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FE D E R A Ç Ã O E S P Í R I T A B R A S I L E I R A

DEUS, CRISTO E CARIDADE Ano 126 • Nº 2.151 • Junho 2008

Vigilância
e Oração
“Vigiai e orai, para que não
entreis em tentação.”
(Mateus, 26:41.)

Veja nesta Edição


ISSN 1413 - 1749

O homem de bem
Leis do equilíbrio
R$ 5,00 A mediunidade na literatura (Grécia)
reformador Junho 2008 - a.qxp 3/7/2008 11:17 Page 3

Expediente Sumário
4 Editorial
Vigiai, orai e fazei o bem!
11 Entrevista: Gorete Newton

Fundada em 21 de janeiro de 1883


O Espiritismo na Suíça
Fundador: Augusto Elias da Silva
17 Presença de Chico Xavier
Na cura da obsessão – André Luiz
Revista de Espiritismo Cristão
Ano 126 / Junho, 2008 / N o 2.151
21 Esflorando o Evangelho
Facciosismo – Emmanuel
ISSN 1413-1749
Propriedade e orientação da 34 A FEB e o Esperanto
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Diretor: NESTOR JOÃO MASOTTI Esperanto e Esperantismo – Affonso Soares
Editor: ALTIVO FERREIRA
Redatores: AFFONSO BORGES GALLEGO SOARES, ANTONIO 38 Conselho Federativo Nacional
CESAR PERRI DE CARVALHO, EVANDRO
NOLETO BEZERRA E LAURO DE OLIVEIRA SÃO THIAGO Reunião da Comissão Regional Nordeste
Secretário: PAULO DE TARSO DOS REIS LYRA
Gerente: ILCIO BIANCHI 42 Seara Espírita
Gerente de Produção: GILBERTO ANDRADE
Equipe de Diagramação: SARAÍ AYRES TORRES, AGADYR
TORRES E CLAUDIO CARVALHO
Equipe de Revisão: MÔNICA DOS SANTOS E WAGNA 5 A personalidade humana – Juvanir Borges de Souza
CARVALHO
8 Obsessão pandêmica (Capa) –
REFORMADOR: Registro de publicação
o
n 121.P.209/73 (DCDP do Departamento de Polí- Manoel Philomeno de Miranda
cia Federal do Ministério da Justiça),
CNPJ 33.644.857/0002-84 • I. E. 81.600.503 13 Oramos – Emmanuel
14 O homem de bem – Richard Simonetti
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Número avulso R$ 5,00
30 Cristianismo Redivivo – História da Era Apostólica –
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Assinatura de Reformador: 33 Congresso discute amor e educação em Minas Gerais
Tel.: (21) 2187-8264 • 2187-8274
E-mail: 36 Encontro Espírita em Cuba
assinaturas.reformador@febrasil.org.br
36 Ecologia é tema de Congresso Espírita
Projeto gráfico da revista: JULIO MOREIRA 37 Deolindo Amorim e a defesa dos postulados espíritas
Capa: AGADYR TORRES PEREIRA – Elíseo Claudio Navega Saldanha
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Editorial
Vigiai, orai e
fazei o bem!
E
stamos vivenciando a fase de transição em que a Terra passa
da condição de Mundo de Expiações e Provas para Mundo de
Regeneração.

De um lado, vemos o aprimoramento da Ciência e da Tecnologia trazendo


facilidades para a vida do homem; a multiplicação de organizações cria-
das com o objetivo de dar garantia de vida digna às pessoas; e os órgãos
governamentais desenvolvendo o seu trabalho voltado a atender, cada vez
mais, às necessidades de seus cidadãos.

De outro lado, encontramos pessoas em crises existenciais, sem respostas


aos seus questionamentos íntimos a respeito do que são, qual a razão da dor
que enfrentam e qual o objetivo de suas vidas; focos de desequilíbrio social
reclamando reparação em regime de urgência; catástrofes climáticas de
amplo espectro; e insegurança social, o que leva muitos à depressão e a pro-
blemas de saúde de complexo restabelecimento.

À luz da Doutrina Espírita, este quadro demonstra, também, um intenso


intercâmbio entre os seres humanos e os Espíritos desencarnados, de mútua
influência, independentemente do nível moral e intelectual que apresen-
tam, dentro do princípio de afinidade que preside este relacionamento
mediúnico.

Reformador, nesta edição, traz matérias relacionadas com estes assuntos,


falando a respeito dos processos obsessivos, em suas variadas manifestações,
assim como a respeito dos caracteres do homem de bem.

A análise destas questões, feita sob a ótica do Espiritismo, leva-nos,


fatalmente, à compreensão de que a melhor maneira de nos posicionar-
mos no atual contexto, considerando, principalmente, a sintonia com os
Espíritos que o nosso comportamento estabelece, é a de vigiar, orar e fazer
o bem até o limite de nossas possibilidades, como preceitua o Evangelho
de Jesus.

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A personalidade
humana
J U VA N I R B O R G E S DE SOUZA

A
essência da personalidade realidade das coisas, mas o que é formações sobre a verdadeira vida
humana – o homem, tal aparente e ilusório. e confirmou a promessa de Jesus
como o conhecemos na O entendimento das realida- de enviar um outro Consolador,
Terra –, não é o corpo físico, com des, das verdades eternas nem com a revelação de coisas novas
a multiplicidade das aparências sempre evidentes, altera inteira- para toda a Humanidade.
com as quais se apresenta. mente conceitos antigos e assen- As filosofias e as religiões que
Na realidade, o verdadeiro eu, o tes, tornando possível uma nova predominam neste orbe, desde
centro do ser, é a consciência indi- tempos imemoriais, pelos seus
vidual, com suas potencialidades desvios e ilusões, distanciaram-
latentes que se desenvolvem de -se da verdade e da vida e de sua
múltiplas formas, desde sua natureza.
criação por Deus, simples e As camadas mais profun-
ignorante, mas com pos- das do ser consciente, imor-
sibilidade de progresso tal, que se destina à per-
em conhecimentos e sen- feição por determinação
timentos praticamente das leis justas do Criador,
sem limites. continuaram obscuras,
Confundir a persona- incompreensíveis e ilu-
lidade humana com o sórias, apesar das lições e
corpo material, com que exemplos de Jesus, que
se apresenta neste mundo, não foram entendidos se-
é erro que se deve à ignorân- não por um pequeno núme-
cia própria de uma comunida- ro de seus seguidores, já que a
de que se deixou influenciar pelas grande maioria dos denominados
aparências, sem se preocupar com cristãos seguiu as interpretações
a essência das coisas. inexatas dos homens, com seus
Esse fato é comum nos plane- concepção do que são a verdade interesses imediatistas.
tas atrasados, como o nosso, nos e a vida. Nas demais religiões e nas filo-
quais se formulam filosofias de O conhecimento do Espiritis- sofias criadas pelos homens, a
fundo materialista e niilista, desti- mo, trazido pela Espiritualidade fundamentação dos interesses
nadas a explicar não a essência e a superior, proporcionou novas in- não difere muito, em todas elas,

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com base na continuidade do eu e Para milhões de seres chegou a tos vividos, recordações não aflo-
de sua sobrevivência. hora da verdade e o fim das ilu- radas do passado do Espírito.
Não vamos nos referir ao puro sões, terminando com o sofri- No decorrer de uma vida nor-
materialismo e ao nadismo, que só mento íntimo do temor da morte, mal, em uma nova encarnação, es-
admitem a vida como conseqüên- trazendo-lhes a alegria da conti- sas vivências passadas permanecem
cia da matéria, em suas múltiplas nuidade da vida e para outros a latentes, como se não existissem,
combinações, não cogitando da certeza de que o objetivo a alcan- adormecidas no invólucro material.
existência do espírito. Segundo es- çar é a cessação dos sofrimentos, Mas há casos de desdobramen-
sas duas concepções, com a morte com a vivência do bem e do amor. tos da personalidade, de premoni-
do corpo físico toda a vida do ser Para cada ser que vive na incer- ções e de telepatia, com a manifes-
termina no nada, não mais se cogi- teza quanto ao futuro que o espe- tação de sentidos novos, fatos que
tando do que foi a personalidade. ra, a Doutrina Consoladora dá a não devem ser confundidos com os
Diante da realidade do que convicção de que todos estão sub- diversos aspectos da mediunidade.
ocorre neste mundo de “expiações metidos a leis justas e eternas e, Essas manifestações incomuns
e provas”, em que bilhões de cria- por isso, nada há que temer, já que são desdobramentos da persona-
turas humanas têm vivido e renas- o próprio sofrimento é a forma de lidade do eu oculto, que existe em
cido muitas vezes, ignorando sua substituir o que não foi aceito es- todos nós, uma vez que todos vi-
verdadeira condição de seres imor- pontaneamente: a prática do bem. venciamos um passado que, nor-
tais, torna-se evidente a importân- Com a certeza da existência de malmente, fica esquecido, enquan-
cia de ressaltar o objetivo do Espi- uma justiça infalível, perfeita, que to permanecemos encarnados, mas
ritismo, o Consolador, que vem re- faz sejam reparados todos os erros que pode aflorar em circunstân-
por as coisas nos lugares certos, re- dos transgressores por meios apro- cias especiais.
tificando erros de milhares de anos. priados, sem a necessidade da con- Todos esses fatos se ligam e são
denação dos culpados às penas de esclarecidos pelo grande princípio
um inferno eterno, como ensinam espiritualista da reencarnação, sem
diversas religiões, inclusive as igre- o qual o destino dos seres humanos
jas cristãs, o Consolador retifica e a multiplicidade dos fenômenos
interpretações infelizes, que da vida não teriam explicações cor-
sustentaram, por milhares retas, constituindo-se em verdadei-
de anos, a existência de tor- ros mistérios para as religiões tra-
mentos sem fim, inconciliá- dicionais e as ciências materialistas.
veis com a bondade e a jus- A reencarnação, lei divina que
tiça perfeita de Deus. se liga à justiça infalível, ao progres-
so individual, ao destino do ser, que

necessita adaptar-se à Lei Suprema,
Em cada personalidade, é comprovada por muitas formas e
limitada pela encarnação confirmada pela Revelação Espírita.
em um corpo físico, em É necessário renascer, como
mundos materiais, a forma comum de atender à evolu-
individualidade não ção do Espírito, às correções dos
é mais do que uma erros e desvios individuais e de
parte do eu mais pro- realizar os compromissos contraí-
fundo, no qual estão dos, que deixaram de ser atendi-
registrados inúmeros fa- dos por circunstâncias diversas.

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O princípio das vidas sucessi-


vas é tão lógico que afasta imedia-
tamente o absurdo da condenação
eterna dos pecadores, por um
Deus justo.
É inadmissível que a sabedoria
e a bondade do Criador estives-
sem em nível inferior ao de mui-
tos homens, que são capazes de
perdoar e de encontrar meios efi-
cazes para a retificação de erros e
desvios humanos.
Persistir na idéia esdrúxula de
um inferno eterno para as criatu-
ras que cometem faltas, no decor-
rer da vida, é negar a bondade e a
justiça de Deus, colocando-o em refere à matéria, desprezando o Cada Espírito que renasce em
posição inferior à dos homens. elemento espiritual em suas pes- um envoltório físico conserva, la-
“Ninguém verá o Reino de quisas e interesses, contribuem tentes, suas aquisições do passado.
Deus se não renascer da água e do muito pouco para a prevalência Assim, suas faculdades não se
Espírito” – disse Jesus a Nicode- da verdade, especialmente no que destroem, já que suas raízes estão
mos. (João, 3:5.) respeita à vida, que não são so- ligadas ao inconsciente, com as
O renascimento da água e do mente os aspectos materiais, mas impressões, os conhecimentos e
espírito é uma clara referência também os espirituais. as experiências adquiridos ante-
do Mestre à necessidade de repe- Nossa esperança é que o pro- riormente.
tir a vida material, para as retifica- gresso, sendo lei divina, modifica- É o que constitui o caráter, a
ções e aprendizagens necessárias, rá o status atual das sociedades maneira de ser e de sentir de um
naturalmente usando uma lin- humanas, cuja imensa maioria indivíduo, e que o distingue de
guagem apropriada à época e à ainda não despertou para as ver- outras pessoas.
compreensão dos homens. dades comprovadas da sobrevi- A criança herda de seus pais a
Muitos religiosos se limitam a vência da alma, que tem aspectos força vital, à qual se juntam ou-
assistir à pregação feita em suas destoantes completamente do que tros elementos hereditários.
igrejas, contentando-se com o que tem sido entendido e cultivado Por outro lado, o perispírito se
ouvem, sem indagar se são verda- por séculos e milênios, com evi- une, molécula por molécula, à
des, simples repetições de erros dente prejuízo para a verdade e as matéria do gérmen. Neste, existe
tradicionais, ou interpretações realidades da vida. uma energia que se transforma
equivocadas. O que não se pode é desanimar em força ativa durante toda a vida
De outro lado, os positivistas e diante da ignorância e da má von- do ser humano.
os materialistas contentam-se com tade de uma maioria da popula- Na ocasião do renascimento o
o momento em que vivem, não ção da Terra que, por motivos di- Espírito perde a memória do seu
cogitando se suas idéias lhes são versos, ainda não consegue abrir os passado. Esse esquecimento é
prejudiciais, hoje ou no futuro. olhos de ver e os ouvidos de ouvir. necessário para que possa con-
Também as ciências oficiais, servar a liberdade de agir na no-

cuidando especialmente do que se va encarnação.

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Capa

Obsessão
pandêmica
N
a atualidade sociomoral do hábitos sociais, lamentavelmente, mas que, de súbito, ganham pres-
planeta terrestre, dois fe- nas suas expressões menos eleva- tígio, porque propostos por per-
nômenos em torno dos das, no entanto, mais cômodas e sonalidades famosas, mas que al-
relacionamentos humanos fazem- prazerosas. cançaram o destaque por meios
-se assinalar de maneira expressiva: A globalização social padroniza pouco recomendáveis.
o coletivismo e o individualismo. o que é certo e programa dentro As conquistas coletivistas igua-
No primeiro caso, conforme dos seus esquemas de interesses lam executivos e trabalhadores,
assinalam diversos estudiosos negocistas o conveniente e sedutor, políticos e artistas, comerciários
da conduta, há uma necessidade de anestesiando as mentes sonhado- e juristas em padrões estranhos,
realizações coletivistas, nas quais ras e independentes que terminam que são aceitos, de forma a não
o indivíduo perde a sua identi- por ser vencidas em face do volu- os diferenciar, em cujos grupos
dade, consumido pelas aspira- me da massa que triunfa e pela são exaltados o egoísmo, o ime-
ções e sentimentos do mesmismo algazarra das vozes em desalinho... diatismo, o poder de qualquer ma-
do grupo atuante. A sua capaci- Desaparece o espaço para a neira, lícita ou desonestamente.
dade de decidir e de opinar é as- iluminação pessoal, a introver- É certo que há significativas
fixiada na avalancha opinativa são edificante e a análise de si- exceções, que se constituem mo-
do todo, eliminando a possibili- tuação diante dos acontecimen- delos para o futuro da sociedade,
dade de melhor aprofundar a in- tos que se sucedem rapidamente. quando soçobrar este período de
vestigação em torno das ques- Tem-se a impressão de que o avalanchas de desequilíbrio.
tões apresentadas, facilitando-se viver e o gozar agora são essen- Os encontros sociais quase
a sua divulgação apressada, não ciais e que, logo mais, tudo mer- sempre são vazios de conteúdo,
poucas vezes insensata... gulhará no caos... nos quais discute-se muito e ou-
Assumem-se idênticas postu- Os hábitos sadios, a cidadania, ve-se pouco, porquanto cada qual
ras, laboram-se com semelhantes o ético são nivelados ao espúrio e está fixado no seu próprio interes-
objetivos e as extravagâncias so- ao vulgar pelos multiplicadores se, logrando-se realizar encontros
brepõem-se aos nobres projetos de opinião, pelos líderes de au- volumosos com pessoas solitárias,
do idealismo saudável, seguindo- diência nos veículos de comuni- evocando-se os grupos antigos
-se a onda dominadora do tudo cação de massa, na insensatez e que se reuniam nas hoje decaden-
igual. na alucinação dos sentidos. tes cortes, conforme as ambições,
Rapidamente as novidades to- São apresentados como legíti- apoiando-se uns nos outros ou
mam corpo e são divulgadas, igua- mos os comportamentos ante- sorrindo e conspirando uns con-
lando os comportamentos e os riormente tidos como alienantes, tra os outros, em insidiosas arma-

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Capa

dilhas propostas pela hipocrisia e


pela desconfiança.
O segundo grupo, fugindo da
balbúrdia, pretende que sejam
evitados problemas individuais e
gerais, refugiando-se na intimi-
dade dos seus lares ou gabinetes,
dos seus escritórios, suspeitosos
e irascíveis, como utilizando-se
de mecanismos protetores de de-
fesa em que se encastelam.
Outros tantos indivíduos, es-
camoteando os transtornos so-
ciofóbicos, recorrem à comuni-
cação virtual e alienam-se da fa-
mília, daqueles que se lhes afei-
çoam, assim como dos demais
companheiros de jornada, para
as incursões doentias no fantás-
tico e maravilhoso mundo da In-
ternet, no qual ocultam as difi-
culdades pessoais e exibem os
anelos frustrados de glória e de
realização pessoal.
Olvidando-se do instinto gre-
gário, que reúne todos os animais
à volta uns dos outros, isolam-se,
muito perturbando-se nos som-
brios guetos em que se acolhem.
A facilidade da convivência quilíbrio emocional, por impedir- problemas e desafios do momen-
fraternal, os júbilos dos encon- -se a inefável alegria de intercam- to, interessados no bem-estar de
tros amigos, os diálogos edifi- biar sentimentos dignificantes. todos e certamente no progresso
cantes entre aqueles que se esti- Ambos os grupos, a pouco e individual e social.
mam, o intercâmbio de idéias no pouco, em distanciando-se, per- Nos referidos grupos coleti-
calor da vivência com o seu pró- dem a faculdade do relaciona- vistas e individualistas, mesmo
ximo cedem lugar às fugas espe- mento saudável, do calor da con- quando parecem viger sentimen-
taculares, que permitem ampliar vivência, da emoção resultante da tos religiosos, ei-los adstritos aos
o medo da morte, da doença, do permuta de idéias e de aspirações. significados egoísticos que abra-
desemprego, da traição, mas Naturalmente permanece ex- çam, insensíveis às necessidades da
principalmente os medos absur- pressiva e inatacável faixa de mu- Humanidade que sofre e aguarda
dos da vida e do amor. lheres e homens saudáveis, que ajuda para desenvolver-se.
Temem amar, receando não se- se sustentam na comunicação pes- Como a vida pertence ao Espí-
rem correspondidos, o que repre- soal acolhedora, nas buscas de rito, encontrando-se no corpo ou
senta insegurança pessoal e dese- mais adequadas soluções para os fora dele, os seus sentimentos e

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Capa

pensamentos mesclam-se em per- surtos de morbidez que os avas- glório da ignorância, ampliando a
feito intercâmbio com aqueles salam, arrastando-os indefesos área dos vitimados pela obsessão.
que lhes são afins. aos seus objetivos infelizes. Os estímulos exagerados ao pra-
Predominando as paixões in- Geram-se transtornos emocio- zer e não ao comedimento abrem
feriores na grande maioria dos nais, psíquicos e com igual inten- as comportas morais para a sim-
reencarnados e desencarnados que sidade enfermidades simulacros. biose emocional e se torna difícil
povoam o orbe planetário e o seu Os fluidos morbíficos, ingeri- estabelecer a fronteira separativa
entorno, é compreensível que ter- dos psiquicamente pelo reencar- do que é lícito e se pode fazer em
minem identificando-se psíquica nado, misturam-se aos complexos relação ao tudo conseguir deven-
e moralmente, dando lugar às mecanismos das neurocomunica- do o máximo fruir.
infestações e obsessões tanto in- ções cerebrais, da mitose celular, O espetáculo, pois, da obsessão
dividuais quanto coletivas. dando lugar a desorganizações fi- pandêmica choca e comove, sensi-
Sutilmente, participando dos siológicas, agredindo o sistema bilizando o inefável amor de Jesus,
interesses dos incautos na viagem imunológico através do qual agen- que promove as reencarnações de
corporal, seus inimigos desencar- tes destrutivos da fauna microbia- nobres Mensageiros para o escla-
nados instilam-lhes idéias doen- na atacam o organismo, instalan- recimento da sociedade a respeito
tias até apossarem-se do seu ra- do enfermidades reais ou provo- da angustiante situação, através da
ciocínio, fazendo-os tombar iner- cando sintomas perturbadores. reconquista ética do amor, do de-
mes nas suas hábeis armadilhas. A Divindade sempre propor- ver, da fraternidade, do perdão, da
Noutras ocasiões, agridem-nos ciona os recursos hábeis para a oração e da caridade.
com violência, produzindo-lhes precaução ao terrível flagelo e pa- As trombetas do Além soam e
ra a sua recuperação quando já convocam os servidores do Bem
instalado. a que bradem e cantem o poema
Desatentos, porém, e compra- da saúde e da paz, embora a alga-
zendo-se na inferioridade dos zarra generalizada, conseguindo
sentimentos, perseguidores e per- sensibilizar muitos que ainda
seguidos optam pelo combate in- podem ser despertados e libera-
dos da situação deplorável.
O vigiai e orai torna-se de in-
comum significado terapêutico,
neste momento, a fim de prevenir
a sociedade a respeito da infeliz
pandemia, assim como para li-
bertar os ergastulados nas amar-
ras e prisões da momentânea en-
fermidade moral-espiritual.

Manoel Philomeno de Miranda

(Página psicografada pelo médium Di-


valdo Pereira Franco, na reunião mediú-
nica da noite de 11 de julho de 2007,
no Centro Espírita Caminho da Re-
denção, em Salvador, Bahia.)

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Entrevista G O R E T E N E W TO N

O Espiritismo
na Suíça
Gorete Newton, dirigente da União dos Centros de Estudos Espíritas na Suíça, comenta
o desenvolvimento do Espiritismo naquele país e os recentes lançamentos de livros
em alemão editados pelo Conselho Espírita Internacional

Reformador: Como se desenvolve o Gorete: A UCESS tem como obje- maior freqüência acontece nas
Espiritismo na Suíça? Há mais tivo a promoção de pelo menos reuniões doutrinárias, às terças-
grupos em francês ou em alemão? um Encontro Espírita a cada dois -feiras, com uma média de 80 pes-
Gorete: O Espiritismo na Suíça não anos e também a tradicional Feira soas. Uma vez por mês as exposi-
é algo novo. Por exemplo, em Win- do Livro Espírita. Integram a ções doutrinárias são realizadas
terthur encontramos, nos arquivos UCESS seis centros e mais um se no idioma alemão. Também dis-
da cidade, informações sobre um encontra em processo de adesão. pomos de um grupo de estudos
grande jurista, estudioso e escri- Há informações disponíveis no das obras básicas em língua ale-
tor espírita, chamado Georg Sulzer endereço eletrônico da UCESS: mã, que é freqüentado somente
(1844-1929). Na atualidade, o Es- www.spiritismus.ch
piritismo voltou a desenvolver-se
e já há oito centros espíritas fun- Reformador: Como são as reu-
cionando nos diversos Cantões da niões e a freqüência de partici-
Suíça, por brasileiros ou por suí- pantes no Centro Espírita que
ços que viveram e estudaram no você dirige, em Winterthur?
Brasil. Todos com atividades em Gorete: O Centro de Estu-
português e no idioma equivalente dos Espíritas Allan Kardec
ao Cantão onde se encontram, ou (CEEAK) mantém todas as
seja, metade adota o francês e me- atividades básicas, como
tade o alemão. Está atuante a União nos centros espíritas do
dos Centros de Estudos Espíritas Brasil: exposições doutri-
na Suíça (UCESS) que representa o nárias, passes, grupos de
Movimento Espírita da Suíça junto estudo das obras bási-
ao Conselho Espírita Internacional. cas, evangelização
infanto-juvenil,
Reformador: Há programações reunião mediúni-
anuais da União? Quantas insti- ca e atendimento
tuições estão integradas à União? fraterno. Nossa

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por suíços, o que para nós é moti- Internacional (CEI) promoveu dois já preparado para receber o Espi-
vo de muita alegria e sentimento eventos recentes na Suíça. Um se- ritismo. O que nos falta é litera-
de estarmos alcançando o objetivo minário em Yverdon (2007) e outro tura na língua alemã para que
maior: plantar raízes definitivas em Winterthur (2008). Quais são possamos levar o Espiritismo
para que a Doutrina Espírita ve- os reflexos de ambos? a este povo, e isto faz com que o
nha a florescer na Suíça para um Gorete: Cada vez que nos reuni- nosso trabalho seja lento. Por is-
povo tão especial quanto este com mos em eventos promovidos pe- to, cada publicação na língua ale-
o qual fomos chamados a viver. lo CEI é como se uma nova onda mã é mais um passo em direção à
Informações sobre o Centro, pela de forças e entusiasmo nos inva- difusão da Doutrina nestas terras
página eletrônica: www.ceeak.ch disse e nos estimulasse cada vez abençoadas. A chegada destes
mais a trabalhar. A comemora- dois livros foi como um momen-
Reformador: No Movimento Espí- ção dos 150 anos de O Livro dos to solene, marcado de muitas
rita sempre há referências ao tra- Espíritos no Castelo de Yverdon, emoções. No dia 7 de fevereiro
balho de Pestalozzi, Laváter e Jung. onde lecionou Pestalozzi e onde deste ano acordei envolvida em
São muito lembrados na Suíça? Kardec, ou melhor, Rivail estu- emoções desconhecidas e tive
Gorete: Fora do Movimento Es- dou e se formou, foi um aconte- muitas visões que envolviam
pírita, dentro da perspectiva que cimento ímpar, coroado por um a Segunda Guerra Mundial; vi o
vivo, Pestalozzi, Laváter e Jung grande amor que nos aproximou holocausto, do plano espiritual,
são muito lembrados, mas os mais uns dos outros, foi uma festa de relembrei uma reunião com enor-
estudados e recordados são real- luzes! Já o seminário em Winter- me número de pessoas que se
mente Pestalozzi e Jung. Sobre La- thur, sobre a preparação de tra- comprometeram perante Espíri-
váter existem muitas referências balhadores, abriu muitas opor- tos superiores a trazer de volta à
históricas, mas não têm a mesma tunidades de aprendizado,
dimensão das contribuições feitas esclarecimentos e recicla-
por Pestalozzi e Jung. Laváter é gem de conhecimentos
muito mais lembrado por nós es- para todos os que dele
píritas, devido à sua visão reen- participaram, e os refle-
carnacionista, do que pelo públi- xos foram os mais positi-
co leigo. No Movimento Espírita, vos possíveis. Acho que
Pestalozzi o é com mais freqüên- deveríamos promover mais
cia, quando se referem à parti- vezes encontros como es-
cipação importante deste mestre te na Europa, pois são
da educação na formação moral muito positivos.
e intelectual do professor Rivail.
Quanto a Jung e Laváter são sem- Reformador: E a expecta-
pre citados em seminários. Lavá- tiva após os lançamentos
ter tem sido presença espiritual das edições do CEI, de O
constante, sentida principalmen- Livro dos Espíritos e de Nos-
te quando há eventos espíritas. É so Lar, em alemão?
como se começasse uma etapa no- Gorete: Foi a maior vitória
va onde as coisas principiassem a que alcançamos até hoje! O povo
se descortinar para todos. suíço é leitor em potencial, tem
mente aberta, sendo receptivo às
Reformador: O Conselho Espírita idéias espiritualistas e, portanto,

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Europa o Cristianismo redivivo, se encontram espalhados pela não é fácil. Orem por nós. Daqui
através do Espiritismo, para que, Terra com a incumbência de da Suíça, enviamos a todos o
com o esclarecimento da vida es- plantar esta semente de amor, es- nosso carinhoso e sincero abra-
piritual, não viesse a se repetir o perança e justiça, que é o Espiri- ço, rogando a Jesus que nos ori-
que assistíamos do plano espiri- tismo. Precisamos destas vibra- ente na necessidade de nos unir-
tual naqueles dias de trevas sobre ções amorosas, pois nossa tarefa mos e nos amarmos.
a Europa. Saí do transe e recebi
um e-mail com a informação de
que os livros já estavam na Suíça
e seriam entregues dia 7 pela ma-
nhã. Chorei por horas... Os livros
Oramos
chegaram e quando fomos – eu,
Walda e Edith, companheiras e
grandes trabalhadoras da causa
espírita –, ao Centro recebê-los,
S enhor!
Não te pedimos isenção das provas necessárias, mas apela-
mos para a tua misericórdia, a fim de que as nossas forças consi-
era como que o início de uma no- gam superá-las. Não te rogamos a supressão dos problemas que
va etapa; foi um dia de lágrimas
nos afligem a estrada; no entanto, esperamos o apoio de teu amor,
de emoção e gratidão, principal-
mente pela interferência feita pe- para que lhes confiramos a devida solução com base em nosso
los Espíritos para que o CEI fosse próprio esforço.
quem editasse estas obras, o que Não te solicitamos o afastamento dos adversários que nos en-
não era nosso objetivo inicial. Es-
travam o passo e obscurecem o caminho; todavia, contamos com
tamos trabalhando, junto com
outros irmãos, para que estas o teu amparo, de modo que aprendamos a aceitá-los aproveitan-
duas obras venham a ser conheci- do-lhes o concurso.
das e estudadas pelos suíços as- Não te imploramos imunidades contra as desilusões que por-
sim como por todos os povos de
ventura nos firam, mas exoramos o teu auxílio a fim de que lhes
língua alemã, e temos fé e con-
fiança em que iremos consegui-lo. aceitemos, sem rebeldia, a função edificante e libertadora.
Não te suplicamos para que se nos livre o coração de penas e
Reformador: Uma mensagem fi- lágrimas; contudo, rogamos à tua benevolência para que venha-
nal ao leitor.
mos a sobrestar-lhes o amargor, assimilando-lhes as lições...
Gorete: Para todos os que vivem
no Brasil e pensam que viver fo- Senhor, que saibamos agradecer a tua proteção e a tua bondade
ra dele é melhor, mudem seus nas horas de alegria e de triunfo; entretanto, que nos dias de afli-
pensamentos. O melhor lugar do ção e de fracasso possamos sentir conosco a luz de tua vigilância e
mundo para se viver é lá onde
de tua bênção!...
Deus nos coloca pela força natu-
ral das circunstâncias, como
Joanna de Ângelis bem nos Emmanuel
aconselha: “Floresças onde esti-
veres!”. Para você, que é leitor e Fonte: XAVIER, Francisco C. Correio fraterno. 6. ed. Rio de Janeiro:
FEB, 2004. Cap. 31.
espírita, não se esqueça, em suas
preces, de pedir por todos os que

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O homem
de bem
RICHARD SIMONETTI

D
efinindo o homem de Lei de Justiça.

bem, em O Evangelho se- Cedi à tentação e comprei có-
gundo o Espiritismo (cap. pia genérica de um filme, desres- Não obstante, se algo pode
XVII, item 3), diz Allan Kardec: peitando os direitos autorais. ser invocado em minha defesa,
digo-lhe, caro leitor, que venho
O verdadeiro homem de bem é o Lei de Amor. tentando anular o homem velho,
que cumpre a lei de justiça, de Irritei-me com um filho, ad- de arraigadas fraquezas, que há
amor e de caridade, na sua maior moestando-o acremente em face em mim, favorecendo o nasci-
pureza. Se ele interroga a consciên- de um destempero próprio de mento do homem novo, o ho-
cia sobre seus próprios atos, a si adolescente imaturo. mem de bem.
mesmo perguntará se violou essa lei Admito que não é um exercí-
[...] se desprezou voluntariamente Lei de Caridade. cio de virtude; não as possuo.
alguma ocasião de ser útil, se nin- Dei uns trocados a uma mu- Apenas atendo a imperiosa ne-
guém tem qualquer queixa dele; lher que me procurou com um cessidade. Estou perfeitamente
enfim, se fez a outrem tudo o que filho doente nos braços, exerci- consciente, graças à Doutrina Es-
desejara lhe fizessem. tando a mera esmola que despa- pírita, de que esse empenho se
cha logo o pedinte. relaciona com algo que interessa
Não sei se acontece diferente
com você, amigo leitor (em caso
afirmativo, parabéns!), mas, lendo
essa introdução, chego à lamentá-
vel conclusão de que não sou um
homem de bem.
Constato que estou longe de
exercitar plenamente a lei de justi-
ça, amor e caridade, e de sempre
fazer aos outros o que desejaria
que me fizessem.
Um único dia, ontem, em que
me dei ao trabalho de uma análi-
se, foi suficiente para evidenciar
quão longe estou do ideal apre-
sentado por Kardec:

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muito tanto a mim quanto a você, mente relacionados com o fato vontade de meu Pai, que está nos
que cultiva a paciência de acom- de não cumprirmos as leis divi- céus.
panhar meus raciocínios. nas, sintetizadas nas lições trans- Muitos me dirão naquele dia:
Está na questão 921, de O Livro mitidas e exemplificadas por Senhor, Senhor, não profetizamos
dos Espíritos. Jesus. em teu nome? E, em teu nome, não
Interroga Kardec: Então, batalhar com todas as expulsamos demônios? E, em teu
forças de nossa alma por ser um nome, não fizemos muitos milagres?
Concebe-se que o homem será homem de bem não é simples Então lhes direi abertamente:
feliz na Terra, quando a Humani- concessão que fazemos à vivên- Nunca vos conheci. Apartai-vos
dade estiver transformada. Mas, cia religiosa. de mim, vós que praticais a ini-
enquanto isso não se verifica, Muito mais que isso, é a base de qüidade!
poderá conseguir uma felicidade nosso bem-estar, de toda a felici-
relativa? dade que possamos almejar. Lembrando velha expressão
Por isso estou tentando, sem popular, seria conveniente, amigo
Responde o Mentor Espiritual: muito sucesso em princípio, mas leitor, pôr as barbas de molho,
com perseverança. Tento evitar o prestando atenção ao que pensa-
“O homem é quase sempre o perigoso amornamento, a convi- mos e fazemos.
obreiro da sua própria infelicida- vência pacifica do certo e do erra- Cultivar aquele vigiai e orai
de. Praticando a lei de Deus, a do, do vício e da virtude, do bem recomendado por Jesus, a fim de
muitos males se forrará e propor- e do mal. que no último dia, o derradeiro
cionará a si mesmo felicidade tão Aí reside o perigo. da presente existência, não co-
grande quanto o comporte a sua Jesus é taxativo a esse respeito lhamos desagradáveis surpresas
existência grosseira”. (Mateus, 7:21-23): ao embarcar para o Além.
Seria oportuno, também, não
A mensagem é clara. Nem todo aquele que diz: Se- esquecer que o verdadeiro ho-
Nossas dores e males, atribu- nhor, Senhor! entrará no reino mem de bem é aquele que traba-
lações e tristezas estão direta- dos céus, mas aquele que faz a lha pelo bem dos homens.

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Exaltação de
si mesmo U M B E RTO F E R R E I R A

A
ssevera o sábio Instrutor conhecimento doutrinário, pelo Exaltar a si mesmo é estacionar
espiritual Emmanuel: sucesso na oratória, pela habili- no progresso espiritual.
dade em escrever, pela mediunida- Muitas vezes, o espírita tem
Atitude sumamente perigosa de produtiva, por ocupar um car- consciência das suas tendências
louvar o homem a si mesmo, go administrativo, pela caridade inferiores, das suas imperfeições,
presumindo desconhecer que que faz, por ser considerado vir- mas ainda sente uma espécie de
se encontra em plano de servi- tuoso... necessidade de ser exaltado, o que
ço árduo, dentro do qual lhe Nessa condição, agrada-lhe ser faz bem ao seu ego. Com isso, adia
compete emitir diariamente alvo de elogios. Às vezes, não indefinidamente o início do es-
testemunhos difíceis. [...]1 aguarda a louvação dos outros; forço para combatê-las.
provoca-as; ou exalta a sua pes- Quem costuma exaltar os seus
A esmagadora maioria dos soa, suas qualidades e seus feitos. talentos e feitos, sobretudo o mé-
homens traz do passado marcan- Pondera Emmanuel que a ati- dium, é alvo fácil dos Espíritos ad-
tes tendências inferiores; entre tude de louvar a si mesmo é mui- versários do trabalho de Jesus; por
elas, a de exaltar a si mesmo. Nós, to perigosa para o homem. De fa- isso fica vulnerável à obsessão.
espíritas, não somos exceção. Ape- to, agindo assim, segue na contra- Quantos se deixam levar pelo es-
sar dos ensinamentos evangéli- mão do progresso moral e reforça pírito de grandeza e entram em
cos e doutrinários, que nos aju- as tendências inferiores, quando processos de grave fascinação! E,
dam a ver a vida de um prisma deveria combatê-las. quase sempre, requerem tempo
mais elevado, ainda não nos li- É para combater as imperfei- longo para sair desse lamentável
bertamos dessa tendência, que tan- ções que o Espírito reencarna; não estado...
to prejuízo moral e espiritual nos para reforçá-las. Como prevenir? Que remédio
causa. A finalidade do trabalho na pode ser empregado?
O trabalhador espírita pode seara espiritual é a de dar oportu- O estudo constante, a medita-
exaltar-se pelo sucesso em quais- nidade ao homem de aplicar os co- ção, o hábito da oração, a vivência
quer atividades: por ter grande nhecimentos e desenvolver as vir- dos ensinamentos evangélicos, a
tudes, a modéstia, a humildade; observância das instruções e dos
1 usá-lo para a exaltação dos méri- alertas dos Espíritos, o exercício
XAVIER, Francisco C. Pão nosso. Pelo
Espírito Emmanuel. Ed. especial. Rio de tos pessoais é desviá-lo dos seus da modéstia e da humildade: eis
Janeiro: FEB, 2005. Cap. 126, p. 265. nobres objetivos. a solução.

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Presença de Chico Xavier

Na cura
da obsessão
R
econhecer no obsidiado, seja ele quem for, um Solicitar a cooperação de amigos esclarecidos que
familiar doente a quem se deve o máximo de possam prestar auxílios ao doente.
consideração e assistência. Controlar-se.
Equilibrar a palavra socorredora, dosando conso- Desinteressar-se com os sucessos da cura, tendo
lo e esclarecimento, brandura e energia. em mente que lhe cabe fazer o bem com discrição e
Não desconsiderar as necessidades do corpo ante humildade.
os desbaratos da alma, conjugando os recursos da Ensinar, mas igualmente exercer a caridade, obser-
medicação e do passe, da higiene e da prece. vando que, em muitos casos, o obsidiado e os que lhe
Incluir o trabalho por agente curativo, de acordo compõem a equipe doméstica são pessoas necessita-
com as possibilidades e forças do paciente. das até mesmo do alimento comum.
Abolir as sugestões de medo no trato com o obses- Suprimir, quanto possível, os elementos que re-
so, evitando encorajar ou consolidar o assalto de en- cordem tristeza ou desânimo, aflição ou tensão no
tidades menos felizes. trabalho que realiza.
Tratar os Espíritos perturbados que, porventura, Não atribuir a si os resultados encorajadores do
se comuniquem no ambiente do enfermo, não à con- tratamento, menosprezando a ação oculta e provi-
ta de verdugos e sim na categoria de irmãos credores dencial dos Bons Espíritos.
de assistência e piedade. Educar o obsidiado nos princípios espíritas,
Impedir comentários em torno da conversação de- encaminhando-o a um templo doutrinário em
sequilibrada ou deprimente dos desencarnados infe- que possa assimilar as lições lógicas e simples do
lizes. Espiritismo.
Policiar modos e frases que exteriorize, convencen- Socorrer sem exigir.
do-se de que o obsidiado, não raro, representa, só por si, Amparar o companheiro necessitado, sem pro-
toda uma falange de Inteligências necessitadas de recon- pósitos de censura, ainda mesmo que surjam
forto e direção, conquanto invisíveis aos olhos comuns. motivos aparentes que o induzam a isso, recordan-
Evitar suscetibilidades perante supostas ofensas do que Jesus Cristo, o iniciador da desobsessão
no clima familiar do obsidiado, entendendo que sobre a Terra, curava os obsidiados sem ferir ou
uma obsessão instalada em determinado ambiente condenar a nenhum.
assemelha-se, às vezes, a um quisto no corpo, deitan-
do raízes em direções variadas. Pelo Espírito André Luiz
Compreender ao invés de emocionar-se.
Abster-se de tabus e rituais, cujos efeitos nocivos Fonte: XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Estude e viva. Pelos
permanecerão na mente do obsidiado depois da pró- Espíritos Emmanuel e André Luiz. 12. ed. Rio de Janeiro: 2006.
pria cura. Cap. 23, p. 135-137.

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Leis do equilíbrio
LU C Y D I A S R A M O S

S
egundo o pensamento de sentir, o amadurecimento apoia- seus direitos. Na incerteza de
Joanna de Ângelis, no pro- do no código da Lei Divina e a como deva proceder com o seu
cesso evolutivo do ser hu- compreensão de nosso destino, semelhante, em dada circuns-
mano é indispensável o amadure- agimos com maior segurança em tância, trate o homem de saber
cimento moral responsável pela nossa caminhada na busca do como quereria que com ele
superação dos instintos, das sen- aperfeiçoamento moral. procedessem, em circunstância
sações grosseiras e dos desejos ime- Assim, vamos adquirindo a idêntica. Guia mais seguro do
diatistas. É todo um amplo desen- maturidade moral gradativa, sedi- que a própria consciência não
volvimento que se inicia no ínti- mentada no amor que nos leva a lhe podia Deus haver dado.1
mo de cada um de nós, buscando o respeitar os direitos alheios, agin-
amadurecimento afetivo e mental. do para com o próximo como de- Existem, segundo Joanna de
Ambos são conquistados através sejamos que aja para conosco. Es- Ângelis, dois sensos morais: o
da emoção equilibrada e do conhe- sa maturidade moral é, portanto, convencional – que é o
cimento que nos leva à compreen- a chave de nossa libertação espiri- aceito, oportunis-
são dos valores existenciais. Este tual, eximindo-nos dos efeitos coer- ta, amoral ou imo-
patamar, em seu processo de cres- citivos da hipocrisia, do egoísmo, ral –, porque im-
cimento moral, leva o ser a am- da vaidade e do orgulho. Nosso posto pelas conve-
pliar a visão do mundo que o cer- pensamento se ajusta à lei moral niências de cada
ca e suas perspectivas espirituais. que nos direciona a vida. época, civilização e
Quando estamos em desequilí- Allan Kardec, analisando a jus- cultura – e o verda-
brio na área da emotividade, nos- tiça, fundamentada sobre a Lei Na- deiro – que supe-
so pensamento é desordenado e tural, na questão 876, de O Livro ra os limites
foge aos princípios que já havía- dos Espíritos, recebe dos Espíritos
mos estabelecido para nossas vi- superiores a seguinte instrução:
das. Já o pensamento ordenado é
ampliado pelo discernimento e pe- Disse o Cristo: Queira cada um
lo senso moral, o que nos leva a para os outros o que quereria pa-
uma compreensão maior dos reais ra si mesmo. No cora-
objetivos de nossa existência. ção do homem im-
É muito importante essa com- primiu Deus a re-
preensão quando sofremos. A Dou- gra da verdadeira
trina Espírita nos oferece recursos justiça, fazendo que
insofismáveis para a conquista des- cada um deseje
tes valores. Com o conhecimento ver respeitados os
espírita em torno do viver e do

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ocasionais e sobrepaira legítimo vo, conciliador, e age como um ciência econômica, sem a edu-
em todas as épocas, qual aquele líder natural. Vive pacificamente e cação, não encontrará o equilí-
estatuído no Decálogo e no Ser- proporciona alegria de viver a to- brio entre produção e consumo:
mão da Montanha.2 dos os que estão a seu lado.
Na história da Humanidade te- Joanna de Ângelis coloca o ser Há um elemento, que não se
mos exemplos marcantes do sen- psicológico como aquele que já costuma fazer pesar na balança
so moral verdadeiro, legitimado superou as diversas etapas viven- e sem o qual a ciência econômi-
pelos testemunhos de seus defen- ciais em seu processo evolutivo. ca não passa de simples teoria.
sores, como Moisés recebendo as Ele passa a ser útil socialmente, Esse elemento é a educação, não
leis morais do Decálogo que vi- apto a uma vida saudável e produ- a educação intelectual, mas a
gora até nossos dias, orientando tiva no bem. Ela assim se expressa: educação moral. Não nos refe-
povos e civilizações na busca de rimos, porém, à educação mo-
um comportamento ético mais O homem maduro psicologica- ral pelos livros e sim à que con-
equilibrado. Insuperável em sua mente vive a amplidão infinita siste na arte de formar os carac-
autoridade moral, Jesus, poste- das aspirações do bem, do belo, teres, à que incute hábitos, por-
riormente, quando a Humanida- do verdadeiro e, esvaído do ego, quanto a educação é o conjunto
de já estava mais preparada para atinge o superego, tornando-se dos hábitos adquiridos. [...]4
receber sua mensagem, legou, pa- homem integral, ideal, no rumo
ra todos os tempos, o Sermão da do infinito.3 Nos momentos atuais, em que
Montanha – código moral que impera a desordem econômica e
estabelece o amor como funda- Assim, em sua trajetória de evo- social, não encontraremos as leis
mento de toda a lei, lução, caminhando rumo à per- do equilíbrio buscando apenas as
na busca do equi- feição moral, o homem enfrentará soluções técnicas e aquelas dita-
líbrio e da evolu- todas as lutas e obstáculos com o das pelos economistas e cientistas
ção humana. objetivo maior que o anima a su- sociais, amparados pelas teorias
O homem mo- perar o egoísmo, os vícios morais, de grandes financistas do mundo
derno, tentando o orgulho, movendo-se com liber- moderno. Estamos todos inseri-
superar seus ins- dade, mas optando pelo idealismo dos no mesmo processo, sofrendo
tintos e suas emo- superior direcionado pelo amor. as mesmas conseqüências morais
ções desordenadas, Na estruturação deste cresci- da miséria social, do oportunismo
busca a maturidade mento, a educação moral é a viga econômico e das dilapidações dos
social – viver em mestra que o sustentará em todos bens de consumo. Cada um de
harmonia com seu os momentos de dificuldade, dan- nós poderá agir com discerni-
grupo. Quando do-lhe subsídios para vencer os mento e ajudar na solução de tan-
ele consegue es- desafios do caminho. tos problemas, desde que façamos
te desiderato, Allan Kardec enfatiza, em di- a nossa parte, cultivando hábitos
torna-se mais versos escritos de sua autoria, a saudáveis de ordem e previdência,
compreensi- necessidade desta educação na além de integrar o meio social on-
moldagem dos caracteres do ser de vivemos, contribuindo com
humano. Na questão 685-a nossa parcela de honestidade e
de O Livro dos Espíritos co- bom senso.
menta, ao analisar o as- Muitos dirão que é utopia. Uns
pecto social da velhice poucos idealistas não alterarão es-
desamparada, que a se estado de coisas, nem o caos

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Finalizando nossas apreciações


em torno dos problemas sociais,
vamos refletir, sob a luz do Evan-
gelho de Jesus, nas palavras de
Emmanuel, quando nos alerta:

Triunfarás na realização dos ele-


vados propósitos que te ani-
mem, entretanto, triunfarás pa-
ra estender as mãos aos vencidos
a fim de que se refaçam e venham
igualmente lidar na edificação
do bem de todos; disporás de
recursos que te garantam abas-
tança e reconforto, no entanto,
econômico em que vivemos!... Mas problema social dos idosos e de- saberás dividi-los com os irmãos
poderemos argumentar que cada sempregados, servem para nossos da retaguarda, ainda incapazes
um deverá agir segundo os dita- dias e se enquadram na preocupa- de competir no campo da inte-
mes da consciência; e a união destes ção que todos os homens de bom ligência, na conquista das vanta-
ideais fará com que novos adeptos senso têm em torno da solução gens que já consegues usufruir;
se juntem a nós na busca da paz, dos problemas sociais que nos premiar-te-ás com os tesouros da
da segurança e da ordem social. afligem. Todos sabemos que so- cultura, todavia, saberás descer
A educação moral é a solução a mente a educação, em seu sentido da torre do conhecimento a que
longo prazo para recuperar as gera- mais amplo, solucionará as difi- te guindaste, de modo a ensinar o
ções que estão chegando ao nosso culdades que ora enfrentamos. caminho da luz aos que bracejam
planeta, a fim de que a renovação Entretanto, poucos estão empe- nas sombras da ignorância; ins-
de seus habitantes se faça como nos nhados em usá-la como profilaxia talarás a alegria na própria alma,
instruem os benfeitores espirituais. dos graves transtornos que a crise no entanto, acenderás a esperan-
A violência urbana, a miséria econômica nos traz, carreando os ça no coração dos infelizes que
moral e social, os desmandos po- conflitos sociais, a violência e a te compartilham a marcha.6
líticos e todas as perturbações que desordem para nossa sociedade.
atingem nossa sociedade serão Há uma excessiva preocupação Referências:
1
contidos através desta educação. com os problemas econômicos e KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91.
Afirma Allan Kardec: financeiros em todo o mundo, co- ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Questão 876.
2
locando em segundo plano os FRANCO, Divaldo, P. O ser consciente.
[...] A desordem e a imprevidên- problemas sociais e educacionais, Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador:
cia são duas chagas que só uma quando a solução dos primeiros LEAL, 1993. p. 27.
3
educação bem entendida pode depende do aprimoramento inte- Idem, ibidem.
4
curar. Esse o ponto de partida, lectual e moral de todos os seres, KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 91.
o elemento real do bem-estar, o para que possamos extirpar em ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Comentário
penhor da segurança de todos.5 definitivo de nosso planeta o de Kardec à questão 685-a.
5
egoísmo e o orgulho – entraves Idem, Ibidem.
6
Esses comentários, feitos pelo a esta conquista maior em nossa XAVIER, Francisco C. Amigo. Pelo Espírito
mestre Allan Kardec em torno do evolução espiritual. Emmanuel. São Paulo: CEU, 1979. p. 25-26.

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Esf lorando o Evangelho


Pelo Espírito Emmanuel

Facciosismo
“Mas se tendes amarga inveja e sentimento faccioso, em vosso
coração, não vos glorieis nem mintais contra a verdade.”
(TIAGO, 3:14.)

T
oda escola religiosa apresenta valores inconfundíveis ao homem de boa
vontade.
Não obstante os abusos do sacerdócio, a exploração inferior do elemento
humano e as fantasias do culto exterior, o coração sincero beneficiar-se-á ampla-
mente, na fonte da fé, iluminando-se para encontrar a Consciência Divina em si
mesmo.
Mas, em todo instituto religioso, propriamente humano, há que evitar um perigo
– o sentimento faccioso, que adia, indefinidamente, as mais sublimes edificações
espirituais.
Católicos, protestantes, espiritistas, todos eles se movimentam, ameaçados pelo
monstro da separação, como se o pensamento religioso traduzisse fermento da
discórdia.
Infelizmente, é muito grande o número de orientadores encarnados que se
deixam dominar por suas garras perturbadoras. Espessos obstáculos impedem a
visão da maioria.
Querem todos que Deus lhes pertença, mas não cogitam de pertencer a Deus.
Que todo aprendiz do Cristo esteja preparado a resistir ao mal; é imprescindível,
porém, que compreenda a paternidade divina por sagrada herança de todas as
criaturas, reconhecendo que, na Casa do Pai, a única diferença entre os homens é a
que se mede pelo esforço nobre de cada um.

Fonte: XAVIER, Francisco C. Vinha de luz. 27. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 36.

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A mediunidade
na literatura
(Grécia)
H U M B E RTO S C H U B E RT C O E L H O

C
om este texto pretendemos temente ocorre entre artistas. A tos menos artísticos, ensaios e
abrir caminho para discus- vantagem da literatura está em trabalhos de caráter mais teórico,
sões e exposições de fatos que este campo da Arte situa-se na de modo que os diálogos de Pla-
incontestavelmente mediúnicos, fronteira entre a pura Arte, de um tão (428/427-348/347 a.C.) ou os
seja na exposição de obras da lite- lado, e as Ciências Humanas e a livros da Bíblia estão perfeitamen-
ratura clássica, seja no processo Filosofia, de outro. O argumento, te inseridos sob este termo.
de sua escrita. portanto, está presente na grande Uma boa mostra da forte pre-
É bem conhecida a importân- obra literária, a discursividade, a sença da mediunidade entre os
cia dos poetas e literatos de todas exposição mais ou menos racio- gregos, e que nos ajuda a com-
as épocas sobre a religião e a cul- nal dos temas, enfim, elementos preender como eles tinham cons-
tura. Muitas vezes são indivíduos que põem a Literatura em condi- ciência do fenômeno, é a passa-
positivamente inspirados, além ção privilegiada para a transmis- gem do diálogo platônico Ti-
de trazerem grande bagagem de são de uma mensagem, mais do meu, onde os ministros do Deus
conquistas na área da sensibilida- que apenas um sentimento. Supremo, os deuses menores ou
de e da memória, como freqüen- Sob o termo literatura tam- “demônios”, deveriam seguir a
bém se englobam rela- ordem de criar o corpo humano
de modo que ele fosse o mais
próximo possível do Deus Su-
premo. Neste propósito, deram
ao homem um órgão (suposta-
mente o fígado) que percebe a
inspiração divina, destacando-se
que a inspiração não acomete
aos homens mais sábios, mas

22 220 R e f o r m a d o r • J u n h o 2 0 0 8
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aos mais tolos ou que parecem Igualmente clara é a conclusão sentidos. Muitos dos conhecimen-
loucos: a que ele chega no Íon: tos platônicos parecem ter sido ob-
tidos por esta via, conforme ele
Nenhum homem em sua so- E assim Deus arrebata a mente mesmo admite, embora os histo-
briedade atinge o estado de ins- dos poetas, e os utiliza como riadores prefiram imaginar que ele
piração profética, mas quando seus ministros, assim como tam- os obteve alhures, da Ásia Menor,
ele recebe a palavra profética, bém usa adivinhos e os santos da Índia, do Egito.
ou a sua inteligência é afastada profetas, de modo que nós que Lembramos também que era
pela dormência, ou ela se torna os escutamos sabemos que a costume entre os gregos consultar
equívoca pelo estado de posses- sua fala não provém deles, e eles as pítias (ou pitonisas), seja no fa-
são, e aquele que quiser inter- não pronunciam palavras va- moso oráculo de Delfos, seja em
pretar as palavras divinas, seja zias neste estado de incons- lugares e seitas menos famosos. Os
obtidas em sonho ou acordado, ciência, mas é o próprio Deus relatos de Heródoto (482-420 a.C.)
ou determinar racionalmente o quem fala, e através deles Ele e a literatura grega deixam a enten-
significado das visões de apari- conversa conosco.2 der que as sacerdotisas do templo
ções, compreendendo os resul- profetizavam tanto por “encomen-
tados destes fenômenos para o Somando-se os dois relatos per- da” quanto espontaneamente.
bem ou mal dos homens, no cebemos que o estado profético Também não nos perderemos
passado, presente ou futuro, de- ou inspirado, descrito pelo filósofo, na imensidão dos relatos mitoló-
ve primeiramente recuperar tem importantes implicações cien- gicos, que entre uma fantasia e
sua sobriedade.1 tíficas. Como Kardec, ele (ou talvez outra sugerem fenômenos de
seu mestre Sócrates) parece ter vista mediúnica, incorporação,
No entanto, continua Platão: avaliado rigorosamente o processo previsões etc.; nem na evidência
a ponto de formular uma com- direta da inspiração através das
Nem sempre um homem se preensão teórica bastante correta “musas”. Atentamos tão-somen-
lembra daquilo que disse em da fenomenologia mediúnica. Es- te, a título de exemplo, à obra
estado profético, de modo que é tão perfeitamente descritos o es- madura de Homero (c. 850 a.C.),
conveniente haver uma ou mais tado de passividade do médium e a Odisséia, onde ele dá impor-
testemunhas durante a profecia o fato de a comunicação não pro- tantes indícios de que as práticas
e as visões. Assim, aqueles que vir dele, o caráter transcendente da mediúnicas lhe eram comuns.
estão em seu estado de perfeita comunicação, o fato de poder se No Canto XI, quando Odisseu
sobriedade, podem interpretar processar no sonho ou no estado (ou Ulisses) tem de descer ao
melhor a narrativa daqueles de transe, o fato de a mediunidade Hades, ele encontra a sombra de
que estiverem inspirados. ser, muitas vezes, uma missão atri- sua mãe. Após as apresentações e
buída aos “ministros de Deus”. explicações necessárias o herói
Observa-se claramente que Platão também dava a entender, tenta abraçá-la três vezes, e não a
Platão não está defendendo um nestas e em outras obras, que o podia tocar, percebendo que ela
argumento, está meramente des- estado profético destes inspirados se desvanecia como uma sombra
crevendo um fato, tal era a natu- podia ser utilizado por outros para ou como se fora “feita de sonho”.
ralidade com que lidava com fe- obter informações sobre a realida- Indignado, ele pergunta à mãe o
nômenos deste tipo. de maior, para além do mundo dos que ocorre, e ela lhe responde:

1
http://www.classicallibrary.org/plato/dia- 2
http://www.classicallibrary.org/plato/dia- [...] Esta é a condição de todo
logues/17_Timaeus.htm logues/8_Ion.htm homem mortal quando morre,

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feita em sonho, mas que ele esta- alguém, há recomendações para


va desperto diante dos mortos e que se mantenha o segredo.
podia constatar serem eles for- A obra de Homero tem duas
mados de outra substância. grandes vantagens: a de ser uma
A segunda informação impor- obra de formação da própria
tante é a recomendação da mãe cultura helênica, estabelecendo
de que ele deveria recordar do paradigmas da própria religião a
que se passou, recomendação partir daí, e a de expressar um
importante, considerando-se virtuosismo literário até hoje
que o próprio Platão já ha- admirável, dando idéia de quão
via dito em sua análise da impressionante deve ter sido pa-
mediunidade que “[...] ou a ra a Grécia num momento em
sua inteligência é afastada que ela sequer havia estabelecido
pela dormência, ou ela se a sua civilização.
torna equívoca pelo estado de A viagem de Odisseu ao Tár-
possessão[...]”. Homero, muito taro também se tornou um para-
antes de Platão, apresenta a mes- digma na literatura ocidental. Vir-
ma idéia, sugerindo a necessida- gílio (c. 70-19 a.C.) faz o seu
Busto de Homero,
de de um esforço posterior ao Enéias descer ao mundo dos mor-
autor da obra Odisséia contato com os mortos, no senti- tos, cerca de oito séculos depois de
do de se recordar do ocorrido. Homero, e depois Dante (1265-
pois os nervos já não unem Por fim, não é menos impor- -1321 d.C.) descreve na Divina
mais carne e ossos: tante, embora sutil, a recomen- Comédia uma viagem ao Inferno,
A potente energia do fogo o con- dação da mãe de Odisseu para passando pelo Purgatório, ao Céu,
some todo quando toda a vida que ele “conte à esposa” o que se tomando a sombra de Virgílio co-
abandona a branca ossada e passou. É o caráter prático da co- mo guia nesta inusitada peregri-
o princípio vital se nos torna o municação, e denota o interesse nação, mais de mil anos depois de
mesmo que um sonho. caritativo do Espírito em instruir seu conterrâneo da Roma antiga.
Mas procura volver o quanto e alertar os encarnados. Em toda Por este motivo, a Odisséia
antes à luz, e recorda de tudo a literatura, seja a mais artística tem a prerrogativa de haver des-
isto, de modo que possa contá- ou mais ensaística, os relatos me- pertado as intuições latentes de
-lo à tua esposa.3 diúnicos geralmente recomen- inúmeros outros pensadores e
dam a divulgação ou a transmis- artistas, os quais a partir de en-
Percebem-se diversas caracte- são da informação a outros. Só tão estariam sempre mais próxi-
rísticas interessantes neste en- em raríssimos casos, quando a mos de semelhante viagem ao
contro. A primeira é o modo informação envolve riscos para mundo dos mortos.
com que ambas as personagens
se expressam sobre a substância
da mãe, que “parece um sonho”, Retificando...
sugerindo claramente que a via- Na entrevista do Espírito Angel Aguarod, intitulada “O ESDE na
gem de Odisseu ao Hades não foi visão do Plano Espiritual”, publicada em Reformador de março de
2008, onde se lê (p. 11, 2a coluna, último parágrafo): “hipertrofiam
3
HOMERO. Odisea. Buenos Aires: Plane- o progresso”, leia-se “atrofiam o progresso”.
ta, 2007. p. 195.

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Em dia com o Espiritismo

O período
gestacional
M A RTA A N T U N E S M O U R A

O
estudo sobre a gestação segundo os propósitos do pla- intermédio do seu perispírito, se
humana é tema fasci- nejamento reencarnatório do Es- enraíza, de certa maneira, nesse
nante que reflete a bon- pírito que reinicia sua jornada gérmen, como uma planta na
dade e a sabedoria divinas pela no plano físico. A presença do terra [...]”.2
beleza e sublimidade de que se Amor, entretanto, é força prodi- Do ponto de vista da Embrio-
reveste. O período gestacional giosa que na reencarnação revela logia, a fecundação do óvulo ma-
caracteriza-se por uma “seqüên- o poder transformador da Cria- duro (ovócito) ocorre geralmen-
cia de eventos que normalmente ção Divina. te na porção externa superior da
inclui fertilização, implantação e Durante a gravidez, os laços trompa de Falópio, 12 a 24 horas
crescimento, embrionário e fetal, que mantêm o Espírito unido ao após a ovulação. Um único es-
que termina no nascimento, cer- corpo são frágeis, podendo rom- permatozóide atravessa a mem-
ca de 38 semanas mais tarde”.1 per-se por intenção do pró- brana dessa célula reprodutora
Inúmeras transformações as- prio reencarnante ou por ação feminina, carregando consigo os
sinalam essa fase da existência: voluntária da mãe. Ambas as si- 23 cromossomos que serão ime-
no organismo feminino, no cor- tuações favorecem o abortamen- diatamente combinados com os
po em formação e no destino do to. A união do Espírito à matéria 23 do óvulo, formando uma es-
Espírito que reencarna. Percebe- ocorre por meio de um prolon- trutura celular totipotente deno-
-se que nada acontece de forma gamento do seu perispírito. À minada zigoto ou ovo, constituí-
aleatória, independentemente do medida que o novo corpo se de- do de 46 cromossomos e genes
ângulo em que o observador po- senvolve, esse laço perispiritual herdados da mãe e do pai.
siciona-se para analisar os even- “[...] se encurta. Sob a influência A vida intra-uterina é seme-
tos desencadeados, físicos ou es- do princípio vito-material do gér- lhante à “[...] da planta que vege-
pirituais. Tudo segue uma seqüên- men, o perispírito, que possui ta. A criança vive vida animal. O
cia ordenada, dinâmica e precisa, certas propriedades da matéria, homem tem a vida vegetal e a
em consonância com as bases se une, molécula a molécula, ao vida animal que, pelo seu nasci-
biológicas que regem o fenôme- corpo em formação, donde o po- mento, se completam com a vida
no da vida no Planeta, e, ainda, der dizer-se que o Espírito, por espiritual”.3 É importante, pois,

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que a gestante seja cercada impeçam ou dificultem o aborto. tação (nidação) no útero permi-
de cuidados e atenções – No plano espiritual, o período te ao blastocisto “aninhar-se” no
atendimento médico gestacional é acompanhado por endométrio, por ação de enzi-
pré-natal, alimenta- benfeitores que definem e apli- mas e hormônios, seguido pela
ção, paz de espírito, cam providências necessárias ao formação da placenta, por onde
passe, prece etc. –, que sucesso da reencarnação. o embrião e o feto recebem subs-
A multiplicação e diferencia- tâncias nutritivas.
ção celulares, iniciadas na fecun- Os acontecimentos físicos rela-
dação, resultam na produção de tados, desencadeados pela mente
um ser humano multicelular. “24 do reencarnante e auxílio dos Es-
a 30 horas após a fertilização, píritos construtores, repercutem,
ocorre uma rápida divisão do zi- por sua vez, sobre o Espírito reen-
goto [...] denominada clivagem. carnante, que começa a perder
Embora a clivagem aumente o consciência de si mesmo, à pro-
número de células, isto não im- porção que a gestação avança. Eis
plica um aumento do tamanho como os Espíritos da Codificação
do zigoto. Clivagens sucessivas explicam o estado do reencar-
produzem uma massa sólida nante no intervalo de tempo que
de células minúsculas, a mó- vai da concepção ao nascimento:
rula, dentro de um período
de três a quatro dias pós- [...] A partir do instante da con-
-fertilização”. 4 À medida cepção, começa o Espírito a ser
que aumenta o número de tomado de perturbação, que o
células, a mórula se deslo- adverte de que lhe soou o mo-
ca da trompa para o útero, mento de começar nova exis-
em cinco dias, aproxima- tência corpórea. Essa perturba-
damente, após a fecunda- ção cresce de contínuo até ao
ção. Na cavidade uterina, nascimento. Nesse intervalo, seu
a mórula se transforma estado é quase idêntico ao de
numa esfera oca, nomea- um Espírito encarnado durante
da blastocisto, que possui o sono. À medida que a hora do
uma camada externa, o nascimento se aproxima, suas
trofoblasto, que circunda idéias se apagam, assim como a
uma cavidade rica em lembrança do passado, do qual
fluidos, conhecida co- deixa de ter consciência na con-
mo blastocela, e uma dição de homem [de encarna-
massa interna de cé- do], logo que entra na vida.
lulas pluripotentes, Essa lembrança, porém, lhe vol-
as quais originarão ta pouco a pouco ao retornar ao
o embrião, propria- estado de Espírito.5
mente dito, na se-
gunda semana de Os hormônios desempenham
gestação. O pro- papel muito importante na gravi-
cesso de implan- dez. Estrogênio, progesterona, go-

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nadotropina coriônica-HGC, so- dessa forma, as sensibilidades e as


matomamotropina coriônica hu- mudanças comportamentais ob- Referências:
1
mana-HSC e relaxina são hormô- servadas em algumas gestantes. TORTORA, Gerard J. Corpo humano:
nios que têm ação específica. Em Não podemos esquecer, toda- fundamentos de anatomia e fisiologia.
linhas gerais, podemos dizer que via, que mesmo sendo a gravidez Tradução de Claudia Zimmer. 4. ed.
os dois primeiros hormônios um mecanismo de preservação Porto Alegre: Armed Editora, 2000. Cap.
mantêm íntegro o revestimento biológica da espécie humana e 24, p. 552.
2
interno do útero (endométrio) e meio natural de progresso espiri- KARDEC, Allan. A gênese. Tradução de
preparam as glândulas mamárias tual, “[...] A organização femini- Guillon Ribeiro. 52. ed. Rio de Janeiro:
para a lactação (secreção e ejeção na, durante a gestação, sofre ver- FEB, 2007. Cap. XI, item 18.
3
de leite). A progesterona facilita o dadeira enxertia mental. Os pen- ______. O livro dos espíritos. Tradução
aporte de nutrientes ao ser em samentos do ser que se acolhe ao de Guillon Ribeiro. 91. ed. Rio de Janeiro:
formação. O HGC mantém a pro- santuário íntimo envolvem-na to- FEB, 2007. Questão 354.
4
dução contínua de estrogênio e de talmente, determinando significa- TORTORA, Gerard J. Corpo humano: fun-
progesterona, necessários à fixa- tivas alterações em seu cosmo damentos de anatomia e fisiologia. Tradu-
ção do embrião e do feto no inte- biológico. Se o filho é senhor de ção de Claudia Zimmer. 4. ed. Porto Ale-
rior do útero. O HSC está envolvi- larga evolução e dono de elogiá- gre: Armed Editora, 2000. Cap. 24, p. 553.
5
do no desenvolvimento do tecido veis qualidades morais, consegue KARDEC, Allan. O livro dos espíritos.
mamário, favorável à amamenta- auxiliar o campo materno, pro- Tradução de Guillon Ribeiro. 91. ed. Rio
ção, e, também, no anabolismo digalizando-lhe sublimadas emo- de Janeiro: FEB, 2007. Questão 351.
6
protéico dos tecidos maternos, ções e convertendo a maternida- XAVIER, Francisco Cândido. Entre a terra
útil à alimentação do ser em de- de, habitualmente dolorosa, em e o céu. Pelo Espírito André Luiz. 25. ed.
senvolvimento. A relaxina age so- estação de esperanças e alegrias Rio de Janeiro: FEB, 2007. Cap. 30, p. 243.
bre a ligadura do osso pubiano, intraduzíveis [...]”.7 7
Idem, ibidem. p. 241.
relaxando-a, e auxilia a dilatação
do colo do útero, no final da ges-
tação, facilitando o parto. Aos Colaboradores
Da mesma forma que a mu- Aos nossos prezados colaboradores solicitamos o obséquio
lher grávida atua diretamente no de enviarem suas matérias, de preferência, digitadas no progra-
processo reencarnatório, doando ma Word, fonte Times New Roman, tamanho de fonte 12, régua
energias orgânicas, fluídicas e psí- 15, justificado. O texto, para ser devidamente ilustrado, deve
quicas ao filho que está sendo ge- conter: até 30 linhas (1 página), até 80 linhas (2 páginas) e até
rido, capta, por sua vez, influên- 110 linhas (3 páginas).
cias e sensações do reencarnante. Nas citações, mencionar as respectivas fontes (autor, título
A gestante, esclarece André Luiz, da obra, edição, local, editora, capítulo e página), em nota de
“[...] tem o campo psíquico inva- rodapé ou referência bibliográfica.
dido pelas impressões e vibrações Em face da grande quantidade de artigos recebidos, a Re-
do Espírito [...]. Quando o futuro dação não se compromete com a publicação de todos, arquivan-
filho não se encontra suficiente- do os não publicados, independentemente de comunicação
mente equilibrado diante da Lei, e aos seus autores.
isso acontece quase sempre, a Agradecemos o apoio e a compreensão de todos, e que
mente maternal é suscetível de re- possamos continuar unidos na tarefa de divulgação da Dou-
gistrar os mais estranhos dese- trina Espírita.
quilíbrios [...]”.6 Caracterizam-se,

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A ciência da afetividade
C A R LO S A B R A N C H E S

H
á cerca de trinta anos, os 
nistrar-lhes o conteúdo liberta-
termos que intitulam este dor da Boa Nova.2
artigo foram cunhados pe- A noção da importância do to- Assim foi feito com o próprio
lo médico holandês Frans Veld- que já foi destacada por inúmeros Paulo, quando recolhido ao leito
man. Durante a Segunda Guerra pesquisadores, como o terapeuta que fora de Estêvão. Cansado dos
Mundial, em meio à difícil vivên- bioenergético americano Alexan- esforços cruéis das transformações
cia da deportação para um campo der Lowen (a maioria de seus li- pessoais, assim que chegou à Casa
de concentração nazista, ele des- vros aborda as funções terapêuti- em que os seguidores do Cristo se
cobriu a importância do gesto cas do toque) e Ashley Montagu reuniam, pediu permissão para
com que um ser humano pode (que trata da questão no livro To- que pudesse repousar no leito do
tocar outro ser para lhe prestar car – o sentido humano da pele). primeiro mártir do movimento,
solidariedade, em momentos de A literatura espírita é enri- onde iniciou seu processo de re-
grande sofrimento. quecida por diversas páginas, cuperação das forças da emoção.
Na década de 1970, Veldman que ressaltam o valor do toque Assim que se recolheu ao des-
foi viver na França, onde criou o terapêutico como elemento de canso, recebeu de Simão Pedro um
Centro Internacional de Pesquisa apoio à melhoria fisiopsíquica prato de sopa, para depois começar
e Desenvolvimento de Haptono- dos enfermos.1 a preparar-se para as tarefas de di-
mia (CIRDH). Essa palavra estranha Em Paulo e Estêvão, Emma- vulgação da Boa Nova, que realizou
tem origem no grego. “Hapsis” sig- nuel destaca a ação dos homens com extrema galhardia. Primeiro,
nifica o toque, o ressentir, o senti- do “Caminho” que, ao receberem portanto, o acolhimento, para o
mento. “Nomos” quer dizer lei, re- enfermos e desvalidos da sorte, fortalecimento da auto-estima e do
gra, norma.“Hapto”, do verbo “hap- primeiro atendiam às necessida- sentimento de pertença ao novo
ten”, significa “eu toco”, “eu reúno”, des do corpo, tocando-os frater- grupo. Depois, os preparativos teó-
“estabeleço relacionamentos”. nalmente com a acolhida amoro- ricos e práticos para o “ide e pre-
Haptonomia, portanto, pode sa e servindo-lhes alimento re- gai” pelos povoados de seu tempo...
ser definida como o conjunto de confortante, para só depois mi- 
leis que regem o campo do cora-
ção, dos sentimentos. Fundamen- 1
No livro Há dois mil anos, psicografado
Dr. Frans Veldman decidiu apli-
ta-se num princípio básico: o do por Francisco C. Xavier, Emmanuel relata car a haptonomia ao acompanha-
direito primordial do ser humano em diversos trechos os angustiosos momen- mento pré, peri e pós-natal dos
à afirmação de sua existência e à tos vividos pelos pais da pequena Flávia, pais e do bebê, com a intenção de
Públio e Lívia, em busca da cura da menina.
confirmação afetiva de seu ser, Emmanuel descreve os tratamentos à base desenvolver os vínculos afetivos
a partir do momento de sua con- de ungüentos e bálsamos aplicados na pele da tríade pai-mãe-bebê, visando a
cepção. Em sentido figurado, quer dela, com vistas à sua melhoria. Em espe-
cial, ressalta o carinho com que Lívia cuida-
dizer o estabelecimento táctil de 2
va da filha enferma, dando a ele o destaque XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão.
um contato para ajudar o outro a da afetividade dedicada como primeiro pas- Pelo Espírito Emmanuel. 36. ed. Rio de
ficar saudável, a promover a cura. so para a recuperação integral da enferma. Janeiro: FEB, 2001. p. 285.

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formação de um sentimento de
segurança de base no ser. O méto-
do propõe uma comunicação com
o bebê, para que ele se sinta envol-
vido e amado pelos genitores.
Os pais são ensinados a pousar
suas mãos leve e ternamente sobre
o ventre da mãe. Para promover o
encontro com o bebê, Veldman
chama a atenção para o fato de que tre naquele exato lu-
além do tônus muscular, o impor- gar para o qual desejava que
tante é que os sentimentos afetivos ele se dirigisse. Instantanea-
entrem em atividade. Quando sur- mente, ele mudou de lugar.
ge de repente em suas faces o esbo- Em seguida, Veldman lhe pe-
ço de um sorriso ou um brilho no diu para que convidasse o bebê –
olhar, é porque o encontro acabou sempre apenas em pensamento
de acontecer. Vê-se o ventre ondu- – a subir até seu coração. Mas a
lar; o bebê atendeu ao convite e mãe não foi capaz de fazer isso ços e acolher quem nos
veio ao encontro da mãe afetuosa adequadamente. Ele então refor- merece afeto é atitude de
e acolhedora. Seguindo um suave çou: “não o pense; apenas sinta-o”. quem quer fazer desta uma vida
embalo e com o jeito próprio de com conquistas seguras em dire-

cada um, a mão vai deslizando ção ao mais alto. É preciso ter co-
para a direita, depois para a es- A conexão entre pensar e sentir ragem e desprendimento para
querda, e o bebê a acompanha, com elevação é recurso terapêuti- realizar isso com expansividade e
como num jogo lúdico. co dos mais importantes para o simpatia. Tudo o mais de alegria
“Num outro momento” – des- estabelecimento de laços de afeto e de aprendizado virá por acrésci-
creve o pesquisador – “em meio ao entre quaisquer pessoas, sobretu- mo, a nossos corações necessita-
silêncio, a mãe capta as vibrações do entre pais e bebês. No caso da dos de luz e de amor.
afetivas do feto. Ela o convida a se criança, depois de seu nascimen-
instalar próximo ao seu coração. to, ela revela que espera e busca o Pediatria e mestre em Medicina César Gere-
É um diálogo entre corações!” prolongamento dos laços hapto- mia, no V Congresso da Associação Médico-
nômicos que foram experimenta- -Espírita do Brasil, em maio de 2005, em São

dos durante o tempo em que vi- Paulo. César destacou que o processo envol-
A haptonomia considera ainda veu no ventre de sua mãe. ve desde a administração do hospital, o cui-
a força do pensamento amoroso e Para os espíritas que somos, dado com seus funcionários, até a prepara-
equilibrado como recurso tera- tomar consciência do valor do to- ção técnica e humana do profissional. Inclui-
pêutico junto ao bebê. Em atendi- que terapêutico como recurso de -se aí a prática da oração, dos passes e do
mento a uma gestante no sexto troca de energia amorosa é funda- toque terapêutico pela imposição de mãos.
A esse respeito, é interessante o leitor
mês de gravidez, Veldman obser- mental para a confirmação da for- pesquisar o livro As palavras curam, de
vou que o ventre estava baixo, caí- ça de nossas expressões afetivas.3 Larry Dossey. O autor relaciona os fatores
do. O médico sugeriu à mãe que, Abrir o peito, estender os bra- que influenciam na eficácia da prece como
elemento de cura, comenta a influência do
em pensamento, convidasse o be-
3
amor nesse processo, além de propor um
bê a mudar de posição, orientan- A humanização do atendimento foi um dos desafio interessante: encontrar Deus no
do-a a colocar a mão sobre o ven- enfoques trabalhados pelo especialista em laboratório de pesquisa!

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Cristianismo Redivivo
História da Era Apostólica
Nascimento de Jesus
“Para quem está familiarizado com a história antiga, não deve ser motivo de
perturbação o fato de que as principais datas na vida de Jesus sejam apenas
aproximadas. [...] Na verdade, as datas de nascimento até mesmo de alguns
imperadores romanos não são certas [...].” 1

HAROLD O DUTRA DIAS

N
o prólogo deste artigo há cassez dessas fontes, seja em decor- Os historiadores do Cristianis-
uma citação do historiador rência da ausência de parâmetros na mo, porém, chamam a atenção pa-
John P. Meier, professor na interpretação dos dados colhidos, ra o fato de que os Evangelhos não
Universidade Católica de Washing- somos obrigados a reconhecer a li- são essencialmente obras de his-
ton D. C., considerado um dos mais mitação dos “instrumentos científi- tória, no sentido atual da palavra.
eminentes pesquisadores bíblicos cos da moderna pesquisa histórica”. Os Evangelistas não pretendiam
de sua geração. Ao estabelecer os Nesse ponto, consideramos pre- produzir uma biografia completa
limites da ciência e da investigação ciosa a contribuição dada pela ou mesmo um sumário da vida de
humanas, ele adverte: “Por Jesus da Doutrina Espírita no equaciona- Jesus. Ao contrário, escreveram
história, refiro-me ao Jesus que po- mento de graves questões. No ca- com a finalidade de transmitir o
demos ‘resgatar’ e examinar utili- so da cronologia da vida de Jesus, ensino do Mestre, os fatos princi-
zando os instrumentos científicos é lícito concluir que a obra psico- pais da sua vida, de modo a legar
da moderna pesquisa histórica”.2 gráfica de Francisco Cândido Xavier à posteridade o testemunho da fé.
A pesquisa histórica baseia-se supre inúmeras lacunas, impossíveis Nesse sentido, é justo conside-
em fontes (documentos, registros, de serem transpostas sem o auxí- rar que os Evangelistas organiza-
inscrições, ossuários, obras de his- lio da revelação espiritual, tendo em ram o material da tradição (oral
toriadores, achados arqueológi- vista as limitações da historiografia. e/ou escrita) de acordo com um
cos) e adota métodos específicos, Os dados cronológicos mais im- propósito redacional. Compila-
adequados ao tipo de fonte anali- portantes da vida de Jesus encon- ram e organizaram as narrativas
sada, com vistas à interpretação tram-se nas narrativas da infância sem se preocuparem com a ordem
consistente dos dados coletados. (Mateus, 2; Lucas, 1:5, 2:1-40) e histórica dos acontecimentos. É o
Por vezes, seja em razão da es- nas narrativas da paixão (Mateus, que nos demonstra o pesquisador
26-27; Marcos, 14-15; Lucas, 21- norte-americano:
1
MEIER, John P. Um judeu marginal: re- -23; João, 13-19). Outros dados
pensando o Jesus histórico. 3. ed. Rio de relevantes podem ser encontrados [...] Tais compilações ainda são
Janeiro: Imago, 1993. p. 367. nos evangelhos de Lucas e João visíveis em Marcos: por exem-
2
Idem, ibidem. p. 35. (Lc., 3:1-2 e 23; Jo., 2:20). plo, as passagens polêmicas loca-

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lizadas no início do ministério justifica o ceticismo exagerado A.U.C.,5 declarando 1o de janeiro


de Jesus na Galiléia (2:1; 3:6), em com relação aos dados contidos de 754 A.U.C. como o início do
contraposição a outra série de nos Evangelhos. Deve ser encon- primeiro ano da Era Cristã, o
passagens semelhantes já em Je- trada uma posição de equilíbrio “Anno Domini” (Ano do Senhor).
rusalém, ao final do ministério que prime pela fé raciocinada. Posteriormente, descobriu-se
(11:27; 12:34); uma seção central Assim, considerando o relato dos que a data estabelecida por Dioní-
de relatos de milagres e palavras Evangelistas, pode-se afirmar que sio estava absolutamente equivo-
de Jesus, agrupados pela palavra- Jesus nasceu no tempo do impera- cada, visto que fixava o nascimen-
-chave “pão” (6:6; 8:21) e uma co- dor Augusto (37 a.C.-14 d. C.), an- to de Jesus três anos após a morte
letânea de parábolas (4:1; 34). tes da morte de Herodes, o Grande. de Herodes, o Grande.
Não há motivo para considerar- No ano 525 d.C., o papa João I Para se encontrar a data da
mos essas compilações como ten- (470-526 d.C.) pediu a Dionísio4 morte de Herodes, utilizou-se pre-
do preservado a inviolável ordem que elaborasse um calendário com ciosa informação fornecida pelo
cronológica dos eventos, especial- o cálculo dos ciclos pascais, as da-
mente porque Mateus e Lucas não tas futuras da Páscoa. Frei Dionísio, de inúmeras obras da Igreja Romana,
o fizeram. Mateus, por exemplo, além de elaborar uma efeméride importantes para o direito canônico, além
de ter elaborado a tabela com as datas da
reordena livremente os relatos de pascal, estabeleceu um novo ca-
Páscoa. Todavia, seu nome entrou para a
milagres que aparecem em Mar- lendário, em oposição ao sistema história por ser o criador do “Anno Do-
cos, para criar um grupo conciso alexandrino, da era diocleciana, mini”, alterando o calendário da época.
de nove relatos divididos em três fixando a data do nascimento de 5
A.U.C. (Anno Urbis Conditae) – Ano da
grupos intercalados por material Jesus em 25 de dezembro de 753 fundação da cidade de Roma. Os historia-
de “enchimento” (Mateus, 8-9). dores fixam a data da fundação daquela
cidade no ano 753 a.C., acolhendo os
O grande Sermão da Montanha, 4
Dionysius Exiguus (470-540 d.C.) nas- informes do historiador romano “Varrão”.
em Mateus, reaparece, em parte, ceu na Scythia Menor (Romênia/Bulgá- É comum confundir-se a sigla A.U.C. com
em Lucas como o Sermão da Pla- ria), transferindo-se para Roma por volta Ab Urbe Condita, título do livro de Tito
nície, menor que o outro (ambos do ano 500 d.C., onde se tornou tradutor Lívio sobre a história de Roma.

como tendo ocorrido na Galiléia) Os Quatro Evangelistas,


e, parcialmente, em material espa- quadro de Jacob Jordens
lhado por todo o longo relato da
jornada final de Jesus até Jerusa-
lém, em Lucas, 9:51; 19:27 [...]”.3

Por outro lado, seria temerário


acusar os Evangelistas de terem
distorcido os fatos para adequá-
-los a propósitos teológicos. Nesse
caso, vale lembrar que escreveram
para contemporâneos, muitos de-
les testemunhas oculares dos fatos
narrados, razão pela qual não se

3
MEIER, John P. Um judeu marginal: re-
pensando o Jesus histórico. 3. ed. Rio de
Janeiro: Imago, 1993. p. 50-51.

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questão cronológica que me in-


teressa, ao te argüir sobre o pas-
sado. É que nessas suaves come-
morações vem até mim o doce
murmúrio das lembranças!...
– Ah! sim, Mestre Amado – re-
trucou pressuroso o Discípulo –,
compreendo-vos. Falais da signi-
ficação moral do acontecimen-
to. Oh!... se me lembro... a man-
jedoura, a estrela guiando os po-
derosos ao estábulo humilde, os
cânticos harmoniosos dos pas-
tores, a alegria ressoante dos ino-
centes, afigurando-se-nos que
A Adoração dos Pastores, quadro de Giorgione
os animais vos compreendiam
historiador judeu Flávio Josefo mas extremamente relevantes para mais que os homens, aos quais
(Antiguidades Judaicas, livro XVII, o estudo do Cristianismo Nascente. ofertáveis a lição da humildade,
cap. 6, § 4, item 167), segundo o Nesse sentido, merece ser trans- com o tesouro da fé e da espe-
qual teria ocorrido um eclipse lu- crito o extraordinário texto do Espí- rança. [...]6 (Grifo nosso.)
nar pouco antes do falecimento rito Humberto de Campos, revelan-
daquele monarca. Com base em do a data do nascimento do Cristo: Assim, consoante a revelação
cálculos astronômicos precisos, é espiritual, pelas mãos do respeitá-
possível afirmar que a morte da- [...] o Senhor chamou o Dis- vel médium Francisco Cândido
quele rei se deu por volta de mar- cípulo Bem-Amado ao seu trono Xavier, Jesus nasceu no ano 749
ço/abril do ano 750 A.U.C. (4 a.C.), de jasmins matizado de estrelas. da era romana. Considerando que
logo após o referido eclipse. O vidente de Patmos não trazia o primeiro ano do calendário gre-
Desse modo, concluem os exege- o estigma da decrepitude, como goriano (Anno Domini – Ano 1),
tas que Jesus, seguramente, nasceu nos seus últimos dias entre os atualmente em vigor no mundo
antes do ano 4 a.C. (data da morte espórades. Na sua fisionomia ocidental, corresponde ao ano
de Herodes, o Grande). Todavia, es- pairava aquela mesma candura 754 U.A.C. (ano da fundação de
ses pesquisadores são unânimes em adolescente que o caracterizava Roma), e tendo em vista que não
reconhecer a impossibilidade de se no princípio do apostolado. há ano zero, nesse calendário, basta
determinar o ano exato do nasci- – João – disse-lhe o Mestre –, considerar a seqüência 753 U.A.C.
mento de Jesus, com base nas fontes lembras-te do meu apareci- = 1 a.C.; 752 U.A.C. = 2 a.C.; 751
históricas atualmente disponíveis. mento na Terra? U.A.C. = 3 a.C.; 750 U.A.C. = 4
Os “instrumentos científicos da – Recordo-me, Senhor. Foi no a.C. e 749 U.A.C. = 5 a.C.
moderna pesquisa histórica” nos ano 749 da era romana, apesar Desse modo, pode-se concluir
permitem chegar somente até da arbitrariedade de Frei Dioní- que o nascimento do Mestre se
esse ponto. sio, que, calculando no século VI deu no ano 5 a.C.
É nesse momento que a revelação da era cristã, colocou erradamen-
6
espiritual pode e deve ser conjugada te o vosso natalício em 754. – XAVIER, Francisco Cândido. Crônicas de
além-túmulo. Pelo Espírito Humberto de
com as pesquisas humanas, no in- Não, meu João – retornou do- Campos. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.
tuito de resolver questões intricadas, cemente o Senhor –, não é a Cap. 15, p. 89-90.

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Congresso discute amor e


educação em Minas Gerais
sonagens responsáveis pe-
la divulgação da Doutrina
Espírita no Estado.
A conferência de encer-
ramento foi proferida por
Divaldo Pereira Franco,
que abordou o assunto:
“Jesus: o Mestre do Amor”.
Mais de 1.600 pessoas,
incluindo representantes
de diversas Entidades Fe-
derativas Estaduais de todo
Sessão de Abertura: Palestra do presidente da FEB, Nestor João Masotti; o País, acompanharam as
à direita, aspecto da Mesa
palestras que abordaram o te-
Nos dias 3, 4, 5 e 6 de abril, e vários convidados do próprio ma central “Espiritismo: Amor e
ocorreu o IV Congresso Espírita Estado: Manuel Tibúrcio Noguei- Educação”. Houve transmissão do
Mineiro, nas dependências do ra, Gilson Teixeira Freire, Suely encontro, ao vivo, pela Internet. In-
Minascentro, em Belo Horizon- Caldas Schubert, Wagner Gomes formações: www.uemmg.org.br
te. Este evento deu início às co- da Paixão, Lenice Aparecida de
memorações dos 100 anos da Souza Alves, Haroldo Dutra Dias, Presidente da União Espírita Mineira,
Marival Veloso de Matos
União Espírita Mineira (UEM), Oswaldo Hely Moreira, Simão
os quais terão prosseguimento Pedro de Lima, Juselma Maria
durante o ano. Coelho e Magda Luzimar Abreu.
Na abertura do Congresso, o A programação contou também
presidente da União Espírita com apresentações musicais, tea-
Mineira, Marival Veloso de Ma- trais, e de vídeos, que ressaltavam
tos, destacou os papéis do Cris- e divulgavam expositores, artis-
tianismo e do Espiritismo. Em tas e membros dos Conselhos Re-
seguida, o presidente da Federa- gionais Espíritas de Minas Gerais
ção Espírita Brasileira (FEB), (CREs).
Nestor João Masotti, discorreu A história dos 100 anos da
sobre o papel educativo do Espi- União Espírita Mineira foi re-
ritismo no Terceiro Milênio. gistrada no Congresso com
Atuaram no evento: Marta An- um espaço destinado ao acer-
tunes de Oliveira Moura, da FEB, vo histórico, que relembra per-

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A FEB e o Esperanto

Esperanto e Esperantismo
A F F O N S O S OA R E S

N
ão foi absolutamente por acaso que as origens de, e o esperanto se alinha entre eles em igualdade de
do esperanto – única e verdadeira língua in- potência e efeito.
ternacional – ocorreram num círculo em que Os que rejeitam a existência de uma ideologia no
uma pequena coletividade se debatia em torturantes esperanto – e entre eles também há esperantistas – es-
conflitos de natureza étnica, lingüística e religiosa. Con- quecem que toda língua é veículo de expressão dos sen-
vinha que o seu criador, o médico judeu-polonês Láza- timentos, das aspirações, da identidade cultural, espi-
ro Luís Zamenhof, regressasse aos ce- ritual do povo que a possui, estan-
nários terrestres, em 1859, na peque- do, portanto, a serviço de interes-
na cidade polonesa de Byalistok, para ses, de ideais particulares, grupais,
que ao esperanto e seu Movimento se conseqüentemente promovendo e
associasse o grande ideal de justiça e fortalecendo apenas a união de seus
fraternidade entre os povos, os quais membros. Por essa razão, jamais
estavam representados, naquela obs- uma língua nacional, por mais que
cura localidade, por judeus, russos, as circunstâncias o aparentem, de-
alemães, poloneses, divididos segun- sempenhará em plenitude o papel
do seus costumes, ocupações, línguas, tão-somente destinado a um ins-
religiões, e explorados pela política trumento de comunicação que ex-
czarista para fins de dominação. presse a identidade, os ideais, as
Os conflitos ali reinantes nele aspirações comuns de uma coleti-
evocariam, já desde a mais tenra in- vidade planetária.
fância, a nobre missão que trouxera Esse forte traço distintivo da
do Espaço: contribuir para a união de Língua Internacional Neutra foi
Dr. Zamenhof e o advogado Sr.
indivíduos e povos, por sobre quaisquer bem explicitado pelo seu criador
Michaux, organizador do primeiro
diferenças, pelo uso de uma língua neu- Congresso Universal. nos objetivos que ele agrupou sob a
tra que lhes despertasse o sentimento Texto da foto: O que de novo denominação de “idéia interna”, “es-
de pertencer à grande família humana. um milênio dividiu, tandarte verde”, conceitos que ofe-
Boulogne-sur-Mer reuniu...
Serviria a sua criação não apenas a Agosto 1905 – L. L. Zamenhof
recem consistência ao esperantismo.
objetivos práticos nas relações inter- Tudo o que nasceu do pensamen-
nacionais, mas também, e precipuamente, ao objeti- to e do sentimento de Zamenhof, cercando a criação
vo maior de aproximar os corações para a vivência do esperanto, está impregnado desses elevados obje-
dos ideais universalistas, diante dos quais deverão tivos. A compreensão recíproca entre falantes de lín-
desmoronar os muros sociais, culturais, políticos, guas diferentes, promovida por um instrumento de
raciais, lingüísticos, religiosos que sempre têm sepa- comunicação neutro, não serviria exclusivamente a
rado homens e nações. interesses práticos, materiais; deveria, com o eliminar
Muitos fatores hão de contribuir para o estabele- as barreiras entre os homens, acostumá-los à idéia de
cimento dessa nova fase de evolução da Humanida- que, por sobre todas e quaisquer diferenças culturais,

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eles pertencem à Humanidade, fazem parte de uma união e da fraternidade rumo à unidade universalis-
única família, a grande família humana. ta. Seus princípios são os da concórdia e seus após-
Em uma das estrofes do poema-prece “Pre1o sub tolos são igualmente companheiros de quantos se
la Verda Standardo” (Prece sob o Estandarte Verde), sacrificaram pelo ideal divino da solidariedade hu-
que proferiu na abertura solene do 1o Congresso mana, nessas ou naquelas circunstâncias.
Universal de Esperanto, em 1905, na cidade francesa
de Boulogne-sur-Mer, Zamenhof assim se expressa: Cruz e Souza, reverenciando a memória de Za-
menhof, traduz seu sentimento em belo soneto de
Ergueremos bem alto o estandarte verde, que transcrevemos as duas últimas estrofes (p. 29):
Signo do Bem e do Belo.
Abençoados pela Força Misteriosa do mundo, Em teu apostolado augusto e santo,
Alcançaremos nosso objetivo: Desfraldaste a bandeira do Esperanto,
Destruiremos as barreiras entre os povos, Unindo os povos na Fraternidade!...
E elas, rachando com estrondo,
Ruirão para sempre, inciando-se na Terra Gênio Celeste entre os Celestes Gênios,
O reinado do amor e da verdade. Brilharás na memória dos milênios,
Vanguardeiro da nova Humanidade!
Seu poema “La Espero” (A Esperança), que se
transformou no hino do esperantismo, revela os ob- E o sempre vibrante Castro Alves anuncia (p. 57)
jetivos que tinha em mente ao criar o idioma: a sua bela visão dos frutos do esperanto, no presente e
no futuro:
Sobre um fundamento neutro,
Compreendendo-se reciprocamente, Esperanto – mensageiro
Os povos formarão, de comum acordo, De encantados tempos novos –
Um grande círculo familiar. Erguerá nações e povos
Do campo de lodo e pó.
No Movimento Espírita brasileiro, os Espíritos, Da Harmonia timoneiro,
através de diferentes médiuns, têm enfatizado esse Que os portos da paz descerra,
traço luminoso da Língua Internacional Neutra, Libertará toda a Terra,
bem como a superioridade espiritual de seu criador. Na glória de um mundo só!
Suas manifestações agora estão enfeixadas no belo
volume A Língua que veio do Céu,1 edição CELD, de Finalizamos, reproduzindo o sugestivo acróstico (p.
que colhemos apenas alguns trechos de comunica- 49) com que o Espírito Abel Gomes aponta,em plena sin-
ções psicografadas por Francisco Cândido Xavier. tonia com o criador da língua, os objetivos do esperanto:
Emmanuel, ao se referir à missão do esperanto
(p. 23), define-a com clareza: E streitar os povos.
S emear a compreensão.
Também o ESPERANTO, amigos, não vem destruir P reparar a concórdia.
as línguas utilizadas no mundo, para o intercâmbio E spalhar a solidariedade humana.
dos pensamentos. A sua missão é superior, é a da R eunir as criaturas.
1
A clarar os caminhos das nações.
O leitor interessado em conhecer essa obra pode encomendá-la
N utrir os ideais da fraternidade universal.
na Sociedade Editora Espírita F. V. Lorenz (Societo Lorenz), nos
endereços: editora_lorenz@uol.com.br ou Caixa Postal 3133 – T raçar rumos novos à evolução da Terra.
CEP 20001-970 – Rio de Janeiro (RJ) – Tel.: (21) 2221-2269. O rganizar a paz do terceiro milênio.

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reformador Junho 2008 - b.qxp 3/7/2008 11:39 Page 36

Encontro Espírita em Cuba


rio-geral do CEI, Nestor João
Masotti, juntamente com Divaldo
Pereira Franco e Antonio Agra-
monte, líder espírita local, conver-
saram longamente com a Ministra
de Estado para Assuntos Religio-
sos de Cuba, com o objetivo de
facilitar o trânsito de livros espíri-
tas vindos do Exterior. O evento
Divaldo Pereira Franco proferiu a palestra inaugural foi realizado nas dependências do
sobre o tema central do evento
Hotel Riviera e amplamente di-
A cidade de Havana sediou, en- mo o secretário-geral Nestor João vulgado na Televisão Educativa de
tre os dias 22 e 26 de abril de 2008, Masotti, Edwin Bravo (da Guate- Havana. Participaram do encon-
o II Taller Espirita Internacional, mala) e Charles Kempf (França), tro cerca de 220 pessoas, oriundas
evento oficial do Movimento Es- que fizeram exposições doutriná- de várias regiões de Cuba e visi-
pírita cubano, com apoio da rias. Divaldo Pereira Franco profe- tantes de Honduras, El Salvador,
Sociedad Amor y Caridad Univer- riu a palestra inaugural sobre o Guatemala, Porto Rico, Colômbia,
sal e do Conselho Espírita Interna- tema central: “A Paz Mundial Nas- Estados Unidos, França e Brasil.
cional. O CEI esteve representado ce no Espírito de Bem”. Ao final da Realizou-se também cerimônia
por alguns de seus dirigentes co- conferência de abertura, o secretá- em praça pública.

Ecologia é tema de Congresso Espírita


A Federação Espírita do Estado dente da FEESP, Silvia Cristina tes da Mesa, Divaldo Pereira Fran-
de São Paulo promoveu em sua Stars de Carvalho Puglia, e contou co proferiu bela e substanciosa
sede, na Capital, o Congresso Es- com a participação de presidentes conferência, baseada no tema do
pírita FEESP 2008, de 1o a 4 de ou representantes das seguintes Congresso.
maio passado, com abordagem do instituições: União das Socieda- Além das conferências de aber-
tema central “A ecologia e a evolu- des Espíritas do Estado de São tura e encerramento, o temário
ção do Espírito no planeta Terra”. Paulo, Federação Espírita Brasilei- desdobrou-se em 52 palestras,
A Sessão de Abertura, no Audi- ra, Associação dos Magistrados simultâneas, no Auditório e em
tório Nobre Bezerra de Menezes, Espíritas do Brasil, Fundação Es- 4 salas, proferidas por expositores
foi iniciada pelo Coral e Orques- pírita André Luiz/Rede Boa No- espíritas de São Paulo (vários da
tra Carlos Gomes, regência do va de Rádio e TV Mundo Maior, FEESP), de Brasília, Paraná e Rio
maestro Sylvio Tancredi, com a Aliança Espírita Evangélica, União de Janeiro.
apresentação de excelentes peças dos Delegados de Polícia e Editora As atividades do Congresso fo-
musicais, clássicas e populares. A O Clarim, de Matão (SP). Após ram transmitidas ao vivo pela Rá-
solenidade foi dirigida pela presi- rápidas saudações dos componen- dio Boa Nova.

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Deolindo Amorim e a
defesa dos postulados espíritas
E L Í S E O C L AU D I O N AV E G A S A L DA N H A

H
á 24 anos, retornou ao que lhe eram peculiares, demons- base em fatos e evidências, res-
mundo espiritual Deolin- tra que não há ponto de contato ponde a um padre que escrevera
do Amorim, grande estu- filosófico, prático ou doutrinário uma obra criticando a Doutrina
dioso e incansável defensor das entre a Doutrina Espírita e as cor- Espírita.
obras codificadas por Allan Kar- rentes religiosas oriundas da Áfri- Em 1958, lançou a obra O Espi-
dec, sendo, também, profundo ca; ressalta que o termo Espiritismo ritismo e as Doutrinas Espiritualis-
conhecedor das obras de Léon tas, com abordagem das diversas
Denis. Extremamente dedicado à religiões espiritualistas, contex-
causa espírita, procurou divulgar tualizando-as em suas bases e fa-
a mensagem espiritista de forma zendo um paralelo das semelhan-
fidedigna, clara e objetiva. Dei- ças e diferenças entre elas e a Dou-
xou-nos valoroso legado, verda- trina Espírita. Demonstrou que o
deiro farol em nossas vidas. Espiritismo é uma doutrina espi-
Como autêntico seguidor do ritualista em generalidade, mas
mestre lionês, dedicou-se com ar- independente das outras doutri-
dor ao Espiritismo, defendendo-o nas. Nesta obra, Deolindo esclare-
e procurando evitar que os postu- ce que cada religião ou doutrina
lados espíritas fossem confundi- tem o seu lugar inconfundível. É
dos com outras doutrinas espiri- dele a frase: “É melhor discer-
tualistas na Terra do Cruzeiro. Em nir do que confundir, pois é dis-
1939, à luz da questão 932 de O cernindo que se põe ordem nas
Livro dos Espíritos, Deolindo fo- Deolindo Amorim idéias para procurar a verdade”.
mentou e coordenou o I Congres- Terminamos este artigo convi-
so de Jornalistas e Escritores Espí- foi criado por Allan Kardec em dando respeitosamente o leitor
ritas do Brasil. Entre suas obras li- 1857, sendo, portanto, fora de sen- para que conheça as excelentes
terárias, destacamos três que nor- tido associá-lo às correntes reli- obras desta alma abnegada e lú-
tearam este artigo. giosas baseadas na cultura africa- cida. Àqueles que já as conhecem,
Em 1947, visando esclarecer as na trazidas para o Brasil a partir mantemos o convite para que as
dúvidas e posicionar devidamente dos anos 1538/1540. releiam, reforçando assim os ideais
a origem do Espiritismo, lança a Em 1956, na defesa dos postu- espiritistas e, sobretudo, a manu-
excelente obra Africanismo e Espi- lados espíritas, publica o livro O tenção consistente das bases kar-
ritismo. Nela, Deolindo, com a cla- Espiritismo à Luz da Crítica, no dequianas em nosso Movimento
reza, abrangência e simplicidade qual, de forma objetiva e com Espírita.

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Conselho Federativo Nacional

Reunião da Comissão
Regional Nordeste
A Reunião da Comissão Regional Nordeste, em seu vigésimo segundo ano,
desenvolveu-se de 11 a 13 de abril de 2008, nas dependências do Hotel
Maine, em Natal, Rio Grande do Norte

Sessão de Abertura ra. A pedido do coordenador das (Federação Espírita do Mara-


Comissões Regionais, a presiden- nhão), José Raimundo de Lima
No dia 11, às 20 horas, ocorreu te da FERN convidou os presi- (Federação Espírita Paraibana),
a Sessão de Abertura, iniciada pe- dentes das Federativas a apresen- Waldeck Xavier Atademo (Fede-
la presidente da Federação Espírita tarem suas equipes, e apresentou ração Espírita Pernambucana),
do Rio Grande do Norte (FERN), a equipe da FEB. A reunião con- Rosa Maria da Silva Araújo (Fe-
Sandra Maria Borba Pereira, que tou com a participação das nove deração Espírita Piauiense), San-
fez a saudação aos componentes Entidades Federativas Estaduais dra Maria Borba Pereira (Fede-
das Federativas visitantes e pas- da Região: Paulo Marcondes de ração Espírita do Rio Grande do
sou a palavra ao coordenador das Holanda Padilha (representando Norte) e Júlio César Freitas Góes
Comissões Regionais do Conse- o presidente da Federação Espí- (Federação Espírita do Estado de
lho Federativo Nacional da FEB, rita do Estado de Alagoas), Creu- Sergipe).
Antonio Cesar Perri de Carvalho. za Santos Lage (Federação Espí- Durante a Sessão de Abertura
Seguiu-se a saudação do presiden- rita do Estado da Bahia), Alan foi proferida palestra sobre o tema
te da FEB, Nestor João Masotti, Arrais Sydrião de Alencar (Fede- “150 Anos de Revista Espírita e do
sendo a prece proferida pelo vice- ração Espírita do Estado do Cea- 1o Centro Espírita do Mundo”, por
-presidente da FEB, Altivo Ferrei- rá), Ana Luiza Nazareno Ferreira Antonio Cesar Perri de Carvalho.

Sessão de Abertura: Saudação da


presidente da Federativa anfitriã

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Sessão de Abertura: Aspecto do público

Reunião dos Dirigentes pelos presidentes das Federativas tas; os 140 anos de A Gênese; a im-
da Bahia, Paraíba e Rio Grande do plementação do “Plano de Traba-
Ocorreu durante o dia de sába- Norte, mantendo-se contatos com lho para o Movimento Espírita
do. A direção dos trabalhos coube as demais Comissões Regionais e Brasileiro (2007-2012); o curso
de Capacitação Administrativa de
Dirigentes Espíritas; e as Campa-
nhas Família, Vida e Paz, com des-
taque para a Mobilização Nacio-
nal Em Defesa da Vida – Brasil Sem
Aborto. Discutiu-se uma maneira
para desenvolver e analisar pro-
postas para a Comissão de Estudos
sobre a Arte Espírita (constituída
Reunião dos Dirigentes: Sergipe, Alagoas, Bahia, Maranhão e Piauí
pelo CFN) e também foram rece-
ao coordenador das Comissões preparando-se uma minuta de bidas sugestões para o 3o Congres-
Regionais, com a participação da proposta para o CFN. Decidiu-se so Espírita Brasileiro, programa-
secretária da Comissão Regional que o mesmo tema será abordado do para 14 a 18 de abril de 2010.
Nordeste, Olga Lúcia Espíndola
Freire Maia, do presidente da FEB,
Nestor João Masotti, do vice-pre-
sidente Altivo Ferreira e de Edimil-
son Nogueira, integrante da equi-
pe da Secretaria Geral do CFN.
Representantes do Departamen-
to Editorial da FEB fizeram uma
apresentação sobre a proposta
promocional da Coleção Revista Reunião dos Dirigentes: Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba
Espírita, editada pela FEB. Os diri-
gentes das Federativas trataram no próximo ano. Foram relatadas Reuniões Setoriais
do tema: “Gestão Federativa”, que ações sobre: o andamento de co-
foi amplamente discutido, definin- memorações dos Sesquicentená- Simultaneamente, realizaram-
do-se os pontos básicos a serem rios da Revista Espírita e da Socie- -se as reuniões das áreas especiali-
analisados por comissão integrada dade Parisiense de Estudos Espíri- zadas, todas elas com a participa-

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ção de trabalhadores dos Estados


da Região: Atendimento Espiri-
tual no Centro Espírita, Atividade
Mediúnica, Comunicação Social
Espírita, Estudo Sistematizado da
Doutrina Espírita, Infância e Ju-
ventude, e Serviço de Assistência e
Promoção Social Espírita.

Sessão Plenária Área do Atendimento Espiritual


Reunião da Área da Atividade Me- por Merhy Seba. Assunto da reu-
Ao final, na manhã de domingo, diúnica, coordenada por Marta An- nião: “Elaboração do Manual de
houve uma reunião plenária desen- tunes de Oliveira Moura. Assunto da Comunicação Social Espírita: aná-
volvida como mesa-redonda, dirigi- reunião: “Elaboração de um rotei- lise das contribuições”. Tema para
da pelo coordenador das Comis- ro sobre A Prática Mediúnica”. Tema a próxima reunião: “Capacitação
sões Regionais, com a participação para a próxima reunião: “Organiza- dos Trabalhadores para Ocupação
do presidente da FEB, Nestor João
Masotti, do vice-presidente da FEB,
Altivo Ferreira, da secretária da Co-
missão Regional Nordeste, Olga Lú-
cia Espíndola Freire Maia. Foi infor-
mado que a próxima reunião será
realizada na cidade de Aracaju (Ser-
gipe), nos dias 3, 4 e 5 de abril de
2009. A secretária da Comissão Re-
gional e os coordenadores de Áreas
Área da Atividade Mediúnica
das Comissões Regionais do CFN
fizeram apresentação sintética acer- ção e Funcionamento de Grupo Me- de Espaços na Mídia, com ênfase
ca do tema discutido e a indicação diúnico e o Plano de Trabalho pa- na eletrônica”. Informou-se sobre
do tema para a próxima reunião, ra o Movimento Espírita Brasileiro”. o 1o Encontro Nacional da Área de
seguindo-se a participação do Ple- Comunicação Social Espírita, pro-
nário com diversas manifestações. Reunião da Área da Comunica- gramado para o período de 11 a
Eis os relatos dos trabalhos realiza- ção Social Espírita, coordenada 13 de julho de 2008, em Goiânia.
dos nas seguintes reuniões setoriais:
Reunião da Área do Atendimento
Espiritual no Centro Espírita, coor-
denada por Maria Euny Herrera
Masotti, com assessoria de Virgínia
Roriz. Assunto da reunião:“Sistema-
tização das atividades da Área Es-
piritual”. Tema para a próxima reu-
nião: “Sistematização do Trabalho
do Passe e Magnetização de Água”.
Área da Comunicação Social Espírita

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Reunião da Área do Estudo Sis- Ferreira. Assunto da reunião: veira. Assunto da reunião: “Os re-
tematizado da Doutrina Espírita, “Juventude Espírita”. Tema para sultados, na área do SAPSE, da
coordenada por Sônia Maria Ar- a próxima reunião: será dada execução do Plano de Trabalho
para o Movimento Espírita Bra-
sileiro”. Tema para a próxima reu-
nião: “Diagnóstico do SAPSE no
Nordeste – Como o Movimento
Espírita está reagindo em relação
à Proposta do Manual”.

Encerrando os trabalhos, ocor-


reram manifestações de despe-
dida dos presidentes e represen-
Área do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
tante das Entidades Federativas
ruda Fonseca, representante da continuidade ao mesmo tema, Estaduais; o coordenador das
coordenadora da Área, a vice-pre- com ênfase no perfil das Juven- Comissões Regionais e o presi-
sidente Cecília Rocha. Assunto da tudes Espíritas nos Estados e no dente da FEB agradeceram a co-
reunião: “Rever as conclusões do Nordeste. laboração e apoio de todos; a se-
II Encontro Nacional do ESDE; guir, Sandra Maria Borba Perei-
estabelecer os conteúdos para o Reunião da Área do Serviço de ra, presidente da Entidade Fede-
III Encontro Nacional do ESDE Assistência e Promoção Social Espí- rativa anfitriã, prestou algumas
previsto para julho de 2008; con- rita, coordenada por José Carlos homenagens e o vice-presidente
tinuar com o censo estatístico”.
Tema para a próxima reunião:
“Elaboração de um Plano de Ação
do ESDE Federativo”. Foi infor-
mado sobre o III Encontro Na-
cional de Coordenadores do ESDE,
programado para o período de
25 a 27 de julho de 2008, na sede
da FEB.
Área do Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita
Reunião da Área da Infância e
Juventude, coordenada por Rute da Silva Silveira, com assessoria de da FEB proferiu a prece de en-
Ribeiro, com assessoria de Cirne Maria de Lourdes Pereira de Oli- cerramento.

Área da Infância e Juventude


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Seara Espírita

R. G. do Sul: Jornada Médico-Espírita São Paulo: Evento sobre Álcool e Drogas


Nos dias 11 e 12 de abril, desenvolveu-se a IV Jorna- A Associação Médico-Espírita de São Paulo pro-
da Médico-Espírita da Serra Gaúcha, em Caxias do moveu um seminário sobre “Álcool e Drogas no
Sul (RS). O evento foi promovido pela Associação paradigma médico-espírita” em 10 de maio, na se-
Médico-Espírita do Rio Grande do Sul, nas depen- de do AGE Center, em São Paulo (SP). Na aborda-
dências do Teatro da Universidade de Caxias do Sul. gem do tema, deu-se ênfase à prevenção e ao trata-
Teve como tema central “Doenças da Alma – causas mento.
e terapias”, desdobrado em onze palestras sobre as-
suntos como: corpo, alma e saúde, a pedagogia da Itália: Fundação de União e Reunião do CEI
cura, terapia do amor, transtorno bipolar e síndrome No dia 12 de abril foi fundada a Unione Spiritica
do pânico, cura por meio do coração, mecânica psí- Italiana (USI). A Itália hoje conta com 8 grupos espí-
quica do perdão, e Espírito em terapia. Mais de 700 ritas, alguns já fundados há mais de 10 anos. Em
pessoas participaram da Jornada. Informações: breve a USI criará uma página eletrônica que ofere-
www.portaldaluz.com.br cerá a todos os interessados informações sobre o
Movimento Espírita italiano, livros espíritas na lín-
Uberaba (MG): Homenagem a Chico Xavier gua do País, entre outras. E-mail: kardec@live.it
Nos dias 19 e 20 de abril, ocorreu reunião em home- Nos dias 16 a 18 de maio, ocorreu a 10a Reunião da
nagem a Francisco Cândido Xavier, realizada em clu- Coordenadoria de Apoio ao Movimento Espírita
be da cidade de Uberaba, com a presença de espíri- da Europa, do Conselho Espírita Internacional, na
tas de várias partes do Brasil e de três países. O pre- cidade de Lecco, contando com palestras e seminá-
sidente da Federação Espírita Brasileira, Nestor João rios por Nestor João Masotti, Antonio Cesar Perri de
Masotti, compareceu, ressaltou a obra psicográfica Carvalho e Charles Kempf.
do médium e informou sobre os preparativos para a
realização do 3o Congresso Espírita Brasileiro, pro- Lançada nos Estados Unidos a
gramado pela FEB, para o período de 14 a 18 de abril Revista Espírita em inglês
de 2010, evocativo do centenário de nascimento de No dia 19 de abril, durante o Second U. S. Spiritist
Chico Xavier. Symposium (2o Simpósio Espírita dos Estados Uni-
dos), realizado nas dependências da tradicional His-
Rio de Janeiro: Dia do Livro Espírita torical Society de New York, em Manhattan, foi lança-
No dia 18 de abril de 2008, o Movimento Espírita da a edição em inglês da Revista Espírita, fundada
do Estado do Rio de Janeiro reuniu-se às 18h30 na por Allan Kardec, com o título The Spiritist Magazi-
Assembléia Legislativa (ALERJ) para comemorar o ne e editada pelo Conselho Espírita Internacional
Dia do Livro Espírita. A Sessão Solene teve como (CEI). O tema central – “Propelling Our Integral
orador Humberto Portugal Karl, diretor da Área Healing with the Spiritist Therapy” (Promovendo
de Relações Externas do Conselho Espírita do nossa Cura Integral com as Terapias Espíritas) – foi
Estado do Rio de Janeiro (CEERJ), o qual, entre desenvolvido em inglês, com palestras e mesa-redon-
outros assuntos, resumiu os princípios da Doutri- da. O evento contou com participantes oriundos de
na Espírita, encerrando com a Campanha da Fe- quinze Estados americanos e o apoio conjunto
deração Espírita Brasileira Em Defesa da Vida, con- de dezenas de instituições espíritas. O CEI foi repre-
tra o Aborto, a Eutanásia, a Pena de Morte e o sentado por Antonio Cesar Perri de Carvalho. Infor-
Suicídio. mações: www.spiritistsymposium.org

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