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reformador junho 2007 - a.

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Expediente Sumário
4 Editorial
O exemplo
11 Entrevista: Agadyr Teixeira Torres
Sesquicentenário é chamamento à responsabilidade
Fundada em 21 de janeiro de 1883
Fundador: Augusto Elias da Silva 14 Presença de Chico Xavier
Chico Xavier – O Homem de Bem
21 Esflorando o Evangelho
Revista de Espiritismo Cristão
Ano 125 / Junho, 2007 / N o 2.139 Ajudemos sempre – Emmanuel
ISSN 1413-1749 32 A FEB e o Esperanto
Propriedade e orientação da
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Sugestivo depoimento sobre o Esperanto – Affonso Soares
Diretor: NESTOR JOÃO MASOTTI 33 Mil vidas / Mil vivoj – Áurea Maria Cruz Ramos da Costa
Diretor-substituto e Editor: ALTIVO FERREIRA
Redatores: AFFONSO BORGES GALLEGO SOARES, ANTONIO 42 Seara Espírita
CESAR PERRI DE CARVALHO, EVANDRO
NOLETO BEZERRA E LAURO DE OLIVEIRA SÃO THIAGO
Secretário: PAULO DE TARSO DOS REIS LYRA
Gerente: ILCIO BIANCHI 5 Prejuízos do materialismo – Juvanir Borges de Souza
Gerente de Produção: GILBERTO ANDRADE 8
Equipe de Diagramação: SARAÍ AYRES TORRES, AGADYR
O Médio-dia da Era Nova – Bezerra de Menezes
TORRES E CLAUDIO CARVALHO 9 Festa para O Livro dos Espíritos – Sebastião Lasneau
Equipe de Revisão: MÔNICA DOS SANTOS E WAGNA
CARVALHO
10 Nossa vida mental – Ruy Gibim
16 Duas irmãs – Richard Simonetti
REFORMADOR: Registro de publicação
o
n 121.P.209/73 (DCDP do Departamento de Polí- 18 Evangelização Espírita em marcha – “E agora por
cia Federal do Ministério da Justiça), que te deténs?” – Rute Vieira Ribeiro
CNPJ 33.644.857/0002-84 • I. E. 81.600.503
20 Página aos jovens – Amaral Ornellas
Direção e Redação: 22
Av. L-2 Norte • Q. 603 • Conj. F (SGAN)
Uma idade nova para o homem – Camilo
70830-030 • Brasília (DF) 23 Trajetória de Emmanuel –
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E-mail: redacao.reformador@febrasil.org.br
Histórica da FEB
Home page: http://www.febnet.org.br 30 Os trabalhadores de Jesus – Saulo Gouveia Carvalho
E-mail: feb@febrasil.org.br e
webmaster@febnet.org.br 31 Retorno à Pátria Espiritual – Ian Stevenson
PARA O BRASIL 34 Cristianismo Redivivo – História da Era Apostólica
Assinatura anual R$ 39,00
(Século I) – Parte I – Haroldo Dutra Dias
Número avulso R$ 5,00
37 Câmara dos Deputados homenageia Sesquicentenário
PARA O EXTERIOR
Assinatura anual US$ 35,00 38 Encontro comemora Sesquicentenário com grande
Assinatura de Reformador: público em São Paulo
Tel.: (21) 2187-8264 • 2187-8274 39
E-mail:
O professor Rivail também foi tradutor –
assinaturas.reformador@febrasil.org.br Enrique Eliseo Baldovino
41 Retificando... – Artigo: “Sobre a lógica do
Projeto gráfico da revista: JULIO MOREIRA
Capa: AGADYR TORRES conhecimento de si mesmo”, de Cosme D. B. Massi
(FOTO DA CAPA CEDIDA PELA UNIÃO ESPÍRITA MINEIRA)
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Editorial
O exemplo
H
á cinco anos, mais precisamente no dia 30 de junho de 2002, Francisco
Cândido Xavier retornava ao mundo espiritual, depois de uma existência
rica de realizações e de exemplos em favor da difusão do Evangelho de
Jesus à luz da Doutrina Espírita.

Contando sempre com o amparo e a orientação do Espírito Emmanuel, no uso


de sua mediunidade, descortinou o mundo dos Espíritos, ampliando, detalhando e
possibilitando aos homens uma melhor compreensão da realidade espiritual em
que vivemos, compatível com o que consta das obras básicas de Allan Kardec, as
quais constituem a Codificação Espírita.

Será muito difícil enumerar todos os trabalhos realizados por Chico Xavier. Além
das mais de 400 obras editadas, a refletirem diferentes gêneros literários, abrangen-
do temas científicos, filosóficos, religiosos e morais, e utilizando os mais variados
estilos, atendeu, pessoalmente, a milhares de pessoas nos seus 92 anos de existência,
oferecendo sempre encaminhamentos e orientações em harmonia com os princí-
pios morais do Evangelho de Jesus esclarecidos à luz da Doutrina Espírita. Assistiu,
diretamente, a muitas famílias em suas necessidades espirituais e materiais, assim
como estimulou, orientou e ajudou na criação de inúmeras instituições espíritas
que continuam hoje em suas tarefas de assistência e promoção social e espiritual.

Com isto, deixou-nos um exemplo que nos cabe seguir. Mostrou que temos con-
dições de praticar os princípios da Doutrina Espírita, tal como se encontram nas
obras da Codificação, sem nenhuma alteração, seguindo suas máximas. Demons-
trou a todos a nossa condição de Espíritos imortais (Nascer, morrer, renascer ainda
e progredir sempre, tal é a lei); fortaleceu a nossa fé nas Leis de Amor que emanam
de Deus, nosso Pai (Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão,
em todas as épocas da Humanidade); e vivenciou plenamente a Caridade, em seu
sentido mais abrangente (Fora da caridade não há salvação).

Na Doutrina Espírita, temos Jesus como guia e modelo; Allan Kardec como pro-
fessor lúcido e codificador inolvidável; e temos Chico Xavier como exemplo a ser
seguido por todos que pretendem nortear a sua existência dentro dos princípios
do Evangelho, iluminados pelas claridades da Terceira Revelação.

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Prejuízos do
materialismo
J U VA N I R B O R G E S DE SOUZA

A
eternidade da vida do Es- povos e nações, pelos efeitos que “De que maneira pode o Espiri-
pírito foi compreendida resultam de um e de outro enten- tismo contribuir para o progresso?
desde tempos imemoriais. dimento. Destruindo o materialismo,
As religiões adotaram-na em A conseqüência imediata para que é uma das chagas da socieda-
seus ensinos e pressupostos, o os que só admitem a existência da de, ele faz que os homens com-
mesmo ocorrendo com diversas matéria é a completa extinção da preendam onde se encontram
filosofias, variando apenas as con- vida, com a morte do corpo físico: seus verdadeiros interesses. Dei-
seqüências e formas de compre- nada mais existiria após esse fato, xando a vida futura de estar vela-
ensão dessa verdade. senão os despojos materiais, de da pela dúvida, o homem perce-
Entendimento oposto, por não duração efêmera. berá melhor que, por meio do
admitir a existência do espírito, – Esse posicionamento radical, re- presente, lhe é dado preparar o
um dos elementos do Universo – sultante do materialismo, produz seu futuro. Abolindo os prejuízos
professa o materialismo multifá- conseqüências profundamente pre- de seitas, castas e cores, ensina aos
rio, o nadismo, que só admite a judiciais à evolução e ao progresso homens a grande solidariedade
existência da matéria. dos seres, quer como individualida- que os há de unir como irmãos”.
A influência desses dois des, quer como coletividades. A sabedoria dos Espíritos Supe-
princípios antagônicos Essa conclusão resulta clara- riores mostra, nessa resposta sim-
reveste-se de grande mente da resposta que os Espíri- ples, mas profunda, os prejuízos
importância, não so- tos reveladores deram a Allan que uma idéia pode trazer às socie-
mente sobre a vida in- Kardec, na questão 799 de O Livro dades humanas e aos indivíduos
dividual das pessoas, mas dos Espíritos: que delas fazem parte, influencian-
também nas organiza- do-os negativamente contra a rea-
ções sociais de grupos, lidade dos fatos.

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Precisamos entender que a des- é uma utopia, apesar das inúme- nhecimentos das verdades eternas,
truição do materialismo não ne- ras provas de sua existência e ma- deixadas aos homens pelo Cristo,
cessita da violência para se efetivar. nifestações em todas as épocas. por seus emissários de todos os
Destruir o materialismo, no Todas essas incongruências tor- tempos e, agora, pelo Consolador
ensino dos Instrutores espirituais, nam difícil a compreensão da pre- por Ele prometido e enviado, é não
é uma das tarefas da Doutrina Es- sença do materialismo nas mais re- nos deixarmos enganar por teorias
pírita, comprovando a realidade motas épocas da história humana. inconsistentes e enganosas para a
do espírito, como um dos elemen- Existe a vida após a morte do solução dos grandes problemas do
tos do Universo, ao lado da maté- corpo físico? homem e do mundo.
ria. Tem a significação de de- Independentemente das provas Não podemos partir de pre-
monstrar a verdade. incontestáveis dos próprios Espí- missas falsas, como a da inexis-
Por que recomendam os Espíri- ritos, em todos os tempos, relata- tência de Deus, e atribuir ao acaso
tos a destruição do materialismo? das nos livros e escrituras religio- a criação de tudo o que existe no
Há muitas razões ponderáveis sas, os fatos estudados e tornados Universo. A inteligência e a sensi-
para essa recomendação. A primei- evidentes pela Doutrina dos Espí- bilidade dos Espíritos mais sim-
ra delas é a de que, aceitando o ma- ritos são demonstrações cercadas ples repelem normalmente as teo-
terialismo, o Espírito demonstra de todo o rigor científico da exis- rias ocas do materialismo incon-
uma profunda ignorância a respei- tência e das manifestações contí- gruente.
to de si mesmo, usando sua vonta- nuas dos seres espirituais de dife- Também não podemos negar a
de, seu livre-arbítrio e sua inteli- rentes condições evolutivas. realidade do homem, como Espíri-
gência como se fossem produtos As conclusões do Codificador to imortal, dotado de inteligência e
materiais, produzidos por órgãos da Doutrina, que serviram de base vontade, criado por um Ser supe-
corporais. para o intercâmbio entre os dois rior, e atribuir sua criação e existên-
Negar a existência do Espírito é mundos, com a prática dos fenô- cia a simples e inexplicáveis combi-
limitar a própria vida, que se apre- menos espíritas, não são opiniões nações da matéria, vivendo transi-
senta apenas como uma existência pessoais, mas a comprovação toriamente neste mundo material.
efêmera, sem conseqüências, seme- científica de fatos e realidades que As experiências milenares já de-
lhante a um objeto material qual- se tornam inegáveis para qualquer monstraram que a verdade, firma-
quer, quando, na realidade, ela é observador honesto e isento. da na realidade e nos fatos, não
eterna e se desdobra infinitamente. De outro lado, havendo no mun- acolhe a ilusão materialista, que re-
Negando-se a si próprio, o ma- do cerca de 10.000 religiões, quase pele tudo o que não é perceptível
terialista não admite a existência todas crêem e ensinam a continua- pelos órgãos físicos do homem.
de Deus, o Criador do Universo e ção da vida após a morte do corpo. Por isso o Cristo, dirigindo-se a
de todos os seres nele existentes, Em cada grupo de dez pessoas, toda a Humanidade, sentenciou:
como ensinam as religiões e as fi- nove acreditam na existência de “Conhecereis a verdade e ela vos
losofias espiritualistas, mas não um céu, ou de um inferno, ou de libertará”.
tem explicações plausíveis para a um mundo espiritual onde a vida Todos necessitamos da verdade,
criação da própria matéria, mer- continua sob formas diferentes, cedo ou tardiamente, porque ela é a
gulhado que se acha na descrença contrariando os desvios concep- luz de que necessita o Espírito
absoluta do niilismo. cionais tão prejudiciais, os atrasos e imortal para sua realização como
Não admitindo senão a exis- os males decorrentes da ignorância ser destinado à felicidade. Fora da
tência da matéria, o materialista imposta pelo materialismo. verdade, o ser eterno ilude-se com
não cogita da vida futura, a vida O que visamos, como todos fantasias criadas por seu livre-arbí-
do Espírito imortal que, para ele, aqueles que são alertados pelos co- trio, atrasa-se em sua trajetória e

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perde o verdadeiro sentido da vida, nifesto Comunista, publicado em rialismo, com suas múltiplas faces
da qual é parte essencial. 1848, e em outras obras que se es- e conseqüências prejudiciais.
Nosso mundo está longe da per- palham pelo mundo, favorecidas Provada a existência da alma,
feição. por determinadas conclusões fun- do Espírito imortal que continua
A solução de seus problemas, damentadas em falsas premissas. vivendo após a morte do corpo,
inclusive os de suas organizações As revoluções comunistas atin- fica demonstrado que o elemento
sociais, depende da evolução indi- giram diversos países, utilizando a espiritual independe da matéria,
vidual de seus habitantes, através violência e a luta de classes. embora possa estar ligado aos ele-
da educação dos sentimentos, do Na Rússia, a Revolução de 1917 mentos materiais, sem perder o
amor a Deus e ao próximo, como implantou o regime comunista, que poder de manifestar-se através do
sintetizou Jesus, e da ampliação só terminou nos fins do século XX. pensamento, da vontade, da inte-
dos conhecimentos que os pró- Em outras nações, as tentativas ligência e de tudo o que constitui
prios homens podem desenvolver revolucionárias, embora fracassa- suas próprias características.
e pôr em prática. das, deixaram rastros de violência O conhecimento espírita de-
E isso não se faz com o desco- e sacrifícios. monstra, assim, que o homem é
nhecimento das leis naturais, nem Na atualidade, a China, o país constituído de dois elementos que
com a violência, nem com a aceita- mais populoso do mundo, a Coréia se conjugam, que se complemen-
ção e aplicação de princípios falsos, do Norte e a ilha de Cuba adotam o tam, mas são inconfundíveis: o es-
que só produzem sofrimentos e sistema comunista de governo. pírito e a matéria, a alma e o corpo,
ilusões. Ao citar esses fatos, nosso obje- independentes entre si, embora
A continuação da vida, após a tivo não é o de defender a organi- cooperem, enquanto unidos, para
morte do corpo, é outra forma de zação social predominante no atingirem a finalidade da vida do
existência conhecida e aceita por mundo, profundamente injusta e ser em um mundo material.
bilhões de seres que vivem ou já que reflete o atraso do planeta em
viveram antes na Terra. que habitamos.
Essas experiências, repetidas ao Mas, de outro lado, a busca das
longo de milênios, não podem soluções justas e corretas não
constituir uma ilusão, como pre- pode partir de outros erros con-
tendem os materialistas, contra- ceptuais, como o materialismo,
riando todas as provas e evidên- que agrava os já existentes, pela
cias que desmentem seus enganos. adição de idéias errôneas, levando
O materialismo gerou teorias ao sacrifício milhões de vidas,
filosóficas de graves conseqüên- pela violência, e deixando
cias para diferentes povos. de considerar o ser imor-
Vamos citar uma delas, que tal que é o homem,
produziu guerras, incompatibili- para torná-lo ape-
dades, lutas de classes sociais e vá- nas um ser “econô-
rios efeitos negativos, por querer mico”, subvertendo
impor às sociedades humanas con- sua verdadeira na-
dições que contrastam com a na- tureza.
tureza real do homem. O Espiritismo,
Referimo-nos ao materialismo como o Consola-
histórico e dialético de Karl Marx, dor, é o grande
desenvolvido em seu célebre Ma- opositor do mate-

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O Médio-dia da
Era Nova
Meus filhos, que o Senhor nos tais alcança as mentes e os cora- da renovação social, quando o
abençoe. ções, inaugurando o período da pensamento espírita interferirá na
legítima fraternidade entre as elaboração de leis justas para a

N
aquele 18 de abril de 1857, criaturas. sociedade equânime e feliz, quan-
com O Livro dos Espíritos, Ainda não foi logrado o grande do a voz da mensagem dos Espíri-
raiou a madrugada de uma mister de alcançar os objetivos a tos se erguerá para profligar con-
Era Nova. que se destina esta obra incompa- tra os hediondos crimes que a so-
Nuvens borrascosas acumula- rável. Nada obstante, já se pode ciedade invigilante tenta legalizar:
vam-se nos céus da cultura huma- afirmar que logrou produzir be- o aborto horrendo, a eutanásia in-
na, tentando impedir que as clari- nefícios que se não esperavam na- feliz, a pena de morte destruidora
dades libertadoras do conheci- quela manhã ainda assinalada pe- de esperança...
mento chegassem às consciências las últimas mensagens da inver- Os Espíritos, que continuamos
humanas. nia, quando a primavera perfu- ativos além da morte, sabemos que
Cento e cinqüenta anos depois, mava Paris... essas não são as soluções ideais,
no entanto, O Livro dos Espíritos A luta prossegue sem quartel, porque somente o amor através da
transforma-se em pujante clari- convidando os discípulos fiéis do educação, da educação moral, con-
dade, sinalizando o meio-dia des- Mestre incomparável à vigilância, seguirá deter a onda de loucura que
sa Era Nova. à ação, ao devotamento integral à toma conta da Terra...
No momento da grande tran- causa da verdade. Não será através da coerção e
sição por que passa o planeta ter- O insigne Codificador estabele- das medidas punitivas que se po-
restre, marchando para mundo ceu períodos vários por que pas- derão estabelecer as diretrizes pa-
de regeneração, a palavra de Jesus saria o pensamento espírita. Eis- ra uma sociedade harmônica,
restaurada pelos Espíritos imor- -nos, pois, alcançando o período pautada no dever.

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O crime, mesmo quando tor- tilação por parte do conhecimen- tes dos imortais através do precla-
nado legal, permanece imoral, to científico ou das grandes con- ro Codificador.
clamando por misericórdia e por quistas da Tecnologia. Suplicando ao Mestre que nos
justiça... No aspecto religioso, especial- abençoe sempre, em nome dos
Erguei as vossas vozes, agi de mente, oferece-nos, na evocação companheiros hoje Espíritos-espí-
consciência profundamente vin- do Mestre de Nazaré que traz para ritas que estão participando deste
culada à imortalidade da alma, la- as ruas das aldeias, das cidades, e dos próximos ágapes, abraça-vos,
borando para que essas leis injus- das metrópoles e das megalópoles paternalmente, o servidor humíli-
tas não se estabeleçam na Pátria o amor como o fez naqueles re- mo de sempre,
do Evangelho. Mas, se por acaso cuados dias da Galiléia e de Jeru-
vierem a ser promulgadas, que o salém, a fim de poder caminhar Bezerra
futuro encarregue-se de diluí-las e com todos e conduzi-los não mais
estabeleça o verdadeiro direito à ao Calvário, e sim, à gloriosa res- (Mensagem psicofônica recebida pelo mé-
vida, o respeito pela vida. surreição... dium Divaldo Pereira Franco, ao final da
Sede fiéis, permanecendo pro- Reunião do Conselho Federativo Nacional

fundamente vinculados ao espíri- da FEB, no dia 12 de abril de 2007, em
A programação que estabele- to do Espiritismo como o recebes- Brasília, DF.) Revisão do Autor espiritual.
cestes para este qüinqüênio é bem
significativa, porque verteu do Al-
to, onde se encontrava elaborada,
Festa para
e vós a vestistes com as considera-
ções hábeis e aplicáveis a esta
O Livro dos Espíritos
atualidade. Em cascatas de luz os Céus beijam Brasília
Este é o grande momento, fi- E Almas dos Altos Cimos comungam felizes,
lhos da alma. Glorificam o ensino e as nobres diretrizes
Não tergiverseis, deixando-vos Que orientam todo ser em sua ingente trilha.
seduzir pelo canto das sereias da
ilusão. Fidelidade à Doutrina é o Um dossel no planalto... E a excelsa Estrela brilha.
que se nos impõe, celebrando os Cantam vozes do Além, entre os áureos matizes
cento e cinqüenta anos da obra Que no amor de Jesus têm robustas raízes,
básica da Codificação Espírita. São bênçãos desatadas... Tudo é maravilha!
Não permitais que adições es-
drúxulas sejam colocadas em for- Eis a festa forjada pelos encarnados,
Inspirada, porém, no estro dos Sempre Vivos
ma de apêndices que desviem os
Que se estribam no amor, formoso, em apogeus.
menos esclarecidos dos objetivos
essenciais da Doutrina.
Louva-se, hoje, esse Livro que em todos os lados
Kardec é o embaixador dos
Vai libertando os homens das sombras cativos,
céus, até este momento o insupe-
Para a vida abundante no seio de Deus.
rável discípulo do Mestre de todos
nós, que soube doar a vida olvi- Sebastião Lasneau
dando-se de si mesmo para que a
(Soneto psicografado por José Raul Teixeira, em 14/4/2007, durante o
Doutrina Espírita fosse apresenta- o
2 Congresso Espírita Brasileiro, em Brasília, DF.) Revisão em conjunto com
da incorruptível e alcançasse este o médium.
período sem sofrer qualquer mu-

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Nossa vida mental RU Y G I B I M

N
ossa vida mental é o cam- É por esta razão que, quando de coisas que nos cercam, e é por
po de nossa consciência vivemos e convivemos com cria- isso que, quando não nos habilita-
desperta na faixa evolutiva turas idealistas, operosas, confian- mos a conhecimentos mais altos e
em que o conhecimento adquiri- tes, otimistas e realizadoras, so- não exercitamos a vontade para
do nos permite operar. mos beneficiados, nutridos ou sobrepor-nos às circunstâncias de
Encarnados e desencarnados abastecidos de substância mental ordem inferior, sofremos a impo-
povoam o planeta Terra na condi- em grande proporção, favorecen- sição do meio onde vivemos e
ção de habitantes de um imenso do o nosso trabalho em forma de convivemos.
edifício de vários andares, em impulsos e estímulos que a nossa Princípios idênticos regem as
posições horizontais diversas, de mente recolhe; ao passo que, nossas relações, uns com os ou-
acordo com o estado consciencial quando vivemos e convivemos tros; conversações alimentam con-
de cada um, produzindo pensa- com criaturas desanimadas, pessi- versações, pensamentos ampliam
mentos múltiplos que poderão mistas e amarguradas, nosso nível pensamentos, e é em função
atrair, repelir ou neutralizar. mental ou tônus mental fica sujei- deste princípio que demoramos
A mente transmite de dentro to a depressões e enfermidades. muito mais conversando com
para fora as impressões da alma e Todos somos afetados pelas vi- aqueles que se afinam com o nos-
recebe de fora para dentro as sen- brações de paisagens, de pessoas e so modo de ser e de proceder.
sações da matéria, motivo pelo Quando estamos pensando,
qual a alma reflete sua vontade, imaginando, desejando ou agin-
seu desejo, sua inteligência, sua do, seja no mundo físico ou no
memória e sua imaginação. mundo espiritual, nossa mente
O pensamento desloca, em está sintonizada com todos
torno de nós, forças sutis ou aqueles que pensam, imagi-
campo vibratório, construin- nam, desejam ou agem co-
do paisagens ou formas e mo nós, da mesma forma
criando centros magnéticos que a fonte está comandada
ou ondas, com os quais emiti- pela nascente.
mos a nossa atuação ou recebe- Daí a grande necessidade de
mos a atuação dos outros. constante renovação para o
Os pensamentos são on- bem, orando e vigiando, tra-
das de força que poderão ali- balhando e servindo, apren-
mentar, deprimir, sublimar, dendo e amando, para que a
arruinar, integrar, induzir e nossa vida mental ou vida
desintegrar, razão por que, quem íntima se ilumine e aperfeiçoe,
mais pensa, dando corpo ao que se realmente desejamos a com-
idealiza, mais apto se faz à recep- panhia dos bons, dos sábios e dos
ção das correntes mentais invisí- justos, através do intercâmbio
veis, nas obras do bem ou do mal. mental.

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Entrevista A G A D Y R T E I X E I R A T O R R E S

Sesquicentenário é
chamamento à responsabilidade
Agadyr Teixeira Torres, antigo colaborador da Federação Espírita Brasileira (FEB), fala sobre
as primeiras reuniões do Conselho Federativo Nacional (CFN), a criação do Departamento
de Juventude da FEB e do jornal Brasil Espírita, e acerca da edição de livros

Reformador: Como se tornou es- para o Rio de Janeiro e ali soube nossos estudos e a formação de
pírita? da existência da FEB. Não era, uma mocidade espírita, ao mesmo
Agadyr: Meu primeiro contato todavia, dessa vez que eu visitaria tempo que pensávamos, eu, Her-
com o Espiritismo se deu na cida- a Casa de Ismael. Antes, juntamen- nani e o Gama, na possibilidade de
de de Cantagalo (RJ). Ali funcio- te com os companheiros Hernani se organizar um Diretório Central
nava uma agremiação de nome Sant’ Anna e Alberto Nogueira da para dirigir o então nascente Mo-
Sociedade Musical Quinze de No- Gama, visitamos o Centro Espírita vimento Espírita juvenil. Nessa
vembro, onde também se realiza- Amaral Ornellas, no bairro do En- ocasião, tivemos contato com Ro-
vam, de tempos em tempos, reu- genho de Dentro. Ali iniciamos cha Garcia, diretor da FEB, que
niões de caráter espírita. Um dia, nos convidou, a mim e a meus
quando eu tinha apenas 12 anos, dois outros companheiros, para
meu pai, Alfredo Teixeira Torres, serviços na Casa de Ismael.
levou-me para ouvir um orador
vindo do Rio de Janeiro. Gostei Reformador: Como se integrou na
muito de sua bela palestra e meu FEB? E em que tipo de atuação?
pai, vendo meu interesse, levou- Agadyr: Entrei lá por intermédio
-me a ele, que nos ofereceu infor- de Rocha Garcia, começando a
mações valiosas sobre a Doutrina servir à Casa, em 1949, na função
e sobre os livros em que eu pode- de secretário. Naquele ano fir-
ria me orientar. Mas eles não eram mou-se o chamado “Pacto Áu-
disponíveis na pequena Cantaga- reo”, e o Dr. Antônio Wantuil de
lo. Mais tarde, alistado Freitas nos convida para repre-
no Exército, vim sentar a Federação Espírita
do Maranhão no
recém-criado

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Conselho Federativo Nacional. participação de outros compa- progresso como espírita. Mas an-
Respondíamos pela confecção das nheiros, como Hernani Sant’Anna tes, graças a meus conhecimentos
atas das reuniões daquele Conse- e Alberto Nogueira da Gama. Ho- de tipografia, o Dr. Wantuil me
lho. Tivemos o propósito de criar je ele está no bairro da Penha, seu aproveitou na redação de um pe-
um órgão que congregasse a ju- trabalho cresceu muito, mas sem- riódico da FEB destinado aos as-
ventude espírita do Brasil, mas pre se mantém dentro dos crité- suntos juvenis, de nome Brasil Es-
coube ao Dr. Rocha Garcia a ini- rios da FEB. pírita. Participei de seu lançamen-
ciativa de fundar o Departamento to em 1950 e tive a honra de ser
de Juventude da FEB, até então Reformador: Recordamos um Gru- seu quarto diretor.
inexistente. Só havia estrutura or- po cuja existência é anterior à pró- Só depois é que comecei a atuar
ganizada para as atividades em pria FEB, que é o Grupo Ismael. O em Reformador.
torno da infância. A partir daí, senhor fez parte dele? Em que pe-
organizamos muitas outras mo- ríodo? Reformador: Qual a tiragem da
cidades espíritas, até que ocorre Agadyr: Participei dos trabalhos revista na época, e o número de as-
uma maior dinamização desse se- do Grupo Ismael durante mais de sinantes?
tor com a ação de Maria Cecília 10 anos, juntamente com excelen- Agadyr: Era mais ou menos de
Paiva e Cecília Rocha. tes, muito queridos companhei- 40.000 exemplares.
ros, dentre os quais menciono
Reformador: Chegou a participar Hernani Sant’Anna, Francisco Reformador: Na época em que o
de Mocidades Espíritas? Thiesen, Tânia de Souza Lopes, senhor foi diretor da Gráfica, qual
Agadyr: Quando eu tinha 20 Maria Cecília Paiva. Além desses, a quantidade de livros então edita-
anos, cheguei a dirigir o núcleo tenho uma lembrança muito es- dos?
juvenil do Grupo Espírita Gabriel, pecial de Olympio Giffoni, um Agadyr: Quando o Thiesen assu-
Discípulo de Maria Madalena. dos principais médiuns do Gru- miu a administração do Departa-
po, que, dentre tantas páginas de mento Editorial, renunciando ao
Reformador: Dirigindo o setor de orientação espiritual, recebeu do cargo de tesoureiro da FEB, em
juventude da FEB de 1948 a 1959, próprio Anjo Ismael a mensagem 1970, foram importadas diversas
o que isso representou na sua vida de regozijo pela assinatura do máquinas gráficas, aumentando
como espírita? “Pacto Áureo”. bastante a produção dos livros, os
Agadyr: Essa abençoada oportu- quais, para atender à demanda,
nidade propiciou-me, a mim e a Reformador: Teve alguma atua- eram impressos na média de
minha família, crescer muito co- ção efetiva em outra Instituição Es- 120.000 por mês.
mo espírita, enfronhar-me nas li- pírita?
ções do Evangelho e da Doutrina. Agadyr: Pertenci ao Centro Espí- Reformador: O senhor é a favor das
rita Deus, Luz e Amor, de Bangu, idéias novas no Espiritismo?
Reformador: Fale-nos um pouco fazendo parte da diretoria da Mo- Agadyr: Depende muito das idéias.
sobre a sua Instituição Espírita, o cidade Espírita ali existente. Sem- Devemos sempre submetê-las ao
Grupo Espírita Saraí. pre estive, portanto, ligado às ati- exame da razão, ver de que idéias
Agadyr: Ele foi fundado por mim, vidades da juventude. se trata. Muitas vezes, tais idéias não
minha esposa e filhos, em 15 de condizem com a essência da Dou-
janeiro de 1948, no bairro de Rea- Reformador: Como foi a gerência trina, podem ser portadoras de
lengo, no Rio de Janeiro. O Grupo em Reformador? perturbação. Temos que ter muito
Espírita Saraí, no início, funciona- Agadyr: Foi sempre prazerosa e cuidado. Idéias boas são somente
va em nosso lar e contava com a de enorme utilidade para meu aquelas que nos esclarecem, trazen-

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do o progresso e a renovação do próprio demonstrou isso diante que se verificam na sociedade. Na


homem. de Judas Iscariotes. Perdoando a minha época, não dispúnhamos de
Judas, Ele mostrou como agir tais recursos. Além dos livros, a di-
Reformador: Diante da força da com o nosso próximo quando so- vulgação também se fazia através
mídia nas comunicações atuais, co- mos por ele ofendidos. do rádio e das mensagens avulsas.
mo o Espiritismo deve se conduzir Reformador: O que é, para o senhor,
para que o planeta se transforme a família? O que ela representa? Reformador: Qual sua mensagem
em um mundo melhor? Agadyr: A família é a base de tu- ao ensejo dos 150 anos da publica-
Agadyr: Que a mídia faça o seu do, deve ser cada vez mais unida. ção de O Livro dos Espíritos?
trabalho e nós o nosso. Para que É nela, por ela, que devemos dar o Agadyr: Minha mensagem é de
tornemos nosso planeta em um exemplo de união e de amor ao otimismo. Devemos muito a Allan
mundo melhor, os espíritas de- próximo, pois é através da reen- Kardec. Os 150 anos da existência
vemos acima de tudo colocar em carnação e da família cada vez de O Livro dos Espíritos constituem
prática os ensinamentos do Evan- mais unida que podemos ajudar o ao mesmo tempo um prêmio e um
gelho e da Doutrina dos Espíritos. mundo para a sua transformação. chamamento à responsabilidade.
E essa mudança só acontece atra- Essa obra era e continua a ser mui-
vés da transformação das pessoas. Reformador: O que o senhor acha to procurada, pois é em suas res-
Assim, é importante que sigamos da FEB na atualidade? postas, provindas dos Espíritos Su-
nosso caminho e deixemos a mí- Agadyr: A FEB continua no seu periores, que todos encontramos
dia caminhar conosco. trabalho de preparação e divulga- orientação segura para enfrentar
ção do livro que educa, instrui e os desafios do progresso moral,
Reformador: Um pouco de Dou- consola, pelo que é muito grande a bem como consolação nas provas
trina: a reencarnação depende de sua missão no Brasil e no Exterior. necessárias da existência.
cada um? Ela pode ser instrumento
de progresso para o Espírito? Reformador: Como analisa a ex- Reformador: Teria uma mensagem
Agadyr: Ela é um instrumento de pansão editorial e as formas de di- aos espíritas brasileiros?
progresso, porque é por meio da vulgação da FEB? Agadyr: A mensagem da união.
reencarnação que se opera a evo- Agadyr: Foi e tem sido, sempre e Que todos os espíritas nos una-
lução de orbe de provas e expiações cada vez mais, crescente. Um tra- mos, em primeiro lugar, em torno
para a fase de regeneração. É pela ço frisante da ação da FEB nesse do Evangelho de Jesus e dos funda-
reencarnação que nos são enviados campo tem sido o extremo cuida- mentos espíritas expostos na Codi-
os Espíritos de ordem elevada para do na edição de seus livros, cuja ficação de Allan Kardec, bem co-
ajudar na transformação do mun- publicação só se dá após rigorosos mo também em torno do progra-
do, na construção do progresso. exames sob todos os aspectos, ma de ação da FEB. Assim fazendo,
principalmente no seu conteúdo. estaremos trabalhando efetiva-
Reformador: Como deve ser o per- A divulgação era então feita com mente para um mundo melhor,
dão? o recurso das feiras de livros. em que haja entendimento e paz
Agadyr: Incondicional! Comple- entre todas as criaturas, bens tão
to! Quando alguém diz: “perdôo, Reformador: Como o senhor vê as necessários à felicidade de todos.
mas não esqueço”, é porque ainda formas modernas de divulgação – Que os espíritas nos identifique-
não sabe perdoar. O tema é cada DVD, fitas de vídeo, Internet? mos com os princípios espíritas,
vez mais atual, pois é por meio Agadyr: Como instrumentos ex- colocando-os em prática, a fim de
desse ensino grandioso que vi- celentes de difusão, tendo em vis- também podermos estendê-los aos
venciamos os ensinos de Jesus. Ele ta as desafiadoras transformações que desconhecem a Doutrina.

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Presença de Chico Xavier

Chico Xavier –
O Homem de Bem
Há cinco anos, em 30 de junho de 2002, desencarnava Francisco Cândido Xavier –
apóstolo do Bem e missionário da mediunidade. Com esta página, em sua homenagem,
transcrita de nossa Edição Especial, de julho de 2002, reverenciamos-lhe
a vida e obra inesquecíveis

Tudo o que se disse e escreveu sobre Francisco Cândido Xavier fraco contra o forte, e sacrifica sempre
pode ser sintetizado nos “Caracteres do Homem de Bem”, que seus interesses à justiça.
Allan Kardec ressalta na questão 918 de O Livro dos Espíritos e no Encontra satisfação nos benefícios
capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, como segue: que espalha, nos serviços que presta,
no fazer ditosos os outros, nas lágri-

O
verdadeiro homem de bem é o que cumpre a mas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos
lei de justiça, de amor e de caridade, na sua aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos ou-
maior pureza. Se ele interroga a consciência tros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interes-
sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se ses dos outros antes do seu próprio interesse. O
violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas
bem que podia, se desprezou voluntariamente algu- decorrentes de toda ação generosa.
ma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer O homem de bem é bom, humano e benevolente
queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que dese- para com todos, sem distinção de raças, nem de cren-
jara lhe fizessem. ças, porque em todos os homens vê irmãos seus.
Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua jus- Respeita nos outros todas as convicções sinceras e
tiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permis- não lança anátema aos que como ele não pensam.
são nada acontece e se Lhe submete à vontade em Em todas as circunstâncias, toma por guia a cari-
todas as coisas. dade, tendo como certo que aquele que prejudica a
Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens es- outrem com palavras malévolas, que fere com o seu
pirituais acima dos bens temporais. orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de al-
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as do- guém, que não recua à idéia de causar um sofrimen-
res, todas as decepções são provas ou expiações e as to, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a
aceita sem murmurar. pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não
Possuído do sentimento de caridade e de amor ao merece a clemência do Senhor.
próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga al- Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de
guma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as

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ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que


perdoado lhe será conforme houver perdoado.
É indulgente para as fraquezas alheias, porque sa-
be que também necessita de indulgência e tem pre-
sente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira
pedra aquele que se achar sem pecado”.
Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios,
nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obriga-
do, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
Estuda suas próprias imperfeições e trabalha in-
cessantemente em combatê-las. Todos os esforços
emprega para poder dizer, no dia seguinte, que algu-
ma coisa traz em si de melhor do que na véspera.
Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos
seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas van-
revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja tagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi da-
proveitoso aos outros. do pode ser-lhe tirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são conce-
didos, porque sabe que é um depósito de que terá
de prestar contas e que o mais prejudicial emprego
que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de
suas paixões.
Se a ordem social colocou sob o seu mando ou-
tros homens, trata-os com bondade e benevolên-
cia, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua
autoridade para lhes levantar o moral e não para os
esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes
possa tornar mais penosa a posição subalterna em
que se encontram.
O subordinado, de sua parte, compreende os de-
veres da posição que ocupa e se empenha em cum-
Foto cedida pela União Espírita Mineira

pri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, no 9.)


Finalmente, o homem de bem respeita todos os
direitos que aos seus semelhantes dão as leis da
Natureza, como quer que sejam respeitados os
seus.
Não ficam assim enumeradas todas as qualida-
des que distinguem o homem de bem; mas, aquele
que se esforce por possuir as que acabamos de
mencionar, no caminho se acha que a todas as
demais conduz.

Francisco Cândido Xavier psicografando Fonte: KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. 117.
ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. Cap. XVII, item 3.

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Duas irmãs
RICHARD SIMONETTI

V
ocê, leitor amigo, espírita Em seguida recebe um pacien- limitando a elementares rotinas
esclarecido, certamente te do SUS, o que equivale a um de atendimento.
está consciente de que o ato de caridade, já que a remune- Outros confraternizam, con-
exercício da caridade é funda- ração é irrisória. versam, interessam-se por suas
mental, base de nossa edificação Mas, sem a humildade que o dificuldades e problemas, por-
como filhos de Deus. inspire a não discriminar nin- que vêem nos assistidos seus
Mas há um detalhe para o guém, consciente de que todos iguais perante Deus.
qual peço sua reflexão: é impos- somos iguais perante Deus, tra- Missionários como Chico Xa-
sível praticar verdadeiramente a tará de despachá-lo rapidinho, vier, Francisco de Assis, Cairbar
caridade, sem um componente à distância do comportamento Schutel, madre Tereza de Calcu-
básico, sem que esteja acompa- caridoso. tá, situaram-se por campeões da
nhada de sua dileta irmã – a hu- Nota-se esse problema em ser- caridade porque eram campeões
mildade. viços de filantropia. da humildade.
O médico recebe um cliente Há voluntários que não se 
abastado e lhe dá toda a atenção, misturam com os assistidos, im-
numa consulta de duas horas. pondo um distanciamento e se E há o outro lado, envolvendo
os que foram injustiçados ou
prejudicados.
A mulher abandonada pelo
marido…
A família de alguém morto
por um assaltante…
O funcionário injustamente
demitido…
A vítima de uma fofoca…
Em seu próprio benefício, são
convocados à caridade do per-
dão, a fim de sustentarem a pró-
pria integridade.
Não é fácil.
O mal que nos fazem mexe
com nosso ego, com nosso orgu-
lho. Inspira-nos incontido dese-
jo de desforra.

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– Miserável! Há de pagar! seu desafeto reencarnado e


Reações assim exacerbam não descansaria enquan-
nossos padecimentos e inviabili- to não o levasse à lou-
zam o caridoso perdão, com o cura e à morte.
que nos livraríamos de males Por mais ressaltasse o
maiores. doutrinador as vantagens
Falta a humildade de quem do perdão, abrindo-lhe
reconhece: novas perspectivas,
– Deus sabe o que faz. Se pas- mantinha-se irredu-
sei por isso é porque mereço. tível. Vendo que os ar-
gumentos da razão não

o sensibilizavam, apelou
O Espiritismo nos oferece sub- para o sentimento.
sídios preciosos a respeito do as- – Você tem contato com sua
sunto, quando nos coloca em con- família?
tato com vítimas do mal na Terra, – Não, nunca mais os vi.
que, não obstante, estão muito mal – Não sente saudade?
no mundo espiritual. – Sim, mas não consigo encon-
Estranho! Por que semelhante trá-los.
situação, aparentemente incom- – Pois saiba que seus familiares
patível com a Justiça Divina? desejam o mesmo. Mas o reen-
É que cultivam ressentimen- contro só acontecerá quando
tos, rancores, ódios… você libertar-se do ódio. Eles já
Não conseguem esquecer o perdoaram. Estão livres.
mal que sofreram. Alguns se en- – Não posso renunciar à vin-
Cairbar Schutel foi exemplo de
volvem tanto com o propósito de gança! O miserável tem que pagar! quem praticou caridade aliada
vingança que passam dezenas de – Quem está sendo castigado é à humildade
anos e até séculos, em lamentá- você, sem rumo, perturbado, in-
vel situação. feliz, longe da família… Já pen- rompia-se, finalmente, o doloro-
O doutrinador conversava com sou nisso? so processo obsessivo.
um obsessor que, literalmente, – Você está me confundindo! Quantas dores, quantos sofri-
queria destruir o obsidiado, le- – Vamos orar meu irmão. mentos, teria evitado para si e
vando-o à loucura ou ao suicídio. O doutrinador pede a Jesus para os seus, se exercitasse, desde
Justificava a iniciativa expli- abençoe o obsessor, concedendo- logo, a humildade, dispondo-se à
cando que sua vítima de hoje fo- -lhe a graça de uma aproximação caridade do perdão?!
ra cruel verdugo em existência dos familiares. Nunca seremos suficientemen-
anterior, quando o assassinara, Em breves momentos, as lá- te gratos a Deus pelo intercâmbio
bem como a esposa e filhos, para grimas do médium traduzem a com o Além, em que somos aler-
apoderar-se de seus bens. emoção do Espírito, que enxerga tados quanto aos inconvenientes
O infeliz perdera a noção do a esposa a seu lado. Derrotado do egoísmo e estimulados ao con-
tempo. Cento e cinqüenta anos pela saudade, abraça-a em pran- vívio com a humildade e a carida-
haviam se passado, sem que ele to copioso, dispondo-se a acom- de, as duas irmãs generosas que
modificasse suas disposições. Em- panhá-la. nos abençoam com a paz onde
polgado pelo ódio, reencontrara Com o triunfo do amor, inter- estivermos.

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Evangelização
Espírita em marcha
“E agora por que te deténs?”
(Atos, 22:16.)
RU T E V I E I R A R I B E I RO

“R
elatando à multidão Ao longo desses 30 anos, infin- nacional e além das fronteiras do
sua inesquecível expe- dáveis discussões sobre os rumos Brasil.
riência às portas de da tarefa ocuparam as nossas Podemos avaliar como satisfa-
Damasco, o Apóstolo dos gentios mentes e preocuparam a todos os tório o progresso das atividades de
conta que, em face da perplexida- que estão nas lideranças da evan- Evangelização em muitos centros
de que o defrontara, perguntou- gelização infanto-juvenil. espíritas bem como o aumento no
-lhe Ananias, em advertência fra- Além disso, realizaram-se em número de colaboradores que pro-
terna: ‘E agora por que te deténs?’. todos os estados do Brasil ativida- curam se engajar nessa tarefa.
A interrogação merece ser me- des variadas em favor da evangeli- Na verdade, em 30 anos de
ditada por todos os que já recebe- zação, sempre com o objetivo de Campanha de Evangelização, con-
ram convites, apelos, dádivas ou torná-la adequada às crianças e tabilizamos inúmeras vitórias, mas
socorros do plano espiritual.”1 aos jovens. Novas metodologias fo- precisamos ter consciência de que
Merece também ser feita a cada ram testadas, projetos com objeti- o investimento do mundo espiri-
um de nós, trabalhadores da Evan- vo de atender a diferentes aspec- tual superior em cada um dos seus
gelização Espírita da Criança e do tos da formação moral surgiram, trabalhadores tem sido superior
Jovem, para uma análise profun- bem como experiências de prepa- aos resultados alcançados.
da do comprometimento e do en- ração pedagógica e doutrinária do De uma forma ou de outra,
volvimento que temos adotado evangelizador. sempre temos recebido dos Espí-
nas ações realizadas em prol dessa Assim, a Campanha de Evange- ritos, encarregados dessa tarefa,
tarefa. lização Espírita da Criança e do orientações, intuições, mensagens
Há 30 anos, em 1977, foi lan- Jovem se expandiu e ganhou visi- diretas ou indiretas, ajuda para a
çada a Campanha Nacional de bilidade entre os espíritas que aos criação de programas, atividades
Evangelização Espírita Infanto- poucos se conscientizaram da ne- pedagógicas, apostilas, livros, ma-
-Juvenil, atendendo aos apelos do cessidade de orientar seus filhos teriais informativos e outros que
Movimento Espírita que sentia a com o ensino da Doutrina Espíri- temos hoje à disposição.
necessidade de orientar de forma ta e do Evangelho de Jesus. Se os amigos espirituais têm si-
sistemática e abrangente a nova Podemos, pois, fazer um ba- do tão pródigos em ajuda, não te-
geração, cuja freqüência à Casa lanço positivo da implantação da mos certeza de que a nossa res-
Espírita já se fazia notar de ma- Campanha de Evangelização e do posta tem sido à altura do investi-
neira crescente. seu alcance dentro do território mento feito.

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Muitos centros espíritas ainda um voluntário que aceitou a tare- Estamos convencidos de que,
resistem à implantação dessa tare- fa e, quando o fez, assumiu todos quando cada companheiro é con-
fa sob o argumento de que o baru- os compromissos e responsabili- vidado a contribuir numa tarefa
lho das crianças desarmoniza o dades inerentes a ela. da magnitude da Evangelização
ambiente, o espaço físico não com- Assumiu abrir mão de vários das novas gerações, está apenas
porta essa atividade ou ainda pela momentos de lazer em favor de aceitando o compromisso já assu-
inexistência de colaboradores. um ideal; assumiu dedicar seu mido no mundo espiritual, antes
Constatamos também que a tempo livre para a preparação de de reencarnar, conforme nos diz
grande rotatividade dos evangeli- aulas e de materiais necessários; Francisco Thiesen (Espírito) em
zadores e dos que estão na lide- assumiu o compromisso com sua entrevista, dada em 1997, ao mé-
rança do trabalho tem contribuí- própria formação doutrinária e dium Divaldo Pereira Franco:
do para a sua falta de continuida- pedagógica. “[...] Trabalhadores da última ho-
de, acarretando a perda dos ru- De um voluntariado se exige ra, sois herdeiros da oportunida-
mos e objetivos da Evangelização. comprometimento e responsabi- de feliz para reparardes o passado
Dentre todas as dificuldades lidade como de qualquer outro mediante a construção do porvir.
que ainda impedem o progresso trabalhador. Do voluntariado na Não é o acaso que vos reúne
da Evangelização Espírita Infanto- área da Educação Espírita da no campo da ação espírita-cris-
-Juvenil, a que mais nos preocupa criança e do jovem se requer mais tã. Tendes compromisso com o
é a ausência de comprometimen- ampla responsabilidade, porque é pensamento de Jesus, que adul-
to que ainda persiste entre os tra- um trabalho realizado com Espí- terastes anteriormente e que
balhadores. ritos ainda em formação, que pre- aplicastes em favor de interesses
O evangelizador ou o colabora- cisam receber orientações e exem- mesquinhos quão perturbado-
dor do trabalho de evangelização plos corretos para se transforma- res. Renascestes para vos liberar-
é, sem dúvida, um voluntário, mas rem em homens de bem. des do ontem pernicioso me-

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diante o presente rico de amor e dos, a fim de que aqueles que ve- cebemos as dádivas divinas, de mil
de bênçãos. nham depois encontrem luz apon- modos diversos, foi pronunciado o
........................................................ tando-lhes rumos de segurança. sublime desafio: ‘E agora por que te
Assumistes compromissos su- [...] deténs?’.”1
periores com os Mensageiros do Permanecei, desse modo, dedi-
Mundo Maior, e por isso fostes cados e fiéis até o fim, mesmo que Referências:
1
convocados à tarefa enriquecedo- as dificuldades repontem em for- XAVIER, Francisco Cândido. Caminho,ver-
ra da Evangelização da criança e ma ameaçadora de dor e sombra. dade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 27.
do jovem, trabalhando-os para Je- Quem anda na luz não receia a ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 147.
2
sus. Não vos surpreendais com o treva e quem faz o bem não sofre “Apostila do IV Encontro Nacional de Di-
desafio, nem o abandoneis a qual- solidão nem desajuste.”2 retores de DIJ”. Entrevista com Francisco
quer pretexto. Hoje é a oportuni- “Em qualquer posição e em qual- Thiesen que fala, da Espiritualidade, so-
dade ditosa para depositardes se- quer tempo, estamos cercados pe- bre o significado da Evangelização, atra-
mentes no solo dos corações; las possibilidades de serviço com o vés da psicografia de Divaldo Pereira
amanhã será o dia venturoso de Salvador. E, para todos nós, que re- Franco, Rio de Janeiro: FEB, 1997.
colherdes os frutos da paz. [...]”.2
De posse de todas essas infor-
mações, não podemos mais dar
como desculpas o desconheci- Página aos jovens
mento dos compromissos ante-
riormente assumidos ou as difi- Filho, recorda o Cristo, em cujas mãos a glória
culdades familiares ou profissio- Brilha por soberana e imortal cidadela,
nais.
Para atingir o Amor que de Luz se constela,
Já recebemos e aceitamos o
Além das aflições da sombra transitória.
chamamento do Cristo para in-
gressar nas fileiras dos que, com-
Lembra-lhe o berço hostil sobre a palha singela,
prometidos com a tarefa, estão
A vida que alterou a Humanidade e a História
tendo “[...] a oportunidade ditosa
para depositar sementes no solo E a morte sobre a cruz, transformada em vitória
dos corações [...]”.2 Para a ressurreição renovadora e bela.
Não podemos mais ser aqueles
que, segundo Emmanuel, “nas pa- Estendendo a missão que enaltece e domina,
lavras, exteriorizam sempre gran- Ei-lo – servo fiel à Vontade Divina –
de boa vontade; entretanto, quan- Na sublime ascensão, sereno, grande e forte!...
do chamados ao serviço ativo,
queixam-se imediatamente da fal- Faze, pois, da Humildade o teu celeste escudo
ta de dinheiro, de saúde, de tem- E guardarás contigo, a proteger-te em tudo,
po, de forças”.1 A força do Senhor que vence a treva e a morte.
“Não vos importem as dificul-
dades momentâneas que fazem Amaral Ornellas
parte do programa da ascensão.
Pensai no amanhã e preparai-o Fonte: XAVIER, Francisco C. Correio fraterno. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
Cap. 52, p. 123.
através das estrelas que puderdes
deixar pelos caminhos percorri-

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Esf lorando o Evangelho


Pelo Espírito Emmanuel

Ajudemos sempre
“E quem é o meu próximo?”
(LUCAS, 10:29.)

O
próximo a quem precisamos prestar imediata assistência é sempre a pes-
soa que se encontra mais perto de nós.
Em suma, é, por todos os modos, a criatura que se avizinha de nossos
passos. E como a Lei Divina recomenda amemos o próximo como a nós mesmos,
preparemo-nos para ajudar, infinitamente...
Se temos pela frente um familiar, auxiliemo-lo com a nossa cooperação ativa.
Se somos defrontados por um superior hierárquico, exercitemos o respeito e a
boa vontade.
Se um subordinado nos procura, ajudemo-lo com atenção e carinho.
Se um malfeitor nos visita, pratiquemos a fraternidade, tentando, sem afetação,
abrir-lhe rumos novos na direção do bem.
Se o doente nos pede socorro, compadeçamo-nos de sua posição, qualquer que
ela seja.
Se o bom se socorre de nossa palavra, estimulemo-lo a que se faça melhor.
Se o mau nos busca a influência, amparemo-lo, sem alarde, para que se corrija.
Se há Cristianismo em nossa consciência, o cultivo sistemático da compreensão
e da bondade tem força de lei em nossos destinos.
Um cristão sem atividade no bem é um doente de mau aspecto, pesando na eco-
nomia da coletividade.
No Evangelho, a posição neutra significa menor esforço.
Com Jesus, de perto, agindo intensivamente junto dele; ou com Jesus, de longe,
retardando o avanço da luz. E sabemos que o Divino Mestre amou e amparou,
lutou em favor da luz e resistiu à sombra, até a cruz.
Diante, pois, do próximo, que se acerca do teu coração, cada dia, lembra-te
sempre de que estás situado na Terra para aprender e auxiliar.

Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Fonte viva. 35. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 126, p. 315-
-316.

Junho 2007 • Reformador 227 21


reformador junho 2007 - b.qxp 6/6/2007 16:51 Page 22

Uma idade nova


para o homem
F
icou distante a lendária Ida- a todos a necessidade de repensar, há cento e cinqüenta anos, com
de do Ouro, quando o amor, de reflexionar em torno da mar- O Livro dos Espíritos, roteiro se-
a suavidade e a ternura nor- cha das sociedades, em processo guro e infalível para os indiví-
teavam a vida do mundo. de reestruturação dos próprios duos e para as comunidades de
Não mais achamos a deusa As- destinos. quaisquer latitudes.
tréia, filha de Têmis, a dominar a Nessas épocas agônicas para Glória à obra pujante de luz e
paisagem espiritual e moral das quase todos, em tempos de lágri- beleza, documento que os Céus
sociedades, estabelecendo o reino mas e de dores profundas, quando nos enviaram como mapa do te-
da harmonia, para uma vida ven- faltam socorros e falecem nobres souro a ser buscado por todos os
turosa. providências, como nos tempos que tenham interesse num mun-
Agora, quando se agitam as en- pretéritos, a massa vive a exorar do mais consentâneo com os en-
tranhas da Humanidade, quando dos Poderes Divinos o auxílio e o sinamentos do Reino de Deus.
a violência ganha dimensões alar- socorro capazes de minimizar Estudar esse livro é oportuni-
mantes e o crime mostra cenários tantos horrores e conflitos. dade sem igual.
aparvalhantes, quando o cinismo Temos hoje o dever de traba- Divulgá-lo é como espalhar-
e a corrupção se mostram desa- lhar para transformar essa tor- -se gemas preciosas por sobre as
bridos e a mentira desnorteia a al- mentosa idade tristemente metá- necessidades e expectativas ter-
ma terrena, tem-se a impressão de lica, de modo a erigir a Idade do renas.
que se instalou na Terra a Idade Espírito, a exuberante Era Espi- Viver segundo os seus ensina-
do Ferro das referências mitológi- ritual, que achana os caminhos mentos é conseguir a lucidez e a
cas dos tempos idos. do mundo para que por eles to- sabedoria que a todos nos con-
O momento cruel que se de- dos possamos trilhar com liber- duzirão à plena paz.
mora no planeta parece propício dade e com entendimento claro
para que os devedores da Cons- das leis divinas. Camilo
ciência Cósmica tenham ensejo Por causa de toda essa onda de
de reajustar-se, de renovar-se, en- terrores que se abate sobre a Hu- (Mensagem psicografada por José Raul
o
contrando a liberdade definitiva. manidade e da frieza de tantos Teixeira, em 14/4/2007, durante o 2 Con-
A hora que se estira sobre as ex- corações que se cansaram de ser- gresso Espírita Brasileiro, em Brasília, DF.)
periências da Humanidade impõe vir, o Cristo brindou a Terra, já Revisão em conjunto com o médium.

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Trajetória de
Emmanuel
A N TO N I O C E S A R P E R R I DE C A RVA L H O

N
a magnífica produção psi- figura amorável e determinada no pranto da compunção e do
cográfica de Francisco Cân- de sua esposa – a cristã Lívia, e o arrependimento [...]”.4
dido Xavier, as obras assi- registro da cura de sua filha Flá- O enredo de Cinqüenta Anos
nadas pelo seu orientador Emma- via. Em atendimento à procura Depois se desenrola a partir do
nuel têm grande realce. Entre es- envergonhada do senador, o Cris- ano 131 de nossa era. Alguns per-
tas, a trajetória reencarnatória de to foi claro: sonagens do romance inicial apa-
Emmanuel se encontra magistral- “– Senador, por que me pro- recem com roupagens carnais e
mente desenvolvida dentro de curas? contextos diferentes. O outrora
uma série de romances históricos [...] mas o profeta [...] continuou: orgulhoso senador vive a expe-
publicados pela Federação Espíri- [...] não venho buscar o ho- riência do escravo de origem gre-
ta Brasileira. mem de Estado, superficial e or- ga Nestório. Torna-se liberto pelo
No contexto da “[...] era defini- gulhoso, que só os séculos de so- patrício Helvídio Lucius, filho do
tiva da maioridade espiritual da frimento podem encaminhar ao venerável Cneio Lucius e, pouco
Humanidade terrestre, de vez que regaço de meu Pai; venho atender tempo depois, como cristão, foi
Jesus, com a sua exemplificação às súplicas de um coração desdito- levado às feras, juntamente com
divina, entregaria o código da fra- so e oprimido e, ainda assim, meu seu filho Ciro. No “outro lado”, fo-
ternidade e do amor a todos os amigo, não é o teu sentimento que ram recepcionados por Lívia:
corações”,1 Emmanuel passa a dis- salva a filhinha leprosa e desvalida “[...] um vulto de anjo ou de
correr sobre o “[...] orgulhoso pa- [...] é, sim, a fé e o amor de tua mulher caminhou para ele, es-
trício Públio Lentulus, a fim de mulher, porque a fé é divina...”.3 tendendo-lhe as mãos carinho-
algo aprenderdes nas dolorosas Desse encontro inolvidável do sas e translúcidas...”.5
experiências de uma alma indife- senador surgiu a única descrição Na seqüência deste romance,
rente e ingrata. existente sobre o Cristo, a partir emerge a figura de Célia, renegada
........................................................ de relato de Públio Lentulus ao pelo pai Helvídio Lucius, guiada
[...] verificareis a extensão de imperador Tibério. Depois do espiritualmente pelo seu avô de-
minhas fraquezas no passado sacrifício de Lívia, o idoso e dicado. Escondida na roupagem
[...]”.2 Antes, situa uma vida an- amargurado senador, Flávia e a do Irmão Marinho ela se destaca
terior do senador, como seu bi- dedicada serviçal Ana desencar- pelo amor no serviço a necessita-
savô, o combativo cônsul Públio nam durante a erupção do Vesú- dos, num mosteiro nos arredores
Lentulus Sura. Surge Há Dois Mil vio. No mundo espiritual, “o ve- de Alexandria, no cenário do
Anos..., onde se desfrutam mui- lho patrício contemplou a figura “horto de Célia”. A trama desta
tos ensinamentos sobre a vida do radiosa da companheira e, exta- história se encerra após o terno
senador romano, despontando a siado, fechou os olhos banhados atendimento de Irmão Marinho a

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Helvídio Lucius. No capítulo fi- tivo – seu pai Varro reencarnado quenina Alcíone. Em momentos
nal, Emmanuel descreve o enlevo – que vinha em tarefa especial na de diálogo com Madalena, o sa-
espiritual de um grupo de Espíri- tentativa de recuperá-lo. Anos cerdote de Ávila comenta sobre
tos lúcidos, a abençoar entidades depois, o orgulhoso Taciano e o alguma reminiscência e anseio:
como Cneio Lucius e Célia, valo- jovem Quinto Celso foram sacri- “– Sempre acalentei o desejo
rizando as mudanças que se con- ficados juntamente com os cris- de compartilhar dos trabalhos
cretizaram com Nestório. Eis que tãos, em Roma. Ao adentrar no missionários na América [...]”.8
“um dia, porém, um mensageiro mundo espiritual, Taciano reco- Padre Damiano cerra seus olhos
das alturas veio convocar o grupo nheceu o pai na figura do jovem físicos em Paris. O ápice da nar-
de Cneio Lucius a comparecer pe- e dele ouviu: ração do autor espiritual é atin-
rante os numes tutelares que lhe “– Taciano, meu filho, agora gido com lances da vida da vir-
presidiam os destinos, de modo a poderemos trabalhar, em louvor tuosa Alcíone Vilamil que encerra
efetuar-se a livre escolha das pro- de Jesus, para sempre!... [...] Bei- sua existência como Irmã do Car-
vações futuras”.6 jou as mãos paternas como al- melo, vitimada pela Inquisição
O século III é o cenário para guém que saciava saudades terri- na Espanha. Recebida no mundo
as tramas relatadas em Ave, Cris- velmente sofridas e tentava algo espiritual com homenagens “[...]
to!. Na Roma dos tempos do im- dizer, quando viu Blandina, Ba- como tributo de veneração à dis-
perador Adriano, em torno da sílio, Lívia e Rufo [...] cípula do Cristo, que soubera ven-
experiência de Quinto Varro, co- [...] centenas de almas radian- cer [...]. Cirilo, Damiano e ou-
meçam a surgir nobres cristãos tes seguravam lirial estandarte, tros amigos de Alcíone, conser-
pioneiros, como Ápio Corvino, e em que brilhava a saudação to- vavam-se em atitudes de prece.
depois de seu assassinato, despon- cante e sublime: [...]” Outro benfeitor “[...] unia
ta o próprio Varro, escondido na – Ave, Cristo! Os que vão viver sua voz aos harpejos do Céu, re-
personagem de um novo Corvi- para sempre te glorificam e saú- petindo as sagradas palavras do
no. Os enganos de patrícios ro- dam!”.7 Sermão da Montanha”.9
manos em Lyon, nas Gálias, leva- Com um salto de mais de um Hoje, quando se absorve as di-
ram a antiga família de Varro à milênio, outro romance de Em- versas obras de Emmanuel como
degeneração moral, e ele próprio manuel focaliza cenários do rei- Paulo e Estêvão, considerada a
foi vítima de seus familiares, mes- nado de Luís XIV. Em Renúncia, “obra-prima” de Chico Xavier, e
mo após – como o missionário as cenas transcorrem em torno de as dissertações sobre passagens
cristão Corvino – ter dado apoio famílias de fidalgo espanhol e ou- do Novo Testamento, à luz da
a seu filho Taciano, então enfer- tra de origem irlandesa, que se es- Doutrina Espírita, na chamada
mo. Tempos depois, num momen- tabelecem em Paris. Embora com série “Fonte Viva”,10 muitas vezes
to de impasses, Taciano e sua fi- uma passagem da família de Ja- se desconhece a trajetória de Pú-
lha Blandina foram amparados ques Duchesne Davenport pela blio Lentulus Sura a Padre Da-
pelos cristãos Basílio e sua filha novel América do Norte, o enre- miano ao longo de dezenove sé-
adotiva Lívia, recém-chegados a do se desenvolve em função das culos. O senador Públio Lentu-
Lyon. Punidos pela família de tramas ocorridas na vida de Ciri- lus sofreu o impacto magnético
Taciano, Basílio foi sacrificado lo Davenport e Madalena Vilamil, do encontro com o Cristo e
em Lyon e Lívia, já cega, depois com etapas em terras americanas, criou-se um fio condutor para
de alguma peregrinação benfaze- espanholas e em Paris. Nesse ínte- “os séculos de sofrimento” em di-
ja, no final da vida, foi reconheci- rim, é descrito o ministério de reção “ao regaço de meu Pai...”.3
da por Taciano na região de Ná- padre Damiano, em Ávila, e seu Evidente que há outras passa-
poles, passando-lhe o filho ado- apoio à jovem Madalena e à pe- gens desse Espírito pelo nosso

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3
orbe, por exemplo, como Padre dades e reincidências de muitos Idem, ibidem. Cap. V, p. 80-81.
4
Manuel da Nóbrega, em Portugal outros. Trata-se de grupo de Espí- Idem, ibidem. Cap. X, p. 432.
5
e no Brasil, em estudos e comen- ritos que luta e caminha em con- XAVIER, Francisco C. Cinqüenta anos de-
tários feitos por Clóvis Tavares11 junto, com experiências no mar- pois. Pelo Espírito Emmanuel. Ed. Espe-
e aceitos por Chico Xavier, com tírio dos cristãos primitivos, na cial. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Primeira
vagas lembranças que transpare- dedicação, na renúncia e no amor. Parte, cap. VII, p. 150.
cem em Renúncia.8 Sua presença Os referidos romances descrevem 6
Idem. Parte Segunda, cap. VII, p. 326.
7
na Codificação Kardequiana está a luta ascensional percorrida XAVIER, Francisco C. Ave, Cristo!. Pelo
registrada com o texto “O egoís- pelo autor espiritual até se trans- Espírito Emmanuel. Ed. Especial. Rio de
mo”, em O Evangelho segundo o formar no inspirado exegeta e Janeiro: FEB, 2002. Segunda Parte, cap.
Espiritismo.12 Outro fato a ser lem- oferecem subsídios valorosos pa- VII, p. 382.
8
brado é que a orientação da mis- ra as análises e reflexões reencar- ______. Renúncia. Pelo Espírito Emma-
são de Chico Xavier – mediuna- nacionistas sobre grupos de Es- nuel. 2. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB,
to de 70 anos – foi claramente de píritos, família e para as ações nas 2002. Primeira Parte, cap. V, p. 184.
9
responsabilidade de Emmanuel organizações espíritas. Idem. ibidem. Segunda Parte, cap. VII,
com ponderável influência sobre p. 456.
10
o desenvolvimento do Movimen- Referências: Livros editados pela FEB: Caminho,
1
to Espírita no Brasil. XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. verdade e vida, Pão nosso, Vinha de luz
Evitando-se identificações de Pelo Espírito Emmanuel. 34. ed. Rio de e Fonte viva.
11
personagens entre os romances Janeiro: FEB, 2006. Cap. XII, “A manje- TAVARES, Clóvis. Amor e sabedoria de
de Emmanuel, o importante é se doura”, p. 105. Emmanuel. São Paulo: Ed. Calvário, 1970.
2
analisar a evolução de sentimen- ______. Há dois mil anos... Pelo Cap. 1.
12
tos, de propósitos e de ações en- Espírito Emmanuel. 3. ed. especial. Rio KARDEC, Allan. O evangelho segundo
tre os Espíritos que se apresen- de Janeiro: FEB, 2006. “Na intimidade o espiritismo. 126. ed. Rio de Janeiro:
tam como vitoriosos e as dificul- de Emmanuel”, p. 7-8. FEB, 2006. Cap. XI, item 11.

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Em dia com o Espiritismo


A Ciência exclui Deus?
M A RTA A N T U N E S M O U R A

Deus,1 publicado recentemente

O
americano Francis S. Col- além de um apêndice que traz
lins, químico, médico e no Brasil pela Editora Gente, apre- comentários sobre a prática mo-
geneticista, diretor geral senta evidências de que a Ciên- ral da Ciência e da Medicina: a
do Projeto Genoma (ou mapea- cia e a religiosidade devem ca- bioética. Na primeira parte, ana-
mento do DNA humano, ocorri- minhar juntas. Analisa a trajetó- lisa de forma sensata e bem fun-
do em 2001), percorreu o árduo ria desenvolvida por si mesmo e damentada a ruptura entre a
caminho de ateu confesso a cris- por outros cientistas na conquis- Ciência e a Religião. Tem como
tão convicto, enfrentando inúme- ta da religiosidade, apresentando referência as experiências pes-
ras dificuldades no meio acadê- dados concretos e confiáveis. Uti- soais e de outros cientistas, da
mico para confessar a sua crença lizando linguagem direta e argu- negação absoluta de Deus até a
em Deus. Percebeu quão limita- mentações inteligentes, comuns aceitação integral da existência
da é a visão dos cientistas em nos escritos científicos, conse- do Criador Supremo. Na segunda
relação a certos questionamentos gue alcançar o público leigo e de- parte, traz à baila questões atuais
humanos, tais como: “Por que es- monstrar como é pouco racional de efetiva significância para a Hu-
tamos aqui?” “Qual o sentido da a oposição entre Ciência e fé. A manidade: as origens do Univer-
vida?”. publicação possui onze capítu- so; a vida na Terra – sobre os mi-
Em seu livro, A Linguagem de los distribuídos em três partes, cróbios e o homem; a decifração

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do manual de instruções de Daí um conflito que deu origem Deus é ser soberanamente justo e
Deus – as lições do genoma hu- à incredulidade e à intolerância. bom.
mano. Na última parte do livro, São chegados os tempos em 2. “A ciência é o único caminho
intitulada “Fé na ciência, fé em que os ensinamentos do Cristo legítimo para investigar o mundo
Deus”, encontramos uma linha têm de ser completados; em que natural [físico]. Sondando a estru-
histórica da evolução do concei- o véu intencionalmente lança- tura do átomo, a natureza do cos-
to de Deus, contendo citações do sobre algumas partes desse mo ou a seqüência do DNA do ge-
do livro bíblico Gênesis, de estu- ensino tem de ser levantado; noma humano, o método científi-
dos de Galileu e de outros cien- em que a Ciência, deixando de co é a única forma confiável de
tistas de renome, do passado e ser exclusivamente materialista, buscar a verdade sobre eventos
do presente, e as idéias essen- tem de levar em conta o ele- naturais. [...] Apesar disso, a ciên-
ciais da Teoria das Espécies, de mento espiritual e em que a Re- cia apenas não basta para respon-
Charles Darwin. Faz lúcida aná- ligião, deixando de ignorar as der a todas as questões. [...] A
lise da Criação Divina, tendo co- leis orgânicas e imutáveis da ciência não é a única forma de
mo pano de fundo expressivas matéria, como duas forças que aprender. A visão do mundo espi-
posições religiosas e científicas, são, apoiando-se uma na outra ritual fornece outra maneira de
tanto as favoráveis quanto as con- e marchando combinadas, se encontrar a verdade.”3
trárias. Por fim, propõe a alter- prestarão mútuo concurso. En- A Ciência e a Religião não
nativa da união harmônica entre tão, não mais desmentida pela puderam, até hoje, entender-se,
a Ciência e a fé. Ciência, a Religião adquirirá porque, encarando cada uma
Na verdade, esta idéia, a de es- inabalável poder, porque estará as coisas do seu ponto de vista
tabelecer uma aliança entre a de acordo com a razão, já se lhe exclusivo, reciprocamente se
Ciência e a Religião, é também não podendo mais opor a irre- repeliam. Faltava com que en-
uma proposta espírita, constante sistível lógica dos fatos.2 cher o vazio que as separava,
há mais de um século em O Evan- um traço de união que as apro-
gelho segundo o Espiritismo: Existem outras coincidências ximasse. Esse traço de união
A Ciência e a Religião são as com os ensinos espíritas, cujo fio está no conhecimento das leis
duas alavancas da inteligência de idéias é desenvolvido pelo au- que regem o Universo espi-
humana: uma revela as leis do tor em seu livro, ora como pro- ritual e suas relações com o
mundo material e a outra as do duto de interpretações pessoais, mundo corpóreo, leis tão imu-
mundo moral. Tendo, no entan- ora como convicções de diferen- táveis quanto as que regem o
to, essas leis o mesmo princípio, tes cientistas. A título de ilustra- movimento dos astros e a exis-
que é Deus, não podem contradi- ção relacionamos, em seguida, tência dos seres. Uma vez com-
zer-se. Se fossem a negação uma algumas idéias expostas pelo ge- provadas pela experiência essas
da outra, uma necessariamente neticista Collins e a orientação relações, nova luz se fez: a fé
estaria em erro e a outra com a espírita correspondente. dirigiu-se à razão; esta nada
verdade, porquanto Deus não 1. “A Lei Moral ainda se destaca encontrou de ilógico na fé: ven-
pode pretender a destruição de para mim como a mais forte indi- cido foi o materialismo. Mas,
sua própria obra. A incompatibi- cação de Deus. Mais que isso, ela nisso, como em tudo, há pes-
lidade que se julgou existir entre indica um Deus que se preocupa soas que ficam atrás, até serem
essas duas ordens de idéias pro- com os seres humanos, um Deus arrastadas pelo movimento ge-
vém apenas de uma observação infinitamente bom e santo”3 – a ral, que as esmaga, se tentam
defeituosa e de excesso de exclu- questão 13 de O Livro dos Espíritos resistir-lhe, em vez de o acom-
sivismo, de um lado e de outro. informa que um dos atributos de panharem. É toda uma revolu-

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ção que neste momento se ope- deu-se também na ordem mo- rita, por sua vez, mais uma vez se
ra e trabalha os espíritos. [...] ral. Para fixar as idéias, faltou o adianta às conclusões científicas:
Fáceis são de prever as conse- elemento essencial: o conheci- Fé inabalável só o é a que pode en-
qüências: acarretará para as mento das leis a que se acha carar de frente a razão, em todas as
relações sociais inevitáveis mo- sujeito o princípio espiritual. épocas da Humanidade.6
dificações, às quais ninguém Estava reservado à nossa época A Ciência não exclui Deus, co-
terá força para se opor, porque esse conhecimento, como o mo se supõe à primeira vista. Tem
elas estão nos desígnios de esteve aos dois últimos séculos sido constatado o renascimento
Deus e derivam da lei do pro- o das leis da matéria.4 de Espíritos esclarecidos nos dife-
gresso, que é lei de Deus.2 rentes campos do saber humano,
Em entrevista ocorrida na ceri- os quais, por possuírem uma sóli-
3. “O sentido da existência hu- mônia de lançamento do seu li- da consciência religiosa, estão pro-
mana, a realidade de Deus, a pos- vro, o cientista foi confrontado a movendo a esperada aliança entre
sibilidade de um pós-vida e mui- respeito dos atos criminosos co- a Ciência e a Religião. O reconhe-
tas outras questões espirituais se metidos ao longo da História, em cido geneticista Francis Collins
acham fora do alcance do método nome de Deus. A resposta que ele representa um dentre muitos Es-
científico.”3 deu à questão indica coerência de píritos que aportam ao mundo
Se a questão do homem espi- suas concepções e conclusões, as- físico, atendendo as determinações
ritual permaneceu, até aos dias sim como revela a nova ordem de do Cristo de transformar a nossa
atuais, em estado de teoria, é que idéias que está circulando na men- habitação planetária num mundo
faltavam os meios de observa- te de, aproximadamente, 40% dos de regeneração.
ção direta, existentes para com- cientistas da atualidade, segundo
provar o estado do mundo ma- dados por ele apresentados: “O
terial, conservando-se, portan- problema é que a água pura da fé Referências:
1
to, aberto o campo às concep- religiosa circula nas veias defeituo- COLLINS, Francis S. A linguagem de
ções do espírito humano. [...] O sas e enferrujadas dos seres huma- Deus. Tradução de Giorgio Capelli. São
que se deu na ordem física, nos, o que às vezes a torna turva. Paulo: Editora Gente, 2007. p. 280.
2
Isso não significa que os princí- KARDEC, Allan. O evangelho segundo o
pios estejam errados, apenas que espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro.
determinadas pessoas usam esses 126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. I,
princípios de forma inadequada item 8.
para justificar suas ações”.5 Nou- 3
COLLINS, Francis S. A linguagem de
tro momento enfatiza: “A religião Deus. Tradução de Giorgio Capelli. São
é um veículo da fé – essa, sim, im- Paulo: Editora Gente, 2007. Terceira par-
prescindível para a Humanidade. te, cap. 10.
4
Albert Einstein também afirmou KARDEC, Allan. A gênese. Tradução de
algo semelhante: A ciência sem re- Guillon Ribeiro. 50. ed. Rio de Janeiro:
ligião é manca, a religião sem a FEB, 2006. Cap. IV, item 15.
ciência é cega”.2 A Doutrina Espí- 5
Revista veja. Editora Abril. Entrevista pu-
blicada na edição de janeiro de 2007.
Francis S. Collins: de ateu 6
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o
confesso a cristão convicto
espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro.
126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap.
XIX, item 7.

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Seminário sobre Educação


Espírita na Sede Histórica da FEB
Sob a condução da con-
freira Darci Neves, diretora
da Área de Educação Espí-
rita do Conselho Espírita do
Estado do Rio de Janeiro
(CEERJ), realizou-se em 28
de abril p. p., na Sede Seccio-
nal da FEB, no Rio de Janei-
ro, o 4o Seminário promovi-
do pela Federação Espírita
Brasileira em fraterna parce-
Aspecto geral do público na Sede Seccional da FEB no Rio de Janeiro
ria com aquela Federativa
estadual, compondo também a • Jesus, o Pedagogo da Huma- que caracterizam as sociedades do
Mesa de trabalhos o diretor Affon- nidade; século XXI.
so Soares. • Proposta Educacional de Pes- A presença maciça de adeptos en-
Dessa vez, a Casa de Ismael re- talozzi; volvidos nas tarefas da evangeliza-
cebeu novamente a visita de He- • Rivail e Kardec; ção da infância e da juventude sus-
loisa Pires, para tratar do tema • Educação Espírita e o Século citou a formulação, entre outras,
“Constituição da Educação Espí- XXI. de questões específicas e de profun-
rita – do homem primitivo ao séc. didade, todas plenamente esclare-
XXI”, com abordagens sobre os Em agradável exposição, fluen- cidas por Heloisa Pires, com o crité-
seguintes itens: te e fecunda, Heloisa Pires, que é, rio da Codificação de Allan Kardec
• Educação dos Povos Primitivos; em São Paulo (SP), professora de e o auxílio de seus vastos conheci-
Física e Matemática, psicopeda- mentos de Psicopedagogia e ricas
goga, diretora do Centro Espírita vivências pessoais, tudo temperado
Cairbar Schutel e voluntária da com sua jovialidade contagiante.
Casa do Caminho, desenvolveu a Foram momentos de grande
grandiosa tese de uma educação edificação, de legítima confraterni-
espírita sempre presente e neces- zação, que os participantes con-
sária nos sucessivos estágios da servarão indeléveis na memória e
evolução da Humanidade, desde lhes servirão de estímulo no estu-
as fases primitivas até aos níveis do e na prática da Doutrina Espí-
rita, influenciando principalmente
os evangelizadores na grave e deli-
Heloisa Pires cada missão de fecundar crianças e
jovens com os princípios morais
do Espiritismo com Jesus.

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Os trabalhadores
S AU LO G O U V E I A C A RVA L H O
de Jesus
O
s trabalhadores do bem mo, após três anos de meditação Levi “[...] Jesus aconselha o amor
servem a Jesus com entu- no deserto, percebendo que não aos próprios inimigos. Entretanto,
siasmo, desprendimento e era bem recebido pelos seus, teve a considerava quão difícil devia ser
dedicação. Sabem compreender orientação de Ananias, o ex-perse- semelhante realização. Penoso tes-
seus desígnios porque muito guido: temunhar dedicação, sem o real
amam. Por isso, trabalham persis- “[...] mas aquele que já se enga- entendimento dos outros. Como
tentemente na sua seara apesar nou, ou que guarda alguma culpa, fazer para que a alma alcançasse
das incompreensões. Suas espe- tem necessidade de testemunhar tão elevada expressão de esforço
ranças estão depositadas na vida no sofrimento próprio, antes de com Jesus Cristo?”2 Abigail reto-
futura, liberando-os do desânimo ensinar [...]”, e acrescentou: “Quan- ma novamente:
perante as dificuldades. do hajas sofrido mais [...] terás “– Trabalha!”2
E sabendo serem falíveis perante apurado a compreensão dos ho- Segundo Emmanuel, “[...] Era
as próprias imperfeições, Espíritos mens e das coisas. [...]”.1 necessário realizar a obra de aper-
na escalada da evolução, quando se Então, Saulo retorna ao seu lar, feiçoamento interior. [...]”.2 Toda-
encontram diante das indiferenças após ser ignorado pelos amigos de via, seus esforços foram em vão.
dos outros, perdoam. Afinal, o outrora, vai em busca do acon- Desejoso de “pregar” o evangelho
exemplo deixado pelo Mestre mos- chego nos braços paternos, mas do Mestre, compartilhar os senti-
tra a diferença entre o bem e o mal, não é compreendido e fica só. mentos nobres de agora, fora en-
iluminando o caminho a seguir. Conta Emmanuel que, desdobra- xotado e incompreendido. “[...]
Dentre seus trabalhadores, avul- do do corpo, foi ter com Estêvão e Que providências adotar contra o
ta o incansável Saulo de Tarso, o Abigail, em região sublime, de ra- desânimo destruidor?”2 A voz de
apóstolo dos gentios. Estudando ra beleza. Depois do lenitivo das Abigail entoa uma suave e subli-
sua vida podemos retirar exemplos palavras ternas e do carinho rece- me palavra:
riquíssimos. bido, quis saber o futuro semea- “– Espera!”2
Quando fez sua primeira em- dor da Boa Nova o “[...] que fazer “[...]a alma deve estar pronta a
preitada em divulgar o Cristianis- para adquirir a compreensão per- atender ao programa divino, em
feita dos desíg- qualquer circunstância. [...]”2 No
Paulo de Tarso na estrada de Damasco nios do Cristo?”2 entanto, “[...] as criaturas pare-
E Abigail amoro- ciam igualmente desinteressadas
samente respon- da verdade e da luz. [...] como agir
de com uma úni- no âmbito de forças tão hetero-
ca palavra: gêneas? Como conciliar as gran-
“– Ama!”2 diosas lições do Evangelho com a
Pensativo, indiferença dos homens?”2 Como
Saulo lembra que a adivinhar o futuro que viria, ela
nas anotações de responde simplesmente:
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“– Perdoa!”2
Relata o Espírito Emmanuel Retorno à Pátria Espiritual
que “[...] Singular serenidade to-
cava-lhe o espírito. Uma com-
preensão diferente felicitava-o
para o reinício da jornada no
mundo. Guardaria o lema de Ian Stevenson
Abigail para sempre. O amor, o
trabalho, a esperança e o perdão ra o qual catalogou mais de 600
seriam seus companheiros inse- casos de lembrança espontânea.
paráveis. [...]”.2 Além desse, há outros títulos,
A busca pela vivência da pleni- em inglês, em que relata deze-
tude fica mais acessível quando se nas de casos que colheu em paí-
compreende que o ser em essência ses como Índia, Sri Lanka, Lí-
é amor. E o amor é um bálsamo bano, Turquia, Tailândia e Bur-
poderoso que, por suas virtudes, ma. Um dos seus interessantes
cura todas as chagas do coração. estudos, ainda não publicado
Por isso, qualquer dificuldade ou em português, mostra, em 2.300
obstáculo é superado sob a in- páginas, como as chamadas mar-
fluência desse sublime sentimento. cas de nascença podem servir
No trabalho, as forças se reno- de indício da reencarnação. O
vam. É ele que limpa as “poeiras” Desencarnou no dia 8 de fe- estudo é intitulado Reincarna-
da estrada, permitindo aos obrei- vereiro, na cidade de Charlot- tion and Biology: A Contribu-
ros do Cristo seguirem, sem a tesville, no Estado norte-ameri- tion to the Etiology of Birth-
lentidão dos que ficam à margem cano da Virgínia, aos 88 anos de marks and Birth Defects (Reen-
da estrada. Com paciência, per- idade, o médico psiquiatra Ian carnação e Biologia: Uma Con-
severança e fé têm a certeza de Stevenson. tribuição à Etiologia das Marcas
que estão sendo apoiados pelo Nascido em 31 de outubro de Nascença e Defeitos de Nas-
“Bom Pastor”, que a ninguém de- de 1918, em Montreal, Canadá, cença).
sampara. tornou-se mundialmente co- Ian Stevenson vivia nos Esta-
Só resta o perdão das próprias nhecido pelas pesquisas que de- dos Unidos, onde por 34 anos
falhas e das faltas alheias, para senvolveu sobre a reencarnação, dirigiu o Departamento de Psi-
prosseguirem intimoratos, sem às quais dedicou mais de 30 quiatria e Neurologia da Escola
temer os percalços do caminho, anos de sua vida, viajando pelo de Medicina da Universidade
certos de que: “Se Deus é por nós, mundo para estudar e catalo- de Virgínia. Atualmente, estava
quem será contra nós?” (Roma- gar casos que evidenciassem a à frente da Divisão de Estudos
nos, 8:31). volta do espírito à Terra num da Personalidade, daquela uni-
novo corpo. Como resultado de versidade, a qual colocou em
Referências: seus esforços, Stevenson publi- sua página na Internet uma no-
1
XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. cou diversos livros, como Vinte ta homenageando seu célebre
Pelo Espírito Emmanuel. 43. ed. Rio de Casos Sugestivos de Reencarna- professor.
Janeiro: FEB, 2006. Segunda Parte, cap. I, ção (Twenty Cases Suggestive of
p. 277-278. Reincarnation), lançado em 1966 Fonte: Boletim Sei, no 2032, de
2
Idem, ibidem. Cap. III, p. 381-382 e 384. e vertido para o português, pa- sábado, 10/3/07.

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A FEB e o Esperanto

Sugestivo depoimento
sobre o Esperanto
A F F O N S O S OA R E S

O
periódico Informativo, da Associação dos tilidade, com perda da auto-estima e tendência a se
Aposentados e Pensionistas de Volta Re- isolar, a se afastar do convívio com os outros. Não
donda (no 150 – mar./2007) traz sugestiva por falta de tempo, porque tempo agora ele tinha de
matéria a respeito do esperanto, da autoria do sobra; mas porque não encontrava o seu espaço, nem
Engenheiro Alberto Flores, veterano propagandista oportunidades de ter um lazer prazeroso.
dos ideais da Língua Internacional Neutra. O seu cotidiano se tornara repetitivo, numa mesmi-
Alberto, que tem dado sucessivos cursos do idio- ce terrível. Foi aí que alguém lhe sugeriu que procuras-
ma no Centro Gerontológico daquela Associação, se o Centro Gerontológico de uma Associação de Apo-
relata sobre interessante experiência que julgamos sentados, o qual lhe poderia proporcionar a alegria de
dever estender ao leitor, pelo seu elevado alcance e conviver com pessoas da sua idade, de participar de um
por evidenciar virtudes singulares da genial criação coral, de passeios, de excursões, de festas, de cursos.
de Lázaro Luís Zamenhof. Cursos? Sim, de cursos sem prerrequisitos, sem
Sob o título “Esperantoterapia”, Alberto Flores nos compromisso de exames, sem mensalidades caras,
brinda com o seguinte texto: sem a chatice de tarefas cansativas. Era estudar por
“Seu Miguel tinha as suas horas totalmente absor- puro prazer, como uma terapia ocupacional, para
vidas por intenso trabalho para atender às urgentes sentir a satisfação de conviver, de aprender algo inte-
necessidades da família. Não sobrava tempo para ler, ressante, de ocupar bem o seu tempo e a sua mente,
estudar ou se dedicar a algum passatempo. Em seu desenferrujar o intelecto num lazer agradável.
centro de interesses se via cercado pela obrigação de E foi assim que seu Miguel começou a estudar a
bem cumprir as tarefas de cada dia. E assim se passa- língua esperanto. No princípio achou que não ia
ram os anos. conseguir aprender; estava destreinado do estudo.
Lá pelas tantas chegou a época da sonhada apo- Mas o esperanto era tão interessante, tão claro, tão
sentadoria! No início, seu Miguel sentiu-se meio lógico, tão simples, que seu Miguel foi se entusias-
desnorteado. Parecia que tinha um vazio na alma. Os mando, se dedicando e aprendendo, bem mais rápi-
sonhos de moço já não mais tinham sentido. Os inte- do do que pensara!
resses agora eram outros, ou já não havia mais inte- E quando se deu conta, estava lendo prosa e poe-
resse algum! O envelhecimento cobrava o seu preço. sia em esperanto, com enorme satisfação e grande
Mas, no fundo, ainda acariciava o velho sonho de proveito cultural. Seu Miguel estava feliz: tinha en-
estudar, coisa que antes não fora possível. contrado e se afinado com o belo ideal de paz e fra-
Porém, cadê a paciência para fazer um curso for- ternidade que caracteriza o esperanto.
mal? E o dinheiro? E os prerrequisitos? O jeito era Começou a se corresponder com esperantistas de
mesmo desistir. Então começou a sentir um certo outras terras e de outras culturas, e a saber como
desânimo, tristeza, depressão; uma sensação de inu- viviam, pensavam e sentiam. Era como se tivesse

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aberto uma imensa janela para o resto do mundo; transformou os meus dias. Agora sou outro; não sou
percebeu que seus horizontes se ampliavam. E, mais um idoso acabrunhado; sou agora um jovem na
muito satisfeito, seu Miguel contava para os amigos: 3a idade, alegre e feliz. A terapia do esperanto me
‘Jamais imaginei que o simples estudo dessa lín- trouxe novas esperanças. Graças a Deus e, também,
gua fosse me proporcionar tantas alegrias. É algo que ao Dr. Esperanto!’.”

O poema a seguir transcrito, com a versão em esperanto feita conjuntamente por Sylla Chaves e
Benedicto Silva, é da poetisa piauiense Áurea Maria Cruz Ramos da Costa (1922-2005), que nele
expressa, de forma sugestiva, sua crença nas vidas sucessivas da alma:

Mil vidas Mil vivoj


Venho de longe, longe, muito longe... De fore, de tre fore mi alvenas
Peregrina de abismos e de espaços. pilgrime tra l’ abismoj kaj la spaco,
Cumprindo carmas renasci princesa, mi karme renaski1is, jen princino,
Ora bobo da corte, ora palhaço! jen histrion’ kortega, jen pajaco!
Poderoso e cruel, sem piedade, Potenca, senkompata kaj kolera,
Tive aos meus pés escravos e vassalos. malamis min la sklavoj kaj vasaloj,
Meu corpo apodreceu em lúgubres masmorras; kaj mi forputris en malhel’ karcera.
Mas fui também donzela enternecida, Sed poste mi revenis junulino,
Temendo a morte e amando a vida! de suna vivo arda amantino.
Quantas vezes saudades eu senti Kaj nune resopiras mi plurfoje
De uma aldeia branca, muito branca, vila1on blankan, kie plene 1oje
Onde pobre pastora eu vivi! mi vivis, kiel simpla pa7tistino.
Depois, seguindo a minha trajetória, Poste, doloro en la vojo mia:
Os meus filhos perdi em luta inglória! mi perdis filojn en batalo fia!
Em bordéis eu dormi com marinheiros, Mi ku7is en bordeloj kun 7ipanoj,
Naveguei em mil mares sem roteiro. kaj sur la mar’ 7ipiris sen vojplanoj.
Fez-se silêncio no vale profundo, Kaj poste i1is en la voj’ silento:
Mais uma vez esqueci este mundo... miajn memorojn forbalais vento...
Muito tempo passou, quando em novo vagido, la tempo pasis... fine mi revenis:
De néctar e de orvalho fui ungido. per roso kaj nektar’ la viv’ min benis.
Agora, em cada flor eu tenho uma irmã, Fratinon havas mi en /iu floro
Nos meus olhos a vida é manhã. en mia bela viva9roro.
Um pouco de artesão, um pouco de alquimista, Manlaboristo a9 alkemiisto,
Faço do amor a suprema conquista. fabrikas amon mi, fabrikas belon...
Em belo e novo transformo o velho e o feio, malnovon, hidon zorge mi transformas...
De esperanças a Terra eu semeio! mi prenis tiujn 7an1ojn kiel celon,
Sonhar, sorrir, amar é minha meta, kaj amon, revojn, /iam kun rideto,
Pois Deus me permitiu nascer poeta! disdonas: Dio faris min poeto!

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Cristianismo Redivivo
História da Era Apostólica
(Século I) – Parte I
“Não podemos conhecer o Jesus ‘real’ através da pesquisa histórica, quer isto
signifique sua realidade total ou apenas um quadro biográfico razoavelmente
completo. No entanto podemos conhecer o ‘Jesus histórico’. Por Jesus da
história, refiro-me ao Jesus que podemos ‘resgatar’ e examinar utilizando os
instrumentos científicos da moderna pesquisa histórica.” 1

HAROLD O DUTRA DIAS

N
o Dallas Theological Semi- meticulosa dos romances psico- salta aos olhos: o romance foi psi-
nary (Texas, USA), no mês grafados por Francisco Cândido cografado no primeiro semestre
de maio de 1965, Harold W. Xavier revelou um fato inusitado: de 1941, na provinciana cidade de
Hoehner defendeu sua tese de dou- as datas estabelecidas pelo Espíri- Pedro Leopoldo (MG), ao passo
torado sobre a cronologia da Era to Emmanuel, nessas obras, eram que a tese foi defendida 24 anos
Apostólica. Seu trabalho contraria- freqüentemente idênticas àquelas mais tarde, na famosa universida-
va a tradicional e respeitada posição defendidas por Harold Hoehner. de de teologia norte-americana.
dos eruditos do seu tempo, propon- À guisa de exemplo, podemos ci- A constatação desses fatos nos
do uma completa releitura das fon- tar três episódios da vida do Cris- conduz a profundas reflexões sobre
tes históricas sobre o tema. Ao esta- to: o seu nascimento (ano 5 a.C.), o caráter da Revelação dos Espíritos,
belecer uma nova cronologia para o início do seu ministério (ano e, mais especificamente, sobre o trí-
o primeiro século do Cristianis- 30 d.C.) e a crucificação (ano 33 plice aspecto da Doutrina Espírita.
mo, o autor apontava a necessida- d.C.), todos ocorridos, segundo O Espiritismo é uma Ciência com
de de revisar todas as conclusões estes dois autores, nas datas acima identidade própria, já que possui
dos estudiosos que o antecederam. especificadas. Vê-se que Jesus foi objeto de estudo próprio (o mundo
A tese de Hoehner foi timida- crucificado com trinta e oito anos!2 espiritual e suas relações com o
mente acolhida nos meios acadê- No romance Paulo e Estêvão, o mundo corpóreo) e método de
micos, a ponto de receber o nome Espírito Emmanuel desenvolveu pesquisa próprio (mediunidade).
de “cronologia alternativa”. Atual- um quadro cronológico das ativi- Nesse sentido, são valiosas as
mente, porém, vários pesquisado- dades apostólicas que se asseme- considerações do Codificador a
res têm confirmado as proposições lha àquele elaborado pelo profes- respeito do assunto:
do professor norte-americano, in- sor do Texas. Um detalhe, porém, Assim como a Ciência propria-
corporando muitas de suas idéias. mente dita tem por objeto o estu-
Surpreendentemente, a leitura 2 do das leis do princípio material,
XAVIER, Francisco Cândido. Crônicas de
além-túmulo. Pelo Espírito Humberto de o objeto especial do Espiritismo
Campos. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.
1 é o conhecimento das leis do
MEIER, John P. Um judeu marginal: Cap. 15, p. 90 (a data de nascimento de
repensando o Jesus histórico. 3. ed. Rio de Jesus será abordada com maiores detalhes princípio espiritual. Ora, como
Janeiro: Imago, 1993. p. 35. em futuros artigos desta coluna). este último princípio é uma das

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forças da Natureza, a reagir in- tas, como John Meier, tem sido o comprovadas pela experiência
cessantemente sobre o princípio traço da Ciência pós-moderna, fa- essas relações, nova luz se fez: a
material e reciprocamente, se- vorecendo o diálogo com a Dou- fé dirigiu-se à razão; esta nada
gue-se que o conhecimento de trina Espírita, que, por sua vez, ofe- encontrou de ilógico na fé: ven-
um não pode estar completo rece subsídios valiosos, inacessíveis cido foi o materialismo. Mas,
sem o conhecimento do outro. aos “instrumentos científicos da nisso, como em tudo, há pes-
O Espiritismo e a Ciência se com- moderna pesquisa histórica”. soas que ficam atrás, até serem
pletam reciprocamente [...].3 Não se trata de sobrepujar a arrastadas pelo movimento ge-
Ciência, desprezar suas conclu- ral, que as esmaga, se tentam
Essa relação de complementa- sões, numa atitude mística incom- resistir-lhe, em vez de o acom-
ção entre a Ciência e o Espiritis- patível com a fé raciocinada. O panharem. [...]4
mo pode ser vista como união de desafio é “complementar”, “unir”,
esforços com vistas ao aprimora- “dialogar”, onde as duas partes es- Seguindo as pegadas de Allan
mento do saber humano, já que tão dispostas a ouvir e falar. Kardec, Emmanuel e outros Benfei-
possibilita uma abordagem inte- As palavras do Codificador, tores do mundo espiritual, o pre-
gral dos problemas, levando em mais uma vez, lançam inestimáveis sente artigo inaugura uma nova co-
conta seus aspectos materiais e luzes sobre a questão em debate. luna na revista Reformador, intitu-
espirituais concomitantemente. A Ciência e a Religião não lada “Cristianismo Redivivo”. Nossa
No prólogo deste artigo há uma puderam, até hoje, entender-se, proposta é salientar a contribuição
citação do historiador John P. porque, encarando cada uma as oferecida pela revelação espiritual
Meier, professor na Universidade coisas do seu ponto de vista ex- no equacionamento de graves pro-
Católica de Washington D. C., con- clusivo, reciprocamente se re- blemas relativos à história de Jesus,
siderado um dos mais eminentes peliam. Faltava com que encher dos seus seguidores diretos e do
pesquisadores bíblicos de sua ge- o vazio que as separava, um tra- Cristianismo, de modo geral, visan-
ração. Ao estabelecer os limites da ço de união que as aproximasse. do a apropriação, com maior segu-
Ciência e da investigação huma- Esse traço de união está no co- rança e legitimidade, da essência da
nas, ele adverte: “Por Jesus da his- nhecimento das leis que regem Boa Nova, alicerce de todas as pro-
tória, refiro-me ao Jesus que pode- o Universo espiritual e suas re-
mos ‘resgatar’ e examinar utilizan- lações com o mundo corpóreo, 4
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o
do os instrumentos científicos da leis tão imutáveis quanto as que espiritismo. 126. ed. Rio de Janeiro: FEB,
moderna pesquisa histórica”. regem o movimento dos astros 2006. Cap. I, item 8, p. 61.
A atitude de cautela e humilda- e a existência dos
de, esboçada por inúmeros cientis- seres. Uma vez

3
KARDEC, Allan. O espiritismo na sua
expressão mais simples. Rio de Janeiro:
FEB, 2006. Cap. III, item 16, p. 100.
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postas de renovação veiculadas Feitas estas considerações, convi- quase inacessível às cogitações
pela Doutrina dos Espíritos. damos o leitor a iniciar uma longa humanas, escapando, pois, às
O esforço não é novo. A tarefa jornada pelos trilhos da história do nossas possibilidades de exposi-
de unir pesquisa histórica e reve- Cristianismo, conjugando fé e ra- ção, em face da ausência de com-
lação espiritual pode ser encon- zão, revelação mediúnica e pesquisa parações analógicas, único meio
trada na obra A Caminho da Luz. histórica. Dedicaremos inúmeros de impressão na tábua de valo-
Desse livro monumental, destaca- artigos à construção da cronologia res restritos da mente humana.
mos dois trechos que servem de do primeiro século do Cristianis- Além do mais, ainda nos en-
baliza à nossa iniciativa, ao mes- mo, utilizando, basicamente, a tese contramos num plano evoluti-
mo tempo em que definem os de Harold W. Hoehner e a obra vo, sem que possamos trazer ao
rumos da nossa busca. Paulo e Estêvão. Paralelamente, vosso círculo de aprendizado as
Não deverá ser este um traba- aproveitaremos o ensejo para abor- últimas equações, nesse ou na-
lho histórico. A história do dar questões históricas, geográfi- quele setor de investigação e de
mundo está compilada e feita. cas, culturais e lingüísticas neces- análise. É por essa razão que so-
Nossa contribuição será à tese sárias ao aprofundamento da aná- mente poderemos cooperar
religiosa, elucidando a influên- lise. Nesse caso, será indispensável convosco sem a presunção da
cia sagrada da fé e o ascendente recorrer à literatura especializada, palavra derradeira. Considera-
espiritual, no curso de todas as relacionando-a com o acervo me- da a nossa contribuição nesse
civilizações terrestres. [...]5 diúnico de Francisco Cândido Xa- conceito indispensável de rela-
Esse esforço de síntese será o vier, como um todo. tividade, buscaremos concorrer
da fé reclamando a sua posição Como nossa proposta é fomen- com a nossa modesta parcela de
em face da ciência dos homens, tar o diálogo entre Espiritismo e experiência, sem nos determos
e ante as religiões da separativi- Ciência, por vezes será necessário no exame técnico das questões
dade, como a bússola da verda- esclarecer o estado atual da pes- científicas, ou no objeto das po-
deira sabedoria.6 quisa acadêmica antes de cotejar lêmicas da Filosofia e das reli-
os dados oferecidos pela Espiri- giões, sobejamente movimen-
O Espírito Emmanuel esclarece tualidade Superior. tados nos bastidores da opi-
que não tem a função de repetir o Todavia, uma advertência se im- nião, para considerarmos tão-
trabalho dos historiadores, com- põe. Não se trata de oferecer todas -somente a luz espiritual que se
petindo-lhe, essencialmente, reve- as respostas, nem de resolver todos irradia de todas as coisas e o as-
lar o ascendente espiritual da evo- os enigmas. Por vezes, teremos de cendente místico de todas as
lução humana. Com isto, depre- nos contentar com o aprimora- atividades do espírito humano
ende-se que a leitura dos historia- mento de nossas indagações. Afinal dentro de sua abençoada escola
dores, a conjugação das informa- de contas, saber perguntar é o pri- terrestre, sob a proteção miseri-
ções por eles oferecidas com a re- meiro passo para encontrar a ver- cordiosa de Deus.7
velação dos Espíritos, enfim, a dade. Mais uma vez, é Emmanuel
pesquisa puramente humana, re- que vem em nosso socorro. Assim, está dado o primeiro
presenta a parcela de trabalho que Além do túmulo, o Espírito de- passo da nossa jornada de muitas
nos compete nessa empreitada. sencarnado não encontra os mi- milhas. Que Deus nos abençoe os
lagres da sabedoria, e as novas propósitos.
5
XAVIER, Francisco Cândido. A caminho realidades do plano imortalista
da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 34. ed. Rio transcendem aos quadros do 7
XAVIER, Francisco Cândido. O consola-
de Janeiro: FEB, 2006. “Antelóquio”, p. 11. conhecimento contemporâneo, dor. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. Rio
6
Idem, ibidem. “Introdução”, p. 13. conservando-se numa esfera de Janeiro: FEB, 2007. “Definição”, p. 20.

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Câmara dos Deputados


homenageia Sesquicentenário

Mesa do Plenário e projeção da imagem de Allan Kardec

Sessão Solene Mesa o deputado Vital do Rêgo O Hino Nacional foi cantado
Filho (PB), o presidente da Fede- pelo Coral Irmã Sheilla, do Cen-
No dia 27 de abril de 2007, a ração Espírita Brasileira, Nestor tro Espírita André Luiz, com a
partir das 15 horas, o plenário da João Masotti, o diretor da FEB, participação do Grupo Evangeli-
Câmara contou com a presença Antonio Cesar Perri de Carva- canto, ambos de Brasília, sob a
de dirigentes de dezenas de insti- lho, o presidente da Federação Es- regência da maestrina Cristina
tuições espíritas para acompa- pírita do Distrito Federal (FEDF), Pires. O último Grupo também
nhar a Sessão Solene comemora- César de Jesus Moutinho, e Jaime apresentou o “Hino ao Espiritis-
tiva presidida pelo deputado Ferreira Lopes, dirigente do mo”. Em seguida, foi exibido um
Luiz Carlos Bassuma (BA), autor Grupo Espírita Bezerra de Me- vídeo sobre o Sesquicentenário
da propositura. Além do presi- nezes (GEBEME), que atua nas de O Livro dos Espíritos.
dente da Sessão, compuseram a dependências da Câmara. Fizeram expressivos pronun-

Junho 2007 • Reformador 243 37


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ciamentos sobre a efeméride os


deputados Vital do Rêgo Filho
e Luiz Carlos Bassuma. O Re-
Encontro comemora
gimento da Câmara permite o
uso da palavra exclusivamente a
Sesquicentenário com
parlamentares. A solenidade foi
transmitida ao vivo pela TV
grande público em São Paulo
Câmara.

Reunião Comemorativa
Às 17 horas, no Auditório Ne-
reu Ramos, nas dependências da
Câmara dos Deputados, desen-
volveu-se comemoração pelo
Sesquicentenário da Doutrina
Mesa de encerramento do Encontro em São Paulo
Espírita e pelos cinco anos do
GEBEME. No dia 21 de abril de 2007, as Militar do Estado de São Paulo e
O dirigente do GEBEME, Jai- organizações espíritas de São palestra de José Raul Teixeira. Se-
me Ferreira Lopes, dirigiu o Paulo, incluindo a União das So- guiram-se palestras simultâneas,
evento, iniciado com apresenta- ciedades Espíritas do Estado de durante todo o dia, encerrando-
ções musicais do Coral Irmã São Paulo (USE), se uniram para -se com palestra de Divaldo Pe-
Scheilla e do Grupo Evangeli- realizar um grande evento em reira Franco, que também foi ho-
canto. Seguiram-se saudações comemoração aos 150 anos do menageado pelos 60 anos de
pelo presidente da FEB, Nestor Espiritismo. Das 9h às 21h, o atuação na difusão do Espiritis-
João Masotti, pelo presidente da Centro de Exposições Imigran- mo. O presidente da Federação
FEDF, César de Jesus Moutinho, e tes, na Rodovia dos Imigrantes, Espírita Brasileira (FEB), Nestor
por Evandro Noleto Bezerra, tra- reuniu aproximadamente quinze João Masotti, e o diretor Antonio
dutor da Edição Comemorativa mil pessoas para acompanharem Cesar Perri de Carvalho integra-
de O Livro dos Espíritos. Em se- um programa diversificado com ram as Mesas de abertura e de
guida, o diretor da FEB, Antonio palestras, apresentações musi- encerramento. Este último tam-
Cesar Perri de Carvalho, profe- cais, exposições, estandes de di- bém representou o Conselho Es-
riu palestra sobre o tema “O Ses- versas editoras espíritas, sessões pírita Internacional (CEI) e pro-
quicentenário de O Livro dos Es- de autógrafos e apresentação de feriu palestras. A Rede Boa Nova
píritos”. A prece de encerramento filmes ligados à temática espírita. de Rádio e da TV Mundo Maior
foi proferida pelo deputado Luiz O Encontro foi iniciado com fizeram transmissões ao vivo e
Carlos Bassuma. Ao final, Evan- apresentação da Banda da Polícia gravações do evento.
dro Noleto Bezerra autografou a
Edição Comemorativa de O Li- Aspecto parcial do público
vro dos Espíritos.
Os dois eventos da Câmara dos
Deputados foram gravados e trans-
mitidos pela TVCEI ainda no mes-
mo dia (www.tvcei.com).

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O professor Rivail
também foi tradutor
E N R I Q U E E L I S E O B A L D OV I N O

U
ma preciosa informação, lêmaco (1699), “um dos livros mais Borgonha (1682–1712), neto de
ainda pouco conhecida, é a populares e mais admiráveis da li- Luís XIV e herdeiro do trono
de que o professor Hippo- teratura francesa [...]” sobre educa- [...]”, duque que faleceu jovem.
lyte Léon Denizard Rivail – que a ção “[...] espécie de epopéia em “[...] essa obra de Fénelon, que
partir de 18/4/1857 adotaria o até hoje merece ser lida, ecoou
pseudônimo de Allan Kardec –, fundo na alma do talentoso edu-
além de pedagogo emérito foi tam- cador Denizard Rivail [...]” que tra-
bém tradutor de obras do francês duziu Os Três Primeiros Livros de
para o alemão, do francês para o Telêmaco para o alemão [tradução
holandês, etc. Como eminente histórica], recebendo dele “[...]
poliglota, filólogo, gramático e lexi- inteligentes notas e comentários do
cógrafo, Rivail dominava com flui- tradutor e foi posteriormente pu-
dez vários idiomas: alemão (sua blicado em fevereiro de 1830 [...]”
língua adotiva, que ele sabia falar e com 220 páginas, que leva o nome
escrever tão bem quanto o francês completo de:
– sua língua natal – e que cultivara “Les Trois Premiers Livres de Té-
no Instituto de Yverdon), holandês, lémaque en allemand, contenant la
inglês, possuindo sólidos conheci- traduction littérale des deux pre-
mentos de latim, grego, gaulês e de miers et le texte français et alle-
algumas línguas neolatinas, nas mand du troisième, avec des notes
quais se exprimia corretamente. sur les racines des mots; suivis d’un
Zêus Wantuil, na sua vasta obra précis des formules grammaticales
em dois volumes: Allan Kardec – o Fac-símile do original francês et d’une table des verbes irrégu-
Educador e o Codificador,1 em co- prosa poética, verdadeiro ‘código de liers; à l’usage des maisons d’édu-
-autoria com Francisco Thiesen, re- moral principesca’ [...]” que “pre- cation; par H. L. D. RIVAIL, mem-
lata-nos nesta excelente biografia parava o futuro rei [da França], bre de plusieurs sociétés savantes,
que o educador Rivail verteu para o transformando-lhe o caráter agres- Paris, Bobée et Hingray Éditeurs
idioma germânico excertos de auto- sivo e vicioso e levando-o, pela fic- (Os Três Primeiros Livros de Telê-
res clássicos da França, especial- ção das inúmeras experiências de maco em alemão, contendo a tra-
mente os escritos do grande escritor uma longa viagem, a acautelar-se dução literal dos dois primeiros e o
francês Fénelon (François de Sa- contra o luxo e os prazeres excessi- texto francês e alemão do terceiro,
lignac de la Mothe-[1651–1715]), vos, contra a lisonja, as tentações do com notas sobre as raízes das pala-
que posteriormente seria um dos despotismo, o espírito de conquis- vras; seguidas de um compêndio
Expoentes da Codificação. ta, a ambição e a guerra”. Fénelon de fórmulas gramaticais e de uma
A obra-prima de Fénelon é o Te- foi preceptor “[...] do duque de tabela de verbos irregulares; para

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Foi enviado pelo rei, na qualida- sando acerca da terceira revelação e


de de missionário, às regiões de Au- da revolução moral do homem
nis e Saintonge. Seu Tratado da (cap. I, item 10); “Se fosse um
Educação das Jovens, que veio à luz homem de bem” e “Os tormentos
em 1687, obra dedicada às filhas do voluntários” (cap. V, itens 22 e 23);
duque de Beauvillier, lhe valeu a “A lei de amor” (cap. XI, item 9);
nomeação de preceptor do duque “O ódio” (cap. XII, item 10) e “Em-
de Bourgogne. Aos 42 anos é eleito prego da riqueza” (cap. XVI, item
acadêmico e aos 44 já é arcebispo 13). Em O Livro dos Médiuns fi-
de Cambrai. gura no capítulo das “Dissertações
A partir da publicação de sua Espíritas” (cap. XXXI, Parte Segun-
obra Explicação das Máximas dos da, itens XXI e XXII) desenvolven-
Allan Kardec: o Educador e o Santos, em 1697, passa a declinar as do aspectos acerca de reuniões es-
Codificador, vols. I e II graças oficiais. Dois anos mais tar- píritas e a multiplicidade dos gru-
uso dos educandários; por H. L. D. de, a Santa Sé condena a obra e ele pos espíritas.
RIVAIL, membro de várias socie- é privado de seus títulos e pensões. Importante assinalar que os des-
dades sábias, Paris, Bobée e Hin- Também cai em desgraça perante taques são aqueles em que o Espíri-
gray Editores)”.2 Luís XIV que descobre críticas a to assina seu nome, devendo-se
seu governo no romance pedagógi- considerar que deve, como os de-
Finalmente dizemos, com Wan- co de Fénelon, As Aventuras de Te- mais responsáveis espirituais pela
tuil e Thiesen, que é possível que a lêmaco, em 1699. Codificação, ter estado presente em
tradução de “[...] Telêmaco tenha, Mesmo no exílio de sua diocese, muitos outros momentos, dando
em certos aspectos, aprimorado o ele não pára de publicar. E no pe- seu especial contributo, eis que foi
espírito [caráter já nobre] de Rivail, ríodo de 1700 a 1712 publica Fábu- convidado pelo Espírito de Verda-
preparando-o para que mais tarde las e Diálogos dos Mortos, este últi- de a compor sua equipe, em tão
alçasse, condignamente, à posição mo escrito para o duque de Bour- grandioso empreendimento.3
de chefe de uma doutrina que viria gogne. Deixa transparecer suas es-
revolucionar o pensamento religio- peranças em reforma política em O Referências:
1
so, filosófico e, até mesmo científi- Exame de Consciência de um Rei, WANTUIL, Zêus [organizador]; THIESEN,
co, no que diz respeito ao ser hu- enquanto seu apego à Antiguidade Francisco. Allan Kardec: o educador e o co-
mano integral”. clássica manifesta-se em Cartas so- dificador. Edição Especial. Rio de Janeiro:
bre as Ocupações da Academia Fran- FEB, 2004. Cap. 22, “Rivail como tradutor.
Fénelon cesa. 7 de janeiro de 1715 assinala a Conhecimentos gramaticais e lingüísticos”,
data da sua morte, ocorrida em volume I.
2
Este é o nome literário de Fran- Cambrai. RIVAIL, H. L. D. Les trois premiers livres de
çois de Salignac de la Mothe-Féne- Fénelon figura na Codificação, Télémaque en allemand. Paris: Bobée et
lon, prelado e escritor francês que em vários momentos, podendo ser Hingray Éditeurs, 1830. Gentileza de Char-
nasceu no castelo de Fénelon, em citados: O Livro dos Espíritos, onde les Kempf, confrade da Union Spirite Fran-
Périgord, em 6 de agosto de 1651. assina “Prolegômenos”, junto a çaise et Francophone (USFF). Tradução
Ordenou-se sacerdote em 1675 e uma plêiade de luminares espiri- nossa do título completo.
3
passou a dirigir uma instituição tuais. Igualmente a resposta à ques- Expoentes da codificação espírita. FEP:
que tinha por objetivo reeducar as tão 917 é de sua especial responsa- Curitiba, 2002. Publicado com algumas va-
jovens protestantes convertidas ao bilidade. Em O Evangelho segundo riantes no Jornal Mundo Espírita, dez.,
catolicismo. o Espiritismo apresenta-se discur- 2006, p. 9.

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Retificando...
Artigo: “Sobre a lógica do conhecimento de si mesmo”, de Cosme D. B. Massi
Em nossa edição de abril, dedicada ao Sesquicentenário do Espiritismo, a de duas medidas na aplicação de Sua jus-
tiça. Procurai também saber o que dela
Redação adotou como critério uniformizar, nos artigos ali publicados, as transcri-
pensam os vossos semelhantes e não des-
ções de textos de O Livro dos Espíritos na tradução de Evandro Noleto Bezerra –
prezeis a opinião dos vossos inimigos,
Edição Comemorativa dos 150 anos da obra básica de Allan Kardec.
porquanto esses nenhum interesse têm
Ocorre que, no artigo acima referido, Cosme Massi fundamenta seus comen-
em mascarar a verdade, e Deus muitas
tários sobre as respostas de Santo Agostinho às perguntas 919 e 919 a de O Livro vezes os coloca ao vosso lado como um
dos Espíritos (Ed. FEB), tradução de Guillon Ribeiro, com as revisões propostas espelho, a fim de que sejais advertidos
por Silvio Seno Chibeni. Diante disso, e para conhecimento dos leitores, transcre- com mais franqueza do que o faria um
vemos na íntegra as perguntas e respostas das mencionadas questões, de confor- amigo. Perscrute, conseguintemente, a
midade com o original do autor. sua consciência aquele que se sinta pos-
suído do desejo sério de melhorar-se, a
919. Qual o meio prático mais eficaz pois, a vós mesmos perguntas, interro-
fim de extirpar de si os maus pendores,
que tem o homem de se melhorar nesta gai-vos sobre o que tendes feito e com
como do seu jardim arranca as ervas
vida e de resistir à atração do mal? que objetivo procedestes em tal ou tal
daninhas. Faça o balanço de seu dia
“Um sábio da Antigüidade vo-lo dis- circunstância, sobre se fizestes alguma
moral, como o comerciante faz o de suas
se: Conhece-te a ti mesmo.” coisa que, feita por outrem, censuraríeis,
perdas e seus lucros; e eu vos asseguro
a) – Conhecemos toda a sabedoria sobre se obrastes alguma ação que não
que a primeira operação será mais pro-
desta máxima; porém a dificuldade está ousaríeis confessar. Perguntai ainda
veitosa do que a segunda. Se puder dizer
precisamente em cada um conhecer-se a si mais: “Se aprouvesse a Deus chamar-me
que foi bom o seu dia, poderá dormir em
mesmo. Qual o meio de consegui-lo? neste momento, teria que temer o olhar
paz e aguardar sem receio o despertar na
“Fazei o que eu fazia quando vivi na de alguém, ao entrar de novo no mundo
outra vida.”
Terra: ao fim do dia, interrogava a minha dos Espíritos, onde nada pode ser oculta-
“Justo é que se gastem alguns minu-
consciência, passava revista ao que fizera do?” Examinai o que pudestes ter obrado
tos para conquistar uma felicidade eter-
e perguntava a mim mesmo se não falta- contra Deus, depois contra o vosso pró-
na. Não trabalhais todos os dias com o
ra a algum dever, se ninguém tivera ximo e, finalmente, contra vós mesmos.
fito de juntar haveres que vos garantam
motivo para de mim se queixar.” As respostas vos darão, ou o descanso
repouso na velhice? Não constitui esse
“Aquele que, todas as noites, evocasse para a vossa consciência, ou a indicação
repouso o objeto de todos os vossos
todas as ações que praticou durante o dia de um mal que precise ser curado.”
desejos, o fim que vos faz suportar fadi-
e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal “Mas, direis, como há de alguém jul- gas e privações temporárias? Ora, que é
que fez, rogando a Deus e ao seu anjo gar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão esse descanso de alguns dias, turbado
guardião que o esclarecessem, grande do amor-próprio para atenuar as faltas e sempre pelas enfermidades do corpo, em
força adquiriria para se aperfeiçoar, por- torná-las desculpáveis? O avarento se comparação com o que espera o homem
que, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, considera apenas econômico e previ- de bem? Não valerá este outro a pena de
dente; o orgulhoso julga que em si só há alguns esforços? Sei haver muitos que
1
No original francês a resposta foi dada dignidade.” dizem ser positivo o presente e incerto o
em três parágrafos. Em todas as citações “Quando estiverdes indecisos sobre o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que
utilizamos a tradução de Guillon Ribeiro, valor de uma de vossas ações, inquiri estamos encarregados de eliminar do
publicada pela FEB, itens 919 e 919 a, com como a qualificaríeis, se praticada por vosso íntimo, visto desejarmos fazer que
as revisões propostas por Silvio Seno
outra pessoa. Se a censurais noutrem, compreendais esse futuro, de modo a
Chibeni.(Nota de rodapé colocada pelo
autor no comentário à questão 919 a, não a podereis ter por legítima quando não restar nenhuma dúvida em vossa
p. 23.) fordes o seu autor, pois que Deus não usa alma.”

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Seara Espírita

Vitória (ES): Suíte Sinfônica Mediúnica Juiz de Fora (MG): Árvores de Kardec
é lançada no Espírito Santo Para celebrar o Sesquicentenário de O Livro dos
No dia 23 de abril, a Federação Espírita do Estado do Espíritos, a Aliança Municipal Espírita de Juiz de
Espírito Santo (FEES), promoveu um Concerto, no Fora (AME-JF), em parceria com a Prefeitura de Juiz
Teatro Carlos Gomes, em homenagem aos 150 anos de de Fora, realizou o projeto “Árvores de Kardec”, efe-
O Livro dos Espíritos. No momento, foi executada a tivando o plantio de 150 árvores na margem direita
peça musical recebida mediunicamente, no Espírito da Alameda Engenheiro Gentil Forn, a partir do
Santo, por Walace Fernando Neves e intitulada Suíte trevo do Vale do Ipê, área nobre da cidade. O evento
Sinfônica “A Promessa” a qual, inédita, para Orquestra realizou-se às 17 horas da quarta-feira, dia 18 de
e Coro, é uma obra que retrata o surgimento do abril, com a participação da Sra. Marluce Araújo Fer-
Espiritismo no mundo. A apresentação foi feita sob a reira que, representando o prefeito de Juiz de Fora,
regência do maestro Modesto Flávio Fonseca, e pelo fez o plantio simbólico da primeira árvore. Houve
Coro de Câmera de Vitória, dirigido pelo regente também a presença de mais de 60 pessoas, entre
Claudio Modesto. Informações: Federação Espírita do membros da AME-JF.
Estado do Espírito Santo – telefones para contato: (27)
3222-2117/ 3222-7551; FAX: (27) 3222-6509. 1 bilhão de mensagens espíritas
Para os interessados em receber mensagens extraídas
Mundo Espírita: 75 anos das obras de Allan Kardec e do médium Chico Xavier,
O jornal Mundo Espírita, tradicional divulgador da eis uma informação valiosa: o Grupo Espírita Os
Doutrina Espírita, editado pela Federação Espírita do Mensageiros distribui o material gratuitamente para
Paraná (FEP), completou 75 anos no mês de abril. Sua todo o Brasil, América Latina e Europa. Desde sua
primeira edição data de 4 de abril de 1932. Fundado fundação, em 1953, o Grupo já distribuiu mais de 1
no Rio de Janeiro por Henrique Andrade, que o diri- bilhão de impressos. O trabalho teve continuidade e
giu durante 16 anos, o jornal foi depois passado, em fortalecimento com o site: www.mensageiros.org.br
1948, para Arthur Lins de Vasconcelos Lopes que o Nele constam mensagens em texto, sendo possível
transferiu, posteriormente, para a Federação Espírita ouvir, na própria voz de Chico Xavier, algumas das
do Paraná. Atualmente o jornal possui versões im- páginas por ele psicografadas. Para receber men-
pressa e virtual (www.mundoespirita.com.br). sagens pelos Correios basta fazer o pedido pela Caixa
Postal 522, CEP: 01059-970, São Paulo (SP).
Goiás: Festival de Arte Espírita
O 16o Festival de Arte Espírita Amor Universal ocor- Paraíba: Suplemento sobre o
reu nos dias 6, 7 e 8 de abril, na cidade de Aparecida Sesquicentenário
de Goiânia, em Goiás. Jovens e demais interessados No dia 1o de abril circulou Suplemento alusivo ao
se reuniram no estudo de questões ligadas à Arte, à Sesquicentenário da Doutrina Espírita, encartado no
luz do Espiritismo. Mostras artísticas, teatro, artes jornal Correio da Paraíba, elaborado pela Federação
plásticas, literatura, entre outras atividades, foram Espírita Paraibana. Em doze páginas, ofereceu-se uma
desenvolvidas durante o encontro. A promoção foi síntese histórica do Espiritismo no Brasil e na Paraí-
do Instituto Oficina de Arte em parceria com o ba, uma visão panorâmica sobre a prática do Espiri-
Grupo Espírita Seareiros do Bem. Mais informações tismo e um destaque para a expansão do Espiritismo
pelo site: www.oficina.art.br ou pelo e-mail: conta- na mídia, ilustrada com capas de revistas de grande
to@oficina.art.br circulação nacional.

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