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SUMÁRIO

UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ..................................................................................... 2

UNIDADE 2 – PARTIDOS POLÍTICOS ...................................................................... 5

UNIDADE 3 – MOVIMENTOS SOCIAIS ................................................................... 15

UNIDADE 4 – CIBERDEMOCRACIA NO SÉCULO XXI .......................................... 23

UNIDADE 5 – TEORIA DOS JOGOS ....................................................................... 28

UNIDADE 6 – OS DIREITOS HUMANOS ................................................................ 31

UNIDADE 7 – ARTE ENGAJADA ............................................................................ 37

UNIDADE 8 – POLÍTICAS PÚBLICAS ..................................................................... 39

UNIDADE 9 – IDEOLOGIA POLÍTICA ..................................................................... 49

UNIDADE 10 – ECONOMIA POLÍTICA.................................................................... 54

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 58

ANEXOS ................................................................................................................... 65
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO

Temas emergentes ou tópicos especiais são dois títulos que costumamos


nomear os módulos que incluem temas que, a priori, não se relacionam
diretamente com o cerne do curso, mas neste caso é diferente. Aqui os temas são
tão importantes que merecem um momento especial para eles e não deixam
nunca de serem atuais, por isso a denominação emergentes.

Uma vez que a ciência política abrange campos tão diversos e amplos
como a filosofia política, os sistemas políticos, ideologia, economia política,
geopolítica, análise de políticas públicas, relações internacionais, estudos da
Administração Pública e do governo, política jurídica, processo legislativo, teoria
dos jogos, movimentos sociais, direitos humanos, neste módulo, veremos alguns
destes temas. Outros destes temas terão módulos específicos.

Especificamente sobre a Teoria dos jogos, alguns devem estar se


perguntando ao que veio...

Pois bem, Pereira Junior (2008) nos explica que uma vez os cientistas
políticos estudaram a distribuição e transferência de poder em processos sociais
e por causa da mistura de interesses contraditórios, a política é um exemplo
aplicado da Teoria dos Jogos. Os cientistas políticos olham os ganhos (como o
lucro privado de pessoas ou das empresas ou da sociedade), e as perdas (como
o empobrecimento de pessoas ou da sociedade) como resultados de um jogo em
que existem regras não explícitas que a pesquisa deve explicitar, daí não
podermos deixar de lado esse tema.

A teoria dos jogos é conhecida desde os anos 30 do século XX e em


várias das décadas seguintes, principalmente 1980 e 1990 foi amplamente
utilizada no campo das Relações Internacionais e na Política Comparada.

Outro tema de relevância e que tem chamado a atenção dos cientistas


políticos é a arte engajada.

Se nós partimos do princípio de que a arte é a expressão cultural de um


povo, que as diversas artes existentes exprimem a vontade, a cultura, a liberdade
de um povo, tanto quanto expressam o belo, então é perfeitamente concebível o
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uso da estética para traduzir um conjunto de valores políticos e, nesse caso, nada
mais natural do que a possibilidade de relacionar Arte e Política
(http://www.portalconscienciapolitica.com.br/).

Com relação às ideologias! Como já dizia Cazuza: “Ideologia, eu quero


uma pra viver”.

No senso comum encontramos ideologia como algo ideal, ou seja, um


conjunto de ideias, pensamentos ou visões de mundo que um sujeito só ou um
coletivo deles busca para se orientar e às suas ações sociais e políticas.

Vários dos cientistas políticos, dos filósofos, ao longo de suas trajetórias,


trabalharam exaustivamente sobre o entendimento da ideologia.

Mais um dos temas que veremos para qual pegamos emprestado o título
“ciberdemocracia” que se encontra no maior acesso à informação governamental
e a interação entre o Estado e sociedade civil, através dos meios eletrônicos.

Lopes e Freire (2009, p. 4) explicam que a passagem de uma democracia


representativa para uma democracia mais participativa por parte do cidadão a
partir dos meios digitais não significa o fim do Estado, como Poder Público, nem o
surgimento de uma nova democracia, ao contrário, com o surgimento da
ciberdemocracia, o Estado torna a administração pública mais democrática e
transparente para o cidadão. De fato, a criação de espaços virtuais, em escala
planetária, como as cidades digitais, que renovam as formas de deliberação e do
debate público só fazem aperfeiçoar a democracia local.

Enfim, esses são apenas alguns dos caminhos que iremos percorrer
neste módulo.

Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha


como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia,
fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os
temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos
científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação
das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não

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se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático


da obra, não serão expressas opiniões pessoais.

Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se


outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo
modo, podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo
dos estudos.

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UNIDADE 2 – PARTIDOS POLÍTICOS

Etimologicamente, a palavra “partido” vem do latim “partire”, que significa


dividir ou partir, sendo que na Grécia antiga este termo ainda não possuía
nenhuma conotação política (SANTANO, 2007).

Peres (2009) conta que o desenvolvimento da democracia representativa


foi uma longa marcha que começou com a fundamentação dos direitos civis nos
Séculos XVII e XVIII, ensejada pelo pensamento liberal e as revoluções
burguesas, seguindo com a posterior luta pelos direitos políticos, nos Séculos XIX
e XX.

Nesse contexto, os partidos políticos surgiram, já no século XIX e,


especialmente, nas primeiras décadas do Século XX, como os instrumentos
centrais das democracias representativas. Embora muitas vezes vistos de forma
negativa e outras tantas de forma positiva, o fato indisputável é que os partidos
realmente mostraram ser os elementos básicos e crucias da dinâmica
democrática, a ponto dos governos parlamentares sempre terem sido
considerados governos partidários.

Amaral (2013) também ressalta que há mais de cem anos, os estudiosos


da política reconhecem a importância e a necessidade dos partidos políticos para
o funcionamento dos regimes democráticos. É por meio deles que as
democracias se estruturam e a competição política se organiza. Embora exista
muita divergência sobre como as agremiações políticas funcionam e se
comportam, há praticamente um consenso em torno de sua importância para a
viabilidade das democracias representativas. Nesse sentido, ainda no final do
século XIX, James Bryce concluiu o seguinte:

Os partidos são inevitáveis. Nenhum país livre não conta com eles.
Ninguém até agora demonstrou como os governos representativos
podem funcionar sem eles. Eles ordenam o caos para a multidão de
eleitores (BRYCE, s.d. apud AMARAL, 2013).

Quanto às definições para partido político, no entendimento de Bonavides


(2009), as mais expressivas definições de partido político são as de Jellinek

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(1914), Max Weber (1956), Nawiasky (1924), Kelsen (1929), Hasbach (1912),
Field (1956), Schattschneider (1942), Sait (1927), Goguel (1947) e Burdeau
(1957), citadas a seguir.

Os partidos políticos, em sua essência, são grupos que, unidos por


convicções comuns, dirigidas a determinados fins estatais, buscam realizar esses
fins (JELLINEK).

Ao estudar os partidos políticos do ponto de vista sociológico, Max Weber


já percebia que, não importando os meios que empreguem para afiliação de sua
clientela, são na essência mais íntima, organizações criadas de maneira
voluntária, que partem de uma propaganda livre e que necessariamente se
renova, em contraste com todas as entidades firmemente delimitadas por lei ou
contrato.

Tomando os partidos debaixo de ângulo preponderantemente formal,


Nawiasky, em 1924, definiu-os em termos reproduzidos depois por Radbruch num
ensaio clássico acerca dos partidos políticos no direito constitucional da
Alemanha. De conformidade com o pensamento de Nawiasky, os partidos
políticos nada mais são do que o princípio de organização da sociedade humana
em relação a um determinado domínio da vida espiritual.

O mesmo jurista, em obra mais recente (1955) — o seu primoroso tratado


de Teoria Geral do Estado — nos deixou, porém, uma segunda definição do
verdadeiro caráter do partido político: uniões de grupos populacionais com base
em objetivos políticos comuns.

Pertencendo à camada de escritores políticos modernos e


contemporâneos que mais cedo compreenderam a importância dos partidos
políticos, com respeito à democracia, para Kelsen, os partidos políticos são
organizações que congregam homens da mesma opinião para afiançar-lhes
verdadeira influência na realização dos negócios públicos.

Para Bonavides (2009), uma das mais completas definições para partido
político vem de Hasbach, autor de afamada obra crítica sobre a democracia,
publicada em começos do século XX, na qual diz que o partido político é uma
reunião de pessoas, com as mesmas convicções e os mesmos propósitos
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políticos, e que intentam apoderar-se do poder estatal para fins de atendimento


de suas reivindicações.

Com Field, o partido político se define como associação voluntária de


pessoas com a intenção de galgar o poder político. E o publicista acrescenta:
através, possivelmente, de “meios constitucionais”.

Dos autores americanos que mais seguramente versaram o tema relativo


ao conceito de partido político Bonavides (2009) distingue Schattschneider e Sait.

O primeiro diz que se trata de “uma organização para ganhar eleições e


obter o controle e direção do pessoal governante”, ao passo que o segundo, com
mais exação, assevera que o partido político representa “um grupo organizado
que busca dominar tanto o pessoal como a política do governo”.

Enfim, para os publicistas franceses Goguel e Burdeau, respectivamente,


partido político é um grupo organizado para participar na vida política, com o
objetivo da conquista total ou parcial do poder, a fim de fazer prevalecer as ideias
e os interesses de seus membros, e o partido representa uma associação política
organizada para dar forma e eficácia a um poder de fato.

Claro que entre nós também existem doutrinadores que deram sua
contribuição como, por exemplo, Cretella Junior (1994) que define partido político
como entidades de livre criação, fusão, incorporação e extinção no Brasil. É a
pessoa jurídica de direito privado, de âmbito nacional, registrada no registro de
pessoas jurídicas, na forma da lei civil e com seus estatutos registrados no
Tribunal Superior Eleitoral, ao qual também prestará contas, com funcionamento
parlamentar de acordo com a lei, tendo autonomia para a definição de sua
estrutura interna, vedada organização paramilitar e recebimento de recursos
financeiros de governo ou entidade do exterior e subordinação a governo
estrangeiro.

Bastos (2002), citando as lições de Georges Burdeau, conceitua partido


político como sendo “uma organização de pessoas reunidas em torno de um
mesmo programa político com a finalidade de assumir o poder e mantê-lo ou, ao
menos, de influenciar na gestão da coisa pública através de críticas e oposição”.

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O autor atribui a existência dos partidos políticos somente à presença do sistema


de democracia representativa.

Jardim (1998) define partidos políticos como agremiações de pessoas


para a promoção e concretização de um programa político comum mínimo, com o
objetivo de assumir e manter o controle do processo estatal de distribuição do
poder, da democracia, da liberdade e da igualdade, ou, quando menos, de
coparticipação na gestão da ‘res publica’, em nome dos interesses ou ideias dos
segmentos da sociedade civil que pretendem representar.

Enfim, o partido político é uma organização de pessoas que inspiradas


por ideias ou movidas por interesses, buscam tomar o poder, normalmente pelo
emprego de meios legais, e nele conservar-se para realização dos fins
propugnados.

Das definições expostas, deduz-se sumariamente que vários dados


entram de maneira indispensável na composição dos ordenamentos partidários:

a) Um grupo social.

b) Um princípio de organização.

c) Um acervo de ideias e princípios, que inspiram a ação do partido.

d) Um interesse básico em vista: a tomada do poder.

e) Um sentimento de conservação desse mesmo poder ou de domínio do


aparelho governativo quando este lhes chega às mãos (BONAVIDES, 2009).

Santano (2007) faz questão de lembrar que somente existirão partidos


políticos em um sistema de democracia indireta ou representativa.

A democracia indireta ou representativa é aquela que, nos ensinamentos


de Kelsen (1992), a função legislativa é exercida por um parlamento eleito pelo
povo, e as funções administrativa e judiciária, por funcionários igualmente
escolhidos por um eleitorado.

Dessa forma, um governo é ‘representativo’ porque e na medida em que


os seus funcionários, durante a ocupação do poder, refletem a vontade do
eleitorado e são responsáveis para com este.

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Já Dallari (2000) diz que na democracia representativa o povo concede


um mandato a alguns cidadãos, para, na condição de representantes, externarem
a vontade popular e tomarem decisões em seu nome como se o próprio povo
estivesse governando.

Quanto à origem dos partidos políticos, Kelsen parte do seguinte


raciocínio:

Em uma democracia parlamentar, o indivíduo isolado tem pouca


influência sobre a criação dos órgãos legislativos e executivos. Para obter
influência, ele tem de se associar a outros que compartilhem as suas opiniões
políticas. Desse modo, surgem os partidos políticos. Em uma democracia
parlamentar, o partido político é um veículo essencial para a formação da vontade
pública.

Em âmbito mundial, é pacífico que o berço dos partidos políticos foi a


Inglaterra, bem como na sociedade europeia em geral, com o marco inicial no
reinado liberal de Isabel, por volta de 1558-1603. Todavia, é somente em 1680
que surgem efetivamente dois grupos de formação definidamente política, que
eram os “Tories”, que representavam o remanescente do feudalismo agrário
inglês e os “Whigs”, representando as novas forças urbanas e capitalistas. Destes
dois grupos, tempos mais tarde, surgiriam dois grandes e tradicionais grupos
políticos: os conservadores e os liberais (SANTANO, 2007).

É com base nos estudos do mesmo autor que continuamos a contar a


história dos partidos políticos que, na França, começaram a surgir em 1789,
implantados pela Revolução Francesa, em formas de associações civis e clubes.
A mais importante associação da época foi a Sociedade dos Amigos da
Constituição, que posteriormente transformou-se em Clube dos Jacobinos,
reunindo deputados e líderes monarquistas, que aderiram ao movimento após a
execução de Luiz XVI. Já no governo de Napoleão Bonaparte, este consolidou os
partidos em âmbito constitucional, outorgada por Luiz XVIII, fazendo surgir
também dois grandes blocos de pensamento, também denominados de
conservadores e liberais.

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Na Alemanha, os partidos surgiram em 1848, também seguindo as linhas


conservadora e liberal, nos moldes genuinamente ingleses.

Nos EUA, o primeiro partido foi idealizado em 1787, na Convenção da


Filadélfia, o qual foi estruturado a partir das treze colônias libertadas do império
inglês, com a denominação de partido democrático, gerando mais tarde o partido
republicano, em 1854.

No Brasil, também existiram os partidos conservador e liberal, no final da


Regência Trina, em 1838. Ainda durante o Império, constituiu-se o partido
republicano e, 1870, devido à tendência republicana da época, já se caminhando
para a instauração da república no Brasil Império. Este partido republicano
sucumbiu às potências regionais da época, que eram São Paulo e Minas Gerais,
dividindo-se em duas correntes: o partido republicano paulista (PRP) e o partido
republicano mineiro (PRM).

Quanto aos tipos dos sistemas partidários, Nicolau (1996, p. 38) ensina
que existem três leituras acerca das diversas tipologias dos sistemas partidários e
que explicam a existência de determinado número de partidos nas democracias: a
ideológica, a sociológica e a institucionalista.

• Na versão ideológica, a principal função dos partidos é expressar diversas


opiniões da sociedade, de modo que o número de partidos decorre da
diversidade de opiniões relevantes da sociedade.

• Segundo a interpretação sociológica, os partidos são canalizadores de


interesses de determinados segmentos ou classes sociais. Nessa
perspectiva, uma sociedade com estrutura socioeconômica complexa,
provavelmente, terá mais partidos do que aquelas com menores divisões
sociais.

• Por último, a abordagem institucionalista enfatiza o impacto da estrutura


institucional sobre o sistema partidário. Assim, as instituições democráticas
(sistema eleitoral, sistema de governo, estrutura de Estado) estabelecem o
cenário para a atuação dos partidos políticos.

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As primeiras tipologias referentes aos sistemas partidários nos países


democráticos basearam-se na distinção entre bipartidarismo e multipartidarismo.
Essa distinção encontra-se, por exemplo, na obra clássica de Maurice Duverger
(1970, p. 292) sobre os partidos políticos. Segundo ele, as opções políticas
comumente apresentam-se sob a forma dualista, de forma que o movimento
natural das sociedades orienta-se para o bipartidarismo.

O critério numérico, no entanto, é criticado, precisamente na suposição de


que a distinção tradicional entre os padrões bipartidários e multipartidários não
levou a descobertas relevantes no estudo dessa matéria. Atualmente, grande
parte dos estudiosos no assunto não utiliza o citado critério, pois seria inadequado
(OLIVEIRA; DUAILIBI, 2010).

Em oposição à classificação numérica, Sartori (1982) propôs comparar os


sistemas partidários democráticos segundo dois eixos principais: o número de
partidos e o grau de polarização ideológica.

Apesar disso, não podemos descartar totalmente a contagem numérica


para determinar um sistema partidário, isto porque a variável contábil pode
demonstrar as proporções em que o poder político é fragmentado ou não,
disperso ou concentrado (OLIVEIRA; DUAILIBE, 2010).

Duverger (1970) lembra que o Estado contemporâneo, além do bi e


multipartidarismo, adota um terceiro sistema, o unipartidarismo.

O unipartidarismo é próprio de regimes totalitários como o fascismo, o


nazismo e o comunismo. As ditaduras do século XX, com raras exceções, fizeram
do partido único o instrumento máximo da conservação do poder, sufocando o
pluralismo político, sem o qual a liberdade se extingue. O partido único é o
sustentáculo da ditadura, conforme assinala o autor. Neste sistema, o partido se
confunde com o poder e sua doutrina se torna a ideia do direito oficial.

Duverger (1970, p. 292) ressalta que existe grande correlação entre o


regime totalitário e o partido único, assim como entre democracia e pluralismo.
Segundo ele, os apologistas do sistema de partido único reconhecem-lhe dupla
função: o partido único é, ao mesmo tempo, elite e vínculo, ou seja, a era das
massas acarretou o declínio das elites tradicionais e o partido único tem por
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finalidade forjar elites, criar classe dirigente e formar os chefes políticos aptos à
organização do país. Assim, os principais chefes políticos provêm do partido,
além do que o próprio partido, como instituição, nunca cessa de controlar todos os
órgãos do Estado.

Sobre as inconveniências do sistema de partido único e sua


incompatibilidade com o regime democrático, Duverger (1970, p. 293) esclarece
que os adversários do partido único corrigem essa descrição idealizada. Para
eles, o partido constitui a variedade nova de um tipo sociológico muito antigo: a
guarda pretoriana que permite a um tirano assentar a sua ditadura. Trata-se mais
de criar uma classe privilegiada a selecionar uma elite; classe privilegiada presa
ao regime por favores especiais de que frui: vantagens materiais, monopólio das
funções administrativas, liberdade e poderes maiores que os outros cidadãos,
entre outros. De fato, a fidelidade ao ditador é o critério de entrada ou da
manutenção do partido, muito mais que o valor pessoal ou as aptidões para o
comando.

Deveras, não existe nenhum tipo de mérito no mecanismo de organização


atinente ao unipartidarismo. Aliás, a própria ideia de partido único é contraditória
se levarmos em conta a importância e finalidade dos partidos no contexto
democrático, vez que a noção de partido único se contrapõe ao ideal democrático
que pressupõe alternância do poder (OLIVEIRA; DUAILIBE, 2010).

O sistema unipartidário decorre da implantação de partido único não


somente nos regimes fascistas e comunistas, mas também nas ditaduras
modernas, como base de apoio para o aparelhamento governamental, vale dizer,
o processo revolucionário ou nacionalista termina como o sistema político anterior
e o estabelecimento de outro. Nele são recrutados elementos que devem
ascender a diferentes posições políticas. Assim, passa o Estado a contar com
uma organização monolítica, apoiada em forte esquema disciplinar, exercendo
controle sobre os meios educativos e sobre os instrumentos de comunicação de
massas.

Por sua vez, o bipartidarismo é o sistema de organização de partidos no


qual a disputa pelas preferências do eleitorado é realizada por dois partidos,

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tendo a corrente majoritária a responsabilidade pelo exercício das políticas


governamentais, cabendo ao partido minoritário o exercício do encargo de
oposição.

O bipartidarismo é considerado por alguns escritores políticos como o


sistema democrático por excelência em matéria de organização partidária. O
sistema bipartidário, porém, não significa literalmente a existência de apenas dois
partidos no cenário político. É possível que vários partidos concorram no período
eleitoral, no entanto, o sistema tecnicamente se acha de tal forma estruturado que
somente dois partidos reúnem de maneira permanente a possibilidade de chegar
ao poder.

Notadamente, Duverger (1970, p. 249) esclarece que nem sempre é fácil


distinguir entre o dualismo e o multipartidarismo, por causa da existência de
pequenas agremiações partidárias ao lado dos grandes partidos. Segundo ele,
nos Estados Unidos, por exemplo, existem alguns pigmeus atrás dos dois
gigantes – democrata e republicano: Partido Trabalhista, Partido Socialista,
Partidos dos Lavradores, Partido Proibicionista e Partido Progressista; entretanto,
a desproporção evidente entre eles e os grandes partidos tradicionais, bem como
o respectivo caráter efêmero e local, permite considerar o sistema norte-
americano tipicamente dualista.

Outra característica marcante do sistema bipartidário é que ambos os


partidos ponham-se de acordo quanto aos fundamentos de organização e direção
do Estado, vale dizer, quanto ao regime político em vigor. Disso resulta o alto grau
de estabilidade política existente nos países que adotam o sistema bipartidário
(OLIVEIRA; DUAILIBE, 2010).

Bonavides (2009) ensina que no sistema bipartidário cabe ao partido


derrotado o encargo de exercer o importante papel de oposição. Segundo esse
constitucionalista, o papel oposicionista se acha institucionalizado na Inglaterra
pelo “Minister’s of the Crown Act”, de 1937, que manda estipendiar a oposição e
lhe confere o título de oficial de “Líder da Oposição de Sua Majestade”. Nos
regimes bipartidários, faz-se necessário distinguir a implementação desse sistema
como resultante de um processo histórico de acumulação de experiências e a

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proveniente de imposição, por circunstâncias ou crises políticas (OLIVEIRA;


DUAILIBE, 2010).

Quanto ao multipartidarismo, pode ser originado por um fracionamento


interno das opiniões do partido e a superposição dos dualismos. O fracionamento
é quando há os grupos dissidentes dentro de um partido, que acabam por fundar
outros partidos. Isso ocorre geralmente com os radicais e moderadores dentro de
um partido. Já a superposição “consiste em falta de coincidência entre várias
categorias de oposições dualistas, de modo que o seu entrecruzamento dá uma
divisão multipartidarista” (DUVERGER, 1970).

Essa questão do multipartidarismo daria um curso específico para seu


entendimento na prática e as múltiplas facetas que apresenta, de moderado até
grande fragmentação. Eles implicam vantagens, desvantagens, benefícios ou
malefícios para a sociedade.

De todo modo, não é muito acreditável que eles reflitam uma democracia
genuína. E no caso brasileiro, podemos concluir com palavras de Duverger de
que o multipartidarismo é totalmente fictício, mascarando um bipartidarismo
elistista e aristocrata que, principalmente após a eleição do penúltimo presidente
tomou conta do cenário nacional.

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UNIDADE 3 – MOVIMENTOS SOCIAIS

O termo “movimentos sociais” diz respeito aos processos não


institucionalizados e aos grupos que os desencadeiam, às lutas políticas, às
organizações e discursos dos líderes e seguidores que se formaram com a
finalidade de mudar, de modo frequentemente radical, a distribuição vigente das
recompensas e sanções sociais, as formas de interação individual e os grandes
ideais culturais (ALEXANDER, 1998).

Ferreira (2003) define os movimentos sociais a partir das ações de grupos


organizados que objetivam determinados fins, ou seja, os movimentos sociais se
definem por uma ação coletiva de um grupo organizado e que objetiva alcançar
mudanças sociais por meio da luta política, em função de valores ideológicos
compartilhados questionando uma determinada realidade que se caracteriza por
algo impeditivo da realização dos anseios de tal movimento.

De imediato, vale citar as características de um movimento social:

possui liderança, base, demanda, opositores e antagonistas, conflitos


sociais, um projeto sociopolítico, entre outros.

Essas características nos levam a entender um sentido mais amplo para


movimentos sociais, ou seja, esses movimentos se definem em torno de uma
identificação de sujeitos coletivos que possuem adversários e opositores em torno
de um projeto social (SCHERER-WARREN, 2006).

Como exemplo, teríamos os movimento Negro e Indígena, que unem-se


pela força de uma identidade étnica (negra ou índia) e combatem o adversário do
colonialismo, racismo e expropriação, tendo como projeto de luta o
reconhecimento de sua identidade, suas tradições, valores e até mesmo de
manutenção de um território que vive sob constante ameaça de invasão (os
quilombos no caso dos negros e a luta pela demarcação de terras indígenas)
(GOHN, 2014).

Esses movimentos podem ser analisados por várias óticas, vieses ou


abordagens (como queiram definir), sendo que nos estudos clássicos

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encontramos pelo menos três abordagens teóricas: histórico-estrutural,


culturalista-identitária e institucional/organizacional-comportamentalista.

Costa (2013) analisa de maneira um tanto extensa que vamos tentar


resumir, as teorias propostas pelas ciências sociais para explicar os movimentos
sociais:

A corrente histórico-estrutural tem influência de autores como Karl Marx,


Antônio Gramsci, Henri Lefebvre, Rosa Luxemburgo, Leon Trotsky e Vladimir
Ilitch Lenin. A discussão travada por essa abordagem gira em torno da categoria
de movimento social dos trabalhadores, melhor dizendo, o movimento
revolucionário. Marx, responsável por construir a matriz teórica dessa abordagem,
não se dedicou exclusivamente a teorizar as ações coletivas dentro de quadros
comportamentais ou da ação social. Entretanto, ele delineou o perfil de um
movimento social concreto, o do proletariado, que se manifestava de acordo com
as contradições ocorrentes na dinâmica de classes. Para Marx, o movimento dos
trabalhadores era visto como sujeito histórico capaz de transformar o mundo das
relações sociais existentes, quebrando com a ordem vigente e propondo um novo
modelo de organização social. O estudo dos movimentos sociais sob a égide da
teoria marxista concentra-se na análise de processos históricos globais dentro
das contradições materiais existentes devido à exploração subconsequente do
processo de acumulação capitalista.

Segundo Alexander (1998), Marx foi o primeiro e mais importante


ideólogo de um movimento revolucionário do século XIX, contribuindo mais do
que qualquer outro contemporâneo para firmar o prestígio do modelo clássico ao
elaborar uma narrativa meta-histórica que deu ênfase aos interesses econômicos
e materiais e colocou em segundo plano a reflexão moral e a solidariedade, como
questões a ser consideradas em um momento histórico posterior. Pode-se
demonstrar que, em vez de a realidade social ter sido o fator determinante do
desprezo da subjetividade dos movimentos sociais, o quadro de referências
materialista nasceu de alterações no modelo teórico aplicado pelo próprio Marx.
Antes de criar a figura do líder revolucionário cujas ações são ditadas pela lógica
da sociedade industrial, Marx defendia a opinião exatamente oposta, concordando
com o pensamento dos “jovens hegelianos” de que os atores revolucionários
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teriam de passar por uma transformação emocional, moral e estética antes que
outras mudanças estruturais e objetivas pudessem ocorrer. Desde seus
Manuscritos econômicos e filosóficos, Marx insistiu que a propriedade privada só
poderia ser abolida se a alienação, a base subjetiva da objetificação – fosse
eliminada primeira.

O marxismo representava uma teoria explicativa e ao mesmo tempo


fundamentadora da ação dos movimentos revolucionários. Podemos dividi-lo em
duas correntes principais de análise: a corrente ortodoxa e a corrente histórico
humanista (heterodoxa). Nos estudos da corrente ortodoxa do marxismo, a qual
tem como principais expoentes Lenin e Trotsky, é perceptível a predominância
das análises em fatores econômicos e macroestruturais da sociedade. Seus
pressupostos gerais se baseavam nas leituras de Marx a respeito do
desenvolvimento do capital. Por outro lado, a corrente histórico humanista
(heterodoxa) retoma os estudos de Marx sobre a consciência, a ideologia e a
alienação. Expoentes dessa corrente serão encontrados nos trabalhos,
principalmente, de Gramsci, György Lukács, Rosa Luxemburgo, Escola de
Frankfurt e Manuel Castells.

O segundo tipo de abordagem, culturalista-identitária, teve influências de


diversas teorias. Podemos destacar dentro dessa linha teórica autores clássicos
como Kant, Hegel, Rousseau, Nietzsche, Weber, a Escola de Frankfurt e a teoria
crítica de forma geral. Essas teorias destacavam o papel da formação de uma
cultura e uma identidade coletiva de acordo com aparatos de dominação que
transpunham a ideia de um poder que não operasse somente no âmbito estrutural
das contradições da dinâmica de classe. Melhor dizendo, essas teorias davam
importância para um processo de dominação que não ocorria somente no campo
da economia, mas também no campo das ideias (COSTA, 2013).

A partir dos anos 1960, autores como Pierre Bourdieu, Michel Foucault,
Jürgen Habermas, Norberto Bobbio, Hanna Arendt e Anthony Giddens davam
atenção a uma produção em que o tema do poder era importante para pensar a
dinâmica social. A proposta para esses autores era pensar as dinâmicas sociais
como produto de relações entre estrutura e agência. Dentro do tema do poder e
principalmente da dominação, é preciso dar destaque para Bourdieu e Foucault.
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Bourdieu (2007) analisa o processo de dominação e a interiorização de


estruturas objetivas nas relações entre os indivíduos e o segundo através da
discussão sobre o discurso e suas práticas de subjetivação.

Para Foucault (2012), funcionava a noção de discurso não como aquilo


que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o
poder que queremos nos apoderar.

Na gama dos autores que se utilizaram dessa matriz teórica estão Alain
Touraine, Alberto Melucci, Claus Offe, Clifford Geertz, Alessandro Pizzorno,
Hanspeter Kriesi e John Scott. Esses autores procuraram destacar a questão da
identidade dos movimentos sociais em contraposto às abordagens estruturalistas
ortodoxas. Apesar da crítica às análises estruturalistas ortodoxas, havia um
diálogo profícuo com a dialética marxiana, principalmente com os trabalhos
desenvolvidos pela corrente heterodoxa (COSTA, 2013).

A última abordagem teórica clássica, e esse fato não a torna menos


importante que as outras, é a corrente denominada institucional/organizacional-
comportamentalista que se desenvolveu principalmente nos Estados Unidos.
Obteve também adeptos na Europa através das análises neoutilitaristas, mas sua
expressão maior está entre os autores norte-americanos. Os expoentes que
influenciaram essa corrente são os liberais do século XVII e XVIII: Adam Smith,
John Locke e John Stuart Mill. Além dos autores liberais, essa corrente teve forte
influência da sociologia de Robert Merton, do funcionalismo na antropologia de
Alfred Radcliffe-Brown e as teorias da ação social de Talcott Parsons. O viés
analítico desse tipo de abordagem leva em consideração fatores econômicos ou
sócio-psicológicos inseridos na teoria estrutural-funcionalista. Todo o pressuposto
se fundamentava na ideia da escolha racional dos atores no processo de
deliberação (COSTA, 2013).

Como aponta Gohn (2008, p. 30), “nesta corrente, de certa forma, um


movimento atingia seus objetivos quando se transformava numa organização
institucionalizada”.

O paradigma comportamentalista vigorou dos anos 1930 até 1960. Por


volta dos anos de 1960, onde boa parte da teoria parsoniana perde respaldo no
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meio acadêmico, esse tipo de abordagem passou por uma revisão crítica dando
origem à Teoria da Mobilização dos Recursos. Os expoentes responsáveis por
essa mudança foram Mancur Olson, Mayer Zald John McCarthy, Anthony
Oberscall e David Snow.

De acordo com Alonso (2009, p. 51-2), os pesquisadores da Teoria da


Mobilização de Recursos contra o funcionalismo, defenderam que, longe de
expressão caótica de insatisfações individuais não canalizadas pelas instituições,
movimentos, como o por direitos civis nos Estados Unidos, tinham sentido e
organização. Contra as versões economicistas do marxismo, argumentaram que
descontentamentos e motivos para a mobilização, sejam eles privações materiais
ou interesses de classe, sempre existem, o que os tornariam inócuos para
explicar a formação de mobilizações coletivas. Assim, mais importante que
identificar as razões seria explicar o processo de mobilização.

Neste sentido, esses autores atentaram para explicar o processo de


mobilização através do argumento da burocratização dos movimentos sociais.
Definiam os movimentos sociais em analogia a uma firma. Assim, gradualmente,
a hierarquia interna e as normas criadas favoreceriam a especialização dos
membros de forma a administrar os recursos coordenando, consequentemente,
suas ações. A base organizacional desses movimentos eram as associações e as
estruturas comunitárias já existentes. Apesar das críticas fundamentadas contra o
viés da escolha racional, a corrente da Teoria da Mobilização de Recursos ainda
apelava para um fator institucionalizante dos movimentos sociais, o que não
retirava de suas análises a interpretação racional e estratégica na escolha dos
agentes. Portanto, toda a explicação teórica dessa abordagem privilegiava a
racionalidade e a organização, negando a relevância das ideologias e valores na
conformação das mobilizações coletivas (ALONSO, 2009, p. 53).

A dificuldade apontada na Teoria da Mobilização de Recursos era o valor


dado à questão cultural tanto quanto um enquadramento macro histórico do
fenômeno. De um lado, esta teoria recusava totalmente a formação de uma
identidade coletiva baseada em aspectos culturais. De outro, ao estabelecer uma
análise conjuntural, não situava e nem vinculava os movimentos e as
macroestruturas envolventes no processo de análise. Pressupunha um ator
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individual com crenças e processos cognitivos, entretanto não havia uma


explicação para a formação dessa consciência (ALONSO, 2009, p. 53).

A modificação no paradigma institucional/organizacional-


comportamentalista se insere principalmente nos estudos realizados por Charles
Tilly, Sidney Tarrow e Doug McAdam no que se convencionou a chamar de
“Teoria do Processo Político”. Apesar de ter se desenvolvido também nos Estados
Unidos, como foi o caso da Teoria da Mobilização de Recursos, a teoria do
Processo Político insere casos europeus em suas análises. A chave explicativa
dessa teoria está em combinar política e cultura na explicação dos movimentos
sociais. Assim, a Teoria do Processo Político investe numa teoria da mobilização
política.

Como afirma Alonso (2009, p. 54), Tilly, o grande nome dessa linha,
construiu uma sociologia política histórica, que combina tradições e cuja ambição
é identificar os mecanismos que organizam os macroprocessos políticos no
Ocidente, por meio da comparação entre casos (...) uma vez que Tilly sai do
debate sobre revoluções, afinal episódios históricos raros, para estabelecer as
bases da discussão sobre fenômeno mais abundante: as mobilizações coletivas.

Ao propor um modelo analítico que leva em consideração os movimentos


sociais em relação às macroestruturas dentro de um aspecto histórico, Tilly e os
demais autores da Teoria do Processo Político colocaram em cena elementos
culturais para a explicação das mobilizações coletivas. A ação coletiva
coordenada deixa de ser um elemento preexistente, racionalizado e burocratizado
para se formar através da tensão solidária. Essa tensão se dá pelo fato de que no
centro dessa perspectiva, os movimentos sociais e sistemas de política
institucional são mutuamente constitutivos. Assim sendo,

para entender o fluxo e refluxo dos movimentos sociais estes precisam


ser vistos, pelo menos em parte, como um produto de mudanças em
sistemas de política institucionalizada; e de que o inverso também é
verdadeiro: mudanças na política institucionalizada muitas vezes
resultam de movimentos (McADAM; TARROW, 2011, p. 20).

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Ao abrir os olhos para o embate reconstrutivo entre política e movimentos


sociais os autores da Teoria do Processo Político deram uma explicação mais
encorpada para a compreensão dos movimentos sociais na esfera política.

As três principais abordagens teóricas sobre os movimentos sociais


descritas acima influenciaram diversos estudos em torno do mundo,
principalmente na América Latina. No período após suas formulações, elas
sofreram diversas críticas e adaptações recorrentes ao tipo de sociedade em que
estavam sendo empregadas e a dinâmica do processo social ao qual estava
destinada a compreender. O diálogo e a crítica entre as teorias se tornou
importante para pensar os movimentos sociais na contemporaneidade. Toda
discussão posterior veio trazer à tona como a relação entre movimento social e
política pode ser crucial no âmbito da construção e aprofundamento de ordens
democráticas inclusivas e plurais (COSTA, 2013).

A título de Brasil temos muitos momentos de tensão a serem lembrados e


desde o século XVI quando da Confederação dos Tamoios (1562) passando pela
Inconfidência Mineira (1789), Revolução Constitucionalista de 1932, o
Impeachment do ex-presidente Fernando Collor (1992).

Todas elas, lutas e revoltas populares cada uma com seus objetivos
específicos. Mas foi a partir da década de 70, com o regime militar, que os
movimentos se intensificaram. Lembremos dos movimentos estudantis, das
classes operárias, das comunidades eclesiais de base (CEBs) e pastorais, só
para citar assim de pronto.

E como diz Gohn (2011, p. 23), o fato inegável é que os movimentos


sociais dos anos 1970/1980, no Brasil, contribuíram decisivamente, via demandas
e pressões organizadas, para a conquista de vários direitos sociais, que foram
inscritos em leis na nova Constituição Federal de 1988.

Chegamos aos anos 90, 2000 com uma ebulição de demandas sociais
que passam pelo Movimento de Mulheres, Movimento LGBT, Movimento Negro,
Movimento Indígena e tantos outros.

E bem recentemente, o movimento via redes sociais que tem conseguido


unificar “tribos” e até mesmo partidos políticos.
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Mas a verdade é que ainda precisamos amadurecer muito para que os


objetivos sejam mais palpáveis, concreto e com uma agenda a ser seguida.

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UNIDADE 4 – CIBERDEMOCRACIA NO SÉCULO XXI

Democracia, governo do povo vem do grego demo = povo e cracia =


governo.

Numa definição bem didática podemos dizer que Democracia é um


sistema em que as pessoas de um país podem participar da vida política. Esta
participação pode ocorrer através de eleições, plebiscitos e referendos. Dentro de
uma democracia, as pessoas possuem liberdade de expressão e manifestações
de suas opiniões. A maior parte das nações do mundo atual segue o sistema
democrático.

Segundo explica o sítio da Embaixada dos Estados Unidos, embora


existam pequenas diferenças nas várias democracias, certos princípios e práticas
distinguem o governo democrático de outras formas de governo. Vejamos:

a) Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são


exercidos por todos os cidadãos, diretamente ou através dos seus
representantes livremente eleitos.

b) Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a


liberdade humana; é a institucionalização da liberdade.

c) A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados


aos direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora
respeitem a vontade da maioria, protegem escrupulosamente os direitos
fundamentais dos indivíduos e das minorias.

d) As democracias protegem de governos centrais muito poderosos e fazem a


descentralização do governo a nível regional e local, entendendo que o
governo local deve ser tão acessível e receptivo às pessoas quanto
possível.

e) As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger


direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de
religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e
participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.

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f) As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas, abertas a


todos os cidadãos. As eleições numa democracia não podem ser fachadas
atrás das quais se escondem ditadores ou um partido único, mas
verdadeiras competições pelo apoio do povo.

g) A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que


todos os cidadãos recebam a mesma proteção legal e que os seus direitos
sejam protegidos pelo sistema judiciário.

h) As democracias são diversificadas, refletindo a vida política, social e


cultural de cada país. As democracias baseiam-se em princípios
fundamentais e não em práticas uniformes.

i) Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos, têm o dever de


participar no sistema político que, por seu lado, protege os seus direitos e
as suas liberdades.

j) As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância,


da cooperação e do compromisso. As democracias reconhecem que
chegar a um consenso requer compromisso e que isto nem sempre é
realizável. Nas palavras de Mahatma Gandhi, “a intolerância é em si uma
forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro
espírito democrático”.

Embora tenha surgido na Grécia Antiga, a democracia foi pouco usada


pelos países até o século XIX. Até este século, grande parte dos países do
mundo usavam sistemas políticos que colocavam o poder de decisão nas mãos
dos governantes. Já no século XX, a democracia passou a ser predominante no
mundo e o advento de uma sociedade de mercado foi um fator central para o
nascimento de novas formas de representação política, bem como de novos
direitos e liberdades. Isto significa que o espaço econômico do mercado foi o
lugar de uma nova instituição do político: a democracia liberal é contemporânea
da sociedade de mercado (ROSENFIELD, 2003).

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A democracia, nascida nesta sociedade, produziu algumas formas de


governo mediante o critério da separação de poderes.

Segundo Bonavides (2009), quando o critério que se segue é o da


separação de poderes, que tem sido, aliás, o mais frequente desde o século XIX,
nos deparamos com as seguintes formas de governo: governo parlamentar,
governo presidencial e governo convencional ou governo de assembleia.

O governo parlamentar, sob a legítima inspiração do princípio da


separação de poderes, é aquela forma que assenta fundamentalmente na
igualdade e colaboração entre o executivo e o legislativo, e como tal foi
concebido e praticado na fase áurea do compromisso liberal entre a
monarquia, presa ao saudosismo da idade absolutista, e a aristocracia
burguesa da revolução industrial, ligada mais teórica que efetivamente às
novas ideias democráticas.

O governo presidencial, segundo as regras técnicas do rito constitucional


resulta num sistema de separação rígida dos três poderes: o executivo, o
legislativo e o judiciário.

O regime convencional se torna como um sistema de preponderância da


assembleia representativa, em matéria de governo. Daí a designação que
também recebeu de “governo de assembleia”.

Quando essas três formas apareceram em substituição usual das velhas


classificações pertinentes ao número de titulares do poder soberano, fez-se já
considerável progresso tocante à superação histórica desse dualismo monarquia-
república, que em séculos anteriores tanto apaixonara os publicistas. Mas o
formalismo das classificações perdurou o mesmo, mostrando-se de todo
inalterável, com o critério novo de caracterização dos governos, mediante a
adoção do princípio da separação de poderes (BONAVIDES, 2009).

Feitas estas considerações acerca da democracia, vamos ao leque de


possibilidades que o surgimento e desenvolvimento das novas tecnologias de
informação e comunicação nos proporcionaram a quase todos!

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Ciberdemocracia, democracia virtual ou ainda e-democracia, corresponde


a uma facilidade para que o cidadão participe mais de perto e em tempo quase
real dos acontecimentos na e da coisa pública.

Lopes e Freire (2009) falam em possível revitalização da democracia.

Rodegheri e Santos (2012) por sua vez inferem que a interconectividade,


a comunicabilidade e a interatividade da Internet possibilitam a promoção da
chamada ciberdemocracia e, assim, a construção de um debate público online, na
medida em que se permite a livre vinculação de conteúdo, de forma rápida e sem
custos, necessitando apenas de um computador conectado à Internet.

Rodrigues (2012, p. 29) lembra que a ágora era a praça pública onde se
realizavam as assembleias (do povo e do exército, por exemplo) e reuniões de
carácter comercial, cívico, político e religioso na Grécia Antiga, um espaço onde
todos podiam expor as suas ideias, sugestões e propostas. Para muitos, essa
ágora foi o verdadeiro berço da democracia, uma vez que aí os cidadãos
praticavam a liberdade de pensamento e expressão em domínios como as artes,
a política e a filosofia. Acontece que os blogs constituem um espaço onde
qualquer pessoa (que tenha acesso à Internet) pode dizer o que pensa sobre um
determinado assunto, um espaço que proporciona a troca de conhecimento e
muitas vezes impulsiona o debate. Transpomos assim a ágora, que ocupava na
sua gênese um espaço físico, uma praça pública delimitada, para um espaço
virtual proporcionado pela Internet.

A liberdade de opinião, expressão e comunicação ganharam amplo


destaque com o advento da Internet e muitos usuários, principalmente nas redes
sociais, passaram a utilizar destes direitos como se eles fossem absolutos,
ignorando um arcabouço jurídico de proteção a outros direitos fundamentais, tais
como o direito à imagem, à honra, à intimidade, à privacidade das pessoas
(RODEGHERI; SANTOS, 2012).

Esse é um tema que vem suscitando muitas discussões e ainda nos falta,
é verdade, uma legislação específica que seja capaz de medir as reais extensões
do dano quando se extrapola no dizer e em suas consequências.

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A regulamentação dos direitos e das responsabilidades no ciberespaço


contribuiria para equilibrar os interesses de quem tem os seus direitos violados e,
ao mesmo tempo, protegeria a liberdade de expressão na blogosfera, tornando os
limites ao exercício desses direitos claros e possíveis de serem sopesados em
relação ao exercício de outros direitos (RODEGHERI; SANTOS, 2012).

De todo modo, uma das principais contribuições da Internet reside na


adição, ao campo político, de novos atores que, isolados, não institucionalizados
em agremiações partidárias ou não fazendo parte do governo, sempre tiveram
suas vozes marginalizadas (MITRA, 2001).

O advento de um meio de comunicação que une o caráter massivo e


interativo permite a expressão de diferentes pontos de vista dos mais diversos
grupos, pondo em cena outras reivindicações, manifestações e a luta pela
consolidação de espaços discursivos mais ativos através das redes telemáticas
(MARQUES, 2004).

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UNIDADE 5 – TEORIA DOS JOGOS

A teoria dos jogos é:

uma teoria matemática criada para se modelar fenômenos que podem ser
observados quando dois ou mais “agentes de decisão” interagem entre si.
Ela fornece a linguagem para a descrição de processos de decisão
conscientes e objetivos envolvendo mais do que um indivíduo;

usada para se estudar assuntos tais como eleições, leilões, balança de


poder, evolução genética, entre outros;

uma teoria matemática pura, que pode e tem sido estudada como tal, sem
a necessidade de relacioná-la com problemas comportamentais ou jogos
per se.

Algumas pessoas acreditam que a teoria dos jogos formará em algum dia
o alicerce de um conhecimento técnico estrito de como decisões são feitas e de
como a economia funciona. O desenvolvimento da teoria ainda não atingiu este
patamar e, hoje, a teoria dos jogos é mais estudada em seus aspectos
matemáticos puros e, em aplicações, ela é usada como uma ferramenta ou
alegoria que auxiliam no entendimento de sistemas mais complicados (SARTINI
et al., 2004).

Os mesmo autores ressaltam a diferença entre teoria combinatória dos


jogos e teoria econômica dos jogos, a qual nos interessa. A primeira se concentra
nos aspectos combinatórios dos jogos de mesa e não permite elementos
imprevisíveis como o lançamento de um dado ou o baralhamento de cartas,
enquanto que a teoria econômica dos jogos, além de ter motivações
predominantemente econômicas, procura estabelecer métodos para se maximizar
o ganho.

Para Robert Aumann que recebeu, em 2005, o Prêmio Nobel de


Economia por seus estudos na área da Teoria dos Jogos, ela é uma ciência que
examina situações em que dois ou mais indivíduos ou entidades lutam por
diferentes objetivos, nem sempre opostos. Cada jogador tem consciência de que
os outros também agem de forma a atingir as próprias metas. Um exemplo óbvio
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são os jogos recreativos ou esportivos, como o xadrez, o pôquer e o futebol, em


que todos os participantes possuem metas próprias. No xadrez, cada peça
movida por um jogador desencadeia uma série de reações no adversário. A
compra de uma casa também pode ser analisada por meio da Teoria dos Jogos,
mas sugere um cenário completamente diferente, pois o comprador tem objetivos
comuns aos do vendedor. Ambos estão interessados em que o negócio se
concretize. Alguns aspectos da negociação, porém, são opostos, porque o
comprador quer um preço mais baixo e o vendedor um preço mais alto. Nessa
disputa, o comprador analisa os movimentos do vendedor, e vice-versa. Cada um
pensa sob o ponto de vista do outro para elaborar uma maneira de atuar. O
mesmo vale para a política ou para a guerra (SCHELP, 2009).

Ao ser perguntado de que maneira a Teoria dos Jogos pode ajudar a


evitar ou solucionar guerras, Aumann diz que é preciso identificar os elementos
comuns a diferentes situações de conflito. Em diversos conflitos atuais, há uma
tentativa de resolver o problema tomando medidas para agradar à outra parte. Há
quem pense que atender às demandas do adversário pode trazer a paz. Basta
usar raciocínio lógico e analisar a história para ver que isso não é verdade. O
senso comum diz que a II Guerra Mundial foi causada por Adolf Hitler. Há alguma
verdade nisso, porque foi ele quem ordenou a invasão da Polônia em setembro
de 1939. Mas o papel desempenhado pelo primeiro-ministro inglês Neville
Chamberlain é frequentemente negligenciado. É impressionante ler os jornais
daquele tempo e perceber quanto a retórica de Chamberlain era similar ao que
ouvimos hoje em dia na diplomacia: “Nós temos de conseguir a paz, temos de
entender o outro lado, temos de fazer concessões […]”.

Chamberlain estava tão obcecado em garantir a paz que passou a


atender a todas as demandas de Hitler. Ao fim das negociações de Munique, em
1938, ele perguntou a Hitler se todas as exigências da Alemanha haviam sido
atendidas. Hitler disse que sim. Chamberlain, então, voltou a Londres, exibiu
pomposamente o acordo assinado com Hitler e proferiu a frase que entraria para
a história dos piores erros de avaliação: “A paz em nosso tempo está
assegurada”. Dias depois, as tropas alemãs ocuparam os Sudetos. Meses depois,
tomaram a então Checoslováquia. Um ano depois, Hitler invadiu a Polônia. Só
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então a Inglaterra declarou guerra à Alemanha e Hitler ficou furioso. Ele tinha
razões para isso, pois Chamberlain levou-o a acreditar que a Inglaterra aceitaria
qualquer coisa que ele fizesse, sem limites. As concessões de Chamberlain foram
um incentivo para Hitler, e elas levaram o mundo à II Grande Guerra.

Pois bem, ao ser questionado se fazer concessões não ajuda, qual seria
então o incentivo para acabar com um conflito?

É preciso dizer na mesa de negociação: “Não vamos aceitar essas


demandas e, se vocês insistirem nelas, vamos revidar com violência”. Há dois
tipos de incentivo: a cenoura e o porrete. Theodore Roosevelt dizia para falar com
suavidade, mas ter sempre à mão um porrete. Se Chamberlain tivesse dito a
Hitler, em 1938, em Munique que não aceitaria certas demandas, Hitler teria de
recuar, porque não estava ainda preparado para a guerra. Na crise dos mísseis
de Cuba, em 1962, o presidente americano John Kennedy deixou claro aos
russos que, se os mísseis não fossem retirados da ilha, os Estados Unidos
agiriam. Com isso, Kennedy conseguiu a paz […](SCHELP, 2009).

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UNIDADE 6 – OS DIREITOS HUMANOS

Os direitos humanos nasceram da necessidade dos cidadãos em serem


titulares de certos direitos em relação a seu Estado soberano e, posteriormente,
em relação à sociedade internacional. Desenvolveram-se sempre com as
necessidades impostas pelos indivíduos em determinadas épocas com o intuito
de resguarda a dignidade humana, concebida como fundamento dos direitos
humanos (CAMPOS, 2008).

Existe uma gama de autores (como Fábio Konder Comparato, João


Baptista Herkenhoff, dentre outros defensores de que o fato de não existirem
freios ao Poder, não quer dizer que não existiram as ideias) que sustentam que os
direitos fundamentais perfazem um longo caminho histórico, tendo posições que
acreditam ser de meados de 2000 a.C., as primeiras manifestações, no direito da
Babilônia, outras posições os reconhecem na Grécia Antiga e na Roma
Republicana. Estas opiniões carecem de fundamentos históricos.

Sarlet (2007, p. 33) entende como pacífico que os direitos fundamentais


não surgiram na antiguidade, porém é notória a influência do mundo antigo nos
direitos fundamentais por meio da religião e da filosofia, que colaboraram na
concepção jusnaturalista de que o ser humano, pelo simples fato de existir, já é
detentor de direitos fundamentais; esta fase costuma ser denominada pela
doutrina como “pré-história” dos direitos fundamentais.

É em pleno século XVIII, que se pode encontrar a primeira aparição de


reais direitos fundamentais, apesar do dissídio levantado por Sarlet (2007) diante
da “paternidade” dos direitos fundamentais, que seria disputada entre a
Declaração de Direitos do povo da Virgínea, de 1776, a Constituição Americana
de 1787 (primeira constituição escrita) e a Declaração Francesa, de 1789, estas
declarações seriam os primeiros documentos a representar os direitos
fundamentais.

Para Bonavides (2007), é neste sentido que a Revolução Francesa,


fixando direitos civis e políticos para que gradativamente fossem alcançados os
princípios universais do lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, fora a grande

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precursora dos direitos fundamentais caracterizados através da posição de


resistência ou de oposição frente ao Estado.

Para Nicolao (2010), não tem sustentação defender a existência de


direitos fundamentais antes mesmo da existência de um estado social. Percebe-
se, que apenas com a promulgação das declarações, pode-se identificar a
presença do que seria o início dos direitos fundamentais.

Cavalcante Filho (2010) também entende que há várias correntes que


divergem sobre quando teria se manifestado pela primeira vez a limitação do
poder do Estado por meio de uma Constituição ou de algo a ela assemelhado.

Atualmente, o movimento constitucionalista passou a lutar por vários


outros objetivos (democracia efetiva, desenvolvimento econômico e ambiental,
entre outros). Mas, mesmo assim, não perdeu de vista a defesa dos direitos
fundamentais, que continua sendo uma de suas matérias básicas.

No Brasil, os direitos fundamentais estão preconizados no Título II da


CRFB/88, sendo que o constituinte considerou ilegítima qualquer proposta
tendente a aboli-los, artigo 60, § 4º, IV da Constituição (as chamadas cláusulas
pétreas) (MINARDI, 2008).

Os direitos fundamentais se aplicam tanto às pessoas físicas quanto as


pessoas jurídicas. Na primeira situação são titulares:

a) Brasileiros natos.

b) Brasileiros naturalizados.

c) Estrangeiros residentes no Brasil.

d) Estrangeiros em trânsito pelo território nacional.

e) Qualquer pessoa que seja alcançada pela lei brasileira (pelo


ordenamento jurídico brasileiro).

É preciso, porém, fazer uma ressalva: existem determinados direitos


fundamentais cuja titularidade é restringida pelo próprio Poder Constituinte. Por
exemplo:

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existem direitos que se direcionam apenas a quem esteja pelo menos em


trânsito pelo território nacional (garantias contra a prisão arbitrária);

outros direcionam-se apenas aos brasileiros, sejam natos ou naturalizados


(direito à nacionalidade, direitos políticos); e,

outros são destinados apenas aos brasileiros natos (direito à não


extradição, direito de ocupar determinados cargos públicos).

Pode-se dizer que existe, então, uma verdadeira gradação na ordem


enumerada anteriormente: os brasileiros natos possuem mais direitos que os
brasileiros naturalizados que possuem mais direitos que os estrangeiros
residentes, entre outros (CAVALCANTE FILHO, 2010).

Os Direitos Fundamentais visam assegurar a todos uma existência digna,


livre e igual, criando condições à plena realização das potencialidades do ser
humano (BIANCO, 2006).

Nas palavras de Moraes (2002), temos como definição que os Direitos


Fundamentais são um conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser
humano que tem por finalidade básica o respeito a sua dignidade, por meio de
sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições
mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana.

Por serem indispensáveis à existência das pessoas, possuem as


seguintes características:

são intransferíveis e inegociáveis, portanto inalienáveis;

não deixam de ser exigíveis em razão do não uso, portanto, são


imprescritíveis;

nenhum ser humano pode abrir mão da existência desses direitos, ou seja,
são irrenunciáveis;

devem ser respeitados e reconhecidos no mundo todo, o que representa a


sua universalidade; e,

não são absolutos, podem ser limitados sempre que houver uma hipótese
de colisão de direitos fundamentais que significa a sua limitabilidade.

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É importante salientar que esses direitos são variáveis, modificando-se ao


longo da história de acordo com as necessidades e interesses do homem. Essa
transformação é explicada com base na teoria das gerações de direitos
fundamentais, criada a partir do lema revolucionário francês (liberdade, igualdade,
fraternidade) (BIANCO, 2006).

Segundo Cavalcante Filho (2010), trata-se de uma classificação que leva


em conta a cronologia em que os direitos foram paulatinamente conquistados pela
humanidade e a natureza de que se revestem. Importante ressaltar que uma
geração não substitui a outra, antes se acrescenta a ela, por isso a doutrina
prefere a denominação “dimensões”.

Mas, vejamos um pouco da justificação política dos direitos humanos, ou


seja, como a ciência política lá atrás, em tempos iluministas se debruçou sobre a
questão dos direitos humanos.

É bem verdade que a revolução científica introduzida por Képler, Galileu e


Newton, no século XVII, teve consequências irreversíveis e influenciou
decisivamente os pensadores iluministas do século XVIII. Com efeito, se até
então o método filosófico era identificado ao conceito de sistema, desenvolvido a
partir de um axioma inicial do qual são logicamente deduzidas uma série de
proposições, com o surgimento da ciência natural moderna ele passa a depender
da experiência e da observação sistemática da realidade. Ao espírito de sistema é
substituído o espírito sistemático. No campo da política e do direito, torna-se
necessário, portanto, retrabalhar o conceito de direito natural, tão caro aos
escolásticos e que podemos encontrar até entre os antigos.

O primeiro a apontar, para o direito natural, as consequências dessa


transformação radical foi Thomas Hobbes. A solução por ele proposta é o
estabelecimento de um contrato por meio do qual os indivíduos se colocam sob a
proteção de um soberano, que tem por missão principal manter a paz, nem que
seja pela força. Mais tarde, Jean-Jacques Rousseau reformulou a ideia de
contrato de Hobbes, de modo a fazer com que os próprios cidadãos reunidos
constituíssem o soberano. Tornou-se então possível, para Immanuel Kant, definir
a autonomia como princípio da moralidade. Pode-se afirmar que estes três

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autores lançaram as bases do que veio a ser a teoria dos direitos humanos
(COMPARATO, 2015).

Norberto Bobbio, um dos maiores filósofos da contemporaneidade,


também se debruçou a estudar os direitos humanos, filosofia e política.

Segundo Oliveira (2007), o estudo dos direitos humanos conduz,


necessariamente, à análise de sua relação com o próprio homem, seu
destinatário. Dessa maneira, no plano histórico, busca-se a justificação dos
valores naquilo que representam ao homem, que lhe possibilitem o
desenvolvimento da personalidade, da convivência pacífica e da solidariedade
social. No tocante à definição de direitos humanos, constata-se que isso vem
sendo feito de modo vago e insatisfatório, ainda mais quando se busca um
fundamento absoluto, único. Nesse sentido, cabe considerar as seguintes
definições de Bobbio (1992, p. 17):

1. Tautológicas – estabelecem que direitos do homem são os que cabem


ao homem enquanto homem. Não indicam qualquer elemento que os caracterize.

2. Formais – desprovidas de conteúdo e meramente portadoras do


estatuto proposto para esses direitos. Assim, direitos do homem são aqueles que
pertencem, ou deveriam pertencer, a todos os homens, ou dos quais nenhum
homem pode ser despojado.

3. Teleológicas – embora tragam alguma menção ao conteúdo, pecam


pela introdução de termos avaliativos, ao sabor da ideologia do intérprete, como
“direitos do homem são aqueles cujo reconhecimento é condição necessária para
o aperfeiçoamento da pessoa humana, ou para o desenvolvimento da civilização,
entre outros”.

Oliveira (2007) defende que devemos analisar que a dignidade do ser


humano enquanto membro vivente de uma sociedade está situada num contexto
político atualmente marcado por grandes injustiças sociais, profundas diferenças
socioeconômicas e pelas não menos trágicas disparidades de distribuição de
renda. Para que um ser humano tenha direitos e possa exercê-los, é
indispensável que seja reconhecido e tratado como pessoa, o que vale para todos
os seres humanos. Reconhecer e tratar alguém como pessoa é respeitar sua
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vida, mas exige que também seja respeitada a dignidade, própria de todos os
seres humanos. Nenhum homem deve ser humilhado ou agredido por outro,
ninguém deve ser obrigado a viver em situação de que se envergonhe perante os
demais, ou que os outros considerem indigna ou imoral.

No entanto, continua Oliveira, na realidade, enfrentamos sérios problemas


acerca dos direitos sociais, evidenciando que um dos princípios fundamentais, a
Dignidade da Pessoa Humana, não foi efetivamente concretizado. Com efeito,
não é possível enxergar a categoria de cidadão naquele que não dispõe da
própria dignidade, de uma vida digna. Assim, existe uma grande distância, um
paradoxo entre o que está escrito nas Declarações e o que há de concreto, pois
não basta apenas estar inserido nos textos internacionais e na maioria das
constituições dos países ocidentais, sendo fundamental a ação do Estado, para
realizá-los.

Veremos na unidade que trata das relações entre economia e teoria


política, algumas doutrinas e movimentos como o liberalismo e a social-
democracia que tem íntima relação também com a questão dos direitos humanos.

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UNIDADE 7 – ARTE ENGAJADA

Segundo Napolitano (2011), a relação entre arte e política é um tema


amplo e bastante explorado pelas ciências humanas. Grosso modo, a relação
entre arte e política pode se apresentar sob dois aspectos básicos:

a) como arte ligada e a serviço de uma ordem política vigente e de um


poder constituído; ou,

b) como arte engajada que critica esse mesmo poder e uma dada ordem
vigente, relacionando mais a processos de lutas de caráter contestatório.

A reflexão sobre as conexões entre arte e política deve partir da análise


histórica da “produção cultural” como um todo, definida como

produção de fenômenos que contribuem, mediante a representação ou


reelaboração simbólica das estruturas materiais, para a compreensão,
reprodução ou transformação do sistema social, relativa a todas as
práticas e instituições dedicadas à administração, renovação e
reestruturação de sentido (CANCLINI, 1982, p.29).

A arte é uma das dimensões mais importantes destes fenômenos. A arte,


portanto, faz parte da “esfera cultural”, “terreno onde política, poder e dominação
são mediados” (ESCOSTEGUY, 2001, p.14). Portanto, quando se discute a “arte
engajada”, na verdade o que acontece é um tangenciamento de categorias
correlatas como o papel do intelectual e do “artista-intelectual” (ou seja, aquele
que produz uma reflexão sobre a sua poética), bem como a relação entre
linguagem artística e valores políticos.

Vamos de encontro a dois conceitos: arte militante e arte engajada


propriamente dita.

O primeiro conceito procura mobilizar as consciências e paixões,


incitando a ação dentro de lutas políticas específicas, com suas facções
ideológicas bem delimitadas, veiculando um conjunto de críticas à ordem
estabelecida, em todas as suas dimensões.

A arte engajada, por sua vez, de caráter mais amplo e difuso, define-se a
partir do empenho do artista em prol de uma causa ampla, coletiva e ancorada em
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“imperativo moral e ético” que acaba desembocando na política, mas não parte
dela. Em que pese o caráter um tanto arbitrário destas definições conceituais da
arte política de caráter contestatório, elas visam delimitar de forma mais precisa
termos pouco definidos e que frequentemente se confundem, mas que
conceitualmente não devem ser tomados como sinônimos no plano da análise
histórico-sociológica (NAPOLITANO, 2011).

Estas duas dimensões da arte politizada são complementares e muitas


vezes compartilham camadas de sentido de uma mesma obra de arte ou de uma
mesma trajetória autoral. Assim, a arte militante parte da política para atuar na
tríade “agitação-propaganda-protesto”, dirigida pelos partidos e grupos
politicamente organizados, enquanto a arte engajada chega na política a partir de
uma atitude “voluntária e refletida” sobre o mundo. Em ambas vertentes, o
problema da autonomia da arte (dimensão espiritual) e da linguagem (dimensão
formal) está colocado como desafio, não apenas para o artista que produziu a
obra, mas também para o crítico e o pesquisador que se debruçam sobre ela.

De Marx a Lukács, vamos encontrar muitos cientistas que também se


debruçam a estudar as relações entre arte e política, relacionando estética e
política e as tensões existentes nesses campos quando se torna a arte algo
politizada.

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UNIDADE 8 – POLÍTICAS PÚBLICAS

8.1 De política a políticas públicas – individualizando termos, conceitos e


aplicações

O termo política na língua portuguesa, assim como em outras línguas


latinas, pode assumir duas conotações principais, que a língua inglesa consegue
diferenciar usando os termos politics e policy, (RUA, 2009; SECCHI, 2010).

Assim, o termo política quando com o sentido de politics tem na


concepção de Bobbio (2002) citado por Secchi (2010, p. 1), o sentido de
“atividade humana ligada a obtenção e manutenção dos recursos necessários
para o exercício do poder sobre o homem”.

Para Rua (1998), a política consiste no conjunto de procedimentos


formais e informais que expressam relações de poder e que se destinam à
resolução pacífica dos conflitos quanto aos bens públicos.

Quando o termo política assume o sentido expresso pelo termo policy,


segundo Secchi (2010), é mais concreto e tem relação com orientações para a
decisão e ação, sendo que o termo política pública (public policy) a ela está
vinculado.

A política pública surgiu como um subcampo significativo dentro da


disciplina de Ciência Política entre os anos 1960 e 1970, afirma Sabatier (1995
apud LIMA, 2012) que complementa informando que Daniel Lerner e Harold
Lasswell são apontados por estudiosos como pioneiros em trabalhos sobre a
mesma.

Souza (2006 apud LIMA, 2012) considera que a área de políticas públicas
contou com quatro grandes “pais” fundadores: além de Laswell, Simon, Lindblom
e Easton.

Inicialmente, deve-se ter que política pública é um conjunto de decisões e


não uma decisão isolada. Rua (2009, p. 20) afirma que “embora uma política
pública implique decisão política, nem toda decisão política chega a constituir uma
política pública”.

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Souza (2006) explica com muita propriedade que entender a origem e a


ontologia de uma área do conhecimento é importante para melhor compreender
seus desdobramentos, sua trajetória e suas perspectivas. E sua revisão de
literatura sobre políticas públicas nos abrirá um leque de possibilidades.

A política pública enquanto área de conhecimento e disciplina acadêmica


nasceu nos EUA, rompendo ou pulando as etapas seguidas pela tradição
europeia de estudos e pesquisas nessa área, que se concentravam, então, mais
na análise sobre o Estado e suas instituições do que na produção dos governos.
Assim, na Europa, a área de política pública vai surgir como um desdobramento
dos trabalhos baseados em teorias explicativas sobre o papel do Estado e de uma
das mais importantes instituições do Estado – o governo –, produtor, por
excelência, de políticas públicas.

Nos EUA, ao contrário, a área surgiu no mundo acadêmico sem


estabelecer relações com as bases teóricas sobre o papel do Estado, passando
direto para a ênfase nos estudos sobre a ação dos governos.

O pressuposto analítico que regeu a constituição e a consolidação dos


estudos sobre políticas públicas é o de que, em democracias estáveis, aquilo que
o governo faz ou deixa de fazer é passível de ser: (a) formulado cientificamente;
e, (b) analisado por pesquisadores independentes. A trajetória da disciplina, que
nasce como subárea da ciência política, abre o terceiro grande caminho trilhado
pela ciência política norte-americana no que se refere ao estudo do mundo
público. O primeiro, seguindo a tradição de Madison, cético da natureza humana,
focalizava o estudo das instituições, consideradas fundamentais para limitar a
tirania e as paixões inerentes à natureza humana. O segundo caminho seguiu a
tradição de Paine e Tocqueville, que viam, nas organizações locais, a virtude
cívica para promover o “bom” governo. O terceiro caminho foi o das políticas
públicas como um ramo da ciência política para entender como e por que os
governos optam por determinadas ações.

Na área do governo propriamente dito, a introdução da política pública


como ferramenta das decisões do governo é produto da Guerra Fria e da
valorização da tecnocracia como forma de enfrentar suas consequências.

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Seu introdutor no governo dos EUA foi Robert McNamara que estimulou a
criação, em 1948, da RAND Corporation, organização não-governamental
financiada por recursos públicos e considerada a precursora dos think tanks.

O trabalho do grupo de matemáticos, cientistas políticos, analistas de


sistema, engenheiros, sociólogos, entre outros, influenciados pela teoria dos jogos
de Neuman, buscava mostrar como uma guerra poderia ser conduzida como um
jogo racional. A proposta de aplicação de métodos científicos às formulações e às
decisões do governo sobre problemas públicos se expande depois para outras
áreas da produção governamental, inclusive para a política social (SOUZA, 2006).

Ainda falando um pouco mais sobre essa origem americana, a mesma


autora acima cita quatro grandes fundadores do conceito.

a) Nos idos de 1930, H. Laswell introduz a expressão policy analysis (análise


de política pública), como forma de conciliar conhecimento científico/
acadêmico com a produção empírica dos governos e também como forma
de estabelecer o diálogo entre cientistas sociais, grupos de interesse e
governo.

b) H.Simon (1957) introduziu o conceito de racionalidade limitada dos


decisores públicos (policy makers), argumentando, todavia, que a limitação
da racionalidade poderia ser minimizada pelo conhecimento racional. Para
Simon, a racionalidade dos decisores públicos é sempre limitada por
problemas, tais como informação incompleta ou imperfeita, tempo para a
tomada de decisão, autointeresse dos decisores, entre outros, mas a
racionalidade, segundo Simon, pode ser maximizada até um ponto
satisfatório pela criação de estruturas (conjunto de regras e incentivos) que
enquadre o comportamento dos atores e modele esse comportamento na
direção de resultados desejados, impedindo, inclusive, a busca de
maximização de interesses próprios.

c) Lindblom (1959; 1979) questionou a ênfase no racionalismo de Laswell e


Simon e propôs a incorporação de outras variáveis à formulação e à
análise de políticas públicas, tais como as relações de poder e a integração
entre as diferentes fases do processo decisório, o que não teria
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necessariamente um fim ou um princípio. Daí por que as políticas públicas


precisariam incorporar outros elementos à sua formulação e à sua análise,
além das questões de racionalidade, tais como o papel das eleições, das
burocracias, dos partidos e dos grupos de interesse.

Easton (1965) contribuiu para a área ao definir a política pública como um


sistema, ou seja, como uma relação entre formulação, resultados e o ambiente.
Segundo Easton, políticas públicas recebem inputs dos partidos, da mídia e dos
grupos de interesse, que influenciam seus resultados e efeitos.

Política pública é uma expressão que visa definir uma situação específica
da política. A melhor forma de compreendermos essa definição é partirmos do
que cada palavra, separadamente, significa. Política é uma palavra de origem
grega, politikó, que exprime a condição de participação da pessoa que é livre nas
decisões sobre os rumos da cidade, a pólis. Já a palavra pública é de origem
latina, publica, e significa povo, do povo.

Assim, política pública, do ponto de vista etimológico, refere-se à


participação do povo nas decisões da cidade, do território. Porém, historicamente
essa participação assumiu feições distintas, no tempo e no lugar, podendo ter
acontecido de forma direta ou indireta (por representação). De todo modo, um
agente sempre foi fundamental no acontecimento da política pública: o Estado.

Souza (2006, p. 24) cita alguns conceitos, segundo alguns estudiosos


estrangeiros, que valem ser reproduzidos:

política pública é a soma das atividades dos governos, que agem


diretamente ou através de delegação, e que influenciam a vida dos
cidadãos (PETERS, 1986);

política pública é o que o governo escolhe fazer ou não fazer (DYE, 1984);

para Laswell, decisões e análises sobre política pública implicam responder


às seguintes questões: quem ganha o quê, por quê e que diferença faz.

Embasando teoricamente em várias outras definições, Souza (2006, p.


26; 2013, p. 13) define política pública como campo do conhecimento que busca,
ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa ação (variável

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independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas


ações e/ou entender por que e como as ações tomaram certo rumo em lugar de
outro (variável dependente).

Em outras palavras, o processo de formulação de política pública é


aquele através do qual os governos traduzem seus propósitos em programas e
ações, que produzirão resultados ou as mudanças desejadas no mundo real.

Concordamos com Oliveira (2012), que apesar da contribuição de Souza


para a definição de políticas públicas, entende-se que o melhor termo que o
define, por conta de seu caráter didático, é o desenvolvido por Azevedo (2003, p.
38): “política pública é tudo o que um governo faz e deixa de fazer, com todos os
impactos de suas ações e de suas omissões”.

O primeiro destaque a se fazer com relação a essa definição dada por


Azevedo é de que política pública é coisa para o governo. A sua definição é clara
nesse sentido.

Isso quer dizer que a sociedade civil, ou melhor, o povo, não é


responsável direto e nem agente implementador de políticas públicas. No entanto,
a sociedade civil, o povo, faz política, como bem afirmou Foucault (1979): todas
as pessoas fazem política, todos os dias, e até consigo mesmas! Isso seria
possível na medida em que, diante de conflitos, as pessoas precisam decidir,
sejam esses conflitos de caráter social ou pessoal, subjetivo. Socialmente, a
política, ou seja, a decisão mediante o choque de interesses desenha as formas
de organização dos grupos, sejam eles econômicos, étnicos, de gênero, culturais,
religiosos, entre outros. A organização social é fundamental para que decisões
coletivas sejam favoráveis aos interesses do grupo.

Sobre a construção do conceito de políticas públicas, cabe ressaltar a


importância dos grupos de interesse, organizados socialmente, os quais traçam
estratégias políticas para pressionaram o governo a fim de que políticas públicas
sejam tomadas em seu favor.

As políticas públicas são voltadas para saúde, educação, meio ambiente,


igualdade racial, esporte e lazer, assim como para desenvolvimento urbano e
segurança pública.
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8.2 Objetivos das políticas públicas

São objetivos das políticas públicas:

responder a demandas, principalmente dos setores marginalizados da


sociedade, considerados como vulneráveis. Essas demandas são
interpretadas por aqueles que ocupam o poder, mas influenciadas por uma
agenda que se cria na sociedade civil através da pressão e mobilização
social;

ampliar e efetivar direitos de cidadania, também gestados nas lutas sociais


e que passam a ser reconhecidos institucionalmente;

promover o desenvolvimento, criando alternativas de geração de emprego


e renda como forma compensatória dos ajustes criados por outras políticas
de cunho mais estratégico (econômicas);

regular conflitos entre os diversos atores sociais que, mesmo hegemônicos,


têm contradições de interesses que não se resolvem por si mesmas ou
pelo mercado e necessitam de mediação (TEIXEIRA, 2002).

Os objetivos das políticas têm uma referência valorativa e exprimem as


opções e visões de mundo daqueles que controlam o poder, mesmo que, para
sua legitimação, necessitem contemplar certos interesses de segmentos sociais
dominados, dependendo assim da sua capacidade de organização e negociação.

8.3 Tipologia das políticas públicas

Dentre as várias tipologias desenvolvidas sobre políticas públicas, talvez


a mais conhecida seja a de Theodor Lowi (1964; 1972), mas existem outras como
o modelo de políticas autorregulatórias de Salisbury; as políticas majoritárias de
Wilson e as formulações de Gormley. Vejamos alguns desses modelos.

De acordo com Lowi, a política pública faz a política. Com essa máxima,
Lowi quis dizer que cada tipo de política pública vai encontrar diferentes formas
de apoio e de rejeição e que disputas em torno de sua decisão passam por
arenas diferenciadas (SOUZA, 2006).

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Para Lowi, a política pública pode assumir quatro formatos:

O primeiro é o das políticas distributivas, decisões tomadas pelo governo,


que desconsideram a questão dos recursos limitados, gerando impactos mais
individuais do que universais, ao privilegiar certos grupos sociais ou regiões, em
detrimento do todo.

O segundo é o das políticas regulatórias, que são mais visíveis ao


público, envolvendo burocracia, políticos e grupos de interesse.

O terceiro é o das políticas redistributivas, que atinge maior número de


pessoas e impõe perdas concretas e no curto prazo para certos grupos sociais, e
ganhos incertos e futuro para outros; são, em geral, as políticas sociais
universais, o sistema tributário, o sistema previdenciário e são as de mais difícil
encaminhamento.

O quarto é o das políticas constitutivas, que lidam com procedimentos.


Cada uma dessas políticas públicas vai gerar pontos ou grupos de vetos e de
apoios diferentes, processando-se, portanto, dentro do sistema político de forma
também diferente (SOUZA, 2006).

Ao buscar uma tipologia capaz de melhor iluminar o complexo


emaranhado das políticas públicas, William T. Gormley (1986) desafia as
formulações de Lowi e de Wilson acerca dos padrões de interação nas políticas
regulatórias.

Gormley propõe que seja descartada a suposição de que as políticas


regulatórias, em sua generalidade, sejam inerentemente complexas e conflituosas
(RUA; ROMANINI, 2013).

O autor defende que, no amplo domínio da política regulatória, os


problemas diferem quanto à complexidade técnica e quanto ao conflito entre os
atores afetados, com importantes consequências sobre a política pública. Dessa
maneira, uma tipologia baseada na Teoria da Defesa Pública, focalizando
especificamente os processos de regulação, auxilia a entender as diferenças na
utilidade da política (politics) e das políticas (policies) regulatórias. O pensador
argumenta que os padrões de interação do atores (politics) nas políticas

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regulatórias variam sistematicamente entre as issue áreas, a depender da


saliência e da complexidade técnica das questões a serem decididas (RUA;
ROMANINI, 2013).

Essa saliência ou relevância diz respeito ao grau de visibilidade das


políticas em uma sociedade; a saliência incentiva a atividade política por parte
dos atores políticos e dos representantes eleitos e influencia o grau de atividade
institucional. A complexidade técnica relaciona-se ao nível de conhecimento
necessário para a formulação e a implementação de uma política pública. Com
fundamentos no ajuste entre essas variáveis.

Gormley identifica quatro padrões de políticas regulatórias, cada um deles


envolvendo uma configuração própria de participantes, de critérios de escolha ou
decisão e de distorções:

a) Políticas de Sala Operatória: caracterizam-se por elevada


complexidade e muita saliência, ou seja, exigem profundo conhecimento técnico e
têm muita visibilidade, chamando bastante a atenção da sociedade. Ex.:
legislação sobre OGMs (organismos geneticamente modificados - transgênicos),
licenciamento de medicamentos e normas para procedimentos complexos
relativos à saúde, entre outros.

b) Políticas de Audiência: apresentam baixa complexidade, porém muita


saliência. Sua formulação não demanda conhecimentos especializados, mas atrai
muita atenção do público, frequentemente porque envolvem ideologia e valores.
Ex.: cotas raciais, descriminalização do aborto e do uso de drogas, entre outros.

c) Políticas de Sala de Reuniões: exibem elevada complexidade técnica,


mas tem pouca saliência, sendo pouco visíveis e recebendo pouca atenção da
população em geral. Ex.: Lei de Eficiência Energética, política cambial, política
tributária, regulamentação do setor financeiro, entre outros.

d) Políticas de Baixo Escalão (“Street-Level Policy”): agregam reduzida


complexidade técnica e pouca saliência. Caracterizam-se por não exigirem
conhecimentos específicos e conquistam pouca atenção popular. Habitualmente,
estão relacionadas a rotinas administrativas, regulamentos simples, entre outros.
(RUA; ROMANINI, 2013).
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Ao averiguar outra dimensão das políticas públicas, Gustafsson (1983)


adota outro critério de tipificação e sugere que as políticas públicas sejam
divididas conforme:

a) a intenção dos governantes de implementar a policy; e,

b) a disponibilidade de conhecimento para sua formulação e


implementação (que se aproximaria do critério da complexidade técnica de
Gormley).

Com base nessas variáveis são identificados os seguintes tipos:

a) Políticas Reais: são aquelas que os governantes possuem a intenção


efetiva de implementar e possuem o conhecimento requerido para isso. Nesse
caso, selecionam-se as estratégias e alocam-se os recursos com a finalidade de
que os problemas políticos sejam, de fato, resolvidos.

b) Políticas Simbólicas: são aquelas que ocorrem quando, mesmo em


posse do conhecimento necessário, os governantes não têm intenção de
implementar as políticas. Elas podem até ser formuladas, com o objetivo de
oferecer uma aparente resposta às demandas, contudo não há compromisso
algum, por parte governantes, com sua implementação.

c) Pseudopolíticas: são aquelas que os governantes têm a real intenção


de implementar, porém, não dispõem do conhecimento essencial para tal fim.
Podem ser observadas quando os governantes procuram especialistas em
formulação de projetos, consultores, entre outros, indicando seu interesse em
formular e implementar políticas efetivas; no entanto, um exame mais atento
mostra que eles enfrentam problemas de baixa capacidade de gestão, o que
compromete as possibilidades de atender efetivamente às demandas por políticas
públicas. Hoje, no Brasil, um grande número de estados e municípios encontra-se
nessa situação.

d) Políticas Sem Sentido: são aquelas que os governantes não pretendem


implementar, nem contam com o saber necessário para tanto. São proposições
descabidas, sem fundamentos no conhecimento técnico, e que são usadas

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somente como discurso político, sem compromisso para com a satisfação das
demandas (RUA; ROMANINI, 2013).

Vale frisarmos que as políticas públicas, sejam elas para efetivar direitos
sociais, ou implementar políticas econômicas, devem ser direcionadas para o
desenvolvimento.

As ações do Estado, como um todo devem ser planejadas para uma única
meta, o que demanda prestações com o intuito de fomentar as transformações
necessárias para quebrar o paradigma do subdesenvolvimento (VASCONCELOS;
MENDONÇA, 2008).

Guarde...

A política pública é desenvolvida para enfrentar um problema público, elas


se desenvolvem através de um ciclo que visa uma organização na elaboração das
políticas públicas, apesar desse ciclo ter sua utilidade, ele não tem refletido sua
real dinâmica ou organização de uma política pública. As fases devem ser
elaboradas, segundo Leonardo Secchi, na seguinte ordem: identificação do
problema, formação da agenda, formulação de alternativas, tomada de decisões,
implementação, avaliação, e extinção, tais fases geralmente se apresentam
misturadas e por isso as sequências se alternam.

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UNIDADE 9 – IDEOLOGIA POLÍTICA

O termo ideologia aparece pela primeira vez em 1801 no livro de Destutt


de Tracy, Eléments d'ldéologie (Elementos de Ideologia). Juntamente com o
médico Cabanis, com De Gérando e Volney, DeStutt de Tracy pretendia elaborar
uma ciência da gênese das ideias, tratando-as como fenômenos naturais que
exprimem a relação do corpo humano, enquanto organismo vivo, com o meio
ambiente. Elabora uma teoria sobre as faculdades sensíveis, responsáveis pela
formação de todas as nossas ideias: querer (vontade), julgar (razão), sentir
(percepção) e recordar (memória). Os ideólogos franceses eram antiteológicos,
antimetafísicos e antimonárquicos (CHAUÍ, 2004).

Eles pertenciam ao partido liberal e esperavam que o progresso das


ciências experimentais, baseadas exclusivamente na observação, na análise e
síntese dos dados observados, pudesse levar a uma nova pedagogia e a uma
nova moral. Contra a educação religiosa e metafísica, que permite assegurar o
poder político de um monarca, De Tracy propõe o ensino das ciências físicas e
químicas para “formar um bom espírito”, isto é, um espírito capaz de observar,
decompor e recompor os fatos, sem se perder em vazias especulações. Cabanis
pretende construir ciências morais dotadas de tanta certeza quanto as naturais,
capazes de trazer a felicidade coletiva e de acabar com os dogmas, desde que a
moralidade não seja separada da fisiologia do corpo humano (CHAUÍ, 2004).

Numa breve evolução, o termo ideologia voltou a ser empregado em um


sentido próximo ao do original por Augusto Comte em seu Cours de Philosophie
Positive. O termo, agora, possui dois significados por um lado, a ideologia
continua sendo aquela atividade filosófico-científica que estuda a formação das
ideias a partir da observação das relações entre o corpo humano e o meio
ambiente, tomando como ponto de partida as sensações; por outro lado, ideologia
passa a significar também o conjunto de ideias de uma época, tanto como
“opinião geral” quanto no sentido de elaboração teórica dos pensadores dessa
época.

A concepção positivista de ideologia encerra três características:

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1) Define a teoria de tal modo que a reduz à simples organização


sistemática e hierárquica de ideias, sem jamais fazer da teoria a tentativa de
explicação e de interpretação dos fenômenos naturais e humanos a partir de sua
origem real. Para o positivista, tal indagação é tida como metafísica ou teológica,
contrária ao espírito positivo ou científico.

2) Estabelece entre a teoria e a prática uma relação autoritária de mando


e de obediência, isto é, a teoria manda porque possui as ideias e a prática
obedece porque é ignorante. Os teóricos comandam e os demais se submetem;

3) Concebe a prática como simples instrumento ou como mera técnica


que aplica automaticamente regras, normas e princípios vindos da teoria. A
prática não é ação propriamente dita, pois não inventa, não cria, não introduz
situações novas que suscitem o esforço do pensamento para compreendê-las
(CHAUÍ, 2004).

Concordamos com Ramalho (2012) que até o momento o termo se nos


apresenta de maneira bem complexa não é mesmo?

É um termo que acumula contradições, paradoxos, arbitrariedades,


ambiguidades, equívocos e mal-entendidos, o que torna exatamente difícil
encontrar seu caminho nesse labirinto.

Em 1812, Napoleão Bonaparte, utilizou o termo ideologia como o de “ideia


falsa” ou “ilusão”, num discurso perante o Conselho de Estado, ao afirmar que
seus adversários eram apenas metafísicos, pois o que pensavam não tinha
conexão com que estava acontecendo na realidade, na história.

Karl Marx retomou esse conceito, conservando esse significado


napoleônico do termo, isto, o ideólogo é o sujeito que inverte as relações entre as
ideias e o real. Em A Ideologia Alemã (1846), o conceito de ideologia parece
como equivalente a ilusão, falsa consciência, concepção idealista na qual a
realidade é invertida e as ideias aparecem como motor da vida real. Trata-se de
um sistema elaborada de representações e de ideias que correspondem a formas
de consciência que os homens têm em determinada época.

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Para Marx, claramente, as ideias das classes dominantes são as


ideologias dominantes na sociedade. Com base nos pressupostos teóricos do
materialismo histórico, o pensador alemão demonstra que a ideologia não surge
do nada. Ou seja, é produzida a partir das relações socioeconômicas, da luta de
classes, das contradições que existem na sociedade em que vivemos, com o
objetivo de tentar justificar, amenizar ou ocultar seus conflitos, tornando-os
aceitáveis e naturais.

A existência da propriedade privada e as diferenças entre proprietários e


não proprietários aparecem, por exemplo, nas apresentações sociais dos
indivíduos como algo que sempre existiu e que faz parte da “ordem natural” das
coisas. Essas representações sociais, porém, servem aos interesses da
burguesia, classe social que controla os meios de produção numa sociedade
capitalista.

Uma verdade é que por meio da ideologia, a classe dominante busca


fazer com que seus interesses e ideias transformem-se nos de todos, dificultando
o surgimento de outros contrários aos seus. Desse modo, a elite tende a orientar,
de acordo com seus objetivos, a conduta da sociedade e os valores dos
indivíduos. É comum a tentativa dessa universalização das ideias da classe
dominante através da mídia. Os meios de comunicação como o rádio, a TV, o
cinema, o teatro, a imprensa, as instituições como o estado a igreja e a escola
atingem um grande número de pessoa e por isso são usados como meios para a
transmissão de ideologias.

Para tanto, utilizam a linguagem simples e apelativa que atraia atenção de


todos e seja facilmente compreendida e inculcada. No entanto, as ideologias, para
serem eficazes, devem dar algum sentido por menor que seja às experiências das
pessoas. As ideologias dominantes podem moldar as necessidades e os desejos
daqueles a quem elas submetem, mas também, devem comprometer-se com as
necessidades que as pessoas já têm, captar as esperanças e carências, revesti-
las em sua própria linguagem e retorná-las aos sujeitos de modo a converterem-
se em ideologias plausíveis e atraentes.

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Enfim, considerando a ideologia como um conjunto de ideias e


representações que contribuem para a reprodução e manutenção da sociedade,
sabemos que existem outros tipos de ideologia que não estão, necessariamente,
vinculadas ao mercado ou ao grupo dominante.

Na sociedade, existem diversas representações e normas que “ensinam a


conhecer” motivações para a ação efetiva. Se, e por um lado, temos ideologias
favoráveis àqueles que dominam a sociedade, temos também, crenças que
reúnem e inspiram um grupo específico a perseguir interesses políticos
considerados desejáveis. Esses interesses se expressam das mais variadas
formas, seja através da formação de sindicatos, de partidos políticos ligados a
lutas democráticas e aos trabalhadores, seja por meio de vários movimentos
sociais – feministas, negros, étnicos, estudantis, do campo e da cidade, pelo
direito á terra, por moradia, dentre outros. Tais grupos se contrapõem às
ideologias dominantes e possibilitam que outras formas de pensar e de agir se
desenvolvam, permitindo, sobretudo, um questionamento sobre organizamos a
nossa sociedade (RAMALHO, 2012).

Posteriormente à visão de Marx, o conceito de ideologia perdeu esse


caráter meramente negativo a passou a tomar outros significados. Com Lênin a
ideologia começou a ser atribuída não só à classe dominante, mas a todas as
classes, significando as ideias características de determinada classe social e,
nesse caso, é possível falar de uma “ideologia socialista” ou “ideologia marxista”.
No século XX o sociólogo alemão Karl Mannheim descreveu as ideologias

como sistemas de pensamentos que servem para defender determinada


ordem social e que expressam em sentido amplo os interesses de seu
grupo dominante ou governante (KARL MANNHEIM apud HEYWOOD,
2010, p. 22).

Atualmente a palavra “ideologia” adquiriu uma definição bem mais ampla,


não sendo nem boa nem má, nem verdadeira nem falsa, nem libertária nem
opressora, mas podendo assumir qualquer uma dessas características é tem sido
bastante pronunciada, principalmente por grupos sociais, Partidos Políticos,
indivíduos e organizações sociais inseridos direta ou indiretamente na política.
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Como visão de mundo, a ideologia pode desempenhar um papel de


sustentação da estrutura de poder dominante retratando-a como justa, correta e
natural ou desafiar estas mesmas estruturas, destacar suas injustiças e apontar
para a necessidade de mudanças das estruturas de poder. A ideologia como
visão de mundo, vai nos fornecer “um conjunto de suposições e pressupostos
sobre como a sociedade funciona e deveria funcionar, elas acabam estruturando
nosso pensamento e o modo como agimos” (HEYWOOD, 2010, p. 28). Neste
caso, pode haver tantas ideologias quantos forem os princípios vistos pelos
indivíduos como necessários para organizar a ordem social e política de uma
sociedade (http://www.portalconscienciapolitica.com.br/ci%C3%AAncia-
politica/ideologia/).

Mas e a Ideologia política?

Esta contém uma determinada visão de como deve ser organizada a


sociedade e qual deve ser a relação entre a sociedade e Estado, o que está
permeado pelos mais variados valores, crenças e princípios e vícios. Tais
ideologias estão sempre ligadas a grupos sociais, movimentos e partidos
políticos, e cada proposta e projetos possuem um ideal.

O campo das ideologias políticas é amplo e propício a debates,


questionamentos, ideais, atuações e ações. Nesse campo, como indica Sell
(2006), há um intenso desenvolvimento de atividades. Atividades que podem ser
desenvolvidas por diversos sujeitos sociais que possui determinados valores e
princípios que nortearão tais ações. Quando essas ações e ideais são
compartilhados por outros cidadãos, grupos ou organizações sociais, voltada para
a ação prática na sociedade, estes valores e princípios são chamados de
“Ideologia Política” e dessa forma podemos dizer que a ideologia está presente no
cotidiano das pessoas, muitas vezes de forma implícita ou explícita.

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UNIDADE 10 – ECONOMIA POLÍTICA

Consta no dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano (1998) que


Liberalismo é uma doutrina que tomou para si a defesa e a realização da
liberdade no campo político. Nasceu e afirmou-se na Idade Moderna e pode ser
dividida em duas fases: 1- do séc. XVIII, caracterizada pelo individualismo; 2- do
séc. XIX, caracterizada pelo estatismo.

A primeira fase é caracterizada pelas seguintes linhas doutrinárias, que


constituem os instrumentos das primeiras afirmações políticas do Liberalismo: o
jusnaturalismo que consiste em atribuir ao indivíduo direitos originários e
inalienáveis; o contratualismo que consiste em considerar a sociedade humana e
o Estado como fruto de convenção entre indivíduos; o liberalismo econômico,
próprio da escola fisiocrática, que combate a intervenção do Estado nos assuntos
econômicos e quer que estes sigam exclusivamente seu curso natural (v.
ECONOMIA). Temos também como consequência global das doutrinas
precedentes, negação do absolutismo estatal e redução da ação do Estado a
limites definidos, mediante a divisão dos poderes.

O postulado fundamental dessa fase do Liberalismo é a coincidência


entre interesse privado e público. Jusnaturalistas e moralistas, como Bentham,
acreditavam que bastava ao indivíduo buscar inteligentemente sua própria
felicidade para estar buscando, simultaneamente, a felicidade dos demais. A
doutrina econômica de Adam Smith baseia-se no pressuposto análogo da
coincidência entre o interesse econômico do indivíduo e o interesse econômico da
sociedade.

A segunda fase do Liberalismo começa quando esse postulado entra


numa crise cujos precedentes se encontram nas doutrinas políticas de Rousseau,
Burke e Hegel, bem como no fato de que, no terreno político e econômico, o
Liberalismo individualista parecia defender uma classe determinada de cidadãos
(a burguesia), e não a totalidade dos cidadãos.

O Contrato social (1762) de Rousseau já constitui uma guinada no


individualismo. Para Rousseau, os direitos que o jusnaturalismo atribuíra aos

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indivíduos pertencem apenas ao cidadão. “O que o homem perde com o contrato


social é sua liberdade e o direito ilimitado a tudo o que o tenta e que ele à lei que
prescrita é liberdade”, de tal forma que só no Estado o homem é livre.

Nos dizeres de Stewart Junior (1995), como uma doutrina política, o


liberalismo não é neutro em relação aos fins que o homem pretende alcançar;
pressupõe que a imensa maioria das pessoas prefere a abundância à pobreza.
Procura mostrar qual o melhor meio de atingir esse objetivo.

O liberalismo, portanto, é uma doutrina voltada para a melhoria das


condições materiais do gênero humano. Seu propósito é reduzir a pobreza e a
miséria, e o meio que propõe para que esse objetivo seja atingido é a liberdade. O
pensamento econômico e a experiência histórica não conseguiram, até hoje,
sugerir um outro sistema social que seja tão benéfico para as massas quanto o
liberalismo.

Quanto ao capitalismo, não há muito consenso em relação a uma


definição firme e objetiva, mas alguns autores veem a origem do capitalismo em
uma certa tendência natural do ser humano para estabelecer relações de troca,
permuta e, consequentemente, o comércio. As relações de troca existem desde
os tempos mais remotos, sendo o capitalismo o “estágio mais elevado” do
progresso da humanidade, representando o amadurecimento de tais práticas
comerciais e relações econômicas de troca desde a mais alta antiguidade. “Esses
atos tornaram-se cada vez mais especializados com a evolução da divisão do
trabalho, que também foi acompanhado de aperfeiçoamentos técnicos nos
instrumentos da produção” (WOOD, 2001, p. 22).

Além disso, o capitalismo também está associado com o surgimento das


cidades, dedicadas ao comércio e dominadas por uma classe de habitantes de
burgos (ou burgueses) que adquiriam cada vez mais autonomia em relação ao
poder político dominante da aristocracia feudal.

Dentro do processo de desenvolvimento do capitalismo podemos falar em


capitalismo comercial ou mercantil, industrial e financeiro:

a) O Capitalismo Comercial ou mercantil consolidou-se entre os séculos


XV e XVIII. É o período também chamado de mercantilismo que foi um sistema de
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comércio com fins lucrativos e durante aproximadamente três séculos foi a prática
econômica principal adotada pelos países europeus.

b) Capitalismo Industrial: foi a época da Revolução Industrial por meio da


qual o capitalismo industrial marcou o desenvolvimento do sistema fabril de
produção, caracterizado por uma complexa divisão do trabalho firmando o modo
de produção capitalista; neste aspecto, podemos dizer que o capitalismo é um
processo que vai da mercantilização à industrialização dependentes de uma
sociedade de mercado.

c) Capitalismo Financeiro: a fase do sistema capitalista caracterizada pelo


crescimento da especulação financeira (com participação ativa dos bancos na
atividade econômica que se tornaram os maiores financiadores das empresas por
meios de empréstimos ou investimentos diretos) em torno de ações de empresas,
juros, títulos de dívidas e outras formas de crédito que se transformaram em
mercadorias, sendo comercializadas como tais; a bolsa de valores (onde são
negociadas as ações e os investimentos em empresas e por empresas) pode ser
considerada o marco desse processo e também representa a maior crise da
história do capitalismo com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929
(http://www.portalconscienciapolitica.com.br/economia-politica/capitalismo/).

O Socialismo surgiu, em certo sentido, em oposição ao sistema


capitalista, aos efeitos da industrialização, da sociedade fundada sobre a
propriedade privada e pode ser definido, segundo Bobbio (2000), como um
programa político das classes trabalhadoras que se foram formando durante a
Revolução Industrial. Entre as características do regime socialista, podemos
apontar como as principais:

a) Transformação do modo de produção econômico fundado na


propriedade privada dos meios de produção, advogando a administração e a
propriedade pública ou coletiva dos mesmos, além da limitação do direito de
propriedade.

b) Igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos através da


intervenção do poder do Estado.

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c) Os principais recursos econômicos estejam sob o controle das classes


trabalhadoras.

Todos os conceitos, definições e reflexões ao longo desta apostila são


apenas algumas das inúmeras questões que perpassa o mundo dos cientistas
políticos que se debruçam em reflexões, ponderações, análises críticas.

Estes podem estudar instituições como corporações (ou empresas, no


Brasil), uniões (ou sindicatos, no Brasil), igrejas, ou outras organizações cujas
estruturas e processos de ação se aproximem de um governo, em complexidade
e interconexão.

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REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS BÁSICAS

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SECCHI, Leonardo. Políticas Públicas: Conceitos, Esquemas de Análise, Casos


Práticos. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

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Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v13n37/37Alex.pdf

ALONSO, Angela. As teorias dos movimentos sociais: um balanço do debate. Lua


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ANEXOS

WEBSITES – A DEMOCRACIA NA REDE

www.lexml.gov.br/

Portal LexML: rede de Informação Legislativa e Jurídica. O acervo do


portal contém legislação, jurisprudência, doutrina, proposições legislativas e
outros documentos de diversos órgãos governamentais dos três poderes da
República, em nível federal, estadual, municipal e distrital. Para encontrar a
informação que deseja, basta o cidadão informar qualquer referência sobre o
documento – como datas, nomes, números, apelidos ou siglas – no campo de
buscas do site.

edemocracia.camara.gov.br/

e-Democracia: portal da Câmara dos Deputados no Congresso Nacional


que permite ao cidadão participar do processo de elaboração de leis do nosso
país, oferecendo emendas a projetos de lei e participando de fóruns, debates de
discussões. A proposta do e-Democracia é utilizar a internet como forma de
incentivar a participação da sociedade no debate de temas de interesse social.

www12.senado.gov.br/ecidadania

Portal e-Cidadania do Senado Federal: é um espaço institucional online


de participação política, disponibilizado pelo Senado Federal para que o cidadão
brasileiro possa colaborar de forma mais direta e efetiva com o processo de
atuação parlamentar e legislativa do Senado. O Portal e-Cidadania tem o objetivo
de estimular e possibilitar maior participação dos cidadãos, por meio da tecnologia
da informação e comunicação, nas atividades legislativas, orçamentárias, de
fiscalização e de representação do Senado.

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www.portaltransparencia.gov.br/

Portal da Transparência do Governo Federal que permite encontrar dados


detalhados sobre a execução orçamentária e financeira do governo federal,
acompanhar os recursos públicos transferidos pela União ao exterior, Estados e
municípios brasileiros, a instituições privadas e aos cidadãos, conferir os gastos
do Poder Executivo Federal, com a possibilidade de pesquisar as informações por
dia e pela fase de despesa (empenho, liquidação ou pagamento).

www.acessoainformacao.gov.br/sistema

Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão do Governo


Federal que, com base na Lei de Acesso a Informação, Lei 12.527/2011, permite
que qualquer pessoa, física ou jurídica, encaminhe pedidos de acesso a
informação para órgãos e entidades do Poder Executivo Federal (para mais
informações veja Princípios da Administração Pública: Publicidade).

www.avaaz.org/po/index.php

Comunidade Avaaz.org: o mundo em ação. A Avaaz é uma comunidade


de mobilização online que encoraja as pessoas a criarem suas próprias
campanhas e petições públicas e permite as pessoas iniciarem campanhas ao
redor do mundo, usando o ciberespaço.

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