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C APÍTULO 1

QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Compreender a concepção de qualidade.

 Entender a diferença entre qualidade e quantidade educacional.

 Identificar as principais características da qualidade educacional e social.

 Identificar as ações que podem ser tomadas para a melhoria da qualidade em


todos os níveis da educação.

 Conhecer os indicadores de qualidade nacional.

 Conhecer as sete ações para o compromisso profissional.

 Relacionar os diversos conceitos e características na fomentação de uma


educação de qualidade.
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

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Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

CONTEXTUALIZAÇÃO
Neste capítulo, procuramos abordar de maneira clara e objetiva as
características determinantes relacionadas ao conceito de qualidade; os fatores
que influenciam no processo da qualificação; os indicadores de qualidade e os
direitos constituídos como uma das prerrogativas da sociedade, que lhe garante
o acesso a um ensino de qualidade como parte do desenvolvimento intelectual,
econômico e social do ser humano.

As instituições de ensino podem ser consideradas as principais provedoras


de informações e conhecimentos, objetivando um aprendizado e uma educação
de qualidade, tendo como suporte os principais autores e programas que
fundamentaram e continuam fundamentando as práticas e as ações que vêm
sendo implementadas pelas políticas educacionais em todo o Brasil. Essas estão
diretamente relacionadas com a cultura, educação, informação, esclarecimentos,
e, principalmente, ao mérito da qualificação do aluno, um atributo capaz de levar o
ser humano rumo a uma melhoria na sua qualidade de vida e na sua inserção de
fato, no contexto da sociedade.

CONCEITO DE QUALIDADE
O conceito de qualidade está sempre relacionado com alguma coisa, seja ele
de natureza material, algo que pode ser tocado, ou imaterial, algo que não pode
ser tocado. No primeiro caso, o conceito está relacionado ao produto, enquanto no
segundo, está relacionado às prestações de serviços, que podem ser realizadas
por instituições públicas ou privadas. Essa é apenas uma pequena demonstração
das diferenças existentes entre a qualidade inserida nos produtos e a qualidade
inserida nos serviços.

Portanto, a qualidade está relacionada às nossas necessidades A qualidade


está relacionada
ou desejos, porém, é bom lembrar que as necessidades não podem às nossas
ser adiadas, pois elas estão relacionadas diretamente com a nossa necessidades ou
desejos, porém, é
sobrevivência, no que se refere à moradia, alimentação etc., enquanto bom lembrar que
os desejos, em alguns casos, devem ser adiados, visto que não têm as necessidades
influência direta com a nossa sobrevivência, isto é, são considerados não podem ser
adiadas, pois elas
bens de luxo ou supérfluos, mas isso vai depender das condições estão relacionadas
financeiras de cada indivíduo. diretamente
com a nossa
sobrevivência,
no que se refere
à moradia,
alimentação etc.

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A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

No caso específico dos produtos, a sua qualidade está geralmente


relacionada à sua utilidade, durabilidade, facilidade na utilização, no manuseio,
conforto, desenvolvimento pessoal, melhoria na qualidade de vida etc. No
entanto, a necessidade da implantação do processo que leva ao reconhecimento
da conceituação do que é qualidade, é a mesma que também leva à conceituação
do que não é qualidade.

Assim, isso vai depender da satisfação dos resultados de cada processo


ou da instituição avaliadora, bem como do objeto a ser avaliado, pois cada um
deles possui requisitos próprios. No caso dos serviços oferecidos pelas instituições
de ensino, as avaliações geralmente estão relacionadas às condições do prédio,
instalações, equipamentos utilizados em sala de aula, acessibilidade, qualificação
dos professores, coordenação, dentre outras exigências que fazem parte das
normas necessárias à qualificação da instituição.

O processo de qualificação se deu após a Segunda Guerra Mundial, tendo


o seu início no Japão, com a implantação do programa 5S (em breve traremos
maiores detalhes sobre este programa). A ideia principal desse processo era
evitar a proliferação de doenças ocasionadas pelos horrores resultantes dos
bombardeios e, principalmente, das bombas nucleares lançadas em Hiroshima e
Nagasaki, que resultaram em danos irreparáveis na maioria de seus habitantes e
em suas futuras gerações, como é explicado por Barbosa (2013, p. 84-85):

No Japão, até o começo dos anos 50, após a Segunda Guerra


Mundial, o que predominava nas empresas era a sujeira e a
desordem, sendo que estes aspectos não eram considerados
pelos empresários e administradores como sendo de muita
importância, pois o objetivo principal das empresas estava
centrado na produção (produzir cada vez mais), deixando a
limpeza e a ordem para segundo plano, não tendo a mínima
consciência ou percepção dos malefícios que estavam sendo
gerados por este estado de coisa, contrariando, assim, o
estado de normalidade coerente.

Ainda, segundo Barbosa (2013), o programa 5S é considerado a base da


aplicação da qualidade total, sendo adaptado à cultura brasileira. Esse programa
é um método integrado por cinco atividades, implantadas a partir da mais simples
à mais complexa.

Para se chegar a essa qualidade tão almejada pela maioria das organizações,
precisamos de um esforço conjunto, repensando nossos valores e ações. Dessa
forma, criaremos condições para que nossas atividades, dentro e fora do trabalho,
sejam cada vez mais seguras, precisas, produtivas e agradáveis. Para que se
possa chegar a um estágio de satisfação, é preciso praticar com muito cuidado
cada uma das palavras-chave que fazem parte do programa 5S. São elas:

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Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

Figura 1 – Significado do 5s

Fonte: Disponível em: <http://qualescap.files.wordpress.


com/2014/12/5-s.png>. Acesso em: 14 maio 2018.

Assim, esses cinco conceitos foram responsáveis pela melhoria da qualidade


de vida dos japoneses. Posteriormente, eles foram adotados pelas fábricas,
hospitais, escolas etc., tornando-se uma cultura e uma disciplina, ou seja, um
modo de vida, o qual também foi adotado por outros países, além do Brasil.

Atividade de Estudos:

1) A qualidade atualmente faz parte da nossa filosofia de vida.


Hoje estamos mais exigentes, principalmente pelas informações
relacionadas às possibilidades e às opções que temos em termos
de consumo, como no caso dos cuidados com o corpo, busca
pela satisfação, dentre outras formas de conscientizações éticas,
morais e, principalmente, na legitimação dos nossos direitos.
Dessa forma, as instituições de ensino também devem oferecer
um ensino de alto nível se quiserem se manter na atividade
relacionada ao ensino e ao aprendizado. Assim, além das
avaliações oficiais realizadas por instituições classificadoras e
certificadoras de qualidade, quais as outras fontes que também
influenciam no processo de qualidade nas instituições escolares?
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A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

CARACTERÍSTICAS DA QUALIDADE NA
EDUCAÇÃO
A qualidade na educação está relacionada a um conjunto de ações envolvendo
o governo federal, estadual e municipal, além da sociedade, da iniciativa
privada e, principalmente, das instituições de ensino. Consideradas o berço da
formação intelectual e técnica do indivíduo, elas também são responsáveis pelo
desenvolvimento social como um todo.
Torna-se necessário
o desenvolvimento Assim, a qualidade institucional pode ser avaliada por meio de suas
de políticas atividades administrativas e procedimentos junto ao seu público, visto
públicas, ações
técnicas e práticas que existe uma massa de excluídos que depende exclusivamente da
construtivas na sua inserção no contexto educacional, do processo de desenvolvimento
busca de um ensino qualitativo das instituições de ensino, do corpo docente, da direção,
digno, a fim de que
esse possa ser e, sobretudo, da qualidade em relação ao aprendizado por parte dos
acessível a todos – alunos, que é o aprender e o saber fazer.
independentemente
de sua raça, credo
ou posição social Dessa forma, torna-se necessário o desenvolvimento de
– na condução e políticas públicas, ações técnicas e práticas construtivas na busca
na aplicação dos
recursos, e das de um ensino digno, a fim de que esse possa ser acessível a todos
ações necessárias – independentemente de sua raça, credo ou posição social – na
para que possamos
ter realmente um condução e na aplicação dos recursos, e das ações necessárias para
ensino de qualidade. que possamos ter realmente um ensino de qualidade.

A partir do exposto, convidamos você a conhecer a “Declaração Mundial


sobre Educação para Todos” em relação à satisfação das necessidades básicas
de aprendizagem. Acompanhe!

EDUCAÇÃO PARA TODOS: REQUISITOS

ARTIGO 8 – Desenvolver uma política contextualizada de apoio

1. Políticas de apoio nos setores social, cultural e econômico


são necessárias à concretização da plena provisão e utilização da
educação básica para a promoção individual e social. A educação
básica para todos depende de um compromisso político e de uma
vontade política, respaldada por medidas fiscais adequadas e
ratificada por reformas na política educacional e pelo fortalecimento
institucional. Uma política adequada em matéria de economia,

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Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

comércio, trabalho, emprego e saúde incentiva o educando e


contribui para o desenvolvimento da sociedade.

2. A sociedade deve garantir também um sólido ambiente


intelectual e científico à educação básica, o que implica a melhoria
do ensino superior e o desenvolvimento da pesquisa científica. Deve
ser possível estabelecer, em cada nível da educação, um contato
estreito com o conhecimento tecnológico e científico contemporâneo.

ARTIGO 9 - Mobilizar os recursos

1. Para que as necessidades básicas de aprendizagem para


todos sejam satisfeitas mediante ações de alcance muito mais
amplo, será essencial mobilizar atuais e novos recursos financeiros
e humanos, públicos, privados ou voluntários. Todos os membros
da sociedade têm uma contribuição a dar, lembrando sempre que
o tempo, a energia e os recursos dirigidos à educação básica
constituem, certamente, o investimento mais importante que se pode
fazer no povo e no futuro de um país.

2. Um apoio mais amplo por parte do setor público significa atrair


recursos de todos os órgãos governamentais responsáveis pelo
desenvolvimento humano, mediante o aumento em valores absolutos
e relativos, das dotações orçamentárias aos serviços de educação
básica. Significa, também, reconhecer a existência de demandas
concorrentes que pesam sobre os recursos nacionais, e que, embora
a educação seja um setor importante, não é o único. Cuidar para que
haja uma melhor utilização dos recursos e programas disponíveis
para a educação resultará em um maior rendimento, e poderá ainda
atrair novos recursos. A urgente tarefa de satisfazer as necessidades
básicas de aprendizagem poderá vir a exigir uma realocação dos
recursos entre setores, como, por exemplo, uma transferência
de fundos dos gastos militares para a educação. Acima de tudo, é
necessária uma proteção especial para a educação básica nos
países em processo de ajustes estruturais e que carregam o pesado
fardo da dívida externa. Agora, mais do que nunca, a educação deve
ser considerada uma dimensão fundamental de todo projeto social,
cultural e econômico.

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A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

ARTIGO 10 – Fortalecer solidariedade internacional

1. Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem


constitui-se uma responsabilidade comum e universal a todos os
povos, e implica solidariedade internacional e relações econômicas
honestas e equitativas, a fim de corrigir as atuais disparidades
econômicas. Todas as nações têm valiosos conhecimentos e
experiências a compartilhar, com vistas à elaboração de políticas e
programas educacionais eficazes.

2. Será necessário um aumento substancial, a longo prazo,


dos recursos destinados à educação básica. A comunidade mundial,
incluindo os organismos e instituições intergovernamentais, tem
a responsabilidade urgente de atenuar as limitações que impedem
algumas nações de alcançar a meta da educação para todos. Este
esforço implicará, necessariamente, a adoção de medidas que
aumentem os orçamentos nacionais dos países mais pobres, ou
ajudem a aliviar o fardo das pesadas dívidas que os afligem. Credores
e devedores devem procurar fórmulas inovadoras e equitativas para
reduzir este fardo, uma vez que a capacidade de muitos países em
desenvolvimento de responder efetivamente à educação e a outras
necessidades básicas será extremamente ampliada ao se resolver o
problema da dívida.

3. As necessidades básicas de aprendizagem dos adultos e das


crianças devem ser atendidas onde quer que existam. Os países
menos desenvolvidos e com baixa renda apresentam necessidades
especiais que exigirão atenção prioritária no quadro da cooperação
internacional à educação básica, nos anos 1990.

4. Todas as nações devem agir conjuntamente para resolver


conflitos e disputas, pôr fim às ocupações militares e assentar
populações deslocadas ou facilitar seu retorno a seus países de
origem, bem como garantir o atendimento de suas necessidades
básicas de aprendizagem. Só um ambiente estável e pacífico pode
criar condições para que todos os seres humanos, crianças e adultos,
venham a beneficiar-se das propostas desta declaração.

Fonte: SANTOS, Pablo Silva Machado Bispo dos. Guia prático da


política educacional no Brasil: ações, planos, programas e impactos.
2. ed. ver. Ampl. São Paulo: Cengage Learning, 2014.

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Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

Como podemos notar, a orientação da Declaração Mundial sobre


A orientação
a Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de da Declaração
aprendizagem tem como principal objetivo direcionar o indivíduo no Mundial sobre a
Educação para
campo da pesquisa, e através dela busca a sua inserção no contexto Todos: satisfação
econômico/social, o que só será possível, segundo o texto, com a das necessidades
expansão dos recursos e com a amplitude e melhoria da qualidade em básicas de
aprendizagem tem
todos os níveis da educação. Assim, os países em desenvolvimento como principal
poderão obter condições razoáveis para enfrentar as crises, os objetivo direcionar o
indivíduo no campo
conflitos, as questões educacionais e a retomada do crescimento, em da pesquisa, e
um ambiente pacífico e acolhedor, contudo, a responsabilidade não é através dela busca
só do poder público, mas de toda a sociedade. a sua inserção no
contexto econômico/
social, o que só
será possível,
Figura 2 – Todos pela educação segundo o texto,
com a expansão dos
recursos e com a
amplitude e melhoria
da qualidade em
todos os níveis da
educação.

Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/5v2tYv>. Acesso em: 14 maio 2018.

Percebemos, a partir da imagem da Figura 2, que a resolução


Para que uma
dos problemas macro e microeconômicos relacionados ao país são de instituição de
responsabilidade do poder público, da sociedade e da iniciativa privada, ensino possa
ser considerada
e que eles constituem uma parte importante a fim de que tenhamos realmente de
um ensino e uma escola de qualidade. Para que uma instituição de qualidade, é
ensino possa ser considerada realmente de qualidade, é necessário necessário que ela
seja submetida a
que ela seja submetida a um processo de avaliação e ser reconhecida um processo de
por outras instituições avaliadoras e classificadoras, bem como pela avaliação e ser
reconhecida por
comunidade na qual está inserida. outras instituições
avaliadoras e
Dessa forma, a qualificação pode ser determinada pela sua classificadoras,
bem como pela
dinâmica inovadora, que é um referencial na captação e transmissão comunidade na qual
dos conhecimentos relacionados às diversidades existentes. está inserida.

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A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Além dessa dinâmica, existe também uma imensidade de informações de


caráter geral, específico e informações que fazem parte do nosso cotidiano. Esse
aprendizado pode trazer resultados significativos para a instituição e para os seus
participantes, a fim de que eles possam ser influenciados e conduzidos a partir
das mudanças exigidas pelo processo de globalização, e das transformações
tecnológicas que fazem parte do mundo digital, no qual estamos todos inseridos.

Transformação é a palavra de ordem do século XXI. Em


todos os aspectos, do social ao econômico, do político ao
comportamental, tudo parece estar fora de controle. Isso
porque as coisas do mundo, até mesmo as relações pessoais,
vêm se transformando numa velocidade nunca vista na história
da humanidade.
Nesses tempos de avanços científicos, de internet e de
globalização, em que as fronteiras comerciais e financeiras
desaparecem, o mercado de trabalho também vive mudanças
significativas para se adequar à nova ordem mundial.
Especialistas têm alertado para um cenário futuro, que já nos
parece familiar: redução da jornada de trabalho, enxugamento
de cargos nas empresas, trabalho temporário e sem vínculo
empregatício, terceirização de serviços, relação cliente\
fornecedor em detrimento da relação patrão\empregado,
extinção de algumas profissões, surgimento de novas áreas de
atuação, tecnologia e mais tecnologia.
As empresas prestadoras de serviços e os profissionais
precisam estar atentos a essa revolução nas relações de
trabalho, para que possam criar estratégias que garantam
seu espaço nesse novo mercado, cada vez mais competitivo
As mudanças (HARGREAVES et al, 2001, p. 3).
comportamentais
e de interesses
corporativos A citação anterior nos parece ter uma explicação plausível para
ocorreram com uma essa dinâmica permanente, visto que as mudanças comportamentais
maior intensidade e de interesses corporativos ocorreram com uma maior intensidade
a partir do advento a partir do advento da globalização e das tecnologias informatizadas.
da globalização e Essa ação viabilizou e tornou flexíveis as relações nas diversas áreas,
das tecnologias
humanas e institucionais, sendo que, devido à sua imensa quantidade
informatizadas.
de dados disponibilizados nas diversas áreas do conhecimento, muitas
vezes esse sistema nos foge ao controle, principalmente pela nossa
Passamos pouca capacidade em absorver tantas informações, que nos chegam
a ‘conviver’ ao mesmo tempo e cada vez mais rápidas.
com as novas
tecnologias, mas
Dowbor (2002, p. 21) também concorda com essa opinião, pois,
não assimilamos
efetivamente e não segundo ele, o “resultado é que, de certa forma, passamos a ‘conviver’
dominamos nem com as novas tecnologias, mas não assimilamos efetivamente e
o seu potencial não dominamos nem o seu potencial positivo, nem os perigos que
positivo, nem representam”.
os perigos que
representam”.

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Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

Ao que tudo indica, a maioria das nossas instituições de ensino parece


estar perdendo o rumo no caminho dos reais conhecimentos, ou, no mínimo, tem
seguido na contramão em relação aos saberes disponibilizados pelo movimento
das transformações tecnológicas, que fazem parte das redes de computadores,
ou internet, o que Dowbor (2003, p. 127) explica:

Frente às transformações tecnológicas que varrem o planeta, o


mundo da educação permanece como que anestesiado, cortado
de boa parte do processo de pesquisa e desenvolvimento, hoje
essencialmente apropriado pelas empresas transnacionais,
e privado de uma visão mais ampla do desafio que tem de
enfrentar. A realidade é que, pela primeira vez a educação se
defronta com possibilidade de influir de forma determinante
sobre o nosso desenvolvimento.
Dowbor (2003)
Dowbor (2003) afirma que a educação é o cerne do conhecimento afirma que a
educação é o cerne
global, assim, ela deve se utilizar das tecnologias, não somente na
do conhecimento
amenização do clamor social, mas, como uma forma de acompanhar o global, assim, ela
processo evolutivo dos sistemas de comunicações, bem como permitir deve se utilizar
a sua integração com as redes mundiais. Ainda, de acordo com o autor: das tecnologias,
não somente na
Junto com os fins, surgiram os meios. Ao mesmo amenização do
tempo que, ao entrarmos no século centrados clamor social, mas,
no conhecimento, a educação se torna um como uma forma
instrumento estratégico da reprodução social e da de acompanhar o
promoção das populações, surgem as tecnologias processo evolutivo
que permitem dar um grande salto nas formas,
dos sistemas de
organização e conteúdo da educação. Informática,
multimídia, telecomunicações, banco de dados, comunicações, bem
e tantos outros elementos que se generalizam como permitir a sua
rapidamente [...] integração com as
Partindo das tendências constatadas em diversos redes mundiais
países, vislumbramos um conceito de educação que
se abre rapidamente para um enfoque mais amplo: com efeito,
já não basta hoje trabalhar com proposta de modernização da
educação. Trata-se de repensar a dinâmica do conhecimento
no seu sentido mais amplo, e as novas funções do educador
deste processo.
Existe a motivação social, a pressão generalizada por uma
educação de outro nível. Existem os meios que permitem
grandes avanços sem custos elevados [...] (DOWBOR, 2003,
p. 126-127).

Para o autor, essa situação incômoda que permeia o nosso sistema


educacional, significa uma incógnita, visto que são muitos os pontos de interações
a serem solucionados. Dowbor (2003), afirma que as instituições de ensino, como
o próprio conhecimento, precisam estar em sintonia, e que mesmas deveriam dar
mais ênfase à organização dos seus espaços culturais e científicos, do que no
exercício do magistério.

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A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Dessa forma, não podemos fugir das transformações tecnológicas, mesmo


porque elas fazem parte de um mundo globalizado e digital. Assim, ou as
instituições de um modo geral se envolvem nessa nova modalidade, ou, sem
dúvidas, ficarão desatualizadas, o que não é uma questão de escolha, mas de
sobrevivência para que possamos construir de fato uma sociedade mais justa,
mais tolerante e acessível a todos.

Portanto, a qualidade está centrada no princípio da normatização dos


procedimentos que estão relacionados com as diversas situações envolvendo as
pessoas e os seus direitos básicos no enfrentamento dos problemas existenciais.

Na área da educação, os órgãos governamentais, os órgãos normativos e


as instituições de ensino devem buscar soluções viáveis para a resolução dos
problemas educacionais, procurando sempre uma maneira melhor de realizar
as tarefas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, dentro e fora da
instituição de ensino.

O processo avaliativo da qualidade na educação parte de alguns critérios


comprobatórios da capacidade institucional por meio do seu corpo administrativo
em relação à atitude, competência, conhecimento, desempenho institucional,
planejamento, organização e controle das atividades institucionais, além
de outros critérios com conceitos já bastante conhecidos, como é o caso do
reconhecimento, tolerância, acolhimento e respeitabilidade (CHIAVENATO, 1999).

Assim, para facilitar o entendimento do leitor, vamos explicitar alguns dos


termos que, a princípio, podem e devem ser utilizados na fundamentação do
processo qualificativo institucional.

Chiavenato (1999) esclarece alguns termos que em determinadas áreas do


conhecimento podem não ser tão conhecidos, já que são mais utilizados pela área
administrativa. Porém, eles se adequam muito bem à área educacional, afinal,
são extremamente importantes para a realização de uma educação de qualidade.
Vejamos:

 Atitude: significa o comportamento frente às situações, o estilo pessoal


e determinação de fazer as coisas acontecerem.
 Competência: é a qualidade de quem é capaz de analisar uma situação,
apresentar soluções e resolver assuntos ou problemas.
 Conhecimento: significa o acervo de informações, teorias, conceitos,
ideias, experiências e aprendizagem a respeito da área de atuação.
 Desempenho: é a capacidade da organização de atingir seus objetivos
pelo uso eficiente e eficaz de seus recursos.

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Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

 Planejamento: é a função administrativa que define os objetivos


e decide sobre os recursos e tarefas necessárias para alcançá-los
adequadamente.
 Organização: é a função administrativa de arranjar e alocar o trabalho,
autoridade e recursos entre os membros de uma organização, visando
aos objetivos organizacionais.
 Controle: é a função administrativa que monitora as atividades a fim
de manter a organização no caminho para o alcance dos objetivos,
permitindo as correções necessárias.

Como podemos perceber, a qualidade na educação pode ser inserida


em diferentes aspectos governamentais, sociais, administrativos, culturais e
estruturais. Isso vai depender, em parte, das concepções ideológicas dos seus
realizadores, a começar pelas políticas públicas, pela qualificação das instituições
de ensino e de seus colaboradores, e pelo cumprimento das recomendações dos
órgãos ligados às questões educacionais nacionais e internacionais.

Essas concepções, quando levadas em conta e postas em prática de acordo


com as normas previamente estabelecidas, tendo como base os princípios
éticos e morais, além de um alto nível de responsabilidade e participação
democrática, podem fazer uma grande diferença no processo de desenvolvimento
educacional no Brasil, com reflexos positivos na economia, política e promoção da
sustentabilidade social e regional.

No Brasil, as normas são geralmente estabelecidas pela Associação


Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Essas normas colocam em prática ações
de melhoria para a segurança de todas as pessoas.

Pesquise mais sobre ABNT, acessando: <http://www.abnt.org.br/


abnt/conheca-a-abnt>.

No entanto, independentemente da qualidade, o conhecimento também tem


o seu lado obscuro, que vai depender da sua aplicabilidade e/ou finalidade, o que
Demo (2004, p. 10-11), ao revelar o lado ambíguo do conhecimento, afirma:

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A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

[...] o conhecimento que esclarece, ilumina e questiona é o


mesmo que imbeciliza, censura e coloniza. Quando a educação
é atrelada à competitividade globalizada, espera-se dela que
cultive o saber pensar do trabalhador, mas que se evite ao
mesmo tempo, a formação da consciência crítica [...].

Parafraseando Demo (2004), uma grande parte dos conflitos observados


nos grandes centros urbanos é gerada pelas insatisfações com o próprio sistema,
que, muitas das vezes, se excedem ou se suprimem no estabelecimento de
controles, regulamentação e padronização dentro de uma concentração de massa
humana. Ao mesmo tempo em que o sistema de controle disciplina e orienta,
também direciona o indivíduo rumo a uma conduta imposta pelo regime e sistema
ditatorial, criando uma série de conflitos envolvendo exploradores e explorados,
restringindo ou cessando a liberdade do indivíduo.

Assim, essa relação circunstancial ditatorial, entre o poder e a sociedade


civil, de acordo com alguns autores, vai além da perda da liberdade, tendo fortes
influências no desenvolvimento do pensamento crítico do indivíduo, que passa a
ser amordaçado pelo processo de manipulação, trazendo influências negativas.
No entanto, fugindo um pouco da radicalização, que parece ser uma regra na
Avaliação crítica conceituação crítica em alguns casos e de alguns autores aqui citados,
de Demo (2004), ela nos parece um pouco exagerada, já que a amplitude das questões
praticamente negativas ou positivas em relação aos atos do poder normativo vai
todos os conflitos depender da situação, do grau das consequências, do poder de reação
envolvendo o individual ou em grupo, em outras palavras, depende do caso em
desenvolvimento
questão e do ponto de vista do seu condutor e de quem está sendo
humano parecem
estar diretamente conduzido.
relacionados aos
diversos tipos Porém, tomando como base a avaliação crítica de Demo (2004),
de controles, praticamente todos os conflitos envolvendo o desenvolvimento humano
sejam eles de parecem estar diretamente relacionados aos diversos tipos de controles,
natureza política,
sejam eles de natureza política, econômica, social ou educacional,
econômica, social
ou educacional, principalmente por parte da concepção de verdade, da razão e das
principalmente por arbitrariedades dos fatos, o que são pontos de interrogações a serem
parte da concepção avaliados, discutidos e que devem ser questionados.
de verdade,
da razão e das Como visto, os pontos de interrogações existem para expressar
arbitrariedades
significado e definição de algo existente no universo das coisas, o que
dos fatos, o que
são pontos de também não deixa de ser um modo de avaliação, em que a qualidade
interrogações a vai ser determinada pela sua utilização.
serem avaliados,
discutidos e No entanto, os pensadores que se dedicaram às pesquisas,
que devem ser buscando uma compreensão racional e plausível a respeito dos
questionados.
conflitos sociais relacionados com a educação, conhecimento e

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Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

desenvolvimento humano, nem sempre compartilham da mesma opinião a


respeito do tema. Como já mencionado no decorrer do nosso livro de estudos, a
educação é um direito do cidadão e um dever do Estado através das suas políticas
educacionais, mas, é também um dever das instituições educativas, assim como
um processo de civilidade ou patriotismo. Desta forma, o equacionamento do
problema relacionado aos processos dominantes entre as classes sociais, só
ocorrerá quando prevalecerem os interesses comuns.

[...] Nessa perspectiva o Estado não desaparece, mas é


identificado com a sociedade civil, a qual absorve a sociedade
política. Quer dizer, superada a sociedade de classes, chegando
o momento histórico em que prevalecem os interesses comuns,
a dominação cede lugar à hegemonia, a coerção à persuasão,
a repressão se desfaz, prevalecendo a compreensão. Aí,
sim, estarão dadas historicamente as condições para o pleno
exercício da prática educativa.
Falei antes em exercício pleno da prática educativa como algo
só possível num tipo de sociedade que se delineia no horizonte
de possibilidades das condições atuais, mas que não chegou
ainda a se concretizar. Isto porque a plenitude da educação
como, no limite, a plenitude humana, está condicionada à
superação dos antagonismos sociais.
Ser idealista em educação significa justamente agir como
se esse tipo de sociedade já fosse realidade. Ser realista,
inversamente, significa reconhecê-la como um ideal que
buscamos atingir.
No processo histórico que implica o desenvolvimento e
transformação da sociedade, isto é, a substituição de
determinadas formas por outras, educação e política se
articulam cumprindo, entretanto, cada uma das funções
específicas e inconfundíveis. Por ser uma relação que se
trava fundamentalmente entre antagônicos, a política supõe
a divisão da sociedade em partes inconciliáveis. Por isso, a
prática política não pode não ser partidária. Em contrapartida, a
educação, sendo uma relação que se trava fundamentalmente
entre não antagônicos, supõe a união e tende a se situar na
perspectiva da universalidade. Por isso, ela não pode ser
partidária.
Em outros termos: a prática política apoia-se na verdade do
poder, a prática educativa, no poder da verdade. Eis aí o
sentido da frase “a verdade é sempre revolucionária”. Eis aí
também por que a classe efetivamente capaz de exercer a
função educativa em cada etapa histórica é aquela que está
na vanguarda, a classe historicamente revolucionária. Daí, o
caráter progressista da educação.
Mas nós sabemos também que, numa sociedade dividida em
classes, a classe dominante não tem interesse na manifestação
da verdade já que isto colocaria em evidência a dominação que
exerce sobre as outras classes. Já a classe dominada tem todo
interesse em que a verdade se manifeste porque isso só viria
a patentear a exploração a que é submetida, estando-a a se
engajar na luta de libertação (GRAMSCI apud SAVIANI, 2001,
p. 87).

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A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Como visto, o sujeito é alienado e oprimido pelos diversos fatores


desenvolvimentistas e disciplinadores das classes dominantes, mas, nos parece
que a narrativa do autor também busca uma resposta para a libertação do sujeito,
como um meio de equilibrar as questões conflitantes, envolvendo o sujeito e as
influências negativas sofridas por ele do ponto de vista social, cultural, político,
econômico e educacional. Ainda de acordo com o autor, o idealismo educacional
poderia trazer mudanças de comportamento, sendo também capaz de promover a
sua liberdade e influenciar na sua qualidade de vida e nas suas relações sociais.

Contudo, o que acabamos de estudar poderia ser apenas mais uma análise
a respeito das amarras dos novos tempos e das diversas forças que nos cercam,
das quais nos tornamos dependentes. Todavia, também pode ser uma realidade
incontestável que nos faz refletir sobre a vida, os limites e as fronteiras dentro
do espaço em que vivemos, bem como o significado das nossas ações, valores
e atitudes – principalmente da nossa responsabilidade na construção de uma
educação democratizada em termos sociais, políticos e econômicos, uma vez que
vivemos em um mundo complexo e em constante mudança.

De acordo com a opinião de alguns autores, existe um estado de


dependência mútua entre a política e a sociedade evoluída que faz parte do
processo econômico como um todo, no qual ela é transformada e civilizada por
meio do processo educacional, crítica essa que será melhor compreendida em
Saviani (2001, p. 86), quando afirma que:

Percebe-se por aí que a autonomia relativa da educação


em face da política e vice-versa assim como a dependência
recíproca anteriormente referida não têm um mesmo peso, não
são equivalentes. Em outros termos: se trata de dependência
recíproca, é preciso levar em conta que o grau de dependência
da educação em relação à política é maior do que o desta
em relação àquela. Poderíamos, pois, dizer que existe uma
subordinação relativa mas real da educação diante da política.
Trata-se, porém, de uma subordinação histórica e, como tal,
não somente pode como deve ser superada. Isto porque, se
as condições de exercício da prática política estão inscritas na
essência da sociedade capitalista, as condições de exercício
da prática educativa estão inscritas na essência da realidade
humana, mas são negadas pela sociedade capitalista
não podendo se realizar aí senão de forma subordinada,
secundária. Por aí, penso, pode-se entender o “realismo” da
política e o “idealismo” da educação. Com efeito, acreditar que
estão dadas nesta sociedade, as condições para o exercício
pleno da prática educativa é assumir uma atitude idealista.
Entretanto, em relação às condições da prática política tal
atitude resulta realista.

24
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

As reflexões supra estão em consonância com a posição segundo a qual


a superação da sociedade de classes conduz ao desaparecimento do Estado.
Sabe-se que não se trata de destruir o Estado; ele simplesmente desaparecerá
por não ser mais necessário. Ora, o que significa isso senão a afirmação de que
cessou o primado da política?

Contudo, as adversidades nas relações entre as classes sociais,


a política e a educação, em hipótese alguma devem inviabilizar As adversidades
nas relações
e desestimular a dedicação do educador em relação às práticas
entre as classes
pedagógicas. Daí a necessidade da participação de todos os envolvidos sociais, a política
nas questões estudantis, ou seja, governos, escolas, instituições e a educação, em
privadas, comunidades e, principalmente, os professores. Segundo hipótese alguma
Demo (2004, p. 11): devem inviabilizar
e desestimular
A definição de professor inclina-se para o desafio de a dedicação do
cuidar da aprendizagem, não de dar aula. Professor educador em
é quem, estando mais adiantado no processo de relação às práticas
aprendizagem e dispondo de conhecimento e pedagógicas. Daí
práticas sempre renovados sobre aprendizagem, é a necessidade da
capaz de cuidar da aprendizagem na sociedade, participação de
garantindo o direto de aprender. Professor é o
todos os envolvidos
eterno aprendiz, que faz da aprendizagem a sua
profissão [...]. nas questões
estudantis, ou seja,
governos, escolas,
Portanto, a nossa preocupação enquanto profissional da educação, instituições privadas,
corresponsável pelo desenvolvimento do ensino em todos os níveis do comunidades e,
aprendizado escolar, é garantir o direito a um aprendizado de qualidade, principalmente, os
já que somos também responsáveis pela elaboração de planejamentos professores.
educacionais que resultem em melhoria nas questões relacionadas
com: evasões escolares; repetências; superação de desafios; equilíbrio entre a
oferta e a procura em todas as áreas do ensino; maior investimento financeiro,
material e humano na formação da base estrutural de crianças, jovens e adultos.

Para fechar este estudo que tal assistir ao filme Quando


sinto que já sei? Acesse: <https://www.youtube.com/
watch?v=HX6P6P3x1Qg>.

Custeado por meio de financiamento coletivo, o filme registra


práticas inovadoras na educação brasileira. Os diretores investigaram
iniciativas em oito cidades brasileiras e colheram depoimentos de
pais, alunos, educadores e profissionais.

25
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Duração: 78 minutos
Ano de lançamento: 2014 (Brasil)
Direção: Antonio Sagrado, Raul Perez e Anderson Lima

CARACTERÍSTICAS DA QUALIDADE SOCIAL


As características da qualidade social podem ser observadas pela qualidade
de vida das pessoas, pelas relações amistosas entre elas, pelo respeito mútuo,
pela saúde física e mental de seus componentes, pelo bem-estar com a vida,
prosperidade, estado de liberdade, educação e segurança, infraestrutura,
qualidade de vida ambiental, baixo índice de mortalidade etc. No entanto,
dificilmente vamos encontrar um país ou região ao redor do mundo que consiga
atender a todos esses requisitos mencionados, visto que eles dependem de
vários fatores que são responsáveis pelo planejamento, execução e equilíbrio dos
seus resultados qualitativos. Esses resultados são posteriormente avaliados pelos
órgãos competentes, entre os quais podemos citar a Organização Mundial da
Saúde (OMS) como uma entidade orientadora, tendo o Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) como órgão que avalia, qualifica e emite um parecer a respeito dos
seus resultados nos diversos países, estados, municípios e distritos federais.

2) A qualidade inserida nos produtos ou nos serviços já faz parte


do nosso cotidiano, da nossa filosofia de vida. Assim, cite pelo
menos quatro características indicadoras da qualidade de vida
social do ser humano:
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

26
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

DIREITO A UMA EDUCAÇÃO DE


QUALIDADE
Como sabemos, ou pelo menos já ouvimos alguém dizer, a Como sabemos,
ou pelo menos já
educação é um direito de todos. Realmente, isso é uma verdade, já
ouvimos alguém
que de acordo com a Constituição Federal (BRASIL, 1988), trata-se de dizer, a educação é
uma norma estabelecida pelo poder legislativo que deve ser cumprida um direito de todos.
pela União, pelos estados e municípios. Porém, existem algumas Realmente, isso
controvérsias em relação ao cumprimento desta norma, pois em alguns é uma verdade,
estados e municípios brasileiros a procura é superior à demanda já que de acordo
com a Constituição
oferecida, o que, infelizmente, ocasiona uma série de problemas e
Federal (BRASIL,
conflitos de toda natureza, geralmente entre os pais dos alunos e a 1988), trata-se
direção das escolas, nas diversas regiões do Brasil. de uma norma
estabelecida pelo
No entanto, segundo a mesma Constituição Federal, a educação é poder legislativo que
fundamental em todos os aspectos da vida do ser humano, bem como deve ser cumprida
pela União,
das instituições e da sociedade como um todo. O que é confirmado pela
pelos estados e
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, em seu artigo 1º, estabelece municípios.
que:

A educação abrange os processos formativos que se


desenvolvem na vida familiar, na convivência humana,
no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
movimentos sociais e organizacionais da sociedade civil e nas
manifestações culturais (BRASIL, 1996, s.p.).

Se o processo formativo do ser humano se desenvolve no seio familiar, como


afirma a LDB, isso significa também que somos todos responsáveis pelo processo
educacional, tanto é que de acordo com o seu artigo 2º:

A educação, dever da família e do Estado, inspirado nos


princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana,
tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para
o trabalho (BRASIL, 1996, s.p.).

Mesmo assim, algumas das recomendações legais da LDB não são


cumpridas, pelo menos não em sua totalidade. Algumas questões ainda estão
deixando a desejar, dificultando que o sistema educacional proporcione à
população um ensino com uma qualidade total em todos os níveis da educação.

No artigo 3º da LDB (BRASIL, 1996, s.p.), encontramos um de seus principais


parágrafos, o qual afirma que o ensino será ministrado com base nos seguintes
princípios:

27
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na


escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, divulgar, pesquisar e divulgar
a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III -- pluralismo de ideia e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional de ensino;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei
da legislação dos sistemas de ensino;
IX - garantia do padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extra escolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as
práticas sociais;
XII - consideração com a diversidade étnico-racial (Incluído
pela Lei nº 12.796, de 2013).

Dessa forma, além da obediência às nossas leis, promulgadas pelas


organizações governamentais, podemos também contar com as organizações não
governamentais, conhecidas pela sigla ONGs, que são aquelas que não visam
ao lucro para defender uma determinada causa, relacionada a um determinado
problema, o qual pode ser de natureza local ou mundial, tendo como bandeira os
mais variados temas.

Esses temas são discutidos e tratados como valores de caráter universal, pois
vivemos no mesmo planeta e estamos sujeitos a sofrer as mesmas consequências
em relação aos diversos tipos de infortúnios, que muitas vezes nos preocupam e
nos assustam quando alguma coisa foge ao controle das leis naturais.

No que tange às problemáticas existenciais, não podemos nos furtar delas.


Muito pelo contrário, devemos encará-las como um processo de mudanças
conceituais que parece ainda estar em fase de estruturação. Isso pode significar a
descontinuação do tradicional e a construção das práticas racionais, envolvendo
de maneira geral os mais importantes assuntos da atualidade.

Muitos desses assuntos já são conhecidos pela maioria da nossa sociedade,


como é o caso das lutas de classes pela manutenção do processo democrático,
da conscientização ambiental, da luta contra os diversos tipos de preconceitos -
especialmente o racial, o qual está muito evidente em nosso meio social.

Assim, podemos afirmar que essas organizações têm como principal objetivo
o bem-estar social, ou seja, lutam pelas garantias do cumprimento dos direitos
humanos, sendo vital para o nosso desenvolvimento e sobrevivência, além de
melhorar nossa qualidade de vida. Diante disso, podemos concluir que são essas
ações que diferenciam as ONGs das organizações comerciais, que têm como

28
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

principal objetivo a lucratividade como meio de sobrevivência.

Entretanto, não estamos aqui tentando desclassificar uma organização em


detrimento da classificação da outra. Muito pelo contrário, cada organização
tem a sua função no contexto econômico, educacional e social, desde que haja
ética e transparência nas suas atividades, sejam elas de caráter governamental,
comercial ou sócio-humanitário, como é o caso das ONGs.

Ainda com relação às ONGs, podemos destacar a Organização das Nações


Unidas (ONU), que é a principal apoiadora das ações, discussões, relatos e
relatórios que, de alguma maneira, tem sempre contribuído para a melhoria da
qualidade de vida do planeta e dos seus habitantes. Tanto é que a ONU mantém
um conselho permanente, denominado de Assembleia Geral das Nações Unidas,
que tem como principal objetivo debater as diversas discordâncias ocasionadas
por conflitos de interesses em termos mundiais.

Dessa forma, a qualidade adquirida no decorrer do tempo pelas


A qualidade
instituições de ensino é que irá determinar o grau de relacionamento adquirida no
entre elas e a comunidade do seu entorno. Portanto, torna-se decorrer do tempo
necessário um contínuo sistema de avaliação e aprendizado, já que são pelas instituições
eles que irão viabilizar as adequações necessárias ao aprimoramento de ensino é que irá
das normas e procedimentos relacionados ao processo da qualidade determinar o grau
de relacionamento
na educação.
entre elas e a
comunidade do seu
Dessa forma, a qualidade na educação começa com o entorno. Portanto,
atendimento; capacidade técnica e administrativa; qualificação do corpo torna-se necessário
docente; uso adequado dos recursos disponíveis; relações amistosas um contínuo sistema
com a comunidade local, dentre outras formas de relacionamentos de avaliação e
aprendizado, já
significativos. Esses relacionamentos podem amenizar os problemas
que são eles que
que continuam a gerar uma grande insatisfação social, principalmente irão viabilizar
em épocas de matrículas nas escolas da rede pública, o que poderia as adequações
ser evitado se os governantes seguissem à risca o plano de ação necessárias ao
para o atendimento das necessidades do aprendizado, proposto pela aprimoramento
Declaração Mundial sobre Educação. das normas e
procedimentos
relacionados
Esse plano visa à superação dos problemas relacionados com o ao processo da
sistema educativo, que, em geral, está baseado numa triste realidade, qualidade na
resultante de pesquisas realizadas em âmbito mundial. Santos (2014, educação.
p. 208-210) nos auxilia na compreensão deste assunto:

29
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Há mais de quarenta anos, as nações do mundo afirmaram na


Declaração Universal dos Direitos Humanos que toda pessoa tem
direito à educação. No entanto, apesar dos esforços realizados por
países do mundo inteiro para assegurar o direito à educação para
todos, persistem as seguintes realidades:

• mais de 100 milhões de crianças, das quais pelo menos 60


milhões são meninas, não têm acesso ao ensino primário.
• mais de 960 milhões de adultos – dois terços dos quais
mulheres – são analfabetos, e o analfabetismo funcional é
um problema significativo em todos os países industrializados
ou em desenvolvimento; mais de um terço dos adultos do
mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, às novas
habilidades e tecnologias, as quais poderiam melhorar a
qualidade de vida e ajudá-los a perceber e a adaptar-se às
mudanças sociais e culturais.
• mais de 100 milhões de crianças e incontáveis adultos não
conseguem concluir o ciclo básico, e outros milhões, apesar
de concluí-lo, não conseguem adquirir conhecimentos e
habilidades essenciais.

Ao mesmo tempo, o mundo tem que enfrentar um quadro


sombrio de problemas, entre os quais: o aumento da dívida de
muitos países; a ameaça de estagnação e decadência econômicas;
o rápido aumento da população; as diferenças econômicas
crescentes entre as nações e dentro delas; a guerra; a ocupação; as
lutas civis; a violência; a morte de milhões de crianças, que poderia
ser evitada, e a degradação generalizada do meio ambiente. Esses
problemas atropelam os esforços aplicados no sentido de satisfazer
as necessidades básicas de aprendizagem, enquanto a falta de
educação básica para significativas parcelas da população impede
que a sociedade enfrente esses problemas com vigor e determinação.
Durante a década de 1980, esses problemas dificultaram os avanços
da educação básica em muitos países menos desenvolvidos. Em
outros, o crescimento econômico permitiu financiar a expansão da
educação, mas, mesmo assim, milhões de seres humanos continuam
na pobreza, privados de escolaridade ou analfabetos. E em alguns
países industrializados, cortes nos gastos públicos ao longo dos
anos 1980 contribuíram para a deterioração da educação.

30
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

Não obstante, o mundo está às vésperas de um novo século


carregado de esperanças e de possibilidades. Hoje, testemunhamos
um autêntico progresso rumo à distensão pacífica e de uma maior
cooperação entre as nações. Hoje, os direitos essenciais e as
potencialidades das mulheres são levados em conta. Hoje, vemos
emergir, a todo momento, muitas e valiosas realizações científicas
e culturais. Hoje, o volume das informações disponível no mundo
– grande parte importante para a sobrevivência e bem-estar das
pessoas – é extremamente mais amplo do que há alguns anos, e
continua crescendo num ritmo acelerado. Esses conhecimentos
incluem informações sobre como melhorar a qualidade de vida, ou
como aprender a aprender. Um efeito multiplicador ocorre quando
informações importantes estão vinculadas com outro grande
avanço: nossa nova capacidade em comunicar. Essas novas forças,
combinadas com a experiência acumulada de reformas, inovações,
pesquisas, e com o notável progresso em educação registrado em
muitos países, fazem com que a meta de educação básica para
todos – pela primeira vez na história – seja uma meta viável.

Assim, o conselho da ONU é responsável pela busca de soluções viáveis


que possam suprimir, ou pelo menos amenizar, os problemas que possam
impactar de maneira negativa nos direitos humanos. Por sinal, foi por meio das
discussões e do apoio de diversos países que, em 1948, a Assembleia Geral da
ONU formalizou e constituiu pela primeira vez os direitos humanos em escala
mundial, ficando cada país responsável pelo seu cumprimento e ajustes, de
acordo com as suas necessidades locais. Todavia, quando esses direitos são
violados, os seus violadores podem ser denunciados aos órgãos responsáveis
pelos seus cumprimentos, que podem ser a nível nacional e internacional.

Como podemos perceber, a educação em alguns países, inclusive no nosso,


ainda não atingiu o nível ideal em termos de qualidade e democratização, pois
em algumas regiões o ensino é realizado em condições precárias, contribuindo
para a degradação do sistema educacional. Quando isso acontece, parece
que, em alguns casos o ensino e a educação não são prioridades na pauta dos
governantes, o que, de certa maneira, também não contribui para a evolução
do nosso sistema de ensino, principalmente na educação infantil, no ensino
fundamental e no ensino médio, que é considerado a etapa final da educação
básica.

31
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Daí a importância das conferências mundiais, que em seus discursos alertam


e cobram das autoridades governamentais novas soluções para os antigos e
constantes problemas educacionais, os quais podemos tomar como sugestão
os apontamentos observados pelos participantes da Conferência Mundial sobre
Educação para Todos, reunidos em Jomtien, Tailândia, nos dias 5 a 9 de março
de 1990.

Nesse espaço, foram sugeridas algumas ações por parte dos seus
participantes, que apesar do tempo, ainda continuam válidas, principalmente nas
formas conceituais do relembrar, entender, saber, admitir e do reconhecer,
que são alguns princípios básicos na resolução dos problemas educacionais, não
necessariamente nesta mesma ordem (UNESCO, 1990).

• Relembrando que a educação é um direito fundamental de todos –


mulheres e homens – de todas as idades, no mundo inteiro.
• Entendendo que a educação pode contribuir para conquistar um mundo
mais seguro, mais sadio, país próspero e ambientalmente mais puro. E
que, ao mesmo tempo, favoreça o progresso social, econômico e cultural,
a tolerância e a cooperação internacional.
• Sabendo que a educação, embora não seja condição suficiente, é de
importância fundamental para o progresso pessoal e social.
• Reconhecendo que o conhecimento tradicional e o patrimônio cultural
têm utilidade e valor próprio, assim como a capacidade de definir e
promover o desenvolvimento.
• Admitindo que, em termos gerais, a educação que hoje é ministrada
apresenta graves deficiências, sendo necessário torná-la mais relevante
e melhorar a sua qualidade, e que ela deve estar universalmente
disponível.
• Reconhecendo que uma educação básica adequada é fundamental
para fortalecer os níveis superiores de educação e de ensino, a
formação científica e tecnológica e, por conseguinte, para alcançar um
desenvolvimento autônomo.
• Reconhecendo a necessidade de proporcionar às gerações presentes
e futuras uma visão abrangente de educação básica, e um renovado
compromisso a favor dela, para enfrentar a amplitude e a complexidade
do desafio.

A partir desses conceitos, foram proclamados quatro principais objetivos


para as necessidades básicas de aprendizagem (UNESCO, 1990):

32
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

1. Cada pessoa – criança, jovem ou adulto – deve estar em


condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para
satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem. Essas
necessidades compreendem tanto os instrumentos essenciais para
a aprendizagem – como a leitura e a escrita, a expressão oral, o
cálculo, a solução de problemas – quanto os conteúdos básicos
da aprendizagem – como conhecimentos, habilidades, valores
e atitudes – necessários para que os seres humanos possam
sobreviver, desenvolver plenamente suas potencialidades, viver e
trabalhar com dignidade, participar plenamente do desenvolvimento,
melhorar a qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e
continuar aprendendo. A amplitude das necessidades básicas de
aprendizagem e a maneira de satisfazê-las variam segundo cada
país e cada cultura, e, inevitavelmente, mudam com o decorrer do
tempo.

2. A satisfação dessas necessidades confere aos membros


de uma sociedade a possibilidade e, ao mesmo tempo, a
responsabilidade de: respeitar e desenvolver a sua herança cultural,
linguística e espiritual; de promover a educação de outros; de
defender a causa da justiça social; de proteger o meio ambiente; e
de ser tolerante com os sistemas sociais, políticos e religiosos que
diferem dos seus, assegurando respeito aos valores humanistas e
aos direitos humanos comumente aceitos, bem como de trabalhar
pela paz e pela solidariedade internacionais em um mundo
interdependente.

3. Outro objetivo, não menos fundamental, do desenvolvimento


da educação, é o enriquecimento dos valores culturais e morais
comuns. São nesses valores que os indivíduos e a sociedade
encontram sua identidade e sua dignidade.

4. A educação básica é mais do que uma finalidade em si


mesma. Ela é a base para a aprendizagem e o desenvolvimento
humano permanentes, sobre a qual os países podem construir,
sistematicamente, níveis e tipos mais adiantados de educação e
capacitação.

Fonte: UNESCO (1990).

33
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

O ensino profissionalizante, que prepara o aluno para o seu primeiro


emprego, significa uma grande oportunidade para os jovens iniciantes no processo
econômico do país. No entanto, existe uma espécie de acordo entre os poderes
legisladores como forma de equilíbrio nas questões educacionais. Por exemplo,
no art. 74 da LDB (1996, s.p.) consta o seguinte termo:

A União em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e


O problema não os Municípios, estabelecerá padrão mínimo de oportunidades
está na lei, mas educacionais para o ensino fundamental, baseado no cálculo
sim na capacidade do custo mínimo por aluno, capaz de assegurar ensino de
administrativa, e na qualidade.
interpretação dos
seus dispositivos Assim, podemos constatar com certa convicção, que o problema
por parte de alguns não está na lei, mas sim na capacidade administrativa, e na
governantes no seu
interpretação dos seus dispositivos por parte de alguns governantes no
cumprimento.
seu cumprimento.

A qualidade da
educação se
assenta sobre a AÇÕES E DIREITO À QUALIDADE NA
competência de
seus profissionais EDUCAÇÃO
em oferecer para
seus alunos e a De acordo com Luck (2009), a qualidade da educação se assenta
sociedade em sobre a competência de seus profissionais em oferecer para seus
geral experiências
alunos e a sociedade em geral experiências educacionais formativas e
educacionais
formativas e capazes de promover o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades
capazes de e atitudes necessárias ao enfrentamento dos desafios vivenciados em
promover o um mundo globalizado, tecnológico, orientado por um acervo cada vez
desenvolvimento maior e mais complexo de informações e por uma busca de qualidade
de conhecimentos, em todas as áreas de atuação.
habilidades e
atitudes necessárias
ao enfrentamento Uma das ações que chamam atenção vem do governo de São
dos desafios Paulo, que implantou o programa Educação – Compromisso de São
vivenciados em um Paulo. Esse programa teve início em 2011, estabelecendo um pacto
mundo globalizado, com a sociedade por uma educação de qualidade. O programa tem
tecnológico, como objetivo que a rede estadual paulista fique entre os 25 melhores
orientado por
sistemas de educação do mundo, além da atenção na carreira do
um acervo cada
vez maior e mais professor. O programa, que teve a participação de educadores e
complexo de funcionários da rede paulista, formatou uma proposta com base em
informações e cinco pilares que nortearão esse compromisso com a qualidade da
por uma busca educação estadual de São Paulo, acompanhe!
de qualidade em
todas as áreas de
atuação.

34
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

Figura 3 – Compromisso de São Paulo

Fonte: Disponível em: <http://www.educacao.sp.gov.br/


compromisso-sp>. Acesso em: 30 jan. 2018.

O primeiro pilar, valorização do capital humano, tem por objetivo investir


na atratividade da carreira de professor. O segundo, gestão pedagógica, foca o
aprimoramento da gestão com foco nos bons resultados dos alunos. O terceiro,
educação integral, lança um novo modelo de escola, com foco na formação de
jovens. No quarto pilar, gestão organizacional e financeira, estabeleceu-se
como meta mecanismos de fomento e desenvolvimento da educação, dentre eles
o aumento dos recursos repassados para a merenda, transporte escolar etc. E, no
quinto e último pilar, temos a mobilização da sociedade, que visa à promoção
de uma educação de qualidade para todos os envolvidos dentro das unidades de
ensino, pais e comunidade.

Outra iniciativa importante para a promoção da qualidade educacional


vem do governo do Ceará. Sampaio (2018) demonstra como se desenvolvem
projetos de qualidade para os alunos do ensino médio da rede pública estadual
até o acesso ao ensino superior. Entre as ações está o incentivo ao Exame

35
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Nacional do Ensino Médio (ENEM); disponibilidade de notebooks aos alunos;


auxílio financeiro; escolas em tempo integral; aquisição de novos equipamentos;
climatização das salas de aula; reformas de vestiários e refeitórios.

Com relação à educação em tempo integral, a oferta se dá em uma


jornada de nove horas, com a garantia de três refeições diárias, além de um
currículo de 30 horas semanais de disciplinas comuns e 15 horas na parte flexível,
sendo que 10 horas são escolhidas pelos alunos.

Figura 4 – Ação do governo do Ceará

Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/S13gc4>. Acesso em: 15 maio 2018.

Penin (2001) afirma que quando a escola é capaz de se dedicar


Penin (2001) afirma ao pleno desenvolvimento do educando, acaba atingindo muitos outros
que quando a
aspectos como: as formas de convivência entre as pessoas, o respeito
escola é capaz de
se dedicar ao pleno às diferenças, a cultura escolar, entrando em questão as diferentes
desenvolvimento do aprendizagens requeridas pelo mundo moderno.
educando, acaba
atingindo muitos Pensando nesse mundo moderno, outro estado que também
outros aspectos tem buscado a qualidade é o estado do Amazonas, que implantou
como: as formas
em 2002, no município de Manaus, um projeto piloto para o ensino
de convivência
entre as pessoas, médio. Frente aos altos índices de abandono escolar, a escola
o respeito às Marcoantonio Villaça desenvolveu uma nova matriz curricular, na qual
diferenças, a cultura os alunos desenvolvem projetos de iniciação científica a partir de suas
escolar, entrando inquietações e curiosidades sobre o conhecimento (UNICEF, 2013).
em questão
as diferentes
A escola reestruturou seus espaços e criou laboratórios
aprendizagens
requeridas pelo estimulando uma nova relação com o ambiente, oferecendo duas
mundo moderno. bibliotecas equipadas com livros atraentes para os jovens e ainda

36
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

laboratórios de física, química, matemática, artes e informática, que são utilizados


em grupos pequenos de forma alternada e de acordo com seus interesses.

Figura 5 – Alunos do ensino médio em Manaus

MANAUS - AM

Alunos de Ensino
Médio fazem
pesquisas para
participar da “Mostra
de Projetos de
Iniciação Científica.”

Fonte: Unicef (2013, p. 34).

Outro projeto de grande relevância e inovação está localizado na cidade


do Rio de Janeiro, mais precisamente na Rocinha, e chama-se “Projeto Gente”.
Esse projeto derruba paredes, literalmente, para que o aluno se torne a peça
fundamental do processo ensino-aprendizagem.

O modo como a escola foi construída influencia sua pedagogia,


e isso é fundamental para que o processo inovador de educação
se constitua. Não só as paredes foram extirpadas, como
também os ideais tradicionais de turmas e disciplinas. “A ideia
é que os alunos ficassem divididos em dois grandes salões,
acompanhados pelos professores mentores, trabalhando
em famílias, estimulando a colaboração e desenvolvimento
de soluções coletivas para as dificuldades cotidianas”,
explica Alexandre Rodrigues, gestor operacional do projeto
(TELEFÔNICA, 2016, s.p.).

Figura 6 – “Projeto Gente” na comunidade da Rocinha

Fonte: Disponível em <https://goo.gl/iayuxG>. Acesso em: 30 jan. 2018.

37
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

A cultura desse projeto está amparada na metodologia da Escola da Ponte,


situada na Vila das Aves, em Portugal, e é uma referência para as escolas de
muitos países por apresentar um modelo educacional que se diferencia dos
padrões escolares que conhecemos. Sua metodologia está pautada numa
educação solidária, responsável e autônoma. Devido a isso, os alunos são
responsáveis pelo seu aprendizado, conforme nos ensina Moraes (2010, p. 140):
“o importante é permitir que as crianças descubram por si mesmas o conhecimento
de que mais necessitam”.

Você assistiu à indicação de filme Quando sinto que já sei?


Caso já tenha assistido, amplie seus estudos fazendo a leitura
da reportagem José Pacheco e a Escola da Ponte, publicada
na Revista Nova Escola, no mês de abril de 2004, por Cristiane
Marangon. O educador português conta como é a Escola da Ponte,
na qual não há turmas, e diz que quem quer inovar deve ter mais
interrogações que certezas. Disponível em: <https://novaescola.org.
br/conteudo/335/jose-pacheco-e-a-escola-da-ponte>. Acesso em: 15
maio 2018.

QUALIDADE VERSUS QUANTIDADE


Como já exposto anteriormente, a qualidade faz parte integrante do
desenvolvimento do conhecimento e aprendizado pessoal de todos os indivíduos.
A junção desses conhecimentos é que faz desenvolver e prosperar as diversas
áreas dos diferentes setores responsáveis pelo equilíbrio, não só do nosso
país, mas das questões geradoras de conflitos ao redor do mundo, em termos
de segurança, saúde pública de qualidade, expectativa de vida, sustentabilidade
ambiental e planetária. Essas ações devem ser compartilhadas entre todos os
indivíduos, principalmente no tocante à ética, moral, tolerância e respeito mútuo,
bem como ao uso coerente das tecnologias, que por sinal, fazem parte de um
processo contínuo do aperfeiçoamento e do desenvolvimento da capacidade
humana, no decorrer dos tempos.

Em relação à capacidade humana, podemos destacar como processo


evolutivo a sua criatividade e habilidade em desenvolver objetos de utilidades
tecnologicamente complexos, bem como a sua capacidade de se adaptar ao
uso e manuseio desses objetos. Estamos naturalmente nos referindo, além de

38
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

outras coisas, ao uso dos diversos aplicativos relacionados com o processamento


e divulgação de dados por meio dos sistemas de comunicação informatizada, o
que, diga-se de passagem, ainda é um privilégio de poucos, principalmente se
compararmos o Brasil com outros países mais desenvolvidos.

No entanto, independentemente do grau de desenvolvimento de cada


país, a educação tem de ser encarada como um projeto prioritário. Para tanto,
as instituições de ensino também devem se adaptar à essa nova e desafiadora
ordem mundial, isto é, precisam encontrar urgentemente uma alternativa possível
para a sua inclusão definitiva no mundo digital. Porém, não mais como uma
disciplina, o que normalmente acontece, que vem disfarçada de inclusão digital e
não atende aos anseios da sociedade acadêmica – os quais estão mais elevados
em termos de conhecimentos digitais do que a própria instituição de ensino, sendo
que deveria ser o contrário.

De acordo com Sacristán (2000, p. 53) “[...] A educação moderna é um


processo reflexivo, enquanto for conscientemente dirigido, tal como se comentou,
e no sentido de que também requer uma flexibilidade especializada e de alto nível
[...]”, na continuidade o autor conclui que:

Se a educação formal através das instituições educativas


é hoje questionada, é porque este tipo de socialização
específica não se cumpre, ou porque alguém não a deseja,
pois ela não lhe agrada. As escolas podem perder outras
capacidades de infundir modos de vida, e isso pode supor
uma perda no seu sentido histórico, mas o que não podem
perder é sua função iluminista, apesar de precisarem contar
com outras possibilidades e novas tecnologias da informação
[...] (SACRISTÁN, 2000, p. 53).

Dessa forma, torna-se necessário buscar um equilíbrio para essa evidente


distorção que permeia o nosso sistema educacional, principalmente em relação
aos conteúdos aplicados. Esses, muitas vezes, visam apenas ao atendimento das
grades curriculares, independentemente do seu grau de relevância para a vida
pessoal e social do aluno, gerando uma grande desconfiança e, principalmente,
um elevado grau de insatisfação, não só do modelo de aprendizado em questão,
mas também da própria instituição.

Vivemos uma época em que impedimentos nacionais foram


esfacelados pela revolução tecnológica, apesar dos grandes
debates sobre se estamos, ou não, em plena globalização, uma
vez que, segundo os estatísticos: 90% dos habitantes da terra
jamais deixaram o país de origem, 2% das ligações telefônicas
são internacionais, 95% dos indivíduos se informam por meio
da mídia local, 1% das cartas enviadas cruzam fronteiras. A
realidade é que, quando se pensa em oferta de produtos e
serviços, é difícil o contra-argumento da existência ou não da
mundialização (FAVA, 2016, p. 1).
39
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Sem querer desmistificar o mérito das questões duvidosas em relação às


indagações pertinentes à globalização generalizada, talvez ainda não seja
possível uma conclusão final sobre a totalidade do termo. Ou talvez as questões
migratórias, ou o modo do indivíduo em obter informações por meio da mídia local
não seja um fator determinante para a configuração do processo de globalização,
mesmo porque pode-se tomar conhecimento das notícias internacionais por meio
da mídia local.

No entanto, o seu conceito pode ser justificado apenas pelo processo das
informações e das transações internacionais entre pessoas e organizações,
ficando as questões migratórias por conta, talvez, das condições financeiras
de cada indivíduo, apego regional, ou de outras situações que fogem ao nosso
conhecimento, como justifica o autor ao se referir às influências sofridas pelo
processo de globalização.

O fato é que o mundo plano influencia, sugestiona, determina


a oferta de produtos e serviços em termos globais. Se
a educação é fixada como uma prestação de serviços,
está inexoravelmente afetada pelo contexto, conjuntura,
circunstâncias de sua época. Sendo isso uma verdade, o
cenário define quais (conteúdos), por que (objetivo) e como
(modalidade) competências, habilidades e conteúdos deverão
ser ensinados. [...] (FAVA, 2016, p. 2).

Essas questões conflitantes podem ocasionar, além da indignação social,


um alto índice de evasão escolar, dentre outras formas de disfunções do ensino
e aprendizado, visto que, uma grande parte das instituições de ensino, ainda
insistem na manutenção da educação baseada em conceitos tradicionais, como
sendo isso uma marca registrada ou um princípio qualificativo dos ensinamentos.

O mundo mudou Como podemos perceber, o mundo mudou e vai continuar


e vai continuar mudando. Portanto, é preciso que as instituições de ensino também
mudando. Portanto, passem por um processo de transformação, para que possam
é preciso que as acompanhar a evolução globalizada, ou correm o risco de sucumbir, o
instituições de que pode ser evidenciado por Rui Fava (2016, p. 3):
ensino também
passem por um
Essa nova conjuntura postula que a oferta de educação
processo de atual está ultrapassada, vetusto, inócua, rota, obsoleta para
transformação, as novas exigências do mercado e para a empregabilidade.
para que possam O modelo de educação precisa urgentemente ser alterado,
acompanhar inovado, atualizado, adequado a esses novos tempos de
a evolução automação, robotização, inovação e substituição da Economia
globalizada, ou Convencional pela economia criativa. [...] O novo contexto
correm o risco de requer profissionais que saibam pensar, sentir, agir, decidir/
sucumbir. escolher. As escolas urgentemente necessitam adequar seus

40
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

sistemas acadêmicos para desenvolver em seus egressos


criatividade, inovações, ofertar serviços que levem ao
desenvolvimento de competências e habilidades que preparam
os egressos para a emergente Quarta Revolução Industrial.

Como já dito antes, a responsabilidade deve ser compartilhada


entre todos, assim, o desenvolvimento das competências e das A responsabilidade
habilidades por parte dos egressos só será possível se também houver deve ser
compartilhada entre
uma qualificação do corpo docente, que muitas vezes se acomoda por
todos.
falta de incentivos governamentais e da própria instituição de ensino.

Ainda de acordo com Fava (2016), os professores estão perdidos como


barcos à deriva, tentando encontrar um porto seguro em meio a um embaralhado
sistema de informações destoadas da realidade atual, cultivados por currículos
ultrapassados que não atendem às necessidades e nem às finalidades a que se
propõe o sistema educativo.

O mundo que está se avolumando com novos valores e


tecnologias, recentes alterações nas relações geopolíticas,
recém-chegados estilos de vida e modernos modelos de
comunicação exige ideias, conceitos, analogias modernas.
Não é possível enfiar o mundo embrionário de amanhã em
cubículos convencionais e ultrapassados, aliás, nem as
atitudes, tampouco os modos de se ofertar educação, são
apropriadas.
Durante décadas têm dominado o comodismo, o modismo, os
experimentos, os balbucios. É necessário olhar para dentro
da escola para diagnosticar o que vem sendo feito, todavia
também é preciso olhar para fora, pois, no meio da decadência
do modelo industrial de educação, poderemos encontrar
notáveis alternativas. [...] Se os argumentos centrais deste
texto estiverem corretos, há razões para otimismo, embora os
anos de transição à nossa frente venham a ser provavelmente
tormentosos, atribulados, içados por crises e indefinições
(FAVA, 2016, p. 3-4).

Como já podemos perceber, as questões relacionadas ao processo de


ensino e aprendizagem não são muito fáceis de serem resolvidas, uma vez que
dependem de uma série de elementos que muitas vezes não conseguem interagir
entre si.

No entanto, deu-se o primeiro passo com a promulgação da LDB de 1996,


que é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em que foi possível perceber um
novo sentido para o sistema educacional brasileiro. Porém, ao que tudo indica,
para que as instituições de ensino possam alcançar excelência, ou pelo menos
buscarem qualidade, é necessário o uso coerente e responsável dos recursos
disponíveis de todos, das condições para este processo.

41
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Gadotti (2013) reforça que uma escola e uma universidade precisam


basicamente de três coisas: professores bem formados, condições de trabalho e
um projeto.

Para se formar bem, o professor precisa ter paixão de ensinar,


ter compromisso, sentir-se feliz aprendendo sempre; precisa
ter domínio técnico-pedagógico, isto é, saber contar histórias,
isto é, construir narrativas sedutoras, gerenciar a sala de aula,
significar a aprendizagem, mediar conflitos, saber pesquisar.
Precisa ainda ser ético, dar exemplo. A ética faz parte da
natureza mesma do agir pedagógico. Não é competente
o professor que não é ético. Ser humilde, ouvir os alunos,
trabalhar em equipe, ser solidário. A qualidade do ensino
depende muito da qualidade do professor.
Quanto à escola: ela deve oferecer as condições materiais,
físicas, pedagógicas e humanas para criar um ambiente propício
à aprendizagem. No ambiente oferecido a alunos e professores
de hoje, em muitas escolas, eu me pergunto como eles podem
aprender alguma coisa. Os professores são competentes;
faltam-lhes as condições de ensinar. A escola deve oferecer ao
professor formação continuada da sua equipe, principalmente
para refletir sobre a sua prática. E precisa ter um projeto eco-
político-pedagógico (GADOTTI, 2013, p. 12-13).

Ou ainda ao contrário, isso pode se transformar numa eterna discussão


sem necessariamente uma definição sobre a verdadeira responsabilidade social,
educacional, cultural e política que devemos ter, já que “a educação é um direito
humano; consequentemente, a educação de qualidade apoia todos os direitos
humanos” (MOROSINI, 2009, p. 72). Assim, podemos afirmar com outras palavras
que a qualidade está relacionada aos direitos, às condições e aos recursos
existentes e disponíveis, os quais serão utilizados no exercício dos ensinamentos,
dos aprendizados e da cidadania.

INDICADORES DE QUALIDADE (IDEB)


Instrumento de gestão de política pública, criado em 2007, o Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) reúne, em um só indicador, os
resultados de dois conceitos para a qualidade da educação: o fluxo escolar e as
médias de desempenho nas avaliações. Esse indicador é divulgado a cada dois
anos, e serve como ferramenta para acompanhamento das metas da educação.

O IDEB é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar obtidos no


censo escolar, e das médias de desempenho nas avaliações do Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o Sistema de

42
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

Avaliação da Educação Básica (SAEB) – para as unidades da federação e para o


país, e a Prova Brasil – para os municípios.

O IDEB agrega ao enfoque pedagógico dos resultados


das avaliações em larga escala do Inep a possibilidade de
resultados sintéticos, facilmente assimiláveis, e que permitem
traçar metas de qualidade educacional para os sistemas.
O índice varia de zero a 10 e a combinação entre fluxo e
aprendizagem tem o mérito de equilibrar as duas dimensões: se
um sistema de ensino retiver seus alunos para obter resultados
de melhor qualidade no Saeb ou Prova Brasil, o fator fluxo será
alterado, indicando a necessidade de melhoria do sistema. Se,
ao contrário, o sistema apressar a aprovação do aluno sem
qualidade, o resultado das avaliações indicará igualmente a
necessidade de melhoria do sistema (BRASIL, 2015, s.p.).

Considerando que o INEP mostra uma situação, sem necessariamente


oferecer uma alternativa de melhoria, o desafio do gestor é saber como utilizar os
recursos disponíveis para qualificar o ensino.

Podemos destacar alguns elementos que são essenciais e indispensáveis


para o estabelecimento da ordem de prioridades desta qualificação, tendo como
foco principal um objetivo e uma meta possível de ser atingida, visto que a
educação, assim como todos os outros elementos responsáveis pela formação
e disseminação do conhecimento, também precisa ser acompanhada, alterada e
modificada, o que pode elevar a capacidade institucional para além dos conteúdos,
isto é, para a disseminação de conhecimentos significativos, que é uma forma de
melhorar o nível da escola, do ensino e aprendizado.

A maioria das pessoas certamente concorda com o fato de


que uma escola boa é aquela em que os alunos aprendem
coisas essenciais para sua vida, como ler e escrever, resolver
problemas matemáticos, conviver com os colegas, respeitar
regras, trabalhar em grupo. Mas quem pode definir bem e
dar vida às orientações gerais sobre qualidade na escola,
de acordo com os contextos socioculturais locais, é a própria
comunidade escolar. Não existe um padrão ou uma receita
única para uma escola de qualidade. Qualidade é um conceito
dinâmico, reconstruído constantemente. Cada escola tem
autonomia para refletir, propor e agir na busca da qualidade da
educação (UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 5).

No entanto, os elementos antes mencionados, como objetivo e metas pré-


definidas, são elementos com características mutantes, o que inclui também
as instituições de ensino, o corpo docente e discente, as comunidades, as
associações de pais e alunos, dentre outras instituições governamentais e não
governamentais que fazem parcerias para elevação desses indicadores.

43
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

[...] é de responsabilidade de toda a comunidade: pais, mães,


professores, diretores, alunos, funcionários, conselheiros
tutelares, de educação, dos direitos da criança, ONGs, órgãos
públicos, universidades, enfim, toda pessoa ou instituição que
se relaciona com a escola e se mobiliza por sua qualidade.
Educação é um assunto de interesse público (UNICEF; PNUD;
INEP-MEC, 2004, p. 8).

Dessa forma, percebemos que as políticas brasileiras estão comprometidas


em buscar a melhoria da qualidade na educação em todos os níveis. Por isso,
esses indicadores de qualidade, mencionados na citação anterior, são essenciais
para o funcionamento da escola.

O QUE SÃO INDICADORES?

Indicadores são sinais que revelam aspectos de determinada


realidade e que podem qualificar algo. Por exemplo, para saber se
uma pessoa está doente, usamos vários indicadores: febre, dor,
desânimo. Para saber se a economia do país vai bem, utilizamos
como indicadores a inflação e a taxa de juros. A variação dos
indicadores nos possibilita constatar mudanças (a febre que baixou
significa que a pessoa está melhor; a inflação mais baixa no último
ano indica que a economia está melhorando). Aqui, os indicadores
apresentam a qualidade da escola em relação a importantes
elementos de sua realidade: as dimensões.

Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/


Consescol/ce_indqua.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2018.

De acordo com o documento Indicadores da qualidade na educação


(UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 10), estas dimensões estão divididas em
sete ações qualitativas:

[...] ambiente educativo, prática pedagógica, avaliação, gestão


escolar democrática, formação e condições de trabalho dos
profissionais da escola, espaço físico escolar e, por fim, acesso,
permanência e sucesso na escola. Ou seja, a qualidade da
escola envolve essas dimensões, mas certamente deve haver
outras.

44
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

Essas sete dimensões serão exploradas no próximo tópico. Além delas,


podemos citar as estatísticas de indicadores produzidos pelo INEP e secretarias
de educação, que são dados importantes para o levantamento das necessidades
dos estados, municípios e instituições escolares.

O QUE DIZEM AS ESTATÍSTICAS SOBRE A ESCOLA

O Inep, órgão ligado ao MEC, e as Secretarias de Educação


produzem estatísticas sobre nosso sistema de ensino por meio
de levantamentos de aspectos da realidade educacional que
servem como parâmetros para identificar problemas, o que está
melhorando ou piorando. Alguns desses levantamentos são feitos
por amostragem e apresentam uma visão geral da situação num
Estado, numa região ou numa determinada rede de ensino. Em
outros casos, o levantamento é feito em cada escola, sendo possível
para a comunidade comparar seus resultados com os das outras
escolas. Por exemplo, se uma escola tem uma taxa de evasão
muito maior que outras escolas da região, esse dado pode ser
interessante para a avaliação. É muito importante que cada escola
tome conhecimento das estatísticas educacionais e principalmente
da sua situação em relação às demais escolas, à média do
município, do Estado, da região ou do país. Isso ajuda a comunidade
a identificar melhor os problemas, dimensionando-os num conjunto
maior. Divulgue as estatísticas educacionais na sua escola. Na
última página do formulário do Censo Escolar, são registrados
alguns dados importantes sobre a escola obtidos no ano anterior, tais
como matrícula, funções docentes, instalações e equipamentos. Há
também indicadores da escola sobre taxa de reprovação, número de
alunos por turma, entre outros, que podem ser comparados com as
médias do Estado e do país. Tais informações também podem ser
obtidas no site do Inep (www.dataescolabrasil.inep.gov.br).

Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/


Consescol/ce_indqua.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2018.

45
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

COMPROMISSO PROFISSIONAL (SETE


AÇÕES OU DIMENSÕES PARA A
QUALIDADE)
Percebemos que há muito trabalho na gestão democrática, principalmente no
papel do gestor/coordenador dessas instituições de ensino, que precisa ter uma
visão macro da realidade na qual está envolvido. Olhar para a sua comunidade
é fundamental neste processo e perguntas são necessárias para nossa reflexão.
Quais são as competências e habilidades necessárias para a qualidade de vida
em sociedade? O que almejamos aos nossos alunos? Que objetivos pretendemos
alcançar com o nosso trabalho? Qual o nosso compromisso profissional?

[...] Quanto mais me capacito como profissional, quanto mais


sistematizo minhas experiências, quanto mais me utilizo
do patrimônio cultural, que é patrimônio de todos e ao qual
todos devem servir, mais aumenta minha responsabilidade
com os homens. Não posso, por isso mesmo, burocratizar
meu compromisso profissional, servindo, numa inversão
dolosa de valores, mais aos meios que ao fim do homem [...].
Não é possível um compromisso autêntico se, àquele que
se julga comprometido, a realidade se apresenta como algo
dado, estático e imutável. Se este olha e percebe a realidade
enclausurada em departamentos estanques. Se não a vê e não
a capta como uma totalidade, cujas partes se encontram em
permanente interação. [...] (FREIRE, 1983, p. 20-21).

O compromisso Dessa forma, o compromisso profissional não pode ser passivo,


profissional não e sim ativo, pois em uma liderança precisamos enfrentar os desafios
pode ser passivo, da vida diária e ser solidários com as necessidades da comunidade.
e sim ativo, pois Paulo Freire (1983, p. 21) pontua que este compromisso precisa ser
em uma liderança uma práxis “ação e reflexão sobre a realidade”.
precisamos
enfrentar os
desafios da Reforçamos que esse compromisso de ação e reflexão sobre
vida diária e ser a totalidade, precisa ser autêntico para não gerar conflitos. Assim,
solidários com as coordenador, atenção para a gestão dos conflitos!
necessidades da
comunidade.

46
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

LIDANDO COM CONFLITOS

Durante os trabalhos em grupo, é importante que todos


participem das discussões e atribuições de cores, evitando que
alguém ou algum grupo imponha uma visão sobre o assunto tratado.
É necessário ouvir e respeitar o que o outro tem a dizer e aproveitar
o momento para o diálogo. O processo de escolha das cores deve
ser negociado entre todos. Caso não haja consenso entre os
participantes, o grupo pode optar por usar uma mistura de cores ou
uma cor diferente para registrar a divergência de opinião, levando-a
para a plenária. Conflitos de opinião existem em toda a sociedade. É
importante reconhecê-los e lidar com eles com maturidade, de forma
negociada e democrática.

Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/


Consescol/ce_indqua.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2018.

Então, vamos conhecer as sete dimensões já mencionadas anteriormente?

1. Ambiente educativo

Local de aprendizagem formal. Ambiente educativo de construção da


cidadania.

Neste espaço, o ser humano terá a oportunidade de vivenciar valores, como


“o respeito, a alegria, a amizade e a solidariedade, a disciplina, o combate à
discriminação e o exercício dos direitos e deveres que são práticas que garantem
a socialização e a convivência [...]” (UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 20).

De acordo com os Indicadores da qualidade na educação, podemos refletir


sobre este espaço com a nossa equipe pedagógica.

O material completo apresenta de forma mais ampla estes indicadores. A


ideia é que se atribua as cores verde, amarela ou vermelha para cada indicador
e, dessa forma, será possível prever as melhorias e entender os bons resultados.
Por exemplo, caso o grupo perceba que essas ações estão consolidadas na
escola, deverá pintar com a cor verde. Ou, se essas ações acontecem de vez em
quando, é importante marcar na cor amarela. Ou ao contrário, caso essas ações
(dimensões) não ocorram na escola, deverá pintar na cor vermelha.

47
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Para saber mais acesse o material completo, disponível em:


<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_indqua.
pdf>.

INDICADORES E PERGUNTAS

1. Amizade e solidariedade

1.1. Quando alguém (professor, funcionário ou aluno) chega à escola


com algum problema pessoal, encontra pessoas dispostas a ajudar?
1.2. O ambiente da escola favorece a amizade entre todos (entre alunos
e alunos; entre professores e alunos; entre os professores, etc.)?
Explicar resumidamente as razões da cor atribuída pelo grupo ao
indicador Amizade e solidariedade.

2. Alegria

2.1. Os alunos gostam de freqüentar a escola?


2.2. As pessoas que trabalham na escola gostam do trabalho que
fazem?
2.3. A escola promove festas com a participação de pais, alunos,
professores e funcionários?
Explicar resumidamente as razões da cor atribuída pelo grupo ao
indicador Amizade e solidariedade.

3. Respeito ao outro

3.1. Os alunos tratam bem os professores e os funcionários da escola?


3.2. Professores, diretores e funcionários se tratam bem e se respeitam?
3.3. As pessoas que trabalham na escola se sentem respeitadas e
valorizadas por pais e alunos?
3.4. Pais e alunos que chegam para fazer matrícula, pedir informações
ou saber sobre seus filhos são atendidos com atenção e respeito?
Explicar resumidamente as razões da cor atribuída pelo grupo ao
indicador Respeito ao outro.

48
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

4. Combate à discriminação

4.1. Na escola todos são tratados com respeito e mantêm laços de


amizade, não importando se são negros, brancos, indígenas,
pessoas com deficiência, ricos ou pobres, homens ou mulheres,
homossexuais ou não?
4.2. Quando os alunos têm atitudes preconceituosas ou discriminatórias
(como fazer brincadeiras ou usar apelidos que humilhem seus
colegas), isso é conversado na sala de aula ou em outro espaço da
escola para que não aconteça mais?
4.3. A discriminação (atos preconceituosos contra pessoas com
deficiência, povos indígenas, mulheres, negros, homossexuais e
outros) é assunto abordado durante as aulas como algo que prejudica
as relações entre as pessoas e que é crime?
Explicar resumidamente as razões da cor atribuída pelo grupo ao
indicador Combate à discriminação.

5. Disciplina

5.1. As regras de convivência da escola são claras, conhecidas e


respeitadas por toda a comunidade escolar?
5.2. Os alunos participam da elaboração das regras de convivência na
escola?
5.3. Todos (alunos, professores, diretor e demais profissionais da escola)
que não cumprem as regras da escola são punidos da mesma
maneira e com justiça?
Explicar resumidamente as razões da cor atribuída pelo grupo ao
indicador Disciplina.

6. Respeito aos direitos das crianças e dos adolescentes

6.1. Todos (alunos, professores, diretor, demais profissionais e pais)


conhecem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e respeitam
os direitos nele estabelecidos?
6.2. O ECA é abordado nas salas de aula ou em outras atividades
realizadas na escola?
6.3. Os pais de crianças que não têm registro de nascimento recebem
orientação na escola sobre a importância, a gratuidade e a forma de
tirar esse documento?
6.4. A escola acolhe crianças e adolescentes com deficiência nas
mesmas salas de aula em que estudam os alunos sem deficiência?
Esses alunos recebem o apoio de que necessitam?

49
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Explicar resumidamente as razões da cor atribuída pelo grupo


ao indicador Respeito aos direitos das crianças e dos adolescentes.

Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/


pdf/Consescol/ce_indqua.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2018.

2. Prática pedagógica

Trata-se de uma ação planejada e refletida do professor na sua prática diária.


Atender a esse objetivo “no desenvolvimento dos alunos, [...] significa observá-
los de perto, conhecê-los, compreender suas diferenças, demonstrar interesse
por eles, conhecer suas dificuldades e incentivar suas potencialidades” (UNICEF;
PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 24). Nessa dimensão, os indicadores são:

1. Proposta pedagógica definida e conhecida por todos.


2. Planejamento.
3. Contextualização.
4. Variedade das estratégias e dos recursos de ensino-
aprendizagem.
5. Incentivo à autonomia e ao trabalho coletivo.
6. Prática pedagógica inclusiva (UNICEF; PNUD; INEP-MEC,
2004, p. 23-26).

3. Avaliação

A avaliação deve ser vista de forma processual, ou seja, algo mais completo
que uma prova. “Um bom processo de ensino-aprendizagem na escola inclui uma
avaliação ao final de uma etapa de trabalho (seja ela um tópico da matéria, um
bimestre ou um ciclo)” (UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 27). Dessa forma, a
avaliação é um instrumento participativo, além de ser também uma autoavaliação,
quando o aluno se avalia, tomando consciência de suas aprendizagens. Nessa
dimensão, os indicadores são:

1. Monitoramento do processo de aprendizagem dos alunos;


2. Mecanismos de avaliação dos alunos;
3. Participação dos alunos na avaliação de sua aprendizagem;
4. Avaliação do trabalho dos profissionais da escola;
5. Acesso, compreensão e uso dos indicadores oficiais de
avaliação da escola e das redes de ensino (UNICEF; PNUD;
INEP-MEC, 2004, p. 28-30).

50
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

4. Gestão escolar democrática

Compartilhar decisões é envolver pais, alunos, professores, funcionários


e outras pessoas da comunidade na administração escolar. “Como cidadãos,
eles têm o direito de opinar sobre o que é melhor para eles e se organizar em
colegiados próprios, como os grêmios” (UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 31).

Uma participação importante nesse processo se dá pelos conselhos


escolares, sendo um mecanismo de participação da comunidade na escola.

A função dos conselhos é orientar, opinar e decidir sobre tudo


o que tem a ver com a qualidade da escola (como participar da
construção do projeto político-pedagógico e dos planejamentos
anuais, avaliar os resultados da administração e ajudar na
busca de meios para solucionar os problemas administrativos
e pedagógicos, decidir sobre os investimentos prioritários)
(UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 31).

A avaliação dessa área abrange questões (UNICEF; PNUD; INEP-MEC,


2004, p. 32-35) relacionadas a:

1. Informação democratizada.
2. Conselhos escolares atuantes.
3. Participação efetiva de estudantes, pais, mães e comunidade
em geral.
4. Parcerias locais e relacionamento da escola com os serviços
públicos.
5. Tratamento aos conflitos que ocorrem no dia a dia da escola.
6. Participação da escola no Programa Dinheiro Direto na
Escola.
7. Participação em outros programas de incentivo à qualidade
da educação do governo federal, dos governos estaduais ou
municipais.

5. Formação e condições de trabalho dos profissionais da escola

A qualidade da educação depende muito da capacitação dos profissionais


envolvidos, no caso como estes fazem a transposição didática. Assim, todos são
responsáveis por esse processo educativo, “cujo resultado não depende apenas
da sala de aula, mas também da vivência e da observação de atitudes corretas e
respeitosas no cotidiano da escola” (UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 32-35).
Nessa dimensão, os indicadores são:

1. Habilitação.
2. Formação continuada.
3. Suficiência da equipe escolar.

51
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

4. Assiduidade da equipe escolar.


5. Estabilidade da equipe escolar (UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p.
37-40).

6. Ambiente físico escolar

A gestão do espaço escolar é fundamental para a estrutura e organização do


convívio entre os sujeitos. Para que isto ocorra de forma eficiente, é necessário
que este espaço educativo esteja limpo, arejado, agradável, com flores, árvores
e com equipamentos e materiais pedagógicos, para uma prestação de serviço
de qualidade para toda a comunidade escolar. Assim, esses ambientes escolares
serão avaliados a partir de três indicadores, sendo eles:

1. Sufi
. ciência: disponibilidade de material, espaço ou equipamento quando
necessita.
2. Qualidade: adequação do material à prática pedagógica.
3. Bom aproveitamento: valorização e uso eficiente de tudo o que possui
(UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004).

7. Acesso, permanência e sucesso na escola

É um grande desafio manter crianças e adolescentes nas escolas,


principalmente os jovens, para que concluam o ensino médio em idade adequada
(UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004).

Será que sabemos quem são os alunos que, na nossa escola,


apresentam maior dificuldade no processo de aprendizagem?
Sabemos quem são aqueles que mais faltam na escola? Onde
e como eles vivem? Quais são as suas dificuldades? E os que
abandonaram ou se evadiram? Sabemos o motivo? O que
estão fazendo? Estamos nos esforçando em trazê-los de volta
para a escola? Temos tratado essa situação com o cuidado
e o carinho que ela merece? Ao responder a essas e outras
perguntas relativas a esta dimensão, a comunidade escolar
poderá discutir formas de a escola oferecer boas oportunidades
de aprendizagem a todos os cidadãos (UNICEF; PNUD; INEP-
MEC, 2004, p. 47).

A partir disso, observamos os indicadores dessa dimensão para evitar que os


alunos abandonem a escola:

1. Número total de falta dos alunos.


2. Abandono e evasão (todas as crianças do entorno em
idade escolar frequentam a escola regulamente? A escola
adota medidas para trazer os alunos que se evadiram ou
abandonaram a escola?).

52
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

3. Atenção aos alunos com alguma defasagem de


aprendizagem.
4. Atenção às necessidades educativas da comunidade
(UNICEF; PNUD; INEP-MEC, 2004, p. 48-50).

Além dessas proposições, o que a comunidade escolar pode fazer?

Por exemplo, se o que aparece com mais frequência


como causa do abandono é a necessidade de trabalhar, a
comunidade escolar pode pressionar a prefeitura e a Câmara
Municipal por programas de bolsa-escola que cheguem até as
crianças e os adolescentes que se evadiram ou abandonaram
a escola – programas que ofereçam uma bolsa às famílias para
que crianças e adolescentes permaneçam na escola. Se há
casos de trabalho infantil, pode-se procurar o Conselho Tutelar
ou o Poder Judiciário, pois isso é crime previsto em lei. Do
mesmo modo, crianças entre 7 e 14 anos obrigatoriamente
têm de frequentar a escola. Mais uma razão para se acionar
o Conselho Tutelar ou a Justiça. Se o grupo que abandonou
é constituído por maioria de pessoas negras, talvez a escola
tenha que trabalhar melhor a questão da discriminação e do
preconceito racial. Se forem problemas de conflitos pessoais
(entre alunos, com professores, etc.), é preciso desenvolver a
questão do diálogo e da negociação dentro da escola. Pode-
se ainda criar um grupo permanente para orientação de pais,
alunos e ex-alunos sobre a importância de estudar. Mas várias
são as razões possíveis. Avaliem bem para identificar quais
ações trarão bons resultados (UNICEF; PNUD; INEP-MEC,
2004, p. 54).

Então, para que o sucesso da escola e automaticamente de seus alunos


aconteça, é necessário ficar atento a todas essas dimensões já apresentadas.
Por isso, o ideal é montar um plano de ação, sempre no início de cada ano, e ir
adaptando esse plano à realidade do entorno.

Vamos olhar mais de perto a situação da nossa escola? Vamos preservar


e entender as necessidades de cada aluno? Vamos demonstrar respeito e
dignidade aos envolvidos nesse processo educacional? Assim, fica a sugestão de
como elaborar esse plano:

53
A QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

Figura 7 - Sugestão do plano de ação

Fonte: Disponível em: <portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/


consescol/ce_indqua.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2018.

Atividade de Estudos:

3) Com base no modelo anterior, elabore um plano de ação para


a sua escola ou para a escola de sua comunidade, neste caso
procure o gestor para lhe auxiliar nesta construção. Preencha as
colunas conforme o que se pede.

Nome da escola:_________________________________________

Dimensão Indicador Problema Ação Responsável Prazo

Esse plano permite um acompanhamento da execução das atividades


para se atingir objetivos e metas, verificando onde houve falhas, ou buscando o
aprimoramento contínuo dos resultados.

Por último, ressalta-se que não podemos somente olhar para esses
indicadores de forma quantitativa, afinal, trabalhamos com pessoas. Assim,
esse plano precisa ser de acompanhamento constante, pois permite identificar
problemas e melhorar os processos qualitativamente.

54
Capítulo 1 QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: CONCEITOS

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Conforme pretendíamos inicialmente, foi possível identificarmos que a
qualidade está relacionada às nossas necessidades ou desejos. Para se chegar
à essa qualidade, precisamos de um esforço conjunto, repensando nossos
valores e ações. A qualidade na educação está relacionada a um conjunto de
ações envolvendo o governo federal, estadual e municipal, além da sociedade,
iniciativa privada e, principalmente, das instituições de ensino. Portanto, enquanto
profissional da educação em todos os níveis do aprendizado escolar, percebemos
que somos responsáveis pela elaboração de planejamentos educacionais que
resultem em melhoria nas questões relacionadas com as evasões escolares,
as repetências etc. Assim, conhecemos iniciativas relevantes para a qualidade
educacional e social das pessoas, em que esta é compartilhada entre todos.
Entendemos que os indicadores são sinais que auxiliam e qualificam uma
determinada realidade. Assim, o compromisso profissional nessa gestão
democrática é o ponto-chave para esta qualidade.

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