Você está na página 1de 193

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA

FACULDADE DE COMUNICAÇÃO
CURSO DE BACHAREL EM COMUNICAÇÃO
COM HABILITAÇÃO EM PRODUÇÃO E CULTURA

ESTHER PAOLA BOMFIM VÁSQUEZ

COMUNICAÇÃO PÚBLICA DA CIÊNCIA:


A PRODUÇÃO DO PROGRAMA APROVADO VEICULADO NA REDE
BAHIA

Salvador
2009.2
ESTHER PAOLA BOMFIM VÁSQUEZ

COMUNICAÇÃO PÚBLICA DA CIÊNCIA:


A produção do programa APROVADO! veiculado na Rede Bahia

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito à


obtenção do grau de bacharel em Comunicação Social com
habilitação em Produção Cultural pela Faculdade de
Comunicação da Universidade Federal da Bahia.

Orientadora: Prof. Dra. Simone .Bortoliero

Salvador
2009.2
AGRADECIMENTOS

A Deus por guiar com luz as minhas idéias e me orientar no caminho.

A Simone Bortoliero pelo acompanhamento e pelas correções sempre alargando horizontes.

A ABAÍS e toda a equipe pela contribuição com tudo que foi necessário.

A TV Bahia, em particular, a Mira Silva pela colaboração com todo material que precisei.

Aos meus pais, Rodrigo Vásquez e a Edisorzete Bomfim, e família pelo apoio e pela
compreensão de minha ausência.

Ao casal Lia Souza e Josival Souza pela cooperação com os vídeos.

A Ítalo pelo apoio incondicional, pela paciência em ler meus textos e por todas as dicas de
escrita.

Aos meus parceiros faconianos que o longo desses cinco anos estiveram sempre ao meu
lado tornado meus dias e minha trajetória na faculdade mais divertida: Andréia - BA, Carol,
Felipe e Shiba.

E àqueles que não mencionei mas que me ajudaram de alguma forma.

Muito obrigada!
RESUMO

A proposta deste trabalho é a análise dos processos de produção do programa Aprovado, transmitido
aos sábados pela Rede Bahia, usando como base os estudos sobre a comunicação pública da ciência
para a juventude. A pesquisa foi realizada através de entrevistas qualitativas com profissionais
responsáveis pela produção do programa Aprovado. Esses dados possibilitaram a construção de um
relato histórico sobre o programa, identificando sua estrutura, formato, quadros, temas e linguagem
utilizada para divulgar conhecimento científico e tecnológico para jovens em situação de pré-
vestibular. Além disso, um total de 10 (dez) programas foram assistidos no período de 11 de abril de
2009 e 20 de junho de 2009. Foi necessário assistir ainda 04 edições no estúdio da Rede Bahia,
cujos temas foram: Teoria de Darwin, Cinema e Sociedade, Educação e Democracia e Meio
Ambiente: por um mundo sustentável. A análise está baseada em todas as anotações de campo
realizadas no estúdio de gravação, nos dados coletados nas entrevistas e no entendimento sobre os
programas assistidos.

Palavras - chave: Programa de Televisão Aprovado; Comunicação Pública da Ciência; Promoção


da Cultura Científica para Juventude; Produção de TV; Rede Bahia.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 06

2 COMUNICAÇÃO PÚBLICA DA CIÊNCIA 09


2.1 DIFERENÇAS ENTRE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E DISSEMINAÇÃO 12
CIENTÍFICA
2.2 COMUNCAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CIENTÍFICA 15

3 COMUNICANDO A CIÊNCIA ATRAVÉS DA TELEVISÃO 20


3.1 DO DISCURSO CIENTÍFICO AO DISCURSO TELEVISIVO 22
3.2 CIÊNCIA E VERDADE 25
3.3 CIÊNCIA E MITO 28

4 O APROVADO: UM PROGRAMA EDUCATIVO E CIENTÍFICO NA 32


REDE BAHIA
4.1 HISTÓRICO 33
4.2 DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA DO PROGRAMA APROVADO 36
4.2.1 Entrevistas 37
4.2.2 Ralando na área 37
4.2.3 Dica do mestre 38
4.2.4 Fique por dentro 38
4.2.5 2030 Discutindo o futuro 39
4.2.6 Anote aí 39
4.2.7 Conexão aprovado 39
4.2.8 Fato comentado 40
4.2.9 Fazendo e acontecendo 40
4.2.10 Infovia 40
4.2.11 Música 41
4.2.12 Poesia 41
4.2.13 Vestibular: assunto do dia 42
4.3 SITE 42

5 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA E ANÁLISE DA 44


PRODUÇÃO DO APROVADO
5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS CONTEÚDOS ABODADOS 46
5.2 DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS E ESTRUTURA DO PROGRAMA 51
5.3 O APROVADO COMO PROGRAMA DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFCA NA 53
BAHIA
5.4 PROGRAMA 1: “DARWIN: DA TEORIA DA EVOLUÇÃO ÀS CÉLULAS 57
TRONCO”
5.5 PROGRAMA 2: “CINEMA E SOCIEDADE” 61
5.6 PROGRAMA 3: “EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA” 63
5.7 PROGRAMA 4: “MEIO AMBIENTE: POR UM DESENVOLVIMENTO 66
SUSTENTÁVEL”

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 69
REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS 72

ANEXO 77
ANEXO A - INFORMAÇÕES SOBRE O PROGRAMA 78
ANEXO B - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO EM 81
16.05.09
ANEXO C - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO 94
EM 23.05.09
ANEXO D - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO 106
EM 30.05.09
ANEXO E - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO EM 117
13.06.09
ANEXO F - ENTREVISTA COM JORGE PORTUGAL 129
ANEXO G - ENTREVISTA COM RITA VIEIRA 135
ANEXO H - ENTREVISTA COM MIRA SILVA 147
ANEXO I - RELATÓRIO 2004 156
ANEXO J - RELATÓRIO 2005 158
ANEXO L - RELATÓRIO 2006 162
ANEXO M - RELATÓRIO 2007 171
ANEXO N - RELATÓRIO 2008 178
ANEXO O - RELATÓRIO 2009 182
6

1 INTRODUÇÃO

A informação um é direito inegável ao ser humano e elemento fundamental para a


construção de uma sociedade detentora de conhecimentos, sendo assim, o jornalismo
científico e a divulgação científica tornam-se indispensáveis para tal consolidação, pois estão,
juntos a ciência e tecnologia, mudando rumos e unindo pessoas para uma vida mais digna e
saudável.
Os estudos na área de Comunicação têm demonstrado a necessidade de um número
maior de pesquisas referentes à divulgação da ciência. Nos poucos trabalhos já desenvolvidos,
há um consenso entre os pesquisadores no que diz respeito à necessidade de popularizar o
conhecimento científico. Divulgar a ciência para a população contribui para a cidadania e
favorece o desenvolvimento social, porém, por diversas razões, a ciência é pouco divulgada
no Brasil. E ainda é feita de forma generalista, pois os agentes da divulgação (radialistas,
jornalistas, cientistas, instituições) se empenham mais em divulgar a notícia científica de seu
interesse do que adequá-la a diferentes públicos. Assim, o foco principal da notícia não é, às
vezes, o foco principal da pesquisa; outras vezes, a informação é tão generalista que não se
aprofunda em nenhum aspecto importante da pesquisa.
Entretanto, considerando a distância existente entre mídia televisiva e cientistas
qualquer ação que possa estimular o interesse dos comunicadores na divulgação científica
será efetivamente uma importante contribuição para a popularização da ciência. Nesse
sentido, a Bahia oferece algumas revistas, jornais, sites e programas de televisão que abordam
temas científicos e tecnológicos, mas o acesso é muito restrito devido ao preço caro das
revistas, pequenas matérias nos jornais e canais fechados de televisão favorecendo uma
pequena parte da população chamada elite. Dentre as revistas nacionais que oferecem a
divulgação cientifica estão a Super Interessante1, Galileu2, Ciência Hoje, Recreio3 e Ciência
Hoje das crianças4, ambas para crianças . No ponto de vista semanal, o jornal local A Tarde5 é
um dos poucos a ter uma editoria específica voltada para a divulgação da ciência. Na TV
aberta, a esse número cai drasticamente. O único programa regional de divulgação de ciência

1
Publicada mensalmente pela editora Abril é conhecida nacionalmente pela abordagem científica de suas
matérias. Atualmente, intitula-se a maior revista jovem do País .
2
Publicada mensalmente pela editora Globo com informações sobre tecnologia, ciência, saúde,
comportamento e informática.
3
Publicada semanalmente pela editora Abril. Dirigida a crianças de 6 a 11anos, classes AB.
4
Publicação mensal de divulgação científica para crianças. Feita pelo Instituto Ciência Hoje.
5
Jornal de maior circulação no estado da Bahia.
7

é o Aprovado. É observando essa escassez de programas voltados para divulgação científica


que surge o interesse em estudar o conteúdo do programa Aprovado.
O Aprovado é exibido semanalmente desde 10 de março de 2001 e é apresentado pelo
musicista e professor Jorge Portugal. O programa é transmitido todos os sábados, pela rede
Bahia, emissora filial à Rede Globo de Televisão e tem como perfil programático a
transmissão de assuntos, temas e dicas voltados para o vestibular. Possui a duração de 1 (uma)
hora e estrutura-se em 4 blocos divididos em entrevistas com especialistas e quadros
específicos.
Dessa forma, o objetivo principal desta pesquisa é identificar de que forma a
promoção pública da ciência é desenvolvida dentro de um programa televisivo direcionado ao
público jovem. Também será possível observar como o programa se posiciona frente ao
vestibular e ao telespectador. Para o exame da estratégia de comunicação adotada pelo
Aprovado na elaboração de suas particularidades, serão considerados aspectos como:
estrutura, temas escolhidos, forma com que o apresentador estabelece a cumplicidade com o
telespectador e linguagem. A partir desta análise será possível também compreender como um
produto televisivo constrói e utiliza estratégias particulares para estabelecer determinada
relação com seu público e através disso, elabora um tom/estilo próprio de apresentação.
Para tal foram analisadas as edições do dos dias 13 de maio (Darwin: da teoria da
evolução as células tronco); 23 de maio (Cinema e Sociedade); 30 de maio (Educação e
democracia) e 13 de junho (Meio Ambiente: por um mundo sustentável). Todos exibidos em
2009. Foi levado em consideração a estrutura, os temas, o perfil, a linguagem e o aspecto
educacional e científico. Também foram feitas entrevistas com os produtores do Aprovado
inclusive com o apresentador, Jorge Portugal, que atualmente é o coordenador pedagógico do
mesmo.
No capítulo 1 será abordada a importância da comunicação pública da ciência e suas
características para o desenvolvimento social. A partir disso será abordado as diferenciações
de conceito entre terminologias como 'disseminação, 'divulgação' e 'difusão' e; será visto
também os aspectos da educação científica baseado na adição da perspectiva social ao
binômio Ciência e Tecnologia.
No capítulo 2 será visto as diversas características da divulgação científica na
televisão. Aspectos como 'verdade ' e 'neutralidade' são desenvolvidas ao longo do capítulo no
intuito de discutir das exibições televisivas - muitas vezes estereotipadas - do conteúdo
8

científico.
Já o capítulo 3 e 4 são dedicados com mais exclusividade ao programa. O primeiro é
uma descrição detalhada sobre a estrutura do Aprovado. Assim, é apresentado detalhes da
origem, história, quadros, formato, tempo de exibição, estrutura, duração e características
administrativas. No capítulo seguinte é feito um estudo de caso de quatro exibições do
programa. São relatados os aspectos quanto à produção, abordagem, temática e público alvo.
9

2 COMUNICAÇÃO PÚBLICA DA CIÊNCIA

A circulação de informação cientifica na sociedade deve ser entendida no contexto das


práticas de um circuito de comunicação publica da ciência - com instituições e mecanismos de
difusão e compartilhamento do saber - que a literatura sobre o tema tem mencionado nos
últimos 50 anos. As modalidades mais conhecidas são a divulgação e o jornalismo científico,
mas também envolvem a bagagem de conhecimentos que o sistema de ensino formal ministra
em seus diferentes níveis, assim como a informação incorporada em produtos, processos e
práticas sociopolíticas. A circulação da informação científica na sociedade implica uma série
de processos - conflituosos, por vezes - mediante os quais o conhecimento, códigos e valores
da ciência e da tecnologia são transmitidos à sociedade, incorporam-se ao acervo econômico e
cultural, ocorrem em determinado uso cotidiano da ciência e constroem, por fim,
representações articuladas entre si (VOGT, 2005).
A comunicação pública da ciência e da tecnologia, materializada através de distintos
formatos de divulgação científica, cumpre na atualidade distintos objetivos como, por
exemplo, criar uma consciência pública e crítica sobre as atividades científicas e tecnológicas.
Porém, o modelo adotado tradicionalmente para a divulgação foi um modelo linear de
comunicação, também denominado modelo de déficit, apoiado em um esquema tradicional
“emissor-transmissor-receptor”, tratando de transmitir a maior quantidade de informação
possível, em sua maioria fatos e estabelecendo uma hierarquia em relação à audiência, do
acadêmico ao “cidadão comum”. Este tipo de abordagem consiste em uma comunicação “de
cima a abaixo”, com objetivos de persuasão. Além disso, caracteriza-se pela ausência de
mudanças de contexto e significado, com a passagem direta do contexto da origem da
informação ao contexto público, sem a interpretação e os ajustes necessários (MILLER,
2000).
Esse modelo unidirecional está fortemente associado à visão dominante da
popularização da ciência (MYERS, 2003; LEVÝ-LEBLOND, 1992) e é caracterizado por
considerar os cientistas como os especialistas que “possuem” o conhecimento, e o público (ou
o resto da sociedade), carente (ou com um déficit) de conhecimentos, de fatos relevantes de
ciência e tecnologia. Nesse modelo, o processo comunicativo acontece em uma única via,
sendo os cientistas, os emissores; o público, os receptores passivos no qual a chave é a
divulgação do conhecimento.
10

Na concepção tradicional, os divulgadores geralmente são vistos (e até se assumem)


como mediadores tradutores de conhecimentos especializados, verdades estabelecidas em
alguma área do conhecimento, para um público não especializado. E as investigações, por sua
vez, também contemplam um modelo de ciências puro, objetivo, provado.
Nesse modelo, como frisa Lopes (1997), não há espaço para uma ação criativa e
participativa no processo de produção do conhecimento por parte dos divulgadores, nem tão
pouco há compartilhamento de poder, quando muito sobra a tarefa de repetição de
simplificações autorizadas ou distorções de "saberes inacessíveis" para um público passivo.
Com uma visão diferenciada de público, mas, centrados ainda na linha de modelos
unidirecionais, encontra-se o modelo contextual que implica a geração do conhecimento
assumindo que os indivíduos não recebem a informação como recipientes vazios
(LEWENSTEIN; BROSSARD, 2006) e sim em contextos particulares. Há, aí, uma
valorização de experiências culturais e saberes preliminares. Neste cenário, o mediador da
informação científica deve saber muito mais a respeito de sua audiência, com relação a sua
natureza e seu conhecimento prévio, de quais mensagens pede e de como se sente em relação
às implicações e aos impactos da tecnologia. Além disso, tudo que reside no segundo plano da
ciência deve fazer-se mais visível, como por exemplo as limitações e o potencial das
afirmações científicas. Algumas críticas são feitas a esse modelo, identificando-o apenas
como uma versão mais sofisticada do modelo de déficit uma vez que reconhecem a presença
de forças sociais e componentes psicológicos, não considerando, entretanto, as respostas dos
indivíduos à formação. Na verdade, sugere-se que este modelo não estaria focado na
compreensão da, mas sim na facilitação da aquisição desta (LEWENSTEIN, 2003).
Segundo Lewenstein (1999), é preciso reforçar que a comunicação não se constrói a
partir dos conceitos prontos, das teorias consensuadas, dos modelos acabados; ela tem
natureza polifônica, se constrói pela interação de muitas vozes. A informação não sai do
laboratório direto para a publicação num determinado meio. O percurso é complexo, cheio de
disputas, interesses que envolvem indústrias, agências de fomento, governos, veículos, e
considera, também, públicos diferenciados: quem escreve tem em vista um determinado tipo
de público.
Sob a perspectiva de modelos dialógicos ou bidirecionais de comunicação,
encontramos o modelo de experiência leiga que pode ser tão relevante para a resolução de
conhecimentos científicos e tecnológicos, como os conhecimentos científicos
11

(LEWENSTEIN, 2003). Esse modelo vai questionar as verdades absolutas da ciência


reconhecida como oficial e propõe o conhecimento, a experiência de vida e as próprias
crenças como saberes relevantes e importantes na busca por soluções que envolvam ciência e
tecnologia. Cabe destacar que, nessa abordagem, saberes locais podem envolver desde
experiências de uma comunidade até práticas tradicionalmente desenvolvidas (no âmbito, por
exemplo, da agricultura) e conhecimento herdados de geração em geração (LEWENSTEIN;
BROSSARD, 2006).
Na mesma linha, encontramos o modelo de participação pública o qual se baseia no
compromisso de democratização da ciência e da tecnologia. Esse modelo, ao discutir a
questão da comunicação pública da ciência, retira o foco da difusão e da simplificação da
ciência voltada para o entendimento do grande público e coloca-o na “forma em que o
indivíduo consegue se apropriar do conhecimento, integrá-lo a outros saberes e usá-los nos
processos de decisão”(LEWENSTEIN; BROSSARD, 2006, p. 46). Assim, ao discutir a
comunicação pública da Ciência, esta perspectiva revela que a participação do público em
assuntos de Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS) – que será abordado no tópico seguinte - e
na formulação de políticas científicas e tecnológicas se dá nas mesmas condições que para os
cientistas e em espaços propícios para isso como foros, debates e conferencias de consenso
(DURANT, 1999; LEWENSTEIN; BROSSARD, 2006).
A divulgação da ciência e da tecnologia, inserida no âmbito social por meio de uma
ampla gama de meios de comunicação, faculta a si própria a possibilidade de atingir os mais
diversos públicos, além da capacidade de fomentar a devida reflexão sobre os impactos
sociais de C&T (Ciência e Tecnologia). Ela se coloca no contexto da educação científica e
tecnológica e alia-se ao ensino formal na construção de uma sociedade alfabetizada científica
e tecnologicamente, capaz de refletir criticamente e atuar a respeito dos assuntos de C&T em
seu contexto. Kneller (1980) afirma que somente um público científica e tecnologicamente
informado poderá debater as múltiplas ramificações da C&T na vida cotidiana, sem ceder a
um otimismo superficial ou à hostilidade frenética.
Apesar do modelo de déficit prevalecer no Brasil as discussões atuais no campo da
divulgação cientifica apontam para uma mudança de paradigma na comunicação com o
público. Se antes os modelos unidirecionais eram utilizados de maneira difundida e
incondicional, hoje existe um número crescente de propostas e projetos que valorizam os
modelos dialógicos, ou seja, aqueles que, de alguma forma, compreendem que a comunicação
12

entre ciência e sociedade não é uma via de mão única, se não que a sociedade tem uma papel
fundamental nos rumos da ciência e vice-versa.

2.1 DIFERENÇAS ENTRE DIVULGAÇÃO CIENTIFICA E DISSEMINAÇÃO


CIENTIFICA

No Brasil, a divulgação do conhecimento científico começa com José Reis. Além de


escrever sobre ciência em linguagem acessível ao grande público, participa, organiza e lidera
os principais movimentos pró-ciência no País. Foi ele quem iniciou, como um dos fundadores
da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), uma divulgação científica
sistemática no Brasil por intermédio do jornalismo científico. O trabalho de José Reis, na
Folha de S.Paulo, foi uma extensão das razões que levaram à criação da SBPC, em 1948,
como reação a uma decisão do então governador de São Paulo Adhemar de Barros de confinar
o Instituto Butantã à produção de soro antiofídico, quando esta instituição já detinha um papel
bem mais importante na estrutura de saúde pública de São Paulo (CAPOZOLI, ca.2002).
As raízes mais profundas dessa reação, que levou à fundação da SBPC, está no Estado
Novo e, depois, na eleição de Getúlio Vargas e sua determinação em disseminar universidades
e institutos de pesquisa como maneira de dotar o país de infra-estrutura científica. A criação
da Universidade de São Paulo, em 1934, foi uma reação político-cultural ao Estado Novo e a
criação da SBPC, 14 anos depois, uma consolidação do espírito científico assentado
especialmente na Universidade de São Paulo (USP).
Hoje, no Brasil, não existe consenso quanto ao significado dos termos difusão,
disseminação e popularização pois frequentemente, são usados todos com a mesma
significação. Entretanto há trabalhos que demostram que há distinção, e portanto não são
sinônimos os conceitos de 'difusão', de 'disseminação' e de 'divulgação' da ciência (BUENO,
1984; ZAMBONI, 2000; GOUVÊA 2000).
A veiculação de informações científicas e tecnológicas pode ser classificada em
relação ao público e à linguagem. Bueno (1984, p.14) conclui que a difusão é um termo mais
adequado para abarcar “todo e qualquer processo ou recurso utilizado para a veiculação de
informações científicas e tecnológicas”. Portanto, a difusão contém o que chamamos as
atividades de divulgação e também de disseminação. A difusão, nestas condições, pode ser
13

voltada a um público especializado sendo denominada disseminação ou direcionada ao


público em geral, chamada de divulgação.
A difusão é uma prática social, que segundo Gouvêa (2000, p. 38), deve ser estudada
como um fenômeno comunicacional que pressupõe interação entre pesquisadores, mediadores
e não-especialistas, e que está contido “nas diferentes práticas da educação e científica e
tecnológica, seja nas práticas sociais realizadas nos espaços formais de educação (sistema de
ensino formal-escola), ou nos espaços não-formais de educação.”
Segundo Massarani e Moreira (2001) é possível, de modo geral, distinguir três linhas
na comunicação científica: os discursos científicos primários (escritos por pesquisadores para
pesquisadores), os discursos didáticos (como os manuais científicos para ensino) e os da
divulgação científica. Cada discurso serve a um propósito determinado e busca atingir um
público específico. Embora todos estes tipos de discurso tenham um tema comum, ou seja,
assuntos de ciência e tecnologia, pode-se perceber estilos e linguagens diferentes porque eles
têm objetivos diferenciados e buscam atingir públicos específicos. Em geral, os textos de
disseminação científica, destinados a pesquisadores, utilizam uma linguagem impessoal,
detalhes técnicos, gráficos, tabelas, termos e símbolos especializados que só são
compreensíveis pelos seus pares. Além disso, tendem a utilizar um modelo padrão para
redação do texto. Já os textos de divulgação da ciência utilizam uma linguagem mais próxima
da linguagem cotidiana, são textos descritivos de tamanho bastante reduzido e não apresentam
uma formatação definida.
Com relação ao conceito de 'disseminação científica', Bueno (1984, p. 15-16) afirma
tratar da “transferência de informações científicas e tecnológicas, transcritas em códigos
especializados, a um público seleto, formado por especialistas”. Sendo assim, pode-se afirmar
que a disseminação científica utiliza uma linguagem especializada e é direcionada a um
público restrito. É separada em dois níveis: a intrapares e a extrapares. A disseminação
intrapares é a circulação de informações a especialistas da mesma área ou que, de certa forma,
se relacionam. Nesta categoria estão incluídos as reuniões científicas e os periódicos
especializados direcionados para o universo restrito de estudiosos ou profissionais de uma
área determinada. A informação transmitida dessa forma é normalmente construída a partir de
códigos fechados e conteúdos específicos que dificilmente encontrariam espaço em meios de
comunicação de massa. Por sua vez, a disseminação extrapares se realiza entre grupos ou
pesquisadores que não trabalham, necessariamente, na mesma área, mas que podem interagir.
14

Seu público alvo também é especializado, embora não necessariamente naquele domínio do
conhecimento especificamente abordado. Um exemplo disso é a Revista História da
Biblioteca Nacional que, publicada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional
(Sabin), é dedicada a divulgação da História do Brasil. Portanto, a disseminação da ciência
compreende a transferência de informações científicas utilizando os códigos especializados de
cada área e dirigidas a um público, também especializado, formado por membros da própria
comunidade científica.
Observa-se que, por meio da disseminação extrapares, o diálogo entre os diversos
ninchos da ciência pode ser estabelecido e enriquecido, pondo em evidência o aspectos
interdisciplinar tão defendido nos meios educacionais da contemporaneidade.
Para Zamboni (2001)a divulgação cientifica não é somente possuidora de um discurso
próprio. Para Bueno (1984) é um campo mais amplo do que o jornalismo científico. Há uma
variedade de textos, fazendo diferença entre as condições de produção de cada modalidade.
Para Manuel Calvo Hernando (1982) há diferentes públicos. É preciso analisar o
público em geral, que se informa através dos grandes meios de comunicação coletiva o que
corresponde ao trabalho de sensibilização e chamar a atenção das pessoas. O segundo nível
corresponde ao homem mais culto, o qual mantém um interesse razoável por tudo aquilo que
o rodeia – este grupo inclui os estudantes universitários, profissionais e pessoas com formação
superior. Em terceiro lugar encontra-se o especialista científico, uma classe mais preparada
intelectualmente. É claro que, para cada um destes níveis, deve-se ter uma divulgação
científica. Para que uma divulgação seja eficiente o emissor deve conhecer os esquemas
conceituais do receptor. O problema consiste em encontrar um ajuste adequado entre a
estrutura do conhecimento científico e a estrutura do pensamento e hábitos mentais do público
destinatário da mensagem. Divulgar é comunicar e a comunicação pressupõe uma linguagem
comum.
Com relação a divulgação científica Hernando (1982, p. 36) afirma: “La tarea de
divulgación científica y educativa para un público tan heterogéneo resulta dificil y es
necesario crear modelos adecuados, tal vez varios, para llegar con éxito a los distintos
grupos6”. Ou seja, a comunicação pública da ciência deve ser uma atividade educativa,
dirigido a grande massa da população, buscando promover a popularização do conhecimento
que é produzido nas universidades e centros de pesquisa. Para isso, deve utilizar uma
6
A tarefa de divulgação científica e educativa para um público resulta tão heterogêneo e é necessário criar
modelos adequados, talvez vários, para chegar com êxito aos distintos grupos (tradução nossa).
15

linguagem que facilite o entendimento das informações pelos cidadãos e deve despertar o
desejo permanente de conhecimento dos processos científicos
Segundo Bueno (1984), na divulgação científica existe o uso de recursos técnicos e
processos para a veiculação de informações científicas e tecnológicas ao público em geral. A
intenção é favorecer a compreensão e despertar o interesse do público pela ciência. Para isso,
transforma a linguagem do cientista em informação ao público não-especializado. Bueno
(p.19) ressalta ainda que a “divulgação científica, muitas vezes denominada popularização ou
vulgarização da ciência, tem sido reduzida à veiculação de informações de ciência e
tecnologia pela imprensa” coincidindo com o conceito de jornalismo científico.
Na realidade, sua principal expressão é o Jornalismo Científico mas nem toda
divulgação científica é Jornalismo. Muitos livros didáticos, alguns cursos ou folhetos,
suplementos infantis, histórias em quadrinhos, desde que contenham informações destinadas a
esclarecer um público não-especializado sobre ciência, podem ser consideradas divulgações
científicas. Nesse caso inclui também como exemplo a difusão feita pelos meios de
comunicação de massa (revistas, jornais, emissoras de rádio e TV) e pelas publicações
didáticas; e através do ensino básico de ciências, das campanhas de conscientização,
exposições, mostras científicas etc. Os critérios adotados são os mesmos: noticiabilidade,
atualidade, periodicidade, universalidade e relevância social. Por isso, a tradução da
linguagem científica para a linguagem midiática exige muita responsabilidade. Os fatos e/ou
dados devem ser transmitidos fielmente, para que o público receptor tenha completo
entendimento. Seguindo esse conceito o programa Aprovado é classificado como um meio de
'divulgação' científica já que utiliza de uma linguagem simples e é destinado ao público não
especializado como será visto ao longo deste trabalho.

2.2 COMUNICAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CIENTIFICA

Em um mundo globalizado, cuja realidade econômico-tecnológica imprime profundas


transformações em um ritmo surpreendentemente acelerado, a escola tem papel fundamental
no processo de integração do aluno à sociedade. Dessa maneira, cabe aos educadores, em
sintonia com toda comunidade escolar, viabilizar mecanismos para operacionalização de um
conjunto de atividades contextualizadas e transdisciplinares que atenda a essas novas
16

perspectivas. Fatores diversos, tais como a falta de estrutura e de equipamentos e baixa


capacitação de professores, contribuem para isso. O clamor social por um ensino de qualidade
tem-se generalizado e a sociedade aspira por ver seus jovens aptos a enfrentar os desafios do
novo milênio e da globalização. Almeja-se que a escola torne o aluno capaz de analisar
problemas diversos, solucionando-os; busca-se o desenvolvimento do espírito crítico e o
domínio de habilidades e competências diversas pelo aluno (SANTOS, 2006)
De acordo com Cruz e Zylbersztajn (2001), numa perspectiva educacional abrangente,
o papel mais importante a ser cumprido pela educação formal é o de habilitar o aluno a
compreender a realidade (tanto do ponto de vista dos fenômenos naturais quanto dos sociais)
ao seu redor, de modo que ele possa participar de forma crítica e consciente dos debates e
decisões que permeiam a sociedade na qual se encontra inserido. É esta perspectiva que
fundamenta os argumentos a favor da alfabetização científica da população em geral, que
fornece fundamento para que o ensino de ciências se torne cada vez mais relevante para um
público cada vez mais amplo.

Com isso, as disciplinas além de propiciar os conhecimentos para a


compreensão dos fenômenos da natureza, devem também desenvolver a
capacidade dos alunos para assumirem posições em relação a problemas
controvertidos e agirem no sentido de resolvê-los. (CRUZ;
ZYLBERSZTAJN, 2001, p.171).

A proposição de um ensino de ciências que considere tais aspectos tem sido o objeto
do que se tornou conhecido como o enfoque Ciência-Tecnologia-Sociedade, mais
especificamente, ciência e tecnologia deslocadas da suposta neutralidade para o campo de
debate político.
A preocupação com a natureza do conhecimento científico e seu papel na sociedade
não é recente, tendo-se acentuado na década de 80. A princípio o enfoque ganhou destaque em
dois países, Inglaterra e Estados Unidos. A origem do enfoque nestes dois países guarda
algumas relações, com destaque o enfrentamento de forte organização de movimentos sociais
que passam a questionar as consequências das aplicações da ciência e tecnologia e a reflexão
sociológica dos currículos.
No Brasil, desde a década de 1970 já existia preocupação de educadores do ensino de
ciências em incorporar no currículo dessas disciplinas, temáticas relativas às implicações da
17

ciência na sociedade. Em 1990, foi organizada pelo Ministério da Educação, em Brasília, a


Conferência Internacional sobre Ensino de Ciências para o Século XXI: ACT – Alfabetização
em ciência e tecnologia, na qual foram apresentados vários trabalhos do movimento
internacional de Ciência-Tecnologia-Sociedade no ensino de ciências e a partir daí é crescente
o volume de pesquisas sobre a área.
Conforme Auler (2002), esse contexto aliado aos aspectos como a degradação
ambiental e ao desenvolvimento científico e tecnológico vinculado as guerras (bombas
atômicas, guerra do Vietnã - com seu napalm desfoliante) deu margem para o surgimento do
Movimento Ciência – Tecnologia – Sociedade (CTS). Este movimento deu-se em várias
partes do mundo ocidental e, posteriormente, foi incorporado como proposta de Educação
Científica. A alfabetização científica proposta no Brasil, em textos oficiais como os
Parâmetros Curriculares Nacionais, teve como base alguns resultados destas discussões.
Cerezo (1998), referindo-se aos pressupostos do movimento CTS no campo
educacional, afirma que, atualmente, os estudos CTS constituem uma diversidade de
programas que enfatizam a dimensão social da Ciência e Tecnologia e compartilham de um
certo núcleo comum:
• O rechaço da imagem de ciência como uma atividade pura e
neutra.
• A crítica à concepção de tecnologia como ciência aplicada e
neutra.
• Rejeição de estilos tecnocráticos (promoção da participação
pública na tomada de decisões).
Neste sentido, por serem a ciência e tecnologia não neutras, desinteressadas, mas
direcionadas por interesses econômicos, CTS reivindica maior participação social nos
processos decisórios sobre estes assuntos. Uma vez que nos alerta que não devemos delegar
esta responsabilidade apenas para cientistas e governantes, atitude que, ainda, predomina no
Brasil.
Analisando aspectos relativos às repercussões deste movimento no campo
educacional, Caamaño (1995), considera que o ensino de ciências ao ser organizado numa
perspectiva CTS, cumpre três objetivos básicos:
• Promover o interesse dos estudantes por conectar a ciência com
suas aplicações tecnológicas e os fenômenos da vida cotidiana e abordar o estudo
18

daqueles fatos e aplicações científicas que tenham uma maior relevância social.
• Abordar as implicações sociais e éticas do uso da tecnologia.
• Adquirir uma compreensão da natureza da ciência e do trabalho
científico.
Bybee (1987) considera que a estrutura conceitual dos cursos CTS organiza-se a partir
de temáticas que contemplam três aspectos básicos: (a) conceitos científicos e tecnológicos,
(b) processos de investigação e (c) interações entre ciência, tecnologia e sociedade. A
aquisição de conhecimentos científicos e tecnológicos valoriza aspectos relacionados ao
interesse pessoal, à preocupação cívica e às perspectivas culturais. O estudo dos processos de
investigação científica e tecnológica pode promover a participação ativa dos alunos na
obtenção de informações, solução de problemas e tomada de decisões. A compreensão das
interações entre ciência, tecnologia e sociedade favorece o desenvolvimento de valores e
idéias por meio de estudos de temas locais, políticas públicas e temas globais.
Um dos argumentos pertinentes ao embate de idéias levantadas pelo movimento CTS
diz respeito ao ensino de Ciências e o convívio de diversas ambigüidades na utilização de
tecnologias que apresentam inerentes benefícios e prejuízos de sua utilização por parte da
população. Assim, a Educação Científica toma a magnitude de uma disciplina das mais
importantes para a formação de cidadãos diante do mundo contemporâneo. Atualmente,
portanto, a Educação Científica para cidadãos deve promover alfabetização científica que
permita a tomada de decisões por parte da população frente a diversas situações contraditórias
na sociedade (SANTOS; MORTIMER, 2001).
Para Santos e Schnetzler (2003) a Educação Científica deve fomentar a participação
social efetiva. Para isto, a Educação Científica necessita desenvolver nos indivíduos mais que
um nível de conhecimento especializado e descontextualizado para a realização desta
participação social efetiva. Isto é, a participação social se concretizará a medida que a
alfabetização científica envolver a compreensão do impacto da C&T na vida pública, que
embora dependa de um conhecimento da Ciência, não se reduz a isso. A preparação do
aprendente para tomar decisões, parte do processo de Educação Científica para a ação social
responsável. Esta educação propõe, conforme Santos e Mortimer (2001) desenvolver um
senso de responsabilidade nos estudantes para os problemas sociais e ambientais.
Santos e Mortimer (2000) apontam algumas diferenças dos currículos CTS em relação
aos convencionais, tais como: preocupação com a formação de atitudes e valores em
19

contraposição ao ensino memorístico com a finalidade de preparar para o vestibular; a


abordagem temática ao invés de extensos programas de ciências desvinculados do cotidiano
do aluno; aluno participativo, engajado em contrapartida ao aluno passivo.
Dessa forma,o objetivo central, do ensino de CTS na educação básica é promover a
educação científica e tecnológica dos cidadãos, auxiliando o aluno a construir conhecimentos,
habilidades e valores necessários para tomar decisões responsáveis sobre questões de ciência
e tecnologia na sociedade e atuar na solução de tais questões (SANTOS e SCHNETZLER,
1997; SANTOS e MORTIMER, 2000).
Contudo, em linhas gerais, na escola e na sociedade em geral, a ciência ainda é vista
como objetiva, exata, neutra, imparcial e não submetida a interesses externos, concepção
reforçada pelas práticas escolares que atribuem ao conhecimento científico a capacidade de
alcançar a verdade, com resultados exatos e respostas únicas. Além disso, o conhecimento
científico que chega às escolas parece um produto de um processo que se faz sem
controvérsias, sem disputas e sem divergências.
Paulo Freire (1987), educador brasileiro, apresenta como pressupostos fundamentais
da educação a problematização e a dialogicidade. Nesta linha, para Freire (1987),
alfabetização necessita propiciar um “conhecimento crítico da realidade”, “uma leitura crítica
do mundo”. Para isto, torna-se fundamental, substituir a “educação bancária”, cujo principal
resultado é a constituição da “cultura do silêncio”, pela “educação problematizadora” com o
intuito de transformação. Para ele, alfabetizar é muito mais do que ler palavras e repeti-las, é
dizer a sua palavra. A alfabetização deve propiciar a leitura “crítica do mundo”.
Desta forma, Santos e Mortimer (2001) colocam que no campo da educação científica,
o movimento CTS encontra ressonância com as idéias educacionais de Paulo Freire por apoiar
um ensino mais humanista das ciências e ter em vista a conscientização social de que a
ciência e a tecnologia também são elementos da cultura e que a sala de aula tem de ser
concebida como um ambiente educativo que seja ela própria um ambiente de cidadania. Auler
e Delizoicov (2006) ao fazer articulações entre estes dois referencias, concluem:

Entende-se que, para uma leitura crítica da realidade, do "mundo",


pressuposto freireano, torna-se cada vez mais, fundamental uma
compreensão crítica entre as interações CTS, considerando que a dinâmica
social contemporânea está crescentemente vinculada ao desenvolvimento
científico e tecnológico. (AULER e DELIZOICOV, 2006, p. 04)
20
21

3 COMUNICANDO A CIÊNCIA ATRAVÉS DA TELEVISÃO

Quase a totalidade dos domicílios brasileiros possui pelo menos um aparelho de


televisão7. Sua penetração é bem ampla: 97% dos domicílios de todo o país dispõem de pelo
menos um aparelho de televisão, sendo que nas áreas urbanas, este número chega a 93,2%. O
segundo equipamento mais presente nos domicílios é o rádio, com 89,6% de penetração,
seguido pelo telefone celular, que já se encontra em 67,6% das residências. Quanto a
permanência em frente à telinha, o brasileiro passa em média cerca de quatro horas diárias
diante da TV.
Além de ocupar lugar de destaque na sala de visitas, a televisão, ao lado do rádio,
assume o papel de principal fonte de entretenimento e informação para os brasileiros que,
principalmente em função de condições socioeconômicas e padrão educacional, pouco
utilizam a imprensa escrita – jornais e revistas – para se manterem atualizados sobre as
notícias do cotidiano. O volume anual de vendas de todos os jornais diários e revistas
semanais de informação distribuídas no país é de cerca de 42 exemplares por cada 1.000
habitantes, o que coloca o Brasil entre os países com menor taxa de circulação de jornais e
revistas do mundo, inclusive se comparada a outros países sul americanos8
A partir da década de 50, a indústria de televisão se tornou um negócio importante
no Brasil. Alcançou grande desenvolvimento e conquistou excepcional qualidade, o que
garantiu sua competitividade no mercado internacional e a exportação de programas,
especialmente telenovelas, para mais de 140 países. Entretanto, esta indústria não estabeleceu
uma tradição de produção e veiculação de programas dedicados a assuntos de ciência e
tecnologia. Poucos são os programas científicos – seja jornalísticos ou voltados para a
divulgação científica ou popularização da ciência – nas grades de programação das emissoras
de canal aberto.
A produção acadêmica – dissertações e teses sobre divulgação e jornalismo científico
– nessa área está voltada, em sua maior parte, para privilegiar a mídia impressa (jornais e
revistas especializadas) como foco de análise, conforme apontado por Carlos Vogt em seu
inventário preliminar9 do conhecimento brasileiro sobre jornalismo científico, realizado nas

7
Dados extraídos do Censo 2000, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
8
WORLD ASSOCIATION OF NEWSPAPERS. World Press Trends.
9
VOGT, C. et al. Conhecimento brasileiro sobre jornalismo científico: inventário preliminar.
22

bibliotecas de faculdades que possuem cursos de pós-graduação em comunicação e nos


bancos de dados informatizados (IBICT, Prossiga etc), assim como nos artigos em periódicos
científicos da área de Ciências da Comunicação e Ciências Sociais e anais de congressos da
área.
Isso pode ser constatado ao percorrer a programação das emissoras, publicada
diariamente nos jornais de grande circulação, e verificar que nenhuma das redes de televisão
aberta no Brasil produz programas regulares de divulgação científica para veiculação no
horário nobre - das 19h às 23h – quando a maior parcela da população já deu por encerrado o
dia de trabalho e busca na televisão o entretenimento e a informação.
Os poucos programas de divulgação científica ainda transmitidos pelas emissoras de
TV aberta estão relegados a horários periféricos, de baixa visibilidade e, portanto, sem
condições de conquistar amplas parcelas de audiência. Baixa audiência significa poucos
telespectadores e nenhum interesse de eventuais patrocinadores, fato contraditório se for
levado em conta o modelo de televisão comercial adotado no Brasil.
A informação jornalística sobre ciência e tecnologia na televisão praticamente se
resume às matérias produzidas e exibidas pelos telejornais diários. Eventualmente, as revistas
eletrônicas – como são conhecidos os programas de variedades veiculados aos domingos – ou
os programas em formato de grandes reportagens, apresentados em horário nobre10, têm como
tema ou utilizam como complemento da informação os resultados de pesquisas científicas, nas
mais diversas áreas do conhecimento, muitas vezes entrevistando e acompanhando o trabalho
de campo dos pesquisadores.
Aspectos ligados à ciência e à tecnologia aparecem, ainda, diluídos ao longo do dia
na programação das emissoras, em programas infantis e juvenis, desenhos animados, filmes,
programas de auditório, séries ficcionais – nacionais e estrangeiras – e até nas telenovelas, os
programas responsáveis pelos mais elevados índices de audiência no Brasil.
É importante mencionar, também, que programas da Rede Globo, como o Globo
Ecologia, Globo Rural, e da TV Bahia, como o Aprovado – transmitidos nas manhãs de
sábado e domingo – estão fora do horário nobre mas se tornaram referências junto ao público
e frequentemente adotam uma abordagem científica.
O Globo Ecologia estreou em novembro de 1990, como uma iniciativa da Fundação
Roberto Marinho destinada a preparar o público para a Conferência Mundial das Nações
10
É o caso de programas como o Fantástico e o Globo Repórter, da Rede Globo, e SBTRepórter, do Sistema
Brasileiro de Televisão.
23

Unidas para o Meio Ambiente, que se realizou no Rio de Janeiro em 1992. Transmitido
atualmente as 6h20m, os programas da série abordam as principais questões ambientais
brasileiras e mundiais, como patrimônio genético, efeito estufa, ameaças à camada de ozônio,
além de percorrer os ecossistemas brasileiros, no intuito de tornar conhecida nossa
biodiversidade. O Globo Ecologia costuma entrevistar pesquisadores e cientistas,
especialmente quando as questões ambientais são enfocadas sob a ótica da ciência. Estreou
nova temporada de 2009 com o tema planejamento urbano.
O Globo Rural foi lançado em janeiro de 1980, quando a agricultura brasileira
estava passando por um momento bastante próspero, especialmente com a expansão da
fronteira agrícola em direção ao cerrado, no Centro-Oeste do país. A modernização das
técnicas agrícolas e as conquistas científicas e tecnológicas que impulsionaram a produção de
soja e laranja e a entrada desses produtos na pauta de exportações brasileiras, constituíram o
mote inicial do programa, que ainda hoje é exibido nas manhãs de domingo11.
Na Bahia, através da Rede Bahia e TV Salvador, o Aprovado, iniciado em 2000, tem
como público alvo os estudantes do ensino médio interessados em prestar vestibular.
Veiculado das 8h às 9hs das manhãs de sábado, aborda um conteúdo científico a partir de
temas oriundos no ensino médio, como: Física, Química, Biologia, Matemática, História,
Geografia, Redação, Português, Literatura e assuntos da atualidade exigidos pelas provas de
vestibulares baianos como: Economia, Cinema, Democracia, Educação, Meio Ambiente e
outros. O Aprovado é um programa de entrevistas voltado para o jovem e contém, ao longo de
seus quadros: artistas musicais, quadros específicos e vídeos complementares.

3.1 DO DISCURSO CIENTÍFICO AO DISCURSO TELEVISIVO

Para Bourdieu (2004), cada campo tem suas leis próprias e diferentes capacidades de
refratação e transfiguração, logo, a mudança de campo para o outro provoca uma mudança no
discurso. Esse exemplo pode ser transposto para outros campos como o campo da mídia. No
caso da divulgação científica: quando uma informação sai do campo científico para ser
divulgada, ou seja, passa para o campo da mídia, ela muda em sua composição e forma um
novo discurso. Segundo Sheila Grillo (2005), é necessário o conhecimento dos gêneros para a
11
Informações disponíveis em: <http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,4378,00.html>. Acesso em: 8
out. 2009
24

inserção em um determinado campo da produção cultural. A autora aponta também outro


aspecto importante quando afirma que cada campo produz uma linguagem própria para
nomear e caracterizar os agentes e seus produtos. Por isso, “a adequada compreensão de um
gênero só pode se dar se considerarmos o campo no qual foi produzido e circula” (GRILLO,
2005, p.181).
Segundo Massarani e Moreira (2001), de modo geral, podemos distinguir três linhas
na comunicação científica: Discursos científicos primários (textos escritos por pesquisadores
para pesquisadores); discursos didáticos (os manuais científicos para o ensino) e os discursos
da divulgação científica. Os artigos científicos, mais impessoais, tendem a utilizar termos
especializados e a construção de argumentações que convençam os iniciados acerca dos
resultados exibidos ou dos modelos propostos, enquanto os textos de divulgação tendem a ser
descritivos, com a introdução de um estilo mais personalizado e mais próximo da linguagem
convencional. Para Cunha (2007), isto acarreta, muitas vezes, devido à demasiada redução,
modificações inclusive do teor da mensagem. “Quando se trata, por exemplo, de jornalismo
científico, chega-se a uma mudança tão grande que a versão final é totalmente diferente da
original” (CUNHA, 2007, p.2).
O discurso científico e a linguagem da mídia nem sempre se pactuam de maneira
harmoniosa. Os motivos são muitos e variam em grau e proporção de acordo com o tema
abordado. Entretanto, ciência e tecnologia são temas que interessam os meios audiovisuais
desde suas primeiras versões. Hoje em dia, na competição permanente por audiências, os
produtores de informação científica e tecnológica utilizam diversas estratégias para atrair o
interesse das audiências. Há uma tendência que se tem registrado em vários conteúdos
televisivos para a espetacularidade e para o entretenimento, através de uma redução aos
processos de mediação jornalística. Nesse sentido, existe, inclusive, telenovelas brasileiras
que já trataram de clones e mutantes.
Para Aline Rios (2005) existem dificuldades encontradas pelos jornalistas e cientistas
no processo de divulgação, pois, embora lutem pela mesma causa, a melhoria da vida da
sociedade, os profissionais destas áreas divergem em alguns pontos. “Entre os impasses estão
a simplificação exagerada e a sensacionalização na publicação dos resultados de trabalhos
científicos” (RIOS, 2005, p.1). Em consequência, um profissional que se torna especialista
nesta área precisa ser, também, um pesquisador minimizando estas diferenças e não colocando
25

em risco o trabalho do cientista. Deve-se ter em mente também que uma informação
deturpada pode causar sérias consequências à sociedade.
Na televisão, as mensagens transmitidas são exibidas de forma atrativa utilizando-se
do movimento e de diversos recursos imagéticos e cromáticos. Os documentários de ciência
fazem uso de elementos discursivos, tais como, recursos retóricos, sequências narrativas,
atores sociais, etc. nos seus processos comunicacionais. Estes atributos contribuem para torná-
las simples, cotidianas, favorecendo a compreensão por parte dos telespectadores, qualquer
que seja seu nível educacional e sócio-cultural. Transpõe-se, portanto, o saber científico a um
saber ordinário, pautado no senso- comum.
Antônio Luiz Oliveira Heberlê em sua tese Significações dos transgênicos na mídia
do Rio Grande do Sul identifica, em uma tabela,12 alguns fatores que aproximam e afastam
mídia e ciência.
Quadro 1 – COMPARATIVO ENTRE MÍDIA E CIÊNCIA
Variável Mídia Ciência
Interesse social Alto Alto
Interesse econômico Alto Alto
Imediatismo (temporalidade) Alto Baixo
Objetividade Alta Alta
Polêmica Alta Baixa
Precisão Baixa Alta
Sigilo Baixo Alto
Neutralidade Baixa Média
Performance (espetacularização) Alta Baixa
Fragmentação (dos fatos) Alta Baixa
Visibilidade Alta Baixa
Contextualização Baixa Alta
Credibilidade Média Alta
Busca pela verdade Média Alta
Fonte: Herbelê (2005, p.133).

Essa tabela mostra as diferenças entre aspectos da linguagem científica e da linguagem


midiática. Sobre a transposição entre um discurso e o outro, Guaracira Gouvêa (2000, p.93)
revela que duas questões são colocadas: a primeira refere-se à estrutura do texto (que
linguagem utilizar) e a segunda às entidades contidas nesses textos. Estas últimas são

12
As escalas utilizadas no quadro não constituem valores absolutos e tampouco definitivos. Dada a dificuldade
de se constituir valores escalares para fatores relacionados ao comportamento social, tal escala tem apenas
função comparativa. Pode-se substituir as avaliações para: maior, menor e intermediária, com resultados
satisfatórios. Em muitos casos, entretanto, pode ocorrer, dependendo do enfoque, aproximação e
afastamentos maiores ou menores, como nas questões da credibilidade e da verdade, por exemplo. Por isso, é
preciso relacionar detidamente as atividades sempre que o quadro for lido.
26

conceitos, objetos, representações, aparelhos. Em qualquer texto sobre ciência, essas


entidades são introduzidas considerando-se os pré-requisitos próximos (o que se conhece está
associado ao novo) e no processo de interligar esses novos conhecimentos são criadas mais
entidades, tornando o texto científico cada vez mais só compreensível para os que
compartilham desse mesmo conhecimento.
Dessa maneira, ela afirma que:

[…] para transformar o texto científico em texto de divulgação seria preciso


romper com a sua estrutura conceitual. Isso significaria destruir o conceito.
Por isso, nos textos de divulgação científica, convivem as duas linguagens e,
portanto, as duas formações discursivas – da ciência e do jornalismo. [...]
Parece-nos que para transitar de um texto para o outro (do científico para o
cotidiano, ou vice-versa) é necessário alterar a estrutura geral do texto e
também expressar-se em linguagem com estruturas sintáticas distintas.
(GOUVÊA, 2000, p.94).

Sobre a constituição discursiva do discurso científico, Eni Orlandi (2001) afirma que
sua formulação se dá no tripé de discursos: científico, jornalístico e cotidiano (ordinário);
mesmo que no discurso de divulgação científica apareçam outros discursos, esses os
constituem necessariamente. Pode-se afirmar que o discurso jornalístico responsabiliza-se
pela "eleição" do recorte do discurso científico; intervindo, inclusive, na perspectiva de
abordagem da temática. Desse modo, há uma (re)formulação do tripé discursivo, de modo que
"algo que significa de um modo, desliza para produzir outros efeitos de sentidos, diferentes",
ocorrendo, por assim dizer, uma "transferência" (ORLANDI, 2001, p.138).
Esse processo de metaforização na DC produz uma encenação da "relação intrínseca
com o discurso (de origem?) científico" (ORLANDI, 2001, p.105) quando se faz menção ao
cientista ou quando há inserção da "voz da ciência" pelo próprio cientista. De acordo com
Orlandi (2001), essa encenação emerge da relação entre a metalinguagem6 e a terminologia.
Porém, o uso excessivo de terminologias pode resultar em uma supervalorização dos termos,
perdendo-se, dessa forma, “a objetividade da ciência, ou melhor, o que ela constrói pela
objetividade real contraditória de sua metalinguagem (uma certa forma de conhecimento)”
(ORLANDI, 2001, p.158).
27

3.2 CIÊNCIA E VERDADE

Ao colaborar para o enfraquecimento das pretensões cientificistas nas últimas décadas,


o relativismo epistêmico resultante das idéias de Kuhn, Feyerabend, Lyotard e outros tem sido
importante para o desenvolvimento de uma concepção realista e menos idealista da ciência.
Citado por Allan Novaes, Gerard Fourez, em sua obra A construção das ciências, propõe,
como afirma o título, uma reconstrução da ciência a partir de uma compreensão mais humana
e social. Para ele, a ciência pode ser encarada de duas maneiras básicas: por meio de uma
perspectiva idealista ou histórica. Enquanto na primeira a ciência é descobridora e produtora
de “verdades eternas” a respeito do mundo e do universo, na segunda a ciência é vista como
uma “construção histórica” condicionada por uma época, ideologia e projetos específicos,
“feita pelos e para os humanos” e que, por esse motivo, é incapaz de descobrir uma “verdade
global e eterna”, mas apenas uma verdade restrita ao momento histórico (FOUREZ, 1995,
apud NOVAES, 2008, p.35).
Assim é possível afirmar que a ciência é subjetiva. No entanto, a concepção de senso
comum sobre a ciência ainda está alicerçada em conceitos originários no Positivismo do
Século XIX. A idéia de que a ciência reproduz uma verdade comprovada, irrefutável e
infalível continua sendo amplamente aceita pela sociedade. A humanidade vê na ciência uma
espécie de 'vara de condão' e dela espera soluções benéficas, baseadas nos melhoramentos que
ela já proporcionou. Alimenta-se do 'mito' de que o que é científico é verdadeiro. Santos
(entre 2002 e 2009) afirma que “dar a algo a qualidade de científico equivale a atestar sua
veracidade inquestionável”. A noção popular é de que a ciência é objetiva, não havendo,
portanto, lugar para opiniões ou preferências pessoas e superstições especulativas. Entretanto,
a cada descoberta nova que é feita ao longo do tempo é possível observar que o conhecimento
científico não é irrefutável e suas verdades são sempre provisórias, além de que, a Ciência e
seus pressupostos não estão livres de ideologias sociais, religiosas e políticas.
Em relação a essa questão Leibruder (2002) afirma que o discurso científico, ao se
fundamentar em uma suposta neutralidade discursiva, tenta fazer com que o receptor acredite
que o que está sendo exposto não é uma interpretação, mas sim a própria realidade. Para isso,
o discurso utiliza-se do apagamento do sujeito (impessoalidade) cuja finalidade é provar a
veracidade e a legitimidade do que está sendo apresentado. Os textos, ao apresentarem a
28

incorporação da própria voz do cientista, têm o objetivo de atribuir um caráter de


confiabilidade e veracidade ao argumento defendido e; ao apagar o sujeito confere ao texto
um caráter de universalidade e, portanto de neutralidade, legitimando o seu discurso:

A Ciência, ao longo de sua história, foi gradativamente assumindo a


condição de porta-voz da verdade que supostamente estaria contida nas
coisas. Tal status, na medida em que lhe atribui autoridade, confere-lhe um
perfil institucional. A fim de corroborar tal posição, seu discurso deve se
constituir a partir de uma perspectiva universal, e não do ponto de vista de
um sujeito particular. A impessoalidade e a objetividade características do
discurso científico atribuem-lhe, dessa forma, um caráter de
inquestionabilidade e, portanto, de veracidade. (LEIBRUDER, 2002, p.237).

Assim a ciência torna-se fonte e fundamentação da divulgação das principais


descobertas transmitidas pelos meios de comunicação de massa fazendo com que a atribuição
do termo 'científico' a alguma afirmação, linha de raciocínio ou peça de pesquisa seja feita
pretendendo implicar mérito e credibilidade. Em função do lugar do enunciador, ou seja, a
posição de quem fala, os textos de divulgação científica ganham peso. A situação do
especialista, a instituição a que pertence e a liderança de pesquisa reforçam a autoridade e
criam no leitor a idéia de 'verdade científica'.
Já Medeiros (2003, p.91) ao falar sobre a divulgação do conhecimento científico
afirma que ela está fundamentada, em pelo menos três vetores:
• visão predominantemente utilitarista da ciência, à qual caberia dar respostas para todos
os questionamentos e angústias humanas
• visão excessivamente idílica dos cientistas, idealizados como seres superiores,
desprovidos de emoção humana, incapazes de se meter nas mazelas cotidianas quando
imersos em suas pesquisas
• visão de que a ciência corresponde ao ideal de certeza absoluta, correspondente ao
ideário Positivista, não se admitindo o improvável e o discurso da dúvida senão o
discurso objetivo da certeza.
Long e Steink (1996), citadas por Liliane Gama, afirma que as imagens que a mídia
passa de ciência e dos cientistas estão relacionadas com a visão dos seus profissionais. Ao
analisarem programas de TV para crianças verificaram, entre outros pontos, ser comum na
29

mídia a imagem da ciência como solução de problemas e como verdade no sentido de ser o
caminho para achar respostas, além da visão de cientistas como anti-sociais e um grupo
privilegiado. Segundo as autoras, os jornalistas encorajam essa idéia de ciência como verdade
ao enfatizarem os resultados da ciência invés do processo de ciência.
Ainda sobre a posição dos jornalistas, Cristina Mascarenhas, revela que a concepção
de que a ciência é uma entidade salvacionista é compartilhada pelo próprio profissional. A
ênfase dada aos resultados científicos em detrimento do processo não só contribui para a idéia
de uma verdade acabada como também é creditada pelos próprios jornalistas que a geram:

Não percebem que é preciso percorrer ainda muitos caminhos até o alcance
de resultados passíveis de serem considerados definitivos e sem esse nível de
percepção estabelecem suas verdades e constroem uma outra realidade a
partir da notícia. Não há um direcionamento proposital para induzir o
público a acreditar numa realidade forjada, pelas entrevistas o que se percebe
é que o jornalista acredita na realidade que está criando e desconhece a
realidade dos laboratórios. Eles também demonstram desconhecer as
subjetividades do campo científico. (MASCARENHAS, 2006, p. 99).

De acordo com Martha França, alguns jornalistas de ciência,

[…] aceitam a ideologia da ciência como uma autoridade neutra, um juiz


objetivo da verdade. Sentem-se confiantes por trabalhar em uma área em que
aparentemente não existem conflitos e na qual não terão de presta contas ao
público e até mesmo aos seus chefes pelo que escreveram. (FRANÇA, 2005,
p.41).

Maurício Tuffani, jornalista especializado na cobertura de temas de ciência e meio


ambiente, complementa essa visão ao sinalizar a existência de um amplo espectro de
convicções entre os próprios jornalistas, “que variam da aceitação ingênua da neutralidade da
ciência à visão conspiratória de que ela é um braço da política” (TUFFANI, 2005, p.50).

3.3 CIÊNCIA E MITO


30

A Ciência tornou-se, principalmente nas últimas décadas, uma espécie de 'símbolo dos
tempos modernos'. Responsável por renovar as esperanças e expectativas sociais em suas
projeções sobre o futuro, os novos 'avanços' vem sendo encarados como ferramentas capazes
de suplantar qualquer problema com o qual é possível se deparar. Contudo, é importante
considerar que existem incertezas sobre a aplicabilidade e o acesso a esses avanços, além do
fato de que eles ensejam riscos potenciais merecedores de tanta atenção quanto seus prováveis
benefícios.
Na concepção tradicional/linear de progresso13, a ciência, em algum momento do
presente ou do futuro, resolverá os problemas hoje existentes, conduzindo a humanidade ao
bem-estar social e à felicidade. Duas idéias estão associadas a isso: a primeira afirma que a
ciência necessariamente conduz ao progresso; e a segunda que ela sempre foi criada para
solucionar problemas da humanidade, de modo a tornar a vida mais fácil.
Uma pesquisa14 recente realizada no Brasil, Argentina, Uruguai e Espanha, e que
integra o projeto Ibero-Americano de Indicadores de Percepção Pública, Cultura Científica e
Participação dos Cidadãos, intitulada Percepção Pública da Ciência (VOGT e POLINO,
2003) afirma que a maioria dos entrevistados desse estudo acreditam, mesmo sabendo de suas
consequências negativas, que a ciência representa uma “atividade benfeitora” para a vida
humana e que é um “fator positivo” para solucionar problemas e melhorar a qualidade de vida
associando a ciência a idéias de “grandes descobertas” e “avanços técnicos” (VOGT e
POLINO, 2003, p.79).
Entretanto, o desenvolvimento científico não pode ser considerado um processo neutro
que deixa intactas as estruturas sociais sobre as quais atua. Nem a Ciência e nem a Tecnologia
são alavancas para a mudança que afetam sempre, no melhor sentido, aquilo que
transformam. O progresso científico não coincide necessariamente com o progresso social e
moral (Sachs, 1996).
Esta idéia de que os problemas hoje existentes, e os que vierem a surgir, serão
automaticamente resolvidos com o desenvolvimento cada vez maior da Ciência, estando a
solução em mais e mais Ciência, é falsa pois está secundarizando as relações sociais em que
13
Trata-se da interpretação de Luján e colaboradores (1996). Os autores apresentam esse modelo como uma
visão comum das pessoas para explicar como a ciência se desenvolve linearmente, interferindo na sociedade.
Nessa concepção, o desenvolvimento científico (DC) gera desenvolvimento tecnológico (DT), este gerando o
desenvolvimento econômico (DE) que determina, por sua vez, o desenvolvimento ou Bem-Estar Social (DS).
O modelo tradicional/linear de progresso pode ser então assim representado: DC -> DT -> DE -> DS
14
Pesquisa realizada nas cidades de Buenos Aires, Campinas, Salamanca e Valladolid e Montevidéu.
31

essa Ciência é concebida. Fazer isso exclui os aspectos políticos, econômicos e sociais nos
quais está envolvida.
Sobre essa questão, Rolland Barthes (2006, p.234) afirma que: “[...] o mito é
constituído pela eliminação da qualidade histórica das coisas; nele, as coisas perdem a
lembrança da sua produção”. Assim, sublinha o autor, o mito é uma fala despolitizada —“[...]
política no sentido profundo, como conjunto de relações humanas na sua estrutura real, social,
no seu poder de construção do mundo” (BARTHES, 2006, p.234).
Em geral, as pessoas remetem os problemas enfrentados pela sociedade para o campo
técnico, pensando que a 'extraordinária' capacidade da tecnologia moderna conduzirá a uma
solução apropriada. Mas, esses problemas têm uma componente social. Esperar por uma
solução apenas técnica, que não inclua medidas sociais e culturais, é ilusório. É uma
mistificação da realidade. Sobre este aspecto, Denise Siqueira afirma que:

Esse mito aparece sob vários aspectos. Dentre eles destaca-se o de


encantamento do mundo, no qual a ciência apresenta todas as soluções
buscadas pelo homem, quase magicamente (seria o lado glamouroso da
ciência). Isso é da natureza do mito: sua função é justamente pretender dar
uma solução para uma contradição. (SIQUEIRA, 1999, p.137/138)

E, nesse contexto de fetichização, a televisão usa a congruência da técnica, imagem e


espetáculo para atrair o espectador. Na televisão, a informação sobre ciência é veiculada por
programas dos mais variados gêneros. Quando Denise Siqueira analisou a presença da ciência
no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, que tem grande parte da sua pauta
ancorada em resultados ditos científicos, observou alguns aspectos interessantes da cobertura:

O tom de mistério e medo é largamente utilizado, assim como as matérias


que remetem ao místico. Nesses casos, quando a ciência não explica os
fenômenos naturais/sobrenaturais, o texto é sensacionalista, às vezes
amedrontador. E, por vezes, o discurso do editor – os textos lidos pelos
locutores – destoa da reportagem (discurso do repórter), das imagens e dos
depoimentos dos especialistas. (SIQUEIRA, 1999, p.139/140)

A análise de 10 programas veiculados entre abril e dezembro de 1995 revelou, entre


32

outras coisas, que a Ciência é utilizada como argumento em temas que vão de disputas
judiciais à apresentação de novos produtos e/ou remédios para doenças incuráveis. Nesse
contexto, duas visões se repetiram: a da Ciência como portadora da verdade e solução para
todos os problemas e a representação de ciências por meio de imagens consagradas, como
laboratórios.
Naturalmente, o fato de um programa tão popular quanto o Fantástico promover tal
banalização da ciência contribui para que seja difundido esse conceito específico de notícia no
jornalismo especializado na área. Já nas seções de jornais impressos diários e revistas, a
própria natureza do veículo permite que os temas sejam explorados com mais profundidade.
Isto, em tese, poderia fazer com que o fetiche desse lugar à informação contextualizada, o que
significa também informação sobre as políticas de desenvolvimento científico e tecnológico.
No entanto, até mesmo nos meios impressos persiste a fetichização da ciência.
Em nome da 'ciência', os meios de comunicação (televisão, revistas, jornais), divulgam
o conhecimento, instigando o imaginário de que à ela cabe a resolução de todos os problemas.
Dessa forma, para o conteúdo científico aparecer na mídia precisa ser levado ao patamar de
espetáculo, pelo viés do inusitado ou do fantástico, sendo apresentado de forma
descontextualizada, rápida, fragmentada. Nesse contexto, o que se evidencia é o que tem
apelo midiático, reduzindo-se aos seus mitos e ritos. A atribuição do termo “científico” a
alguma afirmação, linha de raciocínio ou peça de pesquisa é feita de um modo que pretende
implicar algum tipo de mérito ou um tipo especial de confiabilidade. Mais do que isso,
promove também o imaginário de que o conhecimento científico é acessível a todos.
33

4 O APROVADO: UM PROGRAMA EDUCATIVO E CIENTÍFICO NA REDE BAHIA

“Aprovado: vestibular, conhecimento e cultura na tela da TV. Um programa


educacionista”

Esse é o slogan15 do Aprovado, programa semanal exibido desde 10 de março de 2001


e apresentado pelo musicista e professor Jorge Portugal. O programa é transmitido todos os
sábados, às 8 horas da manhã pela Rede Bahia, emissora filial à Rede Globo de Televisão e
tem como foco principal a abordagem de temas, dicas e novidades relacionados aos
vestibulares da Bahia. Possui a duração de 1 (uma) hora e estrutura-se em 4 blocos que
contêm entrevistas com especialistas de diversas áreas do conhecimento acadêmico-escolar e
quadros específicos.
É exibido apenas para o Estado da Bahia e possui audiência média de 8 a 9 pontos de
acordo com o IBOPE16. Isso é o equivalente a 1 260 000 de pessoas em frente à televisão no
horário das oito da manhã. Essa situação, que o manteve no ar até os dias de hoje, deu vazão à
mudanças de cenário, quadros e estratégias televisivas ao longo do tempo.
Com relação ao aspecto visual, a composição pictória17 é feita pelos
estudantes/debatedores, apresentador, especialista convidado e músicos, arrumados nessa
ordem em semicírculo. O cenário, apesar de ter sofrido diversas transformações, é enriquecido
com elementos que lebram a sala de aula como quadros e cadeiras simples; e que transmitem
a idéia de "juventude", como a figura em Pop Art da cortina ao fundo. Mesmo com diversos
telespectadores, inclusive em variadas idades, o público alvo são adolescentes da rede pública
estadual que planejam ingressar na Universidade.
Quanto à produção, o Aprovado se mantinha com duas empresas responsáveis: a
Bahia Cinema e Vídeo e a ABAÍS. Ambas produziam o programa em parceria. A primeira é
uma empresa vinculada à Rede Bahia que responde pela produção de comerciais, em geral,
programas para televisão, vídeo empresarial, teleconferência, TV Executiva, documentários,
transmissão de eventos ao vivo, duplicação e copiagem de VHS em pequena e larga escala. A
segunda é gerenciada por Rita Vieira e é uma empresa dedicada à produção e à conteúdos
15
Um slogan é uma curta mensagem usada como uma identificação de fácil memorização agregando a um
produto ou serviço. O slogan compõe o que se chama de suporte ou complementação de uma determinada
mensagem.
16
O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE). Multinacional brasileira especializada em
pesquisa de mídia, mercado e opinião presente em 14 países.
17
Composição pictória é a relação entre elementos visuais no intuito de despertara a sensibilidade do receptor
34

educativos. A partir de 2009 essa parceria deixou de existir passando todos os créditos de
produção para a Bahia Cinema e Vídeo que é a atual empresa responsável pelo Aprovado.
O Aprovado é patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia com cerca de 500 mil
reais por ano. Levando em consideração os dois meses em que o programa exibe reprises é
possível concluir que cada exibição é orçada em torno de 12 500 reais. O Aprovado também
tem como fonte de renda anunciantes durante a exibição, como é acontece com o quadro
Ralando na área, por exemplo e; fora da exibição com os anunciantes entre os blocos. Entre
estes, a maioria são universidades particulares de Salvador devido ao público alvo do
programa. A maior incidência, durante o intervalo comercial do Aprovado, são de faculdades
como: UniJorge, Unifacs, Faculdade Vasco da Gama, Faculdade Dão Pedro II e Faculdade
Área 1.

Figura 1 – Cenário do programa Aprovado


Fonte: Produção da autora. Fotografia obtida dia 13 de maio durante a gravação do programa.

4.1 HISTÓRICO

O Aprovado tem suas origens em uma ação voluntária de Jorge Portugal e amigos que,
35

durante o ano de 1999, davam aulas extras no Colégio Central da Bahia. As aulas – chamadas
de aulões – eram ministradas aos fins de semana com conteúdo para revisão dos assuntos do
Ensino Médio. Além das palestras eram também apresentados shows com artistas locais
unindo educação e música.
Com o êxito das aulas, o interesse de outras instituições pelo trabalho desenvolvido no
Central cresceu vertiginosamente levando algumas escolas soteropolitanas a se envolverem
com o projeto solicitando a realização dos aulões nos demais colégios como é o caso do
Colégio Estadual Severino Vieira e outros. Dessa forma, o programa foi cada vez mais sendo
difundindo. A partir daí surgiu o projeto Faz Universitário, em parceria com a Secretaria de
Educação do Estado da Bahia que tinha como objetivo aprofundar os conhecimento dos
alunos da Rede Pública para o ingresso em universidades e, além disso, facilitar o acesso aos
aulões e ampliar o alcance para todo o Estado da Bahia.
O projeto Faz Universitário previa duas fases na qual a primeira era dividida em duas
etapas: a aula-show18 que eram aulas presenciais com conteúdos próprios de pré-vestibular e a
tele-aula que eram aulas apresentadas em blocos, produzidas em estúdio e veiculadas pela
televisão com as mesmas características da aula-show; e a segunda fase referia-se à bolsa que
o estudante ganharia caso passasse em faculdades particulares.
Sendo assim, o programa Faz Universitário era exibido semanalmente pela
TVEducativa visando alcançar o grande público baiano formado por estudantes do ensino
médio. O programa, com duração de 01 hora, era o prenúncio do atual Aprovado. Com a
estrutura muito parecida, o Faz Universitário era apresentado por Jorge Portugal e dividia-se
em 8 blocos: Fique por Dentro, A Dica do Mestre n1, O Papo-Cabeça, A Dica do Mestre n2,
O Desafio do Saber, Momento da Cidadania, Dicas Culturais e o canal interativo para tirar
duvidas sobre os temas apresentados.
Para a criação dessa estrutura Portugal afirma:

Quando eu imaginei um programa de educação pra jovens eu fiquei


observando todos os programas que haviam no ar (...) então um programa,
na minha concepção, tinha que ser uma mistura de aula de cursinho, talk
show e MTV. Se eu conseguir temperar os três elementos na dose certa esse
programa vai ser sucesso19. (Jorge Portugal)

18
Aula show é uma aula que livre que mistura conteúdo acadêmico com apresentação musical
19
Trecho extraído da entrevista cedida à autora. As demais apresentações serão referenciadas dessa maneira.
36

Essa mesma estrutura aparece no Projeto “FAZ UNIVERSITÁRIO”, integrante do


Programa Educação Tributária do Estado da Bahia – PET-BA através do decreto nº8 054 de
25 de outubro de 2001:

Utilizando-se de instrumentos modernos como computadores, imagens de


arquivos jornalísticos e vinhetas criativas, a informação será veiculada de
maneira interessante e sedutora, misturando linguagens de tele-jornal, de
cursinho pré-vestibular e talk – show. (BAHIA, Decreto n. 8.054, de
25/10/01)

Em 2001 Jorge Portugal migra para a Rede Bahia e o programa ganha o nome de
Aprovado fazendo alusão ao vestibular e ao foco dos estudantes. Transmitido para todo
território baiano através da TV Bahia, o Aprovado ganhou diversas estruturas e cenários sendo
sua última atualização em 18 de abril de 2009.20

Figura 2: Logotipo em 2005


Fonte: Site do Aprovado Figura 3: Cenário em 2005
Fonte: Site do Aprovado

20
Informações disponíveis em: <http://ibahia.globo.com/aprovado/programa.asp>. Acesso em: 13 set. 2009.
37

Figura 4: Logotipo em 2007


Fonte: Site do Aprovado

Figura 5: Cenário em 2007


Fonte: Site do Aprovado

Figura 6: Logotipo em 2008


Fonte:Site do Aprovado

Figura 7: Cenário em 2008


Fonte: A autora

O programa foi produzido pela RV Produções até o ano de 2008 seguido pela
produtora Bahia, Cinema e Vídeo. Atualmente o programa Aprovado é transmitido e gravado
nos estúdios da TV Bahia e é exibido, também, pelo canal regional TV Salvador, por todas as
emissoras de televisão aberta da Rede Bahia e também pela TVE.

4.2 DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA DO PROGRAMA APROVADO


38

O programa Aprovado é desenvolvido para atender estudantes de escolas públicas do


Ensino Médio e aqueles que pretendem prestar vestibular. Sendo assim, os temas abordados
são escolhidos de acordo com o currículo pedido pelo vestibular da Universidade Federal da
Bahia e da Universidade Estadual da Bahia. Sua estrutura compõe-se de quatro referenciais
básicos que serão descritos a seguir: a entrevista e os quadros Ralando na área, Dica do
Mestre e Fique por Dentro. Além desses itens fixos é possível observar também outros
quadros e VTs21 com matérias relacionadas ao estudante e/ou à educação científica.

4.2.1 Entrevistas
A base norteadora do programa é a entrevista. Em cada exibição um especialista de
alguma área do conhecimento científico é convidado para falar sobre temas oriundos do
Ensino Médio. Sendo assim, em cada programa, são abordados temas como: Biologia, Física,
Química, História, Geografia, Matemática, Português ou Redação22. Para os produtores do
Aprovado o intuito do programa é atingir o público pré-vestibulando principalmente o alunado
proveniente do Ensino Público de Salvador, por isso os assuntos da cada programa tem como
base o currículo escolar do Ensino Médio.
As perguntas direcionadas ao entrevistado são desenvolvidas pelo apresentador Jorge
Portugal mas, também, por alunos da rede pública estadual previamente selecionados. A
entrevista prolonga-se durante todo o programa sendo interrompida apenas pelos quadros,
vídeos e/ou apresentação artística. A quantidade de perguntas feitas não é fixa, em geral são
feitas de três a quatro perguntas por bloco.
Apesar do programa Aprovado ser gravado em estúdio, o mesmo não possui ensaio. O
desenvolvimento da gravação é feita através do roteiro que inclui o fechamento e o tempo de
cada bloco, assim como, as interrupções da entrevista. Em cada gravação, apenas o tema é
indicado aos participantes. Isso é feito preliminarmente, no momento em que a produção entra
em contato, não havendo o acordo prévio das perguntas que serão feitas nem das respostas
que serão dadas.

4.2.2 Ralando na área


21
É a abreviatura para videoteipe. São imagens previamente editadas para determinado fim.
22
Matérias exigidas pelo Ministério da Educação (MEC) no Ensino Médio.
39

Esse quadro é desenvolvido fora do estúdio. Consiste em apresentar as características


básicas de um determinado curso de graduação. Segundo o apresentador, é um espaço de
“orientação profissional, para deixar o jovem telespectador diante de um leque de opções”23.
O VT informa quais as universidades, dentro do território baiano, oferecem o curso
apresentado e o salário inicial desse profissional. Inicialmente apresentado pela jornalista
Babi Vieira, o Ralando na área é um dos quadros mais antigo da história do programa e que
ainda existe. Consiste na entrevista com um profissional da área que explana minimamente
sobre o mercado de trabalho, atividades desenvolvidas dentro e fora da faculdade, cotidiano
do profissional, especializações e características do perfil que o estudante deve ter caso se
interesse pela área/profissão. Geralmente, possui duração de dois a três minutos. Prática e
teoria terceiro bloco.
Atualmente o espaço do Ralando na área é utilizado não só pra revelar características
de um determinada profissão mas também como merchandising por algumas faculdades
particulares de Salvador. Todas as profissões abordadas sempre são ligadas à faculdade
pagante assim como o VT é feito em sua grande maioria no espaço e por pessoas pertencentes
à instituição que está comprando o merchadinsing.

4.2.3 Dica do mestre


Esse quadro é realizado fora do estúdio e existe desde o início do programa, em 2000.
Consiste na explicação didática de conteúdos abordados no Ensino Médio. Através de tabelas,
gráficos e/ou ilustrações, o VT passa ao alunado assuntos de Matemática, Física, Química,
Biologia, Português, Redação e Inglês no qual cada dia é escolhido uma área. É apresentado
por um professor especialista no campo em questão que dirige o discurso como se fosse um
professor em sala de aula.

4.2.4 Fique por dentro


É um vídeo que introduz minimamente o telespectador no assunto que será abordado
no programa. Existe desde a criação do Faz Universitário. Combina texto e imagem para
explicar o tema do dia. Em geral possui 2 minutos. Não possui um âncora, são imagens
23
Trecho retirado do programa no dia 18 de abril de 2009. Todos os trechos que forem tirados de dentro do
programa serão citados dessa maneira
40

variadas em diversos ângulos ilustrando o texto em off. Depois que o programa se estabeleceu
esse quadro foi retirado: “Ele já não existe porque a familiaridade vai crescendo tamanha [...]
muitas vezes o telespectador se prepara, já lê, enfim, já toma o périplo que vai ser
discutido.”24(PORTUGAL, 2009)
Atualmente essa função é feita pelo próprio apresentador que cita as matérias e os
temas que serão abordados durante o decorrer do programa e não é feita a citação do quadro.

4.2.5 2030 Discutindo o futuro


Esse quadro é um VT produzido fora dos estúdios da Rede Bahia que é marcado pela
projeção vindoura de uma determinada situação. No VT, o especialista fala sobre possíveis
realidades para o futuro alertando ou explicando os fatos que poderão ocorrer:

Vamos conversar com pessoas destacadas na área da ciências, na área das


artes, na área empresarial que vão fazer uma projeção como será o mundo,
a sociedade daqui a mais alguns anos.25 (Jorge Portugal)

Tem duração de três minutos à cinco minutos.

4.2.6 Anote aí
É o momento em que Jorge Portugal fala sobre eventos que ocorrerão na cidade. É
desenvolvido dentro do estúdio do Aprovado como uma continuação por isso o quadro serve
como uma chamada para situar o telespectador.

4.2.7 Conexão Aprovado


Existe desde 2009. Com as palavras do apresentador, esse:

[...] é um quadro que vai trazer sempre personalidades, pessoas que têm o
que dizer de qualquer outro lugar do Brasil, de qualquer outro estado.
24
Trecho retirado do programa no dia 18 de abril de 2009.
25
Ibid.
41

Então o Aprovado vai lá, conversa com esta pessoa e traz pra você este
conteúdo substantivo. É um conteúdo que vai realmente somar àquilo que
você tem, àquilo que você quer e, quer mais26. (Jorge Portugal)

Em suma, é um vídeo no qual um profissional explana sobre determinado assunto.


Essa pessoa fica sempre em primeiro plano fazendo diversas reflexões e idéias sobre o tema
em questão. O conteúdo desse quadro não está associado ao tema da entrevista principal do
programa. Dura em torno de 5 minutos.

4.2.8 Fato comentado


É o um VT desenvolvido fora do estúdio em que um especialista faz uma reflexão
sobre um acontecimento específico. Esse especialista usa de 02 à 04 minutos para debater e
dar sua opinião referente ao fato ocorrido.

4.2.9 Fazendo e acontecendo


Existente desde 2009, esse quadro mostra

[...]aquelas pessoas que não jogam a toalha ante a primeira adversidade.


Pessoas que com muita determinação chegam lá, são coroadas porque
merecem esse prêmio. Histórias de superação, principalmente superação no
campo da educação. (Jorge Portugal)

Em suma, é um vídeo que mostra a história de alguém que mudou a sua, ou a


realidade de outros, de maneira positiva. Possui de 4 a 5 minutos de duração.

4.2.10 Infovia
Esse quadro é um vídeo no qual é mostrado dicas de páginas on-line e possibilidades
de navegação via internet. O vídeo revela imagens do site em questão e explica a sua utilidade
mostrando as características e os benefícios. Duração de um minuto.

26
Trecho retirado do programa no dia 18 de abril de 2009.
42

4.2.11 Música
Essa é um momento que reflete o interesse do idealizador Jorge Portugal de criar um
programa jovem com características da MTV. É um espaço que se repete ao fim de cada bloco
dentro do próprio estúdio.
Em cada edição do Aprovado, um artista musical é convidado e a escolha é feita de
acordo com o gênero. Nesse quesito, o programa Aprovado mantém um critério de seleção:

Eu não posso levar, por exemplo, a música que está na corrente principal
das FMs porque nada tem a ver com educação, muito pelo contrário são
músicas que deseducam, que deseducam. Então eu não poderia levar um
pagode baiano, eu não poderia levar uma música sertaneja que pouco vai
dizer a isso. Eu vou levar um artista que não tenha oportunidade na mídia e
que tenha um trabalho muito bom, sobretudo sob o ponto de vista da
mensagem da letra. Então este é o critério. (Jorge Portugal)

Os músicos apresentam seu trabalho dentro do estúdio entretendo não somente o


público televisivo ma também os estudante e convidados dentro do estúdio de gravação.

4.2.12 Poesia
Esse é um momento literário que já foi usado pra abrir o programa como também para
quebrar o transcorrer da entrevista no qual é feita a declamação de um texto poético por um
ator. No primeiro caso, o recital era um VT que combinava imagens e a interpretação artística
do poeta. No segundo caso, o ator se mantinha misturado á platéia até a sua aparição.
No dia 16 de maio de 2009 foi feita declamação por Urias Lima do seguinte texto
Poética de Manoel Bandeira:

Estou farto do lirismo comedido.


Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
43

o cunho vernáculo de um vocábulo.


Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Outro exemplo é o poema Emergência de Mário Quintana que foi recitado pelo ator
Jackson Costa no programa que foi ao ar dia 23 de maio de 2009:

Quem faz um poema abre uma janela


Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo — para que possas, enfim,
profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

4.2.13 Vestibular: assunto do dia


Não é um quadro propriamente dito. É uma espécie de vinheta que antecede a
pergunta feita pelo estudante quando o mesmo não está no estúdio. A pergunta é feita através
de um monitor dentro do cenário do programa e a vinheta prepara o telespectador anunciando
a pergunta que virá a seguir.

4.3 SITE
44

Além das exibições pela televisão, o Aprovado mantém um site27 na Internet


hospedado no portal do iBahia.com28. Na home page estão disponíveis, além de informações
sobre o Aprovado, a biografia do apresentador, o conteúdo do programa seguinte, vídeos de
programas já exibido e contatos pra falar com a produção ou com Jorge Portugal.

27
http://ibahia.globo.com/aprovado/default.asp
28
Portal web afiliado à Globo.com, Informações disponíveis em: <http://ibahia.globo.com/quemsomos/>.
Acesso em: 13 set. 2009
45

5 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA E ANÁLISE DA PRODUÇÃO DO


APROVADO

O trabalho teve início com o levantamento de dados e de material para pesquisa.


Primeiramente, foram recolhidos, junto a produtora ABAÍS, os relatórios de exibição do
Aprovado dos anos de 2006, 2007 e 2008. Cada relatório continha o tema principal, os
convidados, os participantes da platéia, assim como, as datas de exibição e de gravação. Para
esse levantamento foram necessárias várias visitas à sede da produtora. Para compor um perfil
foi preciso, ainda, a procura, via internet, pelos programas disponíveis na rede. Foram
encontrados programas exibidos nos anos de 2004, 2005 e 2009. No total, foram recolhidas
166 edições29 registradas entre os anos de 2004 e 2009. Esse material foi usado para
arquivamento e para a observação de aspectos como a incidência de temas e de fontes
utilizadas pelo Aprovado.
Também foi feito um levantamento de documentos audiovisuais resultando na cópia
dos quatro programas que são o corpus da pesquisa. Essas gravações não foram
disponibilizadas de imediato pela produção e foi necessário a aquisição do material mediante
compra. É válido ressaltar que foi assistido 30 gravações diferentes do Aprovado desde abril
até novembro de 2009. Estes programas são referentes à exibições feitas no período de 2006 à
2009.
Depois do levantamento documental30 foi feita uma pesquisa bibliográfica dividida nas
áreas de Educação, Divulgação Científica, Televisão/Juventude, Ciência e Tecnologia e
Ciências Humanas. A análise levou em consideração documentos iconográficos, jurídicos, de
acesso exclusivo em meio eletrônico e publicações periódicas.
A análise do programa Aprovado teve como referencial quatro programas exibidos em
2009 nos dias 16, 23 e 30 de maio e 13 de junho. A crítica foi feita levando em consideração
aspectos da publitização do conhecimento científico formal a partir de temas oriundo do
ensino médio. Também foi levado em conta aspectos da produção, da linguagem televisiva e
de que maneira o conhecimento científico é transmitido para o público jovem.
Para a análise do corpus foi feita uma pesquisa de campo no qual a autora assistiu
presencialmente a gravação do Aprovado nos estúdios da Rede Bahia de Televisão. Fez parte
29
Ver anexo H – N.
30
Levantamento realizado nos meses de maio e abril.
46

da observação o programa exibido dia 16 de maio com tema Darwin: da teoria a células
tronco; dia 23 de maio com o tema Cinema e sociedade; dia 30 de maio com o tema
Educação e democracia e; dia 13 de junho com o tema Meio Ambiente e desenvolvimento
sustentável. Todos exibidos em 2009. Nesses dias foram registrados 10 vídeos e 154 fotos do
cenário e do desenvolvimento da gravação no estúdio. Dessa maneira foi possível
compreender diversos aspectos da produção, edição, preparação e exibição além de conseguir
novas informações acerca do programa.
Esta dissertação optou por incorporar ao texto a transcrição dos programas, que se
encontram nos anexos, e também por disponibilizar dois DVDs com áudio e imagem, que se
encontram na contracapa com a íntegra dos quatro programas do Aprovado.
Além de ter como fundamentação a observação dos programas referidos, o trabalho
teve como base uma pesquisa qualitativa baseada em entrevistas elaboradas com produtores
do Aprovado. Foi observado que não há quase nenhum material sobre a origem do programa
com exceção de entrevistas que o apresentador Jorge Portugal concedeu a veículos de
comunicação. Sendo assim, foi essencial colher diversos depoimentos para usar, inclusive,
como fonte única. Foi feita entrevista com Jorge Portugal (apresentador e consultor
pedagógico do programa); com Rita Vieira (responsável pela produtora ABAÍS) e com Mira
Silva (diretora geral do Aprovado). Também convém assinalar que houve a participação
imprevista da autora na platéia (debatedores) no programa que foi ao ar dia 30 de maio de
2009. Tal fato também foi usado como observação.
A análise de um programa pressupõe observar em separado todos os seus elementos.
Conforme afirmam Vanoye; Goliot-Lété (1994), na obra Ensaio sobre a análise fílmica –
embora fale sobre o filme, é possível usar seus argumentos como pressupostos para a esta
análise. Portanto, os elementos de análise descritos a seguir são “vistos” isoladamente, porém
são constituintes importantes do produto e do processo do “fazer” televisivo.

decompô-lo em seus elementos constitutivos. Despedaçar, descosturar,


desunir, extrair, separar, destacar e denominar materiais que não se percebem
isoladamente ‘a olho nu’, pois se é tomado pela totalidade. [A análise
consiste] em estabelecer elos entre esses elementos isolados, em
compreender em como eles se associam e se tornam cúmplices para fazer
surgir um todo significante. (VANOYE e GOLIOT-LÉTÉ ,1994, p. 15)
47

Do ponto de vista da produção de um programa de TV é fundamental uma análise das


suas características. Em relação ao Aprovado foi observado aspectos como: concepção de
ciência, aspectos estéticos, formato, definição dos objetivos do programa, caráter educativo,
valorização do ensino público, temas, estrutura e perfil.

5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS CONTEÚDOS ABORDADOS

Levando em consideração os diversos temas abordados pelo Aprovado entre o período


de 2004 e 2009 é possível construir uma tabela de temas como a representada a seguir.
Respeitando a classificação da áreas do conhecimento fornecida pelo Centro Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) chega-se aos seguintes resultados:

Tabela 1 – INCIDÊNCIA DE TEMAS NO APROVADO


Ciência Frequência %
Ciências Humanas 91 54,81
Linguística, letras e artes 32 19,28
Ciências Biológicas 23 13,87
Ciências da Saúde 10 6,02
Ciências Exatas e da Terra 6 3,61
Ciências Sociais Aplicadas 4 2,41
Total 166 100
Fonte: A autora

Entre as ciências Humanas pode ser lembrado o tema De Getúlio à JK. Neste
programa temos um panorama histórico brasileiro do período compreendido entre os dois
importantes presidentes: Getúlio Vargas e Jucelino Kubitschek. Revela como cada um chegou
ao poder e as principais mudanças ocorridas durante o governo.
Na área de Linguística, Letras e Artes pode ser citado o programa O Romantismo na
Prosa exibido em 31 de setembro de 2004 no qual o professor Manuel Mayan fala sobre
literatura nacional, a importância do Romantismo no Nacionalismo e livros exigidos no
vestibular como Senhora, Escrava Isaura e Memória de um Sargento de Milícias.
Dentre os programas sobre Ciências Biológicas temos um sobre Darwin sobre a
evolução e sobre Mendel e a descoberta da genética. Também foi apresentado a Lei do Uso e
48

Desuso de Lamarck e as vantagens e desvantagens das mutações para a evolução do ser


humano.
Como exemplo de programa sobre Ciências da Saúde temos Epidemias que assustam
o mundo exibido dia 27 de junho de 2009 quando foi abordado os modos de contágio de
diversos vírus, os riscos da auto medicação e do menosprezo dos sintomas, assim como a
importância da prevenção e das vacinas.
Como exemplos de Ciências Exatas e da Terra pode ser lembrado o programa exibido
dia 18 de setembro de 2009 com o tema Astronomia: os segredos do Universo quando Vera
Fernandes Martin e Alberto Brum foram entrevistados; ou o programa com o tema Exatas no
ENEM exibido em 05 de agosto de 2008 quando foram comentadas as perguntas que cairiam
no exame daquele ano.
Nas Ciências Sociais Aplicadas podem ser citados programas como A Crise
Financeira e o Panorama do Mundo que foi exibido no dia 06 de dezembro de 2008. O
programa entrevistou o economista Armando Avena que comentou sobre a crise que teve
início nos EUA e que estava preocupando governantes e instituições financeiras em todo o
mundo.
Na classificação da CNPq ainda aparecem as classificações 'Engenharia' e 'Ciências
Agrárias' entretanto não foi constatado nenhum programa que se encaixasse nessas opções.
Isso provavelmente se deve ao foco de conteúdo do programa Aprovado. O mesmo tem como
base a grade curricular do Ensino Médio que é dividido em Português, Redação, Biologia,
Física, Química, Matemática, Geografia, História e Língua Estrangeira31 excluindo assim, as
categorias da área de Engenharia e de Ciências Agrárias.
Segundo Jorge Portugal, apresentador e consultor pedagógico do Aprovado, os
conteúdo abordado gira em torno do programa exigido pelos vestibulares baianos no intuito
de atingir um público estudantil proveniente da rede pública de ensino:

São escolhidos muito em função do currículo determinado pelo vestibular. O


vestibular, infelizmente, ele determina tudo aquilo que o ensino médio hoje
faz. Então, baseado na incidência dos assuntos que mais tem caído no
vestibular, e aí a gente chama isso de assuntos quentes do vestibular, nós

31
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional – LDB, Lei n° 9.396/96 os currículos
do ensino fundamental e médio devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa, da
matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do
Brasil.
49

vamos pautando os assuntos sobretudo aqueles que a escola, principalmente


a escola publica, não dá conta. (Jorge Portugal)

Os resultados mostram que os programas são, em sua grande maioria, relacionados as


Ciências Humanas (54,81%). Logo em seguida, com um índice menor, aparece Linguística,
Letras e Artes com 19,28% e Ciências Biológicas com 13,87%. Já Ciências da Saúde,
Ciências Exatas e da Terra e Ciências Sociais Aplicadas aparecem com menos expressão:
6,02%, 3,61% e 2,41% respectivamente. Permite concluir que mais da metade dos temas
exibidos pelo Aprovado são referentes a assuntos das Ciências Humanas.
Esse alto índice pode ser reflexo da concentração de temas relacionados ao ensino
médio nessa área do conhecimento. Além das matérias tradicionais das ciências humanas
presentes na grade curricular, o programa aborda ainda temas voltados para a área de Política,
Psicologia, Educação e Antropologia. Sobre este último convém lembrar que, de acordo com
a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional – LDB, Lei n°9.396/96, tornou-se
obrigatório nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio em 2008:

O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos


aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população
brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história
da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil,
a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da
sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social,
econômica e política, pertinentes à história do Brasil. (BRASIL, Lei nº 9.394
de 20 de dezembro de 1996)

Levando em consideração a grande de incidência na área de Ciências Humanas,


55,15% do total de programas examinados, é possível chegar à seguinte sub-divisão na Tabela
2:

Tabela 2 – INCIDÊNCIA DE TEMAS NA ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS


Sub-divisão Frequência %
História 32 35,16
Geografia 24 26,37
Psicologia 15 16,48
50

Educação 11 12,08
Política 8 8,82
Outros 1 1,09
Total 91 100
Fonte: A autora.

Dentro da categoria História (35,16% do total) há o programa de tema A Vinda da


Família Real para o Brasil: e o Brasil mudou quando a historiadora, Consuelo Pondé, relatou
as mudanças sociais, políticas e econômicas daquele período. O mesmo foi exibido dia 26 de
abril de 2008 e reprisado em 10 de janeiro desse ano.
Dentro da área de Geografia, o Aprovado contextualizou o Império Americano na Era
Obama através de Leonel Leal32. Neste programa, exibido dia 20 de junho de 2009, foram
avaliados os passos iniciais do sucessor de Bush, as medidas que Barack Obama realizou
mediante os conflitos mundiais e sua representatividade popular. Dentro dessa categoria
também foram incluídas os temas referentes à população afro-descendente e temas como O
Negro no Brasil e no Mundo aumentaram o índice para 26,37% do total. Neste programa
foram exibidas questões como preconceito e identidade racial através da doutora em educação
Vanda Machado.
Na área de Psicologia, que representa 16,48%, foram incluídos programas com
abordagem em áreas neurológicas e pedagógicas. Temas como Cérebro, a Mente e o Mistério
Humano, desenvolvido por André Peixinho (terapeuta) e Vitória Ottoni (psicanalista); e
Nunca Desista dos seus Sonhos, por Augusto Cury (psicólogo), são exemplos dessa categoria.
Exibidos dia 03 de outubro de 2009 e 29 de julho de 2006, respectivamente, são de suma
importância para o auto-conhecimento do jovem adulto e para incertezas frente ao vestibular e
carreira acadêmica.
Dentro da área Educação é encontrado temas relativos à discussão sobre o acesso ao
ensino superior, diferenças sociais permeando a qualidade do ensino, universidades e
vestibular. Como exemplo, o programa 333 com o tema Educação e Democracia.
Por fim, em Política pode ser referido o tema Políticas Públicas e a Transposição do
Rio São Francisco exibido dia 25 fevereiro de 2006. O programa teve como convidado o, ex-
Governador Paulo Souto e abordou questões sobre a qualidade de vida, inclusão digital e
aspectos sócio-ambientais da transposição do rio São Francisco.
32
Chefe de gabinete do prefeito João Henrique
33
Vide anexo D
51

Ainda, em relação aos temas abordados pelo Aprovado notou-se um fato curioso: dos
23 programas da categoria Ciências Biológicas, 12 (52,17%) são da sub-categoria Ecologia.
Observe:

Tabela 3 – INCIDÊNCIA DE TEMAS NAS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS


Sub-divisão Frequência %
Ecologia 12 52,17
Outros 11 47,83
Total 23 100
Fonte: A autora

Esse fato pode ser reflexo da atualidade dos temas que envolvem meio ambiente,
desenvolvimento sustentável e degradação de ecossistemas. Devido à sua urgência em
decorrência do aumento da poluição ambiental, este assunto é cobrado por todas as
universidades brasileiras. O Aprovado divulga as últimas informações exibindo temas como
Meio Ambiente e desenvolvimento sustentável (13/06/09); Aquecimento global: o planeta
pede socorro (24/10/09); Meio ambiente: desafios do futuro (26/03/05), Planeta água
(01/09/07); Energia e vida (18/06/05); Energias do futuro (02/06/07); SOS Meio ambiente
(18/08/07); Tragédias ambientais (08/04/06) e vários outros.
Jorge Portugal revela esse caráter pela busca da novidade colocando em destaque a
rigidez da grade curricular do ensino público e de pré-vestibulares:

digamos... ocorreu aquela tragédia das chuvas aqui em Salvador, o módulo


do cursinho não vai trazer isso no mês seguinte por quê? Porque esse
módulo já foi preparado com antecedência e roda numa gráfica mas eu
posso fazer. É só entrar na televisão e dizer 'olha eu vou trazer o convidado;
chamar os alunos; a gente vai discutir isso'.
Então eu tenho a velocidade que o curso pré-vestibular não tem, que o
colégio não tem, enfim, que a escola normal não tem. Por isso é que eu
pauto os chamados assuntos quentes e aqueles interdisciplinares que eu
tenho certeza que estão sendo mal abordados ou nem estão sendo
abordados. (Jorge Portugal)

É válido ressaltar que parte das fontes usadas pelo programa são professores de
universidades ou de colégios e cursinhos. Essa demanda pode ser explicada pela procura por
52

pessoas que tenham experiência em “passar” o conteúdo, em fazer o aluno compreender o


assunto transmitido. Para os produtores, um dos critérios para a escolha da fonte é a
capacidade de se expressar.

Então quem é que pode estar falando de forma didática, que esse aluno
possa compreender de onde ele estiver? Renata Fontes? Márcia Khaled? Os
professores estão aí carimbados, quem tem didática. Tem até professores
jovens também. Ele pode já ter hoje um nível de informação bastante
interessante que pode vir a ser convidado. (Rita Vieira)

Tem critério sim. Porque assim, como a gente está falando de um programa
de educação é obvio que quando a gente define um tema que a gente vai
pensar quem são as pessoas, a gente sempre tenta trazer o melhores que
temos; as pessoas que vão falar com mais propriedade sobre aquele tema e
que vão passar o melhor conteúdo pra população. Então é claro quando a
gente está ali pensando aí vem um nome ou outro. Dá uma pesquisa na
internet. Pede também a outros convidados que já vieram no programa
indicações de outros. E aí a gente vai montando essa estrutura, mais ou
menos, do quê a gente imagina que vai enriquecer mais o programa. É mais
ou menos assim. (Mira Silva)

Dentre os programas analisados há pelo menos 1 (um) professor convidado atuante na


área para discutir sobre o tema. A escolha por professores também pode ser justificada pelo
perfil usado pelo programa: educativo. Pode haver, então, uma necessidade de ter presente um
sujeito que ensine, que transmita conhecimentos e que cumpra a função de disseminador do
saber. A figura do professor em cena reitera a idéia de aula, de conhecimento e de debate de
saberes. Imagem que será discutida no tópico a seguir

5.2 DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS E ESTRUTURA DO PROGRAMA

O Aprovado se intitula um programa de educação. Isso pode ser observado desde seu
nome (que é uma alusão à situação desejada pelos alunos) até às características do cenário que
remete à mesma estrutura de uma sala de aula. Foi observado três perfis: o apresentador, a
platéia e o convidado principal. Nesse caso, a apresentador se posiciona como um mediador
entre os alunos (a platéia) de um lado do cenário e o professor do outro. Cenograficamente
essa distinção é feita pela configuração da cadeira (existe uma diferenciação de tamanho e de
53

formato), pela posição dos indivíduos na composição pictória (já citada), pela vestimenta
(exibições em que os alunos estavam com a farda obrigatória do colégio) e pelo aspecto físico
de cada um (os alunos aparentam ter idade entre 15 e 20 anos e o professor(s), acima de 30).
Há também outra forma de distinção entre alunos e professores que é dada pelas falas
do apresentador durante o programa.

Este é o momento da informação. O nosso iluminador é [...] (Programa 1)

[…] e vocês, sem dúvida alguma, sempre convidados, sempre ambientando,


sempre iluminando. (Programa 4)

Olha a chamada! (Programa 1)

Vou fazer uma chamada, posso? Como naquelas escolas de antigamente?


(Programa 2 – se dirigindo aos músicos)

Alguma reflexão ou alguém aqui já quer puxar conversa? (Programa 3)

E aqui os nossos convidados, debatedores, perguntadores, alguém já quer


fazer uma pergunta? Já tem curiosidade no ar? (Programa 1)

Nossos convidados: [...] Nossos debatedores:[...] (Programa 4)

Jorge Portugal, ao se dirigir aos convidados principais, utiliza termos como “mestre”,
“iluminador”, “querido professor”. Já, ao se dirigir aos demais participantes, recorre a termos
como “debatedores”, “perguntadores”, “alunos”, “curiosos”. Essa distinção, feita tanto pelo
cenário quanto pelo apresentador, define o “local” de cada componente no plano. A platéia,
nesse caso, tem a função de ouvir, aprender e fazer perguntas ao convidado. Já ao “professor”
é dada a função de explicar, de falar, de opinar sobre o tema sugerido respondendo, assim as
perguntas feitas pela platéia e pelo apresentador que sempre se auto refere como “aluno da
primeira fila” ao questionar o entrevistado.
Com a mudança de produtora (da ABAÍS para Bahia, Cinema e Vídeo), em 2009,
houve algumas mudanças no que foi dito acima. É possível observar a retirada dos alunos do
estúdio de gravação e a entrada de outros participantes. A participação desse aluno, quando
há, passou a ser feita através de um monitor localizado dentro do cenário. Já a platéia, passou
a ser formada por professores e personalidades envolvidas com o tema escolhido. Apesar
desse novo modelo ainda há a separação entre os convidados principais e os demais.
54

A mudança pode ser vista também nas falas do apresentador que usa expressões como
“É Aprovado debate hein?”, “É um Aprovado debate. Não tenha nem dúvida. Como nós
estamos fazendo, já, há algum tempo”. Mesmo assim ainda é possível verificar diferenças de
posicionamento. Mira Silva, responsável pela Bahia, Cinema e Vídeo, quando questionada
sobre a mudança afirma:

A gente percebeu, como o vestibular mudou que a gente precisa mudar


também o nosso raio de ação. Aí a gente está migrando para uma revista de
conhecimento onde a gente trata diversos assuntos. O vestibular também
incluído nesses assuntos. [...] A gente também traz o alunos via monitor só
que com menos frequência do que no ano passado e nos outros anos. A
gente optou por trazer vários especialistas onde eles vão estar falando sobre
temas, vão estar dando dicas também para o aluno[...] Na verdade, a gente
não fala só para o aluno. A gente fala para o jovem. O jovem empreendedor,
o jovem que está começando a carreira, o jovem que já está no mercado de
trabalho, até de entrar. (Mira Silva)

Ainda sobre a estrutura foi observado a forte presença de cores no cenário e nas roupas
do apresentador; este jogo de cores se configura como uma espécie de "chamamento" para a
ciência, podendo trazer o efeito de sentido de que a ciência não é algo, necessariamente, sério,
sem cor e, consequentemente, sem vida. Ao contrário, é algo bonito de se ver, que tem
vivacidade. Além disso, as cores e os desenhos no cenário parecem ter relação direta ao
universo juvenil, ou seja, parece que quanto mais cores, mais próximo aos jovens estará; será
mais facilitado o processo de alcance.

5.3 O APROVADO COMO PROGRAMA DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DA TV


BAIANA

Este trabalho classifica o Aprovado como um programa de divulgação científica pois o


mesmo se enquadra nas definições propostas por Bueno sobre divulgação científica: "[…]
compreende a utilização de recursos, técnicas e processos para veiculação de informações
científicas e tecnológicas ao público em geral" (Bueno, 1984, p. 18). Sendo assim, a
divulgação científica não está restrita apenas à imprensa. Pode incluir uma imensa gama de
55

veículos como histórias em quadrinhos, cursos de extensão, filmes, livros, campanhas,


museus e feiras de ciência, documentários e programas televisivos e outros exemplos. O
Aprovado utiliza de imagens e movimento para divulgar diversos conhecimentos sobre
ciência para um público amplo e não especializado.
Cabe, aqui, colocar que este trabalho não adota o conceito de ciência relacionado
exclusivamente às áreas de conhecimentos naturais. A definição que se conhece, e se está
habituado a reconhecer como única, é que a ciência é um conhecimento cuja finalidade
consiste em descobrir as leis dos fenômenos físicos e naturais. Entretanto, Boaventura de
Sousa Santos propõe um novo modelo a partir da inter-relação entre ciências naturais e
ciências sociais, fraturando o modelo totalitário das ciências naturais, via única e possível para
atingir-se uma “verdade universal”. Para Santos "as ciências naturais são ainda diferentes das
ciências sociais, mas aproximam-se cada vez mais destas e é previsível que, em futuro não
muito distante, se dissolvam nelas" (SANTOS, 1993, p. 56). E isso graças a duas razões
teóricas. Primeiro, porque o avanço científico das ciências naturais é

[...] principal responsável pela crise do modelo positivista e, em face dela, as


características, que antes ditaram a precariedade do estatuto das ciências
sociais, são reconceptualizadas e passam a apontar o horizonte
epistemológico possível para as ciências no seu conjunto. E, em segundo
lugar, a materialidade tecnológica em que o avanço científico das ciências
naturais se plasmou não fez com que os objetos teóricos das ciências naturais
e das ciências sociais deixassem de ser distintos, mas fez com que aquilo em
que são distintos seja progressivamente menos importante do que aquilo em
que são iguais. (SANTOS, 1993, p. 56)

Apesar da grande discussão que gira em torno desse assunto, o Aprovado, assim como
a grande maioria dos programas brasileiros, mantém uma concepção de ciência oriunda da
corrente positivista em que afirma que ciência é tudo o que pode ser quantificado, medido e
interpretado como verdadeiro. Jorge Portugal, idealizador do programa, ao ser questionado
sobre sua concepção de ciência afirma:

Eu chamo de ciências tudo aquilo que pode ensejar a descoberta de uma


nova realidade. A Sociologia, por exemplo, não descobre uma nova
realidade. Ela interpreta uma nova realidade mas Física, por exemplo,
56

descobre uma nova realidade. No momento em que ela vai lá e apresenta


uma possibilidade de... sei lá... apresentar que o Condensado de Bose-
Einstein está certo, ela está apresentando. (Jorge Portugal)

Neste trecho, há como exemplo de 'não-ciência', a Sociologia devido à sua


característica de interpretação da realidade. Assim, por dedução, as disciplinas das Ciências
Humanas (história, geografia, etc) também não são consideradas como ciência, por Portugal.
Da mesma forma, ao afirmar que científico é tudo aquilo que pode descortinar novas
realidades, infere que a ciência é responsável por conter somente aquilo que é verdadeiro e
comprovado. O Condensado de Bose-Einstein é usado como exemplo para justificar que
Física, Biologia e Química são disciplinas detentoras de uma verdade inquestionável e por
isso, Ciência.
Essa concepção também pode ser vista no depoimento de Rita Vieira. Quando
questionada sobre a divulgação da ciência no Aprovado, afirma:

A ciência é divulgada quando você leva profissionais como Mitermayer, da


Fiocruz. [...] Quando você convida Ricardo Chemas que é um dos mil
maiores cientistas do mundo e é pouco reconhecido aqui. Nós já trouxemos
aqui alguns cientistas. Você trouxe Mitermayer. Você trouxe - um moço
também que é de lá da Fio Cruz - Ronald Pallotta. Você trouxe Roberto que
é um cientista da USP, também falando dessas questões das edemias, o que
a ciência tem desenvolvido. Além do que eu já falei que foi Ricardo Chemas.
(Rita Vieira)

Todos os nomes citados pela produtora são profissionais ligados à área das ciências
naturais e foram convidados para discutir sobre temas como: Epidemias que assustam o
mundo (27/06/09), Os mistérios sobre o cérebro humano (21/03/09) e Célula tronco:
medicina do futuro (14/01/2006). Entretanto temas os demais temas abordados pelo programa
também são temas relativos às ciências tais como: Cinema e sociedade (23/05/09), Sociedade
de consumo (09/02/08) e Império romano e a construção do ocidente (19/05/07) também
pode ser considerados temas científicos.
A intenção educativa implícita ou explícita na produção dos programas que têm como
mote a ciência, determina que esses programas sejam identificados pela recepção como
programas de caráter educativo. Quando perguntados sobre o aspecto científico e/ou
57

educacional do programa, produtores afirmam:

É um programa de educação mas ele não deixa, ele não fecha as portas pra
ciências. Ele abre uma variante pra ciência. Ele tem várias janelas:
educação, a cultura e a ciência. Eles são interligados. um complementa o
outro. A educação, sem dúvida, por que pra mim a educação é a base
fundamental. (Rita Vieira)

Eu acho que pode ter divulgação científica no Aprovado, aliás tem. [..] uma
coisa não está dissociada da outra. Não é educação X desenvolvimento
científico. Eu não acho. Eu acho que uma coisa está dentro da outra.
Quando eu estou divulgando a ciência eu estou falando de educação mas
nem sempre quando eu estou falando de educação eu estou falando de
ciência […] Eu posso estar focando no ensinamento, no desenvolvimento
tecnológico, posso estar falando de etiqueta que passa pela questão
educacional né? Eu posso estar falando de ética que também passa por
educação .(Mira Silva)

Ele é um programa de educação pois pra mim dentro de educação está tudo.
É assim: pra mim o universo maior é o universo da cultura. A educação está
dentro do universo contido no universo da cultura. A ciência está contida
também nesse universo. A cultura é um universo maior. Tudo aquilo que o
homem faz além do que a natureza criou. A partir daí vem a educação, vem
a ciência, vem a arte, vem as muitas formas de interpretação do mundo... de
entendimento do mundo.(Jorge Portugal)

É consenso para os entrevistados que a 'Ciência' é uma sub divisão da área 'Educação'.
Assim, os depoimentos vão ao encontro da concepção de ciência que foi relatada. Ainda sobre
o perfil, observando as exibições foi possível identificar a repetição de algumas falas de Jorge
Portugal fazendo referência ao perfil do programa. São falas que determinam para o
telespectador o quê o programa é:

No ar mais um Aprovado. O programa da Bahia inteligente. [...] se você


ama o conhecimento, mas ama de paixão, o Aprovado é seu aliado
incondicional. (Programa 4)

De volta com o Aprovado. Um programa assumidamente educacionista.


(Programa 3)

De volta com o Aprovado. O programa conteúdo da Bahia. (Programa 1)

Aprovado. Um dia todas as aulas serão assim. (Programa 3)


58

De volta com o Aprovado. Programa da galera que pensa, da galera cabeça


da Bahia. (Programa 2)

No ar mais um Aprovado: vestibular, conhecimento e cultura na tela da tv. É


com você que eu estou falando, você que estuda, você que ama o
conhecimento, e que tem de 8 à 80 anos. Este programa é informação na
veia. [...] Este é o momento da informação. (Programa 1)

Estou falando com você [...] que busca o conhecimento e faz do Aprovado, e
sabe que o Aprovado é o seu aliado incondicional preparando você,
qualificando você aí. [...] Mas você estará preparada, preparado. Aprovado
está aqui ao seu lado. Lado a lado com você. (Programa 1)

Essas falas revelam como o programa quer ser visto perante o público. Há o diálogo
com o telespectador formando um relação de proximidade. O Aprovado se apresenta como um
“amigo” que irá tirar dúvidas e ajudará na aprovação de provas escolares. Também dá à esse
telespectador o status de apreciador inteligente.
Para uma análise mais detalhada da produção do Aprovado foram escolhidos quatro
programas in loco das gravações.

5.4 PROGRAMA 1: “DARWIN: DA TEORIA DA EVOLUÇÃO ÀS CÉLULAS TRONCO”

O programa do sábado 16 de maio de 2009 não contou com nenhum acontecimento


especial que pudesse alterar a programação convencional. Com duração aproximada de 50
minutos, excluindo os intervalos comerciais, Aprovado exibiu o poema Poética de Manuel
Bandeira dramatizado por Urias Lima, a cantora Margareth Menezes além dos quadros
Ralando na área, 2030 Discutindo o futuro e Fato Comentado. O programa foi composto por
quatro blocos e teve como convidado e tema principais Charbel Niño El-Hani, professor do
Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia, e Darwin: da teoria da evolução às
células tronco, respectivamente.
Na tabela a seguir é demonstrado a organização do Aprovado no dia 16/05/09, o tempo
e a localização de cada quadro.

Tabela 4 – ESTRUTURA DO PROGRAMA 1


59

Matéria/Quadro Tempo* Localização


Fique por dentro 01' 35'' 99 1º bloco
Música – 1ª parte 46'' 94 1º bloco
Fato Comentado 03' 39'' 88 1º bloco
2030 Discutindo o futuro 05' 20'' 97 2º bloco
Poesia 01' 42'' 66 2º bloco
Ralando na área 03' 04'' 33 3º bloco
Música – 2ª parte 51' 90 3º bloco
Matéria extra 02' 13'' 10 4º bloco
Música – 3ª parte 01' 14'' 41 4º bloco
Fonte: A autora
*Uma aspas representa os minutos, duas aspas representam os segundos e o número seguinte são os
centésimos

O tema escolhido neste programa foi em decorrência da comemoração dos 200 anos
do nascimento de Charles Darwin (1809-1882) e dos 150 anos da publicação de A origem da
espécies (1859). El-Hani provavelmente foi escolhido como convidado principal porque o
mesmo é o coordenador científico do Ano Darwin na Bahia e ministrou diversas palestras
sobre a teoria da evolução.
Durante a exibição há comentários sobre a agenda de eventos relacionada às
comemorações, a relação da teoria da evolução com as concepções propostas por Mendel
assim como a importância da passagem de Darwin pela Bahia.
Para El-Hani, organizar uma agenda de eventos comemorativos é uma contribuição
para a melhoria da educação científica, tanto formal quanto não-formal, no que diz repeito ao
pensamento evolutivo. De fato, o conjunto de palestras, feiras, congressos, exposições,
seminários e simpósios variados que foram realizados ao longo do ano é uma forma de
popularização da ciência dirigida para o público escolar (professores e alunos) e geral do
estado da Bahia.
Uma das considerações que El-Hani enfatizou foi a importância da passagem de
Darwin pela Bahia (em 1832 por Salvador e Abrolhos e, em 1836, apenas por Salvador) para
sua formação como naturalista, seu processo de transição para uma visão evolucionista e até
mesmo para a concepção da teoria da seleção natural. Salvador foi o único local da América
do Sul onde ele veio e voltou tendo seu primeiro contato com a biodiversidade característica
dos ecossistemas tropicais:
60

A gente vê nos livros didáticos, nas aulas de aula de biologia essa ênfase
enorme da passagem do Darwin pelas Galápagos e se esquece que ele
passou aqui pelo Brasil:2 vezes em Salvador, 1 por Recife, por Abrólhos,
Fernão de Noronha, Rio de Janeiro e Salvador foi o único lugar na viagem
que ele passou 2 vezes e no Brasil, certamente, foi o local que deixou
melhores impressões no Darwin. Em particular, ele teve uma experiência
cultural muito interessante aqui porque ele era um antiescravagista e ele
aqui ficou muito bem impressionado com a população negra de Salvador –
naquela época a população de escravos; e escravos da cidade. E foi aqui o
primeiro local que ele entrou na floresta tropical. Primeira vez que ele viu
um ecossistema tropical e sempre pra quem vem da área temperada dá uma
experiência não só cognitiva, mas afetiva impressionante. A gente precisa
valorizar a passagem dele aqui por Salvador. A meninada ta aí na sala de
aula precisa saber que o Darwin teve aqui na Cidade da Bahia como se
chamava na época. (Charbel El-Hani)

Essa resposta contraria a crença comum e historicamente equivocada de que ele


desenvolveu sua teoria durante os 36 dias que passou nas Ilhas Galápagos. Durante a resposta
foram exibidas imagens dos locais citados assim como pinturas sobre a escravidão do artista
Jean Baptiste Debret.
É valido ressaltar que o tema do programa previa abordagem de assuntos relacionados
à teoria da evolução e relacionados às células tronco. Entretanto a discussão sobre o segundo
assunto ficou a cargo do quadro 2030 Discutindo o futuro que exibiu o tema Terapia Celular.
Apesar de ser assunto do tema principal o VT durou apenas cinco minutos. O quadro foi
apresentado por Ronald Pallotta (professor da Escola Bahiana de Medicina e coordenador do
Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Salvador). Pallotta já foi convidado principal
dos programa Célula tronco: medicina do futuro, exibido em 14/01/06.

Ciência como verdade


Neste programa não foi identificada uma mistificação da ciência na fala do convidado.
Ao contrário, há explicações no intuito de desfazer esse tipo de percepção na platéia. Na
primeira pergunta feita por Portugal “se eu fosse uma pessoa cética em relação a teoria da
evolução que argumentos você me daria pra que eu rompesse com este circulo de
equívocos?”, El-Hani responde que apesar da comprovações científicas que revelam a
61

veracidade da teoria, “o conhecimento científico é um modo de explicação do mundo” e que


portanto a teoria da evolução é uma visão:

Primeiro eu diria que pra a gente compreender a teoria da evolução é


preciso compreender a natureza do conhecimento científico. Por que que eu
digo isso? Porque existem problemas relativos a conflitos entre as idéias
evolutivas e idéias que vem de tradições culturais outras como por exemplos
as tradições cristãs e outras tradições religiosas. E aí a gente tem que dar
um passo atrás e entender que conhecimento científico é um modo de
explicação do mundo que se ampara em explicar fenômenos naturais que é
a única coisa que a ciência pretende explicar com base em outros
fenômenos, também, naturais.(...) A ciência não se pronuncia sobre
entidades que não sejam naturais. Ela não diz nem que Deus existe e nem
que e Deus não existe. A ciência é agnóstica em relação a isso. Ser
agnóstico que dizer que suspende o juízo. Não emite juízo sobre isso.
(Charbel El-Hani)

Através dessa fala é possível perceber que a ciência não é explanada como algo
irrefutável e infalível. Ao não se pronunciar sobre a existência, ou não, de Deus e por
conseguinte, sobre a origem divina da humanidade, o pesquisador deixa claro que há diversas
leituras para a criação da humanidade inclusive a leitura científica. Não há imposição de uma
teoria (científica) sobre a outra (religiosa).
Em outro trecho do programa observa-se as mesmas características no discurso de
Charbel. Quando a cantora Margareth questiona-o sobre a aproximação da ciência e da fé
relatada no livro34 de Francis S. Collin, o convidado responde que a crença em divindades é
“no fundo, no fundo é uma questão de fórum íntimo, de crença de cada um” e que as crenças
pessoais “são absolutamente legítimas”. Depois completa:

Por isso que eu fui claro em dizer assim que a ciência não desautoriza essas
visões e a explicação científica tem limites. Porque qualquer explicação
sobre o mundo tem limites. Então de fato que há coisas que a gente não
explica cientificamente, claro que há. A ciência explica apenas fenômenos
naturais. Qualquer visão de mundo que postula a existência, ou de
entidades sobrenaturais, ou a relação de entidades sobrenaturais com o
mundo natural, está falando de assuntos que escapam ao domínio da
ciência mas que demanda explicação e que são explicadas por outras
34
COLLINS, Francis S. (2007) A linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe.
São Paulo: Ed. Gente.
62

tradições culturais. Ainda bem, porque a gente tem essa diversidade de


cultura pra puder explicar de diversas perspectivas. (Charbel El-Hani)

Novamente, o pesquisador revela que a ciência é uma percepção da realidade baseada


na razão. A partir disso, afirma que as explicações científicas (assim como as demais)
possuem limitações e coexistem com as outras interpretações da realidade.

5.5 PROGRAMA 2: “CINEMA E SOCIEDADE”

No dia 23 de maio de 2009, o Aprovado abordou o tema Cinema e Sociedade. Com


duração aproximada de 40 minutos, excluindo os intervalos comerciais, o programa teve
como convidados principais Sérgio Machado (cineasta) e Messias Bandeira (doutor em
Comunicação e Cultura Contemporâneas – UFBA). Teve também, como atração musical
Banda de Boca e apresentou os quadros Conexão Aprovado e Ralando na área.
A tabela a seguir exibe a organização do Aprovado no dia 23/05/09, com tempo e
localização de cada quadro e matéria.

Tabela 5 – ESTRUTURA DO PROGRAMA 2


Matéria/Quadro Tempo Localização
Fique por dentro 01' 49'' 13 1º Bloco
Poema 31'' 50 1º Bloco
Música – 1ª parte 38'' 43 1º Bloco
Conexão Aprovado 04' 25'' 21 2º Bloco
Ralando na área 02' 52'' 72 3º Bloco
Música – 2ª parte 38'' 87 3º Bloco
Anote aí 43'' 39 4º Bloco
Música – 3ª parte 52' 19 4º Bloco
Fonte: A autora

O cinema é uma das formas de arte que mais se expande. Um meio de comunicação
bastante influente que pode atuar como uma poderosa ferramenta de disseminação de práticas
sociais, culturais e políticas. Atua como espaço de representações, de construção de
63

identidades e, no caso do cinema brasileiro, este tem como proposta exatamente ser um
difusor da realidade nacional. Através da análise dos filmes nacionais podemos vislumbrar
traços da imagem sócio-cultural brasileira bem como os possíveis estereótipos relacionados à
identidade nacional. Sobre esse assunto, Sérgio Machado explica:

Só que eu acho que um país que não produz cinema é como se fosse uma
casa onde não exista espelho [grifo nosso][...] se você não produz a sua
própria imagem, você tá delegando ao outro. Então você vai ser o figurante
de filme americano, o caricato. (Sérgio Machado)

Durante o decorrer do programa todos os participantes utilizaram-se da metáfora


criada por Sérgio para indicar a importância do cinema para a identidade brasileira. Sobre
isso, Robson Souza dos Santos e Felipe da Costa, ao fazerem uma análise do cinema no
século XXI, afirmam que o “cinema divulga a imagem de nosso país não apenas para os
brasileiros, mas para o mundo bem como nos traz imagens de outros países”. Os filmes
produzem sentidos sobre as nações, logo, as imagens e representações do Brasil são
construídas através das cenas que os filmes exportam
Além de debater a influência da produção cinematográfica brasileira na tarefa da
formação da imagem que o brasileiro tem de si e do mundo que o cerca, também foi feita a
discussão sobre o tripé produção-distribuição-exibição do filme brasileiro no mercado
fonográfico. É consenso que é necessário a otimização da frequência do público, a conquista
de um número maior de salas e de um tempo mais prolongado de exibição das cópias de um
filme no circuito. Entretanto, apesar de ter sido amplamente discutido o processo de produção
e distribuição de filmes pouco foi falado sobre formação de platéia. Não houve debate sobre
políticas públicas para o aumento do mercado consumidor de filmes nacionais. Também não
foi discutido planejamentos para a democratização do acesso.
Quanto à importância do cinema na educação, o ponto de referência foi a prescrição de
filmes para vestibular:

Acho que a educação é uma forma de fomento também desse repertório, (...)
Eu acho que a gente tá precisando estimular mesmo dentro da sala de aula
o cinema brasileiro. Hoje como você falou, existe repertório de filmes que
64

abordam todos os assuntos. Eu acho que isso é por aí, um pouco. (Henrique
Dantas)

Beleza. E eu digo sempre: boníssima hora a UFBA resolveu fazer uma


prescrição de filmes. Indicar filmes para o seu vestibular. (Jorge Portugal)

Se você pensar a formação de pessoas, o locus do cinema na sociedade, a


própria universidade - que tipo de contribuição ela tem a oferecer neste
aspecto? (...) Então hoje levar o cinema, por exemplo, a estratégia de
colocar isso no vestibular como elemento correlato de formação é
absolutamente fundamental. (Messias Bandeira)

É válido ressaltar que este programa teve 1h 20min de gravação e foi necessário um
grande corte de edição para reduzí-lo aos 40 minutos resultantes na exibição.

5.6 PROGRAMA 3: “EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA”

O programa exibido no dia 30 de maio de 2009 teve como tema principal “Educação e
Democracia” e girou em torno dos professores Vera Veronesse e Almérico Biondi. Nesse dia
não apresentava na platéia alunos do ensino médio entretanto estavam presentes o vice-
presidente regional da União dos Estudantes na Bahia, Vladimir Meira, a coordenadora de
projetos de Educação do Estado da Bahia , a atriz Evelin Buchegger e a autora deste trabalho.
Com duração aproximada de 50 minutos, o Aprovado exibiu os quadros 2030 Discutindo o
futuro, Ralando na área e a do poema Com licença poética de Adélia Prado. Ainda teve uma
matéria extra sobre construção civil
Na tabela abaixo é demostrado a organização do Aprovado no dia 30/05/09, mostrando
o tempo a localização de cada quadro e matéria.

Tabela 6 – ESTRUTURA DO PROGRAMA 3


Matéria/Quadro Tempo Localização
Música - 1ª parte 01' 11'' 66 1º Bloco
Fique por dentro 02' 16'' 56 1º Bloco
VT Cristovan Buarque I 01' 17'' 82 1º Bloco
Música – 2ª parte 56'' 45 2º Bloco
Matéria extra 01' 54'' 33 2º Bloco
65

VT Cristovan Buarque II 01' 14'' 65 2º Bloco


Poesia 54'' 46 2º Bloco
Ralando na área 3' 4'' 76 3º Bloco
VT Cristovan Buarque III 22'' 36 3º Bloco
VT Cristovan Buarque IV 01' 41' 87 3º Bloco
Discutindo o futuro 4' 26'' 14 4º Bloco
VT Cristovan Buarque V 35'' 19 4º Bloco
Anote aí 40' 07 4º Bloco
Música – 3ª parte 53' 20 4º Bloco
Fonte: A autora

Neste dia houve a inserção de depoimentos do senador Cristovam Buarque durante


todo o programa. As falas foram exibidas por uma televisão presente no cenário e eram parte
de uma entrevista feita por Jorge Portugal. O vídeo com o senador dividiu o espaço do
programa como um “convidado especialíssimo” e, diversas vezes, as respostas dos presentes
foram embasadas por idéias transmitidas por Buarque através da televisão:

[…] que a preocupação do Cristovam [...] Então a preocupação dele é no


sentido mesmo o de iniciar um trabalho, uma luta pela educação na base.
(Vera Veronesse)

Vou dar uma de polêmico aqui e discordar pouquinho do mestre Cristovam.


Eu acho, como Paulo Freire, que a educação é uma. (Almerico Biondi)

Então é a gente poder pensar em fazer diferente e acho que faz sentido
aquela palavra do professor Cristovam [...] que é a idéia de revolução.
(Nide Nobre)

Você vai ver o quê que vai valer. Ele vai dizer o quê que vai valer. Cristovam
Buarque de novo. (Jorge Portugal)

Apesar do Aprovado possuir um roteiro predefinido há diversas improvisações no


decorrer das gravações. No programa em questão, uma delas permitiu a presença da autora na
platéia. Por motivos de força maior, as convidadas Carluce (diretora da Escola Tourinho
Dantas) e Sara (representante da ONG Cipó) não compareceram à gravação. Esse fato
imprevisto induziu a diretora do programa, Mira Silva, a fazer o convite naquele momento. O
66

pedido inesperado foi aceito e permitiu a observação a partir do plano da platéia e a


possibilidade de interação mais direta com os demais participantes.
A partir disso foi observado que, mesmo com a amplitude do tema principal, um dos
assuntos mais discutidos foi diferenças sociais, racismo e a relação de ambos com a educação.
Isso pode ser consequência da intenção de um debate voltado para a escola pública e para
vestibular. Jorge Portugal direciona as questões:

Sempre preciso, professora Vera, por favor, vamos conversar sobre isso que
ele diz: […] a escola do negro, a escola do pobre ainda está longe de ser
igual a escola do branco no Brasil. Aliás o ENEM agora provou isso né?
Das 20 escolas, Tatau, das 20 escolas mais bem classificadas 15 são escolas
particulares e 5 são escolas publicas. (Jorge Portugal)

Com certeza. Eu, por exemplo, já estudei em uma escola assim há cerca de
30, 35, 40 anos. [...] Estamos a caminho de retomá-la , de retorná-la aqui
na Bahia, Biondi? (Jorge Portugal)

A partir da idéia de democracia são apresentadas as diferenças entre o ensino privado e


público fazendo referencia à questão racial, assim como, os benefícios de ações afirmativas
nas universidades levando em consideração o sistema de cotas e a lei 35 que obriga a inclusão
da temática História e Cultura Afro-Brasileira no currículo oficial da Rede de Ensino.
A educação possui um papel fundamental na sociedade, que é preparar o indivíduo
para a vida, para o trabalho, para a relação entre as pessoas e, entre outros, a educação acaba
sendo um fator para a diminuição da desigualdade social. A educação contribui relativamente
mais que outros fatores para explicar a desigualdade de renda no Brasil. Logo, tem um papel
relevante no debate sobre desenvolvimento social e econômico. Sobre isso, Biondi afirma:

Eu acho, como Paulo Freire, que a educação é uma condição necessária


mas ela não é uma condição suficiente. As mudanças que devem ocorrer tem
que ser plurais porque se eu atacar apenas a economia, eu teria o problema
da educação. Se eu tocar só educação, eu continuarei com os problemas
sociais. O sociólogo francês Bordieu já dizia: capital cultural. Capital
cultural tá vinculado ao capital econômico, ao capital social mas nós
podemos redistribuir esse capital pela educação. É um caminho mas
continuaremos tendo a concentração, infelizmente, do capital monetário.
35
Lei nº 10.639, de janeiro de 2003.
67

Então é essa discussão tem que caminhar par e passo: trabalho, educação e
desenvolvimento. Aí você vai conseguir resolver a equação. (Almerico
Biondi).

Quanto à questão racial é possível recolher outros depoimentos. O sistema de cotas é


colocado por Biondi como uma melhoria da universidade. Para ele, “dada a oportunidade à
todos por igual, a inteligência humana se faz valer”. Em relação à mudança curricular do
ensino médio também há discussões:

Sobre isso tem até uma notícia recente. Uma notícia muito boa. É que nesse
processo de reformulação dos currículos do médio, do ensino médio e com o
novo ENEM valendo como prova nacional, de um vestibular nacional, o
MEC definiu história da cultura da África como um dos conteúdos
cobrados. Eu acho que agora vai porque que virou assunto do vestibular.
Vai ter que ter professor na sala de aula, gente se reciclando entendeu?
Enquanto a lei estava aí e as pessoas pedido misericórdia, pelo-amor-de-
deus que implantasse ´fazia ouvidos loucos', agora no momento que vira...
história da cultura da África e ações afirmativas passam a ser conteúdo
cobrado pelo novo ENEM. (Jorge Portugal)

Encarar o racismo como algo que de fato existe em todos os ambientes


inclusive perpassa a escola e a universidade e se irradia pra outros,
também, ambientes da vida e sociedade. Acho que é importante a gente
refletir, a gente fazer uma reflexão de que, hoje, a gente pode retomar esse
debate com muito mais eficácia e ofensividade no que se refere a combater o
racismo e todas as perspectivas. (Vladimir Meira)

O foco da discussão realizada neste programa coincide com o perfil já analisado. Sendo
assim, é possível afirmar que o o Aprovado tem interesse em manter discussões sobre
assuntos pertinentes à realidade dos alunos da rede de ensino público já que o tema Educação
e democracia não é ligado diretamente ao currículo exigido pelos vestibulares locais.

5.7 PROGRAMA 4: “MEIO AMBIENTE: POR UM MUNDO SUSTENTÁVEL”

O programa do sábado, 13 de junho de 2009 teve aproximadamente 50 minutos


excluindo os intervalos comercias. Neste dia o tema e convidados principais foram Meio
68

Ambiente: por um mundo sustentável e Asher Kiperestoc (professor da Universidade Federal


da Bahia) e Júlio Rocha (diretor geral do Instituto Gestão das Águas e Clima),
respectivamente. Foram apresentados os quadros Conexão Aprovado, Fazendo e acontecendo
e Ralando na área, assim como a atração musical Estakazero.
Na tabela a seguir é mostrada a organização do Aprovado no dia 13/06//09, incluindo o
tempo e a localização de cada quadro e matéria.

Tabela 7 – ESTRUTURA DO PROGRAMA 4


Matéria/Quadro Tempo Localização
Fique por dentro 02' 20'' 25 1º Bloco
Matéria extra 01' 27'' 05 1º Bloco
Música – 1ª parte 45'' 33 1º Bloco
Conexão Aprovado 04' 34'' 80 2º Bloco
Ralando na área 03' 02'' 11 3º Bloco
Música – 2ª parte 39 ' 48 3º Bloco
Fazendo e acontecendo 05' 04'' 95 4º Bloco
Anote aí 32' 74 4º Bloco
Música – 3ª parte 25' 85 4º Bloco
VT Encerramento 51' 33 4º Bloco
Fonte: A autora

Este programa faz alusão ao Dia do Meio Ambiente. Comemorado mundialmente em


05 de junho, suas comemorações extrapolam o dia e a semana, pontuando todo o mês.
Considerando a complexidade da problemática ambiental, que está associada a fatores
econômicos, políticos, sociais, ecológicos, históricos, entre outros, as alternativas de solução
têm, necessariamente, um aspecto ideológico e não apenas técnico. No entanto, o que se
observou no programa em questão é que muitas vezes o aspecto técnico é privilegiado:

Gasta-se por dia 11bilhões de litros de água para a irrigação, com


agronegócio. Significa que ou nós mudamos o padrão tecnológico,
avançamos nessa perspectiva de superar a idéia do pivô central ou a gente
não avança na perspectiva dos estoques hídricos. (Júlio Rocha)

Carvalho, L. (2006) identifica que questões importantes ultrapassam o aspecto


69

meramente técnico do debate ecológico e nos colocam perante os aspectos político


ideológicos. Impactos sociais também são pontuados revelando a complexidade da relação e
as diferentes perspectivas do problema ambiental.

Aliás, a solução desse problema é uma articulação de espaços complexos. O


indivíduo perante o coletivo, o público perante o privado sabendo que de
todos esses espaços a gente faz parte. A gente sabe que o hábito de comer
carne é um dos maiores geradores de maior impacto ambiental. Estamos
dispostos, não digo parar, mas reverter esse perfil? A reduzir nosso perfil, a
mudar o nosso padrão nutricional para torná-lo mais sustentável? (Asher
Kiperstopk)

Há, na fala do pesquisador Asher Kiperstopk, a busca por soluções para os problemas
ambientais e a proposição de normas a serem seguidas. Durante toda a exibição foi observada
a ênfase na mudança de comportamento individual e a busca por mecanismos que
compatibilizem desenvolvimento econômico e manejo sustentável de recursos naturais. Nessa
concepção, o ser humano precisa proteger o ambiente para poder sobreviver. Os fatos são
apresentados, em maior ou menor grau, sob uma perspectiva fatalista:

Veja bem, se a gente somar tudo aquilo que cada um de nós já sabe que
deveria fazer; tudo aquilo que já sabe que deveria saber mas ainda não faz
e aquilo que ainda faz, e; ainda projetarmos isso em larga escala pra uma
população que, vamos dizer, passe a ter uma ação mais consciente em
relação a isso; tudo isso ainda não seria suficiente. (Asher Kiperstopk sobre
o aquecimento global)
70

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme foi apresentado ao longo do trabalho, a ciência faz parte da vida em


sociedade e tem sido um dos pilares do desenvolvimento do país. As mudanças econômicas,
culturais e sociais que vem acontecendo de forma acelerada ressaltam a crescente
dependência da sociedade em relação às novas tecnologias e aos avanços científicos. Os
meios de comunicação de massa, como a televisão, não podem se manter alheios a esta
realidade. Devem reconhecer a importância de sua atuação, abrindo espaços e ampliando
oportunidades para a difusão da ciência junto à sociedade. Estes meios de comunicação
acabam sendo um canal para que a informação científica chegue aos cidadãos e cada veículo
opta por transmitir a informação científica de determinada maneira. O Aprovado escolheu
levar informação científica de forma didática/explicativa e de maneira que esse conteúdo
chegasse, cada vez mais, a um número maior de jovens estudantes.
Este estudo foi iniciado com o objetivo de identificar de que forma a promoção
pública da ciência é desenvolvida dentro de um programa televisivo direcionado ao público
jovem a partir da observação da produção do Aprovado. Ao mesmo tempo, a pesquisa
procurou verificar como o programa se posiciona frente ao vestibular, ao telespectador e a
abordagem do conteúdo científico. Pensando nisso, constatou-se que os temas abordados pelo
programa são, antes, escolhidos com base nos currículos exigidos por vestibulares regionais.
As perguntas e os temas escolhidos giram em torno de assuntos como: Artes, História,
Geografia, Literatura, Política, Química e Biologia. Este tipo de ação limita a ampliação da
abordagem, assim como, restringe a variedade de temas discutidos. No período pesquisado,
houve uma frequência dos temas ligados às Ciências Humanas e à Linguística, Letras e Arte.
Um dos pontos mais críticos que os dados apresentados neste trabalho se prestou a
demonstrar é a falta de clareza da produção sobre Ciência. Durante as entrevistas foi possível
perceber que os principais agentes do Aprovado consideram Ciência como algo relativo
apenas a Ciências Naturais, excluindo assuntos relativos a Ciências Humanas e demais
Ciências. Sabendo que o mesmo é um programa de divulgação científica, essa situação se
torna uma grande contradição: o Aprovado é um programa de ciencia desenvolvido por uma
equipe que tem uma visão deturpada sobre ciência e que, por conta disso, não se considera um
meio de divulgação científica. Para eles, o programa é apenas um meio de fazer chegar aos
alunos informações que a escola tradicional não tem a velocidade de acompanhar. Do ponto
71

de vista da produção, o programa é feito essencialmente para educar e a 'ciência' é abordada,


apenas, quando há convidados vinculados às áreas de Biologia, Química e Física.
É válido ressaltar que o Aprovado, assim como a grande maioria dos programas
brasileiros, mantém uma concepção de ciência oriunda da corrente positivista em que afirma
que a ciência é tudo o que pode ser quantificado, medido e interpretado como verdadeiro.
Assim, o conceito de ciência é tão restrito que até mesmo um programa que dedica seu tempo
integral e dá bastante espaço à ciência não percebe que está contribuindo com a popularização
do conhecimento científico. Assim, fazer divulgação da ciência para os jovens através da
televisão, nesse caso, se torna uma situação acidental já que eles não se propõe como tal.
Durante a análise foi mostrado que temas ligados às Ciências Humanas não são menos
científicos que aqueles ligados às Ciências Naturais. Sendo assim, além do Aprovado ser um
programa de educação científica, é também um divulgador desse conhecimento: alcança mais
de um milhão de pessoas em todo estado baiano e apresenta a informação de forma clara e
acessível. Na Rede Globo, o Aprovado entra nas cotas audiovisuais para programas
educativos. Vale ressaltar que o programa reserva parte de seu tempo para apresentações
musicais e literárias.
A estrutura visual do programa remete a uma sala de aula porém, cada vez mais esse
panorama se afasta dando lugar a perspectiva de debate. O programa perde o caráter
“pergunta-resposta” e amplia para uma nova abordagem voltada para a discussão.
Em relação à produção/organização do programa há algumas questões que foram
bastante críticas. Não há uma base de organização de documentação histórica do Aprovado. A
produção não tem um espaço fixo como um banco de fontes, ou seja, é um programa que não
tem uma tradição de documentação da sua própria história. Também foi possível observar que
a produção é centralizada na figura de Jorge Portugal. É ele quem decide basicamente todos
as escolhas, desde os temas e convidados principais à criação e extinção de quadros. Para a
produção, essa ação justifica-se pela sua experiência acumulada como professor de cursinho
pré-vestibular e pela responsabilidade de ter dado origem ao Aprovado. A Rede Bahia é,
principalmente, responsável pela parte técnica. Todo o suporte de infraestrutura e
equipamentos para divulgação, gravação e edição do programa e de matéria extras é
sustentado pela emissora, assim como, todo o quadro de funcionários é ligado à ela.
Quanto aos aspectos financeiros é válido ressaltar que apesar de ser veiculado por uma
emissora comercial, o Aprovado é patrocinado, desde sua origem, pelo Governo do Estado da
72

Bahia.. Entretanto, há outros tipos de recursos provenientes dos patrocínios de algumas


instituições acadêmicas regionais. De acordo com as entrevistas, o custo por programa é em
torno de 12 500 reais mas não foi possível verificar como esta renda é distribuída.
Considera-se por fim, que trabalhos de análises de mídias são importantes no sentido
de contribuir tanto para a produção de programas, quanto para o seu aproveitamento, de forma
mais consciente e crítica, por produtores e telespectadores. Além disso, esta análise não se
esgota com o final desta pesquisa e outros dados e elementos linguísticos não foram
levantados, bem como vários recortes que o tema permite pelas limitações impostas pelo
tempo e pelo espaço disponível. Porém, é possível acreditar ter levantado material sobre o
tema abordado que poderá servir de incentivo pra pesquisas futuras.
73

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AULER, Décio. Interações entre Ciência - Tecnologia - Sociedade no Contexto da


Formação de Professores de Ciências. 2002. Tese. Centro de Ciência da Educação,
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002.

AULER, Décio; DELIZOICOV, Demétrio. Las Relaciones CTS en la Educación Cientifíca.


Espanha: Málaga, 2006.

BAHIA, Decreto n. 8.054, de 25/10/01. Cria o Projeto “ FAZ UNIVERSITARIO”, integrante


do Programa Educação Tributária do Estado da Bahia – PET-BA, instituído pela Lei n.
7.438, de 18/01/99, e da outras providências. Diário Oficial do Estado da Bahia, Salvador:
EGBA, v.86, n.17.816, p.12. 26/10/01.

BAHIA. Secretaria da Fazenda. Faz Universitário. Disponível em:


<http://www.sefaz.ba.gov.br>. Acesso em: 03 jan. 2003

BARTHES, Rolland. Mitologias. Tradução Rita Buongermino, Pedro de Souza e Rejane


Janowitzer. 2ªed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2006. 256p.

BRASIL. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da


educação nacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Brasília: MEC, 1996.
Disponível em: <http://www.mec.gov.br/legis/zip/lei9394.zip>, Acesso em: 17 ago 2009.

BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo
científico. São Paulo: Editora UNESP, 2004.

BUENO, Wilson da. Costa. Jornalismo científico no Brasil: os compromissos de uma


prática dependente. 1984, 364 f. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, Escola de
Comunicação e Artes, São Paulo, 1984.

BYBEE, R. W. Science education and the science-technology-society (STS) theme. In:


Science education. v.71, nº5, 1987.

CAAMAÑO, Aurelli. La educación Ciencia-Tecnologia-Sociedade: una necesidad en el


diseño del nuevo currículum de Ciencias. In: Revista Alambique: didática de las ciencias
experimentales, n°3, p. 4-6, 1995.

CAPOZOLI, Ulisses. Jornalismo Científico. Fôlego novo na divulgação de ciência.


[ca.2002]. Disponível em:
<http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/ofjor/ofc100420021.htm>. Acesso em: 17
nov. 2009.

CEREZO, J. A. L. Ciência, Tecnologia y Sociedad: el estado de la cuestión en Europa y


Estados unidos. In: revista Iberoamericana de Educación, n°18 , p.1-25, 1998.

CENARIO 2005. Altura: 150 pixels. Largura: 200 pixels. 11.77 Kb. Formato JPEG.
74

Disponível em: <http://ibahia.globo.com/recursos/BancoImagens/%7B23EC2F29-0CE3-


4647-9526-11DF84B3CB36%7D_ap147-03-200x150.jpg> Acesso: 19 nov. 2009.

CENARIO 2007. Altura: 150 pixels. Largura: 200 pixels. 11.63 Kb. Formato JPEG.
Disponível em: <http://ibahia.globo.com/recursos/BancoImagens/%7BF37E8CE0-8DD8-
40A2-8B39-BDF3E6169AB4%7D_ap160-05-200x150.jpg> Acesso: 19 nov. 2009.

CRUZ, S. M. S. C.; ZYLBERSZTAJN, A. O enfoque ciência, tecnologia e sociedade e


aprendizagem centrada em eventos. In PIETROCOLA, M. (Org.). Ensino de Física:
conteúdo, metodologia e epistemologia numa concepção integradora. Florianópolis: Ed. Da
UFSC, pp.171-196, 2001.

CUNHA, Márcia Borin da. Concepções de ciência no jornalismo: uma análise da divulgação
científica em jornais. In: ENCONTRO NACIONAL DE INTEGRAÇÃO EM
LINGUAGEM VERBAL E NÃO-VERBAL, 8., 2007, São Paulo. Anais eletrônicos. São
Paulo. FFLCH, 2007. Disponível em:
<http://www.fflch.usp.br/dlcv/enil/pdf/60_Marcia_BC_revisto_.pdf> Acesso em: 18 nov.
2009

DURANT, Jonh. Participatory technology assessment and the democratic model of the public
understanding of science. In: Science and Public Policy , v.26, n.5, p. 313-319, 1999.

FRANÇA, Martha.S.J. Divulgação ou jornalismo? Duas formas diferentes de abordar o


mesmo assunto. In: BOAS, S.V. (Org.) Formação e Informação Científica: jornalismo
para iniciados e leigos. São Paulo: Summus, 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17a ed. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1987.

GAMA, Liliane Castelões. Divulgação Científica: leituras em classes de ensino médio.


Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Estadual de
Campinas, SP, 2005.

GRILLO, Sheila Vieira de Carvalho. A noção de campo nas obras de Bourdieu e do Círculo
de Bakhtin: suas implicações para teorização dos gêneros do discurso. In: Revista Anpoll,
n. 19, jul/dez. 2005. p. 151-184

GOUVÊA, Guaracira. A divulgação científica para crianças: o caso da Ciência Hoje das
crianças. 2000, 305 f. Tese (Doutorado) - CCS/UFRJ, 2000.

HEBERLÊ, Antônio Luiz Oliveira. Significações dos transgênicos na mídia do Rio Grande
do Sul. 2005. 334 f. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Universidade do Vale
do Rio dos Sinos, Centro de Ciências da Comunicação, São Leopoldo, 2005.

HERNANDO, Manuel Calvo. Civilización Tecnologica y informacion. Barcelona: Mitre,


1982.

IBGE, Censo 2000. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/censo/default.php>. Acesso em


18 nov. 2009
75

KNELLER, G.F. A ciência como atividade humana. Rio de Janeiro: Zahar/EDUSP, 1980.

LÉVY-LEBLOND J. M. About misunderstandings about misunderstandings. In: Public


Understanding of Science, v. 1, n.1, p. 17-21, 1992.

LOGO 2005. Altura: 80 pixels. Largura: 100 pixels. 1.94 Kb. Formato JPEG. Disponível em:
<http://ibahia.globo.com/redesocial/redesocial/imgs/Aprovado.jpg> Acesso: 19 nov. 2009.

LOGO 2007. Altura: 70 pixels. Largura: 105 pixels. 3.35 Kb. Formato JPEG. Disponível em:
<http://ibahia.globo.com/redesocial/img/projetos_balanco_social_2003_2004/ProgramaApr
ovado.jpg> Acesso: 19 nov. 2009.

LOGO 2009. Altura: 125 pixels. Largura: 300 pixels. 17.35 Kb. Formato JPEG. Disponível
em: <http://ibahia.globo.com/aprovado/imgs/bg_topoo.jpg> Acesso: 19 nov. 2009.

LOPES, M. M. Resta algum papel para o (a) educador (a) ou para o público nos museus? In:
Boletim do CECA - Brasil, ano I, n.0, mar. 1997. p. 01-04.

LEIBRUDER, A. P. Discurso de Divulgação Científica: discurso na escola. 3ª ed. São Paulo:


Cortez, 2002.

LEWENSTEIN, B. V. When Science Meets the Public. Washington, D.C.: American


Association for the Advancement of Science, 1999.

_______________ Models Of Public Communication Of Science And Technology.


Disponível em:
<http://communityrisks.cornell.edu/backgroundmaterials/lewenstein2003.pdf>. Acesso em
15 out. 2008.

LEWENSTEIN, BV.; BROSSARD, D. Assessing models of public understanding in ELSI


Outreach Materials U.S. Department of Energy, Grant DE-FG02-01ER63173: Final
Report. Cornell: Cornell University, 2006. p. 46.

MASCARENHAS, Cristina. Duas realidades: a pesquisa com células-tronco para tratar


pacientes com doenças de Chagas nos laboratórios e na Mídia. Dissertação (Mestrado em
Ensino, Filosofia e História das Ciências) - Instituto de Física, Universidade Federal da
Bahia, Salvador, 2006.

MASSARANI, L. e MOREIRA, I. de C. A retórica e a ciência: dos artigos originais à


divulgação científica. In: Revista Ciência & Ambiente, Universidade Federal de Santa
Maria, Santa Maria, RS, julho/dezembro, 2001. p. 31-47.

MEDEIROS, R.. O conhecimento socializado e o papel do Jornalismo no contexto da


Divulgação da Ciência. In: SOUZA, C; PERIÇO, MN; SILVEIRA, T (Org.). A
comunicação Pública de da Ciência, Taubaté, SP: Cabral Editora e Livraria Unversitparia,
2003.
76

MILLER, Steve. Public understanding of science at the crossroads: science


communication, education, and the history of science Londres; 2000.

MYERS, G. Discourse studies of scientific popularization: questioning the boudaries. In:


Discourse Studies, v.5, n.2, p. 265-279, 2003.

NOVAES, A. M. Jornalismo de Controvérsia. Um análise do tratamento jornalístico dado


pela revista Superinteressante às incertezas científicas. 2008. 137 f. Dissertação (Mestrado
em Comunicação Social) – Universidade Metodista de São Paulo. São Bernado do Campo,
2008.

ORLANDI, Eni de Loudes Puccinelli. Divulgação Científica e efeito leitor: uma política
social urbana. In: ______. Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos.
Campinas, SP: Pontes, 2001. p. 149- 162.

PORTUGAL, Jorge. Entrevista concedida a Esther Vásquez. Salvador, 09 jun. 2009

RIOS, A. O. et al. Jornalismo científico: O compromisso de divulgar ciência à sociedade. A


comunicação entre jornalistas e pesquisadores e a responsabilidade social na disseminação
de informações científicas. In: Revista Publicatio UEPG Ciências Humanas, Ciências
Sociais Aplicadas, Lingüistica, Letras e Artes, Ponta Grossa, ano 13, n. 2, dezembro 2005.
Disponível em:
<http://www.revistas2.uepg.br/index.php/humanas/article/viewFile/551/550>. Acesso em:
18 nov 2009

SACHS, I. Brasil e os Riscos da Modernidade. In: Ciência Hoje. Rio de Janeiro: v.20, n.119,
p. 12-14, abril 1996.

SANTOS, Boaventura de Souza. Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. 3 ed., Porto:


Afrontamento, 1993.

SANTOS, Bartira. A questão da Verdade Científica. Artigo. [entre 2002 e 2009] Disponível
em: <http://rodrigobello.wikidot.com/a-questao-da-verdade-cientifica-bartira-santos>.
Acesso em: 21 jun. 2009.

SANTOS, Sandra Maria de Oliveira. Critérios para avaliação de livros didáticos de


química para o ensino médio.2006. 235 f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências)
– Institut de Química e Física, Universidade de Brasília, Brasília DF, 2006.

SANTOS, W. L. P. e MORTIMER, Eduardo. F. O Ensino de CTS (Ciência, Tecnologia e


Sociedade) no Contexto da educação Básica Brasileira. In: Revista Ensaio. v.2, n°2. Belo
Horizonte, 2000.

_______________. Tomada de decisão para ação social responsável no ensino de ciências. In:
Revista Ciência e Educação. n. 1. Campinas: UNICAMP, 2001. p. 95-111. Disponível em
<http://www.fae.unicamp.br/gepce/publicacoesgepCE.html>. Acesso em 18 nov.2009.

SANTOS, W. L. P. dos; SCHNETZLER, R. P. Educação em química: compromisso com a


77

cidadania. Ijuí: Editora da Unijuí, 1997.

SILVA, Mira. Entrevista concedida a Esther Vásquez. Salvador, 21 out. 2009.

SIQUEIRA, D. da C. O. A Ciência na Televisão: mito, ritual e espetáculo. São Paulo:


Annablume, 1999.

TUFFANI, M. Ciência e interesses: As regras do jogo acima do método e da razão. In: BOAS,
S.V. (Org) Formação e Informação Científica: jornalismo para iniciados e leigos. São
Paulo: Summus, 2005.

VÁSQUEZ, E. Cenário do programa Aprovado.2009. 1 fotografia, color. 14,44 cm x 10,02


cm.

VIEIRA, Rita. Entrevista concedida a Esther Vásquez. Salvador, 04 jun. 2009

VANOYE, Francis; GOLIOT-LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica. Campinas:


Papirus, 1994.

VOGT, Carlos. et al. (Coord.). Percepção pública da ciência: uma revisão metodológica e
resultados para São Paulo. In: LANDI, F. (Org.). Indicadores de ciência, tecnologia e
inovação em São Paulo - 2004. São Paulo: FAPESP, 2005.

_______________. Conhecimento Brasileiro sobre Jornalismo Científico: inventário


preliminar. Comunicando a Ciência. In: VI Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico,
Florianópolis: ABJC, 2001.

VOGT, Carlos., POLINO, Carmelo (Org.). Percepção pública da ciência: resultados da


pesquisa na Argentina, Brasil, Espanha e Uruguai. São Paulo: Editora Unicamp, 2003.

WORLD ASSOCIATION OF NEWSPAPERS. Paris: FIEJ, World Press Trends, 2000.

ZAMBONI, L. M. S. Heterogeneidade e subjetividade no discurso da divulgação


científica. 1997, 213 f. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de
Estudo da Linguagem, Campinas, 1997.
78

ANEXOS
79

ANEXO A – INFORMAÇÕES SOBRE O PROGRAMA

Os programas36

PROGRAMA 1
Tema: Darwin: da teoria às células tronco
Gravação: 28 de abril de 2009 Exibição: 16 de maio de 2009
Convidado principal: Chabel El-Hani, professor do Instituto de Biologia da Universidade
Federal da Bahia
Outros convidados:
Felipe Leal, estudante do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia
Tiago Serravale, estudante do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia
Rafael Lima, estudante do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães
Sara Mathias, estudante do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães
Urias Lima, ator
Quadros:
2030 Discutindo o futuro
Tema: Terapia celular
Convidado: Ronald Palota, professor da Escola Bahiana de Medicina e coordenador do
Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Salvador

Fato comentado
Tema: Crise mundial
Convidado: Armando Avena, é Professor da Universidade Federal da Bahia e da
Universidade Católica de Salvador

Ralando na área
Fisioterapia
Dramatização: Urias Lima
Poema: Poética
Autor: Manuel Bandeira
Atração musical: Margareth Menezes
Matéria extra:
Gincana do conhecimento da UNIFACS

PROGRAMA 2
Tema: Cinema e sociedade
Gravação: 13 de maio de 2009 Exibição: 23 de maio de 2009

36
Os programas foram organizados de forma cronológica a partir da data de exibição. Dessa maneira a ordem
de gravação não foi considerada.
80

Convidados principais:
Sérgio Machado, cineasta.
Messias Bandeira, professor, músico, jornalista, mestre em comunicação e doutor em Comunicação
e Cultura Contemporâneas (UFBA)
Outros convidados:
Cláudio Marques, coordenador do Espaço Glauber Rocha Unibanco.
Henrique Dantas, cineasta, documentarista.
Jackson Costa, ator
Lilliane Sueira, estudante do Colégio Estadual Raphael Serravalle.
Sofia Frederico, diretora audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia.
Quadros:

Conexão Aprovado
Tema: História
Convidado: Mary Del Priore, historiadora e escritora.

Ralando na área
Biomedicina
Dramatização: Jackson Costa
Poema: Emergência
Compositor: Mário Quintana
Atração musical: Banda de boca.
Fábio Eça, Neto Moura, Iran Monteiro, Arnon Júnior.

PROGRAMA 3
Tema: Educação e democracia
Gravação: 25 de maio de 2009 Exibição: 30 de maio de 2009
Convidados principais:
Vera Veronese, uma das líderes do educacionismo na Bahia.
Almerico Biondi, superintendente de educação profissional do Estado da Bahia
Outros convidados:
Vladimir Meira, vice-presidente regional da União Nacional dos Estudantes na Bahia (UNE-
BA)
Evelin Buchegger, atriz.
Esther Vásquez, estudante de Produção Cultural da Universidade Federal da Bahia.
Nide Nobre, socióloga e coordenadora de projetos do Secretária de Educação do Estado da
Bahia.
Quadros:

2030 Discutindo o futuro


Tema: Música
Convidado: Caetano Veloso, músico e compositor.
81

Ralando na área
Ciências Biológicas
Dramatização: Evelin Buchegger
Poema: “Com licença poética”.
Autora: Adélia Prado
Atração musical: Tatau
Matéria extra:
Tema: Construção Civil
Convidado: André Bastos, engenheiro civil.
Informação: Inserção de diversos de depoimentos de Cristovam Buarque, senador e
educador.

PROGRAMA 4
Tema: Meio Ambiente, por um mundo sustentável
Gravação: 25 de maio de 2009 Exibição: 13 de junho 2009
Convidados principais:
Asher Kiperestoc, professor da Universidade Federal da Bahia
Júlio Rocha, diretor geral do Instituto Gestão das Águas e Clima (Ingá)
Outros convidados:
Gabriela Vieira, estudante de engenharia ambiental
Nei Nunes, estudante de doutorado em ecologia da Universidade Federal da Bahia
Sueli Conceição, especialista em gestão ambiental
Thiago Siqueira, gestor da Ong Joguelimpo.
Wesley Cerqueira, estudante de geografia
Quadros:
Conexão Aprovado
Tema: Jornalismo nacional
Convidado: Ruy Castro, escritor.

Fazendo e acontecendo
História de Gilvã.

Ralando na área
Engenharia elétrica
Atração musical: Estakazero
Matéria extra:
Tema: Paisagismo
Convidado: Mariana Barreto, arquiteta paisagista
82
83

ANEXO B - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO EM 16.05.09


TEMA: DARWIN – DA TEORIA DA EVOLUÇÃO ÀS CÉLULAS TRONCO

PRIMEIRO BLOCO

JORGE PORTUGAL No ar mais um Aprovado: vestibular, conhecimento e cultura


na tela da tv. É com você que eu estou falando, você que
estuda, você que ama o conhecimento, e que tem de 8 à 80
anos. Este programa é informação na veia. Tema de hoje:
Darwin: da teoria da evolução à célula tronco. Vamos ver se
cometemos aqui o milagre de abordarmos tudo isso em um
programa de 50 minutos. Mas no Aprovado de hoje você terá
2030: Ronald Pallotta falando sobre o futuro da terapia celular.
Mas teremos, ainda, nosso querido Armando Avena no Fato
comentado pensando, refletindo sobre a crise mundial. No
Ralando na área: Fisioterapia no pedaço. Gente que Aprovado
é este! Com certeza na veia, na veia, na veia.
Este é o momento da informação. O nosso iluminador é o
coordenador científico do ano Darwin na Bahia: o professor do
Instituto de Biologia da UFBA, Charbel El-Hani.
Prazer, muito bem-vindo ao Aprovado. Querido mestre!
CHARBEL EL-HANI Obrigado. Prazer
JORGE PORTUGAL Ótimo. Vamos aqui hoje discutir, refletir e deixar a Bahia no
ponto em relação a esse conteúdo que é atualidade pura, pura,
pura. Como se isso não bastasse, pra coroar este momento de
educação e cultura, colocar lá em cima ó... teor máximo..., a
nossa atração musical é: Margareth Menezes
MARGARETH MENEZES Alô querido.
JORGE PORTUGAL Mais uma vez, meu amor, bem vinda ao Aprovado. Coração
aberto.
MARGARETH MENEZES Muito obrigada. É um prazer enorme tá aqui Jorge, viu. Um
grande beijo, então.
JORGE PORTUGAL Grande, grande, grande. E o quê que você já manda pra gente?
MARGARETH MENEZES Mandar um pedacinho do “Passe em casa” né? Pra gente...
JORGE PORTUGAL Vamos. Vamos, sim. Vamos, sim.
MARGARETH MENEZES Margareth Menezes:
Música: Passo e casa Mas o importante é passar no vestibular, né?
Compositor: Marisa Monte,
Arnaldo Antunes, Carlinhos
Brown e Margareth
Menezes.
JORGE PORTUGAL Com certeza. Claro. (risos)
Olhe bem, quero dizer pra vocês que todos aqui são nossos
convidados começando por Felipe. Olha a chamada. Felipe,
84

Tiago, Urias, Rafael, e Sara. Sara e Rafael são estudantes do


ACM, do Antônio Carlos Magalhães lá da Vasco da Gama.
Temos aqui nosso querido Tiago e Felipe, Felipe e Tiago que
são estudantes do Instituto de Biologia, e o nosso convidado
Urias Lima que está pra perguntar, pra refletir, pra conduzir
também este papo mas - Maga fica à vontade; pergunte
também; tudo aqui e objeto de reflexão - mas mestre Charbel
se eu fosse uma pessoa cética em relação a teoria da evolução
que argumentos você me daria pra que eu rompesse com este
circulo de equívocos?
CHARBEL EL-HANI Primeiro eu diria que pra a gente compreender a teoria da
evolução é preciso compreender a natureza do conhecimento
científico. Por que que eu digo isso? Porque existem problemas
relativos a conflitos entre as idéias evolutivas e idéias que vem
de tradições culturais outras como por exemplos as tradições
cristãs e outras tradições religiosas. E aí a gente tem que dar
um passo atrás e entender que conhecimento científico é um
modo de explicação do mundo que se ampara em explicar
fenômenos naturais que é a única coisa que a ciência pretende
explicar com base em outros fenômenos, também, naturais.
Isso se dá por quê? Porque as afirmações científicas têm que
ser sempre testadas contra o mundo natural. Temos que coletar
dados do mundo natural e verificar se o mundo apóia as nossas
afirmações e sobre o mundo sobrenatural não há como coletar
dados. E isso é o primeiro ponto importante. A ciência não se
pronuncia sobre entidades que não sejam naturais. Ela não diz
nem que Deus existe e nem que e Deus não existe. A ciência é
agnóstica em relação a isso. Ser agnóstico que dizer que
suspende o juízo. Não emite juízo sobre isso.
Acho que esse é o primeiro argumento. Depois eu passaria para
o argumento de consciência da teoria em termos lógicos, nos
argumentos, dados empíricos que apóiam enormemente a teoria
evolutiva - no caso a teoria darwiniana - mas o primeiro
argumento seria sobre a natureza do conhecimento científico.
JORGE PORTUGAL Mas como tá o ano Darwin na Bahia? Como está a
programação? Já começamos?
CHARBEL EL-HANI Já começou no ano passado, em 2008. A Bahia teve uma - por
iniciativa do Estado da Bahia e da Universidade Federal a
Bahia e agora, esse ano, também a UNJR, está juntando-se a
nós - teve uma iniciativa diferente do resto do Brasil porque
começou em 2008, se pensando que em 2008 comemorava já
150 anos da primeira vez que a teoria da seleção natural foi
dada a público. Então, já tivemos 3 eventos no ano passado que
foram simpósios de variados temas. Este ano já tivemos em
evento dia 12 de fevereiro: um seminário britânico que foi uma
iniciativa do ano 2009. Tivemos um cortejo Darwiniano
organizado pelo IJERB e vamos ter vários. Um monte de
85

programação ao longo do ano, mais congressos, exposições e


uma série de coisas.
JORGE PORTUGAL Beleza. Esperamos dar notícia aqui de tudo que venha
acontecer no decorrer do ano no nosso Aprovado.
E aqui os nossos convidados, debatedores, perguntadores,
alguém já quer fazer uma pergunta? Já tem curiosidade no ar?
Isso meu rei. Cadê o microfone, se não a Bahia não ouve a sua
belíssima voz.
FELIPE LEAL Gostaria de perguntar qual é a importância da teoria da
evolução para a comunidade que não é científica?
CHARBEL EL-HANI Pensar evolutivamente muda o modo como a gente entende o
mundo, de variadas maneiras. Então, se a gente pensa
evolutivamente a gente entende que o ser humano é produto de
um processo evolutivo, é capaz de conhecer certas coisas e não
é capaz de conhecer outras. De imediato, há limites pra nossa
capacidade de compreensão que são dados pela natureza de
nosso cérebro e de nossos órgãos sensoriais. Isso é uma
conseqüência imediata. Eu acho uma certa humildade do ser
humano, face a sua possibilidade de conhecer.
Problemas sociais e extremamente relevantes podem ser
compreendidos através do processo evolutivo. Por exemplo,
porque que gripe suína é uma coisa preocupante. A gente
entende melhor isso se pensar evolutivamente. Porque temos
um vírus que é extremamente variável, sofre uma série de
mutações e evolui, portanto, muito rapidamente porque ele tem
muita variação disponível nas populações desse vírus. Significa
que nós temos dificuldade de tratar, de combater essas doenças
porque a gente planeja nossos medicamentos pra uma certa
geração do vírus e na geração seguinte o vírus está diferente.
Nossos medicamentos podem não funcionar mais. Nossas
vacinas podem não funcionar mais. Então, esse processo é o
processo de evolução do vírus.
Dois exemplos aí: um mais de natureza filosófica e outro de
natureza da saúde pública que mostram que se você pensa
evolutivamente, você vê o mundo de uma maneira distinta.
JORGE PORTUGAL Chegou o momento de você pensar. Pensar em fatos, em
acontecimentos que estão aí, pulando, tomando conta da nossa
agenda contemporânea, que nos toca não é... a nós todos e
precisamos refletir e quem sabe até encontrar caminhos. Fato
comentado. Armando Avena: pensador, escritor, economista,
falando sobre a crise mundial. Umbora pensar? Olho na tela.
VT - FATO COMENTADO
JORGE PORTUGAL Beleza, beleza, meu querido Armando Avena. Você é um didata
excepcional. O que você explica fica absolutamente claro. É o
economista que fala de economia sem economês. Isso não é
86

pouco de forma alguma. Mas Margareth, e a crise chegou ao


setor de entretenimento, de arte, de cultura?
MARGARETH MENEZES Quando fala em crise, uma das primeiras coisas que as
empresas, enfim, os empresários e tal pensa - na verdade em
reduzir - é, justamente, o investimento na cultura e
entretenimento. Então assim, certamente, certamente que o
ritmo dos investimentos, dos patrocínios diminuíram bastante.
Esse ano o próprio carnaval demonstrou: alguns blocos não
saíram. A própria seqüência das coisas, mas eu acho que... Eu
acredito nesse processo que o Brasil tem, desse fortalecimento
que houve, dessas mudanças da economia brasileira porque se
a gente for pensar... Eu acho que essa crise acontecesse a
alguns anos atrás a gente tava bem pior.
JORGE PORTUGAL Bem pior. (risos) Isso é verdade. Claro.
MARGARETH MENEZES Eu acho que da pra gente da algum credito ao que ta
acontecendo porque estamos atingidos sim, mas não de modo
como está atingindo outros países aí, outras grandes potências
inclusive. Eu acho que da pra gente acreditar que a gente vai
superar essa crise
JORGE PORTUGAL Com certeza. E por falar em crédito, você tá segurando o
cartão.
MARGARETH MENEZES Rapaz... (risos)
JORGE PORTUGAL (risos) Não precisa responder mais nada. É isso aí gente. Que
primeiro bloco! Bola no meio do campo e você já viu – né? -
como vai ser o desenrolar dessa partida. Darwin: da teoria da
evolução à célula tronco. Bahia minha querida Bahia. É hora de
aprender. Segura aí que eu vou ali, mas volto já.

SEGUNDO BLOCO
JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Estou falando com você que está em São
Caetano, Pau da Lima, está no Barbalho, está na Liberdade. Você que
busca o conhecimento e faz do Aprovado, e sabe que o Aprovado é o
seu aliado incondicional preparando você, qualificando você aí.
Ó... vestibular nacional. Novo ENEM. Brasil disputando com Brasil.
É preciso que você esteja realmente tinindo, em ponto de bala
porque vai ser uma concorrência intensa. Mas você estará preparada,
preparado. Aprovado está aqui ao seu lado. Lado a lado com você. E
vamos voltar já Discutindo o futuro 2030. Vamos ter a palavra, a
reflexão do doutor Ronald Pallotta sobre terapia celular. Bahia toda
aprendendo. Vamos ver, umbora? Olho na tela.
VT 2030
DISCUTINDO O
FUTURO
JORGE PORTUGAL Beleza. Quer comentar? (risos)
87

CHARBEL EL-HANI Tem várias coisas interessantes colocadas. Primeiro, a questão ética.
De um modo geral, conhecimento é poder. É aquela coisa que
Francis Bacon já disse no século XVII e isso não significa que a
gente precise impedir que o conhecimento seja produzido – como às
vezes acontece nessas discussão sobre células tronco embrionárias.
Mas nós devemos, como uma sociedade, ter cuidado. Discutir
criticamente, mas sem uma perspectiva de preconceito. Acho que o
Ronald foi muito feliz em relação a isso e também os prognósticos
para 2030 são sempre muito favoráveis, mas se a gente for pensar em
crise ambiental, 2030 também tem seu lado preocupante. A gente
também precisa pensar e mudar o nosso estilo de vida atual pra que a
gente chegue em 2030 podendo realmente viver 120 anos porque
sem biomassa, pra dar alimento pra gente, não vai dar.
JORGE PORTUGAL Com certeza. E aí galerinha? Tudo bem? Alguém querendo fazer
alguma pergunta? Ah! Rafael no ponto. E aí meu irmão?
RAFAEL LIMA Gostaria de saber do senhor qual a sua opinião sobre o que podemos
esperar das pesquisas genéticas ou das experiências de células tronco
no futuro?
CHARBEL EL-HANI Já é uma pergunta que eu não sou especialista, mas me parece que as
terapias que envolvem células tronco embrionárias são muito
promissoras. A gente já tem alguns resultados mostrando a melhora
do quadro de pacientes com epilepsia. Já tem alguns resultados
positivos. Então me parece um caminho de pesquisa que não deve
em absoluto ser bloqueado e também isso tem a ver com crescimento
evolutivo. Porque numa perspectiva evolutiva nós nos tornamos
seres humanos quando o nosso cérebro já se formou. Então se a
gente retirar uma célula tronco embrionária de um embrião, não sei
bem quando eles tiram, mas vamos dizer uma semana até duas
semanas de existência de um ponto de vista científico, esse embrião
não é um ser humano ainda. Ele é vivo, claro! Um zigoto é vivo. Os
gametas são vivos e ela não é ser humano ainda. Também no
processo evolutivo a gente não teria tanta preocupação em retirar
uma célula tronco embrionária. Não teria tanta preocupação com
isso.
JORGE PORTUGAL Doutor Ronald assinalou ali que já existem bactérias que produzem
insulina. Isso está já disponível nas farmácias?
CHARBEL EL-HANI Até onde eu sei, sim. Boa parte da insulina que é consumida no
mundo atualmente pelos diabéticos ela já é produzida por bactérias e
geradas geneticamente.
MARGARETH Eu sou leiga, posso dizer isso, mas eu também gosto de ler os livros
MENEZES que falam sobre essa questão. Então eu tenho o livro do doutor
Francis Collins que ele fala sobre o estudo do DNA. Ele fala sobre o
DNA. Ele é um dos diretores dessa pesquisa e ele fala do espanto
que os cientistas têm sobre a perfeição de como a coisa se deu. Esse,
inclusive, cientista era um cientista que era ateu e começou a
88

acreditar em Deus através da pesquisa. Ele faz uma pesquisa também


junto com essa questão da... desse estudo de Darwin e que é muito
próximo mesmo que ele prevê. Mas existe um momento que é um
momento assim que ainda não há explicação que é de que momento
exato e de como é essa perfeição né... da questão da chegada, da
questão da transformação, da questão da formação do universo e
então assim, porque existe matéria que a gente chama de matéria
sutil? A ciência tem alguma explicação sobre isso?
CHARBEL EL-HANI Bem, essa questão tem vários aspectos. Vamos ver como é dá pra
comentar rapidamente. Primeira coisa é que o livro do Collins é um
livro que ele escreveu de divulgação e ali ele não está falando como
um cientista. Essa é a coisa interessante.
Se ele fosse tentar publicar um artigo com as idéias que estão no
livro relativamente à divindade ele não conseguiria publicar porque
seria algo que fugiria ao discurso científico. Ele ali está colocando
crenças pessoais dele que são absolutamente legítimas, mas são
crenças pessoais dele.
Então tem essa distinção do pesquisador que ele pode estar falando
para o grande público numa condição de uma pessoa falando suas
crenças e outra coisa é o discurso científico que é um discurso que
não tem como se pronunciar sobre divindade como eu falei no
começo porque não há como testar ali hipóteses sobre esse respeito.
Não há como coletar dados à respeito da existência ou não de uma
divindade. No fundo, no fundo é uma questão de fórum íntimo, de
crença de cada um. Agora o problema que há nesse argumento
Margareth é a questão da perfeição. A gente exagera muito na
perfeição dos seres vivos. De um ponto de vista evolutivo, a
perfeição é intangível para os seres vivos porque nós estamos sempre
respondendo à regimes seletivos que eles são muito variáveis. Eles
não estão indo sempre na mesa direção e a gente não se otimiza a
ponto de ser perfeito. Digamos um exemplo que é sempre citado
como órgão perfeito: o olho humano.
O pessoal adora dizer que o olho humano é perfeito. Teremos que
explicar porque 90% dos seres humanos têm problemas de visão. Ele
não é tão prefeito assim. Ele é um belo órgão. Muito funcional, mas
ele tem imperfeições também. Então a natureza, ela é menos perfeita
do que a gente acha que ela é, eu diria.
MARGARETH Tem várias coisas que vai um pouco além e que pra mim, assim,
MENEZES explica, eu acho... eu acredito em Deus e por isso eu acho que pode
haver, também, algo mais.
CHARBEL EL-HANI Não, claro. Por isso que eu fui claro em dizer assim que a ciência
não desautoriza essas visões e a explicação científica tem limites.
Porque qualquer explicação sobre o mundo tem limites. Então de
fato que há coisas que a gente não explica cientificamente, claro que
há. A ciência explica apenas fenômenos naturais. Qualquer visão de
mundo que postula a existência, ou de entidades sobrenaturais, ou a
relação de entidades sobrenaturais com o mundo natural, está
89

falando de assuntos que escapam ao domínio da ciência mas que


demanda explicação e que são explicadas por outras tradições
culturais. Ainda bem, porque a gente tem essa diversidade de cultura
pra puder explicar de diversas perspectivas.
JORGE PORTUGAL Ok gente. Este é o Aprovado debatendo a teoria da evolução.
Debatendo tudo aqui neste mundo fantástico, fabuloso que a ciência
pode descortinar. Mas estamos terminando o segundo bloco...
(interrompe)
URIAS LIMA Estou farto do lirismo comedido
Poema: Poética Do lirismo bem comportado
Autor: Manoel Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
Bandeira protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
(aplausos)

JORGE PORTUGAL Participação do ator Urias Lima no Aprovado. Foi uma surpresa
geral, mas a poesia está aí pra isso, pra surpreender a gente cada vez
mais. Daqui a pouco eu vou falar sobre esse texto magnífico de
Manoel Bandeira que está nos “Cem maiores poemas brasileiros do
século XX” de organização de Ítalo Moriconi. Livro prescrito para o
vestibular desse ano pela Universidade Federal da Bahia.
Bahia, querida Bahia. Tá bom demais. Tá ou não tá? Então se tá bom
demais fique aí porque eu só vou ali mas volto já.

TERCEIRO BLOCO
90

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Um programa educacionista com certeza.


Programa que está aqui na linha de frente da luta pela melhoria, pela
melhora da qualidade do ensino público neste país. Precisamos
muito hastear esta bandeira. Pois é, programa que pede a bênção à
todos os grandes educadores, todos aqueles que amam a educação,
todos que participam deste aspecto importantíssimo da vida nacional.
Quero mandar um abraço, um beijo pra aluna número 1 deste
programa. Sabe quem é? Não sabe não é? Ebomicidália. Eu sei que a
senhora está aí anotando. Ela anota no caderno tudo, todas as lições
pra reler e aprofundar mais ainda então – do coração do Aprovado –
um beijo especial para Ebomicidália.
Pois é, vocês viram aqui a interpretação magnífica: Urias muito
obrigado meu rei. Puxa vida. Momento, momento ímpar do
Aprovado. Vamos aplaudir de novo. Do poema “Poética” de Manuel
Bandeira. “Poética” é um dos primeiros poemas do Modernismo
Brasileiro. A intenção dela, na verdade, é dizer um 'não', dizer um
'basta' a tudo aquilo que representava a chamada Poesia
Decadentista, Poesia Passadista' representada principalmente pelo
Parnasianismo e pelo Simbolimo. É uma das coisas mais belas, e
mais, digamos assim, cruéis - no melhor sentido – em relação à uma
poética do passado. Com o nome “Poética” ele está afirmando os
caminhos que eram propugnados naquele momento pelo
Modernismo Brasileiro.
É isso aí gente. Voltamos aqui à Darwin: da teoria da evolução à
célula tronco. Professor Charbel El-Hani. Alguém aqui quer fazer
alguma pergunta galera? Ih! Manifestou-se lá dona Sara. Sara
querida pra quê o vestibular? Vai fazer o quê?
SARA MATHIAS Jornalismo
JORGE PORTUGAL Jornalismo. Quer dizer que você está estreando, aqui, hoje no
Aprovado, sua primeira pergunta como jornalista ainda não
universitária. Mande.
SARA MATHIAS Bom. Uma das conclusões de Darwin é que a evolução é um
processo dinâmico que não para. O que isso quer dizer? Ainda
estamos sujeitos à transformações?
CHARBEL EL-HANI No caso do ser humano é muito interessante, porque nós somos um
animal cultural, social, simbólico. Então nós construímos pra nós
mesmos um modo de evoluir distinto que é evolução cultural.
Certamente a gente continua evoluindo por seleção natural, continua
evoluindo pelos processos que o Darwin propôs, mas o que
predomina na nossa espécie é certamente a evolução cultural sendo
que é muito interessante o que a gente compreendeu nos últimos
anos que outros animais também são produtores de cultura como os
chimpanzés, os bonobos, os orangotangos, os gorilas, os golfinhos,
os elefantes. Então não somos os únicos que evoluímos
culturalmente, mas sem dúvida a quantidade de cultura que nós
produzimos e que nossa capacidade de nos reinventarmos em busca
91

cultural nos abre caminhos evolutivos que são distintos dos


caminhos da seleção natural. Não anula, mas é o que predomina pra
gente.
JORGE PORTUGAL Ok. Beleza. Então Sara vai fazer vestibular pra jornalismo não é? E
Rafael? Pra quê Rafael?
RAFAL LIMA Vou fazer Ecologia ou História.
JORGE PORTUGAL Ou história. Então estão convictos. Estes daí já escolheram. Já
disseram sim e já determinaram o caminho, mas tem muita gente que
não sabe ainda. A essa altura do campeonato ainda está procurando,
tateando, tentando se informar das mil possibilidades e estas pessoas
que estão ainda no caminho da indecisão tem, Margareth, no
Ralando na área o aliado perfeito e preciso. Olha você que vai fazer
Fisioterapia chegou o momento. Fisioterapia. Ralando na área.
VT - RALANDO NA
ÁREA
(40:42) – (43:46)
JORGE PORTUGAL Pois é beleza. Mais um Ralando na área espetacular aqui no
Aprovado e aí? Gostou? O Urias não ficou com vontade de fazer
Fisioterapia? (risos).
URIAS LIMA (risos) Estou fazendo Fisioterapia, mas como paciente. Estou com
uma dor na lombar terrível. (risos)
JORGE PORTUGAL (risos) Do outro lado. Tá muitíssimo bem, mas eu quero saber quem
é que pergunta mais. Quem quer saber algo do professor Charbel.
Tiago!
TIAGO SERRAVALE Charbel, a gente ainda pensa teoria da evolutiva como uma teoria
Darwiniana. Agora ao longo desses 150 anos, desde que a teoria foi
lançada, quais as evidências, modelos, mecanismos que temos
somados à teoria pra gente dar conta de explicar toda a evolução de
uma forma biológica?
CHARBEL EL-HANI Essa pergunta é bem oportuna porque as pessoas geralmente quando
pensam em teorias científicas tem dificuldades em situá-los na
história e às vezes se pensa que as idéias que nós aceitamos hoje são
as mesmas idéias que o Darwin propôs, em parte sim. Ou seja, a base
lógica da teoria evolutiva que temos hoje foi colocada pelo Darwin e
muita coisa mudou em 150 anos de trabalho. A gente tem após o
Darwinismo, um período no final do século XIX que foi de
proliferação de teorias alternativas e na década de 30, 40 do século
XX você tem uma teoria que é a teoria sintética da evolução que é
uma síntese do Darwinismo e Mendelismo que dominou o cenário
até o século XXI. Acho que agora tá - na verdade, desde a década de
80 - tá em muita discussão e pra alguns autores, dos quais eu me
incluo, a gente está em um momento de mudança pra uma nova
teoria evolutiva ainda Darwinista porque fundada nas bases que o
Darwin propôs mas que têm um monte de idéias mecanismos e
92

processos que o Darwin não propôs na época dele e eu acho que ele
nem podia propor porque na época em que o Darwin propôs a teoria
sequer se conhecia uma célula direito. Não tinha a menos idéia do
que era material genético, nem como a herança acontecia. Então
muita coisa tinha que mudar mesmo com os avanços do
conhecimento.
JORGE PORTUGAL Então a gente pode dizer que Mendel foi a complementação
fundamental para a comprovação da teoria de Darwin?
CHARBEL EL-HANI A gente tem que ter muito cuidado...
JORGE PORTUGAL Ou é um exagero?
CHARBEL EL-HANI É. A gente tem que ter um pouco de cuidado com essa tese porque
algumas pessoas acham, inclusive Willian Bacon, que foi o
geneticista importante da virada do século XIX para o século XX em
dizer se Darwin tivesse lido Mendel, ele teria avançado mais. Na
verdade, as evidências que a gente teve: o Darwin leu Mendel e ele
não concordou com Mendel porque ele tinha a sua própria teoria da
herança que ele chamava de teoria da pangênese.
E então Mendel ao mesmo tempo que ele traz uma compreensão de
herança e origem da variação que é importante pra compreensão de
evolução... Quando surge, quando o Mendelismo é construído no
começo do século XX ele propõe uma teoria alternativa ao
Darwinismo que se chamava teoria da mutação. Quer dizia que
bastava mutar para gerar uma nova espécie, gerar nova adaptação.
Não bastava mais a seleção natural.
E foi um preciso muito trabalho científico. Vinte e tantos anos de
trabalho pra botar essas duas teorias de acordo.
JORGE PORTUGAL Beleza. Beleza. Muito obrigado. Que grande e clara resposta, mas
aqui o terceiro bloco foi embora, mas ele não vai sair do ar se não for
abraçado pela música de Margareth Menezes.
MARGARETH Vou cantar um pedacinho de “Os cegos do castelo” que eu regravei
MENEZES no CD “Naturalmente”.
JORGE PORTUGAL Beleza
MARAGARETH Do meu irmão querido: Nando Reis
MENEZES
Música: Os cegos do
castelo
Compositor: Nando
Reis

QUARTO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. O programa conteúdo da Bahia. Por isso
Aprovado: o programa que educa.
93

É isso aí gente. Vamos ver agora uma ação que se faz, que se presta a
promover o conhecimento. Tudo aquilo que faz com que o jovem,
que o estudante se envolva no conhecimento, busque informação é
proveitoso e deve ser Aprovado. Então vamos ver uma gincana do
conhecimento que foi realizada na UNIFACS pra que sirva de
exemplo a outras faculdades, a outros colégios e vai por aí.
Olho na tela Bahia. Vamos ver?
Matéria extra
JORGE PORTUGAL Pois é. Eu acho que a turma gosta muito de sair um pouco da sala de
aula. Quem pergunta?
TIAGO SERRAVALE Darwin passou 5 anos a bordo do Biagle viajando pelo mundo e
freqüentemente a gente só ouve falar da passagem dele pela Ilhas
Galápagos. Me fale um pouco sobre a passagem dele aqui na Bahia.
CHARBEL EL-HANI Isso que o Tiago falou é interessante. A gente vê nos livros didáticos,
nas aulas de aula de biologia essa ênfase enorme da passagem do
Darwin pelas Galápagos e se esquece que ele passou aqui pelo
Brasil:2 vezes em Salvador, 1 por Recife, por Abrólhos, Fernão de
Noronha, Rio de Janeiro e Salvador foi o único lugar na viagem que
ele passou 2 vezes e no Brasil, certamente, foi o local que deixou
melhores impressões no Darwin. Em particular, ele teve uma
experiência cultural muito interessante aqui porque ele era um
antiescravagista e ele aqui ficou muito bem impressionado com a
população negra de Salvador – naquela época a população de
escravos e escravos da cidade. E foi aqui o primeiro local que ele
entrou na floresta tropical. Primeira vez que ele viu um ecossistema
tropical e sempre pra quem vem da área temperada dá uma
experiência não só cognitiva, mas afetiva impressionante. A gente
precisa valorizar a passagem dele aqui por Salvador. A meninada ta
aí na sala de aula precisa saber que o Darwin teve aqui na Cidade da
Bahia como se chamava na época.
JORGE PORTUGAL Cidade da Bahia. E no carnaval?
CHARBEL EL-HANI Sim. Ele passou pelo carnaval aqui na Bahia. Ele chegou durante o
carnaval.
JORGE PORTUGAL Será que não foi por isso que ele ficou aqui? Aí é brincadeira, claro.
CHARBEL EL-HANI Mas é interessante essa coisa. Porque que volta né?
JORGE PORTUGAL Mas eu sabia que ele tinha passado pela Bahia. Não sabia que ele
tinha estado 2 vezes aqui.
CHARBEL EL-HANI Foi fevereiro de 1832 e agosto de1836
JORGE PORTUGAL Beleza. Beleza. Beleza. Pois é Margareth Menezes. Naturalmente
“Naturalmente” que este CD é a expressão desse momento evolutivo
de sua carreira. Já que estamos falando aqui de evolução. Você fala
dele pra gente?
MARGARETH Olha este CD é o meu CD mais recente. Nós lançamos no finalzinho
94

MENEZES do ano passado e agora tô dando continuidade à divulgação. Foi


produzido pelo Mazzola. Ele registra alguns momentos meus, de
pesquisa também. Músicas inéditas, reggae, interpretações também,
regravações. Enfim, um momento pra mim bem interessante porque
o Mazzola teve esta proposta de fazer uma coisa, gravar algumas
outras músicas, gravar algumas outras coisas do sentimento mesmo
meu com a música.
Então eu vi esse momento oportuno Eu já tava querendo fazer isso
há algum tempo e aí pude regravar algumas coisas. Regravei
“Matança” de Jatobá, nosso querido.
JORGE PORTUGAL Ô coisa boa!
MARGARETH É. Chegou a hora do pinheiro balançar. Não é brincadeira não. Esse
MENEZES protesto ecológico que pelo próprio momento... É uma música que
eu sempre gostei muito. Regravei também “Os cegos do castelo” -
que eu cantei uma partezinha aqui – do Nando Reis. Tem algumas
músicas inéditas. Tema música chamada “Gente” de Marisa, Pepeu e
Arnaldo Antunes. Tem também Chico César “Porque você não vem
morar comigo?”. Tem Zeca Baleiro. Regravando Zeca... Zeca
Baleiro meu amigo. Já gravei 2 vezes Zeca. Já tinha um tempão que
eu não regravava música dele e tem essa música inédita dele. Tem
uma música minha e do meu querido Robson Costa.
JORGE PORTUGAL Robson? Seu queridíssimo Robson Costa (riso). Vamos colocar isso
no superlativo.
MARGARETH Então eu só tenho a agradecer a Deus e continuar. To aí com projetos
MENEZES pra teatro também. Tô buscando algumas transformações também
em minha carreira.
JORGE PORTUGAL Beleza e essa fera que tá aí do lado mandando ver?
MARGARETH Aqui é o Edmar Borges. Querido Edmar Borges. Ele é músico da
MENEZES minha banda. Ele é baixista, tecladista, violonista, guitarrista.... o
cara é um negócio (risos). Se você bota sanfona ele toca também.
(risos)
JORGE PORTUGAL Bem vindo ao Aprovado, viu? Bahia, Bahia, Bahia. Que Aprovado
ein? Sei que tá todo mundo aí aplaudindo de ponta à ponta.
Aplaudindo de pé essa conversa, esse papo, esse debate, enfim, este
conteúdo. Eu quero agradecer aos nossos debatedores. Aqueles que
vieram aqui colocar um tempero essencial à nossa conversa. Quero
agradecer ao mestre Charbel El-Hani. Puxa vida! Sua participação
aqui é irrepreensível. Vamos torcer e convocar a Bahia à participação
do ano Darwin.
CHARBEL EL-HANI Obrigado pela oportunidade Jorge.
JORGE PORTUGAL Instituto de Biologia da nossa querida e gloriosa UFBA.
CHARBEL EL-HANI Exatamente.
JORGE PORTUGAL E quero agradecer a você que está, que esteve conosco sempre
95

fazendo com que a nossa audiência evolua e dê saltos quânticos.


Valeu Bahia e pra encerrar eu vou sair de fininho. O programa é de
Margarth Menezes
MARGARETH Vou dedicar essa música ao ano Darwin. Mestre Charbel. Essa
MENEZES música chama-se “gente” de autoria de Pepeu, Marisa Monte e
Música: Gente Arnaldo Antunes que está neste CD. Também tem um pro senhor
Compositor: Pepeu viu, depois. Vamos lá.
Gomes, Marisa Monte
e Pepeu Gomes
96

ANEXO C - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO EM 23.05.09


TEMA: CINEMA E SOCIEDADE

PRIMEIRO BLOCO

JORGE PORTUGAL No ar mais um Aprovado. Um programa que é todo seu, estudante


de 8 a 80 anos. você que está nos quatro cantos da Bahia. Em
qualquer região nós chegamos aí. Estamos aí conversando com você
levando informação de ponta.
Programa de hoje vai debater Cinema e sociedade. Cinema e
cultura. Cinema e educação. Cinema e vestibular.
É isso aí Messias diretamente da audioesfera (risos). Professor
Messias Bandeira que é doutor em Ciências da Comunicação e de
cultura contemporânea. Mais uma vez no Aprovado.
MESSIAS Obrigado Portugal.
BANDEIRA
JORGE PORTUGAL Temos aqui Sérgio Machado. Sérgio,querido, tudo bem?
SÉRGIO MACHADO Tudo bem.
JORGE PORTUGAL Você já esteve de outras formas. Sérgio é cineasta. Sérgio tem aí,
sob sua assinatura “Cidade Baixa” e acabou agora “Quincas Berro
D'Agua”
SÉRGIO MACHADO Acabei Domingo, agora, de filmar. Foram 8 semanas de noturnas.
Eu ainda tô me acostumando à viver de dia mas feliz com o trabalho
e bem contente de estar aqui.
JORGE PORTUGAL Mas eu quero dizer pra você que neste Aprovado de hoje ainda
teremos Ralando na área: Biomedicina. Se é a sua então ó... a mão
e a luva! E ainda um papo maravilhoso no nosso Conexão
Aprovado com Mary del Piori. Essa grande historiadora brasileira
que vai falar sobre história do Brasil mas para debater -que hoje é
Aprovado debate - pra debater essa questão cinema, sociedade e
cultura, educação nós temos aqui Sofia Frederico. Ela que é diretora
da Dimas e cineasta. Prazer, minha querida! Jóia.
SOFIA FREDERICO Muito obrigada!
JORGE PORTUGAL Cláudio Marques. Tudo bom meu irmão? Cláudio é simplesmente o
idealizador do Espaço Unibanco e também coordenador e cineasta.
Henrique Dantas. Tudo bem meu irmão? Cineasta, documentarista
aqui e temos a nossa querida Lilliane Sueira. Lilliane Sueira que é
estudante do Colégio Rafael Serra Valle. Estou certo?
Está faltando um debatedor né? Estão sentindo falta? Cadeira vazia?
Porque o quinto debatedor não é ninguém menos que o meu
querido, o meu brother e meu irmão Jackson Costa. Entre meu rei!
JACKSON COSTA Quem faz um poema abre uma janela
Poema: Emergência Respira, tu que estás numa cela abafada,esse ar que entra por ela.
Compositor: Mário Por isso é que os poemas têm ritmo — para que possas, enfim,
97

Quintana profundamente respirar.


Quem faz um poema salva um afogado. Mário Quintana (aplausos)
JORGE PORTUGAL Ô meu irmão, Mário Quintana. “Quem faz um poema salva um
afogado” e quem faz um filme? (risos) Se salva... (risos) Se salva de
morrer afogado. Pois é ainda não falei da banda de boca porque a
banda de boca entendeu... vai falar cantando mas tá aqui. Daqui a
pouco vou fazer a chamada e a gente vai entrar em ação. Ação,
câmera e luz. Já é possível dizer que existe uma indústria brasileira
de cinema? Uma indústria de cinema nacional?
SÉRGIO MACHADO Acho que indústria de cinema, não sei se dá pra falar mas eu acho
que tem indústria de audiovisual que engloba cinema, televisão.
Tem Tvs... redes de Tvs poderosas como a Globo e as outras que
estão produzindo teledramaturgia. Agora, esse ano que passou, por
exemplo, eu tive uma experiência em bacana que eu fiz uma série
pra HBO. Série produzida em película. Cada episódio quase era
feito quase do tamanho de um longametragem. Então acho que tem
um mercado de cinema crescente mas que se expande e agora com
novas tecnologias, com internet, enfim.
Eu acho que tem um mercado bacana pra quem tem o desejo de
trabalhar nessa área.
MESSIAS Eu acho que a gente tem uma cadeia produtiva do cinema hoje e no
BANDEIRA Brasil que eu acho particularmente interessante porque acho que o
Brasil deixa de ocupar aquela posição periférica na produção, na
autoria e passa a ser portanto... deixa de ser aquela pessoa
coadjuvante para ser portanto um personagem fundamental hoje na
composição dessa cadeia produtiva. Ou seja, se você pensa em
música ou cinema ou diversos segmentos da cultura, a gente vai ver
que o que a gente entende hoje da cadeia produtiva é bem diferente
do que a gente entendia à cerca de 10 anos especialmente por conta
da música. E não diferentemente no cinema.
Quer dizer, hoje - com o que Sérgio falava das tecnologias, das
possibilidades que você tem hoje do ponto de vista da criação, da
organização disso, da difusão a exibição digital, por exemplo, dos
filmes. Então isso redefine um pouco essa cadeia como um todo.
Isso tem a ver, é claro, com o processo de organização do cinema,
com o fomento, com as políticas culturais, como as pessoas estão
envolvidas do ponto de vista da criação.
Você falou no início do programa a questão da formação de pessoas
que trabalham no cinema, A gente sabe que nós temos colegas aqui
– aliás eu queria saudar a todos aqui – só que o cinema é
sensivelmente uma tarefa colaborativa, é um trabalho coletivo e,
como isso requisita a circulação de pessoas por diversas áreas, é
também uma atividade interdisciplinar, porque não?
JORGE PORTUGAL Beleza. E eu digo sempre: boníssima hora a UFBA resolveu fazer
uma prescrição de filmes. Indicar filmes para o seu vestibular.
E pergunto aqui a quem quiser responder aqui de vocês, o que falta
98

pra o que cinema nacional chegue a muito mais pessoas? Cláudio.


CLÁUDIO Primeiro eu tava aqui me lembrando de uma frase de Rogério
MARQUES Sganzeria, o autor de “O bandido da luz vermelha” quando falou
que fazer um poema abre uma janela. Acho que cinema é tão
essencial hoje e eu me lembro dessa fala de Rogério Sganzeria que
dizia que não ter cinema num país é não ter luz elétrica. É mais ou
menos assim essa idéia.
É realmente uma coisa essencial pra nós e eu acho que para o
futuro, para o passado, pra tudo o que a gente quer fazer ainda no
Brasil. Mas eu acho que existe uma grande bagunça nesse mercado
que Sérgio falou. Acho que existe uma produção razoável. Nos
último anos a gente veio produzindo bastante filmes. São cerca de
70 longas em película por ano. Cerca de 120 curtas em película por
ano. Premiados. Muitos filmes viajando o mundo todo mas por
outro lado a maioria não chega ao público e a maioria não tem onde
exibir. A maioria não tem como distribuir. E assim, filme é bom mas
aí chega pra o exibidor: “ah! Passa meu filme”. Mas o público não
vai porque não conhece o filme. Não sabe o quê que tá fazendo.
Ainda tá uma coisa muito restrita. Tá um gueto muito grande.
Eu acho que essa fase que a gente tá vivendo do cinema brasileiro
que é muito boa, é muito esperançosa. Eu acho que se continuarmos
do jeito que tá, nos próximos 2 ou 3 anos a gente vai ter uma
reviravolta negativa.
SOFIA FREDERICO Eu queria complementar o que ele falou que é super importante. É
uma preocupação muito grande que a gente precisa ter é que a
sociedade brasileira é quem patrocina esses filmes. O dinheiro
investido pelos governos para a produção audiovisual vem do
pagamento dos impostos, ou seja, nós estamos pagando pra que
esses filmes sejam feitos. Só que nós que estamos pagando não
conseguimos acessar esses filmes. Isso é muito sério.
Então eu acho que é um movimento que também tem que vir da
própria sociedade. A sociedade tem que querer esses filmes
também. Temos que criar desejo na sociedade de querer ver
conteúdos que são da própria sociedade. De querer ver filmes cujas
línguas sejam Português por exemplo e não você ter que ficar lendo
legendas. Temos que pactuar isso com a sociedade também. Nós
criadores. Nós que estamos na parte de produção audiovisual e o
público. Eu acho que isso é muito importante
JORGE PORTUGAL Concordo plenamente e desculpe pode falar.
SÉRGIO MACHADO Só que eu acho que um país que não produz cinema é como se fosse
uma casa onde não exista espelho.
JORGE PORTUGAL Claro
SÉRGIO MACHADO Ninguém vai saber. Aí, se você não produz a sua própria imagem,
você tá delegando ao outro. Então você vai ser o figurante de filme
americano, o caricato. Então me parece fora de questão a
99

possibilidade de não se produzir cinema e cinema por excelência é


uma arte bem cara. Em nenhum país do mundo, fora os Estados
Unidos, produz cinema sem nenhum apoio do governo. É uma
questão complexa e aí como fazer com que esses filmes... Todo
mundo tem desejo que os filmes sejam vistos falta resolver esse
'embrólhio'. Como fazer com que esses filmes cheguem às pessoas.
JORGE PORTUGAL “Cidade Baixa” chegou bem ao público?
SÉRGIO MACHADO Chegou bem. É um filme que na largada ele teve uma coisa bem
bacana que foi o fato de ter sido selecionado e premiado no Festival
de Cannes que é um festival de indústria.
Quando eu cheguei em Cannes, eu não tinha nenhuma idéia de que
cinema... Cinema é uma coisa grande e é do tamanho do mercado de
indústria bélica. Tem gente que num tamanho de um festival
daqueles...
Então ele teve um público de 170 mil, 160 mil, acho, espectadores
no Brasil mas ele teve um público do mesmo tamanho da Inglaterra,
de mesmo tamanho da França. Então ele foi lançado em 30 países.
Ele fez mais sucesso em Londres do que no Rio, São Paulo,
Salvador. Agora eu tô experimentando com “Quincas” a coisa de
fazer um filme para um público que é realmente maior, enfim. Mais
acessível a partir de uma história já conhecida enfim.
JORGE PORTUGAL Vou fazer uma chamada, posso? Como naquelas escolas de
antigamente? Arno Júnior. Airon Monteiro
ARNO JÚNIOR Iram. Presente
JORGE PORTUGAL Iram mesmo? Fábio Eça e Neto Moura. Banda de Boca cantando
pra Bahia.
BANDA DE BOCA
Música: Samba da
Bahia
Compositores: Hiran
Monteiro e Lara
Monteiro

SEGUNDO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Programa da galera que pensa, da galera
cabeça da Bahia. É isso aí e hoje discutindo cinema e sociedade,
cinema e cultura, cinema e educação, cinema a vestibular. Cinema
na veia entendeu? Este é o cerne do papo, da conversa. E vamos
logo de Conexão Aprovado. Esteve aqui na Bahia durante a Bienal
com a historiadora Mary Del Priore. Ela refletiu muito. Ela
iluminou muito. Ela deixou aquele rastro de luz e inteligência por
onde passou e conversou com o Aprovado e este Conexão
Aprovado que você vai ver agora com ela: Mary Del Priore. Com
100

você.
VT- CONEXÃO
APROVADO.
JORGE PORTUGAL Pois é. Mary Del Priore. Brilhante como sempre. Olha a história da
Condessa de Barral é fantástica, contada por ela, é simplesmente
apaixonante. É um livro sedutor. Aliás é uma vida que já merecia
um documentário Henrique. Você viu?
HENRIQUE DANTAS Pois é. Na verdade a gente tem tanta coisa, tanto espelho pra
colocar na casa.
JORGE PORTUGAL Ela tem a mente de Don Pedro II. A mulher que fez a cabeça do
Imperador durante todo aquele tempo. Ele induziu mediadas
progressistas ainda no Segundo Império. Uma mulher cultíssima.
HENRIQUE DANTAS Eu adorei o que ela falou sobre fazer história é conversar com os
mortos. Acho isso bastante interessante. Um documentário de certa
forma faz isso também.
JORGE PORTUGAL E o documentário tá no ponto?
HENRIQUE DANTAS Na verdade é um documentário que eu tô... É chamado “Filhos de
João – Admirável mundo baiano”. É um documentário que é sobre
os novos baianos mas também é sobre João Gilberto, é sobre o
carnaval baiano, é sobre o comportamento da década de 70, 60.
Não vou dizer que é simplesmente um documentário sobre João
Gilberto. Acho que ele passa um pouco disso. E tá sendo uma
experiência muito legal. São 11 anos fazendo ele na verdade.
É engraçado, a gente tava falando da história do audiovisual aqui e
eu o que merece reflexão, sim. Eu acho que o cinema brasileiro
também é divido um pouco. Não uma divisão maniqueísta mas
existe uma zona de produção que é muito importante que é Rio-São
Paulo. E existe, hoje, o Nordeste, o Norte, o Sul já é um pouco mais
evoluído, tentando colocar os espelhos na casa – aquilo que Sérgio
falou usando aquela metáfora.
Porque de certa forma a gente tem uma concentração ainda muito
grande de recursos destinados pelas políticas culturais ao Rio-São
Paulo: 80%!! Isso sem notar gente boa com a estatística porque se
você olhar...
É por isso que a gente, pra fazer um filme, acaba usando um pouco
essa história: o nosso cinema. A gente escuta muito isso, a nossa
geração. De certa forma, ou seja, eu, Sofia, a gente começou no
filme de Sérgio e no “História da Bahia” que era Sérgio, Edyla,
Araripe, então tem uma geração que a gente tá formando, tá se
formando na verdade, Cláudio.
Então a gente tenta conseguir fazer com que os nossos trabalhos
saiam do papel, saiam para a tela é uma dificuldade. Não é fácil.
Não é nada fácil na verdade. Eu acho que é estimulante porque
também se fosse fácil desistiria logo mas tem um fator que eu acho
que é importante. A gente precisa colocar os nossos espelhos na
101

casa. A gente precisa ter recursos para o Nordeste. A gente precisa


falar de Condessa de Barral – que você acabou de falar. A gente
precisa ter possibilidade de tá protestando isso. Acho que a gente
tem um caminho aí ainda muito árduo pela frente, de muita
discussão.
JACKSON COSTA Fica essa questão do espelho na casa. Porque assim o que eu
percebo é que o Brasil já tem hoje uma produção muito grande de
cinema. Como você falou, tem um eixo Rio-São Paulo e temos
Norte e Nordeste produzindo cinema de qualidade. Então , no
momento em que o diretor com equipe faz esse filme tá colocando
espelhos mas como é que esse espelho é colocado pra sociedade?
Há uma dificuldade pra produzir o filme por que é uma questão de
verba. Daí no momento em que estes cineastas fazem a verba e
produzem os filmes, o espelho tem que ser colocados para a
sociedade e aí vem a distribuidora.
Hoje em dia não é só fazer o filme, é colocar filmes de grande
qualidade na tela pra o povo se ver no espelho.
MESSIAS Se você pensar a formação de pessoas, o locus do cinema na
BANDEIRA sociedade, a própria universidade - que tipo de contribuição ela tem
a oferecer neste aspecto? Então você preciso pensar, obviamente, as
diversas estratégias, os diversos espaços de circulação. Quer dizer,
como compor o circuito de cinema? Não necessariamente através
das salas que são absolutamente importantes – são os
multiplicadores desse processo.
Então hoje levar o cinema, por exemplo, a estratégia de colocar isso
no vestibular como elemento correlato de formação é absolutamente
fundamental. Lembrar, por exemplo, o que a falava o filósofo
americano Richard Rorty: os vocábulários finais. Ou seja, como é
que nós constituímos as nossas identidades culturais e pessoais.
Como orientamos a nossa formação intelectual, formação cultural
pra aquele determinado momento da nossa vida. Como é que eles
são renovados?
Acho que o cinema oferece essa experiência transversal,
multidisciplinar como eu havia comentado e associa isso à uma
história de vida. Quer dizer, o Brasil hoje se enxerga em muitas
dessas profissões.
JORGE PORTUGAL Concerteza
SÉRGIO MACHADO Deixa eu falar uma coisa
JORGE PORTUGAL (risos) Só umazinha (risos)
SÉRGIO MACHADO Não. Só porque eu fui jurado da Petrobrás no ano passado e tem
uma cosa da distribuição de verbas entre Rio e São Paulo, Bahia.
O problema não é só a distribuição de verbas porque, por exemplo,
80% das verbas é para o Rio e São Paulo mas 80% do projetos eram
do Rio e de São Paulo. E eles eram mais consistentes de alguma
maneira. Então, o problema vem não só da distribuição de verba
102

mas de formação de gente, é mais complexo do que ter só ter mais


verba pra um lugar do que para o outro, acho.
JORGE PORTUGAL Como é que eu digo Bahia? Quando a conversa é boa o tempo voa.
O segundo bloco foi embora e o terceiro vem aí quentíssimo.
Ralando na área: Biomedicina e o debate sobre cinema e sociedade,
cinema e cultura, cinema e educação. Bahia, querida Bahia, repita
comigo eu só vou ali mas volto já,

TERCEIRO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Hoje discutindo cinema e sociedade,


cinema e cultura, cinema e educação. Mas você sabe que o
Aprovado é um programa que pede a bênção à todos os grandes
mestres. Brasil, Bahia, mundo e por aí vai. Onde quer que eles
estejam e hoje eu quero homenagear 2 grandes mestres do cinema
baiano – não sei se vocês vão concordar – Paulo Ribeiro, a sua
bênção e Edgar Navarro, a sua bênção também. Concordam? Que
bom. Concordando, Cláudio sua palavra, cinema. É com você!
CLÁUDIO Queria dar continuidade na verdade ao que Sérgio colocou no bloco
MARQUES anterior. 80% dos projetos... Primeiro que a gente tá falando de
projeto, não significa necessariamente que o que vai acontecer
depois é o melhor, se vai ver alguma coisa de fato boa. Tem projetos
muito bons, roteiros são bons não porque necessariamente o filme
vai ser bom. Tem muita coisa ainda pra acontecer. Segundo que se
80% dos projetos técnicos são melhores é porque historicamente o
dinheiro vai pra lá. Pra São Paulo e Rio e é difícil, de fato, a gente
se contrapor a uma organização que já existe lá. Um histórico que
tem lá.
Então eu acho que todo o júri nacional tem que ter em mente, na
verdade, que existe uma desigualdade mesmo e que se a gente aqui
em Salvador, aqui na Bahia, em Pernambuco, em outros estados,
pra gente conseguir, pelo menos nesse projeto técnico, chegar... Pra
gente ter uma quantidade grande e boa de projetos tão bons quanto
os que são apresentados lá; a gente,de fato, tem que ter um histórico
também. Tem que ter 1,2,3,10 anos fazendo, escrevendo,
produzindo pra gente chegar a tá competindo em pé de igualdade.
Então não é ter cotas. Não tô nem falando em reparação ainda mas ,
de fato, a gente ta precisando ter uma generosidade dessa
distribuição que não vinha tendo antes.
JORGE PORTUGAL Quero ouvir agora Lilliane que ainda não falou. Nossa querida
Lilliane.
LILLIANE SUEIRA Olá. Eu gostaria de fazer uma pergunta. Com o aumento do
cineclubismo principalmente na Bahia. Eu gostaria de saber se ele é
um degrau para a popularização do cinema nas periferias? Que é o
caso da minha realidade: eu moro na periferia e é difícil sair da
103

periferia e ir para o cinema do centro num final de semana e


transporte e assim por diante.
MESSIAS É uma questão interessante e eu queria uma analogia por exemplo
BANDEIRA com esse conceito, com essa política que é muito discutido que é a
questão da inclusão sócio digital. A gente sabe que existe uma série
de políticas orientadas a isso no âmbito governamental, no âmbito
federal enfim. Por outro lado, tem uma política paralela de inclusão
digital que é muito curiosa que são as lan houses. As lan houses têm
uma capilaridade muito, hoje, maior nas cidades quer dizer em
bairros mais populares, por exemplo. Então elas acabam de alguma
maneira induzindo as pessoas a uma utilização disso e criando uma
política paralela de inclusão digital.
Eu penso muito nas experiências que parecem isoladas, que soam
isoladas mas, às vezes, são iniciativas individuais e que acabam
criando um nincho ali em determinado local pra dizer “olha aqui
tem um ponto de presença de cinema, um ponto de cultura” no
sentido lato da coisa. Então eu acho que isso é uma estratégia
fundamental. A gente deve estimular isso, seja através de um nível
de política estadual, de políticas públicas, seja através de apoios
onde os centros culturais - das escolas, por exemplo. O entorno da
comunidade das escolas, isso é absolutamente fundamental. As
escolas, por exemplo, podem ser abertas aos finais de semana pra
que as suas salas, as suas bibliotecas, o seu computador, ou então a
televisão, o DVD que tá ocioso naquele momento, ele pode ser
utilizado.
Então essa capilaridade, eu acho absolutamente importante. E
passamos daquela condição; quer dizer porque ali talvez num
universo de 50 pessoas que estão assistindo a filmes nós podemos
estar estimulando o surgimento de novos produtores, de novos
criadores, não necessariamente um diretor mas pessoas que
trabalham com cinema ou ainda visual no sentido mais amplo.
Então quer dizer é um fomento, é um papel de indução também
nesse processo.
HENRIQUE DANTAS Apenas aproveitando o que Messias falou, eu dei aula na faculdade
de Belas Artes agora durante dois anos numa matéria que é
relacionada a vídeo chamada “ Análise e produção da imagem” e
era engraçado que os alunos - já em determinado patamar, já no
meio do curso, assim mais pro final... Mas quando você perguntava
determinado filmes brasileiros ou autores brasileiros do cinema,
como até Glauber que é hiper pop; as pessoas desconhecem muito
aquilo e quando eu levava pra sala de aula eu sentia que aquilo
levava pra mãe, pro pai, pro irmão e acabava criando uma certa
mini política, uma micro política, uma fractal política de estímulo a
isso.
Então eu acho que, de certa forma, a educação tá aproveitando essa
história que o Jorge falou da federal que tá elegendo esses filmes no
vestibular. Acho que a educação é uma forma de fomento também
104

desse repertório, dessa ampliação de repertório porque se você olhar


; nada contar Volverine mas se você olhar a gente tá – tem um
debate que eu tive com um amigo meu, artista plástico, há um
tempo atrás, os Zambiapunga agora estão com máscaras do incrível
Huck e Homem-Aranha. Então assim, até que ponto isso é
interessante, até que ponto não é.
Eu acho que a gente tá precisando estimular mesmo dentro da sala
de aula o cinema brasileiro. Hoje como você falou, existe repertório
de filmes que abordam todos os assuntos. Eu acho que isso é por aí,
um pouco.
JORGE PORTUGAL Olhe bem, aproveitando o ensejo, é bom lembrar que vem aí um
vestibular nacional, o novo ENEM e esse novo ENEM deverá
mobilizar alguma coisa em torno de 5 milhões de estudantes em
todo o Brasil. Então fica aqui uma sugestão do Aprovado que eu
acho vocês assinariam também, no sentido de o MEC sugerir
filmes, prescrever filmes pro novo vestibular feito nos dias 03 3 04
de outubro. Vamos hastear esta bandeira. Tamos falando aqui pela
primeira vez mas falaremos em todo o programa e você que vai
fazer vestibular que está agora aqui ó.
Começando a esfregar as mãos, já está no aquecimento, já decidiu
não? Tudo bem tem um tempo mas se o vacilo é muito grande pra
isso existe o Ralando na área. Eu vou apresentar a vocês o curso de
Biomedicina pra ver se é a sua. Biomedicina. Ralando na área.
Vamos ver.
VT - RALANDO NA
ÁREA
37:04 39:56
JORGE PORTUGAL Pois é! Beleza! Se é a sua Biomedicina então o Ralando na área foi
inteiramente pra você Bahia, querida Bahia. Morrendo de vontade
de continuar esse debate, esse papo. Eu só vou ali mas volto já mas
vou de Banda de Boca.
BANDA DE BOCA
Música: Chanson
d'amour
Compositor: Wayne
Shankli

QUARTO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. O programa quentíssimo, hoje,


discutindo, debatendo cinema e sociedade, cinema e cultura, cinema
e educação. Tá ligado? Tá ligada? Tá aprendendo mesmo? Tá
absorvendo o sumo da soma de toda essa conversa? É isso aí! Você
tem os filmes da federal e não pode estar desplugado desse papo,
dessa conversa. Como é que vai o curso de cinema da Universidade
105

Federal da Bahia?
MESSIAS A Universidade Federal da Bahia está criando seu curso de cinema
BANDEIRA agora. Nós temos um Instituto de Humanidades, Artes e Ciências
Professor Milton Santos que é o instituto que aglutina os
bacharelados interdisciplinares e os estudantes entram agora em
uma grande área do conhecimento. Eles passam por uma formação
geral. Durante três anos eles têm uma etapa dedicada à formação
geral e uma etapa dedicada à área de concentração. Ou seja, a partir
do quarto semestre, o estudante já vai lidar com a área de
concentração em áudio visual em cinema e isso já vai prepará-lo
portanto para o segundo ciclo do curso que é exatamente as
atividades relacionada à produção, à organização, à reflexão sobre o
cinema e é fundamental, por exemplo, os contatos dessa natureza:
com produtores, com pessoas que organizam o processo, que
organizam o circuito, pra discutir a exibição, formação. Então isso é
absolutamente importante
JORGE PORTUGAL Agora, eu vou pedir aqui, a cada participante, que em uma frase –
uma frase não tão barroca - vocês expressassem o desejo de cada
em relação à este cinema com que sonhamos, à esse espelho
presente na casa da sociedade brasileira começando por Sofia
SOFIA FEDERICO Meu desejo é esse: que esteja na tela, nas salas, no circuito
comercial, nos circuitos alternativos de cineclube, nas escolas, Tv
pendrive, quero cinema no celular, quero cinema donwload na
internet. Todas as telas. Cinema brasileiro em todas as telas. Minha
frase seria essa.
JORGE PORTUGAL Beleza. Maravilha. Claudinho
CLÁUDIO Eu queria fazer um convite, eu não sei se já é o final mas eu queria
MARQUES fazer um convite, também: todo dia, de graça, no cinema mais novo
da cidade, curta metragem brasileiro. E todo Sábado, às 14 horas,
tem o clube do professor, ou seja, o professor vai ao cinema de
graça e ainda levam um acompanhante. Tudo o que Sofia falou eu
gostaria de escrever embaixo mas eu queria, também, deixar um
pouquinho da produção e a gente tem que falar do cinema também -
que eu acho - que é pra mim é criação. Pra gente que vive cinema,
fala de cinema, tudo, a gente se encontra pra fazer qualquer coisa é
cinema, cinema, vira uma religião mesmo. É uma coisa muito
importante pra gente então tem essa transcendência estética,
religiosa, enfim. Então pra mim o cinema é a transcendência.
JORGE PORTUGAL Beleza meu irmão. Henrique querido.
HENRIQUE DANTAS Eu li uma entrevista recente de Rosenberg Cariri que é um cineasta
do Ceará e ele disse uma coisa muito importante ele faz cinema
porque é essencial na vida dele fazer cinema porque se ele não fizer
cinema ele não existiria. Acho que a arte tem um pouco disso e eu
sempre fico discutindo muito com a minha turma de cinema que a
gente reflete, aqui em Salvador, que cinema tem que ser visto sob o
106

ponto de vista, sempre, da arte. Acho que existe o entretenimento


seja bem-vindo, seja bem vindo o jornalismo, seja bem vinda várias
coisas mas acho que o cinema tem que ter essa pegada artística
mesmo, e ser pensado como arte, como uma forma de transformar
as pessoas, de mudar, de melhorar a vida delas, de trazer novas
idéias, novos parâmetros e novos repertórios mesmo.
JORGE PORTUGAL Lilliane, minha querida, o cinema que você quer fazer e quer ver.
LILLIANE SUEIRA Olhe só, como jovem realizadora, saindo da casca do ovo, quero
dizer que eu tenho vocês como exemplo. Quero deixar bem claro
pra os jovens que estão começando que não desistam. A
universidade tá aí, a universidades estão aí batendo na porta, não
desistam. Eu já fiz um documentário, estou produzindo outro. Já
ganhou dois festivais então é um incentivo pra os jovens cinema é
minha vida. Eu vivo de cinema
JORGE PORTUGAL Jackson meu rei.
JACKSON COSTA Bom eu quero estar mais nas telas dos cinemas. Eu quero o filme
brasileiro mais nas telas dos cinemas brasileiros. O povo brasileiro
assistindo mais aos filmes brasileiro. Patrocinador patrocinando
mais filmes brasileiros. Porque o filme brasileiro tem um qualidade
que não deve nada pra ninguém. Depois do movimento do cinema
novo, a qualidade do som do cinema nacional ele não era tão bom,
as pessoas se queixavam. Hoje em dia, não deve nada pra ninguém.
A gente se transporta pra dentro de qualquer filme brasileiro porque
ele tem essa capacidade lúdica de nos transportar. Eu quero também
ver, com tanta coisa boa que se tá produzindo na Bahia, um
movimento na Bahia. Porque não adianta ações isoladas. Nós já
temos quantidade e qualidade pra fazer um festival, um movimento
de cinema baiano que agregue outras coisa também.
JORGE PORTUGAL Maravilha meu rei. Messias querido.
MESSIAS Queria comentar duas coisas bem rapidamente. Primeiro na
BANDEIRA condição de espectador, durante um bom tempo estudando,
trabalhando com isso mas na condição de espectador eu queria dizer
que o cinema pra mim é uma experiência transformadora. Foi uma
experiência transformadora. Da mesma forma que eu posso dizer
que a música pop salvou minha vida eu acho que o cinema tem uma
contribuição fundamental e deve salvar a vida de muita gente só pra
usar o termo que você utilizou no começo do programa. Acho que
além do que os amigos colocaram acho que os autores baianos e
brasileiros por extensão os produtores devem pensar além disso em
uma internacionalização de suas produções no sentido de escoar, de
dar visibilidade. Porque quando o filme do Sérgio vai pra fora do
Brasil, os atores vão pra fora do Brasil, os produtores, as cidades
vão pra fora, o Brasil vai pra fora. Então isso é absolutamente
importante. E lembrar que a gente tá discutindo agora a reforma da
lei Rouanet internacional que vai de alguma forma repercutir na
107

produção audiovisual do país. Então é uma convocação às pessoas


que estão envolvidas com cinema diretamente e indiretamente pra
que discutam isso. É uma política que vai se estabelecer para os
próximos anos aqui no Brasil. Agradecer mais uma vez, aqui, a
passagem por esse programa de divulgação científica. Eu acho
importante essa dimensão do seu programa.
JORGE PORTUGAL Oba. Jóia e Sérgio querido, cinema?
SÉRGIO MACHADO Eu pego carona na fala dela porque eu me sinto muito espelhado
nela falando, com 19 anos. Eu, ao contrário do Messias, com 12, 13
anos de idade quando eu vi que não dava pra jogar no Vitória que
era minha primeira meta quando eu era criança (risos), a segunda
opção já foi fazer cinema, ser diretor de cinema. Uma coisa que eu
acho que não adianta muito é você incentivar as pessoas porque
quem quer ser é como ela: eu quero fazer cinema e custe o que
custar.
Eu tinha coisas pra dizer e precisava dizer isso através de cinema
que foi o meio que eu escolhi e estava claro. Com 15 anos de idade
eu pensei: eu vou fazer isso e eu acho que é bem o caso dela. As
dificuldade são muitas. Você está fora do centro, é tudo difícil. Era
bem mais difícil ainda quando eu comecei mas eu acho que se você
está afim, como o Henrique está há 11 fazendo o filme dele, vai
fazer a qualquer custo. Então eu acho que quem quer fazer vai achar
um caminho e fazer.
JORGE PORTUGAL Anote aí pré-vestibulando da Bahia. Olha só: filmes da segunda fase
da UFBA. Começar a ver logo. “A invenção do Brasil”, de Guel
Arraes. “O homem que copiava”, Jorge Furtado. “Adeus, Lenin”, de
Becker e; “Faça a coisa certa”, de Spiki Lee.
E eu tenho um outro Anote aí especialíssimo. A dica cultural. Olha
pra cá. “Com os pés no massapê”, do professor, historiador,
pensador, incentivador de várias gerações. Édio Souza. Ele está
lançando este livro hoje no Salão Nobre da Santa Casa de
Misericórdia em Santo Amaro.
Banda de boca e aí? Tudo bem?
BANDA DE BOCA Tudo ótimo.
JORGE PORTUGAL O quê que vem pela frente? Shows, apresentações... digam tudo.
Não me escondam nada. Abram a boca.
BANDA DE BOCA A nossa agenda ambulante: Neto.
BANDA DE BOCA Nós estaremos indo agora pra Palmas – Tocantins. No segundo
semestre, nós temos algumas apresentações também em São Paulo.
Acabamos de fazer agora, no mês de março e abril, uma temporada
no Teatro Módulo. E estamos aí. E tem o CD chegando essa ano.
JORGE PORTUGAL Oba! Bahia, querida Bahia, que programa. É pra isso que existe o
Aprovado: pra democratizar a informação pegar essas feras todas
aqui e promover uma super aula pra você. Até a próxima semana e
um beijo do coração do Aprovado. Banda de boca, mande.
108

BANDA DE BOCA
Música: Construção
Autor: Chico Buarque.
109

ANEXO D - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO EM 30.05.09


TEMA: EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA

PRIMEIRO BLOCO

TATAU
Música: Protesto
Olodum
Compositor: Tatau
JORGE PORTUGAL E lá vou eu também. Aprovado no ar. Alô você que está aí,
Remanso, Casa nova, Sento Sé, você que está em Barreiras., você
que está em Luís Eduardo, Recôncavo está formada a rede
educacionista da Bahia. Aprovado: Educação,cultura e vestibular
na tv.
Tema de hoje: Educação e democracia. Está é uma discussão
urgente é um debate urgente e o Aprovado está trazendo pra você.
Programa portanto antológico. Se prepare pra gravar por favor.
Vou lhe da aqui um segundo...Tô é brincando, mas ao logo do
programa você pode muito bem gravá-lo para ver, pra rever pra
mostrar aos vizinhos, aos amigos, porque é aula magna.
Nossos convidados: Mestra Vera Veronese. Muito prazer. Bem-
vinda ao Aprovado. Você que é uma das lideres do movimento
educacionista da Bahia.
VERA VERONESE Exatamente
JORGE PORTUGAL Com certeza. Temos aqui Almerico Biondi. Almerico, querido,
você que é superintendente de educação profissional do Estado da
Bahia temos muito que conversar hoje?
ALMERICO BIONDI Muito
JORGE PORTUGAL Muito, muito, muito. Claro. E não vai ser conversa adjetiva. Vai
ser conversa substantiva. Pois é aqui eu tenho os nossos
debatedores. É Aprovado debate hein?
Ok! Evelin Buchegger, atriz.
EVELIN BUCHEGGER Exatamente
É bom tê-la aqui. Com certeza.
Vladimir Nunes que é vice-presidente da UNE.
Temos nossa estudante de jornalismo da Facom – de produção
Cultural – que coisa boa Esther Vásquez. Seja bem-vinda.
Nide, minha querida. Nidi Nobre. Nide Nibre é socióloga e é
coordenadora do FACE. Do Festival Anual da Canção Estudantil
neste momento. É isso daí?
Então temos um assunto em comum e temos muita prosa boa, mas
temos também aqui no Aprovado o Ralando na área. Claro, eu sei
que você esta esperando. É uma atração a parte dentro do
programa e, Ciências Biológicas, se é a sua, hoje o Ralando é todo
pra você.
110

2030 Discutindo o futuro com quem? Caetano Veloso. Ninguém


menos do que Caetano Emanoel Viana Teles Veloso.
E um convidado especialíssimo. A entrevista dele será o eixo da
nossa conversa. Honra máxima do Aprovado ter como
entrevistado, Tatau, Cristovam Buarque. Eu digo sempre que ele
está senador, mas que é eternamente, será eternamente um dos
maiores educadores desse país. Cristovam Buarque líder nacional
do movimento educacionista. Que Aprovado. Que maravilha. Que
beleza. E vamos começar por ele. Na entrevista que ele me deu eu
perguntei, por exemplo, sobre uma frase que ele vem repetindo ao
longo do tempo sobre a abolição incompleta. O que é esta abolição
incompleta? Vamos então começar assim com a resposta dele.
Olho na tela.
VT - CRISTOVAM
BUARQUE
JORGE PORTUGAL Sempre preciso, professora Vera, por favor, vamos conversar sobre
isso que ele diz: “a escola do branco ainda não é igual...” aliás, a
escola do negro, a escola do pobre ainda está longe de ser igual a
escola do branco no Brasil. Aliás o ENEM agora provou isso né?
Das 20 escolas, Tatau, das 20 escolas mais bem classificadas 15
são escolas particulares e 5 são escolas publicas e ainda assim ...
VERA VERONESE Sendo que as públicas são federais.
JORGE PORTUGAL Federais! É!
VERA VERONESE Exatamente. Não são escolas estaduais. Com relação a essa
questão da abolição não completada é muito importante que a
gente diga não é a escola do negro e a escola do branco; é a escola
do rico e a escola do pobre. Porque a abolição que o Cristovam
fala, que ele se refere é: só vai existir uma escola de qualidade no
dia em que o filho da patroa estiver na mesma escola que o filho
da empregada.
JORGE PORTUGAL Com certeza. Eu, por exemplo, já estudei em uma escola assim há
cerca de 30, 35, 40 anos. O filho do gerente do Banco do Brasil e
o filho do contínuo estudavam. O filho da prefeita e do gari
estudavam na mesma escola. Um belo dia desmontaram essa
escola. Estamos a caminho de retomá-la , de retorná-la aqui na
Bahia, Biondi?
AMERICO BIONDI Sim. Acho que todos os nossos planos e planejamentos caminham
nesse sentido, de transformar a escola publica numa escola
realmente que atenda a todos e todas as classes sociais.
Evidentemente que nós temos uma divisão de classe em relação a
educação. Agora é importante frisar, como disse o próprio senador
Cristovam essa questão racial, particularmente na Bahia muito
forte que iguala renda, raça e etnia. No norte, a questão indígena
também. Os índios estão fora da escola. Então acho que essa
dimensão é uma dimensão muito importante pra ser tocada. No
111

caso especifico da secretaria de educação, a nossa perspectiva é


transforma numa escola de qualidade, numa escola integral, uma
escola onde se aprenda. A escola deixou de ser um ambiente de
aprendizagem e passou a ser um meio de tudo menos de
aprendizagem por isso que a retomada em varias dimensões: uma
visão de uma educação integral onde se aprenda humanidades,
onde se aprenda artes, onde se aprenda cultura, onde se aprenda
conviver, onde se aprenda trabalho, ou seja, forma a pessoa
integral, não apenas uma parte dela.
JORGE PORTUGAL O velho sonho de Anísio Teixeira, né? À ele sempre, à ele sempre
vai ter que voltar
ALMERICO BIONDI Isso. Paulo Freire, Anísio Teixeira... Ao velho mestre, sem dúvida
nenhuma.
JORGE PORTUGAL Claro. Alguma reflexão ou alguém aqui já quer puxar conversa?
Vladimir.
VLADIMIR MEIRA Eu acho que esse momento de discutir inclusive a inclusividade
hoje no ambiente escolar e também no ambiente acadêmico é
importante fazer a reflexão sobre os impactos sobre a lei 10.639
tem pra gente hoje no que se refere a rediscutir o tema da questão
racial nas escolas e universidades. Primeiro, inclusive
conseguindo compreender que o racismo existe. Encarar o racismo
como algo que de fato existe em todos os ambientes inclusive
perpassa a escola e a universidade e se irradia pra outros, também,
ambientes da vida e sociedade.
Então eu acho que é importante quando a gente discutir
inclusividade - e as universidade federais passam por um processo
de democratização do acesso - a gente conseguir fazer a reflexão
de que é preciso e imprescindível, agora, a gente implementar a lei
10.639 que altera os currículos mas também encara a problemática
do racismo de frente nas escolas principalmente como algo que
talvez coloque a gente num patamar diferenciado na qualidade de
educação e na transmissão desse conhecimento para a sociedade.
Acho que é importante a gente refletir. Essa discussão que o
Cristovam faz sobre esse processo de abolição, a gente fazer uma
reflexão de que hoje a gente pode retomar esse debate com muito
mais eficácia e ofensividade no que se refere a combater o racismo
e todas as perspectivas.
JORGE PORTUGAL Sobre isso tem até uma notícia recente. Uma notícia muito boa. É
que nesse processo de reformulação dos currículos do médio, do
ensino médio e com o novo ENEM valendo como prova nacional,
de um vestibular nacional, o MEC definiu história da cultura da
África como um dos conteúdos cobrados. Eu acho que agora vai
porque que virou assunto do vestibular. Vai ter que ter professor na
sala de aula, gente se reciclando entendeu? Enquanto a lei estava
aí e as pessoas pedido misericórdia, pelo-amor-de-deus que
implantasse “fazia ouvidos loucos”, agora no momento que vira...
112

história da cultura da África e ações afirmativas passam a ser


conteúdo cobrado pelo novo ENEM.
ALMERICO BIONDI Jorge, tem algo muito importante... que nós estamos completamos,
já, um ciclo do sistema de cotas pra universidade. Já dá pra se
avaliar o resultado do sistemas de cotas. Muita gente foi contra,
dizia que era benesse, que era passar a mão pela cabeça mas as
notas dos alunos de cotas são maiores que os alunos alunos que
não são de cotas, ou seja, dada a oportunidade à todos por igual, a
inteligência humana se faz valer. E ele valoriza porque ele lutou
por aquilo e conseguiu chegar lá. Então esse dado é muito
importante para aqueles que discriminavam, que diziam “sou
contra as cotas” de entender como, hoje, a universidade está
melhor porque entrou as cotas. Porque os estudantes estão
aprendendo mais.
JORGE PORTUGAL Com certeza. Gente que conversa boa. Que papo bom e como é
aquele refrão? Quando a conversa é boa, o tempo voa. Foi embora
o primeiro bloco e vamos para o segundo bloco com mais
Cristovam Buarque e os nossos convidados refletindo sobre
educação e democracia. Bahia, querida Bahia. Eu só vou ali mas
volta já.

SEGUNDO BLOCO
TATAU
Música: Ara Ketu é bom
demais
Compositor: Tatau
JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Rapaz... você... (risos). Eu ia dizer o
seguinte: Aprovado um programa que é como Tatau: bom demais.
(risos) Tá muito bom. Tá jóia. Adorei. Você estão vendo que nós
estamos hoje em clima de sarau. O sarau do Tatau.
TATAU Tá bacana aqui. Tá bacana.
JORGE PORTUGAL É o sarau de Tatau. Tô gostando, tô gostando demais.
TATAU Tô aprendendo o tempo todo aqui com as pessoas que envolvem
toda a nossa cultura todo o nosso desenvolvimento e eu aqui
pescando um pouquinho para ver até se eu componho algumas
coisas dessa pescaria breve e fazer algumas canções aí.
JORGE PORTUGAL Ele está aqui é nos dando lições musicais. (risos)
Pois é gente. Olha, eu queria agora que vocês prestassem atenção
numa matéria que vamos soltar e eu vou fazer uma pergunta aos
participantes e essa pergunta vale também a quem está em casa.
Vamos conhecer os novos caminhos da engenharia, como a
tecnologia se articula com esta profissão tão tradicional e à
quantas ela anda hoje. Olho na tela Bahia.
113

VT - MATÉRIA
EXTRA
JORGE PORTUGAL Beleza. Olha aí, estamos falando Biondi de uma engenharia verde.
ALMERICO BIONDI Mas assim, eu queria acrescentar um elemento a nossa entrevista
muito boa que é ecologia social e ecologia humana. Nós não
podemos pensar em uma engenharia que também não pense nos
espaços sociais por exemplo: o quarto da trabalhadora doméstica
que geralmente é um lugar extremamente insalubre, sem
ventilação, sem nada. Ele tem que fazer de um tamanho adequado.
Do mesmo modo que a nossa engenharia não pode só pensar nos
grandes prédios. Tem que pensar nos condomínios populares, nas
casas dos trabalhadores rurais que precisam também, da mesma
forma, de uma moradia decente. Ou seja, eu acho importante o
acréscimo do paradigma da ecologia mas também pensar o social
como um elemento da formação, não só do engenheiro como
também do nosso técnico em construção civil de nível médio. Eu
tô falando da minha área – me perdoe aqui a propaganda – da
nossa expansão da educação profissional no Estado que também
atinge essa área de técnica em construção civil.
JORGE PORTUGAL Engraçado, eu estava pensando que é preciso também
transversalizar esse conteúdo para os cursos técnicos
profissionalizantes. Pra que a meninada já venha absorvendo essa
cultura não é mestra Vera?
VERA VERONESE Nós estávamos conversando exatamente sobre isso. O que a gente
acredita é capacitar os jovens que estão saindo do ensino médio
para trabalhar nesse mercado que tem - a oferta é grande - mas
preparar esses jovens tecnicamente. Enquanto ele não é um
engenheiro ele pode estar no mercado de trabalho fazendo esse
tipo de... tendo esse preparo, essa capacitação e entender que a
importância da questão ecológica é fundamental na educação
também.
JORGE PORTUGAL Com certeza. Olhe bem e agora vamos ouvir Cristovam Buarque
falar sobre o educacionismo. Olho na tela.
VT - CRISTOVAM
BUARQUE.
JORGE PORTUGAL Beleza. Eu lembro que quando ele foi indicado Ministro da
Educação, ele até propôs o “Ministério da Educação
Fundamental”. Se lembra? E o Ministério de Educação com os
termos tradicionais. Tem sido uma belíssima obsessão.
VERA VERONESE Inclusive, ele luta muito, Jorge, para o Ministério da Criança e do
Adolescente. Não sei se vocês já ouviram falar...
JORGE PORTUGAL Já. Claro.
VERA VERONESE ... que a preocupação do Cristovam - a gente não coloca o
Cristovam como um político, um senador, coloca como um
114

educador. Então a preocupação dele é no sentido mesmo o de


iniciar um trabalho, uma luta pela educação na base. A base é que
precisa realmente iniciar esse trabalho de uma mudança nos
aspectos da educação. Essa mudança tem que começar realmente
na base.
ALMERICO BIONDI Vou dar uma de polêmico aqui e discordar pouquinho do mestre
Cristovam. Eu acho, como Paulo Freire, que a educação é uma
condição necessária mas ela não é uma condição suficiente. As
mudanças que devem ocorrer tem que ser plurais porque se eu
atacar apenas a economia, eu teria o problema da educação. Se eu
tocar só educação, eu continuarei com os problemas sociais. O
sociólogo francês Bordieu já dizia: capital cultural. Capital
cultural tá vinculado ao capital econômico, ao capital social mas
nós podemos redistribuir esse capital pela educação. É um
caminho mas continuaremos tendo a concentração, infelizmente,
do capital monetário. Então é essa discussão tem que caminhar par
e passo: trabalho, educação e desenvolvimento. Aí você vai
conseguir resolver a equação.
VERA VERONESE Nós acreditamos que a educação não é o principal mas ela é o
vetor. Ela vai fazer como que todas as outras necessidades para
uma transformação na sociedade aconteça. Mas é através da
educação... ela será o vetor dessa transformação.
NIDE NOBRE É antigo o discussão que envolve arte, educação, sociedade,
cultura, jovem, velhos, adultos. A gente estava conversando sobre
José Martí que é aquele pensador, educador cubano que já traz
essas idéias de educação ampliada é aquela que pensa em todos os
segmentos, em todos os setores, em todas as áreas. O
desenvolvimento econômico com social caminhado junto.
Então pensar a educação e o sobretudo a educação na Bahia e a
Bahia rica de talento, rica de diversidade, de gente, de cores, de
raça. Então é a gente poder pensar em fazer diferente e acho que
faz sentido aquela palavra do professor Cristovam - vou chamar de
professor – que é a idéia de revolução. Nós temos condições, o
potencial humano capaz de revolucionar, modificar, alterar o
rumo, não somente da educação mas da vida das pessoas. Se a
gente leva a educação associada ao nosso cotidiano, às nossas
experiências, às nossas rotinas. A educação é poder encontrar
gerações distintas, gente distintas, e fazer desse encontro um lugar,
um jeito de mudar o mundo.
JORGE PORTUGAL E você Evelin? Quê que tem a dizer de tudo isso?
EVELIN BUCHEGGER Quando nasci um anjo esbelto,
Poema: Com licença desses que tocam trombeta, anunciou:
poética vai carregar bandeira.
Autora: Adélia Prado Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
115

sem precisar mentir.


Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
JORGE PORTUGAL (aplausos) Maravilha. Adélia Prado. Este poema faz parte do livro
“Cem melhores poemas brasileiros”. Organização de Ítalo
Boricone. E é livro prescrito pelo vestibular da UFBA portanto se
ligue, leia, viaje mais ainda. Evelin Buchegger. Ô milha flor.
Muito obrigado. Isso é Aprovado. Como é que eu digo? Aprovado,
um dia todas as escolas serão assim. Só vou ali mas volto já.

TERCEIRO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Um programa assumidamente


educacionista. E hoje, discutindo educação e democracia. Eu acho
que é discussão debate que nos interessa. Um debate nevrálgico da
sociedade brasileira. E eu vou perguntar pra você, venha cá já
decidiu mesmo? Não? Tá vacilando? “Ah, Jorge eu quero isso,
aquilo e aquilo mais. Tô no meio do caminho” Eu sei disso. 17
anos, 18 anos de idade não dá pra gente saber o que vai querer pra
o resto da vida, Tatau. Por isso é que existe o Ralando na área pra
lhe dar dicas precisas e preciosas sobre a sua futura profissão. Tá
certo? Então, se Ciências Biológicas é o que você escolheu, ah, o
Ralando na área foi feito pra você!
Ciências Biológicas. Ralando na área.
VT - RALANDO NA
ÁREA
JORGE PORTUGAL Pois é, belíssimo Ralando na área mas na entrevista com
Cristovam - que continua a nossa entrevista eixo – ele falou de
uma proposta. Uma proposta dele que eu já reverberei muitas
vezes aqui no Aprovado que é a proposta de lei pelo qual todos os
detentores de mandato eletivo, de vereador à presidente da
República, daqui a sete anos terão a obrigação, Tatau, de
matricular seus filhos na escola pública.
TATAU Que coisa boa ein?
JORGE PORTUGAL Vamos ouvir, então. Você gostou ein? (risos)
116

VT - CRISTOVAM
BUARQUE
JORGE PORTUGAL Tá jóia. Eu vi que você gostou.
TATAU É um ponto de partida bacana né? Deixa todo mundo ali saindo
juntinho. Eu acho isso interessante pra que evolua com toda a
tranqüilidade pra que veja literalmente a igualdade pra todos.
JORGE PORTUGAL E aí Tatau. Depois que a gente zerar, na escola pública, o
marcador, como se fosse Bahia X Vitória. Zero a zero. Você vai
ver o quê que vai valer. Ele vai dizer o quê que vai valer.
Cristovam Buarque de novo.
VT - CRISTOVAM
BUARQUE
JORGE PORTUGAL (risos) Pois é. Tá aí. Entendeu? Precisamos redondear a escola. É
isso que a gente tá fazendo Biondi?
ALMERICO BIONDI É isto. Agora eu acho que pra aredondar a escola nós precisamos
de 3 elementos fundamentais além dessas dessas medidas que eu
acho que tem um caráter simbólico importante mas elas não são
suficientes.
Primeira questão eu acho que é a questão da transparência na
escola. A escola precisa ser transparente para pais, pra sociedade e
etc.
A outra questão é a participação. Estamos ali com a UNE. Quer
dizer, a volta dos grêmios, dos grêmios estudantis tem que tá. Na
nossa época, na minha época, na sua época em que a gente
brigava, discutia. Eu fui do grêmio da escola técnica na federal.
Na época da ditadura militar que era Centro Cívico e a gente fazia
muita coisa. Democratizou a escola, então a participação é
fundamental. A escolha do diretor como nos fizemos agora com a
comunidade participando.
E a terceira coisa é o controle social. Sem controle social nenhuma
medida mesmo aquelas mais avançadas ela consegue se firmar
porque não é acompanhada. Então de repente – como se fez por
exemplo com a 5692. A 5692 é uma proposta semelhante a essa
que o senador Cristovam colocou: todos agora vão fazer um curso
técnico, todas as escolas terão um curso técnico. O quê que os
filhos dos ricos fizeram? Maquiaram as escolas e continuaram
sendo preparadas para o vestibular enquanto que as escolas dos
pobres não tiveram os laboratórios pra que eles tornassem
técnicos. Eu sei isso porque na minha família, eu fiz química na
escola técnica e fui trabalhar no pólo enquanto que meu irmão fez
química no Colégio Luiz Vianna, em Brotas, e nunca trabalhou no
pólo porque lá não tinha laboratório. Ou seja, às vezes,a
aparentemente, você faz uma medida que ela é democrática mas
senão tiver o controle, o acompanhamento social, ela não
consegue se implementar. Eu acho que são idéias boas, positivas
117

mas nós precisávamos de fato implementar esse processo com


conselhos, conselhos de pais. O teu programas que aponta
elementos, aponta coisas, a sociedade, a mídia. A sociedade
falando, criticando e criando esse mecanismo de acompanhamento
social.
ESTHER VÁSQUEZ Eu vou pegar esse ponto em que você falou da mídia. Eu queria
também parabenizar o programa que, se não for o único regional
que fala de educação na televisão...

JORGE PORTUGAL É o único no Brasil. Nessa natureza, o único no Brasil. Em todo o


resto do Brasil neste horário só tem desenho animado. Programa
de educação só na Bahia: o Aprovado!!
ESTHER VÁSQUEZ Então é fantástico isso. Fantástico. Parabéns e eu queria inclusive
perguntar se a democratização da educação não passa também por
uma questão da comunicação. Se a comunicação, também, não
tem uma responsabilidade muito grande com relação a isso.
VERA VERONESE Uma das coisas mais importantes para a educação é a
comunicação e a comunicação que a gente fala é a questão da
leitura. A escola ela deve preparar o aluno não só para leitura
decodificando o que esta ali escrito. A leitura de mundo. Então
essa questão da importância da comunicação, ela feita através da
leitura. A leitura das várias linguagens. Então é necessário, se faz
necessário mesmo que a formação do educador deve, antes de
tudo, estar voltada para a comunicação. Deve estar antes de tudo
voltada pra isso. Que não acontece. Só muito pouco.
JORGE PORTUGAL Que não acontece. Só muito timidamente. A bola é com você
Tatau.
TATAU Tem uma esfera da educação que eu acho que é muito importante.
Eu, na verdade, tento um pouco dividir a atenção pra FM e muito
pra AM. Eu sou apaixonado pelas FMs mas pra me ensinar alguma
coisa, pra me educar alguma coisa, pra me passar alguma coisa eu
sou apaixonado pela AM. Fico o tempo todo que é uma base
sensacional de educação.
JORGE PORTUGAL Mas já que você iluminou falando, nos deleite cantando.
TATAU
Música: Futuro
prometido
Compositor: Tatau

QUARTO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. O programa conteúdo da Bahia. Hoje


discutindo educação e democracia. Democracia e educação. Que
118

papo, que programa, que reflexão. Aqui conosco a professora Vera


Veronese, Almerico Biondi e os nossos convidados mais do que
especiais e por falar em convidado especial vamos, então, agora né
ligar o nosso olho no 2030 Discutindo o futuro com Caetano
Veloso.
VT - 2030
DISCUTINDO O
FUTURO
JORGE PORTUGAL Pois é isso aí. Caetano Veloso e suas reflexões sobre a música para
daqui a 20 anos. Ele diz textualmente que não haverá canção e
antes que a canção acabe, Nide, eu quero que você me diga como
é que a Secretaria está trazendo a canção pra dentro da sala de
aula. Me fale sobre o FACE.
NIDE NOBRE Uma idéia do secretário da educação, Adeum Sauer, que o
governador abraçou foi ao lançamento enfim participou em todas
as etapas do desenvolvimento do no nosso projeto. Esse é um
projeto de desenvolvimento de arte no currículo escolar então é
um festival que o secretário dizia “Nós não temos que reavivar os
antigos festivais. Nós temos que lembrar deles sim, mas esse tem
um caráter educativo, caráter artístico e cultural, mas é, sobretudo,
dentro das escolas articulando os estudantes integrando professor,
estudantes, artistas em fases distintas”.
Então acontece os mini festivais nas escolas, os festivais regionais
nas diretorias regionais. Então em 33 DIREC e acontece o festival
estadual em Salvador. Mobiliza o artista, estudante, pai, mãe. Foi
uma beleza e esse ano a gente ampliou mais pra pensar, como
disse Caetano, não somente na música mas na poesia, no conto, no
romance. Então esse ano tem “FACE e tal” nos mesmos moldes.
JORGE PORTUGAL Maravilha e eu vou chamar Cristovam pra o recado dele para os
estudantes, a sociedade baiana, os educacionistas da Bahia.
Cristovam de novo no Aprovado.
VT - CRISTOVAM
BUARQUE
JORGE PORTUGAL Com certeza. Vou pedir a cada um de vocês que numa frase, num
milagre de síntese, digam aqui pra Bahia como é que seria ou
como é que será a escola do seus sonhos. É dificílimo mas num
período. Simples. Biondi.
ALMERICO BIONDI Educação integral, trabalho, educação e desenvolvimento. Acho
que sintetiza toda essa visão do que queremos pra o nosso futuro.
JORGE PORTUGAL Vera.
VERA VERONESE Uma escola comprometida com o futuro do meu filho.
JORGE PORTUGAL Tatau.
TATAU Uma escola igualitária
119

VLADIMIR MEIRA Pegar o gancho de Tatau, uma escola igualitária mas com respeito
à diversidade e as diferenças que existem hoje principalmente aqui
na nossa Bahia.
JORGE PORTUGAL Esther
ESTHER VÁSQUEZ Eu acho que a educação tinha que estar passando pelo
desenvolvimento mesmo. Pela Democratização.
NIDE NOBRE Conhecimento, prazer, arte, vida.
EVELIN BUCHEGGER Educação em casa e fora dela também.
JORGE PORTUGAL Aprovado. Um dia todas as aulas serão assim. Anote aí Bahia.
Caetano Veloso fará o show “Zii e Zie”. No próximo dia 05 – dia
do Meio Ambiente - na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. A
partir das 18:30. Claro, não preciso dizer que no dia 5 de junho
todos o caminhos levam à Concha Acústica. E a minha dica
cultural é, olha aqui – é a bíblia educacionista. “O que é o
educacionismo” de Cristovam Buarque. Tudo que nós discutimos
aqui, tudo que ele falou, esta comunicação brilhante, apaixonante
está aqui neste livrinho.
Tatau, meu rei, já estou sentindo que você veio para o nosso time
(risos). Como é que tá a carreira, como é que tá a vida? Sucesso
sempre como compositor, como cantor – nem se fala? E eu aqui na
torcida.
TATAU Poxa, que bom né? Eu estou vivendo um momento muito
iluminado em minha carreira, um momento muito especial. Eu
diria que eu estou vivendo um momento de produção. Eu tenho
produzido muito. Tenho feito muitas canções e, graças à Deus, elas
tem dado retorno muito bacana pra mim. “Pra te abençoar” foi
uma das músicas mais tocadas no carnaval. Chegou ali
firme,competindo com outras grandes estrelas da música da Bahia,
também. E eu fui gravado pelo Sorriso Maroto. Três músicas, três
sucessos. Agora a nova do Sorriso Maroto também é minha:
“Ainda existe amor em nós”. E assim, estou fazendo as minhas
músicas de carnaval que eu tenho envolvimento, literalmente com
o carnaval, com Afro mas também não esqueço de fazer canções e
passar pra alguns artistas, também, acender cada vez mais na
carreira.
JORGE PORTUGAL E essa fera dos teclados.
TATAU Alexandre Côrtes. Meu compositor musical
JORGE PORTUGAL Isso, meu querido. Maravilha. Beleza.
TATAU É o cara que me acompanha. Aqui é o café-com-leite. Tem essas
coisas pra acabar um pouco.
JORGE PORTUGAL (risos) Beleza meu rei e olhe bem eu tenho um recado pra Bahia.
Seguinte, nós não teremos, no dia 06 de junho, o Aprovado. Vai
haver Fórmula 1 e o programa não irá ao ar mas no dia 13, dia de
120

Santo Antônio, tem um Aprovado quentíssimo: Meio Ambiente –


por um mundo sustentável. Tá bom? Então você não pode perder
de forma nenhuma porque é outra aula magna e por falar em aula,
agora é hora de aula musical com Tatau. Valeu Bahia.
TATAU
Música: Pra te abençoar
Compositor: Tatau
121

ANEXO E - TRANSCRIÇÃO DO PROGRAMA APROVADO EXIBIDO EM 13.06.09


TEMA: MEIO AMBIENTE: POR UM MUNDO SUSTENTÁVEL

PRIMEIRO BLOCO

JORGE PORTUGAL No ar mais um Aprovado. O programa da Bahia inteligente. Onde


você estiver, nós estaremos aí. Se você que está na Liberdade,
Cidade Nova, se você que está no Cabula, se você está em
Pernambués, se você ama o conhecimento, mas ama de paixão, o
Aprovado é seu aliado incondicional. Tema do programa de hoje:
Meio Ambiente. Estamos no mês do Meio Ambiente. Vamos discutir,
refletir, debater o: Meio Ambiente, por um mundo sustentável,
importantíssimo. Por que vai sair daqui um programa propositivo.
Não e só você ficar apontando, denunciando, não, também
propostas, também coisas absolutamente positivas que sairão
certamente da inteligência da participação, da experiência de todos
os nossos debatedores. É um Aprovado debate. Não tenha nem
dúvida. Como nós estamos fazendo, já, há algum tempo.
Mas no Aprovado de hoje nós teremos, também, o Conexão
Aprovado com Ruy Castro. Jornalista Ruy Castro, aqui, conversando
conosco e dando um banho de informação. No Fazendo e
acontecendo você vai conhecer a história de Gilvã. Uma história de
superação simplesmente arrepiante. Não vou adiantar nada para que
você fique aí de olho grudado na tela e teremos o Ralando na área
da FTC.
Nossos convidados - olha que time Bahia, querida Bahia – tenho
aqui professor, doutor Júlio Rocha. Ele que é diretor geral do Ingar -
Instituto de Gestão das Águas e Clima. E o professor Asher
Kiperstopk: professor da Universidade Federal da Bahia. Bem-
vindos, bem-vindos, bem-vindos. Portas abertas do coração do
Aprovado para vocês.
Nossos debatedores. Outros sócio: Thiago Siqueira que é gestor da
Joguelimpo. Temos aqui Ney, estudante do doutorado em ecologia.
Temos aqui Wesley, estudante de geografia. Gabriela que é estudante
de engenharia sanitária e ambiental da UFBA.
E a mestra Sueli Conceição que é bióloga e especialista em gestão
ambiental. É isso aí. São os nossos convidados que vão debater, aqui,
com Asher e com Júlio Rocha. Além disso, os alunos estudantes da
Escola, do Colégio Senhor do Bonfim. Teremos a participação
musical luxuosa, já em clima de forró - olha pro seu meu amor - da
Estakazero. Ok. Bem-vindos também, viu? Daqui a pouco vocês vão
falar cantando. Mandando ver.
Então Bahia? Está todo mundo gravando tá? Todo mundo ligado,
ligada? É isso aí. É um programa pra não mais esquecer. Então vou
perguntar. Posso? Então pronto. Presente. Seguinte: eu queria
começar logo ligando essa Bahia que estuda à uma situação
recentemente vivida e que ainda estamos vivendo... nós estamos
meio mergulhados aliás, mergulhado não bem a palavra, que foram
122

as fortes chuvas que caíram sobre Salvador e outras cidades, em


muitas cidades do Brasil recentemente. Coisa que eu vi poucas
vezes. Então eu queria saber se isso é próprio de um ciclo
absolutamente normal da natureza ou já uma forma de resposta que
ela está dando?
ASHER Veja bem nós vivemos, e aí não há qualquer dúvida, um processo de
KIPERSTOPK mudanças climáticas. Não há dúvida com relação a isso. Claro que
sempre há alguém que diga que não, mas de alguma maneira o
consenso científico, estamos mesmo num problema de mudanças
climáticas que levam o agravamento dos extremos: da falta e do
excesso de água. Agora não podemos interpretar fatos isolados como
já dizendo “esse é um exemplo devido as mudanças climáticas”, por
que a percepção da gravidade da evolução das mudanças climática é
uma percepção que requer de uma analise estatística cuidadosa de
muita ciência e de muita interpretação adequada. Então eu não diria
que essas chuvas já são efeito das mudanças climáticas, mas eu
posso afirma que a recorrência maior de eventos excessivos tanto de
falta, quanto excesso de água está acontecendo em função das
mudanças climáticas, sim.
JÚLIO ROCHA O Ingá está fazendo um ano agora. Nós temos os nossos centros de
monitoramento do clima, que é o Simba tem verificado sérios
históricos de chuvas intensas que é o fenômeno muito próximo dos
litorais, é um problemas sérios de desertificação nas regiões do semi-
árido. Então são problemas sérios que precisam ser avaliados e
acompanhados pelo poder público, pela comunidade científica e pela
sociedade como um todo.
JORGE PORTUGAL Maravilha querido. Aqui, os nossos debatedores, alguém já quer
falar? Thiago?
THIAGO SIQUEIRA Eu queria parabenizar aqui os convidados, bastante interessante para
o tema de meio ambiente que a gente vive hoje no cenário de
Salvador e da Bahia e a minha pergunta é mais um pano de fundo
para a gente iniciar uma discussão que é sobre os avanços que a
gente vem tendo a nível global com relação à problemática
ambiental. O que é que a gente avançou da década de 80, da Eco92
até agora? Muito se fala de um mundo sustentável, sobre o
desenvolvimento sustentável, mas o quê que, de fato, quer dizer
isso? E se hoje a gente consegue ver exemplos, se a gente consegue
ter, hoje, práticas sustentáveis que a gente possa estar discutindo
aqui e; para deixar vocês em uma sinuca de bico ainda há tempo?
JÚLIO ROCHA Acho que nós avançamos do ponto de vista da arquitetura
institucional, mas eu acho que os grandes países precisam assumir
mais mais responsabilidades. Eles que são os maiores poluidores.
Claro que os países emergentes como o Brasil, como Índia, China,
precisam adotar posturas muito mais conseqüente e afirmativas em
relação à questão ambiental e o local também é importante, o espaço
local a cidade é um espaço ecossistema importante que nós
123

precisamos preservar, nós precisamos cuidar do espaço local.


JORGE PORTUGAL Aproveitando o gancho de sua resposta, vamos chamar agora uma
matéria muito interessante que vai também nos instruir, nos fornecer
informação sobre as últimas tecnologias, os últimos belos caminhos
encontrados pelos paisagistas brasileiros e baianos. Então, vamos ver
uma matéria sobre paisagismo. No Aprovado, olho na tela.
VT – MATÉRIA
EXTRA
JORGE PORTUGAL Pois é matérias como essa sempre acrescentam à nossa informação,
concordam? Com certeza. Mas já que nós estamos aqui no mês de
junho, o frio está chegando, precisamos de quê? Uma bela fogueira,
milho, licor de jenipapo e sem dúvida nenhuma outro item hoje
indispensável no São João que é Estakazero .
ESTAKAZERO Vamos se embora.
Música: A corda
Autor: Kuque Malino

SEGUNDO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado o programa que trouxe de volta o debate
de idéias à TV aberta na Bahia, portanto Aprovado é um programa
que educa. Hoje, discutindo Meio Ambiente, por um mundo
sustentável. Programa que é todo seu, estudante da Bahia de 8 a 80
anos, sobretudo você, estudante da rede pública de ensino e por falar
em você, Senhor do Bonfim qual a pergunta que você tem para
nossos convidados?
VT - VESTIBULAR Porque e como surgiu a sustentabilidade ambiental?
ASSUNTO DO DIA
Tamires Muniz
Colégio Senhor do
Bonfim
JORGE PORTUGAL Pois é. A pergunta que você tinha, mais ou menos, feito e que tinha
ficado aí. Ela que saber quando é que surgiu esse conceito de
sustentabilidade e porque surgiu?
ASHER Eu acho que três coisas se juntaram, agora: a pergunta da jovem, a
KIPERSTOPK pergunta do Tiago e o final da palavra do Estakazero - “A corda que
nos uniu se chama destino”. E a pergunta que Tiago fez é se temos
tempo. Do ponto de vista do nível de formação que eu tenho, tudo
indica que não temos tempo, mas como o pessoal colocou “a corda
que nos uniu se chama destino” nós temos que acreditar que somos
capazes de superar uma situação que, hoje, as informações nos
colocam, não teria superação. E o quê que é sustentabilidade?
Podemos desde as definições de Grumutã... o Gandhy tem definições
muitos precisas sobre o que é sustentabilidade, mas eu vou fazer a
124

minha, arriscar a dizer a minha: sustentável é tudo aquilo que você


quer fazer mas, dois bilhões e meio de chineses e indianos também
vão poder fazer. E eles vão poder fazer antes que do que a gente
porque a taxa de crescimento da economia chinesa é muito maior do
que a nossa. Agora se você se coloca perante essa situação, você vai
ver que muitas das coisas que você faz você não vai poder fazer, se
que quer todo mundo faça pelo menos, e que você vai ter que evoluir
tecnologicamente para que alguma parte daquilo, pelo menos o que é
básico para você poder ter qualidade de vida. A tecnologia vai ter
que, ainda, identificar como fazer aquilo por que ela não sabe.
JORGE PORTUGAL Belíssima definição
JÚLIO ROCHA Precisamos assumir novos padrões de comportamento. Eu me
lembro que eu fiz uma visita, recente, técnica à Israel : 90% da
irrigação de Israel é feita com água de esgoto. Então isso significa
que nós precisamos construir inventividade. E ao mesmo tempo, nós
temos Israel, nós temos a Faixa de Gaza, nós temos os palestinos que
carecem de água.
A gente vive complexidades e contradições inclusive no nosso
cotidiano: hoje os principais vulneráveis das mudanças climáticas
são as populações tradicionais. São os quilombolas, os catingueiros,
são os pescadores e isso significa que nós temos que pensar na
perspectiva ambiental inserindo o humano nas condições de garantia
da sustentabilidade.
JORGE PORTUGAL Beleza doutor Júlio e aqui os nosso debatedores já querem entrar no
fogo? Sueli
SUELI CONCEIÇÃO Ola. Olá Jorge, Júlio, Asher. Eu quero saber quais são as
intervenções a curto prazo que deve ser feito na perspectiva do Ingar,
na perspectiva do Asher com a Teclim37.
JÚLIO ROCHA Em relação à desertificação nós temos um plano estadual de combate
à desertificação que é um interesse nosso desenvolver. Hoje, 69% do
estado está na região de semi-áridos. Nós temos problemas sérios de
agravamento de escassez de água. Então fazer nessa área é
importante.
Em termos de recursos hídricos dos rios, da qualidade dos rios.
Quando a gente fala do Subaé, do Paraguaçu, do Itapicuru nós
precisamos efetivamente mudar o padrão de relação com os recursos
hídricos. Eles não podem ser esgotos nas áreas urbanas. Eles são rios
então nós precisamos associar tecnologia por isso que a universidade
é importante; ao mesmo tempo a mudança de postura dos
municípios, do poder local que tem a responsabilidade inclusive com
a gestão, o estado e o governo federal. Então nós precisamos mudar
perspectivas.
Na área de matas, nas matas filiais nós precisamos avançar muito
mais a restauração de matas filiares do que autorizações de
desmatamento.
37
Núcleo de Tecnologia Limpa
125

Então são diversas ações que precisam ser feitas na perspectiva de


um pensar sistêmico sobre a questão ambiental.
ASHER Queria complementar a pergunta de Sueli. Veja bem, se a gente
KIPERSTOPK somar tudo aquilo que cada um de nós já sabe que deveria fazer;
tudo aquilo que já sabe que deveria saber mas ainda não faz e aquilo
que ainda faz, e; ainda projetarmos isso em larga escala pra uma
população que, vamos dizer, passe a ter uma ação mais consciente
em relação a isso; tudo isso ainda não seria suficiente. Pegue o
exemplo que Júlio colocou com relação a Israel... tenho uma certa
familiaridade. Estudei, fiz minha faculdade lá. Israel hoje, usa, de
fato, 70% da sua água de esgoto urbano é usado na agricultura. Não
chegou ainda a 90 mas eles fecham um ciclo hídrico de 90%, 95%
mas você sabe como eles fazem isso? De uma maneira
extremamente insustentável. É sustentável para o modelo econômico
de ocupação de território e agricultura que desenvolve que hoje se
exporta a tecnologia. Mas hoje já quase 10% da água israelense é
água dessalinizada do mar. Vai chegar a 30% num horizonte de 10
anos. Você sabe como dessaliniza a água do mar? Usando energia
elétrica gerada em termoelétricas que queimam carvão colombiano
que é o pior combustível possível. Quer dizer, de fato há uma
exportação do problema usando a atmosfera como meio agravando o
problema das as mudanças climáticas, mas por outro lado, em função
desses recursos todos, fazem o uso de tal eficiência da água que
merece ser reproduzido, mas se você levar a agricultura à esse
padrão de consumo energético que Israel hoje pratica, o planeta não
teria condição de sobreviver. Então temos que somar tudo aquilo,
mas ter uma análise crítica do quê que é possível, o quê que tem que
ser feito para que no conjunto almejemos pelo menos é uma redução
desse espaço gigantesco que nos separa da sociabilidade.
NEI NUNES Gostaria de chamar atenção e fazer uma pergunta sobre um ponto
que me parece muito importante, mas ainda pouco conhecido e diz
respeito aos mecanismos que tem sido proposto por alguns cientistas
muito importante ou por grandes corporações. São mecanismo de
geo-engenharia ou de engenharia climática. Bem dois exemplos são
a fertilização oceânica com ferro e outros nutrientes que visaria o
aumento no crescimento das algas e conseqüente a captação de CO2 e
um outro mecanismo aí o aterramento geológico de carbono em
rochas porosas. Esses mecanismos são propostas muitas vezes como
soluções mágicas puramente técnicas para um problema ambiental
que não é, me parece, um problema meramente técnico não. Eu
queria saber em qual medida essas soluções, as propostas não são
uma maneira de esconder a verdadeira face ideológica do problema
ambiental.
ASHER Olha eu tô usando como referência porque, como você colocou
KIPERSTOPK existem “N” soluções. A questão de aumento da fixação de carbono,
a partir de um estímulo à fotossíntese provocada pelas algas
marinhas. A fixação de CO2 em rochas carbonáceas ou nos próprios
126

reservatórios de petróleo. Se a gente começar a elencar, tem “N”


rotas. Nenhuma delas, em separado ou sozinha, é suficiente para
chegar perto da sustentabilidade.
Eu uso como referencia, um estudo que a Organização para
Cooperação do Desenvolvimento Econômico, a OSD divulgou agora
em 2008, que também reuniu centenas de cientistas. Eles fazem uma
projeção de 2005 para 2050 mostrando que, hoje, a gente emite
globalmente 28 Giga toneladas de CO2 ao ano, tirando as queimadas,
apenas em atividade econômica. Se a gente quiser chegar em 2050
para o mesmo padrão de emissão de agora, claro que vamos subir
nesse meio tempo. Se todo mundo continuar sua vidinha como ela é,
vamos de 28 para 64 Giga tonelada. Se a gente faz mudanças
substancias que já são conhecidas, hoje, em termos tecnológicos,
mas elas chegam à todo mundo podemos repetir esses 28 Giga em
2050. Se a gente quiser chegar a metade que são 14, a gente
precisaria de uma revolução energética que não se conhece nas bases
de fornecer isso. E observe que se em 2050 chegamos à 14, ainda
assim, temos uma concentração, um crescimento da concentração de
carbono maior do que a que temos hoje. Isso pode levar a mudança
da ordem de grandeza de um ou dois graus e até três graus. Três
graus de aquecimento global implica na savanização da Amazônia. O
desafio é muito grande. Será que a humanidade tem capacidade de
ingerir em larga escala a energia nuclear? É uma coisa que a mim me
apavora conhecendo a capacidade da sociedade agir em cima de
interesses globais e não particulares. Mas nem se quer a energia
nuclear a gente tem hoje condições de se dar ao luxo de descartá-la
perante o nível do problema que se coloca aí pela frente.
JÚLIO ROCHA Só pra vocês terem um exemplo no oeste da Bahia se gasta 90% da
água do oeste para a irrigação. Se gasta por dia 11bilhões de litros de
água para a irrigação, com agronegócio. Significa que ou nós
mudamos o padrão tecnológico, avançamos nessa perspectiva de
superar a idéia do pivô central ou a gente não avança na perspectiva
dos estoques hídricos. Quando a gente fala... eu tive a oportunidade
de ir pra Estambu, no Fórum mundial da água , o grande dilema... é
um dilema o tema da água, e tem uma relação direta com as
mudanças climáticas. O tema dos aqüíferos, nós temos
problemáticos hoje de rebaixamento de aqüíferos em regiões nossas
do estado que são bastante preocupante: a região de Irecê, por
exemplo. A região do Oeste, do Urucuia, a região de São Sebastião, a
região metropolitana. Então, esse é um tema que merece sempre
cuidado e a questão das mudanças, das alterações climáticas têm
relação direta, ou nós alteramos o padrão tecnológico, mudamos a
concepção de tecnologia de final de tubo, ou nós inserimos uma
outras formas de pensar e associamos o saber popular também. Ele é
importante. A tecnologia, ele tem que cada vez mais associar a idéia
de que o conhecimento popular ele é... ele tem o seu mérito, tem seu
lugar na perspectiva da ciência, na combinação do pensamento
127

científico.
JORGE PORTUGAL Concordo com você meu rei e assino em baixo. Vamos para um papo
gostosíssimo, um dos ícones do jornalismo nacional. Vamos agora
para o “Conexão Aprovado” com Ruy Castro, olho na tela!
VT - CONEXÃO
APROVADO
JORGE PORTUGAL Puxa muito legal, muito legal mesmo. É isso gente. Isso que é o
Aprovado: você pegar Ruy Castro e democratizar pra toda Bahia.
Bahia, querida Bahia. Tá bom de mais, tá ou não tá. Então morrendo
de vontade de continuar com esse debate, como é que é? Eu só vou
ali mas volto já.

TERCEIRO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Hoje discutindo o Meio Ambiente por um
mundo sustentável.
Momento solidariedade Bahia, querida Bahia. Olhe bem. Todo
mundo fechando os olhos aqui por favor. Roberto, olha. Santa Casa
de Misericórdia de Santo Amaro: 200 anos, dois séculos servindo,
aconlhendo principalmente a população pobre, não só de Santo
Amaro como de todo o Recôncavo e neste momento está precisando
da nossa ajuda, da sua solidariedade, da sua contribuição, do seu
apoio, principalmente você que é de Santo Amaro ou do Recôncavo.
Então salve a Santa Casa. Essa é uma santa causa.
Voltamos então aqui ao nosso programa querido, ao nosso debate,
mas é hora de perguntar. Será que você realmente está decido ou
decidida? É engenharia, é contabilidade, é economia, é medicina? Eu
sei que está um pouco longe, mas ta também na hora de você
começar a pensar nessas coisas. Se ainda existe um certo vacilo da
sua parte pra isso que existe o quê? Ralando na área. Vamos ver!
VT – RALANDO NA
ÁREA
JORGE PORTUGAL É isso aí. Que belo Ralando na área né gente? Puxa vida. Vocês
tiveram muita dificuldade para escolher o curso, ficaram assim
pensando 6 meses, 7, 10?
ASHER Olha eu não tive mais mudei um monte de vezes. Comecei a fazer
KIPERSTOPK arquitetura, fiz engenharia civil, fiz mestrado da engenharia química,
sou engenheiro ambientalista. Eu acho que a vida é um seqüência de
absorção de conhecimento e é fundamental. Eu acho que se expande
essa idéia que a gente está divulgando com universidade nova. O
reitor Naomar...
JORGE PORTUGAL O bacharelado interdisciplinar. Claro.
ASHER Exatamente. Dê ao jovem tempo para amadurecer o que quer. Não é
128

KIPERSTOPK possível que com 17 anos o cara já saiba qual diploma que ele quer.
Ele pode até achar que sabe, mas a grande parte, e estatísticamente
está provado, não vai ser aquilo que pensou que era aos 17 anos.
JORGE PORTUGAL Com certeza. Mas Senhor do Bomfim: o estudante da rede pública,
no caso a estudante Carolina, quer saber alguma coisa de vocês.
Vamos ver a pergunta?
VT - VESTIBULAR Professor, tem como manter os vestígios de Mata Atlântica em
ASSUNTO DO DIA Salvador com o acentuado crescimento que a cidade tem sofrido?
Carolina do Santos
Colégio Estadual
Senhor do Bonfim
JORGE PORTUGAL Júlio?
JÚLIO ROCHA Esse é um tema que tem a ver com o plano diretor urbano, ou seja,
quem pensa essa cidade é a legislação urbanística. Então o desafio
dessa cidade é proteger suas áreas, que é na Paralela que existe, São
Bartolomeu que é um espaço também importante, ou seja, mas essa é
também uma responsabilidade do conjunto de cidadãos. Nós
precisamos efetivamente ter limites ao crescimento, à especulação
imobiliária e pensar que Salvador necessita efetivamente de áreas
verdes e precisa efetivamente proteger os seus resquícios de mata
atlântica que ainda existem.
JORGE PORTUGAL Eu acho que Wesley quer perguntar, quer ou não quer meu rei? Ele
está aí na fila, meu Deus, me sacudindo. Vá lá meu rei.
WESLEY Salve, salve a todos. Como vocês avaliam mais precisamente a
CERQUEIRA questão do avanço do mercado imobiliário na região da Paralela e do
Litoral Norte e do uso e ocupação desordenado do solo para
agricultura? E sabendo também que nós não podemos associar e
jogar a responsabilidade dos problemas ambientais somente para a
população. A população é responsável por 20% de todos os danos
causados ao meio ambiente, a indústria e a produção de alimentos
são os maiores responsáveis.
JORGE PORTUGAL Eu vou acrescentar um pouquinho, você permite? Eu ouvi falar que
há aí uma praga de barbeiros no ar, naquela região da Paralela
diretamente associada a essa praga, ao desmatamento para o
crescimento das florestas de cimento. Eu queria saber se vocês têm
essa informação e aí juntem tudo e mandem para o povo da Bahia.
JÚLIO ROCHA Em relação à Secretaria de Saúde já, do estado inclusive, confirma
essa situação inclusive. Ou seja, a alteração do espaço urbano, a
diminuição das áreas verdes, isso tem significado mudanças em
ecossistemas, os ecossistemas urbanos. Salvador vive um processo
de aumento significativo, uma verticalização muito intensa e ao
mesmo tempo nós não temos uma estrutura municipal local que dê
conta dos controles dos usos. Nós temos uma cidade ilegal muito
grande, uma cidade por tanto com autoconstrução, sem controle
urbanístico efetivo e por outro lado uma expansão imobiliária, um
129

boom imobiliário intenso onde a cidade... o seu espaço é cada vez


menor.
Então tema da adaptação é um tema central, o tema do transporte é
um tema central de deslocamento da cidade. Cada vez mais, a
paralela, hoje, é um local onde não se consegue circular, eu moro em
Piatã e é um desafio chegar de Piatã até o centro da cidade. Isso
significa que nós precisamos construir mais viadutos ou mais túneis,
nós precisamos ter o desfio de mudanças. Como nós vamos enfrentar
a discussão do transporte de massa na cidade? Eu acho que é um
tema importante e o limite do crescimento. A cidade precisa ter
parâmetros de planejamento urbanístico efetivamente.
ASHER É a discussão do planejamento é vital, o quê que é o planejamento? É
KIPERSTOPK trazer o futuro para orientar as nossas ações hoje. Só que a gente não
faz isso. Não faz nem na vida privada e nem na vida particular. Aliás,
a solução desse problema é uma articulação de espaços complexos.
O indivíduo perante o coletivo, o público perante o privado sabendo
que de todos esses espaços a gente faz parte. Quando a gente diz
olha, e efetivamente talvez uma das atividades mais impactante é a
atividade agrícola e focada principalmente na pecuária... Por que
hoje uma das grandes razões de problemas por emissão de gases
estufa e de desmatamento é o nosso hábito alimentar que é carnívoro.
Será que não dá para reduzi-lo? E aí eu acho que é interessante esse
exemplo para trazer um pouco a discussão filosófica para o nosso
dia-dia. A gente sabe e a sociedade conhece perfeitamente que o
hábito de comer carne é um dos maiores geradores de maior impacto
ambiental. Estamos dispostos, não digo parar, mas reverter esse
perfil? A reduzir nosso perfil, a mudar o nosso padrão nutricional
para torná-lo mais sustentável e aí a pergunta que cada um vai se
responder.
VT - CENA DO (Texto) Alguma coisa profundamente diferente está acontecendo
FILME “Uma verdade agora, estamos colocando mais pressão na Terra. A maior parte nas
inconveniente” nações mais pobre do mundo, isso aumenta na pressão da demanda
de alimentos, isso põe pressão na demanda de água, isso põe pressão
nos recursos naturais vulneráveis e isso põe pressão em um dos
motivos pelo qual temos tanta devastação nas florestas, não só as
tropicais mas em outras partes. É uma questão política.
JORGE PORTUGAL Pois é. Essa é uma reflexão que eu passo para você, estudante do
Aprovado, para você telespectador do nosso programa. Eu sei que
Gabriela também esta querendo fazer sua reflexão, mas a sua
reflexão vai abri o quarto bloco. Não se incomode por que Gabriela
quando a conversa é boa, o tempo voa e o terceiro bloco foi embora.
Vamos para o quarto bloco e lá teremos o Fazendo e acontecendo.
Você vai conhecer a história de Gilvã mas vai conhecer naturalmente
viajando pelas ondas do Estakazero.
ESTAKAZERO Uma música que temos tudo a ver com essa nossa conversa...
Música: Xote
130

ecológico
Compositor: Luiz
Gonzaga

QUARTO BLOCO

JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado: o programa conteúdo da Bahia. Hoje


discutindo Meio Ambiente, por um mundo sustentável. Estamos aqui
com uma discussão simplesmente antológica. Eu tenho certeza que a
Bahia inteira está aplaudindo de pé, mas retomamos com a Gabriela.
Gabriela ficou de fazer um comentário sobre a proposta de Asher.
Gabriela, mande e mande bem.
GABRIELA VIEIRA Pois é vamos polemizar e problematizar essa coisa do simbólico que
aquele átomo ali mostra, que ali parece o sistema solar quando a
gente olha, que é um átomo e quem é nosso referencial no sistema
solar? O Planeta Terra, a figura do feminino que é quem nutre, que
dá a vida. Então se a gente não cuida da nossa mãe, a gente não pode
mais respirar, a gente não pode mais nadar, a Terra morre e aí a gente
tem que pensar no coletivo e no individual porque a mãe ela cuida do
filho, mas ela cuida do espaço para que todos os filhos dela possam
estar bem assistidos. E aí o nosso grande impasse atualmente é esse:
que a gente evoluiu muito no espaço material, mas no espaço
simbólico, no amor essa coisa assim que parece que em meio Haribô
que é meio piegas... Porque você vai falar de espiritualidade, de
religião aí você pode falar dos evangélicos, você pode falar do
candomblé, você pode falar dos católicos, essa coisa que uni a todos
que é esse respeito que a gente tem que ter um pelo outro, que a
gente tem que ter pela vida. E é esse o nosso maior desafio.
Se você não tocar lá a atitude daquele indivíduo no ambiente, ele
pensando nele e no todo o tempo inteiro, não vai mudar nada e
realmente não vai ter tempo.
JORGE PORTUGAL Maravilha Gaby e eu quero chamar, agora, os olhos da Bahia para
uma uma história de vida exemplar. A gente que muitas vezes tem
tudo a nosso dispor e ainda fica correndo todo santo dia para o pé do
cabloco no Campo Grande pedindo um pouco mais e achando que
não tem nada não é? Bahia, querida Bahia, pode se arrepiar
antecipadamente porque você vai conhecer agora a história de Gilvã:
Fazendo e acontecendo.
VT - FAZENDO E
ACONTECENDO
JORGE PORTUGAL Pois é. E então, você que tem dois braços fortes, duas pernas firmes e
grande possibilidade dentro da vida o que é que está esperando pra
multiplicar essa grandeza que existe dentro de você?
Gilvã. (aplausos)
131

ASHER Os dados mostram que não temos tempo. Depois da matéria do


KIPERSTOPK Gilvã, vamos fazer o seguinte: faça cada um a metade do que ele faz;
faça cada um em termos do nosso destino a metade do que ele fez
com o destino dele e tem tempo.
JÚLIO ROCHA Eu acho que eu me lembro de Damário diz que a possibilidade de
arriscar é o que nos faz seres humanos.
JORGE PORTUGAL ... seres humanos... claro, claro. Todo risco.
JÚLIO ROCHA Todo risco diante da vida.
JORGE PORTUGAL Então Anote aí, de 15 a 18 de junho acontece aqui em Salvador a 1º
Semana Baiana de Relações Internacionais. O evento reuniu
estudiosos e pesquisadores, para debater temas contemporâneos da
sociedade globalizada como os novos conceitos de
trasnacionalização da economia, governância global e geopolítica
mundial. A Semana Baiana de Relações Internacionais será no
auditório da Federação das Indústrias - FIEB ,de 15 a 18 de junho.
Não percam.
Eu quero, então, agradecer aqui a vocês essa a participação
fantástica. Obviamente que num espaço de um programa é
impossível dizer tudo aquilo que nós acumulamos durante toda nossa
militância, durante toda a nossa vida. Outros programas virão, outras
edições virão e vocês, sem dúvida alguma, sempre convidados,
sempre ambientando, sempre iluminando.
Obrigado Asher. Obrigado Júlio.
ASHER Eu é que agradeço a oportunidade que foi riquíssima. Sem dúvida.
KIPERSTOPK
JÚLIO ROCHA Importante lembrar do Subaé. Subaé, a gente tem perspectiva
positiva com o enquadramento, agora, pela primeira vez na Bahia,
nos próximos três anos para que o rio mude e ganhe qualidade acima
de tudo.
JORGE PORTUGAL Eu vou voltar a tomar banho no Subaé?
JÚLIO ROCHA Sim
JORGE PORTUGAL Que coisa maravilhosa, eu acho que Santo Amaro penhorosamente
agradece, coisa que não faço a pelo menos uns, eu não vou dizer não
se não vocês fazem as contas. Agradecer a você Thiagão, a você Ney,
a você Wesley, a você Gabriela, a você Sueli: participação
inexcedível de todos vocês.
GABRIELA VIEIRA Então gente muita fé, muita garra que a gente rala, mas consegue.
Viu?
JORGE PORTUGAL Com certeza. Quero bater um papo aqui com essa galera. Pronto. Tô
vindo, aqui agora, pro arraial. Vou pra o arraiá. Aí meu irmão quanto
tempo de estrada Léo?
LEO MACEDO A Estakazero agora faz, esse ano, oito anos. Já temos oito anos de
estrada, quatro CDs, 1 DVD gravado e muita alegria, muita
132

felicidade pelas conquistas de fazer forró aqui na capital do axé, da


música baiana e a Estakazero tem seu espaço.
JORGE PORTUGAL Pois é. Na zabumba?
LEO MACEDO Márcio Oliver
JORGE PORTUGAL Márcio Oliver. Na sanfona?
LEO MACEDO Kina Rodrigues.
JORGE PORTUGAL Oba! Jóia. A Bahia quer mais.
LEO MACEDO Vamos fazer mais?
JORGE PORTUGAL Vamos fazer mais.
ESTAKAZERO Música nova “Meu Encanto”
Música: Meu Encanto
Compositor: Samir,
Fabiano Obraia e
Rubinho.
JORGE PORTUGAL Maravilha sempre, sempre. (aplausos)
Agora Bahia eu vou pedir a todos que multipliquem a concentração
do olhar e veja esse clipe com que nós vamos fechar este programa,
esta reflexão e que seja uma chamada para a consciência de cada um,
para que possamos construir um planeta cada vez mais sustentável e
melhor. Olho na tela.
VT -
ENCERRAMENTO
133

ANEXO F – ENTREVISTA COM JORGE PORTUGAL

Transcrição da entrevista
Entrevista feita com Jorge Portugal – Apresentador e consultor pedagógico do programa
Aprovado
Realizada em maio de 2009
Duração: 27' 03''

ESTHER VÁSQUEZ - Como surgiu a idéia do programa Aprovado?


JORGE PORTUGAL - A idéia surgiu justamente de uma co-ação que nós fizemos, eu e
alguns colegas de curso pré-vestibular. Nós todos estudávamos no Colégio Central... o
Portela, o Edmundo, no Anísio Teixeira, no Clériston Andrade.
Um belo dia eu disse assim: “ó gente, nós estamos aqui, temos hoje uma vida tranqüila,
estamos bem colocados no mercado porque nós tivemos uma excelente escola pública, que foi
o Central naquele tempo. Então eu acho que é mais do que obrigação nossa devolver um
pouco essa escola pública que ela nos deu. Aquela que hoje não pode dar aos alunos o que ela
nos ofereceu” e os convidei pra gente fazer um trabalho voluntário: dar aulas nos fins de
semana no Central. Isso em 2000.
Bom, então todo sábado, todo domingo, a gente ia pra lá fazer uma revisão com os alunos do
Central... era uma loucura, gente como-o-quê subindo... e aí um belo dia eu pensei: “Meu
Deus se a gente for fazer isso como todos os colégios que começaram a pedir a gente só vai
terminar em 2100, em 2050. Imagine a Bahia toda. Se fosse só Salvador já seria complicado,
quanto mais a Bahia toda”. Foi então que me veio a idéia de elaborar um projeto em que a
gente pegasse esse trabalho que a gente estava fazendo em um lugar determinado e levasse e
pra outro que fosse de longo alcance sem precisar desprender esse corre-corre todo e era a
televisão.
Eu fiz o projeto, fui conversar com um amigo meu, que era Secretário da Fazenda na época,
Albérico Mascarenhas. Ele ficou entusiasmado pelo projeto e ali nasceu o Faz Universitário,
em 2001. O primeiro nome foi Faz Universitário. Começamos na TV Educativa e o programa
visava preparar o estudante das rede publica pra fazer o vestibular. E se ele passasse a
Secretaria da Fazenda tem articulação com a Secretaria de Educação dava a ele uma bolsa
chamada Faz Universitário. Para que ele pudesse estudar, se manter no caso de a faculdade
ser particular
Pois bem, esse programa logo em três meses em 2001, começou um logo a pontiar a audiência
da TVE. Mas eu tinha a convicção de que na TVE... naquela época a TVE não tinha o alcance
que tem hoje, tinha um alcance limitado. Foi aí, então, que eu soube de um amigo meu que
estava dirigindo a TV Bahia também outro programa para adolescentes. Começamos a
conversar, eu e Rogério que era o gerente. Ele: “não rapaz, de fato há possibilidade. Rodolfo é
uma pessoa aberta, você sabe disso. Vamos levar a idéia para ele”. Rogério era o gerente de
programação da TV Bahia e Rodolfo Tourinho era o diretor, esse nosso amigo.
Aí fomos lá e levamos esta proposta a ele. Ele adorou a proposta, imediatamente bancou e
começamos na TV Bahia que não podia mais ter o nome de Faz Universitário porque Faz
Universitário era o nome de um programa do governo.
Aí eles pediram que eu bolasse outro nome e eu botei Aprovado! Então vamos fazer o
Aprovado! a partir de agora. E daí então estamos aí no ar na TV Bahia
134

EV - O programa tem música, vídeos, entrevistas. Como surgiu esse formato?


JP - Tem sim. Claro. Quando eu imaginei um programa para jovens, programa de educação
pra jovens eu fiquei observando todos os programas que haviam no ar e eu digo: “meu deus
não é possível, em sala de aula de cursinho, a gente contando piada, plantando bananeira tem
aluno que ainda dorme quanto mais a televisão ele só vai “PAC”. Então um programa, na
minha concepção, tinha que ser uma mistura de aula de cursinho, talk show e MTV. Se eu
conseguir temperar os três elementos na dose certa esse programa vai ser sucesso.
Eu acho que eu consegui. Porque o programa está aí com uma audiência estrondosa. Tem a
música. A música é a parte MTV, a parte que vai pontuar todo o trabalho de reflexão. O talk
show, que é a entrevista que a gente faz e a aula de cursinho são as Dicas do mestre mais a
orientação profissional Ralando na área e vai por aí.

EV - Como são escolhidos os temas de cada programa?


JP - São escolhidos muito em função do currículo determinado pelo vestibular. O vestibular,
infelizmente, ele determina tudo aquilo que o ensino médio hoje faz. Então, baseado na
incidência dos assuntos que mais tem caído no vestibular, e aí a gente chama isso de assuntos
quentes do vestibular, nós vamos pautando os assuntos sobretudo aqueles que a escola,
principalmente a escola publica, não dá conta.
Se em um cursinho pré-vestibular não dá conta, digamos... ocorreu aquela tragédia das chuvas
aqui em Salvador, o módulo do cursinho não vai trazer isso no mês seguinte por quê? Porque
esse módulo já foi preparado com antecedência e roda numa gráfica mas eu posso fazer. É só
entrar na televisão e dizer “olha eu vou trazer o convidado; chamar os alunos; a gente vai
discutir isso”.
Então eu tenho a velocidade que o curso pré-vestibular não tem, que o colégio não tem, enfim,
que a escola normal não tem. Por isso é que eu pauto os chamados assuntos quentes e aqueles
interdisciplinares que eu tenho certeza que estão sendo mal abordados ou nem estão sendo
abordados.
E a UFBA cobra e agora com o novo vestibular está cobrando mais ainda.

EV - Como são escolhidos os artistas? Há um incentivo aos artistas regionais?


JP - Olhe bem. Na verdade, quando você tem em um programa de educação e cultura, você
tem que fazer uma participação musical ou pelo menos estimular uma participação musical
que seja coerente com o conteúdo que você está fornecendo. Eu não posso levar, por exemplo,
a música que está na corrente principal das FMs porque nada tem a ver com educação, muito
pelo contrário são músicas que deseducam, que deseducam. Então eu não poderia levar um
pagode baiano, eu não poderia levar uma música sertaneja que pouco vai dizer a isso. Eu vou
levar um artista que não tenha oportunidade na mídia e que tenha um trabalho muito bom
sobretudo sob o ponto de vista da mensagem da letra.
Então este é o critério.

EV - Como são escolhidos os colégios?


JP - Os colégios hoje tem fila pedindo. Antigamente, a gente fazia o convite, chamava a
diretora e dizia o que era o programa, enfim... e pedia que preparasse o aluno. Hoje tem fila,
sobretudo de colégio do interior. Cidades longínquas querem participar de qualquer maneira.
Já houve aqui, alunos vindos de Irecê, vindos de Paratinga. Quer dizer, isso são coisa de 900
135

Km, 600 Km daqui de Salvador. “Não a gente quer ir sim, de qualquer maneira”. Teixeira de
Freitas... meu Deus!

EV - É a produção que vai buscar?


JP - Não... aí não. Aí eu digo: olha eu não posso trazer você. Não existe essa previsão da
produção. Você tem que se organizar, ver ai com o prefeito, geralmente é um prefeito que
manda ou aluga um ônibus e eles vêm.

EV - Quanto custa pra produzir o aprovado? Com equipamentos, equipe, locação,


estúdio, produção de conteúdo e etc.
JP - Isso eu não posso te dizer porque eu não sei. Um coisa é o custo de infra estrutura. Esse é
o custo da TV Bahia, com câmeras, estrutura e tudo o mais. Outra coisa é custo de produção,
de conteúdo. A nossa responsabilidade é produção de conteúdo.

EV - Quanto custa a produção de conteúdo?


JP - Eu posso dizer o seguinte: o patrocínio da Petrobrás é de 500 mil reais por ano. Se você
divide por 10 meses, já que dois entra a revisão, ai você e vai ver que é que tem um custo de
50 mil líquidos que é baixíssimo. Isso não existe (dividido por semana cada um fica por
menos de 12 mil ) é.... 12 mil reais.

EV - Existe retorno de imagem e de lucro com o programa?


JP - De lucro não. Não tem mesmo. Muitas vezes, eu já tive que pegar dinheiro emprestado
pra poder manter. Isto me aconteceu durante um ano e meio. O patrocínio não veio atrasou e
eu pra não tirar o programa do ar tive de recorrer a banco, tive que recorrer a amigos, diminuir
a equipe de produção pra gente continuar fazendo o programa. Porque pra TV Bahia isto não
é alguma coisa muito vexatória porque ela tem a estrutura dela. Os câmeras estão lá e vão
receber por mês. Mira está lá e vai receber por mês, faça o programa ou não faça o programa .
Agora eu tenho que providenciar tudo aquilo pra TV sobre o que a gente vai fazer.

EV - E tem retorno de imagem?


JP - De imagem tem. Lógico. De imagem tem desde quando o programa... ele é abraçado pela
comunidade da Bahia que o vê como um conteúdo importante para a sua qualificação,
formação sobre tudo para a sua juventude e isso dá um retorno de imagem muito grande.

EV - Como se dá o processo de criação dos quadros?


JP - Exato. Isso vai muito da questão que aquele quadro cumpre. Muitas vezes a depender do
momento da conjuntura um determinado quadro... ele é mais urgente do que os outros. Você
vê que nós tínhamos os quadros fixos que é o papo, a conversa, a entrevista; o Ralando na
área , tínhamos a Dica do mestre, tínhamos o Fique por dentro.
Fique por dentro era um VT de apresentação do tema que a gente fazia pra que o
telespectador ficasse situado em casa e entender mais ou menos a questão. Ele já não existe
porque a familiaridade vai crescendo tamanha com extrema... muitas vezes o telespectador se
136

prepara, já lê, enfim, já toma o périplo que vai ser discutido.


O Ralando na área não pode sair mais pelo quadro de orientação profissional. Ele é muito
importante. Inclusive muita gente chama o programa de Ralando na área, não chama de
Aprovado. Você vê o quanto ele é nosso não é?
Agora os demais quadros, por exemplo a gente tinha quatro Dica do mestre diminuiu pra
duas. Nesse momento ainda não foi nenhuma ao ar. Estou esperando chegar um pouco mais a
hora da prova pra bombardear esse foco do vestibular porque este ano o programa deixou de
ser apenas... aliás desde o terceiro ano que ele já não é mais apenas um programa de pré-
vestibular eletrônico como ele nasceu, a idéia original. Ele virou uma revista de educação e
cultura porque, se você se recorda eu comecei dizendo que o nosso foco é o estudante da rede
pública que não podiam pagar vestibular. O número desses estudantes gira em torno de 170
mil pessoas na Bahia toda. O programa hoje tem algo em torno de 2 milhões de
telespectadores. É muito mais gente do que um curso de vestibular poderia comportar. E agora
passou a ser também uma revista de conhecimento. Além de ser uma revista de educação e
cultura ele passa atuar mais no conhecimento de uma maneira mais ampla integrando e
incorporando outras faixas de espectadores que gostariam de ter um programa assim.

EV - Essa mudança de tem relação com as mudanças ocorridas esse ano como a ausência
de estudantes no estúdio? E a idéia de debate que vem sendo pontuada constantemente?
JP - Aí uma coisa que a gente precisava fazer: o debate. A gente não fazia o debate. Eu tinha o
entrevistado, os alunos iam perguntando e tirando dele a aula para fazer as perguntas. Não
debatia temas, não havia polêmica, contraposição, reflexão, ponderação. Este ano ele é mais
um programa de debate.
E sendo um programa de debates nós estamos trazendo pessoas que já tenham familiaridade
maior com o tema. Por exemplo, o programa de cinema. Você viu ali, que nós tínhamos
Sérgio Machado, tínhamos Messias Bandeira, nós tínhamos alguns cineastas na platéia
debatendo, ator debatendo e vai por aí.

EV - O público que assiste não é o mesmo público alvo?


JP - Não.... é sim!!! O problema é que o programa ampliou o público-alvo. Ampliou pois
além dos pré-vestibulandos... você veja que não teve nenhum assunto ali que não fosse ou
deixasse de ser assunto de vestibular.
No momento que o vestibular muda, que vem aí o novo ENEM, você vai ter alguma coisa do
currículo escolar mas você vai ter muita atualidade. Muita coisa que o aluno precisa estudar...
revista, comprando a revista semanal, estando atento a alguns programas de TV e muitos não
tem essa possibilidade, não têm dinheiro pra fazer isso. Comprar uma Folha de São Paulo
todo dia, por exemplo. É isso que a gente está fazendo entendeu. No espírito no vestibular que
vem aí e também atendendo a demanda de um um outro público pós-vestibulando que tem um
programa mais aberto, mas experimentando esses conteúdos.

EV - Quanto tempo é usado pra um programa ficar pronto? A parte de gravação e


edição é mais ou menos uma semana e a parte anterior à gravação?
JP - Pouco tempo. É só definir o temas, contatar pessoas e produzir os participantes... pouco
tempo. Isso aqui a gente fazia em uma tarde. Por isso que a gente fazia quatro programas tão
fácil... vários programas na frente. Já passo os temas todos, também já digo os artistas
137

convidados e aí é só gravar.

EV - Qual a importância do programa como divulgador da ciência?


JP - Claro. Isso é um dos viézes bem claros que tem no programa. Popularização da ciência. É
um dos pontos fortes que que tenho comigo. Por exemplo, nós vamos discutir agora
epidemias que assustam o mundo. Nós estamos aí vivenciando uma pânico geral com dengue,
com febre amarela, com gripe suína, gripe aviária... você veja: será que a escola que nós
temos tem velocidade pra trazer isso para o aluno? Não tem. Nem a escola particular. Porque
tem aquele programa a cumprir, não-sei-o-quê. Isso aí quem sabe um professor mais
interessado pode colocar numa aula extra no fim de semana. Mas é um professor interessado.
Não é a escola como um todo que vai dizer “olha jovem nós vamos agora parar aqui e ver este
assunto que está no ar. Vamos discutir, vamos refletir sobre ele, causas isso e aquilo.”
Acho que o programa tem que cumprir isto até por conta da própria velocidade que ele dispõe.
Você veja que nós temos ao longo do ano alguma coisa em termos de 10 a 12 temas
científicos

EV - O que o senhor chama de ciências?


JP - Eu chamo de ciências tudo aquilo que pode ensejar a descoberta de uma nova realidade.
A Sociologia, por exemplo, não descobre uma nova realidade. Ela interpreta uma nova
realidade mas Física, por exemplo, descobre uma nova realidade. No momento em que ela vai
lá e apresenta uma possibilidade de... sei lá... apresentar que o Condensado de Bose-Einstein
está certo, ela está apresentando.

EV - O senhor acha que o programa Aprovado é um programa de educação ou de


divulgação científica?
JP - Ele é um programa de educação pois pra mim dentro de educação está tudo. É assim: pra
mim o universo maior é o universo da cultura. A educação está dentro do universo contido no
universo da cultura. A ciência está contida também nesse universo. A cultura é um universo
maior. Tudo aquilo que o homem faz além do que a natureza criou. A partir daí vem a
educação, vem a ciência, vem a arte, vem as muitas formas de interpretação do mundo... de
entendimento do mundo.

EV - Quais as dificuldades que o jovem tem pra entender a natureza e a sua


aplicabilidade?
JP - Primeiro, saber que a ciência não é algo distante da realidade dele, do dia-a-dia dele. Se é
ensinado dessa maneira,está errado. O professor tem que trazer a ciência para os olhos
imediatos do aluno. Mostrar o quanto aquilo está conectado à sua vida, ao seu real. No
momento em que ele entender isso ele vai amar a ciência como ele ama a namorada, como ele
ama ir ao Shopping Center, como ele ama tomar um chocolate ou tomar um sorvete na
Ribeira. É preciso trazer o conhecimento, seja ele científico, artístico, cultural, pra este
patamar. E muitas vezes o afastamento do jovem da ciência, do conhecimento científico é
porque isso não está sendo transmitido de uma forma adequada. Por exemplo existe algo mais
presente na nossa vida que os fenômenos físicos? Não há. Do que a Biologia? Não há. E no
entanto parece que essas realidades são realidades marcianas, realidades que estão em Marte e
138

que nós estamos aqui em um mundo completamente diferente.


O programa, eu acho que cumpre um pouco esta tarefa. Você pegar os melhores cientistas, os
melhores comunicadores também. Não basta ser apenas um cientista renomado pois se ele não
sabe dizer com clareza para que as pessoas entendam aquele conhecimento fica apenas com
ele. Ele vai criar maravilhas mas jamais saberá transmitir essas maravilhas.

EV - Como são escolhidas as profissões do quadro Ralando na área?


JP -Olhe bem. Até quando o programa tinha uma certa independência... independência de
mercado, vamos chamar assim, as profissões eram escolhidas de acordo com o pedido das
pessoas. As pessoas pediam: “olha eu não entendo nada sobre determinada profissão, estou
pensando em fazer isso”. Outra pessoas pediam “dá pra o senhor fazer no Ralando?” Aí a
gente ia lá fazer. Depois a própria TV começou a vender o espaço do Ralando na área pra
merchanding e as universidade de Salvador, as particulares, passaram a comprar aquele
espaço. Então, hoje, é elas que indicam a profissão que interessa anunciar naquele espaço pra
fazer no vestibular. Quer dizer, quem dita é o mercado. Antes não. Antes a gente fazia o
Ralando na área baseado principalmente nos cursos da UFBA e da UNEB Ou algum curso
novo que surgia como mecatrônica. Quando surgiu na FTC então...
Ah! Produção Cultural! Que era um curso novo, ainda novidade. A gente fez logo. Claro. Ali
ainda era integrado.

EV - Qual a visão de ciência e tecnologia que o programa pretende veicular?


JP -Não é uma visão. Não pode ser uma visão particular do programa. A visão é uma visão
desmistificadora, principalmente. Uma visão que vai facilitar o entendimento do estudante
para que ele caminhe por aquela área do conhecimento que muitas vezes ele não tem fora de
aula. Este é o principal compromisso. É o pouco que gente pode fazer com um programa de
50 minutos semanais... se liberasse o programa meia hora todo dia, seria diferente.
139

ANEXO G – ENTREVISTA COM RITA VIEIRA

Transcrição da entrevista
Entrevista feita com Rita Vieira - Representante da produtora RV Produções
Realizada em maio de 2009
Duração: 58' 17''

ESTHER VÁSQUEZ - Como surgiu a produtora ABAÍS?


RITA VIEIRA - Na verdade era RV Produções que era uma empresa que nós temos há
muitos anos, uns 18 anos. A gente sempre trabalhou com educação mas a gente tinha já esse
pensamento em produzir algo cultural. Então a gente estava vendo que nós produzimos... ah!
por acaso eu tenho até aqui... Na RV Produções a gente produziu um programa com
Margareth Menezes e Edson Gomes em 90. Depois nós fomos produzir um programa
chamado... /Daí a produtora servia para essas coisas. Sempre para essa área com viés de
educação e cultura.

EV - Então só trocou o nome?


RV - Não continuou com o mesmo nome: RV Produções. Quando surgiu o Aprovado – que
Portugal já deve ter passado pra você a idéia – foi através do Faz Universitário na época em
que Albérico Mascarenhas fera o Secretário da Fazenda e tinha um projeto que era Esporte,
cultura e educação e aí Portugal foi lá enfim... /na verdade, a idéia do Aprovado surgiu com o
Circuladô Cultural38.
Em 1998 surgiu o Circuladô Cultural. Era um projeto que nós levamos às escolas da rede
pública que eram palestras e música. A gente sempre chamava o artista local por causa do
custo. As pessoas iam numa boa mas tinha um valor simbólico de 500 reais de cachê, tipo
assim. Daniela, Margareth, Lazo, Xangai enfim... Tinha aula-show – que essa idéia é nossa,
de aula-show, de Jorge Portugal – aula-show, palestras e depois tinha o debate. Debate sobre
aquele tema. .
Começou no Central; no Severino Vieira, aquele de Brotas. Vários colégios nós saímos
fazendo. Daí a partir dessa idéia do Circuladô Cultural a necessidade de que Portugal foi
abordado em muitas... /tipo o aluno chegava assim: ”olha a gente quer concluir o 3 ano e a
gente não tem mais sonhos nem esperança. A gente não tem como fazer para pagar um
cursinho que é caro. A gente não tem material para estudar. Vocês precisam pensar em alguma
coisa pra ajudar a gente”.
Daí Portugal começou a montar essa idéia, tal. Teve a idéia de montar um programa de
televisão que seria uma revista eletrônica de educação e cultura pra possibilitar à esses alunos
da rede pública terem um conteúdo que viesse ajudá-los a entrar na universidade e a partir daí
surgiu o Aprovado, dessa maneira.
Ele foi, bateu em porta... era a Copene na época com Zé Siqueira, pra eles patrocinarem aí
“não”; tinha que mudar o nome, não sei-o-quê. Eles queriam mudar o nome.
Então a gente foi falar com Albérico Mascarenhas e ele, dentro do Faz Universitário, abriu
38
Projeto criado em 2003 com o objetivo de promover o intercâmbio entre os artistas baianos nas áreas de teatro,
dança e música, tinha três vetores de circulação de espetáculos, oficinas e workshops: grupos de interior para se
apresentar na capital, grupos da capital para se apresentar no interior e grupos do interior para se apresentar em
outras localidades do interior, selecionados através de edital público. Em quatro anos de existência, realizaram-se
mais de quinhentas apresentações, com um público superior a cem mil espectadores;
140

essa janela e a gente trabalhou o primeiro ano de 2000 na TVE.

EV - Até quando o programa ficou vinculado à TVE?


RV - Na TVE a gente ficou mais ou menos 1 ano. A gente tinha 80 mil só, de público, de
telespectadores que assistia o Faz Universitário. O que não tinha a dimensão da Globo, não é?
Dessa parceria com Globo, do Aprovado...
Em 2000 - o programa tem 9 anos... foi de 99 a 2000. Em 2000 Portugal foi, através de uma
figura que a gente conheceu no show de Caetano, Sérgio Siqueira e Rodolfo Tourinho, e foi
falar com Rodolfo que ele tinha uma idéia, que tinha esse programa e que ele podia levar o
patrocínio que era nosso – do Governo do Estado – para a TV Bahia. Aí ele disse que não
tinha interesse... e tinha o horário da TV Globinho. Desenho animado 7 horas da manhã. Jorge
disse “Eu quero. Eu aceito esse desafio”. “Se você me der 1 ponto já é tudo”. Jorge: “Está
bom”.
Aí nós fomos. A gente não tinha grana ainda. Já tinha uma curta grana. Na TVE eu maquiava,
eu vestia, eu ia buscar aluno, eu fazia lanche, eu fazia tudo.

EV - Na TVE ficou de 99 à 2000 ou de 2000 à 2001?


RV - Não. Na TVE a gente não ficou nem um ano. Com precisão Esther, acho que a gente
ficou até o final aí depois no outro ano a gente já começou em março na TV Bahia. Em 2000
porque se não havia antes? Em 2000 a gente foi pra TV Bahia. Foi meu primeiro contrato. De
2000 pra 2009 são 9 anos de Aprovado.
Daí nós fomos pra lá e começamos que já tinha uma verba. O Governo do Estado já
patrocinava, na época de César Borges, na secretaria do Secretário de Educação, Tinôco.

EV - Até esse momento tudo era conseguido pela RV Produções?


RV - Tudo era pela RV Produções. Se a RV conseguiu patrocínio, ela pagava a TV Bahia. A
gente pagava 60% à TV Bahia porque o custo era alto e 40% pra pagar toda a produção de
conteúdo. Na verdade, o Aprovado até o segundo... /teve um período em que a gente pagou
pra o programa acontecer. Não tinha recurso. O valor era muito pouco. Era 15 mil só, por
mês. Não dava pra pagar.

EV - Isso era o patrocínio do estado?


RV - Do Estado mas a parte maior era pra TV Bahia.

EV - Porque? A TV Bahia cobrava o quê?


RV - Técnica. Até hoje.

EV - Como é essa divisão entre a produtora e a TV Bahia?


RV - Por exemplo, hoje a TV Bahia recebe... /Eu saí. Eu entreguei a produção. Porque eu
estou fazendo parte do programa nacional, não tinha como conciliar.
A TV Bahia hoje produz o Aprovado e só Jorge Portugal está lá mas até ano passado nossa
parceria era de 25%; 75% pra eles. Então no valor de percentual, vamos dizer assim de 500
141

mil reais menos 25%... eles recebem 365 mil no ano e nós 125 mil. Você dividindo isso por
12, você teria 10 mil por mês. 10 mil pra tudo. Pra todo o conteúdo, pra produtor, pra
assistente de produção, pra motorista, pra produtor executivo, pra apresentador. Tudo.
E antes era assim também. Só que antes eu pagava tudo e depois que eu pagasse tudo eu ainda
tinha que pagar 70% pra TV Bahia.

EV - A TV Bahia que recebe esses 70%, faz exatamente o quê?


RV - A parte técnica de edição, direção. Ela tem as assistentes dela lá dentro que dá apoio. As
assistentes de produção que dão o apoio à técnica. Tem ajudante disso, cinegrafista, não-sei-o-
quê.... locação de espaço. Estúdio. Eles que criam o cenário. Toda a parte técnica com o nosso
OK. Toda a parte técnica é TV Bahia e a nossa parte é conteúdo. Nós somos desenvolvedores
de conteúdo.

EV - Eles bloqueiam ou sugerem algum conteúdo?


RV - Não porque como o programa foi idealizado por Jorge e apresentado e produzido na
nossa empresa, então - ele sendo um educador com mais de 25 anos de experiência na área de
pré-vestibular - mesmo eles jornalistas enfim... eles não se sentem à vontade pra interferir no
conteúdo que é sucesso que já é aprovado.

EV - E a ABAÍS nesse processo, surge quando?


RV - A gente ficou 9 anos aí. Daí a gente sentindo a necessidade que o Aprovado chegasse a 2
milhões e 200 mil pessoas em audiência... /quando ele dá 12 pontos, 11 pontos, ele vai pra 2
milhões e 200 no Estado. Só naquele horário das 8 às 9 na Rede Bahia, fora TV Salvador que
vai mais 3 vezes e; 2 vezes na TVE que reprisa no sábado e no Domingo.
Então a gente sentindo a necessidade... /que isso aí criou vários outros produtos. O Aprovado
foi um portal que abriu pra que a RV criasse vários produtos. Nós tínhamos um jornal dentro
do Correio chamado Aprovado com conteúdo. Você teve acesso, não é? Então com conteúdo e
tudo mais. Mas ele também abriu pra gente montar um curso pré-vestibular que é a Central
do Vestibular, hoje.
Ele criou várias janelas para que a gente pudesse produzir mais educação. Porque uma coisa
vai chamando a outra e sentindo essa necessidade... /Jorge sempre falou com o pessoal da TV
Bahia.
Eu me lembro que há uns 8 anos – precisamente uns 7 - Portugal falou com João Gomes
“vamos fazer a Maratona do conhecimento. Eu tenho um projeto pra que a gente possa criar
um concurso de Redação em todas as escolas públicas do estado pra estimular, motivar esse
alunado que está lá em Barreiras, que está lá em Xique-xique, que está lá em Santo Amaro,
enfim. A gente pega a Secretaria de Educação e faz um movimento único. Cria a
premiação...”. “Ah! É complicado, não-sei-o-quê...” Então foi indo e vindo, Wagner... quando
Wagner assumiu, Portugal falando dessa necessidade ele: “Ah! Vamos lutar pra gente
conseguir”.
Então o governador deu muito apoio pra que surgisse o Tô sabendo. Mas teve um momento
em 2007, nós tivemos o programa chamado Tô sabendo na Aratu que foi apresentado por
Caetano, meu filho. Você viu o DVD aí? A gente tem aí. O Tô sabendo era na Aratu e ia ao ar
as 1 da tarde dia de sábado e era o filho do Aprovado pra os alunos do ensino fundamental até
a 8 série. Então a gente ia pra encostas trabalhar com a comunidade de riscos, com a área mais
142

social e era um boom de entrevistas com música. Caetano fazia entrevista e levava o pessoal
de hip hop, de cine fazia uns trocadilhos e tudo mais. A partir daí – esse nome já é nosso,
registrado – surgiu essa oportunidade de fazer o Tô sabendo nacional. Nós estávamos desde
julho do ano passado trabalhando nessa produção.
Como a RV era uma empresa que já estava muito ligada ao Aprovado em todas as questões a
gente pensou em criar uma empresa chamada ABAÍS que é uma coisa aberta, não é?
“BAIA, aberta”. Pra gente fazer o Tô sabendo. Que ela começaria tudo de novo, com novos
profissionais, novas perspectivas de trabalho e com um novo programa. Que através da web
que ele alimenta a TV que vai ser um portal do Tô sabendo mais.

EV - O portal Tô Sabendo existe para dar suporte ao aprovado ou é um meio


independente?
RV - Não. Portugal criou o Portal Tô sabendo para que os alunos da rede pública e o público
que assiste o Aprovado, sobretudo os alunos, tivessem um nível de informação que viesse
contemplar suas deficiências. Então a gente tem a mesma equipe que vai trabalhar no Tô
sabendo mais - que é do Governo Federal, do MinC, TV Brasil, IRDEB e ABAÍS. Eles
também já desenvolveram o Tô sabendo normal que era o nosso portal que agora nós não
vamos ter mais. Vai ter só o Tô sabendo mais que é do Mais Cultura. Então esse programa ele
já tinha um curso de redação on line. Ele já tinha todas as informações que eram absorvidas
do Aprovado e eram portadas da linha Tô sabendo

EV - Era um aprofundamento do programa Aprovado?


RV - De tudo. E você tinha o espaço do poeta, entrevistas com personalidades de curso pré-
vestibular. Então a gente alimentava ele diariamente com informações da Folha de São
Paulo39, de vários jornais de repercussão nacional.

EV - Atualmente, quem faz a produção do Aprovado é a ABAÍS ou RV Produções?


RV - Não. Nós não fazemos mais a produção. Eu passei a produção para a Bahia, cinema e
vídeo40.

EV - A partir desse ano?


RV - Sim.

EV - Mas até ano passado quem fazia era a RV Produções?


Não. Era a ABAÍS.

EV - Como é escolhido o conteúdo do programa?


RV - Portugal dá os temas. Portugal diz assim “olha, nós vamos trabalhar hoje com Esther,
com Ruy Texeira e com... e a escola gente escolhe”. A gente pega na Secretaria de Educação,
através das Direcs, o número de escolas. Então a gente liga pra escola e aí quanto tempo? O

39
O Folha de São Paulo é um jornal brasileiro editado na cidade de São Paulo. É um dos jornais de maior
circulação do Brasil e mais influentes.
40
Empresa, vinculada à Rede Bahia, produtora de comerciais e programas para a televisão.
143

ano todo? Tudo é daqui... ah! já teve de Juiz de Fora, já veio escola de Barreiras, da Chapada
Diamantina, desse interior.... Camaçari, Santo Amaro, Lençóis, vários lugares.

EV - Tudo passa por Jorge Portugal? Desde os temas?


RV - É porque Portugal pensa num tema... Como o programa é pra rede pública e ele está
ligado à base de currículo do pré-vestibular da UFBA e desenvolvimento. Então assim, ele
pensa num tema “Nós vamos falar sobre Conjuntura Mundial”. Então quem é que pode estar
falando de forma didática, que esse aluno possa compreender de onde ele estiver? Renata
Fontes? Márcia Khaled? Os professores estão aí carimbados, quem tem didática. Tem até
professores jovens também. Ele pode já ter hoje um nível de informação bastante interessante
que pode vir a ser convidado.
Convido uma dessas figuras, esses alunos, a gente debate nas escolas um dado tema, debatia...
As pessoas... /eles são muito enlouquentes, eles têm muita boa vontade, eles têm força de
vencer. Você dá um tema “Conjuntura Mundial”. Eles estavam afinadíssimos. O que é um
diferencial porque antes, quando nós fazíamos o Aprovado, a gente tinha dificuldade de
discutir o tema com o aluno. Era muito pesado pra eles. Eles não tinham a menor idéia de por
onde começar. Vergonha de falar, de se expressar, de se vestir, de chegar. Hoje eles já vem
assim, com autonomia, com vontade, com o conhecimento na ponta da língua.

EV - Como é feita a escolha do colégio?


RV - Eu mesma escolhia aqui e através do Aprovado, depois, eles mandavam muitos e-mails
aqui pra gente pedindo “Ah! Minha escola quer participar”. Daí nossa produtora ligava pra
essa escola, mandava o tema, ia debater com eles, saber se eles tinham dúvidas de
determinado assunto quando fosse alguma coisa mais complexa.
Aí não tinha muita dificuldade.

EV - Como se deu as mudanças de cenários, de perfil ao longo dos anos?


RV - Assim, aí entrou um novo diretor... /nós tínhamos uma gerente de produção lá da TV, da
Bahia, cinema e vídeo que era Lilia Gramacho. Até então nós íamos assim... /achando que
inovando, que fazendo aquela coisa mais solta, pegar o aluno na própria escola naquela
tevêzinha... /que não eu gosto daquilo mas acho que perde um pouco o calor, aquela coisa de
você estar debatendo tête-à-tête, olhando pra você e falando.
Então assim, ia pra escola e a gente gravava diretamente tudo ali com a equipe. Já gravava as
questões na própria escola. Isso foi uma idéia do novo diretor.

EV - Quem decide essas mudanças?


RV - TV Bahia. Bahia, Cinema e Vídeo. Sérgio Siqueira que hoje é o diretor de produção e
conteúdo.

EV - Como você acha que o conhecimento é divulgado através do Aprovado?


RV - A ciência é divulgada quando você leva profissionais como Mitermayer, da Fiocruz. O
que ele desenvolve ali, as edemias são desenvolvidas tanto que ele já gravou vários programas
lá dentro. É uma forma de você divulgar o que a ciência tem colaborando com essa... /pra
144

dizimar essas doenças... que é desenvolvidas vacinas lá dentro.


Quando você convida Ricardo Chemas que é um dos mil maiores cientistas do mundo e é
pouco reconhecido aqui.
Nós já trouxemos aqui alguns cientistas. Você trouxe Mitermayer. Você trouxe - um moço
também que é de lá da Fio Cruz - Ronald Pallotta. Você trouxe Roberto que é um cientista da
USP, também falando dessas questões das edemias, o que a ciência tem desenvolvido. Além
do que eu já falei que foi Ricardo Chemas. Você já trouxe também outros pesquisadores nessa
área.
Na área de informática foi o professor Ildeo que é do Ministério de Tecnologia.
O Aprovado mostra as ações super positiva de que a ciência, em vários pontos, contribui para
o conhecimento sobretudo dos alunos da Rede Pública que tem que ter acesso.

EV - Quais são as dificuldades que os jovens tem pra entender a natureza da ciência e a
sua aplicabilidade?
RV - Os que vão ao no programa eles não demonstram essa dificuldade. Tem uma
receptividade boa pois você percebe que eles não ficam titubeando na hora de questionar. Eles
vão perguntar sobre anemia falciforme que é uma anemia que é desenvolvida hoje no povo
negro. Ele tem muito conhecimento.
Nós trouxemos até uma cara, Roberto Vieira, que era diretor-presidente da INB (Indústria
Nuclear Brasileira), um cientista que estudou muito. Trouxemos alguns físicos e esses alunos
não tinham dificuldades de perguntar. Você coloca o tema pra eles e eles desenvolvem bem. O
que eu percebo nesses meus 22 anos que eu trabalho na área de educação social – eu já fui
além de produtora cultural, diretora de cursos sociais e também fui gestora social. O que eu
percebo é que o que falta aos nossos alunos das classes D e E é oportunidade.
Porque quando você dá oportunidade... se você é classe média, seu pai paga pra você estudar
num Mendel, numa Oficina, se você vagabundar o problema é seu mas você já tem uma base
de informação da casa e você já está tendo um reforço de uma super informação de um curso
desses mas esses alunos que eu identifico enquanto eu trabalhei durante esses meus 8 anos,
trabalhando na área de gestão social – que eu trabalhava no Lobato, Mata Escura, São
Cristovão, enfim – que você identifica esses indivíduos, falta-lhes apenas oportunidade. Não é
difícil compreender.
Agora... eu acredito que o Aprovado é um suporte que vem complementar o que eles não têm
sala de aula e também não condeno os professores da rede pública. O que eu tenho hoje é um
curso com 25 professores que eu pago razoavelmente pra eles. Não é tão bem como eu
gostaria mas é um diferencial em relação à rede pública. E você vê a dificuldade desses caras
absorverem pra ter informação. O tempo, a maioria é estudante da UFBA, estão formando,
estão se graduando ainda. Mas o professor da rede pública não têm estímulo. Então se você
não tem estímulo na sua área, você vai trabalhar numa empresa de produção, se a pessoa não
te dá vale transporte, só te dá aquele seco salário pra você produzir, por mais que você tenha
vontade e garra você perde esse desejo de conseguir.

EV - Você acha que o Aprovado tem o papel de abrir essas oportunidades?


RV - Eu acredito, não por que eu produzo desde o início não, é que eu sou apaixonada por
educação e eu acredito que o Aprovado é um dos programa que, além de abrir essa janela,
essa porta para a informação, ele vai diretamente no foco. É um programa sócio-educacional.
Ele vai diretamente no foco, pra essa galera. Que quando você viaja com Jorge Portugal pra
145

Chapada, pra Rio Grande do Sul então o povo conhece do Aprovado. Crianças de 6 anos à 92
anos.

EV - Você considera o Aprovado um programa de educação ou de divulgação científica?


RV - Eu acho que ele complementa os dois. Ele é um programa de educação mas ele não
deixa, ele não fecha as portas pra ciências. No momento em que você divulga a educação
científica, que esses personagens que eu te falei que a gente traz e que você compreende que
esse aluno dialoga bem com esse físico, com esse cientista então ele é um programa de
educação mas não despreza a ciência.
Ele abre uma variante pra ciência. Ele tem várias janelas: educação, a cultura e a ciência. Eles
são interligados. um complementa o outro. A educação, sem dúvida, por que pra mim a
educação é a base fundamental. O indivíduo se permitir cidadão; que através da educação ele
vai lhe respeitar e se respeitar; ele vai exercer seu papel cidadão e ética.
A ética vem imbuída, não é berço... ele tem atitude mas a ética... você vai exerce-la melhor no
seu dia-a-dia através da educação. É uma ação complementando a outra. Eu percebo dessa
maneira. É por isso que eu continuo trabalhando com educação e vou morrer trabalhando com
educação.

EV - Qual a média de Ibope de cada programa?


RV - Agora mesmo com esse novo cenário... - que nós ficamos um pouco retardatários com o
cenário, uns 3 anos sem mudar, que ainda não tinha a contratação, não tinha sido fechada
devidamente enfim.
Esse ano de 2009 fizemos um novo cenário e um novo formato, tiraram os alunos – você até
participou um dia? - tiraram os alunos do cenário e esse aluno já não participa mais.

EV - Porque teve essa mudança assim?


RV - Eles acharam que dessa maneira pode ser melhor. Eu não concordo e o professor
Portugal também não mas nós não somos mais os produtores. Enquanto eu produzia, eu
brigava pra ter. Que meu aluno tinha que ter lanche, tinha que ter uma Sprinter pra ir busca-lo
na sua escola, deixa-lo enfim. Não sei se isso onera custos pra TV. Eu sei que foi tirado. Não
me interessa o porquê, porque não me foi esclarecido.

EV - E o Ibope do programa?
RV - Depende do convidado, do tema. Na semana passada nós tivemos... o que você
participou teve Cristovam Buarque, não foi? Aquele foram 11 pontos. 11 pontos de share41
quer dizer que em cada 100 televisores ligados no estado, 11 estão no Aprovado. Então, você
calcula pelo número de habitantes de Salvador que são hoje 3 milhões – lá fora tem uns 6
milhões? No estado todo? - 9 milhões. Aí você calcula 11 pontos.

EV - Isso quer dizer que a média é 11 pontos?


RV - Não. Não é a média. A média está de 8 a 9 pontos, mas tem os picos que, às vezes, é até
o dobro, 13. Ele bate nos programas da Globo. Ele é um programa que vai fazer 10 anos e que
41
Porcentagem de TV's ligadas sintonizadas no canal.
146

tem um nível de audiência desses? Então você percebe o compromisso dele com esse público.

EV - O público que assiste é o mesmo para o qual é direcionado?


RV - Não. É variável. Como eu estou lhe dizendo, têm crianças de 4 anos que acordam mais
cedo para assistir o programa. A gente tem isso. Eu já ouvi vários depoimentos: “meu filho me
acorda 7 horas da manhã, dia de sábado, que ele quer assistir o Aprovado com Jorge
Portugal”.
E os velhinhos, senhores de 80, 90 anos: “meu filho, minha memória é cada vez melhor
porque eu não perco o Aprovado. Eu estou sempre aprendendo”.
Então nós temos aqui e mas não sei se nos nossos arquivos ainda existe, casos de pessoas que
saíram de depressão pós-parto, fez vestibular e passou. Até trouxe no Aprovado. Uma Maria
de Lourdes do Senhor do Bonfim que passou por causa do Aprovado. Uma senhora de 75
anos, nós também levamos no Aprovado - tenho que ver nos arquivos. Uma mulher de 26
anos que passou na UNEB num curso excelente só estudando pelo Aprovado. Então você vê o
compromisso do programa em relação ao seu público.

EV - Quanto tempo é gasto para produzir o programa?


RV - Eu tinha uma produtora chamada Ivana que ficou 4 anos conosco aqui. Portugal pensou
“Nós vamos levar Márcia Khaled pra falar sobre conjuntura” Pronto. Eu faço essa produção
em 20 minutos porque a gente já tem os contatos. É tudo muito local, muito perto.
Então a gente diz assim: “Eu quero a escola Senhor do Bonfim ali dos Barris”, por exemplo.
Você vai lá com um tema, liga pra diretora, vem com 20 alunos pra gente escolher, 12 pra
participar do programa. Seu Antônio da van. Passo um e-mail pra ele, liga dizendo que dia
terça-feira vai ter Aprovado às 9 da manhã. Diz pra Márcia Khaled que ela tem que estar la às
8:30 pra fazer um feedback com os alunos, um ping-pong. Portugal tem que estar lá às 8:30
pra maquiar, arrumar, vestir. Ver o estúdio, cenário, se está tudo afinado, luz. Essa coisa toda,
a ilha. Está tudo bem. Pronto.
Então a gente já manda os correios via e-mail e os temas a gente resolve aqui em 20 minutos.
É tudo muito rápido.

EV - Qual o custo financeiro para o programa ficar pronto?


RV - Na TV eu posso ter um dimensão assim... quando a gente fazia na praia, o programa saia
por 35 mil reais.

EV - Quanto tempo ficou na praia?


RV - Quantos tempo? A gente fez uns 4 só, na praia. Em anos diferentes. Períodos diferentes.
A gente esteve na própria TVE e depois a gente esteve no Othon Palace um tempão. A gente
ficou mais de um no no Othon. Trabalhava ali onde são os shows, na área verde. A gente
gravou muito tempo ali, mas o custo é alto, pois um caminhão desses é muito caro. A diária é
muito cara de pagar. E na praia também. Não sai menos do que 30 mil um programa.

EV - E os patrocinadores atuais, eles pagam todo esse custo? Como é feita essa relação?
Quem são os patrocinadores?
147

RV - O patrocinador hoje do Aprovado é a Petrobrás. A Petrobrás banca o programa


anualmente. São 12 meses vezes 4 programa/mês.

EV - Então é 35 vezes 4?
RV - Ela paga isso atualmente. A TV Bahia recebe esse valor e é repassado para a RV o que
cabe a ela. Era 25 com a RV e agora ela paga Portugal como apresentador, apenas.

EV - Há retorno financeiro? Lucro?


RV - Não tem retorno. A RV não tem lucros com o Aprovado. Como eu te falei muitas vezes
eu paguei para o programa acontecer.

EV - Há retorno de imagem?
RV - De imagem, bastante. Porque quando você está à frente de uma televisão como a Globo
e do poder que ela tem, então ela abre várias perspectivas de negócios pra você. Esse
programa Tô sabendo que foi a vitrine do Aprovado que nos deu essa possibilidade de entrar
em outra emissora, na TV Brasil e produzir o programa nacional.
Mas, Jorge em todos os programas sempre criou. Ele idealizou. Ele vendeu. Ele captou
recursos. Ele já levou pronto, inclusive esse nacional. Ele foi pra Brasília, vendeu a idéia a
Juca Ferreira, nosso ministro da cultura e essa idéia de Juca com a TV Brasil já tinha saído
aqui com uma conversa com o governador Jacques Wagner pôde realizar isso.

EV - Com o são escolhidos os músicos? Há um incentivo à artistas locais?


RV - Veja bem, nós do Aprovado não trabalhamos com as ditas músicas de moda, que é o axé,
o pagode... Não. Nós trabalhamos com o segmento, em se tratando de um programa cultural,
nós trabalhamos com MPB, com os clássicos, com o jazz, com o pop-rock – até entra – com
samba, um samba local ou de fora.
Então, nós já tivemos no Aprovado Jorge Aragão, outros artistas nacionais que tiverem aqui
na cidade. Se puder gravar com eles, a gente grava. Não há uma restrição para artistas locais.
Se tiver Chico Buarque e a gente puder gravar com ele: alegria.

EV - Como são feitos os quadros? Quem escolhe-os?


RV - Os quadros permanentes do Aprovado, na verdade são: a entrevista, o Ralando na área,
Fique por Dentro – que a introdução da entrevista sobre o tema que vai ser discutido naquele
dia – e a Dica do Mestre. São os quadros permanentes, fixos. Portugal, em vez ou outra,
escolhia outros quadros, tipo Papo Cabeça com João Ubaldo Ribeiro. Criava os quadros pra
desfocar um pouco dessa matriz.

EV - Tem o Anote aí...


RV - Mas aí era coisa que ele criava mas não eram os quadros fixos. Os quadros fixos são os
que eu acabei de falar pra você.
148

EV - Como se dá a escolha da profissão no quadro Ralando na área?


RV - É variável. Quem sempre escolheu as profissões fui eu. Sentava com a minha produtora
e, bom, eu tenho aquela revista do vestibular e via as faculdades que nós temos... /que eu me
baseava muito no tema do meio do ano até junho a gente via o quê? Escola particular. As
faculdades particulares. Área 1, FTC, Jorge Amado, Unifacs, Física, Unime. Quais são os
cursos que eram oferecidos por essas faculdades até junho, em que o aluno entra através do
ProUni42 com a mensalidade que ele possa ter a oportunidade de pagar. Então a gente tem
Enfermagem, algumas Engenharias - você vê que a gente no meio do ano não tem Medicina -
Contabilidade, Economia, Administração, Pedagogia, enfim. Os cursos referentes àquele
período.
A partir de agosto nós já entramos com Medicina, com vários cursos da Medicina,
várias especializações. Medicina Veterinária, Pediatria, Ginecologia, pra falar das epidemias,
das doenças infecto contagiosas, HPV. Daí, Direito, Engenharia Elétrica, Oceanografia. Então,
são temas que seriam abordados mais especificamente.
Depois de um certo tempo que começou Babi a apresentar, Babi Vieira como repórter a
apresentar...

EV - Ela ficou apresentando durante quanto tempo?


RV - Ela ficou 3 anos, até 2008. Foi 2006, 2007 e 2008. E a partir daí começou a receber
muitos e-mails pedindo: “Ah! Eu queria que falasse sobre Serviço Social”, “Contabilidade lá
em não-sei-aonde”. Então, a gente começou a catar os e-mails, Biblioteconomia, coisas que a
gente não colocava e as pessoas solicitavam Ralando na área naquela área. Então, a gente
começou a acatar esses pedidos e permitir que fosse feito Ralando nessa área.

EV - Algumas faculdades particulares aparecem durante o programa. Também são


patrocinadores?
RV - A FTC, a Jorge Amado, a Unime foram faculdades... que o programa não pode ter
patrocinadores. Ele pode patrocinar como o apoio financeiramente remunerado à
determinados quadros, como o Ralando da Área, por exemplo, Dica do Mestre.
Então, ele pôde pagar. Paga ao programa, mas os patrocinadores são o Governo do Estado
através da Secretaria da Educação... nem a própria Petrobrás aparece. Você pode ver lá, ela
está dentro de um quadro. Mas ela não é. O único patrocinador deveras é o Governo do
Estado, mas os outros são apoiadores que remuneram a produção da TV para aparecer como
mídia. Você tem aí um merchanding Faz merchanding, na verdade, é isso.

EV - Esse tipo de programa como o Aprovado entra nas cotas da emissora da rede globo
como um programa de divulgação de conteúdo educativo?
RV - A gente não tem essa informação, mas eu acredito que ele tenha, porque a própria
Globo, há uma época atrás, quis que o Aprovado fosse apresentado no Canal Futura mas
depois desistiram, que eu acho que também não era interesse da Rede Bahia.

42
Programa Universidade para Todos tem como finalidade a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais a
estudantes de cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de educação
superior
149

EV - Qual a importância de divulgar o conhecimento científico através de uma televisão


comercial?
RV - Eu acredito, Esther, que quando você divulga o conhecimento científico através de uma
televisão comercial, é o alcance que você vai ter de público, porque a gente pode ver em
mídia, o marketing comercial e se você coloca uma TV local como o SBT – Aratu – Band,
você não tem o mesmo alcance que uma Globo e uma TVE. Então, são TV's que você tem um
diferencial em percentuais de mídia muito grande. Se você coloca um seminário de ciência
para ser exibido em um comercial da Globo, você vai ter ali... se seu alcance é 150 pessoas,
você vai ter 150 pessoas. Se você coloca em uma outra TV comum, você vai ter 50.
É essa a diferença: o alcance, o objetivo que você vai ter. O êxito de você estar apresentando
numa TV comercialmente... pagando, sobretudo,... /eu tiro pelo meu próprio Central do
Vestibular. Nós temos ali no centro o DNA, Grandes Mestres, Sartre, que não é mais Sartre
Coc, é São Pedro, Universitário, Sagrado, Atitude. O único que tem aluno é o Grandes
Mestres, Central do Vestibular e Sartre. Os outros status... está quase todo mundo com as
portas fechadas. Eu botei uma mídia na Globo. Eu matriculava 40, 50 alunos por dia. Eu
tenho 800 alunos. Os outros têm 400, 300, 200. Do mesmo modo que você divulga ciência
através de um programa de ponta com esse nível de audiência, seu resultado será
completamente outro.

EV - O que você pensa sobre tecnologia?


RV - Eu acho que hoje se a gente parar pra pensar sobre essa análise que você está colocando
em relação à tecnologia... a tecnologia hoje é fundamental, ela é uma complementação
fundamental porque ela te possibilita fazer o que a gente está fazendo aqui: você está
conseguindo gravar uma conversa nossa, uma entrevista que é pra sua monografia mas se não
fosse a tecnologia você ia teria que estar anotando ipsis litteris do que eu estou falando. Olha
a dificuldade que você teria. Então eu acho assim ela é um meio que possibilita esse avanço,
esse olhar e a compreensão do indivíduo hoje.

EV - O programa Aprovado entra em algum momento nessa concepção?


RV - Acho que ela entra sim. No momento em que você divulga os três pilares que eu te
coloquei que é ciência – a ciência, ela está ligada à tecnologia, são as ciências humanas, as
ciências biológicas, a ciência como um todo – a cultura e a educação. O Aprovado, ele está...
O Aprovado, eu acho que ele é holístico. Ele está em todos os pontos e que venha a somar
para distribuir informação pra esse público que são os alunos da rede pública. Eu acho que ele
é esse fomento, essa base.
Então eu acho que a tecnologia e todas as ciências... sem elas o Aprovado não seria o que ele
é. Eu acho que complementa tudo.

Outras falas:

RV - De fato você fica com um desejo... que hoje as revistas, as informações são muito
compiladas. Tudo assim fast food. A Superinteressante, eu acho uma das mais interessantes
que tem uma coisa bem bacana... que fala do inovador da ciência, da coisa que muda muito.
Mas você tem por exemplo... eu acordo muito cedo, às 5 da manhã. Eu assisto à todos os
150

programas que me interessam enquanto produtora de televisão. Então eu tenho que ter esse
olhar. Nós produtores temos que assistir o luxo e o lixo. Pra você ter esse diferencial dentro da
postura, do conteúdo, da vestimenta enfim. É interessante você que você tenha esse olhar. Eu
assisto com esse olhar. Eu percebo que o Globo Ciência tem temas hoje bastante relevantes.
Muito. A Globo criou – eu acredito até que o Aprovado deva ter dado essa deixa pra eles
porque os programas vão pra Globo pra serem avaliados. Ele criou o programa Globo
Universitário. Você já assistiu? Você precisa assistir (...)
Ele tem feito mais o papel da ciência. Os outros abordam as questões dos lençóis freáticos, do
desmatamento, do que tem rolado nas Universidades, Unicamp, todas as grandes
universidades do país. O que a ciência tem desenvolvido na área de Física, na área de
Biologia enfim. Mas o Globo Universitário aborda muitos assuntos dentro deste aspecto
também. Da Física, da Química, da Biologia, com alunos, com professores, com mestres,
debatendo, colocando. É muito legal. Muito legal. É um programa de meia hora, 30 minutos.

RV - Com esse formato, é o único. Sobretudo que a gente aborda cultura, educação e ciência
com um público misto. Que a gente leva muitos negros. O único programa que tem a cara
negra, na verdade. Desde o apresentador aos alunos que foram lá... você assistiu aos DVDs. O
único programa que se trabalhou praticamente com afro-descendentes negros no país.
151

ANEXO H – ENTREVISTA COM MIRA SILVA

Transcrição da entrevista
Entrevista feita com Mira Silva – Diretora Geral do programa Aprovado
Realizada em 21 de outubro de 2009
Duração: 40' 00''

ESTHER VÁSQUEZ - Quem faz a produção atualmente do Aprovado é a Bahia cinema


e vídeo?
MIRA SILVA - É a Bahia Cinema e Vídeo.

EV – Qual é seu envolvimento com essa produtora?


MS – A produtora é essa, aqui, onde você está; onde eu estou. Faz parte da Rede Bahia. É um
departamento da Rede Bahia, a Bahia Cinema e Vídeo. E é a Bahia Cinema e Vídeo que é
responsável pelo conteúdo do Aprovado. Na verdade toda a produção fica aqui na Rede Bahia.

EV – Até o ano passado quem fazia essa produção era a ABAÍS. Era isso?
MS – Não. Na verdade era uma produção casada. Algumas coisas eram feitas pela gente aqui
e outras eram feitas lá na ABAÍS. Uma grande parte feita lá e assim a gente ficava... a
gravação toda foi toda feita aqui na Rede Bahia e aí a gente ficavam com uma parte e eles
ficavam com outra. Era casada. Aí a partir desse ano a produção ficou 100% feita pela gente
aqui na Rede Bahia.

EV- A Bahia Cinema e Vídeo também produz o site?


MS - O site também. O site do Aprovado também é feito, aqui, por uma empresa da Rede
Bahia que é a mesma que faz portal iBahia que é o iBahia, na verdade.

EV – E, agora, essa produtora faz todo o conteúdo do Aprovado? Toda as escolha de


temas, de pessoas e artistas?
MS - É. A escolha de fontes, quem vai ser entrevistado, os artistas é feita aqui. Claro, que aí
Portugal, hoje, funciona também na função de coordenador pedagógico do programa então
ele, também, sugere vários temas. Vários temas são sugeridos por ele, na verdade, a maioria
dos temas é sugerido por ele. Na hora em que ele sugere os temas, ele sugere também alguns
entrevistados porque também já está trabalhando com isso há nove anos então... e aí a gente
complementa a outra parte também com outros convidados e tal e aí a gente faz o outro o
resto do programa, quer dizer a outra parte toda: pesquisa, produção, marcação, matéria,
idéias de matéria. Tudo, tudo, tudo é feito pela gente.

EV – O tipo de estrutura e cenário também?


MS - Tudo feito pela gente.

EV – Eu tenho observado, à medida que assisto os programas, que esse ano começou
com a idéia de debate e o aluno aparece menos. Isso é alguma estratégia de ação? Como
152

é que é isso?
MS - Na verdade, não é que o aluno apareça cada vez menos. Até o ano passado o programa
era voltado especificamente para o vestibular e como hoje a gente sabe que o vestibular vem
mudando cada vez mais e vem perdendo aquela coisa do vestibular tradicional como era
antigamente. Aí o conselho editorial, o pessoal daqui da Rede Bahia percebeu que talvez
melhor abrir o programa pra uma revista de conhecimento.
A gente percebeu, como o vestibular mudou que a gente precisa mudar também abrir o nosso
raio de ação. Aí a gente está migrando para uma revista de conhecimento onde a gente trata
diversos assuntos. O vestibular também incluído nesses assuntos. O vestibular se você
perceber nos temas, o vestibular geralmente fica uns 30% do programa ainda está focado em
temas voltados para o vestibular, certo? Então o programa não mudou tanto e aí a gente... O
ano passado a gente já não tinha os alunos no estúdio, os alunos já vinham via monitor aqui e
tal. Aí esse ano a gente também traz o alunos via monitor só que com menos frequência do
que o ano passado e os outros anos. A gente optou por trazer vários especialistas onde eles vão
estar falando sobre temas, vão estar dando dicas também para o aluno. Você vê, se você
assiste o programa você percebe que o discurso de Portugal é todo voltado para o aluno da
rede pública, pra as pessoas que estão ali, que vão fazer o vestibular. Então de uma forma ou
de outra, não é que a ausência do alunos perde essa ligação do aluno. Na verdade, a gente não
fala só para o aluno, hoje. A gente fala para o jovem. O jovem empreendedor, o jovem que
está começando a carreira, o jovem que já está no mercado de trabalho até já traz um pouco
essas experiências também nortear o caminho de outros jovens.

EV - No caso o público alvo se expandiu.


MS – Expandiu, expandiu. Não é só o jovem que vai entrar na universidade é jovem que vai
entrar, é o jovem que já entrou. É o jovem que jpa está no mercado de trabalho. É a pessoa
que está fazendo pós-graduação que a gente, as vezes, traz informações sobre os cursos
também, sobre as áreas. Eu acho que a gente abriu mais o foco do programa

EV – Qual é o retorno de imagem que o programa traz para a TV Bahia?


MS – Em que sentido você fala isso?

EV- Eu queria saber tanto o retorno financeiro, qual o lucro que a Rede Bahia tem com
o Aprovado quanto o retorno de imagem pra Rede Bahia, se isso agregar valor à Rede
Bahia de alguma forma por ser um programa educacional, ou de alguma forma
diferente.
MS - Eu não poderia te dizer o retorno financeiro porque, na verdade, não é o meu trabalho.
Eu sou a diretora do programa e a parte financeira não fica comigo mas o retorno de imagem
eu diria assim que é o melhor possível porque afinal nós somos a única filiada da Rede Globo
que tem um programa de educação no país. E assim, pra Rede Bahia... A Rede Bahia entende
como sendo uma coisa importantíssima. Não é importante só porque tem um retorno,
importante porque a gente está falando e está passando um conhecimento bacana sobre
educação sobre conhecimento porque a gente sabe como a escola, hoje, e como a educação,
hoje, é muito deficitária e assim a gente ser um programa assim... O nível de conteúdo que o
Aprovado tem que preza pela qualidade mesmo, que preza pela qualidade da informação, eu
acho que -não é só porque é um programa da Rede Bahia mas eu acho que é um programa
153

importante pra televisão brasileira. Eu acho que a televisão carece mesmo, a TV aberta,
carecem de programa que foquem no conhecimento, no conteúdo e eu acho que o Aproado
preenche bem essa lacuna.

EV – Qual é a média de audiência do programa?


MS – A meia de audiência é... geralmente ficamos de 9 a 10 pontos no horário mas, assim, há
nove anos somos líder de audiência. Estamos no cômodo lugar de sermos líderes de audiência
inclusive, e fazemos um programa de educação e que possivelmente, teoricamente a gente
sabe que não é, infelizmente, pra nossa nossa população não seria um programa que atraia
tanto mas a gente tem esse cômodo lugar de líderes de audiência aí há nove anos. A gente já
chegou até a 15 pontos. Teve programas que chegaram a 15 pontos de audiência e assim, a
concorrência as vezes está a 2, a 3 pontos e pra gente é uma coisa assim é maravilhoso porque
você está com um programa falando de educação, falando de educação de qualidade, falando
de uma forma bem assim às vezes até didática e você tendo esse retorno do público na Bahia
inteira porque assim a gente passa em quase todo o Estado, a cobertura da Rede Bahia passa
em quase todo estado e assim pra gente, pra equipe do programa é muito gratificante isso.

EV – Existe patrocinador do programa.


MS - Se você assiste o programa, tem patrocinador sim. Hoje, tem o patrocínio do Governo
no Estado através da Secretaria de Educação que já é uma prova que realmente o programa é
bacana porque eu acho que - claro Secretaria de Educação ele não estaria empenhada,
envolvida, e já tem um tempão que ela patrocina o programa. Tem a da Secretaria de
Educação e da FTC que é uma faculdade particular.

EV – A Petrobrás entra como algum recurso financeiro no programa?


MS – A Petrobrás já patrocinou. O ano passado ela esteve com o programa durante 6 meses
patrocinando o programa.

EV - Todo o pessoal que trabalha no programa Aprovado é vinculado à Rede Bahia?


MS - Sim. Todo mundo. Todo os funcionários, a produção, a direção, os cinegrafistas. Toda a
estrutura do Aprovado é de responsabilidade... O corpo funcional, na verdade, do Aprovado é
de responsabilidade da Rede Bahia. Só o apresentador que aí é outra negociação e é feita à
parte porque é pessoa jurídica. As demais pessoas que trabalham no programa são todos
funcionários da Rede Bahia.

EV - Quanto tempo demora pra um programa ficar pronto?


MS - É um cálculo, às vezes, difícil de fazer porque o quê que acontece quando a gente
trabalha com um programa de linha que é a chamada... - são esses programa que estão na
grade o tempo todo, não são aqueles esporádicos que entram e saem - então a gente nunca
para de fazer o programa. Quando eu termino, quando eu descarrego um eu já comecei antes a
fazer o próximo. O programa, hoje, tem mais ou menos, às vezes, tem 5 matérias e aí essas
matérias são gravadas bem antes, são editadas antes e tal e aí entre uma gravação, uma edição
de uma matéria de 5 minutos mais ou menos assim; se a gente for contar por cima, eu acho
154

que a gente leva... Tem matéria que e a gente leva, às vezes, 4 horas pra gravar, em torno.
Uma matéria simples vamos dizer. Porque tem matérias que a gente passa vários dias porque
elas são feitas em várias etapas. Então ela passa a ter 4 a 5 horas pra gravar e depois a gente
passa uns dois dias e meio pra editar e ainda tem, se for pra arte, ainda tem um outro processo.
Se for contar arte e tal... Então a gente leva só em uma matéria aí a gente leva em torno de
quê? Umas 72 horas ou mais pra poder editar.
O programa é um programa de 50 minutos e eu levo assim, pra finalizar o programa - que aí
as matérias já estão editados; é só a parte de estúdio e montar todo o programa,- eu levo o
quê? Uns quatro dias. Três dias e meio. É o que a gente leva hoje pra poder montar até
descarregar e entregar pra o setor que coloca no ar o programa. Mais ou menos isso.
Mas aí eu não estou falando em pré-produção, ainda tem a pré-produção, reunião de pauta.
Tudo faz parte do programa. Eu estou dizendo que é uma coisa difícil de contabilizar, pra te
dizer assim “ah! Eu levo um programa inteiro – eu levo o quê? - dez dias.” Eu não sei porque
assim, é difícil. Porque daqui a pouco a gente tem reunião de pauta. Aí na reunião de pauta a
gente, tanto trata do programa que está na ilha quanto, trata do programa que vai gravar. Dos
próximos e tudo, vai montando. Então é uma coisa difícil de você contabilizar mesmo. Dizer
dez, doze, cinco dias. Eu não saberia te dizer exatamente. Eu sei que é muito tempo pra botar
um programa de 50 minutos no ar. Isso eu sei.

EV – Qual é o encaminhamento de produção do programa?


MS - No caso do Aprovado – porque cada programa tem as suas especificações - no caso do
Aprovado é assim, parte do tema central. A gente tem um tema central do programa, a partir
do start – porque a gente define 'o tema será esse' – aí tem o tema depois tem a reunião de
produção pra definir quem serão os convidados, quem serão os convidados principais, a
platéia, quais são as matérias que estarão naquele programa, que matéria a gente vai costurar o
programa porque tem matéria que as vezes não tem nada a ver com o tema – tem outro foco –
Então a gente define nessa reunião. Aí depois, esse esqueleto do programa - vamos dizer
assim - a estrutura passa pra produção e aí a produção vai contatar os entrevistados, fazer
pesquisa de conteúdo sobre o tema, fazer pesquisa sobre cada entrevistado, quem são eles, o
que é que eles falam. Aí marca com todo mundo. Daí (é o que a gente chama de espelho), é o
espelho do programa, aí passa pra mim, que sou diretora do programa, esse espelho, e através
desse espelho eu escrevo o roteiro do programa. Quer dizer, o quê que vai entrar no primeiro
bloco, no segundo, no terceiro. É um pouco visualizar o programa antes de ele ser gravado
que é o roteiro do programa. Esse roteiro é encaminhado para as pessoas, toda a produção e
mais o apresentador e aí a produção marca o dia da gravação. No dia da gravação, tem o
receptivo dos convidados e também tem a parte musical que também faz parte desse processo.
E aí vem a gravação que você já acompanhou aqui e você vê mais ou menos como é que
funciona. Aí a gente vai pra o estúdio grava em torno de 1h e 20min, 1h e 20min de gravação
e tem toda uma estrutura: montagem de estúdio, montagem de cenário. Tem o pessoal da
técnica envolvida, o pessoal de cinegrafista, assistente, operadores, tem toda uma equipe que
está no momento da gravação. E aí após gravado, é encaminhado pra ilha de edição onde a
gente faz a finalização dele. A finalização todinha e aí leva a quele tempo que eu lhe falei de
uns três dias e meio, 4 pra finalizar essas matérias. E ele vai ser exibido. Ainda tem a chamada
e tal, de divulgação do programa pra vê o quê que vai ter.

EV – Como são escolhidas as fontes? Tem algum critério?


155

MS – Tem critério sim. Critério tem. Porque assim, como a gente está falando de um
programa de educação é obvio que quando a gente define um tema que a gente vai pensar
quem são as pessoas, a gente sempre tenta trazer o melhores que temos; as pessoas que vão
falar com mais propriedade sobre aquele tema e que vão passar o melhor conteúdo pra
população. Então é claro quando a gente está ali pensando aí vem um nome ou outro. Dá uma
pesquisa na internet. Pede também a outros convidados que já vieram no programa indicações
de outros. E aí a gente vai montando essa estrutura, mais ou menos, do quê a gente imagina
que vai enriquecer mais o programa. É mais ou menos assim.

EV - Quanto custa pra Rede Bahia um programa com matéria fora do estúdio e com
todo esse processo que você me descreveu?
MS - É isso que eu estou te dizendo. Eu sou diretora de conteúdo do programa. Faço a direção
geral. A parte financeira e de custo você teria que entrevistar o pessoal do financeiro, o
pessoal de marketing que são eles que são responsáveis, na verdade, que tem essa conta final.
Por exemplo, essa conta final eu não tenho como te dizer.

EV -O programa Aprovado entra nas cotas de programas educacionais e de ciência da


Rede Globo?
MS - Entra. Ele é como eu te disse. A TV Bahia é a única filial de Rede Globo que tem um
programa de educação e ele entra linha educacional tanto que é dia de sábado, de manhã e tal.
E assim é um dos melhores horários porque às vezes os programas de educação, não só na
Rede Globo, eu acho que nas outras emissoras, geralmente são programas muito cedo, assim
que tenha esse foco. A programação ela é fatiada como qualquer outro. Aí tem os programas...
futebol, entretenimento, vai passando... Tem um escalonamento e aí o Aprovado ele tem um
horário que a gente reclama, que a gente que faz gostaria que fosse mais tarde mas esse é um
horário bom pra um programa educacional porque afinal é as 8 horas da manhã, é exatamente
voltado pra aquele público.

EV - Você acha que o Aprovado é um programa de educação ou de divulgação científica?


MS - Eu acho que pode ter divulgação científica no Aprovado, aliás tem. Agora mesmo a
gente está fazendo um matéria com jovens cientistas. Então é uma matéria que passa por essa
parte mas eu acho que uma coisa – não sei... na minha opinião – uma coisa não está
dissociada da outra. Não é educação X desenvolvimento científico. Eu não acho. Eu acho que
uma coisa está dentro da outra. Quando eu estou falando de desenvolvimento científico eu
estou falando de educação. Quando eu estou divulgando a ciência eu estou falando de
educação mas nem sempre quando eu estou falando de educação eu estou falando de ciência
porque eu posso falar de educação assim, educação não é... não tem outra. Eu posso estar
focando no ensinamento, no desenvolvimento tecnológico, posso estar falando de etiqueta que
passa pela questão educacional né? Eu posso estar falando de ética que também passa por
educação. Então eu acho que uma coisa não está dissociada da outra. Eu acho que o Aprovado
fala sim.

EV - Como você vê a divulgação científica na TV?


MS - Quando você fala em divulgação científica são as descobertas? Pesquisa?
156

EV - Quando eu falo em divulgação científica eu estou falando da divulgação da


Ciências Biológicas, das Ciências Humanas... Essa é a minha visão e eu não queria que
isso permeasse a sua.
MS - Deixa eu te dizer, hoje, - você está falando de TV aberta não é isso?

EV - Exatamente
MS - Então, que se for nessa linha que você está falando, de ensinar e tal. Da divulgação da
Ciências Biológicas, Química, Física, tam-ram-ram... O bê-a-bá da coisa, da coisa mais
didática, eu acho realmente que não tem não.

EV - Não necessariamente didática.


MS - Eu não conheço toda a grade de programação das emissoras. Não tenho assim
propriedade pra te dizer d todas as emissoras e nem assim a grade de emissoras regionais. Por
exemplo, eu não sei mas hoje eu acho que tem muito mais na nossa grade de programação
aberta, muito mais entretenimento pelo entretenimento do que ensinamento, conhecimento.
Preocupação pra passar um conteúdo mais digamos assim, um conteúdo mais disputado eu
diria. Eu acho que a televisão brasileira carece disso. Eu acho que é uma ferramenta
fantástica, até porque, infelizmente, a nossa educação é pautada, um pouco, pela televisão e
hoje esses nossos jovens criados e tal assistem muita televisão. Então que bom se tivéssemos
uma televisão que fosse, pelo contrário, que tivesse entretenimento, claro. Porque o jovem
gosta de ter essa coisa mas que se preocupasse também com a qualidade do que se está se
passando para os jovens. Eu acho que, hoje, a gente tem hoje muito do entretenimento pelo
entretenimento. Eu acho que tem muito pouco. Eu gostaria que tivesse mais conhecimento,
mais ciência, desse jeito que você está falando ai porque eu não sabia te dizer.

EV - E aí voltando, pra você o que é ciência?


MS - Eu não vou saber te responder essa pergunta assim direto entendeu? O que é ciência? Eu
não vou saber. Não desse jeito que você está me perguntando eu não te dizer. Se for desse
outro modo que você está me dizendo é isso aí. Agora, ciência; o que é ciência: não.

EV- Se pra você, ciência engloba um leque das ciências humanas tanto geografia,
história, psicologia, ou se ciências pra você é um conteúdo mais relacionado por exemplo
a biologia, química, física. Ou se ciência não perpassa por essa dualidade. Não é essa
divisão. É uma outa coisa.
MS - Eu não separaria não. Eu não separaria a ciência da biologia, química, física, não. Pra
mim... Eu não tenho essa separação na minha cabeça não. Você só faz pergunta difícil...
(risos)

EP-(risos) Eu aí de um assunto e fui direto paro outro. Desculpa.


MS - Eu não consegui entender assim Eu não consegui entender direito não.
157

EP – Como são escolhidos os temas?


MS- Eu já te disse. Os temas passa um pouco por isso Portugal sugere muitos temas e a gente
também. E a gente tem temas de ocasião. A vezes, por exemplo, dia 20 é dia da consciência
negra. Aí tem coisa temáticas também que a gente traz aí por exemplo, vamos aproveitar essa
data e fazer um programa especial. E as vezes tem temas que não tem uma coisa específica
que motive ele. Ás vezes, é porque a gente sabe que são temas bacanas. Aí deixa eu te dar um
exemplo a gente estava pensando em fazer um programa sobre as redes sociais. É porque a
gente percebe que é uma coisa que está presente na vida do jovem hoje. Todo mundo tem.
Então, isso motiva a gente a fazer um programa que fale de... entendeu? Tem coisa temáticas e
tem temas que vem por uma questão latente da sociedade, por exemplo. Que a gente sabe que
vai ser bacana, que vai trazer conhecimento, que vai trazer informação, que os jovens vão se
interessar.

EP - Como são escolhidos os artistas? Tem uma preferência musical ou por artistas
regionais?
MS - O programa, como você sabe, é um programa de educação, do conhecimento e tal.
Então assim, a gente, geralmente, tende a escolher muito do regional, do MPB. Muito, muito,
muito a música popular brasileira mas não tem uma coisa específica dizendo “ah! Só quero
fulano. Só trago fulano”. Não. Não tem. E hoje o artista do Aprovado ele não tem... A gente
não colocou ele só na função de cantar. A gente também, se ele quiser por exemplo, participar,
dar opinião, se ele quiser participar do debate, ele fica livre também. Além da interferência
musical ele pode ter a interferência de conteúdo. Trazer as experiências deles como pessoas
atuantes, como detentores de opinião pra o conteúdo do programa, pra enriquecer o programa.

EV - Como se dá o processo de criação dos quadros?


MS - Assim, quando a gente estava formatando o programa aí a gente pensa, por exemplo, o
programa vai ser um programa de mudanças agora em 2009 então a gente...
Quando a gente reformula, a gente vai pensar como é... O quê que a gente quer desse
programa? Passa um pouco por aí. Que mensagem você quer passar? Qual a linha editorial do
programa? Então, com base na linha editorial do programa você cria todo o escopo dele. Você
monta ele a partir do que você que dizer, do que você quer passar com amis experiência. Se é
um programa de esportes, é lógico que você vai estar pensando em quadros voltados para este
segmento. Se é um programa de educação, você também vai pensar um pouco por aí. O que
que vai passar conhecimento. Como é seria um quadro interessante; que agregaria ao
programa; que traria novidades e tal? Um pouco por aí. A gente cria, também, da mesma
forma que a gente pensa as matérias.

EV - Hoje o Ralando na área ele está ele é um espaço de merchanding de várias


faculdades particulares, não é isso?
MS - Não. Só de uma: FTC. Desse ano é FTC. Já foi de outras também e já foi de nenhuma,
também. Não é um quadro que existe para só porque alguém patrocina. Na verdade, ele
existiu antes do patrocínio. O patrocínio vem em decorrência... Por exemplo, a gente tem
outros quadros se aparecer algum patrocinador querendo financiar aquele quadro
possivelmente vai patrocinar mas para o quadro existir independe de patrocinador. O Ralando
158

na Área mesmo desde o início que... Que isso ai na verdade não é uma coisa determinante
mas é uma coisa que é acertada no momento no fechamento de contrato entre o pessoal do
marketing e a pessoa que vai patrocinar. Mas não é uma coisa determinante mas assim a gente
pode fazer sobre diversas sobre diversas profissões, por exemplo, independente disso.

EV - E como são escolhidos os colégios? Ou como eram escolhidos os colégios?


MS - Hoje também tem. A gente está com um aluno mesmo. Na verdade, a gente não tem
uma regra específica. Os colégios são sempre colégios de... colégios públicos. Como você vê
são alunos de colégios públicos que participam do programa porque a gente entende que,
como a educação brasileira é muito deficitária, enfim a gente percebe que há uma carência
muito grande no conhecimento. E aí, a gente partindo disso aí, é também um gancho pra que a
gente traga esses alunos; que esses alunos participem; que esses alunos, a partir do programa,
adquiram mais conhecimento. Eu acho que, um pouco, passa por aí. Não tem uma
determinação do colégio A, colégio B. A gente vai em vários colégios. A gente já foi
Cajazeiras. Não tem um foco. Não é só 'esses 5 colégio', não. A gente mapeia Salvador toda.
Então as vezes, a gente já fez Lauro de Freitas, já fez no interior o Estado. Antigamente a
gente trazia os alunos até - que era parceria também com as prefeituras - que a gente trazia os
meninos do interior do estado pra participarem do programa. Porque o programa, na verdade,
tem nove anos e a gente passa por várias fazes dentro desses nove anos e tal. Aí é só um
pouco fazendo uma retrospectiva

EV- Queria saber se há alguma coisa que você queria falar sobre o programa ou sobre
educação ou sobre educação científica enfim que eu não tenha perguntado ou que você
tenha desejo de falar e poder registrar isso.
MS - Na verdade, assim, eu acho que você me perguntou tudo mas assim um desejo meu
como cidadã, talvez não, como diretora do programa, é que a gente tivesse mais esses tipos de
programas voltado para educação, o conhecimento. Que se preocupasse mais com a
mensagem que a gente passa na TV e principalmente na TV aberta que atinge mais - eu não
sei ao certo - uma grande parte das casas brasileiras e eu me sinto muito feliz por estar, na
verdade, trabalhando com um tema desses porque é uma coisa de muita responsabilidade.
Você tem que se preocupar muito com o que você está passando porque você está dizendo
para as pessoas que aquilo é certo, que aquilo é errado. E eu me sinto muito feliz por estar
trabalhando em um programa que tem esse foco. Que tem o foco no conhecimento, que tem o
foco na educação. Que as pessoas, por exemplo, mandem e-mails dizendo “eu adorei aquela
matéria, foi bom, eu aprendi com aquilo”. Isso aqui é uma satisfação pra gente que está na
linha de frente, que está fazendo programas desse tipo.

EV - Qual a importância do programa dentro do aspecto educacional e dentro desse


contexto regional de televisão
MS - Acho que eu já falei isso. Eu acho que independente de ser o programa que eu trabalho e
tal eu acho que é importante é extremamente importante até pelo retorno que a gente tem. O
retorno dos telespectadores mesmo. Eu não estou com base na minha opinião pessoal nem
nada mas é esse retorno que a gente tem, principalmente no interior do estado. Eu acho que é
importantíssimo que a gente tem aqui na Bahia um programa voltado para o conhecimento.
Isso é importante. Eu acho que se você perguntar aos telespectadores porque assistem o
159

programa, eu acho que eles vão falar a mesma coisa, do mesmo jeito. Porque, como você
sabe, a gente tem tão poucos né? A carência que a gente tem de passar conteúdo de qualidade
na TV aberta, eu acho que é uma lacuna que se abriu. É uma lacuna que existia e que a gente
preencheu e que foi pra mim de grande valor. É importantíssimo. É imprescindível. Eu ficaria
triste por exemplo, se fosse o caso de algum dia acabar porque é o único respiro que a gente
tem de educação aqui na TV aberta baiana e da TV. Brasileira, não, porque a gente tem outros
mas baiano é o Aprovado com foco no conhecimento, na educação. Eu acho importantíssimo.
É importantíssimo a gente estar trazendo música, conhecimento, conteúdo e isso com a
linguagem mais leve, com a linguagem agradável. Sem ter aquela coisa careta. Sem ser aquela
coisa quadrada do professor na sala de aula nos moldes antigos. Não. Tentar trazer o
conhecimento de uma forma muito mais prazerosa porque é isso que a gente quer. Que as
pessoas aprendam, estejam informadas mas com prazer, com alegria que eu acho que é o
nosso objetivo.
160

ANEXO I – RELATÓRIO 2004

RELATÓRIO DE EXIBIÇÕES
DO PROGRAMA APROVADO EM 2004

12/06/2004
Tema: ILUMINISMO
Convidado: Edgard Chaves – professor de História
Dica do mestre: Lima (Geografia) e Bruno (Biologia)
Matéria extra: Universidade de Cajazeiras
Atração musical: Lampirônicos

19/06/2004
Tema: ECONOMIA SEM ECONOMÊS
Convidado: Armando Avena – Secretario do Planejamento do Estado da Bahia e escritor
Dica do mestre: Interdica de Física e Química com Dilton e Wanderby
Ralando na área: Administração em Comércio Exterior
Atração musical: Tuzé de Abreu

26/06/2004
Tema: ARCADISMO NA LITERATURA
Convidado: Evandro Miranda - de Literatura
Convidado especial: Prof. Paulo Gabriel - Diretor da Escola de Agronomia da UFBa
Ralando na área: Música
Dica do mestre: Marcos (de História) e Horácio (de Geografia)
Atração musical: César Mendes

03/07/2004
Tema: INDEPENDÊNCIA DA BAHIA
Convidado: Cid Teixeira
Convidado especial: Mirian Fraga
Platéia: Jutahy Magalhães da Ilha de Itaparica
Ralando na área: Administração Pública
Dica do mestre: Física (com Petrusqui) e Matemática (com Raimundo Saborosa)
Atração musical: Grupo Barravento

10/07/2004
Tema: AS ORIGENS DO CAPITALISMO
Convidado: Elísio Brasileiro - Professor de História
Dica do mestre: Álvaro Almofadinha (Biologia) e Marcos Justiniano (História)
Ralando na área: Produção Cultural
Atração musical: Luís Caldas

31/07/2004
Tema: ROMANTISMO NA PROSA
Convidado: Manuel Mayan - professor de Literatura
161

Matéria extra: Prêmio Braskem de Literatura


Dica do mestre: Abel Bittencourt (Literatura e Cinema) e Horácio (Geografia)
Ralando na área: Nutrição
Atração musical: Luciano Salvador Bahia

07/08/2004
Tema: REVOLUÇÃO FRANCESA
Convidado: Ricardo Garrido - professor de História
Dica do mestre: Carlos Félix (Prof. de História)
Ralando na área: Farmácia
Atração musical: Noemi Bastos

04/09/2004
Tema: ESTADO E SOCIEDADE
Convidado: Elenaldo Teixeira (Prof. de Ciências Políticas da UFBA)
Platéia: Dalva Matos de Lobato
Dica do mestre: Luciano Moreno (Geografia) e Mônica (Redação)
Matéria extra: Agenda 21 - Prof. Valentim da UNEB
Ralando na área: Serviço Social
Atração musical: Raimundo Sodré (voz e violão)

07/12/2004
Tema: 50 ANOS DE ERA VARGAS
162

ANEXO J – RELATÓRIO 2005

RELATÓRIO DE EXIBIÇÕES
DO PROGRAMA APROVADO EM 2005

08/01/2005
Tema: NEUROCIÊNCIAS
Convidado: Neurocientista Ricardo Chemas
Platéia: Thales de Azevedo
Dica do mestre: professor Pedro, de biologia
Ralando na área: Terapia Ocupacional
Atração musical: cantor e compositor Marciel Melo

15/01/2005
Tema: VIOLÊNCIA URBANA
Convidado: professor e sociólogo Gey Espinheira
Platéia: Teixeira de Freitas
Dica do mestre: Domingos Santana, de História e Sérgio Magnavita, de Química
Ralando na área: Hipermídia
Atração musical: cantor e compositor Lucas Santanna

22/01/2005
Tema: INTELIGÊNCIA E COMPETÊNCIA EMOCIONAL
Convidado: Médico psicoterapeuta e educador Antonio Pedreira
Platéia: Direc21, da região de Irecê-BA
Dica do mestre: Erika, de Espanhol e Márcio Dórea, de História
Ralando na área: Dança
Atração musical: cantor e compositor Lucas Santanna

19/02/2005
Tema: CONSCIÊNCIA NEGRA E AÇÕES AFIRMATIVAS
Convidado: Arany Santana, secretária municipal da reparação; José Sant’Anna, advogado;
Samuel Vida, advogado; Jonatas Conceição, escritor
Platéia: Alunos da rede pública
Dica do mestre: Petrusque (Física), Ivanildo Cajazeira (Literatura)
Atração musical: banda Ilê Aiyê

26/02/2005
Tema: MODERNISMO NO BRASIL
Convidado: Prof. Nelson Souza, Mabel Velloso, Sérgio Rabinovitz
Platéia: Centro Educacional Teodoro Sampaio (Santo Amaro)
Dica do mestre: Claudina (Espanhol), José Raimundo (Português)
Ralando na área: Rádio e TV
Locação: Praia de Jardim de Allah
Atração musical: J. Velloso, Mariane de Castro e Luciano Salvador Bahia

17/03/2005
163

Tema: CIÊNCIA NA BAHIA


Convidado: Miter Mayer, cientista
Platéia: alunos da rede pública
Dica do mestre: Tomás Wilson (Física) e Hermes (História)
Ralando na área: Engenharia Ambiental
Atração musical: Carlos Pitta, cantor e compositor

26/03/2005
Tema: MEIO AMBIENTE: DESAFIOS DO FUTURO
Convidado: Asher Kiperstok, engenheiro ambiental. Luiz Quaglia, biólogo.
Dica do mestre: Bruno (Física) e Ivanildo Cajazeira (Literatura)
Ralando na área: Biomedicina
Atração musical: Clipe especial de Gal Costa

16/04/2005
Tema: TENSÕES E CONFLITOS NO MUNDO
Convidado: Professor Leonel Leal Neto; Geo Varela, coord. do projeto Integrante
Platéia: alunos do Duque de Caxias
Dica do mestre: Deco Duarte (Português) e Ricardo Garrido (História)
Ralando na área: Direito
Atração musical: Grupo Mahatma

23/04/2005
Tema: O CLIMA DO MEDO
Convidado: Professor Yomar Seixas de Geografia e o professor Paulo Bahiense de Física
Platéia: alunos do Instituto Central de Educação Isaias Alves - ICEIA - Barbalho
Dica do mestre: Deco Duarte (Português) e Elisângela (Redação)
Ralando na área: Letras
Atração musical: Aroldo Macedo - guitarra baiana e Roberval – violão

18/06/2005
Tema: ENERGIA E VIDA
Convidado: Prof. Marcelo Queiroz (Química), Caio (Biologia), Luiz Freitas (Física)
Platéia: Colégio Maria Bernadete Brandão (Cabula)
Dica do mestre: Ornólia (Biologia) e Luiz Morena (Inglês)
Ralando na área: Publicidade e Propaganda
Atração musical: Banda Canta + Eu

24/06/2005
Tema: RIO SÃO FRANCISCO E SEU MUNDO
Convidado: Prof. Lima (Geografia) e o escritor Guido Guerra
Platéia: Colégio Severino Vieira (Nazaré)
Dica do mestre: Luiz Morena (Inglês) e Claudina (Espanhol)
Ralando na área: Serviço Social
Atração musical: Augusto Pitta, cantor e compositor

09/07/2005
Tema: INDEPENDÊNCIA DA BAHIA
164

Convidado: Luis Henrique Dias Tavares (professor de História da Bahia)


Platéia: Colégio Estadual da Bahia (Central)
Dica do mestre: Márcio Domênico (Espanhol), Raimundo Portela (Matemática)
Ralando na área: Pedagogia
Atração musical: Gerônimo, cantor e compositor

16/07/2005
Tema: QUILOMBOS
Convidado: Valdélio Santos (professor e sociólogo), Antônio Olavo (cineasta), Raimundo
Bujão (produtor cultural) e Lourival Madeira (presidente da ONG Quilombo Madeira)
Platéia: Curso pré-vestibular da ONG Ókàmbi - Engenho Velho de Brotas
Dica do mestre: Claudina (Espanhol), Dilton (Física) e André (História)
Ralando na área: Fisioterapia
Atração musical: Lazzo Matumbi (voz e violão) e Jorginho Botafé (músico)

06/08/2005
Tema: CIVILIZAÇÃO GREGA
Convidado: Sodré, prof. de História
Platéia: Colégio Estadual José de Freitas Mascarenhas - Camaçarí
Dica do mestre: Luís Alberto (Português) e André (História)
Ralando na área: Engenharia da Computação
Convidado musical: Dany Assis (voz) e Pacheco (violão)

20/08/2005
Tema: LITERATURA COLONIAL (BARROCO E ARCADISMO)
Convidado: Evert Reis, professor de Literatura
Platéia: Colégio Estadual Duque de Caxias (Correntina-BA)
Dica do mestre: Bruno (Biologia) e Elisângela (Redação)
Ralando na área: Produção Cultural
Convidado musical: Rita Braz e maestro Dilton César

27/08/2005
Tema: NORDESTE BRASILEIRO
Convidado: Di Marques, especialista em Educação
Platéia: Alunos aprovados pelo programa Universidade para Todos
Dica do mestre: Luciano Moreno (Geografia) e Alice (Literatura)
Ralando na área: Ginecologia
Atração musical: Zelito Miranda

17/09/2005
Tema: CIVILIZAÇÃO ROMANA
Convidada: Cristiane Nova, historiadora e cineasta
Platéia: Alunos aprovados pelo programa Universidade para Todos
Dica do mestre: Rosângela (Redação)
Ralando na área: Secretariado Executivo
Atração musical: Grupo Bahia Sopros

24/09/2005
165

Tema: VÍTIMAS ALGOZES


Convidado: Professores de Literatura Jaime Barros e José Carlos Bastos
Platéia: Colégio Estadual David Mendes Pereira (Colinas de Pituaçu)
Dica do mestre: Raimundo (Português) e Marcos (Física)
Ralando na área: Agronomia
Atração musical: Wilson Café

08/10/2005
Tema: CINEMA E REALIDADE
Convidado: Abel Bittencourt, cineasta e professor de Literatura
Platéia: Alunos da rede pública
Dica do mestre: Alessandro (Química) e Marcos (História)
Ralando na área: Teologia
Atração musical: Carlinhos Cor das Águas

15/10/2005
Tema: TUDO É HISTÓRIA: HISTÓRIA DA BAHIA
Convidado: Cid Teixeira, historiador
Platéia: Edgard Silva (Andaraí)
Dica do mestre: David Martins (Matemática) e Raimundo (Português)
Ralando na área: História
Atração musical: Leguelé Marques, cantor e compositor

26/11/2005
Tema: RADIOATIVIDADE
Convidado: Boy, professor de Química
Platéia: alunos do pré-vestibular Universidades Para Todos (Amélia Rodrigues)
Dica do mestre: Elisângela (Redação) e Bruno (Biologia)
Ralando na área: Engenharia Mecatrônica
Atração musical: Os Romeros

25/12/2005
Tema: PANORAMA DO MUNDO
Convidado: Professora Márcia Kalid
Platéia: alunos do Liceu de Artes e Ofícios/ Praça da Sé
Dica do mestre: Boy (Química)
Ralando na área: Moda
(praia)
Atração musical: Grupo Batifun

31/12/2005
Tema: PERSPECTIVAS E DESAFIOS DO SER HUMANO
Convidado: Psicólogo Adenauer Novaes
Platéia: alunos do Colégio Estadual Rafael Serravale
Dica do mestre: Elisângela (Redação)
Ralando na área: Educação Física
Atração musical: Malê de Balê
166

ANEXO L – RELATÓRIO 2006

RELATÓRIO DE EXIBIÇÕES
DO PROGRAMA APROVADO EM 2006

07/01/2006
Tema: LÍNGUA, LITERATURA E CULTURA
Convidados: Professor Pasquale Cipro Neto
Platéia: alunos da ONG Rotaract
Dica do mestre: Paulo Bahiense (Física)
Ralando na área: Geologia
Atração musical: Carlinhos Brown e banda

14/01/2006
Tema: CÉLULA TRONCO: MEDICINA DO FUTURO
Convidados: Ronald Pallotta, médico hematologista, especialista em medula óssea e terapia
celular
Platéia: Odorico Tavares (Corredor da Vitória)
Dica do mestre: Wanderby (Química) e Elisângela (Redação)
Ralando na área: Enfermagem
Atração musical: Os Ingênuos - Ivan (bandolim), Edson (violão), Eduardo (cavaquinho),
Cacau (pandeiro), Jailson Coelho (violão)

21/01/2006
Tema:HERANÇA AFRICANA NA BAHIA
Convidados: Mãe Stella de Oxossi, Yêda Pessoa de Castro (mestra em Línguas Africanas) e
Jaime Sodré (Historiador)
Platéia: Colégio Estadual Rotary - Itapuã
Dica do mestre: Raimundo Portela (Matemática) e Márcio Domênico (Espanhol)
Ralando na área: Urbanismo
Atração musical: Grupo Tia Ciata

28/01/2006
Tema: DESCOMPLICANDO A MATEMÁTICA
Convidados: Rubens Soares, prof. de Matemática / Clarindo Silva, empresário
Platéia: Colégio Teixeira de Freitas
Dica do mestre: Wanderby (Química) e Ornólia (Biologia)
Ralando na área: Turismo
Atração musical: Raimundo Sodré, Ferrete e Bule-bule

04/02/2006
Tema: NANOCIÊNCIA
Convidado: Professor José Geraldo Ribeiro, de Biologia
Platéia: alunos do Colégio Estadual José Ferreira Pinto (Feira de Santana)
Dica do mestre: Alice (Literatura) e Marcos Estêvão (Física)
Ralando na área: Oficial da Polícia Militar
Atração musical: Fernanda Noronha e Jair Luz, cantores e compositores
167

11/02/2006
Tema: CULTURAS BRASILEIRAS
Convidado: Antropólogo Hermano Vianna
Platéia: alunos do Colégio Estadual Tourinho Dantas (Santo Amaro –BA)
Dica do mestre: Claudina (Espanhol)
Ralando na área: Turismo
Atração musical: Grupo Samba de Roda Dona Nicinha

25/02/2006
Tema: POLÍTICAS PÚBLICAS E TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
Convidado: Governador Paulo Souto
Platéia: alunos do Colégio Estadual Edvaldo Boaventura (Manoel Vitorino-BA)
Dica do mestre: Dilton (Física) e André (História)
Ralando na área: Engenharia Ambiental
Atração musical: Filhos de Gandhy
(praia)

04/03/2006
Tema: ANTIGUIDADE ORIENTAL
Convidados: Professor Zé Nilton Cruz
Platéia: alunos do Steve Biko e da ONG Arquitetos do Futuro
Dica do mestre: Garrido (História) e Paulo Bahiense (Física)
Ralando na área: Relações Internacionais
Atração musical: Will Carvalho e Wilson Carvalho

18/03/2006
Tema: LITERATURA E SOCIEDADE
Convidado: Nelson Souza - professor de literatura
Platéia: Universitários aprovados pelo programa Universidade Para Todos
Dica do mestre: Elisângela (Redação)
Ralando na área: Sistemas de Informação
Atração musical: Walter Queiroz

25/03/2006
Tema: DROGAS - ONDE MORA O PERIGO
Convidados: Dr. Carlos Leandro - psicoterapeuta/ Dr. Edmilson Nunes - delegado especial da
polícia civil
Platéia: alunos da Steve Biko e Central do Vestibular (ONGS)
Dica do mestre: Wanderby (Química)
Ralando na área: Turismo
Atração musical: Armandinho

01/04 /2006
Tema: RELIGIÃO E SOCIEDADE
Convidados: Padre Pinto/ Prof. Ricardo Garrido - professor de história/
Platéia: alunos do Colégio Estadual Manoel Devoto - Rio Vermelho
Dica do mestre: Vitor Nini (Matemática)
168

Ralando na área: Engenharia de produção.


Atração musical: Neto Balla

08/04/2006
Tema: TRAGÉDIAS AMBIENTAIS
Convidados: Ricardo Fraga, ambientalista. Apolínário, geografia.
Platéia: Alunos da Residência Estudantil do município de Nova Redenção.
Dica do mestre: Biologia - Cristiane
Papo Cabeça: filme A Máquina -João Falcão e Lázaro Ramos
Ralando na área: Comunicação Social - Rádio e TV
Atração musical: Ivan Soares / Ferrete.

15/04/2006
Tema: UNEB - UMA UNIVERSIDADE PARA TODOS
Convidado: Prof. Lourisvaldo Valentim (Reitor da UNEB)
Platéia: Aprovados pelo programa Universidade para Todos
Dica do mestre: Prof. Marcos (História)
Matéria extra: Depoimento da Prof. Ivete Sacramento (ex reitora da UNEB)
Ralando na área: Design
Atração musical: Tonho Matéria

22/04/2006
Tema: -UNIVERSIDADE E DEMOCRACIA
Convidado: Naomar de Almeida Filho - reitor da UFBA/ Manuel Palácios - Dir. do
Desenvolvimento da Educação Superior (MEC)
Platéia: alunos do Colégio Pedro Lago - Santo Amaro / Ba
Dica do mestre: Feitosinha - física
Hora do faz: Anaci Paim - secretária de educação do estado
Ralando na área: engenharia de telecomunicações
Atração musical: Alexandre Leão.

29/04/2006
Tema: MEDICINA: EPIDEMIAS QUE ASSUSTAM O MUNDO.
Convidado: Dr. Mitermayer Galvão dos Reis - Fundação Fiocruz
Platéia: alunos do Colégio Militar de Salvador
Dica do mestre: Edson (Inglês)
Papo cabeça: Damário Dacruz
Ralando na área: Jornalismo
Atração musical: Luciano Salvador Bahia.

06/05/2006
Tema: ROMANTISMO NA LITERATURA
Convidado: Manuel Mayan
Platéia: Alunos do Colégio Estadual Thales de Azevedo
Dica do mestre: Elisângela - Português
Ralando na área: Desenvolvimento de Software
Atração musical: Grupo Mandaia
169

13/05/2006
Tema: BIOLOGIA E EVOLUÇÃO
Convidado: Chico Porto - professor de Biologia
Platéia: Escola Técnica de Mineração Municipal de Serrinha
Dica do mestre: Vanderby - Química
Ralando na área: Geografia
Atração musical: Pedrinho Sampaio

20/05/2006
Tema: O ESTATUTO E AS RELAÇÕES RACIAIS NO BRASIL
Convidados: Senador Paulo Paim (PT/RS), Senador Rodolfo Tourinho (PFL/BA)
Platéia: Alunos do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia
Dica do mestre: matemática - Vitor Nine
Ralando na área: Dança
Atração musical: Grupoétnico Musical do Liceu Artes e Ofícios da Bahia.

27/05/2006
Tema: POPULAÇÃO
Convidado: Nery - professor de geografia
Platéia: Quilombo Educacional Milton Santos - IAPI
Dica do mestre: Cris - biologia
Ralando na área: matemática
Atração musical: Tribahia

03/06/2006
Tema: A ARTE QUE PINTA O MUNDO
Convidado: Juarez Paraíso, artista plástico. Washington Falcão, designer gráfico.
Platéia: Alunos do colégio estadual governador Lomanto Júnior.
Dica do mestre: Revolta dos alfaiates, Marcos.
Ralando na área: Administração
Atração musical: Peu Meurray.

17/06/2006
Tema: SEXUALIDADE E DIVERSIDADE SEXUAL
Convidado: Osvaldo Fernandez prof. De sociologia e antropologia (UNEB)
Platéia: Colégio Estadual Professor Edilson Freire - Dias D' ávila
Dica do mestre: Celso - literatura
Ralando na área: psicologia
Matéria extra: Museu Afro Brasil
Atração musical: Targino Gondim

24/06/2006
Tema: UEFS - 30 ANOS
Convidados: Reitor José Onofre Cunha, a pró-Reitora de extensão do ProUni Fátima
Hanaque, o pró-Reitor de graduação Geraldo Belmonte, Évila Santana, vice-Reitora da UEFS
Platéia: Alunos do programa Universidade para Todos, coordenado pela UEFS.
Dica do mestre: Dilton - física
Ralando na área: História
170

Papo cabeça: Emanuel Araújo, criador do Museu Afro-Brasil em São Paulo


Atração musical: o homem do chapéu (poeta e cantador)

01/07/2006
Tema: ÁFRICA E DIÁSPORA AFRICANA
Convidados: 'Zulú' Araújo, diretor. Cultural da fundação palmares. Maria Elisa, chefe da
divisão da África Ocidental. Irene gala, coordenadora do Cultural da II CIAD
Platéia: alunos da rede pública
Dica do mestre: Wanderby/Apolinário (interdisciplinar) fontes naturais e recursos de energia
Intensivão ENEM
Ralando na área: Economia
Matéria extra: Filme de Pola Ribeiro “O Axé do Acarajé”
Atração musical: (hip hop S.A.N)

08/07/2006
Tema: O ROMANTISMO NA PROSA
Convidado: Prof Paulo Monteiro, literatura
Platéia: Alunos do Colégio Rotary – Itapuã

15/07/06
Tema: CONFLITOS URBANOS E DEMOCRACIA
Convidado: Mestre Gey Espinhola
Dica do mestre: Literatura, com professor Celso
Platéia: Alunos do Colégio da Polícia Militar do Lobato
Ralando na área: Serviço Social
Papo cabeça: Mário Gusmão
Atração musical: Cabloco

22/07/2006
Tema: IMPÉRIO AMERICANO
Convidado: prof. Carlos Nazaré - história
Platéia: Alunos do Colégio Estadual Plataforma
Dica do mestre: Espanhol - Freddy
Matéria extra: Seminário Milton Santos
Ralando na área: Direito
Atração musical: João Sereno

29/07/2006
Tema: NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS
Convidado: Augusto Cury - psiquiatra, cientista e autor de diversos títulos como 'Pais
brilhantes' e 'Professores Fascinantes'
Participações: Professora Mamara (Secretária de Educação de Madre de Deus) e Professor
Edmundo Dourado (educador)
Platéia: Alunos do Colégio da Polícia Militar - Dendezeiros
Dica do mestre: História - Professor André (Feudalismo)
Ralando na área: Teatro
Atração musical: Wil Carvalho (voz) e Saul Barbosa (violão)
171

05/08/2006
Tema: EXATAS NO ENEM
Convidados: Wanderby (professor de Química) e Pitágoras (professor de Física)
Platéia: Alunos do Colégio Estadual Deputado Manoel Novais e da ONG Central do
Vestibular
Dica do mestre: Dilton - física princípios das trocas de calor
Ralando na área: Engenharia de agrimensura
Atração musical: Viola de Doze

12/08/2006
Tema: ENERGIA: FONTES E CRISES
Convidado: Marcelo Carvalho - engenheiro de petróleo da área internacional – Petrobrás
Platéia: Alunos da Colégio Estadual Odorico Tavares
Dica do mestre: Recursos naturais e fontes energéticas, com Wanderby e Apolinário
Ralando na área: Medicina
Atração musical: Duo Barros Reis (voz e violão)

19/08/2006
Tema: HUMANAS NO ENEM
Convidados: Professor Lima (Geografia) e Professor Edgard (História)
Platéia: alunos do Colégio Estadual Antônio Balbino - Madre de Deus
Dica do mestre: Raimundo, Professor redação (tema: - dissertação)
Ralando na área: Oceanografia
Atração musical: Terceira Ordem (1º lugar no Unifest 2005)

26/08/2006
SEM EXIBIÇÃO

02/09/2006
Tema: EDUCAÇÃO E CULTURA
Convidado: Edivaldo Boaventura - Professor de Comunicação da UFBA e membro da
Academia de Letras da Bahia
Platéia: Instituto Municipal Luís Viana Neto (São Francisco do Conde)
Dica do mestre: Química - prof. Alessandro (tema: Sistemas)
Matéria extra: Quadro Rumo ao Pan
Ralando na área: Hotelaria
Atração musical: Ludmila Anjos (voz) e Delmar (violão)

09/09/2006
Tema: REVOLUÇÃO FRANCESA
Convidado: Elísio Brasileiro - Professor de História. Anton Shultz - Artista Plástico
Platéia: Colégio Estadual João Durval Carneiro - São Gabriel (Distrito de Irecê)
Dica do mestre: Bruno - Biologia (tema: Sistema Endócrino)
Papo cabeça: Paulo Dourado (Unifest)
Ralando na área: Ciências Contábeis
Atração musical: Lê Menestrel (Paula, Jorge Saraiva, Weider e Pedro)

16/09/2006
172

Tema: EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA


Convidados: Aurina Oliveira - Diretora do CEFET. Messias Bandeira - Doutorando em
comunicação
Platéia: Alunos do CEFET - Bahia
Dica do mestre: Tio Chico - Matemática (tema: Função do 2º grau)
Ralando na área: Educação física
Atração musical: Afro Men

16/09/2006
Tema: SOU BOM EM QUÊ? O COMPORTAMENTO COMO MAIOR FATOR DE
SUCESSO PROFISSIONAL
Convidado: Rêmulo Farias - Consultor profissional
Platéia: Colégio Estadual Davi Mendes Pereira
Dica do mestre: Química (Hidrocarbonetos) - prof. Alessandro
Ralando na área: Fonoaudiologia
Atração musical: grupo Irmãos de Samba

30/09/2006
Tema: REALISMO BRASILEIRO E MACHADO DE ASSIS
Convidado: Evert Reis - Professor de literatura
Platéia: alunos dos colégios estaduais Dom Pedro II e Maria José de Lima Silveira (Coração
de Maria)
Dica do mestre: Redação (organização do parágrafo dissertativo) - professor Raimundo
Matéria extra: Rumo ao Pan
Papo cabeça: Tom Zé
Ralando na área: Letras
Atração musical: Intervenções do poeta Geraldo Maia

07/10/2006
Tema: HISTÓRIA CANTADA
Convidados: Professor Gerson Guimarães (história) e professor Carballal (história)
Platéia: Colégio Estadual Henriqueta Martins Catarino
Dica do mestre: Elisângela - Redação
Ralando na área: Nutrição

14/10/2006
Tema: CONFLITOS CONTEMPORÂNEOS
Convidado: Professor Jorge France (história)
Platéia: Colégios Estadual Ernesto de Carneiro Ribeiro/ João Barbosa de Carvalho/ Modelo
Luís Eduardo Magalhães/ estadual de Feira de Santana
Matéria extra: Entrega do prêmio do projeto Lápis na Mão
Ralando na área: Direito
Atração musical: Mano Black

21/10/2006
Tema: CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Convidado: Professor Ildeu Moreira - diretor do Departamento de Popularização da Ciência e
Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia
173

Platéia: EEMBA - Escola de Engenharia Eletromecânica da Bahia


Dica do mestre: física - professor Fábio - Pressão de um corpo
Ralando na área - Psicologia
Atração musical: Quinteto Lucaia

28/10/2006
Tema: CINEMA E VESTIBULAR
Convidado: Abel Bittencourt - professor de literatura e cineasta
Platéia: Colégio Estadual Renam Baleeiro
Participação Especial: Maria Inês de Carvalho (coordenadora da ONG Faça Parte)
Dica do mestre: Alessandro (professor de química)
Matéria extra: Filmes: Deus e o Diabo na terra do Sol, Memórias Póstumas de Bras Cubas e
O Pagador de Promessas
Ralando na área: Fisioterapia
Atração musical: Márcia Short

04/11/2006
Tema: GUERRA FRIA
Convidado: Zé Nilton, história.
Platéia: Alunos do Colégio Estadual João Ubaldo Ribeiro

11/11/2006
Tema: O CONTINENTE AFRICANO
Convidados: Juvenal de Carvalho (professor de história) e Márcio Meirelles (diretor teatral)
Platéia: Colégio Estadual Evaristo da Veiga
Dica do mestre: Lia Chagas - geografia - pirâmide populacional
Ralando na área: Cinema
Atração musical: Bando de Teatro Olodum

18/11/2006
Tema: O NEGRO NO BRASIL: DA EXCLUSÃO À CIDADANIA
Convidados: Valdina Pinto - Makota do terreiro Tanuri Junsara / Samuel Vida -Professor de
Direito. Participação do representante da ONG Steve Biko.
Platéia: Alunos da ONG Os Negões
Dica do mestre: Física - Professor Fábio - Ótica Geométrica
Ralando na área: Arquitetura
Atração musical: Jorge Papapa e Sérgio Passos (violão)

25/11/2006
Tema: O INCRÍVEL UNIVERSO DA MENTE
Convidado: Dr. Ricardo Chemas - Neurocientista
Platéia: Colégio Estadual Pedro Calmon
Dica do mestre: Biologia - Embriologia - Daniel Barbuda
Papo cabeça: Entrevista com Marcos Pontes - Astronauta
Ralando na área: Física
Atração musical: Fabrício e Amadeu Alves

02/12/2006
174

Tema: A ARTE ABRE AS PORTAS DO MUNDO


Fique por Dentro: Trajetória do ator Lázaro Ramos
Convidados: Aninha Franco (diretora teatral e roteirista) / Lázaro Ramos (ator)
Platéia: Atores da Cia do Axé XVIII
Dica do mestre: Elizângela (redação)
Ralando na área: Música

09/12/2006
Tema: BRASIL - DE GETÚLIO A JK
Convidados: Yomar Seixas- Professor de geografia / Zé Carlos - professor de literatura /
Ricardo Carvalho - professor de história
Platéia: Centro Educacional Carneiro Ribeiro - Escola classe IV
Dica do mestre: geografia - Lia Chagas
Ralando na área: Escola de Administração do Exército - ESAEX
Convidado especial: (Juvenal Neves - Documentário Prêmio Revelando Brasis) filme: O
massacre da lagoa da serra
Atração musical: Camerata Popular do Recôncavo

16/12/2006
Tema: ANOS 60: A DÉCADA QUE MUDOU O MUNDO.
Convidado: Zé Carlos - Professor de História
Platéia: Colégio Estadual Assis Valente - Teodoro Sampaio
Dica do mestre: Cris - biologia
Matéria extra: Com a socióloga Melissa Bahia, que fala sobre o livro 'Responsabilidade
Social. Contratando pessoas com deficiência'.
Ralando na área: Artes plásticas
Atração musical: Paulinho Boca de Cantor e Carlinhos Marques

23/12/2006
Tema: A UNIVERSIDADE NOVA
Convidado: Reitor Naomar de Almeida Filho
Platéia: Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici
Dica do mestre: matemática - Victor Nini - lógica
Ralando Na área: Tecnologia de informação
Atração musical: Carlos Pitta, Cláudio Inácio e Bráulio Barral

30/12/2006
Tema: DE OLHO NO FUTURO
Convidado: Jaques Wagner e Fátima Carneiro de Mendonça
Platéia: diversas escolas públicas
Dica do mestre: Clipe - professores que passaram pelo programa ao longo de 2006
Ralando na área: Moda
Atração musical: Banda Pedaço de Cada Um
175

ANEXO M – RELATÓRIO 2007

RELATÓRIO DE EXIBIÇÕES
DO PROGRAMA APROVADO EM 2007

06/01/2007 (Reprise)
Tema: A ARTE QUE PINTA O MUNDO
Convidado: Juarez Paraíso - artista plástico/ Washington Falcão - designer gráfico
Platéia: Colégio Estadual Governador Lomanto Júnior.
Dica do mestre: Marcos - Revolta dos Alfaiates
Ralando na área: Administração
Atração musical: Peu Meurray

20/01/2007 (Reprise)
Tema: EDUCAÇÃO E CULTURA
Convidado: Edivaldo Boaventura - professor de comunicação (UFBA) e membro da
Academia de Letras da Bahia
Platéia: Instituto Municipal Luís Viana Neto - São Francisco do Conde
Dica do mestre: química - professor Alessandro (tema: sistemas)
Ralando na área: Hotelaria
Atração musical: Ludmila Anjos (voz) e Delmar (violão)

27/01/2007 (Reprise)
Tema: HISTÓRIA CANTADA
Convidados: Professor Gerson Guimarães e Professor Carballal (professores de história)
Platéia: Colégio Estadual Henriqueta Martins Catarino
Dica do mestre: Elisângela - Redação
Ralando na área: Nutrição

03/02/2007 (Reprise)
Tema: CONFLITOS CONTEMPORÂNEOS
Convidado: professor Jorge France (História)
Platéia: Colégio Estadual Ernesto de Carneiro Ribeiro, Colégio Estadual João Barbosa de
Carvalho, Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães e Colégio Estadual de Feira de Santana
Papo Cabeça: Emanuel Araújo
Ralando na área: Direito
Atração Atração musical: Mano Black

10/02/2007 (Reprise)
Tema: O INCRÍVEL UNIVERSO DA MENTE
Convidado: Dr. Ricardo Chemas (Neurologista)
Platéia: Colégio Estadual Pedro Calmon
Dica do mestre: Biologia (Professor Daniel Barbuda)
Papo Cabeça: Marcos Pontes (Astronauta)
Ralando na área: Física
Atração musical: Fabrício e Amadeu Alves
176

17/02/2007
Tema: A ARTE ABRE AS PORTAS DO MUNDO (Reprise)
Convidado: Aninha Franco (diretora teatral/ roteirista)/ Lázaro Ramos (ator)
Platéia: Atores da CIA do Axé XVIII
Dica do mestre: Elizângela (redação)
Ralando na área: Música

24/02/2007
Tema: DE OLHO NO FUTURO (Reprise)
Convidados: Jaques Wagner e Fátima Mendonça
Alunos: De diversas escolas públicas
Dica do mestre: clipe de quem deu dica em 2006
Ralando na área: Moda
Atração musical: Banda Pedaço de Cada Um

03/03/2007
Tema: A UNIVERSIDADE NOVA (Reprise)
Platéia: Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici
Convidado: Reitor Naomar de Almeida Filho
Dica do mestre: Victor Nini, Matemática. (Lógica)
Ralando na área: Tecnologia de Informação
Atração musical: Carlos Pitta

24/03/2007
Tema: MEDICINA: EPIDEMIAS QUE ASSUSTAM O MUNDO (Reprise)
Convidado: Dr. Mitermayer Galvão dos Reis - Fundação Fiocruz
Platéia: Alunos do Colégio Militar de Salvador
Dica do mestre: Inglês - Edson
Ralando na área: Jornalismo
Papo cabeça: Damário Cruz
Atração musical: Luciano Salvador Bahia

31/03/2007
Tema: O NEGRO NO BRASIL: DA EXCLUSÃO À CIDADANIA (Reprise)
Convidados: Valdina Pinto - makota do terreiro Tanuri Junsara / Samuel Vida - Professor de
Direito
Platéia: alunos da ONG Os Negões
Dica do mestre: Física - Fábio - Ótica Geométrica
Ralando na área: Arquitetura
Atração musical: Jorge Papapa e Sérgio Passos (violão)

07/04/2007
Tema: AQUECIMENTO GLOBAL
Convidados: Yomar - prof. Geografia e Cláudia Morais - rep. Do inmet / ba
Platéia: Colégio Estadual Alaor Coutinho (Mata de São João - Praia do Forte)
Dica do mestre: química - Wanderby
Matéria extra: Caixa Econômica premia Aprovado
177

Ralando na área: comunicação (Publicidade. e propaganda) - Paparazzi


Atração musical: Letieres Leite e Orquestra Rumpilezz

14/04/2007
SEM EXIBIÇÂO

21/04/2007
Tema: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
Convidados: Adeum Sauer, secretário de educação.
Platéia: Colégio Estadual Reitor Miguel Calmon, Simões Filho.
Dica do mestre: Física, Dilton.
Ralando na área: Direito
Atração musical: Alexandre Leão

28/04/2007
Tema: BARROCO LITERÁRIO
Convidados: Evandro Miranda, prof. de literatura.
Platéia: Colégio Estadual Cidade de Camaçari - Camaçari
Dica do mestre: História – Marcos
Matéria extra: Cidade do Saber - Camaçari
Ralando na área: Letras / Produção editorial na internet
Atração musical: Bule-Bule

05/05/2007
Tema: SOCIEDADE DE CONSUMO
Convidados: Gey Espineira - antropólogo / prof. sociologia
Platéia: Colégio Estadual Odorico Tavares - Salvador
Dica do mestre: Literatura - celso
Ralando na área: Psicologia - Anorexia
Atração musical: Diamba

12/05/2007
Tema: DESCOMPLICANDO A QUÍMICA - A QUÍMICA NO DIA-A-DIA
Convidados: Ricardo Feltre - professor e autor
Platéia: Colégio Militar de Salvador, na Pituba
Dica do mestre: Biologia (células tronco) - prof. Vinícius
Matéria extra: O dia contra a poluição sonora
Ralando na área: Medicina
Atração musical: Zelito Miranda

19/05/2007
Tema: IMPÉRIO ROMANO E A CONSTRUÇÃO DO OCIDENTE
Convidado: Marcio Dórea - Professor de historia
Platéia: Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho
Dica do mestre: Literatura (Barroco) - professor Celso
Matéria extra: Dia contra a poluição sonora
Ralando na área: Nutrição (obesidade infantil)
Atração musical: Márcio Valverde e Lívia Milena
178

26/05/2007
Tema: SEXUALIDADE
Convidado: Gilda Fucs - médica e sexóloga
Platéia: Colégio Estadual José Augusto Tourinho Dantas
Dica do mestre: Física - Professor Dilton Carapiá
Matéria extra: Todos pela educação
Ralando na área: Fisioterapia desportiva
Atração musical: Pablo Moraes

02/06/2007
Tema: ENERGIAS DO FUTURO
Convidado: Doneivan Ferreira - geólogo, professor de recursos energéticos do curso de
geologia da UFBA
Platéia: Ong Central do Vestibular
Dica do mestre: química - mistura (prof. Wanderby Matos)
Ralando na área: Geologia
Atração musical: Acarajé com Camarão

09/06/2007
Tema: BIOLOGIA – EVOLUÇÃO E DIVERSIDADE DA VIDA
Convidado: Cláudio Góes, professor de biologia.
Platéia: ONG Steve Biko
Dica do mestre: Células-tronco, prof Vinícius Casaes
Matéria extra: Tai chi chuan
Ralando na área: Ciências Biológicas
Atração musical: Quininho de Valente

16/06/2007
Tema: DESIGUALDADES SÓCIO-RACIAIS NO BRASIL
Convidado: Ubiratan Castro, professor de história.. Ana Célia da Silva, pedagoga.
Platéia: ONG Central doVestibular
Dica do mestre: Democracia com Marcos Barbosa
Não tenha dúvida: Dicionário Baianês
Ralando na área: Rádio e TV
Atração musical: Walmir Lima

23/06/2007
Tema: AMÉRICA LATINA
Convidado: Renato Afonso (professor de História)
Platéia: ONG Kabum
Dica do mestre: professor Freddy Cossio (Espanhol)
Ralando na área: Artes Plásticas
Atração musical: Raimundo Sodré

30/06/2007
Tema: DESCOMPLICANDO A MATEMÁTICA II
Convidados: Rubem Soares e Rubinho - professores de Matemática
179

Platéia: Colégio Estadual Conselheiro Vicente Pacheco de Oliveira


Dica do mestre: Matemática (prof. Tio Chico)
Ralando na área: Engenharia Civil – Novas Tecnologias na Construção
Atração musical: Tenisson Del Rey

28/07/2007
Tema: JUVENTUDE NEGRA: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
Convidados: Zulu Araújo – presidente da Fundação Palmares
Platéia: Instituto Cultural Stive Biko
Dica: Matemática (Tio Chico)
Matéria extra: Vida e obra de Anísio Teixeira
Ralando na área: Biomedicina
Atração musical: Tiago Amorim e DJ Poeira

04/08/2007
Tema: REDAÇÃO NO ENEM
Convidada: Magali Mendes – professora de Redação
Platéia: Colégio Estadual Duque de Caxias
Dica do mestre: Movimento Separatista - prof. Pokemon
Não tenha dúvida: Homofobia
Ralando na área: Recursos Humanos
Atração musical: Beto Narchi

11/08/2007
Tema: ORIENTE MÉDIO, PALCO DE CONFLITOS
Convidada: Paloma Weyll (coordenadora do curso de Relações Internacionais das
Faculdades Jorge Amado)
Platéia: Colégio Estadual Francisco da Conceição Menezes
Dica do mestre: História (professor Cláudio)
Matéria extra: Seminário Inventário da Educação Brasileira e Recomendações para seu
Aperfeiçoamento (a situação do Estado da Bahia)
Ralando na área: Direito (Direito Internacional Público)
Atração musical: Carlinhos Cor das Águas

18/08/2007
Tema: SOS MEIO AMBIENTE
Convidados: Thiago Siqueira – gestor da Org. Joguelimpo
Platéia: Curso Pré-vestibular Comunitário Educação Direito de Todos (Itacaré).
Dica do mestre: Redação
Matéria extra: Feira de Livro de Ilhéus e Ensino Digital
Ralando na área: Pedagogia
Atração musical: Edigar Mão Branca e Banda Foguete

01/09/2007
Tema: PLANETA ÁGUA
Convidado: Luiz Rogério (Geólogo)
Platéia: Curso Pré-Nordeste
Dica do mestre: professor Freddy (Espanhol)
180

Matéria extra: Lançamento do Curso Pré-Nordeste


Ralando na área: Rede de Computadores
Atração musical: Roberto Mendes, Gustavo Caribé e Agnaldo Nascimento

08/09/2007
Tema: DESCOMPLICANDO A FÍSICA
Convidados: Marcelo Fonte Boa e Luiz Alberto (professores de Física)
Platéia: Colégio da Polícia Militar (Dendezeiros)
Dica do mestre: Celso (Literatura) - Cadernos Negros
Ralando na área: Engenharia de Produção
Atração musical: Clécia Queiroz

15/09/2007
Tema: A CAMINHO DOS SERTÕES DE CANUDOS
Convidado: Roberto Dantas (historiador)
Platéia: alunos do projeto Pescar (Camaçari)
Dica do mestre: Apolinário (Geografia) - Globalização
Ralando na área: Engenharia de Produção
Atração musical: Tato Lemos

22/09/2007
Tema: MEDICINA, ÉTICA E ARTE
Convidados: Marcos Luna (médico e escritor) e Álvaro Souza (médico cirurgião e
oncologista)
Platéia: Colégio Estadual Edvaldo Fernandes
Dica do mestre: professor Vinícius (Biologia)
Ralando na área: Design de Moda
Atração musical: médicos - Dr. Otoni (violão), Drª Marília (voz), Dr. Pedro (percussão) e Dr.
Álvaro (sopro)

29/09/2007
Tema: DESIGUALDADES REGIONAIS
Convidada: Márcia Kalid – professora de Geografia
Platéia: Colégio Estadual Plataforma
Dica do mestre: Alessandro (Química)
Ralando na área: Matemática
Atração musical: Edson Gomes

06/10/2007
Tema: JORGE AMADO E A TENDA DOS MILAGRES
Convidados: Myriam Fraga – diretora da Fundação Casa de Jorge Amado e Ramayana
Vargens – professor de Literatura
Platéia: Colégio Estadual Elizabeth Chaves Veloso
Dica do mestre: Física
Ralando na área: Letras
Atração musical: Canto in Verso

13/10/2007
181

Tema: SOY LOCO POR TI, TROPICÁLIA.


Convidado: Capinan (poeta)
Platéia: Colégio Estadual Thales de Azevedo
Dica do mestre: Biologia - Eutrofização
Matéria extra: Caetano Veloso
Ralando na área: Biologia
Atração musical: Sandra Simões / Maurício Azevedo / Léo Bittencurt

20/10/2007
Tema: HERANÇA AFRICANA NO BRASIL
Convidado: Godi - antropólogo
Platéia: Colégio Estadual Deputado Luís Eduardo Magalhães
Dica do mestre: Geografia – Política da África do Sul
Matéria extra: Forte da Capoeira
Ralando na área: Fonoaudiologia
Atração musical: Shido

27/10/2007
Tema: A ERA VARGAS
Convidado: Zé Nilton – professor de História
Platéia: Colégio Estadual Antônio Sérgio Carneiro
Dica do mestre: Química – Ligações Intermoleculares
Matéria extra: Carlos Pronzato – divulgação do documentário “Carabina M2, uma arma
americana – Che na Bolívia
Ralando na área: História
Atração musical: Tate Lima

17/11/2007
Tema: A ESCRAVIDÃO NO BRASIL E A REVOLTA DOS MALÊS
Convidado: Ricardo Carvalho – professor de História
Platéia: Colégio Estadual Presidente Médici
Dica do mestre: Física – Temperatura
Ralando na área: Arquitetura
Atração musical: Guiguio do Ilê

24/11/2007
Tema: A SEMANA DE ARTE E O MODERNISMO NO BRASIL
Convidados: Nelson Souza - professor de Literatura
Platéia: ONG Central do Vestibular
Dica do mestre: Celso (Literatura) – O Cortiço
Ralando na área: Administração – Empresa Júnior
Atração musical: Banda Radiola
182

ANEXO N – RELATÓRIO 2008

RELATÓRIO DE EXIBIÇÕES
DO PROGRAMA APROVADO EM 2008

26/01/2008
Tema: SOY LOCO POR TI, TROPICÁLIA (reprise)
Convidado: Poeta Capinan
Platéia: Colégio Estadual Thales de Azevedo
Dica do mestre: Biologia (Eutrofização)
Matéria especial: Caetano Veloso
Ralando na área: Biologia
Atração musical: Sandra Simões / Maurício Azevedo / Léo Bittencurt

02/02/2008
Tema: O REGIME MILITAR (reprise)
Convidados: Elísio Brasileiro (professor de história)
Platéia: Ecassa – Escola do Centro de Assistência Social Santo Antônio
Dica do mestre: Matemática – Juros simples
Ralando na área: Medicina Veterinária
Atração musical: Roleta Russa

09/02/2008
Tema: SOCIEDADE DE CONSUMO (reprise)
Convidado: Gey Espinheira (antropólogo)
Platéia: Colégio Estadual Odorico Tavares
Dica do mestre: Literatura (Professor Celso)
Ralando na área: Psicologia (Anorexia)
Atração musical: Banda Diamba

16/02/2008
Tema: DESIGUALDADES SÓCIO-RACIAIS (reprise)
Convidado: Ubiratan Castro (professor de História) e Ana Célia da Silva (pedagoga)
Platéia: ONG Central do Vestibular
Dica do mestre: Marcus Barbosa (professor de História)
Ralando na área: Rádio e TV
Atração musical: Walmir Lima

23/02/2008
Tema: DESIGUALDADES REGIONAIS (reprise)
Convidada: Márcia Kalid (professora de Geografia)
Platéia: Colégio Estadual de Plataforma
Dica do mestre: Alessandro (professor de Química)
Ralando na área: Matemática
Atração musical: Edson Gomes

01/03/2008
Tema: OS QUATRO PILARES DO SUCESSO (reprise)
183

Convidado: Nelson Navarro (palestrante motivacional)


Platéia: Colégio Estadual Polivalente Sandiego
Dica do mestre: Bruno (professor de Matemática)
Ralando na área: Fonoaudiologia
Atração musical: Gerônimo

08/03/2008
Tema: A ARTE ABRE AS PORTAS DO MUNDO (reprise)
Convidados: Aninha Franco (diretora teatral) e Lázaro Ramos (ator)
Platéia: Companhia de Teatro Axé do XVIII
Dica do mestre: Elisângela (professora de Redação)
Ralando na área: Música
Atração musical: Adão Negro

15/03/2008
Tema: O INCRÍVEL UNIVERSO DA MENTE (reprise)
Convidado: Ricardo Chemas (Neurocientista)
Platéia: Colégio Estadual Pedro Calmon
Dica do mestre: Daniel Barbuda (professor de Biologia)
Ralando na área: Física
Atração musical: Fabrício e Amadeu

26/04/2008
Tema: A VINDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL: E O BRASIL MUDOU
Convidados: Consuelo Pondé de Sena - historiadora
Platéia: Colégio Manoel Novaes
Ralando na área: Publicidade

24/05/2008
Tema: JORGE AMADO E O IMAGINÁRIO DA BAHIA
Convidado: Luciano Lima – prof. de Literatura
Platéia: Tourinho Dantas (São Cristóvão)
Ralando na área: Letras

31/05/2008
Tema: MAIO DE 68 – A JUVENTUDE DISSE NÃO AO NÃO
Convidado: Renato Santos (prof. de História)
Platéia: Colégio Central
Dica do mestre: Professor de Geografia Apolinário
Ralando na área: Educação Física
Atração musical: Maristela Muller

26/07/2008
Tema: CIDADES, POPULAÇÃO E POBREZA
Convidado: Yomar Seixas, professor de Geografia
Platéia: Alunos do curso pré-vestibular Santa Bakhita
Matéria extra: Projeto “Ler é poder” de Lázaro Ramos
Ralando na Área: Radialismo
184

Dramatização: Andréa Elia. (“Ai quem me dera” de Vinicius de Moraes)


Atração musical: Denise Martinholy

02/08/2008
Tema: UFBA – UMA UNIVERSIDADE NOVA
Convidado: Reitor Naomar de Almeida Filho e pró-reitor Álamo Pimentel
Platéia: Curso pré-vestibular Gregor Mendel e Colégio Estadual Evaristo da Veiga
Ralando na Área: Direito
Dramatização: Adriana Amorim (“Ars poética” de Myriam Fraga)
Atração musical: Lane Quinto

20/09/2008
Tema: O CÉREBRO HUMANO E OS ANIMAIS DENTRO DE NÓS
Convidado: Ricardo Chemas, neurocientista
Platéia: Colégio Militar do Salvador
Ralando na Área: Educação Física
Dramatização: Fernando Neves (“O que flui” de João Carlos Teixeira Gomes)
Atração musical: Cacau Celuque

04/10/2008
Tema: FILOSOFIA NA CABEÇA
Convidados: Antonio Saja, professor de Filosofia. Alan Cordeiro, terapeuta
Platéia: Deputado Luís Eduardo Magalhães
Dica do mestre: Geografia, Luciano Moreno
Ralando na Área: Medicina Veterinária
Dramatização: Andreson Souza e Sandro Rangel (“O mito da caverna”, Platão)
Atração musical: J. Velloso e Luciano Bahia

11/10/2008
Tema: VIDAS SECAS - 70 ANOS
Convidados: Professores Zé Carlos e Jaime Barros e Elisabeth Ramos
Platéia: Colégio Estadual David Mendes Pereira
Matéria extra: Projeto Sesi Literário
Ralando na Área: Enfermagem
Atração musical: Daniela Lassalvia

29/11/2008
Tema: O NEGRO NO BRASIL E NO MUNDO
Convidados: Vanda Machado, doutora em educação. Samuel Vida, professor de Direito.
Platéia: Colégio Estadual Duque de Caxias
Dica do mestre: Espanhol, Freddy Cossoi
Matéria extra: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira
Ralando na Área: Sistema da Informação
Convidado musical: Ilê Aiyê

06/12/2008
Tema: A CRISE FINANCEIRA E O PANORAMA DO MUNDO
Convidado: Armando Avena, economista
185

Platéia: Alunos do Cefet


Dica do mestre: Espanhol, Freddy Cossoi
Ralando na Área: Arquitetura
Atração musical: Carlos Pitta

13/12/2008
Tema: A POESIA BAIANA DO SÉCULO XX
Convidado: Ildásio Tavares, poeta e professor
Platéia: Colégio Mário Augusto Teixeira de Freitas
Dica do mestre: Português, Zé Raimundo
Ralando na Área: Fonoaudiologia
Atração musical: Candombá

28/12/2008
Tema: INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS (Reprise)
Convidados: Adenauer Novaes (pisicólogo e filósofo)
Platéia: Colégio Estadual Odorico Tavares
Ralando na área: Odontologia
Atração musical: Sapiranga
186

ANEXO O – RELATÓRIO 2009

RELATÓRIO DE EXIBIÇÕES
DO PROGRAMA APROVADO EM 2009

03/01/2009
Tema: MODERNISMO NA LITERATURA BRASILEIRA (Reprise)
Convidado: Nelson Souza - Professor de Literatura
Platéia: Colégio Estadual Dona Leonor Calmon - Fazenda Grande 2
Dica do Mestre: Química - Prof. Hamilton Gramacho
Matéria extra: Petrobrás na restauração da Igreja Cairu
O que rola na minha escola: Colégio Estadual Dona Leonor Calmon
Ralando na área: Direito - José Raymundo Sant'anna
Dramatização: Evelin Buchegger (“Cinzas” de Murilo Rafael)
Atração musical: Aguarraz

10/01/2009
Tema: A VINDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL: E O BRASIL MUDOU (Reprise)
Convidados: Consuelo Pondé de Sena - historiadora
Platéia: Colégio Manoel Novaes
Ralando na área: Publicidade

31/01/2009
Tema: CÉLULA-TRONCO E A REVOLUÇÃO DA VIDA (Reprise)
Convidado: Ricardo Ribeiro
Platéia: Colégio Pedro Calmon
Dica do Mestre: Espanhol (Prof Luís Antônio)
Ralando na área: Farmácia
Dramatização: Nadja Turenko

21/03/2009
Tema: OS MISTÉRIOS SOBRE O CÉREBRO HUMANO
Convidado: Ricardo Chemas
Platéia: alunos do Colégio Militar da Bahia.
Matéria extra: projeto social “Estrelas Musicais” que beneficia a comunidade do bairro de
Amaralina.
Ralando na área: Odontologia
Dramatização:Fernando Neves (“O que Flui” de João Carlos Teixeira Gomes)
Atração musical: Cacau Celuque

25/04/2009
SEM EXIBIÇÂO

02/05/2009
Tema: LÍNGUAS PORTUGUESAS: ACORDO E DESACORDOS
Convidado: Pasquale Cipro Neto
187

16/05/2009
Tema: DARWIN: DA TEORIA DA EVOLUÇÃO À CÉLULAS-TRONCO
Convidados: Charbel El-hani (Biologia)
Platéia:
Ralando na área:
Dramatização: Urias Lima (“Poética” de Manuel Bandeira)
Atração musical: Margareth Menezes

23/05/2009
Tema: CINEMA E SOCIEDADE
Convidados: Sérgio Machado, cineasta. Messias Bandeira, professor, músico, jornalista, mestre
em comunicação e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas (UFBA)
Platéia: Cláudio Marques, coordenador do Espaço Glauber Rocha Unibanco. Henrique
Dantas, cineasta, documentarista. Jackson Costa, ator Lilliane Sueira, estudante do Colégio
Estadual Raphael Serravalle. Sofia Frederico, diretora audiovisual da Fundação Cultural do
Estado da Bahia.
Conexão Aprovado: Mary Del Priore, historiadora e escritora.
Ralando na área: Biomedicina
Atração musical: Banda de boca

30/05/2009
Tema: EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA
Convidado: Almerico Biondi (superintendente da Educação Profissional da Secretaria de
Educação do Estado da Bahia) e Vera Veronese (educadora)
Platéia: Vladimir Meira, vice-presidente regional da União Nacional dos Estudantes na Bahia
(UNE-BA). Evelin Buchegger, atriz. Esther Vásquez, estudante de Produção Cultural da
Universidade Federal da Bahia. Nide Nobre, socióloga e coordenadora de projetos do
Secretária de Educação do Estado da Bahia.
Ralando na área: Ciências Biológicas
2030 Discutindo o Futuro: Caetano Veloso (música)
Matéria extra: Cristovam Buarque (Educacionaismo) / Construção Civil
Dramatização: Evelin Buchegger [“Com licença poética”, de Adélia Prado]
Atração musical: Tatau

06/06/2009
SEM EXIBIÇÂO

13/06/2009
Tema: MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Convidado:Asher Kiperestoc, professor da Universidade Federal da Bahia. Júlio Rocha,
diretor geral do Instituto Gestão das Águas e Clima (Ingá)
Platéia:Gabriela Vieira, estudante de engenharia ambiental. Nei Nunes, estudante de
doutorado em ecologia da Universidade Federal da Bahia. Sueli Conceição, especialista em
gestão ambiental. Tamires Muniz, estudante do Colégio Estadual Senhor do Bonfim. Thiago
Siqueira, gestor da Ong Joguelimpo. Wesley Cerqueira, estudante de geografia
Conexão Aprovado: Jornalismo nacional com Ruy Castro, escritor.
Fazendo e acontecendo: História de Gilvã.
Matéria extra: Paisagismo
188

Ralando na área: Engenharia elétrica


Atração musical: Estakazero

20/06/2009
Tema: IMPÉRIO AMERICANO NA ERA OBAMA
Convidado: Leonel Leal (chefe de gabinete do prefeito João Henrique) e Jô Vieira (Professor
de pós-graduação da UFBA e especialista em governança corporativa)
2030 Discutindo o Futuro: Elmo Felzemburg (Trânsito)
Matéria extra: Engenharia de Automação
Ralando na área: Sistema de Informação
Atração musical: Gereba

27/06/2009
Tema: EPIDEMIAS QUE ASSUSTAM O MUNDO
Convidados: Mitermayer Galvão (diretor e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz –
Fiocruz) e Fernando Badaró (coordenador do programa de residência médica em infectologia
do Hospital Couto Maia)
Platéia: Lorene Pinto(Superintendente de Vigilância e Proteção da Saúde da Secretaria de
Saúde)
Conexão Aprovado: Giuliano Ottaviani (artista plástico)
Matéria extra: Independência da Bahia'.
Ralando na área: Engenharia Química
Atração musical: Adelmo Casé

04/07/2009
Tema: AS NOVAS BANDEIRAS DA AMÉRICA LATINA
Convidado: Marcia Kalid (professora de Geografia)
Platéia: Felipe Ramos, especialista em relações internacionais. Carlos Pronzato, cineasta
argentino. Wladmir Pinheiro, jornalista.
2030 Discutindo o Futuro: Fernando Peixoto e Sidney Quintela (arquitetos)
Matéria extra: blogs e blogueiros
Dramatização: Aísha Marques ['Versos íntimos', Augusto dos Anjos]
Ralando na área: Farmácia.

11/07/2009
Tema: RELAÇÕES RACIAIS NO BRASIL
Convidados: Luiza Bairros, socióloga e titular da Secretaria Estadual de Promoção da
Igualdade – Sepromi – e Almiro Sena, promotor de Justiça do Ministério Público/BA,
responsável pela Promotoria do Combate à Discriminação.
Fazendo e Acontecendo: Valdina Pinto (educadora/religiosa do candomblé - makota).
Conexão Aprovado: José Miguel Wisnik (músico e prof de literatura da USP)
Ralando na área: Engenharia Ambiental.
Atração musical: Banda Diamba.

18/07/2009
Tema: ASTRONOMIA: OS SEGREDOS DO UNIVERSO
Convidados: Vera Fernandes Martin, doutora em astronomia e professora titular da
Universidade Estadual de Feira de Santana; Alberto Brum, doutor em física da atmosfera,
189

coordenador do grupo de estudos da UFBA Descobrindo o Céu;


Platéia: Elísio Palma, diretor da Associação de Astrônomos Amadores. Alberto Betzler,
bacharel em astronomia, professor da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Wilton Pinto de
Carvalho, astrônomo amador, especialista em "meteoritos". Paulo Lago. Adriane, aluna do
Odorico Tavares.
2030 Discutindo o Futuro: Sandra Gordilho (alimentação e qualidade de vida)
Matéria extra: Cinema / Fim da exigência do diploma de jornalismo
Ralando na área: Educação Física.

25/07/2009
Tema: CRISTIANISMO E A FORMAÇÃO DO OCIEDENTE
Convidados: Elísio Brasileiro e o professor de filosofia e teólogo padre Manoel Filho.
Platéia: Jorge France (prof de História)
Conexão Aprovado: Rubem Alves (teólogo, psicanalista e educador / ensinar)
Matéria extra: copa do mundo de futebol de robôs – RoboCup 2009
Ralando na área: Ciências Aeronáuticas.
Atração musical: Ara Ketu

01/08/2009
Tema: VOCAÇÃO, TRABALHO E EMPREGO: NOVOS CAMINHOS
Convidados: Antonio Amorim (psicólogo e consultor de empresas)
Platéia:Paulo Lopes (Caça talentos e especialista em recursos humanos)
2030 Discutindo o Futuro: André Robic, (moda)
Fazendo e Acontecendo: Adailson Dias (estudante de 13 anos que se tornou ator mirim)
Ralando na área: Publicidade
Atração musical: Adão Negro.

08/08/2009
Tema: REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Convidados: Marcio Dórea (história)
Conexão Aprovado: Arlindo Machado (televisão/comunicação)
Matéria extra: campanha de prevenção contra o vírus HIV / festival A Gosto da Fotografia
Ralando na área: Jornalismo
Atração musical: Motumbá

15/08/2009
Tema: ROCK – REBELDIA E METAMORFOSE.
Convidados: Jeder Janotti (Comunicação) e Goli Guerreiro (antropóloga).
Platéia: Gulherme Maia, Músico. Marcelo Rocha, pensador. Luciano Matos, jornalista
musical. Carleba, ex-baterista da histórica banda Os Panteras. Rafael Sodré, formado em rádio
tv.
Conexão Aprovado: Monja Coen Sensei (Espiritualidade e autoconhecimento meditação)
Matéria Extra: Música alternativa em Salvador
Ralando na área: Administração
Atração musical: Banda de Rock

22/08/2009
Tema: PUBLICIDADE – A MARCA E O DESEJO
190

Convidados: Nelson Cadena (publicitário), Sidônio Palmeira (presidente da Leiaute), Renato


Tourinho (presidente da Associação Brasileira de Agências de Propagand), Cláudio Carvalho
(diretor da Morya), Faustão (redator da Objectiva), e Rodrigo Ladeira (pesquisador na área de
comportamento do consumidor e gestão de marcas).
Ralando na área: Ciências Biológicas
Matéria Extra: Fundação Biblioteca Nacional. / Festa de São Roque/ Obaluaê.

29/08/2009
Tema: REALISMO E NATURALISMO NO BRASIL
Convidados: Tarsis Vaz (professor de gramática)
Idmar Boaventura (mestre em literatura)
Rogério Elegibô (professor)
Eliana Mara Chiossi (escritora)
Paula Lice (atriz)
Fábio Moreira (estudante de letras)
Matéria Extra: Cinema indiano e brasileiro / Visita ao Museu da Pampulha, em Belo
Horizonte
Atração musical: Denny, da Timbalada.

05/09/2009
Tema: DROGAS – ABISMOS E CAMINHOS
Convidados: Esdras Cabus Moreira (psiquiatra, pesquisador do Cetad)
Fazendo e Acontecendo : Valéria Fagundes (gosta de ler)
Matéria Extra: Caretas de Acupe de Santo Amaro / Riscos do uso do crack (Lázaro Ramos e
Antônio Néri-Cetad)
Ralando na área: Fisioterapia.
Atração musical: Clécia Queiroz

12/09/2009
Tema: ATUALIDADES BRASIL: DE COLLOR A LULA
Convidados: Yomar Seixas (geografia) e Ricardo Carvalho (história)
2030 Discutindo o Futuro: Mário Sérgio Cortella (ética e moral)
Ralando na área: Nutrição.
Atração musical: Juliana Ribeiro

19/09/2009
Tema: PANORAMA DO MUNDO E MATRIZES ENERGÉTICAS
Convidados(1): Jorge France (história) e Luciano Moreno (geografia)
Convidados(2): Vanderby (química) e Apulinário (geografia)
Platéia: Diana Pipolo (coordenadora de avaliação do Enem da Secretaria de Educação)
Conexão Aprovado: Bob Wolfenson (fotógrafo)
Fato Comentado: 30 anos da Lei de Anistia (Joviniano Neto)
Matéria extra: Riscos do uso do crack (Lázaro Ramos e Antônio Néri-Cetad)
Ralando na área: Psicologia
Atração musical: Carlos Pitta

26/09/2009
Tema: ATUALIDADES DO BRASIL. MUDANÇAS CLIMÁTICAS.
191

Convidados [1]:Jorge France, de história. Fabrício Garrido, de geografia, para debater


atualidades do Brasil.
Convidados [2]: Apolinário, de geografia. Maria Ornólia, de biologia.
Fazendo e acontecendo: vida de Jailton Carneiro, Circo Picolino.
Ralando na área: Direito Público
Atração musical: Márcia Short

03/10/2009
Tema: CÉREBRO, A MENTE E O MISTÉRIO HUMANO
Convidados: André Luiz Peixinho, filósofo e terapeuta. Vitória Ottoni, psicanalista
Platéia: Antônio Andrade, neurologista. Kau Mascarenhas, o neurolinguista.
Camila Novaes, psicóloga. Dartilene Pires, supervisora técnica do Núcleo de Atividades de
Altas Habilidades.
Conexão Aprovado: Howard Gardner, psicólogo norte-americano.
Matéria extra: Museu Giramundo, teatro de bonecos.
Ralando na área: Engenharia Mecatrônica.
Atração musical: Mario Ulloa, violonista costa-riquenho

10/10/2009
Tema: A BIOLOGIA NO SÉCULO XXI
Convidados: André Vannier, pesquisador da Fiocruz. Chico Porto, professor de biologia.
Platéia: , César Carqueija, professor de bioética. Deivid Lorenzo, advogado e professor de
bioética. Jorge Rabelo, biólogo especialista em genética. Hilton Japyassú, professor da Ufba.
Tiago Mourão , biólogo e ator.
Conexão Aprovado: Zé Virgílio, arte-educação.
Fato comentado: Lei antifumo.
Fazendo e acontecendo: Nathan Marreiro, diretor do Colégio Estadual Leonor Calmon
Ralando na área: Farmácia
Atração musical: Banda Radiola

17/10/2009
Tema: JUVENTUDE, CULTURA E CIDADANIA
Convidado: Paulo Miguez, professor da Ufba. Vladimir Meira, presidente da UNE. Joselito
Crispim, fundador da ONG Bagunçaço.
Matéria extra: Políticas sobre cultura e arte.
Ralando na área: Engenharia de Telecomunicações
Atração musical: Pedro Morais

24/10/2009
Tema: AQUECIMENTO GLOBAL: O PLANETA PEDE SOCORRO
Convidado: Emília Queiroga, ambientalista. Asher Kiperstok, professor da UFBA. Juliano
Matos, secretário do Meio Ambiente
2030 Discutindo o futuro: Reciclagem do lixo. Hilda Maria Braga, lixóloga.
Fato Comentado: Extinção das geleiras no Pólo Norte
Matéria extra: Educação / Vida e obra de Aleijadinho
Ralando na área: Cinema
Atração musical: Batifun
192

31/10/2009
SEM EXIBIÇÃO