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FÍSICA – ELETRICIDADE

AULA 6

Profª Fernanda Fonseca


CONVERSA INICIAL

Atualmente, o abastecimento elétrico residencial, industrial e comercial é


realizado por meio da transmissão de corrente alternada, também conhecida
como AC. Esse tipo de corrente elétrica varia senoidalmente com o tempo,
trocando o sentido de transmissão periodicamente. Isso permite que os elétrons
se movam rapidamente, alterando o sentido de movimento quase que forma
instantânea. Essa alteração da corrente elétrica faz com que o campo magnético
que circunda o condutor também se altere, permitindo modificar uma tensão
elétrica com uso de transformadores, por meio da indução eletromagnética.
Nesta aula, estudaremos a corrente alternada e os seus circuitos.
Veremos também o funcionamento de dispositivos como os transformadores,
utilizados para ampliação ou redução da tensão elétrica nos circuitos e em
processos de transmissão de energia elétrica.

TEMA 1 – A CORRENTE ALTERNADA

No século XIX, houve uma grande disputa pelo uso de um sistema de


transmissão de corrente contínua (criado por Thomas Edison) ou de corrente
alternada (criado por Nikola Tesla) para distribuição de eletricidade nos Estados
Unidos. Buscando depreciar o sistema de corrente alternada, Edson criou a
cadeira elétrica visando mostrar o perigo desse modelo de sistema. Entretanto,
um grande empresário, George Westinghouse, apoiou financeiramente o
desenvolvimento do sistema de transmissão elétrica por meio da corrente
alternada (Rocha, S.d.), o que contribuiu para o crescimento e visibilidade desse
modelo.
A queda de tensão devido à resistência dos dispositivos condutores do
modelo de corrente contínua era muito alta, o que exigia que as usinas geradoras
fossem instaladas sempre próximas aos centros de consumo. Em contrapartida,
o sistema de transmissão de corrente alternada permitia alcançar longas
distâncias porque, com aumento de uma ordem de grandeza da tensão, havia
uma redução das perdas de energia por efeito Joule, o que gerou um aumento
significativo do rendimento na transmissão e uma redução dos custos desse
modelo de transmissão (Rocha, S.d.).
A corrente alternada é criada por uma força eletromotriz (fem) produzida
por indução eletromagnética e que pode ser senoidal. Nesse caso, a corrente

2
em um indutor, um capacitor ou um resistor também será senoidal,
caracterizando uma corrente alternada. E é esse caráter variável da corrente
elétrica que permite que, com uso de transformadores, a energia elétrica possa,
então, ser transformada, sem praticamente nenhuma perda, para tensões mais
baixas e mais seguras e, correspondentemente, maiores correntes para
distribuição e uso locais (Halliday; Resnick; Walker, 1996; Tipler, 2000; Young;
Freedman, 2015).
A fem fornecida por um gerador a um circuito de corrente alternada
(denominado circuito AC pela notação em inglês Alternating Current) é dada pela
Equação 1. Essa fonte de fem alternada é representada no circuito pelo símbolo

:
𝜀 = 𝜀𝑚𝑎𝑥 ∙ cos 𝜔𝑡 (1).

Nessa Equação 1, o valor de  é a velocidade angular da bobina e 𝜀𝑚𝑎𝑥


representa a fem de pico.
Vamos analisar um circuito simples resistivo, com fem alternada (Figura
1).

Figura 1 – Circuito resistivo

A queda de tensão no resistor tem o mesmo comportamento senoidal e,


por isso, é dada por uma equação similar (Equação 2):

𝑉𝑅 = 𝑉𝑅 𝑚𝑎𝑥 ∙ cos 𝜔𝑡 (2).

Se dividirmos os elementos da Equação 2 pela resistência elétrica do


resistor, podemos compreender o comportamento da intensidade da corrente
elétrica que atravessa o circuito (Equação 3):

𝑉𝑅 𝑉𝑅 𝑚𝑎𝑥 ∙ cos 𝜔𝑡
=
𝑅 𝑅

𝑖 = 𝑖𝑅 𝑚𝑎𝑥 ∙ cos 𝜔𝑡 (3).


3
Para compreender melhor esse comportamento das correntes alternadas,
utilizaremos uma representação geométrica denominada fasor.

TEMA 2 – OS FASORES

Os fasores podem ser definidos como vetores girantes, cujo comprimento


representa a amplitude (intensidade máxima) da grandeza que eles
representam. A projeção desse vetor em um eixo vertical, por sua vez,
representará a intensidade dessa grandeza em um determinado instante de
tempo t. Veja na Figura 2 a representação da fem alternada e da corrente elétrica
alternada em uma função senoidal e como fasor.

Figura 2 – Fasores

Observe no gráfico das funções da Figura 2, que os valores da fem


alternada e da corrente alternada oscilam entre um valor máximo e um valor
mínimo (a amplitude da grandeza). Ao compor o fasor, a amplitude será sempre
o comprimento do vetor e o ângulo dado por t dará a inclinação, mudando no
decorrer do tempo (Halliday; Resnick; Walker, 1996; Tipler, 2000; Young;
Freedman, 2015).

TEMA 3 – IMPEDÂNCIA, RESISTÊNCIA E REATÂNCIA

Vamos analisar o circuito capacitivo de corrente alternada da Figura 3.


Como a fem alternada faz com que a queda de potencial decorrente do
carregamento do capacitor também seja senoidal, podemos definir que

𝑉𝐶 = 𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥 ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡 (4).

4
Ao multiplicarmos essa Equação 4 pela capacitância C do capacitor do
circuito, podemos encontrar uma relação que nos mostra a variação da carga Q
armazenada pelo capacitor (Equação 5).

𝐶 ∙ 𝑉𝐶 = 𝐶 ∙ 𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥 ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡

𝑄𝐶 = 𝐶 ∙ 𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥 ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡 (5).

Figura 3 – Circuito capacitivo

Como a carga varia em função do tempo, podemos então definir que a


corrente elétrica que atravessa o circuito é dada pela Equação 6.
𝑑𝑄𝐶
𝑖𝐶 = = 𝜔 ∙ 𝐶 ∙ 𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥 ∙ cos 𝜔𝑡 (6).
𝑑𝑡

Há, assim, a definição de uma grandeza denominada reatância capacitiva


(XC), que podemos definir como Equação 7,
1
𝑋𝐶 = 𝜔∙𝐶 (7),

que nos permite reescrever a Equação 6 de outra forma e definir a corrente


máxima nesse capacitor em função dessa reatância (Equação 8). A reatância
capacitiva é medida em Ohm () da mesma forma que a resistência elétrica:

𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥
𝑖𝐶 = ∙ cos 𝜔𝑡
𝑋𝐶

𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥 𝜋
𝑖𝐶 = ∙ sen (𝜔𝑡 + )
𝑋𝐶 2

𝜋
𝑖𝐶 = 𝑖𝐶 𝑚𝑎𝑥 ∙ sen (𝜔𝑡 + 2 ) (8),

sendo
𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥
𝑖𝐶 𝑚𝑎𝑥 = (9).
𝑋𝐶

5
𝜋
A troca de cos 𝜔𝑡 por sen (𝜔𝑡 + 2 ) nos mostra que a corrente elétrica
𝜋
apresenta uma defasagem de 𝑟𝑎𝑑 em relação à tensão VC sobre o capacitor.
2

Assim, o circuito atinge uma corrente elétrica máxima um quarto de ciclo antes
de atingir a tensão elétrica máxima (Figura 4).

Figura 4 – Fasores de tensão e de corrente elétrica em um circuito capacitivo

Na Figura 4, observamos que os fasores da tensão e da corrente elétrica


têm uma diferença de inclinação de 90° (que seria a defasagem de /2 rad).
Ao analisarmos um circuito indutivo de corrente alternada, conforme a
Figura 5, vemos que, nesse tipo de circuito, a tensão no indutor é senoidal
(Equação 10):
𝑉𝐿 = 𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥 ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡 (10).

Figura 5 – Circuito indutivo

𝑑𝑖
Ao substituir a relação 𝑉 = 𝐿 𝑑𝑡 na Equação 10, podemos compreender a

variação da intensidade da corrente elétrica no indutor, conforme mostra a


Equação 11:
𝑑𝑖𝐿
𝐿 = 𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥 ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡
𝑑𝑡
𝑑𝑖𝐿 𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥
= ∙ 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡
𝑑𝑡 𝐿
6
𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥
𝑖𝐿 = ∙ ∫ 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡 𝑑𝑡
𝐿
𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥
𝑖𝐿 = − ∙ cos 𝜔𝑡 (11).
𝜔𝐿

Há, assim, a definição de uma grandeza denominada reatância indutiva


(XL), que podemos definir como Equação 12:

𝑋𝐿 = 𝜔𝐿 (12),

que nos permite reescrever a Equação 11 de outra forma e definir a corrente


máxima nesse capacitor em função dessa reatância (Equação 13). A reatância
indutiva é medida em Ohm () da mesma forma que a resistência elétrica:

𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥
𝑖𝐿 = − ∙ cos 𝜔𝑡
𝑋𝐿

𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥 𝜋
𝑖𝐿 = ∙ sen (𝜔𝑡 − )
𝑋𝐿 2

𝜋
𝑖𝐿 = 𝑖𝐿 𝑚𝑎𝑥 ∙ sen (𝜔𝑡 − 2 ) (13),

sendo
𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥
𝑖𝐿 𝑚𝑎𝑥 = (14).
𝑋𝐿

𝜋
A troca de −cos 𝜔𝑡 por sen (𝜔𝑡 − 2 ) nos mostra que a corrente elétrica
𝜋
apresenta uma defasagem de 𝑟𝑎𝑑 em relação à tensão VL sobre o indutor. O
2

circuito atinge uma corrente elétrica máxima um quarto de ciclo depois de atingir
a tensão elétrica máxima (Figura 6).

Figura 6 – Fasores de tensão e de corrente elétrica em um circuito capacitivo

7
Na Figura 6, observamos que os fasores da tensão e da corrente elétrica
têm uma diferença de inclinação de 90° (que seria a defasagem de /2 rad).
Exemplo: em que frequência de oscilação e velocidade angular um
indutor de 6 mH e um capacitor de 10 F teriam a mesma reatância? E qual seria
o valor dessa reatância?
Resolução: sabemos que L = 6 mH = 6 × 10−3 H e que C = 10 μF = 10 ×
10−6 F. Para determinar a velocidade angular , para a qual as reatâncias
indutiva e capacitiva sejam iguais, começamos igualando as Equações 7 e 12:

XC = XL

1
= ωL
ω∙C
1
ω=
√L ∙ C
1
ω=
√(6 × 10−3 H) ∙ (10 × 10−6 F)

1
ω=
2,449 × 10−4

ω = 4,082 × 103 rad/s .

Determinamos, então, a frequência de oscilação ω = 2πf:


ω
f=

rad
(4,082 × 103 s )
f=

f = 650 Hz .

Para determinar a reatância, como a frequência angular já é conhecida,


pode ser utilizada tanto a Equação 7 quanto a Equação 12:

XL = ωL

rad
XL = (4,082 × 103 ) (6 × 10−3 H)
s

XL = 24,5 Ω .

8
3.1 Impedância

A impedância é uma grandeza que envolve resistência elétrica e


reatância. Para compreendê-la melhor, vamos analisar um circuito RLC (Figura
7). Um circuito RLC é uma associação, em série, de um resistor, um indutor e
um capacitor.

Figura 7 – Circuito RLC

Veja que nesse circuito (Figura 7), pelas leis de Kirchhoff, podemos
compreender que a fem alternada aplicada é igual à soma das diferenças de
potencial (ddp) que atuam sobre cada elemento do circuito (resistor, indutor e
capacitor) (Equação 15):

𝜀 = 𝑉𝑅 + 𝑉𝐿 + 𝑉𝐶 (15).

Em um determinado momento, podemos observar os fasores das tensões


de cada elemento do circuito e a corrente elétrica que atravessa o circuito (Figura
8).

Figura 8 – Fasores do circuito RLC

9
Veja que, na Figura 8, a corrente elétrica i é igual para todos os elementos,
uma vez que a associação é em série. Por soma vetorial, podemos definir que a
amplitude da fem alternada resultante no circuito é

𝜀𝑚𝑎𝑥 = √𝑉𝐿2𝑚𝑎𝑥 + (𝑉𝐿 𝑚𝑎𝑥 − 𝑉𝐶 𝑚𝑎𝑥 )².

Podemos aplicar, de forma generalizada, a lei de ohm, para determinar a


intensidade da corrente elétrica no circuito (Equação 16) para determinada
frequência.

𝜀𝑚𝑎𝑥 = √(𝑖𝑅)2 + (𝑖𝑋𝐿 − 𝑖𝑋𝐶 )2

𝜀𝑚𝑎𝑥 = 𝑖√(𝑅)2 + (𝑋𝐿 − 𝑋𝐶 )2


𝜀𝑚𝑎𝑥
𝑖=
√(𝑅)2 + (𝑋𝐿 − 𝑋𝐶 )2
𝜀𝑚𝑎𝑥
𝑖= 2
(16).
√𝑅²+(𝜔𝐿− 1 )
𝜔𝐶

É a relação dada pela Equação 17 que chamamos de impedância:

𝑍 = √(𝑅)2 + (𝑋𝐿 − 𝑋𝐶 )2 (17).

A intensidade máxima da corrente elétrica ocorrerá quando o sistema


entrar em ressonância, ou seja, quando
1 1
𝜔𝐿 = 𝜔𝐶 ⇒ 𝜔 = (18).
√𝐿𝐶

A corrente elétrica i, por sua vez, compõe um fasor em defasagem com a


fem alternada aplicada no circuito . Essa defasagem, chamada constante de
fase, pode ser determinada pela Equação 19:
𝑉𝐿 −𝑉𝐶 𝑉𝐿 −𝑉𝐶
tan 𝜙 = ⇔ 𝜙 = arctan ( ) (19).
𝑅 𝑅

TEMA 4 – TRANSFORMADORES

Há uma incompatibilidade entre a necessidade de transmissão da energia


elétrica por redes de alta tensão e a produção e consumo de energia elétrica em
sistemas de baixa tensão. Por esse motivo, utilizamos os transformadores. Eles
são dispositivos que permitem ampliar ou reduzir a tensão em um circuito, mas
sem perder potência elétrica. Os transformadores são dispositivos que
funcionam devido à indução eletromagnética (Figura 9).

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Figura 9 – Transformador

Crédito: Fouad A. Saad/Shutterstock.

Os transformadores são estruturados por duas bobinas enroladas em um


núcleo de ferro, mas de forma que fiquem isoladas do núcleo. A primeira bobina
(bobina de entrada) é chamada de enrolamento primário. E a segunda bobina
(bobina de saída) é chamada de enrolamento secundário. Esses enrolamentos
têm um número de espiras diferentes e é por essa diferença no número de
espiras que a corrente alternada que atravessa o enrolamento primário induz
uma fem diferente, no enrolamento secundário (Equação 20):

dϕM V1 V2
εind = − = =
dt N1 N2
V1 V
= N2 (20),
N1 2

sendo V1 a tensão elétrica e N1 o número de espiras do enrolamento primário,


V2 a tensão elétrica e N2 o número de espiras do enrolamento secundário.
Uma vez que mantemos a potência praticamente constante (supondo um
transformador ideal), podemos determinar a relação entre a intensidade da
corrente elétrica induzida no enrolamento (Equação 21) e o número de espiras,
nessa transformação.

P = iV ⇒ i1 V1 = i2 V2

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N1
i1 V2 = i2 V2
N2

i1 N1 = i2 N2 (21),

em que i1 é a intensidade da corrente elétrica no enrolamento primário e i 2 é a


intensidade da corrente elétrica no enrolamento secundário.
Exemplo: um gerador fornece 1.000 V ao enrolamento primário, com 200
espiras, de um transformador. Sabendo que o enrolamento secundário possui
800 espiras, qual a tensão de saída desse transformador?
Resolução: utilizando a Equação 20, podemos determinar a tensão de
saída V2 no enrolamento secundário:

1000 V V2
=
200 800
1000 V
V2 = 800 ∙
200

V2 = 4000 V .

Veja que, nesse caso, o transformador é um amplificador de tensão, uma


vez que a tensão de saída é maior que a tensão de entrada.

TEMA 5 – EQUAÇÕES DE MAXWELL

James Clerk Maxwell foi um físico e matemático escocês que se dedicou


a formular matematicamente teorias físicas dos fenômenos eletromagnéticos.
Maxwell conseguiu chegar a equações que descreviam tanto os fenômenos
elétricos quanto os magnéticos, demonstrando que a eletricidade e o
magnetismo fazem parte de uma mesma teoria.
As equações de Maxwell são quatro equações, publicadas no século XIX,
que podem ser escritas em um formato integral (Equação 22) ou em um formato
diferencial (Equação 23). Observe que várias equações que constituem as
equações de Maxwell já foram estudadas nas aulas anteriores. Como:
𝑞
∮ 𝐸⃗ ∙ 𝑑𝐴 = 𝜖 (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐺𝑎𝑢𝑠𝑠 𝑑𝑎 𝐸𝑙𝑒𝑡𝑟𝑖𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒)
0
⃗ ∙ 𝑑𝐴 = 0 (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐺𝑎𝑢𝑠𝑠 𝑑𝑜 𝑀𝑎𝑔𝑛𝑒𝑡𝑖𝑠𝑚𝑜)
∮𝐵
𝑑𝜙 (22).
∮ 𝐸⃗ ∙ 𝑑𝑠 = − 𝑀 (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐹𝑎𝑟𝑎𝑑𝑎𝑦)
𝑑𝑡
𝑑𝜙𝐸
⃗ (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐴𝑚𝑝è𝑟𝑒 − 𝑀𝑎𝑥𝑤𝑒𝑙𝑙 )
{∮ 𝐵 ∙ 𝑑𝑠 = 𝜇0 (𝜖0 𝑑𝑡
+ 𝑖)

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Ou:

⃗ ∙ 𝐸⃗ = 𝜌
∇ (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐺𝑎𝑢𝑠𝑠 𝑑𝑎 𝐸𝑙𝑒𝑡𝑟𝑖𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒)
𝜖0
⃗ ∙𝐵
∇ ⃗ =0 (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐺𝑎𝑢𝑠𝑠 𝑑𝑜 𝑀𝑎𝑔𝑛𝑒𝑡𝑖𝑠𝑚𝑜)
(23).
⃗ × 𝐸⃗ = − 𝜕𝐵⃗
∇ (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐹𝑎𝑟𝑎𝑑𝑎𝑦)
𝑑𝑡
𝜕𝐸⃗
⃗ ⃗
{∇ × 𝐵 = 𝜇0 (𝜖0 𝑑𝑡 + 𝑗) (𝐿𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐴𝑚𝑝è𝑟𝑒 − 𝑀𝑎𝑥𝑤𝑒𝑙𝑙)

Veja que a primeira equação de Maxwell, representada pela lei de Gauss


da eletricidade, descreve o campo elétrico gerado por uma carga elétrica. A
segunda equação (lei de Gauss do magnetismo) descreve o campo magnético
em uma região, reforçando que não é possível conhecer os polos magnéticos,
uma vez que o fluxo é sempre um caminho fechado. A terceira equação de
Maxwell (lei de Faraday) descreve um campo elétrico produzido por um campo
magnético variável. E, por fim, a sua quarta e última equação descreve um
campo magnético produzido por um campo ou uma corrente elétrica variável ou
por ambos, como observamos nas ondas eletromagnéticas (Halliday; Resnick;
Walker, 1996; Tipler, 2000; Young; Freedman, 2015).
Essas equações mostram-se como peças-chave para o funcionamento de
vários equipamentos eletromagnéticos e mesmo de comunicação. Atualmente,
a transmissão de comunicação é mundialmente fundada nas teorias
eletromagnéticas. É em consequência dos estudos de Maxwell que podemos
enviar e receber informações por meio de ondas de rádio, que utilizamos o micro-
ondas, que podemos empregar radiações como os raios X em benefício do ser
humano.
O magnétron (Figura 10) é uma tecnologia que funciona em virtude das
equações de Maxwell, permitindo a produção de micro-ondas. Esse dispositivo
consiste em um cátodo central, um ânodo e oito cavidades circulares, uma
bobina em uma das câmaras (bobina de saída) e um ímã permanente. Ao
aquecer o filamento no interior do cátodo, há um maior desprendimento de
elétrons livres, que serão movidos em direção ao ânodo por um campo elétrico
entre o cátodo e o ânodo.

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Figura 10 – Magnétron

Crédito: Thyago Macson.

Como há um campo magnético, devido ao ímã permanente e a outros


campos induzidos produzidos na câmara, os elétrons são direcionados para
quatro raios de roda dos elétrons, fazendo com que girem rapidamente ao redor
do cátodo. Os elétrons, por sua vez, deslocam-se e ficam depositados nas
paredes do ânodo, formando pulsos de correntes de deslocamento ao redor das
câmaras. Essas correntes movem-se de acordo com o local em que os elétrons
foram depositados e geram campos magnéticos variáveis, que, por sua vez,
auxiliam na formação dos raios de roda que os produzem e induzem campos
elétricos nas câmaras. E esses pulsos de campo elétrico geram campos, nas
bobinas de saída localizadas nas câmaras, que são transmitidos para a antena,
onde um feixe de micro-ondas é produzido.

FINALIZANDO

Nesta aula, estudamos os circuitos de corrente alternada e como eles


permitem a transmissão de energia a longas distâncias. Estudamos também
como a variação do campo magnético devido à passagem de correntes elétricas
variáveis em bobinas pode ser utilizada em prol das necessidades da sociedade,
como na transformação de tensão, nas comunicações e na produção de radiação
(como no micro-ondas).
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REFERÊNCIAS

HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física:


eletromagnetismo. v. 3. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora LTC, 1996.

ROCHA, E. R. História da escolha da corrente alternada. Curitiba: UTFPR,


[S.d.]. Disponível em:
<http://paginapessoal.utfpr.edu.br/joaquimrocha/maquinas-
1/00_Historia%20da%20Corrente%20Alternada.pdf/at_download/file>. Acesso
em: 31 jan. 2020.

TIPLER, P. A. Física para cientistas e engenheiros: eletricidade, magnetismo


e ótica. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2000.

YOUNG, H. D.; FREEDMAN, R. A. Física III, Sears e Zemansky:


eletromagnetismo. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015.

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