou instrumentos com alto grau
de precisão. Normalmente, os instrumentos são divididos em duas classes, conforme você pode observar
no quadro a seguir:

INSTRUMENTOS DE SERVIÇO
PARA LABORATÓRIOS
(PARA FINS NORMAIS)

±0,1 ±1,0

±0,2 ±1,5

±0,5 ±2,5

±5,0

Quadro 3 - Precisão para instrumentos de medição


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Sensibilidade

A sensibilidade de um instrumento de medida indica a capacidade desse instrumento efetuar a me-


dição de uma grandeza em um circuito sem alterar significativamente as características dele. Tomando
como referência o voltímetro, aparelho utilizado para medir tensão elétrica, podemos montar o esquema
a seguir. Observe:

Corrente desprezível Corrente representativa

Voltímetro Voltímetro
V R V R

Circuito com Circuito com


voltímetro com voltímetro com
resistência interna resistência interna
elevada. baixa.

Figura 59 -  Sensibilidade em um instrumento de medição


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
4 Medidas elétricas
99

Na imagem anterior, é possível ver dois circuitos: um contendo um voltímetro com resistência interna
elevada e outro que possui resistência elétrica baixa. Como o voltímetro é conectado em paralelo ao cir-
cuito, se ele possuir uma resistência baixa fará com que uma parcela considerável da corrente do circuito
comece a passar por ele, influenciando negativamente no resultado da medição.
No exemplo visto anteriormente, o voltímetro com resistência interna elevada apresentará uma melhor
sensibilidade. Para os amperímetros, o comportamento é semelhante, contudo, por serem inseridos em
série no circuito, o amperímetro de menor resistência irá apresentar uma melhor sensibilidade.

Posição

A posição do instrumento refere-se à montagem ou instalação do instrumento de medição, por exem-


plo, em um painel elétrico, podendo ser representado por três posições comuns, sendo elas horizontal,
vertical ou inclinada. Observe a imagem a seguir em que utilizamos símbolos para classificar o tipo de
posição.

75
Posição vertical 100
50
12
25 5
15
0

0,2
V
Posição horizontal 75
100
50
12
25 5
15
0

0,4
V
Posição inclinada 400
200
60

60º
0

1,5
V
Figura 60 -  Posições de instalação de medidores
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
100

Instrumentos que devem ser utilizados na posição inclinada devem apresentar o ângulo de inclinação
admitido. Quando um instrumento não apresenta simbologia quanto à posição, significa que pode funcio-
nar em qualquer posição.
Vejamos na imagem a seguir como os instrumentos podem ser instalados.

o
1

o 3

A B C

Posição Símbolo Ângulo de montagem


1 α 90º
2 α = 90º
3 α 90º

4 α = 0º

Figura 61 -  Demonstrativo de posição dos instrumentos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Isolação

A isolação de um instrumento de medição é um parâmetro fundamental e influencia diretamente na


segurança do operador do instrumento. A tensão de isolação indica o valor máximo de tensão que um
instrumento pode receber.

1 = 1 kv

2 = 2 kv

3 = 3 kv

Figura 62 -  Tensão de isolação


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
4 Medidas elétricas
101

Caso o símbolo seja uma estrela sem nenhum número dentro, indica que o instrumento suporta até
500 V.
Vejamos um exemplo de classificação dos instrumentos.

Precisão ± 1,5 30
20
40
10 50
0

1,5
V
Ferro Isolação de
móvel até 500 V
Posição de
funcionamento
Medição em - Horizontal
ambas as
correntes

Figura 63 -  Exemplo de simbologia de instrumentos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Para efetuar a medição de circuitos que possuem um formato de onda não senoidal, é
SAIBA indicada a utilização de um aparelho true rms. Para mais informações sobre medidores
MAIS true rms, consulte: GUSSOW, Milton. Eletricidade básica. Tradução José Lucimar do
Nascimento. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.
ELETRICIDADE - VOLUME II
102

4.3 Instrumentos e grandezas

Como vimos anteriormente, os instrumentos de medida são equipamentos fundamentais para o exer-
cício da profissão. A principal classificação dos instrumentos está relacionada à grandeza que pode ser
medida pelo aparelho. A seguir, você pode conferir uma seção com os principais instrumentos de medição
utilizados nas atividades envolvendo eletricidade.

Amperímetro

O amperímetro é o aparelho utilizado para efetuar a medição de corrente elétrica. Os amperímetros


apresentam uma baixa resistência interna e são conectados em série com o circuito. A seguir você poderá
verificar a utilização da simbologia aplicada anteriormente, e também como é realizada a instalação deste
instrumento no circuito.

A 2 2,5
1,5

0 100/5

Figura 64 -  Amperímetro
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Voltímetro

O voltímetro é o aparelho utilizado para efetuar a medição de tensão elétrica. Os voltímetros apresen-
tam uma alta resistência interna e são conectados em paralelo com o circuito.

L1-N L2-N L3-N


L1-2
L2-3
500
L3-1 400
300
V
200
100
0
1,5

Figura 65 -  Voltímetro
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
4 Medidas elétricas
103

Ohmímetro

O ohmímetro é o aparelho utilizado para efetuar a medição quando desejamos saber o valor da resis-
tência elétrica. Diferente da medição de tensão e corrente, a medição de resistência deve ser feita com o
circuito desenergizado. Isso acontece porque, na verdade, calcula-se a resistência do elemento medido
internamente. Esse aparelho possui uma fonte que injeta uma corrente no sistema, em seguida, como o
valor da tensão da fonte é conhecido e, após efetuar a medida da corrente, é possível determinar a resis-
tência pela Lei de Ohm R = V .
I

Figura 66 -  Ohmímetro
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Wattímetro

O wattímetro é o aparelho utilizado para medição de potência ativa. Ele é composto por duas bobinas,
uma para medição de tensão e outra para medição de corrente. A potência é encontrada através do pro-
duto da tensão pela corrente. Observe o instrumento a seguir.

W 800 1000
600
400
200

Figura 67 -  Wattímetro
Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
104

Cossifímetro

O cossifímetro é o aparelho utilizado para efetuar a medição de fator de potência. O aparelho recebe
este nome por causa da associação entre o fator de potência e o cosseno do ângulo φ (fí).

Frequencímetro

O frequencímetro é o aparelho responsável pela medição de frequência na rede elétrica. Ele é compos-
to por lâminas metálicas de diferentes frequências em função da ação magnética de um eletroímã alimen-
tado pela frequência da rede que o aparelho foi ligado. A lâmina que vibrar com maior intensidade indicará
a frequência da rede. Verifique na imagem a unidade Hz como referência desse instrumento.

Figura 68 -  Frequencímetro analógico


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Multímetros

O multímetro é um aparelho que possibilita a medição de várias grandezas elétricas em apenas um


aparelho, sendo este um instrumento multifunção que tem como possibilidade a medição de tensão, re-
sistência, corrente, temperatura além de efetuar testes de continuidade e uma série de outras funções que
variam de acordo com o fabricante e o modelo do aparelho. O multímetro pode ser encontrado na versão
analógica e na digital, sendo a digital a mais utilizada pelos técnicos em eletrotécnica, pois possibilitam
realizar com um único instrumento a leitura de várias grandezas.
4 Medidas elétricas
105

CASOS E RELATOS

Uma decisão acertada


Danilo é técnico em eletrotécnica e trabalha no setor de manutenção elétrica da PKG metais. A PKG
metais é uma empresa que está iniciando suas operações no mercado de processamento de metais
e ligas e possui sede em Cuiabá.
O processo de preparação das ligas metálicas envolve um controle de temperatura que é possível
devido à presença de sensores que fornecem informações de temperatura para um controlador in-
dustrial que gerencia todo o processo. Após um certo período em funcionamento, o processo está
apresentando algumas inconsistências nos valores provenientes dos sensores.
Como é comum na empresa, a equipe de manutenção foi acionada com o objetivo de detectar o
problema. Uma das ações da equipe foi realizar um ajuste manual no sensor, realizando um simples
aperto no dispositivo. Entretanto, o problema continuou. Danilo então desconfiou que os valores
mostrados pelos amperímetros que são conectados em alguns dos sensores estivessem de alguma
forma errados, o que fez com que o sistema fosse ajustado de maneira incorreta, provocando a alte-
ração no produto final.
A suspeita foi confirmada quando Danilo utilizou o multímetro para fazer a medição de corrente do
sensor e verificou que o valor de corrente apontado pelo amperímetro do sistema estava incorreto.
O valor mostrado pelo multímetro era diferente do apresentado pelo amperímetro.
Com esse novo valor de corrente, Danilo refez o ajuste do sistema de acordo com a corrente apre-
sentada pelo multímetro e, após alguns testes, percebeu que o processo estava funcionando corre-
tamente. Após isso, ele solicitou a compra de um novo amperímetro para substituição do amperíme-
tro nativo do equipamento que apresentava algum tipo de defeito.

É comum na área de eletrotécnica termos problemas com diversos equipamentos. A utilização de um


bom instrumento de medição assegura que as medidas lidas são confiáveis, trazendo assim segurança
para os usuários.

medidores de energia elétrica

O princípio de funcionamento do medidor Watt-horas é semelhante ao wattímetro, constituído de duas


bobinas que, quando percorridas por uma corrente, geram um campo magnético. A medição do consumo
elétrico é feita a partir do número de voltas que o disco completa, que depende da tensão e da corrente
que passam pelo medidor. Sendo assim, o valor medido vai aumentando conforme o consumo. Por este
motivo, para saber o consumo referente a um período, é preciso fazer uma subtração entre o consumo
atual e o consumo anterior (normalmente feito a cada mês). A medição é feita em kWh.
ELETRICIDADE - VOLUME II
106

A seguir, temos a figura que representa este dispositivo de medição.

Figura 69 -  Medidor de energia


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

técnicas de medição

Uma medição pode ser realizada de forma direta ou indireta. Entendemos como medição direta o pro-
cesso pelo qual a grandeza pode ser comparada com a unidade padrão e obter o valor da medição como,
por exemplo, ao utilizar uma régua para medir uma linha, ou ainda quando inserimos um voltímetro na
tomada para visualizar um valor de tensão.
Na medição indireta, mede-se uma grandeza diferente da que se pretende mensurar. Este procedi-
mento normalmente é aplicado quando a medição direta e inviável ou perigosa. Um exemplo deste tipo
de medição é a medição de velocidade, em que e feita em função da medida de deslocamento e depois é
relacionada ao tempo para obter a velocidade.
Na área elétrica, é comum utilizarmos a medição indireta nas redes de alta tensão. Para isso, utiliza-se
um transformador para rebaixar a tensão a um nível que um aparelho de medição possa suportar. Em se-
guida, utiliza-se uma fórmula matemática como, por exemplo, a de relação de transformação para estimar
a tensão real.
4 Medidas elétricas
107

4.4 padronização de tensões EBT, BT, MT, AT e EAT, medições em EBT

A padronização de tensões tem como objetivo facilitar a compreensão do nível de tensão que será
trabalhado. Com uma simples expressão como, por exemplo, baixa tensão ou alta tensão, é possível iden-
tificar o tema e a proporção do sistema elétrico trabalhado, mesmo que o nível exato de tensão não seja
conhecido.
Segundo a Norma Regulamentadora 10 - Segurança em instalações e serviços em eletricidade, os níveis
de tensão são classificados em: EBT, BT e AT.
a) Extra-Baixa Tensão (EBT): tensão menor ou igual a 50 V em corrente alternada ou 120 V em
corrente contínua;
b) Baixa Tensão (BT): faixa de tensão entre 50 a 1000 V em corrente alternada ou 120 a 1500 V em
corrente contínua;
c) Alta Tensão (AT): tensão superior a 1000 V em corrente alternada ou 1500 V em corrente contí-
nua.
Além destes níveis estabelecidos pela NR 10, outros termos são bastante utilizados no meio técnico no
que se refere a níveis de tensão. Dentre eles, destacam-se:
a) Média Tensão (MT): normalmente, se refere à faixa de tensão entre 1000 e 36200 V;
b) Extra-Alta Tensão (EAT): este termo normalmente é utilizado para uma faixa de tensão entre
230 e 750 kV.
ELETRICIDADE - VOLUME II
108

RECAPITULANDO

Neste capítulo, estudamos sobre instrumentos de medição, partindo das grandezas que cada um
se dedica a medir como, por exemplo, o amperímetro que mede corrente, o voltímetro que mede
tensão ou mesmo o ohmímetro que mede resistência. Além disso, conhecemos os sistemas por trás
destes dispositivos, ao qual chamamos de princípio de funcionamento. Dentre eles, destacamos:
ferro móvel, bobina móvel, eletrodinâmica, ressonante.
Ainda neste capítulo, aprendemos sobre os símbolos contidos nos medidores como, por exemplo,
o que indica a posição de montagem do aparelho, podendo ser vertical, horizontal ou inclinado.
Vimos também sobre a classe de precisão, que informa a precisão que o aparelho consegue fornecer
nos seus resultados ou ainda a tensão de isolação, que mostra ao usuário o valor limite de tensão
que o medidor suporta.
Encerramos o capítulo falando sobre níveis de tensão. Enquanto a norma regulamentadora 10 esta-
belece apenas três níveis de tensão: extra-baixa tensão, baixa tensão e alta tensão, é comum encon-
trar normas de empresas ou mesmo dentro o vocabulário utilizado no meio técnico termos como
média tensão ou extra-alta tensão. Cada um destes termos ajuda o leitor a ter uma noção rápida do
nível de tensão no qual se está trabalhando.
4 Medidas elétricas
109
Princípios da eletrônica

Neste capítulo, vamos estudar os princípios da eletrônica básica, que são semicondutores,
retificadores, filtros, capacitores, entre outros. Como você pode perceber, a cada dia, a eletrôni-
ca ocupa mais espaço no mundo tecnológico. Logo, é importante que tenhamos conhecimen-
to de como estes sistemas interagem e qual a importância em nossa vida.
No decorrer do nosso estudo, abordaremos temas interessantes para o ramo da eletrônica
básica, como circuitos retificadores e reguladores de tensão. Com esse estudo, teremos a opor-
tunidade de aprender como dimensionar um diodo semicondutor, descobrir como aplicá-lo
em um circuito retificador, a importância do diodo nos circuitos eletrônicos e saber como utili-
zar um filtro capacitivo de forma correta para que se tenha um circuito retificador mais eficien-
te e com o mínimo de ruído possível.
Ainda neste capítulo, vamos observar o funcionamento do diodo zener e sua grande impor-
tância nos circuitos eletrônicos, estudaremos como é utilizado o Diodo Emissor de Luz (LED), o
seu avanço na eletrônica e como se destaca por ser um componente muito eficiente e bastante
aplicado na área de iluminação.
Os equipamentos eletrônicos são compostos de vários componentes eletrônicos. Dentre
eles, destaca-se o diodo semicondutor que está presente em quase todos eles, como televiso-
res, computadores, rádios, notebooks, entre outros. A figura a seguir nos permite ter uma ideia
das diversas aplicações da eletrônica.

Capacitor
Transistor

Diodo

Figura 70 -  A eletrônica torna o mundo sem fronteiras


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
112

A figura anterior nos mostra a importância de estudar a eletrônica e seus componentes básicos. Como
ela faz essa conexão entre cidades, estados e países, toda essa comunicação em tempo real só é possível
com o uso da eletrônica.

5.1 diodo semicondutor

O diodo semicondutor é um componente da eletrônica que em sua formação é composto de um cristal


semicondutor que pode ser de germânio ou de silício. No processo de fabricação do diodo, esses elemen-
tos são dopados e introduzidos de faces opostas para que haja polarização nas extremidades do mesmo. O
diodo tem uma função específica que é a retificação da onda senoidal em corrente alternada, permitindo
assim a passagem apenas do ciclo positivo.
Para que o diodo possa conduzir eletricidade, é necessário que haja uma excitação do mesmo, ou seja,
ele deve ser submetido a um nível de tensão mínima que fará com que ele saia da região de corte para
região de plena condução. Essa tensão de condução pode variar de acordo com o material semicondutor.
O diodo pode comportar-se como condutor ou isolante elétrico, dependendo da forma como a tensão é
aplicada aos seus terminais. Essa característica permite que o diodo semicondutor possa ser utilizado em
diversas aplicações, como na conversão de corrente alternada em corrente contínua, por exemplo, em
fontes como as de carregador de celular.

Ânodo Cátodo
(+) (+)

Figura 71 -  Simbologia do diodo semicondutor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A imagem anterior ilustra de forma bem explícita a simbologia do diodo semicondutor. Para melhor
entendimento destes componentes, preste atenção no tópico seguinte sobre a formação do diodo. Veja
como se comporta este elemento.
a) Formação do diodo: junção PN. Um diodo semicondutor é formado a partir da junção entre um
semicondutor tipo P e um semicondutor tipo N, onde a camada P é formada por lacunas (porta-
dores com carga positiva que atraem elétrons) e a camada N é formada por elétrons livres que se
ordenam quando submetidos a um potencial de tensão. Observe a figura a seguir.
5 Princípios da eletrônica
113

p n

Figura 72 -  Simbologia do diodo semicondutor em camadas


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

b) Representação dos diodos: o diodo possui uma simbologia universal para sua representação
que é observada na maioria dos diagramas de circuitos eletrônicos. A figura a seguir mostra a
representação do diodo semicondutor.

p n
+ -

Figura 73 -  Simbologia técnica do diodo semicondutor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Como você viu anteriormente, a simbologia de representação do diodo semicondutor é universal e se


torna simples identificá-lo em um diagrama de circuito eletrônico. Para identificar os terminais do compo-
nente real, basta observar, a depender do modelo, a simbologia mostrada no componente. Em modelos
mais comuns, a simbologia vem grafada como um anel, identificando que, naquele lado, está localizado o
cátodo polo negativo do diodo.

Ânodo

Cátodo

Figura 74 -  Encapsulamento do diodo semicondutor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

c) Polarização do diodo: junção PN. A polarização do diodo ocorre quando se aplica uma tensão
satisfatória sobre o componente e é possível perceber como o mesmo se comporta eletricamen-
te. Essa tensão pode ser aplicada na forma de polarização direta ou pela polarização inversa do
componente que estudaremos a seguir.
ELETRICIDADE - VOLUME II
114

Para que o diodo conduza corrente elétrica, é necessário que a tensão aplicada sobre ele seja maior que
o potencial formado na camada de depleção que é a região entre os dois materiais, uma região neutra,
onde se encontram apenas íons positivos e negativos fixos na estrutura cristalina do semicondutor. A figu-
ra a seguir mostra um exemplo de polarização direta onde a tensão (V) aplicada sobre o diodo é maior que
a tensão (Vy) da região de depleção.

Corrente elétrica

p n

Lacuna Elétron

V > VB
Figura 75 -  Exemplo de polarização do diodo semicondutor
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

-- Polarização direta: é uma situação onde o anodo, lado positivo do diodo, é submetido a uma
tensão positiva de mesma magnitude aplicada no cátodo, lado negativo. Nessa condição, o
polo positivo da fonte repele as lacunas que compõem o material tipo P no sentido ao lado
negativo. Nessa mesma situação, os elétrons livres da camada N são repelidos da camada N
em direção à camada P, fazendo surgir uma corrente elétrica. Quando o diodo está polarizado
diretamente, diz-se que ele está em plena condução. A figura a seguir mostra um exemplo de
polarização direta;

p n

+ -

Figura 76 -  Polarização direta do diodo semicondutor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
5 Princípios da eletrônica
115

-- Polarização inversa: na configuração de polarização inversa de um diodo, o polo negativo (N)


é submetido a uma tensão positiva e o lado positivo (P) é submetido a uma tensão negativa
com mesmo referencial que o lado N. Nesta condição, os portadores elétrons e lacunas são
atraídos pelos polos da fonte, logo a região ou camada de depleção aumenta dificultando e
impedindo a passagem de corrente elétrica que se torna praticamente nula. Quando o diodo
está polarizado inversamente, se diz que o mesmo está em condição de corte ou bloqueio. A
figura a seguir mostra um circuito em configuração de polarização inversa.

n p
+ -

+ -

Figura 77 -  Exemplo de polarização inversa do diodo semicondutor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

d) Limites de operação: todos os componentes eletrônicos possuem parâmetros nominais de ope-


ração, contudo também há os valores limites que, quando são ultrapassados, podem danificar o
componente. Quando analisamos o diodo trabalhando em plena condução, observa-se que sua
corrente varia de forma diretamente proporcional à do circuito ao qual ele está conectado e não
à sua queda de tensão, que é praticamente independente do circuito. Contudo, a barreira de de-
pleção para o silício é de 0,7 V e o germânio 0,3 V.
Os valores limites de operação do diodo semicondutor são a máxima corrente direta Idm e a máxima
tensão reversa Vbr. A tensão vbr é a máxima tensão que o diodo suporta quando polarizado inversamente.
Esses valores Idm e Vbr são fornecidos pelo fabricante do equipamento em uma folha de dados elétricos.
O diodo semicondutor é um componente muito importante para os circuitos e equipamentos eletrôni-
cos e possui diversas aplicações, desde simples retificadores até inversores trifásicos.
ELETRICIDADE - VOLUME II
116

5.2 Retificadores mONOFÁSICOS

Os retificadores monofásicos são circuitos que se destinam a obter uma forma de onda de tensão e
corrente contínua na carga, a partir de uma rede alternada senoidal. Esses retificadores monofásicos geral-
mente são aplicados em aparelhos eletroeletrônicos como: TVs, computadores, entre outros.
Todos os equipamentos eletrônicos, em sua funcionalidade interna, possuem componentes que fun-
cionam em corrente contínua CC. Logo, percebemos que os circuitos retificadores são cruciais para que
transformem a corrente alternada AC, vinda da rede elétrica, em corrente contínua CC para assim fazer fun-
cionar os equipamentos eletrônicos. Nesse processo de conversão, existe um componente muito especial
que faz todo esse trabalho, o diodo semicondutor.
A figura a seguir mostra o diagrama em blocos de um circuito retificador.

Transformador Retificador

Carga

Figura 78 -  Divisão do circuito retificador em blocos


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Agora iremos fazer uma abordagem sobre os tipos de retificadores monofásicos começando pelo reti-
ficador meia onda.

5.2.1 Retificador meia onda

Os retificadores monofásicos normalmente são aplicados em equipamentos eletrônicos, equipamentos


estes que temos contato no dia a dia, por exemplo: televisores, computadores, rádios, etc.
Todo diodo semicondutor permite a passagem da corrente em apenas um sentido. Quando polarizado
diretamente, ele permite apenas a passagem do sinal positivo da amplitude senoidal; quando polarizado
inversamente, permite apenas a passagem do sinal negativo; assim funciona o processo de retificação
transformando a corrente alternada em contínua.
5 Princípios da eletrônica
117

o o Diodo
A o

IL

Tensão
da rede
RL Saída

Figura 79 -  Circuito retificador meia onda


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Quando olharmos para a localização do polo A positivo (+) em relação ao polo negativo (-) B, o diodo
semicondutor está em configuração de polarizado direta e conduz. A corrente que circula do lado A passa
pelo diodo depois pela carga RL e retorna ao ponto B. Quando o lado A for negativo, o lado B será positivo
(+), o diodo está tendo polarização inversa e não conduz.
A partir deste funcionamento, concluímos que se tem apenas corrente na carga (RL) no semiciclo posi-
tivo de entrada. Os semiciclos positivos passam para carga e os negativos são drenados pelo diodo. Em um
retificador meia onda, a oscilação de saída é igual à de entrada.
Observe na figura a seguir as formas de onda de entrada no diodo e na carga.

Tensão VP = Vef . √2
de Tensão Vmed = VP
π
entrada de
0
π 2π t saída
0 π 2π t
Tensão VP
de VP
saída IP =
RL
0 Corrente Imed = IP
π 2π t no diodo
π

π 2π (ID)
Tensão 0
no t 0 π 2π t
diodo
V med = Tensão média
PIV I med = Corrente média

Figura 80 -  Formas de onda de um circuito retificador meia onda


Fonte: MALVINO; BATES, 2008.
ELETRICIDADE - VOLUME II
118

A seguir, veremos as fórmulas necessárias para dimensionar um circuito retificador meia onda.

Vmáx
Corrente secundária I2 =
Rl
Vmáx
Tensão média na carga Vméd =
π
Imáx Vmáx
Corrente média na carga Icc = =
π (Rl.π)
- Vmáx
Tensão inversa média no diodo Vdméd =
π

Tensão de pico inversa no diodo Vmáx

Corrente média no diodo Idm = Icc

Quadro 1 -4Fórmulas
Quadro - Fórmulaspara
paradimensionar umretificador
dimensionar um retificador meia
meia onda
onda
Fonte:
Fonte:SENAI DRBA,
SENAI DR BA,2017.
2017.

5.2.2 Retificador onda completa com derivação central

O retificador de onda completa conhecido como modelo convencional possui apenas dois diodos, con-
tudo, necessita de um transformador com derivação central (Center Tap — CT) para que funcione correta-
mente.
Observe na figura a seguir que, no momento do ciclo positivo aplicado ao terminal A, o diodo D1 encon-
tra-se em polarização direta e conduz normalmente. Neste mesmo momento, o ciclo negativo é aplicado
ao polo B, sendo assim, D2 encontra-se em polarização inversa e não conduz (estado de corte ou bloqueio).
Assim, a corrente flui pela carga e retorna ao terminal 0V (CT).
Da mesma forma, quando o ciclo se inverte, o diodo D1 encontra-se em corte e o diodo D2 conduz.
Observamos que nos terminais de saída do transformador existe uma defasagem de 180º entre as tensões
VA e VB.
5 Princípios da eletrônica
119

D1
A I1

Tensão IL
da rede C 0V
+
I2 Saída
RL
B
D2
-

Figura 81 -  Circuito retificador onda completa com center tap


Fonte: MALVINO; BATES, 2008.

Toda a análise desse circuito teve tomar como referencial 0 V o terminal central do transformador. Logo,
concluímos que a corrente que é drenada pela carga possui um único sentido (corrente contínua). A saída
do retificador conectado à carga possui apenas semiciclos positivos.
A figura a seguir mostra as formas de onda para o modelo de retificador onda completa com center tap.
É possível observar que cada diodo tem a função de disponibilizar à carga um pulso positivo a cada ciclo.

VAC
0
∏ 2∏ t

VBC
∏ 2∏
0
t

Corrente
em D1
(ID1)
0
∏ 2∏ t
Corrente
em D2
(ID2)
0
∏ 2∏ t
IP
Corrente
em RL
(IL)
0
∏ 2∏ t
Tensão VP
em RL
(Vsaída)
0
∏ 2∏ t

Figura 82 -  Formas de onda para o circuito retificador onda completa com center tap
Fonte: MALVINO; BATES, 2008.
ELETRICIDADE - VOLUME II
120

Veja a seguir as expressões matemáticas que são utilizadas para dimensionar um retificador onda com-
pleta com derivação central.

Vmáx
Corrente secundária (cada secundário) 12 =
Rl
2. Vmáx
Tensão média na carga Vméd =

2. Imáx 2. Vmáx
Corrente média na carga Icc = =
∏ Rl. ∏
2. Vmáx
Tensão inversa média no diodo Vdméd =

Tensão de pico inversa no diodo 2. Vmáx

Icc
Corrente média no diodo Idm =
2

Quadro 5 - Fórmulas para dimensionar um retificador onda completa com tap central
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A seguir, vamos estudar um modelo de retificador mais utilizado em circuito eletrônicos, também co-
nhecido como o modelo mais eficiente, o circuito retificador onda completa em ponte.

5.2.3 Retificador onda completa em ponte

Nesse tipo de circuito, a saída de corrente contínua é obtida através da entrada senoidal. Neste modelo
de configuração, estima-se uma melhoria de cerca de 100% comparado aos demais modelos de retifica-
dores. Veja a seguir um modelo de circuito retificador composto de quatro diodos em uma configuração
em ponte.
Este circuito despreza o uso de transformador com derivação central. Logo, podemos montar um retifi-
cador onda completa e conectarmos diretamente na rede elétrica, que ele irá funcionar perfeitamente. O
retificador em ponte, mostrado na figura a seguir, funciona da seguinte forma: quando o lado A for positivo
em relação ao lado B, a corrente que flui do ponto A passa pelo diodo D1, depois pela carga RL, em seguida
pelo diodo D3 e chega ao lado B. Quando o ciclo inverter, o lado A fica negativo e B fica positivo, e o fluxo
de corrente agora sai do ponto B, passa por D2, depois pela carga RL, pelo diodo D4 e chega ao ponto A.
A cada semiciclos, que correspondem à metade de uma circunferência, apenas dois diodos conduzem, os
outros dois ficam em situação de corte ou bloqueio.
5 Princípios da eletrônica
121

o o
A
D4 D1

o
Tensão +
da rede IL
D3 D2 RL VCC
B
o
-

Figura 83 -  Circuito retificador onda completa em ponte


Fonte: MALVINO; BATES, 2008.

Diferente do circuito com tap central, os diodos não precisam suportar duas vezes o valor da tensão de
pico e sim a metade desse valor. Independente do semiciclo ser positivo ou negativo em A ou B, a corrente
na carga RL será contínua, pois a saída do circuito em ponte só irá fornecer semiciclos positivos para carga.
Neste caso, a oscilação da frequência de ondulação após a ponte retificadora se torna o dobro da frequên-
cia de entrada fornecida pela rede. A figura a seguir mostra as formas de onda em um circuito retificador
em ponte para que possamos compreender melhor o conteúdo abordado.

VAB IP
0 Corrente
π 2π t
em D1
IP (ID1) 0
Corrente π 2π t
em π 2π
Tensão 0
D1 e D3 t
0 em D1
π IP 2π t (VD1)

Corrente PIV
em IP
0
D2 e D4 π 2π t
Corrente
IP em D4
Corrente π 2π
(ID4) 0
em RL t
(IL) PIV
0 Tensão
π 2π t
em D4
Tensão VP (VD4)
0 t
em RL π 2π
(Vsaída)
0 π 2π t

Figura 84 -  Formas de onda de um circuito retificador onda completa em ponte


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
ELETRICIDADE - VOLUME II
122

Veja a seguir as expressões necessárias para dimensionarmos um retificador em ponte.

Vmáx
Corrente secundária 12 =
Rl
2. Vmáx
Tensão média na carga Vméd =

2. Imáx 2. Vmáx
Corrente média na carga Icc = =
∏ Rl. ∏
2. Imáx
Tensão eficaz na carga Vrms =
√2
Imáx
Corrente eficaz na carga Irms =
√2
Vmáx
Tensão inversa na média no diodo Vdméd =

Tensão de pico inversa no diodo Vmáx

Icc
Corrente média no diodo Idm =
2

Quadro 6 - Fórmulas para dimensionar um retificador onda completa em ponte


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Lembre-se que para dimensionarmos um retificador em ponte, devemos nos atentar aos parâmetros
elétricos do circuito e aos dados dos componentes eletrônicos fornecidos pelos fabricantes. A seguir, estu-
daremos o retificador trifásico, sua funcionalidade e como dimensioná-lo.

FIQUE Cuidado na hora de utilizar as fórmulas para dimensionar os circuitos retificadores.


ALERTA Por mais que pareçam ser idênticas, cada modelo possui sua expressão em particular.
5 Princípios da eletrônica
123

5.3 RETIFICADORES TRIFÁSICOS

A partir de agora, você irá conhecer alguns aspectos sobre os circuitos retificadores trifásicos não con-
trolados, aqueles que utilizam apenas diodos comuns. Este modelo normalmente é dedicado a atender
grandes cargas, como motores elétricos geralmente aplicados na indústria.
Os retificadores trifásicos apresentam três terminais de entrada, respectivamente conectados às fases A,
B e C da rede elétrica. Observa-se que neste modelo de retificador trifásico mostrado na figura a seguir, o
rippe dos parâmetros de saída do retificador (Tensão e corrente) é menor se compararmos com os demais
modelos monofásicos. Logo, esses retificadores apresentam um maior valor médio da tensão de saída ou
tensão DC.

D1 D2 D3
VD1 VD2 VD3
iL
i1
id1 id2 id3
z
V1
i2
z
V2 R
i3
z
V3 id4 id5 id6
VD4 VD5 VD6

D4 D5 D6

Figura 85 -  Circuito retificador trifásico onda completa


Fonte: HART, 2011. (Adaptado).

Este modelo de retificador trifásico apresenta seis etapas de operação ao longo de um período da rede
e em cada etapa conduz um par de diodos. Observe que, a cada pulso, a corrente flui pela carga no sentido
de um dos diodos do lado superior (D1, D2 ou D3) e outro diodo da parte inferior (D4, D5 ou D6).
ELETRICIDADE - VOLUME II
124

Observe a seguir o gráfico que representa as tensões nas três fases e os diodos em condução nas seis
etapas.

VAN VBN VCN

30o 90o 150o 210o 270o 330o 390o

D1-D5 D1-D6 D2-D6 D2-D4 D3-D4 D3-D5 Diodos


conduzindo

Gráfico 18 -  Tensões nas três fases e os diodos em condução nas seis etapas
Fonte: HART, 2011. (Adaptado).

Como pode ser visto na figura anterior, a tensão da fase A (VNA) no período de 30º a 150º, é a que possui
maior valor. Com isso, faz conduzir o diodo D1. A fase B é a maior no período de 150º a 270º (VBN). Sendo
assim, o diodo D2 conduz; a fase C possui maior valor no período de 270º a 390º (VCN) (ou 30º do próximo
ciclo), o que faz com que o diodo D3 entre em condução. Com essa analogia, observamos que os diodos
que estão localizados na parte inferior da ponte trifásica irão conduzir apenas quando a fase que ele está
conectado apresentar menor valor entre as três fases.
Perceba que a fase A possui menor valor de tensão entre 210º a 330º, o que faz o diodo D4 conduzir; a
fase B de 330º a 450º (90º do próximo ciclo) faz D5 conduzir; e a fase C de 90º a 210º leva D6 à condução.
Por fim, temos o resultado final de seis etapas de condução ou seis pulsos, lembrando que para cada etapa
apenas um par de diodo conduz.
5 Princípios da eletrônica
125

A figura a seguir mostra a forma de onda de um circuito em ponte trifásica seis pulsos. Observe:

VAB VAC VBC VBA VCA VCB


VL
VMÉDIO

Diodos
D1-D5 D1-D6 D2-D6 D2-D4 D3-D4 D3-D5 conduzindo

30o 90o 150o 210o 270o 330o 390o

Gráfico 19 -  Forma de onda da saída de um retificador trifásico onda completa


Fonte: HART, 2011. (Adaptado).

Como o retificador é do tipo seis pulsos, a frequência de saída dele é seis vezes o valor da frequência de
entrada da rede, ou seja, a frequência de saída para uma entrada de 60 Hz é de 360 Hz.
Veja na imagem a seguir as expressões matemáticas necessárias para dimensionar um retificador em
ponte trifásica.

D1 D2 D3
VD1 VD2 VD3
iL
i1
id1 id2 id3
z
V1
i2
z
V2 R
i3
z
V3 id4 id5 id6
VD4 VD5 VD6

D4 D5 D6

Figura 86 -  Circuito retificador trifásico


Fonte: BOYLESTAD; NASHELSKY, 2013. (Adaptado).
ELETRICIDADE - VOLUME II
126

Tensão média na carga VLméd = 2,339V o

Tensão eficaz na carga VLef = 2,341V o

Vo
Corrente média na carga ILmed = 2,339
R
Vo
Corrente eficaz na carga ILef = 2,341
R

Potência ativa na carga V o2


PL = R. (ILef)2 PL = 5,48
R

Potência aparente na carga SL = VLef . ILef

Quadro 7 - Expressões matemáticas para dimensionar uma ponte trifásica


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O retificador trifásico é bastante eficiente, contudo sua aplicação é mais voltada para indústria, sendo
aplicado em grandes máquinas CNC e máquinas de solda. Observamos que dentre as vantagens do retifi-
cador em ponte trifásica sobre o retificador monofásico, destacam-se: maior tensão média de saída (para
uma mesma tensão de entrada); menor ripple da tensão de saída. Com essas vantagens, o custo de inves-
timentos em filtros e reguladores de tensão se torna muito mais viável.
Apesar do retificador trifásico não controlado ter uma alta eficiência, existe outro modelo que possui
um rendimento ainda melhor, é o retificador trifásico controlado, aplicado em inversores de frequência
para realizar o controle de motores de indução trifásicos.

FIQUE Para ampliar o conhecimento sobre os retificadores trifásicos controlados, leia: AHMED,
ALERTA Ashfaq. Eletrônica de potência. São Paulo: Makron Books, 2000.

A seguir, estudaremos o diodo zener que tem a função de regular a tensão em seus terminais quando
submetido a uma polarização reversa, um componente eletrônico muito especial que faz parte de vários
equipamentos eletrônicos, como celulares, notebooks e home theater.
5 Princípios da eletrônica
127

5.4 diodo zener

O diodo zener é um tipo de diodo que possui o funcionamento diferente dos diodos comuns, foi pro-
jetado para trabalhar em polarização inversa. O zener consegue manter sua tensão de ruptura ou tensão
zener com valor fixo sobre uma faixa de valores de correntes Iz, esta condição de operação permite ao
componente funcionar como uma fonte de tensão sem variação de sua magnitude.
Quando o diodo comum é submetido à polarização inversa, ocorre o fenômeno avalanche ou fenô-
meno zener, o que nada mais é do que um aumento brusco da corrente reversa que, se mantido por um
longo período, danifica o componente. A tensão onde ocorre o efeito zener é também chamada de tensão
de ruptura ou Breakdown voltage (Vbr). A figura a seguir mostra de forma ilustrativa a simbologia técnica
do diodo zener.

Cátodo

Ânodo

Figura 87 -  Simbologia técnica universal do diodo zener


Fonte: BOYLESTAD; NASHELSY, 2013. (Adaptado).

Por ser projetado para trabalhar na zona de ruptura, o diodo zener quando polarizado diretamente fun-
ciona como um diodo semicondutor comum, porém, quando polarizado inversamente, permite manter
a tensão constante em seus terminais Vz, sendo muito utilizado na regulação e estabilização de circuitos
eletrônicos. A figura a seguir mostra um circuito de estabilização com um diodo zener polarizado inversa-
mente. Este modelo é aplicado em vários circuitos e, apesar de parecer simples, é de extrema importância
para o ramo da eletrônica.

R
- +

Entrada não Saída


estabilizada Zener UZ RL estabilizada

- -

Figura 88 -  Circuito estabilizador com diodo zener


Fonte: BOYLESTAD; NASHELSY, 2013. (Adaptado).
ELETRICIDADE - VOLUME II
128

Observe no gráfico seguinte a curva característica do diodo zener. Veja que a tensão Vz se mantém pra-
ticamente constante quando a corrente Iz se mantém entre os valores Izmin e Izmax.

Iz

BREAKDOWN
ZENER
VZ TENSÃO
INVERSA
TENSÃO DIRETA
IR
Izk=lzmin
REGULAÇÃO DE
BREAKDOWN

Izmáx
CORRENTE
INVERSA

Gráfico 20 -  Curva característica do diodo zener


Fonte: BOYLESTAD; NASHELSY, 2013. (Adaptado).

Para ter um circuito regulador zener, basta ficar atento ao seu dimensionamento e utilizar a folha de da-
dos do fabricante, para que não seja dimensionado fora de suas especificações. A seguir, veja as fórmulas
necessárias para dimensionar o regulador zener.

IE R
IZ
+
Vi VZ RL
PZM

Vi = Tensão da fonte VR = Vi - VL Tensão sobre o resistor limitador zener

Vr = Tensão no resistor limitador RL . Vi


VZ = VL = Tensão zener ou tensão de carga
R + RL
Vl = Tensão na carga ou tensão zener
IR = IZ + Il Corrente total do circuito
Vz = Tensão zener
IZ = IR - Il Corrente zener
Ir = Corrente total do circuito
IL = VL Corrente de carga RL
Iz = Corrente zener VR
IL = Corrente de carga Pz = Vz . Iz Potência dissipada pelo diodo zener

R = Resistor limitador

Rl = Resistência de carga

Pz = Potência dissipada pelo diodo zener

Figura 89 -  Fórmulas para dimensionar um circuito regulador zener


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
5 Princípios da eletrônica
129

Como você pôde perceber, o diodo zener é um componente fundamental para regulação de tensão
nos circuitos eletrônicos e existem infinitas aplicações para esses circuito reguladores.

O efeito zener ocorre em tensões relativamente pequenas, de alguns


Volts, em junções de semicondutores fortemente dopados. Em junções
com menores concentrações de impurezas, o campo elétrico na região
CURIOSIDADES de depleção pode não ser suficiente para produzir ionização direta de
átomos do semicondutor, não havendo, portanto, o efeito zener.
(Fonte: REZENDE, 2004).

5.5 Led

O LED ou diodo emissor de luz é também um diodo semicondutor e o mesmo possui elétrons livres. No
processo de recombinação molecular, esses elétrons liberam um elemento chamado fóton que é a energia
em forma luz. A cor da luz emitida pelo LED é de acordo com o material semicondutor que ele foi proje-
tado. Os diodos fabricados para essa aplicação específica têm várias aplicações, porém são comumente
utilizados para iluminação, desde simples sinalizadores utilizados em TVs até grandes refletores usados em
iluminação pública de ruas e avenidas.
Veja na figura a seguir o LED mais comum aplicado em circuitos eletrônicos. Se você observar, é possível
identificar os polos positivos e negativos do LED, que evita que o mesmo seja polarizado de forma incor-
reta e queime.

LED

Chanfro

Cátodo ( - )
Ânodo ( + )
(Terminal
curto)
K A K
(Terminal A
longo)

Figura 90 -  Identificação dos elementos que compõem o LED


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Quando o LED é polarizado diretamente e começa a circular corrente entre seus terminais, muito dos
elétrons não possuem energia suficiente para passar da banda de valência para a banda de condução;
estes ficam alocados na zona perdida do elemento semicondutor, daí, como não conseguem permanecer
nesta zona, retornam para banda de valência. Neste processo de volta, ele é obrigado a perder energia e,
neste momento, é liberado o fóton (luz). A figura a seguir mostra as zonas que constituem o semicondutor
LED.
ELETRICIDADE - VOLUME II
130

Zona de
Condução

Elétrons
Livres
Zona
Perdida

Lacunas

Zona de
Valência

Semicondutor LED

Figura 91 -  Estrutura do semicondutor LED


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

CASOS E RELATOS

Eletricidade estática
A empresa X-LED-Light é responsável pela fabricação de produtos para iluminação de ambientes
como lâmpadas fluorescente, lâmpadas LED, lâmpadas de vapor metálico, entre outras. Josemar,
técnico em Eletrônica, trabalhou cerca de 5 anos na empresa X-LED como desenvolvedor de produ-
tos eletrônicos voltados para iluminação como, por exemplo, fontes para alimentação de lâmpadas
LED.
Após validação em produção, esses projetos eram aprovados pelo gerente técnico, o Sr. Rodrigo.
Alguns meses depois da lâmpada LED ser comercializada, começaram algumas devoluções de pro-
dutos, alguns funcionavam metade do módulo LED, outros estavam queimados totalmente.
Diante do ocorrido, foram realizados vários estudos no projeto para verificar se a tensão e corrente
do produto estavam conforme projetado. A partir dos estudos, foi detectado que os parâmetros elé-
tricos estavam todos bons, daí passaram a observar o processo de produção, verificando cada etapa
minuciosamente, até que descobriram onde estava o problema: os LEDs das lâmpadas são muito
sensíveis à eletricidade estática, por isso, para produção desses produtos na linha de montagem, era
necessário que os operadores utilizassem luvas e pulseira antiestática.
Foi notado que todos usavam a luva, mas que poucos usavam a pulseira antiestática. Quando to-
dos passaram a usar a pulseira, o problema foi resolvido e não houve mais queimas dos produtos
comercializados. No processo de fabricação de produtos eletrônicos, é fundamental a utilização de
equipamentos para proteção de energia estática.
5 Princípios da eletrônica
131

5.6 Filtros Capacitivos

Os filtros capacitivos são aplicados em retificadores para melhorar o nível de tensão na saída. Ao adicio-
narmos este filtro, o sinal da tensão de saída fica ainda mais próximo da tensão contínua. Filtros capacitivos
ou simplesmente capacitores, são componentes ou circuitos dedicados a filtrar (retirar ruídos) um sinal
de tensão e corrente. Esses filtros são muito aplicados em fontes de alimentação que não necessitam de
uma saída estabilizada e que se comportam normalmente com as pequenas variações que o mesmo possa
transmitir. A figura a seguir mostra o esquema em forma de blocos de uma fonte retificadora com filtro
capacitivo.

Transformador
Retificador Filtro
Carga

Figura 92 -  Diagrama em blocos de um circuito com filtro capacitivo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Após observamos o diagrama em blocos do circuito referente sobre a aplicação do capacitor no circuito
retificado, veja na figura a seguir a ligação de um filtro capacitivo a um retificador de onda completa em
ponte.

D4 D1

+
RL
+
D3 D2 C_
VCC
B
_

Figura 93 -  Circuito retificador em ponte com filtro capacitivo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Observe a figura anterior e tente compreender como funciona o filtro capacitivo no circuito. Após os
diodos D1 e D3 fazerem a retificação do primeiro semiciclo, o capacitor (C) irá se carregar até atingir o valor
de pico da tensão retificada.
Quando a tensão retificada começa a diminuir como mostrado na figura seguinte, o capacitor começa a
descarregar sua tensão sobre a carga RL. O mesmo processo se repete no segundo semiciclo, porém agora
quem conduz são os diodos D2 e D4 e novamente o capacitor se carrega até o valor de pico da tensão.
Assim, o processo de filtragem se repete a cada período, formando a ondulação ripple. A figura a seguir
mostra o momento de carga e descarga do capacitor.
ELETRICIDADE - VOLUME II
132

Carga Capacitor
Descarga Capacitor
+ Tensão
ou +
Corrente

Filtragem 0
tempo

Figura 94 -  Momento de carga e descarga do capacitor


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Como vimos na figura anterior, a utilização do filtro capacitivo melhora consideravelmente o nível da
tensão média na saída do circuito retificador, pois no momento de mudança de semiciclo, o capacitor for-
nece tensão à carga. Por isso, é de grande importância a utilização do mesmo. Observe a seguir a fórmula
de como calcular a ondulação ou ripple.

Vcc
Vrpp =
C . RL . f
Onde:
Vcc = Tensão de saída do retificador;
C = valor do capacitor;
RL = resistência de carga;
ƒ = frequência ondulação de saída do retificador.

Como visto na expressão anterior, concluímos que para diminuir o ripple ou ondulação, é necessário
que aumente a capacitância (C) ou a carga RL. A seguir, vamos estudar sobre os reguladores de tensão e
qual a importância deles nos circuitos retificadores.

5.7 Reguladores de Tensão

A função do regulador de tensão é manter a tensão de saída estabilizada mesmo quando houver varia-
ções na tensão de entrada ou na corrente de saída. Existem reguladores discretos como é o caso do diodo
zener, ou aqueles mais complexos, os circuitos integrados.
No caso do regulador zener, para que ele funcione adequadamente, ou seja, mantenha a tensão na
saída constante, é necessário que ele opere na região zener, com polarização inversa. Trataremos especi-
ficamente da aplicação dos reguladores. Além dos reguladores zener, existem outros componentes que
5 Princípios da eletrônica
133

são fabricados para realizar essa tarefa de regular tensão, é o caso de alguns circuitos integrados ou sim-
plesmente CIs.
A figura a seguir nos mostra um circuito retificador completo com um regulador de tensão acoplado
na saída do filtro. Pelo diagrama de bloco é possível perceber que a tensão alternada é retificada, depois
filtrada e, por fim, regulada e entregue à carga com o sinal contínuo.

IL

+ + +
Diodos Regulador
Vs retificadores Filtro Carga
de tensão VO
- - -

t t t t t

Figura 95 -  Circuito retificador em blocos com aplicação do regulador de tensão


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A seguir, você verá a demonstração de um circuito retificador com a saída de tensão regulada. Veja as
formas de onda mostradas na saída do retificador e a tensão regulada entregue à carga totalmente contí-
nua.

V VP V VZ

0 0
t t
Tensão Retificada
e Filtrada Tensão Regulada

0 0
RS
A

+
Vef C_
VZ

Zener

Figura 96 -  Circuito retificador com tensão de saída regulada


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A criação de circuitos integrados tornou-se viável com o surgimento da microeletrônica (substituição


de válvulas por transistores), onde todos os componentes responsáveis para realizar a regulação de tensão
ELETRICIDADE - VOLUME II
134

foram incorporados em um único componente, assim surgiram diversas vantagens como: melhor desem-
penho, tamanho físico reduzido, simplicidade para se utilizar e alta confiabilidade.
Um regulador bastante aplicado em diversos circuitos eletrônicos é o CI da família 78XXC, que constitui
os reguladores de tensão fixa na saída. A figura a seguir apresenta a principal aplicação, onde são utiliza-
dos dois capacitores, um no terminal de entrada C1 em que a tensão não está regulada, e outro na saída
de tensão regulada C2. Esses dois capacitores fazem a eliminação dos ruídos de elevadas frequências e
aumentam a estabilidade e confiabilidade no nível de tensão contínua na saída.

0 0
A
A

D4 D1 78XX
IL
1 3 +
2
+
D3 D2 C1 C2 C3 Tensão
_
regulada
B
0 _

Figura 97 -  Circuito retificador com tensão de saída regulada com CI 78XX


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Neste estudo, vimos como funciona um regulador de tensão e qual sua função em uma fonte de tensão.
Agora você já sabe o quanto é importante utilizar reguladores em circuitos que precisam de um nível de
tensão estabilizado, para que os mesmos funcionem adequadamente, sem que danifiquem os componen-
tes que irão alimentar.
5 Princípios da eletrônica
135

RECAPITULANDO

Neste capítulo, vimos vários conceitos de eletrônica básica, conhecemos o diodo semicondutor,
como ele é projetado internamente e seu funcionamento em estado de condução e de bloqueio. Fa-
lamos também sobre os circuitos retificadores monofásicos e seus modelos de configuração, como o
retificador de meia onda, o retificador onda completa com derivação central e, por fim, o retificador
onda completa em ponte. Vimos também conceitos sobre os retificadores trifásicos, falamos sobre
sua eficiência na transformação de corrente alternada para contínua e sobre as suas principais apli-
cações.
Conhecemos outros tipos de diodo semicondutor, os chamados de diodos especiais, como é o caso
do diodo Zener, que é um diodo dedicado à regulação de tensão quando polarizado inversamente.
Este componente é muito aplicado em fontes de corrente contínua que necessitam que tenha um
nível de tensão na saída com o mínimo de variação. Conhecemos também o Diodo Emissor de Luz
ou diodo LED, seu funcionamento, como é gerada a luz transmitida por ele, vimos também que são
geralmente aplicados em iluminação e sinalizadores.
Aqui neste capítulo também aprendemos sobre os filtros capacitivos, falamos sobre sua importância,
vimos sua aplicação em fontes de corrente contínua e conhecemos as expressões matemáticas para
dimensionar um filtro. Por fim, estudamos os reguladores de tensão, os reguladores que possuem
diodo e os reguladores que utilizam circuito integrado para fazer esta tarefa com muito mais preci-
são, menor perda e mais facilidade na montagem, pois utilizam poucos componentes periféricos.
REFERÊNCIAS

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ALBUQUERQUE, Rômulo O. Circuitos em corrente alternada. 5. ed. São Paulo: Érica,
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BOYLESTAD, Robert L.; NASHELSKY, Louis. Dispositivos eletrônicos e teoria dos circui-
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CAPUANO, Francisco Gabriel. Laboratório de eletricidade e eletrônica. São Paulo:
Érica, 1990.
CIPPELI, M.; MArkos, O. Ensino modular: Eletricidade – circuitos em corrente continua
COTRIM, Ademaro A. M. B. Instalações elétricas. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall,
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GUSSOW, Milton. Eletricidade básica. Tradução José Lucimar do Nascimento. 2. ed.
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HART, Daniel W. Eletrônica de potência: análise e projetos de circuitos. São Paulo:
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MALVINO, Albert; BATES, David J. Eletrônica. 7. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2008. v. 2.
MEDEIROS FILHO, Solon de. Fundamentos de medidas elétricas. Curitiba: Guanabara,
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Nilsson, James W, Susan A. Riedel – Circuitos Elétricos – Prentice Hall/Pearson, 8ª. Ed,
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REZENDE, Sérgio Machado. Materiais e dispositivos eletrônicos. São Paulo: Editora
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______. Medição na indústria. Figura 50. 2017. Disponível em: <https://www.shutters-
tock.com/pt/image-photo/female-electrician-checking-fusebox-96293381?src=-HqcO-
CbrxWRBZ1sCxs60lQ-1-14>. Acesso em: 26 jul. 2017.
______. Ohmímetro. Figura 66. 2017. Disponível em: <https://www.shutterstock.com/
pt/image-vector/ohmmeter-retro-steampunk-style-device-measuring-649276258>.
Acesso em: 25 ago. 2017.
______. Frequencímetro analógico. Figura 68. 2017. Disponível em: <https://www.shu-
tterstock.com/pt/image-photo/closeup-vintage-ancient-voltmeter-49614976>. Acesso
em: 24 ago. 2017.
______. Medidor de energia. Figura 69. 2017. Disponível em: <https://www.shuttersto-
ck.com/pt/image-photo/watthour-meter-79278172>. Acesso em: 24 ago. 2017.
MINICURRÍCULO DOS AUTORES

GABRIEL QUEIROZ DOS SANTOS


Gabriel Queiroz dos Santos é graduando em Engenharia Civil pela Universidade Salvador (UNI-
FACS) e técnico em automação industrial pelo SENAI Feira de Santana em 2012.
Tem experiência na área de docência em circuitos elétricos, projetos elétricos prediais, inversores
de frequência, comandos elétricos, acionamentos eletropneumáticos e eletro-hidráulicos e con-
troladores lógicos programáveis (CLP).

JADSON DOS SANTOS DA SILVA


Jadson dos Santos da Silva é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Salvador (UNI-
FACS) e cursou Eletroeletrônica em nível técnico no Centro de Educação Tecnológica do Estado
da Bahia (CETEB).
Tem experiência na área de eletrônica com ênfase para o projeto e desenvolvimento de circuitos
eletroeletrônicos como: Reatores Eletrônicos, Drivers para LED, lâmpadas fluorescentes. É especia-
lizado em qualidade do produto.
Índice

C
carga elétrica puntiforme 30

E
espira 31, 32

L
LCD 96
LED 96
Leis de Lenz e de Faraday 19

M
magnetita 20
APÊNDICE A

Como converter da forma retangular para polar com calculadora científica

1ºPasso: Aperte a tecla “Pol”

2ºPasso: Insira o valor de “a”, nesta demonstração “a” = 8


3ºPasso: Aperte a tecla “ , ”.
4ºPasso: Insira o valor de “b” para esta demonstração “b” = 5.

5ºPasso: Aperte a tecla “=”, o valor exibido na tela é o valor da intensidade (|Z|)
6ºPasso: Aperte a tecla “ALPHA”.

Em seguida, a tecla “tan”. Após essa operação, deve aparecer um “F” no visor da calculadora.

Por fim, pressione a tecla “=”. O valor exibido corresponde ao ângulo θ.


APÊNDICE B

Procedimento para conversão da forma polar para retangular utilizando a calculadora

1ºPasso: Aperte a tecla “SHIFT”.

Em seguida “Pol”.
2ºPasso: Insira o valor do “|Z|” para esta demonstração “|Z|” = 9,434.
3ºPasso: Aperte a tecla “ , ” , esta não é a vírgula comum que você utiliza, é um separador de
coordenadas cartesianas.

4ºPasso: Insira o valor de “θ”, para esta demonstração “θ” = 32.


5ºPasso: Aperte a tecla “=”, o valor exibido na tela é o valor de “a”.

6ºPasso: Aperte a tecla “ALPHA”.


Em seguida a tecla “tan”. Após essa operação, deve aparecer um “F” no visor da calculadora.

Por fim, pressione a tecla “=”. O valor exibido corresponde a “b”.


SENAI – Departamento Nacional
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo

Luiz Eduardo Leão


Gerente de Tecnologias Educacionais

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Catarina Gama Catão


Apoio Técnico

SENAI – Departamento Regional da bahia

Ricardo Santos Lima


Coordenador do Desenvolvimento dos Livros no Departamento Regional da Bahia

Gabriel Queiroz dos Santos


Jadson dos Santos da Silva
Elaboração

Edeilson Brito Santos


Revisão Técnica

Edeilson Brito Santos


Coordenação Técnica

Marcelle Minho
Coordenação Educacional

André Luiz Lima da Costa


Igor Nogueira Oliveira Dantas
Coordenação de Produção

Paula Fernanda Lopes Guimarães


Coordenação de Projeto

Daniela Lima Maia


Design Educacional
Daiane Amancio
Revisão Ortográfica e Gramatical

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Daniel Soares Araújo
Fábio Ramon Rego da Silva
Thiago Ribeiro Costa dos Santos
Vinicius Vidal da Cruz
Ilustrações e Tratamento de Imagens

Nelson Antônio Correia Filho


Fotografia

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Leonardo Silveira
Vinicius Vidal da Cruz
Diagramação, Revisão de Arte e Fechamento de Arquivo

Renata Oliveira de Souza CRB - 5 / 1716


Normalização - Ficha Catalográfica

Daiane Amancio
Renata Oliveira de Souza
Revisão de Diagramação e Padronização

Carlos Eduardo Gomes


Francisco Flávio Rocha Palácio
Thiago José Victor
Comitê Técnico de Avaliação

i-Comunicação
Projeto Gráfico