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Pediatria - Hianne Costa

DOENÇAS PERINATAIS DO RN -Quanto mais precoce a idade gestacional,


menor é a probabilidade de transmissão,
- A incidência das infecções congênitas varia de 0,5 a porém mais grave é a infecção. O contrário
2,5% do total de nascimentos. ocorre no final da gestação, quando há uma
- A maioria das crianças infectadas congenitamente é maior probabilidade de infecção, porém de
assintomática no período neonatal. forma menos grave. Assim, o risco de
- O diagnóstico de infecção congênita e perinatal deve ser infecção fetal aumenta com o aumento da
considerado em neonatos que apresentam uma variedade idade gestacional e o risco de dano fetal é
de anomalias ao nascimento, como: maior em idade gestacional precoce.
 Restrição de crescimento intrauterino;
 Hepatoesplenomegalia;  Quadro clínico:
 Icterícia por hemólise e/ou hepatite; - Cerca de 85% dos casos são assintomáticos
 Petéquias e equimoses; ao nascimento. Quando as manifestações
 Microcefalia e hidrocefalia; clínicas estão presentes, são em grande
 Pneumonite; maioria viscerais, neurológicas ou
 Miocardite; oftalmológicas.
- Avaliação criteriosa: RCIU (restrição de
 Cardiopatia;
crescimento intrauterino), prematuridade,
 Catarata;
anormalidades no LCR, retinocorioidite.
 Glaucoma; - Tríade clássica: Hidrocefalia +
 Coriorretinite; calcificações cerebrais intraparenquimatosas
 Ceratoconjuntivite; + retinocorioidite.
 Hidropsia não imune;
 Linfoadenopatia; → Forma neurológica: Geralmente é
resultante de uma infecção nas fases iniciais
 TOXOPLASMOSE CONGÊNITA: da gestação. Caracteriza-se por alterações
- É uma zoonose produzida pelo Toxoplasma gondii, liquóricas, calcificações intracranianas,
parasita intracelular obrigatório, que ocorre naturalmente hidrocefalia, convulsões, microcefalia e
em vários animais (ex.: todos os mamíferos, herbívoros, retinocoroidite. A hidrocefalia tipo
onívoros e alguns répteis). obstrutiva é considerada a manifestação
Ocorrerá após infecção materna primária durante a neurológica clássica mais comumente
gestação, podendo eventualmente resultar da reativação encontrada na toxoplasmose congênita. As
da infecção latente em mulheres imunodeprimidas. A crises convulsivas podem fazer parte da
reinfecção de mulheres imunocompetentes durante a clínica destes pacientes, podendo também
gestação é incomum. ocorrer retardo do crescimento, opistótono,
- Tem alta prevalência no Brasil. Por isso, é necessário dificuldade de deglutição, e paralisia de
detectar as gestantes com risco de infecção aguda durante membros.
a gravidez para tratamento adequado, diminuindo o risco → Forma generalizada: Pode ocorrer após a
de acometimento fetal. infecção em fases mais tardias da gestação.
- Fatores de risco: Clima, hábitos de higiene, população Os bebês podem se apresentar com
de gatos, preparo e higiene dos alimentos. retinocoroidite, alterações liquóricas,
- Infecção materna: Ocorre pela ingestão de ovos em hepatoesplenomegalia, linfadenopatia,
carnes cruas ou mal passadas ou através de cistos icterícia, trombocitopenia, anemia,
presentes em mãos, água e alimentos contaminados. pneumonite, miocardite, síndrome
- Infecção fetal: Ocorre por via hematogênica nefrótica e alterações ósseas. A tétrade de
transplacentária ou por reativação de cistos (raramente). Sabin é caracterizada por coriorretinite,
calcificações intracranianas difusas,
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hidrocefalia ou microcefalia e retardo mental. - Crianças que, durante acompanhamento,


- Além destas formas precoces descritas, muitos bebês apresentam persistência de positividade de
apresentarão sequelas tardias da doença, principalmente IgG após 12 meses de vida, independente da
as oftalmológicas. As lesões são localizadas na retina e na presença de sinais e sintomas da doença;
coroide, podendo complicar com iridociclite, catarata, - Crianças com sinais e/ou sintomas
glaucoma, estrabismo, nistagmo e descolamento de retina. sugestivos de toxoplasmose congênita, filhas
A coriorretinite (retinocoroidite) é o comprometimento de mãe com IgG positiva para toxoplasma,
clássico mais frequente na toxoplasmose congênita. após exclusão de outras possíveis etiologias.
- Crianças cuja as mães apresentaram PCR
 Diagnóstico: positiva para toxoplasma no líquido
amniótico.
Gestante:
- Detecção de IgM e IgG;  Exames complementares para o RN:
- Índice de avidez de IgG; - Avaliação oftalmológica (fundoscopia
-PCR do líquido amniótico → pesquisa do DNA do ocular);
toxoplasma; - Avaliação neurológica;
- USG obstétrica: Na maioria dos casos está normal, mas -Avaliação auditiva;
pode mostrar hidrocefalia, calcificações intracerebrais, -Usg transfrontanelar ou TC de crânio s/
hepatoesplenomegalia, ascite e cardiomegalia fetal. contraste;
- Hemograma completo;
-IgG+/IgM-: Gestante imune; - Análise do líquido cefalorraquidiano;
-IgG-/IgM-: Gestante suscetível. Orientar quanto a - Sorologia para toxoplasmose (IgG e IgM)
higiene, evitar contato com felinos, evitar manusear terra, da mãe e da criança;
ingerir água tratada, repetir sorologia mensal ou - Em crianças sintomáticas: Avaliar função
trimestralmente. hepática e descartar outras infecções
-IgG-/IgM+: Gestante com provável infecção aguda. congênitas (sífilis, citomegalovírus,
Iniciar espiramicina e repetir sorologia após 2 a 4 rubéola…)
semanas para confirmar presença de IgG;
-IgG+/IgM+: Gestante com infecção aguda. Solicitar teste  Tratamento:
de avidez. No caso de avidez alta a infecção é pregressa Toxoplasmose gestacional:
não necessita de tratamento. No caso de avidez baixa, - Evitar a transmissão materno-fetal: reduzir
indica então infecção aguda. Nas primeiras 16 semanas de os danos ao feto;
gestação ou feto não infectado (amniocentese) deve tratar - Espiramicina → Reduz o risco de
com espiramicina até o final da gestação. Após 16 transmissão vertical;
semanas ou feto infectado deve tratar com sulfadiazina +
pirimetamina + ácido folínico. Toxoplasmose congênita:
- Infecção fetal comprovada ou suspeita →
RN: Sulfadiazina + pirimetamina + ácido
- Diagnóstico sorológico: Difícil pela possibilidade de folínico;
IgG materna via placentária; - Prednisolona → Se retinocoroidite ou
- IgM: Não atravessa a barreira placentária; hiperproteinorraquia (acima de 1000mg/dl).
- Acompanhamento da IgG no primeiro ano de vida; -Obs.: Toda criança com toxoplasmose
congênita comprovada deve receber
 Podem ser consideradas com toxoplasmose tratamento durante 12 meses,
congênita comprovada: independentemente da presença de sinais
- Crianças com IgM anti-toxoplasma positiva entre dois e/ou sintomas da doença;
dias e seis meses de vida.
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-Obs.: Crianças com toxoplasmose congênita comprovada


deverão ser submetidas a avaliações oftalmológicas  Quadro clínico:
semestrais até a idade escolar, mantendo-se exames - Abortamentos, natimortalidade e RCIU (a
anuais a seguir, pois podem surgir novas lesões de retina rubéola é infecção congênita mais associada
ou ocorrer recidiva de lesões cicatrizadas em qualquer ao RCIU e baixo peso ao nascer);
momento da vida. - Tríade clássica: Anomalias oculares +
cardiopatia congênita + deficiência auditiva;
 RUBÉOLA CONGÊNITA: - Anomalias oculares: Retinopatia em “sal e
pimenta”- mais frequente; catarata;
- Agente etiológico: RNAvírus do gênero rubivírus; estrabismo; glaucoma; coriorretinite;
- Transmissão: Transplacentária; microftalmia; leucoma transitório da córnea;
- É altamente contagiosa, no geral benigna, que, quando hipoplasia e atrofia da íris;
acomete a gestante, pode ser transmitida ao feto, - Deficiência auditiva: Ocorre em 76% dos
provocando grandes complicações. casos; graus variáveis de surdez
-Não há prevenção efetiva contra transmissão vertical (hipoacusia)- neuro sensorial ou de
(exceto vacinação). Assim, não há possibilidade de condução. A hipoacusia pode ser a única
prevenção pós-contato. manifestação observada no decorrer dos
- Quanto a menor a idade gestacional no momento da meses.
viremia materna, maior o risco de transmissão vertical. - Cardiopatia congênita: Incidência varia de
-O ser humano é o único hospedeiro conhecido do vírus 45-50%→ PCA (mais frequente); CIA; CIV;
da rubéola. O risco de defeitos congênitos é maior quando estenose da artéria pulmonar; outras menos
a grávida adquire infecção primária durante o primeiro frequentes (coarctação da aorta e hipoplasia
trimestre. Ocorrem defeitos congênitos em 90% dos RN da artéria pulmonar.
infectados durante as primeiras 11 semanas de gestação. - Estas e outras manifestações são descritas
Esta infecção poderá resultar em vários tipos de como temporárias, permanentes e
malformações, dependendo da fase da gestação em que desenvolvimentais;
ocorreu a viremia (quanto mais precoce a contaminação → Temporárias: Baixo peso ao nascer,
materna, maior a probabilidade de defeitos congênitos). A hepatoesplenomegalia, púrpura
viremia materna é seguida de infecção placentária e trombocitopênica, lesões ósseas,
posterior viremia fetal. A infecção adquirida após o meningoencefalite, hepatite, anemia
quarto mês de gestação, em geral, não se encontra hemolítica, pneumonia e linfadenopatia.
associada a malformações fetais, nem à persistência do → Permanentes: Surdez neurossensorial,
vírus. Entre a 13a e 16a semanas o risco de embriopatia é defeitos cardíacos, defeitos oculares e outros
menor, sendo o aparelho auditivo mais frequentemente defeitos como microcefalia, diabetes melitos
acometido. Na presença de infecção fetal, o vírus pode ser e defeitos da tireóide.
excretado pela urina do recém-nascido até um ano de → Desenvolvimentais: Surdez
idade ou mais, necessitando de isolamento para evitar neurossensorial, retardo mental, diabetes
contaminação na maternidade. melitos e patologias na tireóide.

 Riscos:  Diagnostico:
- Preconcepção → Risco mínimo; - História de infeção materna durante a
- 0-12 semanas → Risco elevado do feto ser infectado gestação somado a um quadro clínico do RN
congenitamente- anomalias severas; Aborto espontâneo sugestivo;
ocorre em 20% dos casos; - Geralmente o diagnóstico clínico de
- 12 a 16 semanas → Surdez e retinopatia (15%); rubéola congênita só é confirmado no
-Depois de 16 semanas →Desenvolvimento normal, concepto após o seu nascimento, quando as
pequeno risco de surdez e retinopatia; malformações já se encontram estabelecidas.
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- Avaliação sorológica do RN: Pesquisa de IgM anti- - CIUR;


rubéola no sangue do RN (cordão umbilical ou sangue - Hepatoesplenomegalia, icterícia e hepatite;
periférico). A sorologia deve ser coletada logo após o - Pneumonia;
nascimento. A presença de IgM positivo, confirma o caso. - Trombocitopenia e anemia;
Se houver um resultado com IgM negativo e IgG positivo, - SNC: microcefalia, calcificações
recomenda-se a repetição do IgG após três meses; nesta intracranianas periventriculares,
segunda amostra, se houve manutenção do resultado coriorretinite, perda auditiva neurossensorial.
positivo, confirma-se o diagnóstico de rubéola congênita; A surdez é uma sequela bastante comum. A
um segundo resultado de IgG negativo descarta a infecção congênita por CMV é a principal
infecção. causa de surdez neurossensorial de causa
viral na infância. Pode haver atrofia óptica.
 Tratamento: O concepto que adquire a infecção durante o
- O RN portador de rubéola congênita não se beneficia de nascimento não apresenta virúria em seus
nenhum tratamento especifico. Devendo ser primeiros dias de vida.
acompanhado durante a infância, com maior atenção para
as anormalidades mais comuns. A forma mais grave da infecção por CMV
Obs.: O principal meio de prevenção da rubéola é por chama-se doença de inclusão citomegálica e
imunização a partir dos 12 meses de idade. se caracteriza por:
- Icterícia (60%);
 Prognóstico: - Hepatoesplenomegalia (60%);
-Algumas situações/lesões apresentam mal prognóstico - Petéquias (76%);
em termos de sobrevivência: prematuridade extrema, - Microcefalia;
malformação cardíaca, hepatite progressiva, - Calcificações cerebrais (periventriculares);
meningoencefalite, pneumonite intersticial, defeitos - Pneumonia intersticial;
anatômicos de difícil correção; - Anemia hemolítica;
- Surdez uni ou bilateral;
- Cegueira;
 CITOMEGALOVÍRUS CONGÊNITO: - Retardo mental;
- Paralisia espástica ou flácida;
- Agente etiológico: Citomegalovírus (membro da família Obs.: Uma combinação de icterícia +
herpesviridae); hepatoesplenomegalia + petéquias constitui-
- A infecção materna pode ocorrer por contato com saliva, se no modo mais comum de apresentação ao
sexualmente ou por sangue contaminado; nascimento.
- A transmissão fetal pode ser congênita (intraútero) ou
perinatal (intraparto ou pós-natal precoce).  Diagnostico:
- 0,5 a 1% dos RN’s infectados na gestação. → Gestante:
- É a infecção congênita mais comum, afetando 0,3 a 1% A infecção pelo CMV na gestante é muitas
de todos os nascidos vivos. Pode ser responsável por mais vezes assintomática, e, via de regra, o
casos de danos congênitos do que a rubéola. diagnóstico é feito através da detecção de
- Pode ser transmitida para o feto em qualquer estágio da IgM positivo para CMV, ou suspeito quando
gestação, porém, o risco de danos ao concepto é maior se observam alterações como CIUR,
quando a infecção materna se desenvolve no primeiro ventriculomegalia cerebral, ascite,
trimestre ou no início do segundo trimestre. calcificações intracranianas e oligoidrâmnia
pela ultrassonografia pré-natal. Outra
 Quadro clínico: formade se avaliar uma possível infecção
- Prematuridade; aguda na gestação é realizar o teste de avidez
para IgG, já que a baixa avidez é encontrada
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nas 8-12 primeiras semanas após a primoinfecção. doença; e Valganciclovir (oral, na dose de 15
a 18mg/kg dose única diária, indicado no
→ RN: tratamento e profilaxia da retinite por CMV
- Isolamento do CMV ou detecção do seu DNA (PCR) da e pacientes imunossuprimidos).
urina ou saliva de neonatos. A ausência do vírus na saliva - A indicação atual do tratamento com uso de
e/ou urina do nascimento até 2 a 3 semanas de vida exclui ganciclovir em crianças com infecção
o diagnóstico de infecção congênita. Na infecção congênita por CMV está restrita a casos
congênita é necessário que esta detecção seja feita nas selecionados, ou seja, RN com infecção
duas primeiras semanas de vida, pois após este período, confirmada, sintomáticos e com evidencias
os bebês que tiveram infecção perinatal (ex.: canal de de envolvimento do SNC (calcificações
parto) também passam a excretar o vírus. A detecção do intracranianas, microcefalia, atrofia cortical,
vírus a partir da 4ª até a 12ª semana de vida indica LCR anormal), alteração auditiva e/ou
infecção adquirida no período perinatal ou pós-natal coriorretinite. Devem-se excluir outras
precoce. etiologias de infecção congênita,
- Presença de IgM anti-CMV no soro do neonato; especialmente sífilis e toxoplasmose, cujos
-A sorologia tem um papel limitado no diagnóstico de sinais e sintomas podem ser semelhantes. O
infecção congênita por CMV. É impossível distinguir tratamento deve ser iniciado no período
entre infecções congênitas, perinatal e pós-natal com base neonatal.
em títulos seriados de anticorpos IgG no lactente. Os -Em princípio, os casos de infecção
testes de IgM carecem de sensibilidade e especificidade congênita leve pelo CMV e as formas
para diagnóstico. assintomáticas não teriam indicação de usar
- Avaliação complementar do RN: neurológica, auditiva e a medicação.
oftalmológica.
 Prognóstico:
→ Avaliação complementar: - Cerca de 30% das crianças sintomáticas ao
- Avaliação clínica: Peso, comprimento e perímetro nascimento poderão evoluir para óbito no
cefálico; hepatimetria e tamanho do baço; fundoscopia período neonatal.
ocular ao nascimento e com 12 e 60 meses; - 95% dos sobreviventes terão sequelas
- Avaliação auditiva: Otoemissões acústicas; potencial neurológicas como microcefalia, retardo do
evocado da audição (BERA) ao nascimento, com DNPM, coriorretinite e calcificações
3,6,12,18,24,30 e 36 meses, a partir dessa idade, faz cerebrais.
audiometria infantil condicionada a cada 6 meses até 6 - Das crianças assintomáticas, 10 a 15%
anos de idade; terão alterações tardias, como a surdez e
- Exames de imagem do SNC: TC de crânio ao graus variáveis de lesões neurológicas;
nascimento e, se alterada, repetir de acordo com a - Crianças assintomáticas com evolução
necessidade clínica; neurológica normal até um ano de vida não
- Exames complementares: Hemograma completo com apresentam maior risco de desenvolver
contagem de plaquetas; bilirrubina total e frações; anormalidades tardias quando comparadas às
transaminases séricas; exame liquórico; crianças não infectadas.

 Tratamento:  HERPES NEONATAL:


→ Indicação do uso do antiviral: - O agente etiológico é o Vírus Herpes-
- RN’s com doença grave: sepse viral, pneumonia e Simplex (VHS) dos tipos I e II. Sendo o
trombocitopenia; HVS II a causa predominante de doença
- Ganciclovir (10mg/kg/dia dividido em duas doses neonatal. Clinicamente, a infecção pelo VHS
administradas por via endovenosa por 2 a 4 semanas II é representada por lesões genitais,sendo
durante 60 minutos, de acordo com a gravidade da considerada doença sexualmente
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transmissível. A infecção pelo VHS tipo I manifesta-se  Tratamento:


por meio de lesões labiais. Na infância, sobretudo após os - Existe terapia antiviral específica:
dois anos, o VHS tipo I pode causar gengivoestomatite, Aciclovir EV, 60 mg/kg/dia, em 3 doses por
durante a primoinfecção herpética. 14 a 21 dias (dependendo das
- Uma grande parte das infecções na população adulta é manifestações);
assintomática, com eventual exacerbação. Uma grande - Deve ser administrado prontamente em
parte das mulheres infectadas encontra-se livre de todos os casos suspeitos;
sintomas, abrigando o vírus na cervice uterina. A - O tratamento é indicado para todas as
transmissão neonatal ocorre, na maior parte dos casos, formas da doença;
durante a passagem do RN pelo canal de parto - O uso do aciclovir traz resultados
(intraparto), sendo rara no período antenatal e quando satisfatórios com efeitos colaterais mínimos.
acontece, na maioria dos casos ocorre aborto espontâneo.  Prevenção:
Assim, a infecção deve ser considerada como uma - Parto cesáreo é indicado se houver
infecção perinatal e não congênita. A infecção congênita é presença de lesões genitais no início do
rara e acontece principalmente após a infecção primária parto.
pelo HSV, com viremia e infecção fetal por via - Neonato com presença de lesões cervicais
hematogênica (transplacentária). devem ser isolados de outros RN’s.
- Um risco conhecido é a ruptura prematura de - Aleitamento materno deve ser evitado se
membranas; houver lesões mamárias.
- O risco de infecção perinatal é maior quando há
infecção primária com lesões na mãe. Há um risco  SÍFILIS CONGÊNITA:
sensivelmente menor em infecções recorrentes na mãe, - Agente etiológico: Treponema Pallidum
provavelmente devido a uma menor quantidade de vírus (Espiroqueta);
nas lesões e a presença de anticorpos específicos. - A sífilis congênita é o resultado da
- O bebê pode também infectar-se de outras fontes, como disseminação hematogênica do Treponema
lesões orais da mãe ou surto herpéticos nas enfermarias. pallidum a partir da infecção materna em
- Nos primeiros meses de gestação, a infecção herpética qualquer estágio clínico da doença ou em
pode ser causa de aborto. A infecção primária materna no qualquer idade gestacional.
final da gestação oferece maior risco de infecção neonatal - A transmissão do agente se dá através da
do que a infecção recorrente. via transplacentária ou através da
contaminação do bebê durante sua saída pelo
 Quadro clínico: canal de parto. As mães nas fases primária e
- Infecção da pele, olhos e boca; secundária da doença apresentam risco de
- Infecção do sistema nervoso central (microcefalia, transmissão vertical de 70 a 100% dos casos,
cegueira e coriorretinite); taxa que se reduz para 30% nas fases tardias
- Infecção disseminada (forma mais grave); (latente tardia e terciária). Apesar destes
- Os sintomas podem aparecer até 6 semanas após o altos índices de transmissão neonatal, cerca
nascimento. Pode evoluir com sepse, acompanhada de de 50% das crianças infectadas não
pneumonia e hepatite → letais; apresentarão qualquer sintoma clínico logo
- A infecção é particularmente perigosa em prematuros; após o nascimento, e as manifestações
- Quando ocorre disseminação, geralmente são poderão aparecer somente aos três meses.
acometidos: fígado (icterícia, HE); adrenais; cérebro Por estas razões, se faz importante a triagem
(microcefalia, convulsões, microftalmia e coriorretinite); sorológica das gestantes em todas as
- O único meio de prevenção é oferecer cesariana em maternidades.
casos onde há lesões no canal de parto. - Transmissão ao feto: Vertical → placenta,
cordão umbilical, membranas e líquido
amniótico;
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- Raro: contato com lesão genital materna; - Principais alterações encontradas:


- Aleitamento materno: não transmite; → Sequelas da periostite na fase aguda:
- Qualquer período gestacional → mais comum no último bossa frontal (fronte olímpica),
trimestre; A transmissão fetal pode ocorrer ao longo de espessamento da junção esternoclavicular
toda a gravidez, mas as chances são menores até o quarto (Sinal de Higoumenáki), arqueamento da
mês e aumentam em direção ao termo, já que o fluxo porção média da tíbia (Tíbia em Sabre).
placentário aumenta progressivamente até o terceiro → Anormalidades dentárias: Dentes de
trimestre. Hutchinson e molares em formato de amora.
- Quanto mais crônica a infecção materna, menor o risco → Face: Maxilar curto; Nariz em sela, com
de infecção fetal e menor o acometimento pela doença; ou sem perfuração do septo nasal; Rágades
(por fissuras peribucais).
 Quadro clínico do RN: → Articulação de Clutton (derrame
- Acomete vários órgãos e sistemas, podendo causar articular estéril nos joelhos).
morte fetal ou neonatal e sequelas neurológicas e → Ceratite intersticial, coroidite, retinite,
músculo-esqueléticas; atrofia óptica com possível evolução para
-No feto, ele acomete inicialmente o fígado, para depois cegueira.
se disseminar para pele e mucosas, esqueleto, pulmões e → Lesão de 8o par craniano, levando à
sistema nervoso central. A pneumonia alba, uma lesão surdez e à vertigem. A SC poderá afetar a
pulmonar que surge ainda no período fetal, é incompatível audição por lesão do VIII par, bi ou
com a vida. Cerca de 40% dos casos de sífilis não tratada unilateral. É o componente mais raro da
na gestação terminam em óbito fetal (abortamento tríade de Hutchinson (ceratite, alterações
espontâneo, natimorto) ou morte neonatal precoce. dentárias e surdez).
- Maioria (60%) → assintomáticos ao nascer; → Hidrocefalia.
- Sintomas gerais: Hepatoesplenomegalia, prematuridade → Retardo mental.
e CIUR, lesões cutâneo-mucosas, lesões ósseas,
adenomegalia generalizada, lesões pulmonares, lesões
renais, edema e hidropsia, meningoencefalite  Diagnostico materno:
assintomática e anemia; - Sífilis primária: lesão genital indolor
- Sífilis secundária: lesões cutâneo mucosas
→Precoce (até 2 anos de idade): Na sífilis congênita com ou sem manifestações sistêmicas.
precoce, a hepatomegalia e esplenomegalia estão - A sífilis congênita pode ser prevenida ou
presentes na maioria dos casos, podendo ser tratada eficientemente intraútero, desde que
acompanhadas por anemia, púrpura e icterícia com grande sejam realizados o diagnóstico e o
aumento de transaminases. Quanto mais precoces forem tratamento da gestante, em momento
os sinais clínicos, maior a gravidade da doença, ocorrendo adequado, e se evite a sua reinfecção.
mortalidade de 25% nos filhos de mães não tratadas. - Diagnóstico sorológico
- Sintomas da sífilis congênita precoce: Rinite sifilítica, → Testes não treponêmicos (reagínicos):
icterícia, exantema maculo-papular e VDRL e RPR;
hepatoesplenomegalia; →Testes treponêmicos: FTA-Abs e ELISA;
Obs.: O ministério da saúde do brasil
→ Tardia (após os dois anos de idade): Acima dos dois preconiza realizar o VDRL na primeira
anos de idade os estigmas da doença são os principais consulta pré-natal, idealmente no primeiro
fatores que auxiliam no diagnóstico. trimestre da gravidez, e no início do terceiro
- Lesões articulares, dentárias, neurológicas e oculares. trimestre (28ª semana), sendo repetido na
Comprometimento do desenvolvimento. admissão para parto ou aborto. Na ausência
de teste confirmatório (treponêmico), deve-
se considerar para o diagnóstico de sífilis as
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gestantes com VDRL reagente, em qualquer titulação, - Instituição de tratamento dentro dos 30 dias
desde que não tratadas anteriormente de forma adequada. anteriores ao parto ou término da terapia
preconizada menos de 30 dias antes do parto;
 Diagnóstico do RN: - Manutenção de contato sexual com
-Radiológica: Ossos longos (osteomielite diafisária, parceiro não tratado;
osteítes e periostite); - Ausência de confirmação de decréscimo
- LCR: alterações citológicas, sorológicas ou bioquímicas dos títulos reagínicos;
do LCR → neurossífilis; - Evidência de reinfecção (incremento dos
- Hematológicas: anemia, leucopenia ou leucocitose, títulos reagínicos em pelo menos quatro
trombocitopenia; vezes);
- Enzimas hepáticas;
- VDRL (sangue periférico);  Tratamento do RN:
- Outros: bilirrubinas, função renal, raio X de tórax; - Todo RN com sífilis congênita confirmada
Obs.: O teste VDRL negativo no RN não exclui a ou provável deverá ser tratado e
possibilidade de sífilis congênita. Se não há outros acompanhado até a confirmação da cura.
elementos sugerindo sífilis congênita deve-se repetir o - Droga de escolha: Penicilina Cristalina.
teste com intervalo de 30 dias para confirmar a ausência - Opções: Penicilina procaína (se LCR
de infecção. normal) ou Penicilina benzatina (infecção
pouco provável).
- Interpretação conjunta dos resultados: Mãe e RN
 Acompanhamento do RN:
- Testes sorológicos a cada 2-3 meses até que
hajam 2 títulos negativos;
- RN’s sintomáticos adequadamente tratados:
manifestações clínicas resolvem-se em até 3
meses.
- Se houver alteração de LCR no período
neonatal: repetir 3-6 meses após o
tratamento.
- Exames oftalmológicos, neurológicos e
auditivos a cada 6 meses até 2 anos.

 Prevenção da sífilis congênita:


 Tratamento materno:
- Prevenção das DSTs;
- Primária (cancro duro): Penicilina G Benzatina – 2,4
- Identificação e tratamento adequado de
milhões de UI, dose única;
- Secundária ou < 1 ano: Penicilina G Benzatina –
2,4 milhões UI + 2,4 milhões (intervalo de uma
semana entre as duas doses);
- Terciária ou > 1 ano ou desconhecido: Penicilina G
Benzatina – 2,4 milhões de UI x 3 (7,2 milhões de
UI), intervalo de uma semana entre as doses.
gestantes infectadas;
- Organização dos serviços de saúde →
→ O tratamento materno é inadequado nas seguintes
atender as necessidades da população;
situações:
- Uso de terapia não penicilínica ou penicilínica
 HEPATITE B:
incompleta (tempo e/ou dose de uso);
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- Agente etiológico: Vírus da Hepatite B.


- É um problema de saúde pública no Brasil.  Cuidados no acompanhamento do
- A transmissão pode ser por via sexual, sanguínea, RN exposto ao VHB:
perinatal ou vertical. - Não há indicação de cesárea eletiva;
- Existe vacinação contra hepatite B: Desde 1998 no - Manobras de reanimação e aspiração →
calendário vacinal. evitar traumas;
do RN. - Remover secreções através do banho;
- Raramente sintomática no RN infectado → 70-90% dos - Injeções venosas e IM somente após o
Rns ficarão cronicamente infectados. banho;
- Transmissão vertical → Ocorre em 5% das gestantes - Aleitamento materno é permitido;
agudamente infectadas. - Pesquisa de HbsAg no sangue do RN para
confirmar infecção;
 Transmissão vertical do VHB: - RN de mães infectadas (HbsAg+ e
- Exposição perinatal ao sangue materno: principal via de HbeAg+);
infecção (95% dos casos).
- RN nascidos de mães positivas para AgHBe possuem - Recomenda-se que em RN pré-termo com
risco de 70 a 90% de aquisição de se infectarem no peso ao nascer inferior a 2000g, que tenham
período perinatal. Para RN nascidos de mães negativas sido expostos à infecção materna pelo VHB,
para AgHBe, esse risco é de 0 a 19%. seja feita uma dose de vacina e IGHB até 12
- Importante realizar triagem gestacional das infecções horas de vida e com um mês de idade seja
agudas e crônicas. A triagem sorológica deveria ser iniciada a série de três doses.
realizada em todas as gestantes, pois em pelo menos 50%
das mulheres infectadas não se identificam fatores de  EXPOSIÇÃO AO HIV:
risco para a infecção. - A taxa de transmissão vertical do HIV, sem
- Triagem sorológica: 30 semanas de Ig - Pesquisa do qualquer intervenção, situa-se em torno de
HbsAg. 25 a 30%. Entretanto, com o uso combinado
- Características maternas que implicam em avaliação de determinadas intervenções (como o uso
para VHB durante a gestação: de antirretrovirais na gestante, o parto por
→ Hepatite ou icterícia anterior; cirurgia cesariana eletiva, o uso de
→ Transfusão múltipla de sangue ou derivados; quimioprofilaxia com o AZT na parturiente e
→ Uso de drogas endovenosas; no recém- nascido, e a não amamentação)
→ Contato sexual ou doméstico com indivíduos pode ser reduzida para cifras entre 0-2%.
contaminados; - A maior parte dos casos de transmissão
→ Comportamento sexual promíscuo; vertical do HIV ocorre durante o trabalho de
→ Profissionais de saúde com risco ocupacional; parto (75%) e no parto propriamente dito e
- Procedências de locais de alta endemicidade da doença; os 2% restantes ocorrem intraútero,
principalmente nas últimas semanas de
gestação e através do aleitamento materno.
 Prevenção: - O aleitamento materno é proibido nesses
- A prevenção através da imuno-profilaxia é eficaz. casos.
- O uso isolado da vacina contra o VHB no período - Testes sorológicos confirmatórios (ELISA)
perinatal previne 70 a 85% dos casos de transmissão e teste rápido;
vertical, dependendo da frequência do marcador AgHBe - Teste negativo: não exclui infecção
na população, enquanto o uso combinado de IGHB e →janela sorológica;
vacina confere eficácia protetora de 85 a 95%, mesmo - Gestante: triagem na primeira consulta
quando a mãe é portadora do antígeno HBe e não possui pré-natal
anticorpos anti-HBe.
Pediatria - Hianne Costa

→ Se negativo: Repetir no início do 3o trimestre - 50% das mulheres em idade reprodutiva


→ Se positivo:- Aconselhamento pós teste; são suscetíveis à infecção.
- Importância dos AVR (terapia - Causa perda fetal por hidropsia fetal;
antirretrovirais); anemia severa, falha cardíaca congestiva,
- Solicitar carga viral e TCD4; edema generalizado e morte fetal.
- Notificar o caso; - Não há evidências de teratogenicidade.
- Risco de morte fetal maior quando infecção
 Condutas para o trabalho de parto e parto: ocorre durante o segundo trimestre da
- 65% dos casos de transmissão ocorrem durante o gestação (12%).
trabalho de parto e parto; - Mínimo risco ao feto durante 1o ou 3o
- 35% intra-útero: últimas semanas de gestação; trimestres.
- Teste rápido na admissão para o parto: toda gestante - Infecção da mãe durante a gestação não
que não fez triagem pré-natal ou sem resultado; deve implicar diretamente em terminação da
- A quimioprofilaxia antirretroviral está indicada para gestação.
todas as parturientes com diagnóstico anterior de HIV ou
cujo teste rápido tenha sido reagente no momento do  VARICELA NEONATAL E
parto, com zidovudina (AZT) por via intravenosa. VARICELA-ZOOSTER:
-
 Manejo ao RN exposto: durante a gestação
- Evitar traumatismos em mucosas → aspiração delicada - Infecção primária durante a gestação traz
de VAS e fazê-lo somente se necessário; um risco maior de doença grave→
- Banho imediato após o parto; pneumonia;
- Iniciar quimioprofilaxia no RN; - Primeiras 20 semanas de gestação: até 3%
de chance de transmissão do vírus ao feto;
 Puerpério e seguimento pós-natal: - Síndrome da varicela congênita:
- Contraindicar e inibir a lactação; → Lesões cicatriciais na pele;
- Orientar o preparo e uso da fórmula infantil; → Hipoplasia de membros;
- Agendar consulta com especialista em até 2 semanas → Defeitos no CNS e oculares;
- Manter mãe e RN em ALCON; → Morte na infância.
- Suspender o AZT com 30 dias de vida; -VZV pode cruzar a placenta nos estágios
- Iniciar SMT+TMP oral até 12 meses de idade; tardios da gestação e infectar o feto
- Solicitar hemograma e função hepática; congenitamente, causando varicela neonatal.
- Solicitar duas contagens de carga viral: - Varicela Neonatal pode variar de doença
1ª: entre 1 e 6 meses (se negativa) → 2ª: 4 meses leve a infecção disseminada fatal.
após a primeira - Se o eritema na mãe ocorre em até 1
- Duas cargas virais indetectáveis: sorologia com 1 ano; semana antes do parto, imunidade suficiente
- Primeira carga viral positiva: solicitar imediatamente a deve ter sido transferida para o feto.
segunda → duas positivas → diagnóstico da infecção; - Imunoglobulina anti-zoster deve ser
administrada a gestantes soronegativas em
 INFECÇÃO CONGÊNITA POR contato com doentes e crianças cujas mães
PARVOVÍRUS: desenvolvem varicela nos últimos 7 dias de
- Agente causador da “quinta doença” (Eritema gestação.
Infeccioso), clinicamente difícil de distinguir de rubéola.
- Disseminação por via respiratória, 60-70% da população
é eventualmente infectada.

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