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Curso: Cuidador de Crianças e Jovens

9651 - Intervenção Pedagógica em Creches


e
Estabelecimentos de Educação Pré-escolar

Formadora: Isabel Mota

Outubro 2018
Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta
duração nº 9651- Intervenção pedagógica em creches e estabelecimentos de educação, de
acordo com o catálogo Nacional de qualificação

Objetivos

 Caracterizar os modelos pedagógicos.

 Reconhecer os princípios orientadores da educação de infância.

 Participar na planificação de atividades pedagógicas para crianças.

 Acompanhar as atividades pedagógicas e de rotina diária.

Conteúdos programáticos

 Percursos da educação de infância

 Modelos pedagógicos e implicação na organização e funcionamento dos espaços


educativos

 Princípios educativos para a educação de infância

o Na creche - 0-3 anos (+/-)

o No Jardim de infância – 3-6 anos (+/-)

 Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar - Fundamentos e


Princípios da Pedagogia para a Infância

 Áreas de conteúdo

 Formação Pessoal e Social

 Expressão e Comunicação

 Conhecimento do Mundo

 Papel do cuidador no acompanhamento das atividades pedagógicas

o Interação e rotinas diárias

 Entrada e acolhimento das crianças e famílias

 Apoio às refeições

 Acompanhamento das atividades

 Sesta, higiene e saída

Carga horaria
 50hrs

Índice
Âmbito do Manual…..........................................................................................................2
Objetivos…........................................................................................................................2
Conteúdos programáticos.................................................................................................2
Carga horária.....................................................................................................................2
Percursos da educação de infância...................................................................................4
Modelos pedagógicos e implicação na organização e funcionamento dos espaços
educativos.........................................................................................................................7
Caracterização da faixa etária da criança........................................................................16
 Dos 0 meses aos 12 meses.................................................................................16
 Dos 01 aos 02 anos.............................................................................................18
 Dos 02 aos 03 anos.............................................................................................20
 Dos 03 aos 04 anos.............................................................................................21
 Dos 04 aos 05 anos.............................................................................................23
 Dos 05 aos 06 anos.............................................................................................25
Princípios educativos para educação de infância............................................................26
 Na creche............................................................................................................27
 No Jardim de Infância.........................................................................................29
Orientações curriculares para a Educação Pré-escolar - Fundamentos e princípios da
pedagogia para a Infância...............................................................................................31
Áreas de conteúdo..........................................................................................................33
 Formação Pessoal e Social..................................................................................33
 Expressão Expressão e Comunicação.................................................................33
 Conhecimento do Mundo...................................................................................33
Papel do cuidador no acompanhamento das atividades pedagógicas............................35
 Interação e rotinas diárias..................................................................................37
o Entrada e acolhimento das crianças e famílias.............................................40
o Apoio às refeições........................................................................................41
o Acompanhamento das atividades................................................................42
 Higiene......................................................................................42
 Sesta .........................................................................................43
 Saída.........................................................................................43
Conclusão........................................................................................................................44
Bibliografia......................................................................................................................45

Introdução
Percursos da educação de infância
A educação pré-escolar, tal como está estabelecido na Lei Quadro (Lei n.º 5/97, de 10 de
fevereiro), destina-se às crianças entre os 3 anos e a entrada na escolaridade obrigatória,
sendo considerada como “a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao
longo da vida”. As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar baseiam-se nos
objetivos globais pedagógicos definidos pela referida Lei e destinam-se a apoiar a construção e
gestão do currículo no jardim de infância, da responsabilidade de cada educador/a, em
colaboração com a equipa educativa do estabelecimento/agrupamento.

Apesar de a legislação do sistema educativo (Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei Quadro da
Educação Pré-Escolar) incluir apenas a educação pré-escolar a partir dos 3 anos, não
abrangendo a educação para os 0-3 anos (creche), considera-se, de acordo com a
Recomendação do Conselho Nacional de Educação, que esta é um direito da criança.

Assim, importa que haja uma unidade em toda a pedagogia para a infância e que o trabalho
profissional com crianças dos 0 aos 6 anos tenha fundamentos comuns e seja orientado pelos
mesmos princípios. A organização das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar
contempla três secções: Enquadramento Geral, Áreas de Conteúdo e Continuidade Educativa e
Transições.

As organizações educativas são contextos que exercem determinadas funções, dispondo para
isso de tempos e espaços próprios e em que se estabelecem diferentes relações entre os
intervenientes. A organização dinâmica destes contextos educativos pode ser vista segundo
uma perspetiva sistémica e ecológica. Esta abordagem assenta no pressuposto de que o
desenvolvimento humano constitui um processo dinâmico de relação com o meio, em que o
indivíduo é influenciado, mas também influencia o meio em que vive.

Para compreender a complexidade do meio, importa considerá-lo como constituído por


diferentes sistemas que desempenham funções específicas e que, estando em interconexão,
se apresentam como dinâmicos e em evolução. Assim, o indivíduo em desenvolvimento
interage com diferentes sistemas que estão eles próprios em evolução.

Nesta abordagem, importa distinguir os sistemas restritos e imediatos, com características


físicas e materiais particulares — a casa, a sala de jardim de infância, a rua, etc. — em que há
uma interação direta entre atores que aí desempenham diferentes papéis — pai ou mãe,
filho/a, docente, aluno/a, etc. — e desenvolvem formas de relação interpessoal, implicando-se
em atividades específicas que se realizam em espaços e tempos próprios. São exemplos destes
sistemas restritos, com particular importância para a educação da criança, o meio familiar e o
contexto de educação pré-escolar.

As relações que se estabelecem entre estes e outros sistemas restritos formam um outro tipo
de sistema com características e finalidades próprias (as relações entre famílias e o contexto
de educação de infância). Por seu turno, estes sistemas são englobados por sistemas sociais
mais alargados que exercem uma influência sobre eles (por exemplo, a organização da
educação de infância no sistema educativo e no sistema social influenciam o funcionamento
dos jardins de infância).

Estas interações podem ser representadas de forma esquemática: 

A abordagem sistémica e ecológica constitui, assim, uma perspetiva de compreensão da


realidade que permite adequar, de forma dinâmica, o contexto do estabelecimento educativo
às características e necessidades das crianças e adultos, tornando-se, ainda, um instrumento
de análise para que o/a educador/a possa adaptar a sua intervenção às crianças e ao meio
social em que trabalha, pois possibilita:

 Compreender melhor cada criança, ao conhecer os sistemas em que esta cresce e se


desenvolve, de forma a respeitar as suas características pessoais, cultura e saberes já
adquiridos, apoiando a sua maneira de se relacionar com os outros e com o meio
social e físico;
 Contribuir para a dinâmica do contexto de educação pré-escolar na sua interação
interna (relações entre crianças e crianças e adultos) e na interação que estabelece
com outros sistemas que também influenciam a educação das crianças (relação com as
famílias) e ainda com o meio social envolvente e a sociedade em geral, de modo a que
esse contexto se organize para responder melhor às suas características e
necessidades;
 Perspetivar o processo educativo de forma integrada, tendo em conta que a criança
constrói o seu desenvolvimento e aprendizagem, de forma articulada, em interação
com os outros e com o meio;
 Permitir a utilização e gestão integrada dos recursos do estabelecimento educativo e
de recursos que, existindo no meio social envolvente, podem ser dinamizados;
 Acentuar a importância das interações e relações entre os sistemas que têm uma
influência direta ou indireta na educação das crianças, de modo a tirar proveito das
suas potencialidades e ultrapassar as suas limitações, para alargar e diversificar
oportunidades educativas das crianças e apoiar o trabalho dos adultos.

Tendo em conta os diferentes sistemas em interação, analisam-se seguidamente algumas


características relevantes para a organização do ambiente educativo na educação pré-
escolar:

o Organização do estabelecimento educativo


o Organização do ambiente educativo da sala
o Organização do grupo
o Organização do espaço 
o Organização do tempo
o Relações entre os diferentes intervenientes. 
Modelos pedagógico e implicação na organização e funcionamento dos
espaços educativo
Organização do estabelecimento educativo

O estabelecimento educativo deve organizar-se como um contexto facilitador do


desenvolvimento e da aprendizagem das crianças, proporcionando também oportunidades de
formação dos adultos que nele trabalham. Estabelece procedimentos de interação entre os
diferentes intervenientes (entre crianças, entre crianças e adultos e entre adultos), tem um
papel na gestão de recursos humanos e materiais, o que implica a prospeção de meios para
melhorar as funções educativas da instituição. O estabelecimento educativo tem uma
influência determinante no trabalho que o/a educador/a realiza com o seu grupo de crianças e
pais/famílias, bem como na dinâmica da equipa educativa.

Cada estabelecimento educativo tem as suas características próprias e uma especificidade que
decorre da rede em que está incluído (pública, privada solidária ou privada cooperativa), da
dimensão e dos recursos materiais e humanos de que dispõe, diferenciando-se ainda pelos
níveis educativos que engloba. Muitos estabelecimentos educativos, para além da educação
pré-escolar, incluem outros níveis educativos como a creche ou os ensinos básico e
secundário. Esta inserção num contexto organizacional mais vasto permite tirar proveito de
recursos humanos e materiais, facilitando ainda a continuidade educativa.

A dinâmica própria de cada estabelecimento educativo está consignada no seu projeto


educativo, como instrumento de orientação global da sua ação e melhoria, complementado
pelo regulamento da instituição, que prevê as funções e formas de relação com os diversos
grupos que compõem a comunidade (órgãos de gestão, profissionais, pais/famílias e alunos).
Estas linhas gerais de orientação, e nomeadamente o projeto educativo de estabelecimento
educativo/agrupamento de escolas, enquadram o trabalho educativo dos profissionais e a
elaboração do projetos curriculares de grupo. A contribuição dos educadores na elaboração do
projeto educativo e o modo como o concretizam confere-lhes também um papel na sua
avaliação. 

Há ainda determinados aspetos da gestão do estabelecimento educativo que têm uma


influência direta nas salas de jardim de infância, tais como a distribuição de grupos e horários
dos diferentes profissionais, critérios de composição dos grupos e organização global do
tempo (horas de entrada e saída, horas de almoço, disponibilidade de utilização de recursos
comuns).

Os estabelecimentos educativos proporcionam, também, um espaço alargado de


desenvolvimento e aprendizagem de todas as crianças, em que a partilha dos espaços comuns
(entrada, corredores, refeitório, biblioteca, ginásio, etc.) deverá ser planeada em conjunto pela
equipa educativa. 

A organização do tempo não letivo é também decidida a nível do estabelecimento educativo,


importando que o/a educador/a planeie e supervisione a sua concretização, tendo em conta as
finalidades que a distinguem da componente letiva, mas assegurando uma coerência de
princípios educativos entre estes dois tempos. 

Neste contexto global, cada sala organiza-se de forma a dar resposta ao desenvolvimento e
aprendizagem de um determinado grupo de crianças.

Organização do ambiente educativo da sala

A educação pré-escolar é um contexto de socialização em que a aprendizagem se contextualiza


nas vivências relacionadas com o alargamento do meio familiar de cada criança e nas
experiências relacionais proporcionadas. Este processo educativo realiza-se num determinado
tempo, situa-se num espaço que dispõe de materiais diversos e implica a inserção da criança
num grupo em que esta interage com outras crianças e adultos.

A organização do grupo, do espaço e do tempo constituem dimensões interligadas da


organização do ambiente educativo da sala. Esta organização constituiu o suporte do
desenvolvimento curricular, pois as formas de interação no grupo, os materiais disponíveis e a
sua organização, a distribuição e utilização do tempo são determinantes para o que as crianças
podem escolher, fazer e aprender. Importa, assim, que o/a educador/a reflita sobre as
oportunidades educativas que esse ambiente oferece, ou seja, que planeie intencionalmente
essa organização e avalie o modo como contribui para a educação das crianças, introduzindo
os ajustamentos e correções necessários.

Organização do grupo

Na educação pré-escolar, o grupo proporciona o contexto imediato de interação social e de


socialização através da relação entre crianças, crianças e adultos e entre adultos. Esta
dimensão relacional constitui a base do processo educativo.

Há diferentes fatores que influenciam o modo próprio de funcionamento de um grupo, tais


como as características individuais das crianças que o compõem, o maior ou menor número de
crianças de cada sexo, a diversidade de idades ou a dimensão do grupo.

 Estes fatores são influenciados pelas condições institucionais em que o jardim de infância se
insere e pelas características demográficas da população que serve. A decisão da composição
etária deve, porém, corresponder a uma opção pedagógica, tendo em conta que a interação
entre crianças em momentos diferentes de desenvolvimento e com saberes diversos é
facilitadora do desenvolvimento e da aprendizagem. A existência de grupos com crianças de
diferentes idades acentua a diversidade e enriquece as interações no grupo, proporcionando
múltiplas ocasiões de aprendizagem entre crianças.

 Qualquer que seja a composição do grupo, a relação individualizada que o/a educador/a
estabelece com cada criança é facilitadora da sua inclusão no grupo e das relações com as
outras crianças. Na educação de infância, cuidar e educar estão intimamente relacionados,
pois ser responsável por um grupo de crianças exige competências profissionais que se
traduzem, nomeadamente, por prestar atenção ao seu bem-estar emocional e físico e dar
resposta às suas solicitações (explícitas ou implícitas). Este cuidar ético envolve assim a criação
de um ambiente securizante, em que cada criança se sente bem e sabe que é escutada e
valorizada.

 A relação que o/a educador/a estabelece com as crianças assume diversas formas, que têm de
ser intencionalmente pensadas e adaptadas às situações. Estar atento/a e escutar as crianças,
ao longo dos vários momentos do dia, permite ao/à educador/a perceber os seus interesses e
ter em conta as suas propostas para negociar com elas o que será possível fazer, ou para se
decidir em conjunto o que é de continuar ou o que está terminado, para se passar a uma nova
proposta. Neste processo relacional, o/a educador/a: apoia as atividades escolhidas pelas
crianças e a realização das que propõe; valoriza de forma empática os trabalhos apresentados
pelas crianças, as suas descobertas e as soluções que encontram para resolver problemas e
dificuldades; estimula quem tem mais dificuldade em partilhar o que pensa; modera debates e
negociações; propõe ainda ideias que levem as crianças a terem vontade de melhorar o seu
trabalho.
 
As dinâmicas de interação que se estabelecem têm implicações nos processos de
aprendizagem, no sentido de promover:

 Respeito por cada criança e sentimento de pertença a um grupo - a forma como o/a
educador/a está atento/a e se relaciona com as crianças, apoia as interações e
relações no grupo, contribuem para o desenvolvimento da autoestima e de um
sentimento de pertença que permite às crianças tomar consciência de si mesmas na
relação com outros. A vivência num grupo social alargado constitui ainda a base do
desenvolvimento da área de Formação Pessoal e Social e da aprendizagem da vida
democrática, o que implica que o/a educador/a crie situações diversificadas de
conhecimento, atenção e respeito pelo outro, bem como de desenvolvimento do
sentido crítico e de tomada de decisões baseada na negociação. 

 Trabalho cooperado - O trabalho entre pares e em pequenos grupos, em que as


crianças têm oportunidade de confrontarem os seus pontos de vista e de colaborarem
na resolução de problemas ou dificuldades colocadas por uma tarefa comum, alarga as
oportunidades educativas, ao favorecer uma aprendizagem cooperada em que a
criança se desenvolve e aprende, contribuindo para o desenvolvimento e para a
aprendizagem das outras. Trabalhar em grupos constituídos por crianças com diversas
idades ou em momentos diferentes de desenvolvimento permite que as ideias de uns
influenciem as dos outros. Este processo contribui para a aprendizagem de todos, na
medida em que constitui uma oportunidade de explicitarem as suas propostas e
escolhas e como as conseguiram realizar.

 Entendimento da perspetiva do outro - O desenvolvimento social faz-se através de


duas vertentes contraditórias: a necessidade de relação de proximidade com os outros
e o desejo de afirmação e de autonomia pessoal. 

Neste sentido, o/a educador/a deve apoiar a compreensão que as crianças têm, desde muito
cedo, dos sentimentos, intenções e emoções dos outros, facilitando o desenvolvimento da
compreensão do que os outros pensam, sentem e desejam. Cabe também ao/à educador/a,
em situações de conflito, apoiar a explicitação e aceitação dos diferentes pontos de vista,
favorecendo a negociação e a resolução conjunta do problema.

- Regulação da vida em grupo - A participação das crianças no processo educativo através de


oportunidades de decisão em comum, de regras coletivas indispensáveis à vida social e à
distribuição de tarefas necessárias à organização do grupo constituem experiências de vida
democrática que permitem tomar consciência dos seus direitos e deveres.
 

As razões das normas que decorrem da vida em grupo (por exemplo, esperar pela sua vez,
arrumar o que desarrumou, etc.) terão de ser explicitadas e compreendidas pelas crianças,
como o respeito pelos direitos de cada uma, indispensáveis à vida em comum. Estas normas e
outras regras adquirem maior força e sentido se todo o grupo participar na sua elaboração,
bem como na distribuição de tarefas necessárias à vida coletiva (por exemplo, regar as plantas,
tratar de animais, encarregar-se de pôr a mesa, distribuir refeições, etc.).

- Participação no planeamento e avaliação – Ao participarem no planeamento e avaliação, as


crianças estão a colaborar na construção do seu processo de aprendizagem. Planear e avaliar
com as crianças individualmente, em pequenos grupos ou no grande grupo são oportunidades
de participação e meios de desenvolvimento cognitivo e da linguagem. Esta participação é uma
condição de organização democrática do grupo, sendo também suporte da aprendizagem nas
diferentes áreas de conteúdo.

Organização do espaço

Os espaços de educação pré-escolar podem ser diversos, mas o tipo de equipamento, os


materiais existentes e a sua organização condicionam o modo como esses espaços e materiais
são utilizados enquanto recursos para o desenvolvimento das aprendizagens.

 A organização do espaço da sala é expressão das intenções do/a educador/a e da dinâmica do


grupo, sendo indispensável que este/a se interrogue sobre a sua função, finalidades e
utilização, de modo a planear e fundamentar as razões dessa organização.

A reflexão permanente sobre a funcionalidade e adequação dos espaços permite que a sua
organização vá sendo modificada, de acordo com as necessidades e evolução do grupo. Esta
reflexão é condição indispensável para evitar espaços estereotipados e padronizados que não
são desafiadores para as crianças.

O conhecimento do espaço e das suas possibilidades é uma condição do desenvolvimento da


independência e da autonomia da criança e do grupo, o que implica que as crianças
compreendam como está organizado e pode ser utilizado, participando nessa organização e
nas decisões sobre as mudanças a realizar. Esta apropriação do espaço dá-lhes a possibilidade
de fazerem escolhas, de utilizarem os materiais de diferentes maneiras, por vezes imprevistas
e criativas, e de forma cada vez mais complexa.
 A importância dos materiais na aprendizagem das crianças implica que o/a educador/a defina
prioridades na sua aquisição, de acordo com as necessidades das crianças e o projeto
curricular de grupo. A progressão do desenvolvimento e da aprendizagem das crianças, ao
longo do ano, levará à introdução de novos espaços e materiais, que sejam mais desafiadores
e correspondam aos interesses que vão sendo manifestados.

A escolha de materiais deverá atender a critérios de qualidade e variedade, baseados na


funcionalidade, versatilidade, durabilidade, segurança e valor estético. A utilização de material
reutilizável (caixas de diferentes tamanhos, bocados de canos, interior de embalagens,
bocados de tecidos, pedaços de madeira, fios, etc.), bem como material natural (pedras, folhas
sementes, paus) podem proporcionar inúmeras aprendizagens e incentivar a criatividade,
contribuindo ainda para a consciência ecológica e facilitando a colaboração com os
pais/famílias e a comunidade.

 Na organização deste espaço não pode ainda ser descurada a forma como são utilizadas as
paredes. O que está exposto constitui uma forma de comunicação, que sendo representativa
dos processos desenvolvidos, os torna visíveis tanto para crianças como para adultos. Por isso,
a sua apresentação deve ser partilhada com as crianças e corresponder a preocupações
estéticas.

O espaço exterior  é igualmente um espaço educativo pelas suas potencialidades e pelas


oportunidades educativas que pode oferecer, merecendo a mesma atenção do/a educador/a
que o espaço interior. Se as atividades que se realizam habitualmente na sala também podem
ter lugar no espaço exterior, este tem características e potencialidades que permitem um
enriquecimento e diversificação de oportunidades educativas.

 O espaço exterior é um local privilegiado para atividades da iniciativa das crianças que, ao
brincar, têm a possibilidade de desenvolver diversas formas de interação social e de contacto e
exploração de materiais naturais (pedras, folhas, plantas, paus, areia, terra, água, etc.) que,
por sua vez, podem ser trazidos para a sala e ser objeto de outras explorações e utilizações. É
ainda um espaço em que as crianças têm oportunidade de desenvolver atividades físicas
(correr, saltar, trepar, jogar à bola, fazer diferentes tipos de jogos de regras, etc.), num
ambiente de ar livre. 

Estas múltiplas funções do espaço exterior exigem que o/a educador/a reflita sobre as suas
potencialidades e que a sua organização seja cuidadosamente pensada, nomeadamente no
que se refere à introdução de materiais e equipamentos que apelem à criatividade e
imaginação das crianças e que atendam a critérios de qualidade, com particular atenção às
questões de segurança.

O espaço educativo inclui ainda os espaços comuns a todo o estabelecimento educativo (hall,
corredores, biblioteca, refeitórios, salas polivalentes, etc.) que o/a educador/a utiliza e
rentabiliza, tendo em conta as decisões tomadas por toda a equipa educativa do
estabelecimento educativo.

Organização do tempo 
 O tempo educativo tem uma distribuição flexível, embora corresponda a momentos que se
repetem com uma certa periodicidade. A sucessão de cada dia, as manhãs e as tardes têm um
determinado ritmo, existindo, deste modo, uma rotina que é pedagógica porque é
intencionalmente planeada pelo/a educador/a e porque é conhecida pelas crianças, que
sabem o que podem fazer nos vários momentos e prever a sua sucessão, tendo a liberdade de
propor modificações. Nem todos os dias são iguais, as propostas do/a educador/a ou das
crianças podem modificar o quotidiano habitual. 

 O tempo diário inscreve-se num tempo, semanal, mensal e anual, que tem ritmos próprios e
cuja organização tem, também, de ser planeada. A vivência destas diferentes unidades de
tempo permite que a criança se vá progressivamente apropriando de referências temporais
que são securizantes e que servem como fundamento para a compreensão do tempo:
passado, presente, futuro. 

 Porque o tempo é de cada criança, do grupo e do/a educador/a, importa que a sua
organização seja decidida pelo/a educador/a e pelas crianças. Um tempo que contemple de
forma equilibrada diversos ritmos e tipos de atividade, em diferentes situações — individual,
com outra criança, com um pequeno grupo, com todo o grupo — e permita oportunidades de
aprendizagem diversificadas. Trata-se de prever e organizar um tempo simultaneamente
estruturado e flexível, em que os diferentes momentos tenham sentido para as crianças e que
tenha em conta que precisam de tempo para fazerem experiências e explorarem, para
brincarem, para experimentarem novas ideias, modificarem as suas realizações e para as
aperfeiçoarem. 

Relações entre os diferentes intervenientes

Numa perspetiva sistémica e ecológica, as relações e interações que se estabelecem entre os


diferentes intervenientes do processo educativo são essenciais para o desenvolvimento desse
processo.

O ambiente educativo da sala de jardim de infância e do estabelecimento educativo


proporcionam múltiplas formas de relações recíprocas, que se enumeram, dado o papel que
o/a educador/a desempenha na promoção dessas relações e no aproveitamento das suas
potencialidades, para a educação das crianças e para o seu desenvolvimento profissional.
 

Relações entre crianças e crianças e adultos

 A relação que o/a educador/a estabelece com as crianças e o modo como incentiva a sua
participação facilita as relações entre as crianças do grupo e a cooperação entre elas. A ação
do/a educador/a permite também que as crianças beneficiem de oportunidades que são
proporcionadas pela frequência de um estabelecimento educativo, alargando as suas relações
com outras crianças de diferentes idades e níveis educativos. Este contexto, possibilita que
participem no desenvolvimento de atividades e projetos com outras crianças e grupos, que
compreendam e aceitem regras de convivência que envolvem crianças de diferentes idades
(cuidados com os mais novos, apoio dos mais velhos), e ainda que tenham contactos e
relações com diferentes adultos. Estas situações ampliam e enriquecem a sua aprendizagem e
as suas competências sociais. 
 As experiências que a criança realiza no jardim de infância têm, também, influência nas
relações familiares, pois o que criança transmite em casa sobre o que faz e aprende é motivo
de conversa com os pais/famílias, o que facilita as relações familiares, contribuindo para o
interesse dos pais/famílias em participarem no processo educativo desenvolvido no
estabelecimento educativo. A criança é assim mediadora entre a escola e a família.

Relações com pais/famílias

Os pais/famílias e o estabelecimento de educação pré-escolar são dois contextos sociais que


contribuem para a educação da mesma criança; importa, por isso, que haja uma relação entre
estes dois sistemas. 

As relações com os pais/famílias podem revestir várias formas e níveis, em que se pode
distinguir a relação que se estabelece com cada família, da relação organizacional que implica
coletivamente os pais/famílias. 

 A relação que o/a educador/a estabelece com cada família centra-se na criança e tem em
conta que são coeducadores da mesma criança. Esta relação assenta numa comunicação que
se realiza através de trocas informais (orais ou escritas) ou em momentos planeados (reuniões
com cada família). Estes momentos constituem ocasiões para conhecer as suas necessidades e
expetativas educativas, ouvir as suas opiniões e sugestões, incentivar a sua participação, e,
ainda, para combinar as formas de participação que melhor correspondem às suas
disponibilidades. A avaliação que o/a educador/a realiza do processo desenvolvido por cada
criança e dos seus progressos torna-se um recurso fundamental nessa comunicação.

 O planeamento de estratégias diversificadas permitirá que todos participem. Se há


pais/famílias que poderão, eventualmente, vir ao jardim de infância para contarem uma
história, falarem da sua profissão, acompanharem visitas e passeios, etc., para os que não
podem vir à sala serão encontradas outras formas de obter o seu contributo para o que se está
a realizar, garantindo que todas as crianças vejam representados os contributos dos seus
pais/famílias.

As reuniões de pais/famílias são um meio de participação coletiva em que o/a educador/a


partilha as suas intenções educativas, o processo a desenvolver e/ou desenvolvido com o
grupo, assim como envolve as famílias na elaboração do projeto curricular do grupo. Este
envolvimento facilita a participação dos pais/famílias e a sua compreensão do trabalho
pedagógico que se realiza na educação pré-escolar. 

 A contribuição coletiva dos pais/famílias tem também expressão ao nível do estabelecimento


educativo, numa relação organizacional, que os implica enquanto grupo. Os pais/famílias,
enquanto primeiros e principais responsáveis pela educação das crianças, têm o direito de
conhecer, escolher e contribuir para a resposta educativa que desejam para os seus filhos. Este
é o sentido da constituição de associações de pais e da sua participação no projeto educativo,
enquanto forma global como o estabelecimento educativo se organiza para dar uma melhor
resposta à educação das crianças, às necessidades dos pais/famílias e às características da
comunidade.

 Este contacto entre pais/famílias cujos/cujas filhos/as frequentam o mesmo estabelecimento


educativo ou grupo de jardim de infância permite também a criação de relações informais, de
solidariedade e de apoio mútuo entre famílias, que as ajudem a desempenhar as suas funções
educativas e a tomar decisões sobre a educação dos filhos/as. O/a educador/a e/ou o
estabelecimento educativo podem proporcionar condições para que essas relações se
estabeleçam. 

Relações entre profissionais

O estabelecimento educativo deverá também favorecer as relações, e o trabalho em equipa,


entre profissionais que têm um papel na educação das crianças. Esse trabalho em equipa pode
realizar-se a vários níveis:

 Reuniões regulares da equipa que trabalha com o mesmo grupo de crianças:


educador/a, auxiliar de ação educativa/assistente operacional, animadores/as da
componente de apoio à família ou outros profissionais que intervenham com as
crianças em tempo letivo (professor/a de educação especial ou professor/a com
especialidade numa determinada área). Este trabalho é indispensável para
desenvolver uma ação articulada, que se integra na dinâmica global do grupo e no
trabalho que se está a realizar.
 Encontros periódicos entre todos/as os/as educadores/as do
estabelecimento/departamento de educação pré-escolar, para debater e refletir sobre
a ação pedagógica desenvolvida e tomar decisões conjuntas sobre aspetos que dizem
respeito ao seu trabalho, no estabelecimento educativo. Esta relação de cooperação,
em que os/as educadores/as coordenam, planeiam e avaliam, em conjunto, a sua
ação, constitui um meio de desenvolvimento profissional e de melhoria das práticas
com efeitos na educação das crianças. Cabe ao diretor/a pedagógico/a ou
coordenador/a pedagógico/a, em colaboração com os educadores, encontrar as
formas e os momentos deste trabalho de equipa. Estas equipas podem ainda
beneficiar do apoio de outros profissionais, tais como psicólogos, trabalhadores
sociais, etc., que, enriquecendo o trabalho da equipa, facilitam a procura de respostas
mais adequadas às crianças e às famílias. 

 Encontros entre profissionais de diferentes níveis educativos que, no estabelecimento


educativo, estiveram ou irão estar encarregados da educação das mesmas crianças,
nomeadamente educadores/as de creche, educadores/as do jardim de infância e
professores/as do 1.º ciclo. Não cabe apenas individualmente ao/à educador/a, mas a
toda a organização educativa garantir a articulação e a continuidade do processo na
educação de cada criança.

Relações com a comunidade

A colaboração dos pais/famílias, e também de outros membros da comunidade, o contributo


dos seus saberes e competências para o trabalho educativo a desenvolver com as crianças é
um meio de alargar e enriquecer as situações de aprendizagem. O/A educador/a, ao dar
conhecimento aos pais/famílias e a outros membros da comunidade, presencialmente ou à
distância (blogue, plataforma da escola, etc.), do processo e produtos realizados pelas crianças
a partir das suas contribuições, favorece um clima de comunicação, de troca e procura de
saberes entre crianças e adultos.
Para além da contribuição da comunidade para a aprendizagem das crianças, o
estabelecimento educativo beneficia da colaboração com organizações, serviços e recursos da
comunidade próxima e alargada (autarquias, serviços de saúde, segurança social, polícia de
segurança pública, centros culturais e desportivos, instituições de ensino superior, etc.) para
realizar as suas finalidades educativas. A cooperação com estes recursos da comunidade pode
assumir a forma de parcerias formais, através de acordos ou protocolos com continuidade, ou
ser solicitada pontualmente. Estas parcerias, para além de contribuírem para a realização das
finalidades educativas do estabelecimento educativo, podem ainda facilitar a relação entre
estes serviços e os pais/famílias, através da disponibilização de informações sobre as suas
funções e funcionamento.

O contributo prestado pelos diversos recursos da comunidade ao estabelecimento educativo


traduz-se num compromisso de dar conta dos resultados dessa cooperação. Garantir esta
devolução dá visibilidade ao funcionamento do estabelecimento educativo e permite,
nomeadamente, que a comunidade em geral compreenda as finalidades, as funções e os
benefícios pedagógicos da educação pré-escolar.
Características da faixa etária
 Dos 0 meses aos 12 meses
Durante este primeiros 12 meses e o bebe começa a aventura de viver. Tudo para ele é
descoberta.

Percursos de Desenvolvimento
0-3 Meses 0-6 Meses

Desenvolvimento Aprendizagem

Cuidar Educar

Características físicas:

 Crescimento físico rápido;


 Aumento de peso e altura progresso;
 Crescimento do cérebro.

Características psicomotoras:

 Os atos reflexos são comportamentos biológicos que permitem a sobrevivência;


 Leis da maturidade: suster a cabeça, rodar de barriga para uma cima e para baixo,
começa a sentar-se
 Começa a mexer as mãos agarrando objetos;
 No último trimestre movimentos mais seguros e harmonioso, levantando-se por volta
dos 10 meses.

Características da linguagem:

 Começa logo desde o momento do nascimento;


 Quando escuta um som, produz uma resposta,
move-se á procura da sua proveniência;
 Utiliza o choro para transmitir o que sente;
 Interioriza simples e vocálicos e posteriormente
“Balbucios”;
 Começa a combinar vogais e consoantes.
Características afetivo-sociais:

 Interação social e afetiva para m desenvolvimento adequado.


 Afetividade e relação social relacionada com a satisfação das suas necessidades
básicas;
 Primeiro sinal de socialização é o serviço como resposta ao contacto visual;
 O apego – um vínculo muito especial, estreito e terno;
 Creche – primeiro lugar onde têm contacto com adultos e crianças alheios ao meio
familiar.
 Dos 01 aos 02 anos
Durante o segundo ano ocorrem na vida da criança duas conquistas fundamentais:

Aprende a andar;

A usar a linguagem para comunicar

Características motoras:

 Capacidades para executar movimentos como: andar, correr, gatinhar, subir e descer;
 Quando começam a andar as escadas são m atrativo desafio;
 Maior coordenação do corpo;
 A autonomia revela grandes progressos;
 Utiliza as mãos com grande independência.

Características cognitivas:

 Exploração do meio com a conquista de aprender a andar;


 Comportamentos intencionados desenvolvidos para a obtenção de um bem;
 Quanto à imitação a criança já é capaz de imitar ação que viu anteriormente;
 Aumenta o seu tempo de atenção e interessa-se por investigar;
 Aprende conceitos de “dentro-fora” e “ em cima e em baixo”.

Características da linguagem:

 É a segunda conquista da criança;


 Apoia-se nos gestos, aponta para objetos, aninais e pessoas conhecidas;
 Aparecem as primeiras palavras reconhecíveis;
 A compreensão progride e demostra que já entende muitas palavras
 Aprende o significado de sim ou não;
 Começa a unir duas palavras e interessa-se pelo nome de tudo.
Características afetivo sociais:

 Toma parte mais ativa no meio social;


 Controla as ações dirigidas a outros e aos objetos;
 No meio familiar amplia-se e já não se centra só na mãe;
 Começa a etapa da negação para se diferenciar, aparecendo as birras e
comportamentos rebeldes;
 Utilizar o seu nome para se referir a si mesma;
 Brinca sozinha muito tempo;
 Começa a relacionar-se com outras crianças;
 Possui um grande sentido de posse e resistência à partilha;
 É muito expressiva, manifesta emoções e sentimentos;
 Não gosta de mudança e são as rotinas diárias que lhe dão segurança.
 Dos 02 aos 03 anos
Durante este período a criança é muito ativa e começa a perder a aparência de bebe.

Características psicomotoras:

 Necessidade de experimentação psicomotora e


intensa;
 Inverta e descobre continuamente normas de
deslocação;
 Dobra bem todo o seu corpo, desloca-se agilmente
mas direita e com bom equilíbrio;
 Aperfeiçoamento na coordenação de movimentos;
 É capaz de subir e descer escadas;
 Descobre novas formas de brincas.

Características cognitivas:

 Concentração: A criança fixa a sua atenção;


 Egocentrismo: pensa que toda a gente pensa e sente como ela;
 Irreversibilidade: é capaz de realizar uma ação nos dois sentidos;
 Sincretismo: a criança estabelece ligações entre objetos ou acontecimentos;
 A sua forma de aprendizagem é a técnica da experiência e erro;
 A repetição continua a ser fundamental para o desenvolvimento cognitivo.

Características da linguagem:

 Já possui um amplo vocabulário;


 A fala nesta idade é mais clara e constrói frases de duas ou três palavras;
 É capaz de compreender frases cada vez mais compridas e complexas.
 Dos 03 aos 04 anos
Entramos na etapa pré-escolar, onde as crianças querem fazer tudo sozinhas pois estão
ansiosas por aprender. São independentes e querem uma
identidade própria, separada da dos seus pais. Surgirá o
medo de lugares desconhecidos e de experiências novas.

Um período com numerosas alterações onde as poderão


colocar à prova uma ou outra vez. Gostam de “tentar” atar
os sapatos e de apertar e desapertar botões. Já podem
representar símbolos, pessoas, figuras … realizar desenhos e
letras básicas.

O que caracteriza significativamente esta idade é a


capacidade da criança começar a percecionar o mundo para
além de si, tornando-se progressivamente menos
egocêntrica.

Características Físico:

 Grande atividade motora: corre, salta, começa a subir escadas pode começar a andar
de triciclo; grande desejo de experimentar tudo;
 Embora ainda não seja capaz de amarrar sapatos, veste-se sozinha razoavelmente
bem;
 É capaz de comer sozinha com uma colher ou garfo;
 Copia figuras geométricas simples;
 É cada vez mais independente ao nível da sua higiene; (é capaz de controlar os
esfíncteres (sobretudo durante o dia).

Desenvolvimento intelectual:

 Compreende a maior parte do que ouve e o seu discurso é compreensível para os


adultos;
 Utiliza bastante imaginação: inicio dos jogos faz de conta e dos jogos de papéis;
 Compreende o conceito de “dois”;
 Sabe o nome, o sexo e a idade;
 Repete sequência de três algarismos;
 Começa a ter noção das relações de causa e efeito;
 É bastante curiosa e investigadora.

Desenvolvimento Social

 É bastante sensível aos sentimentos dos que a rodeiam relativamente a si própria;


 Tem dificuldade em cooperar e partilhar;
 Preocupa-se em agradar os adultos que lhe são significativos, sendo dependente da
sua aprovação e afeto;
 Começa a aperceber-se das diferenças no comportamento dos homens e das
mulheres;
 Começa a interessar-se mais pelos outros e a integra-se em atividades de grupo com
outras crianças;

Desenvolvimento emocional:

 É capaz de se separar da mãe durante curtos períodos de tempo;


 Começa a desenvolver alguma independência e autoconfiança;
 Pode manifestar medo de estranhos, de aninais ou do escuro;
 Começa a reconhecer os seus próprios limites, pedindo ajuda;
 Limita os adultos.
 Dos 04 aos 05 anos
Ganham uma maior autonomia e começam a formar o seu primeiro grupo de amigos. Já se
podem vestir e lavar sozinhos, comer sem ajuda e são capazes de estar largos períodos de
tempo distraídos com os seus brinquedos. A pouco a pouco vão ficando mais independentes.

Desenvolvimento Físico:

 Rápido desenvolvimento muscular;


 Grande atividade motora, com maior controle dos movimentos;
 Consegue escoar os dentes, pentear-se e vestir-se com pouca ajuda.

Desenvolvimento intelectual

 Adquiriu já um vocabulário alargado, constituído por 1500 a 200 palavras;


 Manifesta um grande interesse pela linguagem, falando incessantemente;
 Compreende ordens com frases;
 Articula bem consoantes e vogais e constrói frases bem estruturadas;
 Exibe uma curiosidade insaciável, fazendo inúmeras perguntas;
 Compreende as diferenças entre a fantasia e a realidade;
 Compreende conceitos de número e de espaço: “mais”, “menos”, “maior”, “dentro”;
“debaixo”, “atras”.
 Começa a ~compreender que os desenhos e símbolos e podem representar objetos
reais;
 Começa a reconhecer padrões entre os objetos: objetos redondos, objetos macios,
animais…
Desenvolvimento social

 Gosta de brincar com outras crianças;


 Quando esta em grupo, poderá ser seletiva acerca dos seus companheiros;
 Gosta de imitar as atividades dos adultos;
 Está a aprender a partilhar, a aceitar as regras e a respeitar a vez do outro.

Desenvolvimento moral

 Tem maior consciência do certo e errado; preocupando-se geralmente em fazer o que


está certo;
 Pode culpar os outros pelos seus erros;
 Dificuldade em assumir a culpa pelos seus comportamentos.
 Dos 5 aos 6 anos
As crianças com 5 anos já percorreu significativas parte do seu desenvolvimento como um
todos, porém ainda lhe faltam mais 15 anos para ser considerada adulta. Embora ainda esteja
longe de ser um “homem” ou um a “mulher”, suas capacidades, dons, qualidades e sua
maneira própria (personalidade) já se manifestou em grau e importância até então. Isto é, a
crianças já demostrar sua individualidade.

Aqui é o fim e o começo de uma nova etapa de crescimento. A própria criança parece ter mais
consciência de si do mundo ao seu redor. Torna-se mais dona de si ao mesmo tempo mais
reservada e seria. A sua relação com o ambiente manifesta-se me termos mais amistosos.

Desenvolvimento Físico

 A preferência manual está estabelecida;


 É capaz de se vestir e despir sozinha;
 Assegura a sua higiene com autonomia;
 Pode manifestar dores de estômago ou vômitos quando obrigada a comer comidas de
que não (supostamente) gosta;
 Tem preferência por comida pouco elaborada, embora aceite uma maior variedade de
alimentos;

Desenvolvimento intelectual

 Fala fluentemente, utilizando corretamente o plural, os pronomes e os tempos


verbais;
 Grande interesse pelas palavras e a linguagem;
 Pode gaguejar se estiver muito cansada ou nervosa;
 Segue instruções e aceita supervisão;
 Conhece as cores, os números, etc.
 Capacidade pra memorizar histórias e repeti-las;
 É capaz de agrupar e ordenar objetos tendo em conta o tamanho (do menos ao
maior);
 Começa a entender os conceitos de “antes” e “depois”, “em cima” e “em baixo”, etc.
bem como conceitos de tempo “ontem”, “hoje”, “amanhã”.

Desenvolvimento Social

 A mãe é ainda o centro do mundo da criança, pela que poderá recear a não voltar a vê-
la após uma separação;
 Copia os adultos;
 Brinca com meninos e meninas;
 Está mais calma, não sendo tão exigente nas suas relações com os outros;
 É capaz de brincar apenas com outra criança ou com um grupo de criança;
 Manifestando preferência pelas crianças do mesmo sexo para brincar;
 Brinca de forma independente sem necessitar e uma constante supervisão;
 Começa a ser capaz de esperar pela sua vez e de partilhar;
 Conhece as diferenças de sexo;
 Começa a interessar-se por saber de onde vêm os bebes;
 Está numa fase de maior conformismo, sendo relativamente aqueles que não
apresentam o mesmo comportamento.

Desenvolvimento emocional

 Pode apresentar alguns medos: do escuro, de cair, de cães ou de dano corporal,


embora esta não seja ma fase de grandes medos;
 Se estiver cansada, nervosa ou chateada, poderá apresentar alguns dos seguintes
comportamentos: roer as unhas, piscar repetidamente os olhos, fungar, etc.
 Preocupa-se em agradar aos adultos;
 Maior sensibilidade relativamente às necessidades e sentimentos dos outros;
 Envergonha-se facilmente.

Desenvolvimento Moral

 Devido à sua grande preocupação em fazer as coisas bem e em agradar;


 Poderá por vezes mentir ou culpar os outros e comportamentos reprováveis.

“Aprendemos sobre o jeito de ser de cada criança através da forma como se relaciona com
seus amigos, seus brinquedos, como manifesta suas vontades e afetos; tolera suas
frustrações, através das primeiras expressões gráficas e da linguagem”.
Princípios Educativos para a Educação de infância

A concretização dos fundamentos e princípios educativos no dia a dia da creche e do jardim de


infância exige um/a profissional que está atento/a à criança e que reflete sobre a sua prática,
com um interesse contínuo em melhorar a qualidade da resposta educativa. Neste sentido, a
observação e o registo permitem recolher informações para avaliar, questionar e refletir sobre
as práticas educativas (nomeadamente a gestão das rotinas, a organização do espaço e
materiais, a qualidade das relações estabelecidas), sendo ainda essenciais para conhecer cada
criança e a evolução dos progressos do seu desenvolvimento e aprendizagem. As informações
recolhidas permitem fundamentar e adequar o planeamento da ação pedagógica. A realização
da ação irá desencadear um novo ciclo de Observação/Registo-Planeamento-
Avaliação/Reflexão. 

Princípios Educativos na creche


A creche, numa fusão constante de cuidados e educação, pode promover experiências na vida
da criança, desenvolvimento e facilitando a sua aprendizagem através das interações com o
mundo físico e social. Na creche o principal não são as atividades planeadas, ainda que
adequadas, mas sim as rotinas e os tempos de atividades livres.

As crianças muito pequenas não se desenvolvem bem em ambientes “escolarizados”, onde


realizam atividades em grupo dirigidas por um adulto, mas em contextos calorosos e atentos
às suas necessidades individuais.

Os bebes e as crianças muito pequenas precisam:

 De atenção às suas necessidades físicas e psicológicas;


 Uma relação com alguém em quem confiem;
 Um ambiente seguro, saudável e adequado ao desenvolvimento;
 Oportunidades para interagirem com outras crianças;
 Liberdade pra explorarem utilizando todos os seus sentidos.

Principio 1 – envolver as crianças nas coisas que lhes dizem respeito:


A criança e o adulto devem estar totalmente presentes e envolvidos numa mesma tarefa – o
principal objetivo da educadora é de manter a criança envolvida na interação (por exemplo:
muda de fralda, vestir, despir, … são tempos educativos).

Principio 2 – Investir em tempos de qualidade procurando-se estar completamente


disponível para as crianças:
O tempo de qualidade constrói-se numa diária. A educação deve estar totalmente presente,
atenta ao que se passa, valorizando o tempo que está junto da criança.

Principio 3 – Compreender as formas de comunicação de cada criança:


Choros, palavras, movimentos, estos, expressões faciais e posições corporais – não subestimar
a sua capacidade de comunicação. Durante a interação a educadora deve articular atos com
palavras.
Principio 4 – Investir tempo e energia para construir uma pessoa “total”:
Deve-se trabalhar simultaneamente o desenvolvimento, as mudas de fraldas, as refeições, o
treino do controlo dos esfíncteres, o jogo… que contribuem para o desenvolvimento
intelectual. Esta mesmas experiencias ajudam a criança a crescer física, associal e
emocionalmente.

Principio 5 – Respeitar as crianças enquanto pessoas de valor e ajudá-las a reconhecer e a


lidar com os seus sentimentos:
A educadora deve respeitar a criança, respeitando os sentimentos da crianças e do direito de
ela os expressar. A educadora deve dar apoio sem exagera e estar disponível.

Principio 6 – Ser verdadeiro noa nossos sentimentos relativamente às crianças:


A educadora deve verbalizar os seus sentimentos e liga-los claramente com a situação e
impedir a criança de continuar a fazer o que provou esses sentimentos.
Não se deve culpabilizar a criança como causa do nosso mal-estar – a criança não é “má”,
certos comportamentos é que são inaceitáveis.

Principio 7 – Modelar os comportamentos que se pretende ensinar:


A educadora deve funcionar como modelo de comportamentos aceitáveis tanto para crianças
como para adultos dando exemplos de cooperação, respeito, autenticidade e comunicação.
Quando a situação envolve agressivamente, a educadora deve modelar com gentileza o
comportamento que pretende ensinar:

 O agressor necessita de ser controlado, com gentileza – não se deve julgar.


 A vítima necessita de ser tratada com empatia (compreender a sua perturbação) –
simpatia e grande quantidade de atenção podem recompensar as vítimas (aprendem
que ao serem vitimas recebem amor e atenção do adulto).

Principio 8 – Reconhecer os problemas como oportunidades de aprendizagem e deixar as


crianças tentarem resolve as suas próprias dificuldades:
A educadora deve deixar os bebes e as crianças lidar com os seus problemas na medida das
suas possibilidades – deve dar tempo e liberdade para resolver problemas.

Principio 9 – Construir segurança ensinando a confiança:


Para que a criança aprenda a confiar, necessita de poder contar com adultos confináveis.
Necessita de saber que as suas necessidades serão satisfeitas dentro de um período de tempo
razoável.

Principio 10 - Procurar promover a qualidade do desenvolvimento em cada fase etária, mas


não apressar a criança para atingir determinados níveis desenvolvimentais:
O desenvolvimento não pode ser apressado. Cada criança tem um relógio interno que
determina o momento de gatinha, sentar, andar, falar. É mais importante aperfeiçoar
competências do que desenvolver novas competências. As novas competências surgirão
naturalmente quando a criança já praticou suficientemente as antigas.
Princípios Educativos no Jardim de Infância
A criança em idade pré-escolar continua a ser dada a importância e a centralidade que ela
necessita pata que cresça e desenvolva da forma mais harmoniosa e saudável possível.
Consideramos a criança como ser pensante e autónomo, capaz de escolher e decidir, com
gosto em aprender, com saberes e interesses,…. Por isso e muito mais a criança está no centro
da nossa ação e toda a intervenção educativa pate dos seus interesses e saberes.

Junto contruímos novos saberes, partimos em busca de novas descobertas, num ambiente
educativo estimulante e criativo, que permite a negociação, a cooperação e a participação
ativa por parte da criança em todos os processos educativos.

De acordo com as Orientações a educação pré-escolar baseia-se nos seguintes fundamentos,


que influenciam a intervenção educativo:

 O desenvolvimento e a aprendizagem são vertentes indissociáveis, ou seja, estão


interligadas e influenciam-se um ao outro;
 A criança é encarada com sujeito ativo do processo educativo, na medida, em que se
deve partir do que a criança sabe e encarar esses saberes como base para novas
aprendizagens;
 Encarar as diferentes áreas de conteúdo como um todo e abordá-las de uma forma
integrante e globalizante;
 Responder a todas as crianças, o que pressupõe uma pedagogia diferenciada, centrada
na cooperação, em que cada criança beneficia do processo educativo desenvolvido
com o grupo (in “Orientações Curriculares para Educação Pré-Escolar”, Ministério da
Educação, 1997, p.14).

Com base nestes fundamentos, o educador organiza o currículo tendo em conta os


objetivos gerais para a educação pré-escolar. Objetivos que se fundamentem no seguinte
princípio geral, estabelecido pela Lei-Quadro d Educação Pré-escolar: “a educação pré-
escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida,
sendo complementar da ação educativa da família, com a qual se deve estabelecer estreia
relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em
vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário.” (Orientação
Curriculares para Educação Pré-escolar, p.15)

Deste princípio decorrem os seguintes objetivos gerais:

 Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em


experiências de vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania;
 Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela
pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência como membro
da sociedade;
 Estimular o desenvolvimento global da criança no respeito pelas suas
características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam
aprendizagens significativas e diferenciadas;
 Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como
meios de relação, de informação, de sensibilização estética e compreensão do
mundo;
 Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;
 Proporcionar à criança ocasiões de bem-estar e de segurança, nomeadamente no
âmbito da saúde individual e coletiva;
 Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências ou precocidades e promover
a melhor orientação e encaminhamento da criança;
 Incentivar a participação das famílias n o processos educativo e estabelecer
relações de efetiva colaboração com a comunidade.
Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar-
Fundamentos e Princípios da Pedagogia para a Infância

A Educação pré-escolar, destina-se às crianças ente os 3 e a entrada na escolaridade


obrigatória, sendo considerada como “a primeira etapa da educação básica no processo de
educação ao logo da vida”.

Apesar de a legislação do sistema educativo (Lei de Base do Sistema Educativo, Lei Quadro da
Educação Pré-Escolar), incluir a educação pré-escolar a partir do 3 anos, não abrangendo a
educação para os 0-3 anos (creche), considera-se, de acordo com a Recomendação do
Conselho de educação, que está é u direito da criança.

Assim, importa que haja uma unidade em toda a pedagogia para a infância e que o trabalho
profissional com crianças dois 0 aos 6 anos tenha fundamentos comuns e seja orientado
pelos mesmos princípios.

O enquadramento Geral inclui três tópicos:


1.Fundamentos e princípios da pedagogia para a infância

- Considerando a unidade e sequência de toda a educação de infância dos 0 aos 5 anos, são
apresentados fundamentos e princípios, que constituem uma base comum para o
desenvolvimento da ação pedagógica em creche e jardim de infância. Estes fundamentos e
princípios traduzem uma determinada perspetiva de como as crianças se desenvolvem e
aprendem, destacando-se a qualidade do clima relacional em que educar e cuidar estão
intimamente interligados.

2.Intencionalidade educativa – construir e gerir o currículo

- A ação profissional do/a educador/a caracteriza-se por uma intencionalidade, que implica
uma reflexão sobre as finalidades e sentidos das suas práticas pedagógicas, os modos como
organiza a sua ação e a adequa às necessidades das crianças. Esta reflexão assenta num ciclo
interativo - observar, planear, agir, avaliar - apoiado em diferentes formas de registo e de
documentação, que permitem ao/à educador/a tomar decisões sobre a prática e adequá-la às
características de cada criança, do grupo e do contexto social em que trabalha. O
desenvolvimento deste processo, com a participação de diferentes intervenientes (crianças,
outros profissionais, pais/famílias), inclui formas de comunicação e estratégias que promovam
esse envolvimento e facilitem a articulação entre os diversos contextos de vida da criança.

3. Organização do ambiente educativo

– Considera-se o ambiente educativo como o contexto facilitador do processo de


desenvolvimento e aprendizagem de todas e cada uma das crianças, de desenvolvimento
profissional e de relações entre os diferentes intervenientes. Adotando uma perspetiva
sistémica e ecológica, detalha-se a importância da organização do Estabelecimento
Educativo/Agrupamento, abordando-se em seguida aspetos da organização do ambiente
educativo da sala, como suporte ao trabalho curricular do/a educador/a e da sua
intencionalidade, enumerando-se, ainda, as diferentes interações e relações que estes
contextos proporcionam e as suas potencialidades educativas.
Áreas de Conteúdo:
As Áreas de Conteúdo são áreas em que se manifesta o desenvolvimento humano ao longo da
vida e são comuns a todos os graus de ensino. Na educação pré-escolar designam formas de
pensar e organizar a intervenção do educador e as experiências proporcionadas às crianças.
Estão divididas em três grandes áreas:

 Área de Formação Pessoal e Social – considerada como área transversal pois embora
tendo conteúdos próprios, se insere em todo o trabalho educativo realizado no jardim
de infância. Esta área incide no desenvolvimento de atitudes, disposições e valores,
que permitam às crianças continuar a aprender com sucesso e a tornarem-se cidadãos
autónomos, conscientes e solidários.

 Área de Expressão e Comunicação – entendida como área básica, uma vez que
engloba diferentes formas de linguagem que são indispensáveis para a criança
interagir com os outros, dar sentido e representar o mundo que a rodeia. Sendo a
única área que comporta diferentes domínios, é precedida de uma introdução que
fundamenta a inclusão e articulação desses domínios.

 Domínio da Educação Motora – constitui uma abordagem específica de


desenvolvimento de capacidades motoras, em que as crianças terão
oportunidade de tomar consciência do seu corpo na relação com os outros e
com diversos espaços e materiais.
 Domínio da Educação Artística – engloba as possibilidades de a criança utilizar
diferentes manifestações artísticas para se exprimir, comunicar, representar e
compreender o mundo. A especificidade de diferentes linguagens artísticas
corresponde à introdução de subdomínios que incluem artes visuais,
dramatização, música, dança.

 Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita – o desenvolvimento da


linguagem oral é fundamental na educação pré-escolar como instrumento de
expressão e comunicação que a criança vai progressivamente ampliando e
dominando nesta etapa do seu processo educativo. Importa ainda facilitar a
emergência da linguagem escrita, através do contacto e uso da leitura e da
escrita em situações reais e funcionais associadas ao quotidiano da criança.

 Domínio da Matemática – tendo a matemática um papel essencial na


estruturação do pensamento, e dada a sua importância para a vida do dia a dia
e para as aprendizagens futuras, o acesso a esta linguagem é fundamental
para a criança dar sentido, conhecer e representar o mundo.

 Área do Conhecimento do Mundo – é uma área integradora de diferentes saberes,


onde se procura que a criança adote uma atitude de questionamento e de procura
organizada do saber, própria da metodologia científica, de modo a promover uma
melhor compreensão do mundo físico, social e tecnológico que a rodeia.
Uma última secção incide na Continuidade Educativa e Transições, uma vez que ao
iniciarem a educação pré-escolar, as crianças já tiveram um percurso de desenvolvimento e
aprendizagem (em contexto familiar ou institucional) a que importa dar continuidade. Para
além disso, o desenvolvimento das potencialidades de cada criança no jardim de infância criará
condições para que tenha sucesso na transição para o 1.º ciclo numa perspetiva de
continuidade das aprendizagens que já realizou.

A Organização Geral é representada no quadro seguinte:


Papel do cuidador no acompanhamento das atividades
pedagógicas

O Serviço de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação, após o conhecimento e


reconhecimento das necessidades e estudo minucioso das possibilidades, traça o perfil desse
profissional para exercer função específica na escola:

 Entender sobre cuidados básicos de atividades de vida diária e prática do cotidiano dos
alunos (dar lanche aos que apresentam dificuldades motoras dos membros superiores;
 Realizar a higiene bucal após a alimentação e nos casos de sialorreia; e a higiene
corporal/íntima e trocas de fraldas e de vestuário);
 Saber abordar o aluno para os cuidados pessoais, bem como o auxiliá-lo para o uso do
banheiro;
 Conhecer sobre adequação postural para a pessoa com pouca ou nenhuma mobilidade
e movimento corporal nos cuidados necessários;
 Deslocar com segurança e adequadamente o aluno, a respeito dos cuidados que ele
necessita de acordo com as funções estabelecidas para o cuidador;
 Compreender indicações básicas contidas no histórico escolar do aluno com referência
às necessidades educacionais especiais;
 Ter conhecimento de quando uma situação requer outros cuidados fora aquele de seu
alcance e do âmbito da escola.

Esse profissional deverá permanecer fora da sala de aula e comparecer para auxiliar o aluno
quando solicitado pelo coordenador pedagógico, professores ou inspetor, como também
realizar apenas as atividades acima descritas compatíveis à sua função.

O cuidador deve estar preparado para o cuidado com a criança, o que contribui para o
desenvolvimento pleno, saudável e equilibrado do pequeno, sem perder de vista a essência da
infância.

Muito além de dar banho, comida, trocar fralda, colocar para dormir e acompanhar as
brincadeiras – tarefas básicas do cotidiano de uma criança, o cuidador exerce muitos outros
desafios. Isso porque, durante esses momentos corriqueiros, ele observa e estimula o bem-
estar geral da criança, sempre respeitando cada fase de crescimento.

Funções do cuidador infantil


1. Organização do ambiente para a chegada da criança;
2. Acolher/receber as crianças de forma positiva;
3. Conhecer e chamar a criança pelo seu nome desse o início;
4. Trocas de informações com os pais a respeito da criança, tanto as de casa quanto da
creche;
5. Auxiliar na higiene pessoal (escovação de dentes lavagem das mãos e uso do vaso
sanitário);
6. Troca de fraldas e higienização da criança;
7. Dar alimento e auxiliar as crianças que não comem sozinhas;
8. Organização do ambiente para o repouso;
9. Zelar pela segurança física e a higiene da criança;
10. Estimular a comunicação da criança nas suas mais diversas manifestações (corporal,
musical, plástica e verbal);
11. Despertar a atenção da criança por meio do uso de brinquedos e contato físico;
12. Auxiliar na elaboração de planeamento semanal;
13. Ser lúcido e criativo;
14. Auxiliar na realização das atividades de estimulação que propiciem o desenvolvimento
integral e harmonioso da criança;
15. Integrar-se positivamente e de forma adequada conforme a exigência do serviço no
seio da equipe;
16. Possibilitar a vivência de equidade com todas as crianças evitando os preconceitos;
17. Observar eventuais comportamentos e levar ao conhecimento do
pedagogo/psicopedagogia/direção;
18. Responsabilizar-se pela conservação do material pedagógico/consumo utilizado para
estimulação;
19. Manter atualizada a agenda da criança;
20. Prestar primeiros socorros seguindo orientação da área médica/enfermagem;
21. Auxiliar no desenvolvimento atividades nos intervalos de uma rotina e outra;
22. Manter atenção constante em todas as dinâmicas empregadas;
23. Relatar os fatos ocorridos nas trocas de turno, através do relatório diário;
24. Não deixar em momento algum a sala sozinha como também outras áreas de
atividades;
25. Auxiliar a promover educação totalizadora na criança buscando integrar todos os
campos de atuação e conhecimento pesquisados dentro da linha lúdico-humanista;
26. Respeitar o regulamento interno da creche e promover um trabalho de qualidade.

Cuidador é o profissional que auxilia o aluno em seus cuidados de vida diária e de vida prática,
ajudando-o somente nas atividades que não consegue realizar sozinho como ir ao banheiro,
alimentação, troca de roupa e/ou fraldas e higiene pessoal.
Interação e rotinas diárias
As rotinas são uma componente importante do dia-a-dia na creche pelos motivos já abordados
no enquadramento teórico: pela estabilidade, pela aquisição de regras e hábitos de higiene,
pelo desenvolvimento pessoal, cognitivo e social, pela construção do Eu, pelo respeito pelos
outros, entre outros aspetos. A Creche surge, assim, como um complemento à família, que
cobre as necessidades físicas, afetivas, intelectuais e sociais das crianças dos zero aos três
anos, rotinizando o seu dia, dando-lhe sentido, previsibilidade e, consequentemente,
estabilidade às crianças mais novas.

A adaptação pode ser entendida como o esforço que a criança realiza para ficar, e bem, no
espaço coletivo, povoado de pessoas grandes e pequenas desconhecidas. Onde relações,
regras e limites são diferentes daqueles do espaço doméstico a que ela está acostumada.

Há, de fato, grande esforço por parte da criança que chega e que está conhecendo o ambiente
da Instituição de Educação Infantil (IEI), mas, ao contrário do que o termo sugere, não
depende exclusivamente dela adaptar-se, ou não, à nova situação. Depende também da forma
como é acolhida (ORTIZ, s.d.) … “É preciso ver a criança de um modo mais integrado”, sempre
relacionando corpo e mente”.

Os primeiros passos da criança na escola a colocam diante de novos desafios e experiências


que terão reflexos no seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e social.

Assim, o desafio inicial é o afastamento da família por um período longo de horas, por vezes
em período integral. Isso pode provocar certa ansiedade na criança, habituada à rotina e ao
aconchego do lar, com sua família e com os sentimentos de prazer, segurança e a satisfação de
suas necessidades.

Outro aspeto que também pode causar insegurança está relacionado à entrada em um
ambiente completamente novo, convivendo com adultos que irão desempenhar papéis que,
até então, apenas seus familiares exerciam. Não só as crianças sentem essa estranheza. Para
as famílias, a separação também tem repercussões importantes, pois ficarão longe de seus
filhos e os confiarão aos cuidados de outros adultos, desconhecidos e sem a supervisão delas.
Planeamento e organização
Por tudo isso, é necessário que a família seja acolhida tanto quanto a criança nesse novo
ambiente. Preocupada com isso, assim que voltou do Congresso, Maria Clara começou a
separar suas anotações para preparar um plano de aulas para a primeira semana, após as
férias do fim do ano. Ansiosa, não via a hora de socializar com os colegas as reflexões e os
debates de que havia participado. Ela esforçou-se para pensar em atividades que pudessem
atender à necessidade de uma inserção paulatina no novo ambiente, nesse momento de
transição entre o retorno das crianças que já frequentavam a escola e a entrada das novas e as
respectivas famílias.

Especialmente para essas novatas, que nunca haviam participado de vivências escolares, todo
cuidado e atenção seriam necessários. – São tantos elementos novos na vida das crianças que
influenciam muito a sua adaptação, pensava Maria Clara. Assim, ela não planejou muitas
atividades para os primeiros dias, mas voltou-se para a ambientação ao novo espaço que os
pequenos iriam frequentar: a sala de atividades, especialmente, e o ambiente escolar como
um todo – pátio, cozinha, jardins, parquinho, sala da coordenação e secretaria. Pensou
também em distribuir no tempo os momentos para apresentar (ou rever) os outros
funcionários da creche.
Como sabia que as crianças ficam cansadas com tantas novidades, incluindo a nova rotina, a
professora planejou diversos momentos de brincadeiras com massa de modelar – produzida
pelos professores com a participação das crianças –, com bolhas de sabão, com baldinhos com
água para derramarem (crianças pequenas adoram o contato com a água), entre outras. O
objetivo era deixá-las bastante à vontade na primeira semana e ir inserindo a nova rotina aos
poucos, respeitando o ritmo de cada uma.

Rotinas e segurança
De acordo com o psicólogo Henri Wallon, “as emoções são o primeiro recurso de interação da
criança com o meio social”. Disso Maria Clara já suspeitava, portanto, foi tão importante ouvir
de pessoas autorizadas, em um congresso como aquele, a confirmação de suas observações.
Concordando com o psicólogo francês, a professora enriqueceu a rotina que iria apresentar às
crianças com situações mais acolhedoras.

Para crianças menores de 3 anos, manter rituais como os de casa é muito importante na fase
da adaptação. No entanto, como alerta o Referencial Curricular Nacional para a Educação
Infantil “rotinas rígidas e inflexíveis desconsideram a criança que precisa adaptar-se a ela e não
o contrário, como deveria ser. Desta forma, desconsideram também o adulto, tornando seu
trabalho monótono, repetitivo e pouco participativo”.

“ Uma rotina bem estruturada dá segurança às crianças. Se os


acontecimentos acontecerem na mesma ordem, todos os dias, a criança
saberá que, na escola, as coisas acontecem como na sua casa, com horário
para cada coisa: a hora do lanche, a das trocas e até a da “sonequinha”.
Assim, sua ansiedade diminui em relação ao tempo em que ficará longe de
casa.”

Uma das estratégias é começar com uma roda logo na chegada, com materiais concretos como
jogos de montar, bloquinhos de madeira ou plásticos, brincadeiras coletivas com os objetos
trazidos de casa. Ao mesmo tempo, conversas informais com o grupo permitem maior
aconchego para as crianças.

Paulatinamente, como esclareceu a psicóloga Alia Barros, em entrevista para a revista


Escrevendo e Aprendendo, “a criança vai- -se adaptando à sequência de atividades e acaba
percebendo que há um momento de chegada à escola e um de saída, sendo que o último
representa a chegada da família”.

No período de adaptação, as crianças costumam perguntar quando seus pais irão chegar.
Sempre que isso ocorrer, é preciso dar a elas uma referência concreta. Afinal, crianças
pequenas não conseguem ler as horas. Respostas concretas são as do tipo: “A sua mãe vem
depois de ... (e aí cada professor ou professora completa com a atividade que encerra a rotina
do dia)”.
À medida que a criança vai sentindo-se mais segura no ambiente novo, ela já não precisa tanto
de um objeto. Em seu lugar, entram as relações afetivas construídas no dia a dia com colegas e
professores.

Se isto não ocorrer, é importante que o(a) professor(a) defina algumas combinações com a
criança, tais como: “Que tal você ficar com seu paninho só até a hora de ir para a próxima
atividade?”. Mesmo que a criança negue a oferta no primeiro dia, é importante insistir
diariamente, sempre de forma carinhosa, até que ela consiga fazê-lo.

O sentimento de pertencimento no novo contexto também faz parte de uma boa acolhida.
Uma atitude muito simples para começar a construir essa ligação é quando o(a) professor(a)
escolhe, com a criança, seu gancho, armário ou escaninho para guardar seus pertences. Esse
lugar, identificado com seu nome e sua foto (de preferência trazida de casa, escolhida junto
com a família), ficará sempre disponível para ela, todos os dias. Além de valorizar sua
identidade, confere maior confiança para a criança no novo ambiente.

Cada criança tem seu jeito de ser, seus rituais e sua rotina. O processo de adaptação deve
ocorrer com suavidade, sem ruturas bruscas, para que, aos poucos, a criança possa ajustar-se
ao grupo. Portanto, é importante que o(a) professor(a) também não se sinta ansioso(a),
respeitando o tempo de cada um nesse processo.

Acolhida também aos familiares


Assim como cada criança possui seu tempo próprio no processo de adaptação, cada família
também tem seu ritmo, que pode levar alguns meses. As famílias precisam ser ouvidas e
acolhidas tanto quanto as crianças, devido à ansiedade da separação.

Essa atenção aos familiares é uma forma de respeitá-los diante da situação, em que suas
crianças passam a ser cuidadas por pessoas ainda desconhecidas. Nos primeiros dias, também
é interessante permitir que os familiares fiquem dentro de sala ou em algum lugar na escola,
para que possam atender a algum chamado das crianças. Isso pode acontecer por algumas
horas durante a primeira semana, até que a criança se sinta segura e à vontade. Mais
tranquilos, os familiares passam essa segurança aos pequenos.

Mesmo com todo esse cuidado, pode acontecer de alguma criança ainda chorar, quando da
saída do familiar da sala. Quando tal fato ocorre, é importante que o(a) cuidador(a) diga ao
familiar que a criança ficará bem e, com ela segura no colo, se despedir na porta, confirmando
o horário do fim das atividades.
Após a saída do familiar, a criança deve ficar sob o olhar e o cuidado exclusivo do(a)
cuidador(a), até que se acalme e se distraia com alguma outra coisa. Nessas ocasiões, podem-
se oferecer atividades diversificadas para o grupo, para que as crianças brinquem entre si,
enquanto o(a) cuidador(a) dispensa atenção especial para a criança que ainda sofre com a
separação da família.

Essa situação pode correr por alguns dias, e a conduta deve ser a mesma em todos eles. Se,
ainda assim, o(a) cuidador(a) perceber que o membro da família continua angustiado, uma boa
opção é convidá-lo para uma reunião com a coordenação da creche. O objetivo é tanto ouvi-
-lo quanto esclarecer sobre o motivo da conduta, que é mostrar à criança que a família confia
no lugar em que a deixou.

Apoio as refeições
O momento da alimentação é considerado um dos mais importantes da rotina diária da
criança.
A refeição é uma altura para comer mas também para explorar novos sabores, cheiros e
texturas e tentar comer sozinhos com os dedos ou uma colher.
É importante que os adultos compreendam que as crianças em tenra idade estão interessadas
em colher, como também no modo como sentem a comida nas suas mãos, por isso é normal
que muitas vezes tentem alcançar os alimentos com as mãos.

Partilha de controlos
É preciso que o educador lhes dê uma colher para a mão, mas que também ele segure uma
colher na sua mão. Desta forma, a criança pode praticar a utilização da colher, juntamente
com a utilização dos seus dedos, e o educador pode ajuda-la sem necessariamente ter de lhe
tirar a colher das mãos.
Acompanhamento das atividades
Higiene

É um dos momentos onde a intencionalidade pedagogia que lhe é atribuída difere mais entre
os contextos da creche e de jardim-de-infância. Se por um lado em creche é dos mais
importantes e intima de se partilhar com uma criança, por outro, sem si, é apenas uma ida à
casa de banho.

Estas rotinas promovem o asseio, o conforto físico e a saúde, minimizando a exposição das
crianças as infeções e irritações de pele, mas podem também contribuir para o seu bem-estar
emocional.
No contexto de creche, uma ida á casa de banho pode significar muito mais ou que mudar a
fralda ou lavar as mãos. A água a correr pode fascinar uma criança neste sentido, é importante
que os adultos tenham paciência e compreender que para as crianças mais novas lavar as
mãos não é a mesma experiência banal que é para os adultos. É um momento de conquista e
autonomia.
A Sesta

A sesta é mais frequente no contexto de creche, ainda que se aplique. Igualmente ao contexto
de jardim de infância. Este momento proporciona as crianças o descanso necessário para o
crescimento e o desenvolvimento.

Dizem que o sono permite que o cérebro trabalho no sentido de consolidar as mudanças
maturacionais do sistema nervoso central. Independente da idade, as necessidades de
descanso das crianças devem ser respeitadas, seja por precisarem de dormir mais do que as
restantes crianças ou por não precisarem tanto.

Não devemos obrigaras crianças a dormir proporcionando-lhes alternativas sossegadas como


ter um livro ou fazer um jogo enquanto as restantes crianças dormem. Por ser um momento
de repouso. A equipa deve torna-lo mais calmo e relaxante possível, de forma a permitir que
as crianças adormeçam tranquilas e consequentemente durmam melhor.

Saída
A saída das crianças deverá ser feita conforme o horário atrás referido. No colégio e no
transporte, as crianças serão apenas entregues aos pais. Excetuam-se desta regra os casos em
que os pais informem, de forma inequívoca, preferencialmente por escrito, que a entrega seja
feita a uma pessoa devidamente identificada. Esta identificação será confirmada através do
respetivo Bilhete de Identidade ou Cartão do Cidadão.

No momento da saída, os pais ou seus


representantes devem recolher as crianças ou os
alunos nos parques ou nas salas de acolhimento,
sempre com a supervisão do responsável pela
educador/a ou cuidador/a.
Conclusão

Pretendeu-se, com este manual, dar uma visão completa da Educação e Cuidados para a
Infância em Portugal (entre os 0 anos e a entrada na escola do 1º ciclo). Depois de largos anos
em que se verificou uma ausência de investimentos por parte do Estado neste nível educativo,
a mudança governamental de 1995 trouxe um claro investimento na Educação e,
especificamente, na Educação pré-escolar.

A estrutura legal enquadradora foi estabelecida entre o Ministério da Educação e o Ministério


do Trabalho e Solidariedade, com envolvimento dos parceiros no Plano para a Expansão e
Desenvolvimento da Educação Pré-escolar.

Como é de esperar num processo legislativo tão recente e num modelo que aposta em
parcerias, existem problemas na implementação no terreno, sendo necessária uma constante
monitorização do sistema de forma a impedir distorções e perversidades.

Um outro desafio é o da melhoria de qualidade das instituições de educação pré-escolar. Por


esta melhoria entende-se a oferta de um serviço que seja verdadeiramente educativo e social,
o que implica o alargamento de horários e oferta de refeições nos jardins de infância da rede
pública e uma internacionalização da atividade educativa, nos jardins de infância da rede
solidária;

A qualidade das instituições para a infância está também dependente de uma forte liderança
e do envolvimento dos pais. É importante encontrar modalidades de gestão que, enquadrando
os estabelecimentos para a infância nos outros estabelecimentos de ensino, salvaguardem a
especificidade destas instituições.

O acompanhamento da implementação das "Orientações Curriculares" para a educação pré-


escolar deve ser um esforço continuado por parte do governo, sendo importante a criação de
uma dinâmica de parceria com instituições de formação que acompanhe esta implementação
no terreno.

Uma outra área de preocupação é a faixa etária dos 0 - 3 anos. Seria necessária uma aposta
governamental semelhante à que foi feita para os 3 - 6 anos. Se a aposta é uma
educação/formação ao longo da vida, há que reconhecer a importância da faixa etária dos 0 - 3
anos e a necessidade de, desde os 0 anos, ter em atenção a qualidade educativa das
instituições.

Há ainda que investir numa articulação privilegiada com o 1º Ciclo da educação básica através
de projetos educativos comuns ou de gestão conjunta. Investir na formação do pessoal para a
infância revela-se outra prioridade, especialmente no sector privado e solidário.

Urge criar incentivos para educadores que trabalhem em zonas isoladas e/ou desfavorecidas e
também formas de atrair educadores do sexo masculino ao trabalho com as primeiras idades.
Uma área sensível é a da disparidade de vencimentos entre os profissionais de sector.

Apesar da clara intenção do governo em regular esta matéria através do aumento do apoio
financeiro às IPSS's, esta regulação está longe de se fazer sentir no terreno. Um desafio final é
fazer com que cada município se sinta responsável pela qualidade da rede (pública e privada)
na sua área de influência. Em parceria com as famílias, os municípios têm um papel decisivo
nesta matéria e, à medida que forem entendendo ser esta uma dimensão sensível da
cidadania, é natural que o investimento seja cada vez maior. Compete ao Estado investir na
inovação e na pesquisa. Sem divulgação de práticas exemplares e sem tornar a investigação
vital para a regulação do sistema, não é possível melhorar a qualidade da educação pré-escolar
portuguesa.
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