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RACISMO, COLONIALISMO

E IMPERIALISMO
O PENSAMENTO COLONIALISTA
CIVILIZAÇÃO
VERSUS BARBÁRIE

- Etnocentrismo na
História.

- A Europa como potência


global:
- A primeira fase cristã.
- A segunda fase
capitalista/industrial.

Charge publicada em 1902 na


revista norte-americana Puck.
CIVILIZAÇÃO
VERSUS BARBÁRIE

- Etnocentrismo na
História.

- A Europa como
potência global:
- A primeira fase
cristã.
- A segunda fase
capitalista/industrial.
Charge publicada em 1902 na
revista norte-americana Puck.
CIVILIZAÇÃO
PARA SALVAR DA
BARBÁRIE

- “O fardo do homem branco”

Charge publicada em 1889 na


revista norte-americana Judge.
CIVILIZAÇÃO
PARA SALVAR DA
BARBÁRIE

- “O fardo do homem
branco”

Charge publicada em 1889 na


revista norte-americana Judge.
Tomai o fardo do Homem Branco - E quando seu objetivo estiver perto Tomai o fardo do homem branco -
Envia teus melhores filhos (O fim que todos procuram) Vós, não tenteis impedir -
Vão, condenem seus filhos ao exílio Olha a indolência e loucura pagã Não clamem alto pela Liberdade
Para servirem aos seus cativos; Levando sua esperança ao chão. Para esconderem sua fadiga
Para esperar, com arreios
Com agitadores e selváticos Porque tudo que desejem ou
Seus cativos, servos obstinados, Tomai o fardo do Homem Branco - sussurrem,
Metade demônio, metade criança. Sem a mão-de-ferro dos reis, Porque serão levados ou farão,
Mas, sim, servir e limpar - Os povos silenciosos e calados
Tomai o fardo do Homem Branco - A história dos comuns. Seu Deus e tu, medirão.
Continua pacientemente As portas que não deves entrar
Encubra-se o terror ameaçador As estradas que não deves passar Tomai o fardo do Homem Branco!
E veja o espetáculo do orgulho; Vá, construa-as com a sua vida Acabaram-se seus dias de criança
Pela fala suave e simples E marque-as com a sua morte.
O louro suave e ofertado
Explicando centenas de vezes
Procura outro lucro Tomai o fardo do homem branco - O louvor fácil e glorioso
E outro ganho do trabalho. E colha sua antiga recompensa - Venha agora, procura sua virilidade
A culpa de que farias melhor Através de todos os anos ingratos,
Tomai o fardo do Homem Branco - O ódio daqueles que você guarda Frios, afiados com a sabedoria amada
As guerras selvagens pela paz - O grito dos reféns que você ouve O julgamento de sua nobreza.
Encha a boca dos Famintos, (Ah, devagar!) em direção à luz:
E proclama, das doenças, o cessar; "Porque nos trouxeste da servidão O fardo do Homem Branco (1899)
Nossa amada noite no Egito?" Rudyard Kipling
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• A ideia de progresso evolucionista na história.


O PENSAMENTO COLONIALISTA

• A noção difusionista
de civilização.
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.

“Então foi quando de induções em induções tive de me deixar


convencer da evidência: que a questão étnica domina todos os demais
problemas da história, constitui sua chave, e a desigualdade das raças, Conde de Gobineau, Ensaio sobre a
cujo concurso forma uma nação, basta para explicar todo o desigualdade entre as raças.
Apud Ricardo A. S. de Souza ‘A extinção
encadeamento do destino dos povos.” dos brasileiros segundo o conde
Gobineau’. Rev. Bras. Hist. Ciênc. 2013.
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.

“Penso, pois, que a palavra degenerado, ao aplicar-se a um povo, deve


significar e significa que este povo já não possui o valor intrínseco que
antigamente possuía, porque já não circula em suas veias o mesmo
sangue, gradualmente depauperado com as sucessivas misturas. Dito de Conde de Gobineau, Ensaio sobre a
outra maneira, que com o mesmo nome não conservaram a mesma desigualdade entre as raças.
Apud Ricardo A. S. de Souza ‘A extinção
raça que seus fundadores; enfim, que o homem da decadência, que dos brasileiros segundo o conde
chamamos degenerado, é um produto diferente do ponto de vista Gobineau’. Rev. Bras. Hist. Ciênc. 2013.
étnico do herói das grandes épocas.”
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.
“A grande maioria da população brasileira é mestiça e resulta de
mesclagens contraída entre os índios, os negros e um pequeno número
de portugueses. Todos os países da América, seja no norte ou no sul,
hoje mostram, incontestavelmente, que os mulatos de distintos matizes
não se reproduzem além de um número limitado de gerações. A Conde de Gobineau, “A imigração ao
esterilidade nem sempre existe nos casamentos; mas os produtos das Brasil”, Le Correspondant, 1874.
RAEDERS, Georges. O inimigo cordial do
raças gradualmente chegam a ser tão mal sãos e inviáveis que Brasil – o conde Gobineau no Brasil. Rio
desaparecem antes de darem à luz, ou então deixam rebentos que não de Janeiro: Paz e Terra, 1988. p. 46.
sobrevivem.”
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.
• Samuel Morton:
Cientificismo, determinismo
biológico e a frenologia.
• Identificação de características
inerentes às raças.
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.
• Samuel Morton:
Cientificismo, determinismo
biológico e a frenologia.
• A Eugenia.

Logo da Segunda Conferência Internacional de Eugenia (1921)


O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.
• Samuel Morton:
Cientificismo, determinismo
biológico e a frenologia.
• A Eugenia.

Cartaz eugenista
inglês de 1930.
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.
• Samuel Morton:
Cientificismo, determinismo
biológico e a frenologia.
• A Eugenia.

Nota defendendo a eugenia


em jornal americano
O PENSAMENTO COLONIALISTA

• O Racismo pseudo-científico.
• Monogenismo X Poligenismo.
• Conde de Gobineau:
a miscigenação como degeneração.
• Samuel Morton:
Cientificismo, determinismo
biológico e a frenologia.
• A Eugenia.
Cartaz na Alemanha nazista defendendo a execução
de pessoas com problemas de saúde congênitos:
“Essa pessoa que sofre de defeitos (sic) hereditários
custa à comunidade 60.000 marcos durante sua vida.
Companheiro alemão, esse é o seu dinheiro também”
DESCOLONIZAÇÃO, CRÍTICA AO IMPERIALISMO
E PENSAMENTO PÓS-COLONIAL
CRÍTICAS DURANTE
“A ERA DOS IMPÉRIOS

The White (?) Man’s Burden”


Capa da Revista Time 16/03/1899.
CRÍTICAS DURANTE
“A ERA DOS IMPÉRIOS

Charge publicada em
1889 na revista francesa
Le Cri de Paris.
1945-1975:
DESCOLONIZAÇÃO
A CRÍTICA À EXPLORAÇÃO COLONIAL

Charge publicada
no site inglês
Polyp.org.uk
A “DESCOLONIZAÇÃO” DO
PENSAMENTO
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.


• Impacto da descoberta
do Holocausto e das
lutas anti-coloniais na
hegemonia racialista.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.


• Impacto da descoberta
do Holocausto e das
lutas anti-coloniais na
hegemonia racialista.

Reunião da UNESCO de especialistas em estudos


genéticos, antropológicos e culturais para discutir a
questão da relação entre Raça (herança genética
específica de um grupo) e Cultura (costumes e
conhecimentos passados entre gerações):
Conclui-se que as características de comportamento
e habilidades humanas estão majoritariamente ligadas
à questões culturais, e não raciais.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.


• Impacto da descoberta
do Holocausto e das
lutas anti-coloniais na
hegemonia racialista.

Claude Levi-Strauss, Raça e Hitória.


(publicado originalmente em 1952).

Combate as ideias de evolucionismo cultural, mostrando a


complexidade das ditas culturas primitivas e os caminhos múltiplos que
as culturas tomam ao longo da História.
Combate também a ideia de que isso era determinado biologicamente.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.


• A vitória científica do
monogenismo.

Mapeamento do genoma
e estudos de genética de populações:
a humanidade tem origem única na
África e é toda descendente de um
grupo muito pequeno de pessoas que
viveram há cerca de 100 mil anos atrás.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.


• A questão do conceito
sócio-histórico de raça.

Revista Raça.
O movimento negro reivindica a categoria de raça
como produto social e histórico das relações sociais,
nas quais grupos de pessoas são categorizadas dentro
de uma raça e sofrem as consequências sociais desse
enquadramento em seu dia a dia.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.

• Valorização das histórias e


culturas periféricas.
• Os saberes locais.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.

• Valorização das histórias e


culturas periféricas.
• Os subaltern studies.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.


Cardápio do
McDonalds na Índia:
Realidades locais e
• Valorização das histórias e culturas globais em síntese.
periféricas.

• Multiculturalismo.
• O local, o global e as diferentes culturas.
O PENSAMENTO PÓS-COLONIAL

• Crítica ao conceito biológico de raça.

• Valorização das histórias e culturas


periféricas.

• Multiculturalismo.
• Os estudos sobre hibridismo cultural.
PERMANÊNCIA E RECRUDESCIMENTO DO
PENSAMENTO COLONIAL NAS ÚLTIMAS DÉCADAS
PERMANÊNCIA DO
PENSAMENTO COLONIALISTA

• Força da tradição colonialista.


• Poder dos países ricos.
• Importância da relação com os países
ricos para as elites do terceiro mundo.
• Elementos racistas na cultura popular.
• “Imperialismo cultural”.
• Predomínio da indústria cultural dos
países ricos no terceiro mundo.
O documentário “Filmes ruins, árabes malvados” trata de como o
cinema e a TV americanos ajudaram a estabelecer o estereótipo do
“árabe malvado” que permitiu a desumanização de todo um povo.
Niall Ferguson, Império
ACADÊMICOS (originalmente publicado em 2003)
PRÓ-IMPERIALISMO
Defesa do Império Britânico da crítica pós-colonial:
Império inglês teria beneficiado as colônias pela conexão
global, difusão de ideias liberais e democráticas e com o
estabelecimento de infraestrutura física e institucional.

Defesa do colonialismo por Bruce Gilley na Third


World Quaterly

Defesa do “custo/benefício” do colonialismo.


Proposta de recolonizar algumas regiões.
Nicholas Wade, Uma herança incômoda
RENASCIMENTO DO (publicado orginalmente em 2014)
RACISMO CIENTÍFICO
( O ASSI M CH AMADO “R E AL ISMO R ACI AL”) Argumenta que as diferenças de riqueza e
prosperidade entre diferentes regiões do mundo
são decorrentes de diferenças biológicas raciais.
Murray & Herrnstein, A Curva Normal
(publicado em 1994)
Argumenta que as diferenças em resultados de
teste de QI identificados entre grupos raciais
diferentes se devem a fatores genéticos (portanto,
entendem que inteligência é um fator hereditário)
e explicam as diferenças sociais nos EUA a partir
disso.

Recomendam que políticas sociais para os pobres


sejam cortadas para evitar que eles se reproduzam
mais que os ricos (uma prática de eugênica).
CONTEXTO HISTÓRICO

• Pós-segunda guerra mundial:


• Guerra Fria e conflitos no
Terceiro mundo.
• Anos 2000:
• Guerra ao terror,
islamofobia e o orientalismo.
• Uma nova onda imperialista?
• Anos 2010:
• Crise migratória, xenofobia
e o neonacionalismo.
CONTEXTO HISTÓRICO

• Pós-segunda guerra mundial:


• Guerra Fria e conflitos no terceiro
mundo.
• Anos 2000:
• Guerra ao terror,
islamofobia e o orientalismo.
• Uma nova onda imperialista?
• Anos 2010:
• Crise migratória, xenofobia
e o neonacionalismo.
CONTEXTO HISTÓRICO

• Pós-segunda guerra mundial:


• Guerra Fria e conflitos no terceiro
mundo.
• Anos 2000:
• Guerra ao terror,
islamofobia e o orientalismo.
• Uma nova onda imperialista?
• George W. Bush e a “difusão
da democracia”.
• Salvá-los de sua propensão
à tirania.
CONTEXTO HISTÓRICO

• Pós-segunda guerra mundial:


• Guerra Fria e conflitos no terceiro
mundo.
• Anos 2000:
• Guerra ao terror,
islamofobia e o orientalismo.
• Uma nova onda imperialista?
• A questão do “imperialismo
humanitário”.
• Salvá-los de sua miséria.
CONTEXTO HISTÓRICO

• Pós-segunda guerra mundial:


• Guerra Fria e conflitos no terceiro
mundo.
• Anos 2000:
• Guerra ao terror,
islamofobia e o orientalismo.
• Uma nova onda imperialista?
• Anos 2010:
• Crise migratória, xenofobia
e o neonacionalismo.
CONTEXTO HISTÓRICO

• Pós-segunda guerra mundial:


• Guerra Fria e conflitos no terceiro
mundo.
• Anos 2000:
• Guerra ao terror,
islamofobia e o orientalismo.
• Uma nova onda imperialista?
• Anos 2010:
• Crise migratória, xenofobia
e o neonacionalismo.
ATIVIDADES PARA CASA

Ler os textos básicos 3.4:


• Eric Hobsbawm. “A era dos Impérios”. In: A era dos Impérios, 1875-1914.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998, p.87-106.
• Christopher Bayly, “A inundação branca, 1840-1890”. [Traduzido para uso
escolar por José Knust de:] The Birth of the Modern World, 1780-1914.
Wiley, 2004, p.439-440.
ATIVIDADES PARA CASA

Fazer o Teste 3.4.


• 3 questões sobre os textos básicos 3.4.
• 2 questões de ENEM ou vestibulares
• 3 questões de interpretação e análise de materiais diversos.

Prazo: 18/12
Tolerância: 20/12
ATIVIDADES PARA CASA
OPCIONAL: LEITURAS EXTRAS

Leitura para aprofundamento:


• Francisco Bethencourt, “Racialismo científico”. In: Racismos: das
Cruzadas ao século XX. Edição: 1a. Companhia das Letras, 2018.
ATIVIDADES PARA CASA
OPCIONAL: VÍDEOS EXTRAS

Sugestão de videoaula:
• "Racismo científico - A criminalidade está na genética?", do
canal Se liga nessa História.

Sugestão de documentário:
• Racismo, uma história: episódios 2 e 3.
BIBLIOGRAFIA

• Bethencourt, Francisco. Racismos: Das Cruzadas ao século XX. Edição: 1a. Companhia das Letras, 2018.
• Pétré-Grenouilleau, Olivier. A história da escravidão. Boitempo Editorial, 2009.
• Schwarcz, Lilia Moritz. O espetáculo das raças: Cientistas, instituições e questão racial no Brasil do século XIX. Editora
Companhia das Letras, 1993.
• Sousa, Ricardo Alexandre Santos de. “A extinção dos brasileiros segundo o conde Gobineau”. Rev. Bras. Hist. Ciênc.
(Impr.), 2013, 21–34.
• Said, Edward W. Orientalismo: O Oriente como invenção do Ocidente. Editora Companhia das Letras, 2007.
• Chakrabarty, Dipesh. Provincializing Europe: Postcolonial Thought and Historical Difference. Princeton University Press, 2009.
• Goody, Jack. O roubo da história. São Paulo: Editora Contexto, 2008.
• Lévi-Strauss, Claude. Raça e História. 8o ed. Lisboa: Editorial Presença, 2006.
• Diwan, Pietra. Raça pura: Uma história da eugenia no Brasil e no mundo. Edição: 2. São Paulo, SP: Editora Contexto, 2007.

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